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Numero do processo: 10280.004540/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL.
Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado ou da retenção na fonte (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral).
Numero da decisão: 2402-006.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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MOLÉSTIA GRAVE. DECADÊNCIA Recorrente HAROLDO NELSON ANDRADE SERRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado ou da retenção na fonte (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 45 40 /2 00 8- 82 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10280.004540/200882 Acórdão n.º 2402006.727 S2C4T2 Fl. 77 2 Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, na qual o sujeito passivo pediu que fosse reconhecido o seu direito à isenção, em face da existência de moléstia grave. Segue abaixo a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente é de cinco anos a partir do pagamento, data da extinção do crédito tributário. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de imposto retido na fonte finda com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro do respectivo anocalendário. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 21/05/2010 e interpôs seu recurso voluntário em 01/06/2010, no qual afirmou fazer jus ao benefício de restituição do imposto de renda pessoa física. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da decadência Cuidase de pedido de restituição referente ao IRPF incidente sobre o 13º salário, anocalendário 2001, sob o argumento de que o sujeito passivo teria moléstia grave. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10280.004540/200882 Acórdão n.º 2402006.727 S2C4T2 Fl. 78 3 A solicitação fora indeferida pela unidade de origem, ao argumento de que teria transcorrido o prazo de cinco anos para que o contribuinte pleiteasse a restituição. O acórdão de manifestação também entendeu ter havido a decadência. Pois bem. O art. 168, inc. I, do CTN, preleciona que o direito de pleitear a restituição de tributo indevidamente pago é de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário. Vejase: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;(Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) No que se refere aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o art. 3° da LC nº 118/2005 conferiu efeito interpretativo àquele dispositivo, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento antecipado. O art. 4° da mesma LC prescreveu a aplicação retroativa do citado preceito com base no art. 106, inc. I, do CTN. Veja se: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Tal matéria foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em julgamento com repercussão geral. Reconheceuse a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118, pois, embora com alegado caráter interpretativo, ele inovou no mundo jurídico, devendo ser tido como lei nova. Consagrouse a tese de que o prazo de 5 anos, contado da data do pagamento, teria aplicação somente nas ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da lei, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Para as ações ajuizadas anteriormente, mantevese o entendimento consolidado no STJ, que vinha reiteradamente reconhecendo a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Vejase: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10280.004540/200882 Acórdão n.º 2402006.727 S2C4T2 Fl. 79 4 NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. [...]. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF RE nº 566621/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04082011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011). Como sabido, este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF com repercussão geral, conforme determina o art. 62A do seu Regimento Interno: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste caso, o requerimento administrativo foi apresentado em 04/09/2008, de tal forma que realmente havia ultrapassado o prazo para a restituição das parcelas pagas ou retidas em 2001, inclusive do imposto incidente sobre o 13º salário. É importante observar que, de acordo com o art. 66 da Lei 9784/99, e o art. 132, § 3º, do Código Civil, os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data, expirandose no dia de igual número ao de início. Vejase: Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. § 1o Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal. § 2o Os prazos expressos em dias contamse de modo contínuo. § 3o Os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, temse como termo o último dia do mês. Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computamse os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. § 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerarseá prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10280.004540/200882 Acórdão n.º 2402006.727 S2C4T2 Fl. 80 5 § 2o Meado considerase, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. § 4o Os prazos fixados por hora contarseão de minuto a minuto. Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15375.002226/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, acatando proposta formulada por Conselheiro, em sede preliminar, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora elabore relatório circunstanciado evidenciando eventuais reflexos em lançamento decorrente de descumprimento de obrigação principal relacionados aos mesmos empregados listados na presente autuação. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que entendeu que os elementos disponíveis nos autos são suficientes ao julgamento da lide administrativa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Marcelo Milton da Silva Risso Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Relatório
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, acatando proposta formulada por Conselheiro, em sede preliminar, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora elabore relatório circunstanciado evidenciando eventuais reflexos em lançamento decorrente de descumprimento de obrigação principal relacionados aos mesmos empregados listados na presente autuação. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que entendeu que os elementos disponíveis nos autos são suficientes ao julgamento da lide administrativa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Marcelo Milton da Silva Risso Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, acatando proposta formulada por Conselheiro, em sede preliminar, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora elabore relatório circunstanciado evidenciando eventuais reflexos em lançamento decorrente de descumprimento de obrigação principal relacionados aos mesmos empregados listados na presente autuação. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que entendeu que os elementos disponíveis nos autos são suficientes ao julgamento da lide administrativa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Marcelo Milton da Silva Risso – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação nº 11.401.4/0223/2002, que julgou procedente o lançamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 75 .0 02 22 6/ 20 09 -1 9 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 15375.002226/200919 Resolução nº 2201000.323 S2C2T1 Fl. 109 2 A descrição fática do presente lançamento está delineada no relatório da decisão de 1ª instância, o qual adotamos por sua clareza e precisão: Conforme o descrito no Relatório Fiscal de Infração (fl. 07), tratase de infringência ao art. 17 da Lei 8.213/91 combinado com o art. 18, inciso I, § 1o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/91, por não ter a empresa inscrito os segurados empregados relacionados no anexo de fls. 10/13. O Auto de Infração foi regularmente lavrado em 07/12/01, tendo o autuado dele tomado conhecimento em 12/12/01, como comprova a assinatura de seu representante legal às 6s. 01. Foi aplicada a penalidade no valor de R§ 149.347,87 (cento e quarenta e nove mil, trezentos e quarenta e sete reais e sessenta e sete centavos) na forma descrita no Relatório de aplicação da multa de fls. 08 e anexo de fls. 10/13. DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar a autuada apresentou defesa requerendo o relevação da multa nos termos do art. 291 do Decreto 3.048, e, não sendo atendida, a anulação do Auto de Infração tendo em vista que a multa aplicada afronta dispositivos constitucionais, cujos argumentos podem ser assim resumidos: Argumenta, inicialmente que as empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, constantes da relação de coresponsáveis não foram pessoalmente intimadas para oferecimento de qualquer defesa e, assim, não se estabeleceu contra elas qualquer processo administrativo. Ressalta, em seguida, que incluiu em parcelamento o valor da obrigação principal, ou seja, o valor das contribuições devidas e que motivaram a aplicação da multa em discussão. Estão presentes todos os requisitos para a aplicação do art. 291 e §1° do Decreto 3.048/99, quais sejam: as contribuições devidas foram incluídas em parcelamento, portanto, a falta foi corrigida; o seu pedido de relevação é tempestivo; a impugnante é Infratora primária e não ocorreram circunstâncias agravantes. Acrescenta que, presentes os requisitos, o citado dispositivo impõe, não faculta, relevação. Na hipótese de não relevação da multa, seja reduzida a patamar legalmente aceitável, pois aplicada em valor abusivo, carecendo de qualquer amparo legai ou fictício, caracterizando o confisco repudiado pelo art. 5o, LIV e art. 150, IV, ambos da Constituição Federal. Para corroborar a sua tese, reproduz lições doutrinárias do professor Sacha Calmon Navarro Coelho e Ives Gandra Martins. O lançamento foi julgado procedente através da DecisãoNotificação nº 11.401.4/0223/2002, que restou assim ementado: INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 15375.002226/200919 Resolução nº 2201000.323 S2C2T1 Fl. 110 3 Constitui infração ao art 17 do Lei 8.213/91 combinado cem o art 18, inciso I, § 1o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/91, deixar a empresa de inscrever segurado empregado a seu serviço. Cientificada da decisão de piso em 15/04/2002 (fl. 185), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 30/04/2002, reiterando exatamente os mesmos termos da impugnação acima relatada. É o relatório. Voto Vencido Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da configuração da infração A ocorrência do descumprimento da obrigação acessória é fato incontroverso, uma vez que a recorrente admite expressamente que não inscreveu os segurados empregados a seu serviço, mas que já incluiu a dívida relacionada a obrigação principal em parcelamento. Ressalte, contudo, que a presente autuação por descumprimento de obrigação acessória independe do adimplemento da obrigação principal, revestindose de autonomia em relação àquela. Com efeito, requer a relevação da multa aplicada, arguindo possuir os requisitos para a benesse normativa. Todavia, como bem assinalado pela decisão de piso, falta ao recorrente o requisito primordial, qual seja, a correção da falta. Não há nos autos prova da formalização dos contratos de trabalho e inscrição dos segurados respectivos na Previdência Social. Desse modo, incabível a relevação da multa aplicada. Assim sendo, não merece provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. Dos corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão das empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 15375.002226/200919 Resolução nº 2201000.323 S2C2T1 Fl. 111 4 É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Desse modo, não merece prosperar o inconformismo recursal. Das alegações de inconstitucionalidade efeito confiscatório da multa Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 15375.002226/200919 Resolução nº 2201000.323 S2C2T1 Fl. 112 5 Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infringência aos princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso – Redator designado 1 Em que pese o brilhantismo demonstrado pelo culto Relator, a quem lhe rendo as minhas homenagens, no caso concreto, quanto ao questionamento do contribuinte sobre a relevação da multa aplicada, antes de adentrar a esse mérito e até mesmo para fins de uma melhor análise quanto a eventual aplicação do princípio da consunção ou absorção das multas, sugiro a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora elabore relatório circunstanciado evidenciando eventuais reflexos em lançamento decorrente de descumprimento de obrigação principal relacionados aos mesmos empregados listados na presente autuação dos segurados arrolados no e fls. 10/14. Conclusão 2 Pelo exposto, converto o julgamento em diligência. Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721808/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-004.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo da infração o crédito datado de 31/08/2010, no valor de R$ 51.559,20.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo da infração o crédito datado de 31/08/2010, no valor de R$ 51.559,20. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 18 08 /2 01 3- 14 Fl. 330DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedente lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2011 (fls. 2/14), face à apuração de omissão de rendimentos, caracterizados por depósitos de origem não comprovada. Lavrouse termo de início de ação fiscal em 08/05/2013, fls.15/16, no qual foram solicitados os seguintes documentos para o anocalendário 2010: a) Contrato Social (ou Atas de Assembléia) e Alterações Posteriores referentes às empresas na qual seja titular ou tenha participações como sócio ou acionista; b) Extratos bancários de contacorrente, aplicações financeiras e cadernetas de poupança, referentes a todas as contas mantidas, inclusive de titularidade do cônjuge e outros dependentes, mantidas em instituições financeiras situadas no Brasil e no exterior; c) Razão da conta corrente em seu nome, nas empresas que seja titular ou que tenha participação como sócio ou acionista. Em 27/05/2013, recebeuse por escrito as informações de que o contribuinte não havia exercido nenhum cargo remunerado em 2010 e apresentava os extratos bancários solicitados (fls.18/112). Após a análise dos extratos, lhe foi demandado, via intimação, que comprovasse as origens dos depósitos, contudo, não foi apresentada nenhuma justificativa, razão pela qual foi ele autuado por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, realizados em contascorrente mantidas no Banco Bradesco e na Cooperativa de Crédito Rural Pantanal do MS. Não obstante impugnada (fls. 146/242), a exigência foi mantida pela decisão de piso (fls. 298/308), ensejando a interposição de recurso voluntário em 02/10/2017 (fls. 312/322), no qual foi alegado, em síntese: As contas bancárias na Cooperativa Credito Rural Pantanal do MS ag. 26.408.187/000746 Conta corrente 500577 e no Bradesco Ag. 0174 conta 00009555 comprovam que os depósitos efetuados tinham uma contrapartida referente às despesas das compras efetuadas. A operacionalização davase da seguinte forma: na intermediação das compras de carvão, a empresa Simasil Siderúrgica Ltda. emitia o cheque em nome das carvoarias e o signatário pagava as mesmas já descontando sua comissão, de tal forma que o cheque emitido pela Simasil fica depositado em sua conta e ele emitia cheques de sua conta para pagamento às carvoarias (declaração da empresa às fls.149). O Fisco levou em conta apenas os depósitos efetuados na conta do impugnante, inclusive os devolvidos, transferências de outras contas, empréstimos bancários, não considerando os débitos ocorridos nas mesmas Não é razoável que se colha um rol de depósitos bancários, por meio das Requisições de Movimentação Financeira as RMF e se intime o contribuinte para provar a Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10140.721808/201314 Acórdão n.º 2202004.852 S2C2T2 Fl. 331 3 origem de depósito por depósito, sabendose que as pessoas físicas estão desobrigadas de fazer escrituração de seu movimento financeiro, presumindo daí que, a partir de depósito bancário de origem não comprovada, nasça o fato gerador do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De plano, é possível constatar, primeiramente, que o contribuinte expende diversas considerações sobre a presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando ser a mesma ilegítima e que "colide com as diretrizes de criação de presunções legais". Traz, nesse rumo, colação de diversos precedentes antigos administrativos, alguns dos quais sem referência da época dos fatos geradores a que se reportam, entendendo serem eles pertinentes à sua situação. Prossegue, defendendo a aplicação da Súmula TFR nº 182 no particular. Pois bem, impende explicar que o lançamento foi apurado tendo como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo que desde o início da vigência desse preceito a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão, e o consequente fato gerador do imposto de renda pessoa física, a despeito do entendimento em sentido diverso trazido na peça recursal. E apesar de não haver previsão legal para que a justificação da origem se dê com coincidência de datas e valores, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige que a comprovação demandada aconteça de maneira individualizada. Destarte, intimado o recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos. De outra parte, cabe esclarecer ao referido que o STJ vem reiteradamente afastando, forte nas Lei nº 8.021/90 e nº 9.430/96, e na LC nº 105/01, a aplicação da Súmula TFR nº 182 nos casos em que tenha havido regular processo administrativo e conferida oportunidade ao contribuinte de comprovar a origem dos depósitos bancários, como ocorreu na espécie. Fl. 332DF CARF MF 4 A respeito das arguições ventiladas em sede recursal sobre a não consideração de cheques e TED emitidos, convém, por oportuno, transcrever a seguinte passagem da decisão guerreada (fl. 307), a qual se adota, com a devida vênia, como fundamentação: No que concerne à alegação de que o Fisco não teria considerado os cheques e TED emitidos, cumpre ressaltar que o objeto do presente lançamento de ofício foi a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, quer dizer, a fiscalização não autuou as saídas de numerário efetuadas por intermédio de cheques e TED emitidos, mas sim a entrada de numerário ocorrida por meio dos depósitos bancários de origem não comprovada. Logo, não assiste razão ao pleito do impugnante de que os cheques e TED emitidos deveriam ser excluídos da base tributável. Acerca da alegada devolução de cheques depositados, cabe notar que tanto durante o procedimento fiscalizatório, como em sede de impugnação, o contribuinte não apresentou nenhuma cópia de cheque que permitisse estabelecer uma correlação entre os depósitos não comprovados, e eventuais devoluções de cheques. Ressaltese que, embora tenha produzido extensos memoriais de cálculo às fls.259/271, o impugnante não trouxe nenhum documento hábil e idôneo aos autos que amparasse qualquer uma de suas alegações. Nessa seara, além de não apresentar nenhum embasamento para o pedido de exclusão de cheques devolvidos da base tributável, o impugnante nem mesmo apresentou qualquer esclarecimento acerca da rubrica identificada como “LIBERAÇÃO CRÉDITO” às fls.104, no valor de R$51.910,74, e que o contribuinte também pretendia ver excluída. Reiterese que não constam dos autos nenhuma cópia de contrato, recibos, notas fiscais, faturas, cheques, ou qualquer outro documento que pudesse subsidiar os pleitos de exclusão de valores da base de cálculo do lançamento de ofício. E, expliquese ainda, o ônus de fazer o vínculo entre as devoluções de cheque e os cheques anteriormente emitidos, em apontar que eventuais saldos bancários que foram tributados indevidamente, é do recorrente, não bastando para tanto simplesmente afirmar "é só comparar os extratos", "é só observar o extrato", etc. Cumpre a ele, diversamente, discriminar quais são os depósitos envolvidos nos erros cogitados, com valor e data, de modo a permitir tanto à autoridade fiscal, quanto à autoridade julgadora, verificar concretamente os pretensos equívocos, e proceder a exclusão caso tenha razão a inconformidade apresentada. Vale acrescentar que a declaração da empresa Simasil Siderurgia Ltda. (fl. 149) no sentido de que o recorrente intermediava de forma autônoma as compras de carvão para a companhia, sendo que a comissão a que fazia jus provinha do desconto dos cheques emitidos pelos fornecedores daquela, está longe de comprovar que os fatos em análise se deram, efetivamente, sob essa versão. O autuado, tendo recebido rendimentos de pessoas jurídicas como autônomo, deveria ter escriturado LivroCaixa tanto para poder deduzir as eventuais despesas decorrentes de sua atividade, quanto para poder atestar os ingressos recebidos a ela vinculados, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 6º da Lei nº 8.134/90 e do inciso I do art. 4º e art. 34 da Lei nº 9.250/95. Desse modo, poderia cotejar os depósitos em suas contascorrentes com negócios firmados perante terceiros, comprovando sua origem a contento. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10140.721808/201314 Acórdão n.º 2202004.852 S2C2T2 Fl. 332 5 Além disso, poderia ter se precavido, para dizer o mínimo, e formalizado devidamente via contrato as eventuais avenças estabelecidas seja com os aludidos compradores, e seja com os fornecedores para os quais prestava, alegadamente, serviços de intermediação. De todo modo, entende este relator que, em se tratando inequivocamente de contacorrente mantida junto à cooperativa de crédito, e estando consignado no histórico do lançamento bancário de 31/08/2010 "Liberação crédito", no valor de R$ 51.559,20 (fl. 104), temse prova suficiente tratarse a operação em comento de liberação de crédito vinculado às operações do gênero efetuadas pela dita cooperativa, razão pela qual deve ser tal lançamento excluído da base de cálculo da infração apurada. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo da infração o crédito datado de 31/08/2010, no valor de R$ 51.559,20. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.006020/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO, PROCEDÊNCIA.
Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF.
Numero da decisão: 2402-006.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO, PROCEDÊNCIA. Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 60 20 /2 00 9- 79 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11610.006020/200979 Acórdão n.º 2402006.637 S2C4T2 Fl. 120 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 97/100) em face do Acórdão n. 12 95.534 11ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO (efls. 76/82), que julgou improcedente a impugnação de efls. 69/75 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 12/06/2009 (efl. 23) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2006/608415375702082 Exercício 2006 no valor total de R$ 55.738,81 sendo R$ 35.365,03 de imposto (Cód. Receita 0211); R$ 7.073,00 de multa de mora não passível de redução; e R$ 13.300,78 de juros de mora calculados até 30/06/2009 (efls. 18/22), com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de efls. 69/75, julgada improcedente pela DRJ/RJO, nos termos do Acórdão n. 1295.534 (efls. 76/82), de cujo teor aparentemente tomou ciência em 02/02/2018 (efl. 87), havendo interposto recurso voluntário na data de 21/02/2018 (efls. 97/100). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator. O Recurso Voluntário (efls. 97/100) foi interposto em 21/02/2018, e, a ciência da decisão recorrida ocorreu, aparentemente, em 02/02/2018, conforme tela de rastreamento acostado à efl. 87, que, apesar de não se constituir prova cabal de ciência, é forte indício a ser considerado, em homenagem, sobretudo, aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Assim, o Recurso Voluntário (efls. 97/100) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), vez que, no entendimento do Recorrente, houve erro da fonte pagadora (Instituto de Previdência do Estado de São Paulo IPESP) ao informar o IRRF à RFB, pois houve retenção sobre o rendimento de ação judicial na ordem de valor da glosa consignada no lançamento em litígio. É oportuno ressaltar que na peça recursal de efls. 97/100, o Recorrente não aduz novas razões de defesa. Muito bem. Para uma melhor contextualização da análise em curso, é oportuno resgatar que o Recorrente apresentou a DIRPF/2006 ND 08/22.215.881 Data de Entrega: 24/04/2006 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11610.006020/200979 Acórdão n.º 2402006.637 S2C4T2 Fl. 121 3 informando rendimentos tributáveis de R$ 309.822,20 e IRRF de R$ 64.408,67, configuração que lhe conferia imposto a restituir de R$ 877,23. Todavia, em razão da glosa de IRRF R$ 36.242,26 em virtude do trabalho de Malha Fiscal, resultou um lançamento com fulcro em compensação indevida de IRRF de R$ 55.738,81, conforme discriminado na Notificação de Lançamento IRPF n. 2006/608415375702082 (efls. 18/22). A matéria delimitada no Recurso Voluntário (efls. 97/100), da mesma forma que na impugnação apreciada na primeira instância, trata tãosomente de situações fáticas em face dos elementos de prova consignados nos autos, não envolvendo, assim, questões de direito, vez que procedente a incidência da retenção de imposto de renda. A decisão recorrida relata a situação fática envolvida na presente lide, com fundamento no conjunto probatório acostados aos autos, de forma bastante elucidativa, razão pela qual a reproduzo ipsis litteris: O impugnante contesta o lançamento, conforme documentos que junta, destacando que a fonte pagadora errou ao informar o IRRF de R$ 28.166,41, que houve a retenção, ainda, sobre o rendimento oriundo da ação judicial. Pois bem. Dos documentos acostados aos autos, verificase que o interessado percebeu rendimentos brutos oriundos de trabalho assalariado/inativo/complementação de aposentadoria/complementação de pensão, da fonte pagadora Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, no valor de R$ 140.802,00 com IRRF correlato de R$ 28.166,41, conforme comprovante de rendimentos de fl. 08. Outrossim, vêse que, em decorrência de ação judicial movida pelo interessado e outros em face da mesma fonte pagadora, o interessado fez jus, no anocalendário de 2005, a rendimentos recebidos acumuladamente, no valor de R$ 125.064,32, conforme mandado de levantamento judicial, à fl. 10. Foram percebidos também, a título de juros e correção monetária, o montante de R$ 4.781,60, conforme demonstrativo de saque judicial, à fl. 11, informados pelo interessado na DAA, referentes à fonte pagadora Banco Nossa Caixa S/A. Constatase, ainda, conforme extrato do IPESP, à fl. 75, que, do total da conta (saldo em 21/06/2005) de R$ 214.151,21, após levantamento, no valor de R$ 125.064,32, restou o saldo de R$ 111.504,89. A partir do mesmo extrato, temse que, em 31/01/2006, o principal bruto de R$ 111.504,89, subtraído do desconto previdenciário (R$ 10.597,43) e da Assistência Médica Hospitalar (R$ 3.355,41), perfez o montante líquido de R$ 97.552,05, o qual acrescido de juros, desconto previdenciário e assistência médico hospitalar, gerou um total de R$ 221.663,00 com Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) correlato de R$ 89.709,96. Isto posto, com base na Dirf da fonte pagadora, do anocalendário de 2006, a seguir colada, entendese que foi informado no mês de fevereiro o pagamento de rendimentos oriundos da mesma ação trabalhista, com a única retenção informada no extrato de fl. 75, aproximadamente no valor de R$ 89.709,86 (= do total de IRRF informado para o mês de fevereiro de R$ 92.460,39, subtraindo o valor de IRRF de março, ou de qualquer um dos meses seguintes, referente ao rendimento do trabalho, obtémse aproximadamente o valor de IRRF de R$ 89.709,96). [...] Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11610.006020/200979 Acórdão n.º 2402006.637 S2C4T2 Fl. 122 4 Ainda, verificase no Mandado de Levantamento Judicial, à fl. 10, no campo referente à retenção de imposto de renda, a inscrição “isento”. A corroborar o entendimento de que não houve a retenção informada na DAA, tem se que a fonte pagadora informou ao juízo, às fls. 12/16, que em 21/06/2005 efetuou depósito sem a retenção do imposto de renda, e que, com o intuito de liquidar a totalidade das importâncias residuais ainda devidas, efetuou em 2006, um depósito com saldo líquido, “... já descontadas as importâncias devidas ao IPESP, ao IAMSPE e ao IMPOSTO DE RENDA, não só relativas ao saldo residual como também relativas ao depósito efetuado em 21/06/2005 que, conforme esclarecido, não contou com qualquer retenção.” (grifos do original) É verdade que constam dos autos despachos judiciais informando sobre erros nas guias dos autores, sobre a necessidade da fonte pagadora depositar os valores retidos (fls. 44/45), que o fato gerador do imposto de renda é o levantamento da quantia, todavia foram proferidos em 2006, não permitindo concluir que foi efetuada a retenção no valor de R$ 32.517,26 referente ao depósito levantado no ano calendário 2005. Importa destacar, por oportuno, que a legislação do imposto de renda adotou o regime de caixa, sendo certo que o contribuinte tem o dever de declarar e recolher os valores auferidos e o respectivo imposto em cada ano calendário correspondente, e na Declaração de Imposto de Renda do Exercício 2007, não foram informados rendimentos oriundos da ação judicial. [...] Considerando que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo a adoção da decisão recorrida na forma acima transcrita, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015 (DOU 10/06/2015), concluindo pela procedência do lançamento consignado na Notificação de Lançamento IRPF n. 2006/608415375702082 (efls. 18/22). Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 97/100) para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720053/2007-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel.
Considerando a apresentação da Laudo de avaliação pelo Contribuinte, deve ser considerado o Valor da Terra nua nele constante.
Numero da decisão: 9202-007.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para acolher o Valor da Terra Nua - VTN/ha de R$ 6.303,23, constante do Laudo de Avaliação (fls. 16).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Considerando a apresentação da Laudo de avaliação pelo Contribuinte, deve ser considerado o Valor da Terra nua nele constante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para acolher o Valor da Terra Nua - VTN/ha de R$ 6.303,23, constante do Laudo de Avaliação (fls. 16). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Considerando a apresentação da Laudo de avaliação pelo Contribuinte, deve ser considerado o Valor da Terra nua nele constante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para acolher o Valor da Terra Nua VTN/ha de R$ 6.303,23, constante do Laudo de Avaliação (fls. 16). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 00 53 /2 00 7- 19 Fl. 262DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2801002.873 proferido pela 1ª Turma Especial 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 23 de janeiro de 2013, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 191: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 199 a 205, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 211 a 213, para rediscutir a decisão recorrida no tocante ao arbitramento do VTN com base no SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITRs apresentadas. Aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) não há ilegalidade no procedimento para o lançamento do ITR com base nos valores indicados no Sistema de Preços de Terras da SRF; b) as tabelas de valores indicados no SIPT servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente são utilizados pela fiscalização se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador; c) valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, mas o contribuinte não se desincumbiu desse mister; Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10783.720053/200719 Acórdão n.º 9202007.337 CSRFT2 Fl. 3 3 d) merece reforma o acórdão recorrido, tendo em vista estar em desacordo com o sistema normativo vigente, devendo prevalecer o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização. Intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 221 a 233, alegando, em síntese, preliminarmente, o não conhecimento do recurso, e, quando ao mérito, que a aptidão agrícola do imóvel varia de imóvel para imóvel, o que torna indiscutivelmente impossível estabelecer uma média por hectare para um Município inteiro considerando apenas os valores declarados em DITRs dentro daquela região, assim, o Acórdão recorrido não merece reforma. É o relatório. Voto 1. Do conhecimento Aduz o Recorrido que o aresto indicado como paradigma pela Recorrente trata de situação fática distinta da discutida nos presentes autos, restando prejudicada a possibilidade de conhecimento do Recurso Especial Fazendário. Compulsandose os autos, observase os seguintes trechos dos votos condutores do acórdão recorrido e paradigma: Acórdão nº 2801002.873, recorrido: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº nº 210201.664, paradigma: Verificase na descrição dos fatos do auto de infração que o lançamento foi motivado pela glosa da área de reserva legal e valoração do VTN do imóvel rural denominado "Gleba Cedrobom/Parque Est. Ig. Juruena", com área total de 87.523ha, localizado no município de Cotriguaçu/MT. (...) Em função disso, a fiscalização não acatou o laudo e efetuou o arbitramento do valor da terra nua com base nas informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT), correspondentes ao Fl. 264DF CARF MF 4 preço médio do hectare obtido nas DITRs apresentadas para os imóveis localizados no município de Cotriguaçu/MT, no exercício de 2002. Na mesma linha, entendo que o laudo técnico não serve para contestar o valor da terra nua, nem para comprovar as áreas de reserva legal. (...) Isto posto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Notase que, em situações semelhantes, o julgado recorrido não admitiu o arbitramento com base no SIPT constituído pelos valores médios das DITR do mesmo Município, enquanto que o julgado comparado admitiu. Portanto, diante da constatação da divergência jurisprudencial entre os julgados, conheço do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 2. Do mérito O processo administrativo fiscal sob análise tem como objeto exigência de ITR suplementar referente ao exercício de 2005, em decorrência da alteração do Valor da Terra Nua (VTN). A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial com o fito de rediscutir arbitramento do VTN com base no SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITRs de outros contribuintes. Compulsandose o Acórdão recorrido, observase que a razão de decidir do Colegiado se baseou, essencialmente, nos seguintes fundamentos: Ante a legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso, conforme atestado pela decisão de primeira instância, as informações disponíveis no SIPT, para o exercício em análise e o município de localização do imóvel, não decorrem de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitamse ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas (extrato fl. 83). Ora, o VTN médio das declarações de ITR apresentadas referentes ao município de localização do imóvel, não permitem a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto, neste tocante, não pode prevalecer o lançamento, devendo ser restabelecido o VTN declarado. Assim, foi dado provimento ao recurso voluntário considerando a realização do arbitramento do valor do VTN com base no SIPT, utilizandose o valor médio das DITRs, sem levar em conta a aptidão agrícola. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10783.720053/200719 Acórdão n.º 9202007.337 CSRFT2 Fl. 4 5 Acerca do tema, o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996, assim dispõe: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) O referido art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I. valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II. valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Posteriormente, com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; Fl. 266DF CARF MF 6 V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Diante desse contexto, observase que não foi cumprida a exigência legal de modo a considerar a aptidão agrícola do imóvel, razão pela qual não deve prosperar o VTN com base no SIPT, porém, considerando a apresentação de laudo de avaliação pelo Contribuinte, considero o VTN nele constante. Portanto, voto por conhecer do recurso especial e, no mérito, darlhe provimento parcial para acolher o valor do VTN de 6.303,23 constante do laudo, fls. 16. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722581/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2013
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO.
Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, estes deverão ser recebidos como inominados.
Corrige-se o erro manifesto a fim de que o enunciado da ementa reflita a decisão exarada no julgamento.
Numero da decisão: 3201-004.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para suprir o erro manifesto e manter a decisão exarada no Acórdão nº 3201-002.836, que negou provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2013 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, estes deverão ser recebidos como inominados. Corrige-se o erro manifesto a fim de que o enunciado da ementa reflita a decisão exarada no julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para suprir o erro manifesto e manter a decisão exarada no Acórdão nº 3201-002.836, que negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, estes deverão ser recebidos como inominados. Corrigese o erro manifesto a fim de que o enunciado da ementa reflita a decisão exarada no julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para suprir o erro manifesto e manter a decisão exarada no Acórdão nº 3201002.836, que negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 81 /2 01 4- 11 Fl. 903DF CARF MF Processo nº 11080.722581/201411 Acórdão n.º 3201004.247 S3C2T1 Fl. 904 2 Trata o presente processo de embargos inominados opostos pela DRF em Porto Alegre/RS em face do Acórdão 3201002.836, prolatado por esta Turma na sessão de 22/05/2017, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2013 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. IPI. VENDAS. ENTRADAS. DEVOLUÇÕES. INIDONEIDADE. Apurada a condição de inidôneas das supostas entradas relativas à aquisição de insumos ou devolução de vendas operadas por meio da deliberada e sistemática emissão fraudulenta de notas fiscais de entrada, de se efetuar a glosa dos créditos indevidos e constituir o crédito tributário respectivo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Caracterizada a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento a que se reporta o art. 72 da Lei n. 4.502, de 1964, imperiosa a qualificação da multa de ofício de que cuida o art. 569, §6o, II, do Decreto n. 7.212, de 2010. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Ciente da decisão, a Unidade de Origem interpôs embargos inominados, sustentando erro manifesto no Acórdão, pois sua ementa indicara provimento parcial ao Recurso Voluntário, em desacordo com a decisão que constou na Ata da Sessão e o dispositivo do voto, que negara provimento. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 11080.722581/201411 Acórdão n.º 3201004.247 S3C2T1 Fl. 905 3 No despacho de admissibilidade (fls. 901/902), constatouse o alegado erro, uma vez que consta na ementa do acórdão o provimento parcial ao recurso voluntário; contudo, na decisão e no voto condutor do acórdão e na Ata da Sessão, está expresso o improvimento ao recurso voluntário, configurando erro manifesto da ementa do Acórdão. Cientificada, a contribuinte não se manifestou nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. No art. 66 do RICARF há disposição quanto à possibilidade da correção das inexatidões materiais devido a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Verificase contradição quando as proposições ou porções da decisão se tornam inconciliáveis, ainda que em parte. Caracterizase por uma evidente colisão entre enunciados de mesma parte ou não do julgamento (relatório, fundamentos e dispositivo). Erro material é o engano ou inexatidão da decisão na manifestação da expressa ou transmissão de palavras, que se percebe pela simples leitura do texto em que se insere. Caracterizase pela contradição entre o real conteúdo dos autos e o que resultou da transmissão do ato decisório. Em verdade, temse uma contradição decorrente do erro material entre o que constou na parte dispositiva da ementa "Recurso Voluntário Provido Parcialmente" , e a proclamação do resultado do julgamento, que sintetiza o voto condutor do acórdão, para negar, por unanimidade de votos, provimento ao recurso do contribuinte. O voto do Relator caminhou no sentido de afastar cada uma das pretensões do contribuinte para cancelamento das exigências contidas no auto de infração, e ao final proferiu sua decisão: "Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 905DF CARF MF Processo nº 11080.722581/201411 Acórdão n.º 3201004.247 S3C2T1 Fl. 906 4 Assim, é de se corrigir a ementa do Acórdão nº 3201002.836 para consignar a decisão unânime da Turma em negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para suprir o erro manifesto e manter a decisão exarada no Acórdão nº 3201 002.836 que negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 906DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.951082/2015-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
Numero da decisão: 1302-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.905520/2016-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.905520/2016-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Shirlei Schanaider Borelli Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.905520/201671, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 10 82 /2 01 5- 32 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.951082/201532 Acórdão n.º 1302003.201 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, no qual o contribuinte pretende quitar débitos próprios com suposto crédito, cuja origem seria um pagamento indevido ou a maior de IRPJ Lucro Presumido (código 2089). Em Despacho Decisório eletrônico proferido, não houve o recohecimento do direito creditório, uma vez que foi identificada a utilização integral do crédito invocado no pedido de compensação para quitar outros débitos do contribuinte. Ao ser cientificado do despacho proferido, o contribuinte, ora Recorrente, Clínica e Cirurgia Dermatologica Dra. Shirlei Schanaider Borelli Ltda., apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que, "em razão da elevada carga tributária do país e das particularidades para apuração de todos os tributos que está obrigada a recolher mensalmente” efetuou recolhimento indevido e/ou a maior de IRPJ no período de 06/2012, razão pela qual possui o direito subjetivo à tomada de crédito. Como bem relatado no acórdão recorrido, a Recorrente alega que cumpriu todos os ditames impostos pela legislação para a formulação dos pedido de compensação. Invoca dispositivos do CTN, do Código Civil e da Constituição Federal para respaldar o seu direito subjetivo de utilizar créditos de tributos pagos indevidamente ou a maior. Para comprovar o seu direito, a Recorrente acostou aos autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o pedido de compensação, comprovante de arrecadação, DCTF e DIPJ. Ao final, requereu a procedência do pedido, para que reste reconhecido o direito creditório e, por consequencia, reste homologada a compensação pretendida. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à interessada o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.951082/201532 Acórdão n.º 1302003.201 S1C3T2 Fl. 4 3 Diante dos meios de prova ofertados e dos dados presentes nos sistemas informatizados da Administração Tributária, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado da decisão proferida em 18/08/2017, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 19/09/2017, no qual, em síntese, repisa os argumentos anteriormente apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.193, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.905520/2016 71, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.193): "DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, a Recorrente foi intimada do teor do acórdão recorrido, via AR, em 05/10/2017 (fl. 104), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 01/11/2017 (comprovante de fl. 106), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.951082/201532 Acórdão n.º 1302003.201 S1C3T2 Fl. 5 4 Como se depreende do relatório acima, o Recorrente indicou em pedido de compensação, como direito creditório, suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ Lucro Presumido. Para comprovar a totalidade do seu direito creditório, posto que no Despacho Decisório expedido foi identificada a utilização de parte do crédito no pagamento de outros débitos, do próprio contribuinte, este trouxe aos autos apenas as declarações que havia prestado ao fisco federal. Em brilhante trabalho, contudo, aquela DRJ de Ribeirão Preto demonstrou de forma irretocável que o direito creditório invocado foi utilizado em 03 diferentes pedido de compensação apresentados pelo contribuinte, sendo um deles o que discutido. Demonstrou ainda, o julgador a quo, que o contribuinte retificou a sua DIPJ e DCTF, ressalvando a disparidade entre o débito apurado na "DIPJ retificadora (R$ 1.237.522,71) e o débito declarado em DCTF (R$ 63.549,58), esta última também retificadora". Contudo, houve a constatação que o crédito invocado no presente pedido de compensação foi, de fato, alocado em parte no pagamento de outros débitos do próprio contribuinte. Vejase a conclusão que chegou aquela Turma de Julgamento, que analisou de forma detida as declarações e pagamentos apresentados pela Recorrente. Ressaltase, ainda, que se adota na presente decisão as razões de decidir daquele acórdão, como autoriza do § 3, do artigo 57 do RICARF: 26. Foram efetuados três recolhimentos pela interessada, referidos ao terceiro trimestre do ano calendário de 2010, entre os quais o que daria origem ao direito creditório sob apreciação, ou seja, recolhimento no valor de R$ 53.348,31, sob código de receita 2089: (...) 27. Do recolhimento no valor total de R$ 53.348,31, a quantia de R$13.288,90 encontrase alocada ao débito declarado em DCTF, para o 3º trimestre de 2010, conforme vinculação efetuada pela contribuinte nas informações complementares da DCTF. 28. Houve também a alocação da quantia de R$ 30.712,05 ao mesmo débito declarado em DCTF, valor este correspondente ao “Saldo a Pagar do Débito”. 29. O montante restante, de R$ 9.347,36, deu suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado por meio da Dcomp sob apreciação (R$ 53.348,21 menos R$ 13.288,90 menos R$ 30.712,05 = Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.951082/201532 Acórdão n.º 1302003.201 S1C3T2 Fl. 6 5 R$ 9.347,36). Vejamse as alocaçõesefetuadas ao débito de IRPJ do terceiro trimestre, declarado em DCTF: (...) 30. Enfim, o recolhimento efetuado, no valor de R$ 53.348,41, indicado como origem do direito creditório, foi integralmente aproveitado, mediante: alocação parcial ao débito declarado em DCTF e como suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação objeto deste processo. Em conseqüência, o recolhimento efetuado já se esgotou integralmente, isto é, não há saldo residual, e, portanto, não há direito creditório adicional a ser reconhecido. 31. Portanto, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Devese pontuar que a Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade e, posteriormente, em seu Recurso Voluntário, não trouxe aos autos qualquer comprovação do direito creditório. Trouxe apenas argumentos genéricos que, data venia, em nenhum momento foram referendados com documentação comprobatória. Por outro lado, de forma temerária, a Recorrente afirma que a decisão da DRJ "não apreciou a DCTF retificadora de 06/11/2013, a qual faz alusão rapidamente no item 23 do acórdão." Contudo, desde as premissas que foram fixadas previamente no acórdão proferido, o julgador a quo deixa claro que aquela Turma de Julgamento "tem reiteradamente se manifestado pela aceitação de provas e documentos a qualquer tempo, desde que apresentados antes de iniciado o julgamento". Ademais, ao contrário do que afirma a Recorrente, a análise dos argumentos apresentados partiu das declarações da DIPJ e da DCTF retificadoras. Assim, caberia à Recorrente demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, eventual erro nas duas declarações, até mesmo porque, reiterese, toda a análise do direito creditório por parte da DRJ se deu com base nas declarações retificadoras apresentadas pelo próprio contribuinte. E não há no apelo da Recorrente qualquer tentativa de se desconstruir o que restou demonstrado no acórdão proferido. Os argumentos apresentados são genéricos e sem qualquer lastro probatório. Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.951082/201532 Acórdão n.º 1302003.201 S1C3T2 Fl. 7 6 Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto (SP)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003661/2007-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 30/07/2002
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. COMPROVAÇÃO.
Quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, previsto no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior.
Numero da decisão: 9303-007.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PANASONIC DO BRASIL LIMITADA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 30/07/2002 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. COMPROVAÇÃO. Quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, previsto no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 36 61 /2 00 7- 51 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3803005.997, de 23 de abril de 2014, decisão que deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado. A discussão dos presentes autos tem origem em pedido de restituição apresentado no qual o contribuinte, em resumo, informa: a ocorrência da incorporação da PANASONIC DO BRASIL LTDA pela sucessora PANASONIC DO BRASIL LIMITADA (atual denominação de PANASONIC DA AMAZÔNIA S.A.); que importou mercadorias produzidas no México, que posteriormente foram enviadas para os EUA, onde embarcaram para o Brasil em operação de comercialização internacional, havendo as mesmas sido desembaraçadas na Alfândega de Santos; que o México é país signatário da ALADI e, por tal razão, faz jus à redução de 20% sobre a alíquota normal do imposto de importação, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso os EUA; que no ato de registro da DI no SISCOMEX o reconhecimento da redução da alíquota de imposto de importação não foi possível, pois esse sistema de processamento de dados administrado pela SRF e SECEX, somente admite a aplicação de redução tarifária da ALADI nos casos em que o exportador esteja localizado em país membro da referida Associação, contrariando, assim, o sistema jurídico vigente, que permite a realização da operação praticada. que o preenchimento dos campos da DI no SISCOMEX foi realizado nos termos seguintes: “Exportador Nome: AMAC CORPORATION País: ESTADOS UNIDOS. E Fabricante/Produtor Nome: KYUSHU MATSUSHITA DE BAJA CALIFÓRNIA País: MÉXICO. que em razão do exposto foi compelido ao recolhimento integral do imposto de importação, eis que o SISCOMEX não reconhece o seu direito, que pode ser devidamente comprovado mediante a apresentação do certificado de origem. Nas razões de direito aduziu pela expressa previsão para a realização da operação de importação e da redução tarifária nos moldes referenciados (Decretos nºs 90782/85 e 98.874/90 – redução de 20% por parte do país exportador), ex vi da Resolução nº 252 do Comitê de Representantes da ALADI, cuja regulamentação no Brasil se deu com a edição do Decreto nº 3.325/99, DOU de 31/12/1999. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 4 3 O Contribuinte também formulou consulta à COANA acerca do preenchimento da DI para fruição de benefício de preferência tarifária, obtendo a orientação adequada nesse sentido, por meio do Ofício nº 2006/00263 – COANA, Coordenação Geral de Administração Aduaneira, bem assim o reconhecimento, em tese, de que houve o cumprimento da expedição direta, em realização de operação de importação de mercadorias já descritas. O Contribuinte formalizou o Pedido de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, havendo o pedido sido indeferido através de Despacho Decisório lavrado pelo Grupo de Restituição e Parcelamento – GRESP, sob a alegação de que as mercadorias produzidas no México foram transacionadas com empresa sediada nos EUA (conforme fatura comercial), foram descarregadas em solo americano. Posteriormente, foi emitida nova fatura comercial pela AMAC CORPORATION, empresa sediada nos EUA, em favor da interessada, PANACONIC DO BRASIL LTDA, sendo, ao final, as mercadorias embarcadas para o Brasil, conforme conhecimento de Embarque (BL). Portanto a mercadoria foi, no entender da autoridade fiscal, faturada por operador de terceiro país, não integrante da ALADI (EUA), conforme atesta o Certificado de Origem em questão. Em face do pedido de restituição de Imposto de Importação formalizado pelo Contribuinte foi exarado Despacho Decisório pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da Alfândega no Porto de Santos, que indeferiu o pleito, sob o fundamento de que a interessada não logrou atender as condições elencadas na alínea ‘b’ do item quatro do art. 1º, da Resolução ALADI nº 252, em especial as constantes nos incisos ‘i’ e ‘ii’, já que as mercadorias não transitaram pelo território dos EUA por motivos geográficos ou por requerimentos de transporte e estavam destinadas a comércio por empresa sediada naquele país. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade protestando que o único fundamento para o indeferimento da restituição foi o fato das mercadorias originárias do México terem transitado pelos Estados Unidos antes de serem remetidas ao Brasil, e que o procedimento adotado pela Impugnante não feriu nenhuma disposição do acordo firmado no âmbito da ALADI, devendo tal despacho ser reformado. Ainda, alega o Contribuinte o reconhecimento do direito creditório, por meio do contido no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SEORT nº 538, de 19/08/2010, que deferiu o pedido anteriormente formulado pelo contribuinte nos autos do processo administrativo nº 10855.003858/200894, a título de precedente. A DRJ/SP2 julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário. O Colegiado a quo, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, conforme acórdão assim ementado, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/07/2002 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ACORDO ALADI. REDUÇÃO TARIFÁRIA. EXPEDIÇÃO DIRETA. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 5 4 Não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. Precedentes. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao direito à redução tarifária em comento. Para comprovar o dissenso jurisprudencial apresentou o acórdão número 3202000.680, cuja cópia de inteiro teor foi juntada aos autos. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. O Contribuinte apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose a decisão recorrida É o relatório, em síntese. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.381, de 18/09/2018, proferido no julgamento do processo 11128.007256/200711, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.381): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 328 a 330. Do Mérito A matéria já vem sendo discutida neste Conselho, há muito tempo. A discussão se resume se a preferência tarifária deve ou não ser aplicada quando houver a interveniência de terceiro de país não signatária do Acordo Internacional. A questão inaugural pelo ponto de vista de elemento material de prova restringese à verificação da origem da mercadoria, do local de embarque e do seu destino final. O Certificado de Origem informa como: PAIS EXPORTADOR ESTADOS UNIDOS MEXICANOS PAIS IMPORTADOR BRASIL, além da norma que dá amparo à operação de importação com direito a fruição de redução da alíquota (fl.9) No mesmo sentido o documento, denominado: “TRANSPORTATION ENTRY AND MANIFESTO OF GOODS SUBJECT TO CUSTOMS INSPECTION AND PERMIT UNITED STATES CUSTOMS SERVICE”, informa que a mercadoria ali registrada foi importada do México, em, por meio de caminhão, via direta, tendo por porto estrangeiro de embarque BAJA CALIFORNIA e como destino final SÃO SEBASTIÃO, PANASONIC DO BRASIL LTDA, Rodovia Presidente Dutra, KM 155, Brasil. Igualmente a fatura, o BILL OF LADIN, informa que o local de recebimento da mercadoria como sendo TIJUANA, México, o porto de embarque como sendo HOUSTON e de desembarque como sendo o Porto de Santos. Inicialmente cumpre ressaltar que há várias decisões adotadas pelas turmas julgadoras que caminham no sentido de considerar que a operação realizada pela Contribuinte é legítima, quando se tem apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem e associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil. Esses procedimentos Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 7 6 comprovam o cumprimento do regime de origem da ALADI e impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, senão vejamos: Processo nº 18336.001558/200507 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.436 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria II Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 20/02/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DE ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Processo nº 10209.000087/2003¬93 Recurso nº 344.651 Voluntário Acórdão nº 3102¬001.548 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria Preferência Tarifária Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ¬ PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ¬ II Data do fato gerador: 19/12/1997 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Preferência Tarifária Concedida em Razão da Origem. ALADI. Triangulação. Cumprimento das Exigências Documentais. A apresentação de todas as faturas Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 8 7 comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da ALADI, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Voluntário Provido Luis Marcelo Guerra de Castro ¬ Presidente e Relator. Acórdão nº 320100.444: Julg. 30/04/2010. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/12/1999 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida PDVSA, PIECO, PETROBRÁS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifaria em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Acórdão 310200.691 Julg. 01/07/2010. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, Recurso Voluntário Provido. Processo n" 10209.000544/200540 Recurso n° 138291 Voluntário Acórdão n° 310200.250 — l a Câmara! 24 Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 . Matéria II/IPI FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 9 8 Recorrida DRLFORTÁLEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO /I Data do fato gerador: 28/06/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO PREFERÊNCIA TARIFÁRIA TRIANGULAÇÃO COMERCIAL POSSIBILIDADE. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da ALADI (Res.78). Recurso Voluntário Provido. Relator Luciano Lopes Processo nº 18336.000160/200201 Recurso nº 3021.279.44 Especial do Contribuinte Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Acórdão nº 03006.239 Sessão de 08 de dezembro de 2008 Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II CERTIFICADO DE ORIGEM. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. RESOLUÇÃO ALADI nº 232. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhada das respectivas faturas, bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar no Certificado de Origem, como previsto no art. 9° do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso Especial do Contribuinte Provido Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Substituto e Redator ad hoc Transcrevo, agora, o voto do e. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Acórdão nº 310201.338, que ao enfrentar a matéria, expôs de forma brilhante o entendimento ao qual concordo e que peço vênia para incluir no meu voto e dele também fazer minhas razões de decidir: Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e a resolução 252 da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), promulgada por meio do Decreto nº 3.325, de 30 de dezembro de 1999. Segundo aduz a autoridade fiscal: Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 10 9 a) há um descompasso entre o certificado de origem e a fatura comercial apresentados por ocasião do despacho de importação; b) a Resolução 252 exigiria a expedição direta da mercadoria; c) a Petrobrás Finance Corp (Pifco), pessoa jurídica estabelecida um país não signatário da ALADI, atuara na operação na qualidade de exportador, hipótese não admitida pelo acordo, que só admitiria essa intervenção na qualidade de “operador”; d) ainda que a Pifco atuasse como operador, restariam descumpridas as exigências fixadas pela Resolução ALADI, eis que o certificado de origem apresentado não consignaria a informação de que a mercadoria seria faturada por meio de um terceiro país, nem identificara o nome, denominação ou razão social e domicílio daquele operador. Aduz, ainda, com relação a esta última exigência, que não fora apresentada declaração juramentada capaz de suprir a referida falha documental. Apesar do zelo demonstrado pela autoridade Fiscal, penso, com o máximo respeito, que tais fundamentos não dão suporte à manutenção da exigência. Explico. Em primeiro lugar, considero que a falha documental na instrução do despacho de importação foi devidamente saneada DF CARF MF Fl. 219 8 pela apresentação da fatura comercial nº 1163480, o que permitiu o cotejamento entre a mercadoria submetida ao crivo do Fisco e a constante do certificado de origem objeto do presente litígio. Em segundo, diferentemente do que se verificou em outras operações análogas envolvendo a recorrente, no caso do presente recurso, a mercadoria que tem sua origem questionada pelo Fisco embarcou no porto de Punta Cardon, Venezuela, a bordo do Navio THEANO, com destino ao Brasil, tendo sido descarregada no Porto de Belém, conforme se constata na leitura da averbação constante do extrato da Declaração de Importação e do conhecimento de transporte. Cabe aqui destacar o que diz o artigo Quarto da Resolução 252 (os destaques não constam do original): QUARTO. Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Sendo certo que a mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, encontra¬se satisfeita a exigência de expedição direta da mercadoria. Também discordo que a intervenção da pessoa jurídica Pifco tenha ocorrido em desacordo com o que preceitua o regime de origem da ALADI. Cabe relembrar, nessa esteira, a distinção entre país de origem, procedência e aquisição gizada nas alíneas “h”, “i” e “j” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985: Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 11 10 h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Cotejando os elementos carreados ao processo com os conceitos regulamentares, em especial o consignado na alínea “i”, vêse que as Ilhas Cayman, em verdade, representam o país de aquisição e não, como restou consignado, como país de origem ou procedência. Nessa linha, não há como afirmar validamente que o acordo proíba que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da ALADI. O artigo nono da Resolução ALADI nº 252 nesse ponto é explícito: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (os destaques não constam do original) A mercadoria, diversamente do afirmado no auto de infração, é unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman, na medida em que, conforme já mencionado anteriormente, é embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Não se discute, ademais, sua extração em país diverso. Restaria, finalmente, avaliar se há vício formal no certificado de origem nº 56921 capaz de invalidalo. Chamo atenção para algumas informações consignadas no certificado que se entende imprestável para comprovar a origem da mercadoria: no campo 1 do certificado consignase expressamente a intervenção da Venezuela como país exportador e, no campo 2, o Brasil, como país importador, já no campo 9, identificase a pessoa jurídica PDVSA Petroleo Y GAS S.A. como produtor. Finalmente, no campo 10 (observações), indicase a participação da pessoa jurídica Petrobras Internacional Finance Company, o navio que transportará a mercadoria e a data de emissão do conhecimento de transporte. Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificamse claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário." Ou seja, não obstante as normas que regem o regime de origem, a Resolução 252 que engloba as Resoluções nºs 227, 232 e os Acordos nºs 25, 91 e 215 do Comitê de Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 12 11 Representantes da ALADI, em seu artigo 9º veio permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI. Assim sendo, entendo cabível a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (Países Membros da Comunidade Andina). Vale ressaltar que no presente caso o Contribuinte, realizou um consulta à SRF sob o protocolo nº 3633/2006, em 27/07/06, sobre o preenchimento de declaração de importação para fruição de benefício de preferência tarifária. Tais assertivas constam do Of. nº 2006/00263, de 06/10/06, expedido pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira, cujos itens 5 a 12 explicitam que houve o cumprimento da expedição direta para as mercadorias em comento, como também o contido no item 13 esclarece sobre o preenchimento da DI para fim de fruição do benefício de preferência tarifária, ex vi do Anexo I da IN SRF nº 206/02, art. 10. Seguindo a orientação contida no ofício mencionado o Contribuinte protocolou na unidade preparadora o Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito no valor de R$ 43.997,53 (fls.). A título de precedente há o pedido de reconhecimento de direito creditório formulado pela Recorrente nos autos do processo n.º 10855.003858/200894, o qual foi deferido por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n.º 538, de 19/08/10 (fls. 174/175), que reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.622,41, relativo ao imposto de importação. Ainda em Relação ao tema a Contribuinte trouxe à baila a Decisão n.º 203, DOU de 15/09/99, proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, como também jurisprudência administrativa, na qual é parte interessada, com vistas à consubstanciar os seus argumentos. Ora, há o reconhecimento expresso pelos órgãos oficiais, seja no âmbito regional ou nacional, de que na importação de mercadorias, nas condições supramencionadas, devem as mesmas se beneficiar de alíquotas preferenciais por atender os requisitos previstos na Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI. Vale ainda, ressaltar que a fruição dos tratamentos preferenciais achase normatizada no art. 4o, da Resolução ALADI/CR n" 78 Regime Geral de Origem (RGO), aprovada pelo Decreto n" 98.836, de 1990, 4o, in verbis: CUARTO. Para que las mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del país exportador al país importador. Diante disto, de acordo com o normativo acima a exportação direta do EUA para o Brasil, é suficiente para garantir a redução tarifária, sendo legitimo o beneficio fiscal. Vale ainda ressalta que a NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: Na triangulação comercial que reiteramos, é prática freqüente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 13 12 Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiarse do tratamento preferencial no país de destino da mercadoria. O fato de que um terceiro país fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne à origem. O número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". Após, foi publicada a Resolução n° 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto n.º 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9º da Resolução n.º 78, prevendo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Vale ainda ressaltar o Superior Tribunal de Justiça tem pronunciamento judicial favorável a esses casos de importação: RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.856 PE (2014/03106001) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PR000000O RECORRIDO : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO: TACIANA MATIAS BRAZ DE ALMEIDA E OUTRO(S) PE021487 DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA REDUZIDA. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. DECISÃO DO TRIBUNAL A QUO NO SENTIDO DE QUE OS REQUISITOS NECESSÁRIOS AO BENEFÍCIO FISCAL FORAM ATENDIDOS. MODIFICAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. REAPRECIAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA EM FACE DA FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 20, §§ 3o. E 4o. DO CPC/1973. REVISÃO DO VALOR DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. REEXAME DE PROVAS. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. 1. Tratase de Recurso Especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, contra acórdão proferido pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 5a. Região, assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. PETROBRÁS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 14 13 VENEZUELA. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL ASSEGURADO. 1. Hipótese em que se discute a possibilidade da Petrobrás fazer jus às preferências tarifárias do Acordo de Complementação Econômica ACE27, firmado entre Brasil e Venezuela, objeto do Decreto 1.381/95, para fins de redução do montante pago a'titulo de Imposto de Importação de produtos derivados de petróleo. 2. Não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de, que não houve, prova, do recolhimento do tributo e a Juntada de documentos essenciais para fins de fruição do beneficio, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem, que fazem constar a República da Venezuela como pais originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas, onde constam os valores de I.I. recolhidos. Ademais, os conhecimentos de embarque (Bili of Lading) demonstram que as mercadorias ali consignadas foram expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4o., a, da Resolução 78/87. 3. O país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as llhas Cayman. 0 que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas llhas Cayman, a Braspetro Qil Service Co Brasoil, pagou o preço do produto que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. 4. 0 fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRÁS nas llhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da, ALADI. (AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Canitareíli, TRF5 1 Quarta Turma, DJ Data: 09/07/2009 Página169 129.) (...) Inicialmente, não merece prosperar o argumento da Fazenda Nacional de que não houve prova do recolhimento do tributo e a juntada de documentos essenciais para fins de fruição do benefício, tendo em vista que a Petrobrás, entre outros documentos, anexou certificados de origem (fls. 145 e 252), que fazem constar a República da Venezuela como país originário do produto ali consignado, juntando, também, declarações de importação apresentadas às fls. 71/74, 126/129, 164/170 e 217/220, onde constam os valores de I.I. recolhidos. Ademais, os conhecimentos de embarque (Bill of Lading) de fls. 119, 148 e 172 demonstram que as mercadorias ali consignadas foram expedidas da Venezuela diretamente para o Brasil, nos termos preconizados no art. 4º, a, da Resolução 78/87, como bem ressaltou a juíza de 1º grau. Alega a Fazenda, ainda, que o produto importado tem origem nas Ilhas Cayman, país não signatário do acordo em questão, razão pela qual é indevida a redução do tributo Ocorre que, como já visto, o país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as Ilhas Cayman. O que houve foi uma triangulação comercial, na qual, inicialmente, a Petrobrás adquiriu Propano/butano da Venezuela. Em seguida, uma das suas subsidiárias, situada nas Ilhas Cayman, a Braspetro Oil Service Co Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 15 14 Brasoil, pagou o preço do produto que, posteriormente, foi recomprado pela demandante. Tal procedimento tem por finalidade obter prazos maiores para pagamento. Essa triangulação comercial, com participação de empresa situada em país não membro do ACE 27, não acarreta a perda da preferência tarifária preconizada no aludido acordo, pois a operação comercial realizada pela Petrobrás é prática frequente no comércio internacional, sendo admitido que o produto seja faturado em outro país, desde que a origem da mercadoria seja preservada, sem descaracterização do acordo cujas preferências se desejar obter (juíza de 1º grau). 12. Como visto, o Tribunal a quo afastou todos os argumentos que seriam óbice ao benefício fiscal requerido. Ou seja, entendeuse ali que os requisitos estavam preenchidos. Assim, os elementos fáticos usados pelo Tribunal local não podem ser alterados nesta seara recursal, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Ilustrativamente: 15. Diante do exposto, negase seguimento ao Recurso Especial. 16. Publiquese. Intimações necessárias. Brasília (DF), 21 de agosto de 2017. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR (Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, 28/08/2017) RECURSO ESPECIAL Nº 1.331.366 ¬ CE (2012/01334579) RELATOR : MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: PROCURADORIA¬GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO: PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ADVOGADO : CANDIDO FERREIRA DA CUNHA LOBO E OUTRO(S) DECISÃO Trata¬se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO. IA PETROBRAS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ajuizou a presente ação de rito ordinário contra a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando a repetição de valores supostamente recolhidos a maior a título de Imposto de Importação, relativamente a operações de importação de produtos derivados do petróleo de origem venezuelana. Segundo afirma, a antiga SRC Secretaria da Receita Federal desconsiderou a existência do Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n 027 (Decreto n. 1381, de 30/01/1995), celebrado entre o Brasil e a Venezuela, ao amparo do disposto no Tratado de Montevidéu 1980 e da Resolução 2 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 16 15 do Conselho de Ministros da Associação Latino Americana de Integração (ALADI), e o Acordo de Preferências Tarifárias Regional n' 04 (PTR04), assinado pelos países membros da ALADI, que reduziram a alíquota do Imposto de Importação para 12% (doze por cento). II O Acordo n 91 do Comitê de Representantes, em sua redação originária, assim como a Resolução n. 78, esta em relação à Venezuela, não vedava a compra de produto de país signatário com interveniência de terceiros, com a finalidade de se fazer a alavancarem financeira da operação de importação, e sem o trânsito efetivo da mercadoria por esse terceiro país. No caso dos autos, os produtos foram comprados pela PETROBRAS na Venezuela, revendidos a empresas subsidiárias (Petrobrás Intemational Finance Company ¬ PIFCO e Braspetro Oil Services Co. BRASOIL), localizadas em terceiro pais não integrante da ALADI, no caso Ilhas Cayman, sem que, entretanto, tenha sido efetivamente transitado por este país. III O fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRAS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial, pois o que importa é que o Certificado de Origem tenha sido emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI. IV Apelação provida. Repetição do indébito garantida, com atualização pela SELIC. Honorários advocatíciosfixados em R$ 2.000, 00 (dois mil reais). Os Embargos de Declaração foram parcialmente acolhidos, rejeitandose a alegação de prescrição. A recorrente sustenta, em Recurso Especial, violação do art. 535 do CPC, com base na não apreciação da matéria ventilada nos Embargos de Declaração. Aduz ofensa aos arts. 23, II e §§ 2º, II, e 4º, I, do Decreto 70.235/72 e 195 do DecretoLei 5.884/43. Memorial apresentado pelo recorrido. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 11.10.2014. A irresignação não merece prosperar. O Tribunal de origem, ao decidir a questão, consignou (fls. 636/STJ): No que tange à alegação de prescrição do direito de pleitear a nulidade do lançamento, assim como de requerer a repetição do indébito tributário, verificase que, de fato, o acórdão foi omisso, por se tratar de matéria sobre a qual deveria ter havido manifestação de oficio. A FAZENDA NACIONAL defende que, a PETROBRAS teria sido notificada do lançamento em 12/07/1999, razão pela qual somente poderia ter, ajuizado a ação pleiteando a nulidade do lançamento até 12/07/2004. Sem embargo, a cópia do AR Aviso de Recebimento (fi. 243), ao meu sentir, não é suficiente para comprovar a data da comunicação do lançamento do tributo, porquanto se encontra firmado por recebedor não identificado. Rejeito, pois, a alegação de prescrição da pretensão de anular o ato de lançamento. (Grifei). Extrai se do excerto acima transcrito e dos termos do Recurso Especial que o acolhimento da pretensão recursal é obstado pelo disposto na Súmula 7/STJ, porquanto implica reexame dos elementos probatórios de regularidade da notificação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publique¬se. Intimemse. Brasília (DF), 1º de abril de 2014. MINISTRO HERMAN BENJAMIN Relator” Frisese, ainda, a jurisprudência exarada pelo TRF: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. IMPORTAÇÃO. PETROBRAS. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. PETROBRÁS FINANCE COMPANY SEDE ILHAS CAYMAN. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 17 16 ORIGEM E DESTINO DA MERCADORIA. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL EXISTENTE. APELAÇÃO PROVIDA. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO DA UNIÃO IMPROVIDAS. 1. Tratase de remessa oficial e apelações interpostas em face de sentença que, em ação anulatória de débito fiscal, proposta pela PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S/A para anular ato de lançamento de imposto de importação de derivados de petróleo adquiridos da Venezuela, julgou parcialmente procedente o pedido apenas para determinar a exclusão da multa isolada, aplicada. Concluiu a sentença pela existência do crédito tributário, por considerar inaplicável a redução de alíquota do Imposto de Importação, em 80%, praticada pela apelante nos termos em que prevista no acordo firmado entre países integrantes da ALADI, pelo fato de a operação de importação ter a participação de país não signatário do referido tratado. A operação de importação teve a participação da Petrobras Internacional Finance Company – PFICO, sediada nas Ilhas Cayman. 2. A razão determinante para a autuação fiscal, que descaracterizou o benefício de redução do Imposto de Importação, foi a participação na operação comercial realizada para com a Venezuela, de empresa sediada em país não integrante da ALADI. Contudo, a terceira empresa a participar faz parte do próprio grupo econômico da PETROBRAS, assim considerada não como intermediária, mas como operadora internacional dos seus interesses. Sob outro aspecto, certamente de maior relevância, não se verificam nas razões que motivaram o auto de infração, circunstância fática que descaracterizasse a origem e o destino da mercadoria importada. Não há, assim, informação de que, além da triangulação comercial realizada, houvesse descaracterização da operação comercial originariamente realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA. Precedentes: (AGA, Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, TRF1 ¬ Sétima Turma, eDJF1. Data: 19/10/2012, p. 1344; AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Cantarelli, TRF5 ¬ Quarta Turma, DJ ¬ Data: 09/07/2009 – p. 169 nº 129). 3. Apelação da PETROBRAS provida. Remessa oficial e apelação da União, improvidas. Honorários de sucumbência, R$ 5.000,00. TRF 1ª Região, Apelação/Reexame Necessário 2004.39.00.002359¬3/PA, julg. 07/10/2013. PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL – LIMINAR/TUTELA ANTECIPADA – IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – REDUÇÃO DA TARIFA EM RAZÃO DE ACORDO ENTRE PAÍSES MEMBROS DA ALADI – BENS COM ORIGEM E DESTINADOS A PAÍSES INTEGRANTES DA ALADI – TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO – BENEFÍCIO FISCAL GARANTIDO – PRECEDENTES. 1. In casu, é perfeitamente aplicável o disposto no art. 557, § 1ºA, do CPC, em face da manifesta sintonia da decisão agravada com a jurisprudência dominante neste eg. Tribunal e no colendo Superior Tribunal de Justiça. 2. Nessa perspectiva, "O art. 557, § 1ºA, do CPC, conferindo ao relator competência para dar provimento monocraticamente ao agravo, sem que isso signifique afronta ao princípio do contraditório, da ampla defesa, e/ou violação de normas legais, porque atende à agilidade da prestação jurisdicional, não se limita aos casos de prévia jurisprudência dominante ou súmulas das Cortes Superiores". (AGTAG 006897242.2009.4.01.0000/DF; Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, Decisão de 23/02/2010, Publicado no eDJF1 de 12/03/2010, p. 465). 3. No caso vertente, o Juiz oficiante, ao justificar sua decisão, esclareceu que: "(...) encontramse nos autos cópias dos Conhecimentos de Transporte (Bills of Lading), que comprovam que os produtos foram embarcados da Venezuela e transportados diretamente para o Brasil." Com efeito, "Havendo"Certificado de Origen","Bill of Landing"e"Invoice"provando que o combustível importado é de origem venezuelana (país integrante da ALADI), despachado desse país diretamente para o Brasil (também integrante da ALADI), autorizase, em princípio, a redução da tarifa do Imposto sobre Importação , nos Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 18 17 termos do Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ratificado pelo Decreto 3.138, de 16 AGO 1999)". (AG 006762940.2011.4.01.0000 / PA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.1087 de 21/09/2012).” “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. APRESENTAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. DOCUMENTO TIDO COMO INDISPENSÁVEL PELA NORMA FISCAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. RECONHECIMENTO DO TRATAMENTO DIFERENCIADO PELO DESPACHO ADUANEIRO. REVISÃO DO LANÇAMENTO POSTERIOR CALCADA EM FORMALIDADE EXARCEBADA SEM PREVISÃO EM LEI. IMPOSSIBILIDADE. 1. Embargos à execução visando afastar a cobrança de débito fiscal constituído por auto de infração lavrado com base no indeferimento da redução da alíquota do Imposto de Importação em 28% (vinte e oito por cento), incidente sobre produto originário da Colômbia em razão de benefício previsto nas regras inerentes à Associação LatinoAmericana de Integração ALADI. A Alfândega, num primeiro momento, examinou a documentação apresentada na Declaração de Importação, considerandoa hábil ao desembaraço aduaneiro com a redução da alíquota pretendida, o que resultou na liberação da mercadoria sem nenhuma questionamento. Depois, a Autoridade Fiscal procedeu à revisão do lançamento, com fundamento no art. 149, IV, do Código Tributário Nacional, considerando que o despacho de importação não se encontrava instruído com documento necessário, na espécie o original do Certificado de Origem. 2. O Certificado de Origem é documento essencial à obtenção de tratamento fiscal diferenciado na importação, nos termos pretendido pelo ora apelante. 3. O art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, o qual vigia a época da importação, estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". O Auditor que revisou o lançamento não afirma que o documento apresentado é inverossímil e nem indica qualquer vício que possa afastar a idoneidade do Certificado de Origem apresentado, mas apenas se apegou em mera formalidade exacerbada de que não constava o original do documento, exigência essa que, aliás, não tem previsão expressa na legislação que rege a matéria. 4. Não é razoável a exigência feita pela Autoridade Fiscal para conceder o tratamento tributário diferenciado, uma vez que não há nenhuma cogitação de que o bem importado não adveio de país membro da ALADI, nem que o documento é inidôneo ou ainda que não se adequa ao modelo aprovado pela própria Associação. 5. A Alfândega já havia examinado a documentação apresentada na Declaração de Importação, concluindo, na ocasião, que havia preenchido os requisitos para concessão da redução da alíquota do imposto de importação por ter a mercadoria origem de país membro da ALADI. 6. Se é verdade que o ato a revisão do lançamento goza de presunção relativa de legitimidade e veracidade, também é verdade que o primeiro ato da administração, que, ao proceder ao desembaraço aduaneiro, considerou correta a documentação apresentada, também o goza da mesma presunção. Desse modo, como não é questionado nos autos o fato de a mercadoria ter sido mesmo proveniente de país integrante da ALADI (Colômbia), o contribuinte não pode ser prejudicado no caso em questão. 7. A Fazenda Nacional poderia ter trazido aos autos elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 333, II, do CPC), mas não o fez. 8. Inversão do ônus da sucumbência. Honorários de sucumbência arbitrados em R$ 2.000,00, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. 9. Apelação provida. Ora, as decisões acima caminham junto com o meu entendimento – qual seja, de que o Regulamento Aduaneiro estabelece que a comprovação da origem da mercadoria "será feita por qualquer meio julgado idôneo". Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11128.003661/200751 Acórdão n.º 9303007.384 CSRFT3 Fl. 19 18 Cabe, assim, concluir que os documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria. Pressuposto essencial para a aplicação da preferência tarifária. Assim, entendo que não constitui descumprimento dos requisitos para a concessão do benefício de redução do imposto de importação o fato de quando do transporte de mercadoria originária de país participante, transitar justificadamente por país não participante e, quando demonstrada a operação como expedição direta e cumpridos os demais requisitos de origem, há que se reconhecer o cabimento do benefício do direito creditório proveniente do imposto recolhido a maior. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, nos presentes autos os "documentos emitidos e devidamente apresentados demonstram a correspondência da mercadoria e mantêm a rastreabilidade, permitindo identificar sem qualquer dúvida a origem da mercadoria". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 392DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.721371/2017-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Jose Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado.
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Jose Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ (R$ 34.619018,44) e de CSLL (R$ 12.362.463,57), relativos aos anos calendário de 2012 e 2013, incluindo a cobrança de multa isolada, multa de ofício e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .7 21 37 1/ 20 17 -3 1 Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 3 2 2. A fiscalização concluiu serem indedutíveis as despesas com a amortização de ágio e despesas decorrente de multas regulatórias. 3. De acordo com o Relatório Fiscal, a contribuinte registrou em sua contabilidade valores sob o título de amortização de ágio que fora analisado em outros processos administrativos fiscais sob o nº 10469.721.944/201051 (IRPJ) e 10469.721945/201003 (CSLL). 4. No presente processo, a fiscalização aplicou o mesmo entendimento dos processos passados por entender que a situação é uma repetição daquela verificada anteriormente e que as operações societárias teriam sido realizadas com excesso de forma jurídica e abuso de direito. Logo, glosou a despesa de amortização de ágio deduzida nos resultados de 2012 e 2013. 5. Em razão da recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anosbase de 2012 e 2013, a fiscalização concluiu que a Recorrente teria deixado de efetuar o recolhimento do IRPJ e da CSLL a título de estimativas mensais, razão pela qual foi aplicada a multa de 50% sobre tais valores, nos termos do artigo 44 da Lei n° 9.430/97, inciso II, alínea b, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/07. 6. No que tange à despesa com multas regulatórias, o relatório constante na decisão de piso descreve os fatos sinteticamente: “Nesta infração, a autoridade fiscal glosa a dedução de despesas com multas regulatórias aplicadas pela ANEEL e decorrentes do descumprimento dos indicadores/parâmetros como o DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), DIC (Duração de Interrupção Individual por Unidade Consumidora), FIC (Frequência de Interrupção Individual por Unidade Consumidora), DMIC (Duração Máxima de Interrupção Contínua por Unidade Consumidora ou por Ponto de Conexão). O descumprimento dos limites desses indicadores resultou em compensações ao consumidor (ou penalidades aplicadas pela ANEEL)”. 7. A fiscalização concluiu que as multas decorrem da prestação do serviço de distribuição de energia em desacordo com as normas estabelecidas e, portanto, não são despesas dedutíveis para fins de apuração do lucro real visto que não são aquisições necessárias à atividade da empresa e ao funcionamento regular. 8. Devidamente intimada em 31/03/2017 (fl. 865), a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 878/946), na qual, inicialmente, descreve a operação que gerou o ágio em questão: 11.1.1— Breves Considerações acerca da Operação em Tela (...)Como acima ressaltado, o ágio gerado no presente caso decorre da aquisição do controle da Impugnante, em processo licitatório de privatização. De fato, após o leilão público especial realizado em 18 de dezembro de 1997 (DOC 03), o novo grupo de controle da Impugnante passou a ser composto pelas seguintes empresas: Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 4 3 (i) GUARANIANA S/A; (ii) COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BANIA COELBA; E (iii) UPTIK PARTICIPAÇÕES S.A. Conforme ressaltado pelo Sr. Agente Fiscal, a aquisição da participação societária da lmpugnante se deu com o pagamento de ágio ao Estado do Rio Grande do Norte (antigo titular de suas ações), em razão da expectativa de rentabilidade estimada com base em resultado de exercícios futuros. Confirase o seguinte quadro ilustrativo da operação. Posteriormente, e como não poderia deixar de ser, os adquirentes manifestaram seu interesse em aproveitar o benefício fiscal de dedutibilidade da despesa com a amortização do ágio gerado na aquisição das participações societárias, conforme lhes era expressamente autorizado pelo artigo 386 do RIR/99. Dessa forma, para que fosse possível o aproveitamento do benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99, os adquirentes resolveram subscrever e integralizar capital na empresa IBIDEM S.A, mediante entrega das ações da Impugnante acrescidas do ágio. A operação societária acima ilustrada foi previamente submetida à aprovação do órgão regulador do setor elétrico Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, conforme exigência prevista no artigo 27 da Lei nº 8.987/953. A ANEEL, no exercício de sua competência regulatória, autorizou a transferência do bloco de controle acionário da Impugnante para a Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 5 4 IBIDEM S.A, conforme se depreende da Resolução n° 474, de 30 de novembro de 2000 (DOC 04). Com a transferência do controle acionário da Impugnante à IBIDEM S.A, criouse o ambiente necessário para que a Impugnante incorporasse sua controladora e, assim, aproveitasse o benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99, razão pela qual não pode prosperar a glosa das despesas pretendida pela D. Fiscalização. É importante ressaltar que, mais uma vez em cumprimento ao artigo 27 da Lei n° 8.987/95, a operação societária pretendida foi submetida à apreciação da ANEEL, a qual autorizou a Impugnante a promover a incorporação de sua controladora por meio da Resolução n° 474, de 30 de novembro de 2000, parcialmente reproduzida abaixo: (DOC 04). “AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA ANEEL RESOLUÇÃO Nº 242, DE 30 DE NOVEMBRO DE 2000 Autoriza a Companhia Energética do Rio Grande do Norte COSERN a promover a incorporação de sua controladora IBIDEM S.A. Art. 2° Para a realização da incorporação a concessionária fica obrigada a cumprir integralmente os seguintes requisitos: (...)III contabilizar o ágio, oriundo da empresa a ser incorporada, em conta a ser determinada pela ANEEL” (...) Ademais, para a realização da incorporação foram estipulados diversos requisitos na própria Resolução ANEEL n° 474, de 30 de novembro de 2000, dentre os quais a obrigação de que o ágio fosse amortizado segundo a curva baseada em resultados de exercícios futuros e no prazo remanescente da concessão, sendo que o controle do aproveitamento do ágio seria feito pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira da ANEEL. Confirase, a seguir, o quadro ilustrativo da operação: Novamente, devese destacar que o valor do ágio transferido à Impugnante em razão da incorporação da sua controladora (IBIDEM) estava devidamente contabilizado, nos termos do artigo 385 do RIR/99 Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 6 5 (desmembrandose valor do investimento e ágio), bem como estava devidamente amparado por novo laudo de avaliação de ações fornecido pela Ernst & Young, data base de 30 de novembro de 2000 (DOC. 05). Tal Laudo de Avaliação, bem como o Protocolo de Incorporação (Doc. 06) datado de 18 de dezembro de 2000, Justificação da Operação elaborado pela diretoria da Impugnante (DOC. 07), e o Parecer do Conselho Fiscal da Impugnante (DOC. 08) de 26 de dezembro de 2000, foram todos aprovados pela Ata da Assembleia Geral Extraordinária da Impugnante, de 29 de dezembro de 2000 (DOC. 09)”. 9. Em síntese, a contribuinte trouxe em sua impugnação os seguintes aspectos: (i) a fiscalização não poderia questionar os atos societários que deram origem ao ágio, pois estes já estão "preclusos"; (ii) os atos societários da operação que gerou o ágio foram fiscalizados e autorizados pela ANEEL; (iii) o ágio tem natureza de benefício fiscal e é uma forma de incentivar a prática de fusões; (iv) a operação tinha objetivos que não eram predominantemente tributários, logo, não há que se falar em ausência de propósito negocial; (v) a fiscalização não observou a peculiaridade do caso ao concluir que as despesas relativas às multas são indedutíveis; (vi) inexiste previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, das despesas com amortização de ágio considerada indedutível; (vii) defende a impossibilidade de cumulação da multa de ofício com a multa isolada; e (viii) alega ser inaplicável juros sobre a multa. 10. Em sessão de 29 de agosto de 2017 a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0274.321 (fls. 1210/1245), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata se de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 7 6 RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. MULTA ADMINISTRATIVA. AGÊNCIA REGULADORA. ANEEL. INDEDUTIBILIDADE. As multas impostas pelo descumprimento de normas administrativas são indedutíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012, 2013 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 8 7 reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FATO GERADOR. O fato gerador do IRPJ é constituído por uma série de eventos jurídicos, ocorridos ao longo do anobase. Em 31 de dezembro, encerrase a apuração do imposto. Nessa data, ocorre o fato gerador e surge a obrigação tributária. DECADÊNCIA. FATOS PRETÉRITOS. NATUREZA PROBATÓRIA. POSSIBILIDADE. A análise da formação do ágio tem natureza de prova e independentemente da data do fato a que se reporte, está sujeita à livre apreciação pelo fisco que pode efetuar o lançamento com base nela desde que o fato gerador esteja dentro do prazo decadencial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 11. A DRJ/BHE julgou improcedente a impugnação, em síntese, sob os seguintes fundamentos: (i) a contagem do prazo decadencial não se inicia na data da aquisição; (ii) a operação que deu origem ao ágio amortizado foi construída artificialmente para se enquadrar na incidência de aproveitamento do ágio; (ii) a IBIDEM, empresa criada no curso da operação, não tem substância para figurar como pessoa jurídica investidora; (iii) não foi concretizada a confusão patrimonial exigida por lei entre a IBIDEM e a COSERN; (iv) não é possível caracterizar as multas exigidas pela ANEEL como despesas necessárias ou usuais; (v) as motivações da multa isolada e da multa de ofício são distintas e, portanto, não há que se falar em impossibilidade da cumulação; e (vi) os juros sobre a multa não constam no lançamento (matéria não litigiosa). 12. Cientificada da decisão (Termo de ciência por abertura de mensagem em 11/09/201, fl. 1256), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 10/10/2017 (fls. 1259/1342) reiterando as razões já expostas em sede de Impugnação (item 8) e complementando sua defesa com os seguintes pontos: (i) diferente do entendimento da fiscalização e da decisão recorrida, o artigo 7º da Lei nº 9.532/97 não restringe a transferência de um investimento e, por conseguinte, a migração de um ágio in casu é claramente possível a transferência do ágio adquirido; (ii) a existência de suposta empresa veículo não é suficiente para impossibilitar a amortização do ágio; e (iii) diferente do afirmado pela fiscalização e decisão recorrida, a empresa autuada registrou como despesas operacionais aquelas relativas ao pagamento de compensação aos seus consumidores, por eventuais descumprimentos de metas de fornecimento de energia elétrica, e não as despesas relativas as multas impostas pela ANEEL. 13. Por fim, requer seja: (i) declarada nula a decisão recorrida; (ii) desconstituído o crédito tributário exigido e cancelados os autos de infração respectivos; e (iii) afastada a multa isolada e dos juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 14. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questão de Ordem 15. A Recorrente apresentou questão de ordem para fins de requerer a aplicação imediata do artigo 24, do DecretoLei nº 4.657/42, incluído pela Lei nº 13.655/2018, com o consequente cancelamento das respectivas autuações fiscais. 16. Acerca da temática apresentada, vale trazer algumas ponderações. I. Da Aplicabilidade da LINDB ao CARF 17. Inicialmente, cumpre consignar que a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) deve ser observada e aplicada por todos os Órgãos de Estado. 18. A recente decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais chamou a atenção dos operadores ao afastar a aplicação desta Lei a atividade judicante do CARF, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. QUESTÃO DE ORDEM. CONHECIMENTO. Não se conhece de questão de ordem cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal.” (Processo nº 19515.003515/200774, Acórdão nº 9202006.996, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 21 de junho de 2018, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo). 19. Como fundamento, o voto condutor do r. Acórdão entendeu que a lei só “promoveu alterações na atuação dos órgãos de controle da Administração Pública, principalmente do Tribunal de Contas da União (TCU)”. Fez questão de consignar que “os dispositivos ora tratados basearamse na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada Contratações Públicas e Seu Controle, o que não deixa margem de dúvida acerca da natureza essencialmente administrativa dos novos dispositivos”. 20. No mais, registrou que “em nenhum momento a lei em tela sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF”, de modo que,“quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua SecretariaExecutiva”. Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 10 9 21. Diante de tais colocações, os citados professores e coautores do anteprojeto da LINDB, manifestaramse na mídia. Vale conferir os seguintes trechos, verbis: Floriano de Azevedo Marques1 “A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro trata da aplicação da norma por todo o órgão que o faça no exercício de competência estatal. Me surpreende que este argumento tenha sido utilizado para gerar uma imunidade à Lei de Introdução – ou por acaso o Carf não utiliza a regra da Lei de Introdução sobre a vigência? Aplicar a LINDB na contratação ou exoneração de servidor público? Esta é uma interpretação contra legis." (...) "Se alguém achar que existe algum órgão que é imune à aplicação das Leis de Introdução”, ponderou, “este alguém está dizendo que algum órgão está imune à aplicação das regras do Direito”. Carlos Ari Sundfeld2 “A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Tratase de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. Entendemse como tal as operações cuja tutela tenha como centro as autoridades administrativas, embora com fiscalização e participação de controladores externos e juízes. Em suma, os arts. 20 a 30 da Lei de Introdução tratam do direito público cuja aplicação primária seja administrativa. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). 1 MENDES, Guilherme. CARF deve aplicar artigo 24 da LINDB, afirma autor da nova redação da norma. Jota, São Paulo, 06 ago. 2018. Disponível em: https://goo.gl/phv85x. Acesso em: 07 ago. 2018. "Floriano de Azevedo Marques, que formulou as alterações da lei, afirma que o CARF não está imune à sua aplicação." 2 SUNDFELD, Carlos Ari. LINDB: Direito Tributário está sujeito à Lei de Introdução reformada. Jota, São Paulo, 10 ago. 2018. Disponível em: https://goo.gl/3kub1r. Acesso em: 10 ago. 2018. Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 11 10 Eis então o âmbito objetivo de incidência da lei: situações de criação e aplicação do direito público sob tutela primária da administração pública como um todo. Ela impacta diretamente a aplicação dos direitos constitucional, tributário, administrativo (em sentido estrito), financeiro, ambiental, sanitário, concorrencial, previdenciário, de trânsito, enfim, os ramos do direito público. (...) Impor normas comuns a todos os administradores, controladores e juízes não significa desconhecer as especificidades de organização e funcionamento do controle externo e do Judiciário, tampouco as diferenças que existem na extensão de suas competências de aplicação das normas de direito público cuja tutela primária seja da administração. Para a sujeição de todos às mesmas normas sobre criação e aplicação do Direito, a Lei de Introdução levou em conta a necessidade de coerência normativa: nem o juiz, nem o controlador, podem invalidar, sancionar ou substituir as opções do administrador usando parâmetros de interpretação e decisão discrepantes dos que são naturais e exigíveis na função administrativa. A interpretação tributária feita pelo juiz tem de estar sujeita às mesmas diretrizes que vinculam o administrador tributário. Por identidade de razão, autoridades administrativas judicantes (como o CARF) não podem, para decidir casos, usar conjunto próprio e autônomo de referências jurídicas, diversas das que estão a vincular o administrador tributário ativo e o Poder Judiciário. Convém não esquecer que, ao menos nesse sentido, o Direito é uno, e que a autoridade judicante administrativa em matéria tributária nada mais faz do que aplicar o Direito, e não outra coisa qualquer.” (grifos nossos) 22. Em vista do exposto, fica claro que a LINDB é plenamente aplicável ao CARF e, pessoalmente, não encontro qualquer sentido técnico, jurídico ou hermêutico para afastar os preceitos contidos na LINDB da atividade judicante administrativa. 23. Não há dúvidas de que a LINDB é preceito norteador interpretativo que objetiva, em última análise, assegurar segurança jurídica e previsibilidade aos administrados e anseia pela almejada coerência normativa dada a unicidade do Direito. 24. Nessa esteira, o primado da eficiência buscar atingir tais preceitos e garantir a satisfatividade das decisões na esfera administrativa. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila3 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 3 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 12 11 25. Assim sendo, a inobservância dos citados preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 26. Esses valores atrelados à eficiência, estabilidade e uniformidade são grandes marcos do CPC/2015 e devem liderar não só as iniciativas do Poder Judiciário, mas desafiar os órgãos do Legislativo e Executivo a cumprirem suas funções como verdadeiros guardiões da segurança jurídica. 27. Dito isto, é fácil evidenciar que a LINDB está alinhada aos princípios que regem a Administração Pública, constantes do artigo 374, da CF/88 e do artigo 2º5, da Lei nº 9.784/99, às diretrizes processuais da Lei nº 13.105/20156 (Código de Processo Civil), ao Código Tributário Nacional e, portanto, não há como afastar sua aplicação no âmbito do CARF. II. Da Pertinência da Questão de Ordem Suscitada 28. É notório que tema ágio é altamente controvertido e respondeu em 2014, pelo montante de R$ 18,7 bilhões, nas 30 maiores empresas nãofinanceiras do País (em receita líquida) que acumulavam R$ 283,4 bilhões em contencioso tributário, conforme estudo empírico realizado por Ana Teresa Lopes7 na Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. 29. Não podemos olvidar que tais montantes, a depender da classificação de risco da companhia, deixam de ser provisionados e, portanto, em termos práticos, não afetam o resultado financeiro e permitem que tais montantes sejam investidos nas atividades empresariais. 30. Nessa linha, se determinada questão vem sendo julgada pelos tribunais administrativos e/ou judiciais de forma predominantemente favorável aos administrados, as 4 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:" 5 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 6 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 7 LOPES, Ana Teresa. O contencioso tributário sob a perspectiva corporativa: estudo das informações publicadas pelas maiores companhias abertas do país. Dissertação de mestrado apresentada no programa de direito da FGV DIREITO SP (p. 35 e p. 49), em 15/03/2017. Disponível em: https://goo.gl/2xp1fN. Acesso em: 24/07/2018. Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 13 12 companhias deixam de provisionar determinados valores em litígio, de acordo com as próprias diretrizes do CPC 258: "Provisão 14. Uma provisão deve ser reconhecida quando: (a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado; (b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser reconhecida. Obrigação presente 15. Em casos raros não é claro se existe ou não uma obrigação presente. Nesses casos, presumese que um evento passado dá origem a uma obrigação presente se, levando em consideração toda a evidência disponível, é mais provável que sim do que não que existe uma obrigação presente na data do balanço. 16. Em quase todos os casos será claro se um evento passado deu origem a uma obrigação presente. Em casos raros – como em um processo judicial, por exemplo –, podese discutir tanto se certos eventos ocorreram quanto se esses eventos resultaram em uma obrigação presente. Nesse caso, a entidade deve determinar se a obrigação presente existe na data do balanço ao considerar toda a evidência disponível incluindo, por exemplo, a opinião de peritos. A evidência considerada inclui qualquer evidência adicional proporcionada por eventos após a data do balanço. Com base em tal evidência: (a) quando for mais provável que sim do que não que existe uma obrigação presente na data do balanço, a entidade deve reconhecer a provisão (se os critérios de reconhecimento forem satisfeitos); e (b) quando for mais provável que não existe uma obrigação presente na data do balanço, a entidade divulga um passivo contingente, a menos que seja remota a possibilidade de uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos (ver item 86)." (grifos nossos) 31. Trago este singelo exemplo para demonstrar como a mudança repentina de entendimento do CARF pode impactar diretamente o resultado das companhias e na tomada de decisão dos investidores. 32. Vejam que, em razão da alteração de posicionamento, as empresas acabam, inevitavelmente, por afetar seus resultados (constituição de provisão). Tal movimentação financeira é, por óbvio e diretamente, sentida pelos investidores9. O efeito desta dinâmica 8 "Na elaboração das demonstrações financeiras é comum que as empresas reconheçam como provisão os valores relativos às ações judiciais passivas cuja probabilidade de perda é provável. De acordo com o CPC 25, embora haja um nível de incerteza nestas provisões, o reconhecimento desses eventos como passivo indica que é mais provável que a saída de caixa aconteça do que não aconteça (itens 15 e 16)", por CANADO, Vanessa. Precedentes e Probabilidade de Perda em Ações Judiciais. Jota, São Paulo, 10 mai. 2018. Disponível em: https://goo.gl/eHKKPf. Acesso em: 13 ago. 2018. 9 A simples divulgação dos balanços e notas explicativas afugentam os investimentos. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 14 13 nefasta é simples: assistimos o desinvestimento nas operações nacionais, o agravamento do “Custo Brasil” 10, a saída de grupos econômicos do país e o aumento da crise de confiança diante da insegurança jurídica provocada pelos Órgãos de Estado. 33. Sobre este aspecto, bem caminhou o artigo 20 da LINDB, ao dispor que: "Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão. Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.” 34. A devida motivação calcada em valores concretos, a observância prática dos efeitos da decisão proferida e a publicização de eventual mudança de posicionamento, são fundamentais para trazer coerência aos julgados, bem como asseguram que o administrado tenha ciência e previsibilidade para bem gerir suas atividades empresariais. O respeito ao interesse público primário relacionase com a observância dos preceitos que regem a Ordem Econômica, em especial, do exercício da livre iniciativa. 35. Igualmente alinhado aos valores da segurança jurídica e da previsibilidade, o invocado artigo 24, da LINDB, proíbe expressamente que a administração tributária dê aplicação retroativa a nova interpretação sobre a legislação tributária, verbis: LINDB "Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público." (grifos nossos) 36. Notase que, o caput do citado dispositivo converge com os preceitos contidos, especialmente, no artigo 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.784/1999, artigo 100, incisos II e III, do CTN. Confirase: Lei nº 9.784/1999 10 O custo Brasil é um termo genérico, usado para descrever o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem o investimento no Brasil, dificultando o desenvolvimento nacional, aumentando o desemprego, o trabalho informal, a sonegação de impostos e a evasão de divisas. Em outros termos, "é custo adicional de transacionar, de realizar negócios, no Brasil, em comparação ao custo em um país com instituições que funcionam adequadamente", em PINHEIRO, Armando Castelar. A Justiça e o Custo Brasil. In: Revista USP, nº 101, mar/abr/mai. São Paulo, p. 141158. Disponível em: https://goo.gl/CSvJcn. Acesso em: 13/08/2018. Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 15 14 "Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação." CTN "Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." (grifos nossos) 37. Contudo, a polêmica trazida pelos operadores com relação a aplicação do artigo 24, da LINDB, gira em torno das expressões “revisão”, "orientações gerais da época", entendidas como "jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público". 38. In casu, a Recorrente sustenta que a operação de amortização do ágio decorre de processo licitatório de privatização ocorrido em dezembro de 1997, por meio do qual a aquisição da participação societária da contribuinte se deu com o pagamento de significativo ágio ao Estado do Rio Grande do Norte, em razão da expectativa de rentabilidade estimada com base em resultado de exercícios futuros. 39. Com efeito, invoca a aplicação do artigo 24, da LINDB, por considerar que a jurisprudência administrativa era majoritária na época dos fatos geradores objeto do lançamento fiscal. 40. Para comprovar o alegado, apresenta relação de casos semelhantes ao presente, onde o aproveitamento fiscal de ágio foi considerado legítimo e plenamente válido, são eles: Acórdão nº 1401001.166 (sessão de 08/04/2014), Acórdão nº 1402001.409 (sessão de 10/07/2013), Acórdão nº 1302002.548 (sessão de 20/02/2018), Acórdão nº 1402000.993 (sessão de 11/04/2012), Acórdão nº 1301000.999 (sessão de 07/08/2012), Acórdão nº 1101 000.835 (sessão de 04/12/2012) e Acórdão nº 1101000.841 (sessão de 06/12/2012). 41. No mais, a Recorrente faz referência a recente decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (“TJ/SP”), onde houve a manutenção do um acórdão anteriormente prolatado mediante a utilização do artigo 24, da LINDB, uma vez que a Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 16 15 decisão antiga estava em consonância com a orientação jurisprudencial da época. Vale conferir: EMENTA JUÍZO DE RETRATAÇÃO Pretensão à anulação de auto de infração lavrado em decorrência da suposta ausência de recolhimento de ICMS Autuação baseada em informações obtidas junto a operadoras/administradoras de cartões de crédito (Operação Cartão Vermelho) Sentença de procedência Acórdão que negou provimento ao recurso da Fazenda do Estado de São Paulo Recursos Especial e Extraordinário interpostos por ela Retorno dos autos nos termos do art. 1.030, inciso II, do CPC, para eventual adequação ou manutenção do acórdão, tendo em vista o julgamento do RE n° 601.314 / SP Decisão que seguiu orientação jurisprudencial de então Impossibilidade de adoção de nova orientação Inteligência do artigo 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro Manutenção do acórdão, com determinação. (TJSP: Apelação nº 001337590.2014.8.26.0224, rel. Desembargador Reinaldo Miluzzi, 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, julgado em 27/08/2018 grifos nossos). 42. Por fim, a Recorrente procedeu a juntada de planilha contendo todos os acórdãos do CARF acerca de ágio gerado em privatização / desverticalização. Ademais, destacou que, "até 2016, foram proferidas 18 decisões colegiadas favoráveis aos contribuintes e apenas 1 desfavorável, ressaltando que os fatos geradores autuados são de 2012 e 2013 e, nesse preciso período, o CARF se manifestou favoravelmente ao contribuinte em 14 julgamentos e apenas um contrariamente". 43. Desta forma, não há dúvidas da aplicação imediata dos comandos da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasile iro, devendo ser cancelada a autuação fiscal, já que o procedimento adotado pela Recorrente se deu com base nas orientações da época, ou seja, foi paut ado na jurisprudência majoritária deste CARF. 44. Diante das razões técnicas e jurídicas aqui apresentadas e em vista da relação de julgados supra, evidencio que há fortes indícios de que a jurisprudência aplicável seria majoritária. Assim, considero prudente, em consonância com o princípio do contraditório, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) seja intimada para se manifestar acerca do pleito em questão. III. Das Despesas Incorridas com o pagamento de "Multas Regulatórias Devolução a Consumidor" 45. Além da questão de ordem suscitada, em suas peças de defesa a Recorrente afirma que a fiscalização se equivocou ao glosar os valores referentes aos pagamentos registrados como “Multas Regulatórias – Devolução Consumidor”, pois tais montantes não são relativos a multas, mas sim a pagamentos compensatórios a seus consumidores em face de "oscilações próprias da estrutura ínsita ao fornecimento de energia". 46. Em resposta a intimação no curso da fiscalização, a contribuinte afirma que: “De início, cumpre esclarecer que, apesar de a rubrica sob análise possuir o termo “multa” em parte de sua designação, os valores a Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 17 16 ela referentes não correspondem propriamente e a rigor a uma penalidade, mas sim a instrumentos regulatórios de compensação do consumidor de energia elétrica (FEC/DEC e FIC/DIC), inerentes à atividade operacional da COSERN e dela naturalmente indissociáveis, em função de oscilações próprias da estrutura ínsita ao fornecimento de energia. (...) De fato, a solicitação da Receita Federal do Brasil, nos termos do Ofício nº 01 ora respondido, referese a valores decorrentes de mecanismos regulatórios de compensação aplicados pela ANEEL às Concessionárias de Energia Elétrica em relação aos índices de DEC – Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora, FEC – Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora, DIC – Duração de Interrupção Individual por Unidade Consumidora, FIC _ frequência de Interrupção Individual por Unidade Consumidora, DMIC – Duração Máxima de Interrupção Contínua por Unidade Consumidora ou por Ponto de Conexão, entre outros. Tais índices refletem aspectos relacionados com o fornecimento de energia elétrica pelas concessionárias, em especial aqueles que afetam diretamente o serviço contratado pelos consumidores. (...) Existem ainda as causas de força maior que afetam diretamente a prestação do serviço, mas não dependem da atuação da Concessionária, poso que decorrem de fenômenos da natureza, geralmente sem previsibilidade, como os fatores climáticos. (...) Há também questões atreladas à noção de caso fortuito e fatores externos alheios à vontade da companhia, tais como trânsito, períodos críticos de ocorrências de acidentes na rede, a exemplo de colisões em postes ou fios etc. (...) Ademais, existem aspectos de sazonalidade que acometem tais situações, geralmente decorrentes de períodos de fortes chuvas, ou outros eventos semelhantes que, quando ocorrem, geram danos incomensuráveis na rede, interferindo imediatamente no fornecimento de energia elétrica. Tudo isso por fatores alheios à vontade da empresa e que por ela não podem ser controlados. (...)Desse modo, como os fatores que influenciam na apuração do FEC/DEC e FIC/DIC não dependem necessariamente de atos de vontade da empresa, é que se lhes atribuiu exatamente uma natureza compensatória, e não sancionatória. Isso porque não faria sentido penalizar alguém por questões que não dependem da sua esfera de vontade, atuação ou controle. Por outro lado, como em decorrência de tais fatores alheios à vontade da empresa acabam por afetar o fornecimento de energia ao consumidor, é preciso que estes sejam compensados por tais circunstâncias. Daí porque tais verbas possuem caráter compensatório, e não sancionatório”. 47. A decisão de piso manteve a glosa por entender que "não se pode caracterizar despesas relativas a atos e omissões, proibidos e punidos por norma de ordem pública, como despesas necessárias ou usuais". No mais, os fatores que levaram ao pagamento Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 18 17 dos valores em questão são referentes a risco inerente à atividade, mas não podem ser considerados necessários. 48. Insta esclarecer que, a exigência em exame decorre de procedimento previsto pela ANEEL diante do descumprimento de metas de distribuição de energia elétrica por parte das distribuidoras. 49. Conforme descrito pela Recorrente, em face de eventual descumprimento da meta de distribuição, as Concessionárias de energia elétrica devem efetuar, por sua conta e risco, os cálculos das compensações e creditálas diretamente ao consumidor de energia elétrica em sua própria conta de luz. 50. Tal procedimento está descrito na Resolução ANEEL nº 395, verbis: “2. TENSÃO EM REGIME PERMANENTE (...) 2.1 Termos e definições 2.1.1 São estabelecidos os limites adequados, precários e críticos para os níveis de tensão em regime permanente, os indicadores individuais e coletivos de conformidade de tensão elétrica, os critérios de medição e de registro e os prazos para compensação ao consumidor, caso as medições de tensão excedam os limites dos indicadores. (...) 2.7 Compensação aos Consumidores 2.7.1 A distribuidora deve compensar os consumidores que estiveram submetidas a tensões de atendimento com transgressão dos indicadores DRP ou DRC e os titulares daquelas atendidas pelo mesmo ponto de conexão. (...) 2.7.3 A compensação deve ser mantida enquanto o indicador DRP for superior ao DRP limite e/ou o indicador DRC for superior ao DRC limite. 2.7.4 O valor da compensação deve ser creditado na fatura apresentada no prazo máximo de dois meses subsequentes ao mês civil de referência da última medição que constatou a violação. (...) 5 INDICADORES DE CONTINUIDADE DO SERVIÇO DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA 5.1 Por meio do controle das interrupções, do cálculo e da divulgação dos indicadores de continuidade de serviço, as distribuidoras, os consumidores e a ANEEL podem avaliar a qualidade do serviço prestado e o desempenho do sistema elétrico. (...)5.11 Compensações. 5.11.1 No caso de violação do limite de continuidade individual dos indicadores DIC, FIC e DMIC em relação ao período de apuração (mensal, trimestral ou anual), a distribuidora deverá calcular a compensação ao consumidor acessante do sistema de Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 19 18 distribuição, inclusive àqueles conectados em DIT, e efetuar o crédito na fatura, apresentada em até dois meses após o período de apuração”. 51. Em face de compensações feitas em desconformidade com o regulamento, a ANEEL deve autuar a distribuidora e multála no caso da desconformidade restar comprovada. 52. Importante ressaltar que a própria agência regulatória, a ANEEL, reconhece que as concessionárias estão sujeitas a eventuais descumprimentos de metas de fornecimento, pois como foi descrito no item 50, muitas das situações que impedem o fornecimento de energia não estão sujeitas ao controle das concessionárias. 53. Diante do fato de que a ANEEL inclusive regulamentou o procedimento de compensação direta aos consumidores, as despesas referentes a essas compensações devem ser caracterizadas como operacionais, pois são intrínsecas à atividade desenvolvida pela contribuinte. 54. Logo, é possível concluir que a dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL será possível somente no caso de os valores serem relativos ao pagamento de compensação aos consumidores. Entretanto, caso tais valores sejam relativos a multas pagas à ANEEL em face de compensações feitas em desconformidade, estes não podem ser considerados dedutíveis. 55. Do exposto, fica evidente que o cerne da questão é a identificação dos valores enquanto multa ou pagamento a título de compensação dos consumidores da empresa autuada. 56. Em análise dos autos, verifico que nem a fiscalização, através do Termo de Verificação Fiscal, nem a ora Recorrente, procuraram evidenciar/demonstrar que os valores pagos e registrados sob a rubrica “Multas Regulatórias – Devolução Consumidor” correspondem, total ou parcialmente, as compensações feitas diretamente aos consumidores e/ou as multas pagas à ANEEL. 57. Frisese que, o fato de a escrituração contábil apresentar os valores com a rubrica “Multas Regulatórias – Devolução Consumidor” torna impossível ao julgador administrativo diferenciar e identificar os valores entre as categorias de compensação ou multa. 58. E, por mais que a ora Recorrente, à título exemplificativo, tenha juntado aos autos cópia de autuação efetivada pela ANEEL (incidência de multa), não trouxe a identificação/comprovação de que tais despesas glosadas referemse exclusivamente a compensação. 59. De outra parte, tanto a autoridade fiscal com a autoridade julgadora partiram do pressuposto de que, independente da natureza (compensação ou multa), tais dispêndios são indedutíveis. Data máxima vênia, considero que tal raciocínio não merece prosperar. 60. No mais, os valores envolvidos são expressivos: R$ 2.237.906,63, no anocalendário 2012 e R$ 1.772.361,48, no anocalendário 2013. Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10469.721371/201731 Resolução nº 1201000.639 S1C2T1 Fl. 20 19 61. Por essas razões fáticas e jurídicas, a diligência mostrase necessária para garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 62. Não é demais lembrar que as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/9911. IV. Das Providências 63. Em face do exposto com relação aos itens I e II, proponho a remessa dos presentes autos à unidade preparadora com o objetivo de intimar a PGFN para se manifestar acerca da questão de ordem suscitada pela Recorrente e, em especial, sobre a relaçaõ de decisões apresentadas que, a priori, demonstram ser o entendimento majoritário da época favorável ao aproveitamento fiscal de ágio em casos semelhantes ao presente. Se for o caso, apresente rol de julgados para contrapor os apresentados pela Recorrente. 64. Após tais providências, a Recorrente deverá ser intimada para que demonstre serem os valores registrados na rubrica “Multas Regulatórias – Devolução Consumidor” referentes a pagamentos à título de compensação a seus consumidores (item III), ainda que tal comprovação seja feita através de controles internos que segreguem tais incidências e demonstrem que o valor lançado nestes autos se referem exclusivamente a estes dispêndios e não a multas pagas à ANEEL. 65. É inequívoco que, em caso de dúvidas quanto à exatidão das informações prestadas, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos complementares. 66. Após a conclusão da diligência, a autoridade preparadora deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na sequência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa 11 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 1406DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.732952/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/04/2009
PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO.
Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de infirmar o Acórdão recorrido, impõe-se o não provimento ao recurso.
Numero da decisão: 2401-005.869
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de infirmar o Acórdão recorrido, impõese o não provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 29 52 /2 01 3- 15 Fl. 5739DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.740 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, julgou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu requerimento de restituição de valores retidos nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação da Lei nº 9.711, de 1998, relativos às competências 01/2008 a 04/2009, uma vez que: (1) os lançamentos contábeis não registram, em contas individualizadas, por tomador de serviços, os fatos geradores de contribuições previdenciárias; (2) nas competências de 01/2008 a 02/2009, a empresa apenas informou GFIP no código 155, e não duas GFIPs, uma no código 155 (empreitada total), e outra no código 150 (pessoal da administração e empreitada parcial); e (3) nas competências de 03/2009 a 04/2009, com GFIP no código 150, os empregados não foram alocados nos respectivos tomadores de serviços. Os pedidos foram veiculados nos seguintes documentos: Compt PER VALOR REQUERIDO 01/2008 16266.30621.171106.1.2.150370 87.885,07 02/2008 11776.08661.271206.1.2.154033 30.627,61 03/2008 01280.87360.171106.1.2.158607 364.246,88 04/2008 26773.60637.271206.1.2.157318 113.273,46 05/2008 10060.65636.171106.1.2155608 29.605.91 06/2008 02676.36300.171106.1.2151673 51.898,84 07/2008 26023.78160.171106.1.2154346 99.479,62 08/2008 21115.38654.171106.1.2152746 180.303,73 09/2008 31664.80353.171106.1.2150280 119.923,71 10/2008 32026.36666.271206.1.2157005 119.857,15 11/2008 05882.84761.171106.1.2153201 231.355,02 12/2008 04886.52618.171106.1.2158144 515.903,71 01/2009 16125.76330.171106.1.2150537 202.481,04 02/2009 05636.36666.171106.1.2155375 115.321,88 03/2009 26162.80507.271206.1.2157176 51.576,17 04/2009 17323.27355.271206.1.2152035 142.121,24 TOTAL 2.455.861,04 Da Manifestação de Inconformidade, em síntese, extraise: a) As obras (Sites de Telecom, Centrais de Telefonia, reforma de Agências Bancárias e Lojas de Shopping) apresentam peculiaridades, e, para tanto, se discorre a respeito dos serviços realizados, com destaque para a pouca utilização de mãodeobra, do alto custo dos materiais / equipamentos instalados, e da forma de pagamento (30% quando do pedido de compra, 50% no término da obra, e 20% após a aceitação). b) Não se pode exigir uma forma específica para a contratação, segundo o Código Civil de 2002. Os Pedidos de Compra formalizam os contratos das tomadoras de serviço com a requerente apos seu aceite. Fl. 5740DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.741 3 c) Os atos normativos vigentes à época estabeleciam que a contratada estava dispensada da elaboração de folhas de pagamento e GFIP com informações distintas por obra quando utilizase os mesmos empregados, alternativamente, em duas ou mais obras. d) Teve, pelos tomadores de serviços, retido e recolhido quantias bem superiores à parcela que inclui a mão de obra utilizada. Elabora planilha com as Notas Fiscais, os valores retidos, os destacados, e os recolhidos relativos à contribuição previdenciária, observando que os diversos tomadores de serviços não teriam respeitado a aplicação de 11% (onze por cento) sobre a mãodeobra, mas, em muitos casos, incidiram a retenção sobre o valor total da Nota fiscal. Em razão disso, surgiram as divergências. e) Está desobrigada da escrituração contábil, pois o seu regime de tributação é pelo lucro presumido, mesmo assim necessita das peças contábeis registradas para a sua participação em licitações públicas, cadastros de fornecedores, transações comerciais e bancárias. f) As GFIPs foram inicialmente informadas com as retenções destacadas nas Notas Fiscais, e, posteriormente, com o recebimento das Notas com retenções superiores às destacadas, retificaramse as GFIPs para se adequarem aos valores efetivamente retidos, sendo que, nos PER/DCOMP, também foram informados os valores efetivamente retidos. g) As contribuições previdenciárias não divergem dos registros contábeis. Anexa cópias dos resumos das folhas e do Livro Razão, e bem assim elabora Quadro (fl. 3654), para as competências 04/2008 e 06/2008, demonstrando os valores que constam das folhas, informadas nas GFIPs, e os lançamentos do Razão. h) As divergências GFIP/PER/DCOMP foram sanadas para as competências 01/2008 a 04/2009. Promoveu todas as correções necessárias quanto aos códigos da GFIP 155 e 150. Foi emitida GFIP específica para o escritório e para as empreitadas parciais no código 150, e, para as obras de empreitada total no código 155. i) Deixou de apresentar os lançamentos contábeis, em contas individualizadas, por tomador de serviço, e deixou de alocar os funcionários nos respectivos tomadores de serviços, porque é empresa optante pelo lucro presumido, não sendo necessário que se mantenha escrituração contábil detalhada a centro de custo (obra por obra), conforme o permissivo legal do § 16, inciso II, do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social. j) A mãodeobra utilizada pela requerente circula entre as obras, de acordo com os permissivos constantes da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14/07/2005, em seu artigo 162, e da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, em seu artigo 135. As obras realizadas em sua maioria são de baixa complexidade no tocante à obra civil e demandam pouca alocação de mãodeobra. Houve subcontratação de serviços, conforme Notas Fiscais, GPS e comprovantes de recolhimento. Fl. 5741DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.742 4 k) A mãodeobra própria declarada em GFIP somada à contratada pela ENCOP sob a forma de subempreitada é a mãodeobra real, condizente com o tipo de obra executada, que difere das obras de construção civil enquadradas na classe 41 da CNAE – Construções de Edifícios, uma vez que, no período requerido, enquadrase na classe 42 da CNAE – Obras de Infraestrutura, subclasse 42219/04 – Construções de Estações e Redes de Telecomunicações. l) Requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade para que seja deferida a restituição pleiteada. Em face das questões fáticas e dos documentos apresentados, foi comandada diligência e da qual, em síntese, extraise: a) A mãodeobra empregada na prestação de serviços é inferior a 40% do valor bruto dos serviços contidos nas Notas Fiscais. b) O reenvio de GFIP no código 155, para as competências 07, 08 e 09/2008, ficou pendente na situação “em análise”, pois a nova GFIP enviada no código 150 alterou a base de cálculo da GFIP 155. Considerando as GFIPs processadas para essas competências, conforme o artigo 1º da Portaria Conjunta INSS/RFB nº 3.764/2011, elas continuaram sendo indeferidas. As GFIPs retificadas no código 150 deixaram de informar os trabalhadores correspondentes aos tomadores. c) Não existem folhas de pagamento por tomadores, conforme dispõe o § 5º do artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991 e o § 9º do inciso I do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. As GFIPs também deveriam ser por tomadores, de acordo com o Manual GFIP/SEFIP, aprovado pela IN RFB nº 880, de 16/10/2008, não havendo comprovação de que os trabalhadores atendiam a várias empresas contratantes, alternativamente, no mesmo período, inviabilizando a individualização de suas remunerações por tarefa ou serviço contratado (Notas 1 e 2 do item III do capítulo II do referido Manual). d) Os serviços prestados foram em diversas cidades localizadas em vários Estados e a execução deles vão de dois a cinco meses, o que não se aplicariam as disposições do artigo 162 da IN nº 03/2005, e do artigo 135 da IN RFB nº 971/2009. e) A empresa apresentou Notas Fiscais de prestação de serviços e Guias da Previdência Social dos subempreiteiros, mas não se utiliza dos dados dos subempreiteiros, conforme dispõe o § 1º do artigo 127 da IN RFB nº 971/2009. f) A empresa, como optante pelo regime de tributação do lucro presumido, poderia escriturar o Livro Caixa, exceto se mantiver escrituração contábil nos termos da legislação comercial, segundo o artigo 18 da Lei nº 8.541, de 1992. A requerente apresentou o Livro Diário e o Livro Razão, mas nesses os lançamentos contábeis não registram, em contas individualizadas, por tomador de serviços, os fatos geradores de contribuições previdenciárias, Fl. 5742DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.743 5 estando em desacordo os incisos I, II e IV do § 9º; inciso II do § 13º, todos do artigo 225; e em desacordo com o § 5º do artigo 219 do RPS. Diante do resultado da diligência, a empresa complementou sua manifestação de inconformidade, em síntese, alegando: a) Apresenta Quadro das contribuições retidas, dos valores compensados e dos valores de restituição requeridos. Todos os serviços e obras executados foram contratados com a obrigatoriedade de fornecimento de materiais e de equipamentos, estes, majoritariamente, fornecidos com colocação / mãode obra de terceiros. Reporta aos Pedidos de Compra, e às Instruções Normativas que tratam da definição da base de cálculo em 50% do valor da Nota Fiscal. b) Na quitação de inúmeras Notas Fiscais, as contratantes, arbitrariamente, consideraram como base de cálculo o valor integral do documento, impondo à contratada retenções que incidiam sobre os materiais e equipamentos fornecidos. Com isso, requer a devolução das retenções acima dos valores destacados, bem como a devolução das retenções que incidiram sobre itens que são excluídos legalmente da base de cálculo, como fundações, instalação de ar condicionado, muros de concreto, e outros materiais e equipamentos fornecidos com colocação. c) Discrimina as Notas Fiscais, os valores de materiais, a mãodeobra, os destaques, as contribuições retidas de fato, os recolhimentos, e a importância retida a maior. Em cem Notas Fiscais os contratantes desconsideraram o valor destacado, sendo que a requerente aplicou, na maioria dos casos, a regra geral, 50% como base. Às fls. 5307/5311, exemplifica com competências cuja retenção foi maior do que as destacadas em Notas Fiscais. d) Às fls. 5312/5315, a requerente descreve as obras e os serviços (sites de telefonia, centrais de telefonia, agências bancárias, lojas em shopping centers) com o objetivo de demonstrar a inaplicabilidade dos critérios e parâmetros usualmente utilizados para avaliar as obras de construção civil em geral, e, com isso, afirmar que teriam sido feitas retenções sobre bases de cálculo superiores à devida. Na mesma linha, diz que a mãodeobra constante das folhas de pagamento e declarada em GFIP é a que efetivamente foi empregada na execução dos serviços e obras contratadas no período, somada à que consta das Notas Fiscais de subempreitadas, uma vez que as obras da ENCOP se diferenciam das demais obras de edificação civil. Acrescenta o fato de que os cronogramas de recebimento das notas fiscais não coincidiram com o período de execução das obras ou serviços. e) O valor da mão de obra indicado nas notas fiscais não expressa a mão de obra real empregada na execução dos serviços prestados pela ENCOP. Fala a respeito dos pagamentos iniciais pela contratante para a aquisição de materiais, e conclui que a mãodeobra empregada nos sites é a que está indicada nos Quadros de fl. 16 da Manifestação, observando, ainda, que são valores médios, os quais podem sofrer alterações devido às condições da obra. Às fls. 5317/5327, traz exemplos para demonstrar os equívocos Fl. 5743DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.744 6 relativos a retenções muito acima das que deveriam ter sido efetivadas. Comenta cada exemplo indicando valores que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo, conforme se verifica às fls. 5327/5328 (fls. 26/27 da Manifestação). Já, às fls. 5329/5341, exemplificando as obras de Centrais de Telefonia, procura demonstrar a inexatidão da base de cálculo considerada, vez que não teriam sido excluídos os materiais / equipamentos. f) Trata da elaboração das folhas de pagamento e das GFIPs não específicas dizendo que, para as obras não identificadas por matrículas CEI, consolidou todos os pagamentos de seus empregados na folha do escritório, em razão das dificuldades em alocar em folha específica os trabalhadores que participaram, em períodos inferiores a um mês, em várias obras ou serviços. Por serem obras de curta duração (sites de telefonia) e não se enquadrarem no conceito de empreitada total, não foram retiradas as matrículas CEI, ressaltando que esse procedimento estaria respaldado em consulta à Receita Federal (Solução de Consulta nº 122). Com isso, afirma que estava desobrigada de providenciar as matrículas das obras executadas parcialmente. Parte ponderável do faturamento no período teria decorrido da prestação de serviços com duração inferior a uma semana, para os quais é impossível a geração de folhas de pagamento e GFIPs específicas. Quando contratada para recuperar diversos sites vandalizados, situados distantes uns dos outros, mobiliza empregados que em um ou dois dias executam o serviço contratado em uma localidade e se deslocam para a próxima. Apresenta demonstrativos, com a finalidade demonstrar os vários tipos de trabalhos executados, com as respectivas retenções, e que permitem que se conclua que para muitos serviços, além da inexigibilidade de matrícula, também não seria possível a elaboração de folhas específicas e GFIP. g) Utilizouse de serviços de subempreiteiros, sendo que a mãodeobra não teria sido considerada pela autoridade a quo. Segundo o artigo 127 da IN RFB nº 971, de 2009, é facultado à contratante deduzir da retenção destacada na Nota Fiscal as retenções retidas de subempreiteiros no mês de emissão do documento fiscal. A ENCOP optou por suportar um encargo superior ao devido, uma vez que a legislação (artigo 127, supracitado) é autorizativa, e não determinativa, ao incluir no texto a expressão "poderão ser deduzidos", e não "deverão ser deduzidos”. Teria cumprido com os deveres atinentes à sua condição de contratante, retendo e recolhendo as contribuições dos subempreiteiros, o que os serviços por estes prestados devem ser considerados como mãodeobra empregada nas obras. h) Para as competências 07, 08 e 09/2008, na matrícula 41.310.03189/77, e para a competência 08/2008, na matrícula 41.310.03938/78, as restituições foram indeferidas (item 3.3 da Informação Fiscal), entretanto, todos os trabalhadores foram informados em GFIP, o que estaria a demonstrar a consistência entre os PER/DCOMPs e as GFIPs, em anexo. i) Por ser optante pelo regime de tributação do lucro presumido, está dispensada de escrituração contábil, conforme o Regulamento da Previdência Social, em seu artigo 225, § 16. Desse modo, em sendo a empresa optante pelo regime do lucro presumido, desnecessário é que se Fl. 5744DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.745 7 mantenha a escrituração detalhada a centro de custo (obra por obra), o que não seria possível a penalização por descumprimento de uma obrigação que não se aplica. Não nega a escrituração do Diário e do Razão, mas não por determinação legal, e sim por conveniência e estratégia. Nenhum fato gerador foi excluído dos lançamentos, as receitas e retenções foram integralmente lançadas, e no balanço patrimonial, no ativo, estão registrados os créditos decorrentes de contribuições a recuperar. Não há omissão de despesa ou receita que assinale o cometimento de um crime ou irregularidade ou que aponte para qualquer tipo de sonegação, fraude ou simulação. Constatada irregularidade, estaria descumprindo uma obrigação acessória, talvez punível com uma autuação (multa pecuniária), e não ser negado o seu direito de receber restituições de contribuições retidas. j) Requer a reforma do Despacho Decisório. Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em síntese, se extrai: a) No caso em análise, não se pode proceder ao encontro de contas para os serviços / obras, prestados sob o regime de empreitada parcial, GFIP no código 150, eis que a requerente não alocou os trabalhadores, nessas GFIPs, por tomador de serviços, considerando que não elabora folhas de pagamento específicas com a identificação dos tomadores. Ainda que por empreitada parcial, hipótese que a matrícula CEI não é de responsabilidade da contratada (prestadora dos serviços), a empresa cedente deve relacionar os trabalhadores ao correspondente tomador, conforme se verifica no Manual GFIP/SEFIP. A Instrução Normativa MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005 (artigo 162, parágrafo único) e a Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009 (artigo 135, parágrafo único) vigentes à época da prestação dos serviços, dispunham no mesmo sentido sobre a dispensa de elaboração de folha de pagamento e GFIP específicas, para a empresa contratada. O artigo 162 e seu parágrafo único, da IN MPS/SRP nº 03/2005, dispõe que: Art. 162. A empresa contratada fica dispensada de elaborar folha de pagamento e GFIP com informações distintas por estabelecimento ou obra de construção civil em que realizar tarefa ou prestar serviços, quando, comprovadamente, utilizar os mesmos segurados para atender a várias empresas contratantes, alternadamente, no mesmo período, inviabilizando a individualização da remuneração desses segurados por tarefa ou por serviço contratado. Parágrafo único. São considerados serviços prestados alternadamente, aqueles em que a tarefa ou o serviço contratado seja executado por trabalhador ou equipe de trabalho em vários estabelecimentos ou várias obras de uma mesma contratante ou de vários contratantes, por etapas, numa mesma competência, e que envolvam os serviços que não compõem o CUB, relacionados no Anexo XIV. a1) Percebese, do artigo 162, e seu parágrafo único, acima, que os serviços que dispensam a elaboração de folhas de pagamento por tomador são aqueles que satisfazem (duas) condições: (1) Serviços que não compõem o CUB, relacionados no Anexo XIV (Esses serviços estão dispensados de Fl. 5745DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.746 8 matrícula CEI); e (2) Serviços nos quais a tarefa é executada por trabalhador(es) em vários estabelecimentos ou obras numa mesma competência inviabilizando a individualização da remuneração por tarefa ou por serviço contratado. b) Em face dos esclarecimentos da requerente, verificase que os serviços realizados não são, exclusivamente, os do referido Anexo XIV, mas “Gerais de Engenharia”, conforme a descrição em alguns Pedidos de Compra. Os serviços e obras de construção civil estão discriminados no Anexo XIII, da também IN 03/2005, enquanto os não sujeitos à folha por tomador são os do Anexo XIV. Na situação, não se vê que a ENCOP tenha apenas instalado equipamentos, e numa atividade de curta duração, mas executado reformas e construções novas, em centrais de telefonia, em agências bancárias, e em lojas de shoppings. É uma situação que não impossibilita a individualização da remuneração dos trabalhadores por tarefas ou por serviços contratados, até mesmo porque o período médio de execução das obras varia de vinte a trinta dias, segundo os esclarecimentos da requerente. Se é assim, a ENCOP poderia ter rateado a remuneração dos trabalhadores pelos dias trabalhados em cada obra, o que, ainda que tenha realizado algum dos serviços do Anexo XIV, não satisfez a condição “2”, acima, para a sua dispensa de folha por tomador. c) Se a requerente era obrigada a ter folhas de pagamento por tomador, e não as tem, não há como saber das remunerações e das contribuições previdenciárias devidas, em cada obra, em cada serviço contratado, de modo a possibilitar o encontro de contas, entre os valores devidos e os recolhidos (retenções e/ou recolhimentos realizados pelos contratantes), e ainda possibilitar a homologação de possíveis créditos a seu favor, considerando que as GFIPs, por tomador, não informam a mão de obra alocada. A hipótese é de incerteza e de iliquidez de créditos a favor da requerente, não sendo reconhecidos possíveis excessos de retenção, e ainda sendo julgados improcedentes os pedidos relacionados aos serviços / obras, prestados em empreitada parcial (GFIP 150). d) A autoridade a quo, em sua prerrogativa de condicionar o conhecimento do direito creditório à apresentação de documentos contábeis, segundo a disposição do artigo 76 da IN RFB 1.300/12, não realizou o encontro de contas (valores devidos X valores recolhidos), também em relação à contratação sob o regime de empreitada total (GFIP 155). Isso porque, os lançamentos contábeis da requerente não registram, em contas individualizadas, por tomador de serviços, os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Essa exigência está no inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, combinado com o inciso II do § 13 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Dessa feita, sem a comprovação da mãodeobra alocada, a hipótese é de incerteza e iliquidez de créditos a favor da requerente, sendo também julgados improcedentes os pedidos relacionados às obras em empreitada total (GFIP 155). Intimado em 22/07/2016, o contribuinte interpôs em 17/08/2016 recurso voluntário, em síntese, alegando: Fl. 5746DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.747 9 a) Tempestividade. Dada ciência em referência no dia 22 de julho de 2016, o prazo de trinta dias encerrase em 21 de agosto de 2016. b) Prevenção. Informação Fiscal e Decisões Divergentes. Desde 27 de março de 2009, protocolou sucessivos requerimentos de restituição abrangendo o período de 03/2004 a 12/2012, pois a Recorrente teve retidas importâncias muito superiores às que deveriam de fato ter sido descontadas em suas notas fiscais, isto em razão da inflexibilidade e extremo rigor por parte de empresas contratantes, em especial a CLARO S/A. A Receita Federal agrupou os PER/DCOMPs em processos diferentes: Processo / D Decisório Período Requerido Restituído 15504.732950/201326 /1.215 03/04 a 12/05 239.676,77 23.887,00 15504.732951/201371 /1.121 01/06 a 12/07 762.930,07 0,00 15504.732952/201315 /1.224 01/08 a 04/09 2.455.861,04 0,00 15504.732953/201360 /1.244 05/09 a 09/10 678.265,05* 212.175,19 15504.724569/201474 /1.633 09/09; 10/10 a 02/2011 473.955.28 173.109,44 15.504.725841/201433 /1.420 03/2011 a 05/2011 112.670,45 32.164,10 15504.725842/201488 /1.438 07/2011 a 09/2011e 01/2012 64.408,60 37.294,41 15504.724067/201524 /1.421 06/2011; 10/2011 e 11/2011 101.755,12 20.482,37 15504.724068/201579 /1.431 12/2011 52.473,48 25.833,40 15504.724041/201586 /1.439 02/2012 a 08/2012 78.865,93 66.746,04 15.504.724043/201575/1.432 09/2012 a 12/2012 55.142,81 24.271,27 TOTAL 5.076.004,60 615.963,22 * Retificado b1) Encaminhados para autoridades diferentes, não houve uniformidade na apreciação, a denotar que os indeferimentos se basearam em interpretações subjetivas e não na adequada avaliação dos documentos e demonstrações. b2) Na análise e julgamento dos requerimentos, também foram observadas divergências, com decisões conflitantes sobre casos concretos exatamente iguais, o que surpreendeu a Recorrente, haja vista que em idênticas situações, casos idênticos e circunstâncias similares, apenas em épocas diferentes, não deveriam provocar conflitos de interpretação e decisão, em patente falta de uniformidade de procedimento na apreciação de matéria que era essencialmente a mesma. Este fato denota que indeferimentos podem ter sido baseados em interpretações subjetivas e não na adequada avaliação dos documentos e demonstrações apresentados pela Recorrente. Caracteriza bem esta flagrante discrepância de julgamento a decisão exarada no processo objeto deste recurso e a exarada no processo nº 15504.732953/201360. Em outros processos, por exemplo, o de número 15504.732950/201326, as retenções relativas a obras identificadas por matrículas CEI foram corretamente deferidas. Nesse processo, o DD entendeu a auditoria fiscal que também restituições requeridas no CNPJ deveriam ser restituídas. c) Mão de obra efetivamente empregada. A Recorrente reitera todas as alegações, explicações, justificativas, documentos e fundamentações apresentados, constantes dos autos. A mão de obra que consta das folhas de pagamento de empregados, declarada em GFIP, é a que efetivamente foi empregada, pois as obras em questão se diferenciam das de construção civil, não sendo exatas conclusões obtidas por aferição indireta de obra de construção civil. As notas não expressam a mão de obra real, pois no início das obras era emitida nota como adiantamento para aquisição de material e equipamentos, o que ainda não tinha ocorrido e na impossibilidade da Fl. 5747DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.748 10 comprovação sofreu a retenção sobre o valor total. Em outras notas fiscais, a divisão material / mãodeobra era estabelecida em 50% para cada item, conforme estabelece o ato normativo. Esta divisão, entretanto, também não expressava a realidade, o que impossibilitou a compensação integral nos recolhimentos mensais, gerando as retenções ora requeridas. Em várias ocasiões, a contratante ignorou a parcela indicativa dos materiais e efetuou a retenção sobre o valor total do documento. Demonstrouse que são divergentes as parcelas de materiais indicados das notas e a especificação dos itens constantes dos Pedidos de Compra que são os documentos contratuais que regem a relação entre as partes. Na execução dos sites de telefonia a Receita Federal, em julgamentos anteriores, considerou apropriada a informação prestada pela ENCOP quanto à mão de obra utilizada nos sites Greenfield e Rooftop, deferindo grande número de requerimentos. Em média, a execução de um site tem a duração de 20 a 30 dias, dependendo também das várias ocorrências citadas anteriormente. É o que reconheceu o julgador ao deferir diversas restituições no Despacho Decisório nº 1.633, processo 15504.724569/201474. “3. Dentre os documentos apresentados, a empresa entregou uma explanação sobre vários itens relacionados ao seu serviço. Uma parte dos pedidos de restituição relativo às matrículas CEI foi deferida levandose em consideração a mão de obra utilizada para o site novo tipo Greenfield e site novo tipo Rooftop, da forma como a própria empresa definiu, como consta às fls 3.439, como também pelo fato de ter subempreitado serviços em algumas destas obras. Outra parte foi indeferida por não possuir a mão de obra necessária o serviço ou por se referir a outros tipos de serviços cujo número de empregados é incompatível com o serviço executado”. e) Folha, GFIP e Contabilidade refletem mão de obra. Explicita justificativas em relação a obras e serviços em SITES DE TELEFONIA tipo Greenfield e tipo Rooftop, juntando pedidos de compras para comprovar os excessos de retenção. Além disso, parte ponderável das restituições pleiteadas se relacionaria à execução de CENTRAIS DE TELEFONIA, representando 33,3% do total. São valores expressivos, tendo em vista que as retenções também ocorreram sobre base de cálculo na qual estavam incluídos materiais e equipamentos, considerando que as contratantes destas centrais eram as mesmas que contrataram os sites. Na execução destas obras são observadas especificações padronizadas pela empresa contratante, com pequenas diferenças de preço, decorrentes de condições locais ou variações que o custo dos itens pode apresentar entre praças diferentes. Para exemplificar, são transcritas no recurso planilhas de três obras. f) Forma de contratação. O documento majoritariamente empregado para contratação de obras e serviços é o PEDIDO DE COMPRA. É o instrumento contratual que estabelece as regras e obrigações da prestação de serviços, traz discriminados os itens que compõem os projetos, ficando, portanto, atendida a exigência estabelecida, de acordo com o período de vigência do ato, na Instrução Normativa nº 3/2005 ou na Instrução Normativa nº IN 971/2009, para que a base de cálculo para a retenção pudesse ser definida em 50% do valor do documento. Este documento contratual está perfeitamente ajustado ao que estabelece o § 7º do artigo 219, do Regulamento da Previdência Social. É oportuno dizer que este tipo de Fl. 5748DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.749 11 contrato foge um pouco do formalismo convencional em favor de um maior dinamismo na relação entre as partes, sendo, entretanto, do ponto de vista legal, um contrato de prestação de serviço para todos os fins de direito. O Pedido de Compra composto de páginas e cláusulas é regido pela Lei 8.078/1990. g) Elaboração de Folha de Pagamento e GFIP. Para as obras não identificadas por matrícula CEI, por serem desobrigadas deste cadastramento, os pagamentos dos salários foram consolidados na folha de pagamento do escritório e declarados na GFIP 150. Este procedimento deveuse à dificuldade de se alocar em folha de pagamento específica trabalhadores que participaram, em períodos inferiores a um mês de várias obras ou serviços. Muitos sites foram realizados simultaneamente, alguns na mesma cidade, alternando a participação dos trabalhadores de acordo com as necessidades. O rateio proposto pelo julgador poderia ter sido adotado, mas em nada alteraria a verdade dos fatos, considerando que as folhas de pagamento foram escrituradas em títulos próprios pelo valor total das remunerações. A divisão das folhas de pagamento em mais de um tomador apenas redundaria em decomposição do valor da folha contabilizada em outras, sem alteração de um centavo na base de cálculo que foi utilizada para cálculo das contribuições previdenciárias. Seria irrelevante sob o ponto de vista da demonstração do real movimento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Parte ponderável do faturamento no período decorreu da prestação de serviços, com duração inferior a uma semana, às vezes determinados serviços eram executados em apenas um dia. Por exemplo, recuperar diversos sites vandalizados situados distantes uns dos outros geograficamente. Além da construção de sites de telefonia, outros serviços de breve execução foram prestados pela ENCOP, entre outros, pintura, reformas, reforço de estruturas, infraestrutura elétrica, lógica e de telefonia, construção de acesso, de muros. Diante dos serviços realizados, podese concluir que que para muitos serviços, além da inexigibilidade de matrícula, também não é possível a elaboração de folhas específicas e GFIP. h) Escrituração contábil. Nas manifestações de Inconformidade apresentadas a Recorrente sustentou que por ser optante pelo regime de tributação do lucro presumido está desobrigada da apresentação de escrituração contábil. Apenas por conveniência elaborou Diário e Razão. Não há irregularidade e se há ensejaria apenas o descumprimento de obrigação acessória. Se fiscalizada, não haveria o que se lançar de obrigação principal. i) Retenção em valores superiores aos destacados. Um ponto fundamental comprovado pela Recorrente foi a retenção e recolhimento de contribuições superiores às destacadas nas notas fiscais. De acordo com o voto que integra o Despacho Decisório, o pedido de restituição é analisado levando em consideração as retenções que são destacadas nas notas fiscais, com o que, data venia, a Recorrente não concorda. O fato concreto é que contratantes retiveram contribuições superiores às retenções destacadas em nota fiscal. A possibilidade de retenção a maior em desfavor da empresa contratada e a sua recuperação estão previstas nos atos normativos – artigo 210 da IN Fl. 5749DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.750 12 MPS/SRP Nº 3/2005 e artigo 18 da IN RFB Nº 900/2008. Todas as retenções a maior foram recolhidas pelas empresas contratantes. Cita exemplos. j) Subempreiteiros. Na execução de obras e serviços a ENCOP utilizou com frequência serviços de subempreiteiros. Todos os documentos comprobatórios da utilização desses serviços foram juntados à Manifestação de Inconformidade anterior. As contribuições retidas dos subempreiteiros foram recolhidas nos respectivos CNPJ. No entanto, por várias razões entre as quais se destaca o descompasso que costuma ocorrer entre o cronograma de execução das obras e o financeiro, a prerrogativa autorizada pela instrução normativa não foi exercida. Antes de ser iniciada a obra, a ENCOP recebe a primeira parcela e no mês de adiantamento não há despesa com pessoal próprio ou cedido. E a última parcela é sempre paga após a conclusão da obra, em alguns casos, vários meses depois de encerrada e no mês do recebimento também não há despesa com pessoal próprio ou terceirizado. O mês de faturamento pela ENCOP nem sempre era o mesmo em que os serviços foram faturados por subempreiteiro, o que inviabilizaria a operação autorizada pelo artigo 127. Também pesou o fato de serem as contratantes muito intransigentes com relação às retenções impostas à contratada, impedindo qualquer operação que representasse dedução do valor destacado. O artigo 127 da IN 971 facultava à contratante deduzir da retenção destacada na nota fiscal as retenções retidas de subempreiteiros no mês de emissão da nota fiscal. Por esta razão, a ENCOP optou por suportar um encargo superior ao devido. como cumpriu os deveres atinentes à sua condição de contratante, retendo e recolhendo as contribuições dos subempreiteiros, os serviços por estes prestados inquestionavelmente devem ser considerados como mãodeobra empregada nas obras executadas pela ENCOP. Ademais, a utilização da mão de obra subempreitada foi acatada em julgamento anterior, conforme Despacho Decisório nº 1.633, Processo 15504.724569/201474, fl. 4028. k) REQUER sejam analisadas e acolhidas as razões de fato e de direito ora para que seja reformada a decisão proferida no Acórdão 1269.424, determinando, desta forma, a restituição das contribuições recolhidas em excesso. Sem prejuízo do pedido principal, REQUER a restituição dos créditos que tiveram origem em retenções superiores aos destaques consignados nas notas fiscais, conforme discriminados nesta peça recursal. Ainda, alternativamente, REQUER a restituição das retenções que comprovadamente incidiram sobre itens que a legislação em vigor exclui expressamente da base de cálculo, mas que foram retidas e recolhidas por empresas contratantes. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 5750DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.751 13 Tempestividade. Intimado em 22/07/2016, o recurso interposto em 17/08/2016 é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 33). Presentes as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Prevenção. Informação Fiscal e Decisões Divergentes. Os recursos voluntários apresentados no âmbito dos processos n° 15504.724569/201474, n° 15504.732950/201326, n° 15504.732951/201371, n° 15504.732952/201315 e n° 15504.732953/201360 me foram distribuídos e integraram a presente pauta de julgamento. Quando da elaboração do presente voto, consultei o andamento processual dos outros seis processos citados nas razões recursais e constatei não haver pendência de recurso voluntário e nem decisão de primeira instância administrativa prolatada. A apreciação dos fatos ou do direito veiculada em Informação Fiscal não vincula o julgador, tratandose de mera manifestação da fiscalização em sede de diligência. Em relação à pretensa ausência de uniformidade nas decisões proferidas no conjunto dos onze processos do contribuinte, devemos asseverar que cada processo deve ser julgado e apreciado segundo as provas nele constantes, sendo livre a apreciação motivada das mesmas (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 29), cabendo ao contribuinte enquanto autor do pedido de restituição o ônus de provar a existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I). Mão de obra efetivamente empregada. Folha, GFIP e Contabilidade. Forma de contratação. Elaboração de Folha e GFIP. Escrituração Contábil. Retenção superior ao destacado. Subempreiteiros. Para a recorrente, está correta a mãodeobra informada nas folhas de pagamento do escritório e das obras e declaradas em GFIP, a ser somada à que consta de notas fiscais de subempreiteiras. Logo, diante dos recolhimentos havidos, seria cabível, no seu entender, a restituição requerida. Para a decisão recorrida, a recorrente deixou de elaborar folhas de pagamento específica, incluindo na folha da administração remunerações que deveriam constar de folha específica. Além disso, corretamente destaca que a inobservância do art. 127 da IN inviabiliza o aproveitamento de retenções relativas a subempreiteiros. Acrescenta ainda que e a aferição indireta da mão de obra constante das notas fiscais revelaria omissão de rendimentos. No entender da recorrente, não haveria a obrigação de elaborar folha específica, estando para tando amparada em consulta administrativa. Além disso, obras/serviços sem CEI (GFIP 150) teriam sido consolidadas na folha do escritório pela dificuldade de se alocar em folha específica, sendo os sites realizados simultaneamente e alternando trabalhadores e rateio não alteraria realidade, bastando decomposição. Acrescenta, ainda que, em especial, para as centrais de telefonia as retenções teriam incidido sobre base integrada por materiais e equipamentos; e que, além de sites e centrais de telefonia, executou outros serviços breves. Por outro lado, segundo a recorrente, a aferição indireta a partir das notas não revelaria a mão de obra empregada por haver divergência entre o cronograma das notas e o das obras/serviços, por haver divergência entre parcela de materiais da nota e o dos respectivos pedidos e em razão da natureza de suas atividades. Fl. 5751DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.752 14 Esclarece ainda que, a divergência de cronograma se daria desde o início das obras/servios, pois faturaria apenas serviço, mas naquele valor já estariam, em face dos pedidos, envolvidos materiais e equipamentos, ainda que não explicitados nas notas em razão de ainda não os ter adquirido. Além disso, não se teria efetuado corretamente o destaque com divisão meio a meio de material e serviço e ainda que se tivesse, a regra normativa seria dissociada da realidade das obras/serviços da recorrente com emprego intensivo de material e equipamentos. Assim, descreve as atividades pertinentes aos sites Greenfield e Hooftop, em que empregaria muito material e equipamento e pouca mão de obra em processos anteriores essa descrição teria sido considerada apropriada e no processo 15504.724569/201474 inclusive restituição teria sido deferida. A recorrente destaca ainda ainda haver casos de o contratante simplesmente ignorar o destaque e reter a maior. De plano, devemos ponderar que a solução de consulta invocada versa sobre a legislação em tese. Assim, incumbe à contribuinte, na situação concreta, demonstar o não cabimento da elaboração de folhas específicas e a confiabilidade da folha da administração (escritório). A empresa reconheceu que exerceu atividades de construção de sites de Telecom (Greenfield e Rooftop), cuja execução média pode chegar a 30 dias, e centrais de telefonia, a empreender atividades enquadradas na classe 42 OBRAS DE INFRAESTRUTURA, subclasse 42219/04 CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES E REDES DE TELECOMUNICAÇÕES. Acrescenta ainda que diversos serviços e obras não identificadas por matrícula CEI foram executados simultaneamente e em um ou poucos dias (pintura, reformas, reforço de estrutura, infra estrutura elétirca, lógica e de telefonia, contrução de acessos, de muros), a justificar a não elaboração de folha de pagamento específica. Não vislumbro que a obra representada por essa subclasse esteja abrigada no Anexo XVII da IN INSS/DC n° 100, de 2003, ou no Anexo XIV da IN SRP n° 03, de 2005, ou no Anexo VIII da IN RFB n° 971, de 2009, tendo inclusive passado a constar como OBRA no Anexo VII da IN RFB n° 971, de 2009, a demandar matrícula CEI. Logo, correta a percepção do Acórdão de piso de que as atividades em questão não dispensam folha de pagamento específica (IN INSS/DC n° 100, de 2003, art. 171; IN SRP n° 03, de 2005, art. 162; e IN RFB n° 971, de 2009, art. 135). Acerca da alegada execução simultânea e/ou em poucos dias de diversos serviços não identificados por matrícula CEI (pintura, reformas, reforço de estrutura, infra estrutura elétirca, lógica e de telefonia, contrução de acessos, de muros), a justificar a não elaboração de folha de pagamento específica, devemos considerar que os pedidos de constantes dos autos são apócrifos (sem assinaturas), fls. 1721/3557. De todo modo, ainda que estivessem devidamente firmados, os pedidos de compra fazem referência expressa a um contrato (Pedidos de Compras asseveram a prevalência do contrato no caso de conflito com o pedido de compras) não podendo ser tidos por conclusivos quanto a simultaneidade e curta duração do serviço. Os pedidos de compras podem eventualmente ser o único instrumento contratual efetivamente produzido pelas partes, contudo para fazer prova hábil devem ser devidamente formalizados (de plano, devem estar preenchidos todos os campos de data, assinatura e carimbo, bem como todas suas folhas rubricadas). Se devidamente formalizados, têm ainda seu valor probatório comprometido por em sua elaboração terem sido empregados códigos e serem extremamente sintéticos em suas disposições. Fl. 5752DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.753 15 A validade entre as partes de declaração negocial pode não demandar forma especial, mas, para valer perante terceiros, deve haver prova do contrato (Código Civil, arts. 107 e 221). O reconhecimento do direito creditório está condicionado à apresentação de documentos comprobatórios (IN RFB n° 900, de 2008, art. 65; IN RFB n° 1.300, de 2012, art. 76; e IN RFB n° 1717, de 2017, art. 161). A recorrente sustenta que as obras executadas não se confundem com edificação civil e, por conseguinte, não poderiam ser aferidas a partir de notas fiscais. Equivocase. A legislação admite a aferição indireta da remuneração da mão de obra com base na Nota Fiscal, na Fatura ou no Recibo de Prestação de Serviços. A restituição pressupõe a existência de pagamento indevido e, na falta de documentação hábil e completa (pedidos de compras e ordens de serviços não assinados, ausência de folha específica, notas fiscais postas em dúvida pela própria emitente e contabilidade irregular), apresentase como indício norteador ao convencimento do julgador a apuração de haver ou não em face da legislação de regência pagamento indevido, ou seja, se, segundo critério de aferição indireta, haveria valor indevidamente recolhido ou não. Logo, não prospera a alegação de bastar a simples decomposição da mão de obra alocada no escritório, eis que a aplicação da aferição indireta indica a ocorrência de omissão de mão de obra. Além disso, ainda que eventualmente para parte dos serviços se possa sustentar o cabimento de inclusão na folha da administração, a inclusão na folha do escritório de mão de obra que deveria constar de folha específica retira a confiabilidade da folha do escritório. Para piorar, segundo a recorrente, o cronograma das notas não coincidiria com o período de execução das obras e serviços e a não coincidência é invocada como fundamento quando a recorrente reconhece que não foram observados os requisitos do art. 127 da IN RFB n° 971, de 2009, e, assim, postular o aproveitamento da mão de obra de subempreiteiros. Não detecto, entretanto, prova do efetivo período de execução das obras e serviços. Contratos e pedidos de compra não têm tal condão, ainda mais quando as notas fiscais destoam dos mesmos e os pedidos de compras são apócrifos. A nota fiscal deve ser emitida quando da prestação de serviços, ainda que seu pagamento seja postergado. Não detecto prova nos autos a comprovar que as notas foram extemporâneamente emitidas. Nada impede que a prática executiva venha a divergir do previsto ao tempo da celebração do ajuste de vontades, ainda mais quando parte da documentação não foi devidamente formalizada ou nem foi apresentada. A não coincidência inviabiliza a vinculação inequívoca da mão de obra dos subempreiteiros nas competências em debate. A recorrente alega ainda emissão de notas sem correspondência para com o os pedidos de compra (notas emitidas antes da aquisição de material e a omitílos por sua inclusão como se tratasse de serviços; inclusão na base de cálculo de parcelas não representativas de mão de obra) e sem a divisão igualitária entre materiais (50%) e mão de obra (50%) admitida por ato normativo ou mesmo a inobservância pelo contratante do valor de retenção destacado na nota. Não foram apresentadas provas capazes de comprovar inequivocamente as situações em tela. Nem mesmo o contrato havido restou efetivamente evidenciado, em face da já relatada insuficiência probatória dos pedidos de compras. De todo Fl. 5753DF CARF MF Processo nº 15504.732952/201315 Acórdão n.º 2401005.869 S2C4T1 Fl. 5.754 16 modo, a circunstância de eventualmente ter havido retenção em valor superior ao admitido pela instrução normativa não gera, por si só, direito creditório. Para comprovar a natureza dos serviços realizados e o recolhimento a maior do que o destacado nas notas, estando este adequado ao contratado, apresentou a recorrente pedidos de compras (fls. 1721/3557). Contudo, os documentos em questão são apócrifos, todos os campos a serem assinados e datados estão em branco. Logo, caem por terra todas as alegações alicerçadas em tais documentos, eis que destituídos de valor probatório. Além disso, o simples fato de se efetuar recolhimento em montante superior ao destacado na nota não é prova de ser cabível restituição. Pelo contrário, revela discordância entre contratante e contratado sobre o que deva ser retido e recolhido. Também despidas de valor probatório as Planilhas de Custos de fls. 5350/5379, eis que não se comprovou a autoria e as razões e circunstâncias de sua produção e não há prova de sua integração aos contratos ou aos pedidos de compra, ambos não carreados aos autos. Pelas mesmas razões, despidas de valor probatório as planilhas transcritas nas razões recursais (fls. 5696/5706). Assim, não prosperam as alegações nelas lastreadas. Acrescentese que não houve a apresentação de contabilidade regular, com a devida escrituração em títulos próprios. A pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido pode manter apenas livrocaixa e nele escriturar somente os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada mês. Contudo, ao manter livos diário e razão, como ocorreu no caso concreto, a escrituração deve observar a legislação de regência, conforme asseverado no inciso I do art. 18 da Lei n° 8.541, de 1992. Não houve imposição de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, eis que se analisava requerimento de restituição. A inobservância das obrigações acessórias pertinentes (folha específica) ou a apresentação de livro contábil sem as formalidades inerentes ao mesmo (registro em contas individualizadas) comprometem a comprovação dos fatos alegados pela recorrente, devendo a mesma arcar com o ônus probatório que lhe é incumbido pela legislação em pedido de restituição. Portanto, diante da inconsistência do conjunto probatório produzido pela recorrente, resta prejudicada a totalidade das alegações recursais. Não se forma convencimento acerca do cabimento da restituição postulada e, não tendo a empresa se desincumbido de seu ônus probatório, não há como se reformar o Acórdão atacado. Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 5754DF CARF MF
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