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Numero do processo: 19515.004114/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
1. A autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social.
2. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização.
3. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA.
Como se conclui pela leitura do art. 7º, inc. XI, da Constituição Federal, a norma é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para desvincular, da remuneração, a participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário-de-Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDOS SEM AUTENTICAÇÃO.
A Lei 10101/2000 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDO VIA COMISSÃO PARITÁRIA. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO.
A recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei 10101/2000, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
1. A clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios comportamentais, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva.
2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. VERIFICAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS.
O sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS. LANÇAMENTO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO.
Como esclarecido no relatório fiscal, as gratificações especiais foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. INCRA E SEBRAE. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO. INCRA. EXIGIBILIDADE DE EMPRESAS URBANAS. PRECEDENTES DO STJ. SEBRAE. EXIGIBILIDADE DE EMPRESAS QUE EXERCEM ATIVIDADE ECONÔMICA. PRECEDENTES DO STF.
1. Não se pode acolher a tese de que as contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE seriam inconstitucionais.
2. Este Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária, diante do óbice retratado na Súmula CARF nº 2.
3. O STJ, em sede de recurso repetitivo, firmou o entendimento de que as contribuições ao INCRA são também devidas pelas empresas urbanas.
4. O STF vem reiteradamente afirmando que a contribuição ao SEBRAE tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, igualmente asseverando ser ela devida pelas empresas que exercem atividade econômica, não sendo necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados.
Numero da decisão: 2402-006.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade, para, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência para as contribuições cujos fatos geradores tenham ocorrido em competências anteriores a agosto de 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social. 2. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. 3. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. Como se conclui pela leitura do art. 7º, inc. XI, da Constituição Federal, a norma é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para desvincular, da remuneração, a participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário-de-Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDOS SEM AUTENTICAÇÃO. A Lei 10101/2000 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDO VIA COMISSÃO PARITÁRIA. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. A recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei 10101/2000, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. 1. A clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios comportamentais, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva. 2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. VERIFICAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS. O sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS. LANÇAMENTO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. Como esclarecido no relatório fiscal, as gratificações especiais foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. INCRA E SEBRAE. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO. INCRA. 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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social. 2. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. 3. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 14 /2 00 8- 12 Fl. 542DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. Como se conclui pela leitura do art. 7º, inc. XI, da Constituição Federal, a norma é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para desvincular, da remuneração, a participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de SaláriodeContribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDOS SEM AUTENTICAÇÃO. A Lei 10101/2000 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. ACORDO VIA COMISSÃO PARITÁRIA. NECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. A recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei 10101/2000, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. 1. A clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios comportamentais, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva. 2. A psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. PLR. VERIFICAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS ACORDOS COLETIVOS. O sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 3 3 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS. LANÇAMENTO EM OUTRO AUTO DE INFRAÇÃO. Como esclarecido no relatório fiscal, as gratificações especiais foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. INCRA E SEBRAE. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO. INCRA. EXIGIBILIDADE DE EMPRESAS URBANAS. PRECEDENTES DO STJ. SEBRAE. EXIGIBILIDADE DE EMPRESAS QUE EXERCEM ATIVIDADE ECONÔMICA. PRECEDENTES DO STF. 1. Não se pode acolher a tese de que as contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE seriam inconstitucionais. 2. Este Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária, diante do óbice retratado na Súmula CARF nº 2. 3. O STJ, em sede de recurso repetitivo, firmou o entendimento de que as contribuições ao INCRA são também devidas pelas empresas urbanas. 4. O STF vem reiteradamente afirmando que a contribuição ao SEBRAE tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, igualmente asseverando ser ela devida pelas empresas que exercem atividade econômica, não sendo necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 544DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade, para, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência para as contribuições cujos fatos geradores tenham ocorrido em competências anteriores a agosto de 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 4 5 Relatório A fiscalização lavrou o seguinte Auto de Infração (AI) DEBCAD em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.159.2593, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, parte da empresa, destinadas a terceiros (INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE). O fato gerador das contribuições foi o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados PLR em desacordo com a lei. No transcorrer da fiscalização, o sujeito passivo apresentou dois diferentes acordos para duas categorias distintas: (a) Acordo de Participação nos Resultados Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes; (b) Acordo Coletivo de Trabalho Categorias Horistas e Mensalistas. Em resumo, teriam sido descumpridos os seguintes requisitos legais: (a) Acordo de Participação nos Resultados Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes não existe acordo para a PLR paga em 2005; o acordo de 2004 só tem as assinaturas de um representante da empresa e de um representante dos empregados; com exceção do acordo de 2003, os demais foram entregues sem autenticação; os acordos não foram objeto de negociação, uma vez que não foram apresentadas as atas de reuniões e de eleições das comissões de empregados; não houve a participação de um representante indicado pelo sindicato; não foi demonstrado que os acordos foram arquivados nos sindicatos, mas apenas que houve requerimento; os acordos foram assinados após o período de aferição dos resultados; os acordos não têm regras claras e objetivas; (b) Acordo Coletivo de Trabalho Categorias Horistas e Mensalistas o único acordo original foi do ano de 2005; Fl. 546DF CARF MF 6 o acordo de 2002, apresentado em duas cópias, contém uma versão com a data de julho de 2002, mas sem as assinaturas do sindicato e da comissão; a outra assinada, mas sem data; o acordo de 2003 não está assinado pelo sindicato; o acordo de 2004 não está assinado pela comissão de negociação; apesar de o acordo ter estipulado regras objetivas, conforme determina a lei, não foi possível a verificação do cumprimento do acordado; alguns empregados receberam quantias acima do estipulado; todos os acordos foram assinados após o período de aferição. Desta forma, a fiscalização concluiu que as parcelas pagas a título de PLR não seriam "isentas". A existência de Gratificação Especial, contabilizada em conta de PLR, foi lançada no Auto de Infração 37.095.5650, que não integra este processo e nem os seus apensos. A contribuinte apresentou sua impugnação tempestivamente (cujos fundamentos são idênticos aos do seu recurso voluntário), a qual foi julgada improcedente pela DRJ em decisão assim ementada: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula n° 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas Seguridade Social, na hipótese de inexistência de pagamento utilizase a regra geral do art. 173 do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS: Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a titulo de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a Lei n°10.101/2000. INCRA. Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico. São devidas por todas as empresas, independente do tipo de atividade, as contribuições sociais destinadas ao INCRA, criado pelo Decreto Lei n° 1.110/70 com amparo na Lei n° 2.613/55, no DecretoLei n° 1.146/70 e na Lei Complementar n° 11/71, cuja legislação foi recepcionada pelo art. 149 da CF/88. SEBRAE. A contribuição devida ao SEBRAE está vinculada a uma atividade essencialmente social, cujo beneficiário é, em última análise, a coletividade como um todo, não se concebe que a obrigação em pagálas, pelo sujeito passivo, pressuponha qualquer tipo de contraprestação, direta ou indireta. As contribuições destinadas aos serviços sociais autônomos foram recepcionadas pela CF/88, devendo ser pagas por todas as empresas à vista do princípio da solidariedade social. PEDIDO DE PERICIA. A perícia solicitada pela empresa deve expor os motivos que a justifique, com a formulação dos quesitos Fl. 547DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 5 7 referente aos exames desejados, considerando não formulado o pedido que não preenche o disposto no art. 16, IV do Decreto 70.235/72. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas exceções do art.16, §4ºdo Decreto n° 70.235/72. INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. Ê descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicilio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4º do art. 23 do Decreto 70.235/72. (como no original) Intimada da decisão em 08/06/2009, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 07/07/2009, no qual reafirmou as seguintes teses de defesa: (a) nulidade do Auto de Infração; (b) os PLRs estabelecidos para os períodos de 2002 a 2005 atendem plenamente a norma constitucional; (c) tendo em vista que os pagamentos efetuados a título de PLR gozam de imunidade constitucional, nem mesmo seria necessária a existência de acordo; (d) as empresas e os empregados têm a faculdade de se utilizar dos critérios legais para a confecção do plano (índices de produtividade, qualidade ou lucratividades; programas de metas, resultados e prazos); (e) não obstante, as regras foram devidamente cumpridas; (f) enumerou todos os requisitos legais que teriam sido observados; (g) a fiscalização e a DRJ incorreram em formalismo exacerbado e lesaram o espírito da norma; (h) as regras gerais foram acordadas entre a recorrente e seus empregados, ainda que não tenham sido formalizadas antes dos períodos aquisitivos; (i) os acordos foram firmados previamente aos pagamentos; (j) todos os acordos de PLR tiveram a participação e a anuência do sindicato, conforme doc. 05 da impugnação; (k) os PLRs relativos aos horistas e mensalistas foram firmados em papel timbrado do sindicato; Fl. 548DF CARF MF 8 (l) a lei não obriga a confecção de documentos tais como ata de eleição de comissão e ata da reunião de PLR; (m) juntamente com o pagamento de PLR, a recorrente efetuou o adimplemento de gratificação especial a certo empregados. Por equívoco, contabilizou tal procedimento como PLR, mas isso não significa que alguns funcionários tenham recebido valores maiores a título de participação. Alega, ainda, que efetuou o recolhimento de contribuições sobre as gratificações; (n) os pagamentos a título de PLR não se confundem com remuneração; (o) as empresas e os empregados podem tomar livremente por base ou referencial os critérios e elementos que quiserem para estabelecer, nos acordos coletivos, a participação dos empregados; (p) o prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos contados do fato gerador, de forma que, como o lançamento ocorreu em 25 de agosto de 2008, os créditos tributários relativos aos fatos geradores compreendidos entre janeiro de 2003 e agosto de 2003 estão decaídos; (q) houve recolhimento parcial das contribuições devidas, o que pode ser facilmente verificado em consulta ao sistema da Receita; (r) as contribuições ao INCRA e ao SEBRAE seriam inconstitucionais; (r) há impossibilidade jurídica de uma empresa de atividades exclusivamente urbanas, empregadora apenas de trabalhadores urbanos, submeterse à cobrança de uma contribuição destinada à previdência social rural; (s) as contribuições destinadas ao SEBRAE têm como sujeito passivo apenas as micro e pequenas empresas. Em 29/03/2011, a recorrente requereu a juntada aos autos do Acordo de Participação nos Resultados do ano de 2004, assinado e ratificado pelas partes envolvidas. Em sessão de julgamento realizada em 19 de março de 2014, o julgamento do feito foi convertido em diligência, a fim de que a autoridade administrativa informasse se houve recolhimentos, ainda que parciais, de contribuições nos períodos de apuração em referência, ainda que não relativos às rubricas especificamente exigidas no Auto de Infração. Através de informação fiscal, a autoridade asseverou que houve recolhimentos parciais para as competências incluídas no débito, referente ao estabelecimento matriz e filial 000608. Intimada, a recorrente reafirmou a decadência dos créditos relativos aos fatos geradores anteriores a setembro de 2003. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade do Auto de Infração A recorrente afirma que o Auto de Infração seria nulo, porque a fiscalização teria falhado em seu dever de busca pela verdade material. Contudo, a autuação está baseada no entendimento, da autoridade fiscal, de que o sujeito passivo, ao descumprir os termos da Lei da PLR, não seria "isento" do pagamento das contribuições devidas à seguridade social. Segundo se depreende do relatório fiscal, a desvinculação da PLR da remuneração estaria atrelada à observância de requisitos específicos traçados na legislação, os quais teriam sido descumpridos, dando azo à exigibilidade das contribuições devidas à seguridade social, incidentes sobre as remunerações pagas àquele título. A acusação fiscal arrolou de forma clara todos os fatos e fundamentos que ensejaram a desconsideração dos acordos, tais como a alegada ausência de negociação dos planos, a falta de participação do sindicato, a inexistência de acordos prévios, etc, não tendo havido qualquer omissão quanto à busca da verdade real. Por outro lado, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a autuação foi devidamente motivada e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Ou seja, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa da recorrente, rejeitandose, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. 3 Da decadência Ainda que ao final de seu recurso, a recorrente suscita outra tese de natureza preliminar (decadência parcial), a qual deve ser enfrentada antes do mérito (art. 938 do CPC). Fl. 550DF CARF MF 10 O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou art. 173, inc. I, ambos do Código Tributário Nacional) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Aplicável ao caso concreto, deve ser citada a seguinte súmula: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Eis o entendimento do STJ, em sede de recurso repetitivo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 551DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 7 11 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) No caso vertente, a existência de recolhimentos parciais está corroborada na informação fiscal colhida em sede de diligência. Outrossim, o relatório fiscal não registra a existência de dolo, fraude ou simulação. Por tais razões, o prazo decadencial é aquele do art. 150, § 4º, e não do art. 173, inc. I, como equivocadamente decidido em primeira instância. Logo, como o lançamento ocorreu em 27/08/2008 (vide Auto de Infração), estão decaídas as competências anteriores a agosto de 2003, ante o transcurso de prazo superior a cinco anos do fato gerador até o lançamento. Fl. 552DF CARF MF 12 Cabe esclarecer que a competência agosto de 2003 não está decaída, pois o seu fato gerador (prestação de serviço/mês em que for devida a remuneração) somente se encerrou depois do dia 27 daquele mês. 4 No mérito 4.1 DA NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA Deve ser enfrentada, primeiramente, a tese segundo a qual, como os pagamentos efetuados a título de PLR gozam de imunidade constitucional, nem mesmo seria necessária a existência de acordo. Isso porque tal tese é prejudicial às demais. A não incidência das contribuições sobre a PLR é uma imunidade, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou uma norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se conclui pela leitura do texto, a norma constitucional é de eficácia limitada, pois expressamente atribuiu à lei a competência para estabelecer os pressupostos dessa não vinculação. A própria execução da norma constitucional e o estabelecimento dos requisitos necessários para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, e a sua consequente desvinculação da remuneração, indubitavelmente dependiam da regulamentação mediante lei. O STF e o STJ, a propósito, compartilham de igual entendimento, como se pode ver, respectivamente, no RE 505.597/RS e no AgRg no AREsp 95.339/PA. No plano infraconstitucional, a regulamentação atual está na Lei nº 10.101/2000, que “dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências”. Em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, pois, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, devendo sim ser objeto de acordo mediante comissão paritária, acordo coletivo ou convenção coletiva. Nesse quadro, equivocouse a recorrente. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 8 13 4.2 DO ACORDO PRÉVIO Uma das acusações comuns a ambos os acordos (Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes e Categorias Horistas e Mensalistas) e em todos os anos é a inexistência de acordo prévio ao período de aquisição. Como dito, em seu art. 2º, a lei prevê que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através, conforme o caso, de comissão paritária escolhida pelas partes, convenção coletiva ou acordo coletivo. É inquestionável, assim, que a lei prevê que essa partipação será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Todavia, a legislação realmente não estabeleceu uma data limite para a formalização dessa negociação. É compreensível que não o tenha feito, pois as normas de experiência comum demonstram que tais negociações não raramente levam meses para serem concluídas, sendo por vezes acirradas e conflituosas e envolvendo diversos sindicatos de diversas categorias. É óbvio, contudo, que os trabalhadores têm conhecimento das diretrizes gerais dos planos, pois participam direta ou indiretamente das negociações via comissão paritária ou sindicatos. No caso concreto, os acordos foram formalizados via comissão paritária (na qual há representantes de ambas as partes) e acordo coletivo, sendo falho o raciocínio segundo o qual os trabalhadores não teriam conhecimento das regras necessárias ao direito de participação nos lucros ou resultados. E não compete ao aplicador da lei criar prérequisito não previsto na norma, sobretudo para reduzir a eficácia de regra constitucional. A interpretação criativa é vedada pela tripartição dos poderesdeveres prevista no art. 2º da Lei Maior, que se constitui em um verdadeiro princípio fundamental da República. Uma interpretação restritiva, com a criação de exigências não previstas legalmente, apenas tem o condão de dificultar a efetiva concretização do direito social do trabalhador à participação nos lucros ou resultados da empresa, inibindo a concessão dos planos, em conflito com as finalidades constitucionais. Como bem destacado pela recorrente, a propósito, a Constituição incentivou e estimulou as empresas a implementarem planos de tal natureza, como se observa textualmente no § 4º do art. 218 da Constituição. Isto é, a par do estímulo constante do art. 7º, a Lei Maior dedicou outro dispositivo ao tema: Fl. 554DF CARF MF 14 Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação científica e tecnológica e a inovação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) § 4º A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (destacouse) Muito embora a lei regulamentadora pareça ter negligenciado a participação nos lucros ou resultados como um direito social, pois nem mesmo faz qualquer menção a esse respeito, fato é que a Constituição a outorgou como um efetivo direito daquela natureza, o que deve ser levado em consideração pelo aplicador da lei, na busca da máxima eficácia da norma constitucional. Os direitos sociais visam a criar as condições materiais necessárias ao alcance da igualdade real entre o dono do capital e o trabalhador. Segundo José Afonso da Silva, "são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais"1. Buscando igualar o empregador e o trabalhador, a Constituição lhe outorgou o direito à participação nos lucros ou resultados e na própria gestão da empresa. Não fosse a Constituição e a consequente regra imunizante, o trabalhador não teria as condições materiais necessárias para participar dos lucros ou resultados, os quais, por consectário lógico, decorrem do capital do qual ele não é dono. Toda interpretação, portanto, deve ter como norte os direitos sociais. E diante de interpretações plausíveis e alternativas, o exegeta deve adotar aquela que se amolda à Lei Maior. O ministro Luís Roberto Barroso decompõe o princípio da interpretação conforme a Constituição nos seguintes termos: 1) Tratase da escolha de uma interpretação da norma legal que a mantenha em harmonia com a Constituição, em meio a outra ou outras possibilidades interpretativas que o preceito admita. 2) Tal interpretação busca encontrar um sentido possível para a norma, que não é o que mais evidentemente resulta da leitura de seu texto. 3) Além da eleição de uma linha de interpretação, procedese à exclusão expressa de outra ou outras interpretações possíveis, que conduziriam a resultado contrastante com a Constituição. 4) Por via de conseqüência, a interpretação conforme a Constituição não é mero preceito hermenêutico, mas, também, 1 Curso de Direito Constitucional Positivo, 12ª ed., rev., Malheiros Editores, 1996, p. 277. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 9 15 um mecanismo de controle de constitucionalidade pelo qual se declara ilegítima uma determinada leitura da norma legal. 2 Deve ser abandonado, pois, o rigor interpretativo e o eventual formalismo exacerbado, para compatibilizar a leitura da Lei nº 10.101/2000 com a Constituição, a qual, lembrese, visou a igualar materialmente o trabalhador e o empregador. Ainda que a primeira e rápida compreensão da lei infraconstitucional pudesse sugerir que o acordo devesse ser formalizado antes do início do período aquisitivo, como forma de incentivar a produtividade e o comprometimento dos trabalhadores, fato é que a Constituição trouxe como critério preponderante o direito social do lado mais fraco da relação empregatícia, e não o incremento da produtividade e o seu comprometimento. A interpretação de que o acordo deve ser formalizado antes do início do período aquisitivo, embora fosse até possível diante da Lei nº 10.101/2000, não é a mais legítima, vislumbrandose, ademais, outra interpretação igualmente legítima. Cria, também, um requisito formal não previsto (pois a lei menciona apenas a necessidade de negociação – “será objeto de negociação” –; e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente, sem indicar previamente a qual marco temporal) e que está em descompasso com a realidade negocial, podendo até mesmo desestimular (como tem desestimulado) a concessão da PLR e, por conseguinte, a realização dos direitos sociais. Como se vê, não há qualquer necessidade de se declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 10.101/2000, mas sim, dentre as várias interpretações possíveis, elegerse aquela mais adequada ao texto constitucional. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), antes da atual composição, vinha adotando entendimento semelhante, conforme se infere do acórdão nº 9202003.370: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de 2 Interpretação e aplicação da constituição : fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 3. ed. Saraiva, p. 181182. Fl. 556DF CARF MF 16 cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Recurso especial negado. (CSRF, 2ª Turma, Relator(a) RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, sessão de 17 de setembro de 2014) Esta Turma também vinha trilhando esse mesmo caminho, conforme se vê no acórdão nº 2402005.262, de minha relatoria. Logo, entendese que o fato isolado de os acordos terem sido formalizados no transcorrer do período aquisitivo não é suficiente para descaracterizar os planos, mormente porque (i) sendo o produto das negociações entre a empresa e seus empregados, por comissão paritária ou por sindicatos, os planos obviamente são objeto de tratativas diversas, as quais também criam previsibilidade quanto às regras pertinentes ao cumprimento do acordado; (ii) ao imunizar os pagamentos a título de PLR, a Constituição visou a incentivar a sua concessão pelas empresas, propiciando a partipação do trabalhador num crédito (lucros ou resultados) a que ele naturalmente não teria direito; e criando as condições materiais necessárias ao alcance da isonomia entre o dono do capital e o empregado; (iii) a lei ordinária não prevê, de forma extreme de dúvidas, que o plano deve ser formalizado antes do período aquisitivo; (iv) a criação de exigências exacerbadas apenas tem o condão de desestimular a concessão dos planos, o que contraria as finalidades constitucionais. A propósito, caso fosse possível adotarse o raciocínio da fiscalização, terse ia que considerar como irregular o acordo de fls. 251/259 do PAF 19515.004118/200809, o qual, relativo ao ano de 2003, foi assinado já em 02 de janeiro daquele ano, o que indubitavelmente contraria a razoabilidade. Em sendo assim, serão examinados os demais requisitos legais que, no entender do agente autuante, a recorrente teria descumprido. 4.3 DO ACORDO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS CATEGORIAS SENIORES, EXECUTIVOS E DIRIGENTES Serão analisadas abaixo as demais infrações alegadamente cometidas pela empresa, que ensejaram a descaracterização dos planos relativos às categorias seniores, executivos e dirigentes. 4.3.1 Da inexistência de acordo para o ano de 2005 A inexistência de acordo para o ano de 2005 é expressamente admitida pela recorrente em sede de impugnação e recurso (PAF 19515.004118/200809, fls. 463 e 1071), sendo que a tese recursal, nesse ponto, é que a Constituição não teria exigido a apresentação de acordo. Tal tese, todavia, já foi decidida e rechaçada em tópico específico ("Da norma de eficácia limitada"), negandose provimento ao recurso voluntário a esse respeito. 4.3.2 Do acordo de 2004 De acordo com a autoridade fiscal, o acordo de 2004 só tem as assinaturas de um representante da empresa e de um representante dos empregados. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 10 17 Ocorre que, já em sede de impugnação (PAF 19515.004118/200809, fls. 554/561), a recorrente trouxe aos autos o acordo do ano de 2004, idêntico àquele juntado no transcorrer da fiscalização, mas devidamente assinado pelos representantes da empresa e de todos os empregados. Em sendo assim, a acusação fiscal é improcedente neste ponto. 4.3.3 Dos acordos sem autenticação Segundo a autoridade autuante, com exceção do acordo de 2003, os demais foram entregues sem autenticação. Na dicção do art. 212 do Código Civil, salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante confissão, documento, testemunha, presunção ou perícia. A participação nos lucros ou resultados, por expressa previsão da Lei 10101, deve ser provada mediante documento (o que exclui, a princípio, os outros meios probatórios relacionados no Código Civil), uma vez que o seu art. 2º, § 1º, expressamente alude aos "instrumentos decorrentes da negociação", os quais, ainda, deverão contar com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e adjetivos. Igualmente se estabelece, demonstrandose a indubitável necessidade de produção documental, que o instrumento de acordo será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Ocorre que a Lei 10101 não exige nenhuma outra formalidade especial, senão aquelas arroladas no seu art. 2º, dentre as quais não se encontra a necessidade de autenticação. Portanto, é aplicável ao caso a norma do art. 107 do Código Civil, segundo a qual a validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. Corroborando esse entendimento, o art. 219 do Código preleciona que as declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários, o que decorre do próprio princípio da boafé objetiva. Significa dizer que os acordos devidamente assinados pelas partes provam, efetivamente, e até demonstração em contrário, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, de maneira que a eventual falta de autenticação dos documentos não poderia prejudicar nem a citada participação e nem os efeitos tributários dela decorrentes. Expressandose de outra forma, e na dicção legal, o fato jurídico participação nos lucros ou resultados foi provado através dos documentos juntados pelo sujeito passivo, para todos os fins e efeitos de direito, de modo que a eventual desclassificação da verba dependeria do eventual descumprimento de outros requisitos legais. De toda forma, os acordos juntados na impugnação (fls. 499 e seguintes) e aquele juntado às fls. 1125/1128 do PAF 19515.004118/200809 estão autenticados. Fl. 558DF CARF MF 18 4.3.4 Da inexistência de negociação No entender do agente fiscal, os acordos não foram objeto de negociação, uma vez que não foram apresentadas as atas de reuniões e de eleições das comissões de empregados. Como anteriormente alegado, entretanto, sendo o produto ou o resultado das negociações entre a empresa e seus empregados, seja por comissão paritária, seja por sindicatos, os planos obviamente são objeto de tratativas, as quais também criam previsibilidade quanto às regras pertinentes ao cumprimento do acordado. Noutro giro verbal, os acordos são as materializações das negociações entre as partes; e a exigência das atas de reuniões e de eleições ignoram a circunstância de que qualquer negócio jurídico é justamente um acordo entre duas ou mais pessoas com o fim de criar, modificar ou extinguir uma relação jurídica predominantemente patrimonial. Isto é, a manifestação de vontade das partes envolvidas é um pressuposto de existência do próprio negócio jurídico (não é nem requisito de sua validade, pois os requisitos de validade são aqueles estabelecidos no art. 104 do Código Civil), de forma que não se pode alegar que os acordos não foram objeto de negociação. Improcede, pois, a acusação fiscal nesse tocante. 4.3.5 Da participação de um representante indicado pelo sindicato De acordo com o relatório fiscal, não houve a participação de um representante indicado pelo sindicato. A esse respeito, a recorrente se arvora no suposto doc. 5 da defesa, que seria uma declaração firmada pela entidade, confirmando a sua participação. Todavia, e como destacado no acórdão recorrido, não consta a referida declaração nos autos. A par disso, os instrumentos não estão assinados por um representante indicado pelo sindicato e sequer contêm a sua qualificação ou aludem à sua participação. Em sendo assim, a recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estava realmente integrada por um representante sindical, o que infringe o disposto no inc. I do art. 2ª da Lei, inclusive com a redação anterior à Lei 12823/2013. E a infringência cometida pelo sujeito passivo não é meramente formal, pois, como destacado pelo recorrente, a participação sindical tem a finalidade de proteger os trabalhadores de eventuais negociações desfavoráveis. Diante disso, deve ser negado provimento ao recurso voluntário, o que implica a manutenção do Auto de Infração quanto ao lançamento das contribuições incidentes sobre os valores pagos às categorias seniores, executivos e dirigentes. Como este relator poderá ser vencido neste ponto, serão enfrentadas as demais teses recursais. 4.3.6 Da inexistência de regras claras e objetivas No entender do agente autuante, os acordos não têm regras claras e objetivas. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 11 19 A DRJ compactuou do mesmo entendimento, afirmando que os documentos anexados pela empresa revelariam que os critérios comportamentais seriam de avaliação subjetiva. No entanto, a clareza e a objetividade têm que ser das regras, não havendo qualquer vedação quanto ao estabelecimento de critérios de comportamento, cuja avaliação não é necessariamente subjetiva. Analisandose o caso concreto, o melhoramento contínuo, a assunção de responsabilidade e risco, o impacto econômico, a integração e mesmo o comprometimento pessoal podem, sim, ser aferidos de forma objetiva, ainda que dependam do sacrifício pessoal do avaliado. Situando a questão fora do caso vertente, vale citar que os famosos testes de avaliação do quoeficiente de inteligência, tais como a Escala de Inteligência Wechsler para Adultos (WAIS Wechsler Adult Intelligence Scale) e a Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC Wechsler Intelligence Scale for Children), consistem justamente numa bateria prédeterminadas de testes e subtestes para a avaliação clínica da capacidade intelectual dos indivíduos, dentro de parâmetros objetivos anteriormente definidos nas escalas. A par das escalas de avaliações cognitivas, também existem, exemplificativamente, escalas de avaliações comportamentais para identificação de habilidades sociais, de dificuldades comportamentais, de sintomas de transtornos psiquiátricos e psicológicos, de competências acadêmicas, etc, que igualmente fornecem dados quantitativos, qualitativos e objetivos a respeito das competências comportamentais das pessoas3. Muitas empresas adotam um sistema de avaliação por competências, havendo inúmeros artigos acadêmicos a esse respeito disponíveis na internet4. Isto é, a psicologia revela que comportamentos podem sim ser mensurados de acordo com critérios objetivos de análise, a exemplo das escalas acima mencionadas e da avaliação por competências. A eventual subjetividade do comportamento não exclui a objetividade de sua mensuração e avaliação, inclusive para efeito de fixação das regras da PLR. Isso equivaleria a ignorar a ampla experiência da psicologia comportamental e da neuropsicologia sobre o assunto, bem como a gestão de recursos humanos no cotidiano das empresas. Examinandose os documentos anexados aos autos, observase que as regras eram sim claras e objetivas, além de serem simples e de fácil mensuração. Os documentos de fls. 615 e seguintes do PAF 19515.004118/200809 ainda demonstram que tais comportamentos foram constantemente avaliados por um superior, denotando, nesse ponto, a seriedade e o cumprimento das normas do programa. O cumprimento de prazos, a atenção aos custos, a eficiência no trabalho, dentre outras regras ali estabelecidas, são dotadas de objetividade e clareza. 3 http://www.scielo.br/pdf/ptp/v25n2/a16v25n2, acesso em 16 de outubro de 2017. 4 https://scholar.google.com.br/scholar?q=avalia%C3%A7%C3%A3o+por+competencias&hl=pt BR&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart&sa=X&ved=0ahUKEwj64CEifXWAhULIZAKHeZrArcQgQMILjAA, acesso em 16 de outubro de 2017. Fl. 560DF CARF MF 20 E mais, além de critérios comportamentais, igualmente foram adotados outros critérios de mensuração e avaliação, com diferentes atribuições de pesos. Em suma, as regras eram sim claras e objetivas. 4.4 DA CONCLUSÃO SOBRE OS ACORDOS DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS CATEGORIAS SENIORES, EXECUTIVOS E DIRIGENTES Em suma, a recorrente não demonstrou que a comissão escolhida pelas partes estaria integrada por um representante sindical, de forma que, muito embora tenham sido cumpridos os demais requisitos legais, deve ser negado provimento ao recurso voluntário, o que implica a manutenção do Auto de Infração quanto ao lançamento das contribuições incidentes sobre os valores pagos a essas categorias. 4.5 DO ACORDO COLETIVO DE TRABALHO CATEGORIAS HORISTAS E MENSALISTAS 4.5.1 Da inexistência de acordo original Tal acusação nem mesmo foi analisada pela DRJ e o fato é que, à exceção do acordo coletivo de 2003, todos os demais estão autenticados. De toda forma, e como afirmado e demonstrado em tópico anterior, a autenticação nem é mesmo necessária, improcedendo a acusação fiscal a esse respeito. 4.5.2 Do acordo de 2002 A acusação fiscal, mantida pela DRJ, é de que o acordo de 2002, apresentado em duas cópias, contém uma versão com a data de julho de 2002, mas sem as assinaturas do sindicato e da comissão; e a outra assinada, mas sem data. Entendese, entretanto, que a inexistência da data de assinatura do acordo coletivo de fls. 271/279 do PAF 19515.004118/200809, o qual está assinado por todas as partes envolvidas, inclusive pelo sindicato e pela comissão, está sanada pela cópia de fls. 281/289, a qual está devidamente datada. Não há nenhuma circunstância nos autos que possa descredibilizar tais documentos, maculandoos, por exemplo, de inidoneidade ou de máfé, de forma que, no entender deste relator, eles devem ser aceitos como prova da pactuação da PLR. 4.5.3 Do acordo de 2003 A acusação de que o acordo coletivo de 2003 não estaria assinado pelo sindicato nem mesmo foi objeto de decisão pela DRJ, uma vez que o acordo juntado na impugnação está sim firmado pela referida entidade, não havendo qualquer infringência nesse tocante. 4.5.4 Do acordo de 2004 Da mesma forma que o acordo de 2003, o acordo de 2004 está firmado por todas as partes legitimadas, não subsistindo qualquer ilegalidade. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 12 21 4.5.5 Da inexistência de verificação do cumprimento do acordado Nos dizeres do relatório fiscal, apesar de os acordos terem estipulado regras objetivas, conforme determina a lei, não foi possível a verificação do cumprimento do acordado. O mesmo entendimento foi seguido pela instância julgadora de primeira instância. No entanto, vejase que o sujeito passivo anexou à sua defesa administrativa (PAF 19515.004118/200809, fls. 562 e seguintes) as planilhas demonstrativas da mensuração das regras da PLR, o que, em verdade, sequer foi objeto de análise pela Delegacia de Julgamento. Em sendo assim, igualmente improcede a acusação fiscal. 4.5.6 Do recebimento de quantias em valores acima do estipulado Por fim, e segundo o agente autuante, alguns empregados receberam quantias acima do que teria sido estipulado nos acordos. No entender da DRJ, tal circunstância desvirtuaria a PLR. Ocorre que o adimplemento de valores excedentes a alguns empregados não pode desnaturar todos os planos, mas sim implicar a desconsideração, como lucros ou resultados, apenas dos montantes em excesso. Dito de outra forma, as quantias pagas em conformidade com os acordos são lucros ou resultados, não se podendo descaracterizar toda a participação em decorrência de irregularidades isoladas. É óbvio que, se a autoridade administrativa tivesse demonstrado que os programas teriam a finalidade de mascarar o pagamento de remuneração, concluirseia de maneira diversa (vide art. 3º da Lei 10101). Mas afastar toda a participação com base em irregularidades esparsas é um rigorismo incompatível com a Constituição, a qual visa a incentivar a concessão de planos de tal natureza. E nem mesmo a lei regulamentadora contém qualquer disposição que chancele o entendimento da DRJ, devendo ser provido o recurso nesse particular. 4.6 DA CONCLUSÃO SOBRE OS ACORDOS COLETIVOS DE TRABALHO CATEGORIAS HORISTAS E MENSALISTAS Em suma, os pagamentos efetuados em consonância com os acordos coletivos não devem compor a base de cálculo do lançamento, de forma que o recurso deve ser provido nesse tocante. Fl. 562DF CARF MF 22 4.7 DAS GRATIFICAÇÕES ESPECIAIS Segundo a recorrente, ao efetuar os pagamentos das referidas gratificações, ela teria lançado tais valores como PLR, razão pela qual pareceria que alguns funcionários teriam recebido valores maiores do que o previamente acordado a este título. Contudo, e como esclarecido no relatório fiscal, tais gratificações foram objeto de lançamento em outro Auto de Infração. Desta forma, os recebimentos de quantias superiores ao estabelecido a título de PLR não o foram a título de gratificações especiais, as quais, por sua vez, compuseram a base de cálculo de outro lançamento. Não havendo qualquer prova, por parte do sujeito passivo, de que a fiscalização teria feito incidir, neste auto, contribuições sobre as tais rubricas, deve ser negado provimento ao recurso neste tópico. 4.8 DAS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS Não se pode acolher a tese de que as contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE seriam inconstitucionais. Este Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária, diante do óbice retratado na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quer dizer, a verificação de que a norma seria inconstitucional exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Igualmente, não merece acolhida a afirmação de que as contribuições destinadas ao INCRA somente seriam devidas pelas empresas rurais, uma vez que o STJ, em sede de recurso repetitivo, firmou o entendimento de que elas seriam devidas também pelas empresas urbanas. Vejase: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89 OU 8.212/91. NÃO OCORRÊNCIA. EXAÇÃO EXIGÍVEL DAS EMPRESAS URBANAS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 13 23 3. Incidência da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 803.780/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009) Eis a ementa do recurso representativo de controvérsia, nos pontos que interessam ao presente julgamento: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. [...] 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. [...] 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Fl. 564DF CARF MF 24 (REsp 977.058/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 10/11/2008) Quanto à contribuição ao SEBRAE, o STF vem reiteradamente afirmando a sua natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, igualmente asseverando ser ela devida pelas empresas que exercem atividade econômica, não sendo necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados: Agravo regimental no agravo de instrumento. Contribuição ao SEBRAE. Desnecessidade de edição de lei complementar para instituição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Período posterior ao advento da Lei nº 8.706/93. Princípio da Legalidade. Ofensa reflexa. Súmula nº 636. 1. O Plenário da Corte, ao apreciar o RE nº 635.682/RJRG (Relator o Ministro Gilmar Mendes, julgado em 25/4/13), cuja repercussão geral havia sido reconhecida, reafirmou o posicionamento da Corte pela desnecessidade de edição de lei complementar para a instituição da contribuição destinada ao SEBRAE, bem como pela sua caracterização como contribuição de intervenção no domínio econômico. 2. No tocante à alegada violação do princípio da legalidade tributária e à consequente inexistência de exigibilidade da contribuição para o SEBRAE após o advento da Lei nº 8.706/93, a qual instituiu as exações destinadas ao SEST e SENAT, da forma como decidido no v. acórdão, seria necessário o específico reexame da legislação infraconstitucional pertinente ao caso (Lei nº 8.706/93 e Decretos nºs 1.007/93 e 1.092/94), o que não é cabível nessa instância recursal. Incidência da Súmula nº 636 da Corte. Precedentes. 3. Agravo regimental não provido.(AI 608035 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 25/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe187 DIVULG 23 092013 PUBLIC 24092013) ................................................................................................. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. 1. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SEBRAE: CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 2. EXIGIBILIDADE DE EMPRESAS QUE EXERCEM ATIVIDADE ECONÔMICA: PRECEDENTES. 3. NATUREZA JURÍDICA DA EMPRESA: IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO REEXAME DAS CLÁUSULAS DO ESTATUTO CONSTITUTIVO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 454 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.(RE 595622 ED, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 09/06/2009, DJe148 DIVULG 06082009 PUBLIC 07082009 EMENT VOL02368 12 PP02403) ......................................................................................................... RECURSO EXTRAORDINÁRIO EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE SEST/SENAT VALIDADE Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 14 25 CONSTITUCIONAL DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE À INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SEBRAE EXIGIBILIDADE DESSA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA PRECEDENTES RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 396.266/SC, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, reconheceu a plena legitimidade constitucional da norma inscrita no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90, na redação dada pelas Leis nº 8.154/90 (art. 1º) e nº 10.668/2003 (art. 12), admitindo, em conseqüência, a constitucionalidade da contribuição social destinada ao SEBRAE. O tratamento dispensado à referida contribuição social não exige a edição de lei complementar, resultando conseqüentemente legítima a disciplinação normativa dessa exação tributária mediante legislação de caráter meramente ordinário. Precedentes.(RE 389849 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 19/05/2009, DJe108 DIVULG 10062009 PUBLIC 12062009 EMENT VOL0236402 PP00273) Este Conselho vem manifestando o mesmo entendimento, conforme se vê no precedente abaixo, julgado por unanimidade: [...] SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 2401003.950, Relator ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, julgado em 08/12/2015). Logo, negase provimento à tese subsidiária. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário para: (a) REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento; (b) ACOLHER parcialmente a preliminar de decadência, para reconhecer como decaídas as contribuições cujos fatos geradores sejam anteriores a agosto de 2003; Fl. 566DF CARF MF 26 (c) DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os pagamentos efetuados em consonância com os acordos coletivos de trabalho. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante as razões aduzidas no voto do i. Relator, com relação à Participação nos Lucros ou Resultados – PLR, sobretudo no que diz respeito aos acordos coletivos de trabalho das categorias horistas e mensalistas, entendo que a análise da legislação afeta ao tema deve conduzir a conclusão diversa. A respeito das demais matérias objeto da lide, acompanho o entendimento consignado no voto vencido. De se ressalvar que aqui não será feita qualquer análise a respeito das categorias seniores, executivos e dirigentes visto não haver discordância quanto as conclusões advindas do voto vencido que negou provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento no que se refere à incidência das contribuições lançadas sobre os valores pagos a título de PLR a tais categorias. O exame aqui empreendido se deterá à PLR atribuída às categorias horistas e mensalistas. A alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 excluiu da base de incidência das contribuições sociais as importâncias pagas a título de PLR, desde que em observância ao disposto em norma especificamente editada para regular a matéria. Vejamos: Art. 28 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica [...] (Grifouse) Nos termos do caput e do § 1º do art. 1º da Lei nº 10.101/2000, norma que disciplina o pagamento da PLR, temse que: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive Fl. 567DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 15 27 mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Vale mencionar, de início, que a participação nos lucros ou resultados, como instrumento de integração entre capital e trabalho, tem por escopo o incentivo à produtividade dos trabalhadores. Assim, como forma de incrementar seus resultados, a empresa oferece uma retribuição pecuniária com finalidade de estimular o aumento do desempenho de seus empregados. Nos termos da legislação em espeque, para que os valores pagos a título de PLR não sejam alcançados pelas exações previdenciárias os instrumentos decorrentes das negociações havidas entre patrões e empregados devem, dentre outros, conter: a) regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos trabalhadores; b) mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; c) periodicidade de distribuição; d) período de vigência; e e) prazos para revisão do acordo. De outra parte, da leitura dos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000 constatase que a norma infraconstitucional não buscou detalhar as características dos acordos a serem celebrados, atribuindo essa tarefa às partes envolvidas no processo negocial. Exemplificativamente foram indicados como parâmetros para o pagamento de PLR: a) a estipulação de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos. Impende ressaltar que esses parâmetros são facultativos, ou seja, para a definição dos direitos substantivos da PLR e das regras adjetivas há de prevalecer a livre negociação, sendo que as regras estabelecidas devem, de conformidade com a lei, ser claras e objetivas. Vejase que os atores envolvidos gozam de certa liberdade para a estipulação dos critérios e condições para o pagamento da PLR. Contudo, a objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000 além de se apresentarem como forma de viabilizar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, garantindo que não haja dúvidas tendentes a dificultar ou impossibilitar cumprimento do que fora acordado, inibem o pagamento de valores denominados inadequadamente de participação nos lucros ou resultados em substituição à remuneração de empregados. Fl. 568DF CARF MF 28 Todas essas razões evidenciam a imprescindibilidade de pactuação prévia, visto não se vislumbrar a hipótese de que os trabalhadores possam despender esforços adicionais para alcançar determinados objetivos com vista à percepção da parcela paga a título de PLR sem conhecer os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, os programas de metas, resultados e prazos ou outros critérios que possam vir a ser estabelecidos para a percepção da dessa vantagem pecuniária. Aliás, é exatamente nesse sentido o entendimento que vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se pode extrair do Acórdão nº 9202006.218, de 28/11/2017: E por isso, a importância da pactuação prévia, eis que somente ciente do que deve ser alcançado como objetivo para que receba o bônus do seu empenho é que vai implementar o esforço necessário para tanto. A inexistência de regramento claro e objetivo desvirtua a natureza da rubrica. A Lei n° 10.101/2000 exige que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado Na seqüência do raciocínio, por óbvio, as condições pertinentes ao plano de PLR, devem estar concluídas e ser cientificadas aos trabalhadores em período prévio à apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o empregado tenha o conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado para fazer jus ao ganho anunciado na negociação coletiva. (Grifouse) Asseverese que o entendimento aqui exarado nem de longe tem relação com interpretação criativa e muito menos representa a instituição de prérequisito não previsto em lei. Tratase de conclusão por demais evidente de que não há como se despender energia para alcançar um objetivo do qual não se tem conhecimento. Pareceme deveras óbvio que embora a lei não tenha estabelecido uma data limite para a formalização das negociações relacionadas à PLR, não há como se considerar que os instrumentos destinados ao pagamento desse benefício possam ser pactuados após o início do período destinado a aquisição do direito. Do mesmo modo, não é razoável se supor que, por participarem direta ou indiretamente do processo de negociação, os trabalhadores possam ter conhecimento das diretrizes gerais dos planos antes mesmo da celebração dos acordos respectivos. De se observar que, ao possibilitar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresas, a Constituição Federal não instituiu um direito em detrimento de outros. Admitir a hipótese de pagamento de PLR sem que as regras para tal sequer estejam previamente estabelecidas significaria possibilitar a substituição do salário do trabalhador por valores pagos a esse título em detrimento de inúmeros outros direitos sociais e previdenciários previstos no art. 7º da CF/1988, uma vez que a participação nos lucros ou resultados é desvinculada da remuneração que é a base sobre a qual incidem esses outros direitos constitucionalmente estabelecidos. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.004114/200812 Acórdão n.º 2402006.073 S2C4T2 Fl. 16 29 Quanto a disposição contida no § 4º do art. 218 da CF/1988 sobre o apoio e estimulo legal que se deve dar as empresas que pratiquem “remuneração que assegure[m] ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho”, cabe ressaltar que referido dispositivo não veicula imunidade de quaisquer espécies tributárias, além de depender de lei para sua regulamentação. E mais, a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 estimula essa forma de remuneração, desde que o pagamento seja feito de acordo com a lei que trata especificamente da PLR, o que não se observa no caso concreto. Dito isso, entendo que a ausência de pactuação prévia, por si só, afasta a incidência da regra isentiva inserta na Lei de Custeio da Seguridade Social, o que impõe o pagamento de contribuições em relação valores pagos a título de PLR sem a observância desse requisito. No que se refere aos acordos coletivos de trabalho relativos às categorias horistas e mensalistas, o Relatório Fiscal esclarece que todos aqueles abrangidos no lançamento em questão apresentam datas de assinatura muito posterior ao início do período de aferição. Nos termos do relato Fiscal: 27. Outra questão observada foi a data de assinatura dos acordos da PLR. O período de apuração dos resultados está compreendido entre os meses de janeiro e dezembro, mas os acordos foram assinados após o início do período de aferição dos resultados, em data próxima ao estipulado no acordo para pagamento da primeira parcela do PLR, como segue: PLR 2002: assinado em 01/07/2002 – 1ª parcela a ser paga até 30/07/2002 PLR 2003: assinado em 06/06/2003 – 1ª parcela a ser paga até 15/07/2003 PLR 2004: assinado em 22/07/2004 – 1ª parcela a ser paga até 23/07/2004 PLR 2005: assinado em 22/07/2005 – 1ª parcela a ser paga até 29/07/2005 Conforme restou consignado acima, a inobservância desse requisito (pactuação prévia) vai de encontro ao regramento contido na Lei nº 10.101/2000 e impõe a incidência de contribuições sociais sobre as verbas pagas sob a denominação de PLR. Nesse ponto, verificase acertado o entendimento da autoridade autuante segundo o qual: 28 Desta forma fica evidente que os empregados desconheciam as regras para concessão da PLR durante os primeiros meses de vigência do acordo. O pagamento de participação nos lucros ou resultados tem como essência a retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou na realização de um resultado previamente pactuado. O seu objetivo é estimular o empenho dos trabalhadores para a geração de resultados previamente estabelecidos. Ora, se o empregado não sabe de antemão se terá direito à participação no lucro ou resultado, desconhece as metas e os mecanismos de aferição, o pagamento destes valores não lhe proporciona comprometimento com a Fl. 570DF CARF MF 30 empresa e a percepção de que seu trabalho contribui diretamente para o resultado por ela alcançado. 29. Por todo o exposto, concluímos que as parcelas pagas aos empregados ocupantes das categorias seniores, executivos e dirigentes e para as categorias horistas e mensalistas a título de PLR no período de 01/2003 a 12/2005, não estão isentas do pagamento de contribuições previdenciárias, pois não foram seguidas as exigências da Lei 10.101/2000. CONCLUSÃO Em razão do exposto voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, exclusivamente para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em competências anteriores a agosto de 2003. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 571DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001870/2007-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA.
Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mão-de-obra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica.
Numero da decisão: 9303-006.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mãodeobra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 18 70 /2 00 7- 52 Fl. 747DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos de PIS oriundos da incidência não cumulativa na exportação, no montante de R$ 29.217,24, referente ao terceiro trimestre do ano de 2006. O despacho decisório de efl. 247 a 252, em 01/08/2007, reconheceu a existência de crédito no montante de R$ 28.872,17. Basicamente, foram glosados valores declarados em DACON que não atenderiam ao conceito de insumo: 1. Linha 02 do Dacon R$ 21.214,96 Bens Utilizados como Insumos. Foram glosadas notas fiscais referentes a aquisições com suspensão de PIS/Cofins, não gerando direito a crédito, conforme § 2, inc. II, do art. 3º da Lei 10.637/2002; 2. Linha 04 do Dacon R$ 955,22 Despesas de Energia Elétrica. Foram glosados os valores das faturas de energia elétrica não incluídos na base de cálculo do ICMS (COSIP); 3. Linha 09 do Dacon R$ 1.376,91 Encargos de Depreciação. Foram glosados os bens que não se enquadram no Inc. VI do Art. 3º da Lei 10.637/2002; 4. Linha 13 do Dacon R$ 31.099,57 Outras Operações com Direito a Crédito. Foram glosados os valores de despesas indiretas referentes a mãodeobra temporária (taxa administrativa, despesas médicas, etc.). Além disso, foi alterado o percentual de exportação utilizado pelo contribuinte na Dacon. Utilizouse o valor das receitas declaradas pelo próprio contribuinte no Dacon. Restou um valor de R$ 2.509,83 a título de crédito de mercado interno, podendo ser utilizado apenas para desconto da própria contribuição. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 273 a 280, em 17/09/2007, para que fossem homologados os ressarcimentos do presente processo. Já a 4ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0723.552, prolatado em 18/03/2011, às efls. 685 a 700, considerou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo que teria havido litígio apenas em relação às glosas dos itens 2) e 4) e sobre realocar valores na DACON para o mercado interno. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10920.001870/200752 Acórdão n.º 9303006.629 CSRFT3 Fl. 748 3 Intimada do acórdão da DRJ em 19/04/2011 (efl. 702), a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 703 a 711. Em apertado resumo, esgrime os seguintes argumentos: a) para interpretação do conceito de insumos para fins de créditos do PIS deveria ser aplicado o mesmo relativo a custos e despesas operacionais para o IRPJ; b) utilizandose o critério acima, o valor da fatura da contratação de mãode obra temporária e o valor da COSIP destacada na fatura de energia elétrica deveriam integrar o cálculo do crédito; c) relativamente à realocação de parte do crédito para o mercado interno, alegou que a própria Receita Federal, por meio de Solução de Consulta da 6ª Região Fiscal tem entendimento no sentido de que o ressarcimento pode ser estendido os créditos consumidos no mercado interno. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 24/01/2012, resultando no acórdão nº 3403001.359, às efls. 714 a 720, que tem as seguintes ementas: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo da Cofins o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem o ou o serviço desejado. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. O crédito em relação ao serviço de colocação de mãodeobra temporária prestado por pessoa jurídica deve ser calculado em relação ao valor integral da nota fiscal emitida pelo prestador do serviço. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. COSIP. Tratandose de tributo não recuperável, a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública – COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica, integra o cálculo do crédito da contribuição. CRÉDITOS NÃO VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. Por expressa disposição legal, é vedado o ressarcimento de créditos calculados em relação a custos, despesas ou encargos que não sejam vinculados à receita de exportação. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito Fl. 749DF CARF MF 4 de a recorrente calcular o crédito da contribuição em relação aos valores integrais das notas fiscais de prestação de serviço de colocação de mãodeobra e de energia elétrica. O voto condutor afirmou que a caracterização de insumo não se daria nem com a estreiteza do critério adotado para o IPI, nem com a extensão do critério utilizado para fins de custos e despesas do IRPJ. Adota um critério de essencialidade do custo ou despesa, ao processo produtivo, segundo o qual a supressão do bem ou serviço, tido como insumo, afeta a própria existência do produto ou serviços prestados, dentro do padrão de qualidade desejado. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3403001.359 em 20/03/2012 (efl.. 722), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 03/05/2012, às efls. 723 a 738. A Procuradora indica dois acórdãos paradigmas, de nº 20312.488 e nº 202 19.127, que divergem do recorrido pois elaboram entendimento de que, no contexto da não cumulatividade do PIS e da Cofins, o melhor critério para definição de insumos é aquele previsto na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Partindo daquele critério, os valores não relacionados aos salários dos empregados na contratação de mãodeobra temporária (taxa administrativa e despesas médicas) e a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica não são despesas que dão origem a concessão de crédito tanto para o PIS e Cofins não cumulativos. Aí se evidencia a divergência para com o acórdão recorrido que flexibilizou o conceito de insumo e, mesmo ciente de que os valores não relacionados aos salários dos empregados na contratação de mãodeobra temporária e a COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica, não são utilizados diretamente na fabricação ou produção de bens e serviços, destinados à venda, admitiuos como insumos. A Procuradora requereu que fosse conhecido e provido recurso especial, para reformar o acórdão recorrido, indeferindose na totalidade o pleito do contribuinte. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 07/11/2013, no despacho nº 340000.459, às efls. 740 e 741, com base nos arts. 67 e 68 do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. A contribuinte foi intimada (efl. 743) do acórdão nº 3403001.359 e do despacho de admissibilidade nº 340000.459, em 31/12/2013 (efl. 744) e não apresentou qualquer manifestação nos autos dentro dos prazos regimentais. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10920.001870/200752 Acórdão n.º 9303006.629 CSRFT3 Fl. 749 5 No mérito, discordo em tese dos argumentos da recorrente, porém, em face do conhecimento do recurso que me leva à apreciação da matéria, adoto razão de decidir que leva ao seu provimento, isso porque penso que só pode ser tomado por insumo o bem ou serviço que tenha aplicação direta ao processo produtivo ou no serviço prestado. Esse seria um entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos que devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério consoante a legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Busco arrimo para esta inteligência nos critérios explanados na Solução de Divergência COSIT nº 7 de 23/08/20161, da qual se extrai: 24.No outro extremo das conclusões, verificase que não são considerados insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. 25.Certamente, diversos e plausíveis são os motivos que justificam a adoção desse entendimento restritivo acerca do conceito de insumos para fins de creditamento da não cumulatividade das contribuições em tela. 26.Em primeiro lugar, devese destacar que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente e mostrase muito significativo se efetuada uma comparação entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). 27.Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação dos tributos citados acima, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica. 1 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=78047 Fl. 751DF CARF MF 6 28.Outro fato importante a ser considerado é que a legislação das contribuições, de um lado, estabelece como base de cálculo das contribuições no regime de apuração não cumulativa o valor total das receitas auferidas no mês pelo sujeito passivo tomadas como um todo, independentemente das operações que ocasionaram o ingresso de receitas, salvo exclusões legais (arts. 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e arts. 1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003), e, de outro lado, de maneira oposta, a mesma legislação discrimina especificamente bens, serviços e operações em relação aos quais se permite a apuração de créditos, em preterição à permissão genérica de creditamento em relação a custos e despesas incorridos na atividade econômica do sujeito passivo (art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004). 29.Diante disso, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. 30.Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista na Constituição Federal. 31.Ainda perquirindo os fundamentos da adoção de entendimento restritivo sobre os insumos que geram crédito na legislação das contribuições, cumpre analisar o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 32.Conforme se observa, dentre todas as hipóteses de creditamento estabelecidas, apenas duas albergam dispêndios necessária e diretamente atrelados à atividade de produção e prestação de serviços, quais sejam aquisição de insumos e aquisição ou fabricação de bens incorporados ao ativo imobilizado, bem assim apenas duas relativas a dispêndios necessária e diretamente atrelados à revenda de bens, quais sejam a aquisição de bens para revenda e a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 33.Com efeito, insumos e bens do ativo imobilizado são utilizados nas atividades finalísticas da pessoa jurídica e participam direta, específica e inafastavelmente do processo de produção de bens e da prestação de serviços, como também bens para revenda e frete na venda participam igualmente da revenda de bens, e suas influências nos respectivos processos econômicos podem ser imediatamente percebidas. 34.Diferentemente, todas as demais hipóteses de creditamento abrangem dispêndios que, conquanto necessários ao Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10920.001870/200752 Acórdão n.º 9303006.629 CSRFT3 Fl. 750 7 desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica, podem relacionarse indiretamente com a atividade de produção de bens e prestação de serviços ou revenda de bens, pois também são utilizados em áreas intermediárias da atividade da pessoa jurídica. Exemplificativamente citamse: energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios e máquinas; arrendamento mercantil; depreciação ou aquisição de edificações e de benfeitorias em imóveis; e valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. 35.Deveras, tais dispêndios decorrem da utilização pela pessoa jurídica de bens e serviços necessários à manutenção de todo seu funcionamento ou mesmo de sua existência e não especificamente à produção de bens e prestação de serviço ou à revenda de bens. 36.Daí, resta evidente que não se pretendeu abarcar no conceito de insumo todos os dispêndios da pessoa jurídica incorridos no desenvolvimento de suas atividades, mas apenas aqueles direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. 37.Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, pleonasmo, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. 38.Ademais, a adoção desse conceito ampliativo de insumo geraria uma incoerência sistemática decorrente do fato de o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, concederem créditos apenas em relação aos insumos utilizados nas atividades de produção de bens e de prestação de serviços e não concederem créditos aos insumos utilizados na atividade de revenda de bens. Com efeito, se adotado esse conceito ampliativo de insumo, não parece existir qualquer fundamento para excluir as pessoas jurídicas comerciais do direito a apuração desse crédito. 39.Já a interpretação restritiva do conceito de insumo adotada nesta Solução de Divergência tem o condão de explicar o motivo da exclusão da atividade comercial do direito de creditamento em relação à aquisição de insumos feita pelos citados dispositivos. Eis que, considerandose insumos apenas os bens e serviços diretamente relacionados à atividade de produção de bens e de prestação de serviços, no caso da revenda de bens esses insumos são exatamente os bens para revenda, armazenagem e frete na operação de venda, a cuja aquisição a legislação conferiu expressamente direito de creditamento, no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nos incisos I e IX do art. 3º, c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 753DF CARF MF 8 40.Destarte, devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. (Grifos do original) O tratamento acima justifica a posição abaixo transcrita: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (Negritei.) No caso concreto, os valores relativos a contratação e agenciamento de mão deobra temporária, consistem em atividade meio e não caracterizam insumo, tendo uma relação apenas indireta com a produção. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10920.001870/200752 Acórdão n.º 9303006.629 CSRFT3 Fl. 751 9 Nessa matéria, adoto o argumento exarado no voto do relator do acórdão da DRJ em Florianópolis, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, às efls. 698 e 699: Ingressandose na lide posta, verificase que o objeto da glosa corresponde a valores de despesas indiretas referentes a mão deobra temporária, tais como taxa administrativa e despesas médicas, discriminadas nas notas fiscais de prestação de serviços. A atividade de empresas de locação de serviços temporários apresenta normalmente uma característica mista entre prestação de serviços (agenciamento e recrutamento de mãodeobra) e locação de mãodeobra temporária para o tomador. Desta forma, os serviços prestados pela empresa de trabalho temporário não podem ser enquadrados no conceito de insumo retrocitado, visto que as atividades de agenciamento e de locação de mãodeobra obviamente não são aplicadas diretamente na produção de bens, contribuindo apenas de forma indireta para as atividadesfins da interessada, vez que a empresa de trabalho temporário atua na intermediação da contratação de trabalhadores nos casos expressamente previstos na Lei n° 6.019, 03 de janeiro de 1974. Percebese, portanto, que apenas o trabalho executado pelo empregado temporário é que pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo e nunca os serviços prestados pela empresa de trabalho temporário, a qual atua na função de intermediária na contratação e na seleção dos mesmos. Nesse sentido, observese os termos da Lei n° 6.019, de 1974, in verbis: Art. 2º Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física a uma empresa, para atender à necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou à acréscimo extraordinário de serviços. [...] Art. 4° Compreendese como empresa de trabalho temporário a pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos, (grifo nosso) Resta clara, portanto, a diferença entre o trabalho realizado pelos empregados temporários e o serviço prestado pela empresa de trabalho temporário. Enquanto no primeiro o objeto do contrato de prestação de serviços é o próprio serviço que será aplicado nas atividadesfim da contribuinte, na segunda situação, agenciamento e a locação de mãodeobra, o objeto não é a prestação de serviços na atividade produtiva, mas sim a locação temporária de trabalhadores. Fl. 755DF CARF MF 10 Assim, como o objeto do contrato celebrado com a empresa de trabalho temporário é o agenciamento e a locação de mãode obra e não a prestação de um serviço consumido ou aplicado nas atividades produtivas, concluise não haver direito a desconto de créditos em relação às despesas com a contratação de mãodeobra temporária, vistos as mesmas não estarem expressamente previstas na legislação e não se conformarem ao conceito de insumo previsto em lei. (Sublinhei.) Neste processo não foi questionado se a mãodeobra poderia ou não ser considerada insumo. Ela foi considerada insumo, pois a decisão de primeira instância deixou bem claro que o valor da mãodeobra não foi objeto de glosa. A glosa recaiu apenas e tão somente sobre as demais despesas atreladas à mãodeobra, que foram embutidas no preço do serviço prestado. Evidentemente que, no caso concreto, as parcelas referentes aos pagamentos dessa notas que não foram originalmente glosadas, estão abrigadas pela impossibilidade de reformatio in pejus, contudo, as parcelas glosadas o foram corretamente. Já a contribuição para custeio do Serviço de Iluminação Pública COSIP não está diretamente relacionada à produção, mas sim à localização da empresa em determinado município, haja vista que tal contribuição decorre do art. 149A da Constituição Federal, com a seguinte redação: Art. 149A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 39, de 2002) Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 39, de 2002) Claro está que essa contribuição não depende da produção e, por visar a iluminação pública, ainda que seja um custo para a empresa, não está diretamente vinculada à energia elétrica aplicada na produção, sendo necessária para realização de suas atividades administrativas como um todo. Aliás, também o voto da DRJ/FNS já salientava que a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 3º, inc. IX, já definia que os créditos do PIS não cumulativo passíveis de desconto seriam calculados com base na "energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica". Ou seja, é o consumo de energia intrínseco à produção que leva ao crédito, mas não a contribuição para serviços de iluminação pública que pode, ou não, ter por base o consumo. Se a referida contribuição tivesse por base de cálculo o número de postes na rua (poderia a legislação municipal assim definir), não haveria qualquer dúvida de que inexistiria vínculo com a produção ou serviços das pessoas jurídicas. Dessarte, entendo que os gastos em litígio não caracterizam insumos necessários à produção do período, para fins de creditamento do PIS não cumulativo. Assim, com base em fundamento diverso daquele exposto pela recorrente, voto pelo provimento do recurso, para que sejam mantidas as glosas dos créditos relativos aos gastos com despesas tomadas por insumos no acórdão a quo. CONCLUSÃO Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10920.001870/200752 Acórdão n.º 9303006.629 CSRFT3 Fl. 752 11 Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 757DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001591/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
PRELIMINAR DE NULIDADE. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. Portanto, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Estando devidamente consubstanciado nos autos o intuito doloso do contribuinte, o multa qualificada deve ser aplicada.
TRIBUTOS REFLEXOS. Os lançamentos relativos à Contribuição Social, Cofins, PIS e contribuição ao INSS objeto do presente processo constituem reflexos da exigência pertinente ao IRPJ.
Numero da decisão: 1301-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. PRELIMINAR DE NULIDADE. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. Portanto, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Estando devidamente consubstanciado nos autos o intuito doloso do contribuinte, o multa qualificada deve ser aplicada. TRIBUTOS REFLEXOS. Os lançamentos relativos à Contribuição Social, Cofins, PIS e contribuição ao INSS objeto do presente processo constituem reflexos da exigência pertinente ao IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 15 91 /2 00 9- 72 Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 659 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase o presente processo de autuação fiscal decorrente de omissão de receitas no anocalendário de 2006, o que culminou com a lavratura dos autos de infração, exigindo os créditos tributários, relativos ao Simples. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão nº 0628.611 prolatado pela 2ª Turma da DRJ/CTA (fls. 299/304): Em decorrência de ação fiscal levada a efeito, em 12/11/2009, foi lavrado o auto de infração de fls. 113186, para exigir: a) R$ 44.893,36 a título de Imposto de Renda Pessoa JurídicaSimples (f1.136), R$ 32.895,01 a título de contribuição ao Programa de Integração SocialSimples (fl.147), R$ 44.893,36 a título de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoSimples (f1.158), R$ 132.081,36 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialSimples (fl.169) e, R$ 382.144,58 título de Contribuição para Seguridade SocialINSSSimples (fl.180). 2. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, art. 24 da Lei n° 9.249, dc 1905; o § 2° do art. 2°, alinea "a" do § V do art. 3°, art. 5°, § V do art. 7, art. 18 da Lei no 9.317, de 05 de dezembro de 1996 c, art. 3 0 da Lei no 9.732, dc I I de dezembro dc 1998; art. 186, 188 e 199 do RIR/99; b) para o PIS, o art. 3°, "b" da Lei Complementar n° 07, de 07 de julho de 1970, combinado com o art. 1", parágrafo único da Lei Complementar no 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 2% inciso I, art. 3° e 9° da Medida. Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições, o § 2° do art. 2% alínea "b" do § 1° do art. 3", art. 5", § 1" do art. 7° e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 30 da Lei n° 9.732, de 1998; Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 660 3 c) para a Contribuição Social, o art. 1" da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; o § 2° do art. 2% alínea "c" do § l° do art. 3°, art. 5% § 1° do art. 7° da Lei W'9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3° da Lei n" 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. l° da Lei Complementar n° 70, de 1991; o § 2° do art. 2% alínea "d" do § 1° do art. 3°, art. 5°, § 1° do art. 7° e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3 0 da Lei no 9.732, de 1998 e; e) para a Contribuição ao INSS, o § 2° do art. 2% alínea "f' do § 1' do art. 3% art. 5% § 1° do art. 7" e art. 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e art. 3" da Lei n° 9.732, de 1998. 3. A multa de ofício foi de 75%, amparada no disposto no inciso I, do art. 44, da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 19 da Lei n° 9.317, de 1996. 4. A infração imputada ao contribuinte é omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados e insuficiência de recolhimentos em face da alteração da faixa de tributação. Consta do Termo de Verificação Fiscal e de Responsabilidade Tributária, fls. "108142, a Imputação de responsabilidade subsidiária a empresa Maximus Comercial de Alimentos, CNPJ 07.217.115/000181 por, em tese, ter restado caracterizada a transferência graciosa do fundo de comércio. 5. A ciência da exigência por ambas as pessoas jurídicas, ocorreu por via postal, em 17/11/2009 fls. 188 e 190. Da impugnação apresentada por Comercial de Alimentos Luin 6. Na impugnação de fls. 197264, por meio de procurador legalmente habilitado, instrumento de mandato à 11.265, a empresa alega que o ato administrativo decorre de ação inconstitucional da autoridade fiscal que invadiu seus dados bancários, devendo o mesmo ser declarado nulo e que o credito tributário constituído teve origem em ato ilegal e abusivo. 7. Alega que o disposto no § 2" do artigo 5" da Lei Complementar n" 105, de 2001 só permite acesso aos montantes globais e não a todas as movimentações havidas em suas contas correntes; que houve ilegalidade já desde o início da ação, com afronta ao direito de defesa, ao contraditório e da motivação do ato administrativo. 8. Sustenta que a autoridade fiscal invadiu sua intimidade sem a necessária motivação; reforça que o auto deve ser declarado nulo; que o fisco fez a lei tributária retroagir a fatos anteriores à sua vigência. Transcreve diversas manifestações doutrinárias e jurisprudenciais. 9. Prossegue afirmando que a origem do lançamento é inconstitucional, posto que o acesso a dados bancários está sujeito à prévia ordem judicial e, mais uma vez se socorre de jurisprudência e doutrina para clamar pela nulidade do auto. 10. Contesta a autuação por presunção, sem que o fisco caracterizasse ter havido o acréscimo patrimonial, o que torna o auto de infração ilegal. Sustenta que, se não houve acréscimo patrimonial ou mesmo a indicação de que os valores movimentados foram consumidos, tornase inválida a presunção do artigo 42 da Lei n" 9.430, de 1996. 11. Afirma que o auto de infração é insubsistente em face da ausência do fato gerador do imposto, tendo como sustentação, manifestação doutrinária, onde restam Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 661 4 enumeradas as diversas ocorrências que gerariam o crédito tributário dentre as quais os depósitos bancários não se encontram; afirma que os fatos que constituiriam hipótese de incidência dos tributos não ocorreram, tornando impróprio o crédito pretendido pelo fisco; que o presente lançamento também não pode ser arrimo para a exigência do PIS, COFINS, CSLL e INSS, por absoluta ausência de previsão legal; que as considerações doutrinárias que expõe reforçam suas alegações. 12. Argumenta no sentido de que os depósitos havidos na conta corrente ocorreram de forma transitória, sem que tivessem sido incorporados ao patrimônio da contribuinte; que houve afronta ao disposto no inciso III do artigo 153 da Constituição Federal; que a ação é inconstitucional; que as movimentações financeiras não constituem rendimentos seus; que tais valores foram creditados em sua conta e posteriormente foram sucumbidos, não havendo ganho de capital ou qualquer rendimento ou receita auferida; que o lançamento deve ser anulado; que o auto de infração seja julgado insubsistente e; que não restou caracterizada a culpa. 13. Taxa a multa exigida de ilegal e traça todo um arrazoado acerca da multa ; moratória; sustenta não ter havido a intenção de burlar o fisco, posto que ausente o dolo e a intenção de sonegar; que o administrador não pode deixar de atender aos fins sociais a que a lei se destina, devendo observar o comando do artigo 5" da Lei de Introdução ao Código Civil e, pede a aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional. 14. Caso sejam afastadas todas estas preliminares, invoca que a autoridade fiscal não pautou a ação nas regras assentadas na Lei Complementar n" 105, de 2001, que prevê a motivação expressa para o acesso aos registros bancários dos contribuintes colacionando manifestações jurisprudenciais do STF e entendimentos doutrinários. 15. Ao final pede: I) o recebimento da impugnação e o sobrestamento do processo até a decisão final; II) que o auto de infração seja declarado insubsistente; III) que o crédito tributário seja desconstituído; IV) que seja declarada a ausência do fato gerador do imposto; V) caso contrário, que seja declarada a não incidência tributária sobre depósitos bancários e, do mesmo modo, que seja declarada a inexistência de débito fiscal; VI) na hipótese de improcedência da impugnação, que seja isentada do pagamento da multa ou que esta seja limitada a 2%, à luz do que estabelece o Código de Defesa do Consumidor ou, ainda, que se admita a aplicação do percentual previsto no inciso 1 do art. 461 do Decreto n" 2.637, de 1998; VII) que os juros sejam limitados a 12% ao ano; V111) que o auto de infração seja declarado nulo por ofensa a princípios constitucionais e; 1X) que todos os pedidos sejam julgados procedentes. Da impugnação apresentada por Maximus Comercial de Alimentos Ltda 16. Na impugnação de fls. 266290 a pessoa jurídica a quem foi imputada a responsabilidade subsidiária pelo crédito lançado contra Comercial de Alimentos Luin Ltda, CNPJ 04.810.954/000110, alega que ao declarála responsável solidária, o auto de infração foi maculado por absoluta nulidade, uma vez que não lhe foi concedido o prévio e amplo direito de defesa; que os doutrinadores são unânimes ao exaltar a concessão do direito de defesa, conforme transcrições que enxerta aos autos; que não foi chamada aos autos para justificar os fatos geradores ou mesmo a inexistente ligação com a empresa autuada e; que não lhe foi oportunizado o direito de elucidar a origem dos depósitos mencionados. 17. Sustenta que inexiste no presente caso a solidariedade passiva tributária posto que desprovida de embasamento jurídico. Transcreve farta manifestação dos Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 662 5 tribunais para reafirmar que a atribuição a ela, da condição de devedora solidária é totalmente desapegada da legislação e foi justificada a partir de um complexo enredo envolvendo genitores, filhos e, endereços, sem que o fisco, ao menos, tivesse comprovado a incapacidade financeira da devedora principal. 18. Ao final, requer: I) o recebimento da impugnação e o sobrestamento do processo até a decisão final; II) que seja declarado insubsistente o lançamento impugnado; III) que , caso vencida a preliminar, pede que seja reconhecida a inexistência da solidariedade passiva tributária; 1V) que o débito seja desconstituído por nulidade e, V) que todos os pedidos sejam julgados procedentes. A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 204/320, julgou parcialmente procedente as impugnações apresentadas, mantendo as exigências de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição ao INSS, respectivas multas e juros de mora e afastou a atribuição de responsabilidade subsidiária à empresa Maximus Comercial de Alimentos Ltda, Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (330/384), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator. O recurso voluntário foi tempestivamente interposto e atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. PRELIMINAR NULIDADES Primeiramente cumpre registrar que o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 estabelece as seguintes hipóteses de nulidade das decisões: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Observase, pois, que este dispositivo não é aplicável ao presente caso. Logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração, haja vista que este foi lavrado pelo Auditor Fiscal competente para efetuar o lançamentos e devidamente identificado. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 663 6 Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. Adiante, a Recorrente teve o conhecimento da existência do procedimento fiscal, tendo sido concedido a este o direito amplo a defesa, bem com a ciência do lançamento, conforme fls. 55/98. Assim, os argumentos trazidos em sede de impugnação e replicados em sede recursal em relação a nulidade não devem prosperar, tendo a autoridade autuante agido em observância as normas legais. DA ILEGAL QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO A Recorrente se insurge contra a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Verificase que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancária tem fundamento na Constituição Federal, destacase: Art. 145 (...) § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Por sua vez, encontra guarida no CTN, a saber: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A Lei Complementar nº 105/2001 regulou os pormenores da solicitação de informações às instituições financeiras. Confirase: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 664 7 VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Notese que também foram editados Lei nº 10.174, de 2001 e o Decreto nº 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Inferese do apanhado legislativo a acima que o acesso às informações bancária não configura quebra do sigilo bancário, haja vista que as autoridades administrativas possuem tal condão durante todo o procedimento fiscalizatório. Isso, pois as informações se prestam apenas à constituição do crédito tributário ou eventual apuração do ilícito penal. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 665 8 Observase ainda que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, feita pelo Auditor Fiscal no curso da fiscalização efetuada em face da Recorrente, tem como matriz legal o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 que determina: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim, o fiscal agindo dentro das hipóteses específicas, em que o acesso é permitido, utilizando destes com o fim na constituição do crédito tributário, a prova obtida é válida para este fim. Nesse sentido, a mais recentemente decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314 SP, em 24/02/2016, tratou da matéria, com reconhecimento da repercussão geral prevista no art. 543 B do antigo CPC, tendo proferido acórdão assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. Em sua decisão, o Supremo Tribunal Federal fixou as seguintes teses na sistemática da repercussão geral: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para fiscal”. Embora a referida decisão do STF ainda não tenha transitado em julgado, restou confirmado a constitucionalidade da LC 105/01, afastando qualquer violação ao dispositivo constitucional relativo ao sigilo de dados. Ademais, esse artigo de lei está em plena vigência, não possuindo este CARF competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 666 9 Assim, entendo que a pretensão da Recorrente nesse sentido não deve prosperar. MÉRITO Como visto, a origem da ação fiscal foi em razão de omissão de receita apuradas por presunção legal a partir da falta de comprovação da origem dos depósitos efetuados em conta corrente de titularidade da Recorrente. A Recorrente também foi intimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais, além de seu contrato social e extratos bancários das contas correntes mantidas pela Caixa Economica Federal e ABN Amro Real SA, relativo aos fatos ocorridos no ano calendário de 2006. Com efeito, a Recorrente não tendo atendido a intimação, foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira – RMF (fls. 21/22), visando obter perante as instituições financeiras os extratos das contas correntes da Recorrente, nos termos do art. 6 da LC 105/01. Inferese que nos termos do art. 4º, §6º do Decreto 3.724/01, a RMF é indispensável ao andamento do procedimento fiscal em curso, pois esta tem o condão de confrontar o movimentação bancários (listadas às fls. 27/72) da Recorrente com a receita declarada no período. De posse dos documentos, a Fiscalização intimou o contribuinte a apresentar documentação comprobatória sobre a origem e natureza os valores lançados, que circularam pelas contas correntes, conforme listado pela fiscalização às fls. 26 a 72. Todavia, o contribuinte não apresentou nada nesse sentido. Desse modo, as movimentações financeiras realizadas no período (valores creditados nas contas bancária do contribuinte) foram consideras como receitas omitidas pela fiscalização, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, foram lavrados autos de infração com a exigência do crédito tributário na monta de R$ 1.772.303,31, relativo ao anocalendário de 2006. Feita narrativa dos fatos, passemos as razões de defesa da Recorrente: DO LANÇAMENTO FISCAL A Recorrente questiona a disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, com base na realização de depósitos em conta bancária a ele pertencente. Ressalta que os depósitos bancários, quando muito, poderiam configurar como mero indícios da aferição da renda, mas não como a própria renda ou provento exigido no caso em tela. Destaca que os depósitos bancários, por si só, não caracterizam o sinal de riqueza, necessitam de vários requisitos, a saber: perfeita identificação do sinal, fixação da renda tributável relacionado com o sinal, demonstração da natureza tributável do rendimento, etc. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 667 10 Adiante, alega que, o presente lançamento não pode ser arrimo para a exigência do PIS, COFINS, CSLL e INSS, por absoluta ausência de previsão legal; que as considerações doutrinárias que expõe reforçam suas alegações. Nessa inteira, argumenta no sentido de que os depósitos havidos na conta corrente ocorreram de forma transitória, sem que tivessem sido incorporados ao patrimônio da contribuinte; que houve afronta ao disposto no inciso III do artigo 153 da Constituição Federal; que a ação é inconstitucional; Tais argumentos não devem prosperar. Com o advento de legislações supervenientes, especificamente a Lei nº 9.430/96, o objeto da tributação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas a omissão de receitas por eles representada e exteriorizada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal legislação criou a presunção legal que vincula autoridade fiscal. Assim, quando presentes seus pressupostos, quais sejam, a intimação ao contribuinte e a não comprovação da origem dos recursos usados nos depósitos bancários, deve ser feito o lançamento tributando esses valores como omissão de receita., com base no referido artigo 42. Portanto, o objeto da autuação deixou de ser os depósitos bancários em si, mas sim a omissão de receita por eles representada e exteriorizada, nos termos do artigo 42 supra. Assim, as alegações da recorrente no sentido de que o lançamento com fulcro em depósitos bancários são ilegítimos pelo fato de não podermos conceituar tais atos jurídicos como renda tributável são improcedentes. Destaco, por oportuno, que o enquadramento legal utilizado nos autos de infração é o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Isso equivale dizer que omissão de receitas caracteriza pelos valores creditados em contas de depósito mantida perante as instituições financeiras, as quais a contribuinte regularmente intimada não comprovou a origem dos recursos usados nos depósitos bancários. Na situação atual, a presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Incumbe, portanto, a Recorrente o ônus da prova, por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo este negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação,. No caso em análise, a realidade, inconteste, é que a autuada movimentou valores em suas contas bancárias na Caixa Econômica Federal e no ABN Amro Real, que suplantaram em mais de 82% o montante das receitas que declarou à Receita Federal. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 668 11 Desse modo, entendo ser correta a autuação fiscal, tendo em vista que o titular da conta bancária pessoa física, o qual foi regularmente intimado não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta bancária, estando o Fisco autorizado a proceder o lançamento do imposto correspondente. Quanto à alegação de que a presente autuação, baseada em depósitos bancários cuja origem não restou comprovada não poderia servir de arrimo para os lançamentos de PIS, COFINS, CSLLL e INSS, também não merece prosperar. A Recorrente no período em análise era optante pelo Simples que é uma forma de tributação mais benéfica, cuja matriz legal é a Lei n° 9.317, de 1996. Nesse ponto a decisão pontua que: "(...) para os optantes pelo Simples, a tributação ocorre mediante a aplicação de percentuais estabelecidos em lei, sobre a base de cálculo que nada mais é do que a receita bruta acumulada no período. 83. A própria lei do Simples estabelece os percentuais a serem aplicados sobre a receita e, dentro de cada percentual está previsto o quantum será destinado a cada um dos tributos que compõem o Simples. 84. Assim, se a receita bruta acumulada serviu de base de cálculo para o Simples, os valores lançados, obrigatoriamente contemplarão parcelas de PIS, COFINS, CSLL e contribuição ao INSS. Tal fato é inerente à opção pela forma de tributação eleita pelo contribuinte, qual seja, o Simples." Irretocável, portanto, a decisão da DRJ nesse ponto. Diante o exposto, não restam dúvidas quanto a correção do procedimento adotado pela fiscalização, sendo considerados os depósitos efetuados na conta corrente da Recorrente como receita omitida, em decorrência da presunção legal, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto, combinado com o fato de que o interessado não apresentou qualquer tipo de prova que pudesse afastar a referida presunção de omissão de receitas. DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA E COMPROVAÇÃO DO DOLO Em relação à aplicação da multa qualificada, a fiscalização entendeu que houve dolo, em razão da conduta reiterada da Recorrente de declarar a menor receitas auferidas, conforme movimentação bancária não registrada, tendo a intenção de ocultar a receita. Apesar da apuração de receitas, com base na movimentação financeira considerada não comprovada, por si só não justifica a aplicação da multa qualificada nos termos da Súmula CARF n º 25, in verbis: Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 669 12 No presente caso, o dolo por parte da Recorrente ficou comprovado em virtude da prática reiterada de omissão de receita com relação a omissão e a falta de documentação comprobatória sobre a origem e natureza os valores lançados, que circularam pelas contas correntes, inclusive de cartão de crédito, conforme listado pela fiscalização às fls. 26 a 72. Com relação a multa de mora no percentual de 2 %, prevista no § 1° do art. 52 do Código do Consumidor (redação dada pelo art. 1º da Lei n ° 9.298, de 1996), não se aplica a débitos fiscais, e sim ao inadimplemento de obrigações pertinentes à concessão de crédito ou de financiamento de produtos ou serviços, disciplinados por aquele código (relações de consumo). Tanto que está escrito no referido dispositivo: "As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação". Sobre a aplicação dos juros SELIC sobre o crédito tributário, tal matéria já foi sumulada por este Tribunal Administrativo, a saber: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em inaplicabilidade do juros SELIC quando constatado período de inadimplência Concluise, portanto, que a multa de ofício e os juros de mora estão previstos na legislação tributária regente e foram devidamente aplicados pela autoridade fiscal. DOS TRIBUTOS REFLEXOS Os lançamentos relativos à Contribuição Social, Cofins, PIS e contribuição ao INSS objeto do presente processo constituem reflexos da exigência pertinente ao IRPJ. Conforme explanação feita nos itens precedentes deste voto, foi confirmada integralmente a exigência, inclusive no tocante à multa de ofício majorada e qualificada e aos juros de mora aplicados. Assim, tendo o lançamento observado o comando legal relativo ao Simples, entendo que deve ser mantido integralmente o crédito apurado em relação à Contribuição Social, Cofins, PIS e contribuição ao INSS, dado seu caráter reflexivo ao IRPJ. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10945.001591/200972 Acórdão n.º 1301003.003 S1C3T1 Fl. 670 13 (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720873/2012-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2010
RECICLAGEM. PAPEL/PAPELÃO. CLASSIFICAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO.
A produção de bobinas de papel e de chapas de papelão ondulado, a partir da utilização de papel e papelão recicláveis adquiridos de particulares ou não, classifica-se como industrialização.
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Consoante o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, incide juros à taxa Selic sobre as multas de ofício.
Numero da decisão: 9303-006.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2010 RECICLAGEM. PAPEL/PAPELÃO. CLASSIFICAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. A produção de bobinas de papel e de chapas de papelão ondulado, a partir da utilização de papel e papelão recicláveis adquiridos de particulares ou não, classifica-se como industrialização. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Consoante o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, incide juros à taxa Selic sobre as multas de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2010 RECICLAGEM. PAPEL/PAPELÃO. CLASSIFICAÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. A produção de bobinas de papel e de chapas de papelão ondulado, a partir da utilização de papel e papelão recicláveis adquiridos de particulares ou não, classificase como industrialização. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Consoante o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, incide juros à taxa Selic sobre as multas de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 08 73 /2 01 2- 14 Fl. 4895DF CARF MF Processo nº 10925.720873/201214 Acórdão n.º 9303006.683 CSRFT3 Fl. 4.896 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402003.140, de 19/07/2016, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2010 RECICLAGEM DE PAPEL E PAPELÃO. VALOR TRIBUTÁVEL PARA PRODUTOS USADOS. O cálculo do valor tributável de produtos usados submetidos à operação de renovação ou recondicionamento se aplica às operações em que ocorra a fabricação de chapas de papelão ondulado e rolos de papel a partir da reciclagem de aparas de papel e papelão (papel e papelão usados). EXIGÊNCIA NÃO CONTESTADA. Tornase definitiva a parcela da exigência não contestada pelo sujeito passivo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Considerase não formulado o pedido de diligência e de perícia que deixou de atender aos requisitos legais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Não incidem juros de mora sobre multa de ofício por ausência de previsão legal específica.” Os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conheceram do recurso, em relação às questões preclusas, e, na parte conhecida, por maioria de votos, deram lhe provimento para reconhecer a submissão da atividade do contribuinte à regra do art. 4º, inciso V, do RIPI/2002 e 2010, nos termos regulamentares, e para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra (i) a submissão (classificação) das operações do contribuinte à regra do art. 4º, inciso V, do RIPI/2002; e (ii) a exclusão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Como razões de mérito, alegou, em síntese, que a atividade exercida pelo contribuinte classificase como industrialização de transformação, nos termos do art. 4º, inciso I, do RIPI, tendo em vista que, a partir do seu processo produtivo, são fabricadas caixas novas de papelão e chapas de papelão ondulado. Quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício, alegou que esta integra o crédito tributário e, portanto, o seu pagamento, a destempo, está sujeito a juros de mora nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Fl. 4896DF CARF MF Processo nº 10925.720873/201214 Acórdão n.º 9303006.683 CSRFT3 Fl. 4.897 3 Por meio do Despacho às fls. 4.865/4.869, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido e do despacho de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional (fl. 4.879), o contribuinte não se manifestou. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. No recurso especial a Fazenda Nacional insurge contra: i) a classificação da atividade do contribuinte como de renovação e/ ou recondicionamento de embalagens; e ii) a exclusão da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. i) Atividade do contribuinte De acordo o Contrato Social, cláusula 4ª, o contribuinte tem como "objeto social o ramo da indústria de papel a partir da recuperação de fibras (aparas de papelão) e a fabricação de chapas de papelão ondulado". Também, conforme demonstrado e provado no Relatório de Encerramento de Atividade Fiscal à fls. 12/25, parte integrante do auto de infração, o contribuinte produziu, no período fiscalizado, a partir de papel e papelão recicláveis, adquiridos de particulares ou não, bobinas de papel e chapas de papelão ondulado. O Regulamento do IPI (RIPI) de 2002 e também o de 2010, vigentes à época dos fatos geradores, objetos do lançamento em discussão, assim dispunha, quanto à industrialização: "Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); (...). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados." No Relatório de Encerramento de Atividade Fiscal às fls. 12/25, a Fiscalização descreveu detalhadamente todo o processo industrial da produção das bobinas de Fl. 4897DF CARF MF Processo nº 10925.720873/201214 Acórdão n.º 9303006.683 CSRFT3 Fl. 4.898 4 papel e das chapas de papelão ondulado. É um processo complexo que envolve várias etapas, utilizando como matériaprima principal o papel e o papelão recicláveis, para a fabricação de novos produtos. Assim, a atividade do contribuinte classificase como industrialização, nos termos do art. 4º, inciso I, do RIPI/2002 e do RIPI/2010, citado e transcrito anteriormente, e não de alteração e apresentação dos produtos, conforme entendeu o Colegiado da Câmara baixa. ii) Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu § 1º que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/1996 determinou que, a partir de janeiro/1997, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic, quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, § 1º, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim que a própria Lei 9.430/1996, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo algumas recentes decisões da CSRF: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até Fl. 4898DF CARF MF Processo nº 10925.720873/201214 Acórdão n.º 9303006.683 CSRFT3 Fl. 4.899 5 o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri)." Assim, deve ser mantida a decisão "a quo" que manteve a exigência de juros de mora sobre o valor da multa de oficio, calculada à taxa Selic, desde a data de vencimento do crédito tributário, estabelecida no auto de infração, até sua liquidação. À luz do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 4899DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000262/2004-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/07/1999 a 30/09/2003
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF.
Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212(1991.
AUTUAÇÃO. FUNDAMENTOS. VINCULAÇÃO.
O julgamento dos processos administrativos referentes a lançamento devem tomar em conta os fundamentos adotados na autuação, não podendo extrapolá-los, de modo a emendar a autuação.
Numero da decisão: 3401-004.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 02, constante do voto, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 03 do voto.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/07/1999 a 30/09/2003 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU - 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de pagamento de tributos e encargos de multa. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212(1991. AUTUAÇÃO. FUNDAMENTOS. VINCULAÇÃO. O julgamento dos processos administrativos referentes a lançamento devem tomar em conta os fundamentos adotados na autuação, não podendo extrapolá-los, de modo a emendar a autuação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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LIMITE. PORTARIA MF. SÚMULA CARF 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF no 63, de 9/2/2017 (vigente a partir da data de publicação no DOU 10/02/2017) estabeleceu o limite de alçada para interposição de recurso de ofício como R$ 2.500.000,00, referente a exoneração de “pagamento de tributos e encargos de multa”. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplicase ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante no 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991. AUTUAÇÃO. FUNDAMENTOS. VINCULAÇÃO. O julgamento dos processos administrativos referentes a lançamento devem tomar em conta os fundamentos adotados na autuação, não podendo extrapolálos, de modo a emendar a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 02, constante do voto, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 03 do voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 62 /2 00 4- 25 Fl. 1394DF CARF MF 2 Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 153 a 1671, datado de 17/03/2004 (com ciência em 08/04/2004 – fl. 168), para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP, referente ao período de outubro de 1997 a setembro de 2003, no valor original de R$ 1.596.078,06, acrescido de juros de mora e de multa de ofício (75 %), por falta de recolhimento em virtude de divergências entre os valores declarados e os escriturados nos livros Registros de Saídas e Registro de Apuração o ICMS, e em DIPJ (Fichas 6A e 19A, de 1999 a 2002). Em Impugnação (fls. 174 a 182), argumentou a empresa, em síntese, que: (a) houve cerceamento do direito de defesa, pela não devolução de diversos livros fiscais (relacionados à fl. 175), demandando reabertura de prazo para impugnação; (b) os dados constantes da autuação não condizem com a contabilização apresentada, e são discrepantes da realidade operacional da empresa (confronto efetuado na tabela de fls. 177 a 180); (c) de janeiro a dezembro de 2003, deixou o autuante de considerar a alteração promovida na legislação que rege a contribuição; (d) não foram computadas as devoluções de mercadorias, de outubro a dezembro de 2003; (e) em autuação distinta, sobre COFINS, as bases de cálculo são diferentes das utilizadas no presente lançamento; e (f) restam atingidos pela prescrição os valores exigidos referentes aos períodos de outubro de 1997 a fevereiro de 1998. Em 25/10/2004, a DRJ converte o julgamento em diligência, pelo despacho de fls. 1049 a 1052, para que a unidade forneça esclarecimentos complementares em relação a oito itens, respondidos às fls. 1088 a 1092, admitindose a devolução dos livros após a autuação, com proposta de reabertura de prazo de impugnação, e que alguns valores (julho/1999, e janeiro a setembro/2003) foram indevidamente lançados e devem ser excluídos da autuação. Ciente da análise fiscal em 04/04/2005 (fl. 1094), a empresa apresenta aditivo à impugnação (em 16/04/2005 – fls. 1091 a 1098), reiterando que houve cerceamento do direito de defesa, que os valores do lançamento não correspondem aos escriturados, mas a planilhas elaboradas pela própria fiscalização, e ratificando a exclusão dos valores que a própria fiscalização entendeu indevidos. A DRJ converte novamente o julgamento em diligência em 15/06/2005 (fls. 1206/1207), para que sejam juntados aos autos cópia dos Livros Diário e Razão dos anos calendários 2000, 2001 e 2002, onde constem o total das receitas de vendas de mercadoria, nos períodos de apuração. A empresa peticiona à fl. 1214, informando que as cópias de tais livros já se encontravam anexadas aos autos, e, posteriormente, à fl. 1216, comunicando que colacionava o teor dos livros, às fls. 1218 a 1274. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.741 S3C4T1 Fl. 1.395 3 A decisão de primeira instância, proferida em 29/11/2005 (fls. 1278 a 1290) foi, unanimemente, pela parcial procedência do lançamento, excluindose os valores referentes ao fato gerador ocorrido em 31/07/1999 e os períodos atinentes aos anoscalendários 2000, 2001, 2002 e 2003, sob os fundamentos de que: (a) houve saneamento do processo com a devolução do prazo para complementação da impugnação; (b) o prazo decadencial para exigência das contribuições é de dez anos, conforme artigo 45 da Lei no 8.212/1991; (c) devem ser excluídos do lançamento os valores que a própria fiscalização assumiu como indevidos; e (d) devem ser excluídos os lançamentos referentes a 2000, 2001 e 2002, por estar confirmada nos livros apresentados a escrituração fiscal da empresa. Em função do valor exonerado, houve interposição de recurso de ofício. Após ciência da decisão da DRJ, em 09/01/2006 (fl. 1292), a empresa apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1296 a 1299, em 03/02/2006, não questionando a decadência, mas juntando livros referentes ao período com a alegação e que provariam o recolhimento em harmonia com a legislação da época. No CARF, por meio da Resolução no 3401000.218, de 03/02/2011 (fls. 1374 a 1379), o julgamento foi convertido em diligência, basicamente para aferição da efetiva base de cálculo dos períodos de apuração mantidos pela decisão de primeira instância, à luz dos documentos coligidos pelo recorrente, sem prejuízo de outros elementos que a fiscalização reputasse necessários. No Relatório Fiscal de fl. 1388, a fiscalização afirma que os valores aferidos estão em planilhas de cálculo (fls. 1385 a 1387). Cientificada a empresa do relatório em 19/05/2017 (fl. 1389), não consta que tenha havido manifestação adicional sua. No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em julho de 2017. Em janeiro, fevereiro e março de 2018, o processo foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto ao recurso de ofício, percebe se que o valor exonerado a título de principal resulta em um total de crédito tributário de R$ 2.519.772,36, a título de tributos e multa, conforme tabela a seguir: Tabela 01: Valores exonerados pela DRJ Tributo exonerado Multa exonerada Total exonerado jul/99 8.590,41 6.442,81 15.033,22 jan/00 33.062,08 24.796,56 57.858,64 fev/00 30.830,17 23.122,63 53.952,80 mar/00 33.050,98 24.788,24 57.839,22 Fl. 1396DF CARF MF 4 abr/00 25.402,24 19.051,68 44.453,92 mai/00 30.441,54 22.831,16 53.272,70 jun/00 28.899,96 21.674,97 50.574,93 jul/00 35.324,52 26.493,39 61.817,91 ago/00 33.926,97 25.445,23 59.372,20 set/00 35.513,41 26.635,06 62.148,47 out/00 38.141,53 28.606,15 66.747,68 nov/00 39.157,56 29.368,17 68.525,73 dez/00 36.719,69 27.539,77 64.259,46 jan/01 30.412,31 22.809,23 53.221,54 fev/01 30.485,85 22.864,39 53.350,24 mar/01 35.148,92 26.361,69 61.510,61 abr/01 30.651,23 22.988,42 53.639,65 mai/01 32.772,27 24.579,20 57.351,47 jun/01 29.082,66 21.812,00 50.894,66 jul/01 30.968,39 23.226,29 54.194,68 ago/01 27.137,55 20.353,16 47.490,71 set/01 33.328,31 24.996,23 58.324,54 out/01 35.093,90 26.320,43 61.414,33 nov/01 26.723,75 20.042,81 46.766,56 dez/01 34.152,32 25.614,24 59.766,56 jan/02 29.005,57 21.754,18 50.759,75 fev/02 23.662,22 17.746,67 41.408,89 mar/02 24.703,04 18.527,28 43.230,32 abr/02 22.771,20 17.078,40 39.849,60 mai/02 26.705,14 20.028,86 46.734,00 jun/02 24.166,44 18.124,83 42.291,27 jul/02 26.015,77 19.511,83 45.527,60 ago/02 24.066,99 18.050,24 42.117,23 set/02 14.447,47 10.835,60 25.283,07 out/02 27.773,88 20.830,41 48.604,29 nov/02 25.118,13 18.838,60 43.956,73 dez/02 30.813,36 23.110,02 53.923,38 jan/03 45.025,48 33.769,11 78.794,59 fev/03 39.953,62 29.965,22 69.918,84 mar/03 43.648,59 32.736,44 76.385,03 abr/03 36.936,14 27.702,11 64.638,25 mai/03 35.323,09 26.492,32 61.815,41 jun/03 32.558,97 24.419,23 56.978,20 jul/03 36.485,85 27.364,39 63.850,24 ago/03 38.739,96 29.054,97 67.794,93 set/03 46.930,49 35.197,87 82.128,36 TOTAL 1.439.869,92 1.079.902,44 2.519.772,36 Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.741 S3C4T1 Fl. 1.396 5 Sobre a interposição de recurso de ofício, assim dispõe o Decreto no 70.235/1972, que regula o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário: “Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda” (...) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” (grifo nosso) Como dispõe a Súmula CARF no 103, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, que: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. E, na data de apreciação em segunda instância, vige o limite fixado na Portaria MF no 63, de 09/02/2017, de R$ 2.500.000,00, cabendo ser conhecido o recurso de ofício apresentado. No mérito, em relação ao Recurso de Ofício, dois dos três temas resultantes em exoneração (alegação de pagamento e de créditos da nãocumulatividade desconsiderados) sequer foram originados da DRJ, mas resultaram, em verdade, de revisão efetuada em sede de diligência pela própria fiscalização, que defendeu sua exclusão do lançamento (fls. 1089 e 1092): E o tema derradeiro que resultou em exoneração pela DRJ (exigências referentes aos anoscalendários 2000, 2001 e 2002) decorre da alegação fiscal incorreta de que os valores extraídos do Livro de Apuração do ICMS eram superiores aos constantes em DCTF e DIPJ. Fl. 1398DF CARF MF 6 Tendo a empresa trazido aos autos na fase litigiosa cópias dos referidos livros, e confirmada a compatibilidade dos valores informados, endossada ainda pelos Livros Diário e Razão, não deve prosperar o lançamento, fundamentado em premissas equivocadas. Reparese qual o fundamento da autuação, aqui integralmente transcrito, pela pouca extensão (fl. 154): A fundamentação é calcada na divergência entre valores declarados (nas DIPJ, que foram anexadas às fls. 11 a 80) e escriturados (nos livros de registro de saída – fls. 133 a 146, e apuração de ICMS – fls. 109 a 132, que estariam sintetizados nas planilhas anexas – fls. 85/86), resultando na apuração constante às fls. 87 a 108. Anexos ainda à autuação excertos de cópias do livro Diário, de agosto a dezembro de 1999 (fls. 147 a 152). A DRJ, após conversão em diligência para esclarecimentos, decidiu, em relação aos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002, que (fl. 1289): A DRJ não anexa nenhum quadro onde se possa verificar que, efetivamente, os valores escriturados nos dos livros coincidem com os declarados em DCTF/DIPJ. Verificando os valores constantes da autuação, à luz de sua fundamentação, em cotejo com as declarações e a escrituração, para os períodos exonerados sob o fundamento de não haver Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.741 S3C4T1 Fl. 1.397 7 divergência, percebemos que não há total coincidência de valor, como aponta a DRJ, mas coincidência “quase total” de valores, restando algum saldo, conforme tabela a seguir: Tabela 02: Cotejamento de valores exonerados pela DRJ Fato Gerador BC Declarado em DIPJ fls. 25 a 80 (R$) BC Escriturado no livro do registro de apuração do ICMS, segundo a fiscalização (fls. 85/86) BC Diferença lançada (R$) 0,65% x diferença lançada (R$) 0,65% x valor declarado em DIPJ (R$) = valor pago BC Escriturado no livro do registro de apuração do ICMS, segundo cópias juntadas (fls. 310/426 e 1101 a 1178) Diferença entre BC DIPJ e Livro ICMS juntado (R$) PIS devido, segundo os fundame ntos da autuaçã o (R$) 31/01/2000 1303033,67 6389509,9 5086475,38 33062,09 8469,72 1303374,54 340,87 2,22 29/02/2000 1357326,15 6100428,21 4743103,08 30830,17 8822,62 1358431,15 1105,00 7,18 31/03/2000 1411620,00 6496387,86 5084767,69 33050,99 9175,53 1412364,02 744,02 4,84 30/04/2000 1468084,62 5376123,8 3908038,46 25402,25 9542,55 1468743,54 658,92 4,28 31/05/2000 1585530,77 6268846,53 4683315,38 30441,55 10305,95 1587105,71 1574,94 10,24 30/06/2000 1637061,54 6083210,46 4446149,23 28899,97 10640,90 1642988,8 5927,26 38,53 31/07/2000 1713676,00 7148218,42 5434541,54 35324,52 11138,89 1713676 0,00 0,00 31/08/2000 1779587,69 6999123,38 5219535,38 33926,98 11567,32 1782780,69 3193,00 20,75 30/09/2000 1747766,38 7211367,1 5463601,54 35513,41 11360,48 1747766,38 0,00 0,00 31/10/2000 1887498,51 7755428,37 5867929,23 38141,54 12268,74 1887498,51 0,00 0,00 30/11/2000 1902491,44 7926730,28 6024240,00 39157,56 12366,19 1902491,44 0,00 0,00 31/12/2000 2508910,65 8158074,57 5649183,08 36719,69 16307,92 2512024,71 3114,06 20,24 31/01/2001 2609266,83 7288085,67 4678818,46 30412,32 16960,23 2610216,47 949,64 6,17 28/02/2001 2199437,90 6889569,12 4690130,77 30485,85 14296,35 2215510,45 16072,55 104,47 31/03/2001 2581824,62 7989351,67 5407527,69 35148,93 16781,86 2583295,33 1470,71 9,56 30/04/2001 2701443,12 7417018,97 4715573,85 30651,23 17559,38 2701443,12 0,00 0,00 31/05/2001 2880149,10 7922038,19 5041889,23 32772,28 18720,97 2881005,50 856,40 5,57 30/06/2001 2851192,08 7325448,64 4474256,92 29082,67 18532,75 2851192,08 0,00 0,00 31/07/2001 2265239,76 7029609,04 4764369,23 30968,40 14724,06 2265239,76 0,00 0,00 31/08/2001 2446458,94 6621466,96 4175009,23 27137,56 15901,98 2446458,94 0,00 0,00 30/09/2001 2074630,17 7202062,9 5127432,31 33328,31 13485,10 2074630,17 0,00 0,00 31/10/2001 2401002,28 7800063,41 5399061,54 35093,90 15606,51 2401002,28 0,00 0,00 30/11/2001 2001252,40 6112600,91 4111347,69 26723,76 13008,14 2001252,40 0,00 0,00 31/12/2001 1110001,32 6364204,9 5254203,08 34152,32 7215,01 1270208,82 160207,50 1041,35 31/01/2002 835243,66 5297639,9 4462396,92 29005,58 5429,08 836960,89 1717,23 11,16 28/02/2002 838004,21 4478346,63 3640341,54 23662,22 5447,03 838529,21 525,00 3,41 31/03/2002 851024,12 4651493,32 3800469,23 24703,05 5531,66 852935,01 1910,89 12,42 30/04/2002 848489,99 4351751,97 3503261,54 22771,20 5515,18 849146,17 656,18 4,27 31/05/2002 901444,12 5009927,35 4108483,08 26705,14 5859,39 1433033,87 531589,75 3455,33 30/06/2002 957753,18 4675669,57 3717915,38 24166,45 6225,40 1141836,67 184083,49 1196,54 31/07/2002 499401,42 4501829,97 4002427,69 26015,78 3246,11 703365,20 203963,78 1325,76 Fl. 1400DF CARF MF 8 31/08/2002 490529,48 4193142,4 3702613,85 24066,99 3188,44 798347,69 307818,21 2000,82 30/09/2002 480012,28 2702702,24 2222689,23 14447,48 3120,08 1141535,12 661522,84 4299,90 31/10/2002 481001,42 4753906,23 4272904,62 27773,88 3126,51 821452,14 340450,72 2212,93 30/11/2002 500122,41 4364452,9 3864329,23 25118,14 3250,80 848765,11 348642,70 2266,18 31/12/2002 515476,12 5255993,32 4740518,46 30813,37 3350,59 897243,31 381767,19 2481,49 TOTAL 20545,61 Assim, considerando exclusivamente os fundamentos adotados na autuação, que não podem ser emendados por este tribunal administrativo, e tendo em conta que ainda restam diferenças não justificadas entre os valores escriturados (juntados aos autos, e com autenticidade não questionada pela fiscalização) e declarados, dou parcial provimento ao recurso de ofício, conforme a tabela retro, mantendo o lançamento para o período de janeiro/2000 a dezembro/2002, nos valores constantes da última coluna da tabela retro. No que se refere ao montante mantido pelo julgador de piso, a peça recursal argumenta que os recolhimentos foram conformes à legislação de regência (fls. 1298/1299): Retomese que o fundamento da fiscalização para a lavratura da autuação nos períodos com valores mantidos pela DRJ é idêntico ao adotado para os períodos já analisados. Sobre tais períodos (anocalendário 1999), assim dispôs a DRJ: Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.741 S3C4T1 Fl. 1.398 9 Realmente, o único período para o qual a autuação anexou Livro Diário e Livro de Registro de Saídas (praticamente ilegíveis) foi o de julho a dezembro de 1999. No entanto, não se aclara como, a partir de tais documentos, apurouse a divergência, repitase, que fundamenta a autuação, entre valores escriturados e declarados. E, da mesma forma que a DRJ não detalhou as exonerações, igualmente não apresentou tabela comparando as bases mantidas com aquelas apresentadas nos documentos, limitandose a afirmar que, da mesma forma que nos demais períodos, a cópia do registro de apuração do ICMS juntada apresenta valores condizentes com as declarações (DCTF e DIPJ), mas que não as aceitou por não restarem confirmadas pelo Livro Diário. Há que se verificar, no entanto, o efetivo cotejamento das informações com os documentos anexados aos autos, à luz dos fundamentos da autuação, tarefa que se leva a cabo na tabela a seguir: Tabela 03: Cotejamento de valores mantidos pela DRJ Fato Gerador BC Declarado em DIPJ fls. 14 a 16 (R$) BC Escriturado no livro do registro de apuração do ICMS, segundo a fiscalização (fls. 85/86) BC Diferença lançada (R$) 0,65% x diferença lançada (R$) 0,65% x valor declarado em DIPJ (R$) = valor pago BC Escriturado no livro do registro de apuração do ICMS, segundo cópias juntadas (fls. 432 a 447) Diferença entre BC DIPJ e Livro ICMS juntado (R$) PIS devido, segundo os fundamentos da autuação (R$) 31/08/1999 792961,80 5114578,46 4321616,66 28090,51 5154,25 794053,80 1092,00 7,10 30/09/1999 817722,00 5505779,09 4688057,09 30472,37 5315,19 817722 0,00 0,00 31/10/1999 849980,67 5622937,74 4772957,07 31024,22 5524,87 937477,37 87496,70 568,73 30/11/1999 854398,67 5049609,59 4195210,92 27268,87 5553,59 854690,77 292,10 1,90 31/12/1999 1193735,67 7247689,68 6053954,01 39350,70 7759,28 1194035,7 300,00 1,95 Da mesma forma em que para os demais períodos, considerandose exclusivamente os fundamentos adotados na autuação, que não podem ser emendados por este tribunal administrativo, e tendo em conta que restam diferenças não justificadas entre os valores escriturados (juntados aos autos, e com autenticidade não questionada pela Fl. 1402DF CARF MF 10 fiscalização) e declarados, entendo que deve ser dado parcial provimento ao recurso voluntário, mantendose o lançamento exclusivamente em relação aos valores constantes da última coluna da tabela retro. Por fim, ainda que não haja expressa demanda recursal, por se tratar de matéria de ordem pública, há que se destacar que há valores lançados em 08/04/2004 (fl. 168), ainda que ínfimos, mas que se referem a fatos geradores de 31/10/1997 e 28/02/1998: A DRJ entendeu pela manutenção do lançamento em relação a tais períodos com fundamento no artigo 45 da Lei no 8.212/1991 (que estabelece prazo decadencial de dez anos). Contudo, a Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal (publicada em 12/09/2008, após o julgamento de primeira instânciaDRJ) estabeleceu que são inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. E dispõe o caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988 que: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” (grifo nosso) Aplicase, assim, ao caso, o prazo decadencial de cinco anos, estabelecido no Código Tributário Nacional, já não se podendo exigir as citadas contribuições lançadas. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 02, constante do voto, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em relação aos valores constantes na última coluna da Tabela 03 do voto. Rosaldo Trevisan Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 18471.000262/200425 Acórdão n.º 3401004.741 S3C4T1 Fl. 1.399 11 Fl. 1404DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.900768/2008-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO.
O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
Numero da decisão: 9303-006.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 07 68 /2 00 8- 65 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10950.900768/200865 Acórdão n.º 9303006.585 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3803002.802, de 25 de abril de 2012 (efolhas 66 e segs), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, situação que corresponde, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10950.900768/200865 Acórdão n.º 9303006.585 CSRFT3 Fl. 4 3 inclusive, a pagamento efetuado fora do vencimento e dentro do prazo da apresentação da DCTF. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 76 e segs) referese à exigência de multa de mora no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos a destempo sem prévia declaração em DCTF. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 92 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 96 e segs. Requer Defende que não seja admitido o recurso especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial A contrarrazoante considera que não foi devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial necessária à admissão do recurso especial. Assim entende porque Observase, nessa linha, que os acórdãos indicados como paradigmas foram proferidos anteriormente a essa decisão do STJ em que amparado o entendimento do acórdão recorrido. Logo, dela não trataram nem tergiversaram E porque, alegadamente, não haveria semelhança nos contextos fáticos dos acórdãos paradigma e do acórdão recorrido. Concessa venia, entendo que esteja, sim, demonstrada a divergência. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10950.900768/200865 Acórdão n.º 9303006.585 CSRFT3 Fl. 5 4 Primeiro, como fica claro do excerto que segue, extraído do corpo do despacho de admissibilidade do recurso especial, ao contrário do asseverado, os acórdãos paradigma levaram, sim, em consideração a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Importante transcrever excertos do voto vencedor proferido no paradigma 9101 00.431, para atestar o entendimento adotado naquele julgado: "Segundo o entendimento pacificado pela 1ª seção do STJ, a apresentação de declaração (obrigação acessória) pelo contribuinte é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa qualquer outra providencia por parte do Fisco. Tal entendimento foi, inclusive, objeto da súmula nº 360, vejamos: 'Súmula 360. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regulamente declarados, mas pagos a destempo. Ademais, a cognição lógicojurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Observese a abordagem do assunto, no fragmento a seguir transcrito, desta feita, extraído do próprio acórdão paradigma nº 910100.431. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido, ainda que de forma integral, não se configura Denúncia Espontânea (art. 138 do CTN), não podendo o contribuinte usufruir de suas benesses. No presente caso, por ter o débito sido pago em data anterior a qualquer procedimento da administração tributária e/ou declaração do sujeito passivo informando o tributo devido, resta configurado o instituto da denúncia espontânea, sendo este, Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10950.900768/200865 Acórdão n.º 9303006.585 CSRFT3 Fl. 6 5 inclusive o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, vejamos: (grifos meus) (...) Como se vê, a condição identificada pelo Relator do feito para o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. Mérito A matéria em litígio não é novidade para este Colegiado. Pelo menos por meio dos acórdãos nºs 9303004.191, 9303003.489, 9303003.490, 9303003.364, 9303 003.220, 9303003.203 , 9303003.202, o assunto foi discutido e decidido no mérito. Como é de sabença, o Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, decidiu, nos autos do processo nº 2007/01428689, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10950.900768/200865 Acórdão n.º 9303006.585 CSRFT3 Fl. 7 6 (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mais tarde, no REsp 1149022, da relatoria do Ministro Luiz Fux, ficou consignado o entendimento de que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do tributos sujeito a lançamento por homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a declaração. A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. Noutro giro, é translúcido o entendimento de que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (item 7 da ementa a seguir transcrita). EMENTA 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10950.900768/200865 Acórdão n.º 9303006.585 CSRFT3 Fl. 8 7 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10950.900768/200865 Acórdão n.º 9303006.585 CSRFT3 Fl. 9 8 (REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. Em acréscimo, destacase que, por força do disposto no art. 21 da Lei nº 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19 da Lei nº 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, com base nas disposições do art. 2º, inciso VII, da Portaria PGFN Nº 502/2016, especifica em seu site uma relação de temas que não devem mais ser objeto de recurso. Dentre eles está elencado a denúncia espontânea, nos seguintes termos. 1.13 Denúncia espontânea a) Declaração parcial Diferença a maior Multa moratória REsp 1.149.022/SP (tema nº 385 de recursos repetitivos) Resumo: (i) A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; e (ii) A denúncia espontânea exclui a multa moratória. Vide Atos Declaratórios nº 08/2011 e nº 04/2011. Ressaltase que ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ entendem, de maneira pacífica, que, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, mas foi pago, podese configurar a denúncia espontânea, desde que ocorram as demais hipóteses do art. 138 do CTN (REsp 1155146/AM, AgRg nos EDcl no Ag 1009777/SP, AgRg no REsp 1046285/MG e AgRg no REsp 1046285/MG). Todavia, isso não afasta a tese firmada no tema nº 61 de recursos repetitivos Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10950.900768/200865 Acórdão n.º 9303006.585 CSRFT3 Fl. 10 9 (REsp's nº 962.379/RS e nº 886.462/RS), no sentido de que "Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral". Vide, ainda, a Súmula 360/STJ. I (grifos meus) Neste mesmo sentido, recente decisão tomada por meio do acórdão nº 9303 004.431, de 07 de dezembro de 2016, da relatoria do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/12/2003 a 31/07/2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. A denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. No caso concreto, é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962006/2008-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para oportunizar a juntada de documentos hábeis para comprovar a ocorrência de equívoco, tais como, escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial. Os conselheiros Orlando Rutigliani Berri e Cássio Schappo acompanharam o relator pelas conclusões.
Relator(a): RENATO VIEIRA
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para oportunizar a juntada de documentos hábeis para comprovar a ocorrência de equívoco, tais como, escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial. Os conselheiros Orlando Rutigliani Berri e Cássio Schappo acompanharam o relator pelas conclusões. Relator(a): RENATO VIEIRA (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário cujo cerne da discussão invoca o direito à compensação sob a alegada ocorrência de erro na apuração da COFINS, vez que, por estar RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 00 6/ 20 08 -2 3 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 90 2 submetida, simultaneamente, ao regime cumulativo e não cumulativo, classificara, no primeiro, quando, segundo roga, deveria ter debelado a segunda sistemática do tributo. Despacho Decisório A recorrente indica ter submetido à compensação, mediante a respectiva apresentação e envio de DComp, crédito oriundo de pagamento indevido, obtendo, como resposta, despacho cujo teor indicava a Não Homologação do crédito indicado Manifestação de Inconformidade A requerente narra ter apresentado DComp na qual pretendia efetuar a compensação de débito de Cofins, com parte do crédito proveniente do recolhimento indevido do mesmo tributo relativo a período anterior, realizado através de DARF mencionada dos autos. Iresignase em face da decisão emanada de Despacho Decisório cujo teor normativo não homologou a compensação, motivo pelo qual, manejou defesa alegando o que se segue. Origem do Crédito A fim de demonstrar a origem do crédito rogado, a contribuinte indica o período de apuração e sua devida declaração em DCTF original e tempestiva. Todavia, argumenta que por estar submetida, simultaneamente, ao regime cumulativo e não cumulativo, aduziu em seu favor, que na competência reclamada nestes autos. Para comprovar a correta aplicação da legislação, se 9.718/98, ou, 10.637/02, aponta para a DIPJ do ano calendário correspondente, que já corrigia a forma de apuração da Cofins, conforme declarada em DCTF original. DCTF Retificadora Em sua defesa, ainda, alega ter recebido a notificação dandolhe ciência da decisão emanada pelo combatido despacho, momento após o qual promoveu a devida verificação em sua DCTF anteriormente enviada, para, em seguida, retificar e enviar a informação pelo meio devido. Em que pese a posteridade, em relação ao Despacho Decisório, evidencia a anterioridade da informação constante em DIPJ, como indício de sua lealdade. Constatada a divergência entre DIPJ e DCTF, sanoua, a seu favor. Para melhor visualização, montou planilha demonstrativa remontando o raciocínio matemático empreendido. Documentos Acostados A fim de sustentar a existência de crédito em seu favor, juntou nestes autos cópias do despacho decisório, declaração de compensação, DARF, DCTF e DIPJ. DRJ/SP1 A manifestação de inconformidade recebeu a seguinte ementa: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 91 3 Acórdão 1640.579 6 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem sintetizar a lide, merece ser transcrito: Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 7 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estava integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 16/01/2009 (fl. 11), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 16/02/2009 (fls. 12/17), na qual alega que : no período de apuração maio/2004, a requerente apurou valor devido ao COFINS com base no regime CUMULATIVO, no total de R$ 3.873,63, como informado em DCTF do 2º Trimestre/2004 (doc. nº 07). Ocorre que essa apuração inicial se mostrou equivocada. De fato, em virtude de possuir receitas classificadas no regime cumulativo e/ou nãocumulativo, foram, no curso de 2004, refeitas as apurações a fim de que retratassem os valores devidos correspondentes aos dois regimes, respeitandose os exatos termos das Leis nºs 9.718/98 (regime cumulativo) e 10.637/02 (regime nãocumulativo). Vejase, nesse sentido, que a DIPJ do anocalendário de 2004, exercício 2005, transmitida em 29/06/2005 (doc. nº 08), já Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 92 4 corrigia a informação errônea contida na DCTF original, e apontava que o saldo devedor de COFINS cumulativo –ficha 25 – era ZERO, no mês de maio/2004. Logo, todo o recolhimento feito através de DARF, em 15/06/2004, no montante de R$ 3.873,63 (doc. nº 06), a título de COFINS cumulativo era INDEVIDO, devendo ser compensado. A manifestante prossegue alegando que ao receber a notificação do Despacho Decisório acima referido, promoveu a verificação da DCTF que apresentou à DRFB e constatou que a retificação da apuração da COFINS, para o período referido, não havia sido refletida na DCTF da época, muito embora tivesse dado a correta informação na DIPJ, AC 2004, exercício 2005. Constatada a divergência, a requerente promoveu a retificação da DCTF (número de controle 33.94.83.76.18) (doc. nº 09), tornando homogêneas as informações constantes da DIPJ e da DCTF, nas quais estão demonstrados os valores devidos e corretos, concluindose pela existência do crédito que corretamente propiciou a compensação efetuada no PERDCOMP objeto da intimação. A interessada conclui seus argumentos nestes termos: Portanto, não resta dúvida de que através da correta apuração do COFINS, informada na DIPJ/2005, ano calendário 2004, e na DCTF retificadora, em anexo, a requerente comprovou que possuía crédito suficiente para as compensações efetuadas DCTF Retificadora Após Despacho Decisório Ao longo do seu voto, extraiuse os trechos que demonstram os fundamentos da negativa do crédito, mister ressaltarse em especial o seguinte trecho: A DCTF retificadora, porque apresentada após a ciência do Despacho Decisório, em 10/12/2008 (fl. 45), não tem o condão de fazer, por si só, nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito Outro trecho essencial à compreensão da decisão combatida, tratase a exigência, por parte do colegiado de piso, em estar nos autos, elementos mais robustos cuja função seria a efetiva comprovação da ocorrência de erro na apuração. A contribuinte trouxe também aos autos cópia das Fichas 24 e 25 de sua DIPJ 2005 (fl. 43/44), afirmando que por tal documento já teria corrigido a informação errônea contida na DCTF original. Entretanto, esse documento é apenas outra declaração da interessada, assim como a DCTF, porém, sem o mesmo valor. Isso porque, ao contrário da DCTF, a DIPJ não tem natureza de confissão de dívidas. Por essa razão, não se pode nem cogitar de tal declaração ter corrigido a DCTF. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 93 5 Na verdade, para que os dados declarados em DIPJ fossem considerados corretos, infirmando aqueles confessados em DCTF e demonstrando a liquidez e certeza de todo o crédito a compensar, seria necessário que a interessada trouxesse aos autos documentos outros que corroborassem a apuração do tributo ali declarado. Recurso Voluntário Em sua peça recursal, a recorrente limitouse a, novamente, delimitar os fatos necessários à compreensão desta lide, que, em breve resumo, limitase a devolver a este Conselho a regularidade da compensação efetivada sobre crédito devido a título de pagamento indevido. Menciona a decisão de piso que confirmou o entendimento expresso no Despacho Decisório, no sentido de não considerar homologado a compensação. Pagamento Indevido Indica, a recorrente, a ocorrência de pagamento indevido haja vista ter submetido ao tratamento cumulativo, receita cujo regime legal tributário acercase do tratamento não cumulativo. Meios de Prova Em seu Recurso Voluntário, indica a eficiência da DIPJ, DACON e DCTF Retificadora, como aptos à comprovação da ocorrência do pagamento indevido. DCTF Retificadora Indica, sobretudo, neste momento processual, a efetividade da DCTF retificadora como meio apto à comprovação do alegado crédito. Como forma retórica, repete planilhas apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Ao final, menciona jurisprudências do TRF3 e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário que clama pela legitimidade de compensação de crédito cuja origem terseia configurado em decorrência da indevida apuração de Cofins pela metodologia não cumulativa. A questão gira em torno dos meios de prova aptos a comprovar a ocorrência do mencionado pagamento indevido. Para a contribuinte, o pagamento indevido, ocasionado pela equivocada apuração de Cofins não cumulativo, estaria comprovado com o confronto da DCTF e DACON, além da planilha demonstrativa da apuração da Cofins, apresentada após o despacho decisório, pois acredita que, em seu conjunto, tal documentação detém capacidade probatória suficiente para a demonstração do crédito, originalmente apontado na DCTF original. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 94 6 Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado, qual seja, os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento indevido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Trata das decisões em sede de despacho decisório, acerca do controverso assunto das análises eletrônicas de DComp. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 95 7 DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 96 8 que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 97 9 Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Das Conversões em Diligência A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 98 10 o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 99 11 Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.962006/200823 Resolução nº 3001000.066 S3C0T1 Fl. 100 12 Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito, e, em perfazimento à orientação acima exposta, julgo conveniente a conversão deste processo em diligência, para oportunizar ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal colacionada aos autos, a origem dos valores trazidos à compensação. Demonstradas as operações, e confirmada a estreiteza do regime aplicado, configurado estará o erro material cometido, e, portanto, a legalidade das DIPJ e DACON que condizem com a DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720387/2012-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA.
Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010.
Numero da decisão: 3002-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 03 87 /2 01 2- 39 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 17437.720387/201239 Acórdão n.º 3002000.094 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de IPI vinculado à importação no valor de R$ 4.721,05, relativo ao imposto devido em importações realizadas no 2º trimestre/2007 e lançado por meio de auto de infração em 2010. O pedido foi formalizado em novembro/2012 (fl. 2). Ao invés de utilizar o programa Per/Dcomp, o contribuinte apresentou um formulário, sob a alegação de que os valores a compensar não constavam de notas fiscais, mas haviam sido identificados em procedimento fiscal, que constatou erro na classificação da mercadoria, e foram exigidos mediante auto de infração, situação essa que gerou erro impeditivo de transmissão do PER. O pedido foi instruído com documentos de identificação/procuração e contrato social (fls. 3 a 14), Auto de Infração/Processo nº 11041.000869/201074 – juntado na parte que relativa ao montante deste processo (fls. 15 a 20), Despacho Decisório DRF/PEL Saort nº 313/2012 (fl. 21), tela de Aviso de Erro do Per/Dcomp (fl. 22). Por meio do Relatório de Verificações Fiscais e do Despacho Decisório IRF/BG nº 10/2013 (fls. 32 a 37), a Delegacia da Receita Federal em Bagé decidiu pela denegação do pedido de ressarcimento, por entender tratarse de uma solicitação de restituição de valores já utilizados em compensação, o que significaria utilização em duplicidade dos créditos, não prevista em legislação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que o ressarcimento que solicitava era relativo à diferença de IPI exigida por meio de auto de infração e “paga” com créditos de IPI que havia pedido anteriormente. Uma vez que essa diferença era relativa a importações de folhas para a fabricação de latas, e que o produto acabado era vendido com suspensão de IPI para uma empresa exportadora, entendia que tinha direito ao ressarcimento do IPI (fl. 43). Instruiu sua manifestação de inconformidade com identificação e contrato social (fls. 45 a 55). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 48.828 (fls. 63 a 66), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a recorrente falhou em provar que não estava requerendo ressarcimento em duplicidade, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 76DF CARF MF Processo nº 17437.720387/201239 Acórdão n.º 3002000.094 S3C0T2 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 14/03/2014, conforme ciência pessoal na Comunicação nº 2/037/2014 constante à fl. 71, e protocolizou seu recurso voluntário em 15/04/2014, conforme carimbo do protocolo no Recurso à fl. 72. Em seu recurso voluntário a recorrente repisa os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade (fl. 72). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. O cerne deste julgamento consiste em definir se o contribuinte solicitou ressarcimento de um crédito que já havia utilizado em uma compensação, ou seja, se ele tenta usar o mesmo crédito uma segunda vez e, para tanto, fazse necessário recompor a cronologia dos eventos a partir das informações de que se dispõe neste processo. O contribuinte realizou diversas importações de tampas de folha de flandres para a fabricação de latas de conserva para o acondicionamento de alimentos com alíquota menor do que a devida, acarretando um recolhimento a menor de IPI, PIS e Cofins. Para fins de lançamento no auto de infração, foram consideradas as importações realizadas entre 01/01/2007 e 31/07/2009. O valor do IPI devido para todo o período, sem considerar juros e multa, foi de R$ 126.752,58. O procedimento de revisão aduaneira iniciouse em outubro/2010, com a devida ciência do contribuinte. Entretanto, anteriormente ao início dessa revisão, no ano de 2009, o contribuinte entrou com um pedido de ressarcimento de IPI (PER nº 34797.31655.090609 1.1.016094). Não se sabe a data de registro desse PER6094, sabese apenas que foi em 2009 pelo número do processo ao qual está vinculado (processo nº 11041.000306/200942). Do Despacho Decisório DRF/PEL Saort nº 313/2012 (fl. 21), proferido em resposta ao PER6094, destacamos: (...) RECONHEÇO o direito creditório no valor de R$ 223.516,65 (duzentos e vinte e três mil, quinhentos e dezesseis reais e sessenta e cinco centavos) a título de ressarcimento de IPI referente ao 1º trimestre de 2009, solicitado através do Pedido de Ressarcimento nº 34797.31655.090609.1.1.016094, havendo uma glosa de R$ 319,83 (trezentos e dezenove reais e oitenta e três centavos) do valor solicitado e HOMOLOGO a compensação de débitos constantes das Declarações de Compensação nº 31986.51404.210111.1.3.010991 e 18048.9833.210111.1.3.010316, conforme demonstrativo abaixo, restando após compensação das declarações saldo Fl. 77DF CARF MF Processo nº 17437.720387/201239 Acórdão n.º 3002000.094 S3C0T2 Fl. 5 4 credor de R$ 41.557,66 (quarenta e um mil, quinhentos e cinquenta e sete reais e sessenta e seis centavos): (grifado) Desse parágrafo extraemse informações que nos permitem fazer algumas inferências sobre o caso. Primeiro, o PER6094, que já sabemos ter sido registrado antes do início da revisão aduaneira, referiase exclusivamente a um crédito do 1º trimestre/2009, confirmando que não guardava, portanto, relação com o que se apurou no auto de infração. Segundo, foi solicitada a compensação do débito exigido por auto de infração com o crédito de IPI reconhecido no PER6094 – naturalmente que essa solicitação foi posterior à ciência do auto de infração, por uma questão de lógica. Essa compensação foi declarada por meio da DCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.010991. Assim, temos o PER 6094 registrado em 2009 e a DCOMP0991 registrada em algum momento após a ciência do auto de infração e o ano de 2012, quando é proferida decisão sobre os pedidos. Partindo agora para o Relatório de Verificações Fiscais que embasou o Despacho Decisório IRF/BG nº 10/2013 (fls. 32 a 37), que denegou o PER s/nº que inaugura o presente processo, vemos que a Delegacia reconheceu a procedência da alegação de que foi lançada a diferença de IPI vinculado à importação e de que tal débito foi extinto com créditos do PER6094, sendo tal compensação expressamente homologada pela Delegacia em Pelotas: De fato, analisandose o auto de infração do processo nº 11041.00869/201074 anexado aos autos, verificase que o contribuinte à época beneficiouse da alíquota de 5% de IPI até 12/05/2008 e de 0% a partir de 13/05/2008, tendo em vista erro de classificação fiscal das mercadorias importadas. Através deste auto de infração, foi feito o lançamento dos valores devidos após as autoridades fiscais constatarem que a alíquota correta seria a de 10%. Não tendo sido apresentado o correspondente recurso, tal lançamento foi definitivamente constituído na esfera da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Estes valores inicialmente lançados no processo nº 11041.00869/201074 foram compensados na PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 0991 sendo tal compensação homologada pelo Despacho Decisório DRF/PEL SAORT nº 31, de 28 de maio de 2012, todos anexados aos autos. (grifado) Estes valores pleiteados pelo contribuinte foram compensados com o IPI do 1º Trimestre de 2009, conforme consta neste documento. (grifado) Todavia, a partir desse ponto, percebese um equívoco no raciocínio desenvolvido. Apontase para a exata correspondência entre os débitos compensados na DCOMP0991 e os créditos para os quais se solicita ressarcimento no presente processo, concluindo que seriam pedidos em duplicidade: Em anexo a este relatório consta um resumo deste PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 – 0991 onde verificase a exata correspondência dos valores trimestrais declarados com aqueles da tabela constante no item 1 deste relatório. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 17437.720387/201239 Acórdão n.º 3002000.094 S3C0T2 Fl. 6 5 Logo, concluise que todos os pedidos de ressarcimento tratados são na realidade solicitações de restituição de valores compensados. E estas solicitações não se enquadram em nenhuma hipótese previstas no art. 165 da Lei nº 5.172/66 (CTN) repetidas no art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 900/08, em vigor à época do protocolo destes pedidos: (...) Em outras palavras, o contribuinte solicita “ressarcimento” de valores provenientes de auto de infração compensados com o IPI do 1º Trimestre de 2009, resultando na duplicidade deste crédito já usado, caso isto fosse possível. Ademais, não se pode esquecer que a declaração de compensação, e aqui referese a PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 – 0991, constituise confissão de dívida, conforme § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei 10.833/03:(...) Entendo que não há duplicidade. Em um primeiro momento, esses valores aparecem como débitos na DCOMP0991, a serem compensados com os créditos do PER 6094. Em um segundo momento, após a homologação da compensação, tais valores passam a representar IPI pago e, por esse motivo, são informados como créditos no PER s/nº que inaugura o presente processo. É claro que são os mesmos valores, mas com uma natureza diferente: o débito de IPI transformase em crédito após a compensação – e ele foi compensado com um crédito que não guarda relação com o auto de infração. Vejamos o Demonstrativo de Apuração do auto de infração (fl. 20). Há 3 colunas: imposto devido (calculado com a alíquota correta, após a reclassificação fiscal), imposto recolhido (imposto pago no momento do registro da declaração de importação) e diferença apurada (valor de IPI lançado pela fiscalização e que foi compensado por meio da DCOMP0991, homologada expressamente). Seguem os valores totais do período: Imposto Devido Imposto Recolhido Diferença Apurada 6.548,47 3.274,22 3.274,25 Em suma, o que o contribuinte pleiteia é que se reconheça o direito ao crédito da “diferença apurada”, no que, entendo, lhe cabe razão. A Delegacia de Julgamento tomou a mesma direção da unidade de origem, acrescentando como motivação a falta de prova, como se vê no trecho a seguir do Acórdão DRJ: Destarte, se a fiscalização, após exame da documentação apresentada pelo contribuinte conclui que o pedido de ressarcimento foi feito em duplicidade, caberia a defesa contrapor provas contra tal conclusão, a simples alegação de que o IPI pago na importação confere direito ao crédito não é suficiente para afastar o fundamento do Despacho Denegatório. (grifado) Em relação ao ônus da prova, entendo ter o contribuinte se desincumbido de sua tarefa, pois juntou à manifestação de inconformidade cópia do auto de infração, que é a Fl. 79DF CARF MF Processo nº 17437.720387/201239 Acórdão n.º 3002000.094 S3C0T2 Fl. 7 6 origem do imposto, e a homologação expressa da compensação, que é a prova da quitação do débito. Tais documentos, considerados conjuntamente, demonstram que o IPI decorria da importação de matériaprima para industrialização e que o crédito tributário exigido foi extinto por meio de compensação, configurando hipótese para creditamento prevista no RIPI/2010: Art.226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: (...) V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; É certo que a diferença apurada em revisão aduaneira não foi paga no desembaraço aduaneiro, mas incorporase ao que foi pago originalmente, é a diferença que faltou pagar quando do desembaraço e foi exigida em procedimento de revisão aduaneira. Neste caso, dadas as suas particularidades, não há que se falar na exigência de nota fiscal ou de livro contábil para demonstração do direito creditório. Concluise que a recorrente demonstrou o seu direito ao crédito relativo à diferença de IPI exigida em auto de infração, excluídos a multa e os juros de mora, condicionado o ressarcimento à verificação pela unidade de origem da quitação de impostos e contribuições federais do interessado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.728341/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2013
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Constatado o não-recolhimento total ou parcial de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros), o auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996.
Nos casos de lançamento de ofício de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros) aplica-se o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SESI E SENAI. EXIGIBILIDADE.
Os artigos 4º do Decreto-lei nº 4.048/1942, e 3º do Decreto-lei nº 9.403/1946, deixam claro que todas as pessoas jurídicas que possuam estabelecimento(s) que se dedique(m) a atividade abrangida pela Confederação Nacional da Indústria, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, se sujeitam às contribuições para o SESI e o SENAI.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXIGIBILIDADE.
A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis nº 7.787/89, nº 8.212/91 e nº 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE.
O § 3º do artigo 8º da Lei nº 8.029/90, prevê um adicional de 0,3% às contribuições devidas ao SESI/SENAI e SESC/SENAC, que perfazem uma contribuição totalmente autônoma para o SEBRAE de 0,6%.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIO-EDUCAÇÃO.
Em nenhum momento, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a contribuição social do salário-educação deixou de ser exigível.
Numero da decisão: 2301-005.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, desconhecendo das alegações de inconstitucionalidades de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros), o auditorfiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros) aplicase o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESI E SENAI. EXIGIBILIDADE. Os artigos 4º do Decretolei nº 4.048/1942, e 3º do Decretolei nº 9.403/1946, deixam claro que todas as pessoas jurídicas que possuam estabelecimento(s) que se dedique(m) a atividade abrangida pela Confederação Nacional da Indústria, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, se sujeitam às contribuições para o SESI e o SENAI. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXIGIBILIDADE. A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis nº 7.787/89, nº 8.212/91 e nº 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 83 41 /2 01 3- 33 Fl. 382DF CARF MF 2 O § 3º do artigo 8º da Lei nº 8.029/90, prevê um adicional de 0,3% às contribuições devidas ao SESI/SENAI e SESC/SENAC, que perfazem uma contribuição totalmente autônoma para o SEBRAE de 0,6%. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. Em nenhum momento, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a contribuição social do salárioeducação deixou de ser exigível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso, desconhecendo das alegações de inconstitucionalidades de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos dos votos do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratamse de três autos de infração lavrados contra a sociedade empresária META Metalúrgica e Equipamentos para Tratamento de Água Ltda (DEBCAD nº 37.410.140 0, nº 37.410.1418 e nº 37.390.6072). No auto de infração de DEBCAD nº 37.410.1400 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados empregados, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, relativas às competências 01/2008 a 13/2008, e contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, a segurados contribuintes individuais, relativas às competências 01/2008 a 12/2008. Em relação às competências 01/2008 a 11/2008, as contribuições lançadas foram acrescidas de multa de mora e juros de mora. Já em relação às competências 12/2008 e 13/2008, as contribuições lançadas foram acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. Já no auto de infração de DEBCAD nº 37.410.1418, foram lançadas contribuições para outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) relativas às competências 01/2008 a 13/2008. Em relação às competências 01/2008 a 11/2008, Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 3 3 as contribuições lançadas foram acrescidas de multa de mora e juros de mora. Já em relação às competências 12/2008 e 13/2008, as contribuições lançadas foram acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. O lançamento de tais contribuições para outras entidades e fundos foi efetuado, conforme exposto pela autoridade fiscal, com base na diferença apurada entre os valores das remunerações registradas como pagas a segurados empregados nas folhas de pagamento da Autuada e os valores de remunerações declaradas a este título nas GFIP da Autuada. A Autuada, ainda de acordo com a autoridade fiscal, embora não fosse optante pelo Simples Nacional, declarou nas suas GFIP referentes às competências 01/2008 a 13/2008, ser optante por tal regime de tributação. No auto de infração de DEBCAD nº 37.390.6072 foi lançada multa decorrente da apuração de que Autuada apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP relativas às competências 01/2008 e 02/2008, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Os valores totais lançados referentes aos autos de infração de DEBCAD nº 37.410.1400 e nº 37.410.1418, correspondiam, na data da consolidação dos débitos (06/12/2013), respectivamente, aos montantes de R$ 746.544,15 (setecentos e quarenta e seis mil e quinhentos e quarenta e quatro reais e quinze centavos) e R$ 184.271,79 (cento e oitenta e quatro mil e duzentos e setenta e um reais e setenta e nove centavos). A multa aplicada no auto de infração de DEBCAD nº 37.390.6072 corresponde a R$ 17.173,80 (dezessete mil e cento e setenta e três reais e oitenta centavos). Devido à configuração, em tese, de crime contra a Ordem Tributária (artigo 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90), a autoridade fiscal informou que iria emitir representação fiscal para fins penais. Irresignada com os lançamentos, a Autuada apresentou as impugnações de fls. 121 a 153, 170 a 213 e 230 a 248, instruídas, respectivamente, com os documentos de fls. 154 a 167, 214 a 227 e 249 a 257. Diz que o fundamento do auto de infração impugnado foi a sua exclusão do Simples Nacional promovida pela Receita do Estado do Paraná. Afirma que a sua exclusão do Simples Nacional é ato manifestamente nulo, já que não foi, em momento algum, intimada para o exercício da ampla defesa e do contraditório. Relata que, no ano de 2008, simplesmente recebeu um comunicado informando sua exclusão do Simples Nacional em decorrência de débitos de ICMS perante o Estado do Paraná. Afirma que referidos “débitos” nunca existiram, visto que, com fulcro no artigo 78 do ADCT da Constituição Federal, foram compensados com precatórios requisitórios, adquiridos de terceiros, vencidos e não pagos, emitidos pelo próprio Estado do Paraná. Diz que tal fato foi simplesmente desconsiderado pelo Estado do Paraná. Fl. 384DF CARF MF 4 Assevera que ocorreu afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório na sua exclusão do Simples Nacional, já que não foi concedida oportunidade para exercer adequadamente a sua defesa. Frisa que os incisos LIV e LX do artigo 5º da Constituição Federal preceituam que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” e que “a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”. Aduz que é inequívoca a irregularidade do procedimento administrativo que originou a decisão da sua exclusão do Simples Nacional, já que restou omisso em relação “à possibilidade de regularização da suposta infração cometida”. Alega que tal omissão afronta o princípio da proporcionalidade e demonstra que ocorreu inobservância de uma formalidade essencial à garantia dos direitos do administrado. Cita que o parágrafo único do artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, em seu inciso VIII, preceitua que nos processos administrativos serão observados, entre outros, o critério de “observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados”. Ressalta que “as condições de validade dos atos administrativos provenientes do poder de polícia são as mesmas do ato administrativo comum, ou seja, a competência, a finalidade e a forma, acrescida da proporcionalidade da sanção”. Frisa que “os atos decorrentes do Poder de Polícia são vinculados e estão adstritos a uma forma, ou seja, o revestimento exteriorizado do ato é imprescindível à sua perfeição o que, inclusive, não poderia ser diferente, sob pena de se aniquilar os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório”. Diz que o procedimento administrativo relativo a sua exclusão do Simples Nacional é manifestamente ilegal, pois não observou os princípios e requisitos inerentes a todo ato administrativo. Afirma que o referido procedimento administrativo de exclusão do Simples Nacional deve ser declarado nulo e arquivado definitivamente, por força do disposto no artigo 53 da Lei nº 9.784/1999 e da súmula 473 do Supremo Tribunal Federal. Aduz que, caso as autoridades julgadoras entendam que é impossível revisar um ato administrativo praticado por outra esfera da administração, devem, pelo menos, desconsiderálo, por ser manifestamente ilegal e inconstitucional. Assevera que “o procedimento administrativo originário da decisão de exclusão da Impugnante do Regime Simples Nacional carece de fundamento legal que permita qualquer imposição em face da Impugnante”. Cita ementa de julgado do Tribunal de Justiça de São Paulo (APL 994051177647, Relator Xavier de Aquino, Data de Julgamento 11/01/2010, 5ª Câmara de Direito Público, Data de Publicação 29/01/2010) onde restou asseverado que a pena de desenquadramento de empresa do “Simples Paulista” por mero erro em procedimento de escrituração de nota fiscal mostrase desproporcional no caso em que o contribuinte tenha agido de boafé e em que não tenha ocorrido dano ao Fisco. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 4 5 Cita ementa de julgado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (100240619844720031, Relator Armando Freire, Data de Julgamento 11/12/2007, Data de Publicação 29/01/2008) onde restou asseverado que são assegurados ao contribuinte excluído do “Simples Minas” as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, e que “o desenquadramento automático, sem que seja instaurado procedimento administrativo para apuração de sua motivação viola direito líquido e certo”. Cita ementa de julgado do Tribunal de Justiça do Paraná (APCVREEX 1591077, Relator Antônio Lopes de Noronha, Data de Julgamento 15/12/2004, Data de Publicação 14/02/2005) onde restou asseverado que “é ilegal e abusivo o ato administrativo que enquadra empresa no sistema normal de tributação, sem que tenha sido oportunizada à interessada manifestação sobre o agravamento da situação fiscal, em flagrante cerceamento de defesa”. Alega que ato administrativo de exclusão praticado pelo Estado do Paraná é ilegal e inconstitucional. Alega que a insubsistência do auto de infração impugnado é flagrante devido a ausência de requisito formal indispensável para a sua plena eficácia, “qual seja, o desenquadramento da impugnante n o sistema SIMPLES”. Assevera que o abuso de direito se configura “quando se verifica que o titular do poder discricionário o exerceu com desnaturamento do instituto jurídico a que correspondia o ato realizado, de maneira a desconhecer a sua categoria” e os princípios que o informam como figura jurídica. Afirma que no abuso de direito se pratica, sob aparência de legalidade, ato arbitrário, com desrespeito indireto ao texto legal. Aduz que, “em momento algum, infringiu dispositivos legais que levassem à sua exclusão do Regime Simples Nacional”. Frisa, porém, que “em determinados períodos efetivamente deixou de pagar os tributos estaduais em espécie, fazendoo, como visto alhures, com créditos devidos pelo próprio ente arrecadador”. Afirma que a sua exclusão do Simples Nacional, além de passar longe dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, certamente a levará a falência. Alega que o auto de infração impugnado é totalmente nulo, visto que a autoridade fiscal omitiu a fundamentação legal em que se baseou a imposição tributária e a descrição da matéria tributável. Assevera que a autoridade fiscal não observou o disposto no inciso IV do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, já que se limitou “a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação que rege as contribuições ao INSS, não correlacionando os dispositivos com a matéria tributária glosada”. Diz que o auto de infração impugnado violou o disposto no inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal, que assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e a ampla defesa. Fl. 386DF CARF MF 6 Afirma que, no auto de infração impugnado, deveriam constar, detalhadamente, somente os dispositivos que teriam sido infringidos, e não a relação de todos os dispositivos legais pertinentes à incidência das contribuições para a Seguridade Social. Assevera que é direito do contribuinte que “a exigência fiscal esteja de tal modo composta que lhe propicie contestála, ponto por ponto, item por item”. Ressalta que, na ausência de uma discriminação e uma circunstanciação dos dispositivos infringidos, o contribuinte é impedido de exercer sua defesa de forma ampla e irrestrita, já que não há uma delimitação do campo de luta. Aduz que o auto de infração impugnado possui o vício da incompleta e imprecisa descrição dos dispositivos que foram atribuídos ao contribuinte como infringidos. Diz que o auto de infração impugnado não aponta os artigos que dão suporte para a lavratura das exigências tributárias, mas apenas menciona, aleatoriamente, uma série de textos legais. Alega que foi obrigada a efetuar um verdadeiro trabalho de adivinhação dos tipos legais em que foi enquadrada. Afirma que é “nulo o lançamento tributário destituído de capitulação legal e sem a descrição da matéria tributável, por caracterizar manifesto cerceamento de defesa”. Diz que o início da contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador. Afirma que os fatos geradores ocorridos entre os meses de janeiro/2013 a fevereiro/2014 estão fulminados pela decadência, já que recebeu o auto infração na data de 28 de março de 2014. Diz que a “a disciplina da matéria relativa ao custeio dos encargos do SENAI e do SESI está vertida, respectivamente, no artigo 5º do Decreto nº 494, de 10 de janeiro de 1962 e no artigo 11 do Decreto nº 57.375, de 2 de dezembro de 1965”. Afirma que as contribuições para o SESI e SENAI, conforme os dispositivos citados no parágrafo acima, “têm como sujeitos passivos os estabelecimentos industriais, de transporte, de comunicação e da pesca”. Afirma que “o simples fato do Ministério Público do Trabalho, mediante Portarias, submeter à Confederação Nacional da Indústria outras atividades ou categorias econômicas que não àquelas especificamente relacionadas nos referidos Decretos regulamentares, não implica em que os estabelecimentos alheios à dita atividades passem a ser considerados como contribuintes do SENAI e do SESI”. Afirma que tais portarias ferem o princípio constitucional da legalidade (artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal), o princípio constitucional implícito da tipicidade cerrada e o princípio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária (artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, e artigo 97 do Código Tributário Nacional). Assevera que o seu contrato social demonstra que as atividades que desenvolve não correspondem aos ramos estabelecidos nos Decretos nº 494/1962 e nº 57.375/1965. Frisa que o princípio da tipicidade, que se confunde com o princípio da legalidade, “impõe que a lei disponha de modo inequívoco e exaustivo, sobre todos os aspectos Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 5 7 da hipótese tributária” e que a ocorrência de um evento concreto esteja em perfeita correspondência com o fato hipoteticamente previsto pela norma jurídica tributária. Ressalta que as leis instituidoras das contribuições para o SENAI e para o SESI não preveem como sujeito passivo da obrigação tributária empresas de construção civil. Frisa que o artigo 108, inciso II, do Código Tributário Nacional determina que “na ausência de disposição expressa”, um dos critérios que deve ser utilizado pela “autoridade competente para aplicar a legislação tributária” são os princípios gerais do direito tributário. Diz que o adicional de 0,2% recolhido ao INCRA a título de contribuição social surgiu na esteira da seguinte evolução legislativa: A Lei 2.613/55 criou o adicional para o então Serviço Social Rural; com a Lei 4.863/65, a alíquota daquele adicional foi fixada em 0,4%; o DecretoLei 582/69 (art. 6º) destinou metade da contribuição (0,2%) ao Instituto Brasileiro de Reforma Agrária – IBRA e ao Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário – INDA; o Decreto 1.146/70 destinou ao INCRA a receita em questão, 0,2% (art. 1º c/c art. 3º); a Lei Complementar nº 11/71, depois modificada pela Lei Complementar nº 16/73, fixou o adicional em 2,6% calculado sobre a contribuição previdenciária das empresas urbanas, destinando ao Funrural o percentual de 2,4%, mantendo 0,2% ao INCRA; recentemente, a Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, eliminou, a partir de setembro daquele ano, a contribuição destinada ao Funrural (art. 2º, §1º), restando, pois, o adicional de 0,2% ao INCRA. Ressalta que existem três correntes doutrinárias e jurisprudenciais a respeito da natureza jurídica do referido adicional (INCRA): a primeira, que defende que corresponde a contribuição de intervenção no domínio econômico, recepcionada pela Constituição Federal em seu artigo 149; a segunda, que afirma tratarse de uma contribuição social, adequada às especificação do artigo 195 da Constituição Federal; e a terceira, que defende que o adicional é imposto. Diz que tal tributo é indevido, independentemente da orientação doutrinária e jurisprudencial adotada. Afirma que “não se pode considerar o adicional ao INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico, pois não preenche os requisitos necessários para a sua implementação”. Frisa que o artigo 149 da Constituição Federal determina que uma nova contribuição só pode ser criada caso não seja cumulativa, seja instituída por lei complementar e não fira os princípios constitucionais da legalidade, irretroatividade e anterioridade. Fl. 388DF CARF MF 8 Alega que a contribuição para o INCRA, caso seja enquadrada como contribuição de intervenção no domínio econômico, fere diversos dispositivos da Constituição Federal de 1988, como: o artigo 146, inciso III, visto que a Lei Complementar nº 11/1971 não legisla sobre competência, hipótese de incidência, prazo de recolhimento, mas apenas faz uma remissão à contribuição; e o artigo 150, inciso I (princípio da legalidade), visto que a contribuição é regulada em parte por DecretosLei. Diz que a contribuição para o INCRA também fere a Constituição Federal pelo fato de ter “base de cálculo e fato gerador semelhante à contribuição sobre folha de salário”. Afirma que o texto original da Constituição Federal de 1988, em nenhum momento, fez referência a recepção da contribuição de 0,2% destinada ao INCRA. Alega que tal contribuição não guarda qualquer ligação com a previdência ou assistência social. Aduz que “não se deve confundir a contribuição em questão, 0,2% destinados ao INCRA, criada pela Lei 2.615/55, alterada pelo Decreto 1.146/70, com a contribuição destinada ao FUNRURAL – criada pela Lei Complementar nº 11/71, julgada devida pelos tribunais”. Assevera que a contribuição criada pela Lei nº 2.613/1955 era inteiramente justificável, “vez que o Serviço Social Rural foi criado com o fim específico de prestar serviços na área rural”. Frisa que o Decreto nº 582/1969 alterou os destinatários da contribuição, “que passaram a ser o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária – IBRA e o Instituto Nacional de desenvolvimento Agrário – INDA, ambos idealizados com o objetivo de promover a reforma agrária do país, sem qualquer vínculo ou projetos no campo da previdência ou assistência social”. Ressalta que o DecretoLei nº 1.146/70 destinou a contribuição em questão ao então criado INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, sucessor do IBRA e do INDA. Diz que “a Lei Complementar nº 11/71, que instituiu o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural, criou a contribuição do FUNRURAL, que foi acatada pela jurisprudência, mantendo o adicional ao INCRA”. Alega que, mesmo após a Lei Complementar nº 11/1971, a base jurídica da cobrança da contribuição para o INCRA permaneceu sendo o Decreto nº 1.146/1970. Frisa que o §1º do artigo 3º da Lei nº 7.787/1989, extinguiu expressamente a contribuição para o PRORURAL. Assevera que a contribuição para o INCRA foi extinta juntamente com a contribuição para o PRORURAL, já que era um adicional atrelado a esta. Alega que a contribuição ao PRORURAL deve ser considerada extinta a partir da Constituição Federal de 1988. Ressalta que a Constituição Federal de 1988 não faz nenhuma menção ao INCRA e muito menos a contribuição para custeálo. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 6 9 Afirma que a contribuição para o INCRA não tem nenhum vínculo com a seguridade social, posto que é revertida a um instituto ligado a reforma agrária, sem previsão de qualquer benefício ou contraprestação. Assevera que a contribuição para o INCRA desrespeita o disposto no artigo 154, inciso I, da Constituição Federal de 1988, já que é cumulativa. Afirma que as restrições previstas no artigo 154, inciso I, da Constituição Federal de 1988, se aplicam aos tributos que foram instituídos após a promulgação da Constituição Federal e àqueles que não foram expressamente recepcionados por ela. Cita trecho de julgado do Supremo Tribunal Federal (ADC nº 11DF, publicada no DJ de 16 de junho de 1995), onde o ministro relator assevera que “o princípio da não cumulatividade aplicase às contribuições sociais instituídas na órbita da competência residual da União, nos termos do artigo 195, parágrafo 4º, da Constituição Federal”. Alega que a contribuição para o INCRA fere o disposto no artigo 149 da Constituição Federal de 1988, visto que somente por lei complementar a União pode instituir novas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Afirma que não há base legal e constitucional para a exigência de contribuição ao INCRA. Alega que a exigência de contribuição para o INCRA fere o disposto no inciso V do artigo 194 da Constituição Federal de 1988. Alega que a contribuição para o INCRA, mesmo que fosse enquadrada como imposto, continuaria eivada de inconstitucionalidade, já que o inciso IV do artigo 167 da Constituição Federal de 1988, veda a vinculação da receita proveniente da arrecadação de tal espécie tributária. Frisa que a Lei nº 8.029/1990 autorizou o Poder Executivo a desvincular da Administração Pública o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa – CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. Ressalta que o Poder Executivo, seguindo autorização legalmente atribuída, desvinculou da Administração Pública, através do Decreto nº 99.570/1990, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa – CEBRAE, transformandoo em um serviço social autônomo – o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), “sendo tais atividades custeadas pelo adicional de que trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº 8.029/90”. Afirma que o disposto no artigo 240 da Constituição Federal de 1988 refere se somente “às contribuições compulsórias pagas pelos empregadores sobre a folha de salários, destinadas ao Serviço Nacional da Indústria (SENAI); Serviço Social da Indústria (SESI); Serviço Nacional do Comércio (SENAC) e Serviço Social do Comércio (SESC)”. Ressalta que o “adicional” ao SEBRAE foi criado posteriormente à entrada em vigor do novo Sistema Tributário Nacional, e que consiste em nova contribuição que não tem respaldo constitucional. Fl. 390DF CARF MF 10 Alega que, se a contribuição para o SEBRAE fosse de fato adicional, “deveria ter a mesma destinação, ou pelo menos correlata, à do seu principal, o que não ocorre”. Assevera que não há justificativa para a exigência de contribuição ao SEBRAE “posto que criada sem autorização constitucional e incidente sobre a folha de salários, mesmo não sendo contribuição destinada ao custeio da seguridade social”. Aduz que, mesmo que a contribuição para o SEBRAE fosse enquadrada como contribuição de intervenção no domínio econômico, ela seria inconstitucional, já que, por força do disposto no inciso III do artigo 146 Constituição Federal de 1988, teria que ser instituída por lei complementar. Alega que a contribuição para o SEBRAE, mesmo que encontrasse fundamento no artigo 195, §4º, ou no artigo 149 da Constituição Federal, teria que ser instituída via lei complementar, por força do disposto nos artigos 146, inciso III, e 154, inciso I, da Constituição Federal. Diz que, na vigência das Constituições pretéritas a Constituição Federal de 1988, “as empresas estavam obrigadas a manter o ensino primário, vale dizer, existia uma obrigação de fazer, que poderia ser substituída pela contribuição do salárioeducação, cuja alíquota era fixada por decreto levando em consideração o custo atuarial desse ensino”. Afirma que, na atual ordem constitucional, “as empresas não mais estão obrigadas a manter o ensino primário de seus empregados e dos filhos destes, mas a pagar (obrigação de dar) o salárioeducação, que é fonte adicional de financiamento e, por isso, não pode ser cobrado nas mesmas bases anteriores, quando existia uma obrigação de fazer (manter o ensino primário de seus empregados e dos filhos destes), que podia ser substituída pela contribuição especial do salárioeducação, cujo quantum era apurado em base no custo atuarial dessa obrigação”. Frisa que o salárioeducação passou, no novo ordenamento constitucional, a deter natureza jurídica de tributo. Assevera que a contribuição social do salárioeducação submetese ao disposto no artigo 149 da Constituição Federal de 1988. Alega que as normas editadas na égide das Constituições anteriores não podem ser consideradas recepcionadas pela Constituição Federal de 1988, visto que, anteriormente, “o salárioeducação não tinha natureza tributária e sua alíquota era fixada por decreto, tomando por base o cálculo atuarial correspondente ao custo do ensino primário dos empregados e filhos destes, cuja obrigação em manter era das empresas”. Assevera que o salárioeducação não pode ser cobrado pelo fato de não existir lei que ofereça todos os elementos necessários para a apuração do montante a recolher. Aduz que a cobrança de contribuição social do salárioeducação fere o disposto nos artigos 5º, inciso II, e 150, inciso I, da Constituição Federal, e o artigo 97, inciso IV, do Código Tributário Nacional. Frisa que somente lei formal tem o condão de fixar a alíquota de qualquer tributo. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 7 11 Afirma que o seu entendimento é reforçado pelo fato da União Federal, através da Medida Provisória nº1.518, 12 de outubro de 1996, que já foi reeditada por diversas vezes, ter pretendido instituir, de fato, o tributo à luz da Constituição Federal de 1988. Diz que as medidas provisórias mencionadas não foram convertidas em lei. Alega que o artigo 15 da Lei nº 9.424/1996 é inconstitucional, já que a contribuição social do salárioeducação só poderia ser instituída por lei complementar. Frisa que, do início da vigência da Constituição Federal de 1988 até a edição da Lei nº 9.424/1996, inexistia qualquer norma válida sobre contribuição social do salárioeducação. Lembra que o artigo 25 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias revogou expressamente, a partir de cento e oitenta dias da promulgação da nova Constituição, todos os dispositivos legais que delegavam a órgão do Poder Executivo competência atribuída pelo Legislador Constituinte ao Congresso Nacional, especialmente, no que se referisse a ação normativa. Diz que na autuação impugnada “a zelosa fiscalização cominou ilegalmente uma pesada multa pelo pretenso descumprimento das obrigações tributárias acessórias (75%)”. Afirma que a única finalidade das sanções tributárias é desestimular o descumprimento das obrigações tributárias. Assevera que a multa fiscal “não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarçado”. Aduz que a autoridade fiscal não poderia ter lançado a multa de ofício de 75%, visto que não se vislumbra caracterizada qualquer infração cometida. Afirma que a multa de ofício de 75% deve ser cancelada, porquanto existe “incerteza da jurisprudência sobre a matéria”. Cita diversos precedentes judiciais que tratam da análise da consfiscatoriedade ou não de multas tributárias. Alega que a exigência de multa de ofício de 75% “resulta em confisco de patrimônio do suposto devedor, ferindo princípios constitucionais basilares: da moralidade e vedação do enriquecimento sem causa (CF art. 37 caput); da propriedade (CF art. 5º, caput, XXII e 170, II) e princípio do não confisco de tributos/multas (CF art. 150, IV)”. Requer, por fim, sucessivamente: a declaração de nulidade do auto de infração hostilizado; o reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário constituído; a declaração de improcedência do referido auto de infração; e o afastamento ou a redução da multa de ofício lançada. Alternativamente, requer a produção de prova pericial, aduzindo que a formulação de quesitos e a indicação de assistente técnico será feita posteriormente. O Acórdão n. 0735.655 da DRJ (fls. 276 e ss) julgou a impugnação improcedente nos termos abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Fl. 392DF CARF MF 12 Período de Apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros), o auditorfiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições para outras entidades e fundos (terceiros) aplicase o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESI E SENAI. EXIGIBILIDADE. Os artigos 4º do Decretolei nº 4.048/1942, e 3º do Decretolei nº 9.403/1946, deixam claro que todas as pessoas jurídicas que possuam estabelecimento(s) que se dedique(m) a atividade abrangida pela Confederação Nacional da Indústria, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, se sujeitam às contribuições para o SESI e o SENAI. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXIGIBILIDADE. A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis nº 7.787/89, nº 8.212/91 e nº 8.213/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. O § 3º do artigo 8º da Lei nº 8.029/90, prevê um adicional de 0,3% às contribuições devidas ao SESI/SENAI e SESC/SENAC, que perfazem uma contribuição totalmente autônoma para o SEBRAE de 0,6%. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. Em nenhum momento, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a contribuição social do salárioeducação deixou de ser exigível. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 8 13 incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE PERÍCIA CONSIDERADO NÃO FORMULADO. Deverá se considerado não formulado o pedido de perícia apresentado sem a exposição dos motivos pelos quais o requerente entende que deva ser produzida tal prova e sem a indicação de quesitos e do nome, endereço e qualificação profissional de perito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 30/06/2013 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. A decadência das contribuições sociais previdenciárias é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Nacional, conforme determinado pela Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 08, publicada no DOU de 20/06/2008" Em 27 de fevereiro de 2015, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 328 e ss.), reiterando os argumentos trazidos em sede de Impugnação: (i) nulidade do auto de infração em razão do indevido desenquadramento da Recorrente no Simples; (ii) abuso do direito como limite ao poder discricionário; (iii) nulidade do auto de infração em razão de sua imprecisa capitulação legal; (iv) ilegalidade e inconstitucionalidade dos adicionais devidos ao SESI/SENAI; (v) ilegalidade e inconstitucionalidade do adicional devido ao INCRA; (vi) ilegalidade e inconstitucionalidade do adicional devido ao SEBRAE; (vii) inconstitucionalidade do adicional devido ao FNDE; (viii) não incidência da contribuição previdenciária sobre verbas de caráter indenizatório; (ix) ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre auxíliodoença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, férias indenizadas e 1/3 de férias; e (x) efeito confiscatório da multa cominada. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo, no entanto, o Recorrente argui a inconstitucionalidade dos adicionais devidos ao SESI/SENAI, do adicional devido ao INCRA, do adicional devido ao SEBRAE, do adicional devido ao FNDE, bem como o efeito confiscatório da multa cominada e a potencial ofensa aos princípios do contraditório, da ampla Fl. 394DF CARF MF 14 defesa, do devido processo legal, da proporcionalidade e da razoabilidade quando do seu desenquadramento do Simples. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade supramencionadas e tampouco a potencial ofensa aos princípios da vedação ao confisco, do contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal, da proporcionalidade e da razoabilidade. Da Questão da Exclusão do Simples Nacional A Recorrente alega que era enquadrada no Simples Nacional e que foi excluída de tal regime de tributação de forma ilegal e inconstitucional. Aduz que o procedimento adotado feriu as garantidas da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, visto que simplesmente recebeu um comunicado do Estado do Paraná, informando que a sua exclusão ocorreu devido a débitos de ICMS. Afirma que os supostos “débitos” não existiam, já que foram compensados com precatórios requisitórios, adquiridos de terceiros, vencidos e não pagos, emitidos pelo próprio Estado do Paraná. Alega que o procedimento de exclusão adotado também fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, já que não foi oportunizada possibilidade de regularização da suposta infração cometida. Ocorre que, a partir de análise da manifestação de fls. 47 a 49, que é a resposta que foi dada ao Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 41/42), verificase que a própria Autuada admitiu que contestou judicialmente a sua exclusão do Simples Nacional e que não obteve êxito em tal tentativa. Como prova disso, cabe citar o seguinte trecho da manifestação de fls. 47 a 49: No ano de 2008, recebemos um comunicado informando nossa exclusão do SIMPLES NACIONAL em decorrência de débitos de ICMS perante o Estado do Paraná. (...) (...) Prontamente entramos em contado com o advogado que nos orientava nesse procedimento fiscal para que tomasse as providências cabíveis, pois não poderíamos perder a “benesse legal” e ser excluídos do Simples Nacional. Prontamente foi ingressado com um Mando [sic] de Segurança nº 34.290/000, perante a 3ª Vara da Fazenda Pública (doc. em anexo), visando à obtenção o [sic] reconhecimento do direito postulado e, em consequência, a reintegração da peticionaria do [sic] SIMPLES NACIONAL. Na sequência, nos foi informado que poderíamos continuar pagando os tributos através do SIMPLES NACIONAL até o término do referido mandado de segurança. Porém, após o recebimento da intimação fiscal ora respondida, entramos em contato visando à obtenção das informações requeridas e fomos surpreendidos pelo fato de que referido processo já tinha sido encerrado no Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 9 15 final do na [sic] de 2011 com desfecho desfavorável a peticionaria, sendo que o mesmo já se encontra, inclusive, arquivado, conforme podemos perceber pela análise da fase processual em anexo. Assim, fica claro que as alegações do Recorrente já foram discutidas judicialmente e que o desfecho da lide no Poder Judiciário, conforme a própria Autuada, não foi favorável a ela. Ante o exposto, a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, ao contrário do que ela entende, deve ser considerada válida e legítima para fins de manutenção do presente auto de infração (DEBCAD nº 51.058.9170). Da Questão da Imprecisa Capitulação Legal dos Autos de infração de DEBCAD nº 37.410.1418 e 37.390.6072 As alegações de que o lançamento das exigências contidas nos autos de infração de DEBCAD nº 37.410.1418 e 37.390.6072 foi efetuado sem a exposição clara e suficiente das fundamentações fáticas e jurídicas que o embasaram não podem prosperar, uma vez que foram perfeitamente identificados na referida autuação e em seus anexos, as contribuições lançadas, seus fatos geradores, os períodos a que se referem, as bases de cálculo utilizadas e os fundamentos legais do débito, o que possibilita a completa compreensão dos créditos lançados. Da análise dos referidos autos de infração, observase que os mesmos demonstram, de forma clara, que foram lançadas contribuições para outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), relativas às competências 01/2008 a 13/2008. Com efeito, resta claro que não há que se falar na existência de qualquer vício que macule o lançamento das exigências contidas nos referidos autos de infração no que tange a exposição de seus fundamentos fáticos e legais. Consequentemente, também não há que se falar na ocorrência de qualquer prejuízo ao exercício da ampla defesa e do contraditório. Da Questão das Contribuições para o SESI e para o SENAI As alegações de que a Recorrente não se sujeita às contribuições para o SESI e para SENAI não podem prosperar. Os artigos 4º do Decretolei nº 4.048/1942, e 3º do Decretolei nº 9.403/1946, determinam que os sujeitos passivos das contribuições para o SESI e o SENAI são as pessoas jurídicas que possuem estabelecimentos cuja atividade se enquadre dentre as abrangidas pela Confederação Nacional da Indústria, conforme o disposto no artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho: Decretolei nº 4.048/1942 Art. 4º Serão os estabelecimentos industriais das modalidades de indústrias enquadradas na Confederação Nacional da Indústria obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal para montagem e custeio das escolas de aprendizagem. Fl. 396DF CARF MF 16 (...) § 2º A arrecadação da contribuição de que trata este artigo será (...), sendo o produto posto à disposição do Serviço Nacional de Aprendizagem dos Industriários. (...) Decretolei nº 9.403/1946 Art. 3º Os estabelecimentos industriais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (artigo 577 do Decretolei n.º 5.452, de 1 de Maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para a realização de seus fins. (...) No caso em tela, observase que o próprio contrato social da Recorrente, conforme exposto no relatório fiscal de fls. 16 a 20, demonstra que, dentre as atividades exercidas por ela, se encontra a de “Fabricação de Estruturas Metálicas.” Ademais, verificase que a própria Recorrente, também conforme exposto no relatório fiscal de fls. 16 a 20, enquadrou sua atividade preponderante no código CNAE 2513 6/00, que está englobada como atividade de indústria. Desse modo, resta evidente que a autoridade fiscal agiu legitimamente ao considerar que a sociedade empresária META Metalúrgica e Equipamentos para Tratamento de Água Ltda se sujeita às contribuições para o SESI e o para o SENAI, visto que ela se dedica a atividade (indústria metalúrgica/mecânica) abrangida pela Confederação Nacional da Indústria no quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho (DecretoLei nº 5.452/1943). Da Questão da Contribuição para o INCRA As alegações de que a contribuição para o INCRA não tem base legal para ser exigida são totalmente improcedentes, visto que os dispositivos legais que amparam a exigência de tal contribuição encontramse expressamente discriminados no item “405 – TERCEIROS – INCRA” do relatório de Fundamentos Legais do Débito de fls. 12/13. Da mesma forma, as alegações no sentido de que a contribuição para o INCRA foi extinta pela Lei nº 7.787/1989 são totalmente improcedentes, já que tal Lei (nº 7.787/1989) apenas suprimiu a parcela de custeio do “Prorural”. Nessa linha, extraise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça os seguintes precedentes: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EXIGIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO. ERESP 770.451/SC. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos EREsp 770.451/SC, em 27 de setembro de 2006 (acórdão ainda não publicado), dirimindo dissídio existente entre as duas Turmas de Direito Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 10 17 Público acerca da possibilidade de compensação entre a contribuição para o INCRA e a contribuição incidente sobre a folha de salários, consignou que a exação destinada ao INCRA, criada pelo DecretoLei 1.110/70, não se destina ao financiamento da Seguridade Social. Isso porque esta assegura direitos relativos à Saúde, à Previdência Social e à Assistência Social, enquanto aquela é contribuição de intervenção no domínio econômico, destinada à reforma agrária, à colonização e ao desenvolvimento rural. 2. Na ocasião, seguindo essa orientação, os Ministros integrantes daquele órgão julgador, reformulando orientação anteriormente consagrada pela jurisprudência desta Corte, entenderam que a contribuição destinada ao INCRA permanece plenamente exigível, na medida em que: (a) a Lei 7.787/89 apenas suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Lei 8.213/91, com a unificação dos regimes de previdência, tãosomente extinguiu a Previdência Rural; (c) a contribuição para o INCRA não foi extinta pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. 3. Na linha da jurisprudência consagrada no Supremo Tribunal Federal, esta Corte de Justiça passou a decidir pela possibilidade da cobrança das contribuições destinadas ao FUNRURAL e ao INCRA de empresas vinculadas exclusivamente à previdência urbana. 4. Ante o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas, restam prejudicados os demais pedidos formulados pelo ora recorrente na petição de recurso especial. 5. Recurso especial parcialmente provido. (STJ. 1ª Turma. REsp 696460/CE ; RECURSO ESPECIAL2004/01354352. Rel. Min. Denise Arruda. DJ 14.05.2007, p. 251) (destacouse) AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA (0,2%). LEIS 7.789/1989 8.212/1991. 1. O agravo regimental não merece prosperar, tendo em vista que (i) a exigibilidade da contribuição devida ao Incra (0,2%) constitui tema infraconstitucional, (ii) a referida contribuição não foi revogada pelas Leis 7.787/1989 e 8.212/1991 e (iii) é exigível das empresas urbanas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1065742/PR. Rel. Min. Castro Meira. DJe 21.05.2013) VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS 7.789/89 E 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. Fl. 398DF CARF MF 18 I Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão de que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. II Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, sessão de 27/09/2006. Naquele julgado restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. III Agravo regimental improvido. (STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 841598/RS ; AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2006/00841140. Rel. Min. Francisco Falcão. DJ 14.05.2007, p. 262.) Cumpre salientar que a contribuição para o INCRA não tem natureza de contribuição social, mas sim de contribuição especial de intervenção no domínio econômico (CIDE). Assim, o fato da contribuição para o INCRA não ter referibilidade direta com a Recorrente, não tem o condão de afastar a sua exigência, visto que a referibilidade direta não é elemento constitutivo das CIDE’s. As alegações no sentido de que a exigência de contribuição para o INCRA não foi recepcionada pela Constituição Federal e que fere o disposto nos artigos 146, inciso III, 149, 150, inciso I, 167, inciso IV, 194, inciso V, e 195, §4º, da Constituição Federal de 1988, por suas vezes, não podem ser apreciadas no presente julgamento, visto que é vedado à autoridade julgadora, em sede de processo administrativo fiscal, afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Tal impedimento se deve ao caráter vinculado da atuação das instâncias administrativas. Dessa forma, quaisquer discussões acerca da inconstitucionalidade de atos legais exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe, apenas, cumprir as determinações da legislação em vigor, tal qual preceitua a Súmula CARF nº 2, já mencionada nesse voto. Da Questão da Contribuição para o SEBRAE Ao tratar da exigência de contribuição para o SEBRAE, a Recorrente alega que tal contribuição é inconstitucional, visto que, no seu entendimento, tal tributo, além de não ter amparo na Constituição Federal de 1988, fere o disposto nos seus artigos 146, inciso III, 149, 154, inciso I, e 195, §4º. Dessa forma, tendo em vista que a contribuição para o SEBRAE encontrase devidamente amparada na legislação pátria, conforme demonstrado no item “415 – TERCEIROS –SEBRAE” do relatório Fundamentos Legais do Débito de fls. 12/13, cabe apenas frisar que tais alegações não podem ser apreciadas no presente julgamento, porquanto, conforme já dito, é vedado à autoridade julgadora, em sede de processo administrativo fiscal, Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 11 19 afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor (artigo 8º, § 3º, alínea “c”, da Lei nº 8.029/90). Cabe ressaltar, porém, que o Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento declarando a constitucionalidade da contribuição para o SEBRAE prevista no artigo 8º, § 3º, da Lei nº 8.029/90: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. (STF, Tribunal Pleno. RE 635682 / RJ. Rel. Min. Gilmar Mendes. Julgamento em 23/05/2013. DJe098 Divulg 23/05/2013 Public 24/05/2013) AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. Esta colenda Corte, no julgamento do RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso, firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE configura contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo legítima a sua cobrança de empresa que exerce atividade econômica. Precedentes: RE 396.266, Rel. Min. Carlos Velloso; RE 399.653AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes; RE 404.919AgR, Rel. Min. Eros Grau; e RE 389.016AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF, 1ª T.. REAgR 437.839. Rel. Min. Carlos Britto. DJ 18.11.2005, p. 8) Assim, não merece prosperar a alegação da Recorrente no tocante à ilegalidade ou inconstitucionalidade da contribuição ao SEBRAE. Da Questão da Contribuição social do salárioeducação A constitucionalidade e a exigibilidade da contribuição social do salário educação sob o regime da Lei nº 9.424/1996 já foi atestada em súmula pelo Supremo Tribunal Federal: SÚMULA Nº 732 DO STF: É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9424/1996. Carecem de razão, portanto, as alegações de que a exigência da contribuição do salárioeducação, com supedâneo na Lei nº 9.424/96 e na Medida Provisória nº 1.565/97 (após várias reedições convertida na Lei nº 9.766/98) é inconstitucional, e de que vários Fl. 400DF CARF MF 20 aspectos da hipótese de incidência da contribuição ora discutida não foram adequadamente definidos pelos citados atos legais. Da Questão da Contribuição Previdenciária sobre o 13º Salário A Recorrente, ao tratar especificamente da exigência da contribuição social previdenciária prevista no artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, alega, primeiramente, que a cobrança de contribuição social previdenciária da empresa de 20%, especialmente sobre o 13% salário, com base neste dispositivo legal, fere o disposto no artigo 195, §§ 2º e 5º, da Constituição Federal, já que tal dispositivo legal manteve a elevação da alíquota para 20% e a supressão do limite para as remunerações que aduz terem sido implementados pelo artigo 3º da Lei nº 7.787/1989. Ademais, afirma que o referido dispositivo legal feriu o disposto no artigo 146 da Constituição Federal, já que, no seu entendimento, as alterações promovidas pelo artigo 3º da Lei nº 7.787/1989, que foram mantidas pelo artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, só poderiam ter sido efetuadas por lei complementar, e que feriu o princípio constitucional da isonomia, visto que estipulou teto máximo para a contribuição dos empregados e não o estendeu para os empregadores. Sucede que estas alegações não podem ser apreciadas no presente julgamento, porquanto é vedado à autoridade julgadora, em sede de processo administrativo fiscal, afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor (artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/1991). Tal impedimento se deve ao caráter vinculado da atuação das instâncias administrativas. Assim, quaisquer discussões acerca da inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe, apenas, cumprir as determinações da legislação em vigor. Nesse sentido, preceitua o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (inserido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009) Em igual sentido, há a Súmula CARF n. 2, já mencionada anteriormente. Por fim, cabe ressaltar, ainda, que é totalmente inócua a discussão sobre a constitucionalidade ou não da Lei nº 7.787/1989, visto que nenhuma das exigências efetuadas nos autos de infração de DEBCAD nº 51.054.7699 e nº 51.058.9162 tem base legal nesta lei. Da Questão da Contribuição Previdenciária sobre Verbas de Caráter Indenizatório A Recorrente alega a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre o auxíliodoença, aviso prévio indenizado, salário maternidade, férias indenizadas e 1/3 de férias. Conforme já mencionado acima, a Súmula CARF n. 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante ao potencial caráter indenizatório das referidas verbas, cumpre destacar que, tal qual assinalado no Acórdão da DRJ, embora a Recorrente aduza que nos autos Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10980.728341/201333 Acórdão n.º 2301005.227 S2C3T1 Fl. 12 21 de infração de DEBCAD nº 51.054.7699 e nº 51.058.9162, foram lançadas contribuições sociais previdenciárias sobre verbas que não visam retribuir o trabalho ou o tempo a disposição do empregador, como remunerações pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, e os valores pagos a título de saláriomaternidade, férias, adicional constitucional de férias de 1/3 (um terço) e aviso prévio indenizado, não houve qualquer comprovação de que as bases de cálculo apuradas pela autoridade fiscal englobam tais verbas, de modo que tal alegação não merece prosperar. Da Questão da Multa de ofício de 75% A multa de ofício de 75% exigida juntamente com as contribuições lançadas encontrase expressamente prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, conforme demonstrado abaixo: Lei nº 8.212/1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) Analisando a legislação transcrita, verificase que existe expressa previsão legal de aplicação de multa de ofício no percentual de 75% em casos como o presente, de lançamento de ofício de contribuições para terceiros. Resta evidente, portanto, que são totalmente improcedentes as alegações de que a exigência de multa de ofício de 75% no auto de infração hostilizado é ilegal e que não teria se configurado o caso previsto para sua aplicação. Já as alegações no sentido de que a multa de ofício de 75% feriu os princípios constitucionais do nãoconfisco, da moralidade, da vedação do enriquecimento sem causa e da propriedade privada, não podem ser apreciadas no presente julgamento, porquanto, conforme já dito, é vedado à autoridade julgadora, em sede de processo administrativo fiscal, afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo em vigor. Conclusão Fl. 402DF CARF MF 22 Com base no exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720851/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1103-000.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento nos termos do art. 2º da Portaria Carf nº 1/2012.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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