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Numero do processo: 10875.000762/2005-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO - A exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de engenheiro, consultoria, assessoria, projetos, ou de qualquer atividade que pudesse caracterizar semelhança com a engenharia ou consultoria, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.677
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO - A exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de engenheiro, consultoria, assessoria, projetos, ou de qualquer atividade que pudesse caracterizar semelhança com a engenharia ou consultoria, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2073; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.000762/200593 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.677 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria IMPUGNACAO EXCLUSAO IMPOSTO SIMPLES Recorrente SERMACSEG SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO A exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de engenheiro, consultoria, assessoria, projetos, ou de qualquer atividade que pudesse caracterizar semelhança com a engenharia ou consultoria, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SERMACSEG SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA. ME, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: O Contribuinte foi excluído do Simples e disto teve ciência em 30/08/2004 (fl. 23). Apresentou sua insurgência em 16/09/2004 (fls. 02/08), a qual, autuada, seguiu para esta DRJ em Campinas/SP (chegados os autos nesta Unidade em 09/03/2005, conforme protocolo de capa), sem apreciação de mérito por parte da DRF origem, certo que, na hipótese, entendeuse que a discussão intentada seria exclusivamente de direito (fl. 01). Argüia o Contribuinte: a) O ato de exclusão não teria fundamento fático, certo que a atividade por ele desenvolvida não se enquadraria entre aquelas vedadas pelo art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. b) Sua receita não excederia o limite permitido. c) Julgados administrativos dariam suporte à sua inteligência. d) Atribuição do efeito suspensivo à sua insurgência contra o ato de exclusão do Simples. Em tempo, o Ato Declaratório Executivo (ADE) que excluíra o Contribuinte do Simples, com efeitos a partir de 27/09/2002, consigna a data de 27/09/2002 como a de ocorrência do evento impeditivo, e foi sumariamente motivado nos termos seguintes: “atividade econômica vedada: 29696/02 Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso específico” (fls. 11). A decisão recorrida está assim ementada: CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Solicitação Indeferida No voto condutor do acórdão de primeira instância extraise os seguintes fundamentos: (...) No caso presente, consta como atividade econômica explorada pelo Contribuinte, entre outros: “serviços de instalação, manutenção e comercialização de Fl. 260DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 3 equipamentos eletrônicos de segurança, de comunicação interna e externa, assim como de emissão e captação de sinais e orientação comercial”. (...) Vejase, a vedação estampada no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, é de ordem objetiva, nada que ver com qualquer aspecto subjetivo. Explicase. O impedimento traçado tem assento na atividade (critério objetivo) e não na pessoa que desempenha dita atividade (que se constituiria num critério subjetivo). Por outra, não importa quem desempenha a atividade, mas senão se tal atividade encontrase, ou não, especificamente atribuída a algum dos profissionais (ou assemelhados) elencados no referido inciso XIII, do art. 9º, da Lei nº 9.317/96. Se a atividade sob consideração inserese no domínio de conhecimento técnicocientífico próprio daqueles profissionais (ou assemelhados), tal é uma circunstância impeditiva para o ingresso ou a permanência no Simples. (...) Presentemente, sem que o Contribuinte faça a juntada de outros instrumentos probatórios (tais os já citados: alterações de contrato social ou estatuto, de declaração de firma individual, notas fiscais de venda de produtos, mercadorias e/ou serviços), não se pode, pura e simplesmente, à força de simples alegação, ter por desconstituída (ou até restringida) a declaração de vontade impressa em seus atos constitutivos. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/12/2009, fls.34 e seguintes, aduzindo que: (...) Portanto, depreendese do acima transcrito, que no entendimento do Fisco, a teor da legislação supratranscrita, a competência para executar serviços na área de instalação e manutenção de máquinas em geral, equipamentos mecânicos ou eletromecânicos caberia unicamente aos engenheiros e técnicos, no âmbito dessas modalidades profissionais especificas. 15. No mais, notase que o fundamento da decisão recorrida enseja a sua reforma, guando sustenta que a execução desses serviços cabe aos engenheiros e assemelhados. 16. Observase, que nos termos do inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317/96, o impedimento legal é o exercício de atividade pela pessoa jurídica envolvendo prestação de serviço profissional de engenheiro. 17. Ademais, as vedações do inciso XIII do artigo 9° sob comento não podem ser interpretadas de forma ampla, pois é defeso o emprego de analogia, quando esta implicaria em exigência de tributo sem lei. 0 que fatalmente ocorreria no presente caso. (...) 24. Vale salientar que a execução dos serviços de instalação e manutenção de equipamentos de segurança, não exige profissional legalmente habilitado (engenheiro), nem o Estatuto dos Engenheiros, Arquitetos e Engenheiros Agrônomo, a Lei n° 5.194/66, exige o registro no CREA para a pessoa jurídica executar tais serviços. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 4 25. Assim, verificase que a Recorrente não executa serviços que necessitam de profissional que dependa de habilitação profissional legalmente exigida, e, portanto reúne condições para reingressar legitimamente no SIMPLES. (...) IV DO PEDIDO 32. Face a todo o exposto, requer a Vossas Senhorias, em preliminar, o conhecimento e processamento do presente recurso, a fim de que ao final, em sede meritória, seja dado total provimento as suas razões, com a reforma da r. decisão de Primeira Instância, anulandose do Ato Declaratório Executivo DRF/GUA n° 566.629, de 02.08.2004, para que seja promovida a reinclusão de pleno direito da Requerente no SIMPLES, retroagindose seus efeitos, a 27.09.2002, para garantir a continuidade do regime. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio a exclusão do contribuinte da sistemática do Simples, no ano de 2002, pelo exercício de atividade vedada, qual seja: “instalação e manutenção de equipamento eletrônico”, conforme CNAE e Contrato Social. A decisão de 1a. instância confirmou a exclusão sob o entendimento que essa atividade é mesmo vedada ao Simples. Por seu turno, o recorrente alega que, “nos termos do inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317/96, o impedimento legal é o exercício de atividade pela pessoa jurídica envolvendo prestação de serviço profissional de engenheiro... Ademais, as vedações do inciso XIII do artigo 9° sob comento não podem ser interpretadas de forma ampla, pois é defeso o emprego de analogia, quando esta implicaria em exigência de tributo sem lei. (...)” Pois bem, compulsando os autos, verificase que não foi juntada uma única nota fiscal, tampouco um único contrato de prestação de serviços que comprove qual a atividade efetivamente exercida pelo contribuinte. O ato declaratório de exclusão é absolutamente superficial e se orientou apenas pelo CNAE fiscal do contribuinte. Por sua vez, a decisão de primeira instância calcouse exclusivamente no Contrato Social, cuja clausula 2a. estabelece: A sociedade tem por objeto social a exploração do segmento de serviços de instalação, manutenção e comercialização de equipamentos eletrônicos de segurança, de comunicação interna e externa, assim como de emissão e captação de sinais e orientação comercial. Não obstante a peça recursal ter articulado apenas alegações de direito, quando poderia ter apresentado provas materiais de que realmente não exerceu atividade vedada, é certo que, neste caso, o ônus da prova é do Fisco, consoante já decidido por está Câmara. O fato de constar no Contrato Social o exercício de uma atividade, que pode vir a ser vedada à luz da legislação do Simples, por si só, não pode ensejar a exclusão. Repito, cumpre ao Fisco fazer prova material desse impedimento. Além de não se constituir na única atividade da empresa, a instalação e manutenção de equipamentos eletrônicos, nem sempre se confunde com os serviços privativos de engenheiro, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10875.000762/200593 Acórdão n.º 140200.677 S1C4T2 Fl. 0 6 Nesse sentido é majoritário o entendimento no CARF, a exemplo dos seguintes acórdãos: Acórdão 30333.679 de 19/10/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO A exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de engenheiro, consultoria, assessoria, projetos, ou de qualquer atividade que pudesse caracterizar semelhança com a engenharia ou consultoria, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso voluntário provido Acórdão 30331.877 de 24/02/2005 SIMPLES EXCLUSÃO RAMO DE COMERCIALIZAÇÃO, INSTALAÇÃO, ASSISTÊNCIA TÉCNICA E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS PARA ESCRITÓRIO, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA, não se encontra enquadrado nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte. Comprovado que a recorrente se dedica ao ramo de comercialização, instalação e prestação de serviços de assistência técnica e manutenção de equipamentos para escritório, comunicação e informática, prestados por técnicos em informática (analistas de suporte) e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços priVAtivos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas, sendo essas atividades exercidas pela recorrente perfeitamente permitidas pela legIslação vigente aplicável, é de se reconsiderar o ATO DECLARATÓRIO que a tornou excluída do Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso e cancelar o ato declaratório que excluiu o contribuinte do Simples. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 264DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10630.901790/2008-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-006.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1632; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10630.901790/200845 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.355 – 3ª Turma Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente DASA DESTILARIA DE ÁLCOOL SERRA DOS AIMORÉS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 17 90 /2 00 8- 45 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 3 2 (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3301001.582, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITOPRESUMIDO. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produto não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2004, 15/11/2004, 30/11/2004, 15/12/2004, 29/12/2004, 15/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débitos fiscais, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Dcomp, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.” Irresignada, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que há o direito ao crédito presumido de IPI apurado ainda que os seus produtos exportados estejam classificados como NT. Em Despacho às fls. 221 a 224, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso especial foram apresentados pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros: · É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária acumulada ao Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 4 3 longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais ao PIS e COFINS; · Entretanto, parece irrefutável não ter sido a opção de o legislador ordinário extirpar qualquer relação do denominado incentivo fiscal com o próprio IPI, tendo em vista que, inegavelmente, criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto tangencia aquelas contribuições; · Assim, a análise do competente texto legal, ainda sob o prisma teleológico, leva à inferência de que o objetivo da lei foi, na verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como no caso dos produtos NT; · Conceituase estabelecimento industrial como sendo aquele que executa qualquer das operações de transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento e/ou reacondicionamento e renovação e/ou recondicionamento, desde que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento, excluídos os nãotributados; · Considerando que no presente caso ocorreu exportação de produtos com notação NT e, em conformidade com o exposto acima, não são considerados industrializados e, portanto, fora de incidência do IPI, concluise que o recorrente não faz jus ao crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei 9.363/96. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo na parte admitida em Despacho – o que concordo com a manifestação exposta em Despacho de Admissibilidade às fls. 221 a 224. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a lide posta em recurso, qual seja, se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 5 4 haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado). No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação de álcool etílico para fins carburantes e seu sub produto bagaço de cana, possui o direito ao crédito fiscal, nos termos da Lei 9.363/96. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96 (Grifos meus): “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. O que, por conseguinte, já entendo assistir razão ao sujeito passivo. Não obstante, vêse que poderia entender que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI deve haver a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 6 5 Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais ou somente a exportação, em sentido amplo, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. No caso em comento, o sujeito passivo atua no ramo de produção de álcool, adquirindo canadeaçúcar que efetivamente sofre processo de industrialização para a saída do produto final – álcool que, por sua vez, é comercializado e exportado. Em vista do exposto, dou provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito à ilustre relatora, discordo de seu entendimento quanto ao direito de o contribuinte aproveitar crédito presumido do IPI sobre aquisições e revenda para o exterior de produtos não tributados . No presente caso, tratase de exportações de álcool para fins carburantes e seu subproduto bagaço de cana de açúcar, conforme depreendese do trecho do relatório fiscal, abaixo transcrito: Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 8 7 Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 9 8 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 10 9 semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou sobre a possibilidade de apropriação de crédito presumido de IPI na exportação de produtos não tributados, conforme o seguinte precedente: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O decisum agravado deixou de conhecer do recurso especial na parte em que alegada a impossibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores relativos a exportação de produtos não tributados, ao fundamento de que o apelo raro padecia de deficiência de fundamentação recursal. 2. Compulsandose novamente o caderno processual, é de se afastar a incidência ao caso da Súmula 284/STF, devendo, pois, ser analisado o mérito do apelo raro nesse particular. 3. O Superior Tribunal de Justiça já se posicionou no sentido de que não há ilegalidade na limitação imposta pelas Instruções Normativas da SRF nº 313/2003 e nº 419/2004 do cômputo dos valores referentes à exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, tendo em vista que a própria Lei nº 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10630.901790/200845 Acórdão n.º 9303006.355 CSRFT3 Fl. 11 10 ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de reconhecer a impossibilidade de se computarem os valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI. (EDcl no AgRg no REsp 1241900/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2014, DJe 11/12/2014) (grifei) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.001079/2004-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/09/2004
MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. TRANSPORTE REALIZADO PELO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. INFRAÇÃO IMPUTADA AO TRANSPORTADOR. CABIMENTO.
Constitui infração às medidas de controle aduaneiro e fiscal transportar pelo País cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória da sua regular importação. Em decorrência da prática dessa infração, o transportador da mercadoria responde pela respectiva penalidade pecuniária, independentemente da sua intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da conduta cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/09/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. NULIDADE POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais exigidos por lei.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/09/2004 MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. TRANSPORTE REALIZADO PELO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. INFRAÇÃO IMPUTADA AO TRANSPORTADOR. CABIMENTO. Constitui infração às medidas de controle aduaneiro e fiscal transportar pelo País cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória da sua regular importação. Em decorrência da prática dessa infração, o transportador da mercadoria responde pela respectiva penalidade pecuniária, independentemente da sua intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da conduta cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. NULIDADE POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais exigidos por lei. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 202 1 201 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.001079/200499 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.963 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria MULTA REGULAMENTAR AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente GILVANE BARRETO HOESEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/09/2004 MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA INTRODUZIDO CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. TRANSPORTE REALIZADO PELO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. INFRAÇÃO IMPUTADA AO TRANSPORTADOR. CABIMENTO. Constitui infração às medidas de controle aduaneiro e fiscal transportar pelo País cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória da sua regular importação. Em decorrência da prática dessa infração, o transportador da mercadoria responde pela respectiva penalidade pecuniária, independentemente da sua intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da conduta cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. NULIDADE POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o auto de infração que atende todos os requisitos materiais e formais exigidos por lei. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 10 79 /2 00 4- 99 Fl. 202DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Tratase de auto de infração lavrado, em 22/10/2004, em nome do Sr. Gilvane Barreto Hoesel, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 261.242,00, referente a multa por infração às medidas especiais de controle fiscal relativas a fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira, conforme disposto no Decretolei nº 399/1968; No auto de infração consta que, conforme Boletim de Ocorrência no 42.094 (fl. 69/72), em 14/09/2004, no ônibus Scania/K112 33 S, placa GKW1095, foram apreendidos pela Polícia Militar de Minas Gerais 130.621 maços de cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória de sua introdução regular no País, circunstância que ensejaria tanto a aplicação da pena de perdimento capitulada no art. 621 do Decreto no 4.543/02, que foi formalizada por meio do processo no 10670.001066/200410, quanto “a multa de 5% do MVR (Maior Valor de Referência) vigente no Pais, a qual é constituída por meio deste Auto de Infração” (fl. 3). Cientificado do lançamento em 28/10/2004 (fl. 12), o Sr. Gilvane Barreto Hoesel apresentou a impugnação de fls. 15/23, em 24/11/2004, onde afirma que: i) pelo que se depreende do evasivo auto de infração, a única pessoa que estava no veículo no momento da apreensão era o motorista do veículo; ii) o auto de infração fora lavrado em seu nome, uma vez que era quem constava no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) no momento da Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 203 3 apreensão, o que seria inaceitável, uma vez que as mercadorias que foram encontradas em situação não lhe pertenciam e que o veículo não era mais de sua propriedade, “conforme faz prova a Autorização para Transferência de Veiculo, este foi vendido, no dia 05 de maio de 2004, ao Sr. JOSE CARLOS ROCHA DE SOUZA [...] (fl. 17)”; iii) que não teria concorrido para a prática da infração, nos termos impostos pelo art. 603 do Decreto no 4.543/02 (fl. 17); Alega, também, que “não merece respaldo a tese de que somente após a alteração do registro junto ao Detran, o antigo proprietário se exime de responsabilidade, pois é cediço que a transferência de bens móveis se dá pela mera tradição, sendo que o registro nos órgãos de transito é mera formalidade exigida pelos entes governamentais” (fl. 18). Requer, então, que seja “reconhecida ilegitimidade do impugnante para figurar no pólo passivo do presente Auto de Infração, declarandose nulo o processo administrativo fiscal e promovendose a autuação do verdadeiro responsável (conforme documento de transferência)” (fl. 19). Ainda em sede preliminar, o autuado defende que “a simples leitura do auto de infração, demonstra que o mesmo, limitase tão somente a, de maneira genérica, mencionar a infração as medidas de controle fiscal, não trazendo em seu corpo os atos ou omissões do contribuinte (ora impugnante), impossibilitando o exercício, de maneira satisfatória, de sua defesa, o que caracteriza cerceamento ao direito constitucionalmente garantido a ampla defesa”. (fl. 20) O interessado alega, como sendo questão de mérito, que a exigência imposta pela autoridade autuante, no valor de R$ 2,00 por maço de cigarros, fere os princípios da capacidade contributiva e de propriedade, uma vez que o próprio fisco avaliou cada maço pelo valor de R$ 0,65. Ao final, no intuito de comprovar suas alegações, junta cópias o Termo de Comunicação de Venda do Veículo (fl. 35), do Certificado de Registro de Veículo (fl. 36) e do extrato do IPVA do veículo, impresso do site da Secretaria de Fazenda do Estado do Paraná (fl. 37). Em 26/06/2007, por meio da Resolução no 900 (fls. 41/44), o relator do processo, à época, propôs a conversão do processo em diligência, para que a autoridade fiscal tomasse as seguintes providências: i) Intimar o autuado a comprovar a efetiva transferência do veiculo na data de 05/05/2004, conforme consta da Autorização para Transferência de Veiculo, cuja copia acostouse às fls. 36, acostando os elementos de prova que julgar necessário a tal comprovação, como, por exemplo, os comprovantes do pagamento do valor do veiculo (R$ 25.000,00); Fl. 204DF CARF MF 4 ii) Intimar o comprador a se manifestar sobre a referida aquisição, solicitandolhe a confirmação não só da operação de compra e venda como também o reconhecimento da data em que efetivamente ocorreu a transação. iii) Se restar comprovada a alegação do autuado de que não era o proprietário do veiculo na data de ocorrência do fato gerador da multa em questão, a fiscalização deverá providenciar a lavratura de auto de infração em nome do legitimo proprietário do mencionado veiculo. Atendendo a referida resolução, a Delegacia da Receita Federal de Montes Claros/MG intimou, em 09/08/2007, o Sr. Gilvane Barreto Hoesel a comprovar a efetiva transferência do veículo no qual foi encontrado a mercadoria em situação irregular (fl. 49) e o Sr. José Carlos Rocha Souza a comprovar a aquisição do (fl. 47) do citado veículo. O Sr. Gilvane Barreto Hoesel tomou ciência da intimação em 14/08/2007, vindo a se manifestar em 27/08/2007 (fls. 51/52), afirmando que os documentos comprobatórios da venda do veículo foram apresentados juntamente com a impugnação e reiterando sua alegação de que não era o proprietário do veículo na data da ocorrência infração. Quanto ao Sr. José Carlos Rocha Souza, não consta dos autos o documento comprobatório do recebimento da intimação a ele enviada em 10/08/2007 (fl. 59). Em 13/04/2009 (fl. 79), o Sr. José Carlos Rocha Souza foi novamente intimado a (fl. 78): i) “Comprovar mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, tais como cópias de cheques, ordem bancárias, TED e/ou extrato bancário, coincidente em data e valor e que possa fazer prova inequívoca da transferência do patrimônio do adquirente do veiculo para o patrimônio do vendedor, o numerário ou outros bens destinados ao pagamento do valor de R$ 25.000,00, constante da autorização para transferência de veiculo, datada de 05.05.2004.” ii) “Confirmar se V.Sª , atualmente ainda é proprietário do veiculo acima referenciado, se confirmada a propriedade apresentar cópia autenticada do CRLV; em caso negativo, informar para quem o revendeu/transferiu, identificando o adquirente por nome, endereço e número de inscrição CPF/ CNPJ e apresentar documentação comprobatória da transferência”. Não tendo sido atendida, a Delegacia da Receita Federal de Montes Claros reiterou o pedido, conforme Intimação no 2 (fls. 81/82). Devidamente cientificado em 02/06/2009, o Sr. José Carlos Rocha Souza, em 08/06/2009, compareceu ao processo, esclarecendo que: “Eu, José Carlos Rocha de Souza, portador do RG no 0226974626, inscrito no CPF no 325.213.16504, venho por meio Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 204 5 desta carta esclarecer e comprovar o que me foi solicitado no Termo de Intimação Fiscal n° 001 e 002, atendendo ao prazo estipulado, para que não transcorra em multas. Inicialmente esclareço que o Termo de Comunicação de Venda do Veiculo, não foi apresentado por mim e sim por Gilvane Barreto Hoesel, inscrito no CPF n° 045.183.13909, vendedor do veiculo. Foi realizada uma negociação para efetuar a compra e venda do veiculo ônibus SCANIA/K112, placa GKW1095, Chassi 9 BSKC4X2B03453290, onde as partes firmaram apenas um simples contrato de compra e venda, e se responsabilizaram pelo pagamento do valor estipulado em R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil) e transferência do patrimônio após a quitação do valor referido. Desta forma, eu efetuei o pagamento em duas parcelas, a primeira de R$10.000,00 (dez mil), e a segunda no valor de 15.000,00 (quinze mil), todas em dinheiro em espécie e em mãos do vendedor, assim não possuo extrato bancário, nem copias de cheques. Conclui a negociação e recebi o veiculo e após o pagamento da ultima parcela recebi a documentação necessária para transferência do mesmo. Entretanto o veiculo acima referido e toda a documentação a ele pertencente, foi apreendido pela Receita Federal de Foz do Iguaçu.” Após prestar os esclarecimentos de fls. 106/110, a Delegacia da Receita Federal de Montes Claros encaminhou o processo para julgamento. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 128/148) em que, por voto de qualidade, foi rejeitada a arguição de nulidade por vício material, e, por maioria de votos, (i) rejeitada a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, e de ausência de vínculo de responsabilidade, e (ii) julgada improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2004 APREENSÃO DE CIGARROS. MULTA. EXISTÊNCIA DE MOTIVO A multa exigida sobre cigarros irregulares encontrados em zona secundária de controle fiscal, dispensa a indicação do enquadramento legal relativo a medida de controle especial que deixou de ser cumprida em zona primária, bastando o enquadramento no Decretolei no 399/68 como motivo da autuação acrescido de suficiente motivação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Descabe nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa quando na impugnação resta demonstrado que o autuado entendeu claramente os motivos do auto de infração, e a motivação deixa transparecer a verossimilhança dos fatos com Fl. 206DF CARF MF 6 possibilidade de se alcançar a verdade material unicamente pela análise do quadro probatório. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA POR INFRAÇÃO ADUANEIRA Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, inclusive o proprietário do veículo transportador da carga irregular q deixe de adotar tempestivamente as providências legais para transferência do veículo ao novo proprietário e não consegue provar, por outros meios, que este não mais lhe pertencia na época da infração. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. A arguição de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa, porquanto a autoridade administrativa carece de competência para apreciar matéria reservada ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 30/10/2012, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformado, em 22/11/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 154/166, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento alegou, em sede de preliminar, (i) prescrição intercorrente do procedimento, com base no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999, e (ii) nulidade material da autuação, por ausência de suporte fático. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões preliminares e de mérito, que serão a seguir analisadas. Das questões preliminares. Em preliminar, o recorrente alegou prescrição intercorrente e vício material de nulidade da autuação, por ausência de suporte fático e ilegitimidade passiva. Para a recorrente o procedimento fora extinto por prescrição intercorrente, baseada no argumento de que o processo permanecera paralisado, pendente de julgamento e/ou decisão, por prazo superior a 3 (três) anos. E essa paralisação excedente ao prazo trienal havia extinto a ação punitiva da Fazenda Pública, conforme expressamente previsto no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999, a seguir transcrito: Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 205 7 Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. [...] (grifos não originais) A prescrição intercorrente, prevista no referido preceito legal, aplicase apenas as ações de caráter punitivo da Administração Pública Federal decorrentes, direta ou indiretamente, do exercício do poder de polícia destinado a apurar infração à legislação vigente em geral. Ela não se aplica em relação às infrações a legislações específicas, a exemplo da legislação tributária e aduaneira, que têm regramento próprio, respectivamente, estabelecido no art. 174 do CTN e no art. 139 do Decretolei 37/1966. Da mesma forma, o processo de julgamento das penalidades pecuniárias decorrentes da apuração das referidas infrações também é regido por normas específicas estabelecidas no Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, e no âmbito deste diploma legal, não há previsão de prescrição intercorrente resultante da mora no julgamento dos processos correspondentes. Dessa forma, resta evidenciado que o disposto no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999, não se aplica aos procedimentos e processos administrativos fiscais, que têm regime processual próprio, veiculado pelo Decreto 70.235/1972. Aliás, o art. 5º da própria Lei 9.873/1999, expressamente, excepciona o processo administrativo fiscal do regime por ela estabelecido, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Em conformidade com essas disposições legais, no âmbito deste Conselho, a matéria foi objeto da súmula CARF nº 11, cujo enunciado tem seguinte teor: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Assim, demonstrada a inaplicabilidade da prescrição suscitada ao caso em tela, passase analisar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por ausência de suporte fático e ilegitimidade passiva do autuado. A alegação de ausência de suporte fático ou de motivo para a aplicação da multa em razão da falta de demonstração ou comprovação do descumprimento das normas sobre a aplicação de selo fiscal de controle nos cigarros importados, no entendimento deste Relator, revelase totalmente descabida e desnecessária, pois, por se tratar de fato evidente e notório, para fins processuais, sabidamente, a sua comprovação revelase desnecessária, consoante entendimento consagrado pela melhor doutrina. Fl. 208DF CARF MF 8 Ora, se a importação regular do cigarro prescinde da selagem previamente ao desembaraço aduaneiro, logo, se o produto foi introduzido irregular ou clandestinamente no País, a conclusão óbvia é de que ele não foi submetido a despacho ou desembaraço aduaneiro de importação e, por conseguinte, não foi selado. Ora, se a selagem é condição prévia e obrigatória para o processamento regular do despacho e desembaraço aduaneiros e, portanto, condição necessário para a regular introdução do bem importado no País, se o bem foi introduzido clandestinamente no País, ele não foi submetido ao prévio e necessário despacho aduaneiro, logo, a conclusão óbvia, é que não foram cumpridas as exigências legais sobre selagem. O entendimento apresentado pela recorrente implicaria na inversão dessa condição óbvia, ou seja, que a irregularidade da operação de importação de cigarros somente ocorreria se provada pela autoridade fiscal que não cumpridas as normas atinentes à selagem, o que se revela como completo despropósito, ou, em linguagem popular, “pôr o carro à frente dos bois”. E no caso, há provas irrefutáveis de que os cigarros apreendidos, objeto da presente autuação, encontravamse em situação irregular, ou seja, foram introduzidos clandestinamente no País, sem ser submetido ao prévio e obrigatório procedimento de despacho aduaneiro. Dada essa configuração, a exigência de produção de prova sobre descumprimento das normas sobre selagem, revelase despropositada e descabida. E a razão é evidente, pois, se o maço de cigarro não foi submetido ao prévio procedimento de despacho e desembaraço aduaneiros, inexoravelmente, ele não foi importado regularmente e, portanto, não fora selado. A compreensão da infração e penalidade em apreço não se revela possível com base interpretação isolada do art. 2º do Decretolei 399/1968, como fez a recorrente e o nobre relator do voto vencido do acórdão recorrido. Ao contrário, a exata compreensão só se mostra cabível a partir da leitura e interpretação conjunta dos arts. 2º e 3º do Decretolei 399/1968, este último com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, que, para facilitar a análise, seguem transcritos: Art 2º O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de contrôle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) grifos não originais. Veja que no art. 2º foram estabelecidas as obrigações acessórias, ou seja, as “medidas especiais de controle fiscal” relativas não só desembaraço aduaneiro, como também a circulação, a posse e consumo dos citados produtos. E a selagem, sabidamente, é uma medida especial prévia e necessária apenas para o processamento do despacho aduaneiro e o Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 206 9 desembaraço aduaneiro do produto, conforme determina o art. 50, I, da Lei 9.532/1997, redação vigente na data da infração, que segue transcrito: Art. 50. No desembaraço aduaneiro de cigarros importados do exterior deverão ser observados: I se as vintenas importadas correspondem à marca comercial divulgada e se estão devidamente seladas, com a marcação no selo de controle do número de inscrição do importador no CGC e do preço de venda a varejo; [...] (grifos não originais). Para a circulação, a posse e o consumo dos citados produtos no País, inequivocamente, outras medidas especiais são necessárias. A título de exemplo, podese citar a emissão de nota fiscal para circulação do produto no País. E no caso, as mercadorias foram encontradas em circulação pelo País desacobertadas de qualquer documentação fiscal idônea. Dito outra forma, os cigarros foram encontrados fora da zona primária, onde é realizado o controle aduaneiro, desamparados de qualquer documento fiscal. Assim, resta evidenciado que para a configuração da infração em apreço não havia necessidade de comprovação de que as normas sobre selagem do produto foram descumpridas. A demonstração do descumprimento dessa norma era imprescindível se a infração tivesse sido apurado em recinto alfandegado de zona primária e se o motivo da aplicação da penalidade fosse a ausência de selo, o que não ocorreu no caso em tela. Nesse contexto, a comprovação de que as mercadorias foram importadas clandestinamente e que estavam em circulando pelo País sem documentação fiscal idônea, certamente, revelase suficiente para efeito de materialização da infração em apreço, que consiste na prática da conduta de transportar cigarros de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no País ou em circulação ilegal pelo País. No mesmo sentido, cabe trazer à colação os profundos e pertinentes fundamentos lançados pelo nobre redator do voto condutor do julgado recorrido, ex Conselheiro desta Turma Charles Pereira Nunes, nos excertos que seguem transcritos: Como se observa no voto acima transcrito, as irregularidades relativas ao controle especial sob análise não ficam restritas às normas concernentes ao selo de controle fiscal, pois existem outras normas que igualmente devem ser atendidas antes da mercadoria ser desembaraçada, todavia, veremos que não há necessidade delas serem citadas no auto de infração como seu motivo, pois na realidade a infração a tais normas especiais de controle é em geral pressuposto incontroverso de onde deriva outro motivo para aplicação da multa sob análise, que conforme se verá, é a posse dos cigarros em situação irregular na zona secundária. Entendo que esta medidas especiais de controle fiscal, por serem preparatórias para formalizar a regular importação, ocorrendo sob controle fiscal primário, não são o alvo principal do artigo 3º do DecretoLei e por isso não necessitam ser citadas como enquadramento legal de auto de infração lavrado em atividade de repreensão em zona secundária onde se exercem medidas Fl. 210DF CARF MF 10 comuns de controle fiscal, inclusive relativas a nota fiscal, e não mais de natureza especial. [...] Embora não haja impedimento para o artigo 3º ser aplicado no controle fiscal de zona primária, verificase que ele tem aplicação típica na zona secundária em situações de repreensão [sic], onde as medidas especiais de controle fiscal já foram descumpridas em momento anterior deixando a mercadoria em condição irregular até que seja encontrada por uma blitz e destruída por não ser mais possível sua regularização. Neste segundo momento o flagrante tornase o elemento principal que caracterizará a infração, pois ele só se efetivará pela retenção da mercadoria se for constatado que esta foi encontrada em situação irregular seja por está sem selo, com selo falso, sem nota fiscal idônea etc. Observase então que para fins da aplicação da multa em zona secundária, como é o caso, não se trata mais de penalizar quem deixou de atender os controles aduaneiros de zona primária naquele momento inicial (infração original) mas sim quem, neste momento subsequente, adquiria, transportava, vendia, expunha à venda, tinha em depósito, possuía ou consumia os cigarros irregulares, sendo flagrado nesta atividade (infração subsequente) e ainda quem fosse identificado como tendo concorrido para a infração tipificada, ainda que não presente no local do flagrante. Como se sabe a palavra flagrante originouse do latim flagrans, que significa ardente, queimante, e se presta para qualificar a forma de colhimento de prova plena e eloquente da materialidade de uma infração, que se torna incontroversa dada a notoriedade do fato perante todos que presenciaram o flagrante. Tal comprovação é que permite a retenção da mercadoria e posterior aplicação das penalidades cabíveis. No caso sob análise, o fato da Polícia Militar ter registrado o flagrante em relação ao transporte de cigarros sem comprovação de sua regular importação, e consequente retenção dos cigarros com aplicação das penas de perdimentos e multa, subsumese perfeitamente ao Decretolei no 399/68 que elegeu nele apenar somente a infração subsequente em vez da infração inicial de burla ao controle aduaneiro primário. (grifos do original) Assim, uma vez demonstrada a materialização da infração, passase a analisar a questão atinente à autoria da infração, bem como o argumento de nulidade da autuação por ilegitimidade passiva suscitado pela recorrente. Nesse sentido, cabe analisar qual foi a conduta imputada a recorrente na autuação em apreço. E a leitura da descrição dos fatos que integra o Auto de Infração de fls. 3/6 e o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (AITAGF) de fls. 80/83 noticia que, em conformidade com o Boletim de Ocorrência nº 42.094, em 14/9/2004, foram apreendidos pela Polícia Militar de Minas Gerais, 130.621 maços de cigarros de procedência estrangeira sem documentação comprobatória de sua introdução regular no País, sendo Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 207 11 transportados no ônibus Scania/K112 33 S, placa GKW1095, de propriedade do recorrente. No citado AITAGF ainda foram relatados os seguintes fatos relevantes: No presente caso não há como escusar a responsabilidade e a máfé do proprietário do veiculo pelos seguintes motivos: 1. Em desacordo com o artigo 11 da Resolução 17/02, da ANTT, o motorista não portava a Autorização de Viagem; a Cópia do CRF; a relação de passageiros, fechada, carimbada, assinada pelo representante legal da empresa; certificado de inspeção médica do motorista; apólice de seguro de responsabilidade civil; ou a nota fiscal da prestação do serviço. 2. Tratase, em verdade, de pessoa física que não possui qualquer documento regular para o transporte de passageiros, nos termos exigidos pela ANTI, descaracterizandoo para tal fim, mas tão somente para o transporte de cargas. 3. Em desacordo como o artigo 74, da Lei 10.833/03 e artigo 10 da Resolução 18/02, da ANTT, as mercadorias existentes no interior do veiculo não estavam identificadas com tiquete de bagagem criado pela empresa, impossibilitando o controle de sua identificação. 4. Em conformidade com o artigo 74, § 3°, da Lei 10.833/03, presumese de propriedade do transportador, para efeitos fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário. 5. As bagagens existentes no interior do veiculo constituíramse de mercadorias trazidas do Paraguai que, por suas características (equipamentos de informática, eletrônicos, brinquedos e cigarro, etc.) e volume (todo bagageiro interior, sobre e sob as poltronas, porta embrulhos e corredor), são de nítido cunho comercial, em violação ao Regulamento Aduaneiro, artigo 618, X e legislação. 6. O condutor do veiculo é, para fins fiscais, representante legal da empresa transportadora/proprietário, nos termos dos artigos 39, § 2° e 113 do Decreto Lei 37/66, conforme afirma a jurisprudência dominante: Essas circunstâncias não deixam qualquer dúvida que o motivo da inclusão do recorrente no polo passivo da autuação foi a sua condição de proprietário do veículo transportador dos cigarros apreendidos em situação irregular. Dada essa particularidade, a condição de proprietário do veículo, na data da apreensão dos cigarros, induvidosamente, revestese de elemento essencial para a definição da pessoa legitimada a integrar o polo passivo da presente autuação, especialmente, tendo em conta o que dispõe o art. 74, § 3º, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 74. O transportador de passageiros, em viagem internacional, ou que transite por zona de vigilância aduaneira, fica obrigado a identificar os volumes transportados como bagagem em compartimento isolado dos viajantes, e seus respectivos proprietários. Fl. 212DF CARF MF 12 § 1º No caso de transporte terrestre de passageiros, a identificação referida no caput também se aplica aos volumes portados pelos passageiros no interior do veículo. § 2º As mercadorias transportadas no compartimento comum de bagagens ou de carga do veículo, que não constituam bagagem identificada dos passageiros, devem estar acompanhadas do respectivo conhecimento de transporte. § 3º Presumese de propriedade do transportador, para efeito fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário, na forma estabelecida no caput ou nos §§ 1º e 2º deste artigo. § 4º Compete à Secretaria da Receita Federal disciplinar os procedimentos necessários para fins de cumprimento do previsto neste artigo. Assim, em face dessa presunção relativa (juris tantum), o recorrente tinha o ônus de apresentar prova em contrário, no sentido de demonstrar que não era o proprietário do citado veículo e, por conseguinte, dos cigarros nele transportados. E com esse propósito, o recorrente alegou que fora proprietário do veículo somente até 5/5/2004, quando o alienou ao Sr. José Carlos Rocha de Souza. Para comprovar o alegado, o recorrente trouxe à colação dos autos, na fase impugnatória, os seguintes documentos: a) “Termo de Comunicação de Venda de Veiculo” de fls. 39/40, com data de 29/10/2004, em que o Chefe da Ciretran da cidade de Foz do Iguaçu/PR informou que fora comunicado ao Detran/PR, no dia 28/10/2004, a venda do citado veículo; b) o Certificado de Registro de Veículo, com autorização de transferência no dia 5/5/2004 e reconhecimento de firma no dia 28/10/2004; e c) o Extrato do IPVA do citado veiculo do ano de 2004, retirado da de suposta página da internet da Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná no dia 24/11/2004. Dada a evidente precariedade e as incongruências e coincidências a seguir mencionadas, para este Relator, todos esses documentos não servem de prova de que, na data da apreensão dos cigarros, o citado veículo não era de propriedade do recorrente. A uma, porque a citada Autorização para Transferência de Veículos, apesar de preenchida com a data de 5/5/2004, só tivera o reconhecimento de firma registrado no dia 28/10/2004, após mais de cinco meses contado da data da suposta venda. A duas, porque, coincidentemente, no mesmo dia 28/10/2004 fora feita a comunicação pelo recorrente da venda do veiculo ao Detran/PR. A três, porque não foi mera coincidência o fato de o recorrente ter tomado todas as providências acima citadas no dia 28/10/2004. Com efeito, na referida data, o recorrente foi cientificado da presente autuação, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 13. Esse fatos conjuntamente sopesados demonstram que, somente após ser cientificado do auto de infração, o recorrente adotou as providências, com o nítido propósito de descaracterizar a condição de proprietário do veículo. De fato, na mesma data, comunicou a alienação do veículo ao Detran/PB e providenciou o reconhecimento da assinatura aposta na autorização para transferência do veículo. Além disso, para fim de comprovar a efetiva realização da alegada operação de venda do veículo, intimados comprador e vendedor, na fase diligência fiscal, a apresentar documentos idôneos de pagamento do veículo, nenhum deles não apresentou qualquer documento bancário, ou outro documento idôneo de fonte externa, no sentido de comprovar a efetiva realização do pagamento do veículo pelo adquirente. Nesse contexto, a informação de que o pagamento fora feito em dinheiro, porque o adquirente trabalhava na informalidade, Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10670.001079/200499 Acórdão n.º 3302004.963 S3C3T2 Fl. 208 13 obviamente, não constitui justificativa plausível para fim de justificar a inexistência de qualquer documento idôneo que confirmasse a alienação do referenciado veículo. A recorrente alegou ainda que a fiscalização não havia fundamentado a inclusão da recorrente no polo passivo da autuação, vez que limitarase a citar os artigos do Decretolei 37/1966 que tratam de responsabilidade tributária, omissão que, por si só, viciava o lançamento por ausência de motivação. Equivocase a recorrente. A leitura da descrição dos fatos e do enquadramento legal revela que a recorrente foi incluída no polo passivo autuação na condição de autor da infração e não de responsável solidário. E a infração que lhe foi atribuída de transportar cigarros de procedência estrangeira, desacompanhado da documentação comprobatória da importação regular, e respectiva penalidade foi corretamente enquadra no art. 3º do Decretolei 399/1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003. Pela mesma razão, também não procede a alegação do recorrente de que, se houvesse responsabilidade solidária presente caso, o que admitia apenas para argumentar, ela somente poderia ocorrer com no art. 95 do Decretolei 37/1966. Ora, se a recorrente foi autuada na condição de autora da infração em comento e não na condição de responsabilidade solidária, como alegou a recorrente, logo, era despicienda qualquer menção ao referido art. 95 do Decretolei 37/1966. Sabese, ademais, que para haver solidariedade é necessária a presença de pelo menos duas pessoas no polo passivo da autuação, o que, notoriamente, não ocorreu no caso em tela. Por todas essas razões, rejeitase todas as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Das questões de mérito. No mérito, o que auto de infração deveria ser cancelado, porque não se encontrava no veículo quando houve a apreensão dos cigarros e não era o proprietário dos citados produtos. Nos autos, não há controvérsia quanto ao fato de que a recorrente não se encontrava no veículo no momento da apreensão dos cigarros. Mas esse não foi o motivo pelo qual a referida infração foi imputadalhe. Diferentemente do alegado, a participação do recorrente como legitimado passivo na presente autuação, inequivocamente, deuse em razão de ser ele o proprietário do veículo e, em razão da presunção prevista no art. 74, § 3º, da Lei 10.833/2003, terlhe sido atribuída a propriedade dos maços de cigarros por ele transportados e apreendidos, conforme explicitado no AITAGF de fls. 80/83 e anteriormente demonstrado. Assim, resta demonstrado que a questão sobre responsabilidade solidária, seja de natureza tributária, ou por infração a legislação aduaneira, suscitada na peça impugnatória e abordada nos votos e na declaração de voto integrantes do acórdão recorrido tratase de matéria estranha aos autos, porque não foi sequer mencionada pela autoridade fiscal na descrição dos fatos constantes do auto de infração e do citado AITAGF. Portanto, sem relevância para o deslinde da controvérsia a alegação sobre essa questão. Enfim, a recorrente alegou que, ainda que se aceitasse a ocorrência de infração às medidas de controle fiscal, o que admitia apenas para argumentar, a multa ora Fl. 214DF CARF MF 14 aplicada, no montante de R$ 2,00 por maço de cigarro, maculava o direito de propriedade e feria de morte o princípio da capacidade contributiva, já que avaliara cada maço em R$ 0,65. No caso, a aplicação da referida multa foi feita com base no que determina o 3º do Decretolei 399/1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, norma legal plenamente vigente e eficaz. Portanto, no exercício do poderdever de propor a aplicação da referida penalidade, a autoridade fiscal limitouse apenas ao estrito cumprimento da referida norma legal. E assim como o proceder da autoridade fiscal está delineado pela referida norma legal, fora das exceções previstas no § 6º do art. 26A do Decreto 70.235/1972, aos membros deste Conselho é expressamente vedado afastar a aplicação ou deixar de observar norma legal, sob fundamento de inconstitucionalidade, que seria a única opção, caso admitida a aplicação ao caso em tela do afastamento da referida multa em razão de afronta ao direito de propriedade e agressão ao princípio da capacidade contributiva. A mesma vedação consta do art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015) e a sua inobservância implica perda do mandato do Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do RICARF/2015. No âmbito do CARF, o assunto foi objeto da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Por todas essas razões, não se toma conhecimento desta última alegação meritória. Da conclusão Por todo o exposto, votase para tomar conhecimento parcial do recurso e, na parte conhecida, rejeitas as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negarlhe provimento, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001664/2009-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente COTRAMOL COOPERATIVA TRANSPORTE DE CARGAS DO MEIO OESTE CAT LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 16 64 /2 00 9- 64 Fl. 610DF CARF MF 2 Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal AIOP, DEBCAD nº 37.154.3789, à efl. 02, no qual foram constituídos créditos referentes a contribuições devidas a terceiros (SEST e SENAT), incidentes sobre o valor pago ou creditado aos segurados contribuintes individuais pela cooperativa. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 29/07/2009 e constituiu créditos, para as competências de 10/2004 a 12/2008, com multa e juros no valor de R$ 404.921,37, consolidados em 22/07/2009, e tem seu relatório fiscal de infração posto às e fls. 212 a 234. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, às efls. 245 a 266, em 26/08/2009. Já a 5ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0730.152, prolatado em 22/11/2012, às efls. 339 a 374, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Inconformada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 12/04/2013, às efls. 388 a 408, argumentando, em síntese que extraímos do acórdão recorrido, que: 1. O fisco simplesmente ignora uma série de documentos apresentados pela requerente. , com fulcro na subjetiva ilação de que a cooperativa não distingue os prestadores de serviços em sua contabilidade, chega a exigir valores que não compõem a base de cálculo de contribuições ao SEST e ao SENAT. 2. Não verifica a inadimplência dos tributos em comento, simplesmente autua, sem observar que os mesmos podem ter sido recolhidos aos cofres públicos pelo próprio contribuinte individual. 3. Em preliminar fala em nulidade, ao entendimento de abuso de poder da autoridade fiscal que agiu de forma ilegal e arbitrária no procedimento de fiscalização. 4. Cita que a empresa cumpriu todas as exigências e intimações no curso da fiscalização e que por várias vezes a autoridade fiscal invadiu a sede da recorrente, abrindo gavetas e arquivos, jogando papéis no chão e levandoos como se seu fossem. 5. Diz que tal atitude infringe limitações comportamentais previstas na Constituição Federal. 6. Arrola dispositivos do Código Tributário Nacional sobre a atividade de fiscalização (arts. 195 e 200), bem como sobre o uso necessário da força policial em caso de embaraço, porém, a empresa jamais impediu ou dificultou qualquer ato da fiscalização, cumprindo sempre toda e qualquer exigência e intimação. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 656 3 7. Que foram injustificados os atos da autoridade fiscal em invadir e desrespeitar funcionários e a sede da empresa. 8. Que a Constituição Federal determina o respeito ao princípio da razoabilidade, citando doutrina. 9. Arrola o art. 5º, inciso XI da Constituição Federal, que trata da inviolabilidade da casa e que, no caso, não havendo embaraços ou empecilhos por parte da impugnante, não é permitido que se invada a sede da empresa, recolhendo documentos e registros com as próprias mãos. 10. Diz que tal conduta abusiva de apreensão de documentos é considerada ilícita, não podendo servir como prova, devendo ser considerado nulo o lançamento fiscal. 11. Considera que o lançamento apresenta vício material insanável, posto que deveria ser formalizado mediante notificação de lançamento e não na forma de auto de infração, citando os art. 33, § 7º e 37 da Lei nº 8.212/91 e art. 243 do Decreto 3.048/99. 12. Discorre sobre o Decreto nº 70.235/72, em seus arts. 10 e 11, que tratam da lavratura mediante auto de infração ou notificação de lançamento, reforçando que no caso presente se trata de vício insanável, uma vez que deveria ser formalizado o crédito mediante Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), devendo ser anulado. 13. Fala em ausência de fundamentação legal para se exigir da sociedade cooperativa as contribuições para as terceiras entidades SEST e SENAT incidentes sobre valores repassados a autônomos; que conforme a Lei nº 8.706/93, a responsabilidade é do tomador de serviços e que no seu caso não é tomadora dos serviços de seus associados e transportadores autônomos; que até pode intermediar a contratação de fretes para seus associados ou não cooperados, mas não é quem toma os serviços destes; que como intermediária de fretes de seus associados ou não cooperados não desnatura o fato de que somente é o tomador (terceiro) responsável na relação. 14. Que embora a Lei nº 8.212/91 em se art. 15 equipare a cooperativa a empresa, tal fato serve apenas para os fins desta lei, e não para a Lei nº 8.706/93 e, ainda, mesmo que equiparada por esta lei, tem que é irrelevante quando a contribuição é a devida pelos transportadores autônomos. 15. Aduz que o art. 2º do Decreto nº 1.007, de 13 de dezembro de 1993 é claro ao dispor que a responsabilidade é da pessoa jurídica tomadora dos serviços do transportador autônomo. 16. Fala que não cabe exigir contribuição ao SEST/SENAT das sociedades cooperativas de transporte, por não estarem perfeitamente indicadas na legislação instituidora do tributo; que em matéria tributária vigora o princípio da legalidade estrita, nos termos do art. 150, I, da Constituição Federal. Fl. 612DF CARF MF 4 17. Discorre sobre as Sociedades Cooperativas, seus fins e que se trata de um sistema de ajuda mútua, mediante esforço comum de interessados, eliminando intermediários, que foi o motivo da criação da COTRAMOL, sociedade cooperativa de transporte, que pratica atos cooperados e não cooperados e que no seu caso, os fretes realizados pelos cooperados a tomadores de serviços são atos cooperados. 18. Que é uma sociedade cooperativa e não uma transportadora (sociedade empresária). 19. Fala e arrola legislação sobre o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP), aduzindo que as sociedades cooperativas estão desobrigadas da contribuição ao SEST/SENAT. 20. Fala que o lançamento é nulo porque contém valores a título de terceiros e esporádicos quando se trata de frete prestado por cooperado. 21. Diz que em inúmeros casos, a autoridade fiscal apura valores supostamente devidos quando o frete é prestado por Cooperado (C), lançando valores de fretes na coluna Cooperado e também na coluna Terceiro (T) e Esporádicos (E). 22. Fala em nulidade por tipificação indevida no fato que a legislação não se refere a matéria objeto do lançamento, aduzindo que o § 4° do art. 201 do Decreto 3.048/99 não se aplica a atividade de transporte rodoviário de cargas, mas sim de atividade remunerada de condutor autônomo de veiculo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veiculo rodoviário. 23. Por fim requereu a nulidade do procedimento fiscal e insubsistente o auto de infração, produção de todos os meios de provas, especialmente documental, bem como sejam as intimações encaminhadas aos advogados. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 23/01/2014, resultando no acórdão nº 401003.377, às efls. 511 a 530, que tem as seguintes ementas: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP SEST E SENAT CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS VINCULADOS A COOPERATIVA Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A não apresentação dos documentos durante o procedimento fiscal, acaba por inverter o ônus da prova, competindo ao recorrente a apresentação de argumentos e provas da inexistência dos fatos geradores. Empresa de transporte rodoviário: é a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 657 5 comerciais, por via pública ou rodovia, assim, aplicável a exigência de contribuições para o SEST e SENAT. MULTA LEI 11.941/08 RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Com a alteração introduzida pela lei 11.941/08, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no art. 44: 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. RE da contribuinte A contribuinte foi intimada (efl. 487) do acórdão nº 2401003.375, em 15/02/2016 (efl. 490), e interpôs recurso especial de divergência em 1º/03/2016, às efls. 549 a 557. A matéria recorrida, cuja divergência estaria posta nos acórdãos nº 2301 003.243 e 2301003.277 é a aplicação de multa pelo critério de retroatividade benigna, em face das alterações de penalidades da Lei nº 8.212/1991, trazidas pela Lei nº 11.491/2009. O acórdão recorrido conclui pela aplicação de penalidade que atinge 75% da totalidade dos tributos lançados, pela incidência do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. Os paradigmas afastam, a aplicação do mesmo artigo, pois a mudança legislativa não tiraria a natureza de multa de mora definida no art. 35 da legislação antiga e por isso deve ser aplicada sua homóloga, mais benigna, com base no novo art. 35, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996, limitandoa a 20%. Finaliza por requerer o conhecimento e o provimento do seu recurso especial de divergência para que se reforme o acórdão recorrido para cancelar a exigência fiscal em relação à multa de mora e à de ofício ou, alternativa e sucessivamente, consignar que relativamente aos fatos geradores anteriores a novembro/2008 deve ser aplicada a multa de mora limitada ao percentual de 20%, prevista na novel redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. No despacho de efls. 599 a 605, em 25/05/2016, a Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, reconheceu a similitude das situações fáticas dos acórdãos Fl. 614DF CARF MF 6 paradigmas e do recorrido, com atendimento aos requisitos regimentais, e entendeu por dar seguimento ao recurso especial da contribuinte para que se rediscuta a matéria relativa à aplicação de multa com a consideração da penalidade mais benigna. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional manejou contrarrazões ao recurso em 08/07/2016, às efls. 606 a 609. Em seu arrazoado, a Procuradora inicia por afirmar que a tese encampada pela recorrente não merece prevalecer, pois a forma de cálculo por ela defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício. Daí conclui que: Nessa linha de raciocínio, o lançamento em testilha deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao final, requerer seja negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pela contribuinte. Em 13/04/2016, este processo foi apensado ao de nº 10925.001666/200953, conforme termo de efl. 597. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e, por isso, dele conheço. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 658 7 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores Fl. 616DF CARF MF 8 no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 659 9 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Fl. 618DF CARF MF 10 Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 660 11 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos Fl. 620DF CARF MF 12 valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Dessarte, voto por negar provimento ao recurso da contribuinte, para manter o critério do auto de infração que aplicava a multa do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, em conformidade com o art. 4º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte e negarlhe provimento, para manter o auto de infração no que respeita às multas, por têlas apurando em conformidade com o art. 4º da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 9202006.449 CSRFT2 Fl. 661 13 Fl. 622DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720534/2011-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
Ementa:
PRELIMINARES. NULIDADE SUSCITADA PELO RELATOR. REJEIÇÃO.
Inocorrência de inovação de fundamento do lançamento por parte do julgador de 1º grau.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
Integram o salário de contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílio alimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets).
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho.Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1º, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
Numero da decisão: 2202-004.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido em relação ao auxílio-alimentação e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação a: auxílio-alimentação tão-somente no que se refere a valores pagos pelo Contribuinte para a aquisição de alimentos in natura; seguro de vida; e abono salarial. Vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que acolhiam a preliminar de nulidade e, no mérito, deram provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALTIR DE CARVALHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO MIRANDA GABRIEL FILHO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: PRELIMINARES. NULIDADE SUSCITADA PELO RELATOR. REJEIÇÃO. Inocorrência de inovação de fundamento do lançamento por parte do julgador de 1º grau. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o salário de contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílio alimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho.Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1º, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido em relação ao auxílio-alimentação e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação a: auxílio-alimentação tão-somente no que se refere a valores pagos pelo Contribuinte para a aquisição de alimentos in natura; seguro de vida; e abono salarial. Vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que acolhiam a preliminar de nulidade e, no mérito, deram provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO - Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO MIRANDA GABRIEL FILHO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Ementa: PRELIMINARES. NULIDADE SUSCITADA PELO RELATOR. REJEIÇÃO. Inocorrência de inovação de fundamento do lançamento por parte do julgador de 1º grau. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o salário de contribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílio alimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho.Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1º, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 34 /2 01 1- 25 Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.878 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido em relação ao auxílioalimentação e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação a: auxílio alimentação tãosomente no que se refere a valores pagos pelo Contribuinte para a aquisição de alimentos in natura; seguro de vida; e abono salarial. Vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que acolhiam a preliminar de nulidade e, no mérito, deram provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO MIRANDA GABRIEL FILHO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo a Contribuinte impugnado o lançamento, a DRJ manteve integralmente o crédito fazendário. Inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 07/07/2011 foram constituídos · AI DEBCAD nº 37.317.0980 (fls. 2/21) para constituir GILRAT; · AI DEBCAD nº 37.317.0998 (fls. 22/40) para constituir contribuições destinadas a outras entidades; · AI DEBCAD nº 37.317.1005 (fls. 41/54) para constituir contribuições devidas pelos segurados empregados; Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.879 3 · AI DEBCAD nº 37.317.1021 (fl. 55) para constitui crédito tributário referente à CFL 35; · AI DEBCAD nº 37.317.1048 (fls. 56/82) para constituir crédito tributário referente às Contribuições ao auxílioalimentação pago sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; · AI DEBCAD nº 37.317.1056 (fls. 83/108) para constituir crédito tributário referente às Contribuições ao auxílioalimentação pago sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; · AI DEBCAD nº 37.317.1072 (fls. 109/134) para constituir crédito tributário referente às Contribuições ao auxílioalimentação pago sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; · AI DEBCAD nº 37.317.1080 (fls. 135/140) para constituir crédito referente a trabalhadores contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa; · AI DEBCAD nº 37.317.1099 (fls. 141/146) para constituir crédito referente a trabalhadores contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa; · AI DEBCAD nº 37.343.8338 (fls. 147/151) para constituir crédito tributário referente à glosa de compensação indevida; · AI DEBCAD nº 37.343.8346 (fl. 152) para constituir crédito tributário referente à CFL 30; · AI DEBCAD nº 37.343.8354 (fl. 153) para constituir crédito tributário referente à CFL 59; · AI DEBCAD nº 37.343.8362 (fl. 154) para constituir crédito tributário referente à CFL 38; · AI DEBCAD nº 37.343.8389 (fl. 155) para constituir crédito tributário referente à CFL 22; · AI DEBCAD nº 37.343.8400 (fl. 156) para constituir crédito tributário referente à CFL 78; e · AI DEBCAD nº 37.343.8419 (fl. 157) para constituir crédito tributário referente à CFL 68. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 161/214 e docs. anexos fls. 215/1.763), "CAPÍTULO 1 Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.880 4 RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AIs DEBCAD Nº 37.317.0980, 37.317.0998 e 37.317.1005 (...) 5) As contribuições lançadas nestes Autos de Infração foram agrupadas nos seguintes levantamentos: Levantamento Descrição L1 Dif FP Menos GFIP L2 Abono Salarial L3 Contr Segurado L6 Ajuda de Custo (...) 7) DO LEVANTAMENTO "L1 Dif FP Menos GFIP (...) 7.3) Os valores lançados neste levantamento foram calculados pela diferença entre os valores da folha de pagamento (os valores considerados pela empresa como base de cálculo de contribuições previdenciárias) e os valores declarados pela empresa na GFIP. 7.3.1.) Assim, estão sendo lançados neste levantamento somente os valores da folha de pagamento que não estão declarados na GFIP. (...) 8) DO LEVANTAMENTO "L2 ABONO SALARIAL' (...) 8.5) Portanto, concluise que os valores recebidos a título de abono salarial não integram o saláriodecontribuição, quando forem expressamente desvinculados do salário por força de lei. 8.6) Entretanto, o Abono Salarial pago pela empresa não estava submetido a nenhuma Lei que expressamente o desvinculasse do salário. Portanto, os valores pagos a título de abono salarial devem integrar o saláriodecontribuição. (...) 9) DO LEVANTAMENTO "L6 AJUDA DE CUSTO" 9.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nº 37.317.0980, 37.099 8 e 37.317.1005 no levantamento L 6 ocorreram com os pagamentos de valores em dinheiro aos segurados empregados da empresa, a título de ajuda de custo, sem que houvesse a comprovação da mudança do local de trabalho do empregado. Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.881 5 (...) 10) DO LEVANTAMENTO "L3 CONTR SEGURADO" 10.1) Os fatos geradores da contribuição previdenciária lançada no Auto de Infração debcad Nº 37.317.1005 no levantamento L3 ocorreram com o pagamento de valores de remuneração aos segurados empregados da empresa. Estes valores de remuneração são: 10.1.1) Diferença entre os valores da folha de pagamento (os valores considerados pela empresa como base de cálculo de contribuições previdenciárias) e os valores declarados pela empresa na GFIP , lançados no L1 10.1.2) Valores de Abono Salarial, lançados no levantamento L2. (...) 10.5) Não foram observados aqui fatos que configurassem, em tese, o crime contra a seguridade social relacionado à falta de repasse à previdência social das contribuições recolhidas dos contribuintes, tipificado no art. 168A do Código Penal, pois os valores lançados neste levantamento L3 do auto de Infração debcad Nº 37.317.1005 não foram descontados dos segurados empregados. CAPÍTULO 2 RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AIs DEBCAD NºS 37.317.1080 E 37.317.1099 (...) 14 DO LEVANTAMENTO "L5 DIRF CI" 14.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1080 e 37.317.1099 no levantamento L5 ocorreram com o pagamento de valores remuneratórios a segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa. (...) 14.5) Entretanto, a empresa não apresentou esclarecimentos por escrito e nem entregou novos arquivos digitais da folha de pagamento formado MANAD incluindo os segurados contribuintes individuais. Por este motivo, foi lavrado Auto de Infração (AIOA) cfl 22, debcad nº 37.343.8389 neste mesmo processo. (...) CAPÍTULO 3 RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AIs DEBCAD NºS 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.882 6 (...) 18) DO LEVANTAMENTO "L8 PAT" 18.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L8 ocorreram com o fornecimento de ticket refeição / alimentação aos segurados empregados da empresa, sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do trabalhador PAT, do Ministério do Trabalho e Empresa MTE. 18.2) A inscrição da empresa no PAT foi cancelada por execução inadequada, pela Portaria Nº 5, de 12/02/2007, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União, em 14/02/2007, seção 1, página 49, com data de Inativa e Encerramento do PAT em 26/02/2007 no sítio do PAT/MTE (cópias anexas). Portanto, os valores de ticket refeição/alimentação fornecidos aos segurados empregados da empresa no período de 26/02/2007 a 31/12/2007 se revestem de caráter remuneratório, mas não foram considerados pela empresa como salário de contribuição (tela de consulta ao sítio do PAT/MTE e mensagem enviada ao PAT/MTE com a respectiva resposta em anexo). 18.3) O parágrafo nono do artigo 28 da Lei Nº 8.212, de 24/07/91, dispõe sobre os valores exclusivos que não integram o saláriodecontribuição e a alínea 'c' expressa que as parcelas 'in natura' recebidas de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 não integram o salário de contribuição. (...) 18.5) Para que essa parcela 'in natura' não integre o saláriode contribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O PAT é um programa instituído por lei. A empresa teve a sua inscrição cancelada no PAT a partir de 26/02/2007. Portanto, no período de 26/02/2007 a 31/12/2007, a empresa não estava inscrita no PAT e os valores fornecidos pela empresa a título de ticket refeição/alimentação integram o saláriodecontribuição. 18.6) A empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) Nº 10, datado de 06/04/2011, a apresentar as notas fiscais/faturas pagas pela empresa referentes a ticket refeição/alimentação e a Relação Mensal de Ticket Refeição/Alimentação Fornecidos a cada um dos empregados, com o valor do ticket e a quantidade fornecida do período de janeiro/2007 a dezembro/2007. 18.6.1) A empresa apresentou diversas notas fiscais/faturas pagas às empresas Ticket Serviços S/A e Tok Take Alimentação Ltda. Como pôde se verificar com o confronto com os lançamentos contábeis da conta contábil "0041100200 PAT Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.883 7 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR", obtidos dos arquivos digitais da contabilidade no formato previsto no MANAD, foi constatado que a empresa não apresentou a totalidade das notas fiscais/faturas, pois há lançamentos contábeis desta conta contábil para os quais não foram detectados as respectivas notas fiscais/faturas. (...) 18.6.3) Como a empresa não apresentou a relação mensal de Ticket Refeição/Alimentação fornecido a cada um dos empregados da empresa, foi lavrado Auto de Infração com código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.102 1 deste mesmo processo. (...) 19 DO LEVANTAMENTO "L9 SVG" 19.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L9 ocorreram com o pagamento de seguro de vida aos empregados da empresa, sem que este benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. (...) 19.6.3) Como a empresa não apresentou as notas fiscais/faturas pagas referentes a Seguro de Vida em Grupo e também não apresentou a relação mensal com o valor individualizado por empregado do benefício do Seguro de Vida em Grupo, foi lavrado Auto de Infração com código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.1021 deste mesmo processo. (...) CAPÍTULO 4 RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO AI DEBCAD Nº 37.343.8338 (...) 23) DO LEVANTAMENTO L7 GLOSA DE COMPENSAÇÃO 23.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas no Auto de Infração debcad Nº 37.343.8338 no levantamento L7 ocorreram pelo fato da empresa ter declarado na GFIP valores de compensação indevidos. (...) 23.7) Foi lavrado também Auto de Infração com código de fundamentação legal (CFL) 78, debcad nº 37.343.8400, pela declaração na GFIp de valores de compensação indevidos. Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.884 8 23.8) Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, de sonegação de contribuições previdenciárias, comprot nº 10569.000257/201151, pois os valores do levantamento L7 foram declarados incorretamente em GFIP e isso configura, em tese, crime contra a Seguridade Social, conforme definido na Lei no. 9.983, de 14/07/2000, publicada no DOU de 17/07/2000. (...) CAPÍTULO 15 (...) 138) Foram lavrados neste procedimento fiscal, os seguintes Autos de Infração: Tipo Comprot Debcad Débito Assuntos AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.0980 Empregado Empresa Dif. FP GFIP, Abono, Ajuda de Custo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.0998 Empregado Terceiros Dif. FP GFIP, Abono, Ajuda de Custo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1005 Empregado Segurado Dif. FP GFIP, Abono, Ajuda de Custo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1080 CI Empresa CI origem na DIRF AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1099 CI Empresa CI origem na DIRF AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1048 Aferição Empresa Alimentação e Seguro de Vida em Grupo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1056 Aferição Terceiros Alimentação e Seguro de Vida em Grupo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.1072 Aferição Segurado Alimentação e Seguro de Vida em Grupo AIOP 16682.720.534/ 201125 37.317.8338 Glosa de Compensação Glosa de Compensação AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8354 Cfl 59 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8346 Cfl 30 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8389 Cfl 22 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8362 Cfl 38 Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.885 9 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8400 Cfl 78 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.343.8419 Cfl 68 AIOA 16682.720.534/ 201125 37.317.1021 Cfl 35 AIOP 16682.720.535/ 201170 37.317.1013 Retenção Cessão e Empreitada de MãodeObra (...) CAPÍTULO 17 140) DA COMPARAÇÃO ENTRE A LEGISLAÇÃO À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES E A LEGISLAÇÃO ATUAL SUPERVENIENTE (...) 140.6) Portanto, a multa de ofício de 75% mais a multa administrativa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, a ser aplicada após a Lei n.º 11.941, substitui as seguintes multas que seriam aplicadas pela legislação anterior: multa de mora de 24% aplicada no lançamento da obrigação principal devida; multa aplicada pela infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP e multa aplicada pela infração relativa à omissão ou inexatidão de dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. 140.7) Tendo em vista que as infrações possuem fatos geradores ocorridos anteriormente a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP nº 449/2008, a multa aplicada observa o princípio da retroatividade benigna (Código Tributário Nacional CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com as multas impostas pela legislação superveniente. 140.8) Assim, foi feita uma comparação entre as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento) mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão ou inexatidão de dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias com a multa imposta pela legislação superveniente atual da Lei n.º 11.941, publicada no D.O.U. em 28.05.2009: multa de ofício de 75% (setenta e cinco Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.886 10 porcento) mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão ou inexatidão de informações em GFIP, com o objetivo de se considerar o princípio da retroatividade benigna. (...) 140.15) Segue, anexa, a planilha Anexo 27 demonstrando o comparativo entre as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com as multas impostas pela legislação superveniente. Intimada, a Contribuinte protocolou Impugnação (fls. 1.785/1.819 e docs. anexos fls. 1.820/2.705). A DRJ então proferiu o acórdão nº 1243.692, de 06/02/2012 (fls. 2.708/2.723), que julgou procedente o lançamento e restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PARECER PGFN 2117/2011. NÃO INCIDÊNCIA CONDICIONADA. Para que o auxílio alimentação (das empresas não inscritas no PAT) não sofra a incidência de contribuições previdenciárias é necessário que o mesmo seja fornecido in natura. O fornecimento em espécie e de forma reiterada não afasta a tributação. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PARECER PGFN 2119/2011. NÃO INCIDÊNCIA CONDICIONADA. Quando o seguro de vida em grupo é contratado de forma não individualizada, fica afastada a tributação. Caso contrário dáse quando o Fisco não tem condições de saber, dada a recusa de fornecimento de informações, se a contratação foi feita para os empregados individualmente ou para o coletivo obreiro. ABONOS VINCULAÇÃO AO SALÁRIO Os ganhos eventuais e indenizações sobre os quais não incidem contribuição previdenciária são aqueles expressamente desvinculados do salário por força de Lei, na forma do Art. 28, §9º, "e", sétima figura e Art. 214, §9º, V, "j" , do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FATO EXTINTIVO. ÔNUS DA PROVA. A alteração do crédito tributário constituído deve se basear em fatos extintivos ou modificativos, argüidos como matéria de defesa, devidamente demonstrados pelo contribuinte mediante produção de provas. MULTA DE MORA. ART. 35, II, DA LEI 8.212/91, NA REDAÇÃO ANTERIOR À MP 449/08, CONVERTIDA NA LEI 11.941/09. RETROAÇÃO BENIGNA. Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.887 11 Para fatos geradores ocorridos até 31/10/2008, deve ser aplicada a multa de mora de 24%, na forma do Art. 35, II, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99, quando mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o Art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE O julgador no âmbito do contencioso administrativo não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de Lei ou Decreto, frente ao sistema normativo. O controle da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário. Art. 26a do Decreto 70.235/72 ART. 17 DO DEC. 70.235/72 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A teor do Art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está preclusa. Necessidade de estabilização da relação jurídicoprocessual no contencioso administrativo fiscal. Compatibilidade com a Legalidade Administrativa insculpida no Art, 37, caput, da Constituição da República. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 19/09/2012 (fl. 2.726), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 2.731/2.755 e docs. anexos fls. 2.756/2.854) em 19/10/2012 (fl. 2.729), argumentando, em síntese: · Que reconheceu parte dos débitos, especificamente aqueles consubstanciados nos AI DEBCAD nºs 37.343.8362, 37.343.8389, 37.343.8346, 37.317.1080, 37.317.1099, 37.343.8354 e 37.343.8338, os quais já realizou o pagamento; · Que a matéria dos AI DEBCADs nº 37.317.1048, 37.317.1056 E 37.317.1072 são: (1) fornecimento pela Recorrente de auxílio alimentação in natura a seus empregados; e (2) contratação pela Recorrente de seguro de vida em grupo em favor de seus empregados; Auxílioalimentação · Que não é possível a incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação, porquanto têm natureza indenizatória, e servem para permitir que o trabalhador labore, e não para remunerar o seu trabalho; em outras palavras, é para trabalho, e não pelo trabalho; · Que forneceu alimentos in natura, não podendo incidir CP nesse caso; Seguro de vida Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.888 12 · Que o seguro de vida fornecido o foi para a totalidade dos seus trabalhadores; · Que não é possível incidir CP sobre os valores despendidos a título de seguro de vida, nos termos do art. 458 da CLT, do art. 28, § 9º, 'p' da Lei nº 8.212/1991; · Que o seguro de vida é igual à previdência privada; · Que o art. 214, § 9º, inciso XXV, do Decreto nº 3.048/1999 extrapola as exigências da Lei ao exigir que a oferta do seguro de vida está incluída em acordo ou convenção coletiva; Abono salarial · Que os AI DEBCADs nº 37.317.0980, 37.317.0998 e 37.317.1005 se referem ao abono salarial; · Que é a norma do art. 214, § 9º, inciso V, alínea 'j', do Decreto nº 3.048/1999 também é ilegal, porquanto estabelece exigência inexistente na Lei, especificamente que a desvinculação dos abonos em relação ao salário seja feita por Lei; · Que os pagamentos feito pela Contribuinte se coadunam com a jurisprudência do STJ, que é no sentido de que o abono salarial não compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária, desde que seja: (1) pago em parcela única, (2) desvinculado do salário e (3) previsto em acordo coletivo; Da comparação da Folha de Pagamento com a GFIP: · Que não há divergência entre a Folha de Pagamento e a GFIP; · Que, na verdade, a Folha de Pagamento utilizada pela fiscalização em formato digital MANAD não estava devidamente parametrizada, e isso é que deu causa à diferença; · Que a Contribuinte apresentou em anexo à Impugnação todas as folhas de pagamento e as respectivas GFIPs para demonstrar que todos os valores pagos pela Recorrente foram corretamente declarados; Das multas · Que foi imposta multa de 100% sobre o valor do tributo lançado, nos termos do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, mas que a Lei nº 11.491/2009 promoveu alterações na legislação, revogando o referido comando legal, substituindoa pelo art. 32A da Lei nº 8.212/1991, penalidade essa que deve ser aplicada, em observância do art. 106, inciso II, alínea 'c', do CTN; Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.889 13 · Que os AI DEBCADs nºs 37.343.8400 e 37.317.1021 foram constituídos para lavras a multa do art. 32A em relação aos períodos de 01/2007 a 05/2007, 08/2007 a 12/2007 e 13/2007, mas que a sua existência está associada à existência do crédito principal, ou seja, à existência de erros na declaração; · Que tampouco pode prevalecer a multa de mora lançada em 24%, com base no art. 35, incisos, I, II e III, da Lei nº 8.212/1991, vez que este foi revogado pela Lei nº 11.941/2009, devendo ser aplicada a partir de então a norma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 c/ art. 35 da Lei nº 8.212/1991; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos, portanto dele conheço. Conforme o relatório, percebese que o recurso voluntário argumenta pelo seguinte: (1) não incidência da CP sobre (1.1.) o auxílioalimentação; (1.2.) seguro de vida; e (1.3.) abono salarial; (1.4) GFIP, e, caso seja mantida a autuação, (2) aplicabilidade retroativa das normas da Lei nº 11.941/2009 em relação à multa. Preliminares de nulidade do acórdão recorrido Do auxílioalimentação A despeito de a Recorrente não ter suscitado essa questão em sua peça recursal, constatase que o acórdão recorrido utilizou fundamento diverso daquele constante no Relatório Fiscal para fundamentar a manutenção do lançamento. Nos termos do art. 61 do Decreto nº 70.235/1972, a nulidade será declarada pela autoridade competente para julgar a legitimidade do ato; in casu, este CARF tem competência para julgar a legitimidade da decisão de primeiro grau, razão pela qual se pode conhecer da nulidade de ofício. Retornando ao lançamento, percebese que a autoridade lançadora incluiu na base de cálculo dos autos de infração os valores pagos a título de auxílio alimentação em função da exclusão da Contribuinte do PAT. Em suas próprias palavras: "18) DO LEVANTAMENTO "L8 PAT" 18.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L8 ocorreram com o fornecimento de ticket refeição / alimentação aos segurados empregados da empresa, sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do trabalhador PAT, do Ministério do Trabalho e Empresa MTE. Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.890 14 18.2) A inscrição da empresa no PAT foi cancelada por execução inadequada, pela Portaria Nº 5, de 12/02/2007, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União, em 14/02/2007, seção 1, página 49, com data de Inativa e Encerramento do PAT em 26/02/2007 no sítio do PAT/MTE (cópias anexas). Portanto, os valores de ticket refeição/alimentação fornecidos aos segurados empregados da empresa no período de 26/02/2007 a 31/12/2007 se revestem de caráter remuneratório, mas não foram considerados pela empresa como salário de contribuição (tela de consulta ao sítio do PAT/MTE e mensagem enviada ao PAT/MTE com a respectiva resposta em anexo). 18.3) O parágrafo nono do artigo 28 da Lei Nº 8.212, de 24/07/91, dispõe sobre os valores exclusivos que não integram o saláriodecontribuição e a alínea 'c' expressa que as parcelas 'in natura' recebidas de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 não integram o salário de contribuição. (...) 18.5) Para que essa parcela 'in natura' não integre o salário decontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O PAT é um programa instituído por lei. A empresa teve a sua inscrição cancelada no PAT a partir de 26/02/2007. Portanto, no período de 26/02/2007 a 31/12/2007, a empresa não estava inscrita no PAT e os valores fornecidos pela empresa a título de ticket refeição/alimentação integram o saláriodecontribuição. 18.6) A empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) Nº 10, datado de 06/04/2011, a apresentar as notas fiscais/faturas pagas pela empresa referentes a ticket refeição/alimentação e a Relação Mensal de Ticket Refeição/Alimentação Fornecidos a cada um dos empregados, com o valor do ticket e a quantidade fornecida do período de janeiro/2007 a dezembro/2007. 18.6.1) A empresa apresentou diversas notas fiscais/faturas pagas às empresas Ticket Serviços S/A e Tok Take Alimentação Ltda. Como pôde se verificar com o confronto com os lançamentos contábeis da conta contábil "0041100200 PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR", obtidos dos arquivos digitais da contabilidade no formato previsto no MANAD, foi constatado que a empresa não apresentou a totalidade das notas fiscais/faturas, pois há lançamentos contábeis desta conta contábil para os quais não foram detectados as respectivas notas fiscais/faturas. (...) 18.6.3) Como a empresa não apresentou a relação mensal de Ticket Refeição/Alimentação fornecido a cada um dos empregados da empresa, foi lavrado Auto de Infração com Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.891 15 código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.102 1 deste mesmo processo." fls. 175/177; (grifei) Argumenta a Contribuinte pela não incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação. Segundo defende sua tese, o valor é pago para o trabalho, e não pelo trabalho. Mais, afirma que o STJ já tem jurisprudência consolidada no sentido da não incidência, independente de estar ou não inscrita no PAT. Enfim, que o auxílioalimentação foi in natura. Já a DRJ, ao analisar a questão, afirmou que: "17.1. Em relação à jurisprudência do STJ afeta ao assunto, temos que, para que não incida contribuição previdenciária sobre auxílio alimentação, mesmo não estando o contribuinte inscrito no PAT, tal melhoria deve ser fornecida in natura e não em espécie: (...) 17.2. Seguindo esta linha de pensamento, a PGFN exarou o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 (aprovado pelo Min. da Fazenda em 22/11/11 DOU de 24/11/11) (...) 17.3. Não é o caso deste lançamento. Pelo que descreve o Relatório Fiscal, a empresa, não inscrita no PAT, no lugar de fornecer alimentação in natura, efetua entrega de 'vale refeição' ou 'ticketrefeição' que, em dedução simples, é espécie de espécie. Além do mais, o contribuinte não disponibilizou a relação dos beneficiários deste acréscimo, bem como o total dos tickets fornecidos, motivo que levou à lavratura do AI 35.317.1021. Cabe ressaltar que a empresa foi excluída expressamente do PAT, conforme se observa no tópico 18.2 do Relatório Fiscal, por execução inadequada daquele. Ainda que pense o contribuinte não ser necessária a inscrição no PAT, a contrario sensu, a exclusão de ofício aponta irregularidade constatada pelo MTE, reforçando a necessidade de se entender as vergas pagas como saláriodecontribuição. (...)" fls. 2.718/2.720; (grifei) Enfim, constatase que a autoridade julgadora de primeiro grau concordou com o fundamento utilizado pela Contribuinte: não incide Contribuições Previdenciárias sobre os alimentos pagos in natura, independente de estar ou não inscrita no PAT. No caso concreto, entretanto, ela observou que os valores despendidos pela empresa não foram para a oferta de alimentos in natura, mas sim para a aquisição de tickets refeição/alimentação. Em outras palavras, a autoridade julgadora de primeiro grau negou provimento à Impugnação porque os alimentos não teriam sido oferecidos in natura, e não simplesmente por estar excluída do PAT. Contudo, a autoridade lançadora em momento algum fez a distinção. Pelo contrário, em seu relatório fiscal ora se refere a tickets refeição/alimentação, ora a alimentos in natura, sem fazer a distinção. Em outras palavras, a autoridade lançadora admite diversas vezes que os pagamentos foram feitos in natura, mas incluiu tal lançamento na base de cálculo exclusivamente por a empresa ter sido excluída do PAT. Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.892 16 Mais, incluiu na base de cálculo os valores pagos tanto à Ticket Serviços S/A e Tok Take Alimentação Ltda. Percebese das notas fiscais juntadas aos autos, entretanto, que aquela fornecia tickets (fls. 2.064/2.174), enquanto esta fornecia gêneros alimentícios (pães, bolos, saladas, frutas etc.) (fls. 2.175/2.409). Em outras palavras, não distinguiu, incluindo todos os valores como se fossem uma só coisa. Portanto, não pode a autoridade julgadora de 1º grau inovar nos fundamentos do lançamento, apresentando fundamento diverso que os alimentos não foram in natura para justificar a manutenção do auto de infração. MÉRITO A despeito das nulidades identificadas acima, constatase que é possível dar provimento ao recurso no mérito em relação a esses pontos , razão pela qual, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/1972, dou continuidade ao julgamento. Auxílioalimentação Retornando ao lançamento, percebese que a autoridade lançadora incluiu na base de cálculo dos autos de infração os valores pagos a título de auxílio alimentação em função da exclusão da Contribuinte do PAT. Em suas próprias palavras: "18) DO LEVANTAMENTO "L8 PAT" 18.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L8 ocorreram com o fornecimento de ticket refeição / alimentação aos segurados empregados da empresa, sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do trabalhador PAT, do Ministério do Trabalho e Empresa MTE. 18.2) A inscrição da empresa no PAT foi cancelada por execução inadequada, pela Portaria Nº 5, de 12/02/2007, da Secretaria de Inspeção do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União, em 14/02/2007, seção 1, página 49, com data de Inativa e Encerramento do PAT em 26/02/2007 no sítio do PAT/MTE (cópias anexas). Portanto, os valores de ticket refeição/alimentação fornecidos aos segurados empregados da empresa no período de 26/02/2007 a 31/12/2007 se revestem de caráter remuneratório, mas não foram considerados pela empresa como salário de contribuição (tela de consulta ao sítio do PAT/MTE e mensagem enviada ao PAT/MTE com a respectiva resposta em anexo). 18.3) O parágrafo nono do artigo 28 da Lei Nº 8.212, de 24/07/91, dispõe sobre os valores exclusivos que não integram o saláriodecontribuição e a alínea 'c' expressa que as parcelas 'in natura' recebidas de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 não integram o salário de contribuição. (...) Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.893 17 18.5) Para que essa parcela 'in natura' não integre o salário decontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O PAT é um programa instituído por lei. A empresa teve a sua inscrição cancelada no PAT a partir de 26/02/2007. Portanto, no período de 26/02/2007 a 31/12/2007, a empresa não estava inscrita no PAT e os valores fornecidos pela empresa a título de ticket refeição/alimentação integram o saláriodecontribuição. 18.6) A empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal (TIF) Nº 10, datado de 06/04/2011, a apresentar as notas fiscais/faturas pagas pela empresa referentes a ticket refeição/alimentação e a Relação Mensal de Ticket Refeição/Alimentação Fornecidos a cada um dos empregados, com o valor do ticket e a quantidade fornecida do período de janeiro/2007 a dezembro/2007. 18.6.1) A empresa apresentou diversas notas fiscais/faturas pagas às empresas Ticket Serviços S/A e Tok Take Alimentação Ltda. Como pôde se verificar com o confronto com os lançamentos contábeis da conta contábil "0041100200 PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR", obtidos dos arquivos digitais da contabilidade no formato previsto no MANAD, foi constatado que a empresa não apresentou a totalidade das notas fiscais/faturas, pois há lançamentos contábeis desta conta contábil para os quais não foram detectados as respectivas notas fiscais/faturas. (...) 18.6.3) Como a empresa não apresentou a relação mensal de Ticket Refeição/Alimentação fornecido a cada um dos empregados da empresa, foi lavrado Auto de Infração com código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.102 1 deste mesmo processo." fls. 175/177; (grifei) Argumenta a Contribuinte pela não incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação. Segundo defende sua tese, o valor é pago para o trabalho, e não pelo trabalho. Mais, afirma que o STJ já tem jurisprudência consolidada no sentido da não incidência, independente de estar ou não inscrita no PAT. Enfim, que o auxílioalimentação foi in natura. Já a DRJ, ao analisar a questão, afirmou que: "17.1. Em relação à jurisprudência do STJ afeta ao assunto, temos que, para que não incida contribuição previdenciária sobre auxílio alimentação, mesmo não estando o contribuinte inscrito no PAT, tal melhoria deve ser fornecida in natura e não em espécie: (...) 17.2. Seguindo esta linha de pensamento, a PGFN exarou o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 (aprovado pelo Min. da Fazenda em 22/11/11 DOU de 24/11/11) (...) Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.894 18 17.3. Não é o caso deste lançamento. Pelo que descreve o Relatório Fiscal, a empresa, não inscrita no PAT, no lugar de fornecer alimentação in natura, efetua entrega de 'vale refeição' ou 'ticketrefeição' que, em dedução simples, é espécie de espécie. Além do mais, o contribuinte não disponibilizou a relação dos beneficiários deste acréscimo, bem como o total dos tickets fornecidos, motivo que levou à lavratura do AI 35.317.1021. Cabe ressaltar que a empresa foi excluída expressamente do PAT, conforme se observa no tópico 18.2 do Relatório Fiscal, por execução inadequada daquele. Ainda que pense o contribuinte não ser necessária a inscrição no PAT, a contrario sensu, a exclusão de ofício aponta irregularidade constatada pelo MTE, reforçando a necessidade de se entender as vergas pagas como saláriodecontribuição. (...)" fls. 2.718/2.720; (grifei) Enfim, constatase que a autoridade julgadora de primeiro grau concordou com o fundamento utilizado pela Contribuinte: não incide Contribuições Previdenciárias sobre os alimentos pagos in natura, independente de estar ou não inscrita no PAT. No caso concreto, entretanto, ela observou que os valores despendidos pela empresa não foram para a oferta de alimentos in natura, mas sim para a aquisição de tickets refeição/alimentação. Em outras palavras, a autoridade julgadora de primeiro grau negou provimento à Impugnação porque os alimentos não teriam sido oferecidos in natura, e não simplesmente por estar excluída do PAT. Pois bem. Em primeiro lugar, há que se observar que a despeito de a Contribuinte e a autoridade lançadora se referirem a alimentos in natura, o auxílioalimentação que compõe a base de cálculo foi composto (1) tanto pela oferta de ticket refeição/alimentação, (2) quanto pela oferta de alimentos in natura propriamente dita. Efetivamente, a autoridade lançadora, no seu relatório fiscal (fls. 175/179), referese a auxílioalimentação in natura, mas afirma que foram adquiridos tickets refeição/alimentação. Há, nesse sentido, inclusive notas fiscais e faturas nos autos (fls. 2.064/ 2.174). Também, os acordos coletivos mencionam o pagamento de auxílioalimentação em espécie (fls. 1.557 e 1.566/1.567). De outro lado, a Contribuinte argumenta que não deve incidir CP em nenhuma hipótese, mas frisa que no caso foram oferecidos alimentos in natura propriamente ditos. Há, nesse sentido, também notas fiscais de aquisição de diversos gêneros alimentícios, como pão de forma, saladas, bolos, croissants, frutas etc. (fls. 2.175/2.409). Os acordos coletivos também mencionam a oferta de lanches diários aos empregados contratados com carga horária semanal superior a 36 horas (e.g. fl. 1.557 e 1.566/1.567). Para fins do presente julgamento, se faz necessário dividir a autuação haja vista que a autoridade lançadora incluiu no mesmo levantamento duas espécies diversas de "auxílioalimentação". Efetivamente, conforme demonstram as provas nos autos, a Contribuinte fornecia alimentos tanto em tickets quanto em gêneros alimentícios diretamente. Não há discussão quanto à não incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores despendidos na aquisição e fornecimentos de alimentos Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.895 19 diretamente. Em relação a essas despesas, inclusive, é irrelevante estar ou não o Contribuinte incluído no PAT, como demonstra o parecer da PGFN citado pela DRJ: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. (...) 5. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tãosomente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. (...) 14. Ademais, devese também evitar a constituição de novos créditos tributários que levem em consideração interpretação diversa da adotada pelo STJ na matéria ora em análise. Mais relevantemente, é a jurisprudência consolidada do STJ, como se observa do seguinte precedente, que indica inúmeros outros: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE SALÁRIOS. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1.230.957RS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. (...) 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílio alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 90.440/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2014, DJe 30/09/2014) (grifei) Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.896 20 Questão diversa toca aos valores despendidos pela Contribuinte para a aquisição e fornecimento de tickets alimentação/refeição. Em primeiro lugar, o referido Parecer PGFN faz claramente a distinção entre as hipóteses de alimentação em que se fornece diretamente o gênero alimentício e nas quais o benefício é feito pelo pagamento em pecúnia. Segundo ele, "6. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.". Nesse mesmo sentido, este e.CARF tem diversos precedentes no sentido de que o auxílioalimentação pago em pecúnia, quando não estiver a Contribuinte inscrita no PAT, compõe a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias. Também, que os tickets são equiparáveis a pecúnia: Acórdão CSRF nº 9202006.283, de 30/11/2017 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Integram o saláriodecontribuição os pagamentos efetuados em pecúnia a título de auxílioalimentação (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets). Acórdão CSRF nº 9202005.516, de 25/05/2017 ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03 (DOU 24/11/2011). A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratr de fornecimento "in natura". Há que registrar, entretanto, que esses precedentes da CSRF são por maioria. Em ambos há votos no sentido de que os valores de auxílioalimentação na forma de tickets não compõe a base de cálculo. O que é mais, a questão chegou à CSRF exatamente em função da divergência observada nas turmas do CARF. Efetivamente, em breve pesquisa é possível encontrar precedentes no sentido de que os "tickets" e "vales" não se equiparam a pecúnia, configurandose, em verdade, pagamento in natura: Acórdão CARF nº 2201003.600, de 09/05/2017 ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ticketrefeição (ou valealimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.897 21 diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação in natura. Acórdão CARF nº 2201003.549, de 06/04/2017 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS (INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE, SALÁRIOEDUCAÇÃO). BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT). FALTA DE INSCRIÇÃO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO DE TICKET. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO IN NATURA. CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ALINHAMENTO COM ENTENDIMENTO DO STJ, CARF E PGFN. RESP Nº 1.119.787SP, DJE 13/05/10, ADE Nº 03/11, PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/11, IN RFB Nº 1.456/14, REGIMENTO INTERNO CARF (PORT. MF Nº 343/15 ART. 62, PAR ÚN., II, “A”), PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/11 Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado “salário utilidade” ou “prestação in natura”. Nesse contexto, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abrange todas as distribuições e prestações in natura, ou seja, que não em dinheiro, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida via ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Exposta a existência da divergência, necessário concluir pela não incidência da Contribuição Social Previdenciária sobre os valores fornecidos em ticket refeição/alimentação. Em primeiro lugar, e suficientemente, porque a própria autoridade lançadora, no presente caso, afirma peremptoriamente que os valores que compõem a base de cálculo são "alimentos in natura" (vide item 18.5 do relatório fiscal, supratranscrito). Portanto, entender diversamente a essa altura é inovar o lançamento, o que é vedado. Em segundo lugar, e ainda que assim não fosse, é necessário registrar que nos termos dos arts. 45, VI, e 62, § 1º, II, 'c', do Anexo II ao RICARF, os conselheiros deste tribunal administrativo são obrigados a aplicar o quanto determinado em Ato Declaratório da PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda. No presente caso, convém observar que o AD PGFN nº 3/2011 admite a não incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias sobre o auxílialimentação in natura. Ora, o Parecer PGFN nº 2.117/2011, que fundamentou tal AD, foi cristalino ao afirmar que: 4. O entendimento sustentado pela União em juízo é o de que o auxílioalimentação pago in natura ostenta natureza salarial e, Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.898 22 portanto, integra a remuneração do trabalhador, razão pela qual deve haver incidência da contribuição previdenciária. 5. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. 6. Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. De um lado, por força das decisões judiciais, admite a não incidência quando o pagamento é in natura; de outro, reforça a incidência quando o pagamento é feito "em espécie ou creditado em contacorrente". Uma vez que não menciona expressamente os tickets refeição/alimentação como uma terceira alternativa, então é necessário enquadrálos em uma ou em outra categoria. Percebese, já na primeira análise, que tickets não podem ser equiparados a pagamento em espécie nem a creditamentos em contacorrente. Efetivamente, o papelmoeda do real tem curso forçado no Brasil. Isso significa que não pode ser recusado como forma de pagamento do preço. Logo, recebendo pagamento feito em dinheiro, o trabalhador poderia "tredestinar" tais recursos para outras despesas suas. Em sentido similar, o depósito bancário configura moedacontábil, garantindo ao seu titular o direito de sacálo e utilizálo como bem entender. Então, mesmo que o fornecedor não aceite uma transferência bancária ou cartão de débito, cheque etc. , o consumidor pode sacar os recursos para a seguir utilizálos. Diferentemente, o ticket refeição/alimentação não pode ser utilizado como bem entender o seu titular. Não tem curso forçado no país e o fornecedor não é obrigado a aceitálo. Pelo contrário, o fornecedor deve se cadastrar para poder aceitálo. Mais, o cadastro está sujeito ao preenchimento de determinados requisitos por parte do fornecedor. Especificamente, o ticket refeição/alimentação deve ser utilizado para a aquisição de gêneros alimentícios. Em outras palavras, o ticket não pode ser equiparado ao pagamento em espécie nem ao creditamento em contacorrente. Assim, a Contribuinte poderia montar ela própria um refeitório em seu estabelecimento, onde fornecesse diretamente o gênero alimentício. Contudo, esse tipo de empreendimento envolve gastos de pessoal e logística, vez que será necessário separar um espaço para tanto, pessoas que comprem e administrem o estoque etc. Além disso, envolve riscos, como alimentos estragados. De outro lado, fornecendo o ticket, o Contribuinte isentase desses inconvenientes ao mesmo tempo em que garante o fornecimento do alimento, apenas o Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.899 23 faz por meio de um fornecedor intermediário. Frisase que o ticket refeição/alimentação só é (ou só deveria ser) aceito por estabelecimentos que produzam ou vendam alimentos. Diante desse confrontamento, concluise que os tickets refeição/alimentação efetivamente se aproximam muito mais da noção de alimentos in natura do que da noção de pagamento em espécie. Consequentemente, (1) seja porque os alimentos foram fornecidos em gêneros alimentícios diretamente, (2) seja porque a autoridade lançadora não distingue essas espécies, configurandose inovação distinguir agora, (3) seja porque os tickets não se configuram pagamento em espécie, entendo que é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto. Seguro de vida A autoridade lançadora incluiu na base de cálculo dos autos de infração os valores referentes ao seguro de vida em grupo em função de esses pagamentos não estarem previstos em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Em suas próprias palavras: 19 DO LEVANTAMENTO "L9 SVG" 19.1) Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos Autos de Infração debcad Nºs 37.317.1048, 37.317.1056 e 37.317.1072 no levantamento L9 ocorreram com o pagamento de seguro de vida aos empregados da empresa, sem que este benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. (...) 19.6.3) Como a empresa não apresentou as notas fiscais/faturas pagas referentes a Seguro de Vida em Grupo e também não apresentou a relação mensal com o valor individualizado por empregado do benefício do Seguro de Vida em Grupo, foi lavrado Auto de Infração com código de fundamentação legal CFL 35, debcad nº 37.317.1021 deste mesmo processo. Por sua vez, a DRJ manteve o lançamento esclarecendo que a jurisprudência do STJ é no sentido de que só não incide Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores referentes ao Seguro de Vida em Grupo quando não há individualização do montante que beneficia cada um dos segurados. No mesmo sentido indica o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.119/2011, aprovado pelo Min. da Fazenda e publicado no D.O.U. em 09/12/2011. Analisando o caso concreto, afirmou que o lançamento só não individualizou os valores em função de a empresa não ter apresentado os relatórios dos beneficiários e que, ademais, a empresa não demonstrou que a contratação foi feita de forma global. Por essa razão, entendeu que não se encaixa o caso concreto na jurisprudência do STJ e no Parecer da PGFN. Por sua vez a defesa argumentou que o seguro de vida foi sim fornecido à totalidade de seus trabalhadores, apresentando para isso provas. Outrossim, que o art. 458 da CLT e o art. 28, § 9º, 'p' da Lei nº 8.212/1991 impedem a incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os esses valores. Ainda, que o seguro de vida é similar à previdência privada e que, enfim, o art. 214, § 9º, inciso XXV do Decreto nº 3.048/1999 extrapola as exigências da Lei. Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.900 24 Em primeiro lugar, observase que o fundamento da autoridade lançadora para a inclusão dessa rubrica no lançamento foi a ausência dessa previsão em Convenção ou Acordo Coletivo. Tal argumento não pode sobreviver, uma vez que esse requisito não é fundamental para configurar ou não a ocorrência de remuneração. Ademais, o CARF tem afastado esse argumento, como se observa dos seguintes precedentes: Acórdão CSRF nº 9202005.318, de 28/03/2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. AUSÊNCIA DE ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PARECER PGFN/CRJ Nº 2119/2011 APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. ART. 62, §1º, II, C DO RICARF. Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago à título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho. Acórdão CARF nº 2202004.300, de 03/10/2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. AUSÊNCIA DE ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PARECER PGFN/CRJ Nº 2119/2011 APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. ART. 62, §1º, II, C, DO RICARF. Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1º, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Em ambos os casos, aplicam o mesmo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.119/2011, utilizado pela DRJ para manter o lançamento exatamente para afastálo. Quanto ao argumento suscitado pela DRJ de que não há provas de que o seguro de vida foi concedido à integralidade dos empregados da Contribuinte, e que não era feito de forma individualizada, apontase que a Contribuinte trouxe aos autos: · Apólice do seguro de vida no qual há sempre referência a "Seguro de Vida em Grupo" (fls. 2.812/2.848); · Faturas nas quais há exclusivamente o lançamento de uma apólice de seguro de vida em grupo, com um valor unitário (fls. 2.850/2.852); · Declaração da Seguradora segundo a qual: Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.901 25 "Informamos que o Itaú Seguros S.A., sucessora de Unibanco Seguros S.A., celebraou com a Contax S.A. um Contrato de Seguro de Vida em Grupo Empresarial para seus funcionários, durante o período de 26 de dezembro de 2005 à 31 de julho de 2010. Esclarecemos ainda que, o pagamento do seguro era mensal e de responsabilidade da Contax S.A., que exercia a função de estipulante da apólice." (fl. 2.854); Em suma, é necessário dar provimento ao recurso também nesse ponto, uma vez que (1) não é possível exigir que o seguro de vida esteja estipulado em Convenção ou Acordo Coletivo; e (2) a Contribuinte era a estipulante do seguro, o qual era pago de maneira universal, sem individualização dos seguros para cada um de seus trabalhadores. Abono salarial Argumenta a Contribuinte, em relação ao abono salarial, que esses valores se enquadrariam na hipótese do art. 28, § 9º, 'e', 7, da Lei nº 8.212/1991, o qual tem prevalência em relação ao art. 214, § 9º, V, 'j', do Decreto nº 3.048/1999, nos termos do art. 99 do CTN. Nesse sentido, que a exigência estabelecida no Decreto de que o abono seja desvinculado do salário por Lei em sentido estrito extrapolou o conteúdo da Lei que instituiu o referido Decreto. Enfim, que os pagamentos feito pela Contribuinte se coadunam com a jurisprudência do STJ, que é no sentido de que o abono salarial não compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária, desde que seja: (1) pago em parcela única, (2) desvinculado do salário e (3) previsto em acordo coletivo. Retornando ao relatório fiscal, percebese que a autoridade lançadora incluiu tais valores na base de cálculo lastreandose em ambos os comandos legais, o da Lei e o do Decreto. Outrossim, esclareceu que: "8.6) Entretanto, o Abono Salarial pago pela empresa não estava submetido a nenhuma Lei que expressamente o desvinculasse do salário. Portanto, os valores pagos a título de abono salarial devem integrar o saláriodecontribuição." fl. 165 Tendo a Contribuinte impugnado a questão, a DRJ manteve o lançamento nesse ponto ao argumento de que, apesar de a expressão "por força de lei" constar no Decreto mas não na Lei, não se pode falar em ilegalidade do Decreto, que não houve extrapolação. Pelo contrário, que o Decreto não se presta a meramente reproduzir o conteúdo da Lei, mas sim interpretar e regulamentála. Outrossim, que o abono não foi "único", uma vez que foi pago nas competências de 06 a 12 (e 13) de 2007. A verdade é que o último argumento suscitado pela DRJ não pode prevalecer. Efetivamente, a autoridade lançadora identificou o pagamento do Abono salarial em diversas competências. Contudo, fazendo um levantamento por amostragem nas tabelas anexas ao auto de infração (fls. 217/1.131), constatase que o nome dos funcionários não se repete. Assim, concluise que o abono só foi pago uma vez a cada funcionário. Com relação à desvinculação do abono em relação ao salário, a despeito da bem fundamentada posição esposada pela DRJ, a verdade é que o Decreto não pode impor limitação ou exigência não existente em Lei. O Decreto tem sim autorização para interpretar a Lei, regulamentála, mas não para inovar, extrapolar os seus limites. Efetivamente, a Lei nº Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.902 26 8.212/1991 fala em desvinculação do abono em relação ao salário. Não há ali nenhuma menção à desvinculação decorrer de Lei. Observase, outrossim, que constam nos autos Convenções Coletiva de Trabalho (fls. 2.410/2.420, 2.421/2.431, 2.432/2.442 etc.) na qual realmente são previstos o pagamento de um abono salarial aos funcionários da empresa. A questão já foi objeto, inclusive, de Ato Declaratório da PGFN nº 16/2011, no qual restou decidido que: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida (....), tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, (...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária'. Tratase de entendimento que deve ser obrigatoriamente reproduzido, nos termos dos art. 45, VI, e 62, II, 'c', ambos do Anexo II ao RICARF. Percebemse, inclusive, diversos precedentes do CARF que reconhecem a não incidência de Contribuições Sociais Previdenciárias sobre valores pagos a título de abonos eventuais, sem fazer exigência de que sejam desvinculados do salário por Lei. Por exemplo: Acórdão CARF nº 2401004.986, de 08/08/2017 ABONOS EVENTUAIS. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. As importâncias pagas a título de abono foram se deram sem habitualidade o que revela a sua eventualidade e estavam desvinculadas do salário, não constituindo, por isso, base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. Acórdão CARF nº 2301003.740, de 19/09/2013 ABONO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculados do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN Por esse motivo, sendo a fundamentação da inclusão de tal valor na base de cálculo exclusivamente calcada na questão da exigência de desvinculação legal, é necessário dar provimento ao recurso voluntário também nesse ponto. Das diferenças entre Folha de Pagamento e GFIP Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.903 27 Argumenta a recorrente, ainda, que não há divergência entre os valores pagos e os valores declarados em GFIP. Segundo esclarece, o arquivo MANAD utilizado pela fiscalização não estava "parametrizado", o que gerou a diferença apurada. Nesse sentido, juntou aos autos, já na impugnação, os demonstrativos de pagamento e as GFIPs, buscando assim demonstrar que todos os valores pagos foram devidamente declarados. Analisando a questão, a DRJ concluiu que: "16.7. Não infirma o lançamento, neste passo, a alegação de que a folha não estava "parametrizada". Muito menos eficiente é a assertiva de que traz os comprovantes aos autos, as folhas. Ao se analisar os documentos acostados, verificase que os demonstrativos são os individuais, não as folhas de pagamentos. Também não são acostadas as passagens do diário que comprovem a real despesa com o pagamento de salários, o que daria possível suporte à alegação de que a folha, à época do lançamento, não estaria parametrizada. 16.8. O Fisco, na época do acertamento, indicou os CNPJs, empregados e valores em divergência, com especificação clara, numérica e nominal, das bases de cálculo apontadas. Alegar que não há descompasso entre a GFIP e a nova folha, de forma genérica, não é eficaz a desconstituir o lançamento. 16.9. Importante notar que o ônus da impugnação específica do lançamento, além de requisito indispensável à aferição da adequação formal da impugnação, é uma importante regra processual afeta aos critérios de distribuição do ônus da prova, já que a legislação é expressa ao afirmar que, nas razões de defesa, cabe ao sujeito passivo manifestarse precisa e especificamente sobre cada ponto de discordância. 16.10. Em decorrência disto, a peça de defesa que, ao contestar determinados fatos geradores, não aponta os erros e as discordâncias, nem mesmo cita os dados apurados com os quais não concorda, tornase inepta, sendo admitidos como verdadeiros os mesmos." fl. 2.716; Com razão a DRJ. Compulsando os autos, constatase que a autoridade lançadora juntou aos autos tabelas indicando os valores extraídos da GFIP e os valores extraídos da FP (fls. 217/1.131). Por sua vez, a Contribuinte anexa aos autos documentação juntada pela Contribuinte (fls. 2.472/2.682) se compõe de demonstrativos individuais. Outrossim, já no primeiro demonstrativo de pagamento acostado (fl. 2.472) se observa um salário de contribuição do INSS de R$ 238,18 em jan/2007, o mesmo identificado pela autoridade lançadora como constante da FP mas não na GFIP (fl. 217). O mesmo se repete com o oitavo demonstrativo de pagamento acostado aos autos (fl. 2.475), no qual se observa um salário de contribuição de R$ 32,33, mesmo valor apurado pela autoridade lançadora como constante na FP mas não na GFIP (fl. 217). Em suma, a Contribuinte não logrou demonstrar o erro no lançamento, razão pela qual não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Das multas Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.904 28 Argumenta a Recorrente, subsidiariamente, pela aplicação retroativa da Lei nº 11.491/2009, que promoveu alterações na Lei nº 8.212/1991, em especial no tocante às multas aplicáveis. Outrossim, reclama o cancelamento das multas constantes por descumprimento de obrigações acessórias em conjunto com o cancelamento dos créditos principais, uma vez que, não havendo erros nas GFIP, não há que se aplicar a multa do art. 32 A, I, da Lei nº 8.212/1991. Enfim, que foi errôneo o lançamento da multa de mora, lastreada no art. 35, I, II e III, da Lei nº 8.212/1991, deixando de aplicar o art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em primeiro lugar, uma vez que entendemos pela manutenção parcial do lançamento, é possível afirmar que há erros na GFIP. Em segundo lugar, constatase que a autoridade lançadora registrou, no Relatório Fiscal, 140.7) Tendo em vista que as infrações possuem fatos geradores ocorridos anteriormente a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP nº 449/2008, a multa aplicada observa o princípio da retroatividade benigna (Código Tributário Nacional CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com as multas impostas pela legislação superveniente. 140.8) Assim, foi feita uma comparação entre as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento) mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão ou inexatidão de dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias com a multa imposta pela legislação superveniente atual da Lei n.º 11.941, publicada no D.O.U. em 28.05.2009: multa de ofício de 75% (setenta e cinco porcento) mais auto de infração por obrigação acessória de infração relativa à omissão ou inexatidão de informações em GFIP, com o objetivo de se considerar o princípio da retroatividade benigna. (...) 140.15) Segue, anexa, a planilha Anexo 27 demonstrando o comparativo entre as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com as multas impostas pela legislação superveniente. 140.16) Seguem, anexas, as planilhas Anexo 25 e 28, demonstrando os cálculos da multa de infração relativas à omissão de fatos geradores em GFIP pela legislação anterior à MP 449/2008; 140.17) Seguem, anexas, as planilhas Anexo 25 e 26, demonstrando os cálculos da multa de infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP pela legislação posterior à MP 449/2008." fls. 211/212. Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.905 29 Em outras palavras, aplicou a denominada "cesta de multas", a qual condiciona a aplicação retroativa da Lei mais benéfica à comparação entre (a) o somatório das multas por descumprimento de obrigações acessórias e multas por falta de pagamento; e (b) a multa de 75% introduzida pela referida Lei nº 11.941/2009. Tal entendimento, entretanto, não pode prevalecer. A verdade é que a Lei (1) alterou penalidade já existente; (2) revogou a multa anteriormente existente e (3) ao mesmo tempo criou outra multa, em função de fatos diversos. Nesse caminho, podem retroagir beneficamente a norma que alterou, reduzindo a penalidade (1), bem como a norma que revogou a penalidade anteriormente existente (2). Diferentemente, a norma que criou penalidade nova (3) não pode retroagir, somente podendo ser aplicada nos lançamentos posteriores. Nesse sentido devese limitar a multa a 20%, conforme o art. 35, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, não podendo ser aplicada a multa da redação original desse artigo, uma vez que foi revogada, nem a multa do art. 35A, da mesma Lei, vez que só foi criada após o fato gerador, não podendo retroagir em prejuízo do sujeito passivo. Esse é, inclusive, o entendimento do STJ, conforme se observa do seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PREMISSA EQUIVOCADA. SÚMULA 284/STF. INAPLICABILIDADE. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA. REDUÇÃO PARA 20%. ART. 35 DA LEI N. 8.212/91 E ART. 106, II, "C", DO CTN. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. PRECEDENTES. HONORÁRIOS. CABIMENTO. 1. Tratandose de ato não definitivamente julgado, aplicase a lei mais benéfica ao contribuinte, para redução de multa, conforme dispõe o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei n. 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa seguir o patamar de 20% que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. 3. Precedentes: AgRg no AREsp 185.324/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27.8.2012; AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/5/2011; REsp 1117701/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 19/10/2009. 4. O art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação anterior à Lei n. 11.940/09, não distingue a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), hipótese prevista tão somente com o advento da Lei n. 11.940/09, que introduziu o art. 35A à Lei de Custeio da Seguridade Social, restringindo sua incidência aos casos ocorridos após sua vigência, sob pena de retroação. Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.906 30 5. É firme o entendimento no sentido de que a procedência do incidente de exceção de préexecutividade, ainda que resulte apenas na extinção parcial da execução fiscal ou redução de seu valor, acarreta a condenação na verba honorária. Precedentes. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos. (EDcl no AgRg no REsp 1275297/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2013, DJe 10/12/2013) Mais relevante ainda é a leitura do voto proferido pelo i.Min. Relator, de onde se extrai os seguintes excertos: Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação anterior à Lei n. 11.940/09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. Vale a transcrição: (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212/91, dada pela Lei n. 11.941/09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430/96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940/09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212/91, verbis: (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. Outros relevantes precedentes são: · AgRg no REsp 1319947/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/09/2012, DJe 02/10/2012); e · AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2011, DJe 16/05/2011). Nesse caminho, é necessário reconhecer a aplicação retroativa (art. 106 do CTN) da Lei nº 11.941/2009, aplicandose a multa mais benéfica ao Contribuinte, limitada porém ao patamar de 20% constante na nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Dispositivo Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.907 31 Diante de tudo quanto exposto, voto por reconhecer a nulidade da decisão recorrida, mas para superar a nulidade nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/1972 para, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para cancelar o lançamento em relação ao auxílioalimentação, ao seguro de vida e ao abono salarial, bem como para reduzir a multa para 20%. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho Redator designado Peço licença ao Ilustre Relator, Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, para divergir do seu entendimento com relação ao mérito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação pago pela Recorrente em pecúnia por meio de ticket, bem como em relação as preliminares, pelas razões que passo a expor. Preliminares de nulidade do acórdão recorrido Do auxílioalimentação A questão preliminar foi suscitada pelo ilustre relator, já que a Recorrente restou silente sobre essa questão em sua peça recursal. Uma vez que no mérito, o recurso voluntário não foi provido integralmente em relação ao auxílioalimentação, não é possível a aplicação do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/1972 para superar a nulidade. Da leitura do Relatório Fiscal, é possível verificar que a Autoridade Fiscal citou os dois tipos de pagamento de auxílioalimentação realizado pela Recorrente: in natura e em pecúnia por meio de ticket. Em nenhum momento, a autoridade fiscal afirmou que o pagamento em pecúnia por meio de ticket é o mesmo que pagamento in natura. No item 18.4, v.g., a autoridade fiscal deixa claro que a sua fundamentação legal foi o art. 214, § 9º, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS; Decreto nº 3.048/99), o qual estabelece que não integram o salário de contribuição, exclusivamente a parcela in natura recebida de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321/1976. Dessa forma, temos dois critérios: a parcela ser in natura e a empresa estar regular no PAT. Da leitura do Acórdão a quo, é possível verificar que a Autoridade Julgadora de 1º grau fez tão somente resumir o que foi afirmado pela Autoridade Fiscal em seu Relatório Fiscal. Não houve inovação de fundamentação. Não há que se falar, in casu, em ausência de distinção da Autoridade Fiscal com relação ao tipo de pagamento do auxílio alimentação (in natura e em ticket) e, Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.908 32 consequentemente, em inovação nos fundamentos do lançamento por parte da autoridade julgadora de 1º grau. As preliminares suscitada devem ser, portanto, rejeitadas. MÉRITO Vencidas as nulidades identificadas acima, resta apreciar o mérito da questão retromencionada. Auxílioalimentação No que concerne ao auxílio alimentação, conforme afirmou o Ilustre Relator, o Auto de Infração sob julgamento deve ser dividido em duas espécies: pagamento in natura (em gêneros alimentícios diretamente) e pagamento em pecúnia por meio de tickets. Especificamente no que se refere à incidência das Contribuições Previdenciárias sobre a parcela correspondente a auxílio alimentação pago na forma de ticket/cartão alimentação, o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/1991, apresenta o mesmo regramento citado anteriormente no art. 214, § 9º, inciso III, do RPS. Ademais, o Decreto nº 05, de 1991, que regulamentou a Lei nº 6.321, de 1976, assim define o fornecimento de alimentação: "Art. 4° Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto nº 2.101, de 1996)" No caso sob crivo, conforme consta nos autos, parte do auxílio alimentação era fornecido em pecúnia, por meio de tickets, e a empresa não comprovou sua inscrição em PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador). Mesmo que houvesse inscrição no PAT, o STJ1 já se manifestou no sentido de que ainda assim o pagamento na forma de tickets integra o salário de contribuição, tendo em vista que o mesmo não se configura como pagamento in natura, in verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA, TÍCKETS OU VALEALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA. 1. Conforme entendimento deste Superior Tribunal, "o auxílio alimentação pago in natura não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT; por outro lado, quando pago habitualmente e em pecúnia, incide a referida contribuição, como ocorre na hipótese dos autos em que houve o pagamento na forma de tíckets. Precedentes: REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 28/09/2010; 1 AgRg no REsp 1446149 / CE, DJe de 13/04/2016, rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª REGIÃO). No mesmo sentido, EDcl no AgInt no REsp 1591058 / GO, DJe de 01/09/2017, rel. Min. Regina Helena Costa. Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 16682.720534/201125 Acórdão n.º 2202004.338 S2C2T2 Fl. 2.909 33 AgRg no Ag 1.392.454/SC, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe 25/11/2011; AgRg no REsp 1.426.319/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 13/05/2014." (AgRg no REsp 1.474.955/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/10/2014, DJe 14/10/2014) 2. Agravo regimental a que se nega provimento.(g.n.) Assim, constatase que o auxílio alimentação ora tratado (pagamento em pecúnia por meio de tickets) não satisfaz a nenhuma das modalidades legais que autorizariam sua exclusão do salário de contribuição2. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar a nulidade suscitada pelo ilustre relator e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para cancelar o lançamento em relação ao auxílioalimentação in natura, ao seguro de vida e ao abono salarial. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Miranda Gabriel Filho Redator designado 2 No mesmo sentido, ao julgar Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, assim decidiu a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9202006.283, de 30/11/2017. Fl. 2909DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.903077/2008-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/06/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/06/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/06/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 13/06/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente PETROVIARIO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/06/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/06/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 30 77 /2 00 8- 80 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10830.903077/200880 Acórdão n.º 3002000.024 S3C0T2 Fl. 468 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 15/20), transmitido em 13/08/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 119), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 20/08/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 3/5), na qual informou que, primeiramente, no anocalendário de 2003, havia recolhido a contribuição para o PIS/Pasep pelo regime cumulativo, contudo, posteriormente, no início de 2004, fez uma revisão interna e optou por adotar o regime da não cumulatividade, inclusive, em relação ao ano anterior. Essa mudança de critério, segundo ela, teria gerado pagamentos a maior, os quais foram objeto de pedidos de compensação com outros tributos. Informou, ainda, que deixou de retificar suas declarações em época própria: Dacon, DIPJ e DCTF, apresentadoas juntamente com sua manifestação. A DRJ/CPS converteu o julgamento em diligência (fl. 124/125) para que a autoridade fiscal cumprisse os seguintes quesitos: "a) verifique, com exame da documentação contábilfiscal da contribuinte, a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade apurados pela interessada. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10830.903077/200880 Acórdão n.º 3002000.024 S3C0T2 Fl. 469 3 b) examine a apuração da contribuição na sistemática não cumulativa, incluindo o eventual aproveitamento futuro dos créditos apurados em 2003; c) elabore relatório circunstanciado destacando a contribuição efetivamente devida." Assim, em 24/11/2011, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Campinas intimou o sujeito passivo (fl 127/128) a apresentar, no prazo de 20 dias, a seguinte documentação: "Apresentar documentação contábilfiscal que comprove a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela acima e utilizados no DACON; Apresentar fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Maio de 2003." Após essa data, ocorreram pedidos de dilação de prazo e reintimações. A seqüência fática encontrase bem evidenciada na Informação Fiscal (fl. 302/303) e, por isso, transcrevese excerto: "Em 24/11/2011, através da INTIMAÇÃO SEORT/DRF CPS/1668/2011 a interessada foi chamada a apresentar documentação contábilfiscal que comprovasse a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela e utilizados no DACON, bem como fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Fevereiro de 2003 Em 14/12/2011 a interessada protocolou pedido solicitando mais 20 dias para atendimento à intimação SEORT/DRF CPS/1678/2011. A interessada teve ciência do deferimento de seu pedido em 29/12/2011. Entretanto, em 25/01/2012, através do protocolo do dossiê eletrônico nº 10010.008343/011254 (documentos juntados às folhas 157/289), a interessada apresentou documento alegando já ter prestado os esclarecimentos solicitados, anexou cópia das manifestações de inconformidade já apresentadas e pediu ainda o cancelamento da intimação. Através da intimação SEORT/DRFCPS/232/2012 este SEORT esclareceu à interessada que os documentos estavam sendo requeridos a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas e que estes eram necessários para Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10830.903077/200880 Acórdão n.º 3002000.024 S3C0T2 Fl. 470 4 análise do crédito em discussão (folhas 158/290). Assim, em 09/04/2012, a interessada novamente solicitou mais 20 dias para a apresentação dos documentos. Concedido prazo de 20 dias contados da ciência da intimação SEORT/DRFCPS/ 502/2012 (ciência em 26/06/2012) a interessada não se manifestou até 15/08/2012. Por todo o exposto, considerando as diversas tentativas improfícuas deste SEORT em receber os documentos necessários ao cálculo do crédito de PIS do período de apuração Mai/2003, informamos que não foi possível preceder à análise/cálculo do crédito em questão." (grifo nosso) Após ser cientificada da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou Complementação à Manifestação de Inconformidade e outros documentos. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/06/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 417/422), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e juntando os seguintes documentos: a) cópia do livro de registro de entrada nº 2; b) cópia do livro de registro de entradas nº 5; c) nova planilha de apuração de demonstrativo de base de cálculo do PIS não cumulativo e d) planilha das diferenças dos valores a compensar e a recolher. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10830.903077/200880 Acórdão n.º 3002000.024 S3C0T2 Fl. 471 5 É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10830.903077/200880 Acórdão n.º 3002000.024 S3C0T2 Fl. 472 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10830.903077/200880 Acórdão n.º 3002000.024 S3C0T2 Fl. 473 7 Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10830.903077/200880 Acórdão n.º 3002000.024 S3C0T2 Fl. 474 8 afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito, juntar planilha e cópia de declarações retificadoras, DCTF, DIPJ e Dacon, em sua Manifestação de Inconformidade. Ressaltese, por fundamental, que todas as declarações apresentadas foram transmitidas após a ciência do Despacho Decisório. Em seu texto, a própria recorrente reconhece sua falha: "A mudança de critério foi feita corretamente, todavia, incorreu o contribuinte no erro de deixar de retificar os documentos informativos de tais alterações referentes ao exercício de 2003, como por exemplo: DCTF, Dacom e DIPJ." Assim, seguindo o raciocínio lógicojurídico exposto anteriormente, o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são, apenas, meros documentos. A despeito disso, a DRJCampinas resolveu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência e, na prática, oportunizar à contribuinte nova chance para apresentar as provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Data venia, creio que essa medida não era necessária, obrigatória, nem mesmo conveniente, tendo em vista que nenhuma prova havia sido juntada aos autos no momento oportuno. De qualquer forma, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Campinas, em atendimento à diligência requisitada, intimou, por diversas vezes, a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil e os documentos fiscais que a embasavam. Todavia, a maior interessada não cumpriu as intimações e, conseqüentemente, inviabilizou a auditoria que poderia comprovar a existência do suposto crédito. Em realidade, somente após tomar ciência da Informação Fiscal, que noticiava o término da diligência, a contribuinte apresentou peça denominada "complementação à Manifestação de Inconformidade", repisando alegações já formuladas e sem adentrar no teor das informações prestadas pelo SEORT, e juntando documentos já Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10830.903077/200880 Acórdão n.º 3002000.024 S3C0T2 Fl. 475 9 apresentados e outros novos. Contudo, mais uma vez, esses documentos não se configuravam como prova. Do voto condutor do Acórdão guerreado, transcrevese: "A falha da contribuinte em atender às seguidas intimações para submeter aqueles elementos à verificação fiscal fragiliza, ao ponto de inviabilizar, os argumentos que apresentou para contestar o ato de não homologação. Mesmo a apresentação do que seria seu Razão Analítico Contábil, no contexto em que o foi, ou seja, após ter sido reiteradamente intimado a fazêlo no âmbito da diligência, não tem o poder de socorrêlo. Concorre para comprometer seu valor probatório o fato de que o documento não apresenta os requisitos intrínsecos e extrínsecos que permitam aferir sua regularidade e, mais importante, está desacompanhado dos documentos contábeis e fiscais que permitiriam a aferição da correção dos valores e operações que dele constam. Diante de tudo isso, concluise pela inexistência de prova, nos autos, que permita acatar a nova apuração da contribuição realizada pela contribuinte e, por conseguinte, os créditos utilizados na compensação e que nela teriam origem." (grifo nosso) Após ciência da decisão da instância a quo, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Por oportuno, frisese que documentos fiscais continuaram a não ser anexados. Embasado em todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela sua inércia em atender às diversas intimações, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10830.903077/200880 Acórdão n.º 3002000.024 S3C0T2 Fl. 476 10 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 476DF CARF MF
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Numero do processo: 12045.000320/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 03 20 /2 00 7- 15 Fl. 543DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial. A Contribuinte, por sua vez, intimada do acórdão, opôs Embargos de Declaração, o que motivou a prolação de Acórdão de Embargos, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Cientificada do Acórdão de Embargos, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, visando rediscutir a nulidade do lançamento. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 12045.000320/200715 Acórdão n.º 9202006.614 CSRFT2 Fl. 3 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: dispõe o Decreto n 70.235, de 1972, arts. 59 c/c 60, que o processo administrativo fiscal somente será declarado nulo na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; conforme já salientado, tratase de defeito procedimental que gera, no máximo, vício de natureza formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; assim, ante todo o até aqui exposto, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; nesse contexto, concluise que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada, considerandose que o vício observado no acórdão é formal e não material. Em alguns casos desse lote repetitivo, o pedido é no sentido de que se mantenha incólume o lançamento. Cientificada do Acórdão de Embargos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.613, de Fl. 545DF CARF MF 4 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.613): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a nulidade do lançamento, sob o pressuposto de que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse da fiscalização e de que, se não houve demonstração do prejuízo ao Contribuinte pelo fato de a ação fiscal ter ocorrido em outro estabelecimento, não há nulidade. Salientese que, em um primeiro momento, o Colegiado a quo declarou a nulidade do lançamento por vício formal, oportunidade em que a Fazenda Nacional expressamente informou que não haveria a interposição de Recurso Especial. Em face de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, a natureza do vício foi alterada para material. Nesse passo, embora o paradigma indicado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial conclua pela inexistência de nulidade, na maioria dos processos que compõem esse lote repetitivo o pedido é no sentido de que seja declarada a ocorrência de vício formal, embora em alguns poucos o pedido seja para que se considere incólume o lançamento. Entretanto, independentemente do pedido da Recorrente, de plano cabe consignar que a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando, confrontadas situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face de interpretação divergente da legislação tributária. Nesse passo, é de fundamental importância averiguar as situações fáticas retratadas nos julgados em cotejo. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização de períodos posteriores a 1996, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: "DAS QUESTÕES PRELIMINARES Fl. 546DF CARF MF Processo nº 12045.000320/200715 Acórdão n.º 9202006.614 CSRFT2 Fl. 4 5 2. Creio que o Colegiado deve enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 3. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 5. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 6. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2" Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio Fl. 547DF CARF MF 6 tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Fl. 548DF CARF MF Processo nº 12045.000320/200715 Acórdão n.º 9202006.614 CSRFT2 Fl. 5 7 Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III Recurso provido." Fl. 549DF CARF MF 8 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se considerar como correto o estabelecimento eleito pela fiscalização, declarandose nulidade por vício formal. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 20601.429 não se reveste destas características, já que trata de situação em que o Contribuinte intentou alterar o domicílio tributário, que era a sua sede e onde se desenvolvia a ação fiscal, após lavrada a NFLD, sem qualquer notícia acerca de decisão judicial ou de prejuízo à defesa. Pelo contrário, consta no paradigma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada. Ademais, o lançamento foi mantido na integralidade, e não anulado por vício formal, como pleiteia a Fazenda Nacional em quase todos os processos integrantes do lote. Confirase: "Quanto ao argumento de que não caberia fiscalização tributária em domicílio tributário diferente do local de origem dos fatos geradores, não assiste razão à recorrente. Não se pode esquecer que o domicilio tributário é interpretado pleiteia sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2° do CTN, tanto a possibilidade de recusa do mesmo. A fiscalização foi feita em estabelecimento diverso do eleito pelo recorrente, em função de já ter sido iniciado o procedimento fiscal no domicílio anterior, Fl. 550DF CARF MF Processo nº 12045.000320/200715 Acórdão n.º 9202006.614 CSRFT2 Fl. 6 9 e só haver sido encerrado parcialmente por trâmites administrativos. Ressaltese que a comunicação da mudança só foi realizada em dezembro de 2003, sendo que o início da ação se deu em data anterior e a continuidade do procedimento por outro auditor fiscal poderia causar prejuízo ao bom andamento dos trabalhos, para não dizer gastos desnecessários com a prorrogação de procedimentos. Ademais, as relações entre Fisco e contribuinte devem se basear na lealdade e na boafé, desse modo não é lícito ao contribuinte receber a fiscalização, tolerar o procedimento fiscal, apresentar toda a documentação, esperar a lavratura da NFLD e somente então alegar que aquele não seria o seu verdadeiro domicílio tributário. Uma vez que o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Há permissão legal para a autoridade fiscal fiscalizar a pessoa jurídica de direito privado no local da sede, conforme previsto no art. 127, inciso Ido CTN. Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO." Destarte, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 551DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720082/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009, 2010
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. AÇÃO JUDICIAL E PLEITO ADMINISTRATIVO. SUMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE.
São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-004.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a concomitância parcial. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Por unanimidade de votos, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo- Redator designado.
EDITADO EM: 15/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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FUNRURAL Recorrente MARFRIG GLOBAL FOODS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2009, 2010 CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. AÇÃO JUDICIAL E PLEITO ADMINISTRATIVO. SUMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. São devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e pelo segurado especial, as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da subrogação prevista no artigo 30, IV da Lei n° 8.212/91. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a concomitância parcial. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 82 /2 01 4- 44 Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.614 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Por unanimidade de votos, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado. EDITADO EM: 15/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1871/1901, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 1825/1861, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela RECORRENTE e manteve o lançamento de Contribuições Previdenciárias não declaradas em GFIP, de fls. 797/836 e fls. 837/872 dos autos, lavrados em 22/01/2014, relativo aos anoscalendário 2009 e 2010, com ciência da RECORRENTE em 23/01/2014 (fls. 797 e 837). As Contribuições Previdenciárias foram lançadas com fundamento nos arts. 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, além do art. 6º da Lei nº 9.528/97, e são decorrentes da comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador, cuja retenção e recolhimento estão a cargo da RECORRENTE, por se tratar da pessoa jurídica adquirente dessa produção, em decorrência da subrogação prevista em Lei. Assim, foram lavrados dois autos de infração (ambos objeto do presente processo), quais sejam: (i) DEBCAD 51.011.0142, relativo às contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física, na alíquota de 2%, bem como a alíquota RAT de 0,1%, ambas incidentes sobre a comercialização da sua produção, cujo recolhimento está a cargo da RECORRENTE na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista no art. 30, IV da Lei n° 8.212/91 (FUNRURAL), no valor de R$ 103.223.738,49, já inclusos juros de mora Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.615 3 (até o mês da lavratura) e sem a aplicação da multa de ofício haja vista a falta de retenção/recolhimento ter sido decorrente de decisão favorável (não definitiva) em processo judicial, que suspendeu a exigibilidade do referido crédito tributário (fls. 797/836); e (ii) DEBCAD 51.057.4599, relativo à contribuição ao SENAR, na alíquota de 0,2%, conforme art. 6º da Lei nº 9.528/97, incidente sobre os mesmos fatos geradores objeto do DEBCAD 51.011.0142, no valor de R$ 15.262.585,20, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício no percentual de 75% (fls. 837/872). Conforme o Relatório Fiscal (fls. 919/932), as contribuições lançadas são decorrentes da aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física. Mediante análise das informações constantes em Notas Fiscais de entrada nos anos de 2009 e 2010, a fiscalização verificou que a empresa adquiriu produto rural de produtor rural pessoa física, principalmente gado bovino, o qual era utilizado em seu processo de industrialização, conforme planilhas de fls. 933/1562 (“aquisição de Produto Rural de Produtor Rural Pessoa Física” nos anos 2009 e 2010). Nesta condição, deveria a RECORRENTE reter, declarar e recolher a contribuição patronal (2%) e a devida ao GILRAT (0,1%) sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização dos mencionados produtos rurais, haja vista a sua condição de subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física. No mesmo sentido, a RECORRENTE deveria ter declarado em GFIP e recolhido a contribuição devida ao SENAR (0,2%) incidente sobre o mesmo o valor da receita bruta proveniente da comercialização dos produtos rurais. No entanto, a fiscalização verificou que não houve a declaração integral dos mencionados valores nas GFIPs. Em razão do exposto, elaborou a Planilha de “Valores a lançar (compras – devoluções – declarados em GFIP) – Produtor Rural Pessoa Física” (fls. 1577/1583) que serviu de suporte para o lançamento do crédito tributário. Durante a fiscalização, a RECORRENTE informou a existência do processo judicial nº 1917026.2010.4.01.3400, em trâmite perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. A autoridade fiscal verificou que tal processo judicial tem por objeto a declaração de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização, por produtor rural pessoa física, de produto rural, e, por conseguinte, da sub rogação na aquisição de tais produtos. A fiscalização verificou também que a RECORRENTE possui antecipação de tutela concedida em 25/11/2010, estando também amparada por sentença favorável, datada de 28/10/2011, que permite a não retenção e o não recolhimento da referida exação. Por tal razão, não foi lançada a multa de ofício de 75% sobre os créditos para o FUNRURAL e GILRAT objeto do DEBCAD nº 51.011.0142. Por outro lado, a contribuição devida ao SENAR não está contemplada na decisão judicial, razão pela qual foi aplicada a multa de ofício de 75% sobre o lançamento dos créditos objeto do DEBCAD nº 51.057.4599. Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.616 4 Da Impugnação Intimada pessoalmente dos lançamentos em 23/01/2014 (fls. 797 e 837), a RECORRENTE apresentou Impugnação de 1594/1620 em 24/02/2014. Suas alegações de defesa foram assim sintetizadas pela DRJ de origem: “Em primeiro lugar, cumprenos destacar a precariedade do trabalho fiscal, que passou ao largo do art. 4°, inc. IV, do Decreto nº 4.942/2003 (necessidade de o AI conter os fundamentos legais da autuação e das circunstâncias em que foi praticada) e do art. 142 do Código Tributário Nacional (identificação do correto fato gerador da obrigação e da matéria tributável), incorrendo, assim, em nulidade por inequívoco vício material. Com efeito, verificase do Relatório Fiscal tratarse de lançamento exigindo, além da contribuição ao SENAR, as contribuições devidas pela empresa ao INSS, na condição de subrogada, incidentes sobre a comercialização de produção rural de produtores rurais pessoas físicas, na forma dos artigos 25 e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. (...) Nada obstante, o Agente Autuante também dá conta de que se está a exigir a contribuição do segurado especial sobre a comercialização da sua produção rural e a contribuição do segurado especial para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, o que se depreende da leitura dos seguintes trechos da autuação: "Fundamentos Legais da Rubricas 213 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO ESPECIAL (SOBRE A PRODUÇÃO RURAL) E DO ADQUIRENTE PESSOA JURÍDICA. (...) 305 CONTRIBUIÇÃO (SEGURADO ESPECIAL) PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA, NA COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO RURAL" (...) O Agente Fiscal, ao fundamentar a lavratura do Auto de Infração na aquisição de produtos de segurados especiais, olvidouse de declinar exatamente as operações que foram havidas entre a Impugnante e (eventualmente) tais sujeitos, sendo certo que, ao longo do Auto de Infração, aponta diversas diferenças de valores a serem recolhidos (não declarados em GFIP) que se referem a operações havidas com produtores rurais pessoas físicas empregadores, que não trabalham em Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.617 5 regime de economia familiar e não se confundem com segurados especiais. (...) Percebese, então, a precariedade do trabalho fiscal que culminou com a lavratura da autuação em causa, eis que, data máxima venia, a autoridade autuante viciou esse lançamento, tratando de duas contribuições distintas e com esteios legais e constitucionais distintos como se fossem a mesma. Percebese ainda, e isso de forma hialina, qual foi a OMISSÃO perpetrada pela autoridade autuante que acabou por contaminar toda a exigência em testilha: é que o Sr. Auditor Fiscal jamais diligenciou com vistas a averiguar se os fornecedores da ora Impugnante eram empregadores ou não, é dizer, se eram contribuintes individuais ou segurados especiais. (...) Salientese que, por mais que tanto o segurado especial quanto os produtores rurais pessoas físicas empregadores se sujeitem a tributo incidente sobre a comercialização de sua produção rural, tendo em vista a malsinada e inconstitucional Lei n. 10.256/01, não há que se falar que se trate de idêntica relação jurídico tributária, seja pela manifesta diferença entre a natureza dos contribuintes de direito, seja pela diversidade de normas instituidoras das exações, seja pela expressa existência de preceito constitucional específico no que importa aos segurados especiais (art. 195, §8°). (...) Frisese que essa questão por envolver exclusivamente um defeito na confecção do lançamento não integra o objeto do litígio travado entre a União e a Impugnante no seio do poder Judiciário quanto à Contribuição ao FUNRURAL, revelandose como questão absolutamente autônoma e que, por si só, tem o condão de fulminar a autuação em causa. III.2 – Preliminarmente: Ilegitimidade passiva Ainda em sede preliminar, é imperioso destacar que há, em relação ao FUNRURAL e ao GILRAT, inafastável ilegitimidade passiva da Impugnante. (...) Com efeito, no citado processo judicial, temse que seu objeto é a ilegitimidade da cobrança de FUNRURAL e de GILRAT em virtude da manifesta inconstitucionalidade desses tributos, sendo certo que, naqueles autos, foram obtidas medida liminar e sentença favoráveis, as quais tiveram o condão de suspender a exigibilidade do referido crédito tributário, nos termos do inciso IV do art. 151 do CTN. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.618 6 Diversamente, o argumento que ora se deduz é no sentido de que a ora Impugnante é parte ilegítima para responder à presente autuação, de modo a restar inafastável o discrimen entre (i) o objeto da ação judicial (ilegitimidade da cobrança de FUNRURAL e de GILRAT) e (ii) o objeto desta impugnação, quanto ao tópico vertente (ilegitimidade passiva da empresa para responder à autuação de FUNRURAL e GILRAT por sub rogação). (...) Feitas essas imprescindíveis considerações iniciais, que afastam qualquer questionamento quanto à concomitância entre o vertente feito e o discutido processo judicial, temse que a ilegitimidade passiva da Impugnante decorre do fato de o Plenário do Supremo Tribunal Federal já ter se manifestado acerca da inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, por ocasião do julgamento do RE 363.852/MG. (...) A despeito dos argumentos sempre trazidos pelo Fisco acerca da solução da inconstitucionalidade do FUNRURAL e do GILRAT em razão da introdução na legislação brasileira da Lei nº 10.256/2001 o que, de maneira alguma corresponde à realidade, conforme será demonstrado nos tópicos subsequentes, o fato é que tal novel norma não trouxe qualquer preceito que (re)instituísse a retenção a que aludia o art. 30, inc. IV, que, como visto acima, também foi havida por inconstitucional por decisão do Plenário do Colendo Supremo Tribunal. (...) Desse modo, equivocouse, data máxima vênia, o Agente Fiscal ao autuar a Impugnante com base no dispositivo normativo em exame, na medida em que tal norma foi expurgada do ordenamento jurídico pátrio a partir das manifestações Plenárias do STF, de modo que a declaração de ilegitimidade passiva da Impugnante é medida que se impõe. (...) III.3 – Da possibilidade de julgamento do presente lançamento sob seus aspectos constitucionais – aplicação do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 Acaso sejam superadas as preliminares anteriores, é fundamental consignar a possibilidade de se julgar o presente caso sob seus aspectos constitucionais com a aplicação do art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, prevê o referido dispositivo que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é possível afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, caso sua inconstitucionalidade já tenha sido declarada por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, sendo esse, Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.619 7 pois, o único requisito (independentemente, portanto, de se tratar de decisão proferida em sede de controle difuso ou concentrado de constitucionalidade). (...) Desse modo, mostrase inafastável o julgamento da improcedência do lançamento em vergaste, com base na previsão do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade pelo STF da referida contribuição por meio de decisão plenária no RE 363.852, consolidando o entendimento no sentido da inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91. III. 4 Debcad nº 51.011.0142: Inconstitucionalidade do FUNRURAL e de sua retenção (...) O legislador constitucional de 1988 foi expresso quando da introdução da contribuição para a Seguridade Social incidente sobre o resultado da comercialização da produção, sendo que essa disciplina constitucional veio por meio do art. 195, na redação da EC nº 20/98. O parágrafo 8º do artigo 195, também com a redação dada pela EC nº 20/98, admitiu, ainda, uma categoria especial de contribuintes, e possui previsão expressa de que o produtor rural, que exerça suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirá para a Previdência mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Desta forma, apenas os produtores rurais em regime de economia familiar contribuirão de forma diversa daquela prevista no inciso I, do art. 195, da Constituição Federal. Ou seja, somente os segurados especiais devem contribuir para seguridade social tendo como base de cálculo o resultado da comercialização. (...) No entanto, antes da edição da Emenda Constitucional nº 20/98, o art. 25 da Lei nº 8.212/91 sofreu alterações em sua redação, dadas pelas Leis nº 8.540/92, nº 8.870/94 e nº 9.528/97, ao estabelecer tal contribuição sobre o resultado da comercialização da produção, que se tratava de base de cálculo não prevista no art. 195 então em vigor. Referida legislação foi, portanto, afastada do sistema jurídico tributário, por meio de ADIn nº 1103, onde o E. Supremo Tribunal Federal entendeu que a Lei nº 8.870/94, era inconstitucional por criar uma contribuição fora do regime disciplinado do artigo 195, não atendendo o parágrafo 4º do Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.620 8 mesmo artigo, e, por conseguinte, o artigo 154. inciso I da Constituição Federal. Foi então aprovada a Lei nº 10.256/01, que introduziu várias alterações da Lei nº 8.212/91, inclusive revogando os itens da Lei nº 8.870, que tinham sido declarados inconstitucionais. (...) E nos termos do art. 30 da Lei nº 8.212/91, a Impugnante ficou subrogada na referida contribuição. Transcreve a redação atual do artigo 25 e o artigo 30, inciso IV, ambos da Lei nº 8212/91. Entretanto, o art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01, indevidamente acrescentou os empregados rurais pessoas físicas à sujeição da contribuição previdenciária que possui como base de cálculo o resultado de sua produção. A tributação incidente sobre a comercialização da produção feita pelo Legislador Constituinte de 1988 foi expressa na inserção do §8° do art. 195 para os casos de economia familiar, sem empregados permanentes. (...) Assim sendo, não restam dúvidas que a sujeição passiva do empregador rural estabelecida no art. 25. com a redação dada pela Lei nº 10.256/01 não encontrou qualquer respaldo no art. 195 da Lei Maior, tratandose de contribuição nova. (...) Outrossim, o §4° do art. 195 da Constituição Federal exige que as contribuições sociais novas sejam criadas de acordo com o inc. I do art. 154. Tal dispositivo, por sua vez, exige como requisitos: a criação da contribuição por meio de lei complementar, que a exação seja nãocumulativa e que tenha novos fato gerador e base de cálculo. Nessa direção, ante a falta de correspondência com a Constituição das modificações ao art. 25 da Lei n. 8.212/91, introduzidas pela Lei nº 10.256/01, notase que o legislador ordinário instituiu nova contribuição para Seguridade Social, a qual, repitase, deveria ter sido criada por lei complementar. (...) Reiterase: para que fosse possível instituir referida tributação, eis que o FUNRURAL não está sujeito ao art. 195 da Carta Magna, haveria de se curvar ao preceito constitucional do art. 154, inc. I, o que não ocorreu no caso específico. Cumpre ressaltar que as alterações à Lei nº 8.212/91 promovidas pela Lei nº 10.256/01 possuem os mesmos vícios da Lei nº 8.870/94 julgada inconstitucional pelo STF, ou seja, em vista de terem instituído contribuição fora do regime do art. 195 Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.621 9 e por não ter atendido ao §4° do mesmo artigo c/c o art. 154, inc. I, da Constituição Federal. Por tais razões e pela declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92 firmada pelo STF artigo que previa o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, bem como da subrogação por ele instituída , não há qualquer possibilidade de se manter a exigência ora debatida com o prosseguimento na exigência do lançamento realizado pela autoridade administrativa. III.5 – Do mérito do Debcad nº 51.011.0142 Inexigibilidade do GILRAT Da mesma forma é indevida, e deve ser afastada, a exigência do GILRAT. Isso porque ambas as exigências foram instituídas pela mesma Lei nº 8.540/92, e possuem os mesmos vícios e inconstitucionalidades reconhecidas pelo STF, com relação ao FUNRURAL, no que tange à subrogação. (...) III.6 Do mérito do Debcad nº 51.057.4599: Inexigibilidade do SENAR e impossibilidade de aplicação de multa de ofício (75%) sobre o lançamento A contribuição ao SENAR, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção está prevista na Lei nº 8.315/91 (transcreve os artigos 3º e 4º). No entanto, a responsabilidade tributária da referida contribuição se deu indevidamente por meio do Decreto nº 566/1992 (transcreve). Apoiado no artigo 128 do CTN, em renomados juristas, bem como em julgado do STJ, conclui que a regulamentação dada pelo Decreto nº 566/92 representa ofensa ao princípio da legalidade. (...) A exigência da multa sem proporcionalidade e razoabilidade representa verdadeiro excesso de exação porque pune exageradamente o contribuinte que age com evidente boafé. Nesse sentido, se a Constituição Federal veda a utilização do tributo com efeito de confisco (art. 150, inc. IV), o mesmo princípio deve ser aplicado ao dever acessório. (...) IV Do Pedido Face ao exposto, demonstrada de forma inequívoca a impropriedade do ato administrativo, requer seja recebida e processada a presente impugnação, e julgada procedente para: Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.622 10 i) declarar a nulidade da autuação por vício material em razão da precariedade do trabalho fiscal, que não descreveu de forma precisa as infrações a que o Auto de Infração se refere; ii) declarar a nulidade dos lançamentos, ante o inequívoco erro na identificação do sujeito passivo descrito no tópico III.2 desta impugnação; iii) na remota hipótese de serem as nulidades apontadas rejeitadas, o que se admite apenas por eventualidade, sejam julgadas improcedentes as exigências atinentes à contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural – FUNRURAL e GILRAT, pelos argumentos aqui expostos, os quais foram amplamente corroborados pela reiterada decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852, tudo em consonância com as previsões expressas no art. 26A do Decreto nº 70.235/72; e iv) declarar a inexigibilidade da contribuição devida ao SENAR, em razão da invalidade da regulamentação dada pelo Decreto nº 566/92, e, uma vez reconhecida a inexigibilidade, seja também afastada a integralidade da multa de ofício aplicada.” Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo/SP, às fls. 1825/1861, dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Autos de Infração encontramse revestidos das formalidades legais, apresentando adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, não havendo que se falar em sua nulidade. AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SENAR. SUBROGAÇÃO. São devidas as contribuições destinadas a Terceiros, assim entendidas Outras Entidades e Fundos, na forma da legislação em vigor. Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.623 11 A empresa adquirente fica subrogada na obrigação de recolher as contribuições do produtor rural pessoa física, decorrentes da comercialização da produção rural, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. MULTA. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. APLICAÇÃO DE VALOR PREVISTO EM LEGISLAÇÃO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A partir da competência 12/2008 aplicase ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias e destinadas aos Terceiros a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual faz referência o art. 35A da Lei nº 8.212/91. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, intimada da decisão da DRJ em 24/11/2014, conforme termos de fl. 1867, apresentou o recurso voluntário de fls. 1871/1901 em 18/12/2015. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou o alegado em sua Impugnação. A Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões às fls. 1947/1966. Da Desistência Parcial Conforme atestado por meio do Despacho de fl. 1970, houve solicitação eletrônica de desistência de recurso efetuada pelo sujeito passivo em adesão ao PRORELIT, de que trata a Medida Provisória nº 685, de 21 de julho de 2015, conforme listagem encaminhada pela RFB (fls. 1972/1979). Os autos foram remetidos à unidade de origem que observou a desistência parcial da defesa no presente processo, somente no que tange aos débitos do SENAR, nos seguintes termos (fl. 1989): Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.624 12 “Em atendimento ao despacho de fls. 1.970, houve desistência parcial do litígio em relação às contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos – SENAR (DEBCAD 51.057.459 9) cujos lançamentos foram transferidos para o processo 18208.082291/201570 em função do parcelamento instituído pela lei 12.996/2014. Dessa forma, permanece em litígio o auto de infração referente ao FUNRURAL e GILRAT objeto do DEBCAD 51.011.0142. Diante do exposto, retornese ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do recurso voluntário tempestivamente apresentado.” Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Delimitação do Litígio Antes de analisar as razões recursais, necessário esclarecer que a RECORRENTE incluiu os débitos objeto do DEBCAD nº 51.057.4599 no Programa de Redução de Litígios Tributários – PRORELIT, conforme exposto pelos documentos de fls. 1970 e 1989. Sendo assim, houve renuncia à discussão administrativa a respeito do lançamento do crédito tributário relativo à contribuição para o SENAR. Portanto, o presente processo seguiu somente em relação aos débitos de FUNRURAL, objeto do DEBCAD nº 51.011.0142. Da Verificação de Concomitância com Ação Judicial A Súmula 01 do CARF define o que se entende por concomitância entre ação judicial e o processo administrativo: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.625 13 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Ou seja, existe renúncia ao processo administrativo quando houver a propositura, antes ou depois do lançamento, de medida judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Sobre a questão, adoto trecho do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira (voto vencedor no acórdão nº 2201003.488), que entendo ser bastante elucidativo sobre a questão da concomitância: “O Professor Moacyr Amaral Santos, no clássico Primeira Linhas de Direito Processual Civil ( 1º Vol., Ed. Saraiva, 20ª ed., p. 163), leciona que objeto da ação: "é o pedido do autor (Cod Proc. Civil, art 282, IV), ou seja, o que ele solicita que lhe seja assegurado pelo órgão jurisdicional. (...) Assim, o objeto, isto é, o pedido (res, petitum) é imediato ou mediato. O pedido imediato consiste na providência jurisdicional solicitada: sentença condenatória, declaratória, constitutiva ou mesmo providência executiva, cautelar ou preventiva. O pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença, ou providencia jurisdicional, isto é, o bem material ou imaterial pretendido" Continuando sua lição, o emérito Professor das Arcadas, ensina que o pedido deve estar sempre apoiado, deve sempre corresponder a uma causa de pedir, pois "quem invoca uma providência jurisdicional quanto a um bem pretendido, cumpre dizer no que se funda seu pedido" (ob. cit., pag. 164). Recorda o Mestre que o Códex Processual exige que o autor exponha na inicial não só o seu pedido, mas também os fundamentos jurídicos deste. Com tal exigência, a lei processual requer a exposição não só a causa próxima de pedir os fundamentos jurídicos como também a causa remota o fato gerador do direito. No caminhar de sua lição, com a didática exemplar que sempre o caracterizou, o Professor Moacyr Amaral, explica que a identificação de ações ( o cerne de nosso problema) exige que se examine detalhadamente a identidade, a individualidade de uma demanda. Para tanto, leciona o saudoso Professor: "(...) duas ações são idênticas quando em ambas seus elementos são os mesmos. Assim, duas ações são idênticas quando entre elas há: a) identidade de partes (eadem personae); b) identidade de objeto (eadem res); c) identidade de causa de pedir (eadem causa petendi)." Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.626 14 Exsurge a distinção. Temse identidade entre ações quando as mesmas, intrinsecamente, coincidem, ou seja, são iguais. Para tanto, necessariamente convergem para a mesma solução a partir de divergências sobre o mesmo bem da vida mas forçosamente com essa divergência decorrente do mesmo motivo, da mesma causa. Tal exigência decorre não só de um imperativo processual, mas também de um imperativo lógico. Não basta a demanda reunir mesmas partes, sobre o mesmo bem em discussão: o motivo da disputa deve ser o mesmo. (...) Outro simples raciocínio demonstra a importância da causa de pedir como traço elementar, e portanto distintivo, de uma ação. Pensemos agora em hipótese de lide tributária clássica, ou seja, insurgência contra a tributação. Decerto que nessas ações tributárias, dois elementos serão sempre coincidentes: i) as partes, pois sempre se analisará a demanda de determinado contribuinte contra a Administração Tributária; ii) o pedido, o próprio objeto, pois sempre o contribuinte buscará se esquivar da exação como pretendida pelo Fisco. Ora, nesses casos, ao prevalecer a questão como posta pelo Relator, ou seja, há concomitância quando o contribuinte pode alcançar na via judicial o mesmo resultado que teria na esfera administrativa, qualquer tipo de lide judicial afastaria qualquer demanda na fase administrativa, uma vez que pelo nosso pressuposto ao conseguir judicialmente o afastamento da pretensão fiscal como pretendida pela Administração Tributária, a esfera administrativa nunca teria função. Imaginemos que o contribuinte tenha ingressado com uma ação de inexistência de relação tributária acerca de determinado tributo. Tempos depois, ao perceber que aquele contribuinte não estava recolhendo os valores devidos sobre aquele determinado tributo, o Fisco inicia procedimento fiscalizatório. Ao ser cientificado da existência da demanda judicial, a autoridade fiscal, visando cumprir a determinação legal, opta por lançar o tributo em litígio somente para prevenir a decadência. Na impugnação, o contribuinte se insurge sobre o lançamento tributário em razão da existência, em sua opinião, de nulidade no procedimento do lançamento. A prevalecer a posição aqui atacada, por ser certo que o resultado da lide judicial pode ser a declaração da inexistência da relação tributária entre o Fisco e o contribuinte, a processo administrativo tributário não poderia ser conhecido pois se observaria a concomitância, com consequente renuncia. Resultado: a Administração Tributária deixou de examinar, de Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.627 15 controlar, a legalidade de determinado ato por ela produzido, expondo assim ao mundo um ato eivado de ilegalidade, nulo portanto, realizado por quem está adstrito ao princípio da legalidade, que determina que a Administração Pública só pode fazer o que a lei permite. Por óbvio que não pode ser esse o conceito de concomitância. (...) Outro não é o entendimento da própria Administração Tributária. Vejamos o trecho do conteúdo do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que versa exatamente sobre o tema aqui analisado: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. (...) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.628 16 judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. Nesse mesmo caminho segue o STJ. Afirma o voto condutor da decisão proferida no Ag Rg no Agravo em Recurso Especial nº 702.892SP, de Relatoria do Min Sérgio Kukina, julgado em 15/03/16 pela Primeira Turma. "Há litispendência quando se repetem ações em curso com as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido; ainda que sejam causas de natureza diversa, como são mandado de segurança e processo de conhecimento, induvidosa a réplica proibida pela lei processual."” Portanto, para se identificar a concomitância entre um processo judicial e um administrativo, necessário haver a identidade dos seguintes elementos: (i) identidade de partes; (ii) identidade de objeto; e (iii) identidade de causa de pedir. Feitos esses esclarecimentos, verifico que, no caso concreto, a RECORRENTE ajuizou a ação de nº 001917026.2010.4.01.3400 perante a Justiça Federal. Constatase no site da JFDF que as partes envolvidas na ação judicial são as seguintes: De plano já é possível constatar a ausência da identidade das partes entre ambos os processos, haja vista que a ação judicial possui no polo ativo partes estranhas ao presente processo administrativo. Ademais, o objeto da ação judicial é a desoneração da obrigação do adquirente de produção rural de produtor pessoa física de reter e recolher a contribuição previdenciária incidente sobre o valor da comercialização da produção, o chamado FUNRURAL. No plano administrativo, observamos que o Recorrente se insurge contra o lançamento tributário decorrente da falta de retenção, declaração e recolhimento da contribuição previdenciária patronal de 2% e da GILRAT de 0,1%, ambas incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de produtos por empregador rural pessoa física, oportunidade em que a contribuinte (empresa adquirente dos produtos) se subroga na obrigação da pessoa física. Os elementos essenciais das duas demandas são os seguintes: Administrativo Judicial Partes Recorrente e Fisco Recorrente, outros autores e Fisco Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.629 17 Pedido Nulidade/Cancelamento lançamento Desoneração do dever de sub rogação Causa de pedir Nulidade/ ilegitimidade passiva Inconstitucionalidade da Lei Do acima exposto, percebese que não há a concomitância entre a ação judicial e o presente processo administrativo. Na via judicial, se discute a obrigação de reter e recolher. Na via administrativa o pedido é cancelamento do lançamento, seja por nulidade, seja por ilegitimidade passiva. Portanto, deve se conhecer do recurso apresentado, uma vez que não se pode aplicar a Súmula CARF nº 1 ao caso concreto, vez que nem mesmo o objeto, o pedido em si, é o mesmo. PRELIMINAR Alegada Nulidade em Razão da Precariedade do Lançamento A RECORRENTE defende a nulidade por afronta ao art. 4º, IV, do Decreto nº 4.942/2003 e do art. 142 do CTN. Alega que a autoridade fiscal apontou no auto de infração que estaria sendo exigida as contribuições do segurado especial, conforme fundamentos legais e rubricas de fl. 835. Defende o vício material do lançamento, por entender que as diferenças de valores apontadas pela fiscalização como não declaradas em GFIP se referem a operações havidas entre a RECORRENTE e produtores rurais pessoas físicas empregadores, e não com os segurados especiais (que trabalham em regime de economia familiar). No entanto, não vislumbro a ocorrência da citada nulidade. Não foram apontados vícios relacionados ao ato de constituição do crédito tributário especificados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, nem qualquer afronta ao art. 142 do CTN, quais sejam: Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.630 18 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A afirmação da RECORRENTE, de que trecho extraídos da fundamentação legal do auto de infração dão conta de que o lançamento seria relativo às contribuições não retidas dos segurados especiais, não são suficientes para causar um erro material no lançamento. Sobretudo porque o Relatório Fiscal é claro ao determinar que a falta de retenção por parte da RECORRENTE deuse em relação às compras feitas dos empregadores rurais pessoas físicas, nos exatos termos dos arts. 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91. A fiscalização elaborou, inclusive, uma lista de fornecedores e de todas as operações para as quais não houve a retenção da contribuição devida (fls. 933/1592). Neste sentindo, houve a exposição fática e as razões fundamentadas para o lançamento do presente crédito tributário, não havendo razões para se cogitar qualquer confusão no caso concreto. A indicação pelo auto de infração, nos fundamentos legais de fl. 835, de que o lançamento envolvia a "contribuição do segurado especial" não é suficiente para viciar o lançamento, tendo em vista que, conforme exposto, o Relatório Fiscal apresentou toda a questão fática e legal. Ademais, a fundamentação legal envolvendo a tributação do segurado especial e rurais pessoas físicas empregadores é a mesma e, ao contrário do alegado pelo contribuinte, não se encontra afastada por declaração de inconstitucionalidade do STF, haja vista as alterações promovidas pela Lei nº 10.256/2001 (conforme será visto adiante). As operações que ensejaram o lançamento contidas na relação de fls. 933/1592, são de conhecimento da RECORRENTE, que foi intimada desde o procedimento de fiscalização para se pronunciar a respeito da não retenção das contribuições naqueles casos. Assim, não verifico a suposta confusão alegada pela RECORRENTE, envolvendo operações com produtores rurais pessoas físicas empregadores e com os segurados especiais. Da Alegada Nulidade em Decorrência da Ilegitimidade Passiva da Recorrente De igual forma, não merece prosperar a alegação de nulidade da autuação em decorrência da suposta ilegitimidade passiva da RECORRENTE. É que, ao contrário do que alega a contribuinte, a norma que trata da subrogação não foi declarada inconstitucional pelo STF, conforme adiante será demonstrado. Sendo assim, a responsabilidade da RECORRENTE decorre da aplicação direta do art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.631 19 independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; Ou seja, como empresa adquirente de produtos dos produtores rurais pessoas físicas, era dever da RECORRENTE reter e recolher as contribuições previstas no art. 25, I e II, subrogandose nas obrigações da pessoa física, contribuições estas calculadas sobre a receita proveniente da comercialização da produção rural. Sendo assim, não vislumbro a ilegitimidade passiva alegada pela RECORRENTE. MÉRITO Das Alegações Acerca do Lançamento da Contribuição para o FUNRURAL Conforme exposto, o presente lançamento versa sobre a contribuição ao FUNRURAL e ao SENAR incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos do empregador rural pessoa física, prevista nos incisos I e II do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e no art. 6º da Lei nº 9.528/97, com a redação da Lei nº 10.256/2001. O argumento central da defesa da RECORRENTE é no sentido de que, quando do julgamento do RE 363852/MG, o STF teria declarado a inconstitucionalidade das contribuições do produtor rural pessoa física empregador incidentes sobre a comercialização de sua produção rural. No entanto, mediante referido julgamento, o STF declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição acima referida, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20/1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição). É que antes da EC 20/1998, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com o advento da referida emenda, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363852/MG: "(...) Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de ressaltar que a Lei nº 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.632 20 financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. "(...)não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar." "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural " de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25 , incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência." Após a EC 20/98, foi editada a Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91. Ou seja, a referida Lei nº 10.256/2001 foi editada quando já estava em vigor a nova redação do art. 195, I, da Constituição, dada pela EC 20/98, que passou a prever nova fonte de custeio da seguridade social, qual seja, a receita dos empregadores. Sendo assim, é evidente que o RE 363852/MG dispõe somente acerca do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 (atualizada até a Lei nº 9.528/97), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2009 e 2010, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91. Tanto é que, quando da apreciação de embargos de declaração opostos no RE 596177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256/2001: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.633 21 REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256/2001. Para evitar confusão do contribuinte, importante destacar que, caso o presente lançamento se referisse a fatos anteriores à Lei nº 10.256/2001, é evidente que o RE 363.852/MG seria aplicável ao caso. No entanto, os fatos geradores ocorridos em 2009 e 2010 já estavam totalmente acobertados pela Lei nº 10.256/2001, o que afasta o caso concreto do alcance da decisão proferida no RE 363.852/MG. Ademais, cumpre esclarecer que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral do art. 25, I e II, nem do art. 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que estes dispositivos tratam tanto do produtor rural pessoa física empregador quanto do segurado especial, ao passo que o RE 363.852/MG abrangeu apenas o primeiro, na medida que a Constituição (antes da EC 20/98) já previa forma de contribuição sobre resultado da comercialização da produção de determinados produtores rurais que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes (art. 195, § 8º). Este produtor rural delimitado no art. 195, § 8º, da Constituição é exatamente aquele previsto no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91, e que, portanto, encontrase sujeito à contribuição prevista no art. 25 da mesma Lei. Ou seja, na decisão proferida quando do julgamento do RE 363.852, o STF reconheceu a inconstitucionalidade apenas das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador, no período anterior à Lei 10.256/2001 e, consequentemente, também afastou a subrogação para estas contribuições, pois não haveria lógica em se manter a subrogação do tributo reconhecidamente inconstitucional. Portanto, evidente que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral dos arts. 25, I e II, e 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que tais dispositivos eram (e ainda são) fundamentos para a subrogação da a empresa adquirente nas obrigações dos segurados especiais (referido no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91) pelo recolhimento da contribuição sobre resultado da comercialização da produção. Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.634 22 Apenas a título de esclarecimento, pondero que este tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, nos termos do art. 62, I, do RICARF. No entanto, é preciso fazer sempre uma distinção dos dispositivos tidos por inconstitucionais e aqueles que serviram de fundamentação para o lançamento. Digo isso porque, no presente caso, a RECORRENTE afirma obstinadamente que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da regra que determina a subrogação insculpida ano art. 30, IV, da Lei n 8.212/91. No entanto, conforme já exposto com detalhes acima, o julgamento do RE 363.852 não socorre o pleito da RECORRENTE, haja vista que tal decisão diz respeito à inconstitucionalidade do “artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, ao passo que o lançamento deste processo foi realizado com fundamento no art. 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Por fim, necessário trazer nos autos a informação de que o STF realizou o julgamento de mérito do RE 718.874, que tinha por objeto tema com repercussão geral acerca da constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001. Em 30/03/2017, o Plenário do STF decidiu o seguinte: “O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes” Neste sentido, por meio da recente apreciação pela Corte Suprema do RE 718.874, restou decidido ser constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física instituída pela Lei nº 10.256/2001. Ademais, importante esclarecer à RECORRENTE que, não tendo sido declarada a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal que fundamentou o presente lançamento, não se pode cogitar a ilegalidade/inconstitucionalidade deste, haja vista que corretamente enquadrado nas normas em vigor. Sendo assim, não se pode cogitar seja afastada a aplicação dessas normas, pois gozam de presunção de constitucionalidade. O STF não confirmou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.256/2001 continuam contrarias ao texto constitucional, pois, conforme acima exposto, essa questão foi objeto de recente apreciação pela Corte Suprema (RE 718.874), quando restou decidido ser constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física instituída pela Lei nº 10.256/2001. Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.635 23 Portanto, com relação às inconstitucionalidades apontadas pela RECORRENTE, esta é matéria estranha a competência deste órgão julgador administrativo, conforme Súmula nº 02 do CARF, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Neste sentido, entendo que não devem prosperar as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos que tratam das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e da subrogação em relação às suas contribuições, haja vista que: (i) o presente lançamento é posterior à Lei nº 10.256/2001 (que não foi objeto de análise pelo STF no RE 363.852/MG); e (ii) não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para manter o lançamento do crédito tributário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado. Ao mesmo tempo em que rendo minhas homenagens ao Ilustre Relator, ouso discordar de suas conclusões exclusivamente em relação ao tema "Verificação de Concomitância com Ação Judicial". E o faço considerando os próprios fundamentos citados no curso do voto. No Relatório, restou evidente que o contribuinte formulou lide judicial em que busca a declaração de inconstitucionalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre a comercialização de produto rural, por produtor rural pessoa física, exigida por sub rogação, do adquirente. A própria Fiscalização, ao identificar a existência do processo judicial, bem assim da antecipação de tutela que permite a não retenção e o não recolhimento da referida exação, promoveu o lançamento exclusivamente para prevenir a decadência, não aplicando a multa de ofício sobre os créditos alcançados pelo provimento judicial (Funrural e Gilrat). O Nobre Relator, adotou, como razão de decidir, voto proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira (voto vencedor no acórdão nº 2201003.488), que tratou do tema de forma bastante detalhada, trazendo à balha considerações muito pertinentes, mas que, ao fim, apresentou conclusões que se mostraram excessivamente restritivas, quase que aniquilando o espírito da legislação acerca da concomitância de instâncias, que, Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.636 24 sinteticamente, atribui eficácia efetiva ao princípio da economia processual, evitandose a prolação de decisão administrativa inútil, já que restará substituída pelas conclusões de mérito do Poder Judiciário, a quem compete julgar definitivamente a controvérsia devido ao princípio da unicidade de jurisdição de que trata o inciso XXXV, do art. 5º, da Constituição Federal de 1988. Vejamos alguns trechos do citado voto: “O Professor Moacyr Amaral Santos, no clássico Primeira Linhas de Direito Processual Civil ( 1º Vol., Ed. Saraiva, 20ª ed., p. 163), leciona que objeto da ação: "é o pedido do autor (Cod Proc. Civil, art 282, IV), ou seja, o que ele solicita que lhe seja assegurado pelo órgão jurisdicional. (...) Assim, o objeto, isto é, o pedido (res, petitum) é imediato ou mediato. O pedido imediato consiste na providência jurisdicional solicitada: sentença condenatória, declaratória, constitutiva ou mesmo providência executiva, cautelar ou preventiva. O pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença, ou providencia jurisdicional, isto é, o bem material ou imaterial pretendido" Continuando sua lição, o emérito Professor das Arcadas, ensina que o pedido deve estar sempre apoiado, deve sempre corresponder a uma causa de pedir, pois "quem invoca uma providência jurisdicional quanto a um bem pretendido, cumpre dizer no que se funda seu pedido" (ob. cit., pag. 164). Recorda o Mestre que o Códex Processual exige que o autor exponha na inicial não só o seu pedido, mas também os fundamentos jurídicos deste. Com tal exigência, a lei processual requer a exposição não só a causa próxima de pedir os fundamentos jurídicos como também a causa remota o fato gerador do direito. No caminhar de sua lição, com a didática exemplar que sempre o caracterizou, o Professor Moacyr Amaral, explica que a identificação de ações ( o cerne de nosso problema) exige que se examine detalhadamente a identidade, a individualidade de uma demanda. Para tanto, leciona o saudoso Professor: "(...) duas ações são idênticas quando em ambas seus elementos são os mesmos. Assim, duas ações são idênticas quando entre elas há: a) identidade de partes (eadem personae); b) identidade de objeto (eadem res); c) identidade de causa de pedir (eadem causa petendi)." Exsurge a distinção. Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.637 25 Temse identidade entre ações quando as mesmas, intrinsecamente, coincidem, ou seja, são iguais. Para tanto, necessariamente convergem para a mesma solução a partir de divergências sobre o mesmo bem da vida mas forçosamente com essa divergência decorrente do mesmo motivo, da mesma causa. Tal exigência decorre não só de um imperativo processual, mas também de um imperativo lógico. Não basta a demanda reunir mesmas partes, sobre o mesmo bem em discussão: o motivo da disputa deve ser o mesmo. No que tange à identidade das partes, não identifico no caso em tela a divergência apontada pelo Ilustre Relator, que considerou inexistente tal identidade exclusivamente em razão de que, no pólo ativo da lide judicial, existem sujeitos estranhos àqueles que figuram no processo administrativo. Ora, ao mesmo tempo em que o instituto da concomitância de instância busca conferir economia processual no âmbito administrativo, evitandose discussões inúteis, a possibilidade de formalização de pleitos judiciais com mais de uma parte nos pólos ativos e passivos, ou em ambos, objetiva resolver, de uma só vez, questões que envolvam pluralidade de sujeitos, além de conferir harmonia aos julgados. Assim, se no presente caso, nos autos administrativos, figuram como parte a União Federal e a Mafrig Alimentos SA, partes que também estão presentes no processo judicial, há de se reconhecer que o alcance da lide administrativa restará limitada pelas conclusões de mérito expressas pelo Judiciário, razão pela qual entendo que há sim identidade de partes necessária ao reconhecimento da concomitância de instâncias administrativa e judicial. Quanto à identidade de objeto, ou pedido, considerou o Relator que este, no âmbito administrativo, seria a nulidade/cancelamento do lançamento, enquanto que, no judicial, seria a desoneração do dever de subrogação. Com tal comparação linear, deixou o Ilustre Relator de valerse das citadas e valorosas lições do Professor Moacyr Amaral Santos, ao não segregar o pedido nas suas faces imediata e mediata. De forma imediata, o que o contribuinte busca é se esquivarse da obrigação decorrente da atividade tributante exercida pelo fisco, dandose a isso a nomenclatura que quiser (inexistência de relação jurídica, cancelamento do auto de infração, etc). Já de forma mediata, o bem material pretendido é a declaração da inconstitucionalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre a comercialização de produto rural, por produtor rural pessoa física, exigida, por subrogação, do adquirente. Naturalmente, algumas variantes nos pleitos administrativo e judicial podem decorrer de tais faces do pedido, em particular quando formalizados em momentos diferentes, como no caso ora sob apreço. Vêse que, no instante em que buscou tutela judicial, não havia crédito tributário lançado (auto de infração), razão pela qual não se poderia esperar que o pedido de cancelamento do lançamento pudesse fazer parte do pleito judicial. Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 19515.720082/201444 Acórdão n.º 2201004.286 S2C2T1 Fl. 1.638 26 Desta forma, considerando que, tanto no processo administrativo quanto no judicial, o contribuinte busca se esquivar da incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização de produto rural, por produtor rural pessoa física, exigida, por subrogação, do adquirente (pedido imediato), sob alegação de que a lei que a prevê é inconstitucional (pedido mediato), é defeso ao julgador administrativo tratar da mesma matéria, exclusivamente em razão de que, ainda que mais benéfica ao contribuinte a decisão administrativa, o que prevalecerá será a decisão de definitiva de mérito exarada pelo Poder Judiciário. No que tange à causa de pedir, exclusivamente em relação à questão dos créditos alcançados pelo provimento judicial (Funrural e Gilrat), há de se concluir que o conjunto de elementos e fundamentos jurídicos que lastreiam a alegação de um suposto direito violado do Réu (vide fl. 661 a 677) são, em síntese, os mesmos que amparam a sua conclusão sobre a improcedência da exigência e sobre a sua ilegitimidade passiva. Assim, corretas as considerações da PGFN de fl. 1962 que consideram patente a existência de concomitância de instância entre o processo judicial e o administrativo, o que impõe a aplicação da Sumúla Carf nº 01, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por fim, há de se ressaltar que as Resolução do Senado Federal nº 15/2017 não empresta seus efeitos à presente demanda, já que, ao prever a suspensão do art. 12, inciso VII, da Lei 8.212/1991, extrapolou o alcance dos precedentes judiciais que a justificam, devendose aplicar a correta interpretação expressa no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1447/2007, segundo a qual, a Resolução do Senado suspende a exigência da contribuição social do empregador rural pessoa física, incidente sobre o produto da comercialização da produção rural, tão somente em relação ao período anterior à Lei nº 10.256, de 2001. Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário em relação à improcedência da exigência de contribuição previdenciária sobre a comercialização de produto rural, por produtor rural pessoa física, exigida por subrogação, do adquirente, exclusivamente .em relação aos créditos alcançados pelo provimento judicial (Funrural e Gilrat). (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 2063DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.003019/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social- GFIP para as remunerações contidas na folha de pagamento do décimo-terceiro salário de 2006, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91.
DECADÊNCIA. PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS EXIGIDOS. CORREÇÃO DA FALTA.
A relevação ou atenuação da multa aplicada pressupõe a comprovação da correção da falta cometida.
Numero da decisão: 2401-005.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social- GFIP para as remunerações contidas na folha de pagamento do décimo-terceiro salário de 2006, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. DECADÊNCIA. PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS EXIGIDOS. CORREÇÃO DA FALTA. A relevação ou atenuação da multa aplicada pressupõe a comprovação da correção da falta cometida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
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DESCUMPRIMENTO. Constituise infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP para as remunerações contidas na folha de pagamento do décimoterceiro salário de 2006, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. DECADÊNCIA. PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS EXIGIDOS. CORREÇÃO DA FALTA. A relevação ou atenuação da multa aplicada pressupõe a comprovação da correção da falta cometida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 30 19 /2 00 8- 87 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13888.003019/200887 Acórdão n.º 2401005.353 S2C4T1 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13888.003019/200887 Acórdão n.º 2401005.353 S2C4T1 Fl. 0 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1425.507 (fls. 28/32) da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, através de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. DECADÊNCIA. PRAZO. PREVISÃO EM LEI ORDINÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, consoante súmula vinculante n° 8 do STF. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. O prazo para a constituição do crédito previdenciário relativo à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS EXIGIDOS. CORREÇÃO DA FALTA. A relevação ou atenuação da multa aplicada pressupõe a comprovação da correção da falta cometida. Lançamento Procedente Às fls. 2 e seguintes, consta Auto de Infração (DEBCAD n° 37.070.8369 Multa) lavrado para constituição do crédito tributário no valor de R$ 4.768,58 (quatro mil setecentos e sessenta e oito reais e cinquenta centavos) em razão de a empresa deixar de apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP para a competência 13/2006 (décimoterceiro salário), infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. A multa aplicada foi calculada na forma prevista no art. 32, inciso IV, §§ 4° e 7°, da Lei n. 8.212/1991, e alterações, combinado, respectivamente, com o artigo 284, inciso I e §§ 1° e 2°, do caput e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, e atualizada pela Portaria MPS/MF nº 77 (D.O.U. de 12/03/2008). Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.003019/200887 Acórdão n.º 2401005.353 S2C4T1 Fl. 0 4 Do relatório da decisão de piso, extraemse, em resumo, os principais argumentos de sua peça impugnatória: O fiscal teve acesso a todos os documentos, contabilidade e folhas de pagamento, além das guias pagas, o que homologa o procedimento de eventual falha. Também não houve omissão ou sonegação de tributo. O auto de infração não declara o período, os fatos geradores são diversos e não há base de cálculo, portanto, não sabe como foi calculada essa multa, pois há imensa legislação citada, tomando sua conferencia difícil, o que contraria o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Como se trata de infração regulamentar, as legislações fiscais concedem remissão da multa, desde que não haja falta ou insuficiência do tributo, o que não ocorreu. A empresa foi fiscalizada no período de 2003 e 2004 e qualquer outro lançamento neste período está abrangido pela decadência, conforme artigo 174 do CTN. Requer a procedência da impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 20/08/2010 (fls. 44), apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2010 (fls. 45). Do qual transcrevo o seu inteiro teor: Weiser Veículos S/A. já qualificada no processo acima, vem com o devido respeito, por seu procurador abaixo, apresentar recurso voluntário, contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pelos seguintes motivos de fato e de direito: 1. Na realidade, foram lavrados 19 (dezenove) autos de infração, tendo por base os mesmos fatos geradores. Alguns, com infração regulamentar simplesmente, e apenas dois com cobrança de contribuição social ao INSS. Os valores foram extraídos de lançamentos que não estavam os pagamentos, sujeitos a essa contribuição social. 2. Salienta ainda, que a empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estão abrangidos pela decadência, a teor do artigo 174 de C.T.N. porque os autos são de 2008. 3. A frondosa legislação transcrita nos autos dificulta sobremaneira a impugnação, como reconhecido pela autoridade julgadora. 4. Reitera, que não houve falta de pagamento de qualquer contribuição, pois os arquivos, documentos e livros estiveram à disposição do fiscal autuante, muitos documentos nem foram verificados, tal o volume apresentado. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13888.003019/200887 Acórdão n.º 2401005.353 S2C4T1 Fl. 0 5 5. Quanto à multa aplicada e a retroatividade benigna reconhecida no julgamento, deve ser retificado o auto de infração e não como foi decidido, prolongando “essa providência para a ocasião do pagamento. Reitera todos os temas da Impugnação, comprovada por documentos. Enfim, são autos destituídos de fundamento, aleatórios e por essa razão requer a sua insubstituência, como medida de inteira Justiça. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13888.003019/200887 Acórdão n.º 2401005.353 S2C4T1 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar de decadência Alega a recorrente que já fora fiscalizada em 2003 e 2004 e que qualquer outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estariam abrangidos pela decadência. No caso, como se trata de Auto de Infração de Obrigação Acessória (Multa por deixar a empresa de apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social para as remunerações contidas na folha de pagamento do décimoterceiro salário de 2006, que se tornou obrigatória em 2005, o prazo decadencial a ser aplicado é o disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, são as seguintes decisões do CARF: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Acórdão nº 9202003.295, Sessão de 31/07/2014). DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. (Acórdão nº 2401004.217, sessão de 08/03/2016). Assim, o prazo decadencial relativo ao fato gerador 12/2006 (décimo terceiro salário) começa a ser contado a partir de 1º/01/2007, encerrandose em 31/12/2011. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 31/07/2008, não há que se falar em decadência do lançamento. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13888.003019/200887 Acórdão n.º 2401005.353 S2C4T1 Fl. 0 7 Esclarece ainda que o art. 174 do CTN dispõe sobre o prazo de prescrição do crédito tributário, ou seja, tratase do prazo de cobrança que se inicia somente após a constituição definitiva do crédito tributário, após a fase litigiosa. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência do lançamento. Sem razão a recorrente. Mérito Ao contrário do que afirma a recorrente, o auto de infração foi lavrado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para sua feitura, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, dele constando a descrição sumária da infração e dispositivo legal da multa (fls. 2/5). Portanto, deve ser rechaçado o argumento de que os autos estão destituídos de fundamento, aleatórios. Além disso, o sujeito passivo demonstra com clareza o teor da infração que lhe foi imputada, pelo que logrou apresentar suas razões de impugnação dentro do prazo legal e com especial profundidade, a demonstrar o perfeito entendimento às matérias que compunham o lançamento. Portanto, deve ser rejeitada a alegação de que houve ofensa ao art. 142 do CTN. Relata a auditoria fiscal que as informações foram validadas por meio de testes, por amostragem, realizados por confronto com as folhas de pagamento em meio papel para as amostras 05/2003, 08/2004, 12 e 13/2006 e 08/2007, de onde foram extraídas as bases de calculo salariais demonstradas no Relatório de Lançamentos, lançadas em sua totalidade por competência e vinculadas aos seguintes códigos. (Auto de Infração DEBCAD 37.181.1716 Processo nº 13888.003005/200863). No caso, referente competência 13/2006, vinculada ao código de levantamento DFN DEB PATRONAL FOPAG N DECL, a empresa não comprovou ter declarada a GFlPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social em sua totalidade. Portanto, entendese como devida a multa aplicada, calculada na forma prevista no art. 32, inciso IV, §§ 4° e 7°, da Lei n. 8.212/1991. Como bem pontuado na decisão de piso, a alegação de que foram lavrados autos repetitivos não procede, considerando que cada um deles tem por objeto o lançamento de contribuições ou a aplicação de penalidade distintas, ou seja, não foi lavrado nenhum Auto de Infração em repetição a outro. Quanto à relevação da penalidade de multa, considerando que o sujeito passivo, com base na legislação aplicável, não demonstrou a correção da falta, nesse sentido, reitero os fundamentos da decisão do r. acórdão recorrida, nos seguintes termos: Relevação da Penalidade Aplicada A impugnante aduz que todas as legislações fiscais concedem, quando se tratar de infração regulamentar da qual não decorra a falta ou a insuficiência do tributo, a relevação da multa aplicada. O argumento não deve ser acatado para fins de relevação da multa aqui aplicada. A legislação previdenciária, em vigor no momento da autuação, apenas previa o beneficio da relevação ou atenuação da multa Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13888.003019/200887 Acórdão n.º 2401005.353 S2C4T1 Fl. 0 8 aplicada quando o infrator atendesse aos requisitos previstos no artigo 291, caput e § 1° do Regulamento da Previdência Social, que exigia, para ambas hipóteses, a correção da falta cometida, o que não se verificou no presente caso. Conclusão Pelo exposto acima, voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.721967/2016-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE.
As contribuições dedutíveis são aquelas destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, e em benefício deste ou de seu dependente.
Numero da decisão: 2002-000.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. As contribuições dedutíveis são aquelas destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, e em benefício deste ou de seu dependente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1289; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 113 1 112 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.721967/201644 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.037 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de março de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES.CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Recorrente CARL FRIEDRICH WALTHER TROGER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. As contribuições dedutíveis são aquelas destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, e em benefício deste ou de seu dependente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 19 67 /2 01 6- 44 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 114 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2013, ano calendário 2012, tendo em vista a apuração de omissões de rendimentos, compensação indevida de carnêleão e dedução indevida de previdência privada e FAPI. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/17), contestando parcialmente a exação. Alega que faz jus a deduzir o montante de R$3.966,75 a título de contribuição previdência privada. Acrescenta que o valor não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis declarados e ele efetuou, em seu nome, contribuições para o regime de geral de previdência social. Indica a juntada dos recolhimentos efetuados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) negou provimento à Impugnação (fls. 79/83), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊLEÃO E DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI (PARCIAL). Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual, todas as despesas estão sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea. Cientificado dessa decisão em 16/5/2017 (fl.88), o contribuinte formalizou, em 14/6/2017 (fl.91), seu recurso voluntário (fls. 91/107), no qual apresenta as seguintes alegações: Argumenta que juntou a sua defesa comprovantes de despesa dedutível no valor de R$3.966,75, representadas por guias GRU, com código 155608 (contribuição para o custeio das pensões militares), cuja fonte arrecadadora é Cmdo Ex/SEF/CPex, CNPJ 00.394.452/053304. Informa que essas contribuições têm base legal no artigo 2º da Lei nº 3.765, de 1960. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 115 3 Diante da decisão de piso, que consignou que a natureza dos recolhimentos não estava identificada, indica a juntada de cartas emitidas pelo Ministério da Defesa Exército Brasileiro Comando da 3ª Região Militar, endereçadas a ele. Ao final, requer o acolhimento de seu recurso. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.109). É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 116 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Juntada de Provas na Fase Recursal O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16. Porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a impugnação, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que se destinam a sanear falhas na instrução probatória apontadas pela decisão de piso. Mérito O recurso recai sobre a glosa do montante de R$3.966,75 declarado a título de contribuição à previdência privada. Sobre a dedução dessas contribuições, dispõe o artigo 8º, inciso II, alínea e, da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 117 5 II das deduções relativas: ... e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (destaques acrescidos) Por seu turno, o caput do artigo 11 da Lei nº 9.532, de 1997, dispõe: Art. 11. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (Redação dada pela Lei nº 10.887, de 2004) (destaques acrescidos) Verificase que o contribuinte informou o pagamento de contribuições à previdência privada no montante de R$9.085,52 a Seguro GBOEX CNPJ 92.872.100/000126 (fl.23). A autuação aponta que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória dos valores declarados e, segundo informações prestadas à RFB pela GBOEX, os pagamentos efetuados pelo contribuinte seriam referentes a pecúlio. O sujeito passivo pleiteou em sede de impugnação o restabelecimento parcial da dedução. A decisão de piso consigna que, em sua impugnação, o contribuinte juntou apenas as guias de recolhimento de fls. 9 a 17, que não permitiriam identificar a natureza dos recolhimentos efetuados. Agora, em seu recurso, o contribuinte junta declaração e cartas emitidas pelo Ministério da Defesa/Exército Brasileiro/Comando da 3ª Região Militar/Região D.Diogo de Souza (fls.93/103). A declaração noticia que o contribuinte está cadastrado como contribuinte facultativo à pensão militar, na forma prevista no artigo 2º, da Lei nº3.765, de 1960, e vem recolhendo as contribuições para Pensão Militar desde maio de 1977. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 118 6 A mencionada lei dispôs sobre as pensões deixadas pelos militares em caso de morte aos seus dependentes devidamente habilitados. Seu artigo 1º estabelece, alterado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31 de agosto de 2001, que todos os militares das Forças Armadas são contribuintes obrigatórios da pensão militar, mediante desconto em folha de pagamento: Art.1oSão contribuintes obrigatórios da pensão militar, mediante desconto mensal em folha de pagamento, todos os militares das Forças Armadas. Parágrafo único.Excluemse do disposto no caput deste artigo: Io aspirante da Marinha, o cadete do Exército e da Aeronáutica e o aluno das escolas, centros ou núcleos de formação de oficiais e de praças e das escolas preparatórias e congêneres; e IIcabos, soldados, marinheiros e taifeiros, com menos de dois anos de efetivo serviço. (NR) O art. 2º da citada lei, vigente até 29 de dezembro de 2000, por ter sido revogado pela Medida Provisória nº 2.131, de 29 de dezembro de 2000 (atual Medida Provisória nº 2.21510, de 31 de agosto de 2001), permitia que os oficiais demitidos a pedido pudessem continuar como contribuintes da pensão militar, desde que requeressem e se obrigassem ao pagamento da contribuição: Art 2º Os oficiais demitidos a pedido e as praças licenciadas ou excluídas poderão continuar como contribuintes da pensão militar, desde que o requeiram e se obriguem ao pagamento da respectiva contribuição, a partir da data em que forem demitidos, licenciados ou excluídos. § 1º O direito de requerer e de contribuir para a pensão militar, na forma dêste artigo, pode ser exercido também por qualquer beneficiário da pensão. § 2º A faculdade prevista neste artigo sòmente pode ser exercida no prazo de 1 (um) ano, contado da data da publicação do ato da demissão, licenciamento ou exclusão. § 3º Os contribuintes de que trata êste artigo, quando convocados ou mobilizados, passarão à categoria de obrigatórios, durante o tempo em que servirem. Apesar da revogação do retrocitado dispositivo legal, a Medida Provisória nº 2.131, de 2000, em seu art. 35, assegurou a condição de contribuinte ao oficial demitido a pedido que, até 29 de dezembro de 2000, contribuísse para a pensão militar. Art.35.Fica assegurada a condição de contribuinte ao oficial demitido a pedido e à praça licenciada ou excluída que, até 29 de dezembro de 2000, contribuíam para a pensão militar. Da análise da documentação acostada ao recurso, constatase que não se trata de previdência complementar do sujeito passivo. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 119 7 Os documentos apontam que as contribuições efetuadas por ele para o Fundo de Pensões dos Militares representam aportes para garantir o pagamento de pensão militar a dependentes habilitados, quando do seu falecimento. Portanto, a dedução desses valores pelo contribuinte não encontra amparo na legislação de regência, acima destacada, visto que não se configura em complementação de benefício previdenciário. Ainda que se entenda que, para os terceiros habilitados ao recebimento da pensão, o benefício se assemelha ao benefício previdenciário, é preciso observar que a legislação que trata da dedução das contribuições para previdência complementar condiciona a que o titular da declaração seja contribuinte para a previdência oficial e, caso o beneficiário do plano de previdência seja dependente maior de 16 anos, deve este ser filiado ao Regime Geral de Previdência Social ou outro regime oficial de previdência social. É o disciplinamento contido na IN SRF nº 588, de 2005, em seus artigo 6º e 7º: Dedução das contribuições pagas pela pessoa física Art. 6º As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência complementar e sociedades seguradoras domiciliadas no País e destinadas a custear benefícios complementares aos da Previdência Social, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 1º O disposto no caput aplicase, inclusive, às contribuições ao Fapi. § 2º Excetuamse da condição de que trata o caput os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, mantido, entretanto, o limite de 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 3º Os prêmios de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência são indedutíveis para fins de determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. Art. 7º As contribuições para planos de previdência complementar e para Fapi, cujo titular ou quotista seja dependente, para fins fiscais, do declarante, podem ser deduzidas desde que o declarante seja contribuinte do regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observado o disposto no art. 6º. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11040.721967/201644 Acórdão n.º 2002000.037 S2C0T2 Fl. 120 8 Parágrafo único. Na hipótese de dependente com mais de 16 anos, a dedução a que se refere o caput fica condicionada, ainda, ao recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social, observada a contribuição mínima, ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (destaques acrescidos) Ocorre que, no caso, o sujeito passivo sequer informou dependente da Declaração apresentada (fl.19). Portanto, não há como acatar a dedutibilidade de tais valores a título de contribuição à previdência privada. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 120DF CARF MF
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