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Numero do processo: 11080.928621/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 21 /2 00 9- 70 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.928621/200970 Acórdão n.º 1401002.593 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de CSLL devida por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.928621/200970 Acórdão n.º 1401002.593 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, do período de apuração de 30/04/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.928621/200970 Acórdão n.º 1401002.593 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.928621/200970 Acórdão n.º 1401002.593 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723627/2011-45
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÃO SIMILAR. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO EMBARGADO. EFEITOS INFRINGENTES AOS EMBARGOS. CPC, ARTS. 1025.
Os acórdãos recorrido e paradigma guardam semelhança suficiente para justificar o conhecimento do recurso especial, considerando que ambos tratam de julgamento de embargos de declaração, com pedido de efeitos infringentes, sem a prévia intimação do embargado. Diante deste quadro, os Colegiados decidiram de forma distinta, enquanto a Turma a quo manifestou ser prescindível a intimação do embargado, no acórdão paradigma consta que haveria nulidade do julgamento dos embargos de declaração pela ausência de intimação do embargado. Recurso especial conhecido.
INTIMAÇÃO DA PARTE CONTRÁRIA EM FACE DE OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INAPLICABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DIANTE DE EVENTO PREVISÍVEL NO DECORRER DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O art. 37 do Decreto-Lei nº 70.235, de 1972, dispõe que o julgamento no CARF dar-se-á nos termos do regimento interno (RICARF). Não consta em nenhuma norma processual administrativa federal previsão para que haja intimação da parte contrária em face de oposição de embargos de declaração. Tampouco há que se falar em aplicação subsidiária do Código de Processo Civil ao processo administrativo fiscal, que deve ocorrer somente mediante ocorrência processual especial, um evento extraordinário, sem precedentes, no qual o legislador não previu a consumação. Não é o caso do rito previsto para os embargos de declaração pelo RICARF, do qual o legislador, diante de um evento perfeitamente previsível no decorrer do processo, fez a opção legítima de não intimar a parte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no sp 1.335.688-PR)
Numero da decisão: 9101-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro André Mendes de Moura (relator), que conheceu apenas quanto à impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÃO SIMILAR. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO EMBARGADO. EFEITOS INFRINGENTES AOS EMBARGOS. CPC, ARTS. 1025. Os acórdãos recorrido e paradigma guardam semelhança suficiente para justificar o conhecimento do recurso especial, considerando que ambos tratam de julgamento de embargos de declaração, com pedido de efeitos infringentes, sem a prévia intimação do embargado. Diante deste quadro, os Colegiados decidiram de forma distinta, enquanto a Turma a quo manifestou ser prescindível a intimação do embargado, no acórdão paradigma consta que haveria nulidade do julgamento dos embargos de declaração pela ausência de intimação do embargado. Recurso especial conhecido. INTIMAÇÃO DA PARTE CONTRÁRIA EM FACE DE OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INAPLICABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DIANTE DE EVENTO PREVISÍVEL NO DECORRER DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O art. 37 do Decreto-Lei nº 70.235, de 1972, dispõe que o julgamento no CARF dar-se-á nos termos do regimento interno (RICARF). Não consta em nenhuma norma processual administrativa federal previsão para que haja intimação da parte contrária em face de oposição de embargos de declaração. Tampouco há que se falar em aplicação subsidiária do Código de Processo Civil ao processo administrativo fiscal, que deve ocorrer somente mediante ocorrência processual especial, um evento extraordinário, sem precedentes, no qual o legislador não previu a consumação. Não é o caso do rito previsto para os embargos de declaração pelo RICARF, do qual o legislador, diante de um evento perfeitamente previsível no decorrer do processo, fez a opção legítima de não intimar a parte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no sp 1.335.688-PR)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro André Mendes de Moura (relator), que conheceu apenas quanto à impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÃO SIMILAR. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DO EMBARGADO. EFEITOS INFRINGENTES AOS EMBARGOS. CPC, ARTS. 1025. Os acórdãos recorrido e paradigma guardam semelhança suficiente para justificar o conhecimento do recurso especial, considerando que ambos tratam de julgamento de embargos de declaração, com pedido de efeitos infringentes, sem a prévia intimação do embargado. Diante deste quadro, os Colegiados decidiram de forma distinta, enquanto a Turma a quo manifestou ser prescindível a intimação do embargado, no acórdão paradigma consta que haveria nulidade do julgamento dos embargos de declaração pela ausência de intimação do embargado. Recurso especial conhecido. INTIMAÇÃO DA PARTE CONTRÁRIA EM FACE DE OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INAPLICABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DIANTE DE EVENTO PREVISÍVEL NO DECORRER DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O art. 37 do DecretoLei nº 70.235, de 1972, dispõe que o julgamento no CARF darseá nos termos do regimento interno (RICARF). Não consta em nenhuma norma processual administrativa federal previsão para que haja intimação da parte contrária em face de oposição de embargos de declaração. Tampouco há que se falar em aplicação subsidiária do Código de Processo Civil ao processo administrativo fiscal, que deve ocorrer somente mediante ocorrência processual especial, um evento extraordinário, sem precedentes, no qual o legislador não previu a consumação. Não é o caso do rito previsto para os embargos de declaração pelo RICARF, do qual o legislador, diante de um evento perfeitamente previsível no decorrer do processo, fez a opção legítima de não intimar a parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 36 27 /2 01 1- 45 Fl. 5167DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990PR, REsp 834.681MG e AgRg no sp 1.335.688PR) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro André Mendes de Moura (relator), que conheceu apenas quanto à impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial (efls. 4834/4869) interposto por BANCO NEON S/A ("Contribuinte") em face do Acórdão nº 1402001.770 (efls. 4548/4571), da sessão de 26 de agosto de 2014, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que votou no sentido de admitir parcialmente os embargos de declaração Fl. 5168DF CARF MF Processo nº 10680.723627/201145 Acórdão n.º 9101003.484 CSRFT1 Fl. 5.168 3 opostos pela DRF/Belo Horizonte, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão 1402 001.212 (efls. 4468/4483) e dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência das multas isoladas e excluir a responsabilidade dos coobrigados. Foi ainda proferido Acórdão nº 1402002.188 (efls. 4784/4800), que decidiu no sentido de acolher os embargos de declaração da Contribuinte para suprir as omissões, sem efeitos infringentes, e ratificar o teor do Acórdão 1402001.770. Seguem transcrições das ementas dos Acórdãos nº 1402001.212, nº 1402 001.770 e 1402002.188. (Acórdão nº 1402001.212) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA E DO LANÇAMENTO COMBATIDO. Reconhecese que o julgador a quo analisou todas as provas apresentadas pelo contribuinte, sendo, contudo, livre para apreciálas conforme sua convicção e juízo. A falta de apreciação de pontos não substanciais à solução do litígio não afeta a ampla defesa e o contraditório. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. Verificando a autoridade lançadora a indedutibilidade de determinada despesa, o lançamento de oficio não pode ser formalizado por aplicação direta das alíquotas dos tributos sobre o montante isolado da glosa, sendo obrigatória a recomposição do lucro do período de apuração, procedendo a autoridade lançadora ao cálculo do montante tributável, sem a inclusão da despesa ou custo glosado. Não se justifica o tratamento isolado das despesas glosadas, fazendo sobre elas incidir o IRPJ e a CSLL, desconsiderando a autoridade lançadora o procedimento de apuração do resultado do exercício. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Diante da apresentação de livros contábeis e fiscais à autoridade tributária, afastase a hipótese prevista no art. 47 da Lei 8.981/1995. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ CUSTOS OU DESPESAS EFETIVOS. Fl. 5169DF CARF MF 4 Os custos ou despesas operacionais serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivas e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. (Acórdão nº 1402001.770) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 CUSTOS OU DESPESAS EFETIVOS. Os custos ou despesas operacionais só podem ser dedutíveis na apuração do lucro real quando efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Reputadas não efetivas, as despesas configuramse indedutíveis também na determinação da base de cálculo da CSLL, já que, por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, necessita da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 5170DF CARF MF Processo nº 10680.723627/201145 Acórdão n.º 9101003.484 CSRFT1 Fl. 5.169 5 É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual. (Acórdão nº 1402002.188) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE. Constatada a omissão, acolhemse os embargos para fins sanar a decisão embargada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OPOSIÇÃO. COMPETÊNCIA DOS DELEGADOS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A teor do art. 65, §1º, inciso V, do Regimento Interno do CARF, o titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão é competente para opor embargos de declaração. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. O recurso especial da Contribuinte foi admitido para devolver duas matérias: (1) da inexistência de intimação do Banco Potencial S.A. para resposta aos embargos de declaração com caráter infringente opostos pela Ilma. Delegada da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte; e (2) Incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Os fatos processuais que deram ensejo à interposição do recurso são os seguintes: o Acórdão nº 1402001.212 (efls. 4468/4483) decidiu no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário; a PGFN interpôs recurso especial (efls. 4486/4506) cujo seguimento foi negado por despacho de exame de admissibilidade e despacho de reexame (efls. 4509/4515 e 4516/4517); a autoridade encarregada da execução da decisão (delegada da DRF/Belo Horizonte) opôs embargos de declaração (efls. 4526/4533), com efeitos infringentes, aduzindo Fl. 5171DF CARF MF 6 omissão e contradição, cujo seguimento foi dado por despacho de admissibilidade de embargos (efls. 4546/4547); o Acórdão nº 1402001.770 (efls. 4548/4571), votou no sentido de admitir parcialmente os embargos de declaração opostos pela DRF/Belo Horizonte, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão 1402001.212 (efls. 4468/4483) e dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência das multas isoladas e excluir a responsabilidade dos coobrigados; a Contribuinte opôs embargos de declaração (efls. 4715/4751), em relação às matérias (a) Da omissão quanto à inexistência de intimação ao Banco Pottencial S.A. para resposta aos Embargos de Declaração opostos pela DRF Belo Horizonte/MG; (b) Da omissão quanto à incompetência da Delegada da RFB em Belo Horizonte/MG para oposição dos Embargos de Declaração da forma como realizado; (c) Da omissão quanto à impossibilidade de rediscussão do mérito em sede de Embargos de Declaração necessidade de demonstração de omissão, obscuridade ou contradição; (d) Da omissão quanto ao total enfrentamento da matéria controvertida pelo Acórdão n.° 1402001.212, que dera provimento ao recurso voluntário da interessada; (e) Da omissão quanto aos fundamentos que levaram o acórdão recorrido a desconsiderar a documentação trazida aos autos pelo Banco Pottencial S.A.; (f) Da omissão e contradição quanto ao cômputo do voto do conselheiro Carlos Pelá relativo à qualificação da multa de ofício e quanto à inexistência de comprovação do cometimento de qualquer ilícito capaz de ensejar referida qualificação e (g) Da omissão quanto à impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. despacho de exame de admissibilidade de embargos deu seguimento para as matérias (b) Da omissão quanto à incompetência da Delegada da RFB em Belo Horizonte/MG para oposição dos Embargos de Declaração da forma como realizado e (g) Da omissão quanto à impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. o Acórdão nº 1402002.188 (efls. 4784/4800), decidiu no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir as omissões, sem efeitos infringentes, e ratificar o teor do Acórdão 1402001.770. a Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 4834/4869), protestando sobre as matérias (a) da inexistência de intimação ao Banco Pottencial S.A. para resposta aos Embargos de Declaração opostos pela DRF Belo Horizonte/MG; (b) da impossibilidade de rediscussão do mérito em sede de Embargos de Declaração necessidade de demonstração de omissão, obscuridade ou contradição; (c) da impossibilidade de glosa da totalidade dos valores declarados; (d) da inexistência de comprovação de ilícito capaz a ensejar a qualificação da multa; (e) Da impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. despacho de exame de admissibilidade de recurso especial (efls. 5036/5057) deu seguimento parcial ao recurso para a matéria (e) Da impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. a Contribuinte apresentou agravo (efls. 5092/5109) contestando o não seguimento das matérias do despacho de exame de admissibilidade de recurso especial; despacho de admissibilidade de agravo (efls. 5132/5143) acolheu parcialmente o agravo para dar seguimento à matéria (a) da inexistência de intimação ao Banco Pottencial S.A. para resposta aos Embargos de Declaração opostos pela DRF Belo Horizonte/MG. Fl. 5172DF CARF MF Processo nº 10680.723627/201145 Acórdão n.º 9101003.484 CSRFT1 Fl. 5.170 7 a PGFN foi cientificada e apresentou contrarrazões (efls. 5154/5164), manifestandose para que fosse mantida a decisão recorrida em relação à incidência de juros de mora sobre multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Encontramse devolvidas para apreciação as matérias (a) da inexistência de intimação ao Banco Pottencial S.A. para resposta aos Embargos de Declaração opostos pela DRF Belo Horizonte/MG e (b) da impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. A matéria "da inexistência de intimação ao Banco Pottencial S.A. para resposta aos Embargos de Declaração opostos pela DRF Belo Horizonte/MG" será apreciada em primeiro lugar, tanto na admissibilidade quanto no mérito, vez que, a depender da decisão do Colegiado, poderá encerrar o presente julgamento com o retorno dos autos para a turma a quo, caso seja acatada a arguição de nulidade da decisão recorrida suscitada pela Contribuinte. Assim, restaria prejudicada a apreciação da segunda matéria, "da impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício". Passo ao exame da primeira matéria. O despacho de exame de admissibilidade de agravo entendeu que a divergência na interpretação da legislação tributária entre o acórdão recorrido, nº 1402 001.770, e o paradigma nº 1401001.263, restou demonstrada. O caso em análise envolve decisão A, que foi objeto de embargos de declaração pela unidade preparadora. Ao apreciar os embargos, foi proferida decisão B, com efeitos infringentes. Na sequência, a Contribuinte opôs embargos de declaração, contestando, dentre outras matérias, sobre a nulidade da decisão B, vez que não foi intimada a se pronunciar sobre os embargos declaratórios com efeitos infringentes da unidade preparadora. A matéria "nulidade da decisão B" não foi admitida por despacho de admissibilidade de embargos, tendo sido dado seguimento aos embargos para julgamento de outras matérias. Na decisão C, foram julgados os embargos da Contribuinte, acolhendo omissões, sem efeitos infringentes. O recurso especial da Contribuinte foi admitido para discutir sobre a "nulidade da decisão B" e sobre "incidência de juros de mora sobre multa de oficio". Há que se esclarecer, primeiro, que o cotejo a ser realizado é entre a decisão B e o acórdão paradigma. Isso porque o despacho de exame de admissibilidade de recurso especial (e fls. 5036/5057) entendeu que a Contribuinte pretendia estabelecer divergência entre o acórdão Fl. 5173DF CARF MF 8 paradigma e o despacho de admissibilidade de embargos (que negou seguimento à matéria "nulidade da decisão B"). E, como a matéria não teve seguimento, não foi discutida pela turma a quo ao ser proferida a decisão C. Com a devida vênia, não acompanho tal entendimento. A situação que provocou a oposição dos embargos de declaração da Contribuinte foi precisamente o fato de que a turma a quo, ao efetuar o julgamento da decisão B (que julgou embargos de declaração da unidade preparadora), não intimou a Contribuinte a se manifestar sobre os embargos de declaração com efeitos infringentes da unidade preparadora. Todos os eventos processuais subsequentes foram decorrentes do julgamento da decisão B. A Contribuinte opôs embargos de declaração, o despacho de admissibilidade de embargos não conheceu da matéria "nulidade da decisão B" (e deu seguimento parcial para outras matérias). Na sequência, foi proferida decisão C que acolheu sem efeitos infringentes os embargos da Contribuinte para suprir omissões. Caso a decisão B tivesse determinado a manifestação da Contribuinte em face dos embargos de unidade preparadora, a discussão processual sobre a "nulidade da decisão B" não teria ocorrido. Por isso, no presente caso, entendo não ser aplicável a necessidade de pré questionamento. Ora, a situação processual em discussão emergiu a partir da decisão B. Como exigir préquestionamento de ato processual imediatamente posterior, recurso especial em face da decisão B, se foi a partir da decisão B que teria nascido situação que permitiria discutir se haveria nulidade ou não? Ou seja, o cotejo a ser realizado envolve a decisão B, que diante de embargos de declaração com efeitos infringentes da unidade preparadora efetuou o julgamento, sem demandar a manifestação da Contribuinte ou da PGFN sobre o recurso. Superada essa análise, passo à apreciação para verificar se há divergência entre a decisão recorrida, Acórdão nº 1402001.770, e o Acórdão paradigma, nº 1401001.263. No caso tratado pelo paradigma, foi proferida decisão A (Acórdão nº 1401 00.482), que tratou das matérias A1 (lucro inflacionário e A2 (glosa da dedução a título de redução por reinvestimento, apurada com base no lucro da exploração). O voto do relator (voto vencido) discorreu sobre as duas matérias e concluiu no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Por sua vez, a maioria do Colegiado votou para dar provimento integral ao recurso. Ocorre que o voto vencedor só se manifestou a respeito da matéria A1. Diante da situação, a presidente da turma embargou a decisão A, informando que sobre a matéria A2 não teria havido discussão nem votação em plenário. A decisão B, ao apreciar os embargos de declaração, teria conferido efeitos infringentes ao acórdão recorrido, ao se pronunciar a respeito da matéria A2, para dar provimento ao recurso voluntário. Na realidade, a versão primitiva do voto do relator, na decisão A, foi no sentido de negar provimento à matéria A2. Por sua vez, ao proferir novo resultado, na decisão B, mudou de entendimento, para corroborar o procedimento da Contribuinte. Ou seja, a decisão B pronunciouse sobre a matéria A2, e o relator alterou o voto: na decisão A, votou no sentido de negar provimento ao recurso voluntário sobre a matéria, e na decisão B votou para dar provimento ao recurso voluntário sobre a matéria. A PGFN opôs embargos de declaração, aduzindo que, ao tempo em que forma conferidos efeitos infringentes ao julgado (...) não foi intimada a acompanhar o feito. Fl. 5174DF CARF MF Processo nº 10680.723627/201145 Acórdão n.º 9101003.484 CSRFT1 Fl. 5.171 9 Reclama ainda que não constava nos autos o acórdão que julgou o recurso voluntário e a petição de embargos de declaração opostos pela Contribuinte. Concluiu no sentido de que caberia o chamamento do feito à ordem para a autuação das referidas peças, sob pena de nulidade absoluta. A decisão C foi proferida, no sentido de declarar a nulidade absoluta da decisão B, nos termos da ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 EMBARGOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE. Declarase a nulidade absoluta de Acórdão proferido em sede de embargos de declaração, haja vista que foram conferidos efeitos infringentes ao julgado, sem que a parte interessada Fazenda Nacional tivesse sido intimada para acompanhar o feito: Como se pode observar, a situação processual apresentada pelo paradigma guarda determinadas particularidades. Primeiro: a decisão embargada, decisão A, tinha voto original sobre matéria A2 no qual negava provimento ao recurso voluntário. Ainda, o embargo de declaração discorria sobre situação no qual a matéria A2 não havia sido discutida e por consequência votada no Colegiado. Houve, nitidamente, erro na formalização da decisão A. E na decisão que julgou os embargos, decisão B, o relator apresentou novo voto para a matéria A2, mudando entendimento para dar provimento ao recurso voluntário em relação à matéria. Segundo: reclamou a PGFN, ao opor embargos à decisão B, que, na ocasião do julgamento da decisão B, não constava nos autos a decisão A. Por isso, veio requerer a juntada aos autos da decisão sob pena de nulidade absoluta. Ocorre que a decisão recorrida, Acórdão nº 1402001.770, não se deparou com nenhuma das particularidades apontadas. Ao contrário do paradigma, no acórdão recorrido não houve nenhum erro na formalização da decisão. Tampouco ocorreu mudança de voto do relator, alterando entendimento de uma decisão para outra. E principalmente, nos presentes autos estavam devidamente instruídas todas as decisões. No paradigma, é evidente o prejuízo da parte quando se verifica que a decisão que foi embargada não constava nos autos. Ora, a dissimilitude fática é evidente entre a decisão recorrida e paradigma. A decisão paradigma considerou eventos processuais para tomar a decisão que não ocorreram nos presentes autos. Vale reforçar: erro na formalização da decisão embargada, novo voto em acórdão de embargos alterando entendimento proferido anteriormente e ausência da decisão embargada nos autos processuais. O acórdão de embargos foi submetido a julgamento sem que sequer o acórdão embargado estivesse no processo. Nesse sentido, por ausência de similitude fática, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Contribuinte em relação à matéria " da inexistência de Fl. 5175DF CARF MF 10 intimação ao Banco Pottencial S.A. para resposta aos Embargos de Declaração opostos pela DRF Belo Horizonte/MG". Contudo, registro que fui voto vencido no exame de admissibilidade da matéria, vez que o Colegiado, por maioria de votos, deulhe seguimento, cujas razões serão expostas no voto vencedor. Passo ao conhecimento da matéria "incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício". Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte em relação ao tema. Passo ao exame do mérito. Primeiro, passa a ser apreciar a matéria "da inexistência de intimação ao Banco Pottencial S.A. para resposta aos Embargos de Declaração opostos pela DRF Belo Horizonte/MG". Discutese a necessidade de se intimar a parte no caso de os embargos de declaração opostos tiverem efeitos infringentes. Em se tratando do processo administrativo fiscal, a tramitação dos embargos é prevista no Regimento Interno do CARF RICARF. No caso dos autos, o regimento vigente era o aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Vale transcrever o art. 65, do Anexo II: Seção I Dos Embargos de Declaração Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5176DF CARF MF Processo nº 10680.723627/201145 Acórdão n.º 9101003.484 CSRFT1 Fl. 5.172 11 IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. Como se pode observar, não há nenhuma previsão sobre intimação das partes para manifestação da respeito de embargos opostos. Quando o RICARF pretendeu que a intimação fosse realizada, dispôs expressamente sobre o procedimento, como se pode observar em relação à interposição de recurso voluntário e de recurso especial, e sobre as diligências. Poderseia dizer que o novo CPC (Lei nº 13.105, de 2015) dispõe, no artigo 1023, § 2º, que o juiz intimará o embargado para, querendo, manifestarse, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. Contudo, há que se verificar se é caso de aplicação subsidiária do CPC ao processo administrativo fiscal (art. 15 da Lei nº 13.105, de 2015). Fato é que o RICARF debruçase, exaustivamente, sobre o procedimento previsto para oposição de embargos de declaração, e o correspondente julgamento do recurso. A aplicação em caráter subsidiário tem espaço diante de situação processual especial, um evento extraordinário, sem precedentes, no qual o legislador não previu a ocorrência. Delineandose tal cenário, o aplicador do direito busca novas fontes, legislação subsidiária e mesmo princípios do direito para concretizar a missão de julgar. Não é o caso dos presentes autos. O que se depreende é que, em se tratando do rito processual no âmbito do contencioso administrativo tributário, para os embargos adotouse rito célere, prescindindose da manifestação das partes, independente dos efeitos do recurso. A oposição de embargos de declaração é evento previsível no decorrer do processo, e o legislador fez a opção legítima de não intimar a parte no caso. Fl. 5177DF CARF MF 12 E o que se observa nos presentes autos é que o rito previsto no RICARF 2 foi devidamente seguido, nos termos do art. 65, do Anexo II, do RICARF, anteriormente transcrito. Nesse sentido, voto para negar provimento ao recurso especial da Contribuinte em relação à matéria "da inexistência de intimação ao Banco Pottencial S.A. para resposta aos Embargos de Declaração opostos pela DRF Belo Horizonte/MG". Passo ao exame de mérito do segundo tópico devolvido, incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) O entendimento apresentado é convergente com o voto do REsp nº 1.129.990PR, conforme excerto transcrito 3. 2 Registrese que o julgamento no CARF darseá conforme disposto no regimento interno (RICARF), previsão expressa no DecretoLei nº 70.235, de 1972 (PAF, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal na seara federal): Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. 3 Vide ementa: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Fl. 5178DF CARF MF Processo nº 10680.723627/201145 Acórdão n.º 9101003.484 CSRFT1 Fl. 5.173 13 Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação". A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) 2. Recurso especial provido. (REsp 1129990/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2009, DJe 14/09/2009) Fl. 5179DF CARF MF 14 Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(Grifos no original) No mesmo sentido, vale citar o REsp 834.681MG e o AgRg no REsp 1.335.688PR. Enfim, a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 5180DF CARF MF Processo nº 10680.723627/201145 Acórdão n.º 9101003.484 CSRFT1 Fl. 5.174 15 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, portanto, que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso especial da Contribuinte em relação à matéria "da impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício", e, na parte devolvida, negarlhe provimento. (assinatura digital) André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada. Com a devida vênia ao robusto voto do Relator, ouso divergir quanto ao conhecimento do recurso especial, tendo sido acompanhada pela maioria do Colegiado. O Ilustre Relator entendeu por não conhecer o recurso especial, discorrendo minuciosamente sobre a distinção entre a situação fática do acórdão recorrido e aquela tratada pelo acórdão paradigma nº 1401001.263. As pequenas distinções entre os fatos tratados pelos acórdãos, no entanto, não são suficientes para afastar a similitude fática exigida para conhecimento do recurso especial. O acórdão recorrido (acórdão 1402001.770) tratou de embargos de declaração apresentados pela unidade de origem, com pedido de efeitos infringentes, sem que tenha sido oportunizado ao contribuinte o direito de impugnar previamente estes embargos. Neste julgamento, foram conferidos efeitos infringentes para modificar o primeiro acórdão da Turma a quo (acórdão 1402001.212). O contribuinte, assim, apresentou embargos de declaração, conhecidos em parte e acolhidos apenas para sanar omissões pelo Colegiado a quo (acórdão 1402002.188), integrando as decisões anteriores. Não obstante o conhecimento em parte dos embargos de declaração, a falta de intimação prévia para manifestação a respeito dos embargos de declaração, não foi admitida pelo Presidente de Câmara, após parecer do então conselheiro relator. Extraise a fundamentação do conselheiro no acórdão embargado (fls. 4787/4786). Em síntese, entendeu que não haveria omissão, eis que "a ausência da intimação à empresa autuada, para apresentar resposta aos embargos opostos pela DRF Belo Horizonte/MG não é ponto sobre o qual a Turma de Julgamento deveria se pronunciar no acórdão embargado" (trecho da citada decisão). Assim, o então relator reproduziu as normas regimentais (artigo 65 e seguintes da Portaria nº 343/2015) para atestar que inexistiria obrigação de intimação do embargado. Pondero que, como explicita o artigo 1.025, do Código de Processo Civil, "Consideramse incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de Fl. 5181DF CARF MF 16 préquestionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade". Nesse panorama, concluise que nos presentes autos foram aplicadas normas do Regimento Interno do CARF Portaria MF 343/2015, dispensandose a intimação do embargado (contribuinte naquela ocasião), a despeito do pedido de efeitos infringentes pelo embargante. Situação fática similar (não idêntica) foi tratada pelo acórdão paradigma 1401001.263, no qual se decidiu de forma diametralmente oposta. Extraise do relatório deste paradigma: Tratamse de embargos de declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 1401000.844. O aludido Acórdão nº 1401000.844, por sua vez, apreciou embargos declaratórios apresentados pela Presidente da 1ª TO da 4ª Câmara em face do Acórdão nº 140100482, julgado em 24.02.2011 por esta Turma. A ilustre Presidente desta Turma à época do julgado, justificou da seguinte forma a apresentação daqueles embargos: (...) O resultado do julgamento já denota uma contradição intrínseca: ao mesmo tempo em que registra o “provimento integral”, informa que dois conselheiros foram vencidos porque negavam provimento quanto a determinada parcela do recurso, tendo ficado claro que o voto vencedor seria referente a essa matéria. (...) Da análise do recurso voluntário e dos memoriais da recorrente resta ainda mais evidente a contradição no resultado. Tratavase de duas matérias recorridas e o colegiado limitouse a examinar e decidir sobre uma delas (lucro inflacionário). (...) Ao julgar os aludidos embargos, decidiu esta Turma, por unanimidade de votos, no seguinte sentido, conforme Acórdão 1401000.844: (...) Devidamente cientificada desse Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou os presentes embargos declaratórios, argüindo a nulidade absoluta do r. Acórdão nº 1401000.844, haja vista ao tempo em que foram conferidos efeitos infringentes ao julgado, a parte interessada – Fazenda Nacional – não foi intimada para acompanhar o feito, resultando, assim, em manifesta ofensa ao direito e garantia constitucional do contraditório e à ampla defesa. Ao apreciar tal situação, a Turma prolatora do acórdão paradigma (1401 001.263) decidiu pela nulidade do acórdão embargado, pois "Considerando que do julgamento daqueles embargos resultou a concessão de efeitos infringentes ao julgado, indiscutivelmente restou violado o direito ao contraditório e à ampla defesa por parte da Fazenda Nacional." (trecho do paradigma) Fl. 5182DF CARF MF Processo nº 10680.723627/201145 Acórdão n.º 9101003.484 CSRFT1 Fl. 5.175 17 Concluindo, os dois acórdãos tratam da necessidade (ou não) de intimação do embargado antes do julgamento de embargos de declaração (que tenha pedido de efeitos infringentes), tendo os Colegiados decidido de forma distinta: enquanto no acórdão recorrido entendeuse prescindível tal providência, no acórdão paradigma decidiuse pela nulidade do julgamento dos aclaratórios sem tal intimação. Diante disso, entendo pelo conhecimento do recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 5183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.720326/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO FORMULADA EM TRIBUNA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de alegação formulada somente em sede de sustentação oral do patrono do recorrente, mormente quando versa sobre norma processual, em relação à qual a contestação poderia ter sido vertida em momento anterior do contencioso.
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO.
É vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir em sede de julgamento de segundo grau, salvo nas circunstâncias excepcionais referidas nas normas que regem o processo administrativo tributário federal.
JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. SÚMULA CARF Nº 27.
Dispõe a Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade.
GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS.
Está sujeita ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento, a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. No caso de imóvel rural, somente se aplica o art. 19 da Lei nº 9.393/96, para imóveis adquiridos a partir de 1997.
ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL AO INCRA. PAGAMENTO COM TDA - NEGÓCIO À VISTA.
A venda de imóvel rural ao INCRA não está sob o abrigo da imunidade voltada às desapropriações, tratando-se de transação de cunho negocial.
Havendo no instrumento de transferência a quitação da dívida trata-se de pagamento à vista. Os Títulos da Dívida Agrária - TDA são emitidos pro soluto, sendo efetuado o pagamento da alienação do imóvel com a entrega desses títulos, no valor correspondente ao preço acordado.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional, aplica-se a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 2202-004.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da alegação acerca do voto de qualidade do presidente de Turma, formulada em tribuna, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que a conheciam, e por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto ao pleito por aproveitamento de imposto já pago, por precluso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. A conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio manifestou intenção de apresentar declaração de voto. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou com relação às preliminares e aos temas desapropriação por reforma agrária e caráter indenizatório dos valores em questão, por estar substituindo a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que já havia votado esses tópicos na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 ALEGAÇÃO FORMULADA EM TRIBUNA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de alegação formulada somente em sede de sustentação oral do patrono do recorrente, mormente quando versa sobre norma processual, em relação à qual a contestação poderia ter sido vertida em momento anterior do contencioso. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. É vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir em sede de julgamento de segundo grau, salvo nas circunstâncias excepcionais referidas nas normas que regem o processo administrativo tributário federal. JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. SÚMULA CARF Nº 27. Dispõe a Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. Está sujeita ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento, a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. No caso de imóvel rural, somente se aplica o art. 19 da Lei nº 9.393/96, para imóveis adquiridos a partir de 1997. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL AO INCRA. PAGAMENTO COM TDA - NEGÓCIO À VISTA. A venda de imóvel rural ao INCRA não está sob o abrigo da imunidade voltada às desapropriações, tratando-se de transação de cunho negocial. Havendo no instrumento de transferência a quitação da dívida trata-se de pagamento à vista. Os Títulos da Dívida Agrária - TDA são emitidos pro soluto, sendo efetuado o pagamento da alienação do imóvel com a entrega desses títulos, no valor correspondente ao preço acordado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional, aplica-se a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
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NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de alegação formulada somente em sede de sustentação oral do patrono do recorrente, mormente quando versa sobre norma processual, em relação à qual a contestação poderia ter sido vertida em momento anterior do contencioso. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. É vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir em sede de julgamento de segundo grau, salvo nas circunstâncias excepcionais referidas nas normas que regem o processo administrativo tributário federal. JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. SÚMULA CARF Nº 27. Dispõe a Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. Está sujeita ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento, a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. No caso de imóvel rural, somente se aplica o art. 19 da Lei nº 9.393/96, para imóveis adquiridos a partir de 1997. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 72 03 26 /2 01 1- 51 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 258 2 ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL AO INCRA. PAGAMENTO COM TDA NEGÓCIO À VISTA. A venda de imóvel rural ao INCRA não está sob o abrigo da imunidade voltada às desapropriações, tratandose de transação de cunho negocial. Havendo no instrumento de transferência a quitação da dívida tratase de pagamento à vista. Os Títulos da Dívida Agrária TDA são emitidos “pro soluto”, sendo efetuado o pagamento da alienação do imóvel com a entrega desses títulos, no valor correspondente ao preço acordado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional, aplicase a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da alegação acerca do voto de qualidade do presidente de Turma, formulada em tribuna, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que a conheciam, e por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto ao pleito por aproveitamento de imposto já pago, por precluso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. A conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio manifestou intenção de apresentar declaração de voto. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou com relação às preliminares e aos temas desapropriação por reforma agrária e caráter indenizatório dos valores em questão, por estar substituindo a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que já havia votado esses tópicos na sessão anterior. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 259 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10940.720326/201151, em face do acórdão nº 0957.678, julgado pela 6ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 28 de abril de março de 2015, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado, em 15/07/2011, o Auto de Infração de fls. 114 a 130, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa FísicaIRPF, exercício 2008, anocalendário 2007, que resultou em imposto suplementar, no valor de R$ 448.514,30, acrescido de juros de mora, no valor de R$ 173.619,88 (calculados até 06/2011), e multa de ofício, no valor de R$ 336.385,72. Motivou o lançamento de ofício a apuração de ganho de capital na alienação do imóvel rural de matrícula número 3.889, denominado Fazenda Santa Fé, localizada no município de Cândido de Abreu/PR, vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, em agosto de 2007, pelo valor de R$ 7.733.084,31, mais benfeitorias no valor de R$ 266.235,35, menos a corretagem, no valor de R$ 999.987,10, cujo valor de aquisição constante da DAA, exercício 2008, foi de R$ 443.549,93, apurandose ganho de capital, após as reduções previstas na legislação, no valor de R$ 2.990.095,35. A ciência do Auto de Infração se deu em 20/07/2011 (fl. 131), e o interessado, por intermédio de seu procurador, apresentou impugnação de fls. 133 a 164, em 19/08/2011, alegando, em síntese: I. Vícios do auto de infração: i. Reconheça a nulidade do auto de infração porque lavrado na repartição fiscal e não no domicílio do contribuinte, o que viola o disposto no art. 10 do Decreto 70.235/72; ii. Decrete a nulidade do auto de infração diante do flagrante cerceamento de defesa operado pela confusa e imprecisa motivação e descrição dos fatos não sendo possível percepção se há silogismo entre a exposição e os dispositivos legais apontados. II. Mérito: i. Diante da demonstrada ausência de fato gerador do tributo e da ausência de subsunção dos fatos à norma tributária, seja reconhecido o caráter indenizatório das verbas em razão da natureza jurídica do contrato de compra e venda, a teor do que dispõe o artigo 184, §5° da CF/88, e assim, afastado o ganho de capital, seja repelida a exigência tributária em discussão; Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 260 4 ii. Caso superado o argumento acima, o que se admite apenas para fins da eventualidade, reconheça que as TDAs somente poderão ser consideradas para fins de tributação por ocasião do seu resgate; iii. Superadas as questões acima, então, seja decretada a nulidade do auto de infração porquanto lastreado em base de cálculo diversa daquela prevista em lei; iv. Seja reconhecida a insubsistência do lançamento uma vez que lastreado em valores globais ainda não recebidos, porquanto não realizados em favor do contribuinte; v. Não sendo o caso de nulidade ou de cancelamento, então que sejam revistos os valores das bases de cálculo levando em conta, como preço de aquisição: iO valor do ITR declarado no ano da venda; ii. Sucessivamente, o valor do ITR declarado no ano de 1996; iii. Sucessivamente, o valor do ITR declarado no ano da compra; iv. O valor atualizado da aquisição, nos moldes da fundamentação, reconhecendo o direito à correção monetária sobre os imóveis durante todo o período a fim de garantir a valoração da moeda. vi. Reconheça a ofensa aos postulados constitucionais da capacidade contributiva, eficiência, verdade real e da possibilidade de revisão dos atos administrativos; a. Como resultado, declare a nulidade do auto de infração lavrado, afastando o montante a título de imposto, multa e juros, baixando os registros do sistema; vii. Caso o reconhecimento das nulidades apontadas seja apenas parcial, o que se admite por atenção à eventualidade, determine a redução do montante do tributo, juros e multa ora exigidos, atento aos valores que devam ser extirpados; III. Encargos: i. Reconheça o caráter de confisco da multa, princípio constitucional também aplicado às penalidades, determinando sua redução a patamares condizentes com a razoabilidade e proporcionalidade; IV.Finalmente, que, após a anulação do Auto de Infração, seja a referida autuação baixada do sistema desse órgão. V. Por último, caso superadas todas as discussões acima, seja reconhecido, então, o direito do contribuinte de somente arcar com as obrigações acerca do ganho de capital somente quando de sua efetiva realização mediante o recebimento dos valores resultantes do resgate dos títulos. VI.Postula, enfim, com base no que autoriza a legislação de regência (artigo 16 do decreto regulamentar), a juntada de novos documentos, bem como a realização de prova pericial, voltada a definição dos valores de mercado dos bens e que possam ser inseridos no conceito de renda passível de tributação Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 261 5 no ganho de capital, bem como para verificar se os cálculos realizados pelo agente fiscal estão de acordo com as determinações legais." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, o crédito tributário lançado, onde se apurou o ganho de capital na alienação do imóvel rural Fazenda Santa Fé, localizada no município de Cândido de Abreu/PR. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 207/233, reiterando, em parte, as alegações expostas em impugnação. Requer, subsidiariamente, que seja reduzido o valor cobrado, tendo em vista processo de restituição de n° 10940.902816/201093, ainda em tramitação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da Preliminar de Nulidade do Lançamento. O contribuinte levanta a hipótese de nulidade do lançamento, inicialmente, com base em dois argumentos, quais sejam: 1) Porque o Auto de Infração teria sido lavrado na repartição fiscal e não no domicílio do contribuinte, o que violaria o disposto no art. 10 do Decreto 70.235/72; e, 2) Porque entende que houve flagrante cerceamento de defesa operado pela confusa e imprecisa motivação e descrição dos fatos. Quanto ao primeiro argumento, a súmula do Carf nº 06, dispõe: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Deste modo, rejeito a preliminar suscitada. Assim, passase a análise do segundo argumento de nulidade do lançamento. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 262 6 Na ausência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 e observados os requisitos do art. 10, a seguir transcritos, ambos do Decreto n.º 70.235/72, não prospera a preliminar de nulidade do lançamento levantada. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Do exame do dispositivo supra extraise que, no tocante ao lançamento, só pode haver nulidade se o ato for praticado por agente incompetente (art. 59, inciso I), uma vez que a hipótese do inciso II do mesmo artigo, relativa a cerceamento do direito de defesa, alcança apenas os despachos e decisões, quando proferidos com inobservância do contraditório e da ampla defesa. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 263 7 Sobre o cerceamento do direito de defesa, há que se considerar que o direito ao contraditório decorre do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, que tem a seguinte redação: Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cabe salientar, ainda, que o cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. É nesse sentido que o art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, somente admite a caracterização de cerceamento do direito de defesa contra decisões e despachos e não contra Autos de Infração ou Notificações de Lançamento. Os dois últimos são impugnáveis na forma da legislação em vigor, garantindose, também desta forma, a observância do art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988, anteriormente transcrito. Só faz sentido se falar em princípios da ampla defesa após a apresentação tempestiva de impugnação ao lançamento, a qual instaura o contraditório, conforme preceituado no art. 14 do Decreto n.º 70.235/72. Antes, não há litígio, não há contraditório. Existe, apenas, uma ação fiscal sendo levada a efeito, de ofício, pela Fazenda Nacional que, como atividade privativa que é da autoridade tributária, poderá ser desenvolvida até mesmo sem seu compartilhamento obrigatório com o sujeito passivo da obrigação tributária. Ressaltese, por oportuno, que, nos autos em questão, a oportunidade de defesa foi regularmente oferecida, e plenamente exercida pelo contribuinte autuado, que ao inaugurar o contraditório através da apresentação da tempestiva impugnação e posteriormente do recurso voluntário. Ainda, o art. 60, anteriormente transcrito, dispõe que quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Portanto, não há que se falar, no presente caso, em desrespeito ao contraditório e ao amplo direito de defesa visto que está demonstrado, de forma inequívoca, o pleno conhecimento do impugnante sobre as razões do lançamento em tela, pois foi minuciosamente por ele contestado nos argumentos ora apresentados à apreciação da autoridade julgadora, sendo que lhe foi ainda facultado pleno acesso a toda documentação constante dos autos. Assim, considerase improcedente a nulidade requerida. Mérito Consoante se verifica, motivou o lançamento de ofício a apuração de ganho de capital na alienação do imóvel rural de matrícula número 3.889, denominado Fazenda Santa Fé, localizada no município de Cândido de Abreu/PR, vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, em agosto de 2007, pelo valor de R$ 7.733.084,31, mais benfeitorias no valor de R$ 266.235,35, menos a corretagem, no valor de R$ 999.987,10, Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 264 8 cujo valor de aquisição constante da DAA, exercício 2008, foi de R$ 443.549,93, apurandose ganho de capital, após as reduções previstas na legislação, no valor de R$ 2.990.095,35. Entendeu a DRJ de origem que "o caso presente nos autos é a venda de imóvel rural, e não desapropriação, embora seja para fins de reforma agrária, e, portanto, não está isento do imposto de renda, devendo ser apurado o ganho de capital de acordo com a legislação de regência." Pois bem. Ocorre que a Lei nº 8.629/93 dispõe sobre a regulamentação dos dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III, Título VII, da Constituição Federal, estabelecendo o art. 5º da sobre a desapropriação, vejamos: Art. 5º A desapropriação por interesse social, aplicável ao imóvel rural que não cumpra sua função social, importa prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária. § 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro. § 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União a propor ação de desapropriação. § 3º Os títulos da dívida agrária, que conterão cláusula assecuratória de preservação de seu valor real, serão resgatáveis a partir do segundo ano de sua emissão, em percentual proporcional ao prazo, observados os seguintes critérios: [...] (grifouse) Por sua vez, o §4º do referido dispositivo legal, na legislação vigente à época do fato gerador, expressa que: § 4o No caso de aquisição por compra e venda de imóveis rurais destinados à implantação de projetos integrantes do Programa Nacional de Reforma Agrária, nos termos desta Lei e da Lei no 4.504, de 30 de novembro de 1964, e os decorrentes de acordo judicial, em audiência de conciliação, com o objetivo de fixar a prévia e justa indenização, a ser celebrado com a União, bem como com os entes federados, o pagamento será efetuado de forma escalonada em Títulos da Dívida Agrária TDA, resgatáveis em parcelas anuais, iguais e sucessivas, a partir do segundo ano de sua emissão, observadas as seguintes condições: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifouse) Portanto, verificase que a lei é clara em tratar os valores recebidos a título de venda de imóveis rurais destinados à implantação de projetos integrantes do Programa Nacional de Reforma Agrária como indenização, sendo, na prática, uma desapropriação não litigiosa. O pagamento é inclusive realizado por Títulos da Dívida Agrária TDA. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 265 9 Este Conselho já consolidou seu entendimento desde dezembro/2009 no sentido de que não incide IRPF sobre ganho de capital quando a alienação ocorre em função de desapropriação: Súmula CARF nº 42: Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Tendo em vista que a Súmula é de observância obrigatória por este Conselheiro, é necessário repetir tal entendimento no âmbito desse julgamento. Ainda que não fosse, o STJ já julgou a matéria no REsp nº 1.116.460, em sede de recurso repetitivo, submetido ao regime do art. 543C do CPC/73, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Arguição de Inconstitucionalidade parcial do inciso ii, do parágrafo 2., do art. 1., do Decretolei Federal n. 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 266 10 configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 22). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1., parágrafo 2., inciso ii, do decretolei n. 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1116460/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Ademais, foi consolidada a Tese nº 397 do STJ: "A indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. (...) Nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial." Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 267 11 Mais uma vez, tratase de entendimento que deve ser repetido no âmbito deste Conselho. Registrase que esta decisão judicial levou, inclusive, à publicação da Solução de Consulta COSIT nº 105/2014, que reformou Solução anterior, e reconheceu a não incidência do IRPF sobre o ganho de capital quando a alienação ocorre em decorrência de desapropriação. Salientase, por fim, que o entendimento acima exposto já foi apreciado por esta Turma Ordinária, na sessão realizada em 13 de setembro de 2017, ao apreciar o processo nº 15563.000093/201054, de relatoria do ilustre Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, entendeu, por unanimidade de votos, por proferir o acórdão 2202004.144, a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Anocalendário:2006 Ementa: DESAPROPRIAÇÃO. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA. "Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação." (Súmula CARF nº 42) Ademais, ainda que não seja considerado que tais valores sejam tributados como se desapropriação fossem, importa referir que é nítido o caráter indenizatório deste valores, sendo o recebimento feito por meio de forma escalonada em Títulos da Dívida Agrária TDA, resgatáveis em parcelas anuais, iguais e sucessivas, a partir do segundo ano de sua emissão. Assim, ainda que não aplicada a analogia ao caso concreto, verificase o caráter indenizatório destes valores, não podendo ser tributados como compra e venda. Sendo provido o recurso, fica prejudicada a análise das demais questões suscitadas pelo contribuinte. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 268 12 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Inicialmente, cabe referir ter sido questionado em tribuna a atribuição de voto de qualidade ao voto do presidente de turma. Vejase que se trata de matéria constante nas normas que regem o processo administrativo fiscal federal, não havendo motivos para só ser levantada quando da sustentação oral do patrono do contribuinte. Assim sendo, cabe não conhecer de tal arguição. Registrese também que ao final de seu arrazoado o contribuinte requereu fosse descontado o imposto alegadamente já pago, objeto do processo administrativo nº 10940.902816/201093. O cotejo entre a impugnação e a peça recursal ora examinada revela que, quando da impugnação, o contribuinte não formulou, naquela primeira oportunidade, tal demanda. Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa aos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), ainda mais quando não há motivo para só agora aduzir tal pleito. Destarte, não cabe conhecimento do recurso, quanto a esse pedido. No tocante às preliminares arguídas, socorrome das bens aduzidas considerações trazidas no curso do julgamento pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, de modo que, com a devida permissão, passem a integrar a presente decisão, em reprodução livre por parte deste Conselheiro redator. Local de Lavratura do Auto de Infração Em relação à alegação sobre o local de lavratura, essa matéria já foi consolidada pelo Conselho, na Súmula CARF nº 271: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Cerceamento de defesa motivação confusa Os relatórios, demonstrativos, e documentos juntados ao Auto de Infração trazem os esclarecimentos sobre a origem e a constituição do crédito tributário lançado. Cada um deles tem uma função específica e contém as informações que lhe são próprias. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 118/126), o Auditor Fiscal descreve todos os fatos que deram origem ao lançamento, assim como, os motivos da lavratura, 1 Registrese que foi dado efeito vinculante a essa Súmula em relação a administração tributária federal, por força da Portaria MF nº 277/18. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 269 13 anexando documentos comprobatórios que demonstram de onde foram extraídas as bases de cálculo. Portanto, o conjunto de relatórios e demonstrativos que compõem o Auto de Infração contém as informações necessárias para elucidar o crédito, o que deu ao recorrente todos os dados necessários para rebater contrariamente os fatos apurados. Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, disposto no inciso LV do art. 5º, da Constituição Federal de 1988, tem por finalidade possibilitar aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa e ao contraditório. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, em hipótese alguma, pode ser acusada de negar ao contribuinte o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, concluise que não houve qualquer tipo de cerceamento do direito de defesa, pois o Auto de Infração foi lavrado em obediência ao princípio da estrita legalidade, expondo com objetividade e clareza a origem do lançamento de crédito, sua composição, bem como os dispositivos legais e os documentos que o fundamentaram, atendendo a todos os dispositivos normativos sobre a matéria, permitindo assim, o exercício do direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. Bem colocadas, então, as aduções da ilustre Conselheira quanto às preliminares, com as quais partilho. Quanto à questão de fundo, não obstante as razões vertidas pelo D. Relator, delas dissinto. De plano, não vejo como aplicar a Súmula nº 42 do CARF ao caso, pois ao se analisar os precedentes que deram amparo a esse enunciado, mais acima reproduzido, podese constatar terem eles versado sobre situações em que o título representativo da transação eram do tipo "Escritura Pública de Desapropriação Amigável", ou ainda, no que concerne especificamente ao precedente Acórdão nº 10615.476, ação judicial. Na espécie, deparase com "Escritura Pública de Compra e Venda", não com título vinculado nominalmente à desapropriação. Ademais, nesse documento, verificase que, a despeito da destinação do imóvel ser voltada à implementação de reforma agrária, a operação foi realizada, expressamente (ver fl. 22), com base na alínea "c" do art. 17 da Lei nº 4.504/64 (Estatuto da Terra) : Lei nº 4.504/64 Art. 17. O acesso à propriedade rural será promovido mediante a distribuição ou a redistribuição de terras, pela execução de qualquer das seguintes medidas: a) desapropriação por interesse social; Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 270 14 b) doação; c) compra e venda; d) arrecadação dos bens vagos; e) reversão à posse (Vetado) do Poder Público de terras de sua propriedade, indevidamente ocupadas e exploradas, a qualquer título, por terceiros; f) herança ou legado. (grifei) Ou seja, houve efetiva compra e venda, negócio jurídico realizado sob livre acordo de vontades, e não desapropriação abrigada sob o manto da imunidade constitucional. Acerca da questão, a Câmara Superior de Recursos Fiscais se debruçou no Acórdão nº 9101 002.483 (j. 22/11/16), valendo colher a seguinte passagem do voto vencedor, de lavra da Conselheira Adriana Gomes Rêgo: (...) Voltando ao ponto, vimos que a grande distinção entre o instituto constitucional da desapropriação e o instituto civil da compra e venda é a vontade. Numa compra e venda a vontade das partes é aquela manifestada no estabelecimento de um preço, das condições de pagamento desse preço. E só detém o poder de estabelecer preço e condições de pagamento quem é o legítimo proprietário do imóvel, no uso e fruição de sua posse. E o mesmo Decreto nº 433, de 1992 (com alterações posteriores) deixa claro a partir de suas previsões quem, no presente caso, detinha a vontade, a liberdade e, portanto, a posse do imóvel rural Fazenda Santa Mônica: Art. 4º A Feita a seleção de um ou mais imóveis, o INCRA poderá proceder à abertura de processo administrativo destinado a adquirilos por compra e venda.(Incluído pelo Decreto nº 2.614, de 1998) § 1º Cada processo administrativo de aquisição terá por objeto um único imóvel, e será instaurado com a oferta de venda formulada pelo titular do domínio ou por seu representante legal ou com a proposta de compra de iniciativa do INCRA, que poderão abranger a totalidade ou parte da gleba.(Incluído pelo Decreto nº 2.614, de 1998) § 2º A oferta de venda formulada pelo proprietário ou por seu representante legal deverá conter o preço pedido, a forma e as condições de seu pagamento, e expressa permissão para que o INCRA proceda à vistoria e avaliação do imóvel ofertado.(Incluído pelo Decreto nº 2.614, de 1998) Claro está que é o proprietário da terra é quem fixa o preço da alienação para fins de reforma agrária, ou, ao menos, é ele quem precisa concordar com o preço oferecido. Ora, se é o proprietário quem fixa o preço da alienação do imóvel para o fim de reforma agrária, é óbvio que não se trata de desapropriação, tampouco se pode dizer que há qualquer semelhança com esse instituto. Como visto, na desapropriação, a perda da propriedade se dá por um ato soberano e unilateral do Poder Público, e a indenização devida ao proprietário pela expropriação é também estipulada unilateralmente pelo Poder Público. Ao proprietário, neste caso, resta apenas se conformar... (...) Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 271 15 O legislador constitucional restringiu a imunidade do imposto de renda exclusivamente para os casos em que haja a perda de propriedade por ato do poder público, não podendo se estender tal benefício para os contribuintes que exerçam o direito de alienar por moto próprio seus bens, independentemente da motivação que sustenta o exercício do direito de comprar e vende e mesmo que a destinação seja para a reforma agrária. Essa imunidade constitucional não pode ser estendida pelo agente administrativo, por meio de mera interpretação, para o fim de limitar o poder de tributar de um ente da Federação, cuja competência foilhe outorgada pela Constituição Federal. Nesse sentido, citemse ainda os Acórdãos nos 140200.9258 (j. 16/03/12) e 1201000.778 (j. 06/03/13), do CARF. De outra parte, revelase de todo inapropriado cogitarse possuírem as TDAs cunho indenizatório, pois o recorrente as recebeu como pagamento em decorrência do negócio jurídico compra e venda, pactuado mediante livre manifestação de sua vontade, estando elas desvinculadas de qualquer perda patrimonial prévia a ser indenizada, ou de perspectiva de lucros a auferir cessada caso este último no qual, anotese, caberia tributação pelo imposto de renda. E, não é demasiado registrar, caberia ao contribuinte o ônus de comprovar tal perda que estaria sendo indenizada, já que, a princípio, valores decorrentes de alienação em acordo de vontades são passíveis de serem tributados pelo imposto de renda, quando acarretam ganho de capital para o alienante. Em relação à base de cálculo, o autuado postula que deve ser ela calculada tomando em consideração "o real valor mercado do bem, devidamente informado através do ITR". Ora, valores do gênero pautam a apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais adquiridos a partir de 1º/01/97, conforme dispõe o art. 19 da Lei nº 9.393/96, o qual, em seu parágrafo único, refere que caso adquiridos esses imóveis antes daquela data, deverá ser levado em conta o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249/95. E havendo sido adquirido o imóvel rural em foco em 1991, resta claro não prosperar a pretensão do recorrente no sentido de que fosse utilizado o valor informado nas declarações vinculadas ao ITR para fins de apuração da base de cálculo da infração. Além disso, deve ser afastada a alegação de caráter confiscatório da multa de ofício, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430/96, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não assiste à arguição de que teria havido tributação antecipada, e de que não haveria justificativa para que "o agente antecipe o vencimento de parcelas, ainda não resgatadas, para compor a base tributável do ganho de capital". Não houve antecipação algum na tributação, pelo contrário, esta deuse levandose em consideração a data em que ocorrido o fato gerador do imposto de renda sobre o Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 272 16 ganho de capital na alienação de bens e direitos, ou seja, quando da venda do imóvel e percepção do correspondente preço. Com efeito, o negócio jurídico de compra e venda perfectibilizouse com o pagamento do preço acertado entre as partes, pagamento esse que se deu não em dinheiro, mas sim em bens, no caso Títulos da Dívida Agrícola TDAs, títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e voltados ao financiamento de projetos de reforma agrária, tanto nos casos em que visam indenizar proprietários rurais desapropriados, como naqueles que custeiam a aquisição de imóveis para viabilizar esses projetos, tal como no corrente. Sendo o valor das TDAs recebidas superior ao custo de aquisição, apurouse o ganho de capital correspondente, tudo em conformidade com o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 3º, c/c o art. 16 da Lei nº 7.713/88, e com o inciso IV do art. 55 do Decreto nº 3.000/99. Por fim, deve ser afastada a alegação de caráter confiscatório da multa de ofício, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430/96, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por não conhecer da alegação formulada em tribuna acerca do voto de qualidade do presidente de Turma, e por não conhecer do recurso quanto ao pleito por aproveitamento de imposto já pago, por precluso. Voto ainda por rejeitar as demais preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Declaração de Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Conforme já exposto no voto do ilustre Conselheiro Relator, a questão central a ser resolvida no presente processo reside irresignação do contribuinte em face do lançamento de imposto de renda sobre ganho de capital relativo à alienação da Fazenda Santa Fé localizada no município de Cândido de Abreu, no Estado do Paraná, ao INCRA para realização de reforma agrária. A decisão recorrida negou provimento à impugnação do ora Recorrente por entender que: a) A legislação do imposto de renda, em seu artigo 39, inciso XXI, prevê a isenção dos valores recebidos em virtude de desapropriação para reforma agrária. Sendo assim, como no presente processo ocorreu uma "alienação", não seria possível estender o alcance da Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 273 17 referida norma por força do disposto no artigo 111 do CTN que determina a interpretação literal das normas de isenção. b) que ocorreu o fato gerador do imposto de renda no momento da alienação, uma vez que os títulos da dívida agrária TDA possuem a natureza "pro soluto" e, sendo assim, devem ser considerados como pagamento. O conselheiro relator, em seu voto, entendeu que a alienação promovida pelo contribuinte era, na verdade, uma espécie de desapropriação e só não foi considerada como tal por ausência de previsão legal nesse sentido à época da ocorrência do fato gerador. Com efeito, a Lei 4.504/64 (Estatuto da Terra), em seus artigos 16 e 17 previa que a reforma agrária se daria em outras hipóteses de aquisição tais como a doação e a compra e venda. A modalidade compra e venda discutida nos presentes autos foi instituída como uma alternativa à despropriação, uma vez que, consoante a legislação vigente à época, a desapropriação só poderia ser realizada em terras improdutivas. Como o imóvel do Recorrente era uma propriedade produtiva sua aquisição só poderia se dar mediante compra e venda. Nesse sentido, esclarecedor o voto do Ministro Nelson Jobim na ADI 17006: "No caso, a 'desapropriação por interesse social' para fins de reforma agrária, só pode se dar sobre imóvel improdutivo. O imóvel produtivo não está sujeito à desapropriação para fins de reforma agrária. O instituto da 'compra e venda' viabiliza a refoma agrária de imóvel insuscetível da desapropriação sanção. Essa desapropriação, no artigo 184 da CF/88, só pode ser aplicada a imóveis que não estejam cumprindo sua função soical. A legislação infraconstitucional autoriza também o governo federal a se utilizar de imóveis que estejam cumprindo sua função social, através da compra e venda, sendo absolutamente viável o instituto. Este Conselho também já reconheceu que a compra e venda para fins de reforma agrária equivale à despapropriação conforme se verifica pelo Acórdão 10615264, cuja ementa é a seguinte: IRPF COMPRA E VENDA DE IMÓVEL – REFORMA AGRÁRIA – A Constituição Federal prevê uma indenização para todos aqueles que tiverem suas terras desapropriadas para fins de reforma agrária. A desapropriação é vedada nos casos de terras produtivas, razão pela qual a União Federal editou o Decreto nº 2.614/98, que prevê a compra e venda de imóveis rurais para fins de reforma agrária, visando minimizar os efeitos das invasões de terras produtivas. Hipótese idêntica àquela prevista na Constituição Federal quanto à desapropriação para fins de reforma agrária. Dessa forma, assim como o conselheiro relator e a decisão acima transcrita, entendo que não trata de dar interpretação extensiva ao instituto da desapropriação, pois, os institutos se equivalem perfeitamente, sendo que a despapropriação só não foi efetivada por ausência de previsão legal. Todavia, entendo que questão central do presente processo referese ao caráter indenizatório dos valores recebidos. Isso porque, se confirmado o caráter indenizatório Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 274 18 não há que se falar em isenção e sim em não incidência, uma vez que não haverá acréscimo patrimonial. Ao analisar os autos verificase às fls.166 (numeração do eprocesso) boletim de ocorrência 01810/2005000296 da Delegacia de Cândido de Abreu informando a invasão da Fazenda por integrantes de Movimento Sem Terra MST e às fls. 167 a Oferta de Imóvel Rural realizada pelo proprietário ao Superintendente Regional do INCRA, Ceslo Lisboa de Lacerda. Logo em seguida, consta o ofício nº 2247/06 do INCRA sobre a realização de audiência pública "para o assentamento de trabalhadores rurais do Programa Nacional de Reforma Agrária. Nas fls. 169 (numeração do eprocesso) consta a ata da referida audiência pública é possível identificar o valor ofertado pelo proprietário (que seria um indicativo do valor de mercado do bem) e o valor, ao final, pago pelo INCRA, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: "(...) para apreciação da proposta de obtenção de imóvel rural denomindado "Fazenda Santa Fé" , com área registrada de 1.744,2484, e área medida de 1.586,8862 ha, localizado no município de Cândido de Abreu, no Estado do Paraná, de propriedade de Carlos Alberto Buch Pereira e Mariza Chirstina Gouvêa Pereira, constante no processo administrativo/INCRA/ nº 54200.000584/200517, sendo ofertado pelo proprietário pelo valor de R$ 13.114.761,98 (treze milhões, cento e quartorze mil, setecentos e sessenta e um reais e noventa e oito centavos), tendo sido avaliado e proposto pelo INCRA o valor total de R$ 8.088.557,50 (oito milhões, oitenta e oito mil, quinhentos e cinquenta e sete reais e cinquenta centavos), sendo R$ 7.841.883,80 (sete milhões, oitocentos e quarenta e um mil, oitocentos e oitenta e três reais e oitenta centavos) a ser pago em Títulos da Dívida Agrária (TDA´s) com prazo de resgate de 2 a 5 anos, conforme legislação vigente, e R$ 346.673,70 (duzentos e quarenta e seis mil , seiscenteos e setenta e três reais e setenta centavos) para pagamento à vista das benfeitorias do referido imóvel. (grifos no original) Os documentos acima mencionados deixam clara a natureza indenizatória dos pagamentos. É certo que, conforme já analisado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 644.840SC, relatado pelo então Ministro Teori Zavaski, nem todas as indenizações estão fora do alcance do imposto de renda. É o que dispõe a ementa do referido julgado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PAGAMENTO A EMPREGADO, POR OCASIÃO DA RESCISÃO DO CONTRATO. GRATIFICAÇÃO A TÍTULO ESPONTÂNEO. FÉRIAS PROPORCIONAIS. ADICIONAL DE 1/3 SOBRE FÉRIAS. NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES. DISTINÇÃO ENTRE INDENIZAÇÃO POR DANOS AO PATRIMÔNIO MATERIAL E AO PATRIMÔNIO IMATERIAL. PRECEDENTES (RESP 674.392SC E RESP 637.623PR). Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 275 19 1. O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador, nos termos do art. 43 e seus parágrafos do CTN, os "acréscimos patrimoniais", assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte. 2. Indenização é a prestação destinada a reparar ou recompensar o dano causado a um bem jurídico. Os bens jurídicos lesados podem ser (a) de natureza patrimonial (= integrantes do patrimônio material) ou (b) de natureza não patrimonial (= integrantes do patrimônio imaterial ou moral), e, em qualquer das hipóteses, quando não recompostos in natura, obrigam o causador do dano a uma prestação substitutiva em dinheiro. 3. O pagamento de indenização pode ou não acarretar acréscimo patrimonial, dependendo da natureza do bem jurídico a que se refere. Quando se indeniza dano efetivamente verificado no patrimônio material (= dano emergente), o pagamento em dinheiro simplesmente reconstitui a perda patrimonial ocorrida em virtude da lesão, e, portanto, não acarreta qualquer aumento no patrimônio. Todavia, ocorre acréscimo patrimonial quando a indenização (a) ultrapassar o valor do dano material verificado (= dano emergente), ou (b) se destinar a compensar o ganho que deixou de ser auferido (= lucro cessante), ou (c) se referir a dano causado a bem do patrimônio imaterial (= dano que não importou redução do patrimônio material). 4. A indenização que acarreta acréscimo patrimonial configura fato gerador do imposto de renda e, como tal, ficará sujeita a tributação, a não ser que o crédito tributário esteja excluído por isenção legal, como é o caso das hipóteses dos incisos XVI, XVII, XIX, XX e XXIII do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto 3.000, de 31.03.99. 5. No caso, o pagamento feito pelo empregador a seu empregado, a título de indenização por liberalidade, em reconhecimento por relevantes serviços prestados à empresa, não tem natureza indenizatória. E, mesmo que tivesse, estaria sujeito à tributação do imposto de renda, já que (a) importou acréscimo patrimonial e (b) não está beneficiado por isenção. Assim também, a parcela relativa a adicional de 1/3 sobre férias, que possui caráter de eminentemente salarial, conforme previsto no art. 7º, XVII, da Constituição. 6. O pagamento a título de férias proporcionais, decorrentes de rescisão do contrato de trabalho, está beneficiado por isenção. A lei isenta de imposto de renda "a indenização (...) por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho" (art. 39 do RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99). 7. Recurso especial parcialmente provido. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10940.720326/201151 Acórdão n.º 2202004.497 S2C2T2 Fl. 276 20 Da leitura da referida decisão é possível concluir que se a indenização se destinar a recompor o patrimonial imaterial (danos morais) ou se destinar à compensar ganho que deixou de ser auferido (lucros cessantes) haverá acréscimo patrimonial e, sendo assim, tais valores só estarão à salvo da incidência do imposto de renda se houver norma isentiva. Todavia, a mesma decisão afirma que "quando se indeniza dano efetivamente verificado no patrimônio material (= dano emergente), o pagamento em dinheiro simplesmente reconstitui a perda patrimonial ocorrida em virtude da lesão, e, portanto, não acarreta qualquer aumento no patrimônio." Em outras palavras, a decisão reconhece que, em situações como a dos autos, não se está diante de uma hipótese de isenção, mas de não incidência. Sendo assim, caberia a fiscalização demonstrar que a referida indenização não se destinava pura e simplesmente a recompor uma perda patrimonial o que, a meu ver, não foi feito. Em face do exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000124/2008-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 24 /2 00 8- 15 Fl. 540DF CARF MF Processo nº 19740.000124/200815 Acórdão n.º 9202006.823 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 541DF CARF MF Processo nº 19740.000124/200815 Acórdão n.º 9202006.823 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 542DF CARF MF Processo nº 19740.000124/200815 Acórdão n.º 9202006.823 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 543DF CARF MF Processo nº 19740.000124/200815 Acórdão n.º 9202006.823 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 544DF CARF MF Processo nº 19740.000124/200815 Acórdão n.º 9202006.823 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 545DF CARF MF Processo nº 19740.000124/200815 Acórdão n.º 9202006.823 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 546DF CARF MF Processo nº 19740.000124/200815 Acórdão n.º 9202006.823 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 547DF CARF MF Processo nº 19740.000124/200815 Acórdão n.º 9202006.823 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 548DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.915382/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO.
O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruí-lo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto.
Numero da decisão: 1401-002.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruí-lo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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PRECLUSÃO. Recorrente BROTO LEGAL ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. O recurso voluntário não é o momento processual adequado para trazer documentos novos, sequer mencionados na manifestação de inconformidade. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 53 82 /2 01 1- 10 Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10830.915382/201110 Acórdão n.º 1401002.713 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou compensação do(s) débito(s) discriminado(s) na Dcomp transmitida pela empresa. O Despacho Decisório considerou que, partir das características do DARF descrito na DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas estes foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Em sua manifestação de inconformidade a Contribuinte alegou, em síntese, que na DIPJ e DCTF do respectivo anocalendário não foram levadas em consideração algumas despesas que mudariam a base de cálculo do IRPJ, juntando DIPJ e DCTF retificadoras. A DRJ no Rio de Janeiro RJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Mantémse o despacho decisório se não comprovado o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo alegando, em síntese, que no anocalendário em discussão, não obstante tenha sido aprovada a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP), referidos valores não haviam sido contabilizados e declarados nas apurações dos respectivos tributos. Anos depois, ao verificar tal situação, a empresa então contabilizou os JCP, procedendo ao recolhimento do respectivo IRRF. Junta, então, documentos demonstrando o cálculo do JCP, Razão das contas demonstrando a contabilização extemporânea, comprovante de recolhimento do IRRF, memória de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme a apuração "antiga" e respectivos comprovantes de recolhimento, memória de cálculo do IRPJ e CSLL retificadas e alteração contratual referente ao aumento do seu capital social. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10830.915382/201110 Acórdão n.º 1401002.713 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Relator Luiz Augusto de Souza Gonçalves O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.709, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10830.915387/2011 42, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.709): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Pleiteia a contribuinte, via declaração de compensação, o reconhecimento da dedutibilidade de juros sobre o capital próprio (JCP) que vieram a ser registrados na contabilidade em momento posterior. A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade por considerar que a DCTF original serviu como confissão de dívida e a empresa não apresentou documentação que comprovasse erro que desse fundamento à retificação do tributo declarado e recolhido. De fato, em sua manifestação de inconformidade a contribuinte se limita a afirmar que o recolhimento foi indevido e a anexar declarações retificadoras, sem tecer qualquer explicação da razão pela qual a retificação estaria sendo feita, nem juntar qualquer documento relativo a tal apuração. Apenas em sede recursal é que a empresa explica o motivo pelo qual entende que ocorreu pagamento a maior de tributos e anexa documentos tais como o Razão e a memória de cálculo dos JCP. Entendo que no caso se operou a preclusão contra a Recorrente. Nos termos da legislação que regula o processo administrativo fiscal (em especial o Decreto 70.235/1972), os fundamentos do pedido ou de defesa, conforme o caso – assim como o pedido de diligência e as provas documentais devem ser apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade ou da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, em regra. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10830.915382/201110 Acórdão n.º 1401002.713 S1C4T1 Fl. 5 4 Portanto, é o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa (conforme o caso) e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão nesta ocasião precluem. E digo em regra porque existem as hipóteses de exceção. Por exemplo, os incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 trazem hipóteses em que provas podem ser apresentadas em momento processual diverso da impugnação, quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; e/ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Neste caso, cabe ao contribuinte demonstrar, em petição fundamentada, a ocorrência de uma dessas condições, nos termos do § 5º do mesmo dispositivo. Outra exceção ocorre quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública1, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet2. No caso, nenhuma de tais hipóteses de exceção resta configurada. Cumpre notar que, mesmo que assim não fosse, a Recorrente não logra sequer comprovar adequadamente seu direito, já que não foi juntado aos autos qualquer documento societário referente à deliberação dos JCP. Assim, mesmo que se 1 Costumase dizer que as matérias que o julgador deve conhecer de ofício são aquelas de ordem pública. É importante ressaltar, porém, que nem todas as matérias apreciáveis ex officio são necessariamente matérias de ordem pública, já que a lei processual, excepcionalmente, pode estabelecer que determinadas matérias de ordem privada sejam apreciadas de ofício. Neste sentido, Teresa Arruda Alvim Wambier explica: “Numa imagem matemática, dirseia que o conjunto de matérias examináveis de ofício é maior do que o das matérias de ordem pública. Portanto toda matéria de ordem pública é examinável de ofício, mas nem tudo o que pode ser examinado de ofício consiste em matéria de ordem pública” (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4ª ed. São Paulo: RT, 1998, p. 137) 2De fato, se for para formar seu livre convencimento, o julgador pode conhecer de argumentos de fato ou de direito exofficio, desde que indique os motivos que levaram a tal decisão. Isso porque, em virtude do dever de decidir (proibição do non liquet), há o poderdever de aplicar ao caso a norma jurídica que o julgador entender mais pertinente, mesmo que não tenha sido suscitada pelas partes. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10830.915382/201110 Acórdão n.º 1401002.713 S1C4T1 Fl. 6 5 admitisse a análise da documentação juntada e a supressão de instância daí decorrente, não seria possível verificar a procedência das alegações da Contribuinte. Neste sentido, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006494/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. NÚMERO DO PROCESSO.
Acolhem-se os embargos inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto quanto ao número do processo administrativo a que se refere o julgamento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 2401-005.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados, sem efeitos modificativos, para corrigir o erro material existente no Acórdão nº 3201-00.137, de 21/05/2009, o qual diz respeito ao julgamento do recurso voluntário no Processo nº 10183.006494/2005-10.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. NÚMERO DO PROCESSO. Acolhem-se os embargos inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto quanto ao número do processo administrativo a que se refere o julgamento do recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados, sem efeitos modificativos, para corrigir o erro material existente no Acórdão nº 3201-00.137, de 21/05/2009, o qual diz respeito ao julgamento do recurso voluntário no Processo nº 10183.006494/2005-10. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
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score : 1.0
Numero do processo: 18186.728136/2016-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - SÓCIO PESSOA JURÍDICA FONTE PAGADORA - COMPROVAÇÃO PAGAMENTO - SOLIDARIEDADE
A dedução do IRRF sobre rendimentos pagos ao sócio-administrador da pessoa jurídica está condicionada à comprovação do efetivo recolhimento do tributo retido.
Numero da decisão: 2002-000.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - SÓCIO PESSOA JURÍDICA FONTE PAGADORA - COMPROVAÇÃO PAGAMENTO - SOLIDARIEDADE A dedução do IRRF sobre rendimentos pagos ao sócio-administrador da pessoa jurídica está condicionada à comprovação do efetivo recolhimento do tributo retido.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 81 36 /2 01 6- 98 Fl. 70DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 08), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, visto que não apresentou os comprovantes de recolhimento do IRRF, enquanto sócioadministrador de empresa, fonte pagadora. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 22.669,45 acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 31 dos autos, no qual a contribuinte alega, conforme relatório da decisão da DRJ, às efls. 40 a 46: Por todo o exposto, demonstrada de maneira cabal e conclusiva a absoluta inexistência de qualquer fato capaz de dar arrimo à presente Autuação Fiscal, requer que a presente impugnação seja julgada procedente para anular o lançamento suplementar do imposto de renda contra o Impugnante, uma vez que o IRRF já foi descontado dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, o que foi comprovado neste ato, sendo certo que o Impugnante também procedeu em declarálos na sua Declaração de Ajuste Anual, devendo o imposto ser exigido da Fonte Pagadora (WESER LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA). reconhecendose, ademais, o direito do Impugnante a restituição do imposto. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade, em 18/01/2017, no acórdão 0839.299, às efls. 40 a 46, julgou improcedente as razões apresentadas pela contribuinte. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 24/08/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 55 a 64, no qual alega, em resumo, que: § O responsável pela retenção e posterior recolhimento dos valores de imposto de renda retido na fonte é da sociedade empresária, enquanto fonte pagadora, sendo que este ônus não pode ser repassado ao contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 71DF CARF MF Processo nº 18186.728136/201698 Acórdão n.º 2002000.182 S2C0T2 Fl. 71 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 25/07/2017, efls. 52, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 24/08/2017, às efls. 54, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo trata de notificação de lançamento relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, da qual o contribuinte é sócio da empresa WESER LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA. A fiscalização imputou a recorrente a responsabilidade solidária pelo pagamento do imposto de renda retido na fonte, que deveria ter sido repassado aos cofres públicos pela pessoa jurídica empregadora. O artigo 121 do Código Tributário Nacional (CTN) tem a seguinte redação: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária: Parágrafo Único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: (...) II responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. O parágrafo único do retro mencionado artigo autoriza, expressamente, a atribuição da fonte pagadora da renda os dos proventos auferidos, a condição de responsável tributário, devendo reter o valor do imposto de renda de seus colaboradores na fonte. Ainda que seja o contribuinte pessoa física quem possua a disponibilidade econômica dos valores, o responsável pela retenção é um terceiro, a pessoa jurídica empregadora, em relação ao fato gerador do tributo, conforme dicção do artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. O artigo 45 do CTN estabelece que a lei poderá atribuir a responsabilidade da fonte pagadora reter e recolher o tributo, como se vê: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 72DF CARF MF 4 Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Assim, a fonte pagadora recolhe e repassa os valores de imposto de renda da pessoa física, podendo o contribuinte, quando da apresentação de sua DAA, deduzir as parcelas do imposto retidas antecipadamente: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): I as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional dc Apoio à Cultura PRONAC, de que trata o art, 90; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais de que tratam os arts. 97 a 99; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; V o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 103. Na mesma linha segue o artigo 55, da lei nº 7.450/85: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Da leitura dos dispositivos acima colacionados chegase a conclusão de que, para a dedução do imposto de renda retido na fonte, a posse, pelo contribuinte, de comprovante de retenção emitido pela sociedade empresária (fonte pagadora) é requisito essencial. Nos casos em que o contribuinte é sócio ou administrador da pessoa jurídica, como no caso em tela, a regra aplicável é aquela contida no artigo 723 do RIR/99: Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 18186.728136/201698 Acórdão n.º 2002000.182 S2C0T2 Fl. 72 5 A legislação tributária condiciona a compensação do imposto de renda retido na fonte, nesses casos, a comprovação do efetivo pagamento do imposto, sendo que a pessoa física, por ser sócio da pessoa jurídica, é solidariamente responsável com a empresa, na apresentação dos documentos comprobatórios da quitação do imposto de renda retido na fonte. Em apertada síntese, nos casos em que o beneficiário dos rendimentos também seja o responsável pela administração da empresa (fonte pagadora), é necessária a comprovação do efetivo recolhimento do imposto retido. O teor do artigo 723 do RIR/99 se adequa perfeitamente ao artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No caso, a fiscalização entendeu que, enquanto sócia da empresa, a contribuinte não comprovou o recolhimento do imposto de renda retido na fonte que lhe caberia, enquanto colaboradora da sociedade jurídica, como se depreende da decisão da DRJ: O art. 723, do RIR/1999, transcrito acima, estabelece a responsabilidade solidária entre os sócios e gerentes pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto retido. Apenas após o pagamento de todas as parcelas com os devidos acréscimos moratórios, o crédito será extinto e, então, o contribuinte poderá compensálo na declaração de ajuste. Não é possível a compensação ou até mesmo a restituição antes do pagamento. À vista do exposto, não merece guarida os argumento proferidos pelo impugnante em sua peça contestatória, neste sentido. Como demonstrado pelo arcabouço legislativo colacionado na presente decisão, o contribuinte, enquanto sócio da empresa, é responsável solidário pela comprovação do recolhimento do imposto de renda retido na fonte devido pela pessoa física. Isto pois, como pratica os atos de administração da sociedade empresária, é totalmente crível que detenha os documentos comprobatórios da quitação do imposto, como a DIRF. Assim segue a jurisprudência deste CARF: Fl. 74DF CARF MF 6 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. SÓCIO ADMINISTRADOR DA FONTE PAGADORA. GLOSA DE FONTE. RESPONSABILIDADE. Por força do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o contribuinte sócioadministrador da empresa (fonte pagadora), incabível a compensação do I.R. Fonte quando comprovada a inexistência do recolhimento do tributo retido.” (Acórdão nº 220200.826, de 19 de outubro de 2010) GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, deve ser mantida a glosa do valor do imposto retido na fonte, quando restar comprovado que o valor não foi recolhido e que o contribuinte é sóciogerente da fonte pagadora dos rendimentos.” (Acórdão nº 280101.284, de 2 de dezembro de 2010) Nos autos,não há qualquer documento que tenha o condão de afastar a autuação fiscal, vez que não há comprovação do efetivo recolhimento do IRRF. Ainda, o contribuinte menciona decisões judiciais no Recurso Voluntário, contudo, estas se limitam a produzir efeitos as partes litigantes. Por todo exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário exigido. Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Thiago Duca Amoni Relator Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010393/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. LAUDO TÉCNICO. OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício 2001, faz-se obrigatória, para valer-se da isenção das áreas elencadas nas alíneas "a" a "f" do inciso II do artigo 10 da Lei 9.393/96, a apresentação - tempestiva - do ADA ao IBAMA, com referidas informações, bem como, quando intimado, de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART registrada no Crea, identificando, detalhada e especificamente, eventuais APP, não sobrepostas às ARL porventura existentes, elencadas nas alíneas "a" a "h" do artigo 2º da Lei 4.771/65.
ITR. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, consoante estabelecem os §§ 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65.
Numero da decisão: 2402-006.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. LAUDO TÉCNICO. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício 2001, fazse obrigatória, para valerse da isenção das áreas elencadas nas alíneas "a" a "f" do inciso II do artigo 10 da Lei 9.393/96, a apresentação tempestiva do ADA ao IBAMA, com referidas informações, bem como, quando intimado, de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART registrada no Crea, identificando, detalhada e especificamente, eventuais APP, não sobrepostas às ARL porventura existentes, elencadas nas alíneas "a" a "h" do artigo 2º da Lei 4.771/65. ITR. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, consoante estabelecem os §§ 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 03 93 /2 00 8- 92 Fl. 123DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o contribuinte (espólio) foi lavrado Auto de Infração para constituição do ITR, exercícios 2004 e 2005 no valor principal de R$ 11.875,28 e R$ 15.705,29, respectivamente, acrescidos de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 3.892.9392 PATINHOS. Foram apuradas as seguintes infrações em ambos os exercícios: 1 Área de Preservação Permanente não comprovada; 2 Área de Reserva Legal não comprovada; e 3 VTN declarado não comprovado (exerc 2005); Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 84/94, para reestabelecer a APP de 145 ha. Em seu Recurso Voluntário de fls. 98/114 aduz, em resumo: 1 Que a área do imóvel seria, na realidade, de 571,11 ha e não de 726 ha, conforme titulo de aquisição e memorial descritivo anexado, situação devidamente comprovada, conforme mapa de uso do solo, memorial descritivo emitido por profissional habilitado. Constatouse não ser de propriedade do Espólio a área adicional de 154,89 ha. 2 Que a apresentação do ADA não seria essencial para a isenção da APP; e 3 Que o lançamento realizado seria ilegal, eis que teria se afastado do conteúdo da obrigação tributária definida em Lei, para pretender fundamento apenas na declaração prestada pelo recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.010393/200892 Acórdão n.º 2402006.232 S2C4T2 Fl. 3 3 Não consta dos autos prova da ciência do acórdão recorrido. Todavia, a intimação de fls. 90 foi subscrita em 02.07.2010 (sextafeira) e o 30º dia deuse em 03.08.2010. Nesse sentido, tenho por tempestivo o Recurso Voluntário de 03.08.2010. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca às áreas: de preservação permanente, de reserva legal, além de no valor total do imóvel (exerc. 2005) e sobre tais assuntos se desenvolverá a análise a seguir. Vejamos: As alterações promovidas de ofício pelo lançamento trazem repercussão direta na base imponível e alíquota do tributo. Glosa de Reserva Legal ARL. O Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN1, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 125DF CARF MF 4 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10980.010393/200892 Acórdão n.º 2402006.232 S2C4T2 Fl. 4 5 Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A Fl. 127DF CARF MF 6 obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. E, por fim, naquilo que interessa ao caso, temos as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10980.010393/200892 Acórdão n.º 2402006.232 S2C4T2 Fl. 5 7 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.2 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a 2 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 129DF CARF MF 8 Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 3 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas pro floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. 3 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10980.010393/200892 Acórdão n.º 2402006.232 S2C4T2 Fl. 6 9 Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 4 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; 4 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 131DF CARF MF 10 V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10980.010393/200892 Acórdão n.º 2402006.232 S2C4T2 Fl. 7 11 IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Fl. 133DF CARF MF 12 Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel exista rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de diferentes circunstâncias. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .5 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. A partir do exercício 2007, a apresentação do ADA ao IBAMA passou a ser anual.6 A Ação Fiscal iniciouse em 19.09.2007, consoante se denota de fls. 6. Voltando ao caso sob análise, notase que consta dos autos, às fls 26, extrato de ADA, sem data aparente de sua real entrega, no qual se verifica informação de uma ARL e APP de 145 ha, que justificou fosse restabelecida, pela primeira instância de julgamento, a APP de 145 ha na DITR do recorrente. 5 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada 6 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10980.010393/200892 Acórdão n.º 2402006.232 S2C4T2 Fl. 8 13 Perceba que a data de entrega lá registrada afigurase como um padrão assumido pelo sistema e não a que exprima a real data de sua entrega. Vejase: Mantevese, desta feita, a glosa de 210,7 ha em relação ao originalmente declarado pelo contribuinte em seus DIAT/DITR, na medida em que não haveria um ADA apresentado tempestivamente, mas sim aquele transmitido em 30.09.2009 após o início da ação fiscal (exercício 2009), com uma APP informada de 174,5 ha. Da mesma forma, não se localizou, nos autos, laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART registrada no Crea, identificando, detalhada e especificamente, eventuais APP (não sobrepostas às ARL porventura existentes) existentes à época do fato gerador, elencadas nas alíneas "a" a "h" do artigo 2º da Lei 4.771/65, quais sejam: Florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura: 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura: 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura: 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura: d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; Fl. 135DF CARF MF 14 e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Há, sim, um mapa acostado, assinado pelo Engenheiro Florestal Helio Loch, de 06/2008, onde especifica uma APP de 174,52 ha e ARL de 114,22 ha, ART em nome do referido engenheiro às fls 67 e memorial descritivo da área às fls. 76/80. No que toca à ARL informada naquele extrato de ADA, cumpre destacar que não se identificou sua averbação junto à matrícula de fls. 69/75, na forma do § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, fazendo com que a manutenção de sua glosa seja um imperativo. Alegação de erro de fato no preenchimento da DITR Por fim, no que se refere à alegação de que o lançamento realizado seria ilegal, eis que teria supostamente se afastado do conteúdo da obrigação tributária definida em lei, para pretender fundamento apenas na declaração equivocada prestada pelo recorrente, com a devida venia, dela não compartilho. A ação fiscal foi desenvolvida e concluída a partir das informações prestadas/declaradas pelo contribuinte em sua DITR. Perceba que o lançamento do ITR regese pela sistemática legal, por meio da qual sujeito passivo tem o dever de apurar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Assim procedendo o contribuinte, a autoridade fazendária, observado o lustro legal, expressamente homologará ou não, sua atividade. O não acatamento das informações que constaram em seu DIAT/DITR será, caso regularmente questionado em recurso, objeto do contencioso administrativo. Esse é, a meu ver e como regra, o limite da lide e sobre o quê se pronunciará as instâncias julgadoras. Contudo, caso efetivamente demonstrado o patente erro de fato no preenchimento da respectiva DITR, em função do equívoco na informação, seja por sua Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.010393/200892 Acórdão n.º 2402006.232 S2C4T2 Fl. 9 15 omissão, seja por sua incorreção, entendo admissível, em sede de contencioso administrativo e à luz do princípio da verdade material, a retificação das informações originalmente prestadas naquela declaração, bem como a alteração do lançamento naquilo que dele decorreu. No caso em exame, pelo todo fundamentado, entendo pelo não acatamento do pleito do contribuinte quanto à retificação das informações em sua DITR. VTN: Apenas para registro, uma vez o recorrente não questionou, em seu recurso, o VTN atribuído pela Fiscalização no exercício 2005, que o mesmo foi intimado, nos termos a seguir, a apresentar laudo de avaliação do imóvel. Não tendo sido atendida a intimação, reputo irretocável o procedimento adotado. Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão ll, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.900698/2008-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório Tratase de pedido de compensação declarada, na qual, o crédito analisado foi considerado insuficiente, em razão de ter sido utilizado para extinguir débito devidamente constituído. Na sequência, o mencionado despacho houve por bem homologar apenas parcialmente a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 00 69 8/ 20 08 -3 3 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10935.900698/200833 Resolução nº 3001000.096 S3C0T1 Fl. 78 2 Manifestação de Inconformidade Diante do indeferimento de seu pedido de compensação, a recorrente busca apontar o motivo da existência de seu crédito. Pagamentos efetuados em atraso mas de forma espontânea A explicação para a existência do crédito posto em compensação, seria o pagamento realizado com a inclusão de valores, a título de multa, conforme demonstrado no DARF em questão. Tal pagamento ocorreu anterior a quaisquer atos de fiscalização por parte da autoridade fazendária, e acompanhado do devido pagamento de juros. Desta feita, estaria albergado pelo comando do artigo 138 do CTN. Em sua defesa, portanto, a recorrente alegou ter havido pagamento indevido, justamente pelo fato de ter recolhido valores de multa em pagamento espontâneo. Diante disto, teria o suposto crédito, com o qual pretende compensar débitos normalmente constituídos. Traz à tona, jurisprudência, inclusive do CARF e STJ. Ainda, evidencia dois requisitos para a obtenção do benefício, quais sejam, a confissão e o pagamento. Nega, por fim, a diferenciação entre multas punitivas e moratória. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi assim ementada: Acórdão n.º 0629.765 3.ª Turma da DRJ/CTA Assumo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/l l./2002 a 30/ ll/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. . O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Em seu trecho de voto, destaca o fundamento de seu raciocínio, no sentido de atribuir, como leitura mais atenta do artigo 138 do CTN, um sentido não tão extensivo como pretende a contribuinte em sua defesa. Por isso, recorre à distinção entre penalidade de cunho punitivo, e a penalidade de cunho compensatório. admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária (...) o fato de a Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900698/200833 Resolução nº 3001000.096 S3C0T1 Fl. 79 3 contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso (o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo).. (...) podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher 0 tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruçoes da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora, do pagamento que foi indicado no Per/Dcomp Recurso Voluntário Em sua peça recursal a contribuinte, além de expor seus argumentos para legitimar a compensação levada a cabo, requereu o apensamento de 07 processos em razão de haver matéria conexa. Neste sentido, é no artigo 47 do RICARF que sustentou sua pretensão. Recurso Voluntário Após refazer breve histórico sobre os fatos ocorridos, adentrou o mérito repisando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Em resumo, trata a recorrente de alegar que houve pagamento a maior em razão de ter havido a inclusão de multa de mora em pagamento efetivado em sede de espontaneidade. Iresignouse em face do argumento jurídico esposado no acórdão vergastado, no sentido de impelir o raciocínio no qual a denúncia espontânea não se aplica em caso de multa de mora. Segrega os conceitos de multa de mora e multa de ofício, ressaltando que a exceção à denúncia espontânea cingese aos juros de mora. requer a correção do créditos advindos do pagamento indevido, pelos índices de Juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento de valores a título de multa, em pagamento realizado de forma espontânea. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: denúncia espontânea e a correção do suposto crédito pela Selic. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10935.900698/200833 Resolução nº 3001000.096 S3C0T1 Fl. 80 4 Fundamento Legal A discussão gira em torno da possibilidade de ser considerado como apto à incidência das normas previstas no artigo 138 do CTN, ou seja, o instituto da denúncia espontânea, ao fatos descritos no presente caso. Para tanto, neste item serão apontados os fundamentos legais invocados na presente decisão. Artigo 138 do CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração Tal preceito legal foi objeto de julgamento em sede de Recurso Especial, sob n.º 1.149.022/SP, realizado sob o regime de recurso repetitivo, em conformidade com o artigo 543C do CPC/1973, o qual se transcreve abaixo, a fim de, posteriormente, ser analisado e confrontado com o presente julgamento. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10935.900698/200833 Resolução nº 3001000.096 S3C0T1 Fl. 81 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Em decorrência do mandamento previsto no artigo 543C do CPC, submetese, necessariamente, à prescrição exposta no RICARF/15, mais especificamente nos termos do §2º, do art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Tal entendimento, no qual os conselheiros deste CARF estão submetidos ao precedente exposto, está devidamente assentado pela Câmara Superior, conforme se denota de trechos da ementa trazida aos autos: Acórdão 9303006.588 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10935.900698/200833 Resolução nº 3001000.096 S3C0T1 Fl. 82 6 Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Fundamental, ao deslinde da questão, trazer aos autos a IN 126/1998. que regulamenta a entrega da DCTF IN 126/98 Art. 2o A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1o Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. § 2o A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. DOS FATOS Neste ínterim resta esclarecer que, cingese o caso presente na discussão a respeito da ocorrência, ou não, dos eventos fáticos que disparam a incidência das normas reguladoras do instituto da Denúncia Espontânea. Para tanto, necessário esclarecer e evidenciar determinados fatos essenciais para o deslinde da questão posta. Foi apresentado, pela recorrente, DARF, datado de 02 de outubro de 2002, correspondente a pagamento tardio, correspondente à apuração de julho de 2002, extrapolando, portanto, o seu regular prazo de vencimento. Comentários sobre a DCTF Em conformidade com a IN 126/98, regulamentando a entrega da DCTF à época, notase pela leitura de seu artigo 2.º, que o envio ocorria trimestralmente, e, para fins da citada IN 126/98, o artigo mencionado considera o trimestre encerrado em 30 de setembro. Ainda, na leitura do regramento de entrega da DCTF, temse que o prazo limite para seu envio é "até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores". Tendo o fato gerador ocorridos em julho de 2002, pertencente, portanto, ao terceiro trimestre, o prazo para entrega da DCTF fluiria a partir do encerramento deste terceiro trimestre, ou seja, 30 de setembro de 2002. Sendo o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre, conforme previsão legal, encerrouse a data para envio em 14 de novembro de 2002. temse nos autos, a respeito da DCTF compentente, apenas tabela referenciando sua data de entrega, em sede de Manifestação de Inconformidade. Conforme se verá adiante, Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10935.900698/200833 Resolução nº 3001000.096 S3C0T1 Fl. 83 7 tal documente é imprescindível ao desfecho do julgamento, mormente frente aos requisitos trazidos em sede de recurso repetitivo. Desta forma, uma vez apresentados os fundamentos legais invocados, qual seja, o artigo 138 do CTN, cujo teor prescreve as regras para a aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, e, também, brevemente expostos os motivos pela vinculação da interpretação do caso concreto, em razão do regime de recursos repetitivos previstos no CPC e respeitados pelo RICARF, iniciase a análise de mérito, não sem antes, expor a segmentação do raciocínio jurídico empreendido na leitura conjunta do artigo 138 e da decisão prolatada pelo STJ. MÉRITO O tema devolvido ao colegiado para análise e decisão, envolve a aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no já transcrito artigo 138 do CTN, com a disciplina dada pelo REsp 1.149.022/SP, sob o regime repetitivo previsto no artigo 543C do CPC cumulado com o artigo 62, parágrafo segundo do RICARF. Neste sentido, mister fixar algumas premissas para o raciocínio. Inicialmente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou seja, no qual, dentre outras particularidades, o contribuinte tem o dever de antecipar informações à autoridade fazendária. Esta antecipação, se faz por meio das obrigações acessórias previstas legalmente no CTN, em artigos 112 e 113. Denúncia espontânea e lançamento por homologação O papel da DCTF A DCTF, prevista na IN 126/1998, é o veículo que introduz as normas individualizadas e concretas no ordenamento jurídico inclusive a respeito do pagamento do presente caso. Neste sentido, a decisão do STJ fixou como requisito para a ocorrência da denúncia espontânea, não haver tributo declarado pelo contribuinte. Em conformidade com tal orientação, transcrevese a ementa prolatada pela CSRF em maio de 2018: Acórdão 9303006.588 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. O cerne da discussão está exemplarmente delineado no voto de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal, que, em resumo descreve; a cognição lógico jurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10935.900698/200833 Resolução nº 3001000.096 S3C0T1 Fl. 84 8 Após analisar a dinâmica de subsunção da norma relativa ao instituto da denúncia espontânea, conclui: (...) o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. A seguir na leitura de seu voto, o relator mencionado destaca que: A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. E também: Acórdão nº 9303002.770, 3ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte." Desta forma, resta evidenciado que a interpretação posta ao caso, deverá estar submetida ao limite objetivo construído pela jurisprudência do STJ e da CSRF deste CARF. Hipótese Configuradora da Denúncia Espontânea O pagamento integral acompanhado de juros a anterioridade quanto a quaisquer atos ou procedimento fiscalizatórios da autoridade fazendária. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10935.900698/200833 Resolução nº 3001000.096 S3C0T1 Fl. 85 9 Multas moratórias e punitivas Para o julgamento do caso, necessário se faz superar a discussão a respeito da aplicação da denúncia espontânea em caso de multa moratória. Isto porque, o raciocínio pautado na inaplicabilidade da denúncia espontânea às multas de caráter moratório foi o fio condutor do acórdão sob vergasta. Como se pode observar, o assunto encontrase pacificado no sentido da possibilidade da denuncia espontânea em caso de multa de mora. Nas Turmas Ordinárias, prevalece o mesmo entendimento, conforme se segue: Acórdão nº 3201003.745 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Da proposta de Diligência Diante ao caso exposto, temse que se trata de definir a aplicação do conteúdo normativo previsto no artigo 138 do CTN, em conformidade com o disposto no julgamento repetitivo retro mencionado. Neste sentido, verificouse que a construção jurisprudencial do STJ e deste CARF, definem como limite à concessão da denúncia espontânea a ocorrência de declaração por parte do contribuinte, em sua DCTF. Caso tenha declarado o débito relativo multa de mora, terá constituído, em favor da autoridade fazendária, o crédito tributário, inviabilizando, assim, a aplicação do instituto. Desta forma, temse o seguinte trâmite temporal. Em julho de 2002, houve a apuração do tributo em questão, dentro, portanto, do terceiro trimestre anual, a encerrarse em 30 de setembro. Aplicando o comando do artigo 2.º da IN 126/1998, a data limite para a apresentação da DCTF seria 14 de novembro de 2002. Em tendo sido realizado o pagamento, conforme se denota do DARF acostado aos autos, com data de 02 de outubro de 2002, temse que tal pagamento seria retratado na DCTF a ser entregue em 14 de novembro de 2002. A meu ver, é necessário verificar como o contribuinte informou na DCTF competente, o respectivo lançamento da multa de mora. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10935.900698/200833 Resolução nº 3001000.096 S3C0T1 Fl. 86 10 Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este segundo requisito, a meu ver, satisifeito. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.720288/2017-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes.
Numero da decisão: 2002-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente PAULO ROBERTO SOARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 02 88 /2 01 7- 88 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13839.720288/201788 Acórdão n.º 2002000.211 S2C0T2 Fl. 88 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 5 a 7), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na alteração do resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.355,74 para saldo de imposto a pagar de R$1.619,78. Tal notificação decorreu da não comprovação pelo sujeito passivo quanto ao beneficiário do plano de saúde pago resultando na apuração de dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 14.456,44. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 23/1/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 13/2/2017, à fl. 2/51 dos autos, na qual o contribuinte indica a juntada de documentação comprobatória da despesa glosada. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/REC que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente por deficiência da comprovação apresentada (fls. 66 a 69) em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 15/5/2017 (fl. 73), o contribuinte, em 23/5/2017 (fl. 76), apresentou recurso voluntário, às fls. 76 a 84, no qual alega que, pelo documento "Relação de Segurados Ativos" (2009), anexado a sua impugnação, é possível calcular os percentuais de participação de cada beneficiário nos valores pagos. Acrescenta que o valor pago para ele e seu cônjuge corresponderia a 62% do montante pago mensalmente a Sul América Seguro Saúde. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13839.720288/201788 Acórdão n.º 2002000.211 S2C0T2 Fl. 89 3 Esclarece que os beneficiários são os mesmos desde 2008, incluindo os filhos Rafael e Caio. Diz que eles não eram mais seus dependentes na declaração de 2013 e que por um lapso não se deu conta dessa situação. Informa ter sido o responsável pelo pagamento integral do plano de saúde em tela. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fls.62/63). Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.720288/201788 Acórdão n.º 2002000.211 S2C0T2 Fl. 90 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre a dedução de despesas médicas. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Os documentos comprobatórios das despesas médicas devem trazer também a indicação do paciente beneficiário do serviço prestado, como decorrência lógica da necessidade de os contribuintes demonstrarem que tais despesas correspondem ao tratamento deles próprios ou de seus dependentes (art. 8º, § 2º, inc. II, da Lei 9.250, de 1995). Foram glosadas as despesas informadas com Sul América Seguro Saúde S.A, uma vez que os comprovantes de pagamentos apontavam como beneficiária a empresa Pellizer Soares Cons Q Prod Ind Eletr Ltda, da qual o contribuinte é sócio. A decisão de piso consigna: 7. Com vistas a comprovar as despesas médicas tidas junto à Sul América Seguro Saúde S.A., o contribuinte apresentou juntamente com a Impugnação cópias de diversos documentos, os quais passo a analisar: documento de fls. 09/10 emitido pela Sul América Seguro Saúde S.A em outubro de 2008, intitulado Certificado de Seguro de Assistência à Saúde, onde é possível verificar que a assistência médica contratada referese ao titular Paulo Roberto Soares e aos dependentes perante ao plano Vera Lúcia P. Soares, Rafael Pellizzer Soares e Caio Pellizzer Soares; documento de fl. 11 contendo a Relação de Segurados ativos (Paulo Roberto Soares, Vera Lúcia P. Soares, Rafael Pellizzer Soares e Caio Pellizzer Soares), datado de setembro de 2009; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.720288/201788 Acórdão n.º 2002000.211 S2C0T2 Fl. 91 5 cheques e/ou transferências bancárias (fls. 12/23) e faturas mensais emitidas pela Sul América Seguro Saúde S.A (fls. 24/47) referentes aos meses do anocalendário de 2012; Contrato Social da Empresa Pellizzer & Soares Consultoria em Qualidade e Produtividade na Indústria Elétrica Ltda (fls. 48/50); Carteira de Identidade (fl. 51). 8. Analisandose a documentação apresentada, verificase que o contribuinte não trouxe aos autos documento que indique quanto do que foi pago no anocalendário de 2012 referese a despesa médica própria e quanto do que foi pago referese a despesa médica da Srª Vera Lúcia P. Soares, sua única dependente informada na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2013. 9. De acordo com o documento Certificado de Seguro de Assistência à Saúde, a assistência médica contratada em outubro de 2008 referese ao titular Paulo Roberto Soares e aos dependentes perante ao plano Vera Lúcia P. Soares, Rafael Pellizzer Soares e Caio Pellizzer Soares. O contribuinte não apresentou documento que modificasse o rol de beneficiários, dando a entender que continuam sendo os mesmos da contratação em 2008. 9.1. Ocorre que despesas médicas referentes a Rafael Pellizzer Soares e a Caio Pellizzer Soares não são dedutíveis uma vez que esses não constam como dependentes do contribuinte na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2013. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o próprio contribuinte admite que o montante total pago a Sul América Seguro Saúde S.A. inclui quatro beneficiários: ele próprio, o cônjuge e dois filhos. Na declaração de ajuste, constatase que somente o cônjuge foi informado como dependente (fl.55). Dessa feita, somente as despesas médicas próprias e do cônjuge podem ser deduzidas pelo contribuinte, ainda que ele tenha arcado com o plano de saúde dos filhos. Nesse sentido, é o que dispõe o artigo 8º, §2º, inciso II, da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.720288/201788 Acórdão n.º 2002000.211 S2C0T2 Fl. 92 6 ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; ... Portanto, para fazer jus à dedução, é de fundamental importância que o sujeito passivo comprove a participação de cada um no montante pago, como bem apontou a decisão de piso. O recorrente aduz que por meio do documento intitulado "Relação de Segurados Ativos", à fl.84, seria possível calcular esses percentuais. Sua alegação não pode prosperar. O documento em tela data de 2009 e, em geral, os valores dos planos de saúde variam conforme a idade dos beneficiários, não sendo certo supor que o percentual de participação dos beneficiários tenha se mantido igual para o anocalendário 2012. Caberia ao sujeito passivo ter apresentado uma declaração do plano com a discriminação do total pago para cada beneficiário no anocalendário sob exame. Não tendo sido apresentada essa prova, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 92DF CARF MF
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