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Numero do processo: 11080.102469/2005-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2005 a 31/08/2005
COFINS. BASE DE CALCULO. RECEITA, REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS.
O "crédito presumido do ICMS", por se tratar de mero incentivo fiscal que servirá de meio de pagamento de ICMS a recolher, e o "crédito de ICMS transferido a terceiros" por representar um meio de pagamento de insumos adquiridos de fornecedores, não se tratam de receitas auferidas pela empresa, portanto, fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor a sua base de calculo. Em ambas operações a empresa deixa de gastar recursos, mas em nenhuma delas há a subsunção do fato concreto com a hipótese normativa ("auferir receita"), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídico- tributária).
COFINS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CREDITO PRESUMIDO DAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA A SER UTILIZADA.
O crédito presumido concedido, por força do disposto no artigo 8° da Lei nº 10.925/2004, As pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, nos códigos tarifários em que cita, destinada à alimentação humana ou animal, somente poderiam deduzir da própria contribuição do PIS e da Cofins devidas em cada período de apuração. A aliquota a ser aplicada no cálculo do crédito presumido, para as aquisições de suínos e aves vivos (Capitulo 1 da NCM/SH) e de milho (Capítulos 10 da NCM/SH), prevista no parágrafo 3º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, é de 35% (trinta e cinco por cento).
Numero da decisão: 3201-000.551
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos:
1. Por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS (item i) dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS; (item ii) dos valores decorrentes créditos de ICMS transferidos a terceiros / fornecedores;
2. Por voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto (item iii) à possibilidade da compensação de crédito presumido das atividades 'agroindustriais. Vencidos os conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudino.
3. Por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto (item iv) à aplicação da aliquota de 60% para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais.
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2005 a 31/08/2005 COFINS. BASE DE CALCULO. RECEITA, REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. O "crédito presumido do ICMS", por se tratar de mero incentivo fiscal que servirá de meio de pagamento de ICMS a recolher, e o "crédito de ICMS transferido a terceiros" por representar um meio de pagamento de insumos adquiridos de fornecedores, não se tratam de receitas auferidas pela empresa, portanto, fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor a sua base de calculo. Em ambas operações a empresa deixa de gastar recursos, mas em nenhuma delas há a subsunção do fato concreto com a hipótese normativa ("auferir receita"), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídico'-tributária). COFINS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CREDITO PRESUMIDO DAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA A SER UTILIZADA. O crédito presumido concedido, por força do disposto no artigo 8° da Lei if 10.925/2004, As pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, nos códigos tarifários em que cita, destinada A alimentação humana ou animal, somente poderiam deduzir da própria contribuição do PIS e da Cofins devidas em cada período de apuração. A aliquota a ser aplicada no cálculo do crédito presumido, para as aquisições de suínos e aves vivos (Capitulo 1 da NCM/SH) e de milho (Capítulos 10 da NCM/SH), prevista no parágrafo 3o do artigo 8o da Lei 10.925/2004, é de 35% (trinta e cinco por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. JUDITH A RCO ES ARMANDO - Pre, idente. LUÍS E FORMALIZADO EM: 02 /2010 . BARBI I - Relator. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes terms: 1. Por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS (item i) dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS; (item ii) dos valores decorrentes créditos de ICMS transferidos a terceiros / fornecedores; 2. Por voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto (item iii) à possibilidade da compensação de crédito presumido das atividades 'agroindustriais. Vencidos os conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Daniel Mariz Gudino. 3. Por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto (item iv) A. aplicação da aliquota de 60% para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes .Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice- presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo GarrosSino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. 2 Processo n" 11080 102469/2005-79 Acórdtio n.1) 3201-00.551 Relatório 0 presente litigio decorre de Declaração de Compensação acompanhada de Demonstrativos de Créditos da COFINS Não Cumulativa, onde a interessada pretende 'extinguir valores devidos a titulo de IRP.T com os créditos da CORNS, em decorrência de receitas de exportação (períodos: agosto/2005 e julho/2005), sob a égide do artigo 60 da Lei 10.833/2003. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis : Traia o presente processo de Declarações de Compensação entregues em 31 de outubro de 2005 juntamente com os Demonstrativos de Créditos da Contribuição para a Colitis não cumulativa dos períodos de junho a setembro do mesmo ano, sendo juntado ao presente, por apensagdo o processo 11080.000792/2006-90, conforme relatado na Informação Fiscal de fis. 19/23. Pretende a interessada que os créditos de Colitis não cumulativa do terceiro trimestre de 2005 sejam suficientes para a extinção dos valores de IRPJ devido em setembro e dezembro de 2005. Para examinar os valores dos créditos em cumprimento a mandado de Procedimento Fiscal, foi realizada ação fiscal junto interessada pela DRF em Porto Alegre, originando o Despacho Decisório )7" 233/2008 (fl. 23) que reconheceu o direito creditório parcial no valor de R$ 1.082.876,36, homologando as compensações até este valor e cobrando os valores relativos a IRRF parciahnente devido em junho de 2003 dezembro de .2005 (R$ 441.081,16 do total de R$ 700.546,79), extintos os demais. A diferença entre o crédito pleiteado e o reconhecido deveu-se a não ter a interessada incluído na base de cálculo da contribuição os valores dos créditos presumidos de ICMS e dos valores do ICMS transferidos a terceiros, e por ter incluído na compensação o valor do crédito presumido das atividades de agroindástria, alai de ter se equivocado na aliquota aplicada nos créditos decorrentes de compras de animais vivos e de milho. A contribuinte apresentou tempestivamente a Manifestação de Inconformidade (fls. 26/50), por procurador devidamente habilitado (instrumento de f1.51), reclamando das glosas efetivadas pela fiscalização, em relação aos créditos que apurou com base na Lei n" 10.833, de 2003. Passa a analisar as irregularidades apontadas no Relatório da Fiscalização rebatendo-as.' Relativamente ao crédito presumido de ICMS afirma que somente constitui receita, e portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos de ICMS não configuram esta situação, considera incorreto o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Da mesma forma analisa a tra)7,sferéncia de créditos do ICMS para terceiras, alegando que as quantias recebidas seriam na 3 verdade i edução de despesa, e no balanço passam da conta "tributos recuperáveis "para "caixa", ambas do ativo da empresa.. Já quanto à compensação indevida de crédito presumido de atividades agroindustriais, pretende fazer jus à utilização do beneficio do crédito presumido para as agroindástrias, conforme previsto na Lei n" 10.925, de 23 de julho de 2004, já que tem por objetivo, dentre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais. A possibilidade de ressarcimento em dinheiro ou de compensar os saldos dos créditos veio através do artigo 16 da Lei n" 11.,I 16, de 18 de maio de 2005. A restrição tanto ao ressarcimento quanto à compensação teria sido ordenada pelo Ato Declaratório 1nterpretativo SU' n" 15, de 22 de dezembro de 2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF n" 636, revogada pela IN SRF n" 660, de 17 de julho de 2006. As restrições de disposições de Lei, assim implementadas, via Ato Declaratório Normativo ou Instrução Normativa afrontariam os princípios da legalidade, da não cumulatividade, da isonomia e da neutralidade da tributação. No que se refere à aliquota a set aplicada sobre os insumos comprados para a agroindástria, estabelecida pela Lei n" 10.925, de 2004, teria sido alterada pela Instrução Normativa SRF n" 660/06. Argumenta que uma Instrução Normativa não poderia alterar a aliquot(' estabelecida por Lei. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre - RS, indeferiu a solicitação da interessada contida em sua Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão n° 10-17.231 (t1s. 83/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUI0710 PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO - A partir de agosto de 2004, as pessoas jurídicas sujeitas ir sistemática de não-cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e a Cofins que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8' da Lei n" 10,925, de 2004, na redação dada pela Lei n°11.05!, de 2004, ou as adquirirem na forma do § I" do mencionado artigo, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir de crédito presumido, o qual somente poderá ser utilizado para dedução das respectivas quantias devidas, conforme o mesmo dispositivo.. 0 crédito presumido de ICMS não é de ser excluído da base de calculo de PIS e de Cofias, pois inexiste previsão legal para tal. O crédito de ICMS trans:P.14d° para terceiros faz parte da base de cálculo do PIS e da Cofins- não cumulativos. A Recorrente, inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 25/11/2008 (fls.. 90/ss), por meio do qual reitera os argumentos já trazidos em sua Manifestação de Inconfonnidade, nos seguintes termos, em apertada síntese: S3-C21 Processo n" 11080 102469/2005-79 Acórcliio n ' 32O1 -O0.551 (i) Receitas não incluídas na base de cálculo da COFINS — -édito presumido do ICMS. Alega que tais valores não representam ingresso novo de receita, assim, não devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição. A escrituração destes créditos na contabilidade da empresa não incorpora nenhum valor ao seu patrimônio, havendo apenas urna alteração qualitativa das contas. Desta forma, corno os créditos de 1CMS não configuram receita nova ingressada, considera incorreto o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. (ii) Receitas não incluídas na base de cálculo da COFINS — crédito de ICMS transferido para terceiros. Da mesma forma, entende que o ingresso de valores referentes as transferências do saldo credor acumulado não configura ingresso de receita, sendo que ocorre apenas a alteração de sua classificação contábil: da conta "tributos recuperáveis" o saldo credor passa para urna outra conta do ativo, o "caixa". Assim, a transferência do saldo credor do ICMS para terceiros/fornecedores não geraria urna "receita" para a empresa, mas sim urna redução de urna despesa. (iii) Compensação indevida de crédito presumido das atividades agroindustriais. Aduz que tem direito h utilização do beneficio do crédito presumido para as agroindústrias, conforme previsto na Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, já que tem por objetivo, dentre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais. Assim, a possibilidade de ressarcimento em dinheiro ou de compensar os saldos dos créditos veio através do artigo 16 da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005. A restrição tanto do ressarcimento quanto da compensação decorre apenas do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15, de 22 de dezembro de 2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF n° 636, revogada pela IN SRF n° 660, de 17 de julho de 2006. As restrições de disposições de Lei, por via de Ato Declaratório Normativo ou Instrução Normativa afrontariam os princípios da legalidade, da não cumulatividade, da isonomia e da neutralidade da tributação. (iv) alíquota utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. No tocante à aliquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindristria, prevista pela Lei n" 10.925, de 2004, aduz que teria sido alterada pela Instrução Normativa SRF n° 660/06. Destarte, argumenta que uma Instrução Nonnativa não poderia alterar a aliquota estabelecida por Lei. Por fim, requer seja reformado o acórdão recorrido para o fim do deferimento total do crédito pleiteado. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 30/04/2001, o relatório. 5 Voto Conselheiro LUIS EDUARDO G. BARBIERI, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece, A Recorrente requereu a compensação de créditos da COHNS não cumulativa corn débito de IRPJ, corn base no § 1 2 do art, 62 da Lei n2 10.833/2003, que abaixo transcrevo: "Art, 6 A CORNS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou donticillada no exterior, cujo pagamento repres-ente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n2 10.865, de 2004). ill - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especilico de exportação, § I Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na .forma do art. 3, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no met cad() interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretatia da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável el matéria. 2' A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestie do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das fbrmas previstas no § 1' poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legisla cão especi fica aplicável à matéria." (grifei), Conforme consta do Relatório supramencionado, as duas primeiras questões a serem enfrentadas referem-se à inclusão, ou não, na base de cálculo da COHNS (i) do crédito presumido do ICMS e (ii) de créditos de ICMS transferidos a terceiros / fornecedores. Ct Fisco pretende incluir na base de cálculo da COHNS o valor do credito presurnido de ICMS e o crédito de ICMS transferido a terceiros, que considera receita, no que a empresa recorrente não concorda por entender que a realização dos créditos de ICMS, por qualquer das modalidades previstas na legislação especifica do imposto, não se constitui em receita. Passemos à analise destas duas questões conjuntamente, A priori, devemos entender qual é a natureza jurídica do crédito presumido do ICMS e do crédito de ICMS transferido a terceiros. 6 Processo n" 11080 102469/2005-79 S3-C2T Ac&chi° o ° 3201-00.551 No primeiro caso, o Fisco Estadual concede o crédito presumid sobre operações de comercialização interestadual de produtos alimentícios na forma de urn incentivo fiscal para estimular o setor (artigo 32 — RICMS/RS — crédito presumido do ICMS no montante de 10% sobre o valor base de calculo do imposto nas saidas internas de linguiças, mortadelas, etc..). Este crédito presumido será lançado na escrituração fiscal da empresa para ser compensado corn ICMS devido pela empresa. Portanto, não há ingresso novo de receita, mas mera redução de custo no pagamento do ICMS devido. Assim, parece-me inequívoco que "incentivo fiscal" não pode ser confundido com ingresso de receita. No segundo caso, o crédito de ICMS transferido a terceiros, configura urna transferência entre contas patrimoniais da contabilidade da empresa, da conta "tributos a recuperar" para a conta "caixa", portanto, não gera "receita" para a empresa. Explico: a legislação do ICMS, em atendimento ao principio da não-cumulatividade, permite que o contribuinte credite-se dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura urn saldo de "ICMS a recuperar", que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem corno realizar seu saldo de créditos. Assim, neste caso também entendo no se tratar de receita, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizou-se dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento para com seus fornecedores. Não há como tratar "créditos de ICMS" como mercadorias. A troca de urn ativo ("créditos de ICMS") por outro (insumos) não representa vantagem patrimonial. A operação, portanto, é de compra de insumos e não de venda de ativos (que geraria, aí sim, receita). Pois bem, resta saber se estes "créditos de ICMS" devem ser incluidos na base de cálculo da COFINS. A Lei 9.718/98 (artigos 2°c Y.) prescreve que a incidência da COFINS se 6. I sobre o faturarnento, devendo este ser entendido corno a receita bruta da empresa. Por sua vez, Lei 10.833/2003 dispõe que a COFINS, não-cumulativa, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, consideradas a receita bruta auferida corn a venda de bens e serviços nas operações de conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Entendo, assim, que os "créditos presumidos do ICMS", por se tratarem de mero incentivo fiscal que servirão de meio de pagamento de ICMS a recolher, e os "créditos de ICMS transferidos a terceiros" por representarem um meio de pagamento de insumos adquiridos de fornecedores, não se tratam de receitas auferidas pela empresa, portanto fora do campo de incidência cia COFINS, não devendo compor a sua base de cálculo. Veja que em ambas as operações a empresa deixa de gastar recursos, mas em nenhuma delas há a subsunção do fato concreto corn a hipótese normativa ("auferir receita"), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídico -tributdria / obrigação tributária). Houve, na verdade, no primeiro caso, uma economia no pagamento de ICMS, uma meta redução de custos de impostos a pagar pela compensação do crédito presumido. No segundo caso, uma economia no pagamento de fornecedores, urna redução de custos numa operação de compra, que obviamente não gera receita. O que ocon-eu, neste caso, é a simples transformação de Impostos a Recuperar em Estoques, mas não a alegada obtenção de receita. Os recursos (receita) virão quando estes estoques forem vendidos pela empresa, ai sim, neste momento, deverá haver a incidência da CORNS. 7 Ademais, já há posicionamento do ST? (RE 390.840-5 MG) no sentido de que a CORNS incide sobre o faturamento, que deve ser entendido como receita decorrente da venda de mercadoria, da venda de serviço ou da venda de mercadoria e de serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Ressalte-se, por fim, para corroborar este entendimento, que a Medida Provisória 45/081, convertida na Lei 11..945/09, veio autorizar expressamente a exclusão da base de calculo da COFINS (cumulativo e não cumulativo) do valor do crédito do ICMS- Exportação transferido para terceiros. Logo, pode-se concluir que o entendimento que se fazia, interpretando sistematicamente os dispositivos legais agora se pode extrair, diretamente, mediante uma simples leitura do texto da Lei. Vemos as transcrições abaixo, do artigo 15 da Lei 11.945/2009: Art. 15. Os arts. 3" e 5' da Lei n 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 3 2 .... s' - a receita decorrente da transferência Oner0317 a outros contribuintes do 1CMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1' do tu t. 25 da Lei Complementar n" 87, de 13 de setembro de 1996. Abaixo transcrevo ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuinte no mesmo sentido deste voto: - Recurso No. 139.098 — Acórdão No. 202-18.396, sessão de 18/10/2007: RECURSO VOLUNTÁRIO, MATERIAS NÃO IMPUGNADAS PRECLUSÃO As matérias não suscitadas em sede de impugnação não são passíveis de apreciação em sede de recurso voluntário, a teor do art. 17 do Decreto n" 70235/72. Os argumentos relativos ã não-cumulatividade da base de cálculo da contribuição e a inconstitucionalidade da multa de oficio não foram apresentados na fase nnpugnatária. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1" DO ART 3' DA LEI N° 9.718/98 DECLARADA PELO STF IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. 0 crédito presumido do 'CMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercicio da atividade empresarial For decisão definitiva proferida pelo STF , deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do 101/IS e do IPI, por não se constituirem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Recurso provido - Recurso No. 130.419 Acórdão No. 201 -79.967, sessão de 24/01/2007: PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CREDITO PRESUMIDO DE fF1 NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COEINS Não há incidência de PIS e de Cafins sobre cessão de créditos. de ICMS, por se tratar esta operação de Processo ti' 11080.102469/2005-79 AcerdZio ti ° 3201-00.551 mera imitação patrimonial. CREDITO PRESUMIDO DE TRATAMENTO FISCAL RECEITA TRIBUTÁVEL, A receita relativa ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n" 9.363/96, apurada ern função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim especffico de exportação e contabilizada coma receita operacional, deverá ser oftrecida tributação do PIS RESSARCIMENTO CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC, Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária e/ou faros sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos de Coffin - nao- cumulativa. Recurso provido em parte. E ainda, no mesmo sentido, transcrevo ementa de decisão do STJ: Recurso Especial No. 1.025.833 — RS: CRÉDITO-PRESUMIDO ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS IMPOSSIBILIDADE BENEFICIO FISCAL RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO" LC N" 118/2005, APLICAÇÃO RETROATIVA IMPOSSIBILIDADE, I - "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a langamento por homologação, a jurisprudência do STJ (I" Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3" da LC 118/0.5, o prazo de cinco anos, previsto no art 168 do CTIV, tem inicio, não na data do recolhiniento do tributo indevido, e sim na data da homologação — expresso ou tácita - do lançamento . Assim, não havendo homologação expresso, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador A norma do art 3" da LC 118/05, que estabelece como te11110 inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa E que a Cone Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eiesp 644.736/PE, se 5siio de 06106/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanta ao art. 3", o disposto no art 106, I, da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do art, 4", segunda parte, da referida Lei Complementar, (REsp n" 890.656/SP, Rel, Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II - O Estado do Rio Grande do Sul concedeu beneficio fiscal ás empresas gat'rcha.s, por meio do Decreto Estadual n" 37.699/97, para que pudessem adquirir aço day empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICAIS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isono,nia III - Verifica-se que, independentemente da classificagilo contábil que é dada, as referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto ine.xis-te incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos 9 valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de tiler° ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de inatétia-prima em outro estado federado IV - Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditos-presumidos do na base de cálculo do PIS e da COMM - Rectuso especial improvido Em conclusão: entendo que não devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS tanto (i) os valores decorrentes de crédito presumido do ICMS como (ii) os valores decorrentes créditos de ICMS transferidos a terceiros / fornecedores. As próximas questões a serem enfrentadas referem-se (iii) ir possibilidade da compensação de crédito presumido das atividades agroindustriais e (iv) h aliquota utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. Analisaremos as duas questões conjuntamente por haver conexão entre elas. Quanto ao item (iii) o Fisco entende que a compensação não pode ser feita, alegando que somente é possível usufruir o referido crédito presumido para a dedução das respectivas quantias devidas da própria Cofins não cumulativa, nos termos do artigo 8 ° da Lei 10.925/2004 (redação dada pela Lei 11.051/2004); o contribuinte, por sua vez, alega que a possibilidade de compensar decorre do artigo 16 da Lei 11.116/2005, sendo que atos normativos expedidos pela SRFB não podem restringir tal compensação. No tocante ao item (iv) o Fisco alega que à aliquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, prevista pela Lei IV 10.925, de 2004 é de 35% sobre as aquisições de milho e de animais vivos (Capítulos 10 e 1 da Norma de Classificação de Mercadorias), ou seja, não estavam incluídos dentre aqueles produtos cujas aquisições poderiam ser creditados pela alíquota de 60%, conforme aduz a Recorrente. Entendo que a razão, nestes casos, está do lado do Fisco. Vejamos. O artigo 8° da Lei 10.925/2004 (redação dada pela Lei 11.051/2004) tem a seguinte redação: "Art. 8 ,- As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam me, cadoria.s. de origem animal ou vegetal, classificadas nos capitulas 2, 3, exceto os produtos vivos desse capitulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03,04, 03,05, 0504.00, 0701.90,00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 0710, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713 33 29 e 0713 33,99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90,00, 18.01, 18 03, 1804.00.00, 1805 00 00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas alimentação huniana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas cada período de apuração, crédito presumido, calculado sabre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art .3e das Leis it 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10 833,1de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa fisica ou recebidos de cooperado pessoa física 10 I process o if 11080 102469/2005-79 AcOrclao n." 3201-00351 § I" Q disposto no caput deste artigo aplica-se tcunbém às aquisições efetuadas I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09 01, 10.01 a 10,08, exceto os dos códigos 100620 e 1006.30, 1201. e 18.01, todos da NCM,' II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in nalttra,. e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária; 2a direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § la deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no MOS1110 período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliado no Pais, observado o disposto no sç 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 "§ 3e O montante do crédito a que se referent o caput e o § deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de ali quota correspondente a: I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal clas,sificados nos Capindos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras on de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II- 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no ai t 2" das Leis Vs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 para Os denials produtos. § 4 2̀ E vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do deste artigo o aproveitamento - - do crédito presumido c/c que trata o caput deste artigo; II - de crédito eni relação às receitas de vendas eletriadas com suspensão às pessoas jurídicas de que train o caput deste artigo" A questão é literal: o crédito presumido concedido, por força do disposto no artigo 8" da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004 (com a redação dada pela Lei 11.051/2004), As pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, nos códigos tarifários em que cita, destinada à alimentação humana ou animal, somente poderiam deduzir da contribuição do PIS e da Cofins devidas em cada período de apuração. Quanto ao dispositivo legal citado pela Recorrente (artigo 16 da Lei 11.116/2005), não é aplicável ao caso concreto, como muito bem esclareceu o Acórdão da DIU em seu voto, in verbis: "O disposto no artigo 16 da Lei a" 11.116, de 2005, citado pela interessada, lido se refere ao caso especifico do artigo 8" da Lei n" 10.92.5, de 2004, mas refere-se it ado cuandatividade em relação as vencias efetuadas com suspensão, isenção, aliquota 0% (zero) ou ndo incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da CORNS, as quais não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos. créditos vinculados a essas operações, conforme naiad° no artigo 3" das Leis a"s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do artigo 15 da Lei 11 n" 10,865, de 30 de abril de 2004, relativamente aos bens e produtos ali mencionados e à operação de importagiio", Para corroborar o entendimento de que a previsão de compensação ou de ressarcimento tratada pelo artigo 16 da Lei 11.116/2005 refere-se A outra situação (art. 17 da Lei 11.033/2004), e não ao caso discutido nestes autos, transcrevo abaixo os citados dispositivos legais: Art. 16 da Lei 11.116/2005: "Art. 16 0 saldo credor da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cqfins apurado na .forma do art 3o das Leis nos 10637, de 30 de dezembr o de 2002, e 10,833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: - compensação coin débitos pi ópr ios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições- administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria,- ou 1.1 - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.." (grifei) Art. 17 da Lei 11.033/2004: Art 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, aliquota (zero) ou não incidência da Contribuição par a o P15/PASEP e da CORNS não impedem n a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. No tocante h alíquota a ser aplicada no cálculo do credito presumido, para as aquisições de suínos e aves vivos (Capitulo 1 da NCM/SH) e de milho (Capítulos 10 da NCM/SH), prevista no parágrafo 3° do artigo 8 ° da Lei 10.925/2004, é de 35% (trinta e cinco por cento). A aliquota de 60% está prevista para a aquisição de outros produtos e não aqueles adquiridos pelo contribuinte. Ressalte-se, por fim, que no tocante à classificação fiscal dos produtos não houve contestação por parte da Recorrente, portanto, não há discussão quanto classificação informada pela fiscalização, * Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos objetivos de admissibilidade para o fim, no mérito, de DAR PROVIMENTO PARCIAL nos seguintes termos: 1. Dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS (i) dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS e (ii) dos valores decorrentes créditos de ICMS transferidos a terceiros / fornecedores; 12 Processo n" 11080 102469/2005-79 Ac6idtio n° 3201-00351 2. Negar provimento ao Recurso Voluntário quanto (iii) possibilidade da compensação de credito presumido das atividades agroin ustriais e (iv) h aplicação da aliquota de 60% para o calculo do crédito presumido das atividad agroindustriais. como voto. LUIS EDUARD )SINO BARB IERI 13
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Numero do processo: 13971.005062/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2009
EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á, entre outras hipóteses, quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 2006).
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE.
Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. Discute-se se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (STJ - Recurso Repetitivo)
Numero da decisão: 1803-002.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2009 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á, entre outras hipóteses, quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 2006). EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. Discute-se se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (STJ - Recurso Repetitivo)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 90 1 89 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.005062/200838 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.564 – 3ª Turma Especial Sessão de 3 de março de 2015 Matéria SIMPLES NACIONAL EXCLUSÃO Recorrente OSVALDINA NARDI THEIS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2009 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá, entre outras hipóteses, quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho (art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 2006). EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (STJ Recurso Repetitivo) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 50 62 /2 00 8- 38 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 91 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 92 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 58 a 61 – numeração digital ND): O processo iniciase com uma Representação Fiscal para Exclusão do Simples a partir de 30/09/2008, em razão de constatação de existência de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho sendo comercializadas no estabelecimento da pessoa jurídica. 2. Tal constatação acima mencionada deriva do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, fls. 05/10, ciência em 07/10/2008, o qual foi julgado à revelia do contribuinte, conforme Termo de Perdimento, fl. 15. 3. Apresentamse no processo dois ADE’s (Ato Declaratório Executivo), com diferentes fundamentações, assim como data de efeito de exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL. 4. O primeiro ADE, ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/BLU Nº 341132, 22 DE AGOSTO DE 2008, fls. 17, registra, como fundamento, o inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, com efeitos a partir de 01/01/2009. 5. Antes da publicação do segundo ADE, consta o despacho de fl. 19, que diz o seguinte: Os documentos juntados e os fatos relatados na Representação Fiscal conduzem à conclusão de que, de fato, a representada incorreu na hipótese de exclusão de oficio prevista no artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006. Diante do exposto, propomos que o processo seja apreciado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau, a quem compete acatar ou não a presente representação. Acatada a representação, a exclusão da representada do Simples Nacional terá efeitos retroativos a 1/09/2008, porquanto esta data corresponde ao primeiro dia do mês em que foi verificada a incidência na hipótese de exclusão de oficio em comento, e impedirá a opção pelo regime diferenciado e favorecido previsto na já citada Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos calendário seguintes, nos termos do § 1º do seu art. 29. Destacamos que a pessoa jurídica em questão já teve sua exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2009, informada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BLU Nº 341132, de 22 de agosto de 2008, de modo que a exclusão ora tratada terá efeitos em relação ao período entre 01/09/2008 e 31/12/2008, preservado o impedimento de opção citado no parágrafo anterior. 6. O despacho foi acatado, conforme documento de fl. 20, que se trata de Despacho Decisório da DRF Blumenau/SC. 7. O segundo ADE, Ato Declaratório Executivo DRF/BLU Nº 006, DE 08 DE FEVEREIRO DE 2010, fls. 21, fundamentase na verificação de comercialização de Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 93 4 mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, conforme disposto no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e no inciso VII do art. 5º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, com efeitos da exclusão a partir de 01/09/2008. 8. Em 10/03/2010, fls. 30/48, o contribuinte apresenta sua manifestação de inconformidade, alegando o seguinte: A Reclamante é empresária, com objeto social bazar, e atividades secundárias descritas como comércio varejista de bijuterias, comércio varejista de artigos para presentes e comércio varejista de brinquedos. E seu comércio encontrase no chamado “camelôs” da Rua Nereu Ramos em Blumenau/SC. Na data de 30 de setembro de 2008, deparouse com operação da Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal, advindos da Representação Criminal nº 2008.72.05.0020085/SC, que tinha como objetivo a investigação e formação de provas de supostos crimes de descaminho. Sublinhase que o Mandado de Busca e Apreensão tinha destinatários certos, e poderiam ser estendidos a outras pessoas jurídicas ou físicas, dependendo do caso. Porém, ocorreu o fechamento de todas as bancas/box, inclusive da Reclamante. Nesta ocasião, foram apreendidas algumas mercadorias da Reclamante, e emitidos 2 (dois) Termos de Lacrado de Volumes. Na data de 07 de outubro de 2008, ocorreu a deslacração de mercadorias, através do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias (Auto de Infração 13971.004218/200863), com a devolução de diversas mercadorias, por entender o Sr. Fiscal não subsistirem elementos suficientes para a manutenção de sua apreensão, e retenção e guarda de outras. E em anexo ao Auto de Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, seguiu um relatório das mercadorias apreendidas e guardadas, porém, genérico e sem descrição de marca, modelo, número de série e origem das mercadorias. As mercadorias foram mensuradas em dólar. Foi procedido com os atos para exclusão de ofício da Reclamante do SIMPLES, encaminhandose ao Sr. Delegado da Receita Federal Representação Fiscal de Exclusão do SIMPLES, por entender o Sr. Fiscal que as mercadorias em comercialização eram provenientes de objeto de contrabando ou descaminho, ou que ensejaria a exclusão em concordância ao inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006, e artigo 5º, inciso VII, da Resolução CGSN nº 15/2007. E em assim sendo, foi efetuado o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU Nº 006, DE 08 DE FEVEREIRO DE 2010, declarandose a exclusão da Reclamante do Simples Nacional. A Reclamante recebeu por carta, na data de 09 de fevereiro, o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU Nº 006, DE 08 DE FEVEREIRO DE 2010, e agora, tempestivamente, apresenta sua defesa, por entender que não se enquadra nas hipóteses do artigo 29, VII, da Lei Complementar nº 123/2006. Vale salientar, apesar do efeito suspensivo que esta defesa gera, ad cautelam, a Reclamante, a partir do mês de março de 2010, começou a recolher seus tributos Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 94 5 pela tributação “normal”. E, caso ao final sejam julgadas improcedentes as razões abaixo, o que se permite apenas ad argumentandum tantum, informase que a Reclamante adimplirá espontaneamente com o montante gerado em decorrência à exclusão retroativa do Simples. Existem vários motivos que macularam o Auto de Infração, bem como motivos jurídicos que geram a ilegalidade da exclusão da Reclamante do Simples Nacional. A seguir, tece sua defesa em relação ao Auto de Infração que culminou com a exclusão ora tratada neste processo. Ninguém pode ser punido sem o devido processo legal. O motivo da exclusão do Simples é a alegação que a Reclamante comercializava mercadorias objeto de descaminho ou contrabando. Porém, somente após perícia para averiguação das mercadorias, e com a condenação transitada em julgado na esfera penal que se declararia a eficiência do inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Inclusive, não houve representação para fins criminais, conforme ato emanado pelo fiscal no Auto de Infração nº 13971.004218/200863. Há de se pugnar pelo princípio da irretroatividade jurídica. O Ato Declaratório Executivo DRF/BLU Nº 006/2010, determinou, em seu artigo 2º, que “a exclusão produzirá efeitos retroativos a 1º de setembro de 2008 (...)”, com observações no artigo 3º do mesmo Ato Declaratório. A irretroatividade de lei, que tem sua abrangência consequente aos efeitos da lei, é emanada através do artigo 6º da Lei de Introdução ao Código Civil (Decreto Lei 4.657/42), que assim obriga: Art. 6º A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. §1º Reputase ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou. Além disso, o artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal de 1988, também traz sobre a impossibilidade da retroação da lei, sendo vejase: Art. 5º XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Assim, a lei não pode retroagir em seus efeitos, pois esbarra no princípio do direito adquirido, ato jurídico perfeito e da segurança jurídica. Requer a procedência da manifestação de inconformidade, cancelandose o efeito retroativo da Exclusão do Simples, postergandose até a data de cientificação da decisão final neste processo de Reclamação contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU Nº 006/2010. Requer: Seja, esta tempestiva reclamação, recebida pelo órgão preparador, sendo imediatamente dado recibo à Reclamante ou seu Procurador, sendo também declarado o seu efeito suspensivo, e posteriormente distribuído ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 95 6 Requerse seja reintegrada a empresa Reclamante no SIMPLES, tendo em vista a ausência de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal (início de Fiscalização, cientificação da Reclamante, bem como pelo abuso de poder pela abrangência mais ampla do que determinava o Mandado de Busca e Apreensão; Requerse seja reintegrada a empresa Reclamante no SIMPLES, tendo em vista a inexistência de condenação da Reclamante penalmente, com trânsito em julgado (sequer existe processo penal), bem como por não ser tipificado se as mercadorias apreendidas supostamente eram objeto de descaminho, eram objeto de contrabando, ou ainda objeto das duas tipicidades; Requerse seja reintegrada a empresa Reclamante no SIMPLES, tendo em vista a não existência provas ou parecer ou perícia, ou ainda discriminação das mercadorias com seu país de origem, marca, modelo, número de série que ateste e declarem que as mercadorias eram objeto de descaminho ou objeto de contrabando (incerteza jurídica ato maculado e ilegal); Alternativamente, caso entenda Vossa Senhoria que as causas supra não são ensejadoras de nulidade do Ato Declaratório, já que viciado e ilegal em sua origem, o que se permite apenas para argumentar, requerse, em respeito ao princípio da irretroatividade de Lei, que os efeitos da Exclusão da Reclamante do SIMPLES sejam somente a partir da cientificação desta ao Ato Declaratório Executivo DRF/BLU Nº 006/2010. Caso entenda Vossa Excelência pela necessidade de alguma documentação referente ao processo de Representação Criminal ou cópia integral do Auto de Infração nº 13971.004218/200863, para melhor certeza do julgado, a Reclamante comprometese a juntar o mesmo após 15 dias de sua intimação, ou ainda poderá baixar em diligência interna para a juntada do mesmo processo (especial ao Auto de Infração); Requerse, com base em todo o exposto, a reintegração da empresa Reclamante no SIMPLES, sendo de tudo e de todos os atos comunicada a Reclamante; Requerse seja a intimação das decisões intermediárias feitas através dos Advogados Alberto Piero Furlani, inscrito na OAB/SC sob o nº 19.940 e Luis Carlos Schmidt de Carvalho Filho, inscrito na OAB/SC sob o nº 13.200, com escritório profissional no rodapé destas páginas e procuração; 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 57 ND): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2008 Ementa: HIPÓTESE DE EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO MANTIDA. Excluise de ofício do SIMPLES, dentre outras hipóteses, a pessoa jurídica que comercializar objeto de contrabando e descaminho. A exclusão do Simples foi efetuada após a aplicação da pena de perdimento de mercadoria. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 96 7 3. Cientificada da referida decisão em 13/12/2013 (fls. 87 ND), a tempo, em 08/01/2014, apresenta a interessada Recurso de fls. 69 a 83 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 97 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme consta da Representação Fiscal de fls. 1 a 3, no processo nº 13971.004218/200863 foi lavrado Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (fls. 4 a 9), caracterizando a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 5. Referido Auto de Infração está assim fundamentado (fls. 4): No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, efetuamos a apreensão das mercadorias estrangeiras relacionadas na Relação de Mercadorias anexa, por se encontrarem sem documentação comprobatória de sua regular importação ou comercialização. A retenção ocorreu em 30 de setembro de 2008, em operação conjunta da Secretaria da Receita Federal do Brasil e do Departamento da Polícia Federal, em cumprimento ao mandado de busca e apreensão epigrafado, expedido pela Vara de Execuções Fiscais e Criminais e Juizado Especial Federal Criminal Adjunto de Blumenau. A proprietária e responsável pela empresa ora autuada assumiu a propriedade das mercadorias em tela, bem como acompanhou a deslacração dos volumes e a discriminação das mercadorias. Também acompanhou todo o procedimento, como testemunha e colaborador, o esposo da responsável, Sr. Mauro Theis, inscrito CPF sob o nº 551.049.24904. A proprietária da empresa ora autuada declarou não possuir comprovação da regular comercialização ou importação das mercadorias ora apreendidas, tendo a mesma declarado que as adquiriu sem nota fiscal ou qualquer outro documento, além de ter declarado que as adquiriu de outros vendedores ambulantes autônomos. 6. Transcorrido o prazo legal de 20 (vinte) dias previsto no art. 27, § 1º, do DecretoLei nº 1455, de 07/04/1976, e não tendo a Recorrente apresentado impugnação, foi declarada revel, tendo sido considerado aquele processo findo administrativamente, e aplicada a pena de perdimento às mercadorias correspondentes (fls. 13). 7. Assim, todas as argumentações da Recorrente, relativas especificamente ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal supostos motivos que maculariam o auto de infração, v.g., abuso de poder; ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); falta de perícia para averiguação das mercadorias; falta de condenação transitada em julgado na Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 98 9 esfera penal; falta de representação para fins criminais; não tipificação se as mercadorias apreendidas eram objeto de contrabando ou descaminho, ou de ambos; falta de discriminação e qualificação de cada mercadoria apreendida; falta de comprovação da irregularidade das mercadorias comercializadas não podem ser aqui conhecidas. 8. Nesse mesmo sentido é a decisão recorrida (fls. 63 ND): 21. Neste ponto, é de suma importância demarcarmos o presente litígio como sendo somente a exclusão do SIMPLES NACIONAL imposta pelo ato declaratório de fls. 21. Isto porque o contribuinte intenta, em sua defesa, retornar à baila alegações que deveriam ter sido apresentadas quando do Auto de Infração de Apreensão de suas mercadorias. Como não o fez em tempo, a referida apreensão foi julgada à REVELIA, fl. 15, concluindose o processo nº 13971.004.218/200863 com o perdimento das mercadorias de propriedade da impugnante. 22. Ressaltese que a contribuinte tomou ciência regular da apreensão de suas mercadorias, fl. 05, em 07/10/2008, sendolhe garantida, naquela ocasião, a oportunidade de impugnar a autuação de apreensão, no prazo de 20 dias da ciência, e estando a mesma devidamente informada de que, não o fazendo, estaria caracterizada a REVELIA. 23. Neste sentido, não se toma conhecimento das alegações concernentes à autuação de apreensão de mercadorias, fls. 05/10, por estas pertencerem a processo já encerrado em âmbito administrativo. 9. Embora reclame a Recorrente que essas situações não foram analisadas em pormenores quando do julgamento pela DRJ (fls. 75 – ND, item 32), tal procedimento da instância a quo está correto, uma vez que, como dito acima, tratase de fatos já transitados administrativamente, insuscetíveis, pois, de serem objeto de (re)exame. 10. Tratandose, pois, de matéria transitada administrativamente, não cabe rediscussão a respeito, motivo pelo qual, reflexamente, é cabível a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, na forma do art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, de seguinte teor: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...]; VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; 11. Resta, portanto, para análise, apenas a alegação de irretroatividade jurídica dos efeitos da exclusão do Simples Nacional, a qual, segundo a Recorrente, deveria se dar somente a partir da data de cientificação desta da decisão final, neste processo, da reclamação contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU Nº 006/2010, ou da data da cientificação desta do mesmo Ato Declaratório Executivo. Recursos repetitivos (STJ) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 99 10 12. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 13. Relativamente à questão dos efeitos da exclusão do Simples, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC) (válido também para o Simples Nacional): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. [...]. (REsp 1.124.507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 100 11 14. Não procede a alegação da Recorrente, estando correto, também neste ponto, o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU Nº 006/2010. 15. Menciono, por fim, os seguintes precedentes administrativos, todos unânimes: Acórdão nº 180101.052, de 14/07/2012 – 1ª Turma Especial: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONTRABANDO/DESCAMINHO. Apreendida no estabelecimento comercial mercadoria fruto de contrabando ou de descaminho, correta a exclusão da empresa do regime de tributação unificado, diferenciado e favorecido Simples Nacional, por força da norma que disciplina o favor fiscal. Acórdão nº 1802002.008, de 12/02/2014 – 2ª Turma Especial: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006). Acórdão nº 1803001.932, de 10/10/2013 – 3ª Turma Especial: Assunto: Simples Nacional Exercício: 2009 EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. CABIMENTO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13971.005062/200838 Acórdão n.º 1803002.564 S1TE03 Fl. 101 12 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16682.720595/2011-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESISTÊNCIA INTEGRAL APRESENTADA APÓS INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Tendo sido apresentada desistência pela contribuinte dos valores de lançados de ofício contestados em recurso voluntário, antes de se iniciar a leitura do relatório na sessão de julgamento, não há que se conhecer do recurso da contribuinte.
MATÉRIA REMANESCENTE. RECURSO DE OFÍCIO.
Diante da desistência dos valores lançados de ofício contestados em recurso voluntário, remanesce litígio acerca da matéria devolvida ao tribunal em sede de recurso de ofício.
DESPESAS. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE.
Cabe à contribuinte comprovar que as despesas escrituradas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Mero registro contábil não faz, por si só, prova de que os dispêndios são dedutíveis, sendo o comando do art. 923 do RIR/99 preciso ao dispor que a contabilidade faz prova a favor da empresa desde que os eventos estejam comprovados por documentação hábil.
GLOSA DE DESPESAS. BEM ESTAR DE FUNCIONÁRIOS. LANÇAMENTO CONTÁBIL EM DUPLICIDADE.
Demonstrado nos autos que o registro contábil foi lançado em duplicidade, tendo sido inclusive objeto de glosa em outra infração tributária, a glosa da despesa deve ser afastada.
GLOSA DE DESPESAS DE VIAGEM COM TRANSPORTE AÉREO. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO.
Diante de glosa efetuada pela autoridade fiscal sem fundamento, por falta de material probatório, resta caracterizada a falta de motivação do ato administrativo, requisito essencial para a sua validade, conforme artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e artigo 38 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF (processo administrativo fiscal), razão pela qual deve ser afastada a exigência fiscal.
GLOSA DE DESPESAS RELATIVAS A MUDANÇA DE COLABORADORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CONTRIBUINTE.
Não foram comprovadas que as despesas incorridas foram em benefício de funcionários da empresa, e tampouco se estavam relacionadas com as atividades operacionais, razão pela qual a glosa deve ser mantida.
GLOSA DE DESPESAS. REVERSÃO DE PROVISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO.
Elementos trazidos aos autos não se mostram conclusivos para determinar se o lançamento contábil da contribuinte, questionado pela autoridade autuante, trata de provisão, e se teve efetivamente, como desdobramento, uma redução na base de cálculo do tributo, razão pela qual a glosa de despesa deve ser afastada.
GLOSA DE DESPESAS COM SERVIÇOS BANCÁRIOS. ESTORNO NÃO COMPROVADO.
Documentação apresentada pela contribuinte não comprova a ocorrência de estorno referente a lançamento contábil a débito em conta de resultado, motivo pelo qual a glosa de despesas de serviços bancários deve ser mantida.
DESPESAS COM VIAGEM. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO
Os requisitos de dedutibilidade das despesas restaram comprovados à vista de fortes e harmônicos indícios que autorizam, em juízo de verossimilhança, concluir que as viagens realizadas por determinada pessoa física relacionaram-se com as atividades empresariais do contribuinte.
Numero da decisão: 1103-001.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, por unanimidade, e dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer as parcelas da exigência relativas a (i) "Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 - dispêndios com mudança de colaboradores da empresa (infração 9) R$ 4.990,00", por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva, e a (ii) "Glosa de despesas (serviços - despesas bancárias), conta contábil 07.15.06 (infração 13) R$ 850.000,00", por unanimidade. Negou-se provimento por maioria quanto à matéria relativa a "Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 - despesas de viagem de Arthur Rizoli (infração 5) - R$ 83.740,77", vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura (Relator) e Cristiane Silva Costa. As demais matérias do recurso de ofício tiveram provimento negado por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
(Assinado Digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
(Assinado Digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Tendo sido apresentada desistência pela contribuinte dos valores de lançados de ofício contestados em recurso voluntário, antes de se iniciar a leitura do relatório na sessão de julgamento, não há que se conhecer do recurso da contribuinte. MATÉRIA REMANESCENTE. RECURSO DE OFÍCIO. Diante da desistência dos valores lançados de ofício contestados em recurso voluntário, remanesce litígio acerca da matéria devolvida ao tribunal em sede de recurso de ofício. DESPESAS. CRITÉRIOS DE DEDUTIBILIDADE. Cabe à contribuinte comprovar que as despesas escrituradas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Mero registro contábil não faz, por si só, prova de que os dispêndios são dedutíveis, sendo o comando do art. 923 do RIR/99 preciso ao dispor que a contabilidade faz prova a favor da empresa desde que os eventos estejam comprovados por documentação hábil. GLOSA DE DESPESAS. BEM ESTAR DE FUNCIONÁRIOS. LANÇAMENTO CONTÁBIL EM DUPLICIDADE. Demonstrado nos autos que o registro contábil foi lançado em duplicidade, tendo sido inclusive objeto de glosa em outra infração tributária, a glosa da despesa deve ser afastada. GLOSA DE DESPESAS DE VIAGEM COM TRANSPORTE AÉREO. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 95 /2 01 1- 92 Fl. 3005DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.006 2 Diante de glosa efetuada pela autoridade fiscal sem fundamento, por falta de material probatório, resta caracterizada a falta de motivação do ato administrativo, requisito essencial para a sua validade, conforme artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e artigo 38 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF (processo administrativo fiscal), razão pela qual deve ser afastada a exigência fiscal. GLOSA DE DESPESAS RELATIVAS A MUDANÇA DE COLABORADORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CONTRIBUINTE. Não foram comprovadas que as despesas incorridas foram em benefício de funcionários da empresa, e tampouco se estavam relacionadas com as atividades operacionais, razão pela qual a glosa deve ser mantida. GLOSA DE DESPESAS. REVERSÃO DE PROVISÃO. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO. Elementos trazidos aos autos não se mostram conclusivos para determinar se o lançamento contábil da contribuinte, questionado pela autoridade autuante, trata de provisão, e se teve efetivamente, como desdobramento, uma redução na base de cálculo do tributo, razão pela qual a glosa de despesa deve ser afastada. GLOSA DE DESPESAS COM SERVIÇOS BANCÁRIOS. ESTORNO NÃO COMPROVADO. Documentação apresentada pela contribuinte não comprova a ocorrência de estorno referente a lançamento contábil a débito em conta de resultado, motivo pelo qual a glosa de despesas de serviços bancários deve ser mantida. DESPESAS COM VIAGEM. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO Os requisitos de dedutibilidade das despesas restaram comprovados à vista de fortes e harmônicos indícios que autorizam, em juízo de verossimilhança, concluir que as viagens realizadas por determinada pessoa física relacionaramse com as atividades empresariais do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, por unanimidade, e dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer as parcelas da exigência relativas a (i) "Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 dispêndios com mudança de colaboradores da empresa (infração 9) – R$ 4.990,00", por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva, e a (ii) "Glosa de despesas (serviços despesas bancárias), conta contábil 07.15.06 (infração 13) – R$ 850.000,00", por unanimidade. Negouse provimento por maioria quanto à matéria relativa a "Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 despesas de viagem de Arthur Rizoli (infração 5) R$ 83.740,77", vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura (Relator) e Cristiane Silva Costa. As demais matérias do recurso de ofício tiveram provimento negado por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.007 3 (Assinado Digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Relator (Assinado Digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2626/2647 contra decisão da 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 2519/2558), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade do auto de infração, se o fiscal autuante observa os procedimentos previstos na legislação tributária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de realização de diligência, quando os autos encontramse adequadamente instruídos, com os elementos necessários para que o julgador forme sua convicção. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.008 4 Considerase definitivamente constituída, na esfera administrativa, a parcela do crédito tributário relativa à matéria não impugnada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 GLOSA DE DESPESAS COM CONSULTORIA. Para se comprovar uma despesa com prestação de serviço de consultoria, de modo a tornála dedutível, não basta demonstrar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável provar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido. Cabível, portanto, a glosa, quando o interessado deixa de apresentar documentos hábeis, como contratos, relatórios e outros elementos capazes de comprovar a efetiva prestação dos serviços. GLOSA DE DESPESAS COM IMÓVEIS E VEÍCULOS UTILIZADOS POR FUNCIONÁRIOS (IPTU, VAGA DE GARAGEM E ALUGUEL). As despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis só serão admitidas como dedutíveis quando tais ativos forem intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços da pessoa jurídica (art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995). GLOSA DE DESPESAS COM REMANEJAMENTO DE EMPREGADOS. Reputamse necessárias, e portanto dedutíveis para fins de apuração do lucro real, as despesas incorridas com o remanejamento de empregados para trabalhar em outras unidades da federação. GLOSA DE DESPESAS COM VIAGENS DE FUNCIONÁRIOS. As despesas com viagens de funcionários só serão consideradas dedutíveis quando ficar comprovado que foram efetuadas a serviço da empresa e no interesse do desenvolvimento de seus objetivos sociais. GLOSA DE DESPESAS COM FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E AQUISIÇÃO DE BRINDES. As despesas com brindes e almoços, referentes a festas de confraternização, são indedutíveis na apuração do lucro real, já que constituem mera liberalidade, não sendo necessárias à atividade da empresa e à manutenção da sua fonte produtora. GLOSA DE “PERDAS DE ESTOQUE”. Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.009 5 Não tendo sido comprovado que a pessoa jurídica aproveitouse da despesa para reduzir o lucro líquido, cumpre cancelar a glosa. GLOSA DE DESPESAS BANCÁRIAS. ESTORNO. Restando comprovado que a pessoa jurídica estornou a despesa considerada não necessária, descabe a glosa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, e não havendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas, os lançamentos decorrentes colhem a sorte daquele que lhes deu origem. Dos Fatos. No decorrer da ação fiscal, a autoridade autuante tipificou glosas sobre despesas variadas, vez que não restou justificado pela contribuinte a necessidade dos gastos para manutenção da fonte produtora, relacionadas a seguir: (Infração 1) Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830070 – dispêndios com festa de confraternização de final de ano. (Infração 2) Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830022 – gastos com brindes para funcionários e terceiros. (Infração 3) Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 – gastos com serviços de confraternização de final de ano. (Infração 4) Glosa de despesas com benefícios (vale transporte), conta contábil 80061330 – dispêndios com aluguel de vagas de garagem. (Infração 5) Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 – despesas de viagem de Arthur Rizoli. (Infração 6) Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500. (Infração 7) Glosa de despesas de viagem (todos os outros custos), conta contábil 80262000 – dispêndios com aluguel de veículos. (Infração 8) Glosa de despesas com impostos municipais – pagamentos de quotas de IPTU do diretor Viajay. (Infração 9) Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 – dispêndios com mudança de colaboradores da empresa. Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.010 6 (Infração 10) Glosa de despesas com emprego/recrutamento, conta contábil 80360000 – dispêndios com serviços de consultoria. Efetuou também a Fiscalização glosa de despesas por falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, dos lançamentos contábeis da contribuinte que reduziram a base de cálculo do IRPJ e CSLL: (Infração 11) Glosa de despesas conta contábil 07.09.07.01 SUCATA/REFUGONÃO ESPECIFICADO. (Infração 12) Glosa de despesas conta contábil 01.01.06.01.24AJUSTE DE INVENTARIOREAVALIAÇÃO DIFERIDA. Enfim, foram glosadas despesas por falta de justificativa da contribuinte da necessidade para a manutenção da fonte produtora, assim como pela não apresentação de documentação hábil e idônea apta a lastrear os lançamentos contábeis: (Infração 13) Glosa de despesas (serviços – despesas bancárias), conta contábil 07.15.06. (Infração 14) Glosa de despesas (taxa de serviço técnico), conta contábil 07.18.09. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL de fls. 905/923, acompanhados do Termo de Verificação Fiscal de fls. 924/931. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou em 26/09/2011 impugnação de fls. 943/979, e em seguida petição de fls. 2452/2454, no qual reconheceu a procedência dos lançamentos fiscais referentes às infrações 11 (Glosa de despesas conta contábil 07.09.07.01 SUCATA/REFUGONÃO ESPECIFICADO) e 14 (Glosa de despesas de taxa de serviço técnico, conta contábil 07.18.09), efetuando o pagamento por meio de DARF dos correspondentes valores lançados de ofício. A impugnação foi apreciada pela 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, em sessão realizada no dia 03/07/2013. O Acórdão nº 12057.433 de fls. 2519/2558 julgou a impugnação procedente em parte, no sentido de: 1) afastar a glosa de R$15.300,00, relativa à infração 3, por ser lançamento em duplicidade pela Fiscalização; 2) afastar a glosa de R$83.740,77 (24.272,31+26.805,83+32.662,63), relativa à infração 5, por considerar as despesas com viagem de Arthur Rizoli relacionadas às atividades operacionais da pessoa jurídica; 3) afastar a glosa de R$97.939,75, relativa à infração 6, por ser valor não registrado na contabilidade da empresa; 4) afastar a glosa de R$4.990,00 (2.700,00 + 2.290,00), relativa à infração 9, por restar comprovado que as despesas decorreram de interesse da empresa, em razão da mudança de colaboradores de local de trabalho; Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.011 7 5) afastar a glosa de R$3.094.032,79, relativa à infração 12, por não restar demonstrada pelo Fisco, na contabilidade, a dedução do lucro líquido a título de perdas de estoque; 6) afastar a glosa de R$850.000,00, relativa à infração 13, por ter sido demonstrado o estorno da despesa na contabilidade; 7) informa que, para fins de ajuste dos sistemas internos da Receita Federal, foi elaborado o Formulário de Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário – FAPLI e o Formulário de Alteração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social – FACS. Em razão da exoneração de crédito tributário superior ao limite da alçada, a autoridade competente da DRJ interpôs Recurso de Ofício conforme art. 34, inciso I do Decreto 70.235, de 1972 (com redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Por sua vez, a decisão foi cientificada à contribuinte em 25/07/2013 (“AR” de fl. 1676), que, irresignada, interpôs Recurso Voluntário de fls. 1678/1717 em 27/08/2013 (Despacho da Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes Demac/RJ, fl. 2870), no qual discorre sobre pontos descritos a seguir. informa sobre a desistência parcial referentes à glosa de "valores não contabilizados", "despesas com remanejamento de empregados", "despesas com confraternização e brindes de cesta de Natal a empregados, e que efetuará os correspondentes pagamentos das exigências fiscais; discorre sobre a ilegalidade da glosa de despesas necessárias, usuais e normais às suas atividades, comprovadas por meio de documentação comprobatória hábil e idônea; sobre as despesas com recrutamento (R$61.741,32), alega que é diretamente relacionada ao desenvolvimento da atividade empresarial, tendo em vista a exigência de alta especialização e qualificação de mão de obra da indústria de petróleo, razão pela qual contratou os serviços de consultoria prestados pela Michael Page, devidamente demonstrado nos autos; sobre despesas com locação de imóveis, locação de veículos e locação de vagas de garagem, afirma que, apesar de serem gastos incorridos em favor de administradores, diretores e gerentes, constituindose em benefícios indiretos e integrando a remuneração dos beneficiários quando para uso particular, se forem utilizados para fins de servir às atividades operacionais da pessoa jurídica, devem ser considerados como operacionais e dedutíveis; sobre despesas de IPTU, foram incorridas como aluguel de imóveis a expatriado que vem para o Brasil exclusivamente para prestar serviços à Recorrente, sendo dedutíveis, tanto que as despesas com aluguel foram consideradas dedutíveis pela própria autoridade fiscal; em relação à despesas com viagens, referemse à compra de passagens aéreas e reserva de hospedagem a seus colaboradores, contratadas, como acontece em qualquer pessoa jurídica do porte da empresa, por meio de agência de viagens, e cujo pagamento, conforme praxe, foi realizado através de débito em cartão de crédito corporativo, sendo os documentos acostados aos autos suficientes para comprovar que as despesas ocorreram e foram relacionadas às atividades da empresa e manutenção da fonte produtora. Fl. 3011DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.012 8 Na petição de fls. 2769, acompanhada dos demonstrativos e cópias de Comprovantes de Arrecadação, detalha as infrações no qual requer a desistência parcial, conforme exposto no recurso voluntário. Posteriormente, apresentou petição de fls. 2874, para comunicar a modificação de sua razão social para ONESUBSEA DO BRASIL SERVIÇOS SUBMARINOS LTDA. Consta ainda petição de fls. 2963/2966, no qual informa a contribuinte sobre a desistência dos créditos remanescentes discutidos no recurso voluntário. Enfim, antes de ter sido iniciado a leitura do presente relatório, durante a sessão de julgamento, a recorrente apresentou uma outra petição, do qual foi acostada aos autos à fl. 2978, oportunidade em que veio requerer a desistência total do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. I Introdução A princípio, os presentes autos tratavam de recurso de ofício e de recurso voluntário de fls. 1678/1717, interpostos em face da decisão proferida no Acórdão nº 12 057.433, pela 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, em sessão realizada no dia 03/07/2013. Ocorre que, imediatamente antes do início do julgamento dos presentes autos, no decorrer da sessão de julgamento, a contribuinte apresentou uma petição no qual informou que estava desistindo integralmente do recurso voluntário. Vale registrar que, em momentos processuais distintos, a recorrente já havia apresentado duas petições, versando sobre desistência parcial relativa aos créditos tributários em litígio no recurso voluntário. Ao final, consumouse a desistência total do recurso voluntário, mediante a apresentação das petições de fls. 2963/2966 e 2978, esta apresentada durante a sessão de julgamento. Portanto, cabe não conhecer do recurso voluntário interposto pela contribuinte às fls. 1678/1717. Dessa maneira, remanesce para apreciação no presente julgamento apenas o recurso de ofício. Em razão das desistências apresentadas pela recorrente, cumpre delimitar a matéria litigiosa que deve ser analisada. A autuação fiscal tratou de várias glosas de despesas, listadas em sua totalidade no Quadro_1, mantendo, por questões didáticas, a mesma numeração adotada no relatório. Fl. 3012DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.013 9 Infração Descrição Data Valor (R$) 05/12/2007 15.300,00 23/11/2007 15.300,00 1 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830070 dispêndios com festa de confraternização de final de ano. 18/12/2007 44.124,95 18/12/2007 1.000,00 28/09/2007 1.530,60 07/12/2007 3.100,00 2 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830022 gastos com brindes para funcionários e terceiros. 26/12/2007 4.162,73 08/10/2007 1.000,00 23/11/2007 15.300,00 10/12/2007 8.417,40 19/12/2007 1.300,00 17/12/2007 1.400,00 03/09/2007 1.650,00 3 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 gastos com serviços de confraternização de final de ano. 15/12/2006 1.878,60 05/12/2007 442,00 05/12/2007 442,00 05/12/2007 442,00 05/12/2007 442,00 05/12/2007 442,00 31/12/2007 440,00 03/12/2007 1.101,94 08/11/2007 500,00 01/11/2007 1.050,34 4 Glosa de despesas com benefícios (vale transporte), conta contábil 80061330 dispêndios com aluguel de vagas de garagem. 01/11/2007 1.248,00 16/02/2007 24.272,31 17/04/2007 26.805,83 5 Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 despesas de viagem de Arthur Rizoli. 03/07/2007 32.662,63 26/02/2007 20.348,56 20/02/2007 103.089,23 6 Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500. 28/05/2007 36.562,21 Fl. 3013DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.014 10 Infração Descrição Data Valor (R$) 27/06/2007 60.550,60 20/07/2007 48.375,80 17/07/2007 25.703,62 20/08/2007 24.905,78 20/09/2007 82.283,14 20/11/2007 97.939,75 21/09/2007 29.788,20 28/09/2007 26.130,00 28/09/2007 3.575,27 7 Glosa de despesas de viagem (todos os outros custos), conta contábil 80262000 dispêndios com aluguel de veículos. 29/10/2007 4.167,54 09/04/2007 415,20 08/05/2007 415,20 06/06/2007 415,20 8 Glosa de despesas com impostos municipais pagamentos de quotas de IPTU do diretor Viajay. 06/03/2007 415,20 29/01/2007 2.700,00 03/05/2007 2.290,00 9 Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 dispêndios com mudança de colaboradores da empresa. 05/07/2007 4.039,68 10 Glosa de despesas com emprego/recrutamento, conta contábil 80360000 dispêndios com serviços de consultoria. 27/12/2006 61.741,32 11 Glosa de despesas conta contábil 07.09.07.01 SUCATA/REFUGONÃO ESPECIFICADO. 31/12/2007 74.166,69 12 Glosa de despesas conta contábil 01.01.06.01.24AJUSTE DE INVENTARIO REAVALIAÇÃO DIFERIDA. 31/12/2007 3.094.032,79 13 Glosa de despesas (serviços despesas bancárias), conta contábil 07.15.06. 31/12/2007 850.000,00 14 Glosa de despesas (taxa de serviço técnico), conta contábil 07.18.09. 31/12/2007 1.468.485,35 QUADRO_1 – MATÉRIA DA AUTUAÇÃO FISCAL Fl. 3014DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.015 11 Como já dito, determinados valores lançados de ofício foram objeto de desistência, conforme petições encaminhadas pela recorrente. Para fins didáticos, o presente voto denomina a de fls. 2452/2454 como 1ª Petição, a de fls. 2769 como 2ª Petição e as últimas, de fls. 2963/2966 e 2978 como 3ª Petição. Informa a unidade preparadora, no Despacho de fl. 2870, que foi localizado um outro pagamento de R$48.182,40, que também foi alocado aos presentes autos. Os lançamentos objeto de desistência encontramse relacionados no Quadro_2. Infração Descrição Data Principal (R$) Desistência 1ª Petição Desistência 2ª Petição Desistência 3ª Petição 05/12/2007 15.300,00 15.300,00 23/11/2007 15.300,00 15.300,00 1 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830070 dispêndios com festa de confraternização de final de ano. 18/12/2007 44.124,95 44.124,95 18/12/2007 1.000,00 1.000,00 28/09/2007 1.530,60 1.530,60 07/12/2007 3.100,00 3.100,00 2 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830022 gastos com brindes para funcionários e terceiros. 26/12/2007 4.162,73 4.162,73 08/10/2007 1.000,00 1.000,00 10/12/2007 8.417,40 8.417,40 19/12/2007 1.300,00 1.300,00 17/12/2007 1.400,00 1.400,00 03/09/2007 1.650,00 1.650,00 3 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 gastos com serviços de confraternização de final de ano. 15/12/2006 1.878,60 1.878,60 08/11/2007 500,00 500,00 03/12/2007 1.101,94 1.101,94 05/12/2007 442,00 442,00 05/12/2007 442,00 442,00 05/12/2007 442,00 442,00 05/12/2007 442,00 442,00 05/12/2007 442,00 442,00 01/11/2007 1.050,34 1.050,34 01/11/2007 1.248,00 1.248,00 4 Glosa de despesas com benefícios (vale transporte), conta contábil 80061330 dispêndios com aluguel de vagas de garagem. 31/12/2007 440,00 440,00 28/05/2007 36.562,21 36.562,21 6 Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500. 27/06/2007 60.550,60 60.550,60 Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.016 12 Infração Descrição Data Principal (R$) Desistência 1ª Petição Desistência 2ª Petição Desistência 3ª Petição 20/07/2007 48.375,80 48.375,80 20/08/2007 24.905,78 24.905,78 20/09/2007 82.283,14 82.283,14 26/02/2007 20.348,56 20.348,56 20/02/2007 103.089,23 103.089,23 17/07/2007 25.703,62 25.703,62 21/09/2007 29.788,20 29.788,20 28/09/2007 26.130,00 26.130,00 28/09/2007 3.575,27 3.575,27 05/07/2007 4.039,68 4.039,68 7 Glosa de despesas de viagem (todos os outros custos), conta contábil 80262000 dispêndios com aluguel de veículos. 29/10/2007 4.167,54 4.167,54 09/04/2007 415,20 415,20 08/05/2007 415,20 415,20 06/06/2007 415,20 415,20 8 (Infração 8) Glosa de despesas com impostos municipais pagamentos de quotas de IPTU do diretor Viajay. 06/03/2007 415,20 415,20 10 Glosa de despesas com emprego/recrutamento, conta contábil 80360000 dispêndios com serviços de consultoria. 27/12/2006 61.741,32 61.741,32 11 Glosa de despesas conta contábil 07.09.07.01SUCATA/REFUGO NÃO ESPECIFICADO. 31/12/2007 74.166,69 74.166,69 14 Glosa de despesas (taxa de serviço técnico), conta contábil 07.18.09. 31/12/2007 1.468.485,35 1.468.485,35 TOTAL 1.542.652,04 419.775,24 219.861,07 QUADRO_2 – MATÉRIA OBJETO DE DESISTÊNCIA DA CONTRIBUINTE Na decisão de primeira instância, foram afastadas as exigências do Quadro_3, que, por serem de valor superior ao limite de alçada, serão apreciadas em sede de recurso de ofício: Infração Descrição Data Principal (R$) Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.017 13 3 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 gastos com serviços de confraternização de final de ano. 23/11/2007 15.300,00 16/02/2007 24.272,31 17/04/2007 26.805,83 5 Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 despesas de viagem de Arthur Rizoli. 03/07/2007 32.662,63 6 Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500. 20/11/2007 97.939,75 29/01/2007 2.700,00 9 Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 dispêndios com mudança de colaboradores da empresa. 03/05/2007 2.290,00 12 Glosa de despesas conta contábil 01.01.06.01.24AJUSTE DE INVENTARIOREAVALIAÇÃO DIFERIDA. 31/12/2007 3.094.032,79 13 Glosa de despesas (serviços despesas bancárias), conta contábil 07.15.06. 31/12/2007 850.000,00 TOTAL 4.146.003,31 QUADRO 3 – MATÉRIA OBJETO DE RECURSO DE OFÍCIO A princípio, em se tratando do mérito da autuação, há que se destacar que, ao se tratar de glosas de despesas, o registro contábil da pessoa jurídica não faz, por si só, prova de que são dispêndios dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vale transcrever os artigos 923 e 299, do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). ......................................................................... Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.018 14 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Tratase de situação em que cabe à contribuinte comprovar que as despesas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Não poderia ser mais precisa a referência colocada no voto de primeira instância (lição de Antônio da Silva Cabral, Processo Administrativo Fiscal, ed. Saraiva, p. 298): Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Dizse freqüentemente: a quem alega alguma coisa, compete provála. (...) Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. Diante das diretrizes expostas, passemos à apreciação das glosas de despesas que são objeto do recurso de ofício. II Recurso de Ofício II.1 Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários (atividade recreativa), conta contábil 80830060 gastos com serviços de confraternização de final de ano (infração 3) Tratase de glosa de despesas de R$15.300,00, referente a serviços prestados pela NUTRIEMPRESARIAL, conforme nota fiscal 074 de 23/11/2007 (fl.684). O valor foi afastado pela DRJ, uma vez que constatou que a despesa já havia sido glosada em outra infração (Glosa de despesas sobre bem estar dos funcionários, conta contábil 80830070 dispêndios com festa de confraternização de final de anoinfração 1). Entendo que não há reparos a fazer na decisão de primeira instância, que afastou a glosa para evitar o lançamento em duplicidade. Portanto, deve ser mantido o afastamento de glosa de R$15.300,00 relativa à infração 3. Cabe, assim, para a glosa analisada, negar provimento ao recurso de ofício. II.2 Glosa de despesas de viagem (alojamento), conta contábil 80260600 despesas de viagem de Arthur Rizoli (infração 5) Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.019 15 A DRJ decidiu afastar a glosa de despesas no valor de R$83.740,77 (24.272,31+26.805,83+32.662,63), por considerar os dispêndios com viagem de Arthur Rizoli comprovados e relacionadas às atividades operacionais da pessoa jurídica. Verificando a documentação acostada à impugnação (fls. 1637/1807), entendo que restou comprovada apenas a efetiva ocorrência das despesas. Contudo, não restou demonstrado, primeiro, que o Arthur Rizoli era efetivamente funcionário da empresa, e, segundo, que as viagens estiveram relacionadas com as atividades operacionais. Não há nenhum documento que demonstre o objetivo da viagem. Aduz a contribuinte na impugnação que a realização de viagens seria necessária para expandir negócios, captar novos clientes e participar de reuniões com as demais empresas do grupo empresarial. Contudo, nos autos não é possível identificar nenhuma documentação apta a lastrear as argumentações expostas, com atas de reuniões, plano de negócios, apresentações de slides, dentre outros. Nesse sentido, entendo que não restou demonstrado pela contribuinte que as despesas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Portanto, as glosas de despesas da infração 5 no valor de R$83.740,77 devem ser restabelecidas. Cabe, assim, para a glosa analisada, dar provimento ao recurso de ofício. II.3 Glosa de despesas de viagem (transporte aéreo), conta contábil 80260500 (infração 6) A DRJ decidiu afastar a glosa de R$97.939,75, relativa à infração 6, por se tratar de valor não registrado na contabilidade da empresa, e, por consequência, não ter sido deduzido na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Entendo que a análise da decisão de primeira instância não merece reparos. De fato, conforme demonstrativo elaborado à fl. 2552, não é possível localizar a documentação acostada pela Fiscalização para dar suporte à glosa no valor de R$97.939,75 (fls. 872/899). Tratase, portanto, de situação no qual a glosa efetuada pela autoridade fiscal não se encontra fundamentada, por falta de material probatório. A motivação do ato administrativo mostrase como requisito essencial para a sua validade, tanto que lhe foi atribuída a condição de princípio pelo art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.(grifei) Na mesma toada, predica o art. 38 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o PAF (processo administrativo fiscal): Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.020 16 notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). § 1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência. (grifei) Estando ausente a comprovação do fato motivador da exigência, não há como subsistir a infração tipificada pela autoridade fiscal. Portanto, deve ser mantido o afastamento de glosa de R$97.939,75 relativa à infração 6. Cabe, assim, para a glosa analisada, negar provimento ao recurso de ofício. II.4 Glosa de despesas com remanejamento (transporte de aparelhos), conta contábil 8035002 dispêndios com mudança de colaboradores da empresa (infração 9) Decidiu a DRJ afastar a glosa de R$4.990,00 (2.700,00 + 2.290,00), vez que entendeu que restou comprovado que as despesas decorreram de interesse da empresa, em razão da mudança de colaboradores de local de trabalho. Verificando a documentação acostada à impugnação (fls. 1592/1599), entendo que restou comprovada apenas a efetiva ocorrência das despesas. Contudo, não foi demonstrado, primeiro, que Mario Paris e Wilson eram efetivamente funcionários da empresa, e, segundo, que as mudanças foram relacionadas com as atividades operacionais. Nesse sentido, entendo que não restou demonstrado pela contribuinte que as despesas guardam os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade previstos no art. 299 do RIR/99. Portanto, as glosas de despesas da infração 9 no valor de R$4.990,00 devem ser restabelecidas. Cabe, assim, para a glosa analisada, dar provimento ao recurso de ofício. II.5 Glosa de despesas conta contábil 01.01.06.01.24AJUSTE DE INVENTÁRIOREAVALIAÇÃO DIFERIDA (infração 12) Para analisar a infração, transcrevo as razões da autoridade autuante, apresentadas no Termo de Verificação Fiscal às fls. 929/930. a empresa procede ao registro na conta 07.09.07.01 SUCATA/REFUGO NÃO ESPECIFICADO, conta essa pertencente as despesas operacionais, grupo de despesas de materiais, valores a debito, que influenciaram na apuração do resultado, contra valores a credito de produtos acabados, conta 01.01.06.01.02, onde também são lançados valores a credito, procedendo a uma operação típica de um contascorrentes, Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.021 17 restando um saldo devedor no final do ano de R$ 74.166,69, que transitou por resultado. Na mesma operação, efetuou também a contabilização do valor de 3.094.032,79, a credito, e a debito da conta 01.01.06.01.24 AJUSTE DE INVENTARIO REAVALIAÇÃO DIFERIDA, com o histórico " reclassificação conforme email Michele Baker 24/04/2007." Após leitura do art. 291 do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda , onde temos e a título citamos: OBSOLESCÊNCIA Somente serão computáveis na determinação do lucro real as perdas de capital resultantes da obsolescência de bem do ativo permanente quando a baixa contábil do bem corresponder a sua efetiva saída do patrimônio da empresa ( Ac. 1º CC 1052.024/86 Resenha Tributaria, Jurisprudência IR, Vol. 1.2.2, pág. 88 ). QUEBRAS E PERDAS LAUDO DA AUTORIDADE FISCAL No tocante aos bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável, hipótese tratada na letra " c", do inciso II, o laudo da autoridade fiscal é fundamental para justificar a dedução da perda. GLOSA DE DESPESAS DESTRUIÇÃO DE MERCADORIAS SEM LAUDOS ajustes no estoque decorrentes de incineração/inutilização não comprovados por laudo/certificado da autoridade competente, bem como sua dedução do lucro operacional, são considerados indedutíveis, passíveis de tributação por adição ao lucro tributável do respectivo exercício. Recurso provido em parte 1º CC – 1ª Câmara ACÓRDÃO 10194164 16/04/2003. Publicado no DOU em 03/06/2003. Entretanto, quando questionado sobre o procedimento adotado no momento da baixa, foi informado que: que não possui laudo de autoridade fiscal; que a baixa do material é feito um ajuste de inventario pelo pessoal do almoxarifado, sempre suportado por um Relatório de Não Conformidade RNC. Desta forma, o contribuinte foi intimado a no prazo de 10 ( dez) dias a contar da ciência deste termo a: apresentar a documentação hábil e idônea que deu lastro a baixa dos bens; justificar e comprovar através de documentação hábil e idônea a reclassificação de R$3.094.032,79, relativa ao ajuste de inventario efetuado. Considerando que em sua carta resposta datada de 27 de abril de 2011, o contribuinte não apresentou justificativas, bem como documentação que comprovasse os lançamentos questionados, procedemos a sua glosa por falta de comprovação, conforme preceitua o art. 291 do Decreto 3.000/99. (grifei). Fl. 3021DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.022 18 Por sua vez, o voto da primeira instância apresentou a seguinte análise sobre o ponto em debate: Quanto à primeira operação, não há dúvida de que tratouse de lançamento a débito na conta 07.09.07.01 Sucata/Refúgio, no valor de R$ 74.166,69, referente a baixa de inventário por quebras e perdas, com a qual a empresa concordou e inclusive pagou os tributos correspondentes, como consta no relatório. No que se refere ao segundo lançamento, o autuante não se elucida em que conta foi efetuado o lançamento a crédito. Como se utiliza do termo “na mesma operação”, fica a impressão de que o lançamento credor se deu na conta 07.09.07.01 SUCATA/REFUGO NÃO ESPECIFICADO. Portanto, ao que parece, uma reavaliação positiva dos estoques. Não haveria assim matéria tributária a lançar. Esta impressão é reforçada pelo documento de fl. 1059. No entanto as contas indicadas são outras: 1) a que teve o valor lançado a débito – 1383000 – ajuste de inventário e, 2) a que teve o valor lançado a crédito – 8062000 – sucata/refugo. A despeito desta diferença quanto ao número da conta, da leitura do documento inferese ter havido uma reavaliação positiva de estoque. Este o ponto é justamente atacado pela impugnante, que sustenta que se “o Agente Fiscal tivesse se dado ao trabalho de analisar, ainda que rapidamente, o razão da conta (doc. 8 – fl. 1059) por ele mencionado no Termo de Verificação Fiscal, teria facilmente concluído que o registro contábil questionado, em hipótese alguma, poderia ter impactado negativamente o lucro líquido do período de apuração, correspondendo, ao contrário, a um acréscimo tanto no Ativo, quanto no Resultado da Impugnante, como não poderia ser diferente.” Vale destacar que o termo utilizado pelo autuante na descrição – “reavaliação” – guarda melhor conexão com um resultado positivo do que com resultado negativo, usualmente designados como perda. Explica ainda o contribuinte que na verdade procedeu a uma reversão da provisão da perda de estoque, razão pela qual procedeu ao ajuste de inventário, o que melhor se afina com as provas juntadas aos autos. Examinei ainda os documentos de fls. 607/611 que instruíram a autuação, além de demais elementos juntados aos autos e não encontrei provas convincentes de que o contribuinte tenha deduzido do lucro líquido o valor de R$ 3.094.032,79, a título de perdas de estoque. Todavia, a empresa não nega a dedução da despesa a título de perda de estoques, mas destaca que a glosa efetuada foi de um lançamento a débito no ativo, o que de fato não tem razão de ser, com base no documento de fl. 1059. Não foram juntados aos autos laudo relativo a esta primeira baixa, o que implicaria na adição ao lucro líquido, em virtude de Fl. 3022DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.023 19 sua dedução indevida. Quer nos parecer, todavia, que a empresa solucionou contabilmente a questão através da reversão da provisão de perda de estoque, não constando o LALUR de fls. 1063/1064 registro no valor em questão a título de adição ou exclusão do lucro líquido. Todos estes fatores me levam a crer que não restou inequivocamente demonstrado pelo Fisco que a empresa tenha infringido o artigo 291 do RIR/1999, razão pela qual sou pelo cancelamento da glosa no valor de R$ 3.094.032,79. Entendo que não há reparos a fazer na avaliação da DRJ. De fato, a motivação da autoridade autuante para o lançamento fiscal mostrase confusa e inconclusiva. Há evidência de que se trata de uma reversão de provisão, no qual ocorre o lançamento a débito em conta redutora do ativo e a crédito em conta de resultado, e ajuste no LALUR para excluir o valor do lucro real, de modo a manter a base de cálculo do tributo inalterada. No caso em tela, conforme demonstra o extrato da contabilidade à fl. 1059, ocorreu lançamento a débito em conta de ajuste (redutora) do ativo e a crédito em conta de resultado. Contudo, da análise da planilha demonstrativa do LALUR às fls. 1060/1061, e da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral da DIPJ à fl. 09, não há como concluir se de fato ocorreu o ajuste da provisão no LALUR, qual seja, a baixa do valor para ser excluído do lucro real. Portanto, não há como saber, com precisão, se o lançamento trata, efetivamente, de reversão de provisão. De qualquer forma, a autoridade autuante considerou lançamento a débito em conta de ativo e crédito em conta de resultado como ocorrência de uma despesa, que teria reduzido a base de cálculo na apuração do IRPJ e CSLL, o que não faz nenhum sentido. Deveria ter sido mais clara a motivação da autuação fiscal, de maneira a demonstrar, em tese, que o lançamento contábil em questão seria, na realidade, parte de uma sequência de registros contábeis que ao final teria como desdobramento uma redução no resultado tributável. Nesse sentido, deve ser mantido o afastamento de glosa de R$3.094.032,79 relativa à infração 12. Cabe, assim, para a glosa analisada, negar provimento ao recurso de ofício. II.6 Glosa de despesas (serviços despesas bancárias), conta contábil 07.15.06 (infração 13) A DRJ decidiu afastar a glosa de R$850.000,00, relativa a lançamento a débito na conta 07.15.06 – SERVIÇOS – DESPESAS BANCÁRIAS, que não teve na fase inquisitória nenhuma justificativa quanto à sua necessidade para a manutenção da fonte produtora, por ter sido demonstrado o estorno da despesa na contabilidade. Discorre a decisão de primeira instância: Em sua defesa o contribuinte alega que estornou a despesa, o que se encontra comprovado pelos documentos de fl. 1242, onde se vê que em 15/02/2007 o lançamento de uma despesa no valor de R$ 850.000,00 e, em 23/02/2007 o seu estorno. Fl. 3023DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.024 20 Analisando o documento de fl. 1242, não entendo que houve o estorno da conta. São apresentados dois lançamentos, ambos no qual se pode observar lançamento a débito na conta “Serviços – Despesas” e a crédito na conta “BANCO SANTANDER AG”, no valor de R$850.000,00. O primeiro tem com data de lançamento 23/02/2007, e o segundo 15/02/2007. Há menção no segundo lançamento de “Estornado por ....”, e no primeiro “Doc. Estorno p/ ...”. Não há como identificar os números de documentos, por estarem ilegíveis. Verificase que se trata de um extrato de sistema informatizado de contabilidade da contribuinte. Contudo, inferese que, mesmo em um programa de computador, a visualização dos lançamentos contábeis deve obedecer à ordem geral, qual seja, o primeiro registrando o débito, e o segundo o crédito da conta contábil. Portanto, o lançamento contábil de 23/02/2007, para efetivar o estorno do lançamento de 15/02/2007, deveria registrar débito na conta “BANCO SANTANDER AG” e crédito na conta “Serviços – Despesas”, o que não restou demonstrado. Vale transcrever fragmento da NORMA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE – ITG 2000 (R1), de 05/12/2014, que alterou a Interpretação Técnica ITG 2000, que foi aprovada pela Resolução CFC N.º 1.330/11, que trata da retificação de lançamentos contábeis. Retificação de lançamento contábil 31. Retificação de lançamento é o processo técnico de correção de registro realizado com erro na escrituração contábil da entidade e pode ser feito por meio de: a) estorno; b) transferência; e c) complementação. 32. Em qualquer das formas citadas no item 31, o histórico do lançamento deve precisar o motivo da retificação, a data e a localização do lançamento de origem. 33. O estorno consiste em lançamento inverso àquele feito erroneamente, anulandoo totalmente. 34. Lançamento de transferência é aquele que promove a regularização de conta indevidamente debitada ou creditada, por meio da transposição do registro para a conta adequada. 35. Lançamento de complementação é aquele que vem posteriormente complementar, aumentando ou reduzindo o valor anteriormente registrado. Fl. 3024DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.025 21 36. Os lançamentos realizados fora da época devida devem consignar, nos seus históricos, as datas efetivas das ocorrências e a razão do registro extemporâneo. (grifei) Diante dos elementos apresentados nos autos, entendo que não há certeza quanto ao estorno. Não há como firmar convicção se o lançamento do dia 23/02/2007, foi efetivamente um estorno, ou se foi um novo lançamento a débito em conta de resultado. Portanto, a glosa de despesa da infração 13 no valor de R$850.000,00 deve ser restabelecida. Cabe, assim, para a glosa analisada, dar provimento ao recurso de ofício. II.7 – Conclusão do Recurso de Ofício Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer as glosas de despesas no valor de: (1) R$83.740,77, da infração 5; (2) R$4.990,00 da infração 9; (3) R$850.000,00 da infração 13, nos termos do presente voto. III. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário, e dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer as glosas de despesas no valor de: (1) R$83.740,77, da infração 5; (2) R$4.990,00 da infração 9; (3) R$850.000,00 da infração 13, nos termos do presente voto. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 3025DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.026 22 Voto Vencedor Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator Designado. Inicialmente, reconhecese a excelência da análise realizada pelo I. Relator, Cons. André Mendes de Moura, que tão bem detalhou ao colegiado as inúmeras particularidades do caso. À exceção da glosa relativa às despesas de viagem do Sr. Arthur Rizoli (item 1.9 do Termo de Verificação Fiscal), no valor de R$ 83.740,77, que entendi improcedente pelas razões abaixo, adoto aqui os fundamentos constantes do voto vencido quanto às demais matérias. Pois bem. Quanto à efetividade das despesas com tais viagens, restou devidamente comprovada pela documentação acostada à impugnação (fls.1.637/1.807), consoante constatou o I. Relator. Acerca dos demais requisitos que autorizam a dedutibilidade das despesas, é possível, com a devida vênia aos Conselheiros que entenderam contrariamente, verificar, a partir do mesmo caderno probatório, que estão presentes no caso concreto. Os fortes e harmônicos indícios – v.g., confirmação de bilhetes aéreos, recibos de despesas com hospedagem, controles de despesas, comprovantes de depósitos e de ordens de crédito relativos a ressarcimentos, comprovantes de cartões de crédito com a indicação do contribuinte – autorizam, em juízo de verossimilhança, concluir que as viagens realizadas pelo Sr. Arthur Rizoli relacionaramse com as atividades empresariais do Recorrente, mormente quando se constata que a maioria teve como destino a cidade norteamericana de Houston (Estado do Texas), em que o Grupo Cameron possui unidades, como se verifica do seu sítio eletrônico na internet 1: 3505 W, Sam Houston Pkwy. N.,Houston, TX 77043 11236 Brittmoore Park Dr., Houston, TX 77041 6500 Brittmore Rd., Houston, TX 77041 1333 West Loop S., Suite 1700, Houston, TX 77027 6401 W. Sam Houston Pkwy. N., Houston, TX 77041 6750 Bingle Road, Houston, TX 77092 11210 Equity Drive, Houston, TX 77041 8820 Meldru Ln., Houston, TX 77085 11323 Tanner Road, Houston, TX 77041 1 https://www.cam.com/contactus/locations. Fl. 3026DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16682.720595/201192 Acórdão n.º 1103001.192 S1C1T3 Fl. 3.027 23 A documentação acima mencionada inicialmente havia sido apreciada pelos Julgadores de primeira instância, que chegaram à idêntica conclusão de afastar a glosa fiscal, verbis: “Examinei a documentação apresentada e verifiquei que somente as despesas com viagem do Sr. Arthur Rizoli podem ser reputadas como relacionadas aos interesses da empresa, estando sua composição nos demonstrativos citados nas folhas acima e comprovados pela documentação constante do anexo XIII. Por tais razões, não prevalece a glosa relacionada às despesas com viagens do Sr. Arthur Rizoli, no total de R$ 83.740,77 (item 1.9 do Termo de Verificação Fiscal), devendo ser mantida a decisão a quo. Pelo exposto, voto no sentido de: a) NÃO CONHECER do recurso voluntário; b) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer as glosas com: “Remanejamento transporte de aparelhos, conta 8035002” (infração 9 do voto vencido; item 1.6 do Termo de Verificação Fiscal), no valor de R$4.990,00; e “Serviços – Despesas Bancárias, conta 07.15.06” (infração 13 do voto vencido; item 5 do Termo de Verificação Fiscal), no valor de R$ 850.000,00. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3027DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 19740.000206/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004
INCLUSÃO EM PARCELAMENTO - CONFISSÃO DE DÍVIDA - NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO
A inclusão do presente processo e das obrigações correlatas em parcelamento importa confissão de dívida e por conseguinte, renúncia ao contencioso administrativo, razão pela qual deixo de conhecer o presente recurso. Nos termos do próprio art. 5 da lei 11.941/2009, a opção pelos parcelamentos de que trata a referida Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por perda de objeto, face à inclusão do mesmo em parcelamento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003, 2004 INCLUSÃO EM PARCELAMENTO - CONFISSÃO DE DÍVIDA - NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO A inclusão do presente processo e das obrigações correlatas em parcelamento importa confissão de dívida e por conseguinte, renúncia ao contencioso administrativo, razão pela qual deixo de conhecer o presente recurso. Nos termos do próprio art. 5 da lei 11.941/2009, a opção pelos parcelamentos de que trata a referida Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por perda de objeto, face à inclusão do mesmo em parcelamento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
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Nos termos do próprio art. 5 da lei 11.941/2009, a opção pelos parcelamentos de que trata a referida Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, por perda de objeto, face à inclusão do mesmo em parcelamento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 06 /2 00 3- 55 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do Contribuinte, BANCO NACIONAL SA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL., foi lavrado auto de infração referente à DCTF do terceiro e quarto trimestres de 1998, lavrado pela Deinf/RJ, atual Demac/RJO. No auto de infração foi formalizada a exigência de IRRF, no valor de R$5.138.914,54, multa de 75% e juros de mora calculados até 30/06/2003. Conforme descrição dos fatos, enquadramento legal e anexos do auto de infração, a autuação resultou de procedimento de auditoria interna de DCTF na qual foi apurado que, em determinados períodos do ano de 1998, ocorreu falta ou recolhimento a menor de IRRF, códigos 0561, 0588, 1708 e 8045, conforme Anexo I, Anexo II, e Anexo III. Inconformada com o lançamento, a Interessada apresentou impugnação em 01/08/2003, após ciência ocorrida em 04072003, alegando que os débitos objetos do lançamento foram anteriormente compensados através do processo 10305.000299/9863, sendo que os débitos foram por equívoco e inadvertidamente, transferidos para os processos: 10768.012491/200111, 10768.012495/200191, 10768.012494/200146, 10768.012493/200100, 10768.012492/200157, 10768.012490/200168, 10768.012521/200181, 10768.012520/200136, 10768.012519/200110. O processo foi remetido à EQCOR/DIORT da DemacRJ, para que fossem analisadas as compensações acima mencionadas. Às fls.79, há petição da Interessada requerendo que fosse declarada a insubsistência do referido auto de infração, cancelando os lançamentos efetuados, para desconstituir o crédito tributário ora lançado, e, ao final arquivado, uma vez que já se passaram 08 (oito) anos, por ocasião da apresentação da Impugnação e o processo em destaque continua com a situação fiscal suspensa aguardando julgamento da Impugnação. Nos autos consta cópia das decisão que tratou da referida compensação. No parecer e despacho de revisão de ofício, consta que: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19740.000206/200355 Acórdão n.º 2202002.902 S2C2T2 Fl. 3 3 no processo 10305.000299/9863 foi reconhecido direito creditório a favor da interessada conforme cópia da decisão às fls. 33/40; da tal saldo credor foi compensado com os débitos controlados pelos processos acima mencionados e também com os processos 10768.012517/200112 e 10768.012518/200167, todos cadastrados por transferência de débitos do processo 10305.000299/9863, e inscritos em Dívida Ativa da União, conforme fls.42/66; o crédito foi suficiente para liquidar as inscrições em dívida ativa, restando saldo credor a ser utilizado em futuras compensações, conforme despacho decisório no processo de compensação; objetivando verificar quais parcelas do auto de infração foram quitadas por compensação, foi elaborada a planilha de cálculo de fls.272/299 com base nos extratos dos processos de fls.97/271, em que foram separados os valores constantes no sistema PROFISC em cada coluna por vencimento do débito, considerando que cada vencimento corresponde a um determinado período de apuração (PA), ao final de cada coluna consta em negrito o somatório dos seus valores; na planilha de cálculo de fls.300 foram deduzidos dos valores lançados de ofício as parcelas confirmadas como compensadas de acordo com o vencimento do período; se o valor compensado excedia o valor lançado de ofício, foi considerado como zero o valor mantido do auto de infração. No despacho decisório consta que após a revisão de ofício foi reduzido o valor total do débito conforme planilha de fls.300. Interessada conforme cópia da decisão às fls. 33/40. A DRJ – Rio de Janeiro ao apreciar as razões do interessado, julgou a julgar improcedente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 1998 DCTF. IRRF. COMPENSAÇÃO PARCIAL. Mantém se o lançamento do IRRF quando comprovado que parte dos débitos não foi compensada anteriormente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde enfatiza em especial os seguintes pontos: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Da preliminar de ilegalidade do lançamento de ofício da constituição do crédito tributário por declaração (Auto de Lançamento via DCTF); Da cobrança em duplicidade – inscrição em divida ativa e posterior lavratura de auto de infração – Débito extintos. Da cobrança indevida de juros e da multa punitiva aplicada após a decretação da liquidação extrajudicial. Esta turma decidiu converter o processo em diligência em março de 2013. É o relatório. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19740.000206/200355 Acórdão n.º 2202002.902 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Em se tratando de retorno de diligência comandado por esta Turma, despicienda a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. Após retorno do presente processo da diligência, deparamonos com a informação de fls 554 e 555 de que o débito objeto do presente demanda foram incluídos em parcelamento especial da lei 11.941. A confissão de dívida importa renúncia ao contencioso administrativo, razão pela qual deixo de conhecer o presente recurso, nos termos do próprio art. 5 da lei 11.941/2009, que assim estabelece: Art. 5 o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Face o exposto voto por não conhecer o recurso, por perda de objeto, face a inclusão do mesmo em parcelamento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 572DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10510.003484/2007-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/2002
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. Neste sentido, observa-se também a Súmula CARF no 99.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2403-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em Acolher parcialmente os Embargos propostos para retificar o dispositivo do Acórdão, para conter a seguinte decisão: "CONHECER do Recurso Voluntário, DAR-LHE PROVIMENTO, para, em Preliminar, se reconhecer a decadência total até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN".
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. Neste sentido, observase também a Súmula CARF no 99. Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em Acolher parcialmente os Embargos propostos para retificar o dispositivo do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 34 84 /2 00 7- 27 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Acórdão, para conter a seguinte decisão: "CONHECER do Recurso Voluntário, DARLHE PROVIMENTO, para, em Preliminar, se reconhecer a decadência total até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN". Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.003484/200727 Acórdão n.º 2403002.932 S2C4T3 Fl. 169 3 Relatório Tratase de embargos propostos pelo Procurador da Fazenda Nacional por entender que o Acórdão nº 240301.239 possui omissão entre a decisão a sua fundamentação. O processo nº 10510.003484/200727 em questão se refere a Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1514.073 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.087.8710. O Acórdão nº 240301.239 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, cujo I. Relator foi o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato, teve como resultado do julgamento: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Em relação à omissão apontada pela Embargante: A 3ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento acolheu a preliminar de decadência até a competência 07/2002, com base no art. 150, § 4º do CTN c/c 173, I do CTN, sob o argumento de que este período já estaria decaído ao tempo do lançamento, cientificado ao sujeito passivo em 29/08/2007. Analisando detidamente o inteiro teor da decisão em questão, constatase a existência de omissão em sua fundamentação. Isto porque, ao reconhecer a decadência do lançamento, não se analisou a existência de pagamento parcial das contribuições devidas nas aludidas competências (de 12/2001 a 07/2002). Com efeito, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem consolidado o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tão somente diante da existência de pagamento parcial do tributo devido. Por outro lado, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN, (...) Assim, depreendese do Discriminativo Analítico de Débito (DAD), fls. 02/08, que em relação às competências 12/2001 a 07/2002 não houve recolhimento antecipado de tributo. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Ora, se inexiste pagamento parcial nas competências 12/2001 a 07/2002, aplicase a regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN. Sob tal perspectiva, as competências ocorridas a partir de 12/2001 poderiam ter sido lançadas em 2002. Logo, 01/01/2003, primeiro dia do exercício seguinte, é o termo inicial da contagem do prazo decadencial, que somente se encerra em 01/01/2008. Como o contribuinte foi cientificado em 29/08/2007, o crédito tributário foi regular e tempestivamente constituído em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2001. Nesse sentido, inexistindo pagamento parcial (competências 12/2001 a 07/2002), conforme se depreende dos autos, impõese a aplicação da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. Assim, a Fazenda Nacional requer que sejam recebidos e providos os embargos de declaração para sanar os vícios apontados, analisandose a aplicação do art. 173, I, CTN. Face aos argumentos apresentados pela Embargante, quanto à omissão no acórdão que resultou em aplicar o critério decadencial do art. 150, §4°, do CTN c/c art. 173, I, CTN , entendo que lhe assiste razão. Conforme se observa de trecho do Acórdão do Recurso Voluntário, decidiu se pela aplicação decadencial dos art. 150, § 4º, c/c art. 173, I, ambos do CTN: In casu, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, c/c artigo 173, I , ambos do CTN. Conforme Relatório Fiscal de fls. o período das irregularidades compreendeu a competência 01/07/1997 a 31/07/2002, NFLD n° 37.087.8710 lavrada em 29/08/2007. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período total, compreendido entre: 01/07/1997 a 31/07/2002 (nos termos do art. 150, § 4º, c/c artigo 173, I, ambos do CTN), conforme explicado. Acolho a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário, extinguindose o crédito tributário. CONCLUSÃO Ante todo o exposto e do mais que nos autos consta, conheço do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO aplicando a Sumula Vinculante n. 8 do STF, reconhecendo a Decadência total, com base no artigo 150, § 4º c/c artigo 173, I , ambos do CTN, extinguindose o crédito tributário, nos termos dos fundamentos supra. A Recorrente teve ciência da NFLD em 29.08.2007, conforme fls. 01. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 09, é de 07/1997 a 07/2002. Constatase que há competências (competência 12.2001, inclusive até a competência 07.2002) na qual não incide a decadência se utilizado o art. 173, I, CTN, posto Fl. 719DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.003484/200727 Acórdão n.º 2403002.932 S2C4T3 Fl. 170 5 que o período objeto da autuação foi 07.1997 a 07.2002 e a ciência do contribuinte ocorreu em 29.08.2007. Outrossim, o Voto do Relator foi no sentido de se dar provimento aplicando a Sumula Vinculante n. 8 do STF, reconhecendo a Decadência total, com base no artigo 150, § 4º c/c artigo 173, I, ambos do CTN, extinguindose o crédito tributário. Portanto, como as decisões emanadas do Colegiado devem ser claras, não omissas e não contraditórias, de forma que entendo deve ser sanada a hipótese de competências não alcançadas pela aplicação da regra decadencial do art. 173, I, CTN. Então foram admitidos os Embargos de Declaração, de forma a entrar em Pauta de Julgamento nesta Colenda Turma. É o Relatório. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Com fulcro no art. 64, I do Anexo II do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, o Procurador da Fazenda Nacional, propôs, tempestivamente, Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240301.239 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Preliminar Da decadência Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.003484/200727 Acórdão n.º 2403002.932 S2C4T3 Fl. 171 7 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de Fl. 722DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, o Relatório do Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF, às fls. 30, apresenta, como documentos examinados, COMPROVANTES DE RECOLHIMENTOS feitos pelo contribuinte, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação, ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com Fl. 723DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.003484/200727 Acórdão n.º 2403002.932 S2C4T3 Fl. 172 9 fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Ademais, neste sentido de se considerar os recolhimentos parciais para a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, CTN, há a Súmula CARF no 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A Recorrente teve ciência da NFLD em 29.08.2007, conforme fls. 01. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 09, é de 07/1997 a 07/2002. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Diante do exposto, em função da decadência total reconhecida nos termos do art. 150, § 4º, CTN, afastase a possibilidade de aplicação da regra decadencial do art. 173, I, CTN, conforme o suscitado pela Embargante. Outrossim, acolhese em parte os Embargos opostos pela Procuradoria da Fazenda para que se retifique o dispositivo do Acórdão de forma a se prover o Recurso Voluntário pelo reconhecimento da decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 CONCLUSÃO Voto no sentido de Acolher parcialmente os Embargos propostos para retificar o dispositivo do Acórdão, para conter a seguinte decisão: "CONHECER do Recurso Voluntário, DARLHE PROVIMENTO, para, em Preliminar, se reconhecer a decadência total até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN". É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 725DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000329/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2006, 2007
LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL.
Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus probatório, cabendo ao contribuinte realizar prova em contrário.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.º 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.º 70.235/72.
CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA DETERMINAÇÃO. CUSTO IGUAL A ZERO.
Sendo impossível a determinação do custo de aquisição de bens, este será considerado igual a zero por observância do art. 129, IV, do Dec. 3.000/99 (RIR/99).
Numero da decisão: 1302-001.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva Ausente momentaneamente o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE MERA INTERMEDIAÇÃO DE OPERAÇÕES COMERCIAIS. A mera alegação do contribuinte de que apenas intermediava as operações de compra e venda de veículos, sem qualquer amparo probatório, não é hábil a desconstituir o lançamento tributário em seu desfavor sobre o valor total das vendas realizadas. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus probatório, cabendo ao contribuinte realizar prova em contrário. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.º 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.º 70.235/72. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA DETERMINAÇÃO. CUSTO IGUAL A ZERO. Sendo impossível a determinação do custo de aquisição de bens, este será considerado igual a zero por observância do art. 129, IV, do Dec. 3.000/99 (RIR/99). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2006, 2007 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 03 29 /2 01 0- 96 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva Ausente momentaneamente o conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araujo. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.115 3 Relatório Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 917.293,34), CSLL (R$ 346.892,72), PIS (R$ 122.501,93) e COFINS (R$ 565.395,66), resultando em um montante de R$ 1.952.083,65, incluindo multa de oficio (150%) e juros de mora (fl. 04/11). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante no Termo de Verificação Fiscal (fl. 990/1.004): a) Em 14/08/2009, deu se inicio ao procedimento fiscal n° 09.2.03.002009 004878, com o fim de verificar o regular cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, dos períodos de 01/2006 a 31/12/2007, (fls. 64/66). b) Ao contribuinte foi solicitado a apresentação de documentos, tais como: extratos de contas bancárias mantidas em seu nome no período de 2006 a 2007, além dos livros contábeis obrigatórios, livros de registros de entradas e saídas, contratos de intermediações de financiamentos, empréstimos, leasing, contrato social e alterações, por fim, documentos pessoais dos administradores e do responsável pela escrita contábil da sociedade. c) Em 11/09/2009, pelo Termo de Intimação Fiscal — TIF n°0001 (fls. 118/119), a Fiscalização intimou o contribuinte a apresentar os extratos bancários de contas mantidas junto a Caixa Econômica Federal, Banco ABN AMRO Real S/A, e, junto A Cooperativa de Crédito Maxi Alfa de Livre Admissão de Associados SICOOB, todos relativamente aos anos de 2006 e 2007. d) Em 25/09/2009, pelo TIF n° 0002 (fls. 286/287), a Fiscalização intimou o contribuinte a apresentar notas fiscais e esclarecimentos quanto à origem dos créditos e a forma em que se deu a escrituração contábil das receitas ali listadas. e) Em 10/11/2009, pelo TIF n° 0003 (fls. 310/311), houve a reintimação quanto à apresentação das notas fiscais de operações de vendas de veículos, comprovação das origens de alguns créditos ainda não comprovados documentalmente pelo contribuinte, e manifestação deste acerca da prestação de serviços, conforme retenções apuradas em DIRFs (fls. 323/326). f) A recorrente, a partir dos TIFs n° 0002 e 0003 apresentou documentos como relatório de pagamentos, emitido pela Financeira BV, com operações em que fora intermediadora do crédito para venda de seus veículos usados, extrato de comissões recebidas do Banco ABNAMROREAL, planilha Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 indicativa da origem dos créditos oriundos das prestações de serviços, sem, contudo, juntar as notas fiscais dessas prestações (fls. 621), dentre outros. g) Em 08/12/2009, pelo TIF n° 0004 (fls. 622/645), foi reintimado o contribuinte para apresentar a documentação hábil e comprobatória da origem dos depósitos bancários ainda não comprovados, como também apresentar as notas fiscais que fundamentam as receitas auferidas por prestações de serviços e apontar a forma que se deu o registro contábil dessas receitas, e para que houvesse a manifestação acerca dessas operações de financiamento ali indicadas. h) Em 18/12/2009, manifestouse o contribuinte (fls. 658), limitandose a declarar que os documentos solicitados pela Fiscalização já foram entregues e que a sua escrita contábil está dentro das normas tributárias que regem a matéria. Afirmou que a movimentação financeira extraída do relatório de pagamentos normais emitido pelo Banco BV eram decorrentes de atividades de "intermediação na aprovação de créditos", e assim sendo, as comissões dessa fonte foram recebidas. i) Em 04/02/2010, pelo TIF n° 0005 (fls. 659/666), a Fiscalização, intimou o contribuinte a apresentar os documentos que fundamentam os lançamentos contábeis relacionados no anexo àquela intimação, pois estes não condizem com a real operação financeira promovida na conta "caixa", uma vez que os históricos dos lançamentos nos extratos bancários são incoerentes com os históricos dos mesmos na escrituração contábil. j) A Fiscalização identificou ainda que os lançamentos constantes dos extratos bancários do contribuinte relativamente ao Banco ABN AMRO REAL S/A foram em todo o período fiscalizado registrado em contabilidade, e, aqueles constantes dos extratos bancários junto ao Banco SANTANDER S/A, foram reconhecidos na contabilidade só a partir do mês 08/2007, contudo, ambos apresentaram a incoerência acima indicada quanto aos históricos das operações. Diante disto a Fiscalização desclassificou a contabilidade apresentada, pois entendeu que esta não espelha a real operação financeira da recorrente. k) Em 08/03/2010, pelo TIF nº 0006 (fls. 667/702), intimouse o contribuinte a comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias e os custos de aquisições e de revendas dos veículos, quando cabível; informações das receitas decorrentes de prestações de serviços (listadas em anexo) conforme apuração em DIRFs de seus tomadores (fls. 782/798); a apresentação dos documentos hábeis que comprovariam os custos de aquisições e os valores de revendas de veículos, conforme relatório emitido pelo Banco BV e apresentado pelo próprio contribuinte, e por fim os documentos que deram suportes a contabilização dos recursos na conta ‘caixa’, pois pela análise contábil indicam estar equivocados e propositadamente contabilizados. l) Em 16/03/2010, o contribuinte apresentou expediente (fls.703) destacando que os recursos relacionados ao TIF n° 0005, são decorrentes de operações de financiamento que foram viabilizados e que a escrita contábil é de responsabilidade de seu profissional contador, tendo os documentos já sido entregues ao Fisco. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.116 5 m) A Fiscalização não obteve por parte do contribuinte a comprovação da origem da totalidade dos créditos identificados. Foram juntados demonstrativos de comissões recebidos pela recorrente das instituições bancárias financiadoras e as respectivas retenções de IRF. n) Diante do que o contribuinte apresentou a fiscalização, quanto aos anos de 2006 e 2007, concluiuse que houve omissão de receitas oriundas de atividades de agenciamentos (prestação de serviços), com relação a integralidade dos valores identificados nas DIRFs das fontes pagadoras. o) As retenções sofridas a titulo de IR foram consideradas pela Fiscalização como créditos em favor do contribuinte, apesar de não contabilizadas tais receitas e respectivas retenções, conforme se pode observar no auto de infração, (fls. 04/19). Destacou o AFRFB que o contribuinte não emitiu notas fiscais que dariam suportes a esses recebimentos, ou seja, entendeu o AFRFB que em tese houve a intenção em promover a omissão dessas receitas. p) Verificouse, também, que a fiscalizada foi titular de movimentação bancária junto aos Bancos Santander S/A, ABN AMRO REAL S.A, CEF e SICOOB. Intimada a comprovar os recursos que ingressaram em suas contas correntes (TIFs 02, 03 e 04), apenas conseguiu comprovar com documentos hábeis a origem de parte dos lançamentos, sendo que se considerou omissão de receitas os depósitos de origem não comprovados, consoantes fls. 975/978. q) Que pela mencionada desclassificação da contabilidade do contribuinte, a Fiscalização promoveu o lançamento com base no lucro arbitrado dessas receitas omitidas, aplicandose o percentual de 32% para determinação da base de cálculo a ser tributada, acrescidos de 20%, frente ao arbitramento, na apuração do IRPJ. r) Que no procedimento fiscal verificaramse operações de compra e venda de veículos onde o custo não ficou comprovado, por deficiência documental. O contribuinte não conseguiu juntar provas e documentos que indicariam os custos de cada veiculo revendido. s) Sabendo a Fiscalização que tais receitas são decorrentes da atividade do contribuinte (comércio de veículos), aplicarseia 32% sobre a diferença entre a entrada e saída (venda e custo) dos veículos, contudo, na falta de prova documental do custo de cada veiculo, ou seja, custo não comprovado, assumirseia custo "zero", e por assim dizer, haveria incoerência, na medida em que a norma que existe para favorecer acabaria por prejudicar o contribuinte nessa hipótese. Assim, a Fiscalização promoveu o lançamento com base no lucro presumido dessas receitas omitidas, aplicandose o percentual de 8% para determinação da base de cálculo a ser tributada, acrescida de 20% em face do arbitramento para a apuração do IRPJ. t) A Fiscalização identificou depósitos realizados nas contas bancárias do contribuinte, decorrentes de financiamentos que não tiveram os custos de aquisições dos veículos comprovados, o que restaria atribuir como custo zero. Com fundamento no art. 42, da Lei n.º 9.430/96, entendeu como Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 omissão de receitas os créditos cuja origem foi comprovada mas não considerados na determinação da base de cálculo dos tributos devidos. Assim, da mesma forma da apuração acima, a Fiscalização promoveu o lançamento com base no lucro presumido dessas receitas omitidas, aplicandose o percentual de 8% para determinação da base de cálculo a ser tributada, acrescida de 20% em face do arbitramento para a apuração do IRPJ. u) O AFRFB entendeu como omissão de receita com base no artigo 528 do RIR/99 todos os casos. Contudo, foram adotados dois percentuais para lavrar o auto de infração, ambos acrescidos de 20% em face do arbitramento: i) 32% sobre as receitas obtidas pelas prestações de serviços de agenciamento de compra e venda de veículos e aquelas decorrentes de depósitos de origem não comprovada, e, ii) 8% sobre as receitas decorrentes de comercialização de veículos com custos não comprovados, extraídos da planilha informativa do Banco BV e dos históricos bancários que permitiram o entendimento de operações de compra e revenda de veículos, cuja documentação foi deficiente ou sem a apresentação desta, uma vez que estas decorrem de atividades reconhecidamente vinculadas ao ramo de atividade do contribuinte. v) Foi aplicada multa de oficio qualificada (150%), pois entendeu o AFRFB que a conduta do contribuinte em omitir receitas referentes à prestação de serviços, vendas de veículos e depósitos bancários efetuados em contas correntes de sua titularidade teve por finalidade impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das receitas auferidas pelo autuado. w) Destacou o AFRFB que o contribuinte obteve um percentual de quase 100% de suas receitas omitidas, ou seja, sonegou em tese quase que a totalidade de suas receitas ao conhecimento e tributação do Fisco Federal, chegando às proximidades de R$ 6,75 milhões (seis milhões, setecentos e cinquenta mil) em receitas omitidas, sendo a maior parte oriunda dos mencionados depósitos bancários. x) Deste modo, o autuado incorreu no disposto no artigo 71, da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, o qual trás no seu bojo a definição de sonegação, que por consequência incorreu na prática de sonegação e fraude, estando sujeito à multa prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei n°. 9.430/96, com redação dada pela Medida Provisória n°351/2007. Na sequência, apresentou impugnação em 20/04/2010 (fl. 1.013/1.035), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ/CGE) que adiante segue transcrita (fl. 1.055/1.073): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa se o contribuinte pode entender o que lhe foi imputado. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Os preceitos constitucionais são endereçados ao legislador e a análise de Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.117 7 normas segundo esses princípios é atribuição do Poder Judiciário, cabendo aos agentes fazendários o cumprimento da legislação em vigor. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser juntadas à impugnação e o pedido de diligência/perícia só é deferido quando estas forem necessárias. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Após a edição da Lei nº 9.430/96, depósitos bancários de origem não comprovada fazem presumir a omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. O Lucro Arbitrado é obtido pela aplicação dos percentuais previstos para o Lucro Presumido acrescidos de vinte por cento e, para que seja considerado o custo dos veículos, no caso de vendas de veículos usados, há a necessidade de apresentação da documentação fiscal hábil e idônea. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO E QUALIFICAÇÃO. A qualificação da multa de ofício ocorre nos casos de apuração de evidente intuito de fraude e seu percentual está previsto na legislação, não havendo se falar em efeito confiscatório. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 16/10/2013 (fls. 1.092), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário 18/11/2013 (fl.1.095/1.098), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que é o sujeito passivo indireto o responsável pelo pagamento do tributo, ou seja, aquele que tem relação indireta com o fato tributável. (ii) Que devido o disposto no artigo 121 CTN, a obrigação tributária é atribuida a uma pessoa diversa daquela relacionada com o ato ou negócio jurídico, sendo neste caso a própria lei que substitui o sujeito passivo direto pelo indireto. (iii) Que possuía empresa onde celebrava contratos de financiamento, e era comum terceiros solicitarem a aprovação do cadastro junto a financeiras, ou seja, por diversas vezes se realizou o cadastro e somente após sua aprovação teve o dinheiro liberado em conta, cujos valores eram imediatamente repassados ao efetivo vendedor, desta forma não era o contribuinte o responsável pela venda, por conseguinte não poderia responder pela obrigação tributária dela decorrente visto que a venda era realizada por terceiro. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 (iv) Que por conta dos motivos acima requereu a intimação dos bancos Santander, CEF, Cooperativa de Crédito Maxi Alfa e ABN para que apresentassem cópia dos contratos de financiamento intermediário, e a intimação do Banco Itaú para fornecer todos os dados das transferencias e TEDS realizados, indicando os destinatários. (v) Que teve dificuldades em obter tais documentos, e que os mesmos poderiam identificar quem de fato praticou o fato gerador. (vi) Que mesmo em sede administrativa deve ter o direito de ampla defesa e contraditório, para produzir provas que entende necessário, sob pena de cerceamento de defesa. (vii) Que a administração se mostrou indiferente perante as provas produzidas, e nem ao menos se manifestou diante das mesmas. (viii) E por fim, que seja feita uma nova análise nos documentos já juntados, para que ao final seja cancelado o débito lançado. É o relatório. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.118 9 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Falta de Comprovação da Sujeição Passiva Indireta. Da Regularidade do Lançamento Tributário. Alega a recorrente que celebrava contratos de financiamento em nome de terceiros e que, logo após a aprovação e liberação do crédito em sua conta, o mesmo era repassado ao efetivo vendedor. Deste modo, argumenta que apenas realizou papel de intermediário e, assim, não poderia ser responsabilizado pelo tributo sobre a venda realizada. Ressaltase que a recorrente foi autuada em decorrência das seguintes infrações verificadas durante o procedimento fiscal: a) omissão de receitas da revenda de mercadorias sem emissão de notas fiscais; b) omissão de receitas de prestação de serviços gerais; c) depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto à omissão de receitas por revenda de mercadorias sem emissão de notas (item a), estas não merecem ser analisadas neste tópico, pois como já ficou claro, o cerne da presente discussão é a suposta prestação de serviços como mero intermediário. É possível observar nos autos que a recorrente foi diversas vezes intimada a comprovar (fls. 285; 310; 622; 667) a origem das receitas que ingressaram em suas contas bancárias, inclusive valores que teriam origem em liberação de financiamentos para aquisição de veículos. Em seu favor, a recorrente alegou durante o procedimento fiscal, e também em seu recurso voluntário, que teve dificuldades para obter os contratos e demais documentos junto às instituições financeiras que poderiam amparar suas alegações de que teria agido como mero intermediário em diversas operações de compra e venda de veículos, nas quais apenas recebia uma comissão pela realização da operação, mas não tinha qualquer custo com a aquisição do veículo ou maiores ganhos com a venda. Observando o TVF, temse que o AFRFB procedeu da seguinte maneira quanto às receitas a que se refere a recorrente neste ponto: i) com relação às informações lançadas nas DIRFs (fls. 782/798) das instituições bancárias (fls. 968/971), relacionadas a pagamentos feitos para a recorrente, estas receitas foram efetivamente consideradas como valores recebidos a título de comissão, nos termos em que argumentou a recorrrente, Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 as quais foram consideradas como receitas omitidas uma vez que não escrituradas na contabilidade da recorrente; ii) por outro lado, no tocante às demais receitas que ingressaram em suas contas bancárias e não tiveram sua origem comprovada (fls. 975/978), com fundamento no art. 42, da Lei n.º 9.430/96, também foram consideradas omissão de receitas por depósitos de origem não comprovada. O art. 42, da Lei n° 9.430/96, apresenta a presunção legal de omissão de receita quando se verifica o ingresso de valores na conta bancária do contribuinte e, devidamente intimado, este não comprova sua origem, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão as normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...] Sendo assim, em virtude da presunção legal disposta acima, ocorre a inversão do ônus da prova e, portanto, cabe à recorrente nestes autos a comprovação da origem dos valores que ingressaram em sua conta bancária, demonstrando com documentos hábeis quais receitas pertencem a terceiros e que apenas transitam em sua conta. Importante considerar, ainda, que a recorrente não carreou aos autos qualquer documentação que venha a servir de arrimo inconteste às alegações tecidas, sendo que, por isso, não há como se esperar que este Conselho desconstitua ato administrativo devidamente fundado em apreciação documental da própria empresa contribuinte sem que, para tanto, haja robusta matéria probatória a sustentar suas alegações. Dessa feita, ainda que tomemos em conta o princípio da verdade material, que deve sempre prevalecer em matéria tributária, não há como acatar a alegação de que existiram recursos que apenas transitaram nas contas bancárias da recorrente, posta a ausência de documentação comprobatória de tais alegações. Noutros dizeres, tal como ocorre em casos relacionados ao reconhecimento de direito creditório do contribuinte, a efetivação do mencionado princípio da verdade material requer a apuração da concretude dos fatos alegados através de documentação hábil, não sendo autorizado prevalecer a mera alegação genérica de qualquer das partes envolvidas. Assim, tal princípio não se presta a compensar a inércia da recorrente na apresentação dos meios probatórios necessários para convalidar suas arguições. Notese, outrossim, que tal entendimento se coaduna com a inteligência exarada por este Conselho, conforme se nota das ementas a seguir: Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.119 11 PAGAMENTO A MAIOR. VERDADE MATERIAL. PROVA. DEMONSTRAÇÃO NA ESCRITA CONTÁBIL. NECESSIDADE. O princípio da verdade material, que informa o Processo Administrativo Fiscal, não se compraz com a mera alegação trazida na defesa, tendo em vista dirimir a questão controvertida nos autos, carecendo de provas que a demonstrem, fundadas na escrita contábil e admissíveis na fase recursal. (CARF, Acórdão n. 3803004.287 do processo n. 10830.901516/200658, Cons. Rel. BELCHIOR MELO DE SOUSA, data da publicação: 18/12/2013). (grifo não original). COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte trazer elementos aos autos que possam comprovar o direito creditório não reconhecido pela fiscalização. Simples afirmações, sem que haja qualquer tipo de comprovação, mesmo sendo o processo administrativo regido pelo Princípio da Verdade Material, não tem o condão de referendar o direito creditório invocado. Processo. Voluntário Negado. (CARF, Acórdão n. 3801002.159 do processo n. 10875.908139/200912, Cons. Rel. MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, data da publicação: 06/11/2013). (grifo não original). COFINS.COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. O Princípio da Verdade Material não pode ser aplicado à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato jurídico afirmado pela Recorrente. (CARF, Acórdão n. 3201 001.524 do processo n. 10880.944218/200829, Cons. Rel. ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, data da publicação: 28/01/2014). Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste ponto, posto que as arguições da recorrente estão desprovidas de provas suficientes a desconstituir a omissão de receita apontada. 2. Da Insurgência Genérica Quanto ao Acórdão da DRJ. Aplicação do Art. 17, do Dec. 70.235/72. A Recorrente se insurge contra decisão proferida DRJ de maneira totalmente genérica, fazendo mera referência às suas razões lançadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, intentando assim a alteração do entendimento no que tange à constatação pelo AFRFB de omissão de receitas e ganho de capital referente à alienação de veículos sem os custos comprovados. Portanto, a recorrente limitase a argumentar de forma genérica suas razões de direito lançadas no recurso voluntário e não ataca o mérito, o que não lhe favorece. Entendo, assim, que a própria motivação do lançamento deixou de ser pontualmente infirmada pela ausência de impugnação específica quanto o decidido pela DRJ e Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 da fundamentação do próprio auto de infração, na forma prescrita pelo art. 17, do Decreto 70.235/72, a seguir transcrito: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste mesmo sentido já se manifestou este Conselho em casos análogos: (...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitase a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. (CARF. Acórdão n.º 2803003.947. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014) AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. (...) Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar expressamente o fato de ter apresentado as GFIP’s com a ausência de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o lançamento é incontroverso, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. (CARF. Acórdão n.º 2402 003.164. Rel. Lourenço Ferreira do Prado. Sessão de 17/10/2012) Ademais, mesmo que assim não fosse, as alegações da recorrente não merecem razão, posto que, tal como se verificou em tópico antecedente, inexiste suporte probatório suficiente para sustentalas. A recorrente não comprovou a origem de diversas receitas que ingressaram em suas contas bancárias; não comprovou que realizava operações como mero intermediador e quais as receitas oriundas das mesmas a título de comissão, salvo aquelas declaradas e conhecidas através das DIRFs das instituições financeiras; não comprovou os custos das mercadorias revendidas sem emissão de notas fiscais e da prestação de serviços. Nesse sentido, releva ainda mais consignar que a recorrente insiste em confundir o real motivo que embasou a lavratura do auto em comento, qual seja a falta de comprovação da origem de recursos e da não escrituração das receitas oriundas de sua atividade comercial (revenda de veículos e prestação de serviços). No que se trata do custo de aquisição considerado pelo AFRFB, temse que o mesmo procedeu de maneira adequada, em conformidade com artigo 129, VI do Decreto 3.000 de 1999, o qual determina: Art. 129. Na ausência do valor pago, ressalvado o disposto no art. 120, o custo de aquisição dos bens ou direitos será, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13982.000329/201096 Acórdão n.º 1302001.646 S1C3T2 Fl. 1.120 13 IV o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V o seu valor corrente, na data da aquisição; VI igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores. Importa ressaltar que o AFRFB efetuou diversas vezes a devida intimação do recorrente (fls. fls. 285; 310; 622; 667) para demonstrar o ganho de capital ora tratado, de forma a oportunizar o exercício da ampla defesa e do contraditório. Entretanto, em que pese tais intimações, não houve qualquer resposta da empresa contribuinte. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário também neste ponto para manter incólume o lançamento tributário. 3. Da Conclusão Ante ao todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente o lançamento do crédito tributário. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10283.909716/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 16 /2 00 9- 45 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909716/200945 Acórdão n.º 3202001.575 S3C2T2 Fl. 378 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10880.918252/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros deste colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros deste colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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(assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 18 25 2/ 20 10 -6 2 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Tratase da manifestação de inconformidade interposta em face do Despacho Decisório n° 863125851 (fl. 25), datado de 19/05/2010, referente a não homologação da PER/DCOMP (com Demonstrativo de Crédito) n° 09786.74986.180906.1.7.022333 e DCOMPs vinculadas, por inexistência de crédito de saldo negativo na DIPJ/2005, ano calendário 2004. 0 contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 25/05/2010 (fl. 30) e apresentou em 23/06/2010 a manifestação de inconformidade de fls. 31 a 43, alegando em síntese que: Realizou apuração do IRPJ pelo regime de suspensão e redução. Conforme a ficha 11 da DIPJ 2005, apurou prejuízo nos meses de janeiro a novembro e lucro em dezembro e saldo de IRPJ a pagar de R$ 2.656.668,67; Em 2004 sofreu retenções a titulo de imposto de renda no montante total de R$ 14.398.934,65 que estão absolutamente confirmadas por intermédio dos informes de rendimentos acostados. Deste valor utilizou R$ 2.656.668,67 para quitação do imposto de renda de dezembro, restando um saldo de R$ 11.742.265,98, suficiente para homologação de todas as compensações realizadas por intermédio das DCOMPs identificadas no Despacho Decisório; Para espancar quaisquer dúvidas, efetuamos o cotejo dos valores descritos na ficha 53 da DIPJ 2005 e ao lado colocamos os valores e respectivos informes de rendimentos para composição do montante de R$ 14.398.934,65 (segue demonstrativo); Pelas razões tecidas, nenhum valor é devido pela impugnante de tributo, pois as glosas perpetradas não encontram fundamento fáticojurídico, não exigido nenhum valor a titulo de multa; Ainda que algum valor a titulo de juros de mora pudesse prevalecer — o que se admite apenas para argumentar — não poderiam os mesmos ser calculados com base na taxa Selic; A Selic é calculada diariamente pelo Banco Central, resultado das negociações de títulos públicos e variação de seus valores de mercado. Este sistema de cálculo fere o preceituado no art. 161, § 1o. do CTN, bem assim no art. 192, § 3o. da Constituição Federal, tendo em vista tratarse de taxas remuneratórias; Os Tribunais Administrativos tem reconhecido a inaplicabilidade da Selic, a exemplo da decisão proferida pela la Câmara Especial do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo, nos autos do Recurso Ordinário n° 1.089/00. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 13 3 Verificase que às fls. 230 a 245 dos autos foram anexadas cópias dos documentos de fls. 107 a 122 do processo n° 16306.000052/201061, utilizados na análise do direito creditório. A DRJ/SÃO PAULO decidiu a matéria por meio do Acórdão 1629.618, de 16/02/2011 (fls. 247), julgando a manifestação de inconformidade improcedente, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUTIBILIDADE DO IRRF. 0 imposto de renda retido na fonte sobre receitas, rendimentos ou ganhos somente poderá ser deduzido na declaração da pessoa jurídica se tais rendimentos integraram o lucro real. Encontrando se "zeradas" as linhas correspondentes às informações sobre rendimentos de Operações de Swap e Operações Day Trade na DIPJ 2005, ficam mantidas as glosas sobre as correspondentes deduções de IRRF. Não tendo sido apresentadas provas escriturais de que os rendimentos recebidos decorrentes de Ações Judiciais foram tributados na declaração de rendimentos, cabe manter a glosa sobre a dedução deste IRRF na declaração. Havendo comprovação nos autos de que os rendimentos sobre serviços prestados foram oferecidos à tributação, cabe restabelecer o respectivo IRRF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. Sobre o valor do tributo ou contribuição, não adimplido no prazo estabelecido pela legislação, será acrescido multa de mora, calculada taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem os juros de mora equivalentes à taxa Selic para títulos federais. É o relatório. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 14 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Extraise do voto recorrido: Inicialmente, é necessário examinarmos o motivo pelo qual, da retenção do imposto de renda na fonte no valor total de R$ 14.398.934,65 que compõem as Parcelas de Composição do Crédito informadas no Per/Dcomp, somente foram confirmados o montante de R$ 1.602.649,68, o que resultou em saldo negativo indisponível conforme Despacho Decisório, item 3. ... Notese que ao final desta mesma folha consta a informação de que os documentos considerados na análise do direito creditório estão arquivados no processo n° 16306.000052/201061, fls. 107 a 122 na Delegacia da Receita Federal da jurisdição do sujeito passivo. Assim, verificase que os valores de IRRF informados pelo contribuinte, cujas correspondentes receitas não foram oferecidas à tributação foram desconsiderados no Despacho Decisório. Os códigos de receita não confirmados correspondem aos seguintes: 5273 — Operações de Swap; 8468 — Day Trade (Operações em Bolsa); 1708 — Remuneração de Serviços prestados por PJ; 8045 — IRRF Demais Rendimentos. As receitas tributáveis deveriam ser informadas na DIPJ do exercício 2005, na ficha 06 A — Demonstração do Resultado — PJ em Geral (anexada as fls. 56 e 232), onde determinadas receitas possuem linhas próprias para sua informação (Operações Swap: Linha 21 e esta encontrase zerada, igualmente a Linha 22 das Operações Day Trade). Em relação ao valor glosado de IRRF de R$ 50.200,60, no código 8045 — IRRF Demais Rendimentos, constatase que o impugnante apresentou o Atestado de Rendimentos Pagos — Ano Base 2004 do D.A.E.E. Departamento de Águas e Energia Elétrica (fl. 220), com a informação de que a natureza do rendimento referese à Rendimentos Recebidos Decorrentes de Ações Judiciais, onde o total dos Rendimentos Tributáveis corresponde à R$ 1.004.012,23 e o IRRF à R$ 50.200,60, sendo os demais rendimentos considerados isentos e não tributáveis. Ao analisarmos os documentos extraídos do processo n° 16306.000052/201061 e utilizados para a análise do direito creditório, verificamos que não consta da pesquisa Dirf efetuada (fl. 235), a fonte pagadora D.A.E.E. Departamento de Águas e Energia Elétrica. 0 contribuinte trouxe à colação o documento de fl. 220, em atendimento ao que determina a Lei n° 7.450, de 1985 (art. 55), que disciplina também a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração. No entanto, não foram apresentadas provas escriturais de que os correspondentes rendimentos foram devidamente tributados. Observase que a linha 43 — Outras Receitas Não Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 15 5 Operacionais, da ficha 06A registra o valor de R$ 2.336.145,82, o que seria suficiente para suportar o rendimento informado. Contudo, somente a apresentação dos registros contábeis indicativos da composição desta conta seria capaz de fazer prova a favor do interessado, o que não ocorreu. Portanto, deve ser mantida a decisão do Despacho Decisório. Por fim, não foi confirmada, no Despacho Decisório, a retenção no valor de R$ 6.213,18, no código 1708 — Remuneração de Serviços prestados por PJ, da fonte pagadora com CNPJ 10.620.540/000121. A pesquisa Dirf (fl. 235) efetuada pela autoridade fiscal não informa a entrega desta DIRF pela fonte pagadora, porém o contribuinte apresentou às fls. 223/224, o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica (Ano calendário 2004), da fonte pagadora Nordesclor S/A, CNPJ 10.620.540/000121, no código de retenção 1708, com rendimento total de R$ 414.212,21 e imposto retido no valor total de R$ 6.213,18. Ao exame da linha 08 — Receita da Prestação de Serviços, da ficha 06, verifica se um valor declarado de R$ 414.212,21, confirmandose, assim, a tributação deste rendimento. Portanto, cabe considerar confirmado somente o IRRF de R$ 6.213,18 correspondente a este rendimento, exonerandose esta glosa. Destarte, do valor total confirmado de IRRF de R$ 1.602.649,68 cabe acrescentar o valor de R$ 6.213,18, resultando no montante de RS 1.608.862,86 de Imposto de Renda Retido na Fonte confirmado. Restando, no cálculo do SNIRPJ (F.12A da DIPJ) um imposto a pagar no valor de R$ 1.047.805,81. Portanto, continua correta a decisão do Despacho Decisório que concluiu: "Valor do Saldo Negativo disponível: R$ 0,00". No recurso apresentado a recorrente traz as seguintes alegações. I DA SUFICIÊNCIA DO SALDO CREDOR APURADO PELA RECORRENTE PARA A REALIZAÇÃO COMPENSAÇÃO. Pois bem. No ano de 2004, a Recorrente sofreu retenções a titulo de imposto sobre a renda no montante total de R$ 14.398.934,65 que, conforme restará amplamente demonstrado, estão absolutamente confirmadas por intermédio dos informes de rendimento acostados á presente manifestação de inconformidade. Deste valor, utilizou o montante de R$ 2.656.668,67 para quitação do imposto sobre a renda de dezembro de 2004, restando um saldo de R$ 11.742.265,98, constante das declarações retificadoras 29776.33973.230805.1.7.029440 e 09786.74986.180906.1.7.022333 (docs. 05 e 06 da manifestação de inconformidade). Este saldo é suficiente para a homologação de todas as compensações realizadas por intermédio das PERDCOMPS identificadas no despacho decisório objeto da presente manifestação de inconformidade. Elabora, a seguir, um "Quadro Demonstrativo" contendo os valores descritos na Ficha 53 da DIPJ/2005 e os respectivos valores retidos (conforme informes de rendimentos), totalizando R$ 14.398.934,85. II DO OFERECIMENTO DAS RECEITAS DE OPERAÇÕES DE SWAP E DAY TRADE À TRIBUTAÇÃO Diferentemente do que restou consignado na r. decisão recorrida, as receitas a titulo de operações de Swap e operações Day trade foram oferecidas à tributação. Vejamos. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 16 6 De fato, a Impugnante, por mero equivoco no preenchimento, não consignou, nas linhas 21 e 22 da ficha 6A da DIPJ/2005, os ganhos a titulo de operações de swap e day trade apurados no anocalendário 2004, muito embora tenha indicado, na ficha 53 de tal DIPJ, as retenções efetuadas. Outrossim, nas linhas 33 (Perdas Incorp. Merc. Renda Variável, exceto Day trade) e 34 (perdas em operações de Daytrade) encontramse, por lapso, zeradas, conforme é possível se observar na ficha 6A, da aludida DIPJ. Nada obstante, verificase da linha 46, da mesma ficha 6A, que o valor do confronto entre os ganhos (linhas 21 e 22) e perdas (linhas 33 e 34) foi informado. É dizer, o valor liquido, a titulo de ganho nas operações subtraído das perdas, compõe o resultado do período de apuração, tendo sido oferecido à tributação, diferentemente do que restou consignado na r. decisão recorrida. Para que não restem dúvidas acerca do fato de que o valor da diferença entre ganhos e perdas, a titulo de operações de swap foram informadas, a Recorrente requer a juntada dos seguintes documentos: i) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de ganhos e perdas de operações de swap, referentes ao período em análise (doc. 03); ii) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de juros de swap, referentes ao período em análise (doc. 03A). Os referidos juros também compõem o valor apontado na linha 33, da ficha 06A, da DIPJ, a titulo de Perdas Incorp. Merc. Renda Variável, exceto Daytrade; iii) balancete no qual, na conta 3.4.7.35.1.06 — swap, resta consignado o valor de R$ 19.735.162,21, o qual corresponde ao total liquido auferido a titulo de operações com swap no período em questão (doc. 03B). Tal montante compõe o valor do resultado informado na linha 46, da ficha 06A, da DIPJ. Destarte, da perfunctória análise da documentação acima descrita, inferese que: i) a despeito de, por mero equivoco, terem restado zeradas a linhas 21 e 33 da ficha 06 A da DIPJ, tais movimentações existiram, sendo que as ganhas e perdas incorridas restam perfeitamente caracterizadas no livro razão da Recorrente; ii) 0 anexo balancete (doc. 03B) consigna o valor liquido, a titulo de operações de swap, montante este que compõe o valor do resultado do período de apuração, afastando qualquer dúvida que possa existir acerca do fato de que a receita foi efetivamente oferecida à tributação. No que tange As operações de Day trade, a Recorrente vem apresentar os seguintes documentos, que comprovam o oferecimento das receitas à tributação: i) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de ganhas e perdas de operações de Day trade, referentes ao período em análise (doc. 04); ii) Fls. do livro razão comprovando o ingresso dos valores nas instituições financeiras, as quais retiveram o imposto sobre a renda incidente (doc. 04A); Tabela em que elucida todos os valores que compõe as variações cambiais ativas e passivas (linhas 20 e 32, da Ficha 6A, da DIPJ). Logo, a despeito, por lapso, não ter restado consignado o montante dos ganhos e das perdas a titulo de operações com swap e Day trade, o fato é que o saldo Fl. 477DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 17 7 de tais operações (ganhos — perdas) compõe o resultado informado na linha 46, da Ficha 6A, da DIPJ/2005, além do fato de que todas as retenções incorridas foram devidamente informadas. Portanto, não restam dúvidas de que, diferentemente do que restou registrado na r. decisão ora recorrida, todos os valores a titulo de operações de swap e day trade, foram oferecidos a tributação. ... Destaquese, por oportuno que é uníssona a jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes, atual E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim como das Delegacias de Julgamento, no sentido de que o mero equivoco no preenchimento de documentos não é suficiente para elidir o direito do contribuinte ao crédito. Vejamos, dentre as várias existentes, as seguintes decisões (...). III — DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÕES JUDICIAIS. Observase, da Decisão recorrida, que o i. Julgador analisou o Atestado de Rendimentos Pagos — Anos Base 2004 do D.A.E.E. — Departamento de Águas e Energia Elétrica e entendeu que este seria insuficiente para comprovar o oferecimento da receita à tributação. Nada obstante, o próprio julgador admite que havendo comprovação nos autos de que os rendimentos sobre serviços prestados foram oferecidos à tributação, cabe restabelece o respectivo IRRF. Devese ressaltar que, diferentemente do que assevera o i. julgador, o Atestado de Rendimentos Pagos em questão (fls. 220 dos autos) é prova suficiente do oferecimento da receita à tributação, uma vez que nele vem consignado o total de rendimentos auferidos e o valor do imposto de renda retido na fonte. Nada obstante, apenas para que não reste qualquer dúvida acerca do fato de que tal valor foi efetivamente oferecido à tributação, a ora Recorrente requer a juntada das anexas folhas do seu Livro razão, nas quais resta comprovado o ingresso do valor de R$ 2.051.377,44, referente à receita auferida por intermédio dos processos 164787978/9 e 987/92, bem como resta registrada a conta bancária do Itaú onde se encontra a contrapartida do crédito do DAEE, no dia 02/04/2004, no valor de R$ 2.051.377,44 (docs.05 E 05A). 0 valor tributável de R$ 1.004.012,23, constante as fls. 220 dos autos, é a soma dos rendimentos tributáveis auferidos por meio dos referidos processos (164787978/9, rendimento tributável = R$ 194.201,31 e 987/92, rendimento tributável =R$ 809.810,92). Assim, resta cabalmente comprovado o registro contábil do oferecimento do valor à. tributação, não havendo como persistir a glosas perpetrada pela r. decisão ora atacada. Por fim, ao contrário do que consignou a r. decisão, deve restar afastada a aplicação da multa e da taxa SELIC, nos termos em que pleiteado na manifestação de inconformidade. Compulsando os autos constatase que da retenção do imposto de renda na fonte no valor total de R$ 14.398.934,65 que compõem as Parcelas de Composição do Crédito informadas no Per/Dcomp, somente foram confirmados pela autoridade fiscal o montante de Fl. 478DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 18 8 R$ 1.602.649,68 sob a alegação de que as receitas a titulo de operações de Swap e operações Day trade não foram oferecidas à tributação, o que resultou em saldo negativo indisponível conforme Despacho Decisório, item 3. Por outro lado, a recorrente admite que por mero equivoco no preenchimento não consignou, nas linhas 21 e 22 da ficha 6A da DIPJ/2005, os ganhos a titulo de operações de swap e day trade apurados no anocalendário 2004, muito embora tenha indicado, na ficha 53 de tal DIPJ, as retenções efetuadas. Além do que na linha 46, da mesma ficha 6A, consta o valor do confronto entre os ganhos (linhas 21 e 22) e perdas (linhas 33 e 34) no que resulta em oferecimento à tributação das receitas a título de swap e day trade. Como prova cabal a recorrente requer a juntada dos seguintes documentos (juntamente com o recurso voluntário): i) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de ganhos e perdas de operações de swap, referentes ao período em análise (doc. 03); ii) Fls. do livro razão comprovando todos os lançamentos contábeis, a titulo de juros de swap, referentes ao período em análise (doc. 03A). Os referidos juros também compõem o valor apontado na linha 33, da ficha 06A, da DIPJ, a titulo de Perdas Incorp. Merc. Renda Variável, exceto Daytrade; iii) balancete no qual, na conta 3.4.7.35.1.06 — swap, resta consignado o valor de R$ 19.735.162,21, o qual corresponde ao total liquido auferido a titulo de operações com swap no período em questão (doc. 03B). Tal montante compõe o valor do resultado informado na linha 46, da ficha 06A, da DIPJ. O fato é que o contribuinte trouxe provas do seu direito junto ao recurso voluntário, em especial provas contábeis. O § 4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), que regula o processo administrativo fiscal, determina a apresentação da prova documental na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material. No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na impugnação os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe novas provas para reforçar seu direito. Assim, no caso concreto, a apresentação das provas no voluntário é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão, pois sequer o contribuinte foi intimado a apresentar os registros contábeis quando da análise de seu direito creditório ou posteriormente ao Despacho Decisório. Ademais, seria por demais gravoso e, contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.918252/201062 Resolução nº 1301000.242 S1C3T1 Fl. 19 9 No caso constato, também, que a documentação apresentada pela contribuinte revela bons indícios de lançamentos contábeis relativos as operações swap e day trade, no entanto, para que tais registros confirmem suas alegação, resta a prova cabal, qual seja o suporte documental. De se ressaltar o seguinte fragmento da decisão recorrida: "somente a apresentação dos registros contábeis indicativos da composição desta conta seria capaz de fazer prova a favor do interessado." Pelo exposto, depreendese a necessidade de complementação da instrução processual em observância ao princípio da verdade material, como anteriormente assinalado, orientador do processo administrativo tributário, devolvendose os autos à unidade de origem para realização de diligência na qual a autoridade fiscal deverá adotar as providências adiante relacionadas: a) dar ciência desta resolução à recorrente, entregandolhe cópia; b) analisar a composição dos valores relativos as receitas conforme informado na linha 46, da ficha 06A, da DIPJ em confronto com os registros contábeis (razão e balancete no qual, na conta 3.4.7.35.1.06 — swap, resta consignado o valor de R$ 19.735.162,21, segundo afirma a recorrente corresponde ao total liquido auferido a titulo de operações com swap no período em questão (doc. 03B) e documentação probatória; c) mesmo procedimento com relação às operações day trade (doc. 04B) d) por fim, resta analisar o Livro razão apresentado, com os registros do ingresso no valor de R$ 2.051.377,44, referente à receita auferida em ações judiciais por intermédio dos processos 164787978/9 e 987/92, bem como resta registrada a conta bancária do Itaú onde se encontra a contrapartida do crédito do DAEE, no dia 02/04/2004, no valor de R$ 2.051.377,44 (docs.05 E 05A). 0 valor tributável de R$ 1.004.012,23, constante as fls. 220 dos autos, é a soma dos rendimentos tributáveis auferidos por meio dos referidos processos (164787978/9, rendimento tributável = R$ 194.201,31 e 987/92, rendimento tributável =R$ 809.810,92). A autoridade fiscal encarregada do procedimento deverá (i) examinar a comprovação apresentada pela contribuinte, (ii) elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, indicando de forma individualizada os itens cuja comprovação foi acolhida ou rejeitada, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessárias, (iii) entregar cópia do relatório à contribuinte e (iv) concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de contrarrazões em observância às prescrições do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 480DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.001455/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/01/1999
DEPÓSITO RECURSAL.
O CARF não é competente para decidir sobre a devolução de depósito recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por se tratar de requerimento de devolução do depósito recursal.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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O CARF não é competente para decidir sobre a devolução de depósito recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por se tratar de requerimento de devolução do depósito recursal. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 14 55 /2 00 7- 23 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratavase de crédito lançado pela fiscalização contra a recorrente na condição de responsável solidária e a empresa prestadora de serviços TC Montagens Industriais Ltda, relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento e a Quarta Câmara de Julgamento do CRPS anulou o lançamento por vício insanável em razão da falta de indicação do dispositivo legal para o arbitramento. Embora a fiscalização tenha requerido revisão do lançamento e uniformização da jurisprudência, a nulidade foi mantida, tornandose a decisão definitiva. O presente processo tem por objeto a devolução do depósito recursal, fls. 591 e 689: Tratase de requerimento do representante do sujeito passivo, protocolizado em 15 de janeiro de 2010, requerendo a devolução do depósito recursal relativo ao processo Debcad n°35.612.441 0, ao fundamento de que a Quarta Câmara de Julgamento do CRPS, anulou a NFLD (fls.647/648). ... 4. Assim, o processo deverá retomar à EqrestPJ, em face da competência prevista no inciso I do subitem 2.2 da Ordem de Serviço DRF/BHE n°, de 29/10/2007, para análise e resposta ao sujeito passivo. 5. Após, os autos devem vir para a Eqprof, para encaminhamento à CARF, já que existe recurso voluntário ao processo Debcad 37.077.2199, ao qual este processo está apensado. É o Relatório. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001455/200723 Acórdão n.º 2402004.597 S2C4T2 Fl. 692 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De acordo com o Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/2009, a competência do órgão para julgar em segunda instância processos de restituição ou reembolso está delimitada pela natureza tributária do objeto do requerimento. A devolução do depósito recursal segue procedimento específico no âmbito da SRFB: Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ... Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. O despacho às fls. 689 noticia a existência de outro processo ao qual este se encontra apensado. No caso, apenas o processo que tenha por objeto o lançamento substitutivo do anulado anterior será julgado neste CARF. O que trata da devolução do depósito recursal deve retornar à origem para que lá seja decidido acerca do pedido do recorrente para, após, retornar a este CARF a fim de trazer as informações do lançamento anulado para instruir o processo relativo ao lançamento substitutivo. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário que tenha por objeto a devolução do depósito recursal, com retorno à origem para que proceda conforme solicitação acima e o despacho às fls. 689. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 693DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001524/86-22
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRPJ - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Quando a decisão de primeiro grau agrava a exigência e introduz aspectos novos ao debate, deve ser reaberto novo prazo para impugnação, para resguardar os direitos em debate e o principio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 101-78.696
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à DRF em Brasilia-DF, a fim de que seja reaberto prazo para nova - impugnação, à vista das inovações introduzidas na decisão recorrida,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Urgel Pereira Lopes
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T13:31:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T13:31:24Z; Last-Modified: 2009-07-08T13:31:25Z; dcterms:modified: 2009-07-08T13:31:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T13:31:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T13:31:25Z; meta:save-date: 2009-07-08T13:31:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T13:31:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T13:31:24Z; created: 2009-07-08T13:31:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-07-08T13:31:24Z; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T13:31:24Z | Conteúdo => PROCESS!-N9 10.166-001.524/86-22 "7114 `‘~ MINISTÉRIO DA FAZENDA JAN Sessão de 24 de maio - 89 101-78.696de 19 ACÓRDÃO N2 Recurso n2 93.914 — IRPJ — EX: DE 1984 Recorrente FLÕRICE S/A - FLORESTAMENTO ,INDOSTRIA, E comEncio E EXPORTAÇÃO Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BRASÍLIA (DF) IRPJ - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Quan- do a decisão de primeiro grau agrava a exigência e introduz aspectos novos ao debate, deve ser reaberto novo prazo para impugnação, para resguardar os direitos em debate e o principio do du pio grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por FLUICE S.A. - FLORESTAMENTO, INDÚSTRIA, E COMÉR- CIO E EXPORTAÇÃO. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribtlifites, por unanimidade de votos, determinar a remessadce autos à DRF em Brasília-DF, a fim de que seja reaberto prazo para nova - impugnação, à vista das inovaçaes introduzidas na decisão recorrida,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sess6es (DF), em 24 de maio de 1989 URGEL * Lo*ES - PRESIDENTE E RELATOR L. VISTO EM AFONSO *O ER-REIRA- P- CAMPOS - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: R pvim NACIONAL Participaram,ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, . CRISTÓVÃO - ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, CÂNDIDO RODRI- GUES NEUBER e JOSn EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10.166-001.524/86-22 RECURSO N9: 93.914 ACORDÃON9: 101-78.696 RECORRENTE= FLORICE S/A- FLORESTAMENTO, INXISIRIA,E COMÉRCIO E EnDoluAçAD RELATORIO FLORICE S.A. FLORESTAMENTO, INDCSTRIA, COM2RCIO E EX PORTAÇÃO, empresa jurisdicionada à DRF em Brasilia-DF, recorre a es te Conselho inconformada com a decisão de primeiro grau. 2. Em consequência de revisão efetuada na sua deCiara- ção de rendimentos do exercicio de 1984, a contribuinte sofreu lan- çamento suplementar, conforme o Demonstrativo de fls. 59: "Lucro inflacionário realizado menor que o apurado em conformidade com a legislação vigente, conforme de- monstra mapa de apuração do lucro inflacionário em , anexo. Quadro 14, item 08 Valor declarado Valor apurado: 90.171.562 Redução calculada em valor maior que o apurado por incentivos fiscais Quadro 15, item 07 Valor declarado: 33.380,52 ORTN Valor apurado: 24.029,27 ORTN Imposto e PIS em ORTN Imposto PIS Valor apurado 21.390,00 796,09 Valor declarado 3,06 60,70 Lançamento Suplementar 21.386,94 735,39 /45 DMF DF/19 C C - Secgraf - 1600/75 3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 AcOrdão n9 101-78.696 3. A contribuinte preencheu SRLS, sem êxito. Em tem po, apresentou a impugnação de fls. 06/13 e anexos'. Quanto ao lucro inflacionário, onde se trata da realização a menor da parcela de Cr$ 90.171.562, diz que é parte' do saldo que vinha sendo diferida de exercícios anteriores, posto que o lucro inflacionário apurado no exercício de 1984, no montan— te de Cr$ 426.816.128, foi integralmente oferecido à tributação com isenção do imposto de renda. Sobre o tratamento a ser dado ao saldo advindo do exercício de 1983, surgiram dúvidas, na ocasião, que podem ser apresentadas na forma que segue. O lucro inflacionário objeto do diferimento dos exercícios anteriores, era proveniente das invers6es que foram feitas para a implantação dos seus empreendimentos na área da SU- DENE. De conformidade com o entendimento firmado pelo PN-CST n9 29, "o lucro inflacionário corresponde ao exercício da atividade beneficiada com isenção ou redução é insuscetível de diferimento na mesma proporção do favor a que a atividade tem di- reito". vista desse entendimento a impugnante não teve dúvidas de que o lucro inflacionário apurado durante a fase de implantação dos seus empreendimentos posteriormente amparados pe- la isenção, estava isento do imposto de renda. Ocorreu â impugnante: (a) realizar, integralmen- te, o lucro inflacionário do exercício de 1984, com isenção do imposto; (b) omitir-se quanto ao saldo de lucro inflacionário di- ferido dos exercícios anteriores, e (c) consultar, nos termos do art. 46 do Decreto n9 70.235/72, sobre o tratamento a ser dado ao mencionado saldo, ou seja, se poderia ser realizado no exercício' financeiro de 1984, que era o primeiro exercício de gozo da isen- ção, mediante a retificação da respectiva declaração de rendimen- tos. 4 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 Ac6rdão n9 101-78.696 Formulada a consulta, foi ela solucionada com ba se no entendimento de que o referido saldo somente poderia ser realizado, com isenção, a partir do exercício de 1985, nos termos da IN 91/84. Em obediencia ã referida decisão, a impugnante , ao apresentar sua declaração de rendimentos do exercício de 1985, realizou todo o saldo do lucro inflacionário que fora diferido de exercícios anteriores ao de 1984. Agiu em harmonia com ato norma- tivo da SRF, para aplicação a seu caso concreto, pela decisão n9 001/85 do Superintendente da Receita Federal da la. R.F. A segunda imputação feita à impugnante diz res- peito à alegada redução do valor da isenção a que a defendentet.em direito, por valor superior ao apurado por incentivos fiscais,tam - bem o -revisor se equivocou. Cita e transcreve o parágrafo único do art. 444 do RIR/80. Alega que a separação, com exatidão e clareza,dos re- sultados do exercício dos empreendimentos instalados na área da SUDENE, tem por objeto determinar o valor dos resultados do eiTt.t preendimento incentivado, sobre os quais deverá incidir a norma isentiva., A impugnante, conhecedora da norma legal, apurou em sua contabilidade os resultados do seu empreendimento incentivado na área da SUDENE, separadamente dos resultados dos empreendimentos' não incentivados. Dai o valor de Cr$ 562.545.803, declarado no item 12, quadro 04, do Anexo 02, já está separado de todos os resultados não amparados pela isenção, que constaram no item 18 , do mesmo quadro. Aduz que a pretendida exclusão, pelo Fisco, do lucro declarado como isento, da parcela de Receitas Financeiras ' que ultrapassou as Despesas Financeiras, é inaplicável ao caso, pelo fato de já terem estas rubricas integrado a apuração dos re- sultados não incentivados. Invoca o Ac. n9 103-04.798. 4. Foram realizadas diligencias para verificar se a contabilidade da contribuinte é feita separadamente conforme a- legado na SRLS. 5 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 Acórdão ne 101-78.696 5. Vieram os mapas de fls.4 e ,--aapreciação de fls. 115/122. 6 Decisão de primeiro grau a fls. 128/137, indefe rindo a impugnação. 7. Ciente em 20.01.89 a contribuinte interpós o recurso voluntário de fls. 143/144, protocolizado em 16.02.89. Sustenta que, embora mantendo sua escrituração contábil centrali zada nos mesmos livros, mantem , no seu Plano de Contas, regis- tro.contbeis específicos em relação ás atividades incentivadas' com a isenção do imposto e em relação às demais atividades. Que o lapso em que incorreu o Fisco decorreu do fato de o autor da diligencia haver confundido a separação dos registros contábeis com a separação dos livros contábeis, o _que são coisas distintas. O que a lei impõe é a separação dos regis- tros e não a separação dos registros contábeis. Sendo esta imputação um fato novo, que não po- dia ser impugnado , requer a este Colegiado que determine a rea- lização de diligencia especifica para dirimir esta dilvida. No mais, ratifica sua impugnação. n o relatório. 6 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.166-001.524/86-22 Ac6rdão n9 101-78.696 VOTO Conselheiro URGEL PEREIRA LOPES, relatar: A recurso e tempestivo. No lançamento suplementar exigia-se o imposto de 21.386,94 ORTN's e o PIS de 735,39 ORTN's. A decisão de primeiro grau exije o imposto de 24.331,38 OTN's e o PIS de 954,95 OTN's. Tudo isso em função da diligencia efetuada na fase preparat6ria do julgamento de primeira instância. Aliãs, essa diligencia trouxe ao debate aspectos novos, em bom número, nomeadamente quanto a temas relacionados I com a escrituração da contribuinte. Tudo isso, a rigor, impunha rabertura do prazo para nova impugnação , em homenagem ao duplo grau de jurisdição e como medida acautelatd-ria dos direitos em disputa. A esta altura, voto no sentido de se fazer retor nar os autos à repartição de origem a fim de ser reaberto o prazo para impugnação, alertando-se a contribuinte de que ela pode apre sentar novas razões, ou ratificar seu recurso de fls. 142/144 co- mo impugnação. Se a contribuinte silenciar, apreciar-se-á esse recurso como impugnação. URGEL • 'EI' , LOP S - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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