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Numero do processo: 10725.003291/2007-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam-se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo.
Numero da decisão: 2001-000.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam-se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitamse à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 32 91 /2 00 7- 51 Fl. 99DF CARF MF 2 Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 10 a 12, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 33.746,41, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar, mais juros e multa de oficio (calculados até 01/2007) de R$21.935,23. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 01 a 06, juntando diversos documentos para evidenciar a prestação do serviço, valor total pago, confirmando o endereço do estabelecimento do prestador e o beneficiário. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, que a exigência decorre de mera suposição de irregularidade. Ressalta que, visando dirimir as dúvidas quanto à idoneidade e certeza das despesas médicas, teve o necessário cuidado de obter de cada prestador de serviços médicos uma declaração ratificando a efetiva prestação dos serviços e do pagamento. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, mediante declaração ou novos recibos, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas cabais e ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio dos recibos e declarações em anexo, que somente corroboram de forma pormenorizada os serviços prestados ao ora Recorrente. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10725.003291/200751 Acórdão n.º 2001000.118 S2C0T1 Fl. 3 3 Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos supostos tratamentos de odontologia e fisioterapia, com declaração contendo endereço completo do prestador, com CPF/CNPJ do prestador, valor pago pelo contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. A comprovação a ser feita compreende basicamente 0 pagamento do serviço médico, a ser feito pelas formas indicadas no inciso III do § 1° do art. 80 do RIR/1999 e o beneficiário ser o contribuinte ou seus dependentes. Fl. 101DF CARF MF 4 Para tanto, é necessário que o recibo ou nota fiscal, a depender se o documento foi emitido por pessoa física ou jurídica, contenha o nome completo do prestador dos serviços, o CPF ou CNPJ do prestador, o endereço no qual foram prestados os serviços, a pessoa beneficiária dos serviços e a discriminação do tipo de serviço. O contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual (fls. 37/40),exercício 2004, gastos de despesas médicas no valor total de R$ 35.297,00. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal (fls.11), o contribuinte teve glosado o valor 33.746,41, relativo as despesas declaradas como realizadas com os profissionais Galyds Rocha Ajala (R$ 12.600,00), Clayton Antunes Ribeiro (R$ 16.000,00) e Jose Augusto Rios Cordeiro de Almeida (R$ 5.000,00), uma vez que os recibos apresentados não identificavam o beneficiário dos serviços prestado, e R$ 146,41 correspondente à diferença entre os valores declarados e comprovado pelo contribuinte como pagos à Unimed do Norte Fluminense (CNPJ: 30.417.661/000188). No intuito de provar tais despesas, o contribuinte anexa, às fls. 14/24, recibos dos profissionais Ga1yds Rocha Ajala (R$ 12.600,00), Clayton Antunes Ribeiro (R$16.000,00) e Jose Augusto Rios Cordeiro de Almeida (R$ 5.000,00), que não atendem aos requisitos legais exigidos, uma vez que deixam de informar o beneficiário dos serviços prestados. Não existem nos autos outros documentos capazes de comprovar as despesas médicas glosadas. A identificação do beneficiário dos serviços prestados é imprescindível, urna vez que, conforme legislação citada acima, só é permitida a dedução de despesas médicas comprovadas referentes ao contribuinte ou seus dependentes. Assim, não tendo o contribuinte trazido aos autos documentos hábeis a comprovar as despesas médicas glosadas, deve ser mantida a glosa efetuada pela Autoridade Fiscal. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos não foram suficientes para comprovar as despesas. Ademais, em sede de recurso, foram juntadas declarações dos profissionais, com todos os dados essenciais à comprovação da prestação dos serviços, corroborando a existência dos mesmos. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10725.003291/200751 Acórdão n.º 2001000.118 S2C0T1 Fl. 4 5 oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação superficial do lançamento bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. Salientese, que em relação às despesas não impugnadas, quais sejam, a despesa de previdência privada , bem como o valor R$ 146,41 correspondente à diferença entre os valores declarados e comprovado pelo contribuinte como pagos à Unimed do Norte Fluminense (CNPJ: 30.417.661/000188), são mantidas à cobrança imediata. CONCLUSÃO: Fl. 103DF CARF MF 6 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.901828/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2013
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Numero da decisão: 3302-005.004
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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COFINS Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 18 28 /2 01 3- 62 Fl. 74DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório (Rastreamento nº 56399266), emitido em 03/07/2013, pela DRF em Londrina, que não homologou a compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 39414.29017.280513.1.3.043640, uma vez que o crédito informado de R$ 13.998,87, correspondente a parte do pagamento de COFINS (código 5856), efetuado em 21/03/2013, já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte (o recolhimento foi utilizado para extinguir débito de Cofins do próprio PA 28/02/2013). Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado; e carece de definição o significado de ‘disponibilidade do crédito’ no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam na restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10930.901828/201362 Acórdão n.º 3302005.004 S3C3T2 Fl. 75 3 É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 21/03/2013 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação do direito desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente a demonstrar que determinadas receitas foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências, necessárias à comprovação do crédito. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 76DF CARF MF 4 DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.901828/201362 Acórdão n.º 3302005.004 S3C3T2 Fl. 76 5 preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 78DF CARF MF 6 Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.901828/201362 Acórdão n.º 3302005.004 S3C3T2 Fl. 77 7 Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compô la e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Fl. 80DF CARF MF 8 Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.901828/201362 Acórdão n.º 3302005.004 S3C3T2 Fl. 78 9 idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.978757/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
COFINS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de COFINS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.074
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001 COFINS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de COFINS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de COFINS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 87 57 /2 00 9- 42 Fl. 153DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de COFINS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou COFINSa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.978757/200942 Acórdão n.º 3402005.074 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 155DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.978757/200942 Acórdão n.º 3402005.074 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 157DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.978757/200942 Acórdão n.º 3402005.074 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679839/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 39 /2 00 9- 15 Fl. 119DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 40082.70303.180607.1.3.040404, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma e que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.679839/200915 Acórdão n.º 2201004.319 S2C2T1 Fl. 120 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Posteriormente, o contribuinte apresenta nova petição objetivando complementar sua manifestação de inconformidade, fl. 43 a 45, na qual afirma que detectou recolhimentos superiores aos valores efetivamente devidos a título de IRRF, CIDE e COFINS, nos exercícios de 2004 a 2007, no valor total de R$ 2.735.307,23. Reafirma que, a despeito de efetiva existência do crédito pleiteado, deixou de retificar as DCTF do período em que ocorreu o recolhimento a maior, do que teria surgido a suposta falta de créditos para homologação da compensação declarada e que tal equívoco teria sido sanado com a apresentação de DCTF retificadora (fl. 59/71). Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 73 a 79, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Fl. 121DF CARF MF 4 Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 26/11/2010, conforme AR de fl. 81, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 88 a 104, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.679839/200915 Acórdão n.º 2201004.319 S2C2T1 Fl. 121 5 Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 123DF CARF MF 6 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. A DCTF retificadora foi apresentada em 03/12/2009, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679839/200915 Acórdão n.º 2201004.319 S2C2T1 Fl. 122 7 compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que teria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO Fl. 125DF CARF MF 8 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.679839/200915 Acórdão n.º 2201004.319 S2C2T1 Fl. 123 9 Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001341/2004-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não serve como paradigma decisão que contrariar texto expresso de Súmula (art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 9101-003.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.001764/2007-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Não serve como paradigma decisão que contrariar texto expresso de Súmula (art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 16327.001764/200754, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 41 /2 00 4- 91 Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16327.001341/200491 Acórdão n.º 9101003.316 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado contra acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário para deferir Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. Alega a Fazenda Nacional, em apertada síntese, que o contribuinte deve demonstrar que, na data da opção (entrega da DIPJ), estava regular perante o Fisco (art. 60 da Lei nº 9.069/95). A recorrente argumenta, em síntese que, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, o acórdão paradigma (910100.458), cujo voto destaca o entendimento segundo o qual o contribuinte deveria comprovar a regularidade fiscal no momento em que entrega a declaração. E ressalta que a questão do momento em que se deve aferir a regularidade fiscal do contribuinte já está pacificada por meio da Súmula CARF nº 37, porém, que cabe ao contribuinte, em qualquer momento do processo administrativo, provar que na data da opção pelo benefício estava regular perante o Fisco. Ao final requer a PFN seja o recurso conhecido e provido, para reforma do acórdão recorrido, com o conseqüente indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC apresentado pelo contribuinte. Cientificada do Recurso Especial da PFN e do despacho que o admitiu, a interessada apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da PFN. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.311, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 16327.001764/200754. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.311): O Recurso Especial manejado é tempestivo, porém precisa ser revisto no tocante à sua admissibilidade. É que, ao analisar o pleito o colegiado a quo aplicou, ao caso concreto, o enunciado da Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16327.001341/200491 Acórdão n.º 9101003.316 CSRFT1 Fl. 4 3 Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. A referida Súmula CARF nº 37 foi publicada em 14/07/2010. Ocorre que o acórdão paradigma (nº 910100.458) foi proferido na sessão de 4 de novembro de 2009, sendo portanto anterior à Súmula e contraria o entendimento sumular, porque assentou entendimento no sentido de que a prova da regularidade fiscal prova da quitação somente pode ser feita até a data do despacho decisório. Observese do seguinte trecho colhido do voto: Poderia a contribuinte, até a data do despacho decisório, fazer prova de sua regularidade, em relação aos fatos geradores ocorridos até da entrega da DIPJ do anocalendário 1997, o que não o fez. Em suma: à época da entrega da DIPJ/98 pela contribuinte, efetuada em 24.04.98, conforme recibo de fls. 03, havia débitos fiscais em seu nome, não tendo a Contribuinte, até a data do despacho decisório, apresentado a posterior prova de sua regularidade fiscal, o que prejudica a concessão do beneficio fiscal requerido, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069/95. Assim, como o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 (e alterações), tem dispositivo específico determinando que não serve como paradigma o acórdão que, na data do exame de admissibilidade, deduza tese que contrarie Súmula ou Resolução do Pleno da CSRF art. 67, § 12, III, manifestase por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 789DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000025/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002, 2003
NULIDADE. MPF
O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO.
Para fim de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, admitindo-se, observada a legislação de regência, a compensação dos tributos recolhidos nos respectivos países.
Por força do decidido pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) nº 2.588, que julgou a constitucionalidade do artigo 74, da MP nº 2.158-35/2001, devem ser cancelados os lançamentos relativos aos anos-calendário até 2001.
Numero da decisão: 1402-002.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em i) rejeitar a preliminar de nulidade; ii) cancelar integralmente a exigência referente aos anos-calendário de 1996 a 2001, inclusive; iii) excluir do IRPJ exigido nos anos-calendário de 2002 e 2003 os montantes de R$ 60.343,42 e R$ 363.403,92; respectivamente; e: iv) excluir da CSLL exigida nos anos-calendário de 2002 e 2003 os montantes de R$ 25.352,53 e R$ 123.784,98; respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002, 2003 NULIDADE. MPF O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002, 2003 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Para fim de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, admitindo-se, observada a legislação de regência, a compensação dos tributos recolhidos nos respectivos países. Por força do decidido pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) nº 2.588, que julgou a constitucionalidade do artigo 74, da MP nº 2.158-35/2001, devem ser cancelados os lançamentos relativos aos anos-calendário até 2001.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em i) rejeitar a preliminar de nulidade; ii) cancelar integralmente a exigência referente aos anos-calendário de 1996 a 2001, inclusive; iii) excluir do IRPJ exigido nos anos-calendário de 2002 e 2003 os montantes de R$ 60.343,42 e R$ 363.403,92; respectivamente; e: iv) excluir da CSLL exigida nos anos-calendário de 2002 e 2003 os montantes de R$ 25.352,53 e R$ 123.784,98; respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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MPF O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Para fim de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior são considerados disponibilizados para a controladora no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, admitindose, observada a legislação de regência, a compensação dos tributos recolhidos nos respectivos países. Por força do decidido pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) nº 2.588, que julgou a constitucionalidade do artigo 74, da MP nº 2.15835/2001, devem ser cancelados os lançamentos relativos aos anos calendário até 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em i) rejeitar a preliminar de nulidade; ii) cancelar integralmente a exigência referente aos anoscalendário de 1996 a 2001, inclusive; iii) excluir do IRPJ exigido nos anoscalendário de 2002 e 2003 os montantes de R$ 60.343,42 e R$ 363.403,92; respectivamente; e: iv) excluir da CSLL exigida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 25 /2 00 6- 91 Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.477 2 nos anoscalendário de 2002 e 2003 os montantes de R$ 25.352,53 e R$ 123.784,98; respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.478 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/SPO1 em sessão de 06 de abril de 2009 (fls. 838/857)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003 TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. VARIAÇÃO CAMBIAL. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. A conversão para reais dos lucros apurados por controlada ou coligada no exterior deve ser feita pela taxa de câmbio da data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, fato gerador da obrigação tributária. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Afastase a compensação de créditos de imposto de renda relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, dada a insuficiência probatória da documentação apresentada pela contribuinte, nos termos da legislação vigente. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. A contestação pontual em face das infrações imputadas demonstra inexistência de prejuízo à defesa do autuado, descaracterizando o vício de cerceamento de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2002,31/12/2003 CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, quando disponibilizados a partir de 1° de outubro de 1999, observadas as normas de tributação universal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003 MPF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. PRODUÇÃO DE PROVAS. REQUISITOS. 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.479 4 Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido genérico de provas. Lançamento Procedente Como este processo já veio à apreciação desta mesma Turma e Câmara, com outra composição e, à época, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, valhome do bem elaborado relatório que, embora conciso, trata fidedignamente os fatos (Resolução nº 1402000.142, de 13/09/2012 – fls. 917/928): “Por refletir a realidade dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida, no quanto segue transcrito: Em ação fiscal empreendida junto ao contribuinte acima identificado, originada pelo MPF nº 08.1.71.0020080005105, foram lavrados Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 507/512) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls.516/518), relativos a fatos geradores ocorridos em 31/12/2002 e 31/12/2003, decorrentes da falta de adição ao lucro líquido de lucros disponibilizados no exterior, pelas controladas SANIX TRADING CORPORATION SA e MULTIJACTO. 2. A infração apurada encontrase descrita no Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 507/512): "001 — ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas, ou coligadas, apurados conforme demonstrações financeiras em anexo. Fato Gerador Valor tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2002 RS 402.778,03 75,00 31/12/2003 RS 1.585.350,75 75,00 Enquadramento legal: Art. 43 da Lei Complementar 101/2000, modificado pela Lei Complementar 104/2001; Art 74 da MP n. 2.15835/01 de 24 de agosto de 2001, vigente nos termos do artigo 20 da EC n° 32, de II de setembro de 2001. Art. 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/95, art. 16 da Lei n° 9.430/96; arts. 249, inciso 1L e 394, do RIR/99; art 3º da Lei n° 9.959/00." "002— ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior, por filiais sucursais, controladas, ou coligadas, apurados conforme demonstrações financeiras em anexo. Fato Gerador Valor tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2002 RS 7.765.598,93 75,00 Enquadramento legal: Art. 43 da Lei Complementar 101/2000, modificado pela Lei Complementar 104/2001; Art. 74 da MP n. 2.15835/01 de 24 de agosto de 2001, vigente nos termos do artigo 2º da EC n°32, de 11 de setembro de 2001. Art. 25, §§ 2° e 3º, da Lei n° 9.249/95, art. 16 da Lei nº 9.430/96; arts. 249, inciso II, e 394, do RIR199; art. 3° da Lei n° 9.959/00. Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.480 5 3. O enquadramento legal da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido está descrito a fls. 517/518: "Enquadramento legal: Art. 43 da Lei Complementar 101/2000, modificado pela Lei Complementar 104/2001; Art. 74 da MP n. 2.15835/ 01 de 24 de agosto de 2001, vigente nos termos do artigo 2º da EC n°32, de 11 de setembro de 2001.MP 18586/99 Art. 21. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse á incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os artigos 25 a 27 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei n°9.430, de 1996, e o art. 1° da Lei n° 9.532/97. Art. 2 e §§, da Lei n°7.689/88; art. 19 da Lei n°9.249/95; art. 1° da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 6º da Medida Provisória n°1.858/99 e reedições." 4. Os créditos tributários constituídos, acrescidos de multa proporcional e juros, calculados até 31/10/2006, perfazem os montantes de R$ 5.743.374,71 (cinco milhões, setecentos e quarenta e três mil e trezentos e setenta e quatro reais e setenta e um centavos) de IRPJ e R$ 2.047.858,93 (dois milhões, quarenta e sete mil e oitocentos e cinqüenta e oito reais e noventa e três centavos) de CSLL, (fl. 519). 5. Ao que interessa à presente lide, a autoridade fiscal relatou no Termo de Verificação Fiscal de fls. 526: 5.1. a autuada Máquinas Agrícolas JACTO e a UNIPAC Indústria e Comércio Ltda. são controladas pela empresa UJI COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA; 5.2. a empresa apresentou documentação que não constitui prova hábil, nos termos da legislação vigente, a comprovar o pagamento de Imposto de Renda no exterior utilizado para deduzir o valor do imposto devido no Brasil; 5.3. a empresa apresentou declaração de que não possui mútuo com as empresas coligadas c coligadas no exterior; 5.4. sobre a controlada SANIX TRADING CORPORATION S/A: • A participação da autuada na empresa SANIX TRADING CORPORATION SA foi de 41,46% até 30 de setembro de 2004; partir de então essa participação passou a ser de 61,045% sobre o Capital Social. A controlada, domiciliada em Montevidéu, Uruguai, constituída em 19 de março de 1987, denominavase anteriormente LAIRO SA; • a fiscalizada não apresentou os demonstrativos relativos ao "Estado de Simación Patrimonial" da empresa SANIX TRADING CORPORATION SA em 31.12.2001; • a controlada foi objeto de dação em pagamento à controladora da autuada, UJI COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA, conforme Instrumento Particular de Dação em Pagamento através de Cessão e Transferência de Ações e Quitação Parcial de Haveres, datado de 22 de fevereiro de 2005. 5.5. Sobre a sociedade MULTIJACTO S/A (ARGENTINA – fl. 80 e seguintes e 271 e seguintes) Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.481 6 • até o anocalendário 2003, a autuada possuía 99,72% sobre a controlada MULTIJACTO S/A, domiciliada em Buenos Aires e constituída em 20/04/1989. 5.6. Sobre os tributos devidos: • Os lucros apurados pelas controladas/coligadas até 31.12.2001, ainda não tributados, são considerados disponibilizados em 31.12.2002. No tocante ao IRPJ, a regra alcança os lucros apurados a partir de 01.01.1996. Em relação à CSLL, somente os lucros apurados a partir de 01.10.99 podem ser tributados, tendo em conta que essa incidência foi instituída pela MP 18586/ 99, e de acordo com o AD SRF 75/99; • Com base nas DIPJ da fiscalizada e na documentação apresentada relativa aos lucros e equivalência patrimonial das controladas SANIX Trading Corporation S/A c MULTIJACTO, a autoridade fiscal elaborou a tabela demonstrativa abaixo reproduzida: (...) Não foram considerados os valores apurados a título de resultados de Equivalência Patrimonial das controladas porque inferiores aos lucros disponibilizados a serem adicionados à base tributária do IRPJ e da CSLL apurados conforme abaixo demonstrado: (...) 6. Cientificada do lançamento em 27/11/2006, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 548/569, destacando inicialmente: I – Que em 31 de dezembro de 2002, em razão do disposto na Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a Recorrente ofereceu à tributação, no Brasil, os lucros auferidos no exterior no período compreendido entre 1996 e 2001; bem como os lucros contabilizados em 2002. II Todavia, ao analisar a escrita fiscal da Recorrente a digna autoridade fiscal discordou da forma de cálculo deste lucro oferecido à tributação, basicamente em três pontos: (i) a data em que foram convertidos os lucros auferidos entre 1996 e 2001; (iii) ausência de oferecimento à tributação, no Brasil, da variação cambial dos investimentos no exterior; e (iii) quanto aos lucros da Multijacto, a compensação do imposto pago na Argentina com os tributos devidos no Brasil. III Quanto ao primeiro ponto; a d. Fiscalização tornou como lucros do exterior para o período de 1996 a 2001 um determinado valor em moeda estrangeira e converteuo para reais segundo uma única cotação relativa a 31 de dezembro de 2002. A conversão utilizou, portanto, o câmbio da data da disponibilização dos lucros, já que o artigo 74 da MP 2.15835/ 01, por uma ficção jurídica, considerou os lucros como disponibilizados em 31 de dezembro de 2002. Contudo, à luz do artigo 25, § 4º, da Lei nº 9.249, de 1995, e do art. 6º, § 3º, da IN SRF, abaixo transcritos, a conversão deve se dar pela taxa de câmbio no dia das demonstrações financeiras de que tenham sido apuradas. Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.482 7 (...) IV Portanto, embora sejam considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, os lucros apurados entre 1996 e 2001 devem ser convertidos para Reais de acordo com a cotação da moeda na data das demonstrações financeiras em que foram apurados. V – Resta claro que, ao converter os lucros que entendeu serem os auferidos no exterior no período de 1996 a 2001 pela taxa de câmbio de compra de 31 de dezembro de 2002, o Sr. Fiscal ignorou a norma que determina a conversão pela taxa de câmbio de venda do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados, incorrendo em patente ilegalidade. VI – Em defesa de sua tese, em relação conversão do lucro no exterior para reais, a recorrente cita os seguintes precedentes do Carf: Acórdão 10196854, julgado em 13.08.08; Acórdão 10196364, julgado em 11.10.07; Acórdãos 10196317 e 10196318, julgados em 13.09.07; Acórdãos 10196317 e 10196318, julgados em 13.09.07; Acórdão 10516365, julgado em 28.03.07; Acórdão 10195802, julgado em 19.10.06; Acórdão 10322638, julgado em 20.09.06; VII – Além das decisões acima, a recorrente faz referência à decisão da 3ª Turma da DRJ de São Paulo; da 2a. Turma da DRJ do Rio de Janeiro (fl. 816); VIII – Quanto a não tributação da variação cambial do investimento no exterior a recorrente cita fundamentos de fato e de direito e encerra transcrevendo soluções de consulta, pela ordem, da 8º, 2ª, 9ª, 7ª, sendo que dentre destas transcrevo apenas a primeira, visto que as demais são no mesmo sentido: (...) No que diz respeito à jurisprudência do Conselho acerca da variação cambial dos lucros auferidos no exterior, a recorrente cita os seguintes precedentes: Acórdão 10809789, julgado em 18.12.08; Acórdão 10196364, julgado em 171007; Acórdãos 10196317 e 10196318, julgados em 130907; Acórdão.10516365, julgado em 280307 e Acórdão 10194747, julgado em 221004, sendo que dentre estes transcrevo apenas a ementa do primeiro, visto que os demais são no mesmo sentido: (...) IX No que se refere ao lucros auferidos pela SANIX (Uruguai), sustenta a recorrente, in verbis: “76. Durante o período compreendido pela presente autuação fiscal, a participação societária na Sanix era detida pela Recorrente e pela empresa brasileira Unipac Indústria e Comércio Ltda. ("Unipac"), respectivamente nas proporções de 41,46% e 58,54%. O total dos lucros do exterior da Sanix oferecidos à tributação por seus acionistas foi o seguinte: (...) Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.483 8 X – Sobre os lucros apurados pela MULTIJACTO (Argentina) a recorrente invoca o artigo 26 da Lei nº 9.249, de 1995 e disposições da MP 2.15835, de 2001, que se encontra em vigor por força do art. 2º da Emenda constitucional nº 32, de 2001, argumentando que o chamado “impuesto a las ganâncias”, à alíquota efetiva de 35%, é superior ao IRPJ e a CSLL, devendo ser compensado com o imposto devido no Brasil, sob pena de afrontar a legislação brasileira e o artigo 7º, 10º, 23, 2, do tratado Brasil e a Argentina para evitar a bitributação (Decreto nº 87.976, de 22 de dezembro de 1982). XI – Por fim, sustenta a recorrente a não incidência de CSLL apurados antes de 1º de outubro de 1999. Contudo, foi incluído como base de cálculo a totalidade dos lucros apurados entre 1996 e 1º de outubro de 1999. Nesta linha, a partir da fl. 837, a recorrente cita vários precedentes deste Conselho, sendo que dentre estes elejo o que segue: (...) Além das alegações de mérito, em preliminar a requerente alegou nulidades do lançamento relacionada a vícios do MPF. A DRJ, por maioria de votos, considerou procedente o lançamento, sendo que a decisão recorrida possui a seguinte ementa (...).” Cientificada em 30/03/2009 (fls. 862), a recorrente acostou Recurso Voluntário em 02/06/2009 (fls. 871/907) no qual reafirma os argumentos expendidos na impugnação e rebate a decisão recorrida pontuando, em preliminar, estar equivocado o entendimento da DRJ que pugnou pela validade do MPF, mesmo que ausente notificação à fiscalizada quanto à sua prorrogação e conter apenas referência ao IRPJ e não à CSLL, o que invalidaria o lançamento em relação a esta contribuição. No mérito, aduz que a decisão “a quo” equivocouse quanto aos seguintes pontos: a) que a taxa de câmbio para a conversão para reais dos lucros auferidos pela controlada e pela coligada em moeda estrangeira seria a do dia da ocorrência do fato gerador e não a da data das demonstrações financeiras em que foram apurados; b) que entendeu que todo o resultado positivo de equivalência patrimonial do investimento no exterior é tributável, independentemente de ser resultante de lucros apurados na investida ou decorrente da variação cambial; c) que não aceitou a compensação de tributos pagos sobre lucros auferidos na Argentina pela Multijacto e pretende sua tributação no Brasil, ignorando os termos da Convenção para evitar a dupla tributação firmada entre os países; d) que entendeu que mesmo os lucros apurados antes da vigência da MP 1.8586/99 são alcançados pela tributação da CSLL. Subindo os autos à apreciação deste Colegiado, esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul, pelo voto condutor de seu Relator original, decidiu pela conversão do julgamento em diligência especificamente para que a unidade de origem informasse acerca das “provas de pagamento de tributos na Argentina”, conforme excertos abaixo extraídos da Resolução nº 1402000.142, de 13/09/2012 (fls. 928), verbis: Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.484 9 “Feito os registros anteriores, tenho que a análise da matéria deve ser iniciada pelas questões relacionadas à prova dos tributos pagos na Argentina para efeito de compensação com os valores devidos no Brasil. Não se discute nestes autos que os valores pagos na Argentina, em face do tratado apontado no relatório, devem ser compensados com os valores devidos no Brasil. A questão diz respeito à prova do pagamento. Nos termos da decisão acatada, a recorrente não se desincumbiu da exigência prevista no artigo 395, § 2º, do regulamento do Imposto de Renda, que prevê que para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (Lei n° 9.249, de 1995, art. 26, §2). A matéria dos autos não diz respeito à tradução, mas sim à prova do pagamento dos impostos na Argentina, em relação aos lucros acumulados pela MULTIJACTO. É evidente que cabe à prova do pagamento a quem efetua. No entanto, estamos tratando de um período de 1996 a 2001 em que se tributava os lucros somente quando disponibilizados. Com a mudança da legislação em 2002, em relação aos lucros apurados em exercícios anteriores, estes, de forma ficta, passaram a ser disponibilizados em 31 de dezembro de 2002. Nesta linha, entre a possibilidade de não pagamento de nenhum imposto na Argentina e a premissa de pagamento dos respectivos tributos ainda que, por hipótese, de forma parcial, há que se fazer diligência para ver o quanto foi apurado. Nesta linha, dado o princípio da verdade material e considerando que o Brasil possui adido tributário na Argentina, voto por converter o julgamento em diligência para que o adido Brasileiro na Argentina diligencie junto aos órgãos competentes com o propósito de esclarecer se as receitas que geraram os lucros da empresa MULTIJACTO, no período de 1996 a 2003, foram oferecidos à tributação e se os tributos incidentes sobre a renda foram pagos e, caso positivo, quanto foi pago em cada um dos respectivos períodos de apuração. ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: 1º) que o adido Brasileiro na Argentina diligencie junto aos órgãos competentes com o propósito de esclarecer se as receitas que geraram os lucros da empresa MULTIJACTO, no período de 1996 a 2003, especificadas nestes autos, foram oferecidos à tributação e se os tributos incidentes sobre a renda foram pagos e, caso positivo, qual o percentual exigido em cada um dos períodos de apuração; Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.485 10 2º) ao retornar os autos da diligência, seja dado vista à parte interessada, por prazo não inferior a 30 (trinta) dias para, querendo, se manifeste sobre os termos da diligência”. Cumprido o determinado pelo Colegiado, os autos retornaram com a Informação Fiscal (“Relatório de Encerramento de Diligência – RED” – fls. 1387/1395) acrescidos de documentos (fls. 933/1378) e manifestação da recorrente (fls. 1431/1436). É o relatório do essencial. Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.486 11 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Como relatado, os autos já foram objeto de apreciação anterior por esta Turma, oportunidade em que houve a conversão do julgamento em diligência, matéria (direito à compensação do tributo pago na Argentina) que será analisada mais à frente, no mérito. Antes, cabe verificar os demais componentes dos autos, iniciando pela preliminar de nulidade por eventual deficiência do MPF. Está pacificado o entendimento na jurisprudência administrativa de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) prestase primordialmente a controle de natureza interna da Receita Federal. Ou seja, é regramento administrativo que dá as diretrizes do procedimento a ser levado a efeito, SEM, JAMAIS, suprir a competência legal do servidor responsável pela ação fiscal prevista no artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse contexto, cabe ao AuditorFiscal que preside o feito elaborar os termos que entender necessários para o melhor cumprimento do trabalho fixado, sendo tais termos aqueles que iniciam, dão sequência ou encerram a ação fiscal, aí incluídas eventuais circularizações, pesquisas ou obtenção de dados, bem como o procedimento de requerer, internamente, a conversão de um MPF de Diligência em MPF de Fiscalização ou a ampliação, de tributos ou períodos, se as circunstâncias e os fatos assim exigirem. Estas ocorrências em nada alteram a competência do servidor, fixada por lei, assim como em nada modifica a presteza e qualidade das informações que devem ser disponibilizadas pelos contribuintes sob procedimento fiscal (de diligência ou de fiscalização), máxime porque a obrigatoriedade de prestar referidas informações e exibir livros e documentos não advém de simples Portaria (e nem do MPF), mas de norma legal plenamente vigente (RIR/1999, com os fundamentos legais discriminados ao final de cada artigo): Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.487 12 Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). Bem a propósito, jurisprudência do CARF a respeito: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2004 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto nº 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão nº 20180670 – Relator Maurício Taveira e Silva) E, para que não pairem dúvidas sobre a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal para diligenciar e fiscalizar os contribuintes, observemse os seguintes artigos do RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1.999): Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e DecretoLei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). § 1º A ação fiscal direta, externa e permanente, realizarseá pelo comparecimento do AuditorFiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). É remansosa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em todas as suas Câmaras, a respeito de nulidades suscitadas em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal, todas improvidas: PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – PRORROGAÇÃO – VALIDADE – A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de nºs 1265/1999, 3007/2001 e 1.468/2003. (Data da Sessão 14/09/2007 Relator Paulo Roberto Cortez –Acórdão nº 10196351). Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.488 13 Do mesmo modo: Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Acórdão nº 10615259 Data da Sessão 25/01/2006 Relator(a) Luiz Antonio de Paula MPF NULIDADE DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos a emissão regular do MPF bem como do MPF complementar e prorrogações, deve ser afastada a preliminar de nulidade calcada em alegada irregularidade ou inexistência de tais documentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. Igualmente, os Acórdãos nºs 10809653, Relator Cândido Rodrigues Neuber; 10248948, Relator José Raimundo Tosta Santos; 10422515, Relator Antonio Lopo Martinez. Pela pertinência com o caso apreciado, vejase a seguinte decisão do CARF (à época, Conselho de Contribuintes): MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF nº 3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na afirmação de que somente a lei pode definir o círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos, vedandose ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderesdeveres conferidos pelo legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedimental, pois, como é cediço, o procedimento de fiscalização se curva ao Decreto nº 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas processuais administrativas, sem autorizar o Executivo a imiscuirse nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa, seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a normação dessa mesma matéria ao Poder Executivo (Processo nº 16327.002075/2002 52 – 3ª Câmara – 1º Conselho de Contribuintes – Sessão em 28/02/2007 – Relator Flávio Franco Corrêa – Acórdão 103 22886). Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.489 14 Acerca do fato de a CSLL não constar no MPF em nada modifica o antes aduzido, posto que, conforme art. 8º da Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 20112, não há necessidade de MPF específico para tributos abrangidos em um mesmo procedimento fiscal que diga respeito ao IRPJ. Por fim, corroborando o aduzido de que o MPF é (ou era!) mero documento de controle interno da Receita Federal de se destacar que hoje sequer é utilizado pelo Fisco, extinto que foi pela Portaria RFB nº 1.687/2014. Pelo exposto, rejeito a preliminar suscitada. Passo ao mérito. A discussão cingese em definir, i) se os lucros auferidos por controladas de empresa brasileira localizadas no exterior sofreriam tributação no Brasil; ii) se positiva a resposta, qual a data em que se deve considerar tais lucros disponibilizados e respectiva taxa cambial; iii) se o resultado de equivalência patrimonial medida pela comparação entre o investimento da controladora e o patrimônio da controlada seria sujeito à tributação; iv) se a tributação, caso exigível, alcançaria a CSLL; e, v) se o imposto pago no país estrangeiro, no caso, a Argentina, poderia ser objeto de compensação no Brasil. Antes, porém, necessário fazer um “corte” na análise, separando os lançamentos em dois tópicos, anoscalendário de 1996 a 2001 e AC 2002 e 2003. ANOSCALENDÁRIO DE 1996 A 2001 Em relação a esses lançamentos, sem maiores digressões, impõese cancelá los, por força do decidido pelo STF na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) nº 2.588, que julgou a constitucionalidade do artigo 74, da MP nº 2.15835/2001, assim ementada: Ementa: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS 2 Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.490 15 REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da clausula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.491 16 Pelo exame da decisão acima é possível concluir, relativamente àquilo que interessa, que o STF julgou o caput do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, dando lhe interpretação que pode ser sintetizada no quadro abaixo: Neste sentido, a norma, i) não alcança os lucros fictamente disponibilizados em 31 de dezembro de cada ano a pessoas jurídicas domiciliadas no país por suas coligadas domiciliadas em países cuja tributação sobre a renda não seja qualificada por lei como favorecida (item 2.1 da ementa); ii) alcança os lucros fictamente disponibilizados em 31 de dezembro de cada ano a pessoas jurídicas domiciliadas no país por suas controladas domiciliadas em países cuja tributação sobre a renda seja qualificada por lei como favorecida (item 2.2 da ementa). Pois bem, como a Fiscalização, para efetuar os lançamentos dos lucros de 1996 a 2001 sustentouse no indigitado artigo 74, em plena vigência à época dos fatos, MAS NÃO VIGENTE NO MOMENTO DESTE JULGAMENTO, cabe o cancelamento integral do montante autuado (IRPJ e CSLL), a saber: ANOSCALENDÁRIO DE 2002 e 2003 Foram assumidos pela Fiscalização para os lançamentos destes dois períodos, os seguintes valores: Valores demonstrados no quadro abaixo: Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.492 17 A recorrente alega ter tido prejuízo em 2002 e que, em 2003, haveria imposto a compensar com os tributos pagos na Argentina. Todavia, conforme bem demonstrado pela autoridade fiscal (fls. 603/607), de fato a recorrente apresentou lucro (tanto no Brasil quanto no exterior). Vejase a reprodução do quadro (fls. 606): Mencionados valores resultam da diferença entre os lucros apurados no exterior e o que foi oferecido à tributação no Brasil, via DIPJ. Conferindo: DIPJ 2003 AnoCalendário/2002 (fls. 778): DIPJ 2004 AnoCalendário/2003 (fls.791): Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.493 18 Impende, a partir de agora, ver o resultado da diligência realizada. Conforme consta da Resolução nº 1402000.142, de 13/09/2012, foi determinado: “1º) que o adido Brasileiro na Argentina diligencie junto aos órgãos competentes com o propósito de esclarecer se as receitas que geraram os lucros da empresa MULTIJACTO, no período de 1996 a 2003, especificadas nestes autos, foram oferecidos à tributação e se os tributos incidentes sobre a renda foram pagos e, caso positivo, qual o percentual exigido em cada um dos períodos de apuração; 2º) ao retornar os autos da diligência, seja dado vista à parte interessada, por prazo não inferior a 30 (trinta) dias para, querendo, se manifeste sobre os termos da diligência”. Cumprido o determinado pelo Colegiado, os autos retornaram com a Informação Fiscal (“Relatório de Encerramento de Diligência – RED” – fls. 1387/1395) acrescidos de documentos (fls. 933/1378) e manifestação da recorrente (fls. 1431/1436). De plano, destaco o parcimonioso e detalhado trabalho realizado pela Autoridade Fiscal que presidiu a diligência que trouxe robustos subsídios de forma a permitir a solução da lide neste aspecto e que, basicamente, referese à possibilidade de a recorrente compensarse, no Brasil, do imposto recolhido na Argentina e se os documentos que poderiam permitir tal encontro de contas atenderia às determinações vigentes, lembrando que, por ocasião da apreciação da impugnação pela Turma a quo, o entendimento foi no sentido de que “No caso em tela, constatase que a impugnante não observou a determinação contida no § 2° do artigo 395, do RIR/99, sendo inaceitáveis os créditos de imposto supostamente pago pelas controladas, dada a inexistência probatória dos demonstrativos apresentados”. (Ac. DRJ – fls. 856). Para melhor fixação, reproduzo excertos da Informação Fiscal (“Relatório de Encerramento de Diligência”): “Tendo em vista a Resolução nº 1402000.142 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que converteu o julgamento do processo nº 16561.000025/200691 em diligência, intimamos o contribuinte a demonstrar, de forma individualizada, cada quantia paga pela empresa argentina Multijacto à guisa de imposto sobre a renda nos moldes do nosso IRPJ, que compuseram os totais considerados recolhidos pelo contribuinte, referentes aos anoscalendário de 2002 ( $ 120.904,57 pesos argentinos ) e 2003 ( $ 1.005.630,97 pesos argentinos) conforme consta da Impugnação ao Auto de Infração e do Recurso Voluntário ao Acórdão nº 1620.982 – 5ª Turma da DRJ/SPOI. Em resposta à nossa intimação, o contribuinte apresentou documentos, enumerados de 1 a 6, a respeito dos quais observamos preliminarmente que: Doc. 2: documentos já acostados às fls. 735 e 737 do presente processo; Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.494 19 Doc. 3: documentos já acostados às fls. 739 e 740 do presente processo; Doc. 5: documento já acostado à folha 736 do presente processo; Doc. 6: documentos já acostados às fls. 739 e 740 do presente processo (Tratamse dos mesmos documentos apresentados como Documento 3!). Posteriormente, o contribuinte nos entregou um CD, que continha, além dos documentos relacionados acima, diversos aquivos com documentos comprobatórios de diversas “retenciones e percepciones” relativas aos anos de 2002 e 2003. Passemos a analisar o conteúdo de todos estes documentos em relação ao período fiscal a que correspondem. (...) Anocalendário 2002 Para esse período, foram apresentados os Docs. 2; 4 e 5 e os arquivos digitais relativos às “retenciones e percepciones” enumeradas de 1 a 76. O Doc. 2 é formado pela “Declaración Jurada”, formulário F.713 (similar à nossa DIPJ) e o seu respectivo recibo de entrega para o período correspondente ao ano de 2002. Foi nesse formulário que se apurou o “ Impuesto a Las Ganancias ” no valor de $ 120.904,57 pesos argentinos (quadro R3) após a aplicação da alíquota de 35% sobre o resultado líquido final de $ 345.441,64 pesos argentinos (quadro R2). Essa quantia de $ 120.904,57 pesos argentinos é então “compensada” da seguinte forma: $ 85.333,04 – Retenciones y/o Percepciones – quadro R4 – linha “r”; $ 14.241,72 – Saldo a favor DDJJ del 31/12/2001 – quadro R4 – linha “v”; $ 21.329,81 – Suma ingresada em forma no bancaria – quadro R6 – linha “c”. 1) No que diz respeito ao valor de $ 85.333,04 pesos argentinos , o contribuinte apresentou arquivos em formato PDF de diversos documentos da Administración Nacional de Aduanas da Argentina ANA (antiga denominação da Dirección General de Aduanas DGA) equivalentes à declaração de importação brasileira, documentos de retenção na fonte emitidos por terceiros e uma planilha em que relaciona esses documentos. (...) Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.495 20 1.6) Dos documentos de retenção apresentados de números 50 a 76, deixo de considerar o de número 72 por se tratar de documento temporário que não tem o número de certificado em seu bojo, em desacordo com a legislação citada acima; 1.7) Assim, em relação ao valor de $ 85.333,04 pesos argentinos , o contribuinte faz jus, no entender deste AuditorFiscal, à quantia de $ 81.919,48 pesos argentinos. 2) Em relação ao valor de $ 14.241,72 pesos argentinos , o contribuinte apresentou o Doc. 4 , composto por um conjunto de documentos que tenta demonstrar um saldo de “Impuesto a Las Ganancias” do período fiscal 2001. Os problemas quanto a essa tentativa de comprovação, são: 2.1) Se o contribuinte queria comprovar um saldo de imposto pago a maior no período fiscal de 2001, deveria ter apresentado a “Declaración Jurada del Impuesto a Las Ganancias” referente a esse período e os respectivos documentos de arrecadação que pudessem comprovar realmente a existência desse saldo; 2.2) Mesmo se lograsse êxito na comprovação desse saldo, novamente não haveria a possibilidade de o Fisco Brasileiro considerar essa quantia para efeito de compensação no Brasil, uma vez que a Lei 9.249/95, em seu Artigo 26, estabelece que o imposto pago no exterior a ser compensado com o imposto devido no País deve se referir ao lucro auferido no exterior que está sendo oferecido à tributação pátria. 3) O valor de $ 21.329,81 pesos argentinos foi baixado por meio de uma “Declaración Jurada” formulário F.574 – Solicitud de Compensación (Doc. 5), em que o “Impuesto a Las Ganancias” foi compensado com o “Impuesto a La Ganancia Minima Presunta”. Neste caso, as considerações são as seguintes: (...) 3.2) A IN 213/2002, em seu Artigo 14, § 1º, estabelece que “... considerase imposto de renda pago no país de domicílio...” “... o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem...”, e em seu Artigo 14, § 8º, impõe que “... Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal ...” (grifei!); 3.3) A Lei 9.430/96 em seu Artigo 16, § 2º, inciso II, normatiza que a pessoa jurídica “... II – fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do Artigo 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado...”.(grifei!) Dessa forma, esses $ 21.329,81 pesos argentinos também não podem ser considerados para efeito de compensação no Brasil, uma vez que o “Impuesto a La Ganancia Minima Presunta” não incide sobre a Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.496 21 renda, e sim, sobre os bens do ativo, ou seja, é um imposto sobre o patrimônio, e não, sobre a renda. Mesmo que o fisco argentino permita essa compensação, esse aproveitamento não é permitido pela legislação brasileira. Concluindo, em relação aos valores do ano de 2002 analisados acima chegamos ao seguinte: Da quantia de $ 120.904,57 pesos argentinos reivindicada pelo contribuinte (...): Reconhecemos que foram comprovados e considerados válidos apenas os valores referentes ao item das “retenciones y/o percepciones” na quantia de $ 81.919,48 pesos argentinos. Anocalendário 2003 Para esse período, foram apresentados os Docs. 3 e 6 e os arquivos digitais relativos às “retenciones e percepciones” enumeradas de 1 a 391. Os Doc. 3 e 6 têm em comum a “Declaración Jurada”, formulário F.713 (similar à nossa DIPJ) para o período correspondente ao ano de 2003. Foi nesse formulário que se apurou o “Impuesto a Las Ganancias” no valor de $ 1.005.630,97 pesos argentinos (quadro R3) após a aplicação da alíquota de 35% sobre o resultado líquido final de $ 2.873.231,35 pesos argentinos (quadro R2). Essa quantia de $ 1.005.630,97 pesos argentinos é então “compensada” da seguinte forma: $ 621.526,74 – Retenciones y/o Percepciones – quadro R4 – linha “r”; $ 35.560,87 – Total antic. Ingresados, excepto F.515 – quadro R4 – linha “s”; $ 348.543,36 – Suma ingresada em forma no bancaria – quadro R6 – linha “c”. 1) No que diz respeito ao valor de $ 621.526,74 pesos argentinos , o contribuinte apresentou arquivos em formato PDF de diversos documentos da Administración Nacional de Aduanas da Argentina ANA (antiga denominação da Dirección General de Aduanas DGA) equivalentes à declaração de importação brasileira, documentos de retenção na fonte emitidos por terceiros e uma planilha em que relaciona esses documentos. (...) 1.6) Dos documentos relacionados de 309 a 391, deixo de considerar os de número 309; 322 a 324; 344; 348; 351; 360 e 376; por fazerem parte do rol entregue, mas sem que tenham sido juntados aos arquivos PDF; Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.497 22 1.7) Além desses, deixo de considerar os seguintes documentos: Documento 317: Deixo de considerar este item por se tratar de documento que, por não ter características de documento definitivo, não tem o número de certificado em seu bojo, em desacordo com a legislação citada acima (vide doc. 374 abaixo); Documento 367: Este item é composto por três comprovantes, a saber: Certificado 4595: $ 2.528,94 Certificado 5507: $ 976,54 Subtotal : $ 3.505,48 Valor válido Certificado 4604: $ 13.698,56 Total do Doc. 367 : $ 17.204,04 Neste caso, foi apresentada apenas uma folha 2 que não faz referência ao número do certificado a que pertenceria. Assim, não há como considerar o certificado 4604 no valor de $ 13.698,56 pesos argentinos e; por isso, considero válido apenas o valor de $ 3.505,48 pesos argentinos referente aos certificados 4595 e 5507; Documento 374: Este documento é “composto”pelas duas primeiras páginas do arquivo denominado “desde 374 a 384.PDF”, nos valores de $ 3.508,79 e $ 302,98 pesos argentinos, respectivamente. A primeira dessas duas páginas é um documento temporário, sem número de certificado, datado de 22/10/2003 e a segunda é o certificado nº 0000 2003000006, datado de 30/09/2003. O documento temporário corresponde exatamente à primeira folha do arquivo denominado “desde 364 a 373.PDF”. Essa primeira folha consiste no certificado nº 0000 2003000009. Todos os documentos em questão são da lavra de Navarro S.A. C.U.I.T. Nº 30707012672. Esse certificado reproduz todos os detalhes do documento temporário e está em consonância com a legislação de regência citada acima. Dessa forma, do valor do item 374 de $ 3.811,77 pesos argentinos, desconsidero o valor de $ 3.508.79 pesos argentinos (por já ter sido considerado no certificado nº 9) e mantenho apenas o valor de $ 302,98 pesos argentinos do certificado nº 6. 1.5) Assim, em relação aos $ 621.526,74 pesos argentinos , reconheço que o contribuinte faz jus à quantia de $ 496.900,84 pesos argentinos . 2) O valor de $ 35.560,87 pesos argentinos não foi comprovado pelo contribuinte . 3) O valor de $ 348.543,36 pesos argentinos foi baixado por meio de uma “Solicitud de Compensación – Imputácion de Crédito – F.798” (Doc. 6), em que o “Impuesto a Las Ganancias” foi compensado com o “Impuesto al Valor Agregado” (I.V.A.). Neste caso, da mesma forma que para o ano de 2002, temos que: Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.498 23 (...) 3.2) A IN 213/2002, em seu Artigo 14, § 1º, estabelece que “... considerase imposto de renda pago no país de domicílio...” “... o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem...”, e em seu Artigo 14, § 8º, impõe que “... Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal ...” (grifei!); 3.3) A Lei 9.430/96 em seu Artigo 16, § 2º, inciso II, normatiza que a pessoa jurídica “... II – fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do Artigo 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado...”.(grifei!) Assim, esses $ 348.543,36 pesos argentinos também não podem ser considerados para efeito de compensação no Brasil, uma vez que o “Impuesto al Valor Agregado” não incide sobre a renda, e sim, sobre a venda de bens e a prestação de serviços, ou seja, é um imposto sobre transações, e não, sobre a renda. Mesmo que o fisco argentino permita essa compensação, esse aproveitamento não é permitido pela legislação brasileira. Em suma, em relação aos valores do ano de 2003 analisados acima chegamos ao seguinte: Da quantia de $ 1.005.630,97 pesos argentinos reivindicada pelo contribuinte (...) Reconhecemos que foram comprovados e considerados válidos apenas os valores referentes ao item das “retenciones y/o percepciones” na quantia de $ 496.900,84 pesos argentinos”. (os destaques são do original) Para concluir a autoridade diligenciadora (RED – fls. 1395): De seu turno, a recorrente discorda das conclusões da diligência, pontuando que deveriam ser reconhecidos os valores abaixo (fls. 1436): Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.499 24 Com isso, ainda no entendimento da recorrente, nada seria devido no Brasil, posto que o “impuesto a las ganâncias” recolhido na Argentina e passível de compensação no país, seria superior aos lançamentos. Pois bem, que os tributos recolhidos na Argentina podem ser compensados no Brasil, desde que atendidas as condições fixadas na legislação, é pacífico. A propósito, de acordo com o RIR/1999, art. 395, a pessoa jurídica poderá compensar o Imposto de Renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do Imposto de Renda incidente sobre os mesmos no Brasil, Também pacífico que a CSLL incide sobre os lucros disponibilizados no exterior e que, a exemplo do que ocorre com o IRPJ, poderá ser objeto de compensação com os tributos pagos no exterior, posição já consolidada inclusive no âmbito da RFB, conforme orientação da Solução de Consulta nº 471/2009, da 8ª Região Fiscal: Feitas estas considerações, resta verificar se tem razão a recorrente ao suscitar que nada deveria em 2002 e 2003 ou se, como apontou o Fisco na ação fiscal e depois na diligência, ainda haveria montantes devidos mesmo após a compensação. Passo aos cálculos e, para tanto, sirvome dos valores apontados pelo Fisco, a saber: ANOCALENDÁRIO/2002 Valor tributável R$ 402.778,23 IRPJ 15% R$ 60.416,73 Adicional 10% sobre (402.778,23240.000,00) R$ 16.277,82 CSLL 8% R$ 32.222,25 TOTAL TRIBUTOS BRASIL R$ 108.916,80 Tributos pagos na Argentina e reconhecidos na diligência (em pesos) 81.919,48 pesos (X) R$ 1,04610 (câmbio fls. 605) R$ 85.695,96 DIFERENÇA LANÇAMENTO MANTIDO/2002 R$ 23.220,84 ANOCALENDÁRIO/2003 Valor tributável R$ 1.585.350,75 Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.500 25 IRPJ 15% R$ 237.802,61 Adicional 10% sobre (1.585.350,75240.000,00) R$ 134.535,07 CSLL 8% R$ 126.828,06 TOTAL TRIBUTOS BRASIL R$ 499.165,74 Tributos pagos na Argentina e reconhecidos na diligência (em pesos) 496.900,84 pesos (X) R$ 0,980455 (câmbio fls. 605) R$ 487.188,91 DIFERENÇA LANÇAMENTO MANTIDO/2003 R$ 11.976,83 Assim, por tudo o que consta dos autos e considerando a conclusão da diligência, fonte de que deve se fiar o julgador3 e nos documentos com ela juntados, entendo comprovados os valores de tributos pagos na Argentina e passíveis de compensação no Brasil, conforme cálculos acima. Pelo exposto, VOTO por REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos relativos aos anoscalendário de 1996 a 2001 e manter, parcialmente, os pertinentes aos períodos de 2002 e 2003, reconhecendo o direito de a recorrente compensar os tributos pagos no mesmo período na Argentina, tudo na forma abaixo demonstrada4: ANO CALENDÁRIO TRIBUTO VLR. LANÇADO VLR. COMPENSADO VLR. MANTIDO 2002 IRPJ 76.694,55 60.343,42 16.351,13 2002 CSLL 32.222,25 25.352,53 6.869,72 108.916,80 85.695,95 23.220,85 ANO CALENDÁRIO TRIBUTO VLR. LANÇADO VLR. COMPENSADO VLR. MANTIDO 2003 IRPJ 372.337,68 363.403,92 8.933,76 2003 CSLL 126.828,06 123.784,98 3.043,08 499.165,74 487.188,90 11.976,84 Obs. Valores sujeitos a multa de ofício (75%) e juros de mora pela taxa SELIC É como voto. 3 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. 4 para apropriação ao IRPJ e CSLL dos valores da compensação, este Relator adotou a seguinte regra de três: Valor do IRPJ (ou da CSLL) : Valor total devido = ...% que foi aplicado sobre o montante do imposto pago na Argentina e distribuído proporcionalmente como compensação de IRPJ e de CSLL. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 16561.000025/200691 Acórdão n.º 1402002.886 S1C4T2 Fl. 1.501 26 Brasília (DF), em 20 de fevereiro de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1501DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.005324/2003-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Uma vez não comprovada de forma inconteste a inacessibilidade fatal aos documentos apreendidos por ocasião de determinação judicial, não há como suscitar qualquer preterição ao direito de defesa do contribuinte.
DECADÊNCIA. INEXATIDÃO.
A inexatidão ou omissão do contribuinte, no âmbito de sua atividade procedimental de declarar as informações fiscais, gera a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o início do prazo decadencial como o 1º dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido concretizado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO
LEGAL.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO
A omissão da contribuinte na apresentação dos livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, aptos que seriam a respaldar as informações declaradas ou, ao menos, permitir que a fiscalização identificasse sua real condição econômica, permite a aplicação do quanto disposto no art. 530, inciso III, do RIR/99.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
A aplicação da multa qualificada depende da comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude da contribuinte.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
A decisão adotada no Auto de Infração principal estende-se aos lançamentos dele decorrentes, dada a relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1201-001.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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NULIDADE. Uma vez não comprovada de forma inconteste a inacessibilidade fatal aos documentos apreendidos por ocasião de determinação judicial, não há como suscitar qualquer preterição ao direito de defesa do contribuinte. DECADÊNCIA. INEXATIDÃO. A inexatidão ou omissão do contribuinte, no âmbito de sua atividade procedimental de declarar as informações fiscais, gera a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o início do prazo decadencial como o 1º dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido concretizado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO A omissão da contribuinte na apresentação dos livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, aptos que seriam a respaldar as informações declaradas ou, ao menos, permitir que a fiscalização identificasse sua real condição econômica, permite a aplicação do quanto disposto no art. 530, inciso III, do RIR/99. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A aplicação da multa qualificada depende da comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude da contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 53 24 /2 00 3- 48 Fl. 1289DF CARF MF 2 LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão adotada no Auto de Infração principal estendese aos lançamentos dele decorrentes, dada a relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratamse de Autos de Infração de fls. 141/159 que objetivam a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no montante total de R$ 20.369.292,46, já acrescido dos valores relativos aos juros de mora calculados até 28/11/2003 e à multa qualificada no patamar de 150%. O lançamento ocorreu com base no lucro arbitrado, sendo considerado como receita bruta os depósitos bancários em várias contascorrente, cuja a origem não fora comprovada pela contribuinte, conforme demonstrativos (fls. 146/156) e Termo de Verificação Fiscal. Impugnação A contribuinte apresentou impugnação alegando, preliminarmente, a decadência e a nulidade do lançamento por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, nos termos abaixo delineados. A consumação da decadência estaria adstrita aos meses do anocalendário de 1998 e seria respaldada pela sistemática de contagem imposta pelo art. 150, §4º do CTN. Neste Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 10183.005324/200348 Acórdão n.º 1201001.969 S1C2T1 Fl. 3 3 sentido, uma vez que o tratamento tributário teria sido assentado em bases correntes, ou seja, em fatos geradores mensais, seria forçoso concluir pela decadência em relação aos meses de janeiro a novembro de 1998, inclusive, vez que o auto de infração fora lavrado em 03/12/2003. Corroborando com o racional atingido, a fiscalizada afirma que sempre houve impostos a pagar e sempre foram pagos corretamente (fato que poderia ser constatado junto aos arquivos da Receita Federal, posto estar desprovida dos respectivos Darf). Ainda cita jurisprudência afirmando que não caberia a aplicação do art. 173, I do CTN, para a contagem do prazo decadencial, pois não teria sido comprovada a hipótese de fraude. Quanto a ofensa à ampla defesa e ao contraditório, constata a contribuinte, inicialmente, que, em cumprimento a determinação judicial, foram apreendidos todos os seus livros comerciais e fiscais, bem como todos os documentos que serviram de base à escrituração, os quais encontramse à disposição da Justiça Federal e mantidos em depósito na Polícia Federal, em Cuiabá. Deste modo, seria inegável o cerceamento do seu direito de defesa, na medida em que, ficara totalmente impedida de analisar a documentação capaz de lhe possibilitar a conferência dos dados que lhe foram apresentados pelos fiscais, bem como de se defender das acusações que ensejaram o lançamento de ofício. Segundo a contribuinte, um dos esclarecimentos que somente seria possível diante da posse dos livros e documentos referese exatamente à apuração da receita supostamente omitida, a qual, segundo a contribuinte, jamais poderia ter sido determinada como sendo o valor bruto dos depósitos, pois nas operações de factoring apenas uma pequena parte do valor de cada depósito efetuado em cheque corresponde à receita bruta (a diferença corresponde à taxa de juros cobrada na operação fatorizada). Já em relação ao mérito, a contribuinte alega em sua peça impugnatória, em alinho à segunda preliminar aqui discorrida, que o arbitramento do lucro seria medida inadequada, visto a patente impossibilidade (e não desídia ou negativa) de apresentação dos elementos solicitados. Prossegue arguindo que a fiscalização, assim procedendo, desprezou os dados contidos na declaração de ajuste anual apresentada tempestivamente, onde consta a receita bruta para o conhecimento do fisco, preferindo adotar a suposta receita omitida, apurada presuntivamente com base em depósitos bancários, supostamente ampliando o conceito legal de receita bruta conhecida e sua natureza jurídica e, com isso, criando base de cálculo própria sem previsão legal para tanto. Ato contínuo, alega a fiscalizada que o depósito bancário, por si só, não pode ser considerado como receita e que o art. 43 do CTN leva à conclusão de que depósitos bancários não constituem fato imponível, nem matéria dimensível do imposto de renda, e não possuem qualquer relevância do ponto de vista do Direito Tributário. A contribuinte ainda alega que à fiscalização competia demonstrar, de maneira inequíivoca e segura, que os depósitos bancários verificados realmente constituíram rendimentos tributáveis, como, aliás, exigiria o princípio da verdade material, ínsito ao processo administrativo fiscal. Finaliza afirmando que a jurisprudência administrativa ou judicial não admite lançamento de tributo com base em meras presunções, suposições ou hipóteses. Fl. 1291DF CARF MF 4 De maneira derradeira são tecidas algumas considerações acerca da aplicação da multa qualificada. Segundo a impugnante referida penalidade não deveria subsistir pelas seguintes razões principais: a) deveriase provar e não apenas declarar a existência do elemento subjetivo, que é o dolo; b) a ocorrência de fraude não se presumiria da presunção de omissão de rendimentos; c) o pressuposto de aplicação da Lei nº 9.430/1996 seria a ocorrência de sonegação, fraude e conluio e o auto de infração deveria especificar qual das três condutas fora empregada no caso concreto, bem como exibir as provas respectivas, porquanto os preceitos normativos regentes não poderiam ser permutados pelo aplicador da lei, em face do princípio da estrita legalidade e na exigência de decisão com base na verdade material; d) a indicação pura e simples do preceito normativo citado, sem a sua qualificação e indivdualização (provada) da conduta que supostamente teria sido praticada pelo impugnante, implicaria cerceamento do direito de defesa e tornaria ilegítima a aplicação da multa qualificada. Neste sentido alegase que no caso dos autos inexistem provas sobre o “evidente intuito de fraude”. Diante de todo o exposto requerse o acolhimento das preliminares de nulidade e, acaso superadas, seja declarada a decadência do lançamento, a insubsitência do lançamento e afastada a multa qualificada. Acórdão DRJ/CGE nº 03.982 Preliminares De início, fora enfrentada a alegação de cerceamento do direito de defesa da impugnante. Entendeuse, deste ponto, que incumbiria a comprovação da impossibilidade de acesso à documentação apreendida, para exame ou cópia e o ônus de provar o fato extintivo da pretensão fiscal, visto que essa teria sido formalizada segundo os ditames legais. Constatouse que, nessas condições, o direito à prova, postulado do devido processo legal, encontra garantia constitucional no direito de petição aos órgãos públicos, segundo o art. 5º, XXXIV, alínea a, da Magna Carta. Todavia, entendeu a autoridade julgadora que não teria restado demonstrado nos autos que esse direito fora exercido, limitandose a impugnante a arguir não ter acesso aos meios que julga necessário para desincumbirse daquele ônus. Discorreuse, então, que no caso em tela foram dadas à contribuinte diversas oportunidades para manifestarse no curso da ação fiscal; teve ciência da descrição exata da infração imputada e da fundamentação legal adotada e apresentou impugnação, por meio da qual demonstra o pleno conhecimento do processo fiscal, apresentando seus argumentos de defesa. Ainda aduzse que não houve qualquer ofensa ao art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Assim, restou claro que a alegada preterição do direito de defesa não ocorreu, sendo rejeitada a preliminar de nulidade arguida. No tocante à decadência, reputouse devida a aplicação do art. 173, I do CTN e não o art. 150, §4º do CTN. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 10183.005324/200348 Acórdão n.º 1201001.969 S1C2T1 Fl. 4 5 Entendeuse que a situação em questão trata da omissão de rendimentos em sua declaração pelo sujeito passivo, para o qual não houve qualquer antecipação de pagamento de imposto, como exigido no citado artigo 150 do CTN. Deste modo, no caso concreto houve se por bem aplicar o art. 173, I do CTN, do próprio CTN, isto é, contandose o prazo de cinco anos a partir do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o que remeteria o termo final da decadência para a data de 31/12/2005. Assim, fora rejeitada a preliminar de nulidade por decadência. Mérito No que concerne a presunção de omissão de receitas, foi salientado que a lei, especificamente o art. 42 da Lei nº 9430/96, ao prever a hipótese de incidência não estabeleceu o requisito de se comprovar que aos depósitos correspondem alterações patrimoniais positivas do contribuinte. Bastaria, nos ditames da legislação vigente, para a ocorrência do fato gerador, a existência de depósitos de origem não comprovadas nos limites ali estabelecidos. Desta feita, reputouse correta a tributação dos depósitos não comprovados por presunção legal de rendimentos, não tendo ocorrido afronta a nenhum princípio legal ou constitucional. Quanto ao arbitramento, concluiuse que a circunstância do caso concreto se subsumi em hipótese legal autorizativa do arbitramento, uma vez que a impugnante não apresenta livros e documentos contábeis e fiscais, exigidos pela legislação pertinente, tampouco comprova o dispêndio de esforços para acessálos, nos termos aqui já delineados preliminarmente. Restou definidoque o montante do lucro arbitrado corresponde à receita bruta conhecida, nos termos do inciso I do art. 27 da Lei nº 9430/96 e do art. 532 do RIR/99, pois o art. 24 da Lei nº 9249/95, base legal do art. 537 do RIR/99, estabelece que verificada omissão de receita, o montante omitido será computado na base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente. Respeitando a opção pelo lucro real trimestral, a base de cálculo objeto do lançamento teria sido eleita de acordo com os ditames legais previstos à época do fato gerador. No entanto, insurgiuse a impugnante contra o percentual de 38,4% aplicado pelo Fisco à receita bruta conhecida quando da apuração do lucro arbitrado. Entendeu, em contrapartida, a autoridade julgadora que uma vez ausente a escrituração contábil e fiscal da movimentação financeira da contribuinte, bem como a inexistência da escrituração dos custos e receitas de sua atividade, mereceria guarida o quanto disposto na Lei nº 9249/95, artigos 15 e 16 c/c Lei nº 9430/96, art. 27, inciso I, aplicandose, portanto, o percentual de 32% acrescido dos respectivos 20% correspondentes ao arbitramento (perfazendo os 38,4 percentuais) para o cálculo dos tributos devidos. Multa Qualificada Fl. 1293DF CARF MF 6 Neste ponto, constatouse, de pronto, que a contribuinte, ao prestar declaração inexata e deixar de pagar tributo referente à infração de omissão de receitas provenientes de depósitos bancários não comprovados, sujeitouse a aplicação da multa de ofício (75%). No entanto, entendeuse que não ficou demonstrado nos autos que esta teria agido com evidente intuito de fraude para ensejar a aplicação da multa agravada, pois somente foi comprovada a conduta que encetou a multa no patamar de 75%, a qual, em si, não representa ação dolosa. Desta forma, a multa de ofício fora reduzida para o percentual de 75%. Seguindo a regra de que o acessório segue o principal, as mesmas razões até então adotadas para o IRPJ se estenderam para a CSLL, o PIS e a COFINS. Recurso Voluntário A recorrente mantém a tese de defesa sustentada em sede de impugnação, tanto no que concerne aos argumentos trazidos preliminarmente quanto aqueles explanados por ocasião do mérito. Através do presente recurso voluntário são reproduzidos ipsis litteris a maioria dos pontos e ainda acrescentados alguns outros que abaixo serão delineados. Quanto à alegação de que não teria sido comprovado o seu esforço no sentido de recuperar a documentação apreendida, afirma a recorrente que bastaria aos Auditores Fiscais acessarem o endereço eletrônico do TRF da 1ª Região para confirmarem o alegado por ela no transcurso da ação fiscal, ou seja, da existência do Mandado de Segurança com exatamente este objeto. Para não subsistir a referida dúvida faz juntar cópia das decisões daquele mandamus, fls. 473/474. No que concerne ao pleito de consumação da decadência repisa a recorrente que o pagamento do tributo não deve ser levado em linha de consideração para o efeito de homologação e que neste caso deveria ser aplicado o prazo inscrito no art. 150, §4º do CTN. Ainda são salientados alguns apontamentos referentes especificamente a decadência das contribuições sociais em cobro. Segundo a recorrente, inquestionável que referido instituto, neste caso peculiar, somente poderia ser regido pelo CTN, e não pela Lei ordinária nº 8212, pelo que referido prazo é de cinco anos contados da data do fato gerador, ex vi do disposto no art. 150 daquele Código. Entre outras informações repisadas, cumpre elucidar os argumentos relativos à sistemática da atividade desempenhada ordinariamente pela entidade, qual seja, o fomento mercantil (factoring). De acordo com a recorrente, os lançamentos de ofício que sustentam a autuação foram celebrados de forma injusta e ilegal, sobre uma base de cálculo incerta, insegura e imprópria, superdimensionada, porque constituída em sua grande maioria, por seu próprio patrimônio, como se renda fosse, sendo certo que a legislação tributária que o fulcrou não contempla tal hipótese. Por fim expõe que, houvesse a fiscalização verificado a contabilidade in loco, ao invés de se contentar em exercer seu amplo poder de investigação à distância, em que laborou exclusivamente sobre documentos bancários, certamente teria constatado o acerto da recorrente quanto à natureza de suas receitas e à taxa de remuneração cobrada de seus clientes. Mas, conforme explana a recorrente, não foi o que ocorreu, donde a exigência ser ilegal. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 10183.005324/200348 Acórdão n.º 1201001.969 S1C2T1 Fl. 5 7 Resolução nº 10102.530 – 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes Em sede recursal houvese por bem converter o julgamento em diligência, para que o órgão preparador demonstrasse, por meio de pronunciamento dos órgãos públicos envolvidos, quais sejam, Polícia Federal, Ministério Público e/ou Justiça Federal, quais os livros e documentos contábeis e fiscais apreendidos da recorrente foram a ela devolvidos e em qual data. A diligência fora devidamente cumprida e as conclusões atingidas pela fiscalização constam a fls. 716/729. O Contribuinte, ora Recorrente, intimado para se manifestar acerca do resultado da diligência, permaneceu silente. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Cerceamento do Direito de Defesa O foco da análise deste ponto perpassa as conclusões atingidas pela fiscalização por ocasião da realização da diligência solicitada pelo extinto Conselho de Contribuintes em oportunidade precedente. Em suma, a recorrente afirma que a impossibilidade de acesso à sua escrituração fiscal, contábil e comercial, por motivos alheios à sua vontade e esforço, comprometera (e ainda compromete) o seu direito de produzir as provas que reputa contundente para a formação de sua tese de defesa, assim como desvirtuara todo o trabalho fiscal realizado, desde a sua instauração até a constituição definitiva do crédito tributário. No entanto, em alinho ao entendimento exarado por meio do v. acórdão recorrido, apesar da veemência e relevância das alegações do recorrente, este deveria provar, de forma inequívoca, a efetiva ineficácia dos atos levados à cabo para garantir o alcance aos documentos essenciais à construção do conjunto probante apto a ilidir a presunção de omissão de receitas lançada pelo Fisco. Devese ressaltar, inicialmente, que foram solicitados inúmeros documentos à recorrente no decorrer do procedimento fiscalizatório, entre eles: os Livros Diário e Razão; o LALUR; cópia dos DARF de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL nos últimos cinco anos; extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras referentes ao período de 01/01/1998 a 31/12/2001. Fl. 1295DF CARF MF 8 É cediço que nenhum destes documentos fora entregue pela recorrente, sob o argumento de sua apreensão pelo Poder Público. No entanto, a fiscalização, em resposta a diligência solicitada, aponta que, dentre os documentos supracitados, apenas o Livro Razão de 1998, uma pasta contendo DARF de PIS e COFINS, outra pasta contendo um demonstrativo de IRPJ/CSLL e sacos transparentes contendo extratos bancários, constavam na relação de objetos apreendidos, obtida após o exame dos processos protocolados sob os números 2002.36.00.0078737, 2002.36.00.008505 7, 2003.36.00.71004 na Justiça Federal em Mato Grosso. Desta forma, é possível concluir que a recorrente possui, ou deveria possuir, por exemplo, o Livro Diário do ano em cobro, o LALUR deste período e, eventualmente os comprovantes de pagamento de IRPJ e CSLL. Tais documentos, ainda que pendessem de informações complementares, se preenchidos da maneira correta, poderiam indicar exatamente as movimentações financeiras da recorrente no anocalendário de 1998, elucidando e escancarando a origem dos depósitos bancários apontados pela fiscalização. Especificamente quanto ao Livro Diário, sem prejuízo de exigências especiais da lei, seu uso é obrigatório, e por meio deste são lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (Decretolei 486/1969, artigo 5°). A escrituração correta e fidedigna deste livro contábil poderia fornecer as informações necessárias para a composição do direito da recorrente ou, de outro lado, patentear a ausência de tributação de parte das receitas auferidas pela entidade. Com relevância e probabilidade um pouco menor, o LALUR também poderia indicar alguma eventual exclusão ou adição indevida, que culminara em uma hipotética distorção nas receitas sujeitas à tributação. Ainda que a tese da recorrente prevalecesse, ou seja, se através da documentação a qual deveria estar em sua posse não fosse possível determinar a origem das receitas e se, por outro lado, fosse possível comprovála somente mediante os documentos apreendidos, o trabalho fiscal, em reposta ao pedido de diligência, revelou que a recorrente não empreendeu qualquer esforço para demonstrar, nos autos dos processos judiciais citados, a existência do presente procedimento fiscal e as consequentes solicitações dali advindas. A recorrente se manteve inerte. Demonstrou total desídia e passividade no que lhe cabia a tentativa de acesso aos documentos em posse do Poder Público. Neste sentido, vejamos o histórico das movimentações processuais e a concomitante postura adotada pela recorrente, delineadas por ocasião da realização de diligência, formalizada pela fiscalização através da “Informação SAFIS DRFCuiabá/MT nº 0022/2006” (fls. 727/728): Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 10183.005324/200348 Acórdão n.º 1201001.969 S1C2T1 Fl. 6 9 Ora, a recorrente pugna essencialmente e de forma reiterada apenas pela devolução de equipamentos de informática, de forma pontual e individualizada, e, em termos generalistas, pleiteia a devolução de documentos apreendidos na busca e apreensão. Fl. 1297DF CARF MF 10 Das conclusões atingidas pela fiscalização, constatase que em nenhum momento a recorrente se preocupou em evidenciar a existência de um processo administrativo fiscal ou trazer aos autos judiciais as seguidas intimações promovidas pela DRFCuiabá/MT. Não há a intenção clara e real de acesso aos documentos específicos que seriam necessários à comprovação de seu suposto direito na presente demanda. Ainda que haja, de fato, a impetração de Mandado de Segurança para a devolução dos bens apreendidos e o deferimento, em parte, da solicitação, quando questionada acerca dos documentos específicos que pretendia reaver, a recorrente quedouse inerte. Assim, mesmo que se perceba uma proatividade inicial, os atos promovidos em seguida não sustentam a vontade veemente da recorrente de obter os documentos necessários à formação de um conjunto probante robusto neste PAF. Além, a recorrente, através de seus representantes legais, se mostrou resistente ao recebimento dos documentos solicitados, sem qualquer motivo aparente (ao menos não vislumbrado por ocasião da informação fiscal acima reproduzida). Diante do exposto, é de se concluir que a conduta efetiva da recorrente na prática contrasta com os fatos aqui suscitados como impeditivos ao pleno exercício da defesa. Firmese, portanto, que as alegações da recorrente são infundadas, se mostrando insuficientes para comprovar a inacessibilidade às informações que supostamente seriam aptas a: (i) formar o seu direito; e (ii) embasar a autuação fiscal. Quanto ao segundo ponto destacado (ii), cumpre expor que a recorrente chega a alegar que a falta de observância destes documentos pela fiscalização dificulta a compreensão dos motivos da acusação. Ocorre que, os atos concretizados pela fiscalização refletem apenas o comportamento da recorrente durante o procedimento fiscal. A primeira se apoia na patente imprestabilidade da documentação apresentada pela segunda para promover o arbitramento, e na confrontação entre a rala informação fiscal colhida e os extratos bancários obtidos perante o Banco Central, para presumir a omissão de receitas. Apoiar o lançamento nestas bases é, conforme será demonstrado adiante, legal e está em consonância com a pátria jurisprudência. À recorrente foram indicados os artigos de lei, na fundamentação dos autos de infração, e os detalhes fáticos de sua aplicação, através do Termo de Verificação Fiscal que os acompanha. É de conhecimento da recorrente a motivação da acusação e esta inclusive rebate todos estes pontos por meio de suas peças de defesa. O certo é que, sob qualquer prisma lançado, não houve o cerceamento da defesa da recorrente. Esta teve totais condições de acesso às informações que comprovassem suas alegações, mas preferiu destacar a dificuldade em obter uma parte dos documentos apreendidos como razão para se manter passiva e inerte, sem ofertar qualquer comprovação hábil e idônea, apta a ilidir a presunção de omissão de receitas. De outra feita, a fiscalização apenas reagiu à desídia da contribuinte e se utilizou de instrumentos legais e constitucionais para materializar a cobrança fiscal através dos lançamentos de ofício. Desta forma, voto por rejeitar a preliminar arguida. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 10183.005324/200348 Acórdão n.º 1201001.969 S1C2T1 Fl. 7 11 Decadência A observância deste ponto esbarra em uma divergência de entendimento no que concerne ao início da contagem do prazo decadencial. O v. acórdão recorrido prima pela antecipação do pagamento como um pressuposto imprescindível à aplicação do art. 150, §4º do CTN, de modo que a verificação negativa implica automaticamente a aplicação do art. 173, I do CTN. Já a recorrente defende que o pagamento não deve ser uma condição para a formalização do lançamento por homologação, para tanto bastando apenas que seja levada ao conhecimento da autoridade administrativa a atividade procedimental do contribuinte tendente a verificar e demonstrar a ocorrência do fato gerador. Desta forma sugere a contagem do prazo decadencial apenas nos ditames do art. 150, §4º do CTN. A contribuinte alega que realizou o pagamento dos tributos, mas não colaciona aos autos os respectivos comprovantes (DARF), sob o pretexto, já superado, de inacessibilidade aos documentos apreendidos. O ônus probante é da recorrente neste caso. Ocorre que, mais uma vez, não constam entre os documentos apreendidos pela Justiça Federal os DARF de IRPJ e CSLL, mas apenas os de PIS e COFINS, o que, de pronto, vergasta parcialmente as alegações da recorrente. Ainda assim, a contribuinte poderia ter exercido o seu direito de petição, segundo o art. 5º, XXXIV, alínea a, da CF/88, e solicitado junto ao órgão competente a devolução destes documentos, por ocasião da ação fiscal, mas, como já salientado anteriormente, mantevese omisso. Da análise dos autos, portanto, não é possível vislumbrarse a ocorrência patente da referida antecipação. O pagamento do tributo, se procedido da maneira correta e em consonância com as informações prestadas, em tese, facilita a atividade fiscal. Desta forma, culmina na perfectibilização do lançamento por homologação e na consequente aplicação do prazo mais exíguo estabelecido pelo art. 150, §4º do CTN. Ao contrário, a ausência do pagamento (ou a sua insuficiência) presume a necessidade de uma atividade fiscalizatória mais aprofundada e, portanto, estende o prazo do fisco para analisar e validar ou invalidar o lançamento por homologação, ocasionalmente através de um lançamento por ofício. É uma relação justa e proporcional. Se o contribuinte adianta o pagamento, de forma fidedigna aos valores declarados, facilita a atuação da administração pública e estabelece o pressuposto (hipotético) de poupança de tempo para a formalização do lançamento e para a intrínseca cobrança do tributo. Se o contribuinte não adianta o pagamento, há maior probabilidade de que a escrituração que sustenta as declarações fiscais seja analisada de modo pormenorizado, no afã de consumarse o atendimento ao princípio da capacidade contributiva, o que deveras demanda Fl. 1299DF CARF MF 12 maiores esforços da fiscalização, de modo que, naturalmente, estabelecese a premissa de maior dispêndio de tempo para o atingimento da verdade. Neste segundo caso aplicase o art. 173, I do CTN. Tal tese é ratificada quando observamos os casos em que, mesmo antecipado o pagamento, seja percebida qualquer conduta fraudulenta por parte do contribuinte. Neste passo também adotase o art. 173, I do CTN. Veja que não tratase de uma penalidade, mas da concessão de maior tempo para a administração pública promover o trabalho fiscal, dados os empecilhos fáticos, as inexatidões materiais e a necessidade de um olhar mais atento e pormenorizado ao caso concreto. No que tange à presente demanda tal fato não deve ser levado em consideração, visto que não há qualquer evidência inequívoca do intuito de fraude da contribuinte, conforme será salientado adiante em tópico referente à mantença da desqualificação da multa perpetrada no v. acórdão recorrido. Mesmo que houvesse o pagamento, a contribuinte incorreu em omissão de receitas em monta significativa, o que traria a sua patente insuficiência em razão do atingimento equivocado do quantum a pagar. A imprestabilidade da documentação que respalda os valores declarados, desnaturaos e retiralhes a validade, de modo que o pagamento, por si, deixa de ser o objeto para a determinação do prazo decadencial, representando apenas uma consequência da conduta omissiva da contribuinte. Concluise: a incerteza em relação aos valores declarados, percebida durante a ação fiscal, gera a total incerteza quanto aos valores pagos antecipadamente. O mesmo raciocínio aqui se aplica quanto a falta de pagamento e/ou quanto a uma conduta fraudulenta: a inexatidão das informações prestadas sugere maior dispêndio de tempo para realização da atividade fiscal e justifica, portanto, o prazo mais alargado concedido pelo art. 173, I do CTN. O lançamento de ofício (lançamento direto substitutivo) é iminente. Sob uma interpretação literal da lei, o lançamento por homologação se perfectibiliza e enceta a aplicação do prazo decadencial contido no art. 150, §4º do CTN quando não se comprove qualquer omissão ou inexatidão no exercício da atividade do contribuinte para tanto. Neste caso concreto, a omissão de receitas e a imprestabilidade da documentação apresentada para respaldar a atividade desempenhada pelo contribuinte através de suas declarações fiscais, de pronto, sugerem a materialização do lançamento de ofício previsto no art. 149 do CTN (devido ao quanto constante em seu inciso V), o que implica, ato contínuo, na aplicação do art. 173, I do CTN. Uma vez firmado o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado como o dies a quo do prazo decadencial, não há que se falar em sua consumação. Os fatos geradores observados trimestralmente (IRPJ) no ano de 1998 ensejariam o início do prazo para a constituição definitiva do crédito tributário a partir de 01/01/1999. O dies ad quem mais tenro se daria, então, em 31/12/2003. O auto de infração fora lavrado em 03/12/2003, portanto, dentro do prazo decadencial. O presente julgador já firmou o posicionamento referente à antecipação do pagamento em outras ocasiões: DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Comprovado o pagamento antecipado do tributo, aplicável o art. 150, §4º do CTN, considerando a ocorrência do fato gerador do tributo como termo a quo para contagem do prazo decadencial. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10183.005324/200348 Acórdão n.º 1201001.969 S1C2T1 Fl. 8 13 Caso não haja qualquer comprovação, necessária a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o início do prazo decadencial como o 1º dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido concretizado. (Acórdão nº 1201001.516 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 04/10/2016) Ademais este é o entendimento dominante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. (Acórdão nº 2401005.132 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária – Sessão de 05/10/2017) DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO. Por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser apreciada pela instância superior, ainda que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem não tenha se manifestado, não se constitui de matéria preclusa. Aplicase ao caso, conforme art. 62 do RICARF, o entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. (Acórdão nº 2401005.056 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 13/09/2017) Por fim, cabe uma singela elucidação quanto a decadência das contribuições sociais. Não resta dúvida que aqui deve ser aplicado o quanto disposto no art. 45 da Lei nº 8212/91. A divergência quanto a esta conclusão reside, de certo, na publicação da Súmula Fl. 1301DF CARF MF 14 Vinculante nº 08 do STF, que declarou a inconstitucionalidade do referido artigo, nos seguintes termos: STF Súmula Vinculante nº 8 – Sessão Plenária de 12/06/2008 – DJe nº 112/2008, p. 1, em 20/6/2008 – DO de 20/6/2008, p. 1. Constitucionalidade – Prescrição e Decadência de Crédito Tributário. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Posteriormente a Lei Complementar 128, publicada em 19/12/2008, revogou expressamente o artigo 45 da Lei 8.212/91, consolidando, assim, o prazo decadencial quinquenal estabelecido pelo Código Tributário Nacional, nos ditames dos arts. 150, §4º ou art. 173, I. Ocorre que, os fatos geradores e mesmo a consumação do prazo decadencial observados neste caso foram concretizados em período anterior à publicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Notese que o Supremo Tribunal Federal se posicionou pela modulação dos efeitos. Por meio do Recurso Extraordinário sob nº 559.943/RS, estabeleceuse que os efeitos seriam “ex nunc”, ou seja, não retroativos, sendo retroativos apenas aos processos judiciais que já discutiam anteriormente à edição da referida Súmula questões acerca da inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91. Desta feita deve restar inconteste que a fiscalização fora guiada pela aplicação ferrenha do art. 45, inciso I da Lei nº 8.212/1991, ou seja, pela consideração do prazo decadencial de 10 (dez) anos às contribuições sociais, pois à época do procedimento fiscal a constitucionalidade do referido artigo era patente. Veja que o próprio art. 150, § 4º do CTN determina a prevalência de lei ordinária especial sobre a lei geral trazida pelo CTN, senão vejamos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Com o prazo ainda mais dilatado do que aquele definido para o IRPJ, também não há como se reconhecer a decadência das contribuições sociais em cobro. Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 10183.005324/200348 Acórdão n.º 1201001.969 S1C2T1 Fl. 9 15 Diante de todo o exposto, voto por afastar a preliminar de decadência. Mérito As principais questões trazidas em sede meritória derivam das preliminares neste voto já enfrentadas. Durante todo o procedimento fiscal a recorrente se manteve passiva, não colaborando em nada para a elucidação da sua verdadeira condição econômica, capaz que seria de permitir a mensuração de sua capacidade contributiva e de quantificar o iminente ônus fiscal a que deveria se submeter. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 135 a 140) discrimina a instauração de um Termo de Início de Fiscalização e do Mandado de Procedimento Fiscal onde foram solicitados diversos documentos que pudessem amparar as informações fiscais, contábeis e comerciais da entidade, mas a recorrente não promoveu a entrega de quaisquer deles. O máximo que a contribuinte fez durante toda a ação fiscal foi apresentar justificativa, em 03/12/2003, informando que os documentos foram apreendidos para instruir crime que tramita na Justiça Federal e que, por este motivo, não teria como atender a intimação fiscal. Conforme já demonstrado, por ocasião da observância da “Informação SAFIS DRFCuiabá/MT nº 0022/2006” (fls. 727/728), em resposta a diligência solicitada pela Resolução nº 10102.530 – 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, a recorrente não logrou êxito em comprovar a tentativa infrutífera de acesso aos documentos requisitados. Muito pelo contrário, a fiscalização constatou a total desídia da contribuinte neste sentido. Em contrapartida, a fiscalização, quando da abertura do MPFFiscalização nº 01.1.02.002003000310, constatou uma divergência estratosférica entre as movimentações financeiras de 1998 das contascorrente da recorrente, cujos extratos bancários foram enviados pelo Banco Central, e as informações constantes em sua DIPJ/99. A ausência de apresentação de quaisquer documentos aptos a elucidar essa diferença/inexatidão e a justificativa inconsistente acerca desta omissão autorizaram a fiscalização a (i) presumir a omissão de receitas e a promover o consequente (ii) arbitramento do lucro. Estes são as duas medidas contestadas pela recorrente. Devese atestar de prontidão, no entanto, que, uma vez firmada a questão da falta de comprovação da inacessibilidade aos documentos solicitados, ou a ausência de apresentação de quaisquer outros que pudessem embasar seu suposto direito, as alegações da recorrente desaguam única e exclusivamente sobre a validade de institutos legais e constitucionais ofertados à Administração Pública no âmbito de sua atividade fiscal. Fl. 1303DF CARF MF 16 Em outras palavras, como a recorrente não apresentou documentos hábeis e não foi capaz de comprovar de maneira contundente porque não o fez, somente lhe restou atacar os atos promovidos pela fiscalização, que nada mais foram do que reflexos da sua conduta inerte adotada durante o procedimento fiscal. A recorrente procura, de início, desnaturar a sistemática de presunção de omissão de receitas. Dentre as diversas teses lançadas, chama a atenção a alegação de que o art. 43 do CTN leva à conclusão de que os depósitos não constituem fato imponível, nem matéria dimensível do imposto de renda, e não possuem qualquer relevância do ponto de vista do Direito Tributário. Ainda afirma que a jurisprudência administrativa não admite lançamento de tributo com base em meras presunções, suposições ou hipóteses. O art. 42 da Lei nº 9.430/96, outrossim, disciplina a definição conferida aos depósitos bancários cuja a origem não se pode comprovar, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de uma presunção legal: há um fato conhecido (i), que são as movimentações financeiras da recorrente, apurada mediante a análise de seus extratos bancários; há um fato desconhecido (ii), que são as receitas omitidas; e, por fim, há um nexo causal (iii) entre o fato conhecido e o desconhecido, que insurgese diante da relação direta existente entre uma receita advinda da atividade core da empresa, em contrapartida a uma movimentação positiva em seus disponíveis (“entrada de caixa”), como uma condição inerente à sua própria existência e funcionamento. Apesar destes pilares conceituais, é certo que na prática as exceções são corriqueiras. De fato, as movimentações bancárias podem ter origens diversas, como a transferência de contas de mesma titularidade, cheques devolvidos, redução de saldo devedor e até a concretização de uma operação de fomento mercantil. Neste último caso, é cediço que as entradas de disponíveis não representam receitas propriamente ditas. Em suma, factoring é uma operação financeira por meio da qual uma empresa vende seus direitos creditórios que seriam pagos a prazo através de títulos a um terceiro, que compra estes à vista, mas com um desconto. Conforme delineia a recorrente, na atividade que desempenha, ao ser realizado um depósito em cheque em suas contascorrentes, seu valor representa não só a recuperação do que foi fatorizado, mas também os juros cobrados na operação. Em termos práticos, a entidade que realiza a operação de factoring adianta os valores à vista para uma empresa que possui alguns recebíveis, com um desconto correspondente aos juros da operação, e adquire os direitos creditórios da empresa contratante. Existem movimentações bancárias distintas, em tempos diferentes, mas que tem relação direta para a determinação da receita advinda da operação. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10183.005324/200348 Acórdão n.º 1201001.969 S1C2T1 Fl. 10 17 Há um momento inicial de dispêndio de caixa (crédito) em valor inferior ao de face dos títulos de crédito e depois há, naturalmente, o recebimento do valor referente a satisfação do crédito, com uma movimentação positiva do caixa (débito). A receita, neste caso, corresponde à diferença entre os valores dispendidos à empresa que contrata o serviço e os valores recebidos no prazo de vencimento do título. Por força do instituto da presunção, são consideradas receitas omitidas todas as movimentações financeiras positivas da recorrente, sem levar em conta os dispêndios financeiros anteriores e a operação de factoring como um todo. De fato, esta posição é equivocada, mas a ausência de qualquer comprovação impede a fiscalização de identificar a origem destas movimentações, ou seja, as eventuais movimentações negativas precedentes. Se a recorrente afirma que praticava a taxa de juros/desconto de 7% poderia fazer um cálculo simples e acrescentar este percentual aos valores dispendidos aos contratantes do serviço de factoring, identificando, posteriormente, os valores equivalentes/idênticos que representaram movimentações positivas futuras. No entanto, sequer este esforço fora imprimido. É completamente plausível, portanto, a tese sustentada pela recorrente de que os depósitos bancários, por si, não representam um signo de riqueza capaz de ativar a hipótese de incidência dos tributos que incidem sobre o lucro ou o faturamento, especialmente no âmbito da atividade que ordinariamente exerce (fomento mercantil). No entanto, essa e qualquer outra tese só faz sentido se é possível provala através de um lastro documental, por mais simples que seja. Caso contrário prevalece a presunção e os sustentáculos hipotéticos que a formam. Ora, a presunção, neste caso, é dotada de relatividade. À contribuinte são ofertadas inúmeras oportunidades de ilidila, desde que através de comprovação hábil e idônea. No entanto, a todo o momento a recorrente se exime de tal comprovação, se esquivando por meio de justificativas infundadas e inconsistentes, como já demonstrado neste voto. Portanto, ainda que se reconheça que as nuances da operação de fomento mercantil possam levar a tributação de receitas de forma errônea, não há nos autos qualquer comprovação de que os depósitos bancários apontados são consequência desta operação. A incerteza quanto a origem dos depósitos aliada a falta de comprovação por parte da recorrente no decorrer desta ação fiscal, e até este momento, vale dizer, autorizam a autoridade administrativa a lançar a presunção inserida de forma legal e constitucional no ordenamento jurídico através do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Esta presunção traz consigo um fato conhecido, um fato desconhecido e um nexo causal capaz de validála e tornála um instituto ímpar na busca pela verdade material e, assim, pela defesa do erário público e pela perpetuação das diretrizes basilares impostas na Constituição Federal de 1988. Não devem prevalecer os argumentos que atacam a sistemática de presunção de omissão de receitas, portanto. Nesta ocasião esclarecese que o instituo é válido e se encaixa perfeitamente no contexto fático delineado. Fl. 1305DF CARF MF 18 Ademais, quanto a alegação de que a jurisprudência não admite o lançamento calcado em meras presunções, tal não é o posicionamento do CARF. Senão vejamos: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Acórdão nº 1301002.693 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária – Sessão de 19 de outubro de 2017) DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplicase a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, convertese tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. (Acórdão nº 1301002.577 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária – Sessão de 16 de agosto de 2017) OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo (art.) 42 da Lei 9.430 de 27/12/1996 autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo Sujeito Passivo. (Acórdão nº 1201001.629 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2017) Mostrase totalmente incorporada pelo órgão administrativo a aplicação do art. 42 da Lei nº 9430/96, razão pela qual devem falecer as arguições da recorrente neste ponto. Superada esta questão, cumpre informar que nesta mesma linha a recorrente pugna pela materialização do arbitramento e suas peculiaridades no caso concreto. A recorrente argui que a hipótese contida no art. 530, inciso III do RIR/99 não se aplicaria ao caso concreto. Ocorre que diante de todo o exposto até então, não há como considerar essa alegação. Restou claro que a fiscalizada não apresentou à autoridade tributária os livros e Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10183.005324/200348 Acórdão n.º 1201001.969 S1C2T1 Fl. 11 19 documentos da escrituração comercial e fiscal que pudessem respaldar suas declarações ou permitir que a fiscalização identificasse sua real condição econômica. A justificativa lançada para tanto não fora suficiente para validála. Neste contexto, o arbitramento é medida permitida e necessária. A falta de um conjunto probatório impossibilitou a determinação do lucro real da empresa, de modo que a única forma de estimar este dado seria através da sistemática prevista no referido dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda. A fiscalização, ainda, por meio das informações fornecidas pelo Banco Central, conseguiu apurar a receita bruta estimada da recorrente. Os indícios de omissão de receita, neste caso, invocam o quanto disposto no art. 284 do RIR/99, o que autoriza o consequente arbitramento das receitas da contribuinte, com base nas movimentações diárias apuradas em procedimento fiscal. Deste modo, o cálculo do lucro partiu do pressuposto de que a receita bruta era conhecida. Não restou outra alternativa senão a aplicação do art. 532 do RIR/99: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Os percentuais do art. 519 do RIR/99 são aqueles mesmos definidos para o cálculo do lucro presumido, variando conforme a atividade e sua respectiva margem de lucro média. No caso da recorrente, iminentemente definida como prestadora de serviço de assessoria creditícia, o percentual aplicável atinge o patamar de 32%. Com o respectivo acréscimo de 20%, atingese o total de 38,4% incidindo sobre o total das receitas omitidas (receita bruta conhecida). Veja, portanto, que o racional adotado pela fiscalização encontra total respaldo na legislação vigente. A concretude do presente caso demanda a observância e utilização dos dispositivos supracitados. De modo geral, portanto, as hipóteses autorizadoras da instauração dos procedimentos adotados pela fiscalização, aqui incluindo tanto o arbitramento quanto a presunção de omissão de receitas, estão escancaradas nos autos, de modo que não há como se negar a validade do lançamento. Em suma, a postura adotada pela recorrente guiou a aplicação destes institutos a todo o momento e estes se mostraram válidos perante a legislação pátria e reconhecidamente legais perante a jurisprudência deste Conselho. Partindo desse pressuposto de adequação total da legislação ao caso concreto, desafiar a aplicação dos dispositivos em plena vigência e eficácia seria atestar sua inconstitucionalidade e sua inconsonância com o ordenamento jurídico como um todo. É cediço, conquanto, que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de questões que atinjam esta esfera, nos termos da Súmula nº 2: Fl. 1307DF CARF MF 20 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, uma vez firmada a plausibilidade fática inconteste das medidas adotadas pela fiscalização e a legalidade plena destas medidas perante o pátrio ordenamento jurídico, não resta outra alternativa senão ratificar a procedência do lançamento. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para AFASTAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721565/2017-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL.
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, sendo de se manter a glosa se o contribuinte não consegue comprová-las ou justificá-las, por meio de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer despesas médicas no montante de R$1.100,10, vencido o Conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PREVIDÊNCIA OFICIAL Recorrente CLAUDIO MARTINS DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, sendo de se manter a glosa se o contribuinte não consegue comproválas ou justificálas, por meio de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 15 65 /2 01 7- 90 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 121 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer despesas médicas no montante de R$1.100,10, vencido o Conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 122 3 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2015, ano calendário 2014, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas e de previdência oficial. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/80), indicando a juntada de documentação comprobatória das despesas glosadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento à Impugnação (fls. 98/103), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. PROVA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da Autoridade Lançadora. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL. De acordo com a documentação constante dos autos, bem como de acordo com a legislação qu Cientificado dessa decisão em 16/10/2017 (fl.105), o contribuinte formalizou, em 31/10/2017 (fl.106), Recurso Voluntário (fls. 106/116), no qual apresenta as seguintes alegações: em relação à glosa de contribuição à previdência oficial, no valor de R$14.186,93, diz que apresentou o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, consignando o valor declarado. Alega que é a fonte pagadora, responsável pela informação, quem deve responder pela questão, não devendo fazer o contribuinte de vítima, caso efetivamente haja erro. Argumenta que, mesmo tendo ocorrido erro, o governo federal foi o beneficiário do equívoco, visto que descontado valor acima, o INSS foi recolhido a maior. em relação à glosa do prestador Marcelo Mendonça de Oliveira, no valor de R$4.800,00, indicou nos extratos as operações de saques e recibos de retiradas, entendendo ter ficado evidenciado que efetuava os pagamentos em dinheiro, de forma semanal. Indica juntada de declaração do prestador do serviço e planilhas demonstrando a disponibilidade para quitação dos serviços em espécie. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 123 4 Explica que desenvolveu inúmeros problemas posturais em função de sua atividade profissional. Como seu filho mora na mesma rua, utiliza seus serviços de três a cinco vezes por semana para minimizar os incômodos causados pelo decorrer do tempo. Acrescenta que não possui prescrição médica indicando a necessidade de fisioterapia e que, agora, médico algum poderia atestar sua necessidade no passado. em relação à despesa de R$3.100,00, efetuada também com Marcelo Mendonça de Oliveira, faz referência aos saques e recibos de retiradas já mencionados. Acrescenta que os pagamentos foram efetuados em dinheiro. Explica que sua dependente é portadora de artrite reumatóide, exigindo uso de medicamentos bem como de atendimento fisioterapêutico continuado. Acrescenta que a facilidade de ter um profissional em família evita deslocamentos dolorosos e incômodos. Também não possui prescrição médica para a dependente. Tece explicações acerca de despesas informadas na Declaração de Ajuste do anocalendário 2013 e que não foram acatadas por terem sido quitadas no anocalendário 2014. Em relação ao valor de R$100,10, pago ao laboratório Fleury, informa que já regularizou a situação dessa despesa para aquele ano, mediante recolhimento de DARF. No tocante ao valor de R$1.000,00, não acatado pelo Acórdão DRJ nº 12 90.973, explica que se trata de valor que compõe recibo datado de 2013, mas que foi quitado em cinco cheques. Acrescenta que o beneficiário declarou a receita em 2013. Requer a incorporação desses valores, de R$100,10 e R$1.000,00, na apuração do imposto. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.91). É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 124 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a glosa de despesas médicas e de contribuição à previdência oficial. Despesas Médicas A autoridade fiscal glosou as despesas declaradas com Marcelo Mendonça de Oliveira, em benefício do contribuinte (R$7.200,00) e de sua dependente (R$4.800,00), a DRJ/RJO manteve suas glosas nos seguintes termos: A Autoridade Lançadora assim dispôs à fl. 08 da Notificação de Lançamento em análise: “Dedução indevida de despesas médicas, intimado pelo TIF EFI 06 nº 83/2017, a comprovar o efetivo pagamento ao profissional Marcelo Mendonça de Oliveira CPF 079.814.52775, o contribuinte não respondeu a intimação, ou seja não apresentou os documentos comprobatórios solicitados. Desta forma, foram glosadas tais despesas, visto que: todas as deduções estão sujeitas a comprovação ao a justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Não sendo suficientes, para esse fim a apresentação apenas de recibos, quando haja dúvida acerca da efetiva realização das despesas médicas informadas.” De acordo com o art. 80º do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 abaixo transcrito: ... Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 125 6 Neste momento deve ser salientado, que de acordo com o Termo de Intimação Fiscal EFI.06 nº 83/2017 já citado anteriormente, constante à fl. 44 do processo 10010.028046/031765 de Malha Fiscal do interessado, recebido pelo mesmo em 19/04/2017, vide AR de fl. 45, que o contribuinte foi intimado a apresentar: Comprovantes originais e cópias do efetivo pagamento, por exercício, das prestações dos serviços realizados por: MARCELO MENDONCA DE OLIVEIRA , CPF 079.814.52775, .... (cópias de cheques, ordens de pagamento, extratos bancários ou de cartões de créditos com as respectivas correlações entre os saques ou débitos e os recibos, pedidos de exames, prescrição de receitas, orçamentos e outros). Obs: caso os pagamentos tenham se dado em espécie e se tiverem como origem saques efetuados em contas bancárias, apresentar extratos bancários com as respectivas correlações entre os saques e os recibos, identificando e relacionando saques e recibos. Com relação a despesa junto ao prestador Marcelo Mendonça de Oliveira CPF 079.814.52775 Crefito 2029690F, no valor de R$ 4.800,00 , o contribuinte anexou aos autos às fls. 69/80, cópia de 12 (doze) recibos, pagos pelo mesmo e referentes a sessões de fisioterapia realizadas de janeiro a dezembro de 2014, nas datas e valores a seguir: ( fl. 69 31/01/2014 R$ 400,00 ; fl. 70 28/02/2014 R$ 400,00 ; fl. 71 31/03/2014 R$ 400,00 ; fl. 72 30/04/2014 R$ 400,00 ; fl. 73 31/05/2014 R$ 400,00 ; fl. 74 30/06/2014 R$ 400,00 ; fl. 75 31/07/2014 R$ 400,00 ; fl. 76 31/08/2014 R$ 400,00 ; fl. 77 30/09/2014 R$ 400,00 ; fl. 78 31/10/2014 R$ 400,00 ; fl. 79 30/11/2013 R$ 400,00 ; fl. 80 31/12/2014 R$ 400,00). De igual forma, com relação a despesa junto ao prestador Marcelo Mendonça de Oliveira CPF 079.814.52775 Crefito 2 029690F, no valor de R$ 7.200,00 , o contribuinte anexou aos autos às fls. 57/68, cópia de 12 (doze) recibos, pagos pela dependente do contribuinte, Sra. Maria Cristina Mendonça de Oliveira CPF 032.304.60707 e referentes a sessões de fisioterapia realizadas de janeiro a dezembro de 2014, nas datas e valores a seguir: (fl. 57 31/01/2014 R$ 600,00 ; fl. 58 28/02/2014 R$ 600,00 ; fl. 59 31/03/2014 R$ 600,00 ; fl.60 30/04/2014 R$ 600,00 ; fl. 61 31/05/2014 R$ 600,00 ; fl. 62 30/06/2014 R$ 600,00 ; fl. 63 31/07/2014 R$ 600,00 ; fl. 64 31/08/2014 R$ 600,00 ; fl. 65 30/09/2014 R$ 600,00 ; fl. 66 31/10/2014 R$ 600,00 ; fl. 67 30/11/2013 R$ 600,00 ; fl. 68 31/12/2014 R$ 600,00). O interessado em atendimento ao Termo de Intimação acima citado, anexou aos autos às fls. 34, 36, 38, 40, 42, 44, 46, 48, 50, 52, 54 e 55, cópia de extratos bancários do contribuinte junto ao banco Itaú Agência 7041 Conta Corrente 023057, pertinente aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2014. O Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 126 7 contribuinte também anexou aos autos às fls. 17/33, cópia de extratos bancários junto ao banco Bradesco, pertinente aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2014. Deve ser salientado, que o contribuinte não especificou se os pagamentos efetuados ao Fisioterapeuta Marcelo Mendonça de Oliveira foram feitos em espécie ou através de cheques, como solicitado no Termo de Imtimação Fiscal. De igual forma, deve ser ressaltado que o contribuinte deveria ter anexado aos autos toda documentação solicitada no Termo de Intimação Fiscal, qual seja: pedidos de exames, prescrições de receitas, emitidas por médicos, indicando a necessidade de tratamento fisioterápico para o casal. O contribuinte não atendeu ao contido na Intimação Fiscal, não tendo anexado aos autos documentação alguma indicando a necessidade de tais tratamentos. A apresentação de toda documentação exigida no Termo de Intimação Fiscal é reforçada pela peculiaridade do fato de que o Fisioterapeuta Marcelo Mendonça de Oliveira vem a ser filho do impugnante e de sua dependente, a Sra. Maria Cristina Mendonça de Oliveira. Em função do exposto, as glosas em questão devem ser mantidas. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o sujeito passivo informa que os pagamentos foram efetuados em espécie, elaborando planilha com indicação das retiradas mensais que demonstrariam a disponibilidade para quitação das consultas. Indica a juntada de declaração do profissional, ratificando essa informação. Em relação à dependente, informa que é acometida de doença, que demanda tratamento fisioterápico continuado. Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probatório absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 127 8 Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 128 9 contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) No caso, por ocasião do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou o contribuinte para apresentação dos recibos e comprovação do efetivo pagamento, entre outras, das despesas declaradas com Marcelo Mendonça de Oliveira, não tendo havido resposta a essa intimação (fl. 8). Em sua impugnação, o contribuinte juntou extratos bancários e os recibos emitidos pelo profissional, bem como elaborou demonstrativos de retiradas em suas contas bancárias. A DRJ, em trecho destacado acima, manteve a glosa dessas despesas, apontando que o contribuinte não esclarecera se os pagamentos teriam sido efetuados em espécie ou em cheques e também não apresentara outros documentos solicitados na intimação, quais sejam, pedidos de exames, prescrição de receitas e indicação de tratamento. Ressaltou ainda que o profissional indicado é filho do contribuinte e de sua dependente. Em seu recurso, o contribuinte informa que os pagamentos foram efetuados em espécie, juntando declaração do profissional e anexando novamente o demonstrativo de retiradas em suas contas. Em relação à dependente, acrescenta laudo médico de fl. 113. Em relação a esse laudo, cabe observar que data de 15/3/2017 e dá notícia da existência da doença há mais de um ano. Entretanto, aqui está se analisando o ano de 2014, inexistindo comprovação da doença para esse período. Ademais, o laudo apresentado não prescreve tratamento fisioterápico, que é o que se quer comprovar no caso desses autos. Como já defendi acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução, mormente como no presente caso, em que o profissional tem vínculo de parentesco com o contribuinte (filho) e este alega que os pagamentos se deram em espécie. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. No caso, não obstante o fato do somatório de todas as retiradas mensais serem suficientes para arcar com o valor das despesas questionadas, não há como relacionar a realização dos saques ao pagamento desses gastos. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 129 10 Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas o contribuinte nada apresentou nesse sentido. Por fim, importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. O ônus da prova do direito constitutivo, no caso, é do contribuinte, a teor do art. 373, inciso I, do CPC, na medida em que pretende deduzir de seus rendimentos tributáveis o valor pago a título de despesa médica. Na ausência dessa comprovação, a glosa deve ser mantida. O contribuinte pleiteia ainda a consideração na Declaração de Ajuste objeto destes autos das despesas nos valores de R$100,10, com Laboratório Fleury, e de R$1.000,00, com Leonardo Nicolau de Assis Castro, realizadas em 2014 e declaradas por ele na Declaração de Ajuste do anocalendário 2013, objeto do processo 10730.721561/201710, que está sendo julgado na mesma sessão de julgamento do presente. Em relação à primeira, ele não impugnou a glosa naqueles autos, tendo efetuado o recolhimento do imposto suplementar correspondente. Em relação à segunda, o contribuinte comprovou o efetivo pagamento, mas, como se deu em 2014, a DRJ/RJO manteve sua glosa. No julgamento neste Colegiado, foi mantida a decisão de piso. Da análise desses dois processos, concluise que houve erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste, uma vez que o contribuinte incluiu as mencionadas despesas na Declaração de Ajuste do exercício 2014 e não na de 2015, que aqui se analisa, que seria o correto. É preciso deixar claro que o contribuinte não informou essas despesas na Declaração objetos destes autos (fl.85). Assim, constatado o evidente erro de fato cometido, demonstrada a realização dessas despesas e com base no princípio da verdade material, entendo que o pleito do recorrente deve ser acatado. Pelo exposto, devem ser restabelecidas despesas médicas no valor de R$1.100,10. Contribuição à Previdência Oficial Nesse tocante, a decisão de piso consigna: O contribuinte com intuito de comprovar a dedução declarada, anexou aos autos à fl. 12, cópia do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda Retido na Fonte – Ano Calendário 2014, emitido por sua fonte pagadora, a pessoa jurídica Ipiranga Produtos de Petróleo S A CNPJ 33.337.122/000127, (natureza do rendimento 0588 – trabalho sem vínculo empregatício), onde consta Contribuição à Previdência Oficial no valor de R$ 15.635,72. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 130 11 Ocorre, porém, que a Autoridade Lançadora assim dispôs à fl. 06, da Notificação de Lançamento em análise (fls. 04/10): “A contribuição previdenciária (INSS) do segurado contribuinte individual, para fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/2003, é de 11% (onze por cento), respeitado o limite máximo do salário de contribuição (R$ 4.390,18), em face da dedução permitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme deduzida corretamente nos meses de junho e setembro, no valor de R$ 482,93 , pela fonte pagadora Ipiranga Produtos de Petróleo S A CNPJ 33.337.122/000127).” De fato, a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte Dirf de fl. 95, emitida pela pessoa jurídica Ipiranga Produtos de Petróleo S A CNPJ 33.337.122/0001 27 em nome do contribuinte, ratifica o disposto pela Autoridade Lançadora, ou seja, nos meses de junho e setembro de 2014, os valores de R$ 482,93 a título de Previdência Oficial. Porém no mês de dezembro de 2014, consta o valor de R$ 14.669,86 a título de Previdência Oficial, tendo sido glosado o excedente (R$ 14.669,86 – R$ 482,93 = R$ 14.186,93). Em momento algum o interessado afirmou que o valor da Previdência Oficial glosada, corresponderia por exemplo, a Contribuição Oficial referente a anos calendários anteriores, paga em atraso. O mesmo não anexou documentação alguma, a não ser a cópia do Comprovante de Rendimentos de fl. 12 acima citado. Face ao exposto, deve ser mantida a glosa lançada pelo Fisco. Em seu recurso, o contribuinte defende que faz jus a deduzir o valor declarado, uma vez que está consignado no comprovante de rendimentos juntado. Acrescenta que mesmo que tenha ocorrido erro, o Governo Federal seria beneficiário do equívoco, recolhido a maior ao INSS. O comprovante de rendimento encontrase à fl. 12 e a DIRF da fonte pagadora, à fl. 95. Os documentos consignam que se trata de rendimento de trabalho sem vínculo empregatício. Diante da legislação atinente à matéria, que dispõe que, no caso de segurado contribuinte individual, o limite máximo de salário de contribuição é R$4.390,18, a autoridade fiscal procedeu à glosa do valor informado pelo sujeito passivo, em decorrência da discrepância dos valores informados por ele a título de contribuição à previdência oficial. Em sua impugnação, o contribuinte juntou o comprovante de rendimentos, defendendo que faz jus a deduzir o valor consignado pela fonte pagadora. Conforme reproduzido acima, a DRJ aponta que esse documento não se revela hábil a fazer a prova exigida, uma vez que a legislação de regência limita o valor da contribuição dos segurados individuais. Mesmo após tomar ciência dessa decisão, o sujeito passivo insiste que o comprovante de rendimento é suficiente a comprovar seu direito e, ainda, que não houve prejuízo à Fazenda Nacional. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10730.721565/201790 Acórdão n.º 2002000.052 S2C0T2 Fl. 131 12 Não se trata aqui de perquirir se houve prejuízo ou não à Fazenda Nacional, mas verificar se a legislação de regência foi cumprida e se o contribuinte faz jus a deduzir o valor declarado. No caso, o contribuinte não junta provas quanto ao seu direito a essa dedução, como, por exemplo, que o valor declarado incluiria contribuição de anoscalendário anteriores, como orienta a decisão da DRJ. Diante disso, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe provimento parcial, para restabelecer despesas médicas no montante de R$1.100,10. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.001647/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA POR INFRAÇÃO. DIRIGENTE PÚBLICO. ILEGITIMIDADE.
Com a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/91 pelo art. 79, inciso I, da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, o dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal não mais responde pessoalmente por infração de dispositivos da Lei nº 8.212/91 e de seu regulamento.
Numero da decisão: 2201-004.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES Recorrente SILVIA ROSANE CAVALCANTI OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA POR INFRAÇÃO. DIRIGENTE PÚBLICO. ILEGITIMIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/91 pelo art. 79, inciso I, da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, o dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal não mais responde pessoalmente por infração de dispositivos da Lei nº 8.212/91 e de seu regulamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 16 47 /2 00 8- 94 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 18050.001647/200894 Acórdão n.º 2201004.103 S2C2T1 Fl. 227 2 Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 54/59 interposto contra decisão de fls. 46/48, que julgou procedente a imposição da penalidade pecuniária (DEBCAD n° 35.159.019 6), uma vez que a RECORRENTE, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Esplanada/BA, apresentou GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, pois omitiu, no período de 06/2000 à 12/2000. Conforme exposto no Relatório Fiscal de fls. 05/06, os valores não informados pela RECORRENTE em GFIP foram os seguintes: (i) a parte da remuneração paga aos segurados empregados; (ii) os valores pagos aos contribuintes individuais autônomos; e (iii) o valor correspondente a 11,71% do total do frete pago aos transportadores autônomos: A autoridade fiscal verificou infração ao art. 32, IV, §5º, da Lei nº 8.212/91 e aplicou a multa correspondente a 100 % (cem por cento) do valor da contribuição previdenciária devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de empregados da Câmara, observado o limite mensal previsto no artigo 32, IV, §4º da Lei n° 8.212/91. Assim, calculou a multa no valor de R$ 10.613,54, conforme planilha de fl. 08. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 18050.001647/200894 Acórdão n.º 2201004.103 S2C2T1 Fl. 228 3 Da Impugnação Intimada do lançamento em 21/12/2001 (fl. 24), a RECORRENTE apresentou impugnação de forma intempestiva. Desta forma, a defesa apresentada às fls. 31/34 não foi conhecida, conforme decisão do serviço de Análise e Defesas de Recursos (fls. 46/48), que julgou procedente o lançamento. O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO PREVIDENCIARIO Constitui infração apresentar GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. IMPUGNAÇÃO A DESTEMPO. A defesa interposta após o décimo quinta dia, a contar da data da ciência da exigência fiscal, não enseja conhecimento. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora afirmou que o presente caso se aplica o art. 32, parágrafo 5º e o artigo 41 da lei 8.212/91, e findou por manter o lançamento. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão em 27/06/2003, conforme AR de fl. 52, apresentou seu recurso voluntário de fls. 54/59 em 28/07/2003, oportunidade em que levantou os seguintes questionamentos, assim sintetizados pela CRPS: houve nulidade da citação, vez que esta deveria ter sido realizada pessoalmente; a notificação por aviso de recebimento foi enviada para a Câmara Municipal e não para a sua residência, procedimento equivocado já que a recorrente não mais labora na Câmara; a funcionário da prefeitura que recebeu o auto de infração não é representante legal da recorrente; A recorrente apresentou todos os dados referentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias no período de 06 a 12/2000, não o fazendo somente em relação aos vereadores e os transportadores autônomos; os vereadores contribuem para a previdência social em razão da função que exerciam antes da eleição, não podendo ser incluídos como segurado obrigatório, conforme jurisprudência que transcreve. O os transportadores autônomos são amparados por regime próprio de previdência, não contribuindo para o regime geral. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 18050.001647/200894 Acórdão n.º 2201004.103 S2C2T1 Fl. 229 4 Da Conversão do Julgamento em Diligência O Conselho de Recursos da Previdência Social, ao apreciar o Recurso Voluntário em tela, optou por converter o julgamento em diligência, através da Resolução de fls. 72/76, determinando fosse verificada, junto à Câmara Municipal: (i) se existe algum ato que atribua expressamente a competência para o cumprimento das obrigações previdenciárias a algum órgão ou setor específico; e (ii) Verificar a situação do processo administrativo relativo ao lançamento da obrigação principal decorrente dos mesmos fatos que ensejaram a presente autuação. Atendendo à solicitação do 2º CAJ (Segunda Câmara de Julgamento do CRPS), foi juntada às fls. 80/153 a Lei Orgânica do Município de Esplanada/BA, bem como o Regimento Interno da Câmara Municipal de Esplanada, às fls. 156/204. No Relatório Fiscal da diligência (fl. 208), a unidade preparadora informou o seguinte: a Lei Orgânica do Município de Esplanada, no seu artigo 36, incisos II e XIII, atribui competência ao Presidente da Câmara em dirigir, executar, disciplinar e administrar os serviços da Câmara; O Regimento Interno da Câmara Municipal de Esplanada atribui competência ao Presidente, quanto à administração da Câmara, conforme o disposto no seu artigo 22, inciso III alíneas "a" até "f". o lançamento fiscal efetuado pelo não recolhimento das contribuições não declaradas em GFIP (parte da remuneração paga aos segurados empregados, remuneração paga aos contribuintes individuais e os fretes pagos aos transportadores autônomos) relativo à NFLD Debcad n.° 35.159.0080, correspondente à Câmara Municipal de Esplanada, foi incluído em parcelamento especial, conforme documentos de fls. 154/155. Uma vez concluída a diligência determinada pelo CRPS, a 5ª Turma da DRJ em Salvador às fls. 225 determinou o encaminhamento dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscal, por entender ser o órgão ao qual compete o julgamento do Auto de Infração em comento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 229DF CARF MF Processo nº 18050.001647/200894 Acórdão n.º 2201004.103 S2C2T1 Fl. 230 5 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Entendo que a situação em tela não comporta maiores digressões. É que o dispositivo legal que fundamentou o lançamento da multa em face da RECORRENTE, na qualidade de dirigente de órgão de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, foi revogado pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Com a revogação deste dispositivo, o dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal não mais responde pessoalmente pela multa decorrente do descumprimento de dispositivos da Lei nº 8.212/91 e de seu regulamento. Sendo assim, a lei posterior é mais benéfica ao contribuinte e, por ter deixado de definir o dirigente como infrator pessoalmente responsável pela obrigação acessória, entendo que a mesma deve ser aplicada ao presente caso, nos termos do art. 106 do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Em razão do acima exposto, deve ser reconhecida a ilegitimidade passiva da RECORRENTE para figurar no polo passivo da presente demanda. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 230DF CARF MF Processo nº 18050.001647/200894 Acórdão n.º 2201004.103 S2C2T1 Fl. 231 6 Fl. 231DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001817/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2001
IMPOSTO DE RENDA SOBRE GANHOS EM RENDA VARIÁVEL. NÃO INCIDÊNCIA. Verificado que o contribuinte, no que tange ao Imposto de Renda, obteve o reconhecimento de sua imunidade tributaria mediante
decisão judicial, cancela-se a exigência.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-000.582
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as preliminares, e no mérito, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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NÃO INCIDÊNCIA. Verificado que o contribuinte, no que tange ao Imposto de Renda, obteve o reconhecimento de sua imunidade tributaria mediante decisão judicial, cancelase a exigência. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as preliminares, e no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 590DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório JOHNSON & JOHNSON SOCIEDADE PREVIDENCIÁRIA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/São PauloSP I em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de auto de infração (fls. 366 a 369) lavrado em procedimento de fiscalização externa para a constituição de crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ incidente sobre rendimentos provenientes de investimentos em renda variável. De acordo com o Termo de Verificação de Infração de fls. 362 a 364, a contribuinte é associada da ABRAPP – Associação Brasileira das Entidades de Previdência Privada, que impetrou o mandado de segurança coletivo nº 1998.34.00.0025424 perante a 8ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, com o objetivo de exonerar suas associadas da exigência do imposto de renda sobre os resultados de aplicações financeiras, prevista na Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e na Instrução Normativa SRF nº 96, de 26 de dezembro de 1997 (petição inicial às fls. 23 a 56). De acordo com a Certidão de Objeto e Pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região (fls. 18), o juiz singular deferiu a liminar e, posteriormente, proferiu sentença que denegou a segurança. A impetrante interpôs o recurso de apelação nº 1999.01.00.0193466, ao qual foi conferido efeito suspensivo em sede do agravo de instrumento nº 1998.01.00.0902242. À época da autuação, a apelação aguardava julgamento no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. No que tange à decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 1998.01.00.0902242 que concedeu efeito suspensivo à apelação, verificase, na Certidão de fls. 19 a 22, que a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial ao Superior Tribunal de Justiça, ao qual foi dado provimento, tendo o tribunal decidido que, em sede de mandado de segurança, o recurso de apelação contra sentença denegatória possui apenas efeito devolutivo. Em relação a essa decisão, a ABRAPP opôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Relata a fiscalização que, em razão da ação judicial, a contribuinte deixou de recolher e de declarar em DCTF o imposto de renda sobre ganhos líquidos de renda variável. Acrescenta que a autuada não optou pelo Regime Especial de Tributação previsto na Medida Provisória nº 2.222/2001. Informa a fiscalização que apurou o imposto de renda incidente sobre os ganhos líquidos auferidos no mercado à vista de ações com base nos extratos Fl. 591DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 3 3 fornecidos pela contribuinte no curso da ação fiscal, estando os resultados consolidados na planilha de fls. 365. Assim, foi lavrado o auto de infração de fls. 366 a 369, com os valores a seguir discriminados: Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) Arts. 758, 760, 770 e 773 do RIR/99. 177.903,78 Juros de Mora (calculados até 31/10/2006) Art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. 171.891,10 Multa Proporcional Art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. 133.427,82 TOTAL 483.222,70 DA IMPUGNAÇÃO Tendo tomado ciência do auto de infração em 17/11/2006 (fls. 368), a contribuinte apresentou, em 19/12/2006, a impugnação de fls. 373 a 409, acompanhada dos documentos de fls. 412 a 479. Inicialmente, ressalta a tempestividade da impugnação e, em seguida, passa a discorrer sobre sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo da presente autuação, requerendo o cancelamento do auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo. Alega que o art. 740 do RIR/99 estabelece que o responsável pela retenção e recolhimento do IRRF é o administrador do fundo de investimento e que, portanto, a autuação não poderia ter sido feita contra a beneficiária dos rendimentos (no caso, a impugnante). Acrescenta que a fonte pagadora é a responsável, por atribuição legal, pela retenção e recolhimento do IRRF e que não há nenhuma lei que atribua a responsabilidade, ainda que em caráter supletivo, ao beneficiário dos rendimentos. A impugnante também sustenta que o auto de infração deve ser cancelado por não conter a descrição detalhada dos fatos que motivaram a exigência fiscal, o que constitui ofensa aos princípios da verdade material, da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório, contrariando ainda as determinações contidas no art. 142 do CTN, no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 5º, LV, da Constituição Federal. Alega a impugnante que o auto de infração deve ser cancelado em face da decadência, pois o lançamento foi efetuado em 17/11/2006, ou seja, após o prazo de cinco anos contados a partir da data de ocorrência dos fatos geradores (janeiro a abril de 2001), conforme determina o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. No que tange ao Mandado de Segurança nº 1998.34.00.0025424, impetrado pela ABRAPP, sustenta a impugnante que essa discussão judicial não implica renúncia à esfera administrativa, pois o Mandado de Segurança Coletivo não faz coisa julgada em relação a cada uma das associadas da entidade que impetrou a Fl. 592DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 4 4 ação. Assim, a impugnante pode postular direito próprio e individual em processo administrativo ou judicial, razão pela qual a presente impugnação deve ser apreciada integralmente no julgamento administrativo. Alega a impugnante que é entidade fechada de previdência complementar, sem fins lucrativos e mantida exclusivamente pela patrocinadora. Dessa forma, entende ser imune aos impostos nos termos do art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal. Argumenta que a questão do custeio exclusivo pela patrocinadora não é abordada no Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela ABRAPP, razão pela qual não há que se cogitar da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Acrescenta que a imunidade das entidades fechadas de previdência complementar custeadas exclusivamente pelas patrocinadoras foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula nº 730, que estabelece que “a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, ‘c’, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”. A impugnante argumenta que atende aos requisitos para o gozo da imunidade, estabelecidos no § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532/97, e que essa questão não foi levantada pela fiscalização. Alega também que eventual superávit, decorrente ou não de aplicações financeiras, não pode ser considerado um desvirtuamento da imunidade, pois os rendimentos produzidos por tais aplicações são destinados à manutenção do objetivo social. Em relação ao § 1º do art. 12 da Lei nº 9.532/97, que estabelece que “não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável”, alega a impugnante que tal dispositivo encontrase com sua eficácia suspensa, com efeitos erga omnes, desde 09/09/1998, em face da publicação de decisão liminar proferida nos autos da ADIN nº 1.802, não podendo fundamentar a presente autuação. Acrescenta que esse dispositivo distorceu o conceito de imunidade, ao pretender impor a incidência do imposto sobre rendimentos de aplicações financeiras, contrariando o disposto no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, que veda à União instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços das instituições de assistência social sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Assim, uma vez reconhecida a imunidade da entidade de previdência privada sem fins lucrativos, deve ser afastada qualquer tributação em relação a rendimentos de aplicações financeiras. No que tange aos artigos 758, 760, 770 e 773 do RIR/99, apontados na autuação, sustenta a impugnante que eles não são aplicáveis a rendimentos de entidades imunes. A impugnante também alega que a Instrução Normativa SRF nº 25/2001 constitui violação aos princípios tributários e à legislação vigente. Acrescenta que, mesmo que se considere devido o IRRF, a responsável pelo recolhimento do imposto, conforme definido em lei, é a fonte pagadora, não podendo o imposto ser exigido da beneficiária dos rendimentos, devendo ser cancelado o auto de infração. Fl. 593DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 5 5 Em relação à multa de ofício, alega que sua exigência configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória, em total confronto com o art. 150, IV, da Constituição Federal, ultrapassando os limites da razoabilidade e proporcionalidade. No que se refere aos juros de mora, a impugnante se insurge contra a aplicação da taxa Selic, por não ter sido criada por lei para fins tributários, requerendo sua desconsideração no cálculo do crédito tributário. Ad argumentandum, caso seja admitida a exigência de juros com base na taxa Selic, sustenta que eles devem ser calculados somente sobre o crédito tributário principal, não havendo fundamento legal para sua exigência em relação à multa de ofício. Por todo o exposto, a impugnante requer o cancelamento integral da exigência (IRPJ, multa e juros) consubstanciada no auto de infração, com o consequente arquivamento do processo administrativo. Protesta, ainda, pela juntada posterior de documentos. A decisão recorrida está assim ementada: DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e o enquadramento legal se encontram suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, improcedente a alegação de nulidade do auto de infração. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Não havendo o pagamento do tributo, a contagem do prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPJ. SUJEIÇÃO PASSIVA.A exigência do imposto de renda incidente sobre ganhos líquidos em operações realizadas em bolsas de valores deve recair sobre o beneficiário dos rendimentos. IRPJ. GANHOS LÍQUIDOS AUFERIDOS EM OPERAÇÕES REALIZADAS EM BOLSAS DE VALORES.Os ganhos líquidos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, estão sujeitos à incidência do imposto de renda. PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA.A propositura de ação judicial importa em renúncia à discussão na via administrativa da matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação em relação à matéria não discutida no processo judicial. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE.Não compete à autoridade administrativa apreciar questões relacionadas à inconstitucionalidade de leis ou à ilegalidade de normas infralegais, matérias estas reservadas ao Poder Judiciário. Fl. 594DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 6 6 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados pela taxa Selic, por expressa determinação legal. MULTA DE OFÍCIO.Nos lançamentos efetuados por meio de auto de infração deve ser aplicada a multa de ofício de 75%, de acordo com a legislação tributária em vigor. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO.A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, nos seguintes tópicos: A INEXISTÊNCIA DE IDENTIDADE ENTRE o PROCESSO E O MANDADO DE SEGURANÇA N°1998.34.00.0025424. PRELIMINAR ILEGITIMIDADE PASSIVA PRELIMINAR – DESCRIÇÃO DEFICIENTE DOS FATOS PRELIMINAR – DECADÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA A TAXA SELIC. Ao final, a peça recursal trás a seguinte conclusão e pedidos (verbis): VII. A CONCLUSÃO E O PEDIDO 109. Do acima exposto, resta demonstrado que é infundada a exigência contida no auto de infração e mantida pela r. decisão recorrida, uma vez que: (i) não há concomitância entre a discussão travada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela ABRAPP e este processo administrativo, visto que não existe identidade de partes, da causa de pedir e do pedido nos casos em tela; (ii) o auto de infração deve ser cancelado na medida em que há erro na identificação do sujeito passivo, pois é exigido da Recorrente o imposto cuja retenção e recolhimento, por força de lei, são de responsabilidade da fonte pagadora; (iii) a autuação é improcedente, uma vez que ao não descrever adequadamente os fatos que motivaram a autuação e indicar como fundamento legal dispositivos que Fl. 595DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 7 7 não se aplicam ao caso, afrontou os artigos 9, 10 e ii do Decreto 70.235/72, e aos princípios da verdade material, da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório; (iv) tendo em vista que a Recorrente foi cientificada do lançamento apenas em 17.11.2006, nos termos do artigo 150, § 40 do CTN, o período de janeiro a abril de 2001 foi abrangido pela decadência, razão pela qual não pode mais ser objeto de 'cobrança; \ (v) a Recorrente é entidade imune a impostos nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal; (vi) a Recorrente atende a todos os requisitos previstos no artigo 14 do CTN e 31 da LC 109/01, necessários ao gozo da referida imunidade. Além disso é custeada exclusivamente pela patrocinadora e não tem fins lucrativos, nos termos do' artigo 12 da Lei 9.532/97; (vii) já foi decidido pelo STF nos autos do Recurso Extraordinário n° 259.756/RJ, que a Recorrente é entidade imune a impostos; (viii) os artigos 758, 760, 77o e 773 do RIR/99 utilizados como fundamento do auto' de infração, tratam da cobrança de IRF, não sendo aplicáveis à situação em teia, 'na qual se discute a cobrança de IRPJ; (ix) \ os artigos 758 e 760 do RIR/99, se interpretados em Consonância com o artigo 150, inciso W, alínea "c", da Constituição Federal, levam ao entendimento de que as entidades de assistência social, dentre as quais se encontra a recorrente são imunes a impostos; (x) O artigo 770 do RIR/99 nada dispõe sobre a tributação de pessoas imunes ou isentas, não sendo aplicável ao caso; (xi) o artigo 773 do RIR/99 trata da cobrança de, imposto definitivo, de modo que não se aplica ao beneficiário (Recorrente) do 'rendimento, mas somente à fonte pagadora; e (xii) ad argumentandum, a multa de oficio no valor de 75% da exigência mantida, é excessiva e desproporcional, devendo ser reduzida. Além disso, a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários e, se admitida a sua aplicação, só poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de oficio, que é penalidade e não tem natureza tributária. 110. Pelo exposto, a Recorrente tem por comprovada a exatidão dos procedimentos por ela adotados e a total improcedência do auto de infração, bem como o equivoco cometido pela r. decisão recorrida, que manteve o lançamento, ao interpretar os fatos e o direito aplicáveis ao caso. in. Dessa forma, requerse seja o presente Recurso Voluntário integralmente provido, com o objetivo de reformar a r. decisão recorrida e cancelar integralmente o auto de infração, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo. (...). É o relatório. Fl. 596DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência de crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ incidente sobre rendimentos provenientes de investimentos em renda variável. Consoante Termo de Verificação de Infração de fls. 362 a 364, a contribuinte é associada da ABRAPP – Associação Brasileira das Entidades de Previdência Privada, que impetrou o mandado de segurança coletivo nº 1998.34.00.0025424 perante a 8ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, com o objetivo de exonerar suas associadas da exigência do imposto de renda sobre os resultados de aplicações financeiras, prevista na Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e na Instrução Normativa SRF nº 96, de 26 de dezembro de 1997 (petição inicial às fls. 23 a 56). No recurso voluntário são manejadas diversas alegações visando o cancelamento da exigência, uma delas, a meu ver, concernente à erro na constituição do credito tributário, fulminaria a exigência. Vejamos as alegações da Recorrente: (...) A improcedência do auto de infração é ainda mais evidente, Pois apesar de a autuação ter sido formalizada para exigir valores supostamente, não recolhidos a titulo de IRPJ, são indicados como seus fundamentos legais dispositivos que tratam de IRF. A autuação não coleciona os referidos dispositivos à situação fática que motivou a cobrança. Aliás, sequer faz esclarecimento sobre a aplicabilidade de tais artigos ao presente caso. 39. Para se aferir a validade do auto de infração não basta a indicação dos d.i1spositivos supostamente infringidos, é imprescindível a descrição pormenorizada do fato concreto e a perfeita demonstração de que ele se subsume à hipótese de incidência prevista genérica e abstratamente no dispositivo mencionado no enquadramento legal da autuação. Na presente caso, todavia, isso não ocorreu. As garantias da Recorrente foram indevidamente suprimidas pelo auto de infração, em verdadeira afronta ao disposto nos artigos 9o. e 11 do Decreto 70.235/72, e aos Princípios da verdade material, da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório, norteadores do processo administrativo tributário. Pois bem, consta claramente no auto de infração à fl. 368, que se trata de exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No termo de descrição dos fatos constatase que a exigência foi constituída por fatos geradores mensais (janeiro a abril de 2001). Fl. 597DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 9 9 Todavia, à luz do art. 1o. da Lei 9.430/1996, a partir de 1997 o IRPJ é apurado trimestralmente, ou, à opção do contribuinte, no regimento do lucro real anual (art. 6o.). A exigência se refere a ganhos líquidos em aplicações financeiras de renda variável, cujo o imposto deixou de ser retido na fonte pela instituição financeira responsável, exatamente em face do mandado de segurança coletivo nº 1998.34.00.0025424. Portanto, mesmo lavrado em 2006, o correto seria a constituição de exigência de IRFonte, figurando a empresa como contribuinte e responsável, em face da ação judicial. Ocorre também que o contribuinte faz retenções e recolhimentos de IRFonte, enquanto responsável por pagamentos a seus associados, logo, no presente caso o lançamento do também estaria fulminado pela decadência, haja vista que se tratam de fatos geradores da janeiro a abril de 2001, sendo que a lavratura ocorreu em novembro de 2006. Quanto a decadência, no presente caso, cabível a correta a aplicação do art. 150 parágrafo 4o. do CTN. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de JustiçaSTJ, cite como exemplo o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 598DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 10 10 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original). Enfim, caso o auto de infração tivesse sido lavrado corretamente, por certo seria atingido pela decadência em face desse entendimento. Alem disso, há uma outra motivação inconteste que implica na improcedência do auto de infração: o recorrente obteve reconhecida sua imunidade tributária mediante decisão judicial transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, no RE 2506354 SP, cuja ultima decisão ocorreu no agravo interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a saber: Em seu relatório, fazendo referencia à decisão objeto do agravo interposto pela PFN, o Exmo. Ministro Celso de Mello, assim se manifestou (verbis): Fl. 599DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 140200.582 S1C4T2 Fl. 11 11 Portanto, cabe superar as preliminares, nos termos do art. 59, parágrafo 3o. do Decreto 70.235;1972, para no mérito cancelar o auto de infração. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 600DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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