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Numero do processo: 13851.900891/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Empresa apresentou PER/DCOMP pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de pagamento de estimativa mensal. Em Despacho Decisório Eletrônico, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 89 1/ 20 09 -7 3 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13851.900891/200973 Resolução nº 1302000.660 S1C3T2 Fl. 67 2 do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao .final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período", forte no artigo 10 da IN 600/2005. Inconformada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a PER/Dcomp sob alegação da improcedência do crédito por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) houve equivoco quanto à interpretação do artigo 10 da IN n° 600/2005; c) o despacho decisório sustenta que a impugnante violou o artigo 10 da IN n° 600/2005; d) a impugnante, por sua vez, informa que não apurou saldo negativo de IRPJ no anocalendário correspondente, nem utilizou o valor do indébito na apuração do referido saldo negativo; e) discorre sobre o direito à compensação. salientando que a compensação, objeto dos autos, foi efetuada mediante pedido eletrônico (PER/Dcomp) e elaborada atendendo todos parâmetros estabelecidos pela legislação; f) o artigo 10 da IN n° 600/2005 viola o principio da legalidade tributária, não podendo a contribuinte ser prejudicada por norma que não tem força de lei, mas sim caráter acessório a ela; g) vedar a compensação dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de IRPJ/CSLL no decorrer do anocalendário afeta nitidamente o direito do contribuinte na utilização de seu direito; h) se a lei que disciplina referido procedimento não restringe a compensação não há que se falar em improcedência do crédito; i) cita ementas de decisões administrativas; j) Instrução Normativa é ato administrativo realizado nos limites do Poder Regulamentar conferido á Administração Pública; k) o artigo 10 da IN n° 600/2005 não vincula o particular sendo incapaz de gerarlhe obrigação; 1) o valor do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ é legitimo e de pleno direito da impugnante, estando de pleno acordo com as diretrizes trazidas pela lei. Ao final, requer a homologação da compensação pretendida, declarando extinto o crédito tributário. A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais de 1RPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois ai ocorrente o fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do imposto apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto de renda a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.900891/200973 Resolução nº 1302000.660 S1C3T2 Fl. 68 3 Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto A Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Não satisfeita a Empresa apresentou Recurso Voluntário reprisando os argumentos do recurso anterior. Vieram os autos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O recurso é tempestivo. A representação é regular. Conheço do recurso. Estamos tratando de proibição de compensação de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal, cuja previsão estava no artigo 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005. Temos a incidência direta da súmula CARF nº 84, cujo teor transcrevo: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sendo de aplicação forçada pelos Conselheiros deste Conselho, por força do artigo 45 § 6º do Anexo II do RICARF, a proibição constante da referida IN não oferece óbice à compensação pleiteada. Todavia, ante a situação criada, em que o direito creditório não sofreu nenhuma análise, sendo sumariamente negado o direito por força de previsão normativa, e pelo fato desta Turma não ter condições de proceder a esta análise, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para: a) que seja procedida a análise do direito creditório, com o afastamento da proibição constante do artigo 10 da IN nº 600/2005; b) seja dada ciência da decisão ao Recorrente, para manifestação; c) passado o prazo de 30 dias, com ou sem a manifestação do interessado, retornem os autos para julgamento. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13851.900891/200973 Resolução nº 1302000.660 S1C3T2 Fl. 69 4 É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728038/2014-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO EM PARTE.
Verificada a existência de omissão e contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados.
Numero da decisão: 2202-004.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de que se procedam as modificações no acórdão embargado propostas na conclusão do voto do relator, sem efeitos infringentes, rerratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO EM PARTE. Verificada a existência de omissão e contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de que se procedam as modificações no acórdão embargado propostas na conclusão do voto do relator, sem efeitos infringentes, rerratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO EM PARTE. Verificada a existência de omissão e contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de que se procedam as modificações no acórdão embargado propostas na conclusão do voto do relator, sem efeitos infringentes, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos nos autos do processo nº 11080.728038/201428, em face do acórdão nº 2202003.605, proferido em 18/01/2017 pela 2ª. Turma Ordinária da 2ª. Câmara da 2ª. Seção de Julgamento deste Conselho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 80 38 /2 01 4- 28 Fl. 15085DF CARF MF Processo nº 11080.728038/201428 Acórdão n.º 2202004.806 S2C2T2 Fl. 15.086 2 Foi proferido Despacho de Admissibilidade (fls. 15.055/15.059) do então Presidente desta colenda Turma, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Contudo, na Resolução n° 2202000.810, reconheceuse que houve tão somente a análise dos embargos de declaração de fls. 1473/14762, sendo omisso no que diz respeito aos embargos de fls. 14838/14855, além de contradição existe no despacho. Diante disso, converteuse o feito em diligência para que novo despacho de admissibilidade dos embargos fosse proferido. A União em fl. 15.067, por meio de sua Procuradoria, afirma estar ciente da Resolução. Retornados os autos, da diligência, sendo proferidos dois despachos de admissibilidade. No que tange ao despacho de fls. 15070/15076, referente aos embargos de fls. 14743 e seguintes (embargante: LPS SUL), a decisão foi no sentido de que não houve omissão no acórdão, mas em certas razões e conclusões e, portanto, acolheuse parcialmente os Embargos para que fossem novamente apreciados pelo Colegiado, em especial para suprir o vício no item “II.1”. O item II.1 referido é o seguinte: "II. 1 Do Erro Material do Acórdão Embargado ... a partir das conclusões acima reproduzidas do acórdão embargado, verificase que o I. Conselheiro Relator acolheu as alegações da Embargante em relação ao descabimento da aplicação da Multa de Ofício na sua forma qualificada, em razão da ausência de comprovação da prática de qualquer ato doloso com intuito de fraude, simulação ou conclui pela Embargante, o que implicaria no provimento ao menos parcial do Recurso Voluntário. Contudo, ao concluir suas razões de decidir referentes à Multa de Ofício Isolada, o I. Conselheiro Relator, por um lapso, alude que "por tais razões, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso de voluntário e, no mérito, por negarlhe provimento"...:" Já no que se refere ao despacho de fls.15077/15084, o qual analisou os embargos opostos em fls. 14835 e seguintes (embargante: LPS BRASIL), entendeu o juízo de admissibilidade pelo acolhimento parcial dos Embargos de Declaração para que fossem novamente submetidos ao Colegiado, afim de que fosse suprido o vício presente nos itens “II.1, II. 3.1 E II. 3.4”. Quanto ao item II.1, este consta nos mesmos termos referidos acima já reproduzidos. O item II. 3.1 referido possui o seguinte teor: II. 3.1 Omissão Acerca da Nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária Falta de Motivação do Ato Administrativo Conforme se depreende da leitura do acórdão recorrido, o I. Conselheiro Relator, no que tange à responsabilidade tributária da Embargante, deixou de analisar a preliminar apontada em seu Recurso Voluntário atinente à nulidade do Termo de Fl. 15086DF CARF MF Processo nº 11080.728038/201428 Acórdão n.º 2202004.806 S2C2T2 Fl. 15.087 3 Responsabilidade Solidária, tema suficiente para o afastamento da sujeição passiva em face da Embargante. Vejase: De fato, os únicos argumentos levantados no acórdão embargado se referem às razões de mérito, razão pela qual é nítida a omissão cometida pelo I. Conselheiro Relator que deixou de analisar a preliminar apontada referente à falta de motivação do lançamento fiscal: Por fim, o item II. 3.4 refere o seguinte: II. 3.4 Omissão Acerca da Impossibilidade da Exigência de Multa em face da Embargante Por fim, mister destacar que o acórdão embargado, especificamente no Voto Vencido, também foi omisso com relação aos argumentos desenvolvidos no Recurso Voluntário no que se refere à impossibilidade da exigência de multa em face da Embargante, nos termos do artigo 137 do CTN. Confirase: Ocorre que, conforme asseverado no Recurso Voluntário e não analisado no Voto Vencido, a exigência de multa não pode ser direcionada à Embargante, uma vez que as penalidades apenas podem ser cobradas dos agentes que supostamente infringiram a legislação tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram opostos dentro do prazo legal e reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, entendo por conhecêlos. Item II. 1 dos embargos de declaração da LPS BRASIL e LPS SUL Quanto ao item "II. 1" de ambos os Embargos de Declaração opostos, assiste, em parte, razão às Embargantes. Compulsandose o dispositivo do acórdão embargado, verificase que o provimento parcial foi: "... No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para: a) desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%" Entretanto, à fl. 14.673, refere o seguinte: "Por tais razões, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso de voluntário e, no mérito, por negarlhe provimento". De início, cabe mencionar que meu voto, à fl. 14.668, foi “Ante o exposto, encaminho voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência fiscal. No entanto, tendo sido vencido, passo à análise das demais matérias que são objeto dos recursos voluntários interpostos”. Assim, ao apreciar as demais questões suscitadas no recurso, à fl. 14.673 dos autos, o voto refere que, em relação a determinada matéria, estava sendo negado provimento ao recurso voluntário. Ocorre que, se lido o voto dentro do contexto apresentado, verificase que Fl. 15087DF CARF MF Processo nº 11080.728038/201428 Acórdão n.º 2202004.806 S2C2T2 Fl. 15.088 4 estava sendo negado provimento ao recurso voluntário em relação a matéria lá tratada: Multa caráter confiscatório alegação de inconstitucionalidade. Não se tratava da conclusão do voto, pois esta já havia sido manifestado à fl. 14.688. Tratavase de uma conclusão daquele item, qual seja, “Multa caráter confiscatório alegação de inconstitucionalidade”. De modo a clarear o voto, acolho os aclaratórios neste tocante, para sanar a contradição existente no acórdão. Assim, entendo por substituir o trecho do voto colocado à fl. 14.673. Portanto, onde se lê: “Por tais razões, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso de voluntário e, no mérito, por negarlhe provimento”, deve passar a ser lido o seguinte: “Quanto a alegação da multa possuir caráter confiscatório, entendo por negar provimento ao recurso neste tocante.”. Item II. 3.1 dos embargos de declaração da LPS BRASIL Quanto ao item "II. 3.1" dos aclaratórios da emabrgante LPS BRASIL, compulsandose o Recurso Voluntário, constatase que o Embargante suscita "Nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária: Falta de Motivação do Ato Administrativo"; no entanto o acórdão embargado não se manifestou, especificamente, sobre esse ponto. Assim, devese acolher, nessa parte, os aclaratórios. Ocorre que no tópico Nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária: Falta de Motivação do Ato Administrativo, alegase que o Termo não contém os fatos que levaram à Fiscalização por concluir pela responsabilidade solidária da recorrente. O acórdão embargado tratou desta questão, sendo expressamente referido no voto que restaria comprovada a existência de interesse comum entre as empresas envolvidas. Vejamos o trecho do voto à fl. 14.675: “Mantémse a empresa citada como responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art.124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora).” (grifos originais). A matéria inclusive integra a ementa do acórdão, vejamos: “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA. Mantém se a empresa citada como responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora).” No entanto, possui razão a embargante LPS BRASIL quanto a não estar expressamente colocado que, por tais razões, a preliminar de “Nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária: Falta de Motivação do Ato Administrativo” estaria rejeitada. Muito embora, tenha referido, no parágrafo seguinte, à fl. 14.675, que “voto por rejeitar as preliminares”. Deste modo, entendo por acolher os embargos de declaração neste tocante, para sanar a omissão apontada, fazendo constar expressamente no voto que a preliminar de nulidade do termo de responsabilidade solidária, por falta de motivação do ato administrativo foi rejeitada. A fundamentação para a rejeição de referida preliminar é a que consta no voto e na ementa, qual seja, a que restou comprovada a existência de interesse comum de que trata o Fl. 15088DF CARF MF Processo nº 11080.728038/201428 Acórdão n.º 2202004.806 S2C2T2 Fl. 15.089 5 art.124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora). Ou seja, claramente verificase que houve motivação do ato administrativo impugnado pela contribuinte. Item II. 3.4 dos embargos de declaração da LPS BRASIL Quanto ao item "II. 3.4" dos embargos de declaração da LPS BRASIL, compulsandose o Recurso Voluntário, constatase que a Embargante questiona a Impossibilidade da Exigência de Multa, já que não praticou os atos tidos como simulados pela autoridade fiscal, nos termos do art. 137 do CTN; entretanto, o acórdão embargado não se manifestou, especificamente, sobre esse ponto. Muito embora o acórdão conste que havia interesse comum da empresa ora embargante e por tal razão deveria ela responder pela exigência fiscal em questão, não restou analisado no voto se sobre a multa aplicada deveria a ora embargante responder. A responsabilidade tributária decorre do Art. 124, inciso I, do CTN, que disciplina que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Assim, responde a embargante solidariamente com a totalidade do débito constituído, em razão do interesse comum existente, consoante restou decidido no acórdão embargado. Portanto, entendo por clarear o acórdão para deixar expressamente posto no voto que a embargante responde, por força do art. 124, I, do CTN, pelo débito tributário constituído, inclusive pela multa, não sendo enquadrado o caso nas hipóteses previstas nos incisos do art. 137 do CTN. Conclusão Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem atribuir lhes efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados: a) retificar o trecho do voto colocado à fl. 14.673, de modo que onde se lê: “Por tais razões, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso de voluntário e, no mérito, por negarlhe provimento”, deve passar a ser lido:“Quanto a alegação da multa possuir caráter confiscatório, entendo por negar provimento ao recurso neste tocante.”; b) fazer constar no voto do Relator, de forma expressa, que foi rejeitada a preliminar de “Nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária: Falta de Motivação do Ato Administrativo”; c) fazer constar no voto do Relator, de forma expressa, que a embargante, por ter interesse comum, nos termos do art. 124, I, do CTN, responde inclusive pela multa aplicada. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 15089DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900734/2008-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado com fundamento na legislação tributária.
Numero da decisão: 1001-000.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado com fundamento na legislação tributária.
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ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal IRPJ somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado com fundamento na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 07 34 /2 00 8- 81 Fl. 67DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 0743939097191103.1.3.048010, de 19/11/2003, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ 2362 (janeiro de 1999). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 757692912, de 24/04/2008 (efl. 07), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 13/14), alegando que declarou na DCTF 1° trimestre/1999 ter a pagar (e pagou) de IRPJ o valor de R$ 172.191,39; que após a formalização da DIPJ, constatouse ter havido um prejuízo anual no valor de R$ 370.525,10; mas que de forma equivocada não foi retificada a DCTF, o que gerou a vinculação de um débito inexistente ao DARF pago. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0116.700 1ª Turma da DRJ/BEL, e fls. 46/50) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/04/2010 (efl. 51) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 13/05/2010 (efl. 52), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: Com relevo, cediço que as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de preclusão, No entanto, a alínea "c", § 4°, art. 16, do Decreto n.° 70.253/72, abre a oportunidade para apresentação em outro momento processual quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Tal é a hipótese vertente. De fato, tratase de argumento novo o aduzido pela la Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Belém, no sentido de indeferir o pleito de compensação devido ao crédito tratarse de Saldo Negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior como declarado na DCOMP. Diante disso, abrese a oportunidade para a Recorrente, com espeque na alínea "c", § 4°, art. 16, do Decreto n.° 70.235/72, apresentar, neste momento processual, a DCOMP alusiva e comprobatória do credito deduzido. Sendo tal DCOMP de retificação/substituição da original, haja vista ter ocorrido o preenchimento equivocado da DCOMP original, por parte da requerente. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10283.900734/200881 Acórdão n.º 1001000.877 S1C0T1 Fl. 68 3 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN) como bem assinalou a decisão da Unidade de Origem (e fl. 07). Ou seja, não se trata de argumento novo a negativa de crédito cujo pagamento correspondeu a débito devidamente declarado, conforme decisão da Unidade de Origem e de primeira instância (efls. 07 e 46/50). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (estimativa paga em valor indevido) e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efls. 13/14) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, não se comprovou que a liquidez do alegado direito creditório (estimativa de fevereiro de 1999). Observamos que a apresentação de DCTF retificadora (somente) não demonstra a liquidez do crédito pleiteado, correspondente ao trimestre citado: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que não cabe nesta instância recursal apreciar ou diligenciar por eventual demonstrativos contábeis para a apuração do crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 13/14), pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Fl. 69DF CARF MF 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10283.900734/200881 Acórdão n.º 1001000.877 S1C0T1 Fl. 69 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Adiciono que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. Ou seja, o fato do contribuinte ter apurado na DIPJ/2000 prejuízo fiscal e saldo negativo IRPJ não torn os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Pagamento indevido ou a maior, portanto, é o saldo negativo apurado na DIPJ/2000, e não foi esta a natureza do crédito alegado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001605/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/12/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Comete infração a empresa que não informar em GFIP todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devido da contribuição previdenciária, conforme dispõe o art. 32, inciso IV, c § 5 o da Lei 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n.º 4).
Numero da decisão: 2301-005.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para substituir o Conselheiro João Maurício Vital). Ausente justificadamente o Conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/12/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Comete infração a empresa que não informar em GFIP todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devido da contribuição previdenciária, conforme dispõe o art. 32, inciso IV, c § 5 o da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n.º 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para substituir o Conselheiro João Maurício Vital). Ausente justificadamente o Conselheiro João Maurício Vital.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Comete infração a empresa que não informar em GFIP todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devido da contribuição previdenciária, conforme dispõe o art. 32, inciso IV, c § 5 o da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF n.º 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 05 /2 01 0- 55 Fl. 395DF CARF MF 2 Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para substituir o Conselheiro João Maurício Vital). Ausente justificadamente o Conselheiro João Maurício Vital. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela interessada. A presente autuação diz respeito ao descumprimento da obrigação acessória, por não ter apresentando as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Conforme o relatório fiscal (fl. 10), a multa está aplicada nos seguintes termos: "Conforme disposto no artigo 284, I I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, e no artigo 32, I V , § 5 o da Lei n° 8 . 2 1 2 / 9 1 , a multa a ser aplicada corresponde a 100 % (cem por cento) do valor da contribuição previdenciária devida não declarada, limitada aos valores constantes da tabela prevista no artigo 32, I V , § 4 ° da Lei n° 8 . 2 1 2 / 9 1 , e na Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 2 9 / 0 6 / 2 0 1 0 , em função do número total de segurados a serviço da empresa, conforme se verifica no Anexo I do presente Auto de Infração. Com a edição da Medida Provisória 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 1 1 . 9 4 1 , de 27 de maio de 2009^ as multas de ofício passam a ser aplicadas conforme redação abaixo: " Art. 2 6 . A Lei no 8.212, de 24 de julho de 1 9 9 1 , passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta lei, aplicase o disposto no art. 4 4 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Assim dispõe o art. 44 da Lei 9430/96: ' "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 7 5% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § l o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos nos artigos 7 1 , 72 e 73 da Lei Fl. 396DF CARF MF Processo nº 16327.001605/201055 Acórdão n.º 2301005.438 S2C3T1 Fl. 389 3 no 4 . 5 0 2 , de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o Inciso I do caput e o § l o deste artigo serão previstos aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; I I apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os I I I apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei." Nesse sentido, em respeito ao art. 106, inciso I I , alínea "c" do CTN, a multa calculada do AI CFL 68 (AI da obrigação acessória) somada com a multa de mora, iniciando com a aplicação de 24% no momento da autuação dos Ais da obrigação principal (cálculo no anexo I I deste AI), deve ser confrontada com a multa da Lei n° 11.941/09 7 5% (cálculo no anexo I I I deste AI), para aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, pelo total mensal da autuação. Constatouse que a legislação da época do fato gerador deve ser aplicada por ser mais benéfica ao contribuinte nas competências 12/2006 e 12/2007. A multa de ofício de 7 5% será aplicada nas demais competências no Auto de Infração Principal parte patronal. A partir do exposto, o valor total da multa a ser aplicada no presente Auto de Infração é de R$ 143.179,00 (Cento e quarenta e três mil e cento e setenta e nove reais)". A DRJ de origem julgou improcedente o pedido da contribuinte para ver a aplicação de multa mais benéfica segundo o seu entendimento. A recorrente apresenta ao conselho recurso voluntário nas fls. 160 e seguintes, requerendo a aplicação do art. 32A, da Lei 8212/91, caso o autuação principal seja mantida. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator Tendo em vista que fiquei vencido nos processos que trataram das obrigações principais, passo a adequar o voto, para julgar improcedente o recurso voluntário nesse processo que trata da obrigação acessória. Fl. 397DF CARF MF 4 Nesse sentido, toda a matéria abordada no recurso foi objeto de análise nos demandas principais restando este da obrigação acessória mantido, em relação ao que foi decido nos processos n.º 16327.001606/201008 e n.º 16327.001607/201044. Nesse sentido, constatouse que a contribuinte deixou de elaborar ou apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no artigo 3 2 , I V , § 5 o da Lei n° 8.212 /91 . "Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; Assim, conforme transcrição da DRJ de origem: "tendo a impugnante omitido das suas GFIPs, nas competências 12/2006 e 12/2007, os aportes patronais efetuados ao plano de previdência complementar exclusivo de seus diretores estatutários e superintendentes executivos, em desacordo com a legislação pertinente, o Agente Fiscal, plenamente motivado, lavrou o presente AIOA, lastreado no dispositivo legal acima transcrito" Nessas circunstâncias, como já dito acima, em razão de permanecer a obrigação principal nos autos principais, e em decorrência lógica, voto por julgar improcedente o presente recurso, referente à penalidade aplicada em razão de descumprimento da obrigação acessória. DA APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA E DA MULTA CONFISCATÓRIA Mais uma vez, não assiste razão a recorrente. Isso porque, a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) foi criada pela Lei nº 9065/95, que teve sua origem na Medida Provisória n.º 947, de 22.03.1995 (reeditada sob ns. 972/95, em 20.04.95, e 998, em 19.05.95), do qual o artigo 13 assim dispõe: "Artigo 13 A partir de 1º de abril de 1995 os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n. 8847, de 28 de janeiro de 1994 com redação dada pelo artigo 6º da Lei n. 8850, de 28 de janeiro de 1994 e pelo artigo 90 da Lei 8981/95 o artigo 84, inciso I, e o artigo 91, § único, alínea " a.2", da Lei 8981/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." Posteriormente, o Congresso Nacional transformou a MP na Lei nº 9.065/95. Portanto, a taxa SELIC é a taxa referencial oficial para aplicação dos tributos da União, conforme prevê, no art. 5º, §3º, e no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, as seguintes disposições: Fl. 398DF CARF MF Processo nº 16327.001605/201055 Acórdão n.º 2301005.438 S2C3T1 Fl. 390 5 Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (…) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (…) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento". A súmula CARF n.º 04 pacificou o entendimento da aplicação da taxa SELIC, senão vejamos: "Súmula 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". O Superior Tribunal de Justiça, em repercussão geral, nos moldes do artigo 543C, do antigo CPC de 1973, manifestou o seguinte entendimento acerca da matéria: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. (...)”. (STJ. Resp 879844. Min. Rel. Luiz Fux. Dje 25/11/2009) (g. N.). Fl. 399DF CARF MF 6 Assim, a presente taxa de atualização de tributo federal é devida. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso somente no que não aborda sobre matéria constitucional, em razão da incompetência do colegiado para análise do tema, e no mérito NEGAR provimento do recurso, uma vez que subsistiram as obrigações principais. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 400DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.721981/2014-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. FATOS GERADORES DISTINTOS.
No caso de alienação a prazo, cada parcela recebida constitui fato gerador distinto e autônomo, sem qualquer vinculação a eventual decisão administrativa porventura proferida quando do julgamento relativo a parcela de tributo anteriormente exigida.
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR.
Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância à correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA QUALIFICADA. DESCRIÇÃO DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA.
Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, decorre do tipo (lei) e é imposta com culpa ou dolo, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108).
Numero da decisão: 9202-007.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Acordam também, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de aplicação dos efeitos da coisa julgada administrativa, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Acordam, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que deram provimento parcial para excluir a exigência de Imposto de Renda sobre o ganho de capital porém, vencidas, mantiveram a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira Ana Paula Fernandes não apresentou a Declarações de Voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). Julgamento iniciado na reunião de 09/2018.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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FATOS GERADORES DISTINTOS. No caso de alienação a prazo, cada parcela recebida constitui fato gerador distinto e autônomo, sem qualquer vinculação a eventual decisão administrativa porventura proferida quando do julgamento relativo a parcela de tributo anteriormente exigida. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o termo inicial para contagem do prazo decadencial. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância à correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. DESCRIÇÃO DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, decorre do tipo (lei) e é imposta com culpa ou dolo, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 19 81 /2 01 4- 66 Fl. 2016DF CARF MF 2 consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício (Súmula CARF nº 108). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Acordam também, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de aplicação dos efeitos da coisa julgada administrativa, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Acordam, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que deram provimento parcial para excluir a exigência de Imposto de Renda sobre o ganho de capital porém, vencidas, mantiveram a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira Ana Paula Fernandes não apresentou a Declarações de Voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). Julgamento iniciado na reunião de 09/2018. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, incidente sobre ganhos de capital obtidos quando do recebimento de parcelas, cuja operação de alienação foi efetuada a prazo. As parcelas foram recebidas em 2006, 2009, março e setembro de 2010 e março e julho de 2011. O presente processo diz respeito às quatro últimas parcelas, recebidas em 2010 e 2011. O objeto da autuação foi a alienação das ações do Banco Pactual S/A, de propriedade do sócio autuado, precedida de reorganização societária ocorrida entre sociedades Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.017 3 holdings, que detinham as ações do citado banco. A operação consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a alienação das ações do Banco Pactual diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. A reorganização societária teve como consequência a majoração do custo das ações alienadas, o que gerou a redução do ganho de capital tributável, obtido pelo acionista pessoa física. As operações foram assim descritas, em síntese, pela Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal de fls. 113 a 142): as reorganizações societárias não teriam como produzir efeitos econômicos que justificassem o acréscimo patrimonial da pessoa física, tendo como objeto tãosomente a majoração irregular do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A e, consequentemente, a supressão de tributos devidos pela pessoa física relativos à alienação do Banco; por meio de contrato firmado em 09/05/2006, entre a UBS AG, a Pactual S.A (controladora direta do Banco Pactual S.A.) e as pessoas físicas com participação indireta no patrimônio do Banco Pactual S.A., definiuse, entre outras coisas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactual S.A seriam extintas mediante a reorganização, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas; o pagamento das ações do Banco Pactual S.A. foi parcelado, sendo a primeira parcela paga na data de “Fechamento” da compra e venda das ações, o que ocorreu em dezembro de 2006, e as demais parcelas em datas posteriores, denominadas “Pagamento Diferido”; o valor do “Pagamento Diferido”, referente às últimas parcelas do valor de alienação das ações do Banco Pactual S/A, foi recebido pelo exsócio pessoa física no ano calendário 2009 (objeto do Auto de Infração MPF 0710800/2010/013054), e nos anos calendário 2010 e 2011, objetos do presente Auto de Infração; os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no anocalendário de 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, o que permitiu que a transferência das ações do Banco Pactual S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas; em 28/12/2004 e 31/12/2005, foram realizados aumentos do capital social de Pactual Participações Ltda, nos valores de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade; em 31/12/2005, a Pactual Participações Ltda foi incorporada por Pactual Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40), e posteriormente a Pactual Participações S/A transformouse em Nova Pactual Participações Ltda; em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactual Participações Ltda, no valor de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ Fl. 2018DF CARF MF 4 756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade; em 13/10/2006, a Pactual Holdings S/A aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia; em 13/10/2006, a Pactual Holdings S/A foi incorporada por Pactual S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47, e também nesta data a Nova Pactual Participações Ltda foi incorporada por Pactual S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93; em 01/11/2006, o capital social da Pactual S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva, e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade; em 03/11/2006, a Pactual S/A aumentou seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia; em 01/12/2006, a Pactual S/A foi incorporada pelo Banco Pactual S/A, vertendose para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18; a partir deste último evento, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactual S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas; assim, constatase um padrão nos eventos societários: após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias, em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactual S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactual Participações Ltda, Pactual Holdings S/A e Pactual S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados, sendo que depois foram incorporadas pelas suas Investidas, operações estas inversas ao processo normal, que é o da Investidora incorporar a Investida; nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactual Participações Ltda, Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactual Holdings S/A e da Nova Pactual Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactual S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactual S/A, no valor de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00; com a incorporação, todo o acervo líquido da Pactual S/A (PL), no valor de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactual S/A; as ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenham sofrido alteração, da Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.018 5 mesma forma que se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam de sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra; assim, concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactual S/A, em 01/12/2006, todavia o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactual S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data de sua efetivação os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma que, em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam o valor de R$ 290.754.000,06 a título de dividendos; dito valor, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos, deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactual S/A, por isso esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado; desta forma, apurase o custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 183.194.183,97, correspondente a 21,20% do total da sociedade; o que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactual Participações Ltda, mantendo assim em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos; os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactual Participações Ltda e Pactual S/A nada mais são que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactual S/A; as operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídicocontábilfinanceiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactual S/A, com repercussão na controladora Pactual S/A; eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactual S/A, em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactual Participações Ltda e Nova Pactual Participações Ltda, nada mais eram que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactual S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactual S/A; com tais procedimentos, os exacionistas informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos Imposto de Renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso; todo o arcabouço montado foi no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária, definido no inciso I, dos artigos 1º e 2º da Lei 8.137, de 1990; o ato praticado contraria as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o autuado afirmar que nela se baseou; e ainda que assim fosse, o ato preservaria a Fl. 2020DF CARF MF 6 letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à ideia segundo a qual não há direito ilimitado; o abuso do direito pode ser definido como o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrários ao critério econômico e social do direito em geral; por ter a Fiscalização entendido restar caracterizado o evidente intuito de fraude definido no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, consoante estabelecido no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Em sessão plenária de 15/03/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.737 (fls. 1619 a 1.650), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Constituem fatos geradores distintos do IRPF incidente sobre o ganho de capital os recebimentos de valores referentes à venda do bem ou direito ocorridos em datas diferidas, não havendo necessariamente a vinculação da decisão administrativa relativa ao IRPF incidente sobre o recebimento ocorrido em um mês à futura apuração do IRPF relativo ao recebimento ocorrido em outro mês. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.019 7 equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A divergência na qualificação jurídica do fato não pode ser equiparado ao evidente intuito de fraude para efeito de aplicação da multa qualificada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que acolheram as preliminares de decadência e de existência de coisa julgada administrativa. No mérito: a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à infração de Omissão/Apuração Incorreta de Ganhos de Capital, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que deram provimento ao recurso; b) por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%; c) por maioria de votos, manter a incidência dos juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que a excluíram. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a Relatora. O Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto informou que apresentará declaração de voto.” O processo foi encaminhado à PGFN em 15/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.651) e, em 27/06/2017, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 1.652 a 1.670 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.671), com fundamento no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a desqualificação da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 28/08/2017 (fls. 1.960 a 1.965). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: o lucro operacional obtido pelo Banco Pactual S/A estava refletido na contabilidade de todas as empresas controladoras, pelo método da equivalência patrimonial, Fl. 2022DF CARF MF 8 assim, a Pactual Holding e a Nova Pactual Participações tinham contabilizado lucro da Pactual S/A e do Banco Pactual e a Pactual S/A, por sua vez, tinha contabilizado lucro decorrente do Banco Pactual; em 13/10/2006, foi realizada a primeira capitalização, ocorrida na Nova Pactual Participações Ltda: os sócios aprovaram o aumento do seu capital social em R$ 686 milhões, que passa de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, e cuja integralização foi efetuada mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuíam frente à empresa (conforme balanço relativo a 31/08/2006), provenientes de distribuição de dividendos; a título de informação, cumpre mencionar que, na mesma data, a outra holding presente no grupo, a Pactual Holding, realizou uma operação semelhante: houve o aumento de seu capital social em R$ 202,5 milhões, que passa de R$ 31.299.033,50 para R$ 233.799.033,50, cuja integralização também se deu por meio da capitalização de créditos de seus sócios junto à empresa, no valor de R$ 200,5 milhões, provenientes de distribuição de dividendos e R$ 2 milhões de sua Reserva Legal (balanço de 31/08/2006); destacase que os lucros utilizados pelos acionistas pessoas físicas nas capitalizações da Nova Pactual Participações Ltda e da Pactual Holding são registros contábeis, fundamentados no método da equivalência patrimonial, dos resultados auferidos pelo Banco Pactual; esses lucros utilizados nas capitalizações são “reflexos” do lucro verdadeiro, real, que fora auferido pelo Banco Pactual; ato contínuo, as duas holdings (Pactual Holding e Nova Pactual Participações Ltda) são incorporadas pela Pactual S/A, e, nesse momento, o contribuinte Gilberto Sayão da Silva passa a ser acionista da Pactual S/A; entretanto, a Pactual S/A também havia registrado, com base no método da equivalência patrimonial, os resultados auferidos pelo Banco Pactual, lembrando que, com base no método da equivalência patrimonial, esses mesmos lucros registrados pela Pactual S/A já haviam sido contabilizados também na Nova Pactual Participações Ltda. e Pactual Holding, que eram acionistas controladoras de Pactual S/A, e utilizados nas primeiras capitalizações realizadas pelos acionistas; não obstante o fato de o lucro já ter sido utilizado em aumento de capital nas holdings, o contribuinte utilizouos novamente, em outra operação de aumento de capital, dessa vez na Pactual S/A; adotando esse artifício em operações sucessivas, o contribuinte conseguiu aumentar o custo de aquisição das ações do Banco Pactual em 236,84%, quando o patrimônio líquido do Banco aumentou em 89%; não é possível desvincular o lucro produzido pelo Banco Pactual S.A. do lucro que serviu para aumentar o capital de Nova Pactual Participações Ltda., a Pactual Holdings S.A. e a Pactual S.A.; com efeito, a utilização do método da equivalência patrimonial não altera o fato de que o lucro é um só, ou seja, aquele obtido pela empresa operacional e refletido para as demais controladoras/investidoras; Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.020 9 o Contribuinte tentou fazer prevalecer a tese de que o lucro gerado pelo Banco Pactual, a única operacional do grupo, pode ser utilizado em mais de uma capitalização dentro de um mesmo grupo de empresas; a equivocada interpretação adotada pelo contribuinte teve como resultado prático a utilização sucessivas vezes de um único lucro, mesmo não havendo suporte econômico para tanto; em outras palavras, o Contribuinte capitalizou uma empresa com um lucro ou reserva de capital que já foi utilizado, e isso somente ocorreu, repitase, porque o contribuinte tratou de forma autônoma o patrimônio das controladoras e das controladas mesmo havendo, é bom frisar, a apuração de lucros por equivalência patrimonial; pensar dessa forma é totalmente ilógico e incoerente com o próprio método da equivalência patrimonial; no presente feito, diante dos fatos até então apresentados, percebese que os atos praticados pelo Contribuinte tiveram como propósito aumentar irregularmente o custo de aquisição das ações do Banco Pactual S.A., e com isso ele pretendia reduzir a tributação do ganho de capital quando fosse finalizada a venda do Banco para a UBS AG; dessa maneira, efetivamente houve a prática de sonegação por parte do Contribuinte que, por meio de operações realizadas em sequência, omitiu receitas passíveis de tributação; lembrese que o contribuinte em análise exercia poder de comando por ser acionista controlador do Grupo Pactual, não podendo se esquivar de sua responsabilidade diante de toda a estrutura fraudulenta, sem qualquer intuito negocial, com o propósito de aumentar irregularmente o custo de aquisição das ações do Banco Pactual S/A; para ficar patente a irregularidade do efeito fiscal pretendido pela parte, cumpre repetir que o custo de aquisição do Banco Pactual foi aumentado em incríveis 236,84%, sendo que o patrimônio líquido do investimento experimentou, no mesmo período, um aumento de 89%. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, restabalecendose a qualificação da multa. Cientificado do acórdão e do Recurso Especial da Procuradoria em 30/06/2017 (Termo de Vista de fls. 1.674), o Contribuinte, em 14/07/2017, ofereceu as Contrarrazões de fls. 1.683 a 1.777 e interpôs o Recurso Especial de fls. 1.780 a 1.959. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte argumenta: Da intempestividade do Recurso Especial da Fazenda Nacional a Receita Federal do Brasil lavrou três Autos de Infração para exigir do Contribuinte suposta diferença de Imposto de Renda sobre o ganho de capital apurado na alienação a prazo dos seus investimentos no Banco Pactual S.A. para empresa do Grupo UBS, ocorrida em 01.12.2006; Fl. 2024DF CARF MF 10 em razão de o segundo Auto de Infração ter sido recentemente cancelado pela 1a Turma da 2a Câmara da 2a Seção deste Conselho (Acórdão n° 2201003.425, de 08/02/2017), a PGFN interpôs, em 28/04/2017, Recurso Especial nos autos do segundo processo administrativo e, para demonstrar a divergência, indicou o acórdão recorrido como paradigma; de acordo com extrato do presente processo obtido no sítio do CARF: (i) o acórdão recorrido foi formalizado em 12/04/2017; e (ii) o processo foi remetido à PGFN para ciência do acórdão recorrido no mesmo dia da sua divulgação no sítio do CARF, ou seja, em 15/05/2017, e esta foi a data considerada pela PGFN como o termo inicial do prazo para a apresentação do Recurso Especial no presente processo; não obstante, como visto, em 28/04/2017 (ou mesmo antes), a PGFN já havia tomado conhecimento do acórdão recorrido, na medida em que ele já tinha sido utilizado como paradigma no segundo processo administrativo; ou seja, a PGFN tomou conhecimento do acórdão recorrido, pelo menos, 17 dias antes da data indicada no extrato e no processo como a de sua publicação no sítio do CARF e de sua remessa para a PGFN (15/05/2017); sendo assim, considerando que a PGFN, no mínimo, tomou ciência do acórdão recorrido na data em que apresentou o Recurso Especial (28/04/2017) no segundo processo administrativo já que não há registro neste processo da data exata em que a PGFN acessou o eProcesso para obter cópia do acórdão recorrido o prazo para a apresentação do Recurso Especial da Fazenda apresentado neste processo encerrouse em 16/06/2017. Do não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional ocorre que os fatos objeto do acórdão recorrido e os fatos analisados nos acórdãos paradigmas não guardam qualquer relação, não sendo idênticos, semelhantes ou sequer minimamente próximos ou correlacionáveis; em nenhum momento o acórdão recorrido contesta a legitimidade da transferência das ações e a lógica da reestruturação, descrita no recurso voluntário; diferentemente do acórdão recorrido, os acórdãos paradigmas constataram que os atos praticados foram artificiais e visaram exclusivamente escapar à tributação, motivo que, por si só, já basta para que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não seja admitido; o primeiro paradigma analisa glosa de despesas com amortização de ágio, deduzidas pela empresa Estre Ambiental S.A. na apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas ("IRPJ"); como se verifica do relatório, o primeiro paradigma trata de reestruturação societária levada a efeito por meio da criação de uma empresa veículo (Estre Holding) para incorporar as ações de Estre Ambiental, e, posteriormente, ser por ela (Estre Ambiental) incorporada, viabilizando, com isso, o aproveitamento do ágio gerado entre partes relacionadas; não só o acórdão paradigma trata de fatos completamente distintos do recorrido (ganho de capital de pessoa física vs. Amortização de ágio por pessoa jurídica) como, e isso é ainda mais fundamental, o acórdão recorrido afasta a existência de qualquer artificialismo na reestruturação, ao contrário do acórdão paradigma, que considerou desprovidos de substância econômica e propósito negocial os diversos atos societários praticados para fins de aproveitamento fiscal do ágio, não havendo, portanto, interpretação Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.021 11 divergente de legislação tributária federal, mas sim duas análises distintas, de matérias completamente distintas porque baseadas em fatos completamente distintos; outro fato que distingue as operações analisadas nos dois acórdãos paradigmas e no acórdão recorrido é a necessidade das holdings nas respectivas estruturas societárias: as holdings eram necessárias à organização do Grupo Pactual por mais de uma década e só foram eliminadas por ocasião da venda do Banco à UBS, a fim de atender às condições do negócio contratado, enquanto nos acórdãos paradigmas as holdings (Estre Holding e Holplan) foram criadas no contexto de reestruturação societária, apenas para permitir o aproveitamento do ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico. Da desqualificação da multa de ofício ficou acertado entre os acionistas e a UBS que a venda do Banco seria precedida da realização de operações necessárias a que os acionistas se colocassem na posição de vendedores do Banco; daí a reestruturação, que consistiu basicamente na incorporação de Participações e Holdings por Pactual, seguida da incorporação desta pelo Banco; com a extinção das holdings (por incorporação), os acionistas se tornaram proprietários do Banco e venderam suas ações; na Seção 5. da Impugnação, o Contribuinte confrontou todas as variantes aptas a fazer com que as ações do Banco chegassem aos acionistas, conforme acertado com a UBS, quais sejam: (i) a liquidação das holdings, com a consequente transferência das ações do Banco aos acionistas; (ii) a redução do capital das holdings com restituição em bens, de forma a que, ao final de uma cadeia de operações, as ações do Banco chegassem aos acionistas; (iii) a junção das holdings em uma única empresa, que em seguida incorporaria o Banco, assumindo seu nome e todas suas demais características; e (iv) finalmente, as incorporações reversas das holdings pelo Banco; a opção adotada pelos acionistas foi a incorporação reversa das holdings pelo Banco, constante do item (iv), acima, por ser inquestionavelmente a mais lógica, conveniente e eficaz; a redução da participação dos referidos acionistas no capital de Participações importou em que eles recebessem menos ações do Banco, quando ocorrida a incorporação das holdings, e, consequentemente, vendessem menos ações do Banco a UBS; com base nos elementos que podem ser extraídos do TVF dá para estimar a perda conjunta dos referidos acionistas em mais de R$ 500.000.000,00, já desconsiderados os efeitos fiscais do aumento do custo de suas ações do Banco, decorrentes da capitalização dos lucros da Participações e esse fato evidencia por si só, com toda certeza, que a capitalização de lucros teve objetivos outros, que não fiscais; como amplamente demonstrado pelo Contribuinte na sua impugnação e no seu recurso voluntário, a reestruturação foi motivada por objetivos negociais legítimos e a majoração do custo dos investimentos do Contribuinte no Banco é mera decorrência da aplicação direta da legislação em vigor; Fl. 2026DF CARF MF 12 em nenhum momento o Contribuinte se desviou das regras previstas em lei, ao considerar que as capitalizações de lucros das holdings provocariam um aumento no custo de seus investimentos; além do Contribuinte, mais de 60 acionistas do Banco foram autuados, tendo sido lançada contra todos eles a multa qualificada, ou seja, multa de caráter penal; entendese que a fiscalização discorde da apuração do custo de aquisição dos investimentos dos acionistas no Banco, mas atribuir a todos eles sem um indício sequer evidente intuito de fraude não faz o menor sentido; uma divergência na interpretação de um dispositivo legal jamais pode ser qualificada (ainda mais cumulativamente) como fraude, sonegação, e simulação, além disso, procederse à cobrança de multa qualificada simplesmente em razão de o contribuinte ter adotado interpretação diversa da acolhida pela fiscalização é conduta totalmente arbitrária e descabida; não há a menor convergência da fiscalização quanto à natureza da infração cometida pelos acionistas: (i) no processo n° 12898.002335/200931, alegouse a presença de simulação subjetiva para a imposição de penalidade, com base no art. 167, § 1º, inciso I, do CC/02; na decisão proferida em primeira instância, contudo, os julgadores, ao justificar a existência de simulação, usam argumentos totalmente aplicáveis à simulação decorrente da utilização de negócio jurídico diverso daquele efetivamente desejado, hipótese prevista no inciso II, do referido art. 167; (ii) no processo nº 12448.734760/201113, os autuantes alegam que o procedimento do autuado teria caracterizado um abuso de direito; (iii) e no processo n° 12448.735954/201128, alegam ter ocorrido fraude à lei, ou seja, nem mesmo a Receita Federal do Brasil conseguiu chegar a uma conclusão quanto à natureza do ilícito cometido pelos acionistas na determinação do ganho de capital verificado na venda das ações do Banco; o entendimento pela desqualificação da multa foi ratificado em diversas oportunidades por esta CSRF, em casos de outros acionistas do Banco; em todos os demais casos relativos à matéria julgados pelo CARF, a multa de oficio foi desqualificada, jamais tendo prevalecido a noção de simulação, sonegação, fraude ou conluio no processo de venda do Banco; notese que a PGFN, valendose de diversos paradigmas, apresentou Recursos Especiais visando rediscutir a qualificação da multa em cerca de dez outros processos e tais recursos especiais, no entanto, sequer foram admitidos. Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. No que tange ao Recurso Especial do Contribuinte, este visa rediscutir as seguintes matérias: a) vinculação entre os diferentes fatos geradores decorrentes de alienação a prazo, no que tange à aplicação dos efeitos da coisa julgada; b) momento da ocorrência do fato gerador no lançamento de ganho de capital relativo à alienação a prazo, do que irradiaria efeitos sobre a decadência; Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.022 13 c) forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A à empresa do Grupo UBS; e d) juros de mora sobre a multa de ofício. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento, conforme despacho de 28/08/2017 (fls. 1.966 a 1.978). Em seu apelo, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos: Decisão definitiva a favor do recorrente ainda que a venda do bem ou direito tenha ocorrido a prazo, o fato gerador do IR incidente sobre o ganho de capital ocorre no momento da venda do bem ou direito e não no momento do recebimento das parcelas, assim, a decisão definitiva produz efeitos com relação à todas as parcelas recebidas pelo Contribuinte pela venda das suas ações do Banco; a decisão definitiva cancelou o Auto/2009, por entender que a apuração do ganho de capital na venda das ações do banco foi realizada nos exatos termos da lei; na prática, a decisão definitiva julgou ter sido calculado corretamente o próprio percentual de diferimento que deve ser aplicado no cálculo do imposto devido sobre cada parcela recebida na venda do Banco; Este percentual não pode mais ser modificado, devendo ser utilizado para todas as parcelas recebidas pelo Contribuinte em razão da venda de suas ações do Banco, independentemente da data em que tais parcelas forem recebidas pelo recorrente. Decadência o recorrente alegou na impugnação e no recurso que a alienação das ações do Banco ao UBS ocorreu em 01.12.2006 e, como decorridos mais de 7 anos entre esta data e a da ciência do auto, em 18.03.2014, o crédito tributário nele lançado está extinto por decadência; o fato gerador do IR incidente sobre o ganho de capital ocorre na data da alienação do bem ou direito; dai o termo inicial da decadência corresponder à data da sua realização; tratase de fato gerador instantâneo, no qual o tributo é apurado no momento em que o sujeito passivo pratica a conduta típica (alienação do bem ou direito) o que a lei autoriza é tão somente o diferimento do pagamento do imposto para o momento do recebimento do preço pelo alienante; o art. 2o da Lei n° 7.713/1988, mencionado pelo acórdão recorrido, não pode ser invocado por uma simples razão: quando editada a Lei n° 7.713/1988, o IR incidente sobre os ganhos de capital era apurado juntamente com o imposto devido sobre todos os rendimentos auferidos pelo contribuinte no ano; Fl. 2028DF CARF MF 14 impunhase, na época, a inclusão dos ganhos de capital na declaração de ajuste anual e a sua apuração conjunta com o IR incidente sobre os rendimentos de outras fontes; sob a Lei n° 8.981, de 1995 (art. 21), os ganhos de capital passaram a ser tributados em separado e em definitivo, deixando de integrar a base de cálculo do imposto de renda apurado mensalmente, e ajustado anualmente, em outras palavras, o art. 21 da Lei n° 8.981, de 1995, revogou tacitamente o art. 2° da Lei n° 7.713, de 1988, no que se refere aos ganhos de capital; tampouco é possível afirmar que o art. 43 do CTN autorizaria a conclusão de que o efetivo ganho de capital ocorre no momento do recebimento da parcela; em primeiro lugar, porque no momento da alienação das ações pelo Contribuinte e não no momento do recebimento das parcelas do preço de venda que se tem a disponibilidade jurídica da renda, ou seja, no momento em que as ações são transferidas do patrimônio do Contribuinte para o UBS já se pode dimensionar a renda acrescida ao seu patrimônio, resultante da mais valia das ações; em segundo lugar, porque a lei, no caso o art. 21 da Lei n° 7.713/1988 (reproduzido no art. 140 do RIR), ao contrário do que afirma o acórdão recorrido, elegeu o momento da venda como aquele em que ocorre o fato gerador e, ao fazêlo, não extrapolou os limites do CTN. Capitalização de lucros decorrentes de investimentos avaliados pelo MEP quando um investimento é contabilizado pelo MEP, os lucros da sociedade investida traduzemse em receitas da sociedade investidora: são os chamados resultados positivos ou ganhos de equivalência, que, antes de ser o próprio lucro da sociedade investidora, são apenas um elemento positivo (receita) na formação deste, que, a rigor, poderá sequer existir a depender das demais receitas e despesas próprias da sociedade; essa receita de equivalência é considerada definitiva e efetivamente auferida pela investidora; a aplicação do MEP não é uma opção ou preferência, não é algo feito ao alvitre da sociedade investidora, muito pelo contrário, é uma obrigatoriedade imposta pela lei, que objetiva fazer com que a sociedade investidora já reconheça como seu um ganho, uma receita ainda potencial, correspondente aos lucros retidos na sociedade investida; nenhuma interpretação do art. 135 do RIR/99 autoriza que, na capitalização de lucros, o custo de aquisição das ações não seja acrescido no mesmo valor da capitalização; os lucros da investida não são os lucros da investidora, seja esta uma holding pura, ou não; os lucros da investida continuam a ser uma receita da investidora; no caso concreto, o custo de aquisição das ações do Banco detidas pelo Contribuinte aumentou em função da capitalização dos lucros de Participações e Holdings, as sociedades holdings nas quais detinha participação diretamente, e, depois, dos lucros de Pactual, de cujo capital passou a participar com a extinção de Participações e Holdings; Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.023 15 evidentemente, os lucros das duas referidas sociedades holdings não são uma mesma e única coisa, ainda que a ausência de outras atividades relevantes nas holdings tenha feito com que os seus resultados fossem afetados de forma extremamente preponderante pelos lucros gerados pelo Banco; as capitalizações deramse com os lucros das próprias holdings e não com o lucro do Banco, sendo lucros distintos e inconfundíveis; no caso concreto, aplicase o art. 135 do RIR/99, tal como está escrito, sem exceções, sem ressalvas, sem distinções entre a origem do lucro (ou da reserva de lucro) que uma vez capitalizado autoriza o acréscimo do custo de aquisição da pessoa fisica; se assim não for, estarseá desprezando os comandos legais sobre o MEP, desconsiderando as personalidades jurídicas das sociedades holdings e reescrevendose o referido dispositivo a pretexto de uma suposta justiça econômica. Aumento do custo de aquisição dos investimentos do recorrente considerando que, nas incorporações inversas, os acionistas da incorporada recebem ações da incorporadora por custo idêntico ao das ações da incorporada e que, no caso concreto, antes das incorporações os lucros das incorporadas foram capitalizados, o custo de aquisição dos investimentos do Contribuinte nas empresas do Grupo Pactual foi aumentado em duas oportunidades: (i) quando ocorreu a capitalização de lucros de Participações e Holdings, empresas nas quais o Contribuinte possuía participação direta; e (ii) quando ocorreu a capitalização de lucros de Pactual, empresa de cujo capital o Contribuinte passou a participar, em razão da incorporação de Participações e Holdings; o aumento do custo dos investimentos do Contribuinte, que era sócio das holdings à época da capitalização de lucros, decorre da aplicação do art. 135 do RIR/99 e não há como rejeitálo; o recorrente não contestou a lógica dos quadros demonstrativos apresentados no TVF, mas sempre assinalou que as distorções então apontadas decorrem do texto da lei; o Contribuinte esclareceu na impugnação e no recurso que (i) ainda que a majoração do custo dos investimentos do recorrente no Banco, em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco (fonte primária e única do acréscimo patrimonial), fosse encarada como uma distorção, ela resultaria da aplicação das normas societárias e fiscais em vigor; (ii) não seria de se esperar que o recorrente deixasse de aplicar a lei por ela lhe favorecer em razão de peculiaridades de sua situação; e (iii) a fiscalização também não poderia deixar de aplicar a lei, por considerar que ela beneficia economicamente o contribuinte; o Contribuinte sustentou, ainda, que as distorções apontadas pela fiscalização, decorrentes da aplicação do MEP, se verificam não só nas hipóteses de incorporações reversas (independentemente de a capitalização de lucros ocorrer antes ou no processo da incorporação), mas também em outras situações; algumas conclusões parecem inquestionáveis: (i) o art. 135 do RIR/99 diz expressamente que o montante dos lucros capitalizados inclusive os lucros derivados do MEP, pois a lei não restringe seu alcance integrase ao custo dos investimentos; (ii) o Fl. 2030DF CARF MF 16 acionista que tem o custo de seus investimentos aumentado é aquele que, na data da capitalização dos lucros, se apresenta como tal; e (iii) o referido art. 135 não distingue as hipóteses em que ocorre a capitalização de lucros pela empresa que os produziu e pela empresa que os reconheceu pelo MEP. Do arbitramento do custo de aquisição dos investimentos do Contribuinte o custo de aquisição foi calculado pela fiscalização tomandose por base o percentual de participação em uma empresa (Banco) aplicado sobre o patrimônio líquido contábil ajustado de outra empresa (o da controladora direta Pactual), e os ajustes contábeis referemse a fatos ocorridos em 2007, novamente no plano do Banco; não há lei que embase esse proceder por parte do fiscal, e a fiscalização, agindo como se fosse o legislador, simplesmente arbitrou o custo dos investimentos do recorrente, com base nos critérios econômicos que lhe pareceram razoáveis; o arbitramento do custo de aquisição das ações do Contribuinte proposto pelo auto não encontra amparo no art. 135 do RIR/99 e nem nos atos normativos que o regulamentam; com efeito, a tributação dos ganhos de capital auferidos pelas pessoas físicas está disciplinada de forma exaustiva pela Instrução Normativa SRF n° 84/2001 e esse ato sequer implicitamente prevê o ajuste de custo de investimentos realizado, ao contrário, dispõe expressamente, em seu art. 16, § 2o, que a ação ou quota recebida em virtude de incorporação de lucros integra o custo de aquisição da participação do sócio ou acionista; assim, o Contribuinte, ao quantificar seu ganho de capital, observou rigorosamente não só a lei, mas também o ato normativo expedido pelas autoridades administrativas sobre a matéria; não há a menor convergência da Receita Federal do Brasil quanto ao critério para apuração correta do custo de aquisição dos investimentos, ou seja, a RFB alega que o procedimento adotado pelo Contribuinte está incorreto, mas nem ela sabe qual é o certo; assim, (i) no auto, a RFB entende que o custo deveria ser equivalente ao valor da participação indireta dos acionistas no capital de Pactual em 01.12.2006, após deduzido o montante dos dividendos distribuídos pelo Banco com base em instrumento de usufruto; (ii) em outros autos de infração, como por exemplo no auto de infração lavrado contra o recorrente em 16.12.2009 (processo administrativo n° 12898.002335/200931), a RFB afirma que caberia ao Contribuinte reduzir o custo de seus investimentos quando ocorresse a incorporação de Participações por Pactual e, com base nesse entendimento, desconsiderou o aumento de custo dos investimentos do Contribuinte resultante da capitalização de lucros de Participações; (iii) em outros processos, a RFB afirma que o custo corresponderia ao custo médio ponderado das ações (art. 16, § 5o da IN SRF n° 84, de 11.10.2001), multiplicado pelo número de ações alienadas ao UBS, sem levar em consideração os efeitos das capitalizações de lucros ocorridas em 2006; e, finalmente, (iv) no processo 15504.724125/201196, a RFB considera legítimo apenas o acréscimo de custo decorrente da capitalização de lucros de Participações; em resumo, não há divergência na RFB quanto ao fato de que o custo dos investimentos dos acionistas não poderia ter sido ajustado da forma como foi, entretanto, a forma da quantificação do ganho de capital que estaria correta, segundo a própria RFB, varia Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.024 17 de uma autuação para outra, mostrando a precariedade dos argumentos utilizados pela Receita Federal ao proceder à lavratura dos autos; essa diversidade de critérios na quantificação do ganho de capital dos acionistas evidencia que o lançamento se baseou exclusivamente no efeito econômico gerado pela reestruturação e não na lei, o que é inaceitável. Da incidência de juros sobre a multa de ofício com efeito, o caput do art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, claramente limita o seu alcance às hipóteses de exigência de multa ou juros de forma isolada e o art. 61 da mesma Lei apenas prevê a exigência de juros sobre débitos "decorrentes de tributos e contribuições", ou seja, sobre o valor principal do débito fiscal; de acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, e, por sua vez, a obrigação tributária principal tem como objeto o pagamento de tributos e de penalidade pecuniária apenas quando decorrente de obrigação acessória (art. 113 do CTN), pelo que a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra amparo no CTN. Ao final, o Contribuinte pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, cancelandose integralmente o auto de infração. Cientificada do Recurso Especial do Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 29/08/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.979), a Fazenda Nacional ofereceu, em 12/09/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.999), as Contrarrazões de fls. 1.980 a 1.998, com os seguintes argumentos: Do momento da ocorrência do fato gerador a leitura dos arts. 2º, 8º e 21 da Lei 7.713, de 1989, em consonância com o art. 43 do CTN que define o fato gerador do imposto de renda como a “aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica”, permite a conclusão de que se mostra imprescindível o recebimento efetivo do ganho de capital para a concretização do fato gerador; e tal constatação é condizente com a regra geral do regime de caixa que se aplica às pessoas físicas, no sentido de que o imposto é devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos; assentada a premissa de que o fato gerador ocorre na proporção das parcelas recebidas, podese concluir que a alienação das ações do Banco Pactual S/A, negócio jurídico celebrado no anocalendário de 2006, não configura fato imponível, inexistindo, nesse momento, disponibilidade jurídica e econômica, aspecto imprescindível para a respectiva incidência tributária; apenas com o recebimento das parcelas mostrase configurado o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido com a respectiva alienação e cada parcela será um fato gerador diverso, nos termos da legislação; e, necessário observar, que no caso em análise, sequer as parcelas subsequentes tinham valores líquidos, passíveis de serem definidos no momento da alienação, Fl. 2032DF CARF MF 18 uma vez que inúmeras regras do contrato tornavam o montante a ser recebido submetido a fatores variáveis; com efeito, decisão proferida em processo administrativo que analisou o fato gerador relativo à parcela paga no anocalendário 2006 não tem qualquer relevância para o deslinde da questão que ora se coloca em apreciação. Da forma de apuração do custo de aquisição cumpre destacar que todas as holdings envolvidas (Nova Pactual Participações Ltda., Pactual Holdings S.A. e a Pactual S.A.) tinham como única atividade e fonte de receita a participação acionária – direta ou indireta – no Banco Pactual S.A; dessa forma, o lucro ou a reserva de lucro que foi utilizado nas operações de capitalização era proveniente dos resultados operacionais do Banco Pactual S.A. – que era o único responsável pela produção efetiva das riquezas do grupo empresarial; destacase que os lucros utilizados pelos acionistas pessoas físicas nas capitalizações da Nova Pactual Participações Ltda e da Pactual Holding são registros contábeis, fundamentados no método da equivalência patrimonial, dos resultados auferidos pelo Banco Pactual, sendo esses lucros utilizados nas capitalizações “reflexos” do lucro verdadeiro, real, que fora auferido pelo Banco Pactual; não obstante o fato de o lucro já ter sido utilizado em aumento de capital nas holdings, inclusive Nova Pactual Participações Ltda., o recorrente utilizouos novamente, em outra operação de aumento de capital, dessa vez na Pactual S/A; adotando esse artifício em operações sucessivas, o recorrente conseguiu aumentar o custo de aquisição das ações do Banco Pactual em 233,71%, quando o patrimônio líquido do Banco aumentou em 84,45%; o custo de aquisição somente pode ser aumentado na proporção da grandeza econômica que efetivamente foi reinvestida na empresa, não podendo ser influenciado pelo número de empresas criadas no grupo empresarial, mas sim pela riqueza efetivamente disponível; com efeito, a utilização do método da equivalência patrimonial não altera o fato de que o lucro é um só, ou seja, aquele obtido pela empresa operacional e refletido para as demais controladoras/investidoras; dessarte, o custo de aquisição não variou conforme os recursos que os sócios dispunham para reinvestimento, mas sim de forma artificial, subtraindo indevidamente o ganho de capital; portanto, contraria o sentido e a lógica do art. 135 do RIR/99 o aproveitamento em duplicidade de lucros e reservas de capital para aumentar o custo de aquisição de ações de uma empresa; lembrando, ainda, que todas as operações realizadas devem ser visualizadas dentro do contexto do Grupo Pactual, e não de forma isolada como pretende o contribuinte; em alguns processos, a fiscalização, apesar de reconhecer a artificialidade do planejamento, acaba admitindo uma capitalização, que foi o que aconteceu com o autuado James Marcos, e, se ainda existisse prazo, o fiscal poderia glosar essa segunda capitalização; Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.025 19 no entanto, esse fato, por si só, além de ser benéfico para o contribuinte, não tem o condão de invalidar os demais lançamentos; de qualquer forma, ainda que houvesse algum excesso, o que se admite apenas para fins de argumentação, ele deve ser decotado, e não gerar o cancelamento de todo o auto de infração, como defendido pela parte. Dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício em uma análise sistemática do Código Tributário Nacional, concluirseá que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa; logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional. Cuida o processo, de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício qualificada e juros de mora, incidente sobre ganhos de capital obtidos quando do recebimento de parcelas, cuja operação de alienação foi efetuada a prazo. As parcelas foram recebidas em 2006, 2009, março e setembro de 2010 e março e julho de 2011. O presente processo diz respeito às quatro últimas parcelas, recebidas em 2010 e 2011. O Recurso Especial do Contribuinte visa rediscutir as seguintes matérias: a) vinculação entre os diferentes fatos geradores decorrentes de alienação a prazo, no que tange à aplicação dos efeitos da coisa julgada; b) momento da ocorrência do fato gerador no lançamento de ganho de capital relativo à alienação a prazo, do que irradiaria efeitos sobre a decadência; c) forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A à empresa do Grupo UBS; e d) juros de mora sobre a multa de ofício. Por sua vez, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional visa restabelecer a qualificação da multa de ofício. Recurso Especial do Contribuinte Fl. 2034DF CARF MF 20 O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Quanto à primeira matéria suscitada vinculação entre os diferentes fatos geradores decorrentes de alienação a prazo, no que tange à aplicação dos efeitos da coisa julgada registrase que todas as parcelas foram objeto de lançamento por parte da Fiscalização, mantido em Primeira Instância. Relativamente à primeira parcela, quando do julgamento em Segunda Instância pela Turma Ordinária do CARF, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, exonerandose de forma definitiva o respectivo crédito tributário, por meio do Acórdão nº 210201.938, de 16/04/2012. Nesse passo, o Contribuinte pede a aplicação, às demais parcelas, inclusive às quatro últimas, objeto do presente processo, da decisão definitiva relativa à primeira parcela, ao fundamento de que, tratandose de um único fato gerador, a primeira decisão operaria os efeitos de coisa julgada sobre as demais parcelas. Primeiramente, registrase que o art. 114, do CTN, dispõe que o fato gerador da obrigação tributária é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Assim, analisandose o art. 21 da Lei nº 7.713, de 1988, verificase que dito dispositivo é cristalino ao dispor que nas alienações a prazo o ganho de capital é tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. Confirase: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. No mesmo sentido é o art. 140 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 1999): Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). § 1º Para efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. Como se pode constatar, ditas normas fixaram o momento de apuração do valor a ser tributado a título de ganho de capital, que não necessariamente corresponde à data em que o respectivo Imposto de Renda passa a ser devido pelo Contribuinte. Assim, na alienação a prazo, apurase o valor a ser tributado a título de ganho de capital na data da alienação, efetuandose o pagamento do correspondente imposto somente após a data em que o valor da venda for efetivamente recebido pelo alienante do bem. Nesse sentido o art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, assim estabelece: “Art. 31 . Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.026 21 II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I.” Destarte, na venda a prazo, no momento em que ocorre a alienação, ainda não há imposto devido, tendo em vista que o recebimento de cada parcela, que é o que caracteriza a obrigação tributária, ainda não ocorreu. Esse entendimento harmonizase perfeitamente com o art. 43, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” Assim, no presente caso, o valor a ser tributado a título de ganho de capital foi apurado na data em que ocorreu a alienação das ações do Banco Pactual pelo Contribuinte, em dezembro de 2006, oportunidade em que foi recebida e tributada a primeira parcela. Entretanto, quando foram recebidas as demais parcelas, em 2009, 2010 e 2011, é que de fato ocorreram os fatos geradores do imposto referentes ao ganho de capital de cada uma dessas parcelas. Importante ressaltar que a Lei nº 7.713, de 1988, em seu art. 2º, dispõe que o Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Notese que o ganho descrito pela norma representa, essencialmente, o acréscimo patrimonial, ou seja, o recebimento das parcelas avençadas. E nem poderia ser diferente, uma vez que a pessoa física está sujeita ao regime de caixa. O Contribuinte argumenta que o art. 2º, da Lei nº 7.713, de 1988, ora invocado, teria sido tacitamente revogado pelo art. 21, da Lei nº 8.981, de 1995, no que tange ao ganho de capital, apartado que foi da tributação sujeita ao ajuste anual. Nessa toada, entende que a nova legislação estaria trazendo um outro regramento para os ganhos de capital obtidos pelas pessoas físicas, que a seu ver não mais estariam sujeitos à tributação à medida em que fossem percebidos. Entretanto, interpretandose a legislação de forma sistemática, mormente o art. 7º, da Lei nº 8.981, de 1995, suscitada pelo Contribuinte, constatase que o art. 21 não pretendeu regular todos os aspectos do ganho de capital das pessoas físicas mas sim fixar a alíquota única de 15%, já que não mais serlheia aplicável a tabela progressiva. Confirase: "Art. 7º. A partir de 1º de janeiro de 1995, a renda e os proventos de qualquer natureza, inclusive os rendimentos e ganhos de capital, percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. (...) Fl. 2036DF CARF MF 22 Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente ao da percepção dos ganhos." (grifei) Não é por acaso que a lei determinou que o pagamento do imposto ocorre até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. Tal fato, por si só, demonstra a determinação legal do deslocamento do fato gerador do ganho de capital, para o momento do recebimento de cada parcela. Ora, não teria qualquer lógica a interpretação no sentido de que os rendimentos da pessoa física sujeitos ao ajuste anual, cujos fatos geradores ocorrem durante o anocalendário e aperfeiçoamse em 31 de dezembro, fossem tributados na medida do seu recebimento, e quanto ao ganho de capital, cujo fato gerador passou a ser instantâneo, a conclusão fosse em sentido contrário. Com efeito, se os rendimentos sujeitos ao ajuste devem ser tributados na medida do seu recebimento, com muito mais razão assim deve ocorrer com os ganhos de capital, sobre os quais foi expressamente ressalvada a manutenção da legislação anterior, no que coubesse. Com efeito, a legislação posterior em momento algum dispôs em sentido contrário à aplicação dessa regra aos ganhos de capital percebidos pelas pessoas físicas. O Contribuinte cita a Declaração de Voto apresentada pelo Ilustre Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto no acórdão recorrido, em que este compara o ganho de capital recebido em parcelas, com a tributação dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, em que, embora os fatos geradores ocorram ao longo do anocalendário, o imposto somente é apurado e exigido após a entrega da Declaração de Ajuste Anual. Nesse passo, o Conselheiro estabelece três momentos, a saber: São as três datas: o fato gerador (auferimento da renda), a apuração (declaração ou lançamento), e a exigibilidade (prazo estabelecido para o pagamento). A comparação é absolutamente imprópria, já que os rendimentos sujeitos ao ajuste, a que alude a Declaração de Voto, já foram tributados na fonte, ou por meio do recolhimento do carnêleão, no momento do seu recebimento, o que reforça a conclusão acerca da aplicação do regime de caixa. Com efeito, no que tange a essa espécie de rendimentos, o que ocorre em abril do ano seguinte aos fatos geradores é apenas um ajuste, visto que o tributo já foi retido pela fonte pagadora ou recolhido pelo próprio Contribuinte, durante o anocalendário. E assim mesmo esse ajuste é, em regra, favorável ao Contribuinte, que pode até passar de devedor a credor, ou seja, com direito a restituição do imposto. Assim, longe de demonstrar a tese abraçada pelo Contribuinte, o exemplo deixa patente que a exigência do imposto é no momento do recebimento do rendimento. Trazendo o exemplo acima para o tema ora tratado, da forma como quer o Contribuinte, considerando o fato gerador ocorrido no momento da alienação, a conclusão seria no sentido da obrigatoriedade de pagamento integral do imposto no momento da alienação, com a efetivação de ajustes a cada parcela recebida, a ver se o valor corresponderia efetivamente ao devido, ou se haveria direito a restituição, no caso de falta de recebimento ou recebimento a menor das parcelas. Com efeito, tal procedimento não seria considerado razoável pelas pessoas físicas. Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.027 23 Assim, no caso do ganho de capital, claro está que a apuração efetuada quando da alienação visa tãosomente possibilitar o pagamento relativo à primeira parcela, já que o custo precisa ser proporcional ao valor recebido naquele momento. A partir daí, os elementos referentes a cada uma das parcelas vincendas podem sofrer alteração, como inclusive ocorreu no presente caso, em que a partir da segunda parcela houve redução do custo em função da distribuição de lucros em 2007. Ademais, pode ocorrer de eventualmente uma das parcelas sequer ser paga, ou ser paga a menor, ou estar sujeita a alguma condição ou termo, enfim, por qualquer ângulo que se analise, não há como entender que haveria um único fato gerador ocorrido na alienação a prazo. Nesse sentido cabe trazer à colação trecho da Declaração de Voto proferida pelo Ilustre Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo no Acórdão nº 2201003.425, indicado como paradigma pelo Contribuinte, abordando a quantidade de ressalvas e condições a que estavam sujeitas as parcelas da operação que ora se analisa: "Os valores pactuados pela venda das ações, no momento da negociação efetiva, não estavam disponíveis ao vendedor, já que o contrato de compra e venda é rico em clausulas que podem alterar, ou até mesmo zerar, o pagamento das parcelas diferidas, senão vejamos alguns exemplos: CLAUSULA 1.3. Pagamento Diferido. Sujeito aos termos e condições aqui previstos, na data especificada na Cláusula .4(d), a Controladora ou, se a Reorganização estiver concluída antes do Fechamento, os Sócios deverão ter direito a receber, como contraprestação adicional pela Compra de Ações, um valor igual a: (i) (x) US$1,49 bilhão (sujeito ao ajuste conforme previsto na Cláusula 1.4 (e), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto for maior ou igual a zero e o Aumento das Receitas Cumulativas for maior do que zero; (y) US$740 milhões (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e), se o Lucro Liquido Cumulativo antes do Imposto for menor do que zero; ou (z) US$1,184 bilhão (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e) se o Lucro Liquido cumulativo antes do Imposto for maior ou igual a zero, mas o Aumento das Receitas Cumulativas for (ou for considerado de acordo com sua definição) zero (o valor a ser pago em decorrência desta cláusula (i), o "Valor Base do Pagamento Diferido"); menos (ü) o Valor a Compensar. Se o valor determinado na subtração do Valor a Compensar do Valor Base do Pagamento Diferido for um número positivo, será aqui denominado ''Valor do Pagamento Diferido". Quaisquer controvérsias relativas ao cálculo do Valor a Compensar deverá ser resolvida conforme previsto na Cláusula 1.7. Para que não pairem dúvidas, o Valor Base do Pagamento Diferido mínimo, antes de quaisquer reduções conforme previsto na Cláusula 1.4(e), é US$740 milhões. Fl. 2038DF CARF MF 24 (b) Não obstante qualquer disposição em contrário prevista neste Contrato, nenhum valor deverá ser pago pela Adquirente nos termos desta Cláusula .1.3 se o Valor a Compensar, conforme finalmente determinado de acordo com os termos deste Contrato, exceder o Valor Base do Pagamento Diferido. CLÁUSULA 1.4. Determinação do Valor Base do Pagamento Diferido, (a) No prazo de 90 dias a partir da Data de Medição Anual, a Adquirente deverá elaborar de boafé e entregar aos Representantes do Sócio um extrato (cada uma deles um "Extrato do Pagamento Diferido da. Adquirente") contendo o cálculo da Adquirente do Lucro Líquido Anual antes do Imposto e das Receitas Anuais para o Período Anual encerrado em tal Data de Medição Anual (e, no caso da Data de Medição Final, os cálculos da Adquirente do Lucro Liquido Cumulativo antes do Impostos, Aumento da Receita Cumulativa e os cálculos resultantes do Valor Base do Pagamento Diferido), junto documentos comprobatórios razoavelmente detalhados. (...) SEGUESE RITO RELATIVO A QUESTIONAMENTO DOS VALORES, PREVENDO ATÉ MEDIAÇÃO DE EMPRESA INDEPENDENTE. (DESTAQUE INSERIDO) (...) "Data de Medição Anual" significa 30 de junho de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. (e) "Lucro Liquido Anual antes do Imposto" significa o Lucro Liquido Pro Forma antes do Imposto para os quatro trimestres fiscais anteriores encerrando em cada Data de Medição Anual. *Período Anual" significa o período de 12 meses encerrando em cada Data de Medição Anual. "Receita Anual" significa as Receitas Pro Forma para os quatro trimestres fiscais anteriores encerrando em cada Data de Medição Anual. (h) "Associada" tem o significado previsto na Regra 12b2 da Lei de Mercado de Capitais de 1934. (i) "Valor Base da Receita Pro Forma" . significa US$370 milhões. (...) (r) "Aumento Cumulativo da Receita" significa o valor pelo qual (i) (x) o total das Receitas Pro consolidadas para os 20 trimestres fiscais do Pactual encerrando em 30 de junho de 2011, dividido por (y)' cinco exceda (ii) o Valor Base da Receita Pro Forma; ressalvado, no entanto, que se o Valor Base da Receita Pro Forma for maior do que o valor determinado de acordo com a alínea (i) desta definição, então o Aumento Cumulativo da Receita deverá ser considerado como sendo zero. (w) "Data de Medição Final" significa 30 de junho de 2011. Assim, ainda que deixássemos de lado o texto literal da lei que prevê que o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, não observo no presente caso que, na data da celebração do negócio, já havia disponibilidade Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.028 25 econômica ou jurídica de rendas e proventos de qualquer natureza que ensejasse a configuração plena da hipótese de incidência tributária. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário na parte em que busca demonstrar que o fato gerador do presente processo se confunde com o do lançamento pretérito." Assim, resta patente que o fato gerador do ganho de capital, nos casos de venda parcelada, ocorrerá na data do recebimento de cada parcela. O tema já foi por demais debatido nesta 2ª Turma da CSRF, citandose os seguintes precedentes: Acórdão 9202003.770, de 16/02/2016 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA OMISSÃO DE RENDIMENTOS GANHO DE CAPITAL. Ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural o fato gerador se dá no momento do efetivo ganho de capital. Em sendo o pagamento parcelado o fato gerador também será tomado a cada parcela separadamente." Acórdão 9202003.819, de 08/03/2016 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Recurso Especial do Contribuinte Negado" Acórdão 9202003.820, de 09/03/2016 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR APURAÇÃO DA DECADÊNCIA Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas Fl. 2040DF CARF MF 26 partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. Recurso Especial do Contribuinte Negado" Acórdão 9202007.178, de 30/08/2018 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES A PRAZO. FATO GERADOR. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial." Destarte, assentado que no caso de ganho de capital em alienação a prazo, o recebimento de cada parcela configura a ocorrência de um fato gerador distinto, obviamente que a exigência do respectivo crédito tributário não apurado ou apurado a menor pelo Contribuinte somente pode ser formalizada por meio de um lançamento, como foi feito no presente caso, que envolveu três lançamentos, a saber: diferença relativa à parcela recebida em 2006; diferença relativa à parcela recebida em 2009; diferenças relativas às parcelas recebidas em 2010 e 2011. Reiterase que o presente processo é relativo ao lançamento das diferenças das quatro últimas parcelas, recebidas em 2010 e 2011. O lançamento tributário está assim disciplinado no Código Tributário Nacional: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (...) Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.029 27 (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." (grifei) Assim, em face de tais dispositivos, em conjunto com o que foi até o momento assentado, não há norma legal a amparar, nas operações a prazo, a formalização de um único lançamento, por ocasião da alienação, perante o Contribuinte Pessoa Física. Seguindo a legislação de regência, à medida em que os pagamentos das parcelas foram se concretizando, a Fiscalização formalizou os respectivos lançamentos, cada qual exigindo os respectivos créditos tributários. E no presente caso, a única possibilidade de revisão desses lançamentos seria a apresentação de Impugnação, remédio efetivamente utilizado pelo Contribuinte. Formalizada a Impugnação, inaugurase o Processo Administrativo Fiscal, cujo rito é disciplinado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que assim estabelece: "Art. 42. São definitivas as decisões: Fl. 2042DF CARF MF 28 I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial." (grifei) Relativamente ao processo nº 12898.002335/200931, referente à primeira parcela, a decisão representada pelo Acórdão nº 210201.938, de 16/04/2012, efetivamente tornouse definitiva e fez coisa julgada administrativa para aquele lançamento, eis que não foi interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional. Entretanto, no caso da situação ora analisada, não há previsão legal que determine a extensão dos efeitos da coisa julgada administrativa, relativa a um lançamento tratado em um processo administrativo fiscal, a outro lançamento, tratando de fato gerador diverso, contido em outro processo administrativo fiscal. O acórdão paradigma indicado pelo Contribuinte fundamentou a exoneração do crédito tributário no art. 156, do CTN, que assim dispõe: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória;" De plano, observase que não há como extrair do dispositivo acima a interpretação de que o crédito tributário a ser extinto, mencionado no caput, seria outro, que não aquele objeto da decisão administrativa definitiva, relacionada no inciso. Com efeito, a extinção somente teria suporte caso se tratasse efetivamente de crédito tributário exigido no lançamento objeto da decisão, e assim mesmo se esta exonerasse todos os fatos geradores contidos no lançamento. Isso porque um mesmo lançamento pode conter vários fatos geradores referentes a diversas infrações, sendo que o fato de o crédito tributário relativo a algum desses fatos geradores ser exonerado de forma definitiva não estende os efeitos de coisa julgada sequer aos demais fatos geradores do mesmo lançamento, cujo crédito tributário tenha sido mantido, muito menos quando se trata de outro lançamento. Tanto é assim que o provimento parcial da impugnação/recurso enseja a interposição de apelo relativamente à parte do crédito tributário mantida. Destarte, não há qualquer dispositivo legal que determine a vinculação da decisão definitiva relativa ao lançamento da primeira parcela, com os demais lançamentos, cada qual tratado em seu respectivo Processo Administrativo Fiscal, sendo que os fatos geradores de 2010 e 2011, em julgamento, foram objeto de um mesmo lançamento. Nesse sentido é o voto condutor do Acórdão nº 2202003.737, de 15/03/2017, ora recorrido, da lavra da Ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, cujos fundamentos adoto e agrego ao presente voto: "1.2) EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Ainda no âmbito das preliminares ao mérito, o Recorrente requer o reconhecimento da existência de coisa julgada administrativa em seu favor, uma vez que a situação versada nos Autos de Infração de 2009, 2011 e, no presente, é uma só: o Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.030 29 ganho de capital auferido pelo Impugnante na venda das ações, realizada em 2006. Verificase que o pressuposto essencial para o reconhecimento da existência de coisa julgada aplicável a esses autos é o mesmo utilizado para a primeira preliminar, qual seja, o de que a ocorrência do fato gerador na apuração do ganho de capital se daria do momento da alienação, ocorrida em 2006, ainda que o pagamento tenha ocorrido de forma parcelada. Sendo assim, ao adotar a premissa de que a ocorrência do fato gerador do imposto de renda da pessoas físicas ocorre no momento do efetivo recebimento, há que se admitir a existência de fatos geradores distintos para os distintos recebimentos. Como já demonstrado no tópico relativo à decadência, no presente lançamento, foram glosados os ganhos de capital apurados em março e setembro de 2010 e em março e julho de 2011, ao passo em que no processo 12898.002335/200931 discutiase a parcela recebida à vista pelo contribuinte em virtude alienação das ações do Banco Pactual. Dessa forma, não há identidade invocada pelo Recorrente como apta a caracterizar a mencionada “coisa julgada administrativa”. Há fatos geradores distintos, como distintas bases de cálculo e aspectos temporais de ocorrência. Ademais, como bem ressaltado pela Procuradoria da Fazenda, há que se ter em mente que a Administração não pode simplesmente deixar de exercer o controle de legalidade dos seus atos. A coisa julgada administrativa a que faz menção o recorrente apenas importa no não cabimento de recurso na própria via administrativa. Assim, esgotados as instâncias de discussão relativamente ao processo 12898.002335/200931, não mais é dado à administração alterar o que ali ficara decidido. A decisão proferida pela turma julgadora naquele processo, relativamente à situação específica ali tratada, é irretratável para a administração, pois exauridas todas as possibilidades de recurso. Todavia, coisa distinta é pretender que a administração não tenha mais a possibilidade de apreciar situação que lhe seja correlata, mas não a mesma, no âmbito de um outro processo administrativo fiscal. Em face do exposto, rejeito a preliminar." (grifei) Destarte, no presente caso, não há que se falar em coisa julgada administrativa, tampouco em vinculação entre decisões proferidas em distintos Processos Administrativos Fiscais, cada qual tratando de fatos geradores distintos, sujeitos a lançamentos específicos. Quanto aos julgados colacionados pelo Contribuinte a título de jurisprudência a seu favor, além de não constituírem decisões vinculantes, não tratam, em absoluto, da tese por ele defendida vinculação obrigatória, às demais parcelas, de decisão definitiva proferida em relação a uma parcela específica de ganho de capital em alienação a prazo conforme será a seguir explicitado. Fl. 2044DF CARF MF 30 Acórdãos nºs 2302002.885 e 110300.217 Tratam de exclusão de Contribuinte do Simples, por meio de decisão definitiva, o que sequer constitui um lançamento e sim acarreta a exigência de tributos sob a sistemática convencional. Confirase: "Nessa perspectiva, a presente autuação já parte da premissa de que o Autuado encontrase despido do abrigo do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte desde 1º de julho de 2007, em razão do ADE DRF/SAO nº 91/2010, fruto do PAF nº 11070.001281/201091, não sendo admissíveis neste Processo Administrativo Fiscal qualquer discussão de mérito acerca das questões de fato e de direito que desaguaram na emissão do Ato Declaratório Executivo em tela, em virtude da existência de coisa julgada administrativa." (Acórdão nº 2302 002.885) "EXCLUSÃO DO SIMPLES. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Tendo o contribuinte tido negado o direito à inclusão no SIMPLES em processo administrativo prévio, contra o qual não se insurgiu, não pode no curso de Auto de Infração para a cobrança dos créditos tributários reabrir a questão da sua inclusão retroativa, sob ofensa à coisa julgada administrativa." (Acórdão nº 110300.217) Acórdão nº 10196.156 Trata de presunção legal estabelecendo vinculação entre a distribuição disfarçada de lucros e rendimentos de pessoa física. Confirase o voto: "Como se vê, a matéria relativa à distribuição disfarçada de lucros já foi apreciada em todas as instâncias administrativas, tendo restado confirmada nos montantes de Cz$17.562.466,00 no períodobase de 1997 e Cz$ 63.012.655,00 no períodobase de 1998. De acordo com o artigo 60 do Decretolei n° 1.598/77, presume se distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica empresta dinheiro à pessoa ligada se, na data do empréstimo, possui lucros acumulados ou reservas de lucros. O § 1º artigo 62 do mesmo diploma legal determina que o lucro distribuído disfarçadamente será tributado como rendimento, na declaração de rendimentos pa pessoa física beneficiária. Não cabendo mais discussão, na esfera administrativa quanto à ocorrência da distribuição disfarçada de lucros, a tributação na pessoa física é decorrência inafastável, não comportando quaisquer outras considerações. Nego provimento ao recurso." Acórdãos nºs 10196.045 e 10195.675 Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.031 31 Tratam de saldo de lucro inflacionário de exercícios anteriores, cujo valor foi determinado em processo cujo resultado tornouse definitivo, sendo tal valor aplicado no lançamento do exercício consecutivo, que era consequência do anterior. Confirase: "Como a própria empresa consigna em sua impugnação, a controvérsia gira em torno do saldo do lucro inflacionário diferido de exercícios anteriores, posto que o percentual de realização utilizado no lançamento é o mesmo aplicado pela empresa. Uma vez que o saldo do lucro inflacionário diferido de exercícios anteriores consolidouse no processo n° 10768.003415/0054, e sendo este lançamento conseqüência daquele, não mais cabe discutir, na instância administrativa, saldo do lucro inflacionário a realizar decorrente da diferença IPC/BTNF. Pelas razões acima, rejeito a preliminar de decadência e nego provimento ao recurso." (10196.045) "Nessas circunstâncias, considerando que o presente lançamento se funda no saldo de lucro inflacionário a relizar definido no processo nº 10882.001672/200105, dou provimento ao recurso. (Acórdão nº 10195.675) Acórdão nº 10805.378 Primeiramente, esclareçase que, ao tempo da prolação desse julgado (1998), a Impugnação era examinada previamente pela DRF, antes da decisão da DRJ, ainda monocrática, sendo que se houvesse alguma alteração o Contribuinte tinha direito a apresentar nova Impugnação. Nesse contexto, o julgado cuida de um mesmo procedimento administrativo fiscal, tratando de um mesmo lançamento, em parte exonerado pela própria autoridade lançadora, quando da revisão, cuja exigência foi restabelecida pela autoridade julgadora que, ao examinar a nova Impugnação, considerou indevida a exoneração levada a cabo pela DRF. Assim, a decisão definitiva a que alude o julgado é a decisão da DRF, quando da revisão da Impugnação. Confirase: "O auto de infração foi lavrado em 08.05.92, abrange os períodosbase de 1987 a 1989, exercícios de 1988 a 1990, e decorreu da tributação, pela alíquota normal, das receitas obtidas em aplicações financeiras efetuadas com habitualidade pela empresa. Ao apreciar a impugnação, a Unidade de jurisdição do contribuinte (DRF/Curvelo) entende estar o lançamento incorreto, conforme relatado no Parecer/SASIT n° 10620.013/94 (fls. 371/380), aprovado pelo titular da Delegacia em 31.05.94. Procedemse então alterações que consistiram na revisão do critério de apuração da base de cálculo, passando à apropriação de receitas e custos pelos sistema de rateio preconizado na Instrução Normativa SRF n° 59/87. Com isso, chegouse a resultado negativo nos anos de 1987 e 1989 (ex. 1988 e 1990) e resultado positivo superior ao do auto de infração no ano de 1988 (ex. 1989). Fl. 2046DF CARF MF 32 Despacho então proferido pelo Sr. Delegado encaminha o processo à Unidade local para ciência ao contribuinte, "intimandoo a efetuar o recolhimento do crédito tributário exigido, dentro de 30 (trinta) dias, ressalvado o direito a nova impugnação, em igual prazo". Na seqüência vem a intimação n° 147/94, em cujo anexo é discriminado o débito que lhe está sendo exigido, referente tãosomente ao exercício de 1989, conforme dito parecer. A mesma intimação lhe dá conta da redução de 50% na multa a que fará jus se quitar o débito em 30 dias e de seu direito de apresentar nova impugnação. Apreciando a segunda impugnação, agora refutando o novo critério de apuração da base tributável e dirigindose exclusivamente ao débito do exercício de 1989, a autoridade julgadora (DRJ/Belo Horizonte) desconsidera a alteração praticada pela DRF jurisdicionada, por entendêla imotivada e incorreta. (...) Desconsiderar aquela primeira decisão, como fez a autoridade julgadora singular, tem como conseqüência a renovação de exigência já cancelada, e de cujo cancelamento já havia sido cientificada a interessada. (...) É a autoridade julgadora refazendo ato já anulado pela própria autoridade lançadora, o que implica estar efetuando lançamento sem que para tanto tenha competência. É nulo por isso seu ato." Quanto à Solução de Consulta COSIT nº 663, de 27/12/2017, juntada pelo Contribuinte em 08/02/2018 (efls. 1.662 a 1.678), de plano esclareçase que não se trata de decisão que vincule o CARF (art. 62, do Anexo II, do RICARF). Ainda que assim não fosse o que se admite apenas para argumentar dito parecer em momento algum aborda a tese defendida pelo Contribuinte, no sentido de que decisão acerca de parcela de ganho de capital em alienação a prazo constituiria coisa julgada administrativa em relação às demais parcelas. Com efeito, o foco dessa consulta é a harmonização da alíquota da alienação a prazo das pessoas jurídicas, considerado o regime de competência, quando se trata de pessoa jurídica domiciliada no exterior, ou seja, a questão maior do parecer é concluir se caberia ou não, para esse tipo de empresa, a postergação do pagamento de imposto. Durante o julgamento, muito se falou sobre o fato de terem sido prolatadas decisões conflitantes, relativamente às parcelas recebidas, sendo que, no presente caso, a decisão que tornouse definitiva, cuja aplicação automática às demais parcelas foi pleiteada pelo Contribuinte, obviamente é a decisão que lhe foi favorável. Entretanto, claro está que a tese de aplicação da coisa julgada teria de ser aplicada de forma genérica, ou seja, não poderia restringirse às decisões favoráveis a esta ou àquela parte. Com efeito, adotada a tese, haveria casos em que a decisão transitada em julgado seria desfavorável ao Contribuinte, não sendo razoável negarlhe o direito ao exercício de sua defesa, com vistas à revisão do lançamento de outra parcela. Assim, a prolação de decisões conflitantes faz parte da rotina dos tribunais, mormente quando se trata de matéria nunca antes examinada pelos diversos Colegiados, como foi o caso da alienação do Banco Pactual, quando os inúmeros processos aportaram no CARF. Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.032 33 Registrese que esta decisão favorável, que o Contribuinte quer aplicar às demais parcelas, foi a primeira proferida em face desta operação, quando iniciouse a apreciação dos lançamentos das primeiras parcelas recebidas por dezenas de sócios, sendo que em todos os demais Recursos Voluntários o resultado foi o provimentos parcial, apenas para desqualificar a multa de ofício. Nesse contexto, analisando a alienação do Banco Pactual de um ponto de vista mais amplo, não seria razoável aplicarse automaticamente, no presente caso, exatamente a decisão que caracterizou a única exceção e não a solução aplicada a todos os demais recursos. Por último, importa lembrar que o papel da Câmara Superior de Recursos Fiscais é justamente o de harmonizar a jurisprudência do CARF, uniformizando a aplicação da legislação tributária. Quanto à segunda matéria momento da ocorrência do fato gerador no lançamento de ganho de capital relativo à alienação a prazo, do que irradiaria efeitos sobre a decadência conforme já exposto no presente voto, o fato gerador do ganho de capital, nos casos de venda parcelada, ocorre na data de pagamento de cada parcela recebida. Assim, a interpretação no sentido de que a contagem do prazo decadencial é a partir da data da alienação configuraria contradição normativa, qual seja, para fins de determinação do termo inicial contarseia a partir da assinatura do contrato (regime de competência), e para fins de pagamento do imposto, contarseia a partir do recebimento das parcelas, ou seja, regime de caixa. Não parece razoável a utilização de dois critérios totalmente antagônicos para determinação da contagem do prazo decadencial, razão pela qual o fato gerador do ganho de capital, nos caso de venda parcelada, ocorrerá na data de pagamento de cada parcela recebida, respeitandose o regime de caixa. E assim, a partir de cada uma delas, devese contar o prazo decadencial. No presente caso, o negócio jurídico foi celebrado em dezembro de 2006, as parcelas consideradas no lançamento referemse a 31/03/2010, 30/09/2010, 31/03/2011 e 31/07/2011, e a ciência do Auto de Infração se deu em 18/03/2014 (fls. 143), portanto não ocorreu a decadência, seja pela aplicação do art. 150, § 4º, seja pela aplicação do art. 173, I, ambos do CTN. Quanto à jurisprudência que corrobora o entendimento esposado no presente voto, além dos julgados já colacionados, citase: Acórdão 2202002.860, de 05/11/2014 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 (...) GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. FATO GERADOR. Na apuração do ganho de capital decorrente de alienação a prazo, deve ser considerado o fato gerador como ocorrido na data do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento. (...) Fl. 2048DF CARF MF 34 Recurso parcialmente provido." Acórdão 2101002.674, de 21/01/2015 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IRPF. GANHO DE CAPITAL. RECEBIMENTO PARCELADO DE QUOTAS DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ALIENADAS. PARCELAS INDEXADAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O termo inicial para contagem do prazo decadencial em se tratando de imposto de renda devido sobre o ganho de capital decorrente de contrato de alienação de cotas societárias a prazo e com parcelas indexadas, é o momento do recebimento de cada parcela, pois nesse momento é que se afere de forma definitiva o preço de venda que resta condicionado índice de correção monetária. Precedente. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." Acórdão 2402005.975, de 12/09/2017 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. APURAÇÃO DA DECADÊNCIA. Nas vendas a prazo o fato gerador do Imposto de Renda se realiza com o efetivo pagamento da parcela acordada pelas partes, devendo este ser o momento para contagem do prazo decadencial. (...)" Acórdão 2401005.291, de 06/03/2018 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. PAGAMENTO PARCELADO. MOMENTO DO FATO GERADOR. Nas alienações a prazo, o fato gerador do ganho de capital aperfeiçoase quando do efetivo recebimento de cada parcela do preço ajustado entre as partes, quando então nasce a obrigação tributária de pagamento do imposto sobre a renda, na proporção delas." Quanto à terceira matéria forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A à empresa do Grupo UBS esta já foi exaustivamente debatida nesta 2ª Turma da CSRF, quando do julgamento dos processos dos demais alienantes, citandose os seguintes precedentes: Acórdãos nºs 9202 Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.033 35 003.700, de 27/01/2016; 9202003.959, de 10/05/2016; 9202005.240, 9202005.238 e 9202 005.235, de 22/02/2017; 9202005.619, 9202005.620 e 9202005.622, de 25/07/2017: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto nº 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado." Assim, quando do julgamento referente aos demais acionistas, foi firmado o entendimento retratado no voto do Ilustre Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, no Acórdão nº 9202005.620, de 25/07/2017, cujos fundamentos adoto como minhas razões de decidir e a seguir reproduzo: "Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros Fl. 2050DF CARF MF 36 de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.034 37 Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. (...) Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. (...) Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para não tributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do Fl. 2052DF CARF MF 38 parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. (...) Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.035 39 cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Liquido da Holding () Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Liquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); a autoridade fiscal, insurgindose contra a sequência de capitalizações perpetradas pelo contribuinte, achou por bem arbitrar em R$ 6.412.601,55 o valor do custo das ações do autuado, correspondente à participação no custo unitário médio Fl. 2054DF CARF MF 40 da ação da última sociedade holding incorporada (Pactual S/A), conforme demonstrado na planilha de apuração à efl. 1065. (...) Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada." Adaptando o penúltimo parágrafo, acima, ao presente processo, temos: a autoridade fiscal, insurgindose contra a sequência de capitalizações perpetradas pelo contribuinte, achou por bem arbitrar em R$ 183.194.183,97 o valor do custo das ações do autuado, correspondente à participação no custo unitário médio da ação da última sociedade holding incorporada (Pactual S/A), conforme demonstrado na planilha de apuração à efl. 131. Assim, assentado que as capitalizações de lucros levadas a cabo pelo Contribuinte efetivamente não poderiam operar qualquer efeito no custo da participação alienada, corretas as glosas efetuadas pela Fiscalização, bem como o cálculo para apuração do custo de aquisição a ser considerado. Quanto à última matéria juros de mora sobre a multa de ofício esta já se encontra sumulada, conforme a seguir: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Destarte, o entendimento aplicado no acórdão recorrido, no sentido de que sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic, encontrase em perfeita consonância com a súmula acima. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Recurso Especial da Fazenda Nacional Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte alega a intempestividade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, bem como a inexistência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Quanto à tempestividade do apelo, a esse respeito assim estabelece o art. 68, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.036 41 houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão.(grifei) O processo foi encaminhado à PGFN em 15/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.651). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre com o término do prazo de 30 dias contado da referida data. Confirase: "Art. 7º Para fins de cumprimento dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto Nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) poderá encaminhar à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) os autos do processo integralmente digitalizado ou do processo digital. § 1º A data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF será atestada em documento de remessa e entrega do processo administrativo, devendo ser posteriormente digitalizado e anexado aos autos do eprocesso. § 2º O documento de remessa e entrega do processo administrativo poderá ter forma digital e ser anexado aos autos do eprocesso, desde que ateste, automaticamente, a data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF. § 3º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN na forma deste artigo." (grifei) Assim, de plano é necessário definir o momento em que se considera intimada a Fazenda Nacional. Essencialmente, a questão é similar à da definição do momento de ciência do Contribuinte, quando esta se dá pelo decurso de prazo da entrega da intimação na caixa postal no portal eCAC (alínea "a", do inciso III, do § 2º, do art. 23, do Decreto 70.235, de 1972). No presente caso, uma vez que o processo foi encaminhado à PGFN em 15/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.651), de acordo com o disposto no art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação da Portaria MF nº 39, de 2016, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 14/06/2017. Em 27/06/2017, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.652 a 1.670 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.671). O fato de a PGFN ter utilizado o acórdão recorrido como paradigma em recurso interposto em outro processo administrativo não afasta a necessidade de intimação da decisão, conforme os ditames do art. 23, do Decreto nº 70.235, de 1972. Esclareçase que, em regra, a publicação do acórdão no sítio do CARF ocorre anteriormente à intimação dos interessados no processo. Com efeito, caso fosse adotada a tese do Contribuinte, a ciência da decisão ocorreria sempre na data de sua publicação no sítio do CARF, dispensandose a intimação das partes nesses casos. Entretanto, forçoso concluir que tal Fl. 2056DF CARF MF 42 raciocínio não está em consonância com as regras estabelecidas no Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Destarte, o Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Relativamente à alegação de inexistência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, primeiramente devese esclarecer que, conforme o Despacho de Admissibilidade de fls. 1.960 a 1.965, já foi reconhecida a ausência de similitude fática entre o segundo paradigma Acórdão nº 1101000.913 e o acórdão recorrido. Portanto, apenas o primeiro paradigma Acórdão nº 1301001.220 foi considerado hábil a configurar a divergência interpretativa suscitada. De plano, esclareçase que o exame de admissibilidade compreende o cotejo entre os acórdão recorrido e o paradigma indicado naquele caso concreto. Nesse particular, a Fazenda Nacional interpôs Recursos Especiais relativamente a diversos sócios do Banco Pactual, visando rediscutir a desqualificação da multa de ofício, utilizando paradigmas vários. Com efeito, a maciça maioria desses paradigmas foi considerada inapta a demonstrar a alegada divergência. Entretanto, no que tange ao presente processo e ao de nº 12448.735954/201128, foi indicado o paradigma representado pelo Acórdão nº 1301001.220, e nos dois casos a conclusão foi a mesma, qual seja, a de que dito paradigma foi apto a demonstrar a alegada divergência. Para demonstrar a divergência, a Fazenda Nacional colacionou em seu Recurso Especial a ementa do acórdão recorrido e trechos do paradigma aceito Acórdão nº 1301001.220 (fls. 1.960 a 1.965) conforme a seguir: Acórdão recorrido “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Constituem fatos geradores distintos do IRPF incidente sobre o ganho de capital os recebimentos de valores referentes à venda do bem ou direito ocorridos em datas diferidas, não havendo necessariamente a vinculação da decisão administrativa relativa ao IRPF incidente sobre o recebimento ocorrido em um mês à futura apuração do IRPF relativo ao recebimento ocorrido em outro mês. Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.037 43 CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A divergência na qualificação jurídica do fato não pode ser equiparado ao evidente intuito de fraude para efeito de aplicação da multa qualificada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (grifei) Paradigma Acórdão nº 1301001.220 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. RECOMPOSIÇÃO. NECESSIDADE. No lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro devese levar em conta o valor apurado pelo de contribuinte, de modo que a eventual existência de resultados negativos (prejuízo fiscal ou base negativa) deve ser considerada na determinação do saldo a tributar. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários Fl. 2058DF CARF MF 44 diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA E PROPÓSITO NEGOCIAL. AUSÊNCIA. Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tãosomente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecêlas, promovendose a glosa dos referidos dispêndios. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”(destaques da Fazenda Nacional) Voto “Relativamente à qualificação da multa, diversamente do esposado na decisão de primeiro grau, penso que ela deve ser mantida. A autuação, no presente caso, fundouse na constatação e comprovação de que a reestruturação elaborada pela fiscalizada visou, apenas, alcançar um benefício fiscal previsto em lei. Para tanto, em curtíssimo espaço de tempo, não obstante declinar formalmente razões de ordem societária ou econômica, constituiu uma HOLDING; transformouse em subsidiária integral da HOLDING criada, vez que esta incorporou suas ações pelo valor de mercado; e, passo seguinte, fez desaparecer a HOLDING criada para, por meio de uma incorporação reversa, deduzir um suposto “ágio”, derivado de uma alegada rentabilidade futura dos seus ativos. Diante dos fatos retratados, não me parece restar dúvida de que a fiscalizada agiu, intencionalmente (dolosamente), no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das suas condições pessoais, afetando, assim, as obrigações tributárias principais. No caso vertente, a meu ver, a qualificação é ínsita à própria infração imputada, isto é, se existente essa, não há como deixar de admitir a exasperação da penalidade, vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida.” (destaques da Fazenda Nacional) E em face da similitude fática relativamente ao ponto básico para a qualificação da penalidade artificialismo das operações, com o objetivo de redução de imposto a conclusão do despacho é irrepreensível: Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.038 45 "O cotejo dos trechos acima com a ementa do acórdão recorrido permite constatar a existência do alegado dissídio jurisprudencial, no que tange ao critério de aplicação da multa qualificada. Com efeito, as situações são análogas, já que em ambas se verifica artificialismo nas operações levadas a cabo pelos autuados, o que resultou em redução de imposto. Ocorre que, no caso do acórdão recorrido, mesmo reconhecendose tal artificialismo, considerouse incabível a majoração da multa de ofício. Já no caso do paradigma, ao contrário, a qualificação foi considerada como ínsita à própria infração imputada, considerandose o artificialismo como o maior suporte para a sua manutenção." (grifei) Por oportuno, registrese que esta 2ª Turma já enfrentou a argumentação do Contribuinte ora analisada, quando do julgamento do citado processo nº 12448.735954/2011 28, que tratou do mesmo paradigma indicado no presente processo, oportunidade em que prolatouse o Acórdão nº 9202003.768, de 16/02/2016, cujo resultado foi conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por maioria de votos, conforme a seguir: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Ana Paula Fernandes que davam provimento parcial ao recurso para exclusão dos juros sobre a multa de ofício e os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento parcial em maior extensão. Por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. No Mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Realizaram sustentação oral os Representantes da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira, e do recorrido, Dr. Luis Cláudio Gomes Pinto, OABRJ 88.704. (grifei) Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. O apelo visa restabelecer a qualificação da multa de ofício, matéria já discutida neste Colegiado quando do julgamento do processo nº 12448.735954/201128, acima citado, prolatandose o Acórdão nº 9202003.768, de 16/02/2016, da lavra da Ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, por meio do qual foi negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, à unanimidade de votos. Na oportunidade, ficou assentado que não se verificou na conduta desses Contribuintes a intenção dolosa de burlar as normas tributárias, tanto assim que as operações foram realizadas às claras, com os respectivos registros na Declaração de Ajuste Anual. Com efeito, a interpretação conferida pelos Contribuintes às normas que regulam a tributação do ganho de capital levou a Fiscalização a considerar que ocorreu omissão de rendimentos, porém no entender deste Colegiado o fato de os Contribuintes extraírem interpretação diversa da Fiscalização e dos Julgadores, sem outros elementos que induzam à conclusão de que teria havido intuito doloso, não autoriza a manutenção da qualificadora. Tampouco o fato de tratar Fl. 2060DF CARF MF 46 se de acionista controlador do Grupo Pactual logra alterar tal conclusão, visto que as operações em tela não foram consideradas fraudulentas. Assim, não há que se falar em qualificação da multa, de sorte que ao Recurso Especial da Fazenda Nacional deve ser negado provimento. Diante do exposto, conheço dos Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte e, no mérito, negolhes provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Declaração de Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Acompanhei a Relatora pelos fundamentos do seu voto, mas considero oportuno enfatizar alguns aspectos da minha posição a respeito da matéria. Primeiramente, sobre a data de ocorrência do fato gerador, no caso de alienação a prazo, se a data da alienação ou a data do pagamento das parcelas, este Colegiado já se posicionou, inclusive em julgados recentes, sobre este tema. Vejase, por exemplo, o Acórdão nº 9202007.178, proferido na sessão de 29/08/2018, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Posicioneime nesse julgado, ao lado da maioria, no sentido de que o fato gerador ocorre no momento do recebimento das parcelas. E a cada vez que me deparo com a mesma situação, mais me convenço do acerto dessa posição, mormente quando se trata de alienações a prazo sujeitas a condições, como neste caso, em que o contrato de compra e venda prevê diversas condições futuras e incertas, inclusive a possibilidade de rescisão do contrato de venda, senão vejamos, resumidamente: a) A cláusula 1.1. do contrato de compra e venda prevê que, nos termos e sujeito às condições previstas no contrato, no Fechamento. A Controladora, ou, se a reorganização societária estiver concluída, os sócio deverá vender à Adquirente as Ações do Pactual; b) A cláusula 1.3., que trata do pagamento diferido, prevê que, nos termos e condições previstos no contrato, a Controladora, ou se a reorganização estiver concluída antes do fechamento, os sócios, deverão receber como contraprestação adicional pela compra de ações valores variáveis, a depender do resultado da empresa alienada (lucro líquido); c) A cláusula 2.1. prevê que o Fechamento da Compra de Ações ocorrerá no terceiro dia útil após a satisfação ou a renúncia das condições estabelecidas no Capítulo VII; Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.039 47 d) O referido Capítulo VII, por sua vez, estabelece como condições para as obrigações das partes, dentre outros fatos, as aprovações regulatórias, a inexistência de medidas liminares ou restrições e cumprimento das obrigações pelas partes; e) Finalmente, a Cláusula 9.1. prevê a possibilidade de rescisão, alteração ou renúncia do contrato, mediante consentimento mútuo ou por uma ou outra parte, dentre outros motivos, caso o fechamento não acontecer na data aprazada, ou se não se obtiver aprovação regulatória por parte de autoridade governamental. Como se vê, eram muitos os eventos futuros e incertos quando foi firmado o contrato, com influência, inclusive, sobre o valor final da operação e com a possibilidade até de rescisão ou alteração do contrato. Ora, nessas condições, como afirmar que o fato gerador ocorreu no momento da alienação, quando sequer se sabia ali se a venda seria efetivamente concretizada, pois sujeita a condições futura? Como se considerar ali ocorrido o fato gerador se sequer se dispunha dos elementos objetivos necessários e suficientes para a apuração do imposto devido? Se sequer se sabia, no momento da realização do contrato, quem seria o sujeito passivo, se a controladora ou os sócios, pois tal definição dependia da realização de uma futura reorganização societária? Lembro, por fim, que o fato gerador do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda e proventos de qualquer natureza, e não a venda do ativo. Neste caso, como falar em aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda no momento da alienação se as condições da venda e a própria concretização desta estava condicionada a eventos futuros e incertos? Enfim, entendo que o fato gerador em casos que tais ocorre no momento do efetivo recebimento das parcelas, quando, aí sim, ocorre a aquisição da disponibilidade da renda e quando é possível apurar o montante do imposto devido, na proporção da parcela recebida. Sobre a alegação de coisa julgada administrativa, entendo que o conceito não se aplica ao caso. Se o fato gerador, nos casos de venda parcelada, ocorre no momento do pagamento, a cada fato gerador corresponde um lançamento e, no caso de impugnação, a um processo administrativo tributário. E o processo administrativo tributário no âmbito federal regese pelo Decreto nº 70.235, de 1.972 e pelo Regimento Interno do CARF, que nada dizem sobre a vinculação das decisões nos processos referentes aos lançamentos associados ao recebimento das parcelas diferidas, à conclusão do primeiro processo. Quanto ao estranhamento pela possibilidade de decisões divergentes em relação a fatos idênticos, registro que não é a primeira vez, e certamente não será a última vez, que tal situação acontece. Para isso, a propósito, é que existe o Recurso Especial – para unificar a jurisprudência. Mas sempre escapam situações em que, por qualquer razão, não se opera tal unificação. Talvez fosse recomendado que, para casos como esses, as normas processuais estabelecessem uma espécie de efeito repetitivo à primeira decisão (e não efeito de coisa julgada). Mas o fato é que não prevê, e penso que o Colegiado não tem competência para fazer tal vinculação. É preciso lembrar, a propósito, que essa vinculação poderia se operar a favor ou contra os contribuintes, conforme o teor da primeira decisão, o que reclama a necessidade de seu disciplinamento por meio de uma norma geral. Qual não seria a frustração do Fl. 2062DF CARF MF 48 contribuinte que impugnasse a exigência de lançamento realizado quando do recebimento de parcela diferida e o Colegiado, apesar de ter uma posição, quanto ao mérito, favorável ao sujeito passivo, renunciou a essa posição em favor da vinculação à tese vencedora quando do julgamento do imposto relativamente à parcela recebida quando da alienação, contrária ao sujeito passivo? Finalmente, sobre a Solicitação de Consulta nº 663 – Cosit, trazida pelo Recorrente em Memoriais, a mesma trata de situação bem distinta da que aqui se cuida. Primeiramente, porque ali a venda se deu sem se sujeitar a condição futura, como expressamente referido no Relatório, e depois porque se trata de incidência do imposto na fonte, pois referese a ganho de capital de residente no exterior. Ademais, o objeto da consulta é a definição da alíquota aplicável e não da data da ocorrência do fato gerador. Assim, não se pode extrair da Solução de Consulta nenhuma posição quanto à matéria objeto deste processo. Com esses fundamentos, além daqueles articulados pela Relatora, conheço do Recurso Especial do contribuinte, rejeito a preliminar de aplicação da coisa julgada administrativa, rejeito a preliminar de decadência e, no mérito, negolhe provimento. Também conheço do Recurso Especial da Procuradoria e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Declaração de Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz O objeto dos presentes autos é a exigência do IRPF sobre o ganho de capital obtido pelo sujeito passivo na venda de uma participação societária que tinha no Banco Pactual A.A., venda essa realizada em 21/12/2006 e adimplida em parcelas, a saber: uma em 2006, outra em 2009, duas em 2010 e mais duas em 2011. Considerando o ganho de capital, a fiscalização efetuou lançamentos de diferenças dos impostos, por entender que houve majoração indevida do custo de aquisição. O primeiro lançamento ocorreu sobre a parcela recebida em 2006, que foi objeto de análise nos auto de n.º 12898.002335/200931, no qual foi dado provimento ao recurso do Contribuinte, por considerar correto IRPF recolhido. Foram analisados mais dois autos de infração sobre a mesma operação, um que abarcava as parcelas de 2009 (Acórdão 2201003.3425) e o outro que tratou das parcelas de 2010 e 2011.(2202003737). Destacase que os posicionamentos adotados nos dois últimos acórdãos são distintos, em um dos processos, entendeu a Turma no sentido de que o fato gerador do imposto ocorreu na data da alienação (2006) e que fora objeto do primeiro processo, motivo pelo qual a decisão tomada no primeiro deveria ser estendida ao imposto recolhido sobre a parcela recebida em 2009, independentemente do mérito da discussão. Assim deuse provimento ao recurso do Contribuinte. Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.040 49 Já o processo que originou o Acórdão 2202003.737 foi julgado no sentido de que o fato gerador somente se completa com o recebimento de cada parcela, de tal modo que a decisão proferida no primeiro processo não se estenderia para o julgamento das parcelas recebidas em 2010 e 2011. Diante desse contexto fático, a controvérsia se limita à discussão quanto a data de ocorrência do fato gerador, se seria da data da operação (alienação) ou quando do recebimento de cada parcela. A fim de demonstrar o meu entendimento acerca do tema, utilizome do diálogo das fontes quanto a aplicação da Teoria Geral dos Contratos, no que se refere ao momento de aperfeiçoamento do contrato, que, segundo o Professor Flávio Tartuce, se faz da seguinte forma: a) Contrato consensual aquele que tem aperfeiçoamento pela simples manifestação de vontade das partes envolvidas. Exemplo: compra e venda, doação, locação, mandato, entre outros. b) Contrato real apenas se aperfeiçoa com a entrega da coisa, de um contratante para o outro. Exemplos: comodato, mútuo, contrato estimatório e depósito. Nessas figuras, antes da entrega da coisa, temse apenas uma promessa de contratar e não um contrato perfeito e acabado. Quanto ao momento de cumprimento, o contrato assim se classifica: a) Contrato instantâneo ou de execução imediata é aquele que tem aperfeiçoamento e cumprimento imediato, caso de uma compra e venda à vista. b) Contrato de execução diferida é aquele cujo cumprimento deverá ocorrer de uma vez só, no futuro. Exemplo típico é a situação em que se pactua o pagamento com cheque pósdatado ou prédatado; c) Contrato de execução continuada ou de trato sucessivo tem o cumprimento previsto de forma sucessiva ou periódica no tempo. É o caso de uma compra e venda cujo o pagamento deva ser feito por meio de boleto bancário , com periodicidade mensal, quinzenal, bimestral, trimestral ou qualquer outra forma sucessiva. Exemplos: locação e financiamentos em geral. Cabe elucidar que a operação narrada nos autos (alienação de ações), mediante contrato de compra e venda, se aperfeiçoa com a manifestação de vontade, por se tratar de um contrato típico consensual. Assim, a entrega da coisa, no caso dos bens móveis, não tem qualquer relação com o seu aperfeiçoamento e sim com o cumprimento do contrato. No dizer de Tartuce, não se pode confundir o aperfeiçoamento do contrato (plano de validade) com o seu cumprimento (plano da eficácia). A compra e venda geram efeitos desde o momento em que as partes convencionaram sobre a coisa e o seu preço (art. 482 do Código Civil). No caso de compra e venda de imóveis, o registro mantém relação com a aquisição da propriedade do negócio decorrente, o mesmo valendo para a tradição nos Fl. 2064DF CARF MF 50 casos envolvendo bens móveis. Utilizando a escala ponteana, o registro e a tradição estão no plano de eficácia desse contrato. Notase que contrato de compra e venda na qual o pagamento ocorre de forma parcelada se classifica, quanto ao momento do cumprimento, ao meu ver, como obrigação de execução continuada ou de trato sucessivo, cujo cumprimento se dá por meio de subvenções periódicas. As mencionadas características da relação jurídica da qual decorreu ao ganho de capital conduzem ao entendimento de que, aperfeiçoado o contrato, portanto válido, bem como entregue o bem móvel, de modo que se mostra eficaz, o pagamento sob a forma de parcelas não tem o condão de dependência futura, no aspecto temporal, quanto à definitividade do negócio, inclusive porque não foi estabelecida condição alguma a depender de evento futuro e incerto. Necessário ainda esclarecer, quanto aos créditos (pagamentos das parcelas), que o contrato intitulado como de compra e venda tratou da reorganização societária, consoante descrito no Termo de Verificação, ocorrendo antes do fechamento da alienação, prescrevendo disposições sobre reorganização, o que não se confunde com condição da obrigação, a alienação em si, pois, reiterase, não houve subordinação do efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto, mas sim, na fase inicial de ajustes, termos que compuseram a possibilidade de um pagamento adicional ao pactuado, previamente acordado, antes do fechamento, conforme se extrai dos trechos abaixo: CLAUSULA 1.3. Pagamento Diferido. Sujeito aos termos e condições aqui previstos, na data especificada na Cláusula .4(d), a Controladora ou, se a Reorganização estiver concluída antes do Fechamento, os Sócios deverão ter direito a receber, como contraprestação adicional pela Compra de Ações, um valor igual a: (i) (x) US$1,49 bilhão (sujeito ao ajuste conforme previsto na Cláusula 1.4 (e), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto for maior ou igual a zero e o Aumento das Receitas Cumulativas for maior do que zero; (y) US$740 milhões (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e), se o Lucro Liquido Cumulativo antes do Imposto for menor do que zero; ou (z) US$1,184 bilhão (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e) se o Lucro Liquido cumulativo antes do Imposto for maior ou igual a zero, mas o Aumento das Receitas Cumulativas for (ou for considerado de acordo com sua definição) zero (o valor a ser pago em decorrência desta cláusula (i), o "Valor Base do Pagamento Diferido"); menos (ü) o Valor a Compensar. Se o valor determinado na subtração do Valor a Compensar do Valor Base do Pagamento Diferido for um número positivo, será aqui denominado ''Valor do Pagamento Diferido". Quaisquer controvérsias relativas ao cálculo do Valor a Compensar deverá ser resolvida conforme previsto na Cláusula 1.7. Para que não pairem dúvidas, o Valor Base do Pagamento Diferido mínimo, antes de quaisquer reduções conforme previsto na Cláusula 1.4(e), é US$740 milhões. Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.041 51 (b) Não obstante qualquer disposição em contrário prevista neste Contrato, nenhum valor deverá ser pago pela Adquirente nos termos desta Cláusula .1.3 se o Valor a Compensar, conforme finalmente determinado de acordo com os termos deste Contrato, exceder o Valor Base do Pagamento Diferido. CLÁUSULA 1.4. Determinação do Valor Base do Pagamento Diferido, (a) No prazo de 90 dias a partir da Data de Medição Anual, a Adquirente deverá elaborar de boafé e entregar aos Representantes do Sócio um extrato (cada uma deles um "Extrato do Pagamento Diferido da. Adquirente") contendo o cálculo da Adquirente do Lucro Líquido Anual antes do Imposto e das Receitas Anuais para o Período Anual encerrado em tal Data de Medição Anual (e, no caso da Data de Medição Final, os cálculos da Adquirente do Lucro Liquido Cumulativo antes do Impostos, Aumento da Receita Cumulativa e os cálculos resultantes do Valor Base do Pagamento Diferido), junto documentos comprobatórios razoavelmente detalhados. (...) SEGUESE RITO RELATIVO A QUESTIONAMENTO DOS VALORES, PREVENDO ATÉ MEDIAÇÃO DE EMPRESA INDEPENDENTE. (DESTAQUE INSERIDO) (...) "Data de Medição Anual" significa 30 de junho de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. (e) "Lucro Liquido Anual antes do Imposto" significa o Lucro Liquido Pro Forma antes do Imposto para os quatro trimestres fiscais anteriores encerrando em cada Data de Medição Anual. *Período Anual" significa o período de 12 meses encerrando em cada Data de Medição Anual. "Receita Anual" significa as Receitas Pro Forma para os quatro trimestres fiscais anteriores encerrando em cada Data de Medição Anual. (h) "Associada" tem o significado previsto na Regra 12b2 da Lei de Mercado de Capitais de 1934. (i) "Valor Base da Receita Pro Forma" . significa US$370 milhões. (...) (r) "Aumento Cumulativo da Receita" significa o valor pelo qual (i) (x) o total das Receitas Pro consolidadas para os 20 trimestres fiscais do Pactual encerrando em 30 de junho de 2011, dividido por (y)' cinco exceda (ii) o Valor Base da Receita Pro Forma; ressalvado, no entanto, que se o Valor Base da Receita Pro Forma for maior do que o valor determinado de acordo com a alínea (i) desta definição, então o Aumento Cumulativo da Receita deverá ser considerado como sendo zero. (w) "Data de Medição Final" significa 30 de junho de 2011. Fl. 2066DF CARF MF 52 Portanto, no que se refere à alienação sob análise, sequer houve condições acerca do pagamento das parcelas, restando evidente a constituição da obrigação, de modo definitivo. Fazse oportuno mencionar o dispositivo do CC que trata do contrato de compra e venda, nos termos abaixo transcritos: Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. Desse modo, a relação obrigacional se aperfeiçoou quando da alienação, surgindo então as figuras do credor e do devedor. A situação narrada atrai a aplicação do art. 116 do CTN, que assim dispõe: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Partindo da premissa constante do Código Civil sobre a relação obrigacional no contrato de compra e venda, bem como sobre o momento de ocorrência do fato gerador, quando relativo à situação jurídica, no âmbito do Código Tributário Nacional, cabe indicar a norma que trata da repercussão tributária dos efeitos da alienação, que é o art. 21 da Lei 8.981/1995: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do imposto sobre a renda, com as seguintes alíquotas: (...). § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. § 3o Na hipótese de alienação em partes do mesmo bem ou direito, a partir da segunda operação, desde que realizada até o final do anocalendário seguinte ao da primeira operação, o ganho de capital deve ser somado aos ganhos auferidos nas operações anteriores, para fins da apuração do imposto na forma do caput, deduzindose o montante do imposto pago nas operações anteriores. Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.042 53 § 4o Para fins do disposto neste artigo, considerase integrante do mesmo bem ou direito o conjunto de ações ou quotas de uma mesma pessoa jurídica. Diante desse contexto, considerando a ocorrência do fato gerador no momento em que esteja definitivamente constituída a situação jurídica, nos termos de direito aplicável, de acordo com o Código Tributário Nacional, bem como que a norma aplicável dispõe que compra e venda, quando pura, será obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço, não há outra conclusão se não a de que o fato gerador ocorre no momento da alienação. Salientase que a Lei 8.981/1995, de forma específica trata do fato gerador do IRPF, quando há ganho de capital decorrente de alienação, descrevendo os aspectos e elementos formadores, independentemente do regime contábil de apuração e do prazo de recolhimento. Além disso o imposto de renda não tem como fato gerador a disponibilidade financeira no que se refere à posse, mas sim a disponibilidade econômica ou jurídica. Em estudo sobre o conceito de renda, Hugo de Brito Machado assevera: “Não há renda, nem provento, sem que haja acréscimo patrimonial, pois o CTN adotou expressamente o conceito de renda como acréscimo. (...) Referindose o CTN à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, quer dizer que a renda, ou os proventos, podem ser os que foram pagos ou simplesmente creditados. A disponibilidade econômica decorre do recebimento do valor que se vem a acrescentar ao patrimônio do contribuinte. Já a disponibilidade jurídica decorre do simples crédito desse valor, do qual o contribuinte passa a juridicamente dispor, embora este não lhe esteja ainda nas mãos . Para uma adequada compreensão do sentido da expressão”(MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 30 ed. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 317, grifos nossos) No caso sob análise, o imposto é devido quando da alienação, momento descrito na norma específica de incidência (art. 21 da Lei 8981/95), de modo que o pagamento da contraprestação de forma parcelada apenas diferiu o recolhimento do tributo para a data de recebimento de cada parcela, justamente em razão do regime contábil adotado para as pessoas físicas. Desde o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda, há disponibilidade jurídica da renda, de modo que há uma relação obrigacional constituída, despida de qualquer condição ou encargo, existindo o direito ao crédito advindo da alienação. Tanto assim o é que tal direito pode ser negociado por meio de cessão de crédito, instituto regulado em capítulo específico no Código Civil. Dessa feita, o imposto é calculado uma única vez na data em que a alienação se torna perfeita e acabada, ou seja, quando ocorre aquisição da disponibilidade jurídica da renda, aplicandose, nesse momento a alíquota sobre a base de cálculo, e apenas esperandose o Fl. 2068DF CARF MF 54 decurso do mês subseqüente ao do recebimento do preço ou ao de cada recebimento do preço, para efetuar o pagamento do imposto. Assim, não se deve confundir o critério temporal, aspecto interno da regra matriz de incidência, com o regime contábil e o prazo atrelados às parcelas devidas a serem adotados para fins de recolhimento, aspectos externos, posteriores a ocorrência do fato gerador. Corroborando o exposto, cabe mencionar o enunciado de Súmula Vinculante do STF n.º 50, o qual dispõe sobre a inaplicabilidade do princípio da anterioridade à norma legal que altera o prazo de recolhimento, conforme abaixo transcrita: Súmula Vinculante 50 Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade. Do enunciando citado, inferese que a inaplicabilidade da norma sobre anterioridade que rege, de forma geral, os tributos ao prazo de recolhimento atesta que tal prazo não se refere ao aspecto temporal do fato gerador, pois se assim o fosse, estaria submetido à anterioridade. Além disso, não se aplica o princípio da legalidade às normas que regem o prazo de recolhimento do tributo, como é cediço no Supremo Tribunal Federal, pois não tem identidade com a instituição, a majoração e a definição do fato gerador do tributo, a fixação da alíquota e a base de cálculo. Desse modo, o pagamento das parcelas, que, devido ao regime de caixa, dá origem ao termo inicial do prazo de recolhimento, está relacionado ao adimplemento de um contrato definitivamente constituído e não se relaciona com a ocorrência do fato gerador, mas com os aspectos externos da exigência. Cabe reiterar que o regime contábil aplicado, regime de caixa, este apenas orienta o marco temporal do prazo de recolhimento, que não pode ser anterior ao recebimento dos valores. Diante do exposto, entendo que, tendo em vista a existência de um único fato gerador ocorrido quando da alienação já devidamente apreciado por esse Conselho, no âmbito do processo administrativo fiscal, com decisão definitiva favorável ao Contribuinte, em observância do princípio da segurança jurídica, deve ver reconhecida a aplicação da mencionada decisão aos processos em julgamento. Nesse cenário, entendo pelo provimento ao recurso especial interposto pelo Contribuinte. Considerando o posicionamento vencedor diverso do meu entendimento, faz se pertinente esclarecer, no que concerne à decadência, ponto de discussão enfrentado pelo Colegiado, o meu entendimento no sentido de que o termo inicial da contagem do prazo decadencial, apesar de a data do fato gerador ocorrer quando da alienação, deve ser considerado como termo inicial a data do pagamento de cada parcela, tendo em vista que não seria razoável que a contagem se iniciasse antes mesmo de o fisco se valer do direito de lançar. Ora, se tal prazo é relativo ao direito de lançar, não flui antes da existência do próprio direito, que não pode ocorrer antes da exigibilidade, pelo que se extrai do tão debatido princípio da actio nata. Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.043 55 (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Declaração de Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Peço vênia à Conselheira Relatora para discordar da sua conclusão pela rejeição da preliminar de aplicação dos efeitos da coisa julgada administrativa suscitada pelo Contribuinte. Tratase de auto de infração para cobrança de crédito tributário decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas de empresa não negociadas em bolsa. Sobre referido ganho de capital a Receita Federal do Brasil (RFB) cobra diferenças de imposto, por entender que houve majoração indevida do custo de aquisição. A venda das ações ocorreu em 21.12.2006 para recebimento em parcelas, a saber: uma em 2006, outra em 2009, duas em 2010 e mais duas em 2011. Em razão da parcela recebida em 2006 foi lavrado o primeiro auto de infração, consubstanciado no processo 12898.002335/200931. Após o trâmite processual o lançamento foi julgado improcedente, tendo o respectivo Colegiado entendido que a operação realizada entre as partes não padecia de qualquer irregularidade, devendo o negócio jurídico ser mantido. O acórdão 210201938 transitou em julgado no ano de 2012. Ocorre que, cada um em seu tempo, foram realizados outros dois lançamentos, um para cobrança da diferença do imposto relativo a parcela de 2009 (processo 12448.735359/201192) e outro referente às parcelas recebidas em 2010 e 2011 (processo 12448.721981/201466). Temos então o seguinte cenário: uma única venda de ações, ou seja, um fato gerador de ganho de capital que gerou como consequência três lançamentos haja vista a especificidade dos valores envolvidos terem sido pagos de forma parcelada. E aqui reside a argumentação do contribuinte: a regra excepcional, traduzida pelo art. 21 da Lei nº 7.713/88, cuja finalidade é a de postergar o momento efetivo da conclusão do fato gerador, teria o condão de alterar o entendimento do acórdão já transitado em julgado e o qual reconheceu como válido o único negócio jurídico realizado? Penso que não. Para elucidar a questão, necessariamente devemos fazer uma análise sobre qual é o fato gerador do Imposto Renda a título de Ganho de Capital, para tanto transcrevemos o art. 43 do Código Tributário Nacional, interpretandoo em conjunto com o art. 3º da citada Lei nº 7.713/88. Vejamos: CTN Fl. 2070DF CARF MF 56 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Lei nº 7.713/88 Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. ... § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ... Pela interpretação conjunta dos enunciados acima compreendese o critério material da regra matriz de incidência do imposto de renda do ganho de capital: a aquisição de proventos decorrentes da alienação de bens ou direitos, considerando como aquisição o ganho apurado a partir da "diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição". A legislação não deixa margem para dúvidas. O ganho de capital apurado mensalmente tem como fato o negócio jurídico celebrado pelo vendedor (no caso o contribuinte) e o comprador/adquirente do bem ou do direito. Neste cenário, ainda que o pagamento da avença se dê de forma parcelada o que temos é um único fato 'mundano' responsável por desencadear o fato jurídico tributário. Para simplificar o raciocínio, supondo Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 9202007.321 CSRFT2 Fl. 2.044 57 um ganho de capital auferido pela venda de um quadro cujo pagamento será parcelado, aqui cada uma das parcelas pagas decorre da venda do mesmo quadro e, consequentemente, deverão ser observadas as condições firmadas no momento da realização dessa alienação, nos termos em que previsto no art. 31 da Instrução Normativa nº 84/2001: Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. Considerando a mutabilidade das normas tributárias no Brasil, podemos interpretar o art. 31 da citada Instrução Normativa nº 84/01 como dispositivo que confere segurança jurídica aos contribuintes, pois ainda que as normas do imposto venham sofrer mudanças ao longo dos anos a fixação de um marco para apuração de eventual ganho de capital afasta qualquer elemento surpresa nos contratos com longo prazo de pagamento. No presente caso, embora não concorde com a expressão 'coisa julgada administrativa', pois tratase de teoria cuja análise abrange discussões bem mais profundas, a tese exposada pelo Contribuinte se justifica na medida em que os três lançamentos realizados adotaram como fundamento o mesmo negócio jurídico: a alienação/ venda da participação societária que o contribuinte possuía no Banco Pactual S.A. Assim, o imposto gerado a partir do ganho de capital apurado deve levar em consideração o negocio jurídico celebrado e acabado em dezembro de 2006. Importante lembrar que a Lei nº 7.713/88, ao mencionar em seu art. 2º que o Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos nos dá a indicação de que o fato gerador do imposto realmente somente se aperfeiçoa com a disponibilidade financeira do ganho, nos termos em que defendido por renomados juristas. A Professora Mary Elbe de Queiroz em artigo intitulado “Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – Tributação das Pessoas Físicas" (in Curso de Especialização em Direito Tributário: Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho. Editora Forense 2006), muito bem explica este ponto: Já “disponibilidade” é palavra derivada do latim disponere, dispor, isto é, bens de que se pode dispor livremente, livres de qualquer desembaraço. Caracterizase como a liberdade necessária à normalidade dos negócios, revelada por uma situação que possibilita ao titular poder dar destinação livre e imediata à renda ou provento percebido, não alcançado a disponibilidade apenas potencial. A disponibilidade poderá ser visualizada sob os aspectos econômicos, jurídico e financeiro. Fl. 2072DF CARF MF 58 Entendese por “disponibilidade econômica” a percepção efetiva da renda ou provento. A aquisição se dá pelo fato material, independentemente da legalidade, ou não, do modo de obtenção. Portanto, a disponibilidade poderia ocorrer de forma não acolhida pela ordem jurídica. Já a “disponibilidade jurídica” diz respeito à aquisição de um título jurídico que confira direito de percepção de um valor definido, ingresso de forma legal, no patrimônio. É a aquisição por meio de uma das formas legítimas e legais, de acordo com o direito. Pressupõe a disponibilidade econômica, enquanto a “disponibilidade financeira” é o ingresso físico do valor cuja disponibilidade econômica ou jurídica foi previamente adquirida. Nesse caso, existe a posse efetiva dos valores. A legislação do Imposto sobre a Renda consagra e impõe, com relação às pessoas físicas, além da “disponibilidade econômica ou jurídica”, a exigência da real “disponibilidade financeira”, o chamado “regime de caixa”. Nesse caso, precisa haver o efetivo recebimento do numerário ou pagamento das despesas (o ingresso ou o desembolso de numerário), para que os respectivos valores sejam computados para efeito da incidência do imposto. Percebese portanto que a regra matriz de incidência do imposto possui como critério o efetivo recebimento do ganho pela pessoa física, não sendo possível tributar a mera expectativa de uma disponibilidade econômica de valores decorrentes de negócios jurídicos, até porque em alguns casos esse recebimento simplesmente pode não ocorrer (hipótese de inadimplência do devedor). Embora o fato gerador do imposto somente seja concretizado com o recebimento efetivo do ganho (disponibilidade financeira), é inegável que a postergação do pagamento embora traga repercussões para o aspeto temporal da regra matriz, incluindo aqui as discussões acerca da decadência, em nada afeta o seu critério material na medida em que o ganho de capital estará sempre vinculado à operação de alienação dos bens ou direitos nos termos do art. 3º, §§2º e 3º da Lei nº 7.713/88 e art. 21 da Lei nº 8.981/95. Por essas razões, considerando que o Acórdão 210201938 concluiu pela correção dos métodos adotados pelo Contribuinte quando da celebração do negócio jurídico de venda de ações, e considerando ser referida decisão definitiva, não há como negar os efeitos dessa sobre o presente lançamento. Destaco que referida conclusão somente se faz possível porque, no presente caso, estamos diante de um mesmo fato tributável (alienação de bens) praticado em um único momento (dezembro 2016) pelo mesmo sujeito (o contribuinte autuado). É como voto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.917077/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96.
Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.994
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 70 77 /2 01 2- 36 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11080.917077/201236 Acórdão n.º 3402005.994 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 08030.904 da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre declaração de compensação, que objetiva compensar pagamento a maior de PIS/Pasep. O despacho decisório reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, mas homologou apenas parcialmente a compensação declarada por entender que o direito creditório reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) descabimento da aplicação da multa moratória em face da denúncia espontânea; e b) ausência de extemporaneidade no pagamento vez que o crédito e o débito objeto de compensação possuem mesmo vencimento e período de apuração. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: O contribuinte teria até o dia do vencimento do tributo para pagar o tributo ou apresentar a devida declaração de compensação sem nenhuma penalidade. Na espécie, o administrado, optando pela compensação, ingressou com o PER/DCOMP após o vencimento do tributo, pelo que incorreu em multa moratória e juros Selic. O pagamento e a compensação são espécies de extinção do crédito tributário. O art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido. No caso, o contribuinte informou o débito fiscal, mas não o pagou, tendo apenas compensadoo, o que não contempla o benefício da denúncia espontânea. A compensação só ocorre mediante a entrega da correspondente declaração pelo sujeito passivo, sendo que, antes disso, a parcela do pagamento ainda não alocada a débito físcal permanece indisponível ao Fisco. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11080.917077/201236 Acórdão n.º 3402005.994 S3C4T2 Fl. 0 3 Cientificada, a interessada interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, repisando as alegações da manifestação de inconformidade acerca do cabimento da denúncia espontânea e da não incidência da multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.981, de 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.720383/201332, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.981) 1: "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Nos termos do art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e a compensação (inciso II) são modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que, no caso da compensação, nos termos do art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, a extinção se dá sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação declarada. Na hipótese de não ocorrer a homologação (tácita ou expressa) da compensação declarada, não há que se falar mais em extinção do crédito tributário, sendo cabível a cobrança dos débitos confessados. Na hipótese de lançamento por homologação, tratada separadamente no inciso VII do art. 156 do CTN, o pagamento antecipado somente extinguirá o crédito tributário se for acompanhado da homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte. O Professor Paulo de Barros Carvalho2 bem diferencia o "pagamento" a que se refere o inciso I do art. 156 do CTN do "pagamento antecipado" de que trata o inciso VII, nos seguintes termos: Não obstante o pagamento antecipado seja uma forma de pagamento, a legislação aplicável requer que ele se conjugue ao ato homologatório a ser realizado (comissiva ou omissivamente) pela Administração Pública. Apenas 1 No processo paradigma houve apresentação de Declaração de Voto por parte da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como o entendimento esposada nesta declaração foi vencido, deixase de transcrevêlo nos presentes autos, que trazem apenas o entendimento que prevaleceu na decisão colegiada. Íntegra da declaração de voto pode ser consultada no processo paradimga nº 11080.720383/201332. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 490. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11080.917077/201236 Acórdão n.º 3402005.994 S3C4T2 Fl. 0 4 dessa maneira darseá por dissolvido o vínculo, diferentemente do que ocorre nos casos de pagamento de débito tributário constituído por lançamento, em que a conduta prestacional do devedor tem o condão de por fim, desde logo, à obrigação tributária. No denominado "lançamento por homologação", quando ainda não ocorrida a homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte, constatando o Fisco a inexatidão da atividade prévia por ele exercida, deverá apurar o montante suplementar do tributo devido e constituir o crédito tributário por lançamento de ofício supletivo, nos termos do art. 149 do CTN. Nessa hipótese, obviamente, a parcela do crédito tributário objeto do pagamento antecipado é considerada extinta por pagamento (parcial), vez que excluída do lançamento de ofício supletivo. Dessa maneira, nos incisos I, II e VII do art. 156 do CTN, são descritas três formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, conferir eventualmente o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" está a dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. Nessa mesma linha, no voto vencedor do Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão nº 1402002.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de setembro de 2016, restou esclarecido que às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN): (...) Portanto, embora pagamento e compensação extingam o crédito tributário, cada um o faz com suas características e consequências peculiares: enquanto no pagamento não mais se discute a extinção do crédito tributário, na compensação extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), ou seja, a declaração de compensação pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. O art. 138 do CTN, ao dispor que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a meu ver, limitou a possibilidade de sua aplicação a uma das modalidades de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11080.917077/201236 Acórdão n.º 3402005.994 S3C4T2 Fl. 0 5 Quisesse o legislador que outras hipóteses de extinção fossem aplicáveis para fins de denúncia espontânea, assim o teria feito expressamente. Conforme abordado pelo i. Conselheiro Relator, a posição do STJ sobre o tema não é unânime. Tanto assim que, posteriormente ao entendimento firmado no julgamento nos EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, sessão de 20/08/2015, citado no r. voto do i. Conselheiro Relator, a mesma Segunda Turma julgadora do STJ julgadora decidiu de modo divergente na apreciação do AgRg no REsp 1461757 / RS em sessão realizada no mês seguinte, dia 03/09/2015. Vejase sua ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01481347 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/09/2015 Data da Publicação/Fonte DJe 17/09/2015 Ementa: (...) 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido. (...) No mesmo sentido, pronunciouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303006.011– 3ª Turma, de 29 de novembro de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, nestes termos: (...) Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11080.917077/201236 Acórdão n.º 3402005.994 S3C4T2 Fl. 0 6 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (...) VOTO (...) A matéria a ser decidida neste julgamento, como já dito, é somente se compensação (via Declaração de Compensação) equivale ou não a pagamento, para fins de cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de transmissão da DCOMP a destempo, mas antes do início do procedimento fiscal. Para o pagamento, o tema não é mais passível de discussão no CARF (a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno), haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, no RE nº 1.149.022/SP (isto se o pagamento for realizado antes ou concomitantemente à confissão da dívida, conforme Súmula nº 360, também do STJ), em Acórdão submetido à sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/73, antigo Código de Processo Civil. Já para a compensação, não existe decisão judicial ou súmula que vincule este Colegiado. Como bem colocou a PGFN, pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, conforme estabelece o Código Tributário Nacional (art. 156, I e II, já transcritos), recepcionado como lei complementar, a única capaz de estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, como reza a nossa Constituição Federal (grifei): (...) Alega o contribuinte, em suas Contrarrazões, que o pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação – como a própria denominação desta forma de constituição diz – também está sujeito à condição de sua ulterior homologação. Mas o CTN diz algo mais a respeito (grifei): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11080.917077/201236 Acórdão n.º 3402005.994 S3C4T2 Fl. 0 7 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Assim, na compensação, é o valor confessado em DCOMP está sob condição resolutória de ulterior homologação, enquanto no pagamento, na realidade, é o que não foi quitado. Isto está claro na lei. O § 1º do art. 150 do CTN fala “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, enquanto o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 fala em “sua ulterior homologação” Em termos simples: “pagou está pago”; se compensou, há cinco anos para a Administração decidir em que dimensão o crédito está extinto, até o limite compensado. Não se pode equiparar, então, homologação do lançamento com homologação da Declaração de Compensação. (...) São formas de extinção distintas, com conseqüências distintas. Não há dúvida. Assim, não se pode aplicar a mesma jurisprudência de uma para a outra – ainda que o STJ já tenha feito isto, mas em decisão não vinculante (Resp nº 1.136.372/RS, citado pelo contribuinte). (...) Ex positis, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (...) Melhor sorte não assiste à recorrente quanto ao argumento de que não teria ocorrido a "extemporaneidade no pagamento" do tributo devido, vez que os débitos e créditos Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11080.917077/201236 Acórdão n.º 3402005.994 S3C4T2 Fl. 0 8 objeto de compensação referemse a tributos atinentes ao mesmo período de apuração e mesma data de vencimento. Ocorre que, na hipótese de compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, dáse somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (...) Dessa forma, não tendo sido os débitos pagos no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerados extintos antes do vencimento do tributo pela transmissão da declaração de compensação tempestiva, estão sujeitos à multa de mora, nos termos do art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11080.917077/201236 Acórdão n.º 3402005.994 S3C4T2 Fl. 0 9 na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.728514/2014-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011, 2012
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Tendo os acórdãos recorrido e paradigma examinado situações similares oferecendo, contudo, soluções distintas, resta configurado o dissídio jurisprudencial, devendo ser conhecido o recurso.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXPLORAÇÃO DE DIREITO PERSONALÍSSIMO. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA.
Os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalíssimo vinculados ao exercício da atividade esportiva devem ser tributados na declaração da pessoa física, que é de fato aquela que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses.
Numero da decisão: 9202-007.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que não conheceram do recurso, e a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011, 2012 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Tendo os acórdãos recorrido e paradigma examinado situações similares oferecendo, contudo, soluções distintas, resta configurado o dissídio jurisprudencial, devendo ser conhecido o recurso. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXPLORAÇÃO DE DIREITO PERSONALÍSSIMO. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalíssimo vinculados ao exercício da atividade esportiva devem ser tributados na declaração da pessoa física, que é de fato aquela que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses.
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CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Tendo os acórdãos recorrido e paradigma examinado situações similares oferecendo, contudo, soluções distintas, resta configurado o dissídio jurisprudencial, devendo ser conhecido o recurso. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXPLORAÇÃO DE DIREITO PERSONALÍSSIMO. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalíssimo vinculados ao exercício da atividade esportiva devem ser tributados na declaração da pessoa física, que é de fato aquela que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que não conheceram do recurso, e a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 85 14 /2 01 4- 66 Fl. 943DF CARF MF 2 Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201003.748, proferido na sessão de 05 de julho de 2017, assim ementado: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011, 2012 DIREITO DE IMAGEM. ASPECTO PATRIMONIAL. POSSIBILIDADE DE CESSÃO O direito à imagem decorre do direito à personalidade, esse sim, intransmissível e irrenunciável. Já aquele, o direito de imagem, direito decorrente do direito de personalidade, pode em seu aspecto positivo, patrimonial ser transmitido, explorado por pessoa jurídica constituída para este fim. RENDIMENTOS DO EXTERIOR. CHINA. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo que dava provimento parcial e Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. O recurso visava rediscutir as seguinte matérias: a) incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem; b) condição de residente no Brasil, relativamente aos rendimentos oriundos do exterior. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 3 3 Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo apenas quanto quanto à matéria a) incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que os art. 87A, da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, incluído pela Lei nº 12.395, de 16 de março de 2011, que estabelece que o “direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo”, somente pode ser aplicado após a sua vigência, ou seja, a partir de 17 de março de 2011, data em que a lei foi publicada no Diário Oficial da União. que o mesmo ocorre com o art. 980A, § 5º, do Código Civil, incluído pela Lei nº 12.441, de 11 de julho de 2011, que permitiu “ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional.” que esse dispositivo entrou em vigor no dia 9 de janeiro de 2012, ou seja, 180 dias após a sua publicação, conforme determinava o art. 3º da Lei nº 12.441, de 11 de julho de 2011; que no caso dos autos, o lançamento é relativo aos anoscalendário 2010 e 2011, e portanto, caso se entendam aplicáveis esses dispositivos legais, de forma alguma eles incidiriam sobre os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2010 e parte do ano calendário 2011; que tais dispositivos não podem ser aplicados retroativamente, tendo em vista que, além de a Constituição afirmar que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada” (art. 5º, XXXVI), a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro afirma que a “lei em vigor terá efeito imediato e geral” (art. 6º) que, além do mais, não se trata de lei “expressamente” interpretativa, conforme exigência do art. 106, II, “a”, do CTN, para que uma legislação seja aplicável a fatos pretéritos; que em relação à aplicação retroativa de dispositivo que altera o regime de tributação das pessoas físicas pela prestação de serviços personalíssimos, já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, tem eficácia prospectiva; que em relação especificamente ao art. 980A, § 5º, do Código Civil, outro motivo que afasta a sua aplicabilidade no caso concreto é que o dispositivo é relativo à “empresa individual de responsabilidade limitada”, e não às pessoas jurídicas em geral, ou seja, o dispositivo permitiu a “cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz” para a empresa individual, e não para qualquer pessoa jurídica. que se trata, portanto, de regra aplicável exclusivamente à EIRELI, justamente por ser pessoa jurídica formada exclusivamente pelo detentor do direito de imagem Fl. 945DF CARF MF 4 explorado, constituindose em regra excepcional no que diz respeito à titularidade da remuneração da cessão de direito de imagem; que tal limitação tem sentido, pois compatibiliza a possibilidade de exercício de atividade empresarial de natureza personalíssima com a limitação da responsabilidade do empresário individual, inaugurada com a edição da Lei nº 12.441, de 2011, e antes desse diploma normativo, a responsabilidade era ilimitada; que no caso, o empresário continuará executando as tarefas pessoalmente, porém, agora, com a sua responsabilidade limitada ao capital social. Esse dispositivo, portanto, tem finalidade unicamente civilista, não fazendo qualquer referência à sujeição passiva tributária, que, inclusive, exige lei complementar para tanto, conforme estabelece o art. 146, III, “a”, da Constituição. que quanto à aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005 à cessão de direitos de uso de imagem efetuada pelo contribuinte à pessoa jurídica da qual é sócio, o dispositivo referente à prestação de serviços de intelectuais, inclusive de natureza cientifica, artística ou cultural, o que não é o caso da cessão de direitos de imagem; que o texto da norma e as definições apresentadas acima demonstram claramente que a atividade relativa à cessão do direito de imagem não foi acolhida no rol dos serviços albergados pelo art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005. que é questionável, inclusive, se a própria cessão de direitos de imagem é serviço, inclusive os tribunais de segundo grau vêm afastando a incidência de ISS sobre a cessão de direitos de imagem sob a justificativa de não ser serviço; que, afastada a aplicabilidade do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, há muito se consolidou no contencioso administrativo fiscal federal o entendimento de que é a pessoa física a única titular dos rendimentos da exploração deste direito personalíssimo. que apesar de os direitos da personalidade poderem ser explorados economicamente, eles somente o podem por meio da pessoa física titular de tal direito, tendo em vista a limitação prevista no art. 11 do Código Civil; que, conforme salientou a DRJ, “Por se tratar, desse modo, de um direito personalíssimo, o direito de imagem não pode ser transmitido a outra pessoa, de modo que a esta é vedado negociálo posteriormente como se titular desse direito fosse. Conquanto inalienável, nada impede a sua exploração comercial. O proveito econômico decorrente da exposição da imagem, todavia, sempre será do seu titular, pois apenas este pode licenciar o uso de sua imagem.” que “o trabalho prestado pelo contribuinte é exercido de forma individual e personalíssima, e, assim, é um direito personalíssimo, pois qualquer sócio, ou funcionário empregado da empresa, mesmo que não houvesse vedação contratual estipulada pelo contratante, não poderia exercer, ou não desempenharia com a mesma qualificação, o trabalho feito, sujeitandose, assim, seus rendimentos à legislação aplicável à pessoa física.” que, portanto, o critério de identificação do sujeito passivo independe da vontade dos contratantes, pois o art. 121, I, do CTN, estabelece que contribuinte é aquele que tem relação direita com o fato gerador. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 4 5 que o proveito econômico foi auferido exclusivamente pela pessoa do atleta, que tem relação direta com a obtenção do rendimento decorrente da disposição de sua imagem, o que torna indiscutível ser ele o contribuinte. que os contratos privados firmados entre a “cedente” (DLC) dos direitos de imagem e as cessionárias não têm o condão de modificar o sujeito passivo da relação obrigacional tributária. que além do mais, a remuneração somente seria paga em função de compromissos assumidos pela pessoa física, de modo que a pessoa jurídica não teria como cumprilos sem a participação pessoal e exclusiva do referido sócio e atleta. que, considerandose que o proveito econômico do negócio foi auferido diretamente pela pessoa física, somente ela pode ser sujeito da relação jurídicotributária. que, conforme afirmado pelo próprio contribuinte, “o contrato firmado com a São Paulo Alpargatas foi o único celebrado entre as partes, não havendo outro definitivo a ser apresentado, apesar do termo preliminar” (efl. 118). que o próprio contrato preliminar, além de vedar a transferência dos direitos, foi definitivo, não havendo que se falar, portanto, em auferimento de renda pela pessoa jurídica, que sequer era detentora de qualquer direito. que mesmo que o contribuinte, em violação ao contrato, transferisse tais valores recebidos, o fato é que ele primeiramente teria que receber tais valores e posteriormente repassálos à pessoa jurídica, sem necessariamente recebêlos materialmente, mas apenas juridicamente. que não se transfere algo de que não se seja titular ou de que não se tenha disponibilidade. que sobre a desconsideração dos contratos de cessão de direito, o contrato com a São Paulo Alpargatas foi firmado diretamente pelo próprio contribuinte, não havendo que se falar, portanto, em desconsideração do contrato. que há sim base legal para o lançamento efetuado diretamente na pessoa física, pois, nos termos do art. 142 do CTN, compete à autoridade fiscal identificar o sujeito passivo da relação jurídicotributária, verbis: que sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, é aquele que tem “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador” (CTN, art. 121, § único, I). que as convenções particulares, salvo expressa previsão legal, não podem ser opostas contra o Fisco, conforme estabelece o art. 123 do CTN; que compete à autoridade fiscal identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, independentemente das convenções particulares firmadas com a finalidade de alterar essa sujeição passiva. Fl. 947DF CARF MF 6 que não se trata, efetivamente, de desconsideração da personalidade jurídica, mas sim identificação pura e simples de que o contribuinte não é a pessoa jurídica, mas sim a pessoa física. que haveria desconsideração caso a Fiscalização, após reconhecer a legitimidade da pessoa jurídica para figurar no pólo passivo da obrigação jurídicotributária, transpusesse essa personalidade para atingir diretamente o contribuinte, o que não ocorreu no caso. que não consta dos autos o documento que comprove a transferência ou cessão dos direitos econômicos do atleta para a pessoa jurídica da qual faz parte, sendo que, originariamente esses direitos pertencem a própria pessoa física. que no instrumento particular (efls. 574 a 581) de cessão de direitos econômicos (do atleta) pertencentes à DLC para a Unimed Rio não há comprovação de assinatura do atleta ou da data do negócio, tampouco foi efetivado o registro público do contrato, para que pudesse gerar direitos perante terceiros, conforme exige a legislação. que não cumprindo o instrumento particular os pressupostos legais, não há como se afastar a tributação relativa aos direitos econômicos do atleta que, para todos os efeitos legais, permanecem na sua esfera jurídica. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 26/02/2018, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, as contrarrazões de fls. 877 a 937, no qual aduz, em síntese: que o licenciamento do direito de uso da imagem do recorrido, que não se confunde com os serviços de jogador de futebol, foi explorado pela DLC, empresa do qual o recorrido é sócio e que tem legitimidade para fazêlo, conforme seu contrato social; que a Fiscalização, a decisão de primeira instância e o acórdão recorrido reconheceram a diferença existente entre os serviços de atleta e a cessão do direito de uso da imagem do recorrido. E nem mesmo poderia ser diferente, já que o artigo 87A da Lei nº 9.615, de 24/03/1998, incluído pela Lei nº 12.395, de 16/03/2011, que trata das normas gerais sobre desporto (também conhecida como “Lei Pelé”) estabelece expressamente que “o direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo”; que, inclusive, a autuação fiscal teve por fundamento o artigo 45 do Regulamento do Imposto de Renda (“RIR/99”), que trata de hipóteses de tributação de “rendimentos do trabalho nãoassalariado”. que o recorrido, por ser um jogador de futebol de prestígio internacional, tem efetivamente uma imagem com valor comercial a ser explorada, ao contrário de jogadores em início de carreira e/ou que sejam pouco conhecidos pelo grande público. Mesmo após o recorrido se aposentar (e, portanto, deixar de prestar serviços de jogador de futebol), o licenciamento de uso de sua imagem pode continuar sendo explorado (e tem potencial comercial para tanto), o que confirma a distinção de ambas as atividades. que o que a Fiscalização questionou na autuação foi a possibilidade de o direito de uso de imagem de determinada pessoa física ser por ela atribuído a uma pessoa jurídica, que irá posteriormente explorálo no mercado nacional e internacional e receber os rendimentos decorrentes dessa exploração. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 5 7 que o acórdão recorrido e o paradigma deram interpretação idêntica às normas aplicáveis, divergindo apenas quanto à interpretação dos fatos e negócios em cada caso; que no caso do paradigma, sustentouse, com base na análise dos fatos constantes do processo, que a constituição de pessoa jurídica do atleta e a cessão dos direitos de uso de imagem não representariam a realidade dos fatos e de que teria havido simulação com a intenção de mascarar os reais rendimentos auferidos pelo atleta em razão do seu vínculo empregatício com o clube; que os valores recebidos pela pessoa jurídica a título de direito de uso de imagem configurariam, na realidade, uma complementação do salário do jogador e, portanto, teriam natureza salarial; que a constatação de eventual simulação ou descaracterização da natureza jurídica de valores recebidos a título de cessão de direitos de uso de imagem depende, necessariamente, de uma análise casuística; que no caso do acórdão recorrido, a análise da admissibilidade dos embargos interpostos pela Fazenda Nacional foi clara ao afirmar que o Redator deu interpretação de que não teria havido simulação ou fraude; que a CSRF e categórica ao rechaçar o conhecimento de Recursos Especiais que abordem supostas divergências jurisprudenciais sem as correspondentes similitudes fáticas; que o Auto de Infração jamais considerou que os valores recebidos de DLC representariam uma contraprestação por rendimentos de trabalho assalariado, como no paradigma; que o próprio auto de infração é expresso ao afirmar que os valores exigidos se referiam a rendimentos do que trabalho sem vínculo empregatício e que a infração estaria embasada na suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de direito de imagem e patrocínio; que a base legal do auto de infração foi o art. 45 do Regulamento do Imposto de Renda, que trata de rendimentos do trabalho não assalariado, e não no art. 43, que trata dos rendimentos do trabalho assalariado; que, ainda que se reconheça a divergência, o entendimento adotado no paradigma jamais poderá ser aplicado no caso em exame, sob pena de alterar as bases do lançamento; que nunca houve por parte da Fiscalização qualquer menção expressa quanto à ocorrência de simulação ou fraude, inclusive a multa de ofício exigida pela Fiscalização foi de 75%; que por conta das bases e fundamentos legais do auto, jamais poderá se conceber que os tribunais julgadores administrativos venham a sustentar, para fins de manutenção do crédito tributário, que os valores ora em discussão deveriam ser tributados na pessoa física por conta de decorrerem de contratos simulados e terem a natureza de salário. Fl. 949DF CARF MF 8 que ao contrário do que afirma a Fazenda Nacional, o artigo 11 do CC não veda a possibilidade de o direito de uso da imagem, em seu aspecto patrimonial, ser cedido (autorizado) a terceiros, inclusive a pessoas jurídicas para fins de posterior exploração econômica, estando essa possibilidade expressamente reconhecida pela jurisprudência, doutrina e pelo ordenamento jurídico brasileiro. que o Superior Tribunal de Justiça (“STJ”), ao examinar caso envolvendo o direito de imagem, esclareceu que ele revestese de duplo conteúdo: (i) o primeiro, de aspecto moral, que está intrinsecamente ligado ao direito da personalidade; e (ii) o segundo, de aspecto patrimonial, que decorre do fato de o referido direito ter um valor no mundo real, podendo ser explorado economicamente; que é certo que o direito de imagem não pode ser transmitido a terceiros por completo, até mesmo porque ele está intrinsecamente ligado à personalidade da pessoa e dela é indissociável; contudo, diferentemente do que sustenta a Fazenda Nacional, o direito ao uso da imagem, por ter natureza patrimonial, pode sim ser cedido (autorizado o uso) a terceiros, inclusive a pessoa jurídica, que poderá explorálo economicamente conforme condições previamente estabelecidas entre as partes. que diferentemente do que alega a Fazenda Nacional, o artigo 11 do CC não veda que o direito patrimonial de uso de imagem de pessoas físicas seja cedido (autorizado) a terceiros, inclusive a pessoas jurídicas, para fins de posterior exploração econômica. que como já demonstrado no curso dos processos, o artigo 980A, § 5º, do próprio CC, com a redação dada pela Lei nº 12.441, de 11/07/2011, ao dispor sobre EIRELI, prevê de forma clara e expressa a possibilidade de o seu titular (pessoa física) ceder (autorizar) a ela (pessoa jurídica) o direito patrimonial de uso de sua imagem, nome, marca ou voz, podendo a EIRELI explorálo economicamente e receber os respectivos rendimentos; que o próprio CC deixa clara a possibilidade de o direito patrimonial de uso de imagem de pessoa física ser atribuído a uma pessoa jurídica, passando ela a ser a efetiva titular das receitas advindas da exploração econômica do referido direito. que quanto ao disposto no art. 980A do CC, a Fazenda Nacional afirma que tal dispositivo somente teria entrado em vigor em 09.01.2012 e que, por serem os lançamentos referentes a 2010 e 2011, tal artigo não seria aplicável à hipótese dos autos. que em nenhum momento o recorrido afirmou que a DLC seria uma EIRELI e que, portanto estaria submetida ao art. 980A do CC; que o que se pretendeu demonstrar ao longo do processo é que a tese levantada pela Fiscalização (e agora pela recorrente) de que os direitos de imagem, por serem intransmissíveis, jamais poderiam ser explorados por pessoa jurídica, contraria a própria lógica do artigo 980A, § 5º, do CC; que fosse o direito de imagem, no seu aspecto patrimonial, intransmissível, o referido dispositivo careceria de qualquer fundamento constitucional (base dos direitos personalíssimos). que em suma, o direito patrimonial de uso de imagem de pessoa física pode, sim, ser por ela atribuído a quaisquer pessoas jurídicas, que poderão posteriormente explorálo economicamente. O aspecto patrimonial do direito personalíssimo não precisa ser explorado apenas e necessariamente pelo titular original desse direito. que essa assertiva, inclusive, foi confirmada pelo artigo 8º da Medida Provisória (“MP”) nº 690, de 31/08/2015, que, ao introduzir certos parágrafos aos artigos 25, 27 e 29 da Lei nº 9.430, de 1996, alterou as regras de tributação das receitas advindas da Fl. 950DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 6 9 exploração de direitos de uso de imagem por pessoas jurídicas que optaram por ser tributadas com base no regime do lucro presumido. De acordo com a referida MP, tais receitas passariam a ser integralmente adicionadas à base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, sem nenhuma aplicação dos percentuais de presunção previstos em lei. que apesar de o mencionado dispositivo não ter sido convertido em lei, é inconteste que o próprio Poder Executivo, ao pretender aumentar a carga tributária dos contribuintes que optaram por ser tributados com base no regime do lucro presumido, reconheceu a possibilidade de pessoas jurídicas explorarem direitos patrimoniais de uso de imagem, nome, marca ou voz de seus titulares ou sócios. Vale transcrever parte da Exposição de Motivos da referida MP; que por outro lado, o fato de os contratos de autorização do direito de uso de imagem firmados por DLC envolverem obrigação de natureza personalíssima por parte de um de seus sócios não é suficiente para deslocar os rendimentos de DLC para o recorrido, conforme entendeu a Fiscalização. que a legislação tributária, inclusive, há muito prevê a possibilidade e a licitude de prestação de serviços de natureza estritamente pessoal por pessoas jurídicas. que conforme já demonstrado pelo recorrido, desde 1947, a legislação reconhece expressamente a autonomia das pessoas jurídicas organizadas para prestar serviços profissionais em relação a seus sócios (Lei n° 154, de 25/11/1947); que quando o legislador pretendeu que a receita auferida pelas sociedades profissionais fosse imputada aos sócios, editou regra específica: o artigo 2º do Decretolei (“DL”) n° 2.397, de 21/12/1987, mas esse dispositivo foi expressamente revogado pelo artigo 55 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Ou seja, com exceção do período em que vigorou o artigo 2º do DL n° 2.397/87, os sistemas de tributação aplicáveis ao sócio e à pessoa jurídica sempre foram distintos e preservaram a autonomia das pessoas jurídicas em relação a seus sócios. que a par da legislação já citada, a possibilidade e a licitude da prestação de serviços pessoais por pessoas jurídicas constam da antiga legislação do Imposto sobre Serviços (artigo 9º, § 3º, do DL nº 406, de 31/12/1968), da COFINS (artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991), do SIMPLES NACIONAL (artigo 17, inciso XI, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006; dispositivo equivalente ao artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 05/12/1996, que tratava anteriormente do referido regime) e da Contribuição Previdenciária (artigo 120 da Instrução Normativa nº 971, de 13/11/2009). que também o artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda “RIR/99” (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999), que prevê a incidência do Imposto de Renda na Fonte (“IRF”) sobre pagamentos efetuados por uma pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, em contraprestação a serviços de natureza pessoal, como, exemplificativamente, os de medicina, à exceção dos prestados em hospitais e locais assemelhados. que conforme demonstrado nos autos, a possibilidade de serviço de caráter personalíssimo do sócio ser prestado por pessoa jurídica da qual participa e as receitas daí advindas serem nela (pessoa jurídica) tributadas foi expressa e definitivamente admitida com o advento do artigo 129, da Lei nº 11.196, de 21/11/2005; que o referido dispositivo tornou inconteste que rendimentos decorrentes de serviços personalíssimos prestados por sócios devem ser tributados de acordo com a legislação Fl. 951DF CARF MF 10 aplicável às pessoas jurídicas, salvo quando ficar caracterizada hipótese prevista no artigo 50 do CC (o que não ocorreu no presente caso); que ainda que se pudesse afirmar que a autorização de direito de uso de imagem não estaria abrangida pelo artigo 129 da Lei nº 11.196/2005, o que se admite apenas por absurdo, não há razão para se concluir que apenas os serviços personalíssimos de caráter intelectual poderiam ser prestados por meio de pessoa jurídica, na realidade, o referido dispositivo apenas evidenciou o que é permitido pela legislação tributária, conforme amplamente demonstrado pelo recorrido mais acima. que a CSRF já consignou que, com o advento do art. 129 da Lei nº 11.196/05, passou a ser possível a tributação de valores decorrentes de relações jurídicas personalíssimas como prestação de serviços de sociedade. O caso baixo transcrito também se tratava de cessão de uso de imagem de atleta (seu desfecho acabou sendo desfavorável, apenas em razão de os fatos geradores serem anteriores à Lei 11.196/05); que ainda, que a "Justificação" apresentada pelo Poder Legislativo para a inclusão do referido dispositivo ao Projeto de Lei de Conversão da MP nº 252/2005 é expressa ao afirmar que o seu o objetivo foi apenas o de interpretar a legislação, esclarecendo eventuais controvérsias sobre o tema. que no presente caso, é incontroverso que a autuação não atribuiu natureza salarial aos valores recebidos por DLC. Se há, de um lado, precedentes do Tribunal Superior do Trabalho (“TST”) – e também do CARF concluindo que, em casos de fraude, os valores pagos a título de cessão de direito de uso de imagem de atletas integram o seu salário; há, de outro, precedentes que mantiveram entendimento em sentido contrário, quando a fraude não fica caracterizada. Confirase, exemplificativamente, a ementa do Recurso de Revista nº 16410031.2009.5.12.0055, julgado pela 7ª Turma do TST, em 04/09/2013, de que foi relatora a Ministra Delaíde Miranda Arantes; que ainda não há lei que preveja hipóteses específicas de desconsideração ou requalificação, para fins de incidência de tributos, de atos e negócios jurídicos lícitos, como é o caso dos contratos celebrados por DLC; que o Fisco também não poderia invocar a aplicação do artigo 50 do CC para desconsiderar os efeitos dos contratos firmados por DLC, pois o referido dispositivo legal prevê a necessidade de uma prévia autorização judicial para que seja possível estender os efeitos de determinadas relações firmadas por pessoas jurídicas aos bens particulares de seus administradores ou sócios, o que não ocorreu no presente caso; que também por esses motivos, não podem os contratos celebrados por DLC ser desconsiderados pela Fiscalização, com a conseqüente imputação dos rendimentos dele decorrentes ao RECORRIDO. que na possibilidade de se entender pela reforma do v. acórdão (na parte em que admitido o Recurso Especial), embora a Fiscalização fundamente o AUTO como se todo o crédito tributário nele consignado recaísse sobre rendimentos pagos pela cessão de direito de uso de imagem do recorrido, parte dos pagamentos efetuados pela UNIMED que foram computados na base de cálculo da autuação referese à contraprestação paga à DLC pela cessão definitiva da totalidade dos direitos econômicos de atleta que a referida empresa (DLC) detinha, e não do direito de imagem. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 7 11 que os direitos econômicos cedidos pela DLC à UNIMED não estão diretamente vinculados ao recorrido e nem decorrem de um direito personalíssimo a ele atribuível, razão pela qual os motivos alegados pela Fiscalização para fundamentar o AUTO sequer poderiam ser invocados para embasar a exigência de IRPF sobre os valores recebidos a esse título por DLC; que conforme se verifica no contrato mencionado, os valores recebidos por DLC por meio das notas fiscais nºs 11, 15, 19, 21 e 24 referemse exclusivamente à cessão, à UNIMED, do percentual de 20% dos direitos econômicos de atleta que lhe haviam sido anteriormente cedidos pelo Fluminense (titular originário dos referidos direitos), e não pelo recorrido. que os valores recebidos por DLC não decorrem de qualquer direito ou obrigação personalíssimos supostamente atribuíveis ao recorrido, mas sim à cessão de um direito cuja titularidade originária era do Fluminense e que poderia ser livremente negociado com qualquer investidor. que, caso mantida a autuação nesta parte, seria exigível do Recorrido apenas a diferença de IRPF apurado após a dedução dos tributos já pagos por DLC conforme jurisprudência do CARF; que descabe a incidência de juros sobre a multa de ofício; É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, ante as alegações do Contribuinte em sede de contrarrazões, examino detidamente a matéria. Antes, delimito a matéria devolvida a este Colegiado. A autuação objeto do processo compreendia três imputações: omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, nos anos 2010 e 2011; omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, no ano 2011; multa por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, no ano 2011. O acórdão recorrido deu provimento integral ao recurso voluntário. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial em relação a duas matéria: a) incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem; e b) condição de residente no Brasil, relativamente ao rendimentos oriundos do exterior. O recurso teve seguimento apenas com relação à primeira matéria: incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem, o que, em princípio Fl. 953DF CARF MF 12 compreenderia tantos os recursos recebidos no Brasil como aqueles recebidos de fonte no exterior (China), a título de direito de imagem. Quanto a esta última parcela, todavia, o acórdão recorrido decidiu pela improcedência da autuação independentemente de se tratar ou não de rendimentos do trabalho, sob o fundamento de que o contribuinte não seria residente no Brasil. A seguir excerto do voto condutor do julgado (voto vencido) em que tal conclusão fica clara: Assim, sejam os rendimentos decorrentes ou não de vínculo empregatício, considerando que o Acordo para evitar bi tributação celebrado entre o Brasil e a China revoga ou modifica a legislação interna, entendo que merece acolhida o pleito recursal, pois há que se reconhecer a condição de residente na China no curso do contrato celebrado, o que afasta a tributação no Brasil dos rendimentos oriundos do exterior. Portanto, embora a autuação referente aos rendimentos recebidos de fonte no exterior também compreenda a matéria envolvendo a cessão de direito de imagem, o não conhecimento do recurso quanto à tributação dos rendimentos de fontes recebidas do exterior impede sua apreciação, tornando definitiva a decisão a quo nesta parte. Assim, o exame por esta Turma da matéria “incidência de IRPF sobre valores pagos a título de cessão do direito de imagem” referese apenas à parcela recebida de fonte no Brasil. Pois bem, alega o Contribuinte que o acórdão recorrido e o paradigma deram interpretação idêntica às normas aplicáveis, divergindo apenas quanto à interpretação dos fatos e negócios em cada caso. Tal alegação não procede. Em ambos os casos, os contribuinte, atletas de futebol, firmaram contratos com seus respectivos clubes e, paralelamente, através de empresas das quais cada um dos atletas é sócio, firmouse contrato com outra empresa, coincidentemente, nos dois casos, a UNIMED, pela qual cediam o direito de imagem. Em ambos os casos a autuação ressaltou a impossibilidade de cessão dos direitos de imagem para exploração por terceiro, ante a natureza personalíssima do objeto. Nesse sentido, transcrevo o seguinte excerto do relatório fiscal do Paradigma: 19. O direito à imagem constitui direito personalíssimo, indisponível e intransmissível, protegido pela Constituição Federal no art. 5º, incisos V, X e XXVIII, 'a'. Como tal, não pode ser alienado e apenas seu titular pode dele fruir e dispor. No mesmo sentido é o Termo de Verificação Fiscal da autuação no recorrido: Ocorre que, conforme preceitua o artigo 11 do Código Civil, o direito à imagem, por ser vertente do direito da personalidade, é personalíssimo e, apesar de passível de exploração, tem como característica a sua instransmissibilidade, de modo que a pessoa detentora da licença de uso de imagem, no presente caso o jogador, está impedida de transmitir esse direito à pessoa jurídica. Em ambos os casos, ainda, se atribuiu à pessoa física do atleta, como rendimentos tributáveis na pessoa física, os valores pagos às empresas das quais os respectivos atletas eram sócios, a título de cessão de direito de imagem. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 8 13 As situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos recorrido e paradigma, portanto, são absolutamente idênticas. Os acórdãos recorrido e paradigma, contudo, ofereceram interpretações divergentes. No caso do recorrido, entendeuse como legítima a transmissão do direito de imagem, afastandose a tributação na pessoa física; no caso do paradigma se manteve a tributação como rendimento da pessoa física. É certo que no caso do paradigma o voto condutor do julgado abraçou o entendimento de que é possível, em tese, a transmissão dos direitos de imagem para exploração econômica por terceiro, mas concluiu que, nas circunstância do caso analisado, os pagamento feitos a título de cessão de direito de imagem tinham natureza remuneratória. Isso, contudo, não desqualifica o dissídio jurisprudencial, o qual foi apresentado pela Recorrente nos seguintes termos: "As situações fáticas analisadas são exatamente as mesmas, inclusive, envolvendo Unimed Rio, Fluminense Football Club e os mesmos anoscalendário. Contudo, acórdãos, recorrido e paradigma, chegaram a conclusões divergentes. O primeiro cancelou o lançamento defendendo que a pessoa jurídica poderia explorar o direito de imagem do atleta. O segundo manteve a autuação sustentando que esse tipo de contrato de imagem tem natureza remuneratória, vez que vinculado à relação de emprego. " Concluo, portanto, que restam preenchidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, do qual, portanto, conheço. Quanto ao mérito, conforme descrição dos fatos pelo Termo de Verificação Fiscal (efls. 412 a 441) o lançamento referese a valores pagos pela Unimed à empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. a título de contraprestação pelo uso direito de imagem. Observou o relatório fiscal que o Contribuinte firmou com o Clube de Futebol Fluminense, no período de 09/01/2009 a 01/07/2011, contrato de trabalho pelo qual recebeu deste R$ 592.217,95, em 2010 e R$ 774.699,63, em 2011, valores estes que foram devidamente declarados como rendimentos tributáveis; que paralelamente a este contrato foi firmado contrato entre a empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. e a Unimed Rio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda, então patrocinadora do clube Fluminense, que pagou à primeira, no ano de 2010, R$ 2.450.000,00, e, em 2011, R$ 3.210.000,00. A empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda, por sua vez, pagou ao Contribuinte valores a título de distribuição de lucros os quais foram por este declarados como isentos. Entendeu a autoridade lançadora que os direitos de imagem não poderiam ter sido cedidos para a empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. e que esta operação foi realizada apenas para que o contribuinte pudesse desfrutar de uma tributação mais favorecida. Sobre a cessão do direito de imagem, convém distinguir duas situações que embora bem diferentes, são muitas vezes referidas indistintamente como cessão de direito de imagem: uma é a cessão do direito de uso da imagem (para fins publicitários, por exemplo) mediante remuneração ao seu titular; a outra é a cessão dos direitos de exploração econômica Fl. 955DF CARF MF 14 (comercialização) da imagem de uma pessoa por outra pessoa, física ou jurídica. Quanto à primeira, não há controvérsia. O que se discute é a possibilidade jurídica da segunda situação. Embora evidente, convém relembrar que no ordenamento jurídico tributário brasileiro não existe um imposto de renda das pessoas físicas e um outro imposto de renda das pessoas jurídicas, mas um único Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, cujos contornos do fato gerador está assim definido no art. 43 do CTN, verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I — de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II — de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior". Ninguém desconhece, também, que esse imposto pode ter contribuintes pessoas físicas ou pessoas jurídicas, diferindo um do outro, também, pela forma de apuração do imposto. A questão é definir quando o contribuinte do imposto deve ser uma pessoa física ou uma pessoa jurídica, ou, mais especificamente, quando a tributação deve ser dá pelas regras aplicáveis às pessoas físicas ou às pessoas jurídicas, e tal definição deve ser buscada na materialidade do fato gerador e na legislação específica do tributo. É assente na doutrina que os critérios de identificação do sujeito passivo estão presentes na própria descrição da hipótese de incidência. Contribuinte do imposto é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, na dicção do art. 121 do CTN. O próprio CTN, no seu art. 45, coerentemente com o critério acima referido, assim define o contribuinte do Imposto de Renda, verbis: Art. 45. Contribuinte do imposto de renda é o titular da disponibilidade a que se refere o art. 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores da renda ou dos proventos tributáveis". Esses parâmetros delimitam as possibilidades do legislador ordinário na definição do sujeito passivo da obrigação tributária e na forma de apuração do imposto, nas variadas situações possíveis de ocorrer no mundo real. A identificação do contribuinte do imposto, portanto, não é uma questão de escolha, quer do Fisco, quer do contribuinte. Um exame da legislação do Imposto de Renda, já desde o DecretoLei n° 5.844, de 1943, demonstra, com clareza, que esta tem, sistemática e coerentemente, feito distinção entre as situações em que o contribuinte do imposto será uma pessoa física e aquelas em que será uma pessoa jurídica, levando em conta, precisamente, a natureza da renda auferida, bem como a posse dos bens produtores da renda. O DecretoLei n° 5.844, de 1943 fazia claramente essa distinção, ao definir os rendimentos tributáveis pelas pessoas físicas, classificadas por cédulas, dentre as quais merece destaque, pela sua pertinência com a matéria ora tratada, a cédula “d” referida no artigo 6º. Confirase: Art. 6° Na cédula "D" serão classificados os rendimentos não compreendidos nas outras cédulas, tais como: Fl. 956DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 9 15 a) honorários do livre exercício da profissão de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, contador e de outras que se lhes possam assemelhar. (Redação dada pela Lei n° 154, de 1947). b) proventos de profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais; c) remunerações dos agentes, representantes e outras pessoas que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria; d) emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e Outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; e) corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; f) O lucros da exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções; g) ganhos da exploração de patentes e invenção, processos ou fórmulas de fabricação, quando o possuído auferir lucros sem as explorar diretamente (redação dada pela Lei n° 154, de 1947); h) (Suprimido pela Lei n° 154, de 1947). Já a tributação da pessoa jurídica ficou assim definida no artigo 27: Art. 27 As pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, que tiverem lucros apurados de acordo com este decreto lei, são contribuintes do imposto de renda, sejam quais forem os seus fins e nacionalidade. § 1° Ficam equiparadas às pessoas jurídicas, para efeito deste decretolei, as firmas individuais e os que praticarem, habitual e profissionalmente, em seu próprio nome, operações de natureza civil ou comercial com o fim especulativo de lucro. § 2° As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não". Assim, as atividades de natureza civil ou comercial praticadas com o fim especulativo de lucro, por firmas ou sociedades, "registradas ou não", ou mesmo por pessoas físicas ou por firmas individuais, devem ser tributadas como pessoa jurídica; já os salários, honorários do livre exercício de profissões, proventos de ocupações ou prestação de serviços não comerciais devem ser tributados como rendimentos de pessoas físicas. Com isso, a legislação claramente adota, como critério de identificação do contribuinte, no que se refere a ser este uma pessoa física ou uma pessoa jurídica, a natureza da renda. Isto é, os lucros, entendidos estes como produto da atividade comercial e/ou Fl. 957DF CARF MF 16 especulativa, são tributados como imposto de renda de pessoas jurídicas; os rendimentos decorrentes do trabalho pessoal são tributados como rendimentos de pessoas físicas. De tudo o que foi acima exposto, podemos concluir que são contribuintes do imposto de renda como pessoas jurídicas as firmas individuais e as sociedades, inclusive as sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas, registradas ou não, que obtiverem renda produzida pelo exercício de atividade civil ou comercial com o objetivo especulativo de lucro ou, no caso das sociedades civis, em decorrência do exercício regular da profissão regulamentada, sendo este, o lucro (real, presumido ou arbitrado) e não outro tipo de renda qualquer, a base de cálculo do imposto; são contribuintes pessoas físicas, tributadas como tal, as pessoas naturais que aufiram rendimentos e proventos diversos, que não sejam produto do exercício regular de atividade comercial ou especulativa de lucro, como rendimentos do trabalho assalariado, exercício individual de profissão ou aqueles produzidos pela prestação de serviços não comerciais. Essa concepção, essencialmente, não mudou até os dias de hoje, até porque os dispositivos do Decreto nº 5.844, de 1.943 não foram revogados. Sobrevieram, todavia, em relação à prestação de serviços de natureza pessoal, alterações na legislação. O art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005 criou uma exceção à regra geral, espécie de ficção jurídica, ao definir que: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo o não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002Código Civil. Tal dispositivo, todavia, referese especificamente aos serviços intelectuais, o que, por certo, não compreende a remuneração pela cessão do uso do direito de imagem. Cessão de uso de imagem não se confunde com prestação de serviço, mas de exploração por terceiro de um patrimônio pessoal. Também não se pode afirmar que a cessão do direito de imagem pelo seu titular configure atividade de natureza mercantil, com fim especulativo de lucro. A imagem é atributo pessoal o qual dela não pode ser separado. Assim como os serviços personalíssimos não pode ser objeto de exploração comercial com o fim especulativo de lucro. É o caso, a propósito, da atividade de jogador de futebol, que só pode ser exercida pela pessoa física do atleta, jamais por uma pessoa jurídica. Em regra, portanto, a remuneração pelo uso do direito de imagem é rendimento da pessoa física do seu titular. Tratandose especificamente de atletas profissionais, o art. 87A, da Lei nº 9.615, de 1998 (Lei Pelé), introduzido pela Lei nº 12.395, de 2011 e, posteriormente, o parágrafo único do mesmo artigo, introduzido pela Lei nº 13.155, de 2015, disciplinaram a cessão do direito de uso da imagem, nos seguintes termos: Art. 87A. O direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011). Fl. 958DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 10 17 Parágrafo único. Quando houver, por parte do atleta, a cessão de direitos ao uso de sua imagem para a entidade de prática desportiva detentora do contrato especial de trabalho desportivo, o valor correspondente ao uso da imagem não poderá ultrapassar 40% (quarenta por cento) da remuneração total paga ao atleta, composta pela soma do salário e dos valores pagos pelo direito ao uso da imagem.(Incluído pela Lei nº 13.155, de 2015) Aqui vale a ressalva, feita no início deste voto. O dispositivo trata da cessão do direito de uso da imagem pelo atleta mediante remuneração a este, e não de cessão de direito de exploração comercial da imagem. Sobreveio, então, a Lei nº 12.441, de 2011, que acrescentou o art. 980A à Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil) que no seu parágrafo quinto contempla a possibilidade de cessão do direito de imagem, aí sim, para fins de exploração comercial desta, a empresa individual de responsabilidade limitada – EIRELI. Confirase: Art. 980A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior saláriomínimo vigente no País. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) [...] § 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) Parece, portanto, que, a partir da vigência do § 5º, do art. 980A do novo Código Civil, há fundamento legal para a cessão do direito de exploração econômica do direito de imagem por pessoa jurídica, com a condição de que esta seja uma EIRELI. Ocorre que tal dispositivo não se aplica ao caso sob análise, a um, porque a empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. não é uma EIRELI, a dois, porque os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram nos anos de 2010 e 2011 (até julho) e a Lei nº 12.441, é de 11 de julho de 2011, portanto, inaplicável ao caso. Assim, salvo no caso de cessão de direito de imagem a uma EIRELI, a remuneração pelo uso do direito de imagem do atleta profissional é rendimento da pessoa física, independentemente de, formalmente, os valores terem sido pagos a uma pessoa jurídica, como neste caso. Isto é, a eventual cessão do direito de exploração da imagem por pessoa jurídica não mudaria a natureza dos rendimentos decorrentes da remuneração. Ainda que não fosse este o caso, isto é, ainda que se admitisse que, no caso de cessão de exploração de direito de imagem por pessoa jurídica, a forma como a operação foi realizada neste caso revela que foi criada uma situação absolutamente artificial, com o único propósito de desfrutar dos benefícios de uma tributação mais favorecida. Fl. 959DF CARF MF 18 Com efeito, conforme descrito linhas acima, o contrato de cessão de direito de imagem está estreitamente relacionado com o contrato do atleta com o Clube Fluminense do qual é parte integrante. Não se trata em absoluto de negócios autônomos. O contrato de cessão de direito firmado entre a Unimed e a empresa está indissociavelmente relacionado ao contrato da pessoa física do Contribuinte com o clube, figurando a empresa Unimed, patrocinadora do clube, como mera intermediária. As cláusulas do contrato de cessão do direito de imagem a seguir não deixam margem a dúvida sobre este ponto: Cláusula Décima Quarta Na hipótese de o ANUENTE/ACEITANTE voluntariamente romper o vínculo de emprego que mantém com o Fluminense Football Club, durante o período de vigência do presente contrato, ou naquela da CONTRATADA rescindir essa vença, estando ela em vigor, em quaisquer desses casos, esta última fica sujeita ao imediato pagamento de multa correspondente ao somatório das importâncias já pagas pela CONTRATANTE, a título de remuneração do objeto deste instrumento e as demais despesas realizadas por esta com o licenciamento relativo ao ANUENTE/ACEITANTE, inclusive com a assessoria negocial eventualmente contratada para celebração da licença objeto deste instrumento. Cláusula Décima Quinta A CONTRATANTE poderá rescindir a presente contratação independentemente de qualquer aviso ou notificação, judicial ou não, na hipótese do vínculo de emprego do ANUENTE/ ACEITANTE, como atleta profissional de futebol ser suspenso ou vir a ser rescindido pelo Fluminense Football Club. Ou seja, embora o contrato de cessão de uso do direito de imagem seja entre a UNIMED e a empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. a vigência do contrato depende da relação de emprego entre o Clube e a pessoa física do atleta. Isto é, embora alegadamente cedido o direito de imagem à empresa para sua exploração econômica, esta exploração econômica não pode ocorrer sem a ação do seu titular, a pessoa física. É sabido, até porque que a Lei nº 9.611, de 1998 disciplina a matéria, que os contratos entre clubes e jogadores de futebol envolve a cessão a este do uso do direito de imagem, em razão, dentre outras coisas, do fato de o atleta envergar uniforme com a veiculação de marcas comerciais, pelas quais o clube é remunerado. No presente caso, o contrato do atleta não envolveu o pagamento de qualquer valor a esse título, que foi substituído pelo contrato do clube com a empresa. Nessas condições, seja pela impossibilidade jurídica da cessão do direito de imagem para exploração comercial por terceiros, seja porque a cessão do direito de imagem está diretamente associada à relação de emprego do atleta com o clube Fluminense, concluo que os valores pagos pela UNIMED à empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. constituem rendimentos da pessoa física do contribuinte. Por fim, não procedem as alegações do Contribuinte quanto à suposta desconsideração da personalidade jurídica. Por tudo o que foi dito acima, resta claro que o que fez foi a devida identificação do sujeito passivo da obrigação, atribuindo à pessoa física Fl. 960DF CARF MF Processo nº 18470.728514/201466 Acórdão n.º 9202007.322 CSRFT2 Fl. 11 19 rendimentos indevidamente tidos como receitas da pessoa jurídica, o que em nada desnatura a personalidade jurídica da empresa Dario L. Conca Empreendimentos Desportivos Ltda. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Como, em razão do provimento integral ao recurso devido ao reconhecimento da legalidade da cessão do direito de imagem, outras questões arguidas na defesa, como a possibilidade de compensação dos valores correspondentes aos impostos e contribuições pagos pelas pessoas jurídicas não foram apreciadas, o processo deve retornar à instância à quo para exame dessas questões. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 961DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003138/2001-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-007.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SELIC. Recorrente MAKOM CALÇADOS E COMPONENTES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 38 /2 00 1- 11 Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 3 2 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 340101.138. Na parte de interesse ao presente julgamento o colegiado a quo não reconheceu o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos efetuadas perante pessoas físicas, nem o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento. O recurso especial foi admitido, consoante despacho do presidente da Câmara competente, com relação às seguintes insurgências da Contribuinte: a interpretação de que as aquisições de insumos de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96; e a interpretação de que não incide correção monetária ou juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. A Fazenda Nacional, devidamente intimada, apresentou contrarrazões ao recurso especial da Contribuinte. É o Relatório. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.411, de 19/09/2018, proferido no julgamento do processo 13886.001231/200234, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.411): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Contribuinte cingese às seguintes matérias: (i) requer a inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e (ii) postula a aplicação da taxa Selic aos pedidos de ressarcimento. 1. Da inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI A possibilidade de inclusão das aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS, como pessoas físicas e cooperativas, no cálculo do crédito presumido de IPI, foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n.º 993.164/MG, pela sistemática dos recursos repetitivos. O acórdão recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não Fl. 722DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 6 5 sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 723DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 7 6 Por força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. 2. Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) Fl. 724DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 8 7 O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício. Portanto, deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado. No caso dos autos, houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi indeferido, nos termos do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP (fls. 87 a 88), direito de crédito indeferido também nas demais decisões da DRJ (fls. 108 a 117) e do CARF, consoante acórdão de recurso voluntário (fls. 138 a 150). Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido, no caso tão somente quanto às aquisições de pessoas físicas, deferida no presente recurso especial. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas." (...)1 "Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, discordo diametralmente de seu entendimento. O Recurso foi apresentado tempestivamente e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, passo a decidir. A matéria divergente posta a julgamento nesta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI a ressarcir, bem como o termo inicial de incidência. Com efeito, na forma reiterada da jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do termo inicial para a incidência da taxa Selic, por ser entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto encontrase no acórdão do processo paradigma (9303007.411). Fl. 725DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 9 8 a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Confiramse recentes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERBA HONORÁRIA FIXADA EM R$ 5.000,00. VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA (R$ 200.000,00) E O DECAIMENTO PARCIAL DAS AUTORAS. AGRAVO INTERNO DAS CONTRIBUINTES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Encontrase pacificado o entendimento da 1a. Seção desta Corte de que eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerandose a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feita pelo Contribuinte como um óbice injustificado. Aplicase a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula do STJ, segundo o qual é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A propósito, 1a. Seção do STJ consolidou esse entendimento por ocasião do julgamento do REsp. 1.035.847/RS, relatado pelo ilustre Ministro LUIZ FUX e julgado sob o regime do art. 543C do CPC/1973. 2. O marco inicial da correção monetária só pode ser o término do prazo conferido à Administração Tributária para o exame dos requerimentos de ressarcimento, qual seja, 360 dias após o protocolo dos pedidos. Precedentes: AgInt no REsp. 1.581.330/SC, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 21.8.2017; AgRg no AgRg no REsp. 1548446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 10.12.2015; AgRg no AgRg no REsp. 1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015. [...] 6. Agravo Interno das Contribuintes a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1348672/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. 1. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que éincabível a correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na hipótese de ocorrer "vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente Fl. 726DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 10 9 ingresso no Judiciário", situação em que "postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco" (REsp 1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/00448972, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, Data de Julgamento 24/06/2009, DJe 03/08/2009, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos). 2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que seja proferida decisão administrativa (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), a interpretação literal e teleológica de tal dispositivo legal conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve incidir a correção monetária pela taxa Selic. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1637361/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2017, DJe 13/11/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CRÉDITO ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. LEI 11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de divergência que versam sobre o termo inicial da correção monetária de créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento. 2. Não há similitude entre os acórdãos confrontados, tendo em vista que o acórdão embargado, para decidir a questão relativa ao termo a quo da correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a Administração analisar o pedido de ressarcimento, sendo que essa lei nem sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma. 3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007 a correção monetária de ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, encontrase em conformidade com a jurisprudência das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015; REsp 1.240.714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/9/2013; AgRg no REsp 1.353.195/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/2/2013; AgRg nos EDcl no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015. Os Tribunais vem decidido da mesma forma, ou seja, no que diz respeito a incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários, formulado pela Contribuinte, a eventual "resistência ilegítima" da Fazenda Pública, Fl. 727DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 11 10 configurada pela demora em analisar o pedido, ensejaria a sua constituição em mora, sendo devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido. Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária deve incidir apenas após o encerramento do prazo legal (360 dias contados da data do protocolo administrativo) concedido à autoridade fiscal para analisar os pedidos administrativos de ressarcimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PEDIDO ADMINISTRATIVO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou presumido (quando extrapolado o prazo de análise do pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 1.461.607/SC. (TRF4 AC: 50001491820184047117 RS 500014918.2018.4.04.7117, Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA) Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (3ª Turma da CSRF Acórdão nº 9303007.011, Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018). Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 12 11 Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado pela lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito2, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)3 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...]. 2 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 3 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 11065.003138/200111 Acórdão n.º 9303007.417 CSRFT3 Fl. 13 12 Dispositivo Ex positis, em razão da resistência ilegítima configurada, dou provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 730DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.922909/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INOCORRÊNCIA. Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 29 09 /2 00 9- 24 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 2 direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06 036.898proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a negativa de homologação da compensação. O Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, alegou inexistência de saldo de crédito para a compensação requerida. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Regularmente cientificada da decisão do colegiado a quo a Contribuinte tempestivamente interpôs o Recurso Voluntário com os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE: NULIDADE DO ACÓRDÃO COM BASE NO ARTIGO 59, II, DO DECRETO Nº 70.235/1972, EM RAZÃO DE NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO ARTIGO 31 DO MESMO DIPLOMA LEGAL. MÉRITO: INCONSTITUCIONALIDADE DA ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PELA LEI Nº 9.718/98 E DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.686, de 23 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.922906/200991, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.686): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preliminar A Recorrente invoca os Artigos 31 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, arguindo a nulidade do Acórdão recorrido em razão de ausência de análise dos argumentos expostos em manifestação de inconformidade, sob alegação de falta de competência para analisar a inconstitucionalidade de lei. Sem razão. A Contribuinte havia alegado em manifestação de inconformidade (fls.12 a 17) que apurou crédito tributário de PIS e COFINS com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, aproveitando parte do referido crédito para compensar com débitos de natureza tributária, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Alegou que extinguiu o débito da COFINS, conforme declarado em DCTF, com DARF referente ao período de apuração 31/12/2002 (código de receita 2172) recolhido em 15/01/2003 e, posteriormente, utilizou o crédito tributário referente à COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 746,94, sendo indicado no preenchimento do PERD/COMP que o crédito estava vinculado ao DARF em que deu origem ao recolhimento. Invocou o artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório por concluir que não foi apresentada prova documental sobre a origem do crédito em referência, não Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 4 cabendo à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais, uma vez não se enquadrar nas hipóteses previstas nos Artigos 1º e 4º, Incisos I, II, III, IV e Parágrafo Único do Decreto nº 2.346/1997. Neste caso, não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do decreto nº 70.235/1972, considerando que foram analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade, além de não restar configurada a alegada preterição do direito de defesa. Portanto, afasto a preliminar invocada no recurso em análise e passo à análise das razões de mérito invocadas pela defesa. Mérito A Recorrente invoca o reconhecimento da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da COFINS pela Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para tanto, fundamenta pela repercussão geral conferida ao RE nº 585.235 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Com razão. O PER/DCOMP n° 33473.53599.130706.1.7.041974 (FLS. 6 a 11), com Código da Receita 585601 (Cofins não Cumulativa), transmitido em data de 13/07/2006 em retificação ao PERD/COMP nº 26378.85333.130706.1.3.044105, teve origem no pagamento indevido ou a maior de COFINS (Código da Receita: 2172), realizado em 15/01/2003 no valor de R$ 71.869,87 (setenta e um mil, oitocentos e sessenta e nove reais e oitenta e sete centavos). O crédito indicado se refere a R$ 746,94 (que corresponde a uma parte deste pagamento efetuado em 15/01/2003), e um débito de Cofins, do período de apuração 06/2006, vencido em 14/07/2006, no valor original de R$ 74,99. Considerando o vencimento do tributo em data de 14/07/2006 e a transmissão do PER/DCOMP em data de 13/07/2006, considerase tempestivo o pedido, afastando a incidência da mora. O despacho decisório (Rastreamento nº 842579517) de fls. 2 a 5, não homologou a compensação declarada por concluir pela localização de um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Manifestação de Inconformidade (fls. 1217) demonstrou a origem do crédito com base na declaração de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 5 inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, em Sessão Plenária de 09/11/05, apontando a base de cálculo utilizada para apuração deste crédito. Cabe consignar que o RE 357.950/RS foi precedente reconhecido em Plenário para julgamento do RE 585235RG QO, com repercussão geral (TEMA 110) e cuja Ementa se transcreve: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Ao que pese o precedente reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e vinculado ao RE 585235, a 3ª Turma da DRJ/CTA embasou a decisão por não atribuir o efeito erga omnes ao 357.950/RS. Vejamos o texto extraído da decisão recorrida: Ou seja, apesar de não ser esse o entendimento da contribuinte, claro está que a atribuição dos julgadores está limitada a afastar a aplicação apenas de leis declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de forma inequívoca e definitiva, atendendo ainda a determinação do Secretário da Receita Federal. É de se ressaltar contudo que, no caso em análise, apesar da existência de entendimentos do STF, expressos em julgamentos proferidos, não foram comprovadas as condições descritas no citado decreto para a sua aplicação, afinal, as decisões mencionadas foram proferidas apenas em relação a casos específicos envolvendo, também, partes específicas (que não a contribuinte). Sobre o assunto, aliás, é oportuno mencionar também o que dispõe o enunciado nº 2 do CARF do MF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Este, a propósito, também é o comando contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 6 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Desse modo, e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar as alegações da impugnante, já que a exigência em questão encontra respaldo em leis válidas e vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada – com os efeitos erga omnes – pelo STF, não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado (pois não restou caracterizado o pagamento a maior). Quanto à jurisprudência apresentada, não há como considerálas, seja pela inexistência de norma legal para lhes conferir eficácia normativa, seja pelo seu caráter inter partes. Da análise dos autos, verificase que o ponto controvertido invocado pela DRJ/CTA para negar o crédito requerido pela Contribuinte cingese à produção de efeitos do RE 357950, não havendo dúvidas levantadas quanto à origem e valores lançados na declaração de compensação. Considerando que a matéria suscitada versa sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, o que é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585235, já citado, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito tempestivamente informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Está correta a Recorrente ao afirmar pela aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, colacionase precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Por tais razões, deve ser reconhecido o direito creditório da Contribuinte, para que seja analisado o PERD/COMP afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal e, após a devida apuração, proceda à compensação para fins de extinção do crédito tributário, nos termos previstos pelo artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional cumulado com artigo 74, § 2º da Lei nº 9.430/96. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido, afastando a preliminar de nulidade e, no mérito, reconheço a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.922909/200924 Acórdão n.º 3402005.689 S3C4T2 Fl. 0 8 apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer o Recurso Voluntário e julgálo parcialmente provido, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, reconhecer a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.720117/2015-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 12/02/2015
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 12/02/2015 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 01 17 /2 01 5- 18 Fl. 36072DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 36073DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16070.185, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 36074DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 36075DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 36076DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 36077DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 36078DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 36079DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 36080DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 36081DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 36082DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 36083DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 36084DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 36085DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 36086DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 36087DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 36088DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 36089DF CARF MF Processo nº 12466.720117/201518 Acórdão n.º 3301005.093 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 36090DF CARF MF
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