Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,733)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10805.001891/2005-22
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10805.001891/2005-22
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5258385
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-000.225
nome_arquivo_s : Decisao_10805001891200522.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10805001891200522_5258385.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
id : 4908254
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983108005888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.001891/200522 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.225 – 1ª Turma Especial Data 11 de junho de 2013 Assunto Restituição Multa Moratória e Denúncia Espontânea Recorrente FERKODA S/A ARTEFATOS DE METAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 0521.574/08 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, fls. 198 a 203, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, formalizado no presente processo. O pedido trata da restituição das multas moratórias, incidentes sobre tributos federais, pagas no período entre novembro de 2011 a dezembro de 2004, sob alegação dos recolhimentos terem sido efetuados espontaneamente, sem procedimento de ofício para a exigência dos referidos tributos (denúncia espontânea – art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN). Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .0 01 89 1/ 20 05 -2 2 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.001891/200522 Resolução nº 1801000.225 S1TE01 Fl. 3 2 “Tratase de Pedido de Restituição, no valor total de R$ 133.278,93, com fulcro no instituto da denúncia espontânea art. 138' do CTN, de valores pagos a título de multa de mora, acostado às fls. 01/13 e acompanhado dos documentos de fls. 14/179. Por meio da Decisão Administrativa de fls. 180/182 a autoridade preparadora indeferiu o pedido original e pelo Comunicado Seort/n° 803/2005, expedido em 22/12/2005, deu ciência ao interessado desta decisão em 26/12/2005 (AR fl. 183 verso). Em síntese, consta do referido documento: [...] Não encontra amparo jurídico a sustentação do interessado de que a denúncia espontânea da infração fiscal, com o recolhimento do tributo devido, desobriga o interessado do pagamento da multa de mora. A todo contribuinte que denunciar, de forma voluntária, uma infração à legislação tributária, é dado ver excluída a sua responsabilidade tributária pela infração praticada, com o que será afastada a aplicação das sanções acaso cabíveis, nos precisos termos do artigo 138, do CTN. A multa de mora não é punitiva, ela tem caráter indenizatório e seu objetivo é desestimular o atraso no pagamento dos tributos e contribuições, não se confundindo, pois, com a multa de ofício, esta sim revestida de caráter punitivo. [...] Em síntese, nas hipóteses em que o contribuinte declara (via DCTF) e recolhe com atraso seus tributos sujeitos a lançamento por homologação, não se aplica o beneficio da denúncia espontânea e, por conseguinte, não se exclui a multa moratória, não possuindo a denúncia espontânea o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega de seu dever instrumental. [...] Inconformado, o interessado apresenta Manifestação de Inconformidade, protocolizada em 24/01/2006 e juntada às fls. 185/196, contra o indeferimento do Pedido de Restituição de multa de mora, alegando, em síntese, suas razões de fato e de direito, a seguir: De início, resume os fatos. A seguir, permeado por diversas citações jurisprudenciais e doutrinárias, desenvolve o raciocínio de que são indevidos, com fulcro no instituto veiculado no artigo 138 do CTN Denúncia Espontânea , os recolhimentos de multa de mora nos pagamentos extemporâneos, uma vez que estes foram efetuados anteriormente a qualquer procedimento ou medida de fiscalização relacionada à infração tributária. Há também presente na peça de defesa, o argumento segundo o qual não subsistiria a multa de mora, posto que o artigo 47 da Lei n° 9.430, de 1996, já permitia o pagamento do tributo, ainda que em atraso, com o benefício do procedimento espontâneo. Ao final, requer a reforma da decisão administrativa que denegou seu pedido de restituição e reafirma seu pleito de ver restituídos os valores pagos a título de multa de mora, nos recolhimentos extemporâneos e denunciados antes de qualquer procedimento fiscal relativo à infração tributária. [...] VOTO Fl. 262DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.001891/200522 Resolução nº 1801000.225 S1TE01 Fl. 4 3 [...] Dito de outra forma, o instituto da Denúncia Espontânea na forma como está colocado no Código Tributário Nacional, não comporta, nem de longe, algo que se possa assemelhar ao arrependimento eficaz, presente no campo do Direito Penal. Ou seja, aquele contribuinte, sabedor de suas obrigações tributárias, posto que conhecedor das leis que as estipulam, não pode, passado o lapso de tempo previsto e estabelecido para o cumprimento destas obrigações, valerse de tal instituto para deixar de arcar com as conseqüências de sua atitude. E as conseqüências são claras: multa de mora e juros de mora nos casos de pagamento espontâneo e multa de ofício e juros de mora nos casos de lançamento de ofício. A tudo quanto foi dito até aqui, acrescentese que, analisando essa questão, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RESP 180.918/SP, já teve oportunidade de frisar que: "TRIBUTÁRIO AUTO LANÇAMENTO TRIBUTO SERODIAMENTE RECOLHIDO MULTA DISPENSA DE MULTA (CTN/ART. 138) IMPOSSIBILIDADE. Contribuinte em mora com tributo por ele mesmo declarado não pode invocar o Art. 138 do CTN, para se livrar da multa relativa ao atraso. " Prosseguindo, não é inoportuno, também, chamar atenção para o fato de que o Superior Tribunal de Justiça, vem firmando o entendimento segundo o qual a mera inadimplência não configuraria infração à lei para efeito de afastar a responsabilização dos sócios pelos débitos da empresa, deixando claro, aquele egrégio Tribunal, que a denúncia espontânea não é um estímulo à inadimplência, mas sim, um incentivo para aqueles contribuintes que estavam à margem da legalidade regularizarem sua situação. Com isso, beneficiase o denunciante, que não será apenado (com multa de ofício por exemplo) por sua comunicação da infração, e também o Fisco, que irá receber um valor cujo fato gerador lhe era desconhecido, e, certamente, necessitaria de envidar dispendiosas diligências para sua apuração. [...] Acerca do art. 47 da Lei n° 9.430, de 1996, invocado pela defesa, passase a uma análise da evolução histórica do referido dispositivo, com vistas, também, a explicitar que não tem razão o impugnante quando, com base neste preceito legal, defende o descabimento da multa de mora. O referido artigo, desde sua redação original, regra que: "Art.47 A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já lançados ou declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos lesais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo." (Destacouse) [...] Seu objetivo, portanto, foi o de alcançar aqueles contribuintes que permaneciam inadimplentes mesmo sob procedimento fiscal, assegurandolhes, porém, a possibilidade de recolher os débitos declarados apenas com acréscimo de multa de mora, depois do início da ação fiscal. Se assim não procedesse até o 20° dia subseqüente, o contribuinte ficaria sujeito à aplicação daquela penalidade. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.001891/200522 Resolução nº 1801000.225 S1TE01 Fl. 5 4 Imprópria, portanto, a pretensão do impugnante de que os pagamentos efetuados estariam dispensados do acréscimo de multa de mora (ainda que fosse o caso de procedimento de fiscalização e que se tratasse de pagamentos efetuados até o 20° dia subseqüente ao início da ação fiscal). Nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996 neles deveriam ser computados multa e juros de mora, e apenas não se sujeitariam à multa de ofício antes referida. [...] Assim, não se tratando aqui de multa de ofício paga sobre débitos já declarados pelo contribuinte em DCTF, mas sim de multa de mora paga em razão do atraso no recolhimento, não há fundamento para o pedido de restituição, nem mesmo no art. 47 da Lei 9.430, de 1996. Em face do exposto voto por conhecer da manifestação de inconformidade por tempestiva, para, no mérito, indeferila, não reconhecendo o direito à restituição pretendida, ratificando assim o decidido pela DRF.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 27/06/08, fls 221/222; Recurso – postado em 28/07/08, fls. 205) o Recurso de fls. 206 a 218, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A matéria ora discutida já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, na forma de recurso repetitivo, ao qual está adstrito o julgamento por este órgão colegiado, nos termos do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09 e alterações). No Recurso Especial nº 1.149.022 SP (01/09/2010)1: “RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 1 https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=20090134142 4&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF Fl. 264DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.001891/200522 Resolução nº 1801000.225 S1TE01 Fl. 6 5 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos não pertencem ao original) Do julgado retro transcrito depreendese que os pagamentos efetuados pelos contribuintes, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que em atraso, em mora, estão exonerados da multa moratória por alcançados pelo instituto da denúncia espontânea, desde que os referidos recolhimentos sejam efetuados antes de qualquer procedimento de ofício ou informação prestada em DCTF. Este órgão julgador, de forma antagônica aos colegiados de primeira instância, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF – Ricarf, está vinculado às decisões proferidas pelo STJ, processadas sobre o rito do art. 543B e C do CPC: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.001891/200522 Resolução nº 1801000.225 S1TE01 Fl. 7 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em concreto, a autoridade a quo argúi que a recorrente confessou os tributos devidos e recolhidos com multa de mora em DCTF, mas não há nos autos esta prova. Desta forma, mister é para dirimir o litígio que os autos retornem à unidade de jurisdição da recorrente para que se verifique se os tributos relacionados nas planilhas de fls. 30 a 32 foram informados em DCTF, antes dos pagamentos realizados, ou se houve qualquer procedimento de ofício para exigilos. Os pagamentos, realizados por DARF, devem ser confirmados no sistema de controle da Administração Tributária (Sinal). A autoridade fiscal designada ao cumprimento desta diligência deverá elaborar um Relatório Fiscal abordando o resultado das pesquisas efetuadas. A recorrente deve ser informada sobre o resultado das diligências, sendolhe facultado se manifestar em prazo regulamentar. Após os autos deverão retornar a esta Conselheira para pronunciamento da decisão. Voto em converter o julgamento na realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000331/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
REVISÃO INTERNA DE DIPJ. APURAÇÃO DE IRPF E CSLL A PAGAR NÃO CONFESSADOS EM GFIP.
A fiscalização somente solicitou a apresentação de livros contábeis e fiscais como prova da escrituração adequada pelo contribuinte e a investigação da origem do saldo a pagar de IRPJ e CSLL, apurados automaticamente na DIPJ.
O procedimento fiscal não foi instaurado para investigar a idoneidade dos valores registrados na escrituração do contribuinte, o que deveria ser objeto de fiscalização específica.
Os livros foram apresentados pelo contribuinte em fase impugnatória, não podendo agora ser exigida a comprovação de cada lançamento contábil efetuado. Se assim as instâncias julgadoras procedessem, estariam inovando, fazendo uma nova investigação fiscal, que não está entre as suas atribuições.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1401-000.630
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a proposta de conversão do feito em diligência do relator e, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso de ofício. Designado o conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 REVISÃO INTERNA DE DIPJ. APURAÇÃO DE IRPF E CSLL A PAGAR NÃO CONFESSADOS EM GFIP. A fiscalização somente solicitou a apresentação de livros contábeis e fiscais como prova da escrituração adequada pelo contribuinte e a investigação da origem do saldo a pagar de IRPJ e CSLL, apurados automaticamente na DIPJ. O procedimento fiscal não foi instaurado para investigar a idoneidade dos valores registrados na escrituração do contribuinte, o que deveria ser objeto de fiscalização específica. Os livros foram apresentados pelo contribuinte em fase impugnatória, não podendo agora ser exigida a comprovação de cada lançamento contábil efetuado. Se assim as instâncias julgadoras procedessem, estariam inovando, fazendo uma nova investigação fiscal, que não está entre as suas atribuições. Recurso de ofício negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.000331/2010-17
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5263209
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1401-000.630
nome_arquivo_s : Decisao_10120000331201017.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10120000331201017_5263209.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a proposta de conversão do feito em diligência do relator e, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso de ofício. Designado o conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta
dt_sessao_tdt : Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
id : 4936687
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983145754624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.000331/201017 Recurso nº 888.997 De Ofício Acórdão nº 1401000.630 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de agosto de 2011 Matéria IRPJ E CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WKWR COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 REVISÃO INTERNA DE DIPJ. APURAÇÃO DE IRPF E CSLL A PAGAR NÃO CONFESSADOS EM GFIP. A fiscalização somente solicitou a apresentação de livros contábeis e fiscais como prova da escrituração adequada pelo contribuinte e a investigação da origem do saldo a pagar de IRPJ e CSLL, apurados automaticamente na DIPJ. O procedimento fiscal não foi instaurado para investigar a idoneidade dos valores registrados na escrituração do contribuinte, o que deveria ser objeto de fiscalização específica. Os livros foram apresentados pelo contribuinte em fase impugnatória, não podendo agora ser exigida a comprovação de cada lançamento contábil efetuado. Se assim as instâncias julgadoras procedessem, estariam inovando, fazendo uma nova investigação fiscal, que não está entre as suas atribuições. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a proposta de conversão do feito em diligência do relator e, por unanimidade de votos, negaram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 03 31 /2 01 0- 17 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10120.000331/201017 Acórdão n.º 1401000.630 S1C4T1 Fl. 3 2 provimento ao recurso de ofício. Designado o conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 753DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10120.000331/201017 Acórdão n.º 1401000.630 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Decorre dos fatos que, em procedimento de revisão interna da DIPJ, foi verificado pela Autoridade Fiscal que o contribuinte apurou valores de IRPJ e de CSLL a pagar, mas deixou de confessálos em DCTF. Diante da divergência, a fiscalização o intimou a justificar, mediante apresentação dos livros contábeis e fiscais, as razões para as incompatibilidades apontadas. Contudo, a contribuinte quedouse inerte a respeito da intimação, incorrendo na autuação em análise. No entanto, na fase impugnatória o contribuinte trouxe aos autos cópias do Livro Diário, do Livro Razão e do Balancete Analítico (v fls. 163533). Submetida a matéria e os documentos à apreciação da DRJ, esta concluiu que efetivamente houve erro no preenchimento da DIPJ original (fls. 1648), uma vez que foram declaradas apenas as receitas brutas, sem as deduções de vendas, custos e despesas devidamente escrituradas. Assim, afastou a exigência do crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração, consoante se verifica do trecho abaixo, extraído do voto condutor do acórdão recorrido (fls. 724): Não cabe a mim contestar os valores registrados na escrituração do contribuinte, vez que este não foi o enfoque da fiscalização, que solicitou, como prova, apenas a apresentação dos livros. Tal medida foi adotada pelo contribuinte ao instaurar a lide, não podendo agora ser exigida a comprovação de cada lançamento contábil efetuado. Se assim procedesse, eu estaria inovando, fazendo uma nova investigação fiscal, que não está entre as competências da Delegacia de Julgamento. Como o período lançado ainda não foi alcançado pela decadência, nada impede que a unidade de origem realize novo procedimento fiscal para investigar a correção dos custos e das despesas registrados na escrituração. Como de regra, foi interposto Recurso de Ofício ao CARF que, ao ser analisado por esta Seção de Julgamento, foi objeto de discordância entre os membros que a compõem. O Conselheiro Relator tinha por pretensão inicial converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal competente pudesse se manifestar acerca da conveniência/oportunidade de auditar os valores dos custos e despesas cuja escrituração foi extemporaneamente comprovada pelo contribuinte. Entretanto, por maioria de votos, a Turma Julgadora decidiu por cancelar a exigência, conforme será demonstrado adiante. É o relatório. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10120.000331/201017 Acórdão n.º 1401000.630 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos No presente caso, as autoridades fiscais, em procedimento de revisão interna da DIPJ, verificaram que o contribuinte apurou valores de IRPJ e de CSLL a pagar, mas deixou de confessálos em DCTF. Intimado a justificar esta divergência, mediante apresentação dos livros contábeis e fiscais, a contribuinte ficou inerte. Tal fato motivou a presente autuação. No entanto, na fase impugnatória a contribuinte trouxe aos autos cópias do Livro Diário, do Livro Razão e do Balancete Analítico (v fls. 163533). Ao analisar tais documentos, o colegiado julgador a quo concluiu que efetivamente houve erro no preenchimento da DIPJ original (fls. 1648), uma vez que foram declaradas apenas as receitas brutas, sem as deduções de vendas, custos e despesas devidamente escrituradas. Vale dizer que o colegiado julgador a quo limitouse a analisar os livros contábeis e fiscais trazidos aos autos, abstendose de exigir a comprovação documental dos lançamentos efetuados. Sobre o tema, assim se manifestou o voto condutor do acórdão recorrido, fls. 724 (grifado): Não cabe a mim contestar os valores registrados na escrituração do contribuinte, vez que este não foi o enfoque da fiscalização, que solicitou, como prova, apenas a apresentação dos livros. Tal medida foi adotada pelo contribuinte ao instaurar a lide, não podendo agora ser exigida a comprovação de cada lançamento contábil efetuado. Se assim procedesse, eu estaria inovando, fazendo uma nova investigação fiscal, que não está entre as competências da Delegacia de Julgamento. Como o período lançado ainda não foi alcançado pela decadência, nada impede que a unidade de origem realize novo procedimento fiscal para investigar a correção dos custos e das despesas registrados na escrituração. Ao meu ver, a decisão adotada pelo colegiado recorrido foi muito simplista, devendo a situação ser analisada com maior profundidade. Ab initio, é importante ter em mente que não existe lançamento condicional. No presente caso, o lançamento foi motivado pela ausência de justificativas para a divergência entre DIPJ e DCTF, cumulada com a ausência de apresentação dos livros contábeis e fiscais capazes de embasar as justificativas eventualmente apresentadas pela contribuinte. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10120.000331/201017 Acórdão n.º 1401000.630 S1C4T1 Fl. 6 5 Uma vez que a contribuinte não atendeu às intimações regularmente emitidas pela fiscalização, ao Fisco não restou outra alternativa senão a formalização dos presentes lançamentos. Na fase impugnatória, a contribuinte resolveu justificar aquela divergência, afirmando que se equivocou ao preencher a DIPJ, deixando de informar as deduções de vendas, custos e despesas, que reduziram o lucro real e a base de cálculo da CSLL. O colegiado julgador, por sua vez, decidiu aceitar a justificativa apresentada, sem exigir a comprovação dos lançamentos contábeis e sem conceder às autoridades fiscais a oportunidade de se manifestar sobre os valores extemporaneamente declarados pela contribuinte. Considero equivocado o entendimento do colegiado recorrido, ao afirmar que “nada impede que a unidade de origem realize novo procedimento fiscal para investigar a correção dos custos e das despesas registrados na escrituração”. Ora, a simples existência do presente processo, ainda pendente de julgamento, constitui, sim, fator impeditivo à ação das autoridades fiscais. Afinal, não faria sentido constituir novo lançamento relativo aos mesmos fatos geradores, diante da existência de crédito tributário devidamente constituído (embora com exigibilidade suspensa). No caso concreto, as autoridades fiscais somente vão readquirir o direito de analisar a correção dos custos e despesas registrados na escrituração (sumariamente aceitos pelo colegiado recorrido) após tomarem ciência do cancelamento definitivo do presente crédito tributário. No entanto, quando tal fato vier a ocorrer, faltarão poucos meses para o encerramento do prazo decadencial para constituição de eventual crédito tributário. Desta forma, o procedimento omissivo da contribuinte (que não apresentou justificativas e livros na fase de fiscalização) resultaria em sério prejuízo para as atividades do Fisco, que teria brutalmente reduzido o prazo para fiscalizar a exatidão dos registros contábeis da própria contribuinte. Vale dizer que, em outras circunstâncas, poderia até mesmo ocorrer o decurso do prazo decadencial, antes mesmo de se tornar definitiva a exoneração do crédito tributário objeto do presente processo. Desta forma, o procedimento omissivo da contribuinte, acima descrito, implicaria a retirada do direito do Fisco de auditar os valores extemporaneamente declarados. Com base nos fatos acima expostos, mais do que prudente, considero necessário oportunizar ao Fisco o direito de se manifestar sobre a exatidão dos custos e despesas cuja escrituação foi extemporaneamente comprovada pelo contribuinte. Importante frisar que essa manifestação do Fisco poderá ser orientada pelos critérios de conveniência/oportunidade, que habitualmente regem a atividade de seleção dos contribuintes que serão fiscalizados (considerada a impossibilidade prática de fiscalizar todo o universo de contribuintes). Fl. 756DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10120.000331/201017 Acórdão n.º 1401000.630 S1C4T1 Fl. 7 6 Dispositivo Nestes termos, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal competente possa se manifestar acerca da conveniência/ oportunidade de auditar os valores dos custos e despesas cuja escrituação foi extemporaneamente comprovada pelo contribuinte. Caso não haja interesse em realizar tal auditoria, deve o processo retornar imediatamente a este colegiado, para julgamento. Por outro lado, caso haja interesse fiscal, poderão ser auditados os valores dos custos e despesas declarados pela contribuinte, dentro de um prazo razoável, compatível com a complexidade das verificações que se fizerem necessárias. Na hipótese de se constatar alguma inconsistência nos valores declarados, que implique a existência de crédito tributário suplementar (além dos valores expressamente reconhecidos pela contribuinte), devese elaborar um relatório pormenorizado, acompanhado de demonstrativo do crédito tributário e respectivos elementos de prova. O aludido relatório, com todos os seus anexos, deverá ser cientificado à contribuinte, que terá 30 dias para se manifestar acerca das conclusões da autoridade fiscal. Somente então deverá o processo retornar a esta colegiado, para julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Relator Voto Vencedor Conselheiro Antônio Alkmim Teixeira, Redator Designado. Esta r. Seção de Julgamento decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício interposto, afastando integralmente a exação em análise. Na ocasião, restou vencido o Relator. Como já mencionado no relatório acima, tratase de revisão automática de DIPJ, na qual foram apurados saldos a pagar de IRPJ e CSLL que, entretanto, não foram confessados em GFIP. Frisese: não se trata de procedimento de auditoria fiscal, na qual os trabalhos investigativos são voltados para a análise e confrontação dos valores escriturados nos livros contábeis e fiscais das empresas, bem como das informações constantes em suas declarações e relações com terceiros. No caso analisado houve simplesmente um procedimento de revisão interna na DIPJ, por meio do qual se constatou a divergência entre o valores declarados e os tributos pagos. Decorre dos fatos que o contribuinte, apesar de intimado, não apresentou os livros contábeis e fiscais solicitados, deixando de justificar, naquela ocasião, a origem das discrepâncias, incorrendo na presente autuação. No entanto, na fase impugnatória o Fl. 757DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10120.000331/201017 Acórdão n.º 1401000.630 S1C4T1 Fl. 8 7 contribuinte trouxe aos autos cópias do Livro Diário, do Livro Razão e do Balancete Analítico (v fls. 163533). Em observância à incessante busca pela verdade material que deve nortear os julgamentos em matéria tributária, a DRJ analisou os livros contábeis e fiscais apresentados pelo contribuinte e concluiu pela existência de erro no preenchimento da DIPJ original, na qual foram declaradas apenas as receitas brutas, sem as deduções de vendas, custos e despesas devidamente escrituradas. Acertadamente a DRJ considerou que, por não se tratar de procedimento de auditoria fiscal, não caberia à ela solicitar a comprovação documental dos valores lançados na escrituração do contribuinte, justamente porque não foi este o enfoque da fiscalização, que apenas solicitou como prova a apresentação dos livros – o que foi atendimento pelo contribuinte na fase impugnatória. Deste modo, como as divergências foram sanadas com a apresentação dos livros solicitados, cuja escrituração mostrouse coerente com os valores declarados, não poderia a DRJ exigir a comprovação de cada lançamento contábil efetuado, haja vista que não foi instaurado procedimento fiscal com esse objetivo. Se assim procedesse, estaria inovando, fazendo uma nova investigação fiscal, o que não está entre as competências das instâncias julgadoras, incluindo este Conselho. Daí a divergência entre a posição majoritária da Turma Julgadora e aquela defendida pelo nobre Conselheiro Relator. Ademais, ainda que o contribuinte não tivesse apresentado os documentos de forma satisfatória, deveria a Autoridade Fiscal ter procedido ao arbitramento do lucro e não simplesmente aceitado as divergências apuradas, considerandoas como base de cálculo dos tributos devidos. Ora, diante da falta de documentos e informações necessários para a condução dos trabalhos fiscais, deveria a fiscalização ter realizado o arbitramento do lucro, haja vista que, presentes os pressupostos, não caberia à fiscalização ao opção de não realizálo. Por fim, o argumento de que a simples existência do presente processo, ainda pendente de julgamento, constitui fator impeditivo à ação das autoridades fiscais, não pode prosperar como meio de sustentar uma autuação equivocada. A autoridade fiscal deveria ter sido mais cautelosa ao lavrar o Auto de Infração, diligenciando exaustivamente no sentido de obter as informações na busca pela verdade material. Caso não tivesse logrado êxito na obtenção dos documentos e informações, deveria ter procedido ao arbitramento do lucro e não simplesmente considerado as divergências como tributos devidos. Não é admissível que, agora, mesmo não tendo adotado as cautelas de estilo, venha a ter a sua autuação resguardada por meio de diligências investigativas, ordenadas pelo Conselho, que extrapolam a sua esfera de competência. Deste modo, como não cabe a este Conselho, na condição de instância julgadora, iniciar procedimento de investigação em relação à idoneidade dos valores escriturados, já que não foi objeto de questionamento em fiscalização específica, voto pelo cancelamento do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 758DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10120.000331/201017 Acórdão n.º 1401000.630 S1C4T1 Fl. 9 8 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18050.007392/2009-54
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTENTE OMISSÃO OU OBSCURIDADE A SER SANADA, OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO MERECEM ACOLHIDA.
Os embargos de declaração representam recurso atípico de natureza excepcional, cujo cabimento se encontra adstrito às hipóteses dos artigos 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma, além dos casos de inexatidões materiais, não se prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada, a não ser em casos excepcionais.
Inexistente omissão ou obscuridade a ser sanada, os embargos declaratórios não merecem acolhida.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2802-001.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTENTE OMISSÃO OU OBSCURIDADE A SER SANADA, OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO MERECEM ACOLHIDA. Os embargos de declaração representam recurso atípico de natureza excepcional, cujo cabimento se encontra adstrito às hipóteses dos artigos 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma, além dos casos de inexatidões materiais, não se prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada, a não ser em casos excepcionais. Inexistente omissão ou obscuridade a ser sanada, os embargos declaratórios não merecem acolhida. Embargos Rejeitados
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18050.007392/2009-54
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5282260
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-001.915
nome_arquivo_s : Decisao_18050007392200954.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
nome_arquivo_pdf_s : 18050007392200954_5282260.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4994380
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983160434688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1997; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 140 1 139 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.007392/200954 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2802001.915 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de setembro de 2012 Matéria IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CARLOS ALBERTO NEVES ALBERGARIA BARRETO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTENTE OMISSÃO OU OBSCURIDADE A SER SANADA, OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO MERECEM ACOLHIDA. Os embargos de declaração representam recurso atípico de natureza excepcional, cujo cabimento se encontra adstrito às hipóteses dos artigos 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, além dos casos de inexatidões materiais, não se prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada, a não ser em casos excepcionais. Inexistente omissão ou obscuridade a ser sanada, os embargos declaratórios não merecem acolhida. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 73 92 /2 00 9- 54 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Relatório A Fazenda Nacional opõe embargos de declaração com vistas a suprir suposta omissão e obscuridade de decisão proferida por esta C. Turma “(...) ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie.” Na minuta apresentada, a Embargante sustenta que: a verba discussão nestes autos – URV – não foi paga em razão de sentença judicial, mas sim em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. O autuado recebeu os valores ao longo de 36 (trinta e seis) meses, durante os anos de 2004, 2005 e 2006, por força da referida norma. Portanto, a validade da incidência do IRPF deve levar em consideração que os valores foram espontaneamente pelo Estado da Bahia, não se tratando de verba decorrente de condenação judicial. É relevante também mencionar que a verba recebida pelo autuado não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo/STJ n.º 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Em que pese o alegado pela Fazenda Nacional, não vislumbro qualquer omissão ou obscuridade na decisão embargada, de sorte a não conhecer dos embargos de declaração opostos. Isso porque a decisão embargada é clara e expressa quanto à indissociável vinculação das verbas recebidas às condenações decorrentes das Ações Ordinárias n.s. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Tal conclusão deriva do seguinte trecho extraído do voto condutor: Quanto à aplicabilidade do precedente da Corte Federal, é de se ressaltar que o artigo 4º da 8.730, de 08 de setembro de 2003 é expressa quanto à origem dos Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18050.007392/200954 Acórdão n.º 2802001.915 S2TE02 Fl. 141 3 rendimentos, qual seja: “(...) diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal,”. Portanto, inequívoca a submissão deste Colegiado ao decidido em repetitivo. Portanto, não há se falar que o decidido em repetitivo não seria aplicável ao presente caso, por se tratar de verba recebida em virtude de lei e não em decorrência de decisão judicial condenatória. Muito menos há que se tratar de eventual omissão a ser suprida, em virtude de novo julgado do STJ interpretativo da decisão proferida em sede de repetitivo, sequer publicado quando do julgamento do recurso voluntário. O artigo 4º da lei n. 8.730, de 8 de setembro de 2003 é expresso ao se referir à origem das verbas recebidas, qual seja, “(...) As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal (...)”. Ademais, nos termos do artigo 62A do RICARF, a vinculação deste colegiado às decisões do STJ se refere apenas a acórdãos submetidos ao rito do artigo 543C do CPC e não a eventuais decisões, mesmo proferidas pela C. Corte Federal, interpretativas da extensão dos efeitos e da aplicabilidade do decidido em sede de repetitivo. Posto isso, ausente os pressupostos exigidos pelo artigo 65 do RICARF, rejeito os embargos declaratórios opostos. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001730/2007-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
PERC
Para fins de deferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1103-000.682
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, dar provimento por unanimidade.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004 PERC Para fins de deferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.001730/2007-60
conteudo_id_s : 5254535
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1103-000.682
nome_arquivo_s : Decisao_16327001730200760.pdf
nome_relator_s : MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001730200760_5254535.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, dar provimento por unanimidade.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4879339
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983163580416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001730/200760 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110300.682 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria IRPJ Recorrente BV FINANCEIRA S A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PERC Para fins de deferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº. 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, dar provimento por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao ano calendário de 2004, exercício de 2005, formulado em 28/09/2007 pela empresa acima identificada (fls.01). Conforme dados constantes da ficha 36 da DIPJ/2005, relativos a Aplicações em Incentivos Fiscais (fls.74), a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido para aplicação no FINOR. O pedido da contribuinte foi motivado porque os incentivos fiscais não foram confirmados pela Receita Federal, segundo demonstra o extrato das aplicações em incentivos fiscais de fls.17. Ocorre que o PERC em questão foi indeferido, consoante o despacho decisório de 17/10/2008 (fls.102/107), nos seguintes termos: [...] em decorrência da vedação legal estabelecida no art.60, da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995, [...] DECIDO INDEFERIR o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao IRPJ/2004, formulado pela interessada, relativo ao IRPJ/2005. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 12/01/2009 (fls.112/124) e acompanhada dos documentos de fls.125/165, alegando em síntese que: 1. Os débitos impeditivos à emissão do incentivo deveriam referirse ao ano de 2005, momento em que foi processada a declaração de rendimentos da recorrente. 1.1. A utilização de débitos em momento posterior ao da opção pela utilização do benefício fiscal pretendido, não obstante não estar claramente definida na legislação regulamentadora, fere o princípio da moralidade administrativa. 1.2. O momento correto para a análise da regularidade fiscal da contribuinte é o da opção pelo incentivo fiscal, sendo que não cabe o indeferimento do pedido, uma vez que, em relação ao momento da opção pelo incentivo fiscal, não foi indicado nenhum débito que obstasse a fruição do benefício. 2. A recorrente se encontra em situação regular perante os órgãos da administração pública, conforme indica a certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de fls.151, emitida em 30/12/2008, com validade até 28/06/2009. 3. Os débitos constantes do contacorrente como “processo fiscal em cobrança (PROFISC)” e como “débito em cobrança (SIEF)”, quais sejam, PA nº. 16327.001505/200723 e PA nº. 16327.905872/200889, respectivamente, são posteriores ao momento da opção pelo incentivo fiscal e, por isso, não poderiam ser considerados como óbice para a concessão do benefício fiscal. 3.1. Tal conduta ofende os princípios administrativos da moralidade e da razoabilidade, previstos no art.37, da CF, e no art.2º, da Lei nº 9.784/99. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001730/200760 Acórdão n.º 110300.682 S1C1T3 Fl. 2 3 4. Os débitos de PIS e de COFINS, nos valores de R$79.921,65 e de R$145.321,94, respectivamente, constantes no contacorrente da recorrente na situação de “débito em cobrança (SIEF)”, foram devidamente quitados por meio de compensação, conforme se verifica por meio dos PER/DCOMP e da DCTF do 3º trimestre de 2003 (fls.152/165). A 10ª Turma da DRJ de São Paulo I, por meio do acórdão n.º 1623.090, decidiu: “INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A não comprovação de quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar questões relacionadas à inconstitucionalidade de leis ou à ilegalidade de normas infralegais, matérias estas reservadas ao Poder Judiciário.” A contribuinte, em seu recurso, praticamente repetiu as razões da manifestação de inconformidade. E anexou certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e dívida ativa da União de fl. 207. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. De fato na fl. 207, consta a Certidão Conjunta Positiva com efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e a Dívida Ativa da União. Quanto ao critério temporal utilizado para a verificação da regularidade fiscal do contribuinte, deve ser observada a Súmula CARF nº. 37, abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 37 Para fins de deferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Assim, uma vez acostada a referida certidão de fl. 207, deve ser reconhecida a regularidade fiscal da recorrente. De todo o exposto voto por da provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 09 de maio de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003110/00-02
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1994, 1995
PIS. Prescrição. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Prazo para restituição/compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Irretroatividade do artigo 3º da LC 118/2005. Artigo 65-A do Regimento Interno do CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 14/04/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação do PIS relativo ao período de abril de 1994 a março de 1995, frisando que os valores relativos aos demais períodos objeto do pedido em referência já foram deferidos pela própria DRJ.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1994, 1995 PIS. Prescrição. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Prazo para restituição/compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Irretroatividade do artigo 3º da LC 118/2005. Artigo 65-A do Regimento Interno do CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 14/04/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação do PIS relativo ao período de abril de 1994 a março de 1995, frisando que os valores relativos aos demais períodos objeto do pedido em referência já foram deferidos pela própria DRJ. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10283.003110/00-02
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5259797
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9303-002.201
nome_arquivo_s : Decisao_102830031100002.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NANCI GAMA
nome_arquivo_pdf_s : 102830031100002_5259797.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4912392
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983179309056
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-02-22T16:37:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-02-22T16:37:10Z; Last-Modified: 2013-02-22T16:37:10Z; dcterms:modified: 2013-02-22T16:37:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2013-02-22T16:37:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-02-22T16:37:10Z; meta:save-date: 2013-02-22T16:37:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-02-22T16:37:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-02-22T16:37:10Z; created: 2013-02-22T16:37:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2013-02-22T16:37:10Z; pdf:charsPerPage: 2572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; pdf:docinfo:created: 2013-02-22T16:37:10Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 802 1 801 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.003110/0002 Recurso nº 236.277 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.201 – 3ª Turma Sessão de 07 de fevereiro de 2013 Matéria Restituição PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TRANSMAC TRANSPORTE INTERMODAL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1994, 1995 PIS. Prescrição. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Prazo para restituição/compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Irretroatividade do artigo 3º da LC 118/2005. Artigo 65A do Regimento Interno do CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 14/04/2000, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito do contribuinte pleitear restituição/compensação do PIS relativo ao período de abril de 1994 a março de 1995, frisando que os valores relativos aos demais períodos objeto do pedido em referência já foram deferidos pela própria DRJ. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 31 10 /0 0- 02 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de número 20218.266, proferido pela Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte pleitear, em 14/04/2000, restituição/compensação de valores de PIS referentes ao período compreendido entre abril de 1994 e março de 1995 e, paralelamente, reconheceu a semestralidade da base do cálculo do PIS, afastando, entretanto, a correção da mesma, conforme ementa a seguir: “SEMESTRALIDADE. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QUINQUENAL. O pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior, a título de contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, tem como prazo de decadência/prescrição aquele de cinco anos, contado a partir da edição da Resolução nº 49, do Senado. Recurso provido em parte.” Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 56, inciso II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e noartigo 7º, incisos I e II do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria MF nº 147/2007, Fl. 821DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10283.003110/0002 Acórdão n.º 9303002.201 CSRFT3 Fl. 803 3 interpôs recurso especial com base em acórdãos utilizados como paradigmas, quais sejam, os de números 20400511 e 20402678, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I do CTN, conforme ementa de um deles a seguir transcrita: “NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. (...)” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I do CTN. O i. Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em despacho de fls. 795/796, deu seguimento ao recurso especial. Intimado por meio do Edital SEORT nº 04/2012, o contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento, razão pela qual dele conheço. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, Fl. 822DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 4 ocorridas no que se refere ao período compreendido entre abril de 1994 e março de 1995, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 14/04/2000, já estaria prescrito. Considerando que o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 823DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10283.003110/0002 Acórdão n.º 9303002.201 CSRFT3 Fl. 804 5 se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento para afastar a prescrição do pedido de restituição/compensação protocolado pelo contribuinte em 14/04/2000, mantendo, nesse sentido, o acórdão recorrido. Nanci Gama Fl. 824DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000686/2002-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1997
RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO.
Sendo intempestivo o recurso voluntário é vedado o conhecimento do
mesmo, por força disposto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-000.912
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997 RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Sendo intempestivo o recurso voluntário é vedado o conhecimento do mesmo, por força disposto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10805.000686/2002-05
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5036944
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.912
nome_arquivo_s : 320100912_10805000686200205_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10805000686200205_5036944.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4955821
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983211814912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1559; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 217 1 216 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.000686/200205 Recurso nº 32.016.86200205 Voluntário Acórdão nº 3201000.912 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1º de março de 2012 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente UTIL USINAGEM TECN ICA INDUSTRIA :IDA. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Sendo intempestivo o recurso voluntário é vedado o conhecimento do mesmo, por força disposto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 26/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Paulo Sergio Celani (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, lavrado em 1410312002 (lis. 09), formalizando credito tributário no valor total de R$ 9.12540, em virtude de não comprovação do processo judicial (de outro CNPJ) indicado para compensa0o dos débitos declarados para os períodos de abril e maio de 1997. Registrese que também foi encaminhado para julgamento 0 processo 10805.0026131200169, referente a débitos de Cofins de janeiro a março/97. Em oposição a presente exigência, foi apresentada, em 27/03/2002, de fls. 01, considerada tempestiva (fls. 21), acompanhada dos documentos de fls. 02/15 , em que o interessado reportase ao processo de compensação número 91.00182449. Em analise previa da exigência, a autoridade preparadora afirmou 97/100 que, de procedimento de fiscalização, foi constatada insuficiência de crédito para a compensação dos débitos objeto do presente processo como segue: “... A Ação Ordinária 91.00182449 foi interposta pela interessada objetivando provimento jurisdicional que lhe de o direito de compensar as parcelas de FINSOCIAL recolhidas acima da alíquota de 0,5% (,), acrescidas dos índices de correção com tributos e contribuições sociais da mesma espécie A sentença de 1ª instância julgou parcialmente o pedido, para declarar o direito da autora de não ser compelida ao pagamento do FINSOCIAL, à alíquota de 0,5% (...), exceto quanto ao ano de 1988, onde esta alíquota será de 0,6%.. Condenou a União a repetir a autoria o valor recolhido indevidamente, acrescido de correção monetária nos termos da Súmula 46 TRF e juros de mora de 12% ao ano, a contar do transito em julgado e julgou improcedente a compensação. Em 23 de junho de 1999, a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, por unanimidade, deu parcial provimento a remessa e a apelação da autora e negou provimento à apelação União nos termos do Acórdão de Fls., 26/40 [publicado cm 28/07/1999, fls. 24] cuja ementa é reproduzida a seguir: ... 2. Pautandose o contribuinte dentro dos contornos aboradados pelo art. 66 da Lei nº 3.383/91, os óbices administrativos da IN nº 67/92 não subtraem o exercício lídimo do direito à compensação. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10805.000686/200205 Acórdão n.º 3201000.912 S3C2T1 Fl. 218 3 5. A compensação dáse com parcelas subsequentes da COPINS. Afastada a necessidade de identidade de códigos, uma vez. que consoante entendimento jurisprudencial solidificado, este veio, sendo da mesma espécie, a substituir o FINSOCIAL, e sem qualquer incidência de juros. Contra o referido Acórdão foram impostos Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados nos termos do acórdão de fls. 41/44 [de 27/02/2002, publicado em 13/03/2002, fls. 24]. A interessada interpôs Recurso Especia1 junto STJ. Em acórdão de 21/09/2006 a 1ª Turma por unanimidade não conheceu do Recurso Especial (fls.. 47/51). 0 referido acórdão transitou em julgado em 13/1P2006 (f/s. .13) Em 27/07/19.09 o processo administrativo 10830.630.581./9407 (Processo de acompanhamento da Ação Ordinária nº 0018244 9) foi encaminhado ao SEFIS/DEF/SAE para diligenciar e verificar a exatidão da compensação efetuada (fls. ...) Foi então expedido o Mandado de Procedimento Fiscal solicitando documentação pra o bom andamento fiscal. Outro comparecimento ocorreu em 18/04/2001. Durante o procedimento fiscal a autoridade fazendária procedeu à elaboração dos seguintes demonstrativo: • Demonstrativo 01 (lis. 58) e 02 (fis. 59) onde estão cadastrados os períodos de apuração (créditos tributários relativos ao FINSOCIAL) de Agosto de 1989 a Margo de 1992 obtidos por intermédio dos livros de apuração de ICMS e IPI; • Demonstrativo 03 (lis. 60) onde estão listados os pagamentos efetuados; • Demonstrativo 04 (lis. 61/64) onde estão relacionadas as compensações de pagamentos realizados a maior, as quais foram efetuadas observandose os indices utilizados pela Fazenda Federal para atualizar tributos (conforme determinado em acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região de 23/06/1999 ásfls. 26/40); • Demonstrativo 05 (fls. 65) no qual constam os saldos c/c pagamentos remanescentes; • Demonstrativo 06 (fls. 66) onde estão cadastrados os períodos de apuração (créditos tributários relativos à COFINS) de Abril de 1992 a Dezembro de 1996 obtidos por intermédio dos livros de apuração de ICMS e IPI, • Demonstrativo 07 (fls. 67/82) onde está apresentada a compensação dos saldos credores do F1NSOCIAL com os débitos da COFINS, efetuada observandose os índices utilizadas pela Fazenda Federal pura atualizar tributos (conforme determinado em acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região de 23/06/1999 às fls. 26/40). Os valores dos pagamentos Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 de FINSOCIAL realizados a maior NÃO FORAM SUFICIENTES para a compensação de todos os débitos de COFINS; • Demonstrativo 08 Ns. 83) onde estão relacionados os débitos de COFINS remanescentes (correspondentes aos períodos de apuração de Abril a Dezembro de 1996); • Por fim o Demonstrativo 09 (lis. 84) onde, para os débitos remanescentes, foram relacionados os valores declarados em DCTF (fls. 89/93) e os valores não declarados, os quais foram objeto de Lançamento de Oficio, efetuado através do Auto de Infração dells. 85 (Processo n°10805.001090/200133) .... De todo o exposto, verificase que para os débitos do presente processo (COFINS de Abril e Maio de 1997), os valores dos pagamentos de FINSOCIAL, realizados a maior NÃO FORAM SUFICIENTES para a compensação. Por meio do Despacho n° 2.605 de fls. 102, em que consignados os fatos acima relatados, foi o processo encaminhado em diligência para fins de ciência do contribuinte, nos seguintes termos: Das informações supra, extraise que, quando da lavratura do auto de infração (13/03/2002) e da data considerada como ciência do lançamento (27/03/2002), já havia sido proferido acórdão pelo TRF admitindo a compensação e, também, já haviam sido rejeitados Embargos de Declaração interpostos contra referido acórdão. Mas, como visto, a autoridade fiscal verificou ser insuficiente o crédito para compensação dos débitos aqui autuados. Ocorre que, apesar da informação de expedição de MPF para análise da compensação, não há noticia de que o contribuinte tenha sido cientificado, nestes autos, dos cálculos e conclusões fiscais. Assim, objetivando evitar alegações de cerceamento de defesa e garantir o bom julgamento da lide, SOLICITO o retorno do presente processo el Delegacia da Receita Federal em Santo André/SP para que, no presente processo bem como naquele de n° 10805.002613/200169, cientifique o contribuinte do resultado dos trabalhos fiscais, reabrindolhe prazo para complementação de sua defesa, se for de seu interesse. Em atendimento, foi o contribuinte cientificado das análises proferidas no âmbito da DRF, conforme Comunicado de fls. 114 encaminhado por via postal e recebido em 18/12/2009 (fls. 114 verso). Em resposta, o contribuinte, por meio de petição de fls. 115, datada de 20/01/2010, e fazendo menção ao processo 10805.002613/200169, requereu suspensão do feito por 120 (..) dias, afim de aguardar o julgamnento do PA n° Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 10805.000686/200205 Acórdão n.º 3201000.912 S3C2T1 Fl. 219 5 10805.001986/200970 onde se busca a habilitação do crédito reconhecido judicialmente nos autos da ação ordinária n° 94.00182449. Conforme 115, a autoridade preparadora concedeu prazo de 30 (trinta) dias para apresentação dos argumentos e, por meio do despacho de fls, 125, datado de 10/05/2010, encaminhou o processo para julgamento consignando não ter o interessado se manifestado até então. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSLIFIC1ENTE. AMPARO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. Mantémse a exigência dos débitos cuja compensação resta incomprovada em razão da insuficiência de credito reconhecido judicialmente. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFICIO. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo , por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18º da Medida Provisória n° 135/2003,convertida na Lei 10.833/2003, com a nova relação dada pelas Leis nº 051/2004 e nº 11.196/200, Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Verificase às fls. 235 dos autos que foi lavrado Termo de Perempção, pois o contribuinte apresentou seu recurso voluntário após o transcurso do prazo de 30 dias, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, verbis:. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, sendo o recurso interposto intempestivo, VOTO por não conhecer do presente recurso voluntário. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001472/00-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 11/07/1997
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - EFEITOS DA REFORMA DE DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA
Na hipótese de alteração ou reforma, de ofício, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. TRANSFERÊNCIA DO RESPECTIVO ENCARGO FINANCEIRO.
Não se aplica ao Imposto de Importação (II), com relação à repetição de indébito, as disposições contidas no artigo 166 do Código Tributário Nacional, por serem incompatíveis com a natureza do tributo (Parecer/COSIT nº 47/2003).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-000.279
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200908
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/07/1997 CLASSIFICAÇÃO FISCAL - EFEITOS DA REFORMA DE DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA Na hipótese de alteração ou reforma, de ofício, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. TRANSFERÊNCIA DO RESPECTIVO ENCARGO FINANCEIRO. Não se aplica ao Imposto de Importação (II), com relação à repetição de indébito, as disposições contidas no artigo 166 do Código Tributário Nacional, por serem incompatíveis com a natureza do tributo (Parecer/COSIT nº 47/2003). Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10314.001472/00-19
anomes_publicacao_s : 200908
conteudo_id_s : 4406724
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.279
nome_arquivo_s : 320100279_141077_103140014720019_016.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
nome_arquivo_pdf_s : 103140014720019_4406724.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
id : 4956857
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983214960640
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-25T20:22:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-25T20:22:56Z; Last-Modified: 2009-08-25T20:22:56Z; dcterms:modified: 2009-08-25T20:22:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-25T20:22:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-25T20:22:56Z; meta:save-date: 2009-08-25T20:22:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-25T20:22:56Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-25T20:22:56Z; created: 2009-08-25T20:22:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2009-08-25T20:22:56Z; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-25T20:22:56Z | Conteúdo => S3-C2TI Fl. 192 • .iet-.1 11' •."0 •iPt . MINISTÉRIO DA FAZENDA : • • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.001472/00-19 Recurso n° 141.077 Voluntário Acórdão n° 3201-00.279 — r Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2009 Matéria 11/IPI VINCULADO - COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO Recorrente UNILEVER BRASIL LTDA. Recorrida DRJ-FORTALEZA/CE ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/07/1997 CLASSIFICAÇÃO FISCAL - EFEITOS DA REFORMA DE DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA Na hipótese de alteração ou reforma, de oficio, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. TRANSFERÊNCIA DO RESPECTIVO ENCARGO FINANCEIRO. Não se aplica ao Imposto de Importação (II), com relação à repetição de indébito, as disposições contidas no artigo 166 do Código Tributário Nacional, por serem incompatíveis com a natureza do tributo (Parecer/COS1T n" 47/2003). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / I n Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Processo n° 10314.001472/00-19 83-C2T I Acórdtio n.° 3201-00.279 Fl. 193 ir •I JUDIT AMARAL MARCONDES ARMANDO Preside ,. r /7 4 . 0„,,,,A o) 0 ROSA M IA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO Relatora Participaram, ainda , do presente julgamento os Conselheiros, Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Costa e Luciano Lopes de Almeida Moraes. 2 , Processo n° 10314.001472/00-19 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 194 Relatório Por bem espelhar os fato ocorridos até aquele incidente processual, reproduzo o relatório constante do Acórdão n° 08-11.744, proferido pela r Turma, da i. Delegacia da Receita Federal em Fortaleza: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu pedido de restituição, acompanhado de pedido de compensação, de parte de pagamentos do Imposto de Importação, no valor de R$ 38.876,16. O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO SEGUIDO DE COMPENSAÇÃO Consta que, por meio da DI n" 069865, de 20/06/1995, a requerente procedeu à importação da mercadoria "MYKON ATC WRITE" (N,N,A1151 — tetraacetiletiletrodiamina estabilizado com carboximetil-celulose sádica), classificando-a no código NCM 2922.30.90, cuja alíquota do imposto de importação, à época, era de 2% Entretanto, com base nos exames procedidos pelo Laboratório Nacional de Análises — LABANA (fls. 32-33), a Equipe de Classificação e Fatoração Aduaneira discordou do código adotado pela requerente e entendeu que o correto seria o código NCM 3823.90.90 (aliquota II — 14%), pelo que, em 29/05/1996, deu ciência ao importador do Demonstrativo de Cálculo de Lançamento Complementar — DCLC n` 242/96 (folha 31), onde o mesmo foi intimado a apresentar Declaração Complementar de Importação (DCI), de modo a recolher os tributos e acréscimos legais decorrentes da reckssificação fiscal. Desse modo, a partir daí a requerente passou a adotar o código apontado pela fiscalização, e conseqüentemente, o imposto de importação passou a ser calculado e recolhido com base em uma aliquota mais elevada. Ocorre que, por meio do processo ME 10880.014252/98-80, a recorrente procedeu consulta fiscal com o intuito de esclarecer a correta classificação do produto. Como resposta, e conforme fundamentação contida na Decisão D1ANA/SRRF/8" RE n" 319, de 29/06/1998 (fls. 21-25), cuja conclusão foi de que o código correto é 2922.30.90, ou seja, o código adotado anteriormente ao evento do Demonstrativo de Cálculo de Lançamento Complementar, de 1996. Assim, em 10/04/2000, por meio do processo em epígrafe e com fundamento na IN SRF n" 21/97, a recorrente solicitou restituição acompanhada de pedido de compensação de parte do pagamento do imposto de importação relativo à mercadoria 3 Processo n" 10314.001472/00-19 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 195 objeto da Declaração de Importação (Dl) n" 97/0595065-2, de 11/07/1997 (fls. 18-20), por entender ter havido pagamento a maior. A DECISÃO DENEGATÓRIA Em análise ao pleito, a SEFIABRF/SP, por meio do despacho de fls. 35-36, destacou que: (..) ao formalizar o pedido de consulta, a interessada deixou de informar que já havia sido intimada a cumprir obrigação tributária relativa ao fato objeto da consulta (..) razão pela qual, entendemos configurada a hipótese de não atendimento ao art. 52, II, do Decreto 70.235/72 (PM') Para, em seguida, concluir que: (..) a decisão DIANA/SRRE/8" RE não se aplica ao presente caso, unia vez que, nos termos do Decreto 70.235/72 (PAF), o Decreto 2.227/85 e 11V SRF 59/85, a nova classificação somente será aplicada aos fatos geradores ocorridos até a data da protocolização da consulta e aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que a consulente for notificada da decisão que RESULTE EM AGRAVAMENTO DA TRIBUTAÇÃO. (sic) Em decorrência, foi proposto encaminhamento do processo ao SESIT/IRF/SP, para apreciação. Apreciada a questão, o SES1T solicitou, em 30/11/2000, que fosse efétuada consulta à DISIT/SRRE/8" RF, nos seguintes termos (fls. 37): I. Qual a correta classificação tarifária a ser seguida para o produto de que trata a referida consulta? 2. A partir de que momento a decisão de unia consulta referente à classificação tarifária produz efeitos? 3. Uma decisão dessa natureza retroage para ,fins de retificação da classificação do mesmo produto já desembaraçado em situações anteriores à referida consulta? Com base na Portaria n" 333, de 03/10/2001, o processo foi encaminhado à Seção de Orientação e Análise Tributária (SAOR7) da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo em 16/10/2001, a qual, nos termos do despacho de fls. 39-40, informou que: em 29/01/2001, a D1ANA/SRRF/8" RE tornou insubsistente a decisão 319 (..) e que a interessada tinha que adotar o código inicial da qual já havia sido autuada às .11s. 73 a 78 do PROCESSO DE CONSULTA (..), através da DECISÃO DIANA/SRRF/81217 n" 005, de 29/01/2001; Manifestou-se o GRED em despacho delis. 35/6, informando ter efetuado a revisão da DI 97/0595065-2, de 11/07/1997, sem resultado, não havendo Retificação da Dl, portanto não existe tributo a ser restituído." 4 Processo n° 10314.001472/00-19 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00,279 Fl. 196 Entendeu ainda que, como os recolhimentos firam efetuados por meio de DARF manual, não cabe a aplicação do art. 4" da IN SRF n° 34, de 1998, o qual prevê que compete ao titular da unidade de despacho aduaneiro reconhecer o direito ao crédito nos casos de impostos pagos na forma da IN SRF n" 98/97, ou seja, por meio de débito automático em conta corrente, cabendo tal tarefa à unidade jurisdicionante do contribuinte, nos termos do art. 7' da IN SRF n a 21, de 1997. O processo foi encaminhado à DRF/CAMPINAS, que, por entender não se tratar de matéria de sua competência, o reencanzinhou à Alffindega do Aeroporto Internacional de Viracopos, sendo que o processo lhe foi devolvido por se tratar de pedido de compensação. Após diversas providências administrativas de controle do processo por parte do SEORT/DRF/CAMPINAS, conforme especificadas nos despachos de .fls. 41-45, bem como a formalização de Representação (folha 46), o processo seguiu à SAORT/IRF/SP que, nos termos da DECISÃO SAORT n" 089, de 2003 (fls. 48-49) e pelos motivos expostos nos itens 6 e 8 do presente Relatório, indeferiu o pedido da interessada, não reconhecendo o direito à restituição do crédito tributário pleiteado. A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 22/12/2003, conforme aviso de recebimento juntado às fls. 52, a interessada apresentou em 13/01/2004 sua manifestação de inconformidade (lis. 53-63), por meio de representação (fls.. 64-67), oportunidade em que discorda da decisão proferida. Em sua manifestação, após breve relato dos fatos, a interessada aduz a consulta fiscal inerente ao processo 10880.014252/98-80, que concluiu que a classificação correta do produto é a do código 2922.3090, incidindo, pois, uma aliquota menor. Para tanto, transcreveu diversas ementas de decisões do ConseMo de Contribuintes para defender restar claro o direito de restituição dos valores pagos a maior. Alegou que, no que pese o pedido de compensação haver sido indeferido, sob o argumento de que a Decisão n" 005 de 05/04/2001 (sie) tornou nula a Decisão n" 319 de 29/06/1998, esse fito não obsta o direito de restituição da requerente, uma vez que a mesma estava recolhendo o valor da aliquota a maior desde 24/05/1996 quando foi autuada e concomitantemente ao procedimento de autuação, a requerente protocolizou a consulta, que foi solucionada em 29/06/1998, permanecendo seu direito à restituição em face do lapso de tempo entre os dois procedimentos. Traz à baila o principio da segurança jurídica para defender que a recorrente não pode ser penalizada por cumprir dispositivo exarado pela própria Receita Federal, e, pondera ainda que, 5 Processo n° 10314.001472/00-19 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 197 negar o pleito é o mesmo que agir de modo contrário ao principio da retroatividade mais benigna ao contribuinte. Neste sentido, transcreveu trecho da obra de Valdir de Oliveira Rocha (Comentário ao Código Tributário Nacional, vol 2, Ed. Saraiva, p. 56), o qual se refere ao an. 5', XL, da Constituição Federal ("a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar réu"); texto de lavra de Celso Ribeiro Bastos, o qual se refere ao principio expresso no art. 20, caput, do Código Penal ("Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória'), princípio o qual entende que deve ser aplicado por analogia ao caso presente; transcreve outras ementas de julgados do STJ e TRF/212, e ainda, suscitou o parágrafo único do artigo 100 do CTN. Defende que, na ocasião do pagamento e posterior pedido de restituição, a norma que estava em vigor era a da resposta à consulta expedida pela Decisão n" 319 de 29/06/1998, não cabendo a alegação de que a Decisão de n" 005, de 05/04/2001 (sie) retroage seus efeitos, sendo certo que a mesma somente tem validade e eficácia a partir de sua publicação datada de 19/03/2001, ou seja, a recorrente, em face do principio da temporalidade, se encontraria protegida sob a égide do efeito da consulta fiscal n" 319/98, no período de 18/06/1998 a 19/03/200.1. Finalizando sua manifestação de inconformidade, a interessada requer restituição de parte do imposto de importação, por entender que o mesmo foi pago a maior, e a conseqüente, reforma da decisão, com o reconhecimento do direito de compensação do valor recolhido indevidamente, corrigido monetariamente. FLUXO DO PROCESSO Diante da manifestação de inconformidade apresentada, e após a juntada da documentação pertinente, o processo foi encaminhado em 17/03/2004 à DRJ/SPO 11/SP, unidade originalmente competente para julgar a lide. Por força da Portaria SRF n" 956, de 08/04/2005, D.O.0 de 12/04/2005, que transferiu a competência de julgamento, o processo foi encaminhado a esta DRJ/Fortaleza. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Submetido ao julgamento desta 2" Turma da DRJ/Fortcdeza, esta decidiu por sua conversão em diligência, nos termos da RESOLUÇÃO DRJ/FOR n°508, de 09/12/2005 (fls. 87-93). Em atendimento, foram juntados aos autos os documentos e informações de fis. 98-110, tendo sido dado ciência à interessada do resultado da diligência, conforme fls. 113-114, culminando com sua manifestação às fis. 116-122, subsidiada 6 Processo n° 10314.001472/00-19 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 198 com os documentos de outorga dos signatários às fls. 123-134 e 136-145. Vale destacar, que a matéria tratada nos processos conforme abaixo relacionados é idêntica, e, como tal, em atendimento à diligência solicitada, por uma questão de economia processual, uma cópia do processo de consulta ME 10880.014252/98-80 foi juntada ao processo ME 10314.001471/00-56: 10314.001465/00-53 10314.001480/00-47 10314.001468/00-41 10314.001466/00-16 10314.001469/00-12 10314.001462/00-65 10314.001467/00-89 10314.001470/00-93 10314.001464/00-91 10314.001459/00-51 10314.001453/00-74 10314.001456/00-62 10314.001472/00-19 10314.001481/00-18 10314.001455/00-08 10314.001471/00-56 10314.001458/00-98 10314.001474/00-44 10314.001463/00-28 10314.001477/00-32 10314.001457/00-25 10314.001452/00-10 10314.001478/00-03 10314.001476/00-70 10314.001451/00-49 10314.001479/00-68 10314.001460/00-30 10314.001475/00-15 10314.001454/00-37 A respeito da nova manifestação apresentada pela interessada, esta, em suma, ratificou o teor de sua manifestação inicial, ressaltando, quanto aos motivos que suscitaram a anulação da decisão n°319, que o auto de infração já se encontrava extinto por pagamento. Frisou que o pagamento objeto do pleito foi comprovado no sistema SINAL, e ao _final, solicitou a restituição conforme petição inicial. Em 13/07/2007, o processo retornou a esta unidade julgadora para prosseguimento do julgamento. Nada obstante os argumentos aduzidos pela contribuinte (doravante denominada Interessada), a decisão de primeira instância indeferiu a solicitação da mesma, pelas razões sintetizadas na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 11/07/1997 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado que o produto MYKON ATC WRITE Manaus (N,N,N,N - tetraacetiletilenodiamina estabilizado com carboximetil-celulose sádica) classifica-se no código NCM 3824.90.89; que sua correspondente &ignota do imposto de 7 Processo n° 103 I 4.00 I 472/00-19 S3-C2T I Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 199 importação é igual a do código NCM aplicado no despacho aduaneiro; e que, via de conseqüência, o valor recolhido do imposto de importação coincide com o valor deste tributo inerente à da correta classificação fiscal do bem importado, não há crédito tributário a ser restituído ou compensado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/07/1997 SOLUÇÃO DE CONSULTA. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO ANTERIOR. EFEITOS. A alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta alcançará apenas os fatos geradores que ocorreram após a sua publicação ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Contudo, se constatado que o fito gerador objeto do pedido de restituição ou compensação ocorreu anteriormente à Solução de Consulta tornada insubsistente e superada por uma nova orientação, que, por sua vez, não acarreta em tratamento mais favorável, incabível será a aplicação cio principio da retroatividade mais benigna. Regularmente intimada da decisão supra em 29 de novembro de 2007, a Interessada protocolizou Recurso Voluntário (fls. 159 e seguintes), no dia 14 de dezembro do mesmo ano. Nesta peça recursal, após elaborar um breve relato dos fatos ocorridos, reitera os termos de sua peça impugnatória. Assevera, nesse diapasão, que apesar de o desembaraço de a mercadoria ter se dado em 1997, o pedido de restituição foi formulado em 2000, com fulcro em Solução de Consulta proferida em 1998. Eis a breve síntese dos fatos. 8 Processo n° 10314.001472/00-19 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 200 Voto Conselheira ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, Relatora O processo preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Consoante relatado, o presente feito trata de pedido de restituição de suposto pagamento a maior de Imposto de Importação (II), por parte da Interessada, em razão de a mesma haver adotado o código 3824.90.90 (fls. 20), com aliquota de 14% (DI 97/0595065-2, de 11/07/1997), enquanto que, pela Solução de Consulta n° 319, de 29/06/1998, inerente ao processo n" 10880.014252/98-80, o código correto seria 2922.30.90, cuja aliquota, em 11/07/1997, era de 2%. Em suma, assim se pode expor os principais fatos atinentes à lide em epígrafe: a) Antes de 29/05/1996: A interessada adotava o código 2922.30.90 (Aliquota de 11= 2%); b) Em 29/05/1996: Lançamento DCLC 242/96 que, por meio de laudo técnico, concluiu que o código correto seria 3823.90.90 (Aliquota de II = 14%); c) Em 11/07/1997: A Interessada registrou a Dl 97/0595065-2 usando o código TEC 3824.90.90 (Aliquota de II = 14%); d) Em 18/06/1998: A Interessada formaliza Consulta (Processo ri° 10880.014252/98-80); e) Em 29/06/1998: É proferida a Decisão D1ANA/SRRF/8°RF rf 319, de 29/06/1998 concluindo que o código correto seria TEC 2922.30.90 (Aliquota de II = 2%); 1) Em 10/04/2000: A Interessada protocoliza Pedido de Restituição/Compensação com fundamento na Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 319, de 29/06/1998 concluindo que o código correto seria TEC 2922.30.90 (Aliquota de II = 2%); g) Em 29/01/2001: É proferida a Decisão DIANA/SRRF/8°RF n o 005, de 29/01/2001, que reforma o entendimento inicial e torna insubsistente a Decisão D1ANA/SRRF/8°RF n° 319, de 29/06/1998 (Conclusão: código TEC 3824.90.89 — Aliquota II de 14% em 11/07/1997). Inicialmente, devo explicitar que, consoante exposto pela decisão recorrida, a SEFIA/IRF/SP (fls. 35-36), está equivocada ao afirmar que "(...) ao formalizar o pedido de consulta, a interessada deixou de informar que já havia sido intimada a cumprir obrigação tributária relativa ao fato objeto da consulta (..) razão pela qual, entendemos configurada a hipótese de não atendimento ao art. 52, II, do Decreto 70.235/72 (PilF)". Senão vejamos: 9 Processo n° 10314.001472/00-19 S3-C2T 1 Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 201 "(...) a Fiscalização se equivocou ao entender que, por ocasião cia formulação da consulta que culminou com a Decisão n° 319/1998, a interessada se encontrava sob procedimento fiscal, o que acarretaria suposto vicio de firma, objeto, inclusive, de Representação FiscaL De acordo com o teor do processo de consulta ME 10880.014252/98-80, o qual se encontra juntado ao processo ME 10314.001471/00-56, e, em especial, nos termos do PARECER/DIANA/SRRFO8 N" 332/2003 (fls. 496), do Despacho de fls. 501-503, e do Despacho de fls. 504, onde a COANA ratificou o entendimento da DIANA/SRRF08, inexistiram os supostos vícios deforma." Dessa forma, tem-se que a solução do litígio em apreço reside em contextualizar o regramento contido nos parágrafos 6" e 7°, do art. 14, da Instrução Normativa n° 230/2004, cujas disposições, além de deverem obediência às normas que lhe são hierarquicamente superiores, não podem, como não pode qualquer ato integrante da legislação, ser objeto de interpretação que, conferindo ao ato normativo inequívoca incoerência, fira-o em sua própria e intrínseca lógica. Do dispositivo acima mencionado consta: § 6% Na hipótese de alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na imprensa oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for ',sais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. ,sç 7"- Na hipótese de alteração ou reforma de ofício, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias APLICAM-SE AS CONCLUSÕES DA SOLUÇÃO ALTERADA OU REFORMADA EM RELAÇÃO AOS ATOS PRATICADOS ATÉ A DATA EM QUE FOR DADA CIÊNCIA AO CONSULENTE DA NOVA ORIENTA CÃO. Desses dizeres, especialmente do transcrito § 6°, sabe-se que todas as Soluções de Consulta, proferidas a respeito de toda e qualquer matéria, inclusive classificação de mercadoria, estão sujeitas a nova orientação, seja em decorrência de solução de divergência, seja em decorrência de solução de consulta interna ou de qualquer outro ato interpretativo acerca da espécie consultada que, expedido por órgão central da Secretaria da Receita Federal, uniformize nacionalmente eventual diversidade de entendimento. Sendo assim, é inconteste que às Soluções de Consulta, inclusive as proferidas sobre classificação de mercadorias, quando objeto de orientação introduzida em face das hipóteses referidas no transcrito § 6', deverá ser dispensado o tratamento ali previsto, o qual expressamente contempla a retroatividade benigna (para afetar fatos geradores passados). Todavia, quanto à manutenção dessa benignidade nos casos de revisão de oficio a que estão sujeitas as Soluções de Consulta que tenham por objeto a classificação de mercadorias, surgem, polêmicos, entendimentos diversos. io Processo n° I 03 14.00 1472/00- I 9 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 202 Nada obstante, nesses casos entendo que se deve apelar à matriz legal da norma, qual seja, § 12 de seu artigo 48, da Lei n° 9.430/1996, a qual ao disciplinar o instituto da consulta, dispôs: §12- Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial. Conforme se verifica, caso a nova orientação for menos benéfica ao Contribuinte, esta somente poderá ser aplicada a fatos geradores posteriores à sua publicação ou ciência ao consulente — mantendo-se incólume os atos praticados sob à égide da Consulta reformada. Por outro lado, apesar de não ter sido objeto de debate (ainda), devo ressaltar que por se tratar de restituição de Imposto de Importação (II), não se aplicam ao caso concreto as disposições contidas no artigo 166 do Código Tributário Nacional, consoante manifestação exarada pela própria Administração Tributária no Parecer/COSIT n° 47/2003, abaixo parcialmente transcrito: Assunto: Imposto sobre a Importação - Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido, Reforma do Parecer CST/DAA 41.965, de 18 de julho de 1980. Dispositivos Legais: Lei 45.172, de 1966, art. 166. 4. Conforme bem lembrado pela Disit da SRRE06, não há como negar que todos os impostos, taxas e contribuições pagos por unia sociedade simples ou empresária tendem a ser por esta integralmente satisfeitos mediante a receita oriunda da venda dos bens por ela produzidos ou adquiridos ou dos serviços por ela prestados, ou seja, o ônus dos tributos acaba sendo indiretamente suportado pelos consumidores de seus bens e serviços, 5. O encargo financeiro do tributo também pode ser transferido a terceira pessoa via convenção particular, como no caso do contrato de locação em que o proprietário do imóvel ajusta com seu inquilino que este deve efetuar o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) devido anualmente pelo proprietário imóveI Da mesma forma, têm-se hoje casos de venda de veículos automotores em que a concessionária compromete-se a pagar o Imposto sobre a Propriedade I I Processo n° 1034.001472/00-19 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 203 de Veículos Automotores (IP VA) devido pelo proprietário do veículo em seu primeiro ano de uso. 6. Dito isso, deve-se então esclarecer que o art. 166 do CTAT não buscou regular a restituição dos tributos objeto dessas transferências "voluntárias" de encargo financeiro, mas sim a restituição daqueles tributos que, em razão de sua natureza jurídica (base de cálculo e/ou fato gerador fixado na lei tributária que instituiu o tributo,), comportam uma natural transferência de seu encargo financeiro do sujeito passivo da obrigação tributária (contribuinte de direito) a terceira pessoa (contribuinte de fato). 7. Como exemplo, tem-se os casos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e de Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS) e do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza USS), tributos esses cuja própria natureza jurídica (incidência na alienação de bens ou serviços e exigência juntamente com o preço dos bens vendidos ou dos serviços prestados) pressupõe a transferência do encargo financeiro do tributo àquele que adquire o bem ou o serviço (contribuinte de fato). 8. Impostos da natureza dos acima elencados são classificados como indiretos por muitos operadores do Direito, como é o caso do Jurista Fábio Fannuchi, que afirma o seguinte: "O imposto é direto quando em uma só pessoa reúnem-se as condições de contribuinte de fato (aquele que arca com o ónus representado pelo tributo) e de direito (aquele que é responsável pelo cumprimento de todas as obrigações tributárias previstas na legislação). E é da renda devida por declaração, onde a relação jurídica-tributária se estabelece diretamente entre sujeitos ativo e passivo, sem interferência de terceiros. O imposto é indireto, quando existe uma pessoa que contribui e outra que, perante o sujeito ativo da relação, deve cumprir com as obrigações de controlar, arrecadar e recolher o tributo, ficando responsável pelo débito caso não proceda como a legislação ordene. E o caso do imposto de circulação de mercadorias, que tem como contribuinte de direito o comerciante, o industrial ou o produtor." (grifou-se) Uma vez que ao sujeito passivo do tributo dito indireto cabem tão-somente as atividades de controle e arrecadação/recolhimento de tributo cujo ônus é transferido ao adquirente do bem ou do serviço, a ele não é devida, salvo prova em contrário, a restituição de valor recolhido indevidamente aos cofres da União, assim como contra ele há presunção de apropriação indébita de tributo devido e não recolhido aos cofres públicos, em similitude à retenção e não-recolhimento de tributo ou contribuição pela fonte pagadora de rendimentos. 12 Processo n° I 03 14.001472/00-19 S3-C2T1 Acórdzio n.° 3201-00.279 Fl. 204 11. Ademais, referida exegese guarda consonância com o entendimento que vem sendo. dado à matéria pelo Superior Tribunal de Justiça, nos seguintes termos: "Tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro são somente aqueles em relação aos quais a própria lei estabeleça dita transferência. Somente em casos assim, aplica-se a regra do art. 166 do Código Tributário Nacional, pois a natureza a que se reporta tal dispositivo legal só pode ser a jurídica, que é determinada pela lei correspondente, e não por meras circunstâncias econômicas que podem estar, ou não, presentes, sem que se disponha de um critério seguro para saber quando se deu, ou não se deu, aludida transferência. Na verdade, o art. 166 do CTN contém referência bem clara ao fato de que deve haver pelo intérprete sempre, em casos de repetição de indébito, identificação se o tributo, por sua natureza, comporta a transferência do respectivo encargo financeiro para terceiro ou não, quando a lei, expressamente, não determina que o pagamento da exação é feita por terceiro, como é o caso do ICMS e do 'PI A prova a ser exigida na primeira situação deve ser aquela possível e que se apresente bem clara, a fim de não se colaborar para o enriquecimento ilícito do poder tributante. Nos casos em que a lei expressamente determina que o terceiro assumiu o encargo, necessidade há, de modo absoluto, que esse conceda autorização para a repetição de indébito." (grifou-se) 12. Tratando-se, portanto, de recolhimento de impostos ditos indiretos, há que se observar, na repetição do indébito ao contribuinte de direito, as exigências estabelecidos no art. 166 do CTIV, conforme bem assevera o Professor Bernardo Ribeiro de Moraes, in verbis: "Assim, em relação aos tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro — casos de tributos indiretos — o pedido de repetição de indébito tributário deve atender aos seguintes pressupostos: a) ter sido pago o tributo. A prova a ser feita se refere ao pagamento do tributo; b) ter prova de que, na qualidade de contribuinte ou interessado, assumiu o encargo financeiro relativo ao tributo, seja não tendo transferido o seu valor a terceiro (prova negativa de tranrência do tributo), seja tendo transferido o seu valor a terceiro e se achar autorizado por este a receber a repetição (prova positiva de transferência do tributo e de autorização do contribuinte de fato); c) ser esse pagamento indevido sem causa jurídica. A prova a ser feita é a de que o solvens pagou sem ser devedor, em razão das hipóteses contidas nos incisos I, II e III do art, 165 do Código Tributário Nacional." (grifou-se) 13 Processo n° 10314.001472100-19 S3-C2T1 Acórdào n.° 3201-00.279 Fl. 205 13. O entendimento ora esposado, ressalte-se, guarda pelleita consonância com a Súmula n°546 do Supremo Tribunal Federal, assim enunciada: "Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido, por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de fato o quantuni respectivo. 14. O Imposto de Importação não se caracteriza tributo cuja natureza jurídica comporta a transferência do respectivo encargo financeiro — inexistem, para o Imposto de Importação (inclusive nos casos de importação de determinado bem por conta e ordem de terceiros), as figuras do contribuinte de fato e do contribuinte de direito. 15. Nas hipóteses em que se pode cogitar a ocorrência da transferência do encargo financeiro do tributo, referida transferência dá-se não em decorrência da natureza jurídica do tributo, mas sim da natureza jurídica do importador ou de sua atividade econômica, a qual pressupõe o auferimento de receita suficiente para cobrir seus custos e despesas (inclusive tributárias). 16. Muitas vezes, a aludida transferência do encargo .financeiro do tributo sequer existe, como nas importações de mercadorias por pessoas físicas não-comerciantes e que não prestam serviços utilizando-se dos bens por ela importados, bem assim nas importações destinadas ao ativo permanente. 17. Assim, não sendo o Imposto de Importação um tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro, o sujeito passivo do imposto não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal (SRF) que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. 18. Esclareça-se, por oportuno, que tratamento diverso do atribuído ao Imposto de Importação merece ser dado ao IPI vinculado à importação, haja vista, confirme anteriormente afirmado, que o IPI constitui-se um tributo cuja natureza jurídica comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. 18.1 Assim, o IPI vinculado à importação pago indevidamente ou em valor maior que o devido somente poderá ser restituído ao importador quando este comprovar à SRF que, além de não ter se utilizado do IPI pago na importação na dedução de débitos do IPI decorrentes das vendas de produtos industrializados sujeitos à incidência do imposto, também não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa (não se utilizou do valor pago a título de IPI vinculado à importação como custo ou despesa), ou, caso tenha repassado referido encargo, que está expressamente autorizado a pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido por aquele que assumiu o encargo financeiro do imposto na aquisição dos bens vendidos ou dos serviços prestados pelo importador. 14 Processo n" 10314.001472/00-19 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.279 Fl. 206 19. Necessária, portanto, mostra-se a reforma cio Parecer CST/DAA n°1.965, de 18 de julho de 1980, por intermédio do qual esta Cosit expressou o entendimento de que o Imposto de Importação inseria-se na determinação contida no art. 166 do C77V e que, em razão disso, sua restituição estaria condicionada à prova de assunção do respectivo encargo financeiro ou, no caso de transferência do ónus a terceiro, à expressa autorização deste. CONCLUSÀO 20. Diante de todo o exposto, conclui-se que o Imposto de Importação não se constituiu tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo ,financeiro. Assim, o sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo .financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Em face do exposto, voto pelo deferimento do pedido formulado pela Interessada. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2009 ROSA MARI •IlláSilf DA SILVA COSTA DE CASTRO - Relatora l5 AI,* MINISTÉRIO DA FAZENDA at . CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ..71,-,t4 s'.--el ,-- ..^Y TERCEIRA SEÇÃO Processo n°: 10314.001472/00-19 Recurso n.°: 141077 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 anexo 11 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n o. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.279. Brasília, 18 de. _osto de 200°. LUIZ HUM: ' T(h ar UZ ° i RNANDES Chefe da 2 . : 9 . d. - cri,- ira Seção f Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001214/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15586.001214/2007-11
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5264016
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2402-000.348
nome_arquivo_s : Decisao_15586001214200711.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 15586001214200711_5264016.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
id : 4941494
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983220203520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 559 1 558 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001214/200711 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.348 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 14 de maio de 2013 Assunto CESSÃO DE MÃO DE OBRA Recorrente INST. DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 21 4/ 20 07 -1 1 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001214/200711 Resolução nº 2402000.348 S2C4T2 Fl. 560 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que, por maioria, julgou procedente autuação fiscal com ciência em 04/12/2007 para constituição de crédito correspondente à retenção de 11% sobre serviços prestados por cessão de mão de obra. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: Decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2007 CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE 11%. A empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mão deobra é obrigada a reter e recolher, em nome da contratada, 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, a teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/99. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não sendo a instancia administrativa competente para tanto. ... A inclusão dos serviços supra citados no rol dos sujeitos à retenção em questão, se contratados mediante cessão de mãodeobra, encontra respaldo na seguinte fundamentação legal explicitada pela fiscalização: a) Serviços prestados pela Pedra e Cal Engenharia Ltda em 04/2003: art. 102, I1I, da Instrução Normativa INSS/DC n° 71, de 10 de maio de 2002; b) Serviços prestados pela Associação Amigos dos Deficientes Físicos de 08/2004 a 07/2005: art. 154, V e VI, e art. 155, XXIV, da Instrução Normativa INSS/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2003; c) Serviços prestados pela Associação Amigos dos Deficientes Físicos de 08/2005 a 06/2007: art. 145, V e VI, e art. 146, XXIV, da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14 de julho de 2005. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Afirma que os valores dos da ação fiscal foram devidamente recolhidos pelas empresas contratadas no prazo devido, conforme documentação obtida após a fiscalização diretamente com a cedente de mãodeobra e Fl. 560DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001214/200711 Resolução nº 2402000.348 S2C4T2 Fl. 561 3 anexada a este processo, não sendo lícito cobrar da notificada os valores já quitados somente sob o fundamento de que esta não realizou a retenção no momento oportuno. Defende que essa cobrança consiste em enriquecimento sem causa do Órgão Federal exeqüente, "que receberia em dobro o valor referente às contribuições devidas, em prejuízo do erário estadual responsável pela manutenção da Autarquia ora impugnante". Ressalta ainda que o equívoco quanto à ausência da retenção pela impugnante se deu em virtude de as empresas prestadoras de serviço não terem destacado o valor da retenção nas respectivas notas fiscais. Alega que, mesmo se as contribuições não tivessem sido integralmente recolhidas pelas empresas prestadoras de serviço, não haveria responsabilidade da impugnante quanto ao suposto débito, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 33, §5°, da Lei 8.212/91. ... E ainda que: Em primeiro plano, porque ao contrário do fundamento expendido na decisão recorrida, não seria necessária uma ação fiscal nas empresas contratadas, com levantamento de documentos, a fim de se aferir os recolhimentos previdenciários incidentes sobre as faturas de prestação de serviços. É que a Recorrente juntou aos presentes autos todos os comprovantes que demonstram tais recolhimentos, de forma que não há a necessidade de qualquer diligência nesse sentido, mas tão somente a constatarão efetiva do pagamento das contribuições contida nos documentos juntados. É o Relatório. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001214/200711 Resolução nº 2402000.348 S2C4T2 Fl. 562 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Uma vez cumpridos os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Antes do exame das questões preliminares e de mérito, há alguns fatos que precisam ser elucidados. Constato que junto à impugnação, além das GFIP retificadoras com a finalidade do benefício da relevação foram trazidas guias de recolhimento e GFIP das contratadas de serviços por cessão de mão de obra com a finalidade de demonstrar que as contribuições previdenciárias já haviam sido recolhidas e, portanto, não seria o caso de recolhimento pela contratante. A contratada juntou GFIP relativa ao contratante, como exemplo o documento às fls. 495. A decisão recorrida, sustentada na ausência de benefício de ordem, entendeu que não caberia diligência na contratada e, portanto, deixou de examinar os documentos. Surgiu uma também quanto ao regime jurídico de uma das contratadas, associação de amigos de deficientes físicos. Embora pela sua denominação pareça ser uma entidade beneficente, presta serviços de natureza econômica. Durante o julgamento de primeira instância discutiuse a competência do DiretorPresidente da recorrente para contratação de trabalho jurídico quando disponha de advocacia pública. Para melhor compreensão da verdade dos fatos, penso ser cabível uma diligência, a fim de que: a) sejam examinados os documentos juntados pelo recorrente; e b) seja consultada a recorrente quanto à competência monocrática do Diretor Presidente para contratação de trabalho jurídico e, conseqüentemente, da validade da procuração. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos solicitados e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias sobre o relatório conclusivo a ser redigido pela fiscalização. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 562DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 12448.736697/2011-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PETIÇÃO PROTOCOLIZADA QUE NÃO CONSISTE EM RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Petição do contribuinte, cujo conteúdo claramente indica não tratar de defesa em face da decisão de primeira instância, até mesmo porque protocolizada antes da ciência desta, não pode ser conhecida como recurso voluntário.
INTIMAÇÃO PARA CIÊNCIA DA DECISÃO DA DRJ. FINALIDADE. REQUISITOS.
A intimação que visa a cientificar o sujeito passivo do inteiro teor da decisão de primeira instância deve contemplar comando que faculte a apresentação de recurso voluntário no prazo legal, cuja inobservância representa inadmissível desprezo ao devido processo administrativo tributário federal.
Numero da decisão: 1103-000.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da petição de fls. 467/490 como recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PETIÇÃO PROTOCOLIZADA QUE NÃO CONSISTE EM RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Petição do contribuinte, cujo conteúdo claramente indica não tratar de defesa em face da decisão de primeira instância, até mesmo porque protocolizada antes da ciência desta, não pode ser conhecida como recurso voluntário. INTIMAÇÃO PARA CIÊNCIA DA DECISÃO DA DRJ. FINALIDADE. REQUISITOS. A intimação que visa a cientificar o sujeito passivo do inteiro teor da decisão de primeira instância deve contemplar comando que faculte a apresentação de recurso voluntário no prazo legal, cuja inobservância representa inadmissível desprezo ao devido processo administrativo tributário federal.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12448.736697/2011-41
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5281001
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1103-000.839
nome_arquivo_s : Decisao_12448736697201141.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 12448736697201141_5281001.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da petição de fls. 467/490 como recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
id : 4990455
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983223349248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 502 1 501 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.736697/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.839 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 9 de abril de 2013 Matéria Suspensão de isenção e autos de infração Recorrente FUNDAÇÃO JOSÉ PELÚCIO FERREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PETIÇÃO PROTOCOLIZADA QUE NÃO CONSISTE EM RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Petição do contribuinte, cujo conteúdo claramente indica não tratar de defesa em face da decisão de primeira instância, até mesmo porque protocolizada antes da ciência desta, não pode ser conhecida como recurso voluntário. INTIMAÇÃO PARA CIÊNCIA DA DECISÃO DA DRJ. FINALIDADE. REQUISITOS. A intimação que visa a cientificar o sujeito passivo do inteiro teor da decisão de primeira instância deve contemplar comando que faculte a apresentação de recurso voluntário no prazo legal, cuja inobservância representa inadmissível desprezo ao devido processo administrativo tributário federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da petição de fls. 467/490 como recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 66 97 /2 01 1- 41 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 503 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de suspensão de isenção tributária, formalizada por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 213, de 13/12/11 (DOU nº 240, de 15/12/11, Seção 1, p.72), e de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no total de R$ 11.352.158,02 (onze milhões, trezentos e cinquenta e dois mil, cento e cinquenta e oito reais e dois centavos), sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício, aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). O ADE nº 213/2011 teve o seguinte teor (fl.308): A DELEGADA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO RIO DE JANEIRO I, no uso das atribuições que lhe confere o inciso III do artigo 285 da Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009, tendo em vista o disposto no artigo 32, parágrafo 10 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996 e no artigo 15, parágrafo 1º da Lei nº 9.532, de 10 dezembro de 1997, resolve: Art.1º DECLARAR suspenso o gozo da Isenção Tributária prevista no artigo 15, parágrafo 1º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, relativamente ao ano calendário de 2007, para a FUNDAÇÃO JOSÉ PELÚCIO FERREIRA, CNPJ nº 03.308.866/000152, com base na Representação Fiscal e no Despacho Decisório constantes dos autos do eprocesso nº 12448.736697/201141 e cujas cópias deverão ser acostadas ao presente ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. Art.2º A interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, conforme previsto no inciso I, do parágrafo 6º, do artigo 32 da Lei nº 9.430/96. Por sua vez, colhemse do mencionado Despacho Decisório os seguintes fundamentos, in verbis (fls.306/307): “1. Trata o presente eprocesso de Notificação Fiscal formalizada em 21/08/2011, promovida no curso da ação fiscal amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.90.002008032224, com vistas a suspender a isenção tributária do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativa ao contribuinte em epígrafe no anocalendário de 2007, segundo o rito estabelecido pelo artigo 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2. Na referida Notificação Fiscal, a autoridade tributária deu conhecimento ao contribuinte das infrações cometidas determinantes para a suspensão do benefício, assim caracterizadas: a) após ter sido devidamente intimado, não apresentou a escrituração completa de suas receitas e despesas Fl. 503DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 504 3 nem a documentação correspondente; b) não comprovou também que os recursos foram integralmente aplicados na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais; c) ter sido omisso na entrega da Declaração de Rendimentos para o período sob análise. 3. Regularmente intimado do teor da referida Notificação Fiscal, recebida por AR em 02/09/2011, o contribuinte não apresentou suas alegações e provas que entendesse necessárias, no prazo estipulado de trinta dias, para afastar as infrações apontadas pela fiscalização, de acordo com o disposto na Lei nº 9.430, de 1996, art.32, §2º, motivo pelo qual passo a analisar a suspensão das mencionadas benesses tributárias, para o anocalendário de 2007, para fins de prosseguimento da referida fiscalização. 4. De acordo com o disposto no artigo 15 da Lei nº 9.532/1997, consideramse isentas em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Para a fruição, estabelece o §3º do art.15 c/c §2º do art.12 que as instituições isentas estão obrigadas a atender, entre outros, aos seguintes requisitos: I – manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; II – conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; III – apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da SRF. 5. Assim, restando caracterizada a violação dos preceitos acima e tendo sido plenamente observados os procedimentos estabelecidos no art.32 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, DECIDO pelo acatamento da Representação Fiscal e pela consequente expedição de Ato Declaratório para suspensão da Isenção Tributária referente ao anocalendário de 2007, prevista no parágrafo primeiro do artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por descumprimento de seus requisitos, ficando sujeita a entidade às mesmas regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.” No “Termo de Verificação Fiscal” (fls.312/321), cientificado ao contribuinte em 21/12/11 (fl.355), consignouse, em síntese: Fl. 504DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 505 4 conforme estatuto, “...a entidade dedicase à execução de extensiva lista de atividades dentre elas a de assessoramento e consulta em procedimento administrativo, condições para a contratação de projetos de pesquisa, prestação de serviços, realização de estudos, pesquisas e execução de projetos”; a fiscalização, reiteradamente, solicitou informações, por exemplo, acerca da escrituração de receitas e despesas, bem como sobre a prestação de contas, nos termos constantes do estatuto; “...Não obtendo êxito nas providências tomadas junto ao contribuinte, face à impossibilidade da fiscalização proceder à verificação do cumprimento dos requisitos da fruição dos benefícios da isenção tributária, relativamente quanto à apresentação da escrituração de suas receitas e despesas, foi considerada infringida as regras disciplinadoras da isenção, ensejando tal conduta suspensão do benefício mediante Ato Declaratório de Suspensão de Isenção, datado de 31/12/2011, e publicado no DOU de 15/12/2011, com fundamento no Termo de Notificação Fiscal, datado de 21/08/2011, recebido por AR em 02/09/2011, no qual estão relatados os fatos e razões determinantes da medida suspensiva do benefício, nos termos do art.32 da Lei nº 9.430/96.”; após reiteradamente intimar o contribuinte a apresentar os livros e documentos resultantes de sua atividade operacional, inclusive de sua movimentação bancária, “...a fiscalização recorreu à quebra do sigilo bancário da entidade, através de RMF expedidas às instituições financeiras mantenedoras de contas correntes de titularidade da entidade”; à vista dos valores creditados e debitados, individualizados, a fiscalização intimou o contribuinte a indicar a origem dos recursos, bem como suas destinações; “Por meio da resposta de 26/02/2010, o contribuinte informa que a documentação solicitada não se encontrava em seu poder, por ter sido objeto de busca e apreensão pela Polícia Federal na ‘Operação Telhado de Vidro’, em função de seu suposto envolvimento no episódio relativo à investigação policial. Em 08/03 e 19/04/2010, foram apresentadas respostas informando, parcialmente, as operações de créditos e débitos, desacompanhadas, porém, da documentação comprobatória dos fatos relatados”; também restaram sem atendimento as intimações para a apresentação da prestação de contas, mediante Balanço Patrimonial ou Demonstrativo de Resultado, e do procedimento de busca e apreensão, objeto do referido inquérito policial; a não comprovação da escrituração e a falta da documentação comprobatória de suas operações autorizam o arbitramento do lucro, nos termos do art.530 do RIR/99; por não ter atendido aos requisitos para a fruição do benefício da isenção, a entidade sujeita se às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, no que tange à tributação do PIS e da Cofins; “...Nas verificações e análises efetuadas na documentação posta à disposição da fiscalização, por autorização do Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Titular da citada Vara, foi verificada a existência de documento revelador de ato praticado de prestação de serviços firmado por meio do contrato nº 51/2007, de 24/01/2007, entre a entidade e a Prefeitura Municipal de Campo dos Goytacazes, devidamente assinado pelo presidente Sr. Marcos Antonio França Faria, CPF 466.448.067091. Cabe ressaltar que na análise feita não foi verificada indicação de existência de livros contábil ou fiscal, em nome ou utilizada pela entidade”. Acrescentou a autoridade fazendária: Fl. 505DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 506 5 “[...] Segundo as cláusulas contratuais previstas, constitui objeto da contratação os serviços técnicos especializados, destinados, especificamente, à implantação e implementação de infraestrutura nas diversas Secretarias, como nas áreas de saúde, administração, promoção e desenvolvimento sócio cultural esportivo, e outras afins, inclusive no que concerne ao plano de modernização da administração municipal, com o escopo de assegurar maior eficiência, presteza, aperfeiçoamento e amplitude nos serviços oferecidos à população e à própria Administração Pública. De acordo com a cláusula quarta, pela execução dos serviços objeto da contratação a contratante pagará à contratada a importância total de R$ 143.392.088,40 em parcelas mensais e consecutivas, contra apresentação da medição dos serviços prestados no respectivo mês. Em conformidade com o parágrafo primeiro o valor mensal está estimado em R$ 23.898.681,40. Em 02/07/2007, foi celebrado contrato, assinado pelo presidente Sr. Marcos Antonio França Faria, CPF 466.448.06791, entre a entidade e a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, com idênticas atribuições dos serviços constantes do contrato nº 51/2007, acima citado. Pelo contrato celebrado entre as partes a contratante pagará à contratada o valor estimado de R$ 114.178.212,00, que, de acordo com a cláusula quarta, será pago em parcela mensal de R$ 19.029.702,00, nos termos do parágrafo primeiro. Por outro lado, mediante contrato sem número, assinado em 01/02/2007, pelo presidente, Sr. Marcos Antonio França Faria, CPF 466.448.06791, a FUNDAÇÃO JOSÉ PELUCIO FERREIRA, firmou contrato com a NÚCLEO CIDADANIA E AÇÃO SOCIAL – NUCAS com atribuição de prestar serviços de provimento de recursos profissionais para implementação da infraestrutura nas Secretarias Municipais de Campos dos Goytacazes, o que foi considerado por esta fiscalização na autuação. Em conformidade com a citada cláusula 4ª, o preço ajustado dos serviços contratados importa no valor estimado de R$ 134.074.000,00, a ser desembolsado em 6 (seis) parcelas mensais e consecutivas. Por meio do Termo Aditivo de 01/08/2007, ao preço dos serviços inicialmente contratados com a NUCAS, foi atribuído o valor de R$ 81.900.000,00, a ser desembolsado nas mesmas condições estabelecidas no preço inicial de seis parcelas mensais e consecutivas. Deste modo, não tendo a fiscalização acesso a documento nem escrituração contábil e fiscal, por recusa ou inexistência, restou lhe a recorrência ao meio que dispôs para apuração da receita mediante os elementos contratuais supramencionados. Neste sentido, temse a considerar composta a receita decorrente da prestação dos serviços contratados na forma supracitada, como a segue: ..... Fl. 506DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 507 6 Compõem também as receitas da Fundação as decorrentes do faturamento, relativos aos serviços prestados à Prefeitura do Município de São Paulo – Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social – SMADAS, consoante notas fiscais fatura de serviços nºs 004097, de 11/01/07 no valor de R$ 60.000,00; nºs 004148 e 004149, de 21/03/07, ambas no valor de R$ 75.000,00; e nº 004216, de 09/08/07, no valor de R$ 75.000,00. As informações foram prestadas pela Secretaria Municipal de Finanças – Departamento de Administração Financeira, através do Ofício nº 373/2008DEFING, de 09/12/2008, atendendo ao procedimento de diligência formalizado no Ofício nº 625/2008/DEFIS/RJO/DIFIS III, de 23/10/2008. Na conclusão dos fatos a receita mensal decorrente dos serviços contratualmente prestados fica composta na forma a seguir: ..... Registrese que as quantias atribuídas aos serviços contratualmente executados refletem os registros financeiros tratados no termo de intimação de 05/02/2010, no qual foi questionada a comprovação da origem dos valores creditados nas contas bancárias da entidade.” (destaquei) A suspensão da isenção e os lançamentos tributários foram mantidos pela 15ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão nº 1246.424, de 16/05/12, que recebeu a seguinte ementa (fls.440/465): MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL. A prova documental será apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstre a ocorrência de alguma das situações descritas no §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DE PROCESSO PARA FINS DE PRODUÇÃO DE PROVAS. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a Administração a impulsionar o feito até sua decisão final. Logo, não cabe deferir pedido de sobrestamento do processo, a fim de que o contribuinte produza provas que não foram trazidas aos autos no momento processual oportuno. PEDIDO DE VISTA DOS AUTOS E OBTENÇÃO DE CÓPIA DO PROCESSO. O impugnante tem assegurado, por lei, o direito de vista dos autos, sendolhe facultada, também, a obtenção de cópia do processo. A impugnação, todavia, não é instrumento apropriado para requerer vista nem para solicitar cópia. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 507DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 508 7 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS E NÃOENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. INOPONIBILIDADE DA ADIN Nº 18023. A entidades que gozam de isenção do imposto de renda são obrigadas a cumprir, entre outros, os seguintes requisitos: manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; conservar, em boa ordem, os documentos que comprovam a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas; e apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos (art. 12, § 2º, alíneas “c” a “e”, c/c art. 15, § 3º, da Lei nº 9.532/1997). A falta de apresentação dos livros contábeis e da documentação comprobatória das operações realizadas, somada à não entrega da Declaração de Rendimentos, é causa suficiente para a suspensão do benefício. A Medida Cautelar deferida no âmbito da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ADIN nº 18023 só suspendeu a vigência do §1º e da alínea “f” do § 2º, ambos do art. 12, além do art. 13, caput, e do art. 14, da Lei nº 9.532/1997, não afetando os dispositivos que tratam da obrigatoriedade de manutenção de escrituração completa das receitas e despesas e da necessidade de conservação dos documentos comprobatórios da origem e aplicação dos recursos da entidade. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. SUSPENSÃO DA VIGÊNCIA DO ART. 14 DA LEI Nº 9.532/1997. INTERPRETAÇÃO DA ADIN Nº 18023. Ao julgar a Medida Cautelar na ADIN nº 18023, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a vigência do art. 14 da Lei nº 9.532/1997, sem retirar, todavia, a eficácia do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece o procedimento administrativo de fiscalização da imunidade tributária e das isenções condicionadas (Ag. Reg. na Reclamação nº 7.811/DF). SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. EFEITOS. Uma vez suspensa a isenção, por meio do competente Ato Declaratório, a entidade fica sujeita às mesmas regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A suspensão do benefício terá como termo inicial a data da prática da infração (art. 32, §5º, da Lei nº 9.430/1996). Logo, a cobrança dos tributos eventualmente devidos será efetuada em relação aos anoscalendário em que for constatado o desatendimento dos requisitos da isenção, incidindo sobre os impostos e contribuições assim apurados as multas e os juros de mora previstos na legislação tributária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS POR CONTA DE SUPOSTA APREENSÃO DETERMINADA POR ORDEM JUDICIAL. Suspensa a isenção e não tendo o contribuinte apresentado os livros contábeis e fiscais para a apuração do lucro real, é cabível a apuração do imposto de renda devido pela sistemática de lucro arbitrado. A alegação de que os referidos livros teriam sido retidos em decorrência de procedimento de busca e apreensão resta desacreditada, no caso em espécie, uma vez demonstrado, em Fl. 508DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 509 8 diligência fiscal, que não houve retenção de nenhum item da escrituração cuja falta tenha dado causa ao arbitramento. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. A suspensão da isenção das entidades sem fins lucrativos determinada em relação ao imposto de renda alcança, também, a contribuição social sobre o lucro liquido. PIS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. A entidade sem fins lucrativos para a qual houver sido suspensa a isenção relativa ao imposto de renda ficará, no período referente à suspensão, sujeita ao recolhimento do PIS sobre a receita bruta. COFINS. ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. A entidade sem fins lucrativos para a qual houver sido suspensa a isenção relativa ao imposto de renda, ficará, no período referente à suspensão, sujeita ao recolhimento da COFINS. A ciência formal do acórdão ocorreu em 24/07/12, conforme Aviso de Recebimento constante da fl.494. Conforme informação prestada pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fl.500), datada de 08/08/12, “...O interessado apresentou a documentação para Recurso Voluntário às fls. 467 a 490”. Em tais folhas consta petição do contribuinte, datada de 15/06/12 e protocolizada em 26/06/12, ou seja, antes de cientificado da decisão de primeira instância, endereçada ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I – DRF/RJ – DEFIS 1 e fundamentada no artigo 38 da Lei nº 9.784/99, que no seu entender disporia “...que requerimentos probatórios podem ser entregues até a tomada de decisão administrativa, o que faculta o administrado a apresentar argumentos até o julgamento do recurso”. Sustenta que, com base no princípio da ampla defesa, poderia apresentar quaisquer alegações e provas até a decisão final tomada em segunda instância. Alega que a maioria dos documentos encontrarseia acautelada no processo judicial nº 2008.5103.0006104; que teria havido indevida quebra de sigilo bancário; e que o arbitramento dos lucros teria considerado valores supostamente recebidos, sem, contudo, haver a respectiva comprovação. Não consta dos autos qualquer outro recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Chama à atenção neste processo o fato de o contribuinte ter supostamente entregue, no entender da unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil, recurso voluntário quase 1 (um) mês antes de oficialmente ter sido por ela cientificado da decisão de primeira instância. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 510 9 Não obstante no Despacho de Encaminhamento da DICATDIVEQCAU DRFRJ1 afirmarse que o interessado “...apresentou a documentação para Recurso Voluntário às fls. 467 a 490” (fl.500), tratase, como antecipado no relatório supra, de uma petição dirigida ao Delegado da DRJ Rio de Janeiro I (RJ), com considerações adicionais à impugnação anteriormente entregue. A parte introdutória é esclarecedora, in verbis: “ILUSTRÍSSIMO SENHOR DOUTOR DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO RIO DE JANEIRO I – DRF/RJ – DEFIS 1 Processo: 12448.736697/201141 FUNDAÇÃO JOSÉ PELÚCIO FERREIRA, CNPJ 03.308.866/000152, já qualificada nos autos do processo epigrafado, com base no Art.5º, XXXIV, “a” da Constituição da República Federativa do Brasil bem como a Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo geral (Lei Geral do Processo Administrativo Federal – LGPAF), e que dispõe, em seu artigo 38, que requerimentos probatórios podem ser entregues até a tomada de decisão administrativa, o que faculta o administrado a apresentar argumentos até o julgamento do recurso, vem, expor e requerer: ..... Assim, em harmonia ao constitucional e sagrado princípio da ampla defesa e da verdade material, que veda qualquer restrição ao exercício do direito de apresentação de qualquer espécie de alegações, bem como, à prova, em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância, resta cristalino que a presente petição há de ser processada, adligada ao processo, passando a fazer parte das informações a serem analisadas pelos Ilustres Julgadores [...].” (destaquei) Tal pleito, fundamentado no art.38 da Lei nº 9.784/991, não foi apreciado pela DRJ – RJ1 (RJ), talvez por ter sido formalizado em 26/06/12, após a data do julgamento (16/05/12). Resta saber se tal petição pode ser recebida como recurso voluntário. Em que pese a possibilidade de se aplicar no âmbito administrativo a fungibilidade recursal, concretamente não é o caso. Não por aspectos formais – ter sido dirigida ao Delegado da DRJRJ1 (RJ) e protocolizada antes da ciência do acórdão proferido em primeira instância , mas em razão de seu conteúdo, concluise que a petição de fls.467/490 não se trata de recurso voluntário, até 1 Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 511 10 mesmo porque o requerente não se insurgiu contra a decisão da DRJ, tendo se limitado a infirmar o trabalho da fiscalização. Logo, a petição do contribuinte, cujo conteúdo claramente indica não tratar de defesa em face da decisão de primeira instância, até mesmo porque protocolizada antes da ciência desta, não pode ser conhecida como recurso voluntário, o que representaria violação ao contraditório e à ampla defesa. Cabem, ainda, algumas considerações. Na Intimação de fl.492, por meio da qual a DRF Rio de Janeiro (RJ) encaminhou ao contribuinte cópia do acórdão prolatado pela DRJ – RJ1 (RJ), notase que a finalidade restringiuse à ciência de tal decisão. Do seu teor, extraise que a unidade de origem, na oportunidade, considerou que o recurso voluntário já havia sido entregue. In verbis: “Encaminhamos a V.Sa cópia do Acórdão n. 1246.424 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) que declara a impugnação improcedente. Após ciência, o processo seguirá para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação do recurso voluntário.” (destaquei) Acrescentese que o Despacho de Encaminhamento do processo para o CARF, após a ciência do contribuinte, foi datado de 08/08/12 (fl.501), antes mesmo do transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias para a interposição de recurso voluntário, considerandose a ciência da decisão da DRJ em 24/07/12 (fl.494). O Decreto nº 7.574, de 29/09/11, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, dispõe que a intimação, pela unidade preparadora, da decisão de primeira instância deve objetivar o seu cumprimento pelo sujeito passivo, e, facultativamente, possibilitarlhe a apresentação de recurso voluntário: Art.68. O órgão preparador dará ciência da decisão ao sujeito passivo, intimandoo, quando for o caso, a cumprila no prazo de trinta dias, contados da data da ciência, facultada a apresentação de recurso voluntário no mesmo prazo (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 31 e 33). Essa é a interpretação que melhor se coaduna com as garantias do contraditório e da ampla defesa, além de inegavelmente efetivar os postulados da transparência e lealdade administrativa. Como ocorreu na espécie, encaminhar o acórdão ao sujeito passivo apenas para ciência, adotandose como premissa a protocolização prévia de suposto recurso voluntário, além de se remeter o processo para julgamento pelo CARF antes mesmo de esgotado o prazo legal recursal (art.33 do Decreto nº 70.235/72), evidencia inequívoca mácula ao devido processo legal administrativo tributário, o que impõe a repetição do ato. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12448.736697/201141 Acórdão n.º 1103000.839 S1C1T3 Fl. 512 11 Assim, além da apreciação da petição de fls.467/490, cabe à unidade de preparo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no exercício de suas atribuições regimentais, intimar o contribuinte para apresentar recurso voluntário nos termos do Decreto nº 70.235/72, mantendose, assim, a higidez do devido processo administrativo tributário federal. Pelo exposto, VOTO no sentido de não conhecer como recurso voluntário a petição de fls.467/490, cabendo à RFB intimar o contribuinte para facultarlhe a apresentação de recurso voluntário no prazo legal. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 512DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001222/2004-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE E OMISSÃO.
Inexistindo a obscuridade e omissão apontadas, rejeitam-se os embargos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Não se conhecem de embargos relativos à matéria não impugnada.
Numero da decisão: 1302-001.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente dos embargos entrepostos para, no mérito, rejeitá-los, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente: Cristina Silva Costa.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE E OMISSÃO. Inexistindo a obscuridade e omissão apontadas, rejeitam-se os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se conhecem de embargos relativos à matéria não impugnada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18471.001222/2004-09
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5282425
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1302-001.143
nome_arquivo_s : Decisao_18471001222200409.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001222200409_5282425.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente dos embargos entrepostos para, no mérito, rejeitá-los, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente: Cristina Silva Costa.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
id : 4997196
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045983240126464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1715; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 752 1 751 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001222/200409 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.143 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2013 Matéria IRPJCompensação de Prejuízos Embargante MAGISTRA PARTICIPAÇÕES S/A Interessado MAGISTRA PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE E OMISSÃO. Inexistindo a obscuridade e omissão apontadas, rejeitamse os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se conhecem de embargos relativos à matéria não impugnada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente dos embargos entrepostos para, no mérito, rejeitálos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente: Cristina Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 12 22 /2 00 4- 09 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.001222/200409 Acórdão n.º 1302001.143 S1C3T2 Fl. 753 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por MAGISTRA PARTICIPAÇÕES S/A, em face do Acórdão nº 10516.582, proferido pela 5ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em 04/07/2007, com a seguinte ementa: IRPJ PREJUÍZOS FISCAIS Demonstrada a existência de prejuízos fiscais é licita a compensação com a base de cálculo apurada pela fiscalização. O colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, por maioria de votos, para reconhecer o direito do contribuinte de compensar o prejuízo acumulado até 1998, e o saldo de base negativa de CSLL até 1998, observado o limite de 30%, e também a parcela não utilizada que foi gerada durante o ano de 1999. Cientificada em 08/02/2012, a interessada, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 13/02/2012, sustentando que ao negar provimento ao recurso voluntário, o acórdão embargado “incorreu em obscuridade e omissão, eis que a própria fiscalização, quando lavrou o auto de infração, não colocou em prova que a EMBARGANTE não haviam tributado integralmente todas as receitas de aplicações financeiras, inclusive aquelas obtidas junto ao Banco Citibank e ao Banco Pactual”. Sobre este ponto alega que: Fl. 753DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.001222/200409 Acórdão n.º 1302001.143 S1C3T2 Fl. 754 3 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.001222/200409 Acórdão n.º 1302001.143 S1C3T2 Fl. 755 4 Suscita ainda que esta turma deve também se manifestar sobre outra questão que surgiu inovadoramente quando a EMBARGANTE recebeu a Intimação nº 359/2012, e que consistiu na cobrança de juros SELIC sobre o valor lançado a titulo de multa de oficio, que questiona como sendo indevidos. Ao final, a embargante requer que “sejam acolhidos os presentes embargos de declaração para o fim de se corrigir os vícios de obscuridade e omissão constantes do v. acórdão recorrido, conforme acima demonstrado”. É o relatório. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.001222/200409 Acórdão n.º 1302001.143 S1C3T2 Fl. 756 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, pelo que passo a examinar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Alega a interessada, ora embargante, que a decisão recorrida ao dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo incorreu em obscuridade e omissão a serem sanadas, na medida em que ao não reconhecer o seu direito a compensação de IRRF considerou que as receitas respectivas não teriam sido levadas à tributação, argumento que não teria sido levantado pela fiscalização ao lavrar o auto de infração. Teria ainda, sido omisso ao não apreciar corretamente as provas trazidas pela embargante. Alega que, se havia dúvidas quanto ao oferecimento à tributação das receitas financeiras, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter baixado o processo em diligência para verificação. Examinando o acórdão embargado, no ponto em que discute a matéria embargada, não vislumbro qualquer obscuridade ou omissão, restando bastante cristalino e bem fundamentado o motivo do não provimento do recurso nesta parte, como se extrai do voto condutor, in verbis: Analiso agora o argumento de que existiria crédito de IRRF em montante superior ao considerado por ocasião da lavratura do auto de infração. O contribuinte apresentou tabela (fls. 461), onde tenta demonstrar que possui crédito gerado pelas retenções de IRRF, referentes a aplicações financeiras durante o ano de 1999. No entanto, não demonstra que as receitas financeiras que geraram tais retenções tenham sido tributadas na DIPJ. Na impugnação e também no recurso, o interessado pede a consideração do IRRF no valor de R$2.546.882,45, que alega ser referente a receitas oferecidas à tributação. Junta os informes de fls. 187/188. Observase que o IRRF acima referido já constava das Dirf juntadas pela fiscalização às fls. 99/100 (rendimento bruto: R$9.835.785,80 + R$7.324.989,18; IRRF: R$1.967.157,16 + R$1.464.997,83). Na relação apresentada pelo interessado, à fl. 184, o IRRF no ano de 1999 totaliza R$5.686.105,70. Na DIPJ/2000, o interessado informou, na Ficha 07A, Linha 24, outras receitas financeiras no valor de R$35.038.008,54 (fl. 9). A composição foi demonstrada à fl. 49, onde o interessado informou que, do total acima, R$10.794.620,77 correspondia a aplicações financeiras. Na DIPJ/2000, Ficha 13A, temse IRRF no valor de R$2.506.364,29 (fl. 17). Deste modo, não resta comprovada a alegação de que o IRRF pleiteado, no valor de R$2.546.882,45, seja referente a receitas oferecidas à tributação na DIPJ/2000. Pelo contrário, há evidências de que não tenha sido oferecido à tributação. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.001222/200409 Acórdão n.º 1302001.143 S1C3T2 Fl. 757 6 Vejamos: Na tabela de fls. 184 o contribuinte afirma que teve retido a titulo de IRRF R$5.686.105,70, sendo R$1.265.012,32 no Banco Citibank e R$1.281.870,13 no Banco Pactuai. No entanto, utilizando os dados trazidos pelo contribuinte a fls. 185 a 200, verificase que o rendimento que gerou esta retenção na fonte foi de R$25.599.850,17, sendo que o contribuinte informa a fls. 49 que do total de receitas financeiras de R$35.038.008,54, R$10.794.620,77 referemse a aplicações financeiras, sendo o restante (R$24.243.387,77) referentes a contratos de mútuo. Fica evidenciado que os rendimentos de R$6.325.061,62 (Citi) e R$6.409.350,13 (Pactual), que deram origem as retenções de R$1.265.012,32 e R$ R$1.281.870,13, não foram levadas à DIPJ e não geram o direito ao contribuinte de compensar estes valores com o apurado na DIPJ ou no procedimento de fiscalização. Como se verifica, não há qualquer obscuridade ou omissão no acórdão quanto à matéria. A embargante alega que a decisão teria incorporado à discussão matéria não discutida anteriormente na autuação, na medida em que só estava obrigada a fazer prova da existência do IRRF e não da tributação dos respectivos rendimentos. A alegação não se sustenta, pois quem alegou a existência do direito à compensação do IRRF foi a própria interessada, pelo que lhe cabia fazer a prova integral do seu direito à compensação, sendo imprescindível que demonstrasse e comprovasse não apenas a existência do IRRF, como também da tributação do respectivo rendimento. Observo ainda que a decisão de primeira instância já havia indeferido o direito de compensação do IRRF pleiteado sob o mesmo argumento do acórdão recorrido, de sorte que não se trata de inovação do acórdão recorrido. Assim, a interessada teve a oportunidade de demonstrar e comprovar que os rendimentos tinham sido, de fato, oferecidos à tributação quando do recurso voluntário interposto. Sobre a necessidade de diligência, como a própria embargante informa, a questão foi levantada por um dos conselheiros e rejeitada pela maioria do colegiado. Ante ao exposto, voto por conhecer dos embargos nesta parte e, no mérito, rejeitálo. No tocante ao segundo ponto, concernente à incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, tratase de matéria não impugnada, como a própria recorrente informa em seu recurso, de sorte que não pode ser conhecida em sede de embargos de declaração. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente dos embargos interpostos, nos termos acima expostos, para, no mérito, rejeitálos. Sala de Sessões, em 09 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 757DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.001222/200409 Acórdão n.º 1302001.143 S1C3T2 Fl. 758 7 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E
score : 1.0
