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Numero do processo: 12898.000628/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DISPÊNDIOS COMPROVADOS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INOCORRÊNCIA.
Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens:
I - os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos;
II - os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação;
III - as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte;
IV - os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meio-fio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel;
V - o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante;
VI - o valor da contribuição de melhoria.
Numero da decisão: 2401-005.266
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DISPÊNDIOS COMPROVADOS COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INOCORRÊNCIA. Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; II os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; III as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; IV os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; V o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VI o valor da contribuição de melhoria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 06 28 /2 00 9- 83 Fl. 327DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 218/222, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 223/224, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 38.131,29, composto da seguinte forma: R$ 15.890,69 relativo ao Imposto; R$ 10.322,29 de Juros de mora (calculados até 30/04/2009); e R$ 11.918,01 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 220), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos adquiridos em reais cujo fato gerador teria ocorrido em 30/06/2004. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 223/224), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma: “O contribuinte foi intimado, em 28/01/2009, a apresentar cópia da escritura aquisição e alienação da Fazenda São José do Bomirar, Estrada de Penha Longa, Chiador, MG; esclarecer se as benfeitorias no valor de R$ 403.000,00 constantes do item 14 da DIRF 2005/2004 foram consideradas dedução da receita da atividade rural; e, comprovar os gastos com as benfeitorias. Em 12/02/2009, o contribuinte informou que as despesas declaradas como despesas efetuadas com benfeitorias na fazenda não foram consideradas como dedução da receita da atividade rural. Apresentou as escrituras solicitadas e não apresentou nenhuma comprovação de despesas com benfeitorias. Em 18/0212009, o contribuinte foi reintimado a comprovar as despesas com as citadas benfeitorias. Respondeu em 19/03/2009, entregando 6 documentos, sendo 4 documentos com probatórios e 2 (dois) referentes a outras fazendas. Os quatro comprovantes de despesas com benfeitorias constam do anexo, nas linhas de 1 a 4. Os outros dois não foram considerados como despesas de benfeitorias na Fazenda São José do Bomirar, pois se referiam à Fazenda Boqueirão em Vitória da Conquista e à Fazenda São Luiz da Boa Vista em Santana do Deserto, recibo este em nome de outra pessoa Angela Maria Ribeiro de Souza. Em 10/03/2009, pelo Termo de Intimação 04, o contribuinte foi reintimado a comprovar as despesas com as benfeitorias efetuadas em sua fazenda alienada em 21/06/2004. Em 17/03/2009 apresentou uma série de documentos descritos a seguir: Vinte notas fiscais constantes da planilha anexa, itens 5 a 24 que comprovam benfeitorias realizadas em sua Fazenda São José do Bomirar. Fl. 329DF CARF MF 4 Nove documentos que se referem a despesas operacionais e patrimoniais, como cocho para ração, transformador de solda, ensiladeira, disco de embreagem, balde, filtro de óleo, faca de broca, riscador, semeadeira, perfuradeira de solo, picadeira, dentre outras. Duas notas fiscais, com endereço do Centro do Rio de Janeiro, comprovando a aquisição de 3 matamoscas. Quatro cupons fiscais/notas fiscais relativos à aquisição de camas de casal, camas de solteiro, baú, fogão industrial, etc. Várias guias de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social dos empregados da fazenda que são claramente despesas de custeio. Duas notas fiscais com endereço do Centro do Rio de Janeiro relativas à aquisição de tijolos, cimento, etc. e Box blindex e espelhos de cristal, sem destino para Fazenda Bomirar. Oito comprovantes de doc bancário para Constop Topografia Ltda., sem especificação do serviço prestado, nem a que destinatário. Inúmeros documentos comprovando transferências bancárias na mesma situação acima. Portanto, da documentação acima, somente os 24 (vinte e quatro) itens da planilha anexa, comprovam despesas realizadas com benfeitorias na Fazenda São José do Bomirar, Chiador, MG que somam R$94.062,01. A documentação restante não é benfeitoria, logo, as despesas não podem ser incorporadas ao custo da propriedade para efeito de apuração de ganho de capital. Ganho de capital na alienação da Fazenda São José do Bomirar Anocalendário 2004 O contribuinte apresentou em sua Declaração de Ajuste do Exercício 2005, Anocalendário 2004 o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital 2005, referente à alienação da Fazenda São José do Bomirar, valor de alienação R$600.000,00, conforme escritura de promessa de compra e venda lavrada em 21/06/2004, no 24B Ofício de Notas, RJ, Livro 5404, Folhas 057/058, ato notarial 027 e custo de aquisição R$400.000,00, conforme escritura de aquisição lavrada em 10/01/2003, no 2º Ofício de Notas da Comarca de Três Rios, livro 172, folhas 164/167, ato 078. Como comprovou despesas de R$94.062,01 relativas a benfeitorias realizadas na fazenda, o custo de aquisição passou a ser R$ 494.062,01. Com isto, o ganho de capital na alienação da Fazenda São José do Bomirar foi de R$105.937,99 e está sendo tributado neste Auto de Infração, com imposto de 15% calculado sobre o ganho de capital, no valor de R$15.890,69 (15% de R$105.937,99).” Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls.232/234), alegando, resumidamente, o que segue: “Em primeiro lugar porque deixou de ser feita a correção do custo de aquisição. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 4 5 O imóvel foi adquirido em janeiro/03 e vendido em junho/04. Assim sendo, para que não houvesse tributação sobre o capital seria necessário atualizar o preço de compra, seja pelo referencial de 0,8287 previsto no art. 17 da Lei 9249/95, ou, o que seria mais correto, pela variação da taxa SELIC adotada como índice oficial de atualização monetária para todos os valores que afetam o pagamento do imposto expressos em moeda. 5. De acordo com o art. 43 do CTN o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial .advindo pelo suplicante no recebimento de renda ou proventos. Ora, para que exista tributação por conseguinte, é necessário a existência de um ganho efetivo real, sobre o qual .o imposto é calculado. Se não for expurgada a perda de poder aquisitivo da moeda será impossível apurar o beneficio. 6. Ora, se a taxa SELIC é utilizada como índice válido para a correção monetária do tributo devido (pelo fundamento de que deve ser calculado em moeda de poder aquisitivo constante) não há como deixar de fazêlo com relação ao custo de aquisição pois, em ambos os casos, a necessidade de afastar os efeitos da inflação para o cálculo do tributo devido, é idêntica. 7. A segunda das questões diz respeito ao cálculo das benfeitorias. A suplicante as comprovou e não houve qualquer dúvida da fiscalização com relação ao valor ou discriminação do gasto. 8. A questão ficou restrita à arguição de que certos gastos seriam despesas correntes e não se acresceriam ao custo do imóvel. 9. Ora, ativar ou não um gasto é decisão discricionária do contribuinte que transforma uma despesa corrente, dedutível no exercício em que foi incorrida, num gasto dedutível a prazo na proporção as quotas de depreciação ou amortização. 10. Por este motivo, tendo o suplicante adotado o critério mais favorável ao fisco, não pode ser penalizado por se entender que: a) Não pode aproveitar o beneficio na dedução do gasto comprovado porque a tributação sobre ganho de capital é exclusiva. b) Também não pode acrescentar o gasto ao custo do imóvel embora tivesse já feito uma declaração de rendimento neste sentido e esta alternativa fosse pela sua natureza de decisão unilateral do contribuinte. 11.Este último fato tem uma segunda consequência. Todos os gastos realizados até maio/2004e considerados como acréscimo ao custo, (o que representa quase a totalidade do que foi dispendido), não podem ser agora revertidos com custo por decadência, já que as declarações foram Fl. 331DF CARF MF 6 aceitas neste critério, há mais de 5 anos da data do auto que pretende revê los. 11.Por todos estes motivos está certo o suplicante de que melhor examinada a presente será conhecida e provida para se dar pela improcedência do auto.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1249.451 da 19ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 258/264, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. As despesas incorridas com benfeitoria do imóvel, passíveis de agregação ao custo de aquisição de venda, restringemse aos dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; aos dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; e aos dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel. A legislação tributária veda, expressamente, qualquer correção do valor do bem alienado, após 31 de dezembro de 1995. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 17/06/2014, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 271. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 274/279), argumentando o que segue: “Em primeiro lugar porque deixou de ser feita a correção do custo de aquisição. O imóvel foi adquirido em janeiro/03 e vendido em junho/04. Assim sendo, para que não houvesse tributação sobre o capital seria necessário atualizar o preço de compra, seja pelo referencial de 0,8287 previsto no art. 17 da Lei 9249/95, ou, o que seria mais correto, pela variação da taxa SELIC adotada como índice oficial de atualização monetária para todos os valores que afetam o pagamento do imposto expressos em moeda. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 5 7 4. De acordo com o art. 43 do CTN o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial .advindo pelo suplicante no recebimento de renda ou proventos. Ora, para que exista tributação por conseguinte, é necessário a existência de um ganho efetivo real, sobre o qual .o imposto é calculado. Se não for expurgada a perda de poder aquisitivo da moeda será impossível apurar o beneficio. 5. Ora, se a taxa SELIC é utilizada como índice válido para a correção monetária do tributo devido (pelo fundamento de que deve ser calculado em moeda de poder aquisitivo constante) não há como deixar de fazêlo com relação ao custo de aquisição pois, em ambos os casos, a necessidade de afastar os efeitos da inflação para o cálculo do tributo devido, é idêntica. 6. A decisão recorrida sustenta que tratandose de arguição de inconstitucionalidade fale competência à autoridade administrativa para tratar da questão. Data vênia não é o caso. O presente recurso não deseja impugnar a existência de qualquer disposição legal mantendo o cálculo do tributo tal como originalmente redigido. Apenas pretende dar aplicação no caso ao disposto no art. 43 do CTN limitando a incidência do imposto sobre ganho de capital ao efetivo acréscimo patrimonial consequente da alienação. Para isto se torna indispensável excluir da base de cálculo a incidência sobre o investimento original. Em suma, se não for excluído do custo o valor corresponde à correção monetária do preço de aquisição o imposto acabará sendo cobrado sobre o próprio capital. Para que isso não ocorra é preciso expurgar o valor do ganho apenas nominal, razão pela qual se impõe o provimento do presente recurso. 7. A segunda das questões diz respeito ao cálculo das benfeitorias. A suplicante as comprovou conforme relação anexa que desta faz parte integrante e complementar. A relação das despesas que afetam o custo de aquisição e portanto reduzem o lucro está abaixo referida: [...] 8. Como se vê o total das despesas que afetaram o custo de aquisição está integralmente comprovado. E nem se diga que o valor poderia ser considerado como custeio e não como investimento. 9. Ora, ativar ou não um gasto é decisão discricionária do contribuinte que transforma uma despesa corrente, dedutível no exercício em que foi incorrida, num gasto dedutível a prazo na proporção as quotas de depreciação ou amortização. 10. Por este motivo, tendo o suplicante adotado o critério mais favorável ao fisco, não pode ser penalizado por se entender que: a) Não pode aproveitar o beneficio na dedução do gasto comprovado porque a tributação sobre ganho de capital é exclusiva. Fl. 333DF CARF MF 8 b) Também não pode acrescentar o gasto ao custo do imóvel embora tivesse já feito uma declaração de rendimento neste sentido e esta alternativa fosse pela sua natureza de decisão unilateral do contribuinte. 11.Este último fato tem uma segunda consequência. Todos os gastos realizados até maio/2004e considerados como acréscimo ao custo, (o que representa quase a totalidade do que foi dispendido), não podem ser agora revertidos com custo por decadência, já que as declarações foram aceitas neste critério, há mais de 5 anos da data do auto que pretende revê los. 12.Por todos estes motivos está certo o suplicante de que melhor examinada o presente Recurso será conhecido e provido para se dar pela improcedência do auto.” Com o Recurso Voluntário vieram os documentos de fls. 283/322 (Notas Fiscais e Recibos) É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 17/06/2014 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 271, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 07/07/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Do ganho de capital. Cuidam os presentes autos de lançamento decorrente da apuração da infração de omissão de rendimentos decorrentes da alienação de bem imóvel, adquirido em real, em que a autoridade lançadora admitiu parte das despesas incorridas a título de benfeitorias, acrescidas ao custo de imóveis; e deixou de considerar despesas que não tinham essa característica. Inicialmente, registro que o Recorrente alega em seu recurso (fl. 276 – item 6) que “A decisão recorrida sustenta que tratandose de arguição de inconstitucionalidade falece de competência à autoridade administrativa para tratar da questão.” Observo, porém, que tal matéria não foi objeto da respeitável decisão recorrida, razão pela qual rejeito a alegação do Recorrente nesse sentido. Ultrapassada essa questão, passo a analisar as razões de recurso, e ao fazêla, verifico que o recurso não comporta provimento. O Recorrente se insurge no sentido de que a autoridade lançadora deixou de fazer a correção do custo de aquisição do bem objeto de análise. Aponta que o imóvel foi adquirido em janeiro de 2003 e vendido em junho de 2004, e, dessa forma, para que não houvesse tributação sobre o capital seria necessário atualizar o preço de compra, seja pelo referencial de 0,8287 previsto no artigo 17 da Lei nº 9.249/95, ou, “o que seria mais correto, pela variação da taxa SELIC adotada como índice oficial de atualização monetária para todos os valores que afetam o pagamento do imposto expressos em moeda”. Todavia, como bem apontado pela primeira instância administrativa, de acordo com o disposto no § 9º do artigo 123, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), “para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data”. Fl. 335DF CARF MF 10 Logo, não há se falar em atualização conforme pretendido pelo Recorrente. De outra banda, o Recorrente pretende que sejam consideradas as despesas glosadas a título de benfeitorias. Novamente sem razão. Diz o artigo 128, § 7º, da Lei nº 3.000/1999: “Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição. [...] § 7º Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; II os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; III as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; IV os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; V o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VI o valor da contribuição de melhoria.” Da detida análise dos dispositivos transcritos acima, verificase que as despesas que se enquadraram na legislação supramencionada, foram acolhidas. Sobre o tema, o acórdão objurgado assim se manifestou: “10. A autoridade aceitou despesas enquadráveis no conceito de benfeitoria, à luz da legislação mencionada, no valor total de R$ 94.062,01; e deixou de acolher as demais despesas, sumariadas abaixo: a) Nove documentos que se referem a despesas operacionais e patrimoniais, como cocho para ração, transformador de solda, ensiladeira, disco de embreagem, balde, filtro de óleo, faca de broca, riscador, semeadeira, perfuradeira de solo, picadeira, dentre outras. b) Duas notas fiscais, com endereço do Centro do Rio de Janeiro, comprovando a aquisição de 3 matamoscas. c) Quatro cupons fiscais/notas fiscais relativos à aquisição de camas de casal, camas de solteiro, baú, fogão industrial, etc. d) Várias guias de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social dos empregados da fazenda que são claramente despesas de custeio. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 12898.000628/200983 Acórdão n.º 2401005.266 S2C4T1 Fl. 7 11 e) Duas notas fiscais com endereço do Centro do Rio de Janeiro relativas à aquisição de tijolos, cimento, etc. e Box blindex e espelhos de cristal, sem destino para Fazenda Bomirar. f) Oito comprovantes de doc bancário para Constop Topografia Ltda., sem especificação do serviço prestado, nem a que destinatário. 11. Com efeito, as despesas referidas no parágrafo anterior não se enquadram no conceito de benfeitoria, à luz da legislação citada. De outro lado, o contribuinte não logrou demonstrar que os pagamentos tenham natureza diversa do que fora apurado pela autoridade lançadora.” Verificase que as despesas listadas acimas, e que corretamente não foram aceitas pela fiscalização e pela DRJ de origem como dispendidos, são as mesmas contidas nas notas fiscais e recibos anexados com o Recurso Voluntário. Por fim, em relação à alegação de decadência tendo em vista que o fato gerador de ganho do bem é a data da alienação, não há que se falar em decadência para análise da documentação relativa ao custo de aquisição. Em que pese o esforço do Recorrente, a respeitável decisão encimada foi proferida com proficiência, e, por isso, merece ser confirmada pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Por tudo o quanto exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendose incólume a decisão recorrida. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do recorrente, para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659064/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.321
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 06 4/ 20 12 -5 9 Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10880.659064/201259 Resolução nº 3402001.321 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10880.659064/201259 Resolução nº 3402001.321 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10880.659064/201259 Resolução nº 3402001.321 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.722230/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora, a prolação da decisão administrativa irreformável nos PA 10425.720873/2011-66 e 10425.721069/2011-02, com colação das respectivas decisões, para prosseguimento deste feito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora, a prolação da decisão administrativa irreformável nos PA 10425.720873/2011-66 e 10425.721069/2011-02, com colação das respectivas decisões, para prosseguimento deste feito. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde, na unidade preparadora, a prolação da decisão administrativa irreformável nos PA 10425.720873/201166 e 10425.721069/201102, com colação das respectivas decisões, para prosseguimento deste feito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência de multa isolada, nos termos do art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/10, no percentual de 50% (cinquenta por cento), decorrente de compensação não homologada por ausência do direito creditório apontado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 22 23 0/ 20 12 -3 1Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10530.722230/201231 Resolução nº 3401001.347 S3C4T1 Fl. 4 2 Segundo o relatório fiscal de autuação e os despachos decisórios colacionados (efls. 3/14 e 33), os pedidos de ressarcimento apresentados foram considerados não formulados e não homologadas as compensações atreladas, tratadas nas DCOMP 12650.25020.081111.1.3.016256 e 23363.32441.081111.1.3.016392, no PA 10425.720873/201166, e as DCOMP 11441.31998.251111.1.3.011661 e 28968.04834.281111.1.7.016806, no PA 10425.721069/201102. Em impugnação o contribuinte contestou a subsistência da autuação, informando que a compensação se deu com créditos de terceiros (DESTILARIA PAL LTDA.) e fundavase em decisão judicial válida e vigente, mesmo não transitada em julgado; que a Lei nº 11.051/2004 não poderia limitar o seu direito à compensação, operando efeitos somente após sua vigência; que a possibilidade de compensação com créditos de terceiros e antes da prolação da decisão judicial definitiva somente poderia ocorrer perante o Poder Judiciário; que as decisões judiciais devem ser cumpridas em seus exatos termos, consoante SD Cosit nº 38/08; que as restrições ao seu direito de compensação são ilegítimas; que houve violação aos princípios da autonomia dos poderes, irretroatividade das leis, segurança jurídica, direito adquirido e direito de petição; e, por fim, argüiu o caráter confiscatório da multa de 75% (setenta e cinco por cento). Citou doutrina e jurisprudência. A DRJ Juiz de Fora/MG manteve o lançamento através de decisão assim ementada: “COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. É devida a multa isolada no caso de não homologação da compensação de débitos. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.” O recurso voluntário aduziu a irregularidade formal do auto de infração, por falta de clareza e objetividade quanto à indicação do dispositivo infringido, e, no mais, reprisou os fundamentos da reclamação inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Nada obstante a identidade das defesas apresentadas neste feito e no PA 10480.721568/201046, julgados nesta mesma assentada, a solução para ambos é distinta, ao passo que são diversos os fatos sub examine. Aqui, não se cuida de compensação não declarada, como naqueloutro, mas sim de compensação não homologada, cujo recurso – manifestação de inconformidade – está sujeito às disposições do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual o exame da compensação erige Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10530.722230/201231 Resolução nº 3401001.347 S3C4T1 Fl. 5 3 se como matéria prejudicial ao cabimento da multa pela sua improcedência, consubstanciada neste processo. Com efeito, é pressuposto para aplicação da multa por compensação indevida a existência de decisão administrativa irreformável que mantenha a não homologação integral das declarações de compensação correspondentes. Não sem razão o próprio art. 18, § 3º da Lei nº 10.833/03 estabelece que, “ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente” – destacado –, justamente para se evitar decisões conflitantes. No caso dos autos, a predita reunião não ocorreu, muito provavelmente, porque as declarações de compensação foram examinadas em processos distintos. Seja como for, considerando que aludidos autos (10425.720873/201166 e 10425.721069/201102) ainda estão pendentes de julgamento administrativo em primeira instância, conforme consulta ao sistema eprocesso realizada na data de 21/08/2017, smj, entendo que não há como examinar apenas os aspectos formais do lançamento e o caráter confiscatório da penalidade, como proposto no voluntário, sem a decisão definitiva naqueles cadernos processuais. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que se aguarde, na unidade preparadora, a prolação da decisão administrativa irreformável nos PA 10425.720873/201166 e 10425.721069/201102, com colação das respectivas decisões, para prosseguimento deste feito. Robson José Bayerl Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.926567/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.336
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 26 56 7/ 20 13 -2 6 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.926567/201326 Resolução nº 3402001.336 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.926567/201326 Resolução nº 3402001.336 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.926567/201326 Resolução nº 3402001.336 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.999412/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 13/04/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.871
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 94 12 /2 00 9- 22 Fl. 110DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.148, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 112DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 114DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 116DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 118DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 120DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.999412/200922 Acórdão n.º 3402004.871 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.001804/00-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 29/11/1998 a 21/01/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Comprovado a omissão no acórdão, cabe a admissibilidade dos embargos para esclarecer a decisão para refletir o voto condutor do Acórdão embargado.
DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPRABOTÓRIOS.
A comprovação pela Autoridade Fiscal em procedimento de diligência, de equívocos no lançamento fiscal determina a correção do lançamento fiscal para refletir os valores apurados na diligência fiscal.
Embargos Providos
Numero da decisão: 3201-003.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Fez sustentação oral o patrono Dr. Renato Gaspar Júnior, OAB/SP 273.190.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1577; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.001804/0011 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201003.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de fevereiro de 2018 Matéria II Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PRIMEIRA TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA CÂMARA DA TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 29/11/1998 a 21/01/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Comprovado a omissão no acórdão, cabe a admissibilidade dos embargos para esclarecer a decisão para refletir o voto condutor do Acórdão embargado. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS COMPRABOTÓRIOS. A comprovação pela Autoridade Fiscal em procedimento de diligência, de equívocos no lançamento fiscal determina a correção do lançamento fiscal para refletir os valores apurados na diligência fiscal. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Fez sustentação oral o patrono Dr. Renato Gaspar Júnior, OAB/SP 273.190. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 18 04 /0 0- 11 Fl. 24657DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração, interposto pela Unidade de Origem, em face do Acórdão nº 320100.426, que possui a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 29/11/1988 a 21/01/1999 JUROS DE MORA. DECRETOLEI N°. 2.433/88. DECRETO N°. 96760/88. ART. 161, § 1o, DO CTN. PROGRAMAS ESPECIAIS DE EXPORTAÇÃO. BEFIEX. Sobrevindo legislação especifica, não há que se falar na regulamentação genérica, posto que a norma especial contempla a hipótese na qual se insere o presente caso em tela os juros de mora devem ser calculados à base de 1% ao mês, incidente sobre todo o período constante do auto de infração mencionado, conforme inclusive estabelecida no CTN, em seu § 1o, do art. 161. ADIANTAMENTO DE CONTRATO DE CÂMBIO. BALANÇO DE DIVISAS. LANÇAMENTO. Os valores dos Adiantamentos de Contratos de Câmbio ACC devem ser registrados no Balanço de Divisas apenas na ocorrência do correspondente ingresso de divisas no Pais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.. As razões do embargo da Unidade de Origem, foram assim detalhadas no recurso: Cuida o processo de auto de infração lavrado em face da empresa VICUNHA TÊXTIL S/A, CNPJ nº 07.332.190/000193, encaminhado a esta Alfândega do Porto de Fortaleza após julgamento na segunda instância do contencioso administrativo, a fim de que seja dada ciência ao contribuinte do Acórdão em Recurso Especial (fls. 24.621 a 24.624), que encerrou a fase litigiosa do processo. Quando da operacionalização da cobrança administrativa, viu se que o julgamento foi precedido de diligências realizadas para apuração de incorreções apontadas pela empresa autuada, quando o CARF decidiu remeter os autos à unidade de. origem para que fossem apreciados os argumentos trazidos pela parte, em respeito ao direito à ampla defesa e na busca incessante pela verdade real. Resumidamente, as questões apreciadas pela Alfândega do Porto de Fortaleza foram condensadas no quadro de fls. 24.235, quando a autoridade fiscal, cotejando as informações contidas no auto de infração com os argumentos expendidos pela parte, concluiu pela existência de severos equívocos no lançamento efetuado. A fim de apresentar uma visão ampliada daquilo que foi apurado ao longo do tempo, relativamente aos valores contidos no auto Fl. 24658DF CARF MF Processo nº 11131.001804/0011 Acórdão n.º 3201003.387 S3C2T1 Fl. 3 3 de infração, foi elaborada a seguinte planilha, contendo rigorosamente os mesmos valores contidos nos documentos já citados: Apesar de ter apontado as inconsistências no auto de infração, corroborando o que argumentou a autuada, a autoridade fiscal corretamente remeteu o resultado ao CARF, a fim de que o julgamento pudesse ter seguimento e que fossem consignadas as divergências no acórdão de julgamento, que, no entanto, não traduziu de forma expressa a exoneração do crédito tributário legalmente constituído. ... Muito embora tenham sido constatadas incorreções no auto de infração, o crédito tributário foi regularmente constituído e somente pode ser modificado ou extinto nos casos legalmente previstos, conforme disposição do art. 141, do CTN, não cabendo ao setor de cobrança da Alfândega agir sem o devido comando que tenha exonerado o crédito tributário. Esclarecemos que não é objetivo deste recurso discutir as incorreções apontadas, que estão evidentes. A questão reside na diferença existente entre as situações de fato, onde qualquer pessoa pode constatar uma irregularidade, e as de direito, seara estreita onde o agente público está autorizado a atuar. Do pedido Deste modo, solicitamos o recebimento do presente recurso, a fim de que seja corrigida a inexatidão contida no Acórdão nº 320100.426, possibilitando a manifestação da Turma quanto às alterações do crédito tributário apontadas nas diligências. Alternativamente, caso entenda não ser o caso passível de apreciação pela via estreita do recurso proposto, que seja a questão conhecida de ofício. Fl. 24659DF CARF MF 4 Os embargos foram admitidos pelo Presidente desta Turma, diante da comprovação da omissão da decisão sobre as diligência realizadas pela Unidade de Origem. A conclusão do despacho de admissibilidade resume os procedimentos a serem adotados. Analisandose o vício apontado pela ALFFORCE, constato que, efetivamente, o resultado das diligências que precederam o julgamento do recurso nº 329.999, consubstanciado no Quadro Comparativo dos Valores Originais – R$, fls. 24.235, não se fez refletir no resultado do julgamento do embargado Acórdão nº 320100.426, inobstante as referências a ele feitas no voto condutor da decisão. Assim, para os fins previstos no § 7° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os Embargos Inominados interpostos pela ALFFORCE, para que o Colegiado 3201 se manifeste sobre as alterações do crédito tributário apontadas nas diligências. Incluase o presente processo em lote a ser sorteado entre os conselheiros membros do Colegiados 3201. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da omissão pela ausência de manifestação expressa da Turma sobre as diligências realizadas pela Unidade de Origem que identificaram a existência de equívocos no lançamento. A posição da Turma de admitir e confirmar a redução do lançamento em razão da diligência fiscal restou consignada no voto condutor do Acórdão, conforme pode ser verificado nos trechos abaixo. Da revisão de ofício A revisão do lançamento deve, e pode, ser realizada, desde que observados os limites impostos pelo Código Tributário Nacional, no que se refere às hipóteses em que pode ser invocada. A revisão pode ser feita tanto de oficio, quanto através da apresentação de defesa do contribuinte. No presente caso, a revisão se deu em sede de impugnação apresentada pelo contribuinte e não em revisão de oficio propriamente dita. Se tratou de uma revisão provocada neste caso. O que temos aqui é que, em face da defesa apresentada pelo contribuinte, foram efetivamente realizadas diversas revisões no Fl. 24660DF CARF MF Processo nº 11131.001804/0011 Acórdão n.º 3201003.387 S3C2T1 Fl. 4 5 julgamento, mas não tomadas a efeito pela própria fiscalização, por sua própria vontade. Assim, a alegação de que também teria ocorrido decadência para revisar o lançamento em tela não procede, pois entendo que o caso não é de revisão de oficio. No que pertine à alegação de mudança do critério jurídico do lançamento, entendo que neste ponto também não assiste razão à recorrente. Isto porque, como já analisado anteriormente, não houve mudança de critério jurídico porque não houve revisão de lançamento de oficio. O que ocorreu no presente caso foi ajustes realizados em face das defesas apresentadas pela recorrente, o que, através das diversas diligências realizadas, apararam os valores originalmente lançados e chegaram a um montante final, ressalvada a discussão dos ACC”s que serão debatidas quando da análise do mérito. Desta feita, rejeito as preliminares de impossibilidade de revisão de oficio, de decadência no lançamento de oficio e de mudança de critério jurídico. A análise da admissibilidade do recurso voluntário identificou que o resultado da diligência não ficou efetivamente consubstanciado no Acórdão embargado. Analisandose o vício apontado pela ALFFORCE, constato que, efetivamente, o resultado das diligências que precederam o julgamento do recurso nº 329.999, consubstanciado no Quadro Comparativo dos Valores Originais – R$, fls. 24.235, não se fez refletir no resultado do julgamento do embargado Acórdão nº 320100.426, inobstante as referências a ele feitas no voto condutor da decisão. Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, para esclarecer a posição adotada no Acórdão embargado de reduzir o lançamento aos valores identificados pela Autoridade Fiscal nos procedimentos de diligência, conforme a tabela apresentada nos Embargos Inonimados pela Unidade de Origem e também nos autos às efls. 2435. Winderley Morais Pereira Fl. 24661DF CARF MF 6 Fl. 24662DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.000664/2004-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Configurada a omissão no acórdão embargado acerca de matéria de ordem pública sobre a qual o Colegiado deveria ter se pronunciado, acolhem-se os embargos de declaração com efeitos infringentes para supri-la com a correspondente retificação do acórdão embargado. No caso, a reversão das glosas do crédito presumido pelo acórdão embargado não pode ser dissociada da sua forma de aproveitamento.
PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO. APROVEITAMENTO.
Anteriormente à restrição de aproveitamento veiculada pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido da agroindústria decorrente de operações de exportação, previsto no art. 3º, §§10 e 11 da Lei nº 10.637/2002, podia ser tanto utilizado para a dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; como para compensação com outros débitos da contribuinte; ou, se ainda restasse saldo de créditos no trimestre-calendário, também para ressarcimento em dinheiro mediante requerimento do contribuinte.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 3402-004.839
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para suprir a omissão apontada, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Configurada a omissão no acórdão embargado acerca de matéria de ordem pública sobre a qual o Colegiado deveria ter se pronunciado, acolhemse os embargos de declaração com efeitos infringentes para suprila com a correspondente retificação do acórdão embargado. No caso, a reversão das glosas do crédito presumido pelo acórdão embargado não pode ser dissociada da sua forma de aproveitamento. PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO. APROVEITAMENTO. Anteriormente à restrição de aproveitamento veiculada pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido da agroindústria decorrente de operações de exportação, previsto no art. 3º, §§10 e 11 da Lei nº 10.637/2002, podia ser tanto utilizado para a dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; como para compensação com outros débitos da contribuinte; ou, se ainda restasse saldo de créditos no trimestrecalendário, também para ressarcimento em dinheiro mediante requerimento do contribuinte. Embargos acolhidos com efeitos infringentes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 06 64 /2 00 4- 48 Fl. 998DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para suprir a omissão apontada, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo titular da DRF/POÇOS DE CALDAS em face do Acórdão nº 280100.013 — 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 10 de março de 2009, mediante o qual o Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para admitir, como base de cálculo para o ressarcimento, o somatório das aquisições abaixo do valor cuja comprovação foi solicitada, nesses termos: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP Permite a legislação tributária a solicitação, pela autoridade administrativa, de documentos para análise dos créditos solicitados pelo contribuinte, para convicção quanto ao reconhecimento do direito creditório. Presumida, pela autoridade, a inexistência de operações pela falta de prova de alguns pagamentos, conforme exigida, devem ser consideradas legitimas as que não foram submetidas a esta exigência, uma vez cumpridos os demais requisitos formais que dão validade às transações comerciais e vez que não contestadas as exportações efetuadas, o que autoriza pressupor incidência da contribuição nas aquisições. Recurso Voluntário Provido. (...) VOTO (...) Sem embargo do que está posto acima, não se pode deixar de considerar que há elementos no processo que permitem, desde o Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13656.000664/200448 Acórdão n.º 3402004.839 S3C4T2 Fl. 999 3 primeiro momento, uma decisão equânime, escolha e possibilidade olvidada pela DRFB/PSC. A contribuinte, no exercício de sua faculdade de peticionar ressarcimento de créditos apuráveis perante a Fazenda Nacional, anexou o demonstrativo DACON, todas as notas fiscais que, segundo seus cálculos, teriam gerado créditos, bem como cópia da escrituração fiscal destas. Declarou ter efetuado exportações, no cumprimento do seu objeto social, em razão das quais não lhe foi possível deduzir os créditos de PIS. Essas operações não foram contestadas nem inquinadas de macula pela Auditoria. Das operações não contestadas resulta admitir a aquisição de insumos ou produtos que receberam a incidência da contribuição para o PIS. Se a auditoria, no uso de sua competência, solicitou a quitação dos pagamentos apenas dos valores das aquisições acima de R$10.000,00, e estes não restaram comprovados em tempo hábil, do que presumiu a auditoria não serem verossímeis, não cabe estender a presunção para os demais valores de notas fiscais para os quais não solicitou a prova do pagamento. Em vista, pois, do premissa acima de que exportações houve, de que elas pressupõem a incidência da contribuição para o PIS, para ressarcimento da qual os §§ 10 e 11, I, do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002 atribuem o credito presumido correspondente à aplicação da alíquota de 70% de 1,65%, sobre o total das aquisições, a decisão equânime que haveria de ser proferida seria considerar como base de cálculo para o ressarcimento o somatório das aquisições que não alcançaram o marco estabelecido, R$10.000,00 [dez mil reais], fazendo incidir sobre esse valor total apurado a alíquota referida. Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, anulando o processo desde a origem, para que a DRF/PSC reconheça parcialmente o direito creditório do contribuinte, nos termos ora delimitados. (...) Sustenta a embargante o que se segue: (...) O Egrégio CARF/MFDF em vosso acórdão n° 280100.013 de folhas 968 a 972 dispôs conforme abaixo em relação ao crédito presumido de agroindústria para as notas fiscais de valor menos que R$ 10.000,00, in verbis: "Em vista da premissa acima de que exportações houve, de que elas pressupõem a incidência da contribuição para o PIS, para ressarcimento da qual os §§ 10 e 11, i, do art 3º da Lei n° 10.637/2002 atribuem o crédito presumido correspondente à aplicação da alíquota de 70% de 1,65%, sobre o total das aquisições a, a decisão equânime que haveria de ser proferida seria considerar como base de cálculo para o ressarcimento o somatório das aquisições que não alcançaram o marco estabelecido, R$ 10.000,00, fazendo assim incidir sobre esse valor total apurado a alíquota referida." Fl. 1000DF CARF MF 4 Ocorre que o crédito presumido acima reconhecido pelo Egrégio CARF é do período de apuração 1o trim/2003, logo não são créditos passíveis de ressarcimento, conforme disposição da Lei n° 10.637/2002, Lei n° 10.925/2004 e art. 56 A, da Lei n° 12.530/2010, ou seja, tal crédito só tem autorização legal de utilização como desconto do valor de PIS apurado a recolher. Isto posto a DRF PCSMG fará o reconhecimento do crédito presumido conforme disposto no acórdão do CARF todavia solicita ao Egrégio CARF que se manifeste sobre a manutenção do indeferimento do pedido da Empresa haja vista que o crédito ora reconhecido não tem autorização legal para ressarcimento para o período de apuração em questão. (...) Mediante despacho das efls. 987/989, o então Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF admitiu os embargos de declaração em face de omissões constatadas na decisão embargada, determinando a inclusão do processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de Julgamento, uma vez que a turma julgadora havia sido extinta, nestes termos: (...) Analisando o acórdão vergastado verificase a omissão alegada. Realmente, da análise do exposto no “decisum”, constatase que o Colegiado, em momento algum se manifestou sobre o cabimento do pedido de ressarcimento. Limitou seu âmbito cognitivo somente a análise da existência do crédito conforme se depreende do excerto trazido no dispositivo do acórdão “Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, anulando o processo desde a origem, para que a DRF/PSC reconheça parcialmente o direito creditório do contribuinte, nos termos ora delimitados.” Ora, resta, portanto, demonstrada a omissão alegada, haja vista que não se pode confundir o reconhecimento do crédito, com a forma com ele será posto a disposição do contribuinte para sua fruição. Vale atentar que o ressarcimento foi expressamente solicitado pelo contribuinte em todas as suas manifestações. (...) O processo foi distribuído a esta Conselheira em 26 de janeiro de 2017. Em 18 de maio de 2017, os autos foram encaminhados à DRF em Poços de Caldas para intimação à contribuinte acerca dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, o que foi atendido. Os autos retornaram ao CARF em 25/07/2017, mas sem qualquer manifestação da recorrente. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Diante da ausência nos autos da data da ciência do acórdão embargado pelo "titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13656.000664/200448 Acórdão n.º 3402004.839 S3C4T2 Fl. 1000 5 acórdão", os embargos de declaração devem ser considerados tempestivos e, tendo sido a omissão objetivamente apontada, deles se toma conhecimento. No caso, não obstante a forma de aproveitamento do crédito não tenha sido matéria discutida no recurso voluntário ou na decisão recorrida, tratase de matéria de ordem pública sobre a qual deveria o Colegiado ter se pronunciado, nos termos do caput do art. 65 do Regimento Interno do CARF1, vez que o pedido de ressarcimento e compensação da recorrente somente pode ser deferido pela autoridade administrativa quando autorizado pela legislação tributária. Conforme esclarecido no despacho de admissibilidade destes Embargos, "constatase que o Colegiado, em momento algum se manifestou sobre o cabimento do pedido de ressarcimento. Limitou seu âmbito cognitivo a análise da existência do crédito". Assim, a referida omissão no Acórdão embargado reclama saneamento por parte deste Colegiado, o que se passa a fazer abaixo. No que concerne à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria ao longo do tempo, aproveito dos bons ensinamentos do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, proferido no Acórdão nº 3403002.761– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 25 de fevereiro de 2014, transcritos abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009 (...) CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art.5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. (...) VOTO (...) O problema se resume em estabelecer se o crédito presumido dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 pode ser aproveitado na forma estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/03, quando decorrente de exportação. O art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03 (e também o art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02) estabelecem que, no caso de exportação, o crédito da contribuição apurado na forma do art. 3º poderá ser utilizado para dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; para compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...) Fl. 1002DF CARF MF 6 administrados pela Receita Federal; e, se após essas duas formas de utilização ainda restar crédito ao final de cada trimestre calendário, o saldo poderá ser ressarcido em dinheiro a pedido do contribuinte. Entretanto, o § 1º assegurou essas formas de aproveitamento apenas em relação ao “(...) crédito apurado na forma do art. 3º (...)”, o que significa que apenas os créditos previstos nas diversas hipóteses relacionadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 podem ser utilizados na forma nos seus artigos 5º e 6º, respectivamente. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Acontece, que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. Percebese a nítida intenção do legislador de restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. (...) [negritei] Com efeito, no presente caso, o crédito presumido previsto no art. 3º, §§10 e 11 da Lei nº 10.637/20022 decorrente de operações de exportação, é relativo ao 3º trimestre de 2003, e, portanto, é anterior à restrição de aproveitamento veiculada pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Dessa forma o crédito presumido objeto do presente processo pode ser tanto utilizado para a dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; como para compensação com outros débitos da contribuinte; ou, se ainda restar saldo de 2 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) §10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) §11.Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) IIo valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 13656.000664/200448 Acórdão n.º 3402004.839 S3C4T2 Fl. 1001 7 créditos no trimestrecalendário, para ressarcimento em dinheiro mediante requerimento da contribuinte; tudo em conformidade com o disposto no art. 5º, I e §§1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, abaixo transcrito: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [negritei] Desta feita, o provimento parcial do recurso voluntário contido no acórdão embargado3 não pode ser dissociado da forma de aproveitamento do crédito presumido prevista no art. 5º, I e §§1º e 2º da Lei nº 10.637/2002. Assim, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios com efeitos infringentes para suprir a omissão apontada, retificando o dispositivo do Acórdão nº 2801 00.013, nos seguintes termos: "Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, anulando o processo desde a origem, para que a DRF/PSC reconheça parcialmente o direito creditório do contribuinte, nos termos ora delimitados, observandose, em relação ao crédito presumido previsto no art. 3º, §§10 e 11 da Lei nº 10.637/2002, a forma de aproveitamento prescrita no art. 5º, I e §§1º e 2º da Lei nº 10.637/2002". É como voto. 3 Em vista, pois, do premissa acima de que exportações houve, de que elas pressupõem a incidência da contribuição para o PIS, para ressarcimento da qual os §§ 10 e 11, I, do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002 atribuem o credito presumido correspondente à aplicação da alíquota de 70% de 1,65%, sobre o total das aquisições, a decisão equânime que haveria de ser proferida seria considerar como base de cálculo para o ressarcimento o somatório das aquisições que não alcançaram o marco estabelecido, R$10.000,00 [dez mil reais], fazendo incidir sobre esse valor total apurado a alíquota referida. Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, anulando o processo desde a origem, para que a DRF/PSC reconheça parcialmente o direito creditório do contribuinte, nos termos ora delimitados. (...) Fl. 1004DF CARF MF 8 (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13656.000664/200448 Acórdão n.º 3402004.839 S3C4T2 Fl. 1002 9 Fl. 1006DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.720984/2011-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
Regra geral, as decisões administrativas têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO
O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não ode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não-cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL.
A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não-incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Regra geral, as decisões administrativas têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não ode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não-cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não-incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento/compensação, é ônus da contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Regra geral, as decisões administrativas têm eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO O crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não ode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência nãocumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 09 84 /2 01 1- 18 Fl. 200DF CARF MF 2 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e nãoincidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 2ªTurma da DRJ/Porto Alegre (efl. 166 e ss): Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP), através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de COFINS nãocumulativa vinculados à receita do mercado interno relativos ao 4º trimestre de 2006. Houve transmissão de DCOMPs. A repartição fiscalizadora efetuou auditoria e produziu Parecer SAORT, tendo sido emitido Despacho Decisório em 09/09/2011. Nesse deferiuse parcialmente o pedido de ressarcimento relativo à COFINS nãocumulativa vinculada à receita de mercadointerno, homologandose declarações de compensação Restou crédito remanescente. Do Parecer e do Despacho Decisório a contribuinte apresentou, através de procurador, manifestação de inconformidade onde argumentou (de forma resumida): Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10820.720984/201118 Acórdão n.º 3001000.291 S3C0T1 Fl. 3 3 Aquisição de mercadorias para revenda não sujeitas ao pagamento das contribuições • a autoridade fiscalizadora constatou que a empresa adquiriu e revendeu mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições (sujeitas à alíquota zero). Excluiu, então, da base de cálculo dos créditos os valores das receitas de vendas daquelas mercadorias, cujas aquisições não se sujeitaram ao pagamento das contribuições. Mas as mercadorias adquiridas com alíquota zero não foram computadas na base de cálculo do crédito. Não caberia, portanto, nenhuma exclusão por parte do agente fiscalizador. Crédito presumido da agroindústria • a autoridade fiscalizadora alega que o crédito presumido não pode ser apropriado proporcionalmente às receitas de exportação. Disse que partir de agosto de 2004 esse crédito só pode ser utilizado para compensação das contribuições (PIS/COFINS) e que deveria ser informado integralmente na coluna de créditos vinculados ao mercado interno. Mas não há fundamento legal na legislação de regência do PIS/COFINS que impeça a apropriação do crédito presumido das atividades agroindustriais proporcionalmente à receita de exportação; • a autoridade fiscalizadora alega, ainda, que o crédito presumido das agroindústrias apurado após agosto de 2004, não pode ser utilizado para fins de ressarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela RFB. No entender do agente fiscalizador, somente são passíveis de ressarcimento os créditos previstos nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Como o crédito presumido agroindústria está previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não existe previsão para o ressarcimento do mesmo. Utilização do crédito presumido • com base no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a empresa, ao adquirir leite in natura dos produtores rurais, calculou o crédito presumido sobre estas aquisições. Considerando que a maioria das receitas de vendas é tributada à alíquota zero, esses créditos não são totalmente utilizados, o que acaba por gerar um saldo credor em conta gráfica; • o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2005, não só não impede o creditamento, mas textualmente garante a manutenção de crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas quando as vendas forem efetuadas à alíquota zero; • a autoridade fiscalizadora entendeu que o art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, previa o crédito apenas para dedução de débitos próprios de PIS/COFINS devidos em cada período de apuração, e que, portanto, não haveria previsão legal para o ressarcimento do crédito presumido; Fl. 202DF CARF MF 4 • a limitação do crédito presumido imposta pelo art. 9º da Lei n° 11.051, de 2004, aplicase somente aos bens recebidos de cooperados. Mas as operações da empresa (aquisição de leite in natura) são advindas de produtores e o restante são de produtores não associados. Daí a razão do acúmulo de créditos de PIS/COFINS. Assim, não há se falar em limitação de crédito presumido sobre as aquisições de leite in natura de pessoas físicas não associadas à empresa. A porcentagem de aquisição advindas dos cooperados não é suficiente para saldar o débito do imposto gerado em cada período. Portanto, todo o crédito presumido que sobra em conta gráfica é de terceiros não associados, razão pela qual dever ser mantido integralmente o direito ao crédito presumido sobre a aquisição de leite in natura de pessoas físicas não associadas. Rateio proporcional das receitas de vendas tributadas e não tributadas no mercado interno • a empresa identificou todos os insumos e despesas de produção que são vinculados diretamente à receita não tributada no mercado interno (como é o caso das embalagens do leite UHT), os tendo apropriado diretamente na coluna Não Tributadas no Mercado Interno. O mesmo foi feito com os custos e despesas vinculados à receita tributada; • como existem custos e despesas de uso comum (por exemplo, energia elétrica), esses foram rateados proporcionalmente à receita bruta auferida. Ocorre que a autoridade fiscalizadora, após fazer os ajustes na base de cálculo do PIS/COFINS, utilizou o critério de rateio para todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica, distorcendo assim o valor do crédito a ser ressarcido; • nas memórias de cálculo apresentadas para a autoridade fiscalizadora, foi demonstrado detalhadamente os critérios de rateio ou de apropriação direta de cada tipo de insumo. Portanto, o entendimento utilizado pelo Fisco além de não refletir a realidade, também contraria as orientações específicas para o preenchimento do DACON, razão pela qual não merece prosperar o critério de rateio utilizado pela autoridade fiscalizadora. A DRJ/Porto Alegre retrucou as alegações da Recorrente, confirmando o entendimento da autoridade lançadora. No Recurso Voluntário, a Recorrente, em suma, repete as alegações já expressas na Manifestação de Inconformidade. Preocupase, apenas, em explicitar as razões de uma alegada homologação tácita, que, anteriormente, havia exposto apenas nos “Pedidos”. É o relatório. Voto Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10820.720984/201118 Acórdão n.º 3001000.291 S3C0T1 Fl. 4 5 Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 51.188,06, (efl. 124), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Operações alcançadas pela alíquota zero (0%) Ao contrário do que alegado pela contribuinte, a autoridade fiscalizadora referiu textualmente que a contribuinte tem direito ao ressarcimento ou à compensação de saldos credores de créditos básicos de PIS e Cofíns, vinculados a receitas não tributadas (alíquota zero), obtidas no mercado interno, em relação aos insumos tributados que agregaram os valores das vendas de leite longa vida/pasteurizado, queijos tipo coalho, minas, prato, mussarela, ricota e requeijão. Assim, entendese correta a interpretação dada pela autoridade fiscalizadora. Apuração de créditos presumidos. Aquisições de leite in natura. Produtores não associados Disse a contribuinte, também, que as aquisições de leite in natura são advindas dos produtores, o restante são de produtores não associados à Impugnante, portanto, daí a razão do acúmulo do crédito de PIS e COFINS. Assim, não há se falar em limitação de crédito presumido sobre as aquisições de leite in natura de pessoas físicas não associadas à Impugnante. a verificação do Parecer produzido pela autoridade fiscalizadora permite inferir que ela referiu apenas aos casos de vendas com suspensão (art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004), no que tange à data de validade de tais operações (04/04/2006). Não consta que, no caso dos autos, tivesse havido glosa de créditos advindos de operações praticadas com pessoas jurídicas. Para contestar tal item, a contribuinte diz que o Fisco fez referência ao art. 9º da Lei nº 11.051, de 2004. Mas isso não procede, eis que tal artigo nada tem a ver com a situação exposta. Aquele artigo trata da apuração de eventual crédito presumido a ser apurado Fl. 204DF CARF MF 6 sobre bens recebidos de cooperados. Não consta que a manifestante (interessada) seja cooperativa, eis que, segundo o Parecer produzido pela repartição fiscalizadora, a empresa interessada é uma sociedade limitada, cujo objeto social é a fabricação de laticínios. Essa empresa é optante pelo Lucro Real (forma de tributação do IR), sujeitandose, portanto, à apuração de PIS/COFINS no regime nãocumulativo. Na verdade, a autoridade fiscal referiu ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, o que, evidentemente, não é a mesma coisa. Portanto, presumese correto o entendimento do Fisco quanto a este item. Regime nãocumulativo. Apuração de crédito presumido. Forma de utilização (Art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004) A forma de utilização do crédito presumido apurado de acordo com o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, constou claramente de disposições do ADI SRF nº 15, de 2005 (dispôs sobre o crédito presumido de que tratam os arts. 8º e 15 da citada Lei): Assim, o entendimento no âmbito da RFB, em regra, é de que o crédito presumido eventualmente existente não pode ser objeto de ressarcimento/compensação, o que, aliás, consta não só do precitado ADI nº 15, de 2005, mas, também, do art. 8º, § 3º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006. Devese atentar, ainda, que conforme o caso se mostra cabível a observação das disposições contidas na Lei nº 12.058, de 2009, com suas alterações, especialmente seu art. 33 e parágrafos com seus incisos, bem como na IN RFB nº 977, de 2009 (em especial os arts. 11, 12 e 13). Nesse passo, entendese correto o entendimento da autoridade fiscal. Rateio proporcional. Planilha Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, bem como da proporção a ser utilizada no rateio dos créditos básicos (fl. 181) Conforme assentou o agente fiscalizador em seu Parecer, procedeuse à separação dos valores de créditos básicos das contribuições relativos a insumos (bens e serviços), produtos adquiridos para revenda, energia elétrica, despesas de arrendamento mercantil e depreciação de bens, vinculados às vendas de leite longa vida, leite pasteurizado, leite cru refrigerado e queijos, daqueles vinculados às vendas dos demais produtos. a autoridade fiscal constatou, em consonância com os DACONs transmitidos pela contribuinte, que para o período objeto da verificação inexistiam créditos básicos vinculados a receitas obtidas no mercado externo, tendo confirmado a apuração de créditos Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10820.720984/201118 Acórdão n.º 3001000.291 S3C0T1 Fl. 5 7 básicos decorrentes de aquisições no mercado interno e vinculados a receitas obtidas no mercado interno, tributadas e não tributadas, e de créditos presumidos relacionados às atividades agroindustriais. Portanto, não poderia ela afirmar que o crédito presumido não pode ser apropriado proporcionalmente às receitas de exportação (não consta tal assentamento no Parecer que produziu). Dessa forma, entendemse corretos os cálculos feitos pelo Fisco. Ônus da Prova Em entendendo a autoridade fiscal que os documentos/informações produzidas pelos contribuintes durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, ou entendendo inexistente o crédito, em razão de que as operações demonstradas pela interessada não são enquadráveis nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe a este negar direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. Homologação tácita. Inexistência O termo inicial da contagem do prazo de 05 (cinco) anos para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é a data da apresentação da DComp, no caso ocorrida em 13/09/2008 (efl. 2). A ciência do despacho decisório deuse em 12/09/2011 (efl. 143). Assim, não ocorreu homologação tácita. Logo, também não merece acolhida tal argumento. . Decisões Administrativas. Efeitos No que tange à decisão administrativa cuja ementa foi transcrita pela contribuinte, mostrase pertinente registrar que somente em casos especiais, devidamente expressos na CF ou na legislação infraconstitucional, os julgados administrativos têm efeitos erga omnes e em razão disso vinculam o julgador administrativo no seu ofício de julgar. A regra geral é que as decisões administrativas tenham eficácia interpartes, não sendo lícito Fl. 206DF CARF MF 8 estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissão legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. Portanto, eventual julgado administrativo é inaplicável à presente lide. Pedido de Diligência/Perícia Devese indeferir o pedido de diligência/perícia, porquanto presentes nos autos os elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como por se tratar de matéria de prova que deveria ter sido apresentada juntamente com a peça de contestação. Assim, por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.721171/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008
IPI. INCIDÊNCIA. REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS.
Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para o cancelamento do lançamento da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, integralmente no PA de 07/2008 (R$ 11.125,68); e parcialmente, nos PA de 05/2008 (de R$ 16.022,51, para R$ 15.649,29 = 20.865,72 x 75%); PA de 06/2008 (de R$ 30.666,39, para R$ 10.972,83 = 14.630,45 x 75%); e PA de 08/2008 (de R$ 25.125,06, para R$ 19.252,39 = 25.669,86 x 75%).
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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INCIDÊNCIA. REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para o cancelamento do lançamento da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, integralmente no PA de 07/2008 (R$ 11.125,68); e parcialmente, nos PA de 05/2008 (de R$ 16.022,51, para R$ 15.649,29 = 20.865,72 x 75%); PA de 06/2008 (de R$ 30.666,39, para R$ 10.972,83 = 14.630,45 x 75%); e PA de 08/2008 (de R$ 25.125,06, para R$ 19.252,39 = 25.669,86 x 75%). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 11 71 /2 01 1- 90 Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 423 2 ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "Relatório 1. Tratase de Auto de Infração do IPI, abrangendo cinco períodos de apuração, de 30/04/2008 a 31/08/2008, lavrado pela DRF/Contagem, contra uma filial das maiores empresas do ramo de supermercados no Brasil (“Pão de Açúcar” e “Extra”). Os valores globais, em Reais, são os seguintes: 2. A descrição dos fatos, contida no Termo de Verificação Fiscal (fls. 014 e 018), em apertada síntese, diz que o Auto de Infração é decorrente da falta de lançamento do imposto nas saídas para o mercado interno de produtos industrializados (pneumáticos) importados pelo estabelecimento, equiparado a industrial, por força do inciso I do art. 9º do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), vigente à época dos fatos geradores: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); 3. Os débitos que deixaram de ser lançados foram calculados com base nos arquivos digitais do SINTEGRA entregues pelo contribuinte e os créditos a partir dos valores pagos no desembaraço aduaneiro. 4. Do encontro dos créditos com os débitos, resultaram saldos devedores em todos os períodos de apuração auditados. Foram aplicadas as multas por falta de recolhimento (do que pôde ser cobrado, após a reconstituição da escrita fiscal), bem como a por falta de lançamento, com cobertura de créditos, previstas no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64: Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 424 3 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 5. A Fiscalização ainda relata que “apesar de algumas notas fiscais terem sido destinadas a outro estabelecimento da mesma firma, não há que se falar, neste caso, em suspensão do imposto, instituto previsto no art. 42, inciso IX, do ... RIPI/2002. O instituto da suspensão, conforme este dispositivo legal, é opcional ao contribuinte, que se manifesta, conforme art. 341, inciso III do mencionado Regulamento, pela inscrição da expressão ‘Saído com suspensão do IPI’ na Nota Fiscal”. 6. A autuada foi intimada pessoalmente da exigência em 11/03/2011 (fls. 004) e, irresignada, apresentou Impugnação, em 11/04/2011 (fls. 094 a 113) – considerada tempestiva pela SACAT/DRF/Contagem, conforme Despacho às fls. 149. 6.1. Inicialmente diz que, “Para a consecução de suas atividades ... eventualmente, procede à importação de mercadorias, recolhendo o ... IPI incidente na ocasião do desembaraço aduaneiro, nos termos do artigo 46, I, do ... CTN”. 6.1.1. “Nesse contexto, ... registrou as Declarações de Importação nos 08/04218182, 08/06351009, 08/09302530 e 08/12163146 ... , no caso, aquisição de pneus. 6.1.2. “Prosseguindo em suas atividades, a Impugnante remeteu as mercadorias importadas ... aos seus ‘centros de distribuição’ para, oportuna e posteriormente, transferilas para suas lojas, revendêlas diretamente para outras empresas do mesmo Grupo Econômico, ou mesmo revendêlas para ‘centros de distribuição’ de outras empresas do mesmo Grupo Econômico, que, poderão proceder à respectiva transferência para as lojas”. 6.2. Depois desfia longa argumentação, estribado em princípios constitucionais, na legislação, na doutrina e em decisões administrativas e judiciais, defendendo que os importadores comerciantes não poderiam ser equiparados a industriais, sendo, portanto, desobrigados a destacar o IPI nas saídas para o mercado interno. Seus argumentos podem ser assim sintetizados: 1) À luz do inciso III do art. 51 do CTN, só poderiam ser equiparados a industrial se fornecessem os produtos a estabelecimentos industriais, também em observância ao princípio da nãocumulatividade; 2) Haveria um “bis in idem na tributação no despacho aduaneiro e na saída para o mercado interno; 3) Para que o produto seja tributado pelo IPI seria necessário que o estabelecimento realizasse alguma operação de industrialização; 6.3. Depois contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ser ilegal (já que o art. 161 do CTN só contemplaria o valor do tributo) Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 425 4 e por não constituir objeto do lançamento, obsta o direito do contribuinte contestála previamente à constituição definitiva do crédito tributário. 6.4. Ao final, pede que seja cancelada a exigência fiscal na sua totalidade (principal, multa, juros Selic e demais encargos legais) “e, determinado, por conseguinte, o arquivamento do processo administrativo instaurado”. É o que importa relatar." A decisão de primeira instância, proferida em 26/02/2014 (fls. 164/171), foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008 IMPORTADOR DE PRODUTOS QUE DÁ SAÍDA AOS MESMOS. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. INCIDÊNCIA DO IPI NESTAS SAÍDAS. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira que derem saída a esses produtos para o mercado interno, devendo ser lançado e escriturado o IPI devido decorrente destas saídas (destinadas a quem quer que seja), com direito ao creditamento na escrita fiscal do imposto pago no desembaraço aduaneiro. Não há que se falar em ilegalidade na equiparação estabelecida pelo art. 9º, I, do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) vigente à época da ocorrência dos fatos geradores abrangidos por este Auto de Infração , pois encontra guarida nos arts. 46, II, c/c 51, II, do CTN, e no art. 4º, I, da Lei nº 4.502/64. O IPI incide sobre produtos industrializados (art. 153, IV, da Constituição Federal) e não necessariamente sobre uma operação de industrialização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCONHECIMENTO. Não pode esta instância julgadora conhecer de contestação da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois não faz parte do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 177), em 09/04/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 322/363, em 07/05/2014, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 426 5 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. MÉRITO INCIDÊNCIA DO IPI NA REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS Inferese do voto condutor da decisão ora combatida que na Impugnação, em nenhum momento, digase, oportuno, sob pena de preclusão (arts. 16 e 17, do Decreto nº 70.235/72 PAF) o contribuinte contesta a forma de apuração dos valores lançados, o que, portanto, não está em discussão. Desse modo, como bem entendido pelo órgão julgador recorrido, a lide resumese a uma questão de Direito, sobre ser legítima a exigência do IPI na saída para o mercado nacional promovida por estabelecimento importador do mesmo produto, em decorrência da sua equiparação a industrial. Vale a pena rever a legislação abordada no voto condutor da decisão recorrida: Código Tributário Nacional Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. (...) Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 427 6 Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera se contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. ................... Lei nº 4.502/64 Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; ................... RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); Vejase que o contribuinte do IPI é o industrial ou quem a lei a ele equiparar, nos termos do inciso II, do artigo 51, do CTN. Com fulcro nesse comando de lei complementar, o inciso I, do artigo 4º, da Lei nº 4.502/64, equiparou os importadores de produtos de procedência estrangeira a estabelecimento produtor, para todos os efeitos da referida lei. Assim, entendo, andou muito bem a decisão recorrida ao concluir que os importadores foram sim equiparados a industrial (produtor) por lei e, assim sendo, está devidamente prevista a hipótese de incidência na saída dos produtos destes estabelecimentos. Exatamente sobre essa matéria, o Superior Tribunal de Justiça STJ, com fundamento na sistemática do art. 543C, do CPC, firmou o seguinte entendimento: RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/ 2001 e art. 13, da Lei n. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 428 7 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (EREsp 1403532/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015) Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 429 8 Assim, por força do §2º, do art. 621, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015), os Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, devem reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática dos recursos repetitivos, neste caso concreto, reconhecendo que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. Por fim, a par da legalidade da exigência do IPI, eventuais discussões sobre ofensa aos ofensa aos princípios constitucionais da nãocumulatividade e da isonomia, ou qualquer outro questionamento de cunho constitucional, ainda que de forma reflexa, v.g., observância de acordos internacionais, encontra óbice no enunciado da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.", restando vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar a Lei nº 4.502/64, sob fundamento de inconstitucionalidade, também, nos termos do art. 62, do RICARF/2015, ainda mais, estando o Tema 906: "Violação ao princípio da isonomia ante a incidência do IPI no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado, assim como da sua saída do estabelecimento importador para comercialização no mercado interno.", afetado à sistemática da repercussão geral, à ser decidida pelo E. STF, no RE 946.648/SC. DAS MULTAS APLICADAS Recorre a contribuinte contra as multas de ofício aplicadas (i) multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito; e (ii) multa vinculada, ao IPI lançado de ofício; ambas no percentual de 75%. Quanto a multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, tem previsão legal, fixada no percentual exigido (75%), no caput, do art. 80, da Lei nº 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ainda que a contribuinte alegue genericamente suposto equívoco quanto ao procedimento seguido pelo fisco para cobrança da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, entendo suficiente à verificação da sua legalidade e quantificação dos valores. Pela simplicidade e clareza, transcrevo, na parcela pertinente ao caso, as razões de decidir, do Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, no voto condutor do Acórdão nº 3302002.675, 19/08/2014: "No caso, sobre o mesmo fato gerador, não deve ser aplicada a mesma multa, ou seja, se o imposto não lançado na nota tiver créditos suficientes para sua cobertura, não há imposto a ser lançado, mas apenas a multa 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 430 9 isolada sobre a falta de destaque na nota. Por outro lado, se o imposto, ou parte, não possuir cobertura de créditos, então o saldo devedor é lançado com multa de ofício vinculada, e, neste caso, não há lançamento de multa isolada." (grifei) Pois bem, ainda seguindo o raciocínio do precedente supracitado, a partir do quadro resumido da reconstituição da escrita fiscal (fl. 18) : em 31/05/2008 – valor de IPI não lançado = R$30.865,84; – valor de IPI cobrado juntamente com multa de ofício vinculada = R$10.000,12. Conclusão: a diferença de R$20.865,72 corresponde ao IPI não lançado com cobertura de crédito, base da multa isolada; o mesmo, em 30/06/2008 – valor de IPI não lançado = R$40.888,53; – valor de IPI cobrado juntamente com multa de ofício vinculada = R$26.258,08. Conclusão: a diferença de R$14.630,45 corresponde ao IPI não lançado com cobertura de crédito, base da multa isolada; o mesmo, em 31/08/2008 – valor de IPI não lançado = R$33.500,09; – valor de IPI cobrado juntamente com multa de ofício vinculada = R$7.830,23. Conclusão: a diferença de R$25.669,86 corresponde ao IPI não lançado com cobertura de crédito, base da multa isolada. Em 31/07/2008 – valor de IPI não lançado = R$14.834,25; – valor de IPI cobrado juntamente com multa de ofício vinculada = R$14.834,25. Conclusão: o IPI não lançado está contido na autuação de IPI devido e, portanto, não houve cobertura de crédito, não havendo a multa isolada sobre este valor. De fato, só faz sentido existir imputação de multa de oficio isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, existindo créditos suficiente à cobrir, ainda que parcialmente, os débitos, não restando, portanto, saldo devedor, superior ao IPI não lançado, à ser constituído juntamente com multa de ofício vinculada. Portanto, a reconstituição da escrita permite uma clara visualização dos PA passíveis de incidência da multa isolada, quais sejam, todos com débitos de IPI não lançado apurados e com saldos credores ou com saldos devedores inferiores ao IPI não lançado, pois, no primeiro caso, houve cobertura de crédito integral, restando saldo credor; e, no segundo caso, houve cobertura de crédito parcial, restando a própria parcela não coberta do IPI não lançado, como saldo devedor à lançar. Assim, reconheço, nesse subitem, o cancelamento do lançamento da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, integralmente no PA de 07/2008 (R$11.125,68); e parcialmente, nos PA de 05/2008 (de R$16.022,51, para R$15.649,29 = 20.865,72x75%); PA de 06/2008 (de R$30.666,39, para R$10.972,83 = 14.630,45x75%); e PA de 08/2008 (de R$25.125,06, para R$19.252,39 = 25.669,86x75%) Quanto a multa vinculada, e mesmo a multa isolada, reiterados os argumentos de que o percentual aplicado seria abusivo, desproporcional e inconstitucional, diante do seu caráter confiscatório, requerendo que seja excluída ou reduzida, em razão de ter observado orientação jurisprudencial prévia (art. 486, do RIPI/2002) e práticas reiteradas da administração (art. 100, do CTN). Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 431 10 Não merece acolhida tais argumentos, pois, além de genéricos, sem nem mesmo apontar a orientação jurisprudencial ou as práticas reiteradas, entendo inaplicáveis ao caso, ainda mais, diante da previsão legal expressa, fixada nos percentuais exigidos para as imposições (75%), no artigo 80, da Lei nº 4.502/64, não restando configurada nenhuma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, elencadas nos incisos, do art. 151, do CTN, na data do lançamento de ofício, aplicandose ao caso, quanto aos juros à taxa Selic, as Súmulas CARF nº 4 e 5 2. Logo, devem ser mantidas as multas de ofício (75%), lançadas no percentual previsto no art. 80, da Lei n°4.502/64, com a redação dada pelo art. 13, da Lei n° 11.488/07, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/15 e Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.") JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A recorrente também alega que não podem ser exigidos juros sobre a multa de ofício lançada, pois, para os artigo 161, do CTN, os juros moratórios incidem somente sobre o valor da obrigação tributária principal e por não constituir objeto do lançamento, obstaria o direito do contribuinte contestála previamente à constituição definitiva do crédito tributário. A incidência de juros de mora sobre o crédito tributário, composto pelo tributo e/ou penalidade pecuniária, guarda consonância com o CTN e leis ordinárias. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Além do CTN afirmar que o crédito tributário decorre da obrigação tributaria principal de pagamento de tributo, penalidade pecuniária ou ambos; e que, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora; a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu vencimento, está prevista pelos art.43 (multa isolada) e art.61, § 3º (débitos para com a União), da Lei nº 9.430/96. 2 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais; Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 432 11 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, tem plena previsão legal a incidência, ex lege, independente de lançamento, de juros moratórios sobre a multa aplicada, visto que se trata de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por tudo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para o cancelamento do lançamento da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, integralmente no PA de 07/2008 (R$11.125,68); e parcialmente, nos PA de 05/2008 (de R$16.022,51, para R$15.649,29 = 20.865,72x75%); PA de 06/2008 (de R$30.666,39, para R$10.972,83 = 14.630,45x75%); e PA de 08/2008 (de R$25.125,06, para R$19.252,39 = 25.669,86x75%). Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 432DF CARF MF
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Numero do processo: 12709.720113/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Data do fato gerador: 13/09/2011
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. CALÇADOS IMPERMEÁVEIS.
As Notas explicativas da posição 6401 dispõem que a "impermeabilidade" se referem ao calçado em si, e não ao material do calçado, colocando como exemplo a galocha e a bota de neve. Paralelamente, as Notas explicativas da posição 6402 trazem as sandálias e demais calçados feitos de materiais impermeáveis (borracha e plástico) como abrangidos nessa classificação, vale dizer, assume que calçados de materiais impermeáveis serão classificados fora da posição 6401.
DIREITOS ANTIDUMPING. CALÇADOS DA CHINA.
Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estão sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010.
DIREITOS ANTIDUMPING. COBRANÇA VIA AUTO DE INFRAÇÃO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. INFRAÇÃO. DESNECESSIDADE.
A legislação que rege o direito antidumping expressamente remete ao Decreto 70.235/72 no que se refere ao procedimento de sua cobrança administrativa. Portanto, é precisamente por meio do auto de infração que deve a autoridade fiscal cobrar direitos antidumping.
Ademais, uma vez cumpridos os procedimentos pelas autoridades competentes culminando em expedição de Resolução da CAMEX determinando o recolhimento de direito antidumping para determinados produtos oriundos de determinados países, a exigência de direito antidumping independe de o importador haver cometido qualquer tipo de infração, basta que efetive a importação de mercadoria procedente de país sobre o qual incida esse direito.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÓDIGO NCM ADOTADO PELA AUTORIDADE FISCAL. INCORRETO. VÍCIO NO MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO.
Se a classificação fiscal indicada pela Fiscalização é improcedente, necessário o cancelamento do auto de infração, ante o vício em seu motivo.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório, desproporcional ou irrazoável da exação cobrada no auto de infração não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação que estabeleceu a sua cobrança, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-004.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Data do fato gerador: 13/09/2011 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. CALÇADOS IMPERMEÁVEIS. As Notas explicativas da posição 6401 dispõem que a "impermeabilidade" se referem ao calçado em si, e não ao material do calçado, colocando como exemplo a galocha e a bota de neve. Paralelamente, as Notas explicativas da posição 6402 trazem as sandálias e demais calçados feitos de materiais impermeáveis (borracha e plástico) como abrangidos nessa classificação, vale dizer, assume que calçados de materiais impermeáveis serão classificados fora da posição 6401. DIREITOS ANTIDUMPING. CALÇADOS DA CHINA. Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estão sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010. DIREITOS ANTIDUMPING. COBRANÇA VIA AUTO DE INFRAÇÃO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. INFRAÇÃO. DESNECESSIDADE. A legislação que rege o direito antidumping expressamente remete ao Decreto 70.235/72 no que se refere ao procedimento de sua cobrança administrativa. Portanto, é precisamente por meio do auto de infração que deve a autoridade fiscal cobrar direitos antidumping. Ademais, uma vez cumpridos os procedimentos pelas autoridades competentes culminando em expedição de Resolução da CAMEX determinando o recolhimento de direito antidumping para determinados produtos oriundos de determinados países, a exigência de direito antidumping independe de o importador haver cometido qualquer tipo de infração, basta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 72 01 13 /2 01 2- 89 Fl. 265DF CARF MF 2 que efetive a importação de mercadoria procedente de país sobre o qual incida esse direito. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÓDIGO NCM ADOTADO PELA AUTORIDADE FISCAL. INCORRETO. VÍCIO NO MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO. Se a classificação fiscal indicada pela Fiscalização é improcedente, necessário o cancelamento do auto de infração, ante o vício em seu motivo. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório, desproporcional ou irrazoável da exação cobrada no auto de infração não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação que estabeleceu a sua cobrança, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de direito antidumping por meio do auto de infração em questão. A autuação versa, em apertada síntese, sobre divergência na classificação fiscal de mercadorias (calçados plásticos de uso feminino aberto) oriundas da República Popular da China, que culminou no lançamento. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Trata o processo da exigência de crédito constituído pelo Auto de Infração nº 0915200/00038/12, lavrado em 29.02.2012 para cobrar o valor de R$ 1.338.162,62, acrescido de multa prevista no inciso II do § 3º do art. 7º da Lei nº 9.019/1995, com redação Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 112 3 dada pelo art. 79 da Lei nº 10.833/2003, e dos juros previstos no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Afirma a autoridade lançadora que em face de procedimento de conferência física de mercadorias realizado na operação de importação amparada na Declaração de Importação (DI) nº 11/17284796, registrada em 13.09.2011, evidenciouse tratar de sandálias de uso feminino, ou seja, calçados abertos não impermeáveis, o que ensejou sua desclassificação fiscal, uma vez que a importadora informou o código NCM 6401.99.90, quando, segundo a fiscalização, deveria ter informado o código NCM 6402.20.00 e, por conseqüência, recolhido o direito antidumping previsto na Resolução Camex nº 14/2010, a razão de US$ 13,85 por par de calçado, tendo em vista que tratam de mercadorias chinesas. Intimada da exigência em tela, a autuada protocolou a impugnação de fls. 103 a 120, acompanhada dos documentos juntados às fls. 121 e seguintes, para alegar, de imediato, que o litígio está adstrito à impermeabilidade ou não dos calçados importados em questão. Afirma que a definição do termo “impermeável” de diversos dicionários, a Conferência Física realizada sobre as mercadorias e os termos da Nota Explicativa da posição 64.01 permite concluir que os calçados importados ao amparo da DI 11/17284796 apresentam a característica de serem impermeáveis, por assegurarem uma proteção contra água e outros líquidos e por não absorverem ou reterem quaisquer fluídos e por impedir que a umidade alcance os pés do usuário. Alerta que na vigência da Resolução Camex nº 14/2010 a Crocs Brasil Comércio de Calçados Ltda., por intermédio da Ceva Logistics, realizou diversas importações oriundas da China dos conhecidos calçados “Crocs”, utilizando idêntica classificação fiscal. Assevera que os calçados “Crocs” em nada distinguem fisicamente dos importados pela DI 11/17284796. Salienta, que as autoridades fazendárias responsáveis pelos despachos aduaneiros de importação promovidos pela Ceva entenderam ser perfeitamente cabível a NCM naqueles indicada, ou seja, também na posição “64.01 Waterproof footwear”. Aduz que: a) o código NCM 6402.12.00 referese a “calçados para esqui e para surfe de neve”, evidenciando notório conflito entre a Nota Explicativa da posição 6401 e o texto do referido código tarifário. Portanto, diante da falta de definição clara da terminologia “impermeável”, não pode o importador ser severamente punido; b) somente quatro dos doze modelos importados acusam a presença de espigões. Logo, é equivocada, relativamente aos outros oitos modelos, a reclassificação efetuada pela fiscalização no código NCM 6402.20.00, com fundamento nos Fl. 267DF CARF MF 4 itens d), e) e f) da Nota Explicativa da posição 64.02, pois nenhum modelo apresenta contraforte ou uma presilha no calcanhar, são fixadas à sola por saliências que alojam em cavidades da sola e tampouco tratam de calçados não impermeáveis formandos por uma peça só; c) no caso de se entender correta a classificação fiscal indicada pela autoridade lançadora no código NCM 6402.20.00, improcede a exigência dos direitos antidumping relativamente aos modelos BZ5184, BZ4655, BZ52822 E BZ49324, com fulcro no que dispõe o item “I” do § único do art. 1º da Resolução Camex nº 14/2010, por apresentarem a característica de utilização praiana, com mecanismo de fixação ao solado por meios de espigões; d) o direito antidumping não se enquadra no conceito de tributo previsto no CTN e deve ser cobrado através de atividade administrativa discricionária. Logo, sua cobrança não é vinculada, não podendo lhes aplicar as hipóteses inerentes aos impostos ou às contribuições; e) não é válida a autuação fundamentada em norma tributária, porquanto na contramão da natureza jurídica do direito antidumping, que não é tributária, mas sancionatória, que objetiva assegurar a execução de regra de direito que condena o dumping que ameaça ou causa dano a determinado setor da economia nacional; f) independentemente do entendimento acerca da natureza do direito antidumping, em momento algum entendeu razoável sua aplicação na importação em causa, tampouco intentou lesar a indústria nacional, uma vez que requereu a concessão da Licença de Importação junto à RFB; g) não havendo o desembaraço aduaneiro das mercadorias, não há falar em lesão à industria nacional; h) a manutenção da exigência do direito antidumping, sem se considerar a eventual multa proporcional e juros de mora, inviabilizará a atividade empresaria desenvolvida pelo importador, haja vista os prejuízos concretos e significativos que sobreviriam, obrigandoa propor imediato pedido de falência. Adverte que sendo equivocada a reclassificação fiscal dos calçados importados, descabe exigir os direitos antidumping com espeque na similaridade entre o produto nacional e o estrangeiro. Ante os argumentos expostos, a autuada pugna pela procedência de seus argumentos a fim de manter a NCM informada na declaração de importação registrada em 13.09.2011 e consequente cancelamento do auto de infração. Sobreveio então o Acórdão 0729.969, da 2ª Turma da DRJ/FNS, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Data do fato gerador: 13/09/2011 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 113 5 DIREITOS ANTIDUMPING. Dumping é definido como sendo a fixação do preço de exportação, para um determinado bem e país, a um nível inferior ao seu valor normal. O direito antidumping, apurado em processo administrativo, é aplicado mediante a cobrança de importância, em moeda corrente, que corresponde ao percentual da margem de dumping ou do montante de subsídios que um determinado país ofereça a produtos específicos de sua produção. Portanto, a exigência de direito antidumping independe de o importador haver cometido qualquer tipo de infração, basta que proceda a importação de mercadoria procedente de país sobre o qual incida esse direito. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a cobrança de direitos antidumping, conforme estabelecidos em Resolução da Camex, sendo vedada qualquer apreciação acerca da existência de dumping e de dano à indústria doméstica, cujo exame compete à Secex. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/09/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CALÇADO PLÁSTICO DE USO FEMININO ABERTO. Calçado aberto, tipo sandália de uso feminino, não impermeável, produzido pelo processo de moldagem por injeção em que a sola e a parte superior são constituídas de matéria plástica classificase na posição 64.02 da NCM. Calçados classificados na posição 64.02 da NCM, quando originários da República Popular da China, estão sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 190/213) a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Nesta oportunidade, a Recorrente trouxe aos autos o laudo de fls 239 a 243, no intuito de corroborar suas alegações sobre a correta aplicação do código NCM 6402.20.00 aos quatro modelos de sapato de código BZ5184, BZ4655, BZ52822 e BZ 49324, por serem confeccionados de borracha, conforme discussão trazida aos autos pelo Acórdão da DRJ. Tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se manifestasse acerca das razões e documentos apresentado pela Recorrente. Em fls 255 a 257 encontrase a manifestação da PFN, afirmando que o referido laudo, ao trazer a informação sobre a identificação dos compostos orgânicos das mercadorias não contribui para a solução da controvérsia. Isto porque tratase de calçados compostos de PVC, segundo o citado laudo, todavia, a lide repousa sobre identificar se as 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 269DF CARF MF 6 mercadorias são calçados impermeáveis ou não e qual seria a classificação fiscal adequada a partir dessa premissa. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 09/10/2012, conforme despacho de fls. 181 e apresentou em 07/11/2012 o recurso voluntário de fls. 255 a 257, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. 1. Preliminar Inicialmente, registro que a preliminar aventada pela Recorrente no sentido de que as mercadorias foram abandonadas por 68 dias, descaracterizando a validade do procedimento adotado pela fiscalização, não deve ser acatada. Isto porque, além de se tratar de contestação que não faz parte da Impugnação, sendo portanto argumento precluso, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, a Recorrente não comprovou a ocorrência da pena de perdimento em relação às mercadorias Na realidade , de acordo com o que consta nos autos, a Recorrente registrou a DI e durante o despacho aduaneiro (lembremos que houve conferência física) a fiscalização detectou que o produto se classificava em outra posição no NCM/SH. Assim, também já é o momento de rechaçar o argumento de impossibilidade de aplicação do direito antidumping no caso concreto, sob o argumento de que não teria ocorrido a introdução de mercadorias no país. Nestes termos, afasto as preliminares apresentadas pela Recorrente. 2. Sobre a classificação fiscal das mercadorias Pelo relato acima, de pronto constatase que o ponto fulcral da controvérsia cingese à correta classificação fiscal das mercadorias importadas. Em síntese, a Recorrente e a Autoridade Fiscal divergem sobre a correta posição NCM/SH em que se enquadram os produtos objeto de importação mediante a DI n. 11/17284796, quais sejam, sandálias femininas. A consequência da reclassificação é a cobrança de direitos antidumping, nos moldes da Resolução CAMEX n. 14/10. Haja vista que a discussão dos presentes autos versa sobre a classificação fiscal de mercadorias, é válido tecer um breve esclarecimento a respeito da sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para que, em seguida, seja possível a aplicação das regras estabelecidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) acerca da forma utilizada para a classificação de mercadorias. Pois bem. A sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) obedece à seguinte estrutura: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 114 7 00 00 00 0 0 No presente caso, a classificação no NCM/SH (Sistema Harmonizado) utilizada pela Recorrente em sua importação é a 6401.99.90, enquanto a posição sustentada pela Fiscalização no auto de infração é a 6402.20.00. Vejamos abaixo os capítulos, posições, subposições e itens que tais número representam: · CLASSIFICAÇÃO 6401.99.90 (entendimento da Contribuinte): Capítulo 64: Calçados, polainas e artefatos semelhantes, e suas partes; Posição 01: Calçados impermeáveis de sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos, em que a parte superior não tenha sido reunida à sola exterior por costura ou por meio derebites, pregos, parafusos, saliências (espigões) ou dispositivos semelhantes, nem formada por diferentes partes reunidas pelos mesmos processos. Item e Subitem 99.90: outros · CLASSIFICAÇÃO 6402.20.00 (entendimento fazendário): Capítulo 64: Calçados, polainas e artefatos semelhantes, e suas partes; Posição 02: Outros calçados com sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos. Item e Subitem 20.00: Calçados com parte superior em tiras ou correias, com saliências (espigões) que se encaixam na sola A divergência repousa na posição. Enquanto a Recorrente defende que os calçados importados são impermeáveis, porque não absorvem ou retêm quaisquer fluídos, protegendo os pés do usuário do contato com mencionados líquidos, sendo, portanto, impermeáveis com enquadramento no NCM 6401.99.90; a Fiscalização, a seu turno, entende que não o são, de modo que o correto é enquadrálos no NCM 6402.20.00. As fotos dos calçados importados, que passaram por conferência física na revisão do despacho aduaneiro, encontramse em fls 143 a 146. Delas, podemos perceber que existem diversos modelos de calçados. O primeiro deles análogo ao conhecido "crocs", outros são "sapatilhas" femininas com detalhes de pequenos furos no material, outros são "chinelos" femininos ou "rasteirinhas", alguns com outros sem presilhas nos calcanhares. Fl. 271DF CARF MF 8 Vemos que todos os calçados são abertos e constituídos por plásticos. São abertos. E aí que paira o equívoco da classificação adotada pela Recorrente, que pretendeu que a acepção da palavra "impermeável", da posição 6401, fosse relacionada ao material que constitui o calçado, e não ao calçado em si. Efetivamente, a lógica das notas explicativas da NESH não corroboram a posição da Recorrente. CONSIDERAÇÕES GERAIS [sobre o Capítulo 64] Com algumas exceções (ver principalmente as exclusões enumeradas no fim destas Considerações Gerais), o presente Capítulo abrange, nas posições 64.01 a 64.05, as diversas variedades de calçados, incluídas as galochas e outros artefatos que se calçam sobre outros calçados, quaisquer que sejam as suas formas e dimensões, usos a que se destinam, modo de obtenção e matérias de que sejam feitos. Nota a posição 6401 Esta posição abrange os calçados impermeáveis cuja sola exterior e parte superior (ver as alíneas C) e D) das Considerações Gerais) são de borracha (sendo o termo “borracha” entendido na acepção que lhe é dada na Nota 1 do Capítulo 40), de plástico ou ainda de tecido ou outro suporte têxtil que apresente uma camada exterior de borracha ou de plástico perceptível à vista desarmada (ver a Nota 3a) do presente Capítulo) desde que a parte superior não esteja fixada à sola por qualquer dos processos enumerados no texto da posição, nem seja formada de diferentes partes reunidas pelos mesmos processos. Os calçados da presente posição são concebidos para assegurar uma proteção contra a água ou outros líquidos e abrangem, entre outros, botas para neve, galochas e botas de esqui. (...) Nota a posição 6402 A presente posição abrange os calçados cuja sola exterior e a parte superior sejam de borracha ou de plástico, excluídos os da posição 64.01. Para a classificação, é indiferente que a sola exterior e a parte superior sejam, entre as matérias referidas, de uma única matéria ou de matérias diferentes (por exemplo, a sola exterior de borracha sintética e a parte superior de tecido com camada exterior de plástico perceptível à vista desarmada; para aplicação desta disposição, devem ser abstraídas as eventuais mudanças de cor). Entre os calçados abrangidos pela presente posição, podem citarse: a) Os calçados para esqui constituídos por várias partes moldadas, articuladas por meio de rebites ou de dispositivos semelhantes. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 115 9 b) Os tamancos sem talão nem contraforte, cuja parte superior é de uma só peça e normalmente fixada à sola por rebites. c) As pantufas ou as chinelas sem talão nem contraforte, cuja parte superior, feita de uma só peça ou montada por qualquer processo, exceto a costura, é fixada à sola por costura. d) As sandálias constituídas por tiras passando sobre o peito do pé e por um contraforte ou uma presilha no calcanhar, fixada à sola por qualquer processo. e) As sandálias do tipo “japonesas” cujas tiras são fixadas à sola por saliências, que se alojam em cavidades na sola. f) Os calçados não impermeáveis formados de uma só peça (sandálias de banho, por exemplo). Assim, as Notas explicativas da posição 6401 dispõem que a "impermeabilidade" se refere ao calçado, e não ao material do calçado, colocando como exemplo a galocha e a bota de neve. Paralelamente, as Notas explicativas da posição 6402 trazem as sandália e demais calçados feitos de materiais impermeáveis (borracha e plástico) como abrangidos nessa classificação, vale dizer, assume que calçados de materiais impermeáveis serão classificados fora da posição 6401. Não poderia ser diferente, pois o que está sendo classificado é o calçado, e não o produto do qual ele é feito. Inclusive, os produtos plástico e borracha, quando devam ser classificados, são tratados especificamente pelos Capítulos 39 e 40, respectivamente, da NCM. Sendo assim, não são impermeáveis. Se não são impermeáveis não podem ser classificados no NCM 6401.99.90, como constou na DI 11/17284796, porque essa posição é para calçados impermeáveis. Assim, saindo da posição 6401, com arrimo na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n. 1, 2 uma vez que as notas dos capítulos e posições conduziram nosso raciocínio, forçosamente passamos a classificar os calçados importados na Posição 6402. Pois bem. São doze modelos de calçado que buscamos atribuir a devida classificação fiscal, os quais vem sendo analisados em dois grupos distintos no presente processo, o primeiro abrangendo quatro modelos e o segundo abrangendo oito modelos. A grande diferença que separa os grupos é que os modelos constantes no primeiro possuem tiras que se encaixam às solas por meio de saliências, ou por espigão (os "chinelos" e "rasteirinhas"), enquanto o segundo grupo compreende os demais modelos. Com relação ao primeiro grupo, o Acórdão recorrido manifestouse da seguinte forma: Analisando o pleito com arrimo nas informações apresentadas pela própria interessada (Anexos V a VIII juntados às fls. 58 a 61), temse que os calçados modelos BZ5184, BZ4655, BZ52822 2 REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Fl. 273DF CARF MF 10 E BZ49324 são espécies de sandálias femininas, ou seja, calçados abertos e, portanto, permeáveis, constituídas por um tipo de material plástico, o que conduz para a posição 64.02, que compreende “outros calçados com sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos”; em face de existência de tiras que se encaixam na sola por meio de saliências, a classificação desses calçados somente é cabível na subposição de primeiro nível 6402.2; logo, tais sandálias se classificam no código NCM 6402.20.00, vez que essa subposição não é subdividida em subposição de segundo nível; tal conclusão evidencia que está correta a reclassificação efetuada pela autoridade autuante, relativamente a esses modelos de sandálias femininas. Cumpre lembrar que o Acordo Internacional estabelece que as regras de interpretação devem utilizadas sucessivamente. Ou seja, somente se utiliza uma regra, após esgotadas as possibilidades de aplicação da regra imediatamente anterior. De tal modo, não merece reparos o entendimento exarado pelo colegiado a quo acima citado. Sobre esse ponto, a Recorrente desde o início de suas manifestações nesse processo vem requerendo que, uma vez utilizado o NCM n. 6402.20.00, não seja cobrado o direito antidumping por força do parágrafo único, inciso I do artigo 1º da Resolução CAMEX n. 14/10, in verbis: RESOLUÇÃO Nº 14, DE 04 DE MARÇO DE 2010 (Publicada no D.O.U. de 05/03/2010) Ad Referendun Aplica direito antidumping definitivo, por até 5 anos, nas importações brasileiras de calçados, classificados nas posições 6402 a 6405 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando originárias da República Popular da China. O PRESIDENTE DO CONSELHO DE MINISTROS DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3o do art. 5o do Decreto no 4.732, de 10 de junho de 2003, com fundamento no que dispõe o inciso XV do art. 2o do mesmo diploma legal, e tendo em vista o que consta nos autos do Processo MDIC/SECEX 52100.006147/200844, RESOLVE, ad referendum do Conselho: Art.1º Aplicar direito antidumping definitivo, por até 5 (cinco) anos, nas importações brasileiras de calçados, classificados nas posições 6402 a 6405 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 13,85/par (treze dólares estadunidenses e oitenta e cinco centavos por par). Parágrafo único. Os calçados a seguir relacionados estão excluídos da aplicação do direito antidumping definitivo, ainda que classificados nas posições tarifárias 6402 a 6405: I sandálias praianas, confeccionadas em borracha e cujas tiras são fixadas ao solado por espigões (comumente classificadas na NCM 6402.20.00); Fl. 274DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 116 11 (...) Art. 3º Revogar a RESOLUÇÃO CAMEX Nº 48, DE 8 DE SETEMBRO DE 2009, publicada no Diário Oficial da União – D.O.U., em 09 de setembro de 2009. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Foi justamente com a intenção de corroborar que os quatro modelos de sapato (código BZ5184, BZ4655, BZ52822 e BZ 49324) desse primeiro grupo se encaixam na exclusão do direito antidumping que a Recorrente trouxe aos autos o laudo de fls 239 a 243. Mais especificamente, apresentou tal documento para comprovar que os calçados são confeccionados de borracha. Isto porque a única razão da DRJ não ter avalizado a exclusão da cobrança, foi por ter considerado que os calçados em questão são feitos de plástico. Ocorre que o laudo, ao invés de advogar a favor da Recorrente, vai contra os seus interesses, haja vista que ali consta expressamente que o material (composto orgânico) utilizado na fabricação dos calçados é o PVC (policloreto de vinila), que sabidamente é um plástico, segundo sua natureza química, e cujas características foram incorporadas à NCM/SH. Com efeito, de acordo a Nota 1 do Capítulo 39, consideramse plásticos as matérias das posições 39.01 a 39.14 que, submetidas a uma influência exterior (em geral o calor e a pressão com, eventualmente, a intervenção de um solvente ou de um plastificante), são suscetíveis ou foram suscetíveis, no momento da polimerização ou numa fase posterior, de adquirir por moldagem, vazamento, perfilagem, laminagem ou por qualquer outro processo, uma forma que conservam quando essa influência deixa de se exercer." Ademais, o "poli(cloreto de vinila)" está expressamente alocado na posição 3904 da NCM, e não dentro de qualquer posição do Capítulo 40, dedicado às borrachas. Dessarte, está provado nos autos que os quatro modelos (código BZ5184, BZ4655, BZ52822 e BZ 49324) são confeccionados com plástico, bem como são classificados no código NCM 6402.20.00, de modo que não se enquadram na exceção para não pagamento do direito antidumping (parágrafo único, inciso I do artigo 1º da Resolução CAMEX n. 14/10). Por tais razões, com relação a este primeiro grupo de calçados, é procedente a autuação fiscal, devendo ser mantida a decisão recorrida. Passemos agora ao segundo grupo de calçados, composto por oito modelos. Com relação a este grupo, a DRJ observando precisamente às regras de interpretação do sistema harmonizado sobre a posição, itens e subitens pertinentes às classificação fiscal in casu ,3 embora não concorde com a classificação pleiteada pela 3 64.02 Outros calçados com sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos. 6402.1 Calçados para esporte: 6402.12.00 Calçados para esqui e para surfe de neve 6402.19.00 Outros 6402.20.00 Calçados com parte superior em tiras ou correias, com saliências (espigões) que se encaixam na sola 6402.9 Outros calçados: 6402.91 Cobrindo o tornozelo 6402.91.10 Com biqueira protetora de metal 6402.91.90 Outros 6402.99 Outros Fl. 275DF CARF MF 12 Recorrente (código NCM 6401.99.90), assume que aquel'outra adotada pela fiscalização (código NCM 6402.20.00) igualmente está errada: Quanto aos demais modelos importados (BZ5109, BZ5138, BZ5276 E BZ52891, BZ53101, BZ4911, BZ49142 e BZ49363, fls. 143 a 159) assiste razão à impugnante, embora por razões diversas, quando discorda da reclassificação do código NCM 6401.99.90 para o código NCM 6402.20.00, pois, não obstante mencionados calçados serem também constituídos na sua integralidade por material plástico (sola exterior e parte superior), não se destina à prática de esqui ou surfe de neve, não apresentam na parte superior tiras ou correias que se encaixam na sola por meio de saliências. Nesse sentido, a classificação só pode ser realizada na subposição de primeiro nível 6402.9 (Outros calçados), que por sua vez, é subdividida em duas subposições de segundo nível. No entanto, como os referidos calçados não cobrem o tornozelo, o enquadramento se dá na última subposição de segundo nível 6402.99 (Outros). Nesses termos, considerando que as sandálias femininas em apreço não possuem biqueira protetora de metal para atender ao texto do item 6402.99.10, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH 1 (texto da posição 64.02) e 6 (textos das subposições 6402.9 e 6402.99) e na Regra Geral Complementar da Nomenclatura Comum do Mercosul RGC/NCM 1 (texto do item 6402.99.90) da Tarifa Externa Comum TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 2011, concluo que a classificação correta é no código 6402.99.90. Ocorre que, apesar de constatar o equívoco da Fiscalização ao efetuar a reclassificação fiscal desse grupo de mercadorias, a decisão a quo manteve a cobrança do direito antidumping. Assim andou mal. Isto porque, sendo a classificação fiscal parte dos motivos que ensejam a expedição do ato administrativo, faz parte dos elementos de fato e de direito que o sustentam. Sendo improcedente a classificação fiscal, e, por conseguinte, os motivos do ato administrativo, não é possível que subsista a cobrança de qualquer exação, uma vez que o auto de infração necessariamente deve ser cancelado. Nesse sentido, por diversas vezes já decidiu este Conselho, das quais destaco o julgamento a seguir ementado: Processo nº 16095.000022/201169 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.186 Sessão de 20 de agosto de 2014 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 6402.99.10 Com biqueira protetora de metal 6402.99.90 Outros Fl. 276DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 117 13 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. RESPOSTA À CONSULTA. Se a classificação fiscal indicada pela Fiscalização, ainda que com base em resposta à Consulta, está totalmente equivocada, não há como manter o auto de infração em razão da ausência de fundamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Rosaldo Trevisan votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto, sendo acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antônio Carlos Gonçalves, OAB/SP 195.691. Em sua declaração de voto, o Conselheiro Rosaldo Trevisan alertou que, em situações em que a classificação fiscal adotada pela Fiscalização é equivocada, devese reconhecer a improcedência da atuação fiscal (no caso, tratavase de cobrança de diferença de IPI), sem que o Colegiado se incumba de demonstrar a classificação fiscal correta, pois isso o transmutaria em um órgão de consulta, além de culminar numa decisão extra petita. Nesse sentido, o Conselheiro então conclui: Em síntese, a autuação não logra êxito em comprovar a correção da classificação defendida (90.18.90.99), no caso concreto analisado. E isto é suficiente para que se reconheça sua improcedência, não havendo necessidade de este tribunal administrativo (que não é órgão solucionador de consultas sobre classificação fiscal) se pronunciar sobre qual seria a correta classificação da mercadoria. Nestes termos, voto no sentido de cancelar a cobrança do direito antidumping referente à importação dos calçados modelos BZ5109, BZ5138, BZ5276 E BZ52891, BZ53101, BZ4911, BZ49142 e BZ49363. 3. Sobre o direito antidumping Antes de adentrar nas demais razões apresentadas pela defesa, cumpre apresentar algumas considerações sobre o contexto jurídico que o envolta, o qual será necessário para a sua solução. Ao lado das funções de controle e de tributação, a Aduana possui como missão a aplicação de restrições. Tal função aproxima o Direito Aduaneiro ao Direito Econômico à medida que define as prioridades políticas/econômicas nacionais pela forma da interação comercial do Estado brasileiro com o restante das nações. Tratase, assim, de instrumento de política aduaneira. Dentro desta função, é possível encontrar a implementação de medidas de Fl. 277DF CARF MF 14 protecionismo comercial por instrumentos de restrições contra práticas desleais de comércio exterior (segundo os acordos da OMC), dos quais destacamse os direitos antidumping. 4 Em poucas palavras, o dumping é uma prática desleal de comércio que consiste na venda de um produto para exportação por um preço inferior ao seu valor normal. O dumping é admissível apenas quando não causar dano ao mercado doméstico, já quando houver dano à indústria nacional do país importador, demonstrado por nexo causal, o dumping passa a ser condenável, tudo conforme a regulamentação do Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, que revogou e substituiu o Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995, este último vigente à época dos fatos tratados nesse processo. A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem genericamente num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os efeitos danosos à indústria nacional. 5 Assim, as medidas antidumping (vide artigo 695 do Decreto 4.543/2002) 6 são imposições com o objetivo de proteger o mercado brasileiro de práticas comerciais predatórias, não se enquadrando em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico. São diversos os elementos normativos que corroboram essa última assertiva, que serão devidamente tratados abaixo. Para pontuar histórico legislativo sobre o tema, o direito antidumping foi introduzido em nosso ordenamento legal por meio da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, em decorrência a acordos firmados pelo país no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Gatt). Antes disso só havia sido tratado na legislação interna por normas infralegais. Com efeito, até o advento da Lei n° 9.019/95, a Resolução n° 1.227/87, com as alterações da Resolução n° 1.582/89, ambas da extinta Comissão de Política Aduaneira, cuidavam do tema, preceituando o direito antidumping como um adicional do Imposto de Importação: Art.1° Os direitos antidumping e compensatórios definitivos, de que tratam os Acordos Antidumping e de Subsídios e Direitos Compensatórios, constituem imposto de importação adicional. Ocorre que, posteriormente, a citada Lei n. 9.019/95 textualmente colocou que "os direitos antidumping e os direitos compensatórios serão cobrados independentemente de quaisquer obrigações de natureza tributária relativas à importação dos produtos afetados." Ou seja, a legislação passou a expressamente afastar a natureza tributária do direito antidumping, como já clamava a doutrina sobre o tema. 7 4 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Notas introdutórias sobre o direito aduaneiro e sua relação com o direito tributário. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário vol.5, n.26. São Paulo: IOB, 2015, p.88109. 5 LOBO, Marcelo Jatobá. Direitos Antidumping.1.ed. São Paulo: Quartier Latin, 2007. p. 210. 6 "Art. 695. Para os efeitos deste Capitulo, entendese por: I dumping, a introdução de um bem no mercado doméstico, inclusive sob as modalidades de drawback, a preço de exportação inferior ao preço efetivamente praticado para o produto similar nas operações mercantis normais, que o destinem a consumo interno no pais exportador (Acordo sobre Implementação do Artigo VI do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, Artigo 2, item 1, aprovado pelo Decreto Legislativo n. 30, de 1994, promulgado pelo Decreto n2 1.355, de 1994, e internalizado pelo Decreto n. 1.602, de 23 de agosto de 1995, art. 0);" 7 BAPTISTA, Luiz Olavo, “Dumping e AntiDumping no Brasil”, in OMC e o Comércio Internacional. AMARAL JÚNIOR, Alberto do (coord.). São Paulo: Aduaneiras, 2002. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 118 15 Outrossim, legalmente o direito antidumping distanciouse dos tributos no que diz respeito ao tratamento orçamentário. Enquanto aquele é tratado como receita originária e enquadrado na categoria de entradas compensatórias, não compreendidas na lei orçamentária (artigo 10 da Lei n. 9.019/1995); estes são considerados receitas correntes, compreendidas na lei orçamentária (artigo 11 da Lei n 4.320/1964). Assim, o direito antidumping pode ser definido como instrumento utilizado pelo Estado, com fundamento no artigo 174 da Constituição Federal, para intervir no domínio econômico, com o objetivo de incentivar a economia e garantir a competitividade da indústria doméstica. Pois bem. Neste contexto, o sistema brasileiro de defesa no comércio internacional é dividido em duas competências distintas. Na primeira encontrase a SECEX (Secretaria de Comércio Exterior, que tem o Decom Departamento de Defesa Comercial , como um de seus cinco departamentos), que é responsável por propor a abertura 8 e conduzir investigações destinadas à aplicação de medidas antidumping.9 Como segunda competência aparece a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), cuja obrigação é fixar os direitos antidumping, em caráter definitivo ou provisório, por meio de resoluções. Disto já é possível constatar que o direito antidumping não se submete ao princípio da legalidade, o que também demonstra seu caráter não tributário, já que não se amolda ao artigo 150, inciso I da Constituição e artigo 3º do CTN. Sua instituição, isto sim, se dará por ato exarado pelas citados órgãos competentes, mediante o procedimento estabelecido pelo Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, que revogou e substituiu o Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995. Como regra geral os direitos antidumping postos em vigência pela CACEX devem ser extintos em 5 (cinco) anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria, muito provavelmente, à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado brasileiro. Para isso é necessária uma revisão de final de período, pela qual são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Paralelamente às competências da SECEX e da CAMEX, órgãos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a Receita Federal é responsável pela fiscalização e arrecadação das medidas de defesa comercial (artigo 237 da Constituição), o que ocorre automaticamente por ocasião do registro da declaração de importação. Nesse sentido, a Lei n. 9.019/95 expressamente aponta o PAF (Decreto 70.235/72) como o diploma normativo que regerá a cobrança dos direitos antidumping, in verbis: § 5o A exigência de ofício de direitos antidumping ou de direitos compensatórios e decorrentes acréscimos moratórios e penalidades será formalizada em auto de infração lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e o prazo de 5 (cinco) anos contados da data de registro da declaração de importação 8 Mediante solicitação da indústria nacional, por iniciativa governamental (ex officio) ou por terceito país interessado. 9 Bem como medidas compensatórias e medidas de salvaguarda. Fl. 279DF CARF MF 16 Traçadas tais premissas, passo à análise do argumento apresentado pela Recorrente, que se resume à impossibilidade de cobrança de direito antidumping por meio de auto de infração, em razão de sua natureza jurídica não tributária. Contudo, como visto acima, a legislação que rege o direito antidumping expressamente remete ao Decreto 70.235/72 no que se refere ao procedimento de sua cobrança administrativa. Portanto, é precisamente por meio do auto de infração que deve a autoridade fiscal cobrar eventuais direitos antidumping. Ademais, como também acima referido, uma vez cumpridos os procedimentos pelas autoridades competentes, culminando em expedição de Resolução da CAMEX determniando o recolhimento de direito antidumping para determinados produtos oriundos de determinados países (como é o caso dos calçados importados da China, na Resolução CAMEX 14/10), a exigência de direito antidumping independe de o importador haver cometido qualquer tipo de infração, basta que efetive a importação de mercadoria procedente de país sobre o qual incida esse direito. Em conclusão, na parte em que está correta a reclassificação fiscal adotada no auto de infração (primeiro grupo de calçados, modelos BZ5184, BZ4655, BZ52822 e BZ49324, conforme explanado alhures), que culminou na cobrança ora analisada, não devem ser acolhidas as alegações da defesa sobre a inaplicabilidade do direito antidumping. 4. Confiscatoriedade e demais princípios constitucionais A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório do valor que lhe foi cobrado, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, do não confisco, entre outros, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação que estabeleceu a cobrança do direito antidumping, cumprindo todos os procedimentos e a competência mencionadas no tópico precedentes, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que a exação seria confiscatória, desproporcional ou irrazoável e, portanto, inconstitucional. 5. Dispositivo Diante do exposto, voto dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a cobrança do direito antidumping referente à importação dos calçados modelos BZ5109, BZ5138, BZ5276, BZ52891, BZ53101, BZ4911, BZ49142 e BZ49363. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 280DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 119 17 Fl. 281DF CARF MF
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