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Numero do processo: 11080.721929/2017-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 19 29 /2 01 7- 04 Fl. 85DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 03 a 07), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de valores de pensão alimentícia recebidos de Carlos Fernando Reis, conforme decisão judicial apresentada e declarado pelo alimentante. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.231,60, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 16 dos autos, que conforme decisão da DRJ: 2. A impugnante foi cientificada do lançamento em 23/02/2017 (fl. 18) e, conforme termo de recepção de documentos à folha 3, na data de 13/03/2017 impugnouo, por meio da peça de folha 3, alegandose "isenta de IR em razão de moléstia grave". Com sua impugnação, a interessada trouxe a documentação de folhas 9 a 16. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 16/06/2017, no acórdão 0659.375, às efls. 52 a 55, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 12/07/2017 às efls. 63 a 71 no qual alega, em síntese, que os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia são isentos, por ser portadora de neoplasia maligna. Pede, preliminarmente, celeridade no julgamento, por ser pessoa idosa. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 27/06/2017, efls. 60, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 12/07/2017, efls. 63, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.721929/201704 Acórdão n.º 2002000.409 S2C0T2 Fl. 86 3 Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos recebidos de pensão alimentícia, no valor de R$60.000,00. A contribuinte, em sua defesa, alega que seus rendimentos são isentos por ser portadora de moléstia grave, qual seja, neoplasia maligna. A DRJ assim se posicionou: 8. Os documentos juntados pela interessada não servem para comprovar que ela faça jus à isenção em referência, pois: i) o laudo de folha 9 apenas conclui, objetivamente, pela "aposentadoria por invalidez para o serviço público", sem fazer qualquer referência à moléstia da interessada; ii) os laudos de folhas 10 e 11 também apenas concluem, objetivamente, pela "aposentadoria por invalidez para o serviço público", sem fazerem qualquer referência à moléstia da interessada; iii) o laudo de folha 12 apenas conclui, genericamente, pela "manutenção do laudo de aposentadoria por invalidez, datado de 26/12/2002". 9. De se notar que nos laudos de folhas 10 a 12 o perito informou que se tratava de laudo para indicação de aposentadoria, o que fez apondo "x" no campo respectivo, mas, mesmo podendo também informar que se tratava de laudo para fins de isenção de Imposto de Renda, apondo "x" no campo também existente no formulário, não o fez. Portanto, ante essa deliberada omissão do perito, concluise que os laudos não servem para justificar isenção do Imposto de Renda. 10. Além disso, também importa salientar que nenhum dos quatro laudos atende ao requisito expressamente elencado no § 4° do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda, atinente à emissão por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e fixação do seu prazo de validade, no caso de moléstias passíveis de controle. Logo, a natureza dos rendimentos sequer é questionada, sendo que o laudo médico que comprova a doença que é requisito atacado pela fiscalização. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Fl. 87DF CARF MF 4 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.721929/201704 Acórdão n.º 2002000.409 S2C0T2 Fl. 87 5 A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Declarante Às efls. 69 e 70 constam laudos oficiais atestando que a contribuinte é portadora de moléstia grave. Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 89DF CARF MF 6 Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001688/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006
INCIDÊNCIA DE IPI NA REVENDA DE PRODUTO IMPORTADO. POSSIBILIDADE.
A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN. O art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. O art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor. O Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparam-se a estabelecimento industrial.
Numero da decisão: 3302-006.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 593 1 592 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001688/201053 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.039 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente GREMAX COMERCIAL IMPORTADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA DE IPI NA REVENDA DE PRODUTO IMPORTADO. POSSIBILIDADE. A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN. O art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. O art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor. O Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparamse a estabelecimento industrial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 88 /2 01 0- 53 Fl. 593DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 594 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 476486: Tratase de lançamento de oficio, fls. 515 a 519, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 605.454,92, incluídos multa proporcional e juros de mora calculados até 31/05/2010. Na Descrição dos Fatos, fl. fl. 517, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias constatou que o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial não efetuou o recolhimento do imposto, nos prazos estabelecidos pela legislação, conforme detalhado no termo de verificação fiscal de 17/06/2010. Consta do termo de verificação fiscal, fls. 496/501, que: “(...) 6. Analisando as declarações de importação (DI's) relativas ao ano calendário de 2006 (fls. 159 a 354) pode se observar que foi recolhido o montante de R$ 225.295,19 de IPI na importação, conforme detalhado no Anexo A. 7. Observando as notas fiscais de saídas verificouse que nas mesmas foi destacado o IPI com alíquota zero para todas as classificações tarifárias. Dessa forma, em 29/04/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 006 (fls.359 a 487), com ciência via postal em 30/04/2010 através do Aviso de Recebimento nº SK 58.033.5327 BR, solicitando ao contribuinte esclarecimento sobre o não recolhimento do IPI na saída das mercadorias importadas, uma vez que tendo em vista o disposto no art. 9º, inciso I do Decreto nº 4.544 de 26/12/02 (RIPI/02), o contribuinte é considerado equiparado a industrial, sujeitandose, portanto, ao pagamento do IPI nas saídas destes produtos. 8. Em 18/05/2010 foi lavrado o Termo de ReIntimação n° 007, com ciência via postal em 31/05/2010 através do Aviso de Recebimento n° RJ 28.310.6682 BR, reiterando o solicitado através do Termo de Intimação Fiscal n° 006. 9. Até o presente momento o contribuinte não se manifestou sobre o Termo de Intimação Fiscal n° 006 e o Termo de Reintimação nº 007. 10. No lançamento de ofício todos os créditos a que o contribuinte tenha direito, relativo às importações efetuadas, foram considerados conforme disposto no art. 191 do RIPI/02. II DO VALOR TRIBUTÁVEL 10. O valor tributável é a diferença entre o IPI apurado na saída das mercadorias, conforme detalhado no anexo do Termo de Intimação Fiscal n° 006, e o IPI recolhido na importação, conforme demonstrado no quadro abaixo: (...)” Fl. 594DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 595 3 Cientificada da exigência fiscal em 21/06/2010, fl. 516, a autuada apresentou, em 07/07/2010, a impugnação de folhas 522 a 539, alegando em síntese que: DA AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS PARA VALIDAR A COBRANÇA DOS CRÉDITOS APURADOS: As premissas fáticas nas quais reporta a defendente não foram validadas pela fiscalização, isso porque no corpo do AIIM aduz a fiscalização que: "O contribuinte é considerado industrial, sujeitandose, portanto, ao pagamento do IPI nas saídas destes produtos...”; Nesse sentido, mister se faz analisarmos o objeto social da empresa: "Importação e comercialização de rolamentos, suas partes e peças, esferas, agulhas e roletes de rolamentos, mancais, retentores, buchas, arruelas e porcas, bem como, objetos de cristal de chumbo para serviço de mesa e/ou ornamentação de interiores e recipientes para beber de vidro, de cristal de chumbo, objetos de vidro para serviços de mesa, cozinha, ornamentação de interiores e uso em geral, produtos de porcelana em geral, como também quaisquer produtos para casa, copa e cozinha, decoração e ornamentação em geral."; Ocorre que, conforme podemos verificar nas notas fiscais que compõe o auto, as mercadorias foram transferidas e revendidas no mercado interno, assim, não há incidência do IPI; Ora, se, o IPI é devido quando o comerciante importa produtos industrializados, o mesmo não se pode dizer, quando, no mercado interno, os transfere ou revende; É que, nestas hipóteses, a incidência do IPI não encontra respaldo no art.51, II, do Código Tributário Nacional, porquanto, longe de haver qualquer equiparação a industrial. Vejase que o comercianteimportador recolhe o IPI, no ato do desembaraço aduaneiro de produtos industrializados. A partir daí, suas operações não apresentam nenhuma semelhança com as próprias de um industrial; De efeito, o comercianteimportador não submete produtos a processo de industrialização; tampouco pratica atos visando sua disponibilização no mercado interno, eis que isso já ocorreu ao ensejo do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas; Como se vê, nem instrumental, nem finalisticamente, suas atividades, no mercado interno, podem ser identificadas com as típicas de um industrial. Daí não estarem presentes os imprescindíveis pontos de aproximação, entre o comerciante importador e o industrial, capazes de tornar tributariamente irrelevante as diferenças secundárias que entre eles existem. A atividade típica do comerciante importador em nada se assemelha a de industrialização; Portanto, não estão reunidos os elementos necessários e suficientes para que ocorra a equiparação, único fenômeno jurídico que pode render ensejo à tributação por meio de IPI, a quem, como no caso da defendente, a rigor dos fatos, não é industrial; O que há, sim, é uma ficção, inidônea a possibilitar a incidência de IPI, para quem, não sendo industrial (nem podendo ser validamente a ele equiparado), revende ou transfere produtos importados. Porém, ao legislador não é permitido a criação da figura do contribuinte do IPI, por ficção, sendo, portanto, totalmente descabida a exigência fiscal em tela; Fl. 595DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 596 4 A multa de 75% é confiscatória excessiva e desproporcional. A aplicação desta multa tem levado a doutrina e a jurisprudência a exigirem que as mesmas sejam fixadas com parâmetros de razoabilidade e proporcionalidade. Cita doutrina e jurisprudência sobre esta matéria; Como se vê, pela doutrina acima transcrita, a multa não pode ter caráter confiscatório, logo, é perfeitamente cabível a sua redução em face do valor excessivo, em nome, também, dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Por outro lado, vale notar que o art. 59, da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, prescreve que os tributos e contribuições que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento; Analisando o Código Tributário Nacional e os comandos expressos nos artigos 106 e 112, claramente verificase, que a intenção das referidas normas é no sentido de que a lei mais benéfica deve ser sempre aplicada ao contribuinte; Assim, patente que a aplicação da multa na proporção cobrada deve ser reduzida na forma acima estabelecida, sendo esta aplicada no máximo em 20% (vinte por cento) sobre qualquer pretenso tributo exigido; Improcede a aplicação da Taxa Selic no presente AIIM. Os juros de mora, no âmbito do Direito Tributário, são devidos quando do retardamento do pagamento de uma obrigação tributária e agem como complemento indenizatório da obrigação principal, destinandose a penar a mora; Fica evidenciado que os juros de mora e os juros remuneratórios são distintos, tendo em vista suas características, bem como também fica claro que, em sendo a SELIC juros remuneratórios e não moratórios, como pretende o Fisco, esta não pode ser aplicada na composição do débito da executada, devendo ser excluída imediatamente, recalculandose o suposto débito existente, aplicandose os juros de mora estabelecido no art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional; Ainda que fosse possível a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa SELIC, o que de fato não pode ocorrer, tendo em vista que a SELIC é taxa de juros remuneratórios, não poderia ser aplicada como juros moratórios. Assim, sua cobrança é totalmente ilegal, tendo em vista que a referida taxa não foi criada por lei; Por tal motivo sua aplicação sobre o suposto débito da executada é ilegal. Pior, nesta situação, a cobrança de juros superiores ao quantum estabelecido pelo Código Tributário Nacional representa efetivamente um aumento de tributo sem lei que o autorize, o que afronta o artigo 150 da Constituição Federal de 1988; Desta forma, além da cobrança da Taxa SELIC nos débitos tributários ser ilegal, também é flagrantemente inconstitucional, devendo o débito ser corrigido de acordo com o que o artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional; Desta forma, fica clara a inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança da Taxa SELIC como taxa de juros, devendo a mesma ser substituída pela taxa de 1% ao mês prevista no art. 161 do Código Tributário Nacional; Além disso, também não deve exceder a 12% (doze por cento) ao ano, em respeito ao § 3º do artigo 192 da Magna Carta; Fl. 596DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 597 5 Assim sendo, os juros de mora não devem exceder ao percentual de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano, bem como não devem ser cobrados de forma capitalizada, pois além de configurar atentado à Constituição Federal e legislação vigente, acaba por gerar a multiplicação do débito cobrado. Por fim, requer a insubsistência do Auto de Infração. Em 12 de julho de 2013, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Intimado da decisão em 31.10.2014 (fls.576), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10.11.2014 (fls. 578588), reproduzindo, com exceção da matéria atinente à SELIC, os argumentos tecidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade Recursal O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Incidência do IPI Importador Equiparação à Industrial Fl. 597DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 598 6 A Recorrente alega, em síntese, que inexistindo por parte da empresa importadora industrialização do produto importado, não há que se falar em nova incidência do IPI quando da operação de revenda. Essa matéria já objeto de análise nos autos do PA nº 19515.003597/200919, instaurado contra a própria Recorrente, onde restou decidido pela incidência do IPI na operação de revenda do produto importado e, por concordar com o julgamento, adoto suas razões como causa de decidir, a saber: Com relação à matéria de fundo do lançamento, examinando o caso concreto com amparo na legislação, entendo que na importação de produtos industrializados a primeira incidência do IPI se dá quando do desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira (CTN, art.46,I) e a segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46,II e 51, parágrafo único do CTN. A despeito das ilustradas posições em contrário, entendo que com o advento do Codigo Tributário Nacional é legal a cobrança de IPI quando a mercadoria importada sair do estabelecimento produtor ou similar. Em outras palavras, os produtos importados estão sujeitos novamente ao fato gerador do IPI na saída do estabelecimento importador. Lembro que o art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. Ressaltase também que o art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor, de modo que não vejo qualquer incompatibilidade para fins de uma nova hipótese de incidência do IPI sobre os produtos importados quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda. Registro que o Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparamse a estabelecimento industrial. Perfeitamente legal a incidência do tributo em dois momentos. Não há que se falar na ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bi tributação porque a lei prevê dois fatos geradores distintos, quais sejam o desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira e, depois, a saída dessa mercadoria do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor. Em outras palavras, o imposto recai primeiramente sobre o preço de compra, considerada a margem de lucro da empresa estrangeira e ao depois incide uma segunda vez sobre o preço de venda, considerada a margem de lucro da empresa brasileira que fez a importação. É igualmente importante mencionar que, na sistemática de julgamento de recursos repetitivos, no REsp n.º 1.403.532/SC o STJ determinou que incide o IPI na revenda de produtos importados, no mesmo sentido deste voto. Outro não foi o entendimento desta antiga Turma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 599 7 IMPORTADOR VAREJISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. INCIDÊNCIA DO IPI NA SAÍDA DO PRODUTO DO ESTABELECIMENTO. POSSIBILIDADE. Não há ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador varejista, equiparado a estabelecimento industrial nos termos do art. 4º, I, da Lei 4.502/1964 e conformidade com o disposto no art. 51, II, do CTN. (PA 11080.729991/201493 Acórdão 3302004.496 25.07.2017) Neste cenário, mantémse a exigência do tributo lançado inicialmente. II.2 Multa de 75% Alega a Recorrente que a multa é confiscatória e fere os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade. Sobre isso, aplicase a Súmula Carf nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Assim, a manutenção da multa é medida que se impõe III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 599DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35570.001367/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o direito creditório seja analisado a partir dos documentos dos autos e com fundamento na IN SRP, nº 20, de 11//01/2007, dada a redação vigente na ocasião do pedido.
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o direito creditório seja analisado a partir dos documentos dos autos e com fundamento na IN SRP, nº 20, de 11//01/2007, dada a redação vigente na ocasião do pedido. João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fl. 71) interposto em face da decisão de indeferimento do pedido de restituição de valor previdenciário proposto por Aldeci dos Santos – ME – sob valores pagos de Salário Família e Salário Maternidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 55 70 .0 01 36 7/ 20 07 -4 5 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 391 2 Resumo dos atos processuais até a presente Seção: Tratase de um Requerimento de Reembolso proposto por Aldeci Teles dos Santos – ME, inscrita no CNPJ de n. 07.592.949/000177, que enseja o reembolso do Salário Maternidade e do Salário Família de funcionários, no período de 01/05/2006 a 01/08/2006, cujo pagamento fora deduzido da guia de GPS dos meses citados, conforme demonstrativo juntado nas fls. 182 dos autos digitais (06 do PDF). Nas fls.186 – 189 dos autos digitais e 10 13 do PDF traz a certidão de nascimento de Tayna, filha da empregada da Contribuinte, nascida em 1998; a ficha salário família e a Certidão de Nascimento de Arthur, filho da empregada da Contribuinte, nascido em 27/04/2006. Sobre os valores de reembolso, destacase: 05/2006 total a reembolsar: R$851,82; 06/2006 – total a reembolsar: R$1.703,64 (ou R$851,22); 07/2006 total a reembolsar: R$851,82; 08/2006 total a reembolsar: R$653,82; Nas Fls. 251 dos autos digitais e 75 do PDF, verificase o Despacho 8/2007 de 16/04/2007: “a requerente apresentou GFIP na qual foram excluídos os segurados categoria 01, alterando, dessa forma, o valor da contribuição devida”, remetendo os autos à Seção de Fiscalização para pronunciamento fiscal. Nas Fls. 265266 (digital) 8990 (PDF), verificase que em 08/03/2010 – houve intimação da contribuinte para retificar as GFIP´s, nos termos da Instrução Normativa RFB n. 880 de 16/10/2008, assim como para apresentar atestados de vacinação/frequência escolar dos filhos do seguradoempregado AIRTON TELES DOS SANTOS, cujo pagamento de duas quotas de saláriofamília integrou o cálculo de reembolso requerido; e apresentar o atestado médico de afastamento por motivo de licença maternidade da segurada TELMA MACHADO TELES DOS SANTOS para a devida autenticação da cópia de fls. 04. Observase que foram realizadas duas tentativas de intimação da ADECI TELES DOS SANTOS – ME (uma no endereço Rua PG, n. 260, Nova Esperança. Volta Redonda/RJ, 27.278515 e outra na Av. Santa Rita, n. 53. Retiro. Volta Redonda/RJ, CEP 27.277210), retornando ambas sem êxito, identificado pelo Carteiro que a empresa havia mudado de endereço, razão pela qual se procedeu a intimação por Edital (n. 5/2010), conforme se verifica as fls. 273 dos autos digitais e 97 (PDF). Tendo em vista o transcurso do prazo sem manifestação apresentada pela Contribuinte, nas Fls. 274 e ss. dos autos digitais e 98 e ss. do PDF, houve decisão de indeferimento do pedido de reembolso, visto não cumprimento da intimação e impossibilidade de certificar a existência e o valor do crédito indicado. A intimação do despacho de indeferimento enviado aos endereços da Contribuinte (os mesmos da tentativa anterior) também retornou. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 392 3 Na data de 01/07/2010 a Contribuinte comparece pessoalmente à Secretaria da Receita Federal e se dá por intimada, assim como apresentar impugnação ao indeferimento, juntando atestado de vacinação de Tayná/Arthur e o original da Licença Maternidade da Telma. Por fim, requer que suas intimações sejam procedidas na Rua mil e quarenta e três, Bloco 140, Bairro Santo Agostinho. Volta Redonda/RJ. (fls. 287/111). Nas Fls. 371/141, a autoridade Fiscal apresenta a DRJ 1233.374 emitido pela 14ª Turma da DRJ/RJ 1 em 23/10/2010, cuja Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período: 01/05/2006 a 31/08/2006. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO FAMÍLIA. PEDIDO DE REEMBOLSO. REQUISITOS. GFIP CORRETAMENTE PREENCHIDA. Quanto o requerente é o próprio responsável pela elaboração da GFIP, o reembolso das cotas de salário família e salário maternidade fica condicionado a retificação das GFIP. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito creditório não reconhecido. Conforme constatase pela certidão de fls. Fls. 321 (digital) 145 (PDF), houve intimação pessoal da Contribuinte em 10/11/2010 sobre indeferimento, que apresentou, seguidamente, Recurso Voluntário nas fls. 322/146 e ss., cujo conteúdo se limitou a apenas requer a juntada da GFIP Retificadora. Encaminha estes autos à este R. Conselho Administrativo, observase que a 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, através da Resolução 2301000.235 21/06/2012, determinou a conversão do Julgamento em Diligência, determinando a autoridade fiscal a apreciar a GFIP retificadora apresentada no Recurso Voluntário (Fls. 360/186). Nas Fls. 369 e ss./202, verificase a DRJ 12.33.374 da 14ª Turma da DRJ/RJ1 de 23/09/2010, cuja Ementa determinou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período: 01/05/2006 a 31/08/2006. SALÁRIO MATERNIDADE. SALÁRIO FAMÍLIA. PEDIDO DE REEMBOLSO. REQUISITOS. GFIP CORRETAMENTE PREENCHIDA. Quanto o requerente é o próprio responsável pela elaboração da GFIP, o reembolso das cotas de salário família e salário maternidade fica condicionado a retificação das GFIP. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito creditório não reconhecido. Na fundamentação, a Autoridade determina: Fl. 392DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 393 4 “(...) mesmo com a juntada dos documentos enumerados no item 5, o processo ainda possui um obstáculo ao deferimento do pedido de restituição, que são as GFIP preenchidas com omissão dos empregados Telma e Airton, conforme telas impressas do sistema informatizado GFIPWEB. A IN RFB n. 900 de 30 de dezembro de 2008 – DOU 31/12/2008 em seu artigo 32 estabelece que se o reembolso envolver valores não declarados em GFIP ou declarados incorretamente, o deferimento do pedido fica condicionado à apresentação da retificação da declaração. Assim, (...), a GFIP não foi retificada, continuando omissa a informação da segurada TELMA MACHADO TELES DOS SANTOS (referente ao pedido de reembolso do salário maternidade) bem como do empregado Airton Teles dos Santos (referente à solicitação de reembolso de cotas de salário família). Diante de tal situação, não há como aquiescer com o pedido da impugnante, sem desrespeitar a normatização que disciplina o reembolso do salário família e do salário maternidade”. Por fim, nas Fls. 386/221 houve a juntada da Manifestação da Receita Federal, na seguinte fundamentação: Em atendimento à solicitação da 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF, após análise dos autos, efetuei: 1. Juntada do Acórdão nº 1233.374 14ª Turmas DRJ/RJ I, contendo 05 (cinco) folhas. 2. Juntei, também, as GFIP s extraídas do Sistema GFIP WEB, nesta data, para os meses de maio/2006 a agosto/2006, no total de 12 (doze) páginas, onde constam informações fundamentais que subsidiarão a decisão dessa CARF, a saber: a) ao contribuinte cabe emitir a GFIP observando as particularidades pertinentes a fim de evitar erros, como ocorreram neste processo. b) juntei as GFIP extraídas em 04/04/2014, onde na primeira tela o contribuinte emitiu para cada mês, (maio a agosto /2006), 04 (quatro) GFIP s. c) na primeira GFIP do mês de maio/06, ENVIADA em 16/05/2006 (onde se lê Status – 6 – Exportada Substituída), continha esta valores de Salário Família e Salario Maternidade. d) na última GFIP do mês de maio/06, ENVIADA em 07/12/2010, frise se àquela GFIP s que o contribuinte, anexou na data do seu Recurso Voluntário – cujo Status 1 – Exportada NÃO CONTÉM OS VALORES que postula. e) A explicação acima, se aplica a todas as suas GFIP s competências de maio/2006 a agosto/2006, por ele juntada, foi excluída pelo envio das GFIP s, no dia 07/12/2010. 3. Concluindo, as razões do Recurso Voluntário e sua GFIP, não comprovam, o seu direito ao crédito que postula. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 394 5 4. À consideração do Sr. Chefe da SAOR, para se de acordo, encaminhar a CARF. VOTO Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento do pedido de reembolso dos valores pagos pela Contribuinte à título de Salário Família e Salário Maternidade, visto a falta de apresentação da correta GFIP Retificadora à Autoridade Fiscal, cujo período de apuração do pedido é de 50/2006 até 08/2006, totalizando o reembolso requerido no valor de R$3.209,36 (três mil duzentos e nove reais e trinta e três centavos). De um lado temos a Contribuinte, uma Microempresa, representada neste processo, em todos os atos, por sua sócia administradora, Sra. Aldeci Teles dos Santos, a qual emprega, além dela mesmo, que na época declarava rendimentos mensais de pro labore de R$350,00, seu irmão Airton Teles dos Santos e sua cunhada Telma Machado Teles dos Santos, que auferiam R$595,00 e R$990,00 mensais respectivamente. O indeferimento pela Autoridade Fiscal nas duas oportunidades fora pelo fato de a Contribuinte não ter apresentado a GFIP Retificadora, visto que, em consulta no banco de dados da GFIP do FISCO não há a inclusão dos trabalhadores Airton e Telma, continuando omissa, sendo impossível a constatação de que tais valores foram realmente para os cofres públicos. Antes de verificar a questão sobre a omissão apresentada na GFIP Retificadora, necessário retornar à data em que a Contribuinte realizou o pedido de reembolso: fevereiro de 2007. Nesta época, a legislação válida para a procedência do pedido de reembolso era Instrução Normativa SRP n.º 20, de 11 de Janeiro de 2007, que alterou a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, a qual previa no artigo 214 §3º: “Quando o pedido de reembolso se referir a saláriofamília e a saláriomaternidade, num mesmo requerimento, o processo deve ser instruído com os documentos citados nos §§ 1º e 2º deste artigo. ” Os §§ 1º e 2º deste artigo 214 determinavam: Art. 214. Os documentos necessários à instrução do processo são os seguintes: I Requerimento de Reembolso RR, em duas vias, conforme modelo constante do Anexo X, disponível na página da Previdência Social, no endereço www.previdencia.gov.br, ou em documento diverso, desde que o requerimento contenha todas as informações exigidas no respectivo formulário; II original e cópia do contrato social e última alteração contratual que identifique os responsáveis pela administração ou pela gerência da sociedade, ou estatuto social e ata em que conste a atual diretoria da sociedade ou associação, ou o registro de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), conforme o caso; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 395 6 III procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, com poderes específicos para representar o requerente, se for o caso; IV GFIP das duas competências anteriores à data do protocolo do requerimento, caso as mesmas estejam incluídas no pedido. § 1º Os documentos específicos para instrução de processo relativo ao reembolso de cotas de saláriofamília, são: I o original e a cópia da folha de pagamento que comprove o pagamento do saláriofamília; II a cópia da certidão de nascimento do filho ou da documentação relativa ao equiparado a filho; III atestado de vacinação anual para crianças de até seis anos de idade; IV comprovação semestral de freqüência escolar a partir dos sete anos de idade; § 2º Os documentos específicos para instrução de processo relativo ao reembolso de valor correspondente a saláriomaternidade, são: I o original e a cópia da folha de pagamento que comprove o pagamento do saláriomaternidade; II o original e a cópia de atestado médico; ou III o original e a cópia da certidão de nascimento. Ao verificar a documentação acostada pela Contribuinte para instruir seu pedido, listase: Com relação ao Salário Maternidade pago à Telma: · Há original/cópia da folha de pagamento do período de maio/2006 até agosto de 2006 fls. 193/205/219/234 dos autos digitais, correspondente às fls. 17/29/43/57 da versão em PDF do processo; · Há original/cópia do atestado médico (fls. 185 dos autos digitais, correspondente às fls 9 da versão em PDF do processo); · Há original/cópia da Certidão de Nascimento do Arthur, que nasceu em 27/04/2006 – mesmo dia do atestado médico (fls. 189 dos autos digitais, correspondente às fls 13 da versão em PDF do processo); Verificase, portanto que, com relação ao salário maternidade pago à empregada Telma pela Contribuinte há a entrega de todos os documentos que a Autoridade Fiscal requeria na época do protocolo do pedido de reembolso. Com relação ao Salário Família do empregado Airton: Fl. 395DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 396 7 · Há original/cópia da folha de pagamento do período de maio/2006 até agosto de 2006 fls. 193/205/219/234 dos autos digitais, correspondente às fls. 17/29/43/57 da versão em PDF do processo; · Há original/cópia da Certidão de Nascimento dos filhos do Airton, sendo eles Tainá (fls. 189 dos autos digitais, correspondente às fls 10 da versão em PDF do processo) e Arthur (fls. 189 dos autos digitais, correspondente às fls 13 da versão em PDF do processo); · Há a original/cópia do Atestado de vacinação anual de ambos os filhos (fls. 187/188 dos autos digitais, correspondente às fls 11/12 da versão em PDF do processo; e, novamente, nas fls. 291/292 dos autos digitais, correspondente às fls 115/116 da versão em PDF do processo); Verificase, portanto que, com relação ao salário família pago ao empregado Airton pela Contribuinte há a entrega de todos os documentos que a Autoridade Fiscal requeria na época do protocolo do pedido de reembolso. Por fim, necessário destacar a questão sobre a GFIP omissa, conforme termos utilizados pela Autoridade Fiscal, a qual alega que em seu sistema de GFIP WEB não há a inclusão dos dois empregados Telma e Airton, sendo incapaz de validar o pedido de reembolso, pois não há a comprovação correta de que os valores foram parar nos cofres públicos. Com a documentação acostada nos autos, verificase GFIP Maio/ 2006: · Fls. 192 dos autos digitais, correspondente às fls 16 da versão em PDF do processo demonstra que a empresa tem 2 trabalhadores, e há a emissão da Guia de FGTS com pagamento de 126,80, sendo juntado o comprovante; · Fls. 193 dos autos digitais, correspondente às fls 17 da versão em PDF do processo constam os nomes dos trabalhadores, seus CPF e a remuneração de cada com os valores pagos de contribuição, no caso do Airton, salário de R$595,00 e contribuição de 45,51 e no caso da Telma, salário de R$990, com contribuição de 85,63, sendo juntado os recibos de pagamento dos salários. · Fls. 197 dos autos digitais, correspondente às fls 21 da versão em PDF do processo constam os valores de FGTS, depósito de R$126,80. · Fls. 198/ 199 dos autos digitais, correspondente às fls. 22/23 da versão em PDF do processo consta o resumo das informações SEFIP, em que se verifica que a Contribuinte pagou salário maternidade no valor de R$990,00 e Salário Família de R$31,48, sendo que somados estes valores e deduzido as contribuições sociais pagas no valor de R$169,64, verificase o valor de R$ 851,84 para reembolso referente ao mês de maio/2006. Com a documentação acostada nos autos, verificase GFIP Junho/ 2006 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 397 8 · Fls. 205 dos autos digitais, correspondente às fls 29 da versão em PDF do processo constam os nomes dos trabalhadores, seus CPF e a remuneração de cada com os valores pagos de contribuição, no caso do Airton, salário de R$595,00 e contribuição de 45,51 e no caso da Telma, salário de R$990, com contribuição de 85,63, sendo juntado os recibos de pagamento dos salários. · Fls. 207 dos autos digitais, correspondente às fls 31 da versão em PDF do processo consta a GFIP FGTS no valor de R$126,80 com comprovante de pagamento; · Fls. 212 dos autos digitais, correspondente às fls. 36 da versão em PDF do processo consta o resumo das informações SEFIP, em que se verifica que a Contribuinte pagou salário maternidade no valor de R$990,00 e Salário Família de R$31,48, sendo que somados estes valores e deduzido as contribuições sociais pagas no valor de R$169,64, verificase o valor de R$ 851,84 para reembolso referente ao mês de junho/2006 Com a documentação acostada nos autos, verificase GFIP Julho/ 2006 · Fls. 219 dos autos digitais, correspondente às fls 43 da versão em PDF do processo constam os nomes dos trabalhadores, seus CPF e a remuneração de cada com os valores pagos de contribuição, no caso do Airton, salário de R$595,00 e contribuição de 45,51 e no caso da Telma, salário de R$990, com contribuição de 85,63, sendo juntado os recibos de pagamento dos salários. · Fls. 221 dos autos digitais, correspondente às fls 45 da versão em PDF do processo consta a GFIP FGTS no valor de R$126,80 com comprovante de pagamento; · Fls. 222 dos autos digitais, correspondente às fls. 46 da versão em PDF do processo consta o resumo das informações SEFIP, em que se verifica que a Contribuinte pagou salário maternidade no valor de R$990,00 e Salário Família de R$31,48, sendo que somados estes valores e deduzido as contribuições sociais pagas no valor de R$169,64, verificase o valor de R$ 851,84 para reembolso referente ao mês de julho/2006 Com a documentação acostada nos autos, verificase GFIP Agosto/ 2006 · Fls. 233 dos autos digitais, correspondente às fls 57 da versão em PDF do processo constam os nomes dos trabalhadores, seus CPF e a remuneração de cada com os valores pagos de contribuição, no caso do Airton, salário de R$595,00 e contribuição de 45,51 e no caso da Telma, salário de R$990, com contribuição de 85,63, sendo juntado os recibos de pagamento dos salários. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 398 9 · Fls. 235 dos autos digitais, correspondente às fls 59 da versão em PDF do processo consta a GFIP FGTS no valor de R$126,80 com comprovante de pagamento; · Fls. 240 dos autos digitais, correspondente às fls. 64 da versão em PDF do processo consta o resumo das informações SEFIP, em que se verifica que a Contribuinte pagou salário maternidade no valor de R$792,00 e Salário Família de R$31,48, sendo que somados estes valores e deduzido as contribuições sociais pagas no valor de R$169,64, verificase o valor de R$ 653,84 para reembolso referente ao mês de agosto/2006; Portanto, verificase que houve preenchimento do programa SEFIP, que era o sistema responsável na época para preenchimento da GFIP, assim como, há a juntada dos comprovantes de recolhimento do FGTS referentes aos meses de maio/2006 até agosto/2006, no valor de R$126,80 cada, o que corresponde à uma alíquota de 8% dos salários dos empregados, ou seja, o teto máximo de alíquota para recolhimento de FGTS para a época. Desta feita, observase que a Contribuinte instruiu seu requerimento de Reembolso com toda documentação exigida pela legislação vigente na época do protocolo (fevereiro de 2007), conforme já explanado acima, com as paginações da documentação referente a cada requisito legal para concessão do pedido. Além disto, observase que os GFIP foram preenchidos pela Contribuinte e há a inserção dos dois empregados na sua lista, conforme os relatórios SEFIP juntados nas fls. 198/ 199, 212, 222, 240, que era o sistema operacional exigido na época. Outrossim, verificase que há nos autos a comprovação de pagamento dos salários; de pagamento das contribuições previdenciárias; do FGTS, da emissão de GFIP, conforme SEFIP; do estado de gravidez da Telma e do estado de beneficiário do salário família do Airton, fazendo jus a Contribuinte ao reembolso requerido, principalmente porque há a demonstração da verdade material do pedido. Portanto, em uma primeira análise da documentação, desconhecese a razão pela qual a DRJ denegou o pedido. Parece que o pedido analisado pela DRJ não vislumbrou em analisar a legislação vigente à época, ou seja, a Instrução Normativa SRP n.º 20, de 11 de Janeiro de 2007, que alterou a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. Por esta razão, necessário converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam remetidos à instância inferior, no intuito de que o pedido da Contribuinte seja analisado conforme a Instrução Normativa SRP n.º 20, de 11 de Janeiro de 2007. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam remetidos à instância inferior, no intuito de que o pedido da Contribuinte seja analisado conforme a Instrução Normativa SRP n.º 20, de 11 de Janeiro de 2007. É como voto. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 35570.001367/200745 Resolução nº 2301000.716 S2C3T1 Fl. 399 10 Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente) Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900754/2008-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 07 54 /2 00 8- 51 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 01/15, de n. 26996.00326.191103.1.3.046609, de 19/11/2003, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ 2362 (fevereiro de 1999). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 757692886, 24/04/2008 (efl. 07), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que declarou na DCTF 1° trimestre/1999 ter a pagar (e pagou) de IRPJ o valor de R$ 172.191,39; que após a formalização da DIPJ, constatouse ter havido um prejuízo anual no valor de R$ 370.525,10; mas que de forma equivocada não foi retificada a DCTF, o que gerou a vinculação de um débito inexistente ao DARF pago. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0116.703 1ª Turma da DRJ/BEL, e fls. 45/47) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado com fundamento na legislação tributária. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/04/2009 (efl. 47) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 13/05/2009 (efl. 48), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: Com relevo, cediço que as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de preclusão, No entanto, a alínea "c", § 4°, art. 16, do Decreto n.° 70.253/72, abre a oportunidade para apresentação em outro momento processual quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Tal é a hipótese vertente. De fato, tratase de argumento novo o aduzido pela la Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Belém, no sentido de indeferir o pleito de compensação devido ao crédito tratarse de Saldo Negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior como declarado na DCOMP. Diante disso, abrese a oportunidade para a Recorrente, com espeque na alínea "c", § 4°, art. 16, do Decreto n.° 70.235/72, apresentar, neste momento processual, a DCOMP alusiva e comprobatória do credito deduzido. Sendo tal DCOMP de retificação/substituição da original, haja vista ter ocorrido o preenchimento equivocado da DCOMP original, por parte da requerente. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10283.900754/200851 Acórdão n.º 1001000.880 S1C0T1 Fl. 67 3 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN) como bem assinalou a decisão da Unidade de Origem (e fl. 07). Ou seja, não se trata de argumento novo a negativa de crédito cujo pagamento correspondeu a débito devidamente declarado, conformes decisões da Unidade de Origem e de primeira instância (efls. 07 e 45/47). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efls. 45/47) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, não se comprovou que a liquidez do alegado direito creditório (estimativa de fevereiro de 1999). Observamos que o recorrente afirma que sequer retificou a DCTF correspondente ao trimestre citado: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente pretende trazer pela primeira vez documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 13/14), pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da Fl. 68DF CARF MF 4 manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10283.900754/200851 Acórdão n.º 1001000.880 S1C0T1 Fl. 68 5 Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720446/2016-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de auto de infração lavrado por autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES para exigir Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI – e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%, no montante de R$ 29.822.331,67, à data da autuação, conforme fundamentação que consta no referido documento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 44 6/ 20 16 -6 3 Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.700 2 A falta de recolhimento de imposto decorreu das seguintes infrações: aproveitamento de crédito básico indevido, aproveitamento de outros créditos indevidos e o aproveitamento de saldo credor de período anterior indevido. A reconstituição da escrita fiscal integra o auto de infração. RELATÓRIO FISCAL Os atos que motivaram a autuação foram praticados pela empresa SABB – Sistema de Alimentos e Bebidas Ltda, CNPJ 76.490.184/000187, incorporada pela autuada em 02/01/2013, e que prosseguiu na exploração das mesmas atividades, ou seja, a fabricação de sucos de frutas, hortaliças e legumes, exceto concentrados, de acordo com o CNAE (Código Nacional de Atividades Econômicas) informado ao Cadastro da Receita Federal do Brasil. A autuação decorre de auditoria para análise de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI. A autuada integra o denominado "Sistema CocaCola Brasil", do qual também participa a empresa RECOFARMA INDUSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/000106, estabelecida na Zona Franca de Manaus, fornecedora da maior parte dos insumos utilizados em seu processo produtivo. A empresa SABB já havia sido submetida à ação fiscal anterior, que analisou apuração de créditos relativos ao 3º trimestre de 2011 e resultou em lançamento de ofício objeto do processo administrativo 15586.720290/201611. Assim, documentos, laudos, esclarecimentos prestados naquele processo foram também adotados no presente feito. Nos Pedidos de Ressarcimento de Créditos relativos ao período em análise neste processo, a fiscalizada aproveitou crédito de IPI no montante de R$ 41.763.265,48, relativo a aquisições de produtos descritos como “kits” ou "concentrados" para fabricação de produtos acabados denominados de néctares, bebidas de frutas, isotônicos, energéticos e bebidas lácteas. Porém, no curso da auditoria, foi verificado que não há destaque de imposto nas notas fiscais relativas às aquisições desses insumos, e que a empresa apurou o valor do crédito mediante aplicação da alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI– TIPI/2007TIPI para os produtos enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 (que até 30/09/2012 era de 27%, passando a ser de 20% a partir de 01/10/2012). Esse procedimento não foi aceito, em primeiro lugar porque os produtos adquiridos não preenchem os requisitos previstos no art. 95, III, do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI – RIPI/2010), especialmente no que se refere aos insumos utilizados na sua elaboração. Também não seria possível o aproveitamento de crédito com base no art. 81, II, do mesmo Regulamento, por falta de previsão legal. Além disso, a classificação fiscal dos concentrados, como se constituíssem um produto único seria incorreta, devendo a classificação ser feita separadamente, para cada componente desses chamados kits, o que resultaria na inexistência de créditos a aproveitar, pois os mesmos são, na sua grande maioria, tributados à alíquota zero. Os demais créditos glosados decorrem de aquisições de produtos de limpeza, e não seriam utilizados na industrialização propriamente dita, Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.701 3 não se enquadrando no conceito de matériaprima, produto intermediário ou de material de embalagem, e, portanto, não poderiam gerar direito a aproveitamento de créditos de IPI, segundo os atos normativos em vigor. A responsabilidade da autuada pelo crédito tributário, na condição de incorporadora da empresa SABB, decorre do disposto no art. 132 c/c art. 129 do Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação tempestiva, assinada por procuradores habilitados, a seguir sintetizada: ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO Alega que teria havido mudança do critério jurídico até então adotado quanto à classificação fiscal dos assim chamados “concentrados”. No seu entendimento a Fiscalização sempre teria aceito a classificação defendida pela impugnante, e a alteração desse posicionamento teria ocorrido apenas com a lavratura do auto de infração contra a fornecedora Recofarma, cuja ciência ocorreu em 22/12/2014. Esse novo critério jurídico não poderia ser adotado no presente caso, que se refere a fatos geradores entre 2011 e 2012, havendo violação ao disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional. DO DIREITO AO CRÉDITO RELATIVO À AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS ISENTOS – Competência da Suframa De início, aponta que a que a Suframa é o órgão que detém competência exclusiva para outorga dos benefícios fiscais de que tratam o art. 9º do DecretoLei n° 288/1967 e o art. 6º do DecretoLei n° 1.435/75, bem como para determinar e administrar quaisquer questões inerentes aos referidos benefícios, autorizar o crédito do IPI, e definir a classificação fiscal dos concentrados, sendo que neste aspecto (classificação) a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil não seria exclusiva. Por decorrência, não poderia a RFB desconsiderar os atos da Suframa, devendo, no caso de discordância, questionálos perante aquele órgão. DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Sustenta que a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), não afasta a classificação fiscal adotada pela empresa, e sim a ratifica. Além disso, a autoridade fiscal teria subvertido a ordem de aplicação das Regras Gerais de Interpretação, uma vez que adotou as regras secundárias de interpretação (Regras 2 e 3) antes da primária (Regra 1). Assinala que a decisão do Conselho de Cooperação Aduaneira, de 23.08.1985 não seria oponível ao sistema jurídico brasileiro, que somente reconhece força vinculante aos pareceres do Comitê de Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA) traduzidos para o português e integrados em coletânea publicada no site da RFB. E mesmo que fosse aplicável, o mesmo converge com o posicionamento da impugnante, pois o CCA afasta a aplicação da RGI 3 e orienta para que seja adotada a RGI 1, o que resultou na classificação dos componentes do concentrado de forma isolada porque na legislação dos demais países envolvidos na consulta não Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.702 4 haveria posição específica na qual se enquadrasse, exatamente, o conceito do concentrado, como ocorre no Brasil. Os concentrados para bebidas devem ser sempre classificados no Ex. 01 ou Ex. 02 da citada posição 21.06.90.10, variando apenas em razão do grau de diluição, independente de serem constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente. Tal posição específica, existente na legislação brasileira descreve exatamente o concentrado, sem exigir que a preparação já esteja "pronta para uso", nem que seja homogeneizada e, a rigor, pressupõe que o concentrado seria formado por diversas partes, pois o define como preparações compostas, ou seja, cada parte constitui uma preparação, que juntas compõem um produto único, o concentrado. Tanto que o item 12 da NESH ao esclarecer sobre a posição 2106, contempla o “tratamento complementar” no estabelecimento fabricante. Tal tratamento não constitui industrialização. Invoca os pareceres técnicos juntados pela Recofarma nos processos administrativos n°s 11080.732960/201410 e 11080.732817/201428, que anexa, e que no seu entendimento levariam à conclusão que no presente caso deve ser aplicada a RGI 1. No caso de dúvida, a autoridade deveria aplicar a interpretação mais benéfica ao acusado, conforme art. 112 do Código Tributário Nacional. DO BENEFÍCIO PREVISTO NO ART. 95, INC. III, DO RIPI/2010 (base legal: art. 6º do DecretoLei 1.435/1975) Diante da divergência entre a Suframa e a RFB, com relação à fruição do benefício estar condicionada à utilização direta ou indireta de matériaprima agrícola regional na fabricação dos concentrados, devese considerar que o entendimento da Suframa está consubstanciado em atos administrativos que também vinculam a RFB. Além disso, nos anos de 2011 e 2012, Recofarma teria adquirido açúcar cristal e açúcar mascavo da empresa Agropecuária Jayoro, localizada na Amazônia Ocidental, como se verifica das notas fiscais constantes de processo administrativo de outra fabricante de bebidas (PA n° 10980.720139/201614), em anexo (doc. 09). De acordo com o art. 6º do DecretoLei 1.435/1975, o termo matériaprima compreende tanto os produtos industrializados com matériaprima agrícola regional como a própria matériaprima agrícola regional. A mesma conclusão decorreria da legislação própria da Suframa. Aponta que é indevida a exclusão do benefício porque os concentrados teriam sido fabricados com álcool e ácido cítrico, produtos que não tem PPB específico aprovado pela Suframa, uma vez que os produtos fornecidos por Recofarma são os concentrados, para os quais existe PPB aprovado. E mais, não importa “que o álcool tenha sido definido como aditivo pelo Decreto n° 6.871/2009, pois a Suframa, exercendo sua competência exclusiva, determinou que, para fins do PPB de elaboração de concentrados para bebidas não alcoólicas, o álcool de origem regional utilizado na fabricação de tais concentrados é considerado matériaprima e, portanto, suficiente para ensejar a fruição do beneficio fiscal”. Também resta claro que o benefício fiscal foi concedido a todos os tipos de concentrados fabricados por Recofarma, inclusive aqueles de que trata o presente processo. Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.703 5 DO DIREITO AO CRÉDITO COM BASE NA ISENÇÃO DO ART. 81, INC. II, DO RIPI/2010 (Base Legal: art. 9º do DecretoLei 288/1967) Argumenta que o concentrado adquirido é isento por ser oriundo da Zona Franca de Manaus – ZFM e utilizado na fabricação de produtos (refrigerantes) sujeitos ao IPI; isenção também concedida pela Resolução do CAS n° 298/2007. Invoca o posicionamento adotado pelo STF, no julgamento do RE n° 212.484RS, que, no seu entendimento teria definido a classificação fiscal dos concentrados no mesmo código fiscal que vem utilizando e assegurado o direito ao crédito do IPI à alíquota de 27%. Esse entendimento permanece hígido até que seja julgado o RE n° 592.891SP, com repercussão geral reconhecida, onde é apreciada questão concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus – ZFM. DA APLICAÇÃO DO ART. 11 DA LEI N° 9.779/1999 A partir da edição do art. 11 da Lei 9.779/1999, teria passado a existir o direito ao crédito do imposto relativo à aquisição de qualquer matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização, sem estar condicionado ao pagamento do IPI na operação anterior, conforme já teria sinalizado o STF, no julgamento da proposta de Súmula Vinculante n° 26. DA IDONEIDADE DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR RECOFARMA E DA BOA FÉ DA IMPUGNANTE O teor das nas notas fiscais de aquisição evidenciam que a classificação fiscal adotada está correta, e que atendem o disposto nos arts. 62, 48 e 53 da Lei 4.502/1964, sendo documentos idôneos, com validade fiscal, e, assim, a impugnante, na qualidade de adquirente de boafé, ao utilizar referidos créditos não estaria cometendo infração, eis que teria direito a eles. Invoca o entendimento expresso pelo STJ (com relação ao ICMS), consolidado no enunciado da Súmula n° 509, publicada no Diário da Justiça Eletrônico de 31/03/2014. DA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SALDO CREDOR DO PERÍODO ANTERIOR O saldo credor de período anterior foi objeto de glosa e lançamento em outro processo. O crédito encontrase com exigibilidade suspensa em virtude de impugnação. Em decorrência, a escrita fiscal não deve ser reconstituída, até que seja confirmada, ou não, a glosa . DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA, JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA NOS TERMOS DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN Ao utilizar os créditos a impugnante agiu de acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, ato administrativo que tem efeito normativo em relação aos adquirentes do concentrado, porque estes adquirentes não foram nem são partes no processo que ensejou a referida resolução, mas estão obrigados a observála. Nesse caso, referidos encargos devem ser excluídos, sob pena de ofensa ao art. 100, parágrafo único, do CTN. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA Defende a exclusão da multa de ofício, à vista do disposto no art. 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964, (art. 567, II, “a” do RIPI/2010), cuja vigência foi confirmada no Acórdão n° 9303003.517 da Câmara Superior de Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.704 6 Recursos Fiscais (CSRF), processo administrativo n° 15956.720043/201316. DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE LIMPEZA NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DAS BEBIDAS Os produtos utilizados para assepsia, sanitização e limpeza em geral integram o processo produtivo de bebidas, sendo inerentes à sua produção. Por exigências sanitárias são de utilização obrigatória e, portanto, estaria correto o aproveitamento do crédito, depreendendose que há amparo no art. 226, inc. I do RIPI/2010, bem como no Parecer CST 65/1979 e jurisprudência do CARF, que cita. DA IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA NO AUTO Tal incidência implicaria indireta majoração da própria penalidade, não se podendo falar em mora na exigência de multa, à vista do disposto no art. 16 do Decreto lei 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei 2.331/1987. Ademais, o artigos 59 da Lei 8.383/1991 e art. 61 da Lei 9.430/1996), também não prevêem essa cobrança. Invoca jurisprudência administrativa do CARF." A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN quando a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. GLOSA DE CRÉDITOS. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE INSTITUI INCENTIVO FISCAL A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL. É indevido o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos feitas a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa, mas que não tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima aproveitamento de créditos de IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS DE CONCENTRADOS PARA PRODUÇÃO DE BEBIDAS. Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.705 7 Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como "kit ou concentrado para bebidas" constituise de um conjunto de diferentes matérias primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses "kits" deverá ser classificado no código próprio da TIPI. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS NÃO COMPREENDIDOS NOS CONCEITOS DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATERIAL DE EMBALAGEM. As compras de materiais de limpeza e outros materiais não compreendidos no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem não legitimam o aproveitamento de créditos de IPI. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de juros moratórios sobre a penalidade objeto do lançamento em litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) os concentrados objeto do processo são beneficiados por duas isenções: (a) a do art. 81, inc. II, do Decreto nº 7.212/2010 Regulamento do IPI (RIPI/10), que tem base legal no art. 9º do DecretoLei nº 288/1967, por serem produzidos na Zona Franca de Manaus, cujo crédito de IPI para a Recorrente foi assegurado, expressa e especificamente, pelo entendimento do Plenário do Supremo Tribunal Federal, manifestado no Recurso Extraordinário nº 212.484; (b) a do art. 95, inc. III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do DL nº 1.435, de 16.12.1975, cujo crédito de IPI para o adquirente decorre do próprio dispositivo legal (art. 6º, § 1º, do DL nº 1.435/75), que outorga crédito ao adquirente do insumo elaborado com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental; (ii) é incontroverso que a Recorrente é terceiro, adquirente dos concentrados para bebidas, e que a Recofarma (fornecedora) foi quem emitiu as notas fiscais, descreveu os produtos e efetuou sua classificação fiscal, o que é suficiente para justificar a aplicação da alíquota utilizada; (iii) o Relatório de Fiscalização reconhece que a classificação fiscal dos concentrados para bebidas foi efetuada pela Recofarma na posição 21.06.90.10 EX. 01; (iv) o art. 62 da Lei nº 4.502/64 determina que o adquirente verifique se os produtos que tenham ingressado em seu estabelecimento e as notas fiscais que os acompanham atendem à prescrições legais e regulamentares; (v) O RIPI/1998 e os RIPI's de 2002 e 2010 suprimiram o acréscimo regulamentar de que o adquirente deveria examinar a correção da classificação fiscal do produto dada pelo fornecedor; Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.706 8 (vi) o CARF possui precedentes no sentido da inexistência de tal obrigação e pela exclusão da multa aplicável nos casos em que envolviam fatos geradores referentes a período da vigência do art. 173 do antigo RIPI/82; (vii) nunca existiu na lei e não existe mais sequer previsão regulamentar estabelecendo a obrigação de o adquirente verificar a correção da classificação fiscal do produto na nota fiscal; (viii) os fator geradores objeto do Auto de Infração sob exame foram apurados sob a vigência de lei que não impõe e de RIPI (de 2010) que não mais impõe a obrigação de o adquirente examinar o acerto da classificação fiscal do produto e, como a classificação dos concentrados foi feita pela Recofarma, fornecedora do concentrado, a Recorrente agiu lícita e corretamente ao adotar tal classificação fiscal para cálculo do crédito de IPI; (ix) se é lícito e correto aceitar a classificação fiscal dos produtos fornecidos pela Recofarma, constante de nota fiscal idônea, não há controvérsia quanto ao direito de a adquirente calcular o crédito do IPI decorrente da alíquota correspondente à classificação fiscal; (x) se não cabe ao adquirente questionar a classificação fiscal dos produtos fornecidos pela Recofarma, a Recorrente agiu lícitamente ao calcular o crédito de IPI, na alíquota correspondente a essa classificação fiscal; (xi) no caso dos autos houve alteração de critério jurídico, pois em verificações fiscais anteriores não houve qualquer questionamento relativo à classificação fiscal adotada, com ofensa ao art. 146 do CTN; (xii) no lançamento tributário, a atividade da autoridade administrativa é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN; (xiii) no Parecer da PGFN nº 405/2003, que é vinculatório para a Administração, a PGFN adotou a classificação do concentrado para bebidas na posição 21.06.90.10 EX. 01, ao reconhecer o direito ao crédito de IPI ao adquirente do concentrado, à alíquota de 27% (vigente à época), visto que, para fins de IPI, não há como estabelecer a alíquota sem definir a respectiva classificação fiscal; (xiv) é a SUFRAMA que possui a competência para definir a classificação fiscal dos produtos fabricados em projeto industrial aprovado para a fruição dos benefícios fiscais previstos no art. 9º do DL nº 288/67 e no art. 6º do DL nº 1.435/75; (xv) ao definir o PPB do produtos incentivado, para fisn de fruição de benefícios fiscais, é necessário que a SUFRAMA identifique qual é a classificação fiscal do produto incentivado, porque, para fins de IPI, definir o produto é efetuar sua classificação fiscal; (xvi) é inerente à competência para aprovação do PPB a definição da classificação fiscal do produto; (xvii) o Superior Tribunal de Justiça entende que a Receita Federal não possui competência exclusiva para proceder à classificação fiscal de produto, prevalecendo a classificação fiscal definida pelo órgão técnico; Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.707 9 (xviii) o CARF possui precedentes no mesmo sentido; (xix) a SUFRAMA tem competência para definir a classificação fiscal de "concentrado para bebidas não alcoólicas" produzido pela Recofarma; (xx) a SUFRAMA exercendo sua competência técnica, editou a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007SPR/CGPRI/COAPI que (a) aprovou o projeto industrial da Recofarma e (b) definiu o concentrado para bebidas fabricado pela Recofarma como preparações químicas utilizadas como matériaprima para industrialização de bebidas; (xxi) a SUFRAMA reconhece que o concentrado, por ser "preparações químicas", pode ser entregue desmembrado em partes/kits, sem que isso desnature a sua condição de produtos único (de concentrado para bebidas), classificado na posição 21.06.90.10 EX. 01; (xxii) a SUFRAMA confirma que a Recofarma continua cumprindo a classificação fiscal do concentrado por ela estabelecida conforme se verifica do Ofício nº 4215 COPIN/CGAPI/SPR, de 28.08.2015 e apresentado em processo de outro estabelecimento da Recorrente, e do Ofício nº 3638SPR/CGAPI/COPIN, de 26.09.2014 e apresentado em processo similar e de interesse de outro fabricante de produtos CocaCola; (xxiii) a SUFRAMA reconheceu que o concentrado para bebidas elaborado pela Recofarma e adquirido pela Recorrente é constituído por diversos componentes (partes líquidas e sólidas) e classificou o concentrado na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI/2010; (xxiv) a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto nº 97.409/88, e das NESH, aprovadas pelo Decreto nº 435/1992 leva (a) à conclusão de que está correta a classificação fiscal do concentrado para bebidas na posição 21.06.90.10 EX. 01 da TIPI; (b) à mesma classificação dada pela SUFRAMA e (c) à mesma classificação fiscal reconhecida no Parecer da PGFN nº 405/2003; (xxv) pelo histírico das TIPIs, desde 1988, constatase que o concentrado para bebidas sempre foi classificado como uma mercadoria única (descrita como preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebidas); (xxvi) os EX. 01 e EX. 02 da posição 21.06.90.10 consolidaram todas as subposições da TIPI anterior e enfatizaram a sua destinação, condicionando à utilização dessas preparações compostas na fabicação das bebidas do Capítulo 22; (xxvii) o item XI da Nota Explicativa referente à Regra Geral de Interpretação 3 b) reforça o fato de que os concentrados para bebidas, entregues em forma de "kits", são tratados como produtos únicos; (xxviii) o fato de os concentrados para bebidas adquiridos da Recofarma não terem sido previamente misturados não significa que eles não estejam prontos para uso pelo fabricante das bebidas, porque, após o ingresso dos concentrados no estabelecimento da Recorrente, todo processo produtivo feito por ela é relativo à elaboração de bebidas e, por conseguinte, os referidos concentrados estão prontos para uso pelo seu destinatário, no caso a Recorrente; Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.708 10 (xxix) a NESH prevê que o concentrado pode ser entregue de forma desmembrada para facilitar o seu transporte e que, no processo produtivo de fabricação das bebidas, podem ser acrescidos outros insumos; (xxx) não tem relevância para fins de definição de classificação fiscal do concentrado, o fato de a Recorrente ter adquirido a polpa de outra empresa e não da Recofarma, porque tais insumos são utilizados pela Recorrente já no processo produtivo da bebida final e, pois não são componentes do concentrado fabricado pela Recofarma; (xxxi) a utilização da polpa no processo produtivo da bebida final não tem o condão de descaracterizar o insumo adquirido da Recofarma como concentrado para bebidas; (xxxii) se houvesse dúvida quanto à aplicação da posição 2106.90.10 EX. 01 aos concentrados para bebidas, constante das notas fiscais emitidas pela Recofarma, essa deveria prevalecer por ser a classificação dada pela SUFRAMA, em ato administrativo, devendo ao caso ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN; (xxxiii) possui direito ao crédito relativo à aquisição dos concentrados isentos para elaboração de bebidas; (xxxiv) o direito ao aproveitamento do crédito de IPI decorre de os concentrados part. a bebidas serem beneficiados pela isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/10, que tem base legal no art. 6º do DL nº 1.435;75, pois além de serem produzidos na ZOna Franca de Manaus, são elaborados com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental e utilizados na fabricação de bebidas sujeitas ao IPI; (xxxv) a isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75 é autônoma e suficiente para autorizar o creditamento do imposto em razão de o próprio dispositivo legal outorgar, expressa e especificamente, o crédito de IPI ao adquirente do produto; (xxxvi) a decisão que reconheceu que está em vigor a Resolução do CAS nº 298/2007), qua habilitou a Recofarma a se instalar na região para produzir concentrados base para bebidas não alcoólicas e usufruir da isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75; (xxxvii) ao aprovar o Parecer Técnico nº 224/2007, parte integrante da Resolução CAS nº 298/2007, a SUFRAMA entendeu que era suficiente e bastante para a aprovação do projeto para fruição do benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 a utilização de açucar e/ou álcool e/ou corante caramelo e/ou extrato de guaraná na produção do concentrado, produzido a partir de cana de açúcar e de semente de guaraná, adquiridas de produtores localizados na Amazônia Ocidental; (xxxviii) fundada no Parecer Técnico nº 224/2007, a Resolução do CAS nº 298/2007 concedeu expressamente o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 para os concentrados fabricados pela Recofarma; (xxxix) o despacho da autoridade administrativa (SUFRAMA), suficiente a comprovar a isenção da Recofarma, consoante o art 179 do CTN, é a Resolução do CAS nº 298/2007, fundada no Parecer Técnico nº 224/2007; (xl) se o benefício foi concedido pela SUFRAMA, somente ela poderá cancelá lo; Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.709 11 (xli) a SUFRAMA atestou, em diversas ocasiões, que a Recofarma cumpre todos os requisitos necessários para fruição do benefício previsto no art. 6º do DL nº 1.435/75; (xlii) não há dúvida que o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 foi concedido aos concentrados isentos para bebidas e não há qualquer descumprimento do PPB por parte da Recofarma, visto que a SUFRAMA fiscaliza o processo produtivo básico da Recofarma e atestou que se encontra regular no seu cumprimento; (xliii) as Resoluções do CAS não são aprovadas exclusivamente por representantes da SUFRAMA, o próprio Ministério da Fazenda também aprovou a Resolução do CAS nº 298/2007, visto que o Ministério de Estado da Fazenda integra o CAS, conforme previsto expressamente no art. 2º, I, da Lei Complementar nº 134, de 14.01.2010, regulamentada pelo Decreto nº 7.138/2010; (xliv) se o Fisco pretende questionar o benefício concedido à Recofarma deve fazêlo perante a própria SUFRAMA, para que esta, na forma do art, 57 da Resolução do CAS nº 202/06 (com redação idêntica a do art. 54 da Resolução do CAS nº 203/2012, atualmente vigente), cancele o incentivo fiscal concedido; (xlv) na elaboração de todos os concentrados adquiridos pela Recorrente foi utilizado pelo menos um insumo de origem regional, o que é suficiente para fins de fruição do benefício fiscal do art. 6º do DL nº 1.435/75; (xlvi) a utilização do álcool na elaboração dos concentrados é suficiente para a aplicação do benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75, visto que consta expressamente no Parecer Técnico nº 224/2007 que a SUFRAMA o definiu como matériaprima para fins de aprovação do PPB e não como mero aditivo como consta na decisão recorrida; (xlvii) a SUFRAMA determinou que, para fins do PPB de elaboração de concentrados para bebidas não alcoólicas, álcool de origem regional (oriundo de canade açúcar plantada na Amazônia Ocidental) utilizado na fabricação de tais concentrados é considerado matériaprima e, suficiente para ensejar a fruição do benefício fiscal previsto no art. 6º do DL nº 1.435/75; (xlviii) a decisão recorrida incorre em erro quando afirma, ainda, que, mesmo que se aceitasse que o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 fosse validamente concedido pela SUFRAMA, por intermédio da Resolução do CAS nº 298/2007, tal benefício somente seria aplicável aos concentrados do tipo "cola", pois a decisão desconsiderou que o art. 13 da Resolução do CAS nº 2020/2006 determina que os empreendimentos regularmente implantados na Zona Franca de Manaus ficam dispensados de apresentação de projetos para produtos similares aqueles que já tenham sido aprovados pelo CAS; (xlix) a SUFRAMA, por intermédio da Resolução do CAS nº 298/2007, analisou especificamente o processo produtivo da Recofarma e reconheceu e concedeu o benefício fiscal do art. 6º do DL nº 1.435/75 a todos os tipos de concentrados fabricados pela Recofarma; (l) a legislação da SUFRAMA confirma que não há necessidade de aprovação de projeto para cada tipo de concentrado, portanto, é inconteste que o benefício fiscal do art. 6º do DL nº 1.435/75 foi concedido pela Resolução da CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007, a todos os tipos de concentrados; Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.710 12 (li) o não reconhecimento dos efeitos dos atos da SUFRAMA acima referidos, sem que tenha havido qualquer processo administrativo de cassação do benefício, no qual teria que haver necessária participação de todas as partes interessadas (a SUFRAMA, que concedeu o beneficio tal qual é cumprido pela beneficiada, a Recofarma que é a beneficiada e a Recorrente que é terceiro de boafé), caracteriza ofensa ao devido processo legal, nos termos dos arts. 2º, X; 3º, II, III; 38 e 44, todos da Lei nº 9.784/99; (lii) a CSRF já decidiu que o Fisco não tem competência para desconsiderar o ato da SUFRAMA que concede o benefício e, se constatado que esse ato eventualmente descumpre a lei, deve questionálo perante a própria SUFRAMA; (liii) a interpretação da SUFRAMA quanto ao alcance do art. 6º do DL nº 1.435/75 é lógica e coadunase com o próprio significado do termo "matériaprima" constante do § 1º do art. 6º do DL nº 1.435/75, que compreende no seu conceito "produto industrializado com matériaprima agrícola regional"; (liv) é ilegal e antijurídico que, após tantos anos de vigência do benefício da Recofarma concedido pela SUFRAMA a autoridade, unilateralmente, possa discordar e deixar de reconhecer os efeitos de seus atos, sem que a autoridade competente, qual seja, a SUFRAMA, o tenha cancelado, e desconsiderar o crédito do adquirente, terceiro de boafé, contrariando frontal e literalmente o ato da SUFRAMA e o respectivo processo legal; (lv) ainda que e decisão discordasse da concessão da isenção prevista no art. 6º do DL nº 1.435/75, não poderia desconsiderar o crédito do imposto do adquirente (no caso a Recorrente), conforme já decidido pelo Plenário do STF, no julgamento das ADIs nº's 2.663 e 3.796, em relação à guerra fiscal ou seja, não se pode desconsiderar o crédito dos adquirentes sem antes cancelar o benefício do fornecedor; (lvi) é inquestionável que todos os concentrados produzidos pela Recofarma e adquiridos pela Recorrente foram expressamente e especificamente contemplados com o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 e geram direito ao crédito de IPI; (lvii) o concentrado adquirido pela Recorrente da Recofarma também é isento, com fulcro no art. 81, II, di RIPI/10, que tem base legal no art. 9º do DL nº 288/67, porque oriundo da Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de bebidas sujeitas ao IPI; isenção também concedida pela Resolução do CAS nº 298/2007; (lviii) no julgamento do RE nº 212.484RS, o Plenário do STF assegurou à outra fabricante de bebidas o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição do concentrado isento oriundo de fornecedor situado na ZOna Franca de Manaus e utilizado na fabricação de bebidas cuja saída é sujeita ao IPI; (lix) no referido precedente, o STF julgou questão idêntica à discutida nos presentes autos, qual seja,: direito ao crédito de IPI na aquisição de concentrado isento oriundo de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na industrialização de bebidas; (lx) que tal entendimento foi mantido pelo STF mesmo após os julgamentos dos RE's nº's 353.657 e 370.682, em que se discutiu a questão do direito a créditos relativos à aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero ou nãotributados; Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.711 13 (lxi) no RE nº 592.891SP, o STF reconhecera a existência de repercussão geral da questão concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus; (lxii) a decisão recorrida concluiu que a Recorrente teria utilizado indevidamente saldo credor apurado no período anterior à época dos fatos geradores do presente Auto de Infração, visto que tal crédito teria sido glosado em outro auto de infração, objeto do processo administrativo nº 15586.720290/201611, desconsiderando que a recorrente apresentou Impugnação e posterior Recurso, está suspensa a exigibilidade do crédito tributário a teor do que preconiza o art. 151, inc. III do CTN; (lxiii) tendo em vista que a discussão administrativa referente ao processo administrativo nº 15586.720290/201611 não está encerrada, a escrita fiscal da Recorrente não deve ser reconstituída até que seja confirmada, ou não, a glosa do crédito; (lxiv) a multa, os juros de mota e a correção monetária não são devidos, em razão do contido no art. 100, parágrafo único do CTN, que estabelece que a observância de atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas tem o condão de excluir a cobrança de multa, juros de mora e correção monetária; (lxv) no caso, a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007, é ato administrativo que tem efeito normativo em relação aos adquirentes do concentrado, porque esses adquirentes não foram nem são partes no processo que ensejou a referida resolução, mas estão obrigados a observála, como ato administrativo que é; (lxvi) ao utilizar o crédito de IPI à alíquota de 27% decorrente da aquisição de concentrados isentos para bebidas oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com matériaprima adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental, a Recorrente agiu de acordo com a Resolução do CAS nº 298/2007, integrada pelo Parecer Técnico nº 224/2007; (lxvii) incabível a multa do presente caso, em razão do disposto no art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64; (lxviii) a CSRF tem aplicado referido dispositivo para determinar a exclusão de multa quando há decisão de última instância administrativa favorável ao contribuinte sobre a matéria em discussão, conforme Acórdão nº 9303003.517, que concluiu pela exclusão da multa de ofício imposta por auto de infração lavrado para exigir débitos de IPI decorrentes da glosa de créditos desse imposto, em razão da aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 486, II, "a", do RIPI/02 e no art. 567, II, "a", do RIPI/10 (lxix) O Parecer Normativo nº 23/2013 foi aprovado pelo próprio Presidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, e neste restou esclarecido que ele não afsta a aplicação do art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, visto que esse Parecer Normativo expressamente ressalva a existência do art. 76, II, "a", da Lei 4.502/64; (lxx) o Parecer Normativo nº 23/2013 expressamente determina que o art. 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 permanece em vigor e que ele apenas não prevaleceria quando fosse editado ato normativo posterior que versasse de forma distinta a mesma matéria tratada em processo de consulta; (lxxi) existem decisões irrecorríveis de última instância administrativa proferidas em processos fiscais no sentido de que não cabe ao adquirente do produto verificar a Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.712 14 sua correta classificação fiscal e o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus tem direito ao crédito de IPI, o que atrai os arts. 486, II, "a" do RIPI/02 e art. 567, II, "a", do RIPI/10, para fins de exclusão da multa exigida; (lxxii) que possui direito aos créditos oriundos da aquisição de produtos de limpeza no processo de industrialização das bebidas, pois os produtos são utilizados para assepsia, sanitização e limpeza em geral integram o processo produtivo de bebidas, eis que inerentes à sua produção, inclusive por exigências sanitárias; (lxxiii) o art. 226, I, do RIPI/10 dispõe sobre o direito sobre o direito ao crédito relativo à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; (lxxiv) o Parecer Normativo CST nº 65/79, citado pela decisão, concluiu que o conceito de produto intermediário é amplo, alcançando também os bens que, embora não sejam "consumidos" no processo de fabricação, exercem uma função direta sobre o produto fabricado; (lxxv) o CARF concluiu que os produtos empregados no processo de fabricação de bebidas para higienização da produção qualificamse como produtos intermediários, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79, conforme Acórdão nº 340200.517; e (lxxvi) é indevida e exigência de juros sobre a multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário em que contesta todas as alegações da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator A Recorrente em 20/09/2018, através de regular petição anexa aos autos laudo técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT (fls. 1659/1698). Segundo a Recorrente aludido laudo consiste em fato novo, pois há o reconhecimento que o produto fabricado pela empresa Recofarma é o concentrado para bebidas não alcoólicas, e que este concentrado, oriundo do PPB da Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT nº 08/98,tem a natureza de uma única mercadoria. Postula a Recorrente a adoção do art. 30, caput, do Decreto nº 70.235/72, observado o seu art. 26A e o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Tece, ainda, alegações de mérito e, ao final, pugna pela intimação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN para manifestação e o provimento do Recurso Voluntário. Como visto, a questão trazida aos autos pela Recorrente tem influência direta no resultado do litígio, merecendo as razões contidas na petição e laudos referidos serem apreciados. Assim, observados os princípios do devido processo legal; busca da verdade material; ampla defesa e exercício do contraditório, para melhor análise do feito, bem como, Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 15586.720446/201663 Resolução nº 3201001.467 S3C2T1 Fl. 1.713 15 para se evitar futura alegação de cerceamento do direito de defesa e até mesmo nulidade processual, proponho a conversão do presente feito em diligência, nos seguintes termos: (i) conceda vista à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN pelo prazo de 30 (trinta) dias para que possa se manifestar quanto ao conteúdo da petição e laudo apresentados pela Recorrente; (ii) na sequência, retornem os autos a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1713DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.722120/2014-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 20 /2 01 4- 87 Fl. 35919DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35920DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.600, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35921DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35922DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35923DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35924DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35925DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35926DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35927DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35928DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35929DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35930DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35931DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35932DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35933DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35934DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35935DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35936DF CARF MF Processo nº 12466.722120/201487 Acórdão n.º 3301005.102 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35937DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903335/2015-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.736
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PIS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 35 /2 01 5- 54 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903335/201554 Acórdão n.º 3402005.736 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903335/201554 Acórdão n.º 3402005.736 S3C4T2 Fl. 0 3 No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.126 considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada face a ausência de comprovação de direito creditório líquido e certo. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.721, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900604/201610, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.721): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Preliminares Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903335/201554 Acórdão n.º 3402005.736 S3C4T2 Fl. 0 4 A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.903335/201554 Acórdão n.º 3402005.736 S3C4T2 Fl. 0 5 Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Do Princípio da Verdade Material Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.903335/201554 Acórdão n.º 3402005.736 S3C4T2 Fl. 0 6 A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.903335/201554 Acórdão n.º 3402005.736 S3C4T2 Fl. 0 7 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.903335/201554 Acórdão n.º 3402005.736 S3C4T2 Fl. 0 8 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar se de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.903335/201554 Acórdão n.º 3402005.736 S3C4T2 Fl. 0 9 Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.903335/201554 Acórdão n.º 3402005.736 S3C4T2 Fl. 0 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.004990/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL.
Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado ou da retenção na fonte (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral).
Numero da decisão: 2402-006.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: João Victor Ribeiro Aldinucci
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MOLÉSTIA GRAVE. DECADÊNCIA Recorrente JAY JOSE COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. CONTAGEM DO PRAZO. DECISÃO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL. Para os pedidos formulados depois de 9 de junho de 2005, o prazo decadencial de cinco anos é contado da data do pagamento antecipado ou da retenção na fonte (STF, RE nº 566.621, com repercussão geral). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 49 90 /2 00 8- 62 Fl. 49DF CARF MF 2 Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, na qual o sujeito passivo pediu que fosse reconhecido o seu direito à isenção, em face da existência de moléstia grave. Segue abaixo a ementa da decisão: RESTITUIÇÃO – IRRF . PRESCRIÇÃO. O prazo para pleitear restituição do imposto de renda retido pela fonte pagadora é de cinco anos contados da retenção indevida. No caso de imposto de renda retido, a antecipação do pagamento do tributo, pela retenção na fonte, extingue o crédito sob condição resolutória de posterior homologação. A tributação sobre o rendimento do décimo terceiro salário ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário, não devendo ser levado para ajuste na declaração anual. A restituição deste valor, quando devida, se faz nos moldes da legislação própria. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 22/02/2012 (fl. 34 do PDF) e interpôs seu recurso voluntário em 23/03/2012, no qual basicamente reafirmando os mesmos termos de sua manifestação, alegou o seguinte: a) no caso de isenção, o prazo de decadência seria contado a partir da sua concessão. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da decadência Cuidase de pedido de restituição referente ao IRPF, anocalendário 2002, sob o argumento de que o sujeito passivo teria moléstia grave. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.004990/200862 Acórdão n.º 2402006.635 S2C4T2 Fl. 3 3 A solicitação foi indeferida pela unidade de origem (v. decisão de fl. 13), ao argumento de que teria transcorrido o prazo decadencial para o sujeito passivo pleitear a restituição. Vejase: ART. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. II na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Assim, na data do pleito (25.04.2008), o direito do contribuinte de pleitear a restituição do imposto retido na fonte no período de 05.09 a 31.12.2002, já se extinguira. A DRJ manteve o fundamento da aplicação do prazo estipulado no supra citado artigo, que entendeu ser de natureza prescricional, e não decadencial, e julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Pois bem. Abstraindose a natureza do prazo estabelecido no art. 168 do CTN (se decadencial ou prescricional), o fato é que tal artigo, em seu inc. I, preleciona que o direito de pleitear a restituição de tributo indevidamente pago é de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário. No que se refere aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o art. 3° da LC nº 118/2005 conferiu efeito interpretativo àquele dispositivo, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre com o pagamento antecipado. O art. 4° da mesma LC prescreveu a aplicação retroativa do citado preceito. Tal matéria veio a ser objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em julgamento com repercussão geral. Reconheceuse a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118, pois, embora com alegado caráter interpretativo, ele inovou no mundo jurídico, devendo ser tido como lei nova. Consagrouse a tese de que o prazo de 5 anos, contado da data do pagamento, teria aplicação somente nas ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da lei, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Para as ações ajuizadas anteriormente, mantevese o entendimento consolidado no STJ, que vinha reiteradamente reconhecendo a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Vejase: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos Fl. 51DF CARF MF 4 sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF RE nº 566621/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04082011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011). Como sabido, este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF com repercussão geral, conforme determina o art. 62A do seu Regimento Interno: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste caso, o contribuinte apresentou o seu pedido em 25/04/2008, ou seja, em data posterior a 9 de junho de 2005, aplicandose, portanto, o prazo de cinco anos a partir do pagamento. A DRJ, portanto, corretamente concluiu o seguinte: Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.004990/200862 Acórdão n.º 2402006.635 S2C4T2 Fl. 4 5 Por ter apresentado pedido de restituição em 25/04/2008, consoante requerimento de fls. 02/03 dos autos, o imposto retido nas competências 01/2002 a 09/2002 já não era passível de ser restituído ao autuado, haja vista o pedido de restituição ter se dado após o decurso do prazo de cinco anos previsto no CTN. Em sendo assim, quando o pedido foi apresentado, estava realmente alcançado pelo prazo extintivo o imposto cuja restituição foi solicitada neste PAF, devendo ser negado provimento ao recurso. Diante do que foi exposto, a propósito, verificase que a tese da recorrente, segundo a qual, no caso de isenção, o prazo de decadência seria contado a partir da sua concessão, não tem guarida no ordenamento jurídico brasileiro, mormente no art. 168 do CTN. É importante observar que, de acordo com os art. 66 da Lei 9784/99, e o art. 132, § 3º, do Código Civil, os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data, expirandose no dia de igual número ao de início. Vejase: Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. § 1o Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes da hora normal. § 2o Os prazos expressos em dias contamse de modo contínuo. § 3o Os prazos fixados em meses ou anos contamse de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, temse como termo o último dia do mês. Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computamse os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. § 1o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerarseá prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. § 2o Meado considerase, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. § 3o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. § 4o Os prazos fixados por hora contarseão de minuto a minuto. Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 53DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907898/2011-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO.
A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3201-004.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 78 98 /2 01 1- 62 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10930.907898/201162 Acórdão n.º 3201004.380 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão da DRJ/Curitiba que manteve o despacho decisório emitido pela DRF/Londrina, que, por sua vez, não reconheceu os créditos pleiteados. Segundo o despacho decisório, a restituição foi indeferida porque o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito declarado em DCTF transmitida pela interessada. Na manifestação apresentada, a interessada alega que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. O Acórdão 06055.587, DRJ em Curitiba, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não tem relação e portanto não autoriza a restituição de PIS ou de Cofins, calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, respectivamente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário a contribuinte reforçou as argumentações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10930.907898/201162 Acórdão n.º 3201004.380 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.371, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10930.907128/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.371): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, apesar do prazo de cinco anos do pedido administrativo (30/06/05) até a data do Despacho Decisório de fls 5 (02/12/2011) ter vencido. Será considerada tacitamente homologada, somente a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. Entre muitos precedentes neste Conselho, a homologação tácita ganhou destaque no julgamento do Acórdão 9303003.456, na Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em fevereiro de 2016, na relatoria do professor Valcir Gassen. Contudo, a grande maioria dos precedentes deste Conselho não aplicou a homologação tácita em pedidos de restituição, desacompanhados da declaração de compensação, por ausência de previsão legal. Este é o caso dos autos. Portanto, não merece provimento a alegação preliminar. Com relação ao mérito, como bem exposto na decisão de primeira instância, a mencionada inconstitucionalidade do denominado "alargamento da base de cálculo do Pis e Cofins" não se aplica ao regime não cumulativo, isto porque a Lei n.º 9718/98, que foi objeto do mencionado julgamento no STF, trata somente do Pis e Cofins no regime cumulativo. Assim, a decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10930.907898/201162 Acórdão n.º 3201004.380 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720119/2017-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2012
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. ACORDO PRÉVIO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional.
PLR. AJUSTE PRÉVIO. PARTICIPAÇÃO SINDICAL.
Os programas de participação nos lucros ou resultados demandam ajuste prévio ao correspondente período de aferição, quando vinculados ao desempenho do empregado ou do setor da pessoa jurídica face a critérios e metas pré estabelecidas.
A simples referência em convenção ou acordo coletivo a outros planos, ainda que pretensamente incorporados ao instrumento daqueles resultante, não atesta a existência de negociação coletiva na elaboração desses planos, tampouco supre a exigência legal de efetiva participação da entidade sindical, ou de representante por ela indicado em comissão, na elaboração e fixação de suas regras, e respectivos critérios de avaliação, destinadas aos empregados.
PLR. VALOR MÍNIMO FIXO E CERTO.
A previsão de que seja pago valor mínimo, fixo e certo retira do acordo a finalidade de que haja o incentivo à produtividade, que se afigura como um dos objetivos mediatos da lei.
PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES.
A participação no lucro prevista na Lei nº 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA.
As parcelas pagas no início do contrato de trabalho, em razão de sua natureza remuneratória, integram o salário-de-contribuição.
Numero da decisão: 2402-006.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. ACORDO PRÉVIO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. PLR. AJUSTE PRÉVIO. PARTICIPAÇÃO SINDICAL. Os programas de participação nos lucros ou resultados demandam ajuste prévio ao correspondente período de aferição, quando vinculados ao desempenho do empregado ou do setor da pessoa jurídica face a critérios e metas pré estabelecidas. A simples referência em convenção ou acordo coletivo a outros planos, ainda que pretensamente incorporados ao instrumento daqueles resultante, não atesta a existência de negociação coletiva na elaboração desses planos, tampouco supre a exigência legal de efetiva participação da entidade sindical, ou de representante por ela indicado em comissão, na elaboração e fixação de suas regras, e respectivos critérios de avaliação, destinadas aos empregados. PLR. VALOR MÍNIMO FIXO E CERTO. A previsão de que seja pago valor mínimo, fixo e certo retira do acordo a finalidade de que haja o incentivo à produtividade, que se afigura como um dos objetivos mediatos da lei. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES. A participação no lucro prevista na Lei nº 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA. As parcelas pagas no início do contrato de trabalho, em razão de sua natureza remuneratória, integram o salário-de-contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720119/201714 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.707 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2012 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. ACORDO PRÉVIO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. PLR. AJUSTE PRÉVIO. PARTICIPAÇÃO SINDICAL. Os programas de participação nos lucros ou resultados demandam ajuste prévio ao correspondente período de aferição, quando vinculados ao desempenho do empregado ou do setor da pessoa jurídica face a critérios e metas pré estabelecidas. A simples referência em convenção ou acordo coletivo a outros planos, ainda que pretensamente incorporados ao instrumento daqueles resultante, não atesta a existência de negociação coletiva na elaboração desses planos, tampouco supre a exigência legal de efetiva participação da entidade sindical, ou de representante por ela indicado em comissão, na elaboração e fixação de suas regras, e respectivos critérios de avaliação, destinadas aos empregados. PLR. VALOR MÍNIMO FIXO E CERTO. A previsão de que seja pago valor mínimo, fixo e certo retira do acordo a finalidade de que haja o incentivo à produtividade, que se afigura como um dos objetivos mediatos da lei. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES. A participação no lucro prevista na Lei nº 6.404/1976 paga a administradores contribuintes individuais integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 19 /2 01 7- 14 Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 3 2 BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA. As parcelas pagas no início do contrato de trabalho, em razão de sua natureza remuneratória, integram o saláriodecontribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 15.02.2017, para constituição de Contribuição Previdenciária, relacionada às seguintes infrações: Participação nos Lucros Paga a Administradores no período de 01/02/2012 a 29/02/2012 valor da contribuição em R$ 6.898.261,07; Hiring Bonus no período de 01.02.2012 a 31.12/2012 valor da contribuição em R$ 1.246.054,07; GILRATR sobre Hiring Bonus no período de 01.02.2012 a 31.12/2012 valor da contribuição em R$ 267.519,50; Participação nos Lucros ou Resultados paga a Empregados no período de 01/02/2012 a 30/11/2012 valor da contribuição em R$ 225.582.472,28; e GILRAT sobre a Participação nos Lucros ou Resultados paga a Empregados no período de 01/02/2012 a 30/11/2012 valor da contribuição em R$ 48.431.052,89; Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 4 3 Além do lançamento acima, houve um outro, na mesma data, para cobrança reflexa da contribuição para o FNDE, relacionado às infrações supracitadas. SalárioEducação FNDE Contribuições devidas sobre Hiring Bonus no período de 01.02.2012 a 31.12/2012 valor da contribuição em R$ 138.450,45; e SalárioEducação FNDE Contribuições devidas sobre Participação nos Lucros ou Resultados no período de 01.02.2012 a 30.11/2012 valor da contribuição em R$ 25.064.719,11. Os fatos levantados pela Fiscalização, que conduziram à conclusão da inobservância da lei, podem ser assim resumidos, extraídos do Relatório Fiscal de fls. 122/164: Após terem sido identificados na contabilidade e na folha de pagamento vários pagamentos a título de PLR, o recorrente informou ao Fisco, individualizadamente por beneficiário e rubrica, os montantes relacionados aos instrumentos de negociação que os ampararam. Assim sendo, foram lastreados, segundo o informado pelo recorrente, nos seguintes instrumentos: * Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2011, datado de 21/10/2011, referente ao ano base de 2011; * Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2012, datado de 02/10/2012, referente ao anobase de 2012; * Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS) – Ano Base 2011, datado de 28/02/2011, com vigência retroativa no período de 01/01/2011 a 31/12/2011; * Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander (PPRS) – Biênio 2012/2013, datado de 28/06/2012, com vigência retroativa no período de 01/01/2012 a 31/12/2013; * Programa Próprio Gestão 2011 – sem data; e * Programas Próprios Específico diversos. Em função do informado, passouse à análise de cada um dos instrumentos apontados, culminando na identificação das ocorrências a seguir: A utilização de dois instrumentos distintos (CCT e ACT/Programa Específico) para lastrear pagamentos ao mesmo grupo de empregados e no mesmo período, sem que houvesse compensação entre eles. As duas CCT que alicerçaram os pagamentos do período teriam sido assinadas no curso do seu período de vigência. É dizer: a CCT relativa ao período de 2011, teria sido assinada em 21/10/2011; já a de 2012, em 02.10.2012. O mesmo teria ocorrido com relação aos ACT PPRS. O de 2011, em 28.02.2011; o de 2012, em 28.06.2012. Quanto à clareza das regras, aborda, de forma exemplificativa, eis que guardariam semelhança com os demais, os ACTPPRS celebrado em 28.02.2011, relativo ao ano base 2011 e aquele firmado em 28.06.2012, ao ano 2012. Assenta que o único critério para a elegibilidade dos beneficiários seria aquele relativo ao período de aquisição, efetivo exercício e desligamento dos mesmos, não constando, a seu turno, qualquer determinação para os empregados, apenas ser necessário trabalhar na empresa e manter vínculo Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 5 4 no último dia do respectivo ano, ainda que tenham se afastado durante todo o ano por doença ou acidente de trabalho, o que demonstra tratarse na verdade de pagamento de prêmio por tempo de serviço e não de PLR. Os valores seriam apurados levando em conta a relação entre o ROE 1 do autuado e o dos seus principais concorrentes. 2 Assim, quanto maior essa relação, é dizer, quanto maior o retorno financeiro do autuado quando comparado como os demais, maior o valor devido ao empregado. Eis a faixa dos valores: Ainda que não houvesse lucro, fazendo com que o ROE obtido fosse igual a zero e o comparativo com o dos outros concorrentes menor que 50%, estaria garantido um valor mínimo aos beneficiários. O Programas Próprio de Gestão de 2011 não apresenta data. Não há qualquer assinatura ou qualificação no instrumento, tampouco, frisese, a data de sua celebração. Não haveria, ainda, a definição de metas a serem cumpridas pelos empregados. ao contrário, faz referência a estipulação de metas a posteriori, acordadas entre o gestor e o funcionário, e que poderiam ser revistas a qualquer tempo, segundo o momento econômico e planos de negócios da empresa. Ademais, independentemente do desempenho da empresa, é assegurado ao empregado o valor estabelecido na convenção coletiva de trabalho. Que o empregado jamais deixaria de receber o valor referente à PLR, na medida em que haveria um valor mínimo. Quanto aos Programas Próprios Específicos, relata não constar qualquer assinatura, qualificação dos acordantes, nem mesmo a data de sua celebração. Não comprovaria, a seu turno, que a participação dos empregados em sua elaboração; quando ocorreu a sua ciência por parte dos empregados; a participação de um representante sindical nas negociações, nem que o instrumento de negociação foi devidamente registrado e arquivado na competente entidade sindical. Que naqueles instrumentos, havia cláusula possibilitando a revisão semestral das metas, indicadores e critérios, a partir da necessidade de alinhamento com base no planejamento da Diretoria Executiva. Havia, ainda, cláusula prevendo que situações não previstas naqueles instrumentos seriam analisadas e definidas por meio de uma comitê, cuja decisão seria soberana e irrevogável. Que referidos programas apresentam parâmetros muito semelhantes aos sistemas utilizados para o pagamento de “prêmios de incentivo” e não para um benefício de PLR. Inclusive “prêmio” seria a denominação utilizada, como pode ser visto nos textos dos instrumentos de negociação em apreço. 1 ROE = a relação ente lucro líquido do exercício e seu patrimônio líquido. 2 Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil. Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 6 5 Que a folha salarial do autuado revelou diversos casos em que os pagamentos excederam em dezenas de vezes o valor do salário mensal do próprio empregado. Haveria situações em que a PLR excedeu em mais de quarenta vezes seu salário, sendo que tal possibilidade não teria sido identificada no texto daqueles acordos. Que haveria diferentes "castas" de empregados, no que tange ao recebimento das PLR, que variaram de 1% a 8.263,48 % em relação ao respectivo salário. No que toca à PLR paga a administradores (diretores não empregados => contribuintes individuais), concluiu ser desnecessária qualquer análise acerca dos eventuais instrumentos que teriam lastreado tais pagamentos, eis que inexistiria previsão legal para que fossem excluídos do conceito de salário de contribuição, na medida em que a benesse tributária disciplinada pela lei 10.101/2000 alcançaria apenas as PLR pagas aos segurados empregados tratados no artigo 7º da CRFB/88. Por fim, no que se refere ao Bônus de Contratação, assenta a Fiscalização que referida verba teria natureza de um prêmio de incentivo, recebido no ato da contratação ou em decorrência desta, negociada entre a empresa e o empregado, fazendo parte do pacote de remunerações para incentivar o empregado a ingressar nos quadros da empresa, denominada no mercado como "luvas", "hiring bonus" ou bônus de contratação. Regulamente intimado, apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela competente DRJ, com a seguinte ementa (fls. 1120/1129): PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EMPREGADOS. As parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desacordo com a lei 10.101/2000 integram o saláriode contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADORES. A participação no lucro prevista na Lei nº 6.404/1976 paga a administradores integra a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA. As parcelas pagas no início do contrato de trabalho, em razão de sua natureza remuneratória, integram o saláriodecontribuição. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. VINCULAÇÃO. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. Em seu Recurso Voluntário às fls. 1139/1259 aduz em síntese: Após tecer comentários acerca de como a fiscalização e a DRJ trataram as espécies de instrumentos que ampararam o pagamento das PLR, prossegue ao afirmar que os pagamentos teriam sido lastreados, em verdade, e em apenas dois instrumentos, quais sejam: Convenções Coletivas de Trabalho CCT e Acordos Coletivos de Trabalho ACT, sendo que os denominados "Programas Próprios" seriam anexos destes últimos. Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 7 6 Que a DRJ teria anuído com a idéia de que os "programas próprios" seriam parte integrante dos ACT, quanto assentou, ao analisálos, que "nenhum dos acordos coletivos possui a certidão de registro relativa ao arquivamento destes documentos junto às entidades sindicais" e quando, de fato, os analisou de forma conjunta, como um único instrumento de negociação de PLR. Existência de regras claras e objetivas nas Convenções CCT. Que o Relatório Fiscal não teceu uma linha sequer, acerca do motivo que fez entender pela inexistência de regras claras e objetivas no que toca às CCT. Que a autoridade julgadora de piso não teria enfrentado a questão relativa à falta de motivação do lançamento no que toca ao aspecto acima, notadamente, a não fundamentação da assertiva de que as CCT não continham regras claras e objetivas. Assim sendo, pugnou fosse reconhecida a nulidade daquele decisum, pois entendeu caracterizado o cerceamento de sua defesa. Que as regras lá fixadas são claras e objetivas: a depender de quanto de lucro líquido for alcançado, a participação nos lucros será de 90% do salário base + R$ 1.400,00 (até o limite de R$ 7.827,29) ou de 2,2 salários (até o limite de R$ 17.220,04). Além dessa participação, as Convenções previram uma parcela adicional de distribuição de 2% do lucro líquido de forma linear entre todos os empregados até o limite individual de R$ 2.800,00. Acusações aos ACT. Após especificar os pontos da acusação fiscal, como sendo os abaixo enumerados, passou a abordálos em separado. 1 suposta ausência de regras claras e objetivas: 2 elegibilidade seria unicamente estar trabalhando; 3 comparativo ao ROE de outros bancos. 4 fixação de valor fixo mínimo; Existência de metas e regras claras e objetivas nos Acordos. Que as considerações acerca da existência de valor mínimo para pagamento independentemente do índice comparativo ROE e a utilização de variável baseada em comparativo com o resultado médio do mercado não é da competência do Fisco, eis que escolhidos pelo empregador e o sindicato da categoria dos empregados, em comum acordo com a Confederação e Federação. Assim sendo, uma vez reconhecida a existência de regras claras e objetivas, os critérios eleitos pelos acordantes não devem ser apreciados pelo Fisco. Elegibilidade seria unicamente estar trabalhando. Que os ACT previam o pagamento de duas parcelas. Uma linear, aplicável a todos os empregados e outra variável, estabelecida conforme as previsões dos anexos. Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 8 7 A linear, calcada em meta financeira, relacionada ao ROE do recorrente, quando comparado com o médio dos demais bancos. Com isso, essa meta global estaria alcançando a todos os empregados, quando a produtividade trouxesse efetivo resultado financeiro ao recorrente. Por sua vez, a parcela variável seria paga observandose a fixação de critérios adequados à realidade de cada grupo de empregados Assim, além das regras de elegibilidade, foram somados outros critérios e indicadores atreladas ao desempenho de cada segmento/linha de negócio, os quais são objetivos e claros Comparativo ao ROE de outros bancos. Que as partes negociantes não estabeleceram como meta dos empregados do recorrente algum índice ROE de outras empresas, mas apenas o crescimento do seu ROE em comparação ao ROE médio de mercado. Que o crescimento do ROE do recorrente divulgado publicamente em função de obrigações legais está diretamente relacionado ao esforço desempenhado pelos empregados durante o período aquisitivo. Ou seja, quanto maior for a produtividade, maior será o ROE e, por conseqüência, os montantes pagos a título de PLR. Nesse sentido, não haveria que se falar em ausência de "mecanismo de aferição". Fixação de valor fixo mínimo. Que a legislação não impõe qualquer restrição à partilha do lucro entre empresas e empregados no caso de resultados pouco expressivos. Não se verifica da Lei nº 10.101/00 nenhuma vedação às partes negociantes de fixarem uma participação nos lucros ainda que os resultados financeiros sejam modestos. Que não haveria demonstração de que as condições, tais como pactuadas, concorreram para um maior ou menor estímulo à produtividade. Além do quê, esse exame de mérito da pertinência dos critérios e condições não cabe à Autoridade fiscal. Acusações ao Programa Próprio de Gestão e Programas Próprios Específicos Que as acusações quanto à assinatura, composição de comissão de empregados, arquivamento no Sindicato, participação de representação sindical, somente fariam sentido se os anexos/programas fossem de fato "acordos próprios" firmados em âmbito de "comissão de empregados". Como são meros anexos dos ACT, a aqueles aproveita o preenchimento dos requisitos destes últimos. Que a exigência de arquivamento do instrumento negocial na entidade sindical dos trabalhadores referese unicamente aos programas próprios negociados por meio de comissão paritária, que não foi o caso dos ACT. Que os tidos programas próprios são, em verdade, anexo dos ACT, que assim sendo, dispensariam seu arquivamento. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 9 8 Existência de regras claras e objetivas quanto à fixação e à apuração das metas. Que a DRJ reconheceu expressamente que os instrumentos que ensejaram a autuação em referência possuem, de fato, "regras e mecanismos de aferição de atingimento de resultados e metas tanto individuais como coletiva. Que no PPG há, sim, a definição das metas e dos critérios a serem alcançado, como a eleição dos níveis de metas a serem alcançadas, denominadas "premissas básicas". Que as metas possuem três níveis de apuração: metas coletivas do banco; da área em que esteve alocado o empregado; e as suas individuais. Os critérios estariam assim fixados: Que as comunicações com relação ao fluxo operacional de fixação das metas e aferição de seu cumprimento são realizadas mediante uso dos sistemas internos do banco. Possibilidade de revisão das metas Que a revisão das metas, quando aplicada, seria sempre efetuada pelas partes e não unilateralmente Que referida possibilidade foi objeto da negociação, eis que os planos próprios seriam anexos dos ACT. Que a autoridade Fiscal não apresentou sequer um exemplo concreto em que o empregado não conseguiria mensurar e aferir o montante que seria distribuído a título de PLR. Que a Fiscalização presumiu inexistência de regras claras e objetivas e a inexistência de metas (foi devidamente demonstrado no tópico anterior, por exemplo, que os Acordos contestados pela Autoridade Fiscal possui as metas claramente definidas, o que foi reconhecido pela Autoridade Julgadora. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 10 9 Que, em verdade, o Fisco se posiciona como uma espécie de validador das condições pactuadas na PLR, sendo que os requisito de clareza e objetividade estabelecidos na legislação não se voltam exclusivamente, para seus reais interessados: a empresa e seus empregados. A despeito da Autoridade Julgadora afirmar que "durante todo o procedimento fiscal, a autoridade competente emitiu 17 Termos de Intimação Fiscal endereçados à fiscalizada buscando justamente obter todos os documentos e esclarecimentos possíveis´ (Fl. 07 da decisão recorrida), fato é que, ainda assim, a Sra. Agente Fiscal partiu de presunções para lavrar a autuação fiscal em análise. Que há o entendimento neste colegiado de que as empresas são livres para estabelecer os critérios dos programas de PLR, desde que não haja prejuízo aos empregados, sendo certo que a Autoridade Fiscal não mencionou em momento algum em que medida os empregados teriam sido prejudicados com os instrumentos de PLR que foram questionados. Que ha apenas alegações genéricas no sentido de que a data da assinatura dos acordos prejudicaria o conhecimento das condições e das metas. Ademais, o acórdão de piso reconheceu que os instrumentos possuíam regras, metas (individuais e coletivas) e mecanismo de aferição do atingimento de resultados. Acusações comuns às Convenções e aos Acordos Data de Assinatura e Negociação Prévia Vigência Retroativa. Que a despeito da assinatura das Convenções e dos Acordos terem ocorrido nas datas acima indicadas no trecho extraído do Relatório Fiscal, isso é incapaz de invalidar instrumentos que legitimamente expressam o conteúdo das negociações, sendo a assinatura efetiva apenas um ato formal, que reflete a discussão incontestavelmente tempestiva dos planos de participação nos lucros e resultados do Recorrente. Que a recorrente apresentou diversas notícias publicadas as quais demonstram que as negociações com os sindicatos realmente ocorrem, bem como alguns documentos contendo as reivindicações dos sindicatos a serem debatidas antes da formalização das convenções coletivas. Ou seja, a assinatura é apenas a formalização de um longo caminho de negociações que é iniciado bem antes daquela data. Que mesmo antes da assinatura do ACT , o Recorrente já havia dado conhecimento aos seus empregados (internamente) de quais eram os critérios, as metas e as condições para o pagamento de PLR, não existindo, portanto, margem para a alegação de ausência de prévias negociações, sem o que a comissão de empregados não tem condições de aquilatar os benefícios e restrições carreados pelo Programa que foram chamados a avaliar. Juntese a isso, o fato de os critérios e as condições dos instrumentos serem exatamente semelhantes àqueles encerrados em anos anteriores, significando dizer que os empregados já tinham conhecimento dos critérios, metas e métodos a serem utilizados na distribuição da PLR. Os Acordos de PLR, com seus anexos, são tradicionais no Recorrente, de modo que todos têm pleno conhecimento do seu funcionamento, bem como são informados, antes do início da vigência de cada exercício, por seus respectivos gestores, quais são as metas para aquele período. Além disso, é situação tradicional no diálogo com os sindicatos que não se iniciam conversas sobre PLR antes de haver a previsão mais realista de um índice de reajuste da categoria (o que Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 11 10 somente ocorre no segundo semestre do ano, já que a previsão de inflação nesse para o ano nesse período é dotada de maior previsibilidade). Que a Lei nº 10.101/2000 exige que a distribuição de PLR decorra de um procedimento de negociação, mas sem indicar quando esta negociação pode ou deve ocorrer, sendo assim, a sistemática indicaria que a negociação deve anteceder ao pagamento, o que foi observado pelo Recorrente. Que pelo fato de a DRJ não ter aplicado precedente deste Colegiado, ao mero argumento de que "apenas vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação", teria havido falta de fundamentação da decisão, na medida em que não fora demonstrada a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. 3. Suposto caráter substitutivo da remuneração atribuído aos pagamentos realizados a título de PLR Em verdade, tal situação revela que os expressivos resultados atingidos pelas instituições financeiras são efetivamente partilhados com os seus trabalhadores, que perceberão a parcela do lucro de acordo com a sua efetiva contribuição para o atingimento desses expressivos resultados. Ademais, é preciso esclarecer que não há nos autos qualquer prova feita pelo Fisco de que os pagamentos de PLR realizados pelo Recorrente tivessem objetivo de substituir ou complementar a remuneração devida aos seus empregados. que não comparou o salário dos empregados com os praticados na mercado, para sustentar que a PLR seria complementação da remuneração. Que a Lei não impõe limite quanto ao valor a ser distribuído, que pode variar de acordo com os esforços e responsabilidades pessoais de cada trabalhador. Que o autuante utilizouse de presunção para, a partir desse comparativo, concluir que teria havido complementação do salário. A PLR é instrumento de distribuição de lucros ou resultados, de acordo com o alcance de metas negociadas entre empresa e os empregados, sejam elas de caráter coletivo ou individual, em conformidade com a Lei nº 10.101/00. Participação nos Lucros ou Resultados de Administradores. Que a PLR é paga aos administradores com base no artigo 152, § 10, da Lei nº 6.404/76, que sempre desvinculou do conceito de remuneração dos administradores as eventuais participações nos lucros ou resultados por eles recebidas, demonstrando a existência de caráter não retributivo. Que a lei 6.404/76 seria a lei específica a que alude o artigo 28, § 9º, "j" da Lei 8.212/91 que inclusive, antecede a 10.101/2000. Que a CRFB/88, em seu artigo 7º, que trata dos direitos dos trabalhadores, não restritos aos empregados contratados nos moldes da CLT, garante em seu inciso XI a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. Se assim não o fosse, haveria ofensa ao princípio de isonomia. Colaciona julgado do CARF nesse sentido. 3 Artigo 489, § 1º, VI do NCCPC Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 12 11 Bônus de Contratação: Inexistência de caráter remuneratório e contraprestação por serviços prestados. Não integração ao salário de contribuição. Que no momento do pagamento, quando da contratação do empregado, as características e requisitos necessários para configuração da natureza remuneratória dessa verba, quais sejam, (i) inexistência de contraprestação por parte do empregado contratado; (ii) ausência de habitualidade, pelo fato do montante em questão ser um valor único; e (iii) inexistência de previsão legal positivada que reconheça tal verba como remuneração. Que para o empregado, além de ser um valor atrativo, tem natureza indenizatória, na medida que visa restabelecer e indenizálo pela rescisão involuntária de seu contrato de trabalho anterior. Ausência de subsunção do bônus de contratação à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Que não há a prestação de serviços anteriormente ao recebimento do bônus, sendo verdadeira verba indenizatória paga pelo Recorrente ao profissional, de forma a restituílo de eventuais ganhos futuros que deixa de auferir ao se desligar da empresa anterior, ou mesmo das verbas que deixa de receber em razão de seu desligamento ser voluntário da empresa anterior. Que tais pagamentos também não gozam de habitualidade. O pagamento desta verba, como dito, é fato excepcional, livre de qualquer característica de habitualidade ou contrapartida com seu serviço prévio, já que, claramente é uma verba que não é decorrente do trabalho daquele empregado contratado, mas sim como uma indenização, um atrativo que não tem caráter remuneratório por serviços já prestados. Que a permanência mínima do empregado, sob pena da devolução do valor recebido, reforça a absoluta desvinculação do bônus de contratação com o conceito de suposta remuneração, na medida em que inexiste remuneração condicionada à devolução de valores, sendo certo que remuneração é a retribuição de um serviço habitualmente prestado pelo empregado, sendo incabível qualquer condicionante de devolução ou estorno de um ato jurídico perfeito e acabado. Ausência de comprovação da materialidade da obrigação tributária. Que em momento algum a Fiscalização evidenciou que os pagamentos realizados pelo recorrente objetivariam suprimir ou complementar a remuneração dos seus empregados, apenas presumiu que estes estariam sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias, sem, com isso, demonstrar que tais pagamentos visaram a retribuição de serviço prestado ou posto à disposição pelo beneficiário. Em suas ContraRazões, a Fazenda Nacional reitera e reforça os argumentos da autuação. (fls. 1316/1349). É o relatório. Voto Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 13 12 Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 18.07.2017 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 16.08.2017. Preenchidos os demais requisitos, dele passo a conhecer. Os temas aqui envolvidos não são novos neste colegiado, em que pese a estréia deste Conselheiro no relato da matéria. Nossa Lei Maior de 1946, já previa em seu artigo 157, inciso IV, a participação do trabalhador nos lucros da empresa. Art. 157. A legislação do trabalho e a da previdência social obedecerão nos seguintes preceitos, além de outros que visem à melhoria da condição dos trabalhadores: (...) IV participação obrigatória e direta do trabalhador nos lucros da empresa, nos têrmos e pela forma que a lei determinar; O mesmo ocorreu com a EC 1/1969, que deu nova redação à CF/1967. Art. 165. A Constituição assegura aos trabalhadores os seguintes direitos, além de outros que, nos têrmos da lei, visem à melhoria de sua condição social: (...) V integração na vida e no desenvolvimento da emprêsa, com participação nos lucros e, excepcionalmente, na gestão, segundo fôr estabelecido em lei; A atual Carta Política parece ter inovado ao trazer em seu texto a garantia de participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. Confirase: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Notese da redação, que a expressão "ou resultados" encontrase grafada entre vírgulas e não posta de forma direta, tal como "....participação nos lucros ou resultados, desvinculada ....", o que me faz inferir que referida expressão tenha sido empregada como algo, de certa forma, similar ao lucro, mas não como um mero "resultado" qualquer. Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 14 13 Por sua vez, a Exposição de Motivos da MP 794/944, que deu origem à Lei 10.101/2000, apresentou importante consideração sobre o valor a ser distribuído ao empregado. Confirase: Percebase que a intenção do legislador, é o que se deflui do texto encimado, foi a retribuição ao trabalhador pelo seu esforço que produziu a riqueza da sociedade. São repasses de ganhos de produtividade. Assim sendo, imagino ser justamente essa riqueza produzida que lastreará o pagamento ao trabalhador a esse título. A seu turno, o artigo 176 da Lei 6.404/76 estabelece as demonstrações financeiras que deverão exprimir a situação do patrimônio das empresas. São elas as que aqui se aplicariam: * Demonstração do Resultado do Exercício DRE; * Demonstração dos Fluxos de Caixa DFC; e * Se companhia aberta, Demonstração do Valor Adicionado DVA. Notese que em se tratando de resultados positivos, eis que é parcela desses resultados que será distribuída, temse para as demonstrações acima, como produto, o LUCRO e os RESULTADOS. Demonstração do Resultado do Exercício = Resultado Econômico => LUCRO; Demonstração dos Fluxos de Caixa = Resultado Financeiro; e Demonstração do Valor Adicionado = Resultado Econômico. Por sua vez, a possibilidade de exclusão desses valores do conceito de saláriodecontribuição, tem assento legal na alínea "j" do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91.Confirase: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 4 Diário do Congresso Nacional 19/1/1995, Página 295 http://legis.senado.leg.br/diarios/PublicacoesOficiais Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 15 14 E com vistas a dar efetividade à previsão legal, editouse o que hoje se tem na Lei 10.101/2000, que traz em seu artigo 1º, o objetivo que se espera do instrumento, que aqui ouso a chamar de "mediato". É dizer, temse por expectativa que haja a efetiva integração entre capital e o trabalho, bem como o incentivo à produtividade que, em última análise, tem como beneficiário indireto, o interesse público; na forma do pretenso crescimento econômico do país. E visando esse desejo do legislador é que deve ser interpretada a norma. Vejamos, novamente, o que diz a parte final daquela Exposição de Motivos: Assim posto, penso que a participação nos LUCROS e/ou nos RESULTADOS deve estar associada necessariamente à apuração econômica e/ou financeira da empresa como um todo. O objetivo, esse aqui "imediato", seria sempre sua saúde financeira e/ou econômica, seja por meio do lucro (resultado econômico DRE e DVA), seja por meio do resultado (resultado financeiro DFC, por ex.), que será(serão) compartilhado(s) com o empregado em função de sua participação diferenciada. Com isso, fazse com que recaia sobre o empregado, de certa forma, parcela do risco da atividade empresarial; o que não se observa, por exemplo, quando lhe é pago o salário em função de seu contrato de trabalho. Havendo ou não lucro, havendo ou não resultado, o salário contratado é, a rigor, devido. Daí a possibilidade, penso eu, de se pagar PLR mesmo após apurado prejuízo (resultado econômico) no exercício, desde que tenha havido apuração de resultado financeiro positivo e tenha sido esse o objetivo pactuado. A rigor, até mesmo em função do conflito histórico que se instalou entre aqueles que detém o capital e os que comparecem com o labor, o empregado, por vezes, sente se indiferente com a obtenção do lucro por parte do empregador ou mesmo com a melhoria em seus resultados, em que pese sua permanência no emprego depender diretamente desses fatores, quanto mais esforçarse para que haja um aumento desse lucro ou resultado. Com a possibilidade de ver compartilhada parcela desse lucro ou resultado, surge a expectativa de que os interesses, outrora díspares, passem a convergir, de forma que os empregados comecem a enxergar o lucro ou determinado resultado da empresa não mais como uma mera fonte para o pagamento do seu salário, mas como uma chance de experimentar uma das vertentes da verdadeira distribuição da renda; por sua vez, o empregador passaria a ver o trabalhador como um real parceiro em sua empreitada e não mais como um simples empregado que trabalha para sobreviver. Com isso, na essência, estariam contemplados, penso eu, o incentivo à produtividade e a integração entre o capital e o trabalho, objetivos mediatos da norma. Prosseguindo então, nos artigos 2º e 3º da Lei 10.101/2000 são postas as condições para que os pagamentos a titulo de PLR possam ser excluídos da base tributável das contribuições previdenciárias. Notese que enquanto o artigo 2º trata preponderantemente das negociações, aí incluídos os indispensáveis requisitos de ordem formal e os de ordem subjetiva, o 3º explicitamente demonstra a preocupação do legislador de que tal instituto não seja utilizado de maneira desvirtuada pelo empregador e pelo trabalhador para, indevidamente, Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 16 15 amparar pagamentos sem a incidência do tributo, estipulando, com isso, requisitos a serem observados. Vamos a elas: 1 Devem decorrer de uma negociação entre os envolvidos, por meio de um dos procedimentos a seguir, nos quais estejam garantidos o incentivo à produtividade e a integração entre o capital e o trabalho: 1.1 Comissão escolhida pelas partes, com a participação de um representante sindical de parte dos empregados; ou 1.2 Convenção (CCT) ou Acordo Coletivo (ACT). Perceba que o legislador, ao trazer para o processo negocial, representante do sindicato da categoria do empregado e determinar o arquivamento do instrumento de acordo na respectiva entidade sindical, procurou garantir que a negociação se desse, ao menos em tese, sob o regime da paridade de armas ou da igualdade material. Com o mesmo desiderato, ainda reconhecendo a hipossuficiência de uma das partes, cuidou de fazer constar que as regras deveriam ser claras e objetivas, tanto no que toca à fixação dos direitos substantivos, quanto às regras adjetivas. Disso decorre, por lógica e sob pena de sua inaplicabilidade, que deva haver, com relação a tais regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os critérios e condições exemplificados nos incisos I e II do § 1º do artigo 2º da precitada lei. Posto de outra forma, independentemente do instrumento de acordo que se tenha, há que se contar, minimamente, com as seguintes disposições: 1 como chegar nas informações relativas ao cumprimento do acordado; 2 quando será paga a PLR (periodicidade da distribuição); 3 qual o período a que se refere (período de vigência); 4 quando será revisto, caso haja tal previsão; e 5 qual o valor a ser pago. Quanto a esses elementos, não se deve perder de vista, em especial quando se fala de "cumprimento do acordado", que se, por um lado, há o compartilhamento do lucro ou do resultado por quem detém o capital, por outro, há o plus que deve ser dado pelo trabalhador (ou a ele oportunizado/incentivado) para que dele se valha. É, reforçase, a idéia de incentivo à produtividade preconizada na lei. Ressaltase aqui, que se o objetivo imediato será sempre a saúde financeira e/ou econômica da empresa; as regras e os critérios para alcançálo devem ser definidos pela gestão empresarial e acordados com os empregados, observadas as formalidades legais. Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 17 16 Não importa o meio, se por metas corporativas (índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, ou por que não o próprio lucro em determinados casos, por exemplo ?), ou se por metas individuais/coletivas (quantidade de vendas de produtos, nº de atendimentos conclusivos, quantidade e valor de captação de investimentos, por exemplo), desde que se alinhem aos objetivos imediato e mediato da norma. Como conseqüência desse racional, se a mera obtenção do lucro, que já é, por si só, um pressuposto primário para a distribuição da PLR, der ensejo à distribuição de parcela fixa em termos absolutos, penso não estar havendo o incentivo à produtividade preconizado pela lei, sobretudo naqueles casos em que, dada a natureza do negócio do sujeito passivo, a apuração de lucro é uma constante histórica. Isso porque, a partir da análise detida aqui empreendida dos dispositivos, em especial do caput do artigo 1º e inciso I (índice de lucratividade) do § 1º do artigo 2º, ambos da Lei 10.101/2000, sou levado a concluir que aqueles dois incisos sugerem mecanismo de aferição de uma comportamento funcional diferenciado por parte dos trabalhadores. Vale dizer, seja por metas corporativas (índices econômicos e/ou financeiros), seja por metas individuais e/ou departamentais, o fato é que a legislação exige esse algo a mais por parte do empregado que, repisese, não seja a mera obtenção do lucro. Vejase: a existência do lucro é um pressuposto para o pagamento da PLR, desde que as regras para o seu compartilhamento induzam o "algo a mais" por parte do empregado. Sob esse aspecto, faço registrar a evolução no entendimento deste Relator, em especial quanto à mera existência de lucro como condição ao pagamento da PLR. Em outras palavras, para que houvesse a distribuição do lucro em parcela fixa em termos absolutos, farseia necessário que houvesse dispositivo no acordo que a condicionasse ao incremento de determinado resultado ou mesmo do lucro, ainda que de forma escalonada, como por exemplo: ROE de 1% a 5% = R$ 1.500,00; ROE de 6% a 10% = R$ 2.500,00; aumento de "x% "do faturamento e/ou do lucro em relação ao ano anterior e por aí vai. A parcela a ser distribuída, na forma acima, poderia se dar, penso eu, de forma fixa em termos percentuais, como por exemplo: distribuição de 5% do valor acrescido5, linear ou proporcionalmente à remuneração do trabalhador. Nesse caso, entendo que, em princípio, estaria contemplado o requisito do "incentivo à produtividade", na medida em que quanto maior o acréscimo do lucro da empresa, desde que atingida a meta corporativa ajustada pelas partes, maior seria a participação do empregado em termos absolutos. Todavia, o que se vê em determinados casos é a participação do empregado limitada a determinado valor, ainda que no acordo constasse a previsão de distribuição de determinado percentual, com o que, à luz do aqui exposto, penso não atender ao espírito da norma. Em síntese, há certa liberdade para que as partes negociem as regras, critérios e condições, mas não podem fugir daqueles objetivos da lei, sob pena de desvirtuar o intento do instrumento. 5 Quando no comparativo com outro período. Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 18 17 Reforçando, os meios eleitos pelas partes precisam, ainda que de forma indireta, visar a saúde financeira/econômica da empresa, além de, minimamente, propiciar o estímulo à produtividade potencial ou efetivo. É dizer, é de se esperar da força de trabalhado uma participação diferenciada (mesmo potencial) seja individualmente falando, seja no conjunto com os demais trabalhadores que justifique esse pagamento desvinculado de sua remuneração para fins previdenciários. Nada obstante, há de se reconhecer que a depender do instrumento eleito, a definição ou estabelecimento daquele algo a mais, sobretudo a nível individual, tornase cada vez mais tormentoso, como por exemplo no caso das CCT, que reúnem por vezes uma quantidade expressiva de sindicatos, em determinada database a depender da categoria envolvida, diferentemente do que se tem no caso dos ACT e dos acordos a partir de comissão, quando a possibilidade de estabelecimento de exigências a nível individual e/ou setorial/departamental se mostra, por vezes, bem mais viável sob o ponto de vista operacional e, ainda assim, a depender do porte da empresa. Imagino não ser por outra razão, que aqueles dois incisos do § 1º acima citados, postos de maneira exemplificativa na lei, procuraram abordar situações em que o plus do empregado pudesse ser evidenciado de forma presumida (metas corporativas, v.g, índice de lucratividade) ou de forma coletiva ou individualizada (metas individuais ou coletivas segundo os seguimentos do negócio). Abrese aqui um parêntese para registrar que lucro não se confunde com "índice de lucratividade" exemplificado no incisos I do § 1º do artigo 2º da precitada lei.6 Se é bem verdade que aqueles índices afetos à empresa não dependem, exclusivamente, de um algo a mais por parte dos trabalhadores, mesmo que tomado em seu conjunto, do mesmo modo há de se reconhecer que tal participação revelase substancialmente importante na consecução do objetivo empresarial, sobretudo quando o empregado vislumbra que há a possibilidade de vir a receber parcela do lucro do empregador tão financeiramente expressiva, quanto maior for o seu lucro, a depender do que for acordado. Pondo dessa forma, pareceme evidente que o ânimo, comportamento, interesse, próatividade, o "correr atrás" do empregado deva ser outro, quando lhe oportunizado o compartilhamento de um valor, originalmente a ele não pertencente, mas que em alguma medida conta com seu esforço para sua obtenção; mais de uns, menos ou bem menos de outros é verdade, mas que inevitavelmente conta. Penso assim, que o incentivo à produtividade, ao menos presumidamente, estaria aí contemplado, ainda que, frisese, em 6 A Lucratividade é um indicador de eficiência operacional obtido sob a forma de valor percentual e que indica qual é o ganho que a empresa consegue gerar sobre o trabalho que desenvolve. É um dos principais indicadores econômicos da empresa, ligado diretamente com a competitividade do negócio. Difere de rentabilidade e é derivado do conceito de lucro. Lucro: é o resultado positivo após deduzir das vendas todos os custos e despesas. É um número absoluto. Lucratividade: é a relação entre o valor do lucro líquido e o valor das vendas. É um número percentual. Rentabilidade: é a relação entre o valor do lucro líquido e o investimento realizado. Fonte:http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/calculodalucratividadedoseu negocio,21a1ebb38b5f2410VgnVCM100000b272010aRCRD Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 19 18 função da inexistência de um liame concreto entre a conduta e resultado, referido esforço não possa ser especificamente dimensionado. Nessa linha, acordos que não contenham metas individuais ou mesmo coletivas, mas que suas regras permitam ao empregado o recebimento de determinada parcela do lucro acrescido da empresa distribuído linear ou proporcionalmente ao seu salário alcançam, penso eu, o objetivo de incentivar, mesmo que presumidamente, a produtividade. Vejase, a "meta", nesse caso corporativa, seria a obtenção de lucro em determinada escala pela empresa, que seria distribuído, em termos absolutos e/ou relativos, a depender do seu atingimento e na forma do acordado. Novamente: a mera obtenção de lucro, ladeado ao pagamento de parcela fixa e/ou limitada não tendem, em meu sentir, a satisfazer a exigência legal de que deva haver o incentivo à produtividade para o pagamento da PLR sem a incidência da exação. Com todo o respeito aos que disso divergem, o fato é que ao imaginar que a possibilidade de receber parte de um valor, que pode ser maior ou menor a depender de como se comportará o lucro ou resultado, não tem o condão de influenciar sequer minimamente o comportamento do trabalhador e, por isso, não haveria a necessidade de seu prévio conhecimento acerca do acordo, equivaleria, penso eu, a concederlhe aumento de remuneração a título de mera recomposição salarial. Cumpre ressaltar que se há a preocupação de o empregador, pressionado por reajuste salarial, pactuar acordos com a inserção de regras e metas/condições inatingíveis, prejudicando, de início, o trabalhador; há, pelo menos de se imaginar, a possibilidade de que tal instrumento seja utilizado como complementação da remuneração, prejudicando, de início, os cofres públicos e, reflexamente e mais a frente, o próprio trabalhador. Nesse rumo e admitindo como regra, para que se tenha, justificadamente satisfeita a conjugação "EXPECTATIVA DE ALGO A MAIS DO TRABALHADOR" x "PERCEPÇÃO DA PLR", tomandoa como causa e efeito, imperioso que o conhecimento das regras e metas (definitivamente postas) por aqueles que empreenderão esforços para sua consecução deva se dar previamente ao início do período de apuração do resultado, vale dizer, até à "linha de largada" ou antes do "início do jogo", sob pena de terse por desvirtuado o instituto. Da mesma sorte, o conhecimento das regras e metas deve relacionarse àquelas que, definitivamente, foram assentadas em função da negociação, não bastando, a seu turno, que as negociações já estivessem em curso ao tempo do período de apuração do resultado. Nesse ponto, penso que, independentemente de as assinaturas nos instrumentos terem se dado após o início da apuração do resultado, a comprovação de que os empregados tinham o prévio e inequívoco conhecimento das regras e metas já aprovadas por ambas as partes, supriria a exigência que traz a norma em sua expressão "pactuada previamente". Vejase, com isso, que não basta que as metas e regras de que tomaram conhecimento coincidam com aquelas reveladas nos instrumentos devidamente assinados (pactuados), há de se comprovar, repito, que tinham o inequívoco e prévio conhecimento de Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 20 19 que essas regras e metas já haviam sido, ao final, aprovadas pelas partes (comissão ou representação sindical) para aquele período base. Por sua vez, não supre a exigência legal, o fato de as regras e metas acordadas ao longo do período base assemelharemse àqueles que se tinha em períodos anteriores e que já eram do conhecimento dos empregados. Ainda que na seara trabalhista seja eventualmente garantido ao empregado a percepção dessa verba após a vigência do acordo e até que novo sobrevenha, penso que para fins tributários, em especial para conferirlhe sua não incidência, a manutenção dos pagamentos a esse título, sob o fundamento de que haveria uma presunção de conhecimento das regras e metas pendentes de acordo, em função daquelas de períodos anteriores, além de, efetivamente, não garantir que assim seria feito ao final, não vejo como, em assim sendo, ter havido qualquer incentivo à produtividade. Percebase que a questão de fundo, no tema até aqui abordado, seria o alcance da expressão "pactuados previamente" utilizados pelo legislador quando se referiu textualmente ao "programa de metas, resultados e prazo". Teríamos, a partir daí, os seguintes questionamentos: 1 pactuados previamente a quê ? ao pagamento, à apuração do resultado, ao início do período de apuração ? 2 apenas quando as regras envolverem cumprimento de metas individuais ou coletivas é que se deve haver o pacto prévio ? 3 e quando não envolver o cumprimento de metas individuais ou coletivas o acordo pode ser pactuado após o período de apuração ? Pode ser celebrado após o início do período ? Para conduzir a uma definição, penso que devamos considerar, podese assim dizer, duas linhas temporais: uma representando a data de início e término do período de apuração, findo o qual o lucro ou resultado, caso houver, será compartilhado com os trabalhadores; outra representando o programa de metas, caso conste do acordo, aferíveis individual ou coletivamente (por equipe/departamento/setor, etc). Assim visualizado, impõese determinar em qual momento o posicionamento da data de celebração do acordo atenderia aos ditames legais, aí considerado o tão almejado incentivo à produtividade. O voto vencedor do acórdão 2402006.068, traz importante consideração sobre o tema, em especial ao abordar planos que em função do porte da empresa, data base da categoria e quantidade de partes revelamse produtos de uma complexa negociação. Confirase: Diversamente, nos planos em que o PLR é mensurado com base em critérios em grande medida independentes da uma prédeterminada atuação dos trabalhadores, ou seja, revestindose de feição mais propriamente corporativa, deve ser relativizada a exigência mais acima frisada. Vale dizer que nesses casos, em geral, são conduzidas negociações ao nível de convenção ou acordo coletiva, Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 21 20 muitas vezes adentrando no anocalendário de sua vigência, tendo em vista a amplitude dos agentes envolvidos e potenciais beneficiários. Em outras palavras, não assoma como requisito imprescindível que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Não obstante ter convergido com o redator à época e votado naquela linha em outras oportunidades, a análise mais detalhada do tema, em especial à luz dos elementos destes autos, fazme dele divergir, tendo inclusive já votado neste novo sentido nos autos do julgamento do processo 16327.720621/201636 na sessão de 10.08.2018. Explico, em grande medida revisitando o acima fundamentado: Não vejo que, pelo fato de não haver um "liame minimamente concreto entre a prestação de serviço realizada pelo trabalhador e a lucratividade alcançada pela pessoa jurídica, tanto mais quando se trata de uma instituição financeira com milhares de funcionários", os termos do negociado possam ser estabelecidos após o início do período de aferição. Compartilho com o I. Redator acerca da complexidade da elaboração de tais planos na forma como colocada e, em especial, quando envolvidas as circunstancias já aqui e lá reconhecidas. Da mesma forma, convirjo quanto à dificuldade, quiçá impossibilidade, de se relacionar diretamente a participação do empregado à percepção da verba, sobretudo naqueles planos onde o "ser funcionário" e a "obtenção de lucros" são as únicas condicionantes. Contudo, tenho que a inexistência de um liame minimamente concreto não seria motivo o suficiente para fosse afastado do empregado, o conhecimento das regras postas. Se há a impossibilidade ressalvase, nos planos com essa feição de atribuir ao empregado qualquer conduta concreta que possa ter diretamente influenciado no resultado do exercício, com maior propriedade não há como afirmar em qual mês teria havido aquela participação "decisiva". Se no primeiro, se no segundo ou no último mês do período de apuração. Daí entender que, nesses casos, com maior propriedade, o acordo deva ser ajustado antes do início do período de aferição. Nesse mesmo sentido, o pior cenário seria aquele em que os termos do acordado tivessem sido assentados após o período de apuração, quando então retiraria do empregado, ou melhor, não o oportunizaria o "algo a mais" em seu desempenho funcional, ainda que potencialmente falando, ainda que indeterminado quando isso se daria. Sobre esse aspecto, chamou a atenção deste Relator a afirmativa do recorrente, em seu recurso, no sentido de que "além disso, é situação tradicional no diálogo com os sindicatos que não se iniciam conversas sobre PLR antes de haver a previsão mais realista de um índice de reajuste da categoria (o que somente ocorre no segundo semestre do ano, já que a previsão de inflação nesse para o ano nesse período é dotada de maior previsibilidade)" sic. Ora, inferese, da assertiva acima, que a não celebração do acordo antes de o início do período de apuração não se dá, decisivamente, pela complexidade do assunto e/ou pela quantidade de agentes e interesses envolvidos (a rigor, não haveria impedimento a que se Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 22 21 celebrasse o acordo em setembro, outubro, novembro ou dezembro de determinado ano, para recebimento de parcelas relativas aos lucros/resultados auferidos do ano seguinte), mas sim pela desvirtuada utilização do instrumento da PLR (que se dá em instrumento em apartado) para viabilizar a complementação da remuneração do trabalhador, em descompasso com o que preceitua o caput do artigo 3º da Lei 10.101/2000. Assim concluindo, as indagações encimadas poderiam ser respondidas como seguem: Acordos que estipulam metas individuais ou em grupo: 1 pactuados previamente ao início do período de apuração, por força da literalidade do inciso II do § 1º do artigo 2º da Lei 10.101/2000. Acordos que não estipulam metas individuais ou em grupo 1 igualmente pactuados previamente ao início do período de apuração, pela inteligência do artigo 1º da Lei 10.101/200. Essa é a linha que vem sendo recentemente adotada na CSRF, consoante se extrai da ementa a seguir colacionada, com a qual passo a me alinhar: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Acórdão 9202005.718, de 30.08.2017. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, já que devem constituirse em incentivo à produtividade. As regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. Acórdão 9202006.674, de 17.04.2018. Voltando à questão sindical, a presença de representante do sindicato do empregado na negociação posta a termo não seria o bastante para considerar que o negociado atendeu ou atenderá as expectativas da norma. O máximo que se tem é a concordância, em última análise, com determinado valor que será pago aos empregados, em função das regras então estabelecidas, com ou sem a estipulação de metas individuais. É dizer, como regra, aos olhos dos sindicatos, na defesa dos interesses de seus associados, quanto mais garantido seja o pagamento (valor mínimo independentemente de qualquer aumento na produtividade, por exemplo), quanto menos custoso seja para o empregado sua percepção (basta estar em pleno exercício no ano base, por exemplo), melhor terá sido a negociação sindical. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 23 22 Contudo, felizmente ou infelizmente, a depender do ponto de vista dos interessados, as verificações não se esgotam nisso. Ou seja, que o acordado, desde que haja a presença de representante sindical, sempre atenderá aos anseios do legislador para fins da não incidência tributária. Percebase, aquele inciso XI do artigo 7º da CRFB/88, ao estabelecer que a PLR deva ser desvinculada da remuneração do empregado, deixou a cargo da Lei os contornos dessa não incidência. Assim, preferiu o legislador, ao contrário de simplesmente disciplinar o pagamento das verbas àquele título, trazer exigência de interesse público que, de uma forma ou de outra, tendesse a justificar/compensar o não recolhimento do tributo aos cofres públicos. Com isso, como já abordado, além da questão de cunho social afeta à integração do capital e da força de trabalho; há outra que é, ao fim e ao cabo, mesmo que por via indireta, o estímulo ao crescimento econômico do pais, a partir do efetivo incentivo à produtividade. Exatamente neste ponto, impõese destacar que, diferentemente do sustentado por alguns, no sentido de que o recrudescimento na análise dos acordos no que toca à observância dos requisitos legais tente a inviabilizar o direito constitucional do trabalhador à percepção da PLR, penso que não deve ser esse o viés empregado, mas sim o da proteção do interesse público ao custeio da previdência. Percebase que esse direito constitucional já era levado à efeito antes mesmo da edição da MP 794/94, que deu origem à Lei 10.101/2000. Consignese sobre o tema, que o STF, no julgamento do RE 569.441, consolidou o entendimento de que há incidência de contribuições previdenciárias nas verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, antes de dezembro 1994. Em resumo: o pagamento da PLR, em cumprimento à determinação constitucional, era uma prática antes mesmo da edição da lei que o retirou do campo de incidência do tributo, observadas, por óbvio, as exigências legais. Dito isso, tenho que as verificações acerca do cumprimento das exigências legais, incluídas aí as metas e regras, assim como os critérios e condições de sua aferição, devem ser, sim, objeto de apreciação pela Autoridade Fiscal, a quem compete a analise do cumprimento dos requisitos para a fruição de qualquer benesse tributária no âmbito dos tributos administrados pela RFB. Prosseguindo, no artigo 3º da lei, o legislador trouxe os requisitos de natureza objetiva, que uma vez inobservados, fazem com que os pagamentos efetuados a título de supostas PLR sejam incluídos na base de incidência do tributo, por presumidamente referirem se a remunerações assim disfarçadas. O caput do artigo enuncia a preocupação do legislador, ao fazer constar que a PLR não se presta a complementar ou substituir a remuneração. Por sua vez, o § 2º, alinhado à correspondência que deve haver entre a "EXPECTATIVA DE ALGO A MAIS DO TRABALHADOR" x "PERCEPÇÃO DA PLR", veda seu pagamento antecipado, além de determinar que os mesmos estariam limitados a dois por ano, sendo que a distancia de um para o outro deve observar o espaço de seis meses. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 24 23 Ponto outro que por vezes gera controvérsias é se haveria ou não restrição legal à existência de pagamentos a partir de dois instrumentos distintos no mesmo período. Revisitando o assunto, notase que a Lei 10.101/2000, em seu artigo 2º, menciona que a PLR será objeto de negociação, "mediante um dos procedimentos a seguir descritos...." e prossegue ao descrevêlos como sendo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Especificou em incisos distintos de forma a, imagino, deixar clara a necessidade da representação sindical no acordo por comissão, já que nos do inciso II, não haveria necessidade de assim explicitar. Prosseguindo, a partir da aplicação literal do dispositivo, não haveria outro entendimento que não o de admitir a existência de um único plano para pagamento da regular PLR. É dizer: ou por meio de uma comissão, com a participação do sindicato; ou por meio de um acordo mais abrangente (CCT ou ACT) Todavia, a leitura isolada deste dispositivo poderia levar à interpretação de que a expressão "mediante um dos procedimentos a seguir descritos" teria o significado não de "mediante a utilização de somente um dos procedimentos a seguir descritos", mas sim de "mediante a utilização de qualquer um dos procedimentos a seguir descritos", eis que, logo a diante, a lei autorizaria a compensação entre planos. E é nesse sentido que este subscritor vinha votando, acompanhando o entendimento do Relator ou do Redator Designado, conforme foi o caso. Não obstante, por meio de uma análise mais acurada desses artigos 2º e 3º, imagino não ter sido essa a intenção da norma. Vejamos: Aquele artigo 3º trata, em sua grande parte, dos efeitos fiscais atinentes à PLR creditada, seja no patrimônio de quem a recebe, seja no de quem a paga. Além disso, traz as limitações de ordem objetiva que devem ser observadas, sem as quais os pagamentos a esse título serão considerados como substituição e/ou complementação da remuneração do empregado, integrando, desta feita, a base de cálculo do tributo em tela. Percebase, há a explicita preocupação do legislador de que o instituto não seja desvirtuado de forma a ocultar pagamentos de remuneração sem a devida tributação. Notese, com isso, que a autorização para que se promova a compensação entre os pagamentos efetuados em decorrência de planos de PLR mantidos espontaneamente pela empresa com as obrigações decorrentes de ACT ou CCT atinentes à participação nos lucros ou resultados está funcionando, no dispositivo, como uma espécie de garantia à empresa que indevida e ocasionalmente optou por mais de um plano, de que os pagamentos se efetuados com relação a apenas um deles seja considerado regular para fins de PLR, caso observados, por óbvio, os demais requisitos da lei. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 25 24 Com efeito, penso que, segundo dispõe a lei, não deve haver pagamento com lastro em dois acordos distintos, sob pena de, assim ocorrendo, ambos serem considerados como complementação ou substituição da remuneração do empregado, com a conseqüente tributação dos respectivos valores. Da PLR Paga aos Empregados: Notase do lançamento que os valores pagos a título de PLR concentraram se, substancialmente, nos meses de fevereiro e outubro de 2012. Do arquivo anexado aos autos, (planilha eletrônica) sob o título de "Planilha PLR do Empregados" e com aproximadamente 107.500 linhas (por mês e CPF), podese constatar que houve pagamento de parcelas, naqueles meses, tanto ao amparo das CCT, quanto dos ACT. Não foi relatado pelo Fisco a ocorrência de mais de dois pagamentos no ano, tampouco a infringência ao interstício de seis meses entre eles. Passo a análise individualizada segundo os instrumentos de acordo envolvidos e infrações apontadas. Convenções Coletivas de Trabalho CCT. Nesse ponto, sustenta a Fiscalização a inobservância à lei, em especial quanto à inexistência de "acordo prévio". Fundamenta sua conclusão nas datas de assinatura daqueles instrumentos. A relativa ao período de 2011, em 21.10.2011; a de 2012, em 02.10.2012. Por sua vez, a recorrente faz várias ponderações acerca do tema, em especial, que seus empregados já tinham conhecimento das regras e metas antes mesmo da celebração do acordo e que as negociações seriam praticamente idênticas as dos anos anteriores. Não há comprovação nos autos de que os empregados tinham prévio e inequívoco conhecimento do inteiro teor das regras definitivamente postas naqueles instrumentos. Já no que diz respeito à repetição dos acordos, como já abordado neste voto, não vejo como suficiente a caracterizar a ciência prévia das regras definidas ao fim da negociação, já que podem variar, na prática, a depender de vários fatores conhecidos à época da respectiva tratativa. No mesmo sentido, o noticiado na imprensa/internet a seguir resumido não desce ao nível de detalhamento necessário ao perfeito entendimento daquilo que teria sido acordado. No máximo, noticiaria a existência de negociações em curso, mas não do que foi estabelecido em seu desfecho. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 26 25 Folha Bancária de 17, 18 e 21 de novembro de 2011, noticiando o encerramento das negociações da Campanha Salarial de 2011 e o pagamento da antecipação do PLR no valor de R$ 960.00, de parcela fixa, sendo que a segunda parcela, até fevereiro de 2012. Folha Bancária de 6 e 7 de dezembro de 2011, noticiando a conclusão de uma negociação de uma aditivo à CCT, que ainda seria submetida à Assembléia. Fez constar, ainda, que nenhum funcionário receberia menos que R$ 1.500,00 de título de programa próprio. Folha Bancária, sem evidencia da data, informando a aprovação do aditivo acima em Assembléia. Notícia da internet, no site do Sindicato dos Bancários do Ceará, dando conta da retomada das negociações relativas àquele aditivo à CCT. Notícia da internet, no site do Sindicato dos Bancários de Mogi das Cruzes e Região, de 30.11.2011, dando conta da definição da data da negociações relativas àquele aditivo à CCT, que seria em 01 e 02 de dezembro. Quanto à alegada nulidade da decisão recorrida em função de suposta omissão, sustenta a recorrente que a DRJ não teria se manifestado acerca da ausência de fundamentação quando o Fisco teria asseverado inexistir de regras claras e objetivas relacionadas às CCT. Não comungo desse entendimento. Pelo que se nota do Relatório Fiscal, a autuante fundamentou a desconsideração dos instrumento de CCT no fato de terem sido assinados em data posterior ao inicio do período de apuração. É dizer, não havia regras claras e objetivas previamente pactuadas. Assim sendo, o acórdão de piso foi cirúrgico ao abordar a temática da anterioridade dos acordos (CCT e ACT) da seguinte forma. Confirase: O relatório aponta, ainda, que as convenções e acordos não estariam em conformidade com a determinação legal por possuírem vigência retroativa e não terem sido firmados antes do início do período a que se referiam os lucros ou resultados. A interessada rebate esta tese alegando que "a assinatura efetiva apenas um ato formal, que reflete a discussão incontestavelmente tempestiva dos planos de participação nos lucros e resultados", que "apresenta diversas notícias publicadas as quais demonstram que as negociações com os sindicatos realmente ocorrem", "que as negociações são iniciadas muito antes da assinatura dos instrumentos" e que "as características, os critérios e as condições dos instrumentos de PLR mencionados são extremamente semelhantes (senão idênticos) aos Acordos celebrados em anos anteriores, (...) o que significa dizer que os empregados já tinham conhecimento dos critérios, metas e métodos utilizados na distribuição de PLR." Não procedem as alegações da impugnante pois, da mesma maneira que a instituição financeira em questão não Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 27 26 disponibilizaria um empréstimo a um cliente que já tivesse obtido um crédito anteriormente sem a devida assinatura de um novo contrato estabelecendo suas condições e garantias, os segurados empregados não poderiam ter a certeza de que estariam seguindo na direção correta do cumprimento de metas ainda não estabelecidas com base apenas em notícias de jornais ou acordos vigentes em anos anteriores. Melhor sorte não socorre ao recorrente, quando aduz que teria havido falta de fundamentação da decisão recorrida quando não aplicou o entendimento dos julgados que trouxera em sua impugnação, ao mero argumento de que "apenas vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação" . Uma vez que o julgador abordou e apreciou os fatos e as matérias trazidos ao contencioso, integrando suas razões de decidir, não vejo como necessária qualquer manifestação adicional acerca da não aplicação de julgado que não tem, por força de norma, efeito vinculante ao caso. Análise Documental: Na seqüência, compulsando os autos, podese notar que o instrumento que concretizou os termos da CCT de 2011 versando exclusivamente acerca da PLR e acostado às fls. 400/407, tem data de 21.10.2011 e referese aos lucros auferidos no exercício de 2011. (vigência no período de 01/09/2011 a 31/08/2012). A PLR deveria ser paga até 01.03.2012, àqueles admitidos até 31.12.2010 e em efetivo exercício em 31.12.2011. Em resumo, a participação do empregado no resultado apurado no exercício de 2011 (no balanço de junho ou no de dezembro) garantiulhe o recebimento da PLR em outubro de 2011 e em fevereiro/março de 2012 (ano fiscalizado), período esse que não se confunde com a vigência do acordo. De igual forma, o instrumento em que se consignou os termos da CCT de 2012 versando exclusivamente acerca da PLR e acostado às fls. 409/407, tem data de 02.10.2012 e referese aos lucros auferidos no exercício 2012. (vigência no período de 01/09/2012 a 31/08/2013). A PLR deveria ser paga até 01.03.2013, àqueles admitidos até 31.12.2011 e em efetivo exercício em 31.12.2012. Novamente, a participação do empregado no resultado apurado no exercício de 2012 (no balanço de junho ou no de dezembro) garantiulhe o recebimento da PLR em outubro de 2012 (ano fiscalizado) e em fevereiro/março de 2013, período esse que não se confunde com a vigência do acordo. Em ambos os instrumentos havia regras para relativização desse período de exercício, além de limitação a determinado percentual do lucro líquido do banco e, é claro, a dispensa de tais pagamentos na hipótese de o banco apresentar prejuízo no exercício. Ainda havia regras para as parcelas básica e adicional, sendo que para a parcela básica, constava a possibilidade de sua compensação com o correspondente que viesse a ser pago em razão dos planos próprios. Por outro lado, havia expressa vedação à compensação no tocante à parcela adicional. Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 28 27 A fim de espancar qualquer dúvida, a própria recorrente teria esclarecido à Fiscalização que "não há compensação entre a Participação nos Lucros ou Resultados relativa às Convenções Coletivas, àquelas dos Acordos Coletivos e as dos Planos Próprios", o que me faz concluir, pelo já aqui exposto, ter havido violação ao artigo 2º da Lei 10.101/01. Prosseguindo, havia regras que dispunham acerca da antecipação dos valores em até 10 dias após a assinatura do acordo tomando por referência o lucro líquido apurado ao final do primeiro semestre. Esse ponto é de sua importante, pois, na prática, a CCT de 2012, assinada em 02.10.2012 estaria fundamentando pagamentos efetuados em outubro de 2012, com base em apurações já encerradas, vale dizer, no final de 06/2012. Embora houvesse a previsão em cláusula com denominação de "antecipação" e independentemente de ter havido, ou não, o efetivo desconto dessa parcela quando do pagamento do valor apurado ao final do exercício, o fato é que a PLR paga em função dessa antecipação foi lastreada em balanço já encerrado à época do acordo, o que, como já abordado alhures, não atende aos requisitos legais. Notese, não havia no instrumento, cláusula que determinasse a devolução do valor da "antecipação" amparada no lucro apurado em 06/2012, se a recorrente viesse a apurar prejuízo ao final do exercício. Assim sendo e por tudo que foi acima fundamentado, penso que tais pagamentos, lastreados em acordos celebrados após o encerramento ou após o início do período de apuração que servira de lastro para o pagamento da PLR, inclusive para aqueles casos em que não há uma direta e concreta vinculação do esforço do empregado para a obtenção do resultado contábil ou financeiro da empresa, devam se sujeitar à incidência do tributo. Acordo Coletivo de Trabalho ACT/PPRS. Nesse assunto, sustenta a Fiscalização a inobservância da lei, em especial quanto à inexistência de "acordo prévio" e "falta de regras claras e objetivas". Sustenta sua conclusão nas datas de assinatura daqueles instrumentos (a de 2011, em 28.02.2011; a de 2012, em 28.06.2012) e no fato de que os únicos critérios para o seu recebimento seriam aqueles relativo ao período de aquisição e efetivo exercício e desligamento dos mesmos, não constando, a seu turno, qualquer determinação para os empregados, apenas ser necessário trabalhar na empresa e manter vínculo no último dia do respectivo ano, ainda que tenham se afastado durante todo o ano por doença ou acidente de trabalho, o que demonstraria, aos olhos do Fisco, tratarse na verdade de pagamento de prêmio por tempo de serviço e não de PLR. Assevera ainda que a existência de uma parcela mínima desnaturaria o instituto. Análise Documental: À luz do que consta neste procedimento, notase, de alguma forma, certa semelhança entre esses instrumentos e aqueles em que foram formalizaram as CCT. Ambos os acordos previam o pagamento da PLR por meio, podese dizer, de duas modalidades ou dois motivos distintos, ao mesmo tempo em que não previam pagamentos antecipados. Ao contrário, consoante sua clausula nona, o pagamento darseia na mesma data do pagamento da 2ª parcela da PLR estabelecida na Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 29 28 CCT, podendo ser estendido até o dia 03.03.2012 (2011). Vale dizer: 2011 => de 01.01.2012 a 01.03.2012; 2012 => de 01.01.2013 a 01.03.2013. Logo, a considerar os fatos geradores aqui tratados (meses de 2012), tenho que qualquer PLR paga ao arrimo do ACT/2012 não estaria a ele relacionado e, por conseguinte, integraria a base de incidência do tributo. Voltando às modalidades/motivos dos pagamentos das PLR, no que toca ao ACT Ano Base 2011, alcançando todos os empregados do recorrente admitidos até 31.12.2010 e em efetivo exercício até 31.12.2011, temse o seguinte: Foi assinado em 28.02.2011. O primeiro (PPRS), relacionado ao resultado da recorrente (ROE), ainda que se comparado com a média de seus principais concorrentes. Dentre as regras relacionadas a esse "motivo", não constava a estipulação de metas individuais, sequer setoriais, que pudessem ser aferíveis. Em resumo, tinhase como regra a conjugação de praticamente duas circunstâncias: ter sido admitido até o ultimo dia do ano anterior e estar em exercício ao final do ano de apuração, somada ao incremento do retorno do investimento da autuada no comparativo com seus concorrentes. Assim podemse resumir as regras: O segundo (Programas Próprios Específicos PPE, Super Ranking e RV Cartilhas Próprias; e Programas Próprios de Gestão PPG), relacionado ao cumprimento de metas setoriais, tinha sua existência noticiada no corpo daquele ACT. Confirase: As duas últimas folhas do ACT continham a relação dos seguimentos de negócios (27) para a os quais havia a previsão dos PPE e, ao lado, a observação de que "os valores são apurados de acordo com resultados individuais e/ou coletivos a partir de Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 30 29 indicadores previamente definidos nos programas. Os funcionários são elegíveis de acordo com o cargo e área previstos no regulamento". Prosseguindo na análise dos pagamentos das PLR relacionadas aos PPRS/ROE, tenho que o fato de haver i) a comparação com os médios dos principais concorrentes do autuado e ii) uma parcela fixa a ser percebida, não retiraria do acordo, em princípio, o objetivo mediato da norma de que haja o incentivo à produtividade, sobretudo pelo fato de constar, lá prevista, uma gradação no valor a ser percebido, segundo o desempenho da empresa frente aos seus concorrentes. Quanto à questão do ajuste prévio, penso que, no caso dos pagamentos de PLR ao amparo do comparativo entre os ROE, há igualmente a necessidade de que o acordo se dê anteriormente ao início do período de apuração do resultado, ainda que, repisese, haja a impossibilidade em se estabelecer uma relação direta e concreta entre o comportamento do empregado e o referido resultado almejado pelo empregador, em virtude das regras por eles eleitas. De forma mais extremada, como já abordado alhures, temse quando o acordo se deu após a apuração do resultado ou que não se fez necessário que o empregado tivesse exercido sua função sequer por breve período ao longo do de apuração. Nesse sentido, o pagamento de PLR a trabalhador que esteve afastado de suas atribuições por todo o período de apuração do resultado, deve ser, também por essa razão, adicionado à base tributável da exação. Voltando à questão do pagamento mínimo caso o comparativo entre os ROE se desse abaixo dos 50%, penso assistir razão ao Fisco. Ao mesmo tempo em que o PPRS era voltado à melhoria da saúde financeira da recorrente, não houve o estabelecimento de metas individuais e/ou coletivas para o alcance do resultado lá esperado. Assim sendo, o incentivo à produtividade deveria, ao meu ver, recair na essência do próprio regramento do acordo, tal como abordado na fundamentação deste voto. A meta aqui perseguida, em função do qual receberia o empregado é, em verdade, o incremento do ROE da empresa, cujo valor pago levará em conta essa alavancagem quando comparada, é bem verdade, com a de seus concorrentes (meta/regra corporativa), daí o escalonamento dos valores. Notese que a exigência legal é que o resultado e/ou lucro deva se referir, por óbvio, à empresa que pagará a PLR, não importando, em meu sentir, se a meta traçada leve ou não em conta, fatores externos ao campo de atuação dos empregados, desde que assim pactuada e que, em certa medida, estimule ou oportunize o incremento à produtividade. Diferentemente do que se viu nas CCT, nesse PPRS inexistiu disposição explicitando que não haveria pagamento na hipótese da não obtenção do resultado. Ao contrário, trouxe para o seu bojo, regra que permitia o pagamento da PLR mesmo na circunstância de não se ter evidenciado qualquer resultado. Explico: não obstante ser o incremento do indicador de retorno do investimento a regra posta no plano, a perseguição do lucro mostrouse imprescindível para que dele se tenha algum retorno. Ou seja, na eventualidade de terse apurado prejuízo, não haveria qualquer retorno do investimento e, ainda assim, segundo as regras que foram ajustadas pelas partes, haveria o pagamento de um valor mínimo fixo aos empregados. Traduzindo em números, independentemente de qualquer resultado ou de qualquer atingimento de meta, seja corporativa, seja individual, seja ainda coletiva, o valor de Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 31 30 R$ 1.350,00 (ACT 2011) seria devido a todos os trabalhadores elegíveis (R$ 1.440,00 no ACT 2012). Nesse rumo, as regras postas nesses PPRS tanto no de 2011, quanto no de 2012 embora claras e objetivas, não trazem, até certo ponto em sua estrutura, o elemento motivacional necessário à satisfação do objetivo mediato da norma que é o incentivo à produtividade. O que se teve, é o que se depreende das circunstâncias, foi um ajuste em que se garantiu aos empregados um valor mínimo, fixo e certo prédeterminado sem que para isso fosse preciso, ainda que presumidamente, contar com qualquer "algo a mais" por parte deles, com vistas a "compensar" o fato de que o aumento desse valor mínimo estaria condicionado a resultados alheios à própria empresa (comparativo com outros bancos). Em outras palavras: aos olhos dos trabalhadores esse valor mínimo, fixo e certo foi encarado como verdadeira complementação de sua remuneração. Penso com isso, que o regramento que constou daquele acordo, mais do que não incentivar esse algo a mais por parte dos trabalhadores, tendeu a potencializar um ambiente de acomodação no que toca à percepção daquele valor mínimo. Assim, a existência de previsão no plano de que se pague um valor fixo não traria maiores implicações, caso fosse condicionada ao atingimento de determinado objetivo. Vale dizer: a inconformidade não é, necessariamente, com relação à possibilidade de se pagar referido valor fixo, mas sim a que isso ocorra sem que haja obtenção de qualquer resultado e não há um resultado modesto, como sustenta a recorrente. Reforçase, não se estar a questionar se as regras são, ou não, claras e objetivas aos olhos daqueles que as observarão. Tal análise estaria, em tese, na esfera de interesse dos diretamente envolvidos, de maneira mais latente daquele que tem o interesse na percepção da verba, que contaria, inclusive, com a participação de um representante de seu sindicato. Da mesma forma, não se deve descartar que as partes tendem a não fazer qualquer análise acerca dos objetivos da norma, sobretudo quando desses acordos mais abrangentes (CCT e ACT): aos empregados (e seu sindicato), bastando, podese assim dizer, que venham a receber um valor a mais em relação ao que foi contratualmente acertado, melhor sendo, num primeiro momento, que não haja o desconto previdenciário; ao empregador, que pague ao empregado um valor sobre o qual não haverá incidência daquela contribuição e que, ao mesmo tempo, possa deduzir como despesa operacional para fins de apuração do IRPJ e CSLL. De mesma sorte, quanto à análise dos pagamentos de PLR ao amparo daqueles Programas Específicos e de Gestão, penso não assistir razão ao recorrente. Vejamos. A alegação do Fisco recaiu, em resumo: PPE I Inexistência de qualquer assinatura, qualificação dos acordantes, nem mesmo a data de sua celebração. II Ausência de um representante sindical nas negociações e do registro e arquivamento da entendida sindical; III Os parâmetros utilizados fizeram com que a PLR fosse assemelhada a prêmios de incentivo. Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 32 31 PPG I Inexistência de qualquer assinatura, nem mesmo a data de sua celebração. II Ausência de um representante sindical nas negociações e do registro e arquivamento da entendida sindical; III falta de regras claras e objetivas. A tese defensiva iniciase por sustentar que referidos programas seriam anexos regulares dos ACT/2011 2012 e, assim sendo, a ausência de data, assinatura, qualificação, de representante sindical teria sido suprida pelo que constou naquele instrumento. Não obstante a alegação, não é o que efetivamente se tem. Aqueles PPE apresentavam metas individuais e/ou coletivas conforme o seguimento de negócio aos quais se relacionavam. A cláusula sexta e seu parágrafo primeiro não evidenciavam que aqueles PPE acostados aos autos tiveram seus termos efetivamente negociados com os empregados da recorrente conjuntamente com um representante sindical. Não asseguram que as metas eram do seu conhecimento, além de terem sido estipuladas, certamente, após o início do período de apuração do resultado, o que, por si só, penso contrariar o disposto no inciso II do § 1º do artigo 2º da Lei 10101/2000. Vale dizer, à luz daquela cláusula sexta, não se consegue afirmar que os contornos concretos daqueles PPE acostados aos autos, tais como lá definidos, foram objeto de negociação. Instrumentos que contém cláusulas desse tipo, que fazem mera referência genérica a instrumentos outros não detalhados em seu corpo, ainda que com a aquiescência da representação sindical, não satisfazem a exigência legal de que as metas, resultados e prazo sejam previamente pactuados. Assemelhamse a um "cheque em branco" assinado pelo empregado em que não se sabe quando, quanto e pelo quê será efetuado o saque. Em que pese se reconheça a dificuldade em se estabelecer o detalhamento dos PPE no âmbito das negociações a nível de ACT, fato é, que a opção pela negociação via comissão escolhida pelas partes seria uma alternativa a ser considerada pelo recorrente, o que aparentemente não foi. No que toca ao PPG, melhor sorte não socorre ao autuado. Além de conter as mesmas impropriedades acima, ainda contou com dispositivo que previa que: "as políticas aqui descritas poderão ser revistas a qualquer momento pelas partes, levandose em conta, entre outros, os seguintes: _ Momento econômico, local ou internacional; _ Legislação trabalhista, previdenciária e fiscal; _ Convenção Coletiva do Trabalho; _ Planos de negócios do Banco." Não bastasse, aquele parágrafo único fez constar que o PPG obedeceria às regras e valores fixados pela Diretoria do banco, evidenciando a ausência de negociação como exigida na lei, tanto na sua elaboração, quanto em sua revisão. Nesse ponto, restou demonstrado que as metas, programas e prazos, tanto dos PPE, quanto do PPG acostados aos autos, não foram objeto de negociação com os empregados, Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 33 32 com a participação de sua representação sindical, tampouco teriam sido previamente pactuados e a eles dado ciência. Ademais, como já abordado alhures, os meios (aqui as metas individuais/coletivas) devem conduzir, mesmo indiretamente, ao lucro ou ao resultado da empresa, que, assim cumpridos (os meios), justificarão o pagamento de determinado valor aos empregados. Para tanto, forçoso entender que tais meios devam ser apresentados aos empregados, de quem se espera a conduta diferenciada, antes do "início do jogo". É dizer, antes do período de apuração. Reforça a recorrente a tese de que seus empregados já tinham conhecimento das regras e metas antes mesmo da celebração do acordo e que as negociações seriam praticamente idênticas as dos anos anteriores. Quanto a isso, reproduzo excerto deste voto, que tratou do assunto em tópico anterior: Não há comprovação nos autos de que os empregados tinham prévio e inequívoco conhecimento do inteiro teor das regras definitivamente postas naqueles instrumentos. Já no que diz respeito à repetição dos acordos, como já abordado neste voto, não vejo como suficiente a caracterizar a ciência prévia das regras definidas ao fim da negociação, já que podem variar, na prática, a depender de vários fatores conhecidos à época da respectiva tratativa. No mesmo sentido, o noticiado na imprensa/internet a seguir resumido não desce ao nível de detalhamento necessário ao perfeito entendimento daquilo que teria sido acordado. No máximo, noticiaria a existência de negociações em curso, mas não do que foi estabelecido em seu desfecho. Doutro giro, sob o prisma do ACT, não se pode assegurar sequer a exata correspondência do que constou em sua cláusula 6º com o que se tem efetivamente naqueles PPE e PPG. Em outras palavras: a dúvida que se tem, e que aqui é bem razoável, é se as condições e circunstâncias que constaram daquelas cartilhas e PPG acostados as autos foram, efetivamente, acordados, na forma da lei, com os respectivos empregados em data anterior ao período de apuração a que se referem. Não é por outro motivo que não seja o de evitar essa dúvida, que a Lei 10.101/01 estabelece no § 1º de seu artigo 2º que "dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas." Vale dizer, as regras claras e objetivas devem constar do próprio acordo eleito para o pagamento da PLR. Nesse rumo, impõese reconhecer que as PLR pagas ao arrimo desses programas não continham regras e metas previamente ajustadas, sequer claras e objetivas. PLR paga aos administradores não empregados contribuintes individuais. No que toca ao tema em questão, o Relatório Fiscal concluiu ser desnecessária qualquer análise acerca dos eventuais instrumentos que teriam lastreado tais Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 34 33 pagamentos, eis que inexistiria previsão legal para que fossem excluídos do conceito de salário de contribuição, na medida em que a benesse tributária disciplinada pela lei 10.101/2000 alcançaria apenas as PLR pagas aos segurados empregados tratados no artigo 7º da CRFB/88. Por seu turno, a tese defensiva recai na assertiva de que a PLR paga aos administradores estaria fundamentada no artigo 152, § 10, da Lei nº 6.404/76, que sempre desvinculou do conceito de remuneração dos administradores as eventuais participações nos lucros ou resultados por eles recebidas, demonstrando a existência de caráter não retributivo. Prosseguiu o recorrente ao sustentar que a lei 6.404/76 seria a lei específica a que alude o artigo 28, § 9º, "j" da Lei 8.212/91 que inclusive, antecederia à Lei 10.101/2000, além de que a CRFB/88, em seu artigo 7º, que trata dos direitos dos trabalhadores, não restritos aos empregados contratados nos moldes da CLT, teria garantido, em seu inciso XI, a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração. Se assim não o fosse, haveria ofensa ao princípio de isonomia. O tema não é novo neste Colegiado, que na Sessão de 03.04.2018, analisou a matéria e, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. Naquela oportunidade, segui a divergência por entender, e mantido o entendimento, que os pagamentos de PLR efetuados aos administradores da empresa não se amoldam àqueles preconizados na Lei 10.101/2000. Trago à colação, trecho daquele voto vencedor com o qual me alinho e dele me sirvo como fundamentação. Confirase: "O inciso XI do art. 7º da Constituição Federal (CF) preconiza que dentre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, temse a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Essa norma está inserta no Capítulo II da Carta Maior, denominado "Dos Direitos Sociais", e visa à proteção não de qualquer trabalhador, mas sim daquele que apresenta vínculo de subordinação, como ressaltam Canotilho e Vital Moreira7: (...) a individualização de uma categoria de direitos e garantias dos trabalhadores, ao lado dos de caráter pessoas e político, reveste um particular significado constitucional, do ponto em que ela traduz o abandono de uma concepção tradicional dos direitos, liberdades e garantias como direitos do homem ou do cidadão genéricos e abstractos, fazendo intervir também o trabalhador (exactamete: o trabalhador subordinado) como titular de direitos de igual dignidade. Com efeito, os direitos dos trabalhadores explicitados nos incisos do art. 7º da CF não contemplam sem restrições, todos os trabalhadores, mas sim os trabalhadores subordinados, conforme destaca também Uadi Lammêgo Bulos em seu "Curso de Direito Constitucional" (11ª edição, 2018, Ed. Saraiva, p. 825). 7 CANOTILHO, J.J. Gomes, MOREIRA, Vital. Constituição dirigente e vinculação do legislador. Coimbra: Coimbra Editora, 1994, p. 285. Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 35 34 Reiterese então que esses direitos, tais como o décimo terceiro salário e a licençapaternidade, são voltados aos trabalhadores com vínculo de subordinação8, sem que seja sequer cogitada 'discriminação' pelos não alcançados pelas normas ali contidas, tais como os profissionais liberais, para citarse apenas um dentre os vários exemplos possíveis. Também o § 4º do art. 218 da CF reforça a compreensão de que a participação nos lucros e resultados é dirigida ao trabalhador subordinado. Esse parágrafo veicula previsão de participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade, regrando que a lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado e não ao trabalhador não subordinado desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Diante desse quadro, descortinase, como decorrência de caráter constitucional, que diretores não empregados não estão sob o alcance do instituto regrado pelo inciso XI do art. 7º, norma de eficácia limitada que passou a adquirir seus contornos mais definitivos com o advento da MP nº 794/94. Por sua vez, o art. 2º da Lei nº 10.101/00, que a partir de sua edição passou a regrar a participação nos lucros e resultados constitucionalmente prevista, restringe claramente, em consonância com o acima explicado, esse benefício apenas aos empregados. Atentese que a lei não faculta, como parecem entender alguns, a negociação entre empresa e seus empregados, mas determina "será' que ela seja realizada para que se possa falar em acordo sobre lucros ou resultados. Ou seja, o legislador previu, como não poderia deixar de ser, como pressuposto lógico, que existam partes a princípio contrapostas, mas que procuram negociar e por meio de tal negociação atinjam um patamar de colaboração e integração, com a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa. Não existe negociação consigo mesmo, salvo, talvez, na esfera íntima do indivíduo. A redação desse artigo, aliás, evidencia muito claramente ser o empregado o destinatário da norma, pois como defender que o diretor estatutário, representante do poder de a empresa que subordina, poderia participar de negociação sob as vestes simultâneas de empregador/empregado (trabalhador ou empregado em sentido amplo, caso assim se admita)? Curioso seria imaginar, por exemplo, uma comissão paritária formada por representantes dos diretores estatutários/trabalhadores diretores também, por suposto que fossem negociar PLR com os outros diretores estatutários, ou ainda, com eles mesmos, só que aí assumindo os papéis de representantes dos empregadores. Tudo isso, sob as vistas de um 8 Cabendo registrar que o § 3º do art. 39 da CF estende alguns desses diretios aos servidores públicos. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 36 35 representante indicado pelo sindicato, algo despiciendo na insólita situação criada. A prosperar tal tese, o comando da empresa, composto por diretores nessa condição alçados pelo estatuto, poderia, a seu talante, concederse aumentos indiscriminados a título de premiação, e, alegando "autonegociação", a propósito, buscar granjear as benesses tributárias correspondentes, em prejuízo da seguridade social. Com a devida vênia, carece de razoabilidade tal exegese. Não se vislumbra, no mais, tratamento diferenciado ou mesmo inconstitucional com relação ao diretor empregado, pois este se despe dessa condição na medida em que assume cargo com poder de mando na empresa, como já reconhecido em enunciado sumular pelo Tribunal Superior do Trabalho: Súmula TST nº 269: O empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego. Isso porque, uma vez eleito para o cargo de diretoria, o empregado que passa a ser diretor estatutário não pode assumir o papel de emprego e empregador de si próprio. Não há, assim, qualquer inconstitucionalidade a distinguir trabalhadores em razão de sua ocupação ou função, mas sim de aplicação plena do princípio da legalidade, diferenciando os desiguais na medida da desigualdade, em observância ao primado dos direitos sociais tal como insculpidos em sede constitucional. À luz dessas constatações, e a par delas, deve ser lembrado que diretores não empregados são segurados obrigatórios da previdência social, na categoria de contribuintes individuais, a teor da alínea "a" do inciso I do art. 195 da CF, c/c a alínea "f" do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Nessa qualidade, o correspondente saláriodecontribuição é a remuneração auferida durante o mês, sendo a contribuição a cargo da empresa calculada com base no total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, forte nos incisos III dos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91, não lhes sendo aplicável o benefício previsto na alínea "j" do § 9º do art. 28 desse diploma, tendo em vista ser a lei específica requerida nesse dispositivo a Lei nº 10.101/00, a qual, conforme explanado, não contempla trabalhadores não empregados. Como fecho desse tópico, registro que a Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações, em nenhuma parte de seu texto tratou da tributação das contribuições previdenciárias em relação a remuneração dos segurados contribuintes individuais por parte das empresas, e nem o poderia fazer, pois a instituição e o regramento de contribuições para Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 37 36 a seguridade social requer lei ordinária específica, competência essa exercida pela União com a edição da Lei nº 8.212/91. Essa lei, em seu artigo 152 e parágrafos, estabeleceu somente normas sobre a forma de remuneração dos administradores das Sociedades por Ações, não versando, assim, sobre a incidência das contribuições em comento. Cumpre lembrar, aliás, que o RE nº 569.441/RS, j. 30/10/2014, firmou a Tese de Repercussão Geral nº 344 (de observância obrigatória para este Colegiado por força do art. 62 do RICARF): Incide contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros no período que antecede a entrada em vigor da Medida Provisória 794/1994, que regulamentou o art. 7º, XI, da Constituição Federal de 1988." Temse, então, que a lei regulamentadora da participação nos lucros ou resultados prevista constitucionalmente é a Lei nº 10.101/00 (conversão da MP nº 794/94), conforme já assentado pelo STF, em compreensão partilhada também pelo STJ no AgRg no AREsp nº 95.339/PA, j. 20/11/2012. Nessa mesma linha, trago à colação decisão da CSRF a seguir ementada: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91.A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. Acórdão nº 9202 005.705, sessão de 29.08.2017 Destarte, entendo não assistir razão ao recorrente neste ponto. Bônus de Contratação. Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 38 37 Quanto a este tema, a acusação fiscal repousa na tese de que a verba teria natureza de um prêmio de incentivo, recebido no ato da contratação ou em decorrência desta, negociada entre a empresa e o empregado, fazendo parte do pacote de remunerações para incentivar o empregado a ingressar nos quadros da empresa, denominada no mercado como "luvas", "hiring bonus" ou bônus de contratação. Por sua vez, a recorrente sustenta a ausência dos pressupostos para que tal verba seja considerada remuneração; que tal valor visaria restabelecer e indenizar o contratado pela rescisão involuntária de seu contrato de trabalho anterior. Compulsando os autos, em especial no Relatório Fiscal, podese notar que a autuante verificou na contabilidade da recorrente, especificamente nas contas nº "314010 – Desp. AntecipPrev Compl. Luvas", "677448 – Provisão para Pagamento de Bonus de AdmissaoHiring Bonus" e "955879 – Desp. BenefPrev Compl. Luvas", que a empresa efetuou pagamentos em 2012 referentes a bônus de contratação ou “hiring bonus” a empregados contratados, bem como em suas folhas de pagamento (rubrica 765 – Hiring Bonus). Trouxe ainda, diversas propostas de contratação, nas quais era previsto o pagamento desse bônus, em regra, no mês seguinte ao da admissão do contratado, além de um prazo de permanência que oscilava entre 14 e 36 meses, o qual, caso não fosse cumprindo em função de demissão por justa causa ou pedido de demissão pelo próprio contratado, implicaria a devolução do valor proporcional ao prazo remanescente para o término do acordado. Confira se: Com efeito, tenho por devidamente abordadas as questões fáticas, passando se a análise, a seu turno, acerca da incidência do tributo sobre referidos pagamentos. Pois bem, o assunto, mais uma vez, não é novo. Na Sessão do dia 03.04.2018, este colegiado tratou do tema, quando, pelo voto de qualidade, decidiuse pela tributação dos pagamentos. Naquela oportunidade, votei com a divergência, por entender e continuar entendendo que sobre tais pagamentos há a incidência do tributo. Como fundamentação, peço licença para colacionar excerto do voto vencedor, da lavra do i. Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que, como de costume, bem analisou a matéria. "E, a respeito da matéria, esta Turma já se pronunciou no Acórdão nº 2402005.392 (j. 13/07/2016), do qual extraio o seguinte excerto, por comungar com o entendimento ali exarado, e por bem se aplicar ao caso examinado: Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 39 38 Na minha visão, para esse caso específico o bônus de contratação assemelha se a um adiantamento de remuneração, o qual vai se incorporando ao salário do segurado ao longo do seu tempo de prestação de serviço. Analisemos o que dispõe o inciso I do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991, que trata da base de cálculo da contribuição incidente sobre a remuneração do empregado: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) De se concluir que esse tipo de pagamento, independente da nomenclatura utilizada, subsumese ao conceito de saláriodecontribuição acima reproduzido, posto que é um rendimento pago como forma de atrair o empregado e que, malgrado seja disponibilizada ao beneficiário em parcela única, há a necessidade da prestação de serviço para que o valor incorporese totalmente ao seu patrimônio, posto que, caso não cumpra o prazo de permanência mínima na empresa estabelecido contratualmente, terá que devolver total ou parcialmente o valor transferido. Não há dúvida de que a configuração fática revela não uma verba de natureza indenizatória, mas um pagamento que é efetuado como antecipação salarial pelo tempo que o segurado deve permanecer vinculado à empresa, o que revela sua feição nitidamente remuneratória. Ora, o fato de ficar claro no acordo do pagamento do hiring bonus que tais valores são um adiantamento pelo período futuro em que o empregado deverá ficar vinculado à empresa, já demonstra forte indício de que existe uma vinculação do seu pagamento à contraprestação pelo serviço. No presente caso vêse sem dúvida uma remuneração antecipada. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu art. 457, prescreve que compõe o salário toda contraprestação pelo trabalho do empregado. Tal premissa nos leva a indagar a que título o bônus de contratação é pago. A contratante paga um bônus de contratação (no caso denominado hiring bônus) para atrair e manter por um período em seus quadros um profissional reconhecidamente competente no seu ramo. Pretende dispor do trabalho do profissional por um tempo e comprometese a pagar uma quantia adicional em relação ao salário contratado. Portanto, de um lado temos a empresa oferecendo uma quantia ao trabalhador e de outro temos o empregado que deverá ficar vinculado à nova contratante por um período. Dessa configuração emerge a natureza contraprestacional do bônus. Esse entendimento tem sido também adotado nas cortes trabalhistas, onde se entende que os pagamentos em questão se assemelham as luvas do atleta profissional, que não têm natureza de indenização, mas de pagamento vinculado à performance do trabalhador no cumprimento do seu contrato de trabalho. Vale a pena trazer à colação as seguintes decisões do TST: Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 40 39 "INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO LUVAS .NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso da Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista conhecido e provido, no particular. (TSTRR5674138.2003.5.04.0028, 4ª Turma, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, DEJT 01.4.2011)" " RECURSO DE REVISTA. INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE LUVAS. NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso do Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista não conhecido. (RR 15260058.2009.5.15.0095, 4ª Turma, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, DJ de 19.04.2013)" " RECURSO DE REVISTA. DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO PAGO NO MOMENTO DA CONTRATAÇÃO. "LUVAS". NATUREZA JURÍDICA. O valor pago a título de empréstimo, formalizado por meio de contrato de mútuo, com a finalidade de tornar mais atrativa a contratação de empregado bancário, equipara se às luvas pagas aos atletas profissionais, razão por que tem nítida natureza salarial e, não obstante o pagamento ter ocorrido uma única vez, a parcela deve integrar a remuneração da autora para todos os efeitos. Recurso de revista conhecido e provido (PROCESSO Nº TSTRR1336 98.2012.5.03.0005, 6ª Turma, Relator Ministro Aloysio Correia da Veiga, DJ de 16.04.2014)" Também não deve ser aceita a afirmação de que os ganhos seriam eventuais e, por esse motivo, excluídos do saláriodecontribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9.º, alínea "e", item 7, da Lei n.º 8.212/1991. A eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no dispositivo citado, significa que as vantagens para o segurado decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, digam respeito à ocorrência de caso fortuito. Como se pode ver da pesquisa efetuada no Dicionário Michaelis: Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. Não encontro qualquer traço de eventualidade no pagamento de bônus de contratação , haja vista que estes decorrem de contrato firmado entre empresa e empregado para manutenção do trabalhador a serviço do empregador por um tempo previamente ajustado. Acrescentese que o fato de haver previsão contratual de devolução dos valores em caso de pedido de demissão ou dispensa por justa causa, antes do prazo estabelecido no momento da avença (ver as "proposta de contratação" ilustrativas às fls. 2012 e ss), além de se tratar de acerto privado que não influencia a incidência de contribuições previdenciárias, desvela, de modo claro, a inexistência do caráter indenizatório defendido pelo contribuinte. Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 41 40 Também deve ser afastada a associação entre os valores em discussão e espécie sui generis de indenização restituível, pois o que se constata é que a percepção dessas quantias tem como pressuposto necessário a realização da prestação de serviço durante determinado período, possuindo daí nítida natureza retributiva. Importa registrar que a Lei de Custeio exigiu o requisito de habitualidade somente para as utilidades. E, de sua parte, a obrigatoriedade de prestação de serviços por determinado período de tempo, sob pena de devolução do montante em questão, aponta para a ausência de caráter gracioso ou eventual do pagamento, e para a existência de uma gratificação ajustada antecipadamente, vinculada à prestação de serviço a ser efetuada. Ou seja, ao invés de receber mês a mês tal valor, o beneficiário recebe previamente a remuneração estabelecida, de acordo com as expectativas incorporadas no texto da proposta de contratação. Reiterese que, quanto à pretensa eventualidade a atrair a incidência do disposto no item 7 da alínea 'e' do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não verifica ela na espécie, pois como bem frisado pela decisão de piso, há conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição estabelecida para o seu recebimento, a prestação de serviços para o empregador durante dado período. A jurisprudência recente do CARF vem caminhando nessa senda, como atestam os Acórdãos nº 2401003.708 (j. 07/10/2014), nº 2402 005.274 (j. 11/05/2016) e nº 2202003.438 (j. 14/06/2016). Cumpre destacar, ao final, recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o tema Acórdão nº 9202005.156, j. 25/01/2017 no qual o voto vencedor aborda com lucidez o conceito de ganho eventual: Entendo que somente os pagamentos que não guardam relação com o contrato de trabalho podem ser tidos por ganhos eventuais desvinculados, devendo decorrer de condições específicas de um trabalhador, como por exemplo destinação de valores em eventos de doença e outros sinistros fortuitos, sem relação direta ou indireta pela prestação de serviços. Não há dúvida de que o pagamento de bônus de contratação Hiring bônus, ou mesmo, gratificação em razão da admissão do empregado (utilizados por algumas empresas) tem relação direta com o vínculo contratual estabelecido entre as partes, e o seu principal objetivo é atrair profissionais para o quadro funcional da empresa, representando, a bem da verdade, um pagamento antecipado pela futura prestação de serviço do trabalhador." Nesse mesmo sentido, o acórdão nº 9202004.308, de 20.07.2016, com a seguinte ementa: HIRING BONUS. VERBA DECORRENTE DO CONTRATO DE TRABALHO, COMPONENTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A verba paga a título de hiring bonus é decorrente do contrato de trabalho. Essa verba não tem natureza de verba eventual, por não estar relacionada a caso fortuito e, ao contrário, sendo esperada desde a contratação, deve compor o salário de contribuição. Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201714 Acórdão n.º 2402006.707 S2C4T2 Fl. 42 41 Face ao acima exposto, CONHEÇO do recurso apresentado para REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1392DF CARF MF
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