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Numero do processo: 10830.907374/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.294
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 74 /2 01 0- 19 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.907374/201019 Acórdão n.º 3201003.294 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.405, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.907374/201019 Acórdão n.º 3201003.294 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.907374/201019 Acórdão n.º 3201003.294 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.907374/201019 Acórdão n.º 3201003.294 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720009/2006-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. DÉBITO VENCIDO DE PERÍODO ANTERIOR À FORMAÇÃO DO CRÉDITO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF RETIFICADORA E COMPENSADO COM VALOR DE SALDO NEGATIVO APURADO POSTERIORMENTE. LEGALIDADE.
É plenamente lícita a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de ano-calendário posterior para quitar débito vencido de período anterior à sua formação, declarado por meio de DCTF retificadora, apresentada após sua devida apuração.
SOFTWARE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INSTRUÇÕES DE UTILIZAÇÃO E AJUDA. FERRAMENTA DESPROVIDA DE NATUREZA DE VEÍCULO NORMATIVO E DISPOSIÇÕES QUE NÃO AFIGURAM REGRA JURÍDICA.
As instruções contidas nos softwares da Receita Federal do Brasil, dirigidas ao seus usuários para auxiliá-los e esclarecer procedimentos de preenchimento de declarações, não têm natureza de norma ou regra jurídica de qualquer hierarquia, não podendo fundamentar proibições ou limitações a direito dos contribuintes previsto em Lei e efetivamente regulado por normativos infralegais.
Numero da decisão: 1402-002.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do saldo negativo de 2007 na quitação de estimativas devidas em anos anteriores e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar com análise da procedência do crédito de R$ 2.947.783,90.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITO VENCIDO DE PERÍODO ANTERIOR À FORMAÇÃO DO CRÉDITO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF RETIFICADORA E COMPENSADO COM VALOR DE SALDO NEGATIVO APURADO POSTERIORMENTE. LEGALIDADE. É plenamente lícita a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de ano-calendário posterior para quitar débito vencido de período anterior à sua formação, declarado por meio de DCTF retificadora, apresentada após sua devida apuração. SOFTWARE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INSTRUÇÕES DE UTILIZAÇÃO E AJUDA. FERRAMENTA DESPROVIDA DE NATUREZA DE VEÍCULO NORMATIVO E DISPOSIÇÕES QUE NÃO AFIGURAM REGRA JURÍDICA. As instruções contidas nos softwares da Receita Federal do Brasil, dirigidas ao seus usuários para auxiliá-los e esclarecer procedimentos de preenchimento de declarações, não têm natureza de norma ou regra jurídica de qualquer hierarquia, não podendo fundamentar proibições ou limitações a direito dos contribuintes previsto em Lei e efetivamente regulado por normativos infralegais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 915 1 914 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720009/200607 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.915 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BUNGE ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITO VENCIDO DE PERÍODO ANTERIOR À FORMAÇÃO DO CRÉDITO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF RETIFICADORA E COMPENSADO COM VALOR DE SALDO NEGATIVO APURADO POSTERIORMENTE. LEGALIDADE. É plenamente lícita a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de ano calendário posterior para quitar débito vencido de período anterior à sua formação, declarado por meio de DCTF retificadora, apresentada após sua devida apuração. SOFTWARE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INSTRUÇÕES DE UTILIZAÇÃO E AJUDA. FERRAMENTA DESPROVIDA DE NATUREZA DE VEÍCULO NORMATIVO E DISPOSIÇÕES QUE NÃO AFIGURAM REGRA JURÍDICA. As instruções contidas nos softwares da Receita Federal do Brasil, dirigidas ao seus usuários para auxiliálos e esclarecer procedimentos de preenchimento de declarações, não têm natureza de norma ou regra jurídica de qualquer hierarquia, não podendo fundamentar proibições ou limitações a direito dos contribuintes previsto em Lei e efetivamente regulado por normativos infralegais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do saldo negativo de 2007 na quitação de estimativas devidas em anos anteriores e determinar o retorno dos autos à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 09 /2 00 6- 07 Fl. 915DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 916 2 Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar com análise da procedência do crédito de R$ 2.947.783,90. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 917 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 865 a 912) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Florianópolis/SC (fls. 850 a 859) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 827 a 837), mantendo integralmente o r. Despacho Decisório (fls. 786 a 821), que homologou apenas parcialmente o crédito de IRPJ e CSLL pleiteado pela Contribuinte, por meio de DCOMPs (fls. 1 a 281). Em suma, as compensações sob análise são referentes a saldo negativo apurado no anocalendário de 2005 pela Recorrente, formado por IRRF e estimativas mensais. Confirase nos quadros abaixo as DCOMPs objeto do presente processo: Fl. 917DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 918 4 Os débitos objeto das DCOMP descritas no quadro acima são os seguintes: (fls. 787 a 788) Fl. 918DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 919 5 Doravante, adotase o preciso e completo relatório da DRJ a quo, que também pormenoriza o conteúdo do r. Despacho Decisório (Parecer SAORT) que inaugurou a contenda: Em análise do pleito, a autoridade recorrida proferiu o Despacho Decisório de f. 560, no qual reconheceu, em parte, o direito creditório pleiteado, nos seguintes montantes: Além disso, indeferiu os Pedidos de Cancelamento de nºs 06754.07259.310708.1.8.026379 e 36095.00765.310708.1.8.02 8414. No Parecer Saort/DRF/Blumenau n° 27212008, consta, em síntese, a seguinte fundamentação: DA COMPENSAÇÃO Como será exposto em item especifico ("DA INSTRUÇÃO DO PROCESSO .), a Intimação Fiscal n° 292/08, às fls. 406/407, foi expedida em 30/06/2008, com ciência da contribuinte em 03/07/2008 ("AR" à fl. 408). Em 03/07/2008, portanto, configurouse o marco temporal correspondente à intimação inicial para apresentação de documentos probatórios das compensações efetuadas pela interessada tendo em vista a vinculação das mesmas aos créditos pleiteados no processo em epígrafe. Conforme já registrado, entretanto, a requerente transmitiu os Pedidos de Cancelamento de 06754.07259.310708.1,8.026379 e 36095.0065.310708.1.8.028414 em 31/07/2008; agiu, pois, de forma intempestiva, uma vez que não tomou em consideração o marco temporal mencionado no parágrafo anterior, 03/07/2008. Por conseguinte, nos termas do parágrafo único do artigo 62 da IN SRF n° 600/2005, há que se indeferir os Pedidos de Cancelamento de nºs 06754.07259310708.1.8.026379 e 36095.00765.310708.1.8.018414, persistindo a análise das DCOMP relacionadas, às fls. 89/108 e 157/164. [...] DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) [...] Conforme registrado no PER/DCOMP de n°1053034282.1101.7.022803, à fl. 04, e na DIPJ 2006, à fl. 329, à fl. 329, a interessada informa ter havido retenção de IRPJ pela fonte pagadora de CNPJ 07.712535/000134, Bunge Fl. 919DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 920 6 Alimentos Participações Ltda., com código de receita 3426 (Aplicações Financeiras de Renda Fixa), no montante de R$ 1.416.316,66. [...] Para que a pretensão da interessada pudesse ser acolhida, seria necessária a comprovação inequívoca da retenção de IR na fonte no valor alegado; a pesquisa realizada no sistema SIEF/DIRF, entretanto, confirma apenas a retenção referente ao período 1212005, no valor de R$ 723.013,97, como se pode verificar pela tela de consulta à fl. 382. [...] Contudo, trazidos os documentos previstos em lei, ainda persiste a necessidade de se comprovar o devido oferecimento dos respectivos rendimentos financeiros à tributação na apuração do lucro real. [...] Neste contexto, emitiuse a Intimação Fiscal n° 357/08, de 12/08/2008, à fl. 615, com ciência da requerente na mesma data; Cá a reprodução do quesito contido nesta Intimação: "Apresentar cópias autenticadas dos extratos do Livro Razão nos quais constem os lançamentos das receitas das aplicações financeiras correspondentes aos 1RRF que integram os saldos negativos pleiteados no mencionado processo; apresentar cópias autenticadas dos termos de abertura e encerramento do Livro em tela." Em 22/08/2008, a interessada apresentou um CD (Compact Disk) contendo, segundo a mesma, "o razão das contas de receitas financeiras nas quais constam os lançamentos das receitas decorrente (sic) de aplicações financeiras correspondentes (sic) ao (sie) IRRF que integram o saldo negativo do anocalendário de 2005." Os extratos do Livro Razão não foram apresentados; o arquivo digital enviado, "Razão conta receitas financeiras — 5900 953.xls", não relacionou as receitas financeiras de forma adequada; houve referência a apenas uma conta contábil ("CD_CONTA_CONTÁBIL 953"; "NM CONTA_COlVTABIL V.M S/ADTO MP2). Não foi possível, pois, a constatação da efetiva oferta à tributação dos receitas financeiras que propiciaram as retenções de IR. Considerandose o atendimento inadequado ao quesito da Intimação Fiscal n° 357/08, a contribuinte foi novamente interpelada por meio da Intimação Fiscal n° 447108, de 22/09/2008, à fl. 617, com ciência da interessada em 25/09/2008 ("AR" à fl. 618). Os extratos do Livro Razão, novamente, não foram apresentadas. Por meio do quesito encerrado no item 1.3 da Intimação Fiscal n° 447/08, solicitouse: Fl. 920DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 921 7 "planilha eletrônica que identifique os lançamentos das receitas das aplicações financeiras correspondentes aos IRRF que integram os saldos negativos requeridos no processo em epígrafe." É de se destacar o fato de que a interessada fora previamente cientificada dos efeitos decorrentes do nãoatendimento aos quesitos da Intimação Fiscal no 447/08, nos termos do trecho abaixo transcrito: "O atendimento integral no prazo citado no 'caput' desta Intimação, dos quesitos acima formulados, é de caráter obrigatório para fins de análise do pleito. Caso a presente Intimação não seja cumprida integralmente no prazo estipulado, os créditos relativos aos quesitos acima serão não reconhecidos, nos termos do art. e da Instrução Normativa SRF n°600, de 28/12/2005." A contribuinte, contudo, não atendeu à Intimação em tela, e tampouco apresentou pedido de prorrogação do prazo concedido (10 dias). [...] Diante do exposto, considerandose que caberia á interessada apresentar os documentos necessários à comprovação do seu direito à restituição e de sua certeza e liquidez para fins de compensação, efetuouse a glosa integral do montante de 1RRF deduzido no anocalendário 2005 e informado na D1PJ 2006. Em outras palavras, foram glosados os montantes de IRRE utilizados na linha 07 da ficha 11 (IR mensal por estimativa), RS 2.951236,67, e na linha 13 da ficha 12A (IR sobre o lucro real), R$ 1251467,89. DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA [...] A dedução de IRRF na apuração do IR mensal por estimativa, no montante de R$ 2.953.236,67. já foi analisada Logo, do total deduzido a titulo de IR mensal por estimativa, RS 60,757.767,47, informado na linha 17 da ficha 12A da D1PJ 2006, à fl. 311, resta a comprovação da importância de R$ 57.804.530,80, correspondente às estimativas de IR apagar. [...] Débito IRPJ 01/2005. A contribuinte apurou IR a pagar em janeiro no valor de R$ 8.149.441.33. [...] A interessada assinalou a compensação do valor de RS 2.947.783,90 com saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, indicando o PERDCOMP de n° 37669.38365.300908.1.3.02 5777. Este pedido eletrônico. todavia, corresponde ao saldo Fl. 921DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 922 8 negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2007, conforme extrato à 620. Logo, o crédito utilizado nem sequer existia à época da apuração da estimativa mensal de IRPJ. Eis o que dispõe um excerto da "Ajuda" do PGD PER/DCOMP 3.3: "Ficha Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores" (...) A ficha "Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores" deverá ser preenchida com os dados relativos à(s) estimativa(s) mensal(is) de IRPJ apurada(s) no período a que se refere asa/do negativo deIRPJ objeto do Pedido Eletrônico de Restituição ou da Declaração de Compensação, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), que foi(ram) total ou parcialmente compensada(s) pela pessoa jurídica com o saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores." (grifouse) A instrução é clara: nesta ficha, só existe possibilidade de compensação com "saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores"; não há pois, que se argüir factível a compensação com saldo negativo apurado em períodos posteriores. Portanto, neste caso, não há que se falar em existência de credito liquido e certo capaz de extinguir aparecia de R$ 2.947.783,90 do débito IRPJ 01/2005. Inconformada com o Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de f. 659 a 669, na qual alega, em síntese, que: Dos pedidos de cancelamento O pedido de cancelamento não pode ser indeferido, posto que o procedimento adotado pela impugnante foi espontâneo, na medida em que o valor referente à compensação cancelada, na verdade, já estava declarado e foi compensado imediatamente com outro crédito, tendo em vista as retificadoras transmitidas. Da glosa do valor de 1RRF no valor de R$ 693.302,97 Não pode a requerente ser prejudicada por erros e equívocos cometidos pela fonte pagadora na apresentação de sua DIRF, até mesmo de falta de recolhimento do tributo informado; Não pode o Sr. AFRFB confundir o fato de serem empresas do mesmo grupo econômico, na medida que tem administração diferentes a até mesmo sedes distintas. Cada uma tem suas responsabilidades fiscais e devem responder por isto. Dos valores de IRRF no valor de R$ 2.953.236,67 (IR mensal por estimativa) e de R$ 3,253.467.89 (IR/Lucro Real) Fl. 922DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 923 9 Inicialmente, cabe ponderar que a impugnante não recebeu, ou houve extravio, da Intimação n° 447108 (f. 617/618), razão pela qual não teve conhecimento que permitisse atender a intimação; Independentemente deste fato, verificase da planilha constante no CD anexado, a informa4o referente às contas contábeis dos lançamentos das receitas financeiras oferecidas à tributação do IRPJ, extraídas do Livro Razão já acostados (vide Termo de Anexação de Objeto às f. 621) aos presentes autos como reconhecido pelo Sr. AFRFB, bem como os demais documentos em atendimento à Intimação n° 292/08 às E 410/511 (cópia LAL1JR), 5121562 (cópia Livro Diário), 563/599 (Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte) e 602/609 (Declaração relativa às retenções de IR no anocalendário 2005) e 610 (Declaração relativa às retenções de IR no anocalendário 2005); O referido CD contém três planilhas, sendo uma relativa ao "Rendimento Bruto X Razão", uma das "contas de receita" e a última da "Composição dos Informes de Rendimento", que podem ser aferidos através dos documentos e arquivos constantes dos autos; A planilha "contas receitas" demonstra claramente que todas as receitas foram levadas ao resultado, contendo as respectivas contas contábeis demonstradoras de que os mesmos foram oferecidos à tributação, inclusive, com excedente, confirmadas pela planilha "Composição dos Informes de Rendimentos" e relativa ao "Rendimento Bruto X Razão". Da compensação do valor de R$ 2.947.78190 do débito IRPJ 01/2005 com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 O entendimento não pode ser indeferido, posto que inexiste fundamentação legal para a não homologação da compensação levada a efeito pela impugnante, notadamente porque à época vigia a IN SRF 600/05, e em seu art. 26 e parágrafos não há a vedação invocada pelo Sr. AFRFB. Do crédito_para compensação do débito de IRRI do período de apuração abril/2006 conforme DCOMP 13292.40584.100908.1.7.023649 Considerando o acima exposto, havia saldo negativo suficiente para quitar a obrigação tributária, tornandose sem efeito a homologação parcial, transformandoa em total. Devidamente encaminhado os autos à 3ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS, foi proferido o v. Acórdão ora recorrido, rejeitando totalmente a Manifestação de Inconformidade apresentada, ementado da seguinte forma: Fl. 923DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 924 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ demanda, entre outros requisitos, a demonstração de que o imposto retido levado à dedução na sua apuração, corresponde a rendimento que foi regularmente oferecido à tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS DE VALIDADE. A compensação pressupõe, para além da existência de créditos liquidas e certos, a observância dos requisitos regulamentares. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, basicamente repisando as mesmas alegações de sua primeira defesa, abrangendo as matérias referentes à improcedência da glosa do crédito referente ao IRRF glosado, da compensação da estimativa de janeiro de 2005 com saldo negativo do anocalendário de 2007 e da impropriedade da negativa do cancelamento de duas das suas DCOMPs. Na sequência, os autos foram retornaram para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 925 11 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como se observa, a controvérsia que permanece na presente contenda resumese: 1) à suposta ausência de comprovação de oferta à tributação dos rendimentos objeto de incidência do IRRF que formou o saldo negativo do anocalendário de 2005; 2) à não homologação da compensação de parte do saldo a pagar de IRPJ (estimativa mensal) referente ao mês de janeiro de 2005, por ter a Contribuinte quitado este débito por meio da DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777, valendose de crédito oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2007 para tanto; e 3) ao indeferimento do cancelamento das DCOMPs n° 09779.64583.140306.1.3.027058 e 09996.55355.141206.1.3.028697, sob os números de cancelamento 06754.07259.310708.1.8.026379 e 36095.00785310708.1.8.02841. Analisando tais matérias e a motivação dos decisórios proferidos nestes autos (r. Despacho Decisório e v. Acórdão recorrido), temos que um desses temas é potencialmente prejudicial à analise do resto da demanda. Nesse sentido, a não homologação da compensação de parte da estimativa mensal de IRPJ do mês de janeiro de 2005, por meio da DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777 deuse por motivação de inconformidade (inobservância dos requisitos regulamentares) do procedimento da Recorrente. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 926 12 Melhor esclarecendo, em 21/10/2008, antes da prolatação do r. Despacho Decisório, a Contribuinte retificou a sua DCTF mensal de janeiro de 2005, informando débito de estimativa na monta total de R$ 8.149.441,33, quitando o valor R$2.947.783,90 desse débito global por meio de tal compensação (fls. 768). Posto isso, verificando a formação do saldo negativo do anocalendário de 2005, especificamente as estimativa saldada em janeiro de 2005, a Autoridade Tributária local glosou esse valor de R$2.947.783,90, por entender sumariamente que não poderia a Contribuinte ter se valido de saldo negativo de 2007 para quitar débito de 2005, posto que tal crédito não existia e não possuiria certeza e liquidez ao tempo do vencimento da obrigação de pagar a estimativa. Confirase a fundamentação do r. Parecer que fundamenta o r. Despacho Decisório: Conforme extrato DCTF às fls. 335/342, parte das estimativas de IRPJ apuradas na ficha 11 da DIPJ 2006 foi recolhida em Darf, parte compensada com saldo negativo de períodos anteriores e parte compensada com créditos relativos a outros tributos, nos termos dos parágrafos seguintes. Débito IRPJ 0112005. A contribuinte apurou IR a pagar em janeiro no valor de R$ 8.149.441,33. O valor do principal recolhido em Darf, R$ 53,01, foi confirmado pelo sistema SINAL09, conforme extrato à fl. 348. Por meio do PAF n° 13971.000132/200519, a interessada compensou uma parcela de R$ 5.201.604,42 com credito de Cofins apurado no 4º trimestre de 2004. Fazse oportuno destacar que esta Saort elaborou Informações Fiscais aos processos de nºs 13971.001080/200417, 13971.001377/200482, 13971.001567/200408, 13971.000132/200519, 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, de forma a agregar as DCOMP segundo as origens dos créditos e os trimestres civis em que se incluem os seus períodos de apuração. A interessada assinalou a compensação do valor de R$ 2.947.783,90 com saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores, indicando o PER/DCOMP de n° 37669.38365.300908.1.3.025777. Este pedido eletrônico, todavia, corresponde ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2007, conforme extrato à fl. 620. Logo, o crédito utilizado nem sequer existia à época da apuração da estimativa mensal de IRPJ. Eis o que dispõe um excerto da "Ajuda" do PGD PER/DCOMP 3.3: "Ficha Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores Fl. 926DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 927 13 (...) A ficha "Estimativas Compensadas com Saldo de Períodos Anteriores" deverá ser preenchida com os dados relativos à(s) estimativa(s) mensal(is) de IRPJ, apurada(s) no período a que se refere o saldo negativo de IRPJ objeto do Pedido Eletrônico de Restituição ou da Declaração de Compensação, conforme informado na Declaração de lnformaçães EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), que foi(ram) total ou parcialmente compensada(s) pela pessoa Jurídica com o saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores." (grifouse) A instrução é clara: nesta ficha, só existe possibilidade de compensação com "saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores"; não há, pois, que se argüir factível a compensação com saldo negativo apurado em períodos posteriores. Portanto, neste caso, não há que se falar em existência de crédito liquido e certo capaz de extinguir a parcela de R$ 2.947.783,90 do débito IRPJ 01/2005. Conseqüentemente, o débito referente a janeiro de 2005 não foi totalmente liquidado; necessária, então, tomouse a glosa da parcela de R$ 2.947.783,90, descrita nos dois parágrafos anteriores. Na apuração do ajuste anual, considerarseá o montante de R$ 5.201.657,43 como valor de estimativa efetivamente pago. (fls. 806 e 807 destacamos) Como se observa, a Unidade Local procedeu ao julgamento do mérito individual de procedência de tal compensação formadora do crédito1, não reconhecendo a quitação de parte da estimativa de janeiro de 2005 por entender que o crédito utilizado não possuía certeza e liquidez, posto que teria origem em saldo negativo de 2007, apurado apenas posteriormente. Frisese que tal rejeição do direito da Contribuinte é exclusivamente baseada no excerto "Ajuda" do PGD PER/DCOMP 3.3 (um software), que se vale do termo saldo negativo de períodos anteriores. Fica claro que não houve qualquer outra apuração ou investigação sobre a origem e a procedência do crédito utilizado, em face de terse decidido, preliminar e sumariamente, pela suposta incorreção na postura da Contribuinte, que automaticamente furtaria a certeza e liquidez do crédito para essa compensação, de débito de janeiro de 2005. 1 Consultando o sítio eletrônico da Receita Federal referente a existência de despacho decisório relacionado a tal DCOMP, o sistema afirma não haver despacho decisório: https://www32.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/SSL/ATRCE/SCC/index.asp?erro=3&ni=84046101000193&p= 376693836530090813025777 (consulta em 03/01/2017) Fl. 927DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 928 14 Por sua vez, o v. Acórdão recorrido não decidiu de forma diferente: Em análise do arguido, constatase que não assiste razão à recorrente. É de se acolher o entendimento da autoridade recorrida, que se embasou na orientação contida no programa de geração das DCOMP, pois constitui entendimento referendado por ato normativo. Assim é que a Instrução Normativa RFB n° 751, de 29 de junho de 2007, aprovou o referido programa, nos seguintes termos: (...) Art. 1° Aprovar o programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação, versão 3.3 (PER/DCOMP 3.3). Parágrafo Único. O programa PER/DCOMP 3.3, de livre reprodução, estará disponível para download no sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na internet, endereço http://www.receitafazenda. gov. br> Art. 2 O PER/DCOMP poderá ser apresentado com assinatura digital mediante certificado digital válido. Parágrafo único. Na hipótese de sujeito passivo obrigado à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Mensal (DCTF Mensal), a apresentação do PER/DCOMP com assinatura digital será obrigatória Art. 3° Esta Instrução Normativa entra em vigor em 1° de julho de 2007. É de se ressaltar que a atribuição de disciplinar a compensação em análise é da Receita Federal, conforme § 14 do art. 74, da Lei n° 9.430/96 (grifei): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n°10.637, de 2002) (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004) Fl. 928DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 929 15 Essa lei está em consonância ao que prevê o capta do art. 170 do Código Tributário Nacional (grifei): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Resulta, então, que a contribuinte ao poderá compensar débito de IRPJ com saldo negativo de IRPJ de períodos posteriores, procedimento este não previsto em ato normativo. (fls. 857 a 858) Ora, data maxima venia aos N. Julgadores a quo, tal entendimento não possui qualquer base legal e é manifestamente oposto àquilo previsto nos textos de Lei acima colacionados. Primeiramente, como se observa, o art. 170 do CTN permite a compensação de débitos vencidos. E a redação vigente, à época dos fatos, do art. 74 da Lei nº 9.430/96 não fazia qualquer diferenciação entre débitos vencidos ou vincendos. Não obstante, o art. 26 da própria Instrução Normativa nº 600/20052, aplicável ao caso, também deixa clara a expressa possibilidade de se compensar crédito apurado com débito vencido, surgido em momento pretérito. Tampouco nas vedações de compensações do § 3º desse mesmo dispositivo infralegal está prevista a hipótese dos autos. Ao seu turno, temos como certo, inclusive na jurisprudência pacífica dessa 1ª Seção do E. CARF, que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Desse modo, uma vez retificada a DCTF em 21/10/2008, nada mais fez a Contribuinte do que declarar um débito vencido, em relação a janeiro de 2005. E inclusive já o 2 Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 930 16 fez vinculando o adimplemento de tal obrigação à DCOMP nº 37669.38365.300908.1302 5777, como comprovado às fls. 889 a 896. Posto isso, quando constituído tal débito pela entrega da DCTF retificadora, o saldo negativo do anocalendário de 2007 já representava um crédito da Contribuinte, passível de utilização em compensação de eficácia condicionada, naturalmente, a condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, o que ocorreu nos autos foi mera quitação de débito vencido. A fundamentação de que o excerto "ajuda" do software PGD PER/DCOMP 3.3 contém proibição da compensação procedida pelo Contribuinte é absolutamente improcedente. As instruções de um software não se afiguram como espécie normativa, não possuindo qualquer valor jurídico suas prescrições. Diferentemente daquilo que se afirmou no v. Acórdão, ainda que o programa de informática tenha sido referendado por normativos da Receita Federal do Brasil, as disposições de ajuda ao usuário também não revestemse de entendimento jurídico, público e oficial, daquele Órgão arrecadador. E, como os próprios trechos de normativos trazidos no v. Acórdão confirmam contradizendo sua conclusão não existe qualquer proibição ao uso de crédito oriundo de saldo negativo de período posterior para a quitação de débito vencido (ainda que de período anterior à sua formação), mas, sim, sua textual autorização legal. Diante disso, deve ser afastado a conclusão de que não há que se falar em existência de crédito liquido e certo capaz de extinguir a parcela de R$ 2.947.783,90 do débito IRPJ 01/2005, reformandose as decisões proferidas nesse feito. Contudo, a adoção desse fundamento para a negativa à compensação pretendida pela Contribuinte (mantida pelo v. Acórdão) acarretou na rejeição sumária da utilização do crédito, sem qualquer investigação da sua formação ou análise de procedência quantitativa. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 931 17 Dessa forma, também é medida jurisdicional correta no presente caso a determinação de retorno dos autos à Unidade Local para que se analise e confirme a procedência do crédito utilizado na DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777, uma vez confirmada a possibilidade legal de se utilizar o saldo negativo do anocalendário de 2007 para quitar estimativa mensal de 2005, declarada por DCTF retificadora. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer a legalidade da utilização de crédito oriundo de saldo negativo de anocalendário posterior (2007), para quitar débito vencido de período anterior à sua formação (2005), declarado por meio de DCTF retificadora, transmitida posteriormente. Devem os autos retornar à Unidade Local para que seja prolatado r. Despacho Decisório complementar, exclusivamente no que tange à estimativa de janeiro de 2005, referente à procedência de parcela do crédito no valor de R$ 2.947.783,90, relativo à compensação efetuada pela DCOMP nº 37669.38365.300908.13025777 para quitarlhe parcialmente. Havendo a homologação total dessa parcela de R$ 2.947.783,90 pela Unidade Local, os autos devem retornar a este E. CARF para o julgamento das demais matérias do Recurso Voluntário. No caso de negativa total ou parcial da homologação da compensação em questão pela Unidade Local, fica facultado à Contribuinte apresentar nova Manifestação de Inconformidade, exclusivamente sobre tal tema, que deverá ser julgada pela DRJ a quo, por meio de Acórdão complementar. Havendo a homologação total dessa parcela pela DRJ, os autos devem retornar a este E. CARF para o julgamento das demais matérias do Recurso Voluntário. No caso da rejeição total ou parcial da nova defesa da Contribuinte pela DRJ, também deve serlhe aberto prazo para a apresentação de complementação de Recurso Voluntário, antes de ser retomado o presente julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 931DF CARF MF Processo nº 13971.720009/200607 Acórdão n.º 1402002.915 S1C4T2 Fl. 932 18 Caio Cesar Nader Quintella Fl. 932DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.722507/2015-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
REVISÃO DE DECLARAÇÃO. CONFRONTO DE DIPJ COM DCTF E PAGAMENTOS. TRIBUTOS DECLARADOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO OU CONSTITUIÇÃO POR MEIO DE DCTF. INTIMAÇÃO REGULAR DO CONTRIBUINTE. PROCEDIMENTO FISCAL VÁLIDO. ARTS. 835 E 841 RIR/99. PROCEDÊNCIA.
É válido e regular o lançamento de ofício que teve como origem procedimento de revisão de declaração, pelo qual apurou-se a existência de débitos de tributos devidos, informados em DIPJ, mas não constantes em DCTF e sem pagamentos correspondentes, procedido após intimação válida de contribuinte que permaneceu silente.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA.
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. CONFLITO COM DISPOSIÇÃO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O conhecimento de alegações referentes a violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o cancelamento ou reconhecimento de nulidade do lançamento lavrado diante de circunstância expressamente prevista em Lei, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1402-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias alheias ao objeto do presente processo administrativo e as de natureza constitucional e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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CONFRONTO DE DIPJ COM DCTF E PAGAMENTOS. TRIBUTOS DECLARADOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO OU CONSTITUIÇÃO POR MEIO DE DCTF. INTIMAÇÃO REGULAR DO CONTRIBUINTE. PROCEDIMENTO FISCAL VÁLIDO. ARTS. 835 E 841 RIR/99. PROCEDÊNCIA. É válido e regular o lançamento de ofício que teve como origem procedimento de revisão de declaração, pelo qual apurouse a existência de débitos de tributos devidos, informados em DIPJ, mas não constantes em DCTF e sem pagamentos correspondentes, procedido após intimação válida de contribuinte que permaneceu silente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. MATÉRIAS DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. CONFLITO COM DISPOSIÇÃO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. O conhecimento de alegações referentes a violação de princípios constitucionalmente prestigiados, como fundamento para o cancelamento ou reconhecimento de nulidade do lançamento lavrado diante de circunstância expressamente prevista em Lei, é vedado aos membros deste E. CARF, seja por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 ou da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 25 07 /2 01 5- 88 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 221 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias alheias ao objeto do presente processo administrativo e as de natureza constitucional e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 222 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 194 a 215) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE (fls. 176 a 183) que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada (fls. 137 a 170), mantendo integralmente as Autuações lavradas contra o Contribuinte (fls. 98 a 126). A contenda tem como objeto lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, referentes ao 2º trimestre do anocalendário de 2012, originalmente decorrentes de Revisão de Declaração, fundamentados no confronto entre os valores de tributos devidos, declarados em DIPJ com a DCTF do período e a total ausência de comprovação de recolhimentos correspondentes: A Fiscalização tentou, por diversas vezes, intimar a Recorrente por via postal, restando todas as tentativas frustradas. Após tal fato, a Autoridade Fiscal promoveu pesquisa das informações cadastrais da companhia junto à Junta Comercial, confirmando a compatibilidade de endereços constantes de seu Contrato Social e cadastro junto à RFB. Assim, foi promovido o Edital Eletrônico nº 001087842, publicado em 26/06/2015, com ciência em 13/07/2015. Não obstante, o Fisco também enviou Cartas de Aviso de Edital aos Sócios da Empresa, Sr. Reinaldo Nunes Cabral e Sr. Francisco Neves Pereira. Mesmo assim, não houve qualquer resposta ou atendimento até a lavratura das Autuações. Porém, após cientificada da lavratura das Autuações, a Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 137 a 170), alegando, em suma: Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 223 4 a) que a fiscalização se baseou apenas na DIPJ e na DCTF, utilizandose de presunção simples e sem uma análise completa da contabilidade da empresa; b) que na ocorrência de divergências cabe ao Fisco buscar informações; c) que o CTN exige a determinação da base de cálculo e a comprovação da ocorrência do fato gerador, que, no caso, seria a omissão de receita; d) que não cabe a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (relatório DRJ, fls. 178) Igualmente, o Contribuinte acostou aos autos cópias de seu Balanço Patrimonial referente ao anocalendário, informado pelo SPED. A defesa foi encaminhada para a DRJ de Recife/PE para julgamento, sendo proferido o v. Acórdão, ora recorrido, rejeitando totalmente o apelo apresentado. Confirase a ementa (fls. 176 a 183): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento de direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 224 5 Anocalendário: 2012 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Devida a lavratura de auto de infração para exigência de imposto apurado em DIPJ que comprovadamente não foi pago ou confessado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Devida a lavratura de auto de infração para exigência da CSLL apurada em DIPJ que comprovadamente não foi paga ou confessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA A multa de ofício integra o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora após o seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a ora Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. fls. 194 a 215), agora sob apreço, repisando os mesmos argumentos de sua Impugnação. Na sequência, os autos foram retornaram para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 225 6 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Delimitando e esclarecendo o objeto meritório da presente contenda, até visando afastar indução a erro dos demais Julgadores, é necessário frisar que, ainda que mencionado diversas vezes pelo Contribuinte em seus apelos, bem como trazidos excertos jurisprudenciais, não se trata aqui de exigência de crédito tributário oriundo de acusação fiscal de omissão de receitas. A verdadeira matéria in casu é muito clara e simples: durante procedimento de Revisão de Declaração, verificouse total divergência entre os valores de tributos devidos informados pela Recorrente em sua DIPJ 2013, em confronto com as DCTFs apresentadas (as quais não continham qualquer conteúdo informativo zeradas) e nem foram verificados pagamentos correspondentes. Houve diversas tentativas de se intimar o Contribuinte para esclarecer a quitação ou a constituição de tais valores informados (3 vezes por meio postal). Após inúmeras frustrações de tentativa de comunicação pelos correios, legal e regularmente, procedeuse ao mencionado Edital, inclusive informando os Sócios da empresa autuada de ocorrência de tal modalidade de intimação. A Autoridade Fiscal também promoveu pesquisa das informações cadastrais da companhia junto à JUCESP, confirmando a compatibilidade de endereços constantes de seu Contrato Social e cadastro junto à RFB, demonstrado sua diligência e emprenho em obter esclarecimentos do Contribuinte antes da lavratura dos Autos de Infração. Inclusive e mais importante, não há alegações da Recorrente sobre a nulidade de sua intimação. Diante de tal silêncio, não havendo esclarecimentos ou provas acerca da situação dos tributos informados em DIPJ (os quais a Fiscalização confirmou não terem sido Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 226 7 declarados em DCTF e nem objeto de recolhimentos), procedeu à lavratura dos Autos de Infração, ora combatidos. Esse é o arcabouço fático sobre qual o debate jurídico deve ser empreendido neste processo. Frisese que, se extraídas as argumentações do Contribuinte especificamente sobre omissão de receitas (matéria alheia ao feito) e sobre a violação de princípios constitucionais, referentes aos atos da administração pública (matéria cujo conhecimento é expressamente vedado), resta apenas para ser conhecidas e julgadas as alegações i) de nulidade dos lançamentos de ofício, em razão da ausência de maiores investigações da ocorrência dos fatos geradores, inclusive nas contas e registros da própria Empresa autuada, bem como ii) a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa, com a incorreção da adoção da Taxa SELIC para tanto. Posto isso, sobre a nulidade dos lançamentos de ofício, é certo que cabe à Fiscalização demonstrar com clareza, produzir e acostar ao processo administrativo todas as provas necessárias ao fundamento das autuações lavradas, garantindolhes validade e preenchendo os requisitos arrolados no art. 142 do CTN. No presente caso, temos que a origem da exação em tela é o procedimento de revisão de declaração, ação legal, válida e naturalmente empreendida pelo Fisco, principalmente diante da dinâmica de constituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. E precisamente durante tal procedimento que fora detectada a ausência de quitação ou mesmo constituição por DCTF dos valores de tributos informados como devidos pelo Contribuinte na sua DIPJ. Tal revisão também se afigura como um procedimento investigativo da existência de obrigações tributárias não satisfeitas. Quando se afirma (corretamente) que a DIPJ tem mera natureza informativa, não se nega todo seu valor jurídico e probante, apenas em contraposição à DCTF esclarece se que não basta a entrega de tal modalidade de obrigação acessória para a constituição do crédito tributário. Como precisamente ocorreu no presente caso, em face da total ausência de informações do Contribuinte explicando a improcedência ou mesmo a extinção daqueles Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 227 8 tributos apontados como devidos, procedeu a Autoridade Fiscal aos necessários lançamentos de ofício para a sua exigência. Ressaltese que, mesmo após a devida ciência dos Autos de Infração e oferta de Impugnação e Recurso Voluntário (garantindo o contraditório, duplamente), o Contribuinte não fez qualquer afirmação sobre a origem e, muito menos, sobre a improcedência material dos tributos, seja por exemplo erro no preenchimento da DIPJ, a existência de declaração retificadora, quaisquer recolhimentos ao longo do exercício de 2012, retenções, etc. O Balanço Patrimonial simplesmente anexado à sua Impugnação, extraído do próprio registro do sped, em nada combate a fundamentação dos lançamentos. Atevese o Contribuinte, durante todo o feito, a alegar a nulidade do lançamento por falta de investigações do Fisco e combater a incidência de juros sobre a penalidade, sem qualquer argumento meritório sobre as obrigações tributárias. Ao seu turno, a manobra da Fiscalização está plenamente amparada e expressamente prevista em Lei. Confirase: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). §1º A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. §2º A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 1º). §3º Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19). §4º O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 841 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). (...) Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 228 9 Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, Lei nº 8.541, de 1992, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): I não apresentar declaração de rendimentos; II deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; III fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; V estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; VI omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo único. Aplicarseá o lançamento de ofício, além dos casos enumerados neste artigo, àqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o favor fiscal. (destacamos) Assim, rejeitase a alegação de nulidade das Autuações sob julgamento, confirmando, então, sua procedência, diante também da ausência de outros argumentos que combatem as exações fiscais. Quanto à alegações da ilegalidade de incidência de juros sobre multa e aplicação da Taxa SELIC, esta C. 2ª Turma acompanha o atual entendimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entende ser devida tal postura fiscal, bem como correta eleição da Taxa SELIC. O Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra esse posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 229 10 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Diante do exposto, não conheço das matérias alheias ao objeto do presente processo administrativo e as de natureza constitucional, e em relação às demais matérias Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10882.722507/201588 Acórdão n.º 1402002.823 S1C4T2 Fl. 230 11 conhecidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido e as Autuações combatidas. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910384/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2003
IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, o que extrapola os limites da lide.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1402-000.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 IRPJ. DCOMP. RETIFICAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE OUTROS CRÉDITOS PARA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, o que extrapola os limites da lide. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13888.910384/200921 Acórdão n.º 140200.700 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SENSUS METERING SYSTEMS DO BRASIL LTDA., já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o processo das DCOMP de fls.17/44, (58/70), nas quais, a mais antiga foi enviada em 15122004, referentes a crédito de IRPJ originado de suposto saldo negativo do ano de 2003, no valor de R$647.357,47. O despacho decisório eletrônico de fls.57, da DRF/Piracicaba, reconheceu em parte o direito creditório da Interessada, apenas no valor de R$533.768,98, pelo fato de ter sido apurado pagamento a menor de estimativas, o que ocasionou a homologação parcial das compensações declaradas A Interessada apresentou manifestação de inconformidade em 01122009, (fls.01), após ter tido ciência do despacho em 09112009, (fls.52), alegando que os pagamentos, (DARF), e DCTF acostados às fls.31/33 e 45/51, comprovam que houve saldo negativo de IRPJ suficiente para a homologação plena. Requereu perícia. A decisão recorrida está assim ementada: PERÍCIA. O objetivo da perícia é o de formar a convicção do julgador no âmbito do processo. Constando nos autos os elementos suficientes para se concluir sobre os fatos levantados, não há necessidade da mesma. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. No voto condutor do acórdão de primeira instância extraise os seguintes fundamentos: Da perícia. O objetivo da perícia é o de formar a convicção do julgador no âmbito do processo. Assim, já constando nos autos os elementos suficientes para se concluir sobre os fatos levantados, não há necessidade da mesma. Das antecipações realizadas. Conforme se verifica às fls.77, os DARF de IRPJ estimativa, código 5993, referentes aos períodos de apuração do ano de 2003, acostados pela Interessada às fls. 31/33 e 45/51, totalizam R$354.734,15. Ocorre que, do exame dos extratos dos sistemas da Receita Federal às fls.78/79, constatase que do pagamento de R$90.480,82, referente ao período de apuração de Fl. 202DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13888.910384/200921 Acórdão n.º 140200.700 S1C4T2 Fl. 0 3 fevereiro de 2003, a parcela de R$30.387,37, já foi concedida à Interessada no âmbito do PA nº.13888.905123/200999, (fls.79), que analisou a DCOMP consignada às fls.78. Da mesma forma, do exame dos extratos dos sistemas da Receita Federal às fls.80/81, constatase que do pagamento de R$45.670,33, referente ao período de apuração de maio de 2003, a parcela de R$5.409,60, já foi concedida à Interessada no âmbito do PA nº.13888.905124/200933, (fls.81), que analisou a DCOMP consignada às fls.80. A redução dos valores acima mencionados: R$30.387,37 e R$5.409,60, faz com que o total dos DARF de IRPJ estimativa, código 5993, referentes aos períodos de apuração do ano de 2003, no valor de R$354.734,15, (fls.77), passe a ser de R$318.937,28, que foi o montante apurado pela autoridade recorrida, conforme despacho de fls.57. O documento de fls.33 não foi confirmado nos sistemas da Receita Federal.. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/11/2010, fls.88 e seguintes aduzindo que: (...) Admitida a utilização de indébito indevido, ante a não comprovação da subsistência da liminar concedida nos autos do processo judicial 2003.61.09.0007660, temse que a recorrente teria compensado indébito indevido, no valor de R$ 5.375,54. Os anexos abaixo referidos demonstram, no entanto, que a recorrente detinha direito a indébito decorrentes de saldos negativos e recolhimentos a maior, que anulam o suposto débito. Com efeito, o ANEXO A relaciona os recolhimentos realizados e comprovados, tal qual consta dos registros da própria SRFB, ao passo que o ANEXO B traz o RESUMO DIPJ ano base 2002, exercício 2003, que demonstra saldo a favor da recorrente, cujos lançamentos correspondem àqueles constantes do sistema da própria SRFB. O ANEXO C relaciona todas as compensações realizadas pela recorrente, cifrando os respectivos PERDs. COMP., de modo a demonstrar que o indébito legitimamente detido pela contribuinte — e comprovado pelos registros constantes do sistema da própria SRFB — é suficiente para extinção por meio de compensação, dos créditos tributários resultantes da glosa da inicial compensação. Requer, pois, sejam extintos os créditos tributários, resultantes da glosa da inicial compensação, pelos indébitos decorrentes dos saldos negativos e recolhimentos a maior realizados pela recorrente, tal qual constam discriminados e comprovados nas planilhas anexas. (...) ANTE O EXPOSTO, requer seja acolhido e provido o presente recurso voluntário, extinguindose os créditos tributários mediante compensação dos indébitos decorrentes dos saldos negativos e recolhimentos a maior realizados pela recorrente, tal qual constam discriminados e comprovados nas planilhas anexas. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13888.910384/200921 Acórdão n.º 140200.700 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, a contribuinte admite em seu recurso a insuficiência do direito creditório apontado nas Declarações de Compensação (DCOMP), mas alega possuir outros créditos, decorrentes de indébitos tributários de outros períodos, passíveis de compensação, que requer seja utilizado para homologar as compensações. Verificase, de plano, que não se trata de erro de preenchimento da DCOMP, tal qual reconhecido no julgamento do processo 13888.908927/200940 da mesma contribuinte, anterior a este. Sobre a DCOMP, dispõe o art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (redação dada pelo art. 49 da lei 10.637/2002:) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (A redação deste Inciso foi dada pelo Artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29.12.2004.) (Grifei). Fl. 204DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 13888.910384/200921 Acórdão n.º 140200.700 S1C4T2 Fl. 0 5 Na prática a pretensão da contribuinte equivale a um novo pedido de compensação, para que o débito remanescente seja compensado com outros créditos. Tal procedimento é expressamente vedado pela lei de regência, conforme acima grifado. Uma vez apresentado o pedido de compensação e indicado o crédito, em sendo este indeferido pela autoridade administrativa, não pode o contribuinte, no mesmo processo, indicar outro crédito para compensar o débito. Tal procedimento importaria em reiniciar, desde a origem, a análise do crédito, o que o que extrapola os limites da lide. ISSO POSTO, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 205DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721905/2014-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA.SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE.
São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação a que está legalmente obrigado.
Numero da decisão: 2401-005.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que deu provimento ao recurso. O conselheiro Rayd Santana Ferreira solicitou a apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA.SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação a que está legalmente obrigado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que deu provimento ao recurso. O conselheiro Rayd Santana Ferreira solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721905/201480 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.195 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CONACENTRO COOP DOS PROD DO CENTRO OESTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA.SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação a que está legalmente obrigado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 19 05 /2 01 4- 80 Fl. 1305DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, negarlhe provimento, vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira, que deu provimento ao recurso. O conselheiro Rayd Santana Ferreira solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito lançado a partir do Auto de Infração (DEBCAD n° 51.048.2520), referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativamente ao período de janeiro/2011 a dezembro/2012, incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de produtores rurais pessoa física, devidas à Seguridade Social e que foram depositadas judicialmente conforme processo n° 00087148820084036000. A empresa auditada é uma Cooperativa de Produtores Rurais, destinada a realizar a venda da produção rural de seus cooperados no mercado interno e externo, conforme previsto em seu contrato social. No mesmo procedimento também foram lavrados os AI DEBCAD n° 51.048.2538 e 51.048.2546, que estão constituídos no Processo n° 10140.721906/201424. Na ação fiscal, foram considerados os seguintes enquadramentos para a empresa: o CNAE fiscal (01156/00), o FPAS (7441), o GILRAT (0,1) e o SENAR (0,2). Durante o procedimento fiscal o contribuinte apresentou todos os documentos solicitados pelo Auditor. Foram analisados: documentos constitutivos da cooperativa, notas fiscais de entrada, demonstrações contábeis, depósitos judiciais e medidas judiciais. Não foi emitido o TABD Termo de Arrolamento de Bens e Direitos em decorrência dos bens e direitos do Ativo da empresa superar o mínimo previsto na Legislação, conforme DIPJ 2014. Na planilha II, o auditor indicou a base de cálculo das contribuições previdenciárias (Aquisição de Produção Rural de Pessoa Física), conforme dados obtidos através da Escrituração Fiscal Digital disponibilizada pela empresa, onde consta o valor devido ao INSS e o valor depositado judicialmente pela empresa. Observase ainda na planilha II que em determinadas competências o valor depositado judicialmente supera o valor apurado no procedimento fiscal e que o valor excedido não foi aproveitado durante a ação fiscal. A Fiscalização juntou aos autos consulta processual, às fls. 39/65, onde consta copia do Processo Judicial n°2008.60.00.0087140, ingressado em 22/08/2008, na Justiça Federal em Campo Grande/MS, que consiste em uma Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica, cumulada com pedido de Repetição do Indébito Tributário e com pedido de tutela antecipada para realização de depósito judicial, na qual questiona a obrigatoriedade de reter e recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural por parte de seus cooperados. Em sua Impugnação o contribuinte alega em síntese que: Fl. 1307DF CARF MF 4 Ausência de concomitância entre Processo Administrativo e Judicial; Insubsistência da ação fiscal assentada unicamente no montante dos depósitos efetuados; Insubsistência da ação fiscal em relação ao terceiro, pessoa jurídica, adquirente da produção rural do empregador rural pessoa física, por subrogação; Divergências entre os valores apurados no processo da RFB e pela Conacentro: Quanto às divergências acima, a partir do Anexo VI “Planilhas Demonstrativas das aquisições em cada período e dos depósitos respectivos” e do Anexo VII “Relatório de divergências 2011 e 2012” e suas Planilhas Anexas, “Registros fiscais dos documentos de entradas de mercadorias e aquisição de serviços, “Notas fiscais base pagamento conacentro”, “Quadro demonstrativo das diferenças do funrural”, assim como, no anexo III da impugnação ao processo conexo 10140.721906/201424, a Contribuinte apresenta um relatório contendo um resumo das aquisições de cooperado, com a incidência da Contribuição do Funrural, no qual foram confrontadas informações do SPED Fiscal, com a planilha de apuração e com os depósitos judiciais, gerando Relatório com o título de “Relatório de divergências processo RFB – Conacentro Funrural – Ano 2011 e no Ano 2012”, por período de apuração, articulando os fatos considerados relevantes para o processo em comento. Ao final, requereu o acolhimento das suas razões precedentes, para a total insubsistência da ação fiscal, como medida de direito e de justiça.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1538.445 da 7ª Turma da DRJ/SDR, às fls. 1.247/1.262, julgou improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Quando a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial cuja fundamentação e pedido não são coincidentes com os contidos no processo administrativo, não fica caracterizada a renúncia pelo contribuinte às instâncias administrativas. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 4 5 A alteração do crédito tributário deve ser baseado em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.290/1.296, resumidamente, com as seguintes argumentações: (I) Preliminar de nulidade. Sustenta que a preliminar de nulidade apontada no item 2 da Impugnação persiste integralmente. Alega que os documentos encartados nos anexos II a VII comprovam que por ocasião da ação fiscal, limitouse a considerar como base de cálculo precisamente o valor dos depósitos judiciais sem, contudo, verificar o valor efetivo das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas naqueles períodos. Dessa forma, entende que houve violação ao artigo 142, parágrafo único do CTN. (II) Mérito. Discorre acerca da ilegalidade da exigência formulada contra o adquirente da produção rural, por subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física. Afirma que a contribuição previdenciária sobre o valor da comercialização da produção rural a cargo do empregador rural pessoa física encontravase prevista no artigo 25, I e II, da Lei nº 8.212/1991 com redação da Lei nº 8.540/1992 e atualizada até a Lei nº 9.548/1997. Por sua vez, a obrigação do adquirente, por subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física, foi incluída no ordenamento jurídico pelo artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991. Todavia, quando do julgamento do RE 363.852/MG, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do supracitado artigo. Nesse sentido, sustenta inexistir, até o momento, lei em sentido formal e material que prescreva para o adquirente aquela indigitada obrigação. Ademais, a responsabilidade tributária do terceiro que não detenha a condição de contribuinte só é legitimada no ordenamento jurídico se decorrer de lei, nos estritos termos do artigo 121, inciso II, e artigo 128, ambos do CTN. Fl. 1309DF CARF MF 6 Dessa forma, é de se concluir que inexiste obrigação da Recorrente de reter e recolher a contribuição social prevista no artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/1991, razão pela qual pugna pela improcedência da ação fiscal. É o relatório. Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 22/06/2015 conforme Aviso de Recebimento às fls. 1.288, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 22/07/2015 (fl. 1.290), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR Conforme relatado, a Recorrente sustenta que a preliminar de nulidade apontada no item 2 da Impugnação persiste integralmente. Alega que os documentos encartados nos anexos II a VII comprovam que por ocasião da ação fiscal, limitouse a considerar como base de cálculo precisamente o valor dos depósitos judiciais sem, contudo, verificar o valor efetivo das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas naqueles períodos. Dessa forma, entende que houve violação ao artigo 142, parágrafo único do CTN. Compulsando os autos, verificase da peça de Impugnação apresentada (fls. 80/87) que o contribuinte defendeu, no item 2, “a insubsistência da ação fiscal assentada unicamente no montante dos depósitos efetuados”. Argumentou que é absolutamente insubsistente a exigência tributária contida no Auto de Infração DEBCAD 51.048.2520, alicerçada no que descreve o item 2.1 do Relatório Fiscal. Prossegue no sentido de que o Discriminativo de Débito anexo ao Auto de Infração não deixa a menor dúvida de que a exigência tributária limitouse a considerar como valor apurado e portanto como base de cálculo, exatamente a quantia depositada judicialmente, fazendo constar daquele discriminativo, em cada competência o seguinte: “Lev.: RU – DEPÓSITO INSS”. Nesse sentido, entende que resta comprovado que o lançamento tributário, malgrado haver afirmado no item 2.1 do Relatório Fiscal que a exigência “referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtores rurais pessoas físicas”, na realidade, limitouse a considerar como base de cálculo, precisamente o valor dos depósitos judiciais, sem contudo verificar o valor efetivo das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas, como referido. E, dessa forma, entende que a Autoridade Fiscal cometeu erro substancial viciando irremediavelmente o ato jurídico representado no lançamento tributário. Sobre o tema, a egrégia Turma de origem assim se pronunciou: Fl. 1311DF CARF MF 8 A Impugnante considera absolutamente insubsistente a exigência tributária alicerçada no que descreve o item 2.1 do Relatório Fiscal: ‘Item 2.1 O Auto de Infração 51.048.2520 referese as contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtores rurais pessoa física, devidas à Seguridade Social e que foram Depositadas Judicialmente conforme Processo 0008714882008403600.’ Aponta que o Discriminativo de Débito ao Auto de Infração não deixa a menor dúvida de que a exigência tributária limitouse a considerar como valor apurado e portanto como base de cálculo, exatamente a quantia depositada judicialmente, sem contudo verificar o valor efetivo das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas. Razão não lhe assiste. Consoante mencionado neste decisório, na planilha II do Relatório Fiscal (à fl. 75), o auditor indicou a base de cálculo das contribuições previdenciárias (Aquisição de Produção Rural de Pessoa Física), de acordo com os dados obtidos através da Escrituração Fiscal Digital disponibilizada pela própria empresa, onde consta o valor devido ao INSS e o valor depositado judicialmente. Assim, diferentemente do alegado pela impugnante, nesta planilha II foi verificado o valor das aquisições, que consta na primeira coluna “valor das compras” e se refere ao valor das aquisições dos produtores rurais pessoas físicas. Além disso, frisese que essa planilha II foi elaborada a partir dos valores depositados em juízo e da Escrituração Fiscal Digital produzida pelo próprio sujeito passivo. Ademais, remetendose à fundamentação legal do débito constante do Auto de Infração FLD, à fl. 8, no tópico “711 – Depósito do Montante Integral” está indicada a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 ( que dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, entre outras matérias), consoante a qual, em seu art 63, é perfeitamente cabível a constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, em relação a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. No dispositivo legal, apenas é feita ressalva que nestes casos não caberá lançamento de multa de ofício, que efetivamente não foi aplicada no caso concreto, litteris: [...] Neste compasso também dispõe da mesma forma a Súmula CARF nº 17, segundo a qual, nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN, não cabe a exigência de multa de ofício, verbis: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. No caso em tela, conforme mencionado na consulta processual, às fls. 39/65, houve a concessão de tutela antecipada em 09/09/2008 com vistas a realização do depósito do montante integral, suspendendo a exigibilidade do crédito (Art. 151, I C/C IV). Cabível portanto a constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 6 9 Assim, podese concluir que o Relatório Fiscal identifica os dispositivos legais aplicados ao lançamento e o fato gerador das contribuições previdenciárias e que a Auditoria Fiscal apenas aplicou a legislação vigente, em nítida obediência ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, e portanto, consubstancia um procedimento administrativo perfeitamente regular e válido. Ante o exposto, não acolho as razões da impugnante quanto à insubsistência da ação fiscal assentada unicamente no montante dos depósitos efetuados. Da leitura acima, constatase que a respeitável decisão restou suficiente e muito bem fundamentada de modo a afastar as alegações da contribuinte quanto à insubsistência da ação fiscal assentada unicamente no montante dos depósitos efetuados. Todavia, da análise do Recurso Voluntário apresentado, verificase que as razões não impugnam os fundamentos da decisão recorrida. O exercício do direito de recorrer pressupõe do interessado o cumprimento da regularidade formal, em cujo espectro inserese o princípio da dialeticidade, de modo que lhe cumpre afrontar fundamentadamente a motivação utilizada no ato decisório para negar a sua pretensão, sob pena de não conhecimento do recurso. Todavia, adotase o entendimento da instância a quo, acima transcrito, reiterando o entendimento de que é perfeitamente cabível a constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, em relação a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. No dispositivo legal, apenas é feita ressalva que nestes casos não caberá lançamento de multa de ofício, que efetivamente não foi aplicada no caso concreto, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. 3. DO MÉRITO No mérito, a Recorrente discorre acerca da ilegalidade da exigência formulada contra o adquirente da produção rural, por subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física. Afirma que a contribuição previdenciária sobre o valor da comercialização da produção rural a cargo do empregador rural pessoa física encontravase prevista no artigo 25, I e II, da Lei nº 8.212/1991 com redação da Lei nº 8.540/1992 e atualizada até a Lei nº 9.548/1997. Por sua vez, a obrigação do adquirente, por subrogação nas obrigações do produtor rural empregador pessoa física, foi incluída no ordenamento jurídico pelo artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991. Todavia, quando do julgamento do RE 363.852/MG, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do supracitado artigo. Nesse sentido, sustenta inexistir, até o momento, lei em sentido formal e material que prescreva para o adquirente aquela indigitada obrigação. Fl. 1313DF CARF MF 10 Ademais, a responsabilidade tributária do terceiro que não detenha a condição de contribuinte só é legitimada no ordenamento jurídico se decorrer de lei, nos estritos termos do artigo 121, inciso II, e artigo 128, ambos do CTN. Dessa forma, requer a reforma da decisão guerreada ao fundamento de que inexiste obrigação da Recorrente de reter e recolher a contribuição social prevista no artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/1991. Já em tribuna, em sede de sustentação oral, o patrono da contribuinte acrescenta, em reforço aos seus argumentos pela improcedência do lançamento referente à contribuição previdenciária incidente sobre o valor da comercialização da produção rural a cargo do empregador rural pessoa física, a recente edição da Resolução do Senado nº 15 de 2017, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, dentre outros. Sem razão. Mediante referido julgamento, o Supremo Tribunal Federal declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, que previa o recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20, de 1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição) É que antes dessa emenda, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com a alteração promovida, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363.852/MG: (...) Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de se ressaltar que a Lei 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possuir empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. (...) não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 7 11 Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. A lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao caput do artigo 25 da Lei nº 8.212, de 1991, foi editada após a EC nº 20, de 1998. Ou seja, foi editada sob a vigência da nova redação do artigo 195, I, da Constituição, com expressa previsão da receita dos empregadores como nova fonte de custeio da seguridade social. Sendo assim, é evidente que o RE 363.852/MG tem aplicabilidade limitada ao artigo 25 da Lei nº 8.212 de 1991, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992 (atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2011 e 2012, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao artigo 25, I e II, da Lei nº 8.212, de 1991. Tanto é que, quando da apreciação dos Embargos de Declaração opostos no RE 596.177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256, de 2001. Confirase: EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador” (fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256, de 2001. Já em relação edição da Resolução do Senado nº 15 de 2017, que declarou a inconstitucionalidade de alguns artigos, dentre eles do artigo 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, insta articular entendimento proferido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), ao qual me perfilio, na edição do Parecer PGFN/CRJ nº 1447, de 27 de setembro de 2017, sobre a execução de dispositivos legais atinentes à contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física e do segurado especial, incidente sobre a comercialização da produção rural. Impende salientar que a mencionada Resolução do Senado tem acarretado divergências doutrinárias, já que a interpretação meramente literal do seu texto poderia ampliar a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852/MG e nº 596.177/RS (repercussão geral), que diz respeito apenas à Fl. 1315DF CARF MF 12 contribuição do empregador rural pessoa física no período anterior à Lei nº 10.256, de 9 de julho de 2001. À luz do contexto normativo e jurisprudencial que envolve a questão, o Parecer da PGFN conclui, que: • Em consonância com o art. 52, X, da Constituição, a suspensão promovida pela Resolução do Senado deve se dar nos exatos limites da declaração de inconstitucionalidade afirmada pelo STF. • Cumpre à Fazenda Nacional conferir à Resolução nº 15, de 2017, interpretação conforme à Constituição, tendo em vista que se presumem constitucionais as leis e atos normativos editados pelo legislador, em observância ao princípio da supremacia da Constituição e da máxima eficácia das normas constitucionais. • A Resolução nº 15, de 2017, não abrange as normas concernentes à tributação do segurado especial. • A suspensão promovida pela Resolução nº 15, de 2017, não afeta a contribuição do empregador rural pessoa física reinstituída a partir da Lei nº 10.256, de 2001, uma vez que: (i) a tributação levada a efeito a partir de então está amparada por contexto normativo substancialmente diverso daquele submetido ao STF quando do julgamento do RE nº 363.852/MG e do RE nº 596.177/RS, aos quais a Resolução senatorial se reporta; (ii) entendimento contrário implicaria desprezo à tese firmada pelo STF no RE nº 718.874/RS, que assentou a constitucionalidade formal e material da tributação após a Lei nº 10.256, de 2001. Pelo exposto, não vislumbro razões de reforma no decisum de primeira instância, motivo pelo qual mantenho incólume o v. Acórdão recorrido. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente, e, NEGOLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 8 13 Declaração de Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira DA SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE DOS PRODUTORES RURAIS DA PESSOA FÍSICA A aplicação do entendimento do STF exarado no RE n.º 363.852/MG ao presente caso é uma exigência do inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) O RE transitou em julgado em 06/05/2011 e, tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve a referida decisão ser observada nos julgamentos do CARF. Assim a solução da presente lide passa pela delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da subrogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, Fl. 1317DF CARF MF 14 fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Analisando a ementa do acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que o mesmo é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física, e vai além, também afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Percebese, então, que a decisão da Corte Maior atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampado no inciso IV do art. 30 da mesma Lei. O Pretório Excelso, todavia, reconheceu que nova legislação, compatível com a Emenda Constitucional n.º 20/1998, poderia vir a ser editada, eliminando, assim, a inconstitucionalidade formal declarada no RE n.º 363.852. É que a EC n.º 20/1998 inseriu a possibilidade da União instituir contribuição para a Seguridade Social incidente sobre a receita do empregador, eliminando assim a necessidade de que a contribuição fosse instituída por lei complementar, em obediência ao disposto no § 4.º do art. 195 combinado com o art. 146, I, ambos da Carta Magna. Ocorre que a lei compatível com a referida Emenda Constitucional já houvera sido editada em 09/07/2001. Tratase da Lei n.º 10.256, que deu nova redação ao art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos: Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10140.721905/201480 Acórdão n.º 2401005.195 S2C4T1 Fl. 9 15 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) O mesmo não se pode falar acerca da subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, posto que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Eis os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Fl. 1319DF CARF MF 16 Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.598/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. E nem se fale que a decisão do Supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo a regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Assim, mesmo que se admita que a contribuição pós 2001 é constitucional, a forma de cobrança, por substituição tributária/subrogação não é viável, de conformidade com a decisão do STF. Pois, a Lei n. 10.266/2001 nada tratou a respeito, não dispondo sobre uma nova forma de cobrança. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher as contribuições sociais, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência do lançamento. Conclusão Diante de todo exposto, voto por dar provimento ao recurso. É como voto (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1320DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.901872/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA.
Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis.
Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-003.328
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins referese aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 72 /2 01 2- 81 Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação relativos a crédito da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo em parte o direito creditório e, por conseguinte, homologando parcialmente a compensação, em razão de glosas de créditos que não se encontravam em consonância com a legislação de regência. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente reconheceu o creditamento indevido em relação aos insumos adquiridos com alíquota zero, sendo alegado, em relação às demais matérias, que a fiscalização não detalhara os produtos e serviços glosados, nem motivara suas glosas, ferindo o seu direito de defesa, sendo ora destacados os seguintes argumentos: a) nulidade da ação fiscal em razão da ausência de diligência in loco, por falta de motivação e pela ausência de provas; b) a fiscalização demonstrou contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social1 da empresa, posto que diversos créditos glosados eram oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; c) a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; d) direito a crédito sobre os dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, e não apenas sobre a compra de energia, já que não se pode dissociar uma coisa da outra, havendo dispositivo expresso autorizando o creditamento sobre o custo de tal energia, por se tratar de insumo essencial ao seu processo produtivo; 1 pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 4 3 e) a sistemática da não cumulatividade autoriza o creditamento em relação a (i) insumos e serviços utilizados no mineroduto, (ii) aluguel de veículos, máquinas e equipamentos utilizados na produção, (iii) locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas, (vi) serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias e em obras de manutenção de barragens, (vii) gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na mina; f) falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado; g) necessidade de realização de perícia, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Posteriormente, o contribuinte trouxe novos documentos aos autos, solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente, repisando alguns dos argumentos encetados na manifestação de inconformidade e se insurgindo, especificamente, contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. A par da manifestação de inconformidade, a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados e a consequente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Na realização da diligência, a repartição de origem analisou a documentação então apresentada pelo contribuinte, concluindo o seguinte: a) as máquinas e equipamentos haviam sido adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados na produção de bens destinados à venda e/ou à prestação de serviços, em conformidade com a legislação de regência; b) ratificouse a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que haviam sido objeto de glosas, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Cientificado do Relatório Fiscal resultante da diligência, o contribuinte não apresentou, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. Nos termos do Acórdão nº 02046.024, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconhecido o direito a créditos em relação aos (i) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como a Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos relativos a (ii) despesas e custos relacionados à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros e a (iii) combustível consumido nos fornos no processo produtivo (excetuandose o combustível consumido nos veículos utilizados na mina). A DRJ não reconheceu como insumos geradores de créditos os demais produtos e serviços pleiteados pelo contribuinte, por ausência de prova de sua aplicação direta no processo produtivo. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisou os pedidos e os argumentos de defesa anteriormente apresentados, aqueles não acolhidos pela DRJ, e requereu o reconhecimento de conexão entre os 24 (vinte e quatro) recursos voluntários ali identificados, sendo arguido, ainda, o seguinte: a) necessidade de baixa dos autos à origem para que se comprovasse a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento; b) nulidade da recomposição dos créditos eis que não foi observado o acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados no processo produtivo; c) a decisão recorrida está em confronto com o consolidado entendimento do CARF quanto aos insumos geradores de créditos das contribuições e cita precedentes jurisprudenciais do Poder Judiciário e deste Colegiado Administrativo; d) indevida a glosa sobre serviços utilizados como insumos consistentes em: 1) serviços prestados no mineroduto; 2) aluguel de veículos; 3) locação de dragas, de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; 4) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; 5) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; 6) consórcio UHE GuilmanAmorim, operação, manutenção e conservação UHE Muniz Freire; 7) obras de construção civil. Por fim, pleiteou a produção de prova pericial, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência. O processo foi distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tendo sido deliberado pela conversão do feito em diligência para que a unidade de origem tomasse as seguintes providências: ● Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 6 5 produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: ○ demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; ○ esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. ● Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ●·Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ● Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Conforme consta do Relatório Fiscal produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a diligência foi devidamente cumprida, tendo a autoridade administrativa consignado que o contribuinte apresentara dois laudos técnicos, confeccionados por MiningMath Associates e Ernest & Young (EY), contendo o primeiro a descrição do processo produtivo da Samarco, com identificação dos insumos utilizados nas várias etapas da produção, e o segundo a descrição e função dos materiais e serviços empregados como insumos, laudos esses que embasaram os novos cálculos realizados pela fiscalização. Após, o recorrente manifestouse aduzindo: (i) a Fiscalização tão somente reafirma os pressupostos jurídicos que ensejaram a glosa fiscal; (ii) tece comentários sobre os dois laudos técnicos produzidos; (iii) que a Fiscalização não contestou a idoneidade ou materialidade do trabalho realizado, e (iv) reitera os fundamentos dos 24 recursos voluntários interpostos e reafirma a procedência dos seus créditos dada a essencialidade dos insumos glosados para o seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 7 6 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.316, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.316): Das preliminares arguidas Com relação as nulidades arguidas pela recorrente entendo que não procedem. O fato de o lançamento fiscal ter sido efetivado sem as diligências in loco conforme aduzido pela recorrente não conduzem à nulidade da autuação, pois teve a recorrente o amplo direito de defesa e contraditório respeitados, inclusive com a produção de provas e realização de diligência determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O conjunto probatório formado no caderno processual não conduz à nulidade do processo. No caso em apreço, não há que se cogitar de nulidade pelo fato de o lançamento fiscal preencher os requisitos legais, o processo administrativo fiscal proporcionar plenas condições à empresa de contestar o lançamento e inexistir qualquer indício de violação às determinações contidas no Código Tributário Nacional CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Desta forma, por inexistir o vício alegado pela recorrente, inacolho a preliminar. Com relação aos argumentos de que (i) os autos devem retornar à origem para que a DRF comprove junto a recorrente a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento e (ii) que há nulidade da recomposição dos créditos, por não observância ao acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados, entendo, também, que não são causas de nulidade do processo e que tais circunstâncias devem ser apreciadas após a decisão de mérito e definitiva do processo, quando do retorno dos autos à instância de origem para o cumprimento do julgado. Salientese que, em relação aos créditos sobre combustíveis em sua totalidade, conforme argumentado pela recorrente, tal circunstância será apreciada em tópico específico, no mérito da presente decisão. Diante do exposto, inacolho estas preliminares levantadas pela recorrente. Do mérito recursal Em relação ao mérito do recurso algumas considerações introdutórias se fazem necessárias. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 8 7 Marco Aurélio Greco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matérias primas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Equivocadamente, a decisão recorrida utilizou para o caso concreto o conceito de insumos da legislação do IPI, conforme consignado no voto nos seguintes termos: "Em resumo, concluise que, para fins de apuração de créditos do IPI, somente podem ser considerados insumos os bens que se incorporem ao produto industrializado ou que nele se consumam, mediante contato físico direto, razão pela qual, neste arcabouço, não podem ser considerados insumos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, bem como outras despesas e custos que, embora necessárias à atividade da contribuinte, não se encaixem nos mencionados requisitos. Agora, analisase o que se extrai do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a noção do termo “insumos”, para comparála à concepção deste mesmo termo no âmbito do IPI e ao conceito de custos de produção e de despesas operacionais para o IRPJ. No texto do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, verificase que nem todos os bens e serviços podem, com vistas ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, ser considerados insumos, mas, apenas e tãosomente, aqueles “bens e serviços, utilizados (...) na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (grifo nosso). Como visto, de modo semelhante para o IPI, somente é possível, nos termos do Regulamento do imposto, a apuração de crédito “ ... do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização ...” (grifo nosso). E, igualmente, a noção de custos de produção e de despesas operacionais do imposto de renda se restringe às atividades da empresa." Ainda, adotou como fundamento decisório, as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme segue: "Nesta linha de pensamento, a Receita Federal, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003, expediu a IN nº 247, de 21.11.2002 (relativamente à contribuição para o PIS) e a IN SRF nº 404, de 12.03.2004 (no tocante à Cofins), que identicamente conceituam insumos, com adoção da mesma noção do IPI, em seus correspondentes art. 66 Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 9 8 (com as alterações da IN SRF nº 358, de 09.09.2003) e 8º, a seguir vazados:" E prossegue: "Portanto, em que pese todos os julgados, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, citados pela reclamante, em que se prima pelos critérios da essencialidade, especialmente do que diz respeito ao ICMS, destacase que o conceito de insumos dados pelas instruções normativas acima, além de se adequar aos contornos legais, não poderia, se assim não fosse, ser afastado pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, vinculada aos ditames legais e regulamentares (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990). É que as instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridade administrativa competente e que visam regulamentar ou implementar a lei – e, no caso analisado, as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004 foram editadas com fundamento no poder regulamentar expressamente conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003. Por decorrência, compõem a legislação tributária (art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN) e são de observância obrigatória pela autoridade administrativa." O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que embasaram a decisão recorrida, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 10 9 Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 11 10 produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Imperioso,também, nesta parte inicial, citar também, parte do laudo pericial produzido, em que se tem, em breve síntese, resumo do ciclo de operações de recorrente: Dentro do ciclo de operações podemos distinguir três principais: • Remoção de estéril Este processo envolve a movimentação de material para exposição do corpo mineralizado, bem como de material com teores abaixo do teor econômico (teor de corte). As operações unitárias envolvem perfuração e desmonte mecânico e por explosivos, escavação e carregamento. • Lavra do minério O ciclo desta operação é muito semelhante ao empregado na remoção de estéril. Quanto mais semelhante for a rocha estéril, da rocha hospedeira da mineralização, maior será a similaridade das operações de remoção de estéril e lavra de minério, de maneira que possa ser empregada a mesma frota de equipamentos e técnicas de desmonte, escavação e transporte para ambos. • Operações auxiliares Nestas estão envolvidas uma extensa gama de áreas, sendo: Saúde e segurança. Controle e monitoramento do meio ambiente. Abastecimento de energia e água. Gerenciamento de águas superficiais e subterrâneas. Disposição de estéril; Suprimento de material de operação. Manutenção e reparo. Iluminação. Sistema de comunicação e despacho. Construção e manutenção de acessos e estradas. Transporte de pessoal. O processo produtivo da recorrente, conforme alegado, se divide, portanto, nas seguintes etapas, a saber: (i) processo de tratamento do minério bruto (objeto da lavra); (ii) processo de concentração do teor do minério de ferro; (iii) processo de bombeamento do concentrado para a usina; (iv) processo de preparação do minério concentrado; (v) processo de adição de insumos e formação das pelotas; e (vi) processo de separação das pelotas e embarque para exportação. Como visto, pela complexidade da atividade produtiva da recorrente é de fácil percepção que são utilizadas diversas máquinas e equipamentos, tais como, tratores; carregadeiras; caminhões forade estrada; perfuratrizes; escavadeiras; motoniveladoras; lokotrack/lololink e transportador de correia. No laudo confeccionado pela empresa MiningMath Associates estão descritas as funções e atividades exercidas por cada máquina e equipamento. Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 12 11 Exemplificativamente, temse: (i) Escavadeira Utilizada, principalmente, na lavra, na escavação de rochas e carregamento de caminhões, alimentando lokotrackers (Figura 9) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) ou correias transportadoras de bancada. Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: (ii) Trator O trator é utilizado na lavra, no desmonte mecânico das rochas e, na pilha de estéril, na disposição do estéril (Figura 4) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: O laudo descreve, ainda, quais insumos e serviços são utilizados em cada máquina e equipamento, dispondo, de forma expressa, os serviços de manutenção. O conserto, manutenção e a reposição de peças são considerados como insumos indispensáveis ao processo produtivo, devido ao fato de que sem o maquinário e o ferramental adequado e em condições de uso e produtividade não há como se produzir um bem. Vejamos o que tem decidido o CARF sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 13 12 carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádiosamadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas." (grifo nosso) (Processo 10410.723727/201151; Acórdão 9303004.918; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. CRÉDITO. DESPESA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Atendidas as demais condições, as despesas realizadas com manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, geram direito a crédito do PIS nãocumulativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO." (Processo 13052.000441/200307; Acórdão 9303002.801; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 23/01/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 14 13 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10247.000002/2006 23; Acórdão 9303003.069; Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda; sessão de 13/08/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 15 14 produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens." (Processo 13656.721196/201259; Acórdão 3302004.156; Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho; sessão de 22/05/2017) (destaque nosso) Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias recursais, passasse a tratálas de modo individualizado e alegado em sede recursal, conforme a seguir: Serviços prestados no mineroduto Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados ao mineroduto, por se classificarem como insumos na produção de minério. A decisão recorrida adota como fundamento decisório para negar o direito ao crédito da recorrente o seguinte: "Ao contrário desse entendimento, podemos afirmar que o processo produtivo da recorrente possui duas etapas distintas: a extração do minério e a industrialização (no caso, a transformação em pelotas). Dentro desse entendimento, o mineroduto não se vincula a nenhuma das duas etapas, em que pese sua importância na atividade da empresa, mas apenas a uma etapa intermediária, que, nas palavras da contribuinte, se caracteriza como “ponto de ligação de sua peculiar planta industrial”. Nesse sentido, nenhum serviço nele empregado se enquadra no conceito de insumo, por não ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto." Com o devido respeito, mas tal assertiva é desprovida de embasamento técnico apto a lhe dar sustentabilidade. Do laudo produzido pela empresa MiningMath Associates temse que: Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais e o seu tratamento ou processamento para o seu mercado consumidor. Ainda: As operações estão nas minas da unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG), onde extrai o minério de ferro e o beneficia em Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 16 15 três usinas de tratamento de minérios, e em Ubu, na cidade de Anchieta (ES), onde possui quatro usinas de pelotização e um terminal marítimo próprio. Atualmente, tem capacidade para produzir 30 milhões de toneladas. As unidades são conectadas por três minerodutos de aproximadamente 400 quilômetros de extensão cada um, que transportam a polpa de minério de ferro ao longo de 25 municípios. Prossegue o laudo: A tecnologia do mineroduto, sistema de tubulações por onde se transporta minérios a longas distâncias, foi implantada no país pela Samarco, de forma pioneira, e evita o uso de outros modais viários, o que reduz o número de veículos nas estradas e minimiza as emissões de particulados e gases de efeito estufa. Além disso, por meio de sistemas de recirculação, cerca de 90% da água utilizada no sistema é reaproveitada nas operações. As tubulações passam por uma faixa de servidão uma pista com 35 metros de largura e atravessam 25 municípios. Em sua quase totalidade estão enterradas a uma profundidade média de l,30m, o que facilita a movimentação da fauna e dos seres humanos, causa pouca interferência no uso e ocupação do solo, diminui a exposição e suscetibilidade a acidentes. Somente em alguns pequenos trechos, não totalizando 200m, a tubulação se encontra elevada. A polpa de concentrado é inicialmente bombeada na unidade de Germano e no caminho estações de bombeamento e sistemas de válvulas (item 3, subitens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco)controlam o fluxo da polpa, que viaja a uma velocidade média de 6 km/h, levando em torno de 66 horas para percorrer todo o trajeto. Estas unidades possuem funções diferenciadas, sendo as estações de bombas utilizadas para impulsionar a polpa de concentrado no seu percurso ao longo da tubulação e vencer as elevações que chegam a 1.180 metros e as estações de válvulas a de minimizar os esforços bruscos ou permanentes, de pressão dinâmica e estática, a que a tubulação está submetida durante variações de fluxo, ou seja, alivia a pressão na tubulação causada pela diminuição de elevação até Ubu, que fica no nível do mar, garantindo total segurança à operação e as pessoas. Conclui o laudo técnico: Os minerodutos são essenciais no processo de produção das pelotas, assim, a Samarco realiza manutenção corretiva, preventiva e preditiva nos elementos que os compõem e desenvolve programas de monitoramento de processos erosivos. Essas manutenções podem ser próprias ou de empresas contratadas. Para o correto funcionamento e bom desempenho dos minerodutos são consumidos, ainda, insumos como elementos mecânicos, elétricos e hidráulicos, de instrumentação, cal, serviços de limpeza nas instalações e faixa de servidão, elementos das bombas como camisas, pistões, anéis, válvulas, etc. Por sua vez, no laudo produzido pela empresa EY consta que os minerodutos são utilizados no transporte da polpa do minério resultante do processo de concentração até a área de pelotização. É de se observar, ainda, que no laudo da empresa EY há descrição pormenorizada dos créditos relacionados aos serviços aplicados ao mineroduto que liga os complexos operacionais da recorrente e com a indicação se é ou não um dispêndio vinculado ao processo produtivo e à geração de receita. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 17 16 Não logrou êxito a Fiscalização em sua manifestação sobre os aludidos laudos técnicos (Relatório Fiscal) derruir a prova técnica produzida. Aduz a Fiscalização: Da análise dos laudos em questão, verificamos que os mesmos se fundamentaram em conceitos de insumos mais elásticos que aqueles definidos na legislação pertinente, ou seja no artigo 3o das leis n°s 10.637, de 30/12/2002 (PIS) e 10.833, de 29/12/2003 (Cofins), combinados com os artigos 66 e 8o das Instruções Normativas SRF n°s 247, de 21/11/2002 (PIS) e 404, de 12/03/2004 (Cofins). Sendo assim, fazse necessário esclarecermos mais uma vez que o termo "insumo", para fins de creditamento de PIS e Cofins, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera custo/despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados ã venda ou na prestação do serviço da atividade. Percebese, então, que a Fiscalização limitouse a reiterar que a glosa teve por base o conceito restritivo das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, as quais, como já dito, são consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. É clara, portanto, a essencialidade do mineroduto na atividade produtiva da recorrente, consistindo em instrumento necessário e indispensável para a produção do minério. Neste sentido, assim deliberou o CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa." (Processo 10280.003607/200608; Acórdão 3302002.308; Relator Conselheiro Walber José da Silva; sessão de 25/09/2013). Do voto do relator sobre o direito ao crédito pelos serviços prestados em mineroduto, destaco o seguinte excerto: "Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 18 17 Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma." Podese, também, por analogia, por ser o mineroduto um equipamento de transporte, adotar o entendimento de que o transporte (frete) de um produto não acabado como um insumo. Neste sentido, são os precedentes jurisprudenciais a seguir colacionados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. (...) (Processo 11080.722778/200993; Acórdão 9303005.939; Relator Conselheiro Demes Brito; Sessão de 28/11/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...)." (Processo 10925.002182/200921; Acórdão 3302 004.883; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; Sessão de 25/10/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/07/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais." (Processo 13116.000674/20073; Acórdão 3401003.434; Relator Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; sessão de 28/03/2017) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados aos insumos e serviços utilizados no mineroduto por ser este um elemento essencial na atividade produtiva da recorrente, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos. Com razão a recorrente. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, bem como, os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que são empregados na produção de minério. Anota a decisão recorrida para negar o direito ao crédito: "Assim, ratificando o entendimento da fiscalização, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos a aluguel de veículos. E, quanto ao argumento de que a locação em questão seria, em parte, de máquinas e equipamentos, e, portanto, não poderiam ser glosados os créditos relacionados às respectivas faturas, é preciso esclarecer que o simples fato de se tratarem de máquinas e equipamentos os objetos da locação não implica necessariamente no direito ao crédito relativo a essas despesas. (...) Sobre a utilização dos equipamentos locados, a reclamante apenas alega que se tratam de caminhões, tratores, etc, sem especificar exatamente qual a sua utilização. Do contrato apresentado, também não se extrai Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 20 19 elementos capazes de esclarecer acerca do emprego de tais equipamentos, e nem tampouco foi juntado aos autos qualquer outro elemento que pudesse fazer prova de que tais equipamentos são, de fato, empregados diretamente em seu processo de extração ou pelotização do minério, em contraponto ao entendimento firmado no procedimento fiscal. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas neste item, inclusive as relativas aos serviços de locação de máquina." Os veículos, máquinas e equipamentos locados mostramse como imprescindíveis na atividade produtiva da recorrente sendo utilizados em diversas etapas de seu processo produtivo. Novamente, para o correto deslinde da questão é importante se reportar ao laudo produzido pela empresa. Sirvome do laudo elaborado pela empresa MiningMath Associates: (i) Cava No processo de lavra em cava ou de encosta, praticada pela Samarco (Figura 13) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), a remoção do estéril e minério é conduzida na forma de bancadas (...) Pela sua própria natureza, a operação envolve o transporte de quantidades moderadas a grandes de material estéril e minério para fora da cava, à distâncias relativamente longas e à declividades elevadas. Para complementação das operações de lavra propriamente ditas, são necessárias operações auxiliares que envolvem uma extensa gama de atividades que interagem com diversas áreas da empresa. Essas operações auxiliares, apesar do nome, desempenham papéis fundamentais e são essenciais na lavra dos materiais. Algumas delas ocorrem paralelamente à lavra e outras são preliminares à lavra, ou seja, se algumas dessas operações auxiliares não ocorrerem, não é possível à lavra, por exemplo, a construção e manutenção dos acessos e estradas. Por consequência, sem eles não é possível se chegar à frente de lavra. Na Samarco, muitas dessas operações auxiliares são executadas por empresas contratadas, sendo os principais serviços prestados relacionados a: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.) para a mina. (ii) Pilha de estéril Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril (material que não é minério e nem possui qualquer interesse econômico, mas que cobre ou não permite a lavra direta do minério e, portanto, necessita ser removido). Entretanto, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente. O estéril é descartado em pilhas na sua condição natural. A disposição desse material se dá de forma contínua durante toda a etapa de extração do Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 21 20 minério, depende das áreas disponíveis nas proximidades do empreendimento e deve respeitar normas de segurança e proteção ambiental (Figura 14) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Na Samarco, as diversas atividades que envolvem a construção e operação da pilha de estéril são realizadas por empresas contratadas. Os principais serviços consumidos são: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.). (iii) Britador A fragmentação ou cominuição é a operação, ou conjunto de operações, que se caracteriza pela redução das dimensões físicas de um dado conjunto de blocos ou partículas. Os principais mecanismos para a quebra são compressão, impacto e cisalhamento. Genericamente, britagem pode ser definida como conjunto de operações que objetiva a fragmentação de blocos de minérios vindos da mina, levandoos a uma granulometria final ou compatível para posterior processamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (iv) Peneira e grelha O objetivo do peneiramento é a separação do material em duas ou mais frações, com partículas de tamanhos distintos, levandose em conta o tamanho geométrico das partículas em relação às aberturas geométricas existentes no equipamento. Na Samarco essa operação é realizada a seco. Na Figura 17 (item 2, subitem 2.1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é possível ver um conjunto de peneiras. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (v) Moinho A moagem é o último estágio da fragmentação. Opera, normalmente, na faixa do centímetro ao micrômetro. Constituise de cilindros rotativos onde a fragmentação dos materiais se dá através da movimentação da carga interna, minério e corpos moedores (bolas de aço). Em Germano são utilizados diversos tipos de moinhos de bolas (Figura 18) (item 2, subitem 2.3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) e em duas etapas. É na moagem que é adicionado água ao minério e a essa mistura, água mais minério, dáse o nome de polpa. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento) (vi) Flotação A flotação é um processo de separação aplicado a partículas minerais que explora diferenças nas características de superfície entre as várias espécies presentes numa suspensão aquosa (polpa). Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 22 21 A utilização de reagentes específicos, denominados coletores, depressores e modificadores, permite a recuperação seletiva dos minerais por adsorção em bolhas de ar. As operações de flotação da Samarco se dão em várias etapas e em equipamentos diferentes, mas o processo é o mesmo. As bolhas de ar sobem à superfície líquida carregando os minerais sem interesse, os quais são removidos numa espuma, enquanto os de interesse econômico são retirados pela parte inferior do equipamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (vii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte (Figura 22) (item 2, subitens 2.6 e 2.12, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (viii) Bombas, tanques e tubulações A partir do momento que é adicionado água ao processo, temse o que é chamado de polpa (minério mais água). A partir de então, todo o transporte de polpa e alimentação dos equipamentos seguintes são realizados por conjuntos de bombas, tanques e tubulações (item 2, subitens 2.10 e 2.13, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Assim, nos circuitos e processos de moagem, ciclonagem, flotação e espessamento temse conjuntos de bombas, tanques e tubulações necessários para que essas operações possam ocorrer. Os insumos consumidos nesses equipamentos são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (ix) Barragem de rejeito Inerente à atividade de mineração, está a geração de enorme quantidade de rejeitos, resíduos dos processos de beneficiamento e que apresentam na sua composição partículas de rocha, água e as substâncias químicas envolvidas no processo de beneficiamento. Realizar a disposição desses rejeitos de forma segura e econômica, levando em consideração as melhores técnicas e tecnologias disponíveis, é primordial para as mineradoras. Além disso, devido a sua importância e essencialidade no empreendimento mineiro, o plano para a disposição desses rejeitos (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é uma requisito legal, está previsto nas normas reguladoras de mineração (NRM19), deve fazer parte do plano de lavra junto aos requerimentos de registro de extração, licença e concessão de lavra, do plano de aproveitamento econômico (PAE), para obtenção de guia de utilização e quando exigido pelo DNPM. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 23 22 (x) Barragem captação de água As águas das minas, dos concentradores, de drenagem e das barragens de rejeito são direcionadas para uma barragem de água, conhecida como barragem Santarém (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), e dessa é feita a captação de água que retorna para o processo. A recirculação de águas dentro de um projeto mineiro é uma requisição legal e está prevista nas normas reguladoras de mineração (NRM19). Assim, essa barragem é de fundamental importância para as operações da empresa. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xi) Barragem No município de Matipó, na estação de bombas, existe uma barragem de segurança (item 3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) para atender emergência. Ela pode ser utilizada em casos de ruptura ou entupimento da tubulação, manutenção na tubulação ou estação de bombas ou quando necessário. Nesses casos a polpa pode ser direcionada para essa barragem para posterior recuperação e bombeamento. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiii) Preparação de matériasprimas Para que as pelotas adquiram características físicas, químicas e metalúrgicas específicas para utilização em reatores de redução, insumos essenciais são acrescentados, tais como calcário, bentonita ou aglomerante orgânico e carvão. Esses insumos são recebidos e passam por processos de preparação, específico para cada insumo (item 4, subitens 4.6, 4.11, 4.12 e 4.13, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiv) Píer É toda estrutura que avança sobre o mar (Figura 43) (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Essa estrutura suporta o transportador de correia, o carregador de navio e é onde ocorre toda a operação de carregamento de navios. Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 24 23 O píer faz parte do processo dinâmico e integrado de produção, tem capacidade para receber e atracar dois navios a mesmo tempo, visando dar flexibilidade às etapas de carregamento de navios, que podem ocorrer a qualquer momento fora do horário comercial, em finais de semana e feriados e está sujeito a condições do tempo, de maré e características próprias dos navios. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Contratação de serviços e aluguel de equipamentos Para algumas operações no píer, pode ocorrer que equipamentos da Samarco estejam indisponíveis ou sejam inadequados ou, ainda, que ela não possua os equipamentos necessários. Assim, para esses casos, se faz necessária à contratação de serviços e/ou aluguel de equipamentos, como exemplos, serviços de rebocador e portuários para atracagem de navios e/ou locação de rebocadores, locação de dragas para serviços de manutenção do píer, etc. Todos esses serviços são essenciais para as operações de carregamento, pois visam otimizar o tempo dos carregamentos e, por consequência, todo o processo produtivo da Samarco, garantindo a segurança das embarcações, tripulantes e trabalhadores, de toda estrutura e operação do píer e permitindo que a Samarco possa exportar seus produtos. Como visto, a locação de máquinas, equipamentos e veículos é imprescindível para a atividade produtiva de recorrente, sendo lícito o crédito. A própria legislação permite tal creditamento, conforme expressamente disposto nas Leis 10637/2002 e 10833/03): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, destaco os seguintes precedentes que vão ao encontro da tese da recorrente: "Asunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação, serviços de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), óleo diesel e o óleo combustível tipo ABPF. (Processo 13204.000114/200447; Acórdão Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 25 24 9303005.629; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 19/09/2017) (destaque nosso) Do voto condutor, ressalto: "Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial." (destaque do original) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS .Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03." (Processo 10680.724278/200964. Acórdão 9303005.288; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 22/06/2017) Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 26 25 Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados às locações de veículos, máquinas e equipamentos. Locação de Dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários Novamente, possui razão a recorrente em seu pleito. A decisão recorrida assim anota: "Como já explicitado no item anterior (sobre aluguel de veículos), os créditos relacionados a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser entendidos de forma ampla e irrestrita. Tais equipamentos precisam ser utilizados nas atividades da empresa, no caso, de mineração. Assim, no que diz respeito às despesas de locação ou afretamento aqui tratadas, tiveram como objeto embarcação, dragas, e reboques, o que, por si só, já implica em outro tipo de utilidade, que não a de servir à extração ou industrialização do minério, mas de seu transporte. Desta forma, não poderiam tais despesas terem seus créditos descontados, nos termos no referido dispositivo legal. (...) Somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as essas despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Desta forma, seria preciso ficar caracterizado que a contribuinte exerceu atividade de transporte e navegação, inclusive auferindo receitas na prestação desses serviços, de forma que pudesse aproveitar os créditos relativos aos serviços constantes nas planilhas 20, 21 e 22 , que fossem essenciais ao exercício dessa atividade. Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de atestar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou se nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa. Para tanto, necessário se faz que a interessada mantenha escrituração efetuada de forma individualizada, acompanhada dos documentos que lhe dêem suporte, que permitam a correta distinção entre as despesas vinculadas à exportação de minério e as despesas vinculadas aos serviços de transporte e navegação prestados a terceiros, inclusive com a comprovação das receitas auferidas em função da atividade portuária mencionada. Por fim, há ainda a alegação da empresa de que as dragas locadas não foram utilizadas somente nas atividades do porto, mas também na própria mineração, em Mariana/MG. Nas notas fiscais apontadas pela reclamante, os serviços discriminados se referem a drenagem e bombeamento de águas da barragem de Fundão. Ora, a barragem é o local onde são depositados e tratados os rejeitos industriais e, portanto, embora imprescindível para a atividade de produção do minério, não se confunde com a atividade de produção, não podendo os serviços nela empregados serem considerados como “insumos” para a produção de minério." Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 27 26 A decisão merece ser reformada. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações de dragas e reboques. Também, dão direito ao crédito os serviços relacionados ao porto, por serem essenciais a atividade da recorrente O laudo da empresa MiningMath Associates pontua a essencialidade de tais serviços para a consecução das atividades da recorrente. As dragas locadas foram utilizadas na atividade denominada no laudo como "bacias de polpa" assim descrita: Bacias de polpa (item 4, subitem 4.7, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) são bacias existentes, dentro da unidade de Ubu, para recebimento de polpa. Tem também a função de proteger a operação em casos de emergência, como exemplos, queda de energia elétrica, paradas nas usinas, quebra de equipamentos que causem parada de produção, etc. Em tal atividade é insumido o serviço de locação de dragas. Já em relação às locações de reboque, serviços portuários e de rebocador, também é de se prover o recurso. Consta do laudo referido: Dos pátios de estocagem as pelotas são retiradas por retomadoras de roda de caçambas e enviadas por transportadores de correia até o terminal marítimo próprio, para clientes em todo o mundo. No porto (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), localizado em Ponta Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco possui um píer com 313 metros de comprimento, dois berços de atracação e profundidade de até 18,7 metros, com capacidade para receber embarcações de até 308 metros de comprimento e cargas de até 210 mil toneladas. Denotase, então, preenchido o requisito da essencialidade para que faça jus a recorrente ao seu pleito. Desta forma, dou provimento ao recurso. Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. Os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos estão vinculados ao processo produtivo da recorrente e por isso lhe dão o direito ao creditamento. No caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pela recorrente, a necessidade de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos são indissociáveis do seu processo produtivo, ou seja, são intrínsecos à atividade produtiva, a limpeza, recolhimento e transporte de Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 28 27 rejeitos, pois sem isso, inclusive prejuízos de orcem ambiental podem ser gerados. Dos argumentos da recorrente, destaco: Como já foi visto, o minério de ferro passa por diversos subprocessos durante a sua produção. Tais mecanismos possuem sistemas de perdas indesejadas, contudo não são 100% eficazes ao ponto de evitar o escape de material. Estas perdas acabam ficando acumuladas no chão ou depositadas nos equipamentos e, com o passar do tempo, passam a atrapalhar o próprio funcionamento do maquinário. Dessa feira, a limpeza industrial ganha vital importância na medida em que evita o acúmulo desses resíduos e possibilita a sua reutilização no processo produtivo. Aqui é preciso deixar claro que o resíduo não é descartado após a limpeza, mas sim é reinserido no processo produtivo da Recorrente. Foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como indispensáveis ao processo produtivo os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais acolhe a tese da recorrente, conforme decisão a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado" (Processo 10280.722549/2011 74; Acórdão 9303004.657; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 15/02/2017) (destaque nosso) Em recente julgado proferido no processo 15504.724365/201271, que tratava da atividade de mineração, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vejamos: "Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor." Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 29 28 Outras decisões do CARF são favoráveis à recorrente: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...)" (Processo 10280.722549/201174; Acórdão 3403002.765; Relator Conselheiro IVAN ALLEGRETTI; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. (...)." (Processo 11065.001083/2009 62; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 30 29 Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na produção de minério. A decisão recorrida afirma: "Nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, constantes na(s) Nota(s) Fiscal(ais) apresentada(s), são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade. Portanto, estão corretos os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar esses créditos." O decisum merece reforma. Tais serviços são necessários e indispensáveis na atividade da recorrente, o que lhe garante o direito ao creditamento. Na atividade desenvolvida pela recorrente não há como se processar a extração de minério sem a realização dos serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Novamente, importante repisar os argumentos da recorrente: Novo engano: no processo integrado, as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estará comprometido. A nota fiscal em anexo expedida pela empresa PCM Processamento e Caracterização Mineral Ltda, localizada no município de Ouro Preto/MG, traz em seu corpo todos os serviços prestados, o que comprova a irregularidade da autuação (...). (...) Quanto ao tratamento de efluentes, temos exigência legal que não pode ser ignorada. De um lado, a legislação ambiental diz que isso é essencial e obrigatório e a legislação tributária diz que não é essencial e sim dispensável? Está claro que serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas são essenciais à atividade de recorrente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao tema e envolvendo empresa mineradora, assim tem decidido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 31 30 passivo. No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos. (...)" (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira TATIANA MIDORI MIGIYAMA; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) No mesmo sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados." (Processo 16682.720441/201281; Acórdão 3402002.669; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 24/02/2015) (nosso destaque) Assim, considerando a atividade da recorrente, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias Mais uma vez, com razão a recorrente. Para evitar o enfado, adoto como fundamento decisório, a jurisprudência do CARF que se amolda ao caso. Cito os seguintes precedentes: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros." (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302004.821; Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 32 31 Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; Sessão de 24/10/2017). "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 .NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. (...)" (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302 004.821; Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; sessão de 24/10/2017) Importante, também, o consignado pelo Conselheiro Valcir Gassen no processo 10972.000033/200962: "Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586 processo n° 13.646.000183/200451) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;' Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema." Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 33 32 Ora, se o entendimento perfilhado nos acórdãos referidos admitem os créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros, nada mais justo que, de igual modo, seja reconhecido o direito pelo serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias que geram a energia elétrica indispensável à recorrente. Assim, dou provimento ao recurso neste tópico. Serviços relacionados à manutenção civil Em relação a tal tópico comungo com o entendimento da recorrente. As barragens da recorrente são indissociáveis do seu processo produtivo de mineração, pois sem elas é impossível efetuar o beneficiamento do minério de ferro. O mesmo se aplica aos demais itens deste tópico, como por exemplo, desassoreamento, manutenção mecânica e paradas técnicas. Como alegado pela recorrente as benfeitorias foram realizadas em imóvel de sua propriedade e essencial à sua atividade produtiva. Não há como a empresa operar se não efetuar serviços de construção civil, como por exemplo, na barragem de rejeitos, barragem da captação de água, barragem, Assim, considerando a complexidade das atividades da empresa e por todo o exposto na presente decisão é de se prover o recurso neste tópico, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Combustíveis Mais uma vez, com razão a recorrente. A decisão recorrida, data venia, de modo equivocado, limitou a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, afirmando ser possível ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Considerando a atividade produtiva de recorrente os combustíveis consumidos nos veículos utilizados na mina geram crédito em seu favor. O CARF assim tem decidido de modo reiterado, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 34 33 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais." (Processo 11065.001083/200962; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (destaque nosso). "COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NOS SETORES PRODUTIVOS Constatado que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo fabril, eis que direcionados aos equipamentos de fabricação das rações balanceadas para as aves, ao sistema de comedouros, às campânulas de aquecimento ou às máquinas de aquecimento, aos motores de ventilação, dentre outros, é de se impor a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com os referidos combustíveis e lubrificantes. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, de aferição de balanças, de lavagem de veículos, de pá carregadeira, de retroescavadeira, mecânicos, de recapagem de pneus, de assistência técnica em veículos, de aferição elétrica de troca de rolamentos e de conserto de motor utilizados diretamente no processo produtivo devem ser considerados serviços essenciais à atividade do sujeito passivo, gerando direito a constituição de crédito das contribuições ao PIS e à Cofins." (Processo 10935.004861/201050; Acórdão 9303005.679; Relator Conselheiro Demes Brito, sessão de 19/09/2017) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo.No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos." (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 35 34 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO. COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação às aquisições de insumos como por exemplo óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina)." (Processo 10280.004605/200628; Acórdão 3301003.654; Relator Conselheiro Valcir Gassen; sessão de 24/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo 12893.000363/200882; Acórdão 3302004.628; Conselheiro Relator Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 27/07/2017) Assim, dou provimento ao recurso neste tópico, ressaltando, ainda, que deve a unidade de origem proceder à correta recomposição do crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Por fim, esclareço no que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10680.901872/201281 Acórdão n.º 3201003.328 S3C2T1 Fl. 36 35 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, a turma decidiu por dar provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. No que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos, devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1786DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000028/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/08/1999 a 04/04/2001
O termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da CPMF, encontra-se pacificada na jurisprudência deste E. CARF que acolhe o entendimento disposto no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333-SC, na sistemática de recursos repetitivos.
Inexistindo pagamento referente aos fatos ocorridos até 20/12/2000, o lançamento quanto a esse período, está alcançado pela decadência, ex vi do artigo 173, I do CTN.
Numero da decisão: 3302-005.369
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento parcial para reconhecer a decadência do direito de constituir os créditos tributários lançados até 20/12/2000.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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CARF que acolhe o entendimento disposto no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos. Inexistindo pagamento referente aos fatos ocorridos até 20/12/2000, o lançamento quanto a esse período, está alcançado pela decadência, ex vi do artigo 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em darlhe provimento parcial para reconhecer a decadência do direito de constituir os créditos tributários lançados até 20/12/2000. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 28 /2 00 6- 79 Fl. 579DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. acórdão Carf, conforme a seguir transcrito: Versam estes autos de Auto de Infração de exigência fiscal de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, referente à fatos geradores ocorridos entre agosto de 1999 e novembro de 2001, que constituíram um crédito tributário no montante de R$ 961.075,11 (novecentos e sessenta e um mil, setenta e cinco reais e onze centavos), incluído principal, multa de ofício e juros de mora. A autoridade fiscal fundamenta a exigência na afirmação de que tais valores não foram recolhidos à época dos fatos geradores, por força de medida judicial, que foi posteriormente revogada. Os débitos foram apurados com base em informações fornecidas pela instituição financeira onde a contribuinte mantinha conta corrente, em atendimento ao disposto no art. 45, inciso IV, da Medida Provisória nº. 2.11330 de 2001. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado da exigência em 09/01/2006, a contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação em 06/02/2006, na qual alega que à época da lavratura do auto de infração, já estava decaído o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos anteriormente a janeiro de 2001. Aduz que, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, tal prazo seria de cinco anos contados dos fatos geradores (art. 150, § 4º do CTN). Em virtude do auto de infração ser datado de 06/01/2006, já teria, segundo a impugnante, ocorrido a decadência, extinguindo o crédito tributário relativo ao período de 11 de agosto de 1999 a 03 de janeiro de 2001. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, proferiu o Acórdão de nº. 0522.127, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRO CPMF Fl. 580DF CARF MF Processo nº 19515.000028/200679 Acórdão n.º 3302005.369 S3C3T2 Fl. 580 3 Período de apuração: 11/08/1999 a 04/04/2001 DECADÊNCIA. CPMF. PRAZO. O prazo decadencial da CPMF é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente.” Inicialmente, a DRJ registra que a CPMF é, conforme entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal, espécie de contribuição destinada à Seguridade Social e, assim sendo, enquadrase na modalidade de lançamento por homologação, que fixa o prazo de cinco para ação de autoridade administrativa. Contudo, destaca que devese atentar para a ressalva prévia, inserida no caput do art. 150 do CTN: “se a lei não fixar prazo à homologação [...]”. A partir desse contexto, as autoridades administrativas ficam vinculadas ao estabelecido na Lei nº. 8.212/91, que em seu art. 45, determina que o prazo de decadência aplicado à CPMF é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Sob esse prisma, a DRJ aduz que o Auto de Infração, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo em janeiro de 2006, não alberga nenhum período alcançado pela decadência. Após todo o exposto, votou no sentido de julgar procedente o lançamento. Da intimação nº. 3.269/2008 Por meio desta intimação deuse ciência do acórdão 0522.127 e anexouse, ainda, cópia do despacho de 10/12/2008, que trata da decadência dos valores lançados referentes aos períodos de apuração do ano de 1999 e 2000, em face da Súmula Vinculante nº.08. Em virtude do despacho supracitado, a DERAT/SPO, retificou de ofício o lançamento e cancelou, assim, a cobrança relativa aos fatos geradores referentes aos períodos de apuração 08/1999 a 12/2000, uma vez que havia sido extinto pela decadência o direito da Fazenda constituir os respectivos créditos tributários. Retornou, portanto, o processo à DICAT/EQCOB, para que fosse revisado conforme proposto. A DRJ então, julgou parcialmente procedente o Auto de Infração e emitiu DARF, no valor de R$ 81.030,10 (oitenta e um mil, trinta reais e dez centavos), incluídos o principal, multa e juros, sendo facultado ao contribuinte o recolhimento aos cofres da Fazenda Nacional, dentro do prazo de 30 (trinta) dias ou, ainda, que apresentasse recurso ao Conselho de Contribuintes, dentro do mesmo prazo. DO RECURSO Fl. 581DF CARF MF 4 Ciente em 07/01/2009 do Acórdão nº. 0522.127, o contribuinte apresentou em 29/01/2009 Recurso Voluntário a este Conselho. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, destaca, primeiramente, que o valor da multa, que figura na DARF com vencimento em 30/12/2008, é de 75% sobre o valor principal, podendo esse percentual ser reduzido para 30% se quitado dentro do prazo de vencimento e, ainda, que os juros foram aplicados tanto no valor do principal quanto no valor da multa. Inicialmente, a recorrente alega que a aplicação de multa no percentual de 75% é um atentado ao ordenamento constitucional, bem como a própria equidade (art. 108, CTN) como principio norteador de nosso sistema jurídico, caracterizando, para esta, nitidamente um caráter confiscatório, o que é vedado pelo art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Após citar diversos doutrinadores acerca dos temas supracitados e, ainda, colacionar julgado do Conselho de Contribuintes, alega ser descabida a multa de ofício imposta pela autoridade fiscal com base no art. 44 da Lei 9.430/96, uma vez que, segundo a recorrente, contraria alguns dos princípios maiores estampados em nossa Constituição Federal, como a vedação ao confisco e a isonomia tributária. Quanto a cobrança de juros sobre a multa de ofício, aduz não haver sentido dessa prosperar. Ao se admitir tal incidência, estarseia desvirtuando por completo a natureza e a própria finalidade da norma secundária (que não se volta para si mesma, mas sim para a norma primária). O inciso I, do parágrafo 1º, do art. 44 da Lei 9.430/96 prescreve que a multa decorrente de lançamento de ofício será exigida conjuntamente com o tributo, quando não houver sido anteriormente pago; a SRF, porém, vem computando juros sobre tal sanção, podendo, tal afirmação, ser constatada no SICALC fornecido pela SRF e, ainda, na DARF apresentada pela DRJ juntamente a intimação juntada aos autos. Aduz ser necessário ter a consciência de que os juros não existem por si só, pois decorrem de uma obrigação principal, logo não podem incidir sobre a multa, por se tratar de encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o devedor. Ressalta que, em sendo a obrigação acessória autônoma em relação à obrigação principal, não seria possível admitir a reunião, num único processo, de dois créditos com origens distintas. Faltaria, portanto, lei que autorize a União a incluir a multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos, violando, segundo a recorrente, o princípio da legalidade. Ao fim, aduz que após todo o exposto, evidenciase o fato de que não só a cobrança dos juros sobre a multa é indevida, como Fl. 582DF CARF MF Processo nº 19515.000028/200679 Acórdão n.º 3302005.369 S3C3T2 Fl. 581 5 também o valor originário do referido Auto de Infração não encontra respaldo legal para prosperar. Destaca ser imprescindível o reconhecimento de todo o exposto em sede de recurso, pois do contrário se estaria violando os princípios da verdade material, da finalidade, razoabilidade, moralidade, legalidade, ampla defesa e, ainda, do contraditório. Em respeito aos princípios da verdade material e da informalidade, espera que sejam apreciados os argumentos trazidos em sede de recurso, a fim de comprovar a ilegitimidade da cobrança da CPMF, bem como da taxa Selic e da multa de ofício. Após discorrer sobre o fundamento legal dos princípios, concluiu estar comprovada a ilegitimidade da cobrança da CPMF do auto de infração em discussão, uma vez que não existe respaldo legal para tal exigência. Aduz, ainda, que o valor exigido na DARF anexada aos autos é manifestamente indevido, considerando a impossibilidade de cobrança da taxa Selic, tanto no valor principal como na multa de ofício e, ainda, a inconstitucionalidade dessa multa de ofício. Ao fim, requereu que seja julgada totalmente improcedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, excluindose, consequentemente, qualquer aplicação de multa, bem como requereu a exclusão dos juros. Referido acórdão teve o julgamento, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/08/1999 a 04/04/2001. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REFORMA DE DECISÃO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO – DRJ, POR ÓRGÃO OU SERVIDOR INCOMPETENTE. NULIDADE DO PROCESSO DESDE A DECISÃO. As decisões proferidas pelas Delegacias Regionais de Julgamento – DRJ, somente podem ser reformadas por decisão proferida pelo mesmo órgão, atendendo as hipóteses legais de cabimento, ou pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em sede de recursos voluntário ou de ofício, sempre mediante a prolação de novo Acórdão. Por tal razão, afigurase nulo o decisão proferida por Órgão ou Servidor incompetente, que reforma o Acórdão da DRJ e revisa de ofício o lançamento tributário, devendo o processo ser anulado desde a referida decisão. Destaca o despacho de fl.576: Cientificado o contribuinte, em 05/12/2013, do Acórdão 3402 001.634 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que anulou os autos do Fl. 583DF CARF MF 6 processo a partir de fls. 196, este não apresentou qualquer manifestação até a presente data. Considerando que os valores do processo foram retificados de acordo com a decisão da DRJCPS e do determinado pelo Acórdão supra mencionado (extrato de fls. 570 a 575) e, havendo necessidade de apreciação do mérito do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte (fls. 495/530), retorne se o presente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Encontrase pacificada na jurisprudência deste E. CARF o entendimento disposto nos itens 1 e 3 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, conforme excertos a seguir: 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).(Grupo). Fl. 584DF CARF MF Processo nº 19515.000028/200679 Acórdão n.º 3302005.369 S3C3T2 Fl. 582 7 Assim, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, conforme excertos acima, verificase que, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN). A contrario sensu, o prazo deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado (artigo 173, I, do CTN). No caso concreto, tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 09/01/2006, fl.161, inexistindo pagamento, conforme relatado e em se tratando de fatos geradores ocorridos de 11/08/1999 a 04/04/2001, aplicase o disposto no 1artigo 173, I, do CTN, para reconhecer a decadência dos fatos ocorridos até 20/12/2000. Quanto às demais questões, analisase a seguir. Da multa de ofício Quanto à aplicação da multa de ofício, registrese que a falta de pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal sujeita o contribuinte à constituição do crédito de ofício e neste caso, é cabível a multa de ofício nos termos art. 44, 1 , da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;(grifei). Dos juros de mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 585DF CARF MF 8 Notese que o calículo dos juros de mora, para cada período, estão explicitados nos demonstrativos, integrantes do auto de infração, bem como a respectiva base legal, art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei nº 9.716, de 1998)(grifei). Conforme autorizado pelo referido § 3º os juros de mora deverão ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Quanto às questões de inconstitucionalidades suscitadas na peça recursal, referida matéria já foi sumulada por esse E. Conselho, conforme disposto na Súmula Carf: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.. Assim, tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, de sorte que uma vez ocorrido o fato gerador, que corresponde à concretização da hipótese legal e faz nascer a obrigação tributária, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, que é a formalização do crédito como requisito prévio e necessário para a cobrança administrativa, ex vi do parágrafo único do art. 142 do C.T.N. Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO E NA PARTE CONHECIDA, DAR PARCIAL PROVIMENTO PARA RECONHECER A DECADÊNCIA DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ 20/12/2000. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 586DF CARF MF Processo nº 19515.000028/200679 Acórdão n.º 3302005.369 S3C3T2 Fl. 583 9 Fl. 587DF CARF MF
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Numero do processo: 11052.001329/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INFORMAÇÃO EM GFIP. NECESSIDADE
O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR, devendo tais valores serem informados em GFIP.
Numero da decisão: 2201-004.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. DESCUMPRIMENTO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INFORMAÇÃO EM GFIP. NECESSIDADE O descumprimento de qualquer dos requisitos da Lei nº 10.101/00, em razão de seu caráter de norma isentiva, atrai a incidência das contribuições sociais aos valores pagos a título de PLR, devendo tais valores serem informados em GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 13 29 /2 01 0- 89 Fl. 150DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que manteve, parcialmente, o lançamento tributário relativo ao descumprimento de obrigação acessória, por parte do sujeito passivo, de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.271.5075, devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 57.271,60 em valores consolidados em dezembro de 2010. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de janeiro a dezembro de 2007 , ocorreu em 17 de dezembro de 2010, conforme se verifica às folhas 03. Em 14 de janeiro de 2011, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls. 53). Em 13 de agosto de 2013, a 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1258.485 (fls. 108), de forma unânime, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada e tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/12/2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR. PLR. LEI ESPECÍFICA. DESCUMPRIMENTO. REMUNERAÇÃO.ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. Constitui descumprimento de obrigação acessória apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. É exigível a declaração da remuneração paga aos empregados e contribuintes individuais a título de PLR, mas em desacordo com a lei específica, portanto, integrante do salário de contribuição. É inexigível a declaração dos valores relativos ao fornecimento de alimentação in natura, por se tratar de verba desprovida de natureza salarial, consoante entendimento pacificado no STJ, e de observância obrigatória, pela administração fazendária, a partir do Ato Declaratório PGFN n° 03/2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 110): " Trata se de Auto de Infração (DEBCAD nº 37.274.5075) lavrado contra a Impugnante em virtude de a mesma ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, referentes Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 151 3 às remunerações pagas aos segurados, relativas às competências 01 a 03 e 11/2007, o que caracteriza a infração prevista no art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, inciso IV, parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 2. Em decorrência da infração verificada pela fiscalização, foi aplicada a multa de R$ 57.271,60, com fundamento nos art. 32, parágrafo 5º da Lei 8.212/91 e artigo 284, II e art. 373, do Regulamento da Previdência Social, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS/MF nº 333, de 29/06/10. 3. Nos relatórios fiscais de fls. 27/49 a fiscalização informou que: 3.1. A Autuada deixou de informar nas GFIP das competências 01 a 03/2007 e 11/2007, os valores pagos aos segurados, a título de participação nos lucros e alimentação; 3.2. Realizou a comparação das multas em função das alterações implementadas pela lei nº 11.941/09 e em respeito ao disposto no artigo 106, II, “c”, do CTN, de maneira que restou mais benéfica a regra anterior, do artigo 32, § 5º da lei nº 8.212/91, conforme explicitado às fls. 42/44, para as competências 01 a 03/2007 e 11/2007. 4. A Impugnante apresentou a defesa, de fls. 53/64, com idêntico teor da apresentada para os AI nº 37.274.5083 e 37.274.5091, mencionando que se tratavam de verbas não remuneratórias, razão pela qual entendeu que não seria exigível a declaração em GFIP. 5. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 18 de agosto de 2014, por meio de acesso ao seu domicílio tributário eletrônico, consoante se observa pelo despacho de folhas 115, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 118) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso interposto, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Fl. 152DF CARF MF 4 Segundo a Recorrente, ao indeferir o pedido de perícia, formulado em sua impugnação ao lançamento, a decisão de piso cerceou seu direito de defesa (fls. 120): "Ocorre que, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, a realização da perícia era indispensável para a demonstração de que a Suplicante não efetuou pagamentos, a título de PLR, aos seus empregados, em intervalos inferiores a seis meses. Inclusive, a própria fundamentação do acórdão consignou que a Suplicante não teria logrado êxito em comprovar a suas alegações referentes à periodicidade dos pagamentos realizados o que, registrese, seria feito através da prova indeferida. Senão, vejase excerto extraído do julgado: "A lei não é expressa em afirmar que o limite máximo das parcelas deve ser perquerida individualmente, mas, ainda que assim se admitisse, a Impugnante não provou sua alegação, conforme impõe o artigo 16, III do Decreto n" 70.235/82" (fl. 04 do acórdão destacamos). Por sua vez, somente mediante a realização de perícia contábil poderseia confirmar, ou não, a alegação da ora Recorrente, uma vez que, do exame dos lançamentos nos livros próprios, e dos demais controles financeiros e contábeis seria possível identificar a qual período/anobase se relacionam os pagamentos e quais os segurados que, eventualmente, perceberam a PLR nos três meses do ano de 2007. A elucidação destes dados respaldaria a alegação de inexistência de pagamentos em desacordo com a periodicidade legal, uma vez que (a) dentre as parcelas pagas, em 2007, havia a PLR de 2006 (de modo que, por se tratarem de períodos de apuração distintos, inexiste, quanto a PLR de 2007, mais de dois pagamentos no ano), nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato, bem como que (ii), a despeito de terem ocorrido três pagamentos, não há, dentre eles, situação na qual um mesmo beneficiário tenha percebido a verba nas três ocasiões, justificandose um terceiro pagamento diante de circunstâncias específicas (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Não se trata, outrossim, sequer de prova meramente documental, pois tais evidências dependeriam de um exame técnico da contabilidade e controles financeiros da empresa, sobretudo quanto a vinculação do gasto a um dado período de apuração. Sendo, portanto, essencial a realização da perícia para a comprovação das alegações da Recorrente, e tratandose do meio probatório apto a tal mister, era e rigor o deferimento da prova pericial pleiteada, e sua negativa, data vênia, constitui inequívoco cerceamento do seu direito de defesa, caracterizando ofensa ao artigo 5o, inciso LV, da CR/88, bem como ao artigo 2o da Lei n.° 9.784/99" Não verifico a nulidade apontada. Cabe razão ao julgador de piso no tocante ao indeferimento do pedido de perícia. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 152 5 Recordemos que a decisão recorrida (fls. 110), quando da análise da questão remete ao processo 11052.001326/201045, do qual consta (fls. 150 do mencionado processo): "19. A realização de perícia somente se justifica diante da necessidade de se obter parecer especializado sobre questões específicas, imprescindíveis ao deslinde do processo. No presente caso, as questões enfrentadas dispensam a realização de perícia, o que se pode verificar pelos quesitos apresentados pela Impugnante, bastando para tanto, que exibisse os documentos e esclarecimentos requeridos pela autoridade fiscal, ou juntasse o acervo probatório aos autos para análise do julgador, portanto, indefiro o pedido." Segundo a decisão recorrida, o indeferimento do pedido de perícia decorre de sua desnecessidade, uma vez que não se trata de questões específicas que exijam parecer especializado. Há que se concordar. Alega a Recorrente a necessidade de produção de prova pericial como meio de prova de que os pagamentos a título de PLR, em mais de duas vezes ao ano, não foram realizados aos mesmos segurados, e sim, a segurados distintos, uma vez que foram pagos a grupos diversos de empregados a cada vez. Ora, a comprovação de tal fato se dá com simples planilha extraída da contabilidade da empresa e cotejada com a folha de pagamento. Não se pode anuir com a necessidade de um parecer de um profissional especialista para tal comprovação. Não obstante o exposto, é mister não olvidar que o deferimento de prova pericial está disciplinado no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário. Recordemos sua dicção: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." Não foram observadas do ponto de vista material, pela Recorrente, tais exigências. Embora tenha havido a indicação do profissional, verificase que a qualificação do mesmo não é compatível com uma perícia contábil, o que demonstra a logicidade dos argumentos acima expostos, no sentido da desnecessidade de tal prova pericial, posto que segundo o próprio apelante tal perícia pode ser realizada por alguém que não possui formação profissional específica. Logo, não se pode deferir a perícia requerida. Preliminar de cerceamento de defesa rejeitada. Fl. 154DF CARF MF 6 DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE FATOS GERADORES Segundo o apelo, não houve descumprimento da obrigação de informação em GFIP, posto que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR, uma vez que houve observância dos requisitos legais. Vejamos seus argumentos (fls. 122) "Cabe insistir, em primeiro lugar, que não prevalece a assertiva do r.aresto no sentido de que, mesmo admitidas suas justificativas a respeito da efetivação de pagamentos em suposto desacordo com a periodicidade legal, não teria a Recorrente delas feito prova, haja vista que tal ausência deve ser imputado à ilegítima recusa do órgão julgador em determinar a realização de prova pericial contábil, único meio,repitase, de se elucidar as questões fáticas sumarizadas no item 8 (oito) do presente recurso. Neste sentido, e ante a premissa de que acabará sendo oportunizada à Recorrente a realização da perícia outrora requerida, os fatos que através dela serão confirmados afastam a pretendida classificação da verba paga como forma de remuneração estratégica, e não autêntica distribuição de lucros e resultados, prevista no artigo 7o, inciso XI, da CR/88. Com efeito, em que pese tenham ocorrido três pagamentos, no próprio ano de 2007, e em intervalo inferior a seis meses, o sentido óbvio da vedação contida no artigo 3o, § 2o, da Lei n.° 10.101, é o de vedar seja o segurado beneficiado pelo pagamento de PLR por mais de duas vezes, ao ano, e em intervalo inferior a seis meses que indique prenúncio de habitualidade. Circunstâncias estas que, portanto, tem de ser analisadas sob o ponto de vista de cada beneficiário, e não de maneira genérica, como o fez a fiscalização e a r. DRJ. E, in casu, como já adiantado, não houve pagamento da PLR a um mesmo empregado em mais de duas vezes no ano, ou em periodicidade inferior a seis meses, entre cada pagamento. Repitase, a principal causa de ter havido pagamentos em três meses distintos durante o primeiro semestre de 2007 referese à circunstância de que em cada um desses meses terem sido contemplados grupos distintos de empregados, classificados de acordo com o cargo exercido na empresa. Ademais, outros elementos também justificam a circunstância de terem sido efetuados pagamentos nos três primeiros meses de 2007, tais como (i): ter havido o pagamento da própria PLR, relativa a 2006, cuja data prevista é fevereiro de 2007, nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato e (ii) ter havido o creditamento da PLR a beneficiários diversos dos anteriormente contemplados (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Naturalmente, dentro da liberalidade de negociação entre empresas, empregados e Sindicatos, não há nenhum empecilho em estipular regras de pagamento da PLR que, atendendo ao Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 153 7 objetivo do legislador, segreguem os pagamentos a tal título durante o exercício fiscal sem que um mesmo segurado seja contemplado repetidas vezes. (...) Por fim, ainda que tenha sido desrespeitado o limite individual de pagamento, previsto no Termo de Acordo celebrado para este fim, é lícito concluir que o atendimento a este limite não consiste requisito essencial para a configuração, ou não, da PLR, até porque sequer prevista a necessidade de um teto de pagamento na Lei n.° 10.101/00. Em rigor, as normas estipuladas no acordo, caso descumpridas, ensejam eventual responsabilidade entre as partes, mas não têm o condão de desnaturar a natureza dos pagamentos realizados, pois se cuida de regra acessória, estipulada dentro da esfera de liberdade do empregador e de seus empregados. Portanto, o seu adimplemento, ou não, afeta tão somente o montante a ser distribuído e a forma de participação dos empregados, mas não o seu caráter desvinculado da remuneração. (...) Ademais, o não atendimento ao supracitado limite de pagamento, quando muito, implicaria com que a incidência fiscal recaísse, apenas, sobre a parcela paga em patamar superior a tal limite, posto que o valor restante, creditado que foi em conformidade com as regras contratuais (i.é., dentro do limite), está em perfeita sintonia com os requisitos legais e contratuais Naturalmente, não se pode emprestar um mesmo tratamento jurídico à parcela paga em atendimento a este limite e àquela que o supera. Caso contrário, estarseia afrontando o citado princípio da razoabilidade, haja vista que a consequência jurídica pretendida (desconsideração de todo o crédito como PLR) é desproporcional à sua causa (desconformidade parcial do pagamento, em relação à parcela que superou o limite)." (negritos e sublinhados concomitantes são meus) Inicialmente, antes de analisar pontualmente as alegações recursais, entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. Fl. 156DF CARF MF 8 De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 154 9 determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Fl. 158DF CARF MF 10 Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 155 11 prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o Fl. 160DF CARF MF 12 cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos)" Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11052.001329/201089 Acórdão n.º 2201004.063 S2C2T1 Fl. 156 13 expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Recordemos a acusação fiscal, no ponto em questão (fls. 39): "A contabilização da Participação nos Resultados foi realizada através da conta 353012006 "Remuneração variável participação no resultado" sob a qual foi solicitado através de intimação "Explicação por escrito assinada pelo responsável legal a respeito da conta 353012006 Remuneração variável participação no resultado, ao que se refere, como funciona e os beneficiários com valores recebidos/creditados por data" que foi parcialmente atendida com a seguinte informação prestada pelo representante da empresa Sr. Enio de Carvalho em 01/10/2010 "As contas 353012003 e 353012006 pertencem ao Grupamento de Despesas Gastos com o Pessoal, do Plano de Contas da Companhia, e tem por função o registro contábil das despesas com pessoal oriundas de adicionais por acordo..." Ocorre que foram lançados valores nesta conta nos meses 01/2007, 02/2007 e 03/2007, em periodicidade superior ao que determina a Lei 10.101 em seu art. 39 § 2e que veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Além disso, o "Termo de Acordo sobre a Participação nos Resultados" deter parágrafo 4Q da cláusula A que o valor máximo a ser pago a cada empregado a título de Participação nos Resultados será limitado a 6 (seis) salários base, o que foi desrespeitado conforme demonstra abaixo,alguns pagamentos que foram informados pelo contribuinte, conforme anexo V" (destaques não constam do relatório fiscal). Não assiste razão ao Recorrente. Como visto em nosso esforço teórico, ao descumprir o acordo firmado entre as partes, ajuste este que contou com a anuência sindical, e efetuar pagamento de valores superiores ao acordado, a Recorrente contrariou preceito da norma isentiva, atraindo, forçosamente, a incidência tributária. Contrariou, uma vez mais, ao pagar em mais de duas vezes no mesmo ano civil, valores a título de PLR. Nem se diga que tais pagamentos não foram realizados aos mesmos segurados, posto que tal argumentação não veio acompanhada das necessárias provas. Fl. 162DF CARF MF 14 Forçoso recordar que esses mesmos argumentos não foram comprovados na impugnação, sendo motivo determinante para a manutenção do lançamento pelo julgador de primeira instância. Ora, caso tais alegações fossem comprováveis, bastaria, ao contribuinte diligente, elaborar planilha, com lastro em sua folha de pagamento e registro contábeis, que demonstrassem tal situação. Ao reverso, preferiu a Recorrente arguir cerceamento de defesa pelo indeferimento de produção de prova pericial, o que examinamos acima. Mister realçar que no tocante ao pagamento acima dos valores estipulados, a única alegação recursal de que não há na Lei nº 10.101/00, tal óbice ofende comando explicito de norma isentiva, o que atrai, infalivelmente, a incidência tributária e portanto o dever de informar em GFIP os valores pagos aos segurados. Portanto, não merece reparo a decisão de piso. Diante do exposto, forçoso negar provimento ao recurso nessa parte. Nada mais havendo no recurso voluntário, o que demonstra a concordância da Recorrente com os demais pontos do acórdão de impugnação, passo a conclusão. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeiro grau em sua inteireza. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901878/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA.
Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis.
Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-003.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins referese aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 78 /2 01 2- 58 Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação relativos a crédito da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo em parte o direito creditório e, por conseguinte, homologando parcialmente a compensação, em razão de glosas de créditos que não se encontravam em consonância com a legislação de regência. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente reconheceu o creditamento indevido em relação aos insumos adquiridos com alíquota zero, sendo alegado, em relação às demais matérias, que a fiscalização não detalhara os produtos e serviços glosados, nem motivara suas glosas, ferindo o seu direito de defesa, sendo ora destacados os seguintes argumentos: a) nulidade da ação fiscal em razão da ausência de diligência in loco, por falta de motivação e pela ausência de provas; b) a fiscalização demonstrou contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social1 da empresa, posto que diversos créditos glosados eram oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; c) a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; d) direito a crédito sobre os dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, e não apenas sobre a compra de energia, já que não se pode dissociar uma coisa da outra, havendo dispositivo expresso autorizando o creditamento sobre o custo de tal energia, por se tratar de insumo essencial ao seu processo produtivo; 1 pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 4 3 e) a sistemática da não cumulatividade autoriza o creditamento em relação a (i) insumos e serviços utilizados no mineroduto, (ii) aluguel de veículos, máquinas e equipamentos utilizados na produção, (iii) locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas, (vi) serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias e em obras de manutenção de barragens, (vii) gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na mina; f) falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado; g) necessidade de realização de perícia, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Posteriormente, o contribuinte trouxe novos documentos aos autos, solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente, repisando alguns dos argumentos encetados na manifestação de inconformidade e se insurgindo, especificamente, contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. A par da manifestação de inconformidade, a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados e a consequente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Na realização da diligência, a repartição de origem analisou a documentação então apresentada pelo contribuinte, concluindo o seguinte: a) as máquinas e equipamentos haviam sido adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados na produção de bens destinados à venda e/ou à prestação de serviços, em conformidade com a legislação de regência; b) ratificouse a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que haviam sido objeto de glosas, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Cientificado do Relatório Fiscal resultante da diligência, o contribuinte não apresentou, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. Nos termos do Acórdão nº 02046.030, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconhecido o direito a créditos em relação aos (i) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como a Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos relativos a (ii) despesas e custos relacionados à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros e a (iii) combustível consumido nos fornos no processo produtivo (excetuandose o combustível consumido nos veículos utilizados na mina). A DRJ não reconheceu como insumos geradores de créditos os demais produtos e serviços pleiteados pelo contribuinte, por ausência de prova de sua aplicação direta no processo produtivo. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisou os pedidos e os argumentos de defesa anteriormente apresentados, aqueles não acolhidos pela DRJ, e requereu o reconhecimento de conexão entre os 24 (vinte e quatro) recursos voluntários ali identificados, sendo arguido, ainda, o seguinte: a) necessidade de baixa dos autos à origem para que se comprovasse a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento; b) nulidade da recomposição dos créditos eis que não foi observado o acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados no processo produtivo; c) a decisão recorrida está em confronto com o consolidado entendimento do CARF quanto aos insumos geradores de créditos das contribuições e cita precedentes jurisprudenciais do Poder Judiciário e deste Colegiado Administrativo; d) indevida a glosa sobre serviços utilizados como insumos consistentes em: 1) serviços prestados no mineroduto; 2) aluguel de veículos; 3) locação de dragas, de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; 4) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; 5) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; 6) consórcio UHE GuilmanAmorim, operação, manutenção e conservação UHE Muniz Freire; 7) obras de construção civil. Por fim, pleiteou a produção de prova pericial, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência. O processo foi distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tendo sido deliberado pela conversão do feito em diligência para que a unidade de origem tomasse as seguintes providências: ● Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 6 5 produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: ○ demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; ○ esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. ● Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ●·Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ● Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Conforme consta do Relatório Fiscal produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a diligência foi devidamente cumprida, tendo a autoridade administrativa consignado que o contribuinte apresentara dois laudos técnicos, confeccionados por MiningMath Associates e Ernest & Young (EY), contendo o primeiro a descrição do processo produtivo da Samarco, com identificação dos insumos utilizados nas várias etapas da produção, e o segundo a descrição e função dos materiais e serviços empregados como insumos, laudos esses que embasaram os novos cálculos realizados pela fiscalização. Após, o recorrente manifestouse aduzindo: (i) a Fiscalização tão somente reafirma os pressupostos jurídicos que ensejaram a glosa fiscal; (ii) tece comentários sobre os dois laudos técnicos produzidos; (iii) que a Fiscalização não contestou a idoneidade ou materialidade do trabalho realizado, e (iv) reitera os fundamentos dos 24 recursos voluntários interpostos e reafirma a procedência dos seus créditos dada a essencialidade dos insumos glosados para o seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 7 6 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.316, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.316): Das preliminares arguidas Com relação as nulidades arguidas pela recorrente entendo que não procedem. O fato de o lançamento fiscal ter sido efetivado sem as diligências in loco conforme aduzido pela recorrente não conduzem à nulidade da autuação, pois teve a recorrente o amplo direito de defesa e contraditório respeitados, inclusive com a produção de provas e realização de diligência determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O conjunto probatório formado no caderno processual não conduz à nulidade do processo. No caso em apreço, não há que se cogitar de nulidade pelo fato de o lançamento fiscal preencher os requisitos legais, o processo administrativo fiscal proporcionar plenas condições à empresa de contestar o lançamento e inexistir qualquer indício de violação às determinações contidas no Código Tributário Nacional CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Desta forma, por inexistir o vício alegado pela recorrente, inacolho a preliminar. Com relação aos argumentos de que (i) os autos devem retornar à origem para que a DRF comprove junto a recorrente a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento e (ii) que há nulidade da recomposição dos créditos, por não observância ao acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados, entendo, também, que não são causas de nulidade do processo e que tais circunstâncias devem ser apreciadas após a decisão de mérito e definitiva do processo, quando do retorno dos autos à instância de origem para o cumprimento do julgado. Salientese que, em relação aos créditos sobre combustíveis em sua totalidade, conforme argumentado pela recorrente, tal circunstância será apreciada em tópico específico, no mérito da presente decisão. Diante do exposto, inacolho estas preliminares levantadas pela recorrente. Do mérito recursal Em relação ao mérito do recurso algumas considerações introdutórias se fazem necessárias. Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 8 7 Marco Aurélio Greco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matérias primas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Equivocadamente, a decisão recorrida utilizou para o caso concreto o conceito de insumos da legislação do IPI, conforme consignado no voto nos seguintes termos: "Em resumo, concluise que, para fins de apuração de créditos do IPI, somente podem ser considerados insumos os bens que se incorporem ao produto industrializado ou que nele se consumam, mediante contato físico direto, razão pela qual, neste arcabouço, não podem ser considerados insumos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, bem como outras despesas e custos que, embora necessárias à atividade da contribuinte, não se encaixem nos mencionados requisitos. Agora, analisase o que se extrai do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a noção do termo “insumos”, para comparála à concepção deste mesmo termo no âmbito do IPI e ao conceito de custos de produção e de despesas operacionais para o IRPJ. No texto do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, verificase que nem todos os bens e serviços podem, com vistas ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, ser considerados insumos, mas, apenas e tãosomente, aqueles “bens e serviços, utilizados (...) na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (grifo nosso). Como visto, de modo semelhante para o IPI, somente é possível, nos termos do Regulamento do imposto, a apuração de crédito “ ... do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização ...” (grifo nosso). E, igualmente, a noção de custos de produção e de despesas operacionais do imposto de renda se restringe às atividades da empresa." Ainda, adotou como fundamento decisório, as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme segue: "Nesta linha de pensamento, a Receita Federal, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003, expediu a IN nº 247, de 21.11.2002 (relativamente à contribuição para o PIS) e a IN SRF nº 404, de 12.03.2004 (no tocante à Cofins), que identicamente conceituam insumos, com adoção da mesma noção do IPI, em seus correspondentes art. 66 Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 9 8 (com as alterações da IN SRF nº 358, de 09.09.2003) e 8º, a seguir vazados:" E prossegue: "Portanto, em que pese todos os julgados, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, citados pela reclamante, em que se prima pelos critérios da essencialidade, especialmente do que diz respeito ao ICMS, destacase que o conceito de insumos dados pelas instruções normativas acima, além de se adequar aos contornos legais, não poderia, se assim não fosse, ser afastado pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, vinculada aos ditames legais e regulamentares (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990). É que as instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridade administrativa competente e que visam regulamentar ou implementar a lei – e, no caso analisado, as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004 foram editadas com fundamento no poder regulamentar expressamente conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003. Por decorrência, compõem a legislação tributária (art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN) e são de observância obrigatória pela autoridade administrativa." O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que embasaram a decisão recorrida, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 10 9 Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 11 10 produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Imperioso,também, nesta parte inicial, citar também, parte do laudo pericial produzido, em que se tem, em breve síntese, resumo do ciclo de operações de recorrente: Dentro do ciclo de operações podemos distinguir três principais: • Remoção de estéril Este processo envolve a movimentação de material para exposição do corpo mineralizado, bem como de material com teores abaixo do teor econômico (teor de corte). As operações unitárias envolvem perfuração e desmonte mecânico e por explosivos, escavação e carregamento. • Lavra do minério O ciclo desta operação é muito semelhante ao empregado na remoção de estéril. Quanto mais semelhante for a rocha estéril, da rocha hospedeira da mineralização, maior será a similaridade das operações de remoção de estéril e lavra de minério, de maneira que possa ser empregada a mesma frota de equipamentos e técnicas de desmonte, escavação e transporte para ambos. • Operações auxiliares Nestas estão envolvidas uma extensa gama de áreas, sendo: Saúde e segurança. Controle e monitoramento do meio ambiente. Abastecimento de energia e água. Gerenciamento de águas superficiais e subterrâneas. Disposição de estéril; Suprimento de material de operação. Manutenção e reparo. Iluminação. Sistema de comunicação e despacho. Construção e manutenção de acessos e estradas. Transporte de pessoal. O processo produtivo da recorrente, conforme alegado, se divide, portanto, nas seguintes etapas, a saber: (i) processo de tratamento do minério bruto (objeto da lavra); (ii) processo de concentração do teor do minério de ferro; (iii) processo de bombeamento do concentrado para a usina; (iv) processo de preparação do minério concentrado; (v) processo de adição de insumos e formação das pelotas; e (vi) processo de separação das pelotas e embarque para exportação. Como visto, pela complexidade da atividade produtiva da recorrente é de fácil percepção que são utilizadas diversas máquinas e equipamentos, tais como, tratores; carregadeiras; caminhões forade estrada; perfuratrizes; escavadeiras; motoniveladoras; lokotrack/lololink e transportador de correia. No laudo confeccionado pela empresa MiningMath Associates estão descritas as funções e atividades exercidas por cada máquina e equipamento. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 12 11 Exemplificativamente, temse: (i) Escavadeira Utilizada, principalmente, na lavra, na escavação de rochas e carregamento de caminhões, alimentando lokotrackers (Figura 9) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) ou correias transportadoras de bancada. Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: (ii) Trator O trator é utilizado na lavra, no desmonte mecânico das rochas e, na pilha de estéril, na disposição do estéril (Figura 4) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: O laudo descreve, ainda, quais insumos e serviços são utilizados em cada máquina e equipamento, dispondo, de forma expressa, os serviços de manutenção. O conserto, manutenção e a reposição de peças são considerados como insumos indispensáveis ao processo produtivo, devido ao fato de que sem o maquinário e o ferramental adequado e em condições de uso e produtividade não há como se produzir um bem. Vejamos o que tem decidido o CARF sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 13 12 carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádiosamadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas." (grifo nosso) (Processo 10410.723727/201151; Acórdão 9303004.918; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. CRÉDITO. DESPESA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Atendidas as demais condições, as despesas realizadas com manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, geram direito a crédito do PIS nãocumulativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO." (Processo 13052.000441/200307; Acórdão 9303002.801; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 23/01/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 14 13 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10247.000002/2006 23; Acórdão 9303003.069; Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda; sessão de 13/08/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 15 14 produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens." (Processo 13656.721196/201259; Acórdão 3302004.156; Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho; sessão de 22/05/2017) (destaque nosso) Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias recursais, passasse a tratálas de modo individualizado e alegado em sede recursal, conforme a seguir: Serviços prestados no mineroduto Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados ao mineroduto, por se classificarem como insumos na produção de minério. A decisão recorrida adota como fundamento decisório para negar o direito ao crédito da recorrente o seguinte: "Ao contrário desse entendimento, podemos afirmar que o processo produtivo da recorrente possui duas etapas distintas: a extração do minério e a industrialização (no caso, a transformação em pelotas). Dentro desse entendimento, o mineroduto não se vincula a nenhuma das duas etapas, em que pese sua importância na atividade da empresa, mas apenas a uma etapa intermediária, que, nas palavras da contribuinte, se caracteriza como “ponto de ligação de sua peculiar planta industrial”. Nesse sentido, nenhum serviço nele empregado se enquadra no conceito de insumo, por não ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto." Com o devido respeito, mas tal assertiva é desprovida de embasamento técnico apto a lhe dar sustentabilidade. Do laudo produzido pela empresa MiningMath Associates temse que: Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais e o seu tratamento ou processamento para o seu mercado consumidor. Ainda: As operações estão nas minas da unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG), onde extrai o minério de ferro e o beneficia em Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 16 15 três usinas de tratamento de minérios, e em Ubu, na cidade de Anchieta (ES), onde possui quatro usinas de pelotização e um terminal marítimo próprio. Atualmente, tem capacidade para produzir 30 milhões de toneladas. As unidades são conectadas por três minerodutos de aproximadamente 400 quilômetros de extensão cada um, que transportam a polpa de minério de ferro ao longo de 25 municípios. Prossegue o laudo: A tecnologia do mineroduto, sistema de tubulações por onde se transporta minérios a longas distâncias, foi implantada no país pela Samarco, de forma pioneira, e evita o uso de outros modais viários, o que reduz o número de veículos nas estradas e minimiza as emissões de particulados e gases de efeito estufa. Além disso, por meio de sistemas de recirculação, cerca de 90% da água utilizada no sistema é reaproveitada nas operações. As tubulações passam por uma faixa de servidão uma pista com 35 metros de largura e atravessam 25 municípios. Em sua quase totalidade estão enterradas a uma profundidade média de l,30m, o que facilita a movimentação da fauna e dos seres humanos, causa pouca interferência no uso e ocupação do solo, diminui a exposição e suscetibilidade a acidentes. Somente em alguns pequenos trechos, não totalizando 200m, a tubulação se encontra elevada. A polpa de concentrado é inicialmente bombeada na unidade de Germano e no caminho estações de bombeamento e sistemas de válvulas (item 3, subitens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco)controlam o fluxo da polpa, que viaja a uma velocidade média de 6 km/h, levando em torno de 66 horas para percorrer todo o trajeto. Estas unidades possuem funções diferenciadas, sendo as estações de bombas utilizadas para impulsionar a polpa de concentrado no seu percurso ao longo da tubulação e vencer as elevações que chegam a 1.180 metros e as estações de válvulas a de minimizar os esforços bruscos ou permanentes, de pressão dinâmica e estática, a que a tubulação está submetida durante variações de fluxo, ou seja, alivia a pressão na tubulação causada pela diminuição de elevação até Ubu, que fica no nível do mar, garantindo total segurança à operação e as pessoas. Conclui o laudo técnico: Os minerodutos são essenciais no processo de produção das pelotas, assim, a Samarco realiza manutenção corretiva, preventiva e preditiva nos elementos que os compõem e desenvolve programas de monitoramento de processos erosivos. Essas manutenções podem ser próprias ou de empresas contratadas. Para o correto funcionamento e bom desempenho dos minerodutos são consumidos, ainda, insumos como elementos mecânicos, elétricos e hidráulicos, de instrumentação, cal, serviços de limpeza nas instalações e faixa de servidão, elementos das bombas como camisas, pistões, anéis, válvulas, etc. Por sua vez, no laudo produzido pela empresa EY consta que os minerodutos são utilizados no transporte da polpa do minério resultante do processo de concentração até a área de pelotização. É de se observar, ainda, que no laudo da empresa EY há descrição pormenorizada dos créditos relacionados aos serviços aplicados ao mineroduto que liga os complexos operacionais da recorrente e com a indicação se é ou não um dispêndio vinculado ao processo produtivo e à geração de receita. Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 17 16 Não logrou êxito a Fiscalização em sua manifestação sobre os aludidos laudos técnicos (Relatório Fiscal) derruir a prova técnica produzida. Aduz a Fiscalização: Da análise dos laudos em questão, verificamos que os mesmos se fundamentaram em conceitos de insumos mais elásticos que aqueles definidos na legislação pertinente, ou seja no artigo 3o das leis n°s 10.637, de 30/12/2002 (PIS) e 10.833, de 29/12/2003 (Cofins), combinados com os artigos 66 e 8o das Instruções Normativas SRF n°s 247, de 21/11/2002 (PIS) e 404, de 12/03/2004 (Cofins). Sendo assim, fazse necessário esclarecermos mais uma vez que o termo "insumo", para fins de creditamento de PIS e Cofins, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera custo/despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados ã venda ou na prestação do serviço da atividade. Percebese, então, que a Fiscalização limitouse a reiterar que a glosa teve por base o conceito restritivo das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, as quais, como já dito, são consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. É clara, portanto, a essencialidade do mineroduto na atividade produtiva da recorrente, consistindo em instrumento necessário e indispensável para a produção do minério. Neste sentido, assim deliberou o CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa." (Processo 10280.003607/200608; Acórdão 3302002.308; Relator Conselheiro Walber José da Silva; sessão de 25/09/2013). Do voto do relator sobre o direito ao crédito pelos serviços prestados em mineroduto, destaco o seguinte excerto: "Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 18 17 Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma." Podese, também, por analogia, por ser o mineroduto um equipamento de transporte, adotar o entendimento de que o transporte (frete) de um produto não acabado como um insumo. Neste sentido, são os precedentes jurisprudenciais a seguir colacionados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. (...) (Processo 11080.722778/200993; Acórdão 9303005.939; Relator Conselheiro Demes Brito; Sessão de 28/11/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...)." (Processo 10925.002182/200921; Acórdão 3302 004.883; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; Sessão de 25/10/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/07/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais." (Processo 13116.000674/20073; Acórdão 3401003.434; Relator Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; sessão de 28/03/2017) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados aos insumos e serviços utilizados no mineroduto por ser este um elemento essencial na atividade produtiva da recorrente, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos. Com razão a recorrente. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, bem como, os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que são empregados na produção de minério. Anota a decisão recorrida para negar o direito ao crédito: "Assim, ratificando o entendimento da fiscalização, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos a aluguel de veículos. E, quanto ao argumento de que a locação em questão seria, em parte, de máquinas e equipamentos, e, portanto, não poderiam ser glosados os créditos relacionados às respectivas faturas, é preciso esclarecer que o simples fato de se tratarem de máquinas e equipamentos os objetos da locação não implica necessariamente no direito ao crédito relativo a essas despesas. (...) Sobre a utilização dos equipamentos locados, a reclamante apenas alega que se tratam de caminhões, tratores, etc, sem especificar exatamente qual a sua utilização. Do contrato apresentado, também não se extrai Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 20 19 elementos capazes de esclarecer acerca do emprego de tais equipamentos, e nem tampouco foi juntado aos autos qualquer outro elemento que pudesse fazer prova de que tais equipamentos são, de fato, empregados diretamente em seu processo de extração ou pelotização do minério, em contraponto ao entendimento firmado no procedimento fiscal. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas neste item, inclusive as relativas aos serviços de locação de máquina." Os veículos, máquinas e equipamentos locados mostramse como imprescindíveis na atividade produtiva da recorrente sendo utilizados em diversas etapas de seu processo produtivo. Novamente, para o correto deslinde da questão é importante se reportar ao laudo produzido pela empresa. Sirvome do laudo elaborado pela empresa MiningMath Associates: (i) Cava No processo de lavra em cava ou de encosta, praticada pela Samarco (Figura 13) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), a remoção do estéril e minério é conduzida na forma de bancadas (...) Pela sua própria natureza, a operação envolve o transporte de quantidades moderadas a grandes de material estéril e minério para fora da cava, à distâncias relativamente longas e à declividades elevadas. Para complementação das operações de lavra propriamente ditas, são necessárias operações auxiliares que envolvem uma extensa gama de atividades que interagem com diversas áreas da empresa. Essas operações auxiliares, apesar do nome, desempenham papéis fundamentais e são essenciais na lavra dos materiais. Algumas delas ocorrem paralelamente à lavra e outras são preliminares à lavra, ou seja, se algumas dessas operações auxiliares não ocorrerem, não é possível à lavra, por exemplo, a construção e manutenção dos acessos e estradas. Por consequência, sem eles não é possível se chegar à frente de lavra. Na Samarco, muitas dessas operações auxiliares são executadas por empresas contratadas, sendo os principais serviços prestados relacionados a: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.) para a mina. (ii) Pilha de estéril Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril (material que não é minério e nem possui qualquer interesse econômico, mas que cobre ou não permite a lavra direta do minério e, portanto, necessita ser removido). Entretanto, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente. O estéril é descartado em pilhas na sua condição natural. A disposição desse material se dá de forma contínua durante toda a etapa de extração do Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 21 20 minério, depende das áreas disponíveis nas proximidades do empreendimento e deve respeitar normas de segurança e proteção ambiental (Figura 14) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Na Samarco, as diversas atividades que envolvem a construção e operação da pilha de estéril são realizadas por empresas contratadas. Os principais serviços consumidos são: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.). (iii) Britador A fragmentação ou cominuição é a operação, ou conjunto de operações, que se caracteriza pela redução das dimensões físicas de um dado conjunto de blocos ou partículas. Os principais mecanismos para a quebra são compressão, impacto e cisalhamento. Genericamente, britagem pode ser definida como conjunto de operações que objetiva a fragmentação de blocos de minérios vindos da mina, levandoos a uma granulometria final ou compatível para posterior processamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (iv) Peneira e grelha O objetivo do peneiramento é a separação do material em duas ou mais frações, com partículas de tamanhos distintos, levandose em conta o tamanho geométrico das partículas em relação às aberturas geométricas existentes no equipamento. Na Samarco essa operação é realizada a seco. Na Figura 17 (item 2, subitem 2.1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é possível ver um conjunto de peneiras. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (v) Moinho A moagem é o último estágio da fragmentação. Opera, normalmente, na faixa do centímetro ao micrômetro. Constituise de cilindros rotativos onde a fragmentação dos materiais se dá através da movimentação da carga interna, minério e corpos moedores (bolas de aço). Em Germano são utilizados diversos tipos de moinhos de bolas (Figura 18) (item 2, subitem 2.3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) e em duas etapas. É na moagem que é adicionado água ao minério e a essa mistura, água mais minério, dáse o nome de polpa. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento) (vi) Flotação A flotação é um processo de separação aplicado a partículas minerais que explora diferenças nas características de superfície entre as várias espécies presentes numa suspensão aquosa (polpa). Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 22 21 A utilização de reagentes específicos, denominados coletores, depressores e modificadores, permite a recuperação seletiva dos minerais por adsorção em bolhas de ar. As operações de flotação da Samarco se dão em várias etapas e em equipamentos diferentes, mas o processo é o mesmo. As bolhas de ar sobem à superfície líquida carregando os minerais sem interesse, os quais são removidos numa espuma, enquanto os de interesse econômico são retirados pela parte inferior do equipamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (vii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte (Figura 22) (item 2, subitens 2.6 e 2.12, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (viii) Bombas, tanques e tubulações A partir do momento que é adicionado água ao processo, temse o que é chamado de polpa (minério mais água). A partir de então, todo o transporte de polpa e alimentação dos equipamentos seguintes são realizados por conjuntos de bombas, tanques e tubulações (item 2, subitens 2.10 e 2.13, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Assim, nos circuitos e processos de moagem, ciclonagem, flotação e espessamento temse conjuntos de bombas, tanques e tubulações necessários para que essas operações possam ocorrer. Os insumos consumidos nesses equipamentos são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (ix) Barragem de rejeito Inerente à atividade de mineração, está a geração de enorme quantidade de rejeitos, resíduos dos processos de beneficiamento e que apresentam na sua composição partículas de rocha, água e as substâncias químicas envolvidas no processo de beneficiamento. Realizar a disposição desses rejeitos de forma segura e econômica, levando em consideração as melhores técnicas e tecnologias disponíveis, é primordial para as mineradoras. Além disso, devido a sua importância e essencialidade no empreendimento mineiro, o plano para a disposição desses rejeitos (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é uma requisito legal, está previsto nas normas reguladoras de mineração (NRM19), deve fazer parte do plano de lavra junto aos requerimentos de registro de extração, licença e concessão de lavra, do plano de aproveitamento econômico (PAE), para obtenção de guia de utilização e quando exigido pelo DNPM. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 23 22 (x) Barragem captação de água As águas das minas, dos concentradores, de drenagem e das barragens de rejeito são direcionadas para uma barragem de água, conhecida como barragem Santarém (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), e dessa é feita a captação de água que retorna para o processo. A recirculação de águas dentro de um projeto mineiro é uma requisição legal e está prevista nas normas reguladoras de mineração (NRM19). Assim, essa barragem é de fundamental importância para as operações da empresa. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xi) Barragem No município de Matipó, na estação de bombas, existe uma barragem de segurança (item 3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) para atender emergência. Ela pode ser utilizada em casos de ruptura ou entupimento da tubulação, manutenção na tubulação ou estação de bombas ou quando necessário. Nesses casos a polpa pode ser direcionada para essa barragem para posterior recuperação e bombeamento. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiii) Preparação de matériasprimas Para que as pelotas adquiram características físicas, químicas e metalúrgicas específicas para utilização em reatores de redução, insumos essenciais são acrescentados, tais como calcário, bentonita ou aglomerante orgânico e carvão. Esses insumos são recebidos e passam por processos de preparação, específico para cada insumo (item 4, subitens 4.6, 4.11, 4.12 e 4.13, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiv) Píer É toda estrutura que avança sobre o mar (Figura 43) (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Essa estrutura suporta o transportador de correia, o carregador de navio e é onde ocorre toda a operação de carregamento de navios. Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 24 23 O píer faz parte do processo dinâmico e integrado de produção, tem capacidade para receber e atracar dois navios a mesmo tempo, visando dar flexibilidade às etapas de carregamento de navios, que podem ocorrer a qualquer momento fora do horário comercial, em finais de semana e feriados e está sujeito a condições do tempo, de maré e características próprias dos navios. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Contratação de serviços e aluguel de equipamentos Para algumas operações no píer, pode ocorrer que equipamentos da Samarco estejam indisponíveis ou sejam inadequados ou, ainda, que ela não possua os equipamentos necessários. Assim, para esses casos, se faz necessária à contratação de serviços e/ou aluguel de equipamentos, como exemplos, serviços de rebocador e portuários para atracagem de navios e/ou locação de rebocadores, locação de dragas para serviços de manutenção do píer, etc. Todos esses serviços são essenciais para as operações de carregamento, pois visam otimizar o tempo dos carregamentos e, por consequência, todo o processo produtivo da Samarco, garantindo a segurança das embarcações, tripulantes e trabalhadores, de toda estrutura e operação do píer e permitindo que a Samarco possa exportar seus produtos. Como visto, a locação de máquinas, equipamentos e veículos é imprescindível para a atividade produtiva de recorrente, sendo lícito o crédito. A própria legislação permite tal creditamento, conforme expressamente disposto nas Leis 10637/2002 e 10833/03): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, destaco os seguintes precedentes que vão ao encontro da tese da recorrente: "Asunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação, serviços de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), óleo diesel e o óleo combustível tipo ABPF. (Processo 13204.000114/200447; Acórdão Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 25 24 9303005.629; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 19/09/2017) (destaque nosso) Do voto condutor, ressalto: "Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial." (destaque do original) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS .Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03." (Processo 10680.724278/200964. Acórdão 9303005.288; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 22/06/2017) Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 26 25 Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados às locações de veículos, máquinas e equipamentos. Locação de Dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários Novamente, possui razão a recorrente em seu pleito. A decisão recorrida assim anota: "Como já explicitado no item anterior (sobre aluguel de veículos), os créditos relacionados a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser entendidos de forma ampla e irrestrita. Tais equipamentos precisam ser utilizados nas atividades da empresa, no caso, de mineração. Assim, no que diz respeito às despesas de locação ou afretamento aqui tratadas, tiveram como objeto embarcação, dragas, e reboques, o que, por si só, já implica em outro tipo de utilidade, que não a de servir à extração ou industrialização do minério, mas de seu transporte. Desta forma, não poderiam tais despesas terem seus créditos descontados, nos termos no referido dispositivo legal. (...) Somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as essas despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Desta forma, seria preciso ficar caracterizado que a contribuinte exerceu atividade de transporte e navegação, inclusive auferindo receitas na prestação desses serviços, de forma que pudesse aproveitar os créditos relativos aos serviços constantes nas planilhas 20, 21 e 22 , que fossem essenciais ao exercício dessa atividade. Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de atestar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou se nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa. Para tanto, necessário se faz que a interessada mantenha escrituração efetuada de forma individualizada, acompanhada dos documentos que lhe dêem suporte, que permitam a correta distinção entre as despesas vinculadas à exportação de minério e as despesas vinculadas aos serviços de transporte e navegação prestados a terceiros, inclusive com a comprovação das receitas auferidas em função da atividade portuária mencionada. Por fim, há ainda a alegação da empresa de que as dragas locadas não foram utilizadas somente nas atividades do porto, mas também na própria mineração, em Mariana/MG. Nas notas fiscais apontadas pela reclamante, os serviços discriminados se referem a drenagem e bombeamento de águas da barragem de Fundão. Ora, a barragem é o local onde são depositados e tratados os rejeitos industriais e, portanto, embora imprescindível para a atividade de produção do minério, não se confunde com a atividade de produção, não podendo os serviços nela empregados serem considerados como “insumos” para a produção de minério." Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 27 26 A decisão merece ser reformada. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações de dragas e reboques. Também, dão direito ao crédito os serviços relacionados ao porto, por serem essenciais a atividade da recorrente O laudo da empresa MiningMath Associates pontua a essencialidade de tais serviços para a consecução das atividades da recorrente. As dragas locadas foram utilizadas na atividade denominada no laudo como "bacias de polpa" assim descrita: Bacias de polpa (item 4, subitem 4.7, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) são bacias existentes, dentro da unidade de Ubu, para recebimento de polpa. Tem também a função de proteger a operação em casos de emergência, como exemplos, queda de energia elétrica, paradas nas usinas, quebra de equipamentos que causem parada de produção, etc. Em tal atividade é insumido o serviço de locação de dragas. Já em relação às locações de reboque, serviços portuários e de rebocador, também é de se prover o recurso. Consta do laudo referido: Dos pátios de estocagem as pelotas são retiradas por retomadoras de roda de caçambas e enviadas por transportadores de correia até o terminal marítimo próprio, para clientes em todo o mundo. No porto (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), localizado em Ponta Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco possui um píer com 313 metros de comprimento, dois berços de atracação e profundidade de até 18,7 metros, com capacidade para receber embarcações de até 308 metros de comprimento e cargas de até 210 mil toneladas. Denotase, então, preenchido o requisito da essencialidade para que faça jus a recorrente ao seu pleito. Desta forma, dou provimento ao recurso. Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. Os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos estão vinculados ao processo produtivo da recorrente e por isso lhe dão o direito ao creditamento. No caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pela recorrente, a necessidade de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos são indissociáveis do seu processo produtivo, ou seja, são intrínsecos à atividade produtiva, a limpeza, recolhimento e transporte de Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 28 27 rejeitos, pois sem isso, inclusive prejuízos de orcem ambiental podem ser gerados. Dos argumentos da recorrente, destaco: Como já foi visto, o minério de ferro passa por diversos subprocessos durante a sua produção. Tais mecanismos possuem sistemas de perdas indesejadas, contudo não são 100% eficazes ao ponto de evitar o escape de material. Estas perdas acabam ficando acumuladas no chão ou depositadas nos equipamentos e, com o passar do tempo, passam a atrapalhar o próprio funcionamento do maquinário. Dessa feira, a limpeza industrial ganha vital importância na medida em que evita o acúmulo desses resíduos e possibilita a sua reutilização no processo produtivo. Aqui é preciso deixar claro que o resíduo não é descartado após a limpeza, mas sim é reinserido no processo produtivo da Recorrente. Foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como indispensáveis ao processo produtivo os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais acolhe a tese da recorrente, conforme decisão a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado" (Processo 10280.722549/2011 74; Acórdão 9303004.657; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 15/02/2017) (destaque nosso) Em recente julgado proferido no processo 15504.724365/201271, que tratava da atividade de mineração, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vejamos: "Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor." Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 29 28 Outras decisões do CARF são favoráveis à recorrente: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...)" (Processo 10280.722549/201174; Acórdão 3403002.765; Relator Conselheiro IVAN ALLEGRETTI; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. (...)." (Processo 11065.001083/2009 62; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 30 29 Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na produção de minério. A decisão recorrida afirma: "Nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, constantes na(s) Nota(s) Fiscal(ais) apresentada(s), são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade. Portanto, estão corretos os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar esses créditos." O decisum merece reforma. Tais serviços são necessários e indispensáveis na atividade da recorrente, o que lhe garante o direito ao creditamento. Na atividade desenvolvida pela recorrente não há como se processar a extração de minério sem a realização dos serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Novamente, importante repisar os argumentos da recorrente: Novo engano: no processo integrado, as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estará comprometido. A nota fiscal em anexo expedida pela empresa PCM Processamento e Caracterização Mineral Ltda, localizada no município de Ouro Preto/MG, traz em seu corpo todos os serviços prestados, o que comprova a irregularidade da autuação (...). (...) Quanto ao tratamento de efluentes, temos exigência legal que não pode ser ignorada. De um lado, a legislação ambiental diz que isso é essencial e obrigatório e a legislação tributária diz que não é essencial e sim dispensável? Está claro que serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas são essenciais à atividade de recorrente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao tema e envolvendo empresa mineradora, assim tem decidido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 31 30 passivo. No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos. (...)" (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira TATIANA MIDORI MIGIYAMA; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) No mesmo sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados." (Processo 16682.720441/201281; Acórdão 3402002.669; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 24/02/2015) (nosso destaque) Assim, considerando a atividade da recorrente, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias Mais uma vez, com razão a recorrente. Para evitar o enfado, adoto como fundamento decisório, a jurisprudência do CARF que se amolda ao caso. Cito os seguintes precedentes: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros." (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302004.821; Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 32 31 Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; Sessão de 24/10/2017). "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 .NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. (...)" (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302 004.821; Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; sessão de 24/10/2017) Importante, também, o consignado pelo Conselheiro Valcir Gassen no processo 10972.000033/200962: "Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586 processo n° 13.646.000183/200451) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;' Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema." Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 33 32 Ora, se o entendimento perfilhado nos acórdãos referidos admitem os créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros, nada mais justo que, de igual modo, seja reconhecido o direito pelo serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias que geram a energia elétrica indispensável à recorrente. Assim, dou provimento ao recurso neste tópico. Serviços relacionados à manutenção civil Em relação a tal tópico comungo com o entendimento da recorrente. As barragens da recorrente são indissociáveis do seu processo produtivo de mineração, pois sem elas é impossível efetuar o beneficiamento do minério de ferro. O mesmo se aplica aos demais itens deste tópico, como por exemplo, desassoreamento, manutenção mecânica e paradas técnicas. Como alegado pela recorrente as benfeitorias foram realizadas em imóvel de sua propriedade e essencial à sua atividade produtiva. Não há como a empresa operar se não efetuar serviços de construção civil, como por exemplo, na barragem de rejeitos, barragem da captação de água, barragem, Assim, considerando a complexidade das atividades da empresa e por todo o exposto na presente decisão é de se prover o recurso neste tópico, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Combustíveis Mais uma vez, com razão a recorrente. A decisão recorrida, data venia, de modo equivocado, limitou a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, afirmando ser possível ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Considerando a atividade produtiva de recorrente os combustíveis consumidos nos veículos utilizados na mina geram crédito em seu favor. O CARF assim tem decidido de modo reiterado, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 34 33 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais." (Processo 11065.001083/200962; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (destaque nosso). "COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NOS SETORES PRODUTIVOS Constatado que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo fabril, eis que direcionados aos equipamentos de fabricação das rações balanceadas para as aves, ao sistema de comedouros, às campânulas de aquecimento ou às máquinas de aquecimento, aos motores de ventilação, dentre outros, é de se impor a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com os referidos combustíveis e lubrificantes. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, de aferição de balanças, de lavagem de veículos, de pá carregadeira, de retroescavadeira, mecânicos, de recapagem de pneus, de assistência técnica em veículos, de aferição elétrica de troca de rolamentos e de conserto de motor utilizados diretamente no processo produtivo devem ser considerados serviços essenciais à atividade do sujeito passivo, gerando direito a constituição de crédito das contribuições ao PIS e à Cofins." (Processo 10935.004861/201050; Acórdão 9303005.679; Relator Conselheiro Demes Brito, sessão de 19/09/2017) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo.No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos." (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 35 34 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO. COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação às aquisições de insumos como por exemplo óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina)." (Processo 10280.004605/200628; Acórdão 3301003.654; Relator Conselheiro Valcir Gassen; sessão de 24/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo 12893.000363/200882; Acórdão 3302004.628; Conselheiro Relator Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 27/07/2017) Assim, dou provimento ao recurso neste tópico, ressaltando, ainda, que deve a unidade de origem proceder à correta recomposição do crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Por fim, esclareço no que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10680.901878/201258 Acórdão n.º 3201003.334 S3C2T1 Fl. 36 35 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, a turma decidiu por dar provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. No que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos, devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1871DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722333/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
PRELIMINAR. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO.
Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA.
A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART.173, I, DO CTN.
Mesmo em se considerando casos de dolo, fraude ou simulação é aplicável apenas a norma do art. 173, I, do CTN, considerando-se decaídos os créditos tributários constituídos a mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderiam ter sido lançados.
AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.
A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS DE DIREITO E DE FATO. INTERESSE NÃO COMPROVADO. IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIZAÇÃO.
São solidária e pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, com interesse comum evidenciado nos autos, os sócios de fato e de direito da empresa. Excluem-se da responsabilização apenas aqueles sujeitos apontados cuja acusação não tenha apresentado provas dos atos irregulares ou do benefício auferido.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS.
São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas receptoras de recursos dos sócios de fato e de direito da empresa.
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA.
Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO.
O imposto será determinado com base nos critérios do Lucro Arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA.
Em lançamento de ofício é devida multa agravada em 50,00%, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrado que o sujeito passivo não atendeu intimações para prestar esclarecimentos.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA.
Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, constitui obrigação inseparável deste.
Numero da decisão: 1401-002.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e novembro de 2008. Também por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários dos apontados como responsáveis solidários, à exceção do Sr. LUIS ROBERTO SATRIANI e da Sra. SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, cujos recursos foram providos, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART.173, I, DO CTN. Mesmo em se considerando casos de dolo, fraude ou simulação é aplicável apenas a norma do art. 173, I, do CTN, considerando-se decaídos os créditos tributários constituídos a mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderiam ter sido lançados. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS DE DIREITO E DE FATO. INTERESSE NÃO COMPROVADO. IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIZAÇÃO. São solidária e pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, com interesse comum evidenciado nos autos, os sócios de fato e de direito da empresa. Excluem-se da responsabilização apenas aqueles sujeitos apontados cuja acusação não tenha apresentado provas dos atos irregulares ou do benefício auferido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS. São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas receptoras de recursos dos sócios de fato e de direito da empresa. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. O imposto será determinado com base nos critérios do Lucro Arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. Em lançamento de ofício é devida multa agravada em 50,00%, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrado que o sujeito passivo não atendeu intimações para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, constitui obrigação inseparável deste.
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NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 23 33 /2 01 4- 10 Fl. 2602DF CARF MF 2 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA NORMA DO ART.173, I, DO CTN. Mesmo em se considerando casos de dolo, fraude ou simulação é aplicável apenas a norma do art. 173, I, do CTN, considerandose decaídos os créditos tributários constituídos a mais de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderiam ter sido lançados. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIOS DE DIREITO E DE FATO. INTERESSE NÃO COMPROVADO. IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIZAÇÃO. São solidária e pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, com interesse comum evidenciado nos autos, os sócios de fato e de direito da empresa. Excluemse da responsabilização apenas aqueles sujeitos apontados cuja acusação não tenha apresentado provas dos atos irregulares ou do benefício auferido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS. São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas receptoras de recursos dos sócios de fato e de direito da empresa. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. O imposto será determinado com base nos critérios do Lucro Arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. Em lançamento de ofício é devida multa agravada em 50,00%, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.566 3 recolhido, quando demonstrado que o sujeito passivo não atendeu intimações para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, constitui obrigação inseparável deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e novembro de 2008. Também por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários dos apontados como responsáveis solidários, à exceção do Sr. LUIS ROBERTO SATRIANI e da Sra. SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, cujos recursos foram providos, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso sobre o caso. Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 23/09/2014 (fl. 1737), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Cofins, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2008, 2009 e 2010. Fl. 2604DF CARF MF 4 2. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 1492 a 1604) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1605 a 1694), a contribuinte cometeu a infração de omissão de receitas. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 966 a 1004): 3.1.1. Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada com base nos artigos 530, inciso III, e 537, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e 3º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.2. Receitas da Atividade – Receita Bruta Apurada com Base nos Valores Informados na DCTF com base no artigo 532 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), e 3º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.3. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 41.173.655,45. 3.2. CSLL (fls. 1538 a 1573) – com base na fundamentação legal indicada às fls. 1545 a 1547. 3.2.1. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 11.879.846,07. 3.3. COFINS (fls. 1574 a 1588) com base na fundamentação legal indicada às fls. 1581 e 1582. 3.3.1. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 12.393.775,02. 3.4. PIS/Pasep (fls. 1590 a 1604) com base na fundamentação legal indicada às fls. 1596 a 1598. 3.4.1. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 2.685.317,95. 4. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada é o artigo 44, § 1º e 2º, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007 – infração de omissão de receitas por presunção legal – depósitos bancários – 225,00%), e o artigo 44, Inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007 – infração de omissão de receita da atividade – 75,00%); o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 1536, 1572, 1587 e 1603). 5. Às fls. 2069 a 2090 consta Extrato do Processo, com registro de processos de Representação Fiscal para Fins Penais (13896.722318/201463) e de Arrolamento de Bens (13896.722319/201416). Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.567 5 6. Irresignada com os lançamentos, em 17/10/2014 a empresa apresentou impugnação às fls. 1873 a 1920, instruída com os documentos às fls. 1921 a 1985, na qual alega, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pela recorrente): Decadência do Crédito Tributário 6.1. Em relação ao anocalendário de 2008, é evidente a decadência dos mencionados débitos, seja em função do disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, ou até mesmo do artigo 173, inciso I, do CTN. 6.2. Se contada a decadência pelo artigo 150, § 4º (cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador), os fatos geradores ocorridos no ano de 2008 somente poderiam ser objeto de lançamento de ofício até o fim do ano de 2013. 6.3. Por outro lado, se contada a decadência segundo o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, o termo inicial da decadência passa a ser o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", ou seja, 1º de janeiro de 2009. Assim, o termo final da decadência seria o dia 1º de janeiro de 2014. 6.4. Desse modo, é evidente a ocorrência da decadência dos débitos relativos ao anocalendário 2008, uma vez que o AI foi lavrado em 04/09/2014, isto é, posteriormente aos termos finais da decadência, seja com fulcro no artigo 150, § 4º, ou no artigo 173, inciso I, do CTN. 6.5. No que tange ao anocalendário 2009, como a lavratura ocorreu em 04/09/2014, o Fisco, de acordo com o artigo 150, § 4º, do CTN, somente poderia constituir créditos tributários relativos aos fatos jurídicos ocorridos até 5 anos antes, ou seja, a partir de 04/09/2014. 6.6. Insta demonstrar a total inaplicabilidade da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado. 6.7. Isso porque, conforme entendimento consolidado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o referido dispositivo somente é aplicável nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento do tributo, ou agiu de forma fraudulenta (transcreve jurisprudência à fl. 1876). 6.8. Assim, verificase que o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, não é aplicável, uma vez que no presente caso houve pagamento antecipado dos tributos federais incidentes no período fiscalizado, conforme se depreende dos anexos Comprovantes de Arrecadação. 6.9. Além disso, não há que se falar de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, como será cabalmente demonstrado em tópico posterior. Preliminarmente: Nulidade do AI As Múltiplas Nulidades do AI Fl. 2606DF CARF MF 6 Nulidade por Erro na Identificação do Sujeito Passivo 6.10. A autoridade fiscal se esforça para demonstrar que os recursos movimentados pela "empresa de fachada" não pertenceriam a ela própria, mas a terceiros. 6.11. A bem se ver, o que a autoridade fiscal defende é que a "empresa de fachada" teria sido utilizada por terceiros (embora ela também diga que ela teria se valido de "laranjas") para a movimentação de recursos financeiros. 6.12. Em um caso tal no qual a autoridade fiscal dá sinais de acreditar, piamente, ter comprovado as suas alegações não se justifica, em absoluto, a desconsideração do § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. 6.13. Ora, se os valores dos depósitos bancários pertencem, em última análise, somente a Adir e Marcello ou ainda que pertencessem a estes e a Sônia, Sandra e Luís Roberto, o que excluiria a possibilidade desses últimos serem "laranjas" dos primeiros , não podem pertencer, por imperativo da lógica, à Impugnante. Seria, sob tais circunstâncias, imperiosa a aplicação do § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, por força do qual os “interponentes” da pessoa jurídica deveriam reputarse contribuintes, não responsáveis tributários. 6.14. O equívoco da autoridade fiscal é injustificável. É longa e fatigante a tentativa de caracterizar a Impugnante como "empresa de fachada", ou seja, sociedade desprovida de substância econômica que nada mais faz que assumir a titularidade "formal" de dinheiro pertencente a terceiros. Por isso mesmo, não é compreensível a decisão de simplesmente ignorarse o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. 6.15. Curiosamente, a autoridade fiscal colaciona acórdãos da jurisprudência administrativa que tratam da aplicação da presunção de omissão de receitas, lastreada em depósitos bancários, em casos envolvendo a interposição de pessoas. Casos em que, como não poderia deixar de ser, foi aplicado o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Por qual motivo, então, seria admissível a desconsideração de tal comando normativo no caso vertente ? 6.16. O deslize que se acaba de denunciar implica a nulidade do AI em razão do erro na identificação do sujeito passivo, nos termos do art. 142 do CTN. Nulidade por falta de Identificação do (s) Titular (es) da Conta de Depósito 6.17. A autoridade fiscal não poupou esforços para buscar demonstrar que a pessoa jurídica autuada seria uma "empresa de fachada" de Adir e Marcello, um simulacro, uma mentira, mas, ao mesmo tempo, deuse por satisfeita com a intimação das administradoras "de direito" desta ("laranjas", dentre outros) para a apresentação de provas sobre a origem dos montantes depositados, em atendimento ao que exige o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Mas, se a empresa é "de fachada", que sentido faria intimála para dizer algo sobre o dinheiro que, em última instância, não lhe pertence ? 6.18. É necessário integrarse o sentido do caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 com o dos seus parágrafos. Tal artigo, embora articulado em seções diversas, é portador de um sentido global que surge da conjunção lógicosemântica de suas partes componentes. Por isso mesmo, não há como se ler e interpretar o caput do referido dispositivo sem levar em conta o disposto em seu § 5º. Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.568 7 6.19. Diante deste cenário normativo, parece óbvio que o "titular" a que se refere o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 não pode ser diverso daquele indicado no § 5º do mesmo artigo. Deveras, como poderia ser um o titular sujeito às conseqüências da presunção de omissão de receitas, mas ser outro (o "laranja") o intimado para demonstrar a origem dos montantes depositados ? O § 5º, ao permitir a "desconsideração" da titularidade formal da conta de depósitos para fins de cobrança dos tributos eventualmente devidos, atrai o pressuposto de que os depósitos bancários devem ser "imputados" ao "efetivo titular". Há, neste dispositivo, mais que a extensão da presunção aos casos de simulação por interposição fictícia (artigo 167, inciso I, do Código Civil), a determinação de um regramento sobre como aplicála em tais casos. 6.20. Fica, assim, patente a nulidade do AI, ocasionada pelo desapego à interpretação sistemática da lei. A autoridade fiscal diz e repete, com marcante apego a "jargões populares", que a pessoa jurídica é "empresa de fachada", e que não passaria de um fantoche. Contudo, embora tenha adotado esta linha de acusação, a autoridade fiscal jamais intimou os Srs. Adir e Marcello, por exemplo, para, especificamente, demonstrarem ou comprovarem a origem dos montantes depositados em conta bancária mantida pela "empresa de fachada", e cuja titularidade lhe estava sendo imputada, diante da suspeita de ter ocorrido interposição fraudulenta. Nulidade do Erro na Identificação da Base de Cálculo e do Aspecto Temporal do Fato Gerador 6.21. A autoridade fiscal fez algo inexplicável: escreveu páginas e páginas sobre a tal "empresa de fachada", sobre o esquema de interposição fraudulenta supostamente adotado pelos seus "sócios de direito", ou apenas por Adir e Marcello as afirmações são contraditórias quanto a este particular , e, mesmo assim, calculou o IRPJ e a CSLL com base no lucro arbitrado da "empresa fantasma" termo utilizado em um dos documentos da investigação aludida pela autoridade fiscal. 6.22. Mas, vejase bem: como seria possível negar, a todo custo, a efetiva existência da "empresa de fachada", e, ao mesmo tempo, imputarlhe a titularidade das receitas omitidas, calculando o IRPJ com base no lucro arbitrado ? Na verdade, isto não é possível. Dilo, expressamente, o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. 6.23. Se há uma coisa que a autoridade fiscal não admite é que o dinheiro depositado, e presumidamente correspondente a receitas omitidas, pertence à pessoa jurídica "empresa de fachada", como tantas vezes se lê no AI. Não é possível saber muito bem a quem o dinheiro pertenceria, segundo a autoridade fiscal: às vezes ela diz que seria de Adir e Marcello, outras vezes ela assevera que seria de titularidade de Adir, Marcello, Sônia, Sandra e Luís Roberto; mas, em outra passagem, Sônia e Sandra são descritas como "laranjas". Enfim, a confusão é generalizada, mas uma coisa fica clara no AI: a autoridade fiscal não admite que os valores depositados na conta da "empresa de fachada" seriam, efetivamente, de sua titularidade. Fl. 2608DF CARF MF 8 6.24. Em tal cenário, algo pode ser dito com certeza: a eleição do Lucro Arbitrado com base de cálculo do AI absolutamente ilegal, por contrariar gritantemente o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. 6.25. A pergunta que deveria ser feita a seguir é: ora, se o lucro arbitrado é a base de cálculo errada, qual seria a correta ? 6.26. O problema decorrente da imprestabilidade material do AI, que se está a evidenciar é que não é possível responder esta pergunta. Quem dissesse que a base de cálculo correta seria o rendimento bruto anual de Adir e Marcello, provavelmente erraria, à luz de algumas passagens do AI em que estes são apontados como dois (dentre três) dos “interponentes” da "empresa de fachada". Do mesmo modo, quem afirmasse que a renda omitida deveria ser incluída no total de rendimentos de Adir, Marcello, Sônia, Sandra e Luís Roberto, também erraria, à luz de outros trechos do AI em que se afirma que o único mentor do suposto esquema de evasão fiscal seria Adir. Vale notar, registrese, que, ainda que assim não fosse, a tentativa de "ratear" as receitas omitidas entre os supranomeados supostos interponentes seria impossível, pois não há provas, nos autos, a respeito do percentual de participação de cada um quanto aos valores movimentados pela "empresa de fachada", e, ademais, seria aberrante a tentativa de submetêlos à obrigação solidária do artigo 124, inciso I, do CTN, porquanto não há interesse comum entre eles na verdade, se fosse procedente a tese da fiscalização, cada um teria interesse na sua parte do dinheiro, nunca no todo). 6.27. A falha do AI atinente à correta identificação do sujeito passivo, em consonância com o § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, também infirma a determinação do aspecto temporal do fato gerador realizada no trabalho fiscal. Como já foi dito, o AI impõe exigências a título de IRPJ/CSLL calculadas com base no Lucro Arbitrado. A incidência do IRPJ/CSLL sujeito ao Lucro Arbitrado, como se sabe, tem aspecto temporal trimestral. Tal aspecto temporal, porém, é completamente diferente daquele que haveria de ser levado em consideração caso fosse aplicado o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96: o imposto de renda seria calculado, neste caso, em periodicidade anual, considerandose os valores depositados auferidos e tributáveis na data do depósito, consoante dispõe o § 4º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Pelo exposto, vêse que o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 acarreta erro quanto à identificação do aspecto temporal do fato gerador. 6.28. O erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador justifica a declaração da nulidade material do AI, conforme jurisprudência administrativa (transcreve jurisprudência às fls. 1892 e 1893). Nulidade por Erro na Identificação da Alíquota 6.29. Analogamente ao que se deu com a identificação da base de cálculo, ao inadvertidamente deixar de aplicar o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, o AI incorre em erro quanto à definição da alíquota aplicável. 6.30. As alíquotas do IRPJ aplicadas pela autoridade fiscal (15% mais o adicional de 10%) somente seriam corretas se a "empresa de fachada" pudesse ser considerada "efetiva titular" dos depósitos bancários autuados. Tal premissa, porém, é negada à exaustão pela autoridade fiscal. Assim sendo, deveria, se fosse o caso, terse aplicado as alíquotas adequadas aos "efetivos titulares" repetindose, Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.569 9 aqui, a problemática acerca da precisa identificação do(s) suposto(s) interponentes, derivada da contraditória linha de argumentação desenvolvida no AI. Nulidade por Erro na Identificação da Matéria Tributável e do Fato Gerador 6.31. Ao se chegar neste passo da exposição, não restam dúvidas do efeito devastador que a inobservância do § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 ocasionou ao AI. 6.32. A incorreta identificação do sujeito passivo (contribuinte) atestada a partir das próprias premissas do AI, como visto acima fez a autoridade fiscal cobrar tributos errados todos eles , incorrendo, assim, em grave erro relativo à identificação matéria tributável. 6.33. A renda da pessoa jurídica sujeitase ao IRPJ e à CSLL, e as receitas da pessoa jurídica submetemse ao PIS e à COFINS. Mas o que dizer da renda e das receitas de "empresa de fachada"? Que tributos incidem sobre os valores percebidos pela "empresa fantasma"? 6.34. Ora, nenhum! É o que diz, literalmente, o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Se a "efetiva titularidade" dos depósitos é atribuída a terceiros como já dito, a autoridade fiscal lutou arduamente para desenhar este cenário na peça acusatória a matéria tributável haveria de ser identificada considerandose o regime jurídicotributário pertinente àqueles. 6.35. Como, no presente caso, ainda que se abstraísse as contradições encontradas no AI, não seria possível nomear qualquer "efetivo titular" do dinheiro movimentado pela "empresa de fachada" que fosse pessoa jurídica, resta evidente que "omissão de receitas" é matéria tributável errada; poderseia, no máximo, cogitar de "omissão de rendimentos", mas a autoridade fiscal não se deu conta disso. Não há como se falar, diante dos próprios fundamentos do AI, em "renda da pessoa jurídica" ou "receitas da pessoa jurídica". 6.36. Houve, claro, inegável erro na identificação da matéria tributável, e, por conseguinte, equívoco acerca da identificação do fato gerador dos tributos cobrados todos erradamente – no AI. Nulidades – Conclusão: a Maior das Nulidades Decorre da Inconsistência Lógica do AI – Vício de Forma 6.37. Por todo o exposto, esperase sejam reconhecidas as graves nulidades que maculam o AI, as quais gravitam, como se demonstrou, em torno de uma motivação inacreditavelmente paradoxal. Indevido Uso de Informações Bancárias sem Autorização Judicial 6.38. Frisese que os extratos bancários utilizados pela Autoridade Fiscal para fundamentar a presente autuação foram obtidos diretamente das instituições bancárias mediante mera Requisição de Movimentação Financeira (RMF), sem qualquer autorização judicial para a quebra do sigilo bancário da Impugnante. Fl. 2610DF CARF MF 10 6.39. No entanto, consoante restará adiante demonstrado, o presente lançamento demonstrase nulo de pleno direito, tendo em vista que efetuado com base em prova ilícita decorrente da ilegal quebra de sigilo bancário não autorizada por ordem judicial específica. Aplicação do inciso I do § 6º do artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 6.40. O Decreto n° 70.235/72 prevê, em seu artigo 26A, a vedação à possibilidade de os órgãos de julgamento afastarem a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. 6.41. Pela leitura do inciso I, do § 6º, verificase que a despeito de ser vedada a discussão de cunho constitucional no âmbito do processo administrativo federal, tal vedação não se aplica aos casos em que a lei a que se pretende afastar tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal. 6.42. Cumpre esclarecer, por oportuno, que o plenário do Supremo Tribunal Federal, em julgamento do Recurso Extraordinário n° 389.808/PR, realizado em 15/12/2010, colocou fim à discussão quanto à quebra do sigilo bancário dos contribuintes para fins fiscais, afastandose a possibilidade de a RFB ter acesso direto aos dados bancários sem ordem emanada do Poder Judiciário. (transcreve ementa de Acórdão à fl. 1899). 6.43. Dessa forma, uma vez que o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a legislação que daria suporte ao indevido acesso obtido pela fiscalização a informações e documentos protegidos por sigilo bancário Lei complementar n° 105/01, regulamentada pelo decreto n° 3.724/01 deverão igualmente os órgãos julgadores administrativos reconhecer a nulidade do lançamento que embasou o presente AI, uma vez que, como se verá, fora fundado em provas ilícitas. 6.44. Uma vez evidenciada a possibilidade da discussão sobre a inconstitucionalidade da legislação atinente à quebra do sigilo bancário em esfera administrativa, passa a Impugnante a demonstrar as razões que inevitavelmente conduzirão ao cancelamento do presente AI. Inconstitucionalidade da Quebra do Sigilo Bancário. 6.45. Os extratos bancários foram obtidos sem qualquer autorização judicial, com base no disposto no artigo 6º da Lei Complementar n° 105/01. 6.46. Como se verá a seguir, à luz do acórdão de julgamento do Recurso Extraordinário n° 389.808/PR proferido pelo Tribunal Pleno do STF, o referido artigo que autorizou a quebra do sigilo bancário da Impugnante encontrase eivado de inconstitucionalidade, sendo nulo o presente AI, uma vez que lastreado em informações obtidas de forma ilegal junto às instituições financeiras. A Inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105/01 e do Decreto n° 3.724/01 face ao art. 5°, "caput" e inciso X, da Constituição Federal 6.47. O sigilo de dados de operações financeiras é um desdobramento do direito à privacidade, assegurado no art. 5º, X, da Constituição Federal, que constitui ainda Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.570 11 uma das formas de expressão da liberdade prestigiada no artigo 5º, "caput", só passível de flexibilização pela Administração Pública ou pelo Ministério Público por meio de ordem judicial. 6.48. O sigilo de dados bancários e operações financeiras constituindo, pois, uma espécie do direito à intimidade, jamais admitiria ruptura sem a provocação do Judiciário e na forma incondicional proclamada no art. 6º da Lei Complementar n° 105/01. Tanto mais quando se constata, repitase, que estes desencadeiam, ato contínuo, a quebra do sigilo, à margem de qualquer motivação, suspeita ou indícios, obrigando as Instituições Financeiras a transmitir à Administração, periodicamente, a integralidade dos dados da vida bancária e financeira dos seus usuários. 6.49. Dessa forma, não tendo a Autoridade Administrativa demonstrado a necessidade de quebra do sigilo bancário do Impugnante, que denote um interesse público prevalecente, somente com autorização do Poder Judiciário é que o referido sigilo poderia ser quebrado. 6.50. Assim, no caso em tela, resta clara a violação ao art. 5º, "caput" e inciso X, da Constituição Federal, devendo ser declarado nulo o presente lançamento, uma vez que fundado em ilegal quebra do sigilo bancário da Impugnante. A violação do art. 5°, XII, da Constituição Federal pela Lei Complementar n° 105/01 6.51. O artigo 5º da Constituição Federal prevê, em seu inciso XII, a inviolabilidade do sigilo de dados, inclusive os bancários, de qualquer cidadão, sigilo esse passível de flexibilização somente em casos excepcionais, autorizados por ordem judicial. 6.52. No presente caso, portanto, um dos requisitos essenciais para a quebra do sigilo bancário da Impugnante também não foi observado pela D. Autoridade Fiscal: a ordem judicial. 6.53. O Supremo Tribunal Federal, em mais de uma oportunidade, esclareceu a correta exegese do art. 5º, XII, da Constituição Federal, na certeza de que esse, em verdade, contempla apenas dois casos de inviolabilidade e, divididos em duas situações, e não quatro. A primeira: o sigilo de correspondências e das comunicações telegráficas, em princípio, absolutamente invioláveis. E a segunda englobando o sigilo de dados, inclusive os bancários, e de comunicações telefônicas, onde a inviolabilidade seria relativa, mas sempre dependente de ordem judicial. (transcreve ementas de julgados à fl. 1903). A violação do art. 145, § 1º, da Constituição Federal pelo art. 6° da Lei Complementar n° 105/01 6.54. Conforme destacado acima, qualquer órgão do Estado, qualquer Poder da República submetese, no exercício de suas prerrogativas constitucionais, às limitações impostas pela autoridade suprema da Constituição Federal. Fl. 2612DF CARF MF 12 6.55. Esta é a razão porque não há que se admitir, como querem alguns, que a obtenção direta de informações privadas pela administração tributária tenha fulcro no § Iº do art. 145 da CF/88. 6.56. Pela leitura do referido dispositivo observase a faculdade do Poder Público aferir a capacidade econômica do contribuinte para fins de graduação dos impostos, identificando o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, ressalvandose, expressamente, o respeito aos direitos individuais. 6.57. A Lei Complementar n° 105/01, em seu artigo 6º, sem cerimônia, ignora exatamente a condição estatuída na parte final do § Iº do art. 145, descartando a inviolabilidade da privacidade e de dados cristalizada nos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. (transcreve trecho do RE nº 389.808/PR às fls. 1905 e 1906). 6.58. Como visto, o poder fiscalizatório está, evidentemente, subordinado aos direitos e garantias individuais, de acordo com o previsto no artigo 145, § Iº da Constituição Federal. Portanto, o art. 6º da Lei Complementar n° 105/01 ofende este princípio constitucional ao autorizar a quebra do sigilo bancário sem determinação judicial. Nulidade do lançamento tributário fundamentado em provas ilícitas. Inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial prévia 6.59. Diante das inconstitucionalidades acima apontadas, o presente AI demonstra se nulo de pleno direito, visto estar fundamentado em provas obtidas ilicitamente, por meio da quebra de sigilo bancário desacompanhada de autorização judicial específica. (transcreve julgado à fl. 1907). Incorreta Aplicação da Presunção Necessidade de Desconsideração das Transferências entre Contas do Mesmo Titular 6.60. Não fosse pela ilegalidade das provas que lastreiam o auto de infração obtidas mediante ilegítima quebra de sigilo bancário a presunção de omissão de receitas de que lançou mão a autoridade fiscal merece ser rechaçada em razão da inobservância de um de seus pressupostos, descrito no § 3º do art. 42 da Lei n° 9.430/96. 6.61. A autoridade fiscal afirma que teria já desconsiderado as transferências provenientes de contas do mesmo titular quando da aplicação da presunção. Tal afirmação, porém, não resiste a uma análise mais detida, à luz do estatuto lógico que a própria autoridade fiscal impôs à dedução das acusações que formulou. 6.62. Com efeito, não fosse este um caso que envolvesse a acusação de interposição fraudulenta, não mereceria reparos ao trabalho fiscal. Como se pode ver no auto de infração, houve o cuidado de se desconsiderar as transferências eventualmente provenientes de outras contas de titularidade da própria Impugnante. 6.63. Nada obstante, a autoridade fiscal não se limitou a aplicar, de maneira simples e direta, a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Mais que isto, fez um grande esforço para tentar demonstrar que a pessoa jurídica autuada seria "empresa de fachada", "sociedade fantasma", e, portanto, não seria titular "efetiva" Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.571 13 dos valores movimentados nas contas que, apenas formalmente, seriam mantidas em seu nome. 6.64. Nesse cenário, causa espécie a fragilidade lógica que, com permissão da autoridade fiscal, passou a revestir o seu trabalho. Embora a Impugnante tenha sido expressamente e consistentemente tratada como "empresa de fachada", no momento em que foi aplicar o inciso I do § 3º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a autoridade fiscal "fez de conta" de que ela seria verdadeira e efetiva titular das contas bancárias mantidas "apenas formalmente" em seu nome, bem como dos valores que por ela transitaram. 6.65. A alegação de que existe um conglomerado de "empresas de fachada" traz consigo a conseqüência de que o dinheiro que entra em uma, e é transferido a outra, pode e ser o mesmo. Assim, a aplicação incorreta do inciso I do § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 poderia trazer graves prejuízos ao contribuinte, pois haveria a tributação em duplicidade dos montantes. Necessidade de Excluir os Valores já Tributados da Base de Cálculo do AI 6.66. Como se vê no Quadro 13 contido na página 28 do Termo de Verificação Fiscal, a Impugnante declarou em DCTF os valores considerados devidos por ela. 6.67. Diante disso, resta evidente a necessidade de cancelamento dos débitos lavrados sob a rubrica "receita bruta apurada com base nos valores informados em DCTF", haja vista que, antes mesmo da lavratura em tela, os débitos nela exigidos já haviam sido declarados em DCTF. 6.68. A autoridade fiscal reconhece que houve montantes declarados como receitas nas DIPJ da empresa, e que sobre estes montantes foram calculados os tributos pertinentes, conforme consta das DCTF correspondentes aos períodos autuados. 6.69. Nada obstante, afirma a autoridade fiscal que não seria possível excluir tais montantes da base de cálculo do lançamento porque, não tendo a empresa autuada apresentado condições de disponibilizar os seus livros contábeis e fiscais, teria se tornado impossível realizar o cotejo entre as receitas supostamente omitidas, e aquelas espontaneamente declaradas. 6.70. Pouco importa se não se faz possível, nestes termos, o cotejo ou confronto entre as receitas consideradas para fins de arbitramento, e aquelas já declaradas pelo contribuinte. O fato é que a fiscalização, ao atuar sem levar em conta a escrituração do contribuinte ainda que isto decorra de uma falta imputável ao contribuinte deve fiscalizar e identificar o universo dos "fatos conhecidos" que darão origem ao lucro arbitrado. Isto, pois a ausência de apresentação dos livros em nada prejudica a fiscalização de todo o universo de receitas por exemplo , mormente quando a constatação destas é operada por meio de provas diretas e provas indiretas (presunções). 6.71. Dizer, enfim, que as receitas identificadas correspondem a apenas parte das receitas de modo, eventualmente, não se confundirem com aquelas já declaradas Fl. 2614DF CARF MF 14 espontaneamente equivaleria a uma confissão de trabalho feito pela metade, circunstância que, por si, acarretaria a insubsistência da exigência. Descabimento da Aplicação da Multa de Ofício Qualificada e Majorada Ausência de Comprovação do "Evidente Intuito de Fraude" 6.72. A autoridade fiscal fundamenta a qualificação da multa de ofício a partir de dois pressupostos: (i) a omissão de receitas; e (ii) a utilização de "laranjas". 6.73. Ocorre, todavia, que nenhum destes fundamentos é hábil a autorizar a exasperação da penalidade, como pretendido pela autoridade fiscal. 6.74. Em primeiro lugar, cabe notar que a simples omissão de receitas não é suficiente para concluir ter havido evidente intuito de fraude. (transcreve Súmula do CAR à fl. 1915). 6.75. Registrese, neste passo, que não há, no auto de infração, nem a afirmação, e muito menos a prova, de que a omissão de receitas teria sido prática reiteradamente adotada pela empresa autuada. 6.76. A bem se ver, não há, no auto de infração, a demonstração de qualquer conduta dolosa da própria "empresa de fachada". Tudo o que se diz que foi fraudulento, em última instância, teria sido, supostamente, cometido pelos responsáveis, não pela "empresa de fachada". Ausência de "Embaraço à Fiscalização" 6.77. Deve, ainda, ser cancelada a majoração da penalidade (aumento de 50% da penalidade imposta) em razão da ausência do alegado embaraço à fiscalização. 6.78. Em primeiro lugar, há de se notar que uma coisa é o embaraço à fiscalização entendido, pura e simplesmente, como a omissão do contribuinte diante da intimação fiscal , e a eventual insatisfação da autoridade fiscal em vista da resposta dada pelo contribuinte. 6.79. No caso presente, a autoridade fiscal afirma que a Impugnante noticiou, no curso da ação fiscal, que os livros fiscais e comerciais solicitados não existiriam, e que todos os demais documentos de que se poderia dispor houveram sido apreendidos pela Polícia Federal. 6.80. Não houve, assim, ausência de resposta embaraço à fiscalização em sentido próprio. Ocorreu, simplesmente, que a autoridade fiscal não gostou da resposta que recebeu, desaprovou o conteúdo do que lhe foi reportado. Mas não há, nisto, o elemento do embaraço, que permite o agravamento da penalidade. 6.81. Até porque eis o segundo dos aspectos antes mencionados diante da informação recebida, não poderia, jamais, a autoridade fiscal vislumbrar embaraço, mas um caminho certo para prosseguir com a ação fiscal : a via do arbitramento. 6.82. Ao dizer que os livros não existiam, a Impugnante, muito longe de embaraçar, criou as condições necessárias a que a autoridade fiscal prosseguisse com o arbitramento. Sob tais circunstâncias, é descabido cogitarse de embaraço à fiscalização. Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.572 15 7. Ao final, requer que todas as intimações e notificações sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório na Capital do Estado de São Paulo, na Avenida Angélica, n° 2.163, conjunto 61, em atenção a Rafael Pinheiro Lucas Ristow, além de protestar por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. 8. Irresignado com os lançamentos, em 03/10/2014, o sujeito passivo solidário Sr. Luis Roberto Satriani, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1711 e 1712) a ele cientificado em 11/09/2014 (fl. 1739), apresentou impugnação às fls. 1811 a 1852, instruída com os documentos às fls. 1856 a 1858, na qual repisa as alegações apresentadas pela empresa autuada, nos quesitos decadência e múltiplas nulidades (erro na identificação do sujeito passivo, falta de intimação do titular da conta de depósito, erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador, erro na identificação da alíquota e vício de motivação), e alega, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pelo recorrente): Ausência de responsabilidade solidária ou pessoal do impugnante 8.1. A D. Autoridade Fiscal sequer conseguiu manter a coerência interna do auto de infração, pois, ao fim da leitura do T.V.F, não fica claro quem era o verdadeiro alvo da fiscalização. 8.2. Entretanto, ainda que o presente auto de infração tivesse capacidade para ultrapassar uma primeira análise o que efetivamente não detém, e se admite apenas por cautela , também não teria logrado êxito em demonstrar os requisitos da solidariedade para que a pudesse ter imputado ao Impugnante. Inaplicabilidade do Artigo 124, inciso I, do CTN 8.3. De acordo com os julgados transcritos, em primeiro lugar, o "interesse comum" sempre será o "interesse jurídico", e este, por conseqüência, a existência de direitos e deveres iguais entre as partes solidárias. Em segundo lugar, até como conseqüência da primeira observação, afastase a solidariedade quando o interesse do agente for meramente econômico, no sentido de receber, de alguma forma, e sem ter colaborado para tanto, vencimentos ou dividendos oriundos, no todo ou em parte, de uma ação fraudulenta. Em terceiro lugar, exigese das partes solidariamente obrigadas que tenham agido em conjunto com o devedor principal naquele ato que deu ensejo ao lançamento essa leitura é a que se coaduna com o afastamento da solidariedade de diretores, gerentes etc, quando em seu exercício regular da função ou quando obedecendo ordem expressa, conforme CTN, art. 137, inciso I, segunda parte. Por fim, em quarto lugar, foi estabelecido, recentemente, que a solidariedade somente se confirma quando a fiscalização trouxer provas de que houve confusão patrimonial entre responsável e empresa contribuinte, pois esse seria o elemento caracterizador máximo do interesse comum. 8.4. A esse ponto, já deve ter principiado na cabeça da D. Autoridade Julgadora um questionamento, qual seja: como pode uma pessoa dada como laranja ter o mesmo Fl. 2616DF CARF MF 16 interesse (interesse comum) do suposto "administrador de fato" do negócio ? A resposta, a toda evidência, é que tais pessoas jamais poderiam ser solidariamente responsáveis pelo débito que ora se exige. 8.5. E essa resposta advém da própria construção ilógica feita no T.V.F, pois, se é verdade que o Impugnante é interposta pessoa dos Srs. Adir e Marcello, os recursos presumidamente furtados à tributação (i) não têm origem nele e (ii) nem foram destinados a ele. 8.6. A outro momento, afirma a D. Autoridade Fiscal que "outra linha adotada pela fiscalizada foi a utilização de 'laranjas' ou 'testas de ferro' como já amplamente conhecido no jargão popular, que se tratam de interpostas pessoas do verdadeiro sócio da sociedade" e que "os sócios de direito dessas empresas, geralmente, são de baixa capacidade econômica (...). Em troca de favores ou mediante pagamento, emprestam seus nomes para utilização escusa por parte de terceiros". 8.7. Mas o trecho em que o T.V.F deixa ainda mais claro a sua linha de raciocínio é o que consta à fl. 53, que consigna que “Abaixo iremos demonstrar através de várias provas colhidas que os Sr MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD são os verdadeiros sócios de fato desta empresa, e que contou com a participação ativa dos sócios: as irmãs SÔNIA MARIZA BRANCO e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e do empresário LUIS ROBERTO SATRIANI, na estrutura de sonegação aqui relatada." 8.8. A D. Autoridade Fiscal afirma que o Impugnante é responsável solidário pelo débito em discussão porque seria sócio administrador da pessoa jurídica autuada. E é só. 8.9. A questão é que nada disso leva ao "interesse comum" exigido no artigo 124, inciso I, do CTN, pois, como amplamente mencionado, não se trata de interesse genérico, mas, sim, interesse específico na prática dos atos que levaram ao fato gerador em comento. 8.10. Não há prova da existência de direitos e deveres iguais entre o Impugnante e a pessoa jurídica autuada, ou os Srs. Adir e Marcello, porquanto impossível aferir da documentação acostada ao processo que o Impugnante tinha direitos e deveres iguais aos dos supostos idealizadores do esquema e da pessoa jurídica autuada. Faltou à fiscalização provar, também, que o Impugnante recebeu da pessoa jurídica autuada valores incompatíveis com os dividendos a que teria direito. 8.11. O interesse do Impugnante na pessoa jurídica autuada era meramente econômico, todavia, vale ressaltar que não há qualquer prova de que sua gestão envolvia atividade ilícita. Na realidade, não há provas de atos de gestão do Impugnante, muito menos algo que o vincule à omissão de receitas imputada à pessoa jurídica autuada. 8.12. Não há prova de que o Impugnante agiu em conjunto com os Srs. Adir e Marcello em atos fraudulentos. 8.13. Não foi demonstrada a confusão patrimonial entre o Impugnante e a pessoa jurídica autuada, ou os Srs. Adir e Marcello. Inaplicabilidade do Artigo 135, inciso III, do CTN Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.573 17 No mínimo, a imputação de responsabilização pessoal deveria ter fundamentação diferente da solidariedade 8.14. Como já adiantado acima, as acusações de obrigação solidária e de responsabilidade pessoal são incompatíveis entre si, e ensejam o cancelamento do lançamento no caso de ter havido erro na identificação do sujeito passivo principal. 8.15. Mas mesmo na remota hipótese de se aceitar que a responsabilidade pessoal e a solidariedade podem subsistir, o auto de infração não poderia ser mantido. 8.16. Os trechos do auto de infração em que há responsabilização solidária e pessoal são, pasmem, os mesmos, isto é, a estória desenvolvida pela D. Autoridade Fiscal chega a essas duas conclusões, sem que tenha sido realizada qualquer delimitação de quais condutas levaram à responsabilização pessoal e quais levaram à responsabilização solidária. Efetiva Impossibilidade de Responsabilização Pessoal do Impugnante 8.17. Conforme se verifica da leitura do artigo 135, inciso III, do CTN, a responsabilização pessoal de diretores, gerentes ou mandatários depende de comprovação de conduta (i) com excesso de poderes ou (ii) fraude de lei. 8.18. Evidente que a conduta com excesso de poderes ou fraude à lei que teria de ter sido demonstrada pela D. Autoridade Fiscal deve estar intimamente relacionada ao fato gerador, ou seja, deveria constar do T.V.F a prova de ações do Impugnante que tivessem relação com os depósitos recebidos supostamente como omissão de receitas. 8.19. Nessa esteira, e de forma bem breve para que não se torne ainda mais repetitivo, devese verificar que o Impugnante foi apontado como interposta pessoa pela D. Autoridade Fiscal, o que, apenas por isso, seria suficiente à demonstração de que não poderia responder pessoalmente pelos tributos. 8.20. Além disso, não há qualquer prova de atos de gestão por parte do Impugnante, muito menos relacionados à suposta fraude relatada no presente auto de infração. 8.21. Jurisprudência do Carf consigna que a responsabilização pessoal (i) depende de prova logo, não se presume, a exemplo da solidariedade , e (ii) e tal prova deve ser de uma conduta diretamente relacionada ao surgimento da obrigação tributária exigida. Questões subsidiárias: impossibilidade de responsabilização do impugnante pelas multas aplicadas 8.22. Como exposto nos tópicos anteriores, não há como subsistir a autuação em relação ao Impugnante, seja por sua absoluta inconsistência interna, seja pela nítida inexistência de qualquer grau de responsabilidade. 8.23. Contudo, ainda que fosse mantida a solidariedade do Impugnante, o que se admite por cautela, devese mencionar que ele não pode arcar com as penalidades Fl. 2618DF CARF MF 18 aplicadas, muito menos com as quantias referentes ao agravamento e à qualificação por embaraço. O Impugnante não pode responder pela multa no presente caso Artigo 137 do CTN 8.24. Como foi evidenciado em tópico próprio, a responsabilização pessoal do Impugnante restou absolutamente descaracterizada diante da ausência de qualquer prova da existência de conduta com excesso de poderes ou fraude à lei que estivesse diretamente relacionada com o presente lançamento. 8.25. Do mesmo modo, a solidariedade do Impugnante acabou prejudicada pela ausência de comprovação do "interesse comum" requerido pelo CTN para tanto. 8.26. Entretanto, a despeito da ausência ou presença de tais requisitos, devese recordar que o artigo 124, inciso I, do CTN, diz respeito somente à responsabilidade pela obrigação principal, vale dizer, pelo tributo, mas nunca poderia autorizar a responsabilização solidária do Impugnante pela multa, que segue uma lógica própria estabelecida pelo artigo 5º, inciso XLV da Constituição Federal. 8.27. A Constituição Federal determina que as multas punitivas, na qualidade de penalidades, não podem atingir pessoa diversa daquela que cometeu a infração e foi por tal ato condenada, de maneira que nenhuma multa poderia ser objeto de responsabilização solidária do Impugnante. 8.28. Em consonância com o dispositivo constitucional, o artigo 137 do CTN também regula a matéria, esclarecendo que a responsabilidade pelas infrações é pessoal do agente que as comete. 8.29. Da análise do dispositivo, podese concluir que, embora a responsabilidade pela obrigação principal possa comportar a solidariedade, a responsabilidade pelas penalidades decorrentes de infrações será apenas do agente que as praticar, quando as infrações em questão constituam crime, ou ainda quando dependam de dolo específico. 8.30. Rememorese, neste ponto, que o T.V.F traz inscrito um suposto esquema fraudulento de omissão de receitas, o que o enquadra tanto no inciso I como no inciso II, do artigo 137 do CTN. 8.31. Considerandose, ainda, que o próprio T.V.F é contraditório ao definir quem seria o pretenso agente (as qualificações de interponente e "laranja" são caoticamente atribuídas às pessoas ali citadas, inclusive à própria empresa), evidente que existe uma dificuldade para a aplicação (correta) da norma inserta no artigo 137. Ainda que seja mantida a responsabilidade pela penalidade aplicada, o Impugnante não pode responder pelo agravamento. 8.32. Come exposto acima, a multa exigida no presente caso, ainda que se tratasse daquela de 75%, jamais poderia ultrapassar a figura do agente. Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.574 19 8.33. Todavia, em caráter ainda maior de subsidiariedade, devese dizer que, no mínimo, o agravamento e a qualificação da multa de ofício não poderiam ser objeto de solidariedade. 8.34. A qualificação da Multa de Ofício, que autoriza sua duplicação, está prevista no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, que faz remissão aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que descrevem os tipos penais referentes à sonegação, fraude e conluio. Ora, todas as condutas descritas constituem crimes tributários tipificados na Lei n° 8.137/90, de maneira que, em conformidade com o inciso I do artigo 137 do CTN, a penalidade gerada por qualquer dessas infrações não poderia passar da pessoa do agente que a cometeu e, portanto, não poderia ser objeto de responsabilização solidária do Impugnante. (transcreve jurisprudência do Carf). 8.35. De qualquer maneira, ainda que essas condutas não estivessem tipificadas como crimes, é essencial notar que, ainda assim, elas não permitiriam a responsabilização do Impugnante, pois também dependem do dolo específico de que trata o inciso II, do artigo 137 do CTN. Extraise da leitura sistemática dos dispositivos acima transcritos que: (i) somente se aplica a multa de ofício agravada quando presente uma das hipóteses de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; e (ii) as hipóteses de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 requerem, para sua caracterização, a comprovação cabal do dolo específico. 8.36. Dessa maneira, tendo em vista que a qualificação da multa depende do dolo específico do agente, bem como que tal dolo não foi demonstrado com relação ao Impugnante, ao menos a penalidade agravada deve ser afastada, com base no artigo 137, incisos I e II, do CTN. Qualificação da penalidade por embaraço Impossibilidade de qualificação da multa por embaraço mesmo contra a pessoa jurídica autuada 8.37. Como se extrai do T.V.F, a penalidade aplicada à autuada foi agravada, nos termos do §1° e, posteriormente qualificada, conforme §2°, ambos do artigo 44, da Lei n° 9.430/96. 8.38. Antes mesmo de mencionar que a qualificação da multa por embaraço não pode ser imputada ao Impugnante, devese notar que tal aumento da pena sequer poderia ter sido perpetrado contra a própria pessoa jurídica autuada. 8.39. Explicase. No presente caso, a D. Autoridade Fiscal alega que não foram atendidas as notificações para entrega de documentos exigidos e, por conta disso, utilizouse de (i) arbitramento e (ii) presunção de omissão de receitas. 8.40. Ocorre que quando a ausência de entrega de documentos já acarretar, por si, uma penalidade ao contribuinte, não poderá haver bis in idem com o agravamento por embaraço (transcreve jurisprudência). 8.41. Como se extrai dos julgados transcritos, toda vez que a inércia do contribuinte tiver alguma conseqüência agravante prevista na legislação, seja ela o Fl. 2620DF CARF MF 20 arbitramento ou a presunção de omissão de receitas, a multa não poderá ser agravada por embaraço, pois a conduta não gera prejuízo ao Fisco. 8.42. Por essa razão, requerse a redução da multa aplicada no que tange ao percentual equivalente ao embaraço (art. 44, §2°, da Lei n°. 9.430/96). O Impugnante não pode ser responsabilizado pela qualificação da multa por embaraço 8.43. Observandose o § 2º do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, concluise que o embaraço à fiscalização também depende do dolo específico de que trata o inciso II, do artigo 137, do CTN. 8.44. Por conta da necessidade de dolo específico prevista nos dispositivo transcrito acima, devese dizer que a referida multa qualificada por embaraço não é oponível ao Impugnante por três razões. 8.45. A primeira delas é conseqüência da própria narrativa do T.V.F, pois, se é verdade que o Impugnante não é administrador de fato da pessoa jurídica autuada, não poderia embaraçar a fiscalização. 8.46. A segunda razão para que tal agravamento não seja oponível ao Impugnante é que, quando do início da fiscalização, não constava como sócio da pessoa jurídica autuada. 8.47. Por fim, e principalmente, a terceira razão para que a multa qualificada não seja oponível ao Impugnante é o fato de que ele jamais recebeu qualquer notificação para apresentação de documentos referentes à fiscalização da pessoa jurídica autuada, o que demonstra a completa impossibilidade de não ter atendido a um chamado do Fisco. 8.48. Ante o exposto, ainda que se pudesse manter a qualificação da multa pelo não atendimento de intimação do Fisco, tal penalidade não poderia ser imputada ao Impugnante. 9. Ao final, o defendente requer que todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, todos com escritório na Capital do Estado de São Paulo, na Avenida Angélica, n° 2.163, conjunto 61, em atenção a Rafael Pinheiro Lucas Ristow, bem como sejam enviadas cópias ao Impugnante, no endereço constante dos autos. Protesta, ainda, por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. 10. Irresignados com os lançamentos, em 03/10/2014, os sujeitos passivos solidários Sonia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Malago e Four´s Empreendimentos Imobiliários LtdaME, conforme Termos de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1706, 1707, 1701, 1702, 1731 e 1732) a eles cientificados em 11/09/2014 (fls. 1739, 1738 e 1748), apresentaram impugnação conjunta às fls. 1751 a 1796, instruída com os documentos às fls. 1799 a 1808 e 2055 a 2057, na qual repisam as alegações apresentadas pela empresa autuada, nos quesitos decadência e múltiplas nulidades (erro na identificação do sujeito passivo, falta de intimação do titular da conta de depósito, erro na identificação da base de cálculo e Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.575 21 do aspecto temporal do fato gerador, erro na identificação da alíquota e vício de motivação), acrescentam os tópicos específicos já descritos na defesa apresentada pelo Sr. Luis Roberto Satriani, e complementam, em síntese, com a seguinte alegação pertinente à Four´s Empreendimentos Imobiliários LtdaME: 10.1. Antes mesmo de demonstrar a completa impossibilidade de se imputar solidariedade à empresa Four's, devese dizer que, uma vez cancelada a exigência em relação à Sra. Sônia, automaticamente a acusação fiscal perderá todo o sentido no que tange à Four's. 10.2. Em primeiro lugar, o fato de a empresa ter sido constituída no mesmo endereço da empresa Rockstar (empresa alheia à presente lide) não denota qualquer espécie de fraude, pois nos casos de holdings patrimoniais familiares, é bastante comum que a empresa não seja "operacional", que se estabeleça em endereços de utilização mútua da família inclusive no local de trabalho de alguns dos membros , e que seus bens sirvam como passo inicial para a realização de outros negócios. Além disso, a empresa logo mudou de endereço. 10.3. Em segundo lugar, o fato de a Sra. Sônia ter doado o seu patrimônio para a Four's não caracteriza a ligação entre esta e a Rockstar. Como dito acima, a constituição de empresas por famílias que administrarão seu patrimônio em conjunto é muito comum e representa uma redução de diversos custos. 10.4. Quando muito, a D. Autoridade Fiscal poderia ter questionado a Sra. Sônia quanto à origem do patrimônio, o que ela teria demonstrado de pronto. 10.5. Ademais, não há qualquer alegação de vínculo entre a empresa Four's e a pessoa jurídica autuada. Ora, para que se pudesse mencionar o vínculo entre a Four's e a pessoa jurídica autuada, deveria a D. Autoridade Fiscal ter comprovado (i) que o resultado da suposta fraude teria gerado ganho à Sra. Sônia (algo que até agora não fez) e, (ii) posteriormente, que o patrimônio da Sra. Sônia transferido à Four's decorre, todo ele, de pagamentos fraudulentos recebidos pela Sra. Sônia da pessoa jurídica autuada. 10.6. Em terceiro lugar, a doação de quotas entre familiares é extremamente comum. Em quarto lugar, “a administração da empresa cujas quotas foram doadas aos filhos do antigo sócio geralmente resta ao doador, pois as holdings familiares são constituídas pelos mais diversos motivos, tais como adiantamento de herança, economia nos custos de administração etc, e faz sentido que o sócio constituidor, ainda que não conste formalmente da sociedade, permaneça com influência sobre seus familiares.” 10.7. Por fim, em quinto lugar, não procede a acusação de que a Four's foi engendrada para blindagem patrimonial das pessoas físicas, pois ela foi constituída em 2008, e a última operação com bens é datada de 24/02/2012. Ora, constatando se que a presente fiscalização se iniciou em 02/10/2012, a Four's somente poderia ter sido concebida para blindagem patrimonial se algum dos seus sócios tivesse a virtude de prever o futuro. 10.8. Mas, agora, a pergunta que não cala: como as acusações acima poderiam tornar a Four's responsável solidária da pessoa jurídica autuada ? Fl. 2622DF CARF MF 22 10.9. A resposta é no sentido de que, mesmo se configurassem alguma espécie de irregularidade as acusações acima, elas jamais teriam o condão de conferir à Four's o interesse comum exigido pelo artigo 124, inciso I, do CTN, para que ela fosse considerada responsável solidária dos débitos lançados contra a pessoa jurídica autuada. 10.10. As acusações acima, algumas vezes constatações, outras vezes meras ilações, nunca poderiam resultar na interligação dos interesses da Four´s com a pessoa jurídica autuada. 10.11. Percebese, aqui, mais uma vez, a "mania de perseguição" da D. Autoridade Fiscal: todo ato visa à burla, toda empresa é fraudadora, todo contribuinte é um ladrão em potencial... 11. Irresignado com os lançamentos, em 28/10/2014 o sujeito passivo solidário Sr. Adir Assad, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1716 e 1717) a ele cientificado em 02/10/2014 (fl. 1743), apresentou impugnação às fls. 1988 a 2011, instruída com os documentos às fls. 2012 e 2013, na qual alega, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pelo recorrente): Decadência 11.1. O Impugnante somente tomou ciência do referido auto de infração em 17 de setembro de 2014, portanto, há mais de cinco anos das ocorrências dos fatos geradores das obrigações exigidas no AI. 11.2. Com efeito, tratandose de lançamento por homologação, temse que o crédito tributário encontrase definitivamente extinto em função da homologação tácita, nos exatos termos do parágrafo 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. 11.3. Importante desde já enfrentar eventual alegação do Fisco no sentido de que em virtude do suposto intuito doloso da empresa autuada, o prazo decadencial a ser aplicado é o do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, que estipula como início do prazo decadencial o primeiro dia do ano seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. 11.4. No caso em tela, no qual se consigna a cobrança de supostos débitos do ano calendário 2008, aplicandose o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, teríamos que o prazo decadencial, iniciado em janeiro de 2009, extinguirseia em janeiro de 2014, mantendose assim a ilegalidade do lançamento realizado em junho de 2014. 11.5. Por todo o exposto, resta demonstrado que em ambos os casos (art. 150 e 173) a decadência estava já consumada na data da ciência do AI em relação aos supostos débitos relativos ao ano calendário 2008, não mais podendo ser exigidos. Da impossibilidade de responsabilização tributária 11.6. Nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, para resumir o que se vê quando da apuração do interesse comum, em se tratando de crédito tributário, ele existe quando o agente (i) atuar em conjunto com o sujeito passivo e (ii) com o mesmo intuito específico em relação ao fato gerador. Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.576 23 11.7. Nos termos do art. 135, inciso III, o dispositivo é tanto mais claro que aquele alusivo à responsabilidade solidária. Nessa toada, temse responsabilidade pessoal quando o agente (i) praticar atos com excesso de poderes ou infração à lei e (ii) for diretor, gerente ou representante do sujeito passivo principal. 11.8. Mais uma vez, temse a necessidade do dolo específico do agente, em ato com excesso de poderes e na condição de gestor. 11.9. Delimitada a acusação feita ao Impugnante, muito mal formulada, aliás, com lacunas de fundamentação absolutamente intoleráveis ao instituto do lançamento tributário, passase à demonstração da imprestabilidade das afirmações e pretensas "provas" trazidas no termo de verificação fiscal. Da inexistência de quaisquer atos praticados pelo impugnante em 2009 e 2010 11.10. Como se verifica do termo de verificação fiscal, os supostos fatos geradores foram praticados em 2008, 2009 e 2010, todavia, das "provas" apresentadas, nota se se referem apenas aos anos de 2008, 2012 e 2013. Frisese: nada há de prova no tocante aos anoscalendários de 2009 e 2010 (registra que os email são de 2008, as correspondências bancárias e DARF são de 2008 e 2012, as guias da Previdência Social são de 2012, a lista de documentos enviada ao contador é de 2012, e os recortes da revista Veja são de 2012 e 2013). 11.11. Para não dizer que inexiste alguma "evidência" para o anocalendário 2010, notase do termo de verificação fiscal um email enviado pela Sra. Sandra ao Sr. Amauri sem querer tergiversar sobre o óbvio ululante, Sandra e Amauri não são nomes ou codinomes do Impugnante. 11.12. Em uma breve reflexão, ao verificar que as pífias "evidências" produzidas sequer se referem aos anoscalendários de 2009 e 2010, não há como manter a responsabilidade solidária ou pessoal do Impugnante neste caso. As pretensas "provas" trazidas não vinculam o Impugnante à pessoa jurídica autuada 11.13. Além de as "provas" expostas no termo de verificação fiscal não se referirem aos anoscalendários 2009 e 2010 e, portanto, não demonstrarem nada em relação a tais períodos, devese ter em mente que grande parte delas somente trata das empresas Rock Star Marketing Ltda e Legend Engenheiros Associados Ltda. 11.14. Supondo, em absurda hipótese, que as "evidências" trazidas no auto de infração pudessem comprovar algum vínculo do Impugnante com as empresas Rock Star Marketing Ltda e Legend Engenheiros Associados Ltda, qual seria a relevância dessas "provas" para a demonstração do vínculo entre o Impugnante e a pessoa jurídica autuada ? 11.15. É ainda mais manifesta a ausência de elo entre o Impugnante e a pessoa jurídica autuada quando se nota que a Fiscalização não foi capaz de trazer uma prova sequer de um contato entre ambos. Fl. 2624DF CARF MF 24 Efetiva ausência de provas da responsabilidade pessoal e solidária: O Termo de Verificação Fiscal traz assertivas e evidências imprestáveis a demonstrar qualquer fraude. Irrelevância das "evidências" trazidas no Termo de Verificação Fiscal 11.16. O Impugnante se utiliza das expressões "prova" e "evidência" entre aspas, e isso se faz justamente porque, como será demonstrado abaixo, tais "provas" ou "evidências" não passam de recortes inúteis à comprovação da gravíssima acusação perpetrada. 11.17. Notese que, depois de anunciar um final apocalíptico ao presente auto de infração, o termo de verificação fiscal traz apenas uma série de documentos, reportagens, faturas, enfim, um sem número de recortes "sem pé nem cabeça", que não só deixam de provar o que se alega, como demonstram a completa ausência de certeza do que consta do termo de verificação fiscal. Emails 11.18. Mencionese novamente que os emails recortados e colados no termo de verificação fiscal, (i) não se referem aos anos de 2009 e 2010, (ii) boa parte sequer envolve o nome do Impugnante e (iii) o domínio envolvido é "@rstar". 11.19. O primeiro email trazido tem título "confirmação de agendamento", e nele não há referência ao nome do Impugnante, nem a qualquer ato referente à fraude imputada à pessoa jurídica. Este email foi encaminhado, provavelmente, para uma agência de turismo. 11.20. O segundo email, sob título "valor para depósito", menciona de passagem o nome do Impugnante em uma aquisição de duas motocicletas uma Sundown Motard e uma Sundown Future. É notório que o valor dessas duas motocicletas, somados, não chegam a R$ 20.000,00. 11.21. Ora, a troca de emails entre pessoas que pertencem ao círculo de convivência do Impugnante, referentes aos mais diversos assuntos, tais como a compra de duas motocicletas, e não podem gerar a presunção de que o Impugnante é gestor da empresa. 11.22. Além disso, impossível aferir dessa comunicação algum ato praticado com excesso de poderes ou contra a lei frisese, as pessoas do email estão combinando a compra de duas motos! 11.23. O terceiro email, sob título "doido", foi enviado pelo Impugnante para Sônia Branco, e se refere a um depósito de R$ 1.000,00, aparentemente sobre uma aquisição de um "capacete do Heman". 11.24. As considerações feitas em relação às motocicletas também são válidas para este email, pois essa troca de mensagens não demonstra mais do que aparenta, ou seja, que o Impugnante tem contato informal com os atuais sócios da empresa Rock Star Marketing Ltda. 11.25. O montante envolvido na comunicação não corrobora qualquer fraude milionária, e o próprio conteúdo aponta para um possível brinquedo a ser comprado, certamente para presentear alguma criança. Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.577 25 11.26. Impossível extrair desse terceiro email algum ato de gestão do Impugnante, e muito menos um ato com excesso de poderes ou contra a lei. Também não é possível vislumbrar interesse comum em qualquer outro ato vinculado à fraude imputada à pessoa jurídica. 11.27. Por fim, o quarto email, sob título "conta do Bradesco Jesus", referese a uma palestra provavelmente ministrada por um professor da Faculdade Getúlio Vargas, em algum evento que tenha sido organizado pela Rock Star Marketing Ltda. 11.28. Nesse email, é solicitado ao Sr. Adir e à Sra. Sibely o depósito do valor referente à palestra, todavia, tendo o Impugnante sido sócio da empresa em questão em anos anteriores, e mantendo uma boa relação com os sócios atuais da empresa indicando clientes, muitas vezes nada mais natural que o próprio cliente se refira também a ele na comunicação. 11.29. Mesmo assim, é impraticável entender que esse quarto email demonstre que o Impugnante fosse gestor da empresa. Mas ainda que essa comunicação desse ensejo a alguma dúvida quanto à participação do Impugnante na gestão da empresa, falta a demonstração do dolo, do ato ilícito, com excesso de poderes, isto é, justamente aquele que ensejaria a responsabilidade. 11.30. Ainda nessa esteira, devese dizer da completa falta de demonstração de interesse comum do Impugnante em relação aos atos ilícitos. 11.31. Que não se faça, portanto, a confusão feita pela Fiscalização, que misturou simples comunicação entre amigos em responsabilidade pessoal; e comunicação de negócios em indício de ato ilícito. 11.32. Enfim, a título de conclusão acerca dos emails juntados, temse a sua completa irrelevância e imprestabilidade no sentido de atrelar o Impugnante a qualquer ato ilícito ensejador da fraude imputada à pessoa jurídica autuada. Correspondências bancárias, DARF e Guias da Previdência Social 11.33. Toda a documentação referida neste título também segue o padrão das demais "provas" trazidas no termo de verificação fiscal, ou seja, (i) não se referem aos anos de 2009 e 2010 e (ii) não tem qualquer relação com a pessoa jurídica autuada. 11.34. Quanto às correspondências bancárias recebidas em nome do Impugnante no mesmo endereço da Legend Engenheiros Associados Ltda, vale lembrar que ele foi sócio dessa empresas em períodos anteriores. 11.35. Além disso, esta constatação não traz consigo qualquer possibilidade de vincular o Impugnante à pessoa jurídica autuada, pois a Legend Engenheiros Associados Ltda. é outra empresa, com CNPJ e operações distintos. 11.36. Enfim, é de se indagar por mais essa vez como os endereços dessas correspondências vinculam o Impugnante à pessoa jurídica autuada, vez que não demonstram qualquer ato de gestão, e muito menos ato com excesso de poderes ou Fl. 2626DF CARF MF 26 contra a lei. Aliás, sequer se trata de conduta. E qual seria o interesse comum emanado pelo endereço constante da correspondência bancária do Impugnante? Nenhum. 11.37. Já no que tange aos DARF e Guias da Previdência Social, maior sucesso não logrou a Fiscalização em demonstrar como tais documentos poderiam levar à conclusão de que o Impugnante seria o gestor ou interessado nos atos pretensamente fraudulentos praticados pela pessoa jurídica autuada. 11.38. Ora, a seqüência de DARF e GPS aponta para existência de pagamentos de tributos do Impugnante pela empresa denominada Legend, inexistindo vínculo com a empresa autuada. 11.39. O pagamento de alguns tributos pela empresa Legend nada tem a ver com a fraude imputada à pessoa jurídica, e muito menos com a suposta gestão com excesso de poderes dela pelo Impugnante. 11.40. A juntada de um monte de recortes de documentos que provam alguns contatos entre o Impugnante e as empresas Rock Star Marketing Ltda e Legend Engenheiros Associados Ltda não é capaz de gerar responsabilidade solidária ou pessoal do Impugnante. 11.41. A responsabilização depende da demonstração cabal de dolo específico, de interesse em uma fraude ou um ato ilícito, enquanto as "provas" trazidas no termo de verificação fiscal tentam convencer pelo volume, mas falham miseravelmente no conteúdo. Lista de documentos enviada ao contador 11.42. Não se fala sobre quem enviou a lista, mas apenas que ela foi "enviada ao contador". Simples assim. Como se isso não fizesse diferença. 11.43. A documentação enviada ao contador, não se sabe por quem, tem aparentemente DARF, guias da Previdência e do INSS com vencimento em 2012, ou seja, completamente fora do período autuado. 11.44. Aparentemente, as empresas e o Impugnante seriam relacionados simplesmente por supostamente terem o mesmo contador. Se essa assertiva é verdadeira, todas as empresas do país que contratam contabilidade externa deverão, antes de fazêlo, proceder a uma auditoria para saber quais são os demais clientes do contador a ser contratado. 11.45. Entretanto, por boa vontade, ignorese o fato de que a documentação é absolutamente imprestável. Considerese, por hipótese, que ela realmente demonstra algum vínculo entre o Impugnante e as empresas em questão. 11.46. Ainda assim, faltará ao auto de infração a demonstração dos atos de gestão do Impugnante, do excesso de poderes, e do interesse comum. Recortes da Revista Veja 11.47. Como dito de início, se fosse mesmo verdade que existe uma fraude latente praticada pelo Impugnante, certamente não seria necessário colacionar nos autos um recorte de revista. Fl. 2627DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.578 27 11.48. Apenas por boa vontade, e não mais do que isso, o Impugnante analisa a seguir se (i) realmente as reportagens se referem ao que menciona a Fiscalização e (ii) se, por ela, demonstrase qualquer relação do Impugnante com atos fraudulentos. 11.49. As datas das reportagens foram mencionadas pela própria Fiscalização no termo de verificação fiscal (2012 e 2013), o que leva o Impugnante a novamente mencionar que nada há em relação aos anos de 2009 e 2010. 11.50. No que se refere ao conteúdo das reportagens, afirma a Fiscalização que o Impugnante admite que as empresas são suas, todavia, nas referidas reportagens não há assertiva alguma nesse sentido. Diferente disso, em uma delas consta que o Impugnante "não quis dar entrevista". 11.51. Refutase, também, de todo a fonte utilizada como prova, pois a Revista Veja é o veículo de comunicação que já condenou à forca o expresidente Luis Ignácio Lula da Silva, a Presidente Dilma Roussef, metade do Congresso Nacional, boa parte dos Governadores e Prefeitos do país, e todo e qualquer cidadão que tenha alguma tendência que não seja a extrema direita. 11.52. Ao final, devese realizar o juízo que vem sendo exercido desde o início da presente defesa, com o intuito de verificar se a "prova" colacionada serve para demonstrar (i) interesse comum, (ii) ato de gestão e (ii) conduta com excesso de poderes. Depósitos feitos pela empresa autuada ao Impugnante 11.53. Adiantese que, mais uma vez, nenhum depósito feito em favor do Impugnante foi constatado para os anoscalendários 2009 e 2010, ou seja, ainda que se tratasse de uma "evidência" portentosa, ela não poderia gerar efeitos em relação a esses períodos. 11.54. Mas não é só. Os depósitos em questão não trazem, por si, qualquer demonstração de que o Impugnante tem relação com a fraude imputada à pessoa jurídica. 11.55. Essa "prova" trazida sem qualquer contexto ou explicação é incapaz de demonstrar ato de gestão do Impugnante ou interesse comum, e muito menos a prática de atos de gestão com o dolo específico capaz de gerar responsabilização pessoa ou solidária. 11.56. Jamais se poderia falar em responsabilização do Impugnante por milhões de reais, em razão de depósitos que são ínfimos em relação à quantia exigida no auto de infração. Ausência de fundamentação da responsabilidade solidária e pessoal 11.57. O T.V.F registra que "Outros documentos que comprovam a subordinação das sócias e o vínculo com o Impugnante são os diversos emails apreendidos pela Polícia Federal na 'Operação Saqueador", e que comprovam de maneira cabal o poder de gerência, e de como este utiliza esta empresa de forma pessoal." Fl. 2628DF CARF MF 28 11.58. Como se nota, não se trata de fundamentação, mas de mera afirmação sem supedâneo algum. A Fiscalização afirma que há emails, e que estes provam algo, mas esquecese de explicar como e por quê. 11.59. Outro excerto do T.V.F consigna que "Podemos comprovar que todas as pessoas envolvidas nos emails acima que são:ADIR ASSAD, SÔNIA MARIZA BRANCO e SIBELY COELHO e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO utilizam a extensão @rstar em suas caixas de mensagem, que significa Grupo Rock Star, composto por várias empresas controladas pelo Impugnante (...)". 11.60. Impossível não notar a metodologia falaciosa utilizada pela Fiscalização para induzir o leitor a achar que algo está provado, quando efetivamente não está. 11.61. Há diversos saltos indutivos utilizados Fiscalização. 11.62. O primeiro deles é que o termo de verificação fiscal afirma que o domínio @rstar significa "Grupo Rock Star", todavia, essa assertiva não resta comprovada. Muito provavelmente, @rstar se refere à Rock Star Marketing, e não a um Grupo Econômico. 11.63. O segundo salto indutivo se verifica quando afirmado que esse suposto grupo seria composto por diversas empresas controladas pelo Impugnante. Pronto! Magicamente se chegou de um @rstar a um grupo econômico controlado pelo Impugnante. Tratase, efetivamente, de uma conclusão sem comprovação das premissas, um verdadeiro salto indutivo. 11.64. Como dito de início, não bastaria que o termo de verificação fiscal demonstrasse que o Impugnante tem algum contato com as pessoas jurídicas em questão, mas, sim, que agiu em conluio, com interesse comum, como gestor, com excesso de poderes ou contra a lei. Essas acusações seriam o centro da discussão sobre a responsabilidade solidária. Subsidiariamente, impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada 11.65. Na remota hipótese de ser mantida a responsabilização solidária do Impugnante, demonstrarseá a seguir a impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada, em homenagem ao princípio da eventualidade.! Inaplicabilidade da multa qualificada 11.66. De acordo com a Fiscalização, "há evidência nos autos deste processo de que a autuada ocultou a maior parte das suas receitas, furtando ao conhecimento do fisco a ocorrência do fato gerador do imposto" (grifos do Impugnante). 11.67. Ocorre que tal argumentação não pode ser mantida, haja vista o disposto na Súmula 14 do CARF, a qual atesta que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". 11.68. Analisando a referida súmula também é possível verificarse que a multa qualificada somente é cabível quando a Fiscalização demonstrar adequadamente o seu elemento subjetivo, qual seja, o dolo específico. Compreende o dolo dois Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.579 29 elementos: um elemento cognitivo (conhecimento do fato que constitui a ação típica sonegação, no caso) e outro volitivo (vontade de realizála). 11.69. No caso em tela, em momento algum foi demonstrado dolo específico por parte do Impugnante. Na realidade, como acima referido, a Fiscalização alegou apenas que "há evidência nos autos deste processo de que a autuada ocultou a maior parte das suas receitas". Ora, como se vê, o Fisco afirma que a empresa autuada teria agido com o intuito de ocultar suas receitas, mas em momento algum aduz que tal conduta foi tomada pelo Impugnante. Inaplicabilidade da multa agravada 11.70. Segundo o Fisco, a referida multa agravada seria devida uma vez que a empresa autuada não teria apresentado informações solicitadas durante o trâmite da fiscalização. 11.71. Ocorre que tal imputação de falta de prestação de informações não pode transcender a pessoa jurídica autuada. 11.72. Isso porque as intimações supostamente não respondidas foram encaminhadas somente à pessoa jurídica autuada. 11.73. Como se verifica da simples leitura dos seguintes trechos do termo de verificação fiscal, as intimações em questão não foram enviadas ao Impugnante, mas tão somente ao contribuinte (transcreve os itens 4.1 e 9.3.10 do T.V.F). 11.74. Na realidade, nem que as intimações tivessem sido encaminhadas ao Impugnante, ele poderia ser sujeito à multa em tela. 11.75. Não há dúvidas que somente a empresa autuada seria capaz de responder as intimações em questão, uma vez que objetivavam a apresentação de documentos que somente ela poderia possuir, tais como Livro Diário, Livro Caixa etc. 12. Ao final, o recorrente pleiteia o reconhecimento da decadência parcial dos créditos tributários e, caso assim não se entenda, no mérito, a exclusão do Impugnante do rol dos responsáveis solidários pelo débito em testilha. Protesta, ainda, pela juntada de novos documentos, em especial aqueles comprobatórios das razões pelas quais não seria cabível a exigência em questão, além da produção de quaisquer provas adicionais que se façam necessárias ao bom deslinde do feito. Conclui com pedido para que as intimações relativas ao presente processo administrativo sejam endereçadas ao Impugnante na Rua Armando Petrella, 431, torre 8, unidade 9, Jardim Panorama, São Paulo/SP. 13. Irresignado com os lançamentos, em 09/10/2014 o sujeito passivo solidário Sr. Marcello José Abbud, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1721 e 1722) a ele cientificado em 11/09/2014 (fl. 1744), apresentou impugnação às fls. 1861 a 1870, instruída com os documentos às fls. 2016 a 2018 e 2051 e 2052, na qual repisa os argumentos apresentados pelo Sr. Adir assad em relação à decadência, Fl. 2630DF CARF MF 30 inaplicabilidade das multas qualificada e agravada e acrescenta, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pelo recorrente): Da impossibilidade de responsabilização tributária 13.1. Nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, somente serão passíveis de responsabilidade dos débitos decorrentes da pessoa jurídica os diretores, gerentes ou representantes que tiverem agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. 13.2. Assim, nos termos da legislação poderão ser responsabilizados os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos ilegais dos quais tenham decorrido a cobrança tributária correspondente, tendo em vista que o sentido extraído da lei é de justamente punir quem tinha o condão de decidir ou não pelo pagamento do tributo. 13.3. Desta forma, considerando que o Impugnante nunca figurou no quadro sócios da empresa SM Terraplenagem Ltda, jamais poderia sequer ter concorrido para qualquer eventual ilegalidade relacionada ao não recolhimento do tributo, o que, de pronto, afasta a sua responsabilidade pessoal em relação aos débitos tributários ora sob comento. (transcreve julgado à fl. 1864). 13.4. Vale destacar que o Fisco não comprovou que, embora não constasse do quadro de sócios da empresa autuada, o Impugnante teria exercido quaisquer atos de gestão da mencionada empresa. 13.5. No T.V.F são reservados ao Impugnante apenas dois parágrafos (10.15.1 e 10.15.2), nos quais afirma que o Impugnante foi sócio da empresa Legend Engenheiros Associados Ltda (razão social diversa da empresa autuada) até 12/12/2007. Em outras palavras, não há qualquer prova de ingerência do Impugnante sobre a empresa autuada. 13.6. Notese que nem ao menos foi alegada tal condição por parte do Impugnante. A única alegação trazida pela Fiscalização é que o Impugnante, após sua retirada formal, seria "sócio de fato" da empresa Legend Engenheiros Associados. 13.7. É evidente a total falta de lógica do raciocínio desenvolvido pelo Fisco. Isso porque para saltar de "sócio da empresa Legend" a "responsável solidário pela empresa SM Terraplenagem Ltda", a Fiscalização apegouse ao invisível, e, como se sua criatividade fosse meio legal para a extração de conclusões de natureza jurídica, supôs que o fato de ser sócio de uma pessoa física seria suficiente para considerálo responsável solidário por outra totalmente distinta. 13.8. Por fim, deve ser enfatizado que o Impugnante, como reconhecido pelo próprio T.V.F, retirouse do quadro societário da empresa Legend em 12/12/2007, ou seja, anteriormente aos fatos geradores que deram origem à presente cobrança (2008). 14. Irresignada com os lançamentos, em 30/10/2014 a empresa arrolada como sujeito passivo solidário Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1726 e 1727) a ela cientificado em 02/10/2014 (fl. 1739), apresentou impugnação às fls. 2021 a 2038, Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.580 31 instruída com os documentos às fls. 2039 a 2047 e 2064 a 2067, na qual alega, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pela recorrente): Da equivocada e insubsistente inclusão da Impugnante no pólo passivo do auto de infração 14.1. Os pontos e razões constantes do relatório contábil não conseguem relacionar qualquer operação contábil, financeira entre as duas personalidades jurídicas. 14.2. Assim, não há como aduzir responsabilidade em razão do simples fato de que o pai das sócias supostamente teria vínculo com a empresa autuada; ora, a Impugnante foi constituída há 30 anos, “como iria blindar um patrimônio futuro de fatos futuros, só se o casal fosse vidente!” 14.3. O fato isolado de que uma outra pessoa jurídica, a Rock Star Produções, tenha pago uma conta de telefone no valor de R$ 309,39, jamais poderia justificar a sujeição passiva, posto que, imagine se as empresas autuadas pagassem conta de telefone, restaurante ou táxi de seus funcionários, eles ficariam sujeitos à responsabilidade solidária do débito da empresa ? Isto seria no mínimo um Absurdo! 14.4. Ademais, referido documento é incapaz de demonstrar qualquer evidência de relação comercial ou empresarial de interesse comum entre a Impugnante e a contribuinte autuada, o que seria insuficiente para caracterização de responsabilidade solidária de interesse comum. 14.5. Com efeito, a Impugnante não prestou qualquer serviço, venda mercantil, ou beneficiouse de qualquer espécie das operações narradas pelo auto de infração, o que torna incompatível sua inclusão no auto combatido. 14.6. Não bastasse isto a Impugnante não se beneficiou de qualquer bem, direito ou ativo em seu patrimônio, posto ter sido este constituído anteriormente, com origem completamente distinta e dissociada das atividades da contribuinte autuada. Da inexistência de relação jurídica tributária da Impugnante com o fato gerador objeto da ação fiscal 14.7. A empresa Santa Sônia, constituída há quase 30 anos, teve sua existência e constituição oriunda de patrimônio anterior constituído, sendo totalmente independente de relação comercial com a empresa fiscalizada. 14.8. Não há razão, portanto, que justifique a responsabilidade tributária; o fato isolado de o pai das sócias da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda ter sido funcionário, ou exercido suposta gerência sobre uma das empresas fiscalizadas, não apresenta base legal para extensão vertical indireta da sujeição passiva. Da insubsistência e ausência de razoabilidade na inclusão da Impugnante na condição de sujeito passivo Fl. 2632DF CARF MF 32 14.9. Todos os bens adquiridos pela empresa, constituída há quase 30 (trinta) anos, são frutos do trabalho lícito e de direitos do casal, de herança; e não de negócios das empresas referidas nos autos de infração que deram causa ao presente processo administrativo. 14.10. Ressaltase que a Impugnante é administrada de fato e de direito unicamente por suas sócias, inexistindo qualquer nexo, vínculo ou relação negocial com as empresas referidas. 14.11. O equivocado argumento de que haveria usufruto na doação das cotas pelos pais é inexistente, posto que o próprio Instrumento Contratual anexo comprova a inexistência da condição de usufruto narrado no Termo Fiscal. 14.12. O Termo de Vistoria Fiscal registra que em 20/04/2010 foi alterado o objeto social da sociedade para "incorporação de empreendimentos imobiliários e construções de edifícios"; entretanto, os fatos narrados não guardam relação com a empresa Impugnante, cujo objeto é patrimonial e sua atividade voltada única e exclusivamente para a administração de seus próprios bens. 14.13. Ademais a Impugnante, ou os pais das sócias da empresa Santa Sônia nunca figuraram como sócios da empresa autuada, não se enquadrando, portanto, como responsáveis solidários. Ilegitimidade passiva da Impugnante ao presente processo administrativo inocorrência de hipótese de responsabilidade solidária 14.14. Conforme já explanado, a sujeição passiva da sociedade Impugnante, com base no inciso I, do artigo 124 do Código Tributário Nacional, foi imposta à Impugnante sem qualquer direito de defesa ou conhecimento da realização de verificação fiscal, apenas por meio de um edital que houve seu conhecimento. 14.15. Não se aplica o disposto no art. 124, inciso I, do CTN, pois os bens imóveis de propriedade da Impugnante foram adquiridos e pagos antes da ocorrência do fato gerador, e antes da ação fiscal, além de inexistir vínculo entre as empresas e a Impugnante, não podendo se falar em "interesse comum". 14.16. Portanto, a simples presunção de que o exsócio da Impugnante teria suposto interesse nas operações realizadas pela empresa que sofreu fiscalização são insuficientes para sua validade, quais sejam: a prática direta ou em conjunto com o sujeito passivo, e o mesmo intuito na realização do fato gerador, o que incorreu. 14.17. Com efeito, o relatório fiscal traz como fundamento para caracterização da sujeição passiva o pagamento de uma conta telefônica, ou fatos e matérias jornalísticas falaciosas, que nada se relacionam com o real histórico da Impugnante. Da inexistência de relação jurídica entre a Impugnante e a contribuinte autuada 14.18. A condição de sujeito passivo da obrigação principal, não na qualidade de contribuinte, mas de terceiro responsável, não se configura no caso, pois a obrigação imposta não decorre expressamente de um dispositivo de lei, bem como não demonstrado e não produzido prova necessária à sua condição, e para Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.581 33 caracterização do elemento solidariedade há de ser demonstrada a concorrência para se sujeitar a dívida. 14.19. No caso presente nenhuma das hipóteses se configurou, nem a da lei, nem a da vontade, devendo portanto, ser excluída a Impugnante na qualidade de responsável solidária do auto de infração em tela. Questão de Ordem Pública Ilegalidade das provas colhidas inexistência de intimação no processo administrativo 14.20. A ação fiscal se baseou em documentos e informações colhidas por meios ilegítimos, da qual não teve ciência a Impugnante, bem como todo o processo administrativo afrontou os princípios constitucionais consignados no disposto artigo 5º, Inciso LV, da CF. Do posicionamento jurisprudencial acerca do tema 14.21. A Jurisprudência é pacífica no sentido de restrição da solidariedade tributária quando não comprovado o interesse comum ou a inexistência de participação da pessoa jurídica nas atividades da contribuinte autuada. (transcreve julgados às fls. 2034 e 2035). 14.22. In casu, faz se necessária a revisão do procedimento fiscal, para que a autoridade fiscal demonstre e motive de forma cabal e necessária o seu relatório fiscal, permitindo que a Impugnante exerça seu direito de defesa no processo administrativo, o que não ocorreu. Da ocorrência da decadência 14.23. Da ocorrência do fato gerador no período de 2008, constante do auto de infração, que consigna valores a título de IRPJ e seus reflexos, já se passaram mais de 5 anos até a data do lançamento, e tratandose de lançamento por homologação, temse que o crédito tributário encontrase definitivamente extinto em função da homologação tácita, nos exatos termos do parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. 15. Ao final, a defendente requer sua exclusão da responsabilidade solidária, que seja reconhecida a nulidade do processo administrativo em razão da inocorrência de intimação para exercício de pleno direito de defesa e afronta aos princípios constitucionais, e que seja reconhecida a decadência parcial do crédito tributário referente ao fato gerador ano base 2008. Analisando o teor da acusação em confronto aos argumentos de defesa a Delegacia de Julgamento proferiu decisão no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo a autuação e as sujeições passivas solidárias em todos os seus termos. Cientificados da decisão da DRJ, os seguintes impugnantes apresentaram recurso voluntário: Fl. 2634DF CARF MF 34 SM TERRAPLANAGEM fls. 2284 Apresenta as seguintes alegações: Estão em negrito as alegações identicas às da impugnação sem qualquer dialeticidade com o acórdão da impugnação DECADÊNCIA: Em relação ao anocalendário 2008 que por qualquer das regras de contagem da decadência estariam prescritos os débitos relativos ao ano de 2008 DECADÊNCIA: Em relação aos débitos de 2009 que estariam decaídos pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN e que não se aplicaria o art. 173, I, do CTN NULIDADES: Incorreta identificação do sujeito passivo. Que a empresa não seria a titular dos valores depositados, mas sim outros tratados no TVF como sócios de fato, laranjas, terceiros, etc. Alega que se os valores pertenceriam a terceiros então não poderiam ser atribuídos à empresa. NULIDADES: Falta de Intimação dos titulares das contas de depósito. Alega que a inexistência de intimação ao titular da conta bancária eiva de nulidade a autuação. NULIDADES: Erro na identificação da base de cálculo. Alega que como demonstrado os valores depositados não seriam da empresa, então a eleição do lucro arbitrado como base para a tributação do IRPJ e CSLL é inaplicável. NULIDADES: Erro na identificação da alíquota aplicável. Aduz os mesmos argumentos do item precedente. NULIDADES: Erro na identificação da matéria tributável. Alega, novamente que se a empresa é de fachada não pode auferir renda ou receitas tributáveis. NULIDADES: inconsistência lógica do auto de infração. Resume todas as alegações acima neste última para pleitear pela nulidade completa do auto. MÉRITO Indevido uso de informações bancárias sem autorização judicial. Alega que a inexistência de autorização judicial impede a utilização dos extratos bancários como prova e base de cálculo dos lançamentos. Alega que a expedição da RMF não foi precedida de intimação ao contribuinte e que não havia relatório para basear esta expedição. Alega que foi declarada pelo STF a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pela Receita Federal e que, assim, poderia discutir em processo administrativo tal inconstitucionalidade. Alega inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001 por conflitar com os direitos e garantias individuais. Violação ao art. 145, § 1º, da CF/88 pelo art. 6º, d a Lei Complementar nº 105/2001. Nulidade pelo lançamento fundamentado em provas ilícitas. MÉRITO Incorreta aplicação da presunção Necessidade de desconsideração das transferências entre contas do mesmo titular. Alega que a autoridade diz que outras empresas do mesmo grupo também são de fachada, mas não cuidou de excluir as transferências entre estas empresas e a recorrente. MÉRITO Necessidade de exclusão dos valores já tributados da autuação. Alega que devem ser excluídas da autuação os débitos já confessados em DCTF. Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.582 35 DAS MULTAS Descabimento de aplicação da multa de ofício qualificada e majorada. Que não foi comprovado o evidente intuito de fraude. Alega que a qualificação da utilização de laranjas somente foi feita para tentar qualificar a autuação. Ausência de embaraço à fiscalização. LUIS ROBERTO SATRIANI fls. 2239 em diante Recurso Voluntário idêntico à impugnação SONIA MARIZA BRANCO, SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, FOUR'S EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA fls. 2340 Recurso Voluntário idêntico à Impugnação Estes sujeitos passivos apresentaram recursos voluntários idênticos nos quais são aduzidas alegações relativas à: decadência e nulidades de forma semelhante à recorrente SM TERRAPLANAGEM; Ausência de responsabilidade solidária ou pessoal. Inaplicabilidade das normas de responsabilização por falta de comprovação da participação dos recorrentes. Impossibilidade de responsabilização pela qualificação, agravamento e embaraço. MARCELLO JOSÉ ABBUD fls. 2391 Recurso Voluntário idêntico à Impugnação Suas alegações são: decadência; impossibilidade de responsabilização solidária; impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada; ADIR ASSAD fls. 2404 Recurso Voluntário idêntico à Impugnação Suas alegações são: decadência; impossibilidade de responsabilização solidária; inexistência de atos praticados em 2009 e 2010; as provas não vinculam o requerente à autuada; inexistência de prova da responsabilidade solidária; ausência de fundamentação legal da responsabilidade solidária e pessoal; impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada. SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA fls. 2431 Em relação a este recorrente o recurso e a impugnação tem conteúdo idêntico. Apenas neste caso, ao contrário dos demais recorrentes, este realizou adaptações no seu recuso alterando a ordem de apresentação das alegações. Ocorre, no entanto, que o conteúdo é exatamente o mesmo. Por esta razão devem se aplicar as mesmas razões acima para se reproduzir integralmente o decidido pela DRJ. Fl. 2636DF CARF MF 36 Alega que não subsiste a sua responsabilização ante a ausência de provas ; decadência; ausência de razoabilidade para responsabilização solidária; inexistência de relação jurídica entre o recorrente e a autuada; a solidariedade não pode ser presumida; É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Para a realização da análise do presente recurso voluntário, devemos iniciar com a apresentação do conteúdo material apresentado nas peças recursais. Fl. 2637DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.583 37 Compulsando o teor do apresentado na impugnação e no recurso voluntário constatamos que os recursos apresentados pelos recorrentes reproduzem todo o conteúdo apresentado em suas impugnações. Nenhum argumento novo foi apresentado à colação em contraponto ao que foi decidido pela Delegacia de Julgamento. Ou seja, os recursos não estabeleceram nenhum tipo de diálogo ou contraponto aos argumentos da Delegacia de Julgamento na parte em que manteve integralmente a autuação e as responsabilizações solidárias. Ora, em sede de análise de recurso voluntário, este CARF deve fazer uma revisão do que foi decidido pelas Delegacia de Julgamento a fim de verificar se os argumentos e fundamentos utilizados na manutenção das autuações foram suficientes e se coadunaram com os fatos apresentados pela acusação fiscal. Assim, os recursos devem apresentar não os mesmos fatos apresentados na impugnação. O Recurso Voluntário, como segunda instância de julgamento do processo administrativo, tem o condão de se contrapor aos fundamentos e argumentos da decisão que não compartilharam com os elementos da impugnação. Ao não apresentar nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentar os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Fl. 2638DF CARF MF 38 Interessante notar que no presente caso poderiam ser apresentados diversos argumentos contra a decisão de Piso, no entanto, os recorrentes não cuidaram de atentar a estes detalhes. Ora, se os próprios interessados não se apresentam para discutir a decisão atacada não cabe a este CARF suprir o munus processual destes. Por estas razões e concordando com os termos e as conclusões apresentadas pela Decisão de Piso, entendo que a mesma deve ser mantida na íntegra e, assim, em cumprimento ao disposto no art. 57, § 3º do RICARF, transcrevo, abaixo, a íntegra da decisão de Piso. PRELIMINARES I Nulidade do Lançamento. 16. Preliminarmente, cabe ressaltar que é improcedente a preliminar de nulidade do lançamento fiscal arguida pela impugnante, porquanto assim estatuem os artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 17. Do exame do dispositivo supra extraise que, no tocante ao lançamento, só pode haver nulidade se o ato for praticado por agente incompetente (inciso I), uma vez que a hipótese do inciso II do mesmo artigo, relativa a cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos com inobservância do contraditório e da ampla defesa. 18. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 19. Não se evidencia nos autos a ocorrência de quaisquer das hipóteses mencionadas, tendo em vista que a descrição dos fatos é clara e precisa, não comportando qualquer dúvida quanto aos fatos imputados, bastando ler os históricos, os enquadramentos legais e os demonstrativos de apuração dos AI lavrados, para se ter presente as circunstâncias que envolveram o lançamento. 20. No contraditório apresentado a autuada pugna que ocorreu erro na correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária configurada no AI, com repercussões em erros na identificação da base de cálculo, matéria tributável e aspecto temporal do fato gerador, bem como na identificação da alíquota. 21. Neste tópico, e ainda como se verá nos detalhes da análise do mérito da autuação, a argumentação não se sustenta, porquanto não há como aplicar à autuação o art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/1996, como ela argumenta. 22. Portanto, não houve, enfatizese, qualquer cerceamento de defesa da interessada, e não há como prosperar a veiculada tese de nulidade, uma vez que o auto de infração foi lavrado por Fl. 2639DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.584 39 pessoa competente e está perfeito do ponto de vista formal, consoante as disposições legais do artigo 10 do Decreto n.º 70.235/1972, e lavrado em conformidade com o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN). II – Quebra do sigilo bancário e das garantias constitucionais. 23. No tocante à premissa levantada pela litigante de violação de seu sigilo bancário, quando da obtenção dos dados utilizados na consecução do lançamento ora questionado, por ter sido efetuado sem a devida autorização judicial, há que se proceder ao exame de alguns dos artigos da Lei Complementar n.º 105, de 10 de janeiro de 2001. 24. A Lei Complementar n.º 105/2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências, introduziu significativas modificações no instituto do sigilo bancário em relação a sua anterior disciplina, conferido pelo artigo 38 da Lei n.º 4.595, de 31 de dezembro de 1964, ora revogado. 25. Para facilitar o exame da matéria, serão reproduzidos, a seguir, alguns dispositivos da Lei Complementar supra mencionada que dizem respeito ao fornecimento de informações à administração tributária da União, mais precisamente à Secretaria da Receita Federal, atual Secretaria da Receita Federal do Brasil, senão vejamos: Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei n.º 9.311, de 24 de outubro de 1996; (...) VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar (...) Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. § 1o Consideramse operações financeiras, para os efeitos deste artigo: I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; II – pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques; III – emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados; IV – resgates em contas de depósitos à vista ou a prazo, inclusive de poupança; Fl. 2640DF CARF MF 40 V – contratos de mútuo; VI – descontos de duplicatas, notas promissórias e outros títulos de crédito; VII – aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável; VIII – aplicações em fundos de investimentos; IX – aquisições de moeda estrangeira; X – conversões de moeda estrangeira em moeda nacional; XI – transferências de moeda e outros valores para o exterior; XII – operações com ouro, ativo financeiro; XIII operações com cartão de crédito; XIV operações de arrendamento mercantil; e XV – quaisquer outras operações de natureza semelhante que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competente. § 2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringir seão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...). § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Fl. 2641DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.585 41 Art. 8º O cumprimento das exigências e formalidades previstas nos artigos 4º, 6º e 7º, será expressamente declarado pelas autoridades competentes nas solicitações dirigidas ao Banco Central do Brasil, à Comissão de Valores Mobiliários ou às instituições financeiras. (...) Art. 10. A quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem omitir, retardar injustificadamente ou prestar falsamente as informações requeridas nos termos desta Lei Complementar. Art. 11. O servidor público que utilizar ou viabilizar a utilização de qualquer informação obtida em decorrência da quebra de sigilo de que trata esta Lei Complementar responde pessoal e diretamente pelos danos decorrentes, sem prejuízo da responsabilidade objetiva da entidade pública, quando comprovado que o servidor agiu de acordo com orientação oficial. (grifos acrescidos) 26. Pela análise dos dispositivos transcritos, verificase que o artigo 1º, § 3º, reconhecendo a prevalência do interesse público e social sobre o interesse privado ou individual, excepciona, expressamente, da regra do sigilo bancário, os casos em que o fornecimento de informações e documentos alusivos a operações e serviços de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo. 27. Assim, assegura a aludida Lei Complementar, no seu artigo 1º, § 3º, inciso III, que o fornecimento de informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelas instituições financeiras, ou equiparadas, referentes à extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), necessárias à identificação dos contribuintes e dos valores das respectivas operações, nos termos do artigo 11, § 2º, da Lei n.º 9.311, de 24 de outubro de 1996, com redação dada pela Lei n.º 10.174/2001, não constitui violação do dever de sigilo bancário. 28. No mesmo sentido, prescreve a citada Lei, no seu artigo 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. 29. Temse que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, em face do disposto no parágrafo único do artigo 142 do CTN. Concomitantemente, a legislação retro transcrita excepciona o acesso às informações utilizadas pelo autuante, quando da lavratura dos autos de infração, à figura de quebra de sigilo bancário. 30. Portanto, se não houve, por todo o exposto, a quebra, mas a simples transferência à Secretaria da Receita Federal do Brasil e seus servidores do dever de preservar, sigilosamente, os dados financeiros da peticionária, não há que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. Fl. 2642DF CARF MF 42 31. Levandose em conta, por fim, que todas as determinações, precauções e garantias exigidas pela aludida Lei Complementar n.º 105/2001, com o intuito de garantir a mais perfeita inviolabilidade, por terceiros, dos dados bancários do defendente foram, e estão sendo adotadas, no curso do presente procedimento, há que se considerar a exigência realizada pela Fazenda Pública como perfeitamente lícita e respaldada na lei. 32. Salientese que a Administração Pública está sujeita à observância estrita do princípio constitucional da legalidade, previsto no artigo 37, caput, de nossa Carta Magna, cabendo a ela, simplesmente aplicar as leis de ofício. Ou seja, deve tãosomente obedecêlas, cumprilas, ou ainda, pôlas em prática. 33. Asseverese, e ainda como restará esclarecido nas questões de mérito, que a requisição de extratos bancários às instituições financeiras foi precedida da solicitação dos mesmos à contribuinte, com inteira observância das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal (PAF), no que particularmente se relaciona à forma e prazo para atendimento. 34. Quanto à alegação de que a LC nº 105/2001 não é compatível com a Constituição Federal/1988, é preciso delimitar a competência deste colegiado administrativo, ressaltando também o caráter vinculado da atividade fiscal. É o administrador um mero executor de Leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade e aplicabilidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de Leis é privativa do Poder Judiciário. Neste sentido, vejase o que dispõe o artigo 26 A do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (grifos acrescidos) Fl. 2643DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.586 43 35. Sobre este princípio vale transcrever as palavras do mestre Helly Lopes Meirelles: “O agente público fica inteiramente preso ao enunciado da Lei, em todas as suas especificações... a liberdade de ação do administrador é mínima, pois terá que se ater à enumeração minuciosa do Direito Positivo” (Meirelles, Helly Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 19ª edição, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1994, pág. 101). 36. Asseverase, ainda, o disposto no artigo 7º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 58, de 17 de março de 2006: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. 37. O artigo 116, inciso III, da Lei nº 8.112/1990 diz que é dever do servidor observar as normas legais e regulamentares. Neste contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade, como por exemplo, o princípio da razoabilidade, da proporcionalidade, da vedação constitucional ao confisco em matéria tributária, do princípio da capacidade contributiva, eqüidade, do princípio da individualização da pena, do princípio da legalidade tributária, da irretroatividade da lei tributária, moralidade, conceito de renda, isonomia, do princípio da propriedade, da nãorepetição da sanção tributária e, por fim, da limitação constitucional ao poder de tributar. 38. Essa vinculação somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em controle concentrado ou em controle difuso, neste último caso desde que haja Resolução do Senado Federal retirando a norma inconstitucional do ordenamento jurídico. III – Juntada de documentos. 39. Protestam por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. 40. Sobre este pedido cabe examinar o que dispõem os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos Fl. 2644DF CARF MF 44 referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (...) (grifos acrescidos) 41. A prova documental, conforme se lê no caput do artigo 15 do Decreto nº 70.235/1972, deve ser apresentada juntamente com a impugnação, a menos que fique demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses elencadas no § 4º do artigo 16. A verificação da ocorrência de uma destas hipóteses somente é possível com o exame do caso concreto, a saber: a juntada intempestiva de documentos nos termos do § 5º do mesmo artigo 16. Assim, não cabe a este órgão julgador se manifestar, acolhendo ou indeferindo juntada de documentos que ainda não ocorreu. Acrescentese, como se verá na análise do mérito da autuação, que o conjunto probatório acostado aos autos é suficiente para a elucidação de todas as questões suscitadas pelos recorrentes. Fl. 2645DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.587 45 MÉRITO 42. Pugna a empresa autuada que em relação ao anocalendário 2008 é evidente a decadência, seja em função do disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, ou até mesmo do artigo 173, inciso I, do CTN. Esclarece que se contada a decadência pelo artigo 150, § 4º (cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador), os fatos geradores somente poderiam ser objeto de lançamento de ofício até o fim de 2013. Acrescenta que se considerada a decadência segundo o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, o termo inicial da decadência passa a ser o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", ou seja, 1º de janeiro de 2009, o que implicaria em termo final da decadência em 1º de janeiro de 2014, o que igualmente decretaria a decadência dos créditos tributários em razão de o AI ter sido lavrado em 04/09/2014. 43. No que tange ao anocalendário 2009, assevera que o Fisco, de acordo com o artigo 150, § 4º, do CTN, somente poderia constituir créditos tributários relativos aos fatos jurídicos ocorridos até 5 anos antes, ou seja, a partir de 04/09/2009. Pugna pela inaplicabilidade da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado, em razão de o referido dispositivo somente ser aplicável nos casos em que o contribuinte não efetua o pagamento do tributo, ou agiu de forma fraudulenta. Acrescenta que no presente caso houve pagamento antecipado dos tributos federais incidentes no período fiscalizado, e não há que se falar de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, como será cabalmente demonstrado em tópico posterior. 44. Inicialmente, cabe ressaltar que a partir da edição da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, o IRPJ passou a ser devido, mensalmente, regra essa mantida pela Lei nº 8.541, de 23/12/1992. Mencionada periodicidade sofreu alterações a partir da Lei nº 9.430/1996, a qual passou a ser trimestral. Vale transcrever o disposto no art. 38, § 1º, daquela lei: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. 45. Tal disposição legal reforça a convicção de que a partir do anocalendário de 1992, o lançamento do imposto de renda é por homologação, entendimento esse manifestado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes em inúmeros acórdãos proferidos por suas diferentes câmaras. 46. A modalidade de lançamento denominada por homologação tem, no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), regra específica de contagem do prazo decadencial, a saber: Art. 150 – O lançamento por homologação que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.. (...) Fl. 2646DF CARF MF 46 § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 47. Em se tratando de exigência de tributo submetido ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência do fato gerador, em ocorrendo pagamento do tributo. 48. No caso concreto, em razão de o lançamento ter sido conduzido de ofício, não há o que se homologar, aplicandose a regra geral da decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, a seguir transcrito, devendo, neste caso, ser considerado como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) 49. Nesse mesmo sentido, vai firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Recurso especial improvido.”(Resp 183.603/SP, Min. Eliana Calmon, DJ 13.08.2001, p. 88)(grifos acrescidos) 50. A doutrina corrobora com o entendimento da aplicação do art.173, inciso I, do CTN, nas hipóteses de lançamento de ofício motivado por omissão: O crédito extinguese, nos termos do art.156, VII, do CTN, ocorrida a homologação expressa, ou decorrido o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação principal. No caso de dolo, fraude ou simulação e no caso de omissão comprovada, tendo o Fisco, então, cinco anos para procedêlo, conforme o art.173 do CTN, a contar do primeiro dia do exercício seguinte às respectivas ocorrências” (Tércio Sampaio Ferraz Júnior, sobre a Decadência do Crédito Tributário, em Revista de Direito Tributário nº 71), extraído do Livro de autoria de Leandro Paulsen – Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Fl. 2647DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.588 47 Luz da Doutrina e da Jurisprudência, pág.504, 2ª edição, ano 2000. 51. Cabe esclarecer que o termo exercício, a qual se refere o art.173, inciso I, do CTN, diz respeito ao exercício financeiro, expressão esta citada no art.9º, II, do referido código (Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda;) e em inúmeros dispositivos da Constituição da República, entre eles o art. 150, III, “b” (trata das limitações ao poder de tributar). Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) III cobrar tributos: b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;(grifos acrescidos) 52. Já o art. 34 da Lei nº 4.320, de 17/03/1964 (Lei de Normas Gerais de Direito Financeiro) dispõe que o exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. 53. Dessa forma, a contagem de prazos decadenciais do art.173, I, do CTN diz respeito ao ano calendário (anocivil) e não a períodos de apuração, os quais podem ser mensurados por mês, trimestres ou outra forma, de acordo com a legislação de cada tributo ou contribuição. 54. Nesta situação, o anocalendário 2009 corresponde ao exercício em que poderia ser efetuado o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. Iniciando se a contagem do prazo quinquenal no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, no ano calendário 2010, o direito do Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento expirarseia em 31/12/2014. 55. Portanto, não cabe a alegação da contribuinte a respeito da decadência do lançamento tributário, uma vez que o ato administrativo, pelo qual tomou ciência em 23/09/2014, foi efetuado dentro do prazo previsto na legislação, qual seja, 5 anos a contar do ano seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, totalmente afastada a hipótese de decadência do presente lançamento tributário. 56. Esclareçase, no que se relaciona à aplicação da multa qualificada (150,00%) nos lançamentos ora discutidos, que o procedimento reforça a aplicação do art. 173, inciso I, do RIR/1999, como se verá nas questões de mérito. 57. No que diz respeito ao contraditório apresentado sujeito passivo solidário Sr. Adir Assad e pela Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, improcedente a alegação de que teria ocorrido a decadência em relação aos fatos geradores apurados no anocalendário 2008, pelas mesmas razões acima expostas. Fl. 2648DF CARF MF 48 58. No que concerne ao contraditório apresentado pelos sujeitos passivos solidários Luis Roberto Satriani, Sônia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Malago e Fours´s Empreendimentos Imobiliários, são cabíveis as mesmas observações acima. OMISSÃO DE RECEITA – LUCRO ARBITRADO 59. Em relação ao cerne do presente litígio, para se apreciar o cabimento ou não dos lançamentos decorrentes de omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e de omissão de receitas da atividade (apurada com base em valores informados em DCTF), devese verificar com atenção o que ocorreu durante o procedimento fiscal. INSTRUÇÃO PROCESSUAL 60. De plano, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1605 a 1694), documento que descreve a autuação que se examina, registra que a fiscalizada tinha como razão social na data de sua constituição (22/08/2005) “Legend Assessoria e Consultoria de Planejamento Estratégico de Marketing Ltda”, e objeto social “atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários”, que foi alterada em 04/09/2006 para S.M. Terraplenagem Ltda, com objeto social “construção de ferrovias, obras de terraplenagem, aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes”, conforme Ficha Cadastral na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp – fls. 1128 a 1130). 61. O Cadastro CNPJ da RFB registra que a empresa possui, desde 13/01/2009, endereço à Rua Alberto Frediani nº 107, Santana do Parnaíba/SP, estando anteriormente localizada à Avenida Ceci nº 1542, Planalto Paulista, São Paulo/SP. Encontrase Baixada de Ofício desde 21/05/2014, com efeitos a partir de 01/01/2008 (fl. 2105), e na condição de Inapta desde 14/04/2011, por localização desconhecida, conforme processamento do sistema CNPJ realizado em 12/09/2011 (fls. 2102 a 2106). 62. A administração da sociedade, segundo discrimina a 5ª Alteração Contratual, de 10/03/2009 (fls. 44 a 46), é exercida pelas sócias Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago. O Sr. Luis Roberto Satriani atuou como sócio e administrador, assinando pela empresa, no período de 15/08/2007 a 10/03/2009 (Jucesp – fls. 1128 a 1130). 63. A contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 6 e 7 – ciência em 18/12/2010), a apresentar em 20 (vinte) dias, relativamente ao Anocalendário 2008, Atos Constitutivos da Sociedade, Livros Comerciais e Fiscais, Contabilidade em Meio Magnético, Extratos Bancários e Planilhas em Excell com reprodução da movimentação Bancária. 64. Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal (fl. 9) foi exarado para cientificar a interessada da continuidade do procedimento fiscal. Em razão do retorno do Aviso de Recebimento (fl. 10), emitiuse Edital (fl. 11) com data de afixação em 15/03/2011, tendo em vista que foram infrutíferas as três tentativas de entrega. 65. Tendo em vista o exposto e considerando que as retrocitadas sócias constam igualmente no sistema CNPJ da RFB na condição de administradoras (fl. 2106), foram enviados Termos de Intimação Fiscal para os respectivos domicílios tributários (fls. 18 e 20). O Termo pertinente à Sra. Sônia Mariza Branco retornou ao remetente (fl. 19), sendo o referente à Sra. Sandra Maria Branco Malago entregue em 02/06/2011 (fl. 21). Fl. 2649DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.589 49 66. Termo de Intimação foi lavrado (fl. 12 – ciência por Edital afixado em 12/04/2011) para intimar a empresa a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias (anocalendário 2008), conforme relação em anexo (fl. 13 a 16). Acrescentouse que a não comprovação da origem ensejaria o lançamento de ofício a título de omissão de receita, nos termos do art. 849 do RIR/1999. Em razão da não manifestação da contribuinte, emitiuse Termos de Reintimação (fl. 22 – ciência por via postal em 11/07/2011 – e fl. 28 – ciência por Edital afixado em 30/08/2011, sendo este igualmente cientificado ao Procurador Sr. José de Oliveira (fl. 34) em 22/09/2011, conforme Procuração da Sra. Sandra Maria Branco Malago – fl. 39). Após solicitação de prazo adicional, em 28/10/2014, pela Sra. Sandra Maria Branco Malago (fl. 42), a fiscalizada foi reintimada (fl. 47), com ciência por Edital afixado em 18/10/2011 (fl. 52), tendo em vista sua condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB. Em 05/12/2011, em petição assinada por Procurador (fl. 53), conforme Procuração assinada pela Sra. Sandra Maria Branco Malago (fl. 54), a autuada assim se expressou: (...) O Contribuinte vem, manifestar que apesar de ter contratado escritório de contabilidade desde a constituição da empresa para realizar o controle contábil para cumprir todas as obrigações acessórias necessárias, realizando o controle das suas saídas e entradas, declara que não possui qualquer livro que comprove a sua movimentação até para defender o que não seria receita e apenas uma movimentação bancária. Por fim, declara que a ocasião de não ter respondido a intimação fiscal não foi embaraço, mas sim a impossibilidade de responder com documentos hábeis. (...)(grifos acrescidos) 67. Termo de Intimação foi exarado (fl. 60 – ciência por Edital afixado em 15/12/2011, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para intimar a empresa a apresentar Livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou Livro Caixa, com escrituração completa de sua movimentação financeira, bem como Bens e Direitos do Patrimônio sujeitos a Registro Público. Ressaltouse que a não apresentação dos Livros e documentos, que são necessários para a opção pelo Lucro Presumido (regime tributário adotado pela contribuinte em sua DIPJ), implicaria no lançamento pelo regime do Lucro Arbitrado. Acrescentouse solicitação para informar a natureza e origem dos valores relacionados no Anexo (fls. 61 a 64 – anocalendário 2008), depositados nas contascorrente e de investimentos, com documentação hábil e idônea, em termos de datas e valores. Esclareceuse que a comprovação de origem compreende a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu o valor, de modo que possibilite à fiscalização apurar se a natureza da transação é tributável ou não. Acrescentouse informação de que a fiscalização excluiu dos valores listados os estornos de débitos, créditos originados de resgates de investimentos efetuados em contacorrente, créditos que representam contrapartida meramente contábil de débitos em contacorrente, e transferências entre contascorrentes de titularidade do sujeito passivo, que assim puderam ser identificadas. Finalizouse com esclarecimento de que caberia à fiscalizada apontar, de forma justificada, outros créditos dessa natureza porventura não excluídos, e alertouse o sujeito passivo que a não comprovação da origem dos valores Fl. 2650DF CARF MF 50 creditados, na forma e prazo estabelecidos, caracterizaria a omissão de receitas ou rendimentos, nos termos do art. 849 do RIR/1999. 68. Termo de Constatação e Intimação Fiscal foi lavrado (fls. 66 e 67 – ciência por Edital afixado em 09/02/2012, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para, inicialmente, registrar que nenhum esclarecimento ou documento foi juntado aos autos, e para reintimála, nos mesmoS termos do T.I.F anterior, a apresentálos. 69. Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal foram lavrados (fls. 73, 75, 77 e 79) e cientificados à interessada consoante Editais afixados em 05/04/2012 (fl. 74), 01/06/2012 (fl. 76), 31/07/2012 (fl. 78) e 25/09/2012 (fl. 80). 70. Termo de Intimação Fiscal nº 1 foi emitido (fls. 121 e 122 – ciência por Edital afixado em 22/11/2012, tendo em vista sua condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para reintimá la em relação ao anocalendário 2008, e para intimála no que concerne aos anoscalendário 2009 e 2010, a disponibilizar Contrato constitutivo e Alterações, Livro Diário, Livro Caixa, Livros Registro de Entradas e de Saídas de Mercadorias, Livro Registro de Apuração do ICMS, Livro Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, Notas Fiscais de Saída de Mercadorias e/ou Serviços, Procuração, Arquivos Digitais de Notas Fiscais de Entrada e Saída, e Extratos Bancários. 71. Registra o autuante, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 1610), que em 07/03/2013 o Sr. Adalberto Palhinha Martins compareceu à unidade de fiscalização, sem apresentar Procuração e com alegação de ser o contador da contribuinte, tendo informado verbalmente que a empresa não possuía os documentos solicitados, inclusive Livro Contábeis e Fiscais, o que comprovou, conforme enfatiza a fiscalização, a informação já retrotranscrita acima, prestada pelo Procurador Sr. Bruno Soares Alvarenga. 72. Em razão de a contribuinte não ter entregue a documentação, expediuse Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira (RMF), nos termos do Decreto nº 3.724, de 10/01/2001, e tendo em vista que as Instituições Financeiras informaram, por meio de Declaração de Informações Sobre Movimentação Financeira (Dimof), movimentação financeira de R$ 32.224.080,69, R$ 53.832.567,00 e R$ 71.763.437,00, respectivamente para os anoscalendário 2008, 2009 e 2010, tendo a fiscalizada declarado, em suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), receita de R$ 293.863,32, R$ 30.908.168,00 e R$ 50.187.965,60, respectivamente, para os mencionados anoscalendário. Os documentos produzidos no curso desta fase do procedimento fiscal encontramse às fls. 81 a 100, e 160 a 181. 73. Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal foram lavrados e cientificados à interessada consoante Editais afixados em 15/01/2013 (fl. 130) e 07/03/2013 (fl. 132). 74. Termo de Constatação e Reintimação Fiscal foi lavrado (fls. 133 a 135 – ciência por Edital afixado em 29/04/2013, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para, inicialmente, constatar que a recorrente foi intimada em razão de inúmeros Termos cientificados no período de dezembro/2010 a março/2013, não tendo a contribuinte se pronunciado a respeito, nem acostado documentos aos autos. Acrescentouse reintimação, para cumprimento em 20 dias, esclarecendoa que o não atendimento, no prazo marcado, para apresentar as informações requeridas a sujeitaria, no caso de lançamento de ofício, ao agravamento em 50% da multa a que se refere o art. 44, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, bem como em relação à multa por descumprimento de obrigações acessórias (não apresentação de documentos no prazo solicitado). Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.590 51 75. Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal foi lavrado e cientificado à interessada, consoante Edital afixado em 20/06/2013 (fl. 159). 76. Em decorrência dos documentos enviados pelas instituições financeiras, emitiuse o Termo de Intimação Fiscal nº 2 (fls. 182 e 183 – ciência por Edital afixado em 30/07/2013, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB), para intimar a requerente a comprovar, em 20 dias, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, o créditos bancários constantes às fls. 184 a 206, pertinentes aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010. Termo de Reintimação e Intimação de Procedimento Fiscal foi exarado (fls. 208 a 210 – ciência por Edital afixado em 10/09/2013, tendo em vista a condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB) para reintimála, enfatizandose a questão do agravamento da multa. Acrescentouse intimação para que a empresa apresentasse esclarecimentos acerca da não existência, na base de dados da RFB, de qualquer recolhimento de contribuição previdenciária ou informação, desde a sua constituição, de movimentação de segurados através da entrega das GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social). Em continuidade, assinalouse que seu objeto social condigna "construção de rodovias e ferrovias, obras de terraplenagem e aluguel de máquinas e equipamentos para a construção sem operador, exceto andaimes", cabendo à interessada apresentar documentação pertinente ao uso das máquinas e equipamentos. Finalizouse com solicitação para apresentação de todas as Notas Fiscais e Contratos de Prestação de Serviços. 77. Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal foram lavrados (fls. 212, 214, 216 e 218) e cientificados à interessada consoante Editais afixados em 31/10/2013 (fl. 213), 19/12/2013 (fl. 215), 04/03/2014 (fl. 217) e 30/04/2014 (fl. 219). 78. Registra o autuante, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 1614) que em 01/10/2013 a Polícia Federal deflagrou operação baseada nas investigações primárias da “CPMI do Cachoeira”, denominada "Operação Saqueador", com busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud em São Paulo, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP. As empresas estão registradas em nome de interpostas pessoas, todas com vínculos profissionais e pessoais com os retrocitados cidadãos. 79. A decisão do MM. Juiz Federal Substituto da 7ª Vara Federal Criminal da Capital/RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho, de 17/09/2013 (fls. 137 a 156), autorizou a busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud em São Paulo, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP, assim como, em seu item 8, o compartilhamento dos dados obtidos na investigação com a RFB (cópia da Decisão às fls. 101 a 120). 80. Em 27/11/2013 a Polícia Federal entregou à RFB CD com toda a documentação apreendida no cumprimento do mandado de busca e apreensão (fl. 157). Dentre a documentação constavam Notas Fiscais emitidas pela contribuinte, de prestação de serviços (anoscalendário 2008 a 2010) – Anexo 2 (listagem às fls. 1095 a 1103). 81. Em 12/05/2014 compareceu à DRFB Barueri/SP o Sr. Adalberto Palhinha Martins, contador da contribuinte, que mesmo não possuindo Procuração, informou que "a empresa e o Sr ADIR ASSAD não poderiam atender a fiscalização devido ao fato de todos os documentos terem sido apreendidos pela Polícia Federal no seu escritório, e que a mesma estaria de posse desta documentação até a presente data". 82. Enfatiza a fiscalização que entre a ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal (18/12/2010) até a apreensão dos documentos passaramse 1.018 dias sem que a empresa Fl. 2652DF CARF MF 52 apresentasse os Livros Contábeis e Fiscais. Acrescenta que o próprio contador já havia comunicado à fiscalização a inexistência dos Livros. Esclarece que dentre os documentos apreendidos não havia qualquer Livro Contábil ou Fiscal. DA EMPRESA INEXISTENTE DE FATO E DAS NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS 83. Conforme já asseverado, dentre a documentação apreendida pela Polícia Federal e compartilhada com a fiscalização, constavam Notas Fiscais de prestação de serviços emitidas pela fiscalizada, constantes do Anexo 2 (Notas Fiscais SM Polícia Federal – fls. 1095 a 1103). 84. A partir das informações coletadas nos documentos apreendidos pela Polícia Federal (Notas Fiscais) foram abertas diligências em 7 (sete) empresas que supostamente tomaram serviços da S.M. TerraplenagemEPP, com solicitação de apresentação de Notas Fiscais (os documentos fiscais apresentados pelas diligenciadas encontramse listados no Anexo 1 (fls. 1092 a 1094). Conforme citado, além das Notas Fiscais apresentadas pelos tomadores de serviços, outras empresas também tomaram serviços da SM, consoante Notas Fiscais apreendidas pela Polícia Federal e listadas no Anexo 2. Entretanto, apurou a fiscalização que as Notas Fiscais apresentadas pelos tomadores de serviços são distintas das Notas Fiscais apreendidas pela Polícia Federal. 85. Em razão do levantamento efetuado, as Notas Fiscais emitidas pela S.M. Terraplenagem EPP foram consideradas inidôneas, pois foram emitidos por pessoa jurídica que não existe de fato e de direito apesar de constituída formalmente , declarada Inapta no sistema CNPJ, extinta ou baixada no órgão competente, não produzindo quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros, conforme dispõe o artigo 82 da Lei nº 9.430/1996. 86. Em razão da condição cadastral de Inapta desde o dia 14/04/2011 (cópia da tela do sistema CNPJ às fls. 2102 a 2106 e Ato Declaratório Executivo nº 12, de 08/09/2011 – fls. 237/238), com o motivo “Localização Desconhecida”, realizouse nova diligência, em 02/10/2012, ao local identificado como sendo o domicilio tributário do sujeito passivo nos sistemas da RFB e no cadastro da Jucesp Rua Alberto Frediani, 107, Jardim Frediani, Santana de Parnaíba SP. 87. No local encontrouse uma simples residência, sem placas ou identificação comercial (foto à fl. 168 do T.V.F), não tendo sido encontrada nenhuma pessoa para atender e prestar informações. Acrescentouse que este endereço é conhecido na DRFB/Barueri/SP como local que costumeiramente abriga "escritórios virtuais". Efetuouse pesquisa no sistema CNPJ, tendo sido encontradas diversas empresas domiciliadas neste endereço. Exemplo conexo é a Solu Terraplenagem LtdaME, que foi considerada Inapta por inexistência de fato, e cuja sócia é a Sra. Sônia Mariza Branco. Em 28/08/2013, em outra diligência a este endereço, a fiscalização foi atendida pela Sra. Daniela Rosa de Castro, que relatou que o endereço é a sua residência, e que a mesma é utilizada para sublocações para empresas interessadas em ter domicilio tributário em Santana de Parnaíba; que as correspondências são encaminhadas para o Sr. Adalberto Palhinha Martins (contador do contribuinte); que se trata apenas de um "endereço virtual", sendo que a empresa nunca se estabeleceu neste local, não tendo qualquer funcionamento ou presença de funcionário; que este é um local que abriga vários "escritórios virtuais". 88. Em 21/03/2014 foi formalizada Representação Fiscal para Baixa de Ofício, que culminou com a emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/SECAT Nº 31, de 29/08/2014 (fl. 241), que baixou de ofício a inscrição no CNPJ, com fulcro no art. 27, inciso II, alínea “a”, da Instrução Normativa nº 1.470, de 30/05/2014, e efeitos a partir de 01/01/2008, consoante elementos circunstanciados no processo 13896.720706/201167, (cópia de tela do sistema Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.591 53 CNPJ às fls. 2102 a 2106 – apesar de cientificada no processo, a empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos, nem adotou qualquer providência no sentido de regularizar sua situação cadastral): Art. 27. Pode ser baixada de ofício a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica: (...) II inexistente de fato, assim entendida aquela que: a) não dispuser de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; (...)(grifos acrescidos) 89. Enfatiza a fiscalização que apesar de a empresa ter apresentado elevada movimentação financeira, não consta, na base de dados da RFB, qualquer recolhimento de contribuição previdenciária ou informação, desde a constituição da empresa, de movimentação de segurados através da entrega das GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), ou mesmo retenção de imposto de renda na fonte declarada em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte), relativo à prestação de serviços por empregados ou prestadores de serviços pessoa física. Todas as RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) estão negativas, o que indica a inexistência de vínculos empregatícios ou prestadores de serviços pessoa física. 90. Sendo o objeto social do contribuinte "construção de rodovias e ferrovias, obras de terraplenagem e aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes", para materialização de seus objetivos é necessário a posse de máquinas e equipamentos. Intimada (ver acima) a apresentar documentação, nenhum documento foi apresentado. 91. Em Ofício ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran), este informou, em 29/05/2013, que o único veículo encontrado nos seus registros é um automóvel marca I/Hyundai I30 2.0 (importado), adquirido em 24/03/2011 e transferido em 28/12/2012, o que evidencia que não se trata de veículo para execução de serviços de engenharia e terraplenagem (fls. 1131 a 1145). 92. Análise dos extratos bancários (fls. 955 a 1091, com planilhas nos Anexos 3 a 6 – fls. 1104 a 1127) comprovou que nos débitos efetuados pela fiscalizada não se encontram pagamentos efetuados para a manutenção operacional (pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, pagamento a escritórios de contabilidade, etc). Igualmente, não foram localizados pagamentos comuns a empresas de locação de máquinas e equipamentos (compra de combustíveis, peças e acessórios para manutenção, pagamento de mecânicos de manutenção ou empresas especializadas neste tipo de prestação de serviços). 93. Os fatos revelados pelo autuante, de que a fiscalizada é uma empresa de fachada, sem capacidade operacional, ou seja, pessoa jurídica inexistente de fato, o que motivou sua declaração de Inapta e baixa de ofício no cadastro da RFB, foram igualmente reconhecidos pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI do Cachoeira) e investigações conduzidas pela Polícia Federal. Em relação a este último órgão, a fiscalização reproduziu Fl. 2654DF CARF MF 54 trecho do relatório concernente às investigações conduzidas no âmbito da "Operação Monte Carlo", "Operação Vegas" e "Operação Saqueador", apresentado ao Juiz Federal da 7ª Vara Federal Criminal/RJ, que o motivou a autorizar a quebra do sigilo bancário e fiscal das pessoas físicas e jurídicas ligadas aos empresários Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, bem como a busca e apreensão nas empresa que participaram deste esquema fraudulento, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP (fls. 1625 e 1626 do T.V.F): (...) 15. Conforme já mencionado, essas empresas se encontram vinculadas direta ou indiretamente aos empresários ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD, que integraram formalmente os quadros societários da maior parte dessas empresas até os anos de 2009/2010. Posteriormente, paulatinamente foram sendo sucedidos, conjunta ou separadamente, por pessoas que lhes são próximas, a saber: i) MAURO JOSÉ ABBUD, irmão de MARCELLO ABBUD; e ii) as irmãs SÔNIA MARIZA BRANCO, SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e SUELI MARIA BRANCO. 17. Devese dizer que boa parte dessas sociedades encontrase “sediada” em endereços coincidentes, todos invariavelmente incompatíveis com as atividades prestadas e os repasses milionários dos quais se beneficiaram. 18. Discriminamse, adiante, referidas sociedades “fantasmas” , agrupadas de acordo com o endereço social declarado. 2.8 S.M. TERRAPLENAGEM LTDA 2.9 SOLU TERRAPLENAGEM LTDA Endereço da “sede” social: Rua Alberto Frediani, 107, Jardim Frediani, Santana do Parnaíba/SP 27. Com relação à SM TERRAPLANAGEM LTDA, SÔNIA MARIZA BRANCO é a atual responsável, sendo que a sua irmã SÔNIA MARIZA BRANCO também integra o quadro social. 28. SÔNIA MARIZA BRANCO também figura como a responsável pela empresa SOLU TERRAPLANAGEM LTDA, em conjunto com a sua outra irmã, SUELI MARIA BRANCO. 29. Em ambas as empresas, LUIS ROBERTO SATRIANI foi sócio administrador por algum período (15.08.2007 a 10.03.2009 e 03.02.2009 a 29.07.2010, respectivamente). 30. Essas sociedades também não possuem qualquer funcionário registrado desde a sua constituição (RAIS = Zero). 31. ADALBERTO PALINHA MARTINS é o contador dessas empresas. (...)(grifos acrescidos) 94. Conforme acima relatado foram abertas diligências em 7 (sete) empresas que supostamente tomaram serviços da S.M. TerraplenagemEPP, tendo sido também solicitado documentação dos veículos, máquinas e equipamentos utilizados na prestação dos serviços. As empresas Consórcio Desenvolvimento Viário, PEM Engenharia Ltda, Setec Tecnologia S/A e Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.592 55 Telegráfica Energia S/A não apresentaram nenhum documento ou informação que pudessem identificar tais veículos, máquinas e equipamentos. Quanto às demais (Encalso Construções Ltda, Galvão Logística Ltda e UTC Engenharia S/A), apresentaram respostas, mas não lograram êxito em comprovar que os serviços foram prestados. 95. Concluiu a fiscalização que os documentos inidôneos emitidos pela S.M. Terraplenagem EPP jamais poderão servir para amparar saídas ou entradas de valores (receitas), ou mesmo sustentar despesas ou valores atribuídos aos custos operacionais de uma empresa optante pelo Lucro Real, sendo imprestáveis para se efetuar o lançamento de crédito tributário neste procedimento. LUCRO ARBITRADO 96. Tendo em vista que nenhuma resposta, esclarecimento ou documento para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes consta no processo, os valores creditados em contas bancárias da contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos às fls. 1104 a 1127, bem como totalização mensal no quadro a seguir, destacandose que a recorrente foi receptora de créditos bancários, nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, no valor de 161.849.152,49, diante de receita bruta informada em DIPJ (regime do Lucro Presumido) de R$ 81.389.996,92 (fls. 1611 e 1632), e em DCTF de R$ 50.983.041,85 (fl. 1646). 97. Em razão das informações disponibilizadas na DCTF (Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais), a autuação foi subdividida em Omissão de Receita da Atividade – Receita Bruta Apurada com Base nos Valores Informados em DCTF (base de cálculo: R$ 50.983.041,85 fl. 1639) e Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (base de cálculo: R$ 110.866.110,64 – fl. 1639): Fl. 2656DF CARF MF 56 98. Termo de Verificação foi lavrado (ciência da contribuinte em 23/09/21014, conforme Edital à fl. 1737), com esclarecimento de todas as fases do procedimento fiscal e fundamentação legal pertinente (fls. 1605 a 1694). 99. Sobre as obrigações acessórias das pessoas jurídicas não sujeitas ao Simples, assim dispõem os caputs dos artigos 258 e 259 (Lucro Real) e o artigo 527 (Lucro Presumido – regime por ela adotado em suas DIPJ) do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda): Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). (...) Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.593 57 Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). (...) Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). 100. Assim, tendo em vista que a empresa deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, o que não permite a apuração do montante tributável no regime do Lucro Real ou Presumido, agiu corretamente a autoridade autuante ao aplicar ao caso o art. 530, inciso III, do RIR/1999: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) 101. Cabe esclarecer que a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de acordo com o lucro arbitrado não é penalidade, sanção ou regime de exceção, mas simplesmente método de apuração. Isto é tão verdadeiro que o próprio contribuinte pode optar por esta forma de tributação se conhecida a receita bruta, conforme dispõe o artigo 531 do RIR/1999: Fl. 2658DF CARF MF 58 Art. 531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II o imposto apurado na forma do inciso anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração. 102. O arbitramento, quer seja realizado pelo contribuinte, quer pela fiscalização, quando conhecida a receita bruta, deve obedecer ao disposto no artigo 532 do RIR/1999: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). 103. No presente caso, o arbitramento, realizado pela fiscalização, foi parcialmente feito com base na receita bruta constatada por meio da presunção legal de omissão de receita, existente na legislação do imposto de renda, apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada, de acordo com o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração feita pela Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.594 59 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) (grifos acrescidos) 104. De acordo com o dispositivo acima transcrito, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. A movimentação bancária da defendente encontrase acostada às fls. 955 a 1091, com planilhas nos Anexos 3 a 6 – fls. 1104 a 1127. 105. Neste ponto devese esclarecer que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal, o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. 106. Outro ponto que importa distinguir é a distinção entre os métodos de apuração de omissão de receitas com as formas de tributação do lucro. 107. Em relação ao método de apuração, esclarecese que a caracterização de uma omissão de receitas pode darse por uma de duas vias: por uma presunção legalmente estabelecida ou, então, pela comprovação material, inequívoca, concludente da infração. 108. No primeiro caso, a lei estabelece, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos – baseandose, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade , que ocorrida determinada situação fática, podese presumir, até prova em contrário – esta a cargo do contribuinte –, a ocorrência da omissão de receitas. Foi este o método de apuração de omissão de receitas utilizado no lançamento ora discutido para a parcela relacionada aos depósitos bancários de origem não comprovada. No que se relaciona à parcela apurada pelas informações disponibilizadas nos valores declarados em DCTF (Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais), a omissão de receita foi apurada pela via direta. 109. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: Fl. 2660DF CARF MF 60 (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. 110. Já no segundo caso, a inexistência da presunção legal obriga a comprovação material do fato diretamente vinculado à subtração irregular das receitas, e não de outro que apenas indiretamente se relacione com o ilícito e que demande, por tal, cognição complementar para a caracterização da infração. 111. Em qualquer dos casos, no entanto, não se desobriga a autoridade de comprovar o(s) fato(s) que dá(ão) origem à omissão de receitas: ou aquele definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção juris tantum, ou aqueles outros concretamente evidenciadores da materialidade da infração. 112. Desta forma, observandose os critérios estabelecidos na legislação de regência, e intimado o contribuinte a se manifestar sobre os valores que restaram incomprovados, compete ao contribuinte e não ao fisco, provar a origem de cada um dos depósitos questionados se quiser eximirse da exação ou, caso fique constatada sua origem tributável, que os respectivos valores foram oferecidos à tributação. 113. Assim, caracterizada a receita omitida, os lançamentos foram corretamente e motivadamente realizados e os respectivos créditos tributários devem ser mantidos. Desta forma, os lançamentos não são nulos ou devem ser anulados. Ao contrário, são totalmente eficazes e legais, pois estão baseados em fatos constatados e demonstrados e em legislação plenamente vigente. 114. Como dos autos se infere, a autoridade lançadora fez aquilo que o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de contas bancárias com expressiva movimentação (no presente caso, R$ 161.849.152,49, diante de receita bruta informada em DIPJ de R$ 81.389.996,92), intimoua a comprovar a origem de créditos efetuados em conta bancária. 115. Diante da falta de comprovação da origem dos mesmos depósitos bancários, o auditor fiscal não teve outra escolha senão formalizar o lançamento de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Na parcela apurada com base nas informações disponibilizadas nos valores declarados em DCTF, lavrouse o AI pela comprovação material, inequívoca, concludente da infração. 116. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. A responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 117. No lançamento ora impugnado, como já dito acima, a contribuinte está sujeita ao Lucro Arbitrado. Portanto, a omissão de receita, decorrente de depósitos bancários não escriturados, corresponde à receita bruta para fins de aplicação dos percentuais de arbitramento para definição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, e é o faturamento sujeito à incidência do PIS e da COFINS, de acordo com o disposto no caput do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, in verbis: Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.595 61 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (redação deste parágrafo vigente à época dos fatos geradores neste processo discutidos) MULTA 118. Registrese que em razão do desatendimento generalizado às intimações exaradas no curso do procedimento fiscal, a fiscalização agravou a multa de ofício, de 75,00% para 112,50%, para a parcela referente à Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, com fulcro no art. 44, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. 119. Além do agravamento supracitado, o autuante também qualificou a multa para 225,00%, igualmente para a parcela referente à Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, em razão de os valores constatados não terem sua origem esclarecida, com supedâneo no no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de Fl. 2662DF CARF MF 62 metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (...)(grifos acrescidos) 120. Diante da remissão realizada pelo artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, cabe reproduzir o conteúdo dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que tratam das situações ensejadoras de aplicação da multa de ofício qualificada em 150%: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 121. No presente caso, o fato de a contribuinte não ter esclarecido a origem dos créditos bancários, no montante de R$ 110.866.110,84, configura o evidente intuito de sonegação, fraude e dolo descritos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, motivo para aplicação da multa qualificada de 150%, conforme atual § 1º (antigo inciso II) do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Não é lógico, razoável ou proporcional afirmar que esta diferença tão grande entre o declarado (R$ 50.983.041,85) e o que realmente aconteceu (R$ 110.866.110,84) decorre apenas de erro. Não é lógico, razoável ou proporcional afirmar que esta diferença tão grande entre a ausência de declaração e o que realmente aconteceu é uma inocente declaração inexata ou erro de fato. 122. As circunstâncias que ampararam a qualificação da multa foram perfeitamente delineadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1642 a 1646). 123. A Lei n° 4.729, de 14 de julho de 1965, em seu art. 1°, I, esclareceu o conceito de sonegação fiscal ao dispor que: Art 1° Constitui crime de sonegação fiscal: Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.596 63 I prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei; II inserir elementos inexatos ou omitir, rendimentos ou operações de qualquer natureza em documentos ou livros exigidos pelas leis fiscais, com a intenção de exonerarse do pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública; (...)(grifos acrescidos) 124. Mais recentemente, a Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, definiu os fatos denominados por sonegação fiscal como crimes contra a ordem tributária ao estabelecer em seu inciso I do artigo 1°, e inciso I do artigo 2° que dispõe: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei n° 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Pena reclusão de 2 (dois) a 5(cinco) anos, e multa. (...). Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei n° 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...). Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. (...)(grifos acrescidos) 125. A ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica a multa qualificada. Assim, como neste caso, há evidência nos autos deste processo de que a autua ocultou a maior parte das suas receitas, furtando ao conhecimento do fisco a ocorrência do fato gerador do imposto. 126. Portanto, a ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica plenamente a multa qualificada, em razão da materialização das ações dispostas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. 126.A. A fiscalizada, optante pelo regime do Lucro Presumido, igualmente infringiu a lei, ao descumprir os ditames do art. 45 da Lei nº 8.981, de 20/01/1995 (base legal do art. 527 do RIR/1999), que preconiza norma para os contribuintes optantes do retrocitado regime de Fl. 2664DF CARF MF 64 tributação, atinente a obrigações relativas à escrituração, que não foram cumpridas pela fiscalizada: Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. 127. Conforme restou evidenciado no curso do procedimento fiscal, também não há amparo legal e é totalmente reprovável a conduta da contribuinte de sequer justificar a falta de atendimento à intimação fiscal. A contribuinte em nenhum momento do apresenta esclarecimentos para o não atendimento das intimações, que foram várias, o que autoriza, neste caso, o agravamento da multa de ofício em 50.00%, consoante dispõe o § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. 128. Assim, demonstrado que a multa de ofício foi correta e legalmente aplicada nos percentuais de 75% e 150% dos tributos devidos, descabem as afirmações da autuada em sentido diverso. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 129. Como já descrito anteriormente, o MM. Juiz Federal da 7ª Vara Federal Criminal da Capital/RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho, autorizou a busca e apreensão nas empresas controladas pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud em São Paulo, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP, assim como, em seu item 8, o compartilhamento dos dados obtidos na investigação com a RFB. 130. Conforme Decisão prolatada pelo retrocitado magistrado, restou caracterizada a vinculação, direta ou indiretamente, de diversas empresas aos empresários Adir Assad e Marcello José Abbud, bem como a participação ativa nos seus negócios das irmãs Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, além do empresário Luis Roberto Satriani (fl. 1652): (...) Quadro 19 Decisão Judicial Processo n° 080231542.2013.4.02.5101 1.2— Empresas criadas em São Paulo. Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.597 65 Conforme já dito, em São Paulo as empresas criadas estão supostamente ligadas aos Senhores ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD, tendo sido, até o momento, verificadas as seguintes empresas; 1. Empresas com sede na Rua Estados Unidos, 351 Jardim São Luiza, Santana de Parnaíba/SP 1.1 – S.P Terraplenagem Ltda (Recursos transferidos da Delta: mais de RS 46,4 milhões) 1.2 Power To Tem Engenharia Ltda (Recursos transferidos da Deita: mais de R$ 42,9 milhões) 2. Empresas com sede na Rua Padre Pompeu, 01, Centro, Santana do Parnaíba/SP 2.1 JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda (Recursos recebidos pela Delta: aproximadamente: R$ 40 milhões 2.2 S.B Serviços de Terraplenagem Ltda (Recursos Recebidos pela Delta: aproximadamente: R$ 7,7 milhões 2.3 WS Serviços de Terraplenagem Ltda (Recursos Recebidos da Delta: aproximadamente: R$ 7,6 milhões 2.4 B.W. Serviços de Terraplenagem Ltda (Recursos Recebidos da Delta: aproximadamente R$ 7,4 milhões 3. Empresa com sede na Estrada dos Romeiros, 6388, Centro, Santana do Paranaíba/SP 3.1 SOTERRA Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda (Recursos recebidos da Delta em montante aproximado de R$ 35,2 milhões 3.2 DREAM ROCK entretenimento Ltda (Recursos recebidos da Delta em montante aproximado de R$ 59,5 mil reais) 3.3 ROCK STAR MARKETING Promoções e Eventos Ltda 3.4 ROCK STAR PRODUÇÕES Comércio e Serviços Ltda 4. Empresas com sede na Rua Alberto Frediani, 107, Jardim Frediani, Santana do Parnaíba/SP 4.1 S.M Terraplenagem Ltda (Recursos recebidos da Delta em montante aproximado de R$ 31,4 milhões) 4.2. SOLU terraplenagem Ltda 397 mil reais) 5. Empresa com sede na Av. Marginal, 36, Centro, Santana do Parnaíba/SP. Fl. 2666DF CARF MF 66 5.1 ROCK STAR Marketing Comunicação Ltda (Recursos Recebidos da Delta no montante de R$ 9,3 milhões de reais). 8. Empresa com sede na Avenida Irai, 1292, Planalto Paulista, São Paulo/SP. 8.1— LEGEND Engenheiros Associados Ltda (Recebeu da Delta montante aproximado de R$ 26,9 milhões de reais) Conforme relatório apresentado, todas apresentam como contadores as mesmas pessoas, Srs. Adalberto Palhinha Martins e Amaury Pontalti e que em todas em algum momento de sua existência tiveram como sócios pessoas da família ABBUD (Mauro José e Marcelo) e/ou da família Branco (Sônia Maria, Sandra Maria e Sueli Maria). O Senhor Adir Assad aparece como sócio fundador de algumas das empresas acima apontadas. (...)(grifos acrescidos) 131. A fiscalização reproduziu, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1654 a 1656), diversas reportagens da mídia em geral sobre as empresas investigadas na CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Operação Saqueador, em que o próprio Adir Assad confirma ser o dono de fato destas empresas, e da vinculação do Sr. Marcello José Abbud. Assevera o autuante que as notícias veiculadas deixam claro toda a vinculação e engenharia montada pelos empresários acima citados, que em nenhum momento negaram que as empresas citadas são suas de fato. 132. Assim, constam nos autos, como se verá a seguir, um conjunto robusto de provas para demonstrar que os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud são os verdadeiros sócios de fato da autuada, e que contaram com a participação ativa dos sóciosadministradores que constam nos registros da Jucesp, as irmãs Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, e o empresário Luis Roberto Satriani. ADIR ASSAD 133. O Sr. Adir Assad recebeu repasses financeiros da empresa S.M. TerraplenagemEPP no ano 2008, mesmo sem pertencer formalmente ao seu quadro social e não sendo funcionário desta contribuinte, apenas recebeu estes valores por ser real administrador (Quadro demonstrativo dos valores à fl. 1657). 134. Diversos documentos comprovam a subordinação das sócias e o vínculo com o Sr. Adir Assad, compostos por diversos emails apreendidos pela Polícia Federal na "Operação Saqueador", e que comprovam de forma cabal o poder de gerência, e de como este utiliza a empresa de forma pessoal. 135. No primeiro email, de 09/01/2008, as sócias Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago trocam mensagens com a Sra. Sônia Regina Assad, esposa do Sr. Adir Assad, sobre o agenciamento de entrevista para obtenção de vistos para viagem ao exterior (fls. 1146 a 1148). 136 O segundo, de 28/01/2008, encaminhado pela Sra. Sueli Maria Branco para a sua irmã, Sra. Sônia Mariza Branco, informa que o Sr. Adir Assad autorizou um depósito para compra de um Motard e um Future no valor de R$ 11.055,75 (fl. 1149). 137. No terceiro, de 13/03/2008, o Sr. Adir Assad solicita à Sra. Sônia Mariza Branco depositar R$ 1.000,00 em nome do Sr. Jean Coloca (fl. 1150). Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.598 67 138. No quarto, de 30/09/2008, a Fundação Getúlio Vargas envia um email para o Sr. Adir Assad (em nome do Marketing da Rock Star), para Sônia Mariza Branco e para a Sra. Siberly Coelho (filha de Sônia Mariza Branco), com informações de uma conta para depósito do valor referente a uma palestra (fl. 1150). 139. Constatase que todas as pessoas envolvidas nos retrocitados email utilizam a extensão "@rstar" em suas caixas de mensagem, indicativo do Grupo Rock Star, composto por várias empresas controladas pelo Sr. Adir. 140. O Sr. Adir Assad constituiu com o Sr. Marcello José Abbud, em 18/01/2006, a Legend Engenheiros Associados Ltda. Adir Assad mantevese como sócio administrador desta empresa até 23/03/2009, sendo substituído por Sônia Mariza Branco. Importante salientar que mesmo depois de sua saída formal da empresa Legend Engenheiros Associados Ltda o Sr. Adir Assad continuou sendo o real administrador da empresa, conforme provas colhidas na CPMI do Cachoeira, nas investigações da Polícia Federal e na auditoria realizada pela DRFB/Barueri. O Sr. Marcello José Abbud mantevese na sociedade até 12/12/2007, sendo substituído por seu irmão Mauro José Abbud, e retornou em 05/02/2013. 141. A sociedade S.M. TerraplenagemEPP foi inicialmente constituída com a razão social Legend Assessoria e Consultoria de Planejamento Estratégico de Marketing Ltda (ver Ficha Jucesp), e teve como endereço cadastral a Avenida Ceci, 1542, Planalto Paulista, São Paulo/SP, mesmo endereço da sociedade Legend Engenheiros Associados Ltda. 142. As provas coletadas demonstram que os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud continuam sendo os administradores da Legend Engenheiros Associados Ltda, sendo que a S.M. TerraplenagemEPP utilizou, e ainda utiliza, o endereço da Legend Engenheiros Associados Ltda Rua Iraí, 1.292 Planalto Paulista São Paulo/SP para o recebimento de correspondências. O Sr. Adir Assad, sua esposa Sônia Regina Assad, e as sócias Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, também utilizam este endereço com o mesmo fim, sendo que a própria Polícia Federal considera este endereço como o centro de operações das empresas controladas pelos empresários Adir Assad e Marcello José Abbud (acostouse aos autos boleto de pagamento do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura em nome de Adir Assad (fl. 1152), Pagamento de seguro de Adir Assad (fls. 1153 a 1155), Extrato Bancário de Sônia Regina Assad (fl. 1156), pagamentos de Guia da Previdência Social pela Legend Engenheiros Associados Ltda em nome de Adir Assad (fls. 1157 a 1161), Extrato Bancário da S.M. TerraplenagemEPP (fl. 1162), boleto de pagamento em nome da S.M. TerraplenagemEPP (fl. 1163), todos com indicação do retrocitado endereço). 143. No material apreendido na retrocitada operação da Polícia Federal encontrouse relação de documentos enviados ao Sr. Adalberto Palhinha (fls. 1665 a 1667), contador comum das empresas do grupo, que demonstram a conexão entre os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, e envolvem as empresas Legend Engenheiros Associados Ltda, JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda, Power To Ten Engenharia Ltda ME, SM Terraplenagem Ltda ME, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda, SP Terraplenagem Ltda – ME, Rock Star Marketing Ltda, Rock Star Produção, Comércio e Serviços Ltda e Rock Star Marketing e Promoções Ltda. Constam, ainda, documentos pessoais do Sr. Adir Assad, e documentos de empresa do Sr. Marcello José Abbud, de nome "Marcello José Abbud Planejamento Est."(fls. 1164 a 1169). 144. Em email de 05/04/2010, a Sra. Sandra Maria Branco Malago, sócia administradora da SM Terraplenagem Ltda EPP, encaminha ao Sr. Amauri Pontalti, contador das empresas Fl. 2668DF CARF MF 68 administradas de fato pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, comunicado em que se refere às Notas Fiscais das empresas Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda, Rock Star Marketing Ltda, Legend Engenheiros Associados Ltda., Rock Star Marketing Promoções e Eventos Ltda e SM Terraplanagem Ltda (fl. 1170): Rock Star Prod. NF 483 cancelada esta nota eu mandei o jogo todo para a gráfica ela vai ser cancelada. Rock Star Marketing NF 1468 foi emitida p/ Inst. Tomie Ohtake valor 6.300,00 e a nota 1482 p/ BMG 1.300,00 a Sueli vai tirar um Xerox e trazer as originais. O Marcelo deve ter comido as cópias ou...........e a 1470 e cancelada foi também um jogo completo da nota para gráfica que ela vai me mandar. Rock Star Promoções e Eventos as notas que você passou a relação estão todas canceladas a Sueli vai trazer. SM essas notas quando nos separamos os talões esse joguinho de notas sumiram não sei aonde foi parar não achamos revirei tudo e não encontramos. LEGEND 1232/1233/1235 canceladas a Sueli vai trazer. (grifos acrescidos) 145. Em relação às Sras. Sandra Maria Branco Malago e Sônia Mariza Branco, tramita processo na Sexta Vara Criminal Federal, especializada em Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e Lavagem de Valores, em que elas são investigadas em conjunto com o Sr. Adir Assad. Conforme oficio do MM. Juiz Federal Substituto, Dr. Marcelo Costenaro Cavali, este autorizou à RFB o compartilhamento e o uso dos depoimentos prestados por Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago (fls. 220 a 224). 146. No depoimento de Sônia Mariza Branco (fls. 225 a 227) à Polícia Federal, em 13/06/2012, esta relatou os seguintes fatos, entre outros: QUE conheceu ADIR ASSAD há cerca de trinta anos, QUE desde então, além de trabalharem juntos, construíram também uma amizade, inclusive entre as famílias da declarante e ADIR, QUE ele conseguia os eventos e, para tanto, trabalhava muito na rua, fazendo os contatos necessários, a declarante passou a tocar toda a parte de escritório e de organização de contas, das agendas, etc, QUE conforme as coisas foram tomando vulto, a declarante também chamou sua irmã Sandra Maria Branco Malago para auxiliála, QUE atualmente as empresas do ramo de eventos que estão ativas são a Rock Star Produções, Comércio e Serviços Ltda e a Rock Star Marketing Ltda, a primeira constituída em 2002 e a segunda em 2005, QUE as outras empresas que também já tiveram, a Rock Star Entertainment Ltda e a Star Marketing Ltda não operam mais, QUE a decisão de concentrar a prestação de serviços por meio da Rock Star Produções e Rock Star Marketing se deu em razão da desnecessidade de se ter quatro empresas abertas, sendo que estas duas foram escolhidas para continuar funcionando porque foram constituídas pela declarante e pelo ADIR, ao passo que as outras duas tinham sido adquiridas de outros empresários anteriores, QUE em que tange a atividade da empresa em si, trabalham efetivamente a declarante, sua irmã Sandra e Adir Assad, QUE a declarante tira mais ou menos por volta de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por mês, sendo este valor mais ou menos fixo, tendo a declarante a liberdade de retirar mais no caso de alguma ocorrência extraordinária, tudo combinado com o Adir, QUE tanto a declarante Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.599 69 Sônia como sua irmã Sandra e também Adir tem amplos poderes para movimentar as contas das empresas, QUE existe uma confiança muito grande entre eles, tudo é muito abertamente conversado e combinado, QUE a participação de Adir nos lucros é maior, devido a sua responsabilidade maior de trazer sempre novos negócios às empresas, QUE nem a declarante nem sua irmã Sandra participam de outras empresas, QUE a declarante tem outra irmã de nome Sueli que por vezes realiza algum trabalho para as empresas Rock Star, mas não é contratada, é como freelance, QUE Adir Assad possui sociedade em outras empresas, pelo que sabe, no ramo de engenharia, que é a formação dele, mas a declarante não tem qualquer função nestas outras sociedades ou conhecimento sobre as atividades delas. 147. No depoimento de Sandra Maria Branco Malago à Polícia Federal (fls. 228 e 229), em 13/06/2012, esta relatou os seguintes fatos, entre outros: QUE sua irmã Sonia conhece Adir Assad há mais de 30 anos, QUE Sonia começou a trabalhar com Adir no ramo de eventos um pouco depois de se conhecerem e também um pouco depois Sonia convidou a declarante para auxiliálos, QUE então a declarante também conhece, trabalha e tem amizade com Adir Assad há aproximadamente de 30 anos, QUE atualmente as empresas que estão ativas e operantes são Rock Star Marketing Ltda, da qual a declarante também é sócia, e a Rock Star Produções, Comércio e Serviços Ltda, QUE as empresas Rock Star Entertainment Ltda e a Star Marketing Ltda tiveram encerradas suas atividades há alguns anos, QUE a declarante não tem ingerência na formatação dos contratos com patrocinadores ou com terceirizados, não passam pela declarante, sendo mais atribuição de Adir, QUE por vezes a declarante realiza alguns pagamentos, por exemplo, pagamentos em espécie que são feitos no momento dos eventos para manobristas, garçons ou a compra de alguma coisa extraordinária, etc, mas em regra são Adir e Sônia que cuidam desta parte de pagamentos, QUE possui autorização para movimentar as contas bancárias das empresas, mas esclarece que somente assina estas movimentações quando é necessário, o que ocorre normalmente quando Adir ou Sônia não estão presentes para movimentar a conta por eles mesmos. 148. Por tudo que foi dito nos depoimentos prestados, a fiscalização considerou que não resta a menor dúvida da participação e gerência do Sr. Adir Assad na condução dos negócios comerciais e financeiros das sociedades em que estas senhoras configuram como sócias administradoras, restando comprovado que Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago nada mais são que interpostas pessoas do Sr. Adir Assad, para que este conduza seus negócios sem que seu nome apareça de forma legal. 149. Outro documento que comprova o vínculo societário e a subordinação das sócias Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago ao Sr. Adir Assad são as Procurações por elas concedidas a ele (fls. 1171 a 1189), que apesar de relacionadas a outras sociedades, verificase que as sócias são interpostas pessoas do Sr. Adir Assad, que as utiliza de forma freqüente, tentando se ocultar da responsabilidade dos atos praticados por estas empresas. MARCELLO JOSÉ ABBUD 150. Em conjunto com o Sr.Adir Assad, o Sr. Marcello José Abbud constituiu, em 18/01/2006, a Legend Engenheiros Associados Ltda e mantevese formalmente como sócio administrador desta empresa até 12/12/2007. Importante salientar que mesmo depois de sua saída formal da empresa Legend Engenheiros Associados Ltda o Sr. Marcello José Abbud continuou sendo o real administrador desta empresa, conforme provas (ver acima) colhidas na CPMI do Cachoeira e nas investigações da Polícia Federal. A própria Polícia Federal considera este Fl. 2670DF CARF MF 70 endereço como o centro de operações das empresas controladas pelos empresários Adir Assad e Marcello José Abbud. 151. Nos quadros abaixo podese confirmar a participação societária do Sr. Marcello José Abbud nas sociedades controladas por ele e pelo Sr. Adir Assad, e alvo das investigações da CPMI e da Polícia Federal: CONCLUSÃO – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA ADIR ASSAD MARCELLO JOSÉ ABBUD 152. Em razão do exposto, concluise que os retrocitados sócios de fato da SM Terraplenagem LtdaEPP, em conjunto com os sóciosadministradores deste contribuinte, Sônia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Malago e Luis Roberto Satriani, são os responsáveis pela conduta da fiscalizada de omitir receitas à RFB com o intuito de não recolher tributos (omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis), pratica que contraria a lei, com fulcro nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, estando plenamente caracterizada a sujeição passiva solidária de ambos pelos créditos lançados no AI. SÔNIA MARIZA BRANCO 153. A Sra. Sonia Mariza Branco é apontada pela CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Saqueador da Polícia Federal, por relatos da mídia em geral e também em fiscalizações abertas na DRFB/Barueri/SP como interposta pessoa dos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud nas empresas SM Terraplenagem Ltda, Soterra Terraplenagem e Locação de Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.600 71 Equipamentos Ltda, SP Terraplenagem Ltda, Rock Star Marketing Ltda, Rock Star Marketing Promoções e Eventos Ltda, Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda e Solu Terraplenagem Ltda. Estas empresas foram alvo de investigações pela retrocitada CPMI, que concluiu que todas são controladas pelo Sr. Adir Assad. Além disto, Sônia Mariza Branco é irmã de Sandra Maria Branco Malago e Sueli Maria Branco, e mãe de Sibely Coelho e Soiany Coelho, que também são interpostas pessoas do Sr. Adir Assad. Nos quadros apresentados às fls. 1673 e 1674 do T.V.F constam os nomes das mencionadas pessoas no quadro societário das citadas empresas. 154. No comprovante de endereço da Sra. Sônia Mariza Branco (Cartão de Crédito – fls. 1190 e 1191) podese confirmar que ela utiliza o endereço da sociedade Legend Engenheiros Associados Ltda (Rua Iraí, 1.292 Planalto Paulista São Paulo/SP), sendo que conforme já relatado a própria Polícia Federal considera este endereço como o centro de operações das empresas controladas pelos empresários Adir Assad e Marcello José Abbud. SANDRA MARIA BRANCO MALAGO 155. A Sra. Sandra Maria Branco Malago é apontada pela CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Saqueador da Polícia Federal, por relatos da mídia em geral e também em fiscalizações abertas na DRFB/Barueri/SP como interposta pessoa dos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud nas empresas SM Terraplenagem Ltda, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda, SP Terraplenagem Ltda e Rock Star Marketing Ltda, sendo que nesta última a sociedade foi constituída pela Sra. Sandra Maria Branco Malago e pelo Sr. Adir Assad. Estas empresas foram alvo de investigações pela retrocitada CPMI, que concluiu que todas são controladas pelo Sr. Adir Assad e Marcello José Abbud. Fato relevante é a Sra. Sandra Maria Branco Malago ter sido funcionária da empresa Star Marketing Comunicação Ltda ME, no período de 02/08/2004 a 11/2005, sociedade constituída pela sua irmã Sra. Sônia Mariza Branco. Conforme já exposto e de acordo com as Procurações constantes nos autos, a Sra. Sônia Mariza Branco é interposta pessoa do Sr. Adir Assad. Nos quadros apresentados à fl. 1675 do T.V.F observase a participação societária da Sra. Sandra Maria Branco Malago nas empresas controladas pelo Sr. Adir Assad. LUIS ROBERTO SATRIANI 156. O Sr. Luis Roberto Satriani, sócio formal da fiscalizada 15/08/2007 a 10/03/2009, é apontado pela CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Saqueador da Polícia Federal, por relatos da mídia em geral e também em fiscalizações abertas na DRFB/Barueri/SP como interposta pessoa dos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud nas empresas SM Terraplenagem Ltda e Solu Terraplenagem Ltda ME. Estas empresas foram alvo de investigações pela retrocitada CPMI, que concluiu que todas são controladas pelo Sr. Adir Assad e Marcello José Abbud. Nos quadros apresentados à fl. 1676 do T.V.F observase a participação societária do Sr. Luis Roberto Satriani nas empresas controladas pelo Sr. Adir Assad e Marcello José Abbud. 157. Outro fato que comprova a estreita relação do Sr. Luis Roberto Satriani com os empresários Adir Assad e Marcello José Abbud é o depoimento dado por ele para uma reportagem do Jornal Folha de São Paulo, de 08/07/2012, em que ele afirma “emprestar seu pátio para guardar de graça as máquinas de Abbud, que seriam seis ou sete escavadeiras". CACHOEIRAGATE Fl. 2672DF CARF MF 72 Firma ligada à Delta diz que atua para as maiores empreiteiras Representantes do setor de máquinas pesadas, porém, dizem nunca ter ouvido falar da Legend Engenheiros A empresa passou a ser investigada após a revelação de relatório do Coaf que indica repasses suspeitos DE BRASÍLIA DE SÃO PAULO O empresário Marcello Abbud, responsável por empresas suspeitas de atuar como "laranjas" da construtora Delta, disse à Folha que trabalha com "metade das grandes empreiteiras do país". A Delta é um dos principais alvos da CPI que investiga as relações do empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de corrupção e preso desde fevereiro pela Polícia Federal. Marcello Abbud disse alugar máquinas pesadas para grandes obras, como a Ferrovia NorteSul, o Rodoanel e o Metrô de São Paulo. Empresas ligadas a Abbud e seu parceiro Adir Assad viraram alvo das investigações após a revista "Veja" revelar relatório do Coaf (órgão de inteligência financeira federal) que indica repasse de R$ 47 milhões da Delta às firmas. Segundo a revista, elas participam de esquema de emissão de notas frias para simular prestação de serviços. Abbud nega o esquema. A Legend Engenheiros, da qual Assad é dono, e Abbud, engenheiro responsável, recebeu R$ 23,2 milhões da Delta, segundo o Coaf. Além da Legend, os dois têm ligações com outras 20 empresas. Abbud disse que a Legend fatura cerca de R$ 10 milhões por mês com a locação de máquinas pesadas: "Das maiores empreiteiras, metade delas são nossos clientes", afirmou. Seriam "em torno de 15 clientes". Ele não quis revelar os nomes alegando sigilo contratual. A Folha consultou seis das maiores empreiteiras do país. A Odebrecht nega ter contratos com a Legend. Quatro não se manifestaram (EIT, Galvão, Queiroz Galvão e UTC). A Andrade Gutierrez disse estar impossibilitada legalmente de se pronunciar. A Dersa, órgão do governo paulista responsável por obras citadas por Abbud, disse que não consta subcontratação de firmas ligadas a ele. "PARCEIROS" A Legend tem sede numa casa em São Paulo, sem placas. De acordo com uma vizinha, a única movimentação no local é a de carros de luxo em dias de festa e churrasco. Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.601 73 Abbud indicou um pátio em Parelheiros, zona sul de São Paulo, como espaço em que as máquinas ficam quando ociosas. No local, funciona outra firma, a Ativa Terraplenagem. O dono, Luís Roberto Satriani, disse emprestar seu pátio para guardar de graça as máquinas de Abbud, que seriam "seis ou sete escavadeiras". Satriani disse que não há nenhuma lá há dez meses e que ele não pergunta para quem elas são alugadas. Marcello Abbud afirmou ter "entre nossas e de parceiros, cerca de 90 máquinas". Isso sugere que ele alugaria equipamentos de terceiros para sublocálos. Empreiteiros estimam que o aluguel de uma máquina pesada custe cerca de R$ 200 por hora. Se trabalhassem o dia todo sem parar, as sete máquinas de Abbud faturariam R$ 1 milhão mensal. Dois empresários que alugam máquinas em São Paulo disseram "nunca ter ouvido falar" da Legend Engenheiros, de Abbud ou de Assad. (...)(grifos acrescidos) 158. Em 13/08/2014 o Sr. Luis Roberto Satriani, em resposta a Termo de Intimação, declarou (fls. 1195 a 1204) que não possui documentos da SM Terraplenagem Ltda, em razão de seu desligamento do quadro societário. Registrou, ainda, que jamais assinou documentos de abertura de conta corrente ou transação bancária, pois desconhecia qualquer movimentação financeira realizada pela empresa. 159. Os esclarecimentos acima não descaracterizam a responsabilidade solidária do Sr. Luis Roberto Satriani, pois além de o crédito tributário lançado contemplar os anoscalendário 2008 e 2009, quando este ainda era sócio administrador da autuada, a retrotranscrita reportagem demonstra a estreita relação profissional entre ele e os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud. As alegações que "jamais assinou documentos de abertura de conta corrente ou transações bancárias, pois inclusive desconhecia de toda e qualquer movimentação financeira realizada pela SM Terraplenagem", também não possuem validade jurídica, pois conforme Contrato Social e Alterações registrados na Jucesp (fls. 1128 a 1130), o Sr. Luis Roberto Satriani era sócioadministrador, assinando pela fiscalizada, ou seja, possuía o comando gerencial e financeiro da sociedade. Outro fato esclarecedor desta relação entre o Sr. Luis Roberto Satriani e os empresários Adir Assad e Marcello José Abbud é a sua condição de sócio de uma das empresas por eles controlada, a Solu Terraplenagem Ltda, atuando igualmente como sócio administrador e assinando pela empresa. CONCLUSÃO – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA SÔNIA MARIZA BRANCO – SANDRA MARIA BRANCO MALAGO – LUIS ROBERTO SATRIANI 160. Em razão do exposto, concluise que os retrocitados sócios administradores da SM Terraplenagem LtdaEPP, em conjunto com os administradores de fato deste contribuinte, Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, são os responsáveis pela conduta da fiscalizada de omitir receitas à RFB com o intuito de não recolher tributos (omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis), pratica que contraria a lei, com Fl. 2674DF CARF MF 74 fulcro nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, estando plenamente caracterizada a sujeição passiva solidária dos três pelos créditos tributários lançados no AI. SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA 161. A empresa Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda foi constituída em 19/12/1978, pelos sócios Adir Assad e sua esposa, Sônia Regina Assad. Em 01/08/2012, ocorreu alteração cadastral, com a saída dos mencionados sócios, tendo sido admitidas como sócias administradoras as filhas do casal, Nicole Ferreira Assad e Natalie Ferreira Assad (Ficha Jucesp às fls. 1205 a 1206). Importante frisar, que a grande maioria dos bens do casal Adir Assad e Sônia Regina Assad encontrase registrado nesta empresa, e todos eles, a exceção de um automóvel BMW, foram adquiridos antes desta última alteração cadastral (Quadro às fls. 1680 e 1681 do T.V.F ilustra, com pormenores, a transferência de 11 (onze) bens para a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme registros às fls. 1221 a 1305). 162. O Sr. Adir Assad utilizouse desta empresa para administrar seus bens, e quando da abertura das fiscalizações da Polícia Federal, em razão das operações Monte Carlo, Vegas e Saqueador, da CPMI do Cachoeira, e das fiscalizações efetuadas pela DRFB/Barueri/SP nas suas empresas de fachada, elaborou um plano para tentar blindar seu patrimônio por meio desta sociedade. 163. Em 20/01/2012 o Sr. Adir Assad iniciou o plano de blindagem patrimonial por meio de Escritura de Doação com Reserva de Usufruto (fls. 1207 a 1212) das quotas sociais às suas filhas. Neste mesmo dia também foi lavrada uma Procuração (fls. 1213 a 1220), tendo como outorgantes Nicole Ferreira Assad e Natalie Ferreira Assad, concedendo amplos poderes para que o Sr. Adir Assad e sua esposa, Sônia Regina Assad, pudessem exercer todos os atos de gerência da sociedade Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. 164. Assim, apesar de as filhas do Sr. Adir Assad aparecerem como sócias de direito da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, o Sr. Adir Assad é o sócio de fato, administrador e gerente dos negócios, que continua com poderes totais de gestão financeira e patrimonial da sociedade. As duas filhas do Sr. Adir Assad são solteiras e possuem como domicílio tributário o mesmo endereço de seus pais Avenida Giovanni Gronchi n° 5.021, Apartamento 12, Morumbi, São Paulo/SP. Às fls. 1306 e 1307 dos autos consta conta telefônica em nome da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda com endereço residencial e tributário do Sr. Adir Assad (Avenida Giovanni Gronchi n° 5.021, Apartamento 12, Morumbi, São Paulo/SP), sua esposa e filhas , conta que foi paga pela sociedade Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda, empresa que tem como sócio de fato o Sr. Adir Assad. 165. Em razão do que restou extensamente provado, não resta dúvida da sujeição passiva da sociedade Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda em relação ao crédito tributário lavrado, com base no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), já que o produto da sonegação de tributos foi utilizado na aquisição e construção do patrimônio da sociedade, em beneficio do Sr. Adir Assad, que os transferiu para tentar blindar este patrimônio. FOURS EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA ME 166. A sociedade foi constituída em 29/07/2008 por Sibely Coelho e Soiany Coelho, com endereço à Avenida Ceci nº 1.542, Planalto Paulista, São Paulo/SP (Ficha Jucesp às fls. 1308 a 1309), sendo que este endereço foi domicilio tributário de várias empresas do Grupo Rock Star do Sr. Adir Assad, com participação da Sra. Sônia Mariza Branco e suas filhas Sibely Coelho e Soiany Coelho. Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.602 75 167. Em 28/12/2012 ocorreu a última alteração cadastral, retirandose da sociedade Sibely Coelho e Soiany Coelho, sendo admitidas como sócias administradoras a filha de Sibely Coelho, Nathaly Coelho Adesso, e a outra filha da Sra. Sônia Mariza Branco, Simone Coelho Adesso. Importante frisar que a totalidade dos bens da Sra. Sônia Mariza Branco foram doados para a sociedade. 168. A Sra. Sônia Mariza Branco e suas filhas Sibely Coelho e Soiany Coelho utilizaramse desta empresa para administrar seus bens, e quando da abertura das fiscalizações da Polícia Federal, em razão das operações Monte Carlo, Vegas e Saqueador, da CPMI do Cachoeira, e das fiscalizações efetuadas pela DRFB/Barueri/SP nas suas empresas de fachada, elaboraram um plano para tentar blindar seu patrimônio por meio desta sociedade. O expediente foi o mesmo empreendido pelo Sr. Adir Assad por meio da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda. (Quadro à fl. 1684 do T.V.F ilustra, com pormenores, a transferência de 6 (seis) bens para a Fours Empreendimentos Imobiliários Ltda). 169. Em 09/02/2012 foi lavrada Procuração (fls. 1310 a 1315) tendo como outorgante a Sra. Simone Coelho Guimarães, constituindo sua bastante Procuradora a Sra. Sônia Mariza Branco, sua mãe, com amplos poderes para gerir seu patrimônio. A seguir, em 04/01/2013 foi lavrada outra Procuração (fls. 1316 a 1360), tendo como outorgantes a Sra. Simone Coelho Guimarães e sua filha Nathaly Coelho Adesso, concedendo amplos poderes para que Sibely Coelho pudesse exercer todos os atos de gerência da sociedade Fours Empreendimentos Imobiliários Ltda. 170. Assim, apesar de sua irmã e filha aparecerem como sócias de direito desta sociedade, as reais sócias de fato, administradoras e gerentes dos negócios são a Sra. Sônia Mariza Branco (que disponibilizou a totalidade de seu patrimônio através de doação para esta sociedade) e sua filha Sra. Sibely Coelho, que continuam com poderes totais de gestão financeira e patrimonial da sociedade Fours Empreendimentos Imobiliários Ltda. 171. Em razão do que restou extensamente provado, não resta dúvida da sujeição passiva da sociedade Fours Empreendimentos Imobiliários Ltda em relação ao crédito tributário lavrado, com base no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), já que o produto da sonegação de tributos foi utilizado na aquisição e construção do patrimônio da sociedade, em beneficio das Sras. Sônia Mariza Branco Sibely Coelho, que o transferiu para tentar blindar este patrimônio. CONCLUSÃO – SUJEIÇÃO PASSIVA – INTERESSE COMUM SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA FOURS EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA ME 172. Em razão do exposto, concluise que as retrocitadas empresas, em conjunto com os administradores de fato e de direito deste contribuinte, Srs. Adir Assad e Sônia Maria Branco, respectivamente, tiveram interesse comum nos atos da fiscalizada de omitir receitas à RFB com o intuito de não recolher tributos (omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis), com fulcro nos arts. 124, inciso I, do CTN, estando plenamente caracterizada a sujeição passiva das retrocitadas empresas pelos créditos tributários lançados no AI. CONCLUSÃO – SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Fl. 2676DF CARF MF 76 173. O comando contido no art. 124, inciso I, do CTN, indica que basta a existência do interesse comum em relação ao fato gerador para que automaticamente seja instalada a solidariedade passiva tributária: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)(grifos acrescidos) 174. Igualmente, o CTN, em seus artigos 121, inciso I, artigo 124, inciso I e artigo 135, inciso III, estabelece a responsabilidade pessoal, implicando a Sujeição Passiva Solidária dos sócios de direito e de fato, pelo cometimento de atos praticados com infração de lei: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; (...) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)(grifos acrescidos) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (...)(grifos acrescidos) 175. O artigo 135, inciso III, do CTN, pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato da empresa. Assim, ainda que o estatuto ou contrato social não configure poderes a um dos sócios para praticar atos de gerência, ou esta pessoa não pertença ao seu quadro social, se este é o administrador de fato da pessoa jurídica, deve ser igualmente responsabilizado pela prática de atos ilícitos. 176. Em razão dos exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária das pessoas acima relacionadas, tendo em vista os motivos nos autos destacados. 177. Em decorrência dos documentos enviados pelas instituições financeiras, emitiuse o Termo de Intimação Fiscal nº 2 (fls. 182 e 183 – ciência por Edital afixado em 30/07/2013, Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.603 77 tendo em vista sua condição de INAPTO no sistema CNPJ da RFB), para intimar a requerente a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, o créditos bancários constantes às fls. 184 a 206. 178. Para que as pessoas físicas acima arroladas como responsáveis solidários pudessem se manifestar em relação aos fatos aqui relatados, os quais descrevem práticas que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, passíveis de Representação Fiscal para Fins Penais, e para que pudessem exercer o direito de defesa, foram enviados, para os endereços constantes no cadastro da RFB, Termos de Intimação (fls. 1386 a 1490), lavrados em 30/07/2014, para que os interessados comprovassem, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos créditos bancários constantes em planilha anexa aos Termos. Os sócios de direito da fiscalizada, Sra. Sônia Mariza Branco, Sra. Sandra Maria Branco Malago e Sr. Luis Roberto Satriani, foram cientificados em 31/07/2014, conforme Aviso de Recebimento (fls. 1386, 1412 e 1438). O sócio de fato da sociedade, Sr. Marcello José Abbud, foi cientificado igualmente em 31/07/2014 (fl. 1491). O outro sócio de fato, Sr. Adir Assad, foi cientificado por meio do Edital com data de afixação em 04/08/2014 (fl. 1465), em razão do retorno do AR com o registro ‘mudouse”. A exceção dos esclarecimentos apresentados pelo Sr. Luis Roberto Satriani (item 10.18 do T.V.F, que não justifica a origem dos depósitos bancários), não foi apresentado nenhum esclarecimento ou documentação por parte das pessoas físicas acima intimadas. DEFESA EMPRESA 179. Pugna a recorrente que houve a incorreta identificação do sujeito passivo no AI, porquanto a autoridade fiscal se esforça para demonstrar que os recursos financeiros movimentados pela "empresa de fachada" não pertenceriam a ela própria, mas a terceiros. Neste sentido, assevera que se os recursos financeiros não pertencem a ela, seria imperiosa a aplicação do § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, por força do qual os “interponentes” da pessoa jurídica deveriam reputarse contribuintes, não responsáveis tributários: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) (grifos acrescidos) Fl. 2678DF CARF MF 78 180. Enfatiza que houve erro na identificação do titular da conta bancária, pois o "titular" a que se refere o caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 não pode ser diverso daquele indicado no § 5º do mesmo artigo. Assevera que o § 5º, ao permitir a "desconsideração" da titularidade formal da conta de depósitos para fins de cobrança dos tributos eventualmente devidos, atrai o pressuposto de que os depósitos bancários devem ser "imputados" ao "efetivo titular". Acrescenta que a autoridade fiscal jamais intimou os Srs. Adir e Marcello, por exemplo, para, especificamente, demonstrarem ou comprovarem a origem dos montantes depositados em conta bancária mantida pela "empresa de fachada" e cuja titularidade lhe foi imputada , diante da suspeita de ter ocorrido interposição fraudulenta. 181. Em continuidade ao raciocínio formulado, assinala que houve erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador, em razão de a fiscalização ter apurado a base de cálculo com base nos rendimentos da "empresa fantasma", que não é titular das contas bancárias movimentadas. Esclarece que não é possível apurar a correta base de cálculo, porquanto há várias pessoas apontadas como “interponentes” da "empresa de fachada" – Adir, Marcello, Sônia, Sandra e Luís Roberto – e não há provas, nos autos, a respeito do percentual de participação de cada um nos valores movimentados. Complementa que também foi comprometida a correta identificação do aspecto temporal do fato gerador, tendo em vista que a incidência do IRPJ/CSLL sujeito ao Lucro Arbitrado tem aspecto temporal trimestral, diferente daquele que haveria de ser levado em consideração caso fosse aplicado o § 5º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 periodicidade anual, considerandose os valores depositados auferidos e tributáveis na data do depósito, consoante dispõe o § 4º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. 182. Em conclusão aos questionamentos pertinentes à aplicação do artigo 42, § 5º, da Lei n° 9.430/96, registra que houve erro na identificação da alíquota, tendo em vista que as aplicáveis no AI 15% mais o adicional de 10% somente seriam corretas se a "empresa de fachada" pudesse ser considerada "efetiva titular" dos depósitos bancários autuados, sendo correta a aplicação das alíquotas pertinentes aos efetivos titulares das contas arroladas no AI. Em menção final, argumenta que houve erro na identificação da matéria tributável e do fato gerador, porquanto foram lavrados AI para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, considerandose as receitas da "empresa de fachada", devendo ter sido lavrados AI de acordo o regime jurídicotributário pertinente aos efetivos titulares das contas bancárias. 183. Neste quesito, cabe enfatizar, inicialmente, que o art. 42, “caput”, da Lei nº 9.430/1996, consigna que caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 184. Assim, em razão de a S.M. TerraplenagemEPP figurar como efetiva titular das constas bancárias investigadas no procedimento fiscal, a ela cabe o ônus de esclarecer que os recursos não lhe pertenciam, situação que não se caracterizou nos autos. 185. Quanto à aplicação do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/1996, pertinente, inicialmente, registrar que ele assevera que quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. 186. Nos caso dos autos, a fiscalização não menciona que os valores pertencem às pessoas mencionadas (rever T.V.F) pela defendente, nem esta agrega prova de que os recursos efetivamente pertencem a tais pessoas. Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.604 79 187. Assinalese, ainda, ao contrário do afirmado pela requerente, que todos os responsáveis tributários arrolados foram intimados (fls. 1386, 1412, 1438, 1464 e 1491) a se manifestarem acerca dos créditos bancários apurados, sem que nenhum deles tenha se pronunciado a respeito. 188. Assim, tendo em vista a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária configurada no AI, ficam sem sentido as demais alegações da contribuinte, concernentes a erros na identificação da base de cálculo, matéria tributável e aspecto temporal do fato gerador, bem como na identificação da alíquota. 189. Em raciocínio decorrente do argumento de que não é titular dos recursos movimentados, a Impugnante postula que a alegação de que existe um conglomerado de "empresas de fachada" traz consigo a conseqüência de que o dinheiro que entra em uma, e é transferido a outra, pode ser o mesmo. Acrescenta que a aplicação incorreta do inciso I do § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 poderia trazer graves prejuízos a ela, pois haveria a tributação em duplicidade dos montantes. 190. Neste tópico, como já esclareceu a fiscalização, foram excluídos do rol dos créditos bancários aqueles em que se contatou terem transitado entre as contas de mesma titularidade. 191. Quanto ao argumento relacionado às empresas “de fachada”, não há o que acrescentar em relação ao que já restou esclarecido. 192. Assevera a defendente que resta evidente a necessidade de cancelamento dos débitos lavrados sob a rubrica "receita bruta apurada com base nos valores informados em DCTF", haja vista que, antes mesmo da lavratura em tela, os débitos nela exigidos já haviam sido declarados em DCTF. 193. A questão já foi devidamente contemplada pelo autuante, que descontou os valores na rubrica “Deduções” constante no AI. 194. No quesito qualificação da multa, a requerente argumenta que não há, na autuação, afirmação, e muito menos a prova, de que a omissão de receitas teria sido prática reiteradamente adotada pela empresa autuada. Complementa que não foi comprovada qualquer conduta dolosa da "empresa de fachada", e conclui que tudo o que se diz que foi fraudulento, em última instância, teria sido, supostamente, cometido pelos responsáveis, não pela "empresa de fachada". 195. Pugna, igualmente, que deve ser cancelada a multa agravada (50%) em razão da ausência do alegado embaraço à fiscalização, tendo em vista que a autoridade fiscal afirma que a Impugnante noticiou, no curso da ação fiscal, que os livros fiscais e comerciais solicitados não existiriam, e que todos os demais documentos haviam sido apreendidos pela Polícia Federal. Assim, no seu entendimento, não houve ausência de resposta. 196. Neste tópico, o que já restou esclarecido anteriormente, e particularmente no quesito pertinente à análise da pertinência da multa qualificada, é suficiente para o correto entendimento da questão. Acrescentese que leitura atenta das intimações nas quais constou menção específica acerca do agravamento, e o não pronunciamento da fiscalizada, elucida a questão. Fl. 2680DF CARF MF 80 DEFESA – ADIR ASSAD TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA E DE RESPONSABILIDADE PESSOAL – ARTS. 124, INCISO I, E 135, INCISO III, DO CTN Da impossibilidade de responsabilização tributária 197. Pugna o recorrente que na responsabilidade solidária, o interesse comum consignado no art. 124, inciso I, do CTN, exige que o agente atue em conjunto com o sujeito passivo e com o mesmo intuito específico em relação ao fato gerador. Acrescenta que no art. 135, inciso III, a responsabilidade pessoal requer que o agente pratique atos com excesso de poderes ou infração à lei, e que seja diretor, gerente ou representante do sujeito passivo principal. 198. Resume sua argumentação no sentido de que a responsabilidade tributária demanda o dolo específico do agente, em ato com excesso de poderes, e na condição de gestor. 199. A seguir, nos tópicos específicos adiante analisados, além de considerações específicas, assevera que não se delineou a responsabilidade tributária nos termos elencados. 200. Em razão do que já restou esclarecido anteriormente, estão plenamente caracterizadas as condições exigidas nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, para a imputação da responsabilidade tributária ao Impugnante. Da inexistência de quaisquer atos praticados pelo impugnante em 2009 e 2010 201. Pugna o recorrente que como se verifica do T.V.F, os supostos fatos geradores foram praticados em 2008, 2009 e 2010, todavia, das "provas" apresentadas, notase que se referem apenas aos anos de 2008, 2012 e 2013 (registra que os email são de 2008, as correspondências bancárias e DARF são de 2008 e 2012, as Guias da Previdência Social são de 2012, a lista de documentos enviada ao contador é de 2012, e os recortes da revista Veja são de 2012 e 2013). 202. Neste quesito, cabe inicialmente mencionar que o conjunto de provas acima relatadas, que culminaram com a consideração do Sr. Adir Assad como sócio de fato da fiscalizada, com sua responsabilização pessoal, com fulcro no artigo 124, inciso I, e artigo 135, inciso III, do CTN, pela prática de sonegação fiscal (por omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis), foi alicerçada em ação fiscal que englobou os anos calendário 2008, 2009 e 2010. 203. Assim, o que restou demonstrado, de forma robusta, pela fiscalização, foi um conjunto de atos engendrados com o intuito de omitir receitas ao fisco no período considerado. 204. O Sr. Adir Assad foi considerado sócio de fato da empresa; portanto, plenamente consciente das operações encadeadas à margem da tributação. 205. No que se relaciona à questão específica das provas, que na visão do requerente, não abarcam os anoscalendário 2009 e 2010, o relevante a considerar é que os atos praticados em 2008 foram igualmente perpetrados nos anoscalendário 2009 e 2010, período em que o Sr. Adir Assad permaneceu como sócio de fato da empresa. 206. Não seria lógico e razoável imaginar que o Impugnante teria se desvinculado das operações da empresa em 2009 e 2010, pois, como já asseverado pela fiscalização, as atividades do grupo, conduzido por diversas pessoas, dentre elas o Sr. Adir Assad, teve continuidade para além do anocalendário 2008. 207. Fato relevante a considerar diz respeito aos documentos apreendidos pela Polícia Federal, em razão de comando judicial, que ocorreu em 2013, mas que gerou a autuação que se examina, relacionada a período anterior (2008, 2009, 2010). Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.605 81 208. Assim, as reportagens da imprensa, e também alguns documentos, relacionados a período posterior aos fatos geradores do AI, não maculam a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Adir Assad. As pretensas "provas" trazidas não vinculam o Impugnante à pessoa jurídica autuada 209. O requerente assevera que grande parte das provas somente trata das empresas Rock Star Marketing Ltda e Legend Engenheiros Associados Ltda, sendo que em absurda hipótese de comprovarem algum vínculo do Impugnante com elas, não haveria vínculo entre o Sr. Adir Assad e a S.M. Terraplenagem LtdaEPP. 210. Ao contrário do entendimento da interessada, o conjunto de provas se estende à S.M. Terraplenagem LtdaEPP, e demonstra o vínculo entre o Sr. Adir Assad e a S.M. Terraplenagem LtdaEPP. 211. Vejase, por exemplo, que em email de 05/04/2010, a Sra. Sandra Maria Branco Malago, sócia administradora da SM Terraplenagem Ltda EPP, encaminha ao Sr. Amauri Pontalti, contador das empresas administradas de fato pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, comunicado em que se refere às Notas Fiscais das empresas Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda, Rock Star Marketing Ltda, Legend Engenheiros Associados Ltda., Rock Star Marketing Promoções e Eventos Ltda e SM Terraplanagem Ltda (fl. 1170). 212. No material apreendido na retrocitada operação da Polícia Federal encontrouse relação de documentos enviados ao Sr. Adalberto Palhinha (fls. 1665 a 1667), contador comum das empresas do grupo, que demonstram a conexão entre os Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, e envolvem as empresas Legend Engenheiros Associados Ltda, JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda, Power To Ten Engenharia Ltda ME, SM Terraplenagem Ltda ME, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda e SP Terraplenagem Ltda – ME. Constam, ainda, documentos pessoais do Sr. Adir Assad, e documentos de empresa do Sr. Marcello José Abbud, de nome "Marcello José Abbud Planejamento Est."(fls. 1164 a 1169). Efetiva ausência de provas da responsabilidade pessoal e solidária: O Termo de Verificação Fiscal traz assertivas e evidências imprestáveis a demonstrar qualquer fraude Irrelevância das "evidências" trazidas no Termo de Verificação Fiscal Emails 213. No tópico pertinente ao email enviados, que já foram acima relatados, pertinentes a agendamento de visto, aquisição de motocicletas e capacete, bem como depósito referente a palestra, o defendente assinala, inicialmente, que estão relacionados somente ao anocalendário 2008, tendo como domínio exclusivo @rstar. 214. Neste quesito, como já exposto anteriormente, o fato de os email estarem relacionados a 2008 não compromete o lançamento e a sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Adir Assad. Quanto ao endereço de origem @rstar, as provas acima relatadas esclarecem plenamente a vinculação da autuada como o grupo Rock Star liderado pelo Sr. Adir Assad. 215. Na sequencia, afirma que o email de agendamento não assinala seu nome, que os valores envolvidos na aquisição são reduzidos, que representam contatos informais entre amigos, que foi sócio da Rock Star Marketing Ltda em períodos anteriores (palestra), que não demonstram ato de gestão da empresa, que não revelam a prática de atos com excesso de poderes e infração à lei, com materialização do dolo e fraude e, finalmente, que não foi demonstrado o interesse comum necessário para responsabilizálo. Fl. 2682DF CARF MF 82 216. No que concerne ao significado da comunicações para a gestão da empresa, bem como as repercussões que o interessado aponta, os email em comento foram arrolados pelo autuante como prova de um dos elos de ligação do Sr. Adir Assad com a S.M. Terraplenagem Ltda – ME. 217. O conjunto probatório que culminou com sua responsabilização como sujeito passivo solidário é mais amplo e, como já relatado neste voto, culminou com a consideração do Sr. Adir Assad como sócio de fato da fiscalizada, pela prática de sonegação fiscal (por omissão de receitas em declaração de formações fiscais à RFB e escrituração de Livros contábeis). Esta é uma prática que contraria a lei e, conforme dispõem os artigo 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, enseja responsabilização pessoal ao agente. Correspondências bancárias, DARF e Guias da Previdência Social 218. O Impugnante consigna, inicialmente, que a documentação referida neste título não se refere aos anos de 2009 e 2010 e (ii) não tem qualquer relação com a pessoa jurídica autuada. 219. Quanto à questão dos anoscalendário, cabem os mesmo esclarecimentos acima expostos. 220. Em relação à conexão com a pessoa jurídica autuada, há relação em razão de o conjunto probatório demonstrar que há um grupo, dentre os quais se insere a autuada. 221. De qualquer forma, o Extrato Bancário da S.M. TerraplenagemEPP (fl. 1162) registra claramente que ele foi enviado para o endereço da Legend Engenheiros Associados Ltda Rua Iraí, 1.292 Planalto Paulista São Paulo/SP , que é empresa do grupo conduzido pelo Sr. Adir Assad. O mesmo pode ser dito do Boleto Bancário à fl. 1664. 222. Ressaltese, como já esclarecido, que ficam sem sentido as alegações do Impugnante de que ele não tem conexão com a Legend Engenheiros Associados Ltda. Lista de documentos enviada ao contador 223. Pugna o requerente que não se fala sobre quem enviou a lista, mas apenas que ela foi "enviada ao contador", que a documentação têm correspondência com o anocalendário 2012, e que as empresas e o Impugnante seriam relacionados simplesmente por supostamente terem o mesmo contador. 224. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 1610) o autuante assevera que em 07/03/2013 o Sr. Adalberto Palhinha Martins compareceu à unidade de fiscalização e alegou ser o contador da contribuinte, tendo informado verbalmente que a empresa não possuía os documentos solicitados. 225. Acerca de quem enviou os documentos, a questão é irrelevante, pois somente alguém com associação com o grupo liderado, dentre outros, pelo sr. Adir Assad, poderia ter remetido um conjunto de documentos específicos, e claramente identificados com as empresas Legend Engenheiros Associados Ltda, JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda, Power To Ten Engenharia Ltda ME, SM Terraplenagem Ltda ME, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda, SP Terraplenagem Ltda – ME, Rock Star Marketing Ltda, Rock Star Produção Comércio e Serviços Ltda e Rock Star Marketing e Promoções Ltda. 226. No que se relaciona ao anocalendário 2012, valem as mesmas considerações já expostas. Recortes da Revista Veja 227. Pugna o recorrente que as datas das reportagens 2012 e 2013 – não encontram relação com os anos 2009 e 2010. Acrescenta, no que se refere ao conteúdo das reportagens, que a Fiscalização afirma que o Impugnante admite que as empresas são suas, todavia, no seu Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.606 83 entendimento, referidas reportagens não contém tal assertiva. Conclui que a mencionada revista não é digna de crédito por ser tendenciosa. 228. Quanto às datas das reportagens, por refletirem as operações da Polícia Federal à época, em cumprimento ao mandado judicial, têm, obviamente, conexão com os anos de 2012 e 2013, mas se referem a fatos que têm pertinência com os fatos gerados discutidos no AI que se examina (2008, 2009 e 2010). 229. Contrariamente ao entendimento do interessado, na reportagem de 06/07/2012 (fl. 1654 do T.V.F) o Sr. Adir Assad confirma a propriedade das empresas: 230. Por fim, quanto à fonte utilizada pela fiscalização, pesquisa em sítios da internet de outros órgão de imprensa igualmente noticiam as atividade do grupo, com se observa nas reportagens colacionadas às fls. 1655 e 1656 do T.V.F. Depósitos feitos pela empresa autuada ao Impugnante 231. O defendente afirma que nenhum depósito foi efetuado em seu favor nos anoscalendário 2009 e 2010. 232. Neste quesito, valem as mesmas observações já expostas. Ausência de fundamentação da responsabilidade solidária e pessoal 233. Assevera o Impugnante que os email não são suficientes para comprovar o seu poder de gerência sobre a empresa e de como ele a utiliza de forma pessoal. Diz que o T.V.F afirma que o domínio @rstar significa "Grupo Rock Star", assertiva que não restou comprovada porque, muito provavelmente, @rstar se refere à Rock Star Marketing, e não a um Grupo Econômico. Fl. 2684DF CARF MF 84 Conclui que tais afirmações não podem ser consideradas como fundamentação para considerá lo como sujeito passivo solidário. 234. De plano, a questão dos email já foi esclarecida neste voto, e integra um conjunto probatório robusto que permite, plenamente, arrolar o Sr. Adir Assad como sujeito passivo solidário. 235. Quanto ao domínio @rstar, a Fundação Getúlio Vargas enviou um email para o Sr. Adir Assad (em nome do Marketing da Rock Star), para Sônia Mariza Branco e para a Sra. Siberly Coelho (filha de Sônia Mariza Branco), com informações de uma conta para depósito do valor referente a uma palestra, sendo que todos os email dos destinatários contam com a expressão @rstar.com.br (fl. 1151). 236. Assim, tendo em vista que a Sra. Sônia Mariza Branco é sóciaadministradora da autuada, confirmase o interesse comum necessário à responsabilidade solidária. Subsidiariamente, impossibilidade de cominação de multa agravada e qualificada Inaplicabilidade da multa qualificada 237. O interessado registra que a Súmula 14 do CARF assevera que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude e dolo do sujeito passivo, questão que, na sua avaliação, não restou comprovada na autuação. 238. Os fundamentos para aplicação da multa qualificada foram exaustivamente expostos pelo autuante, bem como descritos e avaliados neste Acórdão, o que torna improcedente o pleito do contribuinte. Inaplicabilidade da multa agravada 239. Alega o recorrente que a fiscalização teria agravado a multa em razão de a empresa autuada não ter apresentado as informações requeridas, mas que tal imputação não pode transcender a pessoa jurídica autuada, em razão de que as intimações supostamente não respondidas foram encaminhadas somente à pessoa jurídica autuada, como se depreende dos itens 4.1 e 9.3.10 do T.V.F. Conclui que nem mesmo se as intimações tivessem sido encaminhadas ao Impugnante ele poderia ser sujeito à multa em tela, em razão de que somente a empresa autuada seria capaz de responder as intimações em questão, em razão de que somente ela poderia possuir a documentação solicitada. 240. A sujeição passiva solidária atribuída ao Sr. Adir Assad compreende todo o crédito tributário apurados nos autos, inexistido distinção entre a pessoa jurídica autuada e o recorrente. 241. No que se relaciona às intimações, e como já relatado anteriormente, ele foi intimado a comprovar a origem dos créditos bancários (fls. 1439 a 1463), com ciência em 19/08/2014 (fl. 1465), não tendo se manifestado a respeito. DEFESA – MARCELLO JOSÉ ABBUD TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA E DE RESPONSABILIDADE PESSOAL – ARTS. 124, INCISO I, E 135, INCISO III, DO CTN 242. Em sua defesa, o recorrente, inicialmente, repisa os argumentos apresentados pelo Sr. Adir Assad em relação à decadência, inaplicabilidade das multas qualificada e agravada 243. Neste quesito, cabem os mesmo esclarecimentos já apresentados na análise do contraditório apresentado pelo Sr. Adir Assad. Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.607 85 244. Em tópico adicional, postula pela impossibilidade de sua responsabilidade tributária, com argumento de que nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, somente poderão ser responsabilizados os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos ilegais dos quais tenham decorrido a cobrança tributária correspondente, tendo em vista que o sentido extraído da lei, no seu entendimento, é de justamente punir quem tinha o condão de decidir ou não pelo pagamento do tributo. Acrescenta que tendo em vista que nunca figurou no quadro sócios da empresa SM Terraplenagem Ltda, jamais poderia sequer ter concorrido para qualquer eventual ilegalidade relacionada ao não recolhimento do tributo. Complementa que o Fisco não comprovou que, embora não constasse do quadro de sócios da empresa autuada, que ele teria exercido quaisquer atos de gestão na mencionada empresa. 245. Como já restou plenamente esclarecido no decorrer deste voto, o Sr. Marcello José Abbud foi sócio de fato da autuada no período considerado, tendo concorrido, portanto, para a realização dos atos de gestão que culminaram com a sonegação fiscal demonstrada nos autos. DEFESA – LUIS ROBERTO SATRIANI, SANDRA MARIA BRANCO MALAGO E SÔNIA MARIZA BRANCO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA E DE RESPONSABILIDADE PESSOAL – ARTS. 124, INCISO I, E 135, INCISO III, DO CTN 246 De plano, quanto às alegações, nos quesitos decadência e múltiplas nulidades (erro na identificação do sujeito passivo, falta de intimação do titular da conta de depósito, erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador, erro na identificação da alíquota e vício de motivação), cabe reportar ao que já restou esclarecido na análise da defesa da empresa. Ausência de responsabilidade solidária ou pessoal do impugnante Inaplicabilidade do artigo 124, inciso I, do CTN 247. Registra o recorrente que o T.V.F afirma que "outra linha adotada pela fiscalizada foi a utilização de 'laranjas' ou 'testas de ferro' como já amplamente conhecido no jargão popular, que se tratam de interpostas pessoas do verdadeiro sócio da sociedade" e que "os sócios de direito dessas empresas, geralmente, são de baixa capacidade econômica (...). Em troca de favores ou mediante pagamento, emprestam seus nomes para utilização escusa por parte de terceiros". Acrescenta que uma pessoa dada como laranja não pode ter o mesmo interesse (interesse comum) do suposto "administrador de fato" do negócio, nem ser interposta pessoa deste. 248. De plano, cabe melhor qualificar o que restou descrito no T.V.F. Apesar de o autuante realmente ter utilizado os termos “laranja” ou testa de ferro”, o fez com um qualificativo que os recorrentes não inseriram no retrotrancrito item do T.V.F: “(...) Em troca de favores ou mediante pagamento, emprestam seus nomes para utilização escusa por parte de terceiros. Este expediente foi amplamente utilizado por esta sociedade e seus sócios de fato e de direito caracterizando as ações dispostas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964.”(grifos acrescidos). 249. Assim, o Sr. Luis Roberto Satriani não seria “laranja” no sentido de possuir baixa capacidade econômica, situação em que o cidadão simplesmente empresta o seu nome que integrar o quadro societário de uma empresa. 250. Ainda no intuito de dirimir dúvidas acerca da questão, os Impugnantes reproduzem trecho de T.V.F que, de acordo com o seu entendimento, reforça o raciocínio por eles expostos: “Abaixo iremos demonstrar através de várias provas colhidas que os Sr MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD são os verdadeiros sócios de fato desta empresa, e que contou com a Fl. 2686DF CARF MF 86 participação ativa dos sócios: as irmãs SÔNIA MARIZA BRANCO e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e do empresário LUIS ROBERTO SATRIANI, na estrutura de sonegação aqui relatada." (grifos acrescidos). 251. Vejase que a fiscalização enfatizou que os mencionados sócios de direito tiveram participação ativa na sonegação engendrada, mais uma vez desconstituindo a idéia de que seriam meros “laranjas”, que emprestam seus nomes para que estes figurem no quadro societário. 252. Relevante para o deslinde da questão, e que já foi motivo de menção neste Voto, é que em outubro de 2013 a Polícia Federal deflagrou operação de busca e apreensão em diversas empresas controladas pelos Srs. Adir Assad e Marcello José Abbud, entre elas a S.M. TerraplenagemEPP. Entretanto, enfatizou a fiscalização que as empresas estão registradas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”), todas com vínculos profissionais e pessoais com os retrocitados cidadãos. 253. Assim, não se trata de simples alocação de nomes ao quadro societário, situação que claramente caracteriza a interposta pessoa (“laranja”), mas de pessoas, como Luis Roberto Satriani, Sonia Branco e Mariza Branco, que verdadeiramente tem conhecimento das atividades da empresa. 254. Na defesa apresentada os recorrentes asseveram que seu interesse na pessoa jurídica autuada era meramente econômico, todavia, não haveria qualquer prova de que sua gestão envolvia atividade ilícita, e que não haveria provas de atos de gestão de sua parte, muito menos algo que os vincule à omissão de receitas imputada à pessoa jurídica autuada. 255. A revelação de interesse econômico é prova de que o requerente tinha conhecimento das atividades da empresa, tendo os mesmos sido intimados (fls. 1387 a 1411, e 1413 a 1437) em 31/07/2014 (Aviso de Recebimento às fls. 1412 e 1438) a justificar, com documentação hábil e idônea, a origem dos créditos bancários lançados nas contas bancárias da empresa. Não houve resposta do Sr. Luis Roberto Satriani e da Sra. Sônia Branco, o que prova que eles estavam plenamente conscientes da questão, e não apresentaram esclarecimentos à fiscalização que justificasse que não tinham conhecimento e ligação com os negócios da fiscalizada. 256. A questão é definitivamente esclarecida em razão de entrevista do Sr. Adir Assad à Revista Veja, de 18/12/2013 (colacionada ao T.V.F à fl. 1655), na qual ele próprio reconhece que seus sócios são todos parceiros, seus funcionários há mais de vinte anos, não são laranjas, pois laranjas seriam, nas suas próprias palavras, se fossem carpinteiros: Qual a razão de as empresas do senhor não existirem nos endereços declarados e estarem, todas, em nome de laranjas ? Elas funcionam nesses endereços por uma razão simples: estão fora da cidade de São Paulo para pagar menos Impostos. Não sou só eu que faço isso. É planejamento fiscal. Grandes empresas e até bancos fazem a mesma coisa. Os impostos aqui na cidade de São Paulo são muito altos. Quanto aos sócios, são todos parceiros, funcionários meus de mais de vinte anos. Não são laranjas. O que é um "laranja" para o senhor ? Laranjas eles seriam se fossem carpinteiros, pedreiros. Não é o caso. (negritos do original e grifos acrescidos). 257. Assim, resta comprovado que os sócios de direito da autuada (Sônia, Sandra e Luis Roberto) não são “laranjas” no sentido popular do termo, mas atuaram em conjunto com o Sr. Adir Assad, estando plenamente caracterizado o interesse comum em atos praticados com infração à lei (sonegação fiscal) requerido para a aplicação da responsabilidade solidária Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.608 87 consubstanciada nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN. Inaplicabilidade do Artigo 135, inciso III, do CTN Efetiva Impossibilidade de Responsabilização Pessoal do Impugnante 258. Afirmam os defendentes que da leitura do artigo 135, inciso III, do CTN, a responsabilização pessoal de diretores, gerentes ou mandatários depende de comprovação de conduta (i) com excesso de poderes ou (ii) fraude de lei. Acrescentam que a conduta com excesso de poderes ou fraude à lei deveria ter sido demonstrada pela D. Autoridade Fiscal e estar intimamente relacionada ao fato gerador, com prova de ações do Impugnante relacionadas com os depósitos recebidos supostamente como omissão de receitas. 259. Como já exaustivamente discutido, os sócios de direito Luis Roberto, Sonia Branco e Sandra Branco fraudaram a lei ao cometer, em tese, crime de sonegação fiscal, conforme amplamente esclarecido no item de qualificação da multa deste Voto. Questões subsidiárias: impossibilidade de responsabilização dos impugnantes pelas multas aplicadas 260. Inicialmente, pugna os requerentes que não há como subsistir a autuação em relação a eles, seja por sua absoluta inconsistência interna, seja pela nítida inexistência de qualquer grau de responsabilidade, que restou absolutamente descaracterizada, diante da ausência de qualquer prova da existência de conduta com excesso de poderes ou fraude à lei que estivesse diretamente relacionada com o presente lançamento. 261. De plano, como já esclarecido anteriormente, a autuação é procedente e, igualmente, a responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Luis Roberto Satriani e à Sra. Sônia Branco. 262. Prosseguem os interessados que, ainda que fosse mantida a solidariedade a eles imputada, o que admitem por cautela, afirmam que eles não podem arcar com as penalidades aplicadas, muito menos com as quantias referentes ao agravamento e à qualificação. O Impugnante não pode responder pela multa no presente caso Artigo 137 do CTN 263. Asseveram os recorrentes que o artigo 124, inciso I, do CTN, diz respeito somente à responsabilidade pela obrigação principal, vale dizer, pelo tributo, mas nunca poderia autorizar a responsabilização solidária do Impugnante pela multa. Acrescentam que o artigo 137 do CTN também regula a matéria, e esclarece que a responsabilidade pelas infrações é pessoal do agente que as comete e, ainda, quando as infrações em questão constituam crime, ou ainda quando dependam de dolo específico. Concluem que se o T.V.F é contraditório ao definir quem seria o pretenso agente as qualificações de interponente e "laranja" são, no seu entendimento, caoticamente atribuídas às pessoas ali citadas, inclusive à própria empresa , evidente que existe uma dificuldade para a aplicação (correta) da norma inserta no artigo 137. 264. Neste quesito, como já restou asseverado na análise da responsabilidade solidária atribuída aos Impugnantes, restou plenamente caracterizada a aplicação do artigos 124, Inciso I, e 135, inciso III, do CTN, tornado sem sentido o pleito de que não poderiam ser responsabilizados pela multa, que é parte integrante do crédito tributário. Ainda que seja mantida a responsabilidade pela penalidade aplicada, o Impugnante não pode responder pelo agravamento 265. Neste tópico, os recorrentes enfatizam que a multa exigida, ainda que se tratasse daquela de 75%, jamais poderia ultrapassar a figura do agente, mas assinalam, em caráter de subsidiariedade, que o agravamento e a qualificação da multa de ofício não poderiam ser objeto de solidariedade. Fl. 2688DF CARF MF 88 266. No que concerne à qualificação da Multa de Ofício, que autoriza sua duplicação, argumentam que o artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, faz remissão aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que descrevem os tipos penais referentes à sonegação, fraude e conluio, e afirma que em conformidade com o inciso I do artigo 137 do CTN, a penalidade gerada por qualquer dessas infrações não poderia passar da pessoa do agente que a cometeu e, portanto, não poderia ser objeto de responsabilização solidária dos Impugnantes. Complementam que ainda que essas condutas não estivessem tipificadas como crimes, é essencial notar que, ainda assim, elas não permitiriam a responsabilização dos Impugnantes, pois também dependem do dolo específico de que trata o inciso II, do artigo 137 do CTN, tendo em vista que o dolo não foi demonstrado com relação a eles. 267. Tendo em vista a procedência da multa qualificada e, ainda, o que restou asseverado na análise da responsabilidade pessoal e solidária atribuída aos Impugnantes, que permitiu a aplicação plena dos artigos 124, Inciso I, e 135, inciso III, do CTN, não há procedência na reivindicação pela improcedência da multa qualificada incerta no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96. Qualificação da penalidade por embaraço Impossibilidade de qualificação da multa por embaraço mesmo contra a pessoa jurídica autuada 268. Neste tópico, os Impugnantes afirmam que a D. Autoridade Fiscal alega que não foram atendidas as notificações para entrega de documentos exigidos e, por conta disso, utilizouse de (i) arbitramento e (ii) presunção de omissão de receitas. Acrescentam que quando a ausência de entrega de documentos já acarretar, por si, uma penalidade ao contribuinte, não poderá haver bis in idem com o agravamento por embaraço (transcreve jurisprudência). 269. Não há procedência na reivindicação do Impugnante, pois tratamse de infrações distintas. O Impugnante não pode ser responsabilizado pela qualificação da multa por embaraço 270. O defendente alega que pela leitura do §2º do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, concluise que o embaraço à fiscalização também depende do dolo específico de que trata o inciso II, do artigo 137, do CTN. Acrescentam que se ele não são administradores de fato da pessoa jurídica autuada, não poderiam embaraçar a fiscalização. Complementam que quando do início da fiscalização, não constavam como sócios da pessoa jurídica autuada, e concluem que eles jamais receberam qualquer notificação para apresentação de documentos referentes à fiscalização da pessoa jurídica autuada. 271. Tendo em vista a procedência da multa agravada e, ainda, o que restou asseverado na análise da responsabilidade solidária atribuída aos Impugnantes, que permitiu a aplicação plena dos artigos 124, Inciso I, e 135, inciso III, do CTN, não há procedência na reivindicação pela improcedência da multa incerta no artigo 44, §2°, da Lei n° 9.430/96. 272. Ainda que não estivesse configurado nos autos a responsabilidade dos recorrentes, sócios de direito da autuada, mesmo assim seriam responsáveis pela multa que contestam. 273. A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. Transcrevemse, a seguir, trechos de artigos do CTN que interessam à solução da lide: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.(grifos acrescidos) Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.609 89 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...)(grifos acrescidos) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.(grifos acrescidos) 274. Enquanto, se o artigo 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (artigos 113, §1°, e 139), retrotranscritos, trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. 275. Portanto, aplicase às multas de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos. É a conclusão a que chega Celso Ribeiro Bastos (Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário, Saraiva, 2001, pp. 192 a 194): O § 1º do art. 113 recebe duras críticas da doutrina, devido à redação de sua parte final, onde diz que a obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade pecuniária. É que o próprio art. 3º do Código Tributário Nacional determina que o tributo não pode consistir no pagamento de prestação pecuniária sancionatória de ato ilícito. Há o estabelecimento, pelo menos aparente, de verdadeira contradição, por excluir aquele artigo, de maneira cabal, o pagamento das multas como prestação tributária. Com efeito, a afirmação de que a obrigação principal pode versar sobre penalidade pecuniária quadra mal com o anteriormente exposto. O § 3º do art. 113 visa estabelecer uma sanção destinada a punir aquele que descumpre a obrigação acessória. Escolhe a modalidade de uma penalidade de natureza pecuniária. Até esse ponto os tributaristas marcham concordes. Com efeito, nada mais apropriado do que impor uma sanção pecuniária àquele que descumpre com os deveres acessórios. Mas os mesmos críticos que há pouco encrespavam contra a possibilidade de que a obrigação principal pudesse ter por objeto tanto o pagamento de tributo quanto o de penalidade pecuniária, investem agora contra o fato de a obrigação acessória poder converterse em principal, quando não cumprida. Parece, com efeito, do estrito ponto de vista lógico, proceder a crítica destes autores. Não há que falarse em conversão da obrigação acessória em principal, mas sim em sanção. Contudo, a intenção do texto é tão manifesta que acaba por relevar este pecadilho de ordem lógica. É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável a tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo. (grifos acrescidos) 276. Portanto, sendo a multa parte integrante e inseparável do crédito tributário, impertinente qualquer reivindicação para destacála da obrigação principal. Fl. 2690DF CARF MF 90 DEFESA – FOURS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDAME TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – ART. 124, INCISO I, DO CTN 277. De plano, quanto às alegações, nos quesitos decadência e múltiplas nulidades (erro na identificação do sujeito passivo, falta de intimação do titular da conta de depósito, erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador, erro na identificação da alíquota e vício de motivação), cabe reportar ao que já restou esclarecido na análise da defesa da empresa. 278. Assevera a recorrente que antes mesmo de demonstrar a completa impossibilidade de se imputar solidariedade à empresa Four's, uma vez cancelada a exigência em relação à Sra. Sônia, automaticamente a acusação fiscal perderá todo o sentido no que tange à Four's. 279. Neste tópico, como já esclarecido anteriormente, restou plenamente caracterizada a responsabilidade solidária e pessoal da Sra. Sônia pelo créditos discutidos nos autos, o que torna improcedente a alegação. 280. Prossegue a defendente que o fato de a empresa ter sido constituída no mesmo endereço da empresa Rockstar não denota qualquer espécie de fraude, pois nos casos de holdings patrimoniais familiares, é bastante comum que a empresa não seja "operacional", que se estabeleça em endereços de utilização mútua da família, complementado que ela logo mudou de endereço. 281. Os argumentos da Impugnante não se sustentam, pois como já foi explicitado neste Voto, houve a caracterização da conexão entre a autuada e a empresas do grupos Rockstar, em razão da ligação da Sra. Sônia Mariza Branco. Quanto à mudança de endereço, da Avenida Ceci nº 1.542, Planalto Paulista, São Paulo/SP, para Rua Domiciano Leite Ribeiro nº 51, Bloco 4, a Sra. Sônia reside à Rua Domiciano Leite Ribeiro nº 51, Bloco 3. 282. Igualmente, fica sem sentido o argumento de que o fato de a Sra. Sônia ter doado o seu patrimônio para a Four´s não caracteriza a ligação entre esta e a Rockstar. 283. Afirma a requerente que a doação de quotas entre familiares é extremamente comum, e que administração da empresa cujas quotas foram doadas aos filhos geralmente permanece com o doador 284. Neste tópico, cabe remeter ao item do Voto que trata, especificamente, da caracterização da responsabilidade solidária da Four´s que, como visto, indica que o conjunto de atos engendrados pela Sra. Sônia guardam perfeita relação com o objetivo específico de blindar o seu patrimônio. 285. Por fim, quanto à alegação de que a Four's foi constituída em 2008, a última operação com bens é de 24/02/2012 e a presente fiscalização se iniciou em 02/10/2012, o que, no entendimento da interessada, somente justificaria a criação da Four's para blindagem patrimonial se algum dos seus sócios tivesse a virtude de prever o futuro, registrese que os atos de sonegação revelados na autuação tiveram início em 2008, o depoimento da Sra. Sônia à Polícia Federal ocorreu em 2012, e a ação fiscal que se discute teve marco inicial em 18/12/2010. DEFESA – SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA 286. Pugna a requerente que o T.V.F é incapaz de demonstrar qualquer evidência de relação comercial ou empresarial de interesse comum entre a Impugnante e a contribuinte autuada, o que seria insuficiente, no seu entendimento, para a caracterização de responsabilidade solidária Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.610 91 de interesse comum. Acrescenta que não prestou qualquer serviço, venda mercantil, ou beneficiouse das operações narradas pelo AI, e que o fato isolado de o pai das sócias da Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda ter sido funcionário, ou exercido suposta gerência sobre uma das empresas fiscalizadas, não apresenta base legal para extensão vertical indireta da sujeição passiva. 287. A motivação para a responsabilidade solidária (art. 124, inciso I, do CTN) atribuída à Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda não se reporta a operações comerciais e empresariais realizadas entre ela e a autuada S.M. Terraplenagem Ltda. 288. A caracterização do Sr. Adir Assad como efetivo condutor dos negócios da S.M. Terraplenagem Ltda, o que o posicionou no pólo passivo da autuação, e sua evidente relação com a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, exaustivamente delineada no tópico específico deste Voto, é que motivou o interesse comum exigido para a sujeição passiva solidária. 289. A recorrente afirma que a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda foi constituída há mais de 30 anos, o que não justificaria a intenção de blindagem futura de patrimônio, e que este foi constituído anteriormente, com origem completamente distinta das atividades da contribuinte autuada S.M. Terraplenagem Ltda. 290. A época da constituição a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda (1978) não é relevante; a questão primordial está centrada na transferência do controle da empresa (portanto, do patrimônio) para as filhas do Sr. Adir Assad em 2012 (época das operações da PF, e com a ação fiscal em andamento), por meio de lavratura de Escritura de Doação com Reserva de Usufruto ao Sr. Adir Assad, bem como Procuração das filhas para que ele exercesse a gerência da empresa. 291. Em tópico específico, a Impugnante consigna que há equívoco no argumento de que haveria usufruto na doação das cotas pelos pais, posto que o próprio Instrumento Contratual anexo comprova a inexistência da condição de usufruto narrado no Termo Fiscal. 292. Cabe esclarecer que no anexo acostado aos autos não consta o mencionado documento, o qual foi juntado pela fiscalização às fls. 1207 a 1212, e no qual consta claramente que “... pela presente escritura e nos melhores termos de direito, OS DOADORES, QUE RESERVANDO PARA SI O USUFRUTO VITALÍCIO, e a consequente livre administração da citada empresa...” (grifos e destaques do original). 293. Alega a requerente que a sujeição passiva a ela atribuída, com base no inciso I, do artigo 124, do CTN, foi imposta sem qualquer direito de defesa ou conhecimento da realização de verificação fiscal, apenas por meio de um edital é que houve seu conhecimento. 294. De plano, o próprio contraditório que se examina, no qual a defendente se expressa de forma articulada e consciente da responsabilidade tributária a ela atribuída, é prova inconteste do pleno exercício do direito de defesa. 295. No que concerne à ciência, enviouse, inicialmente, correspondência para o domicílio tributário da empresa (fls. 1745 e 1746), que retornou com a indicação “mudouse”. A seguir, emitiuse o pertinente Edital (fl. 1747), com data de ciência em 02/10/2014, tudo em perfeita consonância com as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal (PAF). Fl. 2692DF CARF MF 92 296. Esclareçase, no que concerne à afirmação da Impugnante, de que a ação fiscal se baseou em documentos e informações colhidas por meios ilegítimos, da qual não teve ciência, bem como de que todo o processo administrativo afrontou os princípios constitucionais consignados no disposto artigo 5º, inciso, LV, da CF (“aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”), de que não há qualquer mácula no procedimento fiscal que corrobore o que ela alega. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO 297. No que concerne aos requerimentos para que todas as intimações e notificações sejam encaminhadas aos procuradores, conforme endereços especificados, tal pedido deve ser indeferido pelos motivos a seguir: 298. O artigo 23 do Decreto n° 70.235/1972, abaixo transcrito, disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 299. O inciso II, do citado artigo 23, determina que as intimações por Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.611 93 via postal ou por qualquer outro meio sejam feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este definido no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal, no qual não se enquadra o endereço requerido. Portanto, não sendo a intimação feita pessoalmente ou por meio eletrônico em endereço atribuído pela Administração e autorizado pelo sujeito passivo, não é possível a intimação em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais. LANÇAMENTOS DECORRENTES 300. Cabe ressaltar que diante do fato de o lançamento principal (IRPJ) estar sendo considerado procedente, de não haver outras alegações específicas da contribuinte quanto aos lançamentos decorrentes (PIS, Cofins e CSLL), e de não existir nenhum motivo para que estes lançamentos decorrentes sejam declarados de ofício improcedentes, estes lançamentos decorrentes devem ser mantidos da mesma forma que o lançamento de IRPJ. 301. Ante o exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação apresentada contra os lançamentos discutidos neste processo, mantendo o crédito tributário exigido, bem como a imputação de responsabilidade solidária aos impugnantes Adir Assad, Marcello José Abbud, Sônia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Malago, Luis Roberto Satriani, Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda e Four´s Empreendimentos Imobiliários Ltda contra os lançamentos discutidos neste processo. ANÁLISE DAS POSSÍVEIS DISCORDÂNCIAS DA POSIÇÃO DA DRJ Diante da integral transcrição da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento na análise da impugnação e levando em consideração, conforme já destacado no início deste voto, que no manejo do recurso voluntário não foi acrescentado nenhum motivo de fato ou de direito pelos recorrentes a fim de infirmar o decidido, digase de passagem, com bastante fundamento, pela Decisão de Piso, adoto como fundamentos deste voto o decidido pela Delegacia de Julgamento na forma do art. 57, § 3º, do regimento interno do CARF. Da Petição Extemporânea Antes de dar por encerrado o voto cabe registrar que os interessados ADIR ASSAD e SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS apresentaram petição recente na qual pleiteiam a juntada de documentos relativos à ação penal promovida contra os mesmos pelo Ministério Público. Nesta petição argumentam que o próprio Ministério Público informa que dos valores ingressados nas contas da empresa e que foram utilizados como base dos lançamentos, apenas 16% ficariam efetivamente com a empresa, sendo o restante repassado a terceiros no cumprimento da lavagem de recursos ilícitos. Assim, pugna para que a autuação se restrinja apenas à parcela que efetivamente seriam da empresa. Fl. 2694DF CARF MF 94 Quanto a esta petição havemos de esclarecer ao requerente que, em direito tributário vige o princípio do non olet, pelo qual a incidência tributária recai sobre todos os rendimentos independentemente de sua origem lícita ou não. Não interessa, no caso do lançamento deste processo se os recursos ficaram em sua totalidade com a empresa ou não. O que interessa para fins de lançamento tributário é o fato de os recursos terem sido repassados à empresa e esta ter omitido a existência do mesmo do fisco. Na esfera criminal a informação de que apenas 16% teriam ficado com a empresa pode fazer sentido com vistas à redução das sanções de ressarcimento ao erário lesado pelas partes, mas ao direito tributário não há modificação dos efeitos. O tributo lançado incidiu sobre a renda omitida, rendta esta em toda a sua integralidade e não apenas na parte do esbulho ao qual os recorrentes afirmas ter usufruído. Assim, não merece guarida a sustentação apresentada, razão pela qual, apesar das considerações agora apresentadas, voto pelo seu conhecimento em atenção ao princípio da ampla defesa e, no mérito, negarlhe provimento pelas razões acima apresentadas. Da Revisão da Decadência Revendo meu posicionamento em relação a alguns pontos que foram levantados na sustentação oral e em razão de ter motivado minha decisão unicamente pelo fato de o Recurso voluntário não ter contestado nenhum ponto da decisão recorrida. Verifiquei, no entanto, que pode assistir razão aos recorrentes de alguma maneira, assim, acho por bem fazer uma nova interpretação destes pontos. DA DECADÊNCIA Inobstante a decisão prolatada pela Delegacia de Julgamento, havemos de rever a contagem do prazo decadencial de acordo com as normas pertinentes. IRPJ LANÇADO de 01/2008 a 12/2010 CSLL LANÇADA 01/2008 a 12/2010 PIS 01/2008 a 12/2010 COFINS 01/2008 a 12/2010 Em sua decisão a Delegacia de Julgamento baseou suas razões no fato de os fatos geradores de 2008 se referirem ao exercício 2009 e, assim, adotando a regra do art. 173 do CTN, a contagem da decadência somente se inicia em 01/01/2010, razão pela qual não estaria decaído o lançamento em nenhum hipótese. Discordo deste entendimento. Em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2008, o início da contagem do prazo decadencial ocorre em 01/01/2009 e, assim, esgota se em 31/12/2013. Como o lançamento somente foi efetivado em 2014, estariam alcançados os créditos tributários cujo fato gerados ocorre até 30/12/2008. Desta forma, revendo a decisão recorrida, entendo voto por considerar decaídos os créditos tributários abaixo relacionados. Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.612 95 IRPJ de 31/01/2008 a 30/11/2008 CSLL de 31/01/2008 a 30/11/2008 PIS de 31/01/2008 a 30/11/2008 COFINS de 31/01/2008 a 30/11/2008 Da Revisão da Sujeição Passiva Solidária Em relação à Sujeição Passiva Solidária deve ser revista a manutenção da responsabilidade solidária dos seguintes sujeitos passivos, pelos fatos e fundamentos agora expostos. LUIS ROBERTO SATRIANI fls. 2239 em diante Foi responsabilizado na forma do art. 124, I e 135, III do CTN. A responsabilização foi efetuada, tanto no TVF, quanto na Decisão de Piso em razão de o mesmo constar como sócio da empresa em parte do período lançado, ter sido citado nas investigações e reportagens de jornal e ter, em depoimento, afirmado que disponibilizava um terreno onde máquinas da empresa eram guardadas. Em relação à comprovação de condutas pessoais individuais não foi citado nenhum documento ou registro que asseverasse que o mesmo participou, efetivamente, da movimentação de recursos, da recepção de valores, etc. Também não houve a demonstração de um interesse comum além do fato de manter relações com os Srs. Adir Assad e Marcelo José Abbud. Do exposto, revendo o entendimento apresentado pela Decisão de Piso, voto no sentido de excluir a responsabilização solidária do Sr. Luis Roberto Satriani. SONIA MARIZA BRANCO Foi responsabilizado na forma do art. 124, I e 135, III do CTN. A imputação de responsabilidade pelo TVF e pela DRJ levaram em consideração, além da estreita relação entre a interessada e os Srs. Adir Assad e Marcelo José Abbud, o fato de ela constar como sócia em seis empresas ligadas ao grupo e, ainda, utilizar o endereço de uma empresa considerada a central de operações do esquema, como seu domicílio bancário. Inobstante o TVF ter citado inúmeras vezes o nome desta interessada, não foram mencionados nem elementos de prova de de realização de ato com infração à lei ou aos Fl. 2696DF CARF MF 96 estatutos. A participação no esquema ilegal é evidente, no entanto esta participação se refere apenas à responsabilização penal ou civil. Para fins tributários e responsabilização de terceiros sobre um determinado crédito tributário há de se demonstrar, de forma cabal, a efetiva participação da interessada em atos ilegais em matéria fiscal, seja no recebimento de valores, movimentação de contas bancárias, etc. Isto não foi caracterizado pela fiscalização em relação aos art. 135. No entanto, em relação à imputação do art. 124,I, penso que agiu com acerto a Decisão de Piso. O benefício auferido pela interessada pode ser demonstrado pela tabela abaixo, na qual se encontram os imóveis adquiridos pela mesma e a sua entrega, por meio de doação, à outra interessada Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme tabela abaixo. Demonstrase o interesse pela obtenção de patrimônio originado nas atividades ilícitas realizadas na empresa e, mais ainda, a tentativa de ocultação deste mesmo patrimônio com a sua doação à outra interessada Four's Empreendimentos imobiliários. Neste sentido voto por manter a responsabilização solidária deste sujeito passivo solidário. SANDRA MARIA BRANCO MALAGO Foi responsabilizado na forma do art. 124, I e 135, III do CTN. A imputação de responsabilidade pelo TVF e pela DRJ levaram em consideração, além da estreita relação entre a interessada e os Srs. Adir Assad e Marcelo José Abbud, o fato de ela constar como sócia em quatro empresas ligadas ao Inobstante o TVF ter citado inúmeras vezes o nome desta interessada, não foram mencionados nem elementos de prova de benefício ou de realização de ato com infração Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.613 97 à lei ou aos estatutos. A participação no esquema ilegal é evidente, no entanto esta participação se refere apenas à responsabilização penal ou civil. Para fins tributários e responsabilização de terceiros sobre um determinado crédito tributário há de se demonstrar, de forma cabal, a efetiva participação da interessada em atos ilegais em matéria fiscal, seja no recebimento de valores, movimentação de contas bancárias, etc. Isto não foi caracterizado pela fiscalização. O simples arbitramento e a participação em esquemas ilegais de desvio de dinheiro não pode ser transmutada para a esfera tributária sem que se provem os requisitos estabelecidos na norma acerca da demonstração dos atos, pelo art. 135, ou na demonstração do benefício auferido para o art. 124. Por isso voto no sentido de dar provimento neste ponto, excluindo a responsabilidade solidária deste sujeito passivo. FOUR'S EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA fls. 2340 Foi responsabilizado na forma do art. 124, I. Em relação à imputação do art. 124,I, penso que agiu com acerto a Decisão de Piso. O benefício auferido pela interessada pode ser demonstrado pela tabela abaixo, na qual se encontram os imóveis adquiridos pela interessada Sônia Maria Branco e a sua entrega, por meio de doação, à outra interessada Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda, conforme tabela abaixo. Demonstrase o interesse comum pela obtenção de patrimônio originado nas atividades ilícitas realizadas na empresa autuada e, mais ainda, a tentativa de ocultação deste Fl. 2698DF CARF MF 98 mesmo patrimônio com a sua doação à esta interessada. Neste sentido voto por manter a responsabilização solidária deste sujeito passivo solidário. SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA fls. 2431 Foi responsabilizado na forma do art. 124, I Em relação a este interessado, e de maneira semelhante ao interessado acima tratado, esta empresa foi utilizada como forma de tentativa de blindagem de patrimônio do Sr. Adir Assad. A empresa existia desde 1978 como empresa varejista e prestadora de serviços diversos. Apenas em 2010 alterou o seu objeto para incorporação de empreendimentos imobiliários. Posteriormente, em agosto/2012, foram admitidas como sócias da empresa as filhas do casal Adir Assad e Sônia Regina Assad. No entanto a evidência maior do interesse comum é a transferência e registro, na referida empresa de todos os bens do casal, conforme relatado no TVF. Para tanto a fiscalização acostou tabela com os bens adquiridos e/ou repassados a esta interessada no período. Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 13896.722333/201410 Acórdão n.º 1401002.206 S1C4T1 Fl. 2.614 99 Demonstrase o interesse comum pela obtenção de patrimônio originado nas atividades ilícitas realizadas pelo autuado e, mais ainda, a tentativa de ocultação deste mesmo patrimônio com a transferência ou colocação de sua propriedade no nome da interessada. Neste sentido voto por manter a responsabilização solidária deste sujeito passivo solidário. Quanto aos demais responsáveis solidários, Adir Assad e Marcelo José Abbud sua participação e beneficiamento com base no esquema realizado foram muito bem comprovados e demonstrados na decisão da DRJ. Assim, em relação a estes voto no sentido de manter a responsabilidade solidária. Pelo exposto voto por dar parcial provimento aos recursos voluntários do sujeito passivo e dos responsáveis solidários, no sentido de considerar decaídos os créditos tributários abaixo relacionados e excluir da responsabilidade solidária os sujeito passivos indicados Sandra Maria Branco Malago e Luis Roberto Satriani. Créditos Tributários decaídos IRPJ de 31/01/2008 a 30/11/2008 CSLL de 31/01/2008 a 30/11/2008 PIS de 31/01/2008 a 30/11/2008 COFINS de 31/01/2008 a 30/11/2008 Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 2700DF CARF MF 100 Fl. 2701DF CARF MF
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