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Numero do processo: 10880.720636/2014-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP nº. 30844.07500.211210.1.7.578207, transmitida em 21/12/2010, cujo crédito, no valor de R$ 71.035.216,72 (corrigidos até a data da transmissão), que é oriundo de processo judicial e referese a diferenças de PIS (período 02/1999 a 11/2002) e de COFINS (período 03/2002 a 01/2004), originados de pagamentos a maior em razão do alargamento da base de cálculo instituído pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 20 63 6/ 20 14 -7 1 Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10880.720636/201471 Resolução nº 3402001.176 S3C4T2 Fl. 1.277 2 Consta dos autos que a Recorrente ajuizou a Ação Ordinária n° 1999.38.00.0302541, buscando albergue judicial para assegurarlhe a inexigibilidade do recolhimento do PIS e da COFINS na forma prevista pelas Leis 9.715/98 e 9.718/98, obtendo decisão favorável transitada em julgado em 15.03.2006, a qual afastou a aplicação da base de cálculo ampliada pelo §1°, art. 3°, da Lei nº 9.718/98, conforme atesta a certidão de inteiro teor que repousa à fl. 28 dos autos. Uma vez que a Recorrente possuía decisão transitada em julgado que lhe assegura o recolhimento do PIS e COFINS apenas sobre o faturamento, a mesma em 30/10/2009, protocolou o Pedido de Habilitação de Crédito no PAF n° 19647.100262/200942, formalizado na DRF/RecifePE (fl. 24), em nome da TIM Nordeste S/A (incorporada pela TIM CELULAR em 31/12/2009), colacionando naquela oportunidade uma planilha atestando os valores indevidamente recolhidos (fls. 25/27), assim como a comprovação de todos os pagamentos realizados a maior entre o período de 02/99 e 01/2004 (quitados por meio de guia DARF e processos de compensação). O referido pedido foi deferido (Recurso Hierárquico), conforme Despacho Decisório nº 01/SRRF04/DISIT, de 07/01/2010, às fls. 71/79. Ocorre que quando da verificação dos exatos valores devidos de PIS e COFINS nos moldes da Decisão Judicial transitada em julgado, o Fisco apurou os valores de PIS e da COFINS efetivamente extintos, conforme os dados constantes nos sistemas da RFB, consolidados no anexo intitulado “Anexo III – Confirmações das extinções dos débitos confessados de PIS 81094” (fls. 615/616), bem como no anexo intitulado “Anexo IV Confirmações das extinções dos débitos confessados de COFINS 21721” (fls. 617/618). Encerrado o procedimento de verificação, a fiscalização deferiu apenas parcialmente o crédito pleiteado, no montante de R$ 39.367.192,35, conforme Parecer SAORT/DRF/ATA Nº 10820/0192/2014, de 29/06/2014 às fls. 688/656, sob o argumento de que diversos pagamentos indevidos apontados na planilha de fls. 25/27, não foram confirmados, sintetizando os valores deferidos por meio dos anexos V e VI do Despacho Decisório, que constam às fls. 619/623 destes autos. A Recorrente foi cientificada do Despacho Decisório, e não se conformando com o resultado apresentou a Manifestação de Inconformidade constante às fls. 696/717, apresentando no seu entender a ilegalidade do indeferimento do crédito cuja legitimidade foi atestada judicialmente, apresentando comprovantes que a autoridade administrativa deixou de considerar diversos recolhimentos que constavam no extrato de pagamentos da própria RFB, conforme documentos acostados às fls. 1.051/1.052 destes autos. O processo foi encaminhado para apreciação e analisando os argumentos suscitados pela Recorrente, a DRJ em Florianópolis (SC), determinou a realização de diligência fiscal para que a autoridade a quo se manifestasse acerca do computo dos pagamentos de PIS realizados em 31/01/2000, conforme despacho de diligência de fls. 1.077/1.078. Concluída a diligência fiscal pela DRF de ARAÇATUBA (SP), o Fisco propôs o deferimento de um crédito adicional de R$ 146.363,50, ao reconhecer na Informação de Diligência Fiscal (fls. 1.109/1.111), que deixou de computar os recolhimentos de PIS realizados em 31/01/2000, referentes aos períodos de apuração: fevereiro/99; março/99; abril/99; junho/99 e setembro/99. Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10880.720636/201471 Resolução nº 3402001.176 S3C4T2 Fl. 1.278 3 Regularmente intimada do resultado da diligência fiscal, a Recorrente apresenta nova petição versando sobre a diligência prolatada, insurgindose por meio da Manifestação de Inconformidade protocolizada em 03/02/2015, onde reiterou a necessidade de reconhecimento integral do crédito pleiteado. Muito embora a Recorrente tenha trazido aos autos comprovantes que atestam a suposta integralidade do crédito pleiteado, a DRJ/FNS por meio do Acórdão nº 0736.738, de 26/02/2015 (fls. 1.158/1.168), julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, deferindo um crédito adicional de R$ 146.363,50 (constatado em diligência fiscal), totalizando um montante deferido de R$ 39.513.555,85 (R$ 39.367.192,35 + R$ 146.363,50), mantendo a glosa de R$ 31.521.660,87 sob o principal argumento de que não houve a comprovação desta parcela do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 DEPÓSITO JUDICIAL.EXTINÇÃO DO CRÉDITO. O depósito judicial somente importa em extinção do crédito quando convertido em renda ao credor, ou seja, quando findo o processo judicial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em 17/03/2015 (fl. 1.177) a Recorrente foi devidamente cientificada por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB e não resignada com a r. decisão, a empresa em 16/04/2015 (fl. 1.179), interpôs o presente Recurso Voluntário (RV), (fls. 1.179/1.205) no qual, repisa os argumentos de sua impugnação e em suma, alega o descabimento das glosas dos créditos, argumentando as seguintes razões: (i) No item III.1 do RV (do Direito), requer a Nulidade do Despacho Decisório, alegando a violação ao art. 76, da IN RFB nº 1.300/2013, uma vez que ao analisar as alegações da Recorrente em sua manifestação de inconformidade, a DRJ afirmou que a Recorrente havia sido "regularmente intimada (Intimação DRF/ATA/SAORT n° 10820/035/2014) para prestar esclarecimentos em relação à DCOMP n° 30844.07500.211210.1.7.578207". Ocorre que a referida intimação (fls. 389/392) não suscitou Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10880.720636/201471 Resolução nº 3402001.176 S3C4T2 Fl. 1.279 4 dúvidas acerca da legitimidade do crédito ora pleiteado, intimando a Recorrente para corrigir apenas erros de formalização; (ii) No item III.2 do RV discorre sobre o Equívoco direito creditório decorrente do Recolhimento a maior da COFINS: aduz que conforme reconhecido no despacho decisório e no acórdão recorrido, a base de cálculo apontada pela Recorrente foi acolhida pela fiscalização, a qual apurou o valor devido à título de COFINS para o período de março/2002 à janeiro/2004 mediante a aplicação da alíquota de 3% sobre as bases constantes à fl. 25, fazendo constar os valores devidos no anexo II (fls. 613/614); Informa que visando verificar o valor indevidamente recolhido a título de COFINS, a autoridade julgadora subtraiu dos montantes apurados como devidos a quantia que julgou ter sido devidamente quitada, conforme itens 100 e 101 do Despacho Decisório, fazendo constar no anexo VI (fls. 622/623) que não haveria pagamento indevido (ou havia em montante menor que o informado pela Recorrente) constatado para os meses de março/2002, agosto/2002, setembro/2002, novembro/2003, dezembro/2003 e janeiro/2004. Reproduz no corpo do recurso o teor do anexo VI, referente aos meses mencionados; aduz que o acórdão que manteve as glosas acima não merece prosperar, posto que os valores apontados como recolhidos na tabela acima não espelham a realidade, havendo recolhimentos à maior em montante diverso do apontado para todos os meses acima referidos, conforme demonstra a seguir: a) da COFINS recolhida em março de 2002: Afirma que no despacho decisório, o Fisco aponta que foi apurado para o mês de março de 2002 um montante devido de COFINS de R$ 2.031.496,37, afirmando que houve a quitação no valor de R$ 2.094.845,62, resultando em um recolhimento à maior de R$ 63.349,25. Embora a Recorrente tenha demonstrado cabalmente que o montante recolhido referente a março/2002 não corresponde ao valor acima referido, atestando que houve um recolhimento desconsiderado no montante de R$ 10.890.936,61, a DRJ estranhamente afirmou que esta parcela do crédito não faria parte do litígio (fl. 1.165), desconsiderando esse montante, muito embora o mesmo esteja devidamente habilitado na tabela de fl. 25 dos autos e tenha composto o valor do DCOMP inicial; b) do recolhimento da COFINS referente ao período de apuração de agosto e setembro de 2002: Conforme demonstra a tabela reproduzida no início deste tópico, a autoridade fiscal informou que o valor da COFINS apurado para o período de agosto e setembro de 2002, seria de R$ 2.311.028,21 e R$ 2.150.066,27, respectivamente, dos quais somente teriam sido quitadas as quantias de R$ 2.332.093,61 e R$ 2.124.652,25. Afirma ainda a autoridade fiscal na parte do despacho decisório que foi mantida pelo acórdão em combate que, embora a Recorrente tenha confessado um débito de COFINS de R$ 3.186.620,68 (ago/02) e R$ 2.557.930,59 (set/02), as respectivas parcelas de R$ 854.527,07 e R$ 433.278,34 não haveriam sido quitadas, em virtude de configurar objeto do processo administrativo n° 10480.720796/201180, o qual encontrase suspenso por medida judicial. O entendimento da fiscalização é demonstrado na tabela constante no item 95 do despacho decisório, cujo teor dos meses de agosto e setembro de 2002 reproduz na tabela no corpo do recurso; Conclui a Recorrente que percebese que os débitos tributários da COFINS controlados no aludido processo administrativo estão inegavelmente extintos, seja por meio da decisão favorável a ser consolidada nos autos da medida judicial, seja pela conversão do depósito em pagamento definitivo, que terá como objeto exclusivamente a quitação dos débitos Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10880.720636/201471 Resolução nº 3402001.176 S3C4T2 Fl. 1.280 5 mencionados no processo administrativo, dentre eles a parcela da COFINS apurada em agosto/2002 (R$ 854.527,07) e setembro/2002 (R$ 433.278,34); c) Do recolhimento da COFINS referente ao período de apuração de novembro/2003 a janeiro de 2004: Conforme demonstra a tabela reproduzida no início deste tópico, a autoridade fiscal informou que o valor do COFINS apurado para os meses de novembro/2003, dezembro/2003 e janeiro de 2004 seriam de R$ 2.623.179,19, R$ 2.865.160,23 e R$ 2.547.844,67. Afirma ainda a autoridade fiscal que, embora a Recorrente tenha confessado um débito de COFINS de R$ 2.745.844,89 (nov/03), R$ 3.016.895,01 (dez/03) e R$ 2.576.146,71 (jan/04), não fora confirmado qualquer recolhimento referente à dez/03 e jan/04, sendo confirmada apenas a extinção da parcela de R$ 2.120.914,32 referente a novembro/03. As parcelas não confirmadas pela fiscalização foram glosadas sob o fundamento de que as compensações estão controladas no processo administrativo n° 10680.002173/2003 65, o qual se encontra pendente de julgamento no CARF; Conclui que resta cristalino que apenas na hipótese de superveniente decisão administrativa definitiva, determinando a não homologação dos débitos compensados de COFINS apurados entre novembro/03 e janeiro/04, é que referida decisão poderá surtir seus efeitos e resolver a condição de extinção do débito compensado; (iii) No item III.3 do RV do Inequívoco direito creditório decorrente do recolhimento a maior do PIS: Após a realização de diligência fiscal, a DRJ reconheceu no acórdão ora combatido a existência de pagamento indevido de PIS referente aos períodos de mar/99 (valor originário de R$ 14.197,07), abr/99 (valor originário de R$ 29.675,08), jun/99 (valor originário de R$ 2.992,01) e set/99 (valor originário de R$ 9.940,74), conferindo um crédito adicional de R$ 146.363,50; muito embora a autoridade fiscal tenha considerado os valores recolhidos a título de PIS referentes as competências de fev/99, mar/99, abr/99, jun/99 e set/99, a Recorrente se insurge contra o cômputo de multa quando da realização dos cálculos de fls. 1.087/1.100, uma vez que a legislação de regência não prevê incidência de multa para pagamentos realizados de forma espontânea, preconizado no art. 138 do CTN; ainda que fosse possível cobrar a multa computada, o mesmo somente poderia ocorrer mediante a lavratura de um auto de infração, e não por meio de despacho decisório; a) Do recolhimento indevido referente ao período de apuração de agosto/2002: A autoridade fiscal afirmou não existir o indébito de PIS no mês de Agosto/2002, no valor de R$ 189.711,70 (=R$ 690.434,48 compensado R$ 500.722,78 devido), ao argumento de que a compensação no valor R$ 690.434,48 não foi confirmada, conforme se depreende do item 92 da conclusão fiscal: "92) O valor de R$ 690.434,48 relativo a PIS de agosto/2002 não foi confirmado como extinto em nossos sistemas. Esse valor encontrase totalmente suspenso por medida judicial, conforme processo n° 10480.720.796/201180, oriundo do processo SINCOR n.° 10680.006.469/200274, vide telas e extrato dos processos, fls. 523/526'; Conforme atestam as fls. 45 a 47 do PAF nº 10480.720796/201180 (fls. 1.059/1.062 dos presentes autos doc. 08 da Manifestação de Inconformidade), bem como as fls. 523/526 destes autos, o processo encontrase suspenso em virtude do depósito e da discussão travada nos autos da Medida Cautelar n° 2007.83.00.0037145 e da Ação Ordinária n. 2007.83.00.0061767; tendo em vista que o valor apurado pela autoridade fiscal para o período em apreço é de R$ 500.722,78, e restando provado que o valor extinto por meio de compensação foi de R$ 690.434,48, resta configurado um recolhimento a maior no valor Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10880.720636/201471 Resolução nº 3402001.176 S3C4T2 Fl. 1.281 6 originário de R$ 189.711,70 (R$ 690.434,48 R$ 500.722,78), o qual deverá ser devidamente reconhecido para realizar as compensações pleiteadas nestes autos; (iv) No item III.4 do RV Da ilegalidade da diminuição do crédito originado de pedidos de compensação sob pena de DÚPLICE COBRANÇA do crédito tributário: consoante acima exposto, os valores referentes ao PIS de agosto/2002 e a COFINS de Agosto/2002, setembro/2002, novembro/2003, dezembro/2003 e janeiro/2004 não foram considerados extintos sob o argumento de que os processos administrativos n° 10480.720796/201180 e 10680.002173/200365 ainda aguardam julgamento definitivo; Assim, admitir a possibilidade de redução da parcela de crédito ainda pendente de homologação nos PAFs nºs 10480.720796/201180 e 10680.002173/200365 (mesmo ante possíveis decisões definitivas que não homologuem as estimativas compensadas) implicará na ilegal cobrança em duplicidade de um mesmo crédito tributário, razão pela qual o despacho guerreado deve ser reformado, para reconhecer a parcela referente ao PIS de agosto/2002 e a COFINS de Agosto/2003, setembro/2002, novembro/2003, dezembro/2003 e janeiro/2004; (v) No item III.5 do RV Da prejudicialidade: em razão da pendência de decisão definitiva acerca da compensação controlada nos processos nº 10480.720796/201180 e 10680.002173/200365: ante a nítida correlação existente entre o crédito pleiteado nestes autos e os Processos Administrativos nº 10680.002173/200365 (aguarda conclusão de julgamento no CARF) e 10480.720796/201180 (aguarda o desfecho da discussão judicial travada nos autos da Medida Cautelar n° 2007.83.00.0037145 e da Ação Ordinária n° 2007.83.00.0061767 com depósito judicial), impõese, ao menos, o sobrestamento deste feito até o julgamento definitivo daqueles processos, com espeque no artigo 265 do CPC. Ante todo o exposto, requer que seja integralmente reformado o acórdão hostilizado, e por conseguinte acolhido o presente recurso voluntário para deferir integralmente o crédito pleiteado com a conseqüente homologação das compensações declaradas. Eventualmente, ante a prejudicialidade existente entre a decisão dos presentes autos e a decisão definitiva a ser proferida no processo n° 10680.002173/200365 e 10480.720796/201180, requer seja determinado o sobrestamento do presente até o julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 3. Objeto da lide Como consignado no Relatório, o presente feito trata da análise da Declaração de Compensação Eletrônica DCOMP nº 30844.07500.211210.1.7.578207, transmitida em 21/12/2010 (fls. 02/05), retificadora da DCOMP n.º 36433.86289.251110.1.3.577546, cujo crédito referese a diferenças de PIS e da COFINS pagos a maior, realizados entre fevereiro de Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10880.720636/201471 Resolução nº 3402001.176 S3C4T2 Fl. 1.282 7 1999 e janeiro de 2004, no montante atualizado de R$ 71.035.216,72, utilizado para compensar débitos próprios, em razão do alargamento da base de cálculo instituído pelo art. 3°, §1°, da Lei 9.718/1998, já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como essa DCOMP, na época dos fatos, utilizase de crédito oriundo de processo judicial, a saber, Ação Ordinária nº 1999.38.00.0302541, impetrada em 20/08/1999 na Justiça Federal 7ª Vara da Seção Judiciária de MG, (conforme cópia da certidão de inteiro teor, fls. 28), a DCOMP somente foi recepcionada pela DRF após prévia habilitação do crédito, conforme previsto no artigo 71 da Instrução Normativa IN n.º 900, de 30/12/2008. Verificase o processo apenso a este (AUTO DE INFRAÇÃO), que em decorrência da não homologação das compensações de que trata o presente processo, foi lavrado Auto de Infração para a exigência de multa isolada, que deu origem ao processo administrativo nº 16692.726233/201510, em apenso. Cientificado da autuação em 22/05/2015, o contribuinte apresentou, em 19/06/2015, a impugnação, acompanhada dos documentos, na qual apresenta suas alegações de direito. 4. Proposta de Resolução Em resumo, compulsandose os autos, constatase que a Recorrente requereu em PER/DCOMP o valor de R$ 71.035.216,72 (corrigidos até a data da transmissão 25/11/2010), relativo às contribuições de PIS e de COFINS, tendo sido deferido o valor de R$ 39.367.192,04 (atualizado até 25/11/2010). Desta forma, o valor objeto do litígio, ou seja, o valor glosado, alcança o montante de R$ 31.668.024,68, conforme se verifica no Parecer SAORT/DRF nº 10820/2014 às fls. 656/688. Todavia, a Recorrente trouxe aos autos comprovantes que afirma atestar a integralidade do crédito pleiteado, no entanto a DRJ/FNS julgou apenas parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, deferindo um crédito adicional de R$ 146.363,50 (constatado em diligência fiscal), totalizando um montante deferido de R$ 39.513.555,85 (R$ 39.367.192,35 + R$ 146.363,50), mantendo a glosa de R$ 31.521.660,87, sob o argumento de que não houve a comprovação desta parcela do pagamento indevido. Pois bem. Ocorre que agora, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente alega dentre várias de suas razões, que há um equívoco no cálculo do direito creditório decorrente do recolhimento a maior da COFINS, referente ao mês de março/2002. Para tal, vejase o trecho reproduzido do "item III.2 A", do recurso à fl. 1.185 e seguintes): "A) COFINS RECOLHIDA EM MARÇO/2002 No despacho decisório, a Receita Federal aponta que foi apurado para o mês de março de 2002 um montante devido de COFINS de R$ 2.031.496,37, afirmando que houve a quitação no valor de R$ 2.094.845,62, resultando em um recolhimento à maior de R$ 63.349,25. Malgrado a Recorrente tenha demonstrado cabalmente que o montante recolhido referente a março/2002 não corresponde ao valor acima referido, atestando que houve um recolhimento desconsiderado no montante de R$ 10.890.936,61, a DRJ estranhamente afirmou que esta parcela do crédito não faria parte do litígio (fl. 1.165), desconsiderando esse montante, muito embora o mesmo esteja devidamente habilitado na tabela de fl. 25 dos autos e tenha composto o valor do DCOMP inicial". Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10880.720636/201471 Resolução nº 3402001.176 S3C4T2 Fl. 1.283 8 De fato, verificandose o contido na decisão recorrida, restou consignado que esta parcela do crédito não faria parte do litígio (fl. 1.165), e que ao meu sentir, desconsidera esse montante pago, muito embora o mesmo esteja devidamente habilitado na tabela de fl. 25 dos autos (embora com valor de R$ 10.956.665,78) e tenha composto o valor do DCOMP inicial. Vejase no trecho abaixo reproduzido: "(...)Por não ser objeto do litígio, não cabe ora se pronunciar em relação às alegações referentes ao suposto crédito de R$ 10.890.936,61 de Cofins, cuja compensação teria sido homologada no processo nº. 10680.06469/200274. Conforme já se falou acima, o litígio aqui posto se refere aos pagamentos verificados como não extintos, dentre os quais não se verifica a referida competência (março/2002)" Por outro lado, a Recorrente afirma em seu recurso que após a obtenção da decisão judicial transitada em julgado no processo n° 1999.38.000302541, apresentou no processo de habilitação (PAF nº 19648.100262/200942) todos os recolhimentos realizados indevidamente em consonância com a decisão judicial, demonstrando que para o mês de março/2002 houve um recolhimento indevido de R$ 10.956.665,78, conforme planilha demonstrativa do crédito (fl. 25) cujo teor reproduz no recurso. Esclarece que indicou no referido processo de habilitação n° 19647.100262/200942 "um recolhimento realizado no montante de R$ 12.988.162,15, apurando um pagamento indevido de R$ 10.956.665,78 em março de 2002, restando inequívoco que submeteu todo o valor recolhido em março/2002 à habilitação". E continua argumentando "(...) Que submeteu este montante à restituição por meio da sua inserção na DCOMP objeto destes autos. Portanto, o valor de R$ 10.890.936,61 recolhido indevidamente em março de 2002 compõem o indébito de R$ 71.035.216,72, pleiteado na DCOMP inicial n° 30844.07500,211210.1.7.578207, constante das fls. 02 dos autos". "(...) Vale lembrar que o processo n° 10680.006469/200274 foi apensado ao processo n° 10480.720796/201180, no qual continuam em discussão apenas as compensações não homologadas, que se referem aos débitos de COFINS de agosto e setembro de 2002, e PIS de Agosto/2002, como atestam às fls. 1.054/1.056 dos presentes autos (doe. 06 da Manifestação de Inconformidade de 13.08.2014), não havendo qualquer discussão remanescente sobre a compensação da COFINS paga como em março/2002". (Grifei) Verificandose o ANEXO IV Confirmações das Extinções dos Débitos Confessados de COFINS (21721), parte integrante do Parecer SAORT 10820/0192/2014, consta a seguinte informação (fl. 617): No ANEXO VI Diferenças Originais na Data do Vencimento Pagas a Maior PGIM COFINS (Parecer SAORT 10820/0192/20140, temos que (fl. 622): Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10880.720636/201471 Resolução nº 3402001.176 S3C4T2 Fl. 1.284 9 Consta no "rodapé" da Planilha VI, que "os valores da COFINS EXTINTOS foram apurados conforme o ANEXO IV". Desta forma, percebese que no referido Despacho Decisório, a DRF de Araçatuba aponta que foi apurado para o mês de março de 2002 um montante devido de COFINS de R$ 2.031.496,37, afirmando que houve a quitação no valor de R$ 2.094.845,62, resultando em um recolhimento à maior de R$ 63.349,25. Posto isto, levantada essa controvérsia, há que se verificar se, de fato, houve realmente um recolhimento à maior de COFINS realizado em março/2002 no montante de R$ 10.890.936,61, que segundo a Recorrente referese a débitos de COFINS do período de Fevereiro/99 a Março/02, acrescida de juros, decorrentes do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo §1°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98, declarada inconstitucional pela decisão judicial transitada em julgado no processo n° 1999.38000302541, o qual alega que foi recolhido indevidamente mediante a homologação do pedido de compensação acima transcrito nos autos do PAF n° 10680.006469/200274, e que foi desconsiderado pelo Fisco, restando portanto, esclarecer se o referido valor questionado faz ou não parte (compõe) do montante do crédito pleiteado no total de R$ 71.035.216,72 e, em caso negativo, o motivo que não foram considerados nos presentes autos. Pois bem. Como acima exposto, entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar concernente ao mês de março/2002 no valor de R$ 10.890.936,61. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte e outros elementos probatórios que ensejar necessário. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF/ ARAÇATUBA/SP, adote as seguintes providências: (i) considerando o acima exposto, proceda à análise dos fatos, argumentos e os demonstrativos apresentados no item "III.2A" do Recurso Voluntário da empresa (fls. 1.185/1.191), dando ênfase (mas não exclusividade) no que se refere a COFINS recolhida no mês de Março/2002. Para tanto, se entender necessário, intimar a interessada para apresentar outros documentos e/ou informações, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10880.720636/201471 Resolução nº 3402001.176 S3C4T2 Fl. 1.285 10 comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação discutida nestes autos. (i.a). Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF/ARAÇATUBA/SP, deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados nesta solicitação de diligência, podendo inclusive, manifestarse sobre as demais questões tratadas nos autos, objetivando a possível existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente na Declaração de Compensação contestada nos demais itens do Recurso Voluntário (fls. 1.179/1.205). Encerrada essa instrução processual, a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. (ii) com relação ao PAF nº 16692.726233/201510, que trata sobre Auto de Infração de Multa Isolada em DCOMP não homologada, o qual encontrase apensado a este processo (despacho de fl. 71 do PAF de AI e fl. 1.233 deste), verifico que não se encontra anexado aos autos a decisão da DRJ, bem como a intimação do interessado do resultado do julgamento para abrir o prazo para apresentação do recurso voluntário, se for o caso. Neste contexto, solicitase: (ii.a). caso haja Acórdão prolatado pela DRJ, providenciar anexação aos autos, e (ii.b). caso a Impugnação (processo) ainda não tenha sido apreciado pela DRJ, após a conclusão da diligência solicitada no item (i), deverá providenciar o encaminhamento do processo à DRJ para que analise a Impugnação apresentada em 19/06/2015 e que foi juntada aos autos às fls. 73/90 do PAF em apenso. Após concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000053/2003-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IPI. RESSARCIMENTO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI. COMPOSIÇÃO DE RECEITA. POSSIBILIDADE.
No cálculo do percentual entre receita de exportação e receita operacional bruta, devem ser incluídas em ambas o montante relativo à exportação de produtos não tributados pelo IPI.
Compõem a receita de exportação as vendas realizadas para o exterior ou para empresas comerciais exportadoras, com fins específicos de exportação, de produtos NT.
Numero da decisão: 9303-005.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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RESSARCIMENTO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI. COMPOSIÇÃO DE RECEITA. POSSIBILIDADE. No cálculo do percentual entre receita de exportação e receita operacional bruta, devem ser incluídas em ambas o montante relativo à exportação de produtos não tributados pelo IPI. Compõem a receita de exportação as vendas realizadas para o exterior ou para empresas comerciais exportadoras, com fins específicos de exportação, de produtos NT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 00 53 /2 00 3- 16 Fl. 826DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 204003.028, proferido pela 4º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que decidiu dar provimento parcial ao recurso para admitir a inclusão na receita de exportação dos produtos “NT”, bem como para reconhecer o direito à inclusão das aquisições de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Na parte relativa à aquisição de pessoas físicas, a decisão foi tomada por maioria. Transcrevo, inicialmente, parte que interessa do excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O interessado em epígrafe declarou a compensação dos débitos confessados fl.01 com o direito creditório que adviria do ressarcimento do crédito presumido apurado no período em destaque. Conforme consta no Despacho Decisório, o pedido de ressarcimento foi indeferido, pois foram glosadas, do cálculo do crédito presumido, as aquisições de pessoas físicas não contribuintes do PISTASEP e da COHNS', bem corno por exportar produtos não tributados ou produtos adquiridos de terceiros. Assim, pela inexistência do direito creditório, compensação não foi homologada. O acórdão da decisão recorrida restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/9/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES (PESSOAS FÍSICAS). Na apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI, integram o valor total das aquisições os valores de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem adquiridos de pessoa física ou de pessoa jurídica não contribuinte do PIS e da Cofins. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. COMPOSIÇÃO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 4 3 Compõem a receita de exportação as vendas realizadas para o exterior ou para empresas comerciais exportadoras, com fins específicos de exportação, de produtos NT. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja conhecido e provido o presente recurso especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o teor da decisão de primeira instância. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 3403001.948 e 3803003.706. Em seguida, por não ter sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento, negou seguimento ao Recurso, fls. 731/737. Houve reexame de admissibilidade do Recurso, o Presidente do CARF manteve na integra o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 745/746. A Contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo que não seja conhecido o Recurso interposto, fls.768 /792 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Com efeito, reproduzo os fundamentos do exame de admissibilidade que decidiu negar seguimento ao Recurso. Vejamos: "O recurso da Fazenda Nacional, que não transcreve a ementa da decisão recorrida, principia por afirmar, peremptoriamente, que se teria discutido o incentivo do crédito presumido de IPI na regulação que lhe deu a Lei 10.276/2001. Essa alegação é fundamental para a própria admissibilidade Fl. 828DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 5 4 do recurso, como reconhece a procuradora que o subscreve, uma vez que ela pretende rediscutir, inclusive, a inclusão das aquisições de pessoas físicas, matéria já solucionada pelo STJ no regime dos recursos repetitivos e, portanto, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF (art. 62A). Diz a Procuradoria: III.I.I – Da não aplicação do art. 62A do RICARF Preventivamente, cumpre afastar ao caso a aplicação do disposto no art. 62A do RICARF. Isso porque, por ocasião do julgamento do RESP 993.164, o Superior Tribunal de Justiça declarou ilegal a Instrução Normativa nº 23/97, que regulamenta a Lei nº 9.393/96, tendo como referência a base de cálculo do crédito presumido de IPI prevista no art. 1º da lei mencionada. Ocorre que o pedido de ressarcimento ora analisado foi formalizado tendo como parâmetro a forma de cálculo alternativa prevista na Lei nº 10.276/2001, cuja base de cálculo do crédito presumido de IPI difere daquela prevista na Lei nº 9.393/96. De fato, o art. 1º da Lei nº 10.276/2001 dispõe categoricamente que a base de cálculo do crédito presumido será a soma dos custos “sobre os quais incidiram as contribuições” para o PIS e a COFINS, disposição esta que não está presente na Lei nº 9.393/96. Logo, resta claro que o decidido pelo STJ por ocasião do julgamento do RESP nº 993.164/MG não se aplica ao crédito presumido do IPI apurado pela fórmula alternativa prevista na Lei nº 10.276/2001. Logo, resta inaplicável o disposto no art. 62A do RICARF, revelandose plenamente cabível o presente recurso especial. Ocorre que o Relatório da decisão recorrida, da lavra do Presidente Henrique Pinheiro Torres, em nenhum momento afirma que o crédito presumido foi mesmo calculado segundo o regime alternativo estabelecido pela Lei 10.276. Não há notícia de que a decisão tenha sido embargada. Além da matéria relativa às aquisições de pessoas físicas, em que o recurso é por contrariedade à lei e tem por premissa a adoção da Lei 10.276, o especial também busca enfrentar a inclusão da receita de exportação de produtos NT no numerador do quociente formado para apurar a base de cálculo do incentivo. Neste último caso, o recurso é por divergência, apresentando a Fazenda, como divergente, o acórdão 3403001.948, que cuidou também de incentivo calculado segundo o regime alternativo A decisão está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. ATIVIDADE AGRÍCOLA. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 6 5 O valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. PRODUTOS N/T. PRODUTOS REVENDIDOS. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Na apuração do coeficiente de exportação, as receitas provenientes de operações com produtos N/T e com produtos revendidos devem ser excluídas tanto da receita de exportação quanto da receita operacional bruta. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. PRODUTOS N/T. BASE DE CÁLCULO. Os valores das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes, aplicados na fabricação de produtos N/T, devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. Parecer Normativo CST nº 65/79. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. No regime alternativo do crédito presumido afastase a vedação expressa ao cálculo do crédito em relação às aquisições que não sofreram a incidência das contribuições, como é caso das compras de pessoas físicas, por força do disposto no art. 62A do RICARF (Portaria MF 256/09), em atenção ao que decidido no REsp 993.164/MG sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. TAXA SELIC. ART. 62A DO RICARF. Existindo oposição de ato estatal, mediante ação ou omissão, ao exercício do direito de crédito por parte do contribuinte, é cabível a correção do ressarcimento pela taxa Selic entre a data de apresentação do pedido e a data da efetiva utilização do crédito. No tocante à possibilidade de inclusão de receitas de exportação obtidas com produtos NT realmente a decisão apontada como paradigma a indeferiu mas baseandose integralmente na Portaria MF 93/2004, como se comprova da seguinte passagem do voto condutor, da lavra do Presidente da Terceira Turma, Conselheiro Antonio Carlos Atulim: Fl. 830DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 7 6 DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO EM RELAÇÃO A OPERAÇÕES COM PRODUTOS N/T E DA EXCLUSÃO DAS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS REVENDIDOS Relativamente ao direito ao aproveitamento do crédito presumido em relação à fabricação e exportação de produtos N/T (álcool carburante), verificase que a fiscalização excluiu o valor das exportações de álcool carburante da receita de exportação e da receita operacional bruta. A fiscalização também expurgou da base de cálculo do crédito presumido, mediante rateio, a parte dos insumos que teriam sido aplicados na fabricação do álcool carburante. Além disso, a fiscalização excluiu os valores provenientes da exportação de produtos que não sofreram processo de industrialização (revenda) e também o valor da variação cambial das exportações, consignados em notas fiscais de complemento de preço, por se referirem a exportações de produto N/T. Observese que esta exclusão não foi feita com base no argumento de que a variação cambial é uma receita financeira. Pelo contrário, a fiscalização deixou bem claro que no seu entender essa variação cambial deveria integrar as receitas de exportação e operacional bruta, pois ela é vinculada à operação de exportação. Mas no caso, como a exportação foi de álcool carburante (produto N/T) a variação cambial também deveria ser excluída tanto da receita de exportação, quanto da receita bruta. Ao contrário do que ocorre com o direito ao crédito básico de IPI em relação à matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na fabricação de produtos N/T, a questão do aproveitamento do crédito presumido em relação a esta classe de produtos vem sendo objeto de controvérsia desde a criação do crédito presumido e ainda não está pacificada no âmbito do CARF. O centro da discórdia entre o fisco e o contribuinte é o art. 6º da Lei nº 9.363/96, que autorizou o Ministro da Fazenda a definir o conceito de receita de exportação, e o fato de existirem produtos N/T que, embora estejam fora do campo de incidência do IPI, são produtos industrializados, sob o aspecto econômico. Relativamente à questão da receita de exportação, no regime alternativo o art. 1º da Lei nº 10.276/2001 estabelece a base de cálculo do crédito presumido no § 1º e a alíquota. Esse problema da manipulação do coeficiente de exportação foi resolvido pela Portaria MF nº 93/2004, da seguinte forma: “Art. 3º. O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação: (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: Fl. 831DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 8 7 I – receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II – receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora; (...)” Como se vê, a Portaria determina que as receitas que não são vinculadas à atividade industrial devem ser excluídas tanto do numerador, quanto do denominador da fração que dá origem ao coeficiente, o que impede a redução artificial do coeficiente. Com as transcrições, procurei deixar claro que o recurso fazendário não pode mesmo ser admitido em ambas as pretensões. Em primeiro lugar, no tocante à rediscussão da possibilidade de tomada de crédito presumido sobre aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas, o problema nem é tanto o art. 62A. Já se definiu que se a decisão recorrida não o aplicou como é o caso o RICARF não contém disposição, ao menos expressa, que inviabilize a subida do recurso que cumpra os demais requisitos de admissibilidade. O problema aqui é que toda a fundamentação desenvolvida no recurso especial busca apontar contrariedade ao art. 1º da Lei 10.276/2001, lei que não se aplica ao caso concreto, a menos que estejam errados tanto o relatório elaborado pelo dr. Henrique quanto aquele em que ele se baseou, ou seja, o da DRJ. Como disse acima, não há notícia de que a decisão tenha sido embargada por este suposto erro. Devo presumir, pois, correto o relatório da decisão recorrida e rejeitar o especial por esse exato motivo. No segundo tema proposto, em que o recurso alega divergência com a decisão da Terceira Turma desta atual Quarta Câmara, de certo modo o problema se inverte, dado que é a decisão pretendida como paradigma que se debruça sobre crédito calculado com base na Lei 10.276, enquanto a decisão recorrida não o fez. Mas há ainda um segundo motivo: este processo trata de crédito presumido do ano de 2002, quando inexistente a Portaria Ministerial em que o dr. Atulim baseia a análise do processo pretendido como paradigma. Vejase que o relator da decisão recorrida é claro ao citar a Portaria MF 38/97 como fundamento de sua conclusão de que não havia restrição à inclusão das vendas de mercadorias, ainda que NT na TIPI. Como se sabe, este último ato não manda como passou a fazer a Portaria 93/2004 que apenas se inclua como receita de exportação aquela parte que diga respeito a produtos industrializados. Com essas considerações, proponho NEGAR SEGUIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL". Fl. 832DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 9 8 Houve reexame de admissibilidade do Recurso, o Presidente do CARF manteve na integra o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 745/746. Com essas considerações, em atenção ao despacho de admissibilidade que negou seguimento ao Recurso, considerando que não há previsão regimental para esta Turma reanalizar o exame de admissibilidade, voto no sentido de não tomar conhecimento do Recurso interposto. Caso seja vencido quanto ao conhecimento do Recurso, passo ao julgamento do mérito. Tratase de pedido de ressarcimento e compensação de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363 de 1996, pelo sistema alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001, relativamente ao 3º trimestre do ano de 2002. Em 2ª instância administrativa, a 4ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes decidiu dar provimento parcial ao recurso para admitir a inclusão na receita de exportação dos produtos “NT”, bem como para reconhecer o direito à inclusão das aquisições de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI. A matéria devolvida no presente julgamento é somente quanto à composição do coeficiente de exportação. Neste sentido adoto como razão de decidir o voto da relatoria do exconselheiro Henrique Pinheiro Torres, no acórdão nº 9303001606. abaixo transcrito: No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: Fl. 833DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 10 9 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 834DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Fui designado para redigir o voto vencedor somente em relação ao conhecimento do recurso especial, pois acompanhei o voto do ilustre relator quanto ao mérito. Quanto ao conhecimento do recurso peço venia ao relator para discordar de suas conclusões para conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Como visto, o relator votou pelo não conhecimento do recurso especial fundamentado sobretudo no exame de admissibilidade do recurso efetuado pelo então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, efls. 731/737, o qual negou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Porém, posteriormente, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, efls. 745/746, reconheceu o equívoco do exame de admissibilidade anterior e deu seguimento ao recurso especial. O equívoco do exame de admissibilidade anterior ocorreu pelo fato de a análise ter sido restrita a somente um dos acórdãos paradigmas apresentados. Ao contrastar o segundo acórdão paradigma apresentado pela Fazenda Nacional, ficou evidenciada a existência da divergência jurisprudencial. Para tanto fundamento o conhecimento do recurso especial transcrevendo as mesmas razões expostas no despacho de Reexame de Admissibilidade de efls. 745/746, as quais adoto como razão de decidir: (...) O Presidente da Câmara negou seguimento ao recurso especial por entender que não foram atendidos os pressupostos necessários para sua admissibilidade à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, em despacho depois ratificado por esta Presidência. Intimada dos despachos que examinaram a admissibilidade do apelo, a Representação Jurídica da Fazenda Nacional volta aos autos, desta feita requerendo complementação do exame, que se teria omitido em relação ao acórdão indicado como paradigma nº 3803003.706, quanto à divergência jurisprudencial pela inclusão da receita de exportação de produtos NT no numerador do quociente formado para apurar a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Com base no art. 71 do RICARF, recepciono o recurso especial para reexame e passo a examinálo, juntamente com o despacho que lhe negou seguimento. A decisão indicada tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13974.000053/200316 Acórdão n.º 9303005.887 CSRFT3 Fl. 12 11 Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.° 9.363/96, nos termos da Súmula n.° 19 do CARF. PRODUTOS IMPORTADOS Em razão de expressa vedação do art. 1° da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido. Conforme já visto, a decisão recorrida admitiu, no cômputo da receita bruta de exportação, o valor das vendas para o exterior e para empresa comercial exportadora de produtos NT. O mero cotejo das ementas dos respectivos julgados já atesta o dissídio, pois enquanto a decisão recorrida admitiu a rubrica no cômputo da relação percentual REx/ROB, a decisão paradigmática vetou tal inclusão. (...) Diante do exposto, voto por conhecer o recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 836DF CARF MF
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Numero do processo: 11974.000511/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.)
CARF. COMPETÊNCIA.
Falece competência ao CARF para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário por decretos, os quais sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual o CARF é parte integrante.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento do direito de defesa se a notificação de lançamento não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, sendo análoga às que são julgadas ordinariamente por este Colegiado, apresentado todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. A apresentação de minuciosa defesa, abordando todos os tópicos do lançamento, é prova inconteste de que a recorrente bem compreendeu a matéria tributada e pôde apresentar sua defesa pelos meios inerentes ao processo administrativo fiscal.
AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA
O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. (Súmula CARF nº 8.)
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SOBRESTAMENTO INDEVIDO.
O lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida.
LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. PRESCRIÇÃO.
1. Uma vez constituído o crédito tributário pela notificação do auto de infração (CTN, art. 145, I) o crédito tributário já existe, e não há falar em decadência do direito de constituí-lo, porque o direito foi exercido.
2. A impugnação torna litigioso o crédito, tirando-lhe a exeqüibilidade (CTN, artigo 151, III); quer dizer, o crédito tributário pendente de discussão não pode ser cobrado, razão pela qual também não se pode cogitar de prescrição, cujo prazo só inicia na data da sua constituição definitiva (CTN, art. 174).
PREJUDICIAL DE MÉRITO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11.)
AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DESTINADA A PREVENIR A DECADÊNCIA. DESCABIMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA, INSTITUÍDA PELA LEI 10.256/2001.
É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.)
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO.
Tratando-se de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a sub-rogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no art. 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto 790, de 1993, art. 11, § 5º, a.
Numero da decisão: 2301-005.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) conhecer parcialmente do recurso voluntário, unicamente quanto: (a.1) à prejudicial de sobrestamento; (a.2) às preliminares de nulidade e, quanto ao mérito, às questões envolvendo: (a.3) a contribuição para o Senar, (a.4) a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001 (períodos de apuração 11/2001 e 12/2001) e (a.5) a incidência de multa de mora e juros para, na parte conhecida; (b) denegar o pedido de sobrestamento do feito; (c) rejeitar as preliminares, e, no mérito, (d) não reconhecer a decadência ou a prescrição do crédito tributário e (e) dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a multa de ofício dos períodos de apuração 02/2001 a 10/2001.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) CARF. COMPETÊNCIA. Falece competência ao CARF para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário por decretos, os quais sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual o CARF é parte integrante. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa se a notificação de lançamento não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, sendo análoga às que são julgadas ordinariamente por este Colegiado, apresentado todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. A apresentação de minuciosa defesa, abordando todos os tópicos do lançamento, é prova inconteste de que a recorrente bem compreendeu a matéria tributada e pôde apresentar sua defesa pelos meios inerentes ao processo administrativo fiscal. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. (Súmula CARF nº 8.) RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SOBRESTAMENTO INDEVIDO. O lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. PRESCRIÇÃO. 1. Uma vez constituído o crédito tributário pela notificação do auto de infração (CTN, art. 145, I) o crédito tributário já existe, e não há falar em decadência do direito de constituí-lo, porque o direito foi exercido. 2. A impugnação torna litigioso o crédito, tirando-lhe a exeqüibilidade (CTN, artigo 151, III); quer dizer, o crédito tributário pendente de discussão não pode ser cobrado, razão pela qual também não se pode cogitar de prescrição, cujo prazo só inicia na data da sua constituição definitiva (CTN, art. 174). PREJUDICIAL DE MÉRITO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11.) AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DESTINADA A PREVENIR A DECADÊNCIA. DESCABIMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA, INSTITUÍDA PELA LEI 10.256/2001. É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.) CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. Tratando-se de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a sub-rogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no art. 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto 790, de 1993, art. 11, § 5º, a.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2001 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) CARF. COMPETÊNCIA. Falece competência ao CARF para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário por decretos, os quais sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual o CARF é parte integrante. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa se a notificação de lançamento não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, sendo análoga às que são julgadas ordinariamente por este Colegiado, apresentado todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. A apresentação de minuciosa defesa, abordando todos os tópicos do lançamento, é prova inconteste de que a recorrente bem compreendeu a matéria tributada e pôde apresentar sua defesa pelos meios inerentes ao processo administrativo fiscal. AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. (Súmula CARF nº 8.) RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 97 4. 00 05 11 /2 01 0- 11 Fl. 421DF CARF MF 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SOBRESTAMENTO INDEVIDO. O lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. PRESCRIÇÃO. 1. Uma vez constituído o crédito tributário pela notificação do auto de infração (CTN, art. 145, I) o crédito tributário já existe, e não há falar em decadência do direito de constituílo, porque o direito foi exercido. 2. A impugnação torna litigioso o crédito, tirandolhe a exeqüibilidade (CTN, artigo 151, III); quer dizer, o crédito tributário pendente de discussão não pode ser cobrado, razão pela qual também não se pode cogitar de prescrição, cujo prazo só inicia na data da sua constituição definitiva (CTN, art. 174). PREJUDICIAL DE MÉRITO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11.) AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DESTINADA A PREVENIR A DECADÊNCIA. DESCABIMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA, INSTITUÍDA PELA LEI 10.256/2001. É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (STF, Tese de Repercussão Geral 669.) CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. Tratandose de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 3 3 da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no art. 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto 790, de 1993, art. 11, § 5º, “a”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) conhecer parcialmente do recurso voluntário, unicamente quanto: (a.1) à prejudicial de sobrestamento; (a.2) às preliminares de nulidade e, quanto ao mérito, às questões envolvendo: (a.3) a contribuição para o Senar, (a.4) a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001 (períodos de apuração 11/2001 e 12/2001) e (a.5) a incidência de multa de mora e juros para, na parte conhecida; (b) denegar o pedido de sobrestamento do feito; (c) rejeitar as preliminares, e, no mérito, (d) não reconhecer a decadência ou a prescrição do crédito tributário e (e) dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a multa de ofício dos períodos de apuração 02/2001 a 10/2001. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1644.680, exarado pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em São Paulo I (efls. 278 a 319). O processo administrativo é constituído pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) Debcad n° 35.442.5056 (efls. 02 a 56), lavrada em 27/06/2002, que versa sobre contribuições sociais devidas pelos produtores rurais pessoas físicas à Seguridade Social e devidas ao Senar, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (bovinos), nas quais a empresa adquirente pessoa jurídica é subrogada, nos termos do art. 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 8.540/92 e Lei n° 9.528/97, abrangendo os períodos de 02/2001 a 12/2001, no montante de R$24.898.624,97, consolidado em 27/06/2002. O relatório fiscal (efls. 52 a 56) informa que: (a) a autuada é agroindústria que produz e comercializa açúcar e álcool; a apuração dos valores ora lançados decorre de verificação junto à filial 000277, que emprega os trabalhadores dos setores rural e industrial; a matriz, localizada em Marechal Deodoro/AL, contempla apenas o escritório da sociedade; Fl. 423DF CARF MF 4 (b) o crédito tributário foi apurado por aferição indireta, prevista na Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 1°, 2°, 3°, 6° e no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, arts. 231, 232, 234 e 235, tendo em vista que a contribuinte não apresentou escrituração contábil; (c) para proceder à aferição indireta dos valores tidos como base para contribuição foram utilizados dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura e das Secretarias Estaduais dos Estados de SP, GO, MT e MS, relação de controle de abates junto ao Serviço de Inspeção Federal (SIF), além de relações de notas fiscais de entrada de gado fornecidas pela autuada; (d) o Anexo 2 do relatório fiscal indica a formação do grupo econômico do qual a autuada faz parte. Foi apresentada impugnação (efls. 120 a 137). Em 29/11/2002 foram juntados aos autos (a) a inicial no Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0000509 (efls. 149 a 174), no qual a recorrente solicita que não seja obrigada, na qualidade de responsável/substituta tributária, a recolher a contribuição incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural que adquire, instituída pelas Leis 8.540, de 1992 e 8.870, de 1994 (chamada então de NOVO FUNRURAL) e (b) a decisão concessiva de liminar no mandado de segurança expedida pelo Juiz Federal da 18ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo (efls. 175 a 178) e (c) a Carta INSS/GEXACT/ARR N° 21421.0/412/2002, comunicando à autuada que não caberia interposição de defesa contra as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito n°s 35.442.5048 e 35.442.5056, considerando que a propositura de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, conforme disposto no § 3°, do artigo 126, da Lei n° 8.213, de 1991. Os autos foram encaminhados à Procuradoria Especializada de Araçatuba, para acompanhamento do processo judicial até seu julgamento final (efl. 181). Em 04/04/2006 houve a transformação da Friboi Ltda. em JBS S/A, por sucessão. Em 06/06/2007, a DRF em Araçatuba encaminhou ofício à Procuradoria Regional da República da 3ª Região, “Tendo em vista o requisitado por Vossas Excelências, nos termos do ofício acima identificado, objetivando a instruir Inquérito n. 547, em trâmite perante o Superior Tribunal de Justiça” (efls. 189 a 192). Em 12/04/2012, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Araçatuba encaminhou os autos à Procuradoria Regional da Fazenda Nacional 3ª Região, em razão de sociedade sucessora JBS S/A pertencer ao domicílio de São PauloSP (efl. 215). Em 01/06/2012, a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional 3ª Região concluiu pela devolução dos autos à Receita Federal do Brasil, pois que o débito lançado encontravase com a exigibilidade suspensa em decorrência de decisão judicial então vigente no processo do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0000509 (efls. 228 e 229). Em prosseguimento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo / Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (DICAT) / Equipe de Orientação da Recuperação de Crédito (EQREC) emitiu despacho (efls. 234 a 236), determinando o prosseguimento do processo administrativo fiscal. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 4 5 A autuada foi intimada a “apresentar impugnação ou adendo à impugnação” (efl. 237 a 239). Foram apresentadas novas razões de defesa (efls. 240 a 268). A DRJ julgou a impugnação improcedente no tocante às matérias em que não houve renúncia ao contencioso administrativo e não conheceu da impugnação quanto à matéria que se encontra sub judice, em face da renúncia ao contencioso administrativo, em acórdão que recebeu as seguintes ementas (efls. 278 a 319): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/01/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. A existência de ação judicial não transitada em julgado, interposta pela empresa, acerca da exigibilidade das contribuições previstas no artigo 25, incisos I e II, da Lei n.° 8.212/91, sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, implica a constituição do crédito tributário correspondente, com o fito de se prevenir a decadência, não havendo decisão que proíba tal procedimento, e sendo o lançamento ato vinculado e obrigatório, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). A propositura de ação judicial antes do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD encontrase revestida das formalidades legais, apresentando adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, não havendo que se falar em sua nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando a NFLD e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, neste, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. AUDITOR FISCAL. EXAME DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA. Independentemente de inscrição no Conselho Regional de Contabilidade, pode o AuditorFiscal da Receita Fl. 425DF CARF MF 6 Federal do Brasil Social examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral. AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. SENAR. SUB ROGAÇÃO. São devidas as contribuições destinadas a Terceiros, assim entendidas Outras Entidades e Fundos, na forma da legislação em vigor. A empresa adquirente fica subrogada na obrigação de recolher as contribuições do produtor rural pessoa física, decorrentes da comercialização da produção rural, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. BASEDECÁLCULO. ARBITRAMENTO. É lícita a apuração por aferição indireta do saláriodecontribuição, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias é de 5 (cinco) anos, conforme previsto no Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pela NFLD foi realizado no prazo quinquenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. O prazo de prescrição conta se à partir da constituição definitiva do crédito, isto é, da data em que não mais se admita a Fazenda Pública discutir a seu respeito em procedimento administrativo. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, ambos de caráter irrelevável. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, pertencendo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. SUSTENTAÇÃO ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 5 7 administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 1º/07/2013 (efl. 353). Em 29/07/2013, foi apresentado recurso voluntário (efls. 329 a 352), sendo alegado, em síntese: (a) dever ser suspenso o processo até solução definitiva da ação judicial n° 000005006.2001.4.03.6100/SP, que afastou a exigência do crédito tributário exigido no presente lançamento, que compreende período anterior a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001; (b) a nulidade da NFLD por (b.1) discriminação insuficiente dos fatos geradores e (b.2) não restar provado que o agente fiscal autuante é regularmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade, o que caracteriza, também, abuso do poder e exercício ilegal de profissão (Lei n° 4.898/65, art. 4°, "h", e art. 47 da Lei das Contravenções Penais); (c) haver a insegurança na determinação da infração, em face da impropriedade do lançamento indireto por dados fornecidos pelo SIF e porque o Fiscal teve acesso a todas as notas fiscais, como ele mesmo relata; (d) ser parte ilegítima para responder pelo crédito tributário, pois não figura como "contribuinte" da exação, por ser considerada subrogada nas obrigações dos fornecedores pessoas físicas, estando esta obrigação fundamentada no artigo 30, inciso IV da Lei n° 8.212/91; no tocante ao Senar, a ilegitimidade é mais evidente, uma vez que, nos moldes do art. 128 do CTN, somente a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário à terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação; a contribuição ao Senar está prevista no artigo 6° da Lei n° 9.528/97 e não se submete à responsabilidade por subrogação prevista no artigo 30, incisos III e IV da Lei n° 8.212/91, que se limita às obrigações do artigo 25 da Lei n° 8.212/91; (e) a decadência do crédito tributário; (f ) caso não seja reconhecida a decadência, o crédito tributário está prescrito, especialmente a "parcela" relativa ao SENAR; (g) dever ser observado o RE 363852/MG, no qual o STF afastou a contribuição social incidente sobre as aquisições de bovinos de pessoas físicas, inclusive dos segurados especiais (Relator: Min. Marco Aurélio, Julgamento: 03/02/2010, Órgão Julgador: Tribunal Pleno). (h) ser inconstitucional o art. 25, incisos I e II, da Lei n° 8.212/91, pois inexiste, na redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, previsão da receita bruta como base de cálculo da contribuição para a seguridade social; restar ferido o princípio da isonomia tributária, uma vez que não existe um critério de discriminação válido juridicamente para o tratamento fiscal diferenciado para os produtores rurais pessoas físicas; ser rural e não ser rural (ser urbano) não são critérios de discriminação autorizados pela Constituição; haver bis in idem com a Cofins; Fl. 427DF CARF MF 8 (i) os arts. 240 da CF/88 e 62 da ADCT exigem mesmos moldes das contribuições para Senai e Sesi, sendo inconstitucional a cobrança da Contribuição para o SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção rural dos produtores rurais pessoas físicas; (j) descaber o lançamento com juros e multa, em face da suspensão da exigibilidade do crédito desde a concessão de liminar. Solicitou que as publicações e intimações sejam realizadas no nome e endereço de Dr. Fabio Augusto Chilo, OAB/SP 221.616. Em 10/11/2014, os autos foram devolvidos, pelo Despacho 301317, à unidade preparadora para ser o recurso voluntário digitalizado de forma ordenada e cronológica (efl. 360). Retornaram os autos, com a providência cumprida (efls. 366 a 410). É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SOBRESTAMENTO DO PROCESSO Alega a recorrente dever ser suspenso o processo até solução definitiva da ação judicial n° 000005006.2001.4.03.6100/SP, que afastou a exigência do crédito tributário exigido no presente lançamento, que compreende período anterior a entrada em vigor da Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001. Não lhe assiste razão. Por primeiro consigno que no presente lançamento são exigidos créditos tributários dos períodos de 02/2001 a 12/2001. A Lei 10.256, de 09 de julho de 2001, publicada em 10/07/2001, produziu efeitos a partir de 1ª de novembro de 2001, em face de seu art. 5º, que prescreve: “Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação produzindo efeitos, quanto ao disposto no art. 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada por esta Lei, a partir do dia 1º (primeiro) do mês seguinte ao 90º (nonagésimo) dia daquela publicação, sendo mantida, até essa data, a obrigatoriedade dos recolhimentos praticados na forma da legislação anterior. (Redação dada pela Lei nº 10.993, de 2004)”. Desse modo, estão sendo discutidos neste processo períodos de apuração: (a) anteriores à produção de efeitos da Lei 10.256, de 2001 – 02/2001 a 10/2001 e Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 6 9 (b) posteriores à produção de efeitos da Lei 10.256, de 2001 – 11/2001 e 12/2001. Quanto aos períodos anteriores à produção de efeitos da Lei 10.256, de 2001 (02/2001 a 10/2001), em relação aos quais a recorrente pede a suspensão do processo até solução definitiva da ação judicial n° 000005006.2001.4.03.6100/SP, não há previsão legal ou regimental para o sobrestamento/suspensão do processo para aguardar decisão judicial que verse sobre a matéria objeto do processo administrativo fiscal. O lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Nesse sentido o Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 86. O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei no 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei no9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 70). § 1o O lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto no 70.235, de 1972, art. 7o). § 2o O lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. (Grifouse.) No mesmo sentido, o Parecer Cosit 7, de 2014, do qual assumo as conclusões: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à Fl. 429DF CARF MF 10 parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. (Grifouse.) É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decretolei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Assim, quanto aos períodos anteriores à produção de efeitos da Lei 10.256, de 2001 (02/2001 a 10/2001), o lançamento em questão no presente processo deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão o desfecho da ação judicial. Por evidente, no que diz respeito aos períodos posteriores à produção de efeitos da Lei 10.256, de 2001 – 11/2001 e 12/2001, o lançamento em questão no presente processo deve seguir seu curso normal, sem qualquer limitação. DA NULIDADE DA NFLD De acordo com a recorrente, haveria nulidade da NFLD por (1) discriminação insuficiente dos fatos geradores, gerando cerceamento do direito de defesa e (2) não restar provado que o agente fiscal autuante é regularmente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade, o que caracteriza, também, abuso do poder e exercício ilegal de profissão (Lei n° 4.898/65, art. 4°, "h", e art. 47 da Lei das Contravenções Penais). Não lhe assiste razão. Não há cerceamento do direito de defesa. A NFLD não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, sendo análoga às que são julgadas ordinariamente por este Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 7 11 Colegiado, apresentado todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. Ademais, a minuciosa defesa apresentada pela autuada é prova inconteste de que ela bem compreendeu a matéria tributada e pôde apresentar sua defesa pelos meios inerentes ao processo administrativo fiscal. Na data da ciência do lançamento, 28/06/2002, vigia a Medida Provisória 46, de 25/06/2002 (convertida na Lei 10.593, de 2002), que previa as competências do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, inclusive a de examinar a contabilidade, executar auditoria e fiscalização e efetuar a lavratura de auto de infração (art. 8º): Art. 8o São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; c) examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial; d) julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário; e) reconhecer o direito à restituição ou compensação de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições; f) auditar a rede arrecadadora quanto ao recebimento e repasse das contribuições administradas pelo INSS; g) supervisionar as atividades de orientação ao contribuinte efetuadas por intermédio de mídia eletrônica, telefone e plantão fiscal; e h) proceder à auditoria e à fiscalização das entidades e dos fundos dos regimes próprios de previdência social, quando houver delegação do Ministério da Previdência e Assistência Social ao INSS para esse fim; e II em caráter geral, as demais atividades inerentes às competências do INSS. (Grifouse.) Ademais, os cargos de AuditorFiscal da Previdência Social foram transformados em cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (art. 10, I, da Lei 11.457, de 2007): Fl. 431DF CARF MF 12 Art. 10. Ficam transformados: I em cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, de que trata o art. 5o da Lei no 10.593, de 6 de dezembro de2002, com a redação conferida pelo art. 9o desta Lei, os cargos efetivos, ocupados e vagos de AuditorFiscal da Receita Federalda Carreira Auditoria da Receita Federal prevista na redação original do art. 5º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, e deAuditorFiscal da Previdência Social da Carreira AuditoriaFiscal da Previdência Social, de que trata o art. 7o da Lei no 10.593, de6 de dezembro de 2002; Desse modo, aplicase ao cargo de AuditorFiscal da Previdência Social o disposto na Súmula CARF nº 8, de reprodução obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Não há falar, portanto, em incompetência ou abuso de poder da autoridade lançadora. DA DETERMINAÇÃO DA INFRAÇÃO A recorrente alega haver insegurança na determinação da infração, em face da impropriedade do lançamento indireto por dados fornecidos pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) e porque o Fiscal teve acesso a todas as notas fiscais, como ele mesmo relata. Não lhe assiste razão. O § 6º do art. 33 da Lei 8.212, de 1991, refere expressamente que se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 8 13 Ou seja, há inversão do ônus da prova. Na determinação da base de cálculo do tributo a fiscalização se utilizou dos dados disponíveis: dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura e das Secretarias Estaduais dos Estados de SP, GO, MT e MS, relação de controle de abates junto ao Serviço de Inspeção Federal (SIF), além de relações de Notas Fiscais de Entrada de gado fornecidas pela empresa. Desse modo, caso discorde das bases de cálculo assim determinadas, é da recorrente o ônus de demonstrar, com documentação hábil e idônea, a base de cálculo que considera correta. Nada foi alegado nesse sentido. Havendo expressa previsão legal para o procedimento utilizado pela fiscalização, não há falar em impropriedade do lançamento ou de insegurança na determinação da infração. DA ILEGITIMIDADE PARA RESPONDER PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A recorrente alega ser parte ilegítima para responder pelo crédito tributário: (a) das contribuições previdenciárias a cargo das pessoas físicas, pois não figura como "contribuinte" da exação, por ser considerada subrogada nas obrigações dos fornecedores pessoas físicas, estando esta obrigação fundamentada no artigo 30, inciso IV da Lei n° 8.212/91; e (b) da contribuição para o Senar, uma vez que, esta contribuição, prevista no art. 6° da Lei n° 9.528, de 1997, não se submete à responsabilidade por subrogação prevista no artigo 30, incisos III e IV da Lei n° 8.212/91, que se limita às obrigações do artigo 25 da Lei n° 8.212/91. Contribuição do empregador rural pessoa física Quanto aos períodos de apuração 02/2001 a 10/2001, a questão da ilegitimidade para responder pelas contribuições previdenciárias a cargo das pessoas físicas não pode ser conhecida por este CARF. Ocorre que tal questão (sua legitimidade, decorrente da aludida subrogação), foi suscitada na ação judicial n° 0000050 06.2001.4.03.6100/SP, como se verifica à leitura do relatório dos Embargos de Declaração em Apelação/Reexame Necessário n° 000005006.2001.4.03.6100/SP (efls. 298 e 299 do processo 11974.000510/201076, que versa sobre as mesmas contribuições, em períodos anteriores, e está sendo julgado nesta mesma ocasião), o qual reproduzo: A União apelou, sustentando, preliminarmente, que a impetrante é parte ilegítima para pleitear a inexigibilidade da contribuição em análise, já que não suporta o seu ônus. No mérito, se bateu pela legalidade da referida contribuição. A decisão acolheu a preliminar de ilegitimidade suscitada pela União, para reformar a sentença recorrida e julgar extinto o processo sem resolução de mérito, com fundamento no artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil. Prejudicada a análise da Remessa Oficial. A impetrante sustentou em seu agravo que detém legitimidade para questionar a legitimidade da contribuição em debate nesta lide, colacionando julgados recentes do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 433DF CARF MF 14 A decisão agravada, em regime de retração, deu parcial provimento ao agravo legal, para rejeitar a preliminar de ilegitimidade e, nos termos do artigo 557, 1A, do CPC, dar provimento à apelação da União e à Remessa Oficial, para reconhecer a exigibilidade da contribuição discutida nos autos. A impetrante opôs Embargos de Declaração e Agravo com idêntico teor, alegando omissão quanto à intempestividade da apelação à época interposta pelo INSS Instituto Nacional do Seguro Social; decisão extrapetita, tendo em vista que a Lei n° 10.256/2001 não estava em vigor quando da impetração e portanto, não poderia constar da decisão agravada e, ao mesmo tempo, alega que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da Lei n° 10.256/2001, ao apreciar os REs 363.852 e 596.177. A União agravou, reiterando que a impetrante é parte ilegítima para pleitear a inexigibilidade da contribuição em análise, já que não suporta o seu ônus. (...)(Grifouse.) Como resultado, assinalado pela recorrente em seu recurso voluntário, decidiuse por sua legitimidade e, decorrentemente, pela “desnecessidade da impetrante, adquirente, recolher os valores relativos à contribuição sobre a produção rural devida pela pessoa física, prevista no artigo 25, da Lei n° 8.212/91, no período entre a impetração e a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001”: (...) 3. De fato, o presente Mandado de Segurança foi impetrado em 05/01/2001, portanto antes da edição da Lei n° 10.256/2001. 4. De acordo com o decidido pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 363.852 e no RE 596.177, este no regime do artigo 543B do CPC, são indevidas as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física na vigência da Lei n° 8.540/92. 5. Acolhidos parcialmente os embargos opostos por JBS S/A. para aclarar o V. Acórdão, explicitando a desnecessidade da impetrante, adquirente, recolher os valores relativos à contribuição sobre a produção rural devida pela pessoa física, prevista no artigo 25, da Lei n° 8.212/91, no período entre a impetracão e a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001, mantendo, no mais, o Aresto. (....) Assim, sendo reconhecida judicialmente a questão da legitimidade da recorrente para responder pelas contribuições previdenciárias (e não pela contribuição devida ao Senar, que não é objeto da referida ação judicial), dáse a renúncia às instâncias administrativas, sendo aplicável ao caso a Súmula CARF nº 1, pela qual: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 9 15 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Quanto aos períodos de apuração 11/2001 e 12/2001, não lhe assiste razão, uma vez que a legitimidade decorre do próprio art. 30, IV, da Lei n° 8.212, de 1991, que determina a subrogação. Ressaltese que a redação do citado art. 30, IV, no período lançado , é dado pela Lei 9.528, de 1997, redação que se mantém até o presente momento: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, diferentemente do que alegou a recorrente em seus memoriais, a base legal da subrogação, no caso dos autos, não teve a execução suspensa pelo Senado Federal, que afastou, diferentemente, o art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, ou seja, a redação que já houvera sido derrogada pela Lei 9.528, de 1997. Vejamos o texto da Resolução: O Senado Federal Resolve: Art. 1º É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Senado Federal, em 12 de setembro de 2017 (Grifouse.) Contribuição para o Senar Fl. 435DF CARF MF 16 Já a legitimidade da recorrente para responder por subrogação pela contribuição ao Senar está prevista nos arts. 30, IV, e 94, parágrafo único, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 6º da Lei 9.528, de 1997 e no Decreto nº 790, de 1993, art. 11, § 5º, “a”: Lei 9.528, de 1997 Art. 6o A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de 0,1%, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. Lei 8.212, de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. (Grifouse.) No mesmo sentido, o Decreto n° 566, de 10 de junho de 1992, art. 11, § 5º, “a”, com a redação dada pelo Decreto nº 790, de 1993, art. 1º: Art. 11. Constituem rendas do SENAR: (...) II contribuição compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de um décimo por cento incidente sobre a receita bruta Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 10 17 proveniente da comercialização da produção da pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (...) § 5°A contribuição de que trata este artigo será recolhida: a) pelo adquirente, consignatário ou cooperativa que ficam sub rogados, para esse fim, nas obrigações do produtor; (Grifouse.) Nesse sentido, a jurisprudência deste CARF: CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. Tratandose de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei n. 8.212/1991 e demais normas de regência. (Acórdão 2402005.808, de 30/05/2017 ) CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. A contribuição do produtor rural pessoa física e do segurado especial devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) está prevista no art. 6º da Lei nº 9.528/1997, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, e é devida por sub rogação pela pessoa jurídica que adquire a produção dessas pessoas naturais. (Acórdão 2202003.644, de 09/02/2017) CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial.(Acórdão 2401004.225, de 09/03/2016) DA ILEGITIMIDADE DA RECORRENTE COM RELAÇÃO AO SENAR Tratase de obrigação por subrogação expressa na lei, ou seja, Fl. 437DF CARF MF 18 contribuição devida a outras entidades e fundos, destinadas ao SENAR (0,2%), devidas pelos adquirentes de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme determina o artigo 6º, da Lei 9.528/97, com redação data pela Lei 10.256/2001. (Acórdão 2301004.040, de 14/05/2014) CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. (Acórdão 2302003.457, de 04/11/2014) Ademais, como visto, a subrogação também é expressa no Decreto 566, de 1992, o que, por si só, vincula a decisão deste Colegiado, uma vez que o CARF não detém competência para negar vigência à interpretação dada ao sistema normativo tributário pelo Decreto 566, de 1992, uma vez que decretos, sendo emitidos pelo Presidente da República, possuem hierarquia superior, devendo ser observados por toda a Administração Pública Federal, inclusive pelo Ministério da Fazenda, do qual este CARF é parte integrante. Por outro lado, diferentemente do que alega a recorrente, a constitucionalidade da subrogação da contribuição para o Senar não foi objeto RE 363.852 ou do RE 596.177; transcrevo suas ementas: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596.177) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 11 19 LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. (ED no RE 596.177) RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363.852) Ademais, a constitucionalidade da contribuição para o Senar está sendo discutida pelo Supremo Tribunal Federal no tema de repercussão geral 801 – “Constitucionalidade da incidência da contribuição destinada ao SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, nos termos do art. 2º da Lei 8.540/1992, com as alterações posteriores do art. 6º da Lei 9.528/1997 e do art. 3º da Lei 10.256/2001”; leading case RE 816830, cujo julgamento, na questão de mérito, ainda não se iniciou. DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A recorrente alega a decadência do crédito tributário, porque o lançamento somente se aperfeiçoou mais de 10 (dez) anos após o período compreendido na autuação; após a apresentação da defesa, no ano de 2002, a Gerência Executiva do INSS entendeu que a discussão judicial sobre a legalidade da exigência do Funrural teria importado em renúncia ao direito de questionar administrativamente o débito e remeteu os autos à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, para que aguardasse o desfecho da medida judicial; houve depois o Fl. 439DF CARF MF 20 reconhecimento de "equívocos" nos procedimentos, sendo estes revistos, com base no art. 203 do CTN, abrindose novo prazo para a apresentação de defesa, o que caracteriza um novo lançamento, pois a decisão que noticiou a sua "renúncia" à via administrativa encerrou o processo administrativo e deu início a contagem do prazo prescricional para a exigência do crédito tributário; a "nova" notificação se traduz em novo lançamento, vez que o processo administrativo anterior se findou com a remessa dos autos à PGFN. Assevera, ainda, que, caso não seja reconhecida a decadência, o crédito tributário está prescrito, especialmente a parcela relativa ao Senar, pois a decisão judicial não tratou desta contribuição; a reabertura do prazo se deu com base no artigo 203 do CTN, o qual se encontra no capítulo da "dívida ativa"; a hipótese do referido artigo não se subsume ao presente caso, vez que não há notícia de que o débito foi inscrito em dívida ativa; desde 2002 os autos se encontravam na PGFN, superando, em muito, o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 174, do Código Tributário Nacional. Não lhe assiste razão. Não há falar em decadência, pois, diferentemente do que entende a recorrente, não houve novo lançamento pelo fato de ter recebido a oportunidade de apresentar manifestação complementar após os autos serem devolvidos pela PGFN para a continuidade do julgamento. Ademais, a decisão equivocada do INSS de que houvera a renúncia à discussão administrativa de todas as matérias veiculadas na impugnação não possui o condão de encerrar o processo administrativo, mas tão somente de suspender os atos executórios que visem à cobrança do crédito tributário. Com a verificação de que havia matéria sobre as quais pendia de manifestação dos órgãos de julgamento administrativo, correto o procedimento de dar continuidade ao processo administrativo e abrir prazo para a manifestação do contribuinte, que deveria se limitar à suspensão e a reativação do processo. Quanto à prescrição, não há falar em início de sua fluência antes de findo o processo administrativo fiscal, o que ainda não ocorreu. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF 11.) Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Tributário. Lançamento fiscal. 1. Decadência. A partir da notificação do contribuinte (CTN, art. 145, I), o crédito tributário já existe — e não se pode falar em decadência do direito de constituílo, porque o direito foi exercido — mas ainda está sujeito à desconstituição na própria via administrativa, se for impugnado. A impugnação torna litigioso o crédito, tirando lhe a exeqüibilidade (CTN, artigo 151, III); quer dizer, o crédito tributário pendente de discussão não pode ser cobrado, razão pela qual também não se pode cogitar de prescrição, cujo prazo só inicia na data da sua constituição definitiva (CTN, art. 174). (Resp. 53.467 – SP; Relator: Ministro Ari Pargendler. R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 9, (90): 105 142, fevereiro 1997, p. 135.) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ACERCA DA Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 12 21 CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 174 do CTN. (...) 3. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça firmou compreensão de que, uma vez constituído o crédito tributário pela notificação do auto de infração, não há falar em decadência, mas em prescrição, cujo termo inicial é a data da constituição definitiva do crédito, que se dá, nos casos de lançamento de ofício, quando não couber recurso administrativo ou quando se houver esgotado o prazo para sua interposição. (AgRg no AREsp 788656/RO, Relator, Ministro Herman Benjamin; Órgão Julgador: Segunda Turma; Data do Julgamento: 02/02/2016) DA OBSERVÂNCIA DO RE 363852/MG DA INCONSTITUCIONALIDADE O ART. 25, INCISOS I E II, DA LEI N° 8.212/91 DA RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA A recorrente assevera que deve ser observado o RE 363852/MG, no qual o STF afastou a contribuição social incidente sobre as aquisições de bovinos de pessoas físicas, inclusive dos segurados especiais (Relator: Min. Marco Aurélio, Julgamento: 03/02/2010, Órgão Julgador: Tribunal Pleno); ser inconstitucional o art. 25, incisos I e II, da Lei n° 8.212/91 pois inexiste, na redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, previsão da receita bruta como base de cálculo da contribuição para a seguridade social; restar ferido o princípio da isonomia tributária, uma vez que não existe um critério de discriminação válido juridicamente para o tratamento fiscal diferenciado para os produtores rurais pessoas físicas; ser rural e não ser rural (ser urbano) não são critérios de discriminação autorizados pela Constituição; haver bis in idem com a Cofins. PERÍODOS DE APURAÇÃO 02/2001 A 10/2001 No que concerne aos períodos de apuração 02/2001 a 10/2001, anteriores à vigência da Lei 10.256, de 2001, como já referido, a recorrente impetrou a ação judicial n° 000005006.2001.4.03.6100/SP, na qual pede a declaração de inconstitucionalidade incidental do art. 25, I e II, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pelas Leis 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997 e do art. 25 da Lei 8.870, de 1994 (efls. 491 a 516 do processo 11974.000510/2010 76). Em face da ação judicial n° 000005006.2001.4.03.6100/SP, as questões respeitantes às contribuições previdenciárias previstas no art. 25, I e II, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pelas Leis 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997 e do art. 25 da Lei 8.870, de 1994, não podem ser conhecidas por este CARF, em face da Súmula CARF nº 01, já transcrita. Assim sendo, não conheço de tais questões. PERÍODOS DE APURAÇÃO 11/2001 E 12/2001 No tangente aos períodos de apuração 11/2001 e 12/2001, cuja legislação vigente é a Lei 10.256, de 09/07/2001, cumpre referir que no julgamento do RE 718.874/RS o STF firmou a Tese de Repercussão Geral 669, com o seguinte teor: Fl. 441DF CARF MF 22 É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (Grifouse.) Tal tese é de reprodução obrigatória nos julgamentos deste CARF, por força do disposto no art. 62, § 2º, do Ricarf, pelo que não deve prosperar a irresignação, nessa questão. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR Alega a recorrente que os arts. 240 da CF/88 e 62 da ADCT exigem mesmos moldes das contribuições para Senai e Sesi, sendo inconstitucional a cobrança da Contribuição para o SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção rural dos produtores rurais pessoas físicas. Não há como este colegiado se substituir a órgãos do Poder Judiciário, pelo que entendo ser aplicável ao caso a Súmula Carf 02 e o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para se manifestar sobre essa questão. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA MULTA E DOS JUROS A recorrente aduz descaber o lançamento com juros e multa, em face da suspensão da exigibilidade do crédito desde a concessão de liminar. Períodos de apuração 02/2001 a 10/2001 No que tange as contribuições de 02/2001 a 10/2001 (anteriores à vigência da Lei 10.256, de 2001), temos que a liminar foi deferida em 31/01/2001 (efl. 178). A ciência da NFLD se deu, como visto, em 28/06/2002. Nesse caso, incide o art. 63 da Lei 9.430, de 1996, pela qual não procede o lançamento da multa de ofício: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11974.000511/201011 Acórdão n.º 2301005.150 S2C3T1 Fl. 13 23 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Períodos de apuração 11/2001 e 12/2001 Os períodos de apuração 11/2001 e 12/2001 tem como base legal a Lei 10.256, de 2001, não contestada judicialmente, cuja multa, portanto, deve ser mantida. Não existe qualquer previsão para o afastamento dos juros de mora que, portanto, devem ser mantidos. INTIMAÇÕES O requerimento de realizar as intimações no nome e endereço do patrono da recorrente não pode ser deferido, pois no processo administrativo fiscal as intimações obedecem ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que prevê os modos de intimação dos sujeitos passivos em seu domicílio fiscal, mas não prevê a intimação na figura de seus mandatários, em seu próprio domicílio, em substituição ou adição à intimação dos sujeitos passivos. Conclusão Voto, portanto, por (a) CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, unicamente quanto: (a.1) a prejudicial de sobrestamento; (a.2) as preliminares de nulidade e, quanto ao mérito, às questões envolvendo: (a.3) a contribuição para o SENAR, (a.4) a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001 (períodos de apuração 11/2001 e 12/2001) e (a.5) à incidência de multa de mora e juros para, na parte conhecida, (b) DENEGAR o pedido de sobrestamento do feito; (c) REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, (d) NÃO RECONHECER A DECADÊNCIA OU A PRESCRIÇÃO do crédito tributário e (e) DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a multa de ofício dos períodos de apuração 02/2001 a 10/2001. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 443DF CARF MF 24 Fl. 444DF CARF MF
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Numero do processo: 13822.000037/2005-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.806
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13822.000037/200529 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.806 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 37 /2 00 5- 29 Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13822.000037/200529 Acórdão n.º 9303005.806 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3401002.974, de 18/03/2015, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: (...) ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, não foram admitidos. Irresignada, interpôs recurso especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: a) quanto ao que constitui o seu processo produtivo para identificação dos gastos que dão direito a crédito da contribuição não cumulativa; e b) quanto ao conceito de insumo. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3402002.396, 3402 002.605 e 9903003.069 (primeiro tema) e 320200.226 (segundo tema). Por intermédio do despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13822.000037/200529 Acórdão n.º 9303005.806 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.802, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 13822.000009/200773, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.802): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Malgrado o recurso especial pretenda discutir dois temas – o processo produtivo da Recorrente e o conceito de insumo –, no fundo está a debater apenas o último, uma vez que, a depender da definição que se venha a emprestar ao termo "insumo" adotado na legislação do PIS/Cofins não cumulativos os gastos realizados em etapa anterior à produção do produto final – vale dizer, aquela anterior à industrialização propriamente dita – pode vir ou não a ser assim considerados (como insumos!), de modo que ensejaria, no primeiro caso, a apropriação de créditos sobre eles incidentes (p. ex., os gastos realizados na etapa agrícola, portanto, anterior à industrialização). A própria ementa do Acórdão paradigma de nº 3402002.605 comprova esse fato: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. (g.n.) Feita essa breve introdução, vemos que, de fato, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, mas apenas aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam efetivamente aplicados ou consumidos na produção de açúcar e álcool (os produtos fabricados pela Recorrente), o Acórdão paradigma de nº 320200.226, em divergência, adotou conceito bem mais largo, a conhecida tese do IRPJ. Contudo, a despeito de conhecido o recurso, vemos que o acórdão recorrido não merece reparos. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13822.000037/200529 Acórdão n.º 9303005.806 CSRFT3 Fl. 5 4 No regime não cumulativo do PIS/Cofins, os créditos a que tem direito a pessoa jurídica estão elencados no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que, no ponto, apresentam redação bastante semelhante. Na Lei nº 10.833, de 2003, é a seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13822.000037/200529 Acórdão n.º 9303005.806 CSRFT3 Fl. 6 5 Não há, nos diplomas legais referidos, qualquer dispositivo conceituando o termo “insumo”, tampouco atribuindo a sua definição àquela adotada pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o que só o legislador infralegal fez ao editar as Instruções Normativas RFB n.º 247, de 2002, e 404, de 2004. Aqui também reproduziremos apenas uma delas, uma vez que idênticas na parte que nos interessa: IN SRF nº 247, de 2002: Art. 66 A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Daí a controvérsia que se instaurou no âmbito do Contencioso Administrativo, uma vez que muitos contribuintes passaram a emprestar ao termo “insumo” significado muito mais elástico do que aquele aparentemente conferido pelas normas infralegais que regulamentaram as Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e cuja origem é, evidentemente, a legislação do IPI, mas apenas quanto a uma parte dos créditos – aqueles bens fisicamente ligados ao produto final (alínea “a” do inciso I do § 5º do art. 66, supra) –, já que os serviços, dada a impossibilidade de ligação física, encontramse autorizados em alínea diversa (alínea “b”). O cerne da questão, portanto, está em definir o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins: se este se apresenta numa perspectiva muito ampla, em ordem a abarcar, como querem alguns, todo ou qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica (tese do IRPJ), ou se, como pretendem outros, apresentase de modo mais restritivo, mais próximo ao que ocorre na legislação do IPI. Há, ainda, uma posição intermédia, aceitando o creditamento sobre tudo que for pertinente ou necessário na produção ou na prestação de serviço. De todo modo, entendemos que, no presente caso, não cabe conceituar o termo "insumo" a ponto de alcançar etapas anteriores à efetiva produção do açúcar e do álcool. Um pesticida, por exemplo, não é – nem jamais poderia ser! – insumo na industrialização do açúcar, uma vez que, fosse nele empregado, o inutilizaria completamente para o consumo. O legislador deixou cristalino, na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, que um dos Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13822.000037/200529 Acórdão n.º 9303005.806 CSRFT3 Fl. 7 6 principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. Vejam: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Assim, considerar como insumos todos os gastos realizados da etapa agrícola da produção do açúcar e do álcool, como pretende a Recorrente, é admitir que, no referido conceito, estejam todos os “insumos dos insumos". Explicitamente, não foi esta a intenção do legislador. Diverso, contudo, é, a nosso juízo, o caso, por exemplo, de uma mineradora, cuja atividade, a mineração, consiste no processo de extração de minerais da terra. Ainda que posteriormente à retirada do minério algum beneficiamento seja por ela mesma realizado, como, por exemplo, a fragmentação da pedra, dando origem à conhecida "brita", a verdade é que há, neste caso, um todo indissociável, não se podendo cindir a retirada do minério do solo, para o efeito de determinar o que é ou não é insumo, sob pena de descaracterizar a própria atividade realizada pela mineradora, uma vez que, no exemplo, a quebra da pedra não tem existência autônoma em relação à sua retirada do solo. Não é caso da Recorrente, porém. As usinas de açúcar e álcool, como se sabe, são estabelecimentos agroindustriais que produzem, a partir da cana, o açúcar, o melaço, a aguardente e o álcool. Além de sua fabricação própria, costumam adquirir a cana de outros estabelecimentos produtores. Pelos motivos aqui adotados (existência autônoma da atividade industrial propriamente dita), a aquisição de cana gera, sim, o direito à apropriação dos créditos correspondentes, não, contudo, os gastos realizados, pela própria Recorrente, no plantio e colheita da cana de açúcar. Podese até achar inconveniente, mas é assim que a lei é. No caso específico, foram os seguintes os itens glosados (apenas os referidos no recurso especial e na ordem em que elencados), glosa com a qual, pelas razões antes explicitadas, concordamos: a) Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc.; b) Frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. À falta de maiores informações, entendemos que os bens do ativo permanente são aqueles empregados na fase agrícola, tal como indica um dos paradigmas trazidos no recurso (Acórdão nº 3402002.605). Nesse contexto, não há o direito ao crédito, conforme, a contrario sensu, indica o inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Fl. 854DF CARF MF Processo nº 13822.000037/200529 Acórdão n.º 9303005.806 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 855DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.724567/2014-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF.
Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1001-000.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2013 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF. Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente COMERCIAL GAÚCHA DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF. Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 45 67 /2 01 4- 41 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.724567/201441 Acórdão n.º 1001000.047 S1C0T1 Fl. 62 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1276.170, de 20 de maio de 2015 (efls. 41/43), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 07) com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 14.597,89 a título de multa de ofício isolada por dezenove (19) meses de atraso na entrega, em 03/11/2014, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de março de 2013, cujo prazo final era 23/05/2013. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, argumentando, que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Ciente da decisão de primeira instância em 23 de junho de 2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 46, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21 de julho de 2015 (efls. 48/53), conforme carimbo aposto à efl. 48. É o Relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.724567/201441 Acórdão n.º 1001000.047 S1C0T1 Fl. 63 3 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Gira a lide sobre a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de março de 2013. A base legal do lançamento foi o art. 7º da Lei nº 10.426/2001, com a redação que lhe foi dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.724567/201441 Acórdão n.º 1001000.047 S1C0T1 Fl. 64 4 No recurso interposto, os argumentos da recorrente, a exemplo do que ocorreu em sede de primeira instância, são centrados em princípios legais e constitucionais, a saber, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Alternativamente, a recorrente pede a aplicação da multa em seu valor mínimo, na forma do art. 7º, § 3º, da IN RFB nº 1.110/2010. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Como se pode observar, a Interessada não contesta o fato de haver apresentado a declaração a destempo. Suas razões de inconformidade estão centradas, única e exclusivamente, no valor da multa aplicada, que, segundo seu entendimento, seria excessivo, violando os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Muito embora respeitáveis os argumentos de defesa, não há como acolher a pretensão da Impugnante. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Uma vez configurada a ocorrência do fato gerador da multa, é dever da autoridade fiscal aplicar a penalidade nos estritos termos do comando legal. Ao julgador administrativo, por seu turno, é vedado afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). De observar que, no caso em apreço, a multa foi calculada exatamente de acordo com a regra do art. 7º, inciso II, da Lei nº 10.426, de 2002, não tendo cabida a aplicação da penalidade mínima de R$ 500,00, prevista no § 3º do referido dispositivo. Como acertadamente consignou a decisão recorrida em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, como bem assinalou a decisão recorrida, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.724567/201441 Acórdão n.º 1001000.047 S1C0T1 Fl. 65 5 A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por fim, em relação ao pedido de redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00, tenho a acrescentar que essa multa mínima corresponde àquela estatuída no § 3º do dispositivo legal anteriormente transcrito neste voto, e não há dúvidas de que é aplicável apenas quando a multa calculada na forma do inciso I for inferior aos valores mínimos, ou, ainda, nos casos de não haver qualquer valor informado na DCTF. Tais hipóteses não se aplicam ao caso vertente, pelo que igualmente inaplicável a multa mínima pretendida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 11831.001781/2001-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO CONCEDIDA NO DECRETO-LEI Nº 1.510, DE 1976.
O ganho de capital apurado nas alienações de participações societárias efetuadas após 01/01/1989 está sujeito ao imposto de renda, ainda que, nesta data, a participação societária já contasse com mais de cinco anos no domínio do alienante.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.124
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos e Vanessa Pereira Rodrigues Domene que reconheciam a isenção sobre 7.950 ações. Declarou-se impedido o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Fez sustentação oral: o patrono do contribuinte, Dr. Leiner Salmaso Salinas,
OABSP
185.499.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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Recorrente JOSÉ CARLOS DELUCA MAGALHÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO CONCEDIDA NO DECRETOLEI Nº 1.510, DE 1976. O ganho de capital apurado nas alienações de participações societárias efetuadas após 01/01/1989 está sujeito ao imposto de renda, ainda que, nesta data, a participação societária já contasse com mais de cinco anos no domínio do alienante. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos e Vanessa Pereira Rodrigues Domene que reconheciam a isenção sobre 7.950 ações. Declarouse impedido o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Fez sustentação oral: o patrono do contribuinte, Dr. Leiner Salmaso Salinas, OABSP 185.499. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 198DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11831.001781/200182 Acórdão n.º 210201.124 S2C1T2 Fl. 186 2 EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório JOSÉ CARLOS DELUCA MAGALHÃES requer, petição, fls. 01/05, restituição de imposto de renda pessoa física, no valor de R$ 2.317.536,53, que foi recolhido em razão de ganho de capital apurado quando da alienação de ações do Laboratório Sintofarma. Afirma o contribuinte que era detentor da participação alienada desde 1969, enquadrandose, portanto, na hipótese de nãoincidência do imposto, conforme disposto no art.4º, alínea d, do Decretolei nº 1.510, de 1976. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, indeferiu o pedido, conforme Despacho Decisório nº 635/04, fls. 76/80, argüindo que o fato gerador do tributo é a percepção do ganho de capital pela alienação da participação societária e que tal fato ocorreu sob a vigência da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, restando plenamente satisfeita a hipótese de incidência. Afirmou, ainda, que para o caso não se pode falar em direito adquirido, mas sim em mera expectativa de direito. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 81/97, e a DRJ/São Paulo II, indeferiu o pedido de restituição, conforme Acórdão nº 1727.743, de 25/09/2008, fls. 104/109, que se encontra assim ementado: ISENÇÃO DIREITO ADQUIRIDO GANHO DE CAPITAL. Decretolei n° 1.510, de 1976. Lei superveniente pode revogar a outorga de isenção, para fatos meramente com expectativa de direito, sem a efetiva ocorrência do fato gerador, para incidência do tributo. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. Há incidência de imposto de renda sobre ganhos de capital apurados na alienação de participações societárias ocorridas após 01/01/1989. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/12/2008, fls. 112, o contribuinte apresentou, em 17/12/2008, recurso voluntário, fls. 113/136, trazendo as alegações a seguir resumidamente transcritas: Tal pedido de restituição justificase pelo fato de a participação societária alienada ter sido adquirida anteriormente ao prazo de Fl. 199DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11831.001781/200182 Acórdão n.º 210201.124 S2C1T2 Fl. 187 3 5 anos a contar da vigência da Lei 7.713/88 e, assim, sendo, o Recorrente detinha o direito à nãoincidência do IRPF conferido pelo Decretolei 1510/76, art. 4°, letra "d". Lembrese que o Recorrente, desde o ano de 1969, era detentor de ações do capital do LABORATÓRIO SINTOFARMA S/A. Posteriormente, em face de transferência parcial, sua participação era direta ou através de sua empresa Xama Empreendimentos e Participações Ltda. A empresa Xama existiu para servir de empresa de participação do casal (holding) no LABORATÓRIO, já que o Recorrente transferiu a participação em 1979 e que a holding foi extinta em 03 de julho de 2000 para os sócios venderem sua participação no LABORATÓRIO. Considerando que o Recorrente já era titular desde o ano de 1969 da participação alienada, é evidente que ele havia cumprido, antes da mudança da regra (31/12/88, com a Lei 7713), a condição para que o IRPF não incidisse sobre o ganho de capital na venda de suas quotas, qual seja: ALIENAR A PARTICIPAÇÃO APÓS 5 ANOS DE SUA SUBSCRIÇÃO OU AQUISIÇÃO (passaram mais do que 5 anos entre a doação das ações e a entrada em vigor da Lei 7713). Logo, se cumprida a condição dos 5 anos, tinha o Recorrente, o direito adquirido de não recolher o imposto na ocasião da venda de sua participação no Laboratório Sintofarma S.A.; Verificase que no momento da alienação da participação societária, estavam plenamente preenchidos todos os requisitos legais para a fruição do direito à nãoincidência do IRPF incidente sobre o respectivo ganho de capital, haja vista que a única condição indispensável prevista legalmente para tal era a titularidade da participação societária por 5 anos. Nada mais. O direito à nãoincidência no presente caso deuse com o transcorrer do prazo de cinco anos em que o Recorrente permaneceu com a titularidade das ações, única condição estabelecida no DecretoLei 1510/76. O DecretoLei 1510/76 previa no seu art. 4° hipótese de “não incidência” do IRPF e não de isenção. A revogação do DecretoLei 1.510/76 é válida e o Recorrente não contesta esse fato; mas, isso não significa que a Lei n° 7.713/88 pode retroagir e aniquilar o direito adquirido nos 5 (cinco) anos anteriores a sua vigência, direito adquirido esse, que já se encontrava integrado ao patrimônio do Recorrente. Dessa maneira, ainda que a nãoincidência de IRPF seja “isenção”, o que se admite apenas para argumentar, e, ainda, levandose em conta o art. 178, do CTN, não há como se deixar de respeitar o direito adquirido, uma vez que a revogação, em 1988, do DecretoLei 1.510/76, não afeta a validade do fato Fl. 200DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11831.001781/200182 Acórdão n.º 210201.124 S2C1T2 Fl. 188 4 praticado pelo Recorrente sob sua vigência (1969 a 1988), que lhe garantiram o direito à não incidência do IRPF. É o Relatório. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11831.001781/200182 Acórdão n.º 210201.124 S2C1T2 Fl. 189 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de pedido de restituição de imposto de renda pessoa física, que foi recolhido em razão de ganho de capital apurado quando da alienação de ações dos Laboratórios Sintofarma S/A. Alega o recorrente que era detentor da participação alienada desde 1969, enquadrandose, portanto, na hipótese de nãoincidência do imposto, conforme disposto no art.4º, alínea d, do Decretolei nº 1.510, de 1976, que abaixo se transcreve: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Como se sabe, tal dispositivo foi revogado pela Lei nº 7.713, de 23 de dezembro de 1988, entretanto, o contribuinte afirma que era detentor da participação societária desde 1969, de sorte que estaria amparado pela isenção concedida no art. 4º do referido Decretolei, visto que na data da revogação já havia cumprido o prazo de cinco anos ali reportado. Embora o recorrente afirme que a Derat/SP e a DRJ/SPOII não tenham formulado qualquer questionamento quanto à data de aquisição da participação societária, tem se que esta é uma questão que merece exame, porquanto, não haverá que se falar em isenção, caso reste assentado que as ações tenham sido adquiridas depois da vigência da Lei nº 7.713, de 1988. No pedido de restituição, fls. 01/05, o contribuinte assim se manifesta sobre a titularidade da participação societária alienada: O requerente, desde o ano de 1969, era detentor de ações do capital do LABORATÓRIO SINTOFARMA S/A, inscrita no CGC/MF sob n° 60.499.639/000195 (doc. 2). Posteriormente, em face de transferência parcial, sua participação era direta (doc. 3) ou através de sua empresa Xama Empreendimentos e Participações Ltda. (doc. 4). A empresa Xama existiu para servir de empresa de participação do casal (holding) no LABORATÓRIO, já que o requerente transferiu a participação em 1979 (doc. 3), e que a holding foi extinta em 03 de julho de 2000 (doc. 5) para os sócios venderem sua participação no LABORATÓRIO. Aliás, na sentença que determinou a extinção da Xama (processo n° 000.98.03873, que tramitou perante a 13ª Vara Cível Central da Comarca de São Fl. 202DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11831.001781/200182 Acórdão n.º 210201.124 S2C1T2 Fl. 190 6 Paulo), foi reconhecida a sua qualidade de holding das ações do LABORATÓRIO (doc. 5b). Já na Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2000, exercício, 2001, fls. 70/73, o contribuinte assim descreveu nos itens 20 e 23 da Declaração de Bens e Direitos, as operações de alienação realizadas: Item 20: 7.950 ações ON, sem valor nominal, de Laboratórios Sintofarma S/A, resultante de formal de partilhaprocesso 297/91 – 3ª Vara Família/SP alienadas no período p/ Solvay do Brasil Ltda. Item 23: 17.500.001 quotas de capital da empresa Xama AgroPecuária e Particip. Ltda, resultante de formal de partilhaprocesso 297/91 3ª Vara Família/SP empresa extinta, tendo recebido ações da Sintofarma S/A (vendidas no período p/ Solvay do Brasil Ltda.) Dentre os documentos juntados aos autos pelo contribuinte constam cópias dos Livros de Registro de Ações Nominativas nºs 1 e 2 da pessoa jurídica Laboratórios Sintofarma S/A, fls. 17/33, das quais inferese que em 18/07/1997 as ações preferenciais pertencentes ao contribuinte (7.535.000) foram totalmente transferidas para a pessoa jurídica Xama Empreendimentos e Participações S/C Ltda e que em 21/08/2000 o contribuinte adquiriu 64.117.048 ações ordinárias dos Laboratórios Sintofarma S/A, em razão do Distrato Social de Xama Empreendimentos e Participações S/C Ltda. Verificase, ainda, que em 09/03/88 o contribuinte possuía apenas 15.899 ações ordinárias, sendo certo que até 22/04/1996, esta quantidade de ações permanecia praticamente inalterada (15.900), modificandose em razão de determinação contida em formal de partilha (transferiuse 7.890 ações para outros herdeiros, restando saldo de 7.950 ações em nome do contribuinte). Do Contrato de Compra e Venda de Ações, fls. 48/69, celebrado em 29/09/2000, verificase que o contribuinte vendeu 64.124.998 ações ordinárias dos Laboratórios Sintofarma S/A, que corresponde ao somatório das ações recebidas em razão do distrato da pessoa jurídica Xama Empreendimentos e Participações S/C Ltda (64.117.048) e do saldo de ações possuídas em 22/04/1996, depois de homologado o formal de partilha. Temse, portanto, que do total das ações alienadas em 29/09/2000, apenas 7.950 ações já estavam em poder do contribuinte a mais de cinco anos em 31/12/1988, sendo certo que as demais ações, 64.117.048, somente foram adquiridas em 21/08/2000. Logo, a isenção pretendida pelo contribuinte somente poderia alcançar 7.950 ações. Superada a questão da data de aquisição das ações alienadas, resta analisar se prevalece ou não a hipótese defendida pelo contribuinte de que a revogação do art.4º, alínea d, do Decretolei nº 1.510, de 1976, não alcança o ganho de capital de vendas efetuadas após 01/01/1989, desde que, nesta data, a participação societária já contasse com mais de cinco anos no domínio do alienante. Sobre o assunto, compartilho do entendimento exarado pelo Conselheiro Antonio José Praga de Souza em Declaração de Voto proferida no Acórdão nº 10248.473, de 26/04/2007, que peço vênia para a seguir transcrever: Fl. 203DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11831.001781/200182 Acórdão n.º 210201.124 S2C1T2 Fl. 191 7 Em que pese os fundamentos jurídicos trazidos no voto do i. Relator, peço vênia para divergir. Isso porque a venda das ações, por conseguinte o fato gerador do tributo, ocorreu, efetivamente, sob a vigência do art. 30 da Lei 7.713 de 1998, e alterações posteriores, que restabeleceu a tributação desse ganho. Aliás, o art. 58 da Lei 7.713/1988 revogou expressamente, sem qualquer ressalva, o art. 4º, "d", do Decreto lei 1.510/1976, que dispunha sobre a isenção pleiteada pela recorrente. O Art. 178 do Código Tributário Nacional — CTN, dispõe: "Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104." A regra é a revogabilidade da isenção a qualquer tempo, ressalvadas aquelas concedidas por prazo certo ou em função de determinadas condições. Na análise da mencionada ressalva, de imediato constatase a sua inaplicabilidade à espécie de isenção aqui examinada, pois esta foi concedida de forma genérica e esteve em vigência por prazo indeterminado até ser revogado pela Lei n° 7.713/88. O artigo 178 do CTN, in fine, destaca a norma registrada no artigo 104, inciso III do mesmo código, que assim disciplina: "Art. 104 Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: (..) III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no art. 178," (destaquei) Na hipótese em exame, o principio da anterioridade da lei foi respeitado uma vez que a Lei n°7.713/88 foi publicada em 23/12/1988, e entrou em vigor em janeiro do ano seguinte. Segundo o art. 175 do CTN a isenção é uma das causas de exclusão do crédito tributário e, segundo Aliomar Baleeiro em sua obra Direito Tributário Brasileiro, "a isenção decorre da lei e dirigese à autoridade tributária, excluindo do tributo decretado determinadas situações pessoais ou reais." No caso presente, o Decretolei mencionado exclui o credito tributário decorrente do imposto de renda incidente sobre ganho de capital nas alienações de participações societárias quando estas alienações forem efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou da aquisição dessas participações, pelo alienante. Assim, somente a partir da efetiva alienação dessa participação societária poderseá falar em exclusão do crédito tributário que decorreria do ganho de capital que seria apurado dessa Fl. 204DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11831.001781/200182 Acórdão n.º 210201.124 S2C1T2 Fl. 192 8 operação não fora a circunstância excludente acima apontada. Ou seja, antes da efetiva alienação da participação societária, não é possível se falar em direito à isenção a ser exercido e muito menos em direito adquirido à isenção, haja vista não estar ainda implementada a "consubstanciação do fator aquisitivo (requisitos legais e de fato) previsto na legislação" a que se refere o texto acima transcrito. Em outras palavras, mesmo na vigência do DecretoLei 1.510/1976, antes de efetivada a venda da participação societária, o que existe é uma expectativa de direito. Houvesse a alienação ocorrida na vigência do citado DL, estaria resguardado o direito do contribuinte à isenção. Esclareço ainda, que a hipótese de "direito adquirido" agride à disposição legal expressa contida no art. 144 do C.T.N., que preleciona: "Art. 144 O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." Ora, se no momento da alienação da participação societária o ganho de capital apurado era tributável, o que aliás foi feito pela contribuinte, restituir crédito tributário recolhido nos exatos termos da lei vigente à época do fato gerador, é uma afronta ao principio constitucional da legalidade. Repitase: há que se ter em conta que o lançamento constitutivo do crédito tributário reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. No caso dos autos, o fato gerador da obrigação principal da qual decorre o crédito tributário cuja exclusão está em discussão, ocorreu sob a égide da Lei nº 7.713/1988. Registrese, ainda, que a Lei 7.713/1988 ao entender que deveria preservar o direito a isenção do imposto de renda sobre ganho de capital na alienação de imóveis, que vigorava até então, fixou a regra em seu artigo 18 (verbis): (...) Caso o legislador entendesse que deveria também excepcionar da regra geral os ganhos com as vendas de participações acionárias efetuadas no período de vigência da legislação anterior, fixaria uma regra semelhante. (...) Nestes termos, concluise que o ganho de capital apurado nas alienações de participações societárias efetuadas após 01/01/1989 está sujeito ao imposto de renda, ainda que, nesta data, a participação societária já contasse com mais de cinco anos no domínio do alienante. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 205DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11831.001781/200182 Acórdão n.º 210201.124 S2C1T2 Fl. 193 9 Núbia Matos Moura Relatora Fl. 206DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002595/2007-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONSTANTES DA DIRPF. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos tributáveis declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado.
Numero da decisão: 9202-005.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONSTANTES DA DIRPF. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos tributáveis declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 25 95 /2 00 7- 31 Fl. 169DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 280101.984, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2003, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora no valor de R$ 53.325,80, sendo: R$ 22.000,00 de imposto, R$ 16.500,00 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 14.825,80 de juros de mora, calculados até 07/2007. O Contribuinte, às fls. 53/60, apresentou a impugnação alegando, em síntese, que a lei não especifica a espécie de depósito, se em numerário, cheque, transferências bancárias, etc...; interpretando ao pé da letra o comando legal, "simplesmente deixase de admitir a existência das notas representativas de moedas, impressas pelo Banco Central do Brasil e em circulação"; "igualmente, impossível que todo o depósito em dinheiro efetuado pelos contribuintes haja necessidade de tanto o devedor quanto o credor, listar as notas com sua numeração, fotografias, etc, para provar que são as mesmas envolvidas na operação pactuada"; entende que ao Fisco compete a análise se os valores depositados estão lastreados nas declarações de rendimentos e suportados dentro da investigação financeira; a decisão da autoridade fiscal difere muito desse procedimento e o lançamento efetuado é fruto único de entendimento subjetivo o que ofende o principio da legalidade e da segurança jurídica, haja vista que a lei não veda movimentação financeira em espécie. A DRJ/JFA, às fls. 98/105, julgou improcedente a impugnação apresentada. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 111/120, reiterando as alegações anteriores. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 122/127, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento com base em presunção legal de omissão de rendimentos dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, de forma Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10640.002595/200731 Acórdão n.º 9202005.633 CSRFT2 Fl. 10 3 individualizada, a origem dos recursos utilizados em cada uma dessas operações. Havendo a comprovação da origem de tais rendimentos, por documentos hábeis e idôneos, há de ser afastada a presunção legal de omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 130/133, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, arguindo contradição entre as datas e valores apontadas pelo Relator do voto embargado. Os Embargos, porém, restaram rejeitados às fls. 135/136, conforme Exame de Admissibilidade da 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento. Às fls. 138/149, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual argumentou que Colegiado a quo presumiu que o valor declarado em DAA pode ser considerado como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. De outro modo, os acórdãos paradigmas firmaram entendimento de que é necessária a demonstração efetiva da origem dos recursos depositados, sendo incabíveis meras alegações, tais como a de que o valor declarado em DAA estaria englobando entre os depósitos. Cada depósito deve ser justificado individualizadamente como determina a lei. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 152/155, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: omissão de depósito bancário, pois, os paradigmas, à semelhança do acórdão recorrido, tratam de lançamento de imposto de renda de pessoa física, baseado na presunção legal disposta no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. No recorrido, a turma decidiu excluir os rendimentos declarados (tributáveis, isentos ou não tributáveis) da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Já os paradigmas consideraram indispensável a vinculação aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem. Resta, portanto, patente a divergência jurisprudencial alegada. Cientificado à fl. 152, o Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 160/166, ratificando suas alegações anteriores e os fundamentos da decisão. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física exercício 2003, decorrente de omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários com origem não comprovada, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora no valor de R$ 53.325,80, sendo: R$ 22.000,00 de imposto, R$ 16.500,00 de Fl. 171DF CARF MF 4 multa proporcional (passível de redução) e R$ 14.825,80 de juros de mora, calculados até 07/2007. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: omissão de depósito bancário, tendo em vista que, diferente do entendimento do acórdão recorrido, os paradigmas consideram indispensável a vinculação de cada depósito aos rendimentos declarados para a comprovação da sua origem. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Podemos, deste dispositivo, destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. No caso em tela, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10640.002595/200731 Acórdão n.º 9202005.633 CSRFT2 Fl. 11 5 física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. O Acórdão recorrido aduz que: No caso presente, como dito, a Fiscalização apurou a realização de um depósito em favor do Recorrente no montante de R$ 80.000,00, de modo que caberia ao mesmo comprovar a sua origem, sob pena de ser considerada omitida essa receita. Em sua defesa, o Recorrente alegou que tal depósito fora realizado pelo próprio, sendo originário de parte do valor em espécie que declarara em seu poder. Analisando os documentos juntados aos autos, é possível perceber que, na DIPF apresentada pelo Recorrente em 2003 (fls.40/46), ao longo do ano calendário de 2002 –período em que ocorrido o depósito em evidência , o mesmo possuía R$ 270.000,00 em espécie. Em sua DIPF 2004 (fls.48/50), por sua vez, o mesmo declarou que durante o ano calendário de 2003 só teria em seu poder o montante de R$ 49.000,00. Ou seja, ao longo do ano calendário de 2002, como demonstrado nas declarações do Recorrente, ele efetivamente gastou e/ou depositou a quantia de R$ 221.000,00. Portanto, resta bastante claro que o Recorrente havia lastro para realizar esse depósito de R$ 80.000,00 por ele alegado, sendo certo que essa involução dos valores em espécie que estavam em sua posse configura forte indício em seu favor A alegação do Contribuinte de que os rendimentos declarados na DIRPF devem ser excluídos dos valores objeto de tributação tem fundamento, caso contrário, estaríamos tributando novamente algo que foi declarado e tributado, ou apenas declarado nos casos de rendimentos isentos e não tributáveis. Os valores informados pela fiscalização são os seguintes: Em atenção ao seu Termo de Intimação de 17.05.2007, informo: Depósito de 5.12.2006 e 20.12.2006, respectivamente de valores de R$ 139.336,80, R$ 120.000,00 e R$ 100.000,00, oriundos de resgate de mútuos de Themauto Locadora de Veículos Ltda. CNPJ 01.957.100/000173, Depósito de 24.12.2002 de R$ 80.000,00, proveniente de recursos em meu poder. Obs.: A conta é conjunta com Carmen Silvia Araújo Thees Fl. 173DF CARF MF 6 Desta forma, devemos excluir da base de cálculo dos valores informados nas Declarações de Rendimentos a título de rendimento tributável no ano de 2001, R$ 16.380,00 e no ano de 2002, o valor de R$ 15.800,00.” Neste ponto, entendo, inclusive, de modo mais abrangente, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF pode ser considerado como prova de origem, independentemente de sua natureza (tributável, não tributável ou isento), pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa sobre ele ser provada a identidade entre fonte e depósito. Assim, os valores declarados nas DIRPF's deveriam ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Ressalto que a maioria do colegiado entende de modo diverso, devendo tão somente o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento tributável ter sua origem como comprovada. Diante do exposto voto no sentido de conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido na sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905173/2010-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.690
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente ENGEFIELDS EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 73 /2 01 0- 02 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10480.905173/201002 Acórdão n.º 9303005.690 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.350, de 23/10/2012, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que a apresentação de informações da DIPJ poderiam ser confirmadas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal e que seriam suficientes para comprovar o direito creditório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 110100.517. O recurso foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.684, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10480.906054/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10480.905173/201002 Acórdão n.º 9303005.690 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.684): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não juntou ao processo, que versa sobre a restituição da Cofins cumulada com a compensação de débito próprio, a documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito vindicado, mas apenas as DACON original e retificadora e a ficha 25 da DIPJ, informações que a Câmara baixa considerou insuficientes para a sua comprovação (afirmouse que deveriam ter sido apresentados os Livros Razão e Diário, nos quais estariam os lançamentos que alicerçavam as correções propostas e, portanto, embasariam o pedido). Já no acórdão paradigma, em situação semelhante (tratouse de pedido de restituição de IRPJ, para o qual retificada a DIPJ, mas não retificada a DCTF correspondente), outra Turma da Primeira Seção entendeu que a autoridade administrativa não podia ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na PER/DCOMP, considerandose, especialmente, a apresentação de DIPJ retificadora, na qual constaria não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Como se vê, a divergência é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Todavia, no caso em exame, em vez de acostar aos autos, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição, a Recorrente permaneceu insistindo na mesma tese: a de que bastaria à sua comprovação a retificação da DIPJ e as informações já registradas nos sistemas da RFB. Percebase que aqui não se está afastando a possibilidade de a Recorrente, inaugurado o Contencioso Administrativo, vir a apresentálos, mas apenas ressaltando a sua insistência em não apresentálos, quando não era dela, a Recorrente, a competência para decidir o pedido, mas era dela, sim, a de comprovar o seu direito. Se os tivesse apresentado e estes não fossem considerados na decisão recorrida, a solução aqui poderia ser outra, a depender, evidentemente, do motivo levantado para a desconsideração dos livros e documentos na solução do litígio. Não é caso, porém. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10480.905173/201002 Acórdão n.º 9303005.690 CSRFT3 Fl. 5 4 Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Contribuinte também não juntou aos autos, "na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003240/2010-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 32 40 /2 01 0- 24 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11020.003240/201024 Acórdão n.º 9202006.097 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11020.003240/201024 Acórdão n.º 9202006.097 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11020.003240/201024 Acórdão n.º 9202006.097 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11020.003240/201024 Acórdão n.º 9202006.097 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11020.003240/201024 Acórdão n.º 9202006.097 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11020.003240/201024 Acórdão n.º 9202006.097 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11020.003240/201024 Acórdão n.º 9202006.097 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 408DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.720274/2008-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COEXISTÊNCIA COM GLOSA DE DESPESAS DO IRPJ.
I- Operação comercial revestida de normalidade pressupõe a efetiva prestação do serviço ou aquisição de mercadoria. Uma vez efetuado o pagamento, consuma-se cenário no qual (1) o tomador de serviços, com base na nota fiscal escriturada, pode deduzir da base de cálculo do imposto o valor pago pelo serviço, e (2) o prestador de serviços oferece à tributação os rendimentos auferidos pelo serviço prestado.
II - Desvirtuamento nas operações entre tomador e prestador de serviços, com utilização de notas fiscais frias para lastrear eventos inexistentes e mascarar a verdadeira causa de saída de recursos da empresa, fazem com que a empresa reduza a base de cálculo por meio da contabilização de despesa, e por outro lado, o beneficiário dos ingressos não os ofereça à tributação, por ser desconhecido.
III - Por isso, autuação fiscal recai sobre (1) a glosa da despesa do serviço prestado por parte do tomador de serviços e (2) o não oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes do serviço pelo prestador de serviços.
IV - Por determinação legal, o pólo passivo nas duas pontas da relação jurídica é preenchido pelo tomador de serviços. Na glosa de despesas, responde o tomador na condição de contribuinte, sujeito passivo direto, cabendo o lançamento de ofício de IRPJ. Quanto aos rendimentos não oferecidos à tributação, a sujeição passiva é deslocada do prestador de serviços (beneficiário que não pode ser identificado) para o tomador de serviços. Responde o tomador de serviços como sujeito passivo indireto pela tributação do IRRF.
Numero da decisão: 9101-003.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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PAGAMENTOS SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COEXISTÊNCIA COM GLOSA DE DESPESAS DO IRPJ. I Operação comercial revestida de normalidade pressupõe a efetiva prestação do serviço ou aquisição de mercadoria. Uma vez efetuado o pagamento, consumase cenário no qual (1) o tomador de serviços, com base na nota fiscal escriturada, pode deduzir da base de cálculo do imposto o valor pago pelo serviço, e (2) o prestador de serviços oferece à tributação os rendimentos auferidos pelo serviço prestado. II Desvirtuamento nas operações entre tomador e prestador de serviços, com utilização de notas fiscais frias para lastrear eventos inexistentes e mascarar a verdadeira causa de saída de recursos da empresa, fazem com que a empresa reduza a base de cálculo por meio da contabilização de despesa, e por outro lado, o beneficiário dos ingressos não os ofereça à tributação, por ser desconhecido. III Por isso, autuação fiscal recai sobre (1) a glosa da despesa do serviço prestado por parte do tomador de serviços e (2) o não oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes do serviço pelo prestador de serviços. IV Por determinação legal, o pólo passivo nas duas pontas da relação jurídica é preenchido pelo tomador de serviços. Na glosa de despesas, responde o tomador na condição de contribuinte, sujeito passivo direto, cabendo o lançamento de ofício de IRPJ. Quanto aos rendimentos não oferecidos à tributação, a sujeição passiva é deslocada do prestador de serviços (beneficiário que não pode ser identificado) para o tomador de serviços. Responde o tomador de serviços como sujeito passivo indireto pela tributação do IRRF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 02 74 /2 00 8- 37 Fl. 15615DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.616 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 15474/15508) interposto por BM COMERCIAL LTDA, MÁRCIO VILEFORT MARTINS, MÁRCIA VILEFORT MARTINS CHERNICHARO, ANTÔNIO VILEFORT MARTINS e MARÍLIA VILEFORT MARTINS ("Recorrentes") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1101001.039 (efls. 1720/1779), pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 12/02/2014, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário para excluir da responsabilização tributária a pessoa jurídica MVM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 13/476), relativa aos anoscalendário de 2002 a 2006, discorre sobre a utilização de notas fiscais inidôneas pela pessoa jurídica BM COMERCIAL LTDA (sujeito passivo direto) visando reduzir a base tributável. Foram tipificadas nos presentes autos as infrações (1) glosas de despesas, ensejando lançamentos de Fl. 15616DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.617 3 ofício de IRPJ e CSLL com multa agravada e qualificada (225%), e (2) pagamentos sem causa/beneficiário não identificado, formalizadas em lançamentos de ofício de IRRF com multa qualificada (150%), e foram relacionados como sujeitos passivos indiretos as pessoas físicas MÁRCIO VILEFORT MARTINS, MÁRCIA VILEFORT MARTINS CHERNICHARO, ANTÔNIO VILEFORT MARTINS e MARÍLIA VILEFORT MARTINS e a pessoa jurídica MVM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES. A primeira instância (DRJ), ao apreciar a impugnação (efls. 1313/1382), julgou o lançamento fiscal procedente (efls. 1409/1605). A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) decidiu (efls. 1720/1779) dar provimento parcial ao recurso voluntário (efls. 1638/1718), para excluir do pólo passivo indireto a pessoa jurídica MVM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES. A pessoa jurídica BM COMERCIAL LTDA e as pessoas físicas MÁRCIO VILEFORT MARTINS, MÁRCIA VILEFORT MARTINS CHERNICHARO, ANTÔNIO VILEFORT MARTINS e MARÍLIA VILEFORT MARTINS interpuseram recurso especial (e fls. 15474/15508), que foi admitido parcialmente por despacho de exame de admissibilidade (efls. 15583/15589) e ratificado por despacho de reexame (efls. 15590/15591), para dar seguimento apenas para a matéria "possibilidade de exigência de IRRF relativo a pagamento sem causa/beneficiário não identificado em conjunto com o IRPJ". Foram apresentadas contrarrazões (efls. 15606/15613) pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN"). A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa Os Recorrentes apresentaram impugnação. A 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte julgou o lançamento fiscal procedente, mantendo também na integralidade a sujeição passiva, no Acórdão nº 0221.140, na sessão de 13/02/2009, nos termos da ementa a seguir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 15617DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.618 4 MULTA DE OFÍCIO A multa de oficio será qualificada e agravada, ao mesmo tempo, no percentual total de 225%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; e sempre que o sujeito passivo, no prazo marcado, deixe de atender intimação fiscal para apresentar os arquivos magnéticos relativos à sua escrita contábil ou fiscal. JUROS DE MORA TAXA SELIC É legítima a exigência de juros de mora tendo por base percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CUSTOS INDEDUTÍVEIS. A legislação_ fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. Não são dedutíveis na apuração do lucro real os custos contabilizados, cujos correspondentes documentos fiscais foram declarados inidôneos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DE BENEFICIÁRIO E RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva de fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. Foi interposto recurso voluntário. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 12/02/2014, no Acórdão nº 1101001.039, decidiu dar Fl. 15618DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.619 5 provimento parcial ao recurso apenas para afastar da sujeição passiva indireta a pessoa jurídica MVM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 GLOSA DE CUSTOS. Não são dedutíveis na apuração do lucro tributável os custos contabilizados, cujos correspondentes documentos fiscais foram demonstrados inidôneos, por corresponderem a documentos falsos ou se decorrerem de operações comerciais materialmente incomprovadas e vinculadas a procedimentos anormais de pagamento. Subsiste a glosa se o sujeito passivo não apresenta qualquer evidência de sua boafé. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). QUALIFICAÇÃO. Pertinente a qualificação da penalidade se demonstrada a falsidade de documentos fiscais e/ou a inidoneidade de fornecedores associada à ausência de prova do recebimento das mercadorias e providências anormais de pagamento. AGRAVAMENTO. A multa de ofício será agravada se o sujeito passivo, no prazo marcado, deixe de atender intimação fiscal para apresentar os arquivos magnéticos relativos à sua escrita contábil ou fiscal. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DE BENEFICIÁRIO E RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva de fonte nos casos de pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). QUALIFICAÇÃO. Pertinente a qualificação da penalidade se demonstrada a falsidade de Fl. 15619DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.620 6 documentos fiscais e/ou a inidoneidade de fornecedores associada à ausência de prova do recebimento das mercadorias e providências anormais de pagamento. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Somente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador podem ser arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apurado. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com vistas a sonegação e fraude os mandatários e gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ADMINISTRAÇÃO COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. A administração do sujeito passivo com interposição de pessoa jurídica não é suficiente para autoriza a imputação de responsabilidade solidária ou pessoal contra esta. As Recorrentes interpuseram recurso especial, versando sobre as matérias (1) responsabilidade pessoal dos sócios, (2) aplicação de multa agravada; (3) aplicação de multa qualificada e (4) possibilidade de exigência de IRRF relativo a pagamento sem causa/beneficiário não identificado em conjunto com o IRPJ. Foi dado seguimento pelo despacho de exame de admissibilidade, confirmado pelo despacho de reexame de admissibilidade, apenas para a matéria "possibilidade de exigência de IRRF relativo a pagamento sem causa/beneficiário não identificado em conjunto com o IRPJ". Sobre o assunto, entende que não é possível a concomitância na exigência do IRRF juntamente com o IRPJ, ainda mais quando decorrente de glosa de despesas. Aduz que as hipóteses previstas no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, não restaram elucidadas pela autoridade fiscal, vez que, a inexistência da operação pra sustentar a glosa de despesas não autoriza a conclusão (presunção) de que ocorreu pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, por serem situações distintas. Requer pela reforma do acórdão recorrido e a improcedência do lançamento fiscal. A PGFN apresentou contrarrazões, e transcreve as razões da decisão recorrida para requerer a negativa do provimento do recurso especial. É o relatório. Fl. 15620DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.621 7 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 15583/15589, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer parcialmente do Recurso Especial das Recorrentes, em relação à matéria "possibilidade de exigência de IRRF relativo a pagamento sem causa/beneficiário não identificado em conjunto com o IRPJ". Passo ao exame do mérito. Aduz o recurso especial que não seria possível a aplicação de infração de IRPJ, glosa de despesas, e da infração de IRRF pagamento sem causa/beneficiário não identificado. Mostrase relevante esclarecer a gênese da infração de IRRF, prevista no art. 674 do RIR/99 (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995). O suporte fático trata de operações realizadas entre o tomador de serviços e o prestador de serviços. Numa operação normal, esperase que o serviço tenha sido prestado, o pagamento efetuado, consumandose cenário no qual (1) o tomador de serviços, com base na nota fiscal escriturada, pode deduzir da base de cálculo do imposto o valor pago pelo serviço, e (2) o prestador de serviços oferece à tributação os rendimentos auferidos pelo serviço prestado. Ocorre que, infelizmente, são detectados desvirtuamentos nas operações entre tomador e prestador, com finalidades diversas, como produzir despesas fictícias, ocultar pagamentos efetuados ou recebidos, dentre outros, sempre visando ocultar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há repercussão tributária nos dois elos da operação, tanto do tomador de serviço quanto do prestador de serviço. Por isso, a autuação recai sobre (1) a glosa da despesa do serviço prestado por parte do tomador de serviços e (2) o não oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes do serviço pelo prestador de serviços. E, em ambos os casos, por determinação legal, o pólo passivo é preenchido pelo tomador de serviços. Na glosa de despesas, responde o tomador na condição de contribuinte, sujeito passivo direto, cabendo o lançamento de ofício de IRPJ. Quanto aos rendimentos não oferecidos à tributação, a sujeição passiva é deslocada do prestador de serviços para o tomador de serviços. Assim, o tomador de serviços responde na condição de responsável, sujeito passivo indireto, pela tributação do IRRF. Explicase a opção legislativa porque em diversas oportunidades, por conta de sofisticadas operações elaboradas, não se torna 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 15621DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.622 8 possível identificar o prestador de serviços, razão pela qual o tomador de serviços assume o ônus, na condição de sujeito passivo direto e indireto. As construções engendradas são diversas e criativas, envolvendo tanto a escrituração formal mantida pela empresa quanto aquela mantida à margem da contabilidade. Dependendo da situação, podem ensejar lançamentos de IRPJ e IRRF, ou apenas de um dos tributos. Por exemplo, comprovandose ocorrência de notas fiscais "frias" escrituradas, caberia glosa de despesas do IRPJ e o lançamento de IRRF. Por vezes demonstrase apenas a ocorrência de pagamentos por serviços fictícios (por meio de cheques, transferências bancárias), efetuados à margem da contabilidade, sem repercussão na base de cálculo do IRPJ do tomador de serviços, situação que enseja apenas o lançamento de IRRF (para tributar os rendimentos pagos ao beneficiário). Enfim, como se pressupõe que o prestador recebeu os rendimentos líquidos, a base de cálculo é ajustada, para então se aplicar a alíquota prevista em lei de trinta e cinco por cento. O caso tratado nos presentes autos trata precisamente de utilização de notas fiscais inidôneas, frias, para lastrear despesas. Vale transcrever excertos do Termo de Verificação Fiscal: 2.1. IRPJ E CSLL: GLOSA DE CUSTOS REPRESENTADOS PELA CONTABILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS — ANOSCALENDÁRIO DE 2002, 2003 E 2004 O contribuinte REDUZIU O LUCRO TRIBUTÁVEL relativo aos anos de 2002, 2003 e 2004, apropriandose indevidamente de custos de mercadorias para revenda, MEDIANTE O RECEBIMENTO, UTILIZAÇÃO E REGISTRO EM SEUS LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS, DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM À SAÍDA EFETIVA DAS MERCADORIAS NELAS DESCRITAS, DOS ESTABELECIMENTOS EMITENTES, conforme amplamente descrito e detalhado, na Parte II deste Termo, intitulada COMPROVAÇÃO DA INIDONEIDADE DE DOCUMENTAÇÃO FISCAL. (...) Chegouse à conclusão de que todas as notas fiscais citadas na Parte II deste Termo de Verificação Fiscal são frias, por não corresponderem à saída efetiva, dos estabelecimentos emitentes, das mercadorias nelas descritas. Essas notas foram utilizadas pelo sujeito passivo com o intuito doloso de esquivarse fraudulentamente do pagamento dos impostos devidos. Houve a simulação de operações comerciais com empresas inexistentes de fato ou de fachada e com empresas verdadeiramente existentes, que, no caso, negaram peremptoriamente ter tido relações comerciais com a BM COMERCIAL LTDA. Verificase que a empresa, ao se utilizar de notas fiscais inidôneas para "lastrear" despesas incorridas com prestador de serviços ou fornecedor desconhecido, reduziu indevidamente a base de cálculo tributável para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido, correta a autuação fiscal. Fl. 15622DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.623 9 Por outro lado, os recursos que a empresa pretendeu qualificar como "despesas", de fato tiveram uma saída para um destino desconhecido. Vale transcrever novo excerto do Termo de Verificação Fiscal: Constatouse que grande parte dos pagamentos dessas supostas aquisições de mercadorias foram contabilizados mediante lançamento a crédito nas contas fornecedores e a débito de contas bancos, ou seja, através de cheques. Cópias reprográficas dos livros Razão contendo esses lançamentos são parte integrante do Anexo III. Esses pagamentos, entretanto, não foram comprovados pela empresa BM, não obstante ter sido regularmente intimada a fazêlo, através do Termo de Intimação No. 016, às fls. 676 a 697. Diante da omissão do contribuinte e obedecendo estritamente os ditames legais, forma emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, as quais foram destinadas às pertinentes instituições financeiras. Em atendimento, estas remeteram cópias dos microfilmes dos cheques solicitados. Constatamos que esses cheques foram emitidos nominalmente à própria BM COMERCIAL LTDA e sacados contra os bancos Bradesco e Safra. São todos cheques nominais, à ordem e foram transmitidos por endosso em branco, ou seja, o beneficiário do cheque a própria BM, no caso assinou no verso, sem identificar o novo beneficiário, autorizando seu pagamento pelo banco. Verificouse, assim, que os recursos representados por esses cheques foram, na verdade, destinados a terceiros não identificados. Na realidade, não foi possível identificar os destinatários e as destinações desses recursos. Cópias reprográficas desses cheques constituem o Anexo IV, onde encontramse dispostos na seguinte seqüência: a) cheques do banco Safra, em ordem crescente de documento, fls. 02 a 760, b) cheques do banco Bradesco, também em ordem crescente de documento,fls.761 a 4404. Houve, de fato, saídas de recursos da empresa, conforme contabilizado. Na presente situação, entretanto, não se pode determinar a motivação da saída e nem identificar os beneficiários desses recursos. Sujeitase o contribuinte, portanto, às exigências estabelecidas pelo art. 674 do RIR/99, com redação dada pela Lei n° 8.981/95 (...) O que houve, no caso sob exame, foi a liquidação de uma "obrigação" inexistente, constante do passivo, com efetiva saída de recursos da empresa. O beneficiário não está identificado e a saída do numerário foi suportada em documentos inidôneos, caracterizando pagamento sem causa e a beneficiário não identificado. A BM COMERCIAL LTDA utilizou documentos falsos/inidôneos para justificar o pagamento ou entrega de recursos a terceiros, comprovadamente sem causa, com o fim de suprimir tributo. (Grifei) Fl. 15623DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.624 10 Como se pode observar, os recursos efetivamente saíram da empresa, para um destino não conhecido. Tais recursos, em tese, deveriam ter sido oferecidos à tributação pelo beneficiário (por aquele que os recebeu), contudo, em razão da simulação empreendida, não se torna possível identificar quem seriam as pessoas/entidades que receberam os rendimentos. Por isso, a legislação tributária tratou de qualificar, como responsável, o tomador dos serviços (aquele que engendrou a saída dos recursos), tendo como base o art. 674 do RIR/99 2. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 2 RIR/99, art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n°8.981, de 1995, art. 61). § 1° A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n°8.981, de 1995, art. 61, § 1°). § 2° Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei n°8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3° O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61, §3°). Fl. 15624DF CARF MF Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 9101003.165 CSRFT1 Fl. 15.625 11 Fl. 15625DF CARF MF
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