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Numero do processo: 10980.934219/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.758
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 42 19 /2 00 9- 18 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.934219/200918 Acórdão n.º 3402003.758 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.934219/200918 Acórdão n.º 3402003.758 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.934219/200918 Acórdão n.º 3402003.758 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.934219/200918 Acórdão n.º 3402003.758 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000779/99-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995
OMISSÃO. FUNDAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. MONTANTE INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA OMISSÃO.
O fundamento do julgado atribui ao depósito judicial no montante do crédito tributário efeitos de pagamento, convertidos em renda, podem ser objeto de ressarcimento e compensação, a matéria restou enfrentada, motivo pelo qual inexiste a omissão apontada.
Embargos Conhecido e Rejeitado.
Numero da decisão: 3302-003.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi rejeitado os Embargos de Declaração, tendo em vista não existir a omissão alegada.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995 OMISSÃO. FUNDAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. MONTANTE INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA OMISSÃO. O fundamento do julgado atribui ao depósito judicial no montante do crédito tributário efeitos de pagamento, convertidos em renda, podem ser objeto de ressarcimento e compensação, a matéria restou enfrentada, motivo pelo qual inexiste a omissão apontada. Embargos Conhecido e Rejeitado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi rejeitado os Embargos de Declaração, tendo em vista não existir a omissão alegada. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1995 OMISSÃO. FUNDAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. MONTANTE INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA OMISSÃO. O fundamento do julgado atribui ao depósito judicial no montante do crédito tributário efeitos de pagamento, convertidos em renda, podem ser objeto de ressarcimento e compensação, a matéria restou enfrentada, motivo pelo qual inexiste a omissão apontada. Embargos Conhecido e Rejeitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi rejeitado os Embargos de Declaração, tendo em vista não existir a omissão alegada. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 07 79 /9 9- 29 Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratório interposto pela FAZENDA NACIONAL alegando existência de omissão no Acórdão nº 3302.001645, de 26 de junho de 2012. Assevera a Embargante que: “... analisandose o teor do voto vencido, do voto vencedor e até mesmo da declaração de voto do Cons. Walber José da Silva, foi possível constatar a existência de pequena omissão no julgado, referente ao pronunciamento desta e. Câmara sobre as razões de fato e de direito que justificaram o não acolhimento da preliminar de inexistência do pagamento na data do pedido de restituição. Consta dos autos que os depósitos judiciais efetuados pela recorrente apenas vieram a ser convertidos em renda para a União em 28/08/2001 e, portanto, somente a partir desse dia é que se poderia considerar que os respectivos recursos ingressaram nos cofres da União. Antes disso, os valores estavam à disposição do Juízo e não poderiam ser utilizados pela SRF para eventuais compensações/restituições.” Afirma: “Acontece que a maioria dos Conselheiros que compõe este colegiado entendeu que os pagamentos existiam sim à época dos pedidos protocolados pela recorrente, sem apontar, contudo, as razões para tanto.” Concluiu: “Com efeito, o voto tido como vencido, proferido pela i. Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas, aborda as seguintes questões: em sede de preliminar, o direito de o contribuinte ter aplicado o prazo de 5(cinxo) anos às compensações de débitos de terceiros e; no mérito, a ocorrência da prescrição do direito da recorrente pleitear a restituição, a aplicação da semestralidade em tese e a aplicação da semestralidade no caso concreto. Por seu turno, o voto vencedor, da lavra do i. Conselheiro José Antônio Francisco, discorre apenas sobre a homologação tácita das compensações com débitos de terceiros, voto este que prevaleceu pelo voto de qualidade..” “como visto, ambos os votos proferidos não abordam a questão atinente à existência ou não dos pagamentos à época do protocolo dos pedidos de restituição dos créditos.” “Não há no acórdão os fundamentos de fato e de direito que levaram este e. colegiado a considerar tais pagamentos como existentes. Há apenas fundamentos para considerálos inexistentes, conforme se depreende da Declaração de Voto.” Há despacho admitiu o declaratório, pois a questão já teria sido discutida no julgamento pela DRJ, assunto omitido no acórdão embargado. Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13811.000779/9929 Acórdão n.º 3302003.358 S3C3T2 Fl. 6 3 Aduz a fazenda que a matéria pertinente a existência de pagamento ao tempo do protocolo do pedido de restituição, tanto o voto vencido, bem como, o vencedor não fundamentaram o afastamento dessa questão como prejudicial ao pedido de restituição. É o que tinha a relatar. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo, motivo pelo qual deve ser conhecido. Reconhecido a omissão pelo Despacho de Admissibilidade, onde a Fazenda sustenta que os votos vencidos, bem como, o voto vencedor não fundamentaram o afastamento dessa questão como prejudicial ao pedido de restituição. É de notório conhecimento que o depósito do seu montante integral, na via administrativa o seu objetivo é apenas garantir ao contribuinte da não incidência de qualquer consectário, correção monetária, juros e multa. Em quanto em sede judicial, além de afastar os acréscimos, não permitir a execução judicial, assegurando a suspensão da exigibilidade. Também é de correntia sabença que o depósito não constitui pressuposto para discussão judicial. Tratase de direito subjetivo do contribuinte, podendo em medida cautelar ou ordinária oferecer tal garantia com objetivo de suspender a exigibilidade, em sendo assim, nenhuma autoridade administrativa e/ou judicial podem recusar ou impor tal ônus, sendo assim, tem natureza dúplice, ao mesmo tempo em que suspende a exigibilidade, garante o pagamento do crédito tributário. No caso de ação anulatória de débito fiscal, desde que, precedida de depósito do crédito tributário constitui óbice a execução por parte das Fazendas Públicas em juizar ações de cobrança e execução. O depósito administrativo e ou judicial se revela inibidor às ações possíveis a serem manuseadas pelas Fazendas Públicas, por ser de caráter facultativo, quando verificado o êxito do contribuinte, impõe a devolução total do montante, bem como, os acréscimos decorrente do tempo, ao contrário, constatado o fracasso cabe transformálo em renda na extinção do crédito tributário, previsão legal também pelo art. 43, § 1º, da Lei do Processo Administrativo, Decreto nº 70.235/72. O depósito não encontra arrolado nos incisos do art. 156 do CTN nas modalidades de extinção do crédito tributário. O inciso VI, cuida da conversão de depósito em renda, assim o legislador não atribuiu ao depósito força liberatória, como fez nos demais incisos do dispositivo acima mencionado. O direito ao indébito encontra assegurado pela norma do art. 165 do CTN, como se sabe independe de qualquer pronunciamento administrativo ou judicial. Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 No caso concreto discutese, se ao tempo do protocolo do pedido de restituição havia pagamento a abonar o indébito a ser utilizado em compensação desejada, já que não houve pagamento direto a Secretária da Receita Federal, por se tratar de depósito à disposição do juiz da causa, nesse passo acresce dizer tratarse de ação ordinária e não de ação consignatória, essa prevista pelo ordenamento jurídico, art. 165 do CTN. Aduz a Fazenda Federal que houve o afastamento dessa questão sem o devido fundamento, por essa razão cabe ao declaratório suprir a omissão, manifestando diretamente sobre esse ponto. A meu sentir, não existia pagamento quando do pedido de ressarcimento e compensação, o que só aconteceu no momento da conversão de depósito em renda a favor da União Federal. Tratando de pretensão fundada em inconstitucionalidade da exigência, só restava ao contribuinte o caminho do judiciário para ver reconhecido o seu direito, e, diante da necessidade de se precaver da exigência do crédito tributário, além dos consectários e negativa de certidão, o direito subjetivo configura verdadeiro ônus, impõe de esse modo reconhecer nos depósitos judiciais existência de pagamento no período em que durou à discussão. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, STJ é pacifica quanto ao entendimento de que o depósito no montante integral configura verdadeiro lançamento por homologação, tornando, assim, desnecessário o lançamento de ofício pela autoridade fiscal em relação às importâncias depositadas. Esse entendimento vem sendo apregoado pela d. Procuradoria da Fazenda, penso não poderia ser diferente por ser o depósito inibitório, mesmo sendo uma simples garantia, mas o seu efeito é impeditivo, inibe o fisco em agilizar cobrança judicial pela instauração de litígio sobre a legalidade da exigência do tributo, tanto é assim, se extinto o processo judicial sem exame do mérito, considera decisão desfavorável ao contribuinte, o que autoriza após o trânsito em julgado o recolhimento da quantia depositada como meio de extinção do crédito tributário. No caso concreto a d. Relatora, Fabíola Karamidas, enfrentou a discussão, e, expressou no sentido de que depósito judicial configura pagamento, além do que, disse ainda, que os depósitos foram convertidos em renda antes do Despacho Decisório, portanto, esse foi o fundamento, não assiste razão a Embargante. Sendo assim, acompanhando norteamento do STJ de que, existindo depósito integral do montante devido, configura lançamento por homologação, vencido o contribuinte, e, nos casos de extinção sem conhecimento do mérito, a conversão em renda das importâncias depositadas configura verdadeiro recolhimento, razão pela qual ouso considerar que os depósitos judiciais efetuadas pela Embargada equivalem a pagamentos, considerando esses os fundamentos pelos quais e. Turma reconheceu o direito ao indébito. Diante do exposto, conheço do declaatório, mas nego provimento por inexistência de omissão. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13811.000779/9929 Acórdão n.º 3302003.358 S3C3T2 Fl. 7 5 Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 03/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10650.902440/2011-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 40 /2 01 1- 63 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902440/201163 Acórdão n.º 9303003.944 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3803003.933, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902440/201163 Acórdão n.º 9303003.944 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902440/201163 Acórdão n.º 9303003.944 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902440/201163 Acórdão n.º 9303003.944 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902440/201163 Acórdão n.º 9303003.944 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902440/201163 Acórdão n.º 9303003.944 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902440/201163 Acórdão n.º 9303003.944 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11700.000133/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1999
NOVA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. SOBREPOSIÇÃO DE LANÇAMENTOS RECONHECIDA PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. 1. A própria autoridade administrativa reconheceu a existência de lançamentos dúplices, sugerindo a correção do lançamento nesse tocante, sendo desnecessária nova conversão do julgamento em diligência.
2. Não compete à autoridade julgadora proceder de modo diverso daquele sugerido pela autoridade administrativa, sobretudo para dar tratamento mais gravoso ao sujeito passivo.
3. A autoridade julgadora não tem competência para lançar, ex vi do art. 142 do CTN, segundo o qual o lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa.
4. Do simples exame do outro processo administrativo, conclui-se que há duplicidade nas únicas competências cuja controvérsia remanesceu.
5. Nova conversão do julgamento em diligência apenas prejudicaria a rápida solução deste litígio, em confronto com o disposto no inc. LXXVIII do art. 5º da CF, segundo o qual, a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência.
2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial.
3. Precedentes do CARF e do STJ.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO SEM PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA. Em razão de não estar previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, os valores despendidos pelo sujeito passivo a título de seguro de vida em grupo devem compor a base de cálculo da contribuição devida à seguridade social.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para: (i) denegar o pedido de realização de diligência fiscal; (ii) afastar a preliminar de nulidade do lançamento; (iii) e, no mérito, dar-lhe provimento parcial, a fim de excluir do lançamento as competências 01/1998 a 10/1999, as quais foram lançadas em duplicidade.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DESNECESSIDADE. SOBREPOSIÇÃO DE LANÇAMENTOS RECONHECIDA PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. 1. A própria autoridade administrativa reconheceu a existência de lançamentos dúplices, sugerindo a correção do lançamento nesse tocante, sendo desnecessária nova conversão do julgamento em diligência. 2. Não compete à autoridade julgadora proceder de modo diverso daquele sugerido pela autoridade administrativa, sobretudo para dar tratamento mais gravoso ao sujeito passivo. 3. A autoridade julgadora não tem competência para lançar, ex vi do art. 142 do CTN, segundo o qual o lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa. 4. Do simples exame do outro processo administrativo, concluise que há duplicidade nas únicas competências cuja controvérsia remanesceu. 5. Nova conversão do julgamento em diligência apenas prejudicaria a rápida solução deste litígio, em confronto com o disposto no inc. LXXVIII do art. 5º da CF, segundo o qual, a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 70 0. 00 01 33 /2 00 9- 51 Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. Precedentes do CARF e do STJ. SEGURO DE VIDA EM GRUPO SEM PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA. Em razão de não estar previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, os valores despendidos pelo sujeito passivo a título de seguro de vida em grupo devem compor a base de cálculo da contribuição devida à seguridade social. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para: (i) denegar o pedido de realização de diligência fiscal; (ii) afastar a preliminar de nulidade do lançamento; (iii) e, no mérito, darlhe provimento parcial, a fim de excluir do lançamento as competências 01/1998 a 10/1999, as quais foram lançadas em duplicidade. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11700.000133/200951 Acórdão n.º 2402005.438 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.007.3570, lavrada em 30/11/1999, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições de terceiros (salárioeducação) incidentes (i) sobre remuneração pagas aos empregados encontradas em folhas de pagamento, (ii) sobre pagamentos efetuados em reclamações trabalhistas, (iii) e sobre prestações pagas pela empresa a título de Seguro de Vida em Grupo, no período de 01/01/1998 a 31/10/1999, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 13.312.669,44, fls. 01. A autoridade fiscal relatou que a recorrente apresentou Mandado de Segurança que pleiteava a compensação do SalárioEducação que havia sido recolhido indevidamente de 03/1989 a 12/1996. Houve a concessão de liminar, mas esta foi cassada quando da emissão da sentença contrária aos interesses da empresa, estando, à época, a ação aguardando julgamento da apelação. Após tomar ciência pessoal da autuação em 01/12/1999, fl. 02, a recorrente apresentou impugnação, fls. 239/246, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos da DRP/Volta Redonda emitiu despacho concluindo que estava correto o procedimento de lançamento para prevenir a decadência e que o processo devia ter seu trâmite normal em relação à matéria diversa daquela ventilada na ação judicial, fls. 354/357. A recorrente foi intimada e apresentou aditamento à sua defesa, fls. 361/366. Na DecisãoNotificação de fls. 374/389, a DRP/Rio de Janeiro concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 08/10/2004, fl. 394. O recurso voluntário, apresentado em 05/11/2004, fls. 395/402, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. A compensação efetuada tinha base legal no CTN, o que torna o lançamento nulo por vício de forma na sua origem, eis que os débitos imputados à recorrente configuram afronta às decisões judiciais havidas. Sustenta que o seguro de vida em grupo representou vantagens para a empresa e não para o empregado, pois aquela deixou de indenizar seus empregados repassando tal encargo para a seguradora. O referido seguro não adiciona ganho ao empregado, ao contrário lhe reduz o salário à medida que este custeia 20% do prêmio total. O seguro é extensível a todos os empregados, sendo vantajoso para a empresa, pois substitui o sistema indenizatório anterior. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Aponta que a CLT foi modificada em 2001 para excluir o seguro de vida do salário. Suscita a aplicação do art. 146 do CTN ao caso. Em seu Memorial entregue no momento da discussão em plenário, a recorrente alegou que o FNDE já lançou o Salário Educação por meio de seis Notificações para Recolhimento de Débito (NRD 2003/0000621; NRD 2003/0000626; NRD 2003/0000867; NRD 2003/0000625; NRD 2003/0000622 e NRD 2003/0000627) nas quais há sobreposição de períodos com o lançamento ora em discussão. Em vista disso, e em homenagem à verdade material, este CARF resolveu, em sessão de julgamento realizada em 22 de novembro de 2012, converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização apurasse se o FNDE realizou os lançamentos noticiados pela recorrente e se estes possuem períodos de sobreposição com a autuação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) ora em análise (vide fls. 872/874)1. Em decorrência disso, a Equipe de Orientação de Recuperação de Créditos (EQREC) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo proferiu o despacho de fls. 886/890, no qual esclareceu e propôs o seguinte: se encontram em duplicidade os valores lançados no presente débito no período 01/1998 a 10/1999 do estabelecimento CNPJ final 000457 com os valores que se encontram no debcad nº 49.905.9719, valores que têm exatamente as mesmas bases de cálculo com exceção de pequena diferença na compet. 06/1999; se encontram em duplicidade os valores lançados no presente débito no período 05/1998 a 10/1999 do estabelecimento CNPJ final 011734 com os valores que se encontram no debcad nº 49.902.4931, valores que têm exatamente as mesmas bases de cálculo; se encontram em duplicidade os valores lançados no presente débito no período 01/1998 a 10/1999 do estabelecimento CNPJ final 001348 e CNPJ final 006730 com os valores que se encontram no debcad nº 49.903.2497, lançados totalizados apenas no estabelecimento CNPJ final 001348, valores que têm exatamente as mesmas bases de cálculo (exemplo no debcad 35.007.3570 estab. CNPJ final 001348 01/1998 lançado R$ 20.035,93 e no CNPJ final 006730 01/1998 lançado R$ 7.694,16 em duplicidade com o valor totalizado R$ 27.730,09 lançado no debcad 49.903.2497 no estab. CNPJ final 001348 01/1998); se encontram em duplicidade os valores lançados no presente débito no período 01/1998 a 10/1999 do estab. CNPJ final 0017 71 e CNPJ final 007206 com os valores que se encontram no debcad nº 49.903.2535, lançados totalizados apenas no estab. CNPJ final 007206, valores que têm exatamente as mesmas bases de cálculo com exceção da compet. 07/1998 (exemplo no debcad 35.007.3570 estab. CNPJ final 001771 01/1998 lançado R$ 420.286,11 e no CNPJ final 007206 lançado R$ 56.035,22 em duplicidade com o valor totalizado R$ 476.321,34 1 Transcrição do relatório de fls. 873/874, Relator Mauro José Silva. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11700.000133/200951 Acórdão n.º 2402005.438 S2C4T2 Fl. 4 5 do debcad 49.903.2535 no estab. CNPJ final 007206 01/1998). [...] Em conclusão, sugerimos a retificação do presente débito debcad nº 35.007.3570 para excluir os valores que se encontram em duplicidade com a opção da manutenção dos valores já lançados no período 01/1998 a 10/1999 nos debcad 's nº 49.902.4931 , 49.903.2497 , 49.903.2535 e 49.905.9719 e, após as devidas exclusões, o débito deve ser mantido com os seguintes valores demonstrados no quadro seguinte, que não se encontram em duplicidade: [...] Com a manutenção dos valores demonstrados acima, após as exclusões dos valores em duplicidade, o valor total do presente débito debcad nº 35.007.3570 fica alterado de R$ 9.698.744,80 (nove milhões, seiscentos e noventa e oito mil, setecentos e quarenta e quatro reais e oitenta centavos) para R$ 37.655,12 (trinta e sete mil, seiscentos e cinquenta e cinco reais e doze centavos), considerado apenas o valor principal, antes da aplicação da multa e juros, pois efetivamente a multa e juros não terão nenhum efeito no prosseguimento e a respectiva baixa dos débitos no posterior aproveitamento dos valores depositados pela empresa após a devida conversão em renda se confirmada a suficiência dos depósitos e desde que tenham sido depositados no prazo correto para usufruir da dispensa destes acréscimos legais. Assim, reiteramos a necessidade do julgamento conjunto de todos os processos conexos considerando os que já se encontram no próprio CARF, a saber: nº 23034.000498/2003 70 (debcad nº 49.903.2535) ; 23034.000500/200319 (debcad nº 49.903.2497); 23034.000501/200355 (debcad nº 49.905.9719) ; 23034.000503/200344 (debcad nº 49.905.6914) e 10073.002029/200719 (debcad nº 35.180.6547) e observamos que os outros dois processos lançados pelo FNDE já foram julgados pelo CARF, os processos nº 23034.000499/200314 (debcad nº 49.906.1268) Acórdão nº 2402001.985 e 23034.000502/200308 (debcad nº 49.002.4931) Acórdão nº 2402001.986, ambos da Quarta Câmara da Segunda Seção de JulgamentoCARF, [...]. [...] Proponho que o processo seja encaminhado em retorno para julgamento pela 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, após as providências para a ciência pelo contribuinte e abertura de prazo de 15 (quinze) dias para contestação às conclusões apresentadas no presente despacho na observância dos princípios da ampla defesa e do contraditório. Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 A contribuinte foi intimada da Resolução CARF e do despacho da EQREC em 17/07/2013 (fl. 893), tendo apresentado a manifestação de fls. 895/900, na qual requereu a conversão do feito em diligência, para cancelamento dos valores lançadas em duplicidade, ou, subsidiariamente, o cancelamento do presente lançamento, ou, ainda, a procedência parcial do lançamento originário. Foram juntados aos autos os documentos de fls. 1030/1089. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11700.000133/200951 Acórdão n.º 2402005.438 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Conversão do julgamento em diligência Segundo a recorrente, o feito deveria ser convertido em diligência, para que a RFB excluísse, cancelasse ou anulasse as exigências em duplicidade. Conforme relatado acima, este Conselho, em sessão de julgamento realizada em 22 de novembro de 2012, já havia convertido o julgamento em diligência, para que a fiscalização apurasse a possível existência de sobreposição dos lançamentos realizados pelo FNDE e pelo INSS/SRFB. No despacho de fls. 886/890, a EQREC confirmou a existência de sobreposição em inúmeras competências para os diversos estabelecimentos da recorrente, propondo, em consequência, a retificação do lançamento realizado nestes autos, a fim de "excluir os valores que se encontram em duplicidade com a opção da manutenção dos valores já lançados no período 01/1998 a 10/1999 nos debcad's nº 49.902.4931, 49.903.2497, 49.903.2535 e 49.905.9719". A recorrente foi intimada do resultado da diligência e na manifestação de fls. 895/900 argumenta que o feito deveria ser convertido em diligência, para que a RFB excluísse, cancelasse ou anulasse as exigências em duplicidade, apresentando, a título de argumentação, planilhas demonstrativas dos lançamentos dúplices. Comparandose tais planilhas com o resultado da diligência, vêse que a EQREC confirmou a existência das irregularidades apontadas pela recorrente, em sua manifestação, com exceção das competências 01/1998 a 04/1998 do estabelecimento CNPJ final 011734, debcad nº 49.902.4931. Com efeito, vejase que ao concluir pela retificação do presente DEBCAD nº 35.007.3570, para excluir os valores dúplices, mantendoos em outros DEBCAD´S, a autoridade fiscal elaborou o seguinte quadro demonstrativo (vide fls. 888/889), o qual, no seu entender, não registra nenhuma duplicidade: Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11700.000133/200951 Acórdão n.º 2402005.438 S2C4T2 Fl. 6 9 Todavia, a recorrente aponta que nas competências 01/1998 a 04/1998 há, sim, sobreposição (vide fls. 899). Vejase: Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Do quadro demonstrativo acima, vêse que os valores lançados no DEBCAD nº 49.902.4931, que compõem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) nº 23034.000502/200308, competências 01/1998 a 04/1998, igualmente compõem o presente PAF, havendo aparente sobreposição de lançamentos. Mais ainda, o despacho registra, à fl. 890, que este Conselho decotou do lançamento havido naquele outro PAF os valores das competências retro mencionadas, ante os efeitos da decadência. Compulsandose o PAF nº 23034.000502/200308, constatase que há, realmente, duplicidade de lançamentos também naquelas competências. Vejase, abaixo, o quadro demonstrativo extraído da sua fl. 22: Desta forma, deve ser adotada a mesma solução para os demais períodos cuja duplicidade foi confirmada pela fiscalização. Isto é, os valores devem ser mantidos no DEBCAD nº 49.902.4931, observandose, inclusive, o julgamento já realizado por este Conselho. Lembrese, nesse contexto, que a opção de exclusão dos valores deste DEBCAD, para mantêlos nos demais, foi da própria autoridade fiscal (fl. 887): Em conclusão, sugerimos a retificação do presente débito debcad nº 35.007.3570 para excluir os valores que se encontram em duplicidade com a opção da manutenção dos valores já lançados no período 01/1998 a 10/1999 nos debcad 's nº 49.902.4931 , 49.903.2497 , 49.903.2535 e 49.905.9719 e, após as devidas exclusões, o débito deve ser mantido com os seguintes valores demonstrados no quadro seguinte, que não se encontram em duplicidade Deve, pois, ser mantido o mesmo critério adotado pelo agente administrativo. A propósito das duplicidades já reconhecidas, é importante observar que, se a própria autoridade reconheceu o equívoco, sugerindo a correção do lançamento nesse tocante, não compete à autoridade julgadora proceder de modo diverso, sobretudo para dar tratamento mais gravoso ao sujeito passivo. Com efeito, a autoridade julgadora não tem competência para lançar, ex vi do art. 142 do CTN, segundo o qual o lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11700.000133/200951 Acórdão n.º 2402005.438 S2C4T2 Fl. 7 11 Como se vê, não há necessidade de nova conversão do julgamento em diligência, vez que do simples exame do outro processo se conclui que há duplicidade nas únicas competências cuja controvérsia remanesceu. Aplicandose os mesmos critérios utilizados pela fiscalização, é possível decotarse deste processo os lançamentos cobrados em duplicidade. Nova conversão do julgamento em diligência apenas prejudicaria a rápida solução deste litígio, em confronto com o disposto no inc. LXXVIII do art. 5º da CF, segundo o qual, a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 3 Nulidade da NFLD Em seu recurso, a recorrente defende a tese de que a NFLD seria nula, visto que o lançamento ocorreu quando o crédito estava com sua exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. Ocorre que o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência. O relatório fiscal é claro nesse sentido, tendo consignado inclusive que a notificação foi lavrada com esse intuito, "não tendo, a princípio, finalidade de cobrança [...]" (fl. 71). Este Colegiado tem o entendimento uníssono de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. Vejase: [...] LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e material para a constituição do crédito tributário. [...] Recurso Voluntário Provido. (Relator(a) RONALDO DE LIMA MACEDO, acórdão 2402 004.749, julgado em 09/12/2015) É sabido que a decadência não se interrompe, nem se suspende, de maneira que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. A existência de tal ato ou procedimento está prevista, inclusive, no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Outro não é o entendimento da doutrina: Assim, promovida a ação declaratória ou impetrado o mandado de segurança, pode e deve a Fazenda Pública fazer o lançamento respectivo. Seus agentes fiscais obterão junto ao contribuinte os elementos materiais necessários à quantificação do tributo, cuja cobrança será feita a final, se a decisão lhe for favorável. (HUGO DE BRITO MACHADO, Revista de Direito Tributário, 68, p. 48) A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (ALBERTO XAVIER, Do lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed, p. 428) A Primeira e a Segunda Turma do C. STJ têm o mesmo entendimento. Veja se: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. [...] 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11700.000133/200951 Acórdão n.º 2402005.438 S2C4T2 Fl. 8 13 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1259346/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011) ... RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 151, IV, do CTN, determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos EREsp 572.603/PR, entendeuse que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar" (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). 3. Recurso especial desprovido. (REsp 736.040/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 268) A existência do lançamento efetuado para prevenir a decadência está prevista na Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Logo, não há nulidade a ser declarada, devendo o recurso deve ser desprovido neste ponto. Quanto às alegações de inconstitucionalidade, é sabido que o CARF não tem competência para declarála. Vejase, nesse sentido, a sua Súmula nº 2: Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. 4 Seguro de vida A recorrente sustenta que o seguro de vida em grupo trouxe vantagens para a empresa, e não para o empregado, pois ela deixou de indenizálos, repassando tal encargo para a seguradora. Afirma que o seguro não traz ganhos para os trabalhadores, reduzindolhes o salário na medida em que custeiam 20% do prêmio total. Assevera, ainda, que o seguro é extensível a todos os seus empregados. Nesse tocante, observase à fl. 142 do Relatório Fiscal REFISC, que o lançamento foi efetuado sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, sobre os pagamentos havidos em reclamatórias trabalhistas, bem como sobre as prestações adimplidas a título de Seguro de Vida em Grupo. A decisão a quo entendeu que os valores do seguro de vida em grupo não estão incluídos nas parcelas que não integram o saláriodecontribuição, taxativamente elencadas no § 9º do art. 28 da Lei 8212/1991. Em consonância com o art. 195, inc I, alínea a, da CF, o art. 28, inc I, da Lei 8212/1991, estabelece que as contribuições devidas à seguridade social incidem sobre a remuneração paga ao trabalhador, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Por sua vez, o § 9º do art. 28 cuidou de regulamentar as parcelas específicas que não integram o saláriodecontribuição. Nessas parcelas não integrativas, não estão incluídas as importâncias pagas a título de seguro de vida em grupo. Ocorre que o art. 214, § 9º, inc. XXV, do Regulamento da Previdência Social (RPS), prevê que tais parcelas não integram a remuneração, desde que (i) previstas em acordo ou convenção coletiva de trabalho e (ii) estejam disponíveis à totalidade de seus empregados. Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11700.000133/200951 Acórdão n.º 2402005.438 S2C4T2 Fl. 9 15 Quanto à previsão em acordo ou convenção coletiva, vale registrar que o C. STJ tem entendimento no sentido de que o Decreto "extrapolou os limites estabelecidos na norma e acabou por inovar ao estabelecer a necessidade de previsão em acordo ou convenção coletiva para fins de nãoincidência da contribuição previdenciária sobre o valor do prêmio de seguro de vida em grupo pago pela pessoa jurídica aos seus empregados e dirigentes"2. Contudo, e como não compete a este Conselho afastar a aplicação de Decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, ex vi do caput do art. 62 do RICARF, e inexistentes as hipóteses autorizadores previstas nos seus §§ 1º e 2º, adotarseá o entendimento já esposado por este Colegiado, por ocasião dos julgamentos abaixo reproduzidos: [...] SEGURO DE VIDA EM GRUPO. SEM PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA. Em razão de não estar previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, os valores despendidos pelo sujeito passivo a título de seguro de vida em grupo devem compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. [...] (RECURSO VOLUNTÁRIO Data da Sessão 09/12/2015 Relator(a) RONALDO DE LIMA MACEDO Acórdão 2402 004.779) ... [...] SEGURO DE VIDA EM GRUPO Incide tributação sobre o valor relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e quando não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. [...] (RECURSO VOLUNTÁRIO Data da Sessão 27/01/2016 Relator(a) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Acórdão 2402 004.881) Neste caso concreto, a recorrente não alegou, tampouco comprovou que o seguro estava previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, sendo admissível, pois, a incidência das contribuições lançadas sob a rubrica tratada neste tópico. As alegações da recorrente, de que (i) o seguro de vida em grupo trouxe vantagens para a empresa, e não para o empregado, pois ela deixou de indenizálos, repassando tal encargo para a seguradora; (ii) o seguro não traz ganhos para os trabalhadores, reduzindo lhes o salário na medida em que custeiam 20% do prêmio total; (iii) a CLT teria previsto a hipótese de não incidência; não são aptas a infirmar as conclusões acima, negandose provimento ao recurso também nesse tocante. 2 STJ, REsp 660.202/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/05/2010, DJe 11/06/2010. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 5 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de excluir do lançamento as competências 01/1998 a 10/1999, as quais foram lançadas em duplicidade. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 2/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10280.722279/2009-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
COFINS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇO DE REMOÇÃO DE LAMA VERMELHA, AREIA E CROSTA. AQUISIÇÕES DE ÁCIDO SULFÚRICO E FRETES RELACIONADOS A ESSAS AQUISIÇÕES, ÓLEO BPF.
Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados.
Recurso Especial do Procurador Provido
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição ao conselheiro Demes Brito na reunião de Outubro/2016), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Não votaram os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal e Demes Brito.
Julgamento iniciado na reunião de Outubro/2016 e concluído na reunião de Novembro/2016, na qual foram mantidos os votos já proferidos na reunião de Outubro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Recorrente Fazenda Nacional Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇO DE REMOÇÃO DE LAMA VERMELHA, AREIA E CROSTA. AQUISIÇÕES DE ÁCIDO SULFÚRICO E FRETES RELACIONADOS A ESSAS AQUISIÇÕES, ÓLEO BPF. Na incidência não cumulativa do PIS, instituída pela Lei nº 10.637/02 e da Cofins, instituída pela Lei nº 10.833/03, devem ser compreendidos por insumos somente bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou seja, que integrem o processo produtivo e que com eles estejam diretamente relacionados. Recurso Especial do Procurador Provido Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 79 /2 00 9- 87 Fl. 784DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição ao conselheiro Demes Brito na reunião de Outubro/2016), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Não votaram os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal e Demes Brito. Julgamento iniciado na reunião de Outubro/2016 e concluído na reunião de Novembro/2016, na qual foram mantidos os votos já proferidos na reunião de Outubro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10280.722279/200987 Acórdão n.º 9303004.379 CSRFT3 Fl. 786 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3403 001.957, de 20 de março de 2013, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção.. CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO, FRETES, COMBUSTÍVEIS, ADITIVOS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível, aditivos para tratamento de combustível e água destinada à geração de vapor, assim como serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina). Recurso Voluntário Provido em Parte. Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs o já referido recurso especial, se insurgindo quanto ao acórdão recorrido ter considerado que as aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, tenham sido consideradas insumo para fins de aproveitamento do crédito das contribuições não cumulativas. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do despacho de fls. 618/619. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 623/662, e recurso especial de divergência, às fls. 697/729, ao qual foi negado seguimento, conforme despacho de fls. 770/772, retornando o processo para prosseguimento. É o relatório. Fl. 786DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Relator O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A controvérsia aduzida nos presentes autos diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Cofins dos valores relativos às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03. A Lei nº 10.833/2003, que instituiu a Cofins com incidência não cumulativa assim dispõe quanto aos créditos passiveis de descontos da contribuição apurado no mês /e ou de ressarcimento do saldo credor trimestral: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10280.722279/200987 Acórdão n.º 9303004.379 CSRFT3 Fl. 787 5 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2o sobre o valor: § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação Fl. 788DF CARF MF 6 da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10280.722279/200987 Acórdão n.º 9303004.379 CSRFT3 Fl. 788 7 devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do art. 2o; I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS Fl. 790DF CARF MF 8 devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I o valor das aquisições que servir de base para cálculo do crédito presumido não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de produto, pela Secretaria da Receita Federal SRF; e (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II a Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para regulamentálo. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditarse de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da Tipi, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) Fl. 791DF CARF MF Processo nº 10280.722279/200987 Acórdão n.º 9303004.379 CSRFT3 Fl. 789 9 I – no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos); ou (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II – na hipótese de opção pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei, no prazo de 6 (seis) meses, à razão de 1/6 (um sexto) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, ficando o Poder Executivo autorizado a alterar o prazo e a razão estabelecidos para o cálculo dos referidos créditos. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) § 17. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 4o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) § 17. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do § 5o do art. 2o desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 7,60% (sete inteiros e sessenta centésimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) § 17. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota: (Redação dada pela Lei nº 12.507, de 2011) I de 5,60% (cinco inteiros e sessenta centésimos por cento), nas operações com os bens referidos no inciso VI do art. 28 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005; (Incluído pela Lei nº 12.507, de 2011) II de 7,60% (sete inteiros e sessenta centésimos por cento), na situação de que trata a alínea “b” do inciso II do § 5o do art. 2o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 12.507, de 2011) III de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 12.507, de 2011) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos Fl. 792DF CARF MF 10 recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 22. (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008). §23.Sem prejuízo da vedação constante na alínea “b” do inciso I do caput, excetuamse do disposto nos incisos II a IX do caput os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda desses produtos.(Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008). §24.O disposto no § 17 também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam a Leis nºs 7.965, de 22 de dezembro de 1989, a Lei no 8.210, de 19 de julho de 1991, a Lei no 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008). § 23. O disposto no § 17 deste artigo também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nºs 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994.(Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Fl. 793DF CARF MF Processo nº 10280.722279/200987 Acórdão n.º 9303004.379 CSRFT3 Fl. 790 11 § 24. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na hipótese de aquisição de mercadoria revendida por pessoa jurídica comercial estabelecida nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 23 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 3% (três por cento). (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). § 25. ao § 29. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto Fl. 794DF CARF MF 12 intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10280.722279/200987 Acórdão n.º 9303004.379 CSRFT3 Fl. 791 13 nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de lPl). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...]REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulativìdade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Fl. 796DF CARF MF 14 Não há como concordar com essa conclusão eis que muito ampliativa e não encontra fundamentação legal para o uso da legislação do IRPJ para a apropriação dos créditos. Se fosse essa a intenção da lei haveria uma disposição expressa nesse sentido. Em relação ao PIS e à Cofins aplicáveis na sistemática nãocumulativa, podemos considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre os dois conceitos anteriormente citados, pois denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Temse que exigir que o bem ou serviço tenha siso adquirido para ser utilizado na produção do bem ou prestação de serviço. Não necessariamente há de ser consumido no processo, conforme preconiza a legislação do IPI. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10280.722279/200987 Acórdão n.º 9303004.379 CSRFT3 Fl. 792 15 § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Percebese que a jurisprudência desse Conselho caminha para uma solução intermediária, conforme exposto acima. Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Também o STJ começa a se manifestar sobre o tema. Em recente publicação de acórdão, em 08/02/2013, a corte decidiu que não há direito ao creditamento em relação às despesas com tranferência interna entre estabelecimentos da mesma empresa. Ficou clara a não aplicação da legislação do IRPJ. Processo Fl. 798DF CARF MF 16 AgRg no REsp 1335014 / CE AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2012/01503837 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 18/12/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2013 Ementa TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. 2. O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento. 3. A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva,tampouco analógica. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido. Como bem colocado na decisão acima, a norma que concede benefício fiscal, no caso créditos de PIS e COFINS, somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica. Também alguns Tribunais Regionais Federais tem se manifestado acerca do assunto, como o seguinte acórdão prolatado pelo TRF da 1ª Região: "TRIBUTÁRIO PIS E COFINS CREDITAMENTO "INSUMOS" PRODUTOS DE LIMPEZA/DESINFECÇÃO E DEDETIZAÇÃO – PREVISÃO LEGAL ESTRITA. 1. A sistemática das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.883/2003 (COFINS) permite que a pessoa jurídica desconte créditos calculados em relação a bens e serviços por ela utilizados como insumos na prestação de serviços por ela prestados ou fabricação de bens por ela produzidos. 2. A IN/SRF nº 247, de 21 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10280.722279/200987 Acórdão n.º 9303004.379 CSRFT3 Fl. 793 17 NOV 2002, com redação dada pela IN/SRF nº 358, de 09 SET 2003 (dispõe sobre PIS e COFINS) e a IN/SRF º 404/2004, definem como insumo os produtos "utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à revenda", assim entendidos como "as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". 3. As normas tributárias, ao definir insumo como tudo aquilo que é utilizado no processo de produção, em sentido estrito, e integrado ao produto final, nada mais fizeram do que explicitar o conteúdo semântico do termo legal "insumo", sem, todavia, infringência ao poder regulamentar, pois nelas não há, no ponto, nenhuma determinação que extrapole os termos das Leis na 10.637/2002 e nº 10.883/2003. 4. Os produtos de limpeza, desinfecção e dedetização têm finalidades outras que não a integração do processo de produção e do produto final, mas de utilização por qualquer tipo de atividade que reclama higicnização, não compreendendo o conceito de insumo, que é tudo aquilo utilizado no processo de produção e/ou prestação de serviço, em sentido estrito, e integra o produto final. 5. O creditamento relativo a insumos, por ser norma de direito tributário, está jungido ao princípio da legalidade estrita, não podendo ser aplicado senão por permissivo legal expresso. 6. Apelação não provida. 7. Peças liberadas pelo Relator, em 23/11/2009, para publicação do acórdão eDJF DATA.04/12/2009 PAGINA:448. Processo: AC 200438000375799. TRF." Percebese que o Tribunal usou, no caso, as definições contidas nas Instruções Normativas da RFB para fundamentar a decisão. Em que pese ser essa decisão baseada estritamente nas normas regulamentares da RFB, ela fala em “utilização no processo produtivo ou de prestação de serviços”. Assim, não poderemos extrapolar o permitido pelas Lei nºs 10.637/02 e 10.883/2003, para a concessão dos créditos. É bom frisar que como a empresa exporta os produtos, ela mantém o direito aos créditos, porém nos estritos ditames do art. 3º. Se o legislador quisesse ampliar o conceito de insumo, dandolhe uma extensão maior, não teria trazido um rol taxativo de possibilidades de creditamento, inclusive em relação a créditos não provenientes de insumos. O princípio da não cumulatividade para as contribuições se dá de um modo diferenciado e menos extenso. Aqui o legislador mitigou o conceito de não cumulatividade ao escolher e determinar quais seriam as possibilidades de aproveitamento dos créditos referentes aos tributos pagos em etapa anterior. Feitos todos esses comentários, passemos à análise do presente caso. Sustenta a Procuradoria da Fazenda Nacional em seu recurso que as aquisições de ácido sulfúrico e fretes relacionados a essas aquisições, óleo BPF e sobre os serviços de remoção da lama vermelha, areia e crosta não podem ser considerados insumo, eis que, não são utilizados diretamente na fabricação ou produção de bens e serviços, destinados à venda, observadas as condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, c/c Fl. 800DF CARF MF 18 o artigo 8º da IN SRF nº 404, de 2004, bem como não atuam diretamente sobre o produto final, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário, não sendo suscetível de gerar crédito ao contribuinte na sistemática não cumulativa da COFINS. Considerando os conceitos expostos anteriormente, o insumo caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Verificase assim, que os valores glosados não se amoldam ao conceito de insumo porque não fazem parte diretamente da produção do produto exportado (alumina). Destarte, entendo que deve ser mantida a glosa com as aquisições de ácido sulfúrico e fretes relacionados a essas aquisições, óleo BPF e sobre os serviços de remoção da lama vermelha, areia e crosta por não estarem inseridos no processo produtivo, não sendo considerados insumos. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 801DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000498/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas.
Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas.
Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional.
Simples. Exclusão. Sócio com Participação em outra Empresa.
Constatado pela fiscalização que o sócio da empresa participa da gestão de outras empresas, ainda que sob o subterfúgio de procuração pública lavrada em seu favor pelas interpostas pessoas que constam nos quadros societários destas outras empresas, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
Simulação do Ato Jurídico. Evasão Fiscal. Utilização de Interpostas Pessoas.
A utilização de interpostas pessoas, laranjas, no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária.
Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento. Interposição de Pessoas.
A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária.
Sujeição Passiva Solidária. Empresas do Grupo Econômico. Legitimidade.
Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos que as empresas que efetivamente operam (comercializam e prestam serviços) utilizaram-se de subterfúgios, com a criação de empresas-satélites fictícias, com o intuito de indevidamente aderir à sistemática do regime tributário diferenciado e de favorecimento fiscal, Simples Nacional/Federal, restando devidamente comprovado o interesse comum e a prática dos atos fraudulentos para se eximir das obrigações tributárias.
Juros de Mora sobre Multa de Ofício.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples. Autos de Infração. Concomitância.
A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.
(Súmula CARF nº 77)
Nulidade da Decisão. Cerceamento do Direito de Defesa.
Não constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, irrelevantes à solução do conflito, nos termos do disposto nos artigos 59, II, c/c 60 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não constata-se nos autos que o acórdão de primeira instância quedou-se silente sobre qualquer contestação aduzida pela contribuinte.
Pedido de Perícia/Diligência. Indeferimento. Não Causa Nulidade.
A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF)
Nulidade dos ADE. Competência da Autoridade Fiscal.
A autoridade fiscal, no caso Inspetor/Delegado do órgão da Administração Tributária, é competente para emitir os atos administrativos necessários à exclusão dos contribuintes dos regimes de tributação diferenciados e instituídos em favor fiscal, Simples Nacional/Federal, por previsão nas normas de regência destas sistemáticas de tributação.
Nulidade da Autuação. Desconsideração da Personalidade Jurídica.
Não se constata nos autos qualquer despersonalização de pessoa jurídica, mas somente a tributação devida, nos estritos moldes legais, de operações comerciais e de prestação de serviços, que não podem se sujeitar aos regimes de tributação do Simples Nacional/ Federal.
Numero da decisão: 1302-001.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários dos sujeito passivo principal e dos responsáveis solidários, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto de Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 Simples Federal. Exclusão. Interpostas Pessoas. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional. Simples. Exclusão. Sócio com Participação em outra Empresa. Constatado pela fiscalização que o sócio da empresa participa da gestão de outras empresas, ainda que sob o subterfúgio de procuração pública lavrada em seu favor pelas interpostas pessoas que constam nos quadros societários destas outras empresas, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos - Simples Federal/Nacional. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Simulação do Ato Jurídico. Evasão Fiscal. Utilização de Interpostas Pessoas. A utilização de interpostas pessoas, laranjas, no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. Multa Qualificada. Fraude. Conceituação Legal. Vinculação da Atividade do Lançamento. Interposição de Pessoas. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identifica-se com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. Sujeição Passiva Solidária. Empresas do Grupo Econômico. Legitimidade. Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos que as empresas que efetivamente operam (comercializam e prestam serviços) utilizaram-se de subterfúgios, com a criação de empresas-satélites fictícias, com o intuito de indevidamente aderir à sistemática do regime tributário diferenciado e de favorecimento fiscal, Simples Nacional/Federal, restando devidamente comprovado o interesse comum e a prática dos atos fraudulentos para se eximir das obrigações tributárias. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples. Autos de Infração. Concomitância. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 77) Nulidade da Decisão. Cerceamento do Direito de Defesa. Não constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, irrelevantes à solução do conflito, nos termos do disposto nos artigos 59, II, c/c 60 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não constata-se nos autos que o acórdão de primeira instância quedou-se silente sobre qualquer contestação aduzida pela contribuinte. Pedido de Perícia/Diligência. Indeferimento. Não Causa Nulidade. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) Nulidade dos ADE. Competência da Autoridade Fiscal. A autoridade fiscal, no caso Inspetor/Delegado do órgão da Administração Tributária, é competente para emitir os atos administrativos necessários à exclusão dos contribuintes dos regimes de tributação diferenciados e instituídos em favor fiscal, Simples Nacional/Federal, por previsão nas normas de regência destas sistemáticas de tributação. Nulidade da Autuação. Desconsideração da Personalidade Jurídica. Não se constata nos autos qualquer despersonalização de pessoa jurídica, mas somente a tributação devida, nos estritos moldes legais, de operações comerciais e de prestação de serviços, que não podem se sujeitar aos regimes de tributação do Simples Nacional/ Federal.
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E COM. LTDA. e TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos Simples Federal/Nacional. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. INTERPOSTAS PESSOAS. Constatado pela fiscalização a utilização de subterfúgios para se manter no Simples Federal/Nacional, tal como constar nos quadros societários interpostas pessoas, cujo robusto corpo probatório amealhado não foi ilidido pela empresa, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos Simples Federal/Nacional. SIMPLES. EXCLUSÃO. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRA EMPRESA. Constatado pela fiscalização que o sócio da empresa participa da gestão de outras empresas, ainda que sob o subterfúgio de procuração pública lavrada em seu favor pelas interpostas pessoas que constam nos quadros societários destas outras empresas, acertada a exclusão dos regimes tributários diferenciados e favorecidos Simples Federal/Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 04 98 /2 01 0- 26 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 2 Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 SIMULAÇÃO DO ATO JURÍDICO. EVASÃO FISCAL. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. A utilização de interpostas pessoas, laranjas, no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude, lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, § 1º, Lei nº 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, por si só, caracteriza a simulação de ato jurídico e configura a intenção do agente em fraudar a Administração Tributária. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EMPRESAS DO GRUPO ECONÔMICO. LEGITIMIDADE. Correto o estabelecimento da sujeição passiva solidária uma vez constatado nos autos que as empresas que efetivamente operam (comercializam e prestam serviços) utilizaramse de subterfúgios, com a criação de empresas satélites fictícias, com o intuito de indevidamente aderir à sistemática do regime tributário diferenciado e de favorecimento fiscal, Simples Nacional/Federal, restando devidamente comprovado o interesse comum e a prática dos atos fraudulentos para se eximir das obrigações tributárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo neste conceito o tributo e a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUTOS DE INFRAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 77) NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, irrelevantes à solução do conflito, nos termos do disposto nos artigos 59, II, c/c 60 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não constatase nos autos que o acórdão de primeira instância quedouse silente sobre qualquer contestação aduzida pela contribuinte. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 3 3 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. NÃO CAUSA NULIDADE. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) NULIDADE DOS ADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. A autoridade fiscal, no caso Inspetor/Delegado do órgão da Administração Tributária, é competente para emitir os atos administrativos necessários à exclusão dos contribuintes dos regimes de tributação diferenciados e instituídos em favor fiscal, Simples Nacional/Federal, por previsão nas normas de regência destas sistemáticas de tributação. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Não se constata nos autos qualquer despersonalização de pessoa jurídica, mas somente a tributação devida, nos estritos moldes legais, de operações comerciais e de prestação de serviços, que não podem se sujeitar aos regimes de tributação do Simples Nacional/ Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários dos sujeito passivo principal e dos responsáveis solidários, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto de Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pelos recorrentes acima identificados contra o Acórdão nº 1651.354/13, efls 644 a 695, proferido pela Sétima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP 1, o qual manteve as exclusões da empresa do Simples Federal (Lei nº 9.317/96), do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/06) ADE nºs 55 e 56, às efls. 97 e 98 , bem como os Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativas aos anoscalendários de 2005 a 2009, no valor total de R$ Fl. 744DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 4 718.895,76, incluídos a multa de ofício cominada na forma qualificada (150%) e juros moratórios AI às efls. 121 a 226, e Termo de Verificações Fiscal às efls. 578 a 588. Assim restou ementado o acórdão recorrido: Juntada de Prova. Oportunidade. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Cerceamento do Direito de Defesa. Fase Procedimental. Caráter Inquisitório. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. Competência. Autoridade Administrativa. A autoridade administrativa tem competência para atuar de ofício, independentemente de prévia decisão judicial, quando se comprove que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação. Exclusão do SIMPLES. Constituição de Pessoa Jurídica por Interpostas Pessoas. Efeitos. Provada a constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, válida a exclusão de ofício do SIMPLES, formalizada pela autoridade competente no ADE em litígio, com efeitos a partir, inclusive, do mês da constituição da pessoa jurídica, mas observado o prazo decadencial. Exclusão do SIMPLES NACIONAL. Constituição de Pessoa Jurídica por Interpostas Pessoas. Provada a constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, válida a exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL, formalizada pela autoridade competente no ADE em litígio, com efeitos a partir da instituição do regime em 1º/07/2007. Exclusão do SIMPLES NACIONAL. Administrador de Outra Pessoa Jurídica. Receita Bruta Global Acima do Limite. Não pode se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$2.400.000,00. Lucro Arbitrado. O imposto deve ser determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. Reconstituição da Escrita. Dever Instrumental da Contribuinte. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 4 5 A manutenção de escrituração comercial e fiscal, nos termos da legislação, com suporte em documentação hábil, é dever instrumental, ou obrigação acessória da contribuinte, para que a fiscalização possa exercer o poder de verificação da regularidade da apuração das bases de cálculo e dos tributos e contribuições devidos. A fiscalização não tem o dever de suprir a inércia da contribuinte, na produção da prova de escrituração hábil. Lucro Presumido. Opção Não Admitida às Empresas Excluídas do Simples Federal. Nos casos de exclusão retroativa, a empresa deve se submeter à tributação com base no Lucro Real ou Arbitrado, porque não prevista a possibilidade de opção pelo Lucro Presumido na Lei de regência do Simples Federal. A opção pelo Lucro Presumido deve ser manifestada com o pagamento espontâneo do imposto devido, o que não se configura possível após a instauração do procedimento fiscal. Simulação. Constituição de Pessoa Jurídica por Interpostas Pessoas. Considerase robusto o conjunto probatório produzido pela fiscalização acerca da simulação na constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, quando formado, em síntese, pelos seguintes elementos: (i) a existência de relação de parentesco entre os sócios de fato das empresas; (ii) a prova de que os demais sócios da empresa simulada eram, em regra, ex empregados e/ou empregados das outras empresas do grupo econômico; (ii) a falta de localização da empresa simulada no endereço cadastral, ou de prova de que exercia sua atividade naquele endereço; (iii) a falta de escrituração de despesas necessárias ao desempenho a atividade descrita no contrato social; (iv) a prova de que a empresa simulada se utilizava de recursos humanos e, conseqüentemente, patrimoniais das empresas verdadeiras, e a falta de prova de que desempenhava uma atividade independente e autônoma; (v) a localização da contabilidade das empresa simulada no endereço da empresa verdadeira; (v) a prova de que havia circulação de recursos, ao menos escriturais, para dar aparência de regularidade, entre a simulada e as empresas do grupo; e (vi) a prova de que a empresa simulada tinha uma folha de pagamentos incompatível com o porte/faturamento da empresa. A constituição da pessoa jurídica, por interpostas pessoas, teve como único propósito reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamentos, mediante o registro dos empregados do grupo empresarial, em uma pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Suspensão de Exigibilidade do Crédito Tributário. Efeitos da Impugnação ao ADE. “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão” (Súmula CARF nº 77). Responsabilidade de Terceiros. Interesse Comum. É evidente o interesse comum das designadas responsáveis tributárias na constituição de pessoa jurídica, por interpostas pessoas, optante pelo Fl. 746DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 6 SIMPLES e pelo SIMPLES NACIONAL, utilizada para registro de grande parte dos empregados daquelas empresas, e assim reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamento das responsáveis tributárias. Multa Qualificada. Sonegação. A constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas, não para desenvolvimento de uma atividade empresarial, mas para reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamento de outras empresas, configura ação dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Somente a lei pode estabelecer: (i) a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; e (ii) as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades Não há qualquer dúvida acerca do dolo da conduta da contribuinte que permita a incidência dos preceitos do art. 112 do CTN. A exclusão da empresa dos regimes diferenciados de tributação, simplificados e favorecidos, iniciouse por uma representação pela qual a autoridade fiscal relatou os seguintes fatos à autoridade competente à expedição dos Atos Declaratório Executivos de exclusão (ADE) e conclui que a empresa Trukam Mecânica Pesada Ltda EPP foi constituída por simulação, só existindo para registrar empregados no papel, sem dispor de patrimônio, ativo imobilizado, capacidade operacional necessária à realização do seu objeto social: A diligência fiscal desenvolvida na empresa acima identificada evidencia a presença de subterfúgios utilizados no intuito de afastar a incidência de contribuições previdenciárias (cota patronal e terceiras entidades) , por meio da opção indevida pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES, a partir da sua criação em 01/09/1998. Tais subterfúgios consistem em incluir em seus quadros societários, pessoas que não são seus verdadeiros sócios e, ainda, deixando de incluir no quadro societário os sócios de fato. Constatouse que a mesma integra, DE FATO, um GRUPO ECONÔMICO, liderado pelas empresas TRUKAM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA,' CNPJ 82.853.953/000167, criada em 1973 (fls.10) e TRUKAM IMPLEMENTOS 'E. VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 78.814.522/000114, criada em 1985 (fls.11) que se constituem nas empresasmãe. São sócios das empresamãe FIORINDO MENEGOLLA, AVELINO MENEGOLLA e ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA (folhas 12 a 18). A empresa representada é administrada pela sócia administradora LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, que vem a ser filha do sócio das empresasmãe AVELINO MENEGOLLA. [...] 1. A empresa representada tem Como endereço a Rodovia BR 282, s/n Bairro Vista Alegre, na cidade de Xanxerê/SC, conforme folhas 19. No mesmo endereço funciona a empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEíCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 78.814.522/000114, conforme folhas 20. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 5 7 2. A empresa representada está, supostamente, localizada no imóvel da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, conforme folhas 21 a 22. 3. Não há qualquer separação fisica entre a empresamãe e a empresa aqui representada, conforme se observa na fotografia, as folhas 23; 4. Um dos sócios, o Sr. PLÍNIO FANTINELLI, que fez .parte da sociedade desde a sua fundação em 01/09/1998 até 29/11/2006, conforme Contrato Social e Alteração Contratual n° 02, as folhas 23 a 29, trabalhou para a empresamãe de 03/06/1996 até 22/09/1999, conforme folhas 30. 5. A partir do seu desligamento da empresa representada este mesmo segurado retornou a sua condição de empregado. Porém, desta vez, na empresa TRUKAM MONTADORA LTDA., CNPJ 02.788.724/000177, conforme folhas 31, outra empresa do mesmo grupo econômico, criada com o mesmo propósito, que será objeto de representação distinta. 6. Com . a saída do sócio PLÍNIO FANTINELLI, ingressou na sociedade o Sr. ANTONIO MARCOS DE BARROS, em 28/11/2006, conforme Alteração Contratual nº 02, as folhas 28 a 29. 7. Entretanto, o suposto sócio ANTÔNIO MARCOS DE BARROS, jamais foi informado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPr como segurado empregador (código 11} e sim como segurado EMPREGADO (código 01), como todos os demais empregados. Por amostragem anexamos cópia da GFIP dos meses de competência 12/2006, 12/2007, 12/2008 e 10/2009, folhas 32 a 35. 8. Nas mesmas GFIPs, no que se refere a data de admissão do segurado ANTONIO MARCOS DE BARROS, a mesma informa o dia 01/04/2002 e não o dia 29/11/2006, quando do suposto ingresso do segurado no quadro societário da representada. 9. A partir do mês de competência dezembro/2003 o segurado ANTÔNIO MARCOS DE BARROS, passa a figurar na GFIP da empresamãe TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 73.814.522/0001 14, conforme folhas 36 e 37, porém, com data de admissão de 01/04/2002. Esta GFIP resume todo o processo: o segurado nunca deixou de trabalhar para a empresa mãe na condição de empregado. [...] 11. Outra constatação de que se trata do mesmo grupo empresarial ê a centralização da contabilidade das empresas envolvidas, nas dependências da empresa TRUKAM IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, a empresamãe. Responde pelos serviços contábeis o mesmo profissional, Sr. OLDI VERGÍLIO CASSOL. 12. Da mesma forma os serviços de recursos humanos (admissão, dispensa, etc.) são prestados nas dependências da empresa TRUKAM IMPLEMENTOS e VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, a empreaamãe. Responde pelos serviços de recursos humanos a mesma profissional, Sra. RITA LUZIA PICCINI, que é empregada da empresamãe TRUKAM Fl. 748DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 8 IMPLEMENTOS E VEÍCULOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 78.814.522/0001 14, conforme folhas 33. 13. Mesmo sendo empregada de outra empresa (da empresamãe) a Sra chefe do recursos humanos assinava contratos de trabalho de empregados da empresa representada, como no caso do segurado Alex Rosa, conforma folhas 39 a 40. 14. Para fins de demonstração foi analisado, por amostragem, apenas a contabilidade do exercido fiscal de 2008 e, pelas constatações, além dos fatos acima descritos, na contabilidade da empresa representada, foram encontradas situações que apontam para a mesma convicção gue se trata de empresa interposta com o propósito único de manter para si (optante do SIMPLES) o registro da maioria dos empregados, enquanto a maior parte da receita é contabilizada nas empresasmãe (não optante do SIMPLES), e, com Isto, deixar de contribuir com a contribuição social devida em favor da Seguridade Social, a saber: 14.1 A empresa não mantém, em sua contabilidade, ativo imobilizado (terrenos, prédios, instalações, máquinas, equipamentos, móveis e utensilios) indispensáveis para a desenvolvimento normal de suas atividades. 14.2 A empresa realiza "supostos" empréstimos com outras empresas do mesmo grupo, sempre em dinheiro, como no caso da empresamãe TRUKAM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. [...] 14.3 Não consta na contabilidade de 2008 o pagamento de impostos e taxas municipais, tais como alvará de licença e funcionamento. 14.4 Não consta na contabilidade de 2008 despesas com o consumo de energia elétrica. 14.5 Não consta na contabilidade de 2009 despesas com o consumo de água. 14.6 Não consta na contabilidade de 2008 despesas com telefone. [...] 16. Mas, é no confronto da receita bruta operacional das empresasmãe e da receita bruta operacional da empresa representada, comparado com os custos brutos de mão de obra, de cada uma delas, que a simulação irá se revelar de forma inquestionável e insofismável. Cabe lembrar que os ramos de atividades da empresa representada e das empresasmãe são correlatos e congêneres. Os números se referem ao exercício fiscal de 2008, a saber: Nome da Empresa Designação Receita Bruta Operacional Salário Bruto dos Empregados Salário em Relação a Receita Produtividade da Mão de Obra Trukam Ind. e Com. Empresa mãe 3.134.190,02 119.581,31 3,82% 26,21 Trukam Impl. E Veículos Empresa mãe 7.688.002,66 254.418,29 3,31% 30,22 Trukam Mec. Pesada Empresa 1.382.601,75 517.891,23 37,46% 2,67 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 6 9 Satélite Do quadro acima é possível identificar as seguintes distorções: 16.1 Enquanto as empresasmãe gastam 3,82% e 3,31%, respectivamente, da sua receita com o salário de seus empregados a emprega representada gasta 37,4 6% e, 16.2 Enquanto as empresasmãe conseguem gerar 26,21 e 30,22 reais de receita, respectivamente, para 1,00 real gasto com o salário bruto dos empregados a empresa representada consegue gerar tão somente 2,67 reais. Fica, definitivamente, esclarecido que o intuito da simulação foi deixar a receitas com as empresas não optantes do SIMPLES e a mãodeobra (sobre as quais incidem as contribuições previdenciárias) com a empresa optante do SIMPLES a fim de lograr beneficio tributário indevido em favor desta última. 17. Faz parte da sociedade LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, um dos SÓCIOS das empresasmãe. Entretanto, a referida sócia é administradora de fato (através de Instrumento Público de Procuração) das seguintes empresas do mesmo grupo econômico, a saber: J.J.B. REFRIGERAÇÃO LTDA, CNPJ 02.993.630/000130, processo 13982.000492/201059 TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA., CNPJ 07.054.857/000133, processo 13932.000497/201031; NOVA ERA CHAPEAÇAO MECÂNICA LTDA. EPP, CNPJ 07.054.84.5/000109, processo 13932.000493/201001 e, RODAOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇAO LTDA,, CNPJ 02.643.420/000129, processo 13982.000494/201048. O total do faturamento bruto das empresas administradas de fato por LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, no exercício fiscal de 2008, foi o seguinte: TRUKAM MECÂNICA PESADA LTDA 1.332.601,75 J.J.B. REFRIGERAÇÃO LTDA 1. 434.084,04 TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA....... 436. 64 4, 60 NOVA ERA CHAPEAÇAO MECÂNICA LTDA. 326.460,44 RODAOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇAO LTDA 367.692,82 TOTAL 4.447.483,65 Em assim raciocinando, representouse e a empresa foi excluída do Simples Federal, para os anoscalendários de 2005, 2006 até junho de 2007, e do Simples Nacional, para os anoscalendários de 2007 (julho a dezembro), 2008 e 2009, com fulcro nos artigos 14, inciso IV, e 15, inciso V, da Lei nº 9.317/96 e artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, inciso IV e parágrafo 1º, da Lei Complementar nº 123/06, respectivamente, consoante Atos Declaratórios Executivos (ADE) de efls. 97 e 98. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 10 E, em seguida, cuidouse de apurar os tributos federais, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, nos moldes comuns às pessoas jurídicas vedadas a aderir às sistemáticas do Simples, sendo que para os anoscalendários de 2005 e 2006 foram utilizados o regime de tributação de apuração do lucro real, 1º e 2º trimestres de 2007 a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro, pelo fato de a empresa não possuir contabilidade completa, nem têla escriturado no procedimento fiscal, enquanto para os 3º e 4º trimestres de 2007 e anocalendário de 2008 considerouse o regime do lucro presumido, e para 2009, regime de tributação do lucro real, pela opção exercida pela fiscalizada, consoante permitido pela Lei Complementar nº 123/06. A fiscalização limitouse a apurar os tributos IRPJ, CSLL, PIS e Cofins com base na receita conhecida, declarada em DSIRPJ. Os recorrentes interpuseram tempestivamente1 os Recursos de efls.704 a 723 e 730 a 735, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: I) Empresa recorrente a) os efeitos suspensivos dos ADE impedem, antes de definitivamente julgadas as suas procedências, a lavratura de Autos de Infração para a exigência de créditos tributários; b) são nulos os ADE, pois a empresa não foi ouvida antes da emissão destes, abrindose o direito ao contraditório somente após a emissão dos atos administrativos; este procedimento é rechaçado pelos tribunais, que entendem que primeiro a empresa deve sr notificada dos fatos contra si arguídos, para depois ser excluída, ou não, do regime simplificado; c) a Súmula CARF nº 17 deveria ter sido aplicada, por seu efeito vinculante, não cabendo a cominação da multa de ofício quando o lançamento tributário é efetuado para previnir a decadência; d) argumenta que a empresa não pode ser excluída sumariamente do Simples sob a acusação de prática reiterada de infração, ou por ato simulado, sem antes haver pronunciamento judicial neste sentido; cita o artigo 168, § único, do Código Civil; e) não houve prática de infração reiteradamente notificada à contribuinte, pelo que insubsistentes os ADE; f) houve presunção de culpa da recorrente pelas infrações, negandose vigência aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; g) o acórdão recorrido afirma que a imputação da solidariedade passiva tem como fulcro o artigo 124, inciso I, do CTN; todavia, no relatório fiscal a base legal utilizada foi o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, inaplicável às pessoas que se submetem ao Simples Federal e Nacional, cujos diplomas legais são outros e somente estes podem ser aplicados; destarte, não há base legal, pois o crédito tributário diz respeito a valores não recolhidos no âmbito do Simples; h) a decisão recorrida adotou a dedução da fiscalização que constitui em mera presunção, sem considerar que nada obsta que empresas com maior estrutura venham auxiliar outras de menor estrutura sem prejuízo da independência de cada, e que estes auxílios em condução de negócios não refletem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária; i) sobre a acusação de ser empresa formada por interposta pessoa, sem vida própria, acrescenta: 1 Empresa: AR – 10/10/13, efls. 703; Recurso – 01/11/13, efls. 704 Solidários: AR 27/11/13, efls. 727 e 728; Recurso 10/12/13, efls. 729 Fl. 751DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 7 11 Igualmente nada de ilegal, nem que possa caracterizar confusão patrimonial, o fato da recorrente possuir o mesmo contador e o mesmo advogado, até porque, como já dito acima, nunca se negou que a recorrente se socorria da melhor estrutura das empresas Trukam Indústria e Comércio Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, sem nunca ter | erdido sua independência. Eventual relacionamento empresarial, com transações e operações realizadas sem nenhum objetivo de impedir que terceiros ou a Fazenda Pública tivessem conhecimento, formam o que se pode denominar de "grupo empresarial entre empresas autônomas e individualizadas", sem qualquer semelhança com "formação de empresa por interposta pessoa". Mesmo que ultrapassada as razões trazidas acima e mesmo que se considerassem as empresas indicadas pela autoridade fiscal como um "grupo empresarial", especialmente pelas ligações negociais, de parentesco e ou de vizinhança que unem as empresas, tal característica não configura "formação de empresa por interposta pessoa", nem representa prática de infração contra a legislação. Há milhares e milhares de "grupos empresariais" ou "grupos econômicos" em atuação no País e não se tem notícia que alguém, em sã consciência, defenda que os mesmos, pelas ligações existentes entre as empresas que deles participam, formam uma só empresa. Assim, mesmo que pudesse se pressupor um "grupo empresarial" (o que se admite apenas para se argumentar), salta aos olhos que cada uma das empresas conserva sua independência e atuação, especialmente uma administração própria, com objetivos distintos e sem subordinação j) nos casos dos autos não se pode atribuir interesse comum entre as pessoas jurídicas em situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nem se caracteriza a direção, controle ou administração de uma pela outra; k) nem o sócio da sociedade limitada responde solidariamente pelos débitos da pessoa jurídica, quanto mais "a requerente" que nem sequer consta da participação societária; discorre sobre a limitação de responsabilidade de sócios que não desempenham função de gerência; l) a qualificação da multa de ofício se fundamenta em indícios e presunções da existência da constituição da empresa por interpostas pessoas; não há que se esquecer do disposto no artigo 112 do CTN; o dolo e a máfé não se presumem; todo o funcionamento e relacionamento entre as empresas foi orquestrado pelo contador que determinava a forma, constituição e a tributação que a empresa deveria seguir; ainda que não se possa atribuir responsabilidade solidária a este, se houve alguma infração, é de se reconhecer que a empresa não agiu dolosamente, afastandose a aplicação da multa qualificada; m) pelo princípio da verdade real é de se impugnar o computo dos juros de mora sobre a multa aplicada; cita jurisprudência administrativa. II) Empresas responsáveis solidárias a) preliminarmente, solicitam a nulidade do acórdão recorrido pois não apreciou todas as razões de defesa oferecidas na impugnação interposta; a rejeição genérica sem enfrentamento dos tópicos arguídos pelas recorrentes ofende os princípios da motivação e ampla defesa; Fl. 752DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 12 b) o acórdão limitouse a reproduzir o trabalho da fiscalização e ratificar o seu entendimento, sem permitir a produção de provas e se aprofundar nas provas produzidas pelas recorrentes; c) argumentam: (...) não se pode confundir procedimentos de cooperação mútua nos negócios das empresas e na produção, ou de laços de amizade entre os sócios e desenvolvimento de estratégias conjuntas de mercado, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN). Cada empresa possui personalidade jurídica distinta e atuação no mercado de forma individual e independente, como defendeuse de forma veemente na defesa apresentada. Vale dizer: ao contrário do que afirma a decisão recorrida, não há grupo empresarial, nem muito menos formação de uma empresa por interposta pessoa. A denominação vulgar de "grupo empresarial", para aquelas empresas que mantém cooperação mútua, não se confunde com "grupo econômico" a que alude o inciso I, do art. 124, do CTN. Por mais que haja relação negocial entre as pessoas jurídicas, nos grupos empresariais de direito, há independência empresarial, eis que são empresas diferentes no conceito jurídicoeconômico, somente se justificando a desconsideração da pessoa jurídica (mesmo em caso de grupos econômicos) em situações excepcionais, onde se visualiza a confusão de patrimônio, fraudes, abuso de direito e máfé. Apesar da defesa originária ter citado precedentes valiosos acerca do tema, inclusive do Superior Tribunal de Justiça, tais posicionamentos foram solenemente olvidados e desprezados, em prol de se confirmar o trabalho da fiscalização. d) cita jurisprudência sobre a inexistência de solidariedade passiva e empresas do mesmo grupo, sem a presença do interesse comum preceituado no artigo 124 do CTN; e) requer o afastamento da responsabilidade solidária. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço dos Recursos Voluntários, por tempestivos, os quais passo a apreciar conjuntamente. Relevante ao deslinde do litígio alertar para o fato de que o denominado grupo econômico "TRUKAM" é composto por mais seis empresas, satélites, além daquelas duas, a quem a fiscalização atribuiu a qualidade de constituídas de fato e de direito e a recorrente. Assim o grupo seria constituído por duas empresas que efetivamente operam e tem estabelecimento físico, bem como ativo imobilizado, administradores e sócios de direito que, de fato, possuem as cotas das referidas empresas: Fl. 753DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 8 13 Trukam Indústria e Comércio Ltda Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda Sócios: Fiorindo Menegolla, Avelino Menegolla e Alexandre André Menegolla; Objeto Social: "exploração do ramo de comércio de implementos e veículos rodoviários, furgões, câmaras frigoríficas, peças e acessórios, mecânica pesada, reforma em geral, montadora de e (terceiro eixo), basculantes, tanques sobrechassis e peças pertencentes aos mesmos." Enquanto as empresas a seguir elencadas, segundo a fiscalização, foram constituídas apenas no papel (de direito), cujo objetivo foi de receber as folhas de pagamento dos funcionários que trabalham efetivamente para as empresas acima, a fim de fraudar a administração tributária e, ilicitamente, usufruir das sistemáticas de tributação instituídas como favor fiscal em benefício às micro e pequenas empresas (Simples Federal e Simples Nacional) são: A recorrente, Trukam Mecânica Pesada Ltda Nova Era Chapeação e Mecânica Ltda proc. nº 13982.000493/201001 JJB Refrigeração Ltda proc. nº 13982.000492/201059; Trukam Refrigeração Mecânica Ltda proc. nº 13982.000495/201092 Rodaoeste Mecânica e Chapeação Ltda proc. nº 13982.000494/201048 Trukam Equipamentos Rodoviários Ltda proc. nº 13982.000497/201081 Trukam Montadora Ltda proc. nº 13982.000496/201037 Estas empresas, dadas as circunstâncias comuns, foram excluídas dos regimes de tributação diferenciado, favorecido e simplificado, bem como houve a qualificação da multa de ofício e responsabilização solidária das empresas Trukam Indústria e Comércio Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda pelos créditos tributários erguidos pela fiscalização, em cada uma, havendo fundamentadose, basicamente, em mesmos fatos de provas e evidências, com algumas nuances. Verificase, pois, preliminarmente, inequívoca questão processual de conexão entre os referidos processos. Dispõem os artigos 103 e 105 do Código de Processo Civil, aplicados de forma subsidiária ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF) a respeito da matéria: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. [...] Fl. 754DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 14 Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente Neste diapasão, estabelece o artigo 6º, § 1º, Anexo II, do Regimento Interno do Carf: Art. 6° Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1° Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Destarte, estes sete processos serão julgados concomitantemente. Passo a analisar, em cada empresa, as provas colhidas pela fiscalização para acusar estas de haverem sido constituídas sob a égide de falsidade ideológica, ato simulado de constituição de empresa, concluindo pela fraude tributária, razão da qualificação da multa e, ainda, atribuição de solidariedade passiva. Esclareço, de plano, à recorrente, que: primeiro, a fiscalização não desconstitui as personalidades jurídicas, ato privativo do poder judiciário, pois as empresas continuam a existir juridicamente; em segundo, que a exclusão das empresas da sistemática de apuração de tributos federais do Simples, Federal e Nacional, não ocorreu em virtude de tratarse de grupo econômico, como, equivocadamente, entendeu a recorrente, mas sim pelo fato primordial de constar nos quadros societários de cada empresa pessoas que não são os efetivos sócios, ou seja, a utilização de interpostas pessoas, empregados que emprestaram os nomes aos efetivos proprietários das empresas Trukam Ind e Com Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. Também deve restar esclarecido que já é matéria assente neste tribunal a possibilidade de lavrarse Autos de Infração contra contribuintes excluídos do Simples, antes de definitivamente julgada a demanda que gira em torno da exclusão. Os processos de exclusão e exigências tributárias vinculados entre si são julgados em concomitância, conforme orientação da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Portaria RFB nº 666/08, pelo que não há o perigo de exigirse o crédito tributário sem antes decidirse a exclusão, ou viceversa. Além do mais, é pacífico na RFB, por força legal, a suspensão da exigibilidade do crédito enquanto a questão de fundo não se torna, administrativamente, coisa julgada. Por reiteradas decisões, manso e pacífico o entendimento e está estabelecido na Súmula CARF nº 77: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Inaplicável, invocarse a Súmula CARF nº 172 ao presente feito, haja vista o teor da Súmula retro transcrita, pois as autuações não são realizadas com o fim precípuo de evitarse a decadência dos tributos exigidos, mas sim com o intuito de constituir, e exigir, os créditos tributários devidos ao fisco, em face da impossibilidade constatada pela fiscalização da contribuinte haver aderido ao sistema favorecido de tributação. 2 Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 9 15 Ainda é importante afastar as alegações da recorrente de que os ADE de exclusão dos Simples, Federal e Nacional, padecem de nulidade porque foram emitidos sem antes oferecerse à empresa o direito de se manifestar de forma prévia à exclusão. Não há nas leis materiais ou processuais que regem esta matéria (exclusão do Simples), nem no Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal, quaisquer ordenamento neste sentido, não podendo a recorrente valerse de decisões judiciais que não possuem efeitos vinculantes à administração tributária ou às turmas julgadoras administrativas para rechaçar o que não encontra respaldo na legislação tributária e tributáriaprocessual vigente. A emissão dos referidos ADE, acompanhada da regularidade da sua ciência por parte dos contribuintes objetos de exclusão do Simples dá início ao contraditório no âmbito do processo fiscal, prestigiandose, após a instauração do litígio, os princípios do devido processo legal e o exercício da ampla defesa, como está sendo realizado pela recorrente e responsáveis solidários. Não há também qualquer óbice legal para a Administração Tributária exercer o seu papel de agente fiscalizador, inclusive verificando quem realmente pode se beneficiar de regime de tributação instituído em favor fiscal às micro e pequenas empresas e aplicando a devida sanção legal, independentemente de pronunciamento judicial. A exclusão do Simples por ato administrativo executivo está prevista nas leis de regência dos Simples. Outro equívoco de entendimento da recorrente erguese sobre o fato de alegar que a exclusão dos sistemas ocorreu por prática reiterada de infrações tributárias e que estas não teriam o condão de reiteradas, visto que não houve notificações prévias destas infrações que teriam sido praticadas diversas vezes para caracterizarse a reiteração exigida nas normas que regem os Simples, Federal e Nacional. No entanto, verificase dos autos, que o fulcro das exclusões foi a utilização de interpostas pessoas nos quadros societários destas sete empresas, vale dizer, constatação da hipótese redigida no inciso IV, do artigo 14, da Lei nº 9.317/96 (Simples Federal) e inciso IV, do artigo 29, da Lei Complementar nº 123/06 (Simples Nacional), além de constatarse que Luciana Menegolla Giroletta é sócia de fato de cinco empresassatélites3, incluindo a recorrente (infração ao artigo 3º, §4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/06 (todas as cinco empresas são geridas por esta pessoa, por intermédio de procurações públicas, com exceção da recorrente que possui Luciana em seu quadro societário, juntamente com uma interposta pessoa). Observo que contra esta infração as recorrentes não teceram qualquer contestação nos Recursos Voluntários apresentados. Por conseguinte, a contestação a respeito de condutas praticadas reiteradamente não encontra guarida nos presentes autos. Superados estes pontos, dada a acusação da fiscalização de prática de atos simulados, qualificação de multa, responsabilização solidária de terceiros, passase a analisar as provas pontuais amealhadas pela fiscalização, que servirão, ou não, à formação do juízo de as empresas serem fictícias, constituídas em nome de interpostas pessoas e sem verdadeiro fim em si. 3 Trukam Mecânica Pesada Ltda.; JJB Refrigeração Ltda.; Trukam Equipamentos Rodoviários Ltda.; Nova Era Chapeação Ltda.; Rodaoeste Chapeação Ltda. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 16 Constatase da análise dos documentos e termos dos processos administrativos acima identificados, ora analisados em conjunto: 1) Todas as sete empresas possuem endereços em locais onde as duas empresas chamadas pela fiscalização 'mães' estão instaladas: a) RODAOESTE (Xanxerê/SC): endereço cadastral: Rua Julio Marino Romani, nº 320 A numeração é inexistente na rua; há uma placa identificando a RODAOESTE no endereço cadastral da NOVA ERA. b) NOVA ERA CHAPEAÇÃO E MECÂNICA (Xanxerê/SC) há a outra empresa do grupo, no número 212, da Rua Julio Marino Romani, apesar da placa de identificação "RODAOESTE"; Constatouse fls. 22, 23, 24 e 46 que neste endereço situase apenas uma espécie de ferrovelho, ou seja, depósito de carcaças e cabines danificadas de caminhões. Este depósito situase aos fundos das empresasmãe Trukam Ind. e Com. Ltda, e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, cujos endereços é o mesmo, na Rodovia BR 282, km 506. c) TRUKAM MONTADORA (Xanxerê/SC) endereço cadastral: Rodovia BR 282, km 506, fundos, sl 03 mesmo endereço das empresasmães, Trukam Ind. e Com. Ltda, e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários. d) TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS (Xanxerê/SC) Rua Thomas Westerich, 55 rua lateral à rua onde se situam as empresasmãe, Trukam Implementos e Veículos Rodoviários e Trukam Ind. e Com. Ltda. consiste em apenas um barracão, cujos proprietários do imóvel são os sócios das empresasmãe; não consta pagamento de aluguéis na contabilidade. e) TRUKAM MECÂNICA PESADA (Xanxerê/SC) endereço cadastral: Rodovia BR 282, s/n mesmo endereço das empresas mães, Trukam Ind. e Com. Ltda, e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, que situamse no km 506. f) TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA (Chapecó/SC) endereço cadastral Av. Leopoldo Sander, 2.620 mesmo endereço da filial (0003) da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 10 17 g) JJB REFRIGERAÇÃO (Concórdia/SC) endereço cadastral Rodovia BR 153, km 101, s/n mesmo endereço da filial (0002) da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. 2) as pessoas que representam as sete empresas (excluídas e autuadas) nas admissões de empregados, ações trabalhistas e outros atos de gerência são vinculadas às empresasmães: a) RODAOESTE: procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresasmães. reclamações trabalhistas nºs RT 00709200802512001 (Alberto Bonatto) e RT 00096200802512002 (Roberto Carlo Frâncio), da qual extraiuse o seguinte trecho: Mas, é na folha 374 do processo trabalhista que se pode obter a mais importante revelação (folhas 44). Os advogados da parte autora ao se reportar ao fato que o autor teve seu contrato de trabalho alterado de uma para outra empresa, no mesmo grupo econômico, assim de referem a este respeito: "...Autor teve sua CTPS alterada com nova admissão pela Ré, somente por conveniência empresarial, mas na realidade, a prestação de serviços deuse sempre no mesmo local". (grifo nosso) A mesma folha 374 dos autos do processo trabalhista, da parte dos advogados da parte autora, ao se referir aos documentos trazidos pela parte ré nos autos, traz a seguinte revelação: "...CONFESSANDO EXPRESSAMENTE, tratarse de empresas do mesmo grupo econômico." (grifo original) Os atentos advogados da parte autora, ainda na folha 374 do processo trabalhista, trazem uma importante revelação: "...a localização no mesmo endereço, apenas reforçando que uma tem frente para a BR 282 enquanto a outra fica em frente para a Rua (sic) lateral." b) NOVA ERA procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresasmães; Rita Luzia Piccini, empregada registrada na empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, assina documentos pela NOVA ERA, e pelas outras empresassatélites (destaquei), relacionados aos recursos humanos, tais como aviso prévio, acordo de compensação de horas, contrato de trabalho etc fls. 36 a 42; RT nº 01278200702512000, na qual consta papel com o timbre "Trukam" c) TRUKAM MONTADORA Fl. 758DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 18 procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresasmães; recurso ordinário ROV 00597200502512006 : representou a empresa, o sócio da empresa Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, sr. Alexandre André Menegolla; se apresentaram como mandatários das duas empresas Alexandre André Menegolla, Avelino Menegolla e Fiorindo Menegolla; RT 00632200502512007 : o autor propôs a ação contra as duas empresas Trukam Montadora e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, conjuntamente. A empregada da empresa Trukam Implementos e Ve[iculos Rodoviários, que responde por toda a parte de recursos humanos das sete empresas satélites, Rita Luzia Piaccini respondeu pelas duas empresas reclamadas; RT 00876200802512002: 7.3 Muito esclarecedora é a Reclamação Trabalhista RT 00876 200802512 002 proposta por Plinio Fantinelli e que tramitou na Vara do Trabalho da Comarca de Xanxeré, folhas 48. De acordo com as páginas 03 e 04, do processo trabalhista, o autor relata que teve: "...vários contratos de trabalho com o GRUPO TRUKAM,...". De inicio informa haver laborado na Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda., posteriormente na Trukam Mecânica Pesada Ltda., e por fim foi contratado em 02/12/2006 pela Trukam Montadora Ltda, aqui representada. Por fim requer: "Evidente, portanto, a unicidade contratual, o que desde logo requer seja reconhecida e declarada", conforme folhas 49 a 50. Já a folha 11 do processo trabalhista informa que a reclamada esteve representada por LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, conforme folhas 51. E, as folha 12 do processo apresenta a nomeação da mesma como preposto da empresa aqui representada, folhas 52. 8. Não restou qualquer dúvida que a verdadeira administradora da representada é a Sra. LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA. Este fato ficou evidenciado em conversa com empregados da mesma. Apenas a titulo de ilustração apresentamos o contrato de trabalho do empregado MICHEL BRUSCHI, de 16 de setembro de 2008, onde no local da assinatura do empregador consta a assinatura da Sra. Luciana Menegolla Giroletta que, em tese, não figura como sócia ou empregada da empresa representada, folhas 53. Outro exemplo é a ficha de registro de empregados do segurado Jardel Alves Pereira, contratado em 09/12/2008, cuja assinatura do empregador também é da Sra. Luciana Menegolla Giroletta, conforme folhas 54. d) TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS (Xanxerê/SC) procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresasmães; ordem de fornecimento de produtos farmacêuticos para o empregado da Trukam Equipamentos está em nome da Trukam Ind e Com Ltda. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 11 19 e) TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA Rosane Salete Verardo Menegolla, esposa do sócio das empresasmãe, Alexandre André Menegolla sócia de fato, consoante se verifica: A empresa representada é administrada, de fato, por ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA, que é esposa de ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, sócio das empresasmãe, através de Instrumentos Públicos de procurações outorgadas em 05/03/2002 e 04/08/200340 pelos segurados RODRIGO DANIEL VERARDO e DANIEL ITACIR VERARDO, que indevidamente constavam como sócios da empresa representada. As referidas procurações, conforme folhas 67 a 69, conferiram a esposa do sócio da empresamãe poderes "...,para o fim especial de administrar a firma,...". RT nº 00178200603812001 (Maristela Teixieira): Já na peça exordial, as folhas 03 da AT, a reclamante aponta como reclamados não apenas a empresa representada como também ",...e o Sr. ALEXANDRE MENEGOLLA,...", folhas 53. Na folha 47, da AT, consta com outorgante da procuração que nomeou os advogados para formular sua defesa nenhum dos sócios da representada e sim a Sra. Rosane Salete Verardo Menegolla, esposa do sócio da empresamãe TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA LTDA., O Sr. ALEXANDRE ANDRÉ MENEGOLLA, folhas 54. Por sua vez, a folha 159 da AT, na impugnação apresentada pela parte autora traz a seguinte revelação: "...,quem foi então se não as pessoas responsáveis pela pessoa jurídica, a saber os sócios que exercem função de chefia, a exemplo do Sr. ALEXANDRE e sua esposa ROSANE SALETE VERARDO MENEGOLLA..." (grifo existente), as folhas 55. Por derradeiro, a folha 167 da AT, nos traz a seguinte revelação: "...;era a Rosane que mandava 1á,...,o marido de Rosane é Alexandre que é o outro sócio da empresa;...", folhas 56. RT nº 02143200900912004 (João Antônio Bortolon) quem constou como preposto da empresa foi Avelino Menegolla, sócio das empresasmãe; RT nº 01769200800912002 (João Antônio Bortolon) quem constou como preposto da empresa foi Alexandre André Menegolla, sócio das empresasmãe; g) JJB REFRIGERAÇÃO (Concórdia/SC) procuração pública com amplos e ilimitados poderes de gestão em favor de LUCIANA MENEGOLLA GIROLETTA, filha de AVELINO MENEGOLLA, sócio das empresasmães; 3) nenhuma das sete empresas têm patrimônio próprio, ou ativo operacional significativo; 4) a contabilidade das sete empresas não registra pagamento de água, luz, aluguel, telefone, ou seja, despesas usuais operacionais; Fl. 760DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 20 5) toda contabilidade e a parte de gerência de pessoal é tratada por funcionários e nas dependências das empresasmãe. 6) não de menor importância, pelo contrário, é a relação mostrada pela auditoria fiscal entre as receitas brutas operacionais das empresasmãe e aquelas auferidas pelas empresassatélites em face ao custo bruto representado pelo número de empregados e salários recolhidos, demonstrando, por fim, a fraude cometida contra a previdência social e evasão da contribuição previdenciária. À grossa verificação, todas as empresassatélites, consoante relatado em cada processo, gastam em torno de 60% da receita com mão de obra, ou seja, a concentração de empregados nas empresas satélites é incompatível com as dependências (local de trabalho), máquinas operacionais, ativo imobilizado etc, enquanto as empresasmãe operam com pouquíssimos empregados e têm uma receita bruta relevantemente superior às satélites. Basta verificar o quadro elaborado pela auditoria fiscal da relação receita bruta versus mão de obra, já reproduzido no relatório acima. A respeito de todos estes fatos, entendo que são provas contudentes e robustas. Servem perfeitamente para afastar a argumentação da recorrente que houve presunção da simulação praticada, pois são fatos concretos verificados pela fiscalização e patentes nos autos. As provas produzidas e conclusões extraídas de processos trabalhistas juntados aos autos são fortíssimas e impassíveis de ignorarse. A recorrente argumenta que a cooperação entre empresas do mesmo grupo não pode ser motivo para justificar a existência de simulação jurídica, no caso, falsidade ideológica na constituição de empresas. Que nada obsta a utilização de maquinários, empregados administrativos em comum etc. Equivocase, todavia. As personalidades jurídicas não podem se confundir, tal como as pessoas físicas dos sócios não podem se confundir com a pessoa jurídica, por força do princípio contábil, basilar, da identidade da empresa. Se há este esforço e ajudas mútuas ou centralização de tarefas, mister é que se proceda a rateios de custos, fundamentados em laudos técnicos e convênios firmados. O controle das despesas havidas por rateio de custos entre empresas coligadas, exige, pois, a formalização prévia de convênio firmado entre as empresas envolvidas com a fixação de critérios claros, respeitada a proporcionalidade entre o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços. No presente caso, a confusão patrimonial, a utilização de funcionários das empresasmãe para tratar de assuntos específicos e relacionados com as tais empresas, ditas fictícias, é patente e em e nenhum momento explicouse, contabilmente, qualquer acerto de custos operacionais ou relação destes gastos com as receitas de cada uma. Mas, o corpo de provas não se limita às acima denunciadas, tornandose relevante a constituição societária de cada uma delas. Vejamos. a) RODAOESTE: sócios de direito fls. 24 a 29: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 12 21 Pedro Celso Locatelli exerce a função de mecânico na Trukam Ind e Com Ltda.; esteve registrado como empregado nesta empresamãe de 1987 a 1998; consta como seguradoempregado na GFIP e GRFGTS; Gilberto Antônio Centenaro exerce a função de mecânico na Trukam Ind e Com Ltda.; esteve registrado como empregado nesta empresamãe de 1992 a 2002; consta como seguradoempregado na GFIP e GRFGTS; b) NOVA ERA sócios de direito fls. 23 a 28 Jean Paulo Ferraz consta como empregado da empresamãe Trukam Ind e Com Ltda, desde 01/07/2000 (efls. 27); Vitor Sartor consta como empregado da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, desde 01/04/1987 (efls. 28) c) TRUKAM MONTADORA sócios de direito fls. 29 a 38 Rita Luzia Piccini consta como empregada da Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, desde 16/05/1989; é a pessoa responsável pelos recursos humanos das empresasmãe; constou na abertura da empresa Trukam Montadora em 30/09/1998 e foi substituída no contrato social por Luiz Carlos Sette; Luiz Carlos Sette exerce a função de mecânico na empresamãe e está registrado como empregado de outra empresa satélite, a Trukam Equipamentos Rodoviários na GFIP; Renato Menegolla é filho de Fiorindo Menegolla, sócio das empresasmãe, Trukam Ind e Com Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. d) TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS sócios de direito fls. 24 a 32 Marcelo Menegolla filho de Avelino Menegolla, sócio das empresasmãe; Suzana Vidal da Costa Rigo trabalhava para a empresamãe, Trukam implementos e Veículos Rodoviários Ltda., desde 02/05/1997; consta como empregada da empresa Trukam Mecânica Pesada Ltda, na GFIP de 2005 a 2008 e consta como empregada da Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, a partir de dezembro de 2009, na GFIP. e) TRUKAM MECÂNICA PESADA sócios de direito fls. 23 a 37 Plínio Fantinelli constou no quadro societário desde a abertura, em 01/09/1998, até 28/11/2006; trabalhava para a empresa Trukam Implementos e Veículos Fl. 762DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 22 Rodoviários desde 03/06/1996 a 22/09/1998; após esta data, constou como empregado da empresa Trukam MONTADORA Ltda; Antônio Marcos de Barros substituiu Plínio Fantinelli em 28/11/2006; consta em GFIP como seguradoempregado, com data de admissão em 01/04/2002; a partir de dezembro de 2009 está na GFIP da empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, também constando como data de admissão, 01/04/2002; Luciana Menegolla sócia de fato e de direito, filha de Avelino Menegolla; esta pessoa é administradorasócia (de fato) de outras empresassatélites, gerindoas por meio de procurações públicas com poderes amplos e ilimitados, consoante se percebe das provas dos autos. f) TRUKAM REFRIGERAÇÃO E MECÂNICA (Chapecó/SC) sócios de direito fls. 24 a 41 José Adilson Conrado trabalhava na empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda de 10/06/1996 a 25/06/1999, quando a empresa foi constituída em 03/05/1999; foi substituído por Rodrigo Daniel Verardo, em 15/10/2001, também posteriormente substituído por Rosângela Verardo, em 05/04/2003; Pedro Vivian trabalhava na empresa Trukam Equipamentos para o transporte Ltda desde 02/05/90 e em 10/06/1996 foi registrado na empresamãe Trukam Implementos e Veículos Rodoviários; em 01/07/1999 foi registrado nesta empresa como empregado; substituído por Daniel Itacir Verardo em 05/04/2003; em 2010 constava ainda como seguradoempregado na GFIP; Daniel Itacir Verardo consta como funcionário da Prefeitura Municipal de Xanxerê desde 05/05/2003 a 16/03/07; é sogro de Alexandre André Menegolla, sócio das empresasmãe; Rosângela Verardo cunhada de Alexandre André Menegolla; consta na GFIP como seguradoempregado, com admissão em 08/05/2003. g) JJB REFRIGERAÇÃO Extraio trecho da Representação Fiscal para elucidar a constituição desta empresa e evolução do quadro societário: De inicio a empresa foi constituída pelos sócios DILMAR GALILEU CENTENARO e MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO. Embora a empresa tem sua suposta sede na cidade de Concórdia, ambos residem na cidade de Xanxer8/SC, conforme folhas 23 a 24. Além de residirem em cidade diversa da sede da empresa representada, ambos, são sócios de outra empresa denominada DILMAR GALILEU CENTENARO & CIA.LTDA., CNPJ 07.433.638/000165, folhas 25, localizada em Xanxer8/SC na Rua Padre Vingnouts, 383 Sala 01, folhas 26. Em visita ao local constatamos que nenhuma empresa opera suas atividades naquele local. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 13 23 Por sua vez, o endereço declarado pela sócia MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO (Rua Ita, 383 Casa Xanxeré/SC) não existe, conforme constatado no local. DILMAR GALILEU CENTENARO e GILBERTO ANTONIO CENTENARO, são irmãos, conforme folhas 27 a 28, sendo que ambos figuram ou figuraram como sócios da empresa RODOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇAO LTDA, CNPJ 02.649.420/000129, criada com mesmo propósito e também;'a4ui representada em processo distinto. Sendo que GILBERTO ANTONIO . CENTENARO trabalha como empregado do grupo TRUKAM desde 01/06/1982, conforme folha 29. Outros fatos contribuem para a convicção de que se trata de mera simulação, vejamos: Na Primeira Alteração do Contrato Social, em 02/04/2001, conforme folhas 30 a 31, retirouse da sociedade o sócio DILMAR GALILEU CENTENARO e ingressou o sócio RICARDO MENEGOLLA, que além de residir na cidade de Xanxerê, diversa da cidade de Concórdia, vem a ser filho de FIORINDO MENEGOLLA, um dos sócios das empresasmãe. Na Terceira Alteração do Contrato Social, retirouse da sociedade MARIA CRISTINA GUTERRES SOBE CENTENARO e ingressou o sócio GILMAR COUSSEOU, conforme folhas 32 a 33, permanecendo, este ultimo, na empresa, até os dias atuais. O "sócio" GILMAR COUSSEAU, trabalha para o grupo TRUKAM desde 01/09/1989, conforme folhas 34. Entretanto, no caso do segurado GILMAR COUSSEOU, o mesmo jamais constou como "sócio" da empresa representada e sim como "empregado" de outras empresas do mesmo grupo econômico. No período de 01/09/1998 até 15/03/2007 constou como empregado da empresa RODOESTE MECÂNICA E CHAPEACAO LTDA, CNPJ 02.649.420/000129. A titulo de amostragem anexamos cópia da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, dos meses de competência 12/2005 e 12/2006, onde o referido segurado consta como segurado empregado (categoria 01) , conforme folhas 35 a 36. Já para o período de 02/04/2007 em diante o mesmo constou como empregado da empresa TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA, CNPJ 07.054.857/000133. A titulo de amostragem anexamos cópia da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, dos meses de competência 07/2007, 07/2008, 07/2009 e 03/2010 (sic), onde o referido segurado consta como segurado empregado (categoria 01), conforme folhas 37 a 40. As duas empresas RODOESTE MECÂNICA E CHAPEAÇÃO LTDA e TRUKAM EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA, foram criadas com o mesmo propósito, sendo objeto de representações distintas. A respeito das diversas pessoas e os papéis que exercem, de fato, nas empresas Trukam Ind e Com Ltda, ou Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, como empregados, ou sócios de fato e de direito, a recorrente não teceu qualquer contestação. Assim, as provas apresentadas pela fiscalização não foram desconstituídas e inequívoca a utilização de interpostas pessoas nos quadros societários. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 24 Mais uma vez salientese que a interposição de pessoas no quadro societário de constituição e manutenção da pessoa jurídica é um fato que nenhuma influência exerce, ou recebe, sobre o fato de existir grupo econômico, empresas coligadas ou controladas ou não. São dois problemas totalmente distintos e nos presentes autos verificouse os dois: a) a interposição de pessoas na abertura de empresas sem operacionalidade própria, com o fito de aproveitarse dos regimes favorecidos de tributação e evadirse à tributação devida; b) a existência de duas empresas que de fato operam e que se valeram do subterfúgio acima criado para evadirse da tributação; Ao contrário do que afirma de forma contestatória, a recorrente não logrou em momento algum rebater as provas produzidas pela fiscalização a respeito de cada uma das sete empresas excluídas dos Simples, Federal e Nacional, que não (destaquei) "conserva sua independência e atuação, especialmente uma administração própria, com objetivos distintos e sem subordinação." Destarte, em razão do cabedal de provas fáticas da não existência física e da interposição de pessoas nos quadros societários das empresas: recorrente, Nova Era Chapeação e Mecânica Ltda, JJB Refrigeração Ltda, Trukam Refrigeração Mecânica Ltda, Trukam Mecânica Pesada Ltda, Trukam Equipamentos Rodoviários Ltda e Trukam Montadora Ltda, correto o procedimento fiscal em excluílas dos regimes tributários de favorecimento fiscal, nos termos dos artigos.já referenciados e tributar as receitas que foram em nome destas empresas contabilizadas e declaradas ao fisco, em conformidade com a legislação tributária ordinária e aplicável às demais pessoas jurídicas. Exatamente da mesma forma que se sujeitam, tributariamente, as empresasmãe, Trukam Ind e Com Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. Devida e necessária a tributação das operações comerciais e prestações de serviços, sem haver despersonalização das empresas. A recorrente afirma que a solidariedade passiva estabelecida com as empresas ditas 'mãe', Trukam Ind. e Com. Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda, fundamentouse no artigo 30 da Lei nº 8.212/91. Todavia, verificase ser uma falácia esta argumentação, pois os Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados contra estas duas empresas, efls. 574 a 577, resta expresso que o dispositivo legal aplicado ao caso em concreto é o artigo 124, inciso I, do CTN, bem como restou consignado, de forma explícita, no Termo de Verificações Fiscal lavrado contra a recorrente, parte integrante dos Autos de Infração objetos dos autos. Verifiquese, efls. 578 a 588: A responsabilidade solidária imputada às empresas TRUKAM Indústria e Comércio Ltda e TRUKAM Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. encontra amparo no disposto no inciso I do artigo 124 do Código Tributário Nacional CTN, que assim assevera, in verbis: "Artigo 124. São solidariamente obrigadas: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; — Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem" (grifo nosso). Conforme restou fartamente demonstrado às fls. 1/11, a autuada integra um "grupo econômico de fato", liderado pelas empresas devedoras solidárias acima Fl. 765DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 14 25 identificadas. Entre os motivos que apontam nesta direção, podemos destacar o fato da autuada desenvolver suas atividades em imóvel de propriedade de uma das empresas trazidas para a presente autuação na condição de "sujeito passivo solidário". Ademais, o interesse comum fica mais uma vez evidenciado ao se constatar que o subterfúgio utilizado na constituição da empresa autuada procura omitir os verdadeiros sócios, que são, na realidade, os titulares das duas empresas apontadas como sujeito passivo solidário. Incabível, ainda, a argumentação que a solidariedade passiva tributária deveria ter tido amparo legal nas normas que disciplinam o Simples Federal e Nacional, a uma porque a empresa foi efetiva e regularmente excluída das sistemáticas de favorecimento fiscal, e outra porque é o Código Tributário Nacional a norma que rege, por excelência, esta matéria. Comprovado está nos autos o interesse comum das empresas guindadas à sujeitos passivos responsáveis pelos créditos tributários apurados na recorrente e nas demais seis empresas, condição exigida pelo dispositivo legal que fundamentou o estabelecimento da sujeição passiva de forma solidária artigo 124, inciso I, do CTN. Inócuas, ainda, a invocação de preceitos legais do Código Civil sobre s empresas limitadas, dado não consistir, juridicamente, em lei especial para a situação tributária constatada e nem ser aplicável ao caso em concreto, no qual não houve sequer dissolução, regular ou irregular, de sociedade, nem atribuição a sócios de responsabilidade civil, mas sim situação excepcional de fraude cometida contra a administração tributária. No que respeita à qualificação da multa, os fatos aqui relatados impõem a certeza das empresas excluídas dos Simples, Federal e Nacional, haverem agido com máfé, conduta gravosa, no meu entender, sobretudo por tratarse de regimes de favor fiscal. A fundamentação de fato e de direito que constou no Termo de Verificações Fiscal (TVF) é mais do que precisa e suficiente para afastar qualquer argumentação de mero erro ou, como quer fazer crer a recorrente, mera influência do contador que 'engendrou' todas as simulações jurídicas por conta própria sem o conhecimento da recorrente. Ora, para a interposição fraudulenta de pessoas na constituição de empresas que se situam nas empresas efetivamente responsáveis pelas operações comerciais e prestação de serviços não cabe esta argumentação. Reproduzo os termos do TVF: Conforme fica demonstrado na presente autuação, especialmente pela leitura da narrativa dos fatos que motivaram a exclusão da autuada do SIMPLES — relatório de fls. 01 a 11 — a autuada foi "criada" unicamente com o propósito de obter a vantagem fiscal indevida de participar do SIMPLES. O fato de ter sido utilizado na constituição da pessoa jurídica sócios fictícios, omitindose os verdadeiros, afasta, por si só, qualquer possibilidade de não ter havido máfé na conduta da autuada. Agindo de forma simulada, a autuada incorreu no disposto no artigo 71 da Lei n°, 4.502, de 30 de novembro de 1964, o qual trás no seu bojo a definição de sonegação. Art. 71. Sonegação é toda agew ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazenddria: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 26 I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. (grifos nossos). Ao incorrer na prática de sonegação e fraude, o contribuinte se sujeita à multa prevista no § 1° do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, que assim assevera: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença e imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso). Pelo que a multa aplicada foi a de 150 %. Nada a reparar neste tópico. Por derradeiro, cumpre apreciar a questão sobre os juros de mora incidente sobre a multa de ofício aplicada. A recorrente solicita o afastamento da incidência do acréscimo legal, por força do princípio da verdade material. Cumpre consignar que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o. de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3o. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o. do art. 5o., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse contexto, a multa de ofício é débito para com a União. O Código Tributário Nacional (Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966), dispõe: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 767DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 15 27 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária. A exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria exigibilidade da multa de ofício. A Lei nº. 9.430, de 1996, no parágrafo único do artigo 43, prevê: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não pertencem ao original) Portanto, sendo a multa de ofício débito para com a União, configurase regular a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Em contra posição aos julgados citados pela recorrente, registro: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120200.138 – 1a. Seção. 2a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei n" 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação Fl. 768DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 28 de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155 – 1a. Seção. 4a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). A 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim também já se posicionou no Acórdão 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010, de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Do referido julgado, extraemse os seguintes trechos: "O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1 0, do CTN: [...] A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 16 29 Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. [...] A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União." No mesmo sentido, ainda, a seguintes Súmulas editadas por este CARF: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº.5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Inarredável, pois, a incidência e cobrança dos juros moratórios sobre a totalidade do crédito tributário. Das matérias específicas tratadas somente no recurso voluntário interposto pelas empresas guindadas à sujeitos passivos, solidárias. As empresas solidárias requerem a nulidade do acórdão recorrido em razão de não haver apreciado todas as razões de defesa expendidas nas impugnações interpostas. Da impugnação firmada pelas empresas Trukam Ind. e Com. Ltda e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários, cujos termos foram reprisados no recurso voluntário oferecido por estas duas empresas, observase que todos os tópicos foram devidamente apreciados no acórdão recorrido. A contestação das empresas solidárias gira em torno da não existência do interesse comum entre as empresas responsabilizadas solidariamente e a recorrente, matéria amplamente debatida e apreciada tanto pela Turma Julgadora a quo, como nesta oportunidade, em esfera recursal. Basta a leitura integral da decisão proferida em primeira instância para atestarse este fato. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 30 Por conseguinte, improcede a nulidade arguída. No que respeita a produção de provas, as provas foram fartamente produzidas nos autos, sendo suficiente para formar a convicção das turmas julgadoras, de primeira ou nesta instância recursal, pelo que julgado desnecessário qualquer nova produção para se delinear fatos que, porventura, teriam se quedado obscuros. A oportunização de produção de qualquer prova, sem ser aquela referida expressamente, nos termos dos artigos 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), é de exclusiva conveniência das autoridades julgadoras, sem que isto importe em qualquer ofensa aos preceitos constitucionais: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) E, com relação aos julgados judiciais, ou mesmo administrativos, pinçados pelas recorrentes para corroborarem as suas teses, reprisese, não possuem o condão de vincular o caso em concreto àquelas decisões. CONCLUSÃO No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Saliento, em especial, o excerto que ora reproduzo, pela excelente síntese: Cumpre ressaltar que a imputação de simulação e de interposição de pessoa se fez com base no robusto conjunto probatório a seguir sintetizado: (i) a prova da existência de vínculo de parentesco entre a sócia e administradora do empreendimento e o sócio da Trukam Indústria e Comércio Ltda. e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda.; (ii) a prova de que, em regra, os sócios interpostos no contrato social eram ou teriam sido empregados das empresas do grupo; (iii) a falta de prova de que, de fato, teria desempenhado, no local, uma atividade empresarial autônoma e independente das atividades empreendidas pelas Trukam Indústria e Comércio Ltda. e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda.; (iv) a falta de escrituração de despesas necessárias ao desempenho da Fl. 771DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 13982.000498/201026 Acórdão n.º 1302001.967 S1C3T2 Fl. 17 31 atividade descrita no contrato social; (v) a localização de sua contabilidade no endereço de outra empresa; (vi) a prova de que se utilizava de recursos humanos, e conseqüentemente, materiais de outras empresas; e (vii) a prova de que havia circulação de recursos, ao menos escriturais, para dar aparência de regularidade, entre as empresas do grupo. Diante de todos esses elementos, concluiu a fiscalização que a constituição da pessoa jurídica, por interpostas pessoas (“laranjas”), era apenas um ato simulado, cujo único propósito teria sido reduzir a carga tributária, mediante o registro dos empregados do grupo empresarial, em uma pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Para tanto, a fiscalização comparou as receitas brutas e o salários brutos dos empregados das três empresas (Trukam Mecânica Pesada Ltda., Trukam Indústria e Comércio Ltda. e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda.), e constatou que enquanto as duas últimas gastavam apenas 3,31% e 3,82% da receita auferida com salários, a empresa fiscalizada despendia 37,46% da receita auferida com os salários dos empregados. Nesse aspecto, ao contrário do alegado pela Impugnante, de que tais comparativos só serviriam a corroborar se tratar de empresa de pequeno porte, nota se que os salários pagos pela TRUKAM MECÂNICA PESADA de R$ 517.891,23 (com uma receita bruta de R$ 1.382.601,75), (i) correspondem a duas 2 (duas) vezes os salários pagos pela TRUKAM IMPLEMENTOS, de R$ 254.418,29, que tem uma receita bruta mais de 5 vezes (5,56) superior (R$ 7.688.002,66); e (ii) são mais de 4 (quatro) vezes (4,33) os salários pagos pela TRUKAM IND. e COM. de R$ 119.581,31, que tem uma receita bruta mais de 2 (duas) vezes (2,26) superior (R$ 3.134.190,02). É evidente a desproporcionalidade entre os salários pagos e as receitas auferidas na atividade pela empresa. Diante da falta de comprovação de que a fiscalizada desempenhava atividade de forma autônoma e independente das outras duas empresas, resta comprovado que a pessoa jurídica foi usada única e exclusivamente para registro dos empregados da Trukam Indústria e Comércio Ltda. e Trukam Implementos e Veículos Rodoviários Ltda. O princípio da função social da empresa e a elevada carga tributária não afetam os fatos apurados pela fiscalização, mas ao contrário, dão guarida ao procedimento fiscal e aos atos administrativos dele decorrentes, na medida em que cuidam de afastar de tratamento fiscal diferenciado pessoas jurídicas apenas formais, mas que não são de fato empresas, porque não desempenham qualquer atividade empresarial, e que foram criadas, única e exclusivamente, para reduzir a carga tributária incidente sobre a folha de pagamento, que as reais empresas têm que suportar, gerando assim concorrência desleal. Considerase assim, provada a constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas, fato jurídico a fundamentar a exclusão do SIMPLES FEDERAL (art. 14, IV, Lei nº 9.317, de 1996) e do SIMPLES NACIONAL (art. 29, IV, Lei Complementar nº 123, de 2006). Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pelas recorrentes arguídas contra os ADE (atos administrativos executivos) de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional, bem como em relação à decisão de primeira instância, e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Fl. 772DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 32 Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 773DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 18/08/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720078/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
SÓCIO DE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO. NEGÓGIO JURÍDICO INTRAGRUPO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 2º DA LEI 9.779/99.
Constatado que o único quotista do fundo de investimento imobiliário também possui o controle de empresa participante do empreendimento imobiliário, o fundo sujeita-se à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, nos termos do art.2º, da Lei nº 9.779/99.
FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. CUMPRIMENTO RESPONSABILIDADE.
São solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Inteligência do art. 124, II, do CTN c/c o art. 4º da Lei nº 9.779/99.
Recursos Voluntários Negados.
Numero da decisão: 1402-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário do coobrigado, vencidos os conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 SÓCIO DE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO. NEGÓGIO JURÍDICO INTRAGRUPO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 2º DA LEI 9.779/99. Constatado que o único quotista do fundo de investimento imobiliário também possui o controle de empresa participante do empreendimento imobiliário, o fundo sujeita-se à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, nos termos do art.2º, da Lei nº 9.779/99. FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. CUMPRIMENTO RESPONSABILIDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Inteligência do art. 124, II, do CTN c/c o art. 4º da Lei nº 9.779/99. Recursos Voluntários Negados.
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NEGÓGIO JURÍDICO INTRAGRUPO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 2º DA LEI 9.779/99. Constatado que o único quotista do fundo de investimento imobiliário também possui o controle de empresa participante do empreendimento imobiliário, o fundo sujeitase à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, nos termos do art.2º, da Lei nº 9.779/99. FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. CUMPRIMENTO RESPONSABILIDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Inteligência do art. 124, II, do CTN c/c o art. 4º da Lei nº 9.779/99. Recursos Voluntários Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário do coobrigado, vencidos os conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 78 /2 01 1- 62 Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 714 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 715 3 Relatório FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO PENÍNSULA e BANCO OURINVEST S/A recorrem a este Conselho em face do acórdão nº 1632.416 proferido pela 10ª Turma da DRJ I em São Paulo – DRJ/SP1 que julgou improcedentes as impugnações apresentadas, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: DA AUTUAÇÃO Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 163/171, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, o AuditorFiscal autuante verificou em síntese que: 1. O objetivo da contribuinte, fundo de investimento imobiliário administrado pelo BANCO OURINVEST S/A, é adquirir imóveis comerciais de propriedade da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), com a finalidade de locar tais imóveis à própria CBD ou a empresas do mesmo grupo econômico. 2. O Fisco verificou se a contribuinte estaria sujeita à tributação das pessoas jurídicas, nos termos do art.2º, da Lei nº 9.779/99, abaixo transcrito, em virtude de ter um único quotista com investimento numa empresa controlada pelo próprio quotista. Art. 2º Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas, o Fundo de Investimento Imobiliário de que trata a Lei nº 8.668, de 1993, que aplicar recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do Fundo. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, considerase pessoa ligada ao quotista: I pessoa física: a) os seus parentes até o segundo grau; b) a empresa sob seu controle ou de qualquer de seus parentes até o segundo grau; II pessoa jurídica, a pessoa que seja sua controladora, controlada ou coligada, conforme definido nos §§ 1° e 2° do art. 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. 3. A contribuinte adquiriu da CBD, em 2005, 60 imóveis para pagamento em 20 anos, sendo que a fonte principal de receita da contribuinte são os aluguéis recebidos da própria CBD. A empresa também aufere rendimentos de aplicações financeiras e suas despesas principais estão vinculadas ao pagamento dos imóveis adquiridos, incluídos os encargos de juros. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 716 4 4. Cabe destacar que os fundos imobiliários têm uma estrutura tributária incentivada, de tal forma a serem isentos de impostos e contribuições, como PIS, COFINS e imposto de renda. Ademais, desde a entrada em vigor da Lei nº 11.196/2005, além da isenção de impostos para as atividades do fundo, os quotistas pessoas físicas de fundos imobiliários com mais de 50 participantes, em que nenhum detenha mais de 10% das quotas, estão isentos do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual sobre os rendimentos distribuídos. 5. O art.2º, da Lei nº 9.779/99, não diferencia o tratamento para os empreendimentos em curso e imóveis prontos. Por sua vez, na regulamentação expedida pela CVM, por meio do art.2º, da Instrução nº 205/94, foi definido que o conceito de empreendimento imobiliário abrange a aquisição de imóveis prontos. 6. No caso em tela, a cumulação da posição jurídica é clara. A contribuinte foi inicialmente constituída tendo um único quotista, sendo que, em 2006, empresa controlada pelo mesmo quotista ingressou no fundo com a maior parte das cotas. A última posição dos controladores da contribuinte aponta a empresa em questão como única participante. Além disso, o citado quotista é um dos controladores do grupo CBD. 7. O instrumento utilizado para a transferência dos 60 imóveis da CBD para a contribuinte foi o “Compromisso Irrevogável e Irretratável de Compra e Venda de Bem Imóvel” em caráter fiduciário (fls.78/88), por intermédio do qual os imóveis continuam vinculados à CBD. 8. O sujeito passivo da relação individual e concreta é a contribuinte, uma vez que o fundo de investimento foi equiparado às pessoas jurídicas, por força do art.2º, da Lei nº 9.779/99. 9. Foram então apuradas as bases de cálculo do PIS e da COFINS, apresentadas na tabela de fls.169/170, conforme as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, o regime de nãocumulatividade. As receitas financeiras não foram computadas nas respectivas bases de cálculo, em respeito à disposição do Decreto nº 5.442/05, expedido com base no art.27, §2º, da Lei nº 10.865/04. Em decorrência das constatações feitas, foram lavrados Autos de Infração de COFINS (fls.172/186) e PIS (fls.188/202), dos quais a contribuinte tomou ciência em 07/02/2011 (fls.173 e 189), com os valores a seguir discriminados: Demonstrativo de COFINS Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Arts.1º, 3º e 5º, da Lei nº 10.833/03; art.2º, da Lei nº 9.779/99. 22.089.933,34 Juros de Mora (até 31/01/2011) Art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96. 7.821.061,97 Multa de Ofício Art.10, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70/91; e art.44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. 16.567.449,86 TOTAL 46.478.445,17 Fl. 716DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 717 5 Demonstrativo de PIS Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Arts.1º, 3º e 4º, da Lei nº 10.637/2002; art.2º, da Lei nº 9.779/99. 4.795.840,63 Juros de Mora (até 31/01/2011) Art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96. 1.697.993,52 Multa de Ofício Art.86, §1º, da Lei nº 7.450/85; art.2º, da Lei nº 7.683/88; e art.44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. 3.596.880,35 TOTAL 10.090.714,50 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Em 07/02/2011, a fiscalização lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o BANCO OURINVEST S/A (fls.204/205). Sustenta a fiscalização que restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos do art.124, do CTN, e do art.4º, da Lei nº 9.779/99. DA IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE A contribuinte apresentou a impugnação de fls.216/233, protocolizada em 03/03/2011 e acompanhada dos documentos de fls.234/276, expondo, em síntese, que: 1. A norma de equiparação à pessoa jurídica constante do art.2º, da Lei nº 9.779/99, é inaplicável à contribuinte, pelo fato de não existirem, no seu caso, as figuras do incorporador, do construtor ou do sócio. 1.1. Uma sociedade só existe se a aplicação de recursos foi efetuada por mais de uma pessoa ligadas por contrato de sociedade, isto é, uma pluralidade de adquirentes ligados por contrato de sociedade. Só nesta hipótese pode ocorrer a cumulação a que se refere o art.2º, da Lei nº 9.779/99, ou seja, a concomitante posição de quotista relevante da contribuinte e de sócio do empreendimento em que se investe. 1.2. Para que a alegada cumulação pudesse ter ocorrido seria necessário que a contribuinte tivesse realizado a aquisição do imóvel conjuntamente com, no mínimo, outro investidor com o qual contribuísse com bens ou serviços e partilhasse os resultados do empreendimento, o que não ocorreu no caso concreto. 1.3. O BANCO OURINVEST S/A, na qualidade de administrador da contribuinte, é o adquirente único dos imóveis, não existindo, pois, nenhum sócio nesse empreendimento. 2. Inexistiu participação da CBD na aquisição dos imóveis e nos resultados do empreendimento. Este é explorado exclusivamente pela contribuinte, que, por meio de seu administrador, é a única adquirente dos imóveis e também a única que participa dos frutos do empreendimento (aluguéis). 2.1. Por ser apenas a vendedora dos imóveis e a pagadora dos aluguéis, a CBD não pode ser qualificada como sócio do empreendimento imobiliário explorado pela contribuinte. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 718 6 3. A impugnante protesta pela apresentação posterior de novos documentos, alegações e quaisquer outras provas necessárias. DA IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Em 03/03/2011, o responsável solidário BANCO OURINVEST S/A apresentou a impugnação de fls.277/288, acompanhada dos documentos de fls.289/324, alegando em síntese que: 1. O art.124 do CTN não é aplicável ao presente caso, pois o BANCO OURINVEST S/A não é, juntamente com a empresa autuada, contribuinte das obrigações tributárias constantes do auto de infração. O único contribuinte das obrigações tributárias é a autuada, que foi quem obteve as receitas. 1.1. O BANCO OURINVEST S/A não é contribuinte dos tributos, é um simples terceiro na relação tributária, ao qual, tendo em vista a sua condição de administrador da contribuinte, a lei atribuiu responsabilidade solidária. É o responsável pelo cumprimento das obrigações da contribuinte, como resulta do art.4º, da Lei nº 9.779/99. 1.2. Tratase da responsabilidade de terceiro, prevista no art.134, do CTN, que difere da figura da solidariedade, já que naquela há sempre subsidiariedade da obrigação do responsável face à obrigação do devedor principal, subsidiariedade essa consistente no benefício de ordem. 1.3. A solidariedade prevista no art.124, do CTN, só pode existir entre contribuintes e não depende do benefício de ordem, pelo que jamais poderá existir nas relações entre contribuinte e terceiro responsável. 1.4. O BANCO OURINVEST S/A não é devedor solidário das obrigações tributárias da contribuinte, sendo, nos termos do art.4º, da Lei nº 9.779/99, um terceiro responsável pelas obrigações tributárias da contribuinte, responsabilidade essa que é sempre subsidiária. 1.5. Não sendo o BANCO OURINVEST S/A devedor solidário, mas responsável, não cabe imputarlhe sujeição passiva. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 14 de julho de 2011 (fl. 356), apresentando em 12 de agosto de 2011 recurso voluntário de fls. 397418. O coobrigado foi cientificado da decisão em 14 de julho de 2011 (fl. 355), em 12 de agosto de 2011 recurso voluntário de fls. 357373. Além de reforçarem os argumentos apresentados em impugnação, alegam: que houve modificação ilegítima do fundamento da autuação, uma vez que o auto de infração teria partido da premissa que “os imóveis ainda seriam de propriedade da CBD”, donde decorreria a cumulação de posições, enquanto que a DRJ afirma que o fundamento da autuação é o conceito de empresas do mesmo grupo econômico, que estariam sujeitas à gestão empresarial comum; Fl. 718DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 719 7 que o acórdão cometeu erro de direito ao manter o entendimento do auto de infração de que foi realizada operação de alienação fiduciária em garantia regulada pelo Código Civil e pela Lei nº 9.514/97, pelo que a propriedade dos imóveis ainda seria da CBD. Ainda teria cometido erro de fato e vício lógico: erro de fato ao ter fixado premissa de que a referida empresa pertence ao mesmo grupo econômico da quotista do Fundo, a empresa Reco Máster, quando em verdade, a CBD e a Reco não são empresas do mesmo grupo econômico, não estão submetidas ao mesmo controle, nem a mesma estrutura administrativa; e vício lógico ao concluir que a CBD seria sócia do empreendimento imobiliário investido pelo Fundo; no mérito, defende que o auto de infração não conseguiu demonstrar a existência da cumulação exigida pela lei, qual seja, a de que o Fundo aplique recursos num empreendimento imobiliário do qual também participe, como sócio, construtor ou empreendedor, o quotista relevante do Fundo. Afirma que, para que existisse a cumulação de posições no empreendimento imobiliário, seria necessário que o Fundo tivesse realizado a aquisição dos 60 imóveis conjuntamente com, no mínimo, outro investidor com o qual contribuísse com bens ou serviços e partilhasse os resultados do empreendimento, o que não ocorreu na hipótese. Assevera, por fim, que a CBD não pode ser tida como sócia, pois não participou da aquisição dos imóveis; Banco Ourinvest sustenta ainda que a figura da solidariedade só pode existir entre contribuintes, o que não se aplicaria a ele que, em verdade, deve ser visto como responsável subsidiário, nos termos do art. 4º da Lei 9.779/99. Foram anexados aos autos Pareceres dos Eminentes Doutores Ricardo Mariz de Oliveira e Ricardo Lacaz Martins por parte do Fundo de Investimento Península e do Doutor Marco Aurélio Greco por parte de Ourinvest. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de fls. 481501 rebatendo os argumentos das Recorrentes e requerendo a confirmação integral da decisão de primeira instância. É o relatório. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 720 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os recursos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos para sua admissibilidade. Deles, portanto, tomo conhecimento. 2 DOS SUPOSTOS VÍCIOS NA DECISÃO RECORRIDA Para a Recorrente, a decisão proferida em primeira instância teria modificado ilegitimamente o fundamento da autuação, haja vista que o auto de infração teria partido da premissa que “os imóveis ainda seriam de propriedade da CBD”, sendo essa a premissa para a cumulação de posições, ao passo que a decisão de piso teria afirmado que o fundamento da exigência seria o conceito de empresas do mesmo grupo econômico, sujeitas à gestão empresarial comum. Aduz ainda a Recorrente que haveria erro de direito no aresto recorrido, pois, ao manter o entendimento do auto de infração de que foi realizada operação de alienação fiduciária em garantia regulada pelo Código Civil e pela Lei 9.514/97, concluiu que a propriedade dos imóveis ainda seria da CBD. Além disso, teria cometido erro de fato e vício lógico: erro de fato ao ter fixado premissa de que a referida empresa pertenceria ao mesmo grupo econômico da quotista do Fundo, a empresa Reco Máster, quando, de fato, CBD e Reco não pertencem ao mesmo grupo econômico, não estão submetidas ao mesmo controle, tampouco possuem a mesma estrutura administrativa; a decisão incorreu também em vício lógico, haja vista ter concluído que CBD seria sócia do empreendimento imobiliário investido pelo Fundo. Entendo não assistir razão à Recorrente. Não há qualquer inovação na decisão recorrida. No que atine à suposta alteração da fundamentação da exigência, tanto o lançamento quanto o acórdão de piso abordaram a conexão existente entre a CBD e o quotista do fundo autuado, concluindo assim haver a cumulação das posições de quotista e de sócio do empreendimento imobiliário. Nesse sentido, o termo de verificação fiscal e também a decisão de primeira instância apontam haver cumulação de posição jurídica em razão de que todas as empresas envolvidas na operação estão sob o mesmo controle administrativo e acionário. Desse modo, tanto o lançamento, quanto o acórdão guerreado baseiamse nas mesmas circunstâncias de fato e idênticos fundamentos jurídicos. Como bem asseverou a PGFN em suas contrarrazões, “O fato de o contribuinte discordar dos argumentos adotados não os tornam equivocados. Do mesmo modo, o fato de se utilizar frases ou raciocínios distintos para se chegar ao mesmo resultado, não as tornam distintas uma da outra”. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 721 9 No que atine à menção de que os “imóveis ainda seriam de propriedade da CBD”, tratase tão somente de constatação da fiscalização da existência de vínculo entre CBD e o Fundo de Investimento, uma vez que ambas estariam sob o mesmo controle. E tais conclusões são também endossadas pela decisão de piso, não havendo que se falar em inovação de fundamentos ou nulidade Em relação aos demais vícios apontados pela Recorrente (erro de direito, erro de fato e vício lógico) decorrem do inconformismo e da discordância do contribuinte em relação aos fundamentos da exigência. Nessa senda, se há ou não grupo econômico que envolva a empresa Reco Máster e a CBD é matéria ligada ao mérito, não havendo que se falar em anulação da decisão recorrida. De toda forma, constatase que não houve qualquer prejuízo ao pleno exercício ao direito de defesa da Recorrente, não havendo que se falar em nulidade da decisão de primeira instância. Logo, rejeito as alegações de vícios (nulidade) na decisão proferida pela DRJ. 3 MÉRITO Em primeiro lugar, convém destacar o teor do despacho de fls. 523524 exarado pelo senhor Presidente do CARF: O Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento está declinando competência para a 3ª Seção de Julgamento, por entender que não há conectividade entre o presente processo e o de nº 16327.001752/201025, que teria sido o motivo do envio dos autos para a 1ª Seção, em virtude deste último tratar dos tributos IRPJ e CSLL, enquanto no presente caso versa sobre PIS e COFINS. [...] Conforme argumentado pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, os tributos em questão referemse aos exercícios de 2006, 2007 e 2008, ao passo que no outro processo, em que fora alegada conectividade, o IRPJ questionado é do exercício 2005. Assim, no entender daquele Presidente, o PIS Programa de Integração Social, bem como a COFINS Contribuição para a Seguridade Social são definidos pelo RICARF como sendo de competência da 3ª Seção de Julgamento, conforme artigo 4º, inciso I, do Anexo II daquele normativo regimental. Ao compulsar os Termos de Verificação Fiscal constantes dos presentes autos e do processo nº 16327.001752/201025, verifico que não assiste razão ao Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, uma vez que, embora diferentes os exercícios objetos das autuações fiscais, há conectividade entre os tributos. Nesse sentido, vale citar trecho idêntico em ambos os Termos de Verificação Fiscal: O escopo da ação fiscal, que teve início em 22/10/2010, está voltado para a verificação da situação do fundo frente ao comando legal contido no artigo 2º da Lei nº 9779/99, mais precisamente, se o fundo estaria sujeito a tributação das pessoas jurídicas em virtude de ter um único cotista com investimento numa empresa por ele (cotista) controlada. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 722 10 Notase que o mesmo fato que serviu para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ (estar sujeito à tributação das pessoas jurídicas) também serviu para configurar a infração à legislação do PIS e da Cofins, concluindose, portanto, que há conectividade entre os processos. Determino que o processo retorne à 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, a fim de que o Recurso Voluntário do Contribuinte seja incluído em pauta para julgamento. O presente lançamento, trata, em realidade, de exigência que somente não foi formalizada concomitantemente ao exigido nos processos 16327.001752/201025 (IRPJ e CSLL, anocalendário de 2005) e 16327.001753/201070 (PIS e Cofins, anocalendário de 2005) em razão do prazo decadencial, uma vez que aqueles foram formalizados ainda no ano calendário de 2010 e o presente processo no decorrer do anocalendário de 2011. Em um primeiro momento, entendi que, em se tratando de processos conexos, e já tendo sido analisados os fatos e o direito aplicável que deram ensejo à exigência, não seria possível rediscutir tais temas novamente nos presentes autos, exceto quanto algumas circunstâncias de fato específicas em relação ao presente lançamento. Contudo, conforme abordarei a seguir, houve situações fáticas distintas no período a que se refere a exigência a exigir reanálise do tema sob as circunstâncias específicas constatadas. No lançamento a que se refere o processo 16327.001752/201025 (Acórdão 130100.994), o Sr. Abílio Diniz era quem detinha, diretamente, as quotas do Fundo de Investimento Imobiliário Península. Em 13/09/2006, ocorreu a segunda emissão de quotas. A subscrição foi feita pela empresa Reco Máster Participações, CNPJ 07.283.074/000121, controlada pelo Sr. Abílio dos Santos Diniz. A integralização foi feita à vista, em moeda corrente nacional, no valor de R$ 6.861.900,00, que representaram 68.619 quotas. Não ocorreram novas emissões de cotas, sendo que a empresa Reco Máster, pelo que consta, desde então passou a possuir hoje 100% das cotas do Fundo Imobiliário Península (69.231 quotas). Desse modo, enquanto no ano de 2005 (objeto daquela exigência), Abílio Diniz era detentor de 100% das quotas do Fundo de Investimento Península, para os anos calendário objeto da presente exigência (2006 a 2008), Abílio Diniz não mais detinha o controle direto do Fundo Investimento Península, agora então 100% controlado por Reco Master. No próprio voto condutor do acórdão 130100.994 o I. Conselheiro Relator esclarece: No caso do FUNDO EXCLUSIVO em questão, assim denominado pelo normativo indicado pelo Recorrente na sua peça de defesa (Instrução CVM nº 409, art. 111A), e tomandose por base, exclusivamente, o ano calendário de 2005, a caracterização do Sr. Abílio Diniz como sócio do empreendimento imobiliário é cristalina, vez que os imóveis para locação que constituíram o objeto do empreendimento imobiliário pertenciam a ele e com ele permaneceram no Fundo de Investimento Imobiliário constituído, vez que, neste (no Fundo de Investimento Imobiliário), ele era o único cotista. E, mais adiante: Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 723 11 Por tudo o que aqui foi esposado, em especial o fato de o procedimento sob exame referirse ao ano de 2005, não é pertinente discutir, nos presentes autos, vínculos societários entre a empresa RECO e a CBD. Desse modo, passo à análise dos fatos e direito aplicável em relação aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. Tal situação, a meu ver, por si só não tem o condão de alterar o cenário tratado no julgado precedente (Acórdão 130100.994), uma vez que não seria a mera interposição de Reco Máster Participações que alteraria o raciocínio já aplicado naqueles autos a fim de determinar a dupla posição jurídica do Sr. Abílio Diniz de modo a ensejar a aplicação do art. 2º da Lei nº 9.779/99. Do Termo de Verificação Fiscal extraise: 2 Dos Fatos e da Legislação Aplicável . A primeira emissão de cotas do fundo ocorreu em 22 de junho de 2005 por meio da transferência do imóvel, de propriedade do Sr. Abílio dos Santos Diniz, CPF 001.454.91820, para o fundo. O valor da operação foi de R$ 612.000,00, que representaram 612 quotas. Em 13/09/2006, ocorreu a segunda emissão de quotas. A subscrição foi feita pela empresa Reco Máster Participações, CNPJ 07.283.074/000121, controlada pelo Sr. Abílio dos Santos Diniz. A integralização foi feita à vista, em moeda corrente nacional, no valor de R$ 6.861.900,00, que representaram 68.619 quotas. Não ocorreram novas emissões de cotas, sendo que a empresa Reco Máster possui hoje 100% das cotas do Fundo Imobiliário Península (69.231 quotas). [grifos nossos] O Fundo adquiriu em 2005 da CBD 60 imóveis para pagamento em 20 anos. A fonte principal de receita do fundo são os aluguéis recebidos da própria CBD. Aufere também rendimentos de aplicações financeiras. Suas despesas principais estão vinculadas ao pagamento dos imóveis adquiridos, incluídos os encargos de juros. No primeiro regulamento do fundo, datado de 23/06/2005, consta que o objetivo era o de adquirir e/ou promover a construção de imóveis industriais ou comerciais com a finalidade de venda, locação ou arrendamento. Em 09 de setembro de 2005, foi feita a alteração do objetivo que passou a ser a compra dos imóveis da CBD e locação dos mesmos à própria CBD. [...] Para a decisão recorrida, [...] fica claro o vínculo existente entre o fundo de investimento imobiliário e a empresa CBD, uma vez que o objeto do fundo é adquirir somente imóveis da CBD e locar tais imóveis, exclusivamente, à CBD ou a empresa integrante do seu grupo econômico. O contrato em análise faz menção explícita ao grupo econômico ao qual pertence a empresa CBD, deixando claro, em suma, que o objetivo do fundo se limitou à aquisição de imóveis de uma empresa de um grupo econômico, para locação dos referidos imóveis a empresas do mesmo grupo econômico. Uma vez determinado que os negócios jurídicos em análise são relações intragrupo, prosseguese na apreciação do litígio, que reside em determinar se a empresa CBD também seria sócia do empreendimento imobiliário. [...] Fl. 723DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 724 12 A informação prestada pela contribuinte às fls.112 confirma que a empresa Reco Master possuía, em 29/10/2010, a totalidade das 69.231 cotas do fundo de investimento imobiliário em questão. Desta forma, resta evidente que, em qualquer das composições de quotistas que constituíram o fundo de investimento imobiliário, ora composto por dois sócios quotistas, ora constituído sob a forma de uma sociedade unipessoal, há uma característica comum: os quotistas do fundo são empresas e acionistas do mesmo grupo econômico ao qual pertence a empresa CBD. Concluise, assim, que os quotistas do fundo são também sócios do empreendimento imobiliário, na figura dos empresários responsáveis pela gestão comum do grupo econômico. Ao dissociar, da empresa CBD, os imóveis adquiridos pelo fundo, a impugnante se limitou a compreender a empresa como uma entidade jurídica abstrata. Todavia, deve se ligar a empresa à pessoa do titular, ou seja, ao empresário, conforme ensina Rubens Requião [...] Ademais, no caso concreto, a relação de sociedade entre empresas de um mesmo grupo econômico fica patente a partir do §3º, do art.13, do regulamento do fundo, que novamente se reproduz abaixo: §3º Na hipótese de rescisão de qualquer contrato de locação celebrado com a CBD ou com empresa integrante de seu grupo econômico, o FUNDO deverá amortizar parcialmente suas quotas, com versão aos quotistas do patrimônio representado pelo imóvel objeto do respectivo contrato de locação rescindido. Por intermédio do dispositivo contratual acima foi estipulado que, caso o objetivo do fundo não se cumprisse, ou seja, caso os imóveis do grupo econômico não fossem locados para empresas do próprio grupo, o que se daria por meio da rescisão de qualquer contrato de locação, então o patrimônio representado pelos imóveis reverteria para os quotistas do fundo. Contudo, conforme demonstrado, os quotistas do fundo são também empresas do mesmo grupo econômico, logo a propriedade dos imóveis jamais saiu do grupo econômico, pois, no caso de rescisão dos contratos de locação, os imóveis adquiridos pelo fundo reverteriam para o próprio grupo. Nesse sentido destaquese que, nos termos dos incisos I, II, III e IV, do §4º, do art.4º, do regulamento do fundo, a instituição financeira administradora sequer poderia rescindir ou alterar os contratos de locação, vender os imóveis ou adquirir outros imóveis para o patrimônio do fundo, sem prévia anuência da unanimidade dos quotistas. Tendo em vista que os quotistas do fundo são exclusivamente empresas do mesmo grupo, por conseguinte a atuação da administração do fundo foi claramente restrita e condicionada à vontade dos gestores do grupo econômico. Portanto, não assiste razão ao pleito da contribuinte, uma vez que a empresa CBD é parte integrante do mesmo grupo que detém a totalidade das quotas do fundo de investimento imobiliário, e, portanto, é sócia do empreendimento imobiliário, na figura dos empresários responsáveis por gerir o grupo econômico. Entendo que o cerne da questão depende da análise do dispositivo legal em questão, o qual novamente reproduzo: Art. 2º Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas, o fundo de investimento imobiliário de que trata a Lei no 8.668, de 1993, que aplicar recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista Fl. 724DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 725 13 que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, considerase pessoa ligada ao quotista: I pessoa física: a) os seus parentes até o segundo grau; b) a empresa sob seu controle ou de qualquer de seus parentes até o segundo grau; II pessoa jurídica, a pessoa que seja sua controladora, controlada ou coligada, conforme definido nos §§ 1o e 2o do art. 243 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. De acordo com o art. 114 do CTN, o “fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência." De acordo com o antecedente (hipótese de incidência) do art. 2º da Lei nº 9.779/99, “o fundo de investimento imobiliário de que trata a Lei n. 8668, de 1993, que aplicar recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo”, implicará o seguinte consequente normativo: “sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas”. Ou seja, somente se aplicará o disposto no do art. 2º da Lei nº 9779/99 caso o Fundo de Investimento Imobiliário Península FIIP tiver aplicado recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista seu que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. A partir de uma interpretação literal de tal dispositivo, portanto, somente haveria tributação do FIIP tal qual qualquer outra pessoa jurídica se houvesse investimento em empreendimento imobiliário que tivesse como incorporador, construtor ou sócio, seu quotista, e em determinadas situações. Para Recorrente, não há que se falar em incorporador ou construtor do empreendimento, uma vez que os imóveis em questão estavam prontos. De igual forma, não haveria sócio no empreendimento, já que detido 100% pelo próprio FIIP. Segundo ainda a Recorrente, ainda que, por hipótese, considerasse que Reco Máster pudesse ser sócia do empreendimento, não seria aplicável o disposto no parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.779/99, uma vez que Reco Máster detinha 100% das quotas do FIIP. Particularmente, discordo de tal entendimento. De acordo com a exposição de motivos da Medida Provisória nº 1788, convertida na Lei nº 9.779/99: "Para evitar a concorrência predatória dos referidos fundos com as pessoas jurídicas que exploram as mesmas atividades, o art. 2° do Projeto determina que sejam os rendimentos do fundo tributados segundo as mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas, nas hipóteses em que este permitir participação superior ao limite de vinte e cinco por cento ao incorporador, construtor ou sócio do empreendimento imobiliário". Fl. 725DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 726 14 Conforme se observa de todas as manifestações constantes dos autos, quer por meio do recurso voluntário e pareceres apresentados, ou mesmo nas contrarrazões da PGFN, o conceito de “sócio” do empreendimento imobiliário é algo não definido na lei, comportando inúmeras interpretações, desde que seria um sócio oculto no caso de SCP, de um interessado diretamente no empreendimento imobiliário, ou ainda pessoa que fosse coproprietária dos imóveis que compõem tal empreendimento. Convém relembrar que no âmbito de uma reestruturação do seu controle societário, a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) decidiu transferir sessenta imóveis para o Sr. Abílio Diniz, tendo sido os imóveis, em realidade, transferidos diretamente ao FIIP (em nome de sua administradora OUVINVEST), e, ato contínuo, locados para a própria CBD. O empreendimento imobiliário, portanto, está representado por imóveis pertencentes, ainda que indiretamente, ao Sr. Abílio Diniz (já que detém 100% das quotas de Reco, que por sua vez é a única quotista de FIIP). Ressaltase que a própria Recorrente afirma que a aquisição de imóveis para locação representou a atividade imobiliária e que a melhor forma para empreender essa atividade seria por meio da constituição do Fundo de Investimento Imobiliário. E tal fundo tem como seu controlador indireto o, o Grupo DINIZ (na realidade, o próprio Sr. Abílio Diniz), cujo objetivo é empreender a atividade de aquisição de imóveis para locação. Pois bem, se os imóveis foram transferidos para o controle do Sr. Abílio Diniz (ainda que de forma indireta), e ele pretendeu, na forma acordada na reestruturação do controle societário da CBD, locálos para a própria CBD, a meu sentir, se comprovado que Abílio Diniz ainda controlava CDB, resta evidente que Abílio Diniz teria atuado tanto como empreendedor do negócio declarado (“aquisição de imóveis prontos para locação”), como beneficiário desse mesmo empreendimento imobiliário, ainda que por intermédio de Reco, quotista única do Fundo de Investimento Imobiliário constituído. É importante ressaltar que a fim de se evitar a tal concorrência predatória a que se refere a exposição de motivos da MP nº 1788, se houvesse confirmação do interesse jurídico e econômico de Reco Máster (ou Abílio Diniz), ainda que por meio de uma empresa por ela controlada, de modo a ensejar qualquer forma de concorrência predatória com as demais pessoas jurídicas que desenvolvessem as mesmas atividades, entendo que seria possível aplicar tal dispositivo de modo a ensejar a tributação do FIIP como qualquer outra pessoa jurídica, ou seja, sem os benefícios tributários aplicáveis aos fundos de investimentos imobiliários. Portanto, a questão que entendo ser crucial à análise do caso concreto é se há hipótese de ligação, nos termos do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.779/99, entre Abílio Diniz (ou mesmo Reco Máster) e CBD, qual seja: em relação à Abílio Diniz: se CBD era empresa sob seu controle ou de qualquer de seus parentes até o segundo grau; em relação a Reco Máster: se CBD era sua controladora, controlada ou coligada, conforme definido nos §§ 1o e 2o do art. 243 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Peço vênia para reproduzir quadro elabora pela Recorrente em seu recurso e memoriais apresentados: Fl. 726DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 727 15 Conforme se observa, Reco Master não tem qualquer espécie de ligação com CBD. O mesmo não se pode dizer em relação à Abílio Diniz, sócio de Wilkes Participações, que, por sua vez, ao lado de outros acionistas, participa diretamente do capital de CBD. A questão que se necessita responder é: Abílio Diniz detinha o controle de CBD no período a que se refere a presente exigência (anoscalendário de 2006 a 2008)? Ressaltase que tal fato também justifica o porquê de não se poder aplicar, a priori, sem maior aprofundamento, o mesmo entendimento firmado no julgamento do processo 16327.001752/201025 (Acórdão 130100.994) ao presente caso. Segundo a Recorrente o Sr. Abílio Diniz sequer seria controlador da CBD, já que havia vendido o controle em 2005 para o Grupo CASINO e detinha apenas 24% do capital total da empresa (contra 76% do CASINO). Além disso, o Sr. Abílio Diniz estaria impedido de votar, na CBD, sobre qualquer assunto relacionado à locação dos imóveis, nos termos da Cláusula 6.3. do Acordo de Acionista celebrado entre Grupo Diniz e o Casino de 27 de novembro de 2006: 6.3.1. O GRUPO AD obrigase a se abster de votar em qualquer Assembléia Geral da WILKES ou da CBD ou em qualquer reunião dos Conselhos de Administração, no que tange a qualquer operação envolvendo o Grupo CBD e a RECo, bem como em operações entre o Grupo CBD e o GRUPO AD ou qualquer de seus integrantes. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 728 16 Pois bem, tal cláusula do Acordo de Acionista somente limita o poder de Abílio Diniz somente no que tange “a qualquer operação envolvendo o Grupo CBD e a RECo, bem como em operações entre o Grupo CBD e o GRUPO AD ou qualquer de seus integrantes”, não tendo o condão, como quis fazer crer a Recorrente, de retirar todo e qualquer poder sobre a administração de CBD. Aliás, nesse mesmo Acordo de Acionistas, consta na cláusula 5.1.3.4.1 que o Chairman do Conselho de Administração de CBD, desde aquela data até 21 de junho de 2012, seria nomeado pelo Grupo Abílio Diniz entre o próprio o próprio Abílio Diniz, quaisquer de seus herdeiros ou qualquer outra pessoa nomeada pelo Grupo Abílio Diniz. Vejase: 5.1.3. Conselho de Administração da CBD 5.13.1. Poderes e Funções Os poderes e funções do Conselho de Administração da CBD serão aqueles estabelecidos no art. 142 da Lei das Sociedades por Ações, e, pelo menos, os seguintes poderes e funções: [...] 5.1.3.4. Chairman do Conselho de Administração da CBD. O mandato do Chairman do Conselho de Administração da CBD será de 3 (três) exercícios sociais. 5.1.3.4.1. A partir da data de assinatura do presente Acordo até 21 de junho de 2012, o Chairman do Conselho de Administração da CBD será nomeado pelo GRUPO AD entre AD, quaisquer Herdeiros de AD ou qualquer outra Pessoa nomeada pelo GRUPO AD, desde que AD ou o indivíduo nomeado pelo GRUPO AD aceite essas atribuições. O CASINO somente poderá se opor ao nome indicado pelo GRUPO AD, caso tal pessoa não seja AD ou um de seus Herdeiros, hipótese em que o GRUPO AD indicará outro(s) nome(s) para aprovação do CASINO, aprovação essa que não poderá ser negada sem motivo razoável. 5.1.3.4.2. A partir de 22 de junho de 2012, a nomeação do Chairman do Conselho de Administração da CBD darseá por rodízio de 3 (três) em 3 (três) exercícios sociais, de modo que o GRUPO AD, de um lado, e o CASINO, de outro,tenham direito de escolher, para nomeação obrigatória, o Chairman do Conselho de Administração da CBD, ficando acordado que CASINO terá direito à primeira nomeação no rodízio para o mandato compreendendo os exercícios fiscais de 2013,2014 e 2015. [...] Vejase que tal constatação pode ser confirmada pela ampla cobertura da imprensa. E, ao contrário do que alegado pela Recorrente, Abílio Diniz manteve o controle de CBD. Destaco excertos de reportagem disponível no sítio da conceituada Folha de São Paulo1, com os destaques por mim apostos: O grupo francês Casino, o quinto maior supermercadista da França, irá pagar US$ 900 milhões para adquirir ações que lhe darão o direito de dividir o controle do grupo CBD (Companhia Brasileira de Distribuição) com o empresário Abílio Diniz. [...] 1 Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u95954.shtml>. Acesso em: 06 set 2016. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 729 17 Hoje, o controle da CBD está nas mãos do PAIC (Pão de Açúcar Indústria e Comércio), que detém 61% das ações do grupo. Outros 24% estão com o Casino. Os 15% restantes estão com a família de Abílio Diniz 10% são seus e 5% são de seu pai (Valentim dos Santos Diniz) e de sua irmã (Lucília Maria dos Santos Diniz). Com a transação anunciada hoje, o controle da CBD sairá do PAIC e passará para uma nova holding. O capital dessa nova holding será dividido entre Abílio Diniz e o grupo francês Casino. A nova holding terá 65,6% do capital da CBD. Além de ter metade dessa holding, o Casino passará a ter mais 28,7% das ações preferenciais do grupo varejista. Entretanto, um acordo de acionistas determina que somente a holding terá direito a voto nas decisões da CBD. Dessa forma, o controle da CBD será compartilhado entre Abílio Diniz e o Casino, apesar do grupo francês possuir um percentual maior de ações entre preferenciais e ordinárias. É que o controle estará restrito à holding. [...] Pelo acordo entre as partes, o montante que será recebido por Diniz (R$ 1 bilhão) será integralmente utilizado na compra de 60 imóveis supermercados e hipermercados do Pão de Açúcar. Como esses imóveis estão avaliados em R$ 1,029 bilhão, a diferença de R$ 29 milhões sairá do patrimônio pessoal de Abílio Diniz. Com a entrada desse R$ 1 bilhão em caixa, a CBD conseguirá zerar a dívida líquida e ainda ficar com R$ 103 milhões em caixa. Por sua vez, Diniz irá alugar esses imóveis para o Pão de Açúcar em valores de mercado. Os contratos de aluguel são de 20 anos, renováveis por mais 10 em duas ocasiões, a um aluguel equivalente a 2% das vendas brutas mensais de cada loja. Estimase que ele vá receber cerca de R$ 117 milhões por ano da CBD em aluguéis. [...] A venda de ações da CBD para o Casino já era esperada pelo mercado os franceses possuem participação no grupo desde 1999 e sempre tiveram a intenção de aumentála. Surpreendeu, entretanto, que o negócio tenha envolvido o partilhamento do controle do grupo entre a família Diniz e os franceses. O empresário Abílio Diniz continuará a ser o presidente do Conselho da CBD e também será nomeado presidente do Conselho da holding [WILKES] que controla a empresa. A partir de 2012, entretanto, o grupo francês poderá ter o direito de nomear o presidente da holding, mas isso ainda dependerá de uma série de condições. Diniz, entretanto, disse que não é sua intenção sair do controle do grupo. "Esse negócio só se viabilizou porque essa é uma empresa brasileira, gerenciada por brasileiros e que tem orgulho de ser brasileira. Mesmo que eles [Casino] queiram [o controle], a gerência do negócio continuará comigo." Fl. 729DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 730 18 Logo, resta evidente que o controle de CBD mantevese nas mãos de Abílio Diniz durante o período a que se refere a presente exigência. E matérias publicadas no ano de 2012 demonstram que somente a partir daí o controle de CBD saiu das mãos de Abílio Diniz, que ainda assim manteve a posição de Presidente do Conselho de Administração. Vejase, por exemplo, a matéria publicada em 2012 no site da UOL que informa sobre o controle do Grupo Pão de Açúcar assumido por Casino2, bem como a a elucidativa matéria do Valor Econômico3 sobre a saída de Abílio Diniz do capital da CBD somente aprovado pelo Cade em outubro de 2013. Portanto, com as ressalvas já expostas, continuam válidas as conclusões do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães no Acórdão 130100.994: A tentativa do Recorrente de vincular o conceito de “sócio do empreendimento imobiliário”, a que faz referência a lei, a existência de participação societária, revelase, no caso dos autos, absolutamente inadequada, vez que, na circunstância sob exame, o que salta aos olhos é, como já dito, o fato de Sr. Abílio Santos Diniz figurar, sozinho (como descrito no Parecer de fls. 122/130) ou por meio de Grupo sob o seu controle (na forma disposta na peça recursal), figurar ao mesmo tempo como empreendedor da atividade imobiliária e como quotista único do Fundo de Investimento Imobiliário. Estamos diante, assim, de situação extrema, em que a atividade imobiliária é integralmente empreendida (100% do negócio) pelo quotista único (100% das quotas), o que, à evidência, retrata a circunstância que o art. 2º da Lei nº 9.779/99 pretendeu evitar, pois, como reconhecido pelo próprio Recorrente, “o espírito da lei consiste em impedir a cumulação da posição jurídica de quotista relevante de um Fundo de Investimento Imobiliário (definido como aquele que possui, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de 25% das quotas do Fundo) com a pessoa jurídica de incorporador, construtor ou sócio de empreendimento imobiliário”. Correta a afirmação do Recorrente de que, para que exista a cumulação prevista no art. 2º da Lei nº 9.779/99, é necessário que o FUNDO aplique recursos num empreendimento imobiliário do qual também participe, como sócio, construtor ou empreendedor, o cotista relevante do FUNDO. No presente caso, penso que resta indubitável que empreendedor e cotista estão representados pela mesma pessoa, qual seja, o Sr. Abílio dos Santos Diniz, ou, no dizer do Recorrente, do mesmo Grupo (GRUPO DINIZ). Logo, voto por manter a exigência. Passo agora a analisar o recurso apresentado pelo coobrigado BANCO OURINVEST S/A. 2 Disponível em: <http://economia.uol.com.br/ultimasnoticias/redacao/2012/08/23/casinoassumeoficialmenteo controledogrupopaodeacucar.jhtm>. Acesso em: 06 set 2016. 3 Disponível em: <http://www.valor.com.br/empresas/3291588/cadeaprovasaidadeabiliodinizdocapital votantedacbd>. Acesso em 06 set 2016. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 731 19 Aduz a Recorrente que, nos termos do art. 4º da Lei nº 9.779/99, o administrador do Fundo é responsável pelo cumprimento das obrigações do Fundo, e não devedor solidário das suas eventuais obrigações, donde resulta que tal dispositivo não autoriza a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Para ele, estamos diante da figura da responsabilidade de terceiro, a qual é sempre subsidiária. Argumenta que o instituto da solidariedade previsto no art. 124 do CTN se aplica apenas entre sujeitos que podem qualificarse como contribuintes, o que efetivamente não ocorre entre o Fundo e ele. Diz que, no caso, o único contribuinte das supostas obrigações tributárias é o Fundo, que foi quem obteve a renda. Segundo consta no art. 1º da Lei nº 8.668/93, os fundos de investimento imobiliário não possuem personalidade jurídica. Por ocasião da edição do ato legal que disciplinou a sua constituição e o seu regime tributário (25 de junho de 1993 – Lei nº 8.668/93), os Fundos de Investimento Imobiliário, relativamente aos ganhos de capital e rendimentos auferidos, eram isentos de imposto de renda. Em que pese a revogação da referida isenção pela Lei nº 8.894, de 21 de junho de 1994, não identifico edição de norma disciplinadora da incidência em decorrência de citada isenção. Não obstante, em 10 de dezembro de 1997, com a edição da Lei nº 9.532, a tributação dos Fundos de Investimento Imobiliário, no que importa destacar, restou assim disciplinada: a isenção do imposto de renda prevista no art. 16 da Lei nº 8.668/93 somente se aplicaria ao Fundo de Investimento Imobiliário que, além das previstas na referida Lei, atendessem, cumulativamente, às seguintes condições: I fosse composto por, no mínimo, vinte e cinco quotistas; II nenhum de seus quotistas tivesse participação que representasse mais de cinco por cento do valor do patrimônio do fundo; III não aplicasse seus recursos em empreendimento imobiliário de que participasse, como proprietário, incorporador, construtor ou sócio, qualquer de seus quotistas, a instituição que o administrasse ou pessoa ligada a quotista ou à administradora; o fundo de investimento imobiliário que não se enquadrasse em tais condições ficava equiparado a pessoa jurídica, para efeito da incidência dos tributos e contribuições de competência da União; na hipótese do item anterior, o responsável pelo cumprimento das obrigações tributárias do fundo era a entidade que o administrava. Vêse, pois, que em conformidade com a Lei nº 9.532, de 1997, o administrador do Fundo, em razão de disposição expressa, era responsável pelo cumprimento das obrigações tributárias do Fundo de Investimento Imobiliário na hipótese de equiparação deste à pessoa jurídica. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 732 20 As disposições da Lei nº 9.532, de 1997, entretanto, foram revogadas pelo art. 22 da Lei nº 9.779/99. A referida Lei nº 9.779/99, relativamente à matéria sob apreciação, estabeleceu: Art. 1º Os arts. 10 e 16 a 19 da Lei no 8.668, de 25 de junho de 1993, a seguir enumerados, passam a vigorar com a seguinte redação: [...] Art. 16A. Os rendimentos e ganhos líquidos auferidos pelos Fundos de Investimento Imobiliário, em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, observadas as mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas submetidas a esta forma de tributação. Parágrafo único. [...]4 Art. 2º Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas, o fundo de investimento imobiliário de que trata a Lei nº 8.668, de 1993, que aplicar recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. [...] Art. 4º Ressalvada a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto sobre os rendimentos de que trata o art. 16 da Lei no 8.668, de 1993, com a redação dada por esta Lei, fica a instituição administradora do fundo de investimento imobiliário responsável pelo cumprimento das demais obrigações tributárias, inclusive acessórias, do fundo. Segundo citado pela própria Recorrente, o art. 41, II, da Instrução Normativa n.º 205 da CVM, de 1994, dispõe que constituirão encargos do Fundo as “taxas, impostos ou contribuições federais, estaduais, municipais ou autárquicas que recaiam ou vierem a recair sobre os bens, direitos e obrigações que compõem o patrimônio do Fundo”. Segundo o art. 1º, caput, da Lei n.º 8.668/93, o Fundo de Investimento, embora não possua personalidade jurídica, pratica atos através da Administração do Fundo e da Assembleia Geral dos Quotistas. Já a Assembleia Geral dos Quotistas possui como competência privativa examinar, anualmente, as contas do Fundo e deliberar sobre as demonstrações financeiras apresentadas pela Administradora. Por meio do art. 5º, da Lei nº 8.668/93, a seguir transcrito, criouse a instituição administradora responsável pela gestão do fundo: Art. 5º Os Fundos de Investimento Imobiliário serão geridos por instituição administradora autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários, que deverá ser, exclusivamente, banco múltiplo com carteira de investimento ou com carteira de crédito imobiliário, banco de investimento, sociedade de crédito 4 A Lei nº 12.024, de 2009, incluindo os parágrafos 1º, 2º, 3º e 4º ao artigo 16 da Lei nº 8.668/93, trouxe a não incidência do imposto na fonte para determinadas aplicações dos Fundos de Investimento Imobiliário.). O imposto de que trata este artigo poderá ser compensado com o retido na fonte, pelo Fundo de Investimento Imobiliário, quando da distribuição de rendimentos e ganhos de capital." Fl. 732DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 733 21 imobiliário, sociedade corretora ou sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários, ou outras entidades legalmente equiparadas. Portanto, é a instituição administradora a responsável pela gerência de toda a atividade do fundo e, exceto em relação à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto sobre os rendimentos de que trata o art. 16A da Lei nº 8.668/93, responde também pelo cumprimento das demais obrigações tributárias, inclusive acessórias, do fundo, nos termos do art. 4º da Lei nº 9.779/99. Nesse contexto, a meu ver, resta evidente que o BANCO OURINVEST S/A é a pessoa expressamente prevista em Lei como responsável pelo cumprimento das obrigações tributárias do fundo, aplicandose, a toda evidência, o inciso II, do art. 124, do CTN c/c o art. 4º da Lei nº 9.779/99. A respeito da aplicação do art. 134 do CTN ao caso concreto, entendo não ser possível. Isso porque, conforme muito bem delineado pela decisão de primeira instância, a aplicabilidade do art. 134, do CTN, se restringe à responsabilidade de terceiro com atuação regular, ao passo que a sujeição da contribuinte (FIIP) à tributação aplicável às pessoas jurídicas somente se deu em face atuação irregular do administrador do fundo (Banco Ouvinvest), permitindo, ao arrepio do disposto no art. 2º, da Lei nº 9.779/99, que um sócio quotista possuísse mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. Em complemento, saliento que a interpretação de que a obrigação trazida pelo art. 4º da Lei nº 9.779/99 limitase às obrigações acessórias afronta o próprio texto da lei, uma vez que se estabeleceu que a instituição administradora do fundo de investimento imobiliário fica responsável pelo cumprimento das demais obrigações tributárias, inclusive acessórias, do fundo. Ora, o art. 113 do Código Tributário Nacional estabelece que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. Se o art. 4º da Lei nº 9.779/99 faz menção ao cumprimento das demais obrigações tributárias, inclusive acessórias, não há como se entender que tal encargo limitese somente às obrigações acessórias, pelo contrário, incluise a obrigação acessória, ao lado, da outra espécie de obrigação tributária, qual seja, a principal. Assim sendo, mantenho a obrigação tributária atribuída a OURINVEST. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16327.720078/201162 Acórdão n.º 1402002.320 S1C4T2 Fl. 734 22 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 734DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725933/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos: a) pelo contribuinte a certidão atualizada da decisão da pensão judicial, e b) pela autoridade fiscal, as DIRPF´s dos beneficiários da pensão relativas ao ano sob análise. Vencidos na votação o relator, que dava provimento ao recurso, e também os Conselheiros Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso. Resolução a cargo da Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Maria Cleci Coti Martins Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Luciana Matos Pereira Barbosa Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos: a) pelo contribuinte a certidão atualizada da decisão da pensão judicial, e b) pela autoridade fiscal, as DIRPF´s dos beneficiários da pensão relativas ao ano sob análise. Vencidos na votação o relator, que dava provimento ao recurso, e também os Conselheiros Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso. Resolução a cargo da Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato - Relator Luciana Matos Pereira Barbosa Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos: a) pelo contribuinte a certidão atualizada da decisão da pensão judicial, e b) pela autoridade fiscal, as DIRPF´s dos beneficiários da pensão relativas ao ano sob análise. Vencidos na votação o relator, que dava provimento ao recurso, e também os Conselheiros Cleberson Alex Friess, Rosemary Figueiroa Augusto, e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso. Resolução a cargo da Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Maria Cleci Coti Martins – Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Luciana Matos Pereira Barbosa – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 25 93 3/ 20 13 -0 1 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BAR BOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.725933/201301 Resolução nº 2401000.508 S2C4T1 Fl. 134 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0434.188 (fls. 84/88), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que julgou improcedente a impugnação (fls. 01/02) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que em face das normas do Direito de Família. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento nº. 2010/814740752415934 de fls. 07/14 exigiu do contribuinte o recolhimento do imposto de renda pessoa física no valor de R$ 10.557,16 a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2010, ano calendário de 2009 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 07/11) a fiscalização informa a glosa de R$ 38.462,40 correspondente à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, nos seguintes termos: Em sede de impugnação (fls. 02), o contribuinte trouxe ao presente processo administrativo, em síntese, os seguintes argumentos: A dedução do pagamento de pensão alimentícia foi fixada judicialmente e é retida diretamente pela fonte pagadora do contribuinte, não se tratando de rendimento por ele recebido; Nunca dispôs de tais valores, retidos por sua fonte pagadora e pagos aos beneficiários por força de decisão judicial, motivo pelo qual não foram oferecidos à tributação; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BAR BOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.725933/201301 Resolução nº 2401000.508 S2C4T1 Fl. 135 3 O legislador não estabeleceu nenhuma das condições (idade inferior a 24 anos ou incapacidade física ou mental para o trabalho) para o contribuinte fazer jus ao direito à dedução pleiteada. A administração pretendeu a aplicação analógica do disposto no artigo 35, inciso III, da Lei 9.250/95, referente aos pagamentos feitos aos dependente do contribuinte; As deduções feitas a título de pagamento de pensão alimentícia e as deduções feitas com pagamentos realizados a dependentes do contribuinte têm natureza jurídica distintas e não devem se confundir, não se aplicando as restrições de uma a outra, por expressa ausência de amparo legal. Para a DRJ/CGE, a impugnação foi considerada improcedente, mantendo a glosa de R$ 38.462,40 de despesas com pensão alimentícia judicial, sob o fundamento de ausência de comprovação de que os beneficiários do contribuinte, maiores de 24 anos, teriam incapacidade física ou mental para o trabalho, não sendo assim, dedutíveis tais despesas. Devidamente intimado do acórdão proferido pela DRJ/CGE em 08/01/2014 (A.R. fl. 93) o contribuinte apresentou o seu recurso voluntário de fls. 95/105 em 08/01/2014, alegando, em síntese: a) Foi demonstrado pelo contribuinte, mediante a juntada de cópia do comprovante de seus rendimentos, que a decisão judicial que determinou o pagamento da pensão alimentícia continua a surtir efeitos, na medida em que o desconto do valor das respectivas pensões é feito diretamente pela fonte pagadora do recorrente. b) Que o contribuinte continua obrigado ao pagamento da pensão alimentícia que lhe foi judicialmente imposta, o que já restou devidamente comprovado, bem como pelo fato de que o pagamento da pensão se dá por desconto em folha de pagamento do recorrente o que, em última ratio, representa ausência de auferimento de renda suscetível da incidência do imposto de renda. c) Na impugnação apresentada foram juntados os documentos que comprovam o pagamento de pensão alimentícia a seus filhos, decorrente de decisão judicial, e que o pagamento da pensão alimentícia deferida é feito mediante o desconto em folha de pagamento do contribuinte, conforme documentos acostados. d) Que ao haver o desconto em folha de pagamento do valor que é devido pelo recorrente a título de pensão alimentícia, sendo este valor creditado diretamente em favor dos beneficiários da pensão(seus filhos) é de fácil constatação que não há o necessário auferimento de renda pelo Recorrente a justificar o oferecimento dos valores que lhe foram descontados por sua fonte pagadora à tributação. e) Que a interrupção do pagamento da pensão alimentícia judicialmente fixada somente pode ocorrer mediante decisão judicial que assim o determine, modificando a forma de pagamento, seu valor ou ainda determinando a interrupção em definitivo de tais pagamentos conforme as circunstâncias do caso concreto. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BAR BOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.725933/201301 Resolução nº 2401000.508 S2C4T1 Fl. 136 4 f) Que a Autoridade Administrativa julgadora confundese ante a natureza jurídica das deduções com dependentes com o pagamento de pensão alimentícia, institutos que tem fundamentos e tratamentos diferentes, portanto deve ser reconhecida a legalidade da dedução, mormente ao preenchimentos dos requisitos necessários a dedução da pensão alimentícia. g) Que não foi observado no lançamento de ofício que os valores percebidos a título de pensão pelos beneficiários foram regularmente oferecidos à tributação nas declarações de rendimentos por estes apresentadas. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BAR BOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.725933/201301 Resolução nº 2401000.508 S2C4T1 Fl. 137 5 VOTO VENCIDO Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Dedução de Despesa com Pensão Alimentícia Judicial O recorrente pleiteia a exclusão da glosa sobre o valor de R$ 38.462,40 correspondente à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial na medida em que foi comprovados os dois requisitos necessários a dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia, sendo eles: A existência de determinação judicial ou escritura pública determinando o pagamento da pensão. A demonstração do efetivo pagamento da pensão alimentícia determinada em decisão judicial ou escritura pública, em favor dos alimentados. A DRJ/CGE apenas não reconheceu as despesas de pensão alimentícia por questionaR qual seria o termo final da obrigação alimentar, uma vez que, sendo os beneficiários maiores de 24 anos, e diante da falta de comprovação, por parte do Recorrente, de incapacidade física e mental para o trabalho, então não seriam dedutíveis tais despesas. Como o contribuinte apresentou na Impugnação a íntegra dos autos de n° 1.550/1989 da 02° Vara de Família de Curitiba, onde foi estabelecida a pensão alimentícia judicial , em favor de sua exesposa e seus dois filhos acabou por cumprir, anexando tais documentos, a exigência da fiscalização. E tal fato se verifica ante a leitura da homologação do acordo (fl. 33), vejamos: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BAR BOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.725933/201301 Resolução nº 2401000.508 S2C4T1 Fl. 138 6 E, ainda, diante de ofício realizado pelo Juízo de Direito da 02° Vara de Família da Comarca de Curitiba (Fl. 52): Como se vê, é de fácil constatação, a partir dos documentos trazidos ao processo, a veracidade das alegações feita pelo contribuinte, eis que realmente faz jus a dedução de renda, pois carreou aos autos a documentação comprobatória da obrigatoriedade do pagamento da pensão alimentícia (decisão judicial). Também restou comprovado, de forma clara e inequívoca, mediante a cópia do comprovante de rendimentos do recorrente (Fl.66/70) que a decisão judicial que determinou o pagamento da pensão alimentícia continua a surtir seus efeitos, pois o desconto do valor das respectivas pensões é feito diretamente pela fonte pagadora do recorrente. Nesse caso, com a conjugação das provas trazidas ao processo administrativo fiscal não restam dúvidas que o recorrente arcou com essa despesa e, por este motivo, deduziu do seu imposto de renda devida ante a permissão legal do art. 8º, II, “f”, da Lei nº. 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Assim, restou claro que o pagamento glosado indevidamente é “importância paga a título de pensão alimentícia”, conforme acordado entre o Sr.Antonio Carlos da Silva Bretas, ora recorrente, e sua exesposa Maria Luíza Sperantio Bretas, conforme inferese da Homologação de Acordo(fls. 27/31). Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BAR BOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.725933/201301 Resolução nº 2401000.508 S2C4T1 Fl. 139 7 Assim, o recurso voluntário merece provimento para afastar da glosa a título de “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial” o montante de R$ 38.462,40. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO para o fim de afastar o lançamento decorrente da glosa de “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial” não reconhecida pela decisão da DRJ/CGE. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BAR BOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.725933/201301 Resolução nº 2401000.508 S2C4T1 Fl. 140 8 VOTO VENCEDOR Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Redatora Designada Preliminarmente, em face do atendimento aos requisitos de admissibilidade, conheço do recurso em face sua tempestividade. Noutro giro, já na análise de mérito dos presentes autos, observase que não foi possível formar convicção a partir dos documentos colacionados no presente feito, para se concluir se o contribuinte realmente faz jus ou não à dedução de renda pretendida. Embora tenha carreado aos autos a decisão judicial que determinou a obrigatoriedade do pagamento da pensão alimentícia, não foi possível verificar se a referida decisão judicial é contemporânea, nem tampouco se ela estabeleceu um prazo para exoneração da obrigação alimentícia. Nesse diapasão, não há elementos de convicção suficientes para verificar se a dedução pretendida se amolda ao permissivo legal constante do art. 8º, II, “f”, da Lei nº. 9.250/95. Assim, para melhor instruir o feito, permitindo dirimir as dúvidas que remanescem, fazse necessário a conversão do presente julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos: a) pelo contribuinte a certidão atualizada da decisão da pensão judicial, e b) pela autoridade fiscal, as DIRPF´s dos beneficiários da pensão relativas ao ano sob análise. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos: a) pelo contribuinte a certidão atualizada da decisão da pensão judicial, e b) pela autoridade fiscal, as DIRPF´s dos beneficiários da pensão relativas ao ano sob análise. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BAR BOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10880.730171/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Dra. Carina Elaine de Oliveira, OAB/SP nº 197.618.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Diego Diniz Ribeiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Dra. Carina Elaine de Oliveira, OAB/SP nº 197.618. Antonio Carlos Atulim - Presidente Diego Diniz Ribeiro - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Dra. Carina Elaine de Oliveira, OAB/SP nº 197.618. Antonio Carlos Atulim Presidente Diego Diniz Ribeiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração com exigência de valores referentes à Contribuição para o PIS/Pasep, no total de R$ 2.369.796,22, e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no total de R$ 10.915.460,15, incluídos, em ambos os valores, principal, multa de ofício e juros de mora, relativos ao período de apuração compreendido entre janeiro e junho de 2008. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão, neste Tribunal, a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 30 17 1/ 20 12 -0 2 Fl. 6304DF CARF MF Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.861 S3C4T2 Fl. 6.275 2 nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização glosou todos aqueles créditos tomados pela Recorrente na fase de produção agrícola da cana de açúcar que, por sua vez, é ulteriormente empregada na fase industrial de produção de açúcar e álcool. É o que se depreende, v.g., do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: (...). Dessa maneira, vêse que o termo insumo é gênero que abarca componentes aplicados direta e indiretamente na produção e, por isso, tem sido dividido em dois distintos subgêneros, quais sejam, os “insumos diretos” e “insumos indiretos”. Em conseqüência, por exemplo, são: 1) Insumos diretos de produção: matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem, etc.; e 2) Insumos indiretos de produção: energia elétrica, combustíveis, lubrificantes, manutenção de máquinas, aluguéis, etc. Essa maneira de entender o termo insumo se apresenta, de forma tácita, tanto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, na sua versão atual, quanto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, ambas com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, bem como nas IN SRF nº 247, de 2002, na versão dada pela IN SRF nº 358, de 2003, e nº 404, de 2004 (negritei). Vista dessa maneira fica claro que, em regra, somente os insumos diretos de produção podem permitir o desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Tal regra só é rompida por determinação legal, como ocorre com os combustíveis, os lubrificantes e a energia elétrica, dentre outros insumos indiretos de produção que a despeito disto desoneram o créditos em tela (negritei). Da análise do exposto acima, concluise que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, consideramse “insumos”, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na fabricação do açúcar e do álcool. Ou seja, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção do açúcar e do álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. (...). (fl. 36 grifos constantes no original). Fl. 6305DF CARF MF Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.861 S3C4T2 Fl. 6.276 3 4. Assim, partindo desta premissa e analisando documentos fiscais eletrônicos, planilhas e notas fiscais entregues pela Recorrente ao longo do procedimento fiscalizatório, a fiscalização glosou os seguintes itens que haviam sido tratados como crédito pela Recorrente: (a) Administração, Águas Residuais, Alojamento Agrícola, Captação de Água, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Colheita de Cana Fornecedores, Colheita de Cana Orgânica, Colheita de Cana Outras Origens, Colheita de Cana Terceirizada, Desenvolvimento Agronômico, Estação Experimental Canaviais, Estação Experimental CTC, Estradas/Cercas/Pontes, Lavador de Veículos, Mecanização Agrícola, Mecanização Agrícola Colheita, Oficina Mecânica, Oficina Mecânica Tratores, Outras Culturas Agrícolas, Plantio, Plantio Contratos, Plantio Mecanizado, Plantio Orgânico, Preparo do Solo Orgânico, Preparo e Plantio Terceirizado, Programa Formação Profs. Agric, Reflorestamento/Meio Ambiente, Replanta de Cana Soca, Segurança Patrimonial, Serviços Auxiliares, Serviços de Tratos Culturais, Serviços Recreativos, Serviços de Fornecedores de Cana, Transporte Agrícola, Transporte Agrícola Colheita, Trato da Planta, Trato da Soca, Trato da Soca Orgânica, Trato da Soca Terceirizada, Trato Culturais Soca CP e Vinhaça; (b) cana de açúcar produção própria, carregamento/reboque de cana, colhedeira de cana picada, colhedeira de cana, colheita de cana fornecedores, colheita de cana orgânica, colheita de cana outros, colheita de cana outras origens, colheita de cana terceirizada, comboio de abastecimento, corte mecanizado de cana, departamento de fornecedores de cana, desenvolvimento agronômico, estradas/cercas/pontes, implementos agrícolas, manutenção de campo, mão de obra agrícola, mecanização agrícola, mecanização agrícola colheita, mecanização máquinas leves, mecanização máquinas médias, mecanização máquinas pesadas, mecanização plantio mecanizado, oficina manutenção colhedora, oficina mecânica tratores, oficina mecânica veículos, oficinas de implementos, outras culturas agrícolas, plantio, plantio contratos, plantio mecanizado, preparo do solo, preparo e plantio terceirizado, reboque, reboque de cana picada, reboque fornecedor de cana picada, reboque Julieta próprio, reboque terceirizado de cana picada, refeitório alojamento agrícola, reflorestamento/meio ambiente, serviços de tratos culturais, serviços de fornecedores de cana, supervisão manutenção agrícola, supervisão serviços agrícola, topografia, transporte colheita, transporte agrícola, transporte agrícola colheita, transporte de cana adm manual, transporte de cana adm mecanizada, transporte colheita, transporte fornecedor de cana picada, transporte fornecedor de cana inteira, transporte mec cana administrada, transporte terceirizado de cana picada, trato da planta, trato da soca e vinhaça.; (c) diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes na área agrícola como Caminhões, Motores de Explosão, Reboques e Semi Reboques, Para Motoniveladora Pá Carregadeira e Retroescavadeira, Para Carregamento de Produtos Agrícolas, Para Colheita de Produtos Agrícolas, Tratores e Esteira, Tratores de Rodas, Balsas e Barcaças; Equipamentos e Componentes de Terraplenagem, Equipamentos e Implementos Agrícola Irrigação; (d) arrendamento agrícola decorrente de contratos de parceria com proprietários de terras em que produzida a cana de açúcar; (e) depreciação de ativos mobilizados, os quais foram assim especificados: ar condicionado, aparelho de som, rádio portátil, radio transceptor, grades, arados, colhedoras, cultivadoras, roçadeira, implementos agrícolas em geral, caminhões, carretas, semireboque, Fl. 6306DF CARF MF Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.861 S3C4T2 Fl. 6.277 4 transbordos para cana picada, tratores, equipamentos de laboratórios, betoneira, bombas, veículos, dentre outros; (f) administração, administração de pessoas, administração logística mi, administração vendas varejo, assistência social, centro de treinamento, clube de campo, comunicação, contencioso trabalhista, desenvolvimento de pessoas, diretoria financeira, equipamentos para vendas, equipamentos reserva, escritório varejo são Paulo, expedição, fiscal, funcionários afastados, higiene e medicina do trabalho, jurídico trabalhista regional, pesquisa e desenvolvimento de produtos, presidência barra, programa alimentação trabalhador, programa de formação de profissionais agrícola, programa de formação de profissionais industria, relação com investidores, saúde e segurança ocupacional, saúde ocupacional, segurança do trabalho, segurança patrimonial, seleção de pessoas, serviços de habitação, serviços médicos, serviços odontológicos, serviços recreativos, unidade telecom segurança, vendas industriais, vendas varejo, vendas varejo e vice presidência operações; (g) águas residuais, almoxarifado/recebimento, armazém de açúcar externo, armazém de açúcar interno, balança de cana, borracharia, captação de água, central de ar comprimido, laboratório industrial/microbiológico, laboratório cotesia, laboratório de lubrificantes, laboratório metharizium, laboratório teor sacarose, lavador de veículos, limpeza operativa, manutenção conservação civil ind., manutenção mecânica, mecanização industrial, mescla, oficina calderaria, oficina elétrica, posto de abastecimento, rouguing, serviço apoio armazém, transporte adm manual, transporte industrial e tratamento de água; (h) gasolina, óleo diesel e querosene; (i) graxas empregadas no maquinário; (j) aquisições de container big bag, lacres, sacos polipropileno, fitas adesivas, fio de costura, lacres, que configuram embalagens retornáveis utilizadas apenas para o transporte do açúcar; (k) materiais utilizados em laboratórios como aerômetro, algodão, balão de vidro, buretas, câmaras, copos Becker, densímentros, filtros, frascos, lâmpadas, pipetas, provetas, resistências, tubos de ensaio (e) discos, escovas, fitas isolantes, gaxetas, lixas, mancais, mangueiras, manômetros, niples, porcas, parafusos, retentores, rolamentos, válvulas, filtros, terminais, barras de aço, vigas de aço, adesivos, grampos, borrachas, conexões, tubos, flanges, dentre outros; (l) cabos de aço, cordas, cordoalhas, correntes e acessórios – composto por emendas, cadeados, correntes, abraçadeiras, cabos de aço, grampos, laços, manilhas e prensa; mangueiras, tubos e conexões – adaptadores, bicos, buchas, conexões PVC, engates, flexíveis, mangueiras, molas, terminais, tubos pvc, tubo nylon, tubo flexíveis, adesivos, anéis, arruelas, fitas, gaxetas, juntas, massa vedação, retentores, reparos, sedes válvula borboleta, selo mecânico, travas, vedarrosca, cordão; anéis, anilhas, cantoneiras de aço, barras chatas, aço de construção, barras de inox, barras de latão, buchas, chapas de aço, chapas de alumínio, chapas inox, conectores, cotovelos, curvas, flanges, engates, luvas, niples, pestanas, plugs, tarugos, reduções, tubos de aço, tubos inox, tubos de cobre, vigas de aço, vigas i de aço, borrachas em lençóis, buchas de borracha, cantoneiras de borracha, papelão, tarugo, arruelas, buchas, capas de rolamentos, cone de rolamentos; Fl. 6307DF CARF MF Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.861 S3C4T2 Fl. 6.278 5 (m) aluguel de moradias de funcionários, máquinas de café, data show, microfones, mesas para festas e projetos sociais, toalheiros, aluguel de palcos, pallets, clubes, produção artísticas, estacionamento, condomínio, corretagem de imóveis e alugueis para projetos sociais; e (n) pagamentos de serviços de transporte e movimentação de cargas, na planilha Notas Fiscais Direto, com centro de custo Armazém de Açúcar Externo e Interno, empacotamento, ensacamento, geração de vapor, oficina elétrica, preparo e moagem, preparo de solo e trato soca, uma vez que os créditos só são permitidos para o frete na operação de venda e não na movimentação entre estabelecimentos da empresa. 6. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou substanciosa Impugnação, oportunidade em que, em suma, alegou: (...preliminarmente, em resumo, que o auto de infração seria nulo por insuficiência de motivação, porquanto as glosas do setor agrícola da empresa foram amplas e genéricas, inviabilizando o entendimento do lançamento e prejudicando o direito de defesa e o exercício do contraditório, pois não foram oferecidas as razões específicas das glosas. Quanto às glosas relativas a “ajustes positivos de créditos”, referente a junho/2008, a fiscalização aparenta reconhecer o direito ao uso do crédito presumido, mas efetuou glosas sem explicações. Alega também que ao considerar o conceito de insumos constante nas IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004, eivou de nulidade todas as glosas e conseqüentemente os autos de infração, porquanto vão de encontro à conceituação de insumo adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Quanto ao mérito, afirma, em resumo, que, conforme decisão do CARF, os dispêndios que geram direito aos créditos da não cumulatividade são aqueles indispensáveis ao processo produtivo, cujo conceito jurídico é o de custo de produção, isto é, todos os gastos necessários à produção de bens e serviços. O mesmo se pode dizer do conceito de insumo contido no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em relação à glosa dos insumos da área agrícola, argumenta que no caso de empresas do setor sucroalcooleiro a atividade agrícola tem intrínseca vinculação com a atividade de produção do açúcar e do álcool, nesse sentido todos os dispêndios relativos a essa atividade são classificados como custo de produção. Assim, não se pode admitir a glosa, de modo amplo, superficial e genérico, de todos os custos relacionados à área agrícola sob a alegação de que não integram o processo produtivo do açúcar e do álcool. Partindose dessa premissa, é indubitável que serviços como dedetização, manutenção de tratores, caminhões e contêineres são indispensáveis às atividades da impugnante, devendo também ser enquadrados como insumos de produção, bem assim as em atividades Fl. 6308DF CARF MF Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.861 S3C4T2 Fl. 6.279 6 de laboratório, com balança de cana e manutenção de maquinário utilizado para processamento e transporte de cana. Também seriam indispensáveis os gastos com arrendamento mercantil, além de se enquadrar no conceito de aluguel previsto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833, de 2003. É que, juridicamente, o imóvel rural pode ser considerado um “prédio rústico”, como prescreve o art. 4º do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64), conceito este posteriormente incorporado no texto da Lei nº 8.629/93, que tratou da reforma agrária. Neste sentido, aplicase à espécie o disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN). Em relação à glosa de insumos indiretos e produtos químicos, alega que a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF já pacificou o entendimento de que os créditos de PIS/Cofins não devem se pautar pelos critérios utilizados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), conforme excerto que transcreve. Quanto aos gastos com embalagens, combustíveis, lubrificantes e graxa utilizados nos veículos e maquinários agrícolas, com transporte de empregados, bem assim com frete na aquisição de mercadorias e entre estabelecimentos da empresa, alega que são considerados indispensáveis ao processo produtivo, conforme entendimento do CARF. O mesmo se aplicaria às despesas com logística portuária e armazenagem e com depreciação de bens da unidade agrícola, pois se “classificam como gastos imprescindíveis à produção e comercialização do açúcar e álcool produzido pela impugnante...” Ademais, a própria Administração vem entendo que o frete na aquisição de mercadorias inclui o custo de aquisição e nesse sentido podem gerar créditos da nãocumulatividade, conforme soluções de consulta que cita. Quanto à energia elétrica, não procede a glosa, pois as despesas glosadas se referem à energia elétrica utilizada em estabelecimentos da autuada, conforme prevê o art. 3º, III, da Lei nº 10.833, de 2003. Também não procedem as glosas com aluguel e condomínio, pois também foram utilizados em atividades da empresa, não fazendo a lei distinção sobre o tipo de atividade em que foi utilizado, conforme inciso IV do artigo acima. Quanto à proporcionalização da receita bruta total, alega que não há na legislação esse conceito expresso e só pode ser interpretada como a totalidade das receitas auferidas pela empresa, inclusive aquelas não tributadas ou com alíquota zero. A receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa só pode ser interpretada como a receita total excluída das receitas que permaneceram no regime cumulativo. No tocante às glosas relativas a “ajustes positivos de créditos”, referente a junho/2008, a fiscalização aparenta reconhecer o direito ao uso do crédito presumido, mas efetua glosas sem explicações. Fl. 6309DF CARF MF Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.861 S3C4T2 Fl. 6.280 7 Em relação aos juros, argumenta que é ilegal a sua aplicação sobre a multa de ofício.. (trecho extraído do acórdão DRJ fls. 6.005/6.006). 7. Devidamente processada a Impugnação foi julgada improcedente, o que se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF ou quando as irregularidades possam ser sanadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2008 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito do PIS, no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS nãocumulativo, entende se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Fl. 6310DF CARF MF Processo nº 10880.730171/201202 Resolução nº 3402000.861 S3C4T2 Fl. 6.281 8 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento do PIS nãocumulativo incidente em suas aquisições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2008 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO DAS MESMAS CONCLUSÕES. A correlação entre as normas que regem as contribuições, autoriza a aplicação das conclusões nas questões de mérito relativas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep também à Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (fls. 6.002/6.003). 8. Diante de tal situação, coube ao contribuinte interpor o recurso voluntário em análise (fls. 6.034/6.089), oportunidade e que juntou aos autos substancioso parecer técnico desenvolvido pela ESALQ (fls. 6.102/6.252), a respeito das glosas aqui perpetradas. 9. É a síntese que se faz necessária. Resolução Relator Diego Diniz Ribeiro 10. Conforme se observa do relatório alhures, uma vez realizada a diligência pela fiscalização, os autos foram automaticamente remetidos para este Tribunal Administrativo, sem que, todavia, o contribuinte fosse previamente intimado para se manifestar a respeito da sobredita diligência, o que se contrapõe ao prescrito no art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 11. Assim, seguir adiante no presente julgamento nos termos em que se encontra o processo em epígrafe resultaria em notória ofensa ao princípio do contraditório (art. 2°. da lei n° 9.784/99), implicando, pois, a sua nulidade. 12. Neste sentido, com o escopo de evitar tais máculas, voto para que o presente processo novamente baixe em diligência com o fito de que o contribuinte seja intimado e, caso queira, se manifeste a respeito do resultado da diligência já efetuada nos autos. Em seguida, determino que o processo seja mais uma vez remetido para apreciação deste Tribunal Administrativo. 13. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 6311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904220/2009-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 20 /2 00 9- 64 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 9303004.085 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.507, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 9303004.085 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 9303004.085 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 9303004.085 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 9303004.085 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 9303004.085 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904220/200964 Acórdão n.º 9303004.085 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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