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Numero do processo: 15540.720003/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006
Créditos Básicos. Operações não Comprovadas. Documentação Fiscal Inidônea. Glosa.
É cabível a glosa de créditos básicos de IPI quando o documento fiscal for inidôneo e não houver prova efetiva da operação.
Intuito de Fraude. Multa Qualificada.
Demonstrado o dolo na apropriação de créditos básicos gerados de operações inexistentes e acobertados por documentação fiscal inidônea, impõe-se a qualificação da multa.
Numero da decisão: 1301-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Roberto Silva Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006 CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INIDÔNEA. GLOSA. É cabível a glosa de créditos básicos de IPI quando o documento fiscal for inidôneo e não houver prova efetiva da operação. INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Demonstrado o dolo na apropriação de créditos básicos gerados de operações inexistentes e acobertados por documentação fiscal inidônea, impõese a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 03 /2 01 2- 75 Fl. 5340DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.341 2 Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso interposto por IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0940.835, da 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora, que, negando provimento à impugnação da recorrente, manteve contra ela o lançamento que exigia crédito tributário no montante de R$ 909.683,33, relativo a IPI acrescido de multa e juros de mora. O fato foi assim descrito no auto de infração: O estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu ou recolheu a menor o imposto sobre produtos industrializados, por ter se utilizado de crédito básico indevido de notas fiscais inidôneas, e após intimado e reintimado para apresentar o seu Livro de Registro de Apuração de IPI a fim de verificar a apuração de saldo e eventual reconstituição da escrita, o contribuinte não o apresentou, sendo, portanto, efetuada a glosa dos valores constantes nas notas fiscais consideradas inidôneas, conforme descrito e demonstrado no Relatório Fiscal, anexo, e parte integrante deste auto. (fl. 2.647) Consta do Relatório Fiscal (fls. 2.649 a 2.662) que os trabalhos se iniciaram na empresa Metalan Indústria e Comércio de Metais Ltda. Constatou a Fiscalização que a empresa não tinha existência de fato. A DIPJ do ano base 2006 foi apresentada em branco. A Fiscalização constatou também que as duas pessoas que figuravam como sócias da Metalan já haviam falecido antes da constituição da sociedade empresária. Para registrar os atos constitutivos da sociedade e burlar órgãos públicos, houve falsificação de documento dos sócios. Posteriormente, os sócios foram substituídos por outras pessoas, sem capacidade econômica para ingressar no quadro societário da empresa. O relatório dá notícia de que a maioria das notas fiscais emitidas pela Metalan tinha como destinatária a recorrente, que teria sido a principal beneficiária do esquema fraudulento. Eis os termos do relatório fiscal: 10. Verificouse que praticamente todas as notas fiscais de emissão da empresa METALAN tiveram como beneficiárias as empresas do irmão do Sr. Lindoro, quais sejam: IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA. (CNPJ 03.763.623/000104 e 03.763.623/000295) e INDÚSTRIA DE CABOS ELÉTRICOS PAULISTA LTDA. (CNPJ 69.232.163/000104); 11. Desta forma, foram solicitados, inicialmente, abertura de RPF vinculados à ação fiscal principal, a fim de viabilizar as diligências necessárias nas empresas beneficiárias das notas fiscais, sendo que, apesar de várias oportunidades em intimações e reintimações, as empresas não comprovaram a efetividade das Fl. 5341DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.342 3 operações, a idoneidade das mesmas, nem tampouco o recebimento e a utilização das supostas mercadorias constantes nas notas fiscais, limitandose a acusar a fiscalização de fazer as mesmas solicitações, e tentando desviarse das intimações através de alegações vazias e sem fundamentos, inclusive entregando os livros LALUR e Registro de Apuração de IPI somente em 13/12/2011. Além disso, não atendeu a intimação para apresentar a Relação de Bens e Direitos para confecção do arrolamento. Não obstante isso, as notas fiscais foram utilizadas como custos, reduzindo significativamente e de forma fraudulenta os tributos devidos naquelas empresas, já que estas foram tributadas na modalidade de Lucro REAL, com aproveitamento indevido das notas fiscais de favor, objetivo primordial da empresa METALAN, como veremos adiante; 12. O somatório das notas fiscais emitidas pela METALAN e utilizadas para reduzir indevidamente o lucro real, bem como as compensações indevidas do IPI na empresa IPCE (CNPJ 03.763.623/000104 e 03.763/000295), utilizando o regime de competência, apenas durante os anoscalendário de 2006 e 2007, somaram respectivamente R$ 11.357.846.60 e R$ 13.496.825,40, conforme pode ser visualizado nos quadros abaixo: (fl. 2.653) (...) 13. Após a regular quebra do sigilo bancário da empresa METALAN, verificamos em seus extratos de contascorrentes que a maioria dos valores nelas creditados referiamse a transferências através de TED efetuadas pela IPCE ou depósitos efetuados por factorings. Estranhounos, no entanto, o fato de a quase totalidade dos cheques emitidos pela METALAN serem de compensação nacional, ou seja, foram compensados em outros estados, em sua maioria, no Estado de São Paulo; (fl. 2.657) (...) 16. Analisando, ainda, as cópias dos cheques de emissão da METALAN, podemos observar que no verso de grande parte deles consta a informação do Banco de confirmação de sua emissão junto ao Sr. LINDORO, irmão do Sr. ADHEMAR CAMARDELLA, dono da IPCE. Verificase, também, em muitos deles, a inscrição "IPCE", à caneta, no verso, não obstante terem como favorecidos diversas outras empresas. Tudo leva a crer que os pagamentos efetuados pela METALAN, em sua maioria, eram por conta e ordem da IPCE, que, por sua vez efetuava pagamentos sem causa através de transferências para as contas da METALAN ou de terceiros, acobertados pela emissão de notas fiscais fraudulentas desta empresa tendo a IPCE como beneficiária; 17. As quantidades das mercadorias e os respectivos valores constantes das notas fiscais de vendas de emissão da METALAN em favor da IPCE são totalmente incompatíveis com as mercadorias e os valores de compras constantes nas notas fiscais de entrada da METALAN. Além disso, não há nenhuma comprovação do transporte, recebimento, entrada no estoque ou utilização na produção pela IPCE das mercadorias constantes nas notas fiscais oriundas da METALAN; 18. A IPCE, por diversas vezes intimada e reintimada a comprovar a efetividade das operações com a METALAN, limitouse a fornecer as cópias das notas fiscais e dos pagamentos efetuados, sendo a maioria destes pagamentos através de depósitos realizados diretamente em contas de terceiros. Em nenhum momento logrou comprovar o efetivo transporte, recebimento ou a utilização dos materiais constantes das notas fiscais da METALAN, e nem haveria como comprovar, já que a METALAN era constituída somente no papel, inicialmente com dois sócios Fl. 5342DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.343 4 falecidos, e posteriormente sendo um deles substituído por um "laranja", o qual também foi substituído por outro "laranja"; (fl. 2.659) (...) 21. De tudo que se apurou no decorrer da fiscalização na empresa METALAN, nas diligências realizadas, não apenas na IPCE, mas também em outras empresas que receberam cheques de emissão da METALAN, além das diversas declarações de dois dos sócios de direito e da contadora da empresa, até o presente momento, nos permite concluir que a empresa METALAN não exercia atividades econômicas de fato, tendo sido formalizada apenas para subsidiar a emissão de "notas fiscais de favor", não dispondo de patrimônio nem capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive não havendo nenhum indício de que o capital social fora integralizado, já que até os 2 únicos sócios que faziam parte do quadro social da empresa já estavam mortos na época da constituição da mesma; 22. Não restam dúvidas de que a empresa METALAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA., foi constituída apenas no papel, e ainda assim, de forma fraudulenta, utilizandose os seus mentores de vários artifícios dolosos (falsificação de documentos públicos e privados, falsidade ideológica, falsificação de assinaturas, sonegação fiscal, conluio, simulação de atos, etc), com o intuito de sonegar impostos e fraudar o fisco, deixando de recolher ou reduzindo os tributos devidos, quer pelo não pagamento dos tributos destacados, quer através da redução dos valores a serem pagos utilizandose de custos e compensações que sabia indevidas, ou até mesmo gerando eventuais restituições inexistentes; 23. Fica evidente, a essa altura, que os principais beneficiários de toda a trama urdida através da realização de diversas práticas dolosas, foram os responsáveis pela empresa IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA.; (fl. 2.661) Contra o lançamento foi apresentada impugnação, à qual a DRJ JFA negou provimento em decisão assim resumida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006. 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos previstos no Decreto n° 70.235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006. 2007 CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO. GLOSA DE CUSTOS DE COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. Comprovado que a contribuinte escriturou custos lastreados em notas fiscais emitidas por sociedade empresária, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula por constatação de vício no ato cadastral, mantémse o lançamento, inclusive em razão da não apresentação de prova documental, ônus da contribuinte, que pudesse ilidilo, ou elidilo. MULTA QUALIFICADA Fl. 5343DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.344 5 No caso de evidente intuito de fraude, simulação ou conluio, aplicase multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada com a decisão, IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA. interpôs recurso. Alegou que a empresa Metalan tinha sido cadastrada como fornecedora da recorrente e, nessa oportunidade, Metalan preenchera todos os requisitos, apresentando a documentação necessária para o cadastramento. A documentação não suscitava qualquer dúvida quanto à idoneidade da empresa. A recorrente ressaltou que não tinha poderes para verificar a situação da Metalan perante o Fisco ou qualquer outro órgão público. Além disso, só dispunha de documentos da Metalan do ano de 2006. Os problemas internos da fornecedora eram desconhecidos da recorrente, que não poderia duvidar da existência da Metalan no local indicado nos documentos, tendo em vista a inscrição na Receita Federal, na Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro e no Município. Disse, por outro lado, ser mera presunção a assertiva de que a maioria das notas fiscais da Metalan foi destinada à recorrente. Quanto aos elevados valores consignados das notas fiscais, assegurou que as mercadorias eram cotadas em moeda americana, de acordo com o mercado internacional. Por outro lado, negou a recorrente que tenha deixado de atender a qualquer intimação do Fisco. Assim, só não foram apresentados os documentos que haviam sido furtados. Quanto à infração, disse que, ao contrário do que alega a autoridade fiscal, em momento algum houve creditamento indevido de IPI, apurado com base em notas fiscais inidôneas. O trabalho da Fiscalização baseouse em meras suposições e indícios. Ademais, o Fisco só concluiu pela suposta inidoneidade da empresa Metalan em 28/11/2011, quando publicado o Ato Declaratório Executivo n° 100/2011, declarando nula a inscrição no CNPJ, por vício no ato de cadastramento. Em 2006 e 2007, quando a recorrente realizou operações comerciais com Metalan, ela estava com situação ativa e habilitada no CNPJ e no Sintegra respectivamente, não gerando dúvida acerca de sua existência. Somente em 22/07/2008 a Metalan foi baixada. A declaração de inidoneidade de uma empresa só produz efeitos após a sua publicação. Insiste a recorrente em que as operações comerciais efetivamente teriam ocorrido. O Fisco, por sua vez, não logrou provar a inexistência das transações entre a recorrente e Metalan. Os documentos fiscais comprovam a entrada de mercadorias no estabelecimento da recorrente, oriunda de empresa com existência real e inscrita na repartição fiscal competente, na data da operação. O que impediria o crédito de IPI é a inexistência das operações. No que se refere à não localização da empresa vendedora, o fato não descaracteriza sua personalidade jurídica, pois estava legalmente inscrita na Junta Comercial. Fl. 5344DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.345 6 Assim, se a empresa vendedora utiliza documento fiscal de que conste endereço incorreto, isso não pode prejudicar a empresa compradora. Por último, falou do não cabimento da multa de 150%, em face da ausência de máfé, além de ressaltar que havia atendido a todas as intimações recebidas. No mais, essa multa seria inconstitucional. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência da autuação. Os autos foram remetidos à 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que, pelo Acórdão nº 3403003.532 (fls. 5.333 a 5.337), declinou da competência em favor da 1ª Seção, alegando vínculo com o auto de infração de IRPJ, do qual o presente processo seria reflexo, em razão da identidade dos fundamentos, a saber, a emissão de notas fiscais inidôneas. Esse fato estaria na origem de ambas as autuações. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Glosa de créditos básicos de IPI A glosa de créditos básicos de IPI foi motivada pela falta de comprovação das operações que deram origem aos créditos. Os documentos fiscais relativos a tais operações apresentavam fortes indícios de inidoneidade, tendo em vista a inexistência de fato da empresa. A recorrente foi intimada reiteradas vezes a demonstrar a efetiva ocorrência das operações que deram ensejo ao crédito de IPI. Todavia não demonstrou a existência das operações, como também não comprovou o ingresso das mercadorias em seu estabelecimento. As notas fiscais supostamente emitidas pela Metalan para a recorrente não identificam o transportador, nem o veículo em que as mercadorias foram transportadas. Não se vê, no corpo das notas fiscais, qualquer carimbo dos postos de fiscalização de ICMS existentes ao longo do trajeto. Além do mais, não foram apresentados os respectivos conhecimentos de transporte de carga, a fim de comprovar a remessa das mercadorias da Metalan, no Rio de Janeiro, para a recorrente em São Paulo. Fl. 5345DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.346 7 O Relatório Fiscal, por outro lado, aponta a existência de vínculo de parentesco entre a pessoa que criou a Metalan e o sócio da recorrente (colaterais em segundo grau). A par desse fato, a Fiscalização ainda constatou expressiva movimentação financeira envolvendo a recorrente e Metalan, empresa aparentemente de fachada. A glosa dos créditos, portanto, é cabível. Observese que, examinando o processo nº 15540.720002/201221, que tem por objeto o IRPJ, mas que recai sobre a mesma matéria fática, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, no Acórdão nº 1101001.041, chegou à idêntica conclusão quanto aos fatos. Do voto condutor da decisão, da lavra dam Conselheira Edeli Pereira Bessa, podese extrair o seguinte trecho: A glosa de custos, diante deste contexto, é inteiramente procedente, inclusive no que tange à aplicação da multa qualificada, porque a autuada não logrou desconstituir o robusto conjunto de indícios que somente autorizam a conclusão de que METALAN foi constituída formalmente por LINDORO, sem nunca ter exercido atividades econômicas de fato, prestandose apenas à emissão de “notas fiscais de favor”, destinadas principalmente a empresa de propriedade de seu irmão, aqui autuada. Como dito pela Fiscalização, METALAN foi constituída de forma fraudulenta, utilizandose os seus mentores de vários artifícios dolosos (...), com o intuito de sonegar impostos e fraudar o fisco, deixando de recolher ou reduzindo os tributos devidos, quer pelo não pagamento dos tributos destacados, quer através da redução dos valores a serem pagos utilizandose de custos e compensações que sabia indevidas, ou até mesmo gerando eventuais restituições inexistentes. Ainda, porque tais custos foram vinculados a pagamentos que teriam beneficiado METALAN, sua inexistência de fato impõe, necessariamente, a conclusão de que os pagamentos restaram sem causa. Em conseqüência, os pagamentos promovidos pela autuada acabaram por beneficiar terceiros injustificadamente, o que impede o Fisco de verificar se tais valores foram submetidos a regular tributação por seus beneficiários. Daí a correta exigência do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981/95, e a conseqüente imputação de multa qualificada em razão da utilização de notas fiscais emitidas fraudulentamente pela METALAN para ocultar seus reais beneficiários e causa. Por fim, para que todas as alegações de defesa sejam consideradas, cumpre consignar que: A habilitação do fornecedor junto ao SINTEGRA, sua inscrição no CNPJ e na Fazenda Estadual a suposição de que foi feita diligência no local do estabelecimento pela Fazenda Estadual e o registro de autorização de impressão de documentos fiscais no rodapé das notas fiscais emitidas nada provam em favor da interessada, na medida em que a Fiscalização, dentre outros aspectos, demonstra que a inscrição estadual de METALAN foi desativada de ofício com efeitos retroativos; O fato de a autuada adotar procedimentos para cadastramento de fornecedores em nada lhe favorece se demonstrada a falsidade na formalização dos atos constitutivos e contrato de locação de METALAN e se os mencionados compromissos assumidos pelos fornecedores não são documentalmente provados; Irrelevante a data em que a autoridade fiscal diligenciou no estabelecimento de METALAN, se as constatações produzidas não são refutadas mediante demonstração de efetivos contatos entre a autuada e o fornecedor, que lhe permitiriam acreditar que o fornecedor existia de fato; Fl. 5346DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.347 8 A ausência de registro de empregados por METALAN é indício que opera, juntamente com as demais evidências, em favor de sua inexistência de fato, e a possibilidade de declarações daquela empresa não terem sido processadas, ou o fato de ela ter promovido recolhimentos de contribuições previdenciárias, são aspectos insuficientes para invalidar o conjunto probatório reunido pela Fiscalização, mormente se a adquirente não evidencia ter mantido contato com qualquer pessoa que prestasse serviços para METALAN, se inexiste qualquer registro neste sentido no transporte das mercadorias correspondentes aos custos glosados, e se uma das interpostas pessoas que figuraram no quadro social de METALAN informa que foram feitos recolhimentos previdenciários em seu favor por aquela pessoa jurídica; A apresentação de DIPJ sem movimento é fato que não pode ser dissociado das declarações prestadas pela contadora Kelly Malaquias da Silva, que vinculam LINDORO, irmão do sócio da autuada, à produção das formalidades que resultaram na constituição e manutenção da METALAN para emissão das notas fiscais que ensejaram os custos glosados; O fato de as irregularidades na constituição de METALAN terem se verificado antes dos fornecimentos que ensejaram os custos glosados não é suficiente para desmerecer os indícios reunidos pela Fiscalização, na medida em que subsiste o vínculo destas irregularidades com o irmão do sócio da autuada, bem como a ausência de qualquer demonstração acerca da normalidade das contratações feitas pela autuada com tal fornecedor; Subsistem as declarações de que METALAN seria uma empresa de fachada, na medida em que são meras alegações as afirmações da recorrente de que constatou, na época das transações por intermédio do seu antigo comprador que sempre vistoriou os produtos adquiridos no local do estabelecimento seja da Metalan ou de qualquer outro fornecedor para evitar dúvidas sobre os produtos. Nenhuma prova neste sentido, ou em favor do efetivo ingresso das mercadorias no estabelecimento da autuada, foi por ela produzida; Inexiste qualquer demonstração de que a contribuinte teria sido submetida a auditorias semestrais pelo INMETRO, ou confirmação de que ela estaria efetuando corretamente os procedimentos constantes de sua certificação. Os problemas de relacionamento entre LINDORO e seu irmão, sócio da autuada, são meras alegações, e as referências às questões familiares de LINDORO são irrelevantes para o litígio. Quanto à semelhança entre depoimentos colhidos das pessoas que figuraram como interpostas pessoas no quadro social de METALAN, mais do que aparentar algo orquestrado pela Fiscalização, evidencia que LINDORO procedeu de forma semelhante em relação a duas pessoas de seu círculo de relacionamentos, para fazer figurar naquela pessoa jurídica ao menos uma pessoa viva, que pudesse assinar documentos e cheques sem a recorrente falsidade verificada nos procedimentos de constituição e alteração do contrato social de METALAN; O despacho produzido por agente fiscal da Inspetoria da Fazenda Estadual em São Gonçalo/RJ não se presta a contradizer as irregularidades apontadas no depoimento de Eloy José Ramos de Barros, na medida em que não é declarada diligência no estabelecimento de METALAN, mas apenas a realização de procedimento fiscal indeterminado que autorizaria a baixa de METALAN sem prejuízo de documentos antes emitido, a qual não se confirmou, verificandose o cancelamento da inscrição estadual com efeitos retroativos, como demonstrado pela Fiscalização; Fl. 5347DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.348 9 As dúvidas de Eloy José Ramos de Barros acerca dos remetentes de correspondências a LINDORO, e a assinatura de cheques em branco são justificáveis em razão do tempo decorrido e de sua função de caseiro. De outro lado, considerando o tempo que esta pessoa trabalhou para LINDORO, não se pode negar valor às referências por ele feitas à autuada e à intermediação, por terceiros, para movimentação formal dos documentos vinculados à IPCE, mormente tendo em conta que esta nada prova acerca da efetividade das operações questionadas; Irrelevantes, para a presente exigência, os questionamentos acerca de temas periféricos, como a visita de Eloy José Ramos de Barros a São Paulo, os serviços prestados por este no ano da morte de LINDORO, ou o real proprietário da casa em Búzios/RJ. O mesmo se diga acerca de cobranças feitas por José Nonato Lima ao sócio da autuada em razão de serviços prestados a LINDORO e de despesas deste, anteriores à sua morte; A autoridade fiscal demonstra que a quase totalidade das notas fiscais emitidas por METALAN beneficiaram a autuada, reforçando os indícios de que ela foi constituída com esta finalidade. A existência de pequena parcela de notas fiscais em favor de outros beneficiários não desqualifica o procedimento fiscal consistente na demonstração da inexistência de fato do fornecedor: A falta de apresentação de documentos e esclarecimentos exigidos pela Fiscalização está evidenciada no relato das intimações e das respostas apresentadas pela autuada, assim como está demonstrada a inconsistência da alegação de que os documentos não apresentados poderiam estar em veículo furtado. Recordese, ainda, que a recorrente observa que o veículo foi recuperado, com vidros abertos, e os documentos, embora molhados, lhe teriam sido restituídos; Dificuldades financeiras e mudança de estabelecimento não são justificativas válidas para afastar o dever de guarda da escrituração e da documentação de suporte de seus registros fiscais e contábeis, expresso no art. 264 do RIR/99, como bem observado na decisão recorrida, inclusive no que tange ás obrigações impostas aos sujeitos passivos em caso de extravio, deterioração ou destruição de livros e documentos: A forma de pagamento adotada pela contribuinte, com alegado recurso a factoring, em nada lhe favorece, porque tais circunstâncias, associadas às evidências de inexistência de fato do fornecedor, confirmam a inviabilidade de se identificar os reais beneficiários dos pagamentos promovidos, justificando a exigência do IRRF como aqui formulado; A intervenção de LINDORO em cheques emitidos por METALAN é apenas mais um indício que reforça a convicção extraída das demais evidências de que ele constituiu formalmente a METALAN apenas para emissão de notas fiscais em favor da autuada, ensejando o aumento de seus custos. Assim, nada provam as suposições erigidas pela recorrente no sentido de tentar associar esta atuação de LINDORO a outras operações; Justificar o pagamento fracionado das notas fiscais a partir do alto valor das aquisições e do volume de mercadorias adquiridas é contraditório com as alegações da recorrente no sentido de que as mercadorias seriam visadas para roubo, pois em tais circunstâncias o fornecedor não concederia prazos alargados para pagamento. Em verdade, a divisão em várias parcelas do valor devido, e a inexistência de qualquer evidência de movimentação física dos produtos, corroboram a conclusão de que as compras efetivamente não existiram e os pagamentos destinaramse a outros fins, inclusive de forma pulverizada; Fl. 5348DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.349 10 Irrelevantes as inferências acerca da conduta pessoal de LINDORO e da possibilidade de ele ter tentado ajudar as pessoas da METALAN, uma vez demonstrado que seus sócios originais eram falecidos e que as interpostas pessoas colocadas ao lado destes no quadro social eram pessoas que prestavam serviços como taxista e caseiro de LINDORO, que desconheciam qualquer atividade da METALAN; Irrelevantes as contestações contra declarações de Kelly Malaquias da Silva, na medida em que confirmadas as referências ao cancelamento da inscrição estadual da METALAN com efeitos retroativos ao seu cadastramento; As certidões forenses cíveis e criminais obtidas pela autuada em 2011 nada provam contra as evidências de inexistência de fato da METALAN, constatada naquele mesmo ano pela Fiscalização; As referências à intervenção de pessoa de nome Reinaldo nas operações entre METALAN e a autuada constam apenas de declaração colhida pela Fiscalização, sem maior especificidade, e pouco representam nas conclusões fiscais, de modo que são irrelevantes as negativas apresentadas pela recorrente acerca dos fatos a ela vinculados; A ausência de bens ou de outras posses por parte de LINDORO no momento de sua morte não afasta as constatações fiscais acerca de sua intervenção nas fraudes aqui evidenciadas; A retirada do sócio da autuada do quadro social da Indústria de Cabos Elétricos Paulista Ltda. em 2004 em nada altera as constatações acerca das operações entre METALAN e a autuada em 2006 e 2007; A existência de outro procedimento fiscal realizado pela DRF/Guarulhos, do qual poderia ter resultado exigência de IPI em duplicidade, em nada afeta a exigência objeto do presente processo administrativo, a qual não veicula créditos tributários de IPI; A baixa de METALAN em 2008 não autoriza a presunção de que todas as suas operações teriam sido conferidas pela Receita Federal, mormente tendo em conta o ato declaratório de cancelamento de seu CNPJ emitido no curso do procedimento fiscal, mas com efeitos desde a sua inscrição. Por sua vez, os efeitos do REsp n° 1.148.444/MG, bem como o art. 82, parágrafo único da Lei n° 9.430/96, restringemse aos adquirentes de boafé, quais sejam, aqueles que demonstram a veracidade da compra e venda efetuada, o que não logrou fazer a autuada; Os registros no Livro Razão, dissociados dos documentos que lhes dão suporte, são insuficientes para demonstrar o efetivo ingresso das mercadorias e sua aplicação no processo produtivo, mormente tratandose de uma indústria sujeita a controle de custos e exigências decorrentes da alegada certificação de qualidade que teria de observar; A acusação fiscal não se limita a declarar a inexistência do fornecedor em seu estabelecimento, ou a demonstrar declaração falsa de estabelecimento de origem, mas sim evidencia robusto conjunto de indícios em favor da falsidade na constituição formal do fornecedor, e da sua inexistência física, bem como do trânsito das mercadorias que teriam ensejado os custos glosados nestes autos; Não houve precipitação por parte da autoridade fiscal, mas sim inércia da contribuinte quando intimada a comprovar os elementos que, agora, aventa como Fl. 5349DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.350 11 necessários para fins de um levantamento fiscal específico de suas variações de estoque. Esta omissão, associada às demais evidências de inexistência do fornecedor das mercadorias, é suficiente para autorizar a glosa dos custos, a exigência do IRRF e a qualificação da penalidade. Em suma, se as notas fiscais não se prestam a comprovar as deduções para fins de IRPJ e CSLL, tampouco servem para dar respaldo à apropriação de créditos básicos de IPI. Portanto, deve ser mantida a autuação. Multa qualificada Aplicase multa qualificada quando ficar caracterizada a intenção de fraudar o Fisco. No caso concreto, o dolo está presente na utilização de créditos básicos de IPI fundados em documentação fiscal inidônea, emitida por entidade empresarial que não tinha existência de fato. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa, tratase de matéria cuja apreciação foge à competência do CARF (Súmula CARF nº 2). Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 5350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000190/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada.
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI.
E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo.
GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN.
O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia.
Numero da decisão: 1302-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator; votou pelas conclusões o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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GLOSAS. EXIGÊNCIAS FORMAIS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CIENTÍFICOS. INPI. BACEN Recorrente VOITH HYDRO LTDA (ATUAL DENOMINAÇÃO DE VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATION LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI. E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN. O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 90 /2 00 8- 13 Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, e no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator; votou pelas conclusões o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1626.897, de 28/09/2010, da 1ª Turma da DRJ de São Paulo (SP) que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou procedente em parte a impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 RELATÓRIO FISCAL. RAZÕES. IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É afastada a hipótese de nulidade do lançamento por falta de motivação quando o relatório fiscal contém elementos suficientes para identificação da conduta infracional e a impugnação contesta detalhadamente os fatos imputados à fiscalizada. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia quando as explicações e elementos documentais juntados aos autos compõem instrução probatória suficiente para a formação do convencimento do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. CONTROLADORA NO EXTERIOR. AVERBAÇÃO NO INPI. E vedada a dedução de despesas incorridas com pagamentos de serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior, quando os respectivos contratos estão desprovidos de averbação junto ao Instituto Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 4 3 Nacional de Propriedade Industrial ou, se forem descumpridos seus termos e prazo. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REGISTRO NO BACEN. O registro no Bacen de contrato de serviço de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados tomados de controladora domiciliada no exterior é requisito de dedutibilidade do respectivo pagamento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tomadora dos serviços, independentemente de ocorrida transferência de tecnologia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O registro no Bacen e a averbação no INPI de contratos causadores de pagamentos de royalties e remuneração por serviços técnicos tomados de controladoras domiciliadas no exterior são condições de dedutibilidade de despesa previstas exclusivamente na legislação do Imposto sobre a Renda, não se comunicando para a base de cálculo da CSLL. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados As infrações do IRPJ imputadas à contribuinte são as seguintes: a) dedução, em duplicidade, de despesa de Cide, a título de royalties pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$439.359,21, enquadrada nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 299 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto n° 3.000/1999); b) dedução de despesas de royalties pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$ 522.191,01, em inobservância dos requisitos legais previstos nos artigos 352, 353 e 355 do RIR/1999; c) dedução de despesas com assistência técnica, pagos a beneficiários no exterior, no valor de R$ 8.467.113,90, com base nos artigos 249, inciso I, 251, caput e parágrafo único, 354 e 355 do RIR/1999. O caso envolve, principalmente, questões relativas à dedutibilidade de despesas referentes a pagamentos efetuados pela fiscalizada para suas controladoras indiretas, domiciliadas na Alemanha. As remessas para o exterior diziam respeito a 12 (doze) contratos de prestação de serviços, cujo objeto residia em projetos de implantação de turbinas para a geração de hidroenergia. As normas legais e regulamentares a respeito, definem que tal objeto contratual caracteriza transferência de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica científica. Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 5 4 Sendo assim, a fiscalização entendeu que para ser devida a dedutibilidade em questão, a fiscalizada deveria atender às exigências formais específicas que, no caso, determinam a prévia averbação de tais contratos no INPI e o respectivo registro no BACEN. Isso porque, na interpretação da fiscalização às normas específicas aplicáveis, as remessas para empresas ligadas, domiciliadas no exterior, regra geral, seriam indedutíveis e, somente em tal excepcionalidade (contratos entre controlada local e controladora no exterior, averbados no INPI e registrados no BACEN), poderiam representar despesas dedutíveis. Assim, em relação a esse principal ponto controvertido, a DRF e a DRJ concluíram que seriam indedutíveis as remessas da fiscalizada para suas controladoras no exterior. De outro modo, na primeira oportunidade em que o recurso voluntário foi submetido ao Carf, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1103000.147, de 31/07/2014), para que o INPI e o BACEN fossem ouvidos, sobre a real necessidade de averbação e registro, respectivamente, dos doze contratos firmados pela fiscalizada e suas controladoras no exterior. Assim, foram designadas à DRF as seguintes providências: a) em relação ao pedido da fiscalizada, quanto à necessidade de perícia: intime o autuado a apresentar, em 60 (sessenta) dias, por meio do técnico indicado, respostas aos quesitos formulados às fls.39/40 da impugnação, podendo a RFB, caso entenda necessário, designar outro perito para também se manifestar sobre a questão; b) intime o autuado a apresentar os contratos de prestação de serviços relativos às remessas objeto dos Contratos de Câmbio n° 03/008163, 03/046631, 03/046632, 03/046633, 03/046634 e 03/046635, ou outros instrumentos que tenham lastreado os acordos de execução, trasladados para a língua portuguesa por tradutor juramentado, se for o caso; c) oficie o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para informar, à luz dos contratos de prestação de serviços/instrumentos disponibilizados pelo contribuinte (item b), se era necessário o registro/averbação nos termos do art.211 da Lei n° 9.279/96; d) oficie o Banco Central do Brasil (Bacen) para, levandose em conta o disposto na CircularBacen n° 2.816, de 15/4/98, e o art.50 da Lei n° 8.383/91, ou outro ato normativo vigente no anocalendário 2003, informar se todos os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, que envolvam operações contratadas com fornecedores e/ou financiadores não residentes no país, devem ser objeto de registro, ou se apenas os que envolvam fornecimento de tecnologia, e como se efetua tal registro, podendo prestar esclarecimentos adicionais sobre a matéria; e) após as providências acima, elabore relatório circunstanciado; f) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às considerações constantes do respectivo relatório, no prazo legal de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto n° 7.574/11; g) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. A perícia técnica (negada pela DRJ e deferida pelo Carf), foi realizada por profissional habilitado, contratado pela fiscalizada. O parecer técnico conclusivo a respeito, Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 6 5 indicou, de forma geral, que os serviços contratados pela fiscalizada perante suas controladoras, na Alemanha, não visavam capacitar a fiscalizada de forma que passasse a realizar tais atividades de modo autônomo. Indicouse que, somente haveria transferência de tecnologia, em sentido técnico, caso a fiscalizada passasse a não mais depender da prestadora para dar continuidade aos trabalhos. A perícia também concluiu que, os contratos não caracterizavam prestação de serviços de assistência técnica e científica. À vista dessas conclusões, a fiscalizada manifestouse (fls. 1587/1603) ressaltando que, a perícia estaria reforçando sua tese de que, por não haver transferência de tecnologia e por não caracterizar prestação de serviços de assistência técnica e científica, não haveria a obrigatoriedade de averbação no INPI e registro no Bacen dos 12 contratos em questão. De outro modo, o INPI e o Bacen concluíram que as cláusulas e condições dos contratos exigiam tal averbação e registro. A respeito do parecer técnico e das manifestações das Autarquias, a fiscalização apresentou Relatório de Diligência Fiscal (RDF), fls. 1565/1581. Reforçou seu entendimento de que, a referida falta de averbação no INPI e registro no BACEN, impediam a fiscalizada de proceder à dedução de tais despesas. Assim, concluiu pela manutenção das glosas, conforme Autos de Infração (fls. 994/1203). Os autos retornaram ao Carf. É o suficiente para o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram apreciados e o recurso foi conhecido, conforme Resolução nº 1103000.147, de 31/07/2014, 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção. Preliminares Violação ao Princípio da Verdade Material A fiscalizada alega que, a autoridade fiscal não teria analisado suas escritas contábeis e, por tanto, não teria havido o empenho necessário para se buscar a verdade material. Alega que, se houvesse analisado sua contabilidade não teria concluído que houve remessa em excesso ao exterior, a título de royalties, nem mesmo que para haver a dedutibilidade em questão, seria obrigatórios a averbação no INPI e registros no BACEN. Citou ementas de acórdãos sobre a verdade material. Observase que a fiscalizada não indicou, em relação à sua escrita contábil, qual informações ou valores não teriam sido observados pela fiscalização, ao ponto de influir na reversão da conclusão em seu favor. Violação ao Princípio da Motivação Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 7 6 Também alegou que teria havido violação ao princípio da motivação. No entendimento da fiscalizada, a fiscalização não teria fundamentado sua conclusão de que os referidos contratos representavam a ocorrência de "transferência de tecnologia" das controladoras indiretas, na Alemanha, para a fiscalizada no Brasil. Disse que a falta dessa fundamentação tornaria nulo os autos de infração. Da mesma forma, não é possível, em preliminar, analisar se a fiscalização não dispunha de motivação para considerar que os trabalhos previstos contratos em questão não prevêem ou não caracterizam "transferência de tecnologia". Nesse sentido, entendo que, tanto a alegação sobre a violação ao princípio da verdade material, quanto ao princípio da motivação, envolve aspectos mais afetos às questões de mérito a serem apreciadas à frente. Sendo assim, não vejo como tais alegações fundamentar o pedido de nulidade dos autos de infração. Cerceamento de Defesa Ao mesmo tempo, salienta que a DRJ teria apresentado motivação diversa da fiscalização, pelo fato de que teria fundamentado sua decisão no sentido de que, sempre que contratos de serviços técnicos com controladora no exterior não obtiverem registro ao menos no BACEN, o tomador dos serviços não estaria autorizado a deduzir as respectivas despesas da base de cálculo do IRPJ, sendo insuficientes os requisitos do art. 299 do RIR/99 (p. 25 in fine c/c p. 31, 5o parágrafo, ambas do Acórdão recorrido). Citou ementa de acórdão do Carf, sobre cerceamento de defesa, em caso de decisão de primeira instância, com base em motivação diferente dos fundamentos do auto de infração. Na realidade, a DRJ apenas mencionou que esse entendimento também seria aplicável ao caso. Mas, sobretudo, ressaltou que era necessário seguir as mesmas premissas adotadas pela fiscalização para a apreciação da Impugnação. Sendo assim, também não há como acolher a pretensão da fiscalizada de ver anulado o auto de infração com tal alegação. Mérito Glosa de Despesas de Royalties deduzidas em Duplicidade Glosa de R$439.359,21 O Acórdão recorrido confirmou a conclusão da fiscalização de que houve dedução em duplicidade do valor de R$439.359,21, referentes ao pagamento da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (CIDE). Destacamse, a respeito, os seguintes registros da DRJ: A fiscalizada deduziu das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, do anocalendário 2003, o montante líquido de R$14.208.032,67, a título de despesas com "Royalties e Assistência Técnica Exterior" (Ficha 05A/Linha 26 da Dipj), consistente na diferença entre a despesa total informada a esse título (R$15.585.249,22) e a correspondente parcela não dedutível (R$1.377.216,55). Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 8 7 Conforme esclarecido pela própria fiscalizada, em seu expediente datado de 07/11/2008, o montante informado na Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ do ano calendário de 2003 referese apenas aos "royalties" remetidos ao exterior. Ainda que a fiscalizada possa ter cometido um equívoco na elaboração da DIPJ na medida que alega que o pagamento da CIDE de R$439.359,21 foi contabilizado indevidamente na Linha "Royalties e Assistência Técnica", quando o correto seria contabilizar em "Outros Impostos e Taxas", da Linha 14 da Ficha 05A dele não poderia resultar uma ilícita diminuição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como os contratos de câmbio comprovam despesas de "royalties" no valor de R$13.768.673,46 (nele incluídos tanto a CIDE quanto o IRRF devidos), em nenhuma hipótese o valor líquido deduzido a tal título poderia excedêlo, haja vista que as despesas necessariamente devem ser lastreadas em documentação hábil e idônea que as comprove. O valor da CIDE de R$439.359,21 não poderia ser informado como despesa em outra linha da Ficha 05A ("Despesas Operacionais") da DIPJ, ao contrário, deveria ser subtraído, porquanto aumentaria ainda mais o montante das despesas operacionais que já estavam indevidamente superestimadas, em razão do cômputo duplicidade o valor de R$439.359,21. A impugnante sustenta que o valor da CIDE de R$439.359,21 teria sido contabilizado indevidamente na conta de "Despesas de Royaltiesexterior", ao invés da conta "Outros Impostos ou Taxas", mas que, de qualquer maneira, não teria ocorrido o reconhecimento em duplicidade dessa despesa, na medida que, diferentemente da legislação do imposto de renda, não estava obrigada a reter na fonte o valor dessa contribuição e, portanto, o valor da Cide não poderia integrar "por dentro" o valor das remessas de R$13.768.673,46. A contribuinte quer fazer crer que a conta de "Despesas c/ RoyaltiesExterior" não conteria a CIDE e, que, no caso concreto, a CIDE correspondente à remessa do contrato 03/004443, de R$439.359,21, fora contabilizada por equívoco junto a referida conta. Simetricamente, em relação à DIPJ/2004, quer fazer crer que na composição do valor da referida despesa informado à Linha 26 da Ficha 05A não estaria, em regra, incluída a CIDE e que o equívoco não implicou reconhecimento em duplicidade da despesa. De fato, conforme determina o art. 725 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto de renda devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, procedimento que não se aplica à CIDE, tendo em vista a inexistência de previsão legal. Todavia, o autuante não pôs em dúvida a base de cálculo da CIDE apurada pela contribuinte. Seu procedimento consistiu em identificar as parcelas que compõem a despesa com royalties remetidos ao exterior e verificar a consistência das informações prestadas na DIPJ. Os elementos dos autos indicam, ao contrário do que alega a Impugnante, que os valores das remessas e dos correspondentes IRRF e CIDE foram reconhecidos na conta "Despesas c/ RoyaltiesExterior" e que o valor da contribuição referente ao contrato de câmbio n° 03/004443 foi deduzido, efetivamente, em duplicidade. Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 9 8 De acordo com os dados constantes dos próprios contratos de câmbio, temse que a soma das parcelas correspondentes às remessas, ao IRRF e a CIDE é de R$13.768.673,46 (R$ 2.917.499,66 + R$ 2.584.429,22 + R$ 1.235.160,00 + R$ 2.637.992,53 + R$4.393.592,05). Por sua vez, identificase no razão da conta "Despesa c/ RoyaltiesExterior" um lançamento a débito de R$439.359,21, que a própria contribuinte reconhece que corresponde à CIDE do contrato de câmbio n° 03/004443 e que, somado ao valor de R$13.768.673,46, corresponde ao valor líquido da despesa de royalties remetidos ao exterior, informado à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004, de R$14.208.032,67. Assim, evidenciado que no montante das parcelas das despesas relacionadas com os royalties no valor de R$13.768.673,46 já estava contida a CIDE, a identificação de um lançamento extra a débito de R$439.359,21 na conta "Despesas c/ RoyaltiesExterior" demonstra que ele foi reconhecido em duplicidade. Caso se admitisse a tese da Impugnante de que a Cide estaria sendo reconhecida "por fora" do valor da despesa de royalties informado à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004, tal valor seria assim composto: R$10.326.505,09, a título da remessa de royalties, e R$2.065.301,02, a título do IRRF, chegando a um montante de R$ 12.391.806,11. Adicionandose a equivocada CIDE de R$439.359,21, obterseia um valor final de R$12.831.165,32, também incompatível com aquele valor líquido informado pela própria fiscalizada na DIPJ (R$14.208.032,67). Diante dessa fundamentação da DRJ, verifico que houve dedução em duplicidade do valor correspondente à CIDE de R$ 439.359,21. Assim, adoto as razões de decidir da DRJ e voto por negar provimento ao recurso voluntário, neste ponto, para manter a glosa de R$439.359,21. Glosa de despesas de "royalties" pagos a beneficiários no exterior, por inobservância dos requisitos legais Glosa de R$522.191,01 Em sequência a tal análise sobre inconsistências nas informações prestadas na DIPJ/2004 e deduções indevidas, a DRJ analisou se o valor total dos "royalties" remetidos ao exterior (R$13.768.673,46) poderia ser integralmente deduzido das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, à vista das disposições contidas no art. 352, art. 353 e art. 355 do RIR/1999. Da análise destacamse os seguintes fatos e fundamentos: A fiscalizada apresentou o "Contrato de Fornecimento de Tecnologia Industrial", celebrado entre ela e a "Voith Siemens Hydro Power Generation GmbH & Co. KG" (fls. 156/164), por meio do qual essa se comprometia a fornecer à impugnante a tecnologia necessária ao desenvolvimento da geração de hidroenergia (incluindo turbinas, geradores e componentes associados). Conforme Cláusula 2a desse contrato, o seu objeto consistia na tecnologia de fabricação para geração de hidroenergia, nele também incluídos os melhoramentos e aperfeiçoamentos, informações técnicas como dados, esboços, conceitos e projetos que produzam experiência e técnicas, segredos comerciais, "knowhow", documentos e modelos não patenteados que forem acrescentados ao processo de fabricação. Nos termos da legislação de regência, a dedutibilidade dos "royalties" pagos pela fiscalizada a sua controladora indireta na Alemanha depende, dentre outros requisitos, da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, bem como da observância do prazo e das condições estabelecidas neste ato. Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 10 9 Em cumprimento, o "Contrato de Fornecimento de Tecnologia Industrial" foi averbado no INPI e, nos termos constantes do Certificado de Averbação n° 020201/01, de 05/04/2001, a remuneração inicialmente prevista no contrato correspondia a 3% sobre o preço líquido de venda, sendo posteriormente alterada para 5% (fls. 151/155). A contribuinte foi intimada a comprovar os valores informados a título de "royalties" e, segundo demonstrativos elaborados por ela mesma (fls. 327, 339 e 1109), no anocalendário de 2003, os valores devidos a título de "Royalties líquido ref. a Tecnologia", IRRF e CIDE perfizeram R$13.246.482,45. Percebese que as parcelas que compõem esse montante correspondem à composição do valor da despesa operacional informada pela contribuinte à Linha 26 da Ficha 05A da Dipj/2004, denominada "Royalties e Assistência Técnica EXTERIOR". Portanto, se a própria contribuinte reconhece e, reiteradamente, apresenta demonstrativos que indicam que o valor efetivo das remessas de royalties, acrescidos do IRRF e Cide, foi de R$ 13.246.482,45, é de se concluir que este é o valor que deveria ter sido informado à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004 e, não, os R$ 13.768.673,46 originalmente declarados, razão pela qual procede a glosa da diferença entre tais montantes, correspondente a R$ 522.191,01. Deve ser salientado que esta glosa foi levada a efeito pela autoridade fiscal durante a análise da consistência da despesa operacional informada à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004, cuja composição compreende o valor das remessas de "royalties" e os respectivos IRRF e CIDE. Assim, infundadas as alegações de que o autuante teria agido incorretamente ao omitir de seu demonstrativo outras informações referentes ao cálculo dos "royalties", como taxas, insumos, comissões, fretes, seguros, embalagens, Pesquisa c Desenvolvimento (P&D), tendo em vista que essas despesas não estavam sob auditoria, na medida que eles não compõem a referida Linha 26 da Ficha 05A da Dipj/2004. É de se observar, ainda que nos termos do art. 355, caput do RIR/1999, o limite máximo de dedução, como despesas operacionais, das quantias devidas a título de "royalties", assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, é de até cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido, o que não autoriza concluir que o contribuinte tenha direito subjetivo à dedução desse valor, sem que a correspondente de tenha sido efetivamente incorrida. Portanto, se pelos cálculos da Impugnante o limite máximo de dedutibilidade corresponde a R$ 17.594.294,38 (5% de R$ 351.885.896,80), ela somente teria direito à dedução integral desse valor, caso demonstrasse que esse também foi o valor da despesa incorrida A própria contribuinte, em suas informações, demonstra que a despesa efetivamente incorrida no ano calendário 2003 foi de R$13.246.482,45 e, assim, seria este o valor que deveria ter sido indicado à Linha 26 da Ficha 05A da Dipj/2004 (valores devidos a título de "Royalties líquido ref a Tecnologia", IRRF e CIDE) e não, R$13.768.673,46. Diante dessa fundamentação da DRJ, verifico que os "royalties" remetidos em 2003 calculados nos termos do Certificado de Averbação INPI n° 020201/02 e informados pela própria recorrente (fls. 327 e 339) deveriam limitarse a R$13.246.482,45, enquanto que, o valor remetido foi de R$13.768.673,46. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 11 10 Sendo assim, adoto as razões de decidir da DRJ para negar provimento ao recurso voluntário, também neste ponto, para manter a glosa referente a diferença entre tais montantes (R$522.191,01), porquanto a legislação tributária só admite a dedução nos estritos termos da averbação. Considerandose tais conclusões, cabe ainda negar provimento ao recurso voluntário para manter também a incidência de CSLL, no que diz respeito à referida glosa de despesa reconhecida em duplicidade de R$439.359,21, correspondente à CIDE referente à remessa efetuada por meio do contrato de câmbio n° 03/004443; e à glosa acima analisada de R$ 522.191,01, resultado da diferença entre o valor informado à Linha 26 da Ficha 05A da DIPJ/2004 (valores devidos a título de "Royalties líquido ref a Tecnologia", IRRF e Cide) e o valor indicado nos documentos e demonstrativos apresentados à fiscalização, perfazendo um montante a ser mantido de R$ 1.370.372,75. Glosa de despesas de pagamentos de assistência técnica, científica ou tecnológica efetuados a beneficiários no exterior, por inobservância dos requisitos legais Como visto, além dos contratos de câmbio relacionados aos "royalties", o fiscalizado também foi intimado (Termo de Intimação n° 08) a prestar esclarecimentos acerca de outros 12 contratos, dentre os quais, dez deles referentes a remessas como contraprestação por serviços técnicos. Os contratos de câmbio vinculados à presente glosa são os de n° 03/001329, 03/006985, 03/008163, 03/009998, 03/015002, 03/046631, 03/046632, 03/046633, 03/046634 e 03/046635, sendo que os valores da remessa foram debitados contra o resultado, mediante conta de despesa de serviços de terceiros, acrescidos do respectivo IRRF, no montante de R$8.467.113,90: Nº Contrato Câmbio Valor Remessa Moeda Estrangeira Valor Remessa (R$) Valor IRRF (R$) Despesa Total (R$) 03/001329 € 538.838,00 R$ 1.857.913,42 R$ 625.452,62 R$ 2.483.366,04 03/006985 € 9.780,00 R$ 38.122.44 R$ 12.707,48 R$ 50.829,92 03/008163 €308.189,00 R$ 1.122.116,15 R$ 375 515,97 R$ 1.497.632,12 03/009998 G 19.000,00 R$ 69.545,70 R$ 23.181,90 R$ 92.727,60 03/015002 €91.785,94 R$ 306.014.32 R$ 102.608,21 R$ 408.822,53 03/046631 G 394.504,00 R$ 1.437.178,07 R$ 479.059,36 R$ 1.916.237,43 03/046632 € 33.140,00 R$ 120.729,02 R$ 40.243,01 R$ 160.972,03 03/046633 €33.140,00 R$ 120.729,02 R$ 40.243,01 R$ 160.972,03 03/D46634 € 29.000,00 R$ 105.647,00 R$35.215,67 R$ 140.862,67 03/046635 C320.071,00 R$ 1.166.018.65 R$ 368.672,88 R$1.564.691,53 Despesas totais contabilizadas (R$) R$8.467.113,90 A recorrente efetuou pagamentos por serviços técnicos tomados de suas controladoras localizadas na Alemanha. Conforme informações prestadas à autoridade fiscal, os contratos indicam os seguintes objetos: "Fornecimento de Serviços e Assistência Técnica" e "Serviços Técnicos Profissionais", em relação ao quais o Acórdão recorrido destacou os seguintes fatos e fundamentos: A fiscalizada foi intimada a esclarecer cada transação comercial que deu origem à respectiva remessa, evidenciando o tipo de serviço prestado (se de natureza técnica, científica, administrativa ou semelhante), bem como o local e a maneira que se deu tal prestação (por exemplo, se técnicos, desenhos ou instruções foram enviadas ao País, ou se os estudos técnicos foram realizados no exterior por conta da empresa). Também foi intimada a apresentar cópias dos contratos firmados que deram origem Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 12 11 às remessas em tela, bem como a esclarecer se possuem registros no Banco Central do Brasil e/ou no INPI. Quanto aos registros no Banco Central do Brasil e no INPI, o fiscalizado evidenciouos apenas em relação ao contrato n° 03/001329. A fiscalizada assinalou, em sua correspondência de 24/11/2008 (fls. 146/147), que os valores concernentes a esses 10 contratos foram lançados a débito como despesas de serviços de terceiros. Embora o contrato de câmbio n° 03/001329 refirase a pagamento decorrente de contrato de prestação de serviços averbado no INPI, a correspondente despesa é indedutível, haja vista que foi descumprido um dos termos da averbação, qual seja, seu prazo, pois era restrito ao segundo semestre de 2002 (01/07/2002 a 31/12/2002), enquanto a despesa deduzida se refere ao ano de 2003 (a própria "Invoice n°DR20325013" é datada de 2003, assim como o reconhecimento contábil da despesa se deu neste ano), razão pela qual há que se glosar o valor total de R$ 2.483.366,04. Quanto aos demais contratos, pelas características dos serviços prestados pela controladora estrangeira, concluise pela necessidade de registro do contrato no Banco Central do Brasil e da competente averbação no INPI, como requisitos indispensáveis para a dedutibilidade dos valores envolvidos, conforme determinam os artigos 354 e 355 do RIR/99. Haja vista que não foi apresentado o registro no Banco Central do Brasil, tampouco a competente averbação no INPI, não restou comprovado o cumprimento dos requisitos legais impostos para a dedutibilidade da quantia desembolsada, razão pela qual impõese a glosa no valor total de R$ 8.467.113,90. Conforme exposto no relatório retro, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção converteu o primeiro julgamento do Carf em diligência (Resolução nº 1103000.147, de 31/07/2014), para que o INPI e o BACEN fossem ouvidos, sobre a real necessidade de averbação e registro, respectivamente, dos doze contratos firmados pela fiscalizada e suas controladoras no exterior. O BACEN respondeu à autoridade fiscal (Ofício 000645/2015 BCB/Decon/Diadi/Coadi02, de 21/01/2015, fls. 1474/1476), nos seguintes termos: Referimonos aos expedientes em epígrafe, por meio dos quais são solicitadas informações sobre o registro, no Banco Central do Brasil, de contratos de prestação de serviços de assistência técnica e transferência de tecnologia contratados com não residentes. A propósito, a nossa área técnica se manifestou nos seguintes termos: 2. A Circular BCB nº 2.816, de 15 de abril de 1998, regulamentou parte da Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 2.337, de 28 de novembro de 1996, que estabeleceu estarem sujeitos ao registro no Banco Central do Brasil (BCB) os investimentos externos no País, os empréstimos e financiamentos concedidos a residentes no Pais, e as transferências de tecnologia contratadas entre residentes e não residentes no Pais, em moeda nacional ou estrangeira, ou sob a forma de bens ou serviços e instituiu o Registro Declaratório Eletrônico RDE no BCB. O artigo 1º da Circular BCB nº 2.816/98 detalhou as operações contratadas com fornecedores e/ou Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 13 12 financiadores não residentes no País e averbadas pelo Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (1NP1) sujeitas ao RDE. 3. As modalidades elencadas nos incisos I a V do artigo mencionado, (quais sejam, fornecimento de tecnologia, serviços de assistência técnica, licença de uso ou cessão de marca, licença de exploração ou cessão de patente, e franquia, desde que averbadas pelo INPI, ainda estão, por si sós, todas sujeitas a registro. Além dessas, outras modalidades que viessem a ser averbadas por aquele Instituto bem como os serviços técnicos complementares ou outras despesas não sujeitos, por si sós, a averbação no INPI. mas vinculados às operações enunciadas e, ainda, o financiamento dessas operações também devem ser registrados. Ressaltamos que informar o Certificado de Averbação do INPI era, e continua sendo, condição necessária para a conclusão do registro dessas operações em modalidade especifica no módulo Registro de Operações Financeiras ROF. do RDE. 4. Por fim, informamos que os atos normativos regulamentando o registro, neste Banco Central, de capitais estrangeiros referentes a operações financeiras, vigentes entre 2003 e 2005, como a Resolução CMN nº 2.337/96, e as Circulares BCB nº 2.731/96 e nº 2.816/98, entre outros, foram revogados e substituídos pela Resolução CMN nº 3.844, de 23 de março de 2010, e pela Circular BCB nº 3.689, de 16 de dezembro de 2013. Mais informações operacionais sobre o Registro Declaratório Eletrônico, inclusive o módulo ROF. podem ser encontradas na página do Banco Central do Brasil na internet, no endereço http://www. bcb.gov. br/?rdemanuais. O INPI apresentou sua resposta, por meio do Ofício n° 654/2015 PR/GAB/INPI, de 24/08/2015 (fls. 1560/1564), nos seguintes termos: Tratase de consulta formulada pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo, de 07/04/2015, por intermédio do Ofício n° 15/2015/DEMAC SP/SRRF08/RFB/MFSP relacionada a pedido de informação sobre o objeto das Faturas de prestação de Serviços de Assistência Técnica prestados à empresa VOITH HYDRO LTDA. (atual denominação de VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATIONS LTDA.). Foram apresentadas as Faturas n.°s DR20325013; DR20325099; DR20325097; DR20325096;DR20325160 e DR20325060 e seus respectivos contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil. Com intuito de manifestação quanto à necessidade de averbação nos termos do artigo 211 da Lei n° 9.279/96, informamos que são registrados no INPI a prestação de serviços de assistência técnica e científica que relacionados a atividade fim da empresa, bem como aqueles relativos a atividades relacionadas à obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação , bem como pesquisas, estudos e projetos destinados á execução de prestação de serviços especializados. Também são passíveis de averbação e registro os serviços prestados em equipamentos e/ou máquinas no exterior quando acompanhados por técnico brasileiro e/ou gerarem qualquer tipo de documento. Os demais serviços são classificados pelo Banco Central do Brasil como Serviços Técnicos Profissionais por não implicarem em transferência de tecnologia. Analisando a descrição dos serviços objeto das Faturas apresentadas, verificouse que os serviços são relacionados à atividade fim da empresa, neste caso específico, relacionado à "Fabricação de Geradores, Transformadores e Produtos Elétricos", e se caracterizam claramente transferência de tecnologia, uma vez que se enquadram nas características citadas anteriormente. Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 14 13 Dessa forma, entendemos que o registro no SISBACEN Sistema do Banco Central do Brasil deveria ter sido feito após a averbação dos documentos nesse Instituto na natureza cambial denominada "Serviço de Assistência Técnica" conforme art. 3o do Regulamento Anexo III à Resolução BACEN n° 3.844/2010, transcrito abaixo: "Art. 3o O registro de contratos de uso ou de cessão de patentes, de marcas de indústria ou de comércio, de fornecimento de tecnologia e de outros contratos da mesma espécie, bem como contratos de prestação de serviços de assistência técnica e de franquia, somente deve ser efetuado após a averbação do contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)." Dado o exposto, sugerimos envio da seguinte carta em resposta a DEMAC/SP: Prezado Senhor, Em atenção à solicitação contida no Ofício n° 15/2015 DEMAC SP/SRRF08/RFB/MFSP de 07/04/2015, informamos a Vossas Senhorias que os serviços objeto das Faturas n° DR20325013; DR20325099; DR20325097; DR20325096; DR20325160 e DR20325060 são tipicamente caracterizados como transferência de tecnologia, nos termos do disposto no artigo 211 da Lei n° 9.279/96, e estão relacionados à atividade fim da empresa. Dessa forma, entendemos que o registro no SISBACEN Sistema do Banco Central do Brasil deveria ter sido feito após a averbação dos documentos nesse Instituto na natureza cambial denominada "Serviço de Assistência Técnica" conforme art. 3o do Regulamento Anexo III à Resolução BACEN n° 3.844/2010. À vista das manifestações do BACEN e do INPI, a fiscalização registrou a seguinte conclusão no referido Relatório de Diligência Fiscal: 19. As conclusões do INPI corroboram, sem sombra de dúvidas, o que já havia sido consignado na acusação fiscal (v. Termo de Verificação Fiscal fls. 943/969). A autarquia federal confirmou a necessidade do adequado registro no Bacen, após a averbação dos documentos no INPI. Restou evidente, pois, o descumprimento dos requisitos legalmente impostos para a dedutibilidade dos valores desembolsados pela autuada. De seu lado, a recorrente apresentou as respostas dadas, por meio de Laudo Pericial do Professor Doutor Koelle (fls. 1034 e 1035), aos quesitos que haviam sido propostos com o objetivo de orientar a perícia deferida pelo Carf. Analisados tais quesitos e respostas, verificase que as conclusões do perito indicam que não seria possível à recorrente passar a realizar de forma independente, os trabalhos realizados no âmbito dos contratos firmados com suas controladoras na Alemanha. Devido a essa dependência, o perito indicou, por meio de termos técnicos, que o objeto dos contratos sob exame não caracterizariam "transferência de tecnologia". Com base nas conclusões técnicas registradas no Laudo Pericial, a recorrente sustenta que as despesas decorrentes dos contratos periciados poderiam ser deduzidas das bases do IRPJ e da CSLL, independentemente de averbação no INPI e registro no BACEN, com fundamento exclusivamente nas disposições do art. 299 do RIR/99. Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 15 14 Alega que somente estaria sujeita aos comandos dos artigos 354 e 355 do RIR/99, caso ocorrido uma efetiva "transferência de tecnologia", o que não se verificaria em seu caso, motivo pelo qual as respectivas despesas seriam dedutíveis por força da regra geral prevista no art. 299 do RIR/1999. Sobre tal entendimento da recorrente, o Acórdão recorrido apresenta os seguintes fundamentos: A legislação do imposto de renda, à semelhança do tratamento dispensado aos royalties, também impõe uma série de condições para que seja autorizada a dedução, como despesa operacional, das importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, encontrandose o assunto regulamentado pelo artigo 354 do RIR/99. As despesas realizadas pela pessoa jurídica serão dedutíveis, como regra geral, no momento em que forem incorridas ou pagas e quando se mostrarem necessárias, usuais ou normais no tipo de operações ou atividades da empresa, nos termos preconizados pelo art. 47 da Lei n° 4.506/1964, regulamentado no art. 299 do RIR/1999. Os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade são condições gerais mínimas para que qualquer despesa possa ser considerada dedutível na determinação do Lucro Real. Sem prejuízo da observância da regra geral de dedutibilidade tributária, o legislador fixou outras restrições específicas às remessas de importâncias efetuadas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de pagamentos de royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante. A Lei n° 4.131/1962, que disciplinou a aplicação do capital estrangeiro e as remessas de valores ao exterior, vedava que filial ou subsidiária de empresa estabelecida no Brasil enviasse a sua matriz com sede no exterior royalties pelo uso de patentes de invenção e de marcas de indústria e comércio, bem como a dedução desses valores da base de cálculo do imposto de renda. Posteriormente, a Lei n° 4.506/1964, que tratou do imposto de renda, além de manter a mesma vedação de dedutibilidade dos royalties, também estendeu a proibição de dedução para os pagamentos efetuados a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante quando existente a mencionada vinculação entre a pessoa jurídica nacional e a estrangeira. Finalmente, com o advento da Lei n° 8.383/1991, o legislador passou a autorizar a dedução dessas importâncias para fins de apuração do Lucro Real, desde que observados os seguintes requisitos: (i) o contrato deveria ter sido celebrado depois de 31/12/1991, devendo estar (i.i) averbado no INPI e (i.ii) registrado no BACEN; e, (ii) serem observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor. Os condicionamentos legais que autorizam a atual dedução de importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, regulamentados pelos artigos 352 a 355 do RIR/1999, permitem concluir que a política cambial e tributária procura restringir remessas de tais naturezas quando as partes são relacionadas, indicando que, nestas situações, a não dedutibilidade dessas despesas é a regra, somente ultrapassada pela via da exceção, quando atendidos Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 16 15 determinados limites e requisitos, dentre os quais, o registro no Bacen e a averbação no INPI dos respectivos contratos. Portanto, se os contratos de serviços técnicos prestados por controladora no exterior não forem passíveis de registro no Bacen e de averbação no INPI, o tomador dos serviços no País não estará autorizado a deduzir os respectivos pagamentos da base de cálculo do IRPJ, na medida que a essa modalidade de despesa, além da necessária observação dos requisitos gerais de dedutibilidade discriminados no art. 299, ainda são impostas as regras específicas dos artigos 352 a 355 do RIR/1999. Assim, não é correto afirmar que os pagamentos decorrentes de contratos que não envolvam transferência de tecnologia, ou que não estejam registrados nestes órgãos possam ser classificados como despesas dedutíveis, somente por aplicação da regra geral prevista no art. 299 do RIR/99. A glosa ora contraposta foi efetuada segundo a conclusão do autuante de que as operações contratadas pela fiscalizada caracterizaram transferência de tecnologia, sendo assim, necessário enfrentar a questão a partir dessa premissa. O INPI é uma autarquia cuja finalidade principal é executar as normas que regulam a propriedade industrial, tendo em vista sua função social, econômica, jurídica e técnica, cabendolhe o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros, nos termos do artigo 211 da Lei n° 9.279/1996 (Lei de Propriedade Industrial). A autarquia, ao regulamentar o referido art. 211 da LPI, editou o Ato Normativo INPI n° 135/97, que, em seu item 2, trouxe o seguinte entendimento: 2. O INPI averbará ou registrará, conforme o caso, os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas) e os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica), e os contratos de franquia. Por sua vez, o art. 354 do RIR/1999, em seu § 3°, incorporando a excepcionalização trazida pela Lei n° 8.383/1991, consigna que a vedação à dedução fiscal de despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, quando pagas ou creditadas pela sociedade com sede no Brasil a sua controladora no exterior, não é aplicável aos contratos assinados e averbados no INPI: Art. 354.(...) § 2" Não serão dedutíveis as despesas referidas neste artigo, quando pagas ou creditadas (Lei n° 4.506, de 1964, art. 52, parágrafo único): I pela filial de empresa com sede no exterior, em beneficio da sua matriz; II pela sociedade com sede no Brasil a pessoa domiciliada no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, o controle de seu capital com direito a voto. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 17 16 § 3o O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei n" 8.383, de 1991, art. 50). O § 3o do art. 355 do Regulamento, em simetria com o dispositivo anterior, além de repetir a necessidade de averbação no INPI, como condição de dedutibilidade, relaciona as atividades de "assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços especializados" à expressão "transferência de tecnologia": Art. 355. (...) §3° A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade IndustrialINPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n 9.279, de 14 de maio de 1996. Os serviços discriminados no § 3o do art. 355 do RIR/1999 (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados), podem envolver, ou não, transferência de tecnologia, cabendo ao INPI a atribuição de averbar contratos de prestação de serviços que apresentem essa característica. Portanto, a identificação de quais seriam estes contratos passa, necessariamente, pela visão do órgão responsável por suas averbações, acerca do alcance da expressão "transferência de tecnologia". As informações prestadas pelo INPI em seu sítio eletrônico na Internet (www.inpi.gov.br), levam à conclusão de que é possível ocorrer transferência de tecnologia, ainda que não seja este o objeto do contrato de prestação de serviço, a teor de sua manifestação sobre os efeitos da averbação, conforme tela impressa de fis. 777: Efeitos da averbação/registro A averbação/registro de contrato de tecnologia é condição para: (...) Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 18 17 3. Autorizar a dedutibilidade fiscal, por delegação de competência da Receita Federal e posteriormente por competência legal (Decreto N° 3.000/99), das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties pela exploração ou cessão de patentes, pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (aquisição de knowhow, assistência técnica, científica administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) e franquia. O INPI deixa claro que a aquisição de knowhow (vocábulo que "Designa os conhecimentos técnicos, culturais e administrativos", conforme significado dado pelo Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 6.0.1.) é uma modalidade contratual de transferência de tecnologia, tanto quanto aquelas relativas a serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes. Ou seja, o INPI considera que os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes também envolvem transferência de tecnologia e, assim, devem ser, em regra, averbados, razão pela qual a autarquia, ao invés de editar uma lista de serviços passíveis de averbação, o que poderia ser demasiadamente extensa, fez o contrário, elaborou uma lista de serviços não registráveis, acostada aos autos pela autoridade fiscal às fls. 778. Esta lista exemplifica serviços que não caracterizam transferência de tecnologia, encontrando se atualizada no seguintes termos (http://www.inpi.gov.br/rnenu esquerdo/contrato/pasta_oquee/serv.dispensados_html, em 02/09/2010): Serviços não registráveis Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei nº 9.279/96, alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: 1. Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc); 2. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos: 3. Homologação e certificação de qualidade de produtos; 4. Consultoria na área financeira; 5. Consultoria na área comercial; 6. Consultoria na área jurídica; 7. Consultoria visando participação em licitação; 8. Serviços de "marketing; Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 19 18 9. Consultoria realizada sem a vinda de técnicos às instalações da empresa cessionária; 10. Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); 11. Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software) que não caracterize transferência de tecnologia para a fabricação ou desenvolvimento de programa de computador (software,), conforme Art. 11 da Lei n° 9.609/98; 12. Licença de uso de programa de computador (software,); 13.Distribuição de programa de computador (software); 14. Aquisição de cópia única de programa de computador (software,). Embora não constitua uma lista exaustiva, é forçoso deduzir que o INPI, objetivando orientar seus administrados, tenha relacionado os serviços mais representativos de hipóteses em que a averbação seria incabível. Por outro lado, os serviços constantes da lista trazem características que, além de orientar as partes interessadas a identificar contratos não passíveis de registro, também permitem a formação, por contraste, de um juízo que permite identificar os contratos que devem passar pela anotação do órgão. Neste sentido, fazse útil, ao deslinde da questão, observar o serviço constante no item 2 da lista, descrito como "Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos". Ou seja, somente o contrato de serviço que se encontre, exatamente, na condição descrita no item 2 da lista é que estará dispensado do registro. Caso ausente qualquer uma das características descritas, restará evidenciada a transferência de tecnologia e o contrato estará sujeito à anotação no INPI. Assim, podese dizer que o contrato deverá ser averbado se: determinado serviço for prestado no exterior com a presença de técnicos brasileiros, independentemente de produzidos documentos e/ou relatórios; determinado serviço for prestado no exterior sem a presença de técnicos brasileiros, mas em razão dele forem gerados documentos e/ou relatórios; ou, determinado serviço for prestado no País, independentemente de produzidos documentos e/ou relatórios, haja vista que o serviço será supervisionado pela tomadora no País. Percebese que a concepção de transferência de tecnologia do INPI está calcada na possibilidade de ocorrência de acompanhamento do serviço prestado, que pode se dar durante sua realização pelos técnicos enviados ao exterior ou, de uma forma mais próxima, quando o serviço é realizado por um técnico estrangeiro no estabelecimento da própria empresa no Brasil ou, a posteriori quando a tomadora, mediante contato com documentos e relatórios gerados pelo prestador dos serviços, pode avaliar e usufruir o trabalho realizado. Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 20 19 Portanto, a lista e as demais orientações da autarquia corroboram seu entendimento de que o serviço de assistência técnica, em regra, veicula transferência de conhecimento acerca do trabalho realizado pelo prestador de serviços, independentemente de existência cláusula formal neste sentido. O INPI também externa seu entendimento sobre o alcance da expressão "Serviços de Assistência Técnica e Científica", ou "SAT", em seu sítio eletrônico, cuja correspondente página foi juntada às fls. 953 pela autoridade fiscal: Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica (SAT) Contratos que estipulam as condições de obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação, bem como pesquisas, estudos e projetos destinados à execução ou prestação de serviços especializados. São passíveis de registro no INPI os serviços relacionados a atividade fim da empresa, assim como os serviços prestados em equipamentos e/ou máquinas no exterior, quando acompanhados por técnico brasileiro e/ou gerarem (sic) qualquer tipo de documento, como por exemplo, relatório. Deve ser observado, ainda, que o INPI não condiciona o reconhecimento de transferência de tecnologia à capacidade da tomadora de serviços em absorver tecnologia. Ou seja, um tomador de serviços pode não estar dotado de condições técnicas ou jurídicas para dominar ou implementar uma determinada tecnologia, o que não o impedirá de adquirila em um primeiro momento e, mais tarde, implementála à medida que julgar conveniente. Assim, adoto os critérios do órgão técnico responsável para identificar contratos que implicam transferência de tecnologia e passo à análise de cada uma das remessas. Em que pese a glosa referente à remessa vinculada ao contrato de câmbio 03/001329 já ter sido confirmada, em função de descumprimento dos limites da averbação, vale observar que a anotação do contrato de prestação de serviços junto ao INPI, diferentemente do que afirmou a Impugnante, era imprescindível ao caso. Conforme informou a contribuinte, esse pagamento decorreu de serviço de ensaio de modelo hidráulico de turbina tipo "Kaplan", de alta complexidade, executados em laboratório da controladora indireta "Voith Siemens Hidro Power GmbH & Co KG" localizada na Alemanha, com a finalidade de gerar dados para serem transpostos no projeto de construção da turbina para a Usina Hidrelétrica de Peixe Angical, levado a efeito pela fiscalizada. Portanto, tratouse de serviço destinado a produzir um estudo acerca do funcionamento da turbina, em escala menor, com a finalidade de orientar a fiscalizada em seu projeto de construção da turbina em escala real, configurando a prestação de um serviço de assistência técnica e científica (SAT). Por sua vez, como o objeto da prestação de serviço consistiu em simular as condições do funcionamento da turbina, não há como negar que sua materialização ocorreu com a produção de um relatório contendo os resultados obtidos, afastando, desta maneira, em hipótese de serviço dispensado de registro no INPI. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 21 20 Pelas mesmas razões, considerase ocorrida transferência de tecnologia em relação aos serviços vinculados aos contratos de câmbio n° 03/046632 e 03/046633, na medida que envolveram, respectivamente, prestação de serviços de engenharia hidráulica com relatório de transposição de ensaio de modelo hidráulico de turbinas, mediante elaboração de protótipos hidráulicos para a Usina Hidrelétrica da Serra do Facão e para a Usina Hidrelétrica Corumbá IV. Assim, são considerados "SAT" e, não se encontrando dentre as hipóteses de dispensa de registro, a ausência desse requisito impõe a glosa de cada uma dessas deduções, ambas coincidentes no valor de R$ 160.972,03. As despesas pagas mediante os contratos de câmbio n°s. 03/008163, 03/046631 e 03/046635 referemse a serviços consistentes em elaboração de projetos básicos mecânicos de turbinas de alta complexidade, envolvendo desenho e design de turbinas, executados, na Alemanha, por empresas vinculadas com a fiscalizada. As informações contidas nos autos indicam que os projetos adquiridos tiveram por finalidade propiciar à fiscalizada as condições necessárias à construção de turbinas hidroelétricas para as Usinas de Peixe Angical, Irapé e São Salvador, sendo considerados, portanto, serviços de assistência técnica. Por sua vez, tais contratos não se encontram dentre as hipóteses de dispensa de registro no INPI. Assim, deve ser mantida a glosa das despesas relativas às remessas dos contratos de câmbio n°s. 03/008163 (R$ 1.497.632,12), 03/046631 (R$1.916.237,43) e 03/046635 (R$ 1.554.691,53). O contrato de câmbio n° 03/046634 consiste em remessa para pagamento do serviço de aplicação do produto "Softurb 80", realizado por técnico enviado pela controladora indireta "Voith Siemens Hydro Power Generation GmbH & Co KG". Tratase de um serviço técnico especializado, consistente em aplicação de um revestimento especial sobre o rotor da turbina hidráulica da Usina de Sé Carvalho, com a finalidade de garantir uma maior resistência da peça à abrasão e cavitação por partículas sólidas presentes na água. É um serviço essencial à construção de turbina hidroelétrica, realizado no Brasil por profissional a serviço da prestadora estrangeira. Nesta hipótese, o serviço foi prestado no País, propiciando à fiscalizada um acompanhamento direto de sua realização, circunstância que, segundo os critérios do INPI caracteriza transferência de tecnologia e, consequentemente, imporia que o correspondente contrato tivesse sido submetido à autarquia para averbação. Assim, ausente tal providência, deve ser mantida a glosa de R$ 140.862,67, referente ao contrato de câmbio n° 03/046634. E de se ressaltar que a legislação tributária, diferentemente do que sucede com a averbação no INPI, não vincula a ocorrência de "transferência de tecnologia" ao registro, no Bacen, dos respectivos contratos de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes. Com efeito, o § 3o do art. 355 do RIR/1999 determina que somente será admitida a dedução das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) depois da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 22 21 Assim, se a legislação poderia ter deixado dúvida se a averbação no INPI, residiria apenas à hipótese em que o contrato de prestação de serviços veiculasse transferência de tecnologia, o silêncio dessa característica em relação ao registro no Bacen faz concluir que esta providência é requisito de dedutibilidade de todo contrato de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados, ainda que não tenha ocorrido fornecimento de tecnologia. Conforme verificado pela autoridade fiscal, somente o pagamento referente ao contrato de câmbio 03/001329 estava amparado por contrato registrado no Bacen, mas que restou glosado porque houve descumprimento do prazo constante na averbação junto ao INPI. Quanto às demais remessas da Impugnante, não restou comprovado o registro no Bacen das respectivas operações contratadas com suas controladoras indiretas não residentes no País, razão pela qual a ausência desse requisito imprescindível de dedutibilidade também constitui fundamento para a manutenção da glosa efetuada pela autoridade fiscal. Essa análise e fundamentação da DRJ, portanto, demonstram que, no caso, não há como suplantar as citadas regras legais e conceber a dedução realizada pela recorrente. As razões da recorrente para a não averbar os contratos no INPI e não registrar no BACEN não encontram amparo legal. Pois, diante do fato de haver firmado contratos com suas controladoras indiretas, domiciliadas no exterior, somente mediante tais procedimentos formais, determinados pelo art. 354 e art. 355 do RIR/99, estaria autorizada a proceder à dedução em questão. Também não há como acolher as razões da recorrente quanto ao único contrato averbado no INPI e registrado no Bacen, eis que, somente poderia ter procedido à dedução em 2002. Assim, adoto as razões de decidir da DRJ, como exposto nesse tópico, para negar provimento ao recurso voluntário e manter as respectivas glosas. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo os ajustes das bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, conforme demonstrativos apresentados ao final do Acórdão recorrido, abaixo reproduzidos: AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ LUCRO REAL VALOR DA INFRAÇÃO PeríodoBase AUTUADO MANTIDO 01/01/2003 a 31/12/2003 9.428.664,12 9.428.664,12 AJUSTE DA BASE DE CALCULO DA CSLL LUCRO REAL VALOR DA INFRAÇÃO PeríodoBase AUTUADO CANCELADO MANTIDO 01/01/2003 a 31/12/2003 9.428.664,12 8.058.291,37 1.370.372,75 (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 16561.000190/200813 Acórdão n.º 1302002.789 S1C3T2 Fl. 23 22 Fl. 1647DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.014592/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA.
Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindo-se, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração.
SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS.
São insuficientes para comprovação da origem dos recursos supridos elementos produzidos pela própria interessada, como contratos de mútuo, declarações escritas, ou recibos, e a simples alegação de capacidade econômica ou financeira dos sócios.
PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIO.
DESCABIMENTO.
A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório refere-se a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei.
IMPUGNAÇÃO. TAXA DE JUROS SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE, ARBITRARIEDADE OU INJUSTIÇA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional.
DECADÊNCIA. CONFIRMAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ART. 150, §4º, CTN.
Verifica-se que operou-se a decadência, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 21/01/2007, tivemos o termo inicial em 01/01/2002 e termo final em 31/12/2006, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
Numero da decisão: 1301-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do PIS e da Cofins de todas as competências do ano-calendário de 2001. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto votou por dar provimento parcial em maior extensão para afastar a aplicação da presunção de que trata o art. 282 do RIR/99 para os depósitos lastreados por contratos de mútuos firmados com a sócia Karina Rozemblum.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração. SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS. São insuficientes para comprovação da origem dos recursos supridos elementos produzidos pela própria interessada, como contratos de mútuo, declarações escritas, ou recibos, e a simples alegação de capacidade econômica ou financeira dos sócios. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIO. DESCABIMENTO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório referese a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. IMPUGNAÇÃO. TAXA DE JUROS SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE, ARBITRARIEDADE OU AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 45 92 /2 00 6- 16 Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 749 2 INJUSTIÇA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. DECADÊNCIA. CONFIRMAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ART. 150, §4º, CTN. Verificase que operouse a decadência, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 21/01/2007, tivemos o termo inicial em 01/01/2002 e termo final em 31/12/2006, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do PIS e da Cofins de todas as competências do anocalendário de 2001. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto votou por dar provimento parcial em maior extensão para afastar a aplicação da presunção de que trata o art. 282 do RIR/99 para os depósitos lastreados por contratos de mútuos firmados com a sócia Karina Rozemblum. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 750 3 Relatório OZYX EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA (fls. 569 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte para: acolher a preliminar argüida de decadência do lançamento, relativamente ao anocalendário de 2000, no que se refere ao IRPJ; reduzir as exigências de R$ 1.519.571,00 (IRPJ), R$ 44.350,25 (Pis), R$ 204.693,50 (Cofins) e R$ 565.122,10 (CSLL) para R$ 131.247,29 (IRPJ), R$ 44.038,25 (Pis), R$203.253,50 (Cofins) e R$ 560.188,70 (CSLL), e, em conseqüência, a multa de oficio e os juros de mora correspondentes, e reduzindo a multa de oficio de 150 % (cento e cinqüenta por cento) para o percentual de 75 % (setenta e cinco por cento), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: a) omissão de receitas — receitas não contabilizadas; b) omissão de receitas — suprimento de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega; e c) omissão de receitas — passivo fictício. É dito, ali, que, com relação aos mútuos recebidos pela empresa, foram comprovados os ingressos dos recursos somente das sócias Karina Rozenblum e Noemi Elpern K. Rozenblum, mas não os da Rostany Trading S.A. Por outro lado, teria ficado faltando comprovar a origem de todos os empréstimos. Dessa forma, foram tributados, a título de suprimento de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega, os valores supostamente provenientes das referidas sócias e, a título de passivo fictício, os valores registrados contabilmente como empréstimos da empresa uruguaia, nos quais não foi comprovada a entrada do dinheiro no País. Além disso, confrontandose os livros Diário e Razão de 2000 e 2001 com a base das Declarações de Operações Imobiliárias (DOI), foram encontradas seis vendas à margem da contabilidade — receitas não contabilizadas de imóveis também ausentes do Ativo Imobilizado, todas elas realizadas à vista, segundo informações prestadas pelos cartórios nos quais essas operações foram realizadas. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 751 4 Especificamente quanto a esse último item, foi aplicada a multa de 150 % (cento e cinqüenta por cento), por entender a fiscalização se tratar de infração qualificada. Os enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração, correspondendo os créditos constituídos a R$ 1.519.571,00 (IRPJ), R$ 44.350,25 (Pis), R$ 204.693,50 (Cofins) e R$ 565.122,10 (CSLL). Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 244/264, 316/345, 364/393 e 412/441, que aduziu os seguintes argumentos: a) que, preliminarmente, está decaído o direito do Fisco de efetuar o lançamento do imposto cujos fatos geradores ocorreram antes de janeiro de 2003, já que tomou ciência do presente auto de infração somente em 22/01/2007; b) que, com relação ao Pis, à Cofins e à CSLL, não se aplica a Lei n 2 8.212, de 1991, porque matéria de decadência e prescrição é de competência de lei complementar, segundo preceitua o art. 146, III, "b", da Constituição Federal; c) que, no mérito, com relação à suposta falta ou insuficiência de contabilização de receitas oriundas da venda de imóveis, essas vendas foram contabilizadas nos anos de 1999 e 2002; d) que, como a fiscalização adotou como meio de apoio apenas as Declarações de Operações Imobiliárias (DOI) dos anos de 2000 e 2001 e os livros Diário e Razão do mesmo período, concluiu, de modo equivocado, que não houve contabilização das compras e das vendas dos imóveis; e) que o fato de a empresa ter contabilizado a venda dos imóveis em anos distintos aos lançados nas DOI decorre de a venda ter ocorrido em uma determinada data e a transferência dos imóveis realizada posteriormente; f) que, no preenchimento da DOI é considerada a data em que se efetuou o registro ou averbação na matrícula; g) que, com relação aos suprimentos de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega, a justificativa para a desconsideração do mútuo decorre do fato de não ter sido comprovado que os recursos que adentraram a conta corrente da empresa foram, de fato, oriundos das sócias Karina Rozenblum e Noemi Elpern Rozenblum; h) que o nãopreenchimento dos requisitos acima citados não possui o condão de descaracterizar os contratos de mútuos realizados; Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 752 5 i) que a mutuária obrigouse ao pagamento do valor do principal e dos respectivos encargos em certo tempo, nos termos e condições estabelecidos nos instrumentos contratuais; j) que, em face dos contratos celebrados, efetuou operações bancárias com o fito de transferir os valores consignados; k) que grande parte das quantias em questão está lastreada por documentos comprobatórios dos depósitos bancários; 1) que, pelos documentos anexados nos autos, há efetiva comprovação da transferência dos valores para a mutuária; m) que, diante da existência dos contratos e da comprovação da entrada dos valores na contabilidade da empresa e das transferências dos recursos nos exatos moldes estabelecidos entre as partes, não há razão para invalidar a operação de mútuo em tela; n) que esses elementos analisados são deveras suficientes para o fim de se constatar a realização do negócio jurídico; o) que, caso persista a presente autuação, a tributação representaria presunção simples, com base em indícios e mero julgamento subjetivo da fiscalização; p) que o contrato particular, assinado pelas partes e por duas testemunhas, e a comprovação do fluxo financeiro são elementos suficientes para comprovar a operação de mútuo; q) que não há qualquer norma que determine a necessidade de ser comprovado que o mutuante possui lastro para dar suporte ao mútuo acordado; r) que os recursos supridos pela sócia Karina Rozenblum foram originários de empréstimos obtidos por ela junto a seu irmão Rolando Rozenblum; s) que, também no que se refere ao mútuo com a sócia Noemi Rozenblum, no valor de R$ 23.300,00, a declaração de imposto de renda é meio idôneo e hábil para comprovar que a mutuante possuía condições para assumir o mútuo com a impugnante; t) que, pelas informações colhidas da contabilidade é possível averiguar que os montantes transacionados nos contratos de mútuo com a empresa uruguaia Rostany foram empregados para a realização de pagamentos devidos pela impugnante; u) que a multa exigida ofende ao princípio constitucional do nãoconfisco, não devendo ser superior a vinte por cento; e v) que é ilegal e inconstitucional a exigência da taxa de juros Selic, devendo, Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 753 6 esta, ser substituída pelos juros estipulados pelo Código Tributário Nacional (CTN). Em julgamento realizado em 06 de dezembro de 2007, a 1ª Turma da DRJ/CTA, considerou parcialmente improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0616.319 assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 IRPJ. LUCRO REAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. TERMO INICIAL DE DECADÊNCIA. Tratandose de imposto de renda de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, e não tendo havido o pagamento do imposto em determinado período, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos, relativo a esse período, tem início na forma do art. 173 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIO. DESCABIMENTO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório referese a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. IMPUGNAÇÃO. TAXA DE JUROS SELIC. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, ILEGALIDADE, ARBITRARIEDADE OU INJUSTIÇA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM E ENTREGA. Na hipótese de suprimento de numerário, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, o efetivo ingresso no caixa da empresa, e a sua origem de fonte estranha à sociedade, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos provieram de receita omitida na escrituração. SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DA ORIGEM DOS RECURSOS. São insuficientes para comprovação da origem dos recursos supridos elementos produzidos pela própria interessada, como contratos de mútuo, declarações escritas, ou recibos, e a simples alegação de capacidade econômica ou financeira dos sócios. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 754 7 PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001 LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. PIS. COFINS. CSLL. DESCABIMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir os créditos relativos ao Pis, à Cofins e à CSLL decai após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os respectivos créditos poderiam ter sido constituídos. PIS. COFINS. CSLL. Dada a identidade existente entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos à do Pis, da Cofins e da CSLL, estendemse, a estas últimas, a decisão adotada naquela. Lançamento Procedente em Parte Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 1.113 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Decadência dos fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 2002, uma vez que a ciência do auto de ifração ocorreu em 22/01/2007. Acerca da infração de omissão de receitas na vendas de imóveis, a recorrente afirma que todas as aquisições teriam sido contabilizadas no ano de 1999 e que as vendas dos cinco imóveis sobre os quais persiste o litígio teriam sido contabilizadas no ano de 2002. Pede, então, o afastamento integral desta exigência. Sobre os contratos de mútuos com as sócias Karina Rozenblum e Noemi Elpern Rozenblum, os quais conduziram à autuação por omissão de receitas, afirma que o não preenchimento dos requisitos do art. 282 do RIR/99 não teria o condão de descaracterizar os contratos de mútuo realizados e juntados por cópia aos autos. Os documentos acostados aos autos, especialmente extratos bancários, comprovariam, por sua ótica, que houve a transferência dos valores para a mutuaria. Seria, então, improcedente a exação fiscal a qual, a persistir, consistiria em presunção simples, com base em indícios e mero julgamento subjetivo da fiscalização. Colaciona jurisprudência administrativa que entende suportar seus argumentos. Ainda sobre essa matéria, apesar de considerar desnecessária, diante da legislação aplicável, a comprovação de que o mutuante possui lastro para dar suporte ao mútuo acordado, a recorrente apresenta documentos que, afirma, atestam que a sócia mutuante Karina possuía recursos suficientes para suportar o empréstimo. Tais recursos adviriam de empréstimos por ela obtidos junto a seu irmão Rolando Rozenblum, devidamente registrados Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 755 8 nas declarações de rendimentos apresentadas ao Fisco. Também a sócia Noemi Rozenblum teria recursos para suportar os mútuos contratados, conforme consta de sua DIRPF. Questiona a aplicação da multa de 75%; Questiona a aplicação da Taxa Selic; O processo foi trazido a julgamento perante esta 1ª Turma Ordinária em 16/12/2010, oportunidade em que foi prolatado o acórdão nº 130100.457 (fls. 640/652). O Colegiado negou provimento ao recurso de ofício e, no que respeita ao recurso voluntário, reconheceu a decadência sobre a integralidade dos créditos tributários do processo. O julgado foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. GANHO DE CAPITAL. OMISSÃO. PROVA. Restando comprovado nos autos que o contribuinte registrou contabilmente tanto a aquisição quanto a alienação de imóvel, e que o ganho de capital apurado foi oferecido à tributação na data da alienação, correta a decisão de primeira instância que afastou a exigência tributária. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. INOCORRÊNCIA. Desde que o fundamento fático para a qualificação da multa foi a imputação, ao sujeito passivo, da prática de seis operações de compra e venda de imóveis à margem da contabilidade e da tributação, a evidenciar o intuito doloso de ocultar o fato gerador tributário, correta a decisão de reduzir a multa para 75%, ao restar comprovado nos autos que as operações imobiliárias foram contabilizadas e que, em um caso, o resultado tributável foi oferecido à tributação. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial, o qual foi admitido e levado a julgamento perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). O objeto do recurso foi a aplicação, por este Colegiado, do art. 150, § 4º, do CTN para aferição da decadência, o que estaria a contrariar decisão vinculante do Superior Tribunal de Justiça. A 1ª Turma da CSRF, mediante o Acórdão nº 9101002.157 (fls. 702/712), de 08/12/2015, deu provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando também o retorno dos autos à turma ordinária de origem. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2001 Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 756 9 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2. Não havendo pagamento e nem confissão dos débitos de IRPJ e CSLL com fato gerador em 31/12/2001, resta afastada a decadência, e o autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. 3. Quanto ao PIS e à COFINS, também com fatos geradores em 31/12/2001, sendo afastados os fundamentos do acórdão recorrido, os autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que seja reexaminada a questão da decadência, levandose em conta a existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais), e havendo reversão da decadência, para que se dê continuidade ao exame das demais questões relativas ao cometimento das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. Conforme relatório do Relator a quo, temse o seguinte resumo: 5.4. Quanto ao IRPJ e à CSLL, ficou evidenciado que a contribuinte apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 2001, não havendo, portanto, apuração de tributo devido, e nem pagamento. Os demonstrativos dos autos de infração também evidenciam que não houve pagamento destes tributos para o anocalendário de 2001, com fato gerador anual em 31/12/2001. 5.5. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão de débitos de IRPJ e CSLL, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, de modo que não há decadência para o crédito tributário de IRPJ e CSLL com fato gerador em 31/12/2001. 5.6. Revertendose a decadência, os autos devem retornar à Turma Ordinária do CARF para que se dê continuidade ao exame das questões acerca das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 757 10 5.7. Quanto ao PIS e à COFINS, é importante registrar que estão sendo exigidos débitos relativamente ao mês de dezembro/2001. 5.8. Conforme já mencionado, para fatos geradores ocorridos em 31/12/2001, considerando que o lançamento ocorreu em 22/01/2007, há diferentes resultados para a decadência conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. 5.9. Nesse contexto, sendo afastados os fundamentos do acórdão recorrido, é preciso que a Turma Ordinária do CARF reexamine a questão da decadência levando em conta a existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para os fatos geradores de PIS/COFINS ocorridos em 31/12/2001, e havendo reversão da decadência, dê continuidade ao exame das questões acerca das infrações propriamente ditas, que em momento anterior foram consideradas prejudicadas. 6. Nestes termos, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da PGFN, para: em relação ao IRPJ/CSLL, afastar a decadência para o anocalendário de 2001, e devolver os autos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais questões relativas ao cometimento das infrações propriamente ditas; em relação ao PIS/COFINS, devolver os autos à Turma Ordinária do CARF para que seja reexaminada a questão da decadência levandose em conta a existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2001, e havendo reversão da decadência, para que se dê continuidade ao exame das questões acerca das infrações propriamente ditas. Este Colegiado, por sua vez, por meio da Resolução 1301000.394, de 14 de fevereiro de 2017 determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora consulte os sistemas de processamentos de dados da Receita Federal do Brasil informe e/ou adote as seguintes providências: a) Existe algum pagamento de PIS ou de COFINS para a competência de dezembro de 2001? Caso a resposta seja afirmativa, juntar aos autos a respectiva comprovação. b) O contribuinte declarou em DCTF (ou em algum outro instrumento declaratório com caráter de confissão de dívida) algum valor de PIS ou de COFINS para a competência de dezembro de 2001? Caso a resposta seja afirmativa, juntar aos autos a respectiva comprovação. A diligência foi realizada e seu Relatório consta às fls. 733/741, a contribuinte foi devidamente intimada às fls. 742. A diligência constatou que houve a declaração de valores devidos de PIS e de COFINS para o período de apuração 12/2001, bem como de seus respectivos pagamentos. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 23/02/2018. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 758 11 É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada em 21/01/2007 para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pelo regime do lucro real, relativo aos anoscalendários de 2000 e 2001, totalizando o crédito tributário de R$6.402.090,97, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora, em razão de omissão de receitas suprimento de numerário não comprovada a oprigem e/ou a efetividade da entrega e passivo fictício. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente e afastou as exigência de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, em razão da decadência; bem como foi afastada a exigência relativa à alienação do apartamento 403 do Edifício Philadelphia Tower, em razão da constatação de que a operação havia sido devidamente contabilizada e oferecida à tributação em 1999. E ao final a multa qualificada foi afastada, mantendose a multa de ofício. O Recurso de Ofício já foi julgado por este Conselho e não é mais objeto neste turno. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/CTA e intimada ao recolhimento dos débitos em 17/01/2008 (AR de fl. 590), e apresentou em 15/02/2008, recurso voluntário, juntados às fls. 591 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Ao Recurso Voluntário interposto, o Colegiado havia dado provimento em razão da decadência, interposto Recurso Especial, decidiuse pela aplicação do Resp 973.733/SC, revertendose a decisão, os autos retornaram para julgamento do mérito. No que tange ao PIS e à COFINS, motivação da diligência requerida da última vez, confirmouse haver o pagamento para o período de apuração de dezembro de 2001, assim, aplicandose o art. 150, §4º do CTN, verificamos que operouse a decadência, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 21/01/2007, tivemos o termo inicial em 01/01/2002 e termo final em 31/12/2006. Assim, aqui a discussão mantémse apenas para o IRPJ e CSLL relativo ao período de 2001, e sem mencionar a venda do apartamento 403 do Edificio Philadelphia Tower, que já foi afastada, bem como a multa qualificada. A fiscalização, ao confrontar os livros Diário e Razão de 2000 e 2001 com base nas Declarações de Operações Imobiliárias (DOI) localizou seis vendas de imóveis à margem da contabilidade, e do Ativo Imobilizado, todas elas realizadas à vista, conforme informações dos Cartórios. Segundo se verifica dos documentos, as aquisições ocorreram em 1999 e foram devidamente contabilizadas, e as vendas foram contabilizadas, uma em 1999 e as demais em 2002. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 759 12 A fiscalizada esclareceu que os 2 apartamentos e 3 lotes, a alienação ocorreu em 10/12/2001, sendo escriturada em 2002, e as aquisições foram devidamente contabilizadas em 1999, quando adquiridas. No que tange a estas vendas, a decisão recorrida entende que o lançamento contábil ocorrido em 2002 se deu contra a conta patrimonial de Lucros ou Prejuízos Acumulados (fls; 290/291, 197), à título de ajustes de exercícios anteriores já que vendidos no ano anterior, e assim, portanto, não foi oferecida à tributação nem em 2001, nem em 2002, motivo pelo qual manteve o lançamento. De fato, a contabilização foi efetuada na Conta de Prejuízos Acumulados, sem a tributação, em sede recursal, a recorrente apenas reafirma que estão contabilizados, mas não fez prova acerca da sua tributação. Assim, sem a comprovação da efetiva tributação, em que pese encontrarem se contabilizados, de se manter o lançamento. No que tange à omissão de receitas por suprimentos de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega e passivo fictício, a fiscalizada foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, o efetivo ingresso do numerário e a origem dos recursos supridos relativos aos contratos de mútuo/empréstimos. A recorrente anexou cópias de contratos de mútuo, feitos pela sócia Karina Rozemblum, foi requerida também a comprovação da entrada no país e o efetivo ingresso na empresa dos recursos provenientes da empresa uruguaia Rostany Trading Sociedad Anonima. Alegou que os mútuos efetuados resultaram da injeção de recursos próprios dos sócios ou da captação por estes de recursos de terceiros, mediante empréstimos e juntou cópias de extratos bancários da própria empresa. A decisão recorrida por sua vez entendeu que não basta a simples juntada dessa comprovação, sem que se demonstre através de coincidência de datas e valores que o dinheiro emprestado tenha se originado de recursos pessoas, com fonte produtiva seguramente identificada e documentação hábil e idônea. Baseouse, também no Parecer Normativo CST 242/1971: A simples prova de capacidade financeira do supridor não basta para comprovação dos suprimentos efetuados à pessoa jurídica. É necessário, para tal, a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas. A norma acima decorre de jurisprudência pacifica oriunda dos tribunais administrativos e judiciais. A simples alegação de que o supridos, na sua declaração de bens, anexa à declaração de renda, informou possuir em cofre importância em dinheiro superior ao valor do suprimento, não é de ser aceita. 2. A comprovação da veracidade do suprimento se faz, provando, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 760 13 importâncias supridas, a proveniência do numerário respectivo, e não com a simples alegação de que o supridor dispunha da referida importância. 3. Da mesma forma o supridor terá que comprovar a origem dos seus saldos bancários ou do dinheiro em cofre. Alega em sede recursal, que o fato de não preencher tais requisitos não tem o condão de descaracterizar os contratos de mútuo realizados. E apresentou a seguinte planilha; Havia juntado também a DIPF da sócia Karina para comprovar que ela possuía capacidade de realizar tais empréstimos, porém conforme se verifica, ela por sua vez obteve empréstimo de seu irmão Rolando Rozemblum. Ora, nos termos do art. 282, RIR/99, a presunção de omissão de receitas nestes casos, para ser elidida, deve preencher dois requisitos: comprovação da efetiva entrega e origem dos recursos dos sócios supridores. Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei n 2 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 761 14 1.598, de 1977, art. 12, § 32, e DecretoLei n2 1.648, de 1978, art. 12, II). No meu entendimento, essas argumentações até são plausíveis, porém, em se tratando de suprimentos de numerário, as provas a serem produzidas devem atestar de forma cumulativa dois fatos, quais sejam, a efetiva entrega e a origem dos respectivos recursos. Além disso, tais provas devem ser coincidentes em datas e valores com os dados lançados nos registros contábeis e lastreadas em documentos hábeis e idô neos emitidos por terceiros. Os extratos juntados não comprovam que foi a sócia Karina que efetivamente entregou os valores, os extratos apresentados apenas demonstram que valores entraram na conta corrente da empresa, nada comprova que saiu da conta dela, exemplo abaixo, assim não há de fato a comprovação. De igual forma, no que tange ao passivo fictício, em que pese haver a argumentação de que se tratam de valores transacionados nos contratos de mútuo com a empresa uruguaia Rostany, sequer foi comprovada a entrada do dinheiro no país. Justamente em razão de ser uma presunção legal, neste tópico, a omissão de receitas, cabe ao sujeito passivo a comprovação mediante documentação que a omissão não ocorreu, o que não se verifica. Assim, sem trazer nenhuma comprovação da origem dos depósitos, de se manter o lançamento em sua totalidade. Do percentual abusivo da multa Alega ainda excesso de penalidade, e pugna pela aplicação tãosomente de 20%, penalidade moratória. Aqui aplicada a multa de ofício nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, não cabendo a este órgão analisar sua legalidade ou constitucionalidade, nos termos da Súmula CARF n. 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da inaplicabilidade da taxa Selic Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10980.014592/200616 Acórdão n.º 1301003.178 S1C3T1 Fl. 762 15 Também é sedimentado o entendimento acerca da aplicabilidade da taxa Selic, nos termos da Súmula CARF 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a decadência do PIS e da COFINS de todas as competências do ano calendário de 2001. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 762DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904976/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 76 /2 01 0- 03 Fl. 142DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 123 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declarações de compensação –DCOMPs – por meio das quais pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 1º trimestre calendário de 2004, conforme indicado na DCOMP nº 18074.16270.261005.1.3.01 3000 (fls. 94/961). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 83/88, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951171 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente as compensações declaradas, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$321.664,78 Valor do crédito reconhecido: R$1.705,13 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11065.904976/201003 Acórdão n.º 3201003.774 S3C2T1 Fl. 143 3 HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 8074.16270.261005.1.3.013000 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 6757.88203.310809.1.7.019560". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 97/98), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 91/92), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária) 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) Fl. 144DF CARF MF 4 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11065.904976/201003 Acórdão n.º 3201003.774 S3C2T1 Fl. 144 5 (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) Fl. 146DF CARF MF 6 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestiase de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11065.904976/201003 Acórdão n.º 3201003.774 S3C2T1 Fl. 145 7 De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configuram a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Fl. 148DF CARF MF 8 Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 15771.721451/2015-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/12/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE.
A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade.
Numero da decisão: 3001-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a concomitância e determinar que o Colegiado a quo aprecie os argumentos trazidos na Impugnação, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/12/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe substituto processual não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondose portanto o exame da sua manifestação de vontade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a concomitância e determinar que o Colegiado a quo aprecie os argumentos trazidos na Impugnação, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 14 51 /2 01 5- 15 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 246 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 16070.627 da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo1/SP DRJ/SP1, que, em sessão de julgamento realizada no dia 14.12.2015, não conheceu da impugnação, por considerar que ocorreu a concomitância entre os processos administrativo e judicial. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 102 a 105), que segue transcrito: Relatório Trata o presente sobre exigência de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, formalizado em 12/03/2014, a título de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar; relata a fiscalização que a agência MAESRK BRASIL (BRASMAR) Ltda., inscrita no CNPJ sob nº 30.259.220/000286 deixou de prestar informação sobre carga transportada, quanto à alteração de NCM, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, como determina a IN RFB nº 800/2007, em seu art. 22, II, “d”, caracterizando a infração prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/66. Regularmente intimada, em 19/03/2015 (fls. 36/37), a autuada apresentou impugnação de fls. 40/74, em 13/04/2015 (fl. 39), alegando, inicialmente, (1) a tutela antecipada deferida ao Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) nos autos do agravo de instrumento nº 000576326.2014.4.01.000, processo de origem 006591474.2013.4.3400, da 22ª Vara/SJDF, determinando que a Administração se abstenha de aplicar a seus filiados a penalidade de que se trata e que é empresa filiada ao Centronave; impugnando a autuação alega (2) ser parte ilegítima porque é agência de navegação e não é transportador, citando a Instrução Normativa 800/2007; (3) indaga qual é o artigo de lei ou mesmo de instrução normativa que prevê a aplicação de multa ao agente de navegação por fatos imputáveis ao transportador e cita jurisprudência; (4) argumenta vício formal no auto de infração que não descreve de forma clara e completa o fato que ensejou a aplicação da multa, contrariando o art. 10 do Decreto 70.235/72; no mérito, alega (5) não caracterização da infração porque a requerente não deixou de prestar informações, vez que a retificação solicitada equivale à carta de correção, mencionando o § 5º do art. 27B da IN SRF nº 1473/14; (6) não houve prejuízo eo(sic) Erário e (7) requer os efeitos da denúncia espontânea por ter solicitado a retificação anteriormente à autuação; pede anulação da infração e alternativamente seja jultada(sic) insubsistente, cancelando a multa exigida. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 247 3 É o relatório. Da ementa da decisão de primeira instância A 23ª Turma da DRJ/SP1, ao não conhecer da impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2014 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Exigência de multa regulamentar. Tutela antecipada concedida em Ação Ordinária, promovida por entidade representativa à qual está filiada a interessada, afastando a aplicação da penalidade. Renúncia às instâncias administrativa. Não se conhece da da(sic) impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às e fls. 112 a 146, recurso voluntário para repisar os argumentos de defesa da impugnação, quais sejam: (i) preliminar de ilegitimidade passiva; (ii) preliminar de nulidade do auto de infração, por vício formal; (iii) vício formal na decisão, devido a não desistência da discussão em âmbito administrativo; (iv) violação aos princípios da ampla defesa e contraditório; (v) da não caracterização da infração imposta e (vi) denúncia espontânea. Diante do exposto, requer "seja o presente recurso recebido para fins de que lhe seja dado provimento para que o despacho decisório ora guerreado seja anulado em face da preliminar aventada e das razões de mérito expostas". Da nova petição Não se resignando ainda com a decisão recorrida, o requerente, em 10.11.2016, registra a solicitação de juntada ao presente processo, dentre outros documentos, da petição de efls. 200 a 205, é o que depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 245). Apresenta esta nova petição para requer a aplicação da orientação interpretativa constante na Solução de Consulta Interna da CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT 2 de 04.02.2016, que definiu que as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes, nas operações de comércio exterior, não configuram prestação de informação fora do prazo, para afastar a penalidade aplicada, pois a teor do disposto no artigo 9º da IN RFB 1.396 de 16.09.2013, referida consulta tem efeito vinculante perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 248DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 248 4 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 01.02.2016, por meio do "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" (efl. 109), foi intimado do Acórdão de Impugnação (efls. 102 a 105), em conformidade com o disposto na alínea 'b' do inciso III do § 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 1972. Irresignado com a decisão assentada no referido acórdão, em 22.02.2016, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efls. 178/179), registra a juntada dos documentos de efls. 111 a 177, aí incluído o recurso voluntário apresentado. Cotejando as datas acima mencionadas, constatase que o recurso voluntário foi interposto no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Da decisão recorrida Voto Em face do relatado na ação fiscal e tendo em conta a tutela antecipada, a exemplo de outras várias autuações de igual teor efetuadas contra a mesma autuada, está evidenciada a ocorrência de concomitância entre o processos administrativo e judicial. Com efeito, examinandose a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, pela entidade representativa à qual está filiada a impugnante verificase que o pleito visa afastar penalidades com base em atos normativos, além do exercício do direito à denuncia espontânea, especialmente relativamente ao preceito do art. 45 da IN SRF nº 800/2007, com argumento de que estabelece obrigações de impossível cumprimento no prazo (fls. 92/94) a impugnação, além de refutar a caracterização da infração relativa às obrigações de que trata o citado ato normativo, alternativamente, requer a aplicação da denúncia espontânea, nos termos da nova redação do § 2º do art. 102, do Decretolei nº 37/66. No nosso ordenamento jurídico, em virtude de comando constitucional, prevalece o princípio da unidade de jurisdição, segundo o qual não se exclui da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito; ou seja, o Poder Judiciário Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 249 5 detém o monopólio da atividade jurisdicional art. 5º, inciso XXXV, da CF/1988). Em decorrência, o processo administrativo fica sujeito a restrições, no sentido de que as decisões na esfera administrativa não tem caráter de definitividade, de modo que, em última instância, seu cumprimento depende de provimento judicial. Dessa forma, tendo sido formulado pedido em ação judicial, contraditando a exigência fiscal, não há de se dar seguimento à impugnação, porque a opção do sujeito passivo, nessa situação, significa renúncia ao seu direito à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa.; assim é porque não teria sentido discutirse a mesma matéria, concomitantemente, em duas instâncias, uma vez que, sempre prevalecerá a decisão da instância judicial. Para efeito de uniformizar procedimento em situações que tais, a SRF, através de Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03, de 14/02/1996, baixou a seguinte orientação: “Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. O Coordenar Geral(sic) do Sistema de Tributação, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96, Declara, em caráter normativo, às Superintendência Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;” No mesmo sentido, a Súmula nº 1/99 do Conselho de Recursos Fiscais: “Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Pelo exposto, votase por não se conhecer da impugnação, com manutenção do crédito tributário lançado. Da ação judicial Fl. 250DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 250 6 Compulsando os autos, emerge, sem espaço para dúvida, que tanto o contribuinte autuado quanto a autoridade aduaneira autuante concordam que o objeto do presente auto de infração e os decorrentes argumentos de defesa administrativa encontramse também veiculados nos "autos do agravo de instrumento nº 000576326.2014.4.01.000, processo de origem 006591474.2013.4.3400, da 22ª Vara/SJDF", promovida pela Centronave, entidade representativa à qual está filiado o impugnante. Logo, quanto à coincidência de objeto de ambos processos (judicial e administrativo) não há litígio, tanto que foi justamente esta constatação que conduziu o colegiado a quo a decidir pelo não conhecimento da impugnação, ao fundamento de a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, implica na renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, em atenção inclusive ao enunciado da Súmula CARF 1. Somente para ilustrar, colaciono a tela a seguir reproduzida, extraída do sítio do TRF1, cujo endereço eletrônico junto à rede mundial de computadores é o seguinte: https://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=00659147420134013400& secao=DF&pg=1&enviar=Pesquisar. PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL Processo Nº 006591474.2013.4.01.3400 22ª VARA FEDERAL Nº de registro eCVD 00336.2016.00223400.1.00274/00032 PROCESSO Nº : 006591474.2013.4.01.3400 AÇÃO ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA AUTOR: CENTRO NACIONAL DE NAVEGACAO TRANSATLANTICA CNNT (CENTRONAVE) RÉ: UNIAO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) Da inexistência da litispendência A controvérsia posta no presente recurso voluntário cingese em aferir a ocorrência, ou não, de concomitância entre a matéria aqui discutida e aquela submetida à apreciação do Poder Judiciário nos autos da Ação Ordinária 006591474.2013.401.3400, ajuizada pela Centronave, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de penalidades aos agentes de carga e afins associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão de ser parte ilegítima porque a responsabilidade de prestar informações cabe ao transportador, da não caracterização da infração prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/66, porque respectiva correção se deu por solicitação do destinatário da carga, sendo a carta de correção procedimento regular no meio marítimo, bem como os efeitos da denúncia espontânea, pois o registro de dados no Siscomex, mesmo fora de prazo, ocorreu antes da lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 138 do CTN. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 251 7 Portanto, o que cabe aqui verificar é se há concomitância entre as esferas administrativa e judicial que justifique a renúncia à esfera administrativa. Conforme exposto alhures, pela análise dos autos, concluise que os pedidos são o mesmo tanto na demanda judicial, quanto nos pleitos administrativos (impugnação e recurso voluntário), razão pela qual a decisão a quo não conheceu da impugnação no tocante à matéria objeto da referida ação judicial. Como assentado, a autora da ação ordinária Centronave é a entidade a qual o recorrente é associado. Assim, resta evidente que não é o autuado, mas sim a Centronave a qual está vinculado. É irrefutável que as decisões que decorram do referido processo judicial irradiem seus efeitos aos associados da autora. Outrossim, o fato da existência do referido processo judicial não pode servir de óbice o ora recorrente que, por iniciativa própria, decida discutir a referida matéria em sede administrativa. Isto porque nos termos do artigo 301 do CPC vigente à época dos fatos tidos por infracionários, ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir, ou seja, quando se ajuíza uma nova ação que repita outra anteriormente ajuizada, com total identidade entre partes, conteúdo e pedido formulado. Vejamos o conceito de litispendência trazido no referido preceito processual legal: Código de Processo Civil CPC Lei 5.869 de 11.01.1973 (...) Art. 301. Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) I inexistência ou nulidade da citação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) II incompetência absoluta; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) III inépcia da petição inicial; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IV perempção; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) V litispendência; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) VI coisa julgada; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) VII conexão; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 252 8 VIII incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IX compromisso arbitral; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IX convenção de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 9.307, de 23.9.1996) X carência de ação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) XI falta de caução ou de outra prestação, que a lei exige como preliminar. (Incluído pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 3º Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 4º Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) (grifos não pertencem ao original) Por seu turno, o Código de Defesa do Consumidor CDC tutelou os direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos, estabelecendo novas regras para as demandas que envolvem interesses da coletividade. Desse modo, o CDC é considerado como a disciplina comum das ações coletivas no Brasil, também chamado pela doutrina de “Código Brasileiro dos Processos Coletivos”. Senão vejamos: (...) Art. 103 Nas ações coletivas de que trata este Código, a sentença fará coisa julgada: I erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento, valendo se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do artigo 81; II ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do artigo 81; Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 253 9 III erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do artigo 81. § 1º Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. § 2º Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual. Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. (...) (grifos não pertencem ao original) Conforme observase nos casos de ações coletivas que buscam a defesa de direitos individuais homogêneos, a coisa julgada formada apenas produzirá efeitos na esfera individual se o resultado da ação for favorável ou na hipótese de haver intervenção do indivíduo no processo como litisconsorte. Desse modo, os efeitos dessas ações coletivas apenas afetariam seu plano individual na hipótese de o resultado da ação lhe ser favorável, jamais quando julgado improcedente o pedido. Por conseguinte, no caso de improcedência do pedido, os interessados que não intervieram no processo como litisconsortes, estão aptos a pleitear os seus direitos a titulo individual, exercendo individualmente a plenitude de seu direito de defesa, já que a renúncia, Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 254 10 prevista no artigo 38 da Lei 6.830 de 22.09.1980, não é passível de ser presumida, na medida que os interessados ainda não ingressaram com sua própria ação. Assim, neste contexto, assiste razão o recorrente em buscar decisão favorável já na esfera administrativa, vez que a decisão judicial na Ação Ordinária 0065914 74.2013.401.3400, por ser coletiva, não conflitará com uma eventual procedência de seu pleito administrativo, vez que se for improcedente o pleito judicial coletivo permanece hígido seu direito individual. Demais disso, não calha obstar a esfera administrativa por conta da existência de demanda judicial em que o recorrente não tenha tido a oportunidade de influenciar no resultado, o que configuraria flagrante ofensa às garantias constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal. Nestes termos, comungo do entendimento segundo o qual existindo a manifestação expressa do autuado em apresentar suas peças de defesa administrativa impugnação e recurso voluntário, resta evidente, no presente caso, sua intenção de discutir diretamente a demanda no âmbito do processo administrativo fiscal, defendendo o seu direito individual, razão pela qual não vejo como adotarse o entendimento da renúncia à esfera administrativa, pois renúncia de direitos deve ser exercida de forma direta, não sendo admissível a renúncia à discussão, in casu, de débito tributário imposto por meio de autuação fiscal, na esfera administrativa senão por força do ajuizamento de ação judicial pelo próprio renunciante, vez que o ajuizamento de ação coletiva por parte de substituto processual não tem o condão de produzir tal efeito. Em suma, a renúncia não se verifica quando, ainda que coincidentes pedidos e causa de pedir, não tenha sido a medida judicial proposta pelo mesmo contribuinte vinculado ao processo administrativo, pois ausente o requisito de identidade de partes, conforme cumulativamente exigido no § 2º do artigo 301 do CPC, antes referido. Da conclusão Com tudo o que foi exposto, entendo não haver renúncia à esfera administrativa, razão pela qual voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a concomitância com o processo judicial e determinar retorno dos presentes autos à DRJ/SP1, para a devida apreciação da impugnação ofertada pelo autuado, ora recorrente. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729961/2013-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. ANÁLISE SOBRE CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. ANÁLISE SOBRE CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. ANÁLISE SOBRE CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 99 61 /2 01 3- 04 Fl. 163DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 57/62), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2010, anocalendário 2009, para exigência dos seguintes créditos tributários: IRPF Suplementar (sujeito à multa de ofício) – R$ 798,26; multa de ofício (passível de redução) – R$ 598,69; juros de mora (calculados até 30/08/2013) – R$ 248,09; e IRPF (Sujeito à multa de mora) – R$ 15.496,97; multa de mora (não passível de redução) – R$ 3.099,39; juros de mora (calculados até 30/08/2013) R$ 4.816,45; totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 25.057,85 (vinte e cinco mil, cinquenta e sete reais, oitenta e cinco centavos). Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na Notificação de Lançamento, foram apuradas omissão de rendimentos recebidos do Banco Santander, no valor de R$ 3.069,09 (com IRRF sobre omissão de R$ 204,26), e compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 15.701,23. Em função dessas alterações, foi apurado imposto suplementar sujeito à multa de ofício de R$ 798,26, e imposto sujeito à multa de mora de R$ 15.496,97. O autuado apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 14/04/2016, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.348 (fls. 127/130), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11080.729961/201304 Acórdão n.º 9202006.855 CSRFT2 Fl. 3 3 O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 06/07/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 13/07/2016, o Recurso Especial (fls. 132/137). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 19/08/2016 ( fls. 146/148). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido a fim de que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Afirma que não é justificável a derrubada integral do auto de infração, e que devese recalcular o valor do imposto, tomandose como base o decidido recentemente em sede de recurso repetitivo, uma vez que aplicandose essa metodologia, poderá haver ainda imposto a ser recolhido, não havendo justificativa para sua dispensa, até porque a atividade de Fiscalização é vinculada (art. 142 do CTN). Acrescenta que o contribuinte se defende dos fatos, tendo entendido perfeitamente a acusação que lhe foi dirigida pela Fiscalização. E finaliza: “Como o Judiciário entendeu apenas que a metodologia do cálculo da Fiscalização estava equivocado, não há pertinência em querer derrubar todo o auto de infração, sendo apenas necessária a indispensável adequação do caso “sub judice” à jurisprudência sedimentada nos tribunais superiores”. Cientificado do Acórdão nº 2202003.348, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 28/09/2016, o contribuinte apresentou contrarrazões, tempestivamente, nos seguintes termos: · O lançamento foi efetuado com base em uma interpretação jurídica declarada inconstitucional pelo STF (inválido), e, dessa forma restou reconhecido o vício material existente na cártula. · Caso seja provido o recurso, conforme já destacado no recurso voluntário, o recolhimento do imposto foi devidamente efetuado pela fonte pagadora, conforme documentos já anexados aos autos naquela oportunidade. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 146. Contudo, embora não tenha havido qualquer questionamento acerca do conhecimento, considerando outras discussões sobre a questão acerca de processos sobre a mesma matéria, entendo necessário que este Colegiado faça uma reanálise quanto ao cumprimento dos requisitos essenciais ao conhecimento do recurso. Do Conhecimento Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido, entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, em consonância com a interpretação adotada pelos Tribunais Superiores acerca do tema, o qual firmaram entendimento de que, no caso de recebimento acumulado no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, bem como, o preenchimento dos pressupostos de conhecimento do recurso especial referese a fundamentação trazida pelo relator no acórdão recorrido, fls. 162 e seguintes, senão vejamos: O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: [...] O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11080.729961/201304 Acórdão n.º 9202006.855 CSRFT2 Fl. 4 5 de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: [...] Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado, para que seja reformada a decisão, no que tange o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Para tanto apresenta como paradigma o acórdão 2201002.588, de 05/11/2014, proferido nos autos do processo nº 11020.002246/200606 e assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença judicial, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aquelas decorrentes de reclamação trabalhista nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do IR, nos termos do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC (STJ). MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. INEXISTÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO OU AGRAVAMENTO. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO Fl. 167DF CARF MF 6 POR CENTO A declaração inexata dos rendimentos tributáveis enseja a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos lançados de ofício, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I , da Lei nº 9.430/96 . Para fundamentar sua conclusão, assim encaminhou o relator do acórdão paradigma: A auditoria constatou que no exercício 2005, anocalendário 2004, a contribuinte declarou o montante de R$ 2.624.203,21 como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, oriundo de ação judicial contra o INSS. Intimada a justificar a inclusão desses rendimentos, a recorrente informou que o valor foi equivocadamente incluído na Declaração de Ajuste no campo "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva", quando se tratava de "Rendimentos Isentos e NãoTributáveis". E, que o montante em questão referese a "diferenças de pensão" recebidas do INSS, decorrentes do falecimento de Yari Francisco de Souza Lucena, do período compreendido entre agosto de 1987 e setembro de 2002. No recurso, a contribuinte argui que o Direito Tributário admite na aplicação da lei o recurso à equidade e, sendo os proventos, mesmos revistos, não tributáveis no mês em que seriam implementados, também não devem sêlo quando acumulados pelo pagamento a menor pela entidade pública. Ocorrendo o equívoco da Administração, o resultado judicial da ação não pode servir de base à incidência, sob pena de sancionarse o contribuinte por ato do Fisco, violando os princípios da Legalidade e da Isonomia. Dessa forma, o cálculo deveria efetuado em observância das tabelas e alíquotas vigentes à época, após a s deduções permitidas. À situação, deve aplicarse, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC, do STJ, decidindo que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, como se observa a seguir: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp. 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Assim, devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11080.729961/201304 Acórdão n.º 9202006.855 CSRFT2 Fl. 5 7 Quanto à alegação de que deveriam ter sido excluídas as parcelas isentas e demais deduções, é de se ressaltar que sim, todas as deduções a que tem direito a contribuinte devem ser excluídas da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e que não tenham sido já pleiteadas nas declarações de ajuste dos anos calendário correspondentes. Após o confronto das duas decisões, devese recordar que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), aprovado pela Portaria 343/2015, o qual define que caberá Recurso Especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim tratase de recurso com cognição restrita, não podendo a CSRF ser entendida como uma terceira instância, ela é instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. Senão vejamos os dispositivos que abarcam a questão: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Assim, para caracterização de divergência interpretativa exigese como requisito formal que os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas sejam suficientemente semelhantes para permitir o 'teste de aderência', ou seja, deve ser possível avaliar que o entendimento fixado pelo Colegiado paradigmático seja perfeitamente aplicável ao caso sob análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto. O acórdão recorrido teve por base a aplicação da decisão do STF nº 614.405/RS, transitada em julgado em 09/12/2014, já o acórdão paradigma analisou a questão com base no REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC, do STJ. Embora a tese enfrentada nos acórdãos envolva a forma de cálculo do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente, discutindose pela aplicação do regime de caixa ou de competência e divergindo sobre a possibilidade de se manter o lançamento com o mero recálculo dos valores, entendo que a fundamentação das decisões são diversas. No caso, tornase relevante indicar que o fato de o acórdão recorrido ter aplicado para solução da lide o art. 62A do RICARF em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406, julgado sob a sistemática da Repercussão Geral, cujo acórdão transitou em julgado em 09.12.2014. O acórdão indicado como paradigma foi proferido em contexto diverso, mais precisamente em 05/11/2014. Na ocasião ainda não tínhamos a decisão vinculante do STF sobre o tema, razão pela qual aquele Colegiado não fez qualquer consideração sobre sua aplicação ao caso. O Colegiado paradigmático, embora tenha entendido pela possibilidade de refazimento do lançamento do IRPF sob o regime de competência o fez exclusivamente com base no entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.118.429. Assim, considerando que o Colegiado paradigmático não analisou a matéria sob o mesmo prisma da turma a quo pela completa impossibilidade de se debruçar sobre Fl. 169DF CARF MF 8 decisão ainda não existente no mundo jurídico, e que o Recurso Especial de Divergência somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face de incidências tributárias da mesma espécie, não vejo como conhecer do Recurso o caso ora analisado. Conclusão Face o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900655/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 06 55 /2 00 9- 13 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13227.900655/200913 Acórdão n.º 1401002.534 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 0125.451 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de IRPJ não reconhecido. A Recorrente transmitiu declaração de compensação em 06/04/2006, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 5993, do período de apuração de 08/2005. A unidade de origem, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que após analisadas as informações prestadas pela Recorrente foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que: a) A empresa efetuou pagamento de IRPJ Código de Receita: 5993, relativo ao período de apuração de 08/2005; b) Por ocasião do levantamento do balancete de suspensão e/ou redução nesse mês, após os ajustes apresentou lucro fiscal inferior ao já apurado em períodos anteriores, ou seja, não teria nada a recolher mesmo assim recolheu.; c) Oportunamente, aproveitou o crédito do pagamento indevido para compensar, via PER/DCOMP e de forma legal, débitos próprios. Diante dos fatos apresentados, requereu a anulação do Despacho Decisório, por questão de justiça e direito. Apreciados tais argumentos, o despacho decisório restou mantido, sob o entendimento de que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado defendendo estar suficiente comprovado seu direito creditório. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13227.900655/200913 Acórdão n.º 1401002.534 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.523, de 17/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, referente ao período de apuração de fevereiro/2006, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, do período de apuração de 08/2005, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.523): O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o ano calendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Ocorre que, conforme apontado pela recorrente em sede de voluntário, embora a compensação tenha se dado de forma equivocada, uma vez que ao entregar a DCTF, a recorrente ao invés de simplesmente comparar o valor devido com o valor recolhido a título de estimativa e assim declarar somente o valor Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.900655/200913 Acórdão n.º 1401002.534 S1C4T1 Fl. 5 4 devido, caso apurasse valor a maior do que o recolhido por estimativa, declarou o valor apurado como devido e apresentou PERD/DCOMP para compensálo. Considerando que as informações acima transcritas restam localizadas na DIPJ e LALUR, que apontam a base de cálculo da contribuição e os DARFs (fls.) devidamente pagos que originaram o crédito em discussão. Tratase, portanto, de erro de fato no preenchimento do PER aqui analisado, que não pode, sob hipótese alguma, refletir na glosa de estimativas já liquidadas, computadas na apuração do saldo negativo do IRPJ do período. Desta forma, tendo a Recorrente comprovado de maneira incontroversa que as estimativas mensais de outubro de 2006 foram liquidadas através da quitação antecipada autorizada pela Lei nº 13.043/2014 (Doc. 7 do RV), não pode ser mantida a redução do saldo negativo de 2004. Ademais, consolidando este entendimento, temos: SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das estimativas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.006589/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho.
Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade.
ARBITRAMENTO.
A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Numero da decisão: 2202-004.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 65 89 /2 00 9- 89 Fl. 428DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1138.265, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE (DRJ/REC), que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Cuidase de crédito tributário, no montante de R$1.233.834,25 (um milhão, duzentos e trinta e três mil, oitocentos e trinta e quatro reais e vinte e cinco centavos), constituído por meio do AI 37.054.2967, sob o protocolo n.°16707.006589/200989 no Ministério da Fazenda, envolvendo, exclusivamente, contribuições sociais de segurados empregados, relativas às competências 01/2005 a 12/2006. Mencionadas contribuições sociais são incidentes sobre: I remunerações de referidos segurados, relativas a obras de construção civil de responsabilidade da empresa supracitada. Assinala o Fisco divergências verificadas entre os salários registrados na contabilidade em confronto com aqueles declarados em GFIP (cf. quadro do item 1 do relatório fiscal, fls. 80/94). Acresce, ainda, que desconsiderou a contabilidade, porque a mesma não registrava quer a totalidade dos segurados declarados (cf. quadros às fls. 99/100 do relatório fiscal), quer as Notas Fiscais especificadas no quadro de fl. 101 do mesmo relatório, motivo pelo qual aferiu as citadas remunerações com base no art. 33, § 6o, da Lei n.° 8.212/91 c/c art. 600 da IN SRP n.° 03/2005 (Levantamento NF); Fl. 429DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 430 3 II gastos com fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados, sem comprovação de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, e remunerações de pessoal da administração (levantamento CON) Cientificada do lançamento em 18/12/2009, conforme aviso de recebimento postal à fl. 219, a empresa manejou impugnação (fls. 227/280), em 18/01/2010, ocasião em que argúi, em síntese: A Improcedência do arbitramento, porque: I As notas fiscais apontadas pela fiscalização foram devidamente contabilizadas e a omissão contábil das folhas de pagamento referemse apenas ao ano de 2005, não havendo cabimento para o arbitramento do ano de 2006; II houve cerceamento de defesa, dado que, no arbitramento, não foram explicitados os percentuais utilizados para cada obra, nem identificados os documentos fiscais utilizados para a sua feitura, requerendo, assim, elaboração de demonstrativos por obra; III somente foram deduzidos créditos nos meses em que houve lançamento fiscal; IV extensão do arbitramento a outras obras, nas quais não foram apontadas quaisquer irregularidades; V no tocante à acusação de que não contabilizou as notas fiscais, salienta que a receita deve ser contabilizada quando o serviço for prestado, independente da emissão da nota fiscal. Também, destaca que, quando emitidas as citadas notas, devese levar em consideração os períodos de prestação dos serviços nelas indicado. B Improcedência das diferenças de GFIP X Contabilidade acusa inexistirem as diferenças consignadas no processo, requerendo a retificação do lançamento. Passa a tecer considerações por CEI/obra: I CEI 50.004.00328/71 OBRA PR030; CEI 50.016.95806/75 OBRA PB006; CEI 50.023.40802/70 OBRA RN243; CEI 50.020.77490/74 OBRA RJ035; CEI 50.023.58653/78 OBRA RN244; CEI 50.019.58931/76 OBRA RJ033; CEI 50.016.917/76 OBRA AM 100 as diferenças apontadas advêm de verbas não sujeitas à contribuição previdenciária, pagas em rescisões de contrato de trabalho, como saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional. II CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033 as diferenças, segundo planilha de fls. 279/280, advêm de verbas rescisórias não tributáveis e de valores pagos à pessoa jurídica (SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda); III CEI 50.020.37627/79 diz que os lançamentos assinalados pelo fisco para referida matrícula são da OBRA RJ034 e não da Fl. 430DF CARF MF 4 OBRA SC011 e que as diferenças decorrem de verbas rescisórias não sujeitas à tributação. C Acréscimos legais indevidos não vê qualquer irregularidade na forma de contabilização das GPS código 2631 (retenções de contribuições sociais por serviços tomados de outras pessoas jurídicas). D Correta contabilização das Notas Fiscais diz que as NF 22939; 18892 e 94, apontadas no item 5 do relatório fiscal como não contabilizadas e motivadoras do arbitramento no exercício de 2006, foram registradas à fl. 237 do livro diário respectivo. Acresce que a NF 18892 corresponde, na verdade, ao valor de R$ 609,23, sendo relativa a serviços de corte e dobra de ferro, não sujeitos à retenção. E Recolhimento dos valores retidos, constantes das NF apontadas no item 7 do relatório fiscal, requerendo sua exclusão do processo em pauta. F Cobrança indevida de contribuições previdenciárias sobre faturas UNIMED, dado que não se trata de cooperativa de trabalho. G Falta de apropriação de créditos referentes ao estabelecimento /000187 a fiscalização listou GPS pagas, com valores incorretamente apurados. Assinala, no item 108 de sua impugnação, as diferenças que o fisco deixou de computar. Acusa, ainda, divergências entre valores constantes do relatório de documentos apresentados RDA e da apropriação efetuada nos meses que especifica no item 111 de sua impugnação, requerendo a corresponde retificação. H Levantamento "CON Salários Administrativos", para o estabelecimento /000187, sem detalhamento de origem das bases de cálculo, cerceando o exercício do direito de defesa. I Não dedução das contribuições sociais: 1.1 retidas pelos tomadores elencados às fls. 254/265. Acresce, também, não terem sido deduzidas as retenções sobre serviços de subempreiteiros. 1.2 referentes ao 13° salário nas obras que especifica (itens 144 e 149 de sua defesa); J Lançamentos indevidos nos estabelecimentos: CEI 50.019.58931/76 OBRARJ 033, na competência 10/2006, com base em NF no valor de R$ 95.485,28. Diz que não existe referida NF, requerendo, assim, o cancelamento dos tributos lançados; CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033, na competência 12/2005, porque concernentes a outra obra (PR032). L Indevida exigência de contribuições sobre alimentação fornecida in natura. Contesta não apenas a incidência, como a forma de apuração da base de cálculo. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 431 5 M Glosa de compensação diz que os erros nos recolhimentos foram produzidos pelos tomadores de serviços e não pela empresa, não podendo, assim, ser responsabilizada. N Lançamentos relativos aos estabelecimentos 70.001.25497/70 e 70.001.25522/75, integrantes do DD Discriminativo do Débito, sem qualquer referência aos documentos sobre os quais se efetivaram, nem os percentuais adotados, cerceando seu direito de defesa. Por fim, requer diligência, juntando documentos às fls. 321/334, como elementos probatórios. O feito foi convertido em diligência (fls. 296/299), ocasião em que o fisco voltou a se pronunciar (fls. 301/316), especificando, dentre outros pontos: I) a elaboração de quadro demonstrativo da forma de aferição indireta da remuneração dos segurados empregados por NFS (fl. 302/311); II) em relação às Notas Fiscais, apontadas como não contabilizadas, atesta que a NF 022939, emitida em 27/01/2006, foi lançada contabilmente somente em 02/2006, com inobservância ao princípio da competência; a NF 18.892 foi informada erroneamente no relatório fiscal (na verdade, tratase da NF 18.982); reconhece que a NF 094 foi contabilizada; III)detalhamento do levantamento CON, esclarecendo tratarse de contribuições sociais incidentes sobre salários pagos aos empregados da administração, bem como valores pagos a título de salário alimentação, ambos especificados no quadro de fl. 314. Cientificada da diligência, consoante fl. 317/8, em 17/04/2011, a empresa não aditou sua impugnação inicial. A impugnação da recorrente foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/REC, que deduziu do levantamento CON, os seguintes valores: Comp. Contribuição Social a Deduzir (R$) 09/2005 181,41 10/2005 199,64 11/2005 285,30 12/2005 228,40 01/2006 242,15 02/2006 105,69 03/2006 236,89 05/2006 358,78 06/2006 242,91 07/2006 243,17 08/2006 232,75 09/2006 244,77 10/2006 384,80 Fl. 432DF CARF MF 6 11/2006 257,04 12/2006 150,19 Referida decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTABILIDADE. DESCONSIDERAÇÃO. ARBITRAMENTO. Encontra amparo legal o arbitramento das contribuições sociais, feito pela fiscalização, quando constata que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a serviço da empresa. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE STJ E PARECER PGFN. A jurisprudência pacífica das cortes superiores do país e o entendimento esposada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, acerca da não incidência de contribuições sociais sobre despesas relativas a fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados, determinam a revisão do lançamento entabulado, relativamente à citada exação, com retificação do crédito para exclusão de mencionada rubrica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/REC em 14/02/2014. Inconformada com a decisão, postou Recurso Voluntário em 12/03/2014 (fls. 370), repisando os argumentos da impugnação, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consideração inicial As referências ao longo deste voto às folhas do processo nº 16707.006588/200934, do qual este é apenso, são feitas em função do presente processo ser decorrente daquele, cujos lançamentos foram originados dos mesmos elementos de prova, e as cópias dos documentos acostados à impugnação não terem sido anexadas a este. Das preliminares Fl. 433DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 432 7 Da nulidade do acórdão recorrido. Inocorrência Ao longo de todo o recurso voluntário a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado porque a autoridade julgadora deixou de analisar documentos juntados à impugnação, e por não haver pronunciamento sobre os quesitos apresentados em impugnação. Sem razão a recorrente, que não especifica qual ou quais documentos o julgador deixou de analisar. Extraio do acórdão recorrido os seguintes trechos (efls. 347): A eventual divergência entre as datas da prestação de serviço e da emissão das respectivas notas fiscais, para fins de sua contabilização, tampouco restou demonstrada pela impugnante nos autos. Não prospera, também, a argüição de cerceamento de defesa, em relação ao citado arbitramento, dado que o Fisco o explicitou, por meio da planilha de fls. 302/311, da qual teve pleno conhecimento, consoante fl. 317/8, especificando os percentuais utilizados para cada obra e as NF utilizadas. No tocante às deduções feitas, a empresa não demonstrou possuir créditos,além daqueles considerados pelo Fisco, que pudessem ser abatidos das competências lançadas. Quanto ao argumento de extensão do arbitramento a obras sem irregularidades, não restou demonstrado no feito, resultando, assim, desprovido de sustentação. Da transcrição acima, ao contrário do que afirma a recorrente, considero que o julgador a quo apreciou os documentos acostados à impugnação. Sem entrar no mérito se tal apreciação está correta ou não, o fato é que ela entendeu que eles não foram suficientes para sustentar as alegações da defesa. Além disso, consta nos autos que o processo foi baixado em diligência para que fossem sanadas dúvidas em relação a todos os argumentos da recorrente referenciados por documentos acostados à impugnação (efls. 296/299). É certo que do resultado da diligência, o julgador forma seu livre convencimento, baseado em elementos acostados aos autos, fatos narrados pela fiscalização e argumentos trazidos na defesa, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a faculdade de solicitar diligências para formação de sua convicção, podendo a seu critério valorar as provas trazidas aos autos: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, não cabe ao julgador fazer batimentos de dados constantes em todos os documentos acostados à impugnação, principalmente quando deixaram de ser apresentados ao longo do procedimento fiscal, e cuja apreciação poderia demandar análises ou recálculos mais específicos que, naquele momento, a autoridade autuante estaria mais apta a fazêlos. Fl. 434DF CARF MF 8 Quanto ao argumento de que a autoridade julgadora não se pronunciou sobre os quesitos apresentados em impugnação, entendo que o deferimento da diligência e respectivo resultado continuem prova suficiente de que os questionamentos postos pela recorrente foram considerados. Frisese que no deferimento da diligência, a autoridade julgadora fez vários questionamentos que julgou necessários, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não vislumbro qualquer cerceamento de defesa à recorrente, visto que as suas alegações foram apreciadas pelo julgador a quo, ao longo de todo o acórdão recorrido. Da diligência. Perícia A recorrente solicita a realização de diligência, apresentando quesitos. Entretanto, não vejo necessidade para o deferimento. O Termo de Verificação Fiscal, a Informação Fiscal resultante da diligência, e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pelo autuante, a forma de apuração da base de cálculo, e os valores e diferenças apuradas, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento. Entretanto, mesmo após a realização de diligência determinada pelo julgador a quo, a recorrente nada complementou em sua impugnação, cujas alegações foram repetidas no Recurso Voluntário. Por isso, desnecessária a diligência nesta fase, uma vez que o Auto de Infração apresenta os elementos para formação da convicção do julgador. Ressaltese que o fato de a recorrente ter denominado seus questionamentos para a diligência como quesitos não o caracteriza como solicitação de perícia, visto que esta demanda requisitos necessários ao pedido, nos temos do inciso IV e § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifei). Portanto, indefiro o pedido de diligência por entendêlo prescindível à solução do litígio. Do mérito Arbitramento A recorrente alega que as irregularidades apontadas pela fiscalização para o ano de 2006 não eram suficientes para o arbitramento, pois o Auditor Fiscal reconheceu que a Nota Fiscal nº 94, emitida pela J. Balbino Reps Coml Ltda foi contabilizada, e depois afirmou Fl. 435DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 433 9 o que número correto da nota fiscal da Manchester Serv. Constr. Ltda era 18982, e não 18892. Ressaltou que mesmo na impugnação comprovou que a nota fiscal 18892 foi contabilizada (item 98 da impugnação). Além disso, a recorrente assevera que a omissão quanto à contabilização das folhas de pagamento se deu apenas no ano de 2005, estando a de 2006 em perfeita ordem. Como se vê, a controvérsia está na motivação do arbitramento efetuado pela fiscalização, relativo ao ano de 2006, visto que a recorrente reconheceu a falta de contabilização das folhas de pagamento relativas a 2005. Então, vamos analisar por partes os motivos que levaram a fiscalização a proceder ao arbitramento. Em relação à falta de contabilização das notas fiscais, o Auditor Fiscal respondeu o seguinte, no resultado da diligência solicitada pelo órgão julgador a quo (efls. 301/316): Letra G. Argumentação do contribuinte: "houve a contabilização das NF 22939 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 661,86), 18892 (folha 237 do Diário, no valor de RS 609,23) e 094 (folha 478 do Diário, no valor de RS 14.734.00) e, em relação à NF 18982, citada como sendo de R$ 14.734,00, é, na verdade, NF de prestação de serviço de corte e dobra de ferro, no valor de R$ 609,23, não sujeita a retenção Esclarecimentos da auditoria: A nota fiscal 022939, da empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA SA, CNPJ 33.146.648/000120, data de emissão em 27/01/2006, folha 198 do processo, somente foi contabilizada em 02/2006, deixando de observar o princípio contábil da competência, conforme se pode observar na pg 237 do diário geral 59. Já a nota fiscal de Manchester Serviços de Construção Ltda, CNPJ 02.687.270/000148, emitida em 30/01/2006, foi equivocadamente informada no relatório fiscal como sendo a de no. 18.892, quando na realidade o número correto é 18.982, mas entendemos que a citação equivocada do número da nota no relatório fiscal não modifica o fato constatado, até por que (sic) a cópia da nota foi anexada aos autos, fl. 200. Cabe retificação o registro contábil de J. Balbino Reps Coml. Ltda, visto que o contribuinte demonstrou sua contabilização. Analisando os documentos constantes nos autos, entendo que o número da nota fiscal emitida pela Manchester Serv. Constr. Ltda., a qual a auditoria faz referência no Relatório Fiscal só poderia ser a 18982, porque é a única nota no valor de R$ 5.071,78, que espelha o documento constante às efls. 175, confirmando que o Auditor Fiscal cometeu apenas um erro de numeração em seu relato fiscal. Dito isso, verifico que a nota fiscal nº 18982, sobre cuja falta de contabilização se insurgiu a fiscalização, aparece contabilizada no Livro Diário no dia 28/02/2006, no valor de R$ 609,23 (efls. 2410 do processo nº 16707.006588/200934), apesar de a referida nota ter sido emitida em 30/01/2006, no valor de R$ 5.071,78 (efls. 175). Portanto, entendo que a contabilização da referida nota fiscal não espelhou o que nela constava. Fl. 436DF CARF MF 10 Da mesma forma, a nota nº 022939, foi emitida pela Concremat Eng. Tecnologia S/A em 27/01/2006 (efls. 173), mas está contabilizada no Diário Geral na data de 28/02/2006 (efls. 2410 do processo nº 16707.006588/200934). Acrescento que, o lançamento por arbitramento não decorreu apenas da falta de contabilização das citadas notas fiscais, mas pelos seguintes fatos, conforme relato fiscal: a) Deixar o sujeito passivo de apropriar a folha de pagamento dentro do mês em que ocorrer a prestação de serviços, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher. Este descumprimento ocorreu quando houve a falta da contabilização das folhas de pagamento dentro do período a que se referiram, como foi demonstrado nas planilhas apresentadas no item 2.1 b) Deixar o tomador de provisionar notas fiscais de serviços dentro do mês em que os serviços foram prestados, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher; (Grifei) Além disso, o Auditor Fiscal informa ter constado divergência entre os salários contabilizados nos Livros Diários de 2005 e 2006 e os declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, apresentando planilha (item 2.1) com as respectivas divergências (efls. 80/94). Considerando esses fatos, apesar de a recorrente dizer que não haveria motivos para arbitrar o ano de 2006, entendo de forma diversa. Pela planilha constante no Relatório Fiscal (item 2.1) é possível ver que as divergências entre a escrituração contábil dos salários e o declarado em GFIP persistiram no exercício de 2006. E, mesmo intimada a justificar as divergências, a recorrente não apresentou elementos suficientes para isso. Diante da inércia, a auditoria seguiu o que determina a legislação, efetuando o arbitramento. A recorrente ainda afirmou que tais diferenças se referiam a verbas rescisórias não sujeitas à tributação. Contudo, isso não restou comprovado pelos documentos acostados à impugnação, conforme se verá mais adiante, não merecendo reparos a afirmação da auditoria fiscal de que os custos com remuneração não estavam corretamente contabilizados. Lembro à recorrente que, a auditoria fiscal enumerou por obra e competência, os salários não contabilizados nas competências de 2005 (fls. 99/100) e as divergências entre os salários contabilizados e os declarados em GFIP, neste caso, incluídas as competências de 2006 (efls. 80/94). Portanto, não há fundamento na afirmação da defendente de que as irregularidades contábeis se restringiram apenas aos fatos geradores de 2005. A recorrente alega ainda que, a falta de contabilização de uma única nota fiscal não seria motivo para o arbitramento. Ocorre que, conforme visto acima, também houve falta/divergências de escrituração contábil dos salários dos segurados. Considero que esses fatos em conjunto são suficientes para o arbitramento, nos termos da legislação previdenciária aplicada ao caso: Lei nº 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 437DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 434 11 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifei). RPS/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(Grifei) Além disso, o argumento da recorrente de que os dados das GFIP's seriam suficientes para apurar o movimento real dos salários, não se sustenta. Os salários declarados em GFIP divergiam dos contabilizados, e a recorrente não apresentou documentos suficientes que demonstrassem quais deles estavam corretos, sendo necessário que a apuração da verdade se efetuasse por outros meios, dispostos em lei e atos normativos. Também não vejo razão ao argumento de que o arbitramento se daria apenas nos casos de vícios insanáveis, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que, o arbitramento relativo às contribuições previdenciárias tem legislação específica, conforme transcrição acima, a qual foi aplicada corretamente pela fiscalização. Ademais, a legislação não quantifica os registros errados para que a contabilidade seja desconsiderada, mas assevera "a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados". E, entendo que a fiscalização conseguiu demonstrar que isso efetivamente ocorreu. Aliás, analisando a forma de contabilização dos salários, as folhas de pagamento e as rescisões acostadas à impugnação (efls. 375/2935 do processo nº 16707.006588/200934), e comparando os valores constantes nesses elementos, percebese que a maioria deles não corresponde com o registro contábil. Como exemplo, podemos citar os abaixo: Compe tência CEI Dados extraídos do Relatório Fiscal Dados extraídos dos documentos acostados à impugnação Fl. 438DF CARF MF 12 Contabilidade GFIP Folhas de Pagamento/Planilhas FP Rescisões Contab Salário Contab Total Contab Gfip Refisc 13 gfip Refisc Total Gfip Sal FP Salário Fam FP Base Inss FP Total Rescisões jun/06 5001691776/73 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 2.900,00 13.351,70 jan/06 5001695806/75 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 2.017,02 abr/06 5001695806/75 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 4.250,73 jun/06 5001695806/75 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 13.244,12 out/06 5001695806/75 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 2.391,94 jan/06 5001958931/76 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 61.169,73 224,85 3.878,71 fev/06 5001958931/76 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 50.440,42 239,84 607,93 mar/06 5001958931/76 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 29.772,51 104,93 1.988,59 abr/06 5001958931/76 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 24.610,62 110,18 11.714,12 mai/06 5001958931/76 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 22.777,35 mar/06 5001964708/77 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 48.939,16 36.928,94 20.951,51 jun/06 5001964708/77 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 30.930,72 26.955,21 3.425,82 jul/06 5001964708/77 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 27.005,84 25.497,58 5.534,02 ago/06 5001964708/77 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 26.339,76 22.755,60 7.132,79 set/06 5001964708/77 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 28.825,49 21.076,57 11.788,56 out/06 5001964708/77 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 19.239,95 15.971,81 5.583,40 nov/06 5001964708/77 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 33.898,05 18.718,42 29.609,80 dez/06 5001964708/77 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 7.731,75 4.654,72 4.634,26 jan/06 5002037627/79 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 11.530,88 59,96 2.582,38 mar/06 5002037627/79 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 27.322,96 0,00 15.563,26 abr/06 5002037627/79 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 54.604,22 0,00 12.083,13 mai/06 5002037627/79 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 54.068,69 648,28 9.770,17 jun/06 5002037627/79 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 5.514,88 0,00 14.445,49 jan/06 5002077490/74 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 8.960,81 0,00 276,46 fev/06 5002077490/74 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 44.210,21 648,42 86,53 mar/06 5002077490/74 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 30.293,49 581,17 1.993,87 abr/06 5002077490/74 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 53.182,46 884,38 2.647,41 mai/06 5002077490/74 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 73.680,58 236,10 5.986,94 jun/06 5002077490/74 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 138.200,47 1.737,28 12.773,64 jul/06 5002077490/74 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 66.314,43 774,20 6.130,78 ago/06 5002077490/74 59.133,22 51.675,69110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 51.675,68 141,66 59.390,28 nov/06 5002077490/74 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 8.402,60 0,00 64.334,68 dez/06 5002077490/74 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 10.994,43 282,38 16.301,20 set/06 5002340802/70 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 2.510,80 223,40 235,20 out/06 5002340802/70 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 5.441,26 134,04 1.008,54 nov/06 5002340802/70 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 3.261,00 111,70 1.293,06 set/06 5002358653/78 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 6.052,10 513,82 807,27 out/06 5002358653/78 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 10.605,29 759,56 425,70 nov/06 5002358653/78 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 11.591,23 714,88 2.451,64 A recorrente insurgese quanto à afirmação do julgador a quo de que ela não teria comprovado a alegada regularidade contábil das obras, a fim de que não fosse estendida a estas o arbitramento. Arrazoa que os livros Diário e Razão foram juntados aos autos para que o Fisco procedesse às verificações necessárias. Ocorre que a auditoria informou ter verificado a contabilidade da fiscalizada, e, como vimos, apontou várias divergências. Então, se efetuou a apuração das obras por arbitramento, é porque considerou que a contabilidade não evidenciava a verdade real. Assim, caberia à recorrente, apontar por obra quais eventos provariam que elas estavam perfeitamente contabilizadas. Entretanto, a recorrente não se incumbiu de tal intento, pois analisando os documentos juntados à impugnação, constatase a existência de divergências, que apenas corroboram o afirmado pela fiscalização. A recorrente assevera que o julgador a quo não se manifestou sobre a diligência requerida e os quesitos a serem respondidos pelo Fisco. Pelo contrário, a autoridade Fl. 439DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 435 13 julgadora deferiu o pedido de diligência, conforme despacho 913 (efls. 296/299), direcionando os questionamentos para a auditoria fiscal, que em ampla Informação Fiscal (efls. 301/316) respondeu a todos os pontos alegados. A recorrente afirma que apesar de ter sido cientificada do relatório de diligência e não ter se manifestado, teve cerceado seu direito de defesa, porque os livros Diário e Razão não lhe foram disponibilizados. Ora, tal alegação não tem qualquer sustentação, visto que esses livros são elaborados pela própria empresa, e não há qualquer prova nos autos de que a fiscalização os tenha apreendido e não os tenha devolvido. Além disso, cópia deles foram acostadas à impugnação (efls. 3302/5600 do processo nº 16707.006588/200934), possuindo a recorrente a faculdade de vista e de pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Assim, se não dispunha deles para confrontar o resultado da diligência deveria ter solicitado cópia do processo da mesma forma que fez antes da apresentação da impugnação, em 29/12/2009 (efls. 221). Por todo o exposto, entendo que o lançamento por arbitramento teve motivação, não havendo razão para reforma do acórdão recorrido, nessa parte. Da improcedência do lançamento relativo às diferenças entre GFIP e contabilização dos salários. A recorrente afirma que não existiram as diferenças apontadas pela fiscalização, entre o salário escriturado na contabilidade e o declarado em GFIP, porque existem verbas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Cita, por obra, documentos anexos à impugnação que comprovariam o alegado. Entendo de forma contrária. A análise desses documentos, cujos dados foram apresentados na tabela da seção anterior, confirma a divergência apontada pela fiscalização, pois os valores constantes nas folhas de pagamento apresentam base de cálculo de INSS diferente do valor declarado em GFIP; o valor total de vencimentos constante nas planilhas de salários é diferente do valor de salários contabilizado; as rescisões não estão escrituradas por obra; em algumas obras a recorrente contabiliza apenas as rescisões, noutras contabilizada o somatório dos salários com as rescisões, sem discriminação das verbas sobre as quais incide contribuição previdenciária. A recorrente afirma que as diferenças entre o salário contabilizado e as GFIP's encontradas pela fiscalização nas obras 50.016.95806/75, 50.019.64708/77, 50.023.40802/70, 50.02077490/74, 50.023.58653/78, 50.019.58931/76, 50.020.37627/79, 50.019.58931/76, 50.016.91776/73 se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Entretanto, não aponta, por competência, quais seriam essas verbas, pois pelas rescisões apresentadas existem diversas rubricas: Verbas constantes nas rescisões apresentadas Int Hora Extra DSR Int Ad Not 13 sal Aviso Previo Indenizado Ad not prop Saldo Salário 1/3 férias 13º Salário DSF Int Hora Extra 13 Salário Hora Extra 13 Salário Inden. Hora Extra 50% Fl. 440DF CARF MF 14 Férias vencidas Hora Extra 70% Férias proporc. Hora Extra 100% Int Hora Extra férias venc Passagem Int Hora Extra férias ind t serv 14a cc Int Ad Not Férias prop ind t serv 15a cc Int Ad Not Férias venc art. 479 CLT Analisando essas rubricas, a tabela abaixo apresenta as que poderiam guardar relação com as verbas rescisórias que a empresa menciona às fls. 238 e seguintes, sobre as quais afirma que não incidiria contribuição previdenciária (saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional): Verbas constantes nas rescisões apresentadas Aviso Previo Indenizado Int Ad Not Férias prop Férias vencidas Int Ad Not Férias venc Férias proporc. 1/3 férias Int HE férias venc Salário Família Int HE férias art. 479 CLT Pois bem, mesmo excluindo as verbas rescisórias consideradas pela empresa (verbas constantes nas rescisões apresentadas) e pela legislação previdenciária como não sujeitas à incidência de contribuição previdenciária1, continuam existindo divergências entre o valor de salário contabilizado e o valor declarado em GFIP, conforme planilha abaixo, que apresenta uma amostragem da análise dos documentos acostados à impugnação2: CompetênciaCEI (A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa (B) Verbas Rescisórias sobre a quais não incide CP versão SRF (C) Rescisões contabilizadas (D) Salário contabilizado (E) Total Salário Contabilizado (C+D) (F) Gfip Refisc (G) 13 Gfip Refisc (H) Total GFIP (F+G) (I) Diferença Contabilidade GFIP (EH) jun/06 5001691776/73 10.421,06 12.514,34 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 7.688,48 jan/06 5001695806/75 1.576,42 1.638,99 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 1.576,42 abr/06 5001695806/75 1.503,21 2.239,83 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 2.239,83 jun/06 5001695806/75 8.954,23 11.915,05 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 8.752,68 out/06 5001695806/75 1.621,65 2.067,59 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 1.621,65 jan/06 5001958931/76 1.569,53 1.721,74 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 737,69 fev/06 5001958931/76 373,11 491,40 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 156,71 mar/06 5001958931/76 785,90 1.200,75 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 526,21 abr/06 5001958931/76 6.215,22 7.856,49 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 8.033,60 mai/06 5001958931/76 11.383,42 15.512,46 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 15.885,82 mar/06 5001964708/77 7.096,84 7.747,28 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 11.980,24 jun/06 5001964708/77 1.849,79 2.298,01 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 3.858,51 jul/06 5001964708/77 2.527,45 3.472,87 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 17.698,56 ago/06 5001964708/77 3.511,34 4.781,49 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 3.549,12 set/06 5001964708/77 5.784,21 8.402,83 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 6.002,72 out/06 5001964708/77 2.895,56 4.430,80 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 3.249,87 nov/06 5001964708/77 13.222,62 21.074,96 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 15.179,63 dez/06 5001964708/77 3.099,12 4.291,08 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 3.077,03 jan/06 5002037627/79 1.488,18 1.619,48 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 1.558,19 mar/06 5002037627/79 7.296,74 9.369,32 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 9.120,63 abr/06 5002037627/79 6.955,19 8.548,70 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 8.305,19 1 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/pagamentoseparcelamentos/emissaoepagamentode darfdasgpsedae/calculodecontribuicoesprevidenciariaseemissaodegps/tabeladeincidenciade contribuicao 2 Como algumas rescisões estavam ilegíveis, foram desconsideradas como amostra, as competências a que elas se referiam. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 436 15 mai/06 5002037627/79 4.570,43 6.435,69 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 7.421,87 jun/06 5002037627/79 9.159,35 11.676,58 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 1.332,39 jan/06 5002077490/74 106,32 106,32 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 174,81 fev/06 5002077490/74 0,00 0,00 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 280,17 mar/06 5002077490/74 1.050,47 1.247,42 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 1.350,51 abr/06 5002077490/74 1.238,57 1.565,35 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 812,69 mai/06 5002077490/74 1.868,54 3.021,39 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 4.523,63 jun/06 5002077490/74 7.031,34 9.590,59 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 14.896,33 jul/06 5002077490/74 3.119,86 4.535,82 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 3.463,56 ago/06 5002077490/74 23.057,51 36.026,26 59.133,22 51.675,69 110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 30.973,45 nov/06 5002077490/74 20.565,89 34.713,54 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 30.351,45 dez/06 5002077490/74 8.760,26 13.132,83 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 9.900,26 set/06 5002340802/70 79,73 139,53 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 79,73 out/06 5002340802/70 404,77 733,51 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 404,77 nov/06 5002340802/70 378,66 647,58 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 378,66 set/06 5002358653/78 663,84 783,36 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 345,51 out/06 5002358653/78 156,76 246,40 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 156,82 nov/06 5002358653/78 568,72 939,26 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 419,39 Ora, se a empresa afirma que as divergências apontadas pela fiscalização se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide contribuição previdenciária, é certo que as colunas "(A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa" e "(I) Diferença Contabilidade GFIP (EH)" deveriam ser iguais. Entretanto, isso não ocorre, o que corrobora que as diferenças realmente existiram. Dessa forma, considerando que o Auditor Fiscal efetuou o lançamento por arbitramento, diante das inconsistências entre a contabilidade e os documentos apresentados, caberia à recorrente o ônus da prova, nos termos do § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Entretanto, conforme demonstrado nas planilhas acima, a recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes que pudessem contradizer o lançamento. Primeiro, porque os documentos acostados à impugnação apenas ratificam o afirmado pela fiscalização: a necessidade de arbitramento em decorrência de divergência nos registros contábeis. Segundo, os documentos apresentados não foram suficientes para demonstrar a real base de cálculo, considerando que a maioria das folhas de pagamento apresentadas estão em desacordo com as formalidades exigidas pela legislação previdenciária: não há discriminação das verbas sobre as quais incide ou não contribuição previdenciária; a maioria delas se trata de planilhas com valores de salário, algumas contém assinatura dos segurados, outras não; o somatório das verbas constantes nos termos de rescisão contratual divergem dos valores contabilizados. Além disso, não foram anexados documentos de todas as obras objeto do lançamento, pois os documentos constantes nos autos referemse às seguintes: Documentos apresentados relativos diferença FPxGFIP Matrícula CEI OBRA Localização nos autos, efls do processo nº 16707.006588/200934 50.016.95806/75 PB 006 416/534 (doc 2) 50.016.93906/71 SE 001 não vieram rescisões 50.016.91776/73 AM 100 2007/2418 (doc 9) 50.019.64708/77 PR 033 764/1111 (doc 3) 50.019.58931/76 RJ 033 1688/1861 (doc 7) 50.020.37627/79 RJ 034 1865/2003 (doc 8) 50.020.77490/74 RJ 035 1213/1544 (doc. 5) 50.023.40802/70 RN 243 1113/1210 (doc 4) 50.023.58653/78 RN 244 TRE 1548/1685 (doc. 6) 50.004.00328/71 PR 030 375/413 (doc. 1) Fl. 442DF CARF MF 16 Assim, a recorrente não apresentou qualquer outro documento relativo às demais obras, não se incumbindo do ônus de provar que os fatos narrados pela fiscalização eram inverídicos. A recorrente assevera que teve seu direito de defesa cerceado, porque os documentos anexos à impugnação não foram analisados, pois o julgador deveria têlos confrontado com os dados do Diário e Razão que estavam em poder do Fisco. Diz ainda que, a fundamentação do acórdão, quanto à alegação de que as diferenças apontadas pelo Fisco decorreriam das rescisões, foi genérica e omissa. Não vejo razão à recorrente. O julgador a quo, diante dos questionamentos da recorrente, baixou o processo em diligência, de cujo resultado concluiu que a defesa não conseguiu comprovar todas as alegações. Para as que houve comprovação, foram efetuadas as respectivas exclusões. Ademais, quando a recorrente afirma que as diferenças apontadas pela fiscalização decorrem de verbas de rescisão, e tais valores não batem com os termos de rescisão apresentados, não vejo em que ponto a DRJ/Recife tenha destoado do que verificou nos autos, pois vislumbro das mesmas inconsistências, conforme demonstrado nas planilhas anteriormente apresentadas. Neste ponto, há que ser lembrado que a fiscalização efetuou o lançamento por aferição indireta. Em função disso, cabe a este colegiado analisar se houve motivação para tal, e se a recorrente se incumbiu do ônus da prova em contrário. Situações essas que não vislumbro em seu arrazoado. Por isso, considero correta a decisão pela aferição indireta. Com relação à MATRICULA CEI nº 50.004.00328/71 OBRA PR030, de acordo com o Discriminativo de Débito DD (efls. 4/16) não houve débitos neste auto de infração, não prosperando qualquer alegação em relação a ela. Com relação à MATRICULA 50019647008/77 OBRA PR033, cabe observar que para fins de determinar as divergências entre o salário escriturado e o declarado em GFIP, não se levou em consideração os valores relativos aos serviços prestados por pessoas jurídicas, tais como os abaixo (que não são passíveis de declaração em GIFP); mas, mesmo os excluindo do batimento, as diferenças permaneceram, conforme verificado anteriormente: MES/ ANO VR. CONTÁBIL. VALOR GFIP DIFER. ORIGEM 12/05 9.247,74 0 9.247,74 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 03/06 20.825,67 0 20.825,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 04/06 16.589,00 0 16.589,00 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 05/06 5.908,54 0 5.908,54 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 06/06 9.613,67 0 9.613,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 07/06 20.412,13 0 20.412,13 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 08/06 23.141,04 0 20.141,04 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 09/06 28.650,17 0 28.650,17 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 10/06 18.804,56 0 18.804,56 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" Quanto à MATRICULA CEI 50.020.37627/79 OBRA RJ034, a incorreção da planilha apontada pela recorrente não decorreu de erro da fiscalização, que apenas apresentou os dados da forma que constavam na contabilidade (efls. 3023/3024 do processo nº 16707.006588/200934): Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 437 17 Além disso, em relação a essa obra, o Auditor Fiscal já tinha se pronunciado em diligência (efls. 312): Portanto, diante do exposto, não vejo motivo para reforma do acórdão recorrido, nem vislumbro qualquer cerceamento de defesa, pois a recorrente dispunha de todos os elementos para construir seu contraditório, mas se manteve inerte em trazer quaisquer outros argumentos ou elementos, quer após as diligências efetuadas, quer em sede de recurso voluntário. Improcedência do lançamento. Acréscimos legais indevidos. A recorrente alega que agiu corretamente quanto à contabilização das retenções, não havendo razão para lançamento de acréscimos legais, visto que só pode haver retenção quando há pagamento. Fl. 444DF CARF MF 18 Não cabe pronunciamento sobre essa alegação, pois não foram lançados valores de acréscimos legais no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Improcedência do lançamento. Correta contabilização das notas fiscais A recorrente arrazoa que as notas fiscais foram contabilizadas. Em relação a isso, o julgador a quo já havia se pronunciado depois da diligência fiscal, em que o Auditor Fiscal confirmou a escrituração da nota fiscal nº 94, informando o número correto da nota fiscal 18982, e a contabilização indevida da nota 022939, por ter sido escriturada em data posterior à emissão, permanecendo a falta, conforme se verifica no trecho abaixo: Do exposto, concluise que procede, em parte, a impugnação na matéria, dado que a citada NF n.ºs 94 foi adequadamente contabilizada, ao contrário do referido no relatório fiscal original. De ressaltarse, porém, que a falha persiste em relação à mencionada NF 18.982 e que, também, a empresa é compelida a observar o princípio contábil da competência, segundo o qual o reconhecimento de despesas e receitas deve ser feito quando de sua ocorrência (no caso, pela emissão da NF), independentemente de saída ou entrada de numerários, fato inobservado pela impugnante em relação à NF 022939 supracitada. A alegação da recorrente já foi analisada em tópico anterior, onde entendi que a falta permaneceu em relação às notas fiscais emitidas pela Manchester e Concremat, pois a recorrente deixou de observar os princípios contábeis ressaltados pela auditoria. Cobrança indevida relativa ao item 7 do Termo de Verificação Fiscal (retenção e recolhimento de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços) Não cabe pronunciamento sobre essa alegação, pois não foram lançados valores de por falta de retenção e recolhimento de 11% sobre cessão de mão de obra, no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Improcedência cobrança INSS sobre faturas Unimed A recorrente alega ser indevida a cobrança de 15% sobre as faturas emitidas pela Unimed, porque esta não é cooperativa trabalho. Não cabe pronunciamento sobre essa alegação, pois não foram lançados valores relativos a essa rubrica, no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Falta de apropriação de créditos no "RADA" no estabelecimento matriz A Recorrente apresenta uma planilha com possíveis valores que foram recolhidos por GPS, mas não apropriados no lançamento do estabelecimento matriz (CNPJ: 08.323.347/000187). Sem razão a defesa. Primeiramente, observo que a planilha apresentada na defesa (efls. 5821/5822 do processo nº 16707.006588/200934) contém o somatório, por competência, das GPS com códigos de recolhimento 2100, 2640, 2631 e 2909, incluindo juros e multa, sendo que as únicas GPS que deveriam ser consideradas pela fiscalização para Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 438 19 apropriação, como o foram, são as de código 2100, pois as demais se referem a recolhimentos específicos: 2909 (reclamatória trabalhista, que não foi objeto de lançamento); 2631 e 2640 (retenção sobre cessão de mãodeobra). Em relação a estas, devese observar que o contribuinte têm a faculdade de compensálas por meio de declaração em GFIP, ou solicitar restituição, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, c/c caput e parágrafos do art. 219 do Decreto nº 3.048/99, artigos 192 a 196 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, fato que foi considerado pela fiscalização, conforme veremos em tópico específico. Segundo, analisando as GPS apresentadas às efls. 2429/2929 do processo nº 16707.006588/200934, verifico que elas já constam no RDA, à exceção da relativa às competências 01/2005, 11/2005, 13/2006, conforme planilha abaixo: Comp Código Dt Pgto INSS Terceiros Total líquido multa/ juros Total efls. do processo nº 16707.006588/200934 jan/05 2100 4.445,86 903,81 5.349,67 2429 jan/05 2100 14/05/2008 29,41 19,51 29,41 RDA jan/05 Total 5.379,08 fev/05 2100 3.593,45 742,35 4.335,80 2459 fev/05 2100 14/05/2008 29,40 19,05 29,40 RDA fev/05 Total 4.365,20 mar/05 2100 3.271,51 667,41 3.938,92 2473 mar/05 2100 14/05/2008 167,82 106,39 167,82 RDA mar/05 Total 4.106,74 abr/05 2100 5.082,51 1.064,39 6.146,90 2488 abr/05 2100 14/05/2008 296,14 183,3 296,14 RDA abr/05 Total 6.443,04 mai/05 2100 9.288,94 2.009,01 11.297,95 2507 mai/05 Total 11.297,95 jun/05 2100 10.852,87 2.419,85 13.272,72 2539 jun/05 2100 14/05/2008 877,88 516,19 877,88 RDA jun/05 Total 14.150,60 jul/05 2100 13.557,53 3.061,15 16.618,68 2570 jul/05 2100 14/02/2006 7949,06 1525,42 7.949,06 RDA jul/05 Total 24.567,74 ago/05 2100 14.342,91 3.150,60 17.493,51 2614 ago/05 2100 14/02/2006 8073,76 1428,24 8.073,76 RDA ago/05 Total 25.567,27 set/05 2100 4.089,04 771,96 4.861,00 2656 set/05 Total 4.861,00 out/05 2100 4.161,93 785,75 4.947,68 2667 out/05 Total 4.947,68 nov/05 2100 4.042,73 760,36 4.803,09 2681 nov/05 Total 4.803,09 13/2005 2100 3.570,49 665,93 4.236,42 2680 13/2005 Total 4.236,42 jan/06 2100 4.368,15 819,55 5.187,70 2698 jan/06 Total 5.187,70 fev/06 2100 4.012,08 754,56 4.766,64 2715 Fl. 446DF CARF MF 20 fev/06 2100 30/10/2008 68,11 35,69 68,11 RDA fev/06 Total 4.834,75 mar/06 2100 4.113,41 777,76 4.891,17 2733 mar/06 2100 30/10/2008 68,11 34,96 68,11 RDA mar/06 Total 4.959,28 abr/06 2100 5.486,70 889,12 6.375,82 2746 abr/06 2100 30/10/2008 76,36 38,22 76,36 RDA abr/06 Total 6.452,18 mai/06 2100 5.614,38 864,76 6.479,14 2762 mai/06 2100 30/10/2008 76,35 37,31 76,35 RDA mai/06 Total 6.555,49 jun/06 2100 5.749,61 872,75 6.622,36 2776 jun/06 2100 30/10/2008 76,34 36,41 76,34 RDA jun/06 Total 6.698,70 jul/06 2100 5.716,66 882,13 6.598,79 2792 jul/06 Total 6.598,79 ago/06 2100 7.254,47 1.024,32 8.278,79 2806 ago/06 Total 8.278,79 set/06 2100 30,00 1.458,29 1.488,29 2826 set/06 Total 1.488,29 out/06 2100 30,00 1.405,38 1.435,38 2849 out/06 Total 1.435,38 nov/06 2100 30,00 1.497,89 1.527,89 2868 nov/06 Total 1.527,89 dez/06 2100 30,00 1.332,63 1.362,63 2901 dez/06 Total 1.362,63 13/2006 2100 30,00 1.169,14 1.199,14 2929 13/2006 Total 1.199,14 Observo que o lançamento fiscal foi efetuado apenas em relação aos valores não declarados em GFIP, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91, por isso, apesar de as GPS das competências 01/2005, 11/2005, 13/2006 não estarem listadas no RDA, elas se referem a recolhimentos de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP (efls. 2429/2430, 2681/2682, 2929/2934 do processo nº 16707.006588/200934), e só a eles poderiam ter sido apropriadas, portanto, mesmo que viessem a compor o RDA não refletiriam no valor do débito apurado nessas competências. A apropriação de GPS que aparece no RADA (relativo ao levantamento "DAG SAL DECLARADOS EM GFIP") é um batimento entre o valor declarado em GFIP e o recolhido em GPS, como forma de verificar se existem sobras de recolhimento que pudessem ser aproveitadas a levantamentos de remunerações não declaradas, o que não ocorreria no caso dessas três competências, conforme efls. 2429/2430, 2681/2682, 2929/2934 do processo nº 16707.006588/200934. Com relação à MATRÍCULA CEI 50.020.77490/74, ao contrário do que afirma a recorrente, não se verifica discrepância entre o extrato de contribuições (efls. 2950 do processo nº 16707.006588/200934) e os valores constantes no RDA (efls. 40). Por seu turno, as retenções declaradas em GFIP também constam no RDA (efls. 19), que aparecem apropriadas aos valores declarados em GFIP (efls. 61/64). Por tudo isso, a planilha apresentada pela recorrente às efls. 397/398 discrepa da realidade dos documentos mencionados na impugnação e constantes nos autos do processo nº 16707.006588/200934. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 439 21 Ausência de detalhamento das origens das bases de cálculo do item "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS" A recorrente alega que a fiscalização não discriminou as divergências relativas ao estabelecimento 08.323.347/000187, a que se refere o levantamento "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS", para as competências 01/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 02/2006, 03/2006. Afirma que a autoridade recorrente entendeu que tal discriminação foi feita pela auditoria em diligência, da qual a recorrente foi cientificada, mas não se pronunciou. Alega que não teria como se pronunciar porque os livros Diário e Razão estavam de posse da fiscalização, o que impossibilitou seu direito à ampla defesa. Não assiste razão à recorrente. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03, recebido em 23/03/2009 (efls. 112), a auditoria solicita que a recorrente justifique as "divergências entre as GFIP e os lançamentos contábeis indicados nas planilhas anexas", e logo às efls. 115 consta o Anexo "Justificar as diferenças verificadas entre os valores contabilizados e os informados na GFIP Salários Administrativos", em que estão relacionados, por competência, os valores de salários administrativos e o valor declarado em GFIP. Novamente às efls. 314, o Auditor Fiscal discrimina esses valores, acrescentando parte relativa à alimentação. A alegação da empresa de que não se pronunciou sobre o resultado da diligência porque os livros Diário e Razão estavam com a fiscalização, não tem fundamento, visto que a ela é facultado pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574/2001. Além disso, esses livros são elaborados pela empresa com base em seus próprios documentos, o que torna sem propósito dizer que não poderia recorrer porque não dispunha deles, sem considerar que, conforme consta às efls. 3302/5591 do processo nº 16707.006588/200934, tais livros são resultado de escrita digital, sendo razoável que a empresa tenha esses dados em sistema, seja na própria empresa ou em escritório responsável por sua contabilidade, e possivelmente acessível a ela. Portanto, sem sentido essa alegação. Da falta de apropriação de INSS retido pelas fontes pagadoras A recorrente arrazoa que os valores retidos sobre as notas fiscais de prestação de serviços, referente às obras abaixo listadas não foram apropriados no lançamento fiscal: 50.020.77490/74 RJ 035 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.020.37627/79 RJ 034 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.019.58931/76 RJ 033 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.023.58653/78 RN 244 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RN TRE 50.016.95806/75 PB 006 SUPLAN SUPERINTENDÊNCIAS DE OBRAS DO PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO PARAÍBA 50.023.40802/70 RN 243 CIA DE AGUAS E ESGOTOS DO RIO GRANDE DO NORTE CAERN Para análise desse argumento, oportuno transcrever os dispositivos legais e normativos que tratam da retenção sobre notas fiscais, faturas e recibos por serviços prestados mediante cessão de mãodeobra: Lei nº 8.212/91 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho Fl. 448DF CARF MF 22 temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §2oNa impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (Grifei) Decreto nº 3.048/99 Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] §4ºO valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §5ºO contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. §6ºA empresa contratante do serviço deverá manter em boa guarda, em ordem cronológica e por contratada, as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com comprovante de entrega. §7ºNa contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 440 23 excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. §8ºCabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos. §9ºNa impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina, ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3ºdo art. 247.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §10. Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. §11. As importâncias retidas não podem ser compensadas com contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social para outras entidades. IN SRP nº 3, de 14/07/2005 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Art. 193. Caso haja pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: I a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos; II o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação às contribuições objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD e débito decorrente de Auto de Infração AI, cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado LDC, de Lançamento de Débito Confessado em GFIP LDCG, de Débito Confessado em GFIP DCG; III o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas ao acordo de parcelamento de contribuições objeto dos Fl. 450DF CARF MF 24 lançamentos de que trata o inciso II, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; IV somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto nos arts. 218 e 219; V a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos indevidamente. § 1º O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições sociais previdenciárias devidas, desde que a compensação seja declarada em GFIP. § 2º Caso haja recolhimento indevido, comprovado mediante documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, relativo à obra sem atividade, ou seja, para a qual tenha sido entregue GFIP sem movimento ou que tenha sido encerrada, a compensação poderá ser realizada em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 3º A empresa, o equiparado na forma do § 4º do art. 3º, e o empregador doméstico, poderão efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. § 4º É vedada a compensação em documento de arrecadação previdenciária de valor recolhido indevidamente para outro órgão da Administração Pública, ainda que se refira a contribuições devidas à Previdência Social, mesmo aquelas decorrentes da opção pelo SIMPLES. Art. 194. A compensação, observada a prescrição estabelecida no art. 218, não deverá ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social, em cada competência, independentemente da data do recolhimento, e de acordo com as seguintes disposições: [...] § 1º O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, devendo ser obedecidas as mesmas condições estabelecidas neste artigo e no art. 193. § 2º O valor total a ser compensado deverá ser informado na GFIP, na competência de sua efetivação, conforme previsto no Manual da GFIP. Art. 195. No documento de arrecadação relativo ao pagamento das contribuições incidentes sobre o décimoterceiro salário poderão ser compensadas importâncias que a empresa tenha Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 441 25 recolhido indevidamente, observado o limite de trinta por cento do total do valor devido à Previdência Social nesta competência. (Grifei). Sobre esse questionamento, a auditoria fiscal já havia se pronunciado no resultado de diligência (efls. 314): Esclarecimentos da auditoria: Os créditos relacionados no RAD correspondem aos códigos de recolhimento; 2100 Código da GPS Empresas em geral CNPJ 2208 Código da GPS Empresas em geral CEI Créditos créditos por retenção na prestação de serviços Deixamos de considerar todos os créditos campo compensação da GFIP, porque ao fazer o batimento entre os valores informados na GFIP e os valores retidos nas notas fiscais emitidas pela Construtora A Gaspar S A foi detectada diferença entre os mesmos. Intimada através dos Termos de Intimação no. 10 (fl 42), 11(fl. 44) , 12 (fl. 58) processo 16707.006588/200934 a apresentar os elementos ali indicados e necessários à comprovação da origem da compensação, não houve a apresentação, o que impossibilitou a consideração do crédito pretendido, fato citado no relatório fiscal fl. 122 processo 16707.006588/200934 Conforme se observa do trecho acima, o Auditor Fiscal incluiu como créditos apenas os valores de retenção que foram declarados em GFIP, desconsiderando os valores destacados na nota fiscal por divergirem dos informados em GFIP. Nesse sentido, analisando a planilha às efls. 97, as notas fiscais mencionadas na impugnação e constantes nos autos do processo nº 16707.006588/200934, e os valores de créditos no RDA, confirmei a existência de divergências, por Matrícula CEI. Matrícula CEI nº 50.020.77490/74 As GPS de retenção apresentadas pela recorrente (efls. 3069/3099 do processo nº 16707.006588/200934) foram recolhidas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação às competências 02/2006, 06/2006 e 10/2006, apesar de não aparecerem no RDA, por terem sido declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. Em relação a 11/2006 a recorrente declarou R$ 12.904,22 de retenção, mas só conseguiu comprovar R$ 9.919,95; como o valor foi apropriado a maior, só restaria glosar a diferença. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA dez/05 50.020.774.9074 2.777,28 2.777,28 6.204,11 2.777,28 jan/06 50.020.774.9074 4.922,67 4.922,67 5.428,53 4.922,67 Fl. 452DF CARF MF 26 fev/06 50.020.774.9074 10.711,52 10.711,52 12.456,30 mar/06 50.020.774.9074 16.062,00 16.062,00 16.062,0016.062,00 abr/06 50.020.774.9074 15.499,10 15.499,10 15.499,1015.499,10 mai/06 50.020.774.9074 12.011,15 12.011,15 12.035,5712.011,15 jun/06 50.020.774.9074 22.459,38 22.459,38 35.820,48 jul/06 50.020.774.9074 20.468,50 20.468,50 11.529,7911.529,79 ago/06 50.020.774.9074 24.128,68 24.128,68 17.143,7017.143,70 set/06 50.020.774.9074 15.903,23 15.903,23 31.798,8215.903,23 out/06 50.020.774.9074 17.397,41 17.397,41 26.258,45 nov/06 50.020.774.9074 12.904,22 12.904,22 9.919,95 dez/06 50.020.774.9074 2.671,51 2.671,51 13/2006 50.020.774.9074 1.060,72 1.060,72 Matrícula CEI nº 50.020.37627/79 Com relação à obra 50.020.37627/79 RJ 034, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3061/3088) foram pagas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação à competência 11/2005, apesar de não aparecerem no RDA, por terem sido declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA nov/05 50.020.376.2779 1.987,69 1.987,69 2.054,47 dez/05 50.020.376.2779 9.480,95 9.480,95 11.281,80 9.480,95 jan/06 50.020.376.2779 3.643,47 3.643,47 3.643,47 3.643,47 fev/06 50.020.376.2779 2.673,63 2.673,63 2.673,63 2.673,63 mar/06 50.020.376.2779 6.368,39 6.368,39 7.299,25 6.368,39 abr/06 50.020.376.2779 9.832,78 9.832,78 13.034,23 9.832,78 mai/06 50.020.376.2779 16.917,79 16.917,79 25.768,0816.917,79 jun/06 50.020.376.2779 3.105,27 3.105,27 3.105,27 jul/06 50.020.376.2779 4.791,20 0,00 Matrícula CEI nº 50.019.58931/76 Com relação à obra 50.019.58931/76 RJ 033, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3057/3084) foram pagas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação à competência 11/2005, apesar de não aparecer no RDA, por ter sido declarada em GFIP já foi apropriada nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA set/05 50.019.589.3176 960,7 960,7 6.226,44 960,7 out/05 50.019.589.3176 6.474,94 6.474,94 11.512,08 6.474,94 nov/05 50.019.589.3176 10.483,47 10.483,47 10.942,77 dez/05 50.019.589.3176 15.288,95 15.288,95 16.895,9315.288,95 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 442 27 jan/06 50.019.589.3176 19.309,13 19.309,13 19.538,5419.309,13 fev/06 50.019.589.3176 15.432,08 15.432,08 15.432,0815.432,08 mar/06 50.019.589.3176 9.501,34 9.501,34 9.808,93 9.501,34 abr/06 50.019.589.3176 9.274,56 9.274,56 9.907,23 9.274,56 mai/06 50.019.589.3176 1.572,47 1.572,47 1.572,47 1.572,47 Com relação à alegação da recorrente quanto à inexistência da nota fiscal emitida em 10/2006, o Auditor Fiscal já havia respondido no resultado da diligência fiscal: Argumentação do contribuinte. 'em relação ao CEI 50.01958931/76. na competência 10/2006. teria havido lançamento com base de calculo no valor de RS 95.485,28, contudo, não existiria nota fiscal emitida nesta competência relativa a esta obra. Esclarecimentos da auditoria: Para a competência 10/2006 houve a prestação de serviços para a Concessionária da Rodovia Presidente Dutra com a emissão da nota fiscal número 001786 no valor de R$ 530.473,75 . Realmente, não há como acolher a alegação da recorrente, considerando que a nota fiscal nº 1786, no valor de 530.473,75, foi emitida em 19/10/2006 (efls. 2948 do processo nº 16707.006588/200934). Matrícula CEI nº 50.023.58653/78 Com relação à obra 50.023.58653/78 RN 244, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3109/3111 do processo nº 16707.006588/200934) foram pagas no CNPJ Matriz. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Observase que as retenções declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA ago/06 50.023.586.5378 58,41 58,41 4.259,26 58,41 set/06 50.023.586.5378 1.232,03 1.232,03 8.640,52 1.232,03 out/06 50.023.586.5378 2.543,32 2.543,32 19.664,57 2.543,32 nov/06 50.023.586.5378 3.278,44 3.278,44 19.931,09 3.278,44 dez/06 50.023.586.5378 4.798,80 4.798,80 10.397,81 4.798,80 13/2006 50.023.586.5378 1.580,95 1.580,95 1.580,95 Com relação ao valor de R$ 370,51, referente ao 13º Salário da obra 50.023.58653/78, a auditoria também já havia se pronunciado no resultado da diligência: Argumentação do contribuinte: "em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, não teriam sido computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário Fl. 454DF CARF MF 28 Esclarecimentos da auditoria: Para o CEI 5002358653/78 houve a dedução do décimoterceiro salário conforme demonstrativo. [...] RN 244 N FISCAL COMP VRDANF % MÃO DE OBRA REMUNERAÇÃO DEDUZIDA DIFERENÇA CEI DA OBRA 200607 0,00 746,93 500235865378 001761 200603 110.629,98 20 22.126.00 3.472,82 17.906,25 500235865378 001784 200610 510.768,04 20 102.153.61 9.153,83 92.999,78 500235865378 001773 200609 224.429,21 20 44.885.84 5.199,12 39.686.72 500235865378 001790 200611 517.690,70 20 103.538,14 10.979,33 92.558,81 500235865378 001795 200612 270.073,10 20 54.014,62 17.405,10 500235865378 200613 3.868,19 32.741,33 Analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para a competência 13/2006 (efls. 14/15), razão pela qual não aparece a apropriação para a respectiva competência da GPS citada pela recorrente. Matrícula CEI nº 50.016.95806/75 A recorrente não informou em GFIP as retenções sofridas nas notas fiscais de prestação de serviços, o que impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA abr/05 50.016.958.0675 2.808,88 mai/05 50.016.958.0675 6.487,80 mar/06 50.016.958.0675 36.550,44 abr/06 50.016.958.0675 3.223,80 out/06 50.016.958.0675 13.387,23 ago/06 50.023.408.0270 11.930,13 Com relação ao valor de R$ 370,51, referente ao 13º Salário da obra 50.016.95806/75, a auditoria também já havia se pronunciado no resultado da diligência: Argumentação do contribuinte: "em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, não teriam sido computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário Esclarecimentos da auditoria: [...] Para o CEI 5001695806/75, não houve emissão de nota fiscal em dezembro/2010. Analisando os documentos citados na impugnação e acostados aos autos do processo nº 16707.006588/200934, não consta esse valor no extrato da obra (efls. 3118 do processo nº 16707.006588/200934), por isso, não aparece a apropriação para a respectiva competência da GPS citada pela recorrente Além disso, analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para a competência 13/2006 (efls. 9/10). Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 443 29 Matrícula CEI nº 50.023.40802/70 Com relação à obra 50.023.40802/70 RN 243, as retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Observase que as retenções declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total: Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA ago/06 50.023.408.0270 11.930,13 set/06 50.023.408.0270 899,95 899,95 9.767,1 899,95 out/06 50.023.408.0270 1.688,72 1.688,72 9.767,10 1.688,72 nov/06 50.023.408.0270 1.138,05 1.138,05 21.697,23 1.138,05 dez/06 50.023.408.0270 1.308,46 1.308,46 1.308,46 13/2006 50.023.408.0270 371,31 371,31 371,31 Quanto às GPS no código 2208, nos valores de R$ 820,61; R$ 380,61; R$ 283,29 e R$ 39,37, que a recorrente diz não terem sido consideradas pelo Auditor Fiscal, analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para as competências desses valores (efls. 14), razão pela qual não aparecem as respectivas apropriações citadas pela recorrente: CEI cod comp Dt pagto inss terceiros total efls. do processo nº 16707.006588/200934 50.023.40802/70 2208 jul/06 02/08/2006 676,59 144,02 820,61 3156 50.023.40802/70 2208 out/06 03/11/2006 30,00 350,61 380,61 3161 50.023.40802/70 2208 dez/06 01/01/2007 30,00 253,29 283,29 3164 50.023.40802/70 220813/2006 20/12/2006 33,11 6,26 39,37 3165 Diante de todo o exposto, considero correta a atuação da auditoria, pois os valores retidos sobre notas fiscais de prestação de serviço podem ser compensados com as contribuições previdenciárias devidas no mês de emissão da nota fiscal, desde que declarados em GFIP, conforme legislação e atos normativos acima transcritos. Ademais, a compensação tem procedimento próprio, e a fase do contencioso não é sede adequada para que ela seja efetuada. Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.016.93906/71 Obra SE001 Em relação à obra CEI 50.016.93906/71 OBRA SE001, a recorrente alega que a fiscalização deixou de efetuar a apropriação das GPS do período de 01/2005 a 07/2005, entretanto, as GPS no código 2208 acostadas aos autos pela recorrente (efls. 3220/3226 do processo nº 16707.006588/200934) já constam no RDA (efls. 33). Há que se observar que as GPS apresentadas cód 2208 são apropriadas aos valores declarados em GFIP, conforme esclarecido em tópico anterior. Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.019.64708/77 Obra PR033 Fl. 456DF CARF MF 30 Em relação à obra CEI 50.019.64708/77 Obra PR033, a recorrente alega que a fiscalização deixou de efetuar a apropriação das GPS do período de 01/2005 a 07/2005, entretanto, as GPS no código 2208 constantes no extrato (efls. 765 do processo nº 16707.006588/200934) já constam no RDA (efls. 37). Além disso, analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para as competências desses valores (efls. 12), razão pela qual não aparecem as respectivas apropriações citadas pela recorrente. Quanto à alegação da empresa de que a auditoria incluiu os seguintes valores na MATRÍCULA CEI 50.019.64708/77, na competência 12/2005: R$ 87.831,17; R$ 187.506,70; R$ 116.096,94; R$ 123.512,15; R$ 129.495,20, o Auditor Fiscal já havia se pronunciado no resultado da diligência (efls. 316) da seguinte forma: Argumentação do contribuinte: "teriam sido incluídos, indevidamente, na competência 12/2005, relativamente ao CEI 50.01964708/77 (obra PR — 033), as quantias de R$ 87.831.17; R$ 187.506,70, R$ 116.096,94; R$ 123 512,15. e R$ 129 495,20, os quais se referem a obra PR — 032" Esclarecimentos da auditoria: Durante a auditoria o contribuinte informou que as obras PR 033 e PR 032 são um só contrato, sendo utilizadas dois códigos para efeito de controle de custos. Caso a informação prestada durante a auditoria não seja procedente, deverá o sujeito passivo, informar qual é a matrícula da obra denominada PR 033 e a matrícula da obra PR 032. Assim, considerando que a recorrente apenas alegou, sem informar a que matrícula CEI correspondem os lançamentos, sobre os quais se insurge, não há como acatar seu arrazoado. Acrescento que, os valores retidos pela recorrente sobre as notas fiscais de serviços prestados por subempreiteiros devem ser discriminados na nota fiscal para fins de dedução do valor da retenção sofrida, e desde que efetivamente recolhidos os valores retidos. Nas notas fiscais acostadas à impugnação não há qualquer informação sobre a dedução desses valores. Porém, uma vez que o Auditor Fiscal lançou como crédito o valor retido informado em GFIP pela recorrente, sem essa dedução, não cabe atribuir o valor retido nas subempreiteiras como crédito da recorrente. Da glosa da compensação de créditos de INSS Não cabe pronunciamento em relação a esse tópico, pois não foram lançados valores de glosa de compensação no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Do lançamento relativo aos estabelecimentos 70001.25497/70 e 70001.25522/75 A recorrente informa estar impossibilitada de apresentar defesa em relação aos lançamentos dessas obras, por não terem sido evidenciados os dados mínimos para conhecimento claro das bases de cálculo. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 444 31 Não assiste razão à recorrente. Conforme visto, por meio de diligência o Auditor Fiscal respondeu a vários questionamentos feitos pela recorrente em sua peça impugnatória, em que consta às efls. 302/304 relação das notas fiscais utilizadas, sendo que às efls. 310/311 está discriminado o cálculo que deu origem ao lançamento das obras Matrícula CEI nº 70001.25497/70 e 70001.25522/75, com respectivos percentuais considerados para o lançamento, conforme abaixo: [...] Os dados constantes na planilha acima estão exatamente consistentes com os valores lançados pela fiscalização, apresentados no relatório DD Discriminativo do Débito (e fls. 15/16). Além disso, a relação de notas fiscais utilizadas pela fiscalização já constavam como anexo do Relatório Fiscal (efls. 70/78), em que o Auditor Fiscal apresentou a metodologia do cálculo efetuado para o lançamento (efls. 102): DA AFERIÇÃO DA REMUNERAÇÃO DA MÃO DE OBRA 1. Considerando que a contabilidade apresentada pelo sujeito passivo deixou de atender aos princípios contábeis , o valor da mãodeobra foi apurada pelo método do arbitramento, com base no artigo 33, parágrafo 6o. da Lei no. 8.212., de 24/07/1991. 2. Da análise da documentação apresentada pela empresa (Contratos, Notas Fiscais e Medições de Serviços) observase à previsão contratual de fornecimento de material e equipamentos, contudo não existe, nem nos contratos e tampouco nas notas fiscais e medições, discriminação clara dos valores desses itens. 3. Sendo assim, o valor da remuneração da mão de obra utilizada foi calculada, com base na aplicação dos critérios Fl. 458DF CARF MF 32 estabelecidos nos Art 600 e seguintes da IN nº SRP 03/2005, conforme abaixo: • Aplicação do percentual de 50% sobre o valor bruto da Nota Fiscal para fins de aferição do valor dos serviços embutidos na prestação do serviço; Na prestação dos serviços de construção civil abaixo relacionados, havendo ou não previsão contratual de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior ao percentual, respectivamente estabelecido para cada um desses serviços, aplicado sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. I pavimentação asfáltica: quatro por cento; II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: seis por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): dezoito por cento; IV drenagem: vinte por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais, desde que inerentes à prestação dos serviços: quatorze por cento. 4. As bases de cálculo, (valores da remuneração da mão de obra aferidas conforme itens acima), as contribuições apuradas, alíquotas e deduções utilizadas e recolhimentos aproveitados, encontramse devidamente discriminados nos relatórios "Discriminativo do Débito DD", integrantes da presente notificação. Portanto, a recorrente tinha todos os elementos necessários para sua plena defesa, não havendo razão para elaboração de novo demonstrativo, porque o que consta nos autos espelha de onde se originaram os valores efetivamente lançados. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.004054/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabelece que o art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autorizando o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito.
O arbitramento da receita poderá ser efetuado com base em depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, quando o contribuite não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações.
A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples de e nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
A falta de comunicação, quando obrigatória da exclusão da pessoa jurídica do Simples, sujeita a pessoa jurídica a multa de 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade cem o Simples no riles que anteceder o inicio dos efeitos da exclusão.
Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade das normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui.
Numero da decisão: 1402-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabelece que o art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autorizando o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. O arbitramento da receita poderá ser efetuado com base em depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, quando o contribuite não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples de e nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. A falta de comunicação, quando obrigatória da exclusão da pessoa jurídica do Simples, sujeita a pessoa jurídica a multa de 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade cem o Simples no riles que anteceder o inicio dos efeitos da exclusão. Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade das normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabelece que o art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autorizando o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. O arbitramento da receita poderá ser efetuado com base em depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, quando o contribuite não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples de e nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. A falta de comunicação, quando obrigatória da exclusão da pessoa jurídica do Simples, sujeita a pessoa jurídica a multa de 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade cem o Simples no riles que anteceder o inicio dos efeitos da exclusão. Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade das normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 40 54 /2 00 7- 91 Fl. 909DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 910 2 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 911 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter as exigências perpetradas no Auto de Infração (anocalendário 2004). O Auto de Infração trata de omissão de receita, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, constatada por meio de extratos bancários, onde constam depósitos sem origem comprovada. O AI arbitrou o imposto a pagar por meio da receita bruta da Recorrente que era optante do Simples Nacional Federal. A receita bruta foi encontrada por meio do produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Após a constatação da omissão da receita, a Recorrente foi excluída do Simples Nacional e aplicado multa de 10% sobre o imposto devido. No mais, para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada ao interessa só acima identificado, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, por meio dos autos de infração só Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ/Simples, de fls. 304/311, no valor de $ 21.264,04; da Contribuição para o PIS/Pasep — PIS/Simples, de fls. 320/327, no valor de $ 21.264,04; da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL/Simples, de fls. 312/3I9, o valor de R$ 38.317,06; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins/Simples, de fls. 328/335, no valor de R$ 79.033,48; da Contribuição para a Segurida e Social — INSS/Simples, de fls. 336/343, no valor de R$ 135.534,90 e do Auto de Infração Simples, de fls. 344/346, no valor de RS 4.918,87. Sobre esses valores foram ainda acrescidos a multa de oficio e os juros de mora calculados até 29/02/2008. Segundo o Relatório do Trabalho Fiscal, de fls. 281/289, o contribui te apresentou extratos bancários das contas mantidas junto a instituições financeiras ( Banco Bradesco, Banco do Brasil e Banco Banrisul ), com depósitos que não constam dos livros contábeis apresentados, num montante de R$ 1.732.413,49 em 2004 ( fls. 283 ), eliminadas as transferências entre contas do fiscalizado, operações de empréstimo/financiamento; depósitos estornados e cheques devolvidos. A fiscalização selecionou três clientes e intimouos a identificar e descrever a operação relacionada ao depósito efetuado na conta do autuado. Dois prontamente informaram tratarse de compras de mercadorias e um complementou que várias remessas do contribuinte foram feitas sem nota fiscal. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 912 4 Havendo contas bancárias à margem da escrituração, foi o contribuinte intimado a comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, depósitos feitos em suas contas bancárias. Em uma das respostas, sem comprovar nada, afirma tratarse de depósito efetuados pelos clientes e, em outro momento, reitera não ter nada para comentar sobre as diferenças encontradas em seu faturamento. Não logrando êxito na comprovação da origem dos depósitos realizas os nas contas mantidas pelo contribuinte no anocalendário de 2004, foi lançado no Auto e Infração os tributos e contribuições devidos sobre o total dos créditos bancários realizados às contas mantidas pelo fiscalizado junto às instituições bancárias, nos meses de janeiro a dezembro/2004, excluídos os depósitos com origem comprovada, os cheques depositado e devolvidos, os quais, pela não comprovação da origem, configuram presunção de omissão receita com fundamento no art. 287 do RIR/1999 ( Decreto n° 3.000/1999). Informa a fiscalização, que será feita representação à autoridade competente para proceder à exclusão do contribuinte do Simples, com efeitos a partir do anocalendário de 2005 e, não tendo sido atendido o art. 202 do RIR/1999 aprovado pelo Decreto 3.000/1999, que trata da falta de comunicação da exclusão obrigatória por ter ultralpassado o limite da receita bruta em 2004, será aplicada a multa de 10% do total dos impostos e contribuições devidos no mês de dezembro/2004: Art.202.A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, nos prazos determinados no §3 do art. 194, sujeita a pessoa jurídica a multa correspondente a dez por cento do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que antecede inicio dos efeitos da exclusão, não inferior a cem reais, insuscetível de redução (Lei n° 9.317, de 1996, art. 21). A fundamentação legal de cada lançamento pode ser observada no próprio dos autos de infração. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 03/03/2008, conforme Termo me Encerramento de fls. 347 e em 02/04/2008, o interessado apresentou a impugnação de fls. 374/385, na qual alega, em síntese: 1 A empresa dedicase principalmente ao comércio de produtos eletrônicos; 2 A autoridade fiscal deixou de investigar se os valores encontrados em suas contas bancárias, superiores ao declarado, decorriam efetivamente de sua atividade comercial e/ou receita; 3 0 valor dos depósitos dos dois clientes que foram intimado a informar a origem destes representam menos de R$ 40.000,00, enquanto que o total supostamente omitido em 2004 seria de R$ 1.618.475,77; 4 Faltou análise de provas e documentos para solidificar a autuação, afrontando o art. 9° do Decreto n° 70.235/1972 e o art. 142 do CTN ao consolida o crédito através da verificação de indícios probatórios; 5 A mera discrepância da movimentação bancária com a receita não é prova incontestável para presumir a omissão; Fl. 912DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 913 5 6 A autoridade fiscal está a inverter o 'onus da prova, transferindo ao contribuinte atividade que, nos termos do art. 142 do CTN, lhe pertence; 7 Os ditames constitucionais ( legalidade, ampla defesa, devidoo processo legal e tipicidade da tributação ) e os previstos na legislação complementar — CTN não podem ser afrontados pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, cuja hierarquia e competência é inferior; 8 A inaplicabilidade da Taxa Selic como juros de Mora: os juros mora servem para indenizar o Estado pela mora. No caso da Selic, esta apresentase como uma verdadeira multa imposta ao contribuinte, pela forma como é apurada; e 9 Do cerceamento de defesa e da multa: a Constituição Federal assegura aos litigantes o contraditório e a mais ampla defesa, porém àquele que exerceu direito constitucional da ampla defesa administrativa perde o direito de ver a multa reduzi para 50% no caso de pagamento nos 30 dias da notificação, ou 40% se optar pe parcelamento. Ao final, requer seja julgado totalmente improcedente o lançamento, a medida em que, como se demonstrou, foi calcado em elementos incertos e imprecisos. Caso reste algum valor a ser tributado, seja reduzida a multa, bem como excluídos os valores concernentes aos juros ( taxa SELIC ). Em seguida a DRJ de São Paulo, proferiu v. acórdão mantendo integralmente o Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUE PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFIN CSLL IRPJ INSS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autorizou o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem OS valores depositados em sua conta de depósito. 0 arbitramento da receita poderá ser efetuado com base em depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. 0 decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 914 6 A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do Simples, sujeita a pessoa jurídica a multa de 10% (dez porcento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o Simples no mês que anteceder o inicio dos efeitos da exclusão. Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de oficio são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora com base na taxa SELIC. Aplicase a redução de multa de oficio lançada, somente nos prazos e condições estabelecidos pela legislação tributária vigente art. 6° da Lei 8.218/91. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 915 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual devem ser admitidos. Em relação a quebra de sigilo bancário sem autorização do judiciário e a argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001, o Pretório Excelso, decidiu da seguinte forma, conforme pode se verificar da ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do Fl. 915DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 916 8 princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) No mesmo sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20 112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Desta forma, entendo que tal alegação relativa a quebra de sigilo bancário deve ser afastada. De resto, a acusação está bem instruída com os documentos necessários para demonstrar a infração a legislação tributária de omissão de receita nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 (287 do RIR/99), sendo que neste caso a Recorrente é quem tem o ônus de provar que tal diferença não se refere a receita tributável, inexistindo cerceamento ao direito de defesa. Em relação as alegações de inconstitucionalidade, insta esclarecer que nos termos da Súmula 2 deste E. Tribunal não tem competência para analisar ou afastar aplicação de lei por entendêla inconstitucional. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 917 9 O contribuinte é optante pelo Simples que é um sistema que se constitui em uma forma simplificada e unificada de recolhimentos de tributos, por meio da aplicação e percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta, assim entendendo o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Ressalvadas essas exclusões, é vedado, para fins da determinação da receita bruta apurada mensalmente procederse a qualquer outra exclusão, em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo e isenção, aplicáveis as demais pessoas jurídicas não optantes pe o Simples (Lei no 9.317 de 1996, art. 2°, § 2° e IN SRF n° 250/2002, art. 40, §1°, e art. 1'). Portanto, a base de cálculo para optantes pelo Simples é a totalidade das receitas auferidas pela empresa, não admitindo a exclusão dos valores relativos a gastos efetivados. Assinalese que aos contribuintes cabe demonstrar com documentos idôneos e hábeis o registro e a origem do depósitos. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, a que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta é a autuação. Quanto aos clientes selecionados para serem intimados a identificar e descrever as operações realizadas junto ao contribuinte que estamos a analisar, a fiscalização informa, em seu relatório de fls. 283, que em 2004 não são os principais depositantes, mas considerando os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 eles efetuaram o maior volume de depósitos na conta do fiscalizado. Concluindo, o objeto da tributação não foi o depósito bancário, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários foram utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Em relação a alegação da Taxa Selic aplicada aos juros de mora e o pedido de redução da multa utilizo os argumentos do v. acórdão recorrido como fundamento do meu voto. Da Taxa Selic como Juros de Mora: Em relação aos juros lançados com base na taxa SELIC pautou se a atividade fiscal pela aplicação da legislação pertinente e agiu de forma legitima. 0 fundamento legal da sua aplicação é Lei n° 8.981/1995, art. 84, I e Lei 9.065/1995, art. 13. 0 legislador, ao modificar a forma de cálculo do percentual da taxa Fl. 917DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 918 10 juros mensais a ser cobrada dos contribuintes com obrigações tributárias em atraso, elevando os para patamares mais aproximados daqueles que o Executivo remunera seus títulos da divida pública — os chamados juros de mora calculados à base da variação da taxa SELIC, nada fez do que uma tentativa de equalizar esta situação absurda e injusta para com o erário, em que o sujeito passivo é beneficiado pelo não cumprimento de suas obrigações. É o próprio parágrafo 10 do art. 161 do CTN, abaixo transcrito, que permite, por autorização legal, exigência de juros de mora em valor superior a 1% ao mês: "Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculado, taxa de 1% (um por cento) ao mês." Por determinação do art. 13 da Lei n.° 9.065/1995, os juros, acumulados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente, passaram a ser aplicáveis, a partir de 1° de abril (I e 1995, aos tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, n. o pagos nos prazos previstos na legislação tributária, inclusive no caso de parcelamento ( e débitos, bem assim As contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação especificidade. Até então, eram exigíveis juros de mora equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna (art. 84, I da Lei n° 8.981/1995 A partir de 1° de janeiro de 1996, as restituições e compensações e valores correspondentes a impostos, taxas, contribuições federais e receitas patrimoniais passaram a ser acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior (art. 39, § 4°, da Lei ° 9.250/1995). Sobre esta contestação do contribuinte de que a Taxa Selic, pelo percentual, pela forma como é apurada e pela inexistência de inflação apresentase como uma verdadeira multa ao contribuinte, cabe esclarecer que a atividade administrativa é plenamente vinculada. Com efeito, o julgador administrativo deve limitar seu pronunciamento à legalidade dos atos administrativos trazidos à sua apreciação. A nossa tarefa esgotase em declarar se o ato administrativo questionado encontra — ou não — fundamento de validade na legislação se regência. Por essa razão, encontramonos vinculados A letra da Fl. 918DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 919 11 lei e não nos é licito desviar o foco da análise do ato administrativo para a legislação que lhe confere supedâneo. Em face das razões expendidas, deixamos de analisar a suposta inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic como juros de mora, intentada pelo interessado, tendo em vista que a legislação indigitada no Auto de Infração sob análise, está vigente e eficaz, ao tempo de sua aplicação. Da Redução da multa Quanto à solicitação para que seja reduzida a multa de oficio, impende esclarecer que o art. 6° da Lei n° 8.218/91 prevê as seguintes reduções no percentual da multa lançada, caso o sujeito passivo efetue o pagamento ou requeira o parcelamento no prazo para impugnação ou do recurso voluntário: Art. 62. Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a co pensag ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a titulo de substituição e das contribuições devidas terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução multa de lançamento de oficio nos seguintes percentuais: (Redação dada pela n°11.941, de 27 de maio de 2009) I 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo P7 no tifiyi do lançamento; (Incluído pela Lei n°11.941, de 27 de maio de 2009) II 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento o prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado o lançamento: (Incluído pela Lei n°11.941, de 27 de maio de 2009) III 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação o prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notifica , o da decisão administrativa de primeira instancia; e(Incluido pela Lei n° JJ9i 1, de 27 de maio de 2009) IV 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no pra o de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de mdo de 2009) sç 1' No caso de provimento a recurso de oficio interposto por autorida julgadora de primeira instância, aplicase a redução prevista no inciso III caput deste artigo, para o caso de pagamento ou compensação, e no inciso IV do caput deste artigo, para o caso de parcelamento.(Renumerado com nova redação dada pela Lei n°11.941, de 27 de maio de 2009). Fl. 919DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 920 12 Como é sabido, todas as leis vêm ao mundo jurídico gozando da presunção de constitucionalidade e não foi facultado ao servidor a tarefa de decidir, ele próprio, acerca eventuais vícios dos textos legais e, por força de seu convencimento, deixar de aplicá los. Mantido o lançamento relativo ao IRPJ, igual tratamento deve ser ,dado as s lançamentos de PIS, Cofins, CSLL e INSS, decorrentes da omissão de receita, ante a íntima relação de causa e efeito, tendo em vista ainda que contra eles nada foi alegado em especifico. Pelo exposto e por tudo que consta processo nos autos conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 920DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.001139/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NOTAS FISCAIS E LIVROS DE ENTRADA QUE ATESTAM A INTERNAÇÃO DOS INSUMOS NO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. REGISTROS CONTÁBEIS QUE PROVAM O PAGAMENTO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS POR MEIO DE CHEQUES DE TERCEIROS.
O pedido formulado pelo contribuinte foi devidamente instruído com (i) as Notas Fiscais de entrada dos bens adquiridos e (ii) seu devido registro no pertinente livro contábil, o que atestam a aquisição e a internação dos insumos no estabelecimento industrial.
Ademais, da análise dos registros contábeis do contribuinte percebe-se que o recorrente recebia pela venda de seus produtos por meio cheques pré-datados, os quais eram registrados na conta contábil "bancos" e não eram depositados na conta bancária do recorrente, já que pré-datados. Na data indicada negocialmente para fins de compensação do cheque recebido pelo recorrente, este último baixava tal registro da sua conta contábil "banco" e, ato contínuo, registrava o valor indicado na cártula na conta contábil "caixa", repassando o cheque para terceiro, i.e., seu fornecedor de insumos, o que é suficiente para atestar o pagamento dos insumos adquiridos pelo contribuinte e que originaram o pleito em questão.
Numero da decisão: 3402-005.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo (Relator) e Waldir Navarro Bezerra. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NOTAS FISCAIS E LIVROS DE ENTRADA QUE ATESTAM A INTERNAÇÃO DOS INSUMOS NO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. REGISTROS CONTÁBEIS QUE PROVAM O PAGAMENTO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS POR MEIO DE CHEQUES DE TERCEIROS. O pedido formulado pelo contribuinte foi devidamente instruído com (i) as Notas Fiscais de entrada dos bens adquiridos e (ii) seu devido registro no pertinente livro contábil, o que atestam a aquisição e a internação dos insumos no estabelecimento industrial. Ademais, da análise dos registros contábeis do contribuinte percebese que o recorrente recebia pela venda de seus produtos por meio cheques prédatados, os quais eram registrados na conta contábil "bancos" e não eram depositados na conta bancária do recorrente, já que prédatados. Na data indicada negocialmente para fins de compensação do cheque recebido pelo recorrente, este último baixava tal registro da sua conta contábil "banco" e, ato contínuo, registrava o valor indicado na cártula na conta contábil "caixa", repassando o cheque para terceiro, i.e., seu fornecedor de insumos, o que é suficiente para atestar o pagamento dos insumos adquiridos pelo contribuinte e que originaram o pleito em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo (Relator) e Waldir Navarro Bezerra. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 11 39 /2 00 3- 96 Fl. 631DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: A contribuinte apresentou a declaração de compensação de débitos (fl. 01) no valor de R$ 112.982,00, com o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 10.276/2001, apurado no 1º trimestre de 2003, no montante de R$ 335.591,70 (fl.02). Posteriormente, protocolou retificação da referida declaração de compensação (fl. 09), informando como origem dos créditos o pedido de ressarcimento de fl. 10, no qual consta os montantes de R$ 331.223,23 de crédito presumido, e R$ 14.370,90 de crédito básico, dos quais devem ser descontados os débitos escriturados no trimestre no valor de R$ 1.244,62. A autoridade da Delegacia da Receita Federal em Blumenau prolatou o Despacho Decisório de fls. 402/411, no qual defere parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 192.266,04, e homologa as declarações de compensação de fls. 09, 17 e 22 até este limite. Foram reconhecidos os valores de R$ 14.280,44 de crédito básico (R$ 13.035,82 quando descontados os débitos escriturados) e R$ 179.230,22 de crédito presumido, em virtude de retificações efetuadas nos cálculos, que, em resumo, passo a relatar: 1. A análise do direito creditório pleiteado atendeu a ordem judicial exarada nos autos de mandado de segurança nº 2005.72.05.0019680, da Vara Federal Criminal de Blumenau, conforme cópia acostada às fls. 30/35, a qual, em face de interposição de embargos de declaração por parte da Fazenda Pública, teve alterado o seu dispositivo mandamental, conforme sentença proferida em 07/07/2005; 2. Exclusão de R$ 90,46 dos créditos básicos, relativos à nota fiscal nº 2.632 da empresa MASTERPLAST, por se tratar de imposto lançado indevidamente na nota; 3. No cálculo do crédito presumido, exclusão dos insumos adquiridos da empresa ACQUAPLANT QUÍMICA DO BRASIL LTDA (CNPJ nº 81.372.070/000172), visto que tais insumos não Fl. 632DF CARF MF Processo nº 13971.001139/200396 Acórdão n.º 3402005.465 S3C4T2 Fl. 632 3 podem ser considerados matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem para fins de créditos de IPI, à luz do que dispôs o Parecer Normativo nº 65/79; 4. Inclusão do ICMS nos custos das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem excluído indevidamente dos estoques mensais de referidos insumos; 5. Exclusão de valores correspondentes a aquisições de insumos, bem como de operações de prestações de serviços de industrialização por encomenda, cujos pagamentos não foram comprovados pela contribuinte; Cientificada em 14/10/2005, a postulante apresentou, em 14/11/2005, manifestação de inconformidade de fls. 418/426, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Esclarece, inicialmente, o mandado de segurança, autuado sob nº 2005.72.05.0019680, no qual requeria a fixação do prazo de 30 dias para que a autoridade tributária analisasse o pedido de ressarcimento em questão. O Juiz Federal competente concedeu o prazo de 30 dias para que a Administração Tributária solicitasse todos os documentos necessários à instrução, 90 dias para instrução e 30 dias para julgamento. No presente caso, a contribuinte entregou os documentos em 13/07/2005, logo, teria a autoridade fiscal até 11/11/2005 para realizar o julgamento e intimar a requerente do resultado. Em 14/10/2005, a manifestante foi intimada da decisão, portanto, embora a autoridade fiscal tenha indicado que o prazo era exíguo, teria mais 28 dias para realizar a devida análise do pleito, não podendo recorrer à expressão interesse público para negar o crédito presumido de IPI. 2. Rebelase contra a exclusão das aquisições de insumos cujos pagamentos não foram comprovados, uma vez que não foi lançada dúvida sobre a idoneidade e licitude dos documentos. 3. Sustenta que a imposição fiscal carece de fundamento legal, na medida em que não cabe ao Fisco intervir na relação privada entre a requerente e o fornecedor. Em segundo lugar, a interessada alega que os valores foram pagos com “cheque pré datados” e mediante lançamentos contábeis em sua conta “Caixa”. Finaliza este tópico, argumentando que se a requerente não tivesse providenciado os pagamentos mencionados, os credores já teriam providenciado o protesto dos títulos ou as devidas cobranças judiciais. 4. Alega erro na planilha de cálculo elaborada pela fiscalização (fls. 396/399), pois faltou adicionar, no mês de janeiro, no campo “acréscimo no mês do valor excluído no ano anterior”, o valor de R$ 3.113,20 referente à energia elétrica excluída do ano anterior; Por fim, requer a reforma da Decisão, nos termos do recálculo realizado na manifestação de inconformidade, com o reconhecimento dos créditos básicos no valor de R$ 13.035,82 e Fl. 633DF CARF MF 4 do crédito presumido de R$ 330.185,65, em um total de R$ 343.221,47. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. GLOSA. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. QUESTÃO DE FATO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É imprescindível que as alegações contraditórias a questão de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Solicitação Deferida em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No presente recurso, a Empresa, em suma, insurgiuse apenas quanto a glosa de aquisição de insumos que supostamente a empresa não teria apresentado documentação comprobatória do pagamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A única matéria abordada no Recurso Voluntário diz respeito a glosa de compras de insumos não comprovadas durante a análise do direito creditório da Recorrente realizada pela Autoridade Tributária. Segundo a Fiscalização, a empresa não apresentou documentação hábil e idônea capaz de comprovar a efetividade de algumas operações de compras de insumos que compuseram o pedido de Ressarcimento do IPI. A empresa, por sua vez, argumenta que não há base legal para a Receita Federal exigir a comprovação de pagamentos das suas compras ou a internação da mercadoria Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13971.001139/200396 Acórdão n.º 3402005.465 S3C4T2 Fl. 633 5 em seu estoque. A fim de comprovar o seu direito juntou aos autos a documentação que julga suficiente para comprovar as aquisições de insumos, tais como cópias das notas fiscais, lançamentos contábeis e declarações assinadas pelos seus fornecedores. É entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (Lei nº5.869/73), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de ressarcimento ser do contribuinte, cabendo a fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Nesse sentido, a Empresa foi devidamente intimada pela fiscalização a comprovar os pagamentos de suas compras objeto do pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI. Em resposta, a empresa apresentou cópias das notas fiscais e os lançamentos contábeis correspondentes. Posteriormente, no contencioso administrativo juntou aos autos declarações dos seus fornecedores nas quais afirmam que as vendas realizadas à recorrente foram quitadas nas datas de vencimentos. Concluiu, assim, a Recorrente que a documentação apresentada seria suficiente para comprovar o integral direito ao crédito presumido de IPI. A fiscalização realizou a análise da documentação apresentada quanto a certeza e liquidez do direito creditório do contribuinte e concluiu que o contribuinte não logrou êxito na comprovação do pagamento das compras de insumos, o que motivou a sua glosa. Em sua defesa, a Recorrente afirma inexistir previsão legal que a obriga a provar a realização do pagamento das suas aquisições de insumos. Entendo que a obrigação de provar o pagamento das suas aquisições, que ensejaram o pedido de ressarcimento, decorre da necessidade de comprovar a efetividade da ocorrência das operações, conforme preceitua o art. 65 da IN RFB nº 900/2008. Além disso, conforme já demonstrado anteriormente, cabe a recorrente trazer aos autos toda a documentação comprobatória do seu direito, além de ter a obrigação de atender as intimações da Receita Federal a contento a fim de esclarecer todas as questões postas pela fiscalização durante o procedimento de verificação do direito creditório pleiteado. Restando inconteste a obrigação da Recorrente de comprovar a efetividade das suas operações, cabe analisar a Fl. 635DF CARF MF 6 documentação juntada aos autos pela recorrente na fase inquisitorial e no contencioso a fim de conferir se são suficientes para comprovar o seu direito. Na impugnação apresentada em primeira instância, a empresa explicou que realiza na grande maioria das operações de compra de insumos e de serviços de industrialização por encomenda, a antecipação parcial de valores e/ou o pagamento com cheques prédatados. Também demonstrou quais foram os lançamentos contábeis adotados para registrar as operações, in verbis: Dos Valores Antecipados a) Quando da antecipação de valores a fornecedores e prestadores de serviços, a Requerente adotava como procedimento o lançamento a crédito na conta “bancos” e a débito na conta “Caixa”; b) Quando do recebimento das mercadorias, a requerente registrava num primeiro lançamento a débito a conta de “Estoques” e a crédito a conta de “Fornecedores”, num segundo lançamento registrava a débito a conta de “Fornecedores” e a crédito a conta “Caixa” realizando, portanto, a baixa dos adiantamentos; c) Quando do recebimento das notas fiscais de prestação de serviços de industrialização por encomenda a Requerente registrava a débito a conta de resultado “prestação de serviços de industrilização” e a crédito a conta de “caixa”, baixando, portanto, os adiantamentos. Dos valores pagos com cheques prédatados: a) Quando do registro da nota fiscal de entrada de mercadorias ou de prestação de serviços a requerente registrava a débito a conta de “Estoques” ou de “Prestação de Serviços de Industrialização”, conforme o caso, e a crédito registrava a conta de “caixa”; b) Os cheques prédatados de pagamento destas notas eram lançados contabilmente somente nas datas da compensação bancária, tendo como lançamentos a débito a conta “Caixa” e crédito a conta “Bancos”. (negritos nossos) Depreendese do trecho transcrito que em qualquer das modalidades adotadas pela Recorrente para a quitação das suas compras de insumos e prestação de serviços de industrialização os valores utilizados nas operações têm como origem as contas bancárias da empresa. Assim, entendo que a apresentação dos extratos bancários, demonstrando os lançamentos correspondentes à contabilidade, seria elemento lastreador fundamental para demonstrar a efetividade das operações por meio da comprovação dos pagamentos. Não houve qualquer excesso da fiscalização ao entender que essa documentação seria fundamental para reconhecer a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A empresa, por sua vez, mesmo indicando que a origem dos recursos para pagamento foi das suas contas bancárias, negase a apresentar qualquer documentação nesse sentido e insiste em sua defesa no entendimento de que apenas as notas fiscais com carimbo de recebimento e respectivos lançamentos contábeis seriam suficientes para comprovar a realização das operações. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 13971.001139/200396 Acórdão n.º 3402005.465 S3C4T2 Fl. 634 7 Não resta dúvida que a escrituração faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados, mas desde que esta seja mantida com observância das disposições legais e lastreada em documentos hábeis. No entanto, o que se percebe no caso ora analisado é que a empresa não apresentou a documentação necessária para comprovar a efetividade de suas operações de compra de insumos e prestação de serviços que lastrearam os lançamentos contábeis e que, por isso, foram objeto de glosa. Dessa forma, uma vez que os pagamentos das aquisições de insumos da empresa e prestação de serviços tiveram como origem a conta bancária da empresa, por meio da realização de adiantamentos ou pagamentos com cheques prédatados, os documentos hábeis que facilmente possibilitariam a comprovação de tais pagamentos seriam, além dos documentos fiscais e lançamentos contábeis, os extratos bancários da empresa, comprovantes de depósitos, cheques, DOC, TED, ordem de pagamento ou boleto de cobrança bancária. Nenhum desses documentos lastreadores das operações realizadas foram apresentados pela empresa. Conseqüentemente, entendo que a empresa não logrou êxito em provar suficientemente o seu direito creditório relativo as aquisições glosadas, uma vez que não trouxe aos autos os documentos necessários à comprovação da efetividade das operações de aquisições de insumos e prestação de serviços, conforme anteriormente consignado. Por fim, cabe frisar que a Autoridade Julgadora a quo indicou que outro elemento aditivo para comprovação das aquisições seria a comprovação da internação das matériasprimas no estabelecimento industrial por meio da escrituração do livro de Registro de Produção e do Estoque, ou sistema equivalente. O Contribuinte, por sua vez, discordou de tal entendimento afirmando que a escrituração do Livro de Registro de Entrada seria suficiente para comprovar a internação dos insumos adquiridos. Tal discussão suscitada entendo que se torna irrelevante no presente caso, primeiro porque não houve no Despacho Decisório a abordagem sobre a comprovação da internação das mercadorias na glosa das aquisições dos insumos, fundandose o Despacho basicamente na falta de comprovação de pagamento. Segundo porque a comprovação de internação das mercadorias, por si só, sem a comprovação dos pagamentos, é insuficiente como elemento comprobatório da efetividade das aquisições de insumos e prestações de serviços adquiridas. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Voto Vencedor 1. Com a devida vênia, ousei divergir do fundamentado voto do i. Relator, o que fiz pautado nos fundamentos abaixo desenvolvidos. 2. Conforme bem destacado pelo Relator do caso em seu relatório, o que se tem aqui é pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (lei n. 10.276/2001), convertido em compensação de débitos. 3. Segundo a decisão recorrida, a contribuinte não teria feito prova do crédito vindicado, uma vez que: Fl. 637DF CARF MF 8 (...) somente têm o condão de comprovar a realização de operações mercantis de compra e venda, principalmente pelos valores em questão, pagamentos efetuados mediante a intermediação de instituição bancária e com registro na contabilidade. Nesse sentido, são os seguintes os meios existentes no sistema de pagamentos brasileiro: dinheiro (mediante comprovante de depósito), cheque, DOC, transferência eletrônica disponível (TED), ordem de pagamento e boleto de cobrança bancária. (...). 4. Com a devida vênia, tal entendimento é equivocado. Conforme se observa dos autos, o pedido formulado pelo contribuinte foi devidamente instruído com (i) as Notas Fiscais de entrada dos bens adquiridos e (ii) seu devido registro no pertinente livro contábil. 5. Detalhando melhor a operação perpetrada pelo contribuinte, este afirmou que efetuava os pagamentos dos seus fornecedores por meio de cheques. Para ser mais preciso, tais pagamentos eram efetuados mediante a apresentação de cheques de terceiros, endossados pela recorrente. 6. Da análise dos registros contábeis do contribuinte e que estão acostados aos autos é possível perceber que o recorrente recebia pela venda de seus produtos por meio cheques prédatados, os quais ele registrava na conta contábil "bancos". Tais cheques, por sua vez, não eram depositados na conta bancária do recorrente, já que eram ressaltese pré datados. Não obstante, na data indicada negocialmente para fins de compensação do cheque recebido pelo recorrente, este último baixava tal registro da conta contábil "banco" e, ato contínuo, registrava o valor indicado na cártula na conta contábil "caixa", repassando o cheque para terceiro, i.e., seu fornecedor de insumos. Percebese, pois, que os cheques recebidos pelo contribuinte a título de pagamento não eram depositados na conta do recorrente, mas eram indicados em seus registros apenas de forma contábil. 7. Tal sistemática, entretanto, não desnatura a ocorrência do efetivo pagamento dos fornecedores do recorrente quanto à inquisição dos insumos que dão origem ao crédito presumido vindicado. 8. Assim, tais registros contábeis, somados às Notas Fiscais e aos registros contábeis nos livros de entrada do contribuinte, atestam a aquisição de insumos aptos a gerar o crédito presumido pleiteado pelo contribuinte, já que suficientes para comprovar a aquisição e internação dos insumos no estabelecimento do recorrente. Dispositivo 9. Ex positis, ouso divergir do i. Relator para dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13971.001139/200396 Acórdão n.º 3402005.465 S3C4T2 Fl. 635 9 Fl. 639DF CARF MF
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