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Numero do processo: 10074.000655/2006-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 03/11/2002
GRUPOS ELETROGÊNEOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Classificam-se na posição 8502.39.00 tanto o gerador elétrico quanto a máquina motriz que compõem os grupos eletrogêneos, nos termos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502. Como máquinas motrizes aí enquadráveis, incluem-se os elementos essenciais ao seu funcionamento que com ela formem uma "unidade funcional" nos termos da Nota 4 da Seção XVI.
Numero da decisão: 9303-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento, e o Conselheiro Demes Brito e as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/11/2002 GRUPOS ELETROGÊNEOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Classificamse na posição 8502.39.00 tanto o gerador elétrico quanto a máquina motriz que compõem os grupos eletrogêneos, nos termos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502. Como máquinas motrizes aí enquadráveis, incluemse os elementos essenciais ao seu funcionamento que com ela formem uma "unidade funcional" nos termos da Nota 4 da Seção XVI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Rodrigo da Costa Pôssas, que negavam provimento, e o Conselheiro Demes Brito e as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Henrique Pinheiro Torres – Relator Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 06 55 /2 00 6- 71 Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo Sujeito Passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3202000.308, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/01/2002, 11/11/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PRELIMINAR REJEITADA. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMAS AUXILIARES E PARTES E PEÇAS DE USINA TERMOELÉTRICA. CONCEITO DE GRUPO ELETROGÊNEO. O código NCM 8502.39.00 é destinado à classificação de grupos eletrogêneos, assim considerados aqueles constituídos por um gerador elétrico e uma máquina motriz, que não seja motor elétrico, e apenas quando formarem um corpo único. Uma usina termoelétrica não é uma unidade funcional e não se classifica como grupo eletrogêneo. Os sistemas auxiliares e as partes e peças de uma usina termoelétrica não podem ser considerados como incorporados a grupos eletrogêneos nem como componentes de uma unidade funcional, devendo cada um seguir o seu próprio regime. Tratase de matéria cuja classificação fiscal já foi decidida em nível nacional pela Coana/SRF, órgão competente para solucionar divergências sobre classificação fiscal de mercadorias, nos termos das Soluções de Divergência nºs 2, 5 e 11/2001 e 1, 2, 3 e 4/2002 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENCIAMENTO DECORRENTE DE DESCRIÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA NO DESPACHO ADUANEIRO. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA (ART. 106, II, “A” DO CTN) A introdução de bens no País sem o correspondente Licenciamento, inclusive o decorrente de mercadoria incorreta descrita no despacho aduaneiro, implica a exigência da multa por falta desse requisito, sem prejuízo de aplicação de outras multas (art. 526, II, e § 5º, I, do RA/1985 e art. 6º, § 1º, do Decreto nº 660/1992). A partir da Portaria Secex no 17/2003 houve mudança significativa no sistema administrativo que rege as importações, que passou a contar com a modalidade de importações dispensadas de Licenciamento. Em decorrência, há que se aplicar retroativamente a legislação mais benéfica, com base no art. 106, II, “a”, do CTN, de forma a cancelar a multa no tocante aos bens que Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.990 3 tiveram sido objeto de autuação por não cumprirem tal requisito, mas cuja importação atualmente está dispensada de Licenciamento. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A classificação incorreta de mercadoria importada implica a cominação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria incorretamente quantificada, sem prejuízo da aplicação de outras multas fiscais e administrativas (art. 84, I e § 2º, da Medida Provisória no 2.158 35/2001). RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO EM PARTE A recorrente interpôs embargos de declaração, que foram rejeitados, nos termos do Acórdão nº 3202000.927 (fls. 2727 a 2731). Em breve síntese do litígio, tratase de auto de infração lavrado para exigência dos créditos tributários por alegado erro de classificação fiscal de itens importados, acrescidos de multa de ofício, multa por erro de classificação fiscal e multa por infração ao controle administrativo. Por bem versar sobre a matéria, transcrevo trecho da decisão ora recorrida, da lavra do Ilustre Conselheiro José Luiz Novo Rossari: “Tratase da classificação de grande parte de equipamentos componentes de usina termoelétrica a gás, que o importador classificou no mesmo código 8502.39.00 destinado aos “grupos eletrogêneos”, por defender que tais equipamentos seguem esse código por fazerem parte de uma unidade funcional destinada à produção de energia elétrica. Alega a impugnante que os equipamentos importados são indispensáveis para que as máquinas motrizes e geradores possam operar como uma unidade funcional de geração de energia elétrica e por isso devem ser classificados em uma única classificação, na posição de grupo eletrogêneo. Na formalização do Auto de Infração, o Fisco entendeu que tal classificação seria correta apenas para os conjuntos formados por turbina e gerador importados, devendo os demais bens seguirem sua classificação própria, tendo tomado como base para tal conclusão as Notas Legais de Seção, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) e o entendimento da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira da SRF, explicitado em processo de consulta de outro contribuinte, que resultou na Solução de Divergência Coana no 2/2001, que reformou a Decisão/SRRF/8ªRF no 221/1998. Já o órgão julgador recorrente entendeu que o conjunto formado pelos grupos eletrogêneos que integram a planta da usina termoelétrica com os demais equipamentos indispensáveis ao funcionamento desse grupo eletrogêneo constitui uma unidade funcional, cuja caracterização independe da distância existente entre seus diversos componentes. Os bens que a contribuinte classificou no referido código NCM foram objeto de despachos aduaneiros efetuados pelas DIs nos 02/00019729, 02/04550429, 02/06850713, 02/07917897, 02/09025764 e 02/09995780, e estão relacionados às fls. 102/128 como sendo: sistemas elétricos e de controle; carretéis de cabos; compressor; sistema de bombas d’água; Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 câmara de combustão; filtro de ar; argamassa; sistema de combate a incêndio; bombas de óleo; válvulas de gases; ferramentas; parafusos e porcas; turbina a gás/peças de reposição (sobressalentes); estruturas; bombas de alimentação; disjuntor; isolamento térmico; compressor; sistema de exaustão; sistema de combate a incêndio; combustor; sistema de controle; chapas; bombas/filtros; chumbadores, sistemas de óleo; sistema de resfriamento; filtros/líquidos; condensador; caldeira; ejetor de partida; sistema hidráulico de óleo lubrificante; gerador; sistema de proteção; acetona, placas, tubulação; barras, cabos; motor; sistema de ventilação; cola; e manômetro.” A turma julgadora a quo entendeu que estavam corretas as classificações fiscais específicas adotadas pelo Fisco, desconsiderando o fundamento adotado pelo julgador de primeira instância que aceitou a classificação como sendo “grupo eletrogênio”, na NCM 8502.39.00, adotada pelo sujeito passivo. Manteve a multa de ofício lançada, a multa por erro de classificação fiscal, e reduziu a multa por controle administrativo para R$ 5.982.357,17, apenas considerando aqueles bens sujeitos à anuência prévia dos órgãos governamentais e ao Licenciamento. O Recurso Especial do sujeito passivo foi admitido, pela demonstração de dissídio jurisprudencial, conforme despacho de admissibilidade às fls.2961 a 2963. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 2965 a 2973. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Conheço do recurso especial de divergência do Sujeito Passivo por verificar que estão atendidos os requisitos necessários para sua admissibilidade. A questão a ser apreciada no presente julgamento referese à classificação fiscal de equipamentos componentes de usina termoelétrica a gás, que o importador classificou no mesmo código 8502.39.00 destinado aos “grupos eletrogêneos”, por defender que tais equipamentos seguem esse código por fazerem parte de uma unidade funcional destinada à produção de energia elétrica. Foram importados os seguintes itens, por meio das DIs 02/00019729, 02/04550429, 02/06850713, 02/07917897, 02/09025764 e 02/09995780: sistemas elétricos e de controle; carretéis de cabos; compressor; sistema de bombas d’água; câmara de combustão; filtro de ar; argamassa; sistema de combate a incêndio; bombas de óleo; válvulas de gases; ferramentas; parafusos e porcas; turbina a gás/peças de reposição (sobressalentes); estruturas; bombas de alimentação; disjuntor; isolamento térmico; compressor; sistema de exaustão; sistema de combate a incêndio; combustor; sistema de controle; chapas; bombas/filtros; chumbadores, sistemas de óleo; sistema de resfriamento; filtros/líquidos; condensador; caldeira; ejetor de partida; sistema hidráulico de óleo lubrificante; gerador; sistema de proteção; acetona, placas, tubulação; barras, cabos; motor; sistema de ventilação; cola; e manômetro. O acórdão recorrido decidiu pela improcedência da classificação adotada pelo sujeito passivo e pela manutenção da reclassificação fiscal efetuada pela autoridade lançadora. Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.991 5 Inicialmente, é importante deixar claro que a classificação de um produto na NCM, que se baseia no Sistema Harmonizado (SH) é, essencialmente, levada a efeito segundo as regras de interpretação fixadas no texto desse Sistema. Com efeito, diz a Regra Geral 1: Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes: O item da NCM que o sujeito passivo classificou os itens importados (8502.39.00) está assim descrito: 85.02 GRUPOS ELETROGÊNEOS E CONVERSORES ROTATIVOS, ELÉTRICOS 8502.3 Outros grupos eletrogêneos 8502.39.00 Outros Para identificarmos precisamente o significado de “grupo eletrogêneo”, recorremos ao texto das Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado, aplicáveis por força do Decreto nº 435, de 1992, mais especificamente no parágrafo único do seu art. 1º. Passo a análise da NESH da posição 8502, abaixo transcrita: 85.02 Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos. I. GRUPOS ELETROGÊNEOS A expressão “grupos eletrogêneos” aplicase à combinação de um gerador elétrico com uma máquina motriz, que não seja um motor elétrico (turbina hidráulica, turbina a vapor, roda eólica, máquina a vapor, motor de ignição por centelha (faísca), motor diesel, etc.). Quando a máquina motriz e o gerador formam um só corpo ou quando, separados mas apresentados ao mesmo tempo, as duas máquinas são concebidas para formar um só corpo ou ser montadas em uma base comum (ver as Considerações Gerais desta Seção), o conjunto classificase na presente posição. [...] Depreendese da leitura da NESH da posição 8502 que somente a combinação de um gerador elétrico com uma máquina motriz, concebidos para formarem um só corpo ou para serem montados em uma base comum, é que poderia ser entendida como grupo eletrogêneo. Qualquer outra definição, mesmo que técnica, tem aplicação restrita para fins de classificação fiscal. O relator do acórdão recorrido entendeu que os itens importados pela recorrente não poderiam ser classificados na posição 8502.39.00, por ser essa classificação aplicável a grupos eletrogêneos constituídos por um gerador elétrico e uma máquina motriz, formando um corpo único, conforme determinado pela NESH, visto que os conjuntos não seriam considerados unidades funcionais. Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Para identificar o real alcance do que seria um só corpo (corpo único), o i. relator partiu da nota 3 da Seção XVI da NCM e da interpretação da Parte VI das Considerações Gerais da Seção XVI das NESH, verbis: SEÇÃO XVI MÁQUINAS E APARELHOS, MATERIAL ELÉTRICO, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS Notas [...] 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. NESH VI. MÁQUINAS COM FUNÇÕES MÚLTIPLAS; COMBINAÇÕES DE MÁQUINAS (Nota 3 da Seção) Geralmente uma máquina concebida para executar várias funções diferentes classificase segundo a principal função que a caracteriza. Máquinas com funções múltiplas são, por exemplo, as máquinas ferramentas para trabalhar metais utilizando ferramentas intercambiáveis que lhes permitam executar diversas operações (por exemplo, fresagem, mandrilagem, brunição). Nos casos em que não é possível determinar a função principal e na ausência de disposições em contrário estipuladas no texto da Nota 3 da Seção XVI, aplicase a Regra Geral Interpretativa 3 c); é o que ocorre, por exemplo, a máquinas com funções múltiplas suscetíveis de se incluírem indiferentemente em várias das posições 84.25 a 84.30, em várias das posições 84.58 a 84.63 ou ainda em várias das posições 84.69 a 84.72. Existem ainda combinações de máquinas constituídas pela associação, formando um único corpo, de várias máquinas ou aparelhos de espécies diferentes, exercendo, sucessiva ou simultaneamente, funções distintas e geralmente complementares, incluídas em diferentes posições da Seção XVI. Este é o caso das máquinas impressoras que incorporem, a título acessório, uma máquina para dobragem do papel (posição 84.43); de máquinas para fabricação de caixas de cartão combinadas com uma máquina auxiliar para imprimir sobre estas dizeres ou desenhos (posição 84.41); de fornos industriais equipados de aparelhos de elevação ou movimentação (posições 84.17 ou 85.14); de máquinas de fabricar cigarros contendo dispositivos acessórios para embalar (posição 84.78). Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.992 7 Para efeito da aplicação das disposições acima, consideramse como formando um único corpo as máquinas de espécies diferentes que se incorporem umas às outras ou montadas umas sobre as outras, bem como as máquinas montadas sobre uma base, armação ou suporte comuns, ou dispostas em um invólucro comum. Os diferentes elementos só podem ser considerados como formando um único corpo quando concebidos para serem fixados, em caráter permanente, uns aos outros, ou ao elemento comum (base, armação invólucro, etc.). Excluemse, então, os conjuntos constituídos a título provisório ou montagens que não sejam normalmente concebidas como uma combinação de máquinas. As bases, armações, suportes ou invólucros podem ser montados sobre rodas, de modo a poderem ser deslocados se as condições de uso do conjunto o exigirem, com a condição de que este conjunto não adquira, por causa disso, as características de um artefato (veículo, por exemplo) incluído mais especificamente em uma posição determinada da Nomenclatura. O solo, as bases de concreto (betão), as paredes, as divisórias, os forros, etc., mesmo se especialmente preparados para receber máquinas e aparelhos, não constituem uma base comum que permita considerar estas máquinas ou aparelhos como formando um único corpo. O recurso à Nota 3 da Seção XVI não é necessário quando a combinação de máquinas é incluída em uma posição determinada, como, por exemplo, no caso de certos grupos para condicionamento de ar (posição 84.15). Deve salientarse que as máquinas com múltiplas utilizações (por exemplo, as máquinasferramentas para trabalhar metais mas igualmente outras matérias, as máquinas para colocar ilhoses, utilizadas também na indústria têxtil, do papel, do couro, dos plásticos) classificamse conforme as disposições da Nota 7 do Capítulo 84. O principal argumento apontado pelo relator a quo seria que o conceito de corpo único trazido na nota 3 da Seção XVI da NCM, seria aquelas “de espécies diferentes que se incorporem umas às outras ou montadas umas sobre as outras, bem como as máquinas montadas sobre uma base, armação ou suporte comuns, ou dispostas em um invólucro comum”. Segundo seu entendimento, seria impossível classificar os itens importados como sendo um “corpo único”, pois “verificase que as mercadorias submetidas a despacho de importação não têm as características de máquinas incorporadas umas às outras, ou montadas umas sobre as outras, e, menos ainda, de máquinas montadas sobre uma base, armação ou suporte comuns. [...] Por óbvio que a interligação entre equipamentos por meio de tubulações ou por outros tipos de uniões semelhantes não caracteriza um corpo único. No caso em exame, o Fisco verificou que inclusive existem equipamentos cuja localização encontrase a substancial Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 distância dos demais, apresentandose como construções bem destacadas dos demais equipamentos”. Entretanto, a recorrente alega que o i. conselheiro relator omitiu trecho da mesma Parte VI das Considerações Gerais da Seção XVI das NESH transcritas no voto, na parte que seria contrário à fundamentação fazendária. Segundo esse trecho omitido no acórdão a quo e acima reproduzido, a NESH determina que o recurso à nota 3 da Seção XVI não seria necessário quando a combinação de máquinas fosse incluída numa posição determinada, o que seria, segundo a argumentação da recorrente, exatamente o caso dos grupos eletrogêneos, combinação de máquinas incluídas na posição 8502.39.00 da NCM. Ocorre que a referida exclusão, corretamente apontada pela recorrente, não afasta aquela definição de grupo eletrogêneo trazida no item I da posição 8502 da NESH, acima transcrita. Dessa forma, tornase imprescindível identificar se os itens importados seriam uma combinação de máquinas incluída em uma posição determinada, no caso, na posição 8502.39.00 de grupos eletrogêneos. Voltamos, então, à descrição de o que seria grupo eletrogêneo pela NESH: combinação de um gerador elétrico com uma máquina motriz, concebidos para formarem um só corpo ou para serem montados em uma base comum. Vejamos o que dispõe a nota 4 da Seção XVI da NCM e Parte VII das Considerações Gerais da Seção XVI da NESH, relativo ao conceito de unidade funcional: SEÇÃO XVI Notas [...] 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. NESH VII. UNIDADES FUNCIONAIS (Nota 4 da Seção) Aplicase esta Nota quando uma máquina ou uma combinação de máquinas são constituídas por elementos distintos concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada incluída em uma das posições do Capítulo 84 ou, mais freqüentemente, do Capítulo 85. O fato de que, por razões de comodidade, por exemplo, estes elementos estejam separados ou interligados por condutos (de ar, de gás comprimido, de óleo, etc.), dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos, não se opõe à classificação do conjunto na posição correspondente à função que este executa. Na acepção da presente Nota, a expressão “concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada” abrange somente as máquinas e combinações de máquinas necessárias para realização da função própria ao conjunto, que forma uma unidade funcional, excetuandose as máquinas ou aparelhos que tenham funções auxiliares e não concorram para a função do conjunto. Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.993 9 Portanto, somente as máquinas e combinações de máquinas necessárias para realizarem sua função própria é que poderiam ser classificadas como grupo eletrogêneo: apenas a combinação do gerador elétrico com uma máquina motriz, se formarem um corpo único ou montados em uma base comum, conforme determinado pela NESH. As máquinas ou aparelhos que tenham funções auxiliares e não concorram para a função do conjunto (grupo eletrogêneo conforme definição da NESH), seguem sua classificação específica de forma separada. Se a combinação desses dois equipamentos não forma um corpo único ou não se encontra montada em base comum, não pode ser classificada na posição correspondente à de “grupos eletrogêneos”. Ao contrário, cada uma delas deve ser classificada em seu código próprio. Também não há como classificar todos os equipamentos da usina termoelétrica inteira como sendo grupo eletrogêneo, por ausência de unidade funcional, conforme definição da Parte VII das Considerações Gerais da Seção XVI das NESH. Sendo assim, a exceção contida na Parte VI das Considerações Gerais da Seção XVI das NESH, de que o recurso à nota 3 da Seção XVI não seria necessário quando a combinação de máquinas fosse incluída numa posição determinada, não se aplica ao caso em questão, por não estar configurado, segundo determinação da NESH, o grupo eletrogêneo para os itens importados pela recorrente. Concluise que o apenas o grupo eletrogêneo, constituído por gerador elétrico e uma máquina motriz, concebidos para formarem um só corpo ou para serem montados em uma base comum, classificase no código NCM 85.02.39.00. As máquinas ou aparelhos que tenham funções auxiliares de uma usina termoelétrica não são consideradas como incorporadas a grupos eletrogêneos e sua classificação fiscal é feita de forma separada. Aplicação da RGI 1 (texto da posição 85.02) e RGI 6 (texto da subposição de primeiro nível 8502.3 e da subposição de segundo nível 8502.39) da TEC, e subsídios extraídos das NESH, aprovadas pelo Decreto nº 435/92, e atualizadas pela IN RFB nº 807, de 2008, e alterações posteriores. No mesmo sentido se posicionou a Administração Aduaneira brasileira, nas Soluções de Divergência nºs 23 e 24 de 2015, já dentro da sistemática trazida pela Instrução Normativa RFB nº 1464/2014, que trouxe o efeito vinculante no âmbito da RFB a todos os contribuintes em situações semelhantes. Transcrevo as ementas das referidas decisões: Solução de Divergência Coana nº 23, de 26 de Junho de 2015 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Reforma a Solução de Consulta SRRF/3ª RF/Diana no 1, de 20 de agosto de 2012. Mercadoria: Grupo eletrogêneo denominado “turbogerador a gás”, constituído por gerador elétrico e turbina a gás, unidos por acoplamento rígido, classificase no código NCM 8502.39.00. Os demais sistemas auxiliares e acessórios são classificados separadamente e seguem seu próprio regime. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1 (texto da posição 85.02) e RGI 6 (texto da subposição de primeiro nível 8502.3 e da subposição de segundo nível 8502.39) da TEC, aprovada pela Res. Camex nº 94, de 2011, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 7.660, de 2011, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 807, de 2008, e alterações posteriores. Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Solução de Divergência Coana nº 24, de 26 de junho de 2015 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Reforma a Solução de Consulta SRRF/3ª RF/Diana no 2, de 12 de novembro de 2012. Mercadoria: Grupo eletrogêneo denominado “turbogerador a gás”, constituído por gerador elétrico e turbina a gás, unidos por acoplamento rígido, classificase no código NCM 8502.39.00. Os demais sistemas auxiliares e acessórios são classificados separadamente e seguem seu próprio regime. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1 (texto da posição 85.02) e RGI 6 (texto da subposição de primeiro nível 8502.3 e da subposição de segundo nível 8502.39) da TEC, aprovada pela Res. Camex nº 94, de 2011, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 7.660, de 2011, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 807, de 2008, e alterações posteriores. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo, mantendo, integralmente, a decisão recorrida. É como voto. Henrique Pinheiro Torres Relator Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos Designoume o Presidente para redigir o acórdão em face de ter prevalecido, por maioria, entendimento que externei em sessão, após ter solicitado vista do processo, diverso do proposto pelo n. relator, que resultou no acolhimento parcial do recurso. Em razão da imensa consideração profissional que nutro por ambos os relatores, tanto o dr. Rossari quanto o dr. Henrique, foime extremamente difícil divergir deles, especialmente porque não me havia debruçado anteriormente sobre o tema. Ousei fazêlo, entretanto, porque me convenci de que o problema a ser por nós dirimido não estava adequadamente posto em seus votos. De fato, deles não divirjo quanto à impossibilidade de estender a classificação de grupos eletrogêneos a todos os elementos objeto da autuação, seja por aplicação da regra 3 ou da regra 4 da Seção XVI da NCM. Aliás, em nada divirjo quanto à primeira das regras acima. Também para mim, por força dela, restringese um grupo eletrôgeneo ao conjunto formado por gerador e máquina motriz, precisamente como entendeu a autoridade autuante. No auto de infração, assim me pareceu, não se questiona que os dois elementos constituem corpo único, tanto que a fiscalização aceitou a classificação de grupo eletrogêneo para os dois, apenas não a estendendo aos demais elementos que foram objeto da autuação por lhes faltar, no seu entender, exatamente aquele requisito. É o que colho do minucioso e muito bem elaborado "Relatório de Fiscalização Anexo ao Auto de Infração" (fls. 78/135), mais precisamente às fls. 83/84. Mas não me parece ser isso que está em discussão. Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.994 11 De fato, da leitura da impugnação, pareceme que o seu pedido subsidiário é que o segundo elemento (a máquina motriz) não se constitui apenas daquilo que comumente se chama de turbina. Há outros elementos essenciais ao seu funcionamento (gerar, em conjunto com o outro elemento, a energia elétrica pretendida) e, como tal, esses outros elementos se classificam em conjunto com a turbina e o gerador na posição correspondente ao grupo eletrogêneo. A autoridade responsável pelo lançamento, a Coana e os relatores que me precederam aqui no CARF entenderam impossível tal extensão porque a nota 4, que a respaldaria, seria inteiramente inaplicável ao objeto em discussão (grupo eletrogêneo). E é dessa conclusão que ouso divergir, com todo o respeito que me merecem os seus proponentes. Para clareza, volto a transcrevêla na mesma forma como feito pelo dr. Henrique, inclusive com os seus destaques (parte sublinhada) e negritando aquilo que, a mim, se revela mais importante: 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. Aplicase esta Nota quando uma máquina ou uma combinação de máquinas são constituídas por elementos distintos concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada incluída em uma das posições do Capítulo 84 ou, mais freqüentemente, do Capítulo 85. O fato de que, por razões de comodidade, por exemplo, estes elementos estejam separados ou interligados por condutos (de ar, de gás comprimido, de óleo, etc.), dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos, não se opõe à classificação do conjunto na posição correspondente à função que este executa. Na acepção da presente Nota, a expressão “concebidos para executar conjuntamente uma função bem determinada” abrange somente as máquinas e combinações de máquinas necessárias para realização da função própria ao conjunto, que forma uma unidade funcional, excetuandose as máquinas ou aparelhos que tenham funções auxiliares e não concorram para a função do conjunto. Façoo porque, primeiro, nela mesma não diviso qualquer restrição de aplicação a toda a seção que disciplina. De fato, como todas as Notas de Seção, ela se aplica inteiramente às posições incluídas naquela seção, a menos que alguma restrição específica seja ventilada. Viramna as autoridades que mencionei na nota explicativa da posição 8502. De fato, leramna como a dizer que somente o que formar corpo único pode ser grupo eletrogêneo. Não a leio dessa forma, no entanto. A mim me parece que esteja ela a dizer apenas que a máquina motriz e o gerador não serão classificados como grupo eletrogêneo quando não compuserem corpo único; e só. Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Uma vez que atendam àquele requisito, passase a buscar, para efeito de classificação, o que deve ser entendido como uma máquina motriz e como um gerador. E para esse fim, tem sim, a meu ver, aplicabilidade a noção de unidade funcional prevista na nota 4. Em segundo lugar, tampouco encontro guarida na própria solução de consulta transcrita pelo dr. Rossari para a completa repulsa a esta nota 4, como ele afirma. Vejase que mesmo do pequeno trecho dela transcrito pelo dr. Rossari expressamente consta: 21. Em suma, os diferentes tipos de máquinas e aparelhos que formam uma determinada usina termoelétrica, cuja planta varia de acordo com o projeto de instalação do parque energético, devem, a princípio, seguir cada componente seu regime próprio, salvo se, dentro desse grande conjunto, existir algum subconjunto ao qual se possa aplicar, separadamente, o conceito de “unidade funcional”. Embora seja certo que, após fazer tal ressalva, a solução expressamente enumera diversos dos componentes aqui em discussão como excluídos daquela possibilidade, não posso com isso comungar a partir da leitura dos laudos apresentados. Com efeito, sem dúvida partilho a afirmação do nobre relator da decisão recorrida no sentido de que os laudos apenas se prestam a nos fornecer informações técnicas que nos permitam enquadrar o produto em discussão em alguma das posições da NCM, por aplicação de suas regras e notas explicativas. Dele divirjo, no entanto, de que a isso não se voltaram os três laudos apresentados. Muito ao contrário, foi exatamente deles que extraí as informações técnicas necessárias a entender apesar de minha completa ignorância nas questões da engenharia como de fato funciona uma turbina e quais são suas partes essenciais. Nesse mister, cumpre elogiar a precisão e o didatismo daquele elaborado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), que só confirma e reforça o alto conceito há tanto tempo mantido por aquela instituição de ensino. E a observância desses conceitos eminentemente técnicos, para identificação das mercadorias por classificar, nos é imposta pelo art. 30 do Decreto 70.235/72. É claro que esse reconhecimento não nos vincula à própria avaliação feita no laudo sobre a essencialidade desse ou daquele item. Em outras palavras, deve o laudo descrever o funcionamento do bem, suprindonos das informações técnicas por nós não detidas, de modo a que possamos, então, a partir do critério previsto nas regras do sistema harmonizado, efetuar a classificação. Tratase, pois, de entender o funcionamento das turbinas de modo a identificar os seus elementos essenciais, entendidos como aqueles sem os quais ela nem começa a funcionar ou, se iniciado o processo, ele pode ser descontinuado ainda que não haja o concurso de qualquer evento fortuito. Por isso, não vejo como essenciais os que não cumpram tal papel, por mais que sejam importantes para o funcionamento da ilha como um todo, e excluo, desde já, os sistemas de combate a incêndio, as peças de reposição (ainda que da própria turbina) e semelhantes. Restrinjome, portanto, àquilo sem o que a turbina simplesmente não funcionaria ou deixaria de funcionar por causas exclusivamente internas, isto é, em consequência do desgaste que o seu próprio funcionamento normal lhe causa. Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.995 13 A necessidade de recorrer aos pareceres técnicos é ainda potencializada pela superficialidade com que as NESH trataram do tema. Com efeito, assim se pronunciam elas1 a respeito das turbinas a gás (posição 84.11): Seção XVI 84.11 As turbinas desta posição são, em geral, motores de combustão interna que não exigem habitualmente para o seu funcionamento qualquer fonte exterior de calor, como é o caso, por exemplo, das turbinas a vapor. A. TURBORREATORES Um turborreator compõese de um conjunto compressorturbina, um sistema de combustão e uma tubeira, isto é, canal de ejeção cônico convergente colocado no conduto de escapamento de gases. Os gases quentes sob pressão que saem da turbina transformamse ao longo da sua passagem pela tubeira num fluxo de gás animado de velocidade elevada. A reação deste fluxo de gás oriundo do motor fornece a força motriz utilizada para propelir um veículo aéreo. Nos turborreatores mais simples, o compressor e a turbina são montados num só eixo. Outros tipos mais complexos compõemse de um compressor de dois corpos, cada um dos quais movimentado pela sua própria turbina através de um eixo coaxial. Em geral, uma ventoinha é colocada na entrada do compressor; é movimentada por uma terceira turbina ou conectada ao primeiro corpo do compressor e impele o ar para trás através de uma canalização. Esta ventoinha funciona como uma hélice carenada, e, a maior parte do fluxo de ar aspirado e impelido não entra no compressor nem na turbina, mas juntase ao fluxo de gás e de ar ejetado por estes últimos, fornecendo assim um empuxo (impulso*) suplementar. Este tipo de turborreator é às vezes denominado “reator de fluxo duplo”. Os turborreatores comportam um dispositivo auxiliar denominado de “póscombustão” que lhes aumenta a potência durante breves períodos. Este dispositivo dispõe de sua própria alimentação de combustível e utiliza o oxigênio excedente contido nos gases de escapamento do turborreator. B. TURBOPROPULSORES Os turbopropulssores (turboélices) são análogos aos turborreatores mas possuem, próximo do grupo turbocompressor, uma roda de turbina ligada por um eixo a uma hélice do tipo das utilizadas nos motores de aviação a pistão. Esta roda de turbina, às vezes denominado turbina livre, não se acopla mecanicamente ao compressor nem ao eixo do turbocompressor. Nos turbopropulsores, a maior parte dos gases quentes sob pressão é transformada pela “turbina livre” em energia mecânica, que movimenta o eixo da hélice em vez de se 1 IN 157/98 Fl. 3002DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 expandir numa tubeira, como é o caso nos turborreatores. Em alguns casos, os gases que saem da turbina livre podem expandirse numa tubeira a fim de produzir o empuxo (impulso*) suplementar que vem juntarse à força propulsora da hélice. C. OUTRAS TURBINAS A GÁS Este grupo compreende as turbinas industriais a gás quer sejam turbinas especificamente concebidas para fins industriais, quer sejam turborreatores ou turbopropulsores adaptados expressamente a aplicações diferentes da propulsão de veículos aéreos. Nas turbinas a gás, consideramse dois tipos de ciclos termodinâmicos: 1) O ciclo simples, em que o ar é aspirado e comprimido pelo compressor, aquecido na câmara de combustão e expandido através da turbina e, finalmente, ejetado na atmosfera. 2) O ciclo com recuperação, no qual o ar é aspirado, comprimido e depois passa pelas canalizações de um recuperador. O ar preaquecido pelo fluxo ejetado pela turbina passa na câmara de combustão onde é novamente aquecido depois de misturado a um combustível. Esta mistura de combustível e ar passa pela turbina e é em seguida ejetado pelo cano de descarga dos gases quentes do recuperador para finalmente, ser lançado à atmosfera. Há dois tipos de turbinas a gás: a) As turbinas a gás de uma só linha de eixos, nas quais o compressor e a turbina encontramse montados no mesmo eixo; a turbina fornece a energia necessária à rotação do compressor e ao acionamento das máquinas a que esteja acoplada. Este tipo de turbina é particularmente eficaz em aplicações para as quais são necessárias velocidades de rotação constantes, como, por exemplo, na produção de energia elétrica. b) As turbinas a gás de duas linhas de eixos, nas quais o compressor, a câmara de combustão e o grupo compressor turbina formam uma unidade geralmente denominada gerador de gás, enquanto que uma segunda turbina, montada em outro eixo, recebe os gases quentes sob pressão, ejetados pelo gerador de gás. Esta segunda turbina, denominada “turbina livre” ou “turbina de potência útil”, está ligada a uma máquina receptora, compressor ou bomba, por exemplo. As turbinas com duas linhas de eixos são normalmente utilizadas quando as variações de carga necessitam de turbinas com potência e regime de rotação variáveis. Estas turbinas a gás são especialmente utilizadas em propulsão de navios, para tração ferroviária, para acionamento de aparelhos de produção de energia elétrica ou para acionamento de dispositivos mecânicos de extração de petróleo e de gás, em sistemas de bombeamento de oleodutos e na indústria petroquímica. Fl. 3003DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.996 15 Este grupo compreende também outras turbinas a gás, sem câmara de combustão, contendo apenas um estator e um rotor e que utilizam a energia de gases produzidos por outras máquinas ou aparelhos (por exemplo, geradores de gás, motores diesel, geradores de pistão livre), bem como as turbinas a ar ou outros gases comprimidos. Do Parecer do ITA constam inicialmente os conceitos seguintes, que, assinalese, estão em inteira harmonia com as notas de seção e as notas explicativas do sistema harmonizado (NESH) sobre o tema: Um grupo eletrogêneo é a combinação de um gerador elétrico com uma máquina motriz, que pode ser de diversos tipos, com a função de gerar eletricidade. Os grupos eletrogêneos que utilizam, como maquina motriz, turbinas a gás ou turbinas a vapor abrangem uma larga faixa de potência, desde poucos kW (quilowatts) de potência sob a forma de eletricidade, até centenas de MW (megawatts). Nos grupos eletrogêneos integrantes da Usina Termelétrica Governador Leonel Brizola (TermoRio) as máquinas motrizes são turbinas a gás e turbinas a vapor. O presente documento apresenta os componentes essenciais pertencentes à máquina motriz do tipo turbina a gás e à máquina motriz do tipo turbina a vapor de grupos eletrogêneos. Mais especificamente aqueles componentes pertencentes às máquinas motrizes dos grupos eletrogêneos da Usina Termelétrica Governador Leonel Brizola (TermoRio). Ainda afirma o Parecer Técnico do ITA acerca do que seja o ciclo combinado, utilizado na Usina em discussão: Ciclo Combinado é um termo usado quando, para a produção de energia elétrica, se emprega máquinas motrizes baseadas em mais de um ciclo termodinâmico, usualmente ciclo Brayton e ciclo Rankine, operados por turbinas a gás e a vapor, respectivamente. Em geral, o motivo para que os ciclos combinados empreguem turbinas a gás, é o fato de que a energia térmica dos gases de escape é bastante elevada, facilitando o seu aproveitamento. Máquinas motrizes térmicas são capazes de aproveitar somente parte da energia disponibilizada pelo combustível (usualmente cerca de 30%). O resto da energia é perdido. Em um ciclo combinado a energia não aproveitada por uma máquina motriz é aproveitada para prover a energia necessária à operação de uma outra maquina motriz. Numa usina termelétrica em que se adota o ciclo combinado, a turbina a gás, que opera segundo o ciclo de Brayton, aciona um gerador elétrico, para produzir eletricidade, e libera energia, sob a forma de calor, nos gases de escapamento. Essa energia liberada pela turbina a gás é aproveitada numa turbina a vapor, que opera segundo o ciclo de Rankine, que por sua vez aciona outro gerador elétrico para gerar eletricidade adicional. (...) Observase que em ciclos combinados existe uma chaminé de exaustão entre o escape da turbina a gás e a entrada da caldeira da turbina a vapor, de maneira Fl. 3004DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 semelhante à chaminé de desvio do esquema de cogeração mostrado na Fig. 6. Essa chaminé é necessária para a operação da usina, quando o nível de produção de energia requer que apenas a turbina a gás seja acionada. Nessa situação os gases de exaustão da turbina a gás não podem circular através da caldeira da turbina a vapor. Válvulas de desvio {diverter platé), existentes neste setor são posicionadas de acordo com as necessidades operacionais. O papel das válvulas de desvio {diverterplaté) é fundamental nesses sistemas. E, acerca da expressão Ilha de Energia, especifica: Uma usina termelétrica que trabalha em ciclo combinado para geração de eletricidade é composta por um ou mais grupos eletrogêneos e demais sistemas necessários à operação da usina como um todo. Dessa forma obtêmse usinas termelétricas altamente eficientes. As usinas termelétricas que operam dessa forma são algumas vezes denominadas de Ilhas de Energia. Temse que destacar que uma Ilha de Energia não é necessariamente um grupo eletrogêneo, mas, seguramente, dentro de uma Ilha de Energia existe pelo menos um grupo eletrogêneo. No caso do ciclo combinado, a Ilha de Energia contém necessariamente pelo menos dois grupos eletrogêneos: um cuja máquina motriz é uma turbina a gás e outro cuja máquina motriz é uma turbina a vapor. As máquinas motrizes do ciclo combinado, turbina a gás e turbina a vapor, não formam uma peça única. A interação entre as duas é pela troca de energia entre os seus fluidos de trabalho. A energia (térmica) eliminada nos gases de exaustão das turbinas a gás (ciclo Brayton) é aproveitada numa turbina a vapor (ciclo Rankine). (...) A Usina Termelétrica Governador Leonel Brizola (Ilha de Energia) utiliza no total nove grupos eletrogêneos, sendo que em seis deles a máquina motriz é uma turbina a gás de ciclo simples, e em três outros a máquina motriz é uma turbina a vapor. Essas máquinas motrizes operam em ciclo combinado, sendo que cada grupo eletrogêneo com turbina a vapor opera aproveitando a energia térmica (calor) rejeitada por dois grupos eletrogêneos com turbinas a gás. Esses conceitos mais gerais, são, então, utilizados para definir o efetivo funcionamento de uma usina a gás: O funcionamento de uma turbina a gás, de modo simplificado, pode ser explicado do seguinte modo: O ar ambiente é succionado (aspirado) e comprimido continuamente pelo compressor, aquecido na câmara de combustão através da queima direta do combustível na corrente de ar comprimido, formando uma corrente contínua de gases quentes a alta pressão. Esses gases quentes a alta pressão passam pela turbina e ao nela se expandirem, fazemna girar, extraindo energia da corrente de gases quentes. A turbina, que é ligada ao compressor, produz mais potência do que a necessária para acionálo. Essa potência adicional é utilizada para acionar o gerador. Devido a essa possibilidade de se descrever uma turbina a gás tão sucintamente é que se costuma dizer que os componentes principais de uma máquina motriz turbina a gás são o compressor, a câmara de combustão e a turbina. Entretanto, apenas esses três componentes não formam uma turbina Fl. 3005DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.997 17 a gás porque, para que ela possa funcionar, são essenciais outros componentes e sistemas. O compressor, em seu campo de operação, apresenta regiões em que seu funcionamento tornase instável. Durante a operação da máquina, caso essa região venha a ser atingida, a operação em regime instável do compressor pode acarretar danos catastróficos à turbina a gás. De forma a evitar que este regime instável venha a ser atingido, dotase o compressor de válvulas de sangria de ar, que são acionadas toda vez que o compressor atinge essa região, evitando assim a ocorrência de danos à turbina a gás. Para que o eixo, contendo de um lado o compressor e do outro a turbina, possa transmitir a potência e girar, é essencial que exista um sistema de sustentação do eixo (mancais) e de um sistema de lubrificação dos mancais. De acordo com Boyce [1] para o desempenho confiável de uma turbina a gás, é vital que se tenha um sistema de lubrificação projetado, instalado, operado e mantido adequadamente. Para que o combustível possa ser queimado na corrente contínua de ar comprimido que passa pela câmara de combustão, é preciso que seja comprimido e pulverizado (atomizado) na dosagem precisa para atender à demanda do gerador e do compressor, exigindo que um sistema de bombeamento e atomização de combustível seja incorporado à máquina motriz. Se o combustível for gasoso, é preciso garantir que o gás combustível atinja uma pressão adequada para a injeção na câmara de combustão, o que pode requerer um sistema de compressão do gás combustível. Como a carga imposta pelo gerador à turbina a gás é variável, pois é função da demanda da rede, a quantidade de combustível varia com a carga. Adicionalmente, como a freqüência da rede elétrica a que o gerador está ligado deve ser mantida constante e igual a 60 Hz, é essencial que um sistema de controle que prevê a demanda de carga e calcula quanto de combustível deve ser injetado na câmara de combustão para manter a turbina em rotação constante (mesma freqüência de 60 Hz no eixo que sai para o gerador elétrico), precisa ser também incorporado à máquina motriz. O ar que é admitido na máquina motriz não pode conter particulados em suspensão nem contaminantes que podem danificar a máquina. Particulados em suspensão, mesmo que em pequena quantidade, podem destruir as partes internas da máquina, pois, acompanhando o fluxo de ar e de gases quentes, cujas velocidades podem chegar a mais de 600 m/s (mais de 2.000 km/h), erodem rapidamente as partes com que têm contato. É essencial que um sistema de admissão, com filtros de ar, seja incorporado à máquina motriz. Os gases que deixam a máquina motriz estão a temperaturas muito elevadas (acima de 200 graus Celsius) e precisam ser direcionados para o alto e, possivelmente, resfriados, para evitar acidentes caso entre em contato com pessoas e equipamentos próximos. Isto é conseguido com um sistema de exaustão (chaminé). A chaminé tem ainda a função de dirigir os gases de exaustão para longe da entrada de ar da turbina a gás para evitar que haja ingestão dos gases quentes pelo compressor da máquina motriz, o que causaria problemas de funcionamento da mesma. A potencia produzida pela maquina motriz turbina a gás depende diretamente da quantidade de massa de ar que consegue ser succionado e bombeado pelo compressor. Essa quantidade é influenciada negativamente pela elevação da Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 18 temperatura do ar ambiente, causando perda considerável da capacidade de produção de potência de eixo. Para garantir que possa produzir continuamente a potência nominal especificada é essencial que um sistema de controle da temperatura do ar que é succionado pelo compressor seja incorporado à máquina motriz. Para que a câmara de combustão da turbina a gás funcione adequadamente, ela precisa ser projetada para que, numa de suas regiões, aconteça a combustão estequiométrica, isto é, nessa região haja o número exato de átomos de oxigênio que é necessário para queimar todo o combustível injetado na câmara de combustão. Nessa zona, a temperatura dos gases produtos da combustão é elevada a valores acima de 2.000 graus Celsius. A essas temperaturas o nitrogênio contido no ar também reage com o oxigênio, formando óxidos de nitrogênio que são poluentes do meio ambiente e precisam ser minimizados. Uma forma de reduzir a formação desses poluentes é o abaixamento da temperatura da queima do combustível. Isto é feito injetando se água ou vapor de água na câmara de combustão. Tornase, então, essencial a existência de um sistema de injeção de água/vapor de água na câmara de combustão se for requerido o controle da emissão de NOx. Outro modo é projetando a câmara de combustão para que opere com regiões de mistura e temperatura que reduzam á geração de NOx, eliminando a necessidade de injeção de água/vapor. Dessa minuciosa descrição, já consigo concluir: tudo aquilo que concorra para que os três elementos básicos compressor, câmara de combustão e turbina exerçam continuamente as funções que lhes são próprias, de modo a entregar ao gerador a energia cinética nas condições que este requer para convertêla em energia elétrica deve ser entendido como essencial ao funcionamento do grupo eletrogêneo no sentido antes definido. Aí se enquadram, pois além do compressor, da câmara de combustão e da turbina propriamente ditos as válvulas de sangria de ar; os mancais e seu sistema de lubrificação; o sistema de bombeamento e atomização de combustível; o sistema de compressão do gás combustível; o(s) sistema(s) de controle; os filtros de ar e o sistema de exaustão. Por outro lado, não cumprem, a meu ver, tal papel embora nominalmente mencionados no laudo o sistema de controle da temperatura do ar e o sistema de injeção de água/vapor d'água, que apenas otimizam o funcionamento do conjunto como um todo, evitando a formação de poluentes e variações na potência fornecida, o que, de nenhum modo, porém, impede o funcionamento do conjunto. Já no que tange às turbinas a vapor, consta do Parecer Técnico do ITA: É importante destacar que, quando se faz referência ao termo turbina a vapor, devese ter em mente que se refere a todos os componentes que compõem a máquina motriz, para que opere segundo o ciclo térmico previsto (ciclo Rankine). É comum utilizar esse termo tanto no sentido da máquina motriz em sua totalidade como para se referir apenas ao equipamento onde se processa a expansão do vapor para gerar potência de eixo (turbina). Dessa máquina motriz devem ser considerados, além da turbina (a vapor) propriamente dita: a caldeira, o condensador, as bombas, o tanque de alimentação de água (condensado), o desaerador, os sistemas de combustível e o de lubrificação, para citar os componentes mais comumente conhecidos. Sem eles essa máquina motriz simplesmente não funciona. Algo semelhante acontece com as turbinas a gás. Turbina a gás significa, além da turbina propriamente dita, o Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.998 19 compressor, a câmara de combustão e uma série de outros componentes e equipamentos essenciais. Tais observações, entretanto, conflitam com aquilo que sobre elas consta nas NESH (posição 84.06): Esta posição engloba as turbinas a vapor que utilizam energia cinética produzida pela expansão do vapor, que exerce a sua força sobre as pás ou aletas de uma roda. Estas turbinas compreendem essencialmente: 1) Um corpo giratório, ou rotor, constituído por uma ou várias rodas solidárias num mesmo eixo, guarnecidas na periferia de uma coroa de pás ou de aletas especialmente perfiladas e orientadas. 2) Um envoltório fixo, ou estator, no qual gira o rotor; o estator, que constitui um outro órgão distribuidor, comporta um sistema de bicos injetores ou lâminas estacionários para dirigir o vapor sobre o sistema de pás ou de aletas do rotor. Nas turbinas “de impulsão” o estator é simplesmente provido de bicos injetores dispostos de modo a dirigir tangencialmente os jatos de vapor sobre as pás do rotor. Nas turbinas “de reação”, as aletas do rotor movimentamse paralelamente ao disco fixo do estator que por sua vez é provido de um sistema concordante de aletas, mas inclinado em sentido inverso, de modo a fazer reagir de encontro às aletas do rotor o fluxo de vapor dirigido de acordo com o eixo da turbina. Seção XVI 84.06/07 Para aproveitar mais completamente a energia, estes dois tipos de turbinas são às vezes combinados, mas, com mais freqüência ainda, forçase o vapor a se expandir progressivamente por uma série de rotores sucessivos fixos num mesmo eixo (turbinas de tambor, turbinas multicelulares ou escalonadas). As altas velocidades rotacionais alcançadas por estas turbinas tornamnas particularmente próprias para acionar diretamente geradores elétricos (turboalternadores), compressores, ventiladores ou bombas centrífugas. Quando utilizadas para fazer funcionar outras máquinas, as turbinas a vapor são geralmente equipadas com órgãos redutores de velocidade e, freqüentemente também, com inversores de marcha; a principal destas últimas utilizações é a propulsão de grandes embarcações ou de algumas locomotivas. Apresentados isoladamente, os redutores de velocidade e os inversores de marcha incluemse na posição 84.83. Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 20 As turbinas a vapor de mercúrio, cuja estrutura e utilizações são análogas às das turbinas a vapor de água, classificamse também nesta posição. De concluir, pois, que ficam de fora os processos que antecedem a efetiva utilização do vapor, isto é sua produção e, por consequência, os elementos (caldeira) em que eles ocorrem assim como os combustíveis aí utilizados, bem como os sistema atinentes a estes últimos. E é isso que se observa na descrição que o laudo em seguida proporciona acerca do funcionamento do sistema completo, que compreende, como dito, tanto a caldeira, quanto o condensador, as bombas, o tanque de alimentação de água (condensado), o desaerador, os sistemas de combustível e o de lubrificação. Não ocorrendo tais processos, no entanto, naquilo que as NESH designam como turbina, impossível aceitálos como essenciais no sentido que acima defini. Registro que os outros dois laudos não diferem em suas conclusões do aqui repetidamente citado. Admitidos, pois, tais sistemas como essenciais, o passo seguinte é vinculálos aos itens que integraram a autuação, tarefa que não resulta assim tão fácil pelo fato de a descrição no auto de infração não ser sempre muito clara e não ser ela tampouco melhorada com o recurso especial do contribuinte. Isso não obstante, consegui vincular os seguintes itens/materiais que haviam sido excluídos pela autoridade responsável pelo lançamento. Para viabilizar a execução desta decisão, a eles me refiro na nomenclatura adotada pela autoridade autuante no Relatório Fiscal (RF) de fls. 102/128, indicando a correlação que consegui fazer com os esclarecimentos técnicos constantes dos laudos: DESCRIÇÃO NO RF ITEM PLANILHA DE FLS NATUREZA SISTEMAS ELÉTRICOS E DE CONTROLE 1 313/314 SISTEMA DE CONTROLE COMPRESSOR 3 313/314 COMPRESSOR SISTEMA DE EXAUSTÃO 4 313/314 SISTEMA DE EXAUSTÃO CÂMARA DE COMBUSTÃO 6 313/314 CÂMARA DE COMBUSTÃO FILTRO DE AR 7 313/314 SISTEMA DE ADMISSÃO COM FILTROS DE AR BOMBAS DE ÓLEO 11 313/314 SISTEMA DE BOMBEAMENTO E ATOMIZAÇÃO DE COMBUSTÍVEL BOMBAS DE ALIMENTAÇÃO 17 313/314 SISTEMAS DE BOMBEAMENTO E ATOMIZAÇÃO DE Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10074.000655/200671 Acórdão n.º 9303003.872 CSRFT3 Fl. 2.999 21 COMBUSTÍVEL COMPRESSOR 2 311/312 COMPRESSOR SISTEMA DE EXAUSTÃO 3 311/312 SISTEMA DE EXAUSTÃO SISTEMA DE CONTROLE 6 311/312 SISTEMA DE CONTROLE SISTEMA DE EXAUSTÃO 1 309/310 SISTEMA DE EXAUSTÃO SISTEMA DE CONTROLE 5 309/310 SISTEMA DE CONTROLE SISTEMA HIDRÁULICO DE ÓLEO LUBRIFICANTE 9 309/310 SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO SISTEMA DE EXAUSTÃO 8 290/308 SISTEMA DE EXAUSTÃO SISTEMA DE BOMBAS DE ÓLEO 9 290/308 SISTEMA DE BOMBEAMENTO E ATOMIZAÇÃO DE COMBUSTÍVEL SISTEMA DE ÓLEO DE LUBRIFICAÇÃO 12 276/289 SISTEMA DE LUBRIFICAÇÃO SISTEMA DE EXAUSTÃO 19 276/289 SISTEMA DE EXAUSTÃO Para eles, votei pelo provimento do recurso, tendo sido acompanhado pela maioria. E este é o acórdão que fui incumbido de redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720699/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO. AFASTAMENTO. LEGALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal (STJ) na decisão proferida nas ADIns 2390, 2386, 2397 e 2859, entendeu pela legalidade do afastamento do sigilo bancário, já que não se trata de quebra de sigilo, mas de uma transferência dos bancos ao Fisco.
CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL.
O fato de a contribuinte ter informado em sua Declaração de Ajuste receita com atividade rural, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referem-se a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que a contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias.
DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROVA DA ORIGEM. EXTRATO BANCÁRIO.
Quando o próprio extrato bancário indica a origem do depósito bancário não há a omissão de rendimentos em decorrência de depósito bancário de origem não comprovada. Assim, devem ser excluídas do lançamentos as parcelas correspondentes a origens de recursos comprovadas por meio de documentação hábil.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 48.000,00. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator) e Carlos Alberto Mess Stringari que negavam provimento e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) dava provimento em maior extensão. Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Quadros Pierre. O Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pela contribuinte o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ: 45.196. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
Assinado Digitalmente
Carlos Cesar Quadros Pierre Redator Designado.
EDITADO EM: 16/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. AFASTAMENTO. LEGALIDADE. O Supremo Tribunal Federal (STJ) na decisão proferida nas ADIns 2390, 2386, 2397 e 2859, entendeu pela legalidade do afastamento do sigilo bancário, já que não se trata de quebra de sigilo, mas de uma transferência dos bancos ao Fisco. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a contribuinte ter informado em sua Declaração de Ajuste receita com atividade rural, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referem-se a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que a contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROVA DA ORIGEM. EXTRATO BANCÁRIO. Quando o próprio extrato bancário indica a origem do depósito bancário não há a omissão de rendimentos em decorrência de depósito bancário de origem não comprovada. Assim, devem ser excluídas do lançamentos as parcelas correspondentes a origens de recursos comprovadas por meio de documentação hábil. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 48.000,00. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator) e Carlos Alberto Mess Stringari que negavam provimento e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) dava provimento em maior extensão. Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Quadros Pierre. O Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pela contribuinte o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ: 45.196. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. Assinado Digitalmente Carlos Cesar Quadros Pierre Redator Designado. EDITADO EM: 16/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
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AFASTAMENTO. LEGALIDADE. O Supremo Tribunal Federal (STJ) na decisão proferida nas ADIns 2390, 2386, 2397 e 2859, entendeu pela legalidade do afastamento do sigilo bancário, já que não se trata de quebra de sigilo, mas de uma transferência dos bancos ao Fisco. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 06 99 /2 01 0- 26 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 O fato de a contribuinte ter informado em sua Declaração de Ajuste receita com atividade rural, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que a contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROVA DA ORIGEM. EXTRATO BANCÁRIO. Quando o próprio extrato bancário indica a origem do depósito bancário não há a omissão de rendimentos em decorrência de depósito bancário de origem não comprovada. Assim, devem ser excluídas do lançamentos as parcelas correspondentes a origens de recursos comprovadas por meio de documentação hábil. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 48.000,00. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente e Relator) e Carlos Alberto Mess Stringari que negavam provimento e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) dava provimento em maior extensão. Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Quadros Pierre. O Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pela contribuinte o Dr. Remis Almeida Estol, OAB/RJ: 45.196. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. Assinado Digitalmente Carlos Cesar Quadros Pierre – Redator Designado. EDITADO EM: 16/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Fl. 314DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.720699/201026 Acórdão n.º 2201003.156 S2C2T1 Fl. 3 3 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/10, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 525.724,68. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório da Conselheira Nathália Mesquita Ceia, verbis: Indevida quebra do sigilo bancário por ausência de autorização judicial. Cerceamento do direito de defesa por imprecisão do enquadramento legal e ausência à resposta da última correspondência encaminhada pela Contribuinte. O lançamento com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser efetuado mensalmente e o imposto apurado é definitivo. A decadência dos lançamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2005. O exercício da atividade rural está devidamente comprovado. Há erros no levantamento dos depósitos em duplicidade e as notas fiscais apresentadas se prestam a comprovar a origem dos depósitos. A 4ª Turma da DRJ/JFA julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade, uma vez que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício. SIGILO BANCÁRIO. PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A legislação em vigor autoriza o Fisco a solicitar diretamente às instituições financeiras informações referentes à movimentação bancária de seus clientes mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, desde que haja procedimento de fiscalização em curso e esta seja precedida de intimação ao sujeito passivo, sendo desnecessária a autorização judicial prévia. IRPF. TRIBUTAÇÃO. AJUSTE ANUAL. Nos termos da legislação em vigor, ocorre a apuração mensal dos rendimentos omitidos, sendo o somatório desses sujeitos à Fl. 315DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 tributação anual, ou seja, o montante da omissão apurada compõe a base de cálculo do IRPF na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A tributação das pessoas físicas sujeitase ao ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, no caso, o lançamento é por homologação. Na hipótese de pagamento de imposto, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Na ausência de pagamento, o prazo decadencial tem seu início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei 9.430/96, a partir de 1/1/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Excluemse do lançamento os valores relativos a depósitos originados em rendimentos espontaneamente declarados. Excluemse também os valores relativos a créditos considerados em duplicidade no levantamento do imposto devido. TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE. Somente com a apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem que a omissão de receita foi proveniente da atividade rural, é possível efetuar a tributação com base nas regras próprias desta atividade. A conclusão do julgado de primeira instância foi, em síntese, no seguinte sentido: ... cabendo eximir a interessada apenas do pagamento das parcelas do crédito tributário especificadas nos itens “DOS ERROS NO LEVANTAMENTO. DEPÓSITOS EM DUPLICIDADE” e “DEPÓSITOS COMPROVADOS. NOTAS FISCAIS ANEXAS”. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 11/04/2013 (fl. 211) e interpôs o recurso de fls. 213 e seguintes, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. O processo em apreço foi incluído na pauta do dia 07 de outubro de 2014 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2201000.187, decidiram converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora informe a data do protocolo do Recurso Voluntário de fls. 213 e seguintes, em razão de sua ilegibilidade. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.720699/201026 Acórdão n.º 2201003.156 S2C2T1 Fl. 4 5 Concluída a diligência, a autoridade preparadora pronunciouse por meio de Declaração, fl. 303, que a data de interposição do Recurso Voluntário foi dia 10/05/2013. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2005. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitadas pela recorrente. Quanto à alegada quebra ilegal do sigilo bancário, diferentemente do que defende a contribuinte, o art. 6º da Lei Complementar n° 105/2001 autoriza o fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Portanto, não é ilegal o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, conforme entendimento deste Órgão expresso por meio da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) Ressaltese que em recente decisão proferida pelo pleno do Supremo Tribunal Federal nas ADIns 2390, 2386, 2397 e 2859, o STF entendeu pela legalidade do afastamento do sigilo bancário, já que não se trata de quebra de sigilo, mas de uma transferência dos bancos ao fisco. Portanto, válida a intimação e o uso de informações sobre movimentação financeira para a constituição do crédito tributário. No que toca à alegação de cerceamento do direito de defesa por suposta imprecisão do enquadramento legal, verificase que a tese não merece acolhimento. Na verdade, a exigência fiscal levada a efeito encontrase alicerçada nos preceitos legais, o que confere liquidez e certeza ao crédito tributário apurado, que só poderá ser elidida mediante prova em sentido contrário. No Auto de infração, constante às fls. 02/10, bem como no Relatório Fiscal às fls. 29/43 são mencionados os dispositivos legais infringidos, bem como discriminados os valores da exigência fiscal. Ademais, a autuação é extremamente habitual e simples, pois se trata omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, alicerçada no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 ou art. 849 do RIR/1999. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Assim, ausente prejuízo à defesa e preenchidos os preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. No que tange à alegação de cerceamento do direito de defesa, por ausência de resposta à última correspondência enviada pela requerente, entendo, novamente, que a questão não merece prosperar. Relativamente à matéria, acompanho integralmente a decisão recorrida no sentido de que “....não constam dos presentes autos quaisquer elementos que comprovem a solicitação de esclarecimentos dirigida à instituição financeira. Também não restam dúvidas de que o responsável por prestar informações acerca das citadas rubricas é o Banco do Brasil, emitente dos extratos bancários em análise”. Sobre a alegação de erros no levantamento, além de depósitos em duplicidade, como a matéria se confunde com o mérito, com ele será tratada. Em relação à alegação de que o lançamento com fundamento no art. 42 da lei n° 9.430/1996 deve ser feito mensalmente, além de decadência dos fatos geradores ocorridos até 30/11/2005, O CARF já se manifestou no sentido de que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, consoante se extrai da Súmula vinculante nº 38, cujo entendimento é obrigatório em termos regimentais: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim sendo, o fato gerador referente ao anocalendário de 2005 se aperfeiçoou em 31 de dezembro de 2005. Contados cinco anos a partir de dessa data, o lançamento decairia em 31/12/2010. Como a ciência da exação ocorreu em 14/12/2010, fl. 03, crédito tributário não havia sido atingido pela decadência. No mérito, cumpre novamente trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Passando às questões pontuais de mérito, alega a suplicante que os valores movimentados são decorrentes exclusivamente da atividade rural, conforme notas fiscais carreadas. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.720699/201026 Acórdão n.º 2201003.156 S2C2T1 Fl. 5 7 De inicio, verificase que a recorrente, além da atividade rural, recebeu recursos de outras atividades, conforme se observa da DIRPF às fls. 11/17. Assim, não é possível aceitar a alegação de que todo seu movimento bancário seja procedente dessa atividade. Ademais, como bem pontuou a autoridade recorrida, o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre a contribuinte, não bastando indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Ainda há de se levar em conta que o § 5° do art. 61 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, determina que as receitas advindas da atividade rural devem ser comprovadas por documentos usualmente utilizados nessas negociações, uma vez que se trata de tributação mais benéfica ao contribuinte. Art. 61 (...) § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Portanto, como a presunção só pode ser ilidida com prova da origem dos créditos, não há como considerar que todo movimento bancário advém da atividade rural para fins de aplicação de 20% da receita bruta. Ressaltese que a decisão de primeira instância já excluiu da exigência as notas fiscais emitidas nos meses de abril, junho e julho. Transcrevese trecho da decisão a quo: DEPÓSITOS COMPROVADOS. NOTAS FISCAIS ANEXAS: Tendo em vista as peculiaridades que cercam o desempenho da atividade rural, o fato de a contribuinte ter declarado rendimentos advindos desta atividade (dados e identificação do imóvel explorado, receitas e despesas e movimentação do rebanho), bem como a propriedade/posse de imóveis rurais, é plausível admitir que as notas fiscais apresentadas junto à impugnação (fls. 175 a 190), emitidas pela autuada e pelo co correntista, Márcio Malafaia Aredes, referentes à venda de garrotes, são documentos hábeis a comprovar a origem dos depósitos listados na tabela de fl. 174 elaborada pela impugnante. Notese que as receitas e as despesas da atividade rural informadas na DIRPF revisada não foram objeto de contestação por parte do autuante, tanto que a base de cálculo declarada foi considerada para fins de apuração do imposto devido nos autos. Em assim sendo, cabe a retificação dos valores tributáveis relativos aos meses de abril, junho e julho (período de emissão das notas fiscais), conforme tabela a seguir (valores em reais): Fl. 319DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 (...) Ressaltese que os créditos de origem comprovada, que somam R$ 112.610,00, foram excluídos, já que declarados espontaneamente, sujeitandose ao ajuste anual na DIRPF fiscalizada. Isto posto, deverá a contribuinte ser eximida do pagamento do imposto correspondente a R$ 30.967,75 (27,5% x 112.610,00), bem como de seus consectários legais. Por fim, alega genericamente a recorrente a ocorrência de erros no levantamento da fiscalização, além de depósitos em duplicidade. Novamente, não colhe melhor sorte a contribuinte. Analisando detidamente os autos, verificase que a autoridade recorrida já excluiu da exigência os valores tidos como indevidos. Confirase: DOS ERROS NO LEVANTAMENTO. DEPÓSITOS EM DUPLICIDADE. A análise dos autos revela ser pertinente a alegação da impugnante de que “... há vários Históricos indicando ‘Depósito cheque liberado’ e ‘Desbloqueio de depósito’ com absoluta coincidência de datas e valores, deixando claro que as duas coisas são uma só!”. Deste modo, no intuito de evitar a cobrança sobre valores em duplicidade, em cada “dupla” dos citados históricos, cabe a tributação apenas sobre um, devendo ser excluídos os valores que se seguem: (...) Em virtude do exposto, deverá a contribuinte ser eximida do pagamento do imposto correspondente a R$ 35.477,88 (27,5% x 129.010,49), bem como de seus consectários legais. Ademais, compulsandose à relação dos créditos de origem não comprovada, fls. 37/43, não foi possível identificar depósitos em duplicidade, além daqueles excluídos pela autoridade recorrida. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Quadros Pierre, Redator Designado Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto a parte da questão de mérito. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.720699/201026 Acórdão n.º 2201003.156 S2C2T1 Fl. 6 9 Conforme se verifica nos autos, o Ilustre Conselheiro Relator entendeu que restaria não comprovada as origens dos depósitos ainda em litígios. Contudo, ouso discordar deste entendimento e penso que a origem do depósito do dia 02/12/2015, no valor de R$48.000,00, conforme doc. de pág. 43 dos autos, restou comprovada ainda no decorrer do procedimento fiscal. É que o próprio extrato bancário, e a lista de depósitos fornecida pela fiscalização, já informa que o depósito do dia 02/12/2015, no valor de R$48.000,00, se refere a um empréstimo obtido pelo contribuinte junto a instituição bancária. Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entendese como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa." Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. No presente caso, a documentação apresentada pela própria fiscalização explica, no meu entendimento, o depósitos realizado. Deste modo, entendo como justificado o depósito bancário no valor de R$48.000,00. Razão pela qual não há que se falar, em relação a este depósito, em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Portanto, cabe à autoridade lançadora implementar o disposto no §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e não a autoridade julgadora sob pena de fazer um novo lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$48.000,00. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Declaração de Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, Suplente Convocado. A Recorrente, além da atividade rural recebeu recursos de outras fontes conforme apontado no lançamento e que restou sem comprovação de origem no confronto dos valores constantes nos extratos bancários utilizados como fonte de informação do trabalho fiscal. A constatação, com base nos autos, é de que a parte que corresponde à atividade rural do contribuinte no período foi reconhecida e tratada tributariamente como atinente àquela atividade. Resta, porém, tratar aqui especificamente a parte que corresponde à omissão de rendimentos caracterizada como depósitos bancários de origem não comprovada ocorrida no anocalendário em análise. Neste item, particularmente, a Recorrente alega, desde a origem, que foram computados todos os valores constantes dos extratos da conta bancária, sem a devida análise do enunciado do lançamento correspondente ao crédito de valores, incorrendo o levantamento fiscal em erro por duplicidade de valores que correspondiam ao mesmo depósito bancário. Em relação a tais valores em duplicidade no levantamento, verificase que a autoridade recorrida excluiu da exigência os valores tidos como indevidos, e identificados nos termos da decisão como somente aqueles, “com absoluta coincidência de datas e valores”. (grifei). “DOS ERROS NO LEVANTAMENTO. DEPÓSITOS EM DUPLICIDADE. A análise dos autos revela ser pertinente a alegação da impugnante de que “... há vários Históricos indicando ‘Depósito cheque liberado’ e ‘Desbloqueio de depósito’ com absoluta coincidência de datas e valores, deixando claro que as duas coisas são uma só!”. Deste modo, no intuito de evitar a cobrança sobre valores em duplicidade, em cada “dupla” dos citados históricos, cabe a tributação apenas sobre um, devendo ser excluídos os valores que se seguem: (...) Em virtude do exposto, deverá a contribuinte ser eximida do pagamento do imposto correspondente a R$ 35.477,88 (27,5% x 129.010,49), bem como de seus consectários legais.” (grifei). Com esse procedimento a autoridade recorrida excluiu da base de cálculo somente parte dos valores em duplicidade, porque muitos deles, como usual nas operações bancárias, os depósitos feitos em cheques não são creditados no mesmo dia e permanecem bloqueados por tempo variável de 1, 2, 3, 4 e até 5 dias, como pode ser verificado nas fls. 222 a 278 do processo. Se tomado como exemplo os lançamentos da fl. 222, pode se observar que o primeiro lançamento tem o código 505 e histórico “depósito em cheque liberado”, que equivale dizer que a operação corresponde a depósito efetivo que em dias anteriores figurou com o Fl. 322DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10640.720699/201026 Acórdão n.º 2201003.156 S2C2T1 Fl. 7 11 histórico de “depósito bloqueado por ‘X’ dias úteis”. O segundo lançamento da fl. 222, com o código 513, corresponde a “depósito bloqueado 3 dias úteis”. O terceiro lançamento da fl. 222, com o código 515, corresponde a “depósito bloqueado 5 dias úteis”, todos, para liberação posterior, no todo ou em parte, conforme a qualidade dos cheques depositados. Os depósitos em cheques são posteriormente confirmados como depósitos liberados ou estornados, nestes últimos casos não se configurando em depósitos efetivos. Outro elemento a considerar é o que ocorre quando da devolução do cheque que antes teria constado como depósito, mas que foi estornado por insuficiência de fundos ou outro motivo que o tenha invalidado. Exemplo desta ocorrência são os lançamentos iniciais da fl. 223 cujo código bancário da operação é 114, e o histórico consta como “Devolução cheque depositado”. Desta forma, os valores que constam como 'estorno de depósito e devolução de cheque depositado' devem ser subtraídos do valor total dos depósitos efetuados em datas anteriores para que seja eliminada a dupla contagem no levantamento fiscal. De outra forma, para o mesmo entendimento e mesmo resultado deverseia considerar somente os históricos de “depósito, depósito em cheque liberado e desbloqueio de cheque”, para a obtenção da real exatidão dos valores a serem lançados. Com efeito, para a determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente e por seu efetivo ingresso definitivo, excluindose os valores transitórios ou temporários a qualquer título, conforme antes exemplificado. Descabe aqui atribuir o ônus dessa prova exclusivamente sobre a contribuinte que apontou desde o nascedouro do lançamento a ocorrência de duplicidade de valores, especialmente pelo demonstrado nas fls. 222 a 278, em relação aos movimentos bancários constantes dos extratos. Por derradeiro, cabe ressaltar o que determina o CTN, em seu art. 142, nos seguintes termos: “Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.”. Ao que acrescento: “calcular o montante do tributo devido”, com a real exatidão para a consecução da higidez do lançamento tributário. Por todo o exposto, voto no sentido de excluir da base de cálculo todos os valores em duplicidade computados como omissão de rendimentos com depósitos bancários de origem não comprovada no anocalendário em análise, mais o valor de R$ 48.000,00, que corresponde a ingresso de empréstimo bancário e não rendimento omitido. Neste sentido, voto por dar Parcial Provimento ao recurso, pelas razões acima esposadas. Assinado Digitalmente José Alfredo Duarte Filho Fl. 323DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06 /2016 por JOSE ALFREDO DUARTE FILHO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PI ERRE, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13830.722430/2013-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. RETENÇÃO NA FONTE. RESTITUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. RETENÇÃO NA FONTE. RESTITUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 24 30 /2 01 3- 88 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722430/201388 Acórdão n.º 2402005.244 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por YASUO ASHIKAGA, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora negado pedido de restituição do imposto retido na fonte sobre a parcela do décimo terceiro salário no ano de 2008. O pedido de restituição decorre do fato do recorrente considerarse como portador de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda, o que não restou comprovado, em razão dos motivos a seguir elencados. Consta dos autos que quando da entrega de sua DIRPF original o contribuinte informou o total dos rendimentos recebidos do INSS como sendo rendimentos tributáveis, sendo que, ao apresentar a Declaração Retificadora em 02/07/2013, passou a informar parte dos rendimentos como isentos e não tributáveis, em razão de ter obtido declaração médica oficial o considerando como portador de cardiopatia grave. Também se apura dos autos, que às fls. 62, o médico Dr. André Fernando Teixeira Coelho Filho, subscritor do laudo pericial oficial que atestou a existência de cardiopatia grave no autor desde 20/07/2008, veio a ser intimado pela Secretaria da Receita Federal, a confirmar as conclusões de seu laudo, diante da realização de uma angioplastia em 20/08/2008, emitido pelo médico Dr. Pedro Beraldo de Andrade. Ademais o médico também foi intimado a esclarecer se tinha conhecimento da realização de tal procedimento. Em resposta, o médico intimado afirmou que após o procedimento de angioplastia, a lesão no coração do contribuinte diminuiu para menos de 5% e, por este motivo, o mesmo não mais poderia ser considerado como portador de uma lesão GRAU III ou IV, mas de GRAU I ou II, situações que não se enquadrariam no conceito de cardiopatia grave. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que é portador de cardiopatia grave, o que foi atestado por 02 (dois) médicos peritos do INSS, além de outros 03 laudos médicos, dois subscritos por especialista cardiologista e outro subscrito por médico de serviço médico oficial estadual; 2. que somente um dos peritos que subscreveram a perícia oficial realizada é que mudou as suas conclusões do contribuinte ser possuidor de cardiopatia grave; 3. que é desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para a concessão da isenção do imposto de renda, bastando, para tanto, a apresentação de laudos que comprovem a cardiopatia grave; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 4. diante da contradição de laudos, deve prevalecer o entendimento mais favorável ao contribuinte; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722430/201388 Acórdão n.º 2402005.244 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de cardiopatia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Pois bem, o não reconhecimento do autor se portador de cardiopatia grave, decorreu do fato de que um dos médicos subscritores do laudo pericial oficial, quando intimado pela SRFB, veio a apresentar declaração no sentido de que a realização de um procedimento de angioplastia em 20/08/2008 trouxe melhora no quadro de saúde do autor, que ainda possuía Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 cardiopatia, mas não mais uma cardiopatia grave, em decorrência das lesões no coração terem diminuído para menos de 5%. Em face da mudança de entendimento, o recorrente trouxe aos autos outros laudos médicos, sendo um deles, subscrito por serviço médico oficial, cujo avaliador foi o Dr. José Dorivaldo Zaia. Os demais laudos foram subscritos por médicos particulares. A DRJ entendeu por afastar os argumentos do contribuinte pois entendeu que o laudo médico realizado pelo Dr. André, perito do INSS deveria prevalecer sobre os demais, tendo em vista que é realizado com a observância de metodologia específica, observando os critérios do Manual de Perícias, a seguir elencados: “4. CONCEITUAÇÃO: 4.1 Para o entendimento de cardiopatia grave tornase necessário englobaremse no conceito todas as doenças relacionadas ao coração, tanto crônicas, como agudas. 4.2 São consideradas Cardiopatias Graves: a) as cardiopatias agudas, que, habitualmente são rápidas em sua evolução, tornaremse crônicas, caracterizando uma cardiopatia grave, ou as que evoluírem para o óbito, situação que, desde logo, deve ser considerada como cardiopatia grave, com todas as injunções legais; b) as cardiopatias crônicas, quando limitarem, progressivamente, a capacidade física, funcional do coração (ultrapassando os limites de eficiência dos mecanismos de compensação) e profissional, não obstante o tratamento clínico e/ou cirúrgico adequado, ou quando induzirem à morte prematura. 4.3 A limitação da capacidade física, funcional e profissional é definida habitualmente, pela presença de uma ou mais das seguintes síndromes: a) insuficiência cardíaca; b) insuficiência coronária; c) arritmias complexas; d) hipoxemia e manifestações de baixo débito cerebral secundárias a uma cardiopatia. 4.4 A avaliação da capacidade funcional do coração permite a distribuição dos pacientes em Classes ou Graus, assim descritos: a) GRAU I Pacientes portadores de doença cardíaca sem limitação para a atividade física. A atividade física normal não provoca sintomas de fadiga acentuada, nem palpitações, nem dispnéias, nem angina de peito; b) GRAU II Pacientes portadores de doença cardíaca com leve limitação para a atividade física. Estes pacientes sentemse bem Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722430/201388 Acórdão n.º 2402005.244 S2C4T2 Fl. 5 7 em repouso, porém os grandes esforços provocam fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito; c) GRAU III Pacientes portadores de doença cardíaca com nítida limitação para a atividade física. Estes pacientes sentem se bem em repouso, embora acusem fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito, quando efetuam pequenos esforços; d) GRAU IV Pacientes portadores de doença cardíaca que os impossibilitam de qualquer atividade física. Estes pacientes, mesmo em repouso, apresentam dispnéia, palpitações, fadiga ou angina de peito. 6. NORMAS DE PROCEDIMENTO: 6.1 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus III ou IV da avaliação funcional descrita no item 4.4 destas Normas serão considerados como portadores de Cardiopatia Grave. 6.2 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus I e II da avaliação funcional do item 4.4 destas Normas, e que puderem desempenhar tarefas compatíveis com a eficiência funcional, somente serão considerados incapazes por Cardiopatia Grave, quando, fazendo uso de terapêutica específica e depois de esgotados todos os recursos terapêuticos, houver progressão da patologia, comprovada mediante exame clínico evolutivo e de exames subsidiários. 6.2.1 A idade do paciente, sua atividade profissional e a incapacidade de reabilitação são parâmetros que devem ser considerados na avaliação dos portadores de lesões citadas no item 6.2. Em que pesem os argumentos dos julgadores de primeira instância, tenho outro entendimento quanto ao presente caso. Fato é que este julgador carece do conhecimento técnico suficiente a diferenciar uma cardiopatia grave, de uma simples cardiopatia. E é exatamente por isso, que tal incumbência é reservada aos médicos oficiais do Estado, conforme prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, não vislumbrei que o médico Dr. Mario Katsutani Sobrinho, também subscritor do laudo inicialmente utilizado pelo contribuinte a justificar a Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 cardiopatia grave, também tenha sido intimado manifestarse sobre a necessidade de ratificação de suas conclusões quanto ao diagnóstico de cardiopatia grave, mesmo após a realização da angioplastia. Creio que a sua intimação deveria ser medida imperiosa a ser tomada pela Secretaria da Receita Federal, considerando que subscreveu o laudo em conjunto com o Dr. André, médico que retificou o seu diagnóstico. Em não tendo sido intimado ou provocado a sustentar ou não suas conclusões, tenho que a respeitável mudança de entendimento do médico, Dr. André, não pode ser simplesmente estendida ao médico não intimado, de modo que, a meu ver, num primeiro momento, devo considerar como válida a conclusão inicial sobre o assunto do Dr. Mário. Ademais, o contribuinte trouxe aos autos outro laudo oficial, que se adequa ao disposto na IN/SRF nº 15, de 2001, o qual, já considerando a realização da angioplastia, entendeu que o mesmo é portador de cardiopatia grave desde 20/08/2008. Assim, das provas coligidas as autos, verifico que da manifestação de 03 (três) médicos oficiais, ainda existem duas conclusões pelo diagnóstico de que o recorrente é portador de cardiopatia grave, considerando, ademais, que o laudo mais recente atesta a existência da moléstia grave. Assim, não vejo como deixar de considerar os argumentos trazidos no recurso voluntário. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o direito creditório do recorrente. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 13896.002546/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de sobrestamento do processo por prejudicialidade. Os autos devem ser remetidos à Secretaria da Câmara para aguardar decisão relativa à conexão com o processo nº 13896.002692/2007-10.
(Documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - PRESIDENTE
(Documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de sobrestamento do processo por prejudicialidade. Os autos devem ser remetidos à Secretaria da Câmara para aguardar decisão relativa à conexão com o processo nº 13896.002692/200710. (Documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO PRESIDENTE (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 02 54 6/ 20 07 -9 4 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 530 ___________ No caso em tela, este Relator se tornou prevento ao ser sorteado para julgar os presentes autos, tendo em vista que os autos do processo administrativo nº 13896.002692/200710 sequer foram distribuídos. Nesse sentido é a redação do artigo 6º do Regimento Interno desta E. Corte, consoante a seguir: Tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Barueri em 18/12/2007 visando a cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor total de R$ 10.140.828,13 referente ao ano calendário de 2002 em decorrência das estimativas de 11/2002 e 12/2002 destinadas ao FINAM não terem sido reconhecidas como aplicação em incentivo fiscal pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e o Recorrente devidamente intimado deixou de apresentar o PERC Pedido de Revisão de Ordem em Incentivos Fiscais. Inconformada o contribuinte foi notificado em 18/12/2007 e apresentou impugnação em 15/01/2007,aduzindo, em síntese, o que se segue: O aludido Auto de Infração e Imposição de Multa deve ser integralmente cancelado, porquanto o único pressuposto fático que deu ensejo a sua lavratura, que era a alegada inexistência de PERC, não mais persiste, uma vez que o referido documento foi tempestivamente apresentado em 28/12/2007. A fiscalização não se ateve aos fundamentos que ensejaram o não reconhecimento da destinação da parcela do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ao FINAM, nem tampouco existem irregularidades no Termo de Verificação e Constatação que impliquem no seu não reconhecimento. A apresentação do PERC necessário à concessão do incentivo fiscal foi dentro do prazo legal aplicável, mesmo ocorrendo após a lavratura do Auto de Infração e Imposição de Multa, nos termos em que reconhecido pela jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ademais, aduziu que as irregularidades presentes no momento do protocolo daquele já foram devidamente sanadas. Subsidiariamente, pediu o sobrestamento dos presentes autos até que seja julgado em definitivo o PERC, em julgamentos nos autos do Processo Administrativo nº 13896.002692/200710, reproduzindo ementas de acórdãos que admitem o sobrestamento da apreciação do processo administrativo por aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. Em relação a estimativa de IRPJ do período de novembro de 2002 arguiu a decadência nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN, uma vez que o auto de infração só foi lavrado em 18/12/2007. A ausência de previsão legal passível de exigir juros moratórios sobre multa de ofício proporcional lançada, sob o argumento de que o artigo 161 do Código Tributário Nacional somente prevê tal incidência sobre o crédito tributário,compreendido pelo tributo em si, obrigação principal, e penalidades pecuniárias consubstanciadas em obrigação principal, isto é, lançadas isoladamente nos termos do artigo 43 da Lei nº 9.430/96. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 13896.002546/200794 Resolução nº 1201000.169 S1C2T1 Fl. 531 3 Os argumentos aduzidos pela contribuinte, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento Administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: “Assunto: Imposto Sobre A Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2002 EXCESSO DE DESTINAÇÃO AO FINAM. DEFINITIVIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO. Se o contribuinte não apresenta Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC no prazo estipulado na legislação, tornase definitiva a inadmissibilidade da destinação ao FINAM por ele pretendida importandose o lançamento decorrente da falta de recolhimento do IRPJ DECADÊNCIA. IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. O fato gerador do IRPJ relativamente aos contribuintes optantes pela apuração anual somente se completa em 31 de dezembro de cada ano. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigo 43 e 61, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96. Lançamento Procedente.” Cientificada da referida decisão, a contribuinte, em 06/10/2008, apresentou recurso voluntário de fls. 469/498, em que se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmo argumentos já exposto na primeira instância recursal, destacando ainda que: Foi proferida decisão no Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) nº 13896.002692/200710, a qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade interposta naqueles autos em razão da intempestividade da apresentação daquele PERC. Alega que tal fato serviu para manter a presente autuação, motivo pelo qual aduz que o desfecho do presente recurso está intrinsecamente relacionado ao PERC e nesses termos, pleiteia a tramitação e o julgamento conjunto do presente processo com o processo administrativo nº 13896.002692/200710. Na intimação da contribuinte para apresentar o PERC alega que não houve qualquer menção de emissão de extrato de indeferimento de incentivo fiscal ao FINAN, bem como fundado motivo de não reconhecimento do benefício. Aduz que o referido documento é de fundamental importância e a sua ausência caracteriza afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa constitucionalmente tutelados. Diante do exposto, requereu seja dado provimento ao seu recurso. VOTO Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 531DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 13896.002546/200794 Resolução nº 1201000.169 S1C2T1 Fl. 532 4 Por ser tempestivo tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Tratase de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Barueri em 18/12/2007 visando a cobrança de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor total de R$ 10.140.828,13 referente ao ano calendário de 2002 em decorrência das estimativas de 11/2002 e 12/2002 destinadas ao FINAM não terem sido reconhecidas como aplicação em incentivo fiscal pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e o Recorrente devidamente intimado deixou de apresentar o PERC Pedido de Revisão de Ordem em Incentivos Fiscais. Pelo que se depreende dos fatos o auto de infração ora guerreado decorreu da falta de apresentação do PERC Pedido de Revisão de Ordem em Incentivos Fiscais em face do excesso de aplicação em incentivos fiscais FINAM referente ao exercício de 2003, o que foi feito posteriormente e que está em discussão nos autos do processo administrativo nº 13896.002692/200710. Percebese, que o objeto do presente processo depende do que restar decidido nos autos do processo nº 13896.002692/200710, portanto, resta inegável a relação de conexão entre eles, bem como a impossibilidade do presente processo ser julgado autonomamente. O Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dispõe o seguinte ao tratar sobre conexão: “Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. (...) § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.” Nos casos em que há conexão o Regimento Interno desta E. Corte permite ainda ao Conselheiro realizar o julgamento conjunto dos processos conexos, podendo inclusive requerer a sua conversão em diligência se necessário for, nos termos do que se depreende dos artigos abaixo transcritos: “Art. 58. (...) Fl. 532DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 13896.002546/200794 Resolução nº 1201000.169 S1C2T1 Fl. 533 5 § 3º O conselheiro poderá, após a leitura do relatório, pedir esclarecimentos ou vista dos autos, em qualquer fase do julgamento, mesmo depois de iniciada a votação. (...) § 8º Os processos que versem sobre a mesma questão jurídica poderão ser julgados conjuntamente quanto à matéria de que se trata, sem prejuízo do exame e julgamento das matérias e aspectos peculiares. § 9º Aplicarseão as disposições deste artigo, no que couber, para a conversão do julgamento em diligência.” No caso em tela, este Relator se tornou prevento ao ser sorteado para julgar os presentes autos, tendo em vista que os autos do processo administrativo nº 13896.002692/200710 sequer foram distribuídos. Nesse sentido é a redação do artigo 6º do Regimento Interno desta E. Corte, consoante a seguir: “Art. 6º Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para qual houver sido distribuído o primeiro processo.” Pelo exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de sobrestamento do processo por prejudicialidade, determinando a remessa dos autos à Secretaria da Câmara até que seja proferida decisão relativa à conexão com o processo nº 13896.002692/200710. (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 533DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 6/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R
score : 1.0
Numero do processo: 17613.721160/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RRA. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA.
Constituem rendimento bruto sujeito à incidência do Imposto de Renda todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.
IRPF. FGTS. NÃO INCIDÊNCIA.
Não entra no cômputo do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS.
GLOSA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. MATÉRIA INCONTROVERSA.
Matéria não contestada, restando incontroversa a glosa efetuada.
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RRA. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. Constituem rendimento bruto sujeito à incidência do Imposto de Renda todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. IRPF. FGTS. NÃO INCIDÊNCIA. Não entra no cômputo do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS. GLOSA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. MATÉRIA INCONTROVERSA. Matéria não contestada, restando incontroversa a glosa efetuada. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C4T1 Fl. 105 1 104 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17613.721160/201494 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.282 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente JORGE ROBERTO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RRA. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. Constituem rendimento bruto sujeito à incidência do Imposto de Renda todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. IRPF. FGTS. NÃO INCIDÊNCIA. Não entra no cômputo do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS. GLOSA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. MATÉRIA INCONTROVERSA. Matéria não contestada, restando incontroversa a glosa efetuada. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 11 60 /2 01 4- 94 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 17613.721160/201494 Acórdão n.º 2401004.282 S2‐C4T1 Fl. 106 3 Relatório Exercício: 2013. Data da Notificação de Lançamento: 18/08/2014. Data de recebimento da Notificação de Lançamento: 26/08/2014. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2013/171810114265394, a fls. 04/09, consistente em Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício de 2013, anocalendário de 2012, em razão de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação ajuizada na Justiça do Trabalho e de glosa dedução indevida de previdência oficial. De acordo com a citada Notificação de Lançamento, do exame das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 79.909,93, auferidos pelo titular e/ou dependentes, bem como glosa de valor de R$ 89.130,00, indevidamente deduzido a título contribuição ã Previdência Oficial, por falta de comprovação/previsão legal para sua dedução. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fl. 10. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0956.330 4ª Turma da DRJ/JFA, a fls. 80/83, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 26/02/2015, conforme Aviso de Recebimento a fl. 88. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 66/69, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que o valor efetivamente recebido foi de R$ 379.070,18. Aduz que no alvará que originou tal pagamento não estavam discriminadas as parcelas tributáveis e não tributáveis do valor recebido. Afirma que, após a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 liquidação de sentença do processo que determinou a execução judicial do débito, foi constatado que estava incluído o valor de R$ 34.394,56 referente ao FGTS, parcela que não sofre incidência de Imposto de Renda; · Que quando recebeu os valores referente sua indenização trabalhista, recolheu R$ 79.923,43 referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte; Ao fim, requer a declaração de improcedência do Auto de Infração. É o que importa relatar. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 17613.721160/201494 Acórdão n.º 2401004.282 S2‐C4T1 Fl. 107 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 25/02/2015. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado no dia 12/03/2015, há que se reconhecer a sua tempestividade. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. IRPF – DAS OMISSÕES DE RECEITA O Recorrente alega que o valor efetivamente recebido, em decorrência da ação trabalhista, foi de R$ 379.070,18. Aduz que no alvará que originou tal pagamento não estavam discriminadas as parcelas tributáveis e não tributáveis do valor recebido. Afirma que, após a liquidação de sentença do processo que determinou a execução judicial do débito, foi Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 constatado que estava incluído o valor de R$ 34.394,56 referente ao FGTS, parcela que não sofre incidência de Imposto de Renda; Acrescenta o Autuado que, quando recebeu os valores referente sua indenização trabalhista, recolheu R$ 79.923,43 referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte. Compulsando os autos, em especial a Declaração retificadora a fls. 59/63, percebese que o Recorrente acatou a glosa da previdência oficial, excluindo a dedução de R$ 89.130,00 , inexistindo mais qualquer controvérsia a esse respeito. No que pertine aos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência da ação trabalhista objeto do Processo nº 0433.2009.004.17.004, colhemos da Memória Cálculo de Atualização Monetária e Juros de Mora, a fl. 14, os seguintes montantes, atualizados até 01/12/2010. a) Principal (sem FGTS): R$ 234.760,10; b) FGTS : R$ 34.394,56; c) Principal + FGTS: R$ 269.154,66; d) IRRF : R$ 71.910,41; e) Valor Bruto (Principal+FGTS+IRRF) = R$ 341.065,07. O inciso XX, in fine, do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda estatui que não integra o rendimento bruto, para os fins de tributação do Imposto de Renda, o montante recebido pelos empregados referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS. Regulamento do Imposto de Renda Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); De outro eito, na apuração anual do imposto, os valores recolhidos referentes ao imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, podem ser deduzidos do imposto apurado, a teor do inciso IV do art. 87 do Regulamento do Imposto de Renda. Regulamento do Imposto de Renda Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 17613.721160/201494 Acórdão n.º 2401004.282 S2‐C4T1 Fl. 108 7 Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250/95, art. 12): I as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional de Apoio à Cultura PRONAC, de que trata o art. 90; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais de que tratam os arts. 97 a 99; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; V o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 103. § 1º A soma das deduções a que se referem os incisos I a III fica limitada a seis por cento do valor do imposto devido, não sendo aplicáveis limites específicos a quaisquer dessas deduções (Lei nº 9.250/95, art. 12, §1º, e Lei nº 9.532/97, art. 22). § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450/85, art. 55). Nessa perspectiva, exclusivamente em relação aos Rendimentos Recebidos Acumuladamente pelo titular em decorrência da ação trabalhista objeto do Processo nº 0433.2009.004.17.004, temos os seguintes montantes, em valores atualizados até 01/12/2010. a) Rendimentos recebidos: R$ 306.670,51 (R$ 234.760,10 + R$ 71.910,41) b) Contr. Prev. Oficial : R$ 0,00. c) Imposto Retido na Fonte: R$ 71.910,41. Todavia, da data de atualização acima indicada até a data do efetivo levantamento do depósito judicial, tais valores sofreram correção de 11,1431 %, o que corrigiu o valor do Principal+FGTS de R$ 269.154,66 para R$ 299.146,75 ; o valor do IRRF de R$ 71.910,41 para R$ 79.923,43, e o Valor Bruto (Principal+FGTS+IRRF) de R$ 341.065,07 para R$ 379.070,18 , consoante Extrato de Levantamento Judicial a fl. 13. Portanto, concluise que o valor referente ao FGTS corrigido na data do levantamento é de R$ 38.227,18 (R$ 34.394,56 * 1,111431) e não R$ 38.230,96 , como afirma o Recorrente, que não expôs a memória de cálculo utilizada. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Diante de tal quadro, exclusivamente em relação aos Rendimentos Recebidos Acumuladamente pelo titular em decorrência da ação trabalhista objeto do Processo nº 0433.2009.004.17.004, devem ser informados na declaração de ajuste os seguintes montantes, em valores atualizados na data do levantamento do depósito judicial. a) Rendimentos recebidos: R$ 340.843,00 (R$ 379.070,18 R$ 38.227,18) b) Contr. Prev. Oficial : R$ 0,00. c) Imposto Retido na Fonte: R$ 79.923,43. Quanto à opção de tributação, o caput do art. 7º , in fine, da Instrução Normativa RFB nº 1.127/2011, então ainda vigente, estatui de maneira expressa que a opção pela Declaração de Ajuste Anual, pelo contribuinte, é irretratável, não havendo o Recorrente demonstrado a ocorrência de uma das hipóteses excepcionais elencadas no inciso II do §2º do art. 7º da IN RFB nº 1127/2011, na Redação dada pela IN RFB nº 1170/2011. Instrução Normativa RFB nº 1.127/2011 Art. 7º O somatório dos rendimentos de que trata o art. 2º, recebidos no decorrer do anocalendário, observado o disposto no art. 4º, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o IRRF será considerado antecipação do imposto devido apurado na DAA. §1º O IRRF será considerado antecipação do imposto devido apurado na DAA. (Redação dada pela IN RFB nº 1170/2011) §2º A opção de que trata o caput: (Redação dada pela IN RFB nº 1170/2011) I será exercida na DAA; (Redação dada pela IN RFB nº 1170/2011) II não poderá ser alterada, ressalvadas as hipóteses em que: (Redação dada pela IN RFB nº 1170/2011) a) a sua modificação ocorra no prazo fixado para a apresentação da DAA; (Redação dada pela IN RFB nº 1170/2011) b) a fonte pagadora, relativamente à DAA do exercício de 2011, anocalendário de 2010, não tenha fornecido à pessoa física beneficiária o comprovante a que se refere o art. 6º ou, quando fornecido, o fez de modo incompleto ou impreciso, de forma a prejudicar o exercício da opção. (Redação dada pela IN RFB nº 1170/2011) §3º No caso de que trata a alínea "b" do inciso II do § 1º, após o prazo fixado para a apresentação da DAA, a retificação poderá ser efetuada, uma única vez, até 31 de dezembro de 2011. (Redação dada pela IN RFB nº 1170/2011) Assim, devem ser considerados na Declaração de Ajuste Anual, no quadro “RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DE PESSOA JURÍDICA RECEBIDOS ACUMULADAMENTE PELO TITULAR”, Opção de Tributação: Ajuste, exclusivamente em Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 17613.721160/201494 Acórdão n.º 2401004.282 S2‐C4T1 Fl. 109 9 relação aos Rendimentos Recebidos Acumuladamente em decorrência da ação trabalhista objeto do Processo nº 0433.2009.004.17.004, os seguintes valores: a) Rendimentos recebidos: R$ 340.843,00; b) Contr. Prev. Oficial : R$ 0,00. c) Imposto Retido na Fonte: R$ 79.923,43. 2.2. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Malgrado não haja sido suscitado pelo Recorrente, o comando imperativo assentado no §2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 Código de Processo Civil. Com efeito, no julgamento concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, em razão de a Corte Suprema, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, ter reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo há pouco citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. No caso paradigma, o Sodalício Maior acordou, por maioria, que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deveria ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referirem cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo autor, consoante Acórdão que se vos segue: Recurso Extraordinário nº 614.406/RS Relatora: Min. Rosa Weber. Redator do acórdão: Min. Marco Aurélio. Julgamento: 23/10/2014. IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Nessa perspectiva, o fato de o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS haver sido realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, prevista no Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 art. 543B do CPC, atrai ao feito a incidência do disposto no §2º do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) De outra via, configurandose o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS um fato juridicamente relevante, não conhecido na ocasião do lançamento ora em debate, abre se para o Fisco a prerrogativa de rever o lançamento, de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo STF no julgamento acima indicado, a teor do art. 149, VIII, do CTN. Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 17613.721160/201494 Acórdão n.º 2401004.282 S2‐C4T1 Fl. 110 11 IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; (grifos nossos) IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nessa vertente, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF e no art. 149, VIII, do CTN, e considerando a decisão proferida no Julgamento do RE nº 614.406/RS, conduzido sob a sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 543B do CPC, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pela Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pela Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário acima mencionado. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: (i) Que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pela Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pela Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF; (ii) que sejam considerados na Declaração de Ajuste Anual, no quadro “RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DE PESSOA JURÍDICA RECEBIDOS ACUMULADAMENTE PELO TITULAR”, Opção de Tributação: Ajuste, exclusivamente em relação aos Rendimentos Recebidos Acumuladamente em decorrência da ação trabalhista objeto do Processo nº 0433.2009.004.17.004, os seguintes valores: · Rendimentos recebidos: R$ 340.843,00; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 · Contr. Prev. Oficial : R$ 0,00. · Imposto Retido na Fonte: R$ 79.923,43. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10865.003927/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2009
ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DO CEAS NO PERÍODO FISCALIZADO. Para que a entidade beneficente de assistência social tenha direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais no período objeto do lançamento, deve atender aos requisitos legais previstos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, o que não fora verificado nos autos do presente processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DO CEAS NO PERÍODO FISCALIZADO. Para que a entidade beneficente de assistência social tenha direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais no período objeto do lançamento, deve atender aos requisitos legais previstos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, o que não fora verificado nos autos do presente processo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 27 /2 01 0- 65 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SANTA CASA DE MISERICÓRDIA HOSPITAL SÃO VICENTE, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.283.7328, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias cota patronal incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais, declaradas pela recorrente como isentas em razão de tratarse de Entidade de Beneficência e Assistência Social. O relatório fiscal esclarece que através da Resolução n. 41 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de 15 de março de 2007, com publicação no Diário Oficial da União DOU de 22/03/2007 foi indeferido o pedido de Renovação do CEAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e posteriormente através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 001 de 08/10/2008 emitida pela DRF de Limeira, o contribuinte teve cancelada a isenção das contribuições de que tratam os artigos, 22 e 23 da Lei ns 8.212, de 24 de julho de 1991. Por tais motivos a fiscalização verificou que a recorrente está sem o certificado de entidade beneficente desde 01/01/2001 até presente data, e, mesmo tendo conhecimento do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais, continuou a informar nas GFIP´s o FPAS 639 como sendo entidade com isenção. Haja vista que a Medida Provisória n° 449, em vigor desde 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, introduziu modificações na penalidade a ser aplicada para a de falta de recolhimento e para a falta de declaração ou declaração inexata, a autoridade lançadora, após proceder, por competência, as comparações devidas, aplicou as multas mais, benéficas ao sujeito passivo (CTN, art. 106, II. "c"), conforme demonstrado no Anexo 04 / '"Comparação e Cálculo da Multa Aplicada": para as competências 01/2005 a 11/2008, aplicaramse as multas previstas na legislação anterior; e para as competências de 12/2008 a 08/2009, aplicaramse as multas de ofício de 75% previstas na legislação superveniente. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 08/2009, tendo sido a contribuinte cientificada em 16/12/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 111/115), a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a expedição do Ato Cancelatório está intimamente ligada constituição do crédito tributário por meio do presente Auto de Infração, motivo pelo qual, nesta oportunidade, deve ser apreciada a motivação daquele ato; 2. que o motivo que embasou o Ato Cancelatório não mais subsiste, sendo necessário o cancelamento do presente Auto de Infração; 3. A necessidade de adoção do princípio da instrumentalidade das formas, de sorte que nesta oportunidade devam ser apreciados os fundamentos Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003927/201065 Acórdão n.º 2402005.043 S2C4T2 Fl. 3 3 objeto do Ato Cancelatório, motivo pelo qual também não poderia o julgador de primeira instância declararse como incompetente na análise do pleito formulado em sede de impugnação; 4. que não houve descumprimento dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, uma vez que a recorrente protocolou em 2000 o pedido de renovação de seu certificado; 5. que mesmo indeferido o pedido foi apresentado pedido de reconsideração ao CNAS o qual possui efeito suspensivo, devendo ser considerado válido o CEAS que possuía até o julgamento de seu pedido de reconsideração; 6. que foi cientificada do Ato Cancelatório da isenção somente em 08/10/2008, cujo motivo determinante foi a inexistência do CEAS; 7. que a emissão do Ato Cancelatório não observou o fato de que ainda existia pedido de reconsideração pendente de análise pelo CNAS; 8. que nos termos do art. 39 da MP 446/08 o pedido de renovação do CEAS, ainda não definitivamente julgado fora automaticamente deferido; 9. que se o ato cancelatório n. 001/2008 foi expedido unicamente em razão da suposta ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003, comprovado pela documentação juntada aos autos, cessou a causa determinante para a continuidade dos efeitos do Ato Cancelatório; 10. que mesmo no período que sucede 01/01/2001 a 31/12/2003, não haveria a necessidade da recorrente em demonstrar ter obtido a renovação de seu certificado; 11. mesmo assim, protocolizou em 10/12/2008, no Ministério da Saúde, quando ainda vigorava a MP 446/08, pedido de renovação de seu certificado, com o registro sob o n. 25000.215707/2008, devendo comprovar o cumprimento dos requisitos legais para os três anos anteriores ao pedido (2005, 2006. 2007), pedido este que ainda não veio a ser analisado; 12. que em não tendo sido analisado o pedido, diante da natureza do reconhecimento da isenção possuir efeitos ex tunc, certamente haverá de ser reconhecida sua isenção para referido período; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 13. finaliza argumentando não ter infringido a Lei, quando declarou o FPAS 639; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003927/201065 Acórdão n.º 2402005.043 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal e/ou motivação. Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu da prévia emissão do Ato Cancelatório n. 001/2008, como depreendese do Relatório Fiscal (fl.43/56). Restou consignado na informação fiscal que acompanha o Ato (fls. 176), que a entidade autuada não era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido para o período posterior a de 01/01/2001, já que o pedido para renovação do CEAS do período de 01/01/1998 a 31/12/2000 havia sido indeferido por decisão do Conselho Nacional de Assistência Social nos autos do processo 44006.005370/200087. Em decorrência de não terlhe sido deferida a supracitada renovação, a entidade autuada teve cancelada, a partir de 01/01/2001, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, por descumprimento do artigo 55, inciso II da Lei n° 8.212/91, o que se deu através do Ato Cancelatório n. 001/2008. Sustenta que em face de referido indeferimento, apresentou pedido de reconsideração da decisão, o qual veio a ser deferido pelo CNAS, por força do artigo 39 da Medida Provisória MP 446/2008, de modo que o fundamento do Ato Cancelatório n. 001/2008 não mais subsistia, pois passou a ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social com validade para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003. Com o intuito de verificar as informações trazidas em sede de recurso voluntário, os autos foram baixados para atendimento das seguintes diligências: " qual o andamento e situação do processo administrativo n. 44006.005370/200087, informando em que fase o mesmo se encontra e qual fora o resultado do julgamento do recurso interposto pelo contribuinte em face do indeferimento da renovação do Ato Cancelatório 001/2008, se é que já houve refeido julgamento, fazendo juntar aos autos o respectivo acõrdão; Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 se o ato cancelatório n. 001/2008 veio a ser reformado, seja por decisão do recurso administrativo interposto pela recorrente, seja mesmo pelas alterações da MP 446/08;" Assim, verifico à fl. 246, o atendimento das informações solicitadas por este Conselho, como mostro a seguir: "(i) qual o andamento e situação do processo administrativo nº 44006.00537/200087, informando em que face o mesmo se encontra e qual fora o resultado do julgamento do recurso interposto pelo contribuinte em face do indeferimento da renovação do Ato Cancelatório 001/2000, se é que já houve referido julgamento, fazendo juntar aos auto o respectivo acordão; R: O processo administrativo 44006.0053/200087 pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS teve seu Deferimento em grau de reconsideração em conformidade com o artigo 39 da Medida Provisoria nº 446, de 07/11/2008, publicada em 10/11/2008, com período de validade da renovação de 01/01/2001 a 31/12/2003. (ii) se o ato Cancelatório nº 001/2008 veio a se reformado seja por decisão do recurso administrativo interposto pela recorrente, seja mesmo pelas alterações da MP 446/08; R: O PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – protocolo auxiliar ARF SÃO JOSE DO RIO PARDO nº 1534, de 24/10/2008, interposto pelo contribuinte em face do cancelamento do reconhecimento da isenção das contribuições previdenciárias já foi apreciado pela autoridade competente e tendo como resultando o INDEFERIMENTO do pedido, e a manutenção do ATO DECLATORIO nº 001/2008. Juntado aos autos os seguinte documentos a) Certificado CEBAS ás fls. 212 as 215: b) Certificado Renovação ás fls. 216; c) Cons. Req. Renovação ás fls. 217 a 227 ; d) Ato Cancelatório ás fls. 228 as 235 : e) Pedido de Reconsideração ás fls. 236 as 245 ." De antemão verifico que o pedido de reconsideração interposto em face do Ato Declaratório n. 001/2008, que ensejou a presente autuação já fora julgado de forma definitiva em sede administrativa, tendo sido mantido incólume pela autoridade competente na análise de tal recurso, de modo que não vejo óbice ao julgamento do presente recurso voluntário, confirmandose a não benesse da isenção a partir de 01/2001. Pois bem, conforme atestado pela autoridade fiscal, a recorrente de fato teve o seu pedido de renovação do CEAS deferido para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003 conforme determinado pela MP 446/08, conforme consta, inclusive, às fls. 216 dos autos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10865.003927/201065 Acórdão n.º 2402005.043 S2C4T2 Fl. 5 7 Todavia, verifico que o lançamento objeto do presente processo relacionase ao período de 01/2005 a 08/2009, período no qual a recorrente também não possuía o seu CEAS, conforme apontado pelo relatório fiscal da infração, de modo que, mesmo com a renovação do período de 2001/2003, entendo que o lançamento deva ser mantido, tendo em vista que os efeitos da renovação compreenderam somente tal período e não os posteriores. Ademais, ao analisar detidamente o recurso protocolado, e os autos, vejo que o Julgamento levado a efeito na DRJ bem exprimiu os motivos necessários a afastar o pleito constante no recurso voluntário, os quais peço vênias para adotar como razões de decidir. Vejamos: No presente caso, conforme demonstrado pela autoridade lançadora, a entidade autuada não era portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003. j á que o pedido para renovação do CEAS para esse período havia sido indeferido pela Resolução n° 41/2007 do Conselho Nacional de Assistência Social. Em decorrência, emitiuse o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais n° 01, de 08/10/2008, pelo qual a entidade autuada leve cancelada, a partir de 01/01/2001, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, por descumprimento do artigo 55, inciso II da Lei n° 8.212/91. Posteriormente, o pedido de renovação do CEAS para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003 foi deferido pelo CNAS, por força do artigo 39 da Medida Provisória n° 446/2008", ante a existência de pedido de reconsideração pendente de julgamento na data da publicação da citada MP. Em decorrência, como alega a entidade impugnante, não mais existiria o fundamento fático que justificou a expedição do Ato Cancelatório de Isenção n° 01/2008: ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003. Conduto, até que referido ato administrativo seja revisto pela autoridade competente para tanto, ele continuará válido, produzindo os efeitos que lhe são inerentes. Ressaltese que cabe a entidade autuada protocolar recurso de revisão do Ato Cancelatório perante à Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF, autoridade competente para revêlo, haja vista que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ é incompetente para rever Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção em processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários (Auto de Infração). Tratamse de atos e procedimentos administrativos distintos: o Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção tem por conteúdo o cancelamento de isenção anteriormente reconhecida; já este Auto de Infração tem por conteúdo a constituição de um crédito tributário. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10166.723699/2012-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA.
CABIMENTO.
A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996.
RELAÇÃO JURÍDICA - CLASSIFICAÇÃO - IDENTIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA.
A determinação da natureza dos atos praticados e dos negócios celebrados, para fins de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelos interessados, independentemente do nome dado aos instrumentos contratuais formalizados ou dos procedimentos realizados.
O pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar o fato de que o corretor prestou à imobiliária o serviço de intermediação junto a terceiros. Comprovando-se a ocorrência de prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à incidência do imposto de renda sobre as operações objeto da autuação, bem como quanto ao cabimento da multa por falta de retenção na fonte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso relativamente às duas questões. Quanto ao percentual da multa aplicável, por maioria de votos, em manter o percentual de 75%, vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Patrícia da Silva, que reduziram o percentual a 50%. A Conselheira Patrícia da Silva apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Declaração de voto
EDITADO EM: 11/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. RELAÇÃO JURÍDICA CLASSIFICAÇÃO IDENTIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. A determinação da natureza dos atos praticados e dos negócios celebrados, para fins de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelos interessados, independentemente do nome dado aos instrumentos contratuais formalizados ou dos procedimentos realizados. O pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar o fato de que o corretor prestou à imobiliária o serviço de intermediação junto a terceiros. Comprovandose a ocorrência de prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 36 99 /2 01 2- 92 Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.062 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à incidência do imposto de renda sobre as operações objeto da autuação, bem como quanto ao cabimento da multa por falta de retenção na fonte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que deram provimento ao recurso relativamente às duas questões. Quanto ao percentual da multa aplicável, por maioria de votos, em manter o percentual de 75%, vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Patrícia da Silva, que reduziram o percentual a 50%. A Conselheira Patrícia da Silva apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Declaração de voto EDITADO EM: 11/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, às efls. 03 a 08, com relatório fiscal às efls. 09 a 41, relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, por deixar a contribuinte de arrecadar e recolher o imposto incidente sobre a remuneração dos corretores de imóveis que lhe prestaram serviços autônomos de corretagem de imóveis. O lançamento foi consolidado em 24/05/2012, com ciência à contribuinte em 28/05/2012. Em sua impugnação, às efls. 2423 a 2506, a empresa, uma sociedade limitada, dedicada a consultoria na intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, se insurgiu contra diversos aspectos preliminares, contra a própria incidência da multa sem o tributo correspondente e, no mérito, nega a existência de vínculo entre ela e os corretores questionando, inclusive, o pagamento nas operações que deram causa aos valores lançados. A Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.063 3 2ª Turma da DRJ/BSB considerou improcedente a impugnação, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0351.171 de 11/03/2013, às efls. 2538 a 2571, mantendo a integralidade do crédito lançado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 2584 a 2678, no qual repisa os mesmos argumentos da impugnação. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 16/07/2014, no acórdão 2201002.442, às efls. 1326 a 1361, que tem a seguinte ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o lançamento que contém todos os requisitos exigidos na legislação processual. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO. De acordo com o inciso I do art. 118 do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Devese desprezar os contratos firmados entre as partes, mormente quando a relação jurídica formal indicada nos instrumentos não condiz com a realidade apresentada. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. IRRF. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE RETENÇÃO. A falta de retenção na fonte dos pagamentos efetuados aos corretores constitui o próprio pressuposto da aplicação da multa isolada, já que a ação fiscal foi instaurada após o encerramento do período de apuração do fato gerador. Portanto, tal fato, por si só, é incapaz de autorizar a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%. O acórdão, por sua vez, teve a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA, GUILHERME BARRRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e ODMIR Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.064 4 FERNANDES (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso, e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negou provimento ao recurso. Fizeram sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Daniel Vitor Bellan, OAB/SP 174.745 e pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Cientificada do resultado do julgamento, a Fazenda Nacional manifestouse, à efl. 2711, pela não interposição de recurso. A contribuinte, por sua vez, foi cientificada do acórdão em 23/09/2014 (e fls. 2723), e interpôs, em 08/10/2014, o recurso especial de divergência às efls. 2727 a 2756, entendendo que o acórdão recorrido merece ser reformado. Tal entendimento seria suportado pelos acórdãos paradigmas: nº 9202001.886, nº 2403002.509 e nº 2403002.508 No primeiro acórdão citado, tratase da multa de ofício exigida isoladamente, entendendo a recorrente que ela não seria aplicável por falta de amparo legal em face das alterações trazidas pela Lei nº 11.488/2007, conjuntamente, para o art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e para o art; 9º da Lei nº 10.426/2002. Relativamente aos dois paradigmas seguintes, referentes à autonomia da vontade como determinante dos fatos geradores, a contribuinte afirma que as relações jurídicas estabelecidas pelos particulares, previamente aos fatos geradores, devem ser consideradas para aplicação das normas tributárias, na linha desses paradigmas. A Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, em 02/02/2015, através do despacho sem número, às efls. 2863 a 2868, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos normativos para sua admissibilidade. Em 23/02/2015 (efls. 2874), foi encaminhada à Procuradoria da Fazenda para ciência do despacho, em virtude do qual ela apresentou, em 27/02/2015, contrarrazões à divergência da contribuinte, às efls. 2875 a 2908. Relativamente à aplicação da multa isolada, a Fazenda afirma que ela decorre de incidência do art. 9º da Lei nº 10.426/2002 norma cogente que não pode ser afastada na esfera administrativa e por isso sustenta os argumentos do voto vencedor do acórdão recorrido. Quanto à discussão sobre a utilização na intermediação dos negócios de corretores de imóveis, que são autônomos e não mantêm vínculo empregatício com a recorrente, apesar de tal autonomia, os serviços são a ela prestados e por isso é dela a obrigação tributária acessória de reter o imposto. O repasse do ônus de realizar o pagamento a terceiros, não desvirtua a sua relação direta com o fato gerador, por ser a verdadeira tomadora dos serviços prestados. Em complementação do recurso especial foi posteriormente solicitada a juntada de documento contendo parecer jurídico e referência à existência de legislação superveniente sobre o assunto. É o relatório. Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.065 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço. Aqui, para fins de esclarecimento quanto aos critério utilizados para conhecimento do recurso, cabe fazer as seguintes colocações: em que pese o acórdão paradigma n° 2403.002509 ter tratado de Contribuições Previdenciárias, enquanto o crédito tributário objeto do presente processo é decorrente do Imposto sobre a Renda; a situação fática é exatamente a mesma e o que se discute, em ambos, é a qualificação jurídica da operação, para fins de incidência tributária, uma prejudicial de mérito; e essa qualificação é fundamental para aplicação do art. 123 do Código Tributário Nacional, norma geral de Direito Tributário. No mérito, o recurso especial interposto pelo sujeito passivo trata de duas matérias, a serem analisadas em separado: 1. a qualificação da operação, para fins de análise da incidência tributária, ou seja, se a operação enseja prestação de serviços à autuada e valores devidos aos prestadores de serviço; e 2. a existência de base normativa vigente para aplicação da multa, ou seja, a aplicabilidade do art. 9º da Lei n° 10.426, de 2002, ao caso. Qualificação da operação Para iniciar a análise da questão, é necessário que os fatos ocorridos estejam claramente colocados. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração, a contribuinte atendendo às intimações fiscais, declarou que não remunerou os corretores de imóveis porque foram contratados pelos adquirentes das unidades imobiliárias. A fiscalização, entretanto, entendeu, com base em provas que carreou aos autos, que os corretores de imóveis prestaram serviços à Lopes Royal e que a administração da empresa planejou, organizou e executou procedimentos para a sua atividade comercial com intuito de afastar a hipótese de incidência dos tributos e contribuições. Assim, levantou valores pagos a corretores identificados e a corretores não identificados, calculou os correspondentes montantes de Imposto a ser retido na fonte e aplicou a multa de que trata o art. 9º da Lei n° 10.426, de 2002, sobre esses valores. Em cotejo aos autos, verificase que há um acordo denominado “associação”, em que – pela intermediação do negócio, o cliente pagaria um valor ao corretor, pessoa física, Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.066 6 que tenha atuado na operação e o proprietário do imóvel / incorporadora pagaria outro valor à empresa autuada, ora recorrente. A questão que se coloca é se esse acordo tem o condão de dividir a operação em duas partes, com consequentes incidências tributárias separadas ou se a operação, pelas suas características ontológicas, é única, com a incidência da tributação e aplicação do art. 123 do Código Tributário Nacional. Para análise dos elementos essenciais da operação, devemos partir da premissa de que há, em nosso ordenamento jurídico, várias possíveis formas jurídicas de estruturação da atividade, cada uma conferindo aos envolvidos responsabilidades tributárias, trabalhistas ou societárias específicas. Efetivamente, com base na autonomia privada, é permitido que os particulares ajustem seus negócios de forma a alcançar, da melhor forma possível, seus objetivos, desde que lícitos e não proibidos pelo sistema jurídico. O Direito Tributário, como um sobredireito incide sobre os fatos realizados pelos particulares, conforme por eles organizados. Ocorre qualificação jurídica das operações é necessária na análise de cada caso. Assim, a determinação da natureza dos atos praticados e dos negócios celebrados, para fins de incidência da norma tributária, deve ser realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelos interessados, independentemente do nome dado aos instrumentos contratuais formalizados ou dos procedimentos realizados. Nessa análise, em que pesem as alegações da recorrente, de que (a) o corretor atua em nome do comprador, (b) o corretor pode exercer suas atividades em outros empreendimentos (junto a outras empresas), (c) que a empresa apenas determina alguns critérios mínimos de organização dos trabalhos, (d) que os corretores não assinam pela empresa e (e) que a empresa nunca recebeu um pagamento dos clientes para repasse aos corretores; penso que a fiscalização analisou corretamente a operação o que foi confirmado pelas decisões de primeira e segunda instâncias: a empresa, ora recorrente, realizou as operações, tendo se utilizado de corretores para isso. Nesse sentido, cabe colocar os seguintes pontos: no tocante à comercialização, as vendas deverão obedecer aos preços e condições (inclusive tabela de descontos) definidos pela empresa ora recorrente e quaisquer propostas que não se enquadrem nas tabelas deverão ser submetidas à empresa; é a empresa que mantém os pontos de venda (aos clientes), com os profissionais caracterizados com as marcas comerciais da empresa; define a premiação e incentivos aos corretores de imóveis; a comissão por corretagem a ser paga pelo cliente é devida à empresa; o valor contratualmente devido à empresa pelo vendedor é rateado. As conclusões acima são decorrência do que se encontra no Relatório Fiscal, item 3.3.1 (Coleta de Notícias e Publicações fls. 5 a 9) e item 3.3.2 (Circularização fls. 10 a 25). Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.067 7 O pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar a natureza da operação realizada: o corretor prestou à imobiliária o serviço de intermediação junto a terceiros. Comprovandose a ocorrência de prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias. Exemplificativamente, isso é esclarecido na decisão de primeira instância e reproduzido no voto do acórdão recorrido: No nosso exemplo (fls. 1908 e 1910), o potencial comprador deseja adquirir um imóvel (unidade 209) sito a SHCNWSQNW 311, Projeção “A”, Setor Noroeste. O Valor da Venda foi de R$ 959.899,95, o valor do recibo foi de R$ 33.596,50 e que diminuído do valor da venda, resultou no valor da proposta que foi da ordem de R$ 926.303,50. O imóvel é da empresa Brasal Incorporações e Construções de Imóveis Ltda (dona do negócio) que autorizou a impugnante a promover (fl. 701), com total exclusividade, a intermediação da venda (serviço de corretagem) e sobre o serviço de corretagem a impugnante será remunerada à razão de 3,5% incidente sobre o valor total da venda. No exemplo, o valor da corretagem foi de R$ 33.596,50, devido, por contrato, à impugnante e que representa exatos 3,5% sobre o valor da venda, nem mais nem menos e tudo de acordo com o previamente pactuado entre a impugnante e a construtora. Contudo, como a impugnante, para realizar a venda, utilizase de outros Corretores; a remuneração total teve que ser dividida, em respeito ao Código Civil e assim, o sinal (que representa a comissão de 3,5% sobre o valor de venda) foi rateado (fls. 1910), entre a Lopes Royal (2,08% do valor de venda), o Corretor Autônomo (0,90% do valor de venda), o Coordenador (0,20% do valor de venda), o Coordenador de Produto (0,12%) e a Diretoria (0,20% do valor de venda). E como a comissão, por contrato, deve ser paga pelo adquirente, cada participante recebeu o seu respectivo quinhão do próprio adquirente, através dos respectivos cheques emitidos pelo comprador. Corroborando o que se encontra acima colocado, apresento a tabela abaixo, elaborada com base nos levantamentos descritos na fl. 21 do Relatório Fiscal: Adquirente ‐ Rodrigo Martins de Campos ( ) Valor da Venda (circularização) 748.253,00 (‐) Valor da Declarado da Venda ‐722.064,14 (=) Diferença 26.188,86 ( ) Recibo da Empresa 19.394,58 (+) Recibo Corretor 6.794,28 (=) Valor das Comissões 26.188,86 ( ) Diferença (Venda ‐ Declarado) 26.188,86 (‐) Valor das Comissões ‐26.188,86 (=) Zero 0 Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.068 8 ( ) Valor das Comissões 26.188,86 (‐) Valor da Nota Fiscal ‐15.753,66 (‐) Recibo Corretor ‐6.794,28 (=) Comissão de Diretor e Coordenadores 3.640,92 Aplicandose os percentuais do contrato acima reproduzido, mesmo não sendo exatamente o contrato do empreendimento do adquirente (o contrato se refere a imóvel no Noroeste, Brasília, enquanto o adquirente adquiriu imóvel no Guará II, DF), chegase praticamente aos mesmos valores: ( ) Valor da Venda (circularização) (*) % Comissão (contrato) (=) Comissão Devida Empresa 748.253,00 2,08% 15.563,66 Corretor 748.253,00 0,90% 6.734,28 Coordenador 748.253,00 0,20% 1.496,51 Coord. Prod. 748.253,00 0,12% 897,90 3.890,92 Diretor 748.253,00 0,20% 1.496,51 Total 3,50% 26.188,86 Isso revela um único modus operandi. Afasto, por falta de razoabilidade, o argumento de que atuariam de forma independente a empresa recorrente, o corretor, o coordenador, o coordenador de produto e o diretor. Com efeito, visualizase, no caso, um efetivo negócio estabelecido pela recorrente, com utilização de recursos para alcançar o objetivo específico de intermediação da venda de imóveis. Não se está aqui afirmando que é impossível ocorrer um contrato associação, em que os envolvidos respondam cada um por sua intervenção em operações e, consequentemente, pelos correspondentes resultados e tributos. Porém, temos, no caso, direitos e obrigações definidos, que me levam a concluir que é devida uma comissão pela dona do negócio à empresa recorrente, que providencia o rateio entre todos os envolvidos. Assim, afasto a classificação da operação como simples associação e vejo nela efetiva prestação de serviços autônomos. O fato de o pagamento ser realizado diretamente pelo comprador a cada um dos envolvidos não desnatura, em meu entendimento, a natureza do negócio jurídico. Nessa situação, vejo claramente uma relação de mandato, em que o cliente entrega diretamente ao corretor, pessoa física, um valor que iria compor o total a ser pago pelo imóvel ao dono do negócio que, em seguida, remuneraria a empresa de corretagem que, por fim, remunerasse os corretores pessoa física que a ela prestaram o serviço de fechar os negócios junto aos clientes. Exatamente nesse mesmo sentido, já houve decisões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme a seguir: 1. acórdão 2402003.190, da 2a TO da 4a Câmara da 2a Seção: Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.069 9 ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art.118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis,ou terceiros,bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO MULTA Consiste em descumprimento de obrigação acessória, sujeito à multa, a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores não incluídos em folha de pagamento, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória só subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgada procedentes Recurso Voluntário Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. 2. acórdão 2402003.191, da 2a TO da 4a Câmara da 2a Seção: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.070 10 art.118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis,ou terceiros,bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO MULTA Consiste em descumprimento de obrigação acessória, sujeito à multa, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Thiago Taborda Simões que davam provimento. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. 3. acórdão 2402003.192, da 2a TO da 4a Câmara da 2a Seção: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art.118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO MULTA Consiste em descumprimento de obrigação acessória, sujeito à multa, a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.071 11 AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foi julgado e considerado procedente o lançamento cujo objeto são as contribuições incidentes sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, resta caracterizada a infração da empresa em não efetuar o desconto da contribuição de tais segurados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. 4. acórdão 2402003.188, da 2a TO da 4a Câmara da 2a Seção: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art.118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÃO A CARGO DO BENEFICIÁRIO DO SERVIÇO PRESTADO A contribuição incidente sobre os valores recebidos por contribuintes individuais fica a cargo do tomador destes serviços AFERIÇÃO INDIRETA PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.072 12 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte Finalmente, cabe dizer que não se aplica ao caso dos autos o disposto no § 2º do art. 6º da Lei n° 6.530/78, com a redação dada pela Lei n° 13.097/2015, a seguir reproduzido: Art. 6º ... § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. Entendo que esse dispositivo não seja passível de aplicação ao caso, por dois motivos, a saber: (a) tratase de norma cuja vigência é posterior à ocorrência os fatos geradores sob análise e que inova no tratamento, definindo novas obrigações (contrato de associação devidamente registrado) e dando novos efeitos (ausência de vínculo empregatício e previdenciário); (b) nem sequer se discute nos autos vínculo empregatício ou previdenciário, mas sim a ocorrência de prestação de serviços, para fins de exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto de Renda. Assim, é de se negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo quanto a esta matéria. Aplicabilidade da multa No tocante a aplicação da penalidade, entendo correta sua incidência posta no auto de infração e mantida até o acórdão recorrido. Primeiramente, a penalidade do art. 9º da Lei nº 10.426/2002, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488/2007 descreve uma infração que é deixar a fonte pagadora de reter ou recolher o imposto ou contribuição, independentemente de ser o tributo pago ou não. Logo, não me parece lógico que a remissão ao artigo 44 da Lei 9.430/1996, também com a redação dada pela mesma lei de 2007, viesse para impossibilitar a penalização da conduta reprovada pelo sistema, que já existia. Entender diferente seria aceitar que a conduta reprovável não fosse sancionada pela mesma norma que impõe a sua sanção. Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.073 13 Outrossim, o art. 44 da Lei 9.430/1996, definia fato gerador autônomo de penalidade e a multa por falta de recolhimento do IRRF se lastreava apenas na base de cálculo daquela norma; continuou a fazêlo após a edição da Lei nº 11.488/2007. Adoto ainda as considerações e argumentos sobre a matéria expostos pela i. Conselheira Dra. Maria Helena Cotta Cardozo, tratando da mesma matéria, em voto exarado no acórdão nº 9202003.583, de 03/03/2015, nesta 2ª Turma da CSRF: Referida multa foi aplicada à fonte pagadora, com fundamento no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 16, da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. De plano, não há que se falar em suposta retroatividade benigna (art. 106, inciso II, “a”, do CTN), considerandose que a penalidade em tela teria sido extinta inicialmente pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que perdera eficácia, e depois pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Ora, os fatos geradores objeto da autuação ocorreram em novembro e dezembro de 2007, portanto já na vigência da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, de sorte que se a penalidade ora tratada houvesse efetivamente sido extinta – o que aqui não se admite – ela haveria de ser afastada pela simples aplicação direta da citada lei, e não por meio do art. 106, II, “a”, do CTN. Entretanto, tal nuance não merece ser discutida, tendo em vista que a multa em tela nunca foi extinta, conforme será demonstrado. (...) O que está sendo cobrado, no presente caso, é unicamente a multa pelo não cumprimento, por parte da fonte pagadora, da obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, a título de antecipação. A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.074 14 sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)" Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.075 15 amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.076 16 Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.077 17 pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007: “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. As conclusões acima ficam evidenciadas no quadro comparativo a seguir: Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.078 18 Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, é o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação – retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora – sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terse Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.079 19 ia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. Em síntese, no entender desta Conselheira, há que se diferenciar o imposto devido, cuja obrigação principal é do beneficiário do rendimento, da multa pela falta de retenção/recolhimento do IRRF, cuja obrigação é da fonte pagadora, na qualidade de responsável. Assim, após o prazo final para entrega da declaração de pessoa física, o que cessa é a responsabilidade da fonte pagadora sobre o recolhimento do tributo – cuja obrigação passa a ser do beneficiário. Entretanto, a falta de responsabilidade sobre o recolhimento do tributo não exime a fonte pagadora do pagamento da multa pelo descumprimento da obrigação de reter e recolher o imposto, e é exatamente esta a exigência que ora se analisa. Nesse passo, assim estabelece o item 16 do Parecer Normativo COSIT nº 1, de 2002, que deve ser considerado na sua integralidade, e não apenas em parte. Confirase: “16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, constatando se que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, serlheão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de ofício, e, da fonte pagadora, a multa de ofício e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora.” Destarte, tendo ou não os rendimentos sido oferecidos à tributação, remanesce a aplicação da penalidade pela falta de retenção e recolhimento por parte da fonte pagadora. Não há que se falar aqui de aplicação do percentual de 50% à multa, por falta de previsão legal expressa, mas sim a aplicação dos percentuais defnidos em lei (75% ou 150%), conforme acima esclarecido. Assim, é de se negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo também quanto a esta matéria. Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.080 20 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte e negarlhe provimento para que seja mantido o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.081 21 Declaração de Voto Conselheira Patrícia da Silva O Processo em referência apresenta a seguinte Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. RELAÇÃO JURÍDICA CLASSIFICAÇÃO IDENTIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ESSENCIAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. A determinação da natureza dos atos praticados e dos negócios celebrados, para fins de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelos interessados, independentemente do nome dado aos instrumentos contratuais formalizados ou dos procedimentos realizados. O pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar o fato de que o corretor prestou à imobiliária o serviço de intermediação junto a terceiros. Comprovandose a ocorrência de prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias. Recurso especial negado. Não obstante os auspiciosos argumentos apresentados, não compactuo com a decisão e, manifesto sumariamente as razões da discrepância de entendimentos: Segundo o relator: No mérito, o recurso especial interposto pelo sujeito passivo trata de duas matérias, a serem analisadas em separado: 1. a qualificação da operação, para fins de análise da incidência tributária, ou seja, se a operação enseja prestação de serviços à autuada e valores devidos aos prestadores de serviço; e Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.082 22 2. a existência de base normativa vigente para aplicação da multa, ou seja, a aplicabilidade do art. 9º da Lei n° 10.426, de 2002, ao caso Inicial e principalmente, gostaria de centrar minha divergência quanto à caracterização da atividade da Recorrente em prestação de serviços. Entendo, que há ao longo de todo o processo, o reconhecimento da garantia ao exercício da autonomia privada e da liberdade de contratar como meio possibilitar que a Recorrente exercesse e exerça sua atividade, adotando um modelo de negócio sui generis, por meio de uma relação de associação com os corretores independentes. Melhor explicando: há situações em que imobiliárias e corretores celebram um contrato de associação pelo qual somam esforços visando colaborar para a obtenção da compra e venda da unidade imobiliária. Qualificarseia uma parceria e não uma prestação de serviços. Para contribuir com o esclarecimento do tema, permitome trazer à colação, alguns excertos constantes do Parecer jurídico trazido ao processo verbis: ...Levada ao seu último grau, a tendência (natural do pensamento humano) é de imaginar que seria possível enquadrar todas as condutas, negócios, relações jurídicas etc., em tipos previstos em lei conduz a um engessamento das formas jurídicas que acabam se distanciando cada vez mais da realidade concreta e pode implicar até na perda de sua utilidade...(grifos meus) ... Esquecese, nesta postura, o principal, qual seja que a base do ordenamento jurídico é a liberdade e que pessoas, físicas e jurídicas, podem exercêla para criar figuras que não estão expressamente contempladas em nenhum texto legal.(grifos no original). ... Despirse também de preconceitos, dentre os quais o de aprioristicamente, assumir que sempre há algo de errado ou de escuso no que o contribuinte faz, a ponto de confundir o "não existir algo (p. ex., um pagamento) como um "escondêlo" ou disfarçálo".(grifos meus) Nestes casos, a falta de uma regra expressa dispondo sobre determinado modelo não deve ser interpretada como vedando certo tipo de relação jurídica, assim como a superveniência de regra dispondo sobre determinado modelo deve ser vista como apenas formalizando relações jurídicas que já podiam e eram efetivamente adotadas pelos agentes do respectivo setor econômico. No argumento de número 5 do Parecer Jurídico, que já faz parte do presente processo, motivo pelo qual não o replicarei na íntegra, exaurese a análise fática do contrato de associação constante do presente processo, mas destaco a principal conclusão: Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.083 23 " ...Esta é a figura de reunião de esforços adotada pela consulente há anos. Somamse esforços de divulgação, exibição, informação tendo por objetivo comum intermediar negócios imobiliários, sem que exista qualquer garantia de que o negócio final venha a ocorrer." Apesar da afirmativa constante do voto vencedor, verbis: "A questão que se coloca é se esse acordo tem o condão de dividir a operação em duas partes, com consequentes incidências tributárias separadas ou se a operação, pelas suas características ontológicas, é única, com a incidência da tributação e aplicação do art. 123 do Código Tributário Nacional." Entendo que a ideia de aplicação de a cada corretagem corresponder um único credor,não corresponde à realidade fática e ao constante no artigo 728 do Código Civil (a saber, é fato incontroverso nos autos), o que, de pronto, afasta a aplicação estrita da regra constante do art. 123 do Código Tributário Nacional. Afinal, não está a falarse de convenções particulares sem a existência de lei. Aqui já havia a disposição do Código Civil, corroborada pela legislação específica Lei 13.097/2015 que reconhece a relação associativa há tempos existentes no setor imobiliário. Outrossim, não há fundamentos para exigir da Recorrente o valor da contribuição previdenciária patronal ou por retençã, pois o entendimento esposado aqui é de não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente Às obrigações principais tais como contribuições previdenciárias, sejam cotas patronais, seja cota de segurados) ou mesmo IRRF. Veja que o voto vencedor pautouse pela "falta de razoabilidade" do negócio conforme realizado: Afasto, por falta de razoabilidade, o argumento de que atuariam de forma independente a empresa recorrente, o corretor, o coordenador, o coordenador de produto e o diretor. Com efeito, visualizase, no caso, um efetivo negócio estabelecido pela recorrente, com utilização de recursos para alcançar o objetivo específico de intermediação da venda de imóveis. Assim temos que a decisão paradigma, deste mesmo órgão, a decidir sobre a mesma situação fática, teria sido não razoável, mesmo aclarando e justificando sua decisão, verbis: "Outrossim, esclareçase que o contrato avençado entre as partes, qual seja, o ônus do pagamento da comissão, não desnatura a posição do sujeito passivo da exação, haja vista que tratase de acordo prévio à prática do fato gerador, bem como por não desvirtuar a sua regra matriz de incidência, ao contrário, pautaramse pela autonomia privada e sua liberdade de contratar." (acórdãos 2403002.508 e 2403002.509) Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10166.723699/201292 Acórdão n.º 9202003.834 CSRFT2 Fl. 1.084 24 Assim, entendo que seria cabível o provimento do Recurso neste aspecto, em especial pois: "O imposto de renda não incidente é questão prejudicial em relação à responsabilização da fonte pagadora na forma do art. 121 do CTN, por isso inexiste o tributo, inocorrente a responsabilidade." (STJ, 1ª T., REsp 952.038/PE, Min Luiz Fux) O que, de pronto permiteme abordar a seguinte questão posta no recurso, qual seja: da multa de ofício exigida isoladamente. Do mesmo acórdão trazido à colação pelo voto vencedor, leia_se Adoto ainda as considerações e argumentos sobre a matéria expostos pela i. Conselheira Dra. Maria Helena Cotta Cardozo, tratando da mesma matéria, em voto exarado no acórdão nº 9202003.583, de 03/03/2015, nesta 2ª Turma da CSRF: "... O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos" A contrário sensu pareceme que se não há débitos tributários e obrigação principal, não há que se falar em aplicação da multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória. Não está aqui a negarse a existência de sanção legal, está aqui há buscar uma aplicação estrita, como soi acontecer frente Às disposições contidas no artigo 112 do CTN, em especial nos incisos I e IV. Outrossim, entendo que a multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, a que faz remissão o artigo 9º da Lei nº 10.426/02, com as alterações constantes da Lei n.º 1.488/200 somente é aplicada quando exigida juntamente com o imposto, motivo pelo qual entendo que deveria ser dado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte também sob este ponto. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por PATRICIA DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003432/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
É ônus do contribuinte a comprovação de que suas receitas são isentas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
Numero da decisão: 3201-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ÔNUS DA PROVA. É ônus do contribuinte a comprovação de que suas receitas são isentas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 34 32 /2 00 8- 57 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.003432/200857 Acórdão n.º 3201002.156 S3C2T1 Fl. 414 2 Trata o presente processo de Auto de Infração de Contribuição para o financiamento da Seguridade Social – COFINS não cumulativo, no qual é exigida a Contribuição no valor de R$ 421.689,55 acrescidos de multa de ofício de 75% no valor de R$ 16.267,13 e de juros de mora até 30/09/2008 no valor de R$ 236.410,38, totalizando R$ 74.367,06. Também foi lavrado auto de COFINS cumulativa, exigindo contribuição no valor e R$ 170,28, multa de ofício no valor de R$ 127,71 e juros de mora no valor de R$ 109,37 totalizando R$ 407,36. Igualmente foi lavrado auto de infração de PIS não cumulativo, no qual é exigida a contribuição no valor de R$ 104.967,19, acrescidos de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 78.725,33, e de juros de mora até 30/09/2008 no valor de R$ 58.319,75, totalizando R$ 242.012,27. De acordo com a descrição dos fatos no Termo de Constatação (fls. 73/174) e planilhas fls.102/114 foram consideradas as receitas no mercado nacional, receitas Conhecimento Rodoviário e excluído o crédito nãocumulativo e os valores declarados ou recolhidos. Foi consignado no termo que os créditos nãocumulativos do PIS e da COFINS foram lançados no auto de infração. Cientificada pessoalmente em 31/10/2008, apresentou impugnação em 28/11/2008 (fls. 206/208) aduzindo que: que em virtude da Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT Nº 381, de 20/08/2004 foi possibilitado a impugnante considerar todas as receitas de serviços prestados a Armadores de bandeira estrangeira, como exportação de serviços, devido ao ingresso de recursos no país que estas atividades proporcionam e foi concedida a possibilidade de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS oriundos de insumos e serviços considerados como insumos utilizados na prestação destes serviços; que as declarações apresentadas não refletiram tais informações e não foram efetuadas as retificações devidas; o auto de infração desconsiderou os benefícios da solução de consulta. “Mesmo pelos valores lançados como exportação e já considerados em nossas declarações, pois em seu demonstrativo de apuração, ele considera o total de receitas de serviços prestados como valor tributável, gerando desta forma um valor de débito de PIS e COFINS contrario à decisão da SRF em sua solução de consulta; solicita a retificação das declarações relativas ao ano calendário de 2004, a anulação do auto de infração em virtude da solução de consulta, a confirmação dos créditos apurados, e a verificação dos registros para que seja atestado o direito ao crédito existente; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.003432/200857 Acórdão n.º 3201002.156 S3C2T1 Fl. 415 3 Encerra a impugnação, requerendo que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado Sobreveio decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá o pedido de perícia que considerar prescindível ou impraticável, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, em 28/11/2013, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Posteriormente, em 02/04/2014, peticiona apresentando novas razões contrárias a decisão recorrida, qual seja a de que o auto de infração é nulo devido a atividade do lançamento ser privativa de contador, e o AuditorFiscal que formalizou o lançamento não possui inscrição no Conselho Federal de Contabilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. As novas alegações postas pela recorrente em petição datada de 02/04/2014, contudo, não serão apreciadas por este órgão julgador devido a sua intempestividade. A contribuinte alega ter efetuado o recolhimento das contribuições exigidas. Constatase, contudo, que todos os recolhimentos foram observados pela autoridade fiscal em seus cálculos, sendo os valores pagos apropriados como abatimento no valor devido. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.003432/200857 Acórdão n.º 3201002.156 S3C2T1 Fl. 416 4 Quanto aos valores depositados administrativamente, como a própria recorrente esclareceu, os mesmos foram restituídos à contribuinte, de forma que não podem ser aproveitados neste lançamento. A recorrente alega ainda que o lançamento não observou a Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT Nº 381, de 20/08/2004, que possibilitou que todas as receitas de serviços prestados a Armadores de bandeira estrangeira, como exportação de serviços, devido ao ingresso de recursos no país que estas atividades proporcionam e foi concedida a possibilidade de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS oriundos de insumos e serviços considerados como insumos utilizados na prestação destes serviços. Esclarecese, neste ponto, que o auto de infração ora combatido fundamenta os valores lançados em informações obtidas junto aos livros contábeis, notadamente Livro Razão, e DIPJ confeccionados pela própria recorrente. A recorrente sustenta que tais informações estão incorretas, e que as informações reais seriam as apresentadas em planilha e em DIPJ retificadoras não aceitas devido a terem sido apresentadas após o início da ação fiscal. Observase, contudo, que a recorrente não apresentou um documento sequer capaz de comprovar o alegado. O fato de seus documentos fiscais terem sido destruídos em um incêndio não lhe socorre, tendo em vista que a autuação é baseada em documentos confeccionados pela própria recorrente, contemporâneos aos fatos geradores do tributo, e que possuem valor probatório. Desta forma, devido a recorrente não conseguir comprovar que suas receitas são isentas/imunes das contribuições ora exigidas, nos termos da Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT Nº 381, de 20/08/2004, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 416DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 15463.722092/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS ODONTOLÓGICAS (DENTISTA). COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas odontológicas na declaração de ajuste anual do contribuinte foi demonstrada por meio de documentos hábeis e idôneos no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS ODONTOLÓGICAS (DENTISTA). COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas odontológicas na declaração de ajuste anual do contribuinte foi demonstrada por meio de documentos hábeis e idôneos no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas odontológicas na declaração de ajuste anual do contribuinte foi demonstrada por meio de documentos hábeis e idôneos no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 20 92 /2 01 4- 16 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15463.722092/201416 Acórdão n.º 2402005.357 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 11/16, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2013, anocalendário de 2012, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 33/35), reproduzido a seguir: “Tratase de Notificação de Lançamento (NL) para constituição do crédito tributário correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao anocalendário de 2012. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da Notificação de Lançamento (NL) e do contido nos autos eletrônicos, o lançamento de ofício foi efetuado em razão de dedução indevida, de acordo com informações declaradas pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), por falta de comprovação, a título de despesas médicas, com glosa do valor de R$ 8.060,00, em razão dos recibos terem sido apresentados sem identificação do paciente e sem descrição do serviço prestado. (g.n.) O sujeito passivo foi cientificado da Notificação de Lançamento (NL) em 09/10/2014 e apresentou impugnação em 29/10/2014, alegando, em síntese, apresentar declaração constando os serviços prestados.” A decisão de primeira instância (fls. 33/35) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/09/2015 (fls. 40), o interessado interpôs, em 07/10/2015, o recurso de fls. 43/52. Nas razões recursais aduz, em síntese, que os valores de R$8.060,00 foram pagos ao dentista para tratamento da própria declarante, conforme documento de fl. 49. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. GLOSA DE DESPESAS COM DENTISTA Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutiveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou Declaração em que se afirma os pagamentos efetuados em favor do profissional Luiz Felipe Cunha de Noronha no valor total de R$8.060,00 (fls. 49), cirurgiãodentista, contendo o endereço do profissional, acompanhado de seu nome e CPF. A decisão de primeira instância entendeu que a Recorrente não comprovou as despesas odontológicas, pois a declaração do prestador de serviço odontológico trazida aos autos informa que houve despesa com prótese, que exige a comprovação diferenciada de Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15463.722092/201416 Acórdão n.º 2402005.357 S2C4T2 Fl. 4 5 receituário odontológico e nota fiscal em nome do beneficiário, na forma do inciso V do § 2º do art. 8 da Lei 9.250/1995, nos seguintes termos: “[...] Logo, a utilização das deduções a título de despesas médicas encontrase sujeita ao cumprimento dos seguintes requisitos: restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica de quem os recebeu. A declaração do prestador de serviço odontológico trazida aos autos informa que houve despesa com próteses. Ocorre que a legislação tributária exige comprovação diferenciada no tratamento com colocação de prótese dentária, sendo necessários receituário odontológico e nota fiscal em nome do beneficiário, na forma do inciso V do § 2º do art. 8 da Lei nº 9.250/1995. Destarte, restam inadmissíveis as deduções se não atendidas as exigências legais para a dedutibilidade. [...]” Na análise da imputação apresentada pelo Fisco, o documento de fls. 49 (Declaração) atende os dois requisitos estipulados pelo Fisco para a motivação do lançamento, que foram: (i) recibos sem identificação do paciente; e (ii) recibos sem descrição do serviço prestado (fls. 19/21). Já quanto ao fundamento da decisão a quo – de que a despesa com prótese exige a comprovação diferenciada de receituário odontológico e nota fiscal em nome do beneficiário – esta acusação não faz parte do litígio inicial, somente surgindo na DRJ, motivo para sua desconsideração, em respeito ao devido processo legal, que determina que, para o exercício da ampla defesa e do contraditório, a acusação deve ser clara e certa. Entendo que não cabe à DRJ inovar a fundamentação fática para a manutenção do lançamento fiscal e, por isso, a mesma deve ser desconsiderada, pois, no caso em questão, verificase que a documentação apresentada pela Recorrente atende os dois requisitos da motivação inicial do lançamento. A documentação, na verdade, vem sendo apresentada, o que demonstra a vontade da contribuinte em cumprir com sua obrigação. Os documentos de fls. 19/21 (Recibos de pagamento) e fls. 49 (Declaração), especificando os pagamentos realizados e acompanhado da declaração de prestação de serviços odontológicos de dentisteria, prótese e ortopedia funcional, apontam a efetividade da prestação de serviços à Recorrente no anocalendário de 2012 (aspecto temporal do fato gerador da obrigação tributária), especificando Entendo que esses documentos de fls. 19/21 e fls. 49, acompanhado da declaração do profissional que prestou os serviços à Recorrente de que os valores foram inseridos na sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2012/2013 – constando inclusive o recibo de envio dessa declaração –, são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com dentista, pois evidenciam tanto a prestação do serviço como o Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 seu respectivo tomador, no caso o Recorrente, e, além disso, tais documentos comprovam a quitação do pagamento nos termos do art. 320 do Código Civil/2002. Código Civil/2002: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Logo, assiste razão à Recorrente. Com isso, é forçoso concluir que existe fundamento que autorize o restabelecimento das despesas odontológicas no valor de R$8.060,00. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesas com dentista no valor de R$8.060,00, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10880.048601/93-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA- Presidente
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Tatiana Josefovicz Belisário, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Aplicase a Súmula CARF n° 1 que dispõe importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA.A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício somente será cancelada quando os depósitos judiciais forem integrais, o que não é o caso. Assim, a multa de ofício deve ser mantida. JUROS DE MORA Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MATÉRIAS NÃO ALEGADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.Consideramse preclusas, não se tomando conhecimento, as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância. Conheceuse em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negouse provimento ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 04 86 01 /9 3- 43 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Tatiana Josefovicz Belisário, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: IPIRANGA AÇOS ESPECIAIS S/A, empresa acima identificada, foi submetida à auditoria fiscal. Ao final do procedimento fiscal a fiscalização constatou falta de recolhimento do FINSOCIAL referente aos meses de 05/90 a 03/92, conforme descrito à fl. 11, na folha de continuação ao Auto de Infração. Em razão da irregularidade apurada, foi lavrado, em 05/08/93, o seguinte auto de infração, cientificado ao contribuinte na mesma data: Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL, fls. 10/12): Crédito tributário apurado, 446.697,22 Ufir, contemplando a contribuição, multa de ofício e juros de mora, calculados até 05/08/93, enquadramento legal citado à fl. 12. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 15/25, em 08/09/93, alegando em síntese: 4.1.o débito objeto do auto de infração está sendo contestado em juízo, inclusive com a efetivação de depósitos judiciais, o que faz com que ocorra a suspensão do crédito tributário; 4.2.não poderia ser exigido o crédito tributário, principalmente com multa e juros de mora; 4.3.a exigência do FINSOCIAL é inconstitucional; 4.4.requer seja julgada procedente a impugnação. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10880.048601/9343 Acórdão n.º 3201002.244 S3C2T1 Fl. 442 3 É o relatório. O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO I no 1622.146, de 16/07/2009, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1990, 1991, 1992 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. MULTA DE OFÍCIO. De ofício, deve ser aplicada a lei que comine penalidade menos severa a fatos pretéritos não definitivamente julgados. JUROS DE MORA.Os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão judicial. TRD. De ofício, deve ser excluída a exigência dos juros de mora equivalentes à TRD acumulada no período compreendido entre 4 de fevereiro e 29 de julho de 1991. Lançamento Procedente em Parte O julgamento foi no sentido de não tomar conhecimento da impugnação no tocante à matéria já levada à apreciação do Poder Judiciário e considerar procedente em parte o lançamento no tocante às demais matérias, reduziuse a multa de ofício para 75%, tendo em vista retroatividade benigna, bem como de ofício, excluiu a exigência dos juros de mora equivalentes à TRD acumulada no período compreendido entre 4 de fevereiro e 29 de julho de 1991. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz mesmos argumentos em sua peça impugnatória. Alega a inaplicabilidade de juros sobre multa. O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Tratase de lançamento para prevenir decadência para cobrança de valores a título de Contribuição para o FINSOCIAL, nos períodos referentes aos anos calendário de 1990, 1991 e 1992. A recorrente ajuizou ação de rito Ordinário nº 90.00.046653, pleiteava a declaração de inexistência de relação jurídica com a União Federal atinente à contribuição ao FINSOCIAL, conforme se infere da Certidão de Objeto e Pé de fl. 219. A mesma matéria discutida nos autos foi levada à apreciação do Poder Judiciário, ou seja, a exigência do FINSOCIAL. A coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, na qual são soberanas as decisões judiciais. Em consequência, o órgão de origem deverá proceder conforme disposto na letra “d” do ADNCOSIT nº 3/96: o processo será encaminhado para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no artigo 149 do CTN; e estando a exigibilidade suspensa por liminar em Mandado de Segurança ou depósito do montante integral, deverá aguardar o pronunciamento judicial. A fiscalização cumpriu seu dever, de acordo com o art. 142 do CTN, no sentido de sua vinculação à constituição do crédito tributário. Quanto à questão sob apreciação do Judiciário, aplicase, inclusive a Súmula Carf nº 1 que dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quanto à multa de ofício. Os casos em que se dispensa do lançamento, a multa de ofício, estão previstos no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, a seguir transcrito: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10880.048601/9343 Acórdão n.º 3201002.244 S3C2T1 Fl. 443 5 tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Por sua vez, o artigo 151 do CTN dispõe: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Como ressalva a decisão a quo: No caso em concreto, o contribuinte declara haver efetuado depósitos judiciais das quantias questionadas. Nas folhas 40/67 observamse diversas Guias de Depósito, porém somente algumas delas favorecem ao contribuinte, sendo as demais referentes a depósitos efetuados pelos litisconsortes da ação judicial. Um resumo dos depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte encontrase às fls. 82/83. Ao se comparar o valor do tributo devido apurado pela fiscalização (fls. 04/06) com os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte (fls. 82/83), concluise que os valores depositados foram em montante menor do que aquele exigido de ofício. Nos termos do ParecerCosit nº 02/99, a multa de ofício somente será cancelada quando os depósitos judiciais forem integrais. Assim, a multa de ofício deve ser mantida. Logo, tendo em vista, o art. 63 da Lei 9.430/96, acima disposto, correto está o lançamento. Quanto ao pedido de não aplicação da taxa SELIC como juros de mora, igualmente a questão já está sumulada, através da Súmula CARF n° 5, posto que os depósitos judiciais foram inferiores e não integrais, como afirma a Recorrente. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. E, por derradeiro, quanto ao pleito de não incidir juros sobre multa, consideramse preclusas, não se tomando conhecimento, as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente nesta fase recursal. Em face do exposto, não conheço da parte do recurso voluntário já levada à apreciação do poder judiciário e nas parte conhecida, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Fl. 446DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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