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Numero do processo: 10183.003873/2006-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS.
O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores sem-terra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse.
Numero da decisão: 9202-004.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS. O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores semterra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 38 73 /2 00 6- 21 Fl. 639DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2002, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" (NIRF 0.752.990 2), localizado no Município de Aripuanã/MT. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Utilização Limitada e de Exploração Extrativa. Em sessão plenária de 20/11/2012, foi dado provimento ao Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2801002.771 (fls. 513 a 523), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). AUSÊNCIA. O MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna das declarações. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois somente quando da impugnação da autuação se instaura a fase litigiosa do processo. ITR. CONTRIBUINTE. ÁREA INVADIDA. Estando devidamente comprovado nos autos que, em virtude do seu imóvel ter sido invadido por terceiros, o recorrente não detinha, quando da ocorrência do fato gerador do ITR, a posse ou o domínio útil do bem, e não podia exercer quaisquer dos direitos inerentes à condição de proprietário, não se pode considerálo contribuinte do ITR em relação ao respectivo imóvel. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido." O processo foi enviado à PGFN em 07/01/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 524). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 21/02/2013, o que foi feito em 06/02/2013 (fls. 536 a 545), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 546. O apelo visa rever a questão da sujeição passiva, no caso de imóvel invadido por terceiros. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 18/11/2013 (fls. 548 A 550). Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 639 3 No Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: a questão nuclear versa sobre a condição do proprietário de imóvel rural como contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Rural, diante da invasão do imóvel por terceiros, ensejando a perda da posse do imóvel; transcrevo a seguir as hipóteses de incidência constantes os dispositivos legais que se subsumem ao fato concreto, para melhor elucidação do tema: CTN “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” “Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, titular de seu domínio útil, ou seu possuidor a qualquer título.” “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.” “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável.” “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” Lei n° 9.393/96 Fl. 641DF CARF MF 4 “Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse.” “Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” no caso em comento, verificase a ocorrência dos aspectos de incidência tributária, referentes à relação jurídicotributária do ITR, quais sejam, aspectos material (o que fato gerador), espacial (onde território em que ocorrendo o fato terá repercussão tributária), temporal (quando momento em que se deve considerar ocorrido o fato gerador), pessoal (quem sujeito ativo e passivo da relação tributária) e quantitativo (quanto critérios para cálculo da prestação devida: base de cálculo e alíquota); o ITR possui fato gerador continuado, que não se consubstancia num ato ou negócio jurídico, mas numa situação jurídica: a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel situado fora da zona urbana do Município; assim, verificase o fato gerador do imposto sobre a propriedade territorial rural, diante da concretização da situação jurídica, referente à aquisição de propriedade, posse ou domínio útil, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável, segundo preceitua o art. 116 do CTN; quanto ao aspecto temporal, temos que o fato gerador do ITR é do tipo continuado, ou seja, situação que se perdura no tempo; o aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR consta, ainda, no art. 1° da Lei 9.393/96, que estabelece como fato gerador a “propriedade, o domínio útil ou a posse (...) em 1º de janeiro de cada ano”, sendo o imposto, por força desta disposição, exigido anualmente (periodicidade); quanto ao aspecto territorial consiste no território nacional, eis que se trata de tributo de competência da União, logo, verificada a propriedade de imóvel situado em zona rural no território nacional, em 1° de janeiro de cada ano, surge a obrigação de pagar o ITR; no que concerne ao aspecto quantitativo, o art. 30 do CTN estabelece seu arquétipo, dispondo acerca da perspectiva dimensível do fato gerador; nos termos do art. 11 da Lei 9.393/96, a base de cálculo do ITR consiste no valor da terra nua tributável (VTNt); as alíquotas, por sua vez, constam na tabela de alíquotas anexa à Lei 9.393/96, variando conforme o tamanho o imóvel, em hectares, e o grau de utilização; o aspecto pessoal consiste no sujeito ativo e passivo da relação obrigacional; sujeito ativo é a União, segundo, inclusive, o art. 15 da Lei 9.393/96; quanto aos sujeitos passivos, questão nuclear dos presentes autos, dispõem os arts. 4° e 5° da Lei 9.393/96, em que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor qualquer título; Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 640 5 pois bem, alega a interessada não ser sujeito passivo da relação tributária por ter perdido a posse do imóvel pela invasão de trabalhadores sem terra; ocorre que, ainda que detentor de apenas um dos aspectos da propriedade, caberá ao contribuinte o recolhimento do Imposto Territorial Rural, nos termos do artigo 29 e do artigo 31 do Código Tributário Nacional, que determina que o “contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título”; a propriedade, o domínio útil e a posse são conceitos que o Direito Tributário vai buscar no Direito Civil, segundo art. 110 do CTN, para o fim de definir precisamente os fatos geradores do ITR; de acordo com a legislação civil, o proprietário do bem é aquele que pode dele fazer uso, pode perceberlhe os frutos, e pode dele desfazerse como bem desejar, salvo cláusula específica de inalienabilidade, de origem legal ou contratual; nestes termos, o conceito de propriedade não está expresso na legislação, defluindo de preceito do Código Civil, que consagra o direito de propriedade, ao dispor que “o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla de quem quer que injustamente a possua ou detenha”; portanto, ainda que o contribuinte, proprietário do imóvel rural, tenha sofrido turbação de sua posse por terceiros, pelo fato de o registro do imóvel ter como titular da propriedade seu nome, nos termos do Registro do Imóvel, legítima e legal é a exação tributária do ITR, mormente quando a declaração para fins de reforma agrária se deu somente em 2003, bem como o Mandado de Imissão na posse expedido em 2004; ademais, teria a interessada salvaguarda na legislação de regência, para propor medida judicial com fito de proteger seu direito de propriedade, do qual se infere o direito de reavêlo de quem quer que injustamente a possua ou detenha; ressaltese que a lei dispôs que o ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse; a mens legis é de que o ITR incide sobre propriedade até a perda da posse pela imissão do prévia ou provisória do Poder Público ou até a data a perda do direito da propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público; ora, segundo interpretação do bom direito, podese afirmar que no ano calendário de 2001, exercício de 2002, a interessada era proprietária do imóvel rural do qual decorreu o auto de infração, não tendo havido, ainda, desapropriação propriamente dita, nem a imissão prévia na posse em favor da expropriantes, bem como não havia sido declarado de utilidade ou necessidade pública ou interesse social, para fins de reforma agrária; assim, configurada como contribuinte do ITR, já que proprietária do imóvel; finalmente, no sentido do exposto no que concerne ao sujeito passivo do ITR, citase entendimento também da antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que afastou a preliminar de ilegitimidade passiva, para o contribuinte que argumentou, como preliminar, não ser o sujeito passivo da obrigação tributária, alegando que, apesar de ter adquirido o imóvel, nunca obteve a posse do mesmo, posto que este sempre Fl. 643DF CARF MF 6 esteve na posse de terceiros de boafé, além de invadida por integrantes do Movimento dos Sem Terra MST: Processo nº 13116.000247/200593 Matéria: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, afastouse a preliminar de ilegitimidade passiva. Por voto de qualidade, deu se provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a exigência relativa à área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nanci Gama e Nilton Luiz Bartoli, relator, que afastavam também a exigência da área de preservação permanente, e o Conselheiro Tarásio Campelo Borges, que negava provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Sérgio de Castro Neves. Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR/2002. SUJEITO PASSIVO. Rejeitada a preliminar quanto à argüição de ilegitimidade da parte passiva, posto que o contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título, nos termos dos artigos 29 e 31 do Código Tributário Nacional. ÁREAS DE PASTAGEM, VALOR TOTAL DO IMÓVEL E VALOR DA TERRA NUA. (...)ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). (...)ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. (...).” desse modo, há que ser reformado o acórdão vergastado para afastar a preliminar de ilegitimidade passiva. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja admitido e provido o Recurso Especial, reconhecendose a legitimidade passiva do autuado mesmo diante da turbação da posse. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 22/01/2014 (fls. 02 a 04), o Contribuinte ofereceu, em 28/01/2014, as Contrarrazões de fls. 561 a 572, contendo os seguintes argumentos, em resumo: o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não deve merecer provimento, a despeito de atender ao requisito de sua admissibilidade quanto a haver a decisão recorrida dado interpretação à lei tributária divergente da que lhe fora dada por outra câmara; não se compadece com a melhor forma de distribuir justiça a decisão que, de forma incondicional, só pelo fato de existir decisão conflitante, decidir no mesmo sentido do julgado paradigma; isso uniformizaria as decisões por um de dois caminhos igualmente possíveis, sem se preocupar com as peculiaridades de cada caso; é perfeitamente admissível que na decisão paradigma, diante da situação fática específica, o melhor entendimento tenha sido o de considerar a legitimidade passiva do Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 641 7 recorrente, e que, no caso dos autos, tendo em vista igualmente a especial situação de fato, o melhor entendimento seja considerar a ilegitimidade do Contribuinte; no presente caso está claro que a exigência não pode ser mantida, pelo fato evidente e sobejamente comprovado de que o Contribuinte não tinha a posse do imóvel nem condição de exercer qualquer das faculdades inerentes à propriedade, como a de usar ele próprio o bem, de gozar da condição de proprietário, v.g. arrendandoo, de dele dispor, visto que seria ilusória a tentativa de querer alienálo, e, por fim, de usar o direito de reavêlo dos invasores, que injustamente o detinham, pois todas as tentativas nesse afã, até mesmo pela via judicial e obtenção de sentença nesse sentido, foram infrutíferas; deveras, está registrado e comprovado nos autos que nem mesmo medidas policiais e sentença de manutenção de posse tiveram força para desalojar os invasores; eis o que a respeito consta da petição de recurso do sujeito passivo (assim mesmo, em caracteres azuis): "Repisando o que expôs este contribuinte na petição de resposta à intimação anterior ao lançamento, vêse pela cópia do Boletim de Ocorrência (B.O.) n° 168/98, lavrado em 8 de setembro de 1998 pela Delegacia Metropolitana de Polícia Judiciária Civil de Cuiabá, que no dia 25 de agosto de 1998 o imóvel foi invadido por grande número de pessoas ligadas a movimento de semterras, as quais estavam munidas de armas e ferramentas e passaram a fazer demarcações e a construir barracos no local. Como líder ou entre os cabeças do movimento encontravase Antônio Pires Moreira, referido no B.O. como Antônio Pires, em outro documento contido nos autos, da lavra do Sr. Prefeito Municipal de Aripuanã, o Sr. Antônio Pires Moreira está qualificado como brasileiro, desquitado, residente e domiciliado no município de Aripuanã (MT), titular da cédula de identidade RG n° 36437510 (SSPPR), CPF n° 524.554.75972. Em razão da invasão, ocorrida no dia 25 de agosto de 1998, o impugnante ingressou, em 9 de setembro de1998, na Justiça Estadual da Comarca de Juína (MT), jurisdicionante do município de Aripuanã, com ação de manutenção de posse, conforme cópia da inicial nos autos. Como se colhe dos termos de outra petição, de 9 de novembro de 1998, em nome deste contribuinte dirigida por advogado à MMa Juíza da causa, igualmente com cópia nos autos, foi deferido mandado de manutenção de posse, cumprido por oficial de justiça em 7 de outubro de 1998. Contudo, os invasores não desocuparam o imóvel, como noticia a petição. Aliás, nunca mais saíram dele, e o reclamante nunca mais nele entrou, para não pôr sua vida em risco. Vêse da cópia da carta, juntada na resposta a intimação, que em 26 de julho de 1999 o requerente endereçou a autoridade do INCRA, Sr. Sérgio Paganini, Chefe do Departamento de Aquisição de Assentamento, que já naquela época havia 470 famílias de invasores no local. (...)) Fl. 645DF CARF MF 8 "Estando o impugnante desapossado do imóvel, sem condições de ao menos nele entrar, pena de pôr sua vida em risco, como foi alertado na ocasião da invasão, além de não ter assim a posse do imóvel, ficou sem poder exercer qualquer dos atributos inerentes ao domínio, tais o de dispor, usar, fruir e reaver o bem de quem injustamente o possua ou detenha. Dispor não podia, porque a alienação seria inquinada de nula, e se pudesse seria inútil, visto que o adquirente ficaria na mesma situação de impotência em que se encontra ele impugnante; tentar usar o imóvel seria um suicídio; fruir de suas utilidades, como v.g. arrendálo, impossível; reavêlo de quem, como é o caso, injustamente o detém (como atestado pela decisão judicial), está provado ser impossível, diante das forças que, embora à margem da lei, a isso se opõem." por certo o ilustre Procurador da Fazenda, em meio à sua azáfama, não terá tido o tempo necessário para se deter na análise do caso dos autos e tomar ciência do verdadeiro calvário por que passou o Contribuinte durante o episódio que levou à usurpação de seu imóvel rural pelos invasores, e das injustiças que padeceu; se tivesse em mente todos esses percalços sofridos pelo Contribuinte, por certo teria concluído que aplicar a decisão paradigma ao seu caso seria forma de afrontar princípios constitucionais que condicionam a administração pública, previstos no caput do artigo 37 da Carta; um desses princípios suscetíveis de afetação é o da legalidade, visto no seu aspecto mais amplo, abrangendo o direito, entidade jurídica que está acima da lei; o fato de o Superior Tribunal de Justiça, a mais alta instância na matéria, vir reiteradamente decidindo sobre a ilegitimidade do Contribuinte para responder pelo Imposto Territorial Rural lançado sobre o imóvel invadido demonstra como se deve interpretar a lei nesta parte; e o caso do Contribuinte, na sua condição de proprietário alijado de seu imóvel, é de uma gravidade incomparavelmente maior do que todos os exemplos a que se referem as decisões do E. STJ; em caso semelhante aos dos autos, e ao que parece com o mesmo potencial ofensivo aos direitos do contribuinte, temos o de que trata aresto da Segunda Turma do E. Superior Tribunal de Justiça, publicado em 14/12/2009, Recurso Especial n° 963.499 / PR, Relator o Ministro Herman Benjamin, julgado de 19/03/2009, DJe de 14/12/2009, cuja ementa é transcrita abaixo, em seu inteiro teor: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ITR. IMÓVEL INVADIDO POR INTEGRANTES DE MOVIMENTO DE FAMÍLIAS SEM TERRA. AÇÃO DECLARATÓRIA. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. FATO GERADOR DO ITR. PROPRIEDADE. MEDIDA LIMINAR DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE NÃO CUMPRIDA PELO ESTADO DO PARANÁ. INTERVENÇÃO FEDERAL ACOLHIDA PELO ÓRGÃO ESPECIAL DO TJPR. INEXISTÊNCIA DE HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. PERDA ANTECIPADA DA POSSE SEM O DEVIDO PROCESSO DE DESAPROPRIAÇÃO. ESVAZIAMENTO DOS ELEMENTOS DA PROPRIEDADE. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 642 9 DESAPARECIMENTO DA BASE MATERIAL DO FATO GERADOR. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA BOAFÉ OBJETIVA. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico de que se aplica o prazo prescricional do Decreto 20.910/1932 para demanda declaratória que busca, na verdade, a desconstituição de lançamento tributário (caráter constitutivo negativo da demanda). 3. O Fato Gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil, ou a posse, consoante disposição do art. 29 do Código Tributário Nacional. 4. Sem a presença dos elementos objetivos e subjetivos que a lei, expressa ou implicitamente, exige ao qualificar a hipótese de incidência, não se constitui a relação jurídicotributária. 5. A questão jurídica de fundo cingese à legitimidade passiva do proprietário de imóvel rural, invadido por 80 famílias de sem terra, para responder pelo ITR. 6. Com a invasão, sobre cuja legitimidade não se faz qualquer juízo de valor, o direito de propriedade ficou desprovido de praticamente todos os elementos a ele inerentes: não há mais posse, nem possibilidade de uso ou fruição do bem. 7. Direito de propriedade sem posse, uso, fruição e incapaz de gerar qualquer tipo de renda ao seu titular deixa de ser, na essência, direito de propriedade, pois não passa de uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade legal negada pela realidade dos fatos. 8. Por mais legítimas e humanitárias que sejam as razões do Poder Público para não cumprir, por 14 anos, decisão judicial que determinou a reintegração do imóvel ao legítimo proprietário, inclusive com pedido de Intervenção Federal deferido pelo TJPR, há de se convir que o mínimo que do Estado se espera é que reconheça que aquele que diante da omissão estatal e da dramaticidade dos conflitos agrários deste Brasil de grandes desigualdades sociais não tem mais direito algum não pode ser tributado por algo que só por ficção ainda é de seu domínio. 9. Ofende o Princípio da Razoabilidade, o Princípio da BoaFé Objetiva e o bom senso que o próprio Estado, omisso na salvaguarda de direito dos cidadãos, venha a utilizar a aparência desse mesmo direito, ou o resquício que dele restou, para cobrar tributos que pressupõem a sua incolumidade e existência nos planos jurídico (formal) e fático (material). 10. Irrelevante que a cobrança do tributo e a omissão estatal se encaixem em esferas diferentes da Administração Pública. Fl. 647DF CARF MF 10 União, Estados e Municípios, não obstante o perfil e personalidade próprios que lhes conferiu a Constituição de 1988, são parte de um todo maior, que é o Estado brasileiro. Ao final das contas, é este que responde pela garantia dos direitos individuais e sociais, bem como pela razoabilidade da conduta dos vários entes públicos em que se divide e organiza, aí se incluindo a autoridade tributária. 11. Na peculiar situação dos autos, considerando a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos da propriedade sem o devido processo de Desapropriação, é inexigível o ITR ante o desaparecimento da base material do fato gerador e a violação dos Princípios da Razoabilidade e da Boa Fé Objetiva. 12. Recurso Especial parcialmente provido somente para reconhecer a aplicação da prescrição quinquenal." nessa ementa, lendo cada um dos seus itens 3 a 11, constatase a similitude, em todos os seus detalhes, do caso de que trata a ementa comparado com o destes autos; essas semelhanças revelamse nos seguintes aspectos: no fato gerador das obrigações tributárias discutidas (item 3); na ausência dos elementos da hipótese da incidência do Imposto Territorial Rural (item 4); na questão da ilegitimidade passiva do dono do imóvel invadido (item 5); na perda, resultante da invasão, dos elementos constitutivos do direito de propriedade (item 6); na incapacidade de o direito de propriedade, quando desprovido de seus elementos constitutivos, gerar renda (item 7); na decisão judicial de reintegração descumprida (item 8); na ofensa aos princípios da razoabilidade, da boafé objetiva, do bom senso, resultante do fato de o Estado omisso na proteção dos direitos do cidadão pretender cobrar tributo com base na mera aparência de seu direito (item 9); na irrelevância de a cobrança de tributo partir de outra esfera da Administração que não a que incorreu na omissão prejudicial ao administrado (item 10); e na peculiar situação dos autos, de privação antecipada da posse e do esvaziamento do direito de propriedade sem o devido processo legal (item 11). os argumentos que vêm sendo apresentados pelo contribuinte nestes autos, desde a sua impugnação ao lançamento, ajustamse, como mão na luva, aos contidos na ementa do E. Superior Tribunal de Justiça acima reproduzida; outro princípio constitucional que vincula a administração pública e resultará desatendido é o da eficiência; Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 643 11 sabido que, mantida a exigência na esfera administrativa, ela não passaria incólume pela judicial, insistir na manutenção do lançamento seria, desnecessariamente, acarretar ao Poder Público gastos inúteis com o tempo e os serviços a serem despendidos pelos servidores públicos, os gastos com sucumbência, e causa de mais atravancamento do Judiciário; por fim, haveria igualmente afronta ao princípio da moralidade; de fato, tangeria as raias da imoralidade se o Poder Público, que se omitiu em sua obrigação de garantir ao administrado o direito de propriedade, pudesse cobrar imposto sobre a propriedade do bem durante o tempo da invasão que não evitou nem saneou; o administrado ficou privado do bem e de seu uso e do direito de dispor da coisa; falhou o Poder Público competente, que não impediu o esbulho e não cumpriu a ordem judicial de desocupação pelos invasores; não é demais repisar que se omitiram as autoridades competentes, e que para a espoliação do administrado concorreram políticos interessados nos votos vislumbrados nos numerosos invasores e familiares deles; o administrado, por sua vez, sofreu ameaças de morte e teve sua vida em efetivo risco, e, mesmo com ordem judicial, não conseguiu que as autoridades do Poder Executivo recobrassemlhe a posse do imóvel; sendo assim, seria mesmo imoral esse Poder Público vir ainda cobrarlhe tributo pela "propriedade" do imóvel. são quatro os processos administrativos de constituição de créditos de Imposto Territorial Rural sobre o mesmo imóvel que pertencera ao contribuinte, todos já julgados pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. as quatro decisões foram favoráveis ao sujeito passivo, uma por três de cinco votos, duas por unanimidade, e uma por seis de sete votos. Nesta última, o voto discrepante foi proferido pelo Conselheiro Presidente, que, no entanto, explicou a todos que não discordava das razões do sujeito passivo, mas que votara contra com o propósito de levar determinado aspecto processual a discussão na Câmara Superior de Recursos Fiscais; na decisão menos favorável ao contribuinte, proferida por três votos a dois, seu advogado ligou de Araçatuba (SP), cidade situada a 530 km de São Paulo (SP), informando que compareceria, juntamente com o filho do contribuinte, para fazer sustentação oral, que entendia absolutamente necessária diante da complexidade do caso e de seus incontáveis incidentes e detalhes; todavia, compareceram ao local no horário marcado, 14 horas, mas o julgamento houvera sido antecipado para as 9 horas daquele dia; acredita o Contribuinte que, com as explicações que poderiam ter sido feitas por seu advogado, o resultado do julgamento poderia ter sido mais favorável, como o dos três outros processos. Fl. 649DF CARF MF 12 obviamente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais é soberana em seu poder de deliberação, mas vêse que, pelos resultados dos julgamentos proferidos pelo CARF, uma decisão desfavorável que vier a ser proferida por essa mais alta instância administrativa de julgamento desafiará o entendimento manifestado por um grande número de Conselheiros, entre eles quatro que integram esse Sodalício; a decisão desfavorável que viesse a ser proferida nos autos deste processo implicaria ocorrência de decisões divergentes sobre casos que, exceto quanto ao exercício financeiro de cada um, nos demais aspectos são todos, para lá de semelhantes, absolutamente idênticos; um dos quatro processos administrativos recebeu decisão final favorável ao contribuinte, estando, pois, extinto o crédito tributário (processo nº 10820.720006/200609, do exercício de 2004); nesse processo do ITR/2004, contra a decisão do CARF a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, que, todavia, não foi admitido, conforme despacho proferido em 09/12/2013; estando assim definitivamente cancelado um dos quatro créditos tributários constituídos contra este contribuinte, o do ITR do exercício de 2004, nenhuma outra decisão, prolatada em processo de outro Contribuinte e que tenha mantido o crédito tributário, pode servir de modelo para amparar Recurso Especial da Fazenda Nacional; primeiro porque nenhum processo tendo por objeto tributação de outros Contribuintes, outros imóveis, outros fatos e circunstâncias, poderá ser mais adequado a comparação do que os do próprio Contribuinte, pela identidade do sujeito passivo, do imóvel, e dos fatos que permeiam os lançamentos; ademais, eventual decisão que confirmar a procedência de qualquer dos três demais processos deste contribuinte resultará em decisão conflitante; decisões divergentes sobre discussões que versem o mesmo pedido ou a mesma causa de pedir são motivo de desprestígio para o órgão julgador, por isso, no Poder Judiciário constitui preocupação constante procurar evitar esse desgaste, e exatamente para prevenir esse mal é que existe o instituto da conexão das causas com identidade de pedido ou de causa de pedir. Ao final, o Contribuinte pede a manutenção da decisão recorrida. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o presente processo, de exigência de Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2002, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" (NIRF 0.752.990 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 644 13 2), localizado no Município de Aripuanã/MT. A motivação da exigência foi a glosa das Áreas de Utilização Limitada e de Exploração Extrativa. O tributo foi exigido do proprietário do imóvel, que alegou ilegitimidade passiva, tendo em vista a área encontrarse invadida por trabalhadores semterra. A Fazenda Nacional, por sua vez, alega a legitimidade passiva da proprietária. A Lei nº 5.172, de 1966 CTN, assim dispõe, relativamente ao ITR: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. (...) Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. (grifei) A Lei nº 9.393, de 1996, que regulamentou o ITR, assim estabeleceu: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." De plano, cabe destacar que a lei não estabelece qualquer benefício de ordem, no que tange ao contribuinte do ITR. Nesse passo, ressaltase que o próprio Contribuinte qualificouse como tal, ao apresentar a DITR/2002 em seu nome, apurando inclusive o tributo que considerou devido (fls. 13/14). Com efeito, a irresignação acerca da sujeição passiva somente ocorreu quando dele foi exigida a diferença de imposto. Assim, não há que se falar em ilegitimidade passiva, já que o Contribuinte detinha a propriedade do imóvel, o que já é suficiente para, no presente caso, caracterizar a sujeição passiva. Quanto ao acórdão recorrido, o fundamento para a declaração de ilegitimidade passiva foi o fato de, à época do fato gerador, a Fazenda encontrarse na posse de trabalhadores semterra, sendo que, por meio de Decreto de 24/11/2005 (fls. 252/253), o imóvel foi declarado de interesse social, para fins de reforma agrária. Entretanto, a Lei nº 9.393, de 1996, assim determina: Fl. 651DF CARF MF 14 "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." No caso em apreço, tratase do ITR/2002, sendo que o imóvel somente foi declarado de interesse social para fins de reforma agrária em 24/11/2005 (fls. 252/253), portanto após a ocorrência do fato gerador. Assim, conforme o dispositivo legal acima destacado, somente a partir dessa data poderia se cogitar de não exigência do tributo em face do autuado, e mesmo assim caso restasse comprovada a imissão prévia na posse. Destarte, a sujeição passiva, no caso do ITR, não comporta benefício de ordem, sendo que a regra geral é a exigência do ITR em face do proprietário, enquanto não transferida a propriedade, o que no presente caso legitima o Contribuinte como sujeito passivo do ITR/2002. Com efeito, ao tempo de ocorrência do fato gerador, o imóvel em questão não se enquadrava na excepcionalidade que eximiria o proprietário da exigência do tributo: imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária com imissão prévia do Poder Público na posse. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte apresenta uma série de argumentos que, a despeito de sua legitimidade, não possuem o condão de afastar a lei, cujo cumprimento vincula o julgamento administrativo. Quanto às decisões exaradas pelo STJ, estas não se revestem da característica de efeito repetitivo, que vincularia os Conselheiros do CARF (art. 62 do RICARF). No que tange aos princípios da moralidade, da boafé, do bomsenso, e outros que se entenda aplicáveis ao presente caso, ressaltese que ao Julgador Administrativo é vedado afastar a lei, e esta é clara no sentido de que o autuado possui legitimidade passiva, relativamente ao ITR/2002. Sobre o princípio da eficiência, evitandose custos com eventual ação judicial, argumento também oferecido em sede de Contrarrazões, esclareçase que tal juízo de oportunidade e conveniência não cabe ao Julgador Administrativo, adstrito à lei, e sim à parte envolvida, Fazenda Nacional, que até o momento não exarou qualquer ato nesse sentido. Com efeito, ao Julgador Administrativo cabe aplicar a legislação que rege a matéria, e esta não autoriza posicionamento diverso do adotado no presente voto. Finalmente, no que tange e eventuais decisões divergentes acerca da mesma matéria, tratase de situação inerente aos tribunais, cabendo à Instância Especial dirimir eventual divergência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, afastando a ilegitimidade passiva e determinando o retorno dos autos ao Colegiado de origem, para julgamento das demais questões objeto do Recurso Voluntário. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10183.003873/200621 Acórdão n.º 9202004.584 CSRFT2 Fl. 645 15 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 653DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000205/99-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO - CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - INOCORRÊNCIA
O § 4º do artigo 74 da Lei 9.430/96, que converteu os pedidos de
compensação então pendentes de apreciação em declarações de
compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, se entenda que os pedidos relativos a débitos de terceiro tenham sido convertidos em declarações de compensação.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS - MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Apenas com a edição da Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003 (convertida na Lei n° 10.833, publicada em 30/12/2003), e a alteração promovida por seu art. 17 no art. 74 da Lei n° 9.430/96, a manifestação de inconformidade e o recurso ao Conselho de Contribuintes(atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), apresentados contra a não-homologação de compensação, passaram a ter o condão de suspender a exigibilidade do débito compensado. Contudo, essa determinação somente é aplicada quando se tratar de débitos confessados pelo contribuinte mediante declaração de compensação, a qual somente passou a ter caráter de confissão de dívida a partir da referida medida provisória. O pedido de compensação de créditos com débitos de terceiros não se confunde com a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1202-000.234
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Orlando Jose Gonçalves Bueno que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Valeria Cabaral Géo Verçoza
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO s. Processo n° 13501.000205/99-91 Recurso n° 163.805 Voluntário Acórdão n° 1202-00.234 — 2 Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S.A Recorrida i a Turma / DRJ - Salvador /BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO - CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - INOCORRÊNCIA O § 40 do artigo 74 da Lei 9.430/96, que converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1 0 do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, se entenda que os pedidos relativos a débitos de terceiro tenham sido convertidos em declarações de compensação. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS - MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Apenas com a edição da Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003 (convertida na Lei n° 10.833, publicada em 30/12/2003), e a alteração promovida por seu art. 17 no art. 74 da Lei n° 9.430/96, a manifestação de inconformidade e o recurso ao Conselho de Contribuintes(atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), apresentados contra a não-homologação de compensação, passaram a ter o condão de suspender a exigibilidade do débito compensado. Contudo, essa determinação somente é aplicada quando se tratar de débitos confessados pelo contribuinte mediante declaração de compensação, a qual somente passou a ter caráter de confissão de dívida a partir da referida medida provisória. O pedido de compensação de créditos com débitos de terceiros não se confunde com a declaração de compensação. ÇO-- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Orlando Jose Gonçalves Bueno que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. NELSON L SS LHO - Presidente. ik - , , ' ) VALERIA CABRAL GEO VERÇOZA - Relatora. EDITADO EM: ‘3 2 311 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente da Turma), Cândido Rodrigues Neuber, José Sergio Gomes (Suplente Convocado), Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada), Valeria Cabral Géo Verçoza, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente da numa). 2 1 Processo n° 13501.000205/99-91 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.234 Fl. 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição no valor de R$ 252.414,24 formulado por Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S/A com base no imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras relativas ao ano de 1997. O pedido foi protocolizado em 14/10/1999. (fl. 01) Em 12/11/1999 a empresa protocolizou Pedido de Compensação no valor de R$ 52.609,91 (fl. 05) e em 02/02/2000 novo pedido de compensação no valor de R$ 3.813,94(fl. 06) Além disso, foram juntados ao processo pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros às fls. 318, 322, 323, 324, todos protocolados em 1999. O Despacho Decisório (fls. 338 a 345) indeferiu a Declaração de compensação nos seguintes termos: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO (SALDO CREDOR) DE IRPJ. Ano calendário: 1997 A dedução do valor correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte, para apuração de eventual saldo negativo de Imposto de Renda no ajuste anual, está condicionada à apresentação de documentos comprobatórios da retenção. Identificada a inexistência de saldo negativo a favor do contribuinte, fenece, por via de consequência, o direito de compensar o crédito 'correspondente com débitos por ele indicados. Solicitação indeferida. Devidamente intimada da decisão contida no Despacho Decisório, a contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade às fls. 351 a 371, alegando, em síntese, que teria havido a homologação tácita dos pedidos de compensação protocolizados no ano de 1999 e fevereiro de 2000, uma vez que a ciência do Despacho Decisório se deu em 30/10/2006, transcorridos, portanto, mais de 5 anos. Em 24 de agosto de- 2007, a l a . Turma da DRJ de Salvador acordou, por unanimidade de votos, deferir em parte a solicitação da contribuinte, reconhecendo a homologação das compensações por expressa determinação legal relativa aos débitos próprios no valor de R$ 56.423,85 e negar a suspensão da exigibilidade dos débitos de terceiros, determinando o prosseguimento da sua cobrança no valor original de R$ 197.770,10, - juntamente com os acréscimos legais correspondentes. Do voto condutor da decisão de 1'• Instância destacamos os seguintes aspectos (fls. 378-79): „rJ9 3 O contribuinte, na sua defesa, não contesta o indeferimento do pedido de restituição proferido no Despacho Decisório DRF/CCI n° 130/2006 (fls. 343 e 344), no qual não é reconhecido o direito creditório pleiteado no valor de R.S 252.414,24, tratando-se, portanto, de matéria não impugnada, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto n°70.235, de 1972. (---) Assim, o direito creditório indeferido e não impugnado não será aqui discutido, constituindo assim matéria preclusa. (.--) O contribuinte alegou que os pedidos de compensação foram protocolados em 12/11/1999 e 02/02/2000, e, portanto, nos termos do art. 74, § 5 0, da Lei 9.430/1996 deveria ter sido reconhecida a homologação tácita das compensações declaradas. Aduz ainda, que não há como afastar a conversão dos pedidos de compensação de crédito com débito de terceiro, sob análise, em declarações de compensação. Em relação à conversão em DCOMP dos pedidos de compensação e conseqüente homologação tácita, verifica-se que à época dos pedidos de compensação (12/11/1999 e 02/02/2000) estava em vigor o texto antigo do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e a 1N 21/97 (revogada pela IN 41/2006), com a seguinte redação: (---) Posteriormente, veio a Lei n° 10.637, de 2002, que ao alterar o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 — que originalmente tratava de pedido de compensação e autorização pela SRF da utilização de créditos a serem restituídos para quitação de débitos de impostos e contribuições instituiu a declaração de compensação, com exigências e requisitos próprios: (.--) A nova sistemática de compensação, nascida com a edição do mencionado diploma legal é aplicável tanto às Declarações de Compensação (DCOMP) apresentadas a partir de 01 de outubro de 2002, quanto aos pedidos de compensação convertidos, por força do art. 74, § 4°, da Lei n° 9.430, de 1996, introduzido pela Medida Provisória n° 66, de 2002. Criou-se um novo instituto: a declaração de compensação, inconfundível com o anterior "pedido", para o qual se estabeleceram parâmetros, características próprios. Logo, será declaração de compensação a atividade regida pelo artigo 74, supra, e seus parágrafos. Com base apenas no § 40 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, o contribuinte pretende ver transformado seu pedido em Declaração de Compensação. Assim, em que pese o § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pela Lei 10.637, de 2002, peimitir a conversão de pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em DCOMP, há que' se coadunar o parágrafo mencionado, com o caput do artigo, do qual se extrai que nem todos os pedidos de compensação se convolaram em DCOMP, mas tão-somente aqueles que possibilitassem a compensação de débitos próprios. (.--) Desta forma, como o pedido original do contribuinte trata de compensação de débitos próprios e débitos de terceiros (fl. 340), a compensação pleiteada desses últimos débitos que constam do seu requerimento inicial não podem ser 4 Processo n° 13501.000205/99-91 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.234 Fl. 3 transformados em declaração de compensação na forma prevista no § 4° do art. 74, porque não atende às exigências que caracterizam o instituto da declaração de compensação instituído pela Lei n° 10.637, de 2002, novo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas se tratar de compensação de crédito com débitos próprios. (--.) Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário alegada pela contribuinte em razão da apresentação da manifestação de inconformidade, o i. Relator do voto da decisão de l a. Instância assim se pronunciou (fl. 382-83): A manifestação de inconformidade até a edição da Medida Provisória n° 135, de 29 de dezembro de 2003 era regulada pela IN 21/2002 e não tinha efeito suspensivo. Como o CTN condiciona a suspensão da exigibilidade, no caso de interposição de reclamações ou recursos, à existência de lei reguladora do processo administrativo tributário, necessário foi criar por meio de lei reguladora, nova modalidade de manifestação de inconformidade para atender a determinação contida no CTN, a de suspender a exigibilidade. (--.) Assim, a manifestação de inconformidade, com efeito suspensivo, só teve previsão legal a partir da Lei n° 10.833, de 2003, que alterou o art. 74, da Lei n° 9.430/1996, e se restringiu a não-homologação de compensação. A não- homologação está necessariamente vinculada a uma declaração de compensação (DCOMP) instituída pela Lei 10.637, de 2002, o que não se confunde com o indeferimento de um pedido de compensação com débitos de terceiros, que não foram convertidos. Portanto, somente a manifestação de inconformidade relativa à declaração de compensação (DCOMP) tem o efeito legal de suspender a exigibilidade do crédito tributário, ao contrário do alegado pelo contribuinte (fl. 363). A manifestação regida pela IN 21/97, relativa aos pedidos de compensação, não tem este efeito, por falta de previsão legal exigida pelo Código Tributário Nacional. Desta forma, indefiro o pedido de suspensão de exigibilidade, devendo prosseguir a cobrança dos débitos constantes no pedido de compensação de débitos de terceiros, os quais estão discriminados no item 12 do Despacho Decisório DRF/CCl/SAORT/ N° 0130/2006 (ft 340). Intimada da decisão de l a. Instância em 25 de setembro de 2007, a contribuinte apresentou, em 22 de outubro de 2007, recurso voluntário (fls. 389 a 401) reiterando os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade nos seguintes aspectos: - homologação tácita dos lançamentos; - homologação tácita dos pedidos de compensação; - previsão legal para compensação; - conversão do pedido de compensação em declaração de compensação; Acrescenta aos seus argumentos aspectos relacionados à segurança jurídica afirmando que a apreciação dos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros não pode perdurar indefinidamente. (6 5 Ao final requer a recorrente a refomia parcial do acórdão de l a• Instância para reconhecer a extinção do crédito tributário relativo às compensações com débitos de terceiros, seja pela homologação tácita dos lançamentos ou das compensações. É o relatório. 6 Processo n° 13501.000205/99-91 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.234 Fl. 4 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Após o julgamento de 1 a• Instância restou em discussão somente a possibilidade de conversão, em Declaração de Compensação, do "Pedido de Compensação de Créditos com Débitos de Terceiros" bem como a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários em razão da existência de tal pedido, uma vez que não houve por parte da contribuinte qualquer manifestação quanto à falta de comprovação da existência de saldo negativo em seu favor, que motivou o indeferimento da compensação. No meu entender, o voto condutor da decisão de 1'. Instância não merece qualquer reparo. Não há possibilidade de se considerar homologados, por decurso de prazo, os • pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, pois tal procedimento, hoje vedado, não foi alcançado pelas novas disposições trazidas pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96. Vejamos decisão do extinto Conselho de Contribuintes: N° Recurso 151406 Número do Processo 13807.001186/00-18 Turma 7" Câmara Contribuinte COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS -Tipo do Recurso Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 13/11/2008 Relator(a) Luiz Martins Valer° N° Acórdão 107-09564 Tributo / Matéria IRF- que ã versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.) Decisão: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, DAR provimento ao recurso para reconhecer o direito crédito pleiteado no valor de R$ 5.721.940, 71. A Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto se declara impedida Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE - A sistemática relacionada à Declaração c)/ 7 de Compensação, inclusive a conversão de pedidos de compensação efetuados ainda no antigo regramento, só se aplica às compensações de débitos próprios, motivo pelo qual aos pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n.° 21, de 1997, é aplicável o regramento antes vigente.(grifo nosso) (.. -) Assim, sendo impossível considerar homologado o pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros, passamos à análise da suspensão da exigibilidade do crédito tributário considerado no pedido de compensação não homologado. Também nesse aspecto entendo que a decisão de 1'. Instância foi acertada. Do voto condutor da decisão de 1a• Instância destacamos o seguinte trecho: No tocante à suspensão de exigibilidade, o Código Tributário Nacional, art. 151, inciso III, dispõe que as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 1— omissis,- — omissis; III — as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV—omissis; V—omissis. A manifestação de inconformidade até a edição da Medida Provisória n° 135, de 29 de dezembro de 2003 era regulada pela IN 21/2002 e não tinha efeito suspensivo. Como o CTN condiciona a suspensão da exigibilidade, no caso de interposição de reclamações ou recursos, à existência de lei reguladora do processo administrativo tributário, necessário foi criar por meio de lei reguladora, nova modalidade de manifestação de inconformidade para atender a determinação contida no CTN, a de suspender a exigibilidade. Com a MP n° 135, de 2003, (Lei n° 10.833, de 2003), instituiu-se, por meio de lei reguladora, as exigências e os critérios do novo instituto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO e as normas processuais pertinentes aos processos referentes a essas declarações de compensações, atribuindo-se à manifestação de inconformidade o efeito suspensivo. (---) Assim, a manifestação de inconformidade, com efeito suspensivo, só teve previsão legal a partir da Lei 10.833, de 2003, que alterou o art. 74, da Lei n° 9.430/1996, e se restringiu a não-homologação de compensação. A não- homologação está necessariamente vinculada a uma declaração de compensação (DCOMP) instituída pela Lei 10.637, de 2002, o que não se confunde com o indeferimento de um pedido de compensação com débitos de terceiros, que não foram convertidos em DCOMP. Processo n°13501.000205/99-91 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.234 Fl. 5 Portanto, somente a manifestação de inconformidade relativa à declaração de compensação (DCOMP) tem o efeito legal de suspender a exigibilidade do crédito tributário, ao contrário do alegado pelo contribuinte (fl. 363). A manifestação regida pela 1N 21/97, relativa aos pedidos de compensação, não tem esse efeito, por falta de previsão legal exigida pelo Código Tributário Nacional. É no mesmo sentido de não suspensão da exigibilidade o voto do Conselheiro Luiz Antônio de Paula no acórdão 106-15.764, cujo trecho transcrevo abaixo: É certo que, dada a edição da Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003 (convertida na Lei n° 10.833, publicada em 30/12/2003), e a alteração promovida por seu art. 17 no art. 74 da Lei n° 9.430/96, a manifestação de inconformidade e o recurso ao Conselho de Contribuintes, apresentados contra a não-homologação de compensação, passaram a ter o condão de suspender a exigibilidade do débito compensado. Contudo, essa determinação somente é aplicada quando se tratar de débitos confessados pelo contribuinte, ainda mais, mediante declaração de compensação, a qual somente passou a ter caráter de confissão de divida a partir da referida medida provisória. No presente caso, tratando-se de pedidos de compensação anteriores à Medida Provisória n.° 135, de 2003, não se verifica a suspensão da exigibilidade do crédito lançado. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão de P.Instância. É como voto. ?4, • C)f Valéria Cabral deo Verçoza 9
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Numero do processo: 10469.905507/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.
É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.265
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte quando ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à diligência. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório A empresa em epígrafe enviou PER/DCOM, com base em crédito oriundo de suposto "pagamento indevido ou a maior". Foi exarado despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação sob o fundamento de que só foram encontrados pagamentos, "mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 55 07 /2 00 9- 54 Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10469.905507/200954 Acórdão n.º 3402003.265 S3C4T2 Fl. 3 2 O contribuinte manifestou sua inconformidade contra esse despacho, alegando que havia calculado as contribuições PIS/COFINS sobre seu faturamento total, quando, na verdade, a grande maioria de suas vendas são de frutas e verduras, as quais têm sua alíquota reduzida a 0% quando destinadas ao mercado interno, conforme art. 28 da Lei 10.865/2004. Contudo, alega que recalculou os impostos mas não retificou a DCTF, pelo que a RFB não teria encontrado a existência de crédito. Informa que para corrigir a situação foi feita retificação na DCTF relativa ao período. A DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Contra essa decisão a empresa manejou recurso voluntário, no qual repisa o disposto em sua manifestação de inconformidade, juntando notas fiscais. A 2ª Turma Especial desta 3ª Seção, por meio da Resolução 3802000.034, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Assim, diante dos elementos constantes dos autos, voto para a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a unidade preparadora, frente à documentação anexa ao processo e demais documentos e esclarecimentos que julgar necessários indagar à suplicante, se manifeste sobre a COFINS efetivamente devida no período de que trata o pleito. Considerando que o presente é um dos 31 processos em nome da interessada que trata de aduzido direito creditório pelo pagamento indevido da COFINS nos anosbase de 2005 e de 2006, poderão ser elaborados, para fins de atendimento à presente diligência, relatório e, sendo o caso, planilha demonstrativa única, em que sejam discriminadas as bases de cálculo mensais, a COFINS efetivamente devida e a COFINS paga em cada um dos períodos correspondentes. Em seu Relatório de Diligência Fiscal, a DRF/Natal reconheceu o direito creditório do contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação declarada, assim concluindo: (...)Assim sendo, esta unidade preparadora oferece ao CARF parecer pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado nos processos em epígrafe relacionados. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.260, de 27 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10469.903727/200943, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.260): Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10469.905507/200954 Acórdão n.º 3402003.265 S3C4T2 Fl. 4 3 "Emerge do relatado que a própria RFB entende que o contribuinte tem direito ao crédito utilizado na compensação declarada. Assim, diante do resultado da diligência fiscal, é de ser reconhecido o crédito utilizado na compensação declarada, cujo montante é suficiente para sua homologação. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório utilizado na compensação declarada. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2926DF CARF MF
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Numero do processo: 13646.000187/2004-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS. Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incide o PIS em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri e Semíramis de Oliveira Duro.
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BASE DE CÁLCULO DO PIS. Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incide o PIS em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 00 01 87 /2 00 4- 30 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Cuidase de declarações de compensação de débitos, constantes dos processos relacionados abaixo, com crédito do PIS/PASEP sob o regime nãocumulativo, no valor de R$ 944.497,08 (fl. 121). Os processos acima mencionados foram apensados ao presente para análise em conjunto, uma vez que se referem ao mesmo crédito solicitado. Da verificação da legitimidade do crédito do PIS/PASEP do 2º trimestre de 2004 resultou o Relatório Fiscal Final (fls. 100/121), do qual se extrai: glosa de créditos sobre serviços que não foram consumidos ou aplicados na produção de bens destinados à venda; glosa de créditos sobre a importação de pó de níquel; glosa de créditos, relativamente aos meses de abril, maio e junho de 2004, apurados sobre os encargos de depreciação das máquinas e equipamentos que não são utilizados na fabricação dos produtos destinados a venda, conforme demonstra o centro de custos em que o contribuinte os alocou ou a sua destinação; a fiscalização ajustou a base de cálculo do PIS/PASEP, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS, no montante de R$ 4.561.970,84. A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual reconhece o crédito no valor de R$ 902.169,60 e homologa a compensação pleiteada (fls. 122/126). Em sua impugnação a empresa alegou: a) que não procedem os ajustes da base de cálculo do PIS/PASEP relativa aos meses de abril e maio de 2004, haja vista que se referem a períodos já alcançados pela decadência (§4° do art. 150 do CTN); b) que a fiscalização não pode, em pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, modificar a base de cálculo do PIS/PASEP sem formalizar lançamento de ofício; Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 12 3 c) foram considerados no cálculo do crédito apenas os custos dos serviços de trator de esteira e da locação de veículos relacionados aos centros produtivos; d) ainda que no período fiscalizado a impugnante não tenha apurado valores a pagar a título da contribuição ao PIS e da COFINS, os créditos dessas contribuições, incidentes nas importações de pó de níquel, feitas no mês de junho de 2004, podem ser descontados das bases de cálculo das contribuições incidentes sobre a sua receita, de meses posteriores; c) equivocase a fiscalização ao glosar os créditos da PIS/PASEP calculados sobre depreciação de máquinas e equipamentos porque: i) não poderia processar o minério, recebido em estado bruto, para transformálo nos produtos finais por ela vendidos, sem utilização da água nas diversas etapas do seu processo produtivo, seus equipamentos industriais não operam com o nível de tensão em que a energia é entregue pela concessionária, iii) a diretriz das Instruções Normativas n° 247 e n° 404, não encontra amparo legal, iv) todos os itens do ativo imobilizado alocados em centro de custos produtivos são imprescindíveis à fabricação dos produtos destinados a venda; d) não podem compor a base de cálculo da contribuição os ingressos recebidos em contrapartida à cessão de créditos do ICMS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em sede de recurso voluntário a ora Embargante repisou os argumentos de sua impugnação. O acórdão nº 380100.548, da 1ª Turma Especial da Seção, deu provimento parcial ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição PIS os gastos de produção que não são aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DECORRENTES DA IMPORTAÇÃO. Os créditos decorrentes de importação somente poderiam ser aproveitados por meio de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal ou por intermédio de pedido de ressarcimento a partir de 09/08/2004. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição PIS os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 13 4 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PIS. CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. As cessões de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, por isso não integram a base de calculo da contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Os Embargos de Declaração (fls. 476 e seg.) foram interpostos, sob a alegação de que ocorreram omissões e contradições no acórdão recorrido: · A contradição do v. acórdão embargado no que diz respeito à cessão de crédito de ICMS; · A omissão do v. acórdão embargado no que atine aos créditos decorrentes de importação de pó níquel; · A omissão no tocante à decadência. Em 19/05/2016, os Embargos foram admitidos por Gilson Macedo Rosenburg Filho (fls. 596599). Consta ainda nestes autos, a interposição de Recurso Especial pela Fazenda Nacional (fls. 385 e seg.), devidamente admitido pelo Despacho nº 3100558 (fls. 468469) e contraarrazoado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (fl. 547 e seguintes). No Recurso Especial, a Fazenda Nacional suscita divergência no tocante à "natureza das receitas provenientes da cessão de créditos de ICMS". Alega que o acórdão merece ser reformado em razão de que, diferentemente da exegese assentada no acórdão recorrido, a cessão onerosa de créditos de ICMS representaria uma receita, portanto sujeita à incidência do PIS/PASEP. É o relatório. Voto Os embargos foram opostos tempestivamente. 1. A contradição do v. acórdão embargado no que diz respeito à cessão de crédito de ICMS Alega a Embargante que: O v. acórdão embargado, com bastante precisão, declarou que a “A cessão de crédito de ICMS não tem natureza de receita, visto que há mera mutação patrimonial”. Em decorrência, o mesmo r. “decisum”, nesta matéria, deu “provimento ao recurso da interessada”. Contudo, a despeito de ter declarado o provimento do recurso voluntário da embargante nessa parte, o v. acórdão embargado, em sua parte dispositiva, incidindo em contradição, senão Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 14 5 obscuridade, concluiu que devem ser excluídas, “na apuração das compensações, a incidência da contribuição ao PIS sobre a cessão de crédito do ICMS” (destacouse). A mesma afirmação constou da parte preambular do acórdão recorrido. Sucede que o valor atinente à cessão de créditos do ICMS não deve ser excluída quando “da apuração das compensações”. Na verdade, o que a embargante pleiteou em sua manifestação de inconformidade, e também em seu recurso voluntário, é que não fosse admitido o refazimento do rateio de créditos do mercado interno e do mercado externo, realizado pela fiscalização, mediante a inclusão, na base de cálculo da contribuição ao PIS, de ingressos que não representam receita passível de tributação. [...] Diante disso, e considerando que a cessão de crédito de ICMS não se sujeita à incidência da contribuição ao PIS, conforme reconhecido pelo v. acórdão embargado, requerse o saneamento da contradição, senão obscuridade, ora apontada, de modo que a parte dispositiva do referido “decisum”, assim como sua parte preambular, declarem que o provimento do recurso, nesta parte, dáse para que seja cancelada a modificação procedida pela fiscalização no rateio de créditos do mercado interno e do mercado externo, homologandose, assim, as correlatas compensações. Há, de fato, contradição no que diz respeito à cessão de crédito de ICMS, pois a Fiscalização recompôs a base de cálculo do PIS, ao incluir os valores referentes à cessão de créditos de ICMS, por considerar tais valores como receita. O acórdão embargado, em sentido contrário, não reconheceu tais valores como receita, como se observa da fundamentação do voto condutor: A principal controvérsia desse tópico cingese a identificar se a cessão de créditos de ICMS para terceiros integra a base de calculo da contribuição PIS nos termos da Lei nº 10.637/2002 (incidência nãocumulativa). É certo que no presente caso o acúmulo de créditos de ICMS tem origem nas exportações de produtos, uma vez que, nos termos do art. 155, §2°, X, "a" da Constituição Federal, o ICMS não incidirá sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores. Outrossim, a legislação estadual, em conformidade com a Lei Complementar 87/96, permite que as empresas exportadoras transfiram seus saldos credores acumulados a outros contribuintes. Frisese que caso não existisse a possibilidade da cessão do crédito de ICMS acumulado na exportação, em grande parte dos casos, a imunidade estaria desvirtuada. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 15 6 No caso em tela assiste razão à interessada. A cessão de créditos de ICMS não tem natureza de receita, visto que lida mera mutação patrimonial, porquanto não há lançamentos a serem feitos nas contas de resultado. Ao contrário da tese da autoridade fiscal que efetivou a glosa, essa operação não caracteriza uma alienação. Além disso, a cessão de créditos foi pelo valor nominal, segundo contrato de cessão de créditos fiscais, portanto não existiu um ágio que poderia resultar em um acréscimo patrimonial. Nessas operações, em regra ocorre um deságio, posto que sempre há dúvidas quanto ao fato do crédito cedido ser líquido e certo. De modo que a aludida operação não tem a essência de receita, logo não integra a base de cálculo da contribuição. (...) Destarte, a transferência do saldo credor de ICMS acumulado, classificado, em regra, no ativo como tributo recuperável, não modifica esse ativo, há somente uma alteração da classificação contábil, ou seja, esse saldo credor transferese para uma outra conta do ativo, portanto essa operação não configura receita. Por essas razões, nessa matéria dáse provimento ao recurso da interessada. Deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros, ou seja, a cessão de direitos de ICMS não compõe a receita do contribuinte, não é, portanto, base de cálculo para a COFINS. Cumpri trazer à colação a decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que ficou assim ementado: IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 16 7 III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da nãocumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 17 8 A decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, o precedente desta turma, no acórdão nº 3301002.739, de relatoria de José Henrique Mauri, em sessão de 25/01/2016: COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS ACUMULADOS DE ICMS. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores provenientes do recebimento pela cessão onerosa de créditos de ICMS acumulados em conta gráfica, revestemse da natureza jurídica de recuperação de custos, e, como tal, não podem ser tratados como receita para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS não cumulativas. É o entendimento pacificado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62, § 2º do RICARF. (...) Recurso Voluntário Provido. Assim, os Embargos devem ser acolhidos apenas para alteração da parte preambular e do dispositivo, mantendose incólume a fundamentação do voto condutor, pois esta matéria referese a aumento da base de cálculo (recomposição da base de cálculo do PIS, ao incluir os valores referentes à cessão de créditos de 1CMS) e não cálculo de compensação. Por tudo o exposto acima, a parte preambular do acórdão deve ser reformada, de: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir, na compensação, a incidência do PIS sobre a cessão de créditos de ICMS”, para: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do PIS a cessão de créditos de ICMS”. Mantido incólume o restante do acórdão: “Os Conselheiros Magda Cotta Cardozo e Jose Luiz Bordignon votaram pelas conclusões, relativamente à tributação da cessão de créditos de ICMS. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé e Rodrigo Pereira de Mello, que davam provimento, também, relativamente aos encargos de depreciação alocados nos centros de custo AGU e ENE e aos serviços de trator e esteira.” E a parte dispositiva, de: Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, na apuração das compensações, a incidência da contribuição PIS sobre a cessão de créditos do ICMS, para: Em face do exposto, Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 18 9 voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PIS a cessão de créditos do ICMS. 2. A omissão do v. acórdão embargado no que atine aos créditos decorrentes de importação de pó níquel Neste tópico as alegações da Embargante são as seguintes: Quanto aos créditos decorrentes de importação de pó níquel, o v. acórdão embargado asseverou que: “os créditos decorrentes de importação somente poderiam ser aproveitados por meio de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal ou pedido de ressarcimento a partir de 09/08/2004”. Também constatou, o v. acórdão embargado, que a embargante não pugnou pelo reconhecimento de seu direito de compensar ou ressarcir o aludido crédito, mas, sim, pelo “direito do aproveitamento do montante glosado dos créditos decorrentes da importação em períodos posteriores, conforme o disposto no §2º do art. 15 da Lei n. 10865/2004”. Ocorre que, segundo o v. acórdão embargado, “Essa matéria não foi objeto de glosa fiscal, portanto não pode ser apreciada pelo julgador de 2ª instância, visto que não integrou o litígio administrativo”. No entanto, ao concluir como concluiu, o v. acórdão embargado acabou incorrendo em verdadeira omissão quanto ao pedido formulado pela embargante em sua manifestação de inconformidade, reiterado em seu recurso voluntário. Explicase. A fiscalização, ao contrário do que aventou o v. acórdão embargado, não se limitou a indeferir o pedido de ressarcimento, ou não homologar a compensação dos créditos relativos à importação de pó níquel. Na verdade, de acordo como despacho decisório, “somente poderá ser apurado crédito havido a partir de 09/08/2004. Antes dessa data, inexiste dispositivo que autorize o direito ao crédito de insumos importados aplicados na produção dos produtos exportados pelo contribuinte” (destacouse). Ou seja, a fiscalização negou o direito ao aproveitamento do crédito, obstando, inclusive, sua dedução para fins de apuração da contribuição ao PIS, tal como se ela fosse vedada ao tempo em que embargante promoveu as importações em debate. Daí que, ao agir como agiu, o despacho decisório violou o disposto no parágrafo 2º do art. 15 da Lei n. 10865/04, que declara textualmente o direito da embargante ao aproveitamento do crédito, ao dizer que: “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes”. Logo, o v. acórdão embargado incidiu em omissão relativa a questão sobre a qual deveria ter se pronunciado, eis que foi, sim, instaurado litígio quanto à matéria em debate, dado que a Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 19 10 fiscalização negou o direito ao aproveitamento do crédito, violando o disposto no parágrafo 2º do art. 15 da Lei nº 10.865/04. Dessa forma, requerse a correção da omissão ora demonstrada, de modo que seja apreciado o pedido da embargante de reconhecimento de seu direito à dedução do crédito de PIS Importação sobre seus débitos da contribuição ao PIS, em conformidade com o art. 15, parágrafo 2º, da Lei n. 10865/04. Relativamente à glosa de créditos cálculos sobre a importação de pó de níquel, temse que a utilização para compensação/ressarcimento de créditos calculados sobre a aquisição de insumos, oriundos de importação sujeita à incidência do PIS/PASEP, somente se tornou possível com a edição da Lei n° 11.116/2005, por conseguinte, tendo a contribuinte efetuado compensação não autorizada em lei, em virtude do crédito não ser passível de aproveitamento para esse fim, foi glosado o crédito sobre as receitas de exportação. Neste tópico, portanto, não assiste razão à Embargante, pois não cabe neste feito reconhecer direito creditório a partir de 09/08/2004, pois o período ora em exame é: 01/04/2004 a 30/06/2004. Por este motivo que o acórdão embargado reconheceu este ponto como parte não integrante da lide: A controvérsia tem por objeto o direito do sujeito passivo de utilizar créditos da contribuição PIS decorrentes de importações lançadas em junho de 2004 de pó de níquel. A propósito do aproveitamento de créditos decorrentes de importações, o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 estabelece: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por seu turno, o art. 16 da Lei n° 11.116/2005 dispõe: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3° das Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável 6 matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável a matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 20 11 de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifouse) De acordo com a inteligência destes dispositivos legais, os créditos decorrentes de importação somente poderiam ser aproveitados por meio de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal ou de pedido de ressarcimento a partir de 09/08/2004, como bem assentaram a autoridade fiscal e a decisão recorrida. Neste sentido, a própria recorrente admitiu que, antes de 09/08/2004, a legislação não permitia o aproveitamento dos créditos de PISimportação e da Cofinsimportação mediante a compensação com outros tributos. De outro giro e mantida a glosa fiscal, a interessada pleiteia que seja reconhecido o direito do aproveitamento do montante glosado dos créditos decorrentes da importação em períodos posteriores, conforme o disposto no § 20 do art. 15 da Lei n° 10.865/2004. Por fim, não deve ser reconhecida a omissão apontada neste tópico. 3. A omissão no tocante à decadência São os seguintes argumentos arrolados: A embargante sustentou nos autos que o fisco não poderia proceder a ajustes na base de cálculo da contribuição ao PIS nos meses de abril e maio de 2004, por se tratar de períodos já assolados pela decadência, nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do CTN. [...] Portanto, tendo o v. acórdão embargado se omitido em relação aos pontos acima mencionados, os quais revelam que tanto a glosa de crédito da contribuição ao PIS como a inclusão do valor relativo à cessão de créditos de ICMS, interferem na apuração daquela exação, requerse pronunciamento sobre a aplicação do art. 150, parágrafo 4º, do CTN ao caso dos autos, à luz da premissa de que, ao fazer ajustes nos créditos e na base de cálculo da contribuição ao PIS, a fiscalização modificou a própria metodologia de cálculo da contribuição ao PIS. Observese que o voto condutor do acórdão embargado enfrentou a questão da decadência e o fez nestes termos: Preliminar decadência A recorrente insiste na tese de que ficou configurada a decadência para os meses de abril e maio de 2004, nos termos do art. 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 21 12 Assim, os ajustes relativos aos aludidos meses não podem subsistir. A tese da interessada não pode prosperar. Tenhase presente que este processo administrativo e os respectivos apensados têm por objeto a compensação de tributos federais. O sujeito passivo apresentou diversas declarações de compensação de débitos com créditos da contribuição PIS nãocumulativa dos períodos de apuração do 2° trimestre de 2004. A compensação, que é uma modalidade de extinção do crédito tributário, é prevista no artigo 170 do CTN Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei n° 5.172/66, o qual remete à lei ordinária a disciplina da matéria. O CTN assim dispõe sobre a compensação: [...] Desta forma, a compensação é um dos meios de extinção do crédito tributário e se concretiza pelo encontro de contas entre a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Deste modo, o art. 74 da Lei n° 9.430/96 (e alterações) disciplina o regime de compensação no âmbito federal. [...] Por seu turno, o § 5° deste dispositivo legal estabelece o prazo para a homologação da compensação: [...] Destarte, o prazo de cinco anos contase da data da entrega das declarações de compensação. No caso presente, constatase que as declarações de compensação foram entregues a partir de 29/06/2004, de sorte que as verificações efetuadas em relação aos créditos da contribuição PIS nãocumulativa foram realizadas dentro do prazo legal de 5(cinco) anos, uma vez que o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 05/06/2009. Como visto, na compensação a autoridade tem por obrigação legal, no prazo acima referido, verificar se os créditos são líquidos e certos, ou seja, a exatidão dos créditos da contribuição PIS apurados e declarados pelo sujeito passivo. Diferentemente do alegado pela recorrente, o art. 150, §4° do CTN trata do prazo que a Fazenda Nacional tem para verificar a exatidão do pagamento efetuado. Esse prazo não se aplica a análise dos créditos que podem ser descontados da contribuição PIS sob o regime da nãocumulatividade. Em suma, não ficou configurada a decadência. Portanto, não houve omissão quanto à decadência, não merecendo acolhida da pretensão da Embargante neste ponto. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13646.000187/200430 Acórdão n.º 3301003.046 S3C3T1 Fl. 22 13 Conclusão Analisando o acórdão vergastado constatase a contradição apontada pela embargante no que diz respeito à cessão de crédito de ICMS, por isso, voto para acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes. Sala de Sessões, em 19 de julho de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 19/0 8/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 20/08/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000069/2005-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: DECADÊNCIA - HOMOLOGAÇÃO - IRPJ - O lançamento do imposto de
renda amolda-se à modalidade por homologação, tendo a contagem do início de seu prazo a partir da ocorrência do fato gerador, independentemente da existência de pagamento, pois o que se homologa é a atividade de apuração do quantum devido, ainda que existente prejuízo.
Numero da decisão: 1103-000.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para ar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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Numero do processo: 10580.722506/2008-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial.
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-004.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECONHECIMENTO DE OFÍCIO DE VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se o regime de competência. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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IMPOSSIBILIDADE. Não cabe o reconhecimento de nulidade, por eventual vício material, quando a matéria não tiver sido devidamente admitida, como objeto do recurso especial. IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose o regime de competência. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 06 /2 00 8- 17 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 9202004.068 CSRFT2 Fl. 23 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer a preliminar de nulidade por vício material suscitada de ofício pela Conselheira Ana Paula Fernandes, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Gerson Macedo Guerra. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720254/200964. O presente Recurso Especial trata de pedido de Análise de Divergência motivado pelo Contribuinte, em face de Acórdão proferido em julgamento de recurso voluntário. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 9202004.068 CSRFT2 Fl. 24 3 quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Foi interposta impugnação foi indeferida em sede de julgamento de primeira instância. O Contribuinte interpôs Recurso, ao qual foi dado parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Especial ao qual foi dado parcial seguimento, para reapreciação apenas da matéria questão da natureza indenizatória, ou não. Em reexame, o exame de admissibilidade foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional, vieram os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.026, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720254/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.026): Em primeiro lugar, não conheço da preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada de ofício pela Sra. Conselheira relatora. Com efeito, esta matéria não tendo sido admitida em sede de recurso especial, não está em discussão e, portanto, dela não conheço. Além disso, apenas para fins de esclarecimento, registrese que não vejo qualquer nulidade no lançamento da forma que ele foi realizado. Com efeito, o lançamento foi realizado com base em dispositivo vigente, cuja interpretação não havia sido considerada à época inconstitucional. Portanto, não há que se falar em nulidade. Entrando, agora, no mérito propriamente dito, entendo que a verba recebida tem caráter remuneratório e, assim, deve ser tributada. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 9202004.068 CSRFT2 Fl. 25 4 à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 9202004.068 CSRFT2 Fl. 26 5 se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 9202004.068 CSRFT2 Fl. 27 6 Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 9202004.068 CSRFT2 Fl. 28 7 Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de não conhecer da preliminar de nulidade por vício material suscitada, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011499/2005-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ADE – SIMPLES VALIDADE – EFEITOS O Ato de Exclusão do SIMPLES (ADE) foi pessoalmente citado ao contribuinte, que teve seu prazo
de defesa garantido. O ADE atende aos pressupostos de validade do artigo 10 do Decreto 70.235/72 e está adequadamente motivado, sendo juridicamente válido, perfeito e acabado. Como o contribuinte comprovadamente excedeu o limite de receitas autorizado no SIMPLES, a exclusão opera efeitos desde a
data em que foi verificado o excesso, nos termos da Lei 9.317/96.
LUCRO ARBITRADO – NÃO APRESENTAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL LEGALIDADE
– Intimado e reintimado o recorrente não apresentou escrita contábil hábil à autoridade, logo, está correto nos termos
da Lei 9.430/96 o lançamento pelo lucro arbitrado.
PIS/COFINS – FATURAMENTO – O artigo 3o. da Lei 9.718/98 autoriza o lançamento de PIS e COFINS sobre a receita do faturamento de venda de mercadorias registrada no Livro de ICMS e omitida da tributação federal.
MULTA DE OFÍCIO – 150% CONDUTA REITERADA – O contribuinte
deixou de pagar tributos federais por três anos consecutivos e omitiu receitas de venda de mercadorias da tributação federal, que conhecia e sobre as quais pagou ICMS. O artigo 44 da Lei 9.430/96 determina a multa de 150%.
Numero da decisão: 1302-000.584
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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ementa_s : ADE – SIMPLES VALIDADE – EFEITOS O Ato de Exclusão do SIMPLES (ADE) foi pessoalmente citado ao contribuinte, que teve seu prazo de defesa garantido. O ADE atende aos pressupostos de validade do artigo 10 do Decreto 70.235/72 e está adequadamente motivado, sendo juridicamente válido, perfeito e acabado. Como o contribuinte comprovadamente excedeu o limite de receitas autorizado no SIMPLES, a exclusão opera efeitos desde a data em que foi verificado o excesso, nos termos da Lei 9.317/96. LUCRO ARBITRADO – NÃO APRESENTAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL LEGALIDADE – Intimado e reintimado o recorrente não apresentou escrita contábil hábil à autoridade, logo, está correto nos termos da Lei 9.430/96 o lançamento pelo lucro arbitrado. PIS/COFINS – FATURAMENTO – O artigo 3o. da Lei 9.718/98 autoriza o lançamento de PIS e COFINS sobre a receita do faturamento de venda de mercadorias registrada no Livro de ICMS e omitida da tributação federal. MULTA DE OFÍCIO – 150% CONDUTA REITERADA – O contribuinte deixou de pagar tributos federais por três anos consecutivos e omitiu receitas de venda de mercadorias da tributação federal, que conhecia e sobre as quais pagou ICMS. O artigo 44 da Lei 9.430/96 determina a multa de 150%.
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O ADE atende aos pressupostos de validade do artigo 10 do Decreto 70.235/72 e está adequadamente motivado, sendo juridicamente válido, perfeito e acabado. Como o contribuinte comprovadamente excedeu o limite de receitas autorizado no SIMPLES, a exclusão opera efeitos desde a data em que foi verificado o excesso, nos termos da Lei 9.317/96. LUCRO ARBITRADO – NÃO APRESENTAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL LEGALIDADE – Intimado e reintimado o recorrente não apresentou escrita contábil hábil à autoridade, logo, está correto nos termos da Lei 9.430/96 o lançamento pelo lucro arbitrado. PIS/COFINS – FATURAMENTO – O artigo 3o. da Lei 9.718/98 autoriza o lançamento de PIS e COFINS sobre a receita do faturamento de venda de mercadorias registrada no Livro de ICMS e omitida da tributação federal. MULTA DE OFÍCIO – 150% CONDUTA REITERADA – O contribuinte deixou de pagar tributos federais por três anos consecutivos e omitiu receitas de venda de mercadorias da tributação federal, que conhecia e sobre as quais pagou ICMS. O artigo 44 da Lei 9.430/96 determina a multa de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA 2 “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Irineu Bianchi, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, André Ricardo Lemes da Silva. Relatório JOSE PAULO DE SANTANA FILHO MERCADINHO —ME foi cientificado em 15 112005 de lançamento fiscal de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por omissão de receitas (fls. 251 e seguintes), considerando que o contribuinte, tributado pelo SIMPLES, declarou zero de receitas na Declaração Simplificada no ano de 2001 e, embora tenha pagado tributos pelo SIMPLES em 2002 e 2003, declarou valor de receitas muito superior à Secretaria da Receita Estadual de Pernambuco nos anos de 2001, 2002 e 2003, para fins de recolhimento do ICMS. Intimado e reintimado o interessado não apresentou seus livros contábeis e fiscais, principalmente o livro caixa essencial no regime SIMPLES, tendo expressamente alegado que não o possui. Como apresentou os livros de ICMS e com base nisso foi verificada receita em limite superior àquele aplicável ao SIMPLES, o contribuinte foi excluído do regime SIMPLES por Ato Declaratório pertinente. Intimado mais uma vez a apresentar documentação contábil necessária para o Lucro Real o contribuinte afirmou que não poderia fazer ou entregar esses documentos. Assim, a diferença entre as receitas verificadas no Livro de ICMS e aquelas objeto de tributação pelo SIMPLES foram objeto de arbitramento do lucro e lançamento de ofício, com multa de 150%. A autoridade entendeu dolosa a atitude reiterada de declarar receitas em volume bastante inferior ao declarado ao fisco estadual. Inclusive para vários meses o contribuinte declarou a inexistência de receitas quando isso não correspondia à verdade, conhecida e declarada pelo contribuinte ao fisco estadual. Intimado, o interessado impugnou o lançamento alegando ... “ Em relação ao Ato Declaratório Executivo que excluiu a empresa do SIMPLES, afirma que a empresa foi cientificada do Ato Declaratório Executivo de exclusão no dia 19/10/2005 e foi cientificada dos autos de infração, dos tributos fora do Simples, no dia 16/11/2005, ou seja, antes de decorrido o prazo de 30 dias para a defesa da exclusão, o que implicou no cerceamento do direito de defesa. Assim, requer a nulidade dos autos de infração do presente processo. Em relação aos lançamentos dos autos de infração afirma a impugnante que a autuante não deduziu os valores recolhidos dos tributos e não provou que a empresa não poderia ser tributada pelo lucro real ou presumido. Também não foram consideradas as DCTF's apresentadas. Ainda em relação ao lucro arbitrado alega que a autuante apurou a receita bruta com base nas movimentações financeiras, desprezando os lançamentos existentes. Também afirma que os livros e documentos em poder da fiscalização seriam suficientes para a apuração pelo lucro real ou presumido. Nas fls. 190 a 193, cita Fl. 17DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Processo nº 19647.011499/200526 Acórdão n.º 1302000.584 S1C3T2 Fl. 356 3 explicação de Ricardo Mariz de Oliveira a respeito do lucro real. Em seguida requer a realização de uma perícia contábil para comprovar as verdadeiras bases de cálculo no lucro presumido ou mesmo no lucro real. Indica o Sr. Aldo Jorge Pereira Passos como Perito e apresenta, à fl. 194 as questões a serem respondidas. Citando o art. 142 do Código Tributário Nacional afirma que como a matéria tributável não está determinada não procede a autuação. Reclama da multa de oficio aplicada no percentual de 150% afirmando que o autuante poderia ter adotado as formas de tributação do lucro real ou presumido. Passa a reclamar da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, citando os artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/1998. Afirma que posteriormente foi editada a MP n° 2,15834/2001 na qual foram autorizadas deduções exclusões da BC, porém apenas para as instituições financeiras. Esta exceção fere frontalmente o princípio da isonomia (art. 150, II da Constituição Federal de 1988). Cita a respeito do assunto diversas opiniões doutrinarias e jurisprudencial. Ainda, sobre a base de cálculo das contribuições afirma que a ampliação do conceito de faturamento viola o art. 110 do Código Tributário Nacional. Alega que o Supremo Tribunal Federal já julgou a questão considerando inconstitucional a norma que aumentou de 2% para 3% a alíquota da COFINS. Contesta o efeito da exclusão da empresa do Simples afirmando que apenas a partir de 2005 é que o ato declaratório tem eficácia. Cita decisão do TRF da 3' Região para embasar sua alegação.” Em 18052007, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento proferiu sua decisão, mantendo em parte o lançamento tributário (fls 274 e seguintes). Entendeu a autoridade fiscal que é cabível a tributação pelo lucro arbitrado de IRPJ e CSLL, nos termos da Lei. A empresa deixou de tributar receitas de venda de mercadorias observadas no livro de ICMS e foi devidamente excluída do SIMPLES por ato regular e válido, sendo que deixou de apresentar a escrituração contábil hábil à fiscalização federal. Nessa linha a receita de venda de mercadorias é tributável por PIS e COFINS nos termos da Lei 9.71898. Ficou comprovado o evidente intuito de fraude pela conduta reiterada da contribuinte e por isso deve ser mantida a multa de 150%. A DRJ exonerou, em parte, o débito de COFINS, abatendo os valores já pagos pelo regime de SIMPLES. Por fim, entendeu desnecessária a abertura de diligência. Ciente da decisão em 10102008, o contribuinte recorreu em 22102008 (fls. 293 e seguintes). Em apertada síntese, defende que foi citado por edital do Ato Declaratório de Executivo de Exclusão (ADE) do Simples, porém não restaram comprovadas as tentativas anteriores de citação postal e pessoal do contribuinte. O lançamento fiscal foi feito em 2005 ainda antes do prazo de defesa de 30 (trinta) dias do ADE, cerceando o direito de defesa. Ainda havia, na época da autuação, chance de defesa desse ADE e ainda há. Assim, o ADE de 2005 que pretende ser retroativo e atingir 2001, 2002 e 2003 é ilegal. Também é nulo o ADE na medida em que alega, mas não comprova, que o contribuinte tenha excedido o limite de receitas para optar pelo Simples. É nulo portanto o lançamento fiscal que se baseia, como requisito formal essencial, no ADE. Alega o contribuinte que o lançamento sobre lucro arbitrado é ilegal e que deveria ter sido utilizado lucro presumido. O arbitramento só poderia ser usado como último recurso. Também poderia ter sido utilizado o lucro real sendo que o recorrente pediu na impugnação diligência para apurar o lucro e indicou perito técnico e quesitos. Combate o interessado ainda a multa de ofício de 150% por ser muito onerosa dadas as alternativas de tributação pelo lucro real ou presumido. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA 4 Quanto ao PIS e à COFINS o interessado alegou ainda que a tributação para além do faturamento é inconstitucional e não pode ser admitida. Colacionou o recorrente diversas decisões que entendeu corroborarem os elementos de defesa e assim pediu o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Recebo o recurso voluntário tempestivo. O contribuinte alega a invalidade do ADE por conta da citação por edital. Ocorre que verifiquei neste processo a citação pessoal do interessado acerca do ADE, no momento em que tomou ciência do lançamento fiscal, e o contribuinte teve manifesta e pessoal ciência do ADE, conforme inclusive declarou desde a impugnação ao lançamento. Na ocasião da impugnação teve a oportunidade de, também no prazo legal, combater o ADE, apresentar manifestação de sua inconformidade com ele, porém não o fez. O único elemento que o interessado discute, e neste processo, seria a falta de provas do excesso de receitas que o levaria a ser excluído do regime SIMPLES. Ocorre que esse excesso está vastamente comprovado pelas receitas observadas no Livro de Apuração de ICMS. Nessa medida, é válida a citação pessoal feita do ADE comprovada neste processo e o ADE consolidouse juridicamente como ato pleno, acabado, vigente e eficaz, atendendo a todos os demais pressupostos de validade do artigo 10 do Decreto 70.235/72. Rejeito a preliminar de nulidade argüida pelo interessado. Observese que a exclusão do Simples, neste caso, nos termos da Lei 9.317/96, efetivamente deve produzir efeitos desde a data em que a empresa excedeu o limite de receita. Assim, o ADE de 2005 que retroage para atingir 2001, 2002 e 2003 é legal. O direito de defesa face ao ADE e também o prazo para manifestação de inconformidade não elidem o poderdever da autoridade fiscal de efetuar o lançamento. Pelo contrário, a autoridade tem a obrigação de fazer o lançamento, neste caso pelo lucro arbitrado, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Entendo que o Livro de Registro de Entrada e Saída para fins de ICMS comprova a existência de receitas omitidas da tributação federal. Já a falta de apresentação da escrita contábil hábil pelo contribuinte, após reiteradas intimações fiscais, autoriza o arbitramento do lucro, nos termos da Lei nº 9.430/96, arts. 1º, 4º, 27 e 51 a 54. Nesse sentido, entendo o lançamento plenamente legal e correto e nego o pedido de diligência por entender desnecessário, nos termos em que me faculta o Decreto 70.235/72. Quanto ao PIS e à COFINS, o interessado alegou ainda que a tributação para além do faturamento é inconstitucional e não pode ser admitida. Colacionou o recorrente diversas decisões que entendeu corroborarem os elementos de defesa e assim pediu o cancelamento do lançamento fiscal. Ocorre que a receita tributada neste processo é exatamente aquele faturamento da venda de mercadorias que foi declarado no Livro de Apuração de ICMS e que não foi oferecido à tributação de PIS e COFINS. Não se trata de receitas outras, é o próprio faturamento que se está tributando, nos termos do artigo 3o da Lei 9.718/98. O lançamento de PIS e COFINS sobre a receita omitida está correto. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Processo nº 19647.011499/200526 Acórdão n.º 1302000.584 S1C3T2 Fl. 357 5 Combate o interessado ainda a multa de ofício de 150% por ser muito onerosa. O interessado reiteradamente por três anoscalendários deixou de pagar e declarar tributos federais tendo atividade flagrada e voluntariamente informada no livro de apuração de ICMS. Fica caracterizado o evidente intuito de evadir tributos federais e nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96 a essa hipótese é aplicável e deve ser mantida a multa de 150%. Nesse sentido, nego provimento ao recurso voluntário. Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Fl. 20DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por EMANOEL WERCELENS PINHEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Assinado di gitalmente em 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por LAVI NIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Numero do processo: 35415.000921/2007-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 30/11/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 09 21 /2 00 7- 60 Fl. 924DF CARF MF Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 9202004.770 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 9202004.770 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 9202004.770 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 9202004.770 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 9202004.770 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 929DF CARF MF Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 9202004.770 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 9202004.770 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 931DF CARF MF Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 9202004.770 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 35415.000921/200760 Acórdão n.º 9202004.770 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 933DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720175/2014-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16095.000723/2010-17, do qual este é decorrente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo principal nº 16095.000723/201017, do qual este é decorrente. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 17 5/ 20 14 -7 9 Fl. 3555DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 6.547 ___________ RELATÓRIO Da autuação O objeto do presente processo diz respeito ao lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de multa qualificada de 150% e juros de mora. O objeto da autuação diz respeito a glosa de despesas, bem como foram atribuídas responsabilidades tributárias; tudo conforme termo de verificação, cujas partes principais seguem abaixo reproduzidas (fls. 13221336, do processo eletrônico assim como todas as demais referências): Dos Contratos Os contratos apresentados pelo contribuinte foram os mesmos analisados no âmbito do processo 16095.000723/201017, contratos estes que apesar de envolver montante expressivo, as partes não registraram o contrato em cartório; Segundo os contratos de prestação de serviços apresentados pela fiscalizada a empresa Pandurata Assessoria passou a ser responsável pelo assessoramento comercial dos produtos comercializados pela Pandurata Alimentos e recebe comissão variável sobre as vendas realizadas; Da análise do contrato e dos documentos relacionados apresentados, já se demonstra que os serviços não foram efetivamente prestados; No processo nº 16905.000723/201017 consta o seguinte texto: “Os documentos apresentados possuem elementos contraditórios com relação ao contrato de prestação de serviço pactuado e demonstram que de fato não houve serviço realizado pela Pandurata Assessoria Comercial Ltda. 1 Com relação à listagem geral de funcionários constatase que o documento foi produzido em 14/01/2010 e o nome da empresa PANDURATA ASSESSORIA COMERCIAL LTDA aparece ao lado da palavra "estabelecimento", dando a entender que a empresa PANDURATA ALIMENTOS LTDA a tem como um estabelecimento. A data de admissão dos funcionários é a data de admissão na empresa PANDURATA ALIMENTOS. O gerente de Recursos Humanos que assina o documento o sr. Edson G Freitas faz parte do quadro de funcionário da Pandurata Alimentos conforme informação do CNIS. 2 Quanto aos relatórios apresentados para comprovar a prestação do serviço, e ditos como se fossem produzidos pelos técnicos da contratada percebese que são, na verdade, relatórios eletrônicos de vendas extraídos de sistema, separados por região fiscal, e não guardam qualquer relação com os técnicos supostamente contratados. O relatório eletrônico foi extraído em 21/01/2010 enquanto a cláusula n° III do contrato registra que "Os técnicos emitirão relatórios sobre os serviços prestados durante o mês”. Fl. 3556DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.548 3 3 A documentação apresentada como se fosse relatório de reembolso das despesas da contratante foi entregue de forma genérica sem vincular a empresa Pandurata Assessoria Comercial aos reembolsos efetuados aos empregados. Na intimação do dia 10/02/2010 questionamos a fiscalizada quanto à data de admissão dos empregados que consta na listagem geral de funcionários ser anterior a data de início da atividade da empresa e intimamos a apresentar as Fichas de Registro dos empregados. Em 26 de fevereiro de 2010 a contribuinte apresentou carta informando que os empregados foram transferidos da Pandurata Alimentos para a Pandurata Assessoria Comercial. Informou ainda que todas as determinações, aos técnicos da contratada, seriam préestabelecidas de forma verbal ou escrita pela Contratante. Apresentou documento admitindo que os técnicos deveriam emitir mensalmente relatórios sobre os serviços prestados durante o mês. No entanto, diante do elevado número de relatórios a serem produzidos decidiram por bem que os relatórios seriam gerados na forma eletrônica mensalmente de forma facilitar a análise e o desempenho das operações comerciais no que tange as obrigações da contratada, substituindo, assim, a emissão de relatório sobre serviços prestados, conforme previsto no item III do contrato celebrado em 01/09/2004. Apresentaram, um aditivo ao contrato original datado de 03/11/2004 que, segundo a contribuinte, fica ajustado a nova forma de apresentação dos relatórios. Assim como o contrato, este aditivo também não foi registrado em cartório e nos causou dúvidas quanto ao fato de não ter sido apresentado no momento oportuno, junto ao contrato original. Em 01/09/2008 foi assinado um novo contrato de prestação de serviço entre as partes reduzindo o percentual de comissão da contratada para 3,5% do faturamento excluído os cancelamentos, devoluções, anulações e exportação de vendas...” Da Sede da Pandurata Assessoria Comercial Conforme o cadastro de CNPJ a empresa PANDURATA ASSESSORIA COMERCIAL encontrase baixada por incorporação desde 21/06/2011; Em 01/10/2010, teve seu endereço alterado para a R. Fritz Reimann 628, Vila São João, Guarulhos, SP, endereço este da empresa contratante, PANDURATA ALIMENTOS LTDA. No endereço anterior, foram efetuadas diligências, conforme relato abaixo, extraídos do processo já citado, concluindose que naquele local nunca houvera empresa contratada; “Com a intenção de verificar as instalações físicas da Pandurata Assessoria Comercial, e a adequada estrutura para prestação dos serviços, comparecemos no dia 25/08/2010 no domicilio tributário da Fl. 3557DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.549 4 empresa, sito a praça Coronel Brasílio Fonseca, n° 38 sala 3 Guararema/SP, e nos deparamos com uma sala fechada. Em frente à sala n° 03 funciona o consultório dentário da Dentista Kátia Okada, que não se encontrava no momento. Perguntamos a secretária da dentista, a sra Simone Regina Rodrigues de Souza, informações a respeito do funcionamento da empresa Pandurata Assessoria Comercial e esta informou o seguinte: Que trabalha no local há 4 anos, Que não há atividade e que nunca viu ninguém na sala n° 3, que as correspondências entregues a sala 3 são encaminhadas por ela mesma ou por vizinhos á imobiliária Jodola e que nunca ouviu falar da empresa Pandurata Assessoria Comercial. No mesmo dia nos dirigimos à imobiliária Jodola CNPJ: 51.372.522/000155, que fica nas proximidades do local, e fomos recebidos pela sra. Karina Faria Panace Barbosa Gerente da Imobiliária que prestou as seguintes informações: Que ela trabalha a cerca de 10 anos como gerente da imobiliária; Que o imóvel situado a Praça Coronel Brasílio Fonseca n° 3 Centro de Guararema SP tem sua locação intermediada por sua imobiliária; Que o imóvel teve sua locação iniciada em 29/04/2004 para o locatário Massimo Bauducco CPF: 010.042.41801 e teve como fiador o SR. Luigi Bauducco CPF: 011.644.73891; Que em 04/08/2004 houve um adendo ao contrato original passando a figurar como locatário a empresa Pandurata Assessoria Comercial, inscrita no CNPJ: 06.871.946/000100; Que os contratos de locação são refeitos anualmente; Que o imóvel encontra se locado; Que apesar dos aluguéis serem pagos mensalmente, via depósito bancário, a sala encontrase fechada; Que as correspondências entregues na sala do locatário são encaminhadas para o endereço da rua Cavadas n° 847, Bairro Itapegica Guarulhos SP ou retiradas por Motoboy; Que não conhece pessoalmente nenhum representante da empresa. Foinos apresentado pela Sra. Karina os contratos de locação da referida sala comprovando suas informações. Diante da manifestação da Sra Simone e da Sra. Karina constatase que apesar da Pandurata Assessoria Comercial ser constituída com endereço em Guararema lá nunca houve atividades empresariais.” Depoimentos colhidos dos empregados de Pandurata Assessoria Comercial Ltda., oriundo da Pandurata Alimentos Ltda., conforme relato extraídos do processo 16905.000723/201017, confirmavam o fato de a empresa não ter atividades em Guararema; “De posse dos nomes dos gerentes da empresa Pandurata Assessoria Comercial ltda apresentados pela Pandurata Alimentos ltda. intimamos os Srs. Antônio César Magalhães, Marcelo de Almeida Marinho, Willian Gladstone Ribeiro Júnior, Gerson Francisco e Amauri Leite Macedo a prestar esclarecimentos quanto às empresas Pandurata Alimentos e Pandurata Assessoria Comercial. Todos foram unânimes em afirmar que foram empregados da empresa Pandurata Alimentos Ltda e que foram transferidos para a empresa Pandurata Assessoria Comercial. Afirmaram ainda desconhecer a Sede da empresa Pandurata Assessoria Comercial no Município de Guararema. Fl. 3558DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.550 5 Juntamos ao processo fiscal os depoimentos dos referidos empregados que demonstram que apesar da transferência da Pandurata Alimentos para a Pandurata Assessoria Comercial continuaram efetuando suas tarefas no mesmo local dependendo da Região Comercial que atuavam e que não houve rescisão do contrato de trabalho na transferência de uma empresa do grupo para outra.” DA COMPOSIÇÃO SOCIETÁRIA O Grupo Bauducco é formado pela empresa controladora Pandurata Participações S/A CNPJ: 02.199.409/000104, que detém 99,99% das cotas das Controladas: Pandurata Alimentos e Pandurata Assessoria Comercial. Os outros 0,01% pertencem a empresa Bedece Comércio e Participações Ltda CNPJ: 01.921.143/000107. A partir da análise dos contratos sociais apresentados pela contribuinte, das pesquisas junto aos cadastros da Receita Federal e da Junta Comercial de SP constatamos que o controle e administração das empresas estão assim distribuídos: A.l) Pandurata Participações S/A: Objeto Social: Holdings de Instituições não financeiras Sócios: LUIGI BAUDUCCO (80%), CARLA MARIA BONGIO ANNI BAUDUCCO (10%), MASSIMO BAUDUCCO (10%), A.2) Pandurata Alimentos Ltda: Sócios: PANDURATA PARTICIPAÇÕES S/A (99,99%), BEDECE COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA (0,01%); Representantes: CARLA MARIA BONGIOANNI BAUDUCCO, LUIGI BAUDUCCO, MASSIMO BAUDUCCO A.3) Pandurata Assessoria Comercial Ltda: Sócios: PANDURATA PARTICIPAÇÕES S/A (99,99%), BEDECE COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA (0,01%); Representantes: CARLA MARIA BONGIOANNI BAUDUCCO, LUIGI BAUDUCCO, MASSIMO BAUDUCCO, Como se pode perceber o controle do grupo está concentrado nos Srs. LUIGI BAUDUCCO (CPF: 011.644.73891), CARLA MARIA BONGIOANNI BAUDUCCO (CPF:194.995.23804) e MASSIMO BAUDUCCO (010.042.418 01). O responsável, pela administração da Pandurata Alimentos Ltda é o sr. Djalma Antônio D'Oliveira (CPF: 520.135.88887). Da Dissimulação A empresa Pandurata Assessoria Contábil apresenta suas DIPJ na forma de Lucro Presumido. Esta, apesar de emitir notas fiscais, apresentar declarações e efetuar recolhimentos de impostos, de fato, não existe. Ela foi criada “no papel” para tributar parte do lucro da Fl. 3559DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.551 6 Pandurata Alimentos na forma do lucro presumido, esquivandose da tributação do lucro real; De acordo com o regulamento do Imposto de Renda, a opção pelo lucro presumido é para empresas com faturamento até R$ 48.000.000,00, limite esse que não permite a opção pela Pandurata Alimentos; Com a produção dos contratos de prestação de serivços, o grupo econômico mascara o fato gerador da Pandurata Alimentos, fazendo com que o lucro desta seja diminuído quase que integralmente, enquanto que a Pandurata Assessoria Comercial sofre o encargo do IRPJ e da CSLL de forma presumida; Abaixo, segue quadro demonstrativo, ilustrando a evasão decorrente da conduta adotada pelo contribuinte: Pandurata Assessoria – Lucro Presumido Ano Receita Base lucro Presumido (32%) IRPJ CSLL (base presumida 12%) CSLL Total 2009 39.622.066,60 12.679.061,31 3.169.765,33 4.754.647,99 427.918,32 3.597.683,65 2010 3.243.406,83 3.837.890,19 3.459.472,55 5.189.208,82 467.028,79 3.926.501,34 2011 4.524.046,85 1.447.694,99 361.923,75 542.885,62 48.859,71 410.783,45 Total Geral 7.934.968,44 Tributos que deixaram de ser apurado por Pandurata Alimentos Ltda (FISCO) Ano Despesas Base IRPJ IRPJ Base CSLL CSLL TOTAL 2009 39.622.066,60 39.622.066,60 9.905.516,65 39.622.066,60 3.565.985,99 13.471.502,64 2010 43.243.406,83 43.243.406,83 10.810.851,71 43.243.406,83 3.891.906,61 14.702.758,32 2011 4.524.046,85 4.524.046,85 1.131.011,71 4.524.046,85 407.164,22 1.538.175,93 Total Geral 29.712.436,90 Evasão calculada pelo Fisco: 29.712.436,90 () 7.934.968,44 = 21.777.468,45 Segundo a doutrina e a jurisprudência administrativas, configurase como simulação o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para a exteriorização dessa vontade, ao passo que a dissimulação contém em seu bojo um disfarce, no qual se encontra escondida uma operação em que o fato revelado não guarda correspondência com a efetiva realidade, ou melhor, dissimular é encobrir o que é. Falta de Propósito Negocial No decorrer deste trabalho, embora intimado a fazêlo, o contribuinte não comprovou documentalmente a efetividade da prestação dos serviços contratados da empresa Pandurata Assessoria Comercial Fl. 3560DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.552 7 Ltda., bem como não demonstrou, através dos elementos apresentados, o propósito negocial da contratação de tais serviços; No desenvolvimento da ação fiscal anterior (processo já citado) fora apurada a falta de propósito negocial dessas operações: “As regras do novo código civil brasileiro (2002) para a análise da validade dos procedimentos de planejamento tributário em especial os arts. 50, 166, 167 e 187, aliado a cláusula antielisiva introduzida pelo parágrafo único do art. 116 do código tributário nacional permite que a autoridade administrativa desconsidere atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. De acordo com a doutrina, o Propósito Negocial é o conjunto de razões de caráter econômico (aumento de receita ou diminuição de despesa), comercial (ganho de eficiência participação no mercado), societário (reestruturação motivada por entrada ou saída de sócios ou sucessão hereditária) ou financeiro (acesso a financiamentos ou empréstimos), que justifique a operação ou procedimento (atos ou negócios jurídicos que diminuam a tributação). Conforme constatamos não houve nos negócios realizados pela fiscalizada o referido propósito negocial, haja vista que a Contribuinte não logrou comprovar via documentos, relatório ou laudos o propósito negocial da contratação de serviço de assessoramento comercial. Diante dos fatos até então apurados, intimamos a Contribuinte em 11 de novembro de 2010 a apresentar os seguintes esclarecimentos com relação a contratação do serviço da Pandurata Assessoria Comercial e obtivemos as respostas logo abaixo: 1) Com relação ao montante pago para a empresa Pandurata Assessoria Comercial Ltda, a título de prestação de serviços de assessoria comercial, explicar quanto à necessidade dos referidos serviços, já que eram prestados por empregados da Pandurata Alimentos e que foram transferidos para a Pandurata Assessoria Comercial onde os mesmos continuaram realizando as mesmas tarefas: Resposta em 18/11/2010: "Conforme Contrato Particular de Prestação de Serviços de Assessoria Comercial celebrado em 01/09/2004, o objeto da prestação de serviços de assessoria comercial dos produtos comercializados pela Pandurata Alimentos Ltda compreende basicamente: (i) reuniões com clientes, (ii) abertura de novos cliente (iii) negociações, (iv) definição de previsões mercadológicas e (v) quaisquer outros serviços definidos, relacionados com aspecto comercial do negócio. De fato, os funcionários da Pandurata Assessoria Comercial eram antigos funcionários da Pandurata Alimentos. Ocorre que após a transferência desses funcionários para a Pandurata Comercial, referidos funcionários passaram a ser empregados desta empresa, prestando serviços em seu nome (na qualidade de gerentes Fl. 3561DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.553 8 especializados na comercialização dos produtos fabricados pela Contratante Pandurata Alimentos). Tais serviços eram necessários à Pandurata Alimentos, a medida que eram empregados diretamente na comercialização de seus produtos, potencializando suas vendas e seu faturamento." A resposta da fiscalizada é vaga e demonstra não haver sentido lógico, haja vista, que o custo de manutenção dos empregados transferidos da Pandurata Alimentos era Ínfimo frente ao montante desembolsado como despesa. 2) Explicar a Racionalidade Econômica, na Pandurata Alimentos Ltda, para a contratação da Pandurata Assessoria Comercial Ltda, demonstrando os efeitos econômicos dos serviços: Resposta em 18/11/2010: "A racionalidade econômica para a contratação da Pandurata Comercial é evidente. Isto porque, conforme mencionado na resposta ao item anterior, os seus funcionários são gerentes especializados na comercialização dos produtos fabricados pela Pandurata Alimentos, nas seguintes regiões: (i) Região Norte/Nordeste; (ii) Região Centro Oeste; (iii) Região Sul. (IV) Região Sudeste; (v) Região Rio de Janeiro / Espírito Santo; (vi) Região São Paulo / Interior; e Região Grandes Redes. O produto dos serviços prestados por esses gerentes (efeitos econômicos) é demonstrado por meio do relatório desenvolvido pela área de T.I denominado "estatística de metas e valores", que serve de acompanhamento das metas estabelecidas (documentos já apresentados na presente fiscalização, nos termos do Aditivo ao Contrato Particular de Prestação de Serviços de Assessoria Comercial, de 03 de novembro de 2004).” Novamente, a contribuinte apresentou argumentos teóricos que constavam dos contratos e que não comprovam o ganho econômico para a empresa. 3) Informar quais critérios adotados para mensurar o valor dos serviços contratados junto a Pandurata Assessoria Comercial Ltda: Resposta em 18/11/2010: "Conforme já mencionado, os serviços prestados pela Pandurata Comercial eram empregados diretamente na promoção e comercialização dos produtos da Pandurata Alimentos, potencializando suas vendas e seu faturamento. Com efeito, o critério adotado para mensurar o valor dos serviços é um percentual da meta de faturamento atingida." A resposta acima da contribuinte não evidencia por meio de estudos, laudos ou documentos os critérios utilizados para quantificar o percentual que foi contratado. Respeitados os princípios constitucionais, nada impede que as empresas possam gerir seus negócios com intuito de obter maior Fl. 3562DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.554 9 economia de tributos. Há, porém, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam unicamente a redução da carga tributária o que podemos constatar no presente caso.” Das Infrações GLOSAS DE DESPESAS Despesas Não Comprovadas Pela falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados de Pandurata Assessoria Ltda., o contribuinte infringiu o disposto no artigo 299 do RIR/1999, devendo as despesas correspondentes serem glosadas e conseqüentemente diferenças de IRPJ e CSLL serem exigidos para os anos de 2009, no valor de R$ 39.622.066,60; para 2010, no valor de R$ 43.243.406,83 e para 2011, no valor de R$ 4.524.046,85; PAGAMENTOS SEM CAUSA Pela falta de comprovação das operações que motivaram os pagamentos efetuados a Pandurata Assessoria Ltda., pagamentos estes relacionados no “Demonstrativo de Pagamentos a Pandurata Assessoria Contábil Ltda., em face da não comprovação da efetividade dos serviços prestados relacionados à conduta do contribuinte, que infringiu o disposto no § 1º da Lei nº 8.981/1995, devendo sobre tais pagamentos serem exigidos o IRRF calculados sobre a base reajustada conforme § 3º do artigo 61 da Lei nº 8.981/1995; DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Considerando que a Pandurata Participações é controladora com 99,99% das cotas da empresa Pandurata Alimentos e Pandurata Assessoria Comercial Ltda., fica evidente que seu interesse nas operações criadas entre elas, apenas no papel, com vistas a mitigar a tributação do IRPJ e da CSLL, uma vez que, criando as despesas de assessoria, desloca a totalidade desses valores da tributação pelo regime de lucro real para a sistemática de apuração do lucro pelo regime de lucro presumido, na empresa criada, levando a uma evasão tributária; DA EVASÃO FISCAL E DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. De acordo com o artigo 957, II do Regulamento do Imposto de Renda, RIR 99, a multa será de 150% nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que dispõe: "Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária:..." "Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento". Fl. 3563DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.555 10 "Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72" Ou seja, resta evidenciado que o elemento dolo é presença obrigatória para a caracterização tanto da sonegação, quanto da fraude, como do conluio. E, sendo assim, conseqüentemente, o evidente intuito de fraude a que se refere o artigo 44, da Lei n.° 9430, também pressupõe a ocorrência de dolo. A simulação é um instituto de direito privado, sendo tratada no artigo 167, do Código Civil: "Art. 167 É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Parágrafo 1º: Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados ou pósdatados. O conjunto de atos e negócios jurídicos praticados pelas empresas do Grupo Bauducco, representados pelos seus sócios, envolvendo a contratação de serviço de assessoria comercial na verdade não passaram de operações fictícias, desconexas de qualquer fato real que tiveram intuito exclusivo, excluir da tributação do lucro real da Pandurata Alimentos ltda valores que deveriam ser tributados, caracterizando o "evidente intuito de fraude" pressuposto da aplicação da qualificação da multa de ofício. DA MULTA QUALIFICADA 150% Tendo em vista os fatos e documentos analisados, sujeitase o contribuinte, nos termos da legislação de regência, a multa qualificada prevista no art. 44, da Lei 9.430/1996 para o lançamento de oficio. O fato de a Pandurata Alimentos apresentar como documentação comprobatória dos serviços prestados pela CONSAT CONSULTORIA E AUDITORIA TRIBUTÁRIA LTDA e que contribuíram para a redução do lucro tributável, pareceres retirados da internet e reconhecer não saber a procedência dos referidos pareceres aliado a declaração do administrador de que o referido serviço serviu para resolver problemas que não foram devidamente informados a autoridade fiscal, evidencia a conduta dolosa de presente nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. O conjunto de atos e negócios jurídicos praticados em conluio entre a Pandurata Alimentos Ltda, Pandurata Participações S/A e a Pandurata Assessoria Comercial demonstram a intenção da fiscalizada em esconder a realidade dos fatos utilizandose de atos e negócios jurídicos, que consideramos inexistentes, para descaracterizar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Ficou caracterizado o evidente intuito de fraude definido pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Fl. 3564DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.556 11 Esses fatos, portanto, impõem a exigência de multa qualificada no lançamento ora efetuado, nos termos da legislação de regência, Lei n° 9.430, de 1996, art. 44. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o Inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Conclusão As despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real são aquelas que se encaixam nas condições fixadas no art. 299 do RIR/1999, isto é, despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora; Considerando que a empresa, regularmente intimada e reintimada a fazelo, não comprovou a efetividade da prestação de serviços tomados de Pandurata Assessoria Comercial Ltda., levando o fisco a concluir que as mesmas não ocorreram efetivamente e, por conseqüência, os pagamentos efetuados decorrentes de tais serviços não tiveram sua causa comprovada, de vendo então os valores contabilizados como despesas dedutíveis serem glosados e as diferenças de IRPJ e CSLL, bem como o IRRF serem exigidos de ofício do contribuinte. Das impugnações Foram oferecidas impugnações por todos os responsáveis tributários, bem como pelo contribuinte. Com relação a essa parte, transcrevo a parte do relatório da Delegacia de Julgamento que bem resume as peças processuais: Impugnação Pandurata Participações (responsável solidário) I – Das Razões Expostas pela Pandurata Alimentos em sua Impugnação Conforme demonstrado na impugnação da Pandurata Alimentos, a cobrança pretendida é indevida; Há duas nulidades que ensejam o cancelamento integral das autuações, quais sejam (i) vício de fundamentação, em razão da inexistência de referibilidade e coerência entre o fundamento do lançamento (inexistência da Pandurata Assessoria) e a infração apontada (despesas não comprovadas); e (ii) erro na apuração da base de cálculo, sendo que, mesmo desconsiderando a existência da Fl. 3565DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.557 12 Pandurata Assessoria, a fiscalização ignorou os tributos recolhidos e as despesas incorridas por esta sociedade, o que acarretou na iliquidez e incerteza dos autos de infração; Em um cenário de reestruturação das atividades do Grupo Pandurata, a Pandurata Alimentos celebrou contrato de prestação de serviços de assessoria comercial com a Pandurata Assessoria visando obter assessoramento comercial. Indubitavelmente, esse serviço é essencial para potencializar a venda dos produtos comercializados pela impugnante em todo o território nacional; A Pandurata Assessoria foi legalmente constituída com observância das normas de regência; apresentava todas as declarações e demais obrigações acessórias; declarava e tributava devidamente as receitas por ela auferidas de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; arcava com todas as despesas atinentes ao seu negócio, incluindo a remuneração de seus empregados e prestava assessoramento comercial à Pandurata Alimentos, serviço este essencial para potencializar vendas e o faturamento da última; É evidente a legalidade da dedução das despesas necessárias, usuais e normais na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL da Pandurata Alimentos, devidamente informadas às Autoridades Fiscais; Não existe vedação no ordenamento jurídico brasileiro que proíba a constituição de empresa apta a realizar a prestação de serviços de assessoria comercial a terceiros, nem tampouco há vedação à realização do negócio jurídico consubstanciado na celebração de contrato de assessoria comercial entre duas pessoas jurídicas, ainda que pertencentes a um mesmo grupo econômico; A constituição da empresa Pandurata Assessoria e a prestação de serviços à Pandurata Alimentos são atos lícitos e legais, para os quais se deu total publicidade, tendo sido devidamente registrados nos órgãos competentes; A opção da Pandurata Assessoria pelo lucro presumido reflete uma opção legal não podendo a autoridade fiscal contestar, ao determinar a completa desconsideração da atividade desenvolvida por tal pessoa jurídica e a conseqüente adição da despesa correspondente na determinação do lucro real e na base de cálculo da CSLL; Em processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado anteriormente contra a Pandurata Alimentos, referente às mesmas operações autuadas no presente caso (FG de 2005 a 2008), foi proferido acórdão nº 1302001.325 pelo CARF no qual se reconheceu a regularidade dos atos e negócios jurídicos praticados pela Pandurata Alimentos, bem como a legalidade da constituição da Pandurata Assessoria como uma empresa prestadora de serviços e, por conseguinte, conheceu como válida as deduções das despesas incorridas com o assessoramento comercial na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, cancelandose os autos de infração objeto daquele processo administrativo; Não restou comprovada pela fiscalização qualquer prática dolosa pela Pandurata Alimentos; não houve fraude, sonegação ou conluio Fl. 3566DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.558 13 necessários à imposição da multa agravada no presente caso, razão pela qual deve essa Turma Julgadora cancelar os lançamentos correspondentes à aplicação do percentual de 150% incidente sobre os valores glosados; Caso não se entenda pelo cancelamento, fato é que se deve considerar na apuração da base de cálculo todas as despesas incorridas pela Pandurata Assessoria na consecução de suas atividades, bem como compensar todos os tributos pagos por esta empresa; Da mesma forma, não pode prevalecer a exigência de CSLL, em razão da inexistência de previsão legal na base de cálculo da CSLL; Também espera sejam cancelados os juros de mora com base na Taxa Selic; II – Da Não Caracterização da Responsabilidade Tributária Solidária em Razão da Ausência de “Interesse Comum” A expressão “Interesse Comum” se dirige às pessoas que participaram do fato descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária; Não por outra razão, o inciso I do art. 124 do CTN determina serem solidárias as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; A condição de proximidade das partes do fato gerador não é, portanto, suficiente para se verificar a condição de interesse comum; O mero interesse fático eventual de uma determinada parte não é suficiente para caracterizar o interesse comum previsto no artigo 124, inciso I do CTN; Nesse contexto, as empresas de um mesmo grupo econômico não terão, necessariamente, interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal; Não se configura interesse comum, quando há mero interesse econômico, como equivocadamente defendido pelo fisco. Seria imprescindível para a caracterização ter o interesse jurídico; Assim, deveria ser diferenciado o interesse simplesmente convergente (financeiro) do interesse comum, que é aquele que se consubstancia quando as partes envolvidas estão situadas no mesmo pólo de uma relação jurídica de direito privado, a qual é fato gerador da obrigação tributária; Dentro de tal contexto, as empresas de um mesmo grupo econômico não terão, necessariamente, interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal; Evidenciase, portanto, que a existência de mero interesse de fato não autoriza a instauração da solidariedade prevista no inciso I do artigo 124 do CTN; Fl. 3567DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.559 14 Vale mencionar que os autos do processo nº 16095.000723/201017, ao analisar as mesmas operações objeto de questionamento no presente, não indicou devedores solidários, demonstrando que o próprio fisco já reconheceu a inexistência de subsunção dos fatos analisados às hipóteses previstas no inciso III do art. 135 e inciso I do artigo 124, ambos do CTN; Impugnação Luigi Bauducco; Massimo Bauducco e Carla Maria B. Bauducco: I – Das Razões Expostas pela Pandurata Alimentos em sua Impugnação Conforme demonstrado na impugnação da Pandurata Alimentos, a cobrança pretendida é indevida; Há duas nulidades que ensejam o cancelamento integral das autuações, quais sejam (i) vício de fundamentação, em razão da inexistência de referibilidade e coerência entre o fundamento do lançamento (inexistência da Pandurata Assessoria) e a infração apontada (despesas não comprovadas); e (ii) erro na apuração da base de cálculo, sendo que, mesmo desconsiderando a existência da Pandurata Assessoria, a fiscalização ignorou os tributos recolhidos e as despesas incorridas por esta sociedade, o que acarretou na iliquidez e incerteza dos autos de infração; Em um cenário de reestruturação das atividades do Grupo Pandurata, a Pandurata Alimentos celebrou contrato de prestação de serviços de assessoria comercial com a Pandurata Assessoria visando obter assessoramento comercial. Indubitavelmente, esse serviço é essencial para potencializar a venda dos produtos comercializados pela impugnante em todo o território nacional; A Pandurata Assessoria foi legalmente constituída com observância das normas de regência; apresentava todas as declarações e demais obrigações acessórias; declarava e tributava devidamente as receitas por ela auferidas de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; arcava com todas as despesas atinentes ao seu negócio, incluindo a remuneração de seus empregados e prestava assessoramento comercial à Pandurata Alimentos, serviço este essencial para potencializar vendas e o faturamento da última; É evidente a legalidade da dedução das despesas necessárias, usuais e normais na apuração do Lucro Real de da base de cálculo da CSLL da Pandurata Alimentos, devidamente informadas às Autoridades Fiscais; Não existe vedação no ordenamento jurídico brasileiro que proíba a constituição de empresa apta a realizar a prestação de serviços de assessoria comercial a terceiros, nem tampouco há vedação à realização do negócio jurídico consubstanciado na celebração de contrato de assessoria comercial entre duas pessoas jurídicas, ainda que pertencentes a um mesmo grupo econômico; A constituição da empresa Pandurata Assessoria e a prestação de serviços à Pandurata Alimentos são atos lícitos e legais, para os quais Fl. 3568DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.560 15 se deu total publicidade, tendo sido devidamente registrados nos órgãos competentes; A opção da Pandurata pelo lucro presumido reflete uma opção legal não podendo a autoridade fiscal contestala, ao determinar a completa desconsideração da atividade desenvolvida por tal pessoa jurídica e a conseqüente adição da despesa correspondente na determinação do lucro real e na base de cálculo da CSLL; Em processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado anteriormente contra a Pandurata Alimentos, referente às mesmas operações autuadas no presente caso (FG de 2005 a 2008), foi proferido acórdão nº 1302001.325 pelo CARF no qual se reconheceu a regularidade dos atos e negócios jurídicos praticados pela Pandurata Alimentos, bem como a legalidade da constituição da Pandurata Assessoria como uma empresa prestadora de serviços e, por conseguinte, conheceu como válida as deduções das despesas incorridas com o assessoramento comercial na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, cancelandose os autos de infração objeto daquele processo administrativo; Não restou comprovada pela fiscalização qualquer prática dolosa pela Pandurata Alimentos; não houve fraude, sonegação ou conluio necessários à imposição da multa agravada no presente caso, razão pela qual deve essa Turma Julgadora cancelar os lançamentos correspondentes à aplicação do percentual de 150% incidente sobre os valores glosados; Caso não se entenda pelo cancelamento, fato é que se deve considerar na apuração da base de cálculo todas as despesas incorridas pela Pandurata Assessoria na consecução de suas atividdades, bem como compensar todos os tributos pagos por esta empresa; Da mesma forma, não pode prevalecer a exigência de CSLL, em razão da inexistência de previsão legal na base de cálculo da CSLL; Também espera sejam cancelados os juros de mora com base na Taxa Selic; II – Da ausência de responsabilidade tributária antes de encerrada a esfera administrativa A inclusão de responsáveis no pólo passivo é exclusiva da PFN; O crédito ainda está pendente de constituição definitiva, podendo sofrer alterações; A apreciação é precária; III – Da nulidade do Termo de Responsabilidade Tributária: Falta de Motivação do Ato Administrativo No caso concreto, verificase que a imputação de responsabilidade solidária ao impugnante criou dever de pagar tributo e impôs sanção de adimplir a multa agravada imposta à Pandurata Alimentos. Por esse motivo, o respectivo termo deveria conter não só o dispositivo legal, Fl. 3569DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.561 16 mas também os fatos que levaram o fisco a concluir tal responsabilização; Não há qualquer menção do fisco no sentido de que o impugnante teria cometido atos dolosos, com excesso de poderes, infringindo a lei e os estatutos/contratos sociais das empresas pertencentes ao seu grupo econômico, capazes de fazer ensejar a aplicação da responsabilidade tributária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, devendo ser reconhecida a nulidade do Termo de Responsabilidade; IV – Da ausência de comprovação do dolo para imputação da responsabilidade tributária com fundamento no inciso III do artigo 135 do CTN A caracterização do intuito de fraude e infração à lei depende sempre de provas diretas e não presuntivas de que as operações realizadas tiveram o intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária; não houve a demonstração da ocorrência de ato doloso. V – Da ausência de identificação de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos – ausência de subsunção dos fatos à hipótese legal Em momento algum foram mencionados os pretensos dispositivos de lei ou de contrato da Pandurata Alimentos que teriam sido desrespeitados pela impugnante, nem quais atos foram praticados com excesso de poderes; No caso concreto, a autuação do impugnante, longe de extrapolar os limites traçados no contrato social da Pandurata Alimentos, apenas buscou atingir a plenitude dos objetivos estabelecidos no contrato social, na medida em que teve por finalidade otimizar os negócios da empresa; Tampouco houve infração de lei, trazendo afirmativas genéricas e que não guardavam relação com a específica tratada pelo CTN; Afirma que o entendimento esposado no CARF e na jurisprudência do STJ e STF devem ser aplicados por economia processual ao caso presente. Da Impugnação apresentada pela Interessada, Pandurata Alimentos A interessada apresentou impugnação às fls. 2.011/2.082, conforme a seguir, em síntese, reproduzo: I – Vício de Fundamentação – Inexistência de Referibilidade e Coerência entre o Fundamento do Lançamento e a Infração Apontada Em 01/09/2004, foi firmado contrato de prestação de serviços entre a impugnante e a Pandurata Assessoria Comercial Ltda. Que, na prática, houve por bem segregar as atividades de fabricação e comercialização antes concentradas exclusivamente na impugnante; Fl. 3570DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.562 17 A Pandurata Assessoria passou a ser responsável pelo assessoramento comercial com o intuito de potencializar as vendas e o faturamento da impugnante, enquanto esta passou a praticar somente a atividade de produção/fabricação; O Fisco presumiu que a prestação de serviços não foi verdadeiramente realizada pela Pandurata Assessoria, sendo que, no seu entender, tal empresa nunca existiu de fato, mas apenas no “papel” e foi constituída por meio de operações simuladas; Não há qualquer coerência entre o fundamento do lançamento e a suposta infração apontada; Se houve uma total desconsideração da existência da pessoa jurídica (Pandurata Assessoria) e das operações por ela praticadas em razão da alegada simulação, o fisco, para manter a coerência em seus argumentos, deveria ter alegado que a despesa seria inexistente e não indedutível; As contradições fiscais trazem danos irreparáveis ao lançamento. Se, de acordo com suas presunções, a Pandurata Assessoria nunca existiu de fato, como poderia a impugnante ter remunerado uma pessoa jurídica inexistente? Como pode a fiscalização cogitar que a impugnante tenha incorrido em despesas indedutíveis pagas a pessoa jurídica por ela considerada inexistente? Além da incoerência do fundamento do lançamento com a suposta infração, verificase que o fisco também alega ter ocorrido um “pagamento sem causa”, o que é objeto de outro processo administrativo. Novamente: se não existe pagamento, como pode alegar que haveria um “pagamento sem causa”? Se a Pandurata Assessoria não existe, o pagamento seria para quem? Da impugnante para ela mesma? Diante da manifesta falta de coerência entre as premissas do fisco na descrição dos fatos e nas conclusões, há vício na fundamentação, razão pela qual deve ser declarada a nulidade dos autos de infração ora combatidos; II – Erro na Apuração da Base de Cálculo – Iliquidez e Incerteza dos Autos de Infração O fisco entendeu pela ocorrência de simulação na operação de segregação de atividades praticada pelo Grupo Pandurata, asseverando que a Pandurata Assessoria ‘apesar de emitir notas fiscais, apresentar declarações e efetuar recolhimentos de impostos, de fato não existe. Ela foi criada no papel’; Porém, ao apurar o crédito tributário em apreço, o fisco não adotou o critério de apuração da base de cálculo correspondente à infração alegada; Conforme os argumentos da fiscalização, notase que, no seu entender, na realidade, não ocorreu: (i) a transferência de funcionários da impugnante para a Pandurata Assessoria; (ii) os pagamentos realizados da impugnante à Pandurata Assessoria; (iii) os gastos e as Fl. 3571DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.563 18 despesas incorridos pela Pandurata Assessoria, e tampouco (iv) o pagamento dos tributos pela Pandurata Assessoria. Tudo isso como consequência lógica da desconsideração da existência da Pandurata Assessoria; No caso, o fisco incorrera em sérios e irreversíveis erros de cálculo ao apurar os tributos supostamente devidos, o que tornam os autos de infração, originários do presente processo, nulos de pleno direito, justamente por serem desprovidos de liquidez e certeza; Para haver coerência com o fundamento do lançamento deveria o fisco ter determinado que: (i) o montante das despesas incorridas pela Pandurata Assessoria em suas atividades – não deduzido em razão de esta ser optante pelo lucro presumido – fosse considerado como incorrido e dedutível pela impugnante e (ii) os tributos apurados e recolhidos pela Pandurata Assessoria (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), inclusive aqueles retidos na fonte, fossem considerados como redutores do montante fiscal do crédito tributário lançado em face da impugnante; Ao desconsiderase a existência da Pandurata Assessoria, novamente, a impugnante passa a ser uma empresa única. III – Da comprovação da existência da “Pandurata Assessoria”/Análise das Operações efetivamente realizadas A empresa Pandurata Assessoria era efetivamente existente e possuía evidente propósito negocial, tendo exercido plenamente todos os atos em conformidade com o seu objetivo social, motivo pelo qual não merecem prosperar os autos de infração em questão; O fisco pautou o lançamento em mera presunção; A impugnante, em razão de reestruturação das atividades do Grupo em que atua, celebrou contrato de prestação de serviços de assessoria comercial com a Pandurata Assessoria visando obter assessoramento comercial, para potencializar a venda dos produtos comercializados em todo o território nacional; A impugnante obrigouse a pagar à Pandurata Assessoria um percentual sobre o faturamento da sua linha de produtos, excluindose cancelamentos, devoluções, anulações e exportação de vendas; A Pandurata Assessoria é empresa prestadora de serviços e devidamente constituída perante os órgãos competentes, a qual faz parte do mesmo grupo econômico da impugnante, Grupo Pandurata, tendo seu objeto social a prestação de serviços de assessoramento comercial e assistência técnica, dentro outras atividades; De fato, sua constituição decorreu de processo estratégico de reorganização das atividades operacionais do Grupo Pandurata, objetivando o desenvolvimento da atividade de prestação de serviços de assessoramento comercial pela Pandurata Assessoria, serviços estes que são absolutamente distintos das demais atividades desenvolvidas pela impugnante; Fl. 3572DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.564 19 O Grupo optou por segregar a sua atividade de fabricante das atividades de assessoramento comercial, por se tratarem de atividades específicas e absolutamente distintas; A Pandurata Assessoria foi responsável para auxiliar a definição de novas estratégias comerciais, dentre elas (i) prospecção de novos clientes, fidelização dos atuais e recuperação dos inativos; (ii) expansão das vendas no território nacional; e (iii) segmentação entre os vendedores, respeitando a política elaborada para cada carteira de clientes redefinida; Tal reorganização foi realizada sob total transparência e todos os atos e negócios jurídicos foram realizados em estrita observância à legislação de regência; Ainda por não estar obrigatoriamente sujeita ao lucro real durante os anos de 2009 a 2011, a Pandurata Assessoria optou por apurar e recolher o IRPJ e a CSLL em tais períodos com base no lucro presumido; A importância da Pandurata Assessoria na consecução dos negócios da impugnante pode ser demonstrada por meio da análise dos efeitos econômicos obtidos após a sua contratação, com o crescimento anual da receita bruta: (R$ mil) 2007 2008 2009 2010 2011 Receita Bruta 1.040.264 1.261.264 1.393.907 1.462.486 1.604.529 Crescimento 21% 11% 5% 10% O fisco alega que, de acordo com depoimentos de funcionários de salas vizinhas às instalações da sede da Pandurata Assessoria que não havia atividade naquele endereço, pois nunca viu os empregados da empresa no local; No entanto, em face de um trabalhador próximo à sede da empresa não ter, à época, notado funcionários adentrando ou saindo daquele endereço não poderia ser entendido, como fez o fisco, que a Pandurata Assessoria não existia de fato. Isto porque a Pandurata Assessoria era formada essencialmente por representantes comerciais, cuja principal função era a captação de novos clientes para a impugnante. Por tal razão, gastavam um tempo muito maior de trabalho fora das dependências da empresa; IV – Da Inexistência de Vedação Legal à Constituição da Pandurata Assessoria para a Prestação de Serviços à Impugnante/Impossibilidade de Ingerência do Fisco nas Atividades Empresariais do Contribuinte a) Os procedimentos adotados não afrontam qualquer norma vigente no ordenamento jurídico brasileiro, além de representarem operações devidamente fundadas em interesses de cunho comercial e operacional das partes envolvidas; b) Os serviços não só são necessários, mas fundamentais à a Afirma que os serviços prestados não são apenas necessários, mas, sim, fundamentais à atividade da Impugnante, revelando o caráter de usualidade e normalidade à despesa incorrida. E que poderseia Fl. 3573DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.565 20 constatar serem essenciais à manutenção da atividade produtora, “já que a Impugnante não contava com pessoal especializado para o desenvolvimento das tarefas comerciais necessárias à venda de seus produtos”. Julga, assim, que o negócio jurídico está revestido de substância econômica e fundado em interesse negocial. c) Da mesma forma, diz inexistir vedação legal à celebração de contrato de mútuo entre a Impugnante e a Pandurata Assessoria, nem tampouco à cessão de crédito devidamente formalizada via contrato, documentos os quais foram apontados pela fiscalização como supostas evidências do intuito das partes de fazerem retornar à Impugnante os recursos pagos a título de despesas. Acusa ter a autoridade fiscal se valido de presunção, para fundamentar as autuações em questão. Em suas palavras: “De fato, “fundamentar” a autuação na suposta vedação à operação de segregação de atividades desenvolvidas pela Pandurata Assessoria e respectiva desconsideração do negócio jurídico celebrado entre esta e a Impugnante é tarefa juridicamente impossível sob o ponto de vista da legalidade. f) Tece considerações acerca da necessidade de observância do Princípio da legalidade pela Administração Tributária, com apoio na doutrina e jurisprudência; g) Ressalta que, embora a fiscalização tenha entendido pelo intento de simulação ou dissimulação, os atos societários envolvendo a constituição da Pandurata Assessoria estão revestidos das formalidades legais (registro na Jucesp) e os negócios jurídicos por ela celebrados com a Impugnante (contrato de prestação de serviços, contrato de mútuo e cessão de crédito) foram efetivamente praticados, guardando estrita consonância com as deliberações de vontade emanadas pelas partes. h) Acrescenta, ademais, que todo o procedimento foi auditado e validado por renomada empresa de auditoria, sem qualquer ressalva, demonstrando a boafé, transparência e lisura de conduta dos administradores do Grupo, pois as empresas envolvidas não estariam sujeitas à auditoria externa, por serem sociedades limitadas. i) Diz inexistir qualquer indício ou comprovação de que os atos praticados pela Impugnante foram realizados de modo a encobrir, enganar ou impedir o conhecimento por parte do Fisco e/ou de terceiros. Afirma que todos os atos foram praticados com transparência e publicidade, representando os negócios exatamente como realizados e formalizados nos documentos competentes. E que os livros contábeis da Impugnante também refletiram todos os passos adotados para o pagamento das despesas incorridas, servindo de base para o preenchimento das DIPJ, dando pleno conhecimento dos fatos às autoridades fiscais. V – Do Exercício da Opção Fiscal de Tributação pelo Lucro Presumido da Pandurata Assessoria Fl. 3574DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.566 21 A Pandurata Assessoria recolheu seus tributos em dia, através do Lucro Presumido; A contratação da Pandurata Assessoria pela impugnante representou uma opção fiscal/legal permitida pelo ordenamento jurídico, ainda que essa opção possa ter gerado como conseqüência uma economia fiscal; VI – Da Inexistência de Simulação ou Dissimulação Não foi realizada qualquer operação com o intuito de prejudicar terceiros, nem mesmo o Fisco, não podendo, por isso, prevalecer o entendimento da fiscalização no sentido de que é a única finalidade dos atos praticados pela impugnante esconder a realidade dos fatos; Nunca quis simular a ocorrência de operações diversas daquelas que foram efetivamente realizadas com o intuito de se evitar a ocorrência do fato gerador dos tributos em questão; Em vista da operação societária de constituição da Pandurata Assessoria e do negócio jurídico consubstanciado na prestação de serviços realizado por esta em favor da impugnante, foi gerada, no máximo, uma economia tributária lícita, a chamada elisão fiscal; VII – Reconhecimento da Legitimidade/Legalidade das Operações pelo CARF Proferido em Autuação Anterior contra a Impugnante Foi reconhecido pelo CARF a regularidade dos negócios da Pandurata Alimentos, bem como a legalidade da constituição da Pandurata Assessoria como uma empresa prestadora de serviços e, por conseguinte, conheceu como válida as deduções das despesas incorridas com o assessoramento comercial na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, cancelandose os autos de infração; VIII – Da Inexistência de Sonegação, Fraude ou Conluio nas Operações Diz inexistir qualquer indício ou comprovação de que os atos praticados pela Impugnante foram realizados de modo a encobrir, enganar ou impedir o conhecimento por parte do Fisco e/ou de terceiros. Afirma que todos os atos foram praticados com transparência e publicidade, representando os negócios exatamente como realizados e formalizados nos documentos competentes. Sequer houve qualquer intenção dolosa por parte da impugnante; Foram prestadas informações e fornecidos documentos ao Fisco, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal; Todos os atos societários foram devidamente registrados e arquivados na Junta Comercial e declarados ao Fisco Federal por meio das competentes obrigações acessórias; IX – Da Necessidade de Reapuração da Base de Cálculo e da Compensação dos Tributos Pagos a) Fundamenta sua assertiva partindo da própria premissa adotada pela fiscalização, de que a prestação dos serviços teria sido mera Fl. 3575DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.567 22 ficção com o objetivo exclusivo de afastar da tributação do lucro real da Impugnante parcela de valores a ser por esta reconhecida e tributada. Assim, conclui que o crédito tributário a ser constituído “deveria representar, exclusivamente, a diferença entre o valor efetivamente recolhido pela Pandurata Assessoria e aquele que deveria ser recolhido pela Impugnante caso esta não houvesse despendido com tais serviços, sem prejuízo do aproveitamento pela Impugnante das despesas efetivamente incorridas pela Pandurata Assessoria na consecução de suas atividades típicas”. b) A corroborar sua tese, aponta a própria planilha de cálculo apresentada em anexo ao Termo de Verificação, segundo a qual a diferença de valores apurada pela autoridade fiscal representaria R$ 21.777.468,45, “sendo este o montante calculado em razão da diferença do montante de IRPJ e CSLL pago pela Pandurata Assessoria e aquele que seria pago pela Impugnante caso as operações viessem a ser desconsideradas”. c) Julga, ademais, que a diferença acima referida deveria ser ainda menor, em razão das contribuições para o Pis e a Cofins recolhidas pela Pandurata Assessoria, sob a sistemática cumulativa. Justifica a pretensão em razão de a Impugnante, embora submetida à sistemática não cumulativa, não se ter valido ou beneficiado de quaisquer créditos descontados sobre os pagamentos pelos serviços de assessoria prestados pela empresa citada, por entender que tais montantes, em razão de sua natureza, não propiciavam direito a crédito. “Assim, (...), temse nos montantes recolhidos a título de Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS como verdadeiro indébito tributário, sujeito à compensação/restituição integral”. d) O Fisco ainda considerou no cálculo do crédito tributário o montante das despesas não deduzidas pela Pandurata Alimentos por força de sua opção pelo Lucro Presumido, despesas essas que seriam plenamente dedutíveis se tivessem sido incorridas diretamente pela impugnante, em vista da desconsideração da prestação de serviços realizada pela Pandurata Assess; (...) e) Se a Pandurata Assessoria foi descaracterizada pelo Fisco a impugnante teria direito à dedutibilidade do montante correspondente à despesas por ela incorridas, já que essas passariam a ser, portanto, incorridas em nome próprio. f) Acusa que não tendo sido adotada referida prática pela autoridade fiscal tal fato contribui para a iliquidez e incerteza dos lançamentos impugnados, dado o erro na determinação da base tributável, importando a “nulidade” da exação, por força do disposto no art. 3º e 142 do CTN. g) Para justificar a nulidade arguida, expressa o entendimento de ser apenas a autoridade lançadora aquela a qual tem competência para determinar a matéria tributável e efetuar o cálculo do montante do tributo devido, de forma clara e certa. E que o ato administrativo do lançamento não pode conter em seu conteúdo qualquer discricionariedade, pois a constituição do crédito tributário não pode Fl. 3576DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.568 23 se basear em critérios de conveniência ou oportunidade da Administração. Afirma que a certeza quanto ao montante exigido é intrínseca ao lançamento tributário, consoante doutrina trazida à colação, bem como consoante artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. X Da Inexistência de Previsão Legal para Adição à Base de Cálculo da CSLL de Despesas Consideradas Indedutíveis pelo Fisco a) Em outra frente de defesa, acusa a falta de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, de despesas consideradas indedutíveis. Alega que, “muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para ela existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais, nem sempre, são as mesmas aplicáveis ao IRPJ”. Busca os dizeres do art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, concluindo que a única adição permitida ao resultado do exercício, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, corresponde ao resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. Acusa não ser possível atribuir à CSLL as mesmas regras de adições e exclusões previstas para o IRPJ, quanto à dedutibilidade de despesas, pois o que existe de comum entre os “tributos” são apenas as mesmas regras de apuração e pagamento. Cita jurisprudência administrativa (Ac. 10707610, Ac. 10196056 e Ac. 10194286). XI – Da Impossibilidade de Desconsideração dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL e dos Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa da CSLL Ao recompor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL o fisco considerou que a impugnante não possuía saldos negativos de IRPJ e CSLL, pois estes foram objeto de PER/DCOMP e saldos de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, uma vez que já haviam sido objeto de compensação de ofício em decorrência de exigências fiscais, consubstanciadas em processos administrativos anteriormente constituídos; Entretanto, com relação aos saldos negativos de IRPJ e CSLL não utilizados de ofício, devese mencionar que os PER/DCOMP ainda não foram homologados, razão pela qual não se pode certificar que a impugnante efetivamente não possui tais valores passíveis de aproveitamento no momento da lavratura do lançamento de ofício; Ademais, devese frisar em caso de não homologação de compensações a multa aplicada contra a contribuinte é de 20%; enquanto que nos casos de lançamento de ofício a multa é de 75% ou 150% (como no presente caso), motivo pelo qual é mais benéfico à impugnante que tais saldos sejam utilizados de ofício na apuração do crédito tributário supostamente devido; Ainda, com relação aos saldos de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL, não se pode concordar com o argumento do fisco para “zerar” os saldos da impugnante, uma vez que o mencionado processo administrativo encontrase pendente de decisão administrativa, de Fl. 3577DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.569 24 modo que os créditos tributários objeto dos referidos processos encontramse suspensos por força do art. 151, inciso III do CTN; E mais, o processo administrativo nº 16095.000723/201017, citado pela fiscalização para a não utilização dos referidos saldos é justamente o processo administrativo em que a impugnante obteve decisão favorável no CARF; Desta feita, demonstrada a existência de saldos negativos de IRPJ e CSLL e de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL que não foram utilizados pelo fisco para compensação de ofício com as exigências ora constituídas, impende concluir que o presente crédito não preenche os requisitos de liquidez e certeza em conformidade com o artigo 142 do CTN, demandando, por conseguinte, a constatação de nulidade do lançamento; XII – Da Ilegalidade da cobrança dos Juros sobre Multa Passa a questionar a cobrança de juros de mora sobre a multa aplicada, por absoluta falta de previsão legal; Diz que o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre os tributos. E que não se pode confundir os conceitos de tributo e multa, dado que esta última é penalidade pecuniária, não se subsumindo à hipótese prevista no art. 3º do CTN, entendimento este corroborado pelas disposições do art. 113 do mesmo diploma legal; Nesse contexto, julga que a incidência de juros sobre a penalidade desrespeita o princípio constitucional da legalidade, previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal; Reitera que a atividade administrativa é vinculada à lei, sendo vedado extrapolar os limites delineados pelo legislador. Apresenta jurisprudência a validar a sua tese (Ac. 10196523, Ac. 10516754, Ac. 20178718 e Ac. CSRF/0203133); Contrapõese, inclusive, ao entendimento de que a referida cobrança de juros sobre a multa estaria amparada pelo art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, “já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos”. Mais uma vez se socorre da jurisprudência administrativa (Ac. 103 23566); Encerra requerendo sejam acolhidas as razões de defesa apresentadas, com a conseqüente improcedência das autuações. Do contrário, requer a exoneração da multa “agravada”, pois demonstrada a inexistência de dolo/fraude. Com relação aos valores quitados pela Impugnante, requer a extinção do correspondente crédito tributário e baixa no sistema da RFB; Da Decisão Recorrida e do Recurso de Ofício Fl. 3578DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.570 25 A Delegacia de Julgamento deu provimento parcial aos recursos nos seguintes termos (fls. 2.7332.796): a) não acatou nenhuma das preliminares de nulidade da autuação em razão de ter havido qualquer irregularidade sob o aspecto formal, bem como inexistiu qualquer prejuízo que maculasse o direito de defesa dos sujeitos passivos; b) com relação à glosa das despesas, consignou que a sua comprovação é o primeiro requisito para a sua escrituração; ademais, devem contribuir para a manutenção das fontes de rendimentos. Sob esse último aspecto, as despesas de "Pandurata Assessoria" não poderiam ser reconhecidas como despesas de "Pandurata Alimentos". c) discorre vastamente discorrer sobre temas doutrinários acerca do planejamento tributário abusivo, bem como analisa com profundidade os fatos descritos pela autoridade fiscal para concluir que ficou evidenciado o artifício usado de, por meio de forma lícita de constituição de empresa e de celebração de contratos, simular um propósito negocial a justificar as despesas incorridas, propósito este o qual, além de não se justificar economicamente perante quem realizou a despesa, revelouse apenas aparente, configurando veículo para transferência de receita para uma tributação mitigada; d) Como as duas empresas operavam como se fossem uma só, devem ser considerados os tributos confessados em DCTF pela "Pandurata Assessoria" para fins de reduzir o montante lançado em "Pandurata Alimentos"; e) Por outro lado, não devem ser consideradas as despesas incorridas por "Pandurata Assessoria", uma vez que essas já são consideradas de forma presumida na apuração da base de cálculo pelo lucro presumido; f) no tocante ao pleito de restituição do PIS/Cofins pagos por "Pandurata Assessoria", tratase de matéria estranha ao presente feito; g) ficou caracterizado o evidente intuito de fraude e, portanto, deve ser mantido o percentual qualificado da multa; h) manteve a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, uma vez que esta compõe o crédito tributário lançado; i) com relação à glosa se refletir também na base de cálculo da CSLL, entendeu a decisão recorrida que o fundamento foi não comprovação de despesas; j) no tocante ao aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas, negou o pedido em razão da decisão favorável no processo administrativo nº 16095.000723/201017, esta decisão ainda não é definitiva na esfera administrativa; h) manteve a responsabilidade tributária de todos os sujeitos passivos ao rechaçar os argumentos apresentados. Em relação à parte em que deu provimento à impugnação, recorreu de ofício. Dos Recursos Voluntários Fl. 3579DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.571 26 O contribuinte Pandurata alimentos apresentou recurso voluntário às fls. 3.0533.159, por meio do qual reiterou as seguintes questões suscitadas já na oportunidade da impugnação: a) Nulidade do lançamento por (i) vício de fundamentação e (ii) erro na apuração da base de cálculo; b) Comprovação da existência da "Pandurata Assessoria"; c) Não existência de vedação à criação da "Pandurata Assessoria" para prestar serviços a "Pandurata Alimentos" e impossibilidade de ingerência do Fisco nas atividades empresariais; d) Possibilidade de exercício da opção fiscal pelo lucro presumido; e) Não ocorrência de simulação ou dissimulação; f) decisões do CARF favoráveis à contribuinte sobre os mesmos fatos; g) inaplicabilidade da multa qualificada pela inexistência de sonegação, fraude ou conluio; h) inaplicabilidade da multa no caso de dúvida; i) proibição de confisco; j) necessidade de dedução de todos os tributos e despesas incorridas por "Pandurata Assessoria"; k) inexistência de previsão legal para adição das despesas à base de cálculo da CSLL; l) ilegalidade da exigência de juros sobre a multa. Ademais, suscitou também a nulidade da decisão recorrida por inovações e incongruência no julgamento. Nesse ponto, aduziu que a DRJ, em boa parte da decisão recorrida, reproduziu de forma desordenada e contraditória doutrina e jurisprudência sobre diversos temas sem fazer a devida correlação com o caso concreto, o que comprova o prejuízo para a defesa a suscitar a nulidade da decisão recorrida. O responsável tributário sr. Luigi Bauducco apresentou recurso voluntário às fls. 2.8322.863, por meio do qual reiterou as seguintes razões: a) fez referência expressa às razões apresentadas pela "Pandurata Alimentos"; b) ausência de atribuição de responsabilidade antes de encerrada a esfera administrativa; c) nulidade do termo de responsabilidade por ausência de fundamentação; Fl. 3580DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.572 27 d) não comprovação do dolo a ensejar a aplicação da responsabilidade prevista no inciso III, art. 135 do CTN; e) ausência de comprovação dos atos que praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social e estatuto; f) princípio da pessoalidade da pena: a pena não pode passar da pessoa do condenado; Por fim, o responsável tributário Pandurata Participações apresentou recurso voluntário às fls. 2.9432.969, por meio do qual teceu as seguintes considerações: a) fez referência expressa às razões apresentadas pela "Pandurata Alimentos"; b) ausência de atribuição de responsabilidade antes de encerrada a esfera administrativa; c) ausência da demonstração do interesse comum a ensejar a imputação de responsabilidade; d) princípio da pessoalidade da pena: a pena não pode passar da pessoa do condenado; Já os responsáveis tributários Massimo Bauducco e Carla Maria Bongioanni Bauducco, apesar de regularmente intimados da decisão de primeiro grau (ARs, às fls. 2823 e às fls. 2.829), não apresentaram recurso voluntário. Das Contrarazões A D. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 3.506 3.550, mediante as quais reiterou pontos da acusação fiscal. Da decisão em processo correlato Conforme relatado acima, os mesmos fatos ensejaram também o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Esse lançamento não foi aqui formalizado, mas sim, conforme pesquisa que empreendemos no eprocesso, no processo administrativo nº 16095.720176/201413, em relação ao qual foi recentemente proferido o Acórdão nº 2202 003.485, em 16/08/2016. É o relatório do essencial. Fl. 3581DF CARF MF Processo nº 16095.720175/201479 Resolução nº 1401000.431 S1C4T1 Fl. 6.573 28 VOTO Preliminarmente, devemos analisar o pedido de aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas e a prejudicialidade do presente feito em face do julgado no processo administrativo nº 16095.000723/201017. Com relação a esse ponto, a Delegacia de Julgamento assim se manifestou: E no que pertine a valores de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL relativos a períodos anteriores, tendo em conta a reversão no CARF do decidido pela antiga DRJ/CPS no processo nº 16095.000723/2010 17, vale dizer que os autos ainda se encontram na PFN, após o resultado dos embargos de declaração, podendo, ainda, ser objeto de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais do mesmo Conselho Administrativo, razão pela qual não há que se retocar o lançamento ora efetuado nos presentes autos. Ao analisarmos o andamento daquele processo, constatamos que a Procuradoria da Fazenda Nacional ofereceu recurso especial contra a decisão que deu provimento integral ao recurso voluntário, recurso este conhecido mas ainda pendente de apreciação. Em razão da relação de prejudicialidade entre os dois feitos, voto para SOBRESTAR o presente processo até que seja proferida decisão definitiva relativa ao processo nº 16095.000723/201017. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Fl. 3582DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001610/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/07/2003 a 31/12/2005
Ementa:
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ EM VIRTUDE DE AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO DE AÇÃO JUDICIAL. INSUFICIÊNCIA.
A simples existência de ação judicial discutindo o direito de crédito, ainda sem trânsito em julgado, não é motivação suficiente para o agravamento da multa de ofício em relação aos débitos decorrentes, por ausência de certeza e liquidez. Há que restar configurada especificamente uma das condutas referidas nos artigos 71 a 73 da Lei no 4.502/1964.
Numero da decisão: 3401-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/07/2003 a 31/12/2005 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ EM VIRTUDE DE AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO DE AÇÃO JUDICIAL. INSUFICIÊNCIA. A simples existência de ação judicial discutindo o direito de crédito, ainda sem trânsito em julgado, não é motivação suficiente para o agravamento da multa de ofício em relação aos débitos decorrentes, por ausência de certeza e liquidez. Há que restar configurada especificamente uma das condutas referidas nos artigos 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 16 10 /2 00 8- 18 Fl. 503DF CARF MF 2 Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 380 a 3991, com ciência ao sujeito passivo em 18/07/2008 (fl. 381), para exigência de imposto sobre produtos industrializados (IPI), por utilização indevida de créditos referentes "a aquisição de insumo e matériaprima isenta, não tributada ou tributada com alíquota zero", no período de 20/07/2003 a 31/10/2005 (valor original de R$ 7.722.604,11), acrescido de juros de mora e de multa de ofício de 150%. No Relatório da Atividade Fiscal (fls. 371 a 379), narra a fiscalização que: (a) intimada a empresa a comprovar a origem de créditos de IPI escriturados referentes a aquisições isentas, não tributadas e tributadas à alíquota zero, a resposta foi de que tais créditos estavam assegurados por ação judicial (Apelação Cível no 2000.04.01.0766042/PR e RE no 502.260/PR); (b) tais ações ainda estão judicialmente tramitando, havendo interposição de Recurso Extraordinário pela Fazenda Nacional, e o STF já se pronunciou, revertendo decisão proferida no TRF4, e negando o direito ao crédito na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e não tributados, e já pacificou o entendimento em seu tribunal pleno, não sendo o crédito líquido e certo; (c) a empresa já havia utilizado créditos idênticos em compensações, que foram consideradas não declaradas ou não homologadas, por derivarem de ações judiciais sem trânsito em julgado; (d) o "modus operandi" consistia em indicar parte dos créditos na própria escrituração, e outra parte em compensações, com pagamentos residuais via DARF; e (e) a qualificação da multa se deve aos artigos 71 e 72 da Lei no 4.502/1964 (sonegação e fraude). A empresa apresenta Impugnação em 11/08/2008 (fls. 411 a 416), argumentando, em síntese, que: (a) efetuou os registros correspondentes em sua escrita fiscal e transmitiu as DCOMP, não havendo que se falar em fraude; (b) a lei que dobra o valor da multa aplicada é de 2007 (Lei no 11.488/2007), não podendo ser aplicada aos fatos narrados na autuação, que abrangem o período de 2003 a 2005; (c) no caso em análise, o fato gerador já havia ocorrido e o pedido de compensação e registros, portanto, não se referiam à sua ocorrência, ou ao retardamento da ciência desta ocorrência; (d) sendo a multa de 75% aplicável, devese abrir novo prazo de impugnação para que a empresa possa eventualmente utilizar dos benefícios de redução da multa; (e) ao efetuar as declarações, a empresa o fez diante da decisão final ocorrida no tribunal local que reconheceu o direito de crédito, devendo, em caso de manutenção da glosa, se aplicada somente a atualização e a multa de mora, sendo confiscatória a multa de 150%; e (f) diante da questão submetida a juízo, o procedimento fiscal sequer deveria ter sido instaurado, ou, ainda que instaurado, deveria ficar sobrestado. Em 24/11/2008 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 429 a 433), no qual se decide unanimemente pela parcial procedência do lançamento, sob os seguintes fundamentos: (a) não havia qualquer medida judicial que impedisse a lavratura do auto de infração, e nem mesmo qualquer razão para suspender a exigibilidade do valor lançado, sendo que, à data de lavratura da autuação, já vigorava a Decisão do STF relativa ao Recurso Extraordinário impetrado pela Fazenda, que negou o direito ao crédito por parte da empresa; (b) a discussão administrativa sobre crédito em relação a insumos não onerados pelo IPI possui o mesmo objeto da matéria submetida ao Poder Judiciário, aplicandose o entendimento 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10925.001610/200818 Acórdão n.º 3401003.285 S3C4T1 Fl. 504 3 previsto no ADN COSIT no 03/1996, sendo a propositura da ação judicial óbice à analise administrativa do mesmo tema; (c) não há motivação suficiente para o agravamento da multa de ofício ao patamar de 150%, e nem para a reabertura de prazo em caso de manutenção da multa em 75%; e (d) não cabe ao julgador administrativo se manifestar sobre a constitucionalidade de norma legal vigente. Em razão do montante exonerado, há interposição de Recurso de Ofício. Cientificada do acórdão da DRJ em 16/03/2009 (AR à fl. 442), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 11/03/2009 (fls. 443 a 454), basicamente reiterando as alegações expostas em sua impugnação, e agregando que seria necessário refazer a autuação, para que pudesse a recorrente gozar da redução da multa, e que nem mesmo a multa de 75% é aplicável, em face da existência de decisão judicial favorável. Em 26/02/2010 a empresa apresenta desistência total do recurso voluntário interposto, tendo em vista a adesão ao parcelamento instituído pela Lei no 11.941/2009 (fl. 458). À fl. 500 a unidade local informa que os débitos referentes ao recurso voluntário foram transferidos para outro processo, restando nestes autos somente a pendência de apreciação, pelo CARF, do recurso de ofício. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso de ofício apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Cabe a este tribunal administrativo, em função do relatado, manifestarse somente sobre o recurso de ofício, em razão de a DRJ ter afastado o agravamento da multa, reduzindoa de 150% para 75%, visto que não foi devidamente caracterizada nenhuma das condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, nesse tema, não merece aparas a decisão de piso. Quer fazer parecer o autuante que a existência de ação judicial discutindo o mesmo objeto, com decisão ainda não definitiva, maculando a liquidez e a certeza do crédito seria elemento que levaria à conclusão pelo dolo. Vejase excerto do relatório fiscal, às fls. 377/378, no qual se sustenta o porquê do agravamento da multa: Os fatos relatados até aqui já sã(o) indícios suficientes para caracterizar intuito de fraude da /fiscalizada, principalmente no que concerne à inserção de informação falsa em sua contabilidade (utilização de crédito de IPI aparentemente válido, mas que, conforme já relatado, está totalmente desprovido/ de liquidez e certeza). De qualquer modo, para reforçar ainda mais Fl. 505DF CARF MF 4 sua atitude, em tese, fraudulenta, cabem ainda outras ponderações. No caso dessa auditoria, por ter utilizado indevidamente créditos de IPI provenientes da aquisição de insumos e matérias primas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero, todos sujeitos a ulterior análise da autoridade tributária, a empresa fiscalizada o fez, em tese, com evidente intuito de fraude, porque: o seu ato se revestiu de aparência legal (ocorreu normalmente a escrituração dos créditos e a consequente diminuição do saldo devedor de IPI) ; entretanto, na verdade, esses créditos são totalmente desprovidos de certeza e liquidez, uma vez que estão vinculados a ação judicial não transitada em julgado; o ato de se utilizar desses créditos é de sua conveniência (caso a autoridade fazendária não iniciasse procedimento de fiscalização em questão, a empresa não recolheria o tributo devido, só que sem o amparo legal). Ao que parece, confunde a fiscalização ausência de certeza e liquidez sobre o crédito com certeza da inexistência do crédito. Não se tem dúvidas de que se a empresa, ao efetuar as compensações, alegasse que o crédito advinha de ação judicial que já soubesse ter transitado em julgado em seu desfavor, estaria agindo com dolo, sendo cabível a majoração da multa. Mas não é esse o caso. Não se tem certeza sobre a existência e sobre a liquidez do crédito, e isso é diferente de se ter certeza de sua inexistência. Hoje, após o trânsito em julgado (em 09/05/2012) do RE no 420.353/PR, originado da Apelação Cível no 2000.04.01.0766042/PR, sabese que o Poder Judiciário definiu que a empresa "não tem direito ao aproveitamento de créditos do IPI, presumidamente gerado pela aquisição de insumos sob o regime de nãotributação ou sujeito à alíquota zero". Mas nem isso se sabia, em definitivo, à época. Que seria do agravamento da multa, por exemplo, se o trânsito em julgado da ação judicial fosse totalmente favorável à recorrente? Ela teria cometido uma fraude ao invocar crédito que de fato possuía? Pensamos que não. E, por isso, acordamos com a DRJ de que as razões alegadas pela fiscalização para majoração da multa são insuficientes para que se evidencie dolo na conduta da empresa, ou uma das características demandadas para enquadramento nos artigos 71 a 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. Diante do exposto, voto no sentido de dar negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10925.001610/200818 Acórdão n.º 3401003.285 S3C4T1 Fl. 505 5 Fl. 507DF CARF MF
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