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Numero do processo: 36266.003981/2005-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO.
Tratando-se de retroatividade benigna de legislação superveniente à interposição do Recurso Voluntário, suscitada em sede de Embargos, considera-se o conteúdo do despacho que tratou dos aclaratórios como apto a integrar o acórdão recorrido e promover o necessário prequestionamento.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se a Contribuição foi exigida por meio de ação fiscal, não há que se falar na aplicação retroativa de multa de mora.
Numero da decisão: 9202-006.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Tratandose de retroatividade benigna de legislação superveniente à interposição do Recurso Voluntário, suscitada em sede de Embargos, considerase o conteúdo do despacho que tratou dos aclaratórios como apto a integrar o acórdão recorrido e promover o necessário prequestionamento. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se a Contribuição foi exigida por meio de ação fiscal, não há que se falar na aplicação retroativa de multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 39 81 /2 00 5- 96 Fl. 757DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias, relativas à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho e as destinadas a terceiros (SESC, SENAC e SEBRAE) e de contribuintes individuais, referentes ao período de 03/2002 a 12/2004. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/39), os valores foram apurados por meio de aferição indireta com base nos valores declarados na Relação Anual de Informações Sociais RAIS, anosbase 2002 a 2004, da empresa Melhoramentos Florestal S/A, pertencente ao grupo econômico Melhoramentos, em relação aos segurados empregados que migraram indevidamente da empresa autuada. Em sessão plenária de 18/03/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803003.104 (efls. 535 a 547), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004 RELAÇÃO JURÍDICA CONSIDERADA. PRIMAZIA DA VERDADE MATERIAL. Configurada a interposição injustificada de empresa, com indevida redução de recolhimento das contribuições devidas, pode e deve a fiscalização efetivar o enquadramento devido, com suporte na verdade material demonstrada, com o correto direcionamento do pólo passivo tributário. REPRESENTANTES LEGAIS Todos os representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP Relação de CoResponsáveis, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. A mera indicação no relatório não implica em automática responsabilização, apenas traduzindo informações que constam dos registros públicos de constituição da própria empresa. Recurso Voluntário Negado." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 9202006.148 CSRFT2 Fl. 758 3 Sustentação oral Advogado Dr Renato Silveira, OAB/SP nº222.047." Cientificada do acórdão em 23/07/2014 (Termo de Abertura de Documento de efls. 560), a Contribuinte opôs, em 25/07/2014 (carimbo aposto às efls. 563), os Embargos de Declaração de efls. 563 a 572, que foram rejeitados, conforme despacho de 03/09/2014 (e fls. 576 a 578). Cientificada do despacho que rejeitou seus Embargos em 17/10/2014 (Termo de Abertura de Documento de efls. 581), a Contribuinte interpôs, em 29/10/2014 (protocolo às efls. 584), o Recurso Especial de efls. 584 a 721, com fundamento nos arts. 64, inciso II, e 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: a) cerceamento do direito de defesa por ausência de apreciação de argumentos de defesa; b) cerceamento do direito de defesa por ausência de apreciação das provas carreadas aos autos; c) ofensa ao artigo 116, parágrafo único, do CTN; d) aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à matéria do item "d", conforme despacho de 23/11/2015 (efls. 725 a 739), mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 740/741. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte alega: ainda que se conclua pela manutenção da exigência fiscal, o que se admite apenas para argumentar, é de rigor a retroação dos efeitos da atual redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, nos termos do artigo 106, II, do Código tributário Nacional; com efeito, a atual redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, conferida pela Lei nº 11.941/2009, estabeleceu limite máximo para a exigência de multa de mora, qual seja, 20%, nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996; por estabelecer critério mais benéfico para o cálculo da multa de mora, a atual redação do art.35 da Lei nº 8.212/91, conferida pela Lei nº 11.941/09, deve ser aplicada retroativamente, no caso concreto, nos termos do art. 106, II, do Código Tributário Nacional, limitandose a exigência da penalidade a 20%; confirase o entendimento da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF (cita jurisprudência do CARF). Ao final, a Contribuinte requer seja conhecido e provido o recurso, reformandose o acórdão recorrido, para que a multa seja limitada a 20%, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação conferida pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 759DF CARF MF 4 O processo foi encaminhado à PGFN em 23/06/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 748) e, em 07/07/2016, foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 749 a 755 (Despacho de Encaminhamento de efls. 756), contendo os seguintes argumentos: Da preliminar não obstante o entendimento de que houve demonstração de divergência no que toca à suposta ofensa ao art. 106, II, do CTN, artigo 35 da Lei n° 8.212/91 (com a redação conferida pela Lei n° 11.941/09) e artigo 61 da Lei n° 9.430/96, o fato é que não houve prequestionamento da matéria; pela simples leitura do acórdão recorrido, constatase que não foi enfrentada em qualquer momento a discussão acerca da multa aplicada pela fiscalização, até porque a questão não foi suscitada no Recurso Voluntário; a matéria foi suscitada em sede de Embargos de Declaração a Contribuinte que foram rejeitados, conforme excerto a seguir: "Ocorre que há equívoco no entendimento da recorrente, pois A r. decisão esta devidamente fundamentada, demonstrando de forma clara as razões de decidir. Ad argumentandum tantum, em relação a multa aplicada, tal matéria não foi suscitada no recurso interposto e, com fulcro no art. 106, "c" do CTN, não há reparo a ser efetuado ex officio, pois a novel legislação informa que a multa de ofício encontrase regida pelo art. 35A da Lei nº 8.212/1991, alterado pela lei 11.941/09, o qual determina a aplicação conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/199, no percentual de 75%(setenta e cinco por cento), que transcrevo. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" assim, não há que se cogitar que tais Embargos de Declaração supririam o prequestionamento da matéria, uma vez que essa não foi objeto de insurgência no Recurso Voluntário, sendo a primeira vez trazida à baila em sede de Embargos, o que ensejaria clara supressão de instância, caso mantida a admissibilidade do recurso; esse entendimento prevalece na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se afere do julgado: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. 2. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 9202006.148 CSRFT2 Fl. 759 5 A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (REsp 959389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009)” dessa forma, tratandose, sem dúvida, de matéria não prequestionada, e o § 5° do art. 67 do RICARF exigir o prequestionamento como requisito essencial para o seguimento de recurso especial, necessário o não conhecimento do Recurso Especial da Contribuinte; Dos fundamentos para a manutenção da multa aplicada antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do Auto de Infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada); com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91; por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91, em sua redação antiga, ocorrerá quando houver tãosomente o lançamento das contribuições previdenciárias; igualmente a aplicação da penalidade prevista no art. 35 só será cabível nos casos em que há o efetivo recolhimento da contribuição sem lançamento de ofício; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, como também da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96). nessa linha de raciocínio, verificase que o procedimento correto para a aplicação da norma mais benéfica seria o cotejo entre as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) e a do art. 35A da Lei nº 8212/91; Fl. 761DF CARF MF 6 assim, deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 2010, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Ao final, a Fazenda Nacional requer o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, caso ultrapassada a preliminar, que lhe seja negado provimento, mantendose a decisão recorrida. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. A matéria suscitada é a aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional alega a inexistência de prequestionamento, registrando que a matéria não fora suscitada no Recurso Voluntário, sendo abordada apenas quando da oposição de Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Entretanto, a legislação de que trata a retroatividade benigna objeto do Recurso Especial é a MP nº 449, de 03/12/2008 (DOU de 04/12/2008, retificada no DOU de 12/12/2008), enquanto que o Recurso Voluntário foi interposto em 19/05/2008 (carimbo às fls. 441), portanto seria impossível que tal pleito integrasse o apelo. Com efeito, não haveria como, em maio de 2008, suscitarse retroatividade benigna acerca de legislação que somente foi editada em dezembro de 2008. Registrese ainda que a Contribuinte opôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados por meio de despacho que assim pontuou (fls. 576 a 578): "Ocorre que há equívoco no entendimento da recorrente, pois A r. decisão esta devidamente fundamentada, demonstrando de forma clara as razões de decidir. Ad argumentandum tantum, em relação a multa aplicada, tal matéria não foi suscitada no recurso interposto e, com fulcro no art. 106, "c" do CTN, não há reparo a ser efetuado ex officio, pois a novel legislação informa que a multa de ofício encontrase regida pelo art. 35A da Lei nº 8.212/1991, alterado pela lei 11.941/09, o qual determina a aplicação conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/199, no percentual de 75%(setenta e cinco por cento), que transcrevo. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 762DF CARF MF Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 9202006.148 CSRFT2 Fl. 760 7 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... Conforme se depreende do relatório IPC INSTRUÇÕES PARA O CONTRIBUINTE, a multa já aplicada, calcada na legislação revogada, tem seu valor máximo limitado a 60%(sessenta) por cento, não havendo assim reparo a ser feito." Assim, adotando o posicionamento desta Segunda Turma, bem como integrando o conteúdo do Despacho de Embargos ao acórdão recorrido, considero a matéria prequestionada e conheço do Recurso Especial da Contribuinte. Passo a examinálo. A retroatividade benigna encontrase prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação original da Lei nº 8.212, de 1991, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 763DF CARF MF 8 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 764DF CARF MF Processo nº 36266.003981/200596 Acórdão n.º 9202006.148 CSRFT2 Fl. 761 9 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifei) Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Destarte, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Fl. 765DF CARF MF 10 Destarte, não há como entenderse que o art. 35, com a redação dada pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que trata de procedimentos espontâneos, poderia ser aplicado retroativamente a uma exigência de ofício. Com efeito, a única possibilidade de dita legislação ser aplicada retroativamente é mediante a aplicação do art. 35 A, que contempla os procedimentos de ofício, estabelecendo uma só penalidade para o descumprimento de obrigações principais e acessórias. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 766DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.902606/2009-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 26 06 /2 00 9- 68 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10665.902606/200968 Acórdão n.º 9101003.192 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao que foi decidido sobre compensação tributária realizada com base em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1801000.997, de 08/05/2012, por meio do qual houve provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de estabelecer que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, houve seguimento. A contribuinte apresentou as contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.190, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11060.901149/200966. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.190): Não há condições para conhecer do recurso especial da PGFN. Em seu recurso, a PGFN defende a tese de que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal não constitui indébito passível de restituição/compensação desde a data de seu recolhimento. Na linha do que está sendo defendido no recurso, as estimativas são meras antecipações, e só podem ser Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10665.902606/200968 Acórdão n.º 9101003.192 CSRFT1 Fl. 4 3 aproveitadas para redução do tributo no ajuste anual, ou para formação de saldo negativo. Entretanto, a matéria objeto da divergência jurisprudencial está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. O acórdão recorrido destacou que o único fundamento para a negativa da compensação até aquele momento processual era a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados. E mencionando expressamente a Súmula CARF nº 84, o acórdão recorrido afastou esse óbice, e determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que fosse analisado o mérito do pedido. Assim, tratandose de acórdão que expressamente adotou entendimento de súmula do CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. Os autos devem ser encaminhados na forma estabelecida pelo acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13766.001953/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2006
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE MORA. DESCABIMENTO.
Suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de medida liminar, no caso de lançamento para prevenção da decadência, incabível a aplicação de multa de mora, posto que inexiste mora do contribuinte, nos termos do § 2º do art. 63 da Lei nº. 9.430/96.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4
Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.
Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações.
Numero da decisão: 2401-005.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e dar-lhe provimento parcial para afastar a multa de mora exigida.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2006 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE MORA. DESCABIMENTO. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de medida liminar, no caso de lançamento para prevenção da decadência, incabível a aplicação de multa de mora, posto que inexiste mora do contribuinte, nos termos do § 2º do art. 63 da Lei nº. 9.430/96. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações.
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CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 19 53 /2 00 8- 41 Fl. 924DF CARF MF 2 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. MULTA DE MORA. DESCABIMENTO. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de medida liminar, no caso de lançamento para prevenção da decadência, incabível a aplicação de multa de mora, posto que inexiste mora do contribuinte, nos termos do § 2º do art. 63 da Lei nº. 9.430/96. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Com fulcro na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, incide multa de mora sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas no vencimento, de acordo com o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 e demais alterações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 13766.001953/200841 Acórdão n.º 2401005.133 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e darlhe provimento parcial para afastar a multa de mora exigida. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 926DF CARF MF 4 Relatório UNIMED SUL CAPIXABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da DecisãoNotificação (DN) n° 07.401.4/507/2006 da antiga Delegacia da Receita Previdenciária de Vitória/ES, às efls. 471/481, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores brutos das faturas de prestação de serviços prestados por cooperados por inter,édio de cooperativas de trabalho, relativas às competências 01/2001 a 06/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 119/124 e demais documentos que instruem o processo. De acordo com o relatório fiscal, no item 6, as cooperativas de trabalho que prestaram serviços à Unimed Sul Capixaba, as quais fazem parte desta NFLD, são as seguintes: UNIMED VITORIA — Cooperativa de Trabalho Médico; Unimed Norte Fluminense Cooperativa de Trabalho Médico; UNIMED PIRAQUEAÇU Cooperativa de Trabalho Médico— UNIMED VALE DO RIO DOCE Cooperativa de Trabalho Médico; UNIMED NORTE CAPIXABA Cooperativa de Trabalho Médico. Por fim, nas disposições finais do relatório fiscal, item 15.2, informou o Auditor Fiscal que a empresa é impetrante de uma ação ordinária n° 2001.50.02.0001216, na Vara Federal de Cachoeiro de Itapemirim, onde foi julgado procedente o pedido da Autora na qual foi declarado a inexistência da relação jurídica com o INSS sobre a contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso IV da Lei n° 8.212/91 na redação dada pela Lei n° • 9.876/99. Como não se trata de decisão transitada em julgado, o débito objeto desta NFLD está sendo levantado para evitar a decadência. Subsidiaram a lavratura do presente débito e a apuração dos valores devidos as faturas elencadas na planilha de fls. 140/148, sendo que a base considerada para cálculo das contribuições previdenciárias devidas pela Unimed Sul Capixaba foi o valor do Ato Cooperativo Principal constante nas faturas de prestação de serviços (art. 291, II, Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005). Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 490/576, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, pugna preliminarmente pela necessidade do exame integral da defesa por tratar de matéria distinta daquela discutida na via judicial. Também de forma preliminar, aduz que a presente Autuação não pode subsistir, pois está decaído o direito da Fazenda Publica em lançar o crédito fiscal referente às competências janeiro de 2001 a outubro de 2001, eis que passados 05 (cinco) anos entre a data da ocorrência do pretenso fato gerador da contribuição e a notificação do lançamento, tal qual prevê o artigo150,§ 4° do CTN. Por estar suspensa a exigibilidade da contribuição previdenciária em questão, por força de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.50.02.0001216, (art. 151, lV do CTN) não podendo ser exigidos tais valores nem mesmo a título de prevenção de decadência, mormente juros e multa. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 13766.001953/200841 Acórdão n.º 2401005.133 S2C4T1 Fl. 4 5 Requer a realização de diligência esclarecendo para tanto que a presente autuação engloba supostos débitos da tomadora em relação a fatos geradores cuja perfeita quantificação, na absurda hipótese de admitida, dependeria da análise de elementos exclusivos das cooperativas prestadoras. Essa é a essência da diligência, caso contrário, aquilo que serviria como facilitador do recebimento (eleição da nota fiscal de serviços como base de cálculo para contribuição) pode se transformar em elemento de confisco e “bis in idem”. Haja vista a possibilidade da base de cálculo do tributo (serviços pessoais prestados pelos cooperados) ser distinta do montante total da nota fiscal, é absolutamente necessária a realização de diligência, sob o risco do INSS estar exigindo contribuição já recolhidas (eis que tributarseá valores da nota fiscal que refiramse ao custo administrativo da cooperativa, dentre o qual encontrase a remuneração de seus empregados, cujo recolhimento previdenciário próprio já ocorreu). Ainda de forma preliminar, pugna pela nulidade do lançamento por descumprimento de ordem judicial sobre a suspensão da exigibilidade da contribuição. No mérito, afirma ter entendido equivocadamente o Fisco Previdenciário serem os cooperados prestadores de serviços (cooperados de Unimed diversa), contribuintes individuais que prestariam serviços diretamente à Unimed Sul Capixaba, em conclusão que ignora toda a sistemática do cooperativismo de trabalho médico, voltado a angariar pacientes aos médicos cooperados. A lógica do sistema cooperativista não admite o entendimento de que a cooperativa seja tomadora dos serviços prestados por seus cooperados. Estes sim é que se valem dos serviços prestados pela referida entidade que atua como mandatária. Os tomadores de serviços prestados pelos médicos cooperados são, por óbvio, os usuários dos planos de saúde operados pela Unimed Sul Capixaba. Assim, as sociedades cooperativas não estão sujeitas ao recolhimento de contribuição previdenciária (15%) sobre os pagamentos realizados aos médicos cooperados, por não tomarem os serviços por ele prestados , nem mesmo quando se tratar de atendimento por médicos associados a cooperativa diversa (intercâmbio). Em uma ou outra situação, o tomador de serviços será sempre o usuário do plano, uma vez que esse fruirá os serviços médicos prestados (naturalmente os efetivos usuários serão as pessoas físicas beneficiárias do contrato.). A ausência de expressa previsão legal atribuindo tal ônus às cooperativas de trabalho, como é o caso da Recorrente, impossibilita que lhe seja atribuída qualquer obrigação previdenciária ante a verdadeira ausência de previsão legal que caracterize o pagamento aos seus cooperados ou de outras cooperativas como fato gerador. Alega que a contribuição criada pela Lei n° 9.876/99 que acrescentou ao art. 22 da Lei n° 8.212/91, o inciso IV, como não se enquadra nas hipóteses já previstas nos incisos do art. 195 da Constituição (que elenca as fontes de custeio da Seguridade Social), haveria de ser instituída necessariamente, por Lei Complementar, em atenção ao disposto nos artigos 194, § 4° c/c art. 154, inciso I da Carta Magna. Infirmar ser incabível a cobrança de multa e/ou juros na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. Questiona que a multa aplicada tem caráter confiscatório, eis que calculada em 30% (trinta por cento) do valor lançado, podendo chegar a 100%. A vedação ao confisco é princípio com sede constitucional (art. 150, IV da CF/88), não podendo ser jamais olvidado pelas Autoridades Fiscais. A multa aplicada fere também o princípio da capacidade contributiva, eis que o acréscimo pretendido vai muito além da tentativa de coibir infrações tributárias, importando, na verdade, em majoração de tributo para além da capacidade Fl. 928DF CARF MF 6 econômica adquirida pela pessoa jurídica, além de majorar a própria alíquota, de forma dissimulada e indireta. Quanto aos juros infirmar ser induvidoso que a espécie de juros adotada pelo Ordenamento Jurídico Tributário é a dos juros moratórios, visto que constituem uma indenização pelo retardamento no cumprimento da obrigação. Através da leitura simples e objetiva do art. 161, § 1 ° do Código Tributário Nacional, podese auferir que o legislador pátrio definiu de forma explícita e imutável o valor do percentual anual a ser cobrado a título de taxa de juros, sendo inadmissível a exigência , por qualquer outro instrumento legal, de taxas de juros superiores a doze por cento ao ano. Portanto, em obediência ao ordenamento jurídico que disciplina as taxas de juros incidentes sobre o crédito tributário não pago à época do vencimento, é ilegal a utilização de taxa que represente juros compensatórios e que exceda o limite máximo fixado pelo CTN (art. 161, § 1°) e pela CF (art. 192, § 3°) qual seja, 12% ao ano. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para preliminarmente decretar a decadência e nulidade do Lançamento, e no mérito, desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 13766.001953/200841 Acórdão n.º 2401005.133 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA DELIMITAÇÃO DA LIDE Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento de parte do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou na Seção Judiciária do Estado da Bahia o Ação Ordinária nº 2001.50.02.0001216, objetivando obter perante o Poder Judiciário a que não lhe fosse exigido o recolhimento de 15% sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços por cooperados através de cooperativas de trabalho. Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade Fl. 930DF CARF MF 8 processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Mesmo em se tratando de matéria já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no entender deste Colegiado, não há como conhecer do recurso em observância ao princípio da celeridade e economia processual, por afronta direta a todos os fundamentos acima expostos. Verificamos a existência de argumentos distintos daqueles ventilados na demanda judicial, neste aspecto, por preencher o pressuposto de admissibilidade, conheço das alegações sobre a decadência, necessidade de diligência, nulidade do lançamento e multa/juros. DA MATÉRIA CONHECIDA PRELIMINAR DA DECADÊNCIA Preliminarmente, aduz que a presente Autuação não pode subsistir, pois está decaído o direito da Fazenda Publica em lançar o crédito fiscal referente às competências janeiro de 2001 a outubro de 2001, eis que passados 05 (cinco) anos entre a data da ocorrência do pretenso fato gerador da contribuição e a notificação do lançamento, tal qual prevê o artigo 150, §4° do CTN. Por estar suspensa a exigibilidade da contribuição previdenciária em questão, por força de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.50.02.0001216, (art. 151, lV do CTN) não podendo ser exigidos tais valores nem mesmo a título de prevenção de decadência, mormente juros e multa. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 13766.001953/200841 Acórdão n.º 2401005.133 S2C4T1 Fl. 6 9 Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso Fl. 932DF CARF MF 10 I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 933DF CARF MF Processo nº 13766.001953/200841 Acórdão n.º 2401005.133 S2C4T1 Fl. 7 11 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucidações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela inexistência de antecipação de pagamento relativamente as notas fiscais de prestação de serviços no período fiscalizado, inclusive por ser de fácil percepção, uma vez que existe medida judicial para o recolhimento. Na esteira dessas considerações, não vislumbrando a ocorrência de recolhimentos antecipação de pagamento, fato relevante para aplicação do instituto da decadência nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a Fl. 934DF CARF MF 12 observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I do CTN, afastando a decadência pleiteada pelo contribuinte. PRELIMINAR DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA A recorrente requer a realização de diligência esclarecendo para tanto que a presente autuação engloba supostos débitos da tomadora em relação a fatos geradores cuja perfeita quantificação, na absurda hipótese de admitida, dependeria da análise de elementos exclusivos das cooperativas prestadoras. Essa é a essência da diligência, caso contrário, aquilo que serviria como facilitador do recebimento (eleição da nota fiscal de serviços como base de cálculo para contribuição) pode se transformar em elemento de confisco e “bis in idem”. Haja vista a possibilidade da base de cálculo do tributo (serviços pessoais prestados pelos cooperados) ser distinta do montante total da nota fiscal, é absolutamente necessária a realização de diligência, sob o risco do INSS estar exigindo contribuição já recolhidas (eis que tributarseá valores da nota fiscal que refiramse ao custo administrativo da cooperativa, dentre o qual encontrase a remuneração de seus empregados, cujo recolhimento previdenciário próprio já ocorreu). Quanto ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova, igualmente, decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despiciendo a produção de prova pericial. Com efeito, a produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: Lei 9.784/99 Art. 38. [...]§ 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...]IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO Fl. 935DF CARF MF Processo nº 13766.001953/200841 Acórdão n.º 2401005.133 S2C4T1 Fl. 8 13 Ainda de forma preliminar, pugna pela nulidade do lançamento por descumprimento de ordem judicial sobre a suspensão da exigibilidade da contribuição. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Havendo a suspensão dessa exigibilidade, a doutrina e a jurisprudência têm reconhecido que a autoridade administrativa não está impedida de fiscalizar e lançar o crédito tributário, pois essa suspensão referese ao crédito e não a possibilidade de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, estando suspensos tãosomente os atos executórios da cobrança. Reprise se que o lançamento tributário constitui atividade obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade civil, criminal e administrativa, e busca garantir o direito do Fisco em face da decadência. Assim sendo, uma vez que a Lei n° 8.212/91 define que a contribuição da empresa é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho e, considerando que a Impugnante é impetrante de uma Ação Ordinária n° 2001.50.02.0001216, na Vara Federal de Cachoeiro de Itapemirim na qual discute a constitucional idade das contribuições objeto destes autos, ainda não transitada em julgado, suspendendo a exigibilidade da contribuição, mas não o lançamento, o procedimento fiscal encontrase correto. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção dos lançamentos. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontramse maculados Fl. 936DF CARF MF 14 por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. MÉRITO DA MULTA E JUROS LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA Infirmar ser incabível a cobrança de multa e/ou juros na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. Questiona que a multa aplicada tem caráter confiscatório, eis que calculada em 30% (trinta por cento) do valor lançado, podendo chegar a 100%. A vedação ao confisco é princípio com sede constitucional (art. 150, IV da CF/88), não podendo ser jamais olvidado pelas Autoridades Fiscais. A multa aplicada fere também o princípio da capacidade contributiva, eis que o acréscimo pretendido vai muito além da tentativa de coibir infrações tributárias, importando, na verdade, em majoração de tributo para além da capacidade econômica adquirida pela pessoa jurídica, além de majorar a própria alíquota, de forma dissimulada e indireta. Primeiramente, destacase que, tratase de multa de mora e não de ofício. Assim, cabe analisar a legalidade da incidência da multa de mora no presente lançamento para fins de prevenção da decadência. O art. 63 da Lei nº. 9.430/96, dispõe claramente que a concessão de medida liminar "interrompe" a incidência de multa de mora. Vejamos: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Não há dúvidas no presente caso, de acordo com o Relatório Fiscal, que o lançamento fora realizado para fins de prevenção da decadência. Assim, inconteste que o presente lançamento ocorreu na vigência da medida liminar/setença, por isso realizado para fins de prevenção da decadência. Isto posto, entendo aplicável o disposto no artigo 63, § 2º do da Lei nº. 9.430/96: Por essas razões, por aplicação do dispositivo legal acima, entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário para o fim de afastar a multa de mora aplicada ao presente lançamento para fins de prevenir a decadência. Quanto aos juros não há o que se falar em sua exclusão. Até porque o art. 63 da Lei n.º 9.430/1996 não prevê a exclusão dos mesmos na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. E de fato, não poderia ser de outra forma, haja vista que os juros nada mais representam de que uma compensação à Fazenda pelo pagamento fora do prazo, não possuindo caráter de punição. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 13766.001953/200841 Acórdão n.º 2401005.133 S2C4T1 Fl. 9 15 DOS JUROS TAXA SELIC Quanto aos juros infirmar ser induvidoso que a espécie de juros adotada pelo Ordenamento Jurídico Tributário é a dos juros moratórios, visto que constituem uma indenização pelo retardamento no cumprimento da obrigação. Através da leitura simples e objetiva do art. 161, § 1 ° do Código Tributário Nacional, podese auferir que o legislador pátrio definiu de forma explícita e imutável o valor do percentual anual a ser cobrado a título de taxa de juros, sendo inadmissível a exigência , por qualquer outro instrumento legal, de taxas de juros superiores a doze por cento ao ano. Portanto, em obediência ao ordenamento jurídico que disciplina as taxas de juros incidentes sobre o crédito tributário não pago à época do vencimento, é ilegal a utilização de taxa que represente juros compensatórios e que exceda o limite máximo fixado pelo CTN (art. 161, § 1°) e pela CF (art. 192, § 3°) qual seja, 12% ao ano. Destarte, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Por sua vez, de conformidade com o artigo 35, inciso I, da Lei 8.212/91, vigente à época, as contribuições previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, senão vejamos: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: [...] Nesse sentido, devida à contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 e, bem assim, da multa moratória, nos termos do artigo 35 do mesmo Diploma Legal. Além do que a aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 938DF CARF MF 16 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, improcedente é o pedido. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em observância a Súmula n° 1 do CARF, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a multa de mora exigida, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 939DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005405/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 54 05 /2 00 7- 45 Fl. 127DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10380.005405/200745 Acórdão n.º 2202004.170 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006797/2009-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-006.255
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 67 97 /2 00 9- 27 Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10410.006797/200927 Acórdão n.º 9202006.255 CSRFT2 Fl. 1.095 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte para cobrança de imposto de renda relativamente ao ano calendário de 2004. Entendeu a fiscalização que os valores declarados como recebidos por pessoa jurídica foram na verdade auferidos exclusivamente pela pessoa física em razão de serviços contábeis prestados a terceiros. No lançamento exigese o principal acrescido de multa qualificada pela suposta constatação da fraude. Vale mencionar que o presente lançamento é decorrente de apuração realizada por meio de outro MPF, o de nº 04401.002009009504, no estabelecimento da DLS Assessoria e Consultoria S/C Ltda. No caso constatou a fiscalização que a pessoa jurídica no ano em referência não apresentou qualquer faturamento, não havendo ainda registros contábeis ou fáticos que demonstrassem o ingresso de receita em caixa, assim e com base em outros elementos concluiu pela inexistência de fato do estabelecimento da empresa (efls 280/294). Com este cenário os valores foram considerados como rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício e imputados a tributação do IR nas pessoas dos sócios da DLS Assessoria, o ora recorrido e seu filho (para esse foi realizado outro MPF). Julgando a impugnação apresentada pelo contribuinte (efls 118/155) a DRJ manteve o lançamento. Afastando as preliminares arguidas, no mérito argumentou que: 87. Restou sobejamente demonstrado no procedimento fiscal que a empresa DLS Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda não possuiu movimentação financeira e, através do seu sócio administrador e responsável pela empresa, o ora autuado, apresentou uma contabilidade não lastreada e nem condizente com as reais operações, verificandose que o próprio sr. Djalma Leonardo de Siqueira era o real prestador dos serviços, quando ocorridos, o que não foi o caso, de prestação de serviços e pagamento, relativamente à nota fiscal n° 241, caracterizada no procedimento fiscal como inidônea, isso sem falar nas demais notas fiscais emitidas com erro no CNPJ da empresa, e cujos serviços, relativos a estas últimas, foram prestados pelo sr. Djalma, com pagamentos diretamente na sua conta bancária pessoal, ou seja, não representaram uma efetiva prestação de serviços pela empresa DLS. 88. Com relação aos argumentos do contribuinte que os impostos teriam sido retidos pela empresa Triunfo S/A em relação à empresa DLS, a DIPJ desta última, da qual o contribuinte é sócioadministrador e responsável, demonstra que os rendimentos não foram oferecidos à tributação pela empresa Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10410.006797/200927 Acórdão n.º 9202006.255 CSRFT2 Fl. 1.096 3 DLS, cujo responsável é o sr. Djalma, o que confirma ainda mais o fato de que os rendimentos foram efetivamente auferidos não pela pessoa jurídica, mas pela pessoa física do sr. Djalma Leonardo Siqueira, por quem também não foram oferecidos à tributação, além do que a contabilidade da empresa DLS, efetuada pelo sr. Djalma Leonardo de Siqueira, seu responsável, restou caracterizada como ficta. Inconformado com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 922/957) reiterando sua tese de defesa que aborda os seguintes pontos: inadmissibilidade do uso de provas ilícitas, existência de estabelecimento físico da empresa DLS; os serviços da pessoa jurídica eram relacionados à assessoria empresarial pressupondo a atuação de ambos os profissionais (contabilista e advogado) cujos conhecimentos eram complementares; nulidade das informações apuradas sobre os registros contábeis da empresa face à violação ao princípio da verdade material; da desconsideração pela fiscalização de mútuo e distribuição de lucros existentes; utilização de citação a documento sigiloso sem autorização judicial e inexistência de dolo/fraude a justificar a multa qualificada. A 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por unanimidade, deu provimento ao recurso, tendo o acórdão 220101.535 recebido a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA. IMPUTAÇÃO DA RECEITA AO SÓCIO. NECESSIDADE DE JUSTIFICATIVA. É lícita a prestação de serviços por pessoa jurídica regularmente constituída, sendo desta a receita correspondente. A desconsideração da pessoa jurídica com a imputação das receitas como rendimentos do sócio somente se justifica quando comprovado o intuito de fraude. Recurso provido. Contra a decisão a União apresentou recurso especial de divergência. Citando como paradigmas os acórdãos 210101.325 e 10421583 sustenta que a legislação tributária, expressamente, define a forma de tributação para os rendimentos obtidos por profissionais no exercício individual de sua função não remanescendo dúvida de que os rendimentos obtidos pelo contribuinte no exercício da atividade de contador devam ser tributados na declaração da pessoa física, sendo, por conseguinte, irrelevante o registro no cadastro de pessoa jurídica, sob forma de empresa individual ou Ltda.. O contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento no recurso por ausência de similitude fática e no mérito afirma que foram preenchidos todos os requisitos que justificariam a manutenção da tributação a partir de pessoa jurídica legitimamente constituída. É o relatório. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10410.006797/200927 Acórdão n.º 9202006.255 CSRFT2 Fl. 1.097 4 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Em sede de contrarrazões o Contribuinte suscita o não conhecimento do recurso pois, embora os paradigmas apontados versem sobre a mesma matéria, as situações fáticas são distintas. Neste ponto, entendo que há razão nas alegações do recorrido. Vejamos: No acórdão nº 210101.325 foi exigido IRPF complementar decorrente de infração caracterizada por rendimento recebidos da atividade de médio, indevidamente equiparado à pessoa jurídica. Considerando que a pessoa jurídica clínica médica, possuía como sócios o autuado (médico) e sua esposa (sem qualificação técnica) entendeu a fiscalização pela aplicação da limitação imposta no art. 150, §2º do Decreto nº 3.000/99. O relator ao analisar o caso expôs: Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sócios devem estar em condições legais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si, desde que cada um desempenhe as atividades ou prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos estejam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sócios ou empregados igualmente qualificados; (4) as sociedades civis são aquelas em que todos os sócios estejam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc. Com certeza não é o caso do contribuinte, já que a sociedade é formada por este e sua esposa, que nos Contratos Sociais juntado aos autos possui qualificada “do lar” (fl. 23) e “comerciante” (fl. 25). No segundo acórdão, o de nº 10421.583, o lançamento concluiu pela incidência do imposto de renda sobre os valores pagos à pessoa jurídica cuja sócio majoritário era um conhecido apresentador de televisão. Foi argumentado que parte das receitas auferida pela pessoa jurídica estavam intrinsecamente vinculada a pessoa do artista, tínhamos a prestação de serviços personalíssimo, ou seja, apenas um dos sócios seria hábil a realizálos. Vale citar trecho das explicações dadas pelo relator: A matéria em discussão no presente litígio, como se pode verificar no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal, Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10410.006797/200927 Acórdão n.º 9202006.255 CSRFT2 Fl. 1.098 5 referese à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes de trabalho com e sem vinculo empregatício, cuja origem provém da análise dos Contratos de Prestação de Serviços e de Parceria Empresarial apresentados pela empresa Massa & Massa Ltda., da qual o contribuinte é sócio, onde foi constatado o caráter eminentemente pessoal na prestação de serviços e que motivou o lançamento dos rendimentos decorrentes dos serviços realizados individual e pessoalmente pelo contribuinte na declaração de sua pessoa física. ... Enfim, a matéria se encontra longamente debatida no processo, sendo despiciendo maiores considerações, razão pela qual, estou convicto que a farta documentação carreada aos autos não só evidencia como comprova de forma inequívoca que parte dos valores contabilizados na pessoa jurídica de Massa & Massa, são, na verdade, rendimentos de pessoa física do artista/apresentador/animador Carlos Roberto Massa. Resta evidenciado nos autos que a exação não resulta de mera presunção ou suspeita, tendo, ao contrário, respaldo em fatos fartamente documentados. Não tenho dúvidas que os serviços foram prestados pela pessoa física do apresentador, com a contratação de terceiros que não poderiam, sob nenhuma hipótese, substituílo em suas funções por disposição contratual expressa. Percebemos, portanto, que nos casos paradigmáticos ficou claro que o lançamento se deu pelo fato de que a atividade principal da sociedade envolvia serviço que somente poderia ser desempenhado por um dos sócios. Pelas decisões proferidas não havia qualquer irregularidade na constituição dessas pessoas jurídicas, o que justificou a mera requalificação de parte dos valores auferidos por elas, atribuindoos à pessoa física do sócio responsável pela realização dos serviços tido como personalíssimo. Não é essa a situação enfrentada pelo acórdão recorrido. Conforme consta do relatório, o lançamento é proveniente de um extenso trabalho de fiscalização que envolveu a análise dos contribuinte DLS Assessoria e Consultoria Empresarial S/C Ltda., do autuado e também do seu sócio Carlos Eduardo Leonardo da Siqueira. Ao apurar a ausência de atividades na pessoa jurídica concluise que os valores recebidos pelos sócios eram decorrentes da prestação de serviços individuas a terceiros. Citamos alguns itens do TVF de efls 9/20 que demonstram isso: 9. Através do MPF n° 04401.002009009504 foi aberto procedimento de fiscalização na empresa DLS ASSESSORIA E CONSULTORIA S/C LTDA, cujo sócioadministrador é o contribuinte Djalma Leonardo de Siqueira e tendo como sócio, ainda, seu filho Carlos Eduardo Leonardo de Siqueira, que também está sendo fiscalizado, conforme foi determinado pelo MPF n° 04401.002009009610 (fls. 17 e 581 do Anexo I). 10. Já a empresa TRIUNFO AGRO INDUSTRIAL S/A foi objeto de procedimento de diligência, mediante MPF n° 04401.002009001460, Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10410.006797/200927 Acórdão n.º 9202006.255 CSRFT2 Fl. 1.099 6 com o objetivo de verificar a efetividade dos serviços que a DLS teria prestado para ela e dos respectivos pagamentos. 11. Durante a realização dos trabalhos, a fiscalização conseguiu apurar os seguintes fatos: A DLS nunca esteve estabelecida no endereço constante de seus atos societários e do CNPJ; Seu sócioadministrador, Sr. Djalma Leonardo de Siqueira, declarou à fiscalização que somente ele prestou serviços ao Grupo TRIUNFO; As notas fiscais da DLS foram impressas com CNPJ errado; O Livro Diário da DLS não foi registrado no órgão competente; O Livro Razão da DLS não possui termo de abertura e de encerramento; O Livro Registro de Serviços Prestados da DLS não foi registrado no órgão competente; As notas fiscais de serviços emitidas pela DLS são referentes a serviços contábeis prestados por Djalma Leonardo de Siqueira e foram recebidos diretamente por ele em sua conta bancária; A empresa TRIUNFO AGRO INDUSTRIAL S/A declarou que Djalma Leonardo de Siqueira já foi seu empregado; A empresa TRIUNFO declarou que Djalma Leonardo de Siqueira é a pessoa que lhe prestou os serviços; A empresa TRIUNFO depositou diretamente na conta bancária de Djalma Leonardo de Siqueira os valores referentes à prestação de seus serviços; A empresa TRIUNFO declarou que não pagou a nota fiscal 241, comprovadamente caracterizada como nota fria; A DLS nunca possuiu empregados; A contabilidade apresentada pela DLS é ficta; A empresa contabilizou empréstimos e distribuição de lucros a Carlos Eduardo Leonardo de Siqueira, seu sócio minoritário, ambos fictícios, uma vez que a empresa não auferiu receitas no anocalendário 2004 e tampouco teve movimentação financeira nesse ano; A maior parte das despesas contabilizadas não identificam o beneficiário. Alguns documentos identificam o Sr. Djalma Leonardo de Siqueira como beneficiário, dentre os quais, a Taxa de Licença e Fiscalização para Localização, Instalação e Funcionamento paga à Prefeitura Municipal de Maceió, que se encontra em seu nome e com o seu endereço, o que significa que o Sr. Djalma mantinha escritório em seu endereço residencial. Algumas dessas despesas foram pagas através de débito na conta bancária do Sr. Djalma. 12. Por fim a fiscalização concluiu que a empresa DLS ASSESSORIA E CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA não manteve atividades operacionais no anocalendário de 2004, tendo emitido notas fiscais para acobertar as atividades profissionais de contador de seu sócio administrador Djalma Leonardo da Siqueira, bem como para simular o Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10410.006797/200927 Acórdão n.º 9202006.255 CSRFT2 Fl. 1.100 7 repasse de recursos ao sócio Carlos Eduardo Leonardo de Siqueira, os quais, conforme indicam os indícios coletados no decorrer da sua fiscalização (MPF n° 04401.002009009610), são provenientes de suas atividades profissionais como advogado. Não há no termo de verificação fiscal qualquer menção acerca da impossibilidade de se constituir uma pessoa jurídica para prestação de serviços por profissionais regulamentados. Não foi esta a discussão travada pelo fiscal e combatida ao longo do presente processo administrativo. Ora, o lançamento foi realizado em razão da constatação da inexistência de fato da pessoa jurídica, levando à conclusão de que os valores movimentados pelos sócios foram decorrentes de serviços prestados à margem da pessoa jurídica, ou seja, trabalho prestado de forma individual e não alcançado pelo objeto social da DLS Assessoria e Consultoria Empresarial S/C Ltda.. Lembramos que a sociedade possuía como objeto a prestação de serviços na área de consultoria empresarial, justificando a composição do seu quadro societário (advogado e contabilista), entretanto segundo a fiscalização o contribuinte não comprovou que tais serviços eram prestados por meio da pessoa jurídica. O lançamento não fala em reclassificação dos valores recebidos pela pessoa jurídica, até porque restou comprovado que nela inexistia qualquer movimentação (DIPJ efls. 316 e seguintes). Diante da ausência de provas acerca da efetiva prestação de serviços por meio da DLS Assessoria e diante das provas colhidas junto ao estabelecimento tomador dos serviços, o que se tributou foram os valores recebidos pelos sócios em razão da prestação de serviços individuais. Ao analisar o lançamento, e contrariando o entendimento da DRJ, o colegiado a quo concluiu pela inexistência de elementos que justificassem a desconsideração da pessoa jurídica e a tributação na pessoa física, afirmou: O que se tem aqui, de fato, é uma desconsideração da pessoa jurídica da DLS que declarou as receitas referentes à prestação dos serviços, sem que haja razões de fato ou de direito que justificassem essa medida, pelo menos, estes não foram apresentados. Por outro lado, se o Fisco identificou irregularidades na escrituração da empresa e no recolhimento dos tributos, a legislação própria da tributação das pessoas jurídica disciplina os procedimentos a serem adotados nessas situações e, eventualmente, a formalização de exigência de tributos e/ou penalidades administrativas. Assim, ao contrário do que afirma a Recorrente, salvo melhor juízo, o lançamento teve origem na comprovação da ausência de atividades realizadas por meio da pessoa jurídica, tendo direcionado a tributação para a pessoa física do autuado não por se tratar o serviço de assessoria empresarial de um serviço de natureza personalíssima e sim porque o que efetivamente ocorreu foi a prestação de serviços contábeis de forma individual/exclusiva por uma pessoa física. Por tais razões, entendo que os paradigmas não se prestam para comprovação da divergência. Deveria a Fazenda Nacional ter juntado aos autos decisão proferida em situação onde o tribunal manteve o lançamento de IRPF em razão da caracterização da inexistência de fato da pessoa jurídica. Diante do exposto, deixo de conhecer do recurso interposto. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10410.006797/200927 Acórdão n.º 9202006.255 CSRFT2 Fl. 1.101 8 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.005555/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire Presidente..
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo Relator.
Participaram do presente julgamento, os ConselheirosJorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente.. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram do presente julgamento, os ConselheirosJorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 05 55 5/ 20 08 -9 1 Fl. 919DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.166 S3C4T2 Fl. 920 2 Tratase de declarações de compensação (fls. 01/409) transmitidas pela contribuinte acima identificada, no valor de R$ 194.341,50, referentes ao crédito oriundo da ação judicial nº 95.15024641. A Delegacia de origem, através do Despacho Decisório nº 645 – DRF/CXL, datado de 03/09/2008 (fls. 540/541), homologou as declarações de compensação vinculadas a ação ordinária citada até a quantia de R$27.672,52, conforme planilhas de cálculo às fls. 510/511. Cientificada em 11/02/2009 (fl. 610), a interessada apresentou, em 11/03/2009, Manifestação de Inconformidade (fls. 614/630), na qual alega que: a) Em face da coisa julgada material, a Manifestante pleiteou, por meio das respectivas Declarações de Compensação, apresentadas entre 2004 e 2005, a compensação dos valores indevidamente recolhidos, O montante total da compensação efetuada pela Manifestante atingiu, em janeiro de 1996, o valor de R$ 72.337,34 (setenta e dois mil, trezentos e trinta e sete reais e trinta e quatro centavos); b) Não foi possível encontrar, no entanto, em nenhum momento, qualquer trecho que fizesse referência ao porquê de o valor homologado ter sido tão diferente daquele encontrado pela Manifestante e que foi objeto das Declarações de Compensação nos anos de 2004 e 2005; c) O que se percebe, na verdade, é que houve uma real supressão dos fundamentos no despacho decisório, os quais foram inadvertidamente substituídos por uma breve narração dos fatos (equivocadamente intitulados de “Fundamentos”). Entretanto, restringirse apenas aos fatos para homologar parcialmente uma compensação, sem se atentar para as razões que embasaram sua decisão, não se afigura como uma conduta correta e típica de uma autoridade cuja atividade é obrigatória e vinculada; d) Esse detalhe, portanto, é olvidado no despacho decisório e impede, ipso facto, o exercício da ampla defesa da Manifestante, já que os motivos que ensejaram a homologação apenas parcial da compensação não foram sequer abordados superficialmente pela decisão da O. Autoridade Fazendária; e) Além disso, extremamente relevante ressaltar que, da leitura da Notificação DRF/CXU Seort n° 15 e do Despacho Decisório DRF/CXL n° 645, em nenhum momento é possível constatar a menção a qualquer fato ou dispositivo legal que teria sido supostamente descumprido pela Manifestante em razão da compensação efetuada, e que, portanto, teria impedido o reconhecimento do seu direito creditório de forma integral; f) No caso em comento, o despacho decisório sequer demonstra quais os critérios legais utilizados para se chegar ao valor de R$ 27.672,52 (vinte e sete mil, seiscentos e setenta e dois reais e cinqüenta e dois centavos), mais precisamente, o porquê de ter desconsiderado período que, de direito, a Manifestante pagou tributo indevidamente e, conseqüentemente tem o direito à compensação. Além disso, não demonstra quais os critérios, índices utilizados para a correção do Fl. 920DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.166 S3C4T2 Fl. 921 3 indébito, o que impossibilita a Manifestante de saber se foi atendida ou não a coisa julgada; g) De acordo com o que se observa da planilha confeccionada pela Manifestante (doc. 07), a qual norteou toda a compensação por ela efetuada, o período compreendido no cálculo dos créditos oriundos da decisão judicial favorável no processo n° 95.15.024641 teve como marco inicial o mês de janeiro de 1989 (aqui considerado, em respeito às regras aplicadas ao tributo à época, como mês de pagamento da contribuição para o PIS); h) A D. Autoridade Fazendária, por seu turno, em planilha calculada pelo Secat/DRF/CxL (localizada às fls. 510 e 511 deste processo administrativo), considerou como marco inicial do direito da Manifestante em seus cálculos, o mês de maio de 1990 (aqui considerado, em respeito às regras aplicadas ao tributo à época, como mês de pagamento da contribuição para o PIS); i) A Manifestante, no entanto, desconhece os motivos que levaram a D. Autoridade Fiscal a desconsiderar por completo o período anterior a maio de 1990, visto que, analisando as decisões proferidas na ação ordinária n° 95.15.024641, não é possível vislumbrar qualquer restrição imposta ao período anterior a maio de 1990; j) Resulta claro que o d. magistrado decidiu no sentido de que a Manifestante tem o direito á compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS nos moldes dos Decretoslei n°s 2.445 e 2.449/88, ainda mais quando se considerar que a Manifestante comprovou efetivamente que realizou todos esses recolhimentos tidos por indevidos, conforme atestam as DARFs ora juntadas aos autos (docs. 12 a 17 as quais demonstram o pagamento por parte da Manifestante da contribuição ao PIS no período de 1989 a 1995); l) Devese referir, ainda, que as demais decisões proferidas no processo ora em tela (docs. 09 e 10), tanto por parte do E. TRF da 4ª Região, como por parte do E. STJ, todas mantiveram esse entendimento, tendo modificado a decisão apenas no que diz respeito à correção monetária (expurgos inflacionários). A certidão narratória da ação ordinária n° 95.15.024641, da mesma forma, também é instrumento capaz de comprovar as alegações da Manifestante (doc. 11); m) Ao homologar apenas parcialmente a compensação efetuada pela Manifestante em face dos motivos acima delineados, a D. Autoridade Fiscal desrespeitou os termos da decisão judicial proferida na ação ordinária n°95.15.024641, posto que impôs indevida restrição quando, na r. sentença, nada havia sido determinado nesse sentido; n) A Manifestante com fulcro nessas decisões, procedeu ao cálculo do montante a compensar, os quais resultaram na planilha anexa, antes referida (doc. 07); o) A D. Autoridade Fazendária, no entanto, ao analisar a compensação efetuada pela Manifestante, e ao proferir o despacho decisório ora impugnado, não demonstrou quais os critérios, índices e expurgos Fl. 921DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.166 S3C4T2 Fl. 922 4 utilizados para conferir o procedimento compensatório realizado pela Manifestante, limitandose apenas a referir que homologou o montante de R$ 27.672,52 (vinte e sete mil, seiscentos e setenta e dois reais e cinqüenta e dois centavos ) indicar onde residiria a divergência nos cálculos; p) A D. Autoridade Fiscal pretendeu efetuar a cobrança de multa de 20% sobre o valor do principal supostamente devido. Desta forma, tendo em vista que a Manifestante, em momento algum deixou de recolher tais tributos, como restou soberbamente demonstrado nos itens anteriores em que comprova que faz jus à compensação requerida, não há que se falar na aplicação de multa; Em vista do exposto, requer: a) Seja acolhida a preliminar de nulidade suscitada pela Manifestante, uma vez que o Despacho Decisório DRF/CXL n° 645 não apresentou qualquer fundamento que suportasse a decisão de homologar apenas parcialmente a compensação efetuada pela Manifestante, com fulcro nos arts. 10, 11 e 59 do Decreto n°70.235/72, art. 5°, inc. LV, da CF e art. 50 da Lei n° 9.784/99; b) Caso não acolhida a preliminar antes suscitada, ad argumentandum, seja integralmente homologada a compensação efetuada pela empresa, ora Manifestante, tendo em vista que foi realizada nos exatos termos da decisão judicial oriunda da ação ordinária n° 95.15.024641, inclusive no que pertine à correção monetária e aplicação dos expurgos inflacionários; c) Em face da inexistência de previsão legal, deixe de ser aplicada a multa; d) Protesta por todos os meios de prova existentes, com base no art. 16, inc. IV, do Decreto n° 70.235/72. Através da Resolução nº 169, de 02 de março de 2011, a Turma decidiu pela realização de diligência, na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF), modificado pela Lei nº 8.748, de 1993, e do artigo 10 da Portaria MF nº 58, de 2006, para as seguintes providências: Encaminhar estes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul/RS para, ultrapassada a preliminar de nulidade, adotar as seguintes providências: a) Verificar a autenticidade dos DARF´s de fls. 676/713; b) Efetuar novos cálculos da restituição do PIS, considerandos os pagamentos confirmados no item acima, com período de apuração abrangido pela decisão judicial, ou seja, a partir de janeiro de 1989. c) Apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo; d) Dar ciência ao contribuinte deste despacho, assim como do resultado da diligência; Fl. 922DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.166 S3C4T2 Fl. 923 5 e) Conceder ao impugnante o prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse sobre o resultado da diligência; f) Com o relatório acima referido, e, se for o caso, com a manifestação do sujeito passivo, encaminhar o presente processo a esta DRJ para prosseguimento do julgamento administrativo. A delegacia de origem cumpriu o estabelecido na Resolução supra, editando a Informação DRF/CXL/Seort nº 39, de 10 de junho de 2011 (fl. 730), a seguir transcrita: Durante análise da manifestação de inconformidade protocolizada pelo contribuinte em epígrafe, a Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (DRJ/BEL) converteu o julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem adotasse diversas providências. 2. Os Darf s apresentados pelo contribuinte às fls. 676/713 foram confirmados às fls. 512 (informação fiscal), 497/505 e 720/726, à exceção do Darf da fl. 681 que não foi confirmado. 3. Foi efetuado cálculo do crédito de PIS para os períodos de apuração de janeiro de 1989 a janeiro de 1990 à fl. 729, em complemento ao cálculo realizado anteriormente às fls. 510/511. 4. Para apurar a base de cálculo do PIS nos anos de 1988 a 1989 foi utilizado o valor principal recolhido a título de Finsocial dividido pela alíquota vigente à época. 5. Apurados os valores devidos a título de PIS, nos termos da LC n° 7/70 (com semestralidade), estes foram vinculados aos respectivos pagamentos. Os saldos dos Darf s foram atualizados pelos índices determinados na decisão judicial até 01/01/1996. 6. Cumprido o solicitado na diligência, proponho que seja dada ciência desta informação ao contribuinte, abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, se entender necessário, exclusivamente quanto a esta informação, e posterior devolução à DRJ/BEL para prosseguimento. Cientificada do resultado da diligência, a interessada apresentou manifestou inconformidade, aduzindo que: (...) Ocorre que, na apuração do indébito, em especial as bases de cálculo compreendidas entre 07/1988 a 09/1988, a d. autoridade fiscal, ao ver da Requerente, data vénia, valeuse de guias DARFs equivocadas, eis que foram utilizadas aquelas cujas datas de vencimento se deram em 10/04/1989, 10/05/1989 e 12/06/1989, isto é, em período superior à semestralidade prevista em lei. Ora, se a base de cálculo a ser considerada pelo PIS semestralidade é a do sexto mês anterior ao vencimento, decorrência lógica é que para as bases de cálculo verificadas na planilha de fls. 729 dos autos, entre 07/1988 a 09/1988, deveriam ser considerados os DARFs com vencimento, respectivamente, em janeiro, fevereiro e março de 1989. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.166 S3C4T2 Fl. 924 6 Tais guias de arrecadação encontramse devidamente anexadas aos autos, às folhas 681 (janeiro de 1989), 677 (fevereiro de 1989) e 678 (março de 1989), sendo que os valores nelas expressos é que devem ser considerados como pagamento indevido em relação às bases de cálculo dos seis meses anteriores. Nem se diga que o DARF de fls. 681 não deva ser considerado como afirmado na citada Informação Fiscal, haja vista que foi devidamente quitado na rede bancária, apresentando de forma legível a respectiva autenticação bancária. Nesse ponto, a citada Informação Fiscal sequer justifica os motivos que levaram a autoridade fiscal a não considerar o documento de arrecadação de fls. 681. Há de se lembrar que é aplicável ao caso em comento o disposto no art. 50 da Lei nº 9.784/1999, que assim estipula: (...) A consequência da inobservância, por parte da D. Autoridade Fiscalizadora, do quanto exposto no dispositivo legal acima citado é, indubitavelmente, a violação, completa e irrefutável, ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, ensejando, assim, a declaração da nulidade do ato, no ponto em que rejeita o mencionado documento comprobatório, nos exatos termos do art. 59 do Decreto n9 70.235/1972, in verbis: (...) Pelo exposto, no cálculo do indébito, em especial em relação às bases de cálculo de julho/1988 a setembro/1988, devem ser consideras as guias de pagamento de fls. 681 (janeiro de 1989), 677 (fevereiro de 1989) e 678 (março de 1989), além, é claro, dos valores já confirmados nos presentes autos (R$27.672,52 e R$29.831,27) e que foram objeto de complementação. (...) Registrese, ainda, que a Requerente verificou haver divergências entre os índices de correção monetária aplicados na tabela de fls. 729 e aqueles fixados na sentença e no Manual do Conselho Nacional da Justiça Federal para as ações de repetição, como se verifica no caso concreto. O Manual aprovado pela Resolução nº 134, de 21 de dezembro de 2010, traz, com segurança, os índices verificados à época, como se apura da Tabela anexa (doe. 01). No caso concreto, tendo em vista que o crédito da Requerente foi reconhecido em ação de repetição de indébito transitada em julgado, devem ser aplicados os índices estabelecidos na r. sentença transitada em julgado, bem como aqueles divulgados pelo mencionado Manual, veículo idôneo e escorreito, que melhor reflete os índices do período verificado. (...) Fl. 924DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.166 S3C4T2 Fl. 925 7 Por todo o motivo exposto, a Requerente postula o seguinte: a) no cálculo do indébito, somandose aos valores já confirmados em especial em relação às bases de cálculo de julho/1988 a setembro/1988, devem ser consideras as guias de pagamento de fls. 681 (janeiro de 1989), 677 (fevereiro de 1989) e 678 (março de 1989); e b) para a correção dos valores, deve ser considerado o IPC de janeiro de 1989 no índice de 42,72%, conforme estabelecido pela decisão transitada em julgado, bem como aqueles trazidos pelo Manual aprovado pela Resolução 134, de 21 de dezembro de 2010 do Conselho da Justiça Federal, o qual melhor reflete os índices do período em análise. Em ato contínuo, a DRJBELÉM (PA) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2004 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não há que se cogitar em nulidade do despacho decisório. AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Em se tratando de cumprimento de decisão judicial, o cálculo da compensação deve ser feito nos estritos termos da sentença e/ou acórdãos proferidos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Empresa, em seu Recurso Voluntário, insurgiuse apenas quanto a dois pontos: a) confirmação do pagamento indevido supremacia do princípio da verdade material; e b) da correção monetária e dos expurgos inflacionários Estrita observância da coisa julgada em relação à aplicação do IPC em janeiro de 1989. É o Relatório. VOTO Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Uma das questões que o contribuinte se insurge contra o despacho decisório diz respeito a não aplicação do expurgo inflacionário de 42,72 % referente a janeiro de 1989, nos termos da decisão judicial e Súmula 32 do TRF4. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 11020.005555/200891 Resolução nº 3402001.166 S3C4T2 Fl. 926 8 Segundo a Recorrente, a decisão judicial determina a aplicação na atualização monetária do seu crédito com os expurgos inflacionários previstos nas Súmulas 32 e 37 do TRF4, in verbis: Deve ser reconhecido o direito à correção monetária integra na compensação (Súmula nº46 do extinto TRF), segundo a variação do BTNF, INPC e UFIR, sendo igualmente devidos, no cálculo da correção monetária, os expurgos do IPC nos meses de janeiro de 1989 (Súmula nº32 do TRF da 4ª Região), março, abril e maio de 1990 e fevereiro de 1991 (Súmula nº37 do TRF da 4ª Região). Transcrevo o teor da Súmula 32 do TRF4: No caso de liquidação de débito judicial incluise o índice de 42,72% relativo a correção monetária de janeiro de 1989. Analisando a planilha "Repetição de Indébito PIS DL 2.445/88 e 2.449LC 07/70" constante da fls.741, constatase que não há a informação da aplicação do expurgo inflacionário previsto na Súmula 32 do TRF4 para o mês de janeiro de 1989, apenas consta que na atualização monetária foi aplicada a OTN. Diferentemente, quanto ao período a partir de fevereiro de 1989 consta a informação da aplicação do expurgo inflacionário da Súmula 37 do TRF4. Uma vez que não é possível atestar a correção dos cálculos, necessitase que a unidade preparadora esclareça se aplicou o referido expurgo no mês de janeiro de 1989, conforme determinado na decisão judicial. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em diligência para que a Autoridade Tributária realize os procedimentos a seguir: a) informar se foi aplicado o expurgo inflacionário previsto na Súmula nº32 do TRF4 (42,72%), conforme determina a decisão judicial; b) no caso de não ter sido aplicado o referido expurgo, refazer os cálculos do quantum a repetir do contribuinte e compensações, nos termos da decisão judicial; c) elaborar relatório fiscal conclusivo detalhando os procedimentos realizados, anexar todos os documentos gerados na diligência e facultar à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. Assinatura Digital Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 926DF CARF MF
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Numero do processo: 13739.003201/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2009
Exclusão do Simples
Indefere-se a manifestação de inconformidade se a contribuinte não traz ao processo nenhum elemento passível de infirmar os motivos de sua exclusão de oficio do Sistema.
Recurso negado
Numero da decisão: 1401-001.038
Decisão: Por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauricio Pereira Faro
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Recurso negado. Por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 32 01 /2 00 8- 41 Fl. 51DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10512.MHMW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos Karem Jureidini Dias e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que reconheceu a exclusão do contribuinte do simples. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (f1S.01/03) contra exclusão do Simples, feita por meio do ADE DRF/NIT n° 100200, de 22.08.2008 (fl. 04), em virtude de a interessada possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme demonstrativos de fls. 37/40. A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse no quadro próprio do Ato Declaratório Executivo citado. .n O contribuinte apresentou, em 23/09/2008, a Manifestação de Inconformidade fls.01/03, onde pede a sua manutenção no SIMPLES, argumentando, em síntese, que os débitos que motivaram a sua exclusão do Sistema surgiram da Declaração Retificadora apresentada em 27/10/2005; que esta Declaração foi preenchida e apresentada pelo excontador da empresa – à revelia dos administradores — com os valores nela consignados inventados ou majorado; que esse profissional agiu de máfé com o objetivo de prejudicála, em razão de a interessada ter rescindido o contrato de prestação de serviços de contabilidade com ele, por ter o mesmo cometido diversos erros técnicos apurados em auditoria independente, contratada para dar parecer sobre os procedimentos contábeis e fiscais até então adotados. Analisando a questão, entendeu o órgão julgador a quo por manter a exclusao do contribuinte do simples, nos seguintes termos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2009 Exclusão do Simples Indeferese a manifestação de inconformidade se a contribuinte não traz ao processo nenhum elemento passível de infirmar os motivos de sua exclusão de oficio do Sistema. Solicitação Indeferida 2 Fl. 52DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10512.MHMW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Irresignado, interpôs o contribuinte o recurso ora analisado. É o relatório. Voto Como visto no relatório, tratase de exclusão do Simples em razão de a empresa possuir débito com a Fazenda Pública Federal. De fato, o fundamento legal do referido ADE foi o abaixo transcrito inciso V do artigo 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art.17.Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: 1que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); IIque tenha sócio domiciliado no exterior IIIde cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; 1V(REVOGADO); Vque possua débito com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; À vista dos documentos de fls. 36/40, constatase que a interessada possuía o débito que motivou sua exclusão do Sistema Simplificado de Tributação. Analisando os autos do presente processo, verificase que a empresa não apresentou, para embasar seus argumentos na Manifestação, nenhuma prova inequívoca de que os débitos que motivaram a sua exclusão aqueles surgidos com a apresentação da DSPJ — SIMPLES Retificadora, em 27/10/2005 — são fruto de uma conduta intencional de seu excontador para prejudicála declarando à Receita Federal uma situação contábilfiscal bem diferente daquela consignada na Declaração retificada de fl. 29. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente 3 Fl. 53DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10512.MHMW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Maurício Pereira Faro – Relator 4 Fl. 54DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.10512.MHMW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MAURICIO PEREIRA FARO em 11/02/2014 10:33:00. Documento autenticado digitalmente por MAURICIO PEREIRA FARO em 11/02/2014. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 21/02/2014 e MAURICIO PEREIRA FARO em 11/02/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0218.10512.MHMW Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 043D5A1344205D2C823076E7D2AD52ADDC734A84 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13739.003201/2008-41. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10630.005178/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/10/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 51 78 /2 00 7- 69 Fl. 90DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10630.005178/200769 Acórdão n.º 2202004.205 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004322/2003-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim, a omissão de rendimentos.
Numero da decisão: 9202-005.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luiz Eduardo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim, a omissão de rendimentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luiz Eduardo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim, a omissão de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luiz Eduardo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 22 /2 00 3- 15 Fl. 1497DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2202002.885, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física anoscalendário 1998, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, no montante de R$ 3.844.287,84. O Contribuinte, às fls. 310/326, apresentou a impugnação, requerendo, em síntese, que fosse anulado o auto de infração, em face do erro do erro do sujeito passivo, e, sucessivamente, requereu que fossem deferidas as seguintes diligências: Exame da contabilidade da empresa Fuso Distribuidora de Materiais Elétricos e Ferragens Ltda, para que fosse comprovado que os recursos depositados nas contas bancárias junto ao HSBC, Citibank e Real eram provenientes de transações por ela efetuadas, como provam os pagamentos de fornecedores evidenciados nos cheques e declarados pelo sóciogerente da referida empresa; e Exame de todos os cheques relativos às contas bancárias junto ao HSBC, Citibank e Real para evidenciar que se tratam de recursos da empresa que foram depositados em conta particular do sócio, ora impugnante e se destinaram a pagamentos de fornecedores, confrontandose tal exame com a contabilidade da empresa. A DRJ/STM de Santa Maria/RS, às fls. 532/542, julgou improcedente a impugnação. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 547/553, alegando, dentre outras, cerceamento de defesa devido a vedação da diligência para verificação da contabilidade da empresa, cujo Contribuinte é o sócio principal, assim, cerceando o direito de defesa, que deve ser o mais amplo possível em busca da verdade material dos fatos, tecendo considerações sobre a aplicabilidade desse princípio. O processo restou sobrestado por Resolução nº 2202000.356, tendo em vista tratarse de ação fiscal decorrente de irregularidades constatadas a partir dos dados da CPMF e apuradas mediante informações requisitadas pela própria Fazenda Nacional junto às instituições financeiras mediante RMF. Tratandose de procedimento cuja constitucionalidade estava pendente de julgamento com Repercussão Geral reconhecida no Supremo Tribunal Federal (fls. 970/979). Como o § 1º, do art. 62A do RICARF, que permitia o sobrestamento dos processos em que havia discussão de tema envolvido em repercussão geral foi derrogado do sistema pela Portaria nº 5451 do Ministério da Fazenda, os autos foram distribuídos à minha relatoria. Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200315 Acórdão n.º 9202005.713 CSRFT2 Fl. 1.498 3 A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1004/1029, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N.105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso negado. Fl. 1499DF CARF MF 4 Às fls. 1036/1061, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, no qual argumentou a existência de conflito entre a decisão emanada pela 1ª Câmara/1ª Turma que acatou, por unanimidade o Recurso Voluntário proposto por Eulália Pipiolo Baptista (Ac. Nº 2101001.461), enquanto que a 2ª Câmara/2ªTurma em matéria idêntica, com a mesma fundamentação legal e provas acostadas aos autos, decidiu, POR VOTO DE QUALIDADE, indeferir o Recurso Voluntário, através do Ac. Nº 2202002.885. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 1476/1478, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial, pois, o acórdão recorrido entendeu que o Contribuinte não logrou comprovar que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado ou de pessoa jurídica a ele relacionado, enquanto o paradigma entendeu que restou comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado ou de pessoa jurídica a ele relacionado. Portanto, resta patente a divergência jurisprudencial alegada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1480/1484, arguindo, em síntese, que, com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem ou causa dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, cabendo ao contribuinte demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física anoscalendário 1998, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, no montante de R$ 3.844.287,84. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Voluntário. O Recurso Especial, apresentado Contribuinte trouxe para análise a seguinte divergência: os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial, pois, o acórdão recorrido entendeu que o Contribuinte não logrou comprovar que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado ou de pessoa jurídica a ele relacionado, enquanto o paradigma entendeu que restou comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado ou de pessoa jurídica a ele relacionado. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200315 Acórdão n.º 9202005.713 CSRFT2 Fl. 1.499 5 Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Podemos, deste dispositivo, destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido, vejamos: A DRJ, em seu acórdão, reconhece que na hipótese de conta bancária mantida em conjunto, o lançamento do imposto deve ser efetuado em apenas um dos titulares quando restar comprovado que os valores creditados pertencem apenas a ele, na condição de efetivo titular da conta. Fl. 1501DF CARF MF 6 E continua: “No processo de Eulália Pipolo Baptista, 1ª titular das contas conjuntas em questão, foram juntadas as declarações dos bancos Real e Citibank de que as contas bancarias conjuntas, nos referidos bancos, foram movimentadas, no anocalendário 1998, exclusivamente pelo 2º titular, José Luiz Cardoso das Santos. Assim, o valor dos depósitos bancários de origem não comprovada, com relação às referidas contas, deveria ser lançado 100% como omissão de rendimentos do contribuinte. No entanto, tendo em vista que falece a esta Delegacia de Julgamento competência para efetuar o lançamento do crédito tributário, referente ao valor lançado a menor pela Fiscalização, e tendo já decorrido o transcurso de prazo para a decadência, relativa ao anocalendário 1998, deixa se de efetuar o competente lançamento da parcela não computada pela Fiscalização. Salientese que o autuado não trouxe elementos que comprovassem que a movimentação das referidas contas eram resultantes de transações efetuadas por sua empresa Fuso Distribuidora de Materiais Elétricos e Ferragens Ltda. Os cheques juntados com a impugnação (fls. 321 a 508) referemse a cheques emitidos para pagamentos, não fazendo prova da origem do á recursos depositados nas referidas contas.”. O Recorrente em suas razões, desde a resposta ao Termo de Intimação e Início de Fiscalização (fl. 232), alega que os depósitos indicados não seriam de sua titularidade, uma vez que o titular efetivo das contas correntes e dos valores ali depositados é a empresa Fuso Distribuidora de Materiais Elétricos e Ferragens Ltda., cujo sócio principal é o recorrente. Analisando a documentação trazida aos autos, principalmente a relação de depósitos formulado pela Fiscalização (fl. 143/227), verificase que os montantes e quantidades de depósitos e de cheques devolvidos, denotam a existência de atividade empresarial realizadas através das respectivas contas. Tal fato foi também percebido pelo acórdão nº 2101001.461, que julgou Recurso Voluntário de Eulália Baptista, ao referir que “de fato, com exceção da movimentação bancária no Bradesco, cujo montante anual alcança apenas R$15.472,00 (fls. 207/208),com tributação neste lançamento de 50% (R$7.736,00), verificase que as demais contas possuem movimentação com características totalmente diversa, conforme Demonstrativos elaborados pela própria fiscalização às fls. 209/290. O volume de depósitos e cheques devolvidos evidenciam claramente atividade empresarial subjacente.” No mesmo sentido, intriga o fato de que as contas do Banco Citibank S/A CC nº 4654447 (fl. 143/150) e Banco Real S/A CC nº 8.7223359 (fls. 210/227) só tenham recebido depósitos a partir de agosto do ano analisado. Por outro Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200315 Acórdão n.º 9202005.713 CSRFT2 Fl. 1.500 7 lado, a partir de 14 de agosto, no Banco HSBC Bank Brasil S/A, a CC nº 02243352995 (fls. 151/209) não recebeu depósitos até o final do ano, salvo dois depósitos de R$ 12,61 e R$ 0,36, em setembro e outubro, respectivamente (fl. 208). Ou seja, houve uma migração de forma deliberada e organizada dos depósitos realizados na conta corrente do HSBC para as contas do Banco Real e do Citibank. Tal fato, por si só, já demonstra a utilização da conta para uma atividade organizada, não condizente com uma conta corrente de simples pessoa física. Isso fica mais evidenciado ao analisarmos as microfilmagens de cheques trazidos pelo Recorrente às fls. 243/291, 344/527 e 605/949, onde se percebe e emissão de cheques em quantias de valores expressivos e com habitualidade condizente de atividade empresarial. E isso ocorre nas três contas analisadas, vejamos: Dos cheques trazidos do Banco Real S/A CC nº 8.7223359, constatamse os valores de R$ 32.000,00, R$ 37.000,00, R$ 23.500,00, R$ 33.000,00, R$ 58.174,10, R$ 33.500,00, R$ 18.300,00, R$ 19.500,00, R$ 22.500,00, R$ 18.500,00 (fls. 244/253). Igualmente, dos cheques emitidos pelo Banco HSBC, verificamse quantias de RS 15.627,37, R$ 5.000,00, R$ 12.222,20, R$ 13.900,00, R$ R$ 13.200,00, R$ 13.700,00, R$ 13.500,00, R$ 13.600,00, R$ 160.939,46, R$ 33.300,00, R$ 38.900,00, R$ 41.100,00, R$ 42.700,00, R$ 43.500,00, R$ 45.492,65, R$ 46.800,00, R$ 48.900,00, R$ 51.700.00, R$ 53.200,00, R$ 75.118,52, R$ 66.584,54, dentre outras, R$ (fls. 405/527), Ou ainda, no tocante aos cheques emitidos pelo Citibank S/A CC nº 4654447, temos quantias relevantes de R$ 20.000,00 R$18.500,00, R$ 21.500,00, R$ 22.000,00, (fls.812/820) É evidente que tais elementos demonstram que nas respectivas contas há um fluxo financeiro, seja de depósitos, seja de cheques emitidos, que em nada se assemelham a uma movimentação de pessoa física. Ainda mais, analisando as microfilmagens, verificamos que os cheques possuem como beneficiários, pessoas jurídicas como Lorenzetti S.A. Indústrias Brasileiras Eletrometalúrgicas, FAME Fábrica de Aparelhos e Material Elétrico Ltda, em valores e períodos de tempo condizentes ao de operações comerciais. Fl. 1503DF CARF MF 8 O posicionamento que adoto é aquele para o qual não se exige a exata correspondência de datas e valores desde que haja prova que possa ser considerada como "hábil e idônea nos termos da lei". Acolho as provas dos autos como suficientes para comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente como oriundos de atividade comercial advinda da Empresa Fuso Distribuidora de Materiais Elétricos e Ferragens Ltda. Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela relatora quanto ao mérito do recurso, ouso discordar A propósito da matéria em litígio (caracterização de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada), estabelece o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200315 Acórdão n.º 9202005.713 CSRFT2 Fl. 1.501 9 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Quanto à aplicação do referido dispositivo, adoto posicionamento bastante restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção, que, para tal fim, deve ser feita de forma individualizada, com correspondência de datas e valores e através de documentação hábil e idônea que comprove não só a procedência, mas também a origem dos recursos (valores creditados na conta de depósito), aqui abrangida sua natureza. Mais detalhadamente a propósito, é cediço que, a partir de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42 e parágrafos, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Do dispositivo acima, defluem: a) a força probatória de extratos onde constem créditos em contas titularizadas pelo contribuinte, bem como, b) a nítida inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, o contribuinte titular da conta de depósito bancário é quem deve demonstrar a origem do numerário creditado (dos depósitos), sob pena da autoridade fiscal poder, com base na presunção legal, caracterizálos como renda tributável deste, que é o contribuinte legalmente determinado. Caberia ao autuado, assim, na forma disposta pela Lei, refutar a presunção legal através de documentação hábil e idônea, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTEC RJ1979 pg. 806, José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: Fl. 1505DF CARF MF 10 “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso" Por comprovação de origem, aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Com a devida vênia aos que adotam entendimento diverso, entendo como incabível que se quisesse, a partir da edição do referido art. 42, se estabelecer o ônus para a autoridade fiscal de, uma vez identificada a fonte dos recursos creditados, sem que tenha restada comprovada sua natureza (se se trata de valor tributável/tributado ou não), provar que se tratavam de recursos tributáveis, afastandose, assim, a presunção através da mera identificação de procedência do fluxo financeiro. Ainda quanto à citada presunção, entendo, ainda, que decorre de disposição expressa do §3o. do art. 42 em questão a necessidade de se comprovar cada crédito de forma individualizada, vedado assim que se tente justificar determinado somatório de depósitos de forma genérica. Finalmente, quanto à necessidade de coincidência de datas e valores, entendo que se deva, porém, fazer ressalva. Em meu entendimento, o que deve haver é uma correspondência (e não necessária coincidência) unívoca entre cada depósito realizado e a respectiva documentaçãosuporte, hábil e idônea comprobatória de sua origem (abrangendo sua natureza), permitido, assim, haver divergência entre datas e valores dos documentos comprobatórios e dos depósitos realizados, mas somente, notese, no caso em que tal divergência seja devidamente esclarecida pelo autuado, também com base em suporte probatório hábil e idôneo. Assim, tanto quanto ao valor principal constante da documentação suporte como quanto àquele que compõe eventual diferença, necessária a anexação, pelo autuado, de elementos que comprovem que os recursos, provenientes da transação alegada como origem de recursos, transitaram pela contacorrente em questão. Exemplificando sob uma ótica prática, entendo que possa se aceitar que o valor da nota fiscal de determinada operação mercantil sirva como comprovação para depósito de valor mais elevado realizado posteriormente à transação, uma vez que se deva esta diferença a encargos pactuados pela dilação do prazo de pagamento, desde que, notese, reste devidamente comprovada a incidência de tais encargos e o pagamento de principal e encargos pelo devedor referente à transação na conta do credor. Incabível, em meu entendimento, porém, que a autoridade fiscal ou o julgador possa assumir que a não coincidência individual se deva a este ou àquele motivo, considerandose, aqui, o ônus da prova claramente estabelecido pelo dispositivo de forma a recair, in casu, sobre o contribuinte. Feita tal digressão, atendome o caso em questão, verifico, a partir da análise dos autos, que os elementos trazidos aos autos de efls.. 243/291, 344/527 e 605/949 pelo contribuinte referemse tão somente a saídas (cheques emitidos) das contas cujos créditos se demandou a comprovação de origem, não tendo sido estabelecida pelo recorrente qualquer tipo de correspondência individualizada e fundamentada entre tais débitos (saídas) e os créditos (entradas) que se tencionava justificar, de forma a que se pudesse cogitar de considerar quaisquer dos depósitos objeto de tributação (resumidos à efl. 293, após devido tratamento dos depósitos listados às efls. 143 a 227) como de origem devidamente justificada, aqui inclusa sua natureza. Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 19515.004322/200315 Acórdão n.º 9202005.713 CSRFT2 Fl. 1.502 11 De se rejeitar, assim, que o mero indício de tal conjunto de pagamentos (que se tratam, notese, de débitos ocorridos nas contascorrentes objeto de autuação) ter se dado sempre em favor de empresas do mesmo ramo de determinada pessoa jurídica (a quem o autuado alega pertencer a titularidade da movimentação das contas tributadas) seja suficiente para afastar a aplicabilidade da presunção. De se manter, assim, o entendimento da autoridade autuante e do recorrido, no sentido de se estar, no presente lançamento, diante de depósitos cuja origem restou não comprovada, restando, destarte, escorreito o auto em questão, lavrado com fulcro no mencionado art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Declaração de Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Apresento esta declaração de voto para esclarecer meu posicionamento quanto ao critério jurídico que considero adequado para analisar a questão do redirecionamento da tributação de rendimentos presumidamente omitidos, por depósito bancário de origem não comprovada, em contacorrente de titularidade de pessoa física, para pessoa jurídica. Faço este esclarecimento porque em situação anterior já acompanhei a maioria do colegiado que, à época, entendia que pelo simples comportamento das entradas e saídas de valores da conta corrente, poderseia concluir por atividade empresarial e, consequentemente, pelo redirecionamento da tributação para pessoa jurídica. Posteriormente, enfrentando a questão como relator, tive que me debruçar sobre os casos e verifiquei que o posicionamento referido no parágrafo anterior não estava em consonância com a melhor interpretação da legislação de regência. Com efeito, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, presume que todo depósito sem origem (causa) esclarecida seja rendimento do titular da contacorrente. Assim, invertese o ônus da prova para o sujeito passivo, que deverá trazer aos autos documentação comprobatória de cada operação para que a autoridade fiscal, alternativamente: verifique a não ocorrência do fato gerador ou redirecione a tributação para o fato documentalmente comprovado. Salientese que essa comprovação, mormente no que diz respeito à possibilidade de redirecionamento da tributação, deve ser feita em sede de fiscalização, para que não se prejudique o prazo decadencial. Já, se a operação efetivamente não caracterizar fato Fl. 1507DF CARF MF 12 gerador do imposto, essa comprovação poderá ser feita no âmbito do contencioso administrativo. Assim, caso, em sede de fiscalização, tivesse sido apresentada documentação com o cotejo entre as entradas e saídas de valores da contacorrente do recorrente e as operações alegadamente realizadas pela pessoa jurídica, seria perfeitamente possível o lançamento dos tributos na pessoa jurídica. Entretanto, neste momento, em que se aprecia fatos ocorridos há mais de 5 (cinco) anos, penso que esse redirecionamento já não seria mais possível. Aliás, no caso, sequer foram trazidos elementos comprobatórios das operações em si. Apenas apresentados alguns registros e documentos quanto à saída de valores, e não quanto às entradas. Ora, além de intempestivas, as informações são insuficientes para afastar a presunção legal. Por esses motivos, voto por negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 1508DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.736606/2012-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO DO TEXTO.
Há que se corrigir a as inexatidões materiais no texto do relatório do acórdão sem qualquer alteração quanto ao teor do acórdão.
Numero da decisão: 9202-006.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para retificar apenas o relatório do voto deste relator no Acórdão nº 9202-005.445, de 23/05/2017, para sanar os erros materiais apontados, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para retificar apenas o relatório do voto deste relator no Acórdão nº 9202-005.445, de 23/05/2017, para sanar os erros materiais apontados, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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CORREÇÃO DO TEXTO. Há que se corrigir a as inexatidões materiais no texto do relatório do acórdão sem qualquer alteração quanto ao teor do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para retificar apenas o relatório do voto deste relator no Acórdão nº 9202005.445, de 23/05/2017, para sanar os erros materiais apontados, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 66 06 /2 01 2- 59 Fl. 181DF CARF MF 2 Relatório Tratase dos embargos de declaração opostos relativamente ao acórdão n° 9202005.445 (efls. 157 a 160), desta 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 23 de maio de 2017, que foi assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. Não deve ser conhecido recurso em que o fato enfrentado no acórdão indicado como paradigma seja diferente do fato enfrentado no acórdão recorrido. O acórdão tinha o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Intimado (efl. 166) do acórdão supra em 28/07/2017 (efl. 168), o contribuinte manejou embargos de declaração à efl. 173, em 01/08/2017, no qual aponta duas inexatidões materiais para as quais pleiteia o saneamento: a) na quarta linha do relatório, à efl. 158, indica que a controvérsia se prende ao exercício de 2007 apesar de o presente processo se referir ao exercício de 2010; e b) na mesma folha existe transcrição da ementa do acórdão recorrido com acréscimo indevido de texto. Os embargos foram admitido em despacho (efls. 179 e 180) do Presidente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 29/09/2017, com base no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Inicialmente, cabe salientar que o acórdão embargado foi favorável ao pleito do ora embargante, uma vez que não conheceu do recurso especial de divergência da Fazenda com relação a acórdão de recurso voluntário que já era favorável ao contribuinte. Assim, não haveria qualquer prejuízo a ele com o cumprimento do acórdão, mormente em face de erros no relatório. Contudo, são evidentes aa inexatidões materiais no corpo do relatório do acórdão, conforme alegadas pelo contribuinte. Logo, há que se corrigir a quarta linha do relatório alterandose a redação contestada para: " ao exercício de 2010." Fl. 182DF CARF MF Processo nº 12448.736606/201259 Acórdão n.º 9202006.274 CSRFT2 Fl. 182 3 Além disso, a citação da ementa do acórdão nº 2402005.051, teria nova transcrição no mesmo relatório, à efl. 159, com a seguinte redação: IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou com seus dependentes, desde que comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Conclusão Pelas razões acima, há que se acolher e prover os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes, para retificar apenas o relatório do voto deste relator, no acórdão n° 9202005.445, no tocante aos erros materiais apontados pelo embargante. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 183DF CARF MF
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