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Numero do processo: 10820.900175/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Ano-calendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Se a própria recorrente admite a necessidade de retificar sua DIPJ, e afirma estar providenciando esta retificação, a declaração de compensação padece de certeza e liquidez.
Numero da decisão: 1301-000.852
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Se a própria recorrente admite a necessidade de retificar sua DIPJ, e afirma estar providenciando esta retificação, a declaração de compensação padece de certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Verificase pela análise do presente processo administrativo que a recorrente apresentou PER/DCOMP (fls. 13 – 21), sendo que esta não foi homologada nos termos do Despacho Decisório de folha 07, porquanto analisadas as informações prestadas pela ora recorrente, constatouse que não foi apurado saldo negativo, uma vez que na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, constaria saldo de contribuição social a pagar. Destacou o aludido Despacho Decisório que o saldo negativo informado no PER/DCOMP, originariamente correspondia a R$ 8.331,94 e o valor da contribuição social a pagar na DIPJ foi de R$ 2.113,94, razão pela qual não se homologou a compensação pleiteada. Cientificada (fl. 08), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 02), sustentando a existência do direito creditório e requerendo a homologação da compensação apresentada. A 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 30 a 32, indeferiu a solicitação, assentando que para o reconhecimento do direito creditório mister o preenchimento dos requisitos de certeza e liquidez do crédito indicado, e destacando que as informações prestadas na Dcomp devem corresponder àquelas prestadas ao Fisco nos demais documentos de escrituração. Afirmou a decisão recorrida que no caso concreto, ao confrontar as informações prestadas na Dcomp, com aquelas insertas na DIPJ, a DRF de origem não localizou o crédito pleiteado, contrário disso, verificou na DIPJ a existência de contribuição a pagar. Constatouse ainda, que na Manifestação de Inconformidade, a recorrente alegou possuir o citado crédito, e em seu demonstrativo informa saldo credor da DIPJ/2001 e recolhimentos por estimativa naquele ano, sendo certo que no PER/DCOMP, foi informado crédito decorrente de base negativa de CSLL do exercício 2002, período de 01/01/2001 a 31/12/2001, e que a recorrente ao indicar saldo credor da DIPJ/2001, introduziu matéria nova, alheia ao presente processo não sendo cabível naquele momento processual, destacandose que a consulta de folhas 28 a 29 confirmaria que na DIPJ/2002, Ficha 17, consta CSLL a pagar e que os recolhimentos antecipados e as retenções na fonte, constituem antecipações e somente após o encerramento do período de apuração e na hipótese de se apurar saldo negativo é que se pode cogitar de direito líquido e certo, passível, portanto, de compensação. Diante disso, firmouse entendimento de que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, em sede de análise pela DRF de origem, da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitada aos valores das antecipações recolhidas no curso do anocalendário, podendo atingir a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte, daí porque, a ausência de informação na DIPJ impossibilitaria naquela sede de julgamento reconhecerse a existência dos pressupostos de admissibilidade da compensação, já que o julgamento da DRJ se constitui em foro revisional. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10820.900175/200965 Acórdão n.º 1301000.852 S1C3T1 Fl. 2 3 Regularmente notificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 38), alegando em síntese que ao analisar a DIPJ/2001, na página 16, item 42 – CSLL a pagar no valor de R$ 2.113,94, advindo do item 36 da mesma página, cumpriria informar que “houve um esquecimento em não lançar no item 38 CSLL mensal paga por estimativa. Aduziu ainda que idêntica situação se deu com o imposto de renda, que foi recolhido mensalmente por estimativa e somou um valor total de R$ 9.514,23 não sendo compensado na DIPJ. Por fim, afirmouse que estava juntando ao processo cópia do relatório no qual se demonstra todos os recolhimentos, informando que se faria a retificação da DIPJ lançando os valores pagos por estimativa para serem compensados, pugnando assim, pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A questão versada nos autos se relaciona a declaração de compensação apresentada pela recorrente (fls. 13 – 21), com período de apuração do crédito atinente ao exercício 2002 e indicação da existência de saldo negativo de CSLL. De acordo com o Despacho Decisório de folha 07, em vez do citado crédito, a recorrente apresentou na DIPJ do período, CSLL a pagar, situação absolutamente contrária ao reconhecimento do direito creditório. Em análise da Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a decisão recorrida verificou que a recorrente alegava possuir saldo credor oriundo da DIPJ/2001, conquanto tenha informado, no PER/DCOMP, saldo negativo do ano calendário subsequente, introduzindo assim, matéria nova na declaração de compensação. Em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte inova outra vez ao aduzir que analisando a DIPJ/2001 verificou que não lançou a CSLL mensal paga por estimativa, porém, realizou rigorosamente os pagamentos referentes às estimativas, situação que imporia reconhecerse o direito creditório. Para deslindar a questão posta em julgamento, de bom alvitre relembrar que se cuida de declaração de compensação formulada e apresentada pela recorrente, compensação que a seu turno, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, reclama sejam aferidos, para sua homologação, os requisitos de certeza e liquidez do crédito indicado. Os tais requisitos, é bom que se diga, devem se fazer presentes de pronto, permitindo aos órgãos fazendários verificalos e, por conseguinte, homologar a compensação. Observo, nesse contexto, que tais exigências em nada ofendem o princípio da verdade material, tratase de exigência préestabelecida, e que se coaduna com a sistemática de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, sob condição de ulterior homologação, da simples apresentação da compensação. Sendo assim, considero de absoluta importância, para os fins de homologar se uma compensação declarada, que a certeza e liquidez estejam presentes desde o primitivo enfrentamento da autoridade administrativa, não me parecendo legítimo, que se afirme ter “esquecido” de incluir na DIPJ os pagamentos mensais efetuados e ainda assim se reputar o crédito como líquido e certo. Por outro lado, assiste razão à decisão recorrida quando afirma que a recorrente pretende inovar em sua declaração de compensação, situação que implicaria na supressão de instância caso se reconhecesse, nesta sede recursal, os elementos autorizadores da compensação. Se a própria recorrente admite a necessidade de retificar sua DIPJ, e afirma estar providenciando esta retificação, quer me parecer que a declaração de compensação padece de certeza e liquidez, razão pela qual encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo inalterada a decisão impugnada. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10820.900175/200965 Acórdão n.º 1301000.852 S1C3T1 Fl. 3 5 Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.902091/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PAF- RECURSO DE OFÍCIO EM FACE DE DECISÃO QUE HOMOLOGOU INTEGRALMENTE A COMPENSAÇÃO.
Conforme dispõem os artigo 27 da Lei nº 10.522/02 e 79 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, não cabe recurso de ofício da decisão que considerar procedente manifestação de inconformidade em processos relativos a restituição, ressarcimento, reembolso ou compensação.
Numero da decisão: 1401-000.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias- Relatora.
EDITADO EM: 26/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias.
Matéria: RF06 - C01 - Fazendária - Compensação
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PAF- RECURSO DE OFÍCIO EM FACE DE DECISÃO QUE HOMOLOGOU INTEGRALMENTE A COMPENSAÇÃO. Conforme dispõem os artigo 27 da Lei nº 10.522/02 e 79 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, não cabe recurso de ofício da decisão que considerar procedente manifestação de inconformidade em processos relativos a restituição, ressarcimento, reembolso ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias- Relatora. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PAF RECURSO DE OFÍCIO EM FACE DE DECISÃO QUE HOMOLOGOU INTEGRALMENTE A COMPENSAÇÃO. Conforme dispõem os artigo 27 da Lei nº 10.522/02 e 79 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, não cabe recurso de ofício da decisão que considerar procedente manifestação de inconformidade em processos relativos a restituição, ressarcimento, reembolso ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (presidente da turma), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 20 91 /2 00 8- 04 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face do Acórdão n° 0938.067 de 07/12/2011, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG. A DRFUBE/MG emitiu Despacho Decisório Eletrônico (fl. 61), no qual homologou parcialmente as compensações pleiteadas pelo contribuinte, sob o argumento de que o direito creditório reconhecido (Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário de 2002), no valor de R$ 15.723.613,60, não foi suficiente para homologação integral dos débitos declarados nas PER/DCOMP´s. A confirmação parcial do Saldo Negativo do Contribuinte se deveu ao fato de constarem retenções na fonte no montante de R$ 22.030.286,53 ao passo que o contribuinte informou um total de R$ 23.258.316,95. Por não concordar com o Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 86/95) alegando, em suma, que a diferença apontada no Despacho se referia ao valor recolhido de IRRF proveniente das comissões e corretagens pagas à Pessoa Jurídica, o qual foi desconsiderado pela Autoridade Fiscal. Vejamos o cerne da questão conforme alegação do contribuinte: As receitas por ela adquirida são conceituadas como comissões relativas à administração de cartão de crédito, se enquadrando na hipótese do art. 53, inciso I, da Lei 7.450/1985. Nessa situação – diferentemente de outras hipóteses de IRRF, em que a fonte pagadora é quem efetua a retenção dos respectivos valores – é a beneficiária dos rendimentos que recolhe o IRRF devido. Portanto recolheu o IRRF incidente sobre as comissões recebidas dos seus estabelecimentos filiados (lojistas), como disciplinado na IN SRF 153/1987. Assim, no decorrer do ano calendário 2002, recolheu IRRF (código de receita 8045), a título de comissão pela administração de cartão de crédito American Express, paga pelos seus estabelecimentos filiados (lojas), no valor de R$ 2.253.456,42, tendo devidamente declarado tais valores em sua DIPJ; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou procedente, por unanimidade dos votos, a manifestação de inconformidade do contribuinte, homologando as compensações declaradas e extinguindo todos os débitos objeto das DCOMP`s relacionadas ao Despacho Decisório n° 845332509 (fls. 181/190), em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Data do fato gerador: 28/01/2004 COMPENSAÇÃO A homologação da compensação declarada é cabível quando comprovado o direito creditório a ela vinculado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/01/2004 NULIDADE. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.902091/200804 Acórdão n.º 1401000.911 S1C4T1 Fl. 3 3 Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no procedimento fiscal qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2002 COMISSÕES E CORRETAGENS PAGAS À PESSOA JURÍDICA. O recolhimento do IRRF, relativo ao código de receita 8045, deverá ser efetuado pela pessoa jurídica que receber de outras pessoas jurídicas importâncias a título de comissões e corretagens relativas à administração de cartões de crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 DECADÊNCIA A decadência se reporta ao lançamento de crédito tributário, não operando efeitos sobre a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório que a contribuinte pretende recuperar. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido Uma vez que os débitos compensados superaram o limite de R$ 1.000.000,00, a DRJ, seguindo o disposto no artigo 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (com alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997) e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, determinou a remessa de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Em primeiro lugar, a despeito de a exoneração superar o limite de alçada para remessa de ofício, entendo que não deve ser conhecido o recurso de ofício, em razão da previsão do artigo da Lei nº 10.522, o qual assim dispõe: Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas, pela autoridade fiscal da jurisdição do sujeito passivo, em processos relativos a restituição de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e a ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 Nesse sentido, e mais detalhadamente, prevê a instrução normativa Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012 prevê: Art. 79. Não caberá recurso de ofício da decisão que considerar procedente manifestação de inconformidade em processos relativos a restituição, ressarcimento, reembolso ou compensação. Se assim é, considerando que o recurso de ofício versa justamente sobre o reconhecimento, no acórdão proferido pela DRJ, de saldo a restituir utilizado para compensação, então homologada, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso de Ofício, encerrandose então definitivamente a lide com a homologação das compensações declaradas nas PER/DCOMP`s. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.920767/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2001
Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE
INFORMAÇÃO EM DIPJ. Não é legítimo afastar definitivamente o direito
do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter
preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. Por conseguinte, devem ser
conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos
aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros
no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao
reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente
acolhimento do pedido de compensação.
ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há
divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se
queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração
ou através das circunstâncias em que a declaração é feita.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO
POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA
ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação
formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido
negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em
verdade, apresentação de novo pleito.
Recurso voluntário a que se dá parcial provimento para que seja determinado
à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito
creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária.
Numero da decisão: 1102-000.750
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para superar o erro no preenchimento da DIPJ e determinar à unidade de origem o exame da procedência do direito creditório informado na PER/DCOMP originária.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE INFORMAÇÃO EM DIPJ. Não é legítimo afastar definitivamente o direito do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. Por conseguinte, devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para superar o erro no preenchimento da DIPJ e determinar à Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 unidade de origem o exame da procedência do direito creditório informado na PER/DCOMP originária. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Plínio Rodrigues Lima, João Otávio Opperman Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJ 1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DERAT/RJO, através do Despacho Decisório n° 783770944 (fl. 9), não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$60.940,50 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15374.920767/200841 Acórdão n.º 110200.750 S1C1T2 Fl. 2 3 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 O interessado, cientificado em 02/09/2008 (fls. 7/8), apresentou, em 26/09/2008, manifestação de inconformidade (fls. 11/17). Nesta peça, alega, em síntese, que: embora tenha informado as retenções na fonte na Ficha 43 da DIPJ, deixou de informar os valores de estimativa e IRRF na ficha 12 A, fatos já reparados na DIPJ retificadora; o saldo informado no PER/DCOMP é incorreto (possui saldo negativo de R$ IRPJ no total de R$ 167.468,21); o despacho decisório foi motivado por preenchimento incorreto da DIPJ e do PER/DCOMP, estando a administração presa ao Princípio da Verdade Material (cita jurisprudência). E o relatório.” O acórdão acima ementado rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que: (i) a DERAT/RJO, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP (tipo de crédito: saldo negativo) com as da DIPJ, não localizou o crédito pleiteado (na DIPJ constava saldo zero); (ii) na manifestação de inconformidade, o contribuinte não elide os fatos apontados no Despacho Decisório (reconhece ter deixado de informar os valores de estimativa e IRRF na ficha 12 A), ao contrário, informa a retificação da declaração; (iii) a DIPJ deveria ter sido retificada antes da apresentação do PER/DCOMP ou antes da emissão do Despacho Decisório. Por sua vez, a retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 57 da IN n° 600/2005); (iv) o contribuinte havia sido cientificado das inconsistências apuradas pela DERAT e, nesta data, lhe foi dada a oportunidade de efetuar a retificação na DIPJ antes da emissão do Despacho Decisório (foi intimado, através do Termo de Intimação n° 621528307, com ciência em 06/09/2006, fls. 82/83, a retificar a DIPJ ou a apresentar PER/DCOMP retificador); (v) cabe à DRF de origem a análise do crédito pleiteado e o pronunciamento inicial a respeito do deferimento, ou não, de pedidos de restituição/compensação. A ausência de informação na DIPJ, declaração própria para este fim, fez com que não houvesse a análise, pela DERAT/RJO, de eventual saldo negativo (posto que não restou configurado o direito creditório pleiteado saldo negativo de IRPJ); (vi) o julgamento pela DRJ decorre de mera revisão do ato praticado pela DERAT, sendo a matéria impugnada tãosomente aquela resolvida pela decisão a quo e que foi atingida pelo recurso; (vii) por conseguinte, sem a apuração, em tempo hábil, de saldo negativo, não há que se falar em constituição de direito creditório a tal título.. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, no sentido de que teria direito à restituição dos valores pretendidos, por intermédio de compensação, em vista da (i) aplicação dos princípios da verdade material e da moralidade ao caso; e (ii) da efetiva existência de crédito consubstanciado em saldo negativo de IRPJ de R$ 167.468,21, proveniente de (a) retenção de tributos na fonte; (b) recolhimento de estimativas no mês de março do anocalendário de 2001 e (c) prejuízo fiscal apurado na DIPJ 2001, no valor de R$1.014.487,84. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 4 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Depreendese do relatório supra que são três as questões controvertidas nesse procedimento, quais sejam: (i) a existência (ou não) do erro material alegado pela Recorrente na Declaração de Compensação originária, que seria suscetível de mera retificação; (ii) a legitimidade (ou não) da retificação da Declaração de Compensação levada a efeito pela Recorrente mesmo após o proferimento de decisão administrativa que a indeferiu; e (iii) a possibilidade de o contribuinte ver examinadas as razões e documentos que justificam o direito creditório informado em PER/DComp, nada obstante tais documentos e razões não tenham sido examinado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem por força de erros no preenchimento de DIPJ. A resposta às duas primeiras questões é negativa. Não há como sustentar (tal como o fez a Contribuinte) que teria ocorrido “erro material” (suscetível de retificação) na Declaração de Compensação originária apresentada à SRF. Conforme é de conhecimento geral, o erro material suscetível de retificação ocorre quando o sujeito escreve coisa distinta daquela que queria declarar. É a divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito. Trata do simples erro de cálculo ou de escrita, revelado no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Do exame dos autos, resta inequívoco que, na data da formulação do pedido de compensação originário (14.02.2005), a Contribuinte pretendia efetivamente compensar débitos de IRRF (relativos ao anocalendário de 2004) com supostos créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ apurados no anocalendário de 2000, no valor de R$ 60.940,50. De fato, ao par da clareza meridiana da declaração respectiva, o pedido de compensação apresentado pelo contribuinte em 15/02/2002 continha relação dos valores retidos na fonte que caracterizariam seu direito creditório. Não pode ser considerado erro material, (reiterese: susceptível de retificação), o fato de a Recorrente ter pleiteado a compensação de crédito em montante eventualmente inferior ao seu pretenso direito quando a declaração respectiva não traz qualquer indício a esse respeito. Em verdade, sob a alcunha de “retificação de erro material” pretende a Recorrente formular novo pedido de compensação (outro crédito) aproveitandose da data do pleito originário para afastar eventual alegação de prescrição. Não bastasse tal fato, que por si só seria suficiente para rejeitar o pleito da Contribuinte nessa parte, é de se destacar que não é legítimo ao contribuinte pretender a retificação de Pedido (Declaração) de Compensação quando já proferida decisão administrativa sobre seu mérito. Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 15374.920767/200841 Acórdão n.º 110200.750 S1C1T2 Fl. 3 5 procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador. Entendo, contudo, que o recurso voluntário da Contribuinte merece ser provido na parte em que pretende seja examinado o direito creditório expressamente pleiteado na PER/DComp. Não é legítimo afastar definitivamente o direito do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. A informação contida na DIPJ original (de inexistência de saldo negativo no período) tem caráter de presunção simples, que admite prova em contrário pelo contribuinte por meio de documentos e de sua própria escrituração ao longo do processo administrativo. No caso, particularmente, há fortes indícios de que o crédito informado em PER/DComp seja procedente, ante (i) os lançamentos feitos na escrituração fiscal acostada aos autos; (ii) o significativo prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário de 2000 e (iii) a provável existência de tributos retidos e recolhidos pela fonte pagadora, cuja constatação pela RFB prescinde inclusive de diligência específica em vista das informações contidas em seus sistemas informatizados. Por conseguinte, entendo que devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário da Contribuinte para, no mérito, darlhe parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
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Numero do processo: 10469.904114/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.22/23) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou PER/Dcomp — Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação, fls. 13 a 16, em 29/04/2005, relativamente ao pretenso crédito originário de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2372 — CSLL com débitos de sua responsabilidade, conforme fl. 02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, a Autoridade Competente decidiu por NÃO HOMOLOGAR a compensação, fundamentandose no fato de o DARF informado no PER/Dcomp já ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da contribuinte, não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 04 11 4/ 20 09 -2 3 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904114/200923 Resolução nº 1802000.156 S1TE02 Fl. 3 2 restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp objeto do presente processo. 3. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 02, em 03/06/2009, conforme fl.12, consta manifestação de inconformidade apresentada em 29/06/2009, consoante fl. 17, na qual alega que: 3.1. "No 3° trimestre de 2003 e demais trimestres de 2004, a empresa calculou a sua CSLL equivocadamente com alíquota de 32% quando seria com 12% por se tratar de Construção Civil, onde as receitas são relativas a contratos de empreitada que abrange tanto mãodeobra quanto o fornecimento de materiais"; 3.2. ao recalcular este imposto, "verificou o engano e o crédito de imposto a ser compensado, sendo feitas as PER/DCOMP de número porém, não foram retificadas a tempo as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, como também as DIPJ 2004 e 2005", sendo este o motivo pelo qual a Receita Federal do Brasil não constatou a existência de crédito, não homologando a compensação declarada; 3.3. para corrigir a situação foram feitas retificações nas DCTF e DIPJ para demonstrar o seu direito de compensar o valor. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1134.905, de 15 de setembro de 2011 (fls.21/27), cientificado ao interessado em 08/11/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.21): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. CONSTRUÇÃO CIVIL. A partir de setembro de 2003, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 12% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 DCOMP. ERRO DE FATO EM DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a retificadora para Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904114/200923 Resolução nº 1802000.156 S1TE02 Fl. 4 3 fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/11/2011, no qual transcreve trechos da decisão recorrida para demonstrar que a negativa ao crédito se deu em virtude de a empresa não ter anexado os documentos comprobatórios do direito ao crédito, quais sejam: Contrato de prestação de serviços, mencionando que os materiais aplicados são de responsabilidade da contratada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais e escrituração fiscal destes documentos. Argumenta que, ciente de seu direito creditório está apresentando as cópias dos contratos de empreitada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais do período a que se refere a compensação. Alega que, com a anexação dos documentos e livros fiscais que comprovam o direito da empresa em compensar recolhimentos feitos indevidamente, está atendendo a todos os requisitos e suprindo todas as falhas e erros cometidos no desenrolar do processo. Assim, requer seja julgado procedente o pedido de homologação da compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 01219.21104.290405.1.3.049772 (fls.13/16), transmitido em 29/04/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ: R$ 2.579,02, código 2089, relativo ao 1° trimestre de 2005, com a utilização de crédito no valor de R$ 2.043,60, decorrente de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904114/200923 Resolução nº 1802000.156 S1TE02 Fl. 5 4 pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372; Período de Apuração: 30/09/2003; Data de Arrecadação: 31/10/2003, Valor: R$ 3.121,95). Consta do mencionado PER/DCOMP (fl.14) que o crédito inicial foi informado em PERDCOMP Inicial: nº 11254.22335.290405.1.3.047270 e o “Crédito Original na Data da Transmissão” para a compensação de que trata os presentes autos é no valor de R$ 2.043,60. Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.02, emitido em 25/05/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade é que no 3º trimestre de 2003 e trimestres de 2004 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% quando o correto seria 12% por se tratar de Construção Civil, onde as receitas são relativas a contratos de empreitada que abrange tanto mãodeobra quanto o fornecimento de materiais. A decisão de primeira instância com fundamento no art. 20 da Lei 9.249/1995 (alterado pela Lei 10.684/2003), o art. 15 da mesma Lei 9.249/2005, e o Ato Declaratório Normativo da Coordenação Geral do Sistema de Tributação ADN Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, assim esclarece sobre a base de cálculo da CSLL (fl.25/26), itens 11 e 12: [...] 11. Concluise, portanto, que até agosto de 2003, as receitas relativas às atividades construção por empreitada, com ou sem utilização de materiais, ficam sujeitas ao percentual de 12%, para definição da base de cálculo da CSLL, e a partir de setembro de 2003, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo da CSLL mensal será: a) 12% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; ou b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. 12. No "Perguntas e respostas" constante do endereço eletrônico http://www.receita.fazenda. gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIII IRPJLucroPresumido2011.pdf, consulta em setembro/2011, verificase o seguinte esclarecimento na pergunta 19, referente ao IRPJ, sendo tal entendimento aplicável no caso da CSLL, com a diferença que a alíquota no caso da contribuição, CSLL, para o caso de contratação de construção civil por empreitada com a utilização de material fornecido pela própria empresa empreiteira, é de 12%. 019. Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? 0 percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904114/200923 Resolução nº 1802000.156 S1TE02 Fl. 6 5 houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Notas: As pessoas jurídicas que exerçam as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis não poderão optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado (IN SRF n°25, de 1999, art. 2°;) Não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumento trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. (IN SRF n° 480, de 2004, art. 1°, §9º) O entendimento acima está consentâneo com as disposições contidas no art. 1º, §§ 7º e 9º, c/c art. 32 da IN SRF 480/2004 (com as alterações da IN SRF 539/2005) que admitem a aplicação do percentual de 12% no caso de contratação por empreitada de construção civil realizada na modalidade total, em que o empreiteiro forneça todos os materiais indispensáveis à sua execução, e que tais materiais sejam incorporados à obra, não sendo considerados como materiais incorporados à obra os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. Para o indeferimento do pleito da recorrente, consta do voto condutor do acórdão recorrido o seguinte: [...] 13. No caso em apreço, a contribuinte apenas anexou cópia de seu Contrato Social e Aditivo n° 05, fls. 03 a 10, onde consta descrição de seu objeto social, no qual não há especificação de que os serviços seriam prestados sob a modalidade por empreitada, e nem que haveria a utilização de material fornecido pela própria contribuinte, ou que isso ocorresse sempre ou mesmo ocasionalmente. 14. Esclareçase, de toda sorte, que não bastaria a apresentação do contrato social com descrição de seu objeto social nestes termos, pois a simples menção no contrato social, por si só, não seria suficiente se não esta acompanhada de documentação hábil e idônea comprobatória de que os serviços foram efetivamente contratados na modalidade de empreitada, de que os materiais foram fornecidos pela própria empresa, essa na qualidade de empreiteira, e sem que haja comprovação da efetiva utilização de tais materiais, fornecidos pela empresa, conjuntamente com a mãodeobra. Observese que não consta dos autos qualquer documentação comprobat6ria nesse sentido, a exemplo de contrato de empreitada, notas fiscais e escrituração que viessem a espelhar fielmente a utilização de tais materiais. 15. Assim, não restou comprovado, através de documentação hábil e idônea, fiscal (notas fiscais), comercial (contratos de empreitada) e contábil (escrituração), erro de fato no preenchimento das declarações originais da contribuinte que justificasse a apresentação de Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904114/200923 Resolução nº 1802000.156 S1TE02 Fl. 7 6 declarações retificadoras, inclusive não espontâneas relativamente ao período de apuração do suposto crédito a ser compensado, no intuito de alterar a apuração da CSLL devida para aquele período, procurando, com isso, justificar o pretenso crédito. [...] Contraditando os fundamentos da decisão acima e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário cópia de contratos de empreitada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais do período a que se refere a compensação. Das notas fiscais (000123/125, 000127, 000129, 000132), emitidas pela Recorrente, consta um percentual do valor da fatura referente ao material aplicado. E, dos contratos de empreitada consta cláusula que obriga a contratada a “ prover e administrar, sob as suas expensas, todos os materiais, equipamentos e mãodeobra necessários à fiel execução do contrato...” o que aparentemente denota a prestação de serviços na área de construção civil com emprego de materiais fornecidos pela própria contribuinte. O livro Registro de Entradas indica para o terceiro trimestre de 2003 a aquisição de materiais e as notas fiscais relativas às compras feitas pela Recorrente neste período demonstram a aquisição de vários materiais normalmente aplicados em obras de construção civil. Como dito acima, a Recorrente apresentou cópia de notas fiscais por ela emitidas no período de apuração do terceiro trimestre de 2003, porém são notas fiscais intercaladas. Portanto, não se sabe qual a receita bruta total do mencionado trimestre declarada na DIPJ/2004 com a comprovação de que a Recorrente forneceu aos seus clientes os materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e que, portanto, o coeficiente para a presunção da base de cálculo da CSLL deveria ser de 12%. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal/RN para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), comercial (contratos de empreitada), contábil (escrituração) e DIPJ/2004, que não fora juntada aos autos, qual o valor total da receita bruta obtida pela interessada com fornecimento de materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e qual o montante da receita declarada e CSLL devida. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, deve os autos retornarem ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905571/2009-69
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida em Aspectos Prejudiciais.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora a quo que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida.
Numero da decisão: 1801-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, para se pronunciar a respeito do mérito do litígio, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida em Aspectos Prejudiciais. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora a quo que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, para se pronunciar a respeito do mérito do litígio, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PREJUDICIAIS. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora “a quo” que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, para se pronunciar a respeito do mérito do litígio, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 55 71 /2 00 9- 69 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 0936.368, de 16/08/2011, da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG (fls. 68/70) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da DRF em Varginha/MG, que não homologou as compensações declaradas em DCOMP. Histórico O presente processo trata de Declaração de Compensação transmitida eletronicamente em 26/06/2007 (fls. 33/38) que informa direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao mês de março de 2006 (recolhimento em abril/2006), no valor de R$ 22.158,67, para utilização na compensação de débito de estimativa de IRPJ do mês de março de 2006, no mesmo valor do indébito informado. Pelo Despacho Decisório Eletrônico da DRF em Varginha/MG, emitido em 07/10/2009 (fl. 04) não houve reconhecimento do direito creditório pleiteado pois o DARF indicado no PERDCOMP para comprovação do indébito já teria sido alocado a outro pagamento e, assim, não haveria a disponibilidade do crédito. Foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 01/03) na qual alega, a interessada, que teria recolhido, no curso do anocalendário 2006, estimativas de CSLL que, no total, teriam superado o valor da CSLL devida ao final do período. De acordo com o seu Livro Razão e os DARFs, teria recolhido os seguintes valores de estimativa de CSLL em 2006: Meses Valores Janeiro 13.182,30 Fevereiro 5.524,16 Março 22.158,67 Abril 8.741,85 Maio 100,00 Junho 100,00 Julho 100,00 Agosto 100,00 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.905571/200969 Acórdão n.º 1801001.326 S1TE01 Fl. 3 3 Setembro 100,00 Outubro 100,00 Novembro 100,00 Total 50.353,49 Alega que, de acordo com a Ficha 17 da DIPJ/2006 o valor apurado como devido da CSLL ao final do anocalendário 2005 montou em R$ 26.728,24 e que esse débito teria sido quitado com o valor retido na fonte, de R$ 2.595,70, e com estimativas recolhidas no curso do anocalendário, no total de R$ 24.132,54, restando um saldo a compensar de R$ 23.625,25 (R$ 50.353,49 () R$ 2.595,70 () R$ 24.132,54). Aponta erro no preenchimento da Ficha 17 da DIPJ/2007. Analisando o pedido a 2a. Turma Julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que a empresa apurou estimativa de CSLL para o período de apuração 03/2006 no valor de R$ 22.158,67 e a declarou como débito devido na DCTF respectiva. Assim, o pagamento efetuado nesse mesmo valor em 28/04/2006, não teria sido indevido ou a maior por ter sido feito na forma da Lei para quitar débito devidamente lançado por DCTF. Assinalou que se o total de estimativas pagas superar o valor do imposto e/ou contribuição devido ao final do exercício, o excesso deve compor o saldo negativo do período e, nessas condições, poderá ser objeto de pedido de restituição pela empresa ou ser usado para compensação. A utilização de pagamentos isolados de uma ou outra estimativa não seria possível, nos termos da IN SRF n º 600, de 2005. Notificada da decisão, em 23/01/2012, como demonstra a cópia do AR (fl. 89 processo digital) apresentou, a interessada, em 17/02/2012, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz que instruções normativas poderiam estabelecer formas e procedimentos para realização de compensações mas jamais restringir o direito à compensação previsto em lei. Argumenta, ainda, ter ocorrido um mero erro formal no preenchimento da DIPJ do exercício 2007 – anocalendário 2006 e na declaração eletrônica de compensação, no campo “tipo do crédito”, preenchido com a informação “pagamento indevido ou a maior”, quando o correto seria “saldo negativo de CSLL”. Pede, assim, em respeito ao princípio da verdade material, que seja reconhecido o direito creditório a título de saldo negativo de CSLL e homologada a compensação declarada. É o relatório. Voto Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito ao único argumento de que, nos termos da IN/SRF n º 600, de 2005, seria vedada a utilização de estimativas mensais recolhidas no curso do anocalendário como direito creditório em compensações. A questão quanto a possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação, encontrase superada, inclusive no que diz respeito à legislação complementar. As justificativas encontram se pormenorizadas no Acórdão n º 18010000.486, desta 1a. Turma Especial da 3a. Câmara – 1a. Seção do CARF, de relatoria desta Conselheira. Entretanto, a interessada, na manifestação de inconformidade, já dera indícios de que pleiteava como indébito, em verdade, o saldo negativo de CSLL para fazer frente à desejada compensação. Vejamos suas alegações à fl. 03: Conforme consta da Ficha 17 da DIPJ/2006 a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido devida, relativa ao ano de 2005, importou em R$ 26.728,24. Esse débito de CSLL foi pago com os valores retidos na fonte, no montante de R$ 2.595,70 e R$ 24.132,54, liquidados pelos valores recolhidos por estimativa, sobrando ainda um saldo líquido a compensar de R$ 23.625,25 (50.353,49 menos 2.595,70 menos 24.132,54). O que houve foi um erro no preenchimento da Ficha 17 da DIPJ 2007. A Turma Julgadora de 1a. instância, contudo, não apreciou as alegações da defesa a respeito da ocorrência de erro no preenchimento da Declaração de Compensação Eletrônica, no tipo de crédito indicado. Desta feita, nas razões de defesa deduzidas no recurso voluntário, a interessada reprisa que teria errado no preenchimento da referida DCOMP e que o indébito pleiteado é o saldo negativo de CSLL. Entretanto, esta Turma Julgadora do CARF não pode analisar as razões meritórias de defesa, não analisadas pela autoridade julgadora “a quo”. A autoridade julgadora “a quo”. centrou sua decisão em questão prejudicial e assim não analisou integralmente os argumentos da defesa, no que toca à ocorrência de erro no preenchimento da DCOMP, assim como também não analisou a efetiva existência e procedência do crédito. É necessária a apreciação do mérito pela autoridade julgadora competente, quanto aos demais aspectos das argüições de defesa, para homologação das compensações, além do que é imperiosa a análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado e da possibilidade de sua utilização na compensação de débitos de estimativa de IRPJ apuradas como devidas no curso do anocalendário 2006. Cumpre registrar inclusive que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova oportunidade de apresentar recurso voluntário, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.905571/200969 Acórdão n.º 1801001.326 S1TE01 Fl. 4 5 possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação na segunda instância administrativa de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, mas sem homologar as compensações, por ausência de análise do mérito pela autoridade julgadora da DRJ Juiz de Fora/MG, com o conseqüente retorno dos autos àquela repartição, para verificação dos demais argumentos de defesa relativos ao erro no preenchimento da DCOMP, à existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, pronunciandose, no mérito, a respeito das compensações declaradas pela recorrente. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10882.002897/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 Ementa: DÉBITOS DEVIDAMENTE APONTADOS E COM A EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.EXCLUSÃO A existência de débitos perante as Fazendas Públicas Federal, Estadual e/ou Municipal, com a exigibilidade não suspensa, acarreta, per se, a exclusão da contribuinte da sistemática própria do chamado Simples Nacional. SIMPLES NACIONAL. PARCELAMENTO. LEI 11.941/2009. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo expressa previsão legal no sentido de admitir a utilização, pelas empresas optantes pelo Simples, do parcelamento de que tratam as disposições da Lei 11.941/2009, há de se atentar para as expressas disposições do Parecer Conjunto PGFN/RFB n o 6, que, em seu art. 1 o, par. 3 o, expressamente veda a possibilidade.
Numero da decisão: 1301-000.887
Decisão: Acordam os membros da turma, por unanimidade, negar provimento ao
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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SIMPLES NACIONAL. PARCELAMENTO. LEI 11.941/2009. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo expressa previsão legal no sentido de admitir a utilização, pelas empresas optantes pelo Simples, do parcelamento de que tratam as disposições da Lei 11.941/2009, há de se atentar para as expressas disposições do Parecer Conjunto PGFN/RFB no 6, que, em seu art. 1o, par. 3o, expressamente veda a possibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório Por muito bem apresentar a controvérsia contida nos autos, adoto o relatório utilizado pela r. decisão recorrida: Fundamentos da exclusão do SIMPLES NACIONAL Segundo o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/OSA nº. 443642, de 01/09/2010 (fl. 23), o Contribuinte foi excluído do Simples Nacional, com efeito a partir de 01/01/2011, em razão da existência dos débitos fiscais relacionados no ADE (débitos do regime especial, relativo ao período entre julho de 2007 e dezembro de 2008). Fundamentos da Impugnação O Contribuinte apresentou, em 15/10/2010, manifestação de inconformidade (fls. 1/13), ressalvando, inicialmente, que os créditos tributários exigidos estariam incluídos no parcelamento da Lei 11.941/2009, em razão do que não poderia prevalecer a exclusão do SIMPLES. Declara que o parcelamento teria sido “corretamente deferido”, o que pretende comprovar com a tela da situação dos respectivos processos de parcelamento, juntada aos autos. Informa que vem, inclusive, pagando as respectivas prestações, nos termos da Lei 121.941/2009, do que resultaria a suspensão da exigibilidade dos valores parcelados, nos termos do inciso VI do artigo 151 do Código Tributário Nacional (CTN) e a conseqüente ilegalidade do ADE. Argumenta que o procedimento – exclusão do Contribuinte do SIMPLES – estaria afrontando os princípios constitucionais da igualdade, isonomia, já que estaria na mesma condição dos demais contribuintes que se beneficiaram do parcelamento. O procedimento também configuraria inobservância do princípio constitucional da segurança jurídica, na medida em teria desrespeitado o ato jurídico perfeito, além de constituir infração aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade e da eficiência e deixar de observar as disposições do artigo 170 da Constituição Federal (CF). Requer a declaração da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários e o “retorno do enquadramento” do Contribuinte ao SIMPLES. Apreciando as razões apresentadas pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade, destaca a DRJ de origem a improcedência das alegações trazidas, em acórdão inclusive assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL UNIFICADO DE ARRECADAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES (SIMPLES NACIONAL). EXISTÊNCIA DE DÉBITOS FISCAIS. PARCELAMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE DE PARCELAMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS FISCAIS Exclusão do Simples Nacional em razão da existência de débitos fiscais, sem que o Contribuinte logre afastar a exação, tampouco realize o pagamento no prazo regulamentar. Supressão mantida. PARCELAMENTO DE DÉBITOS FISCAIS PARA OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.002897/201061 Acórdão n.º 1301000.887 S1C3T1 Fl. 2 3 Parcelamento de débitos fiscais condicionado à autorização legal específica, que inexiste. Impossibilidade da efetivação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada com a decisão proferida, apresenta a contribuinte o seu competente Recurso Voluntário, repisando, integralmente, todos os argumentos apresentados em sua original manifestação de inconformidade, requerendo, assim, a reforma da decisão nos termos ali destacados. Em rápida síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o Recuso Voluntário apresentado, dele conheço. A discussão mantida nestes autos circunscrevese à análise da validade das disposições do ADE DRF/OSA nº. 443642, de 01/09/2010 (fl. 23), que, apontando, especificamente, a existência de débitos da contribuinte com a exigibilidade nãosuspensa, determina então a sua exclusão da sistemática própria do Simples Nacional, nos termos, inclusive, especificamente apontados pelas disposições normativas de regência. A contribuinte, por sua vez, sustenta que, ao contrário dos termos apresentados no referido Ato Declaratório Executivo, os débitos apontados teriam sido objeto de específico parcelamento, nos termos contidos nas disposições da Lei 11.941/2009 (“Refis da Crise”), não podendo ela, assim, de forma alguma, ser excluída da forma como apontado. A questão então colocada em debate referese, especificamente, à possibilidade, ou não, de promoção do parcelamento do débito confessadamente mantido pela contribuinte a partir das disposições próprias da Lei 11.941/2009, e, no caso, a sua eficácia em relação à suspensão da exigibilidade com vistas a obstar, assim, a exclusão determinada. Em que pese toda a construção apresentada pela contribuinte, buscando, em hercúleo esforço, apontar a (suposta) inexistência de óbices para a utilização do referido parcelamento dos débitos em relação às empresas incluídas no SIMPLES, verificase, conforme adequadamente destacado pela r. decisão recorrida, que essa, efetivamente, não é a interpretação que se aplica aos mencionados dispositivos de regência. Em primeira plana, cumpre ressaltar que a sistemática própria de tributação diferenciada estabelecida pelo chamado SIMPLES NACIONAL, impõe, de fato, a manutenção da regularidade fiscal/tributária das empresas nele contidas, sem o que, conforme expressamente destacam as disposições da legislação de regência (LC 123/2006, Art. 17), deve, necessariamente, ser determinada a sua imediata exclusão. A questão em torno da possibilidade ou não de admissão do parcelamento da Lei 11.941/2009 em relação aos débitos de empresas incluídas no SIMPLES NACIONAL, verificase, cingese à análise do regramento especifico dessa sistemática de tributação, e, Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 inclusive, ao destaque de que, embora a Lei 11.941/2009 não vede, especificamente, a sua aplicação nessa hipótese, também não a admite expressamente, verificandose, entretanto, ao revés, uma certa incompatibilidade entre os termos do parcelamento possível, e, por outra ótica, as sistemáticas de tributação específicas do SIMPLES. Tal discussão, é bem verdade, cai por terra quando destacadas as expressas disposições da Portaria PGFN/RFB nº. 6, de 22/07/2009, que, inclusive, assim expressamente assenta: Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. (...). § 3º O disposto neste Capítulo não contempla os débitos apurados na forma do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. (...). Diante dessas considerações, não se há como admitir a pretensão da recorrente no sentido de ver a ela reconhecido o direito de suspensão da exigibilidade do crédito tributário apontado, tendo em vista que, além de efetivamente inexistente qualquer ato formal específico de defere a pretensão de parcelamento apontada, o que se verifica é a expressa existência de norma regulamentar específica que veda a possibilidade pretendida, não podendo, aqui, ser então de forma alguma admitida, da forma como pretendido no recurso oferecido. Nesses termos, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, mantendose, assim, em sua integralidade, os termos da r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10120.720092/2005-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original.
Direito creditório reconhecido até o limite dos créditos demonstrados pela Recorrente.
Numero da decisão: 1801-001.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Direito creditório reconhecido até o limite dos créditos demonstrados pela Recorrente. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 92 /2 00 5- 58 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório A ora Recorrente transmitiu eletronicamente diversas “DCOMPs” no ano calendário de 2005, relativas a saldonegativo de IRPJ apurado no DIPJ 2005/anocalendário 2004, no montante de R$ 7.585.951,39 (sete milhões, quinhentos e oitenta e cinco mil, novecentos e cinquenta e um reais e trinta e nove centavos), para compensar créditos de IRRF e contribuições. Selecionadas as DCOMPs para processamento manual, a Recorrente foi intimada para apresentar provas do IRRF, bem como dos pagamentos de IRPJestimativa mensal, que foram acostados aos autos. Em relação às retenções na fonte, afirmou a ora Recorrente ter sofrido retenção no valor e R$17.543.970,57 (dezessete milhões, quinhentos e quarenta e três mil, novecentos e setenta reais e cinquenta e sete centavos) em 2004, da qual, R$ 9.958.019,18 (nove milhões, novecentos e cinquenta e oito mil, dezenove reais e dezoito centavos), foi empregada no anocalendário de 2004 para quitação de IRPJ – estimativa mensal (antecipação), ao passo que a diferença foi utilizada para deduzir o imposto a pagar, o que gerou o saldo negativo de IRPJ de R$ 7.585.951,39 (sete milhões, quinhentos e oitenta e cinco mil, novecentos e cinquenta e um reais e trinta e nove centavos), na DIPJ 2005. Ao analisar os pedidos da Recorrente, a Delegacia de Goiânia apurou montante de IRRF a menor, no valor de R$17.394.263,99 (dezessete milhões, trezentos e noventa e quatro mil, duzentos e sessenta e três reais e noventa e nove centavos), proferindo o Despacho Decisório n. 54, de 13 de fevereiro de 2006, que deferiu parcialmente as compensações efetuadas, reconhecendo o direito creditório até o montante de R$7.436.244,81.(sete milhões, quatrocentos e trinta e seis mil, duzentos e quarenta e quatro reais e oitenta e um centavos), deixando, portanto, de ser homologado o direito creditório no valor originário de R$ 149.706,58 (cento e quarenta e nove mil, setecentos e seis reais e cinquenta e oito centavos). Observese que o Despacho Decisório n° 054, de 13 de fevereiro de 2006, foi retificado pelo 303, de 30 de agosto de 2006, para excluir do demonstrativo dos débitos homologados, de fls. 368/370, aqueles relativos ao PER/DCOMP n° 130705.1.3.024280 (fls. 334), que foram ali indevidamente incluídos. Contra referido despacho decisório, tempestivamente a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que alegou: i. necessidade de reconhecimento do IRFonte retido pela Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás; por força dos arts. 150, 157 e 158 da CF e do art. 868 do RIR/99; que a Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás reteve na fonte imposto de renda sobre serviços a ela prestados pela interessada, e o recolheu ao Tesouro Estadual através de DARE; ii. deveria ser reconhecido o direito creditório referente às retenções de imposto de renda na fonte efetuadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Fl. 621DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10120.720092/200558 Acórdão n.º 1801001.254 S1TE01 Fl. 4 3 Tecnológico (CNPq), visto que se trata de. dupla comprovação, sem, contudo, ter sido duplamente lançada no PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO – PER (Fls. 04/11) e, consequentemente, não lançada em dobro na DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.(Fls. 12/27); iii. informou que mantinha a sua contabilidade com observância das normas brasileiras de contabilidade, em que os lançamentos são feitos diariamente, com toda a documentação assentada no livro Diário. Assim, os documentos suportes para contabilizar as retenções de imposto de renda pelos tomadores dos serviços são as próprias faturas das quais, no ato do pagamento, são subtraídos os valores devido a esse título. A 2a Turma da Delegacia de Julgamento em Brasília reconheceu parcialmente o direito creditório, em decisão assim ementada: Ementa: RETENÇÃO DE IMPOSTO NA FONTE POR ÓRGÃOS OU ENTIDADES PÚBLICAS ESTADUAIS. CRÉDITO RECONHECIDO. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do imposto da União sobre a renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. SALDO NEGATIVO DE IRPJ APURADO NA DIPJ 2005. RETENÇÃO DE IMPOSTO NA FONTE. CRÉDITO COMPUTADO EM DUPLICIDADE NA APURAÇÃO. EXPURGO. Restando comprovado nos autos que o valor reclamado fora computado em duplicidade, não procede a irresignação da interessada. RETENÇÃO GLOBAL DE TRIBUTOS NA FONTE (IRPJ, CSLL, PIS E COFINS). APROPRIAÇÃO PROPORCIONAL DO CRÉDITO DO IMPOSTO. ERRO DA INTERESSADA NA APURAÇÃO DO CRÉDITO DO IMPOSTO Restando comprovado nos autos que interessada aplicara incorretamente critério de apropriação proporcional do crédito de imposto no caso de retenção global na fonte de tributos, não procede a reclamação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Na decisão recorrida, com lastro no art. 157, I, CF, reconheceuse o crédito dos valores originários de retenções da Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás. Por outro lado, ratificouse o entendimento de que o sujeito passivo teria computado em duplicidade os créditos a recuperar de retenções de IRFonte efetuados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, no montante de R$31.882,93 (50,79%), conforme documento nas fls. 169 e 183, e não de R$ 62.774,05, conforme demonstrativo de retenções na fonte elaborado pela DRF/Goiânia, nas fls. 363/364. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Ainda, teria havido diferença no método ou critério de apuração dos créditos pela Recorrente, pois não teria observado a forma correta de apuração ou apropriação dos créditos do imposto retido na fonte, nas situações de retenção global de tributos pelos órgãos e entidades públicas, conforme fundamentação do Despacho Decisório de fls. 359/367. A autoridade de fiscalização teria demonstrado que todas as retenções comprovadas nos autos foram analisadas e computadas (Quadro 3 do Despacho Decisório, às fls. 363/364) computando todas as retenções do IRFonte pela interessada, discriminando o respectivo valor por operaçãoRendimento Bruto e IRFonte, e ainda por fonte pagadora, ao passo que a Recorrente apenas teria se restringido a alegar que apurara corretamente os créditos informados na DIPJ 2005, anocalendário 2004, na Ficha 12A, na qual apurara saldo negativo de IRPJ, com base na sua escrituração. Não teria sido demonstrado pela Recorrente nos autos onde estaria a divergência em relação aos valores apurados pela repartição fiscal, não sendo comprovado o erro da repartição fiscal. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente afirmou que: i. a decisão ora recorrida dificulta a defesa do contribuinte porque não estão claros exatamente quais foram os valores glosados na compensação realizada; ii a diferença glosada pelo Fisco de R$ 149.706,58 , deveria ser decomposto, a fim de esclarecer o valor que foi glosado, até atingir o montante referido; iii. quanto ao valor de retenção que teria sido aproveitado em duplicidade, haveria erro de julgamento, porque examinando a PER/DCOMP que instrui o processo, o valor que ali consta e que foi aproveitado pelo contribuinte foi tão somente os R$ 31.885,23 e não os R$ 62.774,95 que o auditor fiscal afirmou ter sido aproveitado, conforme fls. 8 e 10 do PAF; iv. quanto à acusação de que não aplicara corretamente critério de apropriação proporcional do crédito de imposto no caso de retenção global na fonte de tributos, afirmou não estar demonstrado na decisão recorrida, valores cujas proporcionalidades não estariam corretas; v. apontou que a decisão da DRF não considerou o crédito pleiteado na PER/DCOMP à fl. 04"item 6 CNPJ 00.046.0601000145 – CODEPLAN R$69.321,01.", devidamente comprovado na DIRF às fls. 229; vi. a fiscalização se equivocou em relação à retenção indicada na PER/DCOMP, à fls. 07 como “item 27 CNPJ 03. 1 12.386/000111 ANVISA R$424.019,86.", que foi considerada pelo valor de R$399.458,52, no quadro 3. Essa diferença originouse de erro de informação no SIAF, pois o valor do "rendimento" foi replicado com o mesmo valor do "imposto na fonte",conforme ser verificaria do documento de fl. 152: Mês Cód Rendimento Imposto Retido 05 690 53.401, 58 53.401, 58. Assim, o auditor fiscal, em vez de considerar o valor do imposto retido para a dedução, considerou o valor do tributo como se fosse o valor do "rendimento", e utilizou este como a base de cálculo de sorte que encontrou um valor de R$ 2.563,27 . Fl. 623DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10120.720092/200558 Acórdão n.º 1801001.254 S1TE01 Fl. 5 5 Todavia, o cálculo correto, por aplicação de regra de três, deveria considerar como base de cálculo de R$ 565.096,08 sobre a qual deveria ser aplicada a parte do IR de 4,8%, resultando em R$ 27.124,61, justificada, por conseguinte, a diferença de crédito não reconhecido, no valor de R$24.561,34 (27.124,61 — 2.563,27). vii. na PER/DCOMP, às fl. 11, consta o “item 56 CNPJ 82.951.35110001 42 SEA Secretaria do Estado da Administração R$18.389,45", que no Quadro 3 (fl. 363) não foi considerado, embora o Fisco tenha como obter no SIAF ou na DIRF, ou deveria considerar o valor porque a responsabilidade pela retenção é da fonte pagadora e não do beneficiário, na forma do art. 128 do CTN e do art. 722 do RIR/99 — "ainda que não tenha retido"'. Pugna, assim, pelo reconhecimento dos erros do julgamento apontados e pela anulação de todas as “glosas”, em razão do cerceio de defesa do contribuinte, na forma preconizada no art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Sobre a falta de esclarecimentos da decisão recorrida em relação à composição do saldo remanescente do direito creditório não reconhecido, dos autos depreende se que ele teria sido composto por dois itens, quais sejam, pelo cômputo em duplicidade das retenções efetuadas pelo CNPq, no anocalendário de 2004, bem como em relação ao erro quanto ao critério de apropriação proporcional do crédito de imposto no caso de retenção global na fonte de tributos, nos termos do Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, que dispõe sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal. Com relação à duplicidade no cômputo das retenções efetuadas pelo CNPq, de fato, conforme afirma a própria Recorrente, às fls. 09, de acordo com a PER/DCOMP, o valor que foi aproveitado a título de retenção na fonte, do pagamento efetuado pelo CNPq, CNPJ 33.654.831/000136, foi de R$ 31.885,23. Contudo, os documentos de fls. 169 e 183, bem como de fls.224 (DIRF), demonstram que no anocalendário de 2004, o total de pagamentos efetuados pelo órgão foi de R$664.275,79, totalizando o recolhimento a título de retenção na fonte, de R$ 62.774,95. Portanto, a Recorrente teria efetivamente direito creditório no valor de R$62.774,95, contudo, optando, na declaração, por aproveitar apenas metade desse valor, estando o restante fora de seu pedido de compensação/restituição, e, por conseguinte, Fl. 624DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 desconsiderados pela autoridade de fiscalização, no momento da homologação do montante do direito creditório pleiteado. Em outras palavras, não se está propriamente diante de um aproveitamento em duplicidade do crédito, porém, ao contrário, de aproveitamento pela metade do direito creditório, sendo importante se observar que os limites do pedido dos processos de compensação, i.e., o montante de seu crédito, são delimitados pelo próprio contribuinte. Com efeito, os processos de compensação originamse a partir de declaração do próprio contribuinte, que afirma o montante de seu direito creditório, delimitando o seu valor e natureza, para a quitação de débitos tributários, nos termos do art.156, II do CTN. Nesse sentido, a competência acometida à fiscalização, é de homologação ulterior dessas declarações de compensação, verificando se há ou não o afirmado direito na declaração, porém, não tendo a autoridade administrativa competência para redefinir os próprios limites do objeto da declaração, de sorte que se o contribuinte opta por não utilizar todo o crédito do qual dispõe, esta é faculdade que lhe assiste. Contudo, com relação à metodologia de apuração de apropriação proporcional do crédito de imposto no caso de retenção global na fonte de tributos, nos termos do Anexo I da Instrução Normativa SRF n. 306, de 12 de março de 2003, a DRF afirmou que (fls.364): Em alguns destes demonstrativos citados, referentes a pagamentos efetuados por órgãos públicos, percebese que há discordância entre o código utilizado na DIRF e o percentual de retenção. Por este motivo, privilegiouse a análise dos próprios documentos apresentados pela interessada nos autos, identificandose, através do percentual utilizado, se o montante retido era exclusivamente referente ao imposto de renda ou se nele estavam contidas parcelas de contribuições, também de retenção obrigatória. Assim, nos documentos onde se confirmou referirse à retenção global (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), tomouse o rendimento bruto como base de cálculo, aplicandose a alíquota de 4,8% correspondente ao IRPJ, por ser este um cálculo mais preciso do que aplicar, sobre o valor retido, o percentual correspondente à participação dos 4,8% no percentual global considerado, estipulado em 9,45% pela INSRF n.306, de 12/03/03 (anexo I). Não obstante, compulsando os autos não se verifica a existência de demonstrativo que aponte os valores de retenção infirmados, pela aplicação dos percentuais constantes do Anexo I da referida instrução normativa, para o código 6190, bem como quanto esses valores representaram no cômputo geral, do direito creditório não reconhecido. Nesse passo, importante observar que a despeito de ser ônus do contribuinte comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, no caso concreto, a Recorrente juntou toda a documentação necessária para a referida confirmação, tanto é que a análise da autoridade fiscal lastreouse neles para apontar o suposto erro no critério de apuração, sendo por essa razão, que deveria a fiscalização demonstrálos, de maneira discriminada, possibilitando o exercício de defesa do contribuinte. Confirmase a alegação de que no “quadro 3” do despacho decisório não consta o crédito pleiteado na PER/DCOMP à fl. 04"item 6 CNPJ 00.046.0601000145 – Fl. 625DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10120.720092/200558 Acórdão n.º 1801001.254 S1TE01 Fl. 6 7 CODEPLAN R$69.321,01.", que, por sua vez, consta na DIRF às fls. 229.Considerandose a existência da DIRF, nesse caso, entendese estar devidamente comprovado o direito creditório. Ademais, o documento de fls. 153, o comprovante de rendimentos pagos pela Agência nacional de Vigilância Sanitária consigna que o valor das retenções na fonte foram de R$424.136,99, contudo, o mesmo “quadro 3’, de fls. 363, que serviu de base para o não reconhecimento do direito creditório, considerou o valor de R$399.458,52. Nesse caso, a Recorrente pede que se considere R$ 24.561,34, alegando que houve erro no SIAF no mês 05 – código 6190. O fisco considerou 2.563,27 (critério do cálculo retenção global), pois considerou a receita 53.401,58. No quadro SIAF há realmente um erro – foi informado o mesmo valor do tributo retido e do valor da receita, e, por aplicação de “regra de 03”, a Recorrente diz que a receita é na verdade R$ 565.096,08 e que aplicado os 4,8% de IRRF resultaria em R$27.124,61. Este valor menos os R$ 2.563,27 que a Recorrente que o Fisco já teria considerado, resulta em R$ 24.561,34, devendo, portanto, ser reconhecido esse montante do direito creditório. No que tange ao crédito relativo às retenções do SEA – Secretaria do estado de Goiás , em que se pleiteia o crédito de R$ 18.389,45, a Recorrente diz que não constou no quadro 03, porém não juntou a respectiva DIRF, e nada consta no SIAF. Nesse caso, não restou comprovada a existência da totalidade do crédito, observandose, todavia, que já havia sido homologado pela DRJ o total de R$17.555,15. Em síntese, temse que não se reconhece o direito creditório de R$31.885,23 relativo às retenções do CNPq, a diferença do crédito pleiteado de R$18.389,45, do valor de R$17.555,15 já homologados pela DRJ, além do montante de R$ 5.549,55, em relação ao qual, não se manifestou a Recorrente. Assim, do montante de R$149.706,58, reconhecese o direito creditório de R$111.437,50. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 626DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 29/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 11040.001043/2004-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO. INCORRÊNCIA
De acordo com com o entendimento definido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621/RS (sob o rito do Art. 543-B do CPC), as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 - especificamente no que tange à redução do prazo prescricional em relação à restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos realizados de tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação -, somente seriam aplicáveis às ações/pedidos de restituição formulados pelos contribuintes a partir do dia 09 de Junho de 2005.
Considerando que, nos presentes autos, o pedido formulado pela contribuinte foi administrativamente apresentado no dia 10/09/2004, afasta-se, nesse particular, a eventual consideração da prescrição na hipótese.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo (Súmula STJ nº 360).
Numero da decisão: 1301-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO. INCORRÊNCIA De acordo com com o entendimento definido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621/RS (sob o rito do Art. 543-B do CPC), as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 - especificamente no que tange à redução do prazo prescricional em relação à restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos realizados de tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação -, somente seriam aplicáveis às ações/pedidos de restituição formulados pelos contribuintes a partir do dia 09 de Junho de 2005. Considerando que, nos presentes autos, o pedido formulado pela contribuinte foi administrativamente apresentado no dia 10/09/2004, afasta-se, nesse particular, a eventual consideração da prescrição na hipótese. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo (Súmula STJ nº 360).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO. INCORRÊNCIA De acordo com com o entendimento definido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621/RS (sob o rito do Art. 543B do CPC), as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 especificamente no que tange à redução do prazo prescricional em relação à restituição/compensação de indébitos decorrentes de pagamentos realizados de tributos sujeitos ao regime do chamado “lançamento por homologação” , somente seriam aplicáveis às ações/pedidos de restituição formulados pelos contribuintes a partir do dia 09 de Junho de 2005. Considerando que, nos presentes autos, o pedido formulado pela contribuinte foi administrativamente apresentado no dia 10/09/2004, afastase, nesse particular, a eventual consideração da prescrição na hipótese. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo (Súmula STJ nº 360). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 10 43 /2 00 4- 94 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco: Tratase a manifestação de inconformidade (fls. 271/287) contra o Despacho Decisório (fls. 258/262), por meio do qual a DRF Pelotas negou provimento ao pedido de restituição protocolizado em 10/09/2004 (fl. 01) e declarou não homologadas as declarações de compensação correspondentes (ver fls. 104/199). O pedido indeferido teve por objeto a restituição do valor total de R$31.454,54, os pagamentos de multa de mora realizados de 26/01/1995 a recolhimento, em atraso, de débitos de Imposto sobre a Renda de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e, principalmente, Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, a 06/01/2000 (ver planilhas de fls. 10/11). Segundo a requerente, o pagamento da multa moratório fora indevido, vez que que os adimplementos ocorreram ao abrigo da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN. O Delegado da Receita Federal em Pelotas indeferiu a solicitação, por dois motivos: a) os recolhimentos efetuados até 10/09/1999 teriam sido atingidos pela prescrição, qüinqüenal prevista no 168, inciso I, c/c art. 165, inc. I, do Código Tributário Nacional; b) o direito reclamado inexiste, visto que a exclusão da responsabilidade por infrações, de que trata o art. 138 do CTN é inaplicável à hipótese da multa de mora, conforme entendimento assentado no Parecer Normativo CST n° 61/1979. Cientifica da decisão em 06/12/2006 (fl. 268), a interessada apresentou, em 20/12/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 271/287. Alega, em síntese, que o prazo o de repetição do indébito é de dez anos, conforme jurisprudência citada, e que a multa moratória é sim afastada pela denúncia espontânea, em face de seu caráter sancionatório, conforme vem sendo reconhecido pelo Poder Judiciário. Requer, pois que seja reformada a decisão de fls. 258/262. A partir dos argumentos apresentados, entendeu a douta 1a Turma da DRJ de Porto AlegreRS pelo INDEFERIMENTO DA SOLICITAÇÃO, em julgado que restou assim ementado: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear restituição extinguese após transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. pagamento antecipado do tributo ou contribuição, no contexto de lançamento por homologação, extingue o crédito tributário de imediato. Essa extinção do crédito surte todos os efeitos jurídicos que lhe são próprios, inclusive o de iniciar a contagem do prazo qüinqüenal para repetição do indébito. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto 6, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. (STJ — RESP n° 636.064) Solicitação Indeferida Regularmente intimada a contribuinte no dia 18/03/2008, foi por ela então interposto o seu competente Recurso Voluntário (07/04/2008), destacando, sumariamente: A impossibilidade da exigência de multa sobre débitos tributários pagos espontaneamente O caráter sancionatorio da multa aplicada O direito a recuperação dos valores recolhidos nos últimos dez anos O direito aos juros SELIC A correção monetária atualização pelo INPC Esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. Trata a matéria discutida nos autos de pretensão de restituição de tributo, decorrente de suposto direito creditório, relativo ao recolhimento dito indevido a título de multa de mora em relação ao recolhimento em atraso de IRPJ, PIS, COFINS e IRRF, promovidos pela contribuinte, sem qualquer providência da administração fazendária, no período compreendido entre 26/01/1995 e 06/01/2000, no valor correspondente à R$ Fl. 339DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 31.454,54, nos termos, inclusive, especificamente indicados pelos documentos acostados aos autos. O pedido de restituição da contribuinte, é importante destacar, foi apresentado às autoridades fazendárias no dia 10/09/2004. Da prescrição sobre o pedido de restituição do indébito tributário A primeira questão colocada em debate, sobretudo em razão de sua possível prejudicialidade em relação à pretensão deduzida (ao menos em grande parte), referese à discussão a respeito dos critérios para a verificação e aplicação da prescrição do direito à restituição do (possível) indébito. A matéria, é bem verdade, foi já objeto de inúmeros debates doutrinários e jurisprudenciais, sobretudo em face da aplicação das disposições contidas no Art. 168 do CTN, em face das peculiares circunstâncias dos chamados tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sobretudo porque, como regra, a extinção definitiva do crédito tributário – utilizado como marco inicial para a contagem do período prescricional para a corespectiva apresentação de pedido de repetição de indébito , nas hipóteses específicas do art. 150 do CTN, somente aconteceria quando da chamada homologação tácita, acarretando, assim, a construção da famosa tese dos “cinco mais cinco”, cujo acolhimento, inclusive, fora antes promovido pelo Colendo STJ. Ocorre que, em face da manutenção dos debates a respeito da pretendida inadmissibilidade desse entendimento, sobretudo a partir daquele sustentado pelos representantes da Fazenda Pública, verificouse, no ordenamento jurídico pátrio, a publicação das disposições da LC 118/2005, que, alterando substancialmente as regras relativas à matéria, assim especificamente dispôs: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Com a inserção dessa regra em nosso sistema normativo, e, sobretudo, a partir das disposições ali então especificamente consignadas, vestindoa de expressa natureza interpretativa – na imediata pretensão de ver admitido o seu efeito retroativo, a partir da aplicação das disposições contidas no art. 106, I do CTN , inaugurandose, a partir daí, nova discussão específica, agora, voltada à necessária definição da possibilidade (ou não) dos apontados efeitos retroativos das novas disposições. A par de todas as críticas destinadas ao referido dispositivo, verificase que, a respeito desse tema específico, recentemente, foi reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL a repercussão geral da matéria nos autos do RE 566.621/RS, determinandose a apreciação do feito nos termos do Art. 543B do CPC, importando, por conseqüência, na suspensão de todos os processos no CARF que tratavam do assunto, tendo em vista a expressa determinação das disposições do Art. 62A do Regimento Interno. Ocorre que, no dia 04/08/2011 o feito foi então especificamente apreciado por aquela Corte, concluindo pela NEGATIVA DE PROVIMENTO ao recurso interposto pela UNIÃO FEDERAL, sendo publicado o acórdão que tratou da matéria no Dje195, no dia 11/10/2011, do qual, inclusive, extraise a seguinte e esclarecedora ementa: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 4 5 RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação; DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO EMENT VOL0260502 PP00273 Parte(s) RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : RUY CESAR ABELLA FERREIRA ADV.(A/S) : JORGE NILTON XAVIER DE SOUZA E OUTRO(A/S) INTDO.(A/S) : ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Ementa DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Fl. 341DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 6 Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, dandolhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. (Grifos e destaques nossos) Da análise dos termos dessa decisão, verificase que, a rigor, em face das determinações relacionadas à interpretação/aplicação das novas disposições contidas no ordenamento jurídico pátrio (Lei Complementar no 118/2005) , restou finalmente pacificada a discussão da aplicação do prazo qüinqüenal/decenal para a restituição/compensação dos indébitos relativos a tributos sujeitos ao regime de homologação, tendo em vista a aplicação das disposições do Art. 168 c/c Art. 156, VII e Art. 150, par. 4o do CTN, definindose a aplicação do prazo de 10 anos para as “ações propostas” (ajuizadas) até 08/06/2005, aplicandose, em relação a todas aquelas subseqüentes àquela data, agora, a contagem do prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da data do “pagamento antecipado”, não mais se admitindo a contagem cumulativa de prazos, da forma como antes, então, especificamente se pretendia. A partir desse julgamento, restou pois pacificada e solucionada a questão relativa à admissibilidade da tese dos cincomaiscinco, admitida a pacífica jurisprudência do STJ e, agora, por força das disposições da Lei Complementar no 118, foi então assim compreendida pelo STF, restando então certo e definido que, até a plena entrada em vigor das disposições contidas naquele novel dispositivo legal, em relação aos tributos sujeitos ao regime de homologação, válida era a contagem do prazo decenal sempre propalado. A questão que agora pode (e deve) ser então trazida ao debate diz respeito, especificamente, à definição própria do ato do contribuinte tido como necessário e suficiente ara o gozo do prazo elastecido de 10 (dez anos) para a repetição do indébito, então ‘alterado’, como aqui destacado, pelas disposições da referida Lei Complementar no 118. Da leitura da ementa, verificase que a referência que se faz, especificamente, é em relação às “ações propostas” (‘ajuizadas’), consignandose ali que o exercício do direito de repetição de indébitos em nosso sistema jurídiconormativotributário pátrio, ao menos em primeira análise, demandaria a obrigatoriedade da intervenção do poder judiciário. Em que pese a interpretação apressada que se possa fazer daquele julgado, verificase que, da acurada análise dos votos apresentados, em momento algum se pretendeu a alteração da sistemática normativa própria dos pedidos de restituição/compensação, mas sim, fezse referência àquilo que, na abalizada doutrina do mestre Pontes de Miranda, poderseia chamada de “ação em direito material”, ou seja, o esboço da pretensão especificamente apresentada. Nesses termos, o que se deve entender a respeito da leitura do julgado não pode ser a limitação à conferência do prazo apenas aos pedidos judiciais regularmente formulados, devendose considerar, também, os pedidos administrativos efetivamente apresentados, nos termos e limites, inclusive, expressamente constantes nas disposições do Art. 74 da Lei 9.430/96, sendo essa, sim, a conclusão a ser atingida a partir daquele julgado. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 5 7 O que se privilegia para fins de aplicação do prazo anteriormente pacificado pela jurisprudência do STJ é a apresentação do pedido de restituição/compensação pelo contribuinte, valendo, em relação a esse, tanto a ação de repetição de indébito – indubitávelmente , quanto ainda, e também, a formulação do pedido de restituição/compensação especificamente regulado pelas disposições normativas próprias. Nessa linha, inclusive, não é outro o entendimento atualmente exarado pelas Turmas deste Egrégio CARF, donde se verifica, a título dee exemplo, os seguintes arestos: Número do Processo 10380.903428/200989 Órgão Julgador Contribuinte HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA LTDA Tipo do Recurso Data da Sessão Relator(a) ANTONIO LISBOA CARDOSO Nº Acórdão 3301001.037 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à DRJ para apreciação das demais matérias, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] RODRIGO DA COSA PÔSSAS Presidente. [assinado digitalmente] ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (presidente) Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Em se tratando de pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165, I, c/c art. 168, I, do CTN, cujos pedidos de restituição ou compensação tenham sido efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº LC 118/05 (09.06.2005), relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicase o prazo previsto na legislação anterior, no caso, a tese dos 5+5 consagrada pelo E. STJ. Recurso Parcialmente Provido. Número do Processo 10580.005869/200452 Órgão Julgador Contribuinte LAZARO DOS REIS DE JESUS Tipo do Recurso Data da Sessão Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Nº Acórdão 9202002.364 Tributo / Matéria IRPF restituição rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV) Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 8 (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1994, 1995, 1996 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. No presente caso, os fatos geradores ocorreram no período entre 31/12/1994 a 1996 e o pedido de restituição foi protocolado em 28/06/2004, havendo razão no pleito, portanto. Recurso Especial do Procurador Negado. Número do Processo 10280.002270/200361 Órgão Julgador Contribuinte RUBEM SOARES DA SILVA Tipo do Recurso Data da Sessão Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Nº Acórdão 9202002.317 Tributo / Matéria IRPF auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF) Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel CoelhoArruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1995 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 6 9 formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. No presente caso, o fato gerador ocorreu em 31/12/1995 e o pedido de restituição foi protocolado em 07/07/2003, havendo razão no pleito, portanto. Recurso Especial do Procurador Negado. Conforme se verifica a partir dos arestos aqui mencionados, aplicandose as disposições do julgamento proferido nos autos do RE nº 566621 – a teor do que expressamente determinam as disposições do art. 62A do Regimento Interno do CARF , insta verificar, então, a data de apresentação do pedido de restituição/compensação referenciado, tendo em vista que, sendo apresentado antes de 09/06/2005, contase o prazo de 10 (anos) anos da data do fato gerador, aplicandose o prazo de 05 (cinco) anos – contados a partir da efetivação do pagamento antecipado para todos os pedidos formulados a partir daquela data, inclusive, nos termos em que dispõem as disposições da Lei Complementar no 118/2005. Estabelecidas as premissas necessárias para a análise da matéria, ao menos no que se refere a este tema específico, insta agora verificar, a partir das informações contidas nos autos, qual seria, especificamente, a data da apresentação do respectivo pedido de restituição, verificandose este, às fls. 01 dos autos, como tendo sido então regularmente formalizado no dia 10/09/2004, antes, portanto da data apontada. Diante dessas razões, e, com base nos fundamentos até aqui apresentados, verificase que, neste ponto, assiste razão à recorrente, verificandose que, em caso de eventuais direitos creditórios decorrentes destes autos, aplicável seria, então, a contagem do prazo de 10 (dez) anos, contados da data do fato gerador, na linha antes pacificada pela jurisprudência do STJ antes da entrada em vigor da Lei Complementar no 118/2005. Acolho, portanto, as considerações preliminares de mérito apontadas, afastando, assim, a prescrição reconhecida pela r. Decisão de origem, caso se verifique, ao final, qualquer direito creditório devido à contribuinte. Da Multa de Mora e a Denuncia Espontânea Em que pese o acolhimento das razões recursais em relação à questão preliminar de mérito aqui antes ressaltada, insta verificar que, no mérito propriamente dito da pretensão deduzida nos presentes autos, está a contribuinte a pretender, conforme antes já destacado, a restituição dos valores pagos a título de multa de mora, em decorrência do pagamento extemporâneo dos produtos indicados (IRPJ, PIS, COFINS e IRRF), o que, segundo ela, por se ter providenciado sem que, para tanto, houvesse qualquer providência administrativa específica, apresentarseia como efetiva e verdadeira “Denúncia Espontânea”, atraindo, assim, a aplicação das disposições contidas no Art. 138 do CTN e, nessas circunstâncias, tornando completamente indevido o pagamento de multa de mora sobre todos os montantes considerados. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 10 Apenas para fins de registro, destaquemse as disposições contidas no art. 138 do CTN que, no Capítulo específico a respeito da Responsabilidade Tributária, na Seção IV do Capítulo V daquele Código (“Responsabilidade por Infrações”), assim especificamente se apresenta: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A respeito da tese pretendida pela contribuinte, é importante destacar que, a nosso pessoal sentir, a interpretação feita da leitura do dispositivo apontado não importa, como conseqüência, na exoneração do pagamento de multas de mora, mas sim, especificamente, da responsabilidade tributária tratada nos termos constantes dos dispositivos inseridos naquela parte do Código, não se admitindo a pretendida secção do dispositivo, interpretandoo isoladamente sem qualquer relação com os demais existentes no mesmo Capítulo. Em que pese toda a controvérsia apresentada em relação ao tratamento desta questão, verificase que, no que tange especificamente ao entendimento hoje consolidado do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, é que o instituto da denúncia espontânea não se presta a beneficiar o contribuinte que se teria simplesmente mantido inadimplente com o cumprimento de seus obrigações fiscais, exclusivamente promovendo o recolhimento a destempo dos tributos devidos, não podendo, assim, beneficiarse da exoneração das penalidades moratórias respectivas. Confirase, a esse respeito, a expressa dicção das disposições da Súmula 360 daquele tribunal que, sobre o assunto, assim há tempos já se tem pronunciado: SÚMULA N. 360 STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/8/2008. Ora, pelo que se verifica daquilo que consta do pedido inaugural e, ainda, de todos os demais elementos contidos nos autos, tratase, exclusivamente, de recolhimento a destempo de tributos devidos pela contribuinte, não se prestando, apenas por isso, para a aplicação das benesses próprias do instituto da Denúncia Espontânea, especificamente no que diz respeito ao pagamento das competentes multas moratórias. Diante dessas razões, verificase que, ao contrário do pretendido pela requerenterecorrente, não se mostra indevido o recolhimento efetivado a título de multa moratória, em decorrência do recolhimento intempestivo de tributos devidos, apurados e recolhidos a partir da aplicação da sistemática própria dos chamados tributos por homologação, sob pena esvaziarse, assim, completamente o instituto das penalidades apontadas, nos termos aqui, então, especificamente referenciado. Por rejeitar a pretensão central de restituição formulada pela contribuinte, entendo prejudicados, assim, os demais pedidos formulados, sobretudo em face de sua natural conexão com essa pretensão que, aqui, restou pois completamente rejeitada. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 11040.001043/200494 Acórdão n.º 1301001.127 S1C3T1 Fl. 7 11 Por essas razões, mesmo tendo superado a preliminar de mérito relativa á prescrição aplicável à espécie, conduzo o meu voto no sentido de rejeitar a pretensão formulada pela contribuinte , NEGANDO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, por entender, no caso, completamente indevida a restituição dos valores recolhidos a título de multas moratórias, nos termos e fundamentos aqui, então, especificamente destacados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/02/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004482/2006-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO QUANTO ANÁLISE DE
QUESTÃO ESSENCIAL.A questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto daimpugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento. Tratando- se de questão preliminar, passível de
ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário.
Embargos conhecidos e providos, rejeitada a preliminar
Numero da decisão: 1103-000.688
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ACOLHER os embargos da contribuinte, por unanimidade, para suprir a omissão no Acórdão nº 107-09.191/2007, retificando a decisão nele contida para: “Rejeitar a preliminar de identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao recurso”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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OMISSÃO QUANTO ANÁLISE DE QUESTÃO ESSENCIAL. A questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto da impugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento. Tratandose de questão preliminar, passível de ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. Embargos conhecidos e providos, rejeitada a preliminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACOLHER os embargos da contribuinte, por unanimidade, para suprir a omissão no Acórdão nº 10709.191/2007, retificando a decisão nele contida para: “Rejeitar a preliminar de identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao recurso”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. HUGO CORREIA SOTERO Relator. EDITADO EM: 08/08/2012 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório Este Conselho, através do Acórdão nº. 10709.191, de 17/10/2007 (fls. 241/246), deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, desconstituindo lançamento de ofício que lhe exigia o pagamento de Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fundado o lançamento na inobservância da regra limitadora de aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas (Leis Federais nºs. 8.981/95 e 9.065/95). O Acórdão tem a seguinte ementa: “IRPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a consequente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, dês que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. Precedentes deste Conselho.” Contra a decisão interpôs a Fazenda Nacional recurso especial (fls. 251/256), sendo este admitido pelo Despacho nº. 162 – 4ª. Câmara (fls. 257/258). Intimado em momento posterior do teor do referido Acórdão, opôs o contribuinte embargos de declaração (fls. 272/275), suscitando omissão deste Conselho quanto à análise de questão essencial, qual seja, a exceção veiculada na impugnação, e debatida pela Delegacia de Julgamento, tocante a configuração de erro na identificação do sujeito passivo. Aduz o contribuinte: “Como visto no tópico que relatou os fatos, desde sua primeira manifestação defensiva a ora Embargante vem insistindo que o lançamento de oficio não deveria ter sido centrado unicamente na sua pessoa, já que na operação de cisão em foco o acervo vertido não lhe foi integralmente destinado, ou seja, recebeu somente o acervo discriminado no correspondente "PROTOCOLO DE CISÃO", documento esse devidamente acostado aos autos, cuja análise foi franqueada a todos os Fl. 320DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 3 3 órgãos estatais, primeiro os de fiscalização e depois os de julgamento. Destarte, alicerçada na conclusão de que sua responsabilidade deveria ter ficado limitada à sua participação no rateio do acervo vertido, a então Recorrente pugnou pela nulidade do lançamento de oficio, haja vista o manifesto equívoco na identificação do sujeito passivo.” Com base nestes argumentos, defendendo a existência de omissão embargável, pugna “para que essa Câmara enfrente as questões em que o Acórdão restou omisso, analisando tais questões sob todos os aspectos possíveis, em especial para que essa matéria não deixe de ser apreciada pela instância superior sob a alegação de supressão de instância e para os devidos fins de préquestionamento”. É o relatório. Voto Hugo Correia Sotero Relator Embargos tempestivos. A admissibilidade dos embargos de declaração demanda a existência, na decisão objurgada, de omissão relevante, assim entendida a ausência de debate acerca de aspecto essencial ao deslinde da controvérsia objeto do processo administrativo. No caso, defende o contribuinte ter esse Conselho silenciado, quando do julgamento do recurso voluntário, acerca de aspecto relevante (arguição de erro na identificação do sujeito passivo) na medida em que, conhecido, ensejaria a nulidade do lançamento, aspecto este abordado em todas as suas manifestações e analisado expressamente pela Delegacia de Julgamento de Campinas (SP). Assiste razão ao Embargante. De fato, a questão indicada (erro na identificação do sujeito passivo) foi objeto da impugnação, sendo debatida e expressamente enfrentada pelo acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento de Campinas, e, tratandose de questão preliminar, passível de ensejar a decretação da nulidade do lançamento, deveria ter sido apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. Nesse contexto, merecem ser conhecidos os embargos de declaração, para integração do julgado. A questão foi deduzida pelo contribuinte no recurso voluntário nos seguintes termos: “Insiste a Recorrente que os lançamentos de ofício não deveriam ter sido centrados unicamente na sua pessoa, já que na Fl. 321DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 4 4 operação de cisão em foco o acervo vertido não lhe foi integralmente destinado, ou seja, recebeu somente o acervo discriminado no correspondente “PROTOCOLO DE CISÃO”, que foi juntado à impugnação. No rigor jurídico, a sua responsabilidade deve ficar limitada à sua participação no rateio do acervo vertido.” Em sequência, afirma que “tratandose de cisão total, como é o caso vertente, a sociedade cindida desaparece – é extinta”. O tema foi tratado pela Delegacia da Julgamento de Campinas da seguinte forma: “Confirmase, pois, pela Ata da Assembléia Extraordinária que aprovou a cisão da Sumatra Cafés e pelos seus anexos, que, além de ter recebido mais de 92% dos ativos da cindida e todo o seu passivo, a contribuinte autuada assumiu direitos e obrigações que viessem a ser apurados. Considerando que, ao deduzir integralmente os prejuízos fiscais acumulados na última apuração do IRPJ antes da cisão, não foi declarada a obrigação tributária que existiria caso respeitado o limite de 30% para compensação de prejuízos, tal divida, somente agora apurada, cabe à Itapuã (Sumatra Comércio Exterior), única sucessora do passivo da cindida, não só o contabilizado, como também o que viesse a ser apurado. ... Como se vê, ainda que a autuada não tivesse se responsabilizado pelas obrigações que viessem a ser apuradas, a própria Lei lhe impõe a responsabilidade solidária por tais dividas em caso de extinção da sociedade cindida. Não se cogita, pois, do alegado erro de identificação do sujeito passivo.” Não há dúvidas quanto à formalização de cisão total, com consequente extinção da pessoa jurídica cindida (fato afirmado pela própria Embargante), bem assim de ter a Embargante recebido a quase totalidade do acervo patrimonial da cindida, assumindo os respectivos passivo e obrigações, constituídas ou não. Nesse sentido, inquestionável ostentar a Embargante a condição de sucessora e de responsável tributário pelo crédito constituído através do lançamento de ofício em debate. Eventual “partilha” da responsabilidade, proporcional ao acervo patrimonial recebido, é questão inoponível à Administração Tributária (art. 123 do Código Tributário Nacional) que, diante da extinção da pessoa jurídica, deve imputar aos seus sucessores, ou qualquer deles, dada a natureza solidária da responsabilidade, os ônus do cumprimento da obrigação tributária (art. 132 do CTN). Com estas considerações, conheço dos embargos de declaração opostos, para darlhes provimento, reconhecendo a existência de omissão no Acórdão nº. 10709.191, Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.004482/200651 Acórdão n.º 110300.688 S1C1T3 Fl. 5 5 retificando a decisão nele contida para: “rejeitar a ´preliminar de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário”. Hugo Correia Sotero Relator Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/08/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10850.000694/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa:
Numero da decisão: 1302-000.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: DANIEL SALGUEIRO DA SILVA
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FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Guilherme Pollastri Gomes Da Silva Relatório Fl. 422DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10850.000694/200541 Acórdão n.º 130200.796 S1C3T2 Fl. 423 2 Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi constatado, no 1º trimestre do anocalendário de 2000, compensação indevida de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), tendo em vista divergências entre os valores constantes da DIPJ e os saldos apontados no Sapli, em virtude de a empresa ter utilizado o saldo para amortização de débitos inseridos no Refis. Foi lavrado o auto de infração de fls. 53 a 57, exigindo CSLL no valor de R$ 707.522,21, juros de mora de R$ 588.446,21, multa de ofício de R$ 530.641,65, com fundamento na Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º e §§; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 58; Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 16; Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 19; Medida Provisória (MP) nº 1.858, de 29 de junho de 1999, e reedições, art. 6º; Decreto nº 3.431, de 24 de abril de 2000, art. 7º, I, II e § 2º. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls.60 a 80, subscrita pelo procurador Carlos Alberto Roveron (fl.82), alegando que: Aderiu ao programa Refis em 05/04/2000 e, para amortização dos débitos oriundos desse parcelamento, lançou mão de R$ 5.982.625,74 do saldo da base de cálculo negativa da CSLL existente em 31/03/2000, sendo oferecido como origem de crédito da citada base de cálculo negativa o valor de R$ 18.315.658,64; Referido procedimento encontra respaldo na lei do Refis e no Decreto nº 3.431, de 2000, destacandose a redação do artigo 5º, § 5º, II; O art. 7º do mencionado decreto, citado como sustentação para a autuação, não guarda qualquer relação fática com o presente caso, pois trata de matéria diversa – cessão de direito à compensação – da realidade ocorrida; No presente caso, não houve cessão de direitos, utilizouse de sua própria base de cálculo negativa da CSLL; Não se trata de questionar os fatos da autuação quando aduz que informou base de cálculo negativa superior à efetivamente utilizada. O que não se admite é a alegação de que o referido artigo 7º proibiria a utilização do saldo; Somente após a entrega e aceitação do termo de adesão ao Refis tomou conhecimento do valor consolidado do seu débito, razão pela qual, por ocasião do primeiro ato, não poderia deixar de informar a totalidade da base de cálculo negativa; O saldo existente depois da quitação do Refis pode e deve ser utilizado e a pretensão fiscal não encontra respaldo legal; O crédito tributário constituído encontrase extinto, na forma do inciso V do artigo 156 do Código Tributário Nacional (CTN), em razão da consumação da decadência do direito de efetuar o lançamento; Fl. 423DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10850.000694/200541 Acórdão n.º 130200.796 S1C3T2 Fl. 424 3 O auto de infração é relativo a fato gerador ocorrido em março de 2000, de modo que deveria ter sido cientificada do lançamento até março de 2005, ou seja, dentro do prazo de cinco anos estabelecido pelo artigo 150, § 4º do CTN. Protestou pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, em assim a realização de diligências e perícias. Requereu, com base na Constituição Federal (CF), art. 5º, XXXIV, b, o direito de ser notificada da juntada de qualquer documento ou de qualquer outro fato superveniente, a fim de que possa se manifestar sobre o mesmo, sob pena de violação ao princípio do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV), do contraditório e ampla defesa (CF, art. 5º, LV), além de representar inequívoca negativa de vigência ao princípio da verdade material. O processo foi encaminhado em diligência, conforme fls. 123/124, tendo retornado com o relatório de fls. 219/220, do qual a contribuinte teve ciência em 29/04/2008, tendo apresentado a manifestação de fls. 238 a 258, alegando o que segue: A autoridade fiscal, ao intimála, não fez menção ao Sapli ou a qualquer divergência, mas tão somente requereu que se lhe fosse informado, por escrito, o saldo da base de cálculo negativa da CSLL, apresentando o Lalur, o que foi feito; Referida autoridade não informou a existência de qualquer divergência, bem assim não solicitou quaisquer esclarecimentos acerca delas e muito menos menciona quais seriam elas; Claramente explicitou e utilizou o valor de R$ 5.982.625,75, relativo à base de cálculo negativa da CSLL própria (e não cedida a terceiros), não se aplicando o disposto no art. 7º do Decreto nº 3.431, de 2000, e não tendo que registrar nenhum valor em sua contabilidade; Não obstante o acréscimo de outros débitos pela Receita Federal, a consolidação das multas e juros compensados resultou em valor menor que o declarado, ou seja, R$ 1.325.461,88 e não R$ 1.465.252,69; Foi intimada do auto de infração depois do decurso de prazo de cinco anos, tendo ocorrido a decadência; No relatório elaborado em 22/04/2008, consta que “embora o interessado tenha informado no PGDREFIS um crédito da BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL no valor de R$ 18.315.658,64, foi utilizado apenas o valor de R$5.982.625,75, que aplicado o percentual de 8% (oito por cento), amortizou a totalidade de Multas e Juros consolidados no REFIS”.Essa afirmação confirma o que alegou e o erro na lavratura do auto de infração; A afirmação do fiscal de que o saldo da base de cálculo negativa da CSLL em 31/12/1999 era de R$ 16.059.208,39 e não R$ 18.315.658,64, é incorreta, pois consta no Lalur o valor de R$ 18.355.100,84, como demonstrado na impugnação (fl.246), que, reduzido da compensação efetuada no anocalendário de 2000, no valor de R$7.861.357,98, resulta em R$ 10.493.742,86. Apresentou o demonstrativo de fl. 248, fazendo um comparativo entre o valor do saldo Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10850.000694/200541 Acórdão n.º 130200.796 S1C3T2 Fl. 425 4 negativo da CSLL apurado no Sapli e no Lalur, no período de 1994 até 31/12/2006; Afirmou, quanto à redução do saldo de bases negativas da CSLL de 1998, que não se pode cogitar da aplicação da Medida Provisória (MP) nº 1.8586, de 1999, sob pena de evidente aplicação retroativa da norma; Solicitou, com base no art. 8º, II, da Lei nº 9.507, de 1997, a retificação do Sapli, fazendo constar o saldo inicial de R$ 18.355.100,84, relativo ao período de 04/01/1999 a 31/12/1999, conforme declarou na DIPJ; Houve a redução indevida, arbitrária e ilegal da base de cálculo negativa da CSLL do ano de 1998, no valor de R$ 2.280.018,43, em face da MP nº 1.8586, de 1999, que não pode ser aplicada retroativamente; Não se considerou a base negativa do períodobase de 01/01/1999 a 03/01/1999, no valor de R$ 18.980,91, devendo ser retificado o Sapli. A DRJ decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ANOCALENDÁRIO: 2000 CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. Comprovandose que o valor do saldo da base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido é suficiente para compensar a base de cálculo apurada na declaração, cancelase o lançamento. Da decisão, a DRJ recorre de ofício. Embora tenha sido exonerado totalmente o crédito lançado, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde reafirma a necessidade de retificação do SAPLI. Voto O valor de redito tributário exonerado é superior a R$ 1.000.000,00, devendo ser conhecido o recurso de ofício. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10850.000694/200541 Acórdão n.º 130200.796 S1C3T2 Fl. 426 5 Quanto ao recurso voluntário, ele não pode ser conhecido, pois a matéria alegada foge aos limites da lide, conforme se pode observar do trecho do acórdão recorrido: A respeito das demais alegações relativas ao valor do saldo de base de cálculo negativa existente em 31/12/1999, apresentadas depois da impugnação, cumpre esclarecer que, no presente lançamento, não foi feita qualquer alteração do referido saldo. Por essa razão, não cabe a análise de supostas diferenças verificadas depois da autuação, pois não fazem parte do litígio. Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário. Passo a análise do recurso de ofício. Entendo não merecer reparo o acórdão recorrido cuja motivação adoto neste voto: Trata o presente processo de lançamento da CSLL, no 1º trimestre de 2000, em virtude da constatação de que ocorreu compensação indevida de base de cálculo negativa daquela contribuição, tendo em vista divergências entre os valores constantes da DIPJ e o saldo apontado no Sapli, uma vez que a empresa utilizou aquele saldo para amortização de débitos inseridos no Refis. Defendeu a contribuinte que aderiu ao programa Refis em 05/04/2000 e, para amortização dos débitos oriundos desse parcelamento, lançou mão de R$ 5.982.625,74 do saldo da base de cálculo negativa da CSLL existente em 31/03/2000, sendo oferecido como origem de crédito da citada base de cálculo negativa o valor de R$ 18.315.658,64. O autuante considerou esse valor (R$ 18.315.658,64) como saldo daquela base oferecida para amortizar os juros de mora e multa dos débitos incluídos no Refis, e considerou que não restou saldo a ser compensado no anocalendário de 2000. Consta no extrato do Refis relativo à conta nº 480.000.024.670 (fl. 108) que foi oferecido o valor de R$18.315.658,64 e efetivamente foi utilizado para amortização dos juros de mora e multa dos débitos inscritos naquele programa o valor de R$ 478.610,06, que corresponde a um saldo de base de cálculo negativa da CSLL de R$ 5.982.625,75, tal como alegado pela contribuinte. Foi solicitada diligência que confirmou que o valor de base de cálculo negativa utilizado foi R$ 5.982.625,75. Verificase, analisando as declarações de rendimentos de exercícios anteriores (fls. 349 a 358) que o saldo de base de cálculo negativa que a contribuinte possuía, em março de 2000, era proveniente da atividade rural e totalizava R$ 10.076.582,64 (já excluído o valor utilizado no Refis). Fl. 426DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10850.000694/200541 Acórdão n.º 130200.796 S1C3T2 Fl. 427 6 Dessa forma, existindo saldo suficiente para fazer a compensação de R$7.861.357,00, não resta valor a ser exigido, devendo ser cancelado o lançamento. Havendo saldo de base negativa de CSLL suficiente após a utilização parcial no REFIS, o lançamento não poderia esmo ser mantido. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário e por negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello –relator ad hoc Fl. 427DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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