Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,246)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10650.900801/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Relatório
Reproduzo o relatório da Resolução 1402-000.235:
Trata-se de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0942.267 da 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada.
Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida:
A requerente transmitiu a Declaração de Compensação - Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.02-9240 utilizando parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, composto por IRRF no valor de R$7.200.000,00. Posteriormente apresentou a Dcomp 12711.53465.300606.1.3.02-9120, informando as demais antecipações, representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram para a formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o montante compensado de R$19.384.740,22.
A requerente, ainda utilizando o crédito acima referido, transmitiu as seguintes declarações de compensação: 13114.75121.220206.1.3.02-6930, 26190.00143.300306.1.3.02-7825, 37079.37262.280406.1.3.02-2707, 24830.98820.300606.1.3.02-7257, 06442.11163.271206.1.3.02-6907, 41967.08034.29010.1.7.02-0807, 23041.51497.290607.1.3.02-7183, 12462.42250.070807.1.7.02-0307, 38722.19923.100907.1.3.02-0950, 22521.22508.140907.1.3.02-3850, 31401.06261.280907.1.3.02-5333 e 40390.10582.240108.1.7.02-7715.
A DRF/UBERABA/MG, em 01/03/2011, emitiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 4, posteriormente revisto de ofício por intermédio do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu:
Com base nos fatos e fundamentos acima expendidos, decido:
1) Anular a decisão veiculada pelo despacho decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n° 913279257;
2) Reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela VALE FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/0001-58, no valor originário de R$ 16.753.034,96 (dezesseis milhões, setecentos e cinquenta e três mil, trinta e quatro reais e noventa e seis centavos), relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no ano-calendário 2005, exercício 2006; e 3) Homologar as compensações realizadas pelo contribuinte com utilização do referido crédito até o limite em que as contas se encontrarem.
A contribuinte teve ciência do acima decidido em 26/12/2012, fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 314 a 323, na qual:
A despeito de as receitas de aplicações financeiras serem apropriadas segundo o regime de competência, o IRRF é aproveitado segundo o regime de caixa, ou seja, seu aproveitamento só ocorre no momento da disponibilidade econômica, quer dizer, de seu resgate.
Sendo a obrigação fiscal é ex lege, e não decorrente da vontade das partes, não pode o Fisco amparar suas conclusões exclusivamente no cruzamento eletrônico de informações, eivadas de erro ou não, mas na verificação das circunstâncias de fato que a configura (ou que ensejam o crédito fiscal, na hipótese dos autos), sob pena de manifesta ofensa aos artigos 150,1, da CR/88, 3o e 142 do Código Tributário Nacional.
É dizer, o que importa é a materialidade do crédito, e não a sua representação formal (declarações do contribuinte).
Conforme explanado, a turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade.
A interessada foi cientificada da decisão em 31 de janeiro de 2013 (fl. 364), apresentando recurso voluntário de fls. 367-373 em 04 de março de 2013.
Em resumo, aduz que as receitas financeiras que deram origem à retenção de imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela delegacia de origem, quanto pela decisão recorrida, como sendo valores não oferecidos à tributação teria origem na diferença de tratamento contábil entre as receitas financeiras e a retenção de imposto: enquanto as receitas são reconhecidas pelo regime de competências, a retenção do imposto se dá pelo regime de caixa. Conclui, assim, que o montante de receitas financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no ano-calendário de 2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista tratarem-se de investimentos de longo prazo. Anexou às fl. 376-396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em questão.
Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido:
O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se conhece.
A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate.
A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que nem toda receita financeira foi oferecida à tributação.
Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis com a situação fática apresentada.
Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato, incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores.
Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano-calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência.
Após elaborar relatório circunstanciado com suas conclusões, a autoridade fiscal deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifeste-se sobre seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornem-se os autos para julgamento.
Por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 848-852, destaco excertos da manifestação da autoridade fiscal responsável pelo procedimento:
O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para atendimento integral (fls. 555-567):
- planilhas contendo justificativas para os lançamentos a débito realizados em2005 nas contas contábeis: 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações,3503002 Receita Financeira Mútuo e 3503005 Receitas Financeiras deOutras Aplicações;
- controles internos da empresa que embasam os lançamentos contábeis realizadosnas contas 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 ReceitasFinanceiras de Outras Aplicações; e
- arquivos digitais de registros contábeis dos anos de 2004 e 2005.Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de resposta ou qualquer justificativa, foi lavrado o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal em 12/07/2016, com ciência por via postal em 18/07/2016, contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577-581).
[...]
Da análise, realizada por amostragem, dos registros contábeis e dos documentos apresentados verificou-se que o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 Receita Financeira Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo.
Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade.Verificou-se, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003.
Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano.
Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeisdesacompanhado da documentação que os respalda. Da análise, realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, conclui-se que o contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005.
Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada:
[...]
9. Pois bem, a partir da leitura do Termo de Encerramento de Diligência,depreende-se que os argumentos explanados pela ora Suplicante em seu RecursoVoluntário estão inequivocamente comprovados, o que torna forçoso concluir pelainsubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos.
10. O argumento adotado pela RFB para negar, parcialmente, o direitocreditório - e confirmado pela r. decisão recorrida - consiste no fato de que a Recorrente, supostamente, não ter oferecido à tributação parte da receita decorrente de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF que compôs o saldo negativo pleiteado). Esta constatação derivaria da simples constatação, pela auditoria fiscal, de estornos realizados pela Suplicante na conta contábil pertinente às aplicações financeiras em tela, de tal sorte que o saldo respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação.
11. Por seu turno, a síntese dos argumentos de defesa é de que os rendimentosproduzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado ano-calendário e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento dareceita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto oIRRF só é utilizável no momento da disponibilidade financeira da receita, ou seja,quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação.
12. Pois bem. No Termo de Encerramento de Diligência, a i. Autoridadeconsignou que, em que pese a falta de parte dos documentos bancários, teve em mãos elementos suficientes para confirmar que:
(i) ... o contribuinte registrou, em observância ao regime decompetência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valortotal, nas contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras deAplicações e 3503005 - Receitas Financeiras de Outras Aplicações,e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitasrealizados nessas contas de resultado no mês subsequente ao dolançamento. Na conta 3503003 - Receita Financeira - Mútuo, foipossível verificar os lançamentos das receitas de juros nasoperações de mútuo.;(ii) Quando do efetivo regime das aplicações, registrou nacontabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de formaindividualizada para cada operação, de forma que todos osrendimentos constantes da DIRF/2005 foram registrados nacontabilidade..
13. Prosseguindo em suas constatações, também em relação ao exercício de2004, confirmou a i. Autoridade a premissa de que as receitas financeiras da oraSuplicante restaram devidamente submetidas à tributação indicando que da análiserealizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informaçõesconstantes da Dirf/2004, conclui-se que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática deregistro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005.
14. É de ver, pois, o Fisco, ao proferir o Despacho Decisório, sequer se ocupouem examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a patente insubsistência do v. acórdão recorrido.
15. Noutro giro, a par da certificação da i. Autoridade quanto à utilização damesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeiraem exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que devenortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadoratodos os elementos necessários para a apreciação da questão posta nos autos, a Suplicante requer a juntada da anexa documentação de registro contábil de ano de 2003, requerendo, desde já, seja essa, também, objeto de análise pela i. auditoria fiscal.
É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10650.900801/2010-56
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841738
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.474
nome_arquivo_s : Decisao_10650900801201056.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10650900801201056_5841738.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7172838
ano_sessao_s : 2018
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Reproduzo o relatório da Resolução 1402-000.235: Trata-se de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0942.267 da 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida: A requerente transmitiu a Declaração de Compensação - Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.02-9240 utilizando parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, composto por IRRF no valor de R$7.200.000,00. Posteriormente apresentou a Dcomp 12711.53465.300606.1.3.02-9120, informando as demais antecipações, representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram para a formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o montante compensado de R$19.384.740,22. A requerente, ainda utilizando o crédito acima referido, transmitiu as seguintes declarações de compensação: 13114.75121.220206.1.3.02-6930, 26190.00143.300306.1.3.02-7825, 37079.37262.280406.1.3.02-2707, 24830.98820.300606.1.3.02-7257, 06442.11163.271206.1.3.02-6907, 41967.08034.29010.1.7.02-0807, 23041.51497.290607.1.3.02-7183, 12462.42250.070807.1.7.02-0307, 38722.19923.100907.1.3.02-0950, 22521.22508.140907.1.3.02-3850, 31401.06261.280907.1.3.02-5333 e 40390.10582.240108.1.7.02-7715. A DRF/UBERABA/MG, em 01/03/2011, emitiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 4, posteriormente revisto de ofício por intermédio do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu: Com base nos fatos e fundamentos acima expendidos, decido: 1) Anular a decisão veiculada pelo despacho decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n° 913279257; 2) Reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela VALE FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/0001-58, no valor originário de R$ 16.753.034,96 (dezesseis milhões, setecentos e cinquenta e três mil, trinta e quatro reais e noventa e seis centavos), relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no ano-calendário 2005, exercício 2006; e 3) Homologar as compensações realizadas pelo contribuinte com utilização do referido crédito até o limite em que as contas se encontrarem. A contribuinte teve ciência do acima decidido em 26/12/2012, fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 314 a 323, na qual: A despeito de as receitas de aplicações financeiras serem apropriadas segundo o regime de competência, o IRRF é aproveitado segundo o regime de caixa, ou seja, seu aproveitamento só ocorre no momento da disponibilidade econômica, quer dizer, de seu resgate. Sendo a obrigação fiscal é ex lege, e não decorrente da vontade das partes, não pode o Fisco amparar suas conclusões exclusivamente no cruzamento eletrônico de informações, eivadas de erro ou não, mas na verificação das circunstâncias de fato que a configura (ou que ensejam o crédito fiscal, na hipótese dos autos), sob pena de manifesta ofensa aos artigos 150,1, da CR/88, 3o e 142 do Código Tributário Nacional. É dizer, o que importa é a materialidade do crédito, e não a sua representação formal (declarações do contribuinte). Conforme explanado, a turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada foi cientificada da decisão em 31 de janeiro de 2013 (fl. 364), apresentando recurso voluntário de fls. 367-373 em 04 de março de 2013. Em resumo, aduz que as receitas financeiras que deram origem à retenção de imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela delegacia de origem, quanto pela decisão recorrida, como sendo valores não oferecidos à tributação teria origem na diferença de tratamento contábil entre as receitas financeiras e a retenção de imposto: enquanto as receitas são reconhecidas pelo regime de competências, a retenção do imposto se dá pelo regime de caixa. Conclui, assim, que o montante de receitas financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no ano-calendário de 2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista tratarem-se de investimentos de longo prazo. Anexou às fl. 376-396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em questão. Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido: O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se conhece. A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que nem toda receita financeira foi oferecida à tributação. Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis com a situação fática apresentada. Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato, incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores. Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano-calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Após elaborar relatório circunstanciado com suas conclusões, a autoridade fiscal deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifeste-se sobre seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornem-se os autos para julgamento. Por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 848-852, destaco excertos da manifestação da autoridade fiscal responsável pelo procedimento: O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para atendimento integral (fls. 555-567): - planilhas contendo justificativas para os lançamentos a débito realizados em2005 nas contas contábeis: 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações,3503002 Receita Financeira Mútuo e 3503005 Receitas Financeiras deOutras Aplicações; - controles internos da empresa que embasam os lançamentos contábeis realizadosnas contas 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 ReceitasFinanceiras de Outras Aplicações; e - arquivos digitais de registros contábeis dos anos de 2004 e 2005.Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de resposta ou qualquer justificativa, foi lavrado o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal em 12/07/2016, com ciência por via postal em 18/07/2016, contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577-581). [...] Da análise, realizada por amostragem, dos registros contábeis e dos documentos apresentados verificou-se que o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 Receita Financeira Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo. Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade.Verificou-se, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeisdesacompanhado da documentação que os respalda. Da análise, realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, conclui-se que o contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005. Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada: [...] 9. Pois bem, a partir da leitura do Termo de Encerramento de Diligência,depreende-se que os argumentos explanados pela ora Suplicante em seu RecursoVoluntário estão inequivocamente comprovados, o que torna forçoso concluir pelainsubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos. 10. O argumento adotado pela RFB para negar, parcialmente, o direitocreditório - e confirmado pela r. decisão recorrida - consiste no fato de que a Recorrente, supostamente, não ter oferecido à tributação parte da receita decorrente de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF que compôs o saldo negativo pleiteado). Esta constatação derivaria da simples constatação, pela auditoria fiscal, de estornos realizados pela Suplicante na conta contábil pertinente às aplicações financeiras em tela, de tal sorte que o saldo respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação. 11. Por seu turno, a síntese dos argumentos de defesa é de que os rendimentosproduzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado ano-calendário e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento dareceita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto oIRRF só é utilizável no momento da disponibilidade financeira da receita, ou seja,quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação. 12. Pois bem. No Termo de Encerramento de Diligência, a i. Autoridadeconsignou que, em que pese a falta de parte dos documentos bancários, teve em mãos elementos suficientes para confirmar que: (i) ... o contribuinte registrou, em observância ao regime decompetência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valortotal, nas contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras deAplicações e 3503005 - Receitas Financeiras de Outras Aplicações,e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitasrealizados nessas contas de resultado no mês subsequente ao dolançamento. Na conta 3503003 - Receita Financeira - Mútuo, foipossível verificar os lançamentos das receitas de juros nasoperações de mútuo.;(ii) Quando do efetivo regime das aplicações, registrou nacontabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de formaindividualizada para cada operação, de forma que todos osrendimentos constantes da DIRF/2005 foram registrados nacontabilidade.. 13. Prosseguindo em suas constatações, também em relação ao exercício de2004, confirmou a i. Autoridade a premissa de que as receitas financeiras da oraSuplicante restaram devidamente submetidas à tributação indicando que da análiserealizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informaçõesconstantes da Dirf/2004, conclui-se que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática deregistro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005. 14. É de ver, pois, o Fisco, ao proferir o Despacho Decisório, sequer se ocupouem examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a patente insubsistência do v. acórdão recorrido. 15. Noutro giro, a par da certificação da i. Autoridade quanto à utilização damesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeiraem exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que devenortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadoratodos os elementos necessários para a apreciação da questão posta nos autos, a Suplicante requer a juntada da anexa documentação de registro contábil de ano de 2003, requerendo, desde já, seja essa, também, objeto de análise pela i. auditoria fiscal. É o relatório.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007632871424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.023 1 1.022 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.900801/201056 Recurso nº Resolução nº 1301000.474 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2018 Assunto Diligência Recorrente VALE FERTILIZANTES S/A (sucessora de FERTILIZANTES FOSFATADOS S/A FOSFÉRTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 50 .9 00 80 1/ 20 10 -5 6 Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.024 2 Relatório Reproduzo o relatório da Resolução 1402000.235: Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0942.267 da 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida: A requerente transmitiu a Declaração de Compensação Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.029240 utilizando parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, composto por IRRF no valor de R$7.200.000,00. Posteriormente apresentou a Dcomp 12711.53465.300606.1.3.029120, informando as demais antecipações, representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram para a formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o montante compensado de R$19.384.740,22. A requerente, ainda utilizando o crédito acima referido, transmitiu as seguintes declarações de compensação: 13114.75121.220206.1.3.026930, 26190.00143.300306.1.3.027825, 37079.37262.280406.1.3.022707, 24830.98820.300606.1.3.027257, 06442.11163.271206.1.3.026907, 41967.08034.29010.1.7.020807, 23041.51497.290607.1.3.027183, 12462.42250.070807.1.7.020307, 38722.19923.100907.1.3.020950, 22521.22508.140907.1.3.023850, 31401.06261.280907.1.3.025333 e 40390.10582.240108.1.7.027715. A DRF/UBERABA/MG, em 01/03/2011, emitiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 4, posteriormente revisto de ofício por intermédio do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu: Com base nos fatos e fundamentos acima expendidos, decido: 1) Anular a decisão veiculada pelo despacho decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n° 913279257; 2) Reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela VALE FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/0001 58, no valor originário de R$ 16.753.034,96 (dezesseis milhões, setecentos e cinquenta e três mil, trinta e quatro reais e noventa e seis centavos), relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2005, exercício 2006; e 3) Homologar as compensações realizadas pelo contribuinte com utilização do referido crédito até o limite em que as contas se encontrarem. A contribuinte teve ciência do acima decidido em 26/12/2012, fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 314 a 323, na qual: Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.025 3 A despeito de as receitas de aplicações financeiras serem apropriadas segundo o regime de competência, o IRRF é aproveitado segundo o regime de caixa, ou seja, seu aproveitamento só ocorre no momento da disponibilidade econômica, quer dizer, de seu resgate. Sendo a obrigação fiscal é ex lege, e não decorrente da vontade das partes, não pode o Fisco amparar suas conclusões exclusivamente no cruzamento eletrônico de informações, eivadas de erro ou não, mas na verificação das circunstâncias de fato que a configura (ou que ensejam o crédito fiscal, na hipótese dos autos), sob pena de manifesta ofensa aos artigos 150,1, da CR/88, 3o e 142 do Código Tributário Nacional. É dizer, o que importa é a materialidade do crédito, e não a sua representação formal (declarações do contribuinte). Conforme explanado, a turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada foi cientificada da decisão em 31 de janeiro de 2013 (fl. 364), apresentando recurso voluntário de fls. 367373 em 04 de março de 2013. Em resumo, aduz que as receitas financeiras que deram origem à retenção de imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela delegacia de origem, quanto pela decisão recorrida, como sendo valores não oferecidos à tributação teria origem na diferença de tratamento contábil entre as receitas financeiras e a retenção de imposto: enquanto as receitas são reconhecidas pelo regime de competências, a retenção do imposto se dá pelo regime de caixa. Conclui, assim, que o montante de receitas financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no anocalendário de 2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista trataremse de investimentos de longo prazo. Anexou às fl. 376396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em questão. Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido: O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se conhece. A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.026 4 A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que nem toda receita financeira foi oferecida à tributação. Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis com a situação fática apresentada. Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato, incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores. Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Após elaborar relatório circunstanciado com suas conclusões, a autoridade fiscal deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifestese sobre seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 848852, destaco excertos da manifestação da autoridade fiscal responsável pelo procedimento: O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para atendimento integral (fls. 555567): planilhas contendo justificativas para os lançamentos a débito realizados em 2005 nas contas contábeis: 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações, 3503002 – Receita Financeira – Mútuo e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações; controles internos da empresa que embasam os lançamentos contábeis realizados nas contas 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações; e arquivos digitais de registros contábeis dos anos de 2004 e 2005. Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de resposta ou qualquer justificativa, foi lavrado o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal em 12/07/2016, com ciência por via postal em 18/07/2016, contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577581). [...] Da análise, realizada por amostragem, dos registros contábeis e dos documentos apresentados verificouse que o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 – Receita Financeira – Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo. Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.027 5 Verificouse, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeis desacompanhado da documentação que os respalda. Da análise, realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, concluise que o contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005. Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada: [...] 9. Pois bem, a partir da leitura do “Termo de Encerramento de Diligência”, depreendese que os argumentos explanados pela ora Suplicante em seu Recurso Voluntário estão inequivocamente comprovados, o que torna forçoso concluir pela insubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos. 10. O argumento adotado pela RFB para negar, parcialmente, o direito creditório e confirmado pela r. decisão recorrida consiste no fato de que a Recorrente, supostamente, não ter oferecido à tributação parte da receita decorrente de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF que compôs o saldo negativo pleiteado). Esta constatação derivaria da simples constatação, pela auditoria fiscal, de estornos realizados pela Suplicante na conta contábil pertinente às aplicações financeiras em tela, de tal sorte que o saldo respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação. 11. Por seu turno, a síntese dos argumentos de defesa é de que os rendimentos produzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado anocalendário e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento da receita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto o IRRF só é utilizável no momento da disponibilidade financeira da receita, ou seja, quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação. 12. Pois bem. No “Termo de Encerramento de Diligência”, a i. Autoridade consignou que, em que pese a “falta de parte dos documentos bancários”, teve em mãos elementos suficientes para confirmar que: (i) “... o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 Receita Financeira Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo.”; Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.028 6 (ii) “Quando do efetivo regime das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da DIRF/2005 foram registrados na contabilidade.”. 13. Prosseguindo em suas constatações, também em relação ao exercício de 2004, confirmou a i. Autoridade a premissa de que as receitas financeiras da ora Suplicante restaram devidamente submetidas à tributação indicando que “da análise realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, concluise que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005”. 14. É de ver, pois, o Fisco, ao proferir o Despacho Decisório, sequer se ocupou em examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a patente insubsistência do v. acórdão recorrido. 15. Noutro giro, a par da certificação da i. Autoridade quanto à utilização da “mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira” em exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que deve nortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadora todos os elementos necessários para a apreciação da questão posta nos autos, a Suplicante requer a juntada da anexa documentação de registro contábil de ano de 2003, requerendo, desde já, seja essa, também, objeto de análise pela i. auditoria fiscal. É o relatório. Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.029 7 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso voluntário foi alvo de conhecimento quando da conversão do julgamento em diligência (Resolução 1402000.235). Conforme descrito no voto condutor da resolução citada, a controvérsia é relativamente simples: alega a recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. A resolução determinou à unidade de origem que analisasse se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no anocalendário de 2005 e as constantes em DIRF teriam sido, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Ao final, requereuse que fosse elaborado relatório circunstanciado com as conclusões da autoridade fiscal, cientificandose o contribuinte de seu teor e fosse aberto prazo de 30 dias para que, se houvesse interesse, se manifestasse sobre o seu teor. Contudo, compulsando o resultado da diligência, com a devida vênia, entendo não ser possível prosseguir com o julgamento de mérito. Vejamos. Em determinada passagem, em relação às contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, a autoridade fiscal responsável pela diligência diz que as receitas financeiras foram registradas contabilmente pelo regime de competência, mas, de forma sistemática, o contribuinte teria realizado “estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento”. S.m.j., nessa hipótese, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, não haveria que se falar em oferecimento à tributação das receitas financeiras, pois o valor computado como receita em um mês, teria sido estornado no mês seguinte. A seguir, conclui que “quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade”. Pelo que se extrai do Termo de Encerramento de Diligência, o contribuinte teria registrado as receitas pelo regime de competência, depois as estornado, e, por fim, registrado as receitas novamente quando do resgate das aplicações. Ora, se isso realmente tivesse ocorrido, certamente o litígio não teria chegado a esse ponto, pois foi justamente a divergência entre receitas oferecidas à tributação no ano Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.030 8 calendário de 2005 e o valor das receitas financeiras informado em DIRF (leiase: “o valor das receitas financeiras no período de resgate das aplicações”) que redundou no não reconhecimento ao direito de deduzir parte do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRFonte pleiteado pelo contribuinte. É bom ressaltar que a conclusão da autoridade fiscal, embora aparentemente decida a favor da recorrente, contradiz a própria tese da defesa de que os rendimentos teriam sido oferecidos à tributação com base no regime de competência. Salientese mais uma vez que a conclusão de que todas as receitas foram registradas na contabilidade não esclarece se todas compuseram efetivamente o resultado auferido, até mesmo porque a autoridade fiscal alega que, embora as receitas financeiras tenham registradas com base no regime de competência, posteriormente teriam sido estornadas. Mais adiante, a autoridade fiscal alega que: Verificouse, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. É importante frisar que a própria recorrente já afirmara em seu recurso voluntário que teria reconhecido as receitas financeiras pelo regime de competência, anexando fichas do Livro Razão que entendeu como suficientes para comprovar suas alegações (fls. 376 396). No dia 11/04/2016 (fls. 575576) o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativos com indicação individualizada do lançamento contábil para registrar cada uma das receitas de aplicação de renda fixa no momento do reconhecimento pelo regime de competência, anteriores a 2005, bem como os arquivos digitais (referentes a lançamentos contábeis) de todos os anoscalendário anteriores a 2005 (fl. 570). O contribuinte atendeu à intimação parcialmente, solicitando prorrogação de prazo, prontamente concedida (fls. 555567). Somente quatro meses adiante (05/08/2016 – fl. 582), o contribuinte alcançou os documentos solicitados, sem, contudo, anexar as fichas da escrituração contábil que comprovariam o oferecimento à tributação, no anocalendário de 2003, de parte das receitas financeiras informadas na DIRF de 2005. Conforme já dito, somente após o encerramento da diligência é que a recorrente anexou aos autos os supostos comprovantes referentes à escrituração do anocalendário de 2003. É importante ressaltar que a Resolução que converteu o julgamento em diligência foi proferida na sessão de 11 de fevereiro de 2014, ou seja, dois anos e meio após o contribuinte já saber da conversão em diligência ainda não foi capaz de atender a contento à intimação da unidade de origem para cumprimento do determinado pelo colegiado. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.031 9 Em que pese a flexibilização que possa se dar ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, no que diz respeito ao momento em que se considera precluso o direito do contribuinte a anexar aos autos documentos comprobatórios de seus argumentos, entendo que não se pode mitigar a questão da preclusão a situações como as tratadas nos presentes autos: converteuse o julgamento em diligência para que a unidade de origem pudesse intimar o contribuinte e analisar a documentação comprobatória apresentada justamente pela impossibilidade de realizar isso a contento, inclusive com direito ao contraditório, diretamente no colegiado, e o contribuinte não aproveitou, mais uma vez, sua oportunidade de fazêlo tempestivamente. Por essas razões, entendo que não se deva reconhecer o direito ao IRFonte proporcional às receitas financeiras que o contribuinte deixou de comprovar que foram efetivamente oferecidas à tributação. Ademais, ainda que se superasse a dúvida sobre a efetiva comprovação de reconhecimento e o oferecimento à tributação das receitas financeiras nos anoscalendário de 2004 e de 2005 (informadas na DIRF de 2005), não foi informado pela autoridade fiscal responsável pela diligência qual o valor das receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação (no caso, o montante que o contribuinte alega ter oferecido à tributação no ano calendário de 2003, mas não apresentou a documentação comprobatória pertinente). Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Resolução nº 1301000.474 S1C3T1 Fl. 1.032 10 CONCLUSÃO Desse modo, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência1, nos seguintes termos: proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que: a) seja esclarecido se as receitas financeiras foram reconhecidas pelo regime de competência e efetivamente oferecidas à tributação do IRPJ; b) em caso afirmativo, do montante informado em DIRF (2005), quanto foi oferecido à tributação no anocalendário de 2004 e quanto no anocalendário de 2005; c) qual o montante de receita financeira que o contribuinte alega ter oferecido à tributação no anocalendário de 2003, mas não apresentou a documentação comprobatória quando da realização da primeira diligência. Ao final da realização da diligência, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado com as respostas aos quesitos formulados, cientificando o contribuinte sobre tais conclusões, e informandoo que, se houver interesse, poderá se manifestar sobre o conteúdo do relatório no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Cumprido esse rito, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto 1 Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 36. [...] § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. Fl. 1032DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001299/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105, de 2001.
DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE R$ 80.000,00. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00.
Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00.
SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-005.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento o valor de R$ 160.000,00, fato gerador em 30/11/03.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105, de 2001. DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE R$ 80.000,00. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.001299/2007-22
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853930
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Apr 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.289
nome_arquivo_s : Decisao_19515001299200722.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001299200722_5853930.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento o valor de R$ 160.000,00, fato gerador em 30/11/03. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7223452
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007696834560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.102 1 1.101 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001299/200722 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.289 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de março de 2018 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente SILVIO GIOVANOLLI NUNZIATO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105, de 2001. DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE R$ 80.000,00. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 99 /2 00 7- 22 Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.103 2 SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.104 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento o valor de R$ 160.000,00, fato gerador em 30/11/03. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.105 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1647.952 (fls. 1031/1067) da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1). Às fls. 820/830, consta o lançamento de ofício (Auto de Infração) de crédito tributário no montante de R$ 2.724.392,63 (dois milhões, setecentos e vinte e quatro mil, trezentos e noventa e dois reais e sessenta e três centavo), referente à omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações. Do termo de Verificação Fiscal (fls. 831/836), extraise a motivação do lançamento de ofício, consoante excertos a seguir transcritos: O contribuinte foi selecionado para fiscalização por apresentar movimentação bancária incompatível com os rendimentos declarados, durante o ano de 2001 a 2004 (fls.03/46). Esclarecemos que o período base de 2001 foi tratado no processo administrativo n° 19515.2096/200672. [...] Em 10/07/06, o contribuinte, através de seu procurador, conforme fls.49, apresentou os seguintes documentos: a) Extratos do Banco Itaú, referente à conta 0845.438001, com movimentação de 2002 a 2004(fls. 50/64;123/134;172/ 183); b) Extratos da conta bancária 86024, do Banco Safra, para o ano de 2002 (fls.65/82.) c) Extratos do Unibanco, referentes à conta 2022304, para 2002 a 2004 (fls.83/119;135/171;184/199 e 202/224); d) Extratos da conta 0024328, do Banespa, o período de 2002(fls. 120/122). [...] As justificativas apresentadas para os valores creditados na conta do Banco Itaú, constante das planilhas de fls. 229/252, como sendo Devolução de Empréstimos Intermares, não estão sendo aceitas, visto que o contrato apresentado somente tem validade entre as partes (fls. 413/414), pois sem o necessário registro ou reconhecimento de firma, à época conforme o Código Civil Brasileiro, em seu artigo 135, visto que o Contrato foi assinado antes da vigência do novo Código. Os itens justificados como transferência de aplicação de mesma titularidade, na realidade não o são, visto que não encontramos Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.106 5 contrapartida nos extratos dos outros bancos. Quanto ao salário recebido da Intermares Marketing Internacional, Importação e Exportação Ltda, no valor de R$ 390.200,00, pago no ano de 2002 e por ela declarado, conforme fls.14, estão somados pelo contribuinte, na sua Declaração do Imposto de Renda, com os valores de aluguéis também pagos pela mesma, no valor de R$ 72.000,00, totalizando R$ 462.920,00 (fls.27). Ambos serão excluídos das planilhas referentes aos créditos em conta. Os valores creditados em 2003, justificados como venda de imóvel Adalivia, foram desconsiderados, visto que os documentos do referido imóvel apresentados comprovam dação em pagamento do mesmo, em 2003, à empresa panamenha Beloha Trade Inc, conforme fls. 618/656. Também foi considerado não comprovado o valor de R$ 60.000,00 de 06/01/03, do Banco ltaú, fls. 123 e 464, justificados como rendimentos de pessoa física declarados, que contraposto folha 34, do volume 01/04, não encontra respaldo, visto que o declarante declarou rendimentos de R$ 7.000,00 mensais para essa natureza. O Acordo Comercial, de fls. 535/536, do volume 03/04, foi desconsiderado, visto somente ter validade entre as partes, não fazendo provas para terceiros, por não ter sido registrado em cartório, na época de sua assinatura, conforme o Código Civil Brasileiro, em seu artigo 135, visto que o Contrato foi assinado antes da vigência do novo Código. Quanto aos valores oferecidos à tributação através da Declaração do Imposto de Renda dos anoscalendário sob análise e recebidos da empresa Intermares Marketing Ltda constatamos uma diferença entre os valores justificados pelo interessado, nas diversas planilhas, e os valores constantes como tributáveis nas respectivas DIRPF. Pelo exposto, elaboramos a planilha de fls.743, do volume 04/04, cujas diferenças entre aqueles valores serão tributadas de oficio, como omissão de rendimentos. Em 2004, os valores justificados como Distribuição de Lucros da empresa Jera Participações e Serviços Ltda, aberta em fevereiro de 2003, com capital social de R$ 30.000,00 e cujo Contrato Social e alteração encontramse juntados às fls. 657/666, do volume 04/04, são provenientes da empresa lntermares, conforme observado nos históricos dos extratos bancários e, portanto, não considerados como isentos, sendo tributados como omissão de rendimentos, conforme planilha de fls. 744, do volume 04/04, visto que foi demonstrada a origem. Foram elaboradas as planilhas de fls. 745/750, onde constam todos os valores creditados nas diversas contas bancárias de titularidade do fiscalizado, durante o período de 2002 a 2004, cujas origens foram consideradas não comprovadas. Observouse, conforme fls.667/681 e 713/742, operações como: 1) a compra e venda da empresa Sonoma Administração de Bens entre o fiscalizado e seus familiares: a esposa, Meyre Camarano Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.107 6 Nassar e o pai: Paschoal Nunziato, sugerindo simulação para justificar movimentação financeira, visto que os fluxos de entrada e saída dos valores movimentados de uma conta para outra não foi comprovado; 2) a dação em pagamento já referida entre o fiscalizado e a empresa Beloha Trade Inc, "com sede no Panamá", que na guia de recolhimento de fls. 621 (626, do volume 04104, fica demonstrado que funciona no mesmo endereço do fiscalizado; 3) Alterações contratuais da empresa Intermares Marketing Internacional de Importação e Exportação Ltda, onde fica bem caracterizada essa conveniente saída e retorno dos sócios pai e filho, inclusive com participação de 410 empresa internacional, no caso a Goodspeed International Logistic L.L.C, da Pennsylvania, U.S.A, que tem como procurador o próprio fiscalizado e que cuja participação na empresa é de 1% do capital, em 2003 (fls. 730). Todo esse movimento na sociedade sugere, também, a utilização de empresa do exterior para justificar movimentação financeira. Diante do exposto, de maneira geral, desconsideramos todos os itens referentes a empréstimos, pela não comprovação da sua efetivação, através de documentação hábil e idônea. Isto posto, emitimos a planilha de fls.751 que consolida, além dos de fls. 683 e 684, os novos valores de créditos em contas bancárias, depois de expurgadas as devoluções de cheques de terceiros, resgates de aplicações financeiras, estornos diversos, transferências interbancárias do próprio contribuinte, valores já tributados ou isentos de fácil identificação de conhecimento da Receita Federal e obtivemos o total anual para 2002, de R$ 1.071.844,79; para 2003, de R$ 1.401.800,81 e para 2004, de R$ 1.215.285,54, considerados como de origens não comprovadas, e, com base nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e com limites alterados pelo artigo 40. da Lei n° 9.481/97 e parágrafos adicionados pelo art. 58 da Lei 10.637/2002, classificados como omissão de rendimentos e sujeitos, portanto ao lançamento de oficio, nos meses em que foram concretizados. [...] As Declarações do Imposto de Renda referentes aos anos calendário de 2002 a 2004, exercícios de 2003 a 2005, encontramse juntadas às fls.26/46, do volume 01/04. Cientificado do Auto de Infração em 18/06/2007 (fls. 840), apresentou impugnação em 06/07/2007 (fls. 844/877). Do relatório da decisão de piso, retiramse os principais argumentos da peça impugnatória: [...] I) Os fatos; II) A ilegalidade do lançamento ex officio por abranger período em que já se operou a decadência nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; III) A ilegalidade do lançamento por abranger “informações” de valor mensal inferior ao admitido Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.108 7 pela Lei nº 9.430/1996; IV) A ilegalidade do lançamento por consignar importâncias plenamente justificadas que não configuram “acréscimo patrimonial injustificado”, referentes: a) a empréstimos tomados do genitor do requerente, no valor total de R$ 128.553,00 e à venda de participação societária que detinha na empresa Sonoma a seu genitor, no valor total de R$ 270.000,00; b) à venda de imóvel (apartamento – R. Adalívia nº 235 – Ed. Pal. Orleans, no valor total de R$ 385.510,00) e veículos de propriedade do requerente (no valor total de R$ 179.500,00); c) a recebimentos de distribuição de resultados isentos da empresa Jera Participações e Serviços Ltda, da qual é sócio (R$ 538.515,54) e a recebimentos de empréstimos das empresas Intermares Marketing International de Importação e Exportação Ltda no ano 2002 (R$ 843.493,61) e Intermares Logística Ltda (R$ 475.000,00) no ano calendário 2004, ambas das quais o requerente é sócio; d) transferências entre contas do próprio requerente e resgates de aplicações financeiras (R$ 418.835,00), bem como reembolsos de despesas (R$ 131.387,15), feitos pela firma da qual o requerente é sócio; V) A ilegalidade do lançamento de IRPF com base exclusivamente em extratos de movimentos bancários já proclamada pela jurisprudência judicial e administrativa; VI) A ilegalidade da exigência cumulada de juros moratórios e “taxa Selic” sobre o suposto “debito”; VII) protesta pela juntada de 12 documentos, com seus apensos, para requerer que se digne de julgar nulos e insubsistentes, tanto a acusação de infração, como o lançamento ex officio, cancelando as exigências de IRPF, multa e acréscimos, por manifestamente ilegais. O Acórdão nº 1647.952 do colegiado de primeira instância restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anos calendário: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os rendimentos omitidos apurados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, embora submetidos à apuração mensal, estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, pelo que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele fixado para entrega tempestiva da declaração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.109 8 Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CRÉDITOS DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 25/10/2013 (fls. 1071), e apresentou Recurso Voluntário em 18/11/2013 (fls. 1072/1099), do qual reproduzemse abaixo os principais argumentos: a) Em preliminar, aduz que, por ter sido notificado em 18/06/2007, o período compreendido de janeiro a junho de 2002 já havia sido abrangido pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, e artigos 2º, 3º e 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Neste ponto, cita ainda julgados do CARF e jurisprudência; b) Questiona o lançamento em relação as informações sobre movimentações financeiras, informando que a fiscalização não considerou os limites legais estabelecidos pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Apresenta planilha de valores que deverão ser excluídos; c) Discorda do lançamento de ofício por entender que os valores consignados em extratos bancários não poderiam ser tributados, por consubstanciarem meras transferências entre contas do recorrente, bem como se refiram a distribuição de lucros de empresa do recorrente; d) Informa que o valor de R$ 128.553,00, referese a pagamentos relativos a empréstimos comprovadamente tomados do seu genitor, estando devidamente registrado em sua DIRPF/2004. O valor de R$ 270.000,00, referese a venda de participação societária que detinha na Empresa Sonoma a seu genitor, também registrado na sua DIRPF/2004; e) O valor de R$ 565.010,00 referese a comprovação da venda de imóvel (Apartamento Rua Adalívia nº 235 Ed Pal. Orleans) e de veículos; Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.110 9 f) O valor de R$ 1.857.008,15, classificado como receita omitida no calendário 2004, diz referirse a distribuição de resultados isenta de IRPF, no valor de R$ 538.514,54, recebidos da empresa Jera Participações e Serviços Ltda, e recebimentos de empréstimos das empresas Intermares Marketing International de Importação e Exportação, no valor de R$ 843.493,61 (ano calendário 2002) e Intermares Logística ltda, no valor de R$ 475.000,00; g) Declara que o valor de R$ 418.735,00 referese a transferência entre contas do recorrente e resgates de aplicações financeiras. O valor de R$ 131.387,15, referese a reembolsos de despesas feitos pela empresa que o recorrente é sócio, no caso, a Intermares Marketing Ltda; h) Reforça seus argumentos, mais uma vez, para afirmar a total inconsistência dos lançamentos fiscais de IRPF com base exclusivamente em extratos de movimentação bancária. Cita vários julgados do Conselho de Contribuintes e Jurisprudência do STJ e TRFs; i) Questiona a aplicação, simultânea e cumulativamente, dos juros moratório de 1% ao mês e taxa selic, todos sobre o valor do tributado apurado; j) Ao final, requer a anulação ou reforma do v. acórdão recorrido, para sejam julgadas insubsistentes as acusações fiscais, bem assim canceladas as exigências de imposto, multa e acréscimos. É o relatório. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.111 10 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar Da ilegalidade do lançamento com base exclusivamente em extratos de movimentação bancária Quanto à ilegalidade do lançamento de IRPF com base exclusivamente em extratos de movimentação financeira, o Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. [...] 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.112 11 mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001) 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. [...] 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. [...] 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.665 SP, relator: MINISTRO LUIZ FUX, Dje de 15/10/2009). Observase que o acórdão do REsp nº 1.134.665 SP foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.113 12 que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Sobre o caráter vinculante da decisão do STJ, a Portaria Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), traz as seguintes disposições: Art. 62. ... b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Portanto, sem razão o recorrente. Mérito a) Da decadência de períodos do ano calendário 2002 Neste ponto, necessário esclarecer que a análise da decadência restringeseá ao item 002 do Auto de Infração (fls. 827/828), nos termos em que foi apresentado o Recurso Voluntário (fls. 1075): 2. Realmente, no item 002 do AI já impugnado, verificase que a D. Fiscalização incluiu operações supostamente ocorridas no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2004. Portanto, os valores apurados no item 002 do Auto de Infração, tratamse de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Intermares Marketing Internacional de Imp. e Exp. Ltda, CNPJ 47.543.236/000138, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 831/836) e planilhas (fls. 811/812). Salienta o recorrente que ao caso aplicase a regra do §4º do art. 150 do CTN, por entender que o regime de tributação aplicável ao imposto de renda pessoa física é o de caixa, o que significa que o imposto passa a ser devido no momento da percepção do rendimento, para tanto, cita ainda os arts. 2º, 3º e 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e arts. 2º e 3º da Lei nº 8.134, de 1990. Pois bem. A situação em apreço passa necessariamente pela análise de qual regra deve ser aplicada: o § 4º do art. 150 ou inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.114 13 Pacificando o assunto, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Veja a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.115 14 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Por ter sido submetido ao regime do art. 543C do CPC, sistemática dos recursos repetitivos, essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. No caso (os valores apurados no item 002 do Auto de Infração), constituem se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual que se enquadram no conceito de lançamento por homologação, cujo termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao exercício analisado. Assim, em relação aos fatos geradores do exercício 2002, contase o prazo de 05(cinco) a partir de 01/01/2003, sendo o termo final o dia 31/12/2007, como o sujeito passivo tomou ciência em 18/06/2007 (fls. 838), concluise como regular o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Ademais, em relação ao item 001 do AI (matéria não contestada), omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, necessário esclarecer que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à essa omissão ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a decadência do período de janeiro a junho de 2002 b) valor mensal inferior ao admitido Art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 Aduz o recorrente que a autoridade lançadora não considerou os limites legais estabelecidos no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para tanto, demonstra, por meio da planilha abaixo, quais valores deveriam ser excluídos (fls. 1080). Item do AI Fato gerador Valor 002 28/02/02 R$ 3.510,22 002 31/01/02 R$ 10.000,00 002 31/01/03 R$ 11.245,58 002 31/05/03 R$ 10.000,00 002 30/06/03 R$ 10.000,00 002 30/11/03 R$ 5.000,00 002 31/01/04 R$ 3.000,00 002 03/11/04 R$ 5.189,60 Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.116 15 Total R$ 57.945,40 Da planilha com os valores informados pelo sujeito passivo, necessário seja esclarecido que o valor de R$ 3.510,22, fato gerador 28/02/2002, referese ao item 001 do Auto de Infração (OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA fls. 825). Em relação aos demais valores referemse ao item 002 do Auto de Infração (OMISSÃO DE RENDIMENTOS fls. 827/828). Esses esclarecimentos são necessários, considerando que o art. 42, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 9.481, de 1997, aplicase apenas em relação aos valores tributáveis do item 001 do Auto de Infração. Lei nº 9.430, de 1996. Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: [...] II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Lei nº 9.481, de 1997. Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente.(grifouse) Como se percebe das planilhas de valores creditados na C/C nº 0845.43800 1, do Banco Itaú, sem comprovação de origem (fl. 813), de valores creditados não tributados, C/C nº 2022304 do Unibanco (fl. 814), relativas ao ano de 2002, e Planilha de consolidação (fls. 819), a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes do sujeito passivo ultrapassa o limite de R$ 80.000,00 no ano de 2002, considerando que o somatório dos depósitos bancários de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 é superior ao referido limite. Desse modo, não há que se falar em exclusão do depósito bancário de R$ 3.510,22, fato gerador 28/02/2002, do item 001 do Auto de Infração (fl. 825), com base no art. 42, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 e suas alterações. Em relação aos demais valores, relativos ao item 002 do Auto de Infração, omissão de rendimentos recebidos da Intermares Marketing Internacional de Imp. e Exp. Ltda, Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.117 16 esclarecese que não se aplica o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso, o enquadramento legal do lançamento de ofício foi pelos arts. 1° a 3º da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 1° a 3° e §§ da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 37, 38, 43, 56 e 83 do Regulamento do Imposto de Renda e art. 1° da Lei n° 10.451, de 2002 (fls. 829). c) Empréstimos recebidos do Sr. Paschoal Nunziato Aduz o recorrente que o valor de R$ 128.553,00, indevidamente incluído no lançamento, referese a pagamentos de empréstimos comprovadamente tomados do seu genitor e devidamente consignados em ambas declarações de imposto de renda. Para tanto, apresenta o seguinte demonstrativo como os valores recebidos a título de empréstimo no ano de 2003, que totalizam o valor de R$ 125.000,00: 8/10/03 R$ 20.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 10/10/03 R$ 15.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 23/10/03 R$ 25.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 4/11/03 R$ 15.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 10/11/03 R$ 20.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 14/11/03 R$ 10.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 25/11/03 R$ 10.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 28/11/03 R$ 10.000,00 Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF Total R$ 128.533,00 Os valores em referência estão consignados no demonstrativo de valores creditados, ano 2003, referente a conta corrente nº 0845.438001 do Banco Itaú SA (fl.s 816). Para melhor compreensão dessa operação de empréstimo entre o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, CPF nº 010.421.13858, e seu genitor, O Sr. Paschoal Nunziato, CPF nº 108.857.65834. Necessário apresentar os seguintes esclarecimentos: a) DIRPF do exercício 2002, ano calendário 2001 (fls. 73) DÍVIDAS E ÔNUS REAIS: consta que o Sr. Paschoal Nunziato emprestou ao Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, no ano calendário 2001, a importância de R$ 1.300.000,00. b) DIRPF do exercício 2003, ano calendário 2002 (fls. 30) DÍVIDAS E ÔNUS REAIS: consta, no quadro discriminação, que o empréstimo recebido do seu genitor foi reduzido em R$ 550.000,00, mediante dação em pagamento de um imóvel situado a Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie. DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS: consta, no quadro discriminação, que o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, adquiriu em 05/03/2002, o imóvel situado à Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie, e Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.118 17 repassou ao Sr. Paschoal Nunziato como pagamento parcial da dívida contraída. c) DIRPF do exercício 2004, ano calendário 2003 (fls. 30) DÍVIDAS E ÔNUS REAIS: consta, a mesma informação, que o empréstimo recebido do seu genitor foi reduzido em R$ 550.000,00, mediante dação em pagamento de um imóvel situado a Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie. DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS: consta, no quadro discriminação, que o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, adquiriu em 24/10/2003 o mesmo imóvel situado à Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie. Na DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS do Sr. Paschoal Nunziato (fls. 891) consta que o referido imóvel foi vendido novamente ao Sr. Silvio Giovavanolli Nunziato, sem especificação da data em que ocorreu a operação. Observase ainda que não consta informação na DIRPF/2004 do Sr. Paschoal Nunziato se foi apurado ou não ganho de capital sobre referida alienação, bem como as condições e forma do recebimento da alienação do bem. Registrese ainda que, em relação ao empréstimo que diz haver tomado de seu genitor, no valor de R$ 125.000,00, ano calendário 2003, não consta consignado na DIRPF/2004 Dívidas e Ônus Reais. Pois bem. A alegação de que os valores estão informados em declarações de imposto, do recorrente e de seu genitor, por si só, não elide a imputação do crédito tributário apurado. A comprovação da origem dos créditos em contratos de empréstimos, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430 de l996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Como se observa dos autos, não há documentos comprobatórios de efetiva transferências dos valores creditados na conta corrente nº 0845.438001 do Banco Itaú, no ano calendário 2003, conforme relação de depósitos acima mencionados, do Sr. Paschoal Nunziato para o Sr. Silvio Giovanolli. Pelo exposto, sem razão o recorrente, mantémse o r. acórdão da DRJ/SPI, que assim concluiu nos seguintes termos: Assim, dado que faltam documentos comprobatórios da efetiva transferência de numerários de seu genitor, Paschoal Nunziato/CPF 108.857.65834, para a c/c 0845.438001/ Banco Itaú SA, de titularidade do interessado, bem como faltam provas consistentes relativas aos empréstimos tomados de seu genitor informados nas declarações de ajuste anual do interessado, ditos valores creditados na conta corrente nº 0845.438001/ Banco Itaú SA, pertencente ao interessado, seguem com sua origem de recursos injustificada. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.119 18 d) Venda de participação societária da empresa SONOMA Diz o recorrente que o valor de R$ 270.000,00 referese a pagamentos da venda de participação societária que detinha na empresa Sonoma a seu genitor, em período coincidente e devidamente consignados em ambas declarações. Assim, apresenta o seguinte demonstrativo: 07/4/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 30/4/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 27/5/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 03/6/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 05/6/03 R$ 20.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 09/6/03 R$ 10.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 09/6/03 R$ 10.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 18/6/03 R$ 15.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 30/6/03 R$ 25.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 07/7/03 R$ 16.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 08/7/03 R$ 10.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 31/7/03 R$ 15.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 08/5/03 R$ 10.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 20/8/03 R$ 25.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 22/8/03 R$ 15.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 25/8/03 R$ 15.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 AG. TEF 25/7/03 R$ 4.000,00 Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.65834 DOC Total R$ 270.000,00 Da análise dos depósitos bancários em referência na conta corrente 0845.438001 (fls. 134/142), constatase que, basicamente, as Transferências Eletrônicas de Fundos (TEF), Histórico Ag TEF 0845 442060, referemse a valores creditados por Intermares Logística Ltda, titular da conta corrente nº 44.206 0/ Agência 0845/Banco Itaú SA. Portanto, em relação aos créditos com histórico de TEF 0845.442060, concluiuse que não se tratam de transferências originárias da conta corrente de titularidade de Paschoal Nunziato, como informou o recorrente. Do r. acórdão recorrido, por esclarecer pontos importantes da venda da participação societária da empresa SONOMA, extraise os seguintes trechos: Examinando o Instrumento Particular de Constituição de Sociedade Civil Por Quotas de Responsabilidade Limitada de “Sonoma Administração de Bens S/C Ltda” de 13/08/2001 (fls. 893/896), bem assim o Instrumento Particular de Alteração de Contrato de Sociedade Civil Por Quotas de Responsabilidade Limitada de “Sonoma Administração de Bens S/C Ltda” 1ª Alteração de 06/11/2001 (fls. 731/733 e 897/899); 2ª Alteração de 24/09/2002 (fls. 736/738 e 900/902) e 3ª Alteração de 03/11/2003 (fls. 741/747 e 903/910), verificase que pelo Instrumento Particular 2ª Alteração datado de 24/09/2002 (fls. 736/738 e 900/902), o sócio Silvio Giovanolli Nunziato, que detinha 999.999 quotas do Capital Social da Sonoma Administração, retirouse da sociedade e vendeu à sócia remanescente Meiry Camarano Nassar, que detinha 1 quota, 999.998 quotas do Capital Social, pelo preço certo e ajustado de R$370.000,00. Consta, ainda, do referido Instrumento, que Silvio Giovanolli Nunziato cedeu e transferiu 1 quota já integralizada Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.120 19 do Capital Social à própria sociedade, pelo preço ajustado de R$0,37, ficando esta quota em Tesouraria. Por meio do Instrumento Particular de Alteração Contratual de Sociedade Simples Sonoma Administração de Bens S/C Ltda 3ª Alteração de 03/11/2003 (fls. 741/747 e 903/910), a sócia Meiry Camarano Nassar cedeu e transferiu a totalidade de suas quotas do Capital Social ao sócio ora admitido Paschoal Nunziato, nascido aos 20/12/1925, que ficou com 999.999 quotas ou R$999.999,00 do Capital Social. Ato contínuo, a quota em Tesouraria, representando 1 quota, no valor de R$1,00, foi transferida a sócia Meiry Camarano Nassar. É curioso notar que citado Instrumento não mencionou o preço pelo qual se realizou a transferência de 999.999 quotas de Meiry Camarano Nassar para Paschoal Nunziato. [...] Tanto a declaração do interessado de que deu as citadas quotas em pagamento parcial da divida junto a Paschoal Nunziato, quanto a que constou consignada na Declaração de Bens e Direitos da DIRPF/2004 de Paschoal Nunziato (juntado pelo impugnante à fl. 891), de que as quotas de capital social da Sonoma Administração de Bens SC Ltda foram recebidas em pagamento do empréstimo ao Sr Silvio Giovanolli Nunziato, sendo a sua situação em 31/12/2002 e 31/12/2003, respectivamente, de R$0,00 e R$364.000,00, revelamse dissonantes com o Instrumento Particular de Alteração Contratual de Sociedade Simples Sonoma Administração de Bens S/C Ltda 3ª Alteração de 03/11/2003 (fls. 741/747 e 903/910). Em vista do exposto, entendo que nesse ponto não merece reforma o r. acórdão da DRJ/SPI. e) Venda de imóvel e de veículos Informa que a omissão de R$ 565.010,00 referese à venda de imóvel (apartamento – Rua Adalívia nº 235 – Ed. Pal. Orleans) e a de veículos de propriedade do recorrente, conforme demonstrado: 24/11/03 R$ 3.910,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF 147.912.60805 CRED DOC ELETR 27/11/03 R$ 160.000,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF CRED DOC 17/12/03 R$ 4.100,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF CRED DOC 7/11/03 R$ 205.500,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF DEP INTE. 5/11/03 R$ 12.000,00 Venda Apartamento R. Adalívia nº 235 Ed. Pal Orleans Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior CPF TED Total R$ 385.510,00 5/03/03 R$ 46.000,00 Venda Veículo Land Rover Discovery Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 AG. TEF Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.121 20 21/3/03 R$ 30.000,00 Venda Veículo Land Rover Discovery Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 AG. TEF 31/01/03 R$ 30.000,00 Venda Veículo Land Rover Discovery Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 TED 28/2/03 R$ 30.000,00 Venda Veículo Land Rover Discovery Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 TED 21/10/03 R$ 43.000,00 Venda Automóvel Corola Toyota Autostar Com. Importadora CNPJ 68.976.091/000139 DEP CHQ 3/07/03 R$ 500,00 Venda Moto Rafael Nassar DOC Total R$ 179.500,00 Em relação a venda do Apto na Rua Adalivia, 235 Ed. Pal Orleans, entendo que o depósito de R$ 160.000,00, datado de 27/11/2003 (fls. 183), C/C nº 2022304, Ag 0738, UNIBANCO, com base no Instrumento Particular de Contrato de Venda e Compra, Mútuo, Confissão de Dívida, Pacto Adjeto de Hipoteca e Outras Avenças” datado de 03/11/2003 (fls. 911/921), está devidamente comprovado. Veja que há um contrato firmado entre o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato (Vendedor), o Sr. Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior (Comprador, Mutuário e Devedor Hipotecário) e o Unibanco União de Bancos Brasileiros SA (Mutuante e Credor Hipotecário), contendo o preço total de venda e compra de R$ 430.000,00, sendo R$ 270.000,00 pagos com recursos próprios e R$ 160.000,00 financiados. Salientese ainda que o recorrente apresentou o Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (fls. 39). No tocante aos demais valores, relacionados acima, entendo que, com base nos documentos acostados aos autos, restou não comprovados os depósitos creditados na Conta Corrente nº 2022304, do Unibanco, Durante o Ano de 2003, Sem Comprovação de Origem” (fl. 815), igualmente em relação os valores creditados na conta corrente nº 438001/ Banco Itaú SA, identificados na planilha acima, constantes do Demonstrativo dos Valores Creditados de fl. 816. Desse modo, assiste razão, em parte, ao recorrente para que seja reformado o acórdão recorrido, excluído do lançamento o valor tributável de R$ 160.000,00, fato gerador 30/11/2003 (item 001 do AI), considerando que o valor está devidamente comprovado, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. f) Distribuição de resultados e recebimentos de empréstimos de empresa do qual o recorrente é sócio Diz o recorrente que o valor de R$ 1.857.008,15, identificado nas planilhas de fls. 859/863, considerado como “receita omitida”, é composto por distribuição de resultados isenta de IRPF (R$ 538.514,54) recebidos da Jera Participações e Serviços Ltda no ano calendário 2004 e por pagamentos de recebimentos de empréstimos da Intermares Marketing International de Importação e Exportação Ltda no ano calendário 2002 (R$ 843.493,61) e da Intermares Logística Ltda (fl. 475.000,00) no ano calendário 2004. Primeiramente, consoante demonstrativo de fls. 1085/1088, será analisada a distribuição de lucros da empresa Jera Participações. Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.122 21 03/05/04 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED 12/5/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED 12/7/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 19/7/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 2/8/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 10/8/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 16/8/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 10/9/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 27/9/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 1/10/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 13/10/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 19/10/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 22/11/2004 R$ 4.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 10/12/2004 R$ 5.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES 20/12/04 R$ 3.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TED INTERM ARES Da análise dos extratos dos valores creditados na C/C nº 202234, Unibanco (fls. 225/226, 236/237, 239/240, 243/244), relacionados no Demonstrativo de fls. 817, constatase que os valores acima tratam de TED/DOC recebidos de Intermares Logisticas. 29/7/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 16/9/2004 R$ 15.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 21/9/2004 R$ 15.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 30/9/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 4/10/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 5/11/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.123 22 9/11/2004 R$ 30.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 12/11/2004 R$ 25.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 16/11/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 18/11/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 22/11/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 26/11/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 30/11/2004 R$ 10.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 2/12/2004 R$ 30.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 6/12/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 9/12/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 10/12/2004 R$ 45.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 15/12/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 20/12/2004 R$ 40.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 27/12/2004 R$ 20.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF 29/12/2004 R$ 40.000,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 AG. TEF Total R$ 538.514,54 Também, os valores acima tratam de transferências efetuadas por Intermares Logística Ltda., CNPJ 04.534.711/000105, para a C/C nº 0845438001 do Sr. Silvio Giovanolli, relacionados do demonstrativo de fls. 818, conforme extratos de fls. 201 e 204/209, TED (fls. 624, 626, 635/636, 641/645, 648/651, 653/656, 1002/1009 e 1011/1018). 5/4/2004 R$ 3.618,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 CRED DOC. 21/12/2004 R$ 1.374,54 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 DEP CHQ 30/8/2004 R$ 6.522,00 Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/000162 TRANSF CC No mesmo sentido, são os créditos acima relacionados, tendo em vista que o recorrente não comprovou que tem origem em distribuição de lucros da Jera Participações e Serviços Ltda., CNPJ 05.575.862/000166. Ainda em relação a distribuição de lucros, constata se do Dossiê Integrado (fls. 25/26) que o regime de tributação da referida empresa Jera Participações e Serviços Ltda., CNPJ 05.575.862/000166 é pela sistemática do Lucro Presumido. Desse modo, entendo que, em relação a distribuição de lucros da empresa Jera Participações, não merece ser reformado o entendimento da decisão de primeira instância, que assim concluiu: Assim, os valores acima justificados como Distribuição de Lucros da empresa Jera Participações e Serviços Ltda, aberta em fevereiro de 2003, com capital social de R$ 30.000, conforme Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.124 23 Contrato Social da Jera Participações e Serviços Ltda de 20/02/2003 (fls. 716/723) e 1ª Alteração de 13/02/2004 (fls. 725/730 e 930/936), sendo provenientes da empresa Intermares Logística Ltda, não podem ser considerados rendimentos isentos. A apresentação do Contrato de Prestação de Serviços datado de 12/01/2004 (cópia de fls. 925/929) celebrado entre Intermares Logística Ltda/CNPJ 04.534.711/000105 (contratante) e Jera Participações e Serviços Ltda/CNPJ 05.575.862/000166 (contratada), sem registro em Cartório de Títulos e Documentos, bem assim da Nota Fiscal de Serviços de emissão da Jera Participações e Serviços Ltda (cópia de fls. 937/945), são insuficientes para comprovar que os créditos efetuados nas citadas contas bancárias referemse a distribuição de lucros da Jera Participações. Não tendo o impugnante comprovado a natureza dos créditos efetuados pela Intermares Logística Ltda na c/c nº 202234/Banco Unibanco SA, assim também na c/c nº 0845. 438001/ Banco Itaú SA, ditos valores seguem com sua origem de recursos injustificada. A seguir, passase a análise dos valores recebidos pelo Sr. Silvio Giovanolli em decorrência de empréstimos realizados com a empresa Intermares Marketing International de Importação e Exportação Ltda no ano calendário 2002 (R$ 843.493,61) e da Intermares Logística Ltda (fl. 475.000,00) no ano calendário 2004. 23/01/2002 R$ 2.366,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 23/01/2002 R$ 36.745,80 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 07/03/2002 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 07/03/2002 R$ 8.373,08 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 02/04/2002 R$ 5.289,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 02/04/2002 R$ 39.562,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 15/04/2002 R$ 129.330,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 02/05/2002 R$ 12.282,26 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 03/06/2002 R$ 3.040,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 10/06/2002 R$ 3.342,50 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 10/06/2002 R$ 120.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 03/07/2002 R$ 11.292,77 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 22/07/2002 R$ 136.614,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 26/07/2002 R$ 36.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 26/07/2002 R$ 2.620,20 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.125 24 05/08/2002 R$ 2.718,40 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 05/08/2002 R$ 18.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 07/08/2002 R$ 5.959,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 14/08/2002 R$ 38.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 14/08/2002 R$ 4.389,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 04/09/2002 R$ 4.774,80 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 04/09/2002 R$ 25.300,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 16/09/2002 R$ 29.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 16/09/2002 R$ 3.024,80 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 23/09/2002 R$ 43.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 AG. TEF. 04/10/2002 R$ 2.048,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 04/10/2002 R$ 33.300,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 09/10/2002 R$ 7.400,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DP. CHEQUE 10/10/2002 R$ 14.564,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 17/10/2002 R$ 8.105,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 23/10/2002 R$ 6.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. 23/10/2002 R$ 2.366,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 CRED. DOC. 05/11/2002 R$ 36.017,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/000138 DOC. E. R$ 843.493,61 18/2/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 15/3/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 22/1/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 16/2/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 30/1/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 5/3/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 10/3/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 14/4/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 5/1/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 15/1/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.126 25 15/1/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 26/1/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 30/1/2004 R$ 20.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 10/2/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 20/2/2004 R$ 25.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 2/3/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 8/3/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 10/3/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 22/3/2004 R$ 30.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 26/3/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 14/4/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 30/4/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 5/5/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 10/5/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 19/5/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 21/5/2004 R$ 25.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 11/6/2004 R$ 35.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 14/6/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 21/6/2004 R$ 10.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 5/7/2004 R$ 20.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 12/7/2004 R$ 30.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 3/8/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 12/8/2004 R$ 20.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 AG. TEF 26/2/2004 R$ 5.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED 10/8/2004 R$ 15.000,00 Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/000105 TED R$ 475.000,00 Da análise do contrato de mútuo (fls. 946/947) entre o Sr. Silvio Giovanolli e a empresa Intermares Marketing Internacional de Imp e Exp Ltda, CNPJ 47.543.236/000138, datado de 26 de setembro de 2001 (fls. 946/947), consta como objeto o suprimento de numerário à mutuária, mediante a comprovação em cheque ou moeda corrente. Consta ainda que o suprimento farseá segundo as necessidades de caixa da Mutuária. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.127 26 Nas mesmas condições, também foi o Contrato de Mútuo celebrado entre Silvio Giovanolli Nunziato (mutuante) e Intermares Logística Ltda, CNPJ 04.534.711/000105 (mutuária), datado de 02 de janeiro de 2004 (fls. 948/949). Pois bem. Se existem depósitos de referidas empresas nas contas correntes do recorrente, em face dos contratos de empréstimo (mútuo), logicamente, numa operação anterior, ocorreu o suprimento do caixa dessas empresas pelo Sr. Silvio Giovanolli. Assim, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, considerando que não existem nos autos comprovação efetiva de transferência de numerários do recorrente para referidas empresas, resta não comprovada a origem dos recursos, em virtude das operações de empréstimos. Pelo exposto, não assiste razão ao recorrente em seus argumentos, não merecendo, nesse ponto, reforma do acórdão da DRJ/SPI, que assim concluiu: Não tendo o impugnante logrado comprovar que os créditos efetuados na c/c nº 202234/Banco Unibanco SA, assim também na c/c nº 0845. 438001/ Banco Itaú SA, referemse às devoluções de mútuo realizadas por Intermares Marketing Internacional de Importação e Exportação Ltda no ano calendário 2002 e por Intermares Logística Ltda no ano calendário 2004, fica mantida a tributação dos referidos depósitos, por não restar comprovada a natureza dos recursos creditados nas aludidas contas de titularidade do interessado. g) Transferências entre contas do próprio recorrente, resgates de aplicações financeiras e reembolso de despesas de empresa do qual é sócio. Salienta o sujeito passivo que a fiscalização incluiu, entre as receitas omitidas, os valores de transferências entre contas do recorrente e resgates de aplicações financeiras no montante de R$ 418.835,00, bem como os reembolsos de despesas de empresa do qual é sócio no valor de R$ 131.387,15. A seguir, demonstrativo com os créditos relativos a resgates de aplicações financeiras: 21/1/2002 R$ 25.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 2/1/2002 R$ 40.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 22/7/2002 R$ 20.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 3/1/2002 R$ 49.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE CART ADM Total parc. R$ 134.000,00 5/6/2003 R$ 20.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 1/12/2003 R$ 13.013,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 29/12/2003 R$ 4.835,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 29/12/2003 R$ 5.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 30/12/2003 R$ 20.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.128 27 27/2/2003 R$ 46.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 25/3/2003 R$ 85.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF Total Parc R$ 193.835,00 20/1/2004 R$ 18.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 1/3/2003 R$ 35.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 5/3/2003 R$ 5.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 4/8/2003 R$ 8.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 11/8/2003 R$ 20.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF 03/09/2003 R$ 5.000,00 Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE AG TEF Total Parc. R$ 91.000,00 Total Geral R$ 418.835,00 Os valores em discussão referemse aos creditados na C/C nº 0845.438001 do Banco Itaú, conforme extratos de fls. 54/60, 132/150 e 189/204. Afirma o recorrente que os valores dos créditos correspondem: "Resgate aplicação Transferência de aplicação titularidade do declarante AG. TEF". Desta forma, incumbi ao recorrente demonstrar de forma clara a origem do crédito em outra conta de sua titularidade, correlacionando valor e data da operação, que, ao meu ver, não consta demonstrado nos autos. Essa, também, foi a conclusão da autoridade lançadora: "Os itens justificados como transferência de aplicação de mesma titularidade, na realidade não o são, visto que não encontramos contrapartida nos extratos dos outros bancos ". A seguir, demonstrativo com reembolsos de despesas de empresa do qual é sócio: 8/12/2003 R$ 4.241,20 Reembolso Cestas de Natal Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 18/12/2003 R$ 1.824,00 Reembolso Cestas de Natal Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 30/1/2003 R$ 449,00 Reembolso de despesas pagas pelo declarante, almoço com cliente Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 7/5/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de Despesas com Refeição e Taxi pagas pelo declarante em viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CEI 11/2/2003 R$ 3.489,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 13/10/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 15/9/2003 R$ 4.000,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ TRANSF CC Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.129 28 Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 17/9/2003 R$ 1.500,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 22/9/2003 R$ 8.000,00 Reembolso de Despesas de Viagem ComercialEstadia/Refeição/ Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 21/3/2003 R$ 5.700,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 9/4/2003 R$ 273,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 7/5/2003 R$ 4.500,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 5/6/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 14/7/2003 R$ 2.781,94 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 25/7/2003 R$ 1.467,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 11/4/2003 R$ 4.683,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 21/8/2003 R$ 3.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 14/4/2003 R$ 4.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DP INTERA 8/4/2003 R$ 6.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TED RECEBIDO 19/11/2003 R$ 5.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TED RECEBIDO 14/3/2003 R$ 2.300,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 19/3/2003 R$ 1.600,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 22/5/2003 R$ 2.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 10/6/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 17/6/2003 R$ 945,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 7/7/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 19/8/2003 R$ 2.500,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.130 29 2/9/2003 R$ 5.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 10/9/2003 R$ 5.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 1/10/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 7/5/2003 R$ 2.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CEI 17/9/2003 R$ 4.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 4/8/2003 R$ 1.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 6/1/2003 R$ 3.600,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 2/1/2003 R$ 2.000,00 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 18/9/2003 R$ 4.309,10 Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 30/6/2003 R$ 120,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 7/5/2003 R$ 183,91 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 DEP CHQ 30/4/2003 R$ 400,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 DEP DINHEIRO 30/4/2003 R$ 650,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 TRANSF CC 18/6/2003 R$ 500,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 TRANSF CC 21/8/2003 R$ 500,00 Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi) Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001 TRANSF CC R$ 108.516,15 5/2/2004 R$ 200,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 12/2/2004 R$ 394,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC 15/3/2004 R$ 394,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC 17/2/2004 R$ 172,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DEP CHQ 20/1/2004 R$ 2.000,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 21/6/2004 R$ 3.000,00 Reembolso de despesas estadia táxi, almoço Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.131 30 17/8/2004 R$ 1.500,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TEC DEP 17/8/2004 R$ 2.500,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TEC DEP 5/3/2004 R$ 1.500,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 CRED DOC 15/6/2004 R$ 5.575,00 Reembolso de passagens áreas pagas pelo declarante referente a viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 TRANSF CC 1/7/2004 R$ 2.000,00 Reembolso de despesas de viagens estadia táxi almoço Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC 2/12/2004 R$ 2.000,00 Reembolso de despesas pagas pelo declarante em uso profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC 28/12/2004 R$ 2.000,00 Reembolso de despesas pagas pelo declarante em uso profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/000138 DOC R$ 22.871,00 Em relação ao reembolso das despesas, amparase o recorrente em Acordo Comercial (fls. 964/965), entre o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato e a empresa INTERMARES MARKETING INTERNATIONAL DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 47.543.236/000138. Na cláusula Segunda, está prevista que o administrador, Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, deve : ".. receber à titulo de reembolso todas as despesas que tiver com atividades da empresa, como viagens (terrestres, aéreas ou marítimas) , visitas à clientes e fornecedores, refeições, entre outras necessidade inerentes a atividade. Consta do Dossiê Integrado (fls. 25/27) que o regime de tributação da INTERMARES MARKETING INTERNATIONAL DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA é pela sistemática do Lucro Real. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no Lucro Real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decretolei 1.598/1977, artigo 7°). Desse modo, temse que a escrituração com base nas leis comerciais e fiscais deve abranger os registros de todas as receitas, despesas e custos. Dispõe o art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) que as despesas pagas ou incorridas não as necessárias à atividade da empresa, verbis: Custos, Despesas Operacionais e Encargos Subseção I Disposições Gerais Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 19515.001299/200722 Acórdão n.º 2401005.289 S2C4T1 Fl. 1.132 31 §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Neste sentido, entendo que cabia ao recorrente ter demonstrado, por meio da escrituração contábil da Intermares Marketing International de Imp. e Exp. Ltda, comprovados por documentos hábeis, que os valores creditados em suas contas correntes correspondiam ao pagamento de despesas necessárias a atividade operacional da referida empresa. Diante do exposto, não assiste razão ao recorrente em seus argumentos. h) Da ilegalidade da exigência cumulada de juros moratório e taxa Selic. Em relação a ilegalidade da exigência cumulada de juros moratórios e taxa selic. É pacífico o entendimento, no âmbito desse colegiado, de que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, tal qual consta do lançamento do crédito tributário, nos termos da Súmula CARF nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir o valor tributável de R$ 160.000,00, fato gerador 30/11/2003 (item 001 do AI). (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001824/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário.
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE.
A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
Numero da decisão: 2201-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.001824/2009-70
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848844
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.272
nome_arquivo_s : Decisao_10380001824200970.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 10380001824200970_5848844.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7188080
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007719903232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 141 1 140 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.001824/200970 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.272 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria SEBRAE Recorrente CORPVS CORPO VIGILANTES PARTICULARES LTD Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 24 /2 00 9- 70 Fl. 141DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 132/138) apresentado em face do Acórdão nº 0344.312, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 112/122), que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração (fl. 2) pelo qual se exige crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados pela matriz e algumas das filiais. Segundo o relatório fiscal (fls. 69/74), neste processo foram lançadas contribuições ao SEBRAE nas hipóteses em que o código informado na GFIP determinou a não declaração dessas contribuições e, simultaneamente, não houve recolhimento. É informado, ainda, que a autuada teria ingressado com a Ação Ordinária nº 97.00200728 junto à 8ª Vara da Justiça Federal no Ceará, objetivando suspender a exigibilidade das contribuições destinadas ao SEBRAE e ao SESC e SENAC. A fiscalizada teria apresentado cópia das guias de depósitos judiciais dos valores referentes à contribuição em tela no período de janeiro a março de 2004, bem como livros contábeis contendo os lançamentos relativos a tais depósitos até abril de 2004. A partir de então, teria passado a recolher a contribuição ao SEBRAE, de forma que remanesceu para lançamento apenas diferenças da referida exação em algumas competências. Ainda que tenham sido efetuados depósitos judiciais referentes às contribuições até março de 2004, houve lançamento para prevenir a decadência. A autoridade fiscal menciona ainda que parte dos livros e documentos solicitados pela fiscalização não foram apresentados, o que teria justificado a imposição de penalidade nos Autos de Infração AIOA nº 37.165.7568 e AIOA nº 37.165.7571. Em relação ao período lançado, extraise do relatório fiscal o seguinte parágrafo: 1.10 Em face da ocorrência da ressalva prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, por se ter verificado a Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10380.001824/200970 Acórdão n.º 2201004.272 S2C2T1 Fl. 142 3 existência de dolo, fraude ou simulação, foram lançadas contribuições referentes a período maior que cinco anos. Mais adiante, a fiscalização relata as irregularidades que foram verificadas no curso do procedimento fiscalizatório: • Não foram apresentados os livros Razão referentes aos exercícios de 2005 e de 2006. • Nos livros Diários apresentados, verificouse a existência de lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis, manutenção de veículos, material de escritório, material utilizado no serviço, viagens, cestas básicas, sem referência a documento fiscal, conforme cópias xerográficas anexadas ao AIOP DEBCAD 37.209.9602. • A partir de 2005, o histórico das despesas acima citadas passou a referenciar o número do documento fiscal. Por se tratarem de despesas de valor elevado, principalmente no que tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado no serviço, e por terem sido anteriormente escrituradas sem referência A nota fiscal, concluiuse quanto à indispensabilidade do exame de alguns desses comprovantes no sentido de determinar se tais gastos se referiam efetivamente à finalidade consignada nos títulos contábeis. • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas escrituradas, apenas parte dos mesmos foi apresentada à fiscalização, tendo os comprovantes sido retidos e posteriormente, apreendidos. • Os documentos fiscais apresentados pela empresa continham indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce e numeração de notas apostas com numerador manual. • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração e relativas aos mesmos períodos das apresentadas pela CORPVS. • Examinadas as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, verificouse que: • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este cliente ou sequer tinham sido emitidas ainda pelo fornecedor; • tanto as datas de emissão das Notas quanta os valores das mesmas eram diferentes das contidas nas apresentadas pela CORPVS; • o layout das Notas apresentadas pelos fornecedores não era compatível com o das vias encontradas na CORPVS. • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará acerca das empresas para quem teriam sido emitidas as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais AIDF, Fl. 143DF CARF MF 4 constatouse que as Autorizações constantes das Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS como sendo de seus fornecedores foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas. • Foi solicitada ainda a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará a identificação dos contribuintes para quem foram emitidas a Autorizações para Impressão dos Selos apostos em Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso verificouse terem sido as Autorizações emitidas para empresas diferentes daquelas constantes das Notas apresentadas pela CORPVS. • Tais constatações determinaram a conclusão quanto A apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese de crime de falsificação de documento público, conforme previsto no art. 297 do DecretoLei 2.848/40 Código Penal. • No caso dos selos apostos nas Notas Fiscais, deve ser levantada a tese de crime de falsificação de papéis públicos, conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal. A impugnação do sujeito passivo (fls. 81/91) deu origem ao Acórdão nº 03 44.312, da 5ª Turma da DRJ/BSB, que reconheceu a decadência do lançamento no período compreendido entre 01/2003 e 11/2003. Esta decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.043.9074 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal STF, publicada no Diário Oficial da União, em 20/06/2008, ao determinar a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, atraiu a incidência do prazo decadencial para a Lei nº 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional CTN. Para fixação do dies a quo do prazo decadencial, ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, devese aplicar o disposto no inciso I, do art. 173 do CTN. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO DO SEU MONTANTE INTEGRAL. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. JUROS E MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. REDUÇÃO Tratandose de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10380.001824/200970 Acórdão n.º 2201004.272 S2C2T1 Fl. 143 5 A multa moratória somente será reduzida em cinquenta por cento, na hipótese de as contribuições terem sido declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, em consonância com o Art. 239, §11 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O sujeito passivo tomou ciência dessa decisão em 13/09/2011 (fl. 131) e apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 04/10/2011(fls. 132/138). Suas razões recursais podem ser assim resumidas: 1. Não ocorreu dolo, fraude ou simulação na apuração e recolhimento das contribuições exigidas no presente auto, de forma que deve ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. 2. As contribuições relativas ao período anterior à competência abril/2004 já estavam fulminadas pela decadência. 3. O depósito tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, de forma que o lançamento feito para prevenir a decadência não deve incluir a multa por lançamento de ofício e juros de mora. 4. Em caso de aplicação de multa e juros moratórios, eles deveriam ser reduzidos em 50%, conforme as disposições contidas no art. 239, §11, do Decreto nº 3.048, de 1999. Com base no exposto, pede a reforma da decisão recorrida para cancelar o lançamento das contribuições extintas pela decadência e a exclusão de juros e multa em virtude da existência de depósito judicial das contribuições lançadas neste auto de infração. Nesta 2ª Seção de Julgamento, o processo compôs lote sorteado a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Vencido Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Preliminar de Mérito Decadência Fl. 145DF CARF MF 6 Em sede preliminar, a recorrente alega estarem decaídos os fatos geradores ocorridos até a competência abril de 2004, pois não restaria comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação em relação à apuração do tributo lançado neste auto de infração. Penso que, em parte, assiste razão à recorrente. Fundamento. Em benefício da clareza, volto a transcrever o parágrafo com o qual a autoridade fiscal justifica a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN: 1.10 Em face da ocorrência da ressalva prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, por se ter verificado a existência de dolo, fraude ou simulação, foram lançadas contribuições referentes a período maior que cinco anos. O art. 150 do Código Tributário Nacional está assim redigido: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifouse) De acordo com esse artigo, o lançamento por homologação ocorre nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de realizar o pagamento sem a prévia análise da autoridade pública e a homologação se dá a partir do conhecimento desta autoridade acerca da atividade assim exercida por ele. Pelo parágrafo quarto, o prazo para homologação será de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, a não ser que seja "comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Parece evidente que a conduta dolosa, fraudulenta ou simulada a que se refere o CTN neste artigo deve estar relacionada à atividade do contribuinte passível de homologação pela Fazenda Pública. Ou seja, não é a prática de "qualquer" conduta com dolo, fraude ou simulação que justificaria a imposição de um prazo decadencial mais elastecido, mas sim de comportamentos dissuasivos relacionados à apuração e pagamento do tributo em análise. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10380.001824/200970 Acórdão n.º 2201004.272 S2C2T1 Fl. 144 7 Na hipótese em questão, a fiscalização alega que apurou a ocorrência de fatos que podem ser caracterizados como crime. Ocorre, porém, que não estabeleceu um vínculo entre essas condutas e os fatos geradores que deram origem ao lançamento. Pelo contrário, discorre sobre a conduta do sujeito passivo de levar sua discordância em relação à exação em análise ao poder judiciário, bem como sobre o fato de que os valores em discussão estão sendo depositados judicialmente, sem qualquer ressalva quanto à eventual insuficiência desse depósito. Portanto, entendo que não se estabeleceu um nexo de causalidade entre as irregularidades narradas, passíveis de enquadramento como conduta dolosa, simulada ou fraudulenta, que consistem na existência, no livro diário, de despesas diversas suportadas por documentos fiscais aparentemente falsos, com o fato gerador do tributo exigido neste auto de infração. Deve ser registrado, ainda, que o relatório fiscal aponta a existência de pagamentos da contribuição em tela pela filial de Recife. Tudo considerado, entendo que os argumentos apresentados pela fiscalização para a aplicação da ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN não são idôneos para tanto, de forma que o prazo decadencial deveria ser contado pela regra insculpida na primeira parte desse dispositivo, tendo seu marco inicial na data da ocorrência do fato gerador tributário. Pelas razões expostas, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 09/03/2009 (fl. 80), estariam já atingidas pela decadência os fatos geradores relativos às competências anteriores à fevereiro de 2004, esta incluída. Antes de avançar, necessário destacar que o relatório fiscal dá conta de que nessas competências o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, uma vez que os valores já se encontravam depositados judicialmente. A decadência é matéria de defesa, portanto é um fato que impede, modifica ou extingue o direito alegado pela autoridade autuante. Dessa forma, reconhecer a decadência de parte do período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida a exigência em relação ao período depositado o que poderia justificar o pedido de levantamento em favor do depositante. Nesta matéria, entretanto, filiome ao entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, retratado na seguinte ementa de relatoria do Ministro Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. 1. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para Fl. 147DF CARF MF 8 discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 4. Recurso especial não provido. Os fundamentos para essa decisão podem ser extraídos do voto do Ministro Mauro Campbel Marques no Acórdão nº 1.008.788/CE, de onde se extrai: Quanto ao mérito, sem razão a recorrente, pois a jurisprudência deste STJ firmouse no sentido de que, nos casos de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão do crédito tributário, promoveu a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso, porque verificou a ocorrência do fato gerador, calculou o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, depositou a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário foi constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizandose com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Destarte, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, entendese que o crédito foi constituído pelo contribuinte quando do depósito da quantia apurada, não havendo necessidade, portanto, de ato formal de lançamento por parte da autoridade. Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de pagamento pode ser substituída pelo depósito que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou restituído ao sujeito passivo. Nesse ínterim, incabível se falar em fluência do prazo decadencial. Com base no exposto, nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito às alegações de decadência. Mérito Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10380.001824/200970 Acórdão n.º 2201004.272 S2C2T1 Fl. 145 9 Quanto ao mérito, a recorrente insurgese contra o lançamento de multa e juros moratórios no período em que realizado o depósito integral dos valores exigidos no lançamento. Quanto a essa matéria, penso que tem razão a recorrente. Neste ponto, adoto como razões de decidir o trecho a seguir transcrito do Acórdão nº 2301005.062, de relatoria da Conselheira Andrea Brose Adolfo: Sobre a cobrança de juros de mora quando há comprovação do depósito judicial em montante integral, temos a Súmula CARF nº 5, de aplicação obrigatória pelos membros deste colegiado, que afasta essa exigência. “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.”(grifamos) Com relação à multa moratória, em que pese não haver expressa disposição em lei afastando sua aplicação nos casos de exigibilidade suspensa em decorrência do depósito do montante integral do tributo devido, entendo que incabível pela própria definição de "mora". Nos termos do art. 394 do Código Civil: "Considerase em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebêlo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer." Estando consignado no próprio Relatório Fiscal da Autuação que os valores foram integralmente depositados antes do início da ação fiscal não há que se falar em inadimplemento por parte do contribuinte, devendo ser afastada também a cobrança da multa de mora. No caso em análise, a fiscalização menciona a existência de ação judicial e de depósito da quantia relativa ao tributo exigido, sem fazer qualquer referência à eventual insuficiência ou intempestividade dele, fatos que seriam constitutivos do direito alegado. Portanto, não identifico na narrativa construída pela fiscalização elementos para justificar a imposição de juros ou multa moratória à empresa autuada no período em houve depósito judicial, o que torna imperioso dar provimento ao recurso nessa matéria. Tendo afastado a exigência de multa e juros moratórios no período em que o valor devido se encontrava depositado judicialmente, tornase impertinente a alegação de sua redução. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, rejeitada a preliminar de decadência, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir do lançamento a multa e os juros moratórios do período em que o valor lançado se encontrava depositado judicialmente. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 149DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pese o brilhantismo do voto da insigne Conselheira Relatora, ouso, com o máximo respeito, dela discordar quanto aos efeitos da decadência verificada. Explico. Preliminarmente, como mencionado, há decadência do crédito tributário constituído relativo ao período anterior a fevereiro de 2004, incluído. No entendimento da Relatora: "Deve ser registrado, ainda, que o relatório fiscal aponta a existência de pagamentos da contribuição em tela pela filial de Recife. Tudo considerado, entendo que os argumentos apresentados pela fiscalização para a aplicação da ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN não são idôneos para tanto, de forma que o prazo decadencial deveria ser contado pela regra insculpida na primeira parte desse dispositivo, tendo seu marco inicial na data da ocorrência do fato gerador tributário. Pelas razões expostas, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 09/03/2009 (fl. 80), estariam já atingidas pela decadência os fatos geradores relativos às competências anteriores à fevereiro de 2004, esta incluída." (destaquei) Porém, mesmo reconhecendo a decadência do direito do Fisco em constituir o crédito tributária, a ínclita Relatora opta pelo não provimento do recurso nessa parte. Os argumentos abaixo fundamentam sua decisão: "A decadência é matéria de defesa, portanto é um fato que impede, modifica ou extingue o direito alegado pela autoridade autuante. Dessa forma, reconhecer a decadência de parte do período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida a exigência em relação ao período depositado o que poderia justificar o pedido de levantamento em favor do depositante. Nesta matéria, entretanto, filiome ao entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, retratado na seguinte ementa de relatoria do Ministro Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. 1. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10380.001824/200970 Acórdão n.º 2201004.272 S2C2T1 Fl. 146 11 discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. 2. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. 3. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." 4. Recurso especial não provido. (...) Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de pagamento pode ser substituída pelo depósito que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou restituído ao sujeito passivo. Nesse ínterim, incabível se falar em fluência do prazo decadencial. Com base no exposto, nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito às alegações de decadência." Inegável o equívoco conceitual em que incorreu a eminente Relatora. Vejamos. O crédito em discussão, como apontado, decorre de autuação fiscal em que existindo ação judicial com depósito do montante integral a autoridade lançadora opta por realizar um lançamento tributário visando prevenir eventual decadência do crédito tributário decorrente da demanda proposta. Ora, a motivação do lançamento de per si já demonstra o equívoco do voto. O lançamento visa precipuamente prevenir a perda do direito do Fisco em realizar a constituição do crédito tributário em face de ocorrência de interstício temporal no qual o credor, o Fisco, permanece inerte não exercitando seu direito de constituir o crédito tributário. Essa é a definição de decadência. Nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 142ª ed., Ed. Saraiva, pag. 461): "A decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso de tempo (...) Só se observa o efeito extintivo da obrigação Fl. 151DF CARF MF 12 tributária, porém, quando o fato da decadência for reconhecido posteriormente à instalação da obrigação tributária" Ora, ao reconhecer que houve a obrigação tributária, que surge, infalivelmente nos dizeres de Paulo de Barros, com a ocorrência do fato gerador, o Fisco decide por praticar seu ato administrativo de constituição do crédito tributário, porém, o faz fora do lustro permitido pelo artigo 150, § 4º, do CTN Tal fato não passou despercebido pela Relatora. Seu equívoco conceitual se consubstancia na afirmação de que: "(...) reconhecer a decadência de parte do período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida a exigência em relação ao período depositado o que poderia justificar o pedido de levantamento em favor do depositante." (nova reprodução de trecho do voto, acima transcrito) O reconhecimento da decadência nada mais é de que a comprovação de que o crédito tributário constituído pelo lançamento não pode prosperar posto que extinto, ou seja, não há mais direito de crédito a ser reconhecido pelo Fisco, uma vez que este se quedou inerte quanto ao exercício desse direito por um lapso temporal maior do que o permitido pela lei. Com o perdão da repetição: a extinção do crédito tributário pela comprovação da decadência ocorrida não afeta de modo algum o depósito judicial realizado pelo contribuinte e reconhecido pela Autoridade Fiscal, apenas e tão somente impede o Fisco da agir no sentido da constituição desse crédito atingido pela caducidade. O que há efetivamente é a impossibilidade de discussão sobre valores constantes do lançamento tributário decorrente do lançamento aqui combatido, vez que o ato administrativo foi realizado fora do período que em era permitido à Administração Tributária, realizálo. Tal entendimento, decorrência lógica da própria jurisprudência mencionada no voto, se encontra demonstrado também doutrinariamente. Em livro coordenado por Eurico Marcos Diniz de Santi (Decadência no Imposto sobre a Renda, Investigação e Análise I, Editora Quartier Latin, pag. 106), encontramos exatamente a mesma questão aqui analisada. Reproduzo: "É imprópria, assim, a interpretação de que o depósito judicial pertence ao depositante, ou está a disposição do juiz.Ele representa o objeto cuja titularidade está sendo discutida judicialmente e, ao final da demanda, deve ser atribuído ao vencedor. Contudo, o lançamento é necessário, não só porque a Lei nº 9.430/96 assim implicitamente cogitou, mas também para liquidação do valor devido e como segurança contra interpretações judiciais divergentes. Cabe à autoridade julgadora, neste contexto, avaliar se a autoridade lançadora ainda tinha competência para editar a norma jurídica vinculada pelo lançamento, competência esta cujo aspecto temporal é definido mediante a fixação dos prazos decadenciais. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10380.001824/200970 Acórdão n.º 2201004.272 S2C2T1 Fl. 147 13 Significa dizer que, se o lançamento for efetuado a destempo, deve ser declarada a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento, o que não implica concluir que o crédito tributário esteja extinto pela decadência, por ser possível cogitar sua constituição também na esfera judicial" (destaquei) Em que pese, de minha parte, alguma discordância teórica com o final do excerto reproduzido (posto que o que há no depósito judicial é uma forma de pagamento do crédito tributário devido, verdadeira constituição de crédito por meio do lançamento por homologação vez que o contribuinte somente cumpre (perante o juiz), os ditames do artigo 150 do CTN), inegável que a distinção entre decadência e a conversão em renda do depósito do montante integral como formas de extinção de crédito tributário, se demonstra. Como exemplo de tal assertiva, podemos imaginar um crédito tributário extinto pelo pagamento, no entendimento do contribuinte, que o Fisco pugna ser insuficiente para o cumprimento integral da obrigação tributária que lhe deu origem. O fato de terse operado a decadência do direito de constituir tal crédito, pela Administração Tributária, não implica em dizer que os valores pagos podem ser objeto de pedido de ressarcimento ou compensação. Em resumo: a decadência operada se consubstancia na impossibilidade de lançamento de ofício do crédito tributário relativo ao período caduco, como se verifica no caso concreto, uma vez que, como apontado pela Relatora, tal crédito se refere a período anterior a fevereiro de 2004, inclusive. Tal constatação em nada, absolutamente nada, afeta os valores depositados, pelo Recorrente, em juízo. Mister apontar, por amor a clareza, minha total aquiescência com os demais pontos do voto da ínclita Relatora. CONCLUSÃO Em face do exposto e pelos fundamentos apresentados, e ainda, compatibilizando meu voto com os demais termos do voto da Relatora, voto, em acatar a preliminar arguída, em razão do reconhecimento da decadência operada, para determinar a exclusão do lançamento dos valores relativos as competências anteriores a fevereiro de 2004, inclusive. No mais, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa e os juros moratórios do período em que o valor lançado se encontrava depositado judicialmente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Fl. 153DF CARF MF 14 Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12709.000177/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 09/03/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO MATERIAL.
Verificando-se erro material na decisão é de se acolher os embargos para promover e necessária correção.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES.
Ao se constatar a existência de omissões, os embargos devem ser acolhidos para saná-las, sem atribuição de efeitos infringentes no caso concreto.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O fato de a decisão não ter feito menção ao número de um processo judicial não implica, necessariamente, que a matéria arguida não foi apreciada. Elementos processuais que comprovam a análise da matéria.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO . SÚMULA CARF 48.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 48.
LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DESRESPEITO DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA.
Nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, pode a Fazenda Pública, efetuar o lançamento, ex vi do artigo 142 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3201-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 09/03/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO MATERIAL. Verificando-se erro material na decisão é de se acolher os embargos para promover e necessária correção. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. Ao se constatar a existência de omissões, os embargos devem ser acolhidos para saná-las, sem atribuição de efeitos infringentes no caso concreto. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O fato de a decisão não ter feito menção ao número de um processo judicial não implica, necessariamente, que a matéria arguida não foi apreciada. Elementos processuais que comprovam a análise da matéria. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO . SÚMULA CARF 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 48. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DESRESPEITO DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, pode a Fazenda Pública, efetuar o lançamento, ex vi do artigo 142 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12709.000177/2007-01
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5839623
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.341
nome_arquivo_s : Decisao_12709000177200701.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 12709000177200701_5839623.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Winderley Morais Pereira - Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
id : 7155572
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007738777600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12709.000177/200701 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201003.341 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria IPI Embargante CENTRO DE DIAGNÓSTICO ÁGUA VERDE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 09/03/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO MATERIAL. Verificandose erro material na decisão é de se acolher os embargos para promover e necessária correção. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. Ao se constatar a existência de omissões, os embargos devem ser acolhidos para sanálas, sem atribuição de efeitos infringentes no caso concreto. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O fato de a decisão não ter feito menção ao número de um processo judicial não implica, necessariamente, que a matéria arguida não foi apreciada. Elementos processuais que comprovam a análise da matéria. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO . SÚMULA CARF 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 48. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DESRESPEITO DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, pode a Fazenda Pública, efetuar o lançamento, ex vi do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 00 01 77 /2 00 7- 01 Fl. 554DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração opostos pela empresa recorrente contra decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária, 2ª Câmara da 3ªSeção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 320100.509. A decisão embargada possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/03/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A existência de ação judicial proposta pelo contribuinte em face da Fazenda Nacional com o mesmo objeto do auto de infração implica renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido." Alega a embargante que a decisão necessita ser esclarecida no intuito de propiciar o conhecimento do real alcance da referida decisão, aduzindo, em breve síntese, conforme consignado no despacho de admissibilidade que: "Apresentou a contribuinte embargos a esta decisão alegando contrariedade ao art. 65 do RICARF na medida em que não esclareceu o "real alcance da referida decisão", justificando, ainda, que o recurso interposto tem a finalidade de "requerer que seja esclarecido o acórdão a fim de emprestar a r. decisão a clareza e precisão necessárias a toda e qualquer decisão administrativa". Fl. 555DF CARF MF Processo nº 12709.000177/200701 Acórdão n.º 3201003.341 S3C2T1 Fl. 3 3 A seguir, alega os vícios e necessidade de manifestação quanto: (i) ao equívoco do relator em referirse à Medida Cautelar nº 94.00342810, como ação judicial a demonstrar a concomitância com o processo administrativo em litígio; (ii) à omissão decorrente do não enfrentamento na decisão dos demais argumentos aduzidos em seu recurso voluntário; (iii) ao "não conhecimento"do recurso voluntário que implica esclarecer quanto ao prosseguimento da cobrança do IPI, PIS e COFINS vinculados à importação; (iv) ao período em que o processo permanecerá suspenso; (v) ao trânsito em julgado da decisão judicial; (vi) à omissão decorrente da não manifestação da exigibilidade do tributo até o trânsito em julgado das decisões judiciais; e (vii) à omissão por não se pronunciar quanto ao alcance da decisão judicial. Ao final, requer a manifestação do Colegiado quanto ao real alcance da decisão prolatada com a indicação das implicações de seu entendimento à vista de mandado de segurança no qual se discute a inexigibilidade do IPI, do PIS e da Cofins em sua operação de importação." Os embargos foram admitidos parcialmente pelo Sr. Conselheiro Presidente da 1ª Turma Ordinária, 2ª Câmara da 3ªSeção deste colegiado, para fins de apreciação do erro material e das omissões apontadas, conforme a seguir: "Com essas considerações, ADMITO, parcialmente, os embargos de declaração opostos por CENTRO DIAGNÓSTICO ÁGUA VERDE LTDA., somente para: 1 Correção do erro material quanto à identificação das ações judiciais que implicaram a decisão de concomitância de esferas no presente processo, mediante a prolação de um novo acórdão; 2 Sanar as omissões constatadas quanto aos argumentos suscitados e não enfrentados em relação (i) nulidade do acórdão tópico "7", item "A", dos embargos; (ii) existência de infração a justificar a lavratura do auto de infração tópico "7", item "B", dos embargos; (iii) lavratura do auto de infração em desrespeito à expressa determinação legal tópico "7", item "C", dos embargos." É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Prefacialmente, é de se destacar que a embargante, após a propositura dos embargos de declaração, através de petição protocolizada em 29/01/2014, requereu a desistência parcial do recurso em relação ao PIS/COFINS importação, tendo em vista a sua adesão ao programa de parcelamento instituído pela Lei 11941/2009. Fl. 556DF CARF MF 4 O art. 78 do Anexo II do RICARF estabelece que no caso de desistência ou pedido de parcelamento, restará configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, ou seja, no caso concreto se verificou a desistência do recurso em decorrência do parcelamento noticiado em relação ao PIS/COFINS importação. "Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente." Assim, em relação a tal matéria (PIS/COFINS importação) ocorreu a perda de objeto recursal. Com relação aos demais tópicos, para melhor compreensão das matérias tratadas em sede de embargos de declaração e admitidas pelo Sr. Conselheiro Presidente da 1ª Turma Ordinária, 2ª Câmara da 3ªSeção, passase a analisálas de modo individualizado. Do erro material Com razão a embargante. Há necessidade de correção do erro material quanto à identificação das ações judiciais que implicaram a decisão de concomitância de esferas no presente processo. Assim, é de se consignar que o recurso não foi conhecido em razão da concomitância, nos seguintes termos: "Desta forma, como no presente feito o contribuinte impetrou os Mandados de Segurança n°'s 2007.70.00.0029552 e 2007.70.00.0029564, não há possibilidade de discussão do mérito tributário nestes autos por concomitância." Das omissões i) nulidade do acórdão tópico "7", item "A", dos embargos Aduz a embargante a ocorrência de nulidade do acórdão proferido em 1ª instância, sob o fundamento de que impetrou dois mandados de segurança autuados, sob os n°'s 2007.70.00.0029552 (IPI) e 2007.70.00.0029564 (PIS/COFINS) e que a decisão recorrida teria apreciado a peça impugnatória com a análise somente do mandado de segurança n° 2007.70.00.0029564, deixando de apreciar os argumentos de defesa em relação à outra ação Fl. 557DF CARF MF Processo nº 12709.000177/200701 Acórdão n.º 3201003.341 S3C2T1 Fl. 4 5 judicial, o que ensejaria a nulidade do acórdão, pois teria considerado apenas um processo, uma ordem judicial. Em que pese, efetivamente, a decisão de 1ª instância fazer menção ao processo n° 2007.70.00.0029564, entendo que não há a nulidade arguida pela embargante. Analisandose a decisão recorrida consta o seguinte excerto: "Conforme constam nas Descrições dos Fatos e Enquadramentos Legais de fls. 02, 06 e 10 os motivos das exigências foram os fatos de a autuada não haver recolhido o IPI e as referidas contribuições na importação feita através da DI n° 07/0308269 2, registrada em 09/03/2007 (fls. 17 a 21). A importadora ingressou com o Mandado de Segurança n° 2007.70.00.002956 4/PR na lª Vara Federal de Curitiba (fls. 45 a 56) que lhe concedeu em liminar a suspensão da exigibilidade da Cofins e do PIS e em Agravo de Instrumento o desembaraço aduaneiro da mercadoria, sem o recolhimento do IPI, mediante o compromisso de fiel depositário (fl. 56)." (grifo nosso) Temse, então, que o fato de a decisão atacada não ter citado o número do mandado de segurança 2007.70.00.0029552, não deixou de considerar a decisão proferida em sede de agravo de instrumento, tanto que, de forma expressa citou tal fato, conforme antes reproduzido. Assim, conheço dos embargos de declaração em tal tópico, sanando a omissão apontada, para negar provimento ao argumento de nulidade da decisão recorrida por ausência de exame dos argumentos de defesa. (ii) inexistência de infração a justificar a lavratura do auto de infração tópico "7", item "B", dos embargos Alega a embargante a inexistência de infração e justificar a lavratura dos autos, bem como, que estava amparada por ordens judiciais que determinavam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Novamente, entendo não assistir razão a embargante/recorrente. Conforme por ela mesmo citado, as ordens judiciais apenas suspendiam a exigibilidade do PIS, COFINS e IPI importação. O art. 151 do Código Tributário Nacional CTN consigna a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com liminar ou depósito judicial, entretanto, não há óbice de que o Fisco efetue o lançamento fiscal. A suspensão encartada no art. 151 do CTN e a medida judicial obtida pela embargante/recorrente impede a Fazenda Pública de adotar medidas coercitivas para exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, o que não impede o lançamento para constituição do crédito tributário. Assim, tem aplicação o contido na Súmula CARF n° 48: Fl. 558DF CARF MF 6 "Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração." Portanto, o Auto de Infração é o instrumento adequado para a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício de que trata o artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN. Nestes termos, conheço dos embargos de declaração para sanar a omissão apontada, no entanto, nego provimento ao argumento de carência de objeto para autuação. (iii) lavratura do auto de infração em desrespeito à expressa determinação legal tópico "7", item "C", dos embargos. Defende a embargante/recorrente que os autos de infração foram lavrados em desrespeito à expressa determinação legal, com ofensa ao art. 62 do Decreto 70.235/1972, assim ementado: "Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão." Nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, pode a Fazenda Pública, efetuar o lançamento, ex vi do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Sendo efetivado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (artigo 145 do CTN c/c artigo 7.º do Decreto n.º 70.235/1972). Adicionalmente e para evitar o enfado, reportome às considerações feitas no tópico precedente. Assim, conheço dos embargos de declaração para sanar a omissão apontada, no entanto, nego provimento ao argumento de que o auto de infração foi lavrado em desrespeito à expressa determinação legal. Diante do exposto, conheço dos embargos de declaração para (i) corrigir o erro material existente e (ii) sanar as omissões apontadas, negando provimento ao recurso nos tópicos apreciados. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 559DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.661483/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.102
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.661483/2012-51
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840882
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.102
nome_arquivo_s : Decisao_10880661483201251.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880661483201251_5840882.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7167476
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007744020480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.661483/201251 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.102 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria CIDE Recorrente PROCOMP INDUSTRIA ELETRONICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 14 83 /2 01 2- 51 Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10880.661483/201251 Acórdão n.º 3302005.102 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico. Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº 11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente quanto a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, sem contundo proceder à retificação de DCTF, a qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo. Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12068.493. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário a documentação referente à comprovação de seu direito, a saber: contrato comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.100, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.661481/201261, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.100): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento indevido, em razão da não incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de direitos autorais em contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, fundado no artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10880.661483/201251 Acórdão n.º 3302005.102 S3C3T2 Fl. 4 3 .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. A recorrente não procedeu à retificação da DCTF, em meio digital, protocolando processo administrativo em papel, cuja decisão foi assim expedida: "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a que se refere a DCTF, concluo que o direito de pleitear a retificação se encontrava extinto. Ademais, havendo decisão relativa à Declaração de Compensação proferida antes do pedido de retificação da DCTF, deve a questão ser discutida por meio de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se evitarem discussões administrativas paralelas sobre o mesmo assunto. Esta turma já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar o direito alegado, mediante documentação hábil e idônea, em homenagem ao princípio da verdade material. Nos casos de auto de infração eletrônico de DCTF, entendo que este princípio atrai a possibilidade de se conhecer de provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de DRJ surge o fundamento da falta de provas em vista da não retificação de DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito alegado. No caso dos autos, a decisão recorrida especificou as provas que considerava necessárias para a comprovação do direito alegado. Porém, mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não se desincumbiu adequadamente de seu ônus, deixando de apresentar contrato comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada, impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157 do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC), artigo 224 da Lei nº 10.406/2002 (CC), artigo 18 do Decreto 13.609/1943, artigo 22 da Lei nº 9.784/1999 e artigo 13 da Constituição Federal, abaixo transcritos: Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157: TÍTULO V DOS ATOS PROCESSUAIS CAPÍTULO I DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS Seção I Dos Atos em Geral Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10880.661483/201251 Acórdão n.º 3302005.102 S3C3T2 Fl. 5 4 [...] Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei 13.105/2015, artigo 192: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Lei nº 10.406/2002, artigo 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que fôr exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento. Parágrafo único. estas disposições compreendem também os serventuários de notas e os cartórios de registro de títulos e documentos que não poderão registrar, passar certidões ou públicasformas de documento no todo ou em parte redigido em língua estrangeira. Lei nº 9.784/1999: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Constituição Federal, artigo 13: Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Destacase que não se tratam de expressões ou palavras de fácil e notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de eventual transferência de tecnologia. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10880.661483/201251 Acórdão n.º 3302005.102 S3C3T2 Fl. 6 5 Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo e ementas parciais, proferidos por este Conselho: Acórdão nº 1301002.260: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. Acórdão nº 1301002.097: GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVA. Procedente a glosa de despesas por serviços de assistência técnica e consultoria pagos a empresa ligada no exterior, na situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação desses serviços. Documentos em língua estrangeira, desacompanhados da respectiva tradução juramentada, não podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua portuguesa são insuficientes para provar a efetividade da prestação dos serviços. Acórdão nº 3202000.546: PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Sem tal tradução, o documento não possui valor efeito probante no processo administrativo, acarretando o indeferimento da compensação por falta de provas, já que o contrato comercial é elemento primordial na análise da existência ou não de transferência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10880.661483/201251 Acórdão n.º 3302005.102 S3C3T2 Fl. 7 6 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 425DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001209/2008-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
Ementa:
DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior.
Numero da decisão: 1002-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 Ementa: DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.001209/2008-17
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848103
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.055
nome_arquivo_s : Decisao_13603001209200817.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JULIO LIMA SOUZA MARTINS
nome_arquivo_pdf_s : 13603001209200817_5848103.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7187536
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007747166208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1397; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.001209/200817 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.055 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 7 de março de 2018 Matéria Penalidades/Multa por atraso na entrega de declaração Recorrente CEASA MG S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 Ementa: DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 12 09 /2 00 8- 17 Fl. 67DF CARF MF 2 Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigência vinculada ao mês de novembro de 2007, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 3.955,60 (três mil novecentos e cinquenta e cinco reais e sessenta centavos) (efl. 12). Diante da constituição do lançamento, protocolouse impugnação (efls. 2/5) alegando em síntese que a entrega em atraso que gerou a multa decorreu por culpa exclusiva da Administração Pública, porquanto a morosidade dos órgãos públicos envolvidos teria retardado a liberação da certificação digital, imprescindível à transmissão das declarações à RFB. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 3ª Turma da DRJ/BHE proferise o Acórdão nº 0222.637 (efls. 40/45) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 49/52), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. Preliminar de nulidade A questão abordada no recurso não contesta o atraso na entrega da declaração de que resultou a penalidade. No entanto, diante os argumentos apresentados, a recorrente alega que não deu causa ao atraso, uma vez que, ainda que admita a alteração da diretoria como fator extraordinário dentro da pessoa jurídica, teria funcionado com diligência perante a Secretaria de FazendaMG e a Receita Federal do Brasil na obtenção da Certificação Digital devidamente aparelhada com o Cadastro Sincronizado Nacional. Diante desse cenário, pede a anulação da notificação de lançamento. Em verdade, há uma lista taxatixa de nulidades dentro do processo administrativo fiscal na qual não se insere a situação descrita nos autos. O art. 59 do Decreto nº 70.235/72 disponibiliza a preterição do direito de defesa e a incompetência na prática do ato administrativo, seja ele, autoridade ou servidor autorizado a lavrar o ato ou termo como condicionante a caracterização da nulidade. Definitivamente, nada disso teria ocorrido, de modo que rejeito a preliminar arguida. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13603.001209/200817 Acórdão n.º 1002000.055 S1C0T2 Fl. 3 3 Muito embora, seja este o pedido do recurso, no mérito podese ainda examinar a legitimidade dos fundamentos que porventura poderiam eximir a recorrente de culpa diante da ação que resultou no atraso na entrega da DCTF e, por consequência, na multa prevista em lei. Mérito Nesse sentido, adentrando na petição, pretendese imputar a Administração Fazendária o ônus pela ilicitude praticada enumerando uma sucessão de fatos que, conforme retratado, atrasaram a liberação perante os certificação digital apta ao cumprimento da obrigação acessória. Ao par das diversas razões de decidir que negaram provimento à impugnação, não entendo que haja necessidade de muitas digressões para alcançar as conclusões sobre a questão. Fato é que a irregularidade ocorreu janeiro de 2008 e não se está diante de uma pessoa jurídica recém criada. Além disso as circunstâncias relativas à alteração de diretoria e reorganização da contabilidade são condições interna corporis. Pelo contrário, cuidase de sociedade anônima cuja estrutura, na compreensão média, deveria ter o zelo de manterse atualizada quanto às determinações tecnológicas exigidas pelos órgãos fazendários. Ainda que assim não tenha ocorrido, há ainda que considerar que o termo de posse é datado de 31 de agosto de 2007 (efl. 9). Conquanto o dever instrumental seja de novembro de 2007 com vencimento em 08.01.2008, a exigência de certificação digital para a entrega da DCTF mensal não é determinação contemporânea aos fatos. Em verdade, foi introduzida mediante regulamentação da RFB em 2004 por intermédio da IN SRF nº 428, de 20 de dezembro de 2004. Já o dito cadastro sincronizado que envolve a troca de informações entre as secretarias de fazenda surgiu na RFB diante da IN nº 568/2005. Ou seja, possível se afastar da busca pela culpa de quem teria dado causa por algum atraso ocorrido entre os meses que antecederam a entrega da declaração. Notadamente, é certo que houve tempo considerável para que a pessoa jurídica já tivesse se ajustado ao meio tecnológico idôneo à transmissão de dados fiscais. Seja pelo fato de a posse da diretoria ter ocorrido cerca de 6 meses antes da entrega, seja por que desde o biênio 20042005, haveria disposições fazendárias na esfera federal voltadas aos contribuintes, no sentido de estabelecer o regime jurídico e as condições para a integração ao Cadastro Sincronizado Nacional. Nesse sentido, a irregularidade não assumida pela recorrente aparece apenas como efeito não esperado, mas possível, em decorrência da inabilidade na priorização das atividades administrativas internas que devem ser desenvolvidas pela pessoa jurídica. Examinado por completo os aspectos suscitados, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 69DF CARF MF 4 Julio Lima Souza Martins Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723475/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
IRPF. GANHO DE CAPITAL. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
A ocorrência do fato gerador é que determina o marco temporal para aplicação da lei tributária. Desta forma, as leis que devem reger o lançamento tributário devem ser aquelas vigentes à época do fato gerador. Portanto, não se pode aplicar os fatores de redução da MP 252/2005 a fatos geradores ocorridos antes de sua edição.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. PREVALÊNCIA DO VALOR EFETIVAMENTE RECEBIDO EM DETRIMENTO AO DOCUMENTO PÚBLICO.
Quando restar comprovado, de maneira inequívoca, que o valor constante da escritura pública não corresponde ao valor da operação, a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha àquele valor. Deve, assim, prevalecer o valor apurado pela fiscalização mediante investigação de documentos hábeis e idôneos apresentados pelos compradores e vendedores do imóvel.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DO ALIENANTE PELO ADQUIRENTE.
Compõe o valor de alienação a dívida do vendedor com terceiro assumida pelo comprador como parcela do valor do negócio.
Apesar de não ingressar diretamente no patrimônio do contribuinte, os valores utilizados para quitar a dívida existente com terceiros aumentam, de fato, o patrimônio do contribuinte, tendo em vista que reduzem o passivo atrelado ao mesmo. Auferir renda não é, exclusivamente, o aumento positivo do patrimônio, mas também a redução do negativo atrelado ao mesmo.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-004.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, José Alfredo Duarte Filho, e Douglas Kakazu Kushiyama, que davam provimento parcial para excluir a majoração da multa.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 15/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 IRPF. GANHO DE CAPITAL. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. A ocorrência do fato gerador é que determina o marco temporal para aplicação da lei tributária. Desta forma, as leis que devem reger o lançamento tributário devem ser aquelas vigentes à época do fato gerador. Portanto, não se pode aplicar os fatores de redução da MP 252/2005 a fatos geradores ocorridos antes de sua edição. IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. PREVALÊNCIA DO VALOR EFETIVAMENTE RECEBIDO EM DETRIMENTO AO DOCUMENTO PÚBLICO. Quando restar comprovado, de maneira inequívoca, que o valor constante da escritura pública não corresponde ao valor da operação, a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha àquele valor. Deve, assim, prevalecer o valor apurado pela fiscalização mediante investigação de documentos hábeis e idôneos apresentados pelos compradores e vendedores do imóvel. IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DO ALIENANTE PELO ADQUIRENTE. Compõe o valor de alienação a dívida do vendedor com terceiro assumida pelo comprador como parcela do valor do negócio. Apesar de não ingressar diretamente no patrimônio do contribuinte, os valores utilizados para quitar a dívida existente com terceiros aumentam, de fato, o patrimônio do contribuinte, tendo em vista que reduzem o passivo atrelado ao mesmo. Auferir renda não é, exclusivamente, o aumento positivo do patrimônio, mas também a redução do negativo atrelado ao mesmo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10530.723475/2011-02
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853806
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.306
nome_arquivo_s : Decisao_10530723475201102.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10530723475201102_5853806.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, José Alfredo Duarte Filho, e Douglas Kakazu Kushiyama, que davam provimento parcial para excluir a majoração da multa. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 15/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7220145
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007750311936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 490 1 489 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.723475/201102 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.306 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria IRPF GANHO DE CAPITAL Recorrente LORENI LUIZ COMPARIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 IRPF. GANHO DE CAPITAL. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. A ocorrência do fato gerador é que determina o marco temporal para aplicação da lei tributária. Desta forma, as leis que devem reger o lançamento tributário devem ser aquelas vigentes à época do fato gerador. Portanto, não se pode aplicar os fatores de redução da MP 252/2005 a fatos geradores ocorridos antes de sua edição. IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. PREVALÊNCIA DO VALOR EFETIVAMENTE RECEBIDO EM DETRIMENTO AO DOCUMENTO PÚBLICO. Quando restar comprovado, de maneira inequívoca, que o valor constante da escritura pública não corresponde ao valor da operação, a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha àquele valor. Deve, assim, prevalecer o valor apurado pela fiscalização mediante investigação de documentos hábeis e idôneos apresentados pelos compradores e vendedores do imóvel. IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DO ALIENANTE PELO ADQUIRENTE. Compõe o valor de alienação a dívida do vendedor com terceiro assumida pelo comprador como parcela do valor do negócio. Apesar de não ingressar diretamente no patrimônio do contribuinte, os valores utilizados para quitar a dívida existente com terceiros aumentam, de fato, o patrimônio do contribuinte, tendo em vista que reduzem o passivo atrelado ao mesmo. Auferir renda não é, exclusivamente, o aumento positivo do patrimônio, mas também a redução do negativo atrelado ao mesmo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 34 75 /2 01 1- 02 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 491 2 De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, José Alfredo Duarte Filho, e Douglas Kakazu Kushiyama, que davam provimento parcial para excluir a majoração da multa. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 15/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 377/397, interposto em face da decisão da DRJ em Salvador/BA de fls. 369/373, que julgou procedente em parte o lançamento do imposto de renda de fls. 307/323, relativos aos anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, com ciência do RECORRENTE mediante o edital datado de 04/07/2011 (fl. 351). Relatório da ação fiscal acostado às fls. 326/347. Considerando a clareza e didática do acórdão proferido pela DRJ de origem, passo a adotálo no presente relatório, na forma abaixo: “Tratase de auto de infração relativo a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) incidente sobre ganho de capital auferido nos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 1.330.970,14, incluída a multa de ofício agravada e qualificada no percentual de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) e juros de mora. Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 492 3 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido constatada omissão de rendimentos decorrentes de ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural denominado “Fazenda Sete Belo”. No relatório da ação fiscal, às fls. 326/340, foi consignado que: a) o fiscalizado não atendeu a intimação fiscal para apresentar o demonstrativo de apuração do ganho de capital decorrente da alienação do citado imóvel; b) o referido imóvel foi adquirido, em 21 de julho de 1988, por Cz$ 5.500.168,00 (cinco milhões quinhentos mil e cento e sessenta oito cruzados), conforme Certidão do Cartório de Registro de Imóveis do 2º Ofício de Barreiras/Ba. Atualizando tal valor mediante a aplicação do índice de 142,8467, conforme estabelece a Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, chegouse ao custo de aquisição atualizado de R$ 38.503,99, que foi utilizado na apuração do ganho de capital, nos termos do parágrafo único do art. 136 do RIR/1999; c) em razão do imóvel ter sido adquirido pelo autuado em condomínio com o Sr. Loreci José Comparin e Sr. Maurílio Compain, nos percentuais indicados na tabela, às fls. 339, a exigência fiscal recaiu somente sobre sua participação no bem; d) na apuração do ganho de capital não foram deduzidos valores a título de benfeitorias, em razão da falta de comprovação da ocorrência de tais dispêndios, bem como, de que os valores das benfeitorias porventura existentes tivessem sido deduzidas dos resultados das respectivas atividades rurais, hipótese em que tais receitas seriam deduzidas do valor da alienação e tributadas como receita da atividade rural; e) no Contrato Particular de Compra e Venda do referido imóvel, datado de maio de 2002, consta que o preço de venda pactuado entre as partes foi de 1.391.467 (um milhão trezentos e noventa e um mil quatrocentos e sessenta e sete) sacas de soja de 60 kg, que seria recebido conforme cronograma, às fls. 329/330. Entretanto, o referido preço diverge significativamente do valor constante na escritura pública lavrada em julho de 2007, que ratifica a operação de compra e venda em questão; f) na apuração do ganho de capital, a fiscalização considerou como valor da alienação os valores efetivamente pagos, listados às fls. 339, sendo que em razão de divergências entre as informações prestadas pelos adquirentes das prestadas pelos vendedores, os valores foram apurados mediante a adoção dos critérios indicados às fls. 338, destacandose que as informações prestadas pelos adquirentes estavam lastreadas com documentação financeira, enquanto que as prestadas pelos vendedores não; g) na apuração do ganho de capital foi aplicado o percentual de redução de 5% (cinco por cento), nos termo do art. 18 da Lei nº 7.713, de 1988; Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 493 4 h) a multa de ofício foi agravada, nos termos do art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, em razão do fiscalizado não ter atendido a intimação fiscal para apresentar demonstrativo de apuração do ganho de capital objeto do lançamento fiscal; i) a multa de ofício foi qualificada, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, em razão do fiscalizado não ter apresentado o demonstrativo de apuração do ganho de capital em sua declaração de rendimento, com o objetivo de retardar/dificultar o conhecimento dos fatos geradores correspondentes por parte do Fisco. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, na qual alegou, em síntese, que: a) O lançamento fiscal é nulo em razão da ação fiscal ter sido deflagrada a partir de informações bancárias obtidas sem autorização judicial (processo administrativo nɩ 10530.721433/201048) tratandose, portanto, de prova obtida ilegalmente, o que contamina todo o procedimento fiscal; b) Na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital é cabível a aplicação do fator de correção previsto no art. 37 da medida provisória nº 252, sem prejuízo da redução assegurada no art. 18 da Lei nº 7.713, de 1988; c) Parte do preço acordado foi recebido mediante a assunção de dívida com garantia real dos vendedores por parte dos compradores junto a instituições financeiras. Portanto, tal parcela não poderia compor a base de cálculo do tributo, por não se saber se a referida dívida foi toda paga e, também, por tal parcela fugir ao conceito de renda; d) (...) e) Na escritura pública apresentada consta o valor da venda do imóvel, portanto, o ganho de capital não poderia ser apurado com base em valor extraído de qualquer outro documento particular; f) A multa de ofício e sua majoração devem ser afastadas em razão da inexistência de ocorrência de conduta dolosa por parte do contribuinte.” Quando da apreciação do caso, a DRJ de origem julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 494 5 É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos vinculada a ganho de capital na venda de imóvel rural. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A falta de apresentação do demonstrativo de apuração do ganho de capital na declaração de rendimento, quando desacompanhada de outros indícios que demonstrem a intenção do contribuinte em retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, não autoriza a qualificação da multa de ofício.” A autoridade julgadora de primeira instância apenas afastou a qualificação da multa de ofício nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, pois “a falta de apresentação do demonstrativo de apuração do ganho de capital na declaração de rendimento, quando desacompanhada de outros indícios que demonstrem a intenção do contribuinte em retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, não comprova sua conduta dolosa”. O presente caso já foi apreciado por esta Turma julgadora que, na ocasião, reconheceu a decadência do crédito lançado (fls. 403/408). Contudo, por meio do acórdão nº 9202003.770 (fls. 435/453), proferido pela 2ª Turma da CSRF, foi julgado procedente o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, afastando a preliminar de decadência e determinando o retorno dos autos ao colegiado a quo para apreciação das demais questões do Recurso Voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício 2006,2007,2008,2009 DECADÊNCIA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS – GANHO DE CAPITAL Ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural o fato gerador se dá no momento do efetivo ganho de capital. Em sendo o pagamento parcelado o fato gerador também será tomado a cada parcela separadamente. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Ultrapassada a questão acerca da decadência, conforme acórdão nº 9202 003.770 proferido pela CSRF, devem ser analisadas as demais alegações de defesa apresentadas pelo RECORRENTE. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 495 6 PRELIMINAR Inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário O contribuinte alega que a fiscalização que originou o auto de infração objeto da presente demanda se iniciou através do acesso a movimentação bancária do contribuinte MAURÍLIO COMPARIM, CPF 131.996.84904, sem amparo de ordem judicial, como se pode verificar dos autos do Processo 10530.711433/201048. Afirma o RECORRENTE que o acesso aos dados bancários do contribuinte Maurílio Comparim se deu por meio de RMF 0510200.200900001, sem que houvesse, para tanto, amparo em ordem expedida pelo Poder Judiciário. Cita o precedente do RE 389808 para defender sua tese Alega o contribuinte a inconstitucionalidade art. 6º, da Lei Complementar 105/2001, que autoriza a Receita Federal do Brasil a requisição de dados cobertos por sigilo. Em que pese a discussão judicial existente acerca do tema, é cediço que esse Tribunal administrativo presume pela constitucionalidade das Leis e não é competente para afastar sua aplicação sob o argumento da inconstitucionalidade. Logo, enquanto não declarada inconstitucional pelo Tribunal competente, não pode esse órgão afastar a aplicação da Lei. Neste sentido, há o enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, este Tribunal administrativo apenas pode afastar a aplicação de lei julgada inconstitucional pelo STF. Contudo, ao contrário do que alega o RECORRENTE, isto não ocorreu no caso concreto. Neste sentido, transcrevo abaixo a ementa do RE 601314, através do qual o STF, sob a sistemática da repercussão geral, firmou a tese de que “o art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 496 7 qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 1509 2016 PUBLIC 16092016)” Ademais, cumpre argumentar que esta Turma, em 14/05/2014, ao apreciar o recurso do contribuinte Maurílio Comparim no processo nº 10530.711433/201048 (mencionado pelo RECORRENTE), entendeu pela legalidade da conduta do auditor, e pelo afastamento da premissa de inconstitucionalidade. Neste ponto, importante esclarecer que, conforme demonstra o Relatório Fiscal de fls. 326/347, a apuração do valor recebido pelo RECORRENTE pela venda do imóvel ocorreu mediante informação prestada pelo próprio fiscalizado (e seus pelos condôminos no imóvel) assim como pelos adquirentes, conforme trecho abaixo transcrito: “Mediante procedimento fiscal, também foram coletadas informações dos condôminos adquirentes do imóvel em tela, os quais, em atendimento a requisições administrativas, apresentaram cópias autenticadas dos seguintes elementos: Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 497 8 a) Cópia do Contrato Particular de Compra e Venda do citado imóvel, com data de 18 de maio de 2002; b) Cópia da Escritura Pública no Cartório do 1o Ofício de Notas de Barreiras – Bahia, expedida em 2007, ratificando a operação de compra venda realizada em 2002; c) Planilhas dos pagamentos efetuados em retribuição pela aquisição do citado imóvel; d) Cópias dos comprovantes de pagamentos relacionados nas planilhas supra; (...) Nesse sentido, para fins de determinação do preço efetivo pago pela aquisição do imóvel rural em comento, com vistas à determinação de seu o valor de alienação, foram adotados os seguintes critérios: a) Para os pagamentos efetuados entre o período de 2003 a 2005, serão considerados exclusivamente os recolhimentos indicados pelos adquirentes do imóvel, haja vista a inexistência de informações dos vendedores para esse período, conforme valores consolidados através da planilha juntada ao presente Relatório na forma do Anexo II; b) Em relação aos pagamentos realizados no período entre 2006 a 2009, serão aceitos todos os valores para os quais haja coincidência entre as informações prestadas por compradores e vendedores; c) Quando a divergência consistir em valor indicado pelos vendedores e não confirmado pelos compradores, reputase válido o pagamento correspondente, haja vista ter sido indicado pelos próprios fiscalizados; d) Quando a divergência consistir em valor enumerado pelos compradores e não confirmados pelos vendedores, estes valores serão confirmados quando amparados por documentação hábil e idônea; Com base nos critérios enumerados nos itens “b”, “c” e “d” supra, foram elaboradas planilhas anuais relacionando todos os pagamentos enumerados por compradores e vendedores durante o período de 2006 a 2009, com indicação dos valores considerados para fins de aferição do preço efetivo da presente alienação, conforme demonstrado nas planilhas apensadas ao presente Relatório Fiscal na forma dos Anexos III a VI. Ao valor apurado na forma do parágrafo precedente, será adicionado o valor de R$ 538.000,00 (quinhentos e trinta e oito mil reais), tendo em vista que esse valor teria sido pagos em moeda nacional pelos compradores diretamente aos vendedores, conforme indicado no inciso I da Cláusula 3o do contrato de Compra e Venda. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 498 9 Será também objeto de adição ao montante apurado na forma dos parágrafos precedentes, o valor de R$ 7.858.431,00 (sete milhões, oitocentos e cinqüenta e oito mil, quatrocentos e trinta e um reais), tendo em vista que esse valor faz parte do preço efetivo pago em virtude da aquisição do imóvel em questão por se tratar de ônus suportado pelos adquirentes, correspondente assunção de dívidas preexistentes relativas ao citado imóvel rural, conforme disposto no inciso II da Cláusula 3º do mencionado Contrato.” Ou seja, serviram de base para a apuração do ganho de capital as informações apresentadas pelos alienantes e adquirentes do imóvel, conforme fls. 342/346. Com base nas informações coletadas, a autoridade fiscal apurou o ganho de capital da seguinte forma: A partir dessa constatação, aplicou o percentual do ganho de capital sobre cada uma das parcelas recebidas pelos condôminos no imóvel alienado, cabendo ao RECORRENTE o ganho de capital proporcional a sua parte no imóvel (14,5%), conforme planilha constante do anexo VII do Relatório Fiscal (fl. 347). Assim, encontrou a base de cálculo sobre a qual incidiu o imposto objeto do presente processo. Portanto, não há motivos que enseje a nulidade do procedimento fiscal. Preliminar rejeitada. DO MÉRITO Qualificação da Multa de Ofício Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 499 10 Em que pese a redução da multa de ofício de 225% para 112,5%, o Contribuinte ainda assim se insurge quanto à inexistência dos requisitos para qualificação da multa de ofício. Alega não ter existido intuito de sonegação e pede a desqualificação da multa. Ocorre que o contribuinte incorre em erro de fato em suas alegações, isto porque, a multa qualificada foi, em verdade, afastada ainda em 1ª instância pela DRJ em Salvador/BA, sob o fundamento de que a falta de apresentação de demonstrativo de apuração de ganho de capital não implica, necessariamente, em intuito doloso do contribuinte em retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco. O percentual de 112,5% foi estipulado em função do agravamento da multa, nos termos do art. 44§ 2º da Lei nº 9430/1996, isto é, o não cumprimento da determinação do fisco para apresentar esclarecimento sobre a forma com que tinha apurado o ganho de capital. Desta feita, considerando o arcabouço fático em questão, o agravamento da multa deve ser mantido. Da não retroatividade do fator de redução disposta na MP 252/2005 O RECORRENTE pleiteia a aplicação da MP 252/2005 para apuração da base de cálculo do ganho de capital. No entanto, não merece prosperar o pedido do RECORRENTE. A ocorrência do fato gerador é que determina o marco temporal para aplicação da lei tributária. Desta forma, as leis que devem reger o lançamento tributário devem ser aquelas vigentes à época do fato gerador. No presente caso, portanto, o momento que deve determinar a lei aplicável no tempo é o momento da alienação do imóvel (2002), em que pese a apuração do Imposto de Renda só acontecer nos anos subsequentes, quando do recebimento dos valores pelo contribuinte (disponibilidade da renda). Isto porque, o legislador concedeu uma "benesse" em caso de venda a prazo de imóveis, de apenas recolher o Imposto de Renda na medida em que a parcela do preço fosse efetivamente recebida, consoante determina o art. 31 da Instrução Normativa nº 84/2001: Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. (grifei) Este também é o entendimento deste Órgão Administrativo, Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 500 11 IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA.Para efeitos do imposto de renda, o conceito de alienação abrange o contrato de promessa de venda e compra. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação, diferindo se o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. (Processo: 16707.005398/200495 Acórdão 10249406, sessão 06/11/2008) Assim, em que pese o diferimento legal concedido para apuração do Imposto de Renda, o fato gerador relativo ao ganho de capital ocorreu em 18 de maio de 2002, e portanto é este o marco temporal que define a legislação aplicável ao presente processo. Nos termos do art. 106 do CTN, se aplica a retroação benéfica das leis nos seguintes casos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No presente caso, o contribuinte pleiteia a retroação benéfica do fator de redução previstos nos §§ 1º e 2º da MP 252/2005, que tem efeitos direto na apuração da base de cálculo do IRPF. Contudo, a aplicação retroativa da lei mais benéfica se limita às obrigações acessórias (em especial multa e infração), ou a leis expressamente interpretativas, não podendo retroagir as leis que incidem diretamente sobre a obrigação principal, sob pena inclusive de violar o princípio da isonomia tributária. Não merece prosperar, portanto, o pedido de aplicação do fator de redução disposto na MP 252. Da Inclusão dos Valores Devidos ao Banco do Brasil e da Prevalência do Valor Efetivamente Recebido em Detrimento ao Documento Público. Ante à conexão destes argumentos apresentados pelo contribuinte, eles serão julgados em conjunto. Em síntese, alega o contribuinte que deve prevalecer como valor da Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 501 12 venda do imóvel rural o estipulado na escritura pública de compra e venda em detrimento dos valores apurados pela fiscalização como efetivamente recebidos, haja vista que aquele é documento público ao passo que este é documento particular e que os valores devidos ao Banco do Brasil não podem ser considerados como renda auferida. O art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713/88 prevê que, para efeitos do ganho de capital, será levando em conta o valor da “alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda”. Ademais, apesar de não ingressar diretamente no patrimônio do contribuinte, os valores utilizados para quitar a dívida existente com o Banco do Brasil aumentaram, de fato, o patrimônio do contribuinte, tendo em vista que reduziram o passivo atrelado ao mesmo. Em outras palavras, auferir renda não é, exclusivamente, o aumento positivo do patrimônio, mas também a redução do negativo atrelado ao mesmo. Por sua vez, por mais que a escritura pública de promessa de compra e venda seja um bom parâmetro para aduzir o valor da alienação, ele é apenas uma presunção do mesmo. Não pode, em hipótese alguma, uma presunção jurídica prevalecer sobre a realidade fática. Ora, o valor da venda é o valor efetivamente recebido pelo alienante (conforme atestam os documentos apresentados pelos alienantes e adquirentes do imóvel no curso da fiscalização), e não o valor estipulado em promessa de compra e venda. A própria jurisprudência citada pelo RECORRENTE em suas razões de defesa expõe que o valor transcrito na escritura pública “sobrepõese a qualquer outro, (...) salvo se restar comprovado, de maneira inequívoca, que o valor constante da escritura definitiva não corresponde ao valor da operação, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha àquele valor”. E foi justamente isso o que ocorreu no caso concreto. Segundo o Relatório Fiscal, a autoridade lançadora considerou que a Escritura Pública lavrada em Julho/2007 “ratifica a operação de compra e venda realizada em maio de 2002, confirmando os dados do imóvel, bem como a identificação dos compradores e vendedores, entretanto, divergindo substancialmente em relação aos valores estipulados no Contrato de Compra e Venda”. É que o valor constante na promessa de compra e venda totalizou R$ 29.220.807,00 (fls. 293/302), ao passo que o valor indicado na Escritura Pública foi de apenas R$ 9.201.650,00 (fls. 303/306). Ou seja, a fiscalização entendeu que o valor constante na Escritura Pública não merecia fé em razão da divergência com a promessa de compra e venda aliada às provas de efetivo pagamento realizados ao RECORRENTE e aos coproprietários em razão da venda do imóvel. Sendo assim, a autoridade fiscal se viu incumbida de buscar o valor efetivamente recebido pelo RECORRENTE. Assim, ainda de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 337/338): “Nesse contexto, resta demonstrar qual foi o valor efetivo da operação de alienação em questão, tendo em vista que no Contrato de Compra e Venda assinado pelas partes, em maio de Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 502 13 2002, o preço foi estipulado 1.391.467 (um milhão, trezentos e noventa um mil e quatrocentos e sessenta e sete) sacas de soja de 60 kg. Conforme já demonstrado neste relatório, tomando como referência o preço de R$ 21,00 (vinte um reais) por saca, usando para fins de assunção das dívidas por ocasião de aquisição do imóvel, encontrarseia o valor correspondente a R$ 29.220.807,00 (vinte e nove milhões, duzentos e vinte mil, oitocentos e sete reais). Entretanto, o valor de R$ 21,00 (vinte um reais) foi estipulado apenas para estimar o montante das dívidas do imóvel assumidas pelos adquirentes, por essa razão descartase esse valor para fins de determinação do valor de alienação. Ademais, a cotação real do produto sofreu constantes alterações durante o período em que os pagamentos foram efetuados. Nesse sentido, tomase como preço efetivo para fins de determinação do valor de alienação, os valores efetivamente desembolsados pelos condôminos adquirentes, haja vista que esses valores representam, em última instância, o preço efetivo pago pelo imóvel, conforme valores informados pelos envolvidos na presente alienação. Aos valores mencionados no parágrafo precedente, serão adicionados os valores pagos em 2002, os quais, segundo o Contrato de Compra e Venda, foram pagos em espécie no escritório dos adquirentes, bem como o valor correspondente às dívidas do citado imóvel assumidas pelos compradores, conforme disposto nos incisos I e II da Cláusula 3a do Contrato de Compra e Venda. Sobre o montante dos valores efetivamente desembolsados pelos compradores para fins de pagamento pela aquisição do imóvel em comento, foram coligidas informações tanto da parte dos adquirentes em relação aos pagamentos efetuados durante os anos de 2003 a 2009, quanto informações prestadas pelos próprios vendedores em relação aos pagamentos recebidos entre 2006 e 2009. A esse respeito, merece destacar que as informações prestadas pelos compradores encontramse lastreadas em cópias autenticadas dos correspondentes documentos comprobatórios das transações financeiras, tais como cópias de cheques, transferências bancárias, comprovantes de depósitos entre outros, enquanto que as informações dos vendedores não dispõem desse lastro comprobatório. Nesse sentido, para fins de determinação do preço efetivo pago pela aquisição do imóvel rural em comento, com vistas à determinação de seu o valor de alienação, foram adotados os seguintes critérios: a) Para os pagamentos efetuados entre o período de 2003 a 2005, serão considerados exclusivamente os recolhimentos Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 503 14 indicados pelos adquirentes do imóvel, haja vista a inexistência de informações dos vendedores para esse período, conforme valores consolidados através da planilha juntada ao presente Relatório na forma do Anexo II; b) Em relação aos pagamentos realizados no período entre 2006 a 2009, serão aceitos todos os valores para os quais haja coincidência entre as informações prestadas por compradores e vendedores; c) Quando a divergência consistir em valor indicado pelos vendedores e não confirmado pelos compradores, reputase válido o pagamento correspondente, haja vista ter sido indicado pelos próprios fiscalizados; d) Quando a divergência consistir em valor enumerado pelos compradores e não confirmados pelos vendedores, estes valores serão confirmados quando amparados por documentação hábil e idônea;” Em razão do exposto, resta nítido que a fiscalização investigou o correto valor recebido pelo RECORRENTE em razão da alienação do imóvel. Tal critério de apuração sobrepõe ao valor informado na Escritura Pública e ao indicado na Promessa de Compra e Venda, inclusive porque, conforme exposto pela autoridade fiscal, o valor expresso no documento particular encontravase lastreado pelo valor da saca de soja, o qual sofreu constantes alterações ao longo do período em que ocorreram os pagamentos. Assim, é legítimo adotar na apuração do ganho de capital o valor efetivamente recebido pelo RECORRENTE. Portanto, como há comprovação dos valores recebidos anoaano pelo contribuinte em decorrência da alienação do imóvel rural “Fazenda Sete Belo” (conforme demonstrado às fls. 343/347), o imposto decorrente do ganho de capital deve ser apurado sobre tais parcelas efetivamente recebidas, na proporção do imóvel que cabia ao RECORRENTE, exatamente como procedido pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão da DRJ de origem (que afastou a multa qualificada). (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10530.723475/201102 Acórdão n.º 2201004.306 S2C2T1 Fl. 504 15 Fl. 505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.722206/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012
PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA.
Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE.
A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência.
VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO.
Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado.
Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações.
Numero da decisão: 2201-004.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE. A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência. VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO. Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12448.722206/2014-28
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854818
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.304
nome_arquivo_s : Decisao_12448722206201428.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 12448722206201428_5854818.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7234196
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007763943424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 602 1 601 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.722206/201428 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.304 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2018 Matéria imposto de renda pessoa física Recorrente VICENTE DE PAULO PIRES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE. A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência. VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO. Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 22 06 /2 01 4- 28 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 603 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 552/564) por sua clareza e precisão: “Tratase de Auto de Infração de fls. 404 a 412 lavrado em nome do contribuinte acima identificado, relativo ao imposto de renda pessoa física, Ganho de Capital, período de apuração 02/2011, 04/2011, 07/2011, 01/2012, 07/2012, formalizando crédito tributário no montante de R$ 1.055.227,41, com acréscimo de juros e multa até 03/2014. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, o presente referese à omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsas de valores, conforme relatório fiscal em anexo. O Termo de Verificação Fiscal, fls 412/421, informa que o contribuinte mediante o Mandado de Segurança Preventivo objeto do processo nº 2011.51.01.0033873, pleiteou a concessão de segurança para que não fosse compelido a pagar imposto de renda sobre ganho de capital decorrente da alienação das ações ordinárias (incluindo as respectivas bonificações) da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A. Argumentava na ação a existência Fl. 603DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 604 3 de direito adquirido à isenção em relação à venda da maior parte das ações prevista na alínea “d”, do art 4º, do Decreto nº 1.510/76. Foi concedida liminar em 11/04/2011 pela 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, e em 07/07/2011 concedida a segurança, confirmando a liminar. Em 28/05/2013, a Quarta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, julgou improcedente o pedido formulado pelo fiscalizado na inicial, reformando integralmente a sentença anteriormente concedida. No curso da ação judicial foram efetuados depósitos judiciais, encontrandose o feito no Tribunal Regional Federal – 2ª região, em “apelação/reexame necessário”. A fiscalização enumera as informações obtidas nos procedimentos fiscais. Dos fatos apurados no procedimento fiscal: Da alienação – referese à venda da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A – Hospital Samaritano, em que o contribuinte constava como um dos alienante e tendo como adquirente a ESHO – Empresa de Serviços Hospitalares S.A. Da quantidade de ações adquiridas – analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, foi possível reconstituir a quantidade de ações possuídas pelo contribuinte à época da alienação, conforme planilha 01, fls 414, no total de 1.191.228. A Planilha 01, fls 414, demonstra que todas as aquisições das ações feitas pelo fiscalizado, salientando que todas elas ocorreram entre 24/09/1971 e 23/06/1996. Do custo de aquisição das ações alienadas Custo de aquisição considerado pelo contribuinte – o contribuinte informou o custo de aquisição para as ações alienadas o valor de R$1.876.121,52. Segundo informa, tal valor representa o custo das ações constantes de sua DIRPF 2010 (R$ 1.381.824,48) acrescido de capitalização de lucros de 2010 (R$ 494.297,04). Tal valor também corresponde à quantidade de ações Fl. 604DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 605 4 possuídas pelo contribuinte à época da alienação (1.191.228) multiplicada pelo valor de cada ação (1,5749), considerados o valor do capital social (R$ 28.014.841,05) da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A Hospital Samaritano e a quantidade de ações que o compunham (17.787.94), de acordo com a ata de assembléia geral ordinária e extraordinária em 28/04/2010. Custo de aquisição apurado pela fiscalização – a fiscalização tomou por base o valor consignado na Declaração de Ajuste Anual exercício 1996/ano calendário 1995 para as 1.154.673 ações que possuía, visto que nessa declaração o valor atribuído às ações inclui tanto a avaliação de mercado dos bens e direitos integrantes do patrimônio do contribuinte em 31/12/1991, permitida pelo art. 96 da Lei 8.383/91, no valor de R$ 307.648,51. O custo de aquisição dessas 1.154.673 ações adquiridas até 31/12/1994 poderia ter sido atualizado monetariamente aplicandose o coeficiente de 1,2246, correspondendo ao valor atualizado de R$376.746,36. Conforme disposto no inciso II do art 17 da lei 9.249/95, tratandose de bens e direitos adquiridos após 31/12/1995, caso das 36.555 ações adquiridas em 23/03/1996, ao custo dos bens e direitos não será atribuída qualquer atualização monetária. Dessa forma, o custo de aquisição das 1.191.228 ações é R$ 393.127,33, resultante da soma do valor atualizado de R$376.746,36 com o valor de R$16.380,97, referente à aquisição de ações em março de 1996, conforme consta no documento intitulado “Transferência de Ações” apresentado pelo fiscalizado em 25/07/2012, em reposta ao Termo de Intimação 04. Em suas Declarações de Ajuste dos anos posteriores ao anocalendário 1995, no entanto, o contribuinte majorou o valor das ações sem amparo na legislação, conforme discriminado nos itens 1, 2, 3 e 4 das fls 416. Quanto aos valores declarados nos anoscalendário de 2009 e 2010, na planilha apresentada à fiscalização em 25/7/2012, o contribuinte informa que o aumento do valor do custo de aquisição, de R$ 1.381.824,48 para R$ Fl. 605DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 606 5 1.876.121,52, referese à “capitalização de lucros de 2010, no valor de R$ 494.297,04”. Observese que esse valor identificado como capitalização de lucros é superior ao valor por ele consignado na DIRPF referente aos anos calendário de 2009 e 2010, que foi de R$ 419.907,53. Tal majoração do valor das ações já existentes, entretanto, sem emissão de novas ações, não é permitida pela legislação, como se verifica no exame do § 1º do artigo nº 130 do RIR/99, que trata apenas de emissão de novas ações. Do valor de alienação – o valor estabelecido pelo contrato celebrado para a venda era R$ 12.054.393,50. E o contribuinte considerou o valor de alienação R$ 12.195.549,96, conforme declarado no demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital. Ainda de acordo com o contrato, o valor da venda seria recebido em sete parcelas. Do ganho de capital e do imposto devido Da apuração procedida pelo contribuinte – optou por apurar separadamente o ganho de capital obtido na alienação das ações que considerou abrangidas pela alínea “d”, do art 4º, do Decreto nº 1.510/76, do ganho obtido na alienação daquelas que considerou não abrangidas pela citada norma, proporcionalizandoo na razão demonstrada na Planilha 03, fls 417. Em seguida procedeu a apuração do ganho de capital e do imposto devido quando do recebimento de cada parcela, Planilha 04. Percebese, no exame da Planilha 04, que apesar da separação proporcionalizada por este para a apuração do ganho de capital e o escopo da ação judicial impetrada, os depósitos efetuados se referem ao total do ganho de capital relativo à totalidade das ações alienadas conforme calculado pelo contribuinte e não somente as abrangidas pelo “DL 1.510/76”. Segundo os cálculos do contribuinte, o ganho de capital total na alienação foi de R$ R$10.319.428,44 (Valor de alienação R$12.195.549,96 – Custo de Aquisição R$1.876.121,52). Fl. 606DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 607 6 Em paralelo, e de forma contraditória ao fato de ter impetrado ação judicial para discutir o valor do ganho de capital, o contribuinte declarou a alienação das ações e apurou o ganho de capital como se não estivesse discutindo judicialmente o valor do imposto incidente sobre a operação na DIRPF 2012, anocalendário 2011. Para as parcelas de 2012, não foi apresentado o demonstrativo anexo à DIRPF 2013. Da apuração pela fiscalização – considerou o custo de aquisição de R$ 393.127,33 e valor de alienação de R$ 12.195.549,96. Há de se fazer distinção entre as parcelas recebidas em 2011 e aquelas recebidas em 2012 e o respectivo ganho de capital incidente. O contribuinte apresentou anexo na DIRPF, exercício 2012, sobre o ganho de capital incidente para alienação das ações, para as parcelas recebidas em 2011. Dessa forma, apesar de o Contribuinte ter apurado o imposto de forma incorreta, declarando valores menores do que os devidos, conforme apuração da fiscalização, tais valores estão declarados e não foram objeto de lançamento de ofício neste auto de infração. Foram efetuados lançamentos apenas quanto às diferenças apuradas entre os cálculos do contribuinte e os da fiscalização, conforme planilha 05, fls 420. Com relação a 2012, não foi apresentado o anexo a DIRPF 2013 do ganho de capital na alienação das ações com a declaração do imposto devido sobre as parcelas recebidas naquele anocalendário. Os depósitos judiciais, sendo em valores inferiores ao montante integral do tributo, não suspendem a exigibilidade do crédito nem tampouco existe decisão judicial favorável ao contribuinte, ou qualquer outra condição para a suspensão do crédito tributário, nos termos do art. 151 d o Código Tributário Nacional. A Planilha 05, fls 420, demonstra os valores apurados no procedimento fiscal correspondentes ao IR devido sobre esses ganhos de capital. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 608 7 Dessa forma, o imposto de renda apurado pela fiscalização foi o lançado através desse auto de infração, com cobrança das diferenças não declaradas para 2011, e integralmente para 2012. Da Impugnação Cientificado em 26/03/2014, fls 429, o contribuinte apresentou impugnação em 17/04/2014, fls 440/452, e documentos fls 453/547, alegando em síntese: Da tempestividade, dos fatos e do auto de infração. Da possibilidade de discussão, na via administrativa, de matérias não tratadas na via judicial – Cita jurisprudência e entende que o MS nº 2011.51.01.0033873 tem como objetivo de impedir a cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de parte das ações sob o argumento de que tal ganho seria isento, por força do art. 4º, alínea “d”, do DL nº 1.510/76. Já na presente impugnação, o que está sendo questionado nos autos são os procedimentos adotados pela fiscalização para a apuração do ganho de capital relativo à venda das ações, e a exigência de valores depositados judicialmente e/ou pagos. Assim, resta claro que o disposto na letra “b” do ADN COSIT nº 03/96 dá respaldo à apreciação na via administrativa da matéria que será tratada na presente impugnação. Dos erros cometidos pela fiscalização na determinação do custo de aquisição das ações – entende que a fiscalização cometeu um equivoco ao desconsiderar o custo de aquisição utilizado pelo impugnante para fins de apuração do ganho de capital, fixandoo em R$ 393.127,33. Destaca que a possibilidade de incremento do custo de aquisição das ações já existentes em razão da capitalização de lucros e reservas ocorridos a partir de janeiro/1996 já foi reconhecida em Soluções de Consulta pela própria Receita Federal do Brasil (RFB), como segue. Cita trecho das Fl. 608DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 609 8 Soluções de Consulta nºs 53, 54, 55, 56, 57, 58 de 08/05/2008, bem como legislação. Têmse, portanto, que os valores proporcionais das capitalizações realizadas pela Clínica nos anos de 1996, 1997, 2009 e 2010, que totalizaram R$ 1.179.902,69, também devem compor o custo de aquisição das alienadas pelo impugnante para fins de apuração de eventual imposto de renda sobre ganho de capital. Por fim, devese destacar que o efetivo valor de venda das ações a ser considerado no cálculo do ganho de capital deve ser de apenas R$ 12.054.393,50, e não de R$ 12.195.549,96. De fato, conforme se depreende pelo Contrato de Compra e Venda das Ações (apresentado no curso da fiscalização e ora reapresentado – doc 02), o valor efetivo da venda das ações do Impugnante foi de R$ 12.054.393,50, sendo que o valor de R$ 141.156,46, corresponde a honorários advocatícios, pagos pelos compradores das ações e descontados dos valores devidos ao impugnante. Da impossibilidade de exigir valores já depositados judicialmente e de aplicar multa de ofício e cobrar juros de mora sobre esses mesmos valores – acredita que deveria ter sido considerada suspensa a exigibilidade dos valores já depositados em juízo pelo impugnante, ainda que se entenda que tais valores não representam o montante integral, e sobre eles não poderia exigir multa de ofício e nem cobrar juros de mora. Devendo o lançamento dos valores depositados judicialmente serem efetuados apenas para prevenir decadência. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Ainda que se entenda que o depósito dos débitos, mesmo que parcial não suspendem a exigibilidade do exato montante depositado e que, portanto, o seu lançamento somente se daria para prevenir a decadência, o que se admite apenas por argumentação, ainda assim não seria aplicável multa de ofício e juros de mora sobre tais valores. Cita jurisprudência. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 610 9 Pelo exposto, pede e espera o impugnante o cancelamento do auto, pois deveria ter sido lavrado apenas para prevenção da decadência, ou, no mínimo, parcialmente cancelado, afastandose a multa de ofício e os juros de mora sobre os valores relativos às parcelas recebidas no ano de 2012 e já depositados judicialmente antes de sua lavratura. Da impossibilidade do auto exigir valores de IR já pagos pelo impugnante – em relação aos ano 2012, a fiscalização desconsiderou além dos valores depositados judicialmente, os pagamentos efetivamente realizados pelo impugnante relativo aos 8,8853% das ações que estão fora do objeto do referido MS. O impugnante efetuou o recolhimento de R$ 33.862,22 (R$ 16.931,11 relativo à parcela recebida em janeiro de 2012 e R$ 16.931,11 relativo à parcela recebida em julho de 2012), portanto, devem ser excluídos do montante do imposto exigido no auto. Pede e espera pelo cancelamento do auto ou, senão, a retificação do valor nele lançado. 2 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, conhecendo da impugnação. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 611 10 Sujeitase à incidência do Imposto de Renda o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de alienação das ações pelo acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição, que não pode ser majorado sem o amparo legal. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO A realização de depósito judicial parcial do crédito tributário considerado pelo Fisco não suspende sua exigibilidade, podendo o Fisco exigir o crédito em sua totalidade, bem como seus consectários legais. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001. ÔNUS DA PROVA. Havendo incongruência entre as informações declaradas à RFB e informadas pelo contribuinte, este deve apresentar documentos hábeis e inequívocos para refutar a base de cálculo do imposto de renda. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Iniciado o procedimento administrativo em desfavor do contribuinte, não mais espontânea será a denúncia eventualmente ofertada, resultando para o infrator as sanções decorrentes do descumprimento de sua obrigação. O pagamento efetuado, antes da lavratura da Notificação de Lançamento, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de desconstituir a exigência lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 611DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 612 11 3 – O contribuinte interpõe recurso voluntário às fls. 572/594, mantendo a mesma linha da defesa. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – A matéria em debate é conhecida dessa Turma e foi apreciada nos AC. 2201003.890 e 2201003.891 j. em 13/09/2017 sendo Relatora a I. Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz que hoje compõe a E. CSRF. 6 – Analisando os autos verificase que são matérias idênticas debatidas e julgadas anteriormente referente à omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsas de valores em que o contribuinte em 01/02/2011, vendeu a totalidade de suas ações do Capital Social da Clínica MédicoCirúrgica Botafogo SA Hospital Samaritano à Empresa de Serviços Hospitalares S.A. ESHO, de acordo com o contrato de compra e venda celebrado nesta data, fls. 351/348. 7 – A Fiscalização entende que o custo de aquisição das referidas cotas são de R$ 393.127,33 e o contribuinte de R$ 1.876.121,52. 8 – De acordo com a autuação o objeto do presente lançamento é apenas em relação às parcelas recebidas de 10/01/2012 a 10/07/2012, sendo que as demais parcelas são objeto de outro PAF às fls. 420: Fl. 612DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 613 12 Da inexistência de concomitância com a via judicial 9 – Quanto a matéria sobre a concomitância entre a via judicial e a administrativa me atenho às razões do bem fundamentado voto dos AC. 2201003.890 e 2201 003.891 j. em 13/09/2017 e os adoto como razão de decidir, com as ressalvas relativas aos fatos ora descritos nesses autos, verbis: “Cumpre destacar que o trâmite do Mandado de Segurança n.º 2011.51.01.0033903 impetrado pelo Recorrente, na 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro, com o objetivo de impedir a cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de parte das ações sob o fundamento de que tal ganho seria isento, por força do art. 4º, alínea "d", do DL n.º 1.510/76, não obsta o conhecimento da matéria sob análise, considerando a distinção dos objetos discutidos. Assim, no autos do MS discutese o direito à isenção prevista no art. 4º, alínea "d", do DL n.º 1.510/76, já, no presente processo administrativo, o recorrente questiona os procedimentos adotados pela fiscalização para a apuração do ganho de capital relativo à venda das ações, que a levaram a determinar um custo de aquisição menor do que aquele por ele utilizado. Portanto, não se vislumbra a existência de concomitância apta a ensejar a aplicação do Enunciado de Súmula CARF n.º 1.” Do custo de aquisição das ações Fl. 613DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 614 13 10 – Em relação a essa parte do apelo o contribuinte requer que seja considerado como custo de aquisição das ações alienadas os valores relativos aos lucros capitalizados conforme indicado às fls. 491: Fl. 614DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 615 14 11 – Nesse caso, tomando as mesmas razões de decidir dos acórdãos indicados alhures a respeito da matéria: Como se verifica, da narrativa anterior, a situação fática é incontroversa nos autos, sendo relevante a discussão jurídica sobre a possibilidade da consideração da capitalização dos lucros no custo de aquisição das ações. Para melhor elucidar o tema, cito um exemplo exposto no Acórdão n.º 19515.720668/201166 abaixo transcrito: Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 616 15 O art. 10, § 1º, da Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de1995, acerca da matéria assim dispõe: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. § 1oNo caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados, a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Em seu art. 135, o Regulamento do Imposto de Renda reproduz o texto introduzido pela mencionada Lei: Custo de Participações Societárias Adquiridas com Incorporação de Lucros e Reservas Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). O caput do art. 169 da Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, destaca: Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 617 16 Como bem asseverou o recorrente, o custo de aquisição de ações, em razão da capitalização de lucros e reservas já foi objeto de Soluções de Consulta da Receita Federal do Brasil, conforme as ementas a seguir: 12 – Pelo exposto, dou provimento ao recurso nessa parte para, devendo ser procedida a consideração, no custo de aquisição das ações, dos valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridas nos anos de 1996 (no valor de R$ 154.461,07), 1997 (no valor de R$ 161.863,90), 2009 (no valor de R$ 161.863,90) e de 2010 (no valor de R$ 494.297,04) devidamente comprovadas por meio de documentação que acompanhou a petição Fl. 617DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 618 17 apresentada em 25/07/2012 (planilha constante de fls. 82), tendo em vista que a capitalização dos lucros com ou sem emissão de novas ações implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento. Valor da alienação 13 – Em relação ao tema sobre o valor da alienação a ser considerado no ganho de capital, analisando o documento de fls. 524/532 verificase que deve ser excluído o valor de R$ 141.156,46. 14 A decisão de piso assim tratou da questão: Apesar do contribuinte apresentar Contrato de Compra e Venda das Ações em sua impugnação, no qual consta o valor de venda de R$ 12.054.393,50, a fiscalização verificou que o contribuinte considerou como valor de alienação o valor de R$ 12.195.549,96. Observase que apesar da fiscalização ter aduzido que a diferença de valores seria relativa a honorários advocatícios, esta manteve a base de cálculo de R$ 12.195.549,96. Frisese que não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, ressaltando que o contrato de prestação de serviços apresentado na impugnação referese expressamente a honorários advocatícios, não sendo possível aduzir existência de corretagem. Art. 19 . Considerase valor de alienação: I o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos; (...) Fl. 618DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 619 18 § 4º O valor da corretagem, quando suportado pelo alienante, é deduzido do valor da alienação e, quando se tratar de venda a prazo, com diferimento da tributação, a dedução farseá sobre o valor da parcela do preço recebida no mês do pagamento da referida corretagem. A definição de contrato de corretagem é prevista no artigo 722 do Código Civil, no qual se estabelece que pelo contrato de corretagem, uma pessoa, independentemente de mandato, de prestação de serviços ou outra relação de dependência, obrigase a obter para outra um ou mais negócios, conforme instruções recebidas. 15 Ao contrário do entendimento exposto, com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista (anexo A), de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. 16 Portanto, deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações. É o que se extrai até mesmo da interpretação da Instrução Normativa mencionada pelo Acórdão recorrido, pois a finalidade da norma é excluir a parcela não integrante do valor do bem (valor da corretagem), quando suportado pelo alienante, do valor da alienação levado a efeito para o cálculo do ganho de capital. Decisão judicial 17 – No que se refere à ação judicial sobre a isenção prevista no DecretoLei 1.510/76, em consulta processual realizada no site do Superior Tribunal de Justiça, observase que o Processo n.º 2011.51.01.0033873 ainda não transitou em julgado, estando pendente a análise do Recurso Especial nº 1659265/RJ interposto pelo contribuinte após a negativa de Fl. 619DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 620 19 provimento ao seu Recurso de Apelação no TRF da 2ª Região, conforme certidão abaixo expedida pelo site do E. STJ. O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1659265/RJ, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro OG FERNANDES e no qual figuram, como RECORRENTE, VICENTE DE PAULO PIRES, advogados(as) EUNYCE PORCHAT SECCO FAVERET (RJ081841) e, como RECORRIDO, FAZENDA NACIONAL, constam as seguintes fases: em 15 de Março de 2017, RECEBIDOS OS AUTOS ELETRONICAMENTE NO(A) SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO TRF2 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO; em 16 de Março de 2017, DISTRIBUÍDO POR SORTEIO AO MINISTRO OG FERNANDES SEGUNDA TURMA; em 16 de Março de 2017, CONCLUSOS PARA DECISÃO AO(À) MINISTRO(A) OG FERNANDES (RELATOR) PELA SJD; em 03 de Abril de 2017, RECEBIDOS OS AUTOS NO(A) COORDENADORIA DA SEGUNDA TURMA; em 04 de Abril de 2017, PROFERIDO DESPACHO DE MERO EXPEDIENTE DETERMINANDO VISTA AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; em 04 de Abril de 2017, AUTOS COM VISTA AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; em 06 de Abril de 2017, DISPONIBILIZADA CÓPIA DIGITAL DOS AUTOS À(O) MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; em 01 de Agosto de 2017, PROTOCOLIZADA PETIÇÃO 367075/2017 (PARMPF PARECER DO MPF) EM 01/08/2017; em 01 de Agosto de 2017, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO (PETIÇÃO 367075/2017 (PARECER DO MPF) RECEBIDA NA COORDENADORIA DA SEGUNDA TURMA); em 01 de Agosto de 2017, JUNTADA DE PETIÇÃO DE PARECER DO MPF Nº 367075/2017; em 01 de Agosto de 2017, CONCLUSOS PARA JULGAMENTO AO(À) MINISTRO(A) OG FERNANDES (RELATOR). Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: DIREITO TRIBUTÁRIO, Impostos, IRPF Imposto de Renda de Pessoa Física.DIREITO TRIBUTÁRIO, Impostos, IRPF Imposto de Renda de Pessoa Física. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2136220 Código de Segurança: 213F.3B8C.48CD.1D33 Certidão de número 2136220, de código de segurança 213F.3B8C.48CD.1D33, gerada em 02/03/2018 14:55:36. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 621 20 18 Assim, deve a autoridade responsável pela execução do acórdão acompanhar os efeitos do Mandado de Segurança mencionado, até o trânsito em julgado, tendo em vista que o presente lançamento teve como objeto a parte das ações na qual não foi reconhecido o direito à isenção pleiteada na via judicial, conforme a decisão proferida no MS e ainda eficaz. Da impossibilidade do auto exigir valores já depositados judicialmente e de aplicar multa de ofício e cobrar juros de mora sobre esses mesmos valores. 19 – Nesse tópico, pela análise da planilha de nº 5 de fls. 420 do auto de infração, verifico que houve o lançamento apenas em relação a diferenças apuradas entre o declarado pelo contribuinte e o que foi lançado pela fiscalização, e portanto, nesse ponto nego provimento quanto a questão da multa de ofício e juros de mora. Da impossibilidade do auto exigir valores de IR já pagos pelo recorrente 20 – Nesse ponto a fiscalização alega o seguinte às fls. 298/299 do TVF: “Aqui, há que se fazer distinção entre as parcelas recebidas em 2011 e aquelas recebidas em 2012 e o respectivo imposto sobre o ganho de capital incidente. Como já explicitado acima (item 4.1), o contribuinte apresentou o Anexo sobre o ganho de capital incidente na alienação das ações, para as parcelas recebidas em 2011. Desta forma, apesar de ter apurado o imposto de forma incorreta, declarando valores menores do que os devidos, conforme apuração da fiscalização, tais valores estão declarados e não foram objeto de lançamento de ofício neste auto de infração. Para as parcelas recebidas em 02/02/2011, 01/04/2011 e 11/07/2011, foram feitos lançamentos apenas quanto às diferenças apuradas, como se verifica na coluna “G” da planilha 05. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 622 21 Com relação a 2012, no entanto, não foi apresentado o anexo do ganho de capital na alienação das ações com a declaração do imposto devido sobre as parcelas recebidas naquele ano calendário, motivo pelo qual foram objeto de lançamento integral neste auto de infração. Os depósitos judiciais, sendo em valores inferiores ao montante integral do tributo, não suspendem a exigibilidade do crédito nem tampouco existe decisão judicial favorável ao contribuinte (a decisão de primeira instância que concedia a segurança foi integralmente reformulada pelo TRF 2a Região), ou qualquer outra condição para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Naciona ; (Omissis) Houve, portanto, lançamento do total do imposto devido relativo ao ganho de capital incidente sobre as parcelas recebidas em 10/01/2012 e 10/07/2012, conforme apurado pela fiscalização no Demonstrativo da apuração dos ganhos de capital – participações societárias para 2012 (em anexo).” 21 – Nesse ponto em relação aos lançamentos efetuados sobre as parcelas dos meses de 10/01/2012 e 10/07/2012 entendo que o contribuinte tem razão. Através de memorial de valores de fls. 77 e 305 bem antes do lançamento, foram entregues à fiscalização extrato de pagamento do sistema da RFB de fls. 285/286 com os valores do IR sobre Ganho de Capital que o contribuinte entendeu que estavam corretos relacionados às 4ª e 5ª parcelas. 22 – Entendo que a Fiscalização não poderia ter ignorado tal situação, por mais que não tenha ocorrido a entrega da apuração em sua DIRPF, pois foram efetuados nos códigos e datas corretas e foram identificados pelo contribuinte antes do lançamento à fiscalização. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 12448.722206/201428 Acórdão n.º 2201004.304 S2C2T1 Fl. 623 22 23 – Poderia a fiscalização da mesma forma que efetuou o lançamento sobre as diferenças que entende correta no ano de 2011 ter efetuado em relação a 2012. Portanto, dou provimento nesse ponto do recurso para que seja excluído do lançamento dos meses de 10/01/2012 e 10/07/2012 os valores recolhidos pelo contribuinte às fls. 285 e 286 no valor de R$ 174.318,42 cada no total de R$ 348.636,84. Conclusão 24 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito DOU PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer como custo de aquisição das ações, dos valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridas nos anos de 1996 (no valor de R$ 154.461,07), 1997 (no valor de R$ 161.863,90), 2009 (no valor de R$ 161.863,90) e de 2010 (no valor de R$ 494.297,04); Excluir do valor da alienação o valor de R$ R$ 141.156,46; excluir do lançamento o valor de R$ R$ 348.636,84. E quanto ao processo judicial nº 2011.51.01.0033873 deverá a DRF de origem acompanhar os efeitos do Mandado de Segurança mencionado, até o trânsito em julgado e adotar as demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 623DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17698.000411/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO.
Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea, as despesas com benfeitorias e o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel.
Numero da decisão: 2401-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para adicionar ao custo de aquisição do imóvel, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de R$ 438.342,00, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea, as despesas com benfeitorias e o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 17698.000411/2009-43
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841445
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.256
nome_arquivo_s : Decisao_17698000411200943.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 17698000411200943_5841445.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para adicionar ao custo de aquisição do imóvel, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de R$ 438.342,00, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7170667
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007783866368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17698.000411/200943 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.256 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente UBIRAJARA DA ROSA CRIZEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea, as despesas com benfeitorias e o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 04 11 /2 00 9- 43 Fl. 173DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para adicionar ao custo de aquisição do imóvel, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de R$ 438.342,00, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 17698.000411/200943 Acórdão n.º 2401005.256 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 4/8, acompanhado do demonstrativo de fl. 2 e do Relatório Fiscal de fls. 11/15, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 620.197,11, composto da seguinte forma: R$ 259.551,00 relativo ao Imposto; R$ 165.982,86 de Juros de mora (calculados até 30/06/2009); e R$ 194.663,25 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 8), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte do autuado, cujo fato gerador ocorreu em 31/08/2004. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 11/15), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma: “O contribuinte adquiriu, em 04/04/2002, uma fração de terras de campo, com a área superficial de 1.045 ha 14 a 50 ca, situada no 1° distrito do município de Herval/RS, contendo algumas benfeitorias, pelo preço total de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) através de Promessa de Compra e Venda, conforme informado em Escritura Pública de Compra e Venda, Número Geral 34.620086, Livro n° 476 C Folha 151 do 2° Tabelionato de Notas de Pelotas, valor pelo qual vinha sendo declarado o imóvel na Declaração de Bens e Direitos do fiscalizado (R$ 500.000,00). O referido imóvel foi alienado em 06/08/2004, para VCP FLORESTAL S/A, pelo valor total de 2.299.319,00 (dois milhões,duzentos e noventa e nove mil ,trezentos e dezenove reais), conforme Escritura de Compra e Venda n° 065/34.171, Livro n° 74CVA, Folha n° 097 do 1° Tabelionato de Pelotas. O contribuinte apresentou em 27/04/2005, DIRPF 2005, quando efetuou o cálculo do Ganho de Capital sobre a citada operação utilizando como valor de alienação e custo de aquisição os valores de R$ 2.299.319,00 (dois milhões duzentos e noventa e nove mil trezentos e dezenove reais) e R$ 1.117.525,16 (hum milhão cento e dezessete mil quinhentos e vinte e cinco reais e dezesseis centavos) respectivamente . Em 14/03/2008, o contribuinte apresentou Declaração Retificadora para DIRPF 2005 onde utilizou R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) como valor de alienação e de custo de aquisição sobre a referida operação, calculando um Ganho de Capital igual a zero. Solicitou então, através da PERDCOMP n° 03740.08029.140308.2.2.041231, restituição do valor pago como Imposto sobre o Ganho de Capital. Fl. 175DF CARF MF 4 Baseado na documentação fornecida pelo próprio contribuinte em atendimento as intimações, foi constatado para a DIRPF 2005 original, uma apuração incorreta do custo de aquisição utilizado para a apuração do Ganho de Capital no valor de R$ 1.117.525,16 (Um milhão, cento e dezessete mil, quinhentos e vinte e cinco reais e dezesseis centavos). A Fiscalização considerou como o valor correto do custo de aquisição para o apuração do Ganho de Capital , o valor de R$500.000,00 (quinhentos mil reais) tendo em vista que considerase como custo aquisição o valor efetivo de aquisição constante da Promessa de Compra e Venda de R$ 500.000,00 (valor este também informado na DIRF 2003) e por ter o contribuinte apresentado documentos de despesas para comprovação dos gastos com benfeitorias que não foram considerados hábeis (conforme planilha). [...] Foi apresentado recibo de R$ 68.979,00, de 23 de agosto de 2004, a titulo de Comissão de Intermediação na Compra e Venda do Imóvel, valor que foi deduzido do preço de venda na composição da base de cálculo do Imposto sobre a Renda incidente sobre o ganho de capital resultante da operação. Desta forma, concluise que para a DIRPF 2005 Retificada em 14/03/2005 o valor correto do Ganho de Capital é de R$ 1.730.340,00 (hum milhão, setecentos e trinta mil e trezentos e quarenta reais), apurado pela diferença entre o valor de alienação (R$ 2.299.319,00), o valor da despesa de comissão (R$ 68.979,00) e o valor de aquisição (R$ 500.000,00).” Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 88/95), alegando, resumidamente, o que segue: (i) Erro na apuração do ganho de capital em virtude da falta de aplicação do fator de redução do artigo 37, da MP 252/2005; (ii) Mediante a documentação acostada aos autos, comprova as despesas que integram o custo de aquisição, quais sejam, serviços de alambramento, combustível para tratores e veículos de transporte, serviços de limpeza do campo, despesas com construção de manancial aquífero e imposto de transmissão pago quando da aquisição do imóvel; (iii) Aproveitamento do imposto recolhido a título de ganho de capital na forma e época próprias bem como o recolhimento do saldo do imposto e acréscimos legais que entende como devidos. Ao final, requereu a admissão da prova documental anexada assim como a produção de prova complementar das alegações se necessário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1049.422 da 8ª Turma da DRJ/POA, às fls. 118/124, julgando parcialmente procedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Recordese: Fl. 176DF CARF MF Processo nº 17698.000411/200943 Acórdão n.º 2401005.256 S2C4T1 Fl. 4 5 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 GANHO DE CAPITAL. Na apuração de ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens e direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 19/11/2014, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 136. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 138/151), reprisando os mesmos argumentos lançados em sua peça de impugnação e acrescentando, resumidamente, o que segue: (i) Serviços de Alambramento – Narra que o julgado contém gravíssima omissão de declinar o amparo legal da decisão. Limitase a dizer que a operação em questão só pode ser exercida por pessoa jurídica, mas não explicita em que disposição legal embasa a assertiva. Prossegue no sentido de que este Conselho não admite ato fiscal à míngua de fundamentação legal, considerando nulo o lançamento de imposto ao desabrigo de amparo legal. Cita jurisprudência para corroborar a suas alegações. Em seguida, afirma que está equivocada a qualificação da operação como venda mercantil, na medida em que não está declarada como tal e nada tem de aparência de que se trate de venda mercantil. A prova documental é uma nota fiscal de serviços. Esclarece que quando o serviço não é por tempo, mas por tarefa, é obrigatório que se caracterize como empreitada. (ii) Serviços de Limpeza de Campo – Mais uma vez o Recorrente reportase aos argumentos anteriormente expendidos, no sentido de que não pode haver restrição à forma de comprovação das benfeitorias, desde que seja realizada por documentos autênticos. Esclarece que as atividades contratadas de Geni Mauricio Saes são agrícolas por natureza, porque correspondem a preparação do solo para cultivo. Não se enquadram, por isso, como locação de máquinas, já que a essência da contratação está justamente na habilitação agrícola do contratado. Fl. 177DF CARF MF 6 (iii) Valor do Imposto de Transmissão Pago – Para comprovar o pagamento do imposto em referência, anexa novamente a escritura pública em questão, bem como a guia do imposto quitada. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 17698.000411/200943 Acórdão n.º 2401005.256 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 19/11/2014 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 136, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 15/12/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Inferese dos autos, que a Turma julgadora em primeira instância administrativa deu parcial provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte, considerando comprovadas algumas benfeitorias realizadas no imóvel alienado, objeto de apuração de ganho de capital. Quanto à parte mantida, sobre qual o Recorrente se insurge, passaremos a tratar separadamente conforme abaixo. 2.2. Dos serviços de alambramento. O Recorrente declarou despesas com serviços de alambramento o valor de R$ 253.598,00, conforme denotase das cópias das notas anexadas às fls. 66/68 e 112. De acordo com a decisão recorrida, os valores decorrentes das despesas com os custos dos materiais não foram aceitos, porquanto “a atividade de ‘venda material’ deve ser exercida por pessoa jurídica, devidamente cadastrada no cadastro nacional de pessoa jurídica, com emissão de documento próprio para essa atividade e não por pessoa física”. Dessa forma, entenderam os julgadores a quo que “somente a parte relativa à despesa com prestação de serviço pode ser aceita (...)”. Inconformado, o Recorrente se insurge no sentido de que a decisão recorrida limitase a dizer que a operação em questão só pode ser exercida por pessoa jurídica, mas não explicita em que disposição legal embasa a assertiva. Prossegue no sentido de que este Conselho não admite ato fiscal à míngua de fundamentação legal, considerando nulo o lançamento de imposto ao desabrigo de amparo legal. Em seguida, afirma que está equivocada a qualificação da operação como venda mercantil, na medida em que não está declarada como tal e nada tem de aparência de que Fl. 179DF CARF MF 8 se trate de venda mercantil. A prova documental é uma nota fiscal de serviços. Esclarece que quando o serviço não é por tempo, mas por tarefa, é obrigatório que se caracterize como empreitada. Entendo que razão assiste ao Recorrente. Com efeito, o artigo 1º, § 1º, alínea “b”, da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994 estabelece o seguinte: “Art. 1º A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. § 1º O disposto neste artigo também alcança: a) a locação de bens móveis e imóveis; b) quaisquer outras transações realizadas com bens e serviços, praticadas por pessoas físicas ou jurídicas.” Pela leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que não há qualquer impedimento que para que a pessoa física emita nota fiscal relativa à transações com bens e serviços. Dessa forma, a respeitável decisão recorrida merece reforma para que a parte relativa aos custos dos materiais sejam considerados como benfeitorias no imóvel alienado, devendo, pois, ser considerado a integralidade dos valores constantes das notas fiscais de fls. 66/68 e 112, ou seja, R$ 212.310,00 (duzentos e doze mil trezentos e dez reais). 2.3. Dos serviços de limpeza de campo. O Recorrente afirma ter realizado despesas com serviços de máquinas agrícolas com descapoeiramento, desenraizamento e limpeza de campo, no valor total de R$ 216.000,00, prestados por Geni Maurício Saes, regularmente inscrito no cadastro de pessoas físicas sob nº 191.740.80059, e que, tanto a fiscalização quanto a DRJ de origem rejeitaram a despesa pelo fato de que a comprovação ocorreu mediante a apresentação de Notas Fiscais de Produtor Rural com a descrição dos serviços. Com a mais respeitosa licença aos julgadores de primeira instância, entendo que o decisum recorrido merece reforma, pelos mesmos motivos expostos no item anterior. Compulsandose as notas fiscais de fls. 75/80, é possível notar que os serviços prestados por Geni Maurício Saes (CPF nº 191.740.80059) a Ubirajara da Rosa Crizel, referemse a “roçado”, “descapoeiramento” conforme destacado pelo Recorrente. Ademais, o fato de serem “Nota Fiscal de Produtor”, não as tornam inválidas para comprovação como meio hábil e idôneo para comprovar as despesas da prestação de serviços. Assim, reputo como válidas as notas fiscais de fls. 75/80, de modo a comprovar as despesas de serviços de limpeza de campo como benfeitorias, cujo montante atinge o valor de R$ 216.000,00 (duzentos e dezesseis mil reais). Fl. 180DF CARF MF Processo nº 17698.000411/200943 Acórdão n.º 2401005.256 S2C4T1 Fl. 6 9 2.4. Do valor do imposto de transmissão. Por fim, com fundamento no artigo 17, inciso I, letra “e”, da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 o autuado requer que seja acrescido ao custo de aquisição o valor de R$ 10.032,00, relativos ao imposto de transmissão constante na escritura pública anexada aos autos. A decisão recorrida verificou que a cópia da escritura pública anexada às fls. 57 não faz referência quanto ao valor do imposto pago. Assim, devido a falta da efetiva comprovação do valor pago, deixou de acolher o pedido do contribuinte. Em seu recurso, e com o intuito de comprovar o pagamento do imposto em referência, o Recorrente anexa novamente a escritura pública em questão (fls. 161/164), bem como a guia do imposto quitada (165/167). Diz o artigo 17, inciso I, alínea “e”, da Instrução Normativa SRF nº 84/2001: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; Assim, tendo em vista que o Recorrente comprova o custo de R$ 10.032,00 referente ao pagamento do imposto sobre a transmissão de bens imóveis e de direitos a eles relativos (ITBI), o recurso comporta provimento, também neste ponto. Fl. 181DF CARF MF 10 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para integrar o custo de aquisição as despesas ora deferidas no valor de R$ 438.342,00 ( quatrocentos e trinta e oito reais e trezentos e quarenta e dois reais, nos termos do voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001844/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
Numero da decisão: 2201-004.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.001844/2009-41
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848846
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.270
nome_arquivo_s : Decisao_10380001844200941.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIONE JESABEL WASILEWSKI
nome_arquivo_pdf_s : 10380001844200941_5848846.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7188084
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007802740736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 5.205 1 5.204 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.001844/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.270 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CORPVS CORPO DE VIGILANTES PARTICULARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 44 /2 00 9- 41 Fl. 5205DF CARF MF 2 EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 5190/5203) apresentado em face do Acórdão nº 0359.703, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 5150/5161), que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo (fls. 1261/1267) ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo às contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social e ao financiamento de benefícios concedidos em virtude do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho Gilrat, incidentes sobre a remuneração dos empregados, aferida com base no valor dos serviços de vigilância e de transporte de valores prestados pela fiscalizada através de seus estabelecimentos matriz e filiais de Fortaleza e Recife (AIOP 37.209.9602 fls. 2/90). Segundo o relatório da fiscalização (fls. 81/90), foi aferida a remuneração dos empregados com base na receita obtida através da prestação de serviços de vigilância e de transporte de valores, tendo sido aplicado o percentual de 40% (quarenta por cento) sobre o valor primeira e de 20% (vinte por cento) sobre o valor da segunda. Do resultado dessa apuração, teriam sido deduzidas as remunerações constantes nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa, e sobre o valor assim obtido (diferença) foram aplicadas as alíquotas de 20% (contribuição básica patronal) e de 3% (Gilrat). A aferição indireta realizada teria por base legal o art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, e os arts. 600, I, e 603 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005. O fundamento fático para esse procedimento seria a não apresentação de parte dos livros e dos documentos solicitados pela fiscalização através de termos de intimação, bem como por ter deixado de prestar informações contábeis, financeiras e cadastrais de interesse da Receita Federal do Brasil, condutas que teriam justificado a imposição de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias (AIOA nº 37.165.7568 e 37.165.7571). Em benefício da clareza, transcrevo abaixo trecho do relatório fiscal onde são detalhadas as irregularidades apuradas pela fiscalização: • Não foram apresentados os livros Razão referentes aos exercícios de 2005 e de 2006. • Nos livros Diários apresentados, verificouse a existência de lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis, manutenção de veículos, material de escritório, material utilizado no serviço, viagens, cestas básicas, sem referência a documento fiscal, conforme cópias xerográficas em anexo. • A partir de 2005, o histórico das despesas acima citadas passou a referenciar o número do documento fiscal. Por se tratarem de despesas de valor elevado, principalmente no que Fl. 5206DF CARF MF Processo nº 10380.001844/200941 Acórdão n.º 2201004.270 S2C2T1 Fl. 5.206 3 tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado no serviço, e por terem sido anteriormente escrituradas sem referência A nota fiscal, concluiuse quanto à indispensabilidade do exame de alguns desses comprovantes no sentido de determinar se tais gastos se referiam efetivamente à finalidade consignada nos títulos contábeis. • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas escrituradas, apenas parte dos mesmos foi apresentada à fiscalização, tendo os comprovantes sido retidos e posteriormente, apreendidos. • Os documentos fiscais apresentados pela empresa continham indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce e numeração de notas apostas com numerador manual. • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração e relativas aos mesmos períodos das apresentadas pela CORPVS. • Examinadas as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, verificouse que: • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este cliente ou sequer tinham sido emitidas ainda pelo fornecedor; • tanto as datas de emissão das Notas quanta os valores das mesmas eram diferentes das contidas nas apresentadas pela CORPVS; • o layout das Notas apresentadas pelos fornecedores não era compatível com o das vias encontradas na CORPVS. • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará acerca das empresas para quem teriam sido emitidas as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais AIDF, constatouse que as Autorizações constantes das Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS como sendo de seus fornecedores foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas. • Foi solicitada ainda a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará a identificação dos contribuintes para quem foram emitidas a Autorizações para Impressão dos Selos apostos em Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso verificouse terem sido as Autorizações emitidas para empresas diferentes daquelas constantes das Notas apresentadas pela CORPVS. • Tais constatações determinaram a conclusão quanto A apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese de crime de falsificação de documento público, conforme previsto no art. 297 do DecretoLei 2.848/40 Código Penal. Fl. 5207DF CARF MF 4 • No caso dos selos apostos nas Notas Fiscais, deve ser levantada a tese de crime de falsificação de papéis públicos, conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal. Pelos fatos acima narrados, foi realizada aferição indireta tendo por base valores de venda de serviços escriturados nas contas que são identificadas no item 3.4 do relatório fiscal. O lançamento foi impugnado pelo sujeito passivo, o que deu origem ao Acórdão ora atacado, que foi precedido da realização de duas diligências determinadas pela autoridade julgadora de 1ª instância (fls. 4159/4162 e 4137/4141) para fins de averiguação de irregularidades apontadas pela impugnante nos cálculos realizados pela fiscalização. Realizados os ajustes determinados pela DRJ (fls. 5129/5133), foi proferida decisão consubstanciada em documento que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. VERDADE MATERIAL. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização, no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. LANÇAMENTO. IRREGULARIDADE, INCORREÇÕES OU OMISSÕES. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do PAF não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 5208DF CARF MF Processo nº 10380.001844/200941 Acórdão n.º 2201004.270 S2C2T1 Fl. 5.207 5 Tendo tomado ciência dessa decisão em 24/07/2014 (fls. 5188), o sujeito passivo apresentou tempestivamente seu recurso voluntário (fls. 5190/52033) em 13/08/2014. Em suas razões recursais, alega, em síntese, que: 1. As deficiências apontadas pela fiscalização limitamse à contabilização de notas fiscais tidas como inidôneas e a falta de apresentação dos Livros Razão de 2005 e 2006. 2. Como foi apresentada toda a documentação relacionada a apuração da contribuição previdenciária, o lançamento por aferição indireta é nulo, por vício formal, uma vez que lhe faltou fundamentação legal. 3. Há também nulidade por vício material, uma vez que restaram demonstrados vários erros na apuração da base de cálculo. 4. As competências anteriores a abril de 2014 já se encontravam atingidas pela decadência quando o lançamento foi realizado. 5. É inconstitucional e ilegal o arbitramento das contribuições previdenciárias com base no faturamento. 6. A presunção utilizada deve ceder diante da verdade material. A recorrente apresentou documentos capazes de elidir a presunção fustigada demonstrando o montante real da remuneração paga aos seus empregados e contribuintes individuais. 7. A decisão de piso errou ao determinar que fossem deduzidos dos valores apurados por aferição indireta apenas as folhas de pagamento dos empregados diretamente ligados à prestação dos serviços, pois este procedimento não é razoável e nem proporcional. 8. Como o lançamento se reporta a fatos geradores anteriores a dezembro de 2008, entende que a multa deve se limitar à multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Pelas razões expostas acima, pede a reforma da decisão de primeira instância para que seja cancelado o lançamento materializado no AIOP nº 37.209.9602. Chegando a este Colegiado, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Fl. 5209DF CARF MF 6 Inicialmente, registro que, com base no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235, de 1972, deixarei de analisar as preliminares (nulidade por vício formal) e prejudiciais de mérito (decadência), pelas razões que serão evidenciadas a seguir. O lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Instrução Normativa SRP nº 3, de 1995 Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II cinqüenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Parágrafo único. Nos serviços de limpeza, de transporte de cargas e de passageiros e nos de construção civil, que envolvam utilização de equipamentos, a remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior aos respectivos percentuais previstos nos arts. 602, 603 e 605. (...) Art. 603. Na operação de transporte de cargas ou de passageiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços não poderá ser inferior a vinte por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, observado, quanto ao transporte de cargas, o disposto no inciso V do art. 176. Compulsandose a IN SRP nº 3, de 2005, vêse que os fatos que autorizavam a utilização desse mecanismo de apuração da base de cálculo estavam descritos no artigo que é abaixo reproduzido: Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração Fl. 5210DF CARF MF Processo nº 10380.001844/200941 Acórdão n.º 2201004.270 S2C2T1 Fl. 5.208 7 dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. Pela redação desse dispositivo, vêse que ele estabelece uma modalidade presumida de apuração da base de cálculo dos tributos, que deve ser adotada em circunstâncias bastante peculiares, quando a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados, ou a receita, ou o faturamento ou o lucro; quando há recusa na apresentação de documentos, sonegação de informações ou apresentação insuficiente; ou ainda quando as informações prestadas não merecerem fé. Apenas a constatação de uma das circunstâncias listadas acima autoriza o emprego do expediente excepcional, contudo, mesmo no contexto da identificação de um desses fatos, penso ser necessário haver uma relação de prejudicialidade entre as irregularidades constatadas e a matéria objeto de investigação fiscal e de autuação. Para que se revista de legitimidade, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Fl. 5211DF CARF MF 8 Com isso se quer dizer que o arbitramento que se faz através de aferição indireta não é uma prerrogativa da fiscalização a ser utilizada conforme juízos de conveniência e oportunidade, mas uma via estreita cujo acesso só é permitido em circunstâncias perfeitamente delimitadas pela legislação e comprovadas dentro do processo através da linguagem adequada, seja através da narrativa empreendida no relatório fiscal, seja através de provas. É elemento necessário dessa fundamentação, a demonstração do nexo causal entre as irregularidades verificadas e a impossibilidade de apuração do tributo pelos meios ordinários estabelecidos na legislação tributária. Nessa esteira, tratandose de tributos que têm por base a folha de pagamentos, a aferição indireta baseada no art. 597, I, da IN SRF nº 3, de 2005, por exemplo, estaria justificada pela demonstração de que a "contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço", pois é esta grandeza que se está a quantificar no procedimento de fiscalização. Ou então, seria necessário comprovar a recusa na prestação de informações ou documentos relativos à remuneração dos empregados, o que legitimaria a aferição indireta com suporte no art. 597, II. Estabelecida essa premissa, vêse que o auto de infração em análise descreve irregularidades de duas ordens: não apresentação do livro razão 2005 e 2006 e contabilização de despesas suportadas por documentação fiscal inidônea. Quanto às notas inidôneas, a autoridade fiscal apresenta as seguintes informações: 6.1. No curso do procedimento de fiscalização junto ao contribuinte em referência, verificouse a existência de diversas despesas lançadas sem referência a documento fiscal no histórico dos lançamentos, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Em face de tal constatação foi solicitada a apresentação das notas fiscais que embasaram os citados lançamentos os quais diziam respeito A aquisição de fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral. 6.2. A partir do segundo semestre de 2005 e em 2006, os lançamentos verificados nas mesmas contas referenciavam os documentos fiscais, mas foram solicitados também tais comprovantes para esclarecer a natureza das despesas efetuadas. Nas contas que registravam despesas referentes a fardamento, em face dos valores elevados nelas escriturados, foram solicitados os comprovantes de despesas mesmo quando os históricos dos lançamentos referenciavam as notas fiscais. 6.3. A empresa sob fiscalização apresentou parte dos documentos fiscais solicitados, conforme Termos de Constatação e de Retenção anexados ao AIOP n° DEBCAD 37.209.960 2, tendo sido detectados indícios de que tais notas poderiam ser falsas. No sentido de determinar a autenticidade dos mesmos, solicitouse à Secretaria da Fazenda do Estado do Ceara a confirmação da emissão de autorizações para impressão tanto das referidas Notas Fiscais quanto dos selos e foram intimados os fornecedores que teriam emitido os documentos fiscais apresentados pela Corpvs. Fl. 5212DF CARF MF Processo nº 10380.001844/200941 Acórdão n.º 2201004.270 S2C2T1 Fl. 5.209 9 Já em relação à ausência do livro razão, destaco o seguinte trecho do relatório: 6.5. Relativamente aos exercícios de 2005 e 2006, a empresa não apresentou os Livros Razão. Em face de tal omissão todos os valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de saláriomaternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia. 6.6. Tal foi também o procedimento para verificar as despesas constantes das contas acima referenciadas, para as quais, em muitos lançamentos, inexistia referência a documento fiscal. A partir desses excertos, entendo correto afirmar que não restou evidenciado como o registro de despesas com "fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral" sem a correspondente documentação fiscal comprometeria a integridade das informações constantes das folhas de pagamento. Embora seja possível a existência de uma vinculação entre essas despesas, ela não foi demonstrada pela narrativa construída pela autoridade fiscal. Da mesma forma, a ausência do livro razão não parece justificar que se negue fé aos documentos e registros que espelham as remunerações pagas, até porque, conforme explicita a própria fiscalização "todos os valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de salário maternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia". Ou seja, parte dos levantamentos foram feitos com base no livro diário e parte com base nos valores escriturados, como revela o item 3.4 do relatório fiscal. Além disso, como resultado do mesmo procedimento fiscal foram realizados lançamentos com base nas folhas de pagamento da empresa, o que pode ser verificado no processo nº 10380.001829/200901. Esses fatos revelam uma conduta contraditória da autoridade fiscal, que nega credibilidade aos documentos apresentados pela empresa ao mesmo tempo em que se vale deles. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 2401 02.161, de lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não Fl. 5213DF CARF MF 10 refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Fl. 5214DF CARF MF Processo nº 10380.001844/200941 Acórdão n.º 2201004.270 S2C2T1 Fl. 5.210 11 Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem com a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãoobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Também no caso sob análise a narrativa apresentada pelo relatório fiscal não evidencia a negativa de prestação de informações/documentos relacionados à remuneração, não restando demonstrada a impossibilidade de apuração dessa grandeza com base na documentação do sujeito passivo. Muito pelo contrário, em diversas oportunidades evidencia se que foi essa documentação utilizada pela fiscalização sem dificuldades maiores que a análise diaadia do livro diário. Merece registro que o Acórdão recorrido faz menção a irregularidades que tangenciam o objeto da fiscalização tal como defendido neste voto no seguinte trecho: No presente caso, a empresa deixou de apresentar os Livros Razão dos exercícios de 2005 e 2006, bem como os contratos de prestação de serviços firmados com empresas tomadoras de serviços, tendo recebido o Auto de Infração 37.165.7563, cuja impugnação da empresa foi julgada improcedente por esta 5a turma de julgamento, por meio do Acórdão 0343.905, de 05/07/2011.(grifouse) Apesar dessa menção na decisão de piso, que trata de irregularidade no atendimento à fiscalização que poderia reforçar as suas motivações para a medida empregada, não encontro no relatório fiscal e na documentação que foi juntada a esse processo a adequada representação desse fato, ou seja, ele não foi convertido em linguagem apta a fazer prova em favor das pretensões da Fazenda Pública. Com efeito, a autoridade fiscal concentrou seus esforços em demonstrar que a empresa registrou despesas com notas de duvidosa procedência. Contudo, a comprovação de que despesas diferentes da remuneração de empregados foram registradas sem os respectivos documentos fiscais poderia justificar a aferição indireta de tributos que tenham por base o lucro, mas não é motivação idônea para a adoção desse procedimento em relação a tributos que incidem sobre a remuneração de empregados. Quando mais não se produziu um único indício ou prova de que os valores contabilizados a esse título não são merecedores de fé. Fl. 5215DF CARF MF 12 Em consequência, entendo inadequado o critério jurídico utilizado pela autoridade fiscal para fins de apuração da base de cálculo tributável, razão pela qual o lançamento realizado encontrase maculado por vício de ordem material. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, darlhe integral provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 5216DF CARF MF
score : 1.0
