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Numero do processo: 13956.000029/2003-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/02/2003
CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-002.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado e presidente em exercício.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma).
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/02/2003 CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/02/2003 CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado e presidente em exercício. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma). Relatório Em sessão transcorrida em 08 de dezembro de 2010, esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 380200.286, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 00 29 /2 00 3- 03 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/02/2003 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. MESMO CRÉDITO. REUNIÃO. Os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, devem ser reunidos em um único processo administrativo. COMPENSAÇÃO. DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A partir de 31/10/2003, com a edição da MP nº 135 – convertida na Lei nº 10.833/03 –, a manifestação de inconformidade e o recurso suspendem a exigibilidade do débito objeto de compensação nãohomologada. Aplicação do princípio tempus regit actum, tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Cientificada da referida decisão em 21/09/2011 (vide despacho de encaminhamento de fls. 61), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em 23/09/2011 (fls. 65), interpôs embargos de declaração (fls. 63/64) onde alega o seguinte: A decisão fundamentou a suspensão da exigibilidade com base na MP 135/03, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003, data anterior a intimação do despacho decisório. Dispôs que pelo principio do tempus regit actum, deve ser aplicada a citada lei ao caso concreto tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. Ocorre que há contradição no acórdão, pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (14/02/2003) e não a data da intimação do despacho decisório. A declaração de compensação apresentada antes de 30/10/2003, não constituía confissão de divida, razão pela qual deve ser constituído o crédito tributário, e não tem o condão de suspender a exigibilidade do credito. Neste sentido o acórdão nº 280100431 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF. Anocalendário: 2002 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA ANTES DE 30/10/2003. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não constituía confissão de divida, razão pela qual deve ser constituído, por meio de lançamento de oficio, o credito tributário relativo aos débitos constantes das declarações de compensação não homologadas até então apresentadas. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra decisão que considerou não homologada a Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não tem o condão de suspender a exigibilidade de crédito tributário lançado em processo distinto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Ante o exposto, requer a União sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para suprir a contradição apontada. Diante da tempestividade do recurso – já que foi observado o prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de Fl. 72DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13956.000029/200303 Acórdão n.º 3802002.353 S3TE02 Fl. 68 3 declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) –, os autos foram movimentados para este conselheiro para exame dos argumentos aduzidos pela Fazenda Pública. É o relatório. Voto A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão desta Segunda Turma de Julgamento, alega ter havido contradição no acórdão, “[...] pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (14/02/2003) e não a data da intimação do despacho decisório”. De fato, ao analisar o pleito, esta Turma entendeu que a nova lei processual “[...] não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais” (conforme extraído de doutrina de Ada Pellegrini Grinover, Cândido R. Dinamarco e Antônio Carlos A. Cintra – Teoria Geral do Processo, 21 ed., 2005, Malheiros: São Paulo, p. 100102). Assim, tendo em conta que o novo regime para as compensações iniciou em 31/10/2003 – data da publicação da MP nº 135/03, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03 – entendeu a Turma, em sintonia com o princípio do tempus regit actum, que a nova norma, de natureza processual na parte que interessa para a lide, deveria ser aplicada a partir da data da intimação do despacho decisório (08/06/2005), quando já vigente a nova sistemática de tratamento das compensações. Com a devida vênia, não há que se falar em contradição no referido acórdão, fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide. Se a Fazenda Pública não se conforma com aludido entendimento, tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Mas o julgado contestado, definitivamente, não apresenta nenhuma mácula que justifique acolhimento de embargos de declaração, notadamente a contradição a que alude a Fazenda Nacional. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de contradição que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2014. Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10940.003325/2003-39
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta- se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9900-000.278
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta- se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN.
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HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) RELATOR – FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 01/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Fabiola Cassiano Keramidas, Marcos Aurelio Pereira Valadao, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco Assis de Oliveira Junior, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Tratase de Auto de Infração referente a IRPF relativos a créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram no ano calendário de 1998, referente a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 653/659, mantendo a decisão da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 594), tendo sido acolhida a preliminar de decadência mediante aplicação do prazo previsto pelo § 4º do art. 150 do CTN, exarando o Acórdão de nº 930400.001, de 02/03/2009. Eis a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF DECADÊNCIA ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96. O imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de oficio, operase a decadência, a Fl. 690DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10940.003325/200339 Acórdão n.º 920000278 CSRFPL Fl. 2 3 atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Lançamento atingido pela decadência. Recurso especial negado. O artigo 9º do Regimento Interno da Câmara Superior aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, já revogado, trazia a previsão de seria possível interposição de recurso extraordinário ao Conselho Pleno no tocante a decisões de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que dessem à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com fulcro nesse dispositivo, a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário, fls. 662/672, pleiteando a reforma do acórdão proferido pela Quarta Turma, com objetivo de ver aplicado o prazo decadencial cuja contagem tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado com fundamento no inciso I do art. 173 do CTN, indicando como divergência necessária à interposição do recurso, a recorrente a decisão exarada no Acórdão CSRF/0202.1308, de 12/05/2003, juntado aos autos, assim ementado: Ementa: COFTNS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, I, CTN. . AMPLIAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo o Contribuinte recolhido valor algum a título de COFINS, não é possível a ocorrência da homologação tácita, uma vez que não há pagamento antecipado a ser homologado, aplicandose a regra geral para contagem do prazo decadencial do lançamento de oficio, descrita no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que é de cinco (05) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado. A decadência consubstanciase em garantia fundamental dos contribuintes, razão pela qual se veda ao legislador ordinário fixar prazo superior àquele insculpido no art. 173 do CTN. Recurso negado. Às fls. 674/675 encontrase despacho do Presidente da CSRF dando seguimento ao recurso extraordinário. O contribuinte, intimado, não apresentou suas contrarrazões. Os autos foram a mim sorteados e, após análise, os inclui na presente pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 691DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 4 O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls. 674/675. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação deste colegiado referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito lançado e discutido no presente lançamento que, por sua vez, teve como fato gerador a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, referente a ocorrências no anocalendário 1998. No tocante à preliminar decadência, insta observar que para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 692DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10940.003325/200339 Acórdão n.º 920000278 CSRFPL Fl. 3 5 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Inexistem dúvidas quanto ao fato de que todos os membros desde colegiado concordam que a modalidade de lançamento por homologação ocorre quando a legislação que rege determinado tributo determine ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do valor devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesses casos, a atuação da administração tributária é posterior, seja ao homologar expressamente o pagamento prévio realizado pelo sujeito passivo, seja de maneira tácita, decorrido o prazo legalmente estabelecido para sua manifestação acerca do recolhimento efetuado pelo obrigado, conforme consta do § 4º do art. 150 do CTN, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) Fl. 693DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 6 § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No caso em apreço, não há nos autos documento comprobatório de recolhimento antecipado de imposto de renda, pois conforme consta à fl. 85 o contribuinte não promoveu antecipação de pagamento no período do fato gerador, tendo em vista ter apresentado declaração de isento. Nesse sentido, inexistindo razão para aplicação da norma específica que norteia os lançamentos por homologação, seguese a imperiosa necessidade de aplicação da regra geral esculpida no Código Tributário Nacional nos termos do artigo 173 .. Assim, a conclusão que se impõe é a de que, não havendo pagamento antecipado, o lançamento de tributo sujeito à homologação poderá ser realizado no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;....” Uma vez que o lançamento poderia ser efetuado no dia útil subseqüente ao do ano calendário do tributo, o primeiro dia do exercício seguinte em relação à competência mais antiga, 31/12/1998, seria 01/01/2000. Nesta data, teve início a fluência do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, dentro do qual a Fazenda Pública poderia levar a efeito o lançamento, previsto no artigo 173 do CTN, e encerrouse em 31/12/2004. Considerando que a ciência do auto de infração em tela ocorreu em 07/01/2004 , o lançamento objeto destes autos não se encontra atingido pela decadência e por conseguinte, assiste razão à Fazenda Nacional em seu propósito de ver reformada a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, retornando os autos à Câmara a quo para análise de mérito. Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 694DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10940.003325/200339 Acórdão n.º 920000278 CSRFPL Fl. 4 7 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 16327.000900/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
CRÉDITO JÁ CONSTITUÍDO MEDIANTE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE.
O depósito do montante integral, na esfera judicial, tem o condão de constituir o crédito tributário, tornando desnecessário qualquer ato formal de lançamento pelas autoridades competentes, de modo que, posteriormente, não há de se falar em decadência do direito de lançar.
Numero da decisão: 1201-000.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo Cuba Netto, que mantinha o lançamento, com a exclusão dos acréscimos legais, por considerá-lo necessário para fins de controle da administração tributária.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 CRÉDITO JÁ CONSTITUÍDO MEDIANTE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. O depósito do montante integral, na esfera judicial, tem o condão de constituir o crédito tributário, tornando desnecessário qualquer ato formal de lançamento pelas autoridades competentes, de modo que, posteriormente, não há de se falar em decadência do direito de lançar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Marcelo Cuba Netto, que mantinha o lançamento, com a exclusão dos acréscimos legais, por considerálo necessário para fins de controle da administração tributária. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 00 /2 00 6- 16 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 16/04 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.000900/200616 Acórdão n.º 1201000.887 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração que foi lavrado com suspensão de exigibilidade para o recolhimento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e acréscimos legais, relativos ao anocalendário de 2000. O contribuinte HSBC BANK BRASIL S.A. – BANCO MÚLTIPLO é sucessor por incorporação do BANCO HSBC S/A, CNPJ 33.852.567/000145, cuja denominação anterior era BANCO LLOYDS TSB S/A, quando este impetrou o Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0247687, a fim de deduzir a despesa relativa à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL da formação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ do anobase de 2000 e afastar o disposto no artigo 1o da Lei 9.316/96. No termo de Encerramento de fiscalização foi apurado crédito tributário no valor de R$ 5.232.122,00, a título de IRPJ. Devidamente intimada do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação, em 21 de julho de 2006, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. O lançamento não pode prosperar em face da decadência; 2. O Fisco tinha o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo efetuado este somente em 26/06/2006; 3. O IRPJ é tributo sujeito a lançamento por homologação e que, assim, a decadência do direito do fisco de proceder ao lançamento se dá no prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; 4. Os valores lançados estão com sua exigibilidade suspensa por força dos depósitos judiciais e, por isso, não é cabível a exigência de qualquer valor a título de juros moratórios, após a efetivação desses depósitos; 5. Mesmo que fosse possível a imposição dos juros de mora, estes não poderiam ser calculados com base na taxa Selic, pois é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola o percentual de 1% previsto no artigo 161, do CTN. O Contribuinte menciona, ainda, o Parecer Cosit n° 03, de 18/04/2001 e decisões dos Conselhos de Contribuintes. Requereu o reconhecimento da extinção do crédito pela decadência ou a inaplicabilidade dos juros de mora sobre os valores já depositados judicialmente e, ainda, que todas as intimações sejam encaminhadas ao advogado indicado na impugnação. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 16/04 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.000900/200616 Acórdão n.º 1201000.887 S1C2T1 Fl. 4 3 Em sessão realizada no dia 21 de julho de 2008, a Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido e os juros moratórios calculados com base na taxa Selic. A decisão seguiu o entendimento do Superior Tribunal de Justiça manifestado no Recurso Especial n° 182.241, com relatoria do Excelentíssimo Ministro João Otávio de Noronha e basicamente o seguinte teor: Na hipótese em que o recolhimento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorre em desconformidade com a legislação aplicável, e, por conseguinte, procedese ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento (de ofício) poderia haver sido realizado, nos termos do art. 173, I, do CTN. Nesse sentido, os julgadores concluíram que, na data do lançamento (26/06/2006) não se encontrava decaído o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, eis que o prazo disponível para o fato gerador abrangido (31/12/2000) iniciouse no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (01/01/2002) e viria a se exaurir somente em 31/12/2006, de acordo com o disposto no art. 173, I, do CTN. O voto argumenta que a existência de depósito judicial não afasta a incidência dos juros moratórios; contudo, em caso de decisão judicial final favorável à União, o depósito será transformado em pagamento definitivo, considerandose a data da sua realização, e que a utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar tal incidência. Os julgadores também não acolheram a pretensão do Impugnante de que as intimações relativas ao processo sejam encaminhadas ao seu advogado, tendo em vista o disposto no artigo 31, parágrafo único, combinado com o art. 23, § 4º do Decreto n.° 70.235/1972, de que as intimações devem ser encaminhadas ao domicílio fiscal do sujeito passivo. Como o processo estava suspenso por medida judicial, os autos foram encaminhados ao SECAT/DRF/CURITIBAPR para que a atualização fosse realizada e, assim, cumprido o determinado no acórdão. Em 03 de setembro de 2008, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba expediu documento de informação fiscal, no qual esclareceu: 1. Que foi indeferida a liminar ao Mandado de Segurança nº 2000.61.000247687 (SP); 2. Que o interessado apresentou agravo de instrumento, sem retratação do juiz de primeira instância, embora no Tribunal a Relatora tenha concedido o efeito suspensivo; 3. Que a sentença denegou a segurança e cassou a liminar concedida; Fl. 379DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 16/04 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.000900/200616 Acórdão n.º 1201000.887 S1C2T1 Fl. 5 4 4. Que o interessado apresentou Apelação, recebida no duplo efeito, mas que a União ingressou com agravo, que foi provido e, portanto, conferiu à Apelação apenas o efeito devolutivo; 5. Que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou provimento à apelação, em acórdão prolatado em 26 de outubro de 2005; 6. Posteriormente, o interessado efetuou, em 16 de dezembro de 2005, o depósito referente ao principal do IRPJ e aos juros de mora, no valor total de R$ 5.107.096,24; 7. Ainda assim, o interessado apresentou Embargos de Declaração, que foram rejeitados e Recurso Especial, que não foi admitido. Dessa decisão ingressou com Agravo de Instrumento. Com base nessas informações, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba concluiu que na via judicial as decisões proferidas até o momento eram favoráveis à União, enquanto que no contencioso administrativo os créditos tributários estavam mantidos, com exigibilidade suspensa, por força de depósito judicial do montante integral do débito e, assim, intimou o Contribuinte da decisão da Delegacia de Julgamento de São Paulo. O Recorrente foi intimado, em 16 de setembro de 2008, e interpôs Recurso Voluntário em 14 de outubro de 2008, alegando, em síntese, que: 1. O entendimento do Ministro João Otávio de Noronha exposto no julgamento do Recurso Especial n° 182.241, citado no acórdão recorrido, foi revisto e superado há tempos pelo Superior Tribunal de Justiça, inclusive pela própria 2ª Turma; 2. Hoje prevalece o entendimento de que na hipótese de pagamento antecipado de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o termo inicial do prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário relativo a eventual diferença não recolhida pelo contribuinte é de 5 (cinco) anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, conforme consta da ementa do acórdão proferido pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n° 1061128, publicado no Diário Oficial de 19/08/2008, cujo Relator foi o Ministro Castro Meira (grifamos); 3. Tratandose o presente caso de auto de infração lavrado para constituir o crédito tributário de IRPJ relativo à suposta diferença não recolhida pelo Recorrente, havendo pagamento antecipado de IRPJ relativo ao ano calendário 2000 e não havendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência é a data da ocorrência do suposto fato gerador, ou seja, 31/12/2000, conforme artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Colaciona, ainda, doutrina e julgados do Conselho de Contribuintes. Requereu a reforma do acórdão recorrido e o cancelamento da exigência fiscal. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 16/04 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.000900/200616 Acórdão n.º 1201000.887 S1C2T1 Fl. 6 5 Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. A questão central dos autos nesta esfera administrativa diz respeito à possibilidade e necessidade de o Fisco lançar créditos que já foram objeto de depósito do montante integral na esfera judicial. Segundo entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, os créditos relativos ao presente processo foram constituídos em 2005, com o depósito do montante integral, visto que aquele Tribunal entende que tal medida equivale à constituição do crédito tributário e torna desnecessária qualquer providência adicional das autoridades lançadoras. Vejamos, a respeito, o acórdão prolatado no EREsp 671773/RJ, de 23 de junho de 2010: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. 1990. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL.DEPÓSITO JUDICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. PRECEDENTES. 1. O depósito judicial do tributo questionado torna dispensável o ato formal de lançamento por parte do Fisco (REsp 901052 / SP, 1ª S., Min. Castro Meira, DJ de 03.03.2008; EREsp 464343 / DF, 1ª S., Min. José Delgado, DJ 29.10.2007; AGREsp 969579 / SP, 2ª T., Min. Castro Meira, DJ 31.10.2007; REsp 757311 / SC, 1ª T., Min. Luiz Fux, DJ 18.06.2008). (grifamos) 2. Embargos de divergência a que se dá provimento. Decisão. Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Humberto Martins e Mauro Campbell Marques, conhecer dos embargos e lhes dar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luiz Fux (votodesempate), Castro Meira, Denise Arruda e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luiz Fux. No mesmo sentido o AgRg (EREsp 1037202 / PR), de 27 de maio de 2009: Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 16/04 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.000900/200616 Acórdão n.º 1201000.887 S1C2T1 Fl. 7 6 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento dos ERESP 686.479/RJ, Rel. Min. Denise Arruda, a Primeira Seção pacificou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, “o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso porque verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, deposita a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário é constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizandose, com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Não há, portanto, necessidade de ato formal de lançamento por parte da autoridade administrativa quanto aos valores depositados.” Precedentes da Primeira Seção e de ambas as Turmas de Direito Público. (grifamos) 2. Não cabem Embargos de Divergência quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado (Súmula 168/STJ). 3. Agravo Regimental não provido. Decisão. Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: “A Seção, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.” Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon, Francisco Falcão, Teori Albino Zavascki, Castro Meira, Denise Arruda e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Como o lançamento contido no Auto de Infração foi notificado ao Contribuinte em 26 de junho de 2006 e se referia a fatos geradores do Imposto sobre a Renda relativos ao ano de 2000, já constituídos pelo depósito do montante integral, resta clara a desnecessidade do lançamento, tendo em vista que no caso concreto há perfeita identidade entre o valor discutido no poder judiciário com o montante que originou os autos. Entendo que a hipótese dos autos se coaduna com o entendimento do STJ sobre a questão, o que nos leva, inclusive, a afastar eventual discussão acerca da decadência do direito potestativo do Fisco, conforme se depreende da decisão a seguir, prolatada no RESP 686.977/SP, de 21 de junho de 2006: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535, DO CPC, NÃO CONFIGURADA. DEPÓSITO JUDICIAL PARA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. POSSIBILIDADE. PRAZO DECADENCIAL. NÃOOCORRÊNCIA. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 16/04 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.000900/200616 Acórdão n.º 1201000.887 S1C2T1 Fl. 8 7 1. A ofensa ao art. 535, do CPC, não se configura se o Tribunal de origem julga satisfatoriamente a lide, solucionando a questão dita controvertida tal como lhe foi apresentada. 2. “No caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, o depósito judicial equivale ao recolhimento da exação, tendo condicionada a sua conversão em renda no caso de improcedência da demanda. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial. Recurso especial improvido.” (REsp 804415/RS, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 15.02.2007, DJ 05.06.2007, p. 309). (grifamos) 3. Recurso Especial não provido. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, após o votovista do Sr. Ministro Castro Meira, a Turma, por maioria, negou provimento ao Recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Herman Benjamin que lavrará o acórdão. Vencido o Sr. Ministro Relator. Votaram com o Sr. Ministro Herman Benjamin os Srs. Ministros Eliana Calmon, João Otávio de Noronha e Castro Meira. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE provimento, para cancelar o lançamento de ofício, em razão de o crédito já ter sido constituído na esfera do poder judiciário, quando do depósito do montante integral, circunstância aliada à identidade dos valores debatidos e ao entendimento sobre a desnecessidade do lançamento pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme demonstrado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 16/04 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10384.720174/2007-63
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO ELABORADO SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT. MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT.
Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido.
Laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT.
Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal deve apontar alguma nulidade formal, contraditá-lo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO ELABORADO SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT. MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal deve apontar alguma nulidade formal, contraditálo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 01 74 /2 00 7- 63 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Versam os presentes autos sobre Auto de Infração através do qual se exige Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2004, acrescido de multa de oficio (75 %) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado "Saco", cadastrado na RFB, sob o n° 5.190.4705, com área declarada de 1.616,4 ha, localizado no Município de Teresina/PI. A ação fiscal iniciouse com a intimação, exigindose a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Por não ter sido apresentado nenhum documento de prova, foi alterado o VTN declarado de R$ 23.000,00 para R$ 1.190.316,96 ou R$ 736,40/ha, com base no SIPT/RFB, com conseqüente aumento do VTN tributável, a resultar no imposto suplementar de de R$ 80.261,21, conforme demonstrativo de fl. 3. Apresentada Impugnação, o contribuinte alegou, em breve síntese: discordância quanto ao valor arbitrado pelo AuditorFiscal. Informa que o imóvel está localizado em local de difícil acesso, que não há rodovias e com estradas em péssimas condições, em local desprovido de energia elétrica, telefone e água encanada; erro na metodologia utilizada pela Receita Federal na avaliação por não levar em conta inúmeros fatores inseridos na região imprescindíveis para a correta apuração do VTN, tais como: localização, área, terreno, declinação, vegetação, etc. Pelo contrário, arbitrou importância elevada baseado em valor superior ao levantamento de preços ofertados naquela região ou em terrenos lindeiros; o valor apurado não condiz com a verdadeira situação do bem, mostrandose nitidamente desproporcional à realidade fática. Indica a real avaliação do imóvel baseado no art. 8o, § 2o. da Lei 9.393/96, cujas disposições determinam que o VTN deverá refletir o preço de mercado de terras; junta demonstrativo de cálculo e avaliação efetuada por profissional habilitado. Requer diligências para nova avaliação do imóvel rural, e, por fim; requer que seja retificado o valor da autuação, para constar valor a menor, razoável e proporcional com o de mercado. A decisão de 1ª instância manteve o crédito tributário, de acordo com as seguintes razões: a) o laudo apresentado não atende as normas ABNT, por não demonstrar, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2004; b) o laudo apresentado deveria demonstrar de maneira inequívoca que o imóvel avaliado, quando comparado com outros imóveis da mesma região geoeconômica, possui características particulares desfavoráveis, inclusive, se for o caso, questões fundiárias, aptas a justificar o valor apurado, muito aquém dos valores apontados no SIPT, e; c) desnecessidade de realização de perícia. Em Voluntário, a Recorrente sustenta a: i) prestabilidade do Laudo e a superavaliação do imóvel se tomado o SIPT como parâmetro para verificação do VTN, Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10384.720174/200763 Acórdão n.º 2802002.693 S2TE02 Fl. 112 3 superiores inclusive a dados fornecidos pelo INCRA; ii) violação ao direito à informação, pela impossibilidade de acesso ao dados do SIPT pelos contribuintes, e; iii) necessidade de perícia para demonstrar a completa desconformidade dos valores do SIPT com os valores de mercado. Por Resolução, os autos baixaram em diligência/perícia a fim de que o órgão oficial competente informasse a estimativa do VTN do imóvel à época do fato gerador de sorte a permitir a contradita do Laudo de Avaliação unilateral apresentado. Em resposta, sobreveio a seguinte manifestação: Quanto ao ITR, a RFB só utiliza para fixação do VTN os valores constantes do sistema SIPT. Para propriedades selecionadas em procedimento fiscal, valores inferiores ao desse sistema normalmente são acatados mediante laudos específicos para a propriedade fiscalizada, emitidos por profissionais habilitados e individualizados por exercício. Se o contribuinte não comprova devidamente a situação específica de sua propriedade (VTN inferior ao do SIPT), adotase o valor constante desse sistema. Assim, como nos utilizamos de dados de fontes externas nessas situações (VTN inferior ao do SIPT), não dispomos de corpo profissional próprio capacitado para promover perícia relativa a VTN. Caso esse renomado Conselho entenda que outro Órgão possa oficialmente fazêlo, pedimos que nos seja informado. À Sacat, para encaminhamento ao Carf e demais providências de sua alçada. (sem grifo no original) Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A jurisprudência deste E. Sodalício permite, caso o contribuinte não apresente Laudo de Avaliação, o arbitramento do VTN, com base no SIPT, cujos dados são de acesso restrito aos funcionários da RFB. No caso dos autos, o recorrente, por ocasião da Impugnação, apresentou Laudo de Avaliação contestado pela decisão de 1ª instância, sob o fundamento de não atendimento aos requisitos exigidos pelas Normas ABNT 14.653, mormente por chegar a valor inferior ao previsto no SIPT, e por não se utilizar de fontes de pesquisa contemporâneas ao fato gerador (2004). Entretanto, é de se observar que o recorrente, em Impugnação, requer diligência/perícia, indeferida pela decisão de 1ª instância, sob o argumento de que o Laudo de Avaliação apresentado foi suficientemente apreciado pelos integrante da Turma, não havendo Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 matéria controversa ou de complexidade que justifique a produção de prova pericial ou realização de diligência. No caso em julgamento, ao menos no aspecto formal, o Laudo de Avaliação seguiu as Normas ABNT, cabendo ao órgão de julgamento, se inclinado a desconsiderar as conclusões do perito, buscar fundamento em outro Laudo a ser apresentado pela autoridade lançadora ou resultado de perícia a ser realizada no curso do processo administrativo tributário. Caso contrário, provas adicionais deveriam ter sido juntadas durante na fase précontenciosa. Daí a necessidade, antes de arbitrar o VTN, de deferir a diligência/perícia requerida, de sorte a permitir a contradita do Laudo apresentado e colher informações adicionais a respeito da verdadeira grandeza econômica do fato gerador. Entretanto, conforme visto, a resposta à Diligência foi pela impossibilidade do cumprimento do determinado, por falta de pessoal especializado. Essa resposta me leva à seguinte conclusão. Explico e fundamento. O Laudo apresentado pelo contribuinte e não contraditado durante o processo administrativo, mormente em face do indeferimento da perícia requerida por ocasião da Impugnação, tornam as suas conclusões aptas para desconsiderar o arbitramento da base de cálculo realizado com base do SIPT. Ademais, se a legislação determina a apuração e a antecipação do pagamento do ITR, por conta e risco do próprio contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária (art. 10 da lei n. 9.393/96), não há se exigir a elaboração prévia de Laudo, de sorte a tornar impossível que o perito colha informações precisas a respeito de exercícios passados, que aliás, provavelmente indicariam valores ainda inferiores daqueles apresentados. É de se considerar que o arbitramento de base de cálculo em matéria tributária é medida extrema. Somente se justifica na total ausência de informações a respeito do fato gerador pelo sujeito passivo ou no caso de imprestabilidade de seus documentos. Não é o que se verifica no caso presente, face à apresentação de Laudo assinado por profissional credenciado e, ao menos formalmente, em respeito às Normas ABNT exigidas. Esta 2a. Seção, em julgado da 2a. Turma da 1a. Câmara, Processo n° 10670.720131/200752, Sessão de 12 de maio de 2010, assim decidiu: ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10384.720174/200763 Acórdão n.º 2802002.693 S2TE02 Fl. 113 5 Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditálo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.). Ante o exposto, conheço e dou provimento integral ao Recurso Voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911416/2012-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 16 /2 01 2- 79 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911416/201279 Acórdão n.º 3803005.665 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911416/201279 Acórdão n.º 3803005.665 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911416/201279 Acórdão n.º 3803005.665 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911416/201279 Acórdão n.º 3803005.665 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911416/201279 Acórdão n.º 3803005.665 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911416/201279 Acórdão n.º 3803005.665 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904546/2012-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 46 /2 01 2- 36 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904546/201236 Acórdão n.º 3803004.896 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904546/201236 Acórdão n.º 3803004.896 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904546/201236 Acórdão n.º 3803004.896 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 14485.002997/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. SALÁRIO INDIRETO DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 150, 4O DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ACORDO PRÓPRIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. MENÇÃO A PROGRAMA DE DESEMPENHO INDIVIDUAL DE METAS FIXADO POSTERIORMENTE PELAS PARTES COM FUNDAMENTO NA NEGOCIAÇÃO EFETUADA. VALIDADE. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Considerando-se que a adoção de acordo de metas e desempenho individual, como forma aumento dos valores da PLR fixada pelas partes constou expressamente do acordo firmado é de concluir que o instrumento possui a fixação de regras claras e objetivas, sobretudo no que se refere aos direitos substantivos do cumprimento do acordado é de se afastar incidência das contribuições lançadas em conformidade com o que determina a Lei 10.101/00.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2002; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que rejeitava a argüição de decadência e, no mérito, negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. SALÁRIO INDIRETO DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 150, 4O DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ACORDO PRÓPRIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. MENÇÃO A PROGRAMA DE DESEMPENHO INDIVIDUAL DE METAS FIXADO POSTERIORMENTE PELAS PARTES COM FUNDAMENTO NA NEGOCIAÇÃO EFETUADA. VALIDADE. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Considerando-se que a adoção de acordo de metas e desempenho individual, como forma aumento dos valores da PLR fixada pelas partes constou expressamente do acordo firmado é de concluir que o instrumento possui a fixação de regras claras e objetivas, sobretudo no que se refere aos direitos substantivos do cumprimento do acordado é de se afastar incidência das contribuições lançadas em conformidade com o que determina a Lei 10.101/00. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2002; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que rejeitava a argüição de decadência e, no mérito, negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Igor Araújo Soares Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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SALÁRIO INDIRETO DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 150, 4O DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ACORDO PRÓPRIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. MENÇÃO A PROGRAMA DE DESEMPENHO INDIVIDUAL DE METAS FIXADO POSTERIORMENTE PELAS PARTES COM FUNDAMENTO NA NEGOCIAÇÃO EFETUADA. VALIDADE. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Considerandose que a adoção de acordo de metas e desempenho individual, como forma aumento dos valores da PLR fixada pelas partes constou expressamente do acordo firmado é de concluir que o instrumento possui a fixação de regras claras e objetivas, sobretudo no que se refere aos direitos substantivos do cumprimento do acordado é de se afastar incidência das contribuições lançadas em conformidade com o que determina a Lei 10.101/00. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 29 97 /2 00 7- 26 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2002; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que rejeitava a argüição de decadência e, no mérito, negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 373 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob o n. 37.015.5912, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como as destinadas a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados à título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, no nas seguintes competências 02/2002, 02/2003, 03/2003, 02/2004, 02/2005, 03/2005 e 02/2006. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 41 a 52, analisada a documentação as Contribuições Previdenciárias tiveram como FATO GERADOR: Da análise da documentação descrita no item 1 anterior, constatouse que a empresa remunerou os segurados empregados, sob o titulo "Participação nos Lucros" nas competências 02/2002, 02/2003, 03/2003, 02/2004, 02/2005, 03/2005 e 02/2006. 3. A empresa remunerou seus empregados, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, em desacordo com a legislação especifica. 4. Em reindo a tais verbas remuneratórias a empresa: a) Não as declarou na GFIP, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir da competência 01/1999; b) Não comprovou o recolhimento ou a provisão das contribuições previdenciárias correspondentes na escrita contábil; e c) Não apresentou documentos hábeis a comprovar a nãoincidência das contribuições previdenciárias sobre o pagamento das referidas verbas remuneratórias. As contribuições apuradas no presente levantamento, foram assim, especificadas: Com relação ao pagamento de PLR em desacordo com os preceitos legais, assim detalhou a autoridade fiscal: A empresa remunerou os segurados empregados, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados PLR, no período de 2002 a 2006. A empresa possui dois pianos distintos de PLR: a) Plano de Participação nos Lucros ou Resultados, decorrente das Convenções Coletivas de Trabalho — CCT e; b) Plano Próprio de Participação nos Lucros ou Resultados decorrente de acordo entre a empresa e seus empregados. PAGAMENTO DE PLR COM BASE EM CONVENÇÕES COLETIVAS DE TRABALHO. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 12. O Plano de Participação nos Lucros ou Resultados, decorrente das Convenções Coletivas de Trabalho — CCT é proveniente de negociação da categoria dos trabalhadores por intermédio dos sindicatos em campanhas salariais, no período de 2002 a 2006, nos termos da Lei 10.101/00. O valor convencionado, por exercício, como pagamento de PLR (VALOR DE PLR), é composto de um percentual sobre o saláriobase mais verbas de natureza salarial (S), acrescido de uma parcela fixa, limitado a um determinado valor (LIMITE DE PLR), observando como teto, o percentual de 15% e, como mínimo 5% do lucro liquido do banco. Se o total de PLR nesta regra for inferior a 5% do lucro liquido do banco, o valor individual deverá ser majorado até alcançar dois salários do empregado e limitado a um valor (VALOR MAXIMO). O valor de PLR (percentual e valor fixo), o limite de PLR e o limite máximo convencionados, anualmente, assim como o prazo para pagamento, estão demonstrados no constante do relatório fiscal: As Convenções Coletivas de Trabalho também estabelecem que, no pagamento da participação nos lucros ou resultados, o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse titulo, referente ao mesmo exercício. 14. O parágrafo 6 da cláusula primeira das Convenções Coletivas de Trabalho sobre PLR, determina que, estará isento do pagamento das Participações nos Lucros ou Resultados, o banco que apresentar prejuízo. 15. Os Pianos de Participação nos Lucros ou Resultados provenientes das Convenções coletivas de Trabalho — CCT atendem ao disposto na Lei 10.101 de 19/12/2000 e não constituem base de calculo das contribuições previdencidrias. A Participação nos Lucros ou Resultados paga em desacordo com a legislação especifica referese ao Plano Próprio. 16. A empresa obteve lucro liquido nos exercícios de 2004 e 2005 e efetuou os pagamentos, a titulo de PLR decorrente das CCT, nas competências 02/2005 e 02/2006, respectivamente. Estes valores foram deduzidos da base de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas e não fazem parte da presente Notificação, pois atendem aos requisitos da Lei. Tais pagamentos foram calculados pelo Limite Máximo, tendo em vista que o total da PLR paga foi inferior a 5% do lucro liquido do banco. PAGAMENTO DE PLR COM BASE EM PLANO PRÓPRIO – ESSE OBJETO DE AUTUAÇÃO Os valores pagos nas competências 02/2002, 02/2003, 03/2003 e 02/2004, decorrentes dos exercícios de 2001, 2002 e 2003, referemse exclusivamente à PLR acordada no Plano Próprio, considerando que a empresa obteve prejuízo liquido neste período e, portanto, isenta do pagamento de PLR. As bases de cálculo e deduções utilizadas constam nas planilhas do Anexo 1 da presente Notificação. 17. O Acordo Próprio para Participação nos Lucros e/ou Resultados, assinado em 15/12/1999, é decorrente de negociação Fl. 533DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 374 5 entre a empresa e os empregados, mediante comissão escolhida pelas partes, garantindo o mínimo estabelecido em CCT. O sindicato da categoria foi devidamente comunicado do acordo. o instrumento de acordo celebrado foi arquivado no Sindicato dos Bancários de São Paulo em 19/01/2000. Após análise do Acordo apresentado, verificase no item 5 — Dos Direitos Substantivos, que o critério a ser utilizado para pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados é o percentual de retorno sobre o patrimônio liquido no inicio do exercício fiscal. Esse percentual e calculado após serem deduzidos: 1) todos os tributos; 2) o total previsto com as despesas do próprio Plano de o Acordo determina ainda, no item 5 — Direitos Substantivos, que: os valores aqui estabelecidos, representam um minimo, sendo facultado, possível e legal o pagamento superior, a titulo de PLR, nas hipóteses em que o desempenho individual, medido através do sistema de avaliação do desempenho, ultrapasse o esperado ou negociado. 20. Este sistema de avaliação de desempenho, mencionado no item anterior, não integra o Acordo firmado entre a empresa e seus empregados, nem como anexo. A empresa apresentou apenas um Relatório de Avaliação de Desempenho Profissional e Programa de Metas, alterando substancialmente o estabelecido no Acordo Próprio. Este Programa de Metas e Avaliação não foi submetido à aprovação do sindicato representante da categoria, nem sequer contém as assinaturas dos representantes das partes envolvidas no acordo. Cópia do programa segue anexo a .presente Notificação. 21. Não obstante, o Programa de Metas e Avaliação apresentado estabelece basicamente que, as metas e objetivos de desempenho serão definidos semestralmente, em julho e dezembro de cada ano. Tais metas e objetivos deverão set mensuráveis e passíveis de avaliação. Descreve também os critérios para atribuição de notas de desempenho: A, B C, D ou N/A (não aplicável), conforme programa apresentado. A distribuição da PLR é definida pelo Grupo Barclays globalmente da forma descrita no referido programa. Na última pagina do Programa apresentado, verificamse as regras para distribuição da PLR. Através de uma tabela, o programa divide a avaliação do desempenho em duas Areas: Negócios e Suporte/Infraestrutura em função das notas de desempenho. A empresa apresentou por amostragem alguns relatórios que compõem as notas de desempenho. Tais relatórios são questionários formulados para que os gerentes de cada área avaliem seus funcionários, segundo critérios subjetivos. Caso as notas de desempenho atribuídas sejam A ou B, os funcionários da Área de negócios recebem PLR em função de um percentual não definido dos resultados gerados diretamente por este e os funcionários da área de Suporte/Infraestrutura recebem PLR em função de um percentual não definido do aumento em relação ao PLR do ano anterior. Caso as notas de desempenho atribuidas sejam C ou D, os funcionários das duas áreas recebem PLR pelo mínimo estabelecido na Convenção. Verificase que a empresa atribui parâmetros para pagamento Fl. 534DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 da PLR através de um percentual não definido. A empresa também utiliza, de forma subjetiva, parâmetros como pesquisas de mercado, para atribuição do percentual. 22. Desta forma, a empresa não demonstrou, de forma quantitativamente mensurável, as informações pertinentes ao cumprimento do Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados, objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, ou mesmo, do Programa de Metas e Avaliação de Desempenho Profissional apresentado, quanto à clareza e à objetividade na fixação tanto dos direitos substantivos dos participantes quanto das regras adjetivas, segundo condições e critérios estabelecidos, conforme preceitua a Lei 10.101 de 19/12/2000, em seu artigo 2°, parágrafo 1 0. Tendo em vista, a falta da documentação suporte referente aos pagamentos efetuados a titulo de PLR, não foi possível a verificação e análise do montante pago a cada segurado empregado beneficiado. A empresa foi autuada por deixar de apresentar a documentação solicitada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD datado de 13/11/2007, mediante Auto de Infração DEBCAD n. 37.015.5920. 23. No item 17 — Vigência, o Acordo estabelece a vigência retroativa A 1° de janeiro de 1999 e vigorará por prazo indeterminado. 24. Cabe ressaltar o disposto no item 11 — Das Compensações e Substituições do Acordo Próprio, que estabelece o seguinte: O presente Acordo compensa e substitui eventuais programas existentes anteriormente, que tenham a mesma causa de concessão, inclusive bônus e/ou produtividade, bem como vantagens idênticas (participação nos lucros e/ou resultados) estabelecidas em Convenções ou Dissídios Coletivos. Tal dispositivo contraria o que determina a norma legal especifica, em seu artigo 3°, da lei 10.101/2000, que dispõe: Art. 3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se aplicando o principio da habitualidade. 25. Considerando o acima exposto, resta demonstrado que os valores pagos a titulo de PLR pela empresa aos seus empregados, nos meses de 02/2002, 02/2003, 03/2003, 02/2004, 02/2005, 03/2005 e 02/2006, estão em desacordo com a legislação especifica e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 13/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 62 a 102. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 375 7 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 221 a 278 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Preliminarmente, decadência referente ao período de 02 a 11/2002. 2. Inexiste comprovação da ocorrência da suposta obrigação tributária, tendo em vista que a exigência não decorre da simples desconfiguração de um determinado pagamento realizado pelo empregador ao empregado. 3. Por sobredita lei, se estabeleceu que a participação dos empregados nos lucros e resultados pode ser implantada de três formas, aue no se excluem: mediante comissão escolhida pelas partes (inciso I do art. 2°), por acordo ou convenção coletiva (inciso II do artigo 2°), ou por pianos mantidos espontaneamente pela empresa (parágrafo 3° do artigo 3°). 4. E, por fim, previu que as empresas possam adotar pianos por mera liberalidade, ao prescrever no artigo 3 0, parágrafo 3 0, que tais planos possam se compensar com as obrigações decorrentes de acordos coletivos ou de convenções coletivas atinentes à participação nos lucros e resultados. 5. Nos referidos formulários, calcados em critérios claramente definidos na "Avaliação de Desempenho Profissional e Programa de Metas", estão minuciosamente expostos (i) as regras objetivas para o merecimento da "PLR" e (ii) o controle de atingimento por cada um dos beneficiados. 6. 0 fato das avaliações de desempenho — nas quais constam todos os critérios (claros e objetivos) utilizados para o pagamento do PLR, bem como o seu atingimento — não estarem contidas no referido Acordo, não autoriza afirmar que este controle seria inválido ou que não existiria! 7. Esclareçase que a existência de subjetividade na avaliação dos critérios eleitos pelo recorrente para definição do pagamento da PLR não invalida o plano mantido pela empresa. Isto porque, exceto no caso do critério eleito para o pagamento da PLR ser exclusivamente financeiro (o qual não se adequa ao presente caso, em que critérios comportamentais também influenciam na avaliação de desempenho do empregado) não é possível a realização de uma avaliação exclusivamente objetiva. 8. Ressaltese que a própria administração se utiliza de subjetividade quando avalia os seus servidores para fins de pagamento da "Gratificação de Incremento da Fiscalização e da Arrecadação — GIFA" (que nada mais é do que a PLR dos servidores públicos). Transcreve art. 1° e 3° da Portaria MPS n° 1302/2005. 9. Os critérios eleitos para averiguação do merecimento do recebimento da GIFA (art. 5 0 do Decreto n° 5.190/2004) demandam uma avaliação objetiva e subjetiva, como ocorre com recorrente em relação aos critérios por ela eleitos para pagamento da PLR aos seus empregados. 10. Em razão do principio da verdade material, á. Auditoria Fiscal não era lídimo deixar de considerar as provas trazidas à fiscalização segundo as quais as normas contidas na Lei n° 10.101/2000 foram fiel e integralmente atendidas. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 11. A ausência da assinatura do sindicato da categoria no programa de PLR não pode ser interpretada como ausência de participação da entidade nas negociações. 12. Conforme atesta inclusa documentação, no dia 10/12/1999 a Impugnante protocolou requerimento perante o Sindicato da categoria por meio do qual solicitou a indicação de um representante para integrar a comissão regularmente escolhida pelas partes (banco e empregados), na forma da lei. Em 19/01/2000, tendo em vista que a solicitação não foi atendida, a Impugnante requereu o arquivamento de uma via do Acordo de PLR perante o Sindicato. 13. A Impugnante não poderia deixar de celebrar o Acordo na data previamente estipulada ern razão da ausência do Sindicato, pois tal expediente implicaria na impossibilidade de sua implantação para o exercício seguinte e conseqüente desrespeito à. garantia constitucional. A ausência do sindicato só pode ser interpretada como anuência aos termos do Acordo na medida em que não houve, após seu arquivamento no Sindicato, qualquer insurgência relativa ao conteúdo. A recorrente não pode ser punida em decorrência da omissão do sindicato em participar das negociações. 14. A suposta infringência do Plano de PLR mantido pela recorrente a. norma contida no artigo 3° da Lei n° 10.101/2000 A Auditoria Fiscal entendeu que os pagamentos realizados pela recorrente substituiriam ou complementariam a remuneração dos seus empregados. 15. Não há embasamento fático para essa conclusão. A auditoria Fiscal presumiu tal fato, o que é inaceitável. 16. Consoante o principio da segurança jurídica, o tributo s pode ser validamente exigido quando um fato ajustase rigorosamente ´`a. hipótese de incidência tributária. Não se pode considerar ocorrido o fato imponivel por mera ficção ou presunção. 17. Não existe causa legal capaz de justificar a consideração pela Auditoria Fiscal, sem qualquer elemento de prova nesse sentido. 18. Da eventualidade do pagamento 19. É incontroverso o fato de que o pagamento efetuado pela Impugnante aos seus empregados não possui habitualidade, haja vista depender da ocorrência de eventos futuros e incertos. 20. Da inconstitucionalidade da contribuição adicional de 2,5% 21. A impugnante foi imposta uma obrigação de contribuir para o custeio da Seguridade Social através do adicional de 2,5%incidentes sobre a folha de salários. 22. Houve uma diferenciação estabelecida pelo legislador entre os contribuintes em virtude da atividade econômica exercida, fixandose uma maior carga tributária para aqueles que, como a Impugnante, são instituições financeiras. 23. O fato jurídicotributário que dá origem à obrigação tributária de recolher a contribuição previdenciária sobre a folha de salários (ser empregador) não está relacionado com a atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 376 9 24. Como se depreende das decisões transcritas, confirmando as alegações do recorrente, o Egrégio TRF da 3a Região reconheceu a inconstitucionalidade da exigência da contribuição social sobre o lucro das instituições financeiras e equiparadas (as quais estão ao principio da isonomia e da capacidade contributiva. 25. Nem se alegue que a relação de corresponsáveis serviria tão somente para eventual ajuizamento de execução fiscal para a cobrança judicial dos valores supostamente devidos pela Impugnante. Neste momento processual somente a recorrente seria responsável pelo pagamento, caso fosse devido. 26. Dos pedidos Requer seja julgado integralmente improcedente o lançamento fiscal impugnado, com cancelamento da NFLD e conseqüente extinção do credito, e também a exclusão dos diretores da Impugnante do pólo passivo. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 207. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DECADÊNCIA Quanto a decadência, entendo que razão não assiste ao recorrente para que se determine a decadência a luz do art. 173, I do CTN, conforme se demonstra a seguir. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 377 11 INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso Fl. 540DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 12 extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 378 13 desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto Fl. 542DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 14 substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha Fl. 543DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 379 15 incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciária definindo remuneração como algo global, é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (MORADIA, Fl. 544DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 16 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poderseia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. No caso ora em análise, identificamos pagamentos de “alimentação em desacordo com o PAT”, ou seja salários indiretos, nos quais o próprio recorrente entende não existir contribuição, posto se tratar de fornecimento de alimentação sem natureza salarial. Afastase, aqui a aplicação do art, 150, § 4º, pois como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar, chegar antes de; anteceder. Ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Não há como engajarse em tal raciocínio em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 13/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. . Os fatos geradores ocorreram entre as competências 02/2002 a 02/2006, sendo assim a luz do art. 173, I, não há decadência a ser declarada. DO MÉRITO QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR Quanto aos levantamentos de PLR, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 380 17 No relatório fiscal, bem descreveu o auditor as regras para que o pagamento de PLR não constitua salário de contribuição, descrevendo que o pagamento em desacordo com o previsto na lei, determina a incidência de contribuição sobre os valores de PLR destinados aos segurados empregados. Assim, não merece ser acolhido o fundamento de que inexiste comprovação da ocorrência da suposta obrigação tributária. O pagamento de PLR nada mais é do que uma forma de remunerar o empregado, contudo, por força constitucional, dita verba encontrase desvinculada do salário desde que paga nos exatos termos de lei, ou seja, tendo a lei 10.101 descrito a forma, como o PLR deve ser distribuído, bem como estabelecido regras para o seu pagamento. Ao descumprilas, assume o recorrente o risco de não mais ter esses pagamentos desvinculados do salário, passando a ter natureza salarial e por conseguinte faz nascer a obrigação de efetivar recolhimentos à título de PLR. Assim, de forma diversa ao que entende o recorrente não há qualquer nulidade no presente lançamento, quando desincumbiuse a autoridade fiscal e julgadora de explicitar qual o fato gerador, a base de cálculo e a contribuição devida. Não há que se falar em presunção, considerando ter o auditor com base nos documentos apresentados durante a fiscalização, analisandoos e apontado quais dos requisitos legais deixaram de ser cumpridos. Tal procedimento encontrase em perfeita consonância com o princípio da segurança jurídica, tendo o auditor devidamente fundamentado a autuação, notificado o recorrente, permitindolhe o exercício do amplo poder de defesa, bem como o direito ao contraditório. O fato de ter o auditor e o recorrente interpretações distintas, quanto a incidência de contribuições sobre o PLR, de forma, alguma, invalida o lançamento. Quanto ao argumento de que os pagamentos de PLR não constituem rendimentos do trabalho, entendo que a questão será melhor apreciada junto ao mérito da procedência do lançamento, uma vez que em constatandose que os pagamentos estão em desacordo com a lei, fato será que passam a compor o conceito de remuneração. Assim, afasto qualquer arguição de nulidade, posto devidamente demonstrada a obrigação tributária imposta ao recorrente. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria, para que possamos cotejar seu cumprimento. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, Fl. 546DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 18 de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do PLR entendeu a autoridade fiscal que assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Neste ponto já rechaço argumento do recorrente de que o pagamento em questão não possui correlação com o trabalho prestado, ou mesmo não se caracteriza como contraprestação pelo serviço prestado. Qual seria outra forma de enquadrar o pagamento de PLR, que não contraprestação pelo serviço prestado, tanto o é, que se estabelecem metas de trabalho, desempenho, como forma de estímulo para que o empregado, produza cada vez mais, e por conseguinte, sintase recompensado. Não estou dizendo com isso que PLR é salário. Pelo contrário entendo estar claro no texto constitucional que a PLR será desvinculada do salário, porém tratase de norma com limitações prevista em lei específica, como reportase no próprio texto, senão vejamos. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte ds argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido integralmente o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: Fl. 547DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 381 19 (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 20 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 382 21 Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Conforme descrito pela autoridade fiscal e julgadora os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente constituem salário de contribuição e, por conseguinte, sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Fl. 550DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 22 Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. DA DESVINCULAÇÃO COM O TRABALHO DESENVOLVIDO Nem tampouco, acato os argumentos de que não se tratam de valores provenientes do trabalho. Respeito o posicionamento defendido pelo recorrente, contudo, possuo entendimento diverso a respeito do tema. A participação nos lucros ou resultados paga pela recorrente, conforme descrito em seus acordos, demonstra que o desempenho do empregado será avaliado, sendo fator determinante para que determine o montante a ser distribuído. Ora, não fosse o emprenho do empregado e alcançar cada vez mais resultados positivos, como se falaria em uma avaliação positiva do seu trabalho. É fato que a PLR nada mais almeja do que o engajamento do empregado no capital da empresa, para que o mesmo sintase estimulado a executar suas atividades em prol não apenas do seu crescimento da empresa, mas do crescimento de toda a empresa. O seu engajamento renderá frutos não apenas sobre o crescimento do negócio, mas lhe proporcionará pagamentos na modalidade de participação nos lucros. É nesse sentido, que discordo do recorrente de que encontrase desvinculado do trabalho. DA HABITUALIDADE NO PAGAMENTO Argumentar que a verba não era paga com habitualidade, mas apenas eventualmente, também não demonstra equivoco no pagamento. Alías, o conceito de habitual, no presente caso, não reportase a idéia de pagamentos constantes, porque se assim o fosse, de pronto já constituiriam salário de contribuição. A lei 10.101 limite a distribuição de lucros a 2 pagamentos anuais, observando a semestralidade para sua concessão. O ajuste de distribuição de lucros, determinando o seu pagamento uma vez por ano, não é o fator determinante, tanto que normalmente não descrito entre os requisitos descumpridos pela autoridade fiscal. A habitualidade será determinante quando buscar a definição do conceito de remuneração para reflexos em outras verbas trabalhistas, tais com férias, 13 salário. Já para incidência de contribuições previdenciárias, o fatos determinante é a natureza em si da verba, donde buscamos caracterizar a verba como salarial, ou indenizatória. PAGAMENTO EM MAIS DE UM PLANO DE PLR Outro ponto, que merece ser de pronto evidenciado, é que a empresa elegeu na verdade duas formas de pagamento de PLR, por CCT e por acordo firmado com comissão de empregados. São os valores pagos com base nesse segundo acordo, objeto de lançamento, uma vez que apontou o auditor diversas irregularidades quanto a sua contribuição na conformidade da lei. Nesse ponto, já destaco, no meu entender a inconformidade da distribuição de lucros pelo recorrente, já que o mesmo valeusede dois instrumentos, o que de pronto já entra em choque com o Art. 2º da lei 10.101 “A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo. CUMPRIMENTO DO ART. 2 DA LEI 10.101/00 E MP ANTERIORES O principal fundamento é que: descumprido preceito básico, qual seja: ausência dos pressupostos para tornar legitima a comissão, que seria a participação e assinatura do membro do sindicato no acordo para definição das metas. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 383 23 Notemos, que em relação aos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: Ø Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) Ø Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto, porém ao elegêlos, deveriam ter cumprido o rito procedimental para sua formalização, o que não restou demonstrado em todos os casos. Até mesmo o recorrente reconhece que não houve participação do membro do sindicato, mas que o chamou a participar, entendendo que o arquivamento acaba por chancelar a participação do mesmo do acordo, o que não concordo de forma alguma. A participação do sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que o PLR não refletiria nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, !3 salário etc.). No plano ideológico há entidades sindicais que não apóiam o sistema de remuneração de participação nos lucros e resultados, razão pela qual são resistente a participar (o que se vislumbra apenas em caráter ilustrativo) Para esta corrente, seria uma forma de rebaixamento de salários e de ganhos reais e de precarização de condições de trabalho. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros sem a devida legitimação, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Não há que se falar que o arquivamento do instrumento resultante no sindicato, tenha ratificado a concordância do sindicato. São duas obrigações expressamente previstas na lei, que que em momento algum o legislador descreveu que o arquivamento supriria a ausência do sindicato na negociação. A lei é bem clara; se a intenção do legislador, não fosse “amarrar” a forma com que as empresas irão distribuir lucros desvinculados do salário, qual seria o objetivos de tanto detalhamento na própria lei de PLR. Entendo que neste caso, o texto constitucional seria suficiente, o que conforme vimos acima, não demonstra o posicionamento doutrinário a respeito do tema. Ainda com relação a ausência do sindicato, argumentou o recorrente caso não realizasse o acordo na data estipulada inviabilizaria a realização de acordo para o ano seguinte. Ora, os argumentos colacionados, assim como enfrentado pelo julgador, levanos a simples conclusão que não se buscou negociar a distribuição de lucros, mas simplesmente convocar uma reunião para a sua aceitação e assinatura. O próprio conceito da lei 10.101, deixa claro que o objetivo é a negociação entre empresa e seus empregados, não simplesmente chancelar uma proposta pronta, e nesse campo que se faz fundamental o papel do representante sindical capaz de esclarecer, aos empregados os efeitos da assinatura, e pela experiência negociar os limites de seu pagamento. Vejamos: Fl. 552DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 24 A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. DA AUSÊNCIA DO SINDICATO Não merece guarida também o raciocínio, que nada poderia fazer face o não comparecimento do sindicato. A própria lei 10.101, trouxe alternativas para a empresa na recusa do trabalhador, quais sejam: Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Entendo que a mera negativa do sindicato em participar ou mesmo sua inexistência, não tornariam legitimo o acordo realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT acerca da representação dos trabalhadores, ou de um dos instrumentos descritos na própria lei 10.101/2000. Nos termos do art. 616 da norma citada: “os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar se à negociação coletiva. § 1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 384 25 § 2ºNo caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. Dessa forma, legítima seria a ciência ao órgão responsável do Ministério do Trabalho, para convocação do sindicato, tendo em vista que, esse, como legítimo representante dos empregados não pode esquivarse de negociação, sendo essa mais vantajosa que a negociação em vigor. DA APRECIAÇÃO DAS METAS Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, não entendo que os auditores e o julgador tenham simplesmente feito juízo de valor, ou conclusão por mera presunção, quanto ao PLR acordado, e as metas estipuladas. Neste ponto, o primeiro argumento trazido pelo auditor é as metas não foram estabelecidas no acordo mas, em instrumento apartado, não fazendo parte do acordo firmado com a comissão de empregados (independente, neste momento da análise de ausência do sindicato nessa negociação) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Concordo com o recorrente que as metas para aferir o cumprimento de resultados admite diversas interpretações, inclusive avaliações subjetivas do desempenho do empregado, contudo três pontos merecem destaque: 1. As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei e acima grifado, não estipulados posteriormente pela empresa, conforme trazido pelo auditor e enfatizado pelo recorrente. O que se busca são critérios que sejam negociados não impostos. 2. Os mecanismos de aferição devem ser também estipulados no acordo e apresentados a autoridade fiscal, de forma, que a mesma, possa apreciar se os pagamentos realizados, estão em conformidade com as metas e critérios previamente ajustados. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 26 3. Não deve se conferir caráter de subjetividade, de forma, que o pagamento afastese do conceito de alcance de resultados obtidos pela empresa, sejam eles lucros ou crescimento, e passe a individualmente ser utilizado como critério de premiação individual dos trabalhadores. Esse fato foi mencionado pelo auditor, quando o mesmo descreve nos acordos a expressa previsão de possibilidade pagamento a maior do que o previsto nos acordos, dependendo do desempenho individual do empregado. Entendo que, ao conferir muita subjetividade ao pagamento, fugindo de critérios objetivos e dos limites do acordo estipulado a empresa, foge a essência do pagamento de PLR e desvirtua o pagamento, concedendo ao empregado mero prêmio desempenho, verba contraprestativa com nítida feição salarial. Pelo contrário, entendo estar dentro da competência do auditor observar se os acordos firmados encontramse em conformidade com a exigência legal, estando, ainda, dentro de sua competência o lançamento de importâncias que entender devidas, pelo descumprimento dos referidos requisitos legais. A empresa por outro lado, tem a ampla e irrestrita liberdade de pagar PLR, eleger por qual dos instrumentos previstos na lei irá consolidar o ato, determinar as regras, critérios, metas a serem alcançados ou mesmo a maneira de aferílas, contudo deverá observar as exigências legais quanto a formalização dos atos. Ao contrário do defendido pelo recorrente, no meu entender o descumprimento de qualquer dos requisitos transforma, sim, a natureza do pagamento. Ou seja, não é que a verba deixe de ser distribuição de lucro, mas a sua natureza passa a ser de verba salarial, equiparandose a diversas outras verbas, que pelo seu mero pagamento, são por si só verbas salariais, como é o caso dos prémios, gratificações, gorjetas etc. DA PREVISÃO DE SUBSTITUIÇÃO DE VERBAS COM NATUREZA SALARIAL Outro ponto trazido pelo auditor é o fato de existir expressa previsão no acordo de substituição de prêmios ou gratificações produtividade. Mesmo que argumente o recorrente que tal fato não ocorreu, a mera previsão em um contrato tido por indeterminado pelo recorrente, já abri a possibilidade de utilização de PLR como forma indireta de remunerar trabalhadores, já que expresso no acordo. Portanto, considerando que as verbas que se pretender ver substituídas possuem natureza salarial, não outra conclusão pode se chegar do que a utilização do pagamento de PLR em desconformidade com a lei 10.101/2000. § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Devemos ter em mente a natureza do pagamento PLR e de sua finalidade, qual seja, estimular o empregado a participar do capital da empresa, onde seu maior esforço gerará maiores lucros, que serão com ele repartidos. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para Fl. 555DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 385 27 que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Assim, entendo correto o julgamento realizado, de que deva a verba ser tida como PLR para fins de incidência de contribuição, uma vez que em relação a essa verba, não houve cumprimento dos requisitos, como já destacado no item acima. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS NO que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 28 Quanto a aplicação da taxa SELIC, dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais DO AFASTAMENTO DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS Por fim, quanto a exclusão dos coresponsáveis, devese esclarecer ao recorrente que se trata do julgamento de AI pelo descumprimento de obrigações acessórias, em sendo assim a autuada é a empresa, que é o sujeito passivo da obrigação tributária e não seus sócios. Esses, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação de Co Responsáveis – CORESP, consoante determinação contida no art. 660, da IN 03/2005, vigente à época da lavratura do Auto, qual seja: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 386 29 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4. do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para os casos em que, embora existam recolhimentos efetuados pela empresa, esta não reconhece a incidência de contribuição sob determinada rubrica. Nesses casos, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento embora existentes, dizem respeito a outras rubricas, haja vista que, para as parcelas sobre as quais não se considerou a incidência tributária, não há o que se falar em antecipação de pagamento. Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS” – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as parcelas reconhecidas pela empresa, daquelas que não tenham sido tratadas como saláriodecontribuição. Verificase na espécie, que há fortes índicos da existência de recolhimentos posto que, embora não exista nos autos o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, fato que nos leva a supor que houve recolhimentos para as contribuições decorrentes de outros fatos geradores. Nesses casos, o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4. do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 13/12/2007, e que os fatos geradores ocorreram entre as competências 02/2002 a 02/2006, voto pela declaração de decadência para o período de 02/2002 a 11/2002. Passo, pois, as considerações acerca do mérito do recurso. Quanto ao lançamento da PLR Considerando que como de praxe a Em. Relatora já trouxe em seu arrazoado toda a legislação pertinente, bem como as devidas indicações acerca da imputação fiscal levada a efeito pelo auditor fiscal, passo, mais uma vez, a indicar os motivos pelos quais, mais uma vez, ouso dela divergir quanto ao lançamento da presente rubrica. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 30 Inicialmente, ao analisar o relatório fiscal e os pontos que foram considerados como infringentes às disposições da Lei 10.101/00, vejamos: Os valores pagos nas competências 02/2002, 02/2003, 03/2003 e 02/2004, decorrentes dos exercícios de 2001, 2002 e 2003, referemse exclusivamente à PLR acordada no Plano Próprio, considerando que a empresa obteve prejuízo liquido neste período e, portanto, isenta do pagamento de PLR. As bases de cálculo e deduções utilizadas constam nas planilhas do Anexo 1 da presente Notificação. 17. O Acordo Próprio para Participação nos Lucros e/ou Resultados, assinado em 15/12/1999, é decorrente de negociação entre a empresa e os empregados, mediante comissão escolhida pelas partes, garantindo o mínimo estabelecido em CCT. O sindicato da categoria foi devidamente comunicado do acordo. o instrumento de acordo celebrado foi arquivado no Sindicato dos Bancários de São Paulo em 19/01/2000. Após análise do Acordo apresentado, verificase no item 5 — Dos Direitos Substantivos, que o critério a ser utilizado para pagamento da Participação nos Lucros e/ou Resultados é o percentual de retorno sobre o patrimônio liquido no inicio do exercício fiscal. Esse percentual e calculado após serem deduzidos: 1) todos os tributos; 2) o total previsto com as despesas do próprio Plano de o Acordo determina ainda, no item 5 — Direitos Substantivos, que: os valores aqui estabelecidos, representam um minimo, sendo facultado, possível e legal o pagamento superior, a titulo de PLR, nas hipóteses em que o desempenho individual, medido através do sistema de avaliação do desempenho, ultrapasse o esperado ou negociado. 20. Este sistema de avaliação de desempenho, mencionado no item anterior, não integra o Acordo firmado entre a empresa e seus empregados, nem como anexo. A empresa apresentou apenas um Relatório de Avaliação de Desempenho Profissional e Programa de Metas, alterando substancialmente o estabelecido no Acordo Próprio. Este Programa de Metas e Avaliação não foi submetido à aprovação do sindicato representante da categoria, nem sequer contém as assinaturas dos representantes das partes envolvidas no acordo. Cópia do programa segue anexo a .presente Notificação. 21. Não obstante, o Programa de Metas e Avaliação apresentado estabelece basicamente que, as metas e objetivos de desempenho serão definidos semestralmente, em julho e dezembro de cada ano. Tais metas e objetivos deverão set mensuráveis e passíveis de avaliação. Descreve também os critérios para atribuição de notas de desempenho: A, B C, D ou N/A (não aplicável), conforme programa apresentado. A distribuição da PLR é definida pelo Grupo Barclays globalmente da forma descrita no referido programa. Na última pagina do Programa apresentado, verificamse as regras para distribuição da PLR. Através de uma tabela, o programa divide a avaliação do desempenho em duas Areas: Negócios e Suporte/Infraestrutura em função das notas de desempenho. A empresa apresentou por amostragem alguns relatórios que compõem as notas de desempenho. Tais relatórios são questionários formulados para que os gerentes de cada área avaliem seus funcionários, segundo critérios subjetivos. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 387 31 Caso as notas de desempenho atribuídas sejam A ou B, os funcionários da Área de negócios recebem PLR em função de um percentual não definido dos resultados gerados diretamente por este e os funcionários da área de Suporte/Infraestrutura recebem PLR em função de um percentual não definido do aumento em relação ao PLR do ano anterior. Caso as notas de desempenho atribuidas sejam C ou D, os funcionários das duas áreas recebem PLR pelo mínimo estabelecido na Convenção. Verificase que a empresa atribui parâmetros para pagamento da PLR através de um percentual não definido. A empresa também utiliza, de forma subjetiva, parâmetros como pesquisas de mercado, para atribuição do percentual. 22. Desta forma, a empresa não demonstrou, de forma quantitativamente mensurável, as informações pertinentes ao cumprimento do Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados, objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, ou mesmo, do Programa de Metas e Avaliação de Desempenho Profissional apresentado, quanto à clareza e à objetividade na fixação tanto dos direitos substantivos dos participantes quanto das regras adjetivas, segundo condições e critérios estabelecidos, conforme preceitua a Lei 10.101 de 19/12/2000, em seu artigo 2°, parágrafo 1 0. Tendo em vista, a falta da documentação suporte referente aos pagamentos efetuados a titulo de PLR, não foi possível a verificação e análise do montante pago a cada segurado empregado beneficiado. A empresa foi autuada por deixar de apresentar a documentação solicitada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD datado de 13/11/2007, mediante Auto de Infração DEBCAD n. 37.015.5920. 23. No item 17 — Vigência, o Acordo estabelece a vigência retroativa A 1° de janeiro de 1999 e vigorará por prazo indeterminado. 24. Cabe ressaltar o disposto no item 11 — Das Compensações e Substituições do Acordo Próprio, que estabelece o seguinte: O presente Acordo compensa e substitui eventuais programas existentes anteriormente, que tenham a mesma causa de concessão, inclusive bônus e/ou produtividade, bem como vantagens idênticas (participação nos lucros e/ou resultados) estabelecidas em Convenções ou Dissídios Coletivos. Tal dispositivo contraria o que determina a norma legal especifica, em seu artigo 3°, da lei 10.101/2000, que dispõe: Art. 3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se aplicando o principio da habitualidade. 25. Considerando o acima exposto, resta demonstrado que os valores pagos a titulo de PLR pela empresa aos seus empregados, nos meses de 02/2002, 02/2003, 03/2003, 02/2004, 02/2005, 03/2005 e 02/2006, estão em desacordo com a legislação especifica e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 32 Da leitura de referidos termos, inicialmente, dele extraio que, a questão da participação ou não do sindicato nas negociações do acordo não fora motivo eleito pelo fiscal para a desconsideração do plano adotado pela recorrente, de sorte a entender pela incidência das contribuições previdenciárias no caso em questão, por este motivo, deixo de conhecer de referida discussão. Ultrapassado tal ponto, outro dos requisitos tidos por descumpridos foi o fato de que o plano adotado não possuía regras claras e objetivas, seja mesmo com relação ao cumprimento do acordo e do plano de metas adotado. Em que pesem os argumentos apontados pelo fiscal, Neste ponto, conforme se verifica do relatório fiscal trasncrito, o primeiro argumento trazido pelo auditor é o de que as metas não foram estabelecidas no acordo mas, em instrumento em separado, não fazendo parte do acordo firmado com a comissão de empregados, motivo pelo qual estaria em desacordo com a Lei 10.101/00. Todavia, ao analisar os termos de referido acordo, vejo que o mesmo possui expressa indicação de que as partes iriam estabelecer um plano de metas com base nas avaliações individuais de cada um dos participantes. Tal previsão, a seguir transcrita, consta no item 05 do Acordo de PLR, confirase: 5. DIREITOS SUBSTANTIVOS O critério a ser utilizado para pagamento da Participação nos Lucros c/ou Resultados é o percentual de retorno sobre o patrimônio liquido no inicio do exercício fiscal. Esse percentual é calculado após serem deduzidos: 1) todos os tributos; 2) o total previsto com as despesas do próprio Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados; 3) a correção monetária do patrimônio líquido ocorrida no exercicio, utilizandose o índice do IGPM e calculada da seguinte forma: A sobre o valor do patrimônio liquido do encerramento do exercício anterior, aplicase a variação acumulada, de janeiro a dezembro, do ano em questão, do referido indice; B havendo aumento de capital, que represente o ingresso efetivo de novos recursos ao patrimônio liquido, será somado ao item anterior o resultado da aplicação prorata do índice em questão, ao valor de ingresso de novos recursos. PERCENTUAL DE RETORNO DISTRIBUIÇÃO ANUAL Inferior a 15% Valor da convenção coletiva para os Fl. 561DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 388 33 bancários em vigência 15% a 18% ½ salário mínimo 18,01% a 20,00% 1 salário mínimo 20,01% a 25,00% 1,5 salario mínimo 25,01% a 30,00 2 salários mínimos Acima de 30,00 3 salários mínimos Os valores, aqui estabelecidos, representam um mínimo, sendo facultado, possível e legal o pagamento superior, a titulo de P.L.R., nas hipóteses em que o desempenho individual, medido através do sistema de avaliação do desempenho, ultrapasse o esperado ou negociado. Por tais motivos, não vejo como desconsiderar o plano de metas adotado pela recorrente e funcionários, já que o mesmo possui previsão expressa no acordo firmado, motivo pelo qual afasto tal imputação constante no relatório fiscal. Outrossim, ainda no que se refere às imputações de desconformidade do acordo, assim colocou o fiscal: 22. Desta forma, a empresa não demonstrou, de forma quantitativamente mensurável, as informações pertinentes ao cumprimento do Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados, objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, ou mesmo, do Programa de Metas e Avaliação de Desempenho Profissional apresentado, quanto à clareza e à objetividade na fixação tanto dos direitos substantivos dos participantes quanto das regras adjetivas, segundo condições e critérios estabelecidos, conforme preceitua a Lei 10.101 de 19/12/2000, em seu artigo 2°, parágrafo 1 0. Sobre o assunto, vejamos o que reza a legislação de regência: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 34 Em que pesem os argumentos da Em. Relatora, não vislumbro a ausência de regras objetivas a permitir a completa verificação da execução dos termos do acordo, ou mesmo do programa de metas livremente fixado entre as partes. O acordo, no seu item 05 (supra transcrito) prevê de forma clara, a meu ver, a forma de apuração da PLR a ser distribuída, sendo que a mesma encontrase vinculada ao percentual de retorno sobre o patrimônio liquido no inicio do exercício fiscal, este obtido após o pagamento de impostos, previsão de despesas com a própria PLR e correção monetária do patrimônio líquido. Ademais, o acordo prevê uma tabela na qual resta expressamente fixados os percentuais de retorno obtidos pela empresa que permitem ao funcionário apurar qual será o montante da PLR que lhe cabe. Quanto ao acordo de metas, que repito, fora desconsiderado pelo fiscal pelo fato de ser um anexo do Instrumento de Acordo Firmado, ressalto que a própria descrição trazida no relatório fiscal demonstra que do instrumento possui regras que permitem às partes apurarem os direitos substantivos, provenientes das metas fixadas, o que extraio das seguintes passagens: 21. Não obstante, o Programa de Metas e Avaliação apresentado estabelece basicamente que, (i) as metas e objetivos de desempenho serão definidos semestralmente, em julho e dezembro de cada ano. Tais metas e objetivos deverão set mensuráveis e passíveis de avaliação. (ii) (ii) Descreve também os critérios para atribuição de notas de desempenho: A, B C, D ou N/A (não aplicável), conforme programa apresentado. (iii) A distribuição da PLR é definida pelo Grupo Barclays globalmente da forma descrita no referido programa. (iv) Na última pagina do Programa apresentado, verificamse as regras para distribuição da PLR (v) . Através de uma tabela, o programa divide a avaliação do desempenho em duas Areas: Negócios e Suporte/Infraestrutura em função das notas de desempenho. (vi) A empresa apresentou por amostragem alguns relatórios que compõem as notas de desempenho. Tais relatórios são questionários formulados para que os gerentes de cada área avaliem seus funcionários, segundo critérios subjetivos. (vii) Caso as notas de desempenho atribuídas sejam A ou B, os funcionários da Área de negócios recebem PLR em função de um percentual não definido dos resultados gerados diretamente por este e os funcionários da área de Suporte/Infraestrutura recebem PLR em função de um percentual não definido do aumento em relação ao PLR do ano anterior. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14485.002997/200726 Acórdão n.º 2401003.142 S2C4T1 Fl. 389 35 (viii) Caso as notas de desempenho atribuidas sejam C ou D, os funcionários das duas áreas recebem PLR pelo mínimo estabelecido na Convenção. Ou seja, o próprio fiscal autuante demonstrou em seu arrazoado, que é plenamente possível apurarse do acordo de metas o cumprimento daquilo o que mesmo prevê. A sua alegação de que a empresa fixou o plano com base em percentuais não definidos, também não se sustenta, na medida em que da leitura do plano de metas, verificase que tais percentuais foram definidos ao empregados da área de negócios na razão entre 01% a 10% para empregados com avaliação A e de até 09% para empregados com avaliação B, e de 10% a 30% para empregados da área de suporte com avaliação A e de 01% a 09% para empregados com avaliação B (fls. 172). Os empregados de ambas as áreas com notas C e D, receberiam o mínimo previsto em convenção coletiva. Assim, em que pesem os fundamentos adotados pela fiscalização e confirmados pela Em. relatora, não vejo como nesta oportunidade a acompanhar. Ante todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência, aplicando ao caso o art. 150, 4o do CTN, declarando extintas as competências lançadas até 11/2002, e, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 11543.001262/00-26
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1991
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 29/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1991 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator EDITADO EM: 29/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1991 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 12 62 /0 0- 26 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 29/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi formalizado em 10/05/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 01/1990 e 03/1991. É o relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543.001262/0026 Acórdão n.º 9900000.724 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 ......................................................................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543.001262/0026 Acórdão n.º 9900000.724 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 447DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 448DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543.001262/0026 Acórdão n.º 9900000.724 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 450DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11543.001262/0026 Acórdão n.º 9900000.724 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi formalizado em 10/05/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 01/1990 e 03/1991. Sendo assim, encontramse alcançados pela prescrição o direito à repetição referente aos fatos geradores ocorridos até 10/05/1990. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para considerar prescritos os indébitos fiscais sobre fatos geradores ocorridos até 10/05/1990, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 452DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 29/04/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10830.917283/2009-58
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ Campinas (fls. 67/72 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de COFINS referente ao período de apuração de julho de 2008. A negativa de homologação da compensação foi fundamentada na integral utilização do pagamento, alegado como superior ao devido, para a quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório passível de ser utilizado para a compensação desejada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 28 3/ 20 09 -5 8 Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.917283/200958 Resolução nº 3802000.150 S3TE02 Fl. 1.208 2 Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que com a publicação do Decreto nº 6.426, de 08/04/2008, a empresa estaria isenta do pagamento do PIS e da COFINS sobre diversos itens que comercializa, tendo, todavia, apurado os montantes das correspondentes contribuições, nos termos do aludido decreto, somente a partir de abril de 2009. Assim, de abril de 2008 a março de 2009 a empresa teria direito a compensar os montantes pagos a maior, razão pela qual apresentou declarações de compensação vislumbrando a liquidação dos créditos tributários em aberto com o direito creditório aduzido. Contudo, recebeu despacho decisório que não homologou a compensação desejada, despacho este fundamentado na não localização do crédito informado em virtude do incorreto preenchimento da DCTF do período. Diante disso, a interessada providenciou a retificação em tela onde, segundo informa, foi registrado o correto valor devido da COFINS no mês de julho de 2008. O mesmo se deu em relação à DACON referente ao segundo semestre de 2008. Os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância sob o argumento de que a recorrente não comprovou a liquidez e a certeza do direito, não bastando, para tanto, a simples retificação da declaração, a teor do disposto no artigo 147 do CTN. Ressalta ainda a instância recorrida que a DACON tem somente cunho informativo, não constituindo instrumento de confissão de dívida. Nos termos da citada decisão, seria indispensável a apresentação dos registros contábeis e dos demais documentos fiscais comprovando o real valor devido; todavia, tal documentação não foi acostada aos autos pelo sujeito passivo. Cientificada da referida decisão em 31/08/2012 (vide termo de ciência por decurso de prazo às fls. 77), a interessada, em 14/09/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 79/93, onde defende, preliminarmente, que a DCTF retificadora tem força de confissão de dívida, substituindo integralmente a original. No mérito, ressalta ter direito ao benefício fiscal previsto no artigo 1º do Decreto nº 6.426/08, reitera haver se equivocado quando da apuração da COFINS do período, e ressalta que a documentação apresentada (planilhas, cópias de notas fiscais e de folhas dos livros diário e razão) seria suficiente para comprovar o direito creditório reclamado. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Primeiramente, não merece ser acolhida a tese do sujeito passivo segundo a qual a DCTF retificadora pelo mesmo apresentada tem força de confissão de dívida, substituindo integralmente a original. Embora tal assertiva esteja perfeita quando a declaração é apresentada de forma tempestiva, isso não ocorre quando a DCTF retificadora só foi transmitida posteriormente à ciência do despacho decisório que cientificou a interessada da não homologação de sua compensação, como ocorreu no caso presente. Com efeito, à época da retificação da DCTF vigorava a IN RFB no 903, de 30/12/2008, onde está consignado que a DCTF retificadora tem a “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]” (ver artigo 11, § Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.917283/200958 Resolução nº 3802000.150 S3TE02 Fl. 1.209 3 1º). A retificação automática somente não produziria efeitos nos casos em que os saldos a pagar ou os valores apurados em procedimentos de auditoria interna já tivessem sido enviados à PGFN para inscrição em dívida ativa, ou ainda, acaso a pessoa jurídica já tivesse sido intimada do início de procedimento fiscal, ou seja, quando já não mais resguardada pela espontaneidade, como no caso presente, já que a empresa fora notificada do indeferimento de seu pleito. Reproduzo, abaixo, o mencionado artigo 11 da IN RFB no 903, de 2008, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.917283/200958 Resolução nº 3802000.150 S3TE02 Fl. 1.210 4 § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do ano calendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Sobre a questão, esta Turma tem entendido que os dados declarados em DCTF podem até mesmo ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas desde que o erro em que incorreu o sujeito passivo esteja alicerçado em documentação comprobatória suficiente. No caso presente, a lide envolve aduzido direito creditório da COFINS de competência do mês de julho de 2008, direito o qual seria decorrente de recolhimento a maior da citada contribuição, conforme demonstrado abaixo: Valor recolhido Valor devido Direito creditório R$ 61.988,28 R$ 6.382,55 R$ 55.605,73 O artigo 1º do Decreto nº 6.426, de 27/04/2008, cerne do direito creditório reclamado pela interessada, estabelece o seguinte: Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do MercosulNCM, relacionados no Anexo I; II químicos intermediários de síntese, classificados no Capítulo 29 da NCM e relacionados no Anexo II, no caso de serem: vendidos para pessoa jurídica industrial, para serem utilizados na fabricação dos produtos relacionados no Anexo I; ou importados por Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10830.917283/200958 Resolução nº 3802000.150 S3TE02 Fl. 1.211 5 pessoa jurídica industrial, para serem utilizados na fabricação dos produtos relacionados no Anexo I; III destinados ao uso em hospitais, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, campanhas de saúde realizadas pelo poder público, laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, classificados nas posições 30.02, 30.06, 39.26, 40.15 e 90.18, da NCM, relacionados no Anexo III deste Decreto. A recorrente, de fato, tem como atividade principal o “comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios”, CNAE 46.451/01, como consta de seu cadastro junto ao CNPJ. Portanto, ao menos em tese, faz jus à alíquota zero sobre a receita de vendas no mercado interno e sobre a importação dos produtos químicos discriminados pelos anexos ao Decreto nº 6.426/08, bem como sobre as vendas a hospitais, clínicas, consultórios e demais instituições e destinações previstas no inciso III do artigo 1º do citado decreto. Nesse sentido, a empresa, no anexo III ao seu recurso, elenca diferentes “produtos para uso em laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas e em hospitais, clínicas e consultórios médicos odontológicos e em campanhas de saúde realizadas pelo poder público”. No anexo II relaciona as notas fiscais com e sem benefício do PIS e da COFINS nos termos do Decreto nº 6.426/08. Acosta ainda aos autos cópias de folhas do Razão Analítico da conta 621014 (revenda de mercadorias), bem como de lançamentos do recolhimento da contribuição, do registro dos créditos pelo recolhimento a maior no período de abril de 2008 a março de 2009, da atualização monetária do crédito reclamado, bem como da compensação objeto dos autos, todos consignados no Livro Diário. Entendo que a documentação acostada aos autos demonstra verossimilhança do direito reclamado pelo sujeito passivo, cuja liquidez e certeza, todavia, há que ser apurada pela unidade que jurisdiciona a interessada. Diante do exposto, voto para que o julgamento seja convertido em diligência a fim de que a DRF apure a certeza e a liquidez dos créditos aduzidos pela recorrente para fins da compensação objeto dos autos, inclusive verificando se o crédito reclamado já não foi efetivamente considerado à época da ocorrência do fato gerador. Uma vez concluído tal levantamento, intimese o contribuinte para manifestação, e, após, sejam devolvidos os autos a esta Turma para julgamento do mérito. Sala de Sessões, em 25 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 16327.906328/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Marcelo Baeta Ippolito.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Marcelo Baeta Ippolito.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Marcelo Baeta Ippolito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 06 32 8/ 20 10 -7 9 Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.892 2 Relatório PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos próprios com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, no valor de R$ 82.333.048,69 por meio de PER/DCOMPs. O despacho decisório de fls. 81 a 90, prolatado em 05/10/2010, não reconheceu qualquer crédito por inexistência de saldo negativo de IRPJ. O relatório do acórdão de primeira instância assim descreveu os fundamentos dessa decisão (fl. 464): 2. Na Fundamentação da decisão, a autoridade consigna que as parcelas que teriam gerado o direito creditório pleiteado, referentes a Imposto de Renda pago no Exterior, Imposto de Renda retido na Fonte – IRRF, e Pagamentos (de Estimativas) não teriam sido suficientes para a quitação do IRPJ devido do anocalendário de 2007, de R$ 1.004.829.101,92, e produzirem o Saldo Negativo de IRPJ declarado para o ano, de R$ 82.333.048,69, este, após a apuração, constatado inexistir. Todo o valor declarado de Imposto de Renda Pago no Exterior, de R$ 94.074.553,61, não pode ser confirmado, bem como do total do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF declarado, de R$ 5.684.848,01, teria sido comprovada apenas parte, correspondente a R$ 1.871.792,57, por falta de retenção ou por não oferecimento à tributação das respectivas receitas. 3. Em conseqüência, a autoridade apurou valor devedor consolidado para pagamento até 29/10/2010, relativo aos débitos indevidamente compensados mediante as referidas DCOMP´s, de R$ 91.574.142,05, de principal, R$ 14.526.212,29, de juros, e de R$ 18.314.828,38, de multa. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, a empresa sucessora do contribuinte por incorporação apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1 a 22), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância, que descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 464 a 466): i) a autoridade não teria buscado a verdade material no lançamento, porquanto as fontes pagadoras não teriam sido intimadas a apresentar os informes de rendimentos comprobatórios das retenções de IR/Fonte do anocalendário de 2007, retenções estas tidas como não comprovadas; ii) o IR incidente sobre operações com controladas no Exterior, que totalizaria o mencionado valor de R$ 94.074.553,67, teria sido efetivamente recolhido e se referiria a: a. R$ 2.166.296,25, de imposto pago no Exterior relativo a venda de ações na controlada REAL PARAGUAYA DE SEGUROS S/A, em favor de MAPFRE AMÉRICA, conforme documento que anexa (fls. 234 a 237); b. R$ 26.002.030,10, de retenção de IR no Exterior relativo a rendimentos auferidos com títulos de valores mobiliários, Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.893 3 rendimentos esses dos quais, com outros, teria resultado o lucro reconhecido da controlada Banco ABN AMRO REAL S/A – Grand Cayman, consoante documentos que junta (fls. 238 a 301); c. parte (R$ 65.906.227,32) do valor de R$ 94.475.946,69 retido na fonte por ocasião da remessa de juros em favor da controlada estabelecida nas Ilhas Cayman, consoante documentos que junta (fls. 302 a 445); iii) o total de R$ 5.684.848,01 de IR na fonte, que incluiria os R$ 3.813.055,44 tidos como não comprovados pela autoridade fiscal, teria sido efetivamente retido pelas fontes pagadoras, tendo em conta que: a. no que respeita ao IR Fonte incidente sobre prestações de serviços diversos, código 1708, todos os valores constantes das planilhas “Imposto de Renda Retido na Fonte” (fls. 80 a 87) preparadas pela autoridade, e referentes ao mencionado código, totalizando R$ 110.599,94, teriam sido retidos conforme os documentos “Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica”, que junta (fls. 158 a 166); b. no que tange aos valores de IRRF, código 5706, incidente sobre pagamento de Juros sobre Capital Próprio (fls. 167 a 171), que totalizariam R$ 204.034,35, também teriam havido a retenção, a saber: R$ 35.405,21, referentes ao anocalendário de 2006, conforme constaria do “Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica” (fl. 167 ), documento esse recebido apenas em 2007, e, por isso, estaria constando da DIPJ do anocalendário de 2007; os demais valores (restantes que integralizariam os mencionados R$ 204.034,35), contidos no “Informe de Rendimentos Financeiros e Posição Acionária” (fls. 168 a 171) referirseiam a pagamentos feitos em 2006 ao Banco Real, incorporado pelo Banco ABN em 2000, que, por sua vez, teria sido incorporado pelo interessado; c. da mesma forma, teria sido retido o valor de IRF de R$ 3.592.448,75, código 8045, incidente sobre rendimentos recebidos em decorrência de prestação de serviços de corretagem, consoante mostrariam os comprovantes que junta (fls. 172 a 233), bem como os comprovantes de retenção efetuada por outras pessoas jurídicas nos valores de R$ 11.106,31 (fl. 232) e R$ 1.423,44 (fl. 233); iv) desta forma, tendo apresentado todos os comprovantes das retenções de IR realizadas no anocalendário de 2007, não haveria como prevalecer o despacho decisório que, por estar em desconformidade com o princípio da verdade material, deveria ser reformado, e homologadas as compensações efetuadas. Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.894 4 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 462 a 472): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DECORRENTE DE IREXTERIOR E IRRF. INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE LEGALIZAÇÃO DE DOCUMENTO, DE COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS CORRESPONDENTES AOS TRIBUTOS ALEGADAMENTE PAGOS E POR INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Para fins de dedução no IRPJ devido do ano, do imposto de renda pago no Exterior, o contribuinte deve, entre outros requisitos, dispor do documento comprobatório do referido pagamento, reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado Brasileiro local. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital no Exterior, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital, se computados no lucro real. O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em País com tributação favorecida, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil, quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. O imposto retido na fonte por ocasião do recebimento de rendimentos relativos à prestação de serviços de corretagem, serviços diversos e a juros sobre capital próprio, possui caráter de antecipação do IRPJ devido do ano, e, por isso, para ser levado à Declaração, devem os respectivos rendimentos integrar as receitas oferecidas à tributação na DIPJ, observandose o regime de competência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) para o IRExterior na DIPJ do anocalendário de 2007, de R$ 94.074.553,67, o contribuinte deixou de demonstrar que os rendimentos aos quais se referem as parcelas que o constituem, foram, de fato, computados na apuração do lucro real do anocalendário de 2007, Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.895 5 nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995 e do artigo 9º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; b) para a parcela de R$ 2.166.296,25, que compõe o valor citado no item anterior, também o documento apresentado não é apto para a comprovação pretendida, vez que não produz efeitos legais no Brasil em razão da falta de sua legalização pelo Consulado Brasileiro no Paraguai, país onde a retenção teria sido feita, consoante exigido pelo artigo 26, parágrafo 2º, da Lei nº 9.249, de 1995; c) para a parcela de R$ 26.002.030,10, que também compõe o valor do item “a”, além de se não demonstrar, de forma precisa, terem os rendimentos que deram origem à retenção em questão sido incluídos nas receitas geradoras dos lucros disponibilizados, não se apresentaram os documentos comprobatórios das alegadas retenções e recolhimentos, os quais, consoante o artigo 26, parágrafo 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, devem ostentar o reconhecimento tanto do órgão arrecadador no Exterior como do Consulado Brasileiro no País; d) para a parcela de R$ 65.906.227,32, que também compõe o valor do item “a”, deixouse de evidenciar que os rendimentos remetidos à filial, sediada em paraíso fiscal no Exterior, nas Ilhas Cayman, correspondentes a essas retenções, tenham sido incluídos nas receitas e rendimentos daquela Filial que teriam gerado os lucros disponibilizados para a Matriz no Brasil, no anocalendário de 2007, conforme requerido pelo artigo 9º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; e) para as parcelas de R$ 3.592.448,75, R$ 11.106,36, R$ 1.423,44 e R$ 110.599,94, relativa a imposto de renda retido na fonte, não se comprovou que rendimentos objeto das referidas retenções tenham sido oferecidos à tributação na apuração do lucro real do anocalendário de 2007. f) para a parcela de R$ 204.034,35, relativa a imposto de renda retido na fonte sobre juros sobre o capital próprio, ela referese ao ano de 2006, e deveria respeitar o regime de competência, nos termos do art. 9º, § 3º, da Lei nº 9.249, de 1995, e não pode compor o saldo negativo de 2007. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 2/6/2011 (fl. 480), a sucessora do contribuinte apresentou, em 1º/7/2011, o recurso voluntário de fls. 482 a 522, acompanhado dos documentos de fls. 545 a 1.883, onde afirma que: a) a decisão da DRJ é nula, pois deixou de apreciar expressamente diversas razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Como é requisito indispensável da decisão de primeira instância administrativa fiscal federal a abordagem expressa de todos os aspectos e argumentos levantados na manifestação de inconformidade, o não cumprimento de tal obrigatoriedade enseja caracterização de cerceamento de defesa, que implica nulidade da decisão; b) os JCP pagos pela empresa Gerdau Aços Longos foram pagos ao Banco Real S/A (CNPJ n° 17.156.514/000133), sucedido por Banco ABN Amro Real S/A (CNPJ n° 33.066.408/000115), no anocalendário de 2006, mas foram registrados contabilmente e Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.896 6 declarados em DIPJ do Recorrente apenas no anocalendário de 2007, como sucessor do Banco ABN Amro Real S/A (CNPJ n° 33.066.408/000115). Com relação ao JCP recebido da empresa CIBRASEC Companhia Brasileira de Securitização (CNPJ n° 02.105.040/000123), recebeu o “Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica”, relativo ao recebimento de referido rendimento somente em 2007; c) no entanto, devese ter em conta que os valores pagos a título de JCP, e, consequentemente, o IR/Fonte sobre eles incidentes, muito embora se refiram ao ano calendário de 2006, foram efetivamente tributados apenas no anocalendário de 2007, ano no qual recebeu os informes dos rendimentos e das retenções sobre eles incidentes, conforme se pode verificar pela análise dos razões contábeis e da DIPJ relativa ao anocalendário de 2007. Porém, devese ter em conta que o artigo 9o da Lei 9.249, de 1995, permitiu que a pessoa jurídica remunerasse os participantes de seu capital por meio do pagamento de juros sem, contudo, fazer qualquer menção a um limite de tempo para o pagamento e declaração desses juros, razão pela qual o IR/Fonte no valor de R$ 204.034,35 deve ser integralmente considerado para compor o saldo negativo apurado no anocalendário de 2007, no valor de R$ 82.333.048,68; d) mesmo que se admita ser correto o entendimento da d. Turma Julgadora no sentido de que o IR/Fonte incidente sobre os JCP somente poderia ser deduzido no anobase de 2006, também não merece prosperar a decisão ora recorrida, uma vez que não houve qualquer prejuízo ao Fisco para fundamentála. Isso porque a dedução do IR/Fonte incidente sobre JCP em anocalendário posterior ao do anobase para o referido cálculo não postergou o pagamento de nenhum imposto/contribuição, nem tampouco reduziu indevidamente o lucro real em qualquer período de apuração, não gerando, com isso, prejuízo à Fazenda Pública; e) os rendimentos decorrentes da prestação de serviços de corretagem, no valor de R$ 3.579.919,00, compuseram o lucro real relativo ao anocalendário de 2007, e as retenções foram efetuadas pelo próprio recorrente, como demonstram os DARFs, planilhas e balancetes anexados. Ademais, mesmo que os rendimentos pagos (sobre os quais incidiram o IR/Fonte que compôs o saldo negativo do anocalendário de 2007) não tivessem sido computados no lucro real do referido ano, o que se alega apenas a título argumentativo, fato é que este pagamento se configuraria como pagamento indevido e, como consequência, também haveria a geração do crédito passível de compensação nos presentes autos; f) do mesmo modo, devem ser reconhecidos os valores de IRRF de R$ 11.106,31 e R$ 1.423,44, também relativos à prestação de serviços de corretagem, retidos pelas fontes pagadoras SulAmérica Investimentos DTVM e Kinomaxx Propaganda Ltda, conforme comprovado pelos “comprovantes de rendimentos pagos ou creditados e imposto retido na fonte de pessoa jurídica” apresentados juntamente com a Manifestação de Inconformidade; g) também devem ser reconhecidos os valores de IRRF de R$ 110.599,94, relativos à prestação de serviços por pessoas jurídicas estabelecidas no país, conforme comprovado pelos “comprovantes de rendimentos pagos ou creditados e imposto retido na fonte de pessoa jurídica” apresentados juntamente com a Manifestação de Inconformidade; h) verificase que a Fiscalização não buscou a verdade material no presente caso, porquanto o Recorrente não foi intimado, em nenhum momento antes da decisão ora recorrida, a apresentar a comprovação de que os rendimentos, sobre os quais incidiram o Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.897 7 IR/Fonte ora questionado, compuseram o lucro real do anocalendário de 2007, o que seria de rigor; i) trouxe aos autos documentos que demonstram que o IR/Fonte decorrente de operações no exterior, no valor total de R$ 94.074.553,67, é relativo a rendimentos que compuseram o resultado do anocalendário de 2007, e estão comprovados por documentos que possuem efeito legal no Brasil; j) quanto ao IR/Fonte incidente sobre os rendimentos de R$ 2.166.296,25, trouxe cópia consularizada do comprovante de retenção do imposto incidente sobre a operação de venda das Ações da Real Paraguay para a Mapfre, com tradução juramentada, e demonstração do resultado do anocalendário de 2007, que demonstra que o ganho de capital auferido com a venda das referidas ações compôs o lucro real do período (contabilizado no balanço de dez/2007, no cosif 7.3.1.10.00.6, conta 0052523, item 000975290); l) quanto ao IR/Fonte incidente sobre os rendimentos decorrentes da aquisição, pela empresa controlada sediada nas Ilhas Cayman (Banco ABN AMRO Real Grand Cayman), de títulos de valores mobiliários no exterior, no valor de R$ 26.002.030,10, apresenta cópia do comprovante de retenção do imposto devidamente consularizado, bem como demonstração da contabilização dos rendimentos na filial e o reconhecimento do lucro da filial pelo recorrente; m) quanto ao IR/Fonte incidente sobre os valores de juros remetidos ao exterior, no valor de R$ 65.906.227,32, apresenta demonstração da contabilização dos rendimentos na filial e o reconhecimento do lucro da filial pelo recorrente. Ao final, requer o conhecimento e o provimento do recurso voluntário, seja em razão das preliminares, seja em razão do mérito, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e cancelamento do Despacho Decisório. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em agosto de 2013, numerado digitalmente até a fl. 1.890. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.898 8 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de pedido de compensação de débitos próprios com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, no valor de R$ 82.333.048,69. 1. PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida, que teria deixado de apreciar expressamente diversas razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Entende o contribuinte que, como a abordagem expressa de todos os aspectos e argumentos levantados na defesa seria requisito indispensável do julgado, o não cumprimento de tal obrigatoriedade enseja caracterização de cerceamento de defesa, que implica nulidade da decisão. Entretanto, o julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita, não se tem por omisso o julgado. Desta forma, entendo que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da manifestação de inconformidade, bem como os documentos a ela acostados, e decidiu de forma coerente e motivada, pelo que rejeito a preliminar suscitada de nulidade da decisão de 1a instância. 2. MÉRITO De acordo com o despacho decisório de fls. 81 a 90, as parcelas que formam o saldo negativo em discussão, bem como os valores considerados como comprovados, são os seguintes: Pleiteado Confirmado Justificativa IR Exterior 94.074.553,67 0,00 Pagamento no exterior não comprovado RETENÇÕES FONTE 5.684.848,01 1.871.792,57 Retenções não comprovadas/Receitas não oferecidas à tributação PAGAMENTOS 987.470.460,37 987.470.460,37 Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.899 9 Passemos à análise das duas primeiras rubricas, ainda pendentes de comprovação. 2.1. IRExterior O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre operações realizadas com o exterior, no total de R$ 94.074.553,67, está assim composto: Ganhos com vendas de ações no exterior 2.166.296,25 Ganhos com títulos de valores mobiliários no exterior 26.002.030,10 Remessas de juros a filial no exterior 65.906.227,32 2.1.1 IR sobre ganhos com vendas de ações no exterior – R$ 2.166.296,25 Essa parcela se refere a imposto pago no exterior sobre ganhos com venda de ações da empresa REAL PARAGUAYA DE SEGUROS S/A, e a decisão recorrida não admitiu sua dedução porque: a) não houve a comprovação de que o ganho de capital relativo à venda foi computado na apuração do lucro real do anocalendário de 2007; b) o documento juntado (“Comprobante de Retención de Impuestos”) (fls. 237 a 239) não é apto para a comprovação pretendida, vez que não produz efeitos legais no Brasil em razão da falta de sua legalização pelo Consulado Brasileiro no Paraguai, país onde a retenção teria sido feita. A base legal indicada para a decisão foi o art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcrito: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.900 10 pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte americanos e, em seguida, em Reais. No voluntário, o recorrente afirma trazer: a) cópia consularizada do comprovante de retenção do imposto incidente sobre a operação de venda das Ações da Real Paraguay, com tradução juramentada (fl. 1.715 a 1.740), e; b) demonstração do resultado do anocalendário de 2007, que demonstra que o ganho de capital auferido com a venda das referidas ações compôs o lucro real do período (contabilizado no balanço de dez/2007, no cosif 7.3.1.10.00.6, conta 0052523, item 000975290) (fl. 1.851 a 1.854); Os documentos do item “a” demonstram que o Banco ABN Real S.A. realizou transação de 37.531.120.000 G, em 17/9/2007, e sofreu retenção de imposto de renda de 5.629.668.000 G. A conversão do valor do imposto, de acordo com a tabela de fl. 240, chega ao valor pleiteado de R$ 2.166.296,25. Contudo, não consegui visualizar, nos documentos do item “b”, a comprovação de que o ganho de capital compôs o lucro real no balanço de dezembro de 2007. Como o valor da transação foi de 37.531.120.000 G, e a taxa de conversão para reais era de 0,0003848, o valor que deveria se demonstrar contabilizado seria de R$ 14.441.974,98. Apesar da não comprovação do direito, penso que, pela consistência das provas apresentadas, devese oportunizar ao contribuinte seu complemento, em sede de diligência fiscal. Faço agora uma observação que vale para o restante do voto, e que deve orientar o recorrente no atendimento à diligência fiscal que se proporá. Devese entender que é de quem pleiteia o ônus de comprovar o seu direito à compensação, não bastando trazer cópia de toda sua escrituração e planilhas e documentos esparsos, e esperar que a autoridade fiscal e julgadora localizem as informações no emaranhado de lançamentos. A comprovação deve se dar de forma individualizada, demonstrandose a contabilização, na escrituração contábil, de cada rendimento relativo à retenção na fonte que pretende utilizar na composição do saldo negativo, de forma a permitir que se conclua que essas receitas foram devidamente tributadas no ano de 2007. 2.1.2 IR sobre ganhos com títulos de valores mobiliários no exterior – R$ 26.002.030,10 Essa parcela se refere à retenção de IR no Exterior relativa a ganhos com títulos de valores mobiliários obtidos pela controlada do BANCO ABN AMRO REAL S/A nas Ilhas Cayman, e a decisão recorrida não admitiu sua dedução porque: Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.901 11 a) o interessado apresentou balancetes patrimoniais da filial indicando o registro de R$ 12.798.141,15 para 06/2007 (fl. 255) e de R$ 13.203.888,95 para 12/2007 (fl. 269), perfazendo aquele total, bem como cópia da Ficha 34 – Participação no Exterior (fl. 303), onde constam os lucros disponibilizados pela filial das Ilhas Cayman, e Ficha 09b – Demonstração do Lucro Real (fl. 304) da DIPJ do anocalendário de 2007, com registro do total dos lucros disponibilizados pelas controladas no Exterior; b) contudo, não se demonstrou, de forma precisa, terem os rendimentos que deram origem à retenção em questão sido incluídos nas receitas geradoras dos lucros disponibilizados; c) além disso, não se apresentaram os documentos comprobatórios das alegadas retenções e recolhimentos, os quais, consoante o artigo 26, parágrafo 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, devem ostentar o reconhecimento tanto do órgão arrecadador no Exterior como do Consulado Brasileiro no País. No voluntário, o recorrente afirma trazer: a) cópia consularizada do comprovante de retenção do imposto incidente sobre as operações de aquisição de UK Bonds devidamente consularizado, que já havia sido apresentado na manifestação de inconformidade, acrescentando agora a tradução juramentada (fl. 1.743 a 1.850), e; b) demonstrativos do resultado de Cayman, o qual demonstram que a receita decorrente desses títulos compuseram o resultado do período: cópia dos balancetes de junho e dezembro de 2007; planilhas indicativas das receitas que originaram o pagamento dos impostos retidos e despesas tributárias onde os referidos impostos foram contabilizados; cópia das fichas da DIPJ do Banco Abn Amro Real S/A, ano calendário 2007 (fls. 1.852 a 1.880). Não localizei nos autos os comprovantes de retenção originais, que o contribuinte afirma já ter apresentado na impugnação. De qualquer modo, a tradução juramentada, trazida no voluntário, é suficiente para a comprovação. Nesse sentido, foram apresentados comprovantes de pagamentos de notas com garantia real de (classes H, G, D e A) por empresas sediadas em Londres ao Banco ABN Amro Real S.A, emitidos pela Receita Federal do Reino Unido e com selo oficial do Consulado do Brasil em Londres, nos seguintes valores: a) Pagamento bruto: $ 1.789.770; Imposto de renda deduzido: $ 357.954; Pagamento líquido: $ 1.431.816; Data 30/3/2007; b) Pagamento bruto: $ 1.901.475; Imposto de renda deduzido: $ 380.295; Pagamento líquido: $ 1.521.180; Data 29/6/2007; c) Pagamento bruto: $ 1.914.684,46; Imposto de renda deduzido: $ 382.936,89; Pagamento líquido: $ 1.521.180,56; Data 28/9/2007; d) Pagamento bruto: $ 2.049.394; Imposto de renda deduzido: $ 409.878; Pagamento líquido: $ 1.639.515; Data 28/12/2007. Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.902 12 A planilha de fl. 1.852 demonstra como esses valores foram convertidos em reais e totalizaram R$ 26.100.320,28 (R$ 6.605.540,86 em março, R$ 6.592.721,35 em junho R$ 6.337.643,82 em setembro, e R$ 6.564.414,24 em dezembro). Contudo, não consegui visualizar, nos balancetes apresentados, a contabilização dos rendimentos que deram origem às retenções. Pela consistência das provas apresentadas, devese oportunizar ao contribuinte seu complemento, em sede de diligência fiscal. 2.1.3 IR sobre remessas de juros a filial no exterior – R$ 65.906.227,32 O contribuinte buscou comprovar essa parcela, relativa às retenções na fonte efetuadas no Brasil sobre juros remetidos à filial domiciliada em Paraíso Fiscal (Ilhas Cayman), alegando que ela estaria contida no valor de R$ 94.475.946,69 e que estaria comprovada pelo demonstrativo “Composição dos Recolhimentos/Retenções de IRRF Exterior” do anocalendário de 2007 (fl. 305), e pelos comprovantes de arrecadação da RFB (fls. 306 a 445). A decisão recorrida não admitiu essa parcela como comprovada porque se deixou de evidenciar que os rendimentos remetidos à filial, sediada em paraíso fiscal no Exterior, nas Ilhas Cayman, correspondentes a essas retenções, tenham sido incluídos nas receitas e rendimentos daquela Filial que teriam gerado os lucros disponibilizados para a Matriz no Brasil, no anocalendário de 2007 (fl. 303), conforme requerido pelo artigo 9º da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, abaixo transcrito: Art. 9o O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Parágrafo único. Aplicase à compensação do imposto a que se refere este artigo o disposto no art. 26 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995. No voluntário, o recorrente ressalta que o total de retenções foi de R$ 94.475.946,69, mas que apenas parte desse valor (R$ 65.906.227,32) foi deduzido no ano calendário de 2007. Para demonstrar a contabilização dos rendimentos na filial e o reconhecimento do lucro da filial pelo recorrente, traz aos autos os seguintes documentos: a) cópia dos balancetes da filial de Cayman (fl. 1.856 a 1.873); Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.903 13 b) planilhas indicativas das receitas que originaram o pagamento dos impostos retidos e despesas tributárias onde os referidos impostos foram contabilizados (fls. 1.853 e 1.854); e c) cópia das fichas da DIPJ do Banco Abn Amro Real S/A, ano calendário 2007. Mas uma vez, não consegui visualizar, nos balancetes apresentados, a contabilização dos rendimentos que deram origem às retenções. Pela consistência das provas apresentadas, devese oportunizar ao contribuinte seu complemento, em sede de diligência fiscal. 2.2. Retenções na Fonte Para essa rubrica, que o contribuinte informou totalizar R$ 5.684.848,01, o despacho decisório reconheceu apenas R$ 1.871.792,57. Foram confirmadas as retenções constantes da tabela de fls. 83 a 89, no valor de R$ 1.777.764,97, e apenas parcialmente confirmadas retenções de R$ 94.027,60, de acordo com a seguinte tabela (fls. 89 e 90): Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 00.854.426/000102 1708 113,9 0 113,9 Retenção na fonte não comprovada 00.854.428/000100 1708 591,35 0 591,35 Retenção na fonte não comprovada 02.105.040/000123 5706 35.405,21 29.682,79 5.722,42 Receita correspondente oferecida parcialmente à tributação 02.340.278/000133 1708 7.129,22 0 7.129,22 Retenção na fonte não comprovada 02.814.094/000168 1708 26.787,23 0 26.787,23 Retenção na fonte não comprovada 06.215.483/000128 8045 1.423,44 0 1.423,44 Retenção na fonte não comprovada 07.358.761/000169 5706 58.231,65 0 58.231,65 Retenção na fonte não comprovada 07.359.641/000186 5706 10.918,43 0 10.918,43 Retenção na fonte não comprovada 07.369.685/000197 5706 4.852,63 0 4.852,63 Retenção na fonte não comprovada 07.684.413/000181 1708 642,3 0 642,3 Retenção na fonte não comprovada 08.508.718/000103 1708 1.973,30 0 1.973,30 Retenção na fonte não comprovada 08.944.184/000150 8045 958,83 0 958,83 Retenção na fonte não comprovada 17.227.422/000105 5706 94.626,43 0 94.626,43 Receita correspondente não oferecida à tributação 29.650.082/000100 1708 22.259,21 19.425,22 2.833,99 Validação respaldada pelo total das retenções na D1RF 32.206.435/000183 1708 11.106,31 0 11.106,31 Retenção na fonte não comprovada 33.066.408/000115 8045 3.579.919,00 0 3.579.919,00 Retenção na fonte não comprovada 47.193.149/000106 1708 49.145,71 44.919,59 4.226,12 Validação respaldada pelo total das retenções na DIRF 62.307.848/000115 1708 998,89 0 998,89 Retenção na fonte não comprovada TOTAL 3.907.083,04 94.027,60 3.813.055,44 Total Confirmado de Imposto de Renda Retido na Fonte: R$ 1.871.792,57 Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.904 14 A decisão recorrida não considerou comprovadas as retenções ainda em discussão, que totalizam R$ 3.813.055,44, pelos seguintes motivos: a) para a parcela de R$ 3.592.448,75 (fls. 175 a 234), relativa ao código 8045, que teria sido retida pelo próprio contribuinte por ocasião do recebimento de rendimentos decorrentes de prestação de serviços de corretagem, embora tenha juntado o “Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica” (fls. 175 a 179) emitido por ele próprio, como beneficiário, bem como quadro demonstrativo dos valores declarados em DCTF a esse título (fls. 180 e 181), e comprovantes de arrecadação da RFB (fls. 186 a 234), deixou de evidenciar que os rendimentos objeto das referidas retenções tenham sido oferecidos à tributação na apuração do lucro real do ano calendário de 2007. O mesmo acontece com os valores de R$ 11.106,36 (fl. 235) e R$ 1.423,44 (fl. 236); b) para a parcela de R$ 110.599,94 (fls. 161 a 169), relativa a IR incidente sobre prestação de serviços diversos, código 1708, deixou de evidenciar que os rendimentos objeto das referidas retenções tenham sido oferecidos à tributação na apuração do lucro real do ano calendário de 2007; c) para a parcela de R$ 204.034,35, retida a título de IR sobre Juros sobre Capital Próprio (fls. 170 a 174), ela se refere ao anocalendário de 2006, não podendo ser deduzida no ano de 2007, pois deve obedecer ao regime de competência, visto que possui natureza de antecipação, conforme previsto no artigo 9º, parágrafo 3º, da Lei nº 9.249, de 1995. No voluntário, o recorrente afirma que todos os valores que originaram as retenções compuseram o lucro real e que, apesar dos JCP se referirem ao ano de 2006, eles só foram tributados em 2007, ano no qual recebeu os informes dos rendimentos e das retenções sobre eles incidentes, conforme se pode verificar pela análise dos razões contábeis e da DIPJ relativa ao anocalendário de 2007. Além disso, argumentou que se deve ter em conta que o art. 9o da Lei 9.249, de 1995, permitiu que a pessoa jurídica remunerasse os participantes de seu capital por meio do pagamento de juros sem, contudo, fazer qualquer menção a um limite de tempo para o pagamento e declaração desses juros. E se assim não fosse, haveria que se considerar que não houve qualquer prejuízo ao Fisco, pois a dedução do IR/Fonte incidente sobre JCP em ano calendário posterior ao do anobase para o referido cálculo não postergou o pagamento de nenhum imposto/contribuição, nem tampouco reduziu indevidamente o lucro real em qualquer período de apuração. Para comprovar a tributação dos rendimentos de corretagem e de prestação de serviços, apresenta: a) planilha contendo resumo dos valores declarados em DCTF, para o código 8045, identificando quais DARF's foram objetos de auto retenção (fls. 546 a 547), bem como cópias dos movimentos mensais, extraídas do sistema de recolhimento de impostos (fls. 548 a 561). b) balancetes de junho e dezembro/2007 (fls. 563 a 1.714), que demonstram que as receitas foram contabilizadas nas contas a seguir: Cosif 7.1.7.45.002 Rendas de Comissão e Colocação de Títulos Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.905 15 Cosif 7.1.7.70.008 Rendas de Serviços de Custódia Cosif 7.1.7.99.003 Rendas de Outros Serviços Conta 0056103 Receitas de Intercâmbio De início, há que se esclarecer que o reconhecimento das receitas relativas a juros sobre o capital próprio deve obedecer ao regime de competência, e deve se dar no momento do pagamento ou crédito, como se pode depreender dos §§ 2o e 3o do o art. 9o da Lei 9.249, de 1995, abaixo transcritos: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. (...) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; (...) Assim, como pagos no ano de 2006, era nesse anocalendário que deveriam ter sido tributados os rendimentos e deduzido o imposto de renda sobre eles retido. A discussão que ora se impõe é se, tributados os rendimentos em ano posterior, seria possível a dedução do imposto de renda retido na fonte. Por óbvio, a solução da decisão recorrida não pode ser admitida: não reconhecer a dedução do tributo retido, mas manter a tributação do rendimento. Assim, somente posso divisar duas soluções razoáveis: admitir tanto o rendimento quanto a dedução do IRRF, mesmo que em ano posterior, ou não deduzir o imposto retido, mas recalcular o imposto devido sem o cômputo do rendimento. No caso, penso ser possível admitir o pleito do recorrente. Não se pode esquecer que, para ser possível a dedução do imposto retido na fonte na determinação do saldo de imposto a pagar, as únicas exigências legais são que as receitas sobre as quais o tributo incidiu tenham sido computadas na determinação do lucro real, como se depreende do inciso III do art. 231 do RIR/99, e que se apresente comprovante de retenção emitido em nome do contribuinte pela fonte pagadora, nos termos do § 2º do art. 943 do RIR/99, dispositivos abaixo transcritos: Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.906 16 Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). (...) § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). É claro que isso não significa que se pode admitir que o contribuinte escolha livremente em qual exercício computará os rendimentos e sua retenção na fonte, independentemente do regime de competência, em especial quando tal procedimento implique em resultado tributário favorável em função do exercício de contabilização escolhido. Contudo, no caso, como já está decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo à postergação do rendimento tributável de 2006 para 2007, penso ser razoável considerar essa tributação como definitiva, e reconhecer o direito de o imposto de renda retido na fonte compor o saldo negativo de 2007, desde que comprovada a tributação dos rendimentos correspondentes. Isso no campo do direito. No campo dos fatos, não consegui localizar a contabilização dos JCP constantes dos comprovantes de rendimentos de fls. 170 a 174 nos balancetes de junho e dezembro/2007 (fls. 563 a 1.714). Não consegui, também, localizar, nos mesmos balancetes, a contabilização dos receitas de prestação de serviços diversos, constantes dos comprovantes de rendimentos de fls. 161 a 169, nem dos rendimentos decorrentes de prestação de serviços de corretagem, constantes do comprovante de rendimentos de fls. 175 e da planilha de fls. 176 a 179. Além disso, a autoridade julgadora, apesar de citar os comprovantes de rendimentos e DARFs, não deixou claro se verificou a existência dos recolhimentos no código 8045, efetuados pelo contribuinte, nem se as retenções na fonte nos códigos 1708 e 5706 Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.907 17 estavam incluídas nos comprovantes de rendimentos. Tais fatos devem ser verificados em sede de diligência fiscal. Assim, devese oportunizar ao contribuinte a demonstração, de forma individualizada, da contabilização dos rendimentos relativos às retenções na fonte que pretende utilizar na composição do saldo negativo a compensar. Não se deve esquecer que somente é necessária a comprovação da escrituração dos rendimentos relativos às retenções não admitidas pelo despacho decisório sob análise, que se encontram listadas na tabela que inicia esta seção do voto, e que segue abaixo transcrita, separada por código de receita. Código de Receita 1708 CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOM P Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 00.854.426/000102 1708 113,9 0 113,9 Retenção na fonte não comprovada 00.854.428/000100 1708 591,35 0 591,35 Retenção na fonte não comprovada 02.340.278/000133 1708 7.129,22 0 7.129,22 Retenção na fonte não comprovada 02.814.094/000168 1708 26.787,23 0 26.787,23 Retenção na fonte não comprovada 07.684.413/000181 1708 642,3 0 642,3 Retenção na fonte não comprovada 08.508.718/000103 1708 1.973,30 0 1.973,30 Retenção na fonte não comprovada 29.650.082/000100 1708 22.259,21 19.425,22 2.833,99 Validação respaldada pelo total das retenções na D1RF 32.206.435/000183 1708 11.106,31 0 11.106,31 Retenção na fonte não comprovada 47.193.149/000106 1708 49.145,71 44.919,59 4.226,12 Validação respaldada pelo total das retenções na DIRF 62.307.848/000115 1708 998,89 0 998,89 Retenção na fonte não comprovada TOTAL 120.747,42 64.344,81 56.402,61 Código de Receita 5706 CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOM P Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 02.105.040/000123 5706 35.405,21 29.682,79 5.722,42 Receita correspondente oferecida parcialmente à tributação 07.358.761/000169 5706 58.231,65 0 58.231,65 Retenção na fonte não comprovada 07.359.641/000186 5706 10.918,43 0 10.918,43 Retenção na fonte não comprovada 07.369.685/000197 5706 4.852,63 0 4.852,63 Retenção na fonte não comprovada 17.227.422/000105 5706 94.626,43 0 94.626,43 Receita correspondente não oferecida à tributação TOTAL 204.034,35 29.682,79 174.351,56 Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.906328/201079 Resolução nº 1102000.228 S1C1T2 Fl. 1.908 18 Código de Receita 8045 CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOM P Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 06.215.483/000128 8045 1.423,44 0 1.423,44 Retenção na fonte não comprovada 08.944.184/000150 8045 958,83 0 958,83 Retenção na fonte não comprovada 33.066.408/000115 8045 3.579.919,00 0 3.579.919,00 Retenção na fonte não comprovada TOTAL 3.582.301,27 0,00 3.582.301,27 3. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: a) dê ciência desta resolução ao contribuinte; b) intime o contribuinte a demonstrar, com base em sua contabilidade, a escrituração individualizada das receitas e da retenção na fonte do imposto de renda que pretende compor o saldo negativo, nos termos da análise efetuada nas seções 2.1.1, 2.1.2, 2.1.3 e 2.2 do presente voto, concedendo o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para tanto; c) confirme a existência dos recolhimentos no código 8045, efetuados pelo contribuinte, e a informação das retenções na fonte nos códigos 1708 e 5706 nos comprovantes de rendimentos, como descrito na seção 2.2; d) analise as informações obtidas no item “b”, concluindo quais rendimentos foram devidamente contabilizados; e) elabore relatório de diligência circunstanciado, especificando qual o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 a que o sujeito passivo tem direito; f) dê ciência desse relatório ao contribuinte para sobre ele se manifestar, caso deseje, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a este Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/ 02/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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