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Numero do processo: 14033.002406/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) verifique: (i) a efetiva disponibilidade do crédito que o contribuinte alega ter (se não foi alocado em outro PER/DCOMP); (ii) se os valores estão corretos; e (iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como por exemplo a respectiva DIPJ - observando-se que, após a diligência ora solicitada, a Unidade de Origem deverá consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando a Recorrente do seu teor e concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) verifique: (i) a efetiva disponibilidade do crédito que o contribuinte alega ter (se não foi alocado em outro PER/DCOMP); (ii) se os valores estão corretos; e (iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como por exemplo a respectiva DIPJ observando se que, após a diligência ora solicitada, a Unidade de Origem deverá consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando a Recorrente do seu teor e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 02 40 6/ 20 08 -1 0 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 14033.002406/200810 Resolução nº 2402000.704 S2C4T2 Fl. 86 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 39/46) em face do Acórdão n. 0336.115 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Brasília (DF) DRJ/BSB (efls. 31/33), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 18/20) e não reconheceu direito creditório com fulcro em pagamento indevido ou a maior de IRRF. O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão n. 0336.115 (efls. 31/33), em 30/04/2010 (efl. 35), cujo entendimento encontrase sumarizado na ementa abaixo reproduzida: Assunto: Restituição/Compensação Anocalendário: 2007 Compensação Impossibilidade Necessidade de Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito liquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada. nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face do Acórdão n. 0336.115 (efls. 31/33), a impugnante, agora Recorrente, apresentou, em 28/05/2010, Recurso Voluntário (efls. 39/46), reforçando a procedência do direito creditório, esgrimindo, em linhas gerais, os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade (efls. 18/20). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 39/46) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Inicialmente, é relevante destacar que a gênese desta lide encontrase no Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort (efls. 13/14), que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP n. 26l75.32670.240407.l.3.044527 (efls. 03/07), por inexistência de direito creditório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 14033.002406/200810 Resolução nº 2402000.704 S2C4T2 Fl. 87 3 Em face da decisão supra citada, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (efls. 18/20), julgada improcedente pela DRJ/BSB, nos termos do Acórdão n. 0336.115 (efls. 31/33), que, por oportuno, reproduzo, no essencial: Cuidam os autos de PER/Dcomp, crédito de IRRFrecolhimento a maior, referente ao anocalendário/2007, com débito da mesma natureza, referente ao 2° decênio de abril/2007. [...] Como se deduz da síntese do Relatório, a contribuinte quer ver efetuada a compensação declarada por conta de que a autoridade administrativa computou indevidamente o débito de R$ 446.051,99 para reduzir o Darf de R$ 2.660.890,77, quando na realidade este débito foi retificado para R$ 2.214.838,78. De fato, conforme se constata às folhas 22/27 o débito de R$ 2.660.890,77, referente ao periodo de apuração do 1° Decêndio/04/2007 foi reduzido para RS 2.214.838,78, conforme DCTF retificadora entregue em 05/08/2008 (fl.22), remanescendo daí um crédito de RS 446.051,99 relativo ao Darf de R$ 2.660.890,77 (R$ 2.660.890,77 R$ 2.214.838,78 = 446.051,99). Contudo, a retificação da DCTF, por si só, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, tendo em vista que a redução do débito declarado deve ser sustentada' na escrituração e documentação da contribuinte. No caso, verificase provável ocorrência de erro de fato (erro material) nos procedimentos contábeis da interessada, os quais devem ser demonstrados e provados, para que possa ser sanado pela autoridade administrativa, de oficio, ou a pedido do sujeito passivo. Além disso, examinandose a questão à luz da legislação de regência, temos que, “verbis”: Art. 170 (CTN). A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidas e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Omissis. Ex positis, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade formulada, para não reconhecer o crédito pleiteado no valor original de R$ 446.051,99 e não homologar a compensação efetuada. Enfrentando a decisão da instância de piso, a impugnante, agora Recorrente, apresentou as seguintes razões de fato de direito a seguir transcritas, no essencial: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília, por meio do Despacho Decisório referente Processo n°. 14033002406/200810 declarou não homologada a compensação de débito de IRRF (código de receita 3426) requerida por esta Empresa para o periodo de apuração do 2° decêndio de abril de 2007, no montante original de R$ 446.051.99 (quatrocentos e quarenta e seis mil e cinquenta e um reais e noventa e nove centavos), com créditos referentes ao mesmo tributo. O recolhimento pago em valor indevido ou a maior pode ser verificado, dentre outros documentos, no DARF de 13/04/2007 no valor de R$ 2.660.890,77 (dois milhões seiscentos e sessenta mil oitocentos e noventa reais e setenta e sete centavos), juntamente à escrituração de 02 de abril de 2007. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 14033.002406/200810 Resolução nº 2402000.704 S2C4T2 Fl. 88 4 A RFB não considerou que os pagamentos eram indevidos ou maiores, tampouco que havia crédito disponível, tendo em vista o valor indicado na DCTF corresponder ao débito declarado no DARF. A recorrente, irresignada com a decisão mencionada pelos motivos e fatos em que se fundamenta e, usando do direito disposto no art. 66 da IN RFB n°. 900/2008, interpõe manifestação de inconformidade em 03/12/2008 junto ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento de BrasíliaDF, demonstrando por meio documental que o crédito de e quarenta e seis mil e cinquenta e um reais e noventa e nove centavos), se referia a recolhimento feito a maior no DARF de R$ 2.660.890,77. Identificado o recolhimento em duplicidade, conforme se verifica nos DARFs anexados, foi providenciado o pedido de compensação através do PER/DCOMP n°. 26175.32670.240407.1.3.04.4527, lançandoo para o recolhimento do 2° decêndio de abril de 2007, com vencimento em 25/04/2007 no DARF cujo valor após a compensação totalizou o montante de R$ 2.484.329,34 (dois milhões quatrocentos e oitenta e quatro mil trezentos e vinte e nove reais e trinta e quatro centavos). A contribuinte constatou que deixou de cumprir uma das formalidades intrínsecas à compensação pleiteada, qual seja, a de retificar a DCTF. Entretanto, diligenciou nesse sentido tão logo constatada a inconsistência, de modo que no dia 05/08/2008 transmitiu a DCTF retificada ANTES DO DE$PACHO DECISORIO EMITIDO PELA DIVISÃO DE ORIENTAÇÃO E ANALISE TRIBUTARIA DIORT, DATADO DE 16/09/2008 OBJETO DA NÃO HOMOLOGAÇAO DO PER/DCOMP N°. 26175.32670.240407.1.3.044527 para o período do 1° decêndio de abril de 2007 disponibilizando tempestivamente o valor do crédito na receita 3426 necessário para a compensação dos débitos informados na DCOMP, tudo devidamente demonstrado na documentação anexada aos autos. Julgada a manifestaçao de inconformidade da recorrente, a mesma é considerada improcedente por considerar não ser suficiente a retificação da DCTF para demonstrar a liquidez e certeza do credito do sujeito passivo, tendo em vista que a redução do crédito declarado deve ser sustentada na escrituração e documentação da contribuinte. A RFB alegou, ainda, ocorrência de erro material nos procedimentos contábeis da recorrente, os quais devem ser demonstrados e provados, para que possa ser sanada a compensação dos créditos tributários pela autoridade administrativa. A partir daí, pretendendo a regularização do saldo devedor não homologado intima a Contribuinte a proceder ao recolhimento do valor nominal de R$ 446.051,99 e encargos de multa e juros no valor de R$ 230.341,23 totalizando um DARF de R$ 676.393,22. DA IMPROCEDÊNCIA DA NÃO HOMOLOGAÇAO E DO INDEFERIMENTO DA MANISFESTACAO DE INCONFORMIDADE. Com base no art. 2°, Il e art. 26 da IN 600/2005 c/c art. 34, § 5°, ll e §10 da Instrução Normativa RFB n°. 900/08, vigentes à época do pedido de compensação, a contribuinte requereu, em 24/04/2007, compensação de débito de IRRF, receita 3426, no valor original de R$ 446.051,99 relativo ao DARF recolhido indevidamente ou a maior _no anocalendário de 2007, conforme PER/DCOMP n°. 26175.32670.240407.1.3.044527. Conforme alhures mencionado, o Despacho Decisório DRF/BSB concluiu que não houve pagamento indevido ou a maior de IRRF para o período indicado pela contribuinte, em razão de a DCTF apontar que o valor pago em DARF corresponde ao débito existente no valor de R$ 2.660.890,77. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 14033.002406/200810 Resolução nº 2402000.704 S2C4T2 Fl. 89 5 Pois bem, pretendendo demonstrar, mais uma vez, que houve pagamento indevido ou a maior, esclarecemos que o débito original no valor de R$ 446.051,99 (quatrocentos e quarenta e seis mil e cinquenta e um reais e noventa e nove centavos), correspondente ao IRRF incidente sobre Aplicações Financeiras de Renda Fixa PJ, decorre de cobrança por perda de liminar que concedia isenção 'de IRRF a Pessoa Juridica detentora do CNPJ 43.144.880/000182 possuidora de aplicação em CDB na Agência Carlos Sampaio/SP, cód. 1679 da CAIXA FEDERAL oom vencimento em 29/03/2007. Efetuada a retenção do imposto foi o mesmo equivocadamente lançando para recolhimento na receita 8053 (Aplicação Financeiras Renda Fixa PF), bem como lançado no período de apuração de 21/03/2007 a 31/03/2007 com repasse através do DARF no valor de R$ 6.689.901,69 em 04/04/2007, evidência sustentada na escrituração e documentação da contribuinte, logo, como pode ser verificado, tributo retido e duplamente recolhido aos cofres da União. No intuito de retificar o lançamento original na receita 8053 foi efetuado no movimento de 02/04/2007 nova escrituração da retenção do imposto agora na receita 3426, porém com data de retenção de 02/04/2007, o que postergou Fl. 89DF CARF MF Processo nº 14033.002406/200810 Resolução nº 2402000.704 S2C4T2 Fl. 90 6 indevidamente o recolhimento para o período de apuração seguinte, de 01/04/2007 a 10/04/2007, com vencimento em 13/04/2007. O valor de 446.051,99 encontrase somado ao montante de R$ 573.805,03 escriturado em 02/04/2007 e desdobrado na sequência. Para que não paire dúvidas, na escrituração abaixo, demonstrase a composição do valor de R$ 573.805,03 (quinhentos e setenta e três mil oitocentos e cinco reais e três centavos), onde consta incluído pelo PV 1679 o valor de R$ 446.051,99 (quatrocentos e quarenta e seis mil e cinquenta e um reais e noventa e nove centavos). [...] ldentificada a duplicidade, foi providenciado o estorno do IRRF em 20/04/2007 referente retenção indevida ocorrida em 02/04/2007, conforme demonstrativo contábil abaixo. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 14033.002406/200810 Resolução nº 2402000.704 S2C4T2 Fl. 91 7 Verificase, portanto, que não há razão para indeferimento dacompensação requerida, mesmo porque a escrituração, que prova as alegações, está completamente apresentada e a compensação foi efetivamente feita. De mais a mais, o erro material apontado por esse diligente Órgão fazendário está devidamente comprovado e foi a causa do duplo recolhimento, todavia, em detrimento do erro mencionado, não houve prejuízo financeiro para o erário, mesmo que o recolhimento tenha ocorrido na receita indevida 8053, visto que o valor foi recolhido a maior a partir dos lançamentos efetuados em duplicidade. Como provam os documentos juntados, o débito e crédito declarados na PER/DCOMP estão em conformidade com as informações contábeis da empresa e compensação efetivada. A obrigação tributária principal, portanto, resta plenamente atendida. Em outras palavras, o tributo está pago, restando ao contribuinte, como obrigação acessória, apresentar os documentos que embasam sua declaração o que foi prontamente atendida. Lembramos que a DCTF foi retificada e encaminhada à RFB antes do despacho decisório alhures mencionado. Portanto entendemos que a razão para deferimento da compensação encontrase plenamente atendido, com a prova da documentação que instrui os autos. [...] Muito bem. De plano, constatase que não consta a data da ciência da Recorrente do teor do Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort (efls. 13/14), conforme informado à efl. 30. Todavia, concluise que ocorreu entre 16/09/2008 (data de emissão do Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort efls. 13/14) e 03/12/2008 (data da apresentação da manifestação de inconformidade efls. 18/20). A Recorrente apresentou DCTF retificadora em 05/08/2008 (efls. 10/11 e 23), portanto, antes da decisão não homologatória da compensação declarada no PER/DCOMP n. 26l75.32670.240407.l.3.044527 (efls. 03/07). Em sede manifestação de inconformidade, a impugnante, agora Recorrente, limitouse a informar que apresentou DCTF retificadora em data anterior ao Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort (efls. 13/14), no caso, 05/08/2008, na qual denuncia a existência de pagamento a maior ou indevido de IRRF, sem, todavia, trazer aos autos comprovante de recolhimento indevido ou a maior, bem assim qualquer outro elemento de prova nesse sentido. Todavia, em sede de recurso voluntário, a Recorrente noticia estorno de IRRF e DARF do respectivo recolhimento que, em tese, conferirlheia, o direito creditório consignado no PER/DCOMP n. 26l75.32670.240407.l.3.044527 (efls. 03/07), conforme acima reproduzido. De se observar que as informações declaradas em DCTF original ou retificadora que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das Fl. 91DF CARF MF Processo nº 14033.002406/200810 Resolução nº 2402000.704 S2C4T2 Fl. 92 8 informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º. do art. 9º. da Instrução Normativa RFB n. 1.599/2015, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fito de decidir sobre o indébito tributário. Nessa perspectiva, se não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n.1.599/2015, muito menos óbice pode existir quando tal retificação ocorre antes mesmo da decisão de não homologação, como ocorre no caso concreto. Todavia, uma vez presente os argumentos e elementos de prova aduzidos em sede de Recurso Voluntário, entendo que o órgão julgador de segunda instância poderá baixar em diligência à unidade de origem com espeque no art. 18 do Decreto n. 70.235/1972 por tratarse, na espécie, apenas de erro de fato, e a revisão do despacho decisório pode implicar o deferimento integral do crédito (ou homologação integral da DCOMP). Ressaltese, por oportuno, que a diligência em destaque é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a unidade de origem que tem as condições de avaliar as questões fáticas relacionadas à análise do crédito, inclusive se este já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar, inclusive, improcedência parcial da DCOMP. Assim, a unidade de origem deverá verificar: i) a efetiva disponibilidade do crédito que o contribuinte alega ter (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), ii) se os valores estão corretos; e iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como por exemplo a respectiva DIPJ. É esse, inclusive, o entendimento da RFB, consolidado no Parecer Normativo COSIT n. 2, de 28 de agosto de 2015, com o qual eu me alinho. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 39/46), e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem para verificar: i) a efetiva disponibilidade do crédito que o contribuinte alega ter (se não foi alocado em outro PER/DCOMP); ii) se os valores estão corretos; e iii) se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB, inclusive outras declarações da Recorrente, como por exemplo a respectiva DIPJ observandose que, após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem consolidar Informação Fiscal em face das verificações realizadas, cientificando a Recorrente do seu teor e concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002590/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência para (a) que a autoridade preparadora se pronuncie sobre a efetivação dos recolhimentos correspondentes às guias anexadas às e-fls 360 e 362, assim como quanto à existência de outros recolhimentos espontâneos nas competências 04/2003 e 05/2003, identificando-os por estabelecimento, competência, rubrica e data de pagamento; (b) uma vez que já se propõe que a autoridade preparadora se manifeste sobre a efetivação dos recolhimentos no período do lançamento (subitem 6.2), aproveita-se para que faça anexar o teor das representações fiscais mencionadas no item 7 do Relatório Fiscal, caso as mesmas tenham pertinência com o lançamento sob exame; (c) após a elaboração do relatório de diligência detalhado e conclusivo, assegurar-se de intimar a interessada e conceder prazo para oferecimento de contrarrazões.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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Resolvem os membros do colegiado converter o julgamento em diligência para (a) que a autoridade preparadora se pronuncie sobre a efetivação dos recolhimentos correspondentes às guias anexadas às efls 360 e 362, assim como quanto à existência de outros recolhimentos espontâneos nas competências 04/2003 e 05/2003, identificandoos por estabelecimento, competência, rubrica e data de pagamento; (b) uma vez que já se propõe que a autoridade preparadora se manifeste sobre a efetivação dos recolhimentos no período do lançamento (subitem 6.2), aproveitase para que faça anexar o teor das representações fiscais mencionadas no item 7 do Relatório Fiscal, caso as mesmas tenham pertinência com o lançamento sob exame; (c) após a elaboração do relatório de diligência detalhado e conclusivo, assegurarse de intimar a interessada e conceder prazo para oferecimento de contrarrazões. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 59 0/ 20 08 -0 7 Fl. 412DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 413 ___________ Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário em face do Acórdão nº 1621.271 (efls 272/280) prolatado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, em sessão de julgamento realizada em 07 de maio de 2009. 1.1. Por bem representar aspectos da exigência fiscal, reproduzse o relatório contido no citado acórdão (com as adaptações necessárias para constar a numeração dos autos do processo eletrônico): 1. Tratase de crédito lançado pela Fiscalização (DEBCAD nº 37.163.3478) contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais da empresa (FPAS e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho) devidas à Seguridade Social incidentes sobre os valores dos prêmios pagos aos segurados empregados, em campanhas de incentivo ao aumento de produtividade, através da empresa Incentive House S/A, considerados, pela Fiscalização, como parcelas integrantes do saláriodecontribuição, conforme relatório fiscal de fls. 66/72 [efls 134/146], documentos anexados às fls. 20/65 [efls 42/132] e planilha de fls. 73/80 [e fls 148/162] 1.1. Importa o crédito no valor de R$ 807.714,32 (oitocentos e sete mil, setecentos e quatorze reais e trinta e dois centavos), consolidado em 23/06/2008, relativo às competências 04/2003, 05/2003 e 07/2003. DA IMPUGNAÇÃO 2. O contribuinte apresentou defesa tempestiva, fls.83/91 [efls 170/185] acompanhada dos documentos de fls. 92/128 [efls 186/258], alegando em síntese: 2.1. que diante da Súmula nº 8 do STF o prazo decadencial aplicável às contribuições previdenciárias é o de cinco anos previsto no CTN art. 150, § 4º e não o da Lei 8.212/91 e, considerando que o crédito tributário foi constituído em 25/06/2008 somente seria possível a cobrança de fatos geradores ocorridos a partir de 25/06/2003, acrescentando que em se tratando de lançamento por homologação – reproduz doutrina sobre o tema – a contagem do prazo decadencial deve seguir a regra do art. 150, § 4º do CTN; 2.2. nestas condições, entende decaído o direito do Fisco em constituir crédito tributário que foi lançado em 06/2008 referente aos fatos geradores ocorridos nas competências 04/2003 e 05/2003, ou seja, que parte das competências englobadas no lançamento já está fulminada pela decadência, colacionando jurisprudência sobre o tema. 2.3. Pelo exposto, em seu pedido requer a improcedência do Auto de Infração em relação ao período de abril/03 e maio/03, com a conseqüente extinção e arquivamento em face da decadência e informa que o crédito referente ao período de julho/03 foi devidamente pago, operando a sua definitiva extinção. 3. Destacase, quanto aos documentos anexados pela Impugnante, fls. 92/128 [e fls 186/258], a cópia da guia de recolhimento relativa à competência 07/2003 às fls. 128 [efls 258], efetivado em 08/07/2008 no valor de R$ 30.176,30. 1.2. Referido acórdão julgou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Fl. 413DF CARF MF Processo nº 19515.002590/200807 Resolução nº 2301000.699 S2C3T1 Fl. 414 3 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2003 Ementa: DECADÊNCIA INEXISTÊNCIA De acordo com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula nº 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, não há que se falar em decadência nos lançamentos efetuados dentro do prazo previsto no art. 173 do CTN (inexistência de pagamento parcial). SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, I da Lei no 8.212/91. PRÊMIOS. Os prêmios pagos com habitualidade são parcelas contraprestativas, têm natureza jurídica salarial e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão do §9º do art. 28 da Lei no 8.212./91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa está obrigada a recolher, no prazo legal, no mês seguinte ao da competência, as suas próprias contribuições previdenciárias devidas, juntamente com as contribuições que deve arrecadar de seus empregados e demais segurados a seu serviço. APROPRIAÇÃO DE GPS RECOLHIDAS APÓS O LANÇAMENTO. Os eventuais recolhimentos efetuados após o lançamento devem ser analisados pelo órgão competente, responsável pela cobrança do crédito, não cabendo ao órgão julgador efetuar qualquer retificação no lançamento. 1.3. Transcrevese também o dispositivo do acórdão: Acordam os membros da 14ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, JULGAR PROCEDENTE o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, observandose que o valor recolhido após o lançamento e comprovado às fls. 128 e 133 será considerado pelo órgão competente responsável pela cobrança do crédito antes da intimação do Contribuinte. 1.4. Acrescentese, ainda, transcrição dos subitens 4.4 a 4.9 e do item 5 do voto do acórdão recorrido: 4.4. Conforme acima relatado, o Contribuinte em sua impugnação apenas alega decadência quanto às competências 04/2003 e 05/2003 (com fundamento na Súmula nº 08 do STF e art. 150, § 4º do CTN) e pagamento, quanto à 07/2003. 4.5. Em relação à decadência alegada, cabe salientar que, apesar da Súmula Vinculante nº 08 do STF ter declarado inconstitucional o prazo previsto no art. 45 da Lei 8.212/91e ter fixado como prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário o prazo previsto no CTN, no lançamento em questão, não foram lançados valores referentes a competências anteriores a cinco anos. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 19515.002590/200807 Resolução nº 2301000.699 S2C3T1 Fl. 415 4 4.6. O entendimento sumulado da Egrégia Corte e o Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, que obriga a todos os órgãos e entidades integrantes de sua estrutura à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar n.º 73/1993), o prazo decadencial para constituição dos créditos previdenciários contase da seguinte forma: (i) a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra geral do art. 173 do CTN, e, (ii) o pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial, suscita a aplicação da regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN. 4.7. Conforme consta nos autos, não houve pagamento antecipado das contribuições exigidas no presente lançamento, que são incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de prêmio através de cartões eletrônicos, por intermédio da empresa Incentive House S/A e que o sujeito passivo não considerou como base de cálculo de contribuições devidas à Seguridade Social e, que, portanto, não declarou em GFIP. Assim, o contribuinte não efetuou qualquer recolhimento referente às contribuições sociais devidas sobre referidas remunerações e, desta forma, para efeito de contagem do prazo decadencial para constituição do crédito correspondente, aplica se o artigo 173, I, do CTN, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 4.8. O crédito lançado corresponde ao período de 04/2003 a 07/2003 e o lançamento foi consolidado em 23/06/2008, com ciência do contribuinte em 26/06/08 (fls. 02), portanto, nenhuma competência encontrase em período decadente (superior a cinco anos), tendo em vista que a competência mais antiga (04/2003) poderia ter sido lançada até 31/12/2008 (cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte 2004), motivo pelo qual não tem qualquer cabimento a decadência arguida pela Impugnante, que pelas razões expostas fica afastada. 4.9. Quanto ao mérito, deve ser salientado que a Impugnante não fez qualquer contestação e o pagamento informado, quanto à competência 07/2003 (vide fls. 91 e 128), única competência que a Impugnante entendeu não estar decadente demonstra a sua concordância com o lançamento. ... 5. Quanto ao pagamento efetuado pelo Contribuinte após o lançamento, relativo à competência que entendeu não decadente – 07/2003 – conforme noticiado em sua impugnação e cópia juntada às fls. 128, confirmado no sistema informatizado de acesso à RFB (fls. 133), não altera o resultado deste julgamento pois não cabe a este órgão julgador a referida retificação no lançamento, que somente poderá ser considerado e realizado oportunamente pelo órgão competente responsável pela cobrança do crédito, quando do cálculo do valor a ser pago do remanescente ou, na sua falta, para a inscrição na dívida ativa e execução. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 19515.002590/200807 Resolução nº 2301000.699 S2C3T1 Fl. 416 5 2. Afigurase importante, ainda, fazer breve menção do item 7 do Relatório Fiscal, que se transcreve a seguir: 7 Representações fiscais expedidas A situação encontrada no contribuinte ensejou a emissão de representação fiscal para fins penais, pela prática, em tese, dos seguintes crimes: Sonegação de contribuição previdenciária, de acordo com o artigo 337A, incisos I, II e/ou III, do Código Penal Decretolei 2.848, de 07/12/1940, verificado no período de janeiro a dezembro de 2004; Falsificação de documento público, de acordo com o art. 297, § 3 0 , incisos I, II, III e § 4 0 do Código Penal Decretolei 2.848, de 07/12/40, verificado no período de janeiro a dezembro de 2004. 3. Interposto em 25/06/2009, o Recurso Voluntário (efls 288/320) reitera os termos da impugnação, acrescentando entendimentos doutrinários e da jurisprudência administrativa e judicial para sustentar a aplicação da regra decadencial do artigo 150 § 4º do CTN. 3.1. Para tanto, anexa cópias de guias de recolhimentos da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários relativas às competências 04/2003 (efls 360) e 05/2003 (efls 362) pleiteando o reconhecimento da decadência dos débitos lançados em tais competências. 3.2. Aduz que não há nos autos qualquer indício da existência de fraude, dolo ou simulação, razão pela qual não há que se falar em aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche demais requisitos de admissibilidade. 4.1. Salientese que o conhecimento do recurso voluntário está adstrito à aplicabilidade da regra decadencial referente às competências 04/2003 e 05/2003. DDAA DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA 5. No caso em julgamento, o sujeito passivo tomou ciência pessoal do autode infração em 26/06/2008 (efls 06), e o lançamento, como visto, abrangendo somente as competências 04/2003 e 05/2003. 6. A regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, segundo a qual o prazo decadencial é contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, é aplicável nos casos de lançamento por homologação em que tenha havido pagamento antecipado do tributo, se não configurado dolo, fraude ou simulação. 6.1. No caso dos autos, há plausibilidade de pagamento antecipado, em vista da anexação de cópias digitalizadas de guias de recolhimento referentes às competências 04/2003 (efls 360) e 05/2003 (efls 362). Fl. 416DF CARF MF Processo nº 19515.002590/200807 Resolução nº 2301000.699 S2C3T1 Fl. 417 6 6.2. Porém, antes do enfrentamento da questão recursal, fazse necessário que a unidade preparadora se pronuncie sobre a efetivação dos recolhimentos correspondentes às guias anexadas às efls 360 e às efls 362, assim como quanto à existência de outros recolhimentos espontâneos nas competências 04/2003 e 05/2003, identificandoos por estabelecimento, competência, rubrica e data de pagamento. 6.3. Em outro aspecto, no relatório fiscal não há evidência de ter havido dolo, fraude ou simulação. Há sim, referência à expedição de representações fiscais, mas os autos não estão instruídos com o teor, e tampouco há referência aos números de processos correspondentes a tais representações. 6.4. Uma vez que já se propõe que a unidade preparadora se manifeste sobre a efetivação dos recolhimentos no período do lançamento (subitem 6.2), aproveitase para que faça anexar o teor das representações fiscais mencionadas no item 7 do Relatório Fiscal, caso as mesmas tenham pertinência com o lançamento sob exame. 6.5. Após a elaboração do relatório de diligência detalhado e conclusivo, assegurarse de intimar a interessada e conceder prazo para oferecimento de contrarrazões. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 7. Com base no exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para a unidade circunscricionante atender às solicitações descritas nos subitens 6.2, 6.4 e 6.5 supra. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907884/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.903399/200953, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 78 84 /2 00 9- 04 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10283.907884/200904 Acórdão n.º 1301003.598 S1C3T1 Fl. 3 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Voto Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10283.907884/200904 Acórdão n.º 1301003.598 S1C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.563, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.903399/2009 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.563): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10283.907884/200904 Acórdão n.º 1301003.598 S1C3T1 Fl. 5 4 inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10283.907884/200904 Acórdão n.º 1301003.598 S1C3T1 Fl. 6 5 social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do ano calendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10283.907884/200904 Acórdão n.º 1301003.598 S1C3T1 Fl. 7 6 Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo se assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10283.907884/200904 Acórdão n.º 1301003.598 S1C3T1 Fl. 8 7 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903062/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil, que conheceu do recurso por entender que a matéria era competência desta Seção. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.902770/2009-62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil, que conheceu do recurso por entender que a matéria era competência desta Seção. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.902770/2009-62, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa).
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CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE CSLL, PIS/PASEP E COFINS (CÓD. 5952). PAGAMENTO A MAIOR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil, que conheceu do recurso por entender que a matéria era competência desta Seção. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.902770/200962, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para substituir o conselheiro ausente), Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Extraordinária (Ausência justificada do conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 03 06 2/ 20 09 -4 9 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13819.903062/200949 Resolução nº 1302000.637 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão da DRJ de Campinas que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrando a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CÓDIGO 5952. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE PROVA. Recolhimentos efetuados sob código 5952 são referentes a retenções de CSLL, PIS e COFINS previstas no art. 30 e 31 da Lei 10.833/2003, à alíquota total de 4,65% (1%, 0,65% e 3%), não se justificando a alegação de que outras seriam as alíquotas. Se o crédito pretendido decorre de retenções na fonte previstas em outros dispositivos legais, correspondentes a códigos de receita diferentes do que aquele indicado no DARF apontado como origem do crédito, necessária seria a identificação dos fatos geradores envolvidos e a apresentação das respectivas provas documentais. Não apresentados esclarecimentos que permitam acatar a alegação de erro no preenchimento da DCTF, não há como reconhecer direito creditório. Cabe ao contribuinte anexar à impugnação as provas documentais referentes aos fatos por ele alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente alega que teria recolhido indevidamente PIS/COFINS/CSLL SERVIÇOS (Código 5952 Contribuições Sociais Retidas na Fonte CSRF). Sustenta que, o correto seria o recolhimento de PIS e COFINS incidentes na aquisição de peças automotivas (e não retenção de prestadores de serviços). Salientou que, os valores devidos teriam sido recolhidos em duplicidade (as alíquotas de PIS e COFINS foram alteradas de 0,50% para 1,00% e 2,50% para 5,0%. No Despacho Decisório Eletrônico, verificase que a não homologação fundamentouse na inexistência de crédito, face à utilização integral do valor, na forma confessada pela recorrente, em DCTF. A recorrente alega que, esse resultado decorre do fato de que, não teria sido possível retificar a DCTF, anteriormente ao Despacho Decisório, pelo fato de que havia procedimento de fiscalização em andamento, referente ao período de apuração em questão. A retificação de DCTF resultou na redução da CSRF devida. A DRJ não acolheu os argumentos de que teria havido recolhimento em duplicidade, pelo fato de que a recorrente apresentou os PER/DCOMP sem retificar as DCTF para aflorar o direito creditório que pleiteava. Assim, manteve a não homologação da DCOMP em questão. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13819.903062/200949 Resolução nº 1302000.637 S1C3T2 Fl. 4 3 Devidamente intimada dessa decisão, apresentou recurso voluntário, tempestivamente, por meio do qual reforçou seus argumento de que teria crédito de pagamento a maior de CSLL, PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.634, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.902770/200962, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302 000.634): "Com a devida vênia ao entendimento externado pelo D. Relator, e entendendo a sua preocupação com a eficiência deste órgão na prestação jurisdicional administrativa, de fato a posição originariamente assumida pela 2ª da Turma Ordinária da 4ª Câmara estava, realmente, correta. Isto porque, não obstante consignar no DARF, origem pretensa do crédito postulado neste feito, código de receita que remete ao recolhimento, por retenção da CSLL, conjuntamente, com a contribuição para o PIS e para a COFINS, é inegável que o próprio contribuinte limite o seu direito creditório a um alegado indébito relativo, exclusivamente, às duas últimas exações. Nesta esteira, a teor dos preceitos do art. 4º, I, observase a competência exclusiva da 3ª Seção para o julgamento de feitos que revolvam as contribuições; como, no caso, não existe, no direito creditório pretendido, a concorrência de outras espécies tributárias, afeitas à competência das demais seções (repitase, a despeito de tratar das Contribuições retidas na fonte, a origem do crédito postulado cinge à contribuição para o PIS e à COFINS), não se aplicam à espécie a regra excepcional dos arts. 7º e 8º, prevalecendo a norma geral de competência preconizada pelo mencionado. art. 4º. É, portanto, inegável a incompetência desta turma para apreciação da matéria em testilha. A luz do exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de, declinando a competência para a análise da matéria posta em exame, determinar a remessa dos autos à 3ª Seção de julgamentos deste CARF." Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13819.903062/200949 Resolução nº 1302000.637 S1C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por declinar a competência em prol da 3ª Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.002048/98-52
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1993, 1994
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR LEI COMPLEMENTAR 118/05. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 91.
O prazo para se pleitear a restituição e compensação de tributos cujo lançamento se dá por homologação, anteriormente à Lei Complementar 118/2005, é de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos da súmula CARF 91.
Numero da decisão: 9900-001.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausentes os conselheiros Luís Flávio Neto e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 1993, 1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR LEI COMPLEMENTAR 118/05. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 91. O prazo para se pleitear a restituição e compensação de tributos cujo lançamento se dá por homologação, anteriormente à Lei Complementar 118/2005, é de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos da súmula CARF 91.
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 1993, 1994 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PERÍODO ANTERIOR LEI COMPLEMENTAR 118/05. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 91. O prazo para se pleitear a restituição e compensação de tributos cujo lançamento se dá por homologação, anteriormente à Lei Complementar 118/2005, é de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos da súmula CARF 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 20 48 /9 8- 52 Fl. 221DF CARF MF 2 de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausentes os conselheiros Luís Flávio Neto e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela União em face do Acórdão CSRF nº 0401.138, proferido pela Quarta Turma da CSRF, em sessão de 04/11/2008, onde, foi negado provimento ao Recurso Especial interposto pela União, reconhecendo que nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação destes eventos jurídicos que começa a fluir que o contribuinte possui para pleitear a restituição, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1993, 1994 ILL SOCIEDADE LIMITADA INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PARA RESTITUIÇÃO DO INDEDITO. 1. Nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação destes eventos jurídicos que começa a fluir que o contribuinte possui para pleitear a restituição. 2. Publicada em 25 de junho de 1997 a Instrução Normativa SRF, n.° 63, por meio da qual a Administração reconheceu que não era devido crédito tributário exigido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, o prazo que o contribuinte tem para pedir a restituição estendese até 25 de junho de 2002. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, determinando o retomo dos autos à DRF de origem para análise das demais questões, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A conselheira Maria Helena Coita Cardozo acompanhou o Relator pelas conclusões, aplicando a tese dos "5anos + 5anos", contados o pagamento indevido para pleitear a restituição. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10410.002048/9852 Acórdão n.º 9900001.033 CSRFPL Fl. 222 3 Na origem tratase de pedido de compensação de débito de CSLL dos meses de fevereiro e março do anocalendário 1995, com créditos de pagamento indevido de imposto de renda sobre o lucro líquido ILL declarado inconstitucional pelo STF, relativo ao segundo semestre de 1992. O pedido foi protocolado em 15/10/1998. Na decisão recorrida entendeuse que o direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. A União, irresignada, apresentou recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fulcro no artigo 9°. do Regimento Interno da CSRF, aprovado pelo Portaria MF 147/2007, vigente época da aludida decisão. Alega a União que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro Na análise de admissibilidade do Recurso, o então Presidente substituto do CARF verificando divergência jurisprudencial, deu seguimento ao Extraordinário. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator O Recurso Extraordinário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos, nos termos do despacho de admissibilidade. Conforme entendimento do Poder Judiciário, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a Fazenda possui prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo (prazo decadencial). No silêncio da Fazenda, ocorre a homologação tácita do lançamento e consequente extinção do crédito tributário em referido período. Já o prazo para o contribuinte exercer seu direito de pleitear a restituição dos tributos indevidamente pagos é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, de acordo com o artigo 168, I, do CTN. Portanto, no caso de tributos cujo lançamento ocorre pela modalidade homologação, no silencio do fisco no prazo de 05 anos contados do fato gerador, operase a extinção do crédito, fazendo nascer para o contribuinte o direito à pleitear a restituição de eventual valor pago indevidamente. Fl. 223DF CARF MF 4 Isso anteriormente à Lei Complementar 118/05. O STJ, no julgamento do RESP 1.002.932 sob o rito do artigo 543C, §7º, do CPC, em 25/11/2009 asseverou que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título de tributo. O STF, no julgamento do RE 566.621 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, em 04/08/2011, reconhecendo a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar 118/05, entendeu válida a aplicação do novo prazo de 05 anos para apenas as ações ajuizadas após o prazo de vacatio legis de 120 da publicação da referida Lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Nesse contexto foi publicada a Súmula CARF 91, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Diante desse quadro, considerando que os créditos pleiteados pelo contribuinte são relativos ao ILL dapurado no 2º semestre de 1992 e pago entre outubro de 1992 a março de 1993 e que o pedido de restituição e compensação foi protocolado em 15/10/1998, não ocorreu a decadência do direito do Contribuinte. Assim sendo, voto por NEGAR provimento ao Recurso Extraordinário, com retorno dos autos para a DFR para se manifestar quanto ao mérito do pedido. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721877/2016-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER.
Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RECEITAS
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF nº 2
TAXA SELIC. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF nº 4
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL.
Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da contribuinte quanto à imputação de responsabilidade do sócio, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RECEITAS Considera-se definitiva, na esfera administrativa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF nº 2 TAXA SELIC. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF nº 4 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 797 1 796 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.721877/201609 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.224 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente COSMEX EXCELENCIA EM COSMETICOS LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RECEITAS Considerase definitiva, na esfera administrativa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF nº 2 TAXA SELIC. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. SÚMULA CARF nº 4 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 18 77 /2 01 6- 09 Fl. 797DF CARF MF 2 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da contribuinte quanto à imputação de responsabilidade do sócio, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a recorrente acima identificada, para cobrança dos seguintes créditos tributários relativos ao anocalendário de 2012, todos acrescidos de multa de ofício qualificada de 150% e de juros de mora. Tributo Valor IRPJ R$ 37.102,80 CSLL R$ 24.550,36 O lucro foi arbitrado pois o autuado, em que pese intimado, não regularizou sua escrituração contábil perante o SPED e nem apresentou o livro caixa, o diário e razão, e sequer apresentou os documentos comprobatórios solicitados, imprescindíveis para análise dos lançamentos contábeis e para verificação de sua correção e veracidade. Desta forma, a escrituração contábil apresentada ao Sped (situação: SOB EXIGÊNCIA) não foi suficiente para embasar a apuração do lucro presumido. Além disso, a escrituração contábil apresentou severa falha que a torna imprestável para identificar a real movimentação financeira da empresa, posto que registra receita operacional bruta escriturada em sua contabilidade (conta sintética 311) foi no valor total de R$ 26.662,05, enquanto que as Notas Fiscais Eletrônicas emitidas para o período totalizam R$ 2.708.975,03, incluindo o IPI, e R$ 2.328.287,73, excluindo o IPI, lançado destacadamente nas notas. A multa de ofício foi qualificada tendo em vista que as receitas informadas pela empresa à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) por intermédio das DIPJs e das DACON foram bastante inferiores às realmente auferidas, o mesmo ocorrendo em relação às receitas escrituradas em sua contabilidade (conta sintética 311). Assim, conforme razões de Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10120.721877/201609 Acórdão n.º 1302003.224 S1C3T2 Fl. 798 3 arbitramento, a mesma, por ato omissivo ou comissivo de seus administradores, tentou impedir dolosamente o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, das características materiais dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL devidos pela empresa na sistemática do lucro presumido de forma a não recolher estes tributos. Ficou caracterizada, assim, a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/64, especificamente na modalidade do seu inciso I, ensejando a aplicação de multa de 150% sobre os tributos aqui lançados, conforme art. 44, inciso I, e § 1º da Lei nº 9.430/96. Foi imputada a responsabilidade solidária ao Sr. Jeová de Souza Pimentel, CPF. 153.704.53187, pois era à época dos fatos geradores e da transmissão das declarações era o sócio administrador da empresa. Assim, omissa ou comissivamente, tentou impedir dolosamente o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, das características materiais dos fatos geradores dos tributos devidos, ficando caracterizada a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Como a conduta do sócioadministrador foi contrária à lei (art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90; art. 56 da Lei nº 8.981/95; art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 71 da Lei nº 4.502/64), restou caracterizada sua responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos nos autos de infração do IRPJ e da CSLL, conforme art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Em sessão do dia 19 de janeiro de 2017, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO prolatou Acórdão nº 1463.736, julgando improcedente a impugnação, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 Fl. 799DF CARF MF 4 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPUGNAÇÃO. A pessoa jurídica autuada não tem legitimidade para questionar a responsabilidade atribuída ao seu sócio administrador. A ciência da decisão de primeiro grau ocorreu em 10/02/2017, conforme AR acostado aos autos às fls. 763. O recurso voluntário foi apresentado em 14/03/2017, fls. 767/781, com as seguintes alegações: Da autuação o recurso voluntário é tempestivo. apresentou impugnação onde sustentou, em síntese: i) da inaplicabilidade da solidariedade prevista na legislação e ii) da inexistência de multa de 150%. não obstante as evidentes irregularidade, a decisão recorrida manteve procedente o lançamento, não podendo prosperar, devendo ser reformada. Da inaplicabilidade da solidariedade prevista na legislação a autoridade fiscal menciona a solidariedade do sócio, ignorando os ditames dos artigos 124 e 125 do CTN, sendo o auto de infração, neste ponto, viciado por ausência de fundamentação jurídica. as hipóteses em que cabe responsabilidade dos sócios pelos créditos fazendários, ainda assim, subsidiária, só se configuraria nos casos de dissolução irregular da sociedade, excesso de poderes nos atos administrativos à lei, conforme prevê o artigo 135 do CTN. desta forma, não há motivo legal para se direcionar a exigência em questão ao sócio e terceiro, haja vista que não constam nos autos quaisquer provas ou indícios de que eles tenham agido conforme aquelas situações. de acordo com a jurisprudência, a exigência só poderia ser redirecionada ao sócio quando ficasse comprovada a ocorrência de alguma das hipóteses legais (excesso de poderes, infração à lei ou na hipótese de dissolução irregular da empresa), e, mesmo assim, somente quando não puder ser cobrada diretamente da empresa, haja vista que, a eventual responsabilidade do sócio não nasce com a dívida. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10120.721877/201609 Acórdão n.º 1302003.224 S1C3T2 Fl. 799 5 para uma correta aplicação da Lei a este caso, o sócio deve ser excluído da lide, por guardar consonância com o entendimento dos Tribunais Superiores sobre o assunto, e, por conseqüência, o auto de infração deve ser julgado nulo também por este motivo. Da multa de 150% quanto à aplicação da multa de 150%, a decisão recorrida se equivoca ao entender que tal procedimento está perfeitamente amparado pela legislação. através do Recurso Extraordinário nº 833.106, o STF decidiu que seria ofensa à Constituição Federal a aplicação pelos fiscos de multa em percentuais superiores ao valor original do débito tributário, com base no artigo 150, IV da CF, pois caracteriza confisco pela autoridade tributária. assim, caso se entende pela procedência do lançamento, que seja afastado o parâmetro estabelecido a título de multa de ofício, ante o seu caráter confiscatório. Da possibilidade da não aplicação de normas pelo órgão administrativo julgador por inequívoca incompatibilidade com a Constituição Federal não se pretender requerer a declaração inconstitucionalidade de normas infraconstitucionais por este ilustre órgão julgador, mas a sua não aplicação por inequívoca incompatibilidade com a CF/88. não há como negar que os tribunais administrativos e os judiciais, num primeiro momento, exercem a mesma tarefa, qual seja, a estabilização de conflitos entre o fisco e os contribuintes, procedendo o controle da legalidade da norma jurídica tributária. Do pedido requer a reforma da decisão recorrida, anulando o auto de infração, julgandoo totalmente improcedente, ou, caso entenda pela subsistência do lançamento, requer que o sócio seja excluído da lide, seja excluída a Taxa Selic, aplicandose juros de mora de 1% nos termos do § 1º do artigo 161 do CTN, bem como reduzida a multa em patamar condizente com a realidade dos fatos e com a condição econômica da recorrente. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Entretanto, deixo de conhecer as alegações acerca da responsabilidade solidária, em função da falta de representatividade processual da pessoa jurídica para defender interesses de terceiros, ainda que seja seu sócio administrador. Fl. 801DF CARF MF 6 De fato, o recurso voluntário foi apresentado somente pela pessoa jurídica autuada, COSMEX EXCELÊNCIA EM COSMÉTICOS LTDA. O recurso voluntário foi assinado pelo advogado, cuja procuração, acostada aos autos às fls. 728, tem como outorgante apenas a recorrente. A falta de legitimidade da pessoa jurídica para defender os interesses dos sócios já foi objeto de julgamento por esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Primeira Seção do CARF, por meio do Acórdão nº 1302002.570, da lavra do i. Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, do qual transcrevo a ementa acerca da matéria. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. No citado Acórdão, o Conselheiro também cita decisão no STJ, nos autos do Recurso Especial nº 1.347.627 (Rel. Min. Ari Pargendler, DJe 21/12/2013), concluindo pela ilegitimidade da pessoa jurídica para interpor recurso em defesa de interesse dos seus sócios. Abaixo transcrevo parte do voto condutor: Tratouse de julgado conforme o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, na forma do art 543C, do Código de Processo Civil de 1973, o que atrairia o art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, pelo que transcrevo a ementa: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DO DEVEDOR. A pessoa jurídica não tem legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08." Ressalto que a decisão recorrida já havia consignado em seu voto que não conheceria quanto às alegações acerca da responsabilidade solidária do sócio administrador, conforme trecho abaixo transcrito: De toda forma, ausente impugnação apresentada em nome da pessoa física do sócio e administrador, não cabe, em sede de julgamento, apreciar oposição à imputação de responsabilidade a tal pessoa, na medida em que a pessoa jurídica não detém legitimidade, e nem interesse, para tanto. Assim, nesta parte, não se conhece da impugnação. Pelo acima exposto, conheço em parte do recurso voluntário. Da nulidade A recorrente alega nulidade do lançamento, pois a responsabilização do sócio estaria em dissonância com o entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores. E, ao final do recurso, pede a anulação do lançamento, sem apresentar qualquer outro fato ou razão. Passo a julgar. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10120.721877/201609 Acórdão n.º 1302003.224 S1C3T2 Fl. 800 7 O argumento trazido pela recorrente para suscitar a nulidade é relativo à imputação da responsabilidade tributária ao sócio administrador. Em que pese não ter legitimidade para defesa do terceiro, a nulidade é questão de ordem pública e, por este motivo, passo a me pronunciar. A incorreta imputação de responsabilidade tributária não enseja a nulidade do auto de infração. Caberia, no máximo, o afastamento do terceiro do pólo passivo. No mais, importa frisar que um auto de infração será considerado nulo se os procedimentos não estiverem dentro do previsto no artigo 142 do CTN, bem como no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. No presente caso, compulsando os autos, verificase que todos os requisitos estão atendidos, pois houve a verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível. Por todo acima exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Passo a julgar as demais matérias de mérito, ressaltando que, assim como ocorreu na impugnação, a recorrente não contestou o arbitramento do lucro e a omissão de receitas. Da multa de 150% e da possibilidade da não aplicação de normas pelo órgão administrativo julgador por inequívoca incompatibilidade com a Constituição Federal A recorrente alega que a multa de ofício no valor de 150% seria inconstitucional, por caracterizar confisco, o que afronta o artigo 150, inciso IV da CF/88. Afirma, ainda, que o CARF teria competência para afastar a aplicação de uma norma infraconstitucional quando for incompatível com a CF/88. As alegações da recorrente não merecem prosperar. Isto porque já está pacificado que este órgão julgador não é competente para se analisar se lei tributária afronta ou não a constituição, e muito menos afastar a sua aplicação. Assim determina a Súmula CARF nº 2, que vincula esse colegiado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No caso, a multa de ofício qualificada tem previsão legal no artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96, que determina que o percentual de 75% será duplicado quando constatados sonegação, fraude ou conluio, definidos nos artigos 71 a 73da Lei nº 4.502/64. No presente caso, o auditor fiscal concluiu que estava comprovada a ocorrência de sonegação, motivando a qualificação da multa de ofício. Os motivos que fundamentaram a qualificação da multa não foram contestados no recurso voluntário, e sequer na impugnação. Logo, deve ser mantida multa de ofício qualificada. Do pedido Exclusão da Taxa Selic A recorrente requer a exclusão da Taxa Selic, aplicandose os juros de mora no percentual de 1%, conforme artigo 161, inciso I do CTN. Fl. 803DF CARF MF 8 Esta matéria também está pacificada neste colegiado, sendo correta a aplicação da Taxa Selic para o cálculo dos juros de mora, conforme Súmula CARF nº 4, abaixo transcrita: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário da contribuinte quanto à imputação de responsabilidade do sócio, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 804DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721293/2015-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES.
O reconhecimento da isenção prevista no RIR/99, art. 39, XXXIII (portadores de moléstia grave), requer o cumprimento de dois requisitos: rendimento ter natureza de aposentadoria, reforma ou pensão e comprovação, por meio de laudo médico oficial, da existência de doença mencionada na lei.
Numero da decisão: 2002-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente MARIA CECILIA SANGIORGI OLIVIERI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES. O reconhecimento da isenção prevista no RIR/99, art. 39, XXXIII (portadores de moléstia grave), requer o cumprimento de dois requisitos: rendimento ter natureza de aposentadoria, reforma ou pensão e comprovação, por meio de laudo médico oficial, da existência de doença mencionada na lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 12 93 /2 01 5- 84 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13819.721293/201584 Acórdão n.º 2002000.391 S2C0T2 Fl. 78 2 Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 7/10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2014. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$89,91 para saldo de imposto a pagar de R$2.145,31. A notificação noticia a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pela dependente Fabiana Olivieri, decorrentes de ação da Justiça Federal, no valor de R$25.706,20, com inclusão do IRRF correspondente, de R$771,18. Impugnação Cientificada à contribuinte em 25/3/2015, a NL foi objeto de impugnação, em 22/4/2015, às fls. 2/20 dos autos, na qual alega que o rendimento tido por omitido seria isento, por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, recebido por portador de moléstia grave. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente em decisão assim ementada (fls. 27/31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS OMITIDOS DE PROVENTOS, REFORMA, APOSENTADORIA. POSSIBILIDADE DE ISENÇÃO Os aposentados, reformados e ainda os pensionistas portadores de doenças graves são isentos do Imposto de Renda desde que se enquadrem cumulativamente nas seguintes situações: a) Os rendimentos sejam relativos à aposentadoria/reforma/pensão; e b) Seja portador de uma das doenças relacionadas em lei, e que a doença seja comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 8/6/2016 (fl. 34), a contribuinte, em 6/7/2016 (fl. 36), apresentou recurso voluntário, às fls. 36/61, no qual alega, em apertado resumo, que: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13819.721293/201584 Acórdão n.º 2002000.391 S2C0T2 Fl. 79 3 o valor decorreria de ação movida em nome da sua filha em face do INSS, na qual foi requerido o reconhecimento de sua aposentadoria por invalidez, com pagamento de valores retroativos. em face da decisão de primeira instância, requereu o desarquivamento dos autos judiciais, estando aguardando atendimento a sua solicitação. a decisão judicial faria referência expressa à moléstia grave, a qual justificou a concessão de aposentadoria por invalidez. ainda que ausente o laudo solicitado, o julgador possui livre poder de apreciação de todo o contexto para formar sua convicção. o laudo oficial estaria nos autos judiciais, já tendo sido solicitado o desarquivamento, mas os laudos de profissionais particulares e do SUS juntados ao seu recurso corroboram as alegações apresentadas. Posteriormente, em 8/7/2016, a recorrente solicitou a juntada aos autos de laudo médico pericial, extraído dos autos judiciais (fls. 67/72). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre os rendimentos recebidos pela dependente da recorrente, os quais ela alega serem isentos, por serem decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave. A isenção prevista nos incisos XXXI e XXXIII do art. 39 do RIR/99 depende do cumprimento cumulativo das seguintes condições: a) rendimentos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) sujeito passivo portador de alguma das moléstias previstas no texto legal, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Nesse tocante, pertinente colacionar a Súmula CARF nº 63: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13819.721293/201584 Acórdão n.º 2002000.391 S2C0T2 Fl. 80 4 pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso, o colegiado de primeira instância apontou a inexistência de laudo médico oficial, nos seguintes termos: No caso concreto, compulsandose a documentação apresentada pelo impugnante e acostada aos autos, observase que não foi apresentado nenhum laudo pericial médico, mas tão somente uma cópia de decisão judicial, às fls.11/12, proferida em 23/04/2012, nos seguintes termos: Tratase de ação ajuizada contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), objetivando o restabelecimento do auxíliodoença com a posterior conversão em aposentadoria por invalidez. [...] O perito judicial não soube precisar a data de início da incapacidade. Não há que se falar em preexistência, pois a enfermidade detectada pelo perito não surgiu de imediato, conforme os documentos acostados a fls.21/97. O laudo pericial, acostado fls.143/146, comprova que o(a) autor(a) é portador(a) de “esquizofrenia”. O perito judicial concluiu que o(a) autor(a) está total e permanentemente incapacitado(a) para o trabalho. Há que se ressaltar que o parecer e o laudo periciais mencionados pela decisão judicial supracitada não foram apresentados pelo impugnante no presente processo administrativo. Sendo assim, não foi atendido o requisito legal previsto no art.30, da Lei n° 9.250, de 1995, em função da ausência de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Repisese que a isenção pleiteada tem como uma das suas condições a comprovação da moléstia tipificada em lei por meio de laudo médico emitido por serviço médico da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, não podendo ser acatados para esse fim os laudos particulares e os exames juntados (fls.52/61). A recorrente junta à fl.50 laudo médico emitido por serviço municipal de saúde e, às fls. 69/72, laudo pericial emitido nos autos da ação ajuizada em face do INSS para restabelecimento de auxíliodoença e sua conversão em aposentadoria por invalidez. Esses documentos consignam que a beneficiária dos rendimento tidos por omitidos é portadora de esquizofrenia, que não está contida no rol das doenças especificadas no inciso XXXIII do artigo 39, do Decreto nº 3.000, de 1999. A menção da enfermidade esquizofrenia não pressupõe necessariamente a condição de alienação mental, destacada no recurso voluntário apresentado (fl.37). Nesse tocante, o perito judicial, em resposta ao quesito 4, afirma que a dependente da recorrente não necessita de assistência de terceiros e não é alienada mental (fl.71). Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13819.721293/201584 Acórdão n.º 2002000.391 S2C0T2 Fl. 81 5 Inexistindo nos autos laudo médico oficial que ateste a existência inequívoca de moléstia grave prevista em lei, temse como não atendido requisito legal essencial para reconhecimento da isenção, não havendo reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005213/2008-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2002-000.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 52 13 /2 00 8- 46 Fl. 138DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 06/11) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2007, onde se apurou: Dedução Indevida com Dependentes e Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. O contribuinte ingressou com impugnação (efls. 02/04), a qual foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/CGE em acórdão assim ementado (efls. 92/102): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Ementa: DEPENDENTES No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Na determinação da base de cálculo sujeita â incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. REMISSÃO. SITUAÇÃO ECONÔMICA DO CONTRIBUINTE. Não existe lei autorizadora de concessão de remissão de crédito tributário em razão de situação econômica do contribuinte. Cientificado da decisão de piso em 17/06/2010 (efls. 110), o interessado apresentou recurso voluntário em 26/07/2010 (efls. 114/118) com os argumentos a seguir sintetizados: Afirma que foi cientificado do acórdão da DRJ em 24/06/2010 e que está apresentando recurso no prazo legal. Discorre sobre questões pessoais financeiras. Solicita que seja revista a decisão preliminar quanto à glosa de suas deduções, com ênfase para aquelas referentes às pensões judiciais homologadas, uma vez que, mesmo apresentando provas do repasse total de recursos para as ex cônjuges, a Receita Federal glosou o valor acima do teto estabelecido para a referida pensão. Requer que seja julgada a sua impossibilidade material e financeira de assumir tal débito na forma requerida pela Receita Federal, haja vista sua atual condição de Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10183.005213/200846 Acórdão n.º 2002000.498 S2C0T2 Fl. 139 3 vida, sem trabalho e renda garantida para tal quitação exigida no acórdão 04 20.254/2010/DRJ/CGE. Lembra seus esforços para encontrar uma forma definitiva de regularização da sua situação fiscal junto à Receita Federal do Brasil, que poderia ser acolhida tanto como demonstração de boa fé, como também de uma forma legal de resolução da pendência em questão. Pede que suas restituições retidas possam ser utilizadas para quitar o débito descrito no processo 10183005.213/200846. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora Inicialmente, impõese analisar a arguição de tempestividade suscitada pelo recorrente. Do exame dos autos observase que a ciência do acórdão de primeira instância foi realizada em 17/06/2010, conforme Aviso de Recebimento dos Correios (efls. 110), e não em 24/06/2010 como afirma o recorrente. Notese que a ciência por via postal prevista no art. 23, II, do Decreto 70.235/72 exige apenas a prova de recebimento da intimação no domicilio tributário do sujeito passivo, independentemente de quem a tenha recebido. É nesse sentido a Súmula CARF nº 9 abaixo reproduzida: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Isso posto, concluise que a ciência da decisão de piso foi devidamente realizada, sendo válida, portanto, para a contagem do prazo para apresentação de recurso voluntário. De acordo com o art. 33, caput, do Decreto 70.235/72, o prazo para a apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Por outro lado, extraise do art. 5º do mesmo Decreto que os prazos são contínuos e devem começar e terminar em dias úteis, excluindose de sua contagem o dia do início e incluindose o dia do vencimento. Sendo assim, uma vez que a ciência do acórdão da DRJ se deu por via postal em 17/06/2010 e que a apresentação do recurso voluntário só ocorreu em 26/07/2010, conforme carimbo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cuiabá (efls. 114) , não resta dúvida sobre a intempestividade do mesmo. O despacho de efls. 136 corrobora esse entendimento. Fl. 140DF CARF MF 4 Importa observar que o atendimento da preliminar de tempestividade é pressuposto necessário para que se instaure o contencioso administrativo e, conseqüentemente, sejam analisadas as questões relativas ao mérito do processo. No caso em exame, ainda que o contribuinte defenda a tempestividade de seu recurso, a mesma não pode ser acatada por este Colegiado, haja vista os dispositivos legais supracitados. Em vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903119/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/04/2001
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/04/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/04/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 19 /2 00 9- 96 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13888.903119/200996 Acórdão n.º 3301005.383 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1427.874, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13888.903119/200996 Acórdão n.º 3301005.383 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13888.903119/200996 Acórdão n.º 3301005.383 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.903119/200996 Acórdão n.º 3301005.383 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13888.903119/200996 Acórdão n.º 3301005.383 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13888.903119/200996 Acórdão n.º 3301005.383 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.001070/2003-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.445
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso voluntário, deixando de conhecer por preclusão a alegação de decadência e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considerase preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verificase a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitandose a supressão de alguma destas. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso voluntário, deixando de conhecer por preclusão a alegação de decadência e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 10 70 /2 00 3- 42 Fl. 560DF CARF MF 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efl. 507 à 522) interposto contra o Acórdão n° 0715.376, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (efls. 496 e 503), que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de compensação proposto pelo Contribuinte. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. 0 conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante faze10 em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Solicitação Indeferida Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, de folhas 1/2, em que a contribuinte acima identificada compensou débitos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (2362) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (2484), com crédito que teria origem em saldo negativo de IRPJ (R$ 8.860,53) e de CSLL (R$ 33.438,76), referente ao ano calendário de 2002, assim como crédito de saldo negativo de Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11516.001070/200342 Acórdão n.º 1002000.445 S1C0T2 Fl. 561 3 CSLL (R$2.688,41), referente ao 1° trimestre do anocalendário de 2003. Por meio do Despacho Decisório de f. 204 a 214, as compensações foram homologadas parcialmente, mediante reconhecimento parcial de direito creditório no montante de R$ 5.265,22, a titulo de saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 2002. Para análise da procedência dos créditos apontados pela contribuinte, a autoridade recorrida recompôs a apuração do IRPJ e da CSLL desde o anocalendário de 1992, em razão de a Lei n° 8.383/91 ter autorizado a compensação de saldos negativos de IRPJ e CSLL com débitos apurados posteriormente. Os demonstrativos dessas apurações encontramse As f. 366 a 391. Os recolhimentos bem como tributos retidos na fonte informados em DIPJ e DCTF foram confrontados com os valores registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Cientificada do Despacho Decisório em 13/11/2007 (f. 454), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de f. 401 a 406, em 10/12/2007, na qual apresenta demonstrativos de apuração de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Todavia, não aponta expressamente os valores de que discorda. Anexou documentos de f. 407 a 453. Posteriormente, em 05/03/2008, apresentou complemento da manifestação de inconformidade de f. 458 a 463, no qual constam demonstrativos de apuração de IRPJ e CSLL dos anos calendário de 1993 e 1994. Continua a não apontar expressamente os valores de que discorda. Anexou os documentos de f. 464 a 486. O Recurso Voluntário, por seu turno, reitera o teor defensivo apresentado em sede instância inferior; ademais, acrescentou a necessidade de se reconhecer a decadência dos valores cobrados pelo Fisco. São estas as transcrições que merecem destaque: II. Do Direito II.a) Do Prazo Decadencial 10. Conforme anteriormente abordado, as compensações aqui discutidas, foram efetuadas em 2000 (referente saldo negativo de 1999), em 2001 (referente saldo negativo de 2000) e em 2002 (referente saldo negativo de 2001), cujos foram informados por meio de DCTF e DIPJ. 11. Neste sentido, temse um lançamento por homologação, na qual a contribuinte, por força de lei, apura e declara ao fisco os tributos por ela levantados para posterior verificação da autoridade administrativa. (...) Fl. 562DF CARF MF 4 15. Portanto é pacifico o entendimento de que o lançamento por homologação tem natureza decadencial, o que implica a perda do direito de a autoridade administrativa efetuar lançamento de oficio, podendo ser constato a aplicabilidade do § 4, art. 150, do CTN, nas decisões abaixo: (...) 16. Conforme anteriormente mencionado, somente em 13/11/2007 a contribuinte recebeu Termo de Intimação para pagamento de saldo a pagar de IRPJ e CSLL referente a homologação parcial das compensações efetuadas em 2002. 17. Da última compensação efetuada, cujo fato gerador ocorreu em 31/07/2002 até o recebimento de intimação (13/11/2007), decorreuse um prazo aproximado de 5 (cinco) anos e 3,5 (três virgula cinco) meses, ou seja, decaiu o direito do fisco se pronunciar, caracterizando assim, a homologação tácita e a extinção definitiva do crédito. II.b) Da Legitimidade da Compensação 18. Caso não seja o entendimento desde órgão a decadência levantada em preliminar, requer a aceitação das provas juntadas a fim de que seja apurada a verdade material dos fatos. 19. De acordo com a ementa deste Acórdão em análise, a autoridade administrativa alega que a contribuinte não apresentou provas suficientes para comprovar o seu direito de crédito, porque não esclarece a sua origem, o que é uma inverdade, pois a contribuinte fez juntada de copia da DIPJ, na qual apura os saldos negativos do IRPJ e da CSLL e de relatório completo dos razões onde constam os lançamentos, bem como elaborou memória de cálculo da forma que efetuou as compensações. 20. Apesar de a contribuinte discordar que os documentos e esclarecimentos foram insuficientes, uma vez que, para justificar as compensações efetivadas, juntou copias das declarações desde o anocalendário de 1993, razões e relatórios detalhando os lançamentos efetuados referente a evolução histórica da apuração e pagamento do IRPJ e da CSLL, vem juntar cópia autenticada do LALUR —Livro de Apuração do Lucro Real, parte B, na qual constam os lançamentos que controlam o saldo negativo apurado anualmente, a fim de ratificar o que já resta esclarecido pela contribuinte. (...) 23. As provas, ora juntadas, são necessárias para o deslinde da controvérsia levantada por' este órgão, onde se alega que a contribuinte, ainda não esclareceu os fatos em discussão a contento. (...) 25. Portanto, verificase que é plenamente permitida a inclusão de novas provas, cujo único objetivo é demonstrar a verdade material. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11516.001070/200342 Acórdão n.º 1002000.445 S1C0T2 Fl. 562 5 26. Da. análise das cópias do LALUR, parte B, temse o controle das compensações dos saldos negativos que estão plenamente de acordo com as DIPJs dos respectivos períodos. (...) 28. Apesar de se fazer um esboço dos períodos 2000 a 2002, cabe frisar que somente é possível a Autoridade Administrativa auditar os períodos ora em discussão, qual seja, as compensações relativas ao anocalendário 2002. 29. De acordo com o Acórdão, o órgão fiscal apurou saldo negativos apresentados pela contribuinte a partir do ano calendário 1999, o que não procede, vez que o mesmo encontra se decaído por ter transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos do fato gerador. Ainda, cabe ressaltar que em nenhum momento no texto do acórdão há a desclassificação de DIPJ, sendo assim, documento probatório para justificação do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ e da CSLL. 30. Situação semelhante acontece com as compensações efetuadas nos anoscalendários 2001 e 2002, onde além de ser verificada a decadência, não é possível à Autoridade Administrativa auditar períodos superiores a 5 (cinco) anos para recomposição de créditos. 31. Portanto, fica claramente demonstrado o direito da contribuinte em efetuar as compensações com crédito de saldo negativo apurado na DIPJ, devendo o mesmo ser homologado e extinto, além de que, decaiu o prazo para que a autoridade administrativa efetue a cobrança. III — Do Pedido: 32. Ante o exposto requer: a) o recebimento e o devido processamento do presente recurso voluntário; b) seja julgado decaído o prazo da autoridade administrativa efetuar a cobrança de qualquer saldo decorrente das compensações efetuadas com saldo negativo de CSLL e IRPJ apurados no anocalendário 2001 e compensados em 2002, vez que a intimação somente ocorreu em 13/11/2007, 5 (cinco) anos e 3,5 (três virgula cinco) meses, bem como as compensações efetuadas em 2000 e 2001 referente aos saldos negativos dos anoscalendários de 1999 e 2000, respectivamente; c) alternativamente, não sendo reconhecida a decadência do item anterior, seja reconhecido o crédito de saldo negativo de CSLL e de IRPJ apurados na DIPJ, anocalendário 2001: homologandose as compensações efetuadas em 2002, respectivamente, bem como as compensações efetuadas em 2000 e 2001 referente aos saldos negativos dos anoscalendários de 1999 e 2000, e, consequentemente a extinção dos débitos da contribuinte perante este órgão. Fl. 564DF CARF MF 6 Por fim , quando do protocolo do Recurso, restaram anexadas provas mencionadas no item "20" acima. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal observandose efetiva sucumbência do contribuinte, o Recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer; mas, em contrafluxo, existe fato extintivo relativo à preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada na primeira oportunidade, isto é, na manifestação de inconformidade e que foram trazidas pela primeira vez para discussão por ocasião do recurso voluntário, qual seja, a alegação de decadência. Tal matéria, por consectário, constitui inovação aposta no recurso voluntário. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11516.001070/200342 Acórdão n.º 1002000.445 S1C0T2 Fl. 563 7 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. Antes de analisar as matérias devolvidas para reexame na segunda instância de julgamento, tem cabimento verificar se foi observado o princípio recursal da dialeticidade, que determina que o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão de primeira instância de julgamento. A legislação processual determina que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito e com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutadas. De modo geral, a peça de defesa deve estar instruída com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Aliás, nesse aspecto também impende ressaltar que as provas acostadas no Recurso Voluntário já deveriam ter acompanhado a respectiva exordial defensiva, até mesmo em virtude de se tratarem de informações já disponíveis ao Recorrente naquela oportunidade. Cumpre recordar que o recurso voluntário é o meio idôneo a ensejar o reexame das questões decididas em primeira instância de julgamento com a finalidade de obter um pronunciamento mais favorável relativamente à sucumbência. Com exceção da avaliação de uma ⃰objeção, por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento , em regra o efeito devolutivo, inerente ao mecanismo recursal, promove o restabelecimento do poder de apreciar a mesma questão em segunda instância de julgamento. As razões recursais que se fundarem em inovação à lide não se contrapõem aos termos previstos no ato de deliberação que se pretende reformar, ficando evidente a violação princípio da dialeticidade 1, e caracterizada a supressão de instância. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estaríamos diante de evidente supressão de instância. Ademais, o efeito translativo que permite ao juízo ad quem apreciar matérias de ordem pública deve ser dimensionado com prudência, a fim de que se evite a lesão prática à 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 27, art. 37 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 566DF CARF MF 8 razoável duração do processo — e, simultaneamente, ao devido processo legal —, restringindose sua amplitude efetivamente aos recursos nos quais se possa constatar inegavelmente contextualizadas as matérias de ordem pública, não se prestando para, sem que haja qualquer evidência de existência destas, justificar e qualificar como obrigatória a apreciação de arrazoados e alegações sem conteúdo cujo caráter seja incontestável/inequívoco, aos quais a defesa pretenda atribuir interesse público, adstrito ao regular andamento processual, que ultrapasse o interesse das partes. Noutro ângulo, refutemse as críticas que se baseiam no entendimento de que o duplo grau de jurisdição é garantia inserida na Carta Constitucional, e seria desrespeitado caso não admitidas em recurso voluntário as alegações às quais sejam associadas matérias de ordem pública. Primeiro, é preciso dizer que tal condição não existe expressamente no texto constitucional, e a análise conjunta dos dispositivos constitucionais aponta para um previsão de duplo grau de jurisdição, e não para uma garantia taxativa. Segundo, tratase de comando dirigido ao Poder Judiciário, com impacto na organização judiciária e na elaboração de sua estrutura através de seus regimentos, não dirigido originalmente aos órgãos julgadores administrativos — embora não haja impeditivo para este fim. O duplo grau é de jurisdição. Terceiro, Havendo no processo administrativo tributário impugnação e recurso voluntário à disposição do contribuinte, fica configurada a oportunidade para que seja a defesa exercida em duas esferas decisórias. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor do Acórdão n.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como de precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos: Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Essa vertente intelectiva decorre do aspecto de eventualmente se acatar a ordem pública carreada exclusivamente no Recurso Voluntário com o objetivo de clamar o favorecimento da tese do Contribuinte quando este tem de fato razão em seu pleito. Ou seja, o reconhecimento dessa tese inédita em sede recursal (como razão de ordem pública) darseia apenas nos casos em que as circunstâncias fática e jurídica estivessem favoráveis ao Recorrente, o que não é o caso, pois não há decadência a ser apreciada no presente PAF. Ademais, é relevante destacar que o marco inicial da contagem da decadência é data da transmissão da DCOMP, que, no caso, ocorreu em 13/05/2003. Sendo que o lustro tem como gênese este termo a quo, e deve o Fisco apreciar a Compensação nos 5 anos subsequentes. Outrossim, o Despacho Decisório teve sua ciência expedida em 05/11/2007, portanto dentro do prazo quinquenal. Logo, não há reconhecimento de decadência. Logo, compelese conhecer apenas parcialmente do Recurso Voluntário. Da compensação Quanto à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. Alega o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11516.001070/200342 Acórdão n.º 1002000.445 S1C0T2 Fl. 564 9 O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, o Recorrente não adimpliu seu mister documental, de modo que sequer apresentou expressamente os valores que lastreiam sua compensação, nem mesmo com as informações complementadas a posteriori. Portanto, assiste razão o Acórdão a quo, o qual analisou com louvável detalhamento o pleito do Recorrente, pelo que transcrevo suas passagens relevantes, pelo que também utilizo destas como fundamento para a presente decisão: O complemento de manifestação de inconformidade, por conta de sua apresentação intempestiva, não poderá ser objeto de apreciação. E o que se infere a partir do que dispõem os arts. 48 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005 e 16 do Decreto n° 70.235/72, in verbis (grifei): (...) No referido complemento, são apresentados demonstrativos referentes a períodos não mencionados na manifestação de inconformidade apresentada no prazo legal. Ou seja, não se trata de mera prova documental, cuja apresentação após o prazo legal é admitida em determinados casos. A recorrente justifica a apresentação extemporânea (atraso de quase três meses) pelo fato de "não dispormos das respectivas cópias face o prazo decorrido". Entretanto, tal justificativa não pode ser acatada, pois é ônus da peticionária provar a existência de crédito passível de compensação e, segundo art. 4° do Decretolei n° 486/1969, matriz legal do caput do art. 264 do RIR/99: Art. 264 — A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Não obstante, verificase perfunctoriamente que os demonstrativos apresentados não têm o condão de alterar a Fl. 568DF CARF MF 10 apuração feita pela autoridade recorrida, porque os valores pretensamente recolhidos não estão acompanhados dos respectivos comprovantes, sendo apenas apresentadas cópias de registros do livro Razão. Além disso, não são apontados expressamente os valores de que se discorda, nem os valores foram expressos em UFIR, o que dificulta a comparação dos valores apurados pela autoridade recorrida. De qualquer forma, as peças apresentadas a destempo não poderiam mesmo ser apreciadas, em função da vedação estabelecida no citado § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Da manifestação de inconformidade A manifestação de inconformidade preenche os requisitos legais de admissibilidade; dela conheço. Em análise do arguido, constatase que a recorrente utilizase do mesmo procedimento de não apontar expressamente os valores de que discorda da apuração da autoridade recorrente, limitandose a apresentar demonstrativos. Deste modo, passase a analisar as discrepâncias de cada demonstrativo apresentado: IRPJ — anocalendário de 2000 (...) Deste modo, permanece incólume a apuração feita pela autoridade recorrida, que se ampara nas declarações (DIPJ e DCTF) apresentadas pela recorrente desde 1992, assim como nos recolhimentos e imposto de renda retido na fonte, registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil. • IRPJ — anocalendário de 2001 (...) Deste modo, permanece incólume a apuração feita pela autoridade recorrida, que se ampara nas declarações (DIPJ e DCTF) apresentadas pela recorrente desde 1992, assim como nos recolhimentos e imposto de renda retido na fonte, registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil. IRPJ — anocalendário de 2002 (...) Compulsandose os autos, verificase que o anexo XVI é cópia de uma página do livro razão (f. 422) em que se demonstra os lançamentos contábeis que teriam sido feitos para compensar as estimativas mensais de 2002. Entretanto, tal demonstração não é suficiente para infirmar a apuração do fisco, porque não esclarece a origem do crédito de R$ 169.099,39, mas tão somente sua utilização na compensação com estimativas mensais. Deste modo, permanece incólume a apuração feita pela autoridade recorrida, que se ampara nas declarações (DIPJ e DCTF) apresentadas pela recorrente desde 1992, assim como Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11516.001070/200342 Acórdão n.º 1002000.445 S1C0T2 Fl. 565 11 nos recolhimentos e imposto de renda retido na fonte, registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil. CSLL — anocalendário de 2000 (...) A autoridade recorrida apurou um saldo negativo de R$ 116.155,35, para o anocalendário de 1999, conforme demonstrado à f. 388 e anteriores. Por sua vez, a recorrente sustenta que esse saldo seria de R$ 120.320,50 e, para comprovar, remete para o "anexo XXIX". Compulsandose os autos, verificase que o anexo XXIX é cópia de uma página do livro razão (f. 443) em que se demonstra os lançamentos contábeis que teriam sido feitos para compensar as estimativas de meses de 2000. Entretanto, tal demonstração não é suficiente para infirmar a apuração do fisco, porque não esclarece a origem do crédito de R$ 120.320,50, mas tão somente sua utilização na compensação com estimativas mensais. Deste modo, permanece incólume a apuração feita pela autoridade recorrida, que se ampara nas declarações (DIPJ e DCTF) apresentadas pela recorrente desde 1992, assim como nos recolhimentos e imposto de renda retido na fonte, registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil. CSLL — anocalendário de 2001 (...) A autoridade recorrida apurou um saldo negativo de R$ 72.404,24, para o anocalendário de 2000, conforme demonstrado à f. 389 anteriores. Por sua vez, _ a recorrente sustenta que esse saldo seria de R$ 77.524,31 e, para comprovar, remete para o "anexo XXXI". Compulsandose os autos, verificase que o anexo XXXI é cópia de uma página do livro razão (f. 445) em que se demonstra os lançamentos contábeis que teriam sido feitos para compensar as estimativas de meses de 2001. Entretanto, tal demonstração não é suficiente para infirmar a apuração do fisco, porque não esclarece a origem do crédito de R$ 72.404,24, mas tãosomente sua utilização na compensação com estimativas mensais. Deste modo, permanece incólume a apuração feita pela autoridade recorrida, que se ampara nas declarações (DIPJ e DCTF) apresentadas pela recorrente desde 1992, assim como nos recolhimentos e imposto de renda retido na fonte, registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil. CSLL — anocalendário de 2002 (...) Fl. 570DF CARF MF 12 A discrepância com os valores apurados pela autoridade recorrida fica por conta dos valores compensados com saldo negativo de 2001, pois os demais montantes foram confirmados. A autoridade recorrida apurou um saldo negativo de R$ 99.287,02, para o anocalendário de 2001, conforme demonstrado à f. 390 e anteriores. Por sua vez, a recorrente sustenta que esse saldo seria de R$ 103.726,61 e, para comprovar, remete para o "anexo XXXV". Compulsandose os autos, verificase que o anexo XXXV é cópia de uma página do livro razão (f. 449) em que se demonstra os lançamentos contábeis que teriam sido feitos para compensar as estimativas de meses de 2002. Entretanto, tal demonstração não é suficiente para infirmar a apuração do fisco, porque não esclarece a origem do crédito de R$ 103.726,61, mas tão somente sua utilização na compensação com estimativas mensais. Deste modo, permanece incólume a apuração feita pela autoridade recorrida, que se ampara nas declarações (DIPJ e DCTF) apresentadas pela recorrente desde 1992, assim como nos recolhimentos e imposto de renda retido na fonte, registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Conclusão Ante todo o exposto, concluise que a recorrente não logrou infirmar a apuração feita pela autoridade administrativa recorrida. Por fim, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11516.001070/200342 Acórdão n.º 1002000.445 S1C0T2 Fl. 566 13 Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas Fl. 572DF CARF MF 14 pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer parcialmente do Recurso voluntário, deixando de conhecer por preclusão a alegação de decadência e, no mérito, em lhe negar provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 573DF CARF MF
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