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Numero do processo: 10580.010262/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para a constituição de exigência previdenciária decorrente de descumprimento de obrigação acessória inicia sua contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
FOLHA DE PAGAMENTO. PENALIDADE ISOLADA.
Uma única ocorrência é suficiente para aplicação da penalidade por descumprimento de obrigação acessória por ter o contribuinte deixado de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço.
Numero da decisão: 2201-004.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de exigência previdenciária decorrente de descumprimento de obrigação acessória inicia sua contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. FOLHA DE PAGAMENTO. PENALIDADE ISOLADA. Uma única ocorrência é suficiente para aplicação da penalidade por descumprimento de obrigação acessória por ter o contribuinte deixado de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço.
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DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de exigência previdenciária decorrente de descumprimento de obrigação acessória inicia sua contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. FOLHA DE PAGAMENTO. PENALIDADE ISOLADA. Uma única ocorrência é suficiente para aplicação da penalidade por descumprimento de obrigação acessória por ter o contribuinte deixado de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 02 62 /2 00 7- 37 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 128 2 O presente processo trata do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, NFLD 37.071.8771, fl. 2, por ter o contribuinte, no período de 01/1999 a 03/2002, deixado de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, infringindo o contido no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225 inciso I e II do Regulamento da PRevidência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A infração em tela está relacionada aos levantamentos objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos. DEBCAD 37.071.8780 e 37.071.8798, objeto dos processos administrativos nº 10580.010263/200781 e 10580.010261/200792, respectivamente. Ciente do lançamento em 28 de julho de 2007, conforme AR de fl. 66, inconformado, o contribuinte formalizou a impugnação de fl. 70 e ss, lastreada nas seguintes questões: II DA PRELIMINAR AUSÊNCIA DE CLAREZA DA NFLD SUPRESSÃO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO.(...) fl. 70 “Portanto, informações generalizadas e imprecisas, ausência da descrição pormenorizada da forma de calcular a atualização monetária, os juros de mora, e, ainda, a ausência de definição da natureza da dívida, por si só, já implicam em NULIDADE do lançamento fiscal realizado”, fl. 74. III DO MÉRITO A) DA DECADÊNCIA .(...) fl. 75 Considerando que a lavratura desta autuação só se deu em julho de 2007, e que o prazo decadencial iniciase com a ocorrência do fato gerador, É INQUESTIONÁVEL A DECADÊNCIA DE TODO O PERÍODO LAVRADO 01/1999 a 03/2003 , PELO QUE FULMINADAS DE TOTAL IMPROCEDÊNCIA”, fl. 80. B) COBRANÇA DE MULTA COM CARÁTER CONFISCATÓRIO: AFRONTA ÀS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS. fl. 81 No presente caso, inobstante a absoluta improcedência da autuação imposta à Impugnante, vale a advertência de que está sendo aplicada multa em valor nitidamente confiscatório, em afronta direta as garantias constitucionais do cidadão contribuinte; configurandose, com esta atuação, típica violação aos direitos mais básicos assegurados pela Constituição Federal. Na análise da impugnação, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA exarou o Acórdão 1515.596, de 17 de março de 2008, fl. 93 a 101, em que considerou parcialmente procedente o lançamento, afastando a ocorrência de circunstância agravante, reduzindo a autuação de R$ 2.390,26 para R$ 1.195,13. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 129 3 Ciente do Acórdão da DRJ em 11 de agosto de 2008, AR de fl. 104, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 106 e ss, em 10 de setembro de 2008, no qual discorre sobre as razões que, no seu entendimento, justificariam a reforma da decisão de 1ª instância. Tais razões foram detalhadamente expostas nos seguintes tópicos do Recurso, sendo, basicamente, a reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação: A) Da nulidade da "NFLD"; B) Da Decadência. Em seus pedidos, pleiteia o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração e da decadência para o período fiscalizado. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Inicialmente, importante destacar que o presente processo foi distribuído a este Relator em 17 de outubro de 2018, em razão de vinculação requerida em fl. 114. DA NULIDADE DA NFLD Afirma a defesa que a decisão recorrida reconheceu que não ficou caracterizada a reincidência, reduzindo à metade o valor da autuação, não obstante, entendeu que o Auto de Infração traz informações seguras e detalhadas sobre a infração cometida, a legislação aplicável, bem como a forma de cálculo da multa.. Sustenta que tais argumentos não validam a atuação e que a fiscal autuante desconsiderou os requisitos trazidos pelo art. 10 do Decreto 70.235/72. Assim dispõe o citado art. 10 do Decerto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 130 4 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A análise do documento de fl. 02 evidencia que todos os requisitos elencados na legislação de regência foram contemplados. Por outro lado, quanto à nulidade, o mesmo Decreto 70.235/72 estabelece, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não identifico tais máculas no presente processo. Assim, rejeito a preliminar. DA DECADÊNCIA DAS COMPETÊNCIAS LANÇADAS. Afirma o recorrente que decisão do STJ declarou inconstitucional o art. 45 da lei 8.212/91, decisão esta que foi ratificada pelo STF, dando azo à Sumula Vinculante nº 08. Quanto ao tema, assim restou ementada a decisão recorrida, fl. 93: DECADÊNCIA. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos somente extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme art. 45 da Lei n° 8.212/91. Sobre o amparo legal da decisão recorrida no que se refere à decadência, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 131 5 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifouse Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este Conselho adota o entendimento do STJ, no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo. Assim, o prazo decadencial inicia sua fluência com a ocorrência do fato gerador, nos casos de lançamento por homologação, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Por outro lado, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inciso I do art. 173 do CTN, nos demais casos, configurando esta a regra e aquela a exceção. No presente caso, estamos diante de um lançamento por descumprimento de obrigação acessória, assim, a regra aplicável para contagem do prazo decadencial é a disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Desta forma, considerando a periodicidade mensal da elaboração da folha de pagamento, bem assim que a ciência do lançamento ocorreu em 28 de julho de 2007, evidenciase que a decadência suscitada pela recorrente alcança todo o período de apuração anterior novembro de 2001, inclusive. Não obstante, cumpre destacar que a presente autuação tem lastro na alínea "a" do inciso I, do art. 283 do Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), em que uma única ocorrência é suficiente para ensejar a penalidade isolada. Assim, como a suscitada decadência não alcança todo o período a que se refere à autuação, a qual alcança os fatos identificados até março de 2002, há que reconhecer a procedência do lançamento. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10580.010262/200737 Acórdão n.º 2201004.807 S2C2T1 Fl. 132 6 Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720904/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA)
Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular.
DO VALOR DA TERRA NUA (VTN)
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Numero da decisão: 2201-004.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 437 1 436 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.720904/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.740 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Recorrente VOTORANTIM SIDERURGIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 09 04 /2 00 9- 81 Fl. 437DF CARF MF 2 Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 371/398, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 343/365, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento de Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2006, acrescido de multa lançada e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda São Bento II", cadastrado na RFB sob o nº 4.899.5258, com área declarada de 524,4 ha, localizado no Município de Passa Quatro/MG. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 103.309,90 (cento e três mil, trezentos e nove reais e noventa centavos), já incluídos os juros e a multa. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2006 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 06106/00013/2009 de fls. 06/07, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Identificação do contribuinte; 2º matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; 3º Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR – do INCRA; 4º Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido dentro de prazo junto ao IBAMA; 5º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que comprovem as áreas de preservação permanente declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; 6º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 438 3 permanente, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 7º matrícula atualizada do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 8º documento que comprove a localização da área de reserva legal, nos termos do § 4º do art. 16 do Código Florestal, introduzido pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001; 9º Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2005, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2005 no valor de R$: • cultura/lavoura R$ 3.000,00. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, a contribuinte apresentou as correspondências de fls. 11/12 e 42 e juntou aos autos os documentos de fls. 13/41 e 43/105. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2006, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de preservação permanente de 329,0 ha, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$731.000,00 (R$1.394,01/ha) para o arbitrado de R$1.335.615,33 (R$2546,94/ha), com base em valor médio constante do SIPT, com consequentes aumentos da área tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota aplicada, e disto resultando imposto suplementar de R$49.129,69, conforme demonstrado às fls. 04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 02/03 e 05. Fl. 439DF CARF MF 4 Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, em 21.12.2009 (fls. 315), apresentou, em 21.12.2009 (fl. 115), impugnação de fls. 115/146, alegando em síntese: considera que a glosa da área de preservação permanente, mesmo com a apresentação do ADA e de Laudo Técnico, por não ter apresentado certidão do órgão público competente revelase totalmente arbitrária, consistindo em exigência que extrapola a norma, uma vez que os documentos entregues são suficientes à sua comprovação; explicita que, nos termos do artigo 5º, XXIII, da Constituição da República, “a propriedade atenderá sua função social”, sendo que o legislador constitucional limitou o direito de propriedade, declarando alguns espaços territoriais como “áreas de preservação permanente”, levandose em conta a sua função ambiental, nos termos do art. 170, VI, da Constituição; considera que, para dar efetividade aos referidos comandos Constitucionais, o Código Florestal conceitua área de preservação permanente, em seu art. 1º, §2°, III, relacionando nos artigos 2º e 3º as características essenciais para assim serem declaradas; salienta que o Decreto nº 91.304/1985, dispôs sobre a implantação da área de proteção ambiental nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, declarando a cidade de Passa Quatro (art. 1º) como Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira onde a Fazenda São Bento II está localizada; cita que a Resolução CONAMA nº 302/2002 estabeleceu a função da APP, sendo ela constituída pela flora, florestas e demais formas de vegetação (art. 20, caput e 30, caput, do Código Florestal), fauna, solo, ar e águas (Leis nº 4.771/1965 e nº 7.803/1989); informa que, corroborando as disposições citadas, a Resolução CONAMA nº 303/2002, dispôs acerca dos parâmetros, definições e limites de áreas de preservação permanente, considerando a função sócioambiental da propriedade, de acordo com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, consistentes no dever de preservar a flora, fauna, os recursos hídricos, ocasião em que ratifica os termos do Código Florestal, em especial para proteger as faixas marginais ao curso d'água, montanhas e morros; enfatiza que é de ser reconhecido que a Fazenda São Bento II está encravada em área declarada como de proteção ambiental e preservação permanente, restando impossível ignorar esse instituto de direito ambiental; ressalta que, pelo exposto, tornase redundante exigir que se comprove algo que a própria lei já declarou, ou seja, exigir um documento declaratório, além do ADA e do Laudo Técnico, para que faça jus à isenção do imposto é um despropósito, pois a Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 439 5 própria lei já cuidou de afetar parcela do imóvel como de interesse ambiental; reitera que a área objeto da tributação pelo ITR está circunscrita no perímetro de preservação permanente, da denominada área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira, dentro do bioma da Mata Atlântica, não havendo o que ser questionado nesse sentido; sintetiza que, para comprovar que a área faz jus a exclusão da tributação, lançase mão da Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), Resolução CONAMA nº 302 e 303/2002, Decreto nº 91.304/1985, ADA e Laudo Técnico elaborado por profissional habilitado; informa que, sobre o tema, junta mapa de situação e uso do solo (anexo), contendo as particularidades da área denominada Fazenda São Bento II, sendo de fácil comprovação a existência de bacias hidrográficas por toda área, com inúmeras nascentes d'água, florestas nativas, e assim, áreas de reserva legal; considera que a fiscalização desconsiderou todos os documentos juntados, incluindo na base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente, presumindo como falsa a declaração apresentada, sem ao menos fazer prova de suas alegações; entende que somente o IBAMA poderia desconsiderar o ADA, sendo esse o órgão competente para proceder a fiscalização e autuação, caso a declaração esteja em desacordo com a previsão legal, aplicando as correspondentes sanções; salienta que o Laudo Técnico foi elaborado por profissional habilitado, o qual responde civil e criminalmente pela veracidade das suas informações, falecendo competência à fiscalização para desconsiderar esse documento sem sequer diligenciar a área do imóvel, e cita e transcreve ementas de Decisões do CARF e Decisões Judiciais, para referendar sua tese; esclarece que o Laudo de Avaliação foi elaborado por profissional habilitado, inscrito no CREA, com expertise na matéria e ART, ocasião em que se constata a idoneidade das informações constantes do referido parecer; afirma que o parecer elaborado para a avaliação do imóvel seguiu as diretrizes constantes da ABNT, optandose pelo Método Comparativo Direto de Dados de Mercado; informa que, em relação a especificidade almejada pela avaliação, teve como meta atingir o “Grau II”, tanto para à fundamentação como para a precisão do valor do imóvel, todavia, dadas as características do imóvel, sua atipicidade e, principalmente, a qualidade dos dados de mercado disponíveis em pesquisa de campo, não foi possível ao Perito atingir tal meta; Fl. 441DF CARF MF 6 informa, ainda, que, com base na legislação o laudo seguiu a classificação “Grau I” quanto à fundamentação, conforme a pontuação atingida para fins de classificação das avaliações, inclusive quanto à precisão, conforme amplitude do intervalo de confiança de 80% em torno da estimativa; assinala, ainda, que no caso de insuficiência de informações, que não permitam a utilização dos métodos previstos na norma, conforme item 8.1.2 da NBR 146531, o trabalho não será classificado quanto fundamentação e precisão e será considerado parecer técnico, como definido em 3.34 da NBR 146531; registra que o método utilizado tem respaldo legal, sendo que o valor das terras foi obtido com base no unitário definido para a propriedade padrão local, considerandose as devidas correções especificas para adequação às características do imóvel; considera que a pesquisa de mercado e os memoriais de cálculo instruem o laudo, sendo indevida a afirmação de que as fontes de pesquisa do estudo não foram anexadas ao trabalho, bem como, a de que não teria sido juntada a documentação idônea correspondente aos instrumentos de coleta de dados para comprovação do levantamento e formação do valor atribuído ao VTN; informa que, em relação ao mérito do laudo, este se baseou em levantamento georreferenciado, constatando que 100% do imóvel encontrase inserido na APA da Serra da Mantiqueira e que grande parte do imóvel (85,64%) encontrase ocupado por Áreas de Preservação Permanente, Áreas de Reserva Legal e Áreas de Floresta Nativa, em Bioma Mata Atlântica, portanto sujeita às suas limitações e restrições de uso e ocupação, fato esse que interfere diretamente no valor de mercado do imóvel; ressalta que o valor constante no Laudo segue critérios e procedimentos usuais da Engenharia de Avaliações, não representando um número exato e sim uma expressão monetária teórica e provável do valor pelo qual se negociaria voluntariamente e conscientemente um imóvel, dentro das condições de mercado vigente, razão pela qual informou o preço médio do imóvel (R$1.394,01), não se valendo do mínimo (R$1.002,24) e nem do máximo (R$1.861,31); entende que o lançamento é nulo, posto que decorre de presunções, já que o imposto devido já foi corretamente declarado e recolhido e que, por isso, os fatos que envolvem o suposto débito devem ficar bem esclarecidos, a fim de não haver cerceamento do direito de defesa; salienta que a administração pública está adstrita ao principio da legalidade, sendo que a legislação do ITR (art. 10, § 7º) presume a veracidade em favor do contribuinte, não sendo legitimo o lançamento com base em suposições, carente de motivação e fundamentação, em especial de prova hábil a comprovar a eventual inverdade da declaração; ressalta que o arbitramento do valor do imposto é medida extrema, cerceadora do direito de defesa da Impugnante, e que a Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 440 7 utilização do SIPT afronta o principio da legalidade, tendo em vista a falta de segurança de seus dados, assim como a falta de publicidade, e a inacessibilidade ao sistema; entende que o ato da autoridade é desprovido de razoabilidade, eis que não considerou as particularidades do imóvel, optando por arbitrar o VTN com base em uma tabela que não reflete a realidade, o que demonstra a sua inadequação; ressalta que a nulidade do lançamento é evidente, não devendo a RFB prosseguir com a cobrança do mesmo, na medida em que presumiu que o VTN corresponderia ao valor fixado pela SIPT, sem ao menos realizar a diligência no imóvel, desconsiderando o valor médio informado no laudo elaborado pelo técnico habilitado, de acordo com os padrões exigidos pela norma ABNT; conclui que, para motivar a decisão da fiscalização, seria imprescindível a realização de diligências a fim de constatar eventuais irregularidades e não tendo sido realizadas as diligências que poderiam refutar a veracidade da declaração, resta cerceado o seu direito de defesa, afrontando a garantia constitucional estatuída no artigo 5º, LV, da Carta Magna; entende que a nulidade do lançamento é patente, posto que contém vícios formais insanáveis e que, portanto, deve ser o mesmo considerado nulo de pleno direito; reitera que o arbitramento da base de cálculo do ITR, com base na tabela SIPT constitui patente cerceamento ao direito de defesa da Impugnante, em razão da restrição ao acesso as informações inseridas no sistema, utilizadas no lançamento, não havendo como se averiguar a fidedignidade daqueles dados, não sendo uma fonte confiável e segura na determinação da base de cálculo do ITR, devendo prevalecer o laudo que leva em consideração a particularidades da região, em especial o valor do imóvel. discorre sobre o princípio da verdade material, considerando que, em matéria tributária, a autoridade fiscal tem o dever de buscar a verdade, sendo que o processo fiscal tem a finalidade de garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador bem como da constituição do crédito tributário, cabendo ao julgador buscar de forma exaustiva o que realmente ocorreu de modo a não prejudicar o direito do contribuinte; reitera que a fiscalização ignorou integralmente os documentos acostados, presumindoos inócuos, quando na verdade, caso pairasse alguma dúvida, deveria diligenciar para averiguar a veracidade das declarações; discorre sobre os princípios da motivação das decisões, da razoabilidade e da proporcionalidade, concluindo que o resultado a que chegou a fiscalização não está em consonância com esses princípios, posto que deveria ter considerado a documentação juntada; Fl. 443DF CARF MF 8 pelo exposto, requer a nulidade do lançamento, em razão das ilegalidades perpetradas pela fiscalização, em especial a: a) impossibilidade de desconsiderar o ADA e o Laudo Técnico, documentos estes suficientes a comprovação da idoneidade das informações firmadas na DITR, devendo haver o reconhecimento da área de preservação permanente; b) impossibilidade de exigir a certidão do órgão público competente, constituindo formalismo excessivo, uma vez que lei não exige tal documento, estando a administração pública adstrita ao principio da estrita legalidade, considerando que a presunção de veracidade é em favor do contribuinte, sendo incabível a inversão desses valores; c) impossibilidade de tributar a parcela do imóvel considerada área de preservação permanente, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas e das áreas cobertas por florestas nativas, restando ilegal o ato que desconsidera as informações do contribuinte, uma vez que é de fácil constatação que a área do imóvel está encravada na APA da Serra da Mantiqueira, dentro do bioma da Mata Atlântica, em respeito ao principio da verdade material, a fiscalização, subsidiada pelo ADA e pelo Laudo Técnico, deveria ratificar a declaração; d) impossibilidade de alteração do VTN informado na DITR, uma vez que alicerçado em Laudo de Avaliação elaborado por profissional habilitado, inscrito no CREA, com ART, não restando dúvidas acerca da idoneidade das informações constantes do referido parecer, realizado de acordo com as diretrizes elencadas na ABNT; e) impossibilidade de arbitramento da base de cálculo do ITR com base no SIPT, em razão do patente cerceamento ao seu direito de defesa, por conta; i) da restrição ao acesso as informações inseridas no sistema, ii) pela falta de publicidade das informações que subsidiaram a fixação da tabela, não sendo possível averiguar a fidedignidade dos dados utilizados, iii) não reflete uma fonte confiável e segura na determinação da base de cálculo do ITR, razão pela qual deve prevalecer o laudo que leva em consideração as particularidades do imóvel; por fim, solicita que , caso não seja acolhido seu entendimento, que a matéria seja devolvida a DRF, e, a fim de que seja reconhecido in totum o direito à exclusão da área tributável e, consequentemente, a não incidência sobre as áreas de preservação permanente, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas e cobertas por florestas nativas, realizandose as diligências necessárias, para que reste comprovada a veracidade das declarações, conforme fazem prova os documentos em anexo. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 441 9 Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 338/339): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Com base em provas documentais hábeis, cabe restabelecer, parcialmente, a área de preservação permanente, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA) Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 445DF CARF MF 10 Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 370, em 20/03/2013 e apresentou o recurso voluntário de fls. 371/398. Em sede de Recurso Voluntário, praticamente repetiu os argumentos em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Área de Preservação Permanente A decisão recorrida houve por bem reduzir parte da autuação e passou a considerar a área de preservação permanente de 117,3ha, ao invés dos 0,0, considerados quando da lavratura do AI. Ocorre que, de acordo com a Recorrente, ainda há divergência com relação á área com florestas nativas que correspondem a 216,57ha e que segundo seu entender, também estaria isenta nos termos da legislação de regência. É fato que o laudo apresentado reconhece esta área, até mesmo, constam imagens de satélite relativas aos anos de 2007, 2009 e 2011 (fls. 385/386) dos autos. O correto seria dar provimento ao presente recurso reconhecendo a área de 216,57ha, conforme constou no laudo apresentado e pela comprovação das imagens de satélite. Entretanto, o pleito da recorrente não merece acolhida pelo simples fato de que só passou a ser reconhecido o direito à isenção da área de floresta nativa, com a alteração promovida pela Lei nº 11.428. de 22 de dezembro de 2006, ou seja, o reconhecimento da isenção pleiteada nos presentes autos, poderia ser reconhecida a partir do ano de 2007, ou seja, para o presente caso não se aplica conforme se verifica da legislação mencionada, especificamente, artigo 10, § 1º, inciso II, em sua redação original: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 442 11 b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) Merece destaque o fato de que a alínea "e" acima transcrita foi introduzida apenas em dezembro de 2006, passando a incidir apenas em 2007. Do VTN A autoridade lançadora esclareceu que o Contribuinte foi regularmente intimado, mas não comprovou o VTN declarado por meio de Laudo de Avaliação do Imóvel, razão pela qual o VTN foi arbitrado com base no SIPT. O Contribuinte, por sua vez, desde a Impugnação insiste que o imóvel não tem valor comercial em função de intervenções estatais que inviabilizam a sua utilização e, por esse motivo, conclui que o VTN arbitrado com base no SIPT não pode ser aceito. Conforme se verifica dos presentes autos, é possível observar que o referido sistema não distinguiu os VTNs em função da aptidão agrícola. Entretanto, esse é um elemento indispensável, conforme o art. 14, § 1º, da Lei. nº 9.393/1996 com art. 12, II, da Lei nº 8.629/1993. Sem a distinção por aptidão agrícola, o SIPT não preenche os requisitos de certeza Fl. 447DF CARF MF 12 mínimos para apuração da base de cálculo, se tornando imprestável para fins de arbitramento do VTN. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica desse e.CARF: VTN. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.781, de 31/08/2017) ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.687, de 27/07/2017) PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Por outro lado, uma vez reconhecida a subavaliação do imóvel por parte do Contribuinte, acolhese o VTN apurado com base em Laudo por ele apresentada. (acórdão CSRF nº 9202006.050, de 28/09/2017) VTN. VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO. Rejeitado o arbitramento do VTN com base no SIPT, por não levar em conta a aptidão agrícola do imóvel, é de se acolher o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte. (acórdão CSRF nº 9202005.699, de 27/07/2017). Caso o contribuinte conseguisse comprovar, por meio de laudo com uma eficiente pesquisa de preços e à época do fato gerador, o mesmo poderia ser considerado, o que não ocorreu. Nesse sentido, merece destaque o alegado na decisão recorrida, que justificam o não acolhimento do laudo apresentado : No caso, a autoridade fiscal não acatou, para comprovar o VTN declarado, o “Laudo de Avaliação”, doc. de fls. 61/96, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Maurício Elias Jorge, com ART anotada no CREA, documentos de fls. 103/105, com um VTN de R$581.464,80 (R$1.108,82/ha), especificamente, às fls.61 e 73, valor esse menor que o VTN declarado de R$1.394,01/ha, por entender que o mesmo não atendia às normas da ABNT (NBR 14.6533), como se depreende do teor da “Descrição dos Fatos” de fls. 03. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 443 13 A autoridade fiscal constatou, em síntese, que, primeiramente, o VTN/ha constante do Laudo era bem inferior ao valor médio/ha das DITR apresentadas para os imóveis rurais com a mesma localização, informado no SIPT e que foi adotado fatores de homogeneização medidos no mercado e que as fontes de pesquisa desse estudo especifico que lhes deu origem não foram anexadas ao trabalho, ou seja, que houve apenas citação das fontes, tais como mercado imobiliário (corretores e imobiliárias atuantes), cartório e pessoas ligadas ao meio rural (proprietários, agrônomos e pessoas afins), porém, não havendo nenhuma documentação idônea correspondente aos instrumentos de coleta de dados (recorte de jornais, certidão de matricula e/ou escritura, fichas, planilhas, roteiros de entrevistas, entre outros) que comprovasse tal levantamento e contribuísse na formação da convicção do valor atribuído ao VTN (NBR 7.4.1 e 7.7.2.1). Foi verificado, ainda, pela fiscalização, que da amostra de pesquisa de imóvel para comparação foram informados apenas quatro, quando se necessita, no mínimo, cinco dados (NBR 9.2.3.5, b) e que, também, foram considerados atributos semelhantes, aqueles em que cada um dos fatores de homogeneização foram calculados em relação ao imóvel avaliando, no intervalo entre 0,50 e 1,50, enquanto que para caracterização do grau de fundamentação II, o intervalo admissível de ajuste para cada fator e para cada conjunto de fatores deve estar entre 0,80 e 1,20 (NBR 9.2.3.5). Pois bem, no presente caso não há como restabelecer o VTN declarado pela contribuinte, pois entendo que o teor do documento trazido aos autos não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a integralidade das normas da ABNT, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2005 (1º.01.2005), nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. De fato, a avaliação constante do Laudo não atende aos requisitos estabelecidos na NBR 14.6533, principalmente os itens 7.4 – Pesquisa para estimativa do valor de mercado, 7.7 – Tratamento de Dados e 9 – Especificação das Avaliações, com todos os elementos de pesquisa identificados (número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco – item 9.2.3.5) e em especial o subitem 9.2.2.2., que estabelece que o profissional deve enquadrar o seu trabalho em cada item da Tabela 2 da Norma, para conferir o grau de fundamentação do Laudo de Avaliação. Portanto, o laudo é sucinto, podendo ser enquadrado como um “Parecer Técnico”, mas não como “Laudo Técnico de Avaliação”, classificado, pelo menos, com Grau de fundamentação I, quando o que se exige é Grau II de fundamentação e precisão. No que concerne aos requisitos da Fl. 449DF CARF MF 14 NBR 146533, o item 9.2.3.3 desta Norma estabelece que são obrigatórios, em qualquer grau “a explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado”. Ainda, ocorre que a exemplo do VTN/ha originariamente declarado, o VTN/ha apontado pelo autor do trabalho, de R$1.108,82/ha, também, se encontra muito abaixo dos VTN relacionados no SIPT, correspondendo a apenas 47% do VTN médio por hectare, apurado no universo das DITRs, de R$2.321,55, referentes aos imóveis localizados no município de Passa Quatro – MG, para o ano de 2005, além, de corresponder a apenas 37% do valor constante, por aptidão agrícola, do SIPT (R$3.000,00/ha), informado pela Secretaria Estadual de Agricultura, de forma que o acatamento da pretensão da contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o que não aconteceu. Enfim, o autor do trabalho não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar a revisão pretendida. Salientese que o Laudo de Avaliação apresentado na fase inicial dos trabalhos de fiscalização foi, praticamente, o mesmo apresentado na fase de impugnação administrativa, às fls. 159/195. Além de as 4 amostras apresentarem pequenas variações entre os dois Laudos, às fls. 95 e 194, e os VTN permanecem os mesmos, às fls. 61 e 159. Verificase, também, que o primeiro Laudo afirmava possuir Grau II de fundamentação e precisão, às fls. 70, e que após análise feita pela fiscalização e constante da “Descrição dos Fatos” de fls. 03, o segundo Laudo, apenas, modifica o texto referente a “Especificação da Avaliação”, às fls. 168, afirmando que a meta era atingir o Grau II e que não foi possível atingila, pelas características do imóvel, e que foi atingido o Grau I para fundamentação e precisão. Quanto ao tema, a própria contribuinte reconhece em sua impugnação que o laudo seguiu a classificação “Grau I” quanto à fundamentação, conforme a pontuação atingida para fins de classificação das avaliações, inclusive quanto à precisão, conforme amplitude do intervalo de confiança de 80% em torno da estimativa, contudo, assinalando que no caso de insuficiência de informações, que não permitissem a utilização dos métodos previstos na norma, conforme item 8.1.2 da NBR 146531, o trabalho não seria classificado quanto fundamentação e precisão e será considerado parecer técnico, como definido em 3.34 da NBR 146531. Quanto a essa alegação, cumpre esclarecer que o Laudo não apresenta as justificativas e comprovações necessárias ao reconhecimento dos fatos impeditivos quanto a eventual insuficiência de informações que não permitissem atingir o Grau Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10660.720904/200981 Acórdão n.º 2201004.740 S2C2T1 Fl. 444 15 II de fundamentação e precisão, não bastando apenas a afirmação nesse sentido. Assim, na fase de impugnação, poderia a interessada ter apresentado um novo Laudo, ou, realmente, um Laudo Complementar, suprindo as deficiências constatadas, de modo a demonstrar, de forma inequívoca, além do valor fundiário do imóvel, a preços de 1º.01.2005, também, que o imóvel avaliado, especificamente, apresenta condições desfavoráveis que justifiquem a utilização de VTN por hectare inferior ao constante do SIPT/RFB. Não tendo sido apresentado Laudo de Avaliação, de acordo com as normas da ABNT com as exigências apontadas anteriormente, e especificadas no Termo de Intimação Fiscal, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de mercado, em 1º.1.2005, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não cabe alterar o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Dessa forma, entendo que deva ser mantida a tributação do imóvel com base no VTN de R$1.217.420,82 (R$2.321,55/ha), arbitrado pela fiscalização com base no SIPT para o município de Passa Quatro/MG. Sendo assim, não cumpridos os requisitos legais, o laudo apresentado pode ser acolhido para reduzir o valor da terra nua. Conclusão Em razão do exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 451DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.001837/2003-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se proceda o esclarecimento sobre as ações judiciais em curso no TRF da 3ª Região, juntando-se aos autos a certidão de trânsito em julgado da ação ordinária n° 98.0011121-2, bem como as decisões proferidas neste processo, e as demais peças que a d. Autoridade a quo entender por relevantes à instrução do atual PAF.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se proceda o esclarecimento sobre as ações judiciais em curso no TRF da 3ª Região, juntandose aos autos a certidão de trânsito em julgado da ação ordinária n° 98.00111212, bem como as decisões proferidas neste processo, e as demais peças que a d. Autoridade a quo entender por relevantes à instrução do atual PAF. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 161 à 180) interposto contra o Acórdão n° 0523.166, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas em 11/09/2008 (efls. 150 à 158), que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo ora Recorrente. Por representar inequívoca acurácia com os fatos, adoto o Relatório produzido pelo Acórdão da DRJ: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .0 01 83 7/ 20 03 -9 1 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 189 2 Tratase de Declaração de Compensação (fl. 01), de débitos de estimativas de IRPJ código (2362) e de CSLL código (2484), de períodos de apuração em Janeiro de 2003, com créditos referentes a Saldos Negativos de IRPJ, no valor de R$ 10.867,90 e de CSLL na quantia de R$ 3.144,32, ambos apurados no anocalendário de 2002 (fl. 02). 2. A Declaração de Compensação foi apresentada em 15/05/2003 e o valor total do crédito (saldos negativos de IRPJ e CSLL) nela indicado é de R$ 14.012,22 (fls. 02). 3. Por meio do Despacho Decisório DRF/SEORT/GUA n° 330 de 2008, acostado 89/91, abaixo sintetizado, cientificado à interessada em 14/05/2008, a autoridade preparadora indeferiu o pleito da interessada e não homologou as compensações efetivadas. “Assunto: Compensação IRPJ/CSLL Ementa: Não procede o pleito de restituição/compensação. Parcelas de Estimativas indevidamente compensadas. Compensações não homologados. Resultado: Pedido indeferido. [....]Relatório [Resume os fatos] Fundamentação [transcreve o art. 231, incisos I, II, III, e IV, do RIR/99] SALDO NEGATIVO DO IRPJ e CSLL AC 2002 Em 31 de dezembro de 2001, a ficha 12 A da declaração do imposto de renda de 2002 (fls. 33) e a ficha 17 (fls. 34) apontam saldo credor a favor do contribuinte para ser aproveitado durante o anocalendário de 2002. No entanto, após verificações, constatouse que estes saldos credores foram formados, principalmente, pelas parcelas de estimativas descritas nas DCTF `s como suspensas pela Liminar n° 98.00067671. a referida Liminar foi objeto de verificações pelo Serviço (SECAT) da DRF/Guarulhos, o qual verificou a improcedência dessas compensações e encaminhou os débitos para inscrição em Dívida Ativa através dos processos 16091.000234/200708, 16091.000236/200799, 16091.000235/200744 que atualmente encontramse em fase de cobrança (fls. 66 a 88). Desta forma, a análise do Saldo Negativo do IRPJ e da CSLL deve desconsiderar, para efeito de cálculo, as parcelas de estimativas apontadas como suspensas pela Liminar de n° 98. 00006 76 71 e aquelas descritas como compensadas com saldo de períodos anteriores, visto que esse saldo foi formado com influência da referida Liminar. Demonstrativo das parcelas de estimativas do IRPJ Pelo disposto no art. 222 do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/1999) a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n° 9.430, de 1996, art. 2°). O interessado apurou as seguintes parcelas por estimativas (fls. 36 e 37): Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 190 3 Declaração de Ajuste Anual A empresa apurou imposto de renda devido no anocalendário de 2002 (fls. 35). Sendo assim, desconsiderando os valores das estimativas, não há que se falar em Saldo Negativo de IRPJ para o período pleiteado. Demonstrativo das parcelas de estimativas da CSLL [....] O interessado apurou as seguintes parcelas de estimativas (fls. 55 e 56). Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 191 4 Declaração de Ajuste Anual A empresa apurou Contribuição Social devida no ano calendário de 2002 (fls. 38). Sendo assim, desconsiderando os valores das estimativas, não há que se falar em Saldo Negativo de CSLL para o período pleiteado. [....] Decisão Isto posto, propõese o INDEFERIMENTO da Declaração de Compensação de valores apurados como créditos oriundos da Declaração de Rendimento do Exercício de 2003, ano calendário de 2002 a título saldo negativo de IRPJ e CSLL, no montante original total de R$ 14.012,22 e a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações efetuadas ..... [....]" 4. Consta dos autos que após a ciência do despacho decisório a autoridade preparadora encaminhou a Notificação n° 294/2008, de fls. 96, recepcionada em 27/05/2008, da qual consta: “Tendo em vista que V. Sas. Já tomaram ciência do Despacho Decisório 330/2008 que indeferiu o pedido de restituição/Compensação fica o contribuinte intimado a recolher os DARFS anexos dentro do prazo de 30 dias, contados do recebimento desta [. ....... ..] É facultado ao interessado, ou pessoa por ele legalmente autorizada, a apresentar Manifestação de Inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento ” 5. Inconformada, a defendente apresenta Manifestação de Inconformidade, em 19/06/2008, juntada às fls. 99/106, acompanhada dos documentos de fls. 107/121, argüindo prescrição da Notificação nos termos do artigo 174 do CTN e, na seqüência, requer a sua nulidade. Por seu turno, o mérito da indigitada Decisão de piso restou consubstanciado nos seguintes termos: 7. Alega inicialmente o interessado ter ocorrido prescrição. Todavia, não lhe assiste razão pois, apresentada Declaração de Compensação, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal dispõe do prazo de 05 (anos) contados da data de sua apresentação para analisá Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 192 5 la e cientificar o contribuinte de sua análise, sob pena de homologação tácita. 8. A respeito da questão assim dispõe o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelas Leis n° 10.637, de 2002 e n° 10.833, de 2003, a seguir reproduzidos: (...) 9. No presente caso, apresentada Declaração de Compensação em 15/05/2003, a DRF dispunha do prazo de 5 anos contados desta data, ou seja, até 15/05/2008, para cientificar o contribuinte de sua eventual nãohomologação. E é o que ocorreu por meio do Despacho Decisório ora impugnado cientificado ao interessado em 14/05/2008, conforme documento de fl. 94. 10. E, não homologada a compensação, o contribuinte foi cobrado dos débitos cuja compensação não foi confirmada. A exigibilidade de tais débitos foi suspensa pela apresentação de manifestação de inconformidade, a teor do parágrafo 11 do mesmo art. 74 acima transcrito. 11. Neste contexto, não se cogita de prescrição dos débitos informados na DCOMP. 12. Argúi, ainda, a impugnante a ocorrência de nulidade. 13. Todavia, não se cogita de qualquer vício no Despacho Decisório que pudesse ensejar a sua anulação. 14. Conforme relatado, o interessado apresentou Declaração de Compensação de débitos de estimativas de IRPJ e de CSLL, códigos 2362 e 2484, respectivamente, ambos com PA em janeiro de 2003, com créditos de saldos negativos de IRPJ e de CSLL, apurados em 2002. 15. No Despacho Decisório a autoridade preparadora indeferiu o pleito sob o argumento de que a interessada não teria, de fato, apurado saldos negativos, tanto de IRPJ quanto de CSLL, mas, sim, imposto de renda e contribuição a pagar. 16. E fundamentou sua decisão no fato de o crédito pleiteado saldo credor do anocalendário de 2002 ser formado por estimativas que não foram pagas, mas sim declaradas em DCTF ou com exigibilidade suspensa pela liminar 98.00067671, ou como compensadas com saldo credor de período anterior. 17. Quanto ao saldo credor de 2001 descreve a autoridade competente da DRF também ter constatado que é formado principalmente, pelas parcelas de estimativas descritas nas DCTF`s como suspensas pela Liminar n° 98.00067671. 18. Além disso, descreve ter constatado que o amparo judicial pela referida Liminar não foi confirmado: ”....a referida Liminar foi objeto de verificações pelo Serviço..... (SECAT) da DRF/Guarulhos, o qual verificou a improcedência dessas compensações. " 19. Assim, na medida em que as estimativas de 2002 não foram confirmadas como Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 193 6 extintas, não há como admitilas na formação do saldo credor indicado na DCOMP analisada pelo Despacho Decisório ora impugnado. 20. Acrescentese que, no presente caso, para as estimativas referentes a 2002 que a autoridade da DRF constatou terem sido vinculadas em DCTF à compensação, o contribuinte não comprova e sequer alega a eventual existência de pedido de compensação. 21. Além disso, quanto à constatação da autoridade da DRF de que a Liminar 98.00067671 não permitia ao contribuinte suspender a exigibilidade ou compensar débitos de estimativas de 2001 e 2002, nada opõe ou esclarece o interessado. 22. Limitase a argüir a nulidade do Despacho Decisório. Todavia, como visto, este foi fundamentado, emitido por autoridade competente e regularmente cientificado ao interessado, a quem foi concedido prazo legal para sua manifestação de inconformidade. 23. Neste contexto, não se cogita de sua nulidade. E, não afastada a motivação pela qual foi considerada nãohomologada a compensação declarada, não há como' acatar a solicitação do interessado. 24. Diante do exposto o presente VOTO é no sentido de RECEBER a manifestação de inconformidade por tempestiva e INDEFERIR a solicitação do interessado para não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. No deslinde processual, restou evidente tanto no teor Recursal quanto no acervo probatório (vg Representações n° 118, 119, e 120 efls. 104 à 108) que o Recorrente ajuizou ações judiciais junto ao TRF da 3ª Região; contudo, não foi possível identificar com clareza os respectivos objetos e o efetivo trânsito em julgado daquelas. Nos argumentos apresentados no suposto Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera os termos aduzidos em sede de Manifestação de Inconformidade, conforme relatado alhures. Não foram juntadas nos autos quaisquer provas adicionais em sede recursal, mantendo o cerne da tese defensiva exercido em primeira instância. Seguem os principais trechos da peça recursal: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES DOUTO PRESIDENTE, em preliminar, convém assinalar, que ao arrepio da lei, a notificação foi efetivada por carta, tal postura é nula ab ovo, posto que viola a nossa processualística que determina que a notificação deve ser pessoal. De outra parte, deramse as prescrições, judicial e administrativa, em função do período de apuração que se deu em 08/08/ 1980, conforme está estabelecido abaixo: (...) De outro lado, lançamento se dá quando do conhecimento da dívida pela Autoridade Administrativa, em sendo, por conseguinte, uma norma individual e concreta, conforme ensina o jurista Paulo de Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 194 7 Barros Carvalho, deste parâmetro, é que começa a correr o prazo para a prescrição administrativa, que também é de um qüinqüídio. (...) Convém obtemperar ainda, que a recorrente é credora da União Federal, conforme faz prova relatório anexo, haja vista, que os créditos foram ajuizados junto à Justiça Federal no valor de R$ 12.616.298,27 (doze milhões, seiscentos e dezesseis mil, duzentos noventa e oito reais, e vinte e sete centavos), neste passo, deuse entre as partes o Instituto da Compensação, que não necessita de outorga judicial, ou de Autoridade Administrativa, é regulado pelo art. 368 do Código Civil, e tem caráter privatísico, vejamos: De outra margem a Compensação, que tem origem no Direito Natural, devemos dar a cada um aquilo que é seu, passando pelo Direito Antigo e Direito Romano, codificada no Direito Francês e acolhida pelo artigo 368 do Código Civil, não admite, obviamente, a interferência de terceiros na relação entre as partes, mesmo que seja a do Juiz, que deve funcionar como árbitro, A COMPENSAÇÃO NÃO NECESSITA DE OUTORGA JUDICIAL, HAJA VISTA QUE O DIREITO DO CONTRIBUINTE PREEXISTE AB OVO, conforme ensina a Revista de Direito Civil, vejamos: (...) Ante o supra exposto, requerse o tela, anulando, o Processo n° 10875001837/200391, e seus sucedâneos, por ser medida de inteira Justiça. É o Relatório. VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Percebo, de imediato, que o Contribuinte fez prova cabal da existência dos processos judiciais junto ao TRF da 3ª Região, na forma de medida cautelar (n° 98.00067671) e de ação ordinária (n° 98.00111212). No entanto, embora envidado esforço por este Relator, não foi possível identificar o objeto e o atual andamento das aludidas ações. Tão somente foi viável extrair as informações que constam nos autos, em especial quando da leitura das Representações n° 118, 119, e 120 (efls. 104 à 108); eis que cito o trecho da Representação n° 118: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 195 8 Senhor Chefe do SECAT, Venho solicitar através das medidas cabíveis, a cobrança do crédito tributário compensado e suspenso indevidamente, devido aos fatos abaixo apresentados: O contribuinte acima identificado ajuizou os processos 98.00067671 (medida cautelar) e 98.00111212 (ação ordinária) requerendo eximir se de sanções fiscais por proceder a compensação na forma do artigo 66, da Lei 8.383/91, dos valores recolhidos à União, a título de IPI, em relação aos prazos de pagamentos abreviados, ter assegurada a compensação dos valores e a suspensão da exigibilidade dos parcelamentos ou dos pagamentos decenais vigentes. A sentença na cautelar julgou extinto o feito, sem julgamento do mérito. A sentença na ação ordinária julgou improcedente o pedido inicial. O contribuinte apelou e os processos encontramse no TRF 3a Região para julgamento. O contribuinte declarou em DCTF, no período de agosto e dezembro de 1999, fevereiro, março, maio, julho, agosto, outubro e novembro de 2001, débitos de CSLL na condição de “suspenso por liminar em cautelar” e nos períodos de junho, julho e setembro a março de 2003, como “compensação sem DARF”. Diante do exposto, não persiste nenhuma das hipóteses de suspensão do crédito tributário, sendo exigíveis os mesmos, conforme CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributa'rio: I moratória; II O depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo." IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança; V a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial: [Incluído pela Lcp n°104. (le 10.1.2001) VI O parcelamento. (Incluído pela Lcp n° 104. de 10.1.2001) Portanto, considerando que, os créditos COMPENSADOS e SUSPENSOS, declarados em DCTF, representam confissão de dívida, os mesmos podem ser inscritos em dívida ativa, conforme IN SRF 695/2006. Art. 11. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1° Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 196 9 diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. Contudo, o Acórdão de piso também não se debruçou sobre os termos das indigitadas ações judiciais, de forma que resta inviável ao presente Colegiado opinar pela efetiva renúncia à instância administrativa (Súmula Vinculante CARF n° 01). Noutro giro, na eventual circunstância das ações não terem explorado o mérito semelhante àquele veiculado neste PAF, e, ainda, em caso eventual êxito naquelas, poderseia estar em situação de prejudicialidade. Logo,. tais aspectos obstam a precisão processual e probatória que são indispensáveis à análise do caso nesta instância recursal. Portanto, tornase necessário diligenciar junto à i. Autoridade a quo no sentido de buscar o conhecimento atual daquelas ações judiciais que tramitam junto ao TRF 3, especialmente no que cinge ao trânsito em julgado da ação ordinária. Torno a citar trecho da Representação n° 118 O contribuinte acima identificado ajuizou os processos 98.00067671 (medida cautelar) e 98.00111212 (ação ordinária) requerendo eximir se de sanções fiscais por proceder a compensação na forma do artigo 66, da Lei 8.383/91, dos valores recolhidos à União, a título de IPI, em relação aos prazos de pagamentos abreviados, ter assegurada a compensação dos valores e a suspensão da exigibilidade dos parcelamentos ou dos pagamentos decenais vigentes. A sentença na cautelar julgou extinto o feito, sem julgamento do mérito. A sentença na ação ordinária julgou improcedente o pedido inicial. O contribuinte apelou e os processos encontramse no TRF 3a Região para julgamento. (GN) Assim, ante a insuficiência dos elementos carreados nos presentes autos, opino pela diligência, com o escopo de acostar certidão de trânsito em julgado das ações retromencionadas, bem como sentenças e acórdãos prolatados e demais peças que a Autoridade de piso entender por relevantes. Em outras palavras, apenas com essas informações é que será possível avaliar o mérito da causa, bem como o espectro da prejudicialidade ou da eventual renúncia à instância administrativa. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que se proceda o esclarecimento sobre as ações judiciais em curso no TRF da 3ª Região, juntandose aos autos a certidão de trânsito em julgado da ação ordinária n° 98.00111212, bem como as decisões proferidas neste processo, e as demais peças que a d. Autoridade a quo entender por relevantes à instrução do atual PAF. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10875.001837/200391 Resolução nº 1002000.022 S1C0T2 Fl. 197 10 Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720170/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/07/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 70 /2 00 9- 31 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10830.720170/200931 Acórdão n.º 3402005.845 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.362. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10830.720170/200931 Acórdão n.º 3402005.845 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10830.720170/200931 Acórdão n.º 3402005.845 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10830.720170/200931 Acórdão n.º 3402005.845 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901139/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.192
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente A.A.DE MELO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.901127/201546, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 39 /2 01 5- 71 Fl. 134DF CARF MF 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DRF/Piracicaba, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois não foram apresentados os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e sequer provas, de forma a demonstrar que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Após ciência da decisão, foi apresentado recurso voluntário com as seguintes alegações: constataram erro na apuração dos impostos devidos em 2012, onde foram efetuados pagamentos a maior de IRPJ, sendo a diferença utilizada para compensar débitos de IRPJ e CSLL do ano de 2013. deixaram de apresentar as DCTF retificadoras, tendo como conseqüência que todos os pedidos foram indeferidos. afirma que possui o direito de compensar nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, aduzindo que as divergências foram corrigidas, motivo pelo qual requer o reconhecimento do direito creditório. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13888.901139/201571 Acórdão n.º 1302003.192 S1C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.180, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901127/2015 46, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.180): "O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. A recorrente reprisa suas alegações no recurso voluntário, afirmando que teria constatado erro no cálculo dos tributos devidos, mas que teria deixado de retificar as DCTF, fato que deu origem ao indeferimento do pedido. Para comprovar o seu direito creditório, apresentou planilha de cálculo e DCTF retificadora. Esta mesma defesa foi trazida na impugnação, analisada pela decisão recorrida, que não acatou as razões apresentadas pela ausência da demonstração do erro cometido, assim como falta de apresentação de provas. De fato, não basta alegar que pagou tributo a maior. Para comprovação do erro, seria necessário demonstrar como foi feita a primeira apuração, o que estaria incorreto, as retificações necessárias, com a nova apuração do tributo devido. A apresentação de DCTF retificadora, após a ciência da decisão negando o pedido, não se presta para comprovação do erro cometido e que teria efetuado recolhimento a maior. A recorrente chegou a elaborar planilha de cálculo onde informa a receita bruta, o tributo que seria devido, o valor pago e a diferença a maior. Mas a planilha, desacompanhada de qualquer elemento probatório que comprove os valores nela constantes, principalmente no que concerne à receita bruta, também não é suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, requisitos necessários previstos no artigo 170 do CTN. É importante salientar que a decisão recorrida apontou a insuficiência de provas trazidas aos autos, principalmente no que concerne os documentos contábeis e fiscais que respaldem a diferença existente entre o valor supostamente devido e do DARF recolhido." Fl. 136DF CARF MF 4 Pelo exposto, como não foi comprovada a certeza e liquidez do crédito que pleiteia, cujo ônus é da recorrente, voto por não dar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000753/2001-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1992
IRF/ILL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. PEDIDO ANTERIOR À LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL E PRAZO.
No caso de tributo lançado por homologação, o direito à restituição / compensação, relativamente a pedido protocolado antes de 09/06/2005, somente se extingue após o prazo de dez anos, contado do fato gerador (decisão no RE n° 566.621, do STF, com repercussão geral e Súmula CARF nº 91).
Numero da decisão: 9202-007.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1992 IRF/ILL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. PEDIDO ANTERIOR À LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL E PRAZO. No caso de tributo lançado por homologação, o direito à restituição / compensação, relativamente a pedido protocolado antes de 09/06/2005, somente se extingue após o prazo de dez anos, contado do fato gerador (decisão no RE n° 566.621, do STF, com repercussão geral e Súmula CARF nº 91).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. PEDIDO ANTERIOR À LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL E PRAZO. No caso de tributo lançado por homologação, o direito à restituição / compensação, relativamente a pedido protocolado antes de 09/06/2005, somente se extingue após o prazo de dez anos, contado do fato gerador (decisão no RE n° 566.621, do STF, com repercussão geral e Súmula CARF nº 91). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 6. 00 07 53 /2 00 1- 61 Fl. 385DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de Pedido de Restituição de Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido ILL, protocolado em 16/11/2001, cumulado com Pedido de Compensação, relativamente a recolhimentos supostamente indevidos, relativos ao ano calendário de 1992. Registrese que, conforme consta do acórdão recorrido, a empresa que efetuou os recolhimentos objeto do pedido de restituição/compensação, Diadema Indústrias Químicas Ltda, foi incorporada pela empresa interessada no presente processo, Chemetall do Brasil Ltda. Em sessão plenária de 05/02/2009, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 10423.731 (fls. 286 a 296), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1992 DECADÊNCIA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear'a restituição ou compensação de tributo pago indevidamente, iniciase na data da publicação de ato legal ou administrativo que reconhece indevida a exação tributária. ILL DECADÊNCIA PEDIDO IDE RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL SOCIEDADES POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição do Imposto de Renda sobre o Lucro Liquido (Art. 35, da Lei n° 7.713, de 1988), pago indevidamente pelas sociedades limitadas, é a data da publicação da IN n° 63, 24 de julho de 1997, que reconheceu o direito à restituição. No caso concreto, mesmo que se adote como "dias a quo", a data de publicação da Resolução do Senado Federal n° 82, em 19 de novembro de 1996, é tempestivo o pedido de restituição, protocolado em 16.11.2001. Recurso provido.” A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à delegacia de origem, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Antonio Lopo Martinez e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende." O processo foi recebido na PGFN em 25/06/2009 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 298) e, em 26/06/2009 (Relação de Movimentação de fls. 299), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 300 a 302, rejeitados conforme Despacho nº 220100.163, de 27/08/2010 (fls. 304/305). Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13816.000753/200161 Acórdão n.º 9202007.258 CSRFT2 Fl. 386 3 O processo foi novamente recebido na PGFN em 09/09/2010 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 306) e, em 24/09/2010 (Relação de Movimentação de fls. 307), foi interposto o Recurso Especial de fls. 308 a 315. O apelo foi fundamentado nos artigos 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir o termo inicial do prazo decadencial do direito de pleitear restituição de ILL. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2202 00.371, de 30/11/2010 (fls. 351/352). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: quem pagou tributo indevido tem o direito assegurado por lei à restituição (art. 165 do CTN) e, em seguida, o prazo de cinco anos para o exercício desse direito (pedir restituição), sob pena de extinção do direito, conforme art. 168 do CTN (cita doutrina Aliomar Baleeiro); com efeito, o art. 168 do CTN não trata da prescrição, vez que a extinção é do próprio direito e não da ação para exercêlo; havendo o pagamento do tributo, no dia seguinte o contribuinte já poderia, em tese, requerer a restituição do valor pago indevidamente, inclusive poderia discutir a questão judicialmente; neste sentido, não encontra guarida a tese do termo de início ser deslocado, da extinção do crédito tributário, para a data de uma resolução senatorial ou ato normativo; trazendo tais premissas para o caso em tela, temos que obviamente já havia perecido o direito da contribuinte de pleitear restituição/compensação, considerando que os recolhimentos supostamente indevidos foram realizados nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1992 e janeiro de 1993, e o pedido somente foi protocolizado muito tempo depois, em 16/11/2001. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, restaurandose a decisão de 1ª instância em sua integralidade. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 13/05/2015 (AR Aviso de Recebimento de efls. 374), a Contribuinte ofereceu, em 11/06/2015 (carimbo de efls. 376), as Contrarrazões de efls. 376 a 381. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 387DF CARF MF 4 A Contribuinte foi intimada em 13/05/2015, quartafeira (AR Aviso de Recebimento de efls. 374) e teria até 28/05/2015, quintafeira, para oferecer Contrarrazões, o que somente foi feito em 11/06/2015 (carimbo de efls. 376), portanto já fora do prazo de quinze dias, estabelecido no art. 69, do Anexo II, do RICARF. Assim, as Contrarrazões não podem ser conhecidas, por intempestividade. Trata o presente processo, de Pedido de Restituição de Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido ILL, protocolado em 16/11/2001, cumulado com Pedido de Compensação, relativamente a recolhimentos supostamente indevidos, relativos ao ano calendário de 1992. Ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi dado seguimento, admitindose a rediscussão do termo inicial do prazo decadencial do direito de pleitear restituição de ILL. A respeito dessa matéria, houve pronunciamento do STF em sede de repercussão geral no RE n° 566.621, e do STJ sob o rito de recurso repetitivo nos REsp n°s 1.002.932/SP e 1.269.570/MG, julgados que vinculam o CARF, tendo em vista o disposto no art. 62, § 1º, II, "b", do Anexo II, do RICARF. O entendimento exarado por esses tribunais superiores é no sentido de que o prazo para o Contribuinte pleitear restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do ILL, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4°, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Em outros termos, nessas situações os Contribuintes dispõem do prazo total de dez anos, a partir do fato gerador, para pleitear restituição do tributo indevidamente recolhido. Ademais, em sessão de 09/12/2013, a questão foi sumulada, conforme a seguir: Súmula CARF n° 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, no caso em apreço, como a Contribuinte protocolou o pedido em 16/11/2001, e os pagamentos referemse a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1992, concluise que, sendo cabível a postulação da restituição dos pagamentos relativos aos fatos geradores a partir de 16/11/1991, nenhum dos recolhimentos foi alcançado pela decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13816.000753/200161 Acórdão n.º 9202007.258 CSRFT2 Fl. 387 5 Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.015431/2001-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
A competência para julgamento de recurso em processo administrativo que trata de exclusão referente ao SIMPLES é da primeira Seção. Competência que se declina a Primeira Seção deste CARF.
Numero da decisão: 3201-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Nogueira, Paulo Ségio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. A competência para julgamento de recurso em processo administrativo que trata de exclusão referente ao SIMPLES é da primeira Seção. Competência que se declina a Primeira Seção deste CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Nogueira, Paulo Ségio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 167 1 166 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.015431/200196 Recurso nº 137.139 Voluntário Acórdão nº 3201001.145 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2012 Matéria SIMPLES/EXCLUSÃO Recorrente TS COMÉRCIO DE COSMÉTICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. A competência para julgamento de recurso em processo administrativo que trata de exclusão referente ao SIMPLES é da primeira Seção. Competência que se declina a Primeira Seção deste CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Nogueira, Paulo Ségio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 54 31 /2 00 1- 96 Fl. 178DF CARF MF 2 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, até então, que transcrevo, a seguir: “Contra a contribuinte identificada nos autos foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/FOR nº 40, em 09 de agosto de 2004 (fls. 58), excluindoa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, a partir de 01/01/2002, motivado pelo exercício de atividade impeditiva à opção pelo SIMPLES, cuja descrição da atividade econômica vedada é, locação de mão de obra. 2. Enquadramento Legal: Arts. 9º, inciso XII, “f” 12, 14, inciso I, e 15, inciso II, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996; Art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834 de 27/07/2001; Arts. 20, inciso XI, “e” 21, 23, inciso I, 24, inciso II, c/c parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 355, de 29/08/2003. 3. Insatisfeita com o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES, a interessada apresenta manifestação de inconformidade em 27/12/2004, mediante os argumentos de defesa resumidos a seguir: 3.1. a classificação do código informado para a Receita no momento da inscrição : “Os serviços de entrega rápida de mercadorias do comércio varejista e de serviços de alimentação no endereço do cliente” é perfeitamente compatível com as atividades realizadas por este, diferindo da definida para a locação de mãodeobra: “O fornecimento, a terceiros, por tempo determinado, de pessoal recrutado e remunerado por agências de trabalho temporário, nas condições da legislação trabalhista”; 3.2. não se trata de uma empresa de fornecimento de mãodeobra a terceiros, mas de prestação de serviços de entrega, conforme classificação oficial adotada pela Receita Federal. O levantado contra a impugnante não está de acordo com o executado por esta, basta entender que os contratos aludidos nos documentos fiscais relatam simplesmente o serviço a ser executado: 1) receber um chamado abrindo a ordem de serviço; 2) destacar qualquer motoqueiro disponível, inclusive os que estiverem em trânsito em outro serviço; 3) pegar a mercadoria e entregar no local solicitado; 3.3. os contratos firmados tem como vantagem a redução do preço dos serviços acordados e não de exclusividade, como expresso no contrato com a COELCE nos itens 6.11 e 7.1.2 (fls. 21/22), avaliados pelos servidores federais, que cita às fls. 71. Dessa forma, entende a requerente, que não há cessão de mãodeobra e sim prestação de serviços, já que não cede nenhum funcionário específico, exclusivo e recrutado para aquela tarefa, nem em seu estabelecimento e muito menos no estabelecimento da contratante; 3.4. enfatiza que o fato da empresa ser optante do SIMPLES, necessariamente, não é sinônimo de redução do valor da contribuição. A exclusão da maneira como está sendo procedida, visa claramente prejudicá Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10380.015431/200196 Acórdão n.º 3201001.145 S3C2T1 Fl. 168 3 la. Pois, embora o Ato Declaratório Executivo, que proferiu a exclusão, tenha sido recebido em 25 de novembro de 2004, seus efeitos retroagem à data da ocorrência da situação de exclusão, ou seja 01/03/2001, resguardando os efeitos da exclusão para 01/01/2002. Portanto, esta forma não é a mais justa para a requerente, no seu modo de avaliar; 3.5. levando em consideração que o motivo que ensejou a exclusão ocorreu em 2000, no momento da inclusão no simples, o justo seria aplicar, para os efeitos da exclusão, a legislação em vigor à época em que ocorreu o fato impeditivo, por ser mais benéfica. Tal regra é de uso comum em direito penal, embasada no princípio da irretroatividade da lei (art. 5º XL da CF). Segundo a qual, a lei posterior, mais severa não retroagirá e a lei anterior, mais benéfica, embasada no princípio utraatividade vigorará enquanto o fato ocorrido durante a sua vigência não for julgado; 3.6. assim, segundo a impugnante aplicase ao caso o disposto no art. 3º da lei 9.732/98, que havia dado nova redação ao inciso II daquele artigo 15, que cita às fls. 72. Desta forma, a exclusão surtirá efeito a partir do mês seguinte ao da publicação do ato declaratório executivo. Em reforço a esse argumento cita o art. 106 do Código Tributário Nacional (fls.73), afirmando que a aplicação da lei em vigor à época do fato impeditivo causará conseqüências menos gravosas a contribuinte, portanto, esta deverá ser aplicada. 3.7. Face ao exposto, pede o cancelamento do Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FOR no 8.971, de 24/08/2006, proferido pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, às fls. 109/114, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: Serviço de Entrega Locação de Mão de Obra Comprovado nos autos, que juntamente com os serviços de entregas rápidas a empresa faz locação de mão de obra, dessa forma, fica a interessada impedida de permanecer na sistemática do SIMPLES. Solicitação Indeferida.” Inconformado o interessado apresenta recurso voluntário, tempestivamente, às fls. 120/125 e documentos às fls.126/128 onde repisa basicamente os termos da impugnação. Através da Resolução de n° 3021449, às fls. 131/134, os autos retornaram à repartição de origem para que se constatasse e analisasse a real atividade da empresa e seu enquadramento nos termos do Parecer Cosit n° 69/99 sobre locação de mãodeobra para fins de exclusão no SIMPLES. Tendo em vista, informação do AFRFB, à fl. 138: Fl. 180DF CARF MF 4 “Dessa análise, constatamos que citados contratos têm por objeto o serviço de entrega com utilização de veículos e empregados da contratada. A maioria desses contratos têm cláusula de preço variável em função da quilometragem realizada pelo veículo utilizado. Por essa cláusula, não está caracterizada a cessão de mão deobra. Todavia, os contratos de fls. 09/10 e de fls. 16/17 têm cláusulas de preço fixo mensal pelo serviço prestado, o que, em nosso entendimento, nesse caso, poderá ser enquadrada como cessão de mãodeobra. Em razão de existência dos dois últimos contratos, com cláusulas a preço fixo mensal, e à luz do citado parecer, entendemos salvo melhor juízo, que o contribuinte exerceu sim atividade excludente do SIMPLES.” Como a informação fiscal não trouxe qualquer elemento novo nos autos, ou seja, não foi realizada a diligência conforme solicitado, pois a informação fiscal referese apenas aos contratos que já constavam nos autos e que a remuneração por preço fixo não descaracteriza a prestação de serviço de transporte. Pois, o fato dos três contratos de prestação de serviço de transporte, dentre muitos outros, não pode, de forma alguma, ser motivo para a sua exclusão, daí a motivação do pedido de diligência. Temse que sobre a atividade de locação de mãodeobra, o Parecer Cosit nº 69, de 10/11/99, esclarece o seguinte: “3. Em se tratando da locação da mãodeobra, pressupõese que será utilizado trabalho alheio, ou seja, alguém cederá a outrem a atividade laborativa em virtude de necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou do acréscimo extraordinário de tarefas. 4. A locação de mãodeobra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mãode obra, também definida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detém o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. (grifei) Desta forma, foi CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA (Resolução n° 310200.064), à repartição de origem para que se constatasse e analisasse a real atividade da empresa e seu enquadramento nos termos do Parecer Cosit n° 69/99 sobre locação de mãodeobra para fins de exclusão no SIMPLES, em sessão de junho de 2009. O processo digitalizado foi redistribuído a esta Conselheira. Voto Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10380.015431/200196 Acórdão n.º 3201001.145 S3C2T1 Fl. 169 5 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente processo discute a exclusão referente ao SIMPLES. Em assim sendo, o recurso em exame referese a exclusão no SIMPLES, matéria esta que não se encontra na competência deste Colegiado, mas da Primeira Seção deste CARF, na forma do artigo 2º, inc.V, Anexo II do seu Regimento Interno (Portaria n° 256, de 22/06/2009), verbis: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Assim, VOTO por não conhecer do recurso e declinar a competência para seu julgamento a uma das Câmaras da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.000292/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. DIVERGÊNCIA NO VALOR DO FRETE. MULTA ADMINISTRATIVA. PROCEDÊNCIA.
A divergência no valor do frete indicado na DI está em conformidade com exigência de multa regulamentar prevista no inciso I do art. 636 do Decreto nº 4.543/2002.
Numero da decisão: 3401-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Cons. Cássio Schappo (relator) e André Henrique Lemos. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. DIVERGÊNCIA NO VALOR DO FRETE. MULTA ADMINISTRATIVA. PROCEDÊNCIA. A divergência no valor do frete indicado na DI está em conformidade com exigência de multa regulamentar prevista no inciso I do art. 636 do Decreto nº 4.543/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Cons. Cássio Schappo (relator) e André Henrique Lemos. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 92 /2 00 9- 15 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11128.000292/200915 Acórdão n.º 3401005.384 S3C4T1 Fl. 200 2 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de AUTO DE INFRAÇÃO, com lançamento de multa regulamentar no valor de R$ 20.377,14 pelo seguinte fato: a) o importador, quando do registro da DI nº 08/18786285 em 24/11/2008, declarou o valor do frete como sendo de US$ 54.636,00 porém, no curso do despacho aduaneiro foi constatado que o valor correto, conforme Conhecimento de Carga, seria US$ 55.107,00; b) foi feito o registro no SISCOMEX, pela fiscalização, para esclarecimento do valor do frete declarado; em resposta o importador apresentou retificação datada de 05/12/2008, com a correção do valor do frete e da base de cálculo dos impostos e contribuições; c) como não foi recolhida a multa prevista no artigo 636, inciso I, do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pelo artigo 69, § 1º, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003), a retificação foi indeferida e encaminhada a EQLAP para formalização do crédito tributário. d) Às fls.7 o fisco faz o demonstrativo de cálculo da multa devida: Cientificado do Auto de Infração, o sujeito passivo da obrigação tributária apresentou impugnação em tempo hábil (fls.60), cujas razões foram assim sintetizadas na decisão de piso: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11128.000292/200915 Acórdão n.º 3401005.384 S3C4T1 Fl. 201 3 1) Houve um mero erro formal no preenchimento da DI, quando o despachante consignou o valor errado; 2) Não houve o descumprimento de obrigação acessória; 3) Não houve transtorno à fiscalização aduaneira; 4) Não houve dano ao erário; 5) A sanção é desarrazoada e abusiva, pois não houve prejuízo ao Erário, ou obtenção de qualquer vantagem por parte do importador, portanto inexistindo máfé ou tentativa de evitar o recolhimento de tributos; 6) Existem precedentes judiciais e administrativos que embasam o entendimento exposto, além de atos normativos da própria Receita Federal que também afastariam a aplicação da sanção a este caso; 7) O dispositivo que instituiu a multa não poderia ter sido introduzido no ordenamento jurídico através de Medida Provisória por se tratar de matéria de cunho penal, nos termos da Constituição Federal; 8) A presente multa possui caráter confiscatório, não observando o princípio da razoabilidade, sendo excessiva e desproporcional, por não ter havido dolo, fraude ou simulação. Por fim, a peticionaria requer que a Defesa seja recebida, conhecida e provida para o fim de julgar insubsistente o Auto de Infração e cancelar a exigência fiscal nele consubstanciada, extinguindose o presente processo administrativo. Encaminhado os autos à 8ª Turma da DRJ/CTA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, manteve o crédito tributário com fundamentos sintetizados na ementa assim elabora: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 24/11/2008 PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. O princípio do não confisco não autoriza o julgador administrativo a afastar norma da legislação tributária, tampouco desconsiderar a sua incidência quando verificada a ocorrência do seu suporte fático. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. Os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autorizam o julgador administrativo a afastar norma da legislação tributária, tampouco desconsiderar a sua incidência quando verificada a ocorrência do seu suporte fático. DANO AO ERÁRIO O dano ao erário é instituto específico e tem as suas hipóteses definidas no DecretoLei 1455, de 07 de abril de 1976, portanto não se confunde com o uso leigo do termo, no qual se infere, de forma Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.000292/200915 Acórdão n.º 3401005.384 S3C4T1 Fl. 202 4 incorreta, que deveria haver algum prejuízo pecuniário ao Estado, para a sua identificação. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando sua insubmissão, sendo o processo remetido ao CARF para julgamento. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Cássio Schappo, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre Auto de Infração lavrado, especificamente, para cobrança de multa administrativa por divergência de informação na DI do valor do frete internacional, no momento do desembaraço aduaneiro. Destaca a Recorrente que esse fato não resultou diferenças no cálculo do valor dos tributos devidos, pois o conhecimento de frete indicava o correto valor e era de conhecimento das autoridades aduaneiras. A retificação da DI objetivava o cumprimento de obrigação acessória para corrigir mero erro formal em seu preenchimento. Com relação aos princípios que devem ser observados pela administração pública, dentre eles o da razoabilidade e proporcionalidade, a contribuinte apresentou em seu recurso um quadro que contrapõe a diferença de valor existente no frete declarado com o valor da multa aplicada: No entendimento do fisco qualquer divergência de informação detectada no exame documental em processo de desembaraço de mercadoria importada, que leva a retificar a DI, é motivo para aplicação de multa administrativa. Cabe aqui uma melhor análise dos dispositivos legais que fundamentam o lançamento. Senão vejamos: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.000292/200915 Acórdão n.º 3401005.384 S3C4T1 Fl. 203 5 Decreto 4.543/2002 Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.158 35, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou § 1o O valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, § 1o). MP 2.15835/2001 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Lei 10.833/2003 Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. Dois pontos importantes se destacam da fundamentação legal da multa lançada: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.000292/200915 Acórdão n.º 3401005.384 S3C4T1 Fl. 204 6 Primeiro não há identidade entre o fato descrito no processo de desembaraço da mercadoria importada, com o fato descrito no normativo legal. O Auto de Infração descreve divergência no valor do frete informado na DI, enquanto que a descrição da norma legal refere se ao detalhamento de identificação da mercadoria (vide §2º do art.69 da Lei 10.833/2003). Segundo relacionase a base de cálculo para definir o valor da multa. Temos no presente caso uma diferença de valor do frete, que compõe o valor aduaneiro e o art. 636 do Decreto 4.543/2002 estabelece 1% do valor aduaneiro da mercadoria. Sobre qual base deveria recair multa? O valor da DI composta de apenas um item no total de R$ 2.037.714,13 (base adotada pelo fisco) ou do item retificado (valor do frete) de R$ 132.047,39 ou da diferença do valor do frete informado de R$ 1.128,61. O Regulamento Aduaneiro reuniu em seu art. 711 que trata da aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro, toda a legislação citada acima e por seu conteúdo didaticamente preparado, esclarece a inaplicabilidade dessa multa para o presente caso. A seguir faço a transcrição com alguns destaques: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1o As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, § 2º): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente (comprador) ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.000292/200915 Acórdão n.º 3401005.384 S3C4T1 Fl. 205 7 V portos de embarque e de desembarque. § 2o O valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior, observado o disposto nos §§ 3o a 5o (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, § 1º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, caput). § 3o Na ocorrência de mais de uma das condutas descritas nos incisos do caput, para a mesma mercadoria, aplicase a multa somente uma vez. § 4o Na ocorrência de uma ou mais das condutas descritas nos incisos do caput, em relação a mercadorias distintas, para as quais a correta classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul seja idêntica, a multa referida neste artigo será aplicada somente uma vez, e corresponderá a: I um por cento, aplicado sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias, quando resultar em valor superior a R$ 500,00 (quinhentos reais); ou II R$ 500,00 (quinhentos reais), quando da aplicação de um por cento sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias resultar valor igual ou inferior a R$ 500,00 (quinhentos reais). § 5o O somatório do valor das multas aplicadas com fundamento neste artigo não poderá ser superior a dez por cento do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, caput). § 6o A aplicação da multa referida no caput não prejudica a exigência dos tributos, da multa por declaração inexata de que trata o art. 725, e de outras penalidades administrativas, bem como dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, § 2º). O que se depreende do texto do art. 711 do RA, para o procedimento de controle aduaneiro apropriado (inciso III), compreendem a descrição detalhada da operação e elenca nos incisos do §1º o que deve ser discriminado detalhadamente. Portanto, o que se definiu como procedimento ineficaz sujeito a penalidade administrativa não contempla eventual divergência na informação do valor de frete. Essa hipótese está fora do alcance da penalidade prevista no art. 636 do Decreto 4.543/2002. Nem todo ato que leva a retificar uma Declaração de Importação é passível de ação penal por parte fisco federal. Outro fato de relevância, atinente ao caso, está voltado a própria IN nº 680/2006 que através de sucessivas alterações, contempla atualmente a seguinte redação: Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: II pelo importador, que registrará diretamente no Siscomex as alterações necessárias, e efetuará o recolhimento dos tributos apurados na retificação, calculados pelo próprio Sistema, por meio de débito automático em conta ou Darf. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1813, de 13 de julho de 2018) Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.000292/200915 Acórdão n.º 3401005.384 S3C4T1 Fl. 206 8 Não se fala mais em multa relativa a infração administrativa. Por iniciativa do contribuinte a retificação de DI é feita diretamente no Siscomex sem a necessidade de ingressar com processo administrativo e efetuará o recolhimento dos tributos que serão disponibilizados pelo sistema. Excluiuse da norma tipificação de conduta passível de punição. A boa fé do contribuinte será preservada, sua espontaneidade reconhecida e desnecessária eventual punição por essa atitude voluntária do contribuinte. No presente caso o fato (divergência no valor do frete) foi levantado no próprio processe de desembaraço aduaneiro, sem ter acarretado qualquer alteração nos cálculos dos valores devidos, restando apenas fazer a correção via retificação da DI. Mero cumprimento de obrigação acessória. É mister observar os fundamentos do Princípio da Legalidade, pilar de observância obrigatória à Administração Pública. O inciso II do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88) determina que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Inferese então que os cidadãos gozam de relativa liberdade, sendolhes facultado praticar todos os atos, menos aqueles que a lei proíbe. Já no tocante à Administração Pública, esse princípio determina que, em qualquer atividade, a Administração Pública está estritamente vinculada à lei. Nesse sentido, o art. 97 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), afirma no inciso V – “que a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas”, somente poderão ser estabelecidas por lei, impedindo, dessa forma, a aplicação da multa do art. 84 da MP nº 215835, de 2001, para casos não tidos como necessários para o controle aduaneiro apropriado, por falta de previsão legal. Ademais, em respeito ao Princípio da Reserva Legal, carece de lei em sentido específico para a instituição da penalidade em comento. Não seria cabível usar analogia, por exemplo, para tipificar, num despacho de importação a existência de divergência no valor do frete, a multa aplicável por erro de informações referidas no §2º do art. 69 da Lei nº 10.833/2003, uma vez que este método de integração é incongruente com o próprio Princípio da Reserva Legal. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para extinguir a multa administrativa por ausência de permissivo legal. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Redator designado. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11128.000292/200915 Acórdão n.º 3401005.384 S3C4T1 Fl. 207 9 Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. Trata o presente caso de erro no preenchimento da DI, em conformidade com o inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 215835/2001 segundo o qual se aplica a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum (NCM) do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, o que, por disposição do art. 69 da Lei nº 10.833/2003, não poderá ser superior a 10% do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. Observese, em complemento, que, nos termos do § 1º do preceptivo normativo da lei em referência, a multa também será aplicada ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Desta feita, não apenas a omissão, mas também a prestação de informação de forma inexata ou incompleta enseja a cominação da multa e, no caso corrente, ao se descer à análise da coleção probatória que informa o auto de infração ora combalido, denotase que o importador prestou informação incorreta consistente no valor do frete, o que teve por efeito afetar o valor aduaneiro, não havendo relevância para o deslinde do feito a existência ou não da obtenção de vantagens ou máfé, por parte do importador, que por si só não afastam a aplicação da sanção, nos termos do § 2º do art. 94 do DecretoLei nº 37/1966. De igual maneira, a alegação de inexistência de dano ao erário, pois tal figura se reveste dos atributos dos arts. 23 e 24 do DecretoLei 1.455/1976, respeitante à perda de mercadoria ou veículos, o que, como se pode perceber, não guarda relação com o caso em debate. Tampouco socorre a contribuinte o ADI SRF 13/2002 e demais precedentes judiciais e administrativos trazidos à colação, pois não providos de força vinculante, ou mesmo o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002, este trata da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com relação ao produto que esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação, situação diversa do objeto deste julgamento. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11128.000292/200915 Acórdão n.º 3401005.384 S3C4T1 Fl. 208 10 Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000752/2010-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-000.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 07 52 /2 01 0- 34 Fl. 124DF CARF MF 2 O contribuinte acima descrito solicitou restituição de 09/03/2010 (fls. 3/14), de suposto crédito de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de trabalho assalariado recebidos acumuladamente, em processo trabalhista, no ano calendário 2006, relativos ao período de novembro de 1999 a dezembro de 2000, o qual foi indeferido através d despacho decisório acostado a este processo. Assim sendo, apresentou o contribuinte uma manifestação de inconformidade, reiterando suposto direito à restituição do imposto, o qual alega incorretamente retido na fonte quando da execução de sentença em processo trabalhista posto que determinada a aplicação da tabela progressiva mensal do período dos rendimentos recebidos. A autoridade administrativa emitiu um despacho decisório contrário à decisão judicial de apurar o imposto de renda mês a mês pois entende que a correta forma de tributação é aquela disposta no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Alega o contribuinte que não cabe à autoridade administrativa fiscal deixar de cumprir sentença transitada em julgado, norma individual e concreta entre as partes, e que a retenção feita pela fonte pagadora, de R$ 68.895,17, quando da liberação da parcela de 2006, é indevida. Requer a restituição pleiteada, e caso seja desconsiderada a decisão judicial, a impugnante pede o reconhecimento de seu direito de distribuir os rendimentos pelos meses que foram gerados, em conformidade com a jurisprudência da Procuradoria da Fazenda Nacional. A DRJ Salvador manifestou seu entendimento no sentido de que tanto a norma da PGFN, de 2009, como a norma da RFB, de 2010, são posteriores ao ano calendário do lançamento, 2006. Ademais, a Instrução Normativa nº 1.127, de 2011, explicita no art. 2º que a sua aplicabilidade darseá a partir de 28/07/2010. Daí, entende ser improcedente o pedido do impugnante, pois, não há porque submeter rendimentos acumulados recebidos em 2006 às novas regras. Por fim, ressalta que a administração tributária não pode furtarse à aplicação de norma a ela dirigida ou negar sua vigência. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é atividade administrativa plenamente vinculada. Sendo assim, julga improcedente a manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos RRA Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10865.000752/201034 Acórdão n.º 2001000.790 S2C0T1 Fl. 3 3 Conforme mencionado no relatório acima, a discussão administrativa decorreu do pedido de restituição de suposto crédito de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de trabalho assalariado recebidos acumuladamente, em processo trabalhista, no ano calendário 2006, relativos ao período de novembro de 1999 a dezembro de 2000, o qual foi indeferido através d despacho decisório. De acordo com o que fora amplamente exposto ao decorrer deste processo administrativo, fica claro que o contribuinte recebeu os rendimentos acumulados, oriundos de processo trabalhista, em 2006. A regra geral era de se levar ao ajuste anual os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Esta regra vigorou até o advento da Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010, que inseriu o art. 12A na Lei n° 7.713, de 1988, instituindo forma de cálculo que prestigia parâmetro de cálculo mensal e não global, mediante a utilização de “tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”. Esta opção de tributação de tabela progressiva deveria ser clara e só poderia ser exercida mediante cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Assim, os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Dessa forma, incabível realizar o cálculo nos moldes propostos pelo recorrente, restando correto o procedimento realizado pela fiscalização. Através de leitura das leis que regem a matéria, salientadas na decisão a quo, resta claro que a Lei se aplica aos fatos geradores posteriores à sua publicação, excepcionando se o ano calendário de 2010. Regulamentando o assunto, a RFB publicou a Instrução Normativa RFB n.º 1.127, de 07 de fevereiro de 2011, que dispõe sobre a apuração e tributação de rendimentos recebidos acumuladamente de que trata o art. 12A da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Repitase, tanto a norma da PGFN, de 2009, como a norma da RFB, de 2010, são posteriores ao ano calendário do lançamento, 2006. Ademais, a Instrução Normativa nº 1.127, de 2011, explicita no art. 2º que a sua aplicabilidade darseá a partir de 28/07/2010. Entendo, pois, realmente ser improcedente o pedido do impugnante eis que não há porque submeter rendimentos acumulados recebidos em 2006 às novas regras. Ressalte s que nem a jurisprudência dos Tribunais Superiores nem a edição de ato declaratório pela PGFN provocam a revogação do dispositivo legal cuja interpretação o suscitou. No caso em concreto, tratase do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que se encontra regulamentada pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR). No que se refere as alegações para afastar a incidência tributária dos rendimentos recebidos acumuladamente em 2006 importa observar que o cálculo do imposto de renda na fonte dos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial, até então eram tributados na forma do art. 12 da Lei nº 7.713/88, acima reproduzido, que, repitase, estabelece especificamente que no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos Fl. 126DF CARF MF 4 do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (regime de caixa). Ratifico o quanto colocado pela decisão a quo no sentindo de que o artigo 43 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) determina que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. Por fim, compartilho do entendimento de que a decisão da justiça trabalhista, não visou solucionar uma lide de natureza tributária. Não estava em discussão no processo definir qual a natureza tributária das verbas nem qual o regime aplicável (caixa ou competência). No aspecto tributário, a sentença não criou o direito ao regime de competência. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e manter a decisão a quo no sentido de não reconhecer o direito creditório guerreado pelo contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000252/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja julgado e prolatado acórdão definitivo no âmbito administrativo do processo nº 10665.000251/2006-28.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja julgado e prolatado acórdão definitivo no âmbito administrativo do processo nº 10665.000251/2006-28. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. Relatório
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja julgado e prolatado acórdão definitivo no âmbito administrativo do processo nº 10665.000251/200628. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 25 2/ 20 10 -1 4 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16306.000252/201014 Resolução nº 1402000.726 S1C4T2 Fl. 163 2 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. O presente processo trata de pedido de restituição PER/DCOMP nº 42484.37111.200809.1.2.031638 (fls. 02 a 04) e Dcomps vinculadas nºs 22394.76391.260809.1.3.031903 ( fls. 05 a 08) e 16883.47000.270809.1.3.039603 (fls. 09 a 12) por meio da quais o contribuinte pretende a restituição/compensação de débitos próprios com suposto crédito de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 2.156.405,76 referente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Por meio do despacho decisório de fl. 47, o direito creditório foi reconhecido em parte, no valor de R$ 29.331,00 e as compensações foram homologadas parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, sob o fundamento de que a parcela de composição do crédito informada na DCOMP, referente a estimativas compensadas foram confirmadas apenas parcialmente: Cientificada deste despacho decisório em 29/10/2010 (comprovante à fl. 54), a interessada apresentou em 30/11/2010 a manifestação de inconformidade de fls. 55 a 60, acompanhada dos documentos de fls. 61 a 81, onde alega, em síntese: De acordo com essas diretrizes de conduta, a Recorrente, que está obrigada ao recolhimento mensal do Imposto de Renda, apurou, de acordo com a sua Declaração de Informações Econômicos Fiscais da Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16306.000252/201014 Resolução nº 1402000.726 S1C4T2 Fl. 164 3 Pessoa Jurídica (DIPJ) 2005, ano calendário 2004, que haveria CSLL a pagar nos meses de janeiro, fevereiro,março e abril de 2004. Assim, em razão de acumular saldo negativo de anos anteriores relativos ao período do ano de 2003, efetuou o recolhimento da CSLL devida no ano de 2004 com os referidos créditos, mediante a transmissão de Pedidos de Compensação no valor total de R$ 2.156.405,76 (dois milhões cento e cinqüenta e seis mil, quatrocentos e cinco reais e setenta e seis centavos), através da Per/Dcomp n° 42484.37111.200809.1.2.031638. Ocorre que o Pedido de Ressarcimento, cumulado com os pedidos de compensação acima indicados, estão diretamente relacionados às estimativas objeto das Dcomps n° 28875.27876.29040.1.3.029538 e 38439.01403.200306.1.7.020600, as quais constam no anexo 1 do presente despacho decisório como não homologadas. Tais Dcomps são objeto do, Processo Administrativo n° 10665.000251/200628, que até o presente momento, não foi julgado definitivamente. [...] Nos autos do referido processo, em 17.07.2006, a Recorrente tomou ciência do Despacho Decisório Saort/DRF/DIV, de 12 de julho de 2006, de fls. 89/91, porém, antes que a Recorrente fosse notificada do teor do referido despacho, foi apresentada nova declaração de compensação indicando o mesmo crédito. Ainda nos autos do mesmo processo, em 24.08.2006, a Recorrente, tomou ciência de um novo Despacho Decisório Saort/DRF/DIV, de 21 de agosto de 2006, retificando o anteriormente encaminhado, contra o qual apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente protocolada em 25.09.2006. A Recorrente alega em sede de manifestação de inconformidade que a compensação não homologada decorreu da não aceitação do crédito, que encontrase pendente de decisão administrativa definitiva; o valor do saldo negativo de IRPJ apurado no anobase de 2003, declarado na DIPJ transmitida em 2004, no montante de R$ 4.817.981,31, não foi objeto de qualquer contestação por parte das autoridades administrativas e, dentre as formas previstas na legislação de regência foi totalmente extinto, utilizando créditos dos quais era detentora junto à Fazenda Nacional, que forma formalizados por meio de Pedidos de Restituição." Com relação a não aceitação da Per/Dcomp retificadora com fundamento nos artigos 58 e 59 da IN 600/2005, a Recorrente alega que houve apenas uma realocação dos valores informados incorretamente, sem finalidade de se aumentar o valor do débito, mas de corrigilo, vez que o montante total não foi alterado. Em razão das manifestações de inconformidade apresentadas, em 16.07.2008, a Recorrente foi cientificada da decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte, Acórdão n° 0213.975, que julgou que "não poderão ser Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16306.000252/201014 Resolução nº 1402000.726 S1C4T2 Fl. 165 4 objeto de compensação o valor objeto de pedido de restituição ou ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal — SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa". Julgou ainda que "nos termos dos artigos 58 e 59 da IN SRF n° 600, de 2005, a apresentação de Dcomp retificadora da original veiculando aumento de débito não pode ser admitida". No entanto, a Recorrente, por não concordar com o alegado pela Recorrida, apresentou Recurso Voluntário, que no até o presente momento está aguardando julgamento. [...] É certo que o crédito requerido pela Recorrente nos autos do presente processo administrativo é oriundo de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2003, decorrente de estimativas mensais quitadas por compensação em processos anteriores, cujos processos estão pendentes de decisão definitiva. Desta forma, não há de se falar que o crédito apresentado para a compensação fora objeto de discussão em outros processos administrativos que não foram reconhecidos pela autoridade administrativa, isto porque, frisase novamente, até o momento estão pendentes de decisão final, e, portanto é passível de discussão. Resta claro, portanto, que até que se prove o contrário o crédito requerido no presente processo goza de legitimidade, e, portanto, pode ser utilizado. Isto porque os processos administrativos que compõe o crédito requerido no presente processo estão pendentes de julgamento, logo, este processo, que está vinculado às decisões em processos anteriores, deve também ser analisado somente após a decisão definitiva daqueles, motivo pelo qual deve ter a sua exigibilidade suspensa. Desta forma, é nítido, que no presente processo, ocorre a mesma situação, qual seja, a autoridade fiscal não levou em consideração, a existência do Processo Administrativo n° 10665.000251/200628, o qual continua pendente de julgamento, bem como aqueles processos a ele vinculado, portanto, a mesma premissa para este caso deverá ser adotada, suspender a exigibilidade até que se tenha a decisão definitiva nos autos dos processos a ele vinculado. III — DO PEDIDO Por todo o exposto, pede a Recorrente seja dado provimento a presente Manifestação de Inconformidade para reformar o r. despacho decisório proferido, a fim de que seja deferido o Pedido de Restituição e Compensações, tal como requerido. A DRJ proferiu v. acórdão mantendo a decisão do r. Despacho Decisório, com a seguinte ementa: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16306.000252/201014 Resolução nº 1402000.726 S1C4T2 Fl. 166 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. A restituição e/ou compensação de saldo negativo condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. A estimativa é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, somente quando comprovada a sua extinção mediante pagamento ou compensação homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16306.000252/201014 Resolução nº 1402000.726 S1C4T2 Fl. 167 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Do sobrestamento do feito devido a pendência de decisão dos demais processos que tratam das compensação das estimativas que compõem o saldo negativo que se pretende compensar neste processo: O presente processo encontrase dependendo do julgamento das DCOMPs abaixo indicadas, que tratam das estimativas mensais de CSLL compensadas, que compõe o saldo negativo que se pretende compensar nos autos do processo em epígrafe. Os PER/DCOMPs que controlam as estimativas glosadas encontramse nas DCOMP´s a seguir: As DCOMP´s acima indicadas ainda não foram objeto de decisão administrativa definitiva, uma vez que aguardam julgamento pelo CARF/MF acerca do recurso apresentado nos autos do processo nº 10665.000251/200628 que se encontra na DERAT/SP aguardando resposta da diligência determinada pelo CARF. Ou seja, caso sobrevenha decisão administrativa definitiva no sentido da homologação das estimativas compensadas, tal decisão implicará necessariamente no reconhecimento integral do crédito de Saldo Negativo pleiteado nos presentes autos, Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16306.000252/201014 Resolução nº 1402000.726 S1C4T2 Fl. 168 7 mostrandose cristalina a relação de prejudicialidade mantida entre este processo e os processos acima indicados. Vejam nobres Conselheiro, notese que o sobrestamento do presente processo até que haja julgamento definitivo das estimativas que compõem o crédito pleiteado é decorrência lógica do próprio raciocínio traçado no acórdão ora atacado. Isto porque, reconhecidamente, o valor revertido por meio do provimento da manifestação de inconformidade (ou em sede de recurso) deverá ser devidamente computado no saldo negativo, implicando na necessidade de se aguardar o desfecho dos processos que controlam as estimativas. O entendimento para sobrestar os processos que acarretam prejudicialidade ao presente julgamento dos autos do processo em epígrafe, pode ser visto, em recente decisão, onde o CARF determinou o sobrestamento do processo referente a saldo negativo até o julgamento definitivo dos processos referentes as estimativas, conforme atesta a Resolução nº 1402000.348, proferida no PA 10880.902342/201112, cujas linhas conclusivas transcrevemos: “Isso porque na composição do saldo negativo há estimativas que foram compensadas. A parcela de estimativa compensada no processo 10880.900202/2011 18 foi homologada por meio do Acórdão 1801002.015, não sendo óbice para a continuidade da presente análise. Contudo, o restante da estimativa de janeiro de 2005 foi compensada e, até o momento, não homologada. A discussão a esse respeito se dá no bojo do processo nº 10880.673243/200901, sobrestado por meio da Resolução nº 1402000.347. Entendo, portanto, que o presente processo deva ser sobrestado até que seja proferida decisão, no âmbito do CARF (recurso voluntário), no processo nº 10880.673243/200901. 3 CONCLUSÃO Assim sendo, voto no sentido de sobrestar o julgamento até que seja apreciado o recurso voluntário relativo ao processo nº 10880.673243/200901, devendo tal processo ser vinculado ao presente. Os autos deverão ser remetidos à unidade de origem para ciência do contribuinte da presente Resolução, retornando em seguida ao CARF até que se encontre em condição de julgamento.” (2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF; Resoluçao nº 1402000.348; PA 10880.902342/201112; julgado em 20.01.2016; Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto) Por fim, insta ressaltar que o argumento constate no acórdão de que inexiste norma que autorize a suspensão do trâmite processual não se encontra em consonância com o Regulamento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015), uma vez que o art. 6º, §§4 e 6º do Anexo II determinam o sobrestamento do processo quando dependente de decisão de processos vinculados por decorrência, assim como foi decidido no julgado acima transcrito. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16306.000252/201014 Resolução nº 1402000.726 S1C4T2 Fl. 169 8 Vejamos o texto do dispositivo citado: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. (...) § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Desta forma, ante a nítida correlação existente entre o crédito pleiteado nestes autos e os Processos Administrativos indicados acima, impõese ao menos o sobrestamento deste feito até o julgamento definitivo do processo 10665.000251/200628 no E. CARF/MF. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 169DF CARF MF
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