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Numero do processo: 16682.721463/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVAS. AFASTADA.
Quando a parte fiscalizada em várias oportunidades é intimada para apresentar documentos probatórios de suas alegações e não o faz, apropriada a negativa de perícia técnica e diligências por parte do Fisco, pois, não cabe à autoridade administrativa, mesmo em respeito à verdade material, produzir provas em favor do contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES. INDEDUTIBILIDADE.
Tanto os impostos como as contribuições com a exigibilidade suspensa são indedutíveis na apuração do lucro real, por se caracterizarem como meras provisões e, os juros de mora, quando deduzidos na apuração do lucro contábil da pessoa jurídica, de acordo com o regime de competência, devem seguir a mesma regra, sendo adicionados para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
EXCLUSÃO INDEVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE A PROVISÃO ANTERIORMENTE ADICIONADA E SUA POSTERIOR REVERSÃO.
A mera reversão de uma provisão, adicionada anteriormente, não é motivo de questionamento quanto aos ajustes na base de cálculo do IRPJ e CSLL por sua exclusão, ainda que parcial. No entanto, deve ser demonstrada a correlação entre a provisão inicial e a reversão posterior. Trata-se de discussão sobre os lançamentos contábeis realizados pela fiscalizada, os quais devem ser comprovados por esta e não pelo Fisco.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Em se tratando de exigências reflexas de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
Numero da decisão: 1402-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVAS. AFASTADA. Quando a parte fiscalizada em várias oportunidades é intimada para apresentar documentos probatórios de suas alegações e não o faz, apropriada a negativa de perícia técnica e diligências por parte do Fisco, pois, não cabe à autoridade administrativa, mesmo em respeito à verdade material, produzir provas em favor do contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES. INDEDUTIBILIDADE. Tanto os impostos como as contribuições com a exigibilidade suspensa são indedutíveis na apuração do lucro real, por se caracterizarem como meras provisões e, os juros de mora, quando deduzidos na apuração do lucro contábil da pessoa jurídica, de acordo com o regime de competência, devem seguir a mesma regra, sendo adicionados para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. EXCLUSÃO INDEVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE A PROVISÃO ANTERIORMENTE ADICIONADA E SUA POSTERIOR REVERSÃO. A mera reversão de uma provisão, adicionada anteriormente, não é motivo de questionamento quanto aos ajustes na base de cálculo do IRPJ e CSLL por sua exclusão, ainda que parcial. No entanto, deve ser demonstrada a correlação entre a provisão inicial e a reversão posterior. Trata-se de discussão sobre os lançamentos contábeis realizados pela fiscalizada, os quais devem ser comprovados por esta e não pelo Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigências reflexas de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. PROVAS. AFASTADA. Quando a parte fiscalizada em várias oportunidades é intimada para apresentar documentos probatórios de suas alegações e não o faz, apropriada a negativa de perícia técnica e diligências por parte do Fisco, pois, não cabe à autoridade administrativa, mesmo em respeito à verdade material, produzir provas em favor do contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES. INDEDUTIBILIDADE. Tanto os impostos como as contribuições com a exigibilidade suspensa são indedutíveis na apuração do lucro real, por se caracterizarem como meras provisões e, os juros de mora, quando deduzidos na apuração do lucro contábil da pessoa jurídica, de acordo com o regime de competência, devem seguir a mesma regra, sendo adicionados para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. EXCLUSÃO INDEVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA CORRELAÇÃO ENTRE A PROVISÃO ANTERIORMENTE ADICIONADA E SUA POSTERIOR REVERSÃO. A mera reversão de uma provisão, adicionada anteriormente, não é motivo de questionamento quanto aos ajustes na base de cálculo do IRPJ e CSLL por sua exclusão, ainda que parcial. No entanto, deve ser demonstrada a correlação entre a provisão inicial e a reversão posterior. Tratase de discussão sobre os lançamentos contábeis realizados pela fiscalizada, os quais devem ser comprovados por esta e não pelo Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 14 63 /2 01 3- 40 Fl. 603DF CARF MF 2 Em se tratando de exigências reflexas de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402002.514 S1C4T2 Fl. 604 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1266.290, proferido pela 2ª Turma da DRJ/RJ1, transcrito abaixo. "Do lançamento: 0 presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela DEMAC/Rio de Janeiro em 19/12/2013, de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 8.271.643,60 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 2.986.431,70, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 255/272, decorre das seguintes irregularidades apuradas no exercício de 2009, anocalendário 2008: 0001 Ajustes do Lucro Líquido do exercício. Adições não computadas na apuração do lucro real (item 03 e 06 do TVF): Falta de adição ao Lucro Líquido para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL de provisão indedutível, no valor de R$ 30.577.171,19, referente a atualização monetária e juros sobre depósitos judiciais de tributos (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços ICMS e Fundo de Universalização dos Serviços de TelecomunicaçõesFUST) com exigibilidade suspensa. A autuação teve como enquadramento legal, para o IRPJ, o art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e arts 247 e 249 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999; e para a CSLL, art. 2° e 3° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 2° das Lei n° 8.034, 12 de abril de 1990 e art. 17 da Lei n° 11.727 de 23 de junho de 2008, art 57 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 1° da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 13 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 0002 Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real. Exclusões indevidas (itens 4 e 6 do TVF). Glosa da exclusão do valor de R$ 2.605.403,20, uma vez que a interessada, intimada e reintimada, restringiuse a afirmar que tal exclusão estaria interligada com a adição temporária do valor de R$ 5.512.150,48 no anocalendário de 2004, proveniente de tributos pagos indevidamente, sem apresentar documentação comprobatória de suas alegações. O TVF destaca que o único indício dessa possível interligação seria o histórico do lançamento de exclusão na parte A do Lalur de 2008, "tributos pagos em duplicidade realização parcial adição em set/2004", mas que na parte B do mesmo Lalur não consta saldo inicial relativo a Fl. 605DF CARF MF 4 ficha "Tributos pagos em Duplicidade", contrariando o alegado pela interessada, face à inexistência de saldos anteriores passíveis de exclusão. A autuação teve como enquadramento legal, para o IRPJ, o art. 3° da Lei n° 9.249/1995 e arts 247 e 250 do RIR/1999; e para a CSLL, art. 2° e 3° da Lei n° 7.689/1988, com as alterações do art. 2° das Lei n° 8.034/1990 e art. 17 da Lei n° 11.727/2008, art 57 da Lei n° 8.981/1995, com as alterações da Lei n° 9.065/1995, art. 1° da Lei n° 9.316/1996, art. 28 da Lei n° 9.430/1996, arts. 2° da Lei n° 9.249/1995 e art. 37 da Lei n° 10.637/2002. Da impugnação: Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 21/01/2014, a impugnação de fls. 326/341, onde descreve a autuação, argui a tempestividade e alega, em síntese: Com relação à falta de adição dos juros sobre tributos com exigibilidade suspensa, que inexiste norma que impeça a dedutibilidade dos mesmos e que tais juros de mora não seriam acessórios do principal "tributo" mas sim obrigação principal (art. 113 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário NacionalCTN), possuindo fato gerador próprio independente do fato gerador dos tributos, conforme art 161 do CTN, podendo, inclusive, serem exigidos isoladamente (art. 43 da Lei n° 9.430/1996), não alterando a suspensão da exigibilidade em nada a incidência dos juros, bem como a extinção do principal não extingue os juros. Os juros se caracterizariam em despesa financeira, sendo, portanto, dedutíveis à luz do Parecer Normativo CST n° 174/1974. Que os tributos com exigibilidade suspensa não seriam meras provisões, uma vez que se trataria de uma obrigação "líquida e certa" e que não teria prazo ou valor incertos, o que caracteriza uma provisão, que é uma expectativa de obrigação, diferente dos tributos, mesmo com exigibilidade suspensa, que nasceriam com a ocorrência do fato gerador e nenhuma medida judicial ou administrativa proposta pelo contribuinte afetaria suas características para transformálo em expectativa de obrigação. Assim, estaria comprometida a base no qual se sustentou a fiscalização para a autuação, uma vez que não existe norma que determine a não dedutibilidade dos juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa, devendo sobre os mesmos ser observada as regras gerais de dedutibilidade, qual seja, o princípio de competência. Transcreve ementas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da FazendaCARF. Quanto à autuação de exclusão indevida, junta Lalur do anocalendário de 2004, demonstrando a adição de "Demais impostos e taxas" na parte A, e controlado na parte B, e que tal valor mantevese incólume até o final do ano de 2007, que seria o mesmo saldo no início do ano autuado de 2008, estando demonstrado que tal provisão não foi revertida, mesmo porque só verificada ao longo do ano de 2008, com a exclusão parcial. Alega que, comprovado que não houve qualquer exclusão da provisão adicionada em 2004, até o final do ano de 2007, bem como diante da informação que o saldo excluído representa exclusão parcial da provisão constituída, não há como argumentar que não existe correlação entre os ajustes. Encerra pugnando pela realização de diligência ou perícia, indicando seu perito e os quesitos, e pedindo seja julgada procedente a impugnação e cancelados os autos de infração." Fl. 606DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402002.514 S1C4T2 Fl. 605 5 Passo, agora, a complementar o presente relatório. A impugnação apresentada pela recorrente foi declarada improcedente e o crédito tributário foi mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual não houve inovação em seus argumentos ou pedidos. Vejase a ementa da decisão combatida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A impugnação deve vir acompanhada de todos os elementos hábeis e incontestáveis de prova necessários à confirmação das alegações da interessada contidas em seu arrazoado, na podendo ser deferida diligência ou perícia para suprir tal falta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 ACRÉSCIMOS LEGAIS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Segundo a legislação de regência, são indedutíveis na apuração do lucro real os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições, os acréscimos legais seguem a mesma norma de indedutibilidade. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS MOTIVOS DE EXCLUSÃO. AUTUAÇÃO MANTIDA. Mantêmse a autuação quando continuar sem a devida demonstração e comprovação, por documentação hábil e idônea, os motivos que levaram a exclusão ao lucro líquido para cálculo do lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO COM SUPORTE FÁTICO COMUM. Aplicase ao lançamento de CSLL o decidido sobre o lançamento de IRPJ, por terem suporte fático comum. Quanto ao restante do trâmite processual, registrase que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN e que não há Recurso de Ofício a ser examinado. É o relatório. Fl. 607DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, as questões preliminar e de mérito postas pelo contribuinte em seu recurso voluntário cingemse à (i) preterição do direito de defesa (negativa de perícia técnica e diligências); (ii) ilegalidade da adição, à base de cálculo do IRPJ e CSLL de juros sobre tributos com exigibilidade suspensa por inexistência de norma; e, (iii) inexistência de exclusão indevida relacionada a reversão de provisão adicionada em outro período. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, seguindo, na ordem, os argumentos dispostos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, passo à análise da preliminar suscitada, conforme segue. 1 Nulidade decisão: preterição do direito de defesa da Recorrente A questão de nulidade, arguida pelo contribuinte, cingese a um item específico da autuação, qual seja, “a exclusão indevida, da base de cálculo do IRPJ e CSLL de valores a título de tributos pagos em duplicidade” – item 4. Do Termo de Verificação Fiscal, p. 268 dos autos. A fiscalização, através de Termo de Intimação Fiscal nº 1, solicitou que o contribuinte esclarecesse a origem, motivos e fundamentação legal da exclusão realizada, bem como a comprovação da adição temporária da provisão anteriormente realizada. Em resposta, o contribuinte informou que “o valor de R$ 2.605.403,20 é originado em função do pagamento de tributos sobre receitas diferidas, cuja adição ocorreu em outubro/2004”, citando a parte A e B do LALUR para justificar a informação. A fiscalização, em nova intimação, solicitou que o contribuinte apresentasse o lançamento contábil que motivou a exclusão, no ano base de 2008, do referido valor, acompanhado de cópia dos documentos comprobatórios, assim como os fatos que ensejaram o referido lançamento contábil e a correlação com a adição ao lucro real registrada em outubro/2004. Em resposta, o contribuinte informou que “em relação a este quesito, esclarecemos que até o momento conseguimos identificar que a exclusão realizada no ano calendário 2008, no valor de R$ 2.605.403,20, está interligada com a adição temporária do valor de R$ 5.512.150,48, proveniente de tributos pagos indevidamente, ao Lucro Real e a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no ano calendário 2004, conforme constou da escrituração do LALUR apresentado anteriormente, cuja elaboração ocorreu antes da entrada dos atuais acionistas no controle societário da Brasil Telecom S/A”, reiterando tal resposta em face de nova intimação encaminhada pela fiscalização. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402002.514 S1C4T2 Fl. 606 7 Por fim, ao ser reintimado para a apresentação de documentos, o contribuinte esclareceu que “até o momento conseguimos identificar que a exclusão realizada no ano calendário 2008, no valor de R$ 2.605.403,20, está interligada com a adição temporária do valor de R$ 5.512.150,48, proveniente de tributos pagos indevidamente, ao Lucro Real e a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no ano calendário 2004, conforme constou da escrituração do LALUR apresentado anteriormente, cuja elaboração ocorreu antes da entrada dos atuais acionistas no controle societário da Brasil Telecom S/A.” A fiscalização, tendo em mãos o LALUR do contribuinte, constatou que “o único indício existente dessa possível correlação é encontrado no histórico do lançamento de exclusão na parte A do LALUR de 2008 (p. 38): “Tributos pagos em duplicidade – Realização Parcial. Adição em set/2004”. Entretanto, na parte B do LALUR, não se encontra saldo inicial relativo à ficha “Tributos pagos em Duplicidade” (p. 69), o que indica, contrariamente ao alegado pelo contribuinte, a inexistência de saldos anteriores passíveis de exclusão. Em suma, correto o posicionamento da r. decisão recorrida, uma vez que o contribuinte, mesmo sendo intimado em mais de uma oportunidade, não apresentou documentos comprobatórios de suas alegações e, de fato, não cabe à autoridade administrativa, mesmo em respeito à verdade material, produzir provas em favor do contribuinte. Desta forma, afasto a preliminar, ante a inexistência da nulidade suscitada. 2. Do mérito 2.1 Da ilegalidade da ação à base de cálculo do IRPJ e CSLL de juros sobre tributos com exigibilidade suspensa. Falta de norma. Em síntese, o contribuinte afirma que não há legislação que o impeça de deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, juros de mora incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa. Combate o posicionamento adotado pela fiscalização, mantido pela DRJ, de que os tributos com a exigibilidade suspensa não são dedutíveis por se caracterizarem como meras provisões e os juros de mora, por serem acessórios, seguem a sorte do principal. Aponta, como equívoco da fiscalização, a conclusão de que os juros de mora seriam acessórios, uma vez que, a teor do contido no art. 113, do CTN, é obrigação principal, podendo, inclusive, serem exigidos isoladamente (art. 43, Lei 9.430/96), finalizando que, conforme explicita o art. 953, § 3º, do RIR/99, “os juros de mora são devidos, inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial”. Afirma ainda, em sua defesa, que os juros de mora qualificamse como despesas financeiras (art. 353, do RIR/99) e que, como tal, são dedutíveis. Como segundo equívoco, aponta que tributos com exigibilidade suspensa não são provisões e que nada mais equivocado do que tratar uma obrigação legal líquida e certa como se fosse uma provisão, uma vez que “provisão é uma mera expectativa de uma obrigação”. Fl. 609DF CARF MF 8 Esclarece que “com a ocorrência do fato gerador temse de forma infalível e imediata a relação jurídica de natureza pessoal, isto é, a relação obrigacional tributária, que obriga o sujeito passivo (devedor) a pagar ao sujeito ativo (credor) o tributo, e confere a este, em caso de inadimplemento, o poder de exigir daquele o pagamento mediante invasão de seu patrimônio”, para concluir que “a obrigação tributária e os juros constituem uma obrigação legal e, por conta disso, devem ser reconhecidos como uma efetiva despesa e não uma provisão”. Destaca, por fim, que o ponto fundamental é que não há no ordenamento jurídico pátrio norma que determine a não dedutibilidade dos juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa, ressalvando, contudo, a norma contida no art. 8º, da Lei 8.541/92, exclusivamente para fins do IRPJ, que limitou a dedutibilidade de atualização monetária e dos juros para o momento do efetivo pagamento, o qual, segundo o contribuinte, foi revogado pelo art. 41, da Lei 8.981/95, não existindo, desde então, norma restringindo a dedutibilidade. Cita decisões do CARF, do ano de 2008, para corroborar o seu entendimento. Não merece guarida a irresignação do contribuinte. Como bem destacou a decisão recorrida, o art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95 determina, de forma direta, a indedutibilidade de tributos e contribuições que estejam com a exigibilidade suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151, do CTN. Ainda que não mencione juros de mora, é fato que um tributo ou contribuição com a exigibilidade suspensa, nos termos do citado art. 151, do CTN, também tem suspensa a cobrança dos juros de mora respectivos, ainda que, contabilmente, o contribuinte faça as atualizações periodicamente desse montante, pelo decurso do tempo. Mesmo admitindo que os juros sejam também obrigação tributária principal, como defende o contribuinte, fato é que a suspensão do tributo e/ou contribuição respectivo aos juros de mora se estende, notadamente nos casos dos incisos II a IV do art. 151, do CTN, pois o depósito do montante integral, a existência de reclamação ou recurso administrativo e a concessão de medida liminar em mandado de segurança pressupõe que o contribuinte está discutindo o valor exigido a título de tributo ou contribuição, no intuito de reduzir ou mesmo obter a total desoneração da obrigação tributária constituída, o que afetaria, por conseguinte, o valor dos juros de mora que seriam cobrados. É uma decorrência lógica: menor valor principal (por redução ou desoneração do tributo/contribuição devidos), menor o valor dos juros respectivos sobre esse tributo/contribuição. Ou seja, se o tributo/contribuição objeto da obrigação tributária está com a sua exigibilidade suspensa, tal suspensão estendese aos juros de mora respectivos e, desta forma, o tratamento fiscal de um e de outro deve ser o mesmo, independentemente das características dessa suspensão se assemelharem a uma provisão contábil, a vista da incerteza do montante que efetivamente será recolhido no momento que a obrigação tributária se tornar exigível. Esse tratamento, para fins de CSLL, está amparado no art. 2º, § 1º, letra c, da Lei 7.689/88, com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90. Posteriormente, no art. 13, I, da Lei 9.249/95, como bem detalhou a r. decisão recorrida. Desta forma, correta a r. decisão recorrida quando afirma que os juros de mora, quando deduzidos na apuração do lucro contábil da pessoa jurídica, de acordo com o regime de competência, devem ser adicionados para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 16682.721463/201340 Acórdão n.º 1402002.514 S1C4T2 Fl. 607 9 2.2 Da inexistência de exclusão indevida, relacionada à provisão adicionada em período anterior. O contribuinte apresenta, em seu recurso voluntário, cópias da parte A e B do LALUR, nas páginas que interessam ao presente processo, informando que a provisão realizada em 2004, com a adição do valor de R$ 5.512.150,48 – “Demais Impostos e Taxas”, foi parcialmente revertida em 2008, no importe de R$ 2.605.403,20 – “Tributos Pagos em Duplicidade – Realização Parcial”. Não há dúvidas que a mera reversão de uma provisão, adicionada anteriormente, não é motivo de questionamento quanto aos ajustes na base de cálculo do IRPJ e CSLL por sua exclusão, ainda que parcial. A questão posta pela fiscalização e não respondida pelo contribuinte é a demonstração da correlação entre a provisão inicial e a reversão posterior. Não se está discutindo a existência da escrituração contábil no LALUR, mas os lançamentos contábeis realizados pelo contribuinte, em sua contabilidade, que suportaram a escrituração no LALUR, seja em 2004, seja em 2008 e, consequentemente, a sua correlação. Entendese a dificuldade do contribuinte em prestar os esclarecimentos, uma vez que se trata de uma empresa incorporada e que teve alterações em sua composição acionária. Contudo, não se pode declinar para a fiscalização, ou mesmo para os órgãos julgadores, a pretexto de se atender o princípio da verdade material, a incumbência de se comprovar a origem da escrituração do LALUR a partir da contabilidade do próprio contribuinte. Como já disposto no item 1 acima, o contribuinte teve todas as oportunidades, ainda na fase de fiscalização, para esclarecer a dita correlação, fato que, à vista dos documentos anexados e das respostas dadas às intimações da fiscalização, não ocorreu, razão pela qual, também mantenho a decisão recorrida neste ponto. Por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, mantendo íntegros os créditos tributários constituídos a título de IRPJ e CSLL. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722605/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, em decorrência da juntada de novas provas ao processo, vencida a relatora, que votou pelo prosseguimento do julgamento, por preclusão temporal para a apresentação de provas no processo. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Relatório
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, em decorrência da juntada de novas provas ao processo, vencida a relatora, que votou pelo prosseguimento do julgamento, por preclusão temporal para a apresentação de provas no processo. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 22 60 5/ 20 09 -0 8 Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 476 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória, DEBCAD nº 37.200.309 5, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, no montante R$ 239.252,40 (duzentos e trinta e nove mil, duzentos e cinquenta e dois reais e quarenta centavos).consolidado em 28/12/2009, por apresentar GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social, nas competências de 01/2004 a 12/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, correspondentes às seguintes bases de cálculo, conforme Relatório Fiscal da Infração (efls. 19/20). O Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (efls. 21/27) demonstra que, em conseqüência das alterações provocadas pela edição da Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, conversão da Medida Provisória 449/2008, foi feita a comparação entre a penalidade aplicada conforme legislação à época da infração cometida (art.32, inciso IV e §. 5º. da Lei 8212/91 na redação anterior à MP 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009), somada da multa previdenciária do artigo 35, II da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, com a penalidade aplicada de acordo com o artigo 35A da Lei 8.212/91, incluído pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/2009, tendo como base o valor das contribuições devidas; ou seja, foi calculada a multa de 24%, que foi somada aos valores das multas correspondentes do AI CFL 68 e comparada à multa de ofício de 75%. Em decorrência da situação descrita no parágrafo anterior, foi aplicada a legislação da época da ocorrência dos fatos geradores por ser mais benéfica ao contribuinte para o período de 10/2004, 12/2004, 02/2005 a 12/2005, 13/2005, 01/2006, 03/2006 e 12/2006; e a multa de oficio de 75% capitulada no art. 44, §2º da Lei nº 9.430/96, para as competências 01/2004 a 09/2004, 11/2004, 01/2005, 02/2006 e 04/2006 a 11/2006, e 13/2006, em respeito ao artigo 106, II, c, do CTN. O resumo dos valores não declarados em Gfip, encontrase discriminado na planilha que constitui o Anexo I e os montantes das contribuições não declaradas estão explicitados na planilha do anexo II deste Auto de Infração. Cientificada em 04/01/2010, a autuada apresentou impugnação de efls. 258/269, com juntada de documentos de efls. 270/317, onde traz as alegações à seguir sintetizadas, nos termos do relatório do acórdão atacado: DA DUPLA PENALIDADE SOBRE UM MESMO FATO 3.1. Em relação ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, a autoridade lançadora apurou supostas infrações à legislação previdenciária, que culminaram na lavratura dos autos de infração por descumprimento de obrigação principal, parte segurados, empresa e terceiros. 3.2. A motivação dos lançamentos em questão seria a falta da indicação, em GFIP, de parte dos profissionais (empregados e contribuintes individuais) que prestaram serviço em seu favor, no período fiscalizado. Às contribuições previdenciárias em referência foi aplicada a penalidade de ofício de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430/96; em adição aos seguintes autos de infração: Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 477 3 370572416 Contribuições da Empresa + MULTA 371835747 Contribuições Sociais para Outras Entidades + MULTA 371835739 Contribuição Previdenciária dos Empregados + MULTA 3.3. Não obstante a exigência da penalidade de ofício em face da insuficiência do recolhimento das contribuições sociais, a Fiscalização efetuou o presente lançamento, para a cobrança de multa isolada, com fundamento no artigo 32, § 5º, da Lei n° 8.212/91 e artigo 284, II, do Decreto n° 3.048/99. 3.4. Ocorre que o §5º do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 foi expressamente revogado pela Lei n° 11.941/2009, não servindo como fundamento legal ao presente lançamento. Isto porque, de acordo com o artigo 106 do CTN, tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei retroage quando deixa de definilo como infração. A época do lançamento, o referido dispositivo legal, que serviu de base ao lançamento, já havia sido revogado, não podendo ser invocado pela autoridade fiscal como fundamento legal do presente lançamento, razão por que a análise do presente recurso se restringirá à aplicação ou não do disposto no artigo 284 do Decreto n° 3.048/99 ao presente caso. 3.5. Sobre ao cancelamento de exigência em face da retroatividade benigna, traz ementas de decisões proferidas pelo CARF. 3.6. O artigo 284 do Decreto n° 3.048/99, também invocado como fundamento legal da presente autuação, prevê a aplicação de penalidade administrativa nos casos de omissão de informações em GFIP, de 100% do valor da contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I daquele mesmo artigo. 3.7. Ocorre que, com a Medida Provisória n° 449/2008 (convertida na Lei n° 11.941/2009), aos lançamentos de ofício de contribuição previdenciária, passou a ser aplicada a penalidade de ofício de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430/96. 3.8. Da análise do dispositivo em referência, temse que a penalidade será cobrada juntamente com o tributo, nos casos (i) de falta de pagamento ou recolhimento; (ii) de falta de declaração; e (iii) de declaração inexata. No caso de pessoa jurídica, somente há previsão para sua cobrança de forma isolada nos casos de falta de pagamento de estimativas mensais, hipótese diversa daquela contemplada no presente lançamento. 3.9. Dita previsão legal decorre da impossibilidade de aplicação de dupla penalidade sobre uma mesmo fato, ambas incidentes sobre a mesma base de cálculo, o valor da contribuição que deixou de ser recolhida, sob pena de bis in idem. 3.10. Em decorrência, diante da ausência de previsão, no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, para a aplicação da penalidade isolada nos casos de declaração inexata (mas, tão somente, a sua cobrança juntamente com o tributo devido), deve ser cancelada a exigência fiscal, em conformidade com o que dispõe o artigo 106 do CTN. • DO ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO: IMPROCEDÊNCIA DOS VALORES LANÇADOS. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 478 4 3.11. No caso em questão, conforme previsto no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, a base de cálculo da contribuição em referência é o valor das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços à empresa. 3.12. No período fiscalizado, a IMPUGNANTE realizou pagamentos à ICATU HARTFORD (CNPJ n° 42.283.770/000139) e à VERA CRUZ SEGURADORA S/A (CNPJ 54.484.753/000149), a título de previdência privada, os quais foram considerados como salários indiretos. 3.13. Contudo, em sua análise, em relação à rubrica Previdência Privada, a Fiscalização considerou, erroneamente, a realização de pagamentos àquelas empresas no valor de R$ 3.958.476,32, quando, na verdade, o valor efetivamente pago foi R$ 2.673.967,03, sendo à R$ 2.235.114,26 à ICATU HARTFORD; e R$ 438.852,77 à VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 3.14. O erro na apuração da base de calculo decorre da incorreta interpretação dos lançamentos para apuração proporcional das despesas, de acordo com respectivo centro de custos, tendo os "Lançamentos para Reversão" sido computados como novos pagamentos às empresas ICATU HARTFORD e VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 3.15. Como decorrência, em face da adição de "Lançamentos de Reversão" aos pagamentos realizados às empresas de previdência privada, a base de cálculo da contribuição previdenciária foi majorada em R$ 1.284.509,29, gerando um ônus excessivo à Impugnante, ante a imposição da cobrança da exação sobre valores decorrentes de mero ajuste contábil e que, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição. 3.16. Para comprovar o alegado, a defesa apresenta Declaração da empresa VERA CRUZ SEGURADORA S/A, e da ICATU HARTFORD, com a indicação dos valores recebidos da IMPUGNANTE, a título de previdência complementar, no período fiscalizado. 3.17. Por todo exposto, ao considerar meros ajustes contábeis como base de cálculo da contribuição previdenciária, houve erro na construção do lançamento, eivandoo de vício material insanável, razão pela qual deve ser cancelado o auto de infração. De acordo com o artigo 142 do CTN, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação e a determinação da matéria tributável são, entre outros, elementos essenciais e intrínsecos do lançamento, conforme entendimento do CARF, o qual cita ementa. 3.18. Portanto, apesar de a Fiscalização ter considerado documentos de caráter gerencial, a autoridade fiscal não compreendeu a existência de dois lançamentos para um mesmo fato contábil um após o outro (mas, o mesmo fato) sendo o segundo lançamento realizado unicamente para obedecer ao critério de rateio por centro de custos (divisão gerencial, apenas). Assim, na composição da base de cálculo da contribuição previdenciária, em relação aos pagamentos de previdência privada, foram computados valores que não correspondem Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 479 5 aos efetivamente incorridos pela IMPUGNANTE, posto que decorriam de uma mesma obrigação (e não de duas, como interpretou a Fiscalização). • DA IMPROCEDÊNCIA DA PENALIDADE AGRAVADA: 3.19. A autoridade fiscal aplicou, ao presente caso, a penalidade de ofício agravada, no percentual de 112,5%, sob o fundamento de que a Impugnante apresentou, fora do prazo, as informações relativas à folha de pagamento em meio digital; e deixou de apresentar a relação dos valores pagos, por segurado e competência, relativos às notas previdência privada, por nota fiscal, indicando os valores dos prêmios e descontos, relativos às empresas ICATU HARTFORD E VERA CRUZ SEGURADORA. 3.20. Com relação ao atraso na entrega de informações em meio digital este decorreu do exíguo prazo 3 dias estipulado pela Fiscalização. Tão logo dispôs dos referidos documentos, estes foram apresentados à fiscalização. Quanto aos relatórios citados, não foi possível atender à solicitação, por não dispor a IMPUGNANTE dos documentos solicitados. 3.21. Frisese que não restou configurado qualquer propósito protelatório da IMPUGNANTE, com a intenção de dificultar a fiscalização. A falta de apresentação de documentos, por si só, não enseja a aplicação da penalidade agravada. A jurisprudência do CARF afasta o agravamento da multa de ofício "quando a conduta do contribuinte não causa embaraço ou dificuldade ao trabalho da autoridade autuante, consubstanciado na posse pela autoridade de todos os elementos para concretizar o lançamento" (Recurso n° 159003, de 05 de fevereiro de 2009). Como exemplo, vejamos a decisão a seguir: 3.22. Desse modo, inexistindo qualquer embaraço à Fiscalização, tendo o lançamento, inclusive, se baseado na documentação fornecida pela RECORRENTE, a penalidade de ofício deve ser reduzida ao percentual de 75%. • DO PEDIDO 3.23. Ante o exposto, a impugnante requer seja dado provimento a presente impugnação, para que seja reconhecida a improcedência do presente lançamento, em razão do erro na construção do lançamento, em afronta ao artigo 142 do CTN; e, caso seja mantida a exigência tributária, a improcedência da penalidade agravada, devendo o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA, em sessão de 20/09/2013, julgou procedente em parte a impugnação, excluindo a competência 10/2004, em virtude da decadência, alterando o valor originário de R$ 239.252,40 para R$ 225.960,60, nos termos do Acórdão nº 0643.863, assim redigido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP Constitui infração a empresa deixar de informar mensalmente por meio de GFIP Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 480 6 todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Art. 32, inciso IV da Lei 8.212/91. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto no artigo 32, §5o da Lei 8.212/91 e com o art. 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.. DECADÊNCIA PARCIAL. OCORRÊNCIA Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF, o prazo decadencial para a constituição e cobrança dos créditos tributários previdenciários passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, aplicandose para os autos de infração de obrigação acessória o artigo 173, inciso I. ÔNUS DA PROVA. Ao contestar situações apuradas pela fiscalização em documentos apresentados pelo próprio contribuinte, cabe a este último o ônus da prova de suas alegações, nos termos do artigo 333, inciso II do Código de Processo Civil. PRECLUSÃO TEMPORAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, considerar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, MANTENDO EM PARTE O CREDITO TRIBUTÁRIO, com exclusão da competência 10/2004, em virtude da decadência, alterando o valor originário de R$ 239.252,40 para R$ 225.960,60. Sendo a impugnação parcial, o órgão preparador, se entender cabível, deve adotar as providências de sua alçada (Decreto nº 70235/72, artigo 21, caput e §1º). Vencido o julgador José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro apenas na prejudicial de mérito, por considerar que o prazo do art. 173, I, da Lei n° 5.172, de 1966, foi interrompido, quando da cientificação do Termo de Início de Procedimento Fiscal, por força do parágrafo único do art. 173 da Lei n° 5.172, de 1966 (REsp 766.05/PR e REsp 973.733/SC). Cientificada da decisão em 15/10/2013 (efls. 357/358), apresentou Recurso Voluntário em 13/11/2013 (efls. 367/383), repisando as alegações da impugnação. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 481 7 Em 06/11/2014, resolveram os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2302000.366 (efls. 421/425), para que a Fiscalização se manifeste acerca da base de cálculo utilizada para obterse o montante do crédito tributário lançado. Em 10/05/2016 a autoridade autuante anexou Informação Fiscal de efls. 427/430 na qual ratifica as bases de cálculo utilizada no Auto de Infração, conforme abaixo transcrito: 7.1. Incialmente cabe destacar que o auto de infração (DEBCAD 37.200.3095), em questão, foi lavrado por infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91 (CFL 68), com redação dada pela Lei n° 9528/97. A empresa deixou de informar nas suas GFIP os seguintes fatos geradores de contribuições previdenciárias: ... 7.2.As bases de cálculo das contribuições não declaradas em GFIP, objeto do presente questionamento (Previdência Privada), estão demonstradas nos seguintes anexos: PP2004 Previdência Privada Contabilização 2004 (fls. 35 a 37); Anexo PP2005 Contabilização: Previdência Privada (2005) Icatu Hartford (fls. 38 a 56); Anexo PP2006 Previdência Privada 2006 Icatu Hartford/Vera Cruz (fls. 57 a 71); Anexo PPCSI Relação dos Beneficiários de Previdência Privada 2004 (fls. 79 a 82); Anexo PPCSII Cálculo das Contribuições dos Segurados 2005 (fls. 83 a 108); Anexo PPCSIII Cálculo das Contribuições dos Segurados 2006 (fls. 109 a 111); Anexo FPW2005 Cálculo das Contribuições dos Segurados 2005 (fls. 112 a 125); Anexo FPW2006 Cálculo das Contribuições dos Segurados 2006 (fls. 126 a 132); 7.3.Nesses anexos constam todas as informações necessárias para identificação do fato gerador, a saber: número, data e histórico do lançamento; código e descrição da conta contábil; valor lançado (débito / crédito); número do boleto; número da nota fiscal, bem como quadro resumo, detalhado, por conta e por mês, os valores dos pagamentos a título de previdência privada não declarada e não recolhida, objeto do lançamento. 7.4.Importante frisar que os valores dos prêmios (previdência privada) considerados como integrante do saláriodecontribuição (base de cálculo), bem como a origem contábil indicados nas planilhas (anexos) demonstram que não houve ocorrência de mais de um lançamento para o mesmo fato. 7.5.Por outro lado, compulsando os autos, também não identificamos nenhum documento ou cópia da escrituração contábil que comprovassem a argumentação de que os "lançamentos de reversão" foram adicionados indevidamente a base de cálculo. Ao contrário, as planilhas elaboradas (fls. 35 a 132) comprovam que não existem lançamentos em duplicidade, tampouco de lançamentos de reversão que a empresa alega que foram considerados na base de cálculo. 7.6.Verificamos que a recorrente, por sua vez apresenta as mesmas alegações quando da impugnação dos AIOP DEBCAD 37.057.2416, Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 482 8 37.183.5739 e 37.183.5747, quanto ao erro na apuração da base de cálculo do lançamento relativo aos pagamentos efetuados aos seus empregados a título de previdência privada. Nesse aspecto, importante destacar que os Acórdãos n° 0643.861, n° 0643.862 e n° 0643.860, respectivamente, proferidos pela 5a Turma de Julgamento em Curitiba (PR) afastaram estas mesmas argumentações, ora questionadas neste auto, de modo que não restam dúvidas à procedência do lançamento do crédito, e, portanto, a necessidade de sua declaração em GFIP. Assim sendo, as alegações apresentadas na peça recursal não são suficientes para afastar o procedimento adotado que teve como base a escrituração contábil da recorrente. ... 7.13.Ante o acima exposto, improcede a argumentação da recorrente de erro na base de cálculo. Portanto, não havendo retificação a ser feita na base de cálculo o crédito tributário lançado no Auto de infração DEBCAD n° 37.200.3095 deve ser mantido integralmente. A recorrente apresentou nova manifestação (efls. 434/441) alegando que a informação fiscal juntada "não atende ao solicitado na decisão do CARF, não informa a correta base de cálculo das contribuições previdenciárias ou a forma como foi realizada a sua apuração". Também que "a diligência não aprofundou a análise da contabilidade da CONTRIBUINTE, mesmo com a apresentação de documentos que esclarecem os lançamentos efetuados e tampouco explicou como foi realizada a apuração da base de cálculo, a ponto de demonstrar que os valores contabilizados como "reversão" não foram considerados nos cálculos." É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 483 9 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Admissibilidade Verificados os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a sua análise. Preliminares Decadência Alega a recorrente que, por força da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, estaria decaída também a competência 12/2004, além das já reconhecidas pela DRJ/Curitiba. No caso de lançamento de obrigação acessória a regra decadencial a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN. Assim, a contagem do prazo decadencial da competência 12/2004 iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido efetuado o lançamento. Como o lançamento da competência 12/2004 só poderia ser feito em 01/2005, o prazo começa a fluir em 01/01/2006, encerrandose em 31/12/2010. Portanto, sem razão a recorrente. Inaplicabilidade da penalidade prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Da dupla tributação sobre o mesmo fato. Sobre a alegação de "bis in idem", não assiste razão à recorrente. No caso dos autos, por força do disposto no art. 106, II, c, do CTN, a autoridade fiscal verificou qual a penalidade mais benéfica: se a da legislação anterior (soma dos artigos 35, II e 32, IV e § 5º, ambos da Lei nº 8.212/91), ou se a lei nova (art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Tal procedimento (de verificação da multa mais benéfica) está previsto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme oart. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaLei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma doart. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pelaLei nº 11.941, de 2009. Assim, por ser mais benéfica ao contribuinte, nas competências 10/2004, 12/2004, 02/2005 a 12/2005, 13/2005, 01/2006, 03/2006 e 12/2006, foi aplicada a legislação da época da ocorrência dos fatos geradores (100% da contribuição não declarada, art. 35, IV, §5º), e nos autos de infração de obrigação principal Debcads nº 37.057.2416 (parte patronal), Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 484 10 37.183.5739 (segurados) e 37.183.5747 (terceiros), foi aplicada a multa previdenciária do art.35, II, ambos da Lei nº 8.212/1991. Por sua vez nas demais competências não foi aplicada a multa por descumprimento de obrigação acessória, e nos autos de infração de obrigação principal Debcads nº 37.057.2416 (parte patronal), 37.183.5739 (segurados) e 37.183.5747 (terceiros), foi aplicada a multa do artigo 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP 449/08, convertida na Lei nº 11.941/2009 (75%). Portanto não houve cobrança em duplicidade em nenhuma competência, devendo ser mantida a multa aplicada. Pelo exposto, nego provimento ao recurso neste ponto. Nulidade da autuação por erro na construção do lançamento Improcedência de valores lançados. A recorrente sustenta que o auto de infração encontrase eivado de nulidade por vício material, uma vez que a base de cálculo das contribuições previdenciárias referente à Previdência Privada estaria incorreta porque foram considerados "valores decorrentes de mero ajuste contábil, que não compõem a remuneração efetivamente paga/devida aos empregados e prestadores de serviços". Apresenta a seguinte tabela: Traz ainda as seguintes considerações: 32.1. Em sua análise, em relação à rubrica "previdência privada", a fiscalização considerou, erroneamente, a realização de pagamentos àquelas empresas no valor total de R$ 3.958.476,32, quando, na verdade, o valor efetivamente pago foi R$ 2.673.967,02, sendo R$ 2.235.114,26 à ICATU HARTFORD, e R$ 438.852,77 à VERA CRUZ SEGURADORA S.A. 32.2.O erro na apuração da base de cálculo decorreu da incorreta interpretação dos lançamentos para apuração proporcional das despesas, de acordo com respectivo centro de custos, tendo os "Lançamentos para Reversão" sido computados como novos pagamentos às empresas ICATU HARTFORD e VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 32.3.Assim, em face da adição de "Lançamentos de Reversão" aos pagamentos realizados às empresas de previdência privada, a base de Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 485 11 cálculo da contribuição previdenciária foi majorada em R$ 1.284.509,29, gerando um ônus excessivo à RECORRENTE, ante a imposição da cobrança da exação sobre valores decorrentes de mero ajuste contábil e que, portanto, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 33.Para comprovar o alegado, a RECORRENTE apresentou, juntamente à sua impugnação, planilhas esclarecendo os lançamentos efetuados em sua contabilidade e declarações das próprias empresas VERA CRUZ SEGURADORA S/A e ICATU HARTFORD (fls. 3085 a 3091 dos autos), com a indicação dos valores recebidos da RECORRENTE, a título de previdência privada, no período fiscalizado. 34.Dessa feita, restando demonstrado o erro na construção do lançamento, em virtude da incorreta identificação da matéria tributável, é de se decretar a nulidade do auto de infração lavrado em face da RECORRENTE por vício insanável, em consonância com o art. 142 do CTN e com o entendimento adotado por este Conselho, que se extrai dos seguintes julgados: (...) Por sua vez, a autoridade fiscal instada a se manifestar sobre a base de cálculo do lançamento por meio da Resolução nº 2302000.340 (efls. 3216/3220), ratifica os valores lançados, e esclarece que: 7.2.As bases de cálculo das contribuições das contribuições lançadas, objeto do presente questionamento, estão demonstradas nos seguintes anexos: Anexo PP2004 Previdência Privada Contabilização 2004 (fls. 232 a 234); Anexo PP2005 Contabilização: Previdência Privada (2005) Icatu Hartford (fls. 235 a 253); Anexo II Contabilização Previdência Privada 2005 (Resumo fls. 254); Anexo PP2006 Previdência Privada 2006 Icatu Hartford/Vera Cruz (fls. 255 a 269); Anexo PP2006 Contabilidade Previdência Privada (2006) Icatu Hartford / Vera Cruz (fls. 270); 7.3.Nesses anexos constam todas as informações necessárias para identificação do fato gerador, a saber: número, data e histórico do lançamento; código e descrição da conta contábil; valor lançado (débito / crédito); número do boleto; número da nota fiscal, bem como quadro resumo, detalhado, por conta e por mês, os valores dos pagamentos a título de previdência privada não declarada e não recolhida, objeto do lançamento. 7.4.Importante frisar que os valores dos prêmios (previdência privada) considerados como integrante do saláriodecontribuição (base de cálculo), bem como a origem contábil indicados nas planilhas (anexos) demonstram que não houve ocorrência de mais de um lançamento para o mesmo fato. 7.5.Por outro lado, compulsando os autos, também não identificamos nenhum documento ou cópia da escrituração contábil que comprovassem a argumentação de que os "lançamentos de reversão" foram adicionados indevidamente a base de cálculo. Ao contrário, as planilhas elaboradas (fls. 232 a 270) comprovam que não existem lançamentos em duplicidade, tampouco de lançamentos de reversão Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 486 12 que a empresa alega que foram considerados na base de cálculo. (grifo nosso) Analisando as planilhas apresentadas pela recorrente (efls. 3085/3091) verifica se que constam apenas os totais das contas contábeis utilizadas no lançamento, sem a demonstração da composição dos alegados lançamentos de reversão ( Ano 2005 R$ 735.311,46; Ano 2006 R$ 536.370,00). Por sua vez, a autoridade fiscal nos Anexos PP2004, PP2005, PP2006 e anexos (efls. 232/270) demonstra todos os lançamentos contábeis que foram considerados na base de cálculo para fins de constituição do crédito tributário e não há nenhum lançamento que possa ser identificado como de reversão a fim de justificar o alegado pela recorrente. Nesse ponto, importante salientar que o ônus da prova incumbe a quem alega. Assim, a autoridade fiscal, no curso do procedimento fiscal tem o dever de instruir corretamente o processo trazendo aos autos todas as provas que possui para conferir robustez ao lançamento fiscal; por outro lado, após a emissão do auto de infração, o ônus da prova invertese. Agora quem tem que provar a inveracidade do documento público constituído é o sujeito passivo, no caso, a recorrente. Entretanto simples alegações não se sustentam se não houver uma prova trazida aos autos da incorreção apontada. E aqui, peca a recorrente, pois alega sem fazer prova de suas alegações. Ademais, tanto na peça impugnatória quanto na recursal, a alegação é apenas refutando o lançamento por incorreção na apuração da base de cálculo, sem adentrar no seu mérito. Portanto, entendo que não assiste razão à recorrente, uma vez que esta não se desincumbiu do ônus de demonstrar quais os lançamentos que teriam integrado incorretamente a base de cálculo do levantamento Previdência Privada no auto de infração em análise. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10480.722605/200908 Resolução nº 2301000.651 S2C3T1 Fl. 487 13 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes Redator A divergência cingese à possibilidade de conhecimento dos documentos juntados pelo recorrente já na fase de julgamento pelo CARF. Quanto a preclusão temporal, a matéria tem disciplina no Decreto nº 7.574/2011: Art.57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): ... §4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, os documentos levados ao conhecimento do colegiado têm relação direta com o fato gerador da obrigação principal e, de fato, vêm complementar as demais provas já juntadas aos autos quando da impugnação. Tendo a decisão recorrida rejeitado todas as alegações na impugnação com vasta fundamentação, o recorrente buscou elucidar os pontos mais relevantes e, naturalmente, trouxe aos autos documentos que entende melhor ajudam na compreensão. Entendo escusável a juntadas de provas após a impugnação desde que pelos fundamentos da decisão recorrida sejam mais oportunas à época do recurso voluntário e pela sua relevância sejam hábeis para a solução do caso. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que as provas juntadas sejam examinadas pela fiscalização e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 500DF CARF MF
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Numero do processo: 35464.001129/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/05/2006
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
O recorrente não comprovou que o contexto fático-probatório contido no lançamento não existiu e que as contribuições da parte dos segurados arrecadadas mediante descontos na remuneração foram integralmente repassadas na época própria.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A Autoridade Julgadora possui a prerrogativa de avaliar a pertinência da realização da perícia para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
O contribuinte teve ampla oportunidade para manifestação e apresentação de provas, inclusive após sua intimação do resultado da diligência fiscal que elucidou os questionamentos dos fatos apontados na impugnação.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre: (i) a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e (ii) o somatório das penalidades com base na legislação vigente à época do fato gerador: multa do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da mesma Lei, decorrentes de autuação conexa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF NÚMERO 4.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95.
Numero da decisão: 2401-004.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial para limitar a multa ao percentual de 20%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 31/05/2006 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O recorrente não comprovou que o contexto fático-probatório contido no lançamento não existiu e que as contribuições da parte dos segurados arrecadadas mediante descontos na remuneração foram integralmente repassadas na época própria. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A Autoridade Julgadora possui a prerrogativa de avaliar a pertinência da realização da perícia para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O contribuinte teve ampla oportunidade para manifestação e apresentação de provas, inclusive após sua intimação do resultado da diligência fiscal que elucidou os questionamentos dos fatos apontados na impugnação. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre: (i) a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e (ii) o somatório das penalidades com base na legislação vigente à época do fato gerador: multa do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da mesma Lei, decorrentes de autuação conexa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF NÚMERO 4. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial para limitar a multa ao percentual de 20%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/05/2006 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O recorrente não comprovou que o contexto fáticoprobatório contido no lançamento não existiu e que as contribuições da parte dos segurados arrecadadas mediante descontos na remuneração foram integralmente repassadas na época própria. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A Autoridade Julgadora possui a prerrogativa de avaliar a pertinência da realização da perícia para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O contribuinte teve ampla oportunidade para manifestação e apresentação de provas, inclusive após sua intimação do resultado da diligência fiscal que elucidou os questionamentos dos fatos apontados na impugnação. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto, por competência, entre: (i) a penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 11 29 /2 00 7- 47 Fl. 611DF CARF MF 2 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e (ii) o somatório das penalidades com base na legislação vigente à época do fato gerador: multa do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, e multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º a 6º do art. 32 da mesma Lei, decorrentes de autuação conexa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF NÚMERO 4. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial para limitar a multa ao percentual de 20%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 35464.001129/200747 Acórdão n.º 2401004.725 S2C4T1 Fl. 612 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) (DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 1623.436 (fls. 510/539): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/05/2006 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD). FORMALIDADES LEGAIS. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e Mica, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigida nos termos da Lei. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ARRECADADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado, nos prazos definidos em lei. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP 's), e Guias da Previdência Social (GPS), de sua própria elaboração. INFORMAÇÕES PRESTADAS EM GFIP. As informações declaradas pela empresa em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social, são utilizadas como base de cálculo das contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, compõem a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, e constituem termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. De acordo com a sistemática do Manual da GFIP/SEFIP, versão 8.0, introduzido pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 9, de 24/11/2005, a retificação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP dáse pela entrega de Fl. 613DF CARF MF 4 uma nova GFIP, que informa as retificações a serem realizadas e repete as demais informações e dados que não se deseja retificar. Como a nova GFIP se sobrepõe à anterior, a entrega de uma nova GFIP apenas com os dados a serem retificados implica na exclusão de todos os demais dados não retificados. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. É dever legal do Auditor Fiscal, no desempenho de suas atribuições, formalizar Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) dirigida ao Ministério Público, quando constatar, em tese, a ocorrência de crime contra a Seguridade Social. ACRÉSCIMOS LEGAIS.MULTA. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, devem ser feitas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do Impugnante, a realização de perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo teve sua origem na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD nº 37.081.3081, referente às contribuições da parte dos segurados, arrecadadas pelo empregador através de desconto nas respectivas remunerações, e não integralmente repassadas à Seguridade Social em momento próprio (fls. 2/54). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 48/54): 1. Na apuração dos valores devidos foram abatidos os valores das contribuições sociais recolhidas mediante GPS (Vide Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados – RADA, fls. 36/41); 2. Os lançamentos foram baseados no resumo das folhas de pagamento, nas Guias de recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, nas Guias da Fl. 614DF CARF MF Processo nº 35464.001129/200747 Acórdão n.º 2401004.725 S2C4T1 Fl. 613 5 Previdência Social – GPS e nos lançamentos contábeis constantes no Livro Diário e Razão de 11/2003 a 05/2006. 3. A empresa não entregou as folhas de pagamento individualizadas; 4. As GPS apresentadas pelo contribuinte foram confirmadas mediante consulta realizada junto aos sistemas informatizados de arrecadação do INSS – AGUIA/opção RECOLCCOR. Na mesma consulta foi também constatada a inexistência de outros recolhimentos neste mesmo período; 5. A NFLD também contempla as contribuições descontadas dos contribuintes individuais sobre valores pagos aos autônomos e sobre prólabores dos diretores; 6. Os valores pagos aos autônomos foram obtidos nas contas Serviços Profissionais – PF, códigos 3067 e 3621, e das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF dos anos de 2033, 2004 e 2005; 7. Os valores pagos a título de prólabore foram obtidos nas contas PROLABORE, códigos 3629 e 3665, e nas DIRF entregues e que continham os valores pagos ao sócio Sérgio Kuba; 8. A ausência de repasse dos valores retidos, referentes às partes das contribuições sociais dos segurados, em tese, configura o ilícito de Apropriação Indébita Previdenciária, ensejando comunicação à autoridade pública competente para proposição de eventual ação penal. Em 05/03/2007 o Contribuinte tomou ciência do lançamento (fl. 84) e, em 19/03/2007, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 87/98), instruída com os documentos de folhas 99 a 412. Em sua impugnação alega que: 1. Os valores dos salários de contribuição levantados pela fiscalização não coincidem com os valores constantes nos resumos de folhas de pagamento apresentados nos documentos anexos 03 a 27 (fls. 104/151), e afirma que no documento 28 (fl. 152) estão os valores corretos; 2. Não foram considerados na sua totalidade, a título de desconto sobre o montante levantado, os valores recolhidos sobre prólabore e retenção sobre folha de pagamento constantes nas guias apresentadas (Doc. 29 a 55 – fls. 153/172); 3. Para a aplicação da multa, foram consideradas apenas os valores lançados na última GFIP de cada mês, desconsiderando que o valor total dos salários de contribuição, e respectivas contribuições, constavam das primeiras GFIP’s entregues mês a mês (fls. 173/224). Fl. 615DF CARF MF 6 4. Ressalta que a aplicação da multa no teto penaliza o contribuinte de forma injusta já que transmitiu a informação correta e esta foi desconsiderada de forma errônea devido à problema existente na versão 8.0 da SEFIP. 5. Argumenta que, em se entendendo ser aplicável a penalidade máxima, isso só poderia ser feito a partir de 01/2006, quando passouse a utilizar a versão 8.0 da SEFIP; 6. Apesar de terem praticado conduta típica (apropriação indébita), não há que se falar em representação penal já que ocorreu uma excludente de ilicitude, qual seja, o estado de necessidade previsto no art. 23, inciso I, e art. 24, ambos do Código Penal. 7. Apresenta os balancetes mensais (Doc. 89 a 111 – fls. 225/412) para mostrar que não possuía recurso suficientes para honrar com o pagamento dos salários e de parte dos fornecedores e, ao mesmo tempo, quitar com suas obrigações com o INSS. 8. Diz que seu estado de necessidade advém da sua dificuldade financeira, causada pelo aumento significativo de mãodeobra, combustível, manutenção e renovação de frota, sob pena de rompimento do contrato de concessão. 9. Aduz que a taxa SELIC, por ter caráter remuneratório, e não indenizatório, não pode ser aplica para fins de cálculo de juros de mora de créditos tributário. Diz que o Juros correto a ser aplicado deve ser o previsto no art. 161, § 1º, do CTN, e fundamenta tal entendimento no art. 48, inciso I, da CF/88. Finaliza sua impugnação requerendo: 1. A revisão do levantamento e recálculo da base de cálculo, por meio de perícia, acompanhada de perito e assistente contábil indicado pelo pela contribuinte, a fim de corrigir equívocos cometidos na fiscalização; 2. A revisão dos cálculos considerando as guias recolhidas, os valores parciais retidos na folha e as guias relativas aos prólabore; 3. A revisão do valor da multa, reduzindo seu valor em razão das GFIP’s terem sido apresentadas à época própria; 4. Diligências complementares na sede da empresa, onde estão os demais documentos não acostados aos autos e pertinentes à matéria em discussão, caso entendam necessário; 5. A revisão e recálculo dos valores levantados, excluindose a aplicação de juros por meio da variação da TAXA SELIC frente ao posicionamento do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, limitandose os juros ao máximo de 12% ao ano de acordo com o Código Tributário Nacional, art. 161, o Código de Processo Civil, art. 219 e a Constituição Federal; Fl. 616DF CARF MF Processo nº 35464.001129/200747 Acórdão n.º 2401004.725 S2C4T1 Fl. 614 7 6. A reconsideração da decisão de emitir representação fiscal para fins penais e de arrolamento de bens, levandose em conta o objeto da notificação e o pedido de dilação de prazo para fornecimento de documentos. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento tendo a 11ª Turma da DRJ/SP1, em função das alegações da empresa e da necessidade de se obter mais esclarecimentos, converteu os autos em diligência (fls. 416/421). O contribuinte foi comunicado do resultado da diligência fiscal em 17/06/2009 (fls. 437/438) e, em 29/06/2009, apresentou suas ContraRazões (fls. 448/452). Reencaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 11ª Turma da DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação do contribuinte, sendo este notificado do Acórdão de nº 1623.436 em 16/07/2010 (fl. 544). Em 13/08/2010 apresentou Recurso Voluntário (fls. 545/552), onde repete os mesmos argumentos da impugnação e, por fim, requer a reforma do Acórdão com base nos fatos expostos para que: 1. Seja revisto e recalculado, por meio de perícia contábil acompanhada de perito da Recorrente, face ao equívoco da DD. Fiscalização em adotar base de cálculo mensal, a teor dos anexos juntados e resumos de folhas de pagamento; 2. Seja revisto os cálculos, considerando para tanto as guias recolhidas e acostadas pela Recorrente; 3. Seja revisto os cálculos, considerando a multa reduzida, pela apresentação das GFIP's em época própria; 4. Seja deferido a realização de diligencias complementares junto à sede da Contribuinte, onde se encontram todos os documentos pertinentes a matéria em discussão, além dos já acostados nos autos; 5. Seja excluído os Juros Selic, com a aplicação dos juros limitados a 12% ao ano; 6. Seja reconsiderada a decisão de emitir representação fiscal para fins penais e arrolamento de bens, em virtude do objeto da notificação e do pedido de dilação de prazo para fornecimento de documentos. É o relatório. Fl. 617DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Da análise do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em face da manutenção do lançamento em sua integralidade, alega a Recorrente que os valores levantados pela Fiscalização não encontram suporte nos salários de contribuição contidos nos resumos de folhas de pagamento e que a fiscalização desconsiderou parte dos valores recolhidos sobre pró labore e folha de pagamento. Como se observa, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento das contribuições sociais dos segurados, arrecadadas pelo empregador mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração e não integralmente repassadas na época própria à Seguridade Social. O Relatório Fiscal destaca que todos os levantamentos que constituem a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, foram efetuados com base em informações e documentos apresentados pela própria empresa à fiscalização. Foram analisados durante o procedimento de fiscalização o resumo das folhas de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada pelo contribuinte a todos os segurados a seu serviço, constando em destaque nestas folhas de pagamento as contribuições sociais descontadas, as Guias de recolhimento do FGTF e lançamentos contábeis no Livro Diário e Razão. Destarte, durante o procedimento fiscal, para possibilitar uma melhor forma de compreensão dos fatos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, entendeu por bem baixar o processo em diligência (fls. 416/421) para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de impugnação. Por meio do Relatório de Encerramento de Diligência constante às fls. 433/436, o Auditor Fiscal Notificante se pronunciou formalmente acerca dos questionamentos formulados no Despacho de Diligência dirimindo as divergências apresentadas nos seguintes termos: · Em relação ao item "b" ou seja, a divergência com o Al 37.078.0973, fazem parte da NFLD os Levantamentos AUT e PRO (não declarados em GFIP), mas estes fatos geradores da presente NFLD, não integram o Al n. 37.078.0973, porém não o afetou pois teve a multa aplicada em seu valor limite; Fl. 618DF CARF MF Processo nº 35464.001129/200747 Acórdão n.º 2401004.725 S2C4T1 Fl. 615 9 · Isso ocorreu em razão de a empresa não ter entregue a folha de pagamento individualizada discriminando todos os segurados empregados e os contribuintes individuais que prestaram serviço a empresa; · Sendo assim não foi possível incluir estes valores pagos e não declarados em GFIP no AI 37.078.0973 (CFL 68) tendo em vista que não havia relação individualizada dos contribuintes individuais a ser anexada ao AI; · Para a elaboração do AI 37.078.0973 foi levado em conta apenas os valores em que havia esta relação individualizada nos meses em que esta relação existia; · A empresa entregou em todos os meses GFIP na versão 8.0 ou superior com apenas alguns empregados, esta GFIP excluiu a GFIP anteriormente entregue que relacionava todos os empregados a seu serviço; · Também a divergência dos valores presentes no Levantamento FOP desta NFLD, com os valores de contribuição de empresa e RAT do Al n. 37.078.0973, ocorreu porque no Al os valores correspondem a soma da remuneração de cada empregado presente na relação individualizada extraída das GFIP entregues pela empresa e depois substituídas, enquanto que o levantamento FOP da NFLD levou em conta os valores presentes no Resumo das Folhas de Pagamento e Livros Diário e Razão. · A empresa entregou em todos os meses GFIP na versão 8.0 ou superior com apenas alguns empregados, esta GFIP excluiu a GFIP anteriormente entregue que relacionava todos os empregados a seu serviço. · Nenhum valor pago a contribuinte individual ou prólabore foi declarado em GFIP, assim os levantamentos foram classificados como não declarados em GFIP. O levantamento dos salários pagos aos empregados foi dividido em valores declarados em GFIP (levantamento GFI) e valores não declarados em GFIP (levantamento FOP). · Em todos os meses a empresa entregava varias GFIP, primeiro uma GFIP que deveria conter todos os empregados, e posteriormente entregava uma GFIP com apenas um ou alguns empregados. Com a implementação da GFIP versão 8.0 ou posterior havendo a entrega de mais de uma GFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento, FPAS e tomador de serviço (mesma chave), a GFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora para a Previdência Social, substituindo a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. Fl. 619DF CARF MF 10 · Assim, foram considerados como declarados em GFIP (levantamento GFI) apenas os empregados relacionados na última GFIP da versão 8.0 ou superiores entregue e apresentada a fiscalização que é a GFIP considerada válida e que substituiu todas as demais, por sua vez foram lançados como valores não declarados em GFIP (levantamento FOP) o salário de contribuição declarado na folha de pagamento excluídos os valores já lançados como declarados em GFIP. Destarte, após a intimação do resultado da Diligência Fiscal foi oportunizado ao contribuinte apresentação de contrarrazões (fls. 448/452), que se limitou a afirmar que não existirem divergências entre o resumo da folha de pagamento e os valores levantados na NFLD, e, especificamente sobre o processo em apreço alegou o seguinte: c) Processo n°. 35464.001129/200747 diferentemente do alegado pelo Ilustre Auditor Fiscal, as contribuições da parte dos segurado arrecadadas mediante descontos na respectiva remuneração, foram integralmente repassadas na época própria Seguridade Social, no período de apuração 07/2004 a 05/2006, fato este que pode ser constatado na documentação anexada nos autos do MPF. Ademais, não que se falar em qualquer divergência no que tange aos levantamentos AUT e PRO, vez que os mesmo foram declarados em GRP, conforme pode ser constato na folha de pagamento individualizada, a qual discriminou todos os segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviço a Recorrente. Forçoso ressaltar que as GFIP's em questão continham todos os empregados da Empresa, bem como os contribuintes individuais objetos do levantamento MT e PRO. Nesse contexto, em que pese os argumentos sustentados pela empresa recorrente, e em face da presunção de veracidade do ato administrativo, não logrou êxito o contribuinte em comprovar que o contexto fáticoprobatório contido no lançamento não existiu e que as contribuições da parte dos segurados arrecadadas mediante descontos na remuneração foram integralmente repassadas na época própria. Por outro lado, não procede a argumentação de que a fiscalização desconsiderou parte dos valores recolhidos sobre prólabore e folha de pagamento contidos nas GPS´s apresentadas pelo contribuinte, na medida em que, de forma detalhada, o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 36/41) e Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 34/35), indicam, por competência, os recolhimentos e deduções apropriadas, não tendo a recorrente comprovado ter ocorrido erro que justificasse sua alegação. Tomamos como exemplo o documento apresentado à fl. 167, em que consta na RDA de fl. 34: Fl. 620DF CARF MF Processo nº 35464.001129/200747 Acórdão n.º 2401004.725 S2C4T1 Fl. 616 11 A guia de pagamento apresentada à fls. 166, consta no RDA de fl. 35: Guia de pagamento apresentada à fl. 155, consta no RDA de fls. 35: A questão arguida pelo contribuinte teve manifestação expressa no Relatório da NFLD (fls. 48/54) quando esclarece: Os valores para fins de abatimento, equivalente ao montante das contribuições sociais recolhidas pelo contribuinte, encontrase expresso nas "Guias da Previdência Social" (GPS) apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, analisadas no decorrer da ação fiscal e confirmadas em consulta realizada junto aos sistemas informatizados de arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) AGU1A / opção RECOLCCOR (consulta conta corrente de estabelecimento). Na mesma consulta, verificouse ainda a inexistência de outros recolhimentos atinentes ao período do presente lançamento. Assim, não assiste razão a recorrente quanto à insubsistência do lançamento em face do conteúdo da ação fiscal e a suficiência do conjunto de fatos e provas carreados na NFLD. O pleito pericial se mostrou, outrossim, prescindível, principalmente após a realização da diligência (fls. 433/436), razão porque a DRJ, de forma acertada, motivou seu indeferimento com base no art. 18 do Dec. nº 70.235/72. A parte não demonstrou de forma clara os motivos que justifiquem a sua realização, de acordo com os requisitos previstos no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a Fl. 621DF CARF MF 12 realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Tampouco o indeferimento de perícia cerceou o direito à defesa do contribuinte que teve ampla oportunidade para manifestação e apresentação de provas, inclusive após sua intimação do resultado da diligência fiscal que elucidou os questionamentos dos fatos apontados na impugnação, tendo a parte apresentado apenas argumentos genéricos, sem o condão de alterar a exigência fiscal. Como se vê, o contribuinte não trouxe aos autos documentação, nem fatos novos que pudessem ilidir o conteúdo da acusação fiscal. Assim, não assiste razão ao recorrente. Da redução da multa aplicada Ao tratar da aplicação da multa, o sujeito passivo pleiteia pela sua redução alegando que não poderia ser penalizado por multa no teto pelo fato da versão 8.0 da SEFIP desconsiderar a informação correta transmitida em virtude de problemas no sistema de informática do INSS. O Recorrente alega que a Fiscalização considerou, para efeitos de aplicação de multa, somente valores lançados na última GFIP, sendo totalmente desconsideradas as informações contidas nas GFIP entregues mês a mês (GFIP substituídas), as quais continham a informação total do salário de contribuição e as respectivas contribuições. Imprescindível destacar nesse aspecto que a transmissão por parte da empresa de várias GFIPs com a mesma chave, o que importa em retificação e substituição da GFIP transmitida anteriormente. Quanto à multa moratória com base na legislação então vigente à época do lançamento ora combatido, temse que o §4º do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/1999, estabelecia que na hipótese de as contribuições terem sido declaradas nas GFIP, a multa de mora teria redução em cinquenta por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No entanto, para a correta aplicação da multa de mora aplicada a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008 (advento da MP 449/2008 quando surgiu a multa de mora e de ofício), há de se observar que no lançamento em tela foi aplicada a multa do então vigente art. 35, I, II e III, da Lei 8.212/91 (fl. 43 Fundamentos Legais das Rubricas), que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e poderia atingir 50% na fase administrativa: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 35464.001129/200747 Acórdão n.º 2401004.725 S2C4T1 Fl. 617 13 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Grifos nossos). Entretanto, referido dispositivo legal foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430/1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 623DF CARF MF 14 Destacase ainda que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com isso, em face do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Ante a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso para limitar a multa de mora a 20%. Da Representação Fiscal para Fins Penais É cediço que a autoridade fiscal tem o dever legal e funcional de levar ao conhecimento do Ministério Público as irregularidades que tiver ciência para a competente apuração, quando constata em ação fiscal as práticas que, em tese, são caracterizadas como ilícitos penais. Ademais, este colegiado não é competente para se pronunciar sobre controvérsias relativas à representação fiscal para fins penais, consoante posição consolidada no enunciado da Súmula nº 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Da inconstitucionalidade da taxa SELIC No que concerne ao argumento do Recorrente em que alega a inconstitucionalidade da aplicação da taxa de juros SELIC, não pode ser analisado por este Conselheiro, em razão da Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória; in verbis: Súmula CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 35464.001129/200747 Acórdão n.º 2401004.725 S2C4T1 Fl. 618 15 Contudo, tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desde Conselho, conforme se extrai do enunciado da Súmula CARF n°4, nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta feita, correta a aplicação da taxa de juros SELIC no lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe PARCIAL PROVIMENTO para limitar a multa de mora a 20%, por força da aplicação da retroatividade benigna. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 625DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Quanto à multa, divirjo da I. Relatora em relação ao critério para dar cumprimento à retroatividade benigna prevista na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). A ciência do lançamento de ofício pelo contribuinte ocorreu em 05/03/2007, portanto em momento anterior às alterações implementadas na legislação previdenciária pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (fls. 84). Constato também que no procedimento fiscal levado a efeito no contribuinte houve a constituição de mais de uma dezena de créditos tributários, alguns relativos à obrigação principal, outros correspondentes à penalidade pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. (fls. 81/82). A aplicação da multa pela autoridade lançadora na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) observou a legislação previdenciária da época da infração (art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991). Conquanto a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, fizesse alusão à expressão "multa de mora", o artigo regulava diferentes espécies de multa; (i) multa de mora pelo atraso, após o vencimento da obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (inciso I); (ii) multa no lançamento de ofício, relativamente a créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (inciso II); e (iii) multa para pagamento de crédito inscrito em dívida ativa (inciso III). Com o propósito de definir o critério aplicável à retroatividade benigna, é insuficiente a denominação atribuída à multa pelo legislador, ou a comparação entre percentuais e limites. Antes de tudo é necessário analisar a natureza material das penalidades, de maneira que se identifique as multas que são aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. À vista disso, não há como limitar a multa deste processo administrativo ao percentual de 20%, como entende a I. Relatora, com apoio na atual redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O vigente art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tem a finalidade de disciplinar o acréscimo da multa de mora sobre os débitos tributários pagos de forma espontânea e, portanto, possui natureza jurídica distinta da penalidade aplicada quando do lançamento de ofício. Para se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, há que se realizar a seguinte comparação de penalidades entre mesmas contribuições, por competência: Fl. 626DF CARF MF Processo nº 35464.001129/200747 Acórdão n.º 2401004.725 S2C4T1 Fl. 619 17 (i) legislação anterior: somatório da multa aplicada nos moldes do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (obrigação principal), e das multas aplicadas na forma dos §§ 4º a 6º do art. 32 da mesma Lei, nos processos conexos (obrigação acessória); e (ii) legislação atual: multa de ofício de 75% prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e introduzida pela MP nº 449, de 2008. Desse modo, a eventual revisão da multa aplicada, por competência, caberá a autoridade administrativa da Receita Federal do Brasil, que avaliará a penalidade mais benéfica à situação da recorrente, nos moldes da sistemática adotada pelo Fisco com base no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009. Logo, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 627DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720107/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE.
O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido.
QUANTIDADE DE PRODUTO SAÍDA COM SUSPENSÃO MENOR DO QUE A ADQUIRIDA SEM CRÉDITO. ESTORNO PROPORCIONAL DE CRÉDITO SOBRE O VALOR DAS AQUISIÇÕES COM CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de amparo legal e não atender o critério da razoabilidade, não há como ser admitida a glosa de créditos proporcional ao valor das aquisições de produto vendido com suspensão, se a quantidade desse produto adquirido sem crédito (com suspensão) for maior do que quantidade vendida com suspensão. O estorno proporcional de crédito somente é admitido na hipótese de as vendas com suspensão superarem as aquisições do produto com suspensão, o que não ocorreu nos presentes autos.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS (MATÉRIA PRIMA E PRODUTOS EM PRODUÇÃO) ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
FRETE PROPORCIONAL ÀS VENDAS COM SUSPENSÃO. GLOSA RELATIVA À OPERAÇÃO DE VENDA RESTABELECIDA. GLOSA DO CRÉDITO CALCULADO SOBRE O FRETE PROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por ser diretamente dependente da manutenção da glosa do crédito calculado sobre o valor proporcional da aquisição do produto com crédito (operação tributada), a improcedência desta implica reconhecimento improcedência também da glosa do crédito calculado sobre o valor do frete proporcional a venda com suspensão também deve cancelada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de informação fiscal e do despacho decisório e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para (i) o valor das aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.1); (ii) o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção (Glosa 4.2); e (iii) o valor proporcional do frete relativos às aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.4). Ausente a Conselheira Lenisa Prado.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido. QUANTIDADE DE PRODUTO SAÍDA COM SUSPENSÃO MENOR DO QUE A ADQUIRIDA SEM CRÉDITO. ESTORNO PROPORCIONAL DE CRÉDITO SOBRE O VALOR DAS AQUISIÇÕES COM CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de amparo legal e não atender o critério da razoabilidade, não há como ser admitida a glosa de créditos proporcional ao valor das aquisições de produto vendido com suspensão, se a quantidade desse produto adquirido sem crédito (com suspensão) for maior do que quantidade vendida com suspensão. O estorno proporcional de crédito somente é admitido na hipótese de as vendas com suspensão superarem as aquisições do produto com suspensão, o que não ocorreu nos presentes autos. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 01 07 /2 01 0- 12 Fl. 21213DF CARF MF 2 No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS (MATÉRIA PRIMA E PRODUTOS EM PRODUÇÃO) ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. FRETE PROPORCIONAL ÀS VENDAS COM SUSPENSÃO. GLOSA RELATIVA À OPERAÇÃO DE VENDA RESTABELECIDA. GLOSA DO CRÉDITO CALCULADO SOBRE O FRETE PROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ser diretamente dependente da manutenção da glosa do crédito calculado sobre o valor proporcional da aquisição do produto com crédito (operação tributada), a improcedência desta implica reconhecimento improcedência também da glosa do crédito calculado sobre o valor do frete proporcional a venda com suspensão também deve cancelada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua Fl. 21214DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.214 3 plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de informação fiscal e do despacho decisório e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para (i) o valor das aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.1); (ii) o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção (Glosa 4.2); e (iii) o valor proporcional do frete relativos às aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.4). Ausente a Conselheira Lenisa Prado. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) da Cofins não cumulativa, vinculada à receita de exportação, do 1º trimestre de 2009, no montante de R$ 71.601.971,98, o qual foi utilizado nas compensações dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) colacionadas aos autos. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 20.728/20.731, foi reconhecido o direito creditório, no valor de R$ 59.804.327,38 e homologada as compensações declaradas até o limite do valor do crédito reconhecido. Segundo o Relatório de Informação Fiscal de fls. 10.073/10.144, a parcela do crédito não reconhecido decorreu das glosas dos créditos relatadas nos seguintes itens e subitens: Glosa 1 – Aquisições de mercadorias com alíquota zero; Glosa 2 – Glosa por falta de estornos de créditos; Glosa 3 Glosa de créditos da CONAB; Glosa 4 Glosa de Fretes; Glosa 4.1 – Fretes sem vinculação com a nota da mercadoria transportada; Glosa 4.2 – Fretes vinculados a aquisições em relação as quais o contribuinte não tomou crédito; Glosa 4.3 – Fl. 21215DF CARF MF 4 Fretes vinculados a operações com mercadorias adquiridas com FEX; Glosa 4.4 – Fretes vinculados a aquisições com crédito glosado; Glosa 5 Glosa de complementação de valores. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou as seguintes razões, que foram resumidas no relatório integrante da decisão de primeiro grau: 5. Em face do Despacho Decisório proferido pela DRF Blumenau, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 09/08/2013, fls. 20.764/20.796, na qual alega em síntese: a “A Impugnante inicialmente ressalta que as glosas referentes ao Item 4.1.1 do Relatório, na Tabela 4 da pág. 14 a 16, da forma como constou do Relatório Fiscal não permitem a ampla defesa e a perfeita compreensão dos valores apontados pelo Sr. AFRFB. Ora, não foi possível abrir o valor por produto na medida que no relatório consta apenas uma lista contendo os itens que foram glosados, sem dispor de valores, e no arquivo que deveria conter todas as NFs listadas a Impugnante encontrou o mesmo problema de identificação para os fretes Glosa 4. O grande problema gira em torno da base de dados que contém as NF glosadas. Por algum motivo, o Sr. AFRFB ao listar os documentos fiscais não informou os documentos, mas sim o número do registro, que conforme confirmado por ele, referese ao registro do nosso LRES enviado no inicio da fiscalização. Dessa forma, a Impugnante entendeu necessário fazer a conversão do arquivo em PDF disponibilizado no processo para o formato excel. O arquivo extraído possui 500.000 linhas em excel, divididos em 10 mil páginas em PDF. De posse do arquivo convertido, para localizar os documentos inerentes a uma glosa, selecionase na coluna correspondente a Glosa (Ex. Glosa GL09) os campos com valores "1". Porém ao invés de ter os documentos fiscais que de fato compõem a glosa, a Impugnante se deparou com a informação do número do registro. Por conseqüência, era necessário procurar por esse registro no LRES em um universo de 9.000.000 de linhas, o que tornou absolutamente impossível o processo de localização e embasamento da defesa. Sendo assim, foram anexados documentos de forma aleatória para subsidiar a defesa, que provam que naqueles documentos há efetivamente direito ao crédito ora glosado.” b O interessado informa que equivocadamente apurou crédito básico sobre algumas notas fiscais relacionadas a aquisições com alíquota zero. Requer a apuração de crédito presumido na aquisição de arroz, trigo e outros itens; c A aquisição de Refinazil teria sido tributada; d A própria fiscalização reconheceu que as aquisições junto a pessoas físicas, superam as vendas efetuadas com suspensão, assim não haveria o que estornar; e O critério da glosa proporcional adotado pelo auditor não tem fundamento legal, mesmo porque as saídas com suspensão são inferiores às aquisições sem crédito. “A única possibilidade de fazêlo seria identificar isoladamente as aquisições e saídas desta glosa para segmentálas”; Fl. 21216DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.215 5 f Concorda com a glosa efetuada, relativa às aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição; g Juntou as notas fiscais não apresentadas relativas às despesas com fretes. As notas fiscais referentes ao 2º trimestre serão acostadas posteriormente; h Ressalta que a fiscalização não indicou as notas fiscais glosadas, fato que cerceou a ampla defesa; i O frete vinculado à transferência do produto acabado, dos insumos ou dos produtos em elaboração, faz parte do processo de venda, assim deve originar direito à apuração de crédito; j As vendas podem ocorrer pelo estabelecimento produtor ou pelos centros de distribuição, o que demonstra que a transferência do produto acabado faz parte do processo de venda. A transferência destes produtos é tributada pelo PIS/COFINS, assim como o faturamento do frete; k Vedar a apuração de crédito neste tipo de operação fere o conceito da não cumulatividade; l parte destes fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; m Fretes em remessa para armazém geral. Os fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; n Frete em compra de pessoa física para revenda. Não há previsão legal que vede a apuração de crédito incidente sobre frete contratado de pessoa jurídica referente a aquisição de mercadoria para revenda de pessoa física; o A IN nº 379/2003 não poderia extrapolar as disposições legais correspondentes, ao dispor que é vedado à empresa comercial exportadora apurar crédito nas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação; p A glosa efetuada se deve ao fato de que o contribuinte adquiriu mercadoria com a cláusula FOB e pagou pelo frete, com entrega por conta e ordem no estabelecimento portuário. Em muitas ocasiões não é possível enviar todo um lote de exportação de soja de uma única vez. Desde que comprovado que as transferências se referem a vendas já efetuadas pela empresa, é possível o creditamento relativo a estes fretes, segundo diversos julgados administrativos; q A empresa fiscalizada defende a tese de que não se pode vincular o crédito calculado sobre despesas com frete, com o crédito das mercadorias transportadas; Fl. 21217DF CARF MF 6 r “também neste caso não foi possível à Impugnante ter acesso aos documentos fiscais que compõem a glosa na sua especifidade” (notas fiscais de complementação de valor); s “a forma como Sr. AFRFB configurou e formatou os arquivos impossibilitaram a Impugnante de exercer plenamente seu direito de ampla defesa e contraditório, posto que não teve acesso de forma clara ao que estava sendo relacionado como glosa” t A comercialização de produtos agrícolas apresenta características peculiares, entre elas a de se fixar o preço definitivo, após a entrega do produto e da emissão da nota fiscal, assim muitas vezes se faz necessária a emissão de uma nota fiscal complementar; u A fiscalização se equivoca ao afirmar que a tradição da soja seria o momento adequado para o reconhecimento da receita. “Portanto, pouco importante na avaliação deste fato em que momento se deu a complementação de preço ou a tradição da soja em grão, para definir a aquisição, posto que as duas ocorrências significam a efetiva aquisição, a observar a legislação correspondente naquele momento e, conseqüentemente, o regime de competência”; v A legislação de regência não trata desta modalidade de negócio jurídico e não estabeleceu os critérios adotados pela fiscalização para justificar a glosa em comento; w Requer o reconhecimento da nulidade do relatório fiscal e do despacho, por cerceamento ao direito de defesa e a homologação das compensações apresentadas. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do voto do Relator, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2009 CRÉDITOS GLOSADOS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa de crédito devida à falta de comprovação, se na fase de impugnação não forem apresentados documentos comprobatórios. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não gera direito à apuração de crédito a compra de produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição. VENDA COM SUSPENSÃO. CRÉDITO. É vedado à empresa cerealista o aproveitamento de crédito em relação às receitas de vendas com suspensão. FRETE. APURAÇÃO DE CRÉDITO. A despesa com frete na operação de venda gera direito à apuração de crédito, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor e o serviço seja prestado por pessoa jurídica domiciliada no país. A Fl. 21218DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.216 7 despesa com frete vinculado à operação de aquisição de bens para revenda ou utilizado como insumo, por integrar o custo de aquisição dos bens, origina direito ao cálculo do crédito de COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 8/7/2014, a autuada foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 7/8/2014, apresentou recurso voluntário, em que reafirmou, em preliminar, a nulidade do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, por cerceamento do direito de defesa, e no mérito, contestou total ou parcialmente as glosas relativas aos seguintes itens: a) Glosa 1 (AZ) Aquisições com alíquota zero, nos casos em que foram calculados créditos em relação a aquisições de bens tributados na etapa anterior com a alíquota zero; b) Glosa 2 (SUS) Revendas de milho adquirido com suspensão, nos casos em que a contribuinte revendeu com suspensão parte do milho adquirido com tomada de créditos; e c) Glosa 4 Fretes. Em relação aos fretes, a recorrente contestou a glosa relativa apenas aos seguintes subitens: Glosa 4.1 – Fretes sem vinculação com Nota da Mercadoria Transportada; Glosa 4.2 Fretes vinculados a aquisições em relação as quais o contribuinte não tomou crédito, subdividida em: 4.2.1 – Fretes em transferências; Glosa 4.2.2 – Fretes em remessas para armazéns gerais; e Glosa 4.2.3 – Fretes em compras de PF para revenda; Glosa 4.3 – Fretes relativos a bens adquiridos com FEX; Glosa 4.4 – Fretes vinculados a aquisições com crédito glosado, subdividida em: Glosa 4.4.1 Mercadorias sujeitas à alíquota zero; e Glosa 4.4.2 Estornos nas vendas com suspensão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia remanescente cingese a questões preliminar, atinente a nulidade do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, e de mérito, referente a glosa parcial dos créditos da contribuição. 1) DA PRELIMINAR DE NULIDADE No recurso em apreço, a recorrente reiterou a preliminar de nulidade do do Relatório Auditoria Fiscal e do Despacho Decisório, com base no argumento de não conseguira ter acesso amplo às informações contidas nos arquivos digitais, especialmente os dados Fl. 21219DF CARF MF 8 apresentados no formato “TXT”, que não possibilitava extrair com clareza as informações necessárias para compreender os motivos e os documentos relacionados à glosa dos créditos. Previamente, cabe ressaltar que, no âmbito processo administrativo fiscal federal, as hipóteses de nulidade do despacho decisório, extensível ao relatório em embasado, encontramse estabelecidas no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, a saber: (i) incompetência da autoridade julgadora e (ii) preterição do direito de defesa do sujeito passivo. No caso em tela, não se vislumbra nenhuma das situações. O citado despacho decisório foi proferido pelo titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da jurisdição da recorrente, reconhecidamente, a autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição colacionados aos autos, nos termos do art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF 203/2012. E no âmbito do processo de ressarcimento/compensação, sabidamente, o direito ao contraditório e à ampla defesa é assegurado na fase litigiosa do procedimento, que tem início com a apresentação da Manifestação de Inconformidade e, em seguida, com a reiteração das razões de defesa suscitada no recurso em apreço. Além disso, ao compulsar o teor dos referidos relatório e decisório, verificou se que ele apresenta adequada motivação/fundamentação fáticojurídica, o que afasta a presença de qualquer vício possa conspurcar a higidez dos referidos documentos. O acesso ao arquivo “Demonstrativo de Glosas.txt” era possível e foi franqueado à recorrente. Para tanto bastava que o usuário ativasse, no software leitor de arquivos pdf, a opção de visualizar arquivos anexos, conforme orientação contida no citado relatório. E diante de qualquer dúvida ou dificuldade de acesso, a recorrente poderia ter solicitado ajuda ou esclarecimentos adicionais à autoridade fiscal, o que não ocorreu. Ademais, parte significativa dos dados contidos nos referidos arquivos, necessários à compreensão das glosas realizadas, foram reproduzidos no corpo do extenso relatório ou nos anexos que lhe seguiram, o que também infirma o argumento de que não fora possível extrair, com clareza as informações necessárias para compreender os motivos da glosa dos créditos. No que tange à incompreensão dos demonstrativos, a recorrente confunde dificuldade de compreensão, em face do elevado volume de registros, com a impossibilidade de compreensão. Todos os registros consignados nos demonstrativos estão vinculados aos registros no LRES, portanto, para saber qual o documento concernente a operação objeto da glosa, bastava a recorrente localizar o registro no referido livro e fazer a leitura do correspondente documento que amparou o respectivo registro. Na análise do mérito, esse ponto será analisado novamente. Além disso, a leitura das robustas peças defensivas colacionadas aos autos revelam que a corrente não só compreendeu como se defendeu adequadamente das irregularidades que lhe foram imputadas, inclusive, expressamente concordou com parte das glosas realizadas. Cabe ainda ressaltar que a recorrente fundamentou as suas alegações no art. 142 do CTN, que dispõe sobre os requisitos do lançamento do crédito tributário, matéria estranha aos autos, que, inequivocamente, trata de pedido ressarcimento de crédito da Cofins, utilizado na compensação de débitos da própria contribuinte. Por essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. Fl. 21220DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.217 9 2) DA ANÁLISE DAS QUESTÕES DE MÉRITO. No mérito, a controvérsia remanescente cingese a glosa dos créditos calculados sobre (i) o valor das aquisições de insumos com alíquota zero, (ii) o valor de aquisição do milho revendido com suspensão e (iii) o valor das despesas com frete. 2.1 Da Glosa Relativa às Aquisições de Mercadorias Com Alíquota Zero (Glosa 1) Segundo a fiscalização, por expressa vedação legal (Lei 10.833/2003, art. 3º, § 2º, II), foram glosados os créditos calculados sobre o preço das aquisições de bens para revenda ou utilizados como insumos de produção, tributadas na etapa anterior com a alíquota zero. Inicialmente, a recorrente a legou que houve cerceamento à ampla defesa, pois não seria compreensível a glosa na forma como constou do citado Relatório Fiscal. Segundo a recorrente, não teria sido possível “abrir o valor por produto na medida que no relatório consta apenas uma lista contendo os itens que foram glosados, sem dispor de valores”. Além disso, a fiscalização não teria informado as notas fiscais glosadas, mas o número de registro no LRES, fato que tornara inviável a localização do lançamento e a fundamentação da defesa. A recorrente asseverou ainda que: O grande problema gira em torno da base de dados que contém as NF glosadas. Por algum motivo, o Sr. AFRFB ao listar os documentos fiscais não informou os documentos, mas sim o número do registro, que conforme confirmado por ele, referese ao registro do nosso LRES enviado no inicio da fiscalização. Dessa forma, a Recorrente entendeu necessário fazer a conversão do arquivo em PDF disponibilizado no processo para o formato excel. O arquivo extraído possui 500.000 linhas em excel, divididos em 10 mil páginas em PDF. [...] De posse do arquivo convertido, para localizar os documentos inerentes a uma glosa, selecionase na coluna correspondente a Glosa (Ex. Glosa GL09) os campos com valores "1". Porém ao invés de ter os documentos fiscais que de fato compõem a glosa, a Recorrente se deparou com a informação do número do registro. Por consequência, era necessário procurar por esse registro no LRES em um universo de 9.000.000 de linhas, o que tornou absolutamente impossível o processo de localização e embasamento da defesa. (grifos não originais) Embora a recorrente tenha alegado impossibilidade de acesso aos documentos, o que se depreende do relato transcrito, foi que do grande volume de registro no LRES, ela não fez a vinculação entre o número de registro no demonstrativo e o número de registro no LRES, onde mencionado os documentos correspondentes. Ou seja, a partir dessa informação, bastava pesquisar o número de registro no arquivo LRES e encontrada o respectivo lançamento todas as informações necessárias à compreensão da glosa estariam a disposição da recorrente, incluindo o número da nota fiscal. Fl. 21221DF CARF MF 10 Ora, se o LRES tem “um universo de 9.000.000 de linhas”, como asseverado pela recorrente, e possibilitou a fiscalização realizar a citada vinculação, não se revela crível que recorrente, conhecendo o número do registro, não pudesse fazer o cominho inverso e acessar o registro no LRES e conhecer os respectivos documentos da operação. Ademais, a menção apenas ao número do registro no LRES foi a forma adequada de a fiscalização fazer um demonstrativo conciso e compreensível, especialmente, tendo em conta que a menção do número da nota fiscal, em vez do número do registro do arquivo LRES, também dependia de realização de pesquisa no arquivo LRES, para fim de confirmar se o número da nota fiscal representava a correspondente operação de aquisição de mercadoria objeto da glosada realizada. Para fim de compreensão do questionado “Demonstrativo de glosas”, a fiscalização prestou os seguintes esclarecimentos relevantes: a) em face do porte da empresa auditada o trabalho de fiscalização “teve que, necessariamente, ser realizada com base nos arquivos digitais, uma vez que são milhões de operações por ano”; b) a análise foi efetuada, principalmente, com base no arquivo LRES (reprodução do Livro de Registro de Entradas e Saídas), que possui cerca de seis milhões de registros, referentes ao período analisado; c) especificamente quanto à glosa em comento, foram retirados do arquivo LRES a relação de todas as mercadorias adquiridas sujeitas à alíquota zero. Estas mercadorias compuseram a Tabela 4 que contempla a descrição da mercadoria, o respectivo código, o NCM e o momento a partir do qual passou a ser tributada com alíquota zero; e d) verificaram que alguns lançamentos do arquivo LRES, relativos à aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero, foram objeto de apuração de crédito de PIS e de COFINS. Estes foram lançamentos alvo da glosa em questão. Assim, fica demonstrado que o fato de a fiscalização não ter citado, no referido “Demonstrativo de glosas”, a nota fiscal relativa à operação do crédito glosado, mas apenas o lançamento contábil irregular, inequivocamente, não acarretou qualquer cerceamento ao direito de defesa da recorrente, pois, o demonstrativo elaborado pela fiscalização possibilitava à recorrente verificar todos os elementos necessários a compreensão do motivo da glosa, dentre eles, a data do lançamento, o valor da operação e correspondente número da nota fiscal. Por essas razões, rejeitase o alegado cerceamento do direito defesa. A recorrente alegou ter anexado, de forma aleatória, documentos que comprovariam o direito ao crédito glosado. Porém, diferentemente do alegado, os documentos apresentados não se prestam a comprovar o direito ao crédito glosado em apreço. Com efeito, as notas fiscais emitidas pela empresa Corn Products Brasil (fls. 20815/20816) foram emitidas no segundo trimestre de 2008, portanto, de outro período de apuração; os textos de fls. 20.817/20.818 tratam das características do produto Refinazil; e os demais documentos (fls. 20.819 e ss.) referemse a glosa de frete, matéria estranha a que motivou a glosa. No mérito, a recorrente alegou que teria adquirido arroz, farinhas, farinha de trigo e trigo, para utilização como insumo e não para fins de revenda, como equivodamente informado no DACON, logo, precipitadamente, apurara “crédito básico”, quando o correto seria crédito presumido agroindustrial no percentual de 35% da alíquota normal. Assim, fica evidenciado que a recorrente não contestou o mérito da glosa dos créditos básicos da contribuição em apreço, o que significa que ela, tacitamente, concordou que as aquisições de bens submetidas à tributação pela alíquota zero não permitem a apropriação de crédito básico assegurado ao regime não cumulativo da contribuição. A discordância da recorrente limitouse apenas a glosa integral dos créditos básicos calculados sobre as aquisições de arroz, farinha, farinha de trigo e trigo. Para Fl. 21222DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.218 11 recorrente, tais produtos foram utilizados como insumos na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, logo tinha direito de deduzir a parcela do crédito presumido agroindustrial, equivalente a 35% da alíquota do crédito básico, conforme previsto no art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004. Este Colegiado, em reiterados julgamentos, tem reconhecido, de ofício, o direito ao crédito presumido agroindustrial nos casos em que há glosa integral dos créditos básico apropriados, por estabelecimento agroindustrial, sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação, se demonstrado, nos autos, que (i) a aquisição foi feita das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) que o produto agropecuário foi utilizado como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. Nos presentes autos, não foi acostado qualquer prova que demonstrasse que os produtos tributados à alíquota zero foram utilizados como insumos de produção das mercadorias de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, especificadas no caput do art. 8º da Lei 10.925/2004. Aliás, a recorrente sequer informou qual a mercadoria fora produzida com os referidos produtos, condição indispensável para o reconhecimento do crédito presumido em apreço. E não se pode olvidar, que essa comprovação era imprescindível, tendo em conta que os produtos adquiridos pela recorrente eram todos eles semiindustrializados (por exemplo, arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido), ou já industrializados (por exemplo, farinhas de milho, descritas como fubá de milho e refinazil pelletizado, farelado e ensacado). Na produção de que mercadorias tais produtos foram utilizados? A resposta a essa indagação revelase imprescindível para o reconhecimento do valor do crédito presumido pleiteado, porém, nos autos, não há elementos para obtêla. A recorrente alegou que o produto, denominado Refinazil, teria sido classificado de forma equivocada e o código da NCM informado nas notas fiscais indicaria que o produto era derivado do milho, e assim seria tributado. Como as operações de aquisição do citado produto foram registradas sem tributação, sujeitas à alíquota zero, para reversão da glosa, revelase insuficiente a alegação de que houve erro na classificação da operação e a mera juntada de notas fiscais referentes à aquisição do produto, sem a demonstração de que houve pagamento das contribuições na operação de compra. Assim, sem provas de que o produto, denominado “Refinazil, Itens 111818, 111819 e 111820”, foi adquirido com pagamento e revendido com débito das contribuições não como ser restabelecido o crédito glosado. As duas notas fiscais colacionadas aos autos (fls. 20815/20816) foram emitidas, respectivamente, em 5/4/2008 e 4/6/2008, portanto, diz respeito ao 2º trimestre de 2008. Assim, não comprovada a cobrança das contribuições, não tem qualquer relevância, para o deslinde da controvérsia, o fato de a recorrente ter cometido ou não erro de classificação fiscal do produto na NCM. Enfim, caso admitido pelo Colegiado o direito ao crédito presumido pleiteado, o que se admite apenas para fim argumentação, ao menos o valor das aquisições do trigo importado da Argentina e dos Estados Unidos, necessariamente, devem ser excluído da base de cálculo do crédito presumido agroindustrial requerido, posto que, nos termos do art. 8º, § 2º, da Lei 10.925/2004, o referido benefício fiscal restringese apenas “aos bens adquiridos Fl. 21223DF CARF MF 12 ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País”. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos básicos da contribuição apurados sobre o preço de aquisição dos mencionados bens. 2.2 Da Glosa por Falta de Estorno de Crédito (Glosa 2) No citado Relatório de Auditoria Fiscal, a fiscalização prestou as seguintes informações relevantes para o deslinde da controvérsia: Até 2005, a BUNGE industrializava parte do milho adquirido em fábricas de ração, sendo que o milho em grãos era um dos insumos utilizados. Entretanto, após o encerramento das operações daquelas filiais (fábricas de ração), todo o milho adquirido pela BUNGE passou a ter a finalidade exclusiva de revenda, tanto no mercado interno quanto para exportações. Ainda segunda a fiscalização, na condição de cerealista, a recorrente adquiriu e revendeu o milho em grãos com suspensão do pagamento da contribuição. Logo, eralhe vedado o aproveitamento do crédito presumido agroindustrial calculado sobre o valor de aquisição do referido produto e eventual crédito apropriado sobre a revenda do milho deveria ser estornado, por força do disposto no art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004. Intimada pela fiscalização a comprovar o estorno de tais créditos, a recorrente prestou a seguinte informação, in verbis: Anexamos duas planilhas que resumem as Aquisições de MILHO no período de 2009, por CFOP e as Receitas das vendas de MILHO, por CFOP. Nessas planilhas podese verificar que as aquisições de milho de Pessoas Físicas, sem crédito de PIS/COFINS, importaram em R$ 299.923.000,00 e as vendas com Suspensão das Contribuições Sociais no valor de R$ 207.679.000,00. Por esse parâmetro, não há justificativa para estorno de créditos de PIS/COFINS do Milho vendido com Suspensão. Com base nessa resposta, resta esclarecido que, segundo o critério adotado pela recorrente, como a quantidade de milho revendido com suspensão foi inferior a quantidade do produto adquirido sem crédito (aquisições de pessoas físicas e CONAB), logo ela não estava obrigada a fazer o estorno. No entendimento da recorrente, somente se as aquisições do produto sem crédito fossem inferiores às revendas com suspensão era que o estorno do crédito deveria ser realizado, o que não ocorreu em nenhum trimestre do ano de 2008. Assim, o critério adotado pela recorrente, para verificar a necessidade ou não de estorno do crédito, foi atribuir, primeiramente, todo milho vendido com suspensão às aquisições sem crédito. Se esta quantidade fosse suficiente para “cobrir” as quantidades saídas com suspensão não haveria a necessidade de estorno de crédito das contribuições. Do contrário, haveria necessidade de estornos. No período de apuração, como a recorrente adquiriu de pessoa física maior quantidade sem tributação (sem crédito) do que a vendida com suspensão, ela concluiu que não havia necessidade de estorno. Como a própria fiscalização confirmou essa situação, inexiste controvérsia sobre essa situação. De outra parte, segundo a fiscalização, as aquisições, embora feitas de diferentes formas, de PF ou PJ, e estas tributadas, com suspensão ou com FEX, não vinculavam a utilização do grão para único tipo de saída específica. Assim, não era possível Fl. 21224DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.219 13 afirmar, como quer a empresa, que todo grão comprado de pessoa física, sem crédito, é o milho vendido com suspensão, o que dispensaria a necessidade de estorno do crédito, uma vez que não teria havido a tomada de crédito na aquisição; de outro lado, também não seria possível afirmar, por exemplo, que todo grão vendido com suspensão teria advindo das aquisições junto a PJ, com tomada de crédito, o que acarretaria a necessidade de estorno dos créditos correspondentes à quantidade saída com suspensão. Assim, tendo em vista que não era possível vincular entradas e saídas, ante a inexistência de método de controle de apropriação direta das quantidades do produto adquiridas e vendidas, e que o critério adotado pela recorrente eralhe extremamente favorável, a fiscalização adotou, para fim de rateio do valor do crédito a ser estornado vinculado à venda com suspensão, o percentual mensal obtido da divisão das quantidades das saídas com suspensão pelas quantidades saídas totais (excluídas, quando existentes, as exportações com fim específico de exportação FEX). E o valor do crédito a ser estornado determinado mediante a aplicação do percentual da proporção mensal sobre a base de cálculo total dos créditos decorrentes das aquisições de milho de pessoa jurídica (com ou sem crédito). O critério adotado pela fiscalização não tem expressa previsão legal. No caso de inexistência de método de apropriação direta, há previsão legal de rateio de custos, despesas e encargos comuns proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, nos termos do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [...] (grifos nãooriginais) O método de rateio proporcional, a meu ver, é a passível de aplicação ao caso em tela, desde que atendidas algumas premissas básicas. A primeira, que o milho é um produto fungível, especialmente, porque não foi mencionada a existência de qualquer diferença relevante do produto adquirido de distintos fornecedores pessoas físicas e jurídicas. A segunda, que o percentual proporcional de rateio somente se justifica se o valor da aquisição a ser rateado representar uma grandeza comum aos diversos tipos de saídas do produto do estabelecimento. Fl. 21225DF CARF MF 14 Com base nessas premissas, o critério de rateio adotado pela fiscalização, além de não ter previsão legal, revelase não razoável, pois utiliza como base cálculo a ser rateada apenas os valores das aquisições de milho de pessoa jurídica com apropriação de crédito (tributadas), excluídas, portanto, às aquisições de pessoas físicas e das pessoas jurídicas sem crédito, o que implica no rateio do crédito vinculado apenas as operações de aquisições com crédito de pessoas jurídicas entre as saídas tributadas e as saídas com suspensão (não tributadas) e, por conseguinte, o estorno de parcela de crédito de parte das operações com tributação, para as quais há previsão de manutenção do crédito. O critério adotado pela fiscalização seria razoável se todas as aquisições fossem com crédito e as saídas fossem parte tributadas (com direito a manutenção do crédito) e parte com suspensão (sem direito ao crédito), o que, sabidamente, não ocorreu no caso em tela. Outra hipótese razoável seria se as saídas com suspensão (sem direito a crédito) fossem superiores às aquisições das pessoas físicas (sem crédito). Neste caso, o percentual de rateio do valor do crédito a ser estornado seria obtido mediante a divisão entre as quantidades da diferença das saídas a maior com suspensão (em relação as quantidades adquiridas de pessoas físicas) pelo somatório das quantidades da diferença das saídas a maior com suspensão mais as saídas tributadas (excluídas, quando existentes, as exportações com fim específico de exportação FEX). Assim, como as aquisições de milho das pessoas jurídicas seriam parte revendidas com tributação e a outra parte com suspensão (a referida diferença), daí a necessidade do rateio, que a ser aplicado somente quando há uma base comum a ser apropriada entre os diferentes tipos de saídas do produto. Outro dado que revela imprestabilidade do critério de rateio adotado pela fiscalização consistiu na utilização do percentual de rateio calculado para os três trimestres de 2009, em vez do percentual mensal. Embora, a base de cálculo de rateio tenha sido mensal, o que representa evidente contradição. No caso, como as saídas com suspensão foram menores do que as aquisições de pessoas físicas (sem crédito), o critério adotado pela recorrente revelase mais adequado e razoável. Com base nessa conclusão, deve ser restabelecido o valor integral do crédito glosado calculado mediante a aplicação de percentual sobre o valor das aquisições de milho de pessoas jurídicas com crédito (tributada), em que percentual é calculado proporcionalmente às quantidades do milho saídas/vendidas com suspensão em relação as totais saídas/vendidas com tributação e suspensão. 2.3 Da Glosa Relativa aos Gastos com Frete (Glosa 4). A fiscalização procedeu a glosa de créditos calculados sobre diversos tipos de despesas com fretes. Aqui serão analisadas apenas as glosas contestadas pela recorrente. Porém, previamente a analise das glosas controvertidas, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete apropriado contabilmente sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. Fl. 21226DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.220 15 No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 21227DF CARF MF 16 pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. Em relação à atividade industrial, embora também não haja expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, II e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, com o art. 290 do RIR/1999, é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de transporte: a) de bens de produção (matériasprimas, produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Senão, veja a redação dos trechos relevantes dos citados preceitos legais, in verbis: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; [...] [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre Fl. 21228DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.221 17 estabelecimentos fabris integra o custo produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matériasprimas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, durante o ciclo de produção ou fabricação, certamente haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, darseá de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: [...] II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; [...] (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que, em todas as hipóteses de creditamento, o direito de apropriação dos referidos créditos está condicionado ao atendimento das condições instituídas no art. 3º, § 3°, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Fl. 21229DF CARF MF 18 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Dessa forma, somente o valor do gasto com frete incorrido no mês (regime de competência), pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, gera direito à apropriação de créditos das referidas contribuições. Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Será com base nesse entendimento que serão analisadas as glosas dos créditos apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia. Fl. 21230DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.222 19 2.3.1 Glosa por falta de vinculação à nota fiscal de aquisição (Glosa 4.1). Segundo a fiscalização, a confirmação dos créditos relativos a despesas com fretes dependia da comprovação, de maneira inequívoca, que eles estavam vinculados a operações de transporte de mercadorias ou insumos, para as quais são permitidas a dedução de crédito. Assim, no entendimento da fiscalização, as operações de aquisição que não geram crédito também não asseguram a apropriação de crédito sobre os correspondentes gastos com os fretes. Com base nesse entendimento, a comprovação da referida vinculação era imprescindível, para fim de confirmação do direito ao crédito sobre os gastos com fretes. E para que ela pudesse ser feita, era necessário que a recorrente tivesse feito a vinculação entre cada gasto com frete, para o qual apropriou crédito, com a respectiva operação de entrada ou saída de mercadorias. No entanto, embora intimada a proceder tal vinculação, a recorrente não atendeu tal exigência, conforme se infere dos excertos a seguir transcritos, extraídos do citado Relatório: Numa análise inicial dos arquivos, especificamente do arquivo CONHECIMENTOS COM CRÉDITO SEM VINCULAÇÃO, foi possível verificar que 9.117 registros de fretes permaneceram sem vinculação, e tais registros representam uma base de crédito de cerca de R$ 51 milhões. Tais registros são aqui glosados, pela simples falta de vinculação com os registros das mercadorias transportadas. A glosa em questão justificase na medida em que, sem a devida vinculação, não é possível determinar se os bens transportados são insumos utilizados no processo produtivo da empresa, se os bens foram adquiridos de pessoa física ou jurídica e se o transporte está relacionado a uma operação de compra. A FISCALIZADA, por sua vez, não juntou aos autos elementos de prova capazes de contradizer esta argumentação. A recorrente alegou que foi levantado, aleatoriamente, documentos fiscais de fretes afim de comprovar que estes possuíam a vinculação em questão. De fato, com a impugnação, a recorrente trouxe à colação dos autos (fls. 20.820/21.084) Conhecimentos de Transporte Multimodal de Cargas, Notas Fiscais de Serviço de Transporte e Relações de Despachos. Acontece que esses documentos, em princípio, comprovam a prestação do serviço de transporte. Porém, este não foi o motivo da glosa em apreço. Como anteriormente mencionado, as irregularidades aqui apreciadas foram a falta de vinculação dos gastos com fretes a operações de aquisição ou venda de bens contabilizadas pela pessoa jurídica no LRES. Os referidos documentos, certamente, não servem para comprovar tal irregularidade e sem a comprovação da vinculação resta inviável saber se tais gastos com frete podem ou não assegurar o crédito da contribuição, por ser impossível a verificação da natureza da operação vinculada ao frete, bem como se a operação propícia a dedução do crédito e se refere ao respectivo período de apuração. A recorrente alegou que o Relatório Fiscal não apontara, especificamente, quais são as notas fiscais glosadas/não encontradas nos LRES, cerceando a defesa, impedindo Fl. 21231DF CARF MF 20 especialmente a identificação para fins de defesa, nos mesmos moldes do que ocorrera com a glosa relativa às aquisições com alíquota zero (Glosa 4.1). Conforme anteriormente demonstrado (subitem 2.1), a fiscalização indicou o número de registro do arquivo referente ao Livro de Registro de Entradas e Saídas (LRES) que foi objeto de glosa. E com essa informação era possível localizar no arquivo LRES, fornecido pela própria recorrente, o respectivo lançamento que contempla, entre outras informações, a identificação da nota fiscal. Logo, não houve o alegado prejuízo à defesa. Enfim, tendo em vista que a dedução do crédito calculado sobre o valor do frete depende do tipo operação transporte e da forma como custeada, bem como da natureza dos bens transportados (bens de revenda, insumos etc.), na falta dessa comprovação, a glosa em destaque deve ser integralmente mantida. 2.3.2 Da glosa vinculada às operações sem direito a crédito (Glosa 4.2). De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados os créditos calculados pela contribuinte sobre despesas com fretes, cuja vinculação apresentada remetia a notas fiscais relativas a outras operações de entrada para as quais não houve apropriação de crédito da contribuição, tais como: transferências entre estabelecimentos; remessas para armazéns gerais; aquisições de pessoas físicas de bens para revenda. Por terem características específicas, cada uma das submodalidades de operações sem direito a crédito será apreciada separadamente. 2.3.2.1 Da glosa vinculada às operações de transferências entre estabelecimentos. De acordo com o citado Relatório de Auditoria Fiscal, a presente glosa compreende os créditos calculados sobre as despesas com fretes nas transferências (i) de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) entre estabelecimentos industriais, para produção, e (ii) de produtos acabados entre filiais, para fim de armazenagem. A recorrente alegou que fazia jus ao crédito sobre o valor do frete nas operações de transferências entre seus estabelecimentos de insumos, produtos em elaboração e produtos acabados, porque tais operações fazia parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final pela passagem da mercadoria pela filial receptora e de produção. Segundo a recorrente, tais transferências não descaracterizava o processo de venda nem de produção como um todo, posto que no primeiro caso equivale ao custo de transporte da venda direta. A alegação da recorrente não se sustenta, porque não procede o argumento de que as operações de transferências entre estabelecimentos, seja de produção ou distribuição, fazem parte da operação de venda direta. As operações de transferências entre estabelecimentos fazem parte da logística de produção e distribuição da recorrente e por se tratar de operações com identidade própria, inequivocamente, elas não fazem parte da operação de venda (“direta ou indireta”). Se adotado o entendimento da recorrente, até a operação de compra de produto acabado e do insumo também fazia parte da operação de “venda direta”, o que não tem sentido algum. A recorrente ainda alegou que fazia jus ao crédito glosado, porque as operações de transferências e as respectivas operações de transporte (gastos com frete) eram tributadas pelas referidas contribuições. Logo, sob pena de descumprimento do regime da não cumulatividade, o crédito sobre a despesa com frete deveria ser admitido. Fl. 21232DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.223 21 A alegação não se sustenta. A uma, porque a recorrente não comprovou que as operações de transferências entre os estabelecimentos eram tributadas pelas contribuições. A duas, porque não foi a falta de tributação que motivou a glosa em comento, mas a falta de amparo legal para dedução do crédito calculado sobre o valor do frete da operação de transporte vinculada a operação de transferência. E ante a ausência de amparo legal, não tem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia, se a operação de transporte foi contratada ou subcontratada, pois, este não foi o motivo da glosa realizada pela fiscalização. O deslinde da questão envolve a análise do tipo de gasto com transporte que permite apropriação de crédito. E com base no entendimento anteriormente esposado, geram de direito a créditos da contribuição os gastos com frete no transporte (i) de bens utilizados como insumos de industrialização de produtos destinados à venda e dos produtos em elaboração, nas transferências entre os estabelecimentos industriais da própria pessoa jurídica para produção, ou complementação do processo produtivo; e b) dos produtos acabados apenas na operação de venda. Os motivos fáticojurídicos para apropriação do crédito, nas duas hipóteses, são distintos: a) as despesas (custos) de fretes com o transporte de insumos, por constituírem custo de produção, tem previsão legal no art. 3º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e (ii) as despesas com fretes para o transportar produtos acabados os produtos acabados, por representarem despeças na operação de venda, tem suporte legal no art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003. Por outro lado, não geram direito a crédito os gastos com o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos industriais e os estabelecimentos distribuidores/vendedores da pessoa jurídica, ou entre estes últimos, por não configurar transferência de bens a ser utilizado como insumo nem operação de venda, mas mera operação de transferência de produtos acabados, com intuito de facilitar a comercialização e a logística de distribuição e entrega dos produtos aos futuros compradores. Assim, se essa operação de transferência de produtos acabados não faz parte da operação de venda, logicamente, ela não pode ser equiparada à operação de transporte relativa à operação de venda direta, a realizada ao destinatário final, conforme alegado pela recorrente. Logo, em relação ao valor do frete dessa operação de transferência, por falta de previsão legal, a apropriação de crédito não é permitida. O entendimento apresentado no enunciado da ementa do Acórdão n° 3301 001.577, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara deste Conselho, por admitir a apropriação de créditos nas transferências entre estabelecimentos tanto de produtos em elaboração quanto de produtos acabados, obviamente, contraria em parte o entendimento aqui esposado, logo, não há como acatar parte dos fundamentos nele esposado. Com base nessas considerações, deve ser restabelecido o crédito calculado sobre o valor do frete nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais de bens utilizados como insumos de produção, ou seja, matéria prima e produto em elaboração para produção de bens destinados à venda. 2.3.2.2 Da glosa vinculada às operações de remessas para depósito fechado ou armazém geral. Fl. 21233DF CARF MF 22 De com o Relatório de Auditoria Fiscal, esta glosa referese a créditos calculados sobre valor das despesas com fretes nas operações de remessas de mercadorias para armazém geral ou depósito fechado. Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, também deve ser mantida a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de remessas de produtos acabados ou mercadorias para depósito fechado ou armazém geral, porque, induvidosamente, tais operações também não se enquadram como serviço de transporte utilizado como insumo de industrialização nem como operação de venda. E somente essas operações asseguram a apropriação dos referidos créditos, conforme anteriormente demonstrado. O enunciado da ementa do acórdão nº 380303.154, não ampara a pretensão da recorrente, pois ela trata da possibilidade de creditamento sobre despesas de armazenagem, embora tenha feito menção a “frete durante a venda”. A leitura do excerto, a seguir transcrito, extraído do voto condutor julgado, não deixa qualquer duvida de que apenas as despesas com frete nas operações de venda possibilitam o crédito da contribuição: Além disso, as despesas de deslocamentos da carga nas operações de venda encontram amparo no dispositivo legal acima identificado, pois se trata de despesas com fretes que, uma vez suportadas pela pessoa jurídica e tendo sido objeto de tributação pelas contribuições, dão direito ao creditamento. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve mantida integralmente a glosa dos referidos créditos. 2.3.2.3 Da glosa vinculada às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda. Segundo a fiscalização, se não há direito a créditos nas aquisições de mercadorias para revenda, feitas de produtor pessoa física, logo não havia que se falar em créditos relativos aos fretes vinculado a essas aquisições, visto que os mesmos constituemse em parte do custo de aquisição das mercadorias compradas. A fiscalização procedeu com acerto. Os bens adquiridos para revenda de pessoas físicas não asseguram direito ao crédito da Cofins, segundo determina o art. 3º, § 3º, I, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Se os gastos com frete vinculados ao transporte de bens adquiridos para revenda admitem apropriação de crédito somente sob forma de custos agregados aos referidos bens, conforme anteriormente demonstrado, como não há direito a apropriação de crédito sobre Fl. 21234DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.224 23 aquisição de produtos adquiridos para revenda de pessoas físicas, por conseguinte, também não existe permissão para dedução de créditos sobre os gastos de frete com transporte de tais bens. A recorrente alegou que o fato de o fornecedor da mercadoria ter sido uma pessoa física, em tese, não desqualificava o serviço adquirido de terceiro pessoa jurídica, conforme entendimento esposado no acórdão nº 0714.350. de 17 de Outubro de 2008, da DRJ Florianópolis, e no acórdão n° 380303.154, da extinta 3ª Turma Especial da Terceira Seção deste Conselho. Com base nessas considerações, mantémse a glosa integral dos referidos créditos. 2.3.3 Da glosa vinculada às aquisições com fim específico de exportação FEX (Glosa 4.3). A fiscalização esclareceu que, os créditos apropriados sobre os gastos com frete vinculados às operações de compras (entradas no estabelecimento da empresa) de mercadorias com fim específico de exportação (FEX), já estavam abrangidos pela glosa do tópico “4.4.2 acima, intitulado Dos Fretes Vinculados a Aquisições sem Direito ao Crédito, uma vez que a “BC Cr” destas aquisições é igual à zero.” Segundo a fiscalização, havia outros gastos com fretes relacionados a as aquisições com FEX, que deveriam ser glosados, por falta de previsão legal. Tais fretes consistem nas transferências para a formação de lote, que, apesar de serem formalmente transferências, na verdade já configuravam uma etapa do processo de venda. A fiscalização informou ainda que os fretes para a formação de lotes (CFOP 5505/6505) foram acatados nesta análise como fretes nas vendas, admitindose a tomada de crédito das contribuições. Mas entre estes fretes para a formação de lotes, existem aqueles relacionados às aquisições com FEX, e para estes há norma específica, vedando a tomada de crédito. Os esclarecimentos da fiscalização são mais facilmente compreendidos na representação do fluxo das mercadorias desde a operação de compra do produtor até a transferência para formação dos lotes de exportação, apresentado na figura extraída do Relatório Fiscal, que segue transcrita: Fl. 21235DF CARF MF 24 Em suma, a glosa em apreço, referese às despesas com frete vinculadas às operações de transferências das mercadorias com FEX dos estabelecimentos da recorrente para o estabelecimento portuário, para formação de lote e posterior exportação. De acordo com o disposto no art. 6º, § 4º, combinado com o disposto no art. 15, III, da Lei 10.833/2003, há expressa vedação à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados a receita de exportação auferida na operação com fim específico de exportação. Para facilitar a compreensão, seguem transcritos os citados preceitos legais: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando Fl. 21236DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.225 25 vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; [...]. (grifos não originais) Da simples leitura dos transcritos preceitos legais, inferese que, em relação às exportações com FEX, realizadas pelas empresas comerciais exportadoras, é vedada a apuração de créditos das contribuições não apenas referente às operações de aquisição das mercadorias, como também em relação a custos, despesas e outros encargos vinculados à receita de exportação, dentre os quais incluemse os gastos com frete nas operações de compra e de transferência das mercadorias. A razão dessa vedação é óbvia: evitar a apropriação de crédito em duplicidade, ou seja, que os créditos sejam apropria tanto pela pessoa jurídica vendedora quanto pela pessoa jurídica compradora e exportadora. A recorrente alegou que era possível a apropriação de crédito sobre os gastos com frete vinculados a tais operações de transferências, sob argumento de que “tais despesas de frete são relativas a mercadorias para formação de loterevenda, no caso para exportação, conforme disposto no inciso I c/c inciso IX do art. 3o da Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003.” Segundo a recorrente as referidas remessas para formação de lote de exportação não poderiam ser tratadas como aquisições de mercadorias com fim específico de exportação por empresa comercial exportadora, porque ela “adquiriu mercadoria na condição FOB e pagou pelo frete, para entrega em seus armazéns/silos, e posteriormente remetidos ao estabelecimento portuário, posto que a formação de lote já [representa] a própria operacionalização da exportação.” Para a recorrente, a transferência de mercadoria, para formação de lote destinado à exportação, estava vinculada a própria exportação, que assegura o direito ao crédito glosado. A alegação da recorrente não procede, porque há expressa vedação à empresa comercial exportadora de apurar créditos sobre os custos/despesas vinculados à operação de aquisição de mercadoria com fim específico exportação, o que, certamente, inclui os custos/despesas com a operação de transporte da mercadoria, incluindo as despesas de frete nas transferências entre os demais estabelecimentos e o estabelecimento portuário, independentemente, desta ter sido feita diretamente para embarque de exportação, ou para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, para a formação de lote. No caso, se a norma não previu nenhuma exceção, induvidosamente, não cabe ao intérprete criála, especialmente, em sede de concessão de crédito de tributo, matéria estritamente reservada à lei. Também não procede a alegação da recorrente a Instrução Normativa SRF 379/2003, em seu art 1o, § 2º, extrapolarA as disposições legais correspondentes, ao dispor que era vedado à empresa comercial exportadora apurar crédito sobre custo de aquisição das Fl. 21237DF CARF MF 26 mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, posto que tal preceito normativo simplesmente reproduziu o teor do art. 6º, § 4º, da Lei 10.833/2003, anteriormente transcrito. Também não se aplica ao caso em tela, o entendimento esposado no acórdão n° 0712164, de 29 de fevereiro de 2008, prolatado pela DRJ Florianópolis, no sentido de que “valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para as transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica”, pelas razões aduzidas nos tópicos precedentes. Com base nessas considerações, mantémse a glosa integral dos créditos apropriados sobre o valor dos gastos com frete vinculados às operações de venda com fim específico de exportação. 2.3.4 Da glosa vinculada a operações com crédito glosado (Glosa 4.4) A presente glosa abrange os créditos apurados sobre despesas com fretes ligados à aquisição de mercadoria, cuja operação não gerou crédito e que foi objeto de glosa no presente processo. Especificamente, compreende os fretes na aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero (Glosa 4.1) e fretes na aquisição de mercadorias vendidas com suspensão (Glosa 4.2). No entendimento da fiscalização, se a aquisição da mercadoria não gerava direito ao crédito, consequentemente, o respectivo gasto com frete também não podia gerar. No caso, segundo a fiscalização, apesar de a recorrente ter tomado crédito nas aquisições das mercadorias, o fez de forma indevida, tendo estes créditos sido glosados. Logo, a consequência inevitável era a glosa também dos fretes associados a tais operações aquisições. Para melhor compreensão, as dois tipos de glosa serão apreciados separadamente. 2.3.4.1 Da glosa vinculada às operações com alíquota zero. De com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados créditos calculados sobre o valor dos fretes vinculados a notas fiscais de aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero, objeto da glosa relatada no subitem 4.1 do citado Relatório da Auditoria Fiscal e analisado no subitem 2.1 deste voto. A decisão referente à presente glosa, inequivocamente, depende do resultado da decisão prolatada em relação à glosa anterior. Dessa forma, como a glosa do crédito calculado sobre valor da aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero foi integralmente mantida, consequentemente, a presente glosa deve ter o mesmo desfecho. A recorrente alegou que não havia que se confundir ou vincular o crédito apropria sobre o valor do serviço de frete com as aquisições com ou sem direito ao crédito, pois, cada qual obedecia a regramento estabelecido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, nos quais inexiste a vedação ou limitação imposta pela fiscalização. Nos itens precedentes, restou demonstrado que, se o custo de aquisição do bem revendido ou utilizado como insumo de produção não origina crédito, consequentemente, o gasto com frete a ele associado também não o gera, pois, segundo o entendimento aqui esposado, nestas operações o que possibilita a apropriação do crédito é a inclusão do valor ao custo da mercadoria adquirida ou ao custo do insumo adquirido, conforme a natureza da Fl. 21238DF CARF MF Processo nº 13971.720107/201012 Acórdão n.º 3302004.327 S3C3T2 Fl. 21.226 27 operação de aquisição, e não o valor do custo/despesa com frete em si. Para o frete na operação de compra, isoladamente considerado, não há previsão legal de apropriação de crédito. Por esses fundamentos, deve ser mantida a glosa integral dos créditos em referência. 2.3.4.1 Da glosa vinculada às operações com suspensão. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados os créditos calculados sobre valores dos fretes “associados às operações com mercadorias vendidas com suspensão e aplicamos o mesmo percentual apurado no item 4.2”. Dada essa circunstância, a manutenção da presente glosa dependia da manutenção da glosa analisada no subitem 2.2 deste voto. No referido tópico foi demonstrada a improcedência da referida glosa e restabelecido o direito de a recorrente apropriar o valor do crédito glosado, calculado mediante a aplicação sobre o valor das operações de aquisição de pessoa jurídica com crédito (tributada) do percentual obtido da proporção entre as quantidades do milho saídas/vendidas com suspensão pelas quantidades totais do produto saídas/vendidas com tributação e suspensão. Assim, por decorrência, a presente glosa também se revela improcedente, logo, o valor integral do crédito glosado deve ser restabelecido. 3) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por rejeitar a preliminares de nulidade do relatório de informação fiscal e do despacho decisório e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito da recorrente a dedução dos créditos calculados sobre: a) o valor das aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.1); b) o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumos (matéria prima ou produto em elaboração) para produção (Glosa 4.2); e c) o valor proporcional do frete relativos às aquisições de milho com crédito (tributadas) proporcional ao resultado da divisão das quantidades de milho revendidas com suspensão pelas quantidades totais das saídas com tributação e suspensão (Glosa 4.4). (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 21239DF CARF MF 28 Fl. 21240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001567/2009-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares.
Numero da decisão: 9303-004.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
Rodrigo da Costa Possas - Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Rodrigo da Costa Possas Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 67 /2 00 9- 71 Fl. 1771DF CARF MF 2 Relatório Sobe a exame deste colegiado recurso que postula ser possível a juntada de documentos após a impugnação, o que fora negado no acórdão recorrido cuja ementa consigna: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que identificada uma das situações referidas no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972. O voto, sobre a matéria, esclarece: Essas circunstâncias, por óbvio, não escaparam ao olhar, sempre clínico, do dr. Rosaldo Trevisan. Deveras, afirmou o relator da decisão recorrida: Compulsandose os autos do presente processo, percebese que há diametral alteração da defesa, da impugnação para o recurso voluntário. Na impugnação eram trazidos basicamente dois argumentos (abuso de poder e alegação, sem elementos de prova, de que todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados). Essa matéria de defesa, apreciada pela DRJ, ensejou a decisão recorrida. No recurso voluntário, contudo, a empresa discute uma série de questões de fato e de direito que sequer havia ventilado em sede de impugnação, e, ciente da absoluta inovação argumentativa, alega (fls. 1494 a 1497) que: “A argumentação e os documentos ora apresentados e juntados pela Contribuinte comprovam cabalmente que as receitas operacionais da Recorrente decorrem apenas de atos cooperativos, que, por expressa determinação legal, (Lei no 11.051/04, na redação que lhe foi dada pela Lei no 11.196/05), não são tributadas pela COFINS. Embora seja certo que “é na impugnação que o sujeito passivo expõe os motivos de fato e de direito, em que se fundamenta, instruindoa com os documentos comprobatórios das suas alegações”, não menos correto é considerar e analisar os fatos e documentos ora apresentados, em atenção aos princípio da verdade real, da oficialidade e do informalismo”. (...) Segundo o princípio da verdade real, a Autoridade Administrativa deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro e interessante para desvelar o direito do contribuinte. (...) Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 9303004.982 CSRFT3 Fl. 3 3 Assim, demonstrado que o Fisco tributou indevidamente receitas oriundas de atos cooperativos pela COFINS, o acórdão recorrido deve ser reformado, a fim de cancelar integralmente o Auto de Infração lavrado contra a recorrente.” (grifos no original) É preciso, no entanto, ter uma coerente compreensão do que se entende por verdade material. Como ensina JAMES MARINS, a verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 2 Recordese que a ação fiscal teve início em 13/02/2009, com ciência do responsável pela cooperativa, e intimação para apresentação de documentos. Analisandose a contabilidade da empresa, verificouse que não havia segregação das atividades em serviços prestados por cooperados e por não cooperados, em que pese a obrigação legal (arts. 87 e 111 da lei que rege as cooperativas Lei no 5.764/1971): (...) A inexistência de segregação na escrituração contábil (ou de detalhamento, quando solicitado pelo fisco), impossibilitando a apuração efetiva do valor a ser lançado, já motivou entendimento unânime desta turma no sentido do cabimento da autuação pela totalidade do valor das receitas: (...) Contudo, no presente caso, como a cooperativa é prestadora de serviços de transporte, e são emitidos conhecimentos de carga a cada operação, o Fisco, norteado pelo dever de investigar, demandou à interessada a apresentação dos conhecimentos relativos ao período fiscalizado. O objetivo era cotejar os prestadores de serviço indicados nos conhecimentos com a lista de cooperados, permitindo as exclusões para todos os conhecimentos em que o prestador fosse um cooperado. Em resposta, a fiscalizada disponibilizou caixas de documentos em papel (mais de 75.000 documentos), para os anos de 2005 e 2006 (pois informou não possuir registros digitais para o período), e, depois de reintimada, registros digitais (para os anos de 2007 e 2008) e relação de cooperados. Contudo, na investigação, a fiscalização apurou, ao digitar manualmente os conhecimentos em papel entregues pela empresa, que grande parte deles sequer se indicava o prestador do serviço ou o valor da operação. Em relação aos registros digitais, verificou ainda Fl. 1773DF CARF MF 4 que correspondiam a cerca da metade das operações contabilizadas, como a própria empresa reconhece (alegando que era o início da implantação do sistema). Na hercúlea tarefa de vincular cada um dos milhares de conhecimentos, buscando tão somente a verdade material, permitindo as exclusões lícitas, o fisco intimou ainda a cooperativa a apresentar relação com os veículos dos cooperados (e respectivas placas), possibilitando a exclusão das operações em que o conhecimento de carga, apesar de não indicar o prestador do serviço, contivesse a placa do veículo. Em resposta, obteve da recorrente (fl. 712) que a solicitação: “foge completamente aos preceitos da materialidade e do bom senso. A cooperativa não tem motivo algum em ter controle de placas por associado. Essa informação é colocada no CTRC para evitar multas nos postos fiscais de competência dos estados, onde os caminhões trafega, nada mais. É de costume no setor de transporte, a constante troca de veículos. O transportador seguidamente troca um veículo usado por um mais novo haja vista a necessidade de renovação de frota. Então, esses veículos que realizaram o transporte no período solicitado, certamente já mudaram de proprietário. A cooperativa não tem esse controle de placas por proprietário, por isso, é impossível fornecer essa informação”. Ainda assim, o fisco acabou por considerar as exclusões relativas às placas de veículos para as quais houvesse outros conhecimentos com idêntica placa, mas com o prestador de serviço (cooperado) identificado. E efetuou consultas individualizadas de mais de duas mil placas no sistema RENAVAM, acolhendo as exclusões em relação aos conhecimentos contendo placas para as quais o proprietário fosse um cooperado. E, por fim, concluída a análise fiscal, as planilhas resultantes foram apresentadas à cooperativa, que foi intimada a analisá las, e se pronunciar, por escrito, sobre eventuais incorreções, apresentando documentação que comprovasse o erro, em 22/06/2009 (fl. 733. Em resposta (fls. 735 e 736), há questionamentos quanto à lista de cooperados (divergências entre a lista que a cooperativa considera correta e aquela que utiliza em obediência ao art. 22 da Lei das Cooperativas / Livro de Matrículas), e informação de que é impossível vincular a placa do veículo ao associado. Como paradigmas de divergência, a empresa juntou três acórdãos, mas apenas um foi admitido, consignandose no despacho que examinou a admissibilidade do recurso: Relativamente à formalização e mais especificamente à demonstração da dissonância interpretativa, temse que, nos termos do art. 67, § 5º do RICARF/09, havendo a apresentação de mais de dois paradigmas, não tendo o recorrente indicado a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão acolhidos para finalidade aqui tratada, de Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 9303004.982 CSRFT3 Fl. 4 5 maneira que apenas os Acórdãos 240100.135 e 1102000.940 serão tomados neste exame. Na seqüência, verificase que o Acórdão 240100.135 não foi juntado por inteiro teor, nem mesmo a sua ementa e tampouco a reprodução integral de seu conteúdo, de maneira que não será considerado, a teor do art. 67, §§ 7º a 9º do RICARF/09. Em síntese, apenas o Acórdão 1102000.940 serve como paradigma de demonstração da desinteligência jurisprudencial. No que tange a este último, afirma o despacho: Respeitante à dissidência, do cotejo entre os acórdãos recorrido e paradigma, aparenta a sua ocorrência. A decisão recorrida destaca que o contribuinte modificou sua linha defensiva no curso do procedimento contencioso, razão porque não conheceria de seus novos argumentos e provas, por força dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, conforme seguinte trecho do voto: “Relevante aqui recordar que na impugnação apresentada a empresa limitase a discutir abuso de poder pelo Fisco (alegação rechaçada a contento pelo julgador a quo), e a afirmar (sem amparo probatório a refutar o resultado da fiscalização) que todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados. Assim, os argumentos (e documentos) inovadores apresentados no recurso voluntário encontram obstáculo de ordem legal, e não logram transpor a barreira dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972. É de se reconhecer que este CARF, nos casos em que há evidência de exigência de tributo indevido, ou prova de não ocorrência de situação tributável, tem analisado argumentos (e documentos) de ofício, sem que constem necessariamente de peças de defesa de recorrentes (ou mesmo os extemporâneos que nelas constem). No presente processo não se encontra tal evidência ou prova. O Fisco buscou por todos os meios legalmente possíveis e permitidos discernir os atos praticados com cooperados dos praticados com não cooperados, para efeito de tributação. E o fez da melhor maneira, diante das informações prestadas pela recorrente. O paradigma, por seu turno, mesmo repetindo as precauções externadas pela decisão reclamada, atinente ao art. 16 do Decreto nº 70.235/72, acolheu os elementos de prova trazidos em recurso voluntário, considerando que esta providência conformarseia com a marcha natural do processo, como restou plasmado no seguinte excerto do voto condutor: Fl. 1775DF CARF MF 6 “De fato, o §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que regula o processo administrativo fiscal, determina a apresentação da prova documental na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material. No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso ‘c’ do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na impugnação os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe novas provas para reforçar seu direito. Assim, no caso concreto, a apresentação das provas no voluntário é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.” É certo que se poderia questionar se o conjunto probatório apensado em recurso voluntário se prestaria à demonstração do direito vindicado, porquanto, consoante decisão vergastada, tais elementos não o evidenciariam, além, é claro, da inovação jurídica; entretanto, esta altercação não se compagina com o presente juízo de prelibação, que é eminentemente objetivo, sob pena de representar usurpação de competência alheia, pertencente à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, razão pela qual a dúvida acerca da admissibilidade do recurso milita em favor do recorrente. Com estas considerações, opino pela admissibilidade do recurso especial aviado. Admitido o recurso, sobrevieram contrarrazões, em que a Fazenda Nacional pugna, inicialmente, pela sua inadmissibilidade. Aponta: (...) a recorrente pretende ver reapreciadas provas produzidas no curso do processo, o que encontra óbice na Súmula 07/STJ, aplicável por analogia à hipótese destes autos, segundo a qual “a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”. A recorrente não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do recurso especial interposto com base na configuração da divergência, mas sim o revolvimento do conjunto fáticoprobatório. Ademais, convém registrar que o acórdão nº 1102000.940 não pode servir como paradigma, vez que os fatos analisados nesse Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 9303004.982 CSRFT3 Fl. 5 7 julgado são diferentes daqueles examinados pela decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Transcrevi, quase na íntegra, o despacho que analisou a admissibilidade do recurso para demonstrar, já de início, que ele foi admitido com dúvidas a serem aqui dirimidas. Com efeito, a única decisão aceita para análise consigna, a princípio, o mesmo entendimento da decisão recorrida. De fato, ambas reiteram a norma regulamentar do art. 16 do PAF, a qual somente admite a juntada posterior de provas nas hipóteses ali expressas. Não há, naquela decisão, a afirmação de que o princípio da verdade material deva sempre se sobrepor à norma legal; ao contrário, ali mais uma vez se buscou enquadrar a situação, ainda que por aproximação, numa daquelas hipóteses. Realmente, afirma o relator do paradigma: No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso ‘c’ do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na impugnação os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe novas provas para reforçar seu direito. Assim, no caso concreto, a apresentação das provas no voluntário é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.” Bem claro, pois: lá a interessada juntara provas já na impugnação acerca da matéria que continuou a discutir no recurso voluntário. Nesse sentido, o que ela trouxe em segunda instância, nos exatos termos do voto proferido, foram, mais do que novas, provas complementares às que já haviam constado em sua impugnação, na qual, por óbvio, a questão fora enfrentada. Totalmente diversa é a situação aqui, consoante o relatório da decisão recorrida: No Relatório de Atividade Fiscal de fls. 740 a 773, a fiscalização sustenta que: (...) Fl. 1777DF CARF MF 8 (h) como não foram segregados na contabilidade os serviços prestados pela cooperativa de transporte realizados por cooperados e por não cooperados, a fiscalização tentou fazêlo, a partir dos CTR (Conhecimentos de Transporte Rodoviários), digitais (para os anos de 2007 e 2008) e em papel (2005 e 2006), e da lista de cooperados (do Livro de Matrículas), o que foi parcialmente possível, tendo em vista que também tais documentos, por vezes, não identificavam o prestador de serviço (nos casos em que não constava o prestador, mas havia a informação da placa do veículo, a fiscalização efetuou consulta ao sistema RENAVAM, identificando o proprietário, e cotejando com a lista de cooperados); (i) nos CTR em papel (2005 e 2006 cerca de 75 mil documentos), sem a indicação do prestador de serviço, a fiscalização aceitou ainda como prestador de serviço aquele CPF/CNPJ que constasse como prestador em outro CTR com veículo de mesma placa; (j) a fiscalização percebeu que os CTR em arquivo digital (2007 e 2008) representavam cerca de 50% do registrado nos livros contábeis, intimando a empresa a complementar as informações, sem sucesso, pelo que foram considerados atos não cooperados os serviços registrados na contabilidade sem segregação cooperado/ não cooperado, e sem CTR; (k) ao final dos trabalhos, a fiscalização gravou duas planilhas (uma com os CTR identificados, e outra com os não identificados), intimando a empresa a se manifestar (tendo esta informado que era impossível vincular a placa do veículo ao associado); (l) a empresa apresentou “listagem paralela” de cooperados, divergente da constante do Livro de Matrículas, mas este é que foi tomado em conta, por ter validade legal (em que pese não ser substancial a diferença no resultado final da autuação); Ou seja, já durante a ação fiscal, a autoridade responsável envidou todos os esforços para identificar os prestadores associados de modo a excluir a receita correspondente, chegando ao ponto de facultar ao contribuinte a checagem das planilhas que conseguiu elaborar apesar de todas as dificuldades encontradas em razão do descontrole contábil da própria autuada. Mesmo diante de todas essas possibilidades concedidas, a cooperativa afirmou não ser, ela própria, capaz de fazer a necessária segregação e nada falou a respeito em sua impugnação, que se limitou a afirmações: primeiro, de que a autoridade fiscal teria agido com abuso de poder e, segundo, que todos os atos eram cooperativos. Nada de prova. Destarte, concluo pela dessemelhança das situações aventadas no paradigma e no recorrido, o que impede o conhecimento do recurso do contribuinte. Voto, portanto por não se conhecer do seu recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 9303004.982 CSRFT3 Fl. 6 9 Fl. 1779DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000451/2007-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-005.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 04 51 /2 00 7- 14 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 400 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2402004.203, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 18 de julho de 2014 (efls. 266 a 281). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por maioria de votos, em dar provimento parcial para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 401 3 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 19/08/2014 (efl. 282) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 25/08/2014 (efl. 335), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 283 a 299 e anexos). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 17/05/2012, no Acórdão 230100.283, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, e, ainda, em relação ao ao decidido, em 05/07/2012, no Acórdão 240100.120, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 230100.283 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1998 a 31/01/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 402 4 empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tornou legitimo o instrumento realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 4o prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado Decisão: por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, rejeitadas as demais, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que aplicavam o artigo 150, §4° e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Acórdão 240100.120 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. JUROS SELIC. INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 403 5 sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2º Conselho deContribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial, (CTN, ART. 150, §4°).No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por Homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § Iº, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho.A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência dascontribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das. contribuições apuradas até à competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) A redação do art. 35A da Lei no. 8.212, de 1991, é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; b) Destarte, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias, que no caso Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 404 6 consistirão na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941, de 27 de dezembro de 2009; c) A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Logo, por esse motivo, não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; d) Quanto à obrigação acessória, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Separadamente, havia a lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). Com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991; e) devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. f) Cita, ainda, a necessidade de observância ao disposto na Instrução Normativa no. 971, de 13 de novembro de 2009; g) Assim, considerando que a autoridade fiscal efetuou o lançamento nos exatos termos determinados pela Instrução Normativa supra, conforme se vê pelo teor do Relatório Fiscal, deve ser mantida a multa na forma constante no auto de infração. Requer, assim, que seja dado provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 91, em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 337 a 340. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 405 7 Cientificada em 24/11/14, a contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 347 a 361, onde, após pugnar por sua tempestividade, entende que: a) o que restou sedimentado no recorrido é exatamente igual ao demandado pelo Procurador, caracterizada, assim, a ausência de interesse recursal; b) Defende a aplicação do instituto da retroatividade benéfica, citando que o art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores sob análise, defendendo que a norma antiga deve ser aplicada caso a Recorrida quite o débito antes da execução judicial, com a norma nova aplicandose caso haja quitação após a execução judicial. Requer assim, que o recurso não seja conhecido, por falta de interesse recursal e, caso o seja, lhe seja negado provimento. Os documentos juntados de efls. 367 e ss. sob o título Recurso Voluntário referemse a outro feito, consoante nota de processo constante do sistema eprocesso. Assim, deles não conheço É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Quanto à ausência de interesse recursal, faço notar que, contrariamente a que afirma o contribuinte em sede de contrarrazões, o pedido pela Fazenda Nacional difere do que foi aplicado pelo Acórdão recorrido, onde, notese, não se estabelece qualquer vínculo entre o percentual de multa a ser aplicado no presente feito e aquele constante do auto de obrigação acessória (tal como o somatório de ambos, limitado a 75%, na forma demandada pela Recorrente), descaracterizada, assim, a tese de ausência de interesse recursal. A propósito, notese que a "independência" da multa aplicável ao presente feito, defendida pelo vergastado, poderia levar à redução do auto de obrigação acessória lavrado conjuntamente aos patamares estabelecidos pelo atual art. 32A da Lei no. 8.212, de 1991, o que n hipótese defendida pela Fazenda nacional, inocorre). Assim, conheço do Recurso e passo à sua análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 406 8 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 407 9 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 408 10 geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 409 11 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 410 12 pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430, de 1996. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 411 13 Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 412 14 A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 413 15 Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação acessória lavrado sob o DEBCAD 37.021.9660, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 11330.000451/200714 Acórdão n.º 9202005.285 CSRFT2 Fl. 414 16 O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 414DF CARF MF
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Numero do processo: 14489.000124/2008-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 9202-004.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 01 24 /2 00 8- 20 Fl. 2337DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD, referente às Contribuições devidas à Seguridade Social, inclusive a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos Terceiros (INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE, FNDE), no período de 01/1998 a 12/2006, incidentes sobre valores pagos a alguns segurados com base nas Convenções Coletivas e não incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 417 a 425), há também as contribuições dos segurados, arrecadadas mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração. As contribuições lançadas incidem sobre os valores encontrados nas Folhas de Pagamento, rubricas : "123 Bônus Férias Folha ", "137 Prêmio Motorista" e "270 Abono Pecuniário ". A ciência do lançamento ocorreu em 26/06/2007 (fls. 1). Em sessão plenária de 08/06/2011, foi julgado o Recurso Voluntário nº 141.548, prolatandose o Acórdão nº 2401001.891 (fls. 1.104 a 1.109), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. EMPRESA. INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ABONOS/PRÊMIOS DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664,559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, 1); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). Fl. 2338DF CARF MF Processo nº 14489.000124/200820 Acórdão n.º 9202004.481 CSRFT2 Fl. 2.338 3 No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, houve antecipação de pagamento, pois o lançamento referese a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência, a regra contida no artigo 150 § 4° do CTN. SALÁRIO INDIRETO Integra o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso 1, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 22 da mesma lei, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de utilidade. TAXA SELIC LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucional idade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei n° 8.212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2° CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, 1) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 05/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não acolhia a decadência. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e b) no mérito, negar provimento ao recurso.” Cientificada em 30/09/2011 (fls. 1.110), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data (fls. 1.112), o Recurso Especial de fls. 1.113 a 1.121, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Ricarf, visando rediscutir a decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 019/2012, de 16/01/2012 (fls. 1.122 a 1.124). Intimada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 22/12/2015 (fls. 2.313/2.314), a Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 11/01/2016 (envelope de fls. 2.333), as Contrarrazões de fls. 2.317 a 2.332, defendendo a manutenção da decisão recorrida. Voto Fl. 2339DF CARF MF 4 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir a decadência. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD, referente às Contribuições devidas à Seguridade Social, inclusive a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos Terceiros (INCRA, SESC, SENAC, SEBRAE, FNDE), no período de 01/1998 a 12/2006, incidentes sobre valores pagos a alguns segurados com base nas Convenções Coletivas e não incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 417 a 425), há também as contribuições dos segurados, arrecadadas mediante desconto incidente sobre a respectiva remuneração. As contribuições lançadas incidem sobre os valores encontrados nas Folhas de Pagamento, rubricas : "123 Bônus Férias Folha ", "137 Prêmio Motorista" e "270 Abono Pecuniário ". A ciência do lançamento ocorreu em 26/06/2007 (fls. 1). Por imposição do artigo 62, § 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12/08/2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 2340DF CARF MF Processo nº 14489.000124/200820 Acórdão n.º 9202004.481 CSRFT2 Fl. 2.339 5 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. Em relação a esse tema, foi aprovada, em 09/12/2013, a Súmula CARF nº 99, que assim dispõe: SÚMULA CARF Nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha Fl. 2341DF CARF MF 6 sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Quanto à existência ou não de pagamento, o acórdão recorrido assim justifica: "Todavia, no caso em exame, pelo que se verifica dos autos, o lançamento referese a contribuições incidentes sobre valores pagos a alguns segurados baseado nas Convenções Coletivas e não incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias, portanto, portanto, referese à parte da remuneração dos segurados, e como não há a informação de que não houve o recolhimento das contribuições incidentes sobre a outra parte da remuneração do segurados, devendo ser aplicada, para efeito da verificação da decadência, a regra contida no artigo 150 § 4° do CTN, ou seja, contar o prazo decadencial, a partir da ocorrência do fato gerador. (grifei) No presente caso, as GPS apresentadas no decorrer da ação fiscal foram confirmadas em consulta ao sistema informatizado do INSS, conforme o RDA Relatório de Documentos Apresentados (fls. 350 em diante). Nesse passo, não há óbice à aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, bem como da Súmula CARF nº 99. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 26/06/2007 (fls. 1), e os fatos geradores dizem respeito às competências 01/1998 a 12/2006 (Relatório Fiscal às fls. 417 a 425), constatase a ocorrência da decadência, até a competência 05/2002, inclusive. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 2342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001794/2008-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 17 94 /2 00 8- 93 Fl. 345DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 347DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.298. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 349DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 351DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 353DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 355DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 357DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 359DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 361DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 363DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 365DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 367DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 369DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 371DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 373DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 375DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 377DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 379DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 381DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 383DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 385DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 387DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 389DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13161.001794/200893 Acórdão n.º 3302003.298 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 391DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 392DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.728999/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento até que o STF pronuncie decisão definitiva sobre a matéria aqui tratada. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, que apresentará declaração de voto, e Leonardo de Andrade Couto, que votaram pela apreciação dos recursos.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei.
RELATÓRIO:
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento até que o STF pronuncie decisão definitiva sobre a matéria aqui tratada. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, que apresentará declaração de voto, e Leonardo de Andrade Couto, que votaram pela apreciação dos recursos. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. RELATÓRIO:
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento até que o STF pronuncie decisão definitiva sobre a matéria aqui tratada. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, que apresentará declaração de voto, e Leonardo de Andrade Couto, que votaram pela apreciação dos recursos. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. RELATÓRIO: Tratase de auto de infração lavrado em face do Banco de Brasília S/A (BRB) que teve impugnação parcialmente acolhida o que ensejou a interposição do presente Recurso Voluntário por meio do qual insurgese em face de decisão da 2ªTurma da DRJ de Brasília que manteve autuação de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2008 ante suposta ilegalidade na dedução de perdas no recebimento de créditos. A decisão da DRJ ora impugnada restou assim ementada: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 28 99 9/ 20 11 -8 7 Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 12 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário 2008 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Poderão ser registrados como perda os créditos com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, inclusive nos casos de novação da dívida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real. Assim, procede a glosa fiscal nos casos em que (1) anteriormente ao registro pelo fiscalizado das perdas decorrentes do contrato, já havia sido concedida, mediante penhora em acordo homologado judicialmente, a constrição de bens do devedor em valor total superior à dívida contratada; (2) consta acordo homologado judicialmente em momento anterior ao registro pelo fiscalizado das perdas decorrentes do contrato; (3) o fiscalizado, anteriormente à exclusão das respectivas perdas no LALUR, já havia sido consolidado plenamente na propriedade dos bens dados em garantia do devedor, cujo valor satisfazia o total da dívida; (4) consta penhora judicial realizada anteriormente ao registro pelo fiscalizado das perdas decorrentes do contrato; (5) o fiscalizado, anteriormente ao registro para fins fiscais das perdas decorrentes do contrato, já havia adjudicado o imóvel dado em garantia e objeto do financiamento. Afastase, porém, a glosa fiscal quando comprovado que o acordo não foi efetivado e a penhora dos bens dados em garantia pela devedora não foi concretizada, em razão de ter sido deferido o processamento da recuperação judicial da empresa devedora, com fundamento no art. 6o da Lei n° 11.101/2005, que determina a suspensão de todas as ações e execuções em face do devedor. Afastase também a glosa fiscal quando comprovado que a penhora judicial restou prejudicada, em face de decisão judicial superveniente que acolheu embargos de terceiros (o embargante alegou que o imóvel objeto da penhora não era mais de propriedade da devedora) e determinou a suspensão da execução. O requisito previsto no art. 9o, § 1o, inciso III, da lei n° 9.430/96, de que os créditos com garantia só poderão ser registrados como perda quando, vencidos há mais de dois anos, os devidos procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias tenham sido iniciados e mantidos não tem aplicação aos casos de créditos com garantia, na modalidade alienação fiduciária de coisa imóvel, tendo em vista que lei posterior (Lei n° 9.514, de 1997), que instituiu a alienação fiduciária de coisa imóvel, estabeleceu, em seus artigos 26 e 27, procedimentos extrajudiciais para o recebimento de dívidas não pagas. POSTERGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 13 3 Na constituição do crédito tributário em razão de glosa de perdas no recebimento de créditos, em que parte do imposto foi paga em exercícios posteriores, a base de cálculo da multa de ofício e dos juros de mora é o imposto devido deduzidos os valores pagos nos exercícios seguintes, depois de realizada a imputação dos pagamentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário 2008 COISA JULGADA. EFICÁCIA. DECISÃO CONTRÁRIA DO STF. A eficácia da coisa julgada não subsiste ante decisão contrária, definitiva e vinculante emanada do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Nas relações jurídicas tributárias, de trato sucessivo e continuado, a nova ordem jurídica somente atinge os fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do Excelso Pretório. LANÇAMENTO DECORRENTE. A decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de imposto de renda pessoa jurídica aplicase, no que couber, à decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ante ao acolhimento parcial da impugnação do contribuinte há Recurso de Ofício para restabelecimento do auto de infração em sua integralidade. De outro lado o contribuinte maneja Recurso Voluntário repisando, em sede preliminar, a nulidade do auto de infração lavrado ante ao desrespeito à sistemática de apuração da CSLL relativamente aos balanços e balancetes encerrados de 1º de maio até 31 de dezembro de 2008, conforme dispõe a IN/RFB n.810/2008. Ainda em sede preliminar sustenta a inexistência de relação jurídica tributária na medida em que acobertado por coisa julgada que afastou a incidência de CSLL com fundamento na inconstitucionalidade da Lei n.7.689/1988. No mérito sustenta o contribuinte que a RFB glosou indevidamente as exclusões relativas às perdas no recebimento de créditos de liquidação duvidosa (PDD) por si inscritas no LALUR e na apuração da base de cálculo da CSLL no exercício de 2008 inobservando as prescrições legais a respeito. É o relatório. Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 14 4 VOTO: Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O presente Recurso Voluntário já foi objeto de juízo de admissibilidade quando da sessão realizada em 09 de outubro de 2013 ocasião na qual constatado o preenchimento dos pressupostos recursais merecendo ratificação a decisão antes proferida. 2. PRELIMINARES: O enfrentamento da legalidade ou ilegalidade na apuração de eventuais créditos tributários decorrentes do auto de infração lavrado demanda, antes mesmo da apuração da questão da alteração da alíquota da CSLL (IN/RFB n.810/2008), saber se há relação jurídico tributária a propiciar a incidência de CSLL na medida em que o contribuinte alega estar respaldado por decisão judicial transitada em julgado onde declarada a inconstitucionalidade da Lei n.7.689/1988. 2.1. DO SOBRESTAMENTO NA MEDIDA EM QUE A MATÉRIA FOI AFETADA NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL PERANTE STF: A matéria constitucional controvertida consiste em delimitar o limite da coisa julgada em âmbito tributário, na hipótese de o contribuinte ter em seu favor decisão judicial transitada em julgado que declare a inexistência de relação jurídicotributária, ao fundamento de inconstitucionalidade incidental da Lei n.7.689/1988, por sua vez declarada posteriormente constitucional na Ação Direta de Constitucionalidade (ADI) n.15. O Supremo Tribunal Federal determinou, em 13/05/2016, em sede de repercussão geral no Recurso Extraordinário (RE) n. 949.297 a suspensão de todos os feitos que tratam sobre mesma matéria nos termos do previsto no art. 1.035, §5º do novo Código de Processo Civil/2015; até que proferida decisão definitiva no feito afetado. No RE 949.297, o contribuinte foi dispensado do pagamento da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), instituída pela Lei nº. 7.689/88, que foi considerada inconstitucional por meio de decisão transitada em julgado em 1992. Posteriormente, em 2007, o Supremo Tribunal Federal considerou a referida contribuição constitucional, em decisão proferida nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 15, cujos efeitos se aplicam a todos os contribuintes que se encontrem na mesma situação. Nesses termos, o STF decidirá sobre se a coisa julgada obtida pelo contribuinte mantém seus efeitos mesmo após decisão em sentido contrário proferida pelo STF em controle concentrado. Após o julgamento do mencionado Recurso Extraordinário nº. 949.297, o que iminente na medida em que já incluído na pauta n.63/2016, o entendimento fixado pelo STF acerca da matéria será aplicado a todos os processos sobrestados, que versam sobre o mesmo tema, inclusive, perante o CARF. O julgamento do STF repercutirá por necessário na esfera administrativa, pois o enfrentamento da “coisa julgada" em matéria tributária é consectário imediato da segurança Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 15 5 jurídica, o que imprescindível para pacificar o entendimento sobre a matéria na esfera da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF. Tal assertiva assim é feita considerando que há decisões originárias da CSRF do CARF (Acórdão 9101002.287) que já examinou os efeitos prospectivos da coisa julgada para a exigência da CSLL quando contribuinte deter “declaração judicial transitada em julgado de inexistência da relação jurídico obrigacional que a obrigue a recolher”: Aquele colegiado delimitou – preliminarmente – o debate para a análise “dos efeitos prospectivos de coisa julgada material atinente à constitucionalidade da incidência da CSLL sob a égide da Lei nº 7.689, de 1988, frente à superveniência de decisões e leis posteriores”. Em seguida, respaldada em jurisprudência anterior (9101002.013 e 9101002.044), concluiu pela manutenção da exigência da CSLL: a uma, em razão da alteração legislativa sofrida para aquele tributo no curso do tempo; a duas, em razão do processo dizer “respeito a lançamentos anuais de CSLL, (…), após a ADI nº 15/DF 2008, (…), nesse caso, já devem ser observados os efeitos prospectivos da decisão em controle concentrado do Supremo Tribunal Federal“, o que afastaria o efeito vinculante da coisa julgada que a contribuinte detinha. Oportuno registrar que com o novo CPC (Lei n.13.105/2015), que entrou em vigor em 19/03/2016, aliado à afetação em repercussão geral da matéria de fundo – alcance da coisa julgada em ação ordinária de inexistência de relação jurídicotributária ante a inconstitucionalidade da Lei n.7.689/1992 – em 13/05/2016 a questão adquire uma nova perspectiva na medida em que a decisão a ser proferida em repercussão geral no STF (Recurso Extraordinário 949.297/CE) vinculará este Eg. CARF impactando, assim, grande número de contribuintes contemplados por decisões judiciais que afastaram a incidência da CSLL, bem como a Seguridade Social. A decisão a ser proferida pelo STF resolverá todos debates há algum tempo presentes na Primeira Secção e CSRF do CARF, na medida em que a SRF, a partir de orientação da PGFN (Parecer n.492/2011) parte da premissa de que após a decisão proferida na ADC n.15, ante a natureza da relação jurídica tributária de trato continuado passou a ocorrer regular incidência da CSLL independente do contribuinte ter anteriormente obtido provimento jurisdicional reconhecendo a ausência de relação jurídicotributária ante a inconstitucionalidade da Lei n.7.689/1988. É justamente esta a matéria que se encontra posta a julgamento no STF, na sistemática de repercussão geral reconhecida em 13/05/2016, ao que possível decisão do STF que conclua pela formação de coisa julgada em sentido contrário ao entendimento firmado pela SRF surtirá efeitos neste CARF para cancelamento da autuação lavrada dado que que, nos termos de seu regimento, se encontra vinculado à tais precedentes judiciais, na medida em que vinculantes nos termos do nCPC. Fica claro que no atual momento de ajuste de pautas temáticas neste Eg. CARF deve necessariamente observar temas como os ora apresentados que estão afetados na sistemática de repercussão geral a fim de certificarse se a matéria afetada ainda não se encontra pendente de apreciação perante os Tribunais Superiores sob o risco de que em nome da celeridade no julgamento administrativo julguese precipitadamente em determinado sentido e meses depois o Tribunal Superior fixe precedente judicial em caráter vinculante em sentido absolutamente oposto ocasionando soluções de manifesta insegurança jurídica na esfera do CARF. Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 16 6 A presente discussão quanto ao alcance da coisa julgada nas relações jurídicas tributárias de trato continuado foi levada à apreciação, em caráter difuso, ao egrégio Supremo Tribunal Federal, que somente reconheceu a repercussão geral do tema em 13/05/2016, nos seguintes termos, in verbis: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. PRELIMINAR. RECONHECIMENTO. DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. LEI 7.689/88. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. COISA JULGADA. LIMITES. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE EM CONTROLE ABSTRATO E CONCENTRADO. ADI 15. SÚMULA 239 DO STF. 1. A matéria constitucional controvertida consiste em delimitar o limite da coisa julgada em âmbito tributário, na hipótese de o contribuinte ter em seu favor decisão judicial transitada em julgado que declare a inexistência de relação jurídicotributária, ao fundamento de inconstitucionalidade incidental de tributo, por sua vez declarado constitucional, em momento posterior, na via do controle concentrado e abstrato de constitucionalidade exercido pelo STF. 2. Preliminar de repercussão geral em recurso extraordinário reconhecida. Observese que essa decisão foi tomada na sistemática do art. 1035, §5º, do Novo Código de Processo Civil, que obriga o sobrestamento dos demais recursos sobre a mesma matéria até o pronunciamento definitivo da Corte. Ainda que revogado o art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que determinava o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que for reconhecida a repercussão geral do tema pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, temse que a partir do nCPC (Lei nº 13.105, de 18 de março de 2015, Novo Código de Processo Civil), nos termos do art.15, há aplicação subsidiária ao PAF ao que medida que se impõe é aplicação do art.1035, 1035, §5º, do Novo Código de Processo Civil, que obriga o sobrestamento dos demais recursos sobre a mesma matéria até o pronunciamento definitivo da Corte aperfeiçoando ainda mais a sistemática de precedentes judiciais vinculantes, inclusive, à Administração Tributária. Diante do exposto, voto, com base no disposto nos artigos 15 c/c 1035, §5º nCPC, no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até julgamento definitivo do egrégio Supremo Tribunal Federal que agora iminente na medida em que já incluídos os autos do RE nº 949.297/CE na pauta n.63/2016. (assinado digitalmente) Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 17 7 LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA Conselheirorelator Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 18 8 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Em que pesem os valorosos argumentos do i. Conselheiro Relator, entendimento acompanhado pela maioria de meus pares, ouso discordar de suas conclusões sobre a necessidade de sobrestamento do julgamento dos processos administrativos fiscais objetos de matéria em que houve reconhecimento de repercussão por parte do STF. É importante ressaltar que a aplicação do CPC ao processo administrativo fiscal, ainda que de forma subsidiária, não é novidade. Marcos Vinícius Neder já tratava sobre o tema muito antes do advento do CPC/2015, ressaltando, contudo, que a Lei nº 9.784/99 sobrepunha se ao CPC no que concerne à sua subsidiariedade na aplicação ao processo administrativo fiscal federal. Vejase: Com a edição da Lei nº 9.784/99, retomouse o caminho da sistematização do processo administrativo. Por via deste diploma federal, introduziramse normas gerais para o processo administrativo, estabelecendo critérios processuais e direitos e deveres dos administrados. [...]Ocorre, porém, que as alterações introduzidas pela Lei nº 9.784/99 demoraram a ser aplicadas no contencioso administrativo fiscal, em face, sobretudo, da interpretação restritiva à remissão do artigo 69 desta mesma lei que prevê sua aplicação subsidiária aos processos regulados por lei específica.1 [...]Se a Lei nº 9.784/99, de iniciativa do próprio Poder Executivo, formula disciplina de princípios e garantias aplicáveis ao processo administrativo federal, por lógico não se espera que a regra do artigo 69 inviabilize sua aplicação. A inteligência desse dispositivo, ao mencionar expressamente a utilização subsidiária, é no sentido de limitar a abrangência da norma, mas tão somente para ressalvar a eficácia de leis especiais. [...]O intérprete deve, portanto, recorrer, inicialmente, à norma específica e, se não for possível, à norma geral. Se a norma geral confere ao intérprete princípios, como o da moralidade, proporcionalidade e razoabilidade, ele terá que os empregar para alcançar o sentido da norma especial. Se esta é omissa, ao aplicado cabe a tarefa de investigar se há disposição expressa e precisa na norma geral. Na esteira das considerações alinhadas, mister demarcar dois momentos: o primeiro, antes do advento da Lei nº 9.784/99, em que a fonte processual subsidiária principal do procedimento administrativo fiscal era o Código de Processo Civil, e, depois, quando esta função passa a ser exercida por este lei geral no processo administrativo. 2 Portanto, depreendese que o CPC sempre foi aplicado de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal, mas, com o advento da Lei nº 9.784/99, norma geral de processo administrativo, primeiro aplicase o Decreto nº 70.235/72, pautandose inclusive nos princípios estampados na Lei nº 9.784/99, a seguir, aplicase essa mesma norma geral de forma subsidiária, e somente se recorre ao CPC em último caso. 1 NEDER, Marcos Vinícius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (de acordo com a Lei n. 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF). 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 2627. 2 NEDER, Marcos Vinícius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (de acordo com a Lei n. 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF). 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, final da nota de rodapé n. 13 p. 2728. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 19 9 Com efeito, como a previsão de sobrestamento do trâmite de processos judiciais quando da determinação do STF contido CPC/2015 já existia à época do CPC/1973, aos que entendem que tal determinação se estende também aos processos administrativos fiscais, já deveriam ter adotado tal exegese antes mesmo do início da produção de efeitos do novo estatuto processual. Retornando à análise do processo administrativo fiscal, entre seus princípios norteadores está o princípio da oficialidade. Segundo esse princípio, compete à própria administração impulsionar o processo até a sua conclusão, diligenciando no sentido de reunir o conhecimento dos atos necessários ao seu deslinde. Tal princípio, inclusive, foi positivado, constando expressamente como aplicável ao processo administrativo (art. 2º, parágrafo único, inciso XII, da Lei nº 9.784/99). Além disso, dispõe o inciso LXXVIII do art. 5ºda Constituição Federal que é uma garantia individual o direito à duração razoável do processo, inclusive o administrativo. Desse modo, em atendimento a tais princípios, o sobrestamento do julgamento dos processos administrativos fiscais em razão de normas aplicáveis ao processo civil somente ocorrerá se houver menção expressa na norma específica, qual seja, o Decreto nº 70.235/72 ou no Regimento Interno do CARF, que, por força do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, pode dispor como se dará o julgamento no âmbito desta Corte Administrativa. E vejase que por meio da Portaria MF nº 586/2010, inseriuse no então vigente Regimento Interno do CARF norma que previa o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestasse o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que fosse proferida decisão no recurso representativo de controvérsia. Em razão do verdadeiro caos administrativo advindo do sobrestamento de inúmeros processos no CARF, a Portaria MF nº 545/2013 revogou o dispositivo regimental que previa o sobrestamento dos julgamentos em razão do reconhecimento da repercussão geral no STF. Há de se salientar que a essa época, conforme já dito, já vigiam os artigos 543A e 543B do Código Civil de 1973 que determinavam o sobrestamento do trâmite dos processos judiciais que versassem sobre o tema objeto de análise, com repercussão geral reconhecida, por parte do STF. Ou seja, mesmo com tal previsão legal específica para os processos judiciais, a autoridade competente para dispor sobre o Regimento Interno do CARF (Ministro da Fazenda), entendeu por bem retirar do processo administrativo fiscal a hipótese de sobrestamento do julgamento de processos que versassem sobre matérias objeto de reconhecimento de repercussão geral perante a Suprema Corte. E isso porque constatouse que tal sobrestamento, antes adotado no âmbito do CARF, feria de morte princípios caros ao processo administrativo fiscal: o do oficialidade e o da duração razoável do processo, ainda mais porque questões atinentes à constitucionalidade de normas são temas que extravasam o campo de atuação do CARF, adotandose a premissa de presunção de constitucionalidade das leis. Nesse contexto, ao se interpretar os ditames do CPC sobre o sobrestamento dos julgamentos no âmbito administrativo, devese atribuir a tais normas o sentido que lhes permite a realização de suas finalidades e a preservação da harmonia do sistema jurídico do contencioso administrativo, pois, como já dizia o clássico doutrinador Carlos Maximiliano Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 20 10 “prefirase a inteligência dos textos que tornem viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade”3. Como consequência, entendo que há de se de limitar aos processos judiciais a aplicação do CPC quanto ao sobrestamento de julgamentos de processos que envolvam matérias objeto de repercussão geral reconhecida pelo STF, isso porque somente o Poder Judiciário é que pode analisar a constitucionalidade das normas, e eventual conflito interpretativo somente faz sentido entre órgãos que detêm competência para tanto, o que, evidentemente, não inclui os órgãos do contencioso administrativo. Logo, a aplicação de tais institutos, por mera replicação, ao processo administrativo fiscal em razão de seu caráter subsidiário e supletivo não pode ferir o âmago das leis especial e geral que tratam do processo administrativo (fiscal) federal. Conforme já transcrito alhures, Marcos Vinícius Neder enfatiza que “se a norma geral confere ao intérprete princípios, [...] ele terá que os empregar para alcançar o sentido da norma especial”. Tal exegese faz todo o sentido se analisarmos as limitações do julgamento do processo administrativo fiscal por força da própria legislação tributária vigente: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta Corte Administrativa. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A seguir, o Regimento lista as hipóteses em que se permite a não aplicação de tratado, acordo internacional lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; 3 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 16. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 216. Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 21 11 d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Vale ressaltar que tal entendimento tem também embasamento legal, à luz do disposto no artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Reforçando o que foi explanado até o momento, é questão indiscutível que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucionalidade, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação. Por outro lado, o Poder Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o EstadoAdministração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Por essas razões, não faz qualquer sentido o sobrestamento dos julgamentos no CARF em razão de o STF reconhecer a repercussão geral sobre determinada matéria. O CARF não tem competência para analisar constitucionalidade de normas! As exceções trazidas na lei não autorizam o CARF a declarar a constitucionalidade de qualquer norma, mas sim para deixar de aplicála em razão de pronunciamento anterior do STF sobre sua inconstitucionalidade! Se o STF ainda não se pronunciou, devese adotar o princípio da presunção de constitucionalidade das leis, bem como os princípios da oficialidade e da duração razoável do processo administrativo previstos, respectivamente, na Lei nº 9.784/99 e no inciso LXXVIII da Constituição Federal. Fazse necessário relembrar que a miríade de temas em matéria tributária que pode ter reconhecimento de repercussão geral levaria, em caso de sobrestamento do julgamento no CARF, a uma quase paralisação do órgão: imaginese, por exemplo, o reconhecimento de Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10166.728999/201187 Resolução nº 1402000.401 S1C4T2 Fl. 22 12 repercussão geral em relação à aplicação das multas de ofício previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ou da aplicação da taxa Selic!!! Haveria verdadeira paralisação nos trabalhos do CARF! Somase ainda o fato de que a hipótese de “suspensão do processamento” dos feitos não se limita aos casos de índole constitucional: o art. 1.036, e, em especial, o art. 1.037 do CPC/2015, em seu inciso II, determina tal suspensão também em caso de recurso especial a ser julgado sob o rito dos recursos repetitivos4, ou seja, quando o STJ selecionar um processo como representativo de controvérsia infraconstitucional, prevalecendo o entendimento do i. Conselheiro Relator, a gama de processos a serem sobrestados no CARF inviabilizaria o seu funcionamento com o mínimo de eficiência que se espera. Nas discussões travadas em sessão, chegouse a argumentar que a suspensão do julgamento não seria realizada de forma cogente, devendose analisar o caso concreto para verificar a abrangência da exigência. Novamente peço vênia para discordar de tal entendimento: não é possível analisar se o mérito todo o mérito da exigência depende do voto do tribunal superior, pois tal análise caso a caso não seria subjetiva, mas sim, com o perdão da aspereza de minhas palavras, arbitrária, pois o CPC prevê o sobrestamento do julgamento do processo com matéria envolvendo tema com repercussão geral reconhecida ou sujeita a julgamento de recurso especial repetitivo, não comportando exceções. Portanto, aos que defendem o sobrestamento do julgamento dos recursos por aplicação subsidiária e supletiva do CPC, devem aplicar tal exegese nos exatos termos do código processual civil, e não parcialmente, mediante análise casuística. Por essas razões, entendo que deva prevalecer a aplicação dos princípios da presunção da constitucionalidade das normas, da oficialidade e da duração razoável do processo administrativo fiscal, não havendo que se falar em sobrestamento dos julgamentos nos casos de repercussão geral reconhecida ou por afetação de matéria para análise de recurso especial repetitivo. Ante o exposto, voto por superar a questão prejudicial levantada pelo i. Conselheiro Relator, rejeitando a proposta de sobrestamento do julgamento do feito. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Conselheiro 4 Art. 1.036. Sempre que houver multiplicidade de recursos extraordinários ou especiais com fundamento em idêntica questão de direito, haverá afetação para julgamento de acordo com as disposições desta Subseção, observado o disposto no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e no do Superior Tribunal de Justiça. § 1º O presidente ou o vicepresidente de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal selecionará 2 (dois) ou mais recursos representativos da controvérsia, que serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça para fins de afetação, determinando a suspensão do trâmite de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no Estado ou na região, conforme o caso. [...] Art. 1.037. Selecionados os recursos, o relator, no tribunal superior, constatando a presença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá decisão de afetação, na qual: [...] II determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional; [...] Fl. 1454DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721798/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NÃO PROVIMENTO.
Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido na apuração da base de cálculo e retificou o lançamento através de diligência fiscal, deve ser mantida a decisão da DRJ que convalidou a nova apuração.
PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA ISOLADA AFASTADA.
O fato gerador ocorre (aspecto temporal), na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito de compra em relação às ações que lhe foram outorgadas. Não há como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações.
A base de cálculo é uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. O ganho patrimonial, no caso, há que ser apurado na data do exercício das opções e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários.
A falta de retenção/recolhimento do IRRF a título de antecipação incidente sobre pagamentos efetuados, quando o imposto deve ser retido e antecipado pela pessoa jurídica, enseja sanção no percentual de 75%, na forma do artigo 9º da Lei 10.426, de 2002 que aponta para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Entretanto, estando incorreta a indicação da base de cálculo eleita para o tributo, a multa, que lhe é proporcional, não pode subsistir.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao Recurso Voluntário: por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por vício formal suscitada pela Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto; no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Marcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto e Cecília Dutra Pillar votaram pelas conclusões em relação ao mérito. O Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada apresentará declaração de voto.
Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192/SP.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: Relator
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NÃO PROVIMENTO. Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu o equívoco cometido na apuração da base de cálculo e retificou o lançamento através de diligência fiscal, deve ser mantida a decisão da DRJ que convalidou a nova apuração. PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA ISOLADA AFASTADA. O fato gerador ocorre (aspecto temporal), na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito de compra em relação às ações que lhe foram outorgadas. Não há como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações. A base de cálculo é uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. O ganho patrimonial, no caso, há que ser apurado na data do exercício das opções e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. O ganho patrimonial do trabalhador se realiza nas vantagens econômicas que aufere quando comparadas com as condições de aquisição concedidas ao investidor comum que compra idêntico título no mercado de valores mobiliários. A falta de retenção/recolhimento do IRRF a título de antecipação incidente sobre pagamentos efetuados, quando o imposto deve ser retido e antecipado pela pessoa jurídica, enseja sanção no percentual de 75%, na forma do artigo 9º da Lei 10.426, de 2002 que aponta para o inciso I do artigo 44 da Lei nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 98 /2 01 1- 45 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 490 2 9.430, de 1996. Entretanto, estando incorreta a indicação da base de cálculo eleita para o tributo, a multa, que lhe é proporcional, não pode subsistir. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao Recurso Voluntário: por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por vício formal suscitada pela Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto; no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Marcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto e Cecília Dutra Pillar votaram pelas conclusões em relação ao mérito. O Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192/SP. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntário interpostos nos autos do processo nº 16327.721798/201145, em face do acórdão nº 1648.950, julgado pela 14ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que consta nos autos, quando da análise pela 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, da 1ª Seção deste Conselho (Resolução nº 1402 000.284). Segue abaixo o referido relatório: Fl. 490DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 491 3 O Presidente da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1, em razão do duplo grau de jurisdição, recorre de ofício, em conformidade com o artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o art. 3º inciso II, da Lei nº 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997 e da Portaria MF nº 03, de 2008, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da decisão prolatada de fls. 250/276, que julgou parcialmente procedente a impugnação, interposta pelo contribuinte, declarando a exoneração de parte do credito tributário constituído pelo Auto de Infração de fls. 75/79. Por sua vez, a empresa ITAÚ UNIBANCO HOLDING S.A., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 60.872.504/000123, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha, n° 100, Bairro Parque Jabaquara, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 250/276, prolatada pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 284/336. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo SP, em 23/12/2011, o Auto de Infração para a exigência da multa de ofício aplicada de forma isolada no percentual de 75% em razão da falta de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte (fls. 75/79), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 598.481.938,32 a título de multa de ofício isolada, referente ao período de apuração de 01/03/2006 a 31/12/2006. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver falta de retenção ou recolhimento do IRRF, após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, razão pela qual aplicou a exigência da multa de ofício isolada prevista no art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o lançamento através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 57/70) com base, em síntese, nas seguintes considerações: que no curso da auditoria fiscal realizada, foi constatado que o contribuinte remunerou os seus administradores, em função dos serviços que lhe prestaram, através da outorga de opções de ações (Stock Options), opções essas que dão direito à subscrição de ações da companhia, desde que atendidas certas condições estabelecidas; que a outorga aos administradores de opções de compra de ações da companhia é uma forma de remuneração a médio e Fl. 491DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 492 4 longo prazo, possuindo, portanto, natureza inegavelmente salarial; que o vinculo que une o trabalhador à empresa e viceversa pode se representado da seguinte forma: a empresa precisa dos serviços prestado pelo trabalhador; este precisa da remuneração paga por aquela. Se os serviços prestados não são de interesse da empresa, o trabalhador é demitido ou sequer contratado. Se a remuneração não for suficiente ao trabalhador, ele se demite ou nem sequer aceita ser contratado. Se a única coisa que os une é a prestação de serviço, todo ou qualquer fluxo de caixa entre os dois se deve a esta relação de trabalho; que, diante de tudo o que foi exposto, e que será relacionado resumidamente a seguir, no caso em análise referente ao sujeito passivo Itaú Unibanco Holding S/A, a outorga de opções de compra de ações para administradores tem caráter salarial, sendo uma espécie de remuneração a longo prazo, devendo integrar os rendimentos do trabalhador (base de cálculo) para fins de incidência do IRRF; que a outorga das opções de compra de ações aos trabalhadores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, e reputamse perfeitas e acabadas na data em que ocorre o vencimento do prazo de carência, que é o momento do implemento da condição suspensiva contratual; que a data de ocorrência do fato gerador das contribuições apuradas foi aquela em que ocorreu o vencimento do respectivo prazo de carência, seja pelo decurso do prazo previsto contratualmente, seja pelo vencimento antecipado nos casos também previstos em contrato, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador; que, portanto, a base de cálculo da multa apurada (montante da remuneração paga), conforme consta no Termo de Verificação Fiscal e é demonstrado nas planilhas de fls. 71/74, foi calculada multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referentes à data de vencimento do prazo de carência; que, a partir de tudo o que foi exposto, deve ser aplicada a multa isolada à proporção de 75% sobre o IRRF que deixou de ser retido pela empresa, incidente sobre os valores resultantes das outorgas de opções de compra de ações para seus administradores em função dos serviços prestados, opções essas que dão direito à subscrição de ações da companhia, desde que atendidas certas condições estabelecidas. Em sua peça impugnatória de fls. 81/131, instruída pelos documentos de fls. 132/211, apresentada, tempestivamente, em 24/01/2012, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 492DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 493 5 que, no que diz respeito à Preliminar de Nulidade do Lançamento e a Falta de Liquidez e Certeza do Montante Devido, é de se dizer que ao efetuar o lançamento o auditor fiscal considerou, para a consolidação do valor da base de cálculo, a quantidade de ações após todos os eventos de desdobramento e bonificação ocorridos até 31/08/2009, e não a quantidade de ações a que corresponde o preço adotado, ou seja, a quantidade na data do vencimento do prazo de carência, o que, por óbvio resultou em manifesta distorção nos valores lançados; que um segundo erro da Fiscalização mostrase ainda mais evidente, uma vez que o auditor fiscal não considerou para cada vencimento do prazo de carência uma única vez a totalidade das opções de cada série, mas sim, para cada linha da planilha inicialmente apresentada, relativa a um exercício parcial, novamente foi considerada a quantidade total das opções de cada série, resultando em absurda multiplicidade da mesma base de cálculo já indevidamente majorada; que referidos vícios do trabalho fiscal maculam os valores exigidos e implicam evidente e manifesta insubsistência do auto de infração, posto que o valor da multa apurada não é certo, e muito menos líquido ou exigível, conforme exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional; que a exigência de tributos ou penalidades por meio de lançamento fiscal só é legítima quando há liquidez e certeza do valor apurado, o que não ocorre no caso concreto, sendo impositivo o reconhecimento da insubsistência do auto de infração; que não cabe a alegação de que uma vez constatados os erros acima demonstrados o presente lançamento poderia simplesmente ser corrigido, já que não se admite autuações por métodos de tentativa e erro do fisco sob pena de flagrante insegurança jurídica, conforme entendimento reiterado do Conselho de Contribuinte, razão pela qual o lançamento deve ser anulado; que, no que diz respeito à decadência, é de se dizer que tendo sido cientificada do presente lançamento em 23/12/2011, as parcelas exigidas a titulo de multa isolada, nas competências 03/2006, 04/2006 e 05/2006, estão extintas pela decadência, nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do CTN, tendo em vista houve pagamento antecipado do IRRF relativo a tais competências; que conforme reconhecido pela própria fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, a Impugnante deixou, apenas e tão somente, de recolher o IRRF sobre as verbas pagas a título de plano de outorga de opções de compra de ações, recolhendo integralmente o tributo incidente sobre os demais valores que integram a sua base de cálculo, razão pela qual deve prevalece a aplicação da regra decadencial prescrita pelo artigo 150, § único, em detrimento da norma do artigo 173,1, ambos do CTN; Fl. 493DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 494 6 que, no que diz respeito ao mérito, é de se dizer que a questão que se coloca, quanto ao auto de infração que imputou à Impugnante suposta violação ao art. 9º da Lei nº 10.426/2001 (fundamento legal não apontado pela fiscalização), é saber se o valor autuado em razão das stock options concedidas pelo Impugnante (diferença entre o preço de exercício da ação na data do vencimento do prazo de carência e o preço de mercado da ação) corresponde efetivamente a uma remuneração paga pelo Impugnante aos beneficiários; que o plano de outorga de opção de compra de ações não configura qualquer espécie de remuneração, seja pela ótica trabalhista, fiscal ou societária, sendo típico contrato mercantil com evidente característica de álea, razão pela qual não se materializa, no caso concreto, qualquer fato gerador capaz de fazer nascer o IRRF; que os planos de opções de compra de ações prevêem uma série de condições associadas aos fatores de riscos naturais do mercado de ações (riscos do capital) e estão previstos na Lei 6.404/76, regulamentados pela CVM, por meio das Instruções nºs 290/98, 291/98 e 390/03, restando evidente que não representam nenhuma espécie de remuneração pelo trabalho, sendo típico negócio societário ou mercantil, com os riscos inerentes aos negócios desta natureza; que diversamente do que afirma o fisco, jamais reconheceu "o caráter remuneratório que norteia a outorga de opção de ações aos seus diretores ao prever que "o Comitê de Remuneração é o órgão responsável pela definição da remuneração dos diretores, inclusive pela outorga de opções", isto porque a natureza salarial de qualquer pagamento feito pelas empresas não é definida por nenhum comitê que a preveja, mas sim por características que revelem, ou não, a presença de caráter contraprestacional; que chega a ser temerária a afirmação fiscal de que o plano de outorga de opção de compra de ações seria de natureza salarial só porque estabelecido por comitê que tinha também outras atribuições e que no passado se intitulava "Comitê de Remuneração; que pelo mesmo motivo, é irrelevante a forma como apresentadas as informações relativas as stock options no formulário 20F, tendo em vista que aquelas informações destinamse a uma finalidade específica, que é a padronização das informações a serem prestadas aos acionistas, sem que daí se possa extrair qualquer conseqüência para fins tributários; que o entendimento adotado pela Fiscalização, ao considerar que as stock options são oferecidas em troca dos serviços prestados à empresa (natureza remuneratória) não tem amparo na doutrina e na jurisprudência trabalhista, que são pacíficas quanto à natureza não salarial das opções de ações; Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 495 7 que o salário/remuneração é necessariamente algo que aquele que presta serviços pode exigir daquele que o contratou pelo simples fato de o serviço ter sido prestado, independentemente de qualquer outra condição, e sobretudo independentemente de qualquer pagamento a ser feito pelo prestador do serviço àquele que o contratou; que não ocorre remuneração, dentre inúmeros exemplos, no caso concreto pode ser citada a hipótese daquele beneficiário que simplesmente por ocasião do vencimento do prazo de carência não tem a disponibilidade financeira necessária para realizar a compra das ações, ou embora tenha esta disponibilidade e efetivamente deseje exercer suas opções de compra simplesmente não pode fazêlo porque prefere dar ao valor outra destinação que considera mais importante ou conveniente; que pode simplesmente ocorrer que no vencimento do prazo de carência o preço de exercício da opção de compra seja superior ao valor de mercado da ação, hipótese em que evidentemente a opção naquela data não representou ganho algum para o beneficiário, ainda que durante o prazo de vigência da opção seu exercício no futuro venha a se mostrar interessante e acabe gerando efetivo lucro para quem exercer a opção; que pelo exposto, muito ao contrário do que afirmou a fiscalização, não há qualquer possibilidade de se atribuir natureza salarial e muito menos remuneratória ao plano de outorga de opções de compra de ações mantido pelo Impugnante, não podendo assim prevalecer a exigência da retenção e recolhimento do IRRF sobre uma remuneração não existente; que com base nas características do plano em vigor no caso concreto, não tem cabimento pretender, como quer a fiscalização, assimilar a diferença entre o preço de exercício da ação na data de vencimento do prazo de carência e o valor de mercado da ação a uma remuneração sujeita à incidência de IRRF e contribuições previdenciárias; que, inicialmente, deve se ter em mente que não se trata no caso de opções pelas quais decorrido um certo período de tempo o beneficiário pode gratuitamente "adquirir" determinadas ações, pois no caso concreto, para exercício da opção o beneficiário deve pagar pelas ações a serem adquiridas um preço que corresponde à média do preço de venda das ações no período imediatamente antecedente à outorga das opções, corrigido pelo IGPM; que nos termos da cláusula 7.2 do plano, mesmo após o decurso do prazo de carência, caso não exercida a opção de compra pelo beneficiário, sua vigência poderá a qualquer momento ser extinta em caso de desligamento, inclusive no caso de renúncia do cargo de diretor ou não reeleição; Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 496 8 que, tendo em vista, o disposto nos próprios arts. 125 do Código Civil e 114, 116, inciso II e 117, inciso I do CTN, não tem cabimento se pretender ver auferida uma remuneração pelo simples fato de o beneficiário ter tido em um determinado momento a possibilidade de comprar (pagar) ações, se mesmo esta possibilidade (que pode ou não lhe gerar rendimentos no futuro) é absolutamente precária enquanto não exercida; que também não tem cabimento considerar que a "remuneração" apurada pelo ilustre fiscal autuante é decorrente de trabalho prestado se em caso de falecimento no dia seguinte à outorga da opção de compra ela já pode imediatamente ou por todo o seu prazo de vigência ser exercida pelos herdeiros; que não se pode vislumbrar que, automaticamente, na data de vencimento do prazo de carência, ocorre uma disponibilidade de renda se mesmo vencido aquele prazo muitas vezes pode estar vedado o exercício da opção de compra em face dos "períodos de suspensão" previstos, como ocorreu em relação a dois dos fatos geradores objeto de autuação (abril e maio/2005), conforme calendário anexo (doe. 05); que tendo em vista a obrigatoriedade de comunicação prévia com antecedência de 48 horas ao efetivo exercício das opções de compra, e considerando as grandes oscilações de mercado, resta novamente evidenciado o caráter aleatório do possível ganho que virá a ser auferido pelo beneficiário, sujeito às oscilações de mercado; que, conforme dispõe a cláusula 10 do plano, uma vez exercida a opção de compra o beneficiário somente pode dispor livremente de metade das ações adquiridas, ficando a outra metade indisponível pelo prazo de 2 anos; que, portanto, tendo em vista a fundamentação invocada pelo próprio fiscal autuante quanto ao momento da ocorrência do fato gerador, à luz do disposto nos arts. 125 do Código Civil e 114, 116, inciso II e 117, inciso I do CTN, já se verifica o absurdo de se pretender considerar como rendimento do beneficiário na data do vencimento do prazo de carência a diferença entre o preço do exercício e o preço de mercado da totalidade das opções de compra exercidas; que, mesmo se fosse possível considerar como remuneração eventual diferença positiva quanto à parcela imediatamente disponível (o que já se demonstrou acima não ser o caso), no caso é condição para sua aferição a aquisição de igual quantidade de ações sobre as quais o beneficiário somente terá disponibilidade dois anos depois, o que poderá acabar obrigando o beneficiário a auferir um prejuízo real (se o valor da ação estiver inferior ao valor de aquisição) que poderá ser inclusive superior à diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado na data do exercício ou na data do vencimento do prazo de carência !; Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 497 9 que, houvesse a obrigação do Impugnante de efetuar qualquer pagamento de contribuições ao INSS, deveria também existir para o beneficiário a obrigação correspondente de oferecer à tributação pelo Imposto de Renda aquele mesmo rendimento; que da forma como apurou a base de cálculo a fiscalização acabou por deixar claro que não pretende a tributação do IRRF de efetivo rendimento dos beneficiários, mas sim sobre a mera diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção nem sequer exercida na data de vencimento do prazo de carência, e que sequer se sabe se seria ou será exercida; que o fato de ocorrer o vencimento do prazo de carência das opções outorgadas não faz surgir para os beneficiários qualquer rendimento que possa ser tido como remuneração do trabalho, como a propósito já entendeu a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, no meio do acórdão 0113567, de 14/04/09, desta forma, resta demonstrado também que no vencimento dos respectivos prazos de carência não se materializou qualquer fato gerador capaz de fazer nascer a obrigação do Impugnante de reter e recolher o IRRF em nome dos diretores beneficiados, devendo assim ser cancelada a exigência fiscal em questão já que a infração acusada pelo fisco jamais foi praticada; que o adendo à Impugnação, portanto, devidamente intimada, a impugnante novamente se manifestou, dentro do prazo concedido, consoante instrumento de fls.237/247; que a confirmação dos erros apontados, a fiscalização apurou nova base de cálculo para fins de lançamento, não se tratando, portanto, de mera exclusão de determinadas competências ou cancelamento de alguma infração específica, mas sim de completo recalculo da matéria tributável, que evidentemente só poderia ser feito em sede de novo lançamento, e não por meio de nova diligência; que embora as correções efetuadas no lançamento pelo ilustre Auditor Fiscal tenham resultado num valor tributável menor que o originalmente lançado, na apuração da base de cálculo foram incluídos 30 novos beneficiários que não constaram do lançamento original; que não se admite autuações por métodos de tentativa e erro do fisco sob pena de flagrante insegurança jurídica, consoante reiteradamente decidido perante o Conselho de Contribuintes; que ao contrário do que defende o ilustre Auditor Fiscal, todos os elementos necessários à correta apuração da base de cálculo já constavam dos autos e eram de pleno conhecimento da fiscalização muito antes da impugnação apresentada, não sendo possível seu refazimento do lançamento em sede de diligência, sobretudo quando já decorrido o prazo decadencial para tanto (artigo 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional) e ainda mais com a inclusão de 30 novos fatos geradores da Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 498 10 suposta falta que não constaram do lançamento original, razão pela qual é manifesta a nulidade dos autos de infração em questão; que fosse possível o refazimento do lançamento fiscal, como pretendeu a fiscalização, e nulo não fosse o lançamento, jamais o mesmo poderia prevalecer, posto que, como demonstrado na defesa apresentada, que ora se reitera integralmente, quanto ao auto de infração em questão; que ocorreu a decadência quanto aos supostos fatos geradores ocorridos no período de março, abril e maio de 2006, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional, considerando que o Impugnante foi cientificado somente em 23/12/2011 do auto de infração em questão; que o auto de infração imputou suposta violação ao art. 9º da lei nº 10.426/02 e , evidentemente, deveria a fiscalização ter igualmente apontado a norma legal que a seu ver conteria a obrigação da impugnante efetuar a retenção na fonte de imposto de renda sobre os valores autuados, o que em momento algum constou do Termo de Verificação Fiscal ou no auto de infração; que consoante pacífica doutrina e jurisprudência já consolidada do E. Tribunal Superior do Trabalho, a outorga de opções de compra de ações ainda que gere algum rendimento este não terá relação alguma com os serviços prestados pelo beneficiário a impugnante, descaracterizando assim qualquer hipótese de remuneração; que especificamente no caso concreto o Plano para Outorga de Opções de Compra de Ações aprovado pela Assembléia Geral de Acionistas do Impugnante possui ainda diversas peculiaridades que tornam absolutamente impossível pretender ver no vencimento do prazo de carência destas opções o pagamento de uma remuneração aos seus beneficiários; que no vencimento dos respectivos prazos de carência não se materializa qualquer fato gerador capaz de fazer nascer a obrigação do Impugnante de reter e recolher o IRRF em nome dos diretores beneficiários do plano, devendo assim ser cancelada a exigência da multa isolada em questão já que a infração acusada pelo fisco jamais foi praticada; que a Impugnante solicitou que seja acolhida a impugnação para o fim de se reconhecer a improcedência do auto de infração lavrado, se antes não reconhecida a sua nulidade. Após a análise das alegações da Impugnante, segundo as quais houve majoração indevida e multiplicidade do valor da base de cálculo e, ainda, da análise da planilha anexa aos autos (fls. 71/74) onde foi demonstrado o cálculo do montante da base de cálculo do crédito, os autos foram devolvidos à Delegacia de origem para que, em diligência, a autoridade fiscal se manifestasse, conclusivamente, em relação aos argumentos trazidos pela Impugnante, conforme despacho nº 05 de Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 499 11 19/07/2012 (fls.212/214). No mesmo despacho foi solicitado, ainda, que na hipótese de ser confirmada a necessidade de retificação do lançamento, fosse elaborada planilha no modelo “de/para” que possibilitasse tal procedimento. Em cumprimento à referida solicitação, a Fiscalização, após o procedimento de diligência fiscal emitiu o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 217/220) e manifestouse acerca dos questionamentos feitos pela impugnante. Nos itens 1 e 2 do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, a Fiscalização analisa os documentos apresentados pela autuada e descreve as alterações por eles provocadas na apuração da base de cálculo do crédito lançado. No item 3 do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, elaborou planilha indicando as alterações na base de cálculo utilizada no lançamento, em virtude dos grupamentos/desdobramento de ações e exclusões de informações repetidas, expostos nos itens anteriores. Após este fato, a Fiscalização constatou que o Termo de Encerramento, assim como a planilha de cálculo que o acompanha, necessitavam de ajustes, porque, apesar de o referido termo afirmar que a série EP.01/0508/ 156,76 deveria ser excluída do lançamento, restaram na planilha de cálculo 3 (três) informações referentes a essa série, uma na competência 03/2005, uma na 04/2006 e outra na 05/2008. Assim, foi emitido o Termo de Re/ratificação de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 227/231) e planilha (fls. 232/234), onde são feitas as retificações mencionadas e ratificadas as demais informações constantes no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal. Foi concedido o prazo de 30 (trinta) dias, para manifestação do contribuinte. Devidamente intimada, a impugnante novamente se manifestou, dentro do prazo concedido, consoante instrumento de fls.237/247, onde, alega em síntese: que a confirmação dos erros apontados, a fiscalização apurou nova base de cálculo para fins de lançamento, não se tratando, portanto, de mera exclusão de determinadas competências ou cancelamento de alguma infração específica, mas sim de completo recalculo da matéria tributável, que evidentemente só poderia ser feito em sede de novo lançamento, e não por meio de nova diligência; que embora as correções efetuadas no lançamento pelo ilustre Auditor Fiscal tenham resultado num valor tributável menor que o originalmente lançado, na apuração da base de cálculo foram incluídos 30 novos beneficiários que não constaram do lançamento original; que não se admite autuações por métodos de tentativa e erro do fisco sob pena de flagrante insegurança jurídica, consoante reiteradamente decidido perante o Conselho de Contribuintes; Fl. 499DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 500 12 que, ao contrário do que defende o ilustre Auditor Fiscal, todos os elementos necessários à correta apuração da base de cálculo já constavam dos autos e eram de pleno conhecimento da fiscalização muito antes da impugnação apresentada, não sendo possível seu refazimento do lançamento em sede de diligência, sobretudo quando já decorrido o prazo decadencial para tanto (artigo 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional) e ainda mais com a inclusão de 30 novos fatos geradores da suposta falta que não constaram do lançamento original, razão pela qual é manifesta a nulidade dos autos de infração em questão; que ainda que fosse possível o refazimento do lançamento fiscal, como pretendeu a fiscalização, e nulo não fosse o lançamento, jamais o mesmo poderia prevalecer, posto que, como demonstrado na defesa apresentada, que ora se reitera integralmente, quanto ao auto de infração em questão; que ocorreu a decadência quanto aos supostos fatos geradores ocorridos no período de março, abril e maio de 2006, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional, considerando que o Impugnante foi cientificado somente em 23/12/2011 do auto de infração em questão; que o auto de infração imputou suposta violação ao art. 9º da lei nº 10.426/02 e, evidentemente, deveria a fiscalização ter igualmente apontado a norma legal que a seu ver conteria a obrigação da impugnante efetuar a retenção na fonte de imposto de renda sobre os valores autuados, o que em momento algum constou do Termo de Verificação Fiscal ou no auto de infração; que consoante pacífica doutrina e jurisprudência já consolidada do E. Tribunal Superior do Trabalho, a outorga de opções de compra de ações ainda que gere algum rendimento este não terá relação alguma com os serviços prestados pelo beneficiário a impugnante, descaracterizando assim qualquer hipótese de remuneração; que especificamente no caso concreto o Plano para Outorga de Opções de Compra de Ações aprovado pela Assembléia Geral de Acionistas do Impugnante possui ainda diversas peculiaridades que tornam absolutamente impossível pretender ver no vencimento do prazo de carência destas opções o pagamento de uma remuneração aos seus beneficiários; que no vencimento dos respectivos prazos de carência não se materializa qualquer fato gerador capaz de fazer nascer a obrigação do Impugnante de reter e recolher o IRRF em nome dos diretores beneficiários do plano, devendo assim ser cancelada a exigência da multa isolada em questão já que a infração acusada pelo fisco jamais foi praticada; que, diante do exposto, a Impugnante solicitou que seja acolhida a impugnação para o fim de se reconhecer a improcedência do auto de infração lavrado, se antes não reconhecida a sua nulidade. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 501 13 Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 30/07/2013, os membros da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1, concluíram pela procedência parcial da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, no que diz respeito à nulidade do lançamento e a falta de liquidez e certeza do montante devido, é de se dizer que a Impugnante sustenta a nulidade dos autos de infração em virtude de erros e vícios do trabalho fiscal, que resultaram em lançamento com majoração e multiplicidade do valor da base de cálculo, gerando evidente falta de liquidez e certeza do montante devido; que ainda que se considere que o disposto no artigo acima transcrito não encerra relação numerus clausus de possibilidades de nulidade, somente poderseia cogitar desta no caso de vício em um dos elementos estruturais dos atos administrativos atacados, a saber, além da competência do agente, a forma, o objeto, a finalidade ou o motivo do ato; que quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no lançamento, passíveis de correção, não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, nos termos do art. 60 do mencionado decreto; que, no caso em questão, o procedimento adotado pela autoridade fiscal que efetuou o lançamento, foi o mesmo adotado em todas as fiscalizações realizadas pela Receita Federal do Brasil, qual seja, a fiscalização teve início com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (no caso o de nº 0816600.2011.00085 código de acesso 18775599) e o envio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, comunicando o início do procedimento e solicitando a documentação necessária à fiscalização (fls. 03/04). Ao longo do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal, no exercício de suas funções, solicitou, por meio de vários Termos de Intimação e reintimação Fiscal (5/11), a documentação e as informações necessárias à ação fiscal; que o Termo de Verificação Fiscal (fls. 57/70), que acompanha o Auto de Infração, traz, de forma clara e precisa, todo o histórico do procedimento fiscal, a documentação apresentada pela empresa, os fatos constatados durante a fiscalização, a matéria tributável (descrição dos fatos geradores), a data da ocorrência dos fatos geradores, a apuração da base de cálculo, a multa devida, o período do lançamento e todas as razões que ensejaram a lavratura do auto de Infração, indicando, inclusive, a fonte de onde foram extraídas as informações para a apuração do crédito, a forma como foi feito o lançamento, a legislação aplicável ao caso, etc.; Fl. 501DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 502 14 que no Auto de Infração (fls. 75/79), estão discriminados, competência por competência, os valores da multa devida e o demonstrativo de apuração da mesma. Por outro lado, ao contrário do alegado na impugnação, a norma legal que contem a obrigação da impugnante efetuar a retenção na fonte de imposto de renda sobre os valores autuado, qual seja, o art. 9º da lei nº 10.426/02, está expressamente citada no próprio Auto de Infração, no item “Enquadramento Legal”; que, ao contrário do que foi alegado na impugnação, não houve, no presente caso, autuações por métodos de tentativa e erro do fisco e muito menos, qualquer causa que possa causar insegurança jurídica ao contribuinte autuado. Houve apenas erro no cálculo da base de cálculo e no quantum devido, motivado pela interpretação incorreta dos dados apresentados pela empresa em forma de planilha em meio magnético. Entretanto, referidos erros foram sanados, com base nos documentos apresentados com à impugnação, conforme é demonstrado no vários relatórios e planilhas elaborados pela autoridade fiscal após diligência fiscal; que o lançamento em questão, após as correções processadas no procedimento de diligência fiscal, reúne todos os requisitos previstos no art. 142 do CTN e nos demais atos normativos que disciplinam a matéria, possibilitando à Autuada o pleno exercício do seu direito de defesa, razão pela qual não vislumbro qualquer vício que possa ensejar a nulidade do mesmo e, portanto, rejeito a referida preliminar; que, no que diz respeito à decadência, é de se dizer que a impugnante alega a extinção pela decadência dos créditos relativos a períodos anteriores a dezembro de 2006 (competências 03/2006, 04/2006 e 05/2006) e traz como fundamento legal o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN; que, no caso dos autos, deve ser aplicado o artigo 173, do CTN, para efeito do início de contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito correspondente; que para a aplicação da regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN, como quer a Impugnante, é indispensável o pagamento parcial antecipado dos valores devidos incidentes sobre os fatos geradores de que trata o lançamento e não apenas o recolhimento de importâncias que o sujeito passivo entenda serem devidas, mesmo porque em matéria de tributos não há espaço para subjetividade no que concerne à aplicação da norma legal; que no caso concreto, em razão de a Impugnante não ter feito nenhuma retenção ou recolhimento de importâncias referentes aos fatos jurídicos de que trata o lançamento, não há que se aplicar a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, segundo a qual a contagem iniciase a partir da ocorrência do fato gerador; Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 503 15 que os créditos lançados referemse aos períodos de 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006 e foram consolidados em 20/12/2011, com a ciência pessoal do contribuinte, em 23/12/2011 (fls. 75/76). Portanto, nenhuma competência encontrase em período decadente, visto que o crédito correspondente à competência mais antiga (03/2006), poderia ter sido lançado até 31/12/2011 (cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte – 01/01/2007); que em relação aos valores incluídos na base de cálculo após a diligência fiscal, referentes aos diretores que não constavam nos valores originais, entendo que não há qualquer reparo a ser feito no procedimento fiscal, tendo em vista que o crédito correspondente foi constituído dentro do prazo legal previsto no art. 173, I, do CTN. Conforme pode ser constatado na planilha de fls. 232/234, referidos valores referemse à competência 12/2006, cujo vencimento das contribuições devidas ocorreu em 01/2007, de forma que a contagem do prazo decadencial somente se iniciou, nos termos do art. 173, I, do CTN, em janeiro de 2008, podendo o lançamento ter sido efetuado até 31/12/2012, fato este que ocorreu, tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do Termo de Re/ratificação de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 227/231) e planilha (fls. 232/234), em 12/12/2012; que, no que diz respeito ao mérito, é de se dizer que a empresa autuada, ora impugnante, ofereceu opção de compra de ações da própria companhia aos seus diretores identificados pela fiscalização. Tal operação foi considerada pela fiscalização como remuneração indireta paga aos contribuintes beneficiados e, portanto, a empresa deveria ter retido e recolhido o correspondente imposto de renda na fonte IRRF, nos termos do artigo 717 do RIR/99: Entretanto, referidos valores não foram oferecidos à tributação pelo contribuinte por entendêlos como não integrantes da base de cálculo do referido tributo; que, assim, visando o deslinde da questão, necessária é a análise individualizada da natureza das verbas consideradas, no presente lançamento, como integrantes da base de cálculo do crédito constituído, quais sejam: os valores pagos pela autuada, por meio de plano de outorga de opções de compra de ações (stock options), aos seus diretores, considerados como remuneração indireta pela autoridade fiscal responsável pela autuação; que quanto ao instituto temse que a política mais arrojada em gestão de pessoas trouxe ao nosso mercado de trabalho novas políticas de remuneração, principalmente aos empregados de nível gerencial e altos executivos, com planos de opção de compra de ações da companhia ou de outra do grupo. O mecanismo pode ser descrito assim: a) preestabelecese um preço para as ações; b) marcase uma data futura para que a ação possa ser adquirida por aquele preço, se mantida a permanência do profissional na companhia; c) vencida a data e Fl. 503DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 504 16 durante algum tempo, fica o beneficiário com a opção de adquirir ações da companhia pelo preço anteriormente determinado, independentemente o valor de mercado da ação; que o momento da ocorrência do fato gerador do IRRF incidente sobre as remunerações por meio de opções de compra de ações é a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo beneficiado. A base de cálculo apurada é a mensurável nessa mesma data, conforme foi efetuado pela Fiscalização, multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referente à data de vencimento do prazo de carência; que, não tem cabimento o argumento, segundo o qual, a impugnante não teria efetuado nenhuma espécie de pagamento aos beneficiários dos programas de opção de compra de ações, não se podendo perder de vista que o ato de se outorgar um direito de se subscrever ações de uma companhia por um preço inferior ao de mercado, em contraprestação ao serviço prestado, consiste em oferecer uma vantagem econômica e, portanto, remunerar a prestação de serviço; que, não resta qualquer dúvida de que as Stock options concedidas pela impugnante aos seus administradores, fazem parte da sua política de oferecer remuneração variável aos executivos do alto escalão de sua administração; que, os julgados da Justiça do Trabalho que afastam a natureza salarial das Stock Options não podem servir de fundamento para a pretensão da impugnante, uma vez que ali se está tratando do conceito de salário dentro do contexto do contrato de trabalho, que é típico e detalhadamente regulamentado pela CLT; que, nas decisões da Justiça Laboral, não se leva em conta o contexto jurídico da tributação sobre a renda, em que a intenção do próprio legislador é a mais ampla possível, abarcando não apenas o salário regulado pela CLT e tutelado pela justiça trabalhista, mas todos os rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física, mesmo sem vínculo empregatício, como no caso em questão; que os pagamentos efetuados aos diretores da impugnante, sob a forma de outorga de opções de compra de ações, constituem remuneração, correto o procedimento do Auditor Fiscal ao lavrar o presente lançamento; que o artigo 637 do RIR/99, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma prevista no art. 620 do mesmo regulamento, os rendimentos pagos aos titulares, sócios, dirigentes, administradores e conselheiros de pessoas jurídicas, a titulo de remuneração mensal por prestação de serviços, de gratificação ou participação no resultado; Fl. 504DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 505 17 que por se tratar de rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração de rendimentos dos beneficiários (dirigentes), a retenção constitui mera antecipação do imposto de renda devido. Deste modo, não é possível a exigência, na fonte pagadora, do imposto devido, o qual não foi retido, depois de ultrapassado o prazo de entrega, pelo beneficiário, da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); que os pagamentos efetuados aos diretores da impugnante, a título de outorga de opções de compra de ações, têm natureza remuneratória e, portanto, e que a mesma deveria ter retido e recolhido o correspondente imposto de renda na fonte IRRF, nos termos do artigo 717 do RIR/99; que,cabe destacar, aqui, que por se tratar de rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração de rendimentos dos beneficiários (dirigentes), a retenção constitui mera antecipação do imposto de renda devido. Deste modo, não é possível a exigência, na fonte pagadora, do imposto devido, o qual não foi retido, depois de ultrapassado o prazo de entrega, pelo beneficiário, da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); que, portanto, no caso em epígrafe, somente foi lançada a multa isolada, conforme dispõe o art. 9º da Lei nº 10.426/2002, não tendo havido o lançamento do imposto cuja retenção e recolhimento deixou de ser antecipado pela fonte pagadora; que, no presente caso, a multa é exigida isoladamente com base no artigo 9º da Lei nº 10.426/2002, e tendo em vista que já ter terminado o prazo de entrega, pelo beneficiário, da Declaração de Ajuste Anual de Renda da Pessoa Física; que, no que diz respeito à retificação da base de cálculo dos autos de infração, é de se dizer que a partir de tudo que foi exposto anteriormente, ou seja: a) dos grupamentos/desdobramentos que alteram a quantidade das ações resultantes das opções de compra; b) da exclusão dos lançamentos referentes à série EP01/ 0508/ 156,76 e c) da exclusão de informações repetidas relativas às demais séries, a autoridade fiscal elaborou a Planilha denominada “Opções de Ações 2006 – Valores Retificados – PAF 16327.721796/201156” (fls. 232/234) onde são demonstrados, mês a mês, os valores recebidos, por meio de opções de compra de ações, discriminados individualmente por beneficiário, cuja somatória constitui a correta da base de cálculo do lançamento em questão. A presente decisão encontra0se consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 506 18 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. INCORREÇÕES SANADA INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. Irregularidades, incorreções e omissões cometidas no lançamento, passíveis de correção, não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, nos termos do art. 60 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. PRAZO A ausência de pagamento antecipado sobre os fatos jurídicos de que trata o lançamento impõe a aplicação do prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 REMUNERAÇÃO INDIRETA. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. FATO GERADOR. As verbas pagas pela empresa aos seus diretores, sob a forma de opções de compra de ações stock options, como retribuição ao trabalho prestado, têm natureza remuneratória, sobre as quais incidem o imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora. A ocorrência do fato gerador do referido tributo incidente sobre as remunerações por meio de opções de compra de ações é a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. A base de cálculo apurada é a mensurável nessa mesma data. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Deste ato, por força do recurso necessário, a Presidência da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1 recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em conformidade com o art. 3º inciso II, da Lei nº 8.748, de 1993, com nova redação dada pelo art. 67, da Lei nº 9.532, de 1997 e da Portaria MF nº 03, de 2008. Da mesma forma, após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/08/2013, conforme Termo constante à fl. 282, e, com ela não se conformando o recorrente interpôs, em tempo hábil (06/09/2013), o recurso voluntário de fls. 284/336, Fl. 506DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 507 19 instruído pelo documento de fl. 337 no qual demonstra irresignação na parte da decisão mantida, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito à nulidade do lançamento fiscal crédito tributário apurado com base em levantamento mal elaborado e a falta de liquidez e certeza, é de se dizer que principalmente da jurisprudência pacífica administrativa inadmitindo qualquer procedimento ou levantamento que não conduza a lançamentos baseados em valores líquidos e certos, fica evidenciada a total insubsistência do presente auto de infração, que mesmo diante das correções efetuadas por ocasião da diligencia fiscal deve ter a sua nulidade reconhecida diante do vício que o maculou desde a origem, no momento de sua lavratura; que, no que diz respeito à decadência dos créditos tributários incluídos no levantamento fiscal constante do termo de encerramento da diligencia realizada, é de se dizer que, conforme já mencionado, diante da confirmação dos erros apontados na impugnação apresentada pela Recorrente, a fiscalização apurou nova base de cálculo para fins de lançamento, só poderia ser feito em sede de novo lançamento, e não por meio de simples diligencia fiscal; que ainda que pudesse ser superada a nulidade acima apontada, contudo, certo é que embora tenha sido apurado na diligência realizada um valor tributável menor do que o originalmente lançado, no novo levantamento fiscal apresentado com as conclusões da diligência fiscal foram incluídos 30 novos beneficiários que não constaram do lançamento original, conforme se verifica da simples comparação entre a planilha intitula “Opções de Ações 2006 – Valores Retificados” e a planilha anterior, da qual se verifica que os beneficiários abaixo indicados não constavam do lançamento original; que, nessa condições, sendo dos 30 novos fatos geradores autuados relativos à competência de dezembro 2006, a autoridade administrativa tinha o prazo de 5 (cinco) ano para efetuar o competente lançamento a contar daquele fato gerador, de modo que, não o tendo efetuado, decaiu de seu direito, estando caduco o crédito tributário que se pretende exigir por meio do novo levantamento fiscal constante do termo de encerramento da diligencia fiscal realizada, impondose a reforma da r. decisão recorrida neste tocante; que a decadência quanto ao levantamento fiscal original, não bastasse a decadência configurada em relação ao novo levantamento fiscal apresentado por ocasião do encerramento da diligencia realizada neste auto, a Recorrente demonstrou em sua impugnação que também os valores inicialmente exigidos, em relação às competência de março, abril e maio de 2006, encontrase extintos nos termos do artigo 156, V do CTN uma vez que, como já mencionado, considerado que a natureza do Fl. 507DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 508 20 IRRF que deu causa à exigência da multa isolada em comento é de tributo cujo lançamento se dá por homologação, mostrase perfeitamente aplicável a regra do artigo 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional, conforme pacífico entendimento deste E. CARF a respeito; que, dúvida não existem de que, comprovada a existência de pagamento de IRRF nos meses de março, abril e maio de 2006, mostrase absolutamente intempestivo o presente auto de infração, constituído apenas em 23/12/2011 e, portanto, fora do quinquídio legal estabelecido pelo artigo 150, §4° do CTN, impondose da r. decisão recorrida também neste tocante; que o Auto de Infração imputou à Recorrente suposta violação ao art. 9° da Lei n° 10.426/2002; que, a questão que se coloca, assim, é saber se o valor autuado em razão das stock options concedidas pela Recorrente (diferença entre o preço de exercício da ação na data do vencimento do prazo de carência, independentemente do seu efetivo exercício e o preço de mercado da ação) corresponde efetivamente a uma remuneração paga aos beneficiários; que, diante de tais características, considerando que seja no momento da assinatura do contrato de outorga de opção de compra de ações, seja no momento em que vencido o prazo de carência, seja ainda mesmo se efetivamente exercida a opção de compra não se garante qualquer ganho efetivo aos beneficiários, não há duvidas de que este plano não configura qualquer espécie de remuneração seja sob a ótica trabalhista, fiscal ou societária, sendo típico contrato mercantil com evidente característica de álea; que a doutrina e jurisprudência trabalhista reconhecem o caráter não salarial ou remuneratório dos planos de outorga de opções de compra de ações, portanto, após analisar as características acima, concluiu o ilustre fiscal autuante no Termo de Verificação Fiscal que embasa o presente auto de infração que o plano de outorga de opções de compra de ações teria natureza salarial; que ao contrário do que afirmou a fiscalização, não há qualquer possibilidade de se atribuir natureza salarial e muito menos remuneratória ao plano de outorga de opções de compra de ações mantido pela Recorrente, não podendo assim prevalecer a r. decisão recorrida considerando que a Recorrente não esteve jamais obrigado à retenção e recolhimento de IRRF sobre a “remuneração” que em vão tentou o fisco demonstrar ter existido; que das peculiaridades do plano de outorga de opções de compra de ações mantido pela recorrente, ou seja, apenas para argumentar, que pelas razões acima já não seja de plano reconhecida a insubsistência do lançamento, cumpre salientar que especificadamente no caso concreto, em razão das peculiaridades do plano de outorga de opções de compra de Fl. 508DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 509 21 ações mantido pela Recorrente, com muito mais razão o valores autuados jamais poderiam ser tidos como remuneração dos beneficiários. que, como se pode observar do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conquanto a multa prevista no inciso II possa ser exigida isoladamente, o mesmo não ocorre com a multa do inciso I, que só pode ser exigida em conjunto com o valor do tributo devido; que, assim, conquanto o inciso I do artigo 44 permita a exigência da multa no caso de falta de recolhimento, ela evidentemente só poderá ser cobrada de quem for responsável pelo pagamento do tributo não recolhido; que considerandose que o próprio Parecer Normativo COSIT 01/2002 invocado pela decisão recorrida determina que “Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual”, é evidente que depois do prazo de entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, quando o imposto só pode ser exigido desta e não mais da fonte, a multa do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que deve sempre acompanhar o tributo lançado, só poderá ser cobrada da pessoa física, e não mais da fonte; que razão pela qual a regra do artigo 9º da Lei nº 10.426/2002, na hipótese de falta de retenção, só se aplica dentro do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste pela pessoa física, mas não depois, quando nem o imposto nem a multa do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96 podem ser exigidas da fonte que não efetuou a retenção. Conforme se verifica, a DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pela contribuinte. Assim, diante da exoneração de valor acima de R$ 1.000.000,00, foi interposto Recurso de Ofício. Por sua vez, a contribuinte, inconformada, apresentou recurso voluntário às fls. 284/336, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação, quanto ao que foi vencida, requerendo a reforma do acórdão recorrido, cancelandose a exigência fiscal. Quando estes autos foram apreciados pela 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, da 1ª Seção deste Conselho (Resolução nº 1402000.284, de 23 de setembro de 2014), resolveram "os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem declinar a competência do julgamento à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF para apreciação em conjunto com o processo nº 16327.721796/201156, nos termos do voto do Relator". Todavia, em 11 de fevereiro de 2015, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, julgou o processo nº 16327.721796/201156, cujo tributo que estava sendo exigido do sujeito passivo era contribuições previdenciárias. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 510 22 Deste modo, não sendo mais possível a análise conjunta destes autos com o de nº 16327.721796/201156, foi este processo distribuído à 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De início, importa ressaltar que embora a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF tenha já julgado o processo nº 16327.721796/201156, referente contribuições previdenciárias, em relação a mesmos fatos deste processo, entendo que os fundamentos do referido acórdão (2401003.890) se inclinam ao meu entendimento, razão pela qual farei referência ao decidido naquele julgamento sempre que relevante for. Realizada tal ponderação, passase a análise do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO Como já relatado, a DRJ, após analisar os argumentos trazidos pelo ora Recorrente, em sede de impugnação, proferiu despacho remetendo os autos para que a autoridade fiscal analisasse se a base de cálculo estava indevidamente majorada com a inclusão dos desdobramentos e bonificações considerados equivocadamente como novas séries de ações. A autoridade fiscalizadora, então, reconheceu a majoração indevida da base de cálculo e promoveu a revisão do lançamento com as consequentes correções necessárias, ocasionando redução significativa do crédito tributário. A DRJ, por sua vez, acatou a retificação promovida pela autoridade fiscal e julgou procedente em parte o lançamento. Consoante se verifica, o crédito tributário originalmente lançado estava abruptamente majorado por não ter a autoridade lançadora atentado para eventos como desdobramento ou agrupamento de ações, que alteram as quantidades e/ou preço das ações cuja opção de compra foi outorgada. Ao efetuar o lançamento com base nos dados – número de ações outorgadas e valor de exercício – constantes dos atos de outorga originais, sem ajustálos aos referidos eventos, a quantificação do crédito tributário acabou totalmente distorcida e afastada da realidade dos fatos. Assim, se, por exemplo, são originalmente outorgadas opções de compra de 100 ações, ao preço de exercício de R$ 10,00, e, posteriormente, as ações do Recorrente são Fl. 510DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 511 23 desdobradas em 10, a outorgada passará a ser de 1000 ações, e o seu preço de exercício será ajustado para R$ 1,00. Não houve nova outorga de ações, nem queda real no preço das ações do Recorrente, mas apenas ajuste decorrente de desdobramento. Por certo, que se eventos dessa natureza (desdobramento ou agrupamento) não forem observados quando da quantificação do crédito tributário, sem dúvidas, haverá distorções na base de cálculo do tributo. Portanto, tendo a própria autoridade fiscal reconhecido o equívoco cometido e retificado o lançamento, nos termos em que alegado pelo contribuinte, e tendo a DRJ convalidado a nova apuração, entendo que não merece reparos a decisão recorrida nesse aspecto. Saliento que foi este também o entendimento da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF quando do julgamento do processo nº 16327.721796/201156, referente contribuições previdenciárias, em relação aos mesmos fatos deste processo (acórdão nº 2401003.890). Ante o exposto, conheço do recurso de ofício e, no mérito, entendo por negar provimento ao recurso. RECURSO VOLUNTÁRIO Alegação de nulidade. Antes de adentrar na análise dos argumentos aduzidos pela recorrente a respeito da nulidade da autuação, entendo por bem apreciar, antes disso, o mérito em si da autuação, uma vez que a nulidade não deve ser pronunciada se for apreciado o mérito em favor do contribuinte, a teor do parágrafo 3º do art. 59 do Decreto n. 70.235. Mérito. Esta Colenda Turma, em recentes julgamentos (acórdãos nº 2202003.436 e 2202003.437, ambos julgados na sessão de 14.06.2016, de relatoria do Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada), decidiu por afastar os lançamentos tributários por entender que o fato gerador do tributo ocorre na data do exercício das opções pelo beneficiário das stock options. Ou seja, somente quando o mesmo exerce o direito de compra em relação às ações que foram outorgadas, não havendo como atribuir ganho se não demonstrado o efetivo exercício do direito sobre as ações. Segue abaixo transcrito trechos do voto do ilustre Relator: "II QUANDO OCORRE O FATO GERADOR (ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA). Só há o efetivo pagamento, com natureza salarial, se de fato o beneficiário exercer sua a opção de compra que lhe foi outorgada. Assim, o correto momento de ocorrência do fato gerador é definido como sendo a data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, para a incidência da tributação é necessário o efetivo exercício da opção pelo beneficiário, verificadose que as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que, Fl. 511DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 512 24 após o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra. III QUAL É A BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO (ASPECTO QUANTITATIVO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA). A data do fato gerador corresponde à data em que houve o exercício das opções a que se refere e a Base de Cálculo é, exatamente, a diferença entre o valor pago para Aquisição das Ações, previsto nos contratos, e o Valor de Mercado das Ações na data da liquidação financeira, ou seja, do exercício da opção de compra. Explicase: a base de cálculo (aspecto quantitativo) é o ganho patrimonial, e, portanto, deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. [...] O fato gerador ocorre (aspecto temporal), conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, na data do exercício das opções pelo beneficiário, ou seja, quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. A base de cálculo (aspecto quantitativo) é o ganho patrimonial, e, portanto, há que ser apurado nesse momento histórico e deve corresponder à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. Neste lançamento, verificase, conforme TVF, que foi empregada como base de cálculo do valor do tributo e, consequentemente, com reflexo direto no valor da multa aplicada, "a parcela assumida como despesa pela empresa, que se traduz no valor que o beneficiário deixou de pagar pela opção de compra quando da sua outorga, o qual é mensurável pelo valor justo da opção de compra". Ora, se houve equívoco na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como, por exemplo, a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) Fl. 512DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 513 25 É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. (...) Em conclusão, rejeito as preliminares argüidas e, no mérito, VOTO por dar provimento ao recurso." (trechos do voto exarado no acórdão 2202003.346, de Relatoria do Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada) Necessário frisar que nos acórdãos nº 2202003.436 e 2202003.437 os integrantes desta Turma entenderam por unanimidade em cancelar a exigência fiscal. Deste modo, considerando que a contribuinte foi autuada por não realizar a retenção na fonte, a qual deveria ter sido realizada considerandose a data do vencimento do prazo de carência, independentemente da efetivo exercício das opções de compra, verifico que há erro do lançamento, sendo este um vício material. Aliás, destacase como consta o lançamento no TVF, conforme fl. 68 destes autos, no item "DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR": Ora, o fundamento da atuação (momento e ocorrência do fato gerador) é totalmente contrário ao entendido por este colegiado em outras situações, bem como contrário a jurisprudência deste Conselho. Não se comunga do entendimento adotado pela fiscalização de que a data do vencimento do prazo de carência, independente do exercício da opção de compra, seria o momento de ocorrência do fato gerador do IRRF. Entendese que este somente ocorre na data do efetivo exercício da opção de compra. Ainda, importa referir que o plano stock options ora em análise, quando apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, na ocasião do julgamento do processo nº 16327.721796/201156, referente a contribuições previdenciárias, em relação aos mesmos fatos deste processo (acórdão nº 2401003.890), foi compreendido que há ausência de caráter remuneratório, sendo afastado o referido lançamento. Tal questão é relevante que seja adentrada ao mérito, pois, além de ser arguida pelo contribuinte, constou de tal modo no Termo de Verificação Fiscal à fls. 63 e seguintes deste autos: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 514 26 Conforme se demonstrará o plano de stock options do Recorrente não possui desvirtuamentos que levem à sua caracterização como remuneração. Segue abaixo trecho do voto da ilustre Relatora Conselheira Carolina Wanderley Landim (acórdão nº 2401003.890) quando apreciado este mesmo plano de stock options: "3.1. Do caráter mercantil do plano ora analisado É sabido que o contrato decorrente do plano de stock options tratase de instrumento de título oneroso, fundado na lei societária, através do qual a sociedade emissora concede ao beneficiário (empregado, administrador, prestador de serviço) o direito de subscrever ou adquirir as suas ações por um preço prédefinido, sob determinadas condições e após determinado prazo. No direito brasileiro, a previsão legal quanto à possibilidade de criação do stock options está prevista no art. 168, §3º da Lei n.º 6.404/76, segundo o qual: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembleia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Da leitura do referido dispositivo legal, é possível concluir que para a instituição do stock options é necessário que sejam atendidos cinco requisitos, quais sejam: (i) emissão por sociedade por ações, abertas ou fechadas; (ii) previsão expressa no estatuto; (iii) em observância aos montantes delimitados no capital autorizado, (iv) conforme plano de compra de ações aprovado pela assembleia geral e (iv) tendo como beneficiários os empregados, administradores e outras pessoas naturais que prestem serviços à sociedade por ações ou à sociedade sob o seu controle. Esta Turma já se debruçou sobre esse tema e já manifestou o seu entendimento de que a aquisição de ações através de planos de stock options tratase, em regra, de típico contrato mercantil, oneroso, em que o trabalhador, embora pretenda obter lucros, poderá amargar prejuízos inerentes ao risco de investir no mercado de ações – não configurando, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias (acórdãos n.s 2401003.044 e 2401003.045). A onerosidade do contrato decorre do pagamento, pelo trabalhador, do preço de exercício estipulado. E essa Fl. 514DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 515 27 onerosidade está diretamente atrelada ao elemento risco inerente a esse tipo de operação, já que, se não fosse oneroso, a entrega pelo empregador das ações ofertadas ao trabalhador poderia ser caracterizada como remuneração. De fato, sendo, via de regra, a opção de comprar ações facultativa e onerosa ao beneficiário, que, inclusive, poderá experimentar prejuízos na operação, caso o preço de venda seja inferior ao preço pago pelas ações adquiridas, não é possível caracterizar a aquisição das ações por meio dos contratos de opção de compra de ações como remuneração, já que esta decorre diretamente da prestação de serviço, não estando sujeita a risco, muito menos à opção do trabalhador e pagamento de preço– prestado o serviço, a remuneração deve ser paga pelo contratante. A concessão ao trabalhador de opção de compra de ações da Companhia em que trabalha tem por finalidade a retenção desses trabalhadores, funcionando como estímulo para que eles permaneçam na empresa e contribuam para o seu crescimento, estimulados pela possibilidade de participar dos lucros futuros e valorização das ações no mercado de capitais. Não há dúvidas, portanto, de que a oferta de ações aos trabalhadores por meio de planos de stock options tem relação direta com a qualidade e importância do serviço prestado pelo beneficiário à empresa – já que, por obvio, essas opções só são oferecidas àqueles que prestam serviços à Companhia emissora, com o objetivo de que essa prestação de serviços perdure e seja estimulada. Isso não implica, contudo, na automática caracterização de planos dessa natureza como remuneração. É certo que, não estando presentes as características essenciais de contratos dessa natureza, poderá a fiscalização provar que se trata de forma disfarçada de remuneração, sobre a qual incidiria a contribuição previdenciária patronal acrescida do adicional correspondente. Diante disso, o primeiro passo a ser dado para avaliação da procedência ou não da autuação é verificar se, no caso sob exame, o plano de compra de ações que o Recorrente oferece a seus trabalhadores reúne os elementos essenciais de um contrato de natureza mercantil, ou se, ao contrário, dele se afasta, caracterizandose como remuneração in natura. No caso sob exame, a fiscalização não aponta de forma específica nenhuma cláusula do Plano de Opção de Compras de Ações do Recorrente que retiraria o seu caráter mercantil da operação de compra, ou eliminaria o risco do beneficiário que é inerente às operações com o mercado de ações. A fiscalização posicionase no sentido de que as Opções de Compras de Ações oferecidas a trabalhadores, de um modo geral, possuem características especiais que a diferenciam das opções de compra de ações comuns e que essas características, Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 516 28 por si só, retirariam a sua natureza mercantil e afirmariam a sua natureza remuneratória. As características imputadas pela autoridade fiscal aos planos de opções de ações oferecidos aos trabalhadores, que os diferenciariam das opções de ações em geral e retirariam o seu caráter mercantil, podem ser assim resumidas: ∙ O trabalhador não desembolsa valores para aquisição do direito de comprar ações da empresa. ∙ Não há risco na aquisição da opção, na medida em que o trabalhador tem o direito de não exercer essa opção, ou seja, se a ação estiver com o valor baixo, ele não é obrigado a adquirila. ∙ As opções outorgadas são pessoais e intransferíveis, de modo que não é possível negociar as opções recebidas. ∙ O período de vigência é geralmente bastante superior em relação aos planos de ações comuns. ∙ Em regra, não permitem que o direito seja adquirido no momento da concessão, com o objetivo de fortalecer a relação entre a empresa e o trabalhador, demonstrando que o plano é uma forma de vincular o capital humano e são oferecidos como recompensa pelo trabalho prestado, como um “prêmio” ao empregado. Além disso, as autoridades fiscais se apegam a trechos de documentos que atrelam o termo remuneração aos planos de opções de ações: O fato de as regras serem fixadas por um Comitê de Remuneração, de o formulário 20F categorizar as outorgas de opções de ações como honorários do conselho de administração e diretoria e de ser utilizada a expressão “despesa de remuneração referente aos planos de opções de compra de ações”, dentre outros, serviram como fundamento para a incidência das contribuições previdenciárias, na visão da autoridade lançadora, convalidada pela DRJ. Fixadas, em linhas gerais, as bases da acusação fiscal, passemos à análise de cada um desses argumentos, em conjunto com as características específicas do plano de opção de ações objeto da autuação. Inicialmente, entendo que os atos societários, demonstrações financeiras e demais documentos mencionados na acusação fiscal, que estabelecem a suposta relação entre os pagamentos decorrentes do plano de stock options e a remuneração paga aos trabalhadores, bem como o fato de o Comitê de Remuneração ser responsável por definir os administradores que terão direito ao exercício da opção de compra da ação, não são fatos aptos a comprometer o caráter mercantil do plano de ações e caracterizálo como remuneração para fins previdenciários. Isto porque não é o nome que se dá a determinado instituto que lhe confere natureza jurídica, mas sim as suas características essenciais. O fato de as demonstrações financeiras do Recorrente utilizarem o termo “remuneração” nos itens que Fl. 516DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 517 29 tratam dos planos de opções de compra de ações não torna essa verba tributável. É preciso analisar as características do plano para que se possa concluir se se trata de operação mercantil ou se houve desvirtuamento do instituto apto a caracterizar o ganho auferido pelo profissional como remuneração tributável Passemos, então, à análise do plano de stock options, conjuntamente com os pontos apontados pela autoridade fiscal como caracterizadores da natureza remuneratória às opções de compra de ações oferecidas a trabalhadores. a) Onerosidade do plano A Autoridade Fiscal afirma que, diferentemente das opções de compra de ações oferecidas em geral no mercado, naquelas ofertadas a trabalhadores, estes não desembolsam valores para adquirir o direito de comprar ações da empresa no futuro, o que supostamente comprometeria a onerosidade e, por consequência, o risco envolvido com a sua adesão. Analisando o plano de opção de ações do Recorrente, constata se que, de fato, não se exige do beneficiário um pagamento inicial para que possa, após o prazo de carência, exercer o seu direito de compra das ações. A despeito disso, entendo que o fato de não ser exigido um valor para aquisição do direito futuro de exercício da opção de compra de ações, por si só, não retira deste o seu caráter oneroso, muito menos o risco atinente a esse tipo de contrato. Isto porque, embora não seja preciso fazer desembolso inicial para adquirir a opção, o exercício da opção de ações do Recorrente é inequivocamente oneroso, já que existe a obrigação de o beneficiário pagar o preço fixado para a aquisição das ações, sendo este preço, a teor da cláusula sexta do plano, determinado pela média dos preços das ações nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo, no período de no mínimo um e no máximo três meses anteriores à data das opções, facultado ajuste de até 20%, para mais ou para menos. Esse preço do exercício das ações é devidamente reajustado até o mês anterior ao do exercício da opção pelo IGPM. Além do critério para definição do preço do exercício ser razoável, vez que considera a média de preços das ações na Bolsa de Valores de São Paulo, bem como ser devida a correção dos valores, considerando índice regularmente praticado (IGPM), as regras quanto ao prazo para pagamento são as mesmas aplicáveis à liquidação de operações na Bolsa de Valores de São Paulo. É o que se extrai da leitura da cláusula abaixo transcrita: PREÇO DO EXERCÍCIO [...] Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 518 30 6.2. Exercendo a opção, o respectivo titular deverá pagar o preço do exercício em prazo igual ao vigente para liquidação de operações na Bolsa de Valores de São Paulo. (grifos nossos) Há, portanto, nítida onerosidade no Plano de Opção de Compra de ações ofertado pelo Recorrente, já que há uma efetiva aquisição de ações através do plano, e não uma outorga graciosa dos títulos, mesmo não sendo necessário fazer um desembolso inicial para obter o direito futuro de adquirir as ações. b) Impossibilidade de transferência para terceiros Considerando, ainda, o objetivo de instituição do plano, convém registrar que, diferente do que alega a autoridade fiscal, a possibilidade de transferência do exercício da opção para terceiros macularia a própria intenção de criação do plano, que, como já dito, tem em sua essência o objetivo de fortalecer a relação entre a empresa e o trabalhador. A pessoalidade e indisponibilidade estão plenamente de acordo com a natureza jurídica do plano em questão. Esses elementos, portanto, não o descaracterizam, nem retiram a sua natureza mercantil, esta evidenciada pelo risco e onerosidade presentes na aquisição de ações por meio do planto de stock options. c) Livre exercício do direito de compra das ações Aduz a fiscalização que o trabalhador tem o direito de não exercer a opção de aquisição de ações caso o preço de mercado esteja inferior ao da oferta, o que por si só já retiraria o risco que é inerente a esse tipo de negócio. Não é, contudo, a possibilidade de não exercício que retira da operação o risco que lhe é inerente. O risco se caracteriza essencialmente pelo pagamento do preço pelo beneficiário e pela possibilidade de perder o valor pago no mercado de ações, conforme será visto no tópico seguinte. Ademais, se realmente a oferta de ações estivesse vinculada à remuneração, representando contraprestação pelo serviço realizado, seria obrigatório o exercício do direito de opção pelo trabalhador, o que, como visto, não se verifica no caso analisado. d) Do risco inerente ao exercício do direito de aquisição das ações No caso ora analisado, apenas é possível exercer o direito de compra de ações, com o respectivo pagamento do preço do exercício, após o prazo de no mínimo 01 (um) ano e no máximo 05 (cinco) anos, contados do ano em que houver a emissão das opções aos beneficiários do stock options. Após o exercício da opção, por sua vez, o trabalhador só pode alienar, de imediato, a metade das ações adquiridas com exercício das opções, de modo que a outra metade das ações fica Fl. 518DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 519 31 indisponível pelo prazo de 2 (dois) anos, contados a partir do exercício da opção, conforme demonstram as cláusulas abaixo transcritas. 10. DISPONIBILIDADE DAS AÇÕES 10.1. O titular da opção poderá dispor livremente de metade das ações que houver adquirido através de cada ato de exercício dessa opção. 10.2. A outra metade focará indisponível pelo prazo de 2 (dois) anos, contado a partir da data do exercício de opção, averbando se essa indisponibilidade na forma e para fins previstos no art. 40 da Lei n.º 6.404 de 15.12.76, ressalvadas as exceções a seguir estabelecidas. [...] Ora, a indisponibilidade das ações adquiridas por dois anos é um elemento essencial para caracterização do risco a que se sujeita o trabalhador, no momento em que exerce a opção de ações que lhe foi ofertada. Dois anos é um prazo razoavelmente longo e nele podem ocorrer situações que levem o preço das ações a valores bastante inferiores aos de exercício. Fatores externos ou internos, como uma crise econômica em nível nacional ou internacional, uma crise política, a desvalorização da moeda nacional, a má condução dos negócios, dentre outros, podem influenciar significativamente no valor de mercado das ações ofertadas. O beneficiário tem, portanto, manifesto risco de arcar com prejuízos oriundos de eventual queda no preço das ações. Apenas a título exemplo, verificase, do Termo de Constatação elaborado pela KPMG, que, durante período inferior há um ano, as ações do Itaú tiverem grande alternância em seus valores, conforme demonstram as informações extraídas do site da BM&F Bovespa, por meio das quais se verifica que em 19/07/2007 o preço das ações era de R$ 94,30 e, em 24/10/2008, a cotação despencou para R$ 17,50. No caso ora analisado, tais informações tornam manifesto o risco dos trabalhadores ao adquirirem as ações da Companhia. Logo, a existência de cláusula prevendo a proibição de alienação de metade das ações por dois anos contados da data do exercício, sendo que, dois anos após, não é possível prever se as ações originalmente ofertadas por determinado valor terão preço superior ou inferior no mercado, torna inequívoca a existência de risco. No mesmo sentido, o argumento trazido na acusação fiscal de que os planos possuem prazo de vigência alargado tampouco é apto a desnaturar o caráter mercantil do plano, já que durante esse tempo é possível que os preços das ações caiam e se recuperem a tempo de o trabalhador não suportar prejuízos, assim como é possível que eles apenas declinem e a perda e capital seja cada vez maior ao longo do tempo. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 520 32 Uma cláusula dessa natureza poderia ser contestada no contexto de planos que permitem imediatamente após a opção a venda de todas as ações, ações estas que são ofertadas por valor vil, na data da concessão (não do exercício). Nesses casos, pode ficar demonstrado que o plano tinha por objetivo propiciar um ganho certo e imediato ao beneficiário, que se caracterizaria como remuneração. Não é, ao que me parece, o caso dos autos. Tal risco foi ratificado a partir da análise realizada pela KPMG, que simulou algumas situações que, embora o trabalhador auferisse ganho no primeiro exercício da opção de compra de ações, passados dois anos, quando poderia exercer o direito em relação à metade das ações adquiridas anteriormente, acabaria realizando prejuízo superior ao ganho inicialmente obtido, considerando a flutuação do valor da ação no mercado no decorrer do período analisado. Também foi realizada simulação, por meio da qual se constatou a constante verificação de prejuízos com o exercício da opção de aquisição do direito de ação durante todo o prazo de vigência do plano, de modo que provavelmente tal direito sequer chegaria a ser exercido pelos trabalhadores. Conclusão quanto ao caráter mercantil do plano de stock options ora analisado Constatase da análise das características essenciais do programa de ações em tela que o beneficiário não tem nenhuma garantia de ganho na venda da totalidade das ações adquiridas, muito menos recebe as ações por gratuidade. É preciso pagar para a sua compra e aguardar mais de dois anos para vender a metade das ações adquiridas, o que sujeita o beneficiário inevitavelmente às oscilações de preço que são inerentes ao mercado de ações. Assim, diante da nítida onerosidade e da ausência de cláusulas hábeis a afastar o elemento risco inerente aos contratos mercantis e caracterizar o plano de oferta de ações como política de remuneração do Recorrente, entendo que a autuação não merece prosperar. O Programa instituído pelo Recorrente não pode ser caracterizado como remuneração, por ser optativo e oneroso no que tange à aquisição das ações, haver prazo para venda de metade das ações inicialmente adquiridas e não existir cláusula que evite perdas que podem advir com a futura desvalorização das ações. Por oportuno, peço vênia para discordar da interpretação dada pela douta PGFN à cláusula 9 do Plano, que trata dos ajustes quantitativos das Opções. Tal cláusula diz respeito à necessidade de ajuste na quantidade ou preço das ações ofertadas em situações como desdobramento, grupamento de ações, fusão, incorporação, cisão, dentre outros, que, por sua natureza, afetam essas variáveis e demandam ajustes para que se mantenham as condições inicialmente pactuadas. Se, por Fl. 520DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 521 33 exemplo, ocorreu um desdobramento de ações em mil, é preciso que as ações ofertadas sejam multiplicadas por mil, para manutenção das condições originais do plano. Isso não desvirtua o plano, nem foi utilizado pela fiscalização como argumento para descaracterização da sua natureza mercantil. Não se trata, assim, de remuneração pelo serviço prestado, já que esta é certa, não depende de evento futuro, nem de adesão do trabalhador, muito menos de pagamento por parte deste. Não houve, no caso, qualquer desembolso por parte do Recorrente para os beneficiários adquirissem as ações ofertadas, que pudesse ser caracterizado como remuneração. Diante de tais conclusões, considerando que tais parcelas não integram o salário contribuição diante da manifesta ausência de caráter remuneratório, não há que se falar na incidência do adicional de 2,5% e tampouco na configuração de obrigação acessória, decorrente da ausência de declaração de fato gerador em GFIP. 3.2. Do momento da ocorrência do fato gerador e dos seus reflexos na apuração da base de cálculo Como visto acima, no entender desta relatora, o plano de stock options do Recorrente não possui desvirtuamentos que levem à sua caracterização como remuneração. Não havendo que se falar em remuneração, não restou configurada a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, diante do que acabou ficando prejudicada a avaliação quanto à correição ou não do momento da ocorrência do fato gerador fixado pelas autoridades fiscais. Conclusão Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício, acolho a decadência aventada até a competência de maio de 2006 e, no mérito, dou total provimento ao recurso voluntário." Compartilho do referido entendimento, pois entendo que o plano de stock options da contribuinte não possui desvirtuamentos que levem à sua caracterização como remuneração. Assim, o Termo de Verificação Fiscal apresentou outra grave inconsistência, ao considerar que houve pagamento de remuneração por um serviço prestado. Em razão disso, não procede o lançamento também por tal ponto. Portanto, o lançamento deve ser afastado, seja pelo erro quanto ao momento do fato gerador existente no lançamento, por considerar a data do término do prazo de carência, ou ainda, pela fundamentação equivocada deste ao considerar que houve pagamento de remuneração, acarretando outro erro na apuração do fato gerador do tributo. Assim, estando incorreta a indicação da base de cálculo eleita para o tributo, a multa, que lhe é proporcional, não pode subsistir. No entanto, tendo sido vencido o relator, pelo voto de qualidade, quanto ao recurso voluntário, observase que os fundamentos adotados pelo Colegiado encontramse na declaração de voto do Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 522 34 Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Declaração de Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada Peço licença ao ilustre Relator, Conselheiro Martin da Silva Gesto, para discordar em parte de suas conclusões, no que toca à natureza do plano sob análise, registrando que isso não afeta em nada o resultado do julgamento, uma vez que estamos de acordo com o que diz a respeito ao equívoco na determinação de aspecto temporal do fato gerador. Transcrevo de seu voto, para ilustrar: ... pois entendo que o plano de stock options da contribuinte não possui desvirtuamentos que levem à sua caracterização como remuneração. Assim, o Termo de Verificação Fiscal apresentou outra grave inconsistência, ao considerar que houve pagamento de remuneração por um serviço prestado. Em razão disso, não procede o lançamento também por tal ponto. Portanto, o lançamento deve ser afastado, seja pelo erro quanto ao momento do fato gerador existente no lançamento, por considerar a data do término do prazo de carência, ou ainda, pela fundamentação equivocada deste ao considerar que houve pagamento de remuneração, acarretando outro erro na apuração do fato gerador do tributo. Assim, estando incorreta a indicação da base de cálculo eleita para o tributo, a multa, que lhe é proporcional, não pode subsistir. Ao analisar esse mesmo plano de stock options, também registraramse divergências na 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento, nos autos do processo 16327.721796/201156. Vejamos do Acórdão 2401003.890, de 11 de fevereiro de 2015: STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO. No presente caso, o plano de stock options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 523 35 adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição. (...) ACORDAM os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício, b) excluir do lançamento os fatos geradores até 11/2006, face a aplicação da decadência quinquenal. II) Por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento em relação aos 30 beneficiários incluídos na diligência fiscal cientificada em 12/12/2012, vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira que rejeitava a preliminar. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso, por entender que não restou comprovado o caráter remuneratório dos valores pagos aos beneficiários no presente caso, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que entendeu ter sido demonstrado o caráter remuneratório. Fará declaração de voto de voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.(sublinhei) Não é preciso alongarme muito, apenas registrar que concordo com as conclusões da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, especialmente quando fez registrar, em sua declaração de voto, que: O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação do auditor que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Tal fato mostrase relevante para evitar que as empresas passem a adotar sistemáticas de remuneração indireta, passando as chamálas de stock options. (...) Assim, não interessa a nomenclatura atribuída a verba conferir lhe caráter indenizatório, se o pagamento da mesma consubstanciaseem verba com cunho remuneratório. Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo, ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma, que o mesmo veja no trabalho prestado na empresa uma possibilidade de remuneração indireta. (...) Uma leitura do termo de verificação fiscal, deixa claro, ter a autoridade fiscal se debruçado sobre os planos e demais instrumentos e comunicados gerenciais da empresa de forma, a que entendeu possuir o referido plano a nítida intenção de conferir um ganho indireto ao trabalhador, razão pela qual Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 524 36 restou caracterizada a sua natureza salarial. Apenas, para ilustrar destaco, que no item 5, iniciou o auditor narrando os fatos acerca da estrutura organizacional e contábil da empresa, instituição do plano, intimações e respostas, procedendo no item 5.5 a análise do plano. Destaque, ainda, para o item 6 do mesmo relatório onde o mesmo descreve os elementos identificados para seu convencimento acerca da natureza salarial do benefício. Assim, pelos elementos ali constantes e pela própria forma, que a empresa adota a referida política, entendo estar acertada a conclusão a que chegou a autoridade fiscal. (...) ... não há pagamento no momento da possibilidade de opção. Ou seja, não estabeleceu a empresa um valor ou antecipação no momento da contratação da outorga, demonstrando que o recorrente simplesmente atribuiu a possibilidade de aquisição (digase que não é obrigatório), permitindo, ao benefíciário a escolha do melhor momento para aquisição das ações (dentro de uma prazo limite estipulado pela empresa). Esse fato mostrase relevante, quando em outras oportunidades (outros planos de stock options) identificouse um desembolso no momento da assinatura do contrato de opção, sem nesse momento exercer qualquer tipo de direito, mas tão somente para ter direito de futuramente exercêlas por um preço previamente estipulado. A atribuição de um valor no momento de assinatura do contrato, denotaria um risco, pois se o trabalhador futuramente não tiver interesse em exercer o direito de comprar, não terá direito ao reembolso do valor. Por fim, outro elemento, trazido pela relatora, que no meu entender também não enseja um risco acentuado, capaz de afastar a natureza salarial do plano da autuada é a impossibilidade de vender metade das ações por um determinado período (denominado lock up). Pelo contrário, entendo que a possibilidade de venda antecipada das ações (no caso de 50%), sem que se tenha cumprido todo o período de carência é que reforça a natureza salarial da verba, pois o beneficiário pode escolher momentos oportunos para realização da venda. Ainda, especialmente no que toca a essa questão da existência de cláusula de lock up, que impediria o beneficiário de vender 50% por cento das ações, por determinado período de tempo, entendo que não afeta a ocorrência do fato gerador, nos termos que se procurou delinear no voto do relator, ou seja, data da ocorrência no exercício das opções de compra e base de cálculo representada pela diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. O fato de poder dispor sobre as ações, assinando um contrato em que se compromete a não vendêlas, demonstra exatamente a disponibilidade do beneficiário sobre elas. Vejamos um exemplo. O contribuinte recebe seu salário no dia 05 de setembro, e sobre ele incide o imposto de renda na fonte. Mas assina contrato particular com sua esposa, comprometendose a gastar somente metade desse salário naquele mês, e guardar o Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16327.721798/201145 Acórdão n.º 2202003.510 S2C2T2 Fl. 525 37 restante para gastar somente em dezembro. O fato de ter assinado um instrumento particular que o impede de gastar o salário em nada afeta o fato gerador do imposto, que ocorrerá sobre a totalidade do salário, já em setembro. E ele só pode se comprometer a "não gastar" aquele salário sobre o qual já adquiriu a disponibilidade. Entendo que essa questão da venda futura é totalmente independente do fato gerador aqui em análise. Ela se alinha para verificação do ganho de capital eventualmente auferido pelo beneficiário e à incidência do imposto de renda das pessoas físicas, mas o fato de ter exercido seu direito a comprar ações com valor abaixo do preço de mercado, em evidente vantagem não oferecida ao mercado em geral, ostenta natureza remuneratória, e, nessa condição, parcela integrante do conceito legal de salário e sujeito ao imposto de renda retido na fonte. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 525DF CARF MF
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