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Numero do processo: 11040.901055/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 55 /2 01 1- 40 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela H W FERNANDES E CIA LTDA contra o Acórdão n. 0950.370 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE PAGAMENTO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Deve ser confirmado o despacho decisório de homologação parcial de compensação quando demonstrado que, do pagamento informado, não resulta saldo disponível para confirmar o crédito declarado. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCOMP. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Falece competência às Delegacias de Julgamento para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a Turma não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que inexiste crédito a ser compensado. A pretensão central da Recorrente é reverter despacho decisório não homologou a compensação declarada na DCOMP n. 35821.57117.291007.1.3.049705. Em sua manifestação de inconformidade fl. 10 o contribuinte alega que o crédito utilizado na DCOMP nº 35821.57117.291007.1.3.049705, referese à valores indevidamente recolhidos entre os anos de 2005 e 2006, período no qual equivocadamente os débitos da empresa foram apurados e recolhidos sob a forma do lucro presumido, quando na verdade deveriam ter sido incluídos no Simples Nacional. Admite, ainda, a existência de eventual erro de preenchimento do DCOMP, razão pela qual requer prazo para análise e correção. Quando do julgamento do Acórdão recorrido a Turma entendeu que no ano calendário de 2005, a interessada apresentou Declaração pelo Simples, sendo assim, neste período faz jus ao direito creditório sobre os valores recolhidos fora dessa sistemática. Entretanto o DARF informado na DCOMP já foi parcialmente utilizado em compensações anteriores não sendo possível a retificação da Declaração de Compensação em tempo de julgamento administrativo. Declarou ainda a instância a quo não deter competência para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Em recurso voluntário – fls. 43/44 – o contribuinte alega que recolheu tributos sob o regime do lucro presumido entre 2005 e 2006 por não ter sido informado sobre sua inserção no SIMPLES. Quando teve ciência do fato pagou a multa por declaração em atraso e entregou declaração simplificada, nos termos do Simples Nacional. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 56 3 Ao fim, requer o sujeito passivo “bem como achamos complexa a vossa comunicação de indeferimento, entendemos que para um melhor compreensão da nossa parte, a Receita Federal deveria nos fornecer uma conta corrente ou algo em que constasse, onde forma utilizados os valores que recolhemos indevido, ou pelo menos a informação que estes valores ora cobrado não foram compensado porque naquele tipo de contribuição já não tinha saldo para mais aquele valor, mas que em contra partida em outro imposto recolhido sobre determinado valor, pois como já nos reportamos tratava se de um valor bem superior”. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Cumpre ressaltar que é patente a boa fé do contribuinte e a presença de elementos indicadores da existência de recolhimentos indevidos, porque pagos sob o regime incorreto de apuração. Contudo, ainda que haja indícios do direito creditório, não detém esta Corte poder para alterar os dados equivocadamente inseridos pelo contribuinte na Declaração de Compensação. Detendo apenas competência para analisar os dados informados pelo contribuinte e decidir pela existência ou não do direito creditório. Tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não há como homologar compensação cujo crédito não seja nesses termos confirmado. A compensação de tributos é, basicamente, um encontro de contas onde cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do disposto no artigo 74, da Lei 9.430/96, c/c o art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida. Portanto, não tendo sido comprovada nos autos a certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção do acórdão recorrido. Conforme dispõe o regimento interno deste colegiado em seu artigo 1º1, aos conselheiros cabe analisar os valores e documentos acostados aos autos, e, assim, julgar os 1 Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 57 4 recursos que lhes são apresentados. Neste caso, incumbe aos conselheiros desta Turma apenas a decisão acerca da confirmação ou não do direito creditório utilizado na compensação pretendida. Ocorre que o recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, não se podendo reconhecer a existência de tal direito. No caso em estudo, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação cuja homologação foi negada, sendo cada uma delas tratada em um processo administrativo distinto, conforme tabela/resumo abaixo. DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Nº DCOMP APRESENTADA DCOMP INICIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO ORIGEM DO CRÉDITO (DARF) 2 DÉBITO 29531.44582.291007.1.3.046560 15560.25031.291007.1.3.040430 11040.901048/201148 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 02.2005 62,77 02921.59675.291007.1.3.044312 13703.81870.291007.1.3.040938 11040901049/201192 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 04.2005 237,98 06813.30975.291007.1.3.040397 02782.67723.291007.1.3.048786 11040901050/201117 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 54,13 30624.33604.291007.1.3.044584 37260.89442.291007.1.3.046187 11040901051/201161 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 286,20 36413.30105.291007.1.3.043678 20569.87623.291007.1.3.045162 11040901053/201151 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 09.2005 270,68 07870.23376.291007.1.3.046716 36413.30105.291007.1.3.043678 11040901054/201103 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 308,81 35821.57117.291007.1.3.049705 07870.23376.291007.1.3.046716 11040901055/201140 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 57,21 35023.93042.301007.1.3.042367 22218.77856.291007.1.3.043173 11040901062/201141 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 01.2006 849,29 TOTAIS R$ 17,10 R$ 2.127,07 Conforme se percebe pela análise da tabela acima, a recorrente utilizou o mesmo pagamento como origem de todos os pedidos de compensação efetuados. O DARF apontado como origem do crédito foi relativo a um recolhimento de PIS, referente ao mês 02/2005, no valor de R$17,10, sendo este insuficiente para compensar qualquer um dos débitos apontados individualmente, máxime para compensar todos os débitos em conjunto. Resta evidente, portanto, que de fato ouve erro de preenchimento das DCOMP´s não homologadas. Contudo, conforme dito alhures, não cabe a este julgador proceder a retificação de tais declarações. Ademais, o reconhecimento do direito creditório, nos autos de processo administrativo, depende da comprovação documental da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A falta das cópias dos DARF´s e dos respectivos comprovantes, pagos fora do regime simplificado de apuração quando neste já estava inserido o contribuinte, comprometeu totalmente a análise da liquidez do crédito alegado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório em discussão neste PAF. Diante do exposto, tendo em vista a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) 2 As informações sobre o DARF indicado como origem do Crédito, foram retiradas de cada um dos despachos decisórios que não homologaram as respectivas Declarações de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901055/201140 Acórdão n.º 3302005.439 S3C3T2 Fl. 58 5 Diego Weis Junior Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720332/2017-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013
IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002.
O direito à suspensão do IPI previsto no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 não alcança os estabelecimentos equiparados a industriais por ausência de previsão legal.
A análise sistemática da legislação do IPI revela que é prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos industriais aos equiparados a industriais. Percebe-se nessa legislação que, quando se pretende abrigar os estabelecimentos industriais e equiparados sob as mesmas regras, há expressa manifestação no texto legal ou regulamentar nesse sentido, o que inocorreu com relação à suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002.
FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. COM COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A mera falta de lançamento ou destaque do IPI nas notas fiscais respectivas é suporte fático suficiente para a incidência da multa a que se refere art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.488/2007, independentemente da existência de saldos devedores do imposto a recolher no período de apuração.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. O direito à suspensão do IPI previsto no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 não alcança os estabelecimentos equiparados a industriais por ausência de previsão legal. A análise sistemática da legislação do IPI revela que é prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos industriais aos equiparados a industriais. Percebe-se nessa legislação que, quando se pretende abrigar os estabelecimentos industriais e equiparados sob as mesmas regras, há expressa manifestação no texto legal ou regulamentar nesse sentido, o que inocorreu com relação à suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. COM COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A mera falta de lançamento ou destaque do IPI nas notas fiscais respectivas é suporte fático suficiente para a incidência da multa a que se refere art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.488/2007, independentemente da existência de saldos devedores do imposto a recolher no período de apuração. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. O direito à suspensão do IPI previsto no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 não alcança os estabelecimentos equiparados a industriais por ausência de previsão legal. A análise sistemática da legislação do IPI revela que é prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos industriais aos equiparados a industriais. Percebese nessa legislação que, quando se pretende abrigar os estabelecimentos industriais e equiparados sob as mesmas regras, há expressa manifestação no texto legal ou regulamentar nesse sentido, o que inocorreu com relação à suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. COM COBERTURA DE CRÉDITO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A mera falta de lançamento ou destaque do IPI nas notas fiscais respectivas é suporte fático suficiente para a incidência da multa a que se refere art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pela Lei 11.488/2007, independentemente da existência de saldos devedores do imposto a recolher no período de apuração. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 32 /2 01 7- 41 Fl. 1046DF CARF MF 2 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre auto de infração para a exigência de multa isolada, no valor total de R$ 17.598.711,60, relativo aos períodos de apuração de 04/2012 a 12/2013, por utilização indevida da suspensão do IPI, sob os seguintes fatos e fundamentos, constantes no Termo de Verificação Fiscal: O caput do art. 17 da MP n° 2.18949/01 é claro ao instituir um regime aduaneiro especial específico, e que todos os parágrafos a seguir referemse a disciplinar tal regime, inclusive, o § 5º, que interpretado corretamente, estabelece que somente a empresa comercial atacadista, adquirente dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), resultantes da industrialização por encomenda, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, pode dar saída aos produtos com suspensão do imposto. Esse não é o caso do estabelecimento em questão, o qual, apesar de ser um estabelecimento comercial atacadista, não adquire produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da TIPI que sejam resultantes da industrialização por encomenda por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior. Tal entendimento é ratificado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 948, de 15 de junho de 2009, que disciplinou a matéria, principalmente em seus arts. 2º, 3º, 4º e 27, inciso II. Sendo assim, malgrado o entendimento do contribuinte, esta fiscalização procederá ao lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados que deixou de ser destacado devido à utilização indevida da suspensão. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.047 3 Foi reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, levando em consideração o disposto no art. 256 do RIPI/2010 e art. 21 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, e ressalvados os pedidos de ressarcimento – PER apontados relativos ao saldo credor de IPI do estabelecimento. Para tanto, foi acrescentada à escrita fiscal original do estabelecimento os valores dos débitos do imposto apurados, relativos ao presente Auto de Infração, sendo o resultado final apresentado na Planilha de Reconstituição de Escrita de IPI. Tendo em vista que houve cobertura de crédito para o IPI não lançado pelo contribuinte e apurado pela Fiscalização, o auto de infração limitouse a lançar a multa isolada sobre o imposto não lançado nas Notas Fiscais, cujo detalhamento se encontra no Demonstrativo de Apuração IPI Reconstituição da Escrita Fiscal Multa Sobre IPI Não Lançado com Cobertura de Crédito. Inconformada, a interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese: A autuação peca em dois aspectos: (a) se analisada a operação efetuada pela Impugnante, é de fácil conclusão que o estabelecimento autuado pelo fisco, de fato, industrializa os produtos que aqui foram glosados; (b) de forma totalmente extra legem, a IN veda a fruição do benefício de suspensão do IPI ao passo que a Lei nada disse a esse respeito, o que desde já atinge por completo as premissas impostas pela fiscalização nestes autos. O contribuinte que industrializa por encomenda não pode ter o benefício fiscal negado, enquanto ele permanece concedido àquele que industrializa por conta própria. Assim, é incabível penalizar a Empresa por simplesmente ter promovido a industrialização via encomenda, sob pena de ferir a isonomia, a livre concorrência e contrariar o art. 51 do CTN, que, de forma expressa, reconhece a equiparação da Impugnante a industrial. A cobrança dos consectários legais nestes autos é no mínimo desarrazoada, pois: (a) a multa de 75% vinculada aos débitos de IPI não lançados não tem a menor razão de ser, haja vista que sequer foi verificado prejuízo ao erário quanto a estes valores, além de estar com a tipificação incorreta no art. 80 da lei nº 4.502/64; (b) ainda quanto à multa de 75% ela é indevida visto que a cobrança é evidentemente confiscatória e fere os princípios constitucionais de vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade; e, (c) por fim, incabível cogitar a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício, haja vista a inexistência de previsão legal que legitime a referida imputação. A Delegacia de Julgamento não acatou as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: O lançamento decorre do fato de que a operação de decapagem não foi realizada no estabelecimento autuado e sim em outro por encomenda daquele, o que o equipara a industrial, ocasionando a utilização indevida do instituto da suspensão, destinado à estabelecimentos industriais e não a equiparados. O artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, ao estabelecer que sairão com suspensão do imposto do estabelecimento industrial, as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, nas condições especificadas, exclui do seu comando os estabelecimentos equiparados a industrial. O parágrafo 6º do art. 5º da Lei nº 9.826/99, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004, incluiu, nas hipóteses de suspensão, os produtos saídos de estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Ora, se como entende a recorrente, a Lei já abrangia todos os estabelecimentos equiparados, qual seria a necessidade de acrescentar o parágrafo 6º? Não há outra conclusão possível, senão a de que os estabelecimentos equiparados não estão incluídos nas hipóteses de suspensão. No que diz respeito à multa de ofício aplicada no caso de falta de lançamento do imposto no percentual de 75%, independente de haver ou não saldo a recolher, a mesma está prevista no art. 80, caput, da Lei 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488, de 2007, não cabendo ao agente do fisco deixar de aplicála, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1048DF CARF MF 4 Cientificada dessa decisão em 18/05/2017, a interessada interpôs recurso voluntário em 19/06/2017, aduzindo as mesmas razões da impugnação e acrescentando outras, sob os seguintes tópicos: 3.1. Da análise da operação efetuada pelo contribuinte. Processo de industrialização efetuado mediante encomenda 3.2. Da suspensão do IPI assegurada em lei. Cumprimento dos requisitos. previsão extra legem na IN RFB nº 948/09. Legalidade estrita. 3.3. Da aplicação subjetiva da suspensão do IPI ao industrial por equiparação. 3.4. Dos motivos e finalidades para o legislador determinar a suspensão do IPI. Livre concorrência e isonomia. 4. Sucessivamente: 4.1. Da necessidade de exclusão/redução da multa isolada de IPI com cobertura de crédito. Ausência de previsão legal da multa aplicada e de eventual prejuízo ao erário. 4.2. Da necessidade de exclusão/redução da multa de IPI. Ilegalidade. Vedação constitucional à aplicação da multa imposta. Desrespeito à vedação do confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Ausência de prejuízo ao erário. 4.3. Da não incidência dos juros de mora sobre as multas de ofício e isolada. Inexistência de previsão legal quanto à incidência. art. 44, da lei nº. 9.430/96 c/c art. 161 do CTN e jurisprudência recente do CARF. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como já esclarecido pelo julgador a quo, "em nenhum momento a fiscalização contestou que a decapagem se trata de operação de industrialização, fato reconhecido pela própria impugnante como incontroverso nos autos". O ponto relevante é que a industrialização não foi efetuada pela recorrente, mas por outro estabelecimento, conforme consta na autuação: 7. No caso dos produtos destacados (Bobina Laminada a Quente Decapada), que deram saída do estabelecimento em operações de venda da produção com suspensão do IPI, os insumos foram adquiridos da empresa ARCELORMITAL Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.048 5 BRASIL S.A, CNPJ 17.469.701/010482 (localizada em Serra/ES), de acordo com as notas fiscais referentes aos créditos de IPI escriturados, sendo descritos como “Bobina Laminada a Quente”, em diversas medidas, e remetidos ao estabelecimento da ARCELORMITTAL GONVARRI BRASIL PRODUTOS SIDERURGICOS S/A, CNPJ 02.235.994/000312, amparados por notas fiscais de saída com o CFOP 5901 – Remessa para industrialização sob encomenda. Os produtos finais – “Bobina Laminada a Quente Decapada” são então devolvidos pela ARCELORMITTAL GONVARRI, com a emissão de Notas Fiscais com CFOP 5124 Industrialização efetuada para outra empresa, referente ao produto final e ao processo industrial em si, e com CFOP 5902 Retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda, referente à devolução dos insumos utilizados, incorporados aos produtos finais. Sustenta a recorrente que seria legítima suspensão do IPI vez que, de fato, teria havido "um processo de industrialização pela autuada, ainda que via encomenda". Ocorre que o estabelecimento fiscalizado ARCELORMITTAL TUBARAO COMERCIAL S/A, CNPJ: 27.251.974/001095, baixado por sucessão no CNPJ tinha, no período de abril/2012 a junho/2013, como objeto social “a comercialização de produtos de ferro e aço e subprodutos, podendo praticar atividades comerciais de qualquer natureza”. Dessa forma o fiscalizado não se enquadra no conceito de estabelecimento industrial trazido pelos art. 8º c/c o art. 4º do Regulamento do IPI/20101, mas é considerado como estabelecimento equiparado a industrial, nos termos do art. 9º, IV do RIPI/2010, nos seguintes termos: Art.9o Equiparamse a estabelecimento industrial: (...) IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização tenha sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso III, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 33a); (...) 1 Art. 8o Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4o, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei no 4.502, de 1964, art. 3o). Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Fl. 1050DF CARF MF 6 Conforme consta expressamente no caput do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, abaixo transcrito, o benefício de suspensão do IPI é concedido na saída dos produtos especificados do estabelecimento industrial, e não do estabelecimento equiparado a industrial, como pretende a recorrente: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) [negritei] (...) Em se tratando de matéria relativa ao IPI, há na sua legislação clara distinção entre estabelecimento industrial e o equiparado a industrial, de forma que é nesse contexto que deve ser lido o art. 29 da Lei nº 10.637/2002. Quisesse o legislador ordinário autorizar o benefício da suspensão também ao estabelecimento equiparado a industrial, certamente que o teria mencionado expressamente no dispositivo. Como bem esclareceu o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, em seu Voto no Acórdão nº 340301.680, é prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento aos estabelecimentos industriais e equiparados a industriais, nestes termos: Voto (...) Enfim, a questão que pede resposta é: quando se refere a “estabelecimento industrial”, o legislador automaticamente referese também ao “estabelecimento equiparado a industrial”? Ou, por outro giro, estabelecimentos industriais e equiparados a industriais têm o regime jurídico de IPI? Uma análise sistemática da legislação do IPI mostrame que não. O art. 24 do RIPI/10 (de dicção idêntica a dos regulamentos anteriores) define três espécies de contribuintes de IPI: o importador (inciso I), o industrial (inciso II) e o equiparado a industrial (inciso III). A partir desta definição, cada um desses três tipos de contribuinte passa a receber disciplina legal que não necessariamente é coincidente. É perceptível a iniciativa do legislador de referirse não apenas ao industrial, mas também ao equiparado a industrial, sempre que pretende dispensar a ambos uma mesma regra atinente ao imposto. Isso de atesta ao longo de todo o regulamento, como na definição de responsáveis tributários (art. 26, caput), fatos geradores (art. 35, II), momento de ocorrência do fato gerador (art. 36, II), nãoincidência (art. 38, II, ‘b’ e III), suspensão (43, II e III), isenção (art. 54, XIV, XV e XXIII), crédito presumido (art. 134), lançamento (art. 182, I, ‘b’) e base de cálculo (art. 190, II). Enfim, o estabelecimento equiparado a industrial é um contribuinte do IPI que recebe do legislador uma disciplina jurídica própria. Este foi o entendimento proferido no voto vencedor do P.A. nº 13603.000668/200794 (ac. 20181.456), julgado em 07 de outubro de 2008, pela extinta 1ª Câmara do 2º C.C., ao qual adiro sem ressalvas, in verbis: "Ocorre que o RIPI/1998 (e atualmente o RIPI/2002), embora tenha equiparado a industrial, por uma ficção legal, o estabelecimento comercial que se encontre em uma das situações previstas no seu art. 9º, em momento algum declara que essa equiparação asseguraria idêntico tratamento tributário a ambos os estabelecimentos, ou, tampouco, que eles sujeitarseiam, necessariamente, ao Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.049 7 cumprimento das mesmas obrigações fiscais. Pelo contrário, constatase que tanto o RIPI/1998 quanto o RIPI/2002, ao longo de seus dispositivos, mantém clara distinção entre os estabelecimentos industriais (os quais realizam qualquer uma das operações previstas no seu art. 4º) e aqueles que, embora não exerçam tais atividades, foram equiparados a industriais, oferecendo, ainda, inequívoca percepção de que o legislador, quando pretende abrigar os estabelecimentos industrial e equiparado sob as mesmas regras, manifesta expressamente a sua intenção nesse sentido, através do texto da legislação." Em suma, tratase de uma prerrogativa do legislador atribuir ou não aos estabelecimentos equiparados a industriais o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos propriamente industriais. (...) Nessa esteira não procede a alegação da recorrente de violação ao princípio da isonomia, da livre concorrência, da capacidade contributiva, da livre iniciativa ou outros, vez que a norma questionada visa justamente atingir situações ou pessoas jurídicas que são, segundo o entendimento do legislador ordinário, merecedoras de tratamento privilegiado dentro do contexto social, econômico e tributário do País, não se olvidando que cabe ao agente administrativo aplicar a lei tal como promulgada, sem estender seus efeitos para hipóteses nela não previstas. A Solução de Consulta Cosit nº 134, de 13.02.2017, tratou de orientação relativa ao estabelecimento executor da industrialização por encomenda e, por certo, nada poderia prescrever ao estabelecimento encomendante, de forma que o nela mencionado a esse respeito deve ser considerado um mero obiter dictum, além do que se trata de juízo hipotético, sendo que, obviamente, no caso concreto, deve ser verificado o atendimento aos requisitos legais ou regulamentares para a fruição da suspensão, em especial, quanto à condição de o estabelecimento que der saída aos produtos ser industrial, nos termos do art. 8º do RIPI/2010. Tampouco prospera o argumento da recorrente de que a Instrução Normativa RFB nº 948/20092, com o art. 27, II, teria limitado as hipóteses de suspensão previstas em lei, vez que o referido ato normativo veicula a correta interpretação que se deve ter do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, acima mencionada, no sentido de que o benefício não abrange as saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, mas tão somente do estabelecimento industrial. Quanto à exceção prevista no art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 948/20093, no sentido de que a suspensão se aplicaria também na hipótese do específico estabelecimento equiparado a industrial ali mencionado, tratase de situação na qual o legislador ordinário, no art. 17 da Medida Provisória nº 2.189494, dentro da sua prerrogativa 2 Art. 27. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (...) II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º. 3 Art. 4º O disposto nos arts. 2º e 3º aplicase, também, a empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparada a estabelecimento industrial, nos termos do § 5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. 4 Art.17. Fica instituído regime aduaneiro especial relativamente à importação, sem cobertura cambial, de insumos destinados à industrialização por encomenda dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior. §1o Consideramse insumos, para os fins deste artigo, os chassis, as carroçarias, as peças, as partes, os componentes e os acessórios. Fl. 1052DF CARF MF 8 de conferir tratamento privilegiado a determinadas categorias que seriam merecedoras, entendeu que a "empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda" retratada deveria ter o mesmo tratamento dispensado aos estabelecimentos industriais quanto à saída dos produtos com suspensão. Nada mais do que uma exceção que confirma a regra nos casos não excepcionados. No entanto, tal exceção claramente não abriga a situação da recorrente. O art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949 trata da instituição de um regime aduaneiro especial na importação e, quando menciona, no seu § 5º, a empresa "empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda" [negritei] está se referindo aos produtos originados da industrialização por encomenda por conta e ordem de empresa encomendante domiciliada no exterior, já referida no caput do artigo, por isso, o legislador utilizou "dos" e "da" [negritados na transcrição], em referência aos produtos e à industrialização por encomenda, respectivamente, mencionados anteriormente no dispositivo, e não "de", genericamente, para incluir quaisquer produtos resultantes de qualquer operação de industrialização por encomenda. Não há que se olvidar que, na técnica de elaboração das leis, uma das funções dos parágrafos é expressar os aspectos complementares à norma enunciada no caput, em conformidade com o art. 11, III, "c" da Lei Complementar nº 95/985. Assim, rejeitase o argumento da recorrente no sentido de que a Instrução Normativa RFB nº 948/2009 teria restringido os limites prescritos pela Lei nº 10.637/2002 ou pela Medida Provisória nº 2.18949. Prossegue a recorrente sustentando que o art. 51, II do CTN6 não teria feito distinção entre estabelecimentos industriais e equiparados, o que não prospera, vez que, no §2o A importação dos insumos darseá com suspensão do IPI. §3o O Imposto de Importação somente incidirá sobre os insumos importados empregados na industrialização dos produtos, inclusive na hipótese do inciso II do § 4o. §4o Os produtos resultantes da industrialização por encomenda terão o seguinte tratamento tributário: I quando destinados ao exterior, resolvese a suspensão do IPI incidente na importação e na aquisição, no mercado interno, dos insumos neles empregados; e II quando destinados ao mercado interno, serão remetidos obrigatoriamente a empresa comercial atacadista, controlada, direta ou indiretamente, pela pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, por conta e ordem desta, com suspensão do IPI. §5o A empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparase a estabelecimento industrial. §6o A concessão do regime aduaneiro especial dependerá de habilitação prévia perante a Secretaria da Receita Federal, que expedirá as normas necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. 5 Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) III para a obtenção de ordem lógica: (...) b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único assunto ou princípio; c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. 6 Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.050 9 referido inciso, foi respeitada a distinção entre as modalidades de estabelecimento embora tenham recebido, quanto ao aspecto de ser considerado um contribuinte do imposto, o mesmo tratamento. Como já mencionado, é uma prerrogativa do legislador conferir ou não o mesmo tratamento entre os estabelecimentos industriais e os equiparados a industrial. Como visto no Voto acima do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, há várias outras situações na legislação do IPI em que o tratamento dispensado ao estabelecimento industrial é diverso daquele dado ao estabelecimento equiparado. De todo modo, o fato de a recorrente ser considerada uma contribuinte do IPI, nos termos do art. 51 do CTN, não lhe dá, por si só, o direito de fruição à suspensão de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, reservado somente aos "estabelecimentos industriais", e não aos estabelecimentos a eles equiparados. No que concerne à multa de ofício, melhor sorte não assiste a recorrente, vez que há expressa previsão no art. 80 da Lei nº 4.502/64 para o cabimento da multa também na hipótese de falta de lançamento ou destaque do imposto na nota fiscal, sendo irrelevante para incidência da multa a existência de eventual saldo do imposto a recolher no final do período de apuração ou de prejuízo financeiro aos cofres públicos. Esse entendimento está pacificado neste Conselho Administrativo, conforme se vê nos Acórdãos nºs 20216.915, CSRF/0202.301, 3402004.297, 3402004.139 e 3402003.181. Quanto à alegação de que a exigência da multa seria confiscatória, desproporcional ou desarrazoada ou lesaria o direito de propriedade e, portanto, inconstitucional, dela não se pode tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco ou lesão ao direito de propriedade seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência dos tributos e da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. No âmbito do processo administrativo fiscal, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do CARF, de aplicação obrigatória por seus membros: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Quanto aos juros de mora, entendo que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Fl. 1054DF CARF MF 10 ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/797, cujos dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral8: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decreto lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento), reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado a partir da data em que o tributo for devido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. 7 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. 8 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. [Perguntas e Respostas no sítio da RFB: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10830.720332/201741 Acórdão n.º 3402005.375 S3C4T2 Fl. 1.051 11 Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) [grifos desta Relatora] A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, abaixo transcritos, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 9 Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida), "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". Dessa forma, não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, 9 "(...) É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo." (BASTOS, Celso Ribeiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva. Comentários ao Código tributário Nacional, vol. 2. Ed. Saraiva, 1998, p. 148. Fl. 1056DF CARF MF 12 eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, conforme enunciado abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1057DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.724633/2014-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/12/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 46 33 /2 01 4- 82 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.724633/201482 Acórdão n.º 3201003.962 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.173, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11065.724633/201482 Acórdão n.º 3201003.962 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11065.724633/201482 Acórdão n.º 3201003.962 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.724633/201482 Acórdão n.º 3201003.962 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.001037/2005-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
COISA JULGADA. MATÉRIA DECIDIDA PELA CÂMARA SUPERIOR.
Após julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cabe somente a análise do que não foi apreciado em razão do afastamento do instituto da decadência, ocorrendo a coisa julgada no que já foi analisado.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO.
É tributável pelo Imposto sobre a Renda a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição de bens imóveis, configurando a escritura Pública documento hábil à comprovação da operação.
ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, no que tange ao lançamento do Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício de 2001, respeitando e conservando os demais dispositivos do julgamento que analisou e manteve o crédito fiscal do exercício de 2002, bem como da decisão da Câmara Superior que afastou a decadência do exercício de 2001.
(assinatura digital)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinatura digital)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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MATÉRIA DECIDIDA PELA CÂMARA SUPERIOR. Após julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cabe somente a análise do que não foi apreciado em razão do afastamento do instituto da decadência, ocorrendo a coisa julgada no que já foi analisado. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. É tributável pelo Imposto sobre a Renda a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição de bens imóveis, configurando a escritura Pública documento hábil à comprovação da operação. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, no que tange ao lançamento do Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício de 2001, respeitando e conservando os demais dispositivos do julgamento que analisou e manteve o crédito fiscal do exercício de 2002, bem como da decisão da Câmara Superior que afastou a decadência do exercício de 2001. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 10 37 /2 00 5- 16 Fl. 386DF CARF MF 2 (assinatura digital) João Bellini Júnior Presidente. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de lançamento de auto de infração lavrado em 19.09.2005 (fls. 191/199, em desfavor de CELSO MOURÃO FILHO, que exige o recolhimento do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, referente aos exercícios financeiros de 2001 e 2002, no valor de R$ 435.135,91. Na descrição dos fatos e enquadramento legal, contidos na fl. 192, descreve se a seguinte infração: 1. Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme Relatório Fiscal integrante do Auto de Infração (fls. 199 e seguintes do eprocesso). A omissão se refere ao ganho de capital da Fazenda Vale do Sol, Porto Nacional, imóvel rural que foi de propriedade do Contribuinte, objeto da presente autuação fiscal. 2. Glosa de dedução com dependente, pleiteada indevidamente, conforme Relatório Fiscal integrante do Auto de Infração. No que tange à glosa com dependente o contribuinte deixou de impugnar sobre esse ponto da autuação, o que foi considerado não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme art. 17 do Decreto n.° 70.235, de 06/03/1972. Por bem descrever os fatos decorrentes do julgamento do presente processo, transcrevo o relatório da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário de fl. 363: "Trata o presente processo de Auto de Infração referente IRPF (Fls. 168 a 186) A DRJ/BSA/DF exarou decisão julgando Impugnação Procedente em Parte, através do Acórdão 17.252, de 13.04.2006, acostado As fls. 235 a 242. O contribuinte foi cientificado da referida decisão em 17.05.2006, conforme fls. 245 a 250 e protocolizou, tempestivamente em 16.06.2006, Recurso Voluntário e documentos de fls. 251 a 286. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10746.001037/200516 Acórdão n.º 2301005.300 S2C3T1 Fl. 387 3 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, lavrou decisão dando Recurso Parcialmente Provido através do Acórdão 330100.073, conforme fls. 294 a 302. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial rebatendo a preliminar de decadência suscitada pelo CARF no acórdão acima mencionado. O contribuinte foi devidamente cientificado em 21.07.2010, conforme Intimação n° 00131/2010 SACAT/DRF/PAL, fls. 315 e 316, e protocolou, tempestivamente em 03.08.2010, Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela PFN, fls. 317 a 321. Tendo em vista a não manifestação (Recurso Especial, Pagamento ou Parcelamento) do contribuinte quanto A parte do Crédito Tributário mantido, foi formalizado o processo de n° 11844.000156/201065 para recepção dos referidos CT's e prosseguimento na cobrança. Tendo em vista o Acórdão n° 330100.073 do CARF, que proferiu decisão desqualificando e desagravando a multa, fl. 294 a 302, o processo de Representação Fiscal para Fins Penais foi arquivado por perda dos fundamentos que em tese configuravam crime contra a ordem tributaria". Conforme mencionado acima, transcrevo abaixo, a decisão proferida pelo CARF, 3º Seção de Julgamento, 3º Câmara, 1ª Turma, diante do Acórdão n.º 330100.073, em sessão de julgamento 07 de maio de 2009, da qual entendeu o colegiado que era cabível a incidência do instituto da decadência ao presente caso, contendo a seguinte ementa: "EMENTA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 2001, 2002 DECADÊNCIA GANHO DE CAPITAL A tributação autónoma e definitiva do ganho de capital, que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, impõe a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150 do CTN, com termo inicial na data da alienação do bem. MULTA DE OFICIO AGRAVADA e QUALIFICADA A Súmula n°14 do 1° CC dispõe que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si s6, não autoriza a qualificação da multa de oficio. Havendo alguma manifestação do contribuinte em resposta à intimação, não cabe o agravamento da multa. Recurso parcialmente provido". Já no Recurso Especial da Fazenda, que foi julgado procedente, alterando o julgado acima transcrito, chancelado pelo Acórdão n.º 9202002.432, pela Câmara Superior de Recursos fiscais, em sessão de 07 de novembro de 2012, foi proferida a seguinte decisão: Fl. 388DF CARF MF 4 "EMENTA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício:2001, 2002 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, indubitavelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Em relação ao ganho de capital, há de se observar a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do anocalendário". Após a referida decisão, do qual o colegiado, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para afastar a decadência, o presente feito foi remetido a essa Câmara de julgamento para análise das demais questões, que no caso é verificar o conteúdo que não foram abordados quando do julgamento anterior do Recurso Voluntário. Diante dos fatos, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator DA DELIMITAÇÃO DO JULGAMENTO Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10746.001037/200516 Acórdão n.º 2301005.300 S2C3T1 Fl. 388 5 Inicialmente, referente ao prazo decadencial, a matéria já foi julgada Câmara Superior, tendo seu trânsito em julgado, não cabendo mais nesse momento a análise do presente instituto. Ainda, o contribuinte deixou de contestar as glosas de despesas médicas, como já transcrito no relatório, tornando matéria não impugnada. Por outro lado, no presente feito, já foram julgadas a multa qualificada e o ganho de capital referente aos terrenos não declarados pelo Contribuinte em sua Declaração de imposto de Renda, no exercício de 2002, conforme se verifica parte do julgado proferido por este Conselho, abaixo transcrito: "A multa de oficio foi qualificada, nos termos indicados no penúltimo parágrafo do Relatório Fiscal A. fl. 183, pelas "reiteradas omissões de ganhos de capital na alienação de bens e direitos nos anoscalendário de 2000 e 2001". Discordo deste posicionamento, tendo em vista o que estabelece o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: (...) A qualificação da multa deve, sim, basearse na conduta adotada pelo infrator, em ardis revelados em atos concretos. Enquanto não provado tal intento e não existindo nos autos qualquer outro elemento fático ou jurídico do "evidente intuito de fraude", deve ser afastada a exigência da multa qualificada. (...) No que tange à alienação dos lotes ARSE 71, Conjunto QI27, alameda 19 e 21, Palmas/TO (fls. 181/182), o contribuinte insurgese contra o custo de aquisição considerado no ganho de capital, mas não apresenta qualquer elemento de prova a infirmar o valor indicado nas certidões As fls. 114/115, expedidas pelo Cartório de Registro de Imóveis de Palmas/TO, razão pela qual entendo que nenhuma alteração deve ser efetuada nos cálculos elaborados pela fiscalização". Assim, passo a analisar o mérito do lançamento do exercício de 2001, referente a omissão do ganho de capital da Fazenda Vale do Sol, Porto Nacional, que foi de propriedade do Contribuinte, objeto da presente autuação fiscal. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL FAZENDA VALE DO SOL, PORTO NACIONAL. Relativo ao mérito, o recorrente aduz em seu Recurso Voluntário de fls. 277/281 as seguintes situações: "(...) A Escritura Pública de Confissão e Assunção de Divida com Garantia Pignoratícia e Hipotecária, com Novação e Compra e Venda que entre si fizeram Celso Mourão Filho e sua esposa e Raimundo Rosal Filho e sua esposa, lavrada em 11/01/2001 (fls. 53 a 58), na sua Cláusula Vigésima — Da Compra e Venda (fls. 57), entre outras coisas atesta o seguinte: "da parte dos Fl. 390DF CARF MF 6 outorgantes vendedores CELSO MOURÃO FILHO e sua esposa, ZELINDA FERNANDES AGUIAR MOURÃO, me foi dito que sendo senhores e possuidores a justo titulo e absolutamente livre e desembaraçado de quaisquer outras dividas e ônus reais ou legais, exceto a hipoteca cedular de primeiro e segundo graus a favor do BANCO DA AMAZÔNIA S/A, do imóvel rural caracterizado como sendo: Uma Area de 1.35958 hectares denominada "FAZENDA VALE DO SOL". situada no município de Porto Nacional TO;\ DENTRO DOS LIMITES E CONFRONTAÇÕES, achandose contratados\com os outorgados compradores RAIMUNDO ROSAL FILHO e sua esposa MAYSA VENDRAMINI ROSAL, por bem desta escritura, e na melhor forma de direito para lhes vender, como de fato vendido tem, o referido imóvel, permanecendo em vigor a HIPOTECA CEDULAR de Segundo Grau e sem concorrência de terceiros, existente em favor do BANCO DA AMAZÔNIA S/A — BASA, ficando por este instrumento, ratificada e prorrogada até o vencimento e liquidação total deste contrato, com expressa ANUÊNCIA DO CREDOR HIPOTECÁRIO — BANCO DA AMAZÔNIA S/A — BASA, agência de Porto Nacional TO. Pelos outorgados compradores me foi dito que na verdade se acha contratado com os outorgantes vendedores sobre a presente compra, aceitandoa pelo prego mencionado de R$ 230.000,00 (duzentos e trinta mil reais), concordando ainda com a permanência da hipoteca cedular constituída a favor do BANCO DA AMAZÔNIA S/A BASA, e sua prorrogação até o vencimento e liquidação total da divida que assumiu, através deste instrumento". (grifamos). Como se vê a fiscalização e a decisão recorrida deixou de dar crédito a um instrumento publico firmado entre partes maiores e capazes com expressa anuência de uma instituição financeira pública, no caso, o Banco da Amazônia S/A, para dar crédito a uma informação particular prestada à fiscalização, anos depois da ocorrência do fato (fls. 92/93), não se sabendo quais as razões que motivaram a isso. Ê evidente que a fazenda em questão foi vendida pelo valor constante da escritura pública, escritura esta passada e registrada em Cartório. A informação de fls. 92/93, são meras justificativas, sem nenhum suporte, pois não foi apresentado nenhum contrato particular ou escritura pública ao processo que justificasse os termos de suas alegações. Na decisão recorrida o respeitável relator ao justificar o seu voto diz que os esclarecimentos prestados pelo Sr. Raimundo, não só são compatíveis com as demais provas (Escrituras e Matricula), como estão baseadas em documentos idôneos, ou seja, cópias de cheques nominais ao interessado. A escritura a que se refere o Relator ao que me parece, sobre o item em questão, é a de fls. 53/58, o que torna incoerente os seus argumentos, e as cópias de cheques apresentada pelo Sr. Raimundo constantes do processo não provam nada em relação à negociação da fazenda, pois o negócio como demonstra a Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10746.001037/200516 Acórdão n.º 2301005.300 S2C3T1 Fl. 389 7 escritura pública, foi realizado em 11 de janeiro de 2001, e os cheques juntados ao processo pela fiscalização são de abril de 2000, quase um ano antes da realização do negócio 0 verdadeiro valor da alienação constaria da Matricula R18 9578 (fl.78), ou seja, seria de R$230.000,00.". Inicialmente, é fato incotroverso a descoberta do bem e da propriedade do contribuinte na época dos fatos fiscalizados, bem como da alienação do bem, incidindo o fato gerador do presente auto de infração, o qual concorda o recorrente que houve a omissão do ganho de capital. O que se discute então são os valores lançados a título do ganho de capital com a negociação de venda do imóvel, e o momento ou incidência do IRPF. A fiscalização alega que os valores da transação seriam de R$559.114,50. O recorrente aduz que os valores seriam de R$230.000,00. Cabe mencionar que, o Decreto n° 3.000, de 29 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), determina que a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural deverá ser feita da seguinte forma: Art. 123. Considerase valor de alienação (Lei n2 7.713, de 1988, ad. 19 e parágrafo único): I o preço efetivo da operação, nos termos do § 42 do art. 117; II o valor de mercado nas operações não expressas em dinheiro; Ill no caso de alienações efetuadas a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em países com tributação favorecida (at 245), o valor de alienação será apurado em conformidade com o art. 240 (Lei r19 9.430, de 1996, arts. 19 e 24). (...) §22 Na alienação de imóvel rural com benfeitorias, será considerado apenaso valor correspondente à terra nua, observado o disposto no art. 136. Nesse sentido, entendo que o recorrente não fez prova suficiente de suas alegações. Senão vejamos. Art. 128. 0 custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1° de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei n°8.383, de 1991, art. 96, § 4°, e Lei n°8.981, de 1995, art. 22, inciso l). § 6° No caso de imóvel rural, será considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. § 9° Para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data (Lei n°9.249, de 1995, arts. 17 e 30). Fl. 392DF CARF MF 8 Art. 136. Em relação aos imóveis rurais adquiridos a partir de 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação (Lei n°9.393, de 1996, art. 19). Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no § 9° do art. 128 (Lei n° 9.393, de 1996, art. 19, parágrafo único). Grifouse. O contribuinte ao realizar a transação do imóvel pactuou na matrícula AV 179578, de 23/08/2000, do Contrato Particular de Compra e Venda (fls. 93/95), a promessa de compra e venda do imóvel na quantia total de R$580.000,00, que seria pago da seguinte forma: R$320.000,00, representado pelo apartamento n.° 400, Condomínio Solar Tucurui, avaliado em R$250.000,00, além de R$70.000,00, em moeda corrente. O restante, R$260.000,00, seria pago parceladamente, R$70.000,00, em 30/05/2000 e R$190.000,00, por assunção de dívida junto ao Banco da Amazônia. Em 15/01/2001, foi feita nova negociação entre as partes envolvidas, segundo a qual consta que o imóvel teria sido vendido por R$230.000,00, mas que o comprador teria assumido uma dívida de R$469.114,50, vinculada ao imóvel (fl. 106 do eprocesso). Os valores como bem analisado pela DRJ de origem, são incompatíveis, e ao que consta das transações (contrato de compra e venda e observação na matrícula do imóvel) a assunção de dívida feita pelo comprador foi no valor de R$190.000,00 (fl. 88). Nesse sentido, as provas trazidas ao feito pelo fisco foram suficientes para constatar a transação do imóvel pelo valor de R$559.114,50, uma vez que conforme relatório fiscal (fl. 201) em 23/08/2000 foi averbado o registro n.º 179578, referente ao Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda do referido imóvel, celebrado entre o contribuinte e o terceiro adquirente Sr. Raimundo Rosal Filho, pelo preço de R$ 580.000,00, nas condições acima mencionada. O valor registrado em Cartório na matrícula do imóvel é documento hábil para ser levado em consideração para o ganho de capital, conforme o artigo 136, parágrafo único Decreto n° 3.000, de 29 de março de 1999, acima transcrito. Foi constatado, também, na Declaração de Bens e Direitos da DIRPF 2002, n° 01/03042300, no item 12, do terceiro adquirente Sr. Raimundo a informação de aquisição da Fazenda Vale do Sol, pelo valor de R$ 560.000,00 (fl. 201/202), quantia essa próximo ao que consta da matrícula registrada em cartório. O relatório fiscal detalha que o Sr. Raimundo, terceiro adquirente do imóvel, informou o seguinte em sua DIRPF: "Compra da fazenda 'Vale do Sol' c/grea 1.359.58 Ha. integrantes da Fazenda Santa Rosa, município de Porto Nacional To, ao Sr. Celso Plourão Filho e esposa, da.Zelinda Fernandes Aguiar Mourão, CPfs.227881.74187 e 131.900.081 91, respectivamente, por R$ 560.000,00, inobstante constar na escritura R$ 230.000,00 tendo assustado a divida dos vendedores, junto ao Banco da Amazônia S/Aagência de Porto Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10746.001037/200516 Acórdão n.º 2301005.300 S2C3T1 Fl. 390 9 NacionalTo. No valor de 469.114,50, c/prazo de até 15 anos para pagar, cf. escritura pública de assunção de divida, devidamente registrada no CRI local sob n° R189.578, livro Registro Geral n° 2 em 15.01.2000, digo, 2001." O terceiro adquirente teria, portanto, prestado as informações de como se desenvolveu o negócio jurídico praticando, do qual envolveu outras etapas, uma vez que foi detalhadamente descrito a operação feita, ao trazer inclusive cópias dos cheques que comprovaram o negócio jurídico praticado entre contribuinte e terceiro (fls. 106 e 202). Ainda, o que consta no contrato de promessa de compra e venda também faz prova do que foi averbado, e também podem ser considerados como prova a ser produzida e analisada, conforme se constata de entendimento deste Tribunal em julgado proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, 2ª Turma, chancelado pelo Acórdão n.º 920201.973, do processo n.º 11516.002618/0085, conforme ementa in verbis: "EMENTA. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DE BENS IMÓVEIS. CONTRATO PARTICULAR. O contrato particular é suficiente para comprovar o custo de aquisição de bens imóveis, ainda que na escritura pública, conste valor divergente, mormente se tal valor encontrase consignado na Declaração de Ajuste Anual, apresentada tempestivamente pelo adquirente, e na documentação contábil do alienante. IRPF DINHEIRO EM ESPÉCIE. Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para acobertar acréscimo patrimonial a descoberto, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do ano base em que foi declarado, ou ainda, que sua Declaração de Rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente. Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos". Logo, se talvez entendesse o recorrente ser uma espécie de permuta, onde diz em seu recurso que "uma operação poderia anular a outra" (venda da fazenda e aquisição do apartamento como parte do pagamento na operação), teria que necessariamente trazer ao feito a prova da propriedade e da transação realizada referente ao segundo imóvel (apartamento). Porém, o contribuinte não apresentou essa prova nem na impugnação e nem em seu recurso, não havendo margens para outras interpretações, senão as que a Fazenda trouxe à demanda. Por outro lado, também não há como aplicar o artigo 21 da Lei n.º 7.713/1988 (Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver.), uma vez que não ficou comprovado transação futura, e sim uma assunção de novação de dívida. Fl. 394DF CARF MF 10 Portanto, tendo em vista que há nos autos escritura pública lavrada em notas de tabelião, devidamente anotada pelo Cartório de Registro de Imóveis, sem qualquer indicação de que tenha sido objeto de procedimento que possa Decretar a anulação do seu registro, não há como excluir a validade da propriedade do Sr. Raimundo Rosal Filho, desde o ano em que adquiriu o imóvel em comento, até a sua alienação no ano de 2001. Como já dito, o valor registrado em Cartório na matrícula do imóvel é documento hábil para ser levado em consideração para o ganho de capital. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99, em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho, consoante se verifica pelo decisum abaixo transcrito: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse). Assim, verifico que o recorrente que não obrou afastar as provas trazidas pela fiscalização quando da autuação, deixando de apresentar comprovações do direito por ele alegado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto, por CONHECER E NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para julgálo improcedente quanto ao mérito, no que tange ao lançamento do crédito fiscal de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2001, respeitando e conservando os demais dispositivos do julgamento que analisou e manteve o crédito fiscal do exercício de 2002, bem como da decisão da Câmara Superior que afastou a decadência do exercício de 2001. (assinado digitalemente) Wesley Rocha Relator Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10746.001037/200516 Acórdão n.º 2301005.300 S2C3T1 Fl. 391 11 Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721490/2015-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente: (i) verifique quanto aos Requerimentos de Revisão de Dívida Ativa, trazidos pelo Contribuinte (fls. 25-42); e (ii) promova à analise de todos os documentos constantes dos autos, podendo produzir e incluir novos que entender pertinentes. Após estas etapas, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado esclarecendo: (i) qual a situação dos requerimentos de revisão de Dívida Ativa; e (ii) se a documentação acostada nos autos permite concluir que os débitos elencados no Termo de Indeferimento da Opção já teriam sido quitados antes da data limite para a opção no ano-calendário de 2015, qual seja 06/02/2015.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente: (i) verifique quanto aos Requerimentos de Revisão de Dívida Ativa, trazidos pelo Contribuinte (fls. 2542); e (ii) promova à analise de todos os documentos constantes dos autos, podendo produzir e incluir novos que entender pertinentes. Após estas etapas, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado esclarecendo: (i) qual a situação dos requerimentos de revisão de Dívida Ativa; e (ii) se a documentação acostada nos autos permite concluir que os débitos elencados no Termo de Indeferimento da Opção já teriam sido quitados antes da data limite para a opção no anocalendário de 2015, qual seja 06/02/2015. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 21 49 0/ 20 15 -0 3 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 18470.721490/201503 Resolução nº 1001000.060 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 111 a 124) interposto contra o Acórdão nº 0370.143, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 88 a 92), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. É cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fls. 11/12 (data de registro em 11/02/2015), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 05/01/2015. A opção foi indeferida em virtude de existirem 6 (seis) débitos inscritos em Dívida Ativa da União (ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN) a título de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, de IRPJ, de PIS e, de COFINS relacionados no Termo de Indeferimento; os quais não se encontravam com as exigibilidades suspensa, com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Cientificada dessas pendências a pessoa jurídica interessada apresentou em 27/02/2015, por intermédio de procurador regularmente constituído (instrumento de mandato de fl. 08), a manifestação de inconformidade de fls. 02/04 protestando, em síntese, que os débitos encontramse pagos e com pedidos de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União. Apresenta documentos visando fazer prova do que alega e, solicita o seu enquadramento no Simples Nacional. " Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que os débitos fiscais que obstaram a sua opção nunca existiram, tendo sido mero erro na documentação fiscal, conforme comprovam as DCTF's retificadoras e os comprovantes de recolhimento apresentados. Alega também que há pedido de revisão dos débitos inscritos em dívida ativa pendente de resposta da PGFN. É o relatório. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 18470.721490/201503 Resolução nº 1001000.060 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, a opção da Recorrente pelo Simples foi obstada pela suposta existência de débitos inscritos em divida ativa sem exigibilidade suspensa no termo final do prazo para a realização da opção. A Contribuinte alega que todos os débitos indicados no Termo de Indeferimento da Opção haviam sido quitados em momento anterior ao final do prazo e apenas por equívoco teriam sido inscritos em dívida ativa. Igualmente informou que, nas datas de 28/04/2014 e 28/11/2014, já havia apresentado requerimentos de revisão (fls. 25 a 42) dos débitos junto à PGFN que estariam pendentes de análise na ocasião do último julgamento. Entendeu por bem destacar que mesmo esses pedidos de revisão se deram antes do final do prazo para regularização dos débitos. Outrossim, juntou farta documentação que comprovaria as inexistência dos débitos em questão (fls. 125 a 425). Por sua vez, a decisão de piso considerou que o pedido de revisão por si só não possuía o condão de suspender a exigibilidade do crédito, portanto indeferiu a Manifestação, vez que á época do julgamento não havia resposta oficial cancelando os débitos. Pois bem, diante do cenário bordado nos autos, temse que o ponto crucial para que o presente feito possa ser decidido é a confirmação da real existência dos débitos inscritos em dívida ativa, ou de que tais valores decorreram apenas de erro de escrituração da documentação contábil da Recorrente, como a própria aduz. Quer isto dizer que se faz imprescindível para o bom deslinde do presente caso que os documentos juntados, em mais de 300 páginas, aos autos seja competentemente auditados e determinado se, feitas as retificações, subsistiriam débitos sem exigibilidade suspensa no termo final para opção do Simples no anocalendário de 2015. Ademais, considerando o lapso temporal mais de dois anos entre o último julgamento e o presente, adiciono que seria oportuno verificar junto à PGFN se já houve apreciação dos pedidos de revisão citados, antes de se proceder à análise documental propriamente dita, porquanto eventual parecer conclusivo naqueles processos pode abreviar o trabalho fiscal nestes autos. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente: (i) verifique quanto aos Requerimentos de Revisão de Dívida Ativa, trazidos pelo Contribuinte (fls. 2542); e (ii) promova à analise de Fl. 433DF CARF MF Processo nº 18470.721490/201503 Resolução nº 1001000.060 S1C0T1 Fl. 5 4 todos os documentos constantes dos autos, podendo produzir e incluir novos que entender pertinentes. Após estas etapas, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado esclarecendo: (i) qual a situação dos requerimentos de revisão de Dívida Ativa; e (ii) se a documentação acostada nos autos permite concluir que os débitos elencados no Termo de Indeferimento da Opção já teriam sido quitados antes da data limite para a opção no ano calendário de 2015, qual seja 06/02/2015. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001894/2005-92
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA.
Nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.
Ao caso, aplica-se a Súmula CARF 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula.
Numero da decisão: 9101-003.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. Nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Ao caso, aplica-se a Súmula CARF 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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CHISTE & R.A.M CHISTE LTDA ME ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 Ementa: RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. APLICAÇÃO DE SÚMULA. Nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Ao caso, aplicase a Súmula CARF 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 94 /2 00 5- 92 Fl. 148DF CARF MF 2 Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 110100.283, onde se cancelou exclusão ao SIMPLES ao entendimento de que a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos não se equipara a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impede o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. A Contribuinte foi excluída do regime do SIMPLES pelo ADE nº. 528.680, de 02/08/2004, tendo em vista exercer atividade de instalação, reparação e manutenção de máquinas motrizes nãoelétricas, atividade essa considerada vedada. Cientificada da decisão que indeferiu a solicitação de inclusão no Simples a interessada apresenta "Solicitação de Revisão de Exclusão", pedindo a manutenção no Regime. Seu pleito não foi atendido, por entenderse que os serviços de assistência técnica e conserto em instrumentação eletrônica e pneumática, são vedados ao ingresso no Simples, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 SIMPLES FEDERAL. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA MANUTENÇÃO, INSTALAÇÃO, REPAROS OU ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADE NÃO VEDADA A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos não se equipara a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impede o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o ato declaratório de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10950.001894/200592 Acórdão n.º 9101003.635 CSRFT1 Fl. 149 3 exclusão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial por divergência alegando que a atividade exercida pela contribuinte é de competência de engenheiro legalmente habilitado, e que, por isso, agiu com acerto a autoridade administrativa na origem. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte não apresenta contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo importante o debate, notadamente em função da súmula CARF 57, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Avaliando as decisões que ampararam a edição da súmula em questão podemos encontrar a análise de situações fáticas de serviços de reparos e manutenção de bombas hidráulicas (Ac. 39300.054), máquinas e equipamentos industriais (Ac. 0306.233 e 39100.059), aparelhos e cabos telefônicos (Ac. 30134.653 e 30239.829), bem como de serviços de usinagem (Ac. 39300.021). Tendo em vista que aqui a análise paira sobre a possibilidade de manutenção no SIMPLES de sociedade que exercia a manutenção e reparo de equipamentos é possível compreender que a situação presente encontrase no âmbito daquelas analisadas para a edição da súmula. Ocorre que, nos termos do §12, III, do artigo 67, do RICARF, não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Os paradigmas trazidos pela Fazenda tratam exatamente de situações onde atualmente se aplicaria a Súmula 57. Logo, não se pode conhecer de recurso especial que na análise a admissibilidade pela Turma possua como paradigma decisão que contrarie a referida Súmula. Logo, avaliando esse tema não conheço do Recurso da Fazenda. Fl. 150DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002266/2001-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO DE PERÍODOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. RESSARCIMENTO E/OU COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Lei nº 9.779/99 estabeleceu que o saldo credor acumulado em cada trimestre-calendário, resultante do abatimento de débitos do próprio imposto, deixou de ser um crédito meramente escritural, podendo, ao final de cada trimestre-calendário, ser objeto de pedido de ressarcimento ou de compensação.
É possível, atendendo-se ao princípio da não-cumulatividade, a utilização extemporânea dos créditos de IPI, os quais se não foram escriturados na época própria poderão ser aproveitados em até 5 (cinco) anos, contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial
Numero da decisão: 9303-007.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. RESSARCIMENTO E/OU COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 estabeleceu que o saldo credor acumulado em cada trimestrecalendário, resultante do abatimento de débitos do próprio imposto, deixou de ser um crédito meramente escritural, podendo, ao final de cada trimestrecalendário, ser objeto de pedido de ressarcimento ou de compensação. É possível, atendendose ao princípio da nãocumulatividade, a utilização extemporânea dos créditos de IPI, os quais se não foram escriturados na época própria poderão ser aproveitados em até 5 (cinco) anos, contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 22 66 /2 00 1- 74 Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.131 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1.060 a 1.076) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3402003.235 (fls. 1.039 a 1.058) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 25 de agosto de 2016, no sentido dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO . As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. Não resignada com o acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, insurgese a Fazenda Nacional por meio do apelo especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à interpretação do art. 11 da Lei nº 9.779/99 no que se refere ao ressarcimento de crédito básico de IPI Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.132 3 oriundos por transferência de trimestres anteriores. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 3302001.845 e 3401002.023. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) ao contrário do que decidido no acórdão recorrido, os acórdãos paradigmas adotaram o entendimento de que somente o saldo credor gerado no próprio trimestre objeto do pedido de ressarcimento é que pode ser ressarcido e utilizado na compensação de outros tributos; (b) conforme expresso em atos normativos (IN SRF 210/2002, IN SRF 460/2004, IN SRF 600/2005), a Receita Federal considera como ressarcível, e, assim, compensável, o saldo credor acumulado no trimestre calendário objeto do pedido, sendo que os saldos acumulados em períodos anteriores, se legítimos, só podem ser utilizados na amortização de débitos do imposto; (c) conclui a Fazenda Nacional pela possibilidade de ressarcimento somente dos créditos e débitos escriturados no próprio trimestrecalendário, devendo os créditos advindos de períodos anteriores ser mantidos na escrita fiscal para utilização posterior, no confronto com os débitos escriturados na saída de produtos do estabelecimento industrial ou equiparado ou outros débitos; (d) requer o provimento do recurso especial com a reforma do acórdão recorrido. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho s/nº, de 06/04/2017 (fls. 1.078 a 1.080), proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 1.088 a 1.101), requerendo a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio eletrônico, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.133 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrentes da aquisição de insumos matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) utilizados na fabricação de produtos, inclusive aqueles não tributados ou sujeitos à alíquota zero, conforme previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, sendo tais créditos oriundos de transferência de trimestres anteriores. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 prevê a possibilidade de ressarcimento, nos moldes dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996, do saldo credor do IPI originado da aquisição de insumos aplicados na industrialização, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, entendendose, assim, a possibilidade de utilização do saldo credor acumulado de outros trimestrescalendários, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Além disso, foi só a partir de janeiro de 1999 que os Contribuintes passaram a ter direito ao creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos desonerados (isentos ou alíquota zero) na saída do estabelecimento industrial. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.134 5 Nessa perspectiva, os impostos passíveis de recuperação, como o crédito de IPI oriundo da compra de insumos empregados nos produtos que são tributados na sua saída do estabelecimento industrial, são escriturados no livro de apuração do IPI, descontandose dos débitos gerados na saída dos bens tributados. Conforme legislação do IRPJ, é vedada a inclusão dos "tributos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal" no custo dos produtos vendidos, de acordo com art. 289, §3º, do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (correspondente ao art. 231, §3º, do Decreto nº 1.041/1994, vigente quando da entrada em vigor da Lei nº 9.779/99): Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. (grifouse) Para regulamentar o benefício fiscal inserido no art. 11 da Lei nº 9.779/99, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 33, de 04/03/1999, que dispõe sobre a apuração e aproveitamento do crédito do IPI e dá outras providências. O ato normativo encontravase vigente quando do protocolo do pedido de ressarcimento pela Recorrida, em 07/11/2001. Há previsão expressa permitindo a utilização do saldo credor remanescente no período de apuração subsequente, in verbis: [...] Art. 1o A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, darseá de conformidade com esta Instrução Normativa. DO REGISTRO E DO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS Art. 2o Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.135 6 II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1o O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2o No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF No 21, de 10 de março de 1997. § 3o Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). DOS CRÉDITOS INERENTES AOS INSUMOS (MP, PI, ME) COM DESTINAÇÃO COMUM Art. 3o Poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, os créditos decorrentes de entradas de MP, PI e ME, empregados indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI ART. 11 DA LEI NO 9.779, DE 1999 Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5o Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1o Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2o O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1o de Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.136 7 janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. (grifouse) Portanto, não havia à época qualquer norma impeditiva ao ressarcimento do crédito do IPI na forma como proposto pela Contribuinte. Poderseia dizer que o art. 5º da IN nº 33/99 estabeleceu espécie de vedação quanto ao ressarcimento/compensação ao estabelecer que os créditos acumulados na escrita fiscal somente poderiam ser aproveitados para dedução do IPI devido. Entretanto, a limitação é somente para os créditos acumulados existentes em 31 de dezembro de 1998, o que não é o caso dos autos, pois o seu saldo credor de IPI corresponde à soma dos saldos credores existentes no 4º trimestre de 2000, no 1º trimestre de 2001 e no 2º trimestre de 2001. Na sistemática de apuração do IPI, mostrase compatível o acúmulo de créditos com a transferência do saldo credor para os períodos posteriores. Com o advento do art. 11 da Lei nº 11.9779/99, é facultado ao Sujeito Passivo, utilizar o saldo credor de IPI ao final de cada trimestre para compensação com outros tributos ou pedir o seu ressarcimento, não estabelecendo vedação à transferência do saldo credor ao período de apuração subsequente. Sobrevieram, ainda, as Instruções Normativas nºs 210/2002 (art. 14), 460/2004 (art. 16) e 600/2005 (art. 16), esta última com as alterações introduzidas pela IN nº 728/2007, cuja interpretação isolada poderia levar à conclusão de ser vedado o ressarcimento/compensação de créditos de IPI acumulados em trimestres anteriores. Entretanto, a leitura dos referidos normativos à luz das normas de hierarquia superior não vedam tal direito ao ressarcimento/compensação. As normas apenas traziam que o saldo credor acumulado deveria ser aproveitado, prioritariamente, para abatimento de débitos futuros do imposto, o que continuou a ser observado com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99, por meio do qual o saldo credor eventualmente acumulado ao final de cada trimestre calendário deixou de ser meramente escritural, e passou a ser passível de ressarcimento e/ou compensação com outros tributos. Nessa esteira, a Solução de Consulta Interna nº 22 Cosit, de 30 de setembro de 2014, expedida pela CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal, explicitou entendimento no sentido de que a possibilidade de aproveitamento de crédito de IPI a destempo, bem como o direito ao ressarcimento ou a compensação do saldo credor, não são prejudicados pela influência na apuração do IRPJ e da CSLL causada pela não utilização do IPI oportunamente. A ementa foi redigida nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.137 8 UTILIZAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE CRÉDITO DE IPI. CABIMENTO INDEPENDENTEMENTE DE EVENTUAL INFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. Eventual influência na apuração do IRPJ e da CSLL causada pela não utilização de crédito de IPI no momento oportuno, não prejudica, observados os prazos de prescrição, o direito à escrituração do crédito do IPI a destempo, bem assim o direito ao ressarcimento ou a compensação do saldo credor, observadas as regras gerais aplicáveis à matéria. Dispositivos Legais: Constituição Federal, art. 153, IV, e § 3º; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 49; Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, arts. 225, 256 e 257; Parecer Normativo CST nº 515, de 1971. No referido ato administrativo, foi estabelecido como premissa que "[...] o ressarcimento ou a compensação, nos termos dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é um direito do contribuinte e será cabível desde que exista saldo credor do imposto e atendase ao disposto na legislação. Observese que o direito ao crédito extemporâneo de IPI independe da forma de tributação do IRPJ adotada pela Contribuinte". Nessa linha relacional, a Solução de Consulta Interna nº 22 COSIT, de 2014, ao interpretar a legislação própria do IPI, ressalta ser possível, atendendose ao princípio da nãocumulatividade, a utilização extemporânea dos créditos de IPI, os quais se não foram escriturados na época própria poderão ser aproveitados em até 5 (cinco) anos, contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.138 9 Declaração de Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Com o devido respeito, divirjo da i. Conselheira relatora. O contribuinte postulou ressarcimento de IPI referente ao terceiro trimestre de 2001 (3T/2001) em 07/11/2001 (fl. 6), com arrimo no art. 11 da Lei 9.779/99, já se compensando com tributos vincendos. Às DCOMP encartadas em anexo ao presente processo, bem como em outros processos de ressarcimento referidos nos autos, foi dado tratamento manual. Consoante Termo de Verificação Fiscal (fls. 526/530), os créditos objeto do pedido de ressarcimento relacionamse às saídas do estabelecimento industrial, com suspensão de IPI, de produtos destinados à montagem de veículos automotores (TIPI 8701 a 8705), nos termos do art. 5º da Lei 9.826/1999 e IN SRF nº 113/1999, bem como produtos destinados à exportação, ou seja, saídos com imunidade. Constatou a fiscalização que o valor do pedido de R$ 1.100.000,00 referese à parte do saldo credor de IPI no valor de R$ 1.249.375,98 , que fora escriturado em seu livro de IPI em 30/09/2000, concluindo que não havia saldo credor de IPI no 3º trimestre de 2001, mas, em verdade, saldo devedor no montante de R$ 356.684,34, o que o contribuinte em sua manifestação de inconformidade concordou às expressas. Irresignado, o interessado manifestou sua inconformidade com o despacho decisório. A DRJ/RPO, em 14/03/2012, julgoua improcedente (fls. 823/830), em síntese, motivando que somente os créditos escriturados no trimestrecalendário é que dão azo ao ressarcimento do art. 11 da Lei 9.779/99. Dessa decisão o contribuinte recorreu ao CARF, tendo sido, por duas vezes, convertido o julgamento em diligência pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção, nos seguintes termos: Assim sendo, voto por converter novamente o julgamento em diligência para que o Órgão de Origem analise todos os documentos acostados aos autos no momento da manifestação de inconformidade, ainda que digam respeito a períodos anteriores ao trimestre em questão, e produza um relatório conclusivo acerca da existência do crédito pleiteado. (fl. 192) Em que pese o voto do relator do aresto da Turma baixa restar vencido, concordo com ele. Assim, minha divergência com a ínclita relatora e demais colegas é que só é passível o ressarcimento/compensação com os saldos credores acumulados no mês, porque é isso que determina a norma. O art. 11 da Lei n. 9.779, de 1999, criou outra hipótese de ressarcimento/ compensação: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.139 10 industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts.73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Dúvida não há que a natureza dessa norma é de incentivo fiscal, uma vez que ela desvirtua a natureza do IPI, eis que permite crédito de insumos que vão compor produtos finais que irão sair sem a tributação daquele imposto, o que, inclusive, com a devida vênia, macula a norma constitucional que dá competência à União quanto a esse tributo, afrontando o princípio da nãocumulatividade. Vejase: § 3º O imposto previsto no inciso IV (IPI): ... II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; Ou seja, a norma inserta no art. 11 da Lei 9.799/99 excepciona, via lei ordinária, o princípio da nãocumulatividade, pois permite crédito de IPI na operação de compra pelas indústrias em relação a insumos que irão compor produtos industrializados que irão sair do estabelecimento industrial sem cobrança do IPI, no caso saídas isentas e imunes. Assim, dúvida não há a que norma deve ser interpretada restritivamente. E a própria Lei determina às explícitas que o ressarcimento se dará com o saldo credor acumulado em cada trimestre calendário e que deverão ser observadas as normas a serem expedidas pela Receita Federal. Penso que não precisaríamos adentrar às normas administrativas veiculadas pela RFB para resolver a quaestio, pois a própria Lei, como dito, já define que o ressarcimento do eventual saldo credor é aquele acumulado no trimestre calendário. No caso em testilha, inconteste que o pedido se refere ao terceiro trimestre do anocalendário de 2001, no qual, afirmado pela fiscalização e confirmado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, não havia qualquer saldo credor, mas sim saldo devedor de R$ 356.684,34. E como bem anota o aresto 3402003.235 (objeto do recurso especial), no voto de seu relator originário, Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, desde a primeira norma da Receita Federal a questão já estava perfeitamente delineada, em que pese, repiso, a própria Lei definir, fazendo um corte temporal, que somente o saldo credor acumulado no trimestre que poderia ser objeto de ressarcimento. Portanto, a contrário senso, o valor acumulado em um período, como no caso em análise, não pode ser objeto de pedido relativo a outro trimestre posterior. Vejase, no ponto, o teor da IN SRF 33/1999: Art. 2º "Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do artigo 347, do RIPI: Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.140 11 I quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subsequente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo o saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997". No mesmo sentido (dão azo a ressarcimento os créditos escriturados no trimestre calendário) pode ser verificado nos dispositivos do art. 14, § 2º da IN SRF nº 210, de 2002; art. 16, §§ 2º e 4º, da IN SRF nº 460/2004 e art. 16, da IN SRF nº 600, de 2005, e as demais normativas posteriores que sucederam essas normas (IN RFB 900, 1300, 1717), e que tratam de ressarcimento/compensação. E o sentido da norma é claro: permitir o controle desses eventuais créditos pela Administração Tributária, de modo que permitir sua adequada fiscalização. Assim, a meu juízo, claro e óbvio, que somente dão azo a ressarcimento os créditos escriturados no trimestre calendário. O saldo credor de um trimestrecalendário se não integralmente aproveitado na forma de ressarcimento/compensação (arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pode e deve ser transportado para o período subseqüente, mas apenas para compensação com débitos do imposto na conta gráfica do IPI, e não para compor o saldo credor ressarcível do trimestre calendário seguinte, vale dizer, o saldo credor apurado em um trimestre não é ressarcível em relação aos trimestres subsequentes. Dessa forma, o saldo anterior acumulado na escrituração não pode ser ressarcido como se fosse valor relativo ao trimestre do pedido de ressarcimento. Teria que ser objeto, especificamente, de pedido relativo ao trimestre em que foi escriturado. Tal determinação não é preciosismo nem formalismo, uma vez que o pedido acumulado de saldos de períodos anteriores implicaria uma dificuldade extrema de controle dos créditos. E justamente por tal motivo é que o legislador ordinário delegou competência à RFB para editar normas regulamentares acerca da forma de aproveitamento desse crédito, que desvirtua o princípio da nãocumulatividade, a que alude o art. 11 da Lei 9.799/99. E sendo norma de renúncia fiscal, deve ser interpretada restritivamente. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10805.002266/200174 Acórdão n.º 9303007.144 CSRFT3 Fl. 1.141 12 CONCLUSÃO Ante o exposto, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907523/2008-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 21/05/2001
COMPENSAÇÃO - ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR.
A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL.
In casu, somente o pagamento à maior apurado após a revisão do balanço anual, seria passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1001-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. In casu, somente o pagamento à maior apurado após a revisão do balanço anual, seria passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 75 23 /2 00 8- 96 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10680.907523/200896 Acórdão n.º 1001000.638 S1C0T1 Fl. 131 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Belo Horizonte/MG mediante o Acórdão nº 0229.079, de 20/10/2010 (efls. 84/88), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo (excertos importantes), com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 03 por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.° 30419.16728.200804.1.3.041042, transmitido em 20/08/2004, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de IRPJ de código 2362 (estimativa mensal), no valor de R$ 1.374,68, efetuado em 21/05/2001. Consta do despacho decisório, que o pagamento efetuado a esse titulo foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 1.202,75 (principal). (...) Em 26/08/2008, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fl. 01. Nela consta os seguintes argumentos: • Recolheu o valor apurado de Imposto de Renda a pagar de R$3.869,78. Posteriormente, em 31/05/2001, pagou o valor de R$1.374,68, referente cobrança do adicional de 10% sobre a antecipação do Imposto de Renda do mês de agosto de 1998. O valor do adicional ficou como valor a compensar pois os valores devidos já haviam sido pagos na apuração da Declaração de Imposto de Renda. • Efetuou a compensação deste valor no PER/DCOMP 30419.16728.200804.1.3.041042 em 20/08/2004, com o período de apuração referente a julho de 2001 e agosto de 2001 nos valores de R$976,48 e R$226,29, respectivamente, sobrando um saldo a compensar no valor de R$171,93. • Pergunta, ao final, se poderia compensar o saldo e de que forma. O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 21/05/2001 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10680.907523/200896 Acórdão n.º 1001000.638 S1C0T1 Fl. 132 3 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 29/03/2011, conforme Aviso de Recebimento à efl. 92, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 20/04/2011 (efls. 93/95), conforme carimbo aposto na fls. 93. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso voluntário a recorrente alega que "Na DIPJ 1999 ano base 1998 nossa forma de tributação era de Lucro Real com apuração do IRPJ e CSLL feita anualmente" e assim foram recolhidos as antecipações através de DARF (estimativas cod. 2362) cujo total recolhido no ano atingiu a monta de R$14.508,44, porém o Imposto de Renda apurado no ano de 1998 foi de R$19.173,22, cuja diferença (R$4.664,78) foi recolhido em 29/03/1999 com acréscimo de juros de 157,97 totalizando R$4.822,45. Alega que pagou em 21/05/2001 (crédito requerido) um "Adicional de Antecipação de Imposto Renda" de 10%, cujo total com multa e juros foi de R$1.374,68, que "deveria ter sido pago juntamente com a estimativa do mês de agosto de 1998". Aduz a recorrente que a compensação foi requerida por entender "que este valor foi pago em 2001, mas se tivesse sido recolhido como antecipação em agosto de 1998, teria sido também deduzido do valor a pagar na apuração do Imposto de Renda a pagar do Exercício 1999 ano base 1998". Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância. Por concordar com todos os seus termos e conclusões, peço vênia para transcrever os excertos a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: (grifos não constam no original) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10680.907523/200896 Acórdão n.º 1001000.638 S1C0T1 Fl. 133 4 Quanto ao mérito, mesmo que se confirme a diferença entre o valor do débito de estimativa de IRPJ e o respectivo recolhimento, não se pode homologar a compensação pretendida na DCOMP objeto deste processo. Os recolhimentos apontados como a maior do que o devido têm código de receita 2362, ou seja, são de antecipação mensal por estimativa. As antecipações mensais recolhidas, quer apuradas com base na receita bruta, quer apuradas com base em balancete de suspensão ou redução, fazem parte de um mesmo regime especial de pagamento, facultado por lei, que se usou denominar estimativas mensais. Tais antecipações, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei, não caracterizam, de imediato, recolhimento indevido ou a maior. Só é possível avaliar rigorosamente se o valor pago a titulo de antecipação mensal é indevido ou maior que o devido, ainda que calculado com base em balancete mensal, comparandoo com o tributo apurado sobre a base de cálculo anual. A matéria é regida pela Lei n° 9.430, de 1996, que assim dispõe: (omissis) Do dispositivo acima, temse que a pessoa jurídica pode suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, com base em balancetes de suspensão ou redução, que os "valores acumulados já pagos" excedem o imposto calculado com base no lucro real do período em curso. O período de apuração compreendido no balancete vai de janeiro até o mês a que ele se referir. Portanto, todos os recolhimentos de antecipações mensais efetuados no ano calendário até o mês do balancete representam pagamentos com DARF do imposto incidente sobre o resultado nele apurado, referente ao período de apuração em curso. Independe, para serem assim considerados, que os valores anteriormente pagos tenham sido calculados com base em receita bruta ou em balancete. Portanto, a lei não admite a imediata restituição de valores pagos a titulo de antecipação mensal, quer com base na receita bruta, quer com base em balancete, mas cria sistema que permite ao contribuinte administrar as antecipações de maneira a quitar, durante o ano, valor o mais próximo possível do tributo devido sobre o lucro real anual. Foi nesse sentido que a norma permitiu a suspensão ou a redução dos pagamentos de antecipações, com base em balanços ou balancetes mensais. Só é possível avaliar a existência de crédito passível de restituição ou compensação comparandose o valor do tributo apurado sobre o lucro real anual com as deduções admitidas na ficha 12 A da DIPJ, entre as quais estão as antecipações mensais pagas. Ao final do ano, apurase o IRPJ anual e dele é deduzido, entre outras parcelas, o valor do IRPJ mensal efetivamente pago. Se a soma dos valores pagos durante o ano acrescido das demais deduções superar o imposto calculado com base no lucro real anual, apurase saldo negativo de IRPJ a pagar. Só este saldo negativo é passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10680.907523/200896 Acórdão n.º 1001000.638 S1C0T1 Fl. 134 5 período. Idêntica disposição foi mantida no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. Quanto ao questionamento da interessada, cabe esclarecer que o art. 74 da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996, autoriza usar crédito passível de restituição para compensação de débitos próprios. SÓ O SALDO NEGATIVO DE IRPJ É PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. O recolhimento de antecipação mensal não caracteriza pagamento indevido ou a maior, que dê direito à restituição. Portanto, no caso, não se tendo utilizado crédito passível de restituição, o art. 74 da Lei n.° 9.430 não se aplica. Em face do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não homologar a compensação declarada. Em suma, não é admissível a compensação de tributo recolhido por estimativa alterando o regime adotado para o seu cálculo (de receita bruta para balancete de suspensão/redução), o que afasta a aplicação da Súmula Carf nº 84. In casu, somente o pagamento à maior apurado após a revisão do balanço anual, seria passível de restituição ou compensação. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.727784/2015-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
FALTA DE ATENDIMENTO AOS PEDIDOS DE DOCUMENTO DA FISCALIZAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE.
Tendo a autoridade fiscal procedido à diversas intimações da contribuinte que não foram atendidas, acertado o arbitramento de lucros, com base no art. 47, inciso III da Lei n. 8.981/95.
A falta injustificada de atendimento à intimação fiscal que solicite a apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais é hipótese descrita em Lei como hábil a autorizar a tributação com base em arbitramento de lucros.
MULTA AGRAVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. SUBSTITUIÇÃO.
O arbitramento do lucro supre a ausência das informações e documentações requeridas e torna injustificada a aplicação concomitante da multa agravada de 225%.
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA DE OMISSÃO DE RECEITA. VALORES DECLARADOS A MENOR. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
A multa qualificada deve ser aplicada quando verificada conduta reiterada do contribuinte em declarar valores muito inferiores à sua movimentação financeira sem explicação plausível que justifique a não tributação dos valores movimentados em clara demonstração de conduta dolosa.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, III DO CTN. AUSÊNCIA DE CONDUTA ILEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO.
A aplicação e manutenção da multa qualificada não conduz, por si só, à conclusão de que os sócios ou gerentes da empresa devam ser pessoalmente responsabilizados com base no art. 135 do CTN.
A simples verificação de que a pessoa jurídica declarou receita em valores inferiores aos devidamente auferidos não é suficiente para concluir pela ocorrência de conduta ilegal dos sócios da empresa.
TAXA DE JUROS SELIC. LEGALIDADE. SUMULA CARF N. 5.
Dispõe a Súmula CARF que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 1201-002.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar o agravamento da multa de ofício, reduzindo-a de 225% para 150%.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 FALTA DE ATENDIMENTO AOS PEDIDOS DE DOCUMENTO DA FISCALIZAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. Tendo a autoridade fiscal procedido à diversas intimações da contribuinte que não foram atendidas, acertado o arbitramento de lucros, com base no art. 47, inciso III da Lei n. 8.981/95. A falta injustificada de atendimento à intimação fiscal que solicite a apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais é hipótese descrita em Lei como hábil a autorizar a tributação com base em arbitramento de lucros. MULTA AGRAVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. SUBSTITUIÇÃO. O arbitramento do lucro supre a ausência das informações e documentações requeridas e torna injustificada a aplicação concomitante da multa agravada de 225%. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA DE OMISSÃO DE RECEITA. VALORES DECLARADOS A MENOR. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A multa qualificada deve ser aplicada quando verificada conduta reiterada do contribuinte em declarar valores muito inferiores à sua movimentação financeira sem explicação plausível que justifique a não tributação dos valores movimentados em clara demonstração de conduta dolosa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, III DO CTN. AUSÊNCIA DE CONDUTA ILEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO. A aplicação e manutenção da multa qualificada não conduz, por si só, à conclusão de que os sócios ou gerentes da empresa devam ser pessoalmente responsabilizados com base no art. 135 do CTN. A simples verificação de que a pessoa jurídica declarou receita em valores inferiores aos devidamente auferidos não é suficiente para concluir pela ocorrência de conduta ilegal dos sócios da empresa. TAXA DE JUROS SELIC. LEGALIDADE. SUMULA CARF N. 5. Dispõe a Súmula CARF que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
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ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. Tendo a autoridade fiscal procedido à diversas intimações da contribuinte que não foram atendidas, acertado o arbitramento de lucros, com base no art. 47, inciso III da Lei n. 8.981/95. A falta injustificada de atendimento à intimação fiscal que solicite a apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais é hipótese descrita em Lei como hábil a autorizar a tributação com base em arbitramento de lucros. MULTA AGRAVADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. SUBSTITUIÇÃO. O arbitramento do lucro supre a ausência das informações e documentações requeridas e torna injustificada a aplicação concomitante da multa agravada de 225%. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA DE OMISSÃO DE RECEITA. VALORES DECLARADOS A MENOR. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. A multa qualificada deve ser aplicada quando verificada conduta reiterada do contribuinte em declarar valores muito inferiores à sua movimentação financeira sem explicação plausível que justifique a não tributação dos valores movimentados em clara demonstração de conduta dolosa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, III DO CTN. AUSÊNCIA DE CONDUTA ILEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO. A aplicação e manutenção da multa qualificada não conduz, por si só, à conclusão de que os sócios ou gerentes da empresa devam ser pessoalmente responsabilizados com base no art. 135 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 77 84 /2 01 5- 21 Fl. 485DF CARF MF 2 A simples verificação de que a pessoa jurídica declarou receita em valores inferiores aos devidamente auferidos não é suficiente para concluir pela ocorrência de conduta ilegal dos sócios da empresa. TAXA DE JUROS SELIC. LEGALIDADE. SUMULA CARF N. 5. Dispõe a Súmula CARF que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar o agravamento da multa de ofício, reduzindoa de 225% para 150%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de impugnação de autos de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), fls. 244/260; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fls. 261/277; Contribuição ao PIS/PASEP (PIS), fls. 278/288; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), fls. 289/300, , lavrados em 01/12/2015, pela autoridade fiscal da Delegacia Especial de Comércio Exterior e Indústria (DELEX), para constituir crédito tributário no montante de R$ 14.893.463,70, fls. 244/300 e 391, incluídos principal, multa de ofício de 225% e juros de mora, tendo em conta infrações apuradas no ano calendário 2011 que a seguir são relatadas. A autoridade fiscal iniciou o procedimento de fiscalização em 22/08/2014 solicitando diversos documentos e esclarecimentos no prazo de 20 dias, conforme consta de fls. 150/154. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10314.727784/201521 Acórdão n.º 1201002.259 S1C2T1 Fl. 3 3 Diante do não atendimento da intimação, houve reiteração desta em 22/09/2014, com prazo de 05 dias. Desta feita, a fiscalizada solicitou prorrogação de prazo e lhe foi concedido 15 dias corridos, porém nenhum documento e/ou manifestação foi apresentado nesse prazo. Em 27/10/2014, houve ciência de Termo de Constatação e Intimação Fiscal novamente não atendido. Em 10/11/2014, a fiscalizada foi cientificada de Termo de Constatação Fiscal, Ciência e Intimação Fiscal por meio do qual foi informada sobre o crime contra a ordem tributária e da responsabilidade solidária, conforme consta em fls. 155/159. Mais uma vez não houve resposta. Em 21/11/2014, a fiscalizada recebeu o Termo de Emissão de TDPF e Continuidade da Ação Fiscal com os termos que constam em fls. 159/160. Em 15/12/2014, foi recebido pela empresa o Termo de Ratificação, Ciência de Emissão e Início de TDPF e Continuidade de Ação Fiscal, conforme fls. 160/162 Na mesma data, a fiscalizada recebeu um Termo de Ciência – Sujeição Passiva Solidária – Responsabilidade Fiscal, fls. 162/164 Continuando com a ação fiscal, a autoridade relata, fls. 164/180, outras dez intimações à fiscalizada que não foram atendidas. Assim, após as diversas intimações não atendidas, a fiscalização concluiu: “Estando constatado que a contribuinte deixou de apresentar a esta fiscalização os livros e documentos fiscais para exame, o artigo 47, inciso III da Lei 8.981/95 e artigo 1º da Lei 9.430/96 e artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, determinam que o lucro da pessoa jurídica seja arbitrado.” No procedimento de arbitramento, a autoridade fiscal considerou o percentual de 9,6% sobre as receitas obtidas pela soma das notas fiscais eletrônicas de 2011 emitidas e não canceladas, fls. 189/192. Foi obtido uma receita anual de R$ 57.242.533,67. Vejamos o trecho do TCF: Após análise das NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS emitidas pelo contribuinte no AC 2011, após exclusão das Notas Fiscais CANCELADAS e das Notas Fiscais não relacionadas à obtenção de RECEITA, ou seja, considerando apenas as VENDAS/REVENDAS CFOPs 5102, 6102 e 6110, elaboramos a planilha N.º 01, que segue anexa e faz parte integrante do presente Termo, onde fica demonstrado os montantes mensais relativos às vendas e os valores a subtrair, relativos às devoluções de vendas (CFOPs 1201 e 1202) , ficando discriminado mensalmente os valores das RECEITAS obtidas através de VENDAS DE MERCADORIAS efetuadas no AC 2011 – NÃO CANCELADAS, onde pode ser verificado que o contribuinte apresentou um total de RECEITA BRUTA no montante de R$ 57.242.533,67. (...) Fl. 487DF CARF MF 4 Assim sendo, informamos a OMISSÃO DE RECEITA será calculado com base nas informações contidas NAS NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS EMITIDAS pela própria empresa em 2011, que representam a RECEITA auferida pelo fiscalizado (CFOPS 5102, 6102 e 6110) e será arbitrada conforme dispositivos legais transcritos. No arbitramento do imposto/contribuições relativos a esta apuração, por se tratar de empresa com atividade econômica – CNAE FISCAL 1412601 Confecção de peças de vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida, será aplicado o percentual de 9,6%. Foi elaborada uma tabela demonstrando a Receita de Vendas Mensal, conforme consta de fls. 193, na qual é descontado os valores de receitas já incluídos na DIPJ. Com relação ao valor do imposto declarado na DIPJ, a fiscalização não o deduziu tendo em conta que não foram confessados em DCTF. Pelo mesmo motivo, foram incluídos no lançamento os valores declarados em DIPJ como segundo item do auto de infração, fls. 249. No tocante à multa lançada, esta foi a de 225%, o que inclui a qualificação e o agravamento. A multa qualificada foi aplicada conforme item VII do Termo de Constatação Fiscal (TCF) de fls. 148/239. A autoridade fiscalizadora entendeu que a emissão de notas fiscais eletrônicas em valores bastante superiores ao que foi declarado na DIPJ, DCTF e DACON constituía fato suficiente para caracterizar o dolo de fraude e sonegação. Vejamos alguns trechos do TCF: Nas planilhas acima transcritas, fica evidenciado que a fiscalizada, nas informações e apurações de tributos devidos à RFB, informa, em cada mês, um valor excessivamente inferior ao das Receitas auferidas, ou seja, eximise do pagamento de aproximadamente 99,83% dos tributos devidos à Fazenda Nacional. Incabível na presente situação a eventual alegação de ingênuos erros de preenchimento, erros de digitação ou eventuais extravios de documentos, pois os montantes tempestivamente constantes das Notas Fiscais emitidas, foram intencionalmente minorados ao serem declarados à Receita Federal do Brasil. (...) Diante da referida Omissão de Receita já relatada no montante de R$ 57.149.183,67 , diante da apresentação da RECEITA BRUTA excessivamente minorada na falsa Declaração DIPJ 2012, diante da falta de pagamento de IRPJ e CSLL – AC 2011, diante das falsas DACONS – JAN A DEZ/2011 e diante das falsas DCTFs – JAN a DEZ/2011, concluise que o fiscalizado vulnerou normas legais que implicam na aplicação de multa de oficio qualificada(...) Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10314.727784/201521 Acórdão n.º 1201002.259 S1C2T1 Fl. 4 5 O agravamento da multa foi justificado no item VII do TCF, ficando evidenciado que a fiscalizada deixou de atender diversas intimações para apresentar livros contábeis e fiscais, arquivos digitais e prestar outros esclarecimentos. Conforme já relatado no item I deste Termo, no decorrer da ação fiscal o fiscalizado foi intimado a apresentar diversos documentos, Livros contábeis e fiscais, arquivos digitais e inclusive diversos esclarecimentos necessários ao exame fiscal a ser realizado e nada apresentou até a presente data. Desta forma, estando constatado que com relação ao AC 2011, o contribuinte não atendeu as Intimações fiscais e Termos diversos expedidos no decorrer da ação fiscal, deixando inclusive de apresentar os esclarecimentos solicitados, o fiscalizado fica sujeito à penalidade disposta no inciso I do § 2º do Art. 44 da Lei n.º 9.430/96 (inciso I do Artigo 959, do RIR/99)(...) No que se refere à atribuição de responsabilidade, a fiscalização indicou no documento denominado "Termo de Encaminhamento de Autos de Infração – IRPJ e reflexos", fls. 379/385, bem como nos Autos de Infração, fls. 246/247, 263/264, 280/281 e 291/292, o nome do responsável tributário com os respectivos enquadramentos legais e fáticos, conforme resumimos a seguir: Alberto Nacle Hamuche – CPF 234.080.06849 Responsabilidade conforme prevista nos arts. 121, 124 e 135 do CTN por possuir poderes de gerência na pessoa jurídica Internacional de Tecidos Ltda. Segundo consta de fls. 394/397, a fiscalizada e o responsável tributário foram cientificados do lançamento do presente processo por via postal em 07/12/2015. Apenas a Internacional de Tecidos apresentou impugnação em 05/01/2016, fls. 403/415, com os argumentos que resumimos a seguir em seus principais aspectos. Assim, o responsável não apresentou impugnação. Entende que os autos de infração sofrem de nulidade insanável por faltar especificação descritiva do enquadramento nos dispositivos de lei, existindo apenas invocações de normas legais sem a demonstração da tipicidade do caso. Há desrespeito ao art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), pois a simples imputação de receitas não declaradas não se coaduna com tal dispositivo. È exigido que se demonstre a disponibilidade jurídica ou econômica da renda. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Haveria , nesse aspecto, violação aos princípios da segurança jurídica, anterioridade, indelegabilidade de competência tributária. Insiste que os juros não poderiam ultrapassar 12% ao ano. Reclama da multa de 225% aplicada por ter efeito confiscatório. Entende que a multa aplicável para os negócios privados de 2% deve ser aplicada no caso por conta da interpretação benéfica à gradação da multa prevista no art. 112, inciso IV do CTN. Argumenta que há limitação constitucional para os juros em 12%. Aponta que houve recolhimento de IRPJ e CSLL e anexa os respectivos DARFs. Fl. 489DF CARF MF 6 Acórdão da DRJ Em sessão de 18 de janeiro de 2017, a 7°Turma da DRJ/SPO julgou a Impugnação improcedente em parte para acatar apenas a dedução dos pagamentos feitos de IRPJ e CSLL trazidos aos autos relativamente aos períodos de apuração lançados, conforme tabela a seguir, mantendo na integralidade os lançamentos de PIS e COFINS, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, em conformidade com o art. 17 do Decreto 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente sua peça impugnatória. ARBITRAMENTO DE LUCROS. A não apresentação dos livros contábeis e fiscais, ou do Livro Caixa, e dos documentos da escrituração comercial e fiscal durante o procedimento de fiscalização autoriza a realização do arbitramento dos lucros. PAGAMENTOS DE IRPJ REALIZADO ANTES DO INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO. Estando comprovado que houve pagamento parcial do IRPJ antes do início do procedimento fiscal, o imposto apurado no auto de infração deve ser deduzido da parcela paga, com reflexos na multa e nos juros lançados. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. ART. 135 DO CTN. NECESSIDADE DE APURAÇÃO DE ATUAÇÃO EM OFENSA À LEI OU COM EXCESSO DE PODERES. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA POR SI SÓ NÃO JUSTIFICA A ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. APLICAÇÃO DO RESP 1.101.728/SP POR FORÇA DO §5º DO ART. 19 DA LEI 10.522/2002 C/C Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10314.727784/201521 Acórdão n.º 1201002.259 S1C2T1 Fl. 5 7 PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 01/2014 E NOTA PGFN CRJ 1.114/2012. A atribuição de responsabilidade aos sócios deve seguir o conteúdo do Resp 1.101.728/SP por força do §5º do art. 19 da Lei 10.522/2002 c/c Portaria Conjunta PGFN/RFB 01/2014 e Nota PGFN CRJ 1.114/2012. Assim, a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade do sócio. Para que se viabilize a responsabilização do sócio, é indispensável que esteja presente uma das situações caracterizadoras da responsabilidade do sócio, nos moldes das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. Comete ato ilícito que permite a aplicação do art. 135, inciso III do CTN, o sócio que, durante sua gestão, apresenta DIPJ com informações falsas. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. JUROS DE MORA. LIMITE CONSTITUCIONAL. A limitação dos juros em 12 % ao ano é inaplicável aos juros moratórios incidentes sobre os créditos de natureza tributária, pagos após as datas limites fixadas pela legislação específica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Fl. 491DF CARF MF 8 Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 PIS. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 COFINS. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à COFINS o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Recurso Voluntário Foi apresentado Recurso Voluntário por meio do qual a contribuinte ratifica seus argumentos de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade Os Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais, portanto, merecem ser apreciados. Preliminar Nulidade por inconsistências do lançamento fiscal Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10314.727784/201521 Acórdão n.º 1201002.259 S1C2T1 Fl. 6 9 Alega a ora Recorrente que o lançamento fiscal não trouxe "especificação descritiva dos enquadramento nos dispositivos de lei, existindo apenas invocações de normas legais sem a demonstração da tipicidade do caso." Não enxergo tal vício. Da leitura dos autos verificase que o lançamento fiscal foi lavrado com observância de todos os requisitos legais aplicáveis e contém de forma objetiva e clara a indicação fato gerador identificado e também dos dispositivos legais que justificam o lançamento, tendo permitido o exercício de ampla defesa e contraditório pela Recorrente que assim o fez. Assim, afasto as preliminares suscitadas. Mérito Arbitramento do Lucro Conforme bem destacado no acórdão da DRJ, o arbitramento do lucro tem previsão na Lei .8.981/95, in verbis: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; (...) Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Fl. 493DF CARF MF 10 Verificase nos autos que a autoridade autuante procedeu ao inicio da ação fiscal e procedeu à diversas intimações da contribuinte. Diante do não atendimento às solicitações acima referidas, a autoridade autuante procedeu ao arbitramento de lucros, com base no art. 47, inciso III da Lei n. 8.981/95, sob a justificativa de que a interessada, apesar de intimada, teria deixado de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. Entendo que a ação da fiscalização não merece reparos. A falta injustificada de atendimento à intimação fiscal que solicite a apresentação dos livros e documentos contábeis e fiscais é hipótese descrita em Lei como hábil a autorizar a tributação com base em arbitramento de lucros. A obrigatoriedade de se manter em ordem a escrituração e os documentos em que esta se assenta se dá por força dos arts. 257 a 264 do RIR/1999. A inobservância dos referidos dispositivos impossibilita o fisco de averiguar o correto recolhimento de tributos, razão pela qual a lei autoriza o arbitramento dos lucros. A interessada, em sua impugnação, não se contrapôs de forma efetiva aos fatos apontados como ensejadores da referida modalidade de tributação, contestando apenas de forma genérica o lançamento fiscal e invocando inexistentes nulidade do trabalho fiscal. Na falta de tais comprovações, não apresentadas por ocasião da auditoria e nem na fase impugnatória; prevalece a verdade processual de que a interessada não possuía, ou, se possuía, furtouse a apresentar os itens de sua escrituração que lhe foram solicitados. Válida, portanto, a tributação via arbitramento. Das multas No que se refere à multa agravada, em consonância com o posicionamento dominante neste Conselho, entendo que o arbitramento supriu a ausência das informações e documentações requeridas, não se justificando a penalização em tal monta. Aliás, esse é o entendimento consolidado nesta Corte nos termos da Súmula do CARF nº 96 de enunciado: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Apesar do art. 538 do RIR/99 dispor de forma diversa, a jurisprudência que se constrói na seara administrativa aponta para a incompatibilidade de concomitância entre o arbitramento e a aplicação da multa agravada, sob o mesmo pretexto fático. No caso em tela, a multa fora agravada pelo fato do contribuinte não apresentar os documentos que lastrearam sua escrituração contábil. A grande questão é que a não apresentação destes documentos foi justamente o motivo para o arbitramento. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10314.727784/201521 Acórdão n.º 1201002.259 S1C2T1 Fl. 7 11 A lei define estritamente que o fato determinante para a aplicação da multa agravada é o não atendimento, no prazo assinalado, à intimação para prestar esclarecimentos (art. 44, § 2º, inciso I, da Lei nº 9430/96). O não atendimento à intimação para apresentação de livros e documentos constitui hipótese legal de arbitramento dos lucros, não ensejando o agravamento da penalidade. Assim, entendo deva ser cancelado o agravamento da multa. Quanto à multa qualificada, entendo que esta deva ser mantida, pois, a conduta reiterada da Recorrente em declarar valores muito inferiores à sua movimentação financeira sem ter a capacidade de dar qualquer explicação plausível que justifique a não tributação dos valores movimentados demonstram a meu ver uma conduta dolosa da contribuinte que deve ser penalizada com multa qualificada. Em relação ao argumento trazido pela Recorrente de ofensa ao Princípio de Vedação ao Confisco conforme previsto no art. 150, IV da CF, faço uso da Súmula CARF n. 2 in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Responsabilidade Solidária art. 135 do CTN O art. 135 do CTN assim dispõe: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Primeiramente, entendo que a aplicação e manutenção da multa qualificada não conduz, por si só, à conclusão de que os sócios ou gerentes da empresa devam ser pessoalmente responsabilizados com base no art. 135 do CTN. São situações distintas. Não há nos autos qualquer evidência de tal conduta ilegal do Sr. Alberto Nacle Hamuche na condução da empresa. O fundamento da DRJ para manter a responsabilidade solidária foi assim sintetizado no acórdão: Fl. 495DF CARF MF 12 No caso presente, o sócio com poderes de gerência, Alberto Nacle Hamuche, ao conduzir os negócios da empresa, descumpriu tal obrigação legal, pois fez declaração falsa ao fisco na DIPJ referente ao ano calendário 2011 declarou receitas em volume significativamente inferior ao que efetivamente existia , o que representa situação suficiente para a responsabilização deste com base no art. 135, inciso III do CTN por ter incorrido em ofensa à lei. Ademais, tipifica, ao menos, o crime do art. 2º, inciso I da Lei 8.137/90. Entendo que a simples verificação de que a pessoa jurídica declarou receita em valores inferiores aos devidamente auferidos não é suficiente para concluir pela ocorrência de conduta ilegal dos sócios da empresa. Se assim o fosse, qualquer auto de infração que pressupõe que o contribuinte não declarou as receitas efetivamente auferidas ou os tributos devidos daria razão à responsabilização solidária dos sócios mas sabemos que a posição majoritária deste Conselho não vai nesta direção. Assim, diante da falta de evidência de conduta delituosa por parte do Sr. Alberto Nacle Hamuche, afasto a responsabilidade solidária que lhe foi imputada com base no art. 135, III do CTN. Taxa de Juros Selic Em relação à alegação de ilegalidade da aplicação de Taxa de juros Selic, trago aqui o disposto na Súmula CARF n. 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para afastar o agravamento da multa de ofício reduzindoa de 225% para 150%. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10314.727784/201521 Acórdão n.º 1201002.259 S1C2T1 Fl. 8 13 Fl. 497DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.003183/2008-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF.
O Supremo Tribunal Federal -STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº 606.107, com repercussão geral reconhecida, definiu que os créditos de ICMS com origem em exportações transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos das contribuições sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mão-de-obra do parque industrial.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃO-DE-OBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos.
PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO FABRICADO. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS. IMPOSSIBILIDADE.
Somente dão direito a crédito do tributo os gastos com insumos necessários à fabricação do produto e que, portanto, componham seu custo de produção. O serviço de remoção de resíduos, por ser posterior à fabricação do produto, não integra o custo e, assim, não enseja o direito ao crédito do tributo.
Numero da decisão: 9303-006.614
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso em relação à cessão onerosa de créditos de ICMS; (ii) por maioria de votos, em negar-lhe provimento quanto ao restabelecimento da glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento; (iii) por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para restabelecer a glosa em relação aos créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; e (iv) por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento para restabelecer a glosa com relação aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mão-de-obra.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BASE DE CÁLCULO. CESSÃO ONEROSA. CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE PELES MINUANO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. O Supremo Tribunal Federal STF no julgamento do Recurso Extraordinário nº 606.107, com repercussão geral reconhecida, definiu que os créditos de ICMS com origem em exportações transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos das contribuições sobre dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãode obra do parque industrial. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE MÃODEOBRA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 83 /2 00 8- 42 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11065.003183/200842 Acórdão n.º 9303006.614 CSRFT3 Fl. 3 2 No presente caso, as glosas referentes a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra por não se tratar de insumos essenciais ao processo produtivo, impede a sua geração de créditos. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA COMPOSIÇÃO DO CUSTO DO PRODUTO FABRICADO. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito do tributo os gastos com insumos necessários à fabricação do produto e que, portanto, componham seu custo de produção. O serviço de remoção de resíduos, por ser posterior à fabricação do produto, não integra o custo e, assim, não enseja o direito ao crédito do tributo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso em relação à cessão onerosa de créditos de ICMS; (ii) por maioria de votos, em negar lhe provimento quanto ao restabelecimento da glosa sobre os créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento; (iii) por voto de qualidade, em darlhe provimento para restabelecer a glosa em relação aos créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; e (iv) por unanimidade de votos, em darlhe provimento para restabelecer a glosa com relação aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II, e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 310101.045, que deu provimento ao Recurso Voluntário. O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA.REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11065.003183/200842 Acórdão n.º 9303006.614 CSRFT3 Fl. 4 3 No regime da nãocumulatividade, a base de cálculo da contribuição é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não constitui receita. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso voluntário provido. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial quanto à inclusão da cessão onerosa de ICMS da base de cálculo das contribuições e quanto ao conceito de insumos para o PIS e COFINS nãocumulativos, conceito este que, no caso, afeta o direito de creditamento em relação às despesas com a remoção de resíduos industriais e aos gastos com combustíveis e lubrificantes consumidos por veículos utilizados no transporte de insumos e de mãodeobra do parque industrial. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.612, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 11065.000463/200807, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303006.612): "O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, dizem respeito a inclusão ou não na base de cálculo da contribuição, dos valores relativos à cessão onerosa de créditos Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11065.003183/200842 Acórdão n.º 9303006.614 CSRFT3 Fl. 5 4 do ICMS, e a interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, relacionados aos combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos, de mãodeobra do parque industrial e despesas com remoção de resíduos industriais. Tratase de PER/Dcomp entregue em 28/12/2007 no qual foi indicado crédito de PIS/Pasep a ser ressarcido com fundamento no § 2º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, relacionado ao 3º trimestre de 2007, no valor de R$ 168.497,86, cujo reconhecimento pela autoridade fiscal foi apenas parcial, da ordem de R$ 147.732,33. Segundo o Despacho Decisório, a glosa de parte do pedido foi motivada: a) pela não inclusão na base de cálculo da contribuição devida no período dos valores correspondentes à cessão de crédito do ICMS a terceiros; e pelo aproveitamento de créditos originados: b.1) da aquisição de combustíveis utilizados na frota própria de veículos; b.2) do pagamento de serviços a terceiros, pessoas jurídicas, pela prestação de serviços de remoção de resíduos industriais; b.3) da aquisição de mercadorias com o fim de exportação; e b.4) de bonificações, doações, amostras e indenizações recebidas. Com efeito, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que a cessão onerosa de créditos do ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e COFINS, e segundo, que no regime da não cumulatividade dessas Contribuições as indústrias têm direito a créditos sobre os dispêndios com combustíveis dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeobra do parque industrial. Feito este intróito inicial, passo ao julgamento. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS COM ORIGEM EM EXPORTAÇÕES: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO Quanto à cessão onerosa de créditos do ICMS a terceiros, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 606.107, de Relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definiu que os créditos de ICMS transferidos a terceiros não compõem a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS. Vejamos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS não cumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida (RE 606.107 – RG, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJ 20.8.2010). Neste sentido, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF, na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, portanto não assiste razão a Fazenda Nacional. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11065.003183/200842 Acórdão n.º 9303006.614 CSRFT3 Fl. 6 5 NÃO CUMULATIVADE DO PIS E DA COFINS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES DOS VEÍCULOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS E DA MÃODEOBRA DO PARQUE INDUSTRIAL Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11065.003183/200842 Acórdão n.º 9303006.614 CSRFT3 Fl. 7 6 aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte tem como atividade principal o curtimento, a industrialização, a comercialização e a exportação de peles e tapetes, de móveis (sofás), de capas de couro bovino e de outros materiais para sofás. Neste sentido, por força do que dispõe o art. 5°, I, da Lei n. 10.637/02, ela está dispensada do recolhimento do PIS/PASEP sobre as operações de exportação de mercadorias para o exterior, e tem assegurado o direito de crédito da mesma contribuição, na forma disposta pelo art. 30, do mesmo diploma legal. Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do PIS e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Sem embargo, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11065.003183/200842 Acórdão n.º 9303006.614 CSRFT3 Fl. 8 7 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, referente aos combustíveis e lubrificantes utilizados em frota própria para transporte de insumos. No que tange os dispêndios relacionados com despesas de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra, entendo que estes não geram direito à crédito, pois não são essenciais ao processo de produção. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL" (...)1 "Em que pese a clareza e objetividade do voto do Conselheiro Relator, peço vênia para dele discordar em parte. Esclareço que apenas discordo quanto à questão do creditamento do gasto com retirada de resíduos industriais, acompanhando o Conselheiro Relator nas demais matérias enfrentadas neste recurso. Meu entendimento é o de que não cabe crédito sobre o valor do serviço de retirada de resíduos que são gerados pela produção, por que essa retirada ocorre após o momento em que o produto está pronto para a venda. Salientese que, em que pese, durante o processo industrial poder ocorrer simultaneamente fabricação e retirada de resíduos, do ponto de vista lógico, os resíduos são a consequência da produção e, assim, os resíduos retirados se referem a resíduos gerados por unidades prontas, ainda que novas unidades estejam sendo produzidas. Pois bem, uma vez pronto o produto, qualquer gasto posterior, ainda que necessário para à atividade da entidade, em geral, não configura custo necessário a sua produção. Com a produção completa e acabada no momento em que o produto é fabricado, em tese, nada impede que um cliente adquirisse aquele produto, antes da retirada dos resíduos gerados por sua fabricação. Ora, isso afasta a necessidade do gasto para fabricação do produto. Reforça esse entendimento a Solução de Divergência Cosit n° 26 de 30/05/2008, que, analisando o gasto com transporte de produtos acabados, também utiliza, como razão de decidir a desnecessidade do gasto para que o produto esteja apto à venda. A seguir, encontra reproduzida a ementa da referida solução de divergência: 1 Deixouse de transcrever a parte do voto do relator do processo paradigma na qual foi reconhecido o direito de aproveitamento de créditos quanto aos serviços pagos a terceiros para remoção de lixo industrial, por ser entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio no presente processo. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303006.612). Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11065.003183/200842 Acórdão n.º 9303006.614 CSRFT3 Fl. 9 8 TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Portanto, ficam excluídos dos créditos da Cofins não cumulativa os gastos com a retirada de resíduos decorrentes da atividade de produção." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de créditos originados das despesas com remoção de resíduos industriais e para restabelecer, também, a glosa dos créditos relacionados aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de mãodeobra. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 297DF CARF MF
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