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Numero do processo: 10650.900801/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Reproduzo o relatório da Resolução 1402-000.235: Trata-se de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 09­42.267 da 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida: A requerente transmitiu a Declaração de Compensação - Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.02-9240 utilizando parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, composto por IRRF no valor de R$7.200.000,00. Posteriormente apresentou a Dcomp 12711.53465.300606.1.3.02-9120, informando as demais antecipações, representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram para a formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o montante compensado de R$19.384.740,22. A requerente, ainda utilizando o crédito acima referido, transmitiu as seguintes declarações de compensação: 13114.75121.220206.1.3.02-6930, 26190.00143.300306.1.3.02-7825, 37079.37262.280406.1.3.02-2707, 24830.98820.300606.1.3.02-7257, 06442.11163.271206.1.3.02-6907, 41967.08034.29010.1.7.02-0807, 23041.51497.290607.1.3.02-7183, 12462.42250.070807.1.7.02-0307, 38722.19923.100907.1.3.02-0950, 22521.22508.140907.1.3.02-3850, 31401.06261.280907.1.3.02-5333 e 40390.10582.240108.1.7.02-7715. A DRF/UBERABA/MG, em 01/03/2011, emitiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 4, posteriormente revisto de ofício por intermédio do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu: Com base nos fatos e fundamentos acima expendidos, decido: 1) Anular a decisão veiculada pelo despacho decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n° 913279257; 2) Reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela VALE FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/0001-58, no valor originário de R$ 16.753.034,96 (dezesseis milhões, setecentos e cinquenta e três mil, trinta e quatro reais e noventa e seis centavos), relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no ano-calendário 2005, exercício 2006; e 3) Homologar as compensações realizadas pelo contribuinte com utilização do referido crédito até o limite em que as contas se encontrarem. A contribuinte teve ciência do acima decidido em 26/12/2012, fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 314 a 323, na qual: A despeito de as receitas de aplicações financeiras serem apropriadas segundo o regime de competência, o IRRF é aproveitado segundo o regime de caixa, ou seja, seu aproveitamento só ocorre no momento da disponibilidade econômica, quer dizer, de seu resgate. Sendo a obrigação fiscal é ex lege, e não decorrente da vontade das partes, não pode o Fisco amparar suas conclusões exclusivamente no cruzamento eletrônico de informações, eivadas de erro ou não, mas na verificação das circunstâncias de fato que a configura (ou que ensejam o crédito fiscal, na hipótese dos autos), sob pena de manifesta ofensa aos artigos 150,1, da CR/88, 3o e 142 do Código Tributário Nacional. É dizer, o que importa é a materialidade do crédito, e não a sua representação formal (declarações do contribuinte). Conforme explanado, a turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada foi cientificada da decisão em 31 de janeiro de 2013 (fl. 364), apresentando recurso voluntário de fls. 367-373 em 04 de março de 2013. Em resumo, aduz que as receitas financeiras que deram origem à retenção de imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela delegacia de origem, quanto pela decisão recorrida, como sendo valores não oferecidos à tributação teria origem na diferença de tratamento contábil entre as receitas financeiras e a retenção de imposto: enquanto as receitas são reconhecidas pelo regime de competências, a retenção do imposto se dá pelo regime de caixa. Conclui, assim, que o montante de receitas financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no ano-calendário de 2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista tratarem-se de investimentos de longo prazo. Anexou às fl. 376-396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em questão. Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido: O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se conhece. A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que nem toda receita financeira foi oferecida à tributação. Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis com a situação fática apresentada. Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato, incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores. Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano-calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Após elaborar relatório circunstanciado com suas conclusões, a autoridade fiscal deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifeste-se sobre seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornem-se os autos para julgamento. Por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 848-852, destaco excertos da manifestação da autoridade fiscal responsável pelo procedimento: O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para atendimento integral (fls. 555-567): - planilhas contendo justificativas para os lançamentos a débito realizados em2005 nas contas contábeis: 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações,3503002 – Receita Financeira – Mútuo e 3503005 – Receitas Financeiras deOutras Aplicações; - controles internos da empresa que embasam os lançamentos contábeis realizadosnas contas 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – ReceitasFinanceiras de Outras Aplicações; e - arquivos digitais de registros contábeis dos anos de 2004 e 2005.Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de resposta ou qualquer justificativa, foi lavrado o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal em 12/07/2016, com ciência por via postal em 18/07/2016, contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577-581). [...] Da análise, realizada por amostragem, dos registros contábeis e dos documentos apresentados verificou-se que o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 – Receita Financeira – Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo. Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade.Verificou-se, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeisdesacompanhado da documentação que os respalda. Da análise, realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, conclui-se que o contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005. Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada: [...] 9. Pois bem, a partir da leitura do “Termo de Encerramento de Diligência”,depreende-se que os argumentos explanados pela ora Suplicante em seu RecursoVoluntário estão inequivocamente comprovados, o que torna forçoso concluir pelainsubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos. 10. O argumento adotado pela RFB para negar, parcialmente, o direitocreditório - e confirmado pela r. decisão recorrida - consiste no fato de que a Recorrente, supostamente, não ter oferecido à tributação parte da receita decorrente de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF que compôs o saldo negativo pleiteado). Esta constatação derivaria da simples constatação, pela auditoria fiscal, de estornos realizados pela Suplicante na conta contábil pertinente às aplicações financeiras em tela, de tal sorte que o saldo respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação. 11. Por seu turno, a síntese dos argumentos de defesa é de que os rendimentosproduzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado ano-calendário e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento dareceita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto oIRRF só é utilizável no momento da disponibilidade financeira da receita, ou seja,quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação. 12. Pois bem. No “Termo de Encerramento de Diligência”, a i. Autoridadeconsignou que, em que pese a “falta de parte dos documentos bancários”, teve em mãos elementos suficientes para confirmar que: (i) “... o contribuinte registrou, em observância ao regime decompetência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valortotal, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras deAplicações e 3503005 - Receitas Financeiras de Outras Aplicações,e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitasrealizados nessas contas de resultado no mês subsequente ao dolançamento. Na conta 3503003 - Receita Financeira - Mútuo, foipossível verificar os lançamentos das receitas de juros nasoperações de mútuo.”;(ii) “Quando do efetivo regime das aplicações, registrou nacontabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de formaindividualizada para cada operação, de forma que todos osrendimentos constantes da DIRF/2005 foram registrados nacontabilidade.”. 13. Prosseguindo em suas constatações, também em relação ao exercício de2004, confirmou a i. Autoridade a premissa de que as receitas financeiras da oraSuplicante restaram devidamente submetidas à tributação indicando que “da análiserealizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informaçõesconstantes da Dirf/2004, conclui-se que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática deregistro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005”. 14. É de ver, pois, o Fisco, ao proferir o Despacho Decisório, sequer se ocupouem examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a patente insubsistência do v. acórdão recorrido. 15. Noutro giro, a par da certificação da i. Autoridade quanto à utilização da“mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira”em exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que devenortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadoratodos os elementos necessários para a apreciação da questão posta nos autos, a Suplicante requer a juntada da anexa documentação de registro contábil de ano de 2003, requerendo, desde já, seja essa, também, objeto de análise pela i. auditoria fiscal. É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida: A requerente transmitiu a Declaração de Compensação - Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.02-9240 utilizando parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, composto por IRRF no valor de R$7.200.000,00. Posteriormente apresentou a Dcomp 12711.53465.300606.1.3.02-9120, informando as demais antecipações, representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram para a formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o montante compensado de R$19.384.740,22. A requerente, ainda utilizando o crédito acima referido, transmitiu as seguintes declarações de compensação: 13114.75121.220206.1.3.02-6930, 26190.00143.300306.1.3.02-7825, 37079.37262.280406.1.3.02-2707, 24830.98820.300606.1.3.02-7257, 06442.11163.271206.1.3.02-6907, 41967.08034.29010.1.7.02-0807, 23041.51497.290607.1.3.02-7183, 12462.42250.070807.1.7.02-0307, 38722.19923.100907.1.3.02-0950, 22521.22508.140907.1.3.02-3850, 31401.06261.280907.1.3.02-5333 e 40390.10582.240108.1.7.02-7715. A DRF/UBERABA/MG, em 01/03/2011, emitiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 4, posteriormente revisto de ofício por intermédio do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu: Com base nos fatos e fundamentos acima expendidos, decido: 1) Anular a decisão veiculada pelo despacho decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n° 913279257; 2) Reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela VALE FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/0001-58, no valor originário de R$ 16.753.034,96 (dezesseis milhões, setecentos e cinquenta e três mil, trinta e quatro reais e noventa e seis centavos), relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no ano-calendário 2005, exercício 2006; e 3) Homologar as compensações realizadas pelo contribuinte com utilização do referido crédito até o limite em que as contas se encontrarem. A contribuinte teve ciência do acima decidido em 26/12/2012, fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 314 a 323, na qual: A despeito de as receitas de aplicações financeiras serem apropriadas segundo o regime de competência, o IRRF é aproveitado segundo o regime de caixa, ou seja, seu aproveitamento só ocorre no momento da disponibilidade econômica, quer dizer, de seu resgate. Sendo a obrigação fiscal é ex lege, e não decorrente da vontade das partes, não pode o Fisco amparar suas conclusões exclusivamente no cruzamento eletrônico de informações, eivadas de erro ou não, mas na verificação das circunstâncias de fato que a configura (ou que ensejam o crédito fiscal, na hipótese dos autos), sob pena de manifesta ofensa aos artigos 150,1, da CR/88, 3o e 142 do Código Tributário Nacional. É dizer, o que importa é a materialidade do crédito, e não a sua representação formal (declarações do contribuinte). Conforme explanado, a turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada foi cientificada da decisão em 31 de janeiro de 2013 (fl. 364), apresentando recurso voluntário de fls. 367-373 em 04 de março de 2013. Em resumo, aduz que as receitas financeiras que deram origem à retenção de imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela delegacia de origem, quanto pela decisão recorrida, como sendo valores não oferecidos à tributação teria origem na diferença de tratamento contábil entre as receitas financeiras e a retenção de imposto: enquanto as receitas são reconhecidas pelo regime de competências, a retenção do imposto se dá pelo regime de caixa. Conclui, assim, que o montante de receitas financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no ano-calendário de 2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista tratarem-se de investimentos de longo prazo. Anexou às fl. 376-396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em questão. Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido: O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se conhece. A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que nem toda receita financeira foi oferecida à tributação. Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis com a situação fática apresentada. Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato, incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores. Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano-calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Após elaborar relatório circunstanciado com suas conclusões, a autoridade fiscal deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifeste-se sobre seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornem-se os autos para julgamento. Por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 848-852, destaco excertos da manifestação da autoridade fiscal responsável pelo procedimento: O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para atendimento integral (fls. 555-567): - planilhas contendo justificativas para os lançamentos a débito realizados em2005 nas contas contábeis: 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações,3503002 – Receita Financeira – Mútuo e 3503005 – Receitas Financeiras deOutras Aplicações; - controles internos da empresa que embasam os lançamentos contábeis realizadosnas contas 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – ReceitasFinanceiras de Outras Aplicações; e - arquivos digitais de registros contábeis dos anos de 2004 e 2005.Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de resposta ou qualquer justificativa, foi lavrado o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal em 12/07/2016, com ciência por via postal em 18/07/2016, contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577-581). [...] Da análise, realizada por amostragem, dos registros contábeis e dos documentos apresentados verificou-se que o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 – Receita Financeira – Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo. Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade.Verificou-se, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeisdesacompanhado da documentação que os respalda. Da análise, realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, conclui-se que o contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005. Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada: [...] 9. Pois bem, a partir da leitura do “Termo de Encerramento de Diligência”,depreende-se que os argumentos explanados pela ora Suplicante em seu RecursoVoluntário estão inequivocamente comprovados, o que torna forçoso concluir pelainsubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos. 10. O argumento adotado pela RFB para negar, parcialmente, o direitocreditório - e confirmado pela r. decisão recorrida - consiste no fato de que a Recorrente, supostamente, não ter oferecido à tributação parte da receita decorrente de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF que compôs o saldo negativo pleiteado). Esta constatação derivaria da simples constatação, pela auditoria fiscal, de estornos realizados pela Suplicante na conta contábil pertinente às aplicações financeiras em tela, de tal sorte que o saldo respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação. 11. Por seu turno, a síntese dos argumentos de defesa é de que os rendimentosproduzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado ano-calendário e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento dareceita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto oIRRF só é utilizável no momento da disponibilidade financeira da receita, ou seja,quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação. 12. Pois bem. No “Termo de Encerramento de Diligência”, a i. Autoridadeconsignou que, em que pese a “falta de parte dos documentos bancários”, teve em mãos elementos suficientes para confirmar que: (i) “... o contribuinte registrou, em observância ao regime decompetência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valortotal, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras deAplicações e 3503005 - Receitas Financeiras de Outras Aplicações,e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitasrealizados nessas contas de resultado no mês subsequente ao dolançamento. Na conta 3503003 - Receita Financeira - Mútuo, foipossível verificar os lançamentos das receitas de juros nasoperações de mútuo.”;(ii) “Quando do efetivo regime das aplicações, registrou nacontabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de formaindividualizada para cada operação, de forma que todos osrendimentos constantes da DIRF/2005 foram registrados nacontabilidade.”. 13. Prosseguindo em suas constatações, também em relação ao exercício de2004, confirmou a i. Autoridade a premissa de que as receitas financeiras da oraSuplicante restaram devidamente submetidas à tributação indicando que “da análiserealizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informaçõesconstantes da Dirf/2004, conclui-se que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática deregistro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005”. 14. É de ver, pois, o Fisco, ao proferir o Despacho Decisório, sequer se ocupouem examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a patente insubsistência do v. acórdão recorrido. 15. Noutro giro, a par da certificação da i. Autoridade quanto à utilização da“mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira”em exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que devenortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadoratodos os elementos necessários para a apreciação da questão posta nos autos, a Suplicante requer a juntada da anexa documentação de registro contábil de ano de 2003, requerendo, desde já, seja essa, também, objeto de análise pela i. auditoria fiscal. É o relatório.

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1301­000.474  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  20 de fevereiro de 2018  Assunto  Diligência  Recorrente  VALE FERTILIZANTES S/A (sucessora de FERTILIZANTES  FOSFATADOS S/A FOSFÉRTIL)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Roberto  Silva  Júnior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de  Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 50 .9 00 80 1/ 20 10 -5 6 Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10650.900801/2010­56  Resolução nº  1301­000.474  S1­C3T1  Fl. 1.024            2 Relatório  Reproduzo o relatório da Resolução 1402­000.235:  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 09­42.267 da 1ª  Turma da DRJ/JFA que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela interessada.  Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida:  A  requerente  transmitiu  a  Declaração  de  Compensação  ­  Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.02­9240 utilizando parte do  crédito de  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano  calendário  de  2005,  composto  por  IRRF  no  valor  de  R$7.200.000,00.  Posteriormente  apresentou  a  Dcomp  12711.53465.300606.1.3.02­9120,  informando  as  demais  antecipações,  representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram  para a  formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o  montante compensado de R$19.384.740,22.  A  requerente,  ainda  utilizando  o  crédito  acima  referido,  transmitiu  as  seguintes  declarações  de  compensação:  13114.75121.220206.1.3.02­6930,  26190.00143.300306.1.3.02­7825,  37079.37262.280406.1.3.02­2707,  24830.98820.300606.1.3.02­7257,  06442.11163.271206.1.3.02­6907,  41967.08034.29010.1.7.02­0807,  23041.51497.290607.1.3.02­7183,  12462.42250.070807.1.7.02­0307,  38722.19923.100907.1.3.02­0950,  22521.22508.140907.1.3.02­3850,  31401.06261.280907.1.3.02­5333 e 40390.10582.240108.1.7.02­7715.  A  DRF/UBERABA/MG,  em  01/03/2011,  emitiu  o  Despacho  Decisório Eletrônico de  fl.  4,  posteriormente  revisto de ofício por  intermédio  do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu:  Com  base  nos  fatos  e  fundamentos  acima  expendidos, decido:   1)  Anular  a  decisão  veiculada  pelo  despacho  decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n°  913279257;   2)  Reconhecer  parcialmente  o  direito  creditório  pleiteado  pela  VALE  FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/0001­ 58,  no  valor  originário  de  R$  16.753.034,96  (dezesseis  milhões,  setecentos  e  cinquenta  e  três mil,  trinta  e quatro  reais e noventa e  seis  centavos),  relativo  ao  saldo  negativo  do  IRPJ  apurado  no  ano­calendário  2005,  exercício  2006;  e  3)  Homologar  as  compensações  realizadas pelo contribuinte com utilização do  referido  crédito  até  o  limite  em  que as  contas  se encontrarem.  A contribuinte  teve ciência do acima decidido em 26/12/2012,  fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls.  314 a 323, na qual:  Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10650.900801/2010­56  Resolução nº  1301­000.474  S1­C3T1  Fl. 1.025            3 A  despeito  de  as  receitas  de  aplicações  financeiras  serem  apropriadas  segundo  o  regime de  competência,  o  IRRF é aproveitado  segundo  o  regime  de  caixa,  ou  seja,  seu  aproveitamento  só  ocorre  no  momento  da  disponibilidade  econômica,  quer  dizer,  de  seu  resgate.  Sendo  a  obrigação  fiscal  é  ex  lege,  e  não  decorrente da  vontade das partes,  não pode o  Fisco amparar suas conclusões exclusivamente  no  cruzamento  eletrônico  de  informações,  eivadas de erro ou não, mas na verificação das  circunstâncias de fato que a configura (ou que  ensejam  o  crédito  fiscal,  na  hipótese  dos  autos),  sob  pena  de  manifesta  ofensa  aos  artigos  150,1,  da CR/88,  3o  e  142  do Código  Tributário Nacional.  É  dizer,  o  que  importa  é  a  materialidade  do  crédito,  e  não  a  sua  representação  formal  (declarações do contribuinte).  Conforme  explanado,  a  turma  julgadora  a  quo  julgou  improcedente  a  manifestação de inconformidade.  A  interessada  foi  cientificada  da  decisão  em  31  de  janeiro  de  2013  (fl.  364),  apresentando recurso voluntário de fls. 367­373 em 04 de março de 2013.  Em  resumo,  aduz  que  as  receitas  financeiras  que  deram  origem  à  retenção  de  imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela  delegacia  de  origem,  quanto  pela  decisão  recorrida,  como  sendo  valores  não  oferecidos  à  tributação  teria  origem  na  diferença  de  tratamento  contábil  entre  as  receitas  financeiras  e  a  retenção  de  imposto:  enquanto  as  receitas  são  reconhecidas  pelo  regime  de  competências,  a  retenção do  imposto  se dá pelo  regime de  caixa. Conclui,  assim, que o montante de  receitas  financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no ano­calendário de  2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista tratarem­se de investimentos de  longo prazo. Anexou às fl. 376­396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados  nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em  questão.  Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária  da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido:  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  dotado  dos  demais  pressupostos  de  admissibilidade, pelo que dele se conhece.  A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer  receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência  (regra  geral),  os  valores  registrados  de  receitas  financeiras  no  ano  de  resgate  das  aplicações  diverge  do  valor  da  receita  financeira  informado  pelas  instituições  financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos  anteriores  teria a  autoridade  fiscal  concluído  que  toda  a  receita  financeira  a que  se  refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em  períodos anteriores ao do resgate.  Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10650.900801/2010­56  Resolução nº  1301­000.474  S1­C3T1  Fl. 1.026            4 A  decisão  recorrida,  por  sua  vez,  concluiu  que  nem  toda  receita  financeira  foi  oferecida à tributação.  Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis  com a situação fática apresentada.  Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato,  incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores.  Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja  analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano­ calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em  períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência.  Após  elaborar  relatório  circunstanciado  com  suas  conclusões,  a  autoridade  fiscal  deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifeste­se sobre  seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornem­se os autos para julgamento.  Por  meio  do  Termo  de  Encerramento  de  Diligência  de  fls.  848­852,  destaco  excertos da manifestação da autoridade fiscal responsável pelo procedimento:  O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para  atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para  atendimento integral (fls. 555­567):  ­  planilhas  contendo  justificativas  para  os  lançamentos  a  débito  realizados  em  2005  nas  contas  contábeis:  3503001  –  Receitas  Financeiras  de  Aplicações,  3503002  –  Receita  Financeira  –  Mútuo  e  3503005  –  Receitas  Financeiras  de  Outras Aplicações;  ­  controles  internos  da  empresa  que  embasam  os  lançamentos  contábeis  realizados  nas  contas  3503001  –  Receitas  Financeiras  de  Aplicações  e  3503005  –  Receitas  Financeiras de Outras Aplicações; e  ­  arquivos  digitais  de  registros  contábeis  dos  anos  de  2004  e  2005.  Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de  resposta  ou  qualquer  justificativa,  foi  lavrado  o  Termo  de  Constatação  e  de  Reintimação  Fiscal  em  12/07/2016,  com  ciência  por  via  postal  em  18/07/2016,  contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577­581).  [...]  Da  análise,  realizada  por  amostragem,  dos  registros  contábeis  e  dos  documentos  apresentados verificou­se que o  contribuinte  registrou,  em observância ao  regime de  competência,  as  receitas  das  aplicações  financeiras,  pelo  valor  total,  nas  contas  de  resultado  3503001  –  Receitas  Financeiras  de  Aplicações  e  3503005  –  Receitas  Financeiras  de  Outras  Aplicações,  e  realizou,  sistematicamente,  o  estorno  dos  lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao  do lançamento. Na conta 3503003 – Receita Financeira – Mútuo, foi possível verificar  os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo.  Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e  o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que  todos  os  rendimentos  constantes  da  Dirf/2005  foram  registrados  na  contabilidade.  Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10650.900801/2010­56  Resolução nº  1301­000.474  S1­C3T1  Fl. 1.027            5 Verificou­se,  também, que parte das aplicações  financeiras  cujos  resgates ocorreram  durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003.  Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não  foi  possível  aferir  se  foram  realizados  os  lançamentos  dos  rendimentos  de  aplicação  pelo regime de competência nesse ano.  Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeis  desacompanhado  da  documentação  que  os  respalda.  Da  análise,  realizada  por  amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das  informações constantes da  Dirf/2004,  conclui­se  que  o  contribuinte  utilizou  a  mesma  sistemática  de  registro  e  reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005.  Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada:  [...]  9.  Pois  bem,  a  partir  da  leitura  do  “Termo  de  Encerramento  de  Diligência”,  depreende­se  que  os  argumentos  explanados  pela  ora  Suplicante  em  seu  Recurso  Voluntário  estão  inequivocamente  comprovados,  o  que  torna  forçoso  concluir  pela  insubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos.  10.  O  argumento  adotado  pela  RFB  para  negar,  parcialmente,  o  direito  creditório  ­  e  confirmado  pela  r.  decisão  recorrida  ­  consiste  no  fato  de  que  a  Recorrente,  supostamente, não  ter oferecido à  tributação parte da  receita decorrente  de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF  que  compôs  o  saldo  negativo  pleiteado).  Esta  constatação  derivaria  da  simples  constatação,  pela  auditoria  fiscal,  de  estornos  realizados  pela  Suplicante  na  conta  contábil  pertinente  às  aplicações  financeiras  em  tela,  de  tal  sorte  que  o  saldo  respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF  afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos  oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação.  11.  Por  seu  turno,  a  síntese  dos  argumentos  de  defesa  é  de  que  os  rendimentos  produzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado ano­calendário  e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período  em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento da  receita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto o  IRRF  só  é  utilizável  no  momento  da  disponibilidade  financeira  da  receita,  ou  seja,  quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante  da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação.  12.  Pois  bem.  No  “Termo  de  Encerramento  de  Diligência”,  a  i.  Autoridade  consignou  que,  em  que  pese  a  “falta  de  parte  dos  documentos  bancários”,  teve  em  mãos elementos suficientes para confirmar que:  (i)  “...  o  contribuinte  registrou,  em  observância  ao  regime  de  competência,  as  receitas  das  aplicações  financeiras,  pelo  valor  total,  nas  contas  de  resultado  3503001  –  Receitas  Financeiras  de  Aplicações  e  3503005  ­  Receitas  Financeiras  de  Outras  Aplicações,  e  realizou,  sistematicamente,  o  estorno  dos  lançamentos  de  receitas  realizados  nessas  contas  de  resultado  no  mês  subsequente  ao  do  lançamento.  Na  conta  3503003  ­  Receita  Financeira  ­  Mútuo,  foi  possível  verificar  os  lançamentos  das  receitas  de  juros  nas  operações  de  mútuo.”;  Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10650.900801/2010­56  Resolução nº  1301­000.474  S1­C3T1  Fl. 1.028            6 (ii)  “Quando  do  efetivo  regime  das  aplicações,  registrou  na  contabilidade  os  rendimentos  e  o  imposto  retido  na  fonte,  de  forma  individualizada  para  cada  operação,  de  forma  que  todos  os  rendimentos  constantes  da  DIRF/2005  foram  registrados  na  contabilidade.”.  13.  Prosseguindo  em  suas  constatações,  também  em  relação  ao  exercício  de  2004,  confirmou  a  i.  Autoridade  a  premissa  de  que  as  receitas  financeiras  da  ora  Suplicante  restaram devidamente  submetidas  à  tributação  indicando que “da análise  realizada por  amostragem,  exclusivamente dos  registros contábeis e das  informações  constantes da Dirf/2004, conclui­se que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática de  registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005”.  14.  É  de  ver,  pois,  o  Fisco,  ao  proferir  o  Despacho  Decisório,  sequer  se  ocupou  em examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não  fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a  patente insubsistência do v. acórdão recorrido.  15.  Noutro  giro,  a  par  da  certificação  da  i.  Autoridade  quanto  à  utilização  da  “mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira”  em exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que deve  nortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadora  todos  os  elementos  necessários  para  a  apreciação  da  questão  posta  nos  autos,  a  Suplicante  requer  a  juntada  da  anexa  documentação  de  registro  contábil  de  ano  de  2003,  requerendo,  desde  já,  seja  essa,  também,  objeto  de  análise  pela  i.  auditoria  fiscal.  É o relatório.  Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10650.900801/2010­56  Resolução nº  1301­000.474  S1­C3T1  Fl. 1.029            7   Voto  Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  recurso  voluntário  foi  alvo  de  conhecimento  quando  da  conversão  do  julgamento em diligência (Resolução 1402­000.235).  Conforme  descrito  no  voto  condutor  da  resolução  citada,  a  controvérsia  é  relativamente  simples:  alega  a  recorrente  que  por  ter  que  reconhecer  receitas  financeiras  relativa  a  aplicações  de  longo  prazo  pelo  regime  de  competência  (regra  geral),  os  valores  registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita  financeira  informado  pelas  instituições  financeiras  em  DIRF.  Aduz  ainda  que,  se  fosse  analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a  receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que  boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate.  A resolução determinou à unidade de origem que analisasse se a diferença entre  as  receitas  financeiras  oferecidas  à  tributação  no  ano­calendário  de  2005  e  as  constantes  em  DIRF  teriam  sido,  de  fato,  oferecidas  à  tributação  em  períodos  pretéritos  em  razão  de  seu  reconhecimento  pelo  regime  de  competência.  Ao  final,  requereu­se  que  fosse  elaborado  relatório  circunstanciado  com  as  conclusões  da  autoridade  fiscal,  cientificando­se  o  contribuinte  de  seu  teor  e  fosse  aberto  prazo  de  30  dias  para  que,  se  houvesse  interesse,  se  manifestasse sobre o seu teor.  Contudo, compulsando o  resultado da diligência,  com a devida vênia,  entendo  não ser possível prosseguir com o julgamento de mérito. Vejamos.  Em  determinada  passagem,  em  relação  às  contas  de  resultado  3503001  ­  Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 ­ Receitas Financeiras de Outras Aplicações, a  autoridade fiscal  responsável pela diligência diz que as  receitas  financeiras  foram registradas  contabilmente  pelo  regime  de  competência,  mas,  de  forma  sistemática,  o  contribuinte  teria  realizado “estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês  subsequente ao do lançamento”. S.m.j., nessa hipótese, para fins de determinação da base de  cálculo do IRPJ, não haveria que se falar em oferecimento à tributação das receitas financeiras,  pois o valor computado como receita em um mês, teria sido estornado no mês seguinte.  A seguir,  conclui que “quando do efetivo  resgate das aplicações,  registrou na  contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada  operação, de  forma que  todos os  rendimentos  constantes da Dirf/2005  foram registrados na  contabilidade”.   Pelo que se extrai do Termo de Encerramento de Diligência, o contribuinte teria  registrado as receitas pelo regime de competência, depois as estornado, e, por fim, registrado as  receitas novamente quando do resgate das aplicações.   Ora, se isso realmente tivesse ocorrido, certamente o litígio não teria chegado a  esse  ponto,  pois  foi  justamente  a  divergência  entre  receitas  oferecidas  à  tributação  no  ano­ Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10650.900801/2010­56  Resolução nº  1301­000.474  S1­C3T1  Fl. 1.030            8 calendário de 2005 e o valor das receitas financeiras informado em DIRF (leia­se: “o valor das  receitas  financeiras  no  período  de  resgate  das  aplicações”)  que  redundou  no  não  reconhecimento ao direito de deduzir parte do  Imposto de Renda Retido na Fonte –  IRFonte  pleiteado pelo contribuinte.  É  bom  ressaltar  que  a  conclusão  da  autoridade  fiscal,  embora  aparentemente  decida a favor da recorrente, contradiz a própria tese da defesa de que os rendimentos teriam  sido oferecidos à tributação com base no regime de competência.   Saliente­se  mais  uma  vez  que  a  conclusão  de  que  todas  as  receitas  foram  registradas  na  contabilidade  não  esclarece  se  todas  compuseram  efetivamente  o  resultado  auferido,  até  mesmo  porque  a  autoridade  fiscal  alega  que,  embora  as  receitas  financeiras  tenham registradas com base no regime de competência, posteriormente teriam sido estornadas.  Mais adiante, a autoridade fiscal alega que:   Verificou­se,  também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram  durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003.  Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não  foi  possível  aferir  se  foram  realizados  os  lançamentos  dos  rendimentos  de  aplicação  pelo regime de competência nesse ano.  É  importante  frisar  que  a  própria  recorrente  já  afirmara  em  seu  recurso  voluntário que teria reconhecido as receitas financeiras pelo regime de competência, anexando  fichas do Livro Razão que entendeu como suficientes para comprovar suas alegações (fls. 376­ 396).  No  dia  11/04/2016  (fls.  575­576)  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  demonstrativos com indicação individualizada do lançamento contábil para registrar cada uma  das  receitas  de  aplicação  de  renda  fixa  no  momento  do  reconhecimento  pelo  regime  de  competência,  anteriores  a  2005,  bem  como  os  arquivos  digitais  (referentes  a  lançamentos  contábeis) de todos os anos­calendário anteriores a 2005 (fl. 570).  O  contribuinte  atendeu  à  intimação  parcialmente,  solicitando  prorrogação  de  prazo, prontamente concedida (fls. 555­567).  Somente quatro meses adiante (05/08/2016 – fl. 582), o contribuinte alcançou os  documentos  solicitados,  sem,  contudo,  anexar  as  fichas  da  escrituração  contábil  que  comprovariam o  oferecimento  à  tributação,  no  ano­calendário  de  2003,  de  parte  das  receitas  financeiras informadas na DIRF de 2005.  Conforme já dito, somente após o encerramento da diligência é que a recorrente  anexou  aos  autos  os  supostos  comprovantes  referentes  à  escrituração  do  ano­calendário  de  2003.  É  importante  ressaltar  que  a  Resolução  que  converteu  o  julgamento  em  diligência foi proferida na sessão de 11 de fevereiro de 2014, ou seja, dois anos e meio após o  contribuinte  já saber da conversão em diligência ainda não foi capaz de atender a contento à  intimação da unidade de origem para cumprimento do determinado pelo colegiado.  Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10650.900801/2010­56  Resolução nº  1301­000.474  S1­C3T1  Fl. 1.031            9 Em que pese a flexibilização que possa se dar ao disposto no art. 16 do Decreto  nº 70.235, de 1972, no que diz respeito ao momento em que se considera precluso o direito do  contribuinte a anexar aos autos documentos comprobatórios de seus argumentos, entendo que  não se pode mitigar a questão da preclusão a situações como as tratadas nos presentes autos:  converteu­se  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  unidade  de  origem  pudesse  intimar  o  contribuinte  e  analisar  a  documentação  comprobatória  apresentada  justamente  pela  impossibilidade de realizar isso a contento, inclusive com direito ao contraditório, diretamente  no  colegiado,  e  o  contribuinte  não  aproveitou,  mais  uma  vez,  sua  oportunidade  de  fazê­lo  tempestivamente.  Por  essas  razões,  entendo  que  não  se  deva  reconhecer  o  direito  ao  IRFonte  proporcional  às  receitas  financeiras  que  o  contribuinte  deixou  de  comprovar  que  foram  efetivamente oferecidas à tributação.  Ademais,  ainda  que  se  superasse  a  dúvida  sobre  a  efetiva  comprovação  de  reconhecimento e o oferecimento à  tributação das  receitas  financeiras nos anos­calendário de  2004  e  de  2005  (informadas  na  DIRF  de  2005),  não  foi  informado  pela  autoridade  fiscal  responsável pela diligência qual o valor das receitas financeiras que não teriam sido oferecidas  à  tributação (no caso, o montante que o contribuinte alega  ter oferecido à  tributação no ano­ calendário de 2003, mas não apresentou a documentação comprobatória pertinente).  Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10650.900801/2010­56  Resolução nº  1301­000.474  S1­C3T1  Fl. 1.032            10   CONCLUSÃO  Desse  modo,  encaminho  meu  voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência1, nos seguintes termos: proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim  de que:   a) seja esclarecido se as receitas financeiras foram reconhecidas pelo regime de  competência e efetivamente oferecidas à tributação do IRPJ;  b)  em  caso  afirmativo,  do  montante  informado  em  DIRF  (2005),  quanto  foi  oferecido à tributação no ano­calendário de 2004 e quanto no ano­calendário de 2005;  c) qual o montante de receita financeira que o contribuinte alega ter oferecido à  tributação  no  ano­calendário  de  2003,  mas  não  apresentou  a  documentação  comprobatória  quando da realização da primeira diligência.  Ao final da realização da diligência, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório  circunstanciado com as  respostas aos quesitos  formulados, cientificando o contribuinte  sobre  tais  conclusões,  e  informando­o  que,  se  houver  interesse,  poderá  se  manifestar  sobre  o  conteúdo do relatório no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do parágrafo único do art. 35 do  Decreto nº 7.574, de 2011.   Cumprido  esse  rito,  retornem­se  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento  do  julgamento.   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                                                                1 Decreto nº 7.574, de 2011:  Art. 36. [...]  § 3o  Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida  de sua realização escusar­se de cumpri­las.     Fl. 1032DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.001299/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105, de 2001. DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE R$ 80.000,00. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 não serão considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-005.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento o valor de R$ 160.000,00, fato gerador em 30/11/03. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO

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2401­005.289  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  6 de março de 2018  Matéria  IRPF ­ OMISSÃO DE RENDIMENTOS  Recorrente  SILVIO GIOVANOLLI NUNZIATO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2002, 2003, 2004  LEGALIDADE  DO  LANÇAMENTO.  VALORES  DE  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  O Superior Tribunal de Justiça, por meio do REsp nº 1.134.665 SP, decidiu,  em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às  operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos  tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105, de 2001.   DECADÊNCIA. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito.  Entendimento  do  STJ  no  Recurso  Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  Caracteriza  omissão  de  rendimentos,  os  valores  creditados  em  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  junto  às  instituições  financeiras,  em  relação  aos  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas operações.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITE R$ 80.000,00. VALOR INDIVIDUAL  IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00.  Os  créditos  de  valor  individual  igual  ou  inferior  a R$  12.000,00  não  serão  considerados para efeito de determinação da receita omitida, desde que o seu  somatório, dentro do ano­calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 99 /2 00 7- 22 Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.103          2 SÚMULA CARF Nº 4. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  Conforme disposto na Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para  títulos federais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.                                          Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.104          3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  recurso,  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  e,  no  mérito,  dar­lhe  provimento  parcial  para  excluir do lançamento o valor de R$ 160.000,00, fato gerador em 30/11/03.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Francisco Ricardo Gouveia Coutinho ­ Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier,  Rayd  Santana  Ferreira,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Andrea  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.                                  Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.105          4 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 16­47.952 (fls.  1031/1067) da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  em São  Paulo I (DRJ/SP1).   Às fls. 820/830, consta o lançamento de ofício (Auto de Infração) de crédito  tributário  no  montante  de  R$  2.724.392,63  (dois  milhões,  setecentos  e  vinte  e  quatro  mil,  trezentos e noventa e dois reais e sessenta e três centavo), referente à omissão de rendimentos  caracterizada  por  valores  creditados  em  conta(s)  de  depósito,  em  relação  aos  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado, não  comprovou a origem dos  recursos utilizados nessas  operações.   Do  termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  831/836),  extrai­se  a  motivação  do  lançamento de ofício, consoante excertos a seguir transcritos:  O contribuinte foi selecionado para fiscalização por apresentar  movimentação  bancária  incompatível  com  os  rendimentos  declarados,  durante  o  ano  de  2001  a  2004  (fls.03/46).  Esclarecemos  que  o  período  base  de  2001  foi  tratado  no  processo administrativo n° 19515.2096/2006­72.  [...]  Em  10/07/06,  o  contribuinte,  através  de  seu  procurador,  conforme fls.49, apresentou os seguintes documentos:  a) Extratos do Banco Itaú, referente à conta 0845.43800­1,  com movimentação de 2002 a 2004(fls. 50/64;123/134;172/  183);  b)  Extratos  da  conta  bancária  8602­4,  do  Banco  Safra,  para o ano de 2002 (fls.65/82.)  c)  Extratos  do  Unibanco,  referentes  à  conta  202230­4,  para 2002 a 2004 (fls.83/119;135/171;184/199 e 202/224);  d) Extratos da conta 002432­8, do Banespa, o período de  2002(fls. 120/122).  [...]  As  justificativas  apresentadas  para  os  valores  creditados  na  conta  do  Banco  Itaú,  constante  das  planilhas  de  fls.  229/252,  como  sendo  Devolução  de  Empréstimos  Intermares,  não  estão  sendo  aceitas,  visto  que  o  contrato  apresentado  somente  tem  validade  entre  as  partes  (fls.  413/414),  pois  sem  o  necessário  registro ou reconhecimento de firma, à época conforme o Código  Civil  Brasileiro,  em  seu  artigo  135,  visto  que  o  Contrato  foi  assinado antes da vigência do novo Código.  Os itens justificados como transferência de aplicação de mesma  titularidade, na realidade não o são, visto que não encontramos  Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.106          5 contrapartida nos extratos dos outros bancos. Quanto ao salário  recebido  da  Intermares Marketing  Internacional,  Importação  e  Exportação  Ltda,  no  valor  de  R$  390.200,00,  pago  no  ano  de  2002 e por  ela declarado,  conforme  fls.14,  estão  somados pelo  contribuinte,  na  sua Declaração  do  Imposto  de Renda,  com  os  valores de aluguéis  também pagos pela mesma, no valor de R$  72.000,00,  totalizando  R$  462.920,00  (fls.27).  Ambos  serão  excluídos das planilhas referentes aos créditos em conta.  Os  valores  creditados  em  2003,  justificados  como  venda  de  imóvel  Adalivia,  foram  desconsiderados,  visto  que  os  documentos do referido  imóvel apresentados comprovam dação  em  pagamento  do  mesmo,  em  2003,  à  empresa  panamenha  Beloha  Trade  Inc,  conforme  fls.  618/656.  Também  foi  considerado  não  comprovado  o  valor  de  R$  60.000,00  de  06/01/03,  do  Banco  ltaú,  fls.  123  e  464,  justificados  como  rendimentos de pessoa  física declarados, que contraposto  folha  34,  do  volume  01/04,  não  encontra  respaldo,  visto  que  o  declarante  declarou  rendimentos  de  R$  7.000,00 mensais  para  essa natureza.  O  Acordo  Comercial,  de  fls.  535/536,  do  volume  03/04,  foi  desconsiderado, visto somente  ter validade entre as partes, não  fazendo  provas  para  terceiros,  por  não  ter  sido  registrado  em  cartório,  na  época  de  sua assinatura,  conforme o Código Civil  Brasileiro, em seu artigo 135, visto que o Contrato foi assinado  antes da vigência do novo Código.  Quanto  aos  valores  oferecidos  à  tributação  através  da  Declaração  do  Imposto  de  Renda  dos  anos­calendário  sob  análise  e  recebidos  da  empresa  Intermares  Marketing  Ltda  constatamos  uma  diferença  entre  os  valores  justificados  pelo  interessado, nas diversas planilhas, e os valores constantes como  tributáveis nas  respectivas DIRPF. Pelo  exposto,  elaboramos a  planilha  de  fls.743,  do  volume  04/04,  cujas  diferenças  entre  aqueles  valores  serão  tributadas  de  oficio,  como  omissão  de  rendimentos.  Em 2004, os valores justificados como Distribuição de Lucros da  empresa Jera Participações e Serviços Ltda, aberta em fevereiro  de  2003,  com  capital  social  de  R$  30.000,00  e  cujo  Contrato  Social  e  alteração  encontram­se  juntados  às  fls.  657/666,  do  volume  04/04,  são  provenientes  da  empresa  lntermares,  conforme  observado  nos  históricos  dos  extratos  bancários  e,  portanto, não considerados como isentos, sendo tributados como  omissão  de  rendimentos,  conforme  planilha  de  fls.  744,  do  volume 04/04, visto que foi demonstrada a origem.  Foram  elaboradas  as  planilhas  de  fls.  745/750,  onde  constam  todos  os  valores  creditados  nas  diversas  contas  bancárias  de  titularidade  do  fiscalizado,  durante  o  período  de  2002  a  2004,  cujas origens foram consideradas não comprovadas.  Observou­se, conforme  fls.667/681 e 713/742, operações como:  1) a compra e venda da empresa Sonoma Administração de Bens  entre o fiscalizado e seus familiares: a esposa, Meyre Camarano  Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.107          6 Nassar  e  o  pai:  Paschoal  Nunziato,  sugerindo  simulação  para  justificar  movimentação  financeira,  visto  que  os  fluxos  de  entrada  e  saída  dos  valores  movimentados  de  uma  conta  para  outra não foi comprovado; 2) a dação em pagamento já referida  entre o fiscalizado e a empresa Beloha Trade Inc, "com sede no  Panamá",  que  na  guia  de  recolhimento  de  fls.  621  (626,  do  volume  04104,  fica  demonstrado  que  funciona  no  mesmo  endereço  do  fiscalizado;  3)  Alterações  contratuais  da  empresa  Intermares Marketing Internacional de Importação e Exportação  Ltda,  onde  fica  bem  caracterizada  essa  conveniente  saída  e  retorno dos sócios pai e filho, inclusive com participação de 410  empresa  internacional,  no  caso  a  Goodspeed  International  Logistic  L.L.C,  da  Pennsylvania,  U.S.A,  que  tem  como  procurador  o  próprio  fiscalizado  e  que  cuja  participação  na  empresa  é  de  1%  do  capital,  em  2003  (fls.  730).  Todo  esse  movimento  na  sociedade  sugere,  também,  a  utilização  de  empresa do exterior para justificar movimentação financeira.  Diante do exposto, de maneira geral, desconsideramos todos os  itens  referentes  a  empréstimos,  pela  não  comprovação  da  sua  efetivação, através de documentação hábil e idônea.  Isto  posto,  emitimos  a  planilha  de  fls.751  que  consolida,  além  dos  de  fls.  683  e  684,  os  novos  valores  de  créditos  em  contas  bancárias,  depois  de  expurgadas  as  devoluções  de  cheques  de  terceiros,  resgates de aplicações  financeiras,  estornos diversos,  transferências interbancárias do próprio contribuinte, valores já  tributados ou  isentos de  fácil  identificação de conhecimento da  Receita  Federal  e  obtivemos  o  total  anual  para  2002,  de  R$  1.071.844,79; para 2003, de R$ 1.401.800,81 e para 2004, de R$  1.215.285,54,  considerados  como de origens não comprovadas,  e, com base nos  termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e com  limites alterados pelo artigo 40. da Lei n° 9.481/97 e parágrafos  adicionados pelo art. 58 da Lei 10.637/2002, classificados como  omissão  de  rendimentos  e  sujeitos,  portanto  ao  lançamento  de  oficio, nos meses em que foram concretizados.  [...]  As  Declarações  do  Imposto  de  Renda  referentes  aos  anos­ calendário  de  2002  a  2004,  exercícios  de  2003  a  2005,  encontram­se juntadas às fls.26/46, do volume 01/04.  Cientificado  do  Auto  de  Infração  em  18/06/2007  (fls.  840),  apresentou  impugnação em 06/07/2007 (fls. 844/877).   Do relatório da decisão de piso, retiram­se os principais argumentos da peça  impugnatória:  [...]  I)  Os  fatos;  II)  A  ilegalidade  do  lançamento  ex  officio  por  abranger período em que já se operou a decadência nos termos  do art. 150, § 4º, do CTN; III) A ilegalidade do lançamento por  abranger  “informações”  de  valor  mensal  inferior  ao  admitido  Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.108          7 pela  Lei  nº  9.430/1996;  IV)  A  ilegalidade  do  lançamento  por  consignar  importâncias  plenamente  justificadas  que  não  configuram “acréscimo patrimonial injustificado”, referentes: a)  a empréstimos tomados do genitor do requerente, no valor total  de  R$  128.553,00  e  à  venda  de  participação  societária  que  detinha na empresa Sonoma a seu genitor, no valor total de R$  270.000,00; b) à venda de imóvel (apartamento – R. Adalívia nº  235  –  Ed.  Pal.  Orleans,  no  valor  total  de  R$  385.510,00)  e  veículos  de  propriedade  do  requerente  (no  valor  total  de  R$  179.500,00);  c)  a  recebimentos  de  distribuição  de  resultados  isentos da empresa Jera Participações e Serviços Ltda, da qual é  sócio  (R$  538.515,54)  e  a  recebimentos  de  empréstimos  das  empresas  Intermares  Marketing  International  de  Importação  e  Exportação  Ltda  no  ano  2002  (R$  843.493,61)  e  Intermares  Logística Ltda (R$ 475.000,00) no ano calendário 2004, ambas  das quais o requerente é sócio; d) transferências entre contas do  próprio  requerente  e  resgates  de  aplicações  financeiras  (R$  418.835,00), bem como reembolsos de despesas (R$ 131.387,15),  feitos pela firma da qual o requerente é sócio; V) A ilegalidade  do lançamento de IRPF com base exclusivamente em extratos de  movimentos  bancários  já  proclamada  pela  jurisprudência  judicial  e  administrativa;  VI)  A  ilegalidade  da  exigência  cumulada  de  juros  moratórios  e  “taxa  Selic”  sobre  o  suposto  “debito”; VII) protesta pela juntada de 12 documentos, com seus  apensos,  para  requerer  que  se  digne  de  julgar  nulos  e  insubsistentes, tanto a acusação de infração, como o lançamento  ex  officio,  cancelando  as  exigências  de  IRPF,  multa  e  acréscimos, por manifestamente ilegais.  O  Acórdão  nº  16­47.952  do  colegiado  de  primeira  instância  restou  assim  ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF   Anos calendário: 2002, 2003, 2004   DECADÊNCIA.  OMISSÃO  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  Os  rendimentos  omitidos  apurados  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  embora  submetidos  à  apuração mensal,  estão  sujeitos  à  tributação  na  declaração  de  ajuste  anual,  pelo  que  a  contagem  do  prazo  decadencial  tem  início no primeiro dia do exercício seguinte àquele  fixado para  entrega tempestiva da declaração.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  Caracterizam  omissão  de  rendimentos,  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  os  valores  creditados  em  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  junto  às  instituições  financeiras,  em  relação  aos  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos  recursos utilizados nessas operações.  Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.109          8 Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica  a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a  sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova.  Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar  a presunção legal regularmente estabelecida.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  CRÉDITOS  DE  VALOR  INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00.  Os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00  não serão considerados para efeito de determinação da receita  omitida,  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­calendário,  não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00.  JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC.  A  utilização  da  taxa  Selic  como  juros  moratórios  decorre  de  expressa disposição legal.   Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  O recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 25/10/2013  (fls.  1071),  e  apresentou  Recurso  Voluntário  em  18/11/2013  (fls.  1072/1099),  do  qual  reproduzem­se abaixo os principais argumentos:  a) Em preliminar, aduz que, por ter sido notificado em 18/06/2007, o período  compreendido  de  janeiro  a  junho  de  2002  já  havia  sido  abrangido  pela  decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, e artigos 2º, 3º e 12 da Lei  nº  7.713,  de  1988.  Neste  ponto,  cita  ainda  julgados  do  CARF  e  jurisprudência;  b) Questiona o lançamento em relação as informações sobre movimentações  financeiras,  informando  que  a  fiscalização  não  considerou  os  limites  legais  estabelecidos  pelo  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996. Apresenta  planilha  de  valores que deverão ser excluídos;  c) Discorda do lançamento de ofício por entender que os valores consignados  em  extratos  bancários  não  poderiam  ser  tributados,  por  consubstanciarem  meras  transferências  entre  contas  do  recorrente,  bem  como  se  refiram  a  distribuição de lucros de empresa do recorrente;  d) Informa que o valor de R$ 128.553,00, refere­se a pagamentos relativos a  empréstimos  comprovadamente  tomados  do  seu  genitor,  estando  devidamente  registrado  em  sua  DIRPF/2004.  O  valor  de  R$  270.000,00,  refere­se a venda de participação societária que detinha na Empresa Sonoma  a seu genitor, também registrado na sua DIRPF/2004;  e) O  valor  de R$  565.010,00  refere­se  a  comprovação  da  venda  de  imóvel  (Apartamento ­ Rua Adalívia nº 235 ­ Ed Pal. Orleans) e de veículos;  Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.110          9 f)  O  valor  de  R$  1.857.008,15,  classificado  como  receita  omitida  no  calendário 2004, diz referir­se a distribuição de resultados isenta de IRPF, no  valor de R$ 538.514,54, recebidos da empresa Jera Participações e Serviços  Ltda,  e  recebimentos  de  empréstimos  das  empresas  Intermares  Marketing  International  de  Importação  e Exportação,  no  valor  de R$  843.493,61  (ano  calendário 2002) e Intermares Logística ltda, no valor de R$ 475.000,00;  g)  Declara  que  o  valor  de  R$  418.735,00  refere­se  a  transferência  entre  contas  do  recorrente  e  resgates  de  aplicações  financeiras.  O  valor  de  R$  131.387,15,  refere­se  a  reembolsos  de  despesas  feitos  pela  empresa  que  o  recorrente é sócio, no caso, a Intermares Marketing Ltda;  h) Reforça seus argumentos, mais uma vez, para afirmar a total inconsistência  dos  lançamentos  fiscais  de  IRPF  com  base  exclusivamente  em  extratos  de  movimentação bancária. Cita vários julgados do Conselho de Contribuintes e  Jurisprudência do STJ e TRFs;  i) Questiona a aplicação, simultânea e cumulativamente, dos juros moratório  de 1% ao mês e taxa selic, todos sobre o valor do tributado apurado;  j) Ao final, requer a anulação ou reforma do v. acórdão recorrido, para sejam  julgadas  insubsistentes  as  acusações  fiscais,  bem  assim  canceladas  as  exigências de imposto, multa e acréscimos.    É o relatório.                            Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.111          10   Voto             Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  Preliminar  Da  ilegalidade  do  lançamento  com  base  exclusivamente  em  extratos  de  movimentação  bancária   Quanto  à  ilegalidade  do  lançamento  de  IRPF  com base  exclusivamente  em  extratos  de  movimentação  financeira,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  meio  do  REsp  nº  1.134.665  SP,  decidiu,  em  sede  de  recurso  repetitivo,  que  a  autoridade  fazendária  pode  ter  acesso  às  operações  bancárias  do  contribuinte  até  mesmo  para  constituição  de  créditos  tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo  do Poder Judiciário.   A  ementa  do  acórdão  submetido  ao  rito  do  art.  543­C  do  CPC  está  assim  redigida:  PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  QUEBRA  DO  SIGILO  BANCÁRIO  SEM  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL.  CONSTITUIÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS  REFERENTES  A  FATOS  IMPONÍVEIS  ANTERIORES  À  VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO  IMEDIATA.  ARTIGO  144,  §  1º,  DO  CTN.  EXCEÇÃO  AO  PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE.  1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial,  para  fins  de  constituição  de  crédito  tributário  não  extinto,  é  autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001,  normas  procedimentais,  cuja  aplicação  é  imediata,  à  luz  do  disposto no artigo 144, § 1º, do CTN.  [...]  5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o  artigo  38,  da  Lei  4.595/64,  e  passou  a  regular  o  sigilo  das  operações  de  instituições  financeiras,  preceituando  que  não  constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações,  à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras  efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI,  c/c  o  artigo  5º,  caput,  da  aludida  lei  complementar,  e  1º,  do  Decreto 4.489/2002).  6.  As  informações  prestadas  pelas  instituições  financeiras  (ou  equiparadas)  restringem­se  a  informes  relacionados  com  a  identificação dos titulares das operações e os montantes globais  Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.112          11 mensalmente  movimentados,  vedada  a  inserção  de  qualquer  elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos  gastos  a  partir  deles  efetuados  (artigo  5º,  §  2º,  da  Lei  Complementar 105/2001)  7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que:  "Art. 6º As autoridades e os agentes  fiscais  tributários  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento  fiscal  em  curso  e  tais  exames  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade administrativa competente.  Parágrafo  único.  O  resultado  dos  exames,  as  informações e os documentos a que se refere este artigo  serão  conservados  em  sigilo,  observada  a  legislação  tributária."  8. [...]  9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica  imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a  ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de  apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária  a  terceiros.  10.  Conseqüentemente,  as  leis  tributárias  procedimentais  ou  formais,  conducentes  à  constituição  do  crédito  tributário  não  alcançado  pela  decadência,  são  aplicáveis  a  fatos  pretéritos,  razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001,  por  envergarem  essa  natureza,  legitimam  a  atuação  fiscalizatória/investigativa  da  Administração  Tributária,  ainda  que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  EREsp  806.753/RS,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  22.08.2007,  DJe  01.09.2008;  EREsp  726.778/PR,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  julgado  em  14.02.2007,  DJ  05.03.2007;  e  EREsp  608.053/RS,  Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ  04.09.2006).  11. [...]  20.  Recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  provido.  Acórdão  submetido ao regime do artigo 543C, do CPC,  e da Resolução  STJ 08/2008.  (RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.134.665  SP,  relator:  MINISTRO  LUIZ FUX, Dje de 15/10/2009).  Observa­se que o acórdão do REsp nº 1.134.665 SP foi submetido ao regime  do art. 543­C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa  Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.113          12 que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Sobre  o caráter vinculante da decisão do STJ, a Portaria Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho  de 2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), traz as seguintes disposições:   Art. 62. ...  b)  Decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  ou  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  de  julgamento  realizado  nos termos dos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou  dos arts.  1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015  ­ Código de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administração  Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)  [...]  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº  152,  de  2016).  Portanto, sem razão o recorrente.  Mérito  a) Da decadência de períodos do ano calendário 2002  Neste ponto, necessário esclarecer que a análise da decadência restringe­se­á  ao item 002 do Auto de Infração (fls. 827/828), nos termos em que foi apresentado o Recurso  Voluntário (fls. 1075):  2. Realmente, no item 002 do AI já impugnado, verifica­se que a  D.  Fiscalização  incluiu  operações  supostamente  ocorridas  no  período de janeiro de 2002 a dezembro de 2004.  Portanto, os valores apurados no item 002 do Auto de Infração, tratam­se de  omissão  de  rendimentos  recebidos  da  pessoa  jurídica  Intermares Marketing  Internacional  de  Imp.  e  Exp.  Ltda,  CNPJ  47.543.236/0001­38,  conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  831/836) e planilhas (fls. 811/812).  Salienta o recorrente que ao caso aplica­se a regra do §4º do art. 150 do CTN,  por  entender  que  o  regime  de  tributação  aplicável  ao  imposto  de  renda  pessoa  física  é  o  de  caixa,  o  que  significa  que  o  imposto  passa  a  ser  devido  no  momento  da  percepção  do  rendimento, para tanto, cita ainda os arts. 2º, 3º e 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e arts. 2º e 3º da  Lei nº 8.134, de 1990.  Pois bem. A situação em apreço passa necessariamente pela análise de qual  regra  deve  ser  aplicada:  o  §  4º  do  art.  150  ou  inciso  I  do  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional.  Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.114          13 Pacificando  o  assunto,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ,  firmou  o  entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o  sujeito passivo antecipar o pagamento e não  for  comprovada a existência de dolo,  fraude ou  simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos.   Veja a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado  em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.115          14 Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10ª  ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  [...]  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Por  ter  sido  submetido  ao  regime  do  art.  543­C  do  CPC,  sistemática  dos  recursos repetitivos, essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder  Judiciário.  No caso (os valores apurados no item 002 do Auto de Infração), constituem­ se de rendimentos  sujeitos ao ajuste  anual que se enquadram no conceito de  lançamento por  homologação, cujo termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da  ocorrência do fato gerador em 31 de dezembro do ano­calendário correspondente ao exercício  analisado.  Assim, em relação aos fatos geradores do exercício 2002, conta­se o prazo de  05(cinco) a partir de 01/01/2003, sendo o termo final o dia 31/12/2007, como o sujeito passivo  tomou ciência em 18/06/2007 (fls. 838), conclui­se como regular o lançamento efetuado pela  autoridade fiscal.   Ademais, em relação ao  item 001 do AI  (matéria não contestada), omissão  de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, necessário  esclarecer  que  o  fato  gerador  do  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Física,  relativo  à  essa  omissão ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário  Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda  da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a  partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre  no dia 31 de dezembro do ano calendário.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  decadência  do  período  de  janeiro a junho de 2002  b) valor mensal inferior ao admitido ­ Art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996  Aduz  o  recorrente  que  a  autoridade  lançadora  não  considerou  os  limites  legais  estabelecidos no  art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para  tanto, demonstra, por meio da  planilha abaixo, quais valores deveriam ser excluídos (fls. 1080).  Item do AI  Fato gerador  Valor  002  28/02/02  R$ 3.510,22  002  31/01/02  R$ 10.000,00  002  31/01/03  R$ 11.245,58  002  31/05/03  R$ 10.000,00  002  30/06/03  R$ 10.000,00  002  30/11/03  R$ 5.000,00  002  31/01/04  R$ 3.000,00  002  03/11/04  R$ 5.189,60  Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.116          15 Total    R$ 57.945,40  Da planilha com os valores informados pelo sujeito passivo, necessário seja  esclarecido que o valor de R$ 3.510,22, fato gerador 28/02/2002, refere­se ao item 001 do Auto  de  Infração  (OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  CARACTERIZADA  POR  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  COM  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA  ­  fls.  825).  Em  relação  aos  demais  valores  referem­se ao  item 002 do Auto de  Infração  (OMISSÃO DE RENDIMENTOS ­  fls.  827/828).  Esses  esclarecimentos  são  necessários,  considerando  que  o  art.  42,  §  3º,  inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 9.481, de 1997, aplica­se apenas  em relação aos valores tributáveis do item 001 do Auto de Infração.  Lei nº 9.430, de 1996.  Art.42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  [...]  §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  [...]  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais). (Vide Medida Provisória nº 1.563­7, de 1997) (Vide Lei nº  9.481, de 1997)  Lei nº 9.481, de 1997.  Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da  Lei  nº  9.430,  de  27 de  dezembro  de  1996,  passam a  ser  de R$  12.000,00  (doze  mil  reais)  e  R$  80.000,00  (oitenta  mil  reais),  respectivamente.(grifou­se)  Como se percebe das planilhas de valores creditados na C/C nº 0845.43800­ 1, do Banco Itaú, sem comprovação de origem (fl. 813), de valores creditados não tributados,  C/C nº 202230­4 do Unibanco (fl. 814), relativas ao ano de 2002, e Planilha de consolidação  (fls. 819), a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes  do  sujeito  passivo  ultrapassa  o  limite de R$ 80.000,00  no  ano  de  2002,  considerando que  o  somatório  dos  depósitos  bancários  de  valor  individual  igual  ou  inferior  a  R$  12.000,00  é  superior ao referido limite. Desse modo, não há que se falar em exclusão do depósito bancário  de R$ 3.510,22, fato gerador 28/02/2002, do item 001 do Auto de Infração (fl. 825), com base  no art. 42, § 3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996 e suas alterações.  Em  relação  aos demais  valores,  relativos  ao  item 002 do Auto de  Infração,  omissão de rendimentos recebidos da Intermares Marketing Internacional de Imp. e Exp. Ltda,  Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.117          16 esclarece­se que não se aplica o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso, o enquadramento  legal do lançamento de ofício foi pelos arts. 1° a 3º da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 1° a 3° e §§  da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 37, 38, 43, 56 e 83 do Regulamento do Imposto de Renda e art.  1° da Lei n° 10.451, de 2002 (fls. 829).  c) Empréstimos recebidos do Sr. Paschoal Nunziato   Aduz o recorrente que o valor de R$ 128.553,00, indevidamente incluído no  lançamento, refere­se a pagamentos de empréstimos comprovadamente tomados do seu genitor  e devidamente consignados em ambas declarações de imposto de renda.   Para  tanto, apresenta o  seguinte demonstrativo como os valores  recebidos a  título de empréstimo no ano de 2003, que totalizam o valor de R$ 125.000,00:  8/10/03  R$ 20.000,00  Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF    10/10/03  R$ 15.000,00  Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF    23/10/03  R$ 25.000,00  Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF    4/11/03  R$ 15.000,00  Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF    10/11/03  R$ 20.000,00  Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF    14/11/03  R$ 10.000,00  Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF    25/11/03  R$ 10.000,00  Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF    28/11/03  R$ 10.000,00  Empréstimo recebido do Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF    Total  R$ 128.533,00      Os  valores  em  referência  estão  consignados  no  demonstrativo  de  valores  creditados, ano 2003, referente a conta corrente nº 0845.43800­1 do Banco Itaú SA (fl.s 816).  Para melhor  compreensão  dessa  operação  de  empréstimo  entre  o Sr.  Silvio  Giovanolli Nunziato, CPF nº 010.421.138­58, e seu genitor, O Sr. Paschoal Nunziato, CPF nº  108.857.658­34. Necessário apresentar os seguintes esclarecimentos:  a) DIRPF do exercício 2002, ano calendário 2001 (fls. 73)   DÍVIDAS E ÔNUS REAIS:  consta que o Sr. Paschoal Nunziato emprestou  ao Sr. Silvio Giovanolli Nunziato, no ano calendário 2001, a importância de  R$ 1.300.000,00.   b) DIRPF do exercício 2003, ano calendário 2002 (fls. 30)   DÍVIDAS  E  ÔNUS  REAIS:  consta,  no  quadro  discriminação,  que  o  empréstimo  recebido  do  seu  genitor  foi  reduzido  em  R$  550.000,00,  mediante dação em pagamento de um imóvel situado a Rua Peixoto Gomide  nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie.  DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS: consta, no quadro discriminação,  que  o  Sr.  Silvio  Giovanolli  Nunziato,  adquiriu  em  05/03/2002,  o  imóvel  situado à Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91, Edifício Maison Sophie, e  Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.118          17 repassou  ao  Sr.  Paschoal  Nunziato  como  pagamento  parcial  da  dívida  contraída.  c) DIRPF do exercício 2004, ano calendário 2003 (fls. 30)   DÍVIDAS E ÔNUS REAIS: consta, a mesma informação, que o empréstimo  recebido do seu genitor foi reduzido em R$ 550.000,00, mediante dação em  pagamento de um  imóvel  situado a Rua Peixoto Gomide nº 1638, apto. 91,  Edifício Maison Sophie.   DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS: consta, no quadro discriminação,  que  o  Sr.  Silvio  Giovanolli  Nunziato,  adquiriu  em  24/10/2003  o  mesmo  imóvel  situado  à  Rua  Peixoto  Gomide  nº  1638,  apto.  91,  Edifício Maison  Sophie.   Na DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS do Sr. Paschoal Nunziato (fls.  891)  consta  que  o  referido  imóvel  foi  vendido  novamente  ao  Sr.  Silvio  Giovavanolli  Nunziato,  sem  especificação  da  data  em  que  ocorreu  a  operação. Observa­se  ainda  que  não  consta  informação  na DIRPF/2004  do  Sr. Paschoal Nunziato se foi apurado ou não ganho de capital sobre referida  alienação, bem como as condições e  forma do recebimento da alienação do  bem.   Registre­se  ainda  que,  em  relação  ao  empréstimo que  diz  haver  tomado de  seu  genitor,  no  valor  de  R$  125.000,00,  ano  calendário  2003,  não  consta  consignado  na  DIRPF/2004 ­ Dívidas e Ônus Reais.   Pois bem. A alegação de que os valores estão informados em declarações de  imposto, do recorrente e de seu genitor, por si só, não elide a imputação do crédito tributário  apurado. A comprovação da origem dos créditos em contratos de empréstimos, nos termos do  disposto  no  artigo  42  da Lei  9.430  de  l996,  deve  ser  interpretada  como  a  apresentação  pelo  contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a  data  e,  principalmente,  que  demonstre  de  forma  inequívoca  a  que  título  os  créditos  foram  efetuados na conta corrente.   Como  se  observa  dos  autos,  não  há  documentos  comprobatórios  de  efetiva  transferências dos valores creditados na conta corrente nº 0845.43800­1 do Banco Itaú, no ano  calendário 2003, conforme relação de depósitos acima mencionados, do Sr. Paschoal Nunziato  para o Sr. Silvio Giovanolli.   Pelo  exposto,  sem  razão  o  recorrente, mantém­se  o  r.  acórdão  da DRJ/SPI,  que assim concluiu nos seguintes termos:  Assim,  dado  que  faltam  documentos  comprobatórios  da  efetiva  transferência  de  numerários  de  seu  genitor,  Paschoal  Nunziato/CPF  108.857.65834,  para  a  c/c  0845.438001/  Banco  Itaú SA, de titularidade do interessado, bem como faltam provas  consistentes  relativas  aos  empréstimos  tomados  de  seu  genitor  informados nas declarações de ajuste anual do interessado, ditos  valores creditados na conta corrente nº 0845.438001/ Banco Itaú  SA,  pertencente  ao  interessado,  seguem  com  sua  origem  de  recursos injustificada.  Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.119          18 d) Venda de participação societária da empresa SONOMA   Diz  o  recorrente  que  o  valor  de R$  270.000,00  refere­se  a  pagamentos  da  venda  de  participação  societária  que  detinha  na  empresa  Sonoma  a  seu  genitor,  em  período  coincidente  e  devidamente  consignados  em  ambas  declarações.  Assim,  apresenta  o  seguinte  demonstrativo:   07/4/03  R$ 20.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  30/4/03  R$ 20.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  27/5/03  R$ 20.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  03/6/03  R$ 20.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  05/6/03  R$ 20.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  09/6/03  R$ 10.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  09/6/03  R$ 10.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  18/6/03  R$ 15.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  30/6/03  R$ 25.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  07/7/03  R$ 16.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  08/7/03  R$ 10.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  31/7/03  R$ 15.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  08/5/03  R$ 10.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  20/8/03  R$ 25.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  22/8/03  R$ 15.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  25/8/03  R$ 15.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  AG. TEF  25/7/03  R$ 4.000,00  Venda Quotas Sonoma para Dr. Paschoal CPF 108.857.658­34  DOC  Total  R$ 270.000,00       Da  análise  dos  depósitos  bancários  em  referência  na  conta  corrente  0845.43800­1  (fls.  134/142),  constata­se  que,  basicamente,  as  Transferências  Eletrônicas  de  Fundos  (TEF),  Histórico  ­  Ag  TEF  0845  442060,  referem­se  a  valores  creditados  por  Intermares Logística Ltda, titular da conta corrente nº 44.206 ­0/ Agência 0845/Banco Itaú SA.  Portanto,  em  relação  aos  créditos  com  histórico  de  TEF  0845.442060,  concluiu­se que não se tratam de transferências originárias da conta corrente de titularidade de  Paschoal Nunziato, como informou o recorrente.  Do  r.  acórdão  recorrido,  por  esclarecer  pontos  importantes  da  venda  da  participação societária da empresa SONOMA, extrai­se os seguintes trechos:  Examinando  o  Instrumento  Particular  de  Constituição  de  Sociedade  Civil  Por  Quotas  de  Responsabilidade  Limitada  de  “Sonoma Administração de Bens S/C Ltda” de 13/08/2001  (fls.  893/896),  bem  assim  o  Instrumento  Particular  de Alteração  de  Contrato  de  Sociedade  Civil  Por  Quotas  de  Responsabilidade  Limitada  de  “Sonoma  Administração  de  Bens  S/C  Ltda”  1ª  Alteração de 06/11/2001  (fls.  731/733 e 897/899); 2ª Alteração  de  24/09/2002  (fls.  736/738  e  900/902)  e  3ª  Alteração  de  03/11/2003  (fls.  741/747  e  903/910),  verifica­se  que  pelo  Instrumento  Particular  2ª  Alteração  datado  de  24/09/2002  (fls.  736/738  e  900/902),  o  sócio  Silvio  Giovanolli  Nunziato,  que  detinha  999.999  quotas  do  Capital  Social  da  Sonoma  Administração,  retirou­se  da  sociedade  e  vendeu  à  sócia  remanescente  Meiry  Camarano  Nassar,  que  detinha  1  quota,  999.998 quotas do Capital Social, pelo preço certo e ajustado de  R$370.000,00. Consta, ainda, do referido Instrumento, que Silvio  Giovanolli Nunziato cedeu e  transferiu 1 quota já integralizada  Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.120          19 do Capital  Social  à  própria  sociedade,  pelo  preço  ajustado  de  R$0,37, ficando esta quota em Tesouraria.  Por meio do Instrumento Particular de Alteração Contratual de  Sociedade Simples  Sonoma Administração de Bens S/C Ltda  3ª  Alteração de 03/11/2003 (fls. 741/747 e 903/910), a sócia Meiry  Camarano Nassar cedeu e transferiu a totalidade de suas quotas  do  Capital  Social  ao  sócio  ora  admitido  Paschoal  Nunziato,  nascido  aos  20/12/1925,  que  ficou  com  999.999  quotas  ou  R$999.999,00  do  Capital  Social.  Ato  contínuo,  a  quota  em  Tesouraria,  representando  1  quota,  no  valor  de  R$1,00,  foi  transferida a sócia Meiry Camarano Nassar. É curioso notar que  citado Instrumento não mencionou o preço pelo qual se realizou  a  transferência  de  999.999  quotas  de Meiry Camarano Nassar  para Paschoal Nunziato.  [...]  Tanto a declaração do interessado de que deu as citadas quotas  em  pagamento  parcial  da  divida  junto  a  Paschoal  Nunziato,  quanto  a  que  constou  consignada  na  Declaração  de  Bens  e  Direitos  da  DIRPF/2004  de  Paschoal  Nunziato  (juntado  pelo  impugnante  à  fl.  891),  de  que  as  quotas  de  capital  social  da  Sonoma  Administração  de  Bens  SC  Ltda  foram  recebidas  em  pagamento  do  empréstimo  ao  Sr  Silvio  Giovanolli  Nunziato,  sendo  a  sua  situação  em  31/12/2002  e  31/12/2003,  respectivamente,  de  R$0,00  e  R$364.000,00,  revelam­se  dissonantes  com  o  Instrumento  Particular  de  Alteração  Contratual  de  Sociedade  Simples  Sonoma  Administração  de  Bens  S/C  Ltda  3ª  Alteração  de  03/11/2003  (fls.  741/747  e  903/910).  Em  vista  do  exposto,  entendo  que  nesse  ponto  não  merece  reforma  o  r.  acórdão da DRJ/SPI.  e) Venda de imóvel e de veículos  Informa  que  a  omissão  de  R$  565.010,00  refere­se  à  venda  de  imóvel  (apartamento  – Rua Adalívia  nº  235  –  Ed.  Pal.  Orleans)  e  a  de  veículos  de  propriedade  do  recorrente, conforme demonstrado:  24/11/03  R$ 3.910,00  Venda Apartamento  ­  R. Adalívia  nº  235 ­ Ed. Pal Orleans  Carlos  Eduardo  de  Moraes  Barros  Junior ­ CPF 147.912.608­05  CRED DOC  ELETR  27/11/03  R$ 160.000,00  Venda Apartamento  ­  R. Adalívia  nº  235 ­ Ed. Pal Orleans  Carlos  Eduardo  de  Moraes  Barros  Junior ­ CPF   CRED DOC  17/12/03  R$ 4.100,00  Venda Apartamento  ­  R. Adalívia  nº  235 ­ Ed. Pal Orleans  Carlos  Eduardo  de  Moraes  Barros  Junior ­ CPF   CRED DOC  7/11/03  R$ 205.500,00  Venda Apartamento  ­  R. Adalívia  nº  235 ­ Ed. Pal Orleans  Carlos  Eduardo  de  Moraes  Barros  Junior ­ CPF   DEP INTE.  5/11/03  R$ 12.000,00  Venda Apartamento  ­  R. Adalívia  nº  235 ­ Ed. Pal Orleans  Carlos  Eduardo  de  Moraes  Barros  Junior ­ CPF   TED  Total  R$ 385.510,00          5/03/03  R$ 46.000,00  Venda  Veículo  Land  Rover  Discovery  Autostar  Com.  Importadora  CNPJ  68.976.091/0001­39  AG. TEF  Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.121          20 21/3/03  R$ 30.000,00  Venda  Veículo  Land  Rover  Discovery  Autostar  Com.  Importadora  CNPJ  68.976.091/0001­39  AG. TEF  31/01/03  R$ 30.000,00  Venda  Veículo  Land  Rover  Discovery  Autostar  Com.  Importadora  CNPJ  68.976.091/0001­39  TED  28/2/03  R$ 30.000,00  Venda  Veículo  Land  Rover  Discovery  Autostar  Com.  Importadora  CNPJ  68.976.091/0001­39  TED  21/10/03  R$ 43.000,00  Venda Automóvel Corola ­ Toyota   Autostar  Com.  Importadora  CNPJ  68.976.091/0001­39  DEP CHQ  3/07/03  R$ 500,00  Venda Moto   Rafael Nassar  DOC  Total  R$ 179.500,00        Em relação a venda do Apto na Rua Adalivia, 235 Ed. Pal Orleans, entendo  que o depósito de R$ 160.000,00, datado de 27/11/2003 (fls. 183), C/C nº 2022304, Ag 0738,  UNIBANCO,  com  base  no  Instrumento  Particular  de Contrato  de Venda  e Compra, Mútuo,  Confissão de Dívida, Pacto Adjeto de Hipoteca e Outras Avenças” datado de 03/11/2003 (fls.  911/921), está devidamente comprovado.  Veja  que  há  um  contrato  firmado  entre  o  Sr.  Silvio  Giovanolli  Nunziato  (Vendedor), o Sr. Carlos Eduardo de Moraes Barros Junior (Comprador, Mutuário e Devedor  Hipotecário) e o Unibanco União de Bancos Brasileiros SA (Mutuante e Credor Hipotecário),  contendo o preço total de venda e compra de R$ 430.000,00, sendo R$ 270.000,00 pagos com  recursos próprios e R$ 160.000,00 financiados. Saliente­se ainda que o recorrente apresentou o  Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (fls. 39).  No  tocante  aos demais  valores,  relacionados  acima,  entendo que,  com base  nos documentos acostados aos autos, restou não comprovados os depósitos creditados na Conta  Corrente nº 2022304, do Unibanco, Durante o Ano de 2003, Sem Comprovação de Origem”  (fl. 815), igualmente em relação os valores creditados na conta corrente nº 438001/ Banco Itaú  SA, identificados na planilha acima, constantes do Demonstrativo dos Valores Creditados de fl.  816.  Desse modo, assiste razão, em parte, ao recorrente para que seja reformado o  acórdão  recorrido, excluído do  lançamento o valor  tributável de R$ 160.000,00,  fato gerador  30/11/2003  (item  001  do AI),  considerando  que  o  valor  está  devidamente  comprovado,  nos  termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.  f)  Distribuição  de  resultados  e  recebimentos  de  empréstimos  de  empresa  do  qual  o  recorrente é sócio  Diz o recorrente que o valor de R$ 1.857.008,15,  identificado nas planilhas  de fls. 859/863, considerado como “receita omitida”, é composto por distribuição de resultados  isenta  de  IRPF  (R$  538.514,54)  recebidos  da  Jera  Participações  e  Serviços  Ltda  no  ano  calendário 2004 e por pagamentos de recebimentos de empréstimos da Intermares Marketing  International de Importação e Exportação Ltda no ano calendário 2002 (R$ 843.493,61) e da  Intermares Logística Ltda (fl. 475.000,00) no ano calendário 2004.   Primeiramente, consoante demonstrativo de  fls. 1085/1088, será analisada a  distribuição de lucros da empresa Jera Participações.   Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.122          21 03/05/04  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED    12/5/2004  R$ 10.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  12/7/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  19/7/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  2/8/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  10/8/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  16/8/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  10/9/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  27/9/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  1/10/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  13/10/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  19/10/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  22/11/2004  R$ 4.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  10/12/2004  R$ 5.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  20/12/04  R$ 3.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TED  INTERM ARES  Da análise dos extratos dos valores creditados na C/C nº 202234, Unibanco  (fls.  225/226,  236/237,  239/240,  243/244),  relacionados  no  Demonstrativo  de  fls.  817,  constata­se que os valores acima tratam de TED/DOC recebidos de Intermares Logisticas.   29/7/2004  R$ 10.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  16/9/2004  R$ 15.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  21/9/2004  R$ 15.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  30/9/2004  R$ 10.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  4/10/2004  R$ 10.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  5/11/2004  R$ 20.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.123          22 9/11/2004  R$ 30.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  12/11/2004  R$ 25.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  16/11/2004  R$ 20.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  18/11/2004  R$ 20.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  22/11/2004  R$ 20.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  26/11/2004  R$ 10.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  30/11/2004  R$ 10.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  2/12/2004  R$ 30.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  6/12/2004  R$ 20.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  9/12/2004  R$ 20.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  10/12/2004  R$ 45.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  15/12/2004  R$ 20.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  20/12/2004  R$ 40.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  27/12/2004  R$ 20.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  29/12/2004  R$ 40.000,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  AG. TEF  Total  R$ 538.514,54      Também, os valores acima tratam de transferências efetuadas por Intermares  Logística  Ltda.,  CNPJ  04.534.711/0001­05,  para  a  C/C  nº  0845­43800­1  do  Sr.  Silvio  Giovanolli, relacionados do demonstrativo de fls. 818, conforme extratos de fls. 201 e 204/209,  TED (fls. 624, 626, 635/636, 641/645, 648/651, 653/656, 1002/1009 e 1011/1018).  5/4/2004  R$ 3.618,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  CRED  DOC.  21/12/2004  R$ 1.374,54  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  DEP CHQ  30/8/2004  R$ 6.522,00  Distribuição de Lucros Jera Participações e Serviços Ltda CNPJ 05.575.862/0001­62  TRANSF  CC  No mesmo sentido, são os créditos acima relacionados, tendo em vista que o  recorrente não  comprovou que  tem origem em distribuição de  lucros da  Jera Participações  e  Serviços Ltda., CNPJ 05.575.862/0001­66. Ainda em relação a distribuição de lucros, constata­ se  do  Dossiê  Integrado  (fls.  25/26)  que  o  regime  de  tributação  da  referida  empresa  Jera  Participações  e  Serviços  Ltda.,  CNPJ  05.575.862/0001­66  é  pela  sistemática  do  Lucro  Presumido.   Desse modo,  entendo  que,  em  relação  a  distribuição  de  lucros  da  empresa  Jera Participações, não merece ser reformado o entendimento da decisão de primeira instância,  que assim concluiu:  Assim,  os  valores  acima  justificados  como  Distribuição  de  Lucros  da  empresa  Jera  Participações  e  Serviços  Ltda,  aberta  em fevereiro de 2003, com capital social de R$ 30.000, conforme  Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.124          23 Contrato  Social  da  Jera  Participações  e  Serviços  Ltda  de  20/02/2003  (fls.  716/723)  e  1ª  Alteração  de  13/02/2004  (fls.  725/730 e 930/936),  sendo provenientes da empresa Intermares  Logística Ltda, não podem ser considerados rendimentos isentos.  A apresentação do Contrato de Prestação de Serviços datado de  12/01/2004  (cópia  de  fls.  925/929)  celebrado  entre  Intermares  Logística  Ltda/CNPJ  04.534.711/000105  (contratante)  e  Jera  Participações  e  Serviços  Ltda/CNPJ  05.575.862/000166  (contratada), sem registro em Cartório de Títulos e Documentos,  bem  assim  da  Nota  Fiscal  de  Serviços  de  emissão  da  Jera  Participações  e  Serviços  Ltda  (cópia  de  fls.  937/945),  são  insuficientes  para  comprovar  que  os  créditos  efetuados  nas  citadas  contas  bancárias  referemse  a  distribuição  de  lucros  da  Jera Participações.  Não  tendo  o  impugnante  comprovado  a  natureza  dos  créditos  efetuados  pela  Intermares  Logística  Ltda  na  c/c  nº  202234/Banco  Unibanco  SA,  assim  também  na  c/c  nº  0845.  438001/ Banco Itaú SA, ditos valores seguem com sua origem de  recursos injustificada.  A seguir, passa­se a análise dos valores recebidos pelo Sr. Silvio Giovanolli  em decorrência de empréstimos realizados com a empresa Intermares Marketing International  de  Importação  e  Exportação  Ltda  no  ano  calendário  2002  (R$  843.493,61)  e  da  Intermares  Logística Ltda (fl. 475.000,00) no ano calendário 2004.  23/01/2002  R$ 2.366,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.  23/01/2002  R$ 36.745,80  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.  07/03/2002  R$ 15.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  07/03/2002  R$ 8.373,08  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  02/04/2002  R$ 5.289,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  02/04/2002  R$ 39.562,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  15/04/2002  R$ 129.330,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  02/05/2002  R$ 12.282,26  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  03/06/2002  R$ 3.040,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.  10/06/2002  R$ 3.342,50  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.  10/06/2002  R$ 120.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  03/07/2002  R$ 11.292,77  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  22/07/2002  R$ 136.614,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  26/07/2002  R$ 36.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  26/07/2002  R$ 2.620,20  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.   Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.125          24 05/08/2002  R$ 2.718,40  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.  05/08/2002  R$ 18.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  07/08/2002  R$ 5.959,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.   14/08/2002  R$ 38.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.  14/08/2002  R$ 4.389,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.   04/09/2002  R$ 4.774,80  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.   04/09/2002  R$ 25.300,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.   16/09/2002  R$ 29.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.   16/09/2002  R$ 3.024,80  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.   23/09/2002  R$ 43.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  AG. TEF.   04/10/2002  R$ 2.048,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.   04/10/2002  R$ 33.300,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.   09/10/2002  R$ 7.400,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DP. CHEQUE  10/10/2002  R$ 14.564,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.   17/10/2002  R$ 8.105,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.   23/10/2002  R$ 6.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.   23/10/2002  R$ 2.366,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  CRED. DOC.   05/11/2002  R$ 36.017,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Marketing CNPJ 47543236/0001­38  DOC. E.     R$ 843.493,61        18/2/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  TED  15/3/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  TED  22/1/2004  R$ 5.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  16/2/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  TED  30/1/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  TED  5/3/2004  R$ 5.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  TED  10/3/2004  R$ 5.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  TED  14/4/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  TED  5/1/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  15/1/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.126          25 15/1/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  26/1/2004  R$ 15.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  30/1/2004  R$ 20.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  10/2/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  20/2/2004  R$ 25.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  2/3/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  8/3/2004  R$ 5.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  10/3/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  22/3/2004  R$ 30.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  26/3/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  14/4/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  30/4/2004  R$ 15.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  5/5/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  10/5/2004  R$ 15.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  19/5/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  21/5/2004  R$ 25.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  11/6/2004  R$ 35.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  14/6/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  21/6/2004  R$ 10.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  5/7/2004  R$ 20.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  12/7/2004  R$ 30.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  3/8/2004  R$ 15.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  12/8/2004  R$ 20.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  AG. TEF  26/2/2004  R$ 5.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  TED  10/8/2004  R$ 15.000,00  Pagamento mútuo feito a Intermares Logística CNPJ 04534711/0001­05  TED    R$ 475.000,00      Da análise do contrato de mútuo (fls. 946/947) entre o Sr. Silvio Giovanolli e  a empresa Intermares Marketing Internacional de Imp e Exp Ltda, CNPJ 47.543.236/0001­38,  datado  de  26  de  setembro  de  2001  (fls.  946/947),  consta  como  objeto  o  suprimento  de  numerário à mutuária, mediante a comprovação em cheque ou moeda corrente. Consta ainda  que o suprimento far­se­á segundo as necessidades de caixa da Mutuária.  Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.127          26 Nas  mesmas  condições,  também  foi  o  Contrato  de Mútuo  celebrado  entre  Silvio Giovanolli Nunziato (mutuante) e Intermares Logística Ltda, CNPJ 04.534.711/000105  (mutuária), datado de 02 de janeiro de 2004 (fls. 948/949).   Pois bem. Se existem depósitos de referidas empresas nas contas correntes do  recorrente,  em  face  dos  contratos  de  empréstimo  (mútuo),  logicamente,  numa  operação  anterior, ocorreu o suprimento do caixa dessas empresas pelo Sr. Silvio Giovanolli. Assim, nos  termos  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  considerando  que  não  existem  nos  autos  comprovação  efetiva  de  transferência  de  numerários  do  recorrente  para  referidas  empresas,  resta não comprovada a origem dos recursos, em virtude das operações de empréstimos.  Pelo  exposto,  não  assiste  razão  ao  recorrente  em  seus  argumentos,  não  merecendo, nesse ponto, reforma do acórdão da DRJ/SPI, que assim concluiu:   Não  tendo  o  impugnante  logrado  comprovar  que  os  créditos  efetuados na c/c nº 202234/Banco Unibanco SA, assim  também  na c/c nº 0845. 438001/ Banco Itaú SA, referem­se às devoluções  de mútuo realizadas por Intermares Marketing Internacional de  Importação  e  Exportação  Ltda  no  ano  calendário  2002  e  por  Intermares Logística Ltda no ano calendário 2004, fica mantida  a tributação dos referidos depósitos, por não restar comprovada  a  natureza  dos  recursos  creditados  nas  aludidas  contas  de  titularidade do interessado.  g) Transferências entre contas do próprio recorrente, resgates de aplicações financeiras e  reembolso de despesas de empresa do qual é sócio.  Salienta  o  sujeito  passivo  que  a  fiscalização  incluiu,  entre  as  receitas  omitidas,  os  valores  de  transferências  entre  contas  do  recorrente  e  resgates  de  aplicações  financeiras no montante de R$ 418.835,00, bem como os reembolsos de despesas de empresa  do qual é sócio no valor de R$ 131.387,15.   A  seguir,  demonstrativo  com  os  créditos  relativos  a  resgates  de  aplicações  financeiras:   21/1/2002  R$ 25.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  2/1/2002  R$ 40.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  22/7/2002  R$ 20.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  3/1/2002  R$ 49.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  CART ADM  Total parc.  R$ 134.000,00      5/6/2003  R$ 20.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  1/12/2003  R$ 13.013,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  29/12/2003  R$ 4.835,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  29/12/2003  R$ 5.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  30/12/2003  R$ 20.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.128          27 27/2/2003  R$ 46.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  25/3/2003  R$ 85.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  Total Parc  R$ 193.835,00      20/1/2004  R$ 18.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  1/3/2003  R$ 35.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  5/3/2003  R$ 5.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  4/8/2003  R$ 8.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  11/8/2003  R$ 20.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  03/09/2003  R$ 5.000,00  Resgate aplicação transferência de aplicação titularidade do declaraNTE  AG TEF  Total Parc.  R$ 91.000,00      Total  Geral  R$ 418.835,00      Os valores em discussão referem­se aos creditados na C/C nº 0845.43800­1  do Banco Itaú, conforme extratos de fls. 54/60, 132/150 e 189/204. Afirma o recorrente que os  valores  dos  créditos  correspondem:  "Resgate  aplicação  Transferência  de  aplicação  titularidade do declarante ­ AG. TEF".   Desta  forma,  incumbi ao  recorrente demonstrar de forma clara a origem do  crédito em outra conta de sua  titularidade, correlacionando valor e data da operação, que, ao  meu  ver,  não  consta  demonstrado  nos  autos.  Essa,  também,  foi  a  conclusão  da  autoridade  lançadora:  "Os  itens  justificados  como  transferência de aplicação de mesma  titularidade, na  realidade não o são, visto que não encontramos contrapartida nos extratos dos outros bancos  ".   A seguir, demonstrativo com reembolsos de despesas de empresa do qual é  sócio:  8/12/2003  R$ 4.241,20  Reembolso  Cestas  de  Natal  ­  Intermares  Marketing  Ltda.  CNPJ  47.543.236/0001­38  DEP CHQ  18/12/2003  R$ 1.824,00  Reembolso  Cestas  de  Natal  ­  Intermares  Marketing  Ltda.  CNPJ  47.543.236/0001­38  DEP CHQ  30/1/2003  R$ 449,00  Reembolso  de  despesas  pagas  pelo  declarante,  almoço  com  cliente  ­  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  7/5/2003  R$ 1.000,00  Reembolso  de  Despesas  com  Refeição  e  Taxi  pagas  pelo  declarante  em  viagem profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CEI  11/2/2003  R$ 3.489,00  Reembolso  de  Despesas  de  Viagem  Comercial­Estadia/Refeição/  Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  13/10/2003  R$ 1.000,00  Reembolso  de  Despesas  de  Viagem  Comercial­Estadia/Refeição/  Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DEP CHQ  15/9/2003  R$ 4.000,00  Reembolso  de  Despesas  de  Viagem  Comercial­Estadia/Refeição/  TRANSF CC  Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.129          28 Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  17/9/2003  R$ 1.500,00  Reembolso  de  Despesas  de  Viagem  Comercial­Estadia/Refeição/  Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  22/9/2003  R$ 8.000,00  Reembolso  de  Despesas  de  Viagem  Comercial­Estadia/Refeição/  Locomoção Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  21/3/2003  R$ 5.700,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  9/4/2003  R$ 273,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  7/5/2003  R$ 4.500,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  5/6/2003  R$ 1.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  14/7/2003  R$ 2.781,94  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  25/7/2003  R$ 1.467,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  11/4/2003  R$ 4.683,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DEP CHQ  21/8/2003  R$ 3.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DEP CHQ  14/4/2003  R$ 4.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DP INTERA  8/4/2003  R$ 6.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TED  RECEBIDO  19/11/2003  R$ 5.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TED  RECEBIDO  14/3/2003  R$ 2.300,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  19/3/2003  R$ 1.600,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  22/5/2003  R$ 2.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  10/6/2003  R$ 1.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  17/6/2003  R$ 945,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  7/7/2003  R$ 1.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  19/8/2003  R$ 2.500,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.130          29 2/9/2003  R$ 5.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  10/9/2003  R$ 5.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  1/10/2003  R$ 1.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  7/5/2003  R$ 2.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CEI  17/9/2003  R$ 4.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DEP CHQ  4/8/2003  R$ 1.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  6/1/2003  R$ 3.600,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  2/1/2003  R$ 2.000,00  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  18/9/2003  R$ 4.309,10  Reembolso de passagens pagas pelo declarante referente a viagem comercial  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  30/6/2003  R$ 120,00  Reembolso  despesas  com  representação  (almoço  com  cliente  e  táxi)  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  7/5/2003  R$ 183,91  Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi)  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001  DEP CHQ  30/4/2003  R$ 400,00  Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi)  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001  DEP  DINHEIRO  30/4/2003  R$ 650,00  Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi)  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001  TRANSF CC  18/6/2003  R$ 500,00  Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi)  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001  TRANSF CC  21/8/2003  R$ 500,00  Reembolso despesas com representação (almoço com cliente e táxi)  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001  TRANSF CC    R$ 108.516,15      5/2/2004  R$ 200,00  Reembolso  de  passagens  áreas  pagas  pelo  declarante  referente  a  viagem  profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  12/2/2004  R$ 394,00  Reembolso  de  passagens  áreas  pagas  pelo  declarante  referente  a  viagem  profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DOC  15/3/2004  R$ 394,00  Reembolso  de  passagens  áreas  pagas  pelo  declarante  referente  a  viagem  profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DOC  17/2/2004  R$ 172,00  Reembolso  de  passagens  áreas  pagas  pelo  declarante  referente  a  viagem  profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DEP CHQ  20/1/2004  R$ 2.000,00  Reembolso  de  passagens  áreas  pagas  pelo  declarante  referente  a  viagem  profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  21/6/2004  R$ 3.000,00  Reembolso  de  despesas  estadia  táxi,  almoço  Intermares  Marketing  Ltda.  CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.131          30 17/8/2004  R$ 1.500,00  Reembolso  de  passagens  áreas  pagas  pelo  declarante  referente  a  viagem  profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TEC DEP  17/8/2004  R$ 2.500,00  Reembolso  de  passagens  áreas  pagas  pelo  declarante  referente  a  viagem  profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TEC DEP  5/3/2004  R$ 1.500,00  Reembolso  de  passagens  áreas  pagas  pelo  declarante  referente  a  viagem  profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  CRED DOC  15/6/2004  R$ 5.575,00  Reembolso  de  passagens  áreas  pagas  pelo  declarante  referente  a  viagem  profissional Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  TRANSF CC  1/7/2004  R$ 2.000,00  Reembolso de despesas de viagens estadia táxi almoço Intermares Marketing  Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DOC  2/12/2004  R$ 2.000,00  Reembolso  de  despesas  pagas  pelo  declarante  em  uso  profissional  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DOC  28/12/2004  R$ 2.000,00  Reembolso  de  despesas  pagas  pelo  declarante  em  uso  profissional  Intermares Marketing Ltda. CNPJ 47.543.236/0001­38  DOC    R$ 22.871,00      Em  relação  ao  reembolso  das  despesas,  ampara­se  o  recorrente  em Acordo  Comercial (fls. 964/965), entre o Sr. Silvio Giovanolli Nunziato e a empresa INTERMARES  MARKETING  INTERNATIONAL  DE  IMPORTAÇÃO  E  EXPORTAÇÃO  LTDA,  CNPJ  47.543.236/0001­38.  Na  cláusula  Segunda,  está  prevista  que  o  administrador,  Sr.  Silvio  Giovanolli Nunziato, deve : ".. receber à titulo de reembolso todas as despesas que tiver com  atividades  da  empresa,  como  viagens  (terrestres,  aéreas  ou marítimas)  ,  visitas  à  clientes  e  fornecedores, refeições, entre outras necessidade inerentes a atividade.  Consta  do  Dossiê  Integrado  (fls.  25/27)  que  o  regime  de  tributação  da  INTERMARES MARKETING  INTERNATIONAL DE  IMPORTAÇÃO  E  EXPORTAÇÃO  LTDA é pela  sistemática do Lucro Real. A pessoa  jurídica  sujeita  a  tributação  com base no  Lucro Real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto­lei  1.598/1977, artigo 7°).  Desse modo, tem­se que a escrituração com base nas leis comerciais e fiscais  deve  abranger  os  registros  de  todas  as  receitas,  despesas  e  custos.  Dispõe  o  art.  299  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR/99)  que  as  despesas  pagas  ou  incorridas  não  as  necessárias à atividade da empresa, verbis:  Custos, Despesas Operacionais e Encargos  Subseção I  Disposições Gerais  Despesas Necessárias   Art.  299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à atividade  da  empresa  e  à manutenção da  respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47).  §1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização das transações ou operações exigidas pela atividade  da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º).  Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 19515.001299/2007­22  Acórdão n.º 2401­005.289  S2­C4T1  Fl. 1.132          31 §2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo  de  transações,  operações  ou  atividades  da  empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º).  §3º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se  também  às  gratificações  pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.  Neste sentido, entendo que cabia ao recorrente ter demonstrado, por meio da  escrituração contábil da Intermares Marketing International de Imp. e Exp. Ltda, comprovados  por documentos hábeis, que os valores creditados em suas contas correntes correspondiam ao  pagamento de despesas necessárias a atividade operacional da referida empresa.  Diante do exposto, não assiste razão ao recorrente em seus argumentos.  h) Da ilegalidade da exigência cumulada de juros moratório e taxa Selic.  Em relação a  ilegalidade da  exigência cumulada de  juros moratórios  e  taxa  selic. É  pacífico  o  entendimento,  no  âmbito  desse  colegiado,  de  que  o  crédito  tributário  não  integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de  mora  em  percentual  equivalente  à  taxa  referencial  SELIC,  acumulada mensalmente,  tal  qual  consta do lançamento do crédito tributário, nos termos da Súmula CARF nº 4.  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Conclusão  Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso, para rejeitar  a preliminar de nulidade, e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir o valor  tributável de R$ 160.000,00, fato gerador 30/11/2003 (item 001 do AI).      (assinado digitalmente)    Francisco Ricardo Gouveia Coutinho                             Fl. 1139DF CARF MF

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Numero do processo: 10380.001824/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
Numero da decisão: 2201-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI

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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. É de se reconhecer a decadência quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora do lustro previsto no CTN, ainda que existam valores depositados judicialmente com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE. A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Marcelo Milton da Silva Risso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.

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2201­004.272  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de março de 2018  Matéria  SEBRAE  Recorrente  CORPVS CORPO VIGILANTES PARTICULARES LTD  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006  DEPÓSITO  DO  MONTANTE  INTEGRAL.  ATO  FORMAL  DE  LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.  É  de  se  reconhecer  a  decadência  quanto  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por homologação, quando o Fisco, com o fito de prevenir a caducidade dos  créditos discutidos em juízo, realiza seu poder de constituição do mesmo fora  do  lustro  previsto  no  CTN,  ainda  que  existam  valores  depositados  judicialmente  com  o  objetivo  de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário.  DEPÓSITO  JUDICIAL.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  JUROS  E  MULTA  DE  MORA.  INEXIGIBILIDADE.  A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  correspondente,  sendo  incabível  a  exigência  de  multa  de  mora,  exclusivamente,  no  caso  de  o  depósito  ter  sido  efetuado  antes  do  decurso  do  prazo  regular  para  o  pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data  da efetivação do depósito.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,    por  voto  de  qualidade,  em  acolher  a  preliminar  de  decadência.  Vencidos  os  Conselheiros  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel Melo Mendes  Bezerra,  Dione  Jesabel Wasilewski  e Marcelo Milton  da  Silva  Risso.  Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. No mérito,  por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiros Carlos  Alberto do Amaral Azeredo.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 24 /2 00 9- 70 Fl. 141DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente e Redator designado.   (assinado digitalmente)  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora.    EDITADO EM: 22/03/2018  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva  Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário (fls. 132/138) apresentado em face do Acórdão  nº  03­44.312,  da  5ª  Turma  da  DRJ/BSB  (fls.  112/122),  que  deu  parcial  provimento  à  impugnação do sujeito passivo ao auto de infração (fl. 2) pelo qual se exige crédito tributário  relativo  às  contribuições  devidas  ao  Serviço  de  Apoio  às  Micro  e  Pequenas  Empresas  ­  SEBRAE,  incidente  sobre a  remuneração paga, devida ou creditada a  segurados empregados  pela matriz e algumas das filiais.   Segundo  o  relatório  fiscal  (fls.  69/74),  neste  processo  foram  lançadas  contribuições  ao SEBRAE nas  hipóteses  em que  o  código  informado na GFIP determinou  a  não declaração dessas contribuições e, simultaneamente, não houve recolhimento.  É informado, ainda, que a autuada teria ingressado com a Ação Ordinária nº  97.0020072­8  junto  à  8ª  Vara  da  Justiça  Federal  no  Ceará,  objetivando  suspender  a  exigibilidade  das  contribuições  destinadas  ao  SEBRAE  e  ao  SESC  e SENAC. A  fiscalizada  teria apresentado cópia das guias de depósitos  judiciais dos valores  referentes à contribuição  em  tela  no  período  de  janeiro  a  março  de  2004,  bem  como  livros  contábeis  contendo  os  lançamentos  relativos  a  tais  depósitos  até  abril  de  2004.  A  partir  de  então,  teria  passado  a  recolher  a  contribuição  ao  SEBRAE,  de  forma  que  remanesceu  para  lançamento  apenas  diferenças da referida exação em algumas competências.  Ainda  que  tenham  sido  efetuados  depósitos  judiciais  referentes  às  contribuições até março de 2004, houve lançamento para prevenir a decadência.  A  autoridade  fiscal  menciona  ainda  que  parte  dos  livros  e  documentos  solicitados  pela  fiscalização  não  foram  apresentados,  o  que  teria  justificado  a  imposição  de  penalidade nos Autos de Infração ­ AIOA nº 37.165.756­8 e AIOA nº 37.165.757­1.  Em  relação  ao  período  lançado,  extrai­se  do  relatório  fiscal  o  seguinte  parágrafo:  1.10 Em  face da ocorrência da ressalva prevista no art. 150, §  4º,  do  Código  Tributário  Nacional,  por  se  ter  verificado  a  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10380.001824/2009­70  Acórdão n.º 2201­004.272  S2­C2T1  Fl. 142          3 existência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  foram  lançadas  contribuições referentes a período maior que cinco anos.  Mais adiante, a fiscalização relata as irregularidades que foram verificadas no  curso do procedimento fiscalizatório:  •  Não  foram  apresentados  os  livros  Razão  referentes  aos  exercícios de 2005 e de 2006.  •  Nos  livros  Diários  apresentados,  verificou­se  a  existência  de  lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis,  manutenção  de  veículos,  material  de  escritório,  material  utilizado  no  serviço,  viagens,  cestas  básicas,  sem  referência  a  documento  fiscal,  conforme  cópias  xerográficas  anexadas  ao  AIOP DEBCAD 37.209.960­2.  •  A  partir  de  2005,  o  histórico  das  despesas  acima  citadas  passou  a  referenciar  o  número  do  documento  fiscal.  Por  se  tratarem  de  despesas  de  valor  elevado,  principalmente  no  que  tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado  no  serviço,  e  por  terem  sido  anteriormente  escrituradas  sem  referência A nota fiscal, concluiu­se quanto à indispensabilidade  do  exame  de  alguns  desses  comprovantes  no  sentido  de  determinar  se  tais  gastos  se  referiam  efetivamente  à  finalidade  consignada nos títulos contábeis.  • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas  escrituradas,  apenas  parte  dos  mesmos  foi  apresentada  à  fiscalização,  tendo  os  comprovantes  sido  retidos  e  posteriormente, apreendidos.  • Os  documentos  fiscais  apresentados  pela  empresa  continham  indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce  e numeração de notas apostas com numerador manual.  • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para  apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração  e  relativas  aos  mesmos  períodos  das  apresentadas  pela  CORPVS.  •  Examinadas  as  Notas  Fiscais  emitidas  pelos  fornecedores,  verificou­se que:  • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS  não  tinham  sido  emitidas  contra  este  cliente  ou  sequer  tinham  sido emitidas ainda pelo fornecedor;  •  tanto  as  datas  de  emissão  das  Notas  quanta  os  valores  das  mesmas  eram  diferentes  das  contidas  nas  apresentadas  pela  CORPVS;  •  o  lay­out  das Notas  apresentadas  pelos  fornecedores  não  era  compatível com o das vias encontradas na CORPVS.  • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do  Ceará acerca das empresas para quem  teriam  sido  emitidas as  Autorizações  para  Impressão  de  Documentos  Fiscais  ­  AIDF,  Fl. 143DF CARF MF     4 constatou­se  que  as  Autorizações  constantes  das Notas  Fiscais  apresentadas  pela  CORPVS  como  sendo  de  seus  fornecedores  foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas.  •  Foi  solicitada  ainda  a  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  do  Ceará  a  identificação  dos  contribuintes  para  quem  foram  emitidas  a  Autorizações  para  Impressão  dos  Selos  apostos  em  Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso  verificou­se terem sido as Autorizações emitidas para empresas  diferentes  daquelas  constantes  das  Notas  apresentadas  pela  CORPVS.  •  Tais  constatações  determinaram  a  conclusão  quanto  A  apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese  de  crime  de  falsificação  de  documento  público,  conforme  previsto no art. 297 do Decreto­Lei 2.848/40 ­ Código Penal.  •  No  caso  dos  selos  apostos  nas  Notas  Fiscais,  deve  ser  levantada  a  tese  de  crime  de  falsificação  de  papéis  públicos,  conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal.  A impugnação do sujeito passivo (fls. 81/91) deu origem ao Acórdão nº 03­ 44.312,  da  5ª  Turma  da DRJ/BSB,  que  reconheceu  a  decadência  do  lançamento  no  período  compreendido entre 01/2003 e 11/2003. Esta decisão recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP  DEBCAD  37.043.907­4  PRAZO  DECADENCIAL.  INÍCIO  DA  CONTAGEM.  DOLO,  FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  A Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal  ­ STF,  publicada  no  Diário  Oficial  da  União,  em  20/06/2008,  ao  determinar a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212,  de 24/07/1991, atraiu a incidência do prazo decadencial para a  Lei nº 5.172, de 25/10/1966 ­ Código Tributário Nacional ­ CTN.  Para fixação do dies a quo do prazo decadencial, ocorrendo as  hipóteses  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  deve­se  aplicar  o  disposto no inciso I, do art. 173 do CTN.  CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO DO  SEU MONTANTE INTEGRAL. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO.  A propositura, pelo sujeito passivo, de ação  judicial, que tenha  por  objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  trate  o  processo  administrativo,  importa  em  renúncia  ao  contencioso  administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso  somente  em  relação  à  matéria  distinta  daquela  discutida  judicialmente.  JUROS E MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. REDUÇÃO  Tratando­se de lançamento destinado a resguardar o crédito dos  efeitos da decadência, justifica­se acautelar tanto a importância  principal quanto os seus consectários legais.  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10380.001824/2009­70  Acórdão n.º 2201­004.272  S2­C2T1  Fl. 143          5 A  multa  moratória  somente  será  reduzida  em  cinquenta  por  cento, na hipótese de as contribuições terem sido declaradas em  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  em  consonância  com  o  Art.  239,  §11  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo Decreto  nº  3.048,  de  06/05/1999.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  O  sujeito  passivo  tomou  ciência  dessa  decisão  em  13/09/2011  (fl.  131)  e  apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 04/10/2011(fls. 132/138).  Suas razões recursais podem ser assim resumidas:  1.  Não  ocorreu  dolo,  fraude  ou  simulação  na  apuração  e  recolhimento  das  contribuições exigidas no presente auto, de forma que deve ser aplicada a regra decadencial do  art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.  2. As contribuições relativas ao período anterior à competência abril/2004 já  estavam fulminadas pela decadência.  3. O depósito tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário,  de  forma  que  o  lançamento  feito  para  prevenir  a  decadência  não  deve  incluir  a  multa  por  lançamento de ofício e juros de mora.  4.  Em  caso  de  aplicação  de  multa  e  juros  moratórios,  eles  deveriam  ser  reduzidos em 50%, conforme as disposições contidas no art. 239, §11, do Decreto nº 3.048, de  1999.  Com base  no  exposto,  pede  a  reforma da decisão  recorrida para  cancelar o  lançamento das contribuições extintas pela decadência e a exclusão de juros e multa em virtude  da existência de depósito judicial das contribuições lançadas neste auto de infração.  Nesta  2ª  Seção  de  Julgamento,  o  processo  compôs  lote  sorteado  a  esta  Conselheira em sessão pública.  É o que havia para ser relatado.    Voto Vencido  Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora  O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e  dele conheço.  Preliminar de Mérito ­ Decadência  Fl. 145DF CARF MF     6 Em sede preliminar,  a  recorrente  alega  estarem decaídos os  fatos geradores  ocorridos até a competência abril de 2004, pois não restaria comprovada a ocorrência de dolo,  fraude ou simulação em relação à apuração do tributo lançado neste auto de infração.   Penso que, em parte, assiste razão à recorrente. Fundamento.  Em  benefício  da  clareza,  volto  a  transcrever  o  parágrafo  com  o  qual  a  autoridade  fiscal  justifica  a  aplicação  da  regra  decadencial  do  art.  173,  I,  do  CTN:    1.10 Em  face da ocorrência da ressalva prevista no art. 150, §  4º,  do  Código  Tributário  Nacional,  por  se  ter  verificado  a  existência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  foram  lançadas  contribuições referentes a período maior que cinco anos.  O art. 150 do Código Tributário Nacional está assim redigido:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.   §  1º O pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação ao lançamento.   §  2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.   § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.   § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação. (grifou­se)  De acordo com esse artigo, o lançamento por homologação ocorre nos casos  em que a  legislação atribui  ao  sujeito passivo o dever de  realizar o pagamento  sem a prévia  análise da autoridade pública e a homologação se dá a partir do conhecimento desta autoridade  acerca da atividade assim exercida por ele. Pelo parágrafo quarto, o prazo para homologação  será de  cinco  anos  a partir  da ocorrência do  fato gerador,  a não  ser que  seja  "comprovada  a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação".  Parece evidente que a conduta dolosa, fraudulenta ou simulada a que se refere  o CTN neste artigo deve estar relacionada à atividade do contribuinte passível de homologação  pela Fazenda Pública.  Ou seja, não é a prática de "qualquer" conduta com dolo, fraude ou simulação  que  justificaria  a  imposição  de  um  prazo  decadencial  mais  elastecido,  mas  sim  de  comportamentos dissuasivos relacionados à apuração e pagamento do tributo em análise.  Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10380.001824/2009­70  Acórdão n.º 2201­004.272  S2­C2T1  Fl. 144          7 Na hipótese em questão, a fiscalização alega que apurou a ocorrência de fatos  que  podem  ser  caracterizados  como  crime.  Ocorre,  porém,  que  não  estabeleceu  um  vínculo  entre essas condutas e os fatos geradores que deram origem ao lançamento.  Pelo  contrário,  discorre  sobre  a  conduta  do  sujeito  passivo  de  levar  sua  discordância em relação à exação em análise ao poder judiciário, bem como sobre o fato de que  os valores em discussão estão sendo depositados judicialmente, sem qualquer ressalva quanto à  eventual insuficiência desse depósito.  Portanto,  entendo  que  não  se  estabeleceu  um  nexo  de  causalidade  entre  as  irregularidades  narradas,  passíveis  de  enquadramento  como  conduta  dolosa,  simulada  ou  fraudulenta, que consistem na existência, no livro diário, de despesas diversas suportadas por  documentos fiscais aparentemente falsos, com o fato gerador do tributo exigido neste auto de  infração.  Deve  ser  registrado,  ainda,  que  o  relatório  fiscal  aponta  a  existência  de  pagamentos da contribuição em tela pela filial de Recife.  Tudo considerado, entendo que os argumentos apresentados pela fiscalização  para a aplicação da ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN não são idôneos para tanto, de  forma  que  o  prazo  decadencial  deveria  ser  contado  pela  regra  insculpida  na  primeira  parte  desse dispositivo, tendo seu marco inicial na data da ocorrência do fato gerador tributário.  Pelas razões expostas, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu  em 09/03/2009  (fl.  80),  estariam  já  atingidas  pela decadência os  fatos  geradores  relativos  às  competências anteriores à fevereiro de 2004, esta incluída.   Antes de avançar, necessário destacar que o relatório fiscal dá conta de que  nessas  competências  o  lançamento  foi  efetuado  para  prevenir  a  decadência,  uma vez  que  os  valores já se encontravam depositados judicialmente.  A decadência é matéria de defesa, portanto é um fato que impede, modifica  ou extingue o direito alegado pela autoridade autuante. Dessa forma, reconhecer a decadência  de parte do período  lançado poderia  levar o contribuinte a entender que se  tornou  indevida a  exigência em relação ao período depositado o que poderia justificar o pedido de levantamento  em favor do depositante.  Nesta matéria, entretanto, filio­me ao entendimento já consolidado no âmbito  do Superior Tribunal de  Justiça  ­ STJ,  retratado na  seguinte  ementa de  relatoria do Ministro  Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016:  TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  DEPÓSITO  DO  MONTANTE  INTEGRAL  DA  DÍVIDA.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  ART.  151,  II,  DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO  CRÉDITO.  TERMO  INICIAL.  DISPENSA  DO  ATO  FORMAL  DE  LANÇAMENTO.  DECADÊNCIA  NÃO  CONFIGURADA.  SUMULA 83/STJ.  1.  Tribunal  a  quo  julgou  improcedente  a  apelação  e  não  reconheceu  a  decadência  quanto  aos  depósitos  efetuados  para  Fl. 147DF CARF MF     8 discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a  23/04/2007.  2.  É  pacífica  a  jurisprudência  do  STJ  no  sentido  de  que,  nos  casos  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  contribuinte,  ao  realizar  o  depósito  judicial  com  o  objetivo  de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário,  promove  a  constituição deste; como resultado, torna­se desnecessário o ato  formal de  lançamento pela autoridade administrativa no que se  refere aos valores depositados.  3.  O  acórdão  recorrido  está  em  sintonia  com  o  atual  entendimento  deste  Tribunal  Superior,  razão  pela  qual  não  merece  prosperar  a  irresignação.  Incide,  in  casu,  o  princípio  estabelecido  na  Súmula  83/STJ:  "Não  se  conhece  do  Recurso  Especial pela divergência,  quando a orientação do Tribunal  se  firmou  no  mesmo  sentido  da  decisão  recorrida."  4.  Recurso  especial não provido.   Os fundamentos para essa decisão podem ser extraídos do voto do Ministro  Mauro Campbel Marques no Acórdão nº 1.008.788/CE, de onde se extrai:  Quanto ao mérito, sem razão a recorrente, pois a jurisprudência  deste  STJ  firmou­se  no  sentido  de  que,  nos  casos  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  o  contribuinte,  ao  realizar  o  depósito  judicial  com  vistas  à  suspensão  do  crédito  tributário,  promoveu  a  constituição  deste  nos  moldes  do  que  dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN.  Isso, porque verificou a ocorrência do  fato gerador, calculou o  montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, depositou a  quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação.  Assim,  o  crédito  tributário  foi  constituído  por  meio  da  declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência  do direito do Fisco de  lançar,  caracterizando­se  com a  inércia  da  autoridade  fazendária  apenas  a  homologação  tácita  da  apuração anteriormente realizada.  Destarte,  tratando­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  entende­se  que  o  crédito  foi  constituído  pelo  contribuinte  quando  do  depósito  da  quantia  apurada,  não  havendo necessidade, portanto, de ato formal de lançamento por  parte da autoridade.   Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário  que  ele  já  esteja  constituído. No  caso  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  a  atividade de pagamento pode ser substituída pelo depósito que produzirá efeitos semelhantes,  estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser  convertido em pagamento definitivo ou restituído ao sujeito passivo. Nesse ínterim, incabível  se falar em fluência do prazo decadencial.  Com  base  no  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário  no  que  diz  respeito às alegações de decadência.  Mérito  Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10380.001824/2009­70  Acórdão n.º 2201­004.272  S2­C2T1  Fl. 145          9 Quanto  ao mérito,  a  recorrente  insurge­se  contra  o  lançamento  de multa  e  juros  moratórios  no  período  em  que  realizado  o  depósito  integral  dos  valores  exigidos  no  lançamento.  Quanto a essa matéria, penso que tem razão a recorrente. Neste ponto, adoto  como razões de decidir o trecho a seguir transcrito do Acórdão nº 2301­005.062, de relatoria da  Conselheira Andrea Brose Adolfo:  Sobre a cobrança de juros de mora quando há comprovação do  depósito judicial em montante integral, temos a Súmula CARF nº  5, de aplicação obrigatória pelos membros deste colegiado, que  afasta essa exigência.  “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral.”(grifamos)  Com relação à multa moratória, em que pese não haver expressa  disposição  em  lei  afastando  sua  aplicação  nos  casos  de  exigibilidade suspensa em decorrência do depósito do montante  integral  do  tributo  devido,  entendo  que  incabível  pela  própria  definição  de  "mora".  Nos  termos  do  art.  394  do Código Civil:  "Considera­se em mora o devedor que não efetuar o pagamento  e o credor que não quiser recebê­lo no tempo, lugar e forma que  a lei ou a convenção estabelecer."  Estando  consignado  no  próprio  Relatório  Fiscal  da  Autuação  que os valores  foram  integralmente depositados antes do  início  da ação fiscal não há que se falar em inadimplemento por parte  do  contribuinte,  devendo  ser  afastada  também  a  cobrança  da  multa de mora.  No caso em análise, a fiscalização menciona a existência de ação judicial e de  depósito  da  quantia  relativa  ao  tributo  exigido,  sem  fazer  qualquer  referência  à  eventual  insuficiência ou intempestividade dele, fatos que seriam constitutivos do direito alegado.   Portanto,  não  identifico  na  narrativa  construída  pela  fiscalização  elementos  para  justificar  a  imposição  de  juros  ou  multa  moratória  à  empresa  autuada  no  período  em  houve depósito judicial, o que torna imperioso dar provimento ao recurso nessa matéria.  Tendo afastado a exigência de multa e juros moratórios no período em que o  valor devido se encontrava depositado judicialmente,  torna­se impertinente a alegação de sua  redução.  Conclusão  Com base no exposto, voto por conhecer do  recurso voluntário apresentado  para,  rejeitada a preliminar de decadência, no mérito, dar­lhe parcial provimento para excluir  do lançamento a multa e os juros moratórios do período em que o valor lançado se encontrava  depositado judicialmente.  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora  Fl. 149DF CARF MF     10 Voto Vencedor  Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado.    Em que pese o brilhantismo do voto da insigne Conselheira Relatora, ouso,  com o máximo respeito, dela discordar quanto aos efeitos da decadência verificada. Explico.  Preliminarmente,  como  mencionado,  há  decadência  do  crédito  tributário  constituído  relativo  ao  período  anterior  a  fevereiro  de  2004,  incluído.  No  entendimento  da  Relatora:  "Deve  ser  registrado,  ainda,  que  o  relatório  fiscal  aponta  a  existência de pagamentos da contribuição em tela pela  filial de  Recife.  Tudo considerado, entendo que os argumentos apresentados pela  fiscalização para a aplicação da ressalva contida no § 4º do art.  150 do CTN não são idôneos para tanto, de forma que o prazo  decadencial  deveria  ser  contado  pela  regra  insculpida  na  primeira parte desse dispositivo, tendo seu marco inicial na data  da ocorrência do fato gerador tributário.  Pelas  razões  expostas,  considerando  que  a  ciência  do  auto  de  infração  ocorreu  em  09/03/2009  (fl.  80),  estariam  já  atingidas  pela  decadência  os  fatos  geradores  relativos  às  competências  anteriores à fevereiro de 2004, esta incluída." (destaquei)  Porém, mesmo reconhecendo a decadência do direito do Fisco em constituir  o  crédito  tributária,  a  ínclita  Relatora  opta  pelo  não  provimento  do  recurso  nessa  parte.  Os  argumentos abaixo fundamentam sua decisão:  "A  decadência  é  matéria  de  defesa,  portanto  é  um  fato  que  impede, modifica ou extingue o direito alegado pela autoridade  autuante. Dessa  forma,  reconhecer  a  decadência  de  parte  do  período lançado poderia levar o contribuinte a entender que se  tornou indevida a exigência em relação ao período depositado o  que  poderia  justificar  o  pedido  de  levantamento  em  favor  do  depositante.  Nesta  matéria,  entretanto,  filio­me  ao  entendimento  já  consolidado  no  âmbito  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ,  retratado  na  seguinte  ementa  de  relatoria  do Ministro Herman  Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016:  TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  DEPÓSITO  DO  MONTANTE  INTEGRAL  DA  DÍVIDA.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  ART.  151,  II,  DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO  CRÉDITO.  TERMO  INICIAL.  DISPENSA  DO  ATO  FORMAL  DE  LANÇAMENTO.  DECADÊNCIA  NÃO  CONFIGURADA.  SUMULA 83/STJ.  1.  Tribunal  a  quo  julgou  improcedente  a  apelação  e  não  reconheceu  a  decadência  quanto  aos  depósitos  efetuados  para  Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10380.001824/2009­70  Acórdão n.º 2201­004.272  S2­C2T1  Fl. 146          11 discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a  23/04/2007.  2. É  pacífica  a  jurisprudência  do STJ no  sentido  de  que,  nos  casos  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  contribuinte,  ao  realizar  o  depósito  judicial  com o  objetivo  de  suspender  a  exigibilidade  do  crédito  tributário,  promove  a  constituição deste; como resultado, torna­se desnecessário o ato  formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se  refere aos valores depositados.  3.  O  acórdão  recorrido  está  em  sintonia  com  o  atual  entendimento  deste  Tribunal  Superior,  razão  pela  qual  não  merece  prosperar  a  irresignação.  Incide,  in  casu,  o  princípio  estabelecido  na  Súmula  83/STJ:  "Não  se  conhece  do  Recurso  Especial pela divergência,  quando a orientação do Tribunal  se  firmou  no  mesmo  sentido  da  decisão  recorrida."  4.  Recurso  especial não provido.   (...)  Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito  é  necessário  que  ele  já  esteja  constituído.  No  caso  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  a  atividade  de  pagamento  pode  ser  substituída  pelo  depósito  que  produzirá  efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro  e  incerto  pelo  qual  o  depósito  realizado  poderá  ser  convertido  em pagamento definitivo ou restituído ao sujeito passivo. Nesse  ínterim, incabível se falar em fluência do prazo decadencial.  Com base no exposto, nego provimento ao recurso voluntário no  que diz respeito às alegações de decadência."  Inegável  o  equívoco  conceitual  em  que  incorreu  a  eminente  Relatora.  Vejamos.  O crédito em discussão, como apontado, decorre de autuação fiscal em que ­  existindo  ação  judicial  com  depósito  do montante  integral  ­  a  autoridade  lançadora  opta  por  realizar  um  lançamento  tributário  visando  prevenir  eventual  decadência  do  crédito  tributário  decorrente da demanda proposta.  Ora, a motivação do lançamento de per si já demonstra o equívoco do voto.  O lançamento visa ­ precipuamente ­ prevenir a perda do direito do Fisco em  realizar  a  constituição  do  crédito  tributário  em  face  de  ocorrência de  interstício  temporal  no  qual  o  credor,  o  Fisco,  permanece  inerte  não  exercitando  seu  direito  de  constituir  o  crédito  tributário.  Essa é a definição de decadência. Nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho  (Curso de Direito Tributário, 142ª ed., Ed. Saraiva, pag. 461):  "A decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz  perecer um direito pelo seu não exercício durante certo lapso de  tempo  (...)  Só  se  observa  o  efeito  extintivo  da  obrigação  Fl. 151DF CARF MF     12 tributária, porém, quando o fato da decadência for reconhecido  posteriormente à instalação da obrigação tributária"  Ora,  ao  reconhecer  que  houve  a  obrigação  tributária,  que  surge,  infalivelmente  nos  dizeres  de  Paulo  de  Barros,  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  o  Fisco  decide  por  praticar  seu  ato  administrativo  de  constituição  do  crédito  tributário,  porém,  o  faz  fora do lustro permitido pelo artigo 150, § 4º, do CTN  Tal fato não passou despercebido pela Relatora. Seu equívoco conceitual se  consubstancia na afirmação de que:  "(...)  reconhecer  a  decadência  de  parte  do  período  lançado  poderia levar o contribuinte a entender que se tornou indevida  a  exigência  em  relação  ao  período  depositado  o  que  poderia  justificar o pedido de levantamento em favor do depositante."   (nova reprodução de trecho do voto, acima transcrito)  O reconhecimento da decadência nada mais é de que a comprovação de que o  crédito  tributário  constituído pelo  lançamento não pode prosperar posto que  extinto,  ou  seja,  não há mais direito de crédito a ser reconhecido pelo Fisco, uma vez que este se quedou inerte  quanto ao exercício desse direito por um lapso temporal maior do que o permitido pela lei.  Com o perdão da repetição: a extinção do crédito tributário pela comprovação  da  decadência  ocorrida  não  afeta  ­  de  modo  algum  ­  o  depósito  judicial  realizado  pelo  contribuinte  e  reconhecido  pela Autoridade  Fiscal,  apenas  e  tão  somente  impede  o  Fisco  da  agir no sentido da constituição desse crédito atingido pela caducidade.  O  que  há  ­  efetivamente  ­  é  a  impossibilidade  de  discussão  sobre  valores  constantes do  lançamento  tributário decorrente do  lançamento aqui  combatido, vez que o ato  administrativo foi realizado fora do período que em era permitido à Administração Tributária,  realizá­lo.  Tal  entendimento,  decorrência  lógica  da  própria  jurisprudência mencionada  no voto, se encontra demonstrado também doutrinariamente. Em livro coordenado por Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi  (Decadência  no  Imposto  sobre  a  Renda,  Investigação  e  Análise  I,  Editora Quartier  Latin,  pag.  106),  encontramos  exatamente  a mesma questão  aqui  analisada.  Reproduzo:  "É  imprópria, assim, a  interpretação de que o depósito judicial  pertence  ao  depositante,  ou  está  a  disposição  do  juiz.Ele  representa  o  objeto  cuja  titularidade  está  sendo  discutida  judicialmente  e,  ao  final  da  demanda,  deve  ser  atribuído  ao  vencedor.  Contudo,  o  lançamento  é  necessário,  não  só  porque  a  Lei  nº  9.430/96  assim  implicitamente  cogitou,  mas  também  para  liquidação  do  valor  devido  e  como  segurança  contra  interpretações judiciais divergentes.  Cabe  à  autoridade  julgadora,  neste  contexto,  avaliar  se  a  autoridade  lançadora  ainda  tinha  competência  para  editar  a  norma  jurídica  vinculada  pelo  lançamento,  competência  esta  cujo aspecto temporal é definido mediante a fixação dos prazos  decadenciais.  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10380.001824/2009­70  Acórdão n.º 2201­004.272  S2­C2T1  Fl. 147          13 Significa dizer que,  se o  lançamento  for efetuado a destempo,  deve ser declarada a decadência do direito do Fisco constituir o  crédito  tributário  por meio  do  lançamento,  o  que  não  implica  concluir que o crédito tributário esteja extinto pela decadência,  por  ser  possível  cogitar  sua  constituição  também  na  esfera  judicial" (destaquei)    Em  que  pese,  de minha  parte,  alguma  discordância  teórica  com  o  final  do  excerto  reproduzido  (posto que o que há no depósito  judicial é uma  forma de pagamento do  crédito  tributário  devido,  verdadeira  constituição  de  crédito  por  meio  do  lançamento  por  homologação ­ vez que o contribuinte somente cumpre (perante o  juiz), os ditames do artigo  150 do CTN), inegável que a distinção entre decadência e a conversão em renda do depósito do  montante integral como formas de extinção de crédito tributário, se demonstra.  Como  exemplo  de  tal  assertiva,  podemos  imaginar  um  crédito  tributário  extinto pelo pagamento, no entendimento do contribuinte, que o Fisco pugna ser  insuficiente  para  o  cumprimento  integral  da  obrigação  tributária  que  lhe  deu  origem.  O  fato  de  ter­se  operado  a  decadência  do  direito  de  constituir  tal  crédito,  pela Administração Tributária,  não  implica  em  dizer  que  os  valores  pagos  podem  ser  objeto  de  pedido  de  ressarcimento  ou  compensação.  Em  resumo:  a  decadência  operada  se  consubstancia  na  impossibilidade  de  lançamento de ofício do crédito tributário relativo ao período caduco, como se verifica no caso  concreto, uma vez que, como apontado pela Relatora, tal crédito se refere a período anterior a  fevereiro  de  2004,  inclusive.  Tal  constatação  em  nada,  absolutamente  nada,  afeta  os  valores  depositados, pelo Recorrente, em juízo.   Mister apontar, por amor a clareza, minha total aquiescência com os demais  pontos do voto da ínclita Relatora.    CONCLUSÃO  Em  face  do  exposto  e  pelos  fundamentos  apresentados,  e  ainda,  compatibilizando  meu  voto  com  os  demais  termos  do  voto  da  Relatora,  voto,  em  acatar  a  preliminar  arguída,  em  razão  do  reconhecimento  da  decadência  operada,  para  determinar  a  exclusão do lançamento dos valores relativos as competências anteriores a fevereiro de 2004,  inclusive.  No mais, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir  do lançamento a multa e os juros moratórios do período em que o valor lançado se encontrava  depositado judicialmente.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Redator designado    Fl. 153DF CARF MF     14                 Fl. 154DF CARF MF

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Numero do processo: 12709.000177/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 09/03/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO MATERIAL. Verificando-se erro material na decisão é de se acolher os embargos para promover e necessária correção. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. Ao se constatar a existência de omissões, os embargos devem ser acolhidos para saná-las, sem atribuição de efeitos infringentes no caso concreto. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O fato de a decisão não ter feito menção ao número de um processo judicial não implica, necessariamente, que a matéria arguida não foi apreciada. Elementos processuais que comprovam a análise da matéria. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO . SÚMULA CARF 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 48. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DESRESPEITO DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, pode a Fazenda Pública, efetuar o lançamento, ex vi do artigo 142 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3201-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Winderley Morais Pereira - Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 09/03/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO MATERIAL. Verificando-se erro material na decisão é de se acolher os embargos para promover e necessária correção. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. Ao se constatar a existência de omissões, os embargos devem ser acolhidos para saná-las, sem atribuição de efeitos infringentes no caso concreto. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O fato de a decisão não ter feito menção ao número de um processo judicial não implica, necessariamente, que a matéria arguida não foi apreciada. Elementos processuais que comprovam a análise da matéria. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO . SÚMULA CARF 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Aplicação da Súmula CARF nº 48. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE DESRESPEITO DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, pode a Fazenda Pública, efetuar o lançamento, ex vi do artigo 142 do Código Tributário Nacional.

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3201­003.341  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  31 de janeiro de 2018  Matéria  IPI  Embargante  CENTRO DE DIAGNÓSTICO ÁGUA VERDE LTDA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Data do fato gerador: 09/03/2007  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . ERRO MATERIAL.   Verificando­se  erro  material  na  decisão  é  de  se  acolher  os  embargos  para  promover e necessária correção.  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES.   Ao se constatar a existência de omissões, os embargos devem ser acolhidos  para saná­las, sem atribuição de efeitos infringentes no caso concreto.  NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  O fato de a decisão não ter feito menção ao número de um processo judicial  não  implica,  necessariamente,  que  a  matéria  arguida  não  foi  apreciada.  Elementos processuais que comprovam a análise da matéria.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO . SÚMULA CARF 48.  A  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  por  força  de  medida  judicial  não  impede  a  lavratura  de  auto  de  infração.  Aplicação  da  Súmula  CARF nº 48.  LAVRATURA  DE  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  ALEGAÇÃO  DE  DESRESPEITO  DE  EXPRESSA  DETERMINAÇÃO  LEGAL.  INOCORRÊNCIA.  Nos casos de medida  liminar concedida em Mandado de Segurança, pode a  Fazenda  Pública,  efetuar  o  lançamento,  ex  vi  do  artigo  142  do  Código  Tributário Nacional.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 00 01 77 /2 00 7- 01 Fl. 554DF CARF MF     2 Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  embargos declaratórios.     Winderley Morais Pereira ­ Presidente.     Leonardo Vinicius Toledo de Andrade ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Marcelo  Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.      Relatório  Tratam­se  de  tempestivos  Embargos  de  Declaração  opostos  pela  empresa  recorrente  contra  decisão  proferida  pela  1ª  Turma  Ordinária,  2ª  Câmara  da  3ªSeção  deste  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 3201­00.509.  A decisão embargada possui a seguinte ementa:  "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Data do fato gerador: 09/03/2007   AÇÃO  JUDICIAL.  CONCOMITÂNCIA.  INSTÂNCIA  ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA.   A existência de ação judicial proposta pelo contribuinte em face  da Fazenda Nacional com o mesmo objeto do auto de  infração  implica renúncia à instância administrativa.  Recurso Voluntário Não Conhecido."  Alega  a  embargante  que  a  decisão  necessita  ser  esclarecida  no  intuito  de  propiciar  o  conhecimento  do  real  alcance  da  referida  decisão,  aduzindo,  em  breve  síntese,  conforme consignado no despacho de admissibilidade que:  "Apresentou a contribuinte embargos a esta decisão alegando  contrariedade ao art. 65 do RICARF na medida em que não  esclareceu o "real alcance da referida decisão", justificando,  ainda, que o recurso interposto tem a finalidade de "requerer  que  seja  esclarecido  o  acórdão  a  fim  de  emprestar  a  r.  decisão  a  clareza  e  precisão  necessárias  a  toda  e  qualquer  decisão administrativa".   Fl. 555DF CARF MF Processo nº 12709.000177/2007­01  Acórdão n.º 3201­003.341  S3­C2T1  Fl. 3          3 A seguir, alega os vícios e necessidade de manifestação quanto:  (i)  ao  equívoco  do  relator  em  referir­se  à Medida Cautelar  nº  94.0034281­0, como ação judicial a demonstrar a concomitância  com  o  processo  administrativo  em  litígio;  (ii)  à  omissão  decorrente  do  não  enfrentamento  na  decisão  dos  demais  argumentos  aduzidos  em  seu  recurso  voluntário;  (iii)  ao  "não  conhecimento"do  recurso  voluntário  que  implica  esclarecer  quanto  ao  prosseguimento  da  cobrança  do  IPI,  PIS  e COFINS  vinculados  à  importação;  (iv)  ao  período  em  que  o  processo  permanecerá  suspenso;  (v)  ao  trânsito  em  julgado  da  decisão  judicial;  (vi)  à  omissão  decorrente  da  não  manifestação  da  exigibilidade  do  tributo  até  o  trânsito  em  julgado  das  decisões  judiciais;  e  (vii)  à  omissão  por  não  se  pronunciar  quanto  ao  alcance da decisão judicial.   Ao  final,  requer  a  manifestação  do  Colegiado  quanto  ao  real  alcance da decisão prolatada com a  indicação das  implicações  de seu entendimento à vista de mandado de segurança no qual se  discute  a  inexigibilidade  do  IPI,  do  PIS  e  da  Cofins  em  sua  operação de importação."  Os embargos foram admitidos parcialmente pelo Sr. Conselheiro Presidente  da 1ª Turma Ordinária, 2ª Câmara da 3ªSeção deste colegiado, para fins de apreciação do erro  material e das omissões apontadas, conforme a seguir:  "Com essas considerações, ADMITO, parcialmente, os embargos  de  declaração  opostos  por  CENTRO  DIAGNÓSTICO  ÁGUA  VERDE LTDA., somente para:   1 ­ Correção do erro material quanto à identificação das ações  judiciais que implicaram a decisão de concomitância de esferas  no presente processo, mediante a prolação de um novo acórdão;   2  ­  Sanar  as  omissões  constatadas  quanto  aos  argumentos  suscitados e não enfrentados em relação (i) nulidade do acórdão  ­ tópico "7", item "A", dos embargos; (ii) existência de infração  a  justificar  a  lavratura  do  auto  de  infração  ­  tópico  "7",  item  "B",  dos  embargos;  (iii)  lavratura  do  auto  de  infração  em  desrespeito à expressa determinação legal ­ tópico "7", item "C",  dos embargos."  É o relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade  Prefacialmente,  é  de  se  destacar  que  a  embargante,  após  a  propositura  dos  embargos  de  declaração,  através  de  petição  protocolizada  em  29/01/2014,  requereu  a  desistência parcial do recurso em relação ao PIS/COFINS ­ importação,  tendo em vista a sua  adesão ao programa de parcelamento instituído pela Lei 11941/2009.  Fl. 556DF CARF MF     4 O art. 78 do Anexo II do RICARF estabelece que no caso de desistência ou  pedido  de  parcelamento,  restará  configurada  a  renúncia  ao  direito  sobre  o  qual  se  funda  o  recurso interposto pelo sujeito passivo, ou seja, no caso concreto se verificou a desistência do  recurso em decorrência do parcelamento noticiado em relação ao PIS/COFINS ­ importação.  "Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir do recurso em tramitação.  § 1º A desistência  será manifestada em petição ou a  termo nos  autos do processo.  §  2º  O  pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas  modalidades,  ou  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa a desistência do recurso.  § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão  irretratável  de  dívida  e  de  extinção  sem  ressalva  de  débito,  estará configurada renúncia ao direito  sobre o qual se  funda o  recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de  já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente."  Assim, em relação a tal matéria (PIS/COFINS ­ importação) ocorreu a perda  de objeto recursal.  Com  relação  aos  demais  tópicos,  para  melhor  compreensão  das  matérias  tratadas em sede de embargos de declaração e admitidas pelo Sr. Conselheiro Presidente da 1ª  Turma Ordinária, 2ª Câmara da 3ªSeção, passa­se a analisá­las de modo individualizado.  ­ Do erro material  Com razão a embargante. Há necessidade de correção do erro material quanto  à  identificação das  ações  judiciais  que  implicaram a decisão de  concomitância de esferas no  presente processo.  Assim,  é  de  se  consignar  que  o  recurso  não  foi  conhecido  em  razão  da  concomitância, nos seguintes termos:  "Desta  forma,  como  no  presente  feito  o  contribuinte  impetrou  os  Mandados  de  Segurança  n°'s  2007.70.00.002955­2  e  2007.70.00.002956­4,  não  há  possibilidade de discussão do mérito tributário nestes autos  por concomitância."  ­ Das omissões  i)  nulidade  do  acórdão  ­  tópico  "7",  item  "A",  dos  embargos  Aduz  a  embargante  a  ocorrência  de  nulidade  do  acórdão  proferido  em  1ª  instância, sob o fundamento de que impetrou dois mandados de segurança autuados, sob os n°'s  2007.70.00.002955­2  (IPI)  e  2007.70.00.002956­4  (PIS/COFINS)  e  que  a  decisão  recorrida  teria  apreciado  a  peça  impugnatória  com  a  análise  somente  do  mandado  de  segurança  n°  2007.70.00.002956­4, deixando de apreciar os argumentos de defesa em relação à outra ação  Fl. 557DF CARF MF Processo nº 12709.000177/2007­01  Acórdão n.º 3201­003.341  S3­C2T1  Fl. 4          5 judicial,  o  que  ensejaria  a  nulidade  do  acórdão,  pois  teria  considerado  apenas  um  processo,  uma ordem judicial.   Em  que  pese,  efetivamente,  a  decisão  de  1ª  instância  fazer  menção  ao  processo n° 2007.70.00.002956­4, entendo que não há a nulidade arguida pela embargante.   Analisando­se a decisão recorrida consta o seguinte excerto:  "Conforme constam nas Descrições dos Fatos e Enquadramentos  Legais  de  fls.  02,  06  e  10  os motivos  das  exigências  foram  os  fatos  de  a  autuada  não  haver  recolhido  o  IPI  e  as  referidas  contribuições na importação feita através da DI n° 07/0308269­ 2,  registrada  em  09/03/2007  (fls.  17  a  21).  A  importadora  ingressou com o Mandado de Segurança n° 2007.70.00.002956­ 4/PR  na  lª  Vara  Federal  de  Curitiba  (fls.  45  a  56)  que  lhe  concedeu em liminar a suspensão da exigibilidade da Cofins e do  PIS  e  em Agravo  de  Instrumento  o  desembaraço  aduaneiro  da  mercadoria, sem o recolhimento do IPI, mediante o compromisso  de fiel depositário (fl. 56)." (grifo nosso)  Tem­se,  então,  que o  fato de  a decisão  atacada não  ter citado o número do  mandado de segurança 2007.70.00.002955­2, não deixou de considerar a decisão proferida em  sede  de  agravo  de  instrumento,  tanto  que,  de  forma  expressa  citou  tal  fato,  conforme  antes  reproduzido.  Assim,  conheço  dos  embargos  de  declaração  em  tal  tópico,  sanando  a  omissão apontada, para negar provimento ao argumento de nulidade da decisão recorrida por  ausência de exame dos argumentos de defesa.  (ii)  inexistência  de  infração  a  justificar  a  lavratura  do  auto de infração ­ tópico "7", item "B", dos embargos  Alega  a  embargante  a  inexistência  de  infração  e  justificar  a  lavratura  dos  autos, bem como, que estava amparada por ordens judiciais que determinavam a suspensão da  exigibilidade do crédito tributário.  Novamente, entendo não assistir razão a embargante/recorrente.  Conforme  por  ela  mesmo  citado,  as  ordens  judiciais  apenas  suspendiam  a  exigibilidade do PIS, COFINS e IPI ­ importação.  O  art.  151  do Código Tributário Nacional  ­ CTN  consigna  a  suspensão  da  exigibilidade do crédito tributário com liminar ou depósito judicial, entretanto, não há óbice de  que o Fisco efetue o lançamento fiscal.   A  suspensão encartada no  art.  151 do CTN e a medida  judicial  obtida pela  embargante/recorrente impede a Fazenda Pública de adotar medidas coercitivas para exigir do  sujeito passivo o  cumprimento da obrigação  tributária,  o que não  impede o  lançamento para  constituição do crédito tributário.   Assim, tem aplicação o contido na Súmula CARF n° 48:  Fl. 558DF CARF MF     6 "Súmula CARF  nº  48: A  suspensão  da  exigibilidade do  crédito  tributário por  força de medida  judicial  não  impede a  lavratura  de auto de infração."  Portanto, o Auto de Infração é o instrumento adequado para a constituição do  crédito  tributário  pelo  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional CTN.  Nestes  termos,  conheço  dos  embargos  de  declaração  para  sanar  a  omissão  apontada, no entanto, nego provimento ao argumento de carência de objeto para autuação.    (iii)  lavratura  do  auto  de  infração  em  desrespeito  à  expressa determinação legal ­ tópico "7", item "C", dos  embargos.  Defende a embargante/recorrente que os autos de infração foram lavrados em  desrespeito  à  expressa  determinação  legal,  com  ofensa  ao  art.  62  do  Decreto  70.235/1972,  assim ementado:  "Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a  suspensão  da  cobrança,  do  tributo  não  será  instaurado  procedimento  fiscal  contra  o  sujeito  passivo  favorecido  pela  decisão,  relativamente,  à matéria  sobre  que  versar a  ordem de  suspensão."  Nos casos de medida  liminar concedida em Mandado de Segurança, pode a  Fazenda  Pública,  efetuar  o  lançamento,  ex  vi  do  artigo  142  do Código  Tributário Nacional.  Sendo efetivado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (artigo 145  do CTN c/c artigo 7.º do Decreto n.º 70.235/1972).   Adicionalmente e para evitar o enfado, reporto­me às considerações feitas no  tópico precedente.  Assim, conheço dos embargos de declaração para sanar a omissão apontada,  no  entanto,  nego  provimento  ao  argumento  de  que  o  auto  de  infração  foi  lavrado  em  desrespeito à expressa determinação legal.   Diante do  exposto,  conheço  dos  embargos  de declaração  para  (i)  corrigir  o  erro material existente e (ii) sanar as omissões apontadas, negando provimento ao recurso nos  tópicos apreciados.  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade  ­  Relator                             Fl. 559DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.661483/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.102
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

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secao_s : Terceira Seção De Julgamento

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.661483/2012­51  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3302­005.102  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de janeiro de 2018  Matéria  CIDE  Recorrente  PROCOMP INDUSTRIA ELETRONICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  PROVA.  DOCUMENTO  ELABORADO  EM  LÍNGUA  ESTRANGEIRA  SEM  TRADUÇÃO  ELABORADA  POR  TRADUTOR  JURAMENTADO.  NÃO CONHECIMENTO.   Não  se  toma  conhecimento  de  documento  em  idioma  estrangeiro  desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo  sujeito  passivo  ou  por  agente  da  administração  tributária  ou  por  via  diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de  Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento  em diligência.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme  Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar,  Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima  e Diego Weis Jr.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 14 83 /2 01 2- 51 Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10880.661483/2012­51  Acórdão n.º 3302­005.102  S3­C3T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de  que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico.  Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº  11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente  quanto a não  incidência da CIDE sobre a  remuneração pela  licença de uso ou de direitos de  comercialização  ou  distribuição  de  programa  de  computador,  salvo  quando  envolverem  a  transferência da correspondente  tecnologia,  sem contundo proceder à  retificação de DCTF,  a  qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo.  Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a  manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12­068.493.   Inconformada,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário  a  documentação  referente  à  comprovação  de  seu  direito,  a  saber:  contrato  comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3302­005.100,  de  30  de  janeiro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.661481/2012­61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­005.100):  "O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento  indevido, em razão da não  incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de  direitos  autorais  em  contratos  de  licença  de  uso  ou  de  direitos  de  comercialização  ou  distribuição  de  programa  de  computador,  fundado  no  artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito:  Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000,  alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a  vigorar acrescido do seguinte § 1o­A:  “Art. 2o ..................................................................................  Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10880.661483/2012­51  Acórdão n.º 3302­005.102  S3­C3T2  Fl. 4          3 ..................................................................................   § 1o­A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a  remuneração  pela  licença  de  uso  ou  de  direitos  de  comercialização  ou  distribuição  de  programa  de  computador,  salvo  quando  envolverem  a  transferência  da  correspondente  tecnologia.   A  recorrente  não  procedeu  à  retificação  da  DCTF,  em  meio  digital,  protocolando  processo  administrativo  em  papel,  cuja  decisão  foi  assim  expedida:  "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a  que  se  refere  a  DCTF,  concluo  que  o  direito  de  pleitear  a  retificação se encontrava extinto.   Ademais,  havendo  decisão  relativa  à  Declaração  de  Compensação  proferida  antes  do  pedido  de  retificação  da  DCTF,  deve  a  questão  ser  discutida  por meio de Manifestação  de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se  evitarem  discussões  administrativas  paralelas  sobre  o  mesmo  assunto.   Esta  turma  já  se  pronunciou  em  diversas  ocasiões  sobre  a  desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar  o direito alegado, mediante documentação hábil  e  idônea, em homenagem ao  princípio  da  verdade  material.  Nos  casos  de  auto  de  infração  eletrônico  de  DCTF,  entendo  que  este  princípio  atrai  a  possibilidade  de  se  conhecer  de  provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de  DRJ  surge  o  fundamento  da  falta  de  provas  em  vista  da  não  retificação  de  DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu  qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito  alegado.  No  caso  dos  autos,  a  decisão  recorrida  especificou  as  provas  que  considerava  necessárias  para  a  comprovação  do  direito  alegado.  Porém,  mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não  se desincumbiu adequadamente de  seu ônus, deixando de apresentar  contrato  comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o  contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada,  impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157  do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC),  artigo  224  da  Lei  nº  10.406/2002  (CC),  artigo  18  do  Decreto  13.609/1943,  artigo  22  da  Lei  nº  9.784/1999  e  artigo  13  da  Constituição  Federal,  abaixo  transcritos:  Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157:  TÍTULO  V  DOS ATOS PROCESSUAIS  CAPÍTULO  I  DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS  Seção  I  Dos Atos em Geral  Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10880.661483/2012­51  Acórdão n.º 3302­005.102  S3­C3T2  Fl. 5          4 [...]  Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em  língua  estrangeira,  quando  acompanhado  de  versão  em  vernáculo, firmada por tradutor juramentado.  Lei 13.105/2015, artigo 192:  Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o  uso da língua portuguesa.  Parágrafo  único. O  documento  redigido  em  língua  estrangeira  somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de  versão para a  língua portuguesa  tramitada por via diplomática  ou  pela  autoridade  central,  ou  firmada  por  tradutor  juramentado.  Lei nº 10.406/2002, artigo 224:  Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão  traduzidos para o português para ter efeitos legais no País.  Decreto nº 13.609/1943:  Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza  que  fôr  exarado  em  idioma  estrangeiro,  produzirá  efeito  em  repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer  instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas  ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da  respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento.  Parágrafo  único.  estas  disposições  compreendem  também  os  serventuários  de  notas  e  os  cartórios  de  registro  de  títulos  e  documentos  que  não  poderão  registrar,  passar  certidões  ou  públicas­formas de documento no todo ou em parte redigido em  língua estrangeira.  Lei nº 9.784/1999:  Art.  22.  Os  atos  do  processo  administrativo  não  dependem  de  forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir.  § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em  vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura  da autoridade responsável.  Constituição Federal, artigo 13:  Art.  13.  A  língua  portuguesa  é  o  idioma  oficial  da  República  Federativa do Brasil.  Destaca­se  que  não  se  tratam  de  expressões  ou  palavras  de  fácil  e  notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas  de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de  contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível  a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de  eventual transferência de tecnologia.  Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10880.661483/2012­51  Acórdão n.º 3302­005.102  S3­C3T2  Fl. 6          5 Neste  sentido,  citam­se  os  acórdãos  abaixo  e  ementas  parciais,  proferidos por este Conselho:  Acórdão nº 1301­002.260:  IMPOSTO  PAGO  NO  EXTERIOR.  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGADA.  DOCUMENTOS  ESTRANGEIROS  DESACOMPANHADOS  DE  TRADUÇÃO  JURAMENTADA.  Os  documentos  em  idioma  estrangeiro  anexados  ao  processo  pelo  contribuinte  não  podem  ser  avaliados,  pois  devem  ser  traduzidos para o português por tradutor juramentado.  Acórdão nº 1301­002.097:  GLOSA  DE  DESPESAS.  SERVIÇOS  DE  ASSISTÊNCIA  TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO  EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.  PROVA.  Procedente  a  glosa  de  despesas  por  serviços  de  assistência  técnica  e  consultoria  pagos  a  empresa  ligada  no  exterior,  na  situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação  desses  serviços.  Documentos  em  língua  estrangeira,  desacompanhados  da  respectiva  tradução  juramentada,  não  podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua  portuguesa  são  insuficientes  para  provar  a  efetividade  da  prestação dos serviços.  Acórdão nº 3202­000.546:  PROVA.  DOCUMENTO  ELABORADO  EM  LÍNGUA  ESTRANGEIRA  SEM  TRADUÇÃO  ELABORADA  POR  TRADUTOR  JURAMENTADO.   NÃO  CONHECIMENTO.  Não  se  toma  conhecimento  de  documento  em  idioma  estrangeiro  desacompanhado  da  respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito  passivo ou por agente da administração  tributária  (art.  157 do  Código de Processo Civil).  Sem  tal  tradução,  o  documento  não  possui  valor  efeito  probante  no  processo  administrativo,  acarretando  o  indeferimento  da  compensação  por  falta de provas,  já que o contrato comercial é elemento primordial na análise  da existência ou não de transferência.  Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário."  Importante frisar que os documentos  juntados pela contribuinte no processo  paradigma,  como  prova  do  direito  creditório,  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Assim, da mesma  forma que ocorreu no  caso do paradigma, no presente processo  o  contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo  II do RICARF, o Colegiado decidiu  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10880.661483/2012­51  Acórdão n.º 3302­005.102  S3­C3T2  Fl. 7          6 Paulo Guilherme Déroulède                              Fl. 425DF CARF MF

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7187536 #
Numero do processo: 13603.001209/2008-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 Ementa: DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior.
Numero da decisão: 1002-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 Ementa: DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL. IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1397; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T2  Fl. 2          1 1  S1­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.001209/2008­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1002­000.055  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  7 de março de 2018  Matéria  Penalidades/Multa por atraso na entrega de declaração  Recorrente  CEASA MG S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2003  Ementa:  DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL.  IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de  certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material  para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à  entrega  de  DCTF,  quando  tal  exigência  já  era  conhecida  pelo  contribuinte  desde o exercício anterior.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto  que integram o presente julgado.  (Assinado digitalmente)  Julio Lima Souza Martins ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Lima  Souza  Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha  de Medeiros.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 12 09 /2 00 8- 17 Fl. 67DF CARF MF     2 Relatório  Foram  distribuídos  os  autos  para  análise  de  controvérsia  envolvendo  a  cobrança  de  penalidade  acessória,  consubstanciada  em  multa  por  atraso  na  entrega  da  Declaração de Débitos e Créditos Federais ­ DCTF. In casu, há exigência vinculada ao mês de  novembro de 2007, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 3.955,60 (três mil novecentos e  cinquenta e cinco reais e sessenta centavos) (e­fl. 12).  Diante da constituição do lançamento, protocolou­se impugnação (e­fls. 2/5)  alegando em síntese que a entrega em atraso que gerou a multa decorreu por culpa exclusiva da  Administração Pública, porquanto a morosidade dos órgãos públicos envolvidos teria retardado  a liberação da certificação digital, imprescindível à transmissão das declarações à RFB.    A  reclamação  administrativa  foi  então  conhecida,  fazendo  com  que  a  3ª  Turma da DRJ/BHE proferi­se o Acórdão nº 02­22.637 (e­fls. 40/45) que, por unanimidade de  votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário.  Ato  contínuo,  irresignada  com  a  decisão  a  quo,  a  autuada  interpôs  recurso  voluntário (e­fls. 49/52), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Julio Lima Souza Martins ­ Relator  O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço.   Passo então a apreciar as alegações da recorrente.  Preliminar de nulidade  A questão abordada no recurso não contesta o atraso na entrega da declaração  de  que  resultou  a  penalidade.  No  entanto,  diante  os  argumentos  apresentados,  a  recorrente  alega que não deu causa ao atraso, uma vez que, ainda que admita a alteração da diretoria como  fator  extraordinário  dentro  da  pessoa  jurídica,  teria  funcionado  com  diligência  perante  a  Secretaria de Fazenda­MG e a Receita Federal do Brasil na obtenção da Certificação Digital  devidamente aparelhada com o Cadastro Sincronizado Nacional.  Diante desse cenário, pede a anulação da notificação de lançamento.  Em  verdade,  há  uma  lista  taxatixa  de  nulidades  dentro  do  processo  administrativo fiscal na qual não se insere a situação descrita nos autos. O art. 59 do Decreto nº  70.235/72 disponibiliza a preterição do direito de defesa e a  incompetência na prática do ato  administrativo,  seja  ele,  autoridade  ou  servidor  autorizado  a  lavrar  o  ato  ou  termo  como  condicionante  a  caracterização  da  nulidade.  Definitivamente,  nada  disso  teria  ocorrido,  de  modo que rejeito a preliminar arguida.    Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13603.001209/2008­17  Acórdão n.º 1002­000.055  S1­C0T2  Fl. 3          3 Muito  embora,  seja  este  o  pedido  do  recurso,  no  mérito  pode­se  ainda  examinar  a  legitimidade  dos  fundamentos  que  porventura  poderiam  eximir  a  recorrente  de  culpa diante da ação que resultou no atraso na entrega da DCTF e, por consequência, na multa  prevista em lei.   Mérito  Nesse  sentido,  adentrando  na  petição,  pretende­se  imputar  a Administração  Fazendária o ônus pela  ilicitude praticada  enumerando uma sucessão de  fatos que, conforme  retratado,  atrasaram  a  liberação  perante  os  certificação  digital  apta  ao  cumprimento  da  obrigação acessória.  Ao  par  das  diversas  razões  de  decidir  que  negaram  provimento  à  impugnação,  não  entendo  que  haja  necessidade  de  muitas  digressões  para  alcançar  as  conclusões sobre a questão.  Fato é que  a  irregularidade ocorreu  janeiro de 2008 e não se está diante de  uma  pessoa  jurídica  recém  criada.  Além  disso  as  circunstâncias  relativas  à  alteração  de  diretoria e reorganização da contabilidade são condições interna corporis.  Pelo contrário, cuida­se de sociedade anônima cuja estrutura, na compreensão  média,  deveria  ter  o  zelo  de  manter­se  atualizada  quanto  às  determinações  tecnológicas  exigidas pelos órgãos fazendários.  Ainda que assim não tenha ocorrido, há ainda que considerar que o termo de  posse é datado de 31 de agosto de 2007 (e­fl. 9).  Conquanto o dever instrumental seja de novembro de 2007 com vencimento  em  08.01.2008,  a  exigência  de  certificação  digital  para  a  entrega  da  DCTF  mensal  não  é  determinação contemporânea aos fatos. Em verdade, foi introduzida mediante regulamentação  da RFB  em 2004 por  intermédio  da  IN SRF nº  428,  de  20  de  dezembro  de 2004.  Já  o  dito  cadastro sincronizado que envolve a troca de informações entre as secretarias de fazenda surgiu  na RFB diante da IN nº 568/2005.  Ou seja, possível se afastar da busca pela culpa de quem teria dado causa por  algum atraso ocorrido entre os meses que antecederam a entrega da declaração. Notadamente, é  certo que houve tempo considerável para que a pessoa jurídica já tivesse se ajustado ao meio  tecnológico  idôneo  à  transmissão  de  dados  fiscais.  Seja pelo  fato  de  a  posse  da diretoria  ter  ocorrido  cerca de 6 meses  antes da  entrega,  seja por que desde o biênio 2004­2005, haveria  disposições fazendárias na esfera federal voltadas aos contribuintes, no sentido de estabelecer o  regime jurídico e as condições para a integração ao Cadastro Sincronizado Nacional.  Nesse sentido, a irregularidade não assumida pela recorrente aparece apenas  como  efeito  não  esperado,  mas  possível,  em  decorrência  da  inabilidade  na  priorização  das  atividades administrativas internas que devem ser desenvolvidas pela pessoa jurídica.  Examinado por completo os aspectos  suscitados, voto por conhecer e negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Fl. 69DF CARF MF     4 Julio Lima Souza Martins                                Fl. 70DF CARF MF

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7220145 #
Numero do processo: 10530.723475/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 IRPF. GANHO DE CAPITAL. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. A ocorrência do fato gerador é que determina o marco temporal para aplicação da lei tributária. Desta forma, as leis que devem reger o lançamento tributário devem ser aquelas vigentes à época do fato gerador. Portanto, não se pode aplicar os fatores de redução da MP 252/2005 a fatos geradores ocorridos antes de sua edição. IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. PREVALÊNCIA DO VALOR EFETIVAMENTE RECEBIDO EM DETRIMENTO AO DOCUMENTO PÚBLICO. Quando restar comprovado, de maneira inequívoca, que o valor constante da escritura pública não corresponde ao valor da operação, a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha àquele valor. Deve, assim, prevalecer o valor apurado pela fiscalização mediante investigação de documentos hábeis e idôneos apresentados pelos compradores e vendedores do imóvel. IRPF. GANHO DE CAPITAL. VALOR DA ALIENAÇÃO. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DO ALIENANTE PELO ADQUIRENTE. Compõe o valor de alienação a dívida do vendedor com terceiro assumida pelo comprador como parcela do valor do negócio. Apesar de não ingressar diretamente no patrimônio do contribuinte, os valores utilizados para quitar a dívida existente com terceiros aumentam, de fato, o patrimônio do contribuinte, tendo em vista que reduzem o passivo atrelado ao mesmo. Auferir renda não é, exclusivamente, o aumento positivo do patrimônio, mas também a redução do negativo atrelado ao mesmo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-004.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, José Alfredo Duarte Filho, e Douglas Kakazu Kushiyama, que davam provimento parcial para excluir a majoração da multa. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 15/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2077; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 490          1 489  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10530.723475/2011­02  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­004.306  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de março de 2018  Matéria  IRPF ­ GANHO DE CAPITAL  Recorrente  LORENI LUIZ COMPARIN  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008, 2009  IRPF.  GANHO  DE  CAPITAL.  REDUÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.  A  ocorrência  do  fato  gerador  é  que  determina  o  marco  temporal  para  aplicação da lei tributária. Desta forma, as leis que devem reger o lançamento  tributário devem ser aquelas vigentes à época do fato gerador. Portanto, não  se  pode  aplicar  os  fatores  de  redução  da  MP  252/2005  a  fatos  geradores  ocorridos antes de sua edição.  IRPF.  GANHO  DE  CAPITAL.  VALOR  DA  ALIENAÇÃO.  PREVALÊNCIA  DO  VALOR  EFETIVAMENTE  RECEBIDO  EM  DETRIMENTO AO DOCUMENTO PÚBLICO.  Quando restar comprovado, de maneira inequívoca, que o valor constante da  escritura pública não corresponde ao valor da operação, a fé pública do citado  ato cede à prova que se contraponha àquele valor. Deve, assim, prevalecer o  valor apurado pela fiscalização mediante investigação de documentos hábeis  e idôneos apresentados pelos compradores e vendedores do imóvel.  IRPF.  GANHO  DE  CAPITAL.  VALOR  DA  ALIENAÇÃO.  ASSUNÇÃO  DE DÍVIDA DO ALIENANTE PELO ADQUIRENTE.  Compõe  o  valor  de  alienação  a  dívida  do  vendedor  com  terceiro  assumida  pelo comprador como parcela do valor do negócio.  Apesar  de  não  ingressar  diretamente  no  patrimônio  do  contribuinte,  os  valores utilizados para quitar a dívida existente com terceiros aumentam, de  fato,  o  patrimônio  do  contribuinte,  tendo  em  vista  que  reduzem  o  passivo  atrelado ao mesmo. Auferir renda não é, exclusivamente, o aumento positivo  do patrimônio, mas também a redução do negativo atrelado ao mesmo.  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  MATÉRIA  SUMULADA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 34 75 /2 01 1- 02 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 491          2 De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para  se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares  arguídas  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  Conselheiros  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  José  Alfredo  Duarte  Filho, e Douglas Kakazu Kushiyama, que davam provimento parcial para excluir a majoração  da multa.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim ­ Relator.    EDITADO EM: 15/03/2018  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva  Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário de fls. 377/397, interposto em face da decisão  da  DRJ  em  Salvador/BA  de  fls.  369/373,  que  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento  do  imposto de renda de fls. 307/323, relativos aos anos­calendário 2006, 2007, 2008 e 2009, com  ciência do RECORRENTE mediante o edital datado de 04/07/2011 (fl. 351).  Relatório da ação fiscal acostado às fls. 326/347.  Considerando a clareza e didática do acórdão proferido pela DRJ de origem,  passo a adotá­lo no presente relatório, na forma abaixo:  “Trata­se  de  auto  de  infração  relativo  a  Imposto  de  Renda  Pessoa Física (IRPF) incidente sobre ganho de capital auferido  nos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, para exigência de crédito  tributário,  no  valor  de  R$  1.330.970,14,  incluída  a  multa  de  ofício agravada e qualificada no percentual de 225% (duzentos e  vinte e cinco por cento) e juros de mora.  Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 492          3 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes  no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão  de  ter  sido  constatada  omissão  de  rendimentos  decorrentes  de  ganho  de  capital  auferido  na  alienação  do  imóvel  rural  denominado “Fazenda Sete Belo”. No  relatório da ação  fiscal,  às fls. 326/340, foi consignado que:  a) o fiscalizado não atendeu a intimação fiscal para apresentar o  demonstrativo  de  apuração  do  ganho  de  capital  decorrente  da  alienação do citado imóvel;  b) o referido imóvel foi adquirido, em 21 de julho de 1988, por  Cz$  5.500.168,00  (cinco  milhões  quinhentos  mil  e  cento  e  sessenta  oito  cruzados),  conforme  Certidão  do  Cartório  de  Registro  de  Imóveis  do  2º Ofício  de  Barreiras/Ba.  Atualizando  tal valor mediante a aplicação do índice de 142,8467, conforme  estabelece a Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, chegou­se  ao  custo  de  aquisição  atualizado  de  R$  38.503,99,  que  foi  utilizado  na  apuração  do  ganho  de  capital,  nos  termos  do  parágrafo único do art. 136 do RIR/1999;  c)  em  razão  do  imóvel  ter  sido  adquirido  pelo  autuado  em  condomínio  com  o  Sr.  Loreci  José  Comparin  e  Sr.  Maurílio  Compain,  nos  percentuais  indicados  na  tabela,  às  fls.  339,  a  exigência fiscal recaiu somente sobre sua participação no bem;  d) na apuração do ganho de capital não foram deduzidos valores  a  título  de  benfeitorias,  em  razão  da  falta  de  comprovação  da  ocorrência de tais dispêndios, bem como, de que os valores das  benfeitorias  porventura  existentes  tivessem  sido  deduzidas  dos  resultados das respectivas atividades rurais, hipótese em que tais  receitas  seriam  deduzidas  do  valor  da  alienação  e  tributadas  como receita da atividade rural;  e)  no  Contrato  Particular  de  Compra  e  Venda  do  referido  imóvel,  datado  de maio  de  2002,  consta  que  o  preço  de  venda  pactuado entre as partes foi de 1.391.467 (um milhão trezentos e  noventa e um mil quatrocentos e sessenta e sete) sacas de soja de  60 kg, que seria recebido conforme cronograma, às fls. 329/330.  Entretanto, o referido preço diverge significativamente do valor  constante  na  escritura  pública  lavrada  em  julho  de  2007,  que  ratifica a operação de compra e venda em questão;  f)  na  apuração  do  ganho  de  capital,  a  fiscalização  considerou  como valor da alienação os valores efetivamente pagos, listados  às  fls.  339,  sendo  que  em  razão  de  divergências  entre  as  informações  prestadas  pelos  adquirentes  das  prestadas  pelos  vendedores,  os  valores  foram apurados mediante a adoção dos  critérios indicados às fls. 338, destacando­se que as informações  prestadas  pelos  adquirentes  estavam  lastreadas  com  documentação  financeira,  enquanto  que  as  prestadas  pelos  vendedores não;  g) na apuração do ganho de capital foi aplicado o percentual de  redução de 5% (cinco por cento), nos termo do art. 18 da Lei nº  7.713, de 1988;  Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 493          4 h) a multa de ofício foi agravada, nos termos do art. 44, § 2º, da  Lei nº 9.430, de 1996, em razão do fiscalizado não ter atendido a  intimação fiscal para apresentar demonstrativo de apuração do  ganho de capital objeto do lançamento fiscal;  i) a multa de ofício foi qualificada, nos  termos do art. 44, § 1º,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  em  razão  do  fiscalizado  não  ter  apresentado  o  demonstrativo  de  apuração  do  ganho  de  capital  em  sua  declaração  de  rendimento,  com  o  objetivo  de  retardar/dificultar  o  conhecimento  dos  fatos  geradores  correspondentes por parte do Fisco.  O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou  impugnação, na qual alegou, em síntese, que:  a) O  lançamento  fiscal é nulo em razão da ação  fiscal  ter  sido  deflagrada  a  partir  de  informações  bancárias  obtidas  sem  autorização  judicial  (processo  administrativo  nɩ  10530.721433/2010­48)  tratando­se,  portanto,  de  prova  obtida  ilegalmente, o que contamina todo o procedimento fiscal;  b)  Na  apuração  da  base  de  cálculo  do  imposto  sobre  a  renda  incidente sobre o ganho de capital é cabível a aplicação do fator  de correção previsto no art. 37 da medida provisória nº 252, sem  prejuízo  da  redução assegurada no  art.  18  da Lei  nº  7.713,  de  1988;  c) Parte do preço acordado foi recebido mediante a assunção de  dívida  com  garantia  real  dos  vendedores  por  parte  dos  compradores  junto  a  instituições  financeiras.  Portanto,  tal  parcela  não  poderia  compor  a  base  de  cálculo  do  tributo,  por  não se saber se a referida dívida foi toda paga e, também, por tal  parcela fugir ao conceito de renda;  d) (...)  e) Na escritura pública apresentada consta o valor da venda do  imóvel,  portanto,  o  ganho  de  capital  não  poderia  ser  apurado  com  base  em  valor  extraído  de  qualquer  outro  documento  particular;  f)  A  multa  de  ofício  e  sua  majoração  devem  ser  afastadas  em  razão da inexistência de ocorrência de conduta dolosa por parte  do contribuinte.”  Quando  da  apreciação  do  caso,  a  DRJ  de  origem  julgou  parcialmente  procedente o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita:   “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008, 2009  OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 494          5 É cabível  o  lançamento  fiscal para  constituir  crédito  tributário  decorrente  de  omissão  de  rendimentos  vinculada  a  ganho  de  capital na venda de imóvel rural.  MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.  A falta de apresentação do demonstrativo de apuração do ganho  de  capital  na  declaração  de  rendimento,  quando  desacompanhada de outros indícios que demonstrem a intenção  do  contribuinte  em  retardar/dificultar  o  conhecimento  do  fato  gerador  pelo  Fisco,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício.”  A autoridade julgadora de primeira instância apenas afastou a qualificação da  multa de ofício nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, pois “a falta de apresentação do  demonstrativo  de  apuração  do  ganho  de  capital  na  declaração  de  rendimento,  quando  desacompanhada  de  outros  indícios  que  demonstrem  a  intenção  do  contribuinte  em  retardar/dificultar  o  conhecimento  do  fato  gerador  pelo  Fisco,  não  comprova  sua  conduta  dolosa”.  O presente  caso  já  foi  apreciado por  esta Turma  julgadora que, na ocasião,  reconheceu a decadência do crédito  lançado (fls. 403/408). Contudo, por meio do acórdão nº  9202­003.770  (fls.  435/453),  proferido  pela  2ª  Turma  da  CSRF,  foi  julgado  procedente  o  Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, afastando a preliminar de decadência e  determinando o retorno dos autos ao colegiado a quo para apreciação das demais questões do  Recurso Voluntário, em decisão assim ementada:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA –  IRPF  Exercício 2006,2007,2008,2009  DECADÊNCIA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS – GANHO DE  CAPITAL  Ganho de  capital  auferido na alienação do  imóvel  rural o  fato  gerador se dá no momento do efetivo ganho de capital. Em sendo  o  pagamento  parcelado  o  fato  gerador  também  será  tomado  a  cada parcela separadamente.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator  Ultrapassada  a  questão  acerca  da  decadência,  conforme  acórdão  nº  9202­ 003.770  proferido  pela  CSRF,  devem  ser  analisadas  as  demais  alegações  de  defesa  apresentadas pelo RECORRENTE.    Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 495          6 PRELIMINAR  Inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário  O contribuinte alega que a fiscalização que originou o auto de infração objeto  da  presente  demanda  se  iniciou  através  do  acesso  a movimentação  bancária  do  contribuinte  MAURÍLIO COMPARIM, CPF 131.996.849­04, sem amparo de ordem judicial, como se pode  verificar dos autos do Processo 10530.711433/2010­48.  Afirma o RECORRENTE que o acesso aos dados bancários do contribuinte  Maurílio Comparim  se deu por meio de RMF 0510200.2009­00001,  sem que houvesse, para  tanto, amparo em ordem expedida pelo Poder Judiciário. Cita o precedente do RE 389808 para  defender sua tese  Alega  o  contribuinte  a  inconstitucionalidade  art.  6º,  da  Lei  Complementar  105/2001, que autoriza a Receita Federal do Brasil a requisição de dados cobertos por sigilo.  Em que pese a discussão judicial existente acerca do tema, é cediço que esse  Tribunal  administrativo  presume  pela  constitucionalidade  das  Leis  e  não  é  competente  para  afastar sua aplicação sob o argumento da inconstitucionalidade. Logo, enquanto não declarada  inconstitucional pelo Tribunal competente, não pode esse órgão afastar a aplicação da Lei.   Neste sentido, há o enunciado da Súmula CARF nº 2:   Súmula  CARF  nº  2  –  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Portanto, este Tribunal administrativo apenas pode afastar a aplicação de lei  julgada inconstitucional pelo STF. Contudo, ao contrário do que alega o RECORRENTE, isto  não  ocorreu  no  caso  concreto.  Neste  sentido,  transcrevo  abaixo  a  ementa  do  RE  601314,  através do qual o STF, sob a sistemática da repercussão geral, firmou a tese de que “o art. 6º da  Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em  relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece  requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”:  “RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  AO  SIGILO  BANCÁRIO.  DEVER  DE  PAGAR  IMPOSTOS.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  DA  RECEITA  FEDERAL  ÀS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  ART.  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  105/01.  MECANISMOS  FISCALIZATÓRIOS.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF.  PRINCÍPIO  DA  IRRETROATIVIDADE  DA  NORMA  TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se  traduz  em  um  confronto  entre  o  direito  ao  sigilo  bancário  e  o  dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e  de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à  luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade  em  seu  duplo  compromisso,  a  autonomia  individual  e  o  autogoverno  coletivo.  2.  Do  ponto  de  vista  da  autonomia  individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de  personalidade  que  se  traduz  em  ter  suas  atividades  e  informações  bancárias  livres  de  ingerências  ou  ofensas,  Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 496          7 qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja,  inclusive  do  Estado  ou  da  própria  instituição  financeira.  3.  Entende­se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno  coletivo  por  meio  do  pagamento  de  tributos,  na  medida  da  capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a  um  Estado  soberano  comprometido  com  a  satisfação  das  necessidades  coletivas  de  seu Povo.  4. Verifica­se  que  o Poder  Legislativo  não  desbordou  dos  parâmetros  constitucionais,  ao  exercer  sua  relativa  liberdade  de  conformação  da  ordem  jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para  a  requisição  de  informação  pela  Administração  Tributária  às  instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados  a  respeito  das  transações  financeiras  do  contribuinte,  observando­se  um  translado  do  dever  de  sigilo  da  esfera  bancária  para  a  fiscal.  5.  A  alteração  na  ordem  jurídica  promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  uma  vez  que  aquela  se  encerra  na  atribuição  de  competência  administrativa  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  o  que  evidencia  o  caráter  instrumental da norma em questão. Aplica­se, portanto, o artigo  144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em  relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão  geral:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito ao  sigilo bancário,  pois  realiza a  igualdade em  relação  aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva,  bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever  de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em  relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão  geral:  “A Lei  10.174/01  não  atrai  a  aplicação do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo  em  vista  o  caráter  instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”.  8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.  (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno,  julgado  em  24/02/2016,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  REPERCUSSÃO  GERAL  ­  MÉRITO  DJe­198  DIVULG  15­09­ 2016 PUBLIC 16­09­2016)”  Ademais, cumpre argumentar que esta Turma, em 14/05/2014, ao apreciar o  recurso  do  contribuinte  Maurílio  Comparim  no  processo  nº  10530.711433/2010­48  (mencionado  pelo RECORRENTE),  entendeu  pela  legalidade  da  conduta  do  auditor,  e  pelo  afastamento da premissa de inconstitucionalidade.  Neste  ponto,  importante  esclarecer  que,  conforme  demonstra  o  Relatório  Fiscal de fls. 326/347, a apuração do valor recebido pelo RECORRENTE pela venda do imóvel  ocorreu mediante  informação  prestada  pelo  próprio  fiscalizado  (e  seus  pelos  condôminos  no  imóvel) assim como pelos adquirentes, conforme trecho abaixo transcrito:  “Mediante  procedimento  fiscal,  também  foram  coletadas  informações dos condôminos adquirentes do  imóvel em  tela,  os  quais,  em  atendimento  a  requisições  administrativas,  apresentaram cópias autenticadas dos seguintes elementos:  Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 497          8 a) Cópia do Contrato Particular de Compra e Venda do citado  imóvel, com data de 18 de maio de 2002;  b) Cópia da Escritura Pública no Cartório do 1o Ofício de Notas  de Barreiras – Bahia, expedida em 2007, ratificando a operação  de compra venda realizada em 2002;  c)  Planilhas  dos  pagamentos  efetuados  em  retribuição  pela  aquisição do citado imóvel;  d)  Cópias  dos  comprovantes  de  pagamentos  relacionados  nas  planilhas supra;  (...)  Nesse sentido, para fins de determinação do preço efetivo pago  pela  aquisição  do  imóvel  rural  em  comento,  com  vistas  à  determinação  de  seu  o  valor  de  alienação,  foram  adotados  os  seguintes critérios:  a)  Para  os  pagamentos  efetuados  entre  o  período  de  2003  a  2005,  serão  considerados  exclusivamente  os  recolhimentos  indicados pelos adquirentes do imóvel, haja vista a inexistência  de  informações  dos  vendedores  para  esse  período,  conforme  valores  consolidados  através  da  planilha  juntada  ao  presente  Relatório na forma do Anexo II;  b) Em relação aos pagamentos realizados no período entre 2006  a  2009,  serão  aceitos  todos  os  valores  para  os  quais  haja  coincidência entre as informações prestadas por compradores e  vendedores;  c)  Quando  a  divergência  consistir  em  valor  indicado  pelos  vendedores  e  não  confirmado  pelos  compradores,  reputa­se  válido o pagamento correspondente, haja vista ter sido indicado  pelos próprios fiscalizados;  d)  Quando  a  divergência  consistir  em  valor  enumerado  pelos  compradores e não confirmados pelos vendedores, estes valores  serão confirmados quando amparados por documentação hábil e  idônea;  Com  base  nos  critérios  enumerados  nos  itens  “b”,  “c”  e  “d”  supra, foram elaboradas planilhas anuais relacionando todos os  pagamentos enumerados por compradores e vendedores durante  o  período  de  2006  a  2009,  com  indicação  dos  valores  considerados para fins de aferição do preço efetivo da presente  alienação,  conforme  demonstrado  nas  planilhas  apensadas  ao  presente Relatório Fiscal na forma dos Anexos III a VI.  Ao  valor  apurado  na  forma  do  parágrafo  precedente,  será  adicionado o valor de R$ 538.000,00 (quinhentos e trinta e oito  mil  reais),  tendo  em  vista  que  esse  valor  teria  sido  pagos  em  moeda nacional pelos compradores diretamente aos vendedores,  conforme  indicado  no  inciso  I  da  Cláusula  3o  do  contrato  de  Compra e Venda.  Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 498          9 Será  também  objeto  de  adição  ao montante  apurado  na  forma  dos  parágrafos  precedentes,  o  valor  de  R$  7.858.431,00  (sete  milhões, oitocentos e cinqüenta e oito mil, quatrocentos e trinta e  um  reais),  tendo  em  vista  que  esse  valor  faz  parte  do  preço  efetivo pago em virtude da aquisição do imóvel em questão por  se  tratar  de  ônus  suportado  pelos  adquirentes,  correspondente  assunção  de  dívidas  preexistentes  relativas  ao  citado  imóvel  rural,  conforme  disposto  no  inciso  II  da  Cláusula  3º  do  mencionado Contrato.”  Ou seja, serviram de base para a apuração do ganho de capital as informações  apresentadas pelos alienantes e adquirentes do  imóvel,  conforme  fls. 342/346. Com base nas  informações coletadas, a autoridade fiscal apurou o ganho de capital da seguinte forma:      A  partir  dessa  constatação,  aplicou  o  percentual  do  ganho  de  capital  sobre  cada  uma  das  parcelas  recebidas  pelos  condôminos  no  imóvel  alienado,  cabendo  ao  RECORRENTE  o  ganho  de  capital  proporcional  a  sua  parte  no  imóvel  (14,5%),  conforme  planilha  constante  do  anexo  VII  do  Relatório  Fiscal  (fl.  347).  Assim,  encontrou  a  base  de  cálculo sobre a qual incidiu o imposto objeto do presente processo.  Portanto,  não  há  motivos  que  enseje  a  nulidade  do  procedimento  fiscal.  Preliminar rejeitada.     DO MÉRITO   Qualificação da Multa de Ofício  Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 499          10 Em  que  pese  a  redução  da  multa  de  ofício  de  225%  para  112,5%,  o  Contribuinte ainda assim se  insurge quanto à  inexistência dos requisitos para qualificação da  multa de ofício. Alega não ter existido intuito de sonegação e pede a desqualificação da multa.  Ocorre  que  o  contribuinte  incorre  em  erro  de  fato  em  suas  alegações,  isto  porque,  a  multa  qualificada  foi,  em  verdade,  afastada  ainda  em  1ª  instância  pela  DRJ  em  Salvador/BA, sob o fundamento de que a falta de apresentação de demonstrativo de apuração  de  ganho  de  capital  não  implica,  necessariamente,  em  intuito  doloso  do  contribuinte  em  retardar/dificultar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco.  O percentual de 112,5% foi estipulado em função do agravamento da multa,  nos termos do art. 44§ 2º da Lei nº 9430/1996, isto é, o não cumprimento da determinação do  fisco para apresentar esclarecimento sobre a forma com que tinha apurado o ganho de capital.  Desta  feita, considerando o arcabouço fático em questão, o agravamento da  multa deve ser mantido.     Da não retroatividade do fator de redução disposta na MP 252/2005  O  RECORRENTE  pleiteia  a  aplicação  da MP  252/2005  para  apuração  da  base  de  cálculo  do  ganho  de  capital.  No  entanto,  não  merece  prosperar  o  pedido  do  RECORRENTE.  A  ocorrência  do  fato  gerador  é  que  determina  o  marco  temporal  para  aplicação da lei tributária. Desta forma, as leis que devem reger o lançamento tributário devem  ser aquelas vigentes à época do fato gerador.  No presente caso, portanto, o momento que deve determinar a lei aplicável no  tempo é o momento da  alienação do  imóvel  (2002),  em que pese  a  apuração do  Imposto de  Renda  só  acontecer  nos  anos  subsequentes,  quando  do  recebimento  dos  valores  pelo  contribuinte (disponibilidade da renda).   Isto porque, o legislador concedeu uma "benesse" em caso de venda a prazo  de imóveis, de apenas recolher o Imposto de Renda na medida em que a parcela do preço fosse  efetivamente recebida, consoante determina o art. 31 da Instrução Normativa nº 84/2001:  Art.  31. Nas alienações a prazo, o ganho de  capital é apurado  como  se  a  venda  fosse  efetuada  à  vista  e  o  imposto  é  pago  periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até  o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento.  Parágrafo  único.  O  imposto  devido  relativo  a  cada  parcela  recebida, é apurado aplicandose:  I percentual resultante da relação entre o ganho de capital total  e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida;  II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma  do inciso I. (grifei)  Este também é o entendimento deste Órgão Administrativo,   Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 500          11 IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE  BEM  IMÓVEL  A  PRAZO.  FATO  GERADOR.  DATA  DA  OCORRÊNCIA.Para efeitos do imposto de renda, o conceito de  alienação abrange o contrato de promessa de venda e compra. A  legislação  considera  que  o  fato  gerador  do  imposto  de  renda  incidente  sobre o ganho de  capital  auferido na venda a prazo  de  bens  imóveis  ocorre  no  dia  da  alienação,  diferindo­  se  o  pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada  uma das parcelas do contrato. (Processo: 16707.005398/200495  Acórdão 10249406, sessão 06/11/2008)  Assim, em que pese o diferimento legal concedido para apuração do Imposto  de  Renda,  o  fato  gerador  relativo  ao  ganho  de  capital  ocorreu  em  18  de  maio  de  2002,  e  portanto é este o marco temporal que define a legislação aplicável ao presente processo.   Nos  termos do art. 106 do CTN, se aplica a retroação benéfica das  leis nos  seguintes casos:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  No  presente  caso,  o  contribuinte  pleiteia  a  retroação  benéfica  do  fator  de  redução previstos nos §§ 1º e 2º da MP 252/2005, que tem efeitos direto na apuração da base  de cálculo do IRPF.   Contudo, a aplicação retroativa da  lei mais benéfica se limita às obrigações  acessórias (em especial multa e infração), ou a leis expressamente interpretativas, não podendo  retroagir  as  leis  que  incidem  diretamente  sobre  a  obrigação  principal,  sob  pena  inclusive  de  violar o princípio da isonomia tributária.  Não merece prosperar,  portanto,  o pedido de  aplicação do  fator de  redução  disposto na MP 252.    Da  Inclusão  dos  Valores  Devidos  ao  Banco  do  Brasil  e  da  Prevalência  do  Valor  Efetivamente Recebido em Detrimento ao Documento Público.  Ante à conexão destes argumentos apresentados pelo contribuinte, eles serão  julgados  em  conjunto.  Em  síntese,  alega  o  contribuinte  que  deve  prevalecer  como  valor  da  Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 501          12 venda do imóvel rural o estipulado na escritura pública de compra e venda em detrimento dos  valores  apurados  pela  fiscalização  como  efetivamente  recebidos,  haja  vista  que  aquele  é  documento  público  ao  passo  que  este  é  documento  particular  e  que  os  valores  devidos  ao  Banco do Brasil não podem ser considerados como renda auferida.   O art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713/88 prevê que, para efeitos do ganho de capital,  será levando em conta o valor da “alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão  ou  promessa  de  cessão  de  direitos  à  sua  aquisição,  tais  como  as  realizadas  por  compra  e  venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em  causa própria, promessa de compra e venda”.  Ademais, apesar de não ingressar diretamente no patrimônio do contribuinte,  os valores utilizados para quitar a dívida existente com o Banco do Brasil aumentaram, de fato,  o patrimônio do contribuinte, tendo em vista que reduziram o passivo atrelado ao mesmo. Em  outras palavras,  auferir  renda não é,  exclusivamente, o aumento positivo do patrimônio, mas  também a redução do negativo atrelado ao mesmo.  Por sua vez, por mais que a escritura pública de promessa de compra e venda  seja  um  bom  parâmetro  para  aduzir  o  valor  da  alienação,  ele  é  apenas  uma  presunção  do  mesmo. Não pode, em hipótese alguma, uma presunção  jurídica prevalecer  sobre a  realidade  fática. Ora, o valor da venda é o valor efetivamente recebido pelo alienante (conforme atestam  os documentos apresentados pelos alienantes e adquirentes do imóvel no curso da fiscalização),  e não o valor estipulado em promessa de compra e venda.  A  própria  jurisprudência  citada  pelo  RECORRENTE  em  suas  razões  de  defesa  expõe  que  o  valor  transcrito  na  escritura  pública  “sobrepõe­se  a  qualquer  outro,  (...)  salvo  se  restar  comprovado,  de  maneira  inequívoca,  que  o  valor  constante  da  escritura  definitiva não corresponde ao valor da operação, circunstância em que a fé pública do citado  ato  cede à prova que se  contraponha àquele valor”. E  foi  justamente  isso o que ocorreu no  caso concreto.  Segundo  o  Relatório  Fiscal,  a  autoridade  lançadora  considerou  que  a  Escritura Pública lavrada em Julho/2007 “ratifica a operação de compra e venda realizada em  maio de 2002, confirmando os dados do imóvel, bem como a identificação dos compradores e  vendedores,  entretanto,  divergindo  substancialmente  em  relação  aos  valores  estipulados  no  Contrato de Compra e Venda”.  É  que  o  valor  constante  na  promessa  de  compra  e  venda  totalizou  R$  29.220.807,00 (fls. 293/302), ao passo que o valor indicado na Escritura Pública foi de apenas  R$  9.201.650,00  (fls.  303/306).  Ou  seja,  a  fiscalização  entendeu  que  o  valor  constante  na  Escritura Pública não merecia fé em razão da divergência com a promessa de compra e venda  aliada às provas de efetivo pagamento realizados ao RECORRENTE e aos coproprietários em  razão da venda do imóvel.  Sendo  assim,  a  autoridade  fiscal  se  viu  incumbida  de  buscar  o  valor  efetivamente  recebido  pelo RECORRENTE. Assim,  ainda  de  acordo  com  o Relatório Fiscal  (fls. 337/338):  “Nesse  contexto,  resta  demonstrar  qual  foi  o  valor  efetivo  da  operação  de  alienação  em  questão,  tendo  em  vista  que  no  Contrato de Compra e Venda assinado pelas partes, em maio de  Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 502          13 2002,  o  preço  foi  estipulado  1.391.467  (um milhão,  trezentos  e  noventa um mil e quatrocentos e sessenta e sete) sacas de soja de  60 kg.  Conforme  já  demonstrado  neste  relatório,  tomando  como  referência o preço de R$ 21,00 (vinte um reais) por saca, usando  para  fins de assunção das dívidas por ocasião de aquisição do  imóvel,  encontrar­se­ia  o  valor  correspondente  a  R$  29.220.807,00  (vinte  e  nove  milhões,  duzentos  e  vinte  mil,  oitocentos e sete reais).  Entretanto,  o  valor  de R$ 21,00  (vinte um  reais)  foi  estipulado  apenas  para  estimar  o  montante  das  dívidas  do  imóvel  assumidas  pelos  adquirentes,  por  essa  razão  descarta­se  esse  valor para fins de determinação do valor de alienação. Ademais,  a cotação real do produto sofreu constantes alterações durante o  período em que os pagamentos foram efetuados.  Nesse  sentido,  toma­se  como  preço  efetivo  para  fins  de  determinação  do  valor  de  alienação,  os  valores  efetivamente  desembolsados  pelos  condôminos  adquirentes,  haja  vista  que  esses valores  representam, em última  instância, o preço efetivo  pago pelo imóvel, conforme valores informados pelos envolvidos  na presente alienação.  Aos  valores  mencionados  no  parágrafo  precedente,  serão  adicionados  os  valores  pagos  em  2002,  os  quais,  segundo  o  Contrato  de  Compra  e  Venda,  foram  pagos  em  espécie  no  escritório dos adquirentes, bem como o valor correspondente às  dívidas  do  citado  imóvel  assumidas  pelos  compradores,  conforme disposto nos incisos I e II da Cláusula 3a do Contrato  de Compra e Venda.  Sobre o montante dos valores efetivamente desembolsados pelos  compradores  para  fins  de pagamento  pela  aquisição  do  imóvel  em  comento,  foram  coligidas  informações  tanto  da  parte  dos  adquirentes  em  relação  aos  pagamentos  efetuados  durante  os  anos  de  2003  a  2009,  quanto  informações  prestadas  pelos  próprios vendedores em relação aos pagamentos recebidos entre  2006 e 2009.  A  esse  respeito, merece  destacar  que  as  informações  prestadas  pelos  compradores  encontram­se  lastreadas  em  cópias  autenticadas  dos  correspondentes  documentos  comprobatórios  das  transações  financeiras,  tais  como  cópias  de  cheques,  transferências  bancárias,  comprovantes  de  depósitos  entre  outros,  enquanto  que  as  informações  dos  vendedores  não  dispõem desse lastro comprobatório.  Nesse sentido, para fins de determinação do preço efetivo pago  pela  aquisição  do  imóvel  rural  em  comento,  com  vistas  à  determinação  de  seu  o  valor  de  alienação,  foram  adotados  os  seguintes critérios:  a)  Para  os  pagamentos  efetuados  entre  o  período  de  2003  a  2005,  serão  considerados  exclusivamente  os  recolhimentos  Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 503          14 indicados pelos adquirentes do imóvel, haja vista a inexistência  de  informações  dos  vendedores  para  esse  período,  conforme  valores  consolidados  através  da  planilha  juntada  ao  presente  Relatório na forma do Anexo II;  b) Em relação aos pagamentos realizados no período entre 2006  a  2009,  serão  aceitos  todos  os  valores  para  os  quais  haja  coincidência entre as informações prestadas por compradores e  vendedores;  c)  Quando  a  divergência  consistir  em  valor  indicado  pelos  vendedores  e  não  confirmado  pelos  compradores,  reputa­se  válido o pagamento correspondente, haja vista ter sido indicado  pelos próprios fiscalizados;  d)  Quando  a  divergência  consistir  em  valor  enumerado  pelos  compradores e não confirmados pelos vendedores, estes valores  serão confirmados quando amparados por documentação hábil e  idônea;”  Em  razão  do  exposto,  resta  nítido  que  a  fiscalização  investigou  o  correto  valor recebido pelo RECORRENTE em razão da alienação do imóvel. Tal critério de apuração  sobrepõe  ao  valor  informado  na  Escritura  Pública  e  ao  indicado  na  Promessa  de Compra  e  Venda,  inclusive  porque,  conforme  exposto  pela  autoridade  fiscal,  o  valor  expresso  no  documento  particular  encontrava­se  lastreado  pelo  valor  da  saca  de  soja,  o  qual  sofreu  constantes alterações ao longo do período em que ocorreram os pagamentos.  Assim,  é  legítimo  adotar  na  apuração  do  ganho  de  capital  o  valor  efetivamente recebido pelo RECORRENTE.  Portanto,  como  há  comprovação  dos  valores  recebidos  ano­a­ano  pelo  contribuinte  em  decorrência  da  alienação  do  imóvel  rural  “Fazenda  Sete  Belo”  (conforme  demonstrado às fls. 343/347), o imposto decorrente do ganho de capital deve ser apurado sobre  tais  parcelas  efetivamente  recebidas,  na  proporção  do  imóvel  que  cabia  ao RECORRENTE,  exatamente como procedido pela autoridade lançadora.    CONCLUSÃO  Ante  o  exposto,  voto  por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário,  mantendo a decisão da DRJ de origem (que afastou a multa qualificada).  (assinado digitalmente)  Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim ­ Relator                  Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10530.723475/2011­02  Acórdão n.º 2201­004.306  S2­C2T1  Fl. 504          15                 Fl. 505DF CARF MF

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7234196 #
Numero do processo: 12448.722206/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE. A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência. VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO. Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações.
Numero da decisão: 2201-004.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE. A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência. VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO. Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 602          1 601  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12448.722206/2014­28  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­004.304  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de março de 2018  Matéria  imposto de renda pessoa física  Recorrente  VICENTE DE PAULO PIRES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2011, 2012  PROCESSO  JUDICIAL  NÃO  CONCOMITANTE  COM  O  PROCESSO  ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA.  Não  ocorrendo  concomitância  entre  o  processo  judicial  e  o  administrativo  sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria.  GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO  DO  CUSTO  DE  AQUISIÇÃO.  CAPITALIZAÇÃO  DOS  JUROS  SEM  EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE.  A capitalização dos  lucros, com ou sem a emissão de novas ações,  implica,  para  o  acionista,  o  benefício  de  aumento  do  custo  fiscal  de  aquisição  do  investimento, nos termos previstos na legislação de regência.  VALOR  DA  ALIENAÇÃO  DAS  AÇÕES.  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO.  Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o  valor  da  alienação  recebido  por  cada  acionista,  de modo  que,  embora  seja  inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido,  tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado.  Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente  relativo a alienação das ações.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares  arguídas  e,  no  mérito,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  nos  termos do voto do Relator.    (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 22 06 /2 01 4- 28 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 603          2 Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator.    EDITADO EM: 05/04/2018  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva  Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  1 ­ Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante  do V. Acórdão da DRJ (fls. 552/564) por sua clareza e precisão:    “Trata­se  de  Auto  de  Infração  de  fls.  404  a  412  lavrado  em  nome  do  contribuinte acima  identificado, relativo ao  imposto de renda pessoa  física,  Ganho de Capital, período de apuração 02/2011, 04/2011, 07/2011, 01/2012,  07/2012,  formalizando  crédito  tributário  no  montante  de  R$  1.055.227,41,  com acréscimo de juros e multa até 03/2014.  De  acordo  com  a  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal,  o  presente  refere­se à omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de  ações/quotas não negociadas em bolsas de valores, conforme relatório fiscal  em anexo.  O  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fls  412/421,  informa  que  o  contribuinte  mediante  o  Mandado  de  Segurança  Preventivo  objeto  do  processo  nº  2011.51.01.003387­3, pleiteou a concessão de segurança para que não fosse  compelido a pagar  imposto de renda sobre ganho de capital decorrente da  alienação  das  ações  ordinárias  (incluindo  as  respectivas  bonificações)  da  Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A. Argumentava na ação a existência  Fl. 603DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 604          3 de direito adquirido à isenção em relação à venda da maior parte das ações  prevista na alínea “d”, do art 4º, do Decreto nº 1.510/76.  Foi  concedida  liminar  em  11/04/2011  pela  7ª  Vara  Federal  do  Rio  de  Janeiro, e em 07/07/2011 concedida a segurança, confirmando a liminar. Em  28/05/2013, a Quarta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da  2ª  Região,  julgou  improcedente  o  pedido  formulado  pelo  fiscalizado  na  inicial,  reformando  integralmente  a  sentença  anteriormente  concedida.  No  curso da ação judicial foram efetuados depósitos judiciais, encontrando­se o  feito  no  Tribunal  Regional  Federal  –  2ª  região,  em  “apelação/reexame  necessário”.  A fiscalização enumera as informações obtidas nos procedimentos fiscais.  Dos fatos apurados no procedimento fiscal:  Da alienação – refere­se à venda da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A  –  Hospital  Samaritano,  em  que  o  contribuinte  constava  como  um  dos  alienante  e  tendo  como  adquirente  a  ESHO  –  Empresa  de  Serviços  Hospitalares S.A.  Da  quantidade  de  ações  adquiridas  –  analisando  a  documentação  apresentada  pelo  contribuinte,  foi  possível  reconstituir  a  quantidade  de  ações possuídas pelo contribuinte à época da alienação, conforme planilha  01, fls 414, no total de 1.191.228.  A Planilha 01,  fls  414, demonstra que  todas  as aquisições das ações  feitas  pelo  fiscalizado,  salientando  que  todas  elas  ocorreram  entre  24/09/1971  e  23/06/1996.  Do custo de aquisição das ações alienadas  Custo de aquisição considerado pelo contribuinte – o contribuinte informou  o  custo  de  aquisição  para  as  ações  alienadas  o  valor  de  R$1.876.121,52.  Segundo  informa,  tal  valor  representa o  custo das  ações  constantes de  sua  DIRPF 2010 (R$ 1.381.824,48) acrescido de capitalização de lucros de 2010  (R$  494.297,04).  Tal  valor  também  corresponde  à  quantidade  de  ações  Fl. 604DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 605          4 possuídas  pelo  contribuinte  à  época  da  alienação  (1.191.228) multiplicada  pelo valor de cada ação (1,5749), considerados o valor do capital social (R$  28.014.841,05)  da  Clínica  Médico­  Cirúrgica  Botafogo  S/A  ­  Hospital  Samaritano  e  a  quantidade  de  ações  que  o  compunham  (17.787.94),  de  acordo  com  a  ata  de  assembléia  geral  ordinária  e  extraordinária  em  28/04/2010.  Custo  de  aquisição  apurado  pela  fiscalização  –  a  fiscalização  tomou  por  base o valor consignado na Declaração de Ajuste Anual exercício 1996/ano­ calendário  1995  para  as  1.154.673  ações  que  possuía,  visto  que  nessa  declaração o valor atribuído às ações  inclui  tanto a avaliação de mercado  dos bens e direitos integrantes do patrimônio do contribuinte em 31/12/1991,  permitida pelo art. 96 da Lei 8.383/91, no valor de R$ 307.648,51.  O  custo  de  aquisição  dessas  1.154.673  ações  adquiridas  até  31/12/1994  poderia  ter  sido  atualizado  monetariamente  aplicando­se  o  coeficiente  de  1,2246, correspondendo ao valor atualizado de R$376.746,36.  Conforme disposto no inciso II do art 17 da lei 9.249/95, tratando­se de bens  e direitos adquiridos após 31/12/1995, caso das 36.555 ações adquiridas em  23/03/1996,  ao  custo  dos  bens  e  direitos  não  será  atribuída  qualquer  atualização  monetária.  Dessa  forma,  o  custo  de  aquisição  das  1.191.228  ações  é  R$  393.127,33,  resultante  da  soma  do  valor  atualizado  de  R$376.746,36  com o  valor  de R$16.380,97,  referente  à  aquisição  de ações  em março de 1996, conforme consta no documento intitulado “Transferência  de Ações” apresentado pelo fiscalizado em 25/07/2012, em reposta ao Termo  de Intimação 04.  Em  suas  Declarações  de  Ajuste  dos  anos  posteriores  ao  ano­calendário  1995, no entanto, o contribuinte majorou o valor das ações sem amparo na  legislação, conforme discriminado nos itens 1, 2, 3 e 4 das fls 416.  Quanto  aos  valores  declarados  nos  anos­calendário  de  2009  e  2010,  na  planilha  apresentada  à  fiscalização  em  25/7/2012,  o  contribuinte  informa  que o aumento do valor do custo de aquisição, de R$ 1.381.824,48 para R$  Fl. 605DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 606          5 1.876.121,52, refere­se à “capitalização de  lucros de 2010, no valor de R$  494.297,04”. Observe­se que esse  valor  identificado como capitalização de  lucros é superior ao valor por ele consignado na DIRPF referente aos anos­ calendário  de  2009  e  2010,  que  foi  de  R$  419.907,53.  Tal  majoração  do  valor das ações já existentes, entretanto, sem emissão de novas ações, não é  permitida pela legislação, como se verifica no exame do § 1º do artigo nº 130  do RIR/99, que trata apenas de emissão de novas ações.  Do valor de alienação – o valor estabelecido pelo contrato celebrado para a  venda  era  R$  12.054.393,50.  E  o  contribuinte  considerou  o  valor  de  alienação  R$  12.195.549,96,  conforme  declarado  no  demonstrativo  da  Apuração dos Ganhos de Capital.  Ainda  de  acordo  com o  contrato,  o  valor  da  venda  seria  recebido  em  sete  parcelas.  Do ganho de capital e do imposto devido  Da apuração procedida pelo contribuinte – optou por apurar separadamente  o ganho de capital obtido na alienação das ações que considerou abrangidas  pela  alínea  “d”,  do  art  4º,  do  Decreto  nº  1.510/76,  do  ganho  obtido  na  alienação  daquelas  que  considerou  não  abrangidas  pela  citada  norma,  proporcionalizando­o  na  razão  demonstrada  na  Planilha  03,  fls  417.  Em  seguida  procedeu  a  apuração  do  ganho  de  capital  e  do  imposto  devido  quando do recebimento de cada parcela, Planilha 04.  Percebe­se,  no  exame  da  Planilha  04,  que  apesar  da  separação  proporcionalizada por este para a apuração do ganho de capital e o escopo  da  ação  judicial  impetrada,  os  depósitos  efetuados  se  referem  ao  total  do  ganho  de  capital  relativo  à  totalidade  das  ações  alienadas  conforme  calculado  pelo  contribuinte  e  não  somente  as  abrangidas  pelo  “DL  1.510/76”. Segundo os cálculos do contribuinte, o ganho de capital total na  alienação foi de R$ R$10.319.428,44 (Valor de alienação R$12.195.549,96 –  Custo de Aquisição R$1.876.121,52).  Fl. 606DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 607          6 Em paralelo, e de forma contraditória ao fato de ter impetrado ação judicial  para  discutir  o  valor  do  ganho  de  capital,  o  contribuinte  declarou  a  alienação  das  ações  e  apurou  o  ganho  de  capital  como  se  não  estivesse  discutindo  judicialmente o valor do  imposto  incidente  sobre a operação na  DIRPF 2012, ano­calendário 2011.  Para  as  parcelas  de  2012,  não  foi  apresentado  o  demonstrativo  anexo  à  DIRPF 2013.  Da  apuração  pela  fiscalização  –  considerou  o  custo  de  aquisição  de  R$  393.127,33 e valor de alienação de R$ 12.195.549,96.  Há  de  se  fazer  distinção  entre  as  parcelas  recebidas  em  2011  e  aquelas  recebidas em 2012 e o respectivo ganho de capital incidente. O contribuinte  apresentou  anexo  na  DIRPF,  exercício  2012,  sobre  o  ganho  de  capital  incidente  para  alienação  das  ações,  para  as  parcelas  recebidas  em  2011.  Dessa  forma,  apesar  de  o  Contribuinte  ter  apurado  o  imposto  de  forma  incorreta,  declarando  valores  menores  do  que  os  devidos,  conforme  apuração da  fiscalização,  tais valores estão declarados e não  foram objeto  de  lançamento  de  ofício  neste  auto  de  infração.  Foram  efetuados  lançamentos  apenas  quanto  às  diferenças  apuradas  entre  os  cálculos  do  contribuinte e os da fiscalização, conforme planilha 05, fls 420.  Com relação a 2012, não foi apresentado o anexo a DIRPF 2013 do ganho  de capital na alienação das ações com a declaração do imposto devido sobre  as parcelas recebidas naquele ano­calendário. Os depósitos judiciais, sendo  em  valores  inferiores  ao  montante  integral  do  tributo,  não  suspendem  a  exigibilidade do  crédito nem  tampouco existe decisão  judicial  favorável  ao  contribuinte,  ou  qualquer  outra  condição  para  a  suspensão  do  crédito  tributário, nos termos do art. 151 d o Código Tributário Nacional.  A  Planilha  05,  fls  420,  demonstra  os  valores  apurados  no  procedimento  fiscal correspondentes ao IR devido sobre esses ganhos de capital.  Fl. 607DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 608          7 Dessa  forma,  o  imposto  de  renda  apurado  pela  fiscalização  foi  o  lançado  através desse auto de infração, com cobrança das diferenças não declaradas  para 2011, e integralmente para 2012.  Da Impugnação  Cientificado em 26/03/2014,  fls 429, o contribuinte apresentou  impugnação  em 17/04/2014, fls 440/452, e documentos fls 453/547, alegando em síntese:  Da tempestividade, dos fatos e do auto de infração.  Da  possibilidade  de  discussão,  na  via  administrativa,  de  matérias  não  tratadas  na  via  judicial  –  Cita  jurisprudência  e  entende  que  o  MS  nº  2011.51.01.003387­3  tem como objetivo de  impedir a cobrança do  imposto  de  renda  sobre  o  ganho  de  capital  decorrente  da  alienação  de  parte  das  ações  sob o argumento de que  tal  ganho  seria  isento,  por  força do art. 4º,  alínea “d”, do DL nº 1.510/76.  Já na presente impugnação, o que está sendo questionado nos autos são os  procedimentos  adotados  pela  fiscalização  para  a  apuração  do  ganho  de  capital  relativo  à  venda  das  ações,  e  a  exigência  de  valores  depositados  judicialmente e/ou pagos.  Assim, resta claro que o disposto na letra “b” do ADN COSIT nº 03/96 dá  respaldo à apreciação na via administrativa da matéria que será tratada na  presente impugnação.  Dos  erros  cometidos  pela  fiscalização  na  determinação  do  custo  de  aquisição  das  ações  –  entende que  a  fiscalização  cometeu  um  equivoco  ao  desconsiderar  o  custo  de  aquisição  utilizado  pelo  impugnante  para  fins  de  apuração do ganho de capital, fixando­o em R$ 393.127,33.  Destaca que a possibilidade de incremento do custo de aquisição das ações  já  existentes  em  razão  da  capitalização  de  lucros  e  reservas  ocorridos  a  partir  de  janeiro/1996  já  foi  reconhecida  em  Soluções  de  Consulta  pela  própria  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  como  segue.  Cita  trecho  das  Fl. 608DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 609          8 Soluções  de Consulta  nºs  53,  54,  55,  56,  57,  58  de  08/05/2008,  bem  como  legislação.  Têm­se, portanto, que os valores proporcionais das capitalizações realizadas  pela  Clínica  nos  anos  de  1996,  1997,  2009  e  2010,  que  totalizaram  R$  1.179.902,69,  também  devem  compor  o  custo  de  aquisição  das  alienadas  pelo impugnante para fins de apuração de eventual  imposto de renda sobre  ganho de capital.  Por  fim,  deve­se  destacar  que  o  efetivo  valor  de  venda  das  ações  a  ser  considerado  no  cálculo  do  ganho  de  capital  deve  ser  de  apenas  R$  12.054.393,50, e não de R$ 12.195.549,96.  De fato, conforme se depreende pelo Contrato de Compra e Venda das Ações  (apresentado no curso da fiscalização e ora reapresentado – doc 02), o valor  efetivo  da  venda  das  ações  do  Impugnante  foi  de R$  12.054.393,50,  sendo  que o valor de R$ 141.156,46, corresponde a honorários advocatícios, pagos  pelos  compradores  das  ações  e  descontados  dos  valores  devidos  ao  impugnante.  Da  impossibilidade  de  exigir  valores  já  depositados  judicialmente  e  de  aplicar multa de ofício e cobrar juros de mora sobre esses mesmos valores –  acredita  que  deveria  ter  sido  considerada  suspensa  a  exigibilidade  dos  valores já depositados em juízo pelo impugnante, ainda que se entenda que  tais valores não representam o montante  integral, e sobre eles não poderia  exigir multa de ofício  e nem cobrar  juros de mora. Devendo o  lançamento  dos valores depositados judicialmente serem efetuados apenas para prevenir  decadência.  Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.  Ainda  que  se  entenda  que  o  depósito  dos  débitos,  mesmo  que  parcial  não  suspendem a exigibilidade do exato montante depositado e que, portanto, o  seu  lançamento  somente  se  daria  para  prevenir  a  decadência,  o  que  se  admite apenas por argumentação, ainda assim não seria aplicável multa de  ofício e juros de mora sobre tais valores. Cita jurisprudência.  Fl. 609DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 610          9 Pelo  exposto,  pede  e  espera  o  impugnante  o  cancelamento  do  auto,  pois  deveria  ter  sido  lavrado  apenas  para  prevenção  da  decadência,  ou,  no  mínimo, parcialmente cancelado, afastando­se a multa de ofício e os juros de  mora sobre os valores  relativos às parcelas  recebidas no ano de 2012 e  já  depositados judicialmente antes de sua lavratura.  Da impossibilidade do auto exigir valores de IR já pagos pelo impugnante –  em  relação  aos  ano  2012,  a  fiscalização  desconsiderou  além  dos  valores  depositados  judicialmente,  os  pagamentos  efetivamente  realizados  pelo  impugnante  relativo  aos  8,8853%  das  ações  que  estão  fora  do  objeto  do  referido MS.  O  impugnante  efetuou  o  recolhimento  de  R$  33.862,22  (R$  16.931,11  relativo  à  parcela  recebida  em  janeiro  de  2012  e  R$  16.931,11  relativo  à  parcela  recebida  em  julho  de  2012),  portanto,  devem  ser  excluídos  do  montante do imposto exigido no auto.  Pede e espera pelo cancelamento do auto ou, senão, a retificação do valor  nele lançado.  2  –  A  decisão  de  piso  manteve  em  parte  o  lançamento  conforme  ementa  abaixo indicada:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2011, 2012  PROCESSO  JUDICIAL  NÃO  CONCOMITANTE  COM  O  PROCESSO  ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA.  Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo  sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto ao mérito da  questão, conhecendo da impugnação.  OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.  Fl. 610DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 611          10 Sujeita­se  à  incidência  do  Imposto  de  Renda  o  ganho  de  capital  correspondente  à  diferença  entre  o  valor  de  alienação  das  ações  pelo  acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição, que não pode ser  majorado sem o amparo legal.  DEPÓSITO  JUDICIAL  PARCIAL.  JUROS  DE  MORA.  MULTA  DE  OFÍCIO  A realização de depósito  judicial parcial do crédito  tributário considerado  pelo Fisco não suspende sua exigibilidade, podendo o Fisco exigir o crédito  em sua totalidade, bem como seus consectários legais.  HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.  Não há previsão  legal  para  a  dedução de honorários  advocatícios  para  o  valor  de  alienação,  conforme  §  4º  do  artigo  19  da  Instrução  Normativa  SRF nº 84/2001.  ÔNUS DA PROVA.  Havendo  incongruência  entre  as  informações  declaradas  à  RFB  e  informadas  pelo  contribuinte,  este  deve  apresentar  documentos  hábeis  e  inequívocos para refutar a base de cálculo do imposto de renda.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  Iniciado  o  procedimento  administrativo  em  desfavor  do  contribuinte,  não  mais espontânea será a denúncia eventualmente ofertada, resultando para  o infrator as sanções decorrentes do descumprimento de sua obrigação.  O pagamento efetuado, antes da lavratura da Notificação de Lançamento,  por  sujeito  passivo  que  perdera  a  espontaneidade,  não  tem  o  condão  de  desconstituir a exigência lançada.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido  Fl. 611DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 612          11   3  – O  contribuinte  interpõe  recurso  voluntário  às  fls.  572/594, mantendo  a  mesma linha da defesa. É o relatório do necessário.      Voto             Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator  4  ­  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade. Portanto, dele conheço.  5 – A matéria em debate é conhecida dessa Turma e  foi apreciada nos AC.  2201­003.890 e 2201­003.891  j.  em 13/09/2017 sendo Relatora  a  I. Conselheira Ana Cecília  Lustosa da Cruz que hoje compõe a E. CSRF.    6  –  Analisando  os  autos  verifica­se  que  são matérias  idênticas  debatidas  e  julgadas  anteriormente  referente  à  omissão/apuração  incorreta  de  ganhos  de  capital  na  alienação  de  ações/quotas  não  negociadas  em  bolsas  de  valores  em  que  o  contribuinte  em  01/02/2011, vendeu a totalidade de suas ações do Capital Social da Clínica Médico­Cirúrgica  Botafogo  SA  ­  Hospital  Samaritano  à  Empresa  de  Serviços  Hospitalares  S.A.  ­  ESHO,  de  acordo com o contrato de compra e venda celebrado nesta data, fls. 351/348.    7 – A Fiscalização entende que o custo de aquisição das referidas cotas são  de R$ 393.127,33 e o contribuinte de R$ 1.876.121,52.    8 – De acordo com a autuação o objeto do presente lançamento é apenas em  relação às parcelas  recebidas de 10/01/2012 a 10/07/2012,  sendo que as demais parcelas  são  objeto de outro PAF às fls. 420:  Fl. 612DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 613          12       Da inexistência de concomitância com a via judicial  9  –  Quanto  a  matéria  sobre  a  concomitância  entre  a  via  judicial  e  a  administrativa me atenho às razões do bem fundamentado voto dos AC. 2201­003.890 e 2201­ 003.891  j.  em  13/09/2017  e  os  adoto  como  razão  de  decidir,  com  as  ressalvas  relativas  aos  fatos ora descritos nesses autos, verbis:  “Cumpre  destacar  que  o  trâmite  do  Mandado  de  Segurança  n.º  2011.51.01.003390­3 impetrado pelo Recorrente, na 24ª Vara Federal do Rio de  Janeiro,  com  o  objetivo  de  impedir  a  cobrança  do  imposto  de  renda  sobre  o  ganho de capital decorrente da alienação de parte das ações sob o fundamento de  que tal ganho seria isento, por força do art. 4º, alínea "d", do DL n.º 1.510/76,  não obsta o conhecimento da matéria sob análise, considerando a distinção dos  objetos discutidos.  Assim, no autos do MS discute­se o direito à  isenção prevista no art. 4º, alínea  "d",  do DL  n.º  1.510/76,  já,  no  presente  processo  administrativo,  o  recorrente  questiona os procedimentos adotados pela fiscalização para a apuração do ganho  de capital  relativo à venda das ações, que a  levaram a determinar um custo de  aquisição menor do que aquele por ele utilizado.  Portanto,  não  se  vislumbra  a  existência  de  concomitância  apta  a  ensejar  a  aplicação do Enunciado de Súmula CARF n.º 1.”    Do custo de aquisição das ações  Fl. 613DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 614          13   10  –  Em  relação  a  essa  parte  do  apelo  o  contribuinte  requer  que  seja  considerado  como  custo  de  aquisição  das  ações  alienadas  os  valores  relativos  aos  lucros  capitalizados conforme indicado às fls. 491:        Fl. 614DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 615          14     11  –  Nesse  caso,  tomando  as  mesmas  razões  de  decidir  dos  acórdãos  indicados alhures a respeito da matéria:  Como  se  verifica,  da  narrativa  anterior,  a  situação  fática  é  incontroversa  nos  autos, sendo relevante a discussão jurídica sobre a possibilidade da consideração  da capitalização dos lucros no custo de aquisição das ações.  Para  melhor  elucidar  o  tema,  cito  um  exemplo  exposto  no  Acórdão  n.º  19515.720668/2011­66 abaixo transcrito:    Para  exemplificar  essa  determinação,  considere  uma  participação  societária  correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios,  pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa  jurídica,  em  seguida,  tenha  auferido  um  lucro  de  R$  100,00  e  o  tenha  capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação  societária a  terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios  terem  adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado  por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas  de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de  aumentar o  custo de aquisição da participação  societária  e,  consequentemente,  de diminuir o ganho de capital.  Fl. 615DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 616          15 O art. 10, § 1º, da Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de1995, acerca da matéria  assim dispõe:  Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a  partir  do mês  de  janeiro  de  1996,  pagos  ou  creditados  pelas  pessoas  jurídicas  tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à  incidência  do  imposto  de  renda na  fonte,  nem  integrarão  a  base  de  cálculo  do  imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País  ou no exterior.  §  1oNo  caso  de  quotas  ou  ações  distribuídas  em  decorrência  de  aumento  de  capital por incorporação de lucros apurados, a partir do mês de janeiro de 1996,  ou de  reservas  constituídas com esses  lucros, o custo de aquisição será  igual à  parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista.     (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)   (Vigência)  Em  seu  art.  135,  o  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  reproduz  o  texto  introduzido pela mencionada Lei:  Custo  de  Participações  Societárias  Adquiridas  com  Incorporação de Lucros e Reservas  Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de  capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996,  ou de  reservas  constituídas com esses  lucros, o custo de aquisição será  igual à  parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista  (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único).  O caput do art. 169 da Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, destaca:  Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará  alteração  do  valor  nominal  das  ações  ou  distribuições  das  ações  novas,  correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações  que possuírem.  Fl. 616DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 617          16 Como bem asseverou o recorrente,  o  custo de aquisição de ações,  em razão da  capitalização  de  lucros  e  reservas  já  foi  objeto  de  Soluções  de  Consulta  da  Receita Federal do Brasil, conforme as ementas a seguir:      12 – Pelo exposto, dou provimento ao recurso nessa parte para, devendo ser  procedida a consideração, no custo de aquisição das ações, dos valores proporcionais relativos  às capitalizações de lucros ocorridas nos anos de 1996 (no valor de R$ 154.461,07), 1997 (no  valor  de  R$  161.863,90),  2009  (no  valor  de  R$  161.863,90)  e  de  2010  (no  valor  de  R$  494.297,04) devidamente comprovadas por meio de documentação que acompanhou a petição  Fl. 617DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 618          17 apresentada em 25/07/2012 (planilha constante de fls. 82), tendo em vista que a capitalização  dos  lucros  com  ou  sem  emissão  de  novas  ações  implica,  para  o  acionista,  o  benefício  de  aumento do custo fiscal de aquisição do investimento.  Valor da alienação    13  –  Em  relação  ao  tema  sobre  o  valor  da  alienação  a  ser  considerado  no  ganho de capital, analisando o documento de fls. 524/532 verifica­se que deve ser excluído o  valor de R$ 141.156,46.    14 ­ A decisão de piso assim tratou da questão:    Apesar do contribuinte apresentar Contrato de Compra e Venda das Ações  em sua impugnação, no qual consta o valor de venda de R$ 12.054.393,50,  a  fiscalização  verificou  que  o  contribuinte  considerou  como  valor  de  alienação o valor de R$ 12.195.549,96.  Observa­se  que  apesar  da  fiscalização  ter  aduzido  que  a  diferença  de  valores  seria  relativa  a  honorários  advocatícios,  esta manteve  a  base  de  cálculo de R$ 12.195.549,96.  Frise­se  que  não  há  previsão  legal  para  a  dedução  de  honorários  advocatícios  para  o  valor  de  alienação,  conforme  §  4º  do  artigo  19  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  84/2001,  ressaltando  que  o  contrato  de  prestação de serviços apresentado na impugnação refere­se expressamente  a  honorários  advocatícios,  não  sendo  possível  aduzir  existência  de  corretagem.  Art. 19 . Considera­se valor de alienação:  I ­ o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos;  (...)  Fl. 618DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 619          18 § 4º O valor da corretagem, quando suportado pelo alienante, é deduzido  do  valor  da  alienação  e,  quando  se  tratar  de  venda  a  prazo,  com  diferimento da tributação, a dedução far­se­á sobre o valor da parcela do  preço recebida no mês do pagamento da referida corretagem.  A definição de contrato de corretagem é prevista no artigo 722 do Código  Civil, no qual se estabelece que pelo contrato de corretagem, uma pessoa,  independentemente de mandato, de prestação de serviços ou outra relação  de  dependência,  obriga­se  a  obter  para  outra  um  ou  mais  negócios,  conforme instruções recebidas.    15  ­Ao  contrário  do  entendimento  exposto,  com  a  análise  do  contrato  de  compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista  (anexo A), de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização  do contrato, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado.    16 ­ Portanto, deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor  efetivamente relativo a alienação das ações. É o que se extrai até mesmo da  interpretação da  Instrução Normativa mencionada pelo Acórdão recorrido, pois a finalidade da norma é excluir  a  parcela  não  integrante  do  valor  do  bem  (valor  da  corretagem),  quando  suportado  pelo  alienante, do valor da alienação levado a efeito para o cálculo do ganho de capital.    Decisão judicial    17 – No que se refere à ação judicial sobre a isenção prevista no Decreto­Lei  1.510/76, em consulta processual realizada no site do Superior Tribunal de Justiça, observa­se  que o Processo n.º  2011.51.01.003387­3  ainda não  transitou  em  julgado,  estando pendente  a  análise  do  Recurso  Especial  nº  1659265/RJ  interposto  pelo  contribuinte  após  a  negativa  de  Fl. 619DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 620          19 provimento  ao  seu  Recurso  de  Apelação  no  TRF  da  2ª  Região,  conforme  certidão  abaixo  expedida pelo site do E. STJ.    O  SUPERIOR  TRIBUNAL  DE  JUSTIÇA,  com  base  nos  seus  registros  processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a)  RECURSO ESPECIAL nº 1659265/RJ, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro  OG FERNANDES e no qual figuram, como RECORRENTE, VICENTE DE PAULO PIRES,  advogados(as) EUNYCE PORCHAT SECCO FAVERET (RJ081841) e, como RECORRIDO,  FAZENDA NACIONAL, constam as seguintes fases: em 15 de Março de 2017, RECEBIDOS  OS  AUTOS  ELETRONICAMENTE  NO(A)  SUPERIOR  TRIBUNAL  DE  JUSTIÇA  DO  TRF2  ­  TRIBUNAL  REGIONAL  FEDERAL  DA  2ª  REGIÃO;  em  16  de Março  de  2017,  DISTRIBUÍDO POR SORTEIO AO MINISTRO OG FERNANDES ­ SEGUNDA TURMA;  em  16  de  Março  de  2017,  CONCLUSOS  PARA  DECISÃO  AO(À)  MINISTRO(A)  OG  FERNANDES (RELATOR) ­ PELA SJD; em 03 de Abril de 2017, RECEBIDOS OS AUTOS  NO(A)  COORDENADORIA  DA  SEGUNDA  TURMA;  em  04  de  Abril  de  2017,  PROFERIDO  DESPACHO  DE  MERO  EXPEDIENTE  DETERMINANDO  VISTA  AO  MINISTÉRIO  PÚBLICO  FEDERAL;  em  04  de  Abril  de  2017,  AUTOS  COM VISTA AO  MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; em 06 de Abril de 2017, DISPONIBILIZADA CÓPIA  DIGITAL  DOS  AUTOS  À(O)  MINISTÉRIO  PÚBLICO  FEDERAL;  em  01  de  Agosto  de  2017,  PROTOCOLIZADA  PETIÇÃO  367075/2017  (PARMPF  ­  PARECER DO MPF)  EM  01/08/2017;  em  01  de  Agosto  de  2017,  ATO  ORDINATÓRIO  PRATICADO  (PETIÇÃO  367075/2017  (PARECER DO MPF) RECEBIDA NA COORDENADORIA DA SEGUNDA  TURMA); em 01 de Agosto de 2017, JUNTADA DE PETIÇÃO DE PARECER DO MPF Nº  367075/2017;  em  01  de  Agosto  de  2017,  CONCLUSOS  PARA  JULGAMENTO  AO(À)  MINISTRO(A) OG FERNANDES (RELATOR). Certifica, por  fim, que o assunto tratado no  mencionado  processo  é:  DIREITO  TRIBUTÁRIO,  Impostos,  IRPF  ­  Imposto  de  Renda  de  Pessoa Física.DIREITO TRIBUTÁRIO, Impostos, IRPF ­ Imposto de Renda de Pessoa Física.  Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada  no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2136220 Código de Segurança:  213F.3B8C.48CD.1D33  Certidão  de  número  2136220,  de  código  de  segurança  213F.3B8C.48CD.1D33, gerada em 02/03/2018 14:55:36.    Fl. 620DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 621          20 18  ­  Assim,  deve  a  autoridade  responsável  pela  execução  do  acórdão  acompanhar os efeitos do Mandado de Segurança mencionado, até o trânsito em julgado, tendo  em  vista  que  o  presente  lançamento  teve  como  objeto  a  parte  das  ações  na  qual  não  foi  reconhecido o direito à isenção pleiteada na via judicial, conforme a decisão proferida no MS e  ainda eficaz.    Da impossibilidade do auto exigir valores já depositados judicialmente e de aplicar multa  de ofício e cobrar juros de mora sobre esses mesmos valores.    19  – Nesse  tópico,  pela  análise  da  planilha  de  nº  5  de  fls.  420  do  auto  de  infração,  verifico  que  houve  o  lançamento  apenas  em  relação  a  diferenças  apuradas  entre  o  declarado pelo contribuinte e o que foi lançado pela fiscalização, e portanto, nesse ponto nego  provimento quanto a questão da multa de ofício e juros de mora.    Da impossibilidade do auto exigir valores de IR já pagos pelo recorrente    20 – Nesse ponto a fiscalização alega o seguinte às fls. 298/299 do TVF:    “Aqui, há que se fazer distinção entre as parcelas recebidas em 2011 e aquelas  recebidas  em  2012  e  o  respectivo  imposto  sobre  o  ganho  de  capital  incidente.  Como já explicitado acima (item 4.1), o contribuinte apresentou o Anexo sobre o  ganho de capital incidente na alienação das ações, para as parcelas recebidas em  2011.  Desta  forma,  apesar  de  ter  apurado  o  imposto  de  forma  incorreta,  declarando  valores  menores  do  que  os  devidos,  conforme  apuração  da  fiscalização,  tais valores estão declarados e não foram objeto de lançamento de  ofício  neste  auto  de  infração.  Para  as  parcelas  recebidas  em  02/02/2011,  01/04/2011 e 11/07/2011, foram feitos lançamentos apenas quanto às diferenças  apuradas, como se verifica na coluna “G” da planilha 05.  Fl. 621DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 622          21 Com  relação  a  2012,  no  entanto,  não  foi  apresentado  o  anexo  do  ganho  de  capital  na  alienação  das  ações  com  a  declaração  do  imposto  devido  sobre  as  parcelas  recebidas  naquele  ano  calendário,  motivo  pelo  qual  foram  objeto  de  lançamento integral neste auto de infração.  Os  depósitos  judiciais,  sendo  em  valores  inferiores  ao  montante  integral  do  tributo, não suspendem a exigibilidade do crédito nem  tampouco existe decisão  judicial favorável ao contribuinte (a decisão de primeira instância que concedia  a  segurança  foi  integralmente  reformulada  pelo TRF 2a Região),  ou  qualquer  outra  condição  para  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  nos  termos do artigo 151 do Código Tributário Naciona ;  (Omissis)  Houve,  portanto,  lançamento  do  total  do  imposto  devido  relativo  ao  ganho  de  capital  incidente  sobre  as  parcelas  recebidas  em  10/01/2012  e  10/07/2012,  conforme apurado pela fiscalização no Demonstrativo da apuração dos ganhos  de capital – participações societárias para 2012 (em anexo).”      21 – Nesse ponto em relação aos lançamentos efetuados sobre as parcelas dos  meses de 10/01/2012 e 10/07/2012 entendo que o contribuinte tem razão. Através de memorial  de valores de fls. 77 e 305 bem antes do lançamento, foram entregues à fiscalização extrato de  pagamento do sistema da RFB de fls. 285/286 com os valores do IR sobre Ganho de Capital  que o contribuinte entendeu que estavam corretos relacionados às 4ª e 5ª parcelas.    22  – Entendo que  a Fiscalização  não  poderia  ter  ignorado  tal  situação,  por  mais que não tenha ocorrido a entrega da apuração em sua DIRPF, pois  foram efetuados nos  códigos  e  datas  corretas  e  foram  identificados  pelo  contribuinte  antes  do  lançamento  à  fiscalização.    Fl. 622DF CARF MF Processo nº 12448.722206/2014­28  Acórdão n.º 2201­004.304  S2­C2T1  Fl. 623          22 23 – Poderia a fiscalização da mesma forma que efetuou o lançamento sobre  as diferenças que entende correta no ano de 2011 ter efetuado em relação a 2012. Portanto, dou  provimento  nesse  ponto  do  recurso  para  que  seja  excluído  do  lançamento  dos  meses  de  10/01/2012 e 10/07/2012 os valores recolhidos pelo contribuinte às fls. 285 e 286 no valor de  R$ 174.318,42 cada no total de R$ 348.636,84.    Conclusão    24  ­  Diante  do  exposto,  conheço  do  recurso  e  no  mérito  DOU  PROVIMENTO PARCIAL para  reconhecer  como  custo  de  aquisição  das  ações,  dos  valores  proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridas nos anos de 1996 (no valor de R$  154.461,07), 1997 (no valor de R$ 161.863,90), 2009 (no valor de R$ 161.863,90) e de 2010  (no  valor  de  R$  494.297,04);  Excluir  do  valor  da  alienação  o  valor  de  R$  R$  141.156,46;  excluir  do  lançamento  o  valor  de  R$  R$  348.636,84.  E  quanto  ao  processo  judicial  nº  2011.51.01.003387­3  deverá  a  DRF  de  origem  acompanhar  os  efeitos  do  Mandado  de  Segurança mencionado, até o trânsito em julgado e adotar as demais providências cabíveis.    (assinado digitalmente)  Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator                                Fl. 623DF CARF MF

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7170667 #
Numero do processo: 17698.000411/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea, as despesas com benfeitorias e o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel.
Numero da decisão: 2401-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para adicionar ao custo de aquisição do imóvel, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de R$ 438.342,00, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA

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2401­005.256  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de fevereiro de 2018  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  UBIRAJARA DA ROSA CRIZEL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2004  IMPOSTO  DE  RENDA.  GANHO  DE  CAPITAL.  BENFEITORIAS.  COMPROVAÇÃO.  Podem  integrar  o  custo  de  aquisição,  quando  comprovados  com  documentação  hábil  e  idônea,  as  despesas  com  benfeitorias  e  o  valor  do  imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 04 11 /2 00 9- 43 Fl. 173DF CARF MF     2   Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  recurso  voluntário  e,  no  mérito,  dar­lhe  provimento  parcial  para  adicionar  ao  custo  de  aquisição do imóvel, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de R$ 438.342,00, nos  termos do voto da Relatora.    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Luciana Matos Pereira Barbosa ­ Relatora    Participaram do presente  julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Andréa  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Jose  Alfredo  Duarte  Filho  e  Rayd  Santana  Ferreira.  Ausentes  os  Conselheiros  Miriam  Denise  Xavier,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho e Fernanda Melo Leal.  Fl. 174DF CARF MF Processo nº 17698.000411/2009­43  Acórdão n.º 2401­005.256  S2­C4T1  Fl. 3          3   Relatório  Tratam  os  presentes  de  Auto  de  Infração  de  fls.  4/8,  acompanhado  do  demonstrativo de fl. 2 e do Relatório Fiscal de fls. 11/15, relativo ao imposto sobre a renda de  pessoa  física  do  ano­calendário  2004,  por  meio  do  qual  foi  apurado  crédito  tributário  no  montante de R$ 620.197,11, composto da seguinte forma: R$ 259.551,00 relativo ao Imposto;  R$  165.982,86  de  Juros  de  mora  (calculados  até  30/06/2009);  e  R$  194.663,25  de  Multa  Proporcional.  Consta  da  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  (fl.  8),  que  o  lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte  do autuado, cujo fato gerador ocorreu em 31/08/2004.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  (fls.  11/15),  a  omissão  de  rendimentos  decorrente de ganho de capital na alienação de bens e direitos se deu da seguinte forma:  “O  contribuinte  adquiriu,  em  04/04/2002,  uma  fração  de  terras  de  campo, com a área superficial de 1.045 ha 14 a 50 ca, situada no 1°  distrito  do  município  de  Herval/RS,  contendo  algumas  benfeitorias,  pelo  preço  total  de  R$  500.000,00  (quinhentos  mil  reais)  através  de  Promessa  de  Compra  e  Venda,  conforme  informado  em  Escritura  Pública de Compra e Venda, Número Geral 34.620­086, Livro n° 476­ C Folha 151 do 2° Tabelionato de Notas de Pelotas,  valor pelo qual  vinha sendo declarado o imóvel na Declaração de Bens e Direitos do  fiscalizado (R$ 500.000,00).  O referido imóvel foi alienado em 06/08/2004, para VCP FLORESTAL  S/A, pelo valor total de 2.299.319,00 (dois milhões,duzentos e noventa  e nove mil ,trezentos e dezenove reais), conforme Escritura de Compra  e  Venda  n°  065/34.171,  Livro  n°  74­CVA,  Folha  n°  097  do  1°  Tabelionato de Pelotas.  O  contribuinte  apresentou  em  27/04/2005,  DIRPF  2005,  quando  efetuou  o  cálculo  do  Ganho  de  Capital  sobre  a  citada  operação  utilizando como valor de alienação e custo de aquisição os valores de  R$ 2.299.319,00 (dois milhões duzentos e noventa e nove mil trezentos  e dezenove reais) e R$ 1.117.525,16 (hum milhão cento e dezessete mil  quinhentos e vinte e cinco reais e dezesseis centavos) respectivamente .  Em  14/03/2008,  o  contribuinte  apresentou  Declaração  Retificadora  para DIRPF 2005 onde utilizou R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais)  como  valor  de  alienação  e  de  custo  de  aquisição  sobre  a  referida  operação,  calculando  um  Ganho  de  Capital  igual  a  zero.  Solicitou  então,  através  da  PERDCOMP  n°  03740.08029.140308.2.2.04­1231,  restituição do valor pago como Imposto sobre o Ganho de Capital.  Fl. 175DF CARF MF     4 Baseado  na  documentação  fornecida  pelo  próprio  contribuinte  em  atendimento  as  intimações,  foi  constatado  para  a  DIRPF  2005  original, uma apuração incorreta do custo de aquisição utilizado para  a  apuração  do  Ganho  de  Capital  no  valor  de  R$  1.117.525,16  (Um  milhão,  cento  e  dezessete  mil,  quinhentos  e  vinte  e  cinco  reais  e  dezesseis centavos).  A Fiscalização considerou como o valor correto do custo de aquisição  para  o  apuração  do  Ganho  de  Capital  ,  o  valor  de  R$500.000,00  (quinhentos  mil  reais)  tendo  em  vista  que  considera­se  como  custo  aquisição  o  valor  efetivo  de  aquisição  constante  da  Promessa  de  Compra e Venda de R$ 500.000,00  (valor  este  também  informado na  DIRF  2003)  e  por  ter  o  contribuinte  apresentado  documentos  de  despesas  para  comprovação  dos  gastos  com  benfeitorias  que  não  foram considerados hábeis (conforme planilha).  [...]  Foi apresentado  recibo de R$ 68.979,00, de 23 de agosto de 2004, a  titulo  de Comissão  de  Intermediação na Compra  e Venda do  Imóvel,  valor que  foi  deduzido do preço de  venda na composição da base de  cálculo do Imposto sobre a Renda incidente sobre o ganho de capital  resultante da operação.  Desta  forma,  conclui­se  que  para  a  DIRPF  2005  Retificada  em  14/03/2005 o valor correto do Ganho de Capital é de R$ 1.730.340,00  (hum  milhão,  setecentos  e  trinta  mil  e  trezentos  e  quarenta  reais),  apurado pela diferença entre o valor de alienação (R$ 2.299.319,00), o  valor  da  despesa  de  comissão  (R$ 68.979,00)  e  o  valor  de aquisição  (R$ 500.000,00).”  Devidamente  cientificado,  o  Interessado  apresentou,  tempestivamente,  impugnação (fls. 88/95), alegando, resumidamente, o que segue:  (i) Erro na apuração do ganho de capital em virtude da falta de aplicação do  fator de redução do artigo 37, da MP 252/2005;  (ii) Mediante a documentação acostada aos autos, comprova as despesas que  integram  o  custo  de  aquisição,  quais  sejam,  serviços  de  alambramento,  combustível  para  tratores e veículos de  transporte, serviços de limpeza do campo, despesas com construção de  manancial aquífero e imposto de transmissão pago quando da aquisição do imóvel;  (iii)  Aproveitamento  do  imposto  recolhido  a  título  de  ganho  de  capital  na  forma e época próprias bem como o recolhimento do saldo do imposto e acréscimos legais que  entende como devidos.  Ao  final,  requereu  a  admissão da prova documental  anexada  assim como a  produção de prova complementar das alegações se necessário.  A Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Porto  Alegre  (RS)  lavrou Decisão Administrativa  textualizada no Acórdão  nº  10­49.422 da  8ª Turma da  DRJ/POA,  às  fls.  118/124,  julgando parcialmente procedente  a  impugnação  apresentada  em  face do lançamento, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Recorde­se:  Fl. 176DF CARF MF Processo nº 17698.000411/2009­43  Acórdão n.º 2401­005.256  S2­C4T1  Fl. 4          5 “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  ­  IRPF  Ano­calendário: 2004  GANHO DE CAPITAL.  Na apuração de ganho de capital serão consideradas as operações que  importem alienação, a qualquer título, de bens e direitos ou cessão ou  promessa  de  cessão  de  direitos  à  sua  aquisição,  tais  como  as  realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação,  dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa  de  compra  e  venda,  cessão  de  direitos  ou  promessa  de  cessão  de  direitos e contratos afins.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte”  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  instância  em  19/11/2014,  conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 136.  Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente  interpôs Recurso Voluntário  (fls.  138/151),  reprisando os mesmos argumentos  lançados  em  sua peça de impugnação e acrescentando, resumidamente, o que segue:  (i)  Serviços  de  Alambramento  –  Narra  que  o  julgado  contém  gravíssima  omissão de declinar o amparo legal da decisão. Limita­se a dizer que a operação em questão só  pode  ser  exercida  por  pessoa  jurídica, mas  não  explicita  em  que  disposição  legal  embasa  a  assertiva.  Prossegue  no  sentido  de  que  este  Conselho  não  admite  ato  fiscal  à  míngua  de  fundamentação  legal,  considerando  nulo  o  lançamento  de  imposto  ao  desabrigo  de  amparo  legal. Cita jurisprudência para corroborar a suas alegações.  Em  seguida,  afirma  que  está  equivocada  a  qualificação  da  operação  como  venda mercantil, na medida em que não está declarada como tal e nada tem de aparência de que  se trate de venda mercantil. A prova documental é uma nota fiscal de serviços. Esclarece que  quando  o  serviço  não  é  por  tempo,  mas  por  tarefa,  é  obrigatório  que  se  caracterize  como  empreitada.   (ii) Serviços de Limpeza de Campo – Mais uma vez o Recorrente reporta­se  aos argumentos anteriormente expendidos, no sentido de que não pode haver restrição à forma  de comprovação das benfeitorias, desde que seja realizada por documentos autênticos.  Esclarece que as atividades contratadas de Geni Mauricio Saes são agrícolas  por natureza, porque correspondem a preparação do solo para cultivo. Não se enquadram, por  isso,  como  locação  de  máquinas,  já  que  a  essência  da  contratação  está  justamente  na  habilitação agrícola do contratado.  Fl. 177DF CARF MF     6 (iii) Valor do Imposto de Transmissão Pago – Para comprovar o pagamento  do imposto em referência, anexa novamente a escritura pública em questão, bem como a guia  do imposto quitada.  É o relatório.  Fl. 178DF CARF MF Processo nº 17698.000411/2009­43  Acórdão n.º 2401­005.256  S2­C4T1  Fl. 5          7   Voto               Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora      1.  DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE    1.1. DA TEMPESTIVIDADE  O  Recorrente  foi  cientificado  da  r.  decisão  em  debate  no  dia  19/11/2014  conforme  Aviso  de  Recebimento  (AR)  à  fl.  136,  e  o  Recurso  Voluntário  foi  interposto,  TEMPESTIVAMENTE, no dia 15/12/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que  presentes os requisitos de admissibilidade.  2.  DO MÉRITO    2.1.  Da omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos.   Infere­se  dos  autos,  que  a  Turma  julgadora  em  primeira  instância  administrativa  deu  parcial  provimento  à  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte,  considerando  comprovadas  algumas  benfeitorias  realizadas  no  imóvel  alienado,  objeto  de  apuração de ganho de capital.  Quanto  à  parte mantida,  sobre  qual  o  Recorrente  se  insurge,  passaremos  a  tratar separadamente conforme abaixo.  2.2.  Dos serviços de alambramento.   O Recorrente declarou despesas com serviços de alambramento o valor de R$  253.598,00, conforme denota­se das cópias das notas anexadas às fls. 66/68 e 112.  De acordo com a decisão recorrida, os valores decorrentes das despesas com  os custos dos materiais não foram aceitos, porquanto “a atividade de ‘venda material’ deve ser  exercida por pessoa jurídica, devidamente cadastrada no cadastro nacional de pessoa jurídica,  com emissão de documento próprio para essa atividade e não por pessoa física”.  Dessa forma, entenderam os julgadores a quo que “somente a parte relativa à  despesa com prestação de serviço pode ser aceita (...)”.  Inconformado, o Recorrente se insurge no sentido de que a decisão recorrida  limita­se a dizer que a operação em questão só pode ser exercida por pessoa jurídica, mas não  explicita  em  que  disposição  legal  embasa  a  assertiva.  Prossegue  no  sentido  de  que  este  Conselho  não  admite  ato  fiscal  à  míngua  de  fundamentação  legal,  considerando  nulo  o  lançamento de imposto ao desabrigo de amparo legal.   Em  seguida,  afirma  que  está  equivocada  a  qualificação  da  operação  como  venda mercantil, na medida em que não está declarada como tal e nada tem de aparência de que  Fl. 179DF CARF MF     8 se trate de venda mercantil. A prova documental é uma nota fiscal de serviços. Esclarece que  quando  o  serviço  não  é  por  tempo,  mas  por  tarefa,  é  obrigatório  que  se  caracterize  como  empreitada.  Entendo que razão assiste ao Recorrente.  Com efeito, o artigo 1º, § 1º, alínea “b”, da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de  1994 estabelece o seguinte:  “Art.  1º  A  emissão  de  nota  fiscal,  recibo  ou  documento  equivalente,  relativo  à  venda de mercadorias,  prestação  de  serviços  ou  operações  de  alienação  de  bens  móveis,  deverá  ser  efetuada,  para  efeito  da  legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza,  no momento da efetivação da operação.  § 1º O disposto neste artigo também alcança:  a) a locação de bens móveis e imóveis;  b)  quaisquer  outras  transações  realizadas  com  bens  e  serviços,  praticadas por pessoas físicas ou jurídicas.”  Pela leitura dos dispositivos acima transcritos, verifica­se que não há qualquer  impedimento que para que  a pessoa  física  emita nota  fiscal  relativa  à  transações  com bens  e  serviços.  Dessa forma, a respeitável decisão recorrida merece reforma para que a parte  relativa  aos  custos  dos  materiais  sejam  considerados  como  benfeitorias  no  imóvel  alienado,  devendo, pois, ser considerado a  integralidade dos valores constantes das notas  fiscais de fls.  66/68 e 112, ou seja, R$ 212.310,00 (duzentos e doze mil trezentos e dez reais).  2.3.  Dos serviços de limpeza de campo.  O  Recorrente  afirma  ter  realizado  despesas  com  serviços  de  máquinas  agrícolas  com descapoeiramento,  desenraizamento  e  limpeza de campo,  no valor  total  de R$  216.000,00,  prestados  por Geni Maurício Saes,  regularmente  inscrito  no  cadastro  de  pessoas  físicas sob nº 191.740.800­59, e que, tanto a fiscalização quanto a DRJ de origem rejeitaram a  despesa pelo fato de que a comprovação ocorreu mediante a apresentação de Notas Fiscais de  Produtor Rural com a descrição dos serviços.  Com a mais respeitosa licença aos  julgadores de primeira instância, entendo  que o decisum recorrido merece reforma, pelos mesmos motivos expostos no item anterior.  Compulsando­se  as  notas  fiscais  de  fls.  75/80,  é  possível  notar  que  os  serviços  prestados  por  Geni  Maurício  Saes  (CPF  nº  191.740.800­59)  a  Ubirajara  da  Rosa  Crizel, referem­se a “roçado”, “descapoeiramento” conforme destacado pelo Recorrente.  Ademais, o fato de serem “Nota Fiscal de Produtor”, não as tornam inválidas  para  comprovação  como  meio  hábil  e  idôneo  para  comprovar  as  despesas  da  prestação  de  serviços.  Assim,  reputo  como  válidas  as  notas  fiscais  de  fls.  75/80,  de  modo  a  comprovar  as  despesas  de  serviços  de  limpeza  de  campo  como  benfeitorias,  cujo  montante  atinge o valor de R$ 216.000,00 (duzentos e dezesseis mil reais).  Fl. 180DF CARF MF Processo nº 17698.000411/2009­43  Acórdão n.º 2401­005.256  S2­C4T1  Fl. 6          9   2.4.  Do valor do imposto de transmissão.   Por  fim,  com  fundamento  no  artigo  17,  inciso  I,  letra  “e”,  da  Instrução  Normativa SRF nº 84/2001 o autuado requer que seja acrescido ao custo de aquisição o valor  de R$ 10.032,00,  relativos ao  imposto de  transmissão constante na  escritura pública anexada  aos autos.  A decisão recorrida verificou que a cópia da escritura pública anexada às fls.  57  não  faz  referência  quanto  ao  valor  do  imposto  pago.  Assim,  devido  a  falta  da  efetiva  comprovação do valor pago, deixou de acolher o pedido do contribuinte.  Em seu recurso, e com o  intuito de comprovar o pagamento do  imposto em  referência, o Recorrente  anexa novamente a escritura pública em questão  (fls. 161/164), bem  como a guia do imposto quitada (165/167).  Diz o artigo 17, inciso I, alínea “e”, da Instrução Normativa SRF nº 84/2001:  Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com  documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste  Anual, no caso de:  I ­ bens imóveis:  a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os  projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e  com  pequenas  obras,  tais  como  pintura,  reparos  em  azulejos,  encanamentos, pisos, paredes;  b)  os  dispêndios  com  a  demolição  de  prédio  construído  no  terreno,  desde que seja condição para se efetivar a alienação;  c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido,  desde que tenha suportado o ônus;  d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de  obras públicas, tais como colocação de meio­fio, sarjetas, pavimentação  de  vias,  instalação  de  redes  de  esgoto  e  de  eletricidade  que  tenham  beneficiado o imóvel;  e)  o  valor  do  imposto  de  transmissão  pago  pelo  alienante  na  aquisição do imóvel;  Assim, tendo em vista que o Recorrente comprova o custo de R$ 10.032,00  referente  ao  pagamento  do  imposto  sobre  a  transmissão  de  bens  imóveis  e  de  direitos  a  eles  relativos (ITBI), o recurso comporta provimento, também neste ponto.  Fl. 181DF CARF MF     10   3. CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  do  Recorrente para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, para  integrar o custo  de aquisição as despesas ora deferidas no valor de R$ 438.342,00 ( quatrocentos e trinta e  oito reais e trezentos e quarenta e dois reais, nos termos do voto.  É como voto.     (assinado digitalmente)  Luciana Matos Pereira Barbosa.                              Fl. 182DF CARF MF

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Numero do processo: 10380.001844/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
Numero da decisão: 2201-004.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 5.205          1 5.204  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.001844/2009­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­004.270  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de março de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS   Recorrente  CORPVS ­ CORPO DE VIGILANTES PARTICULARES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006  AFERIÇÃO  INDIRETA  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  PROCEDIMENTO  EXCEPCIONAL.  CABIMENTO  APENAS  NAS  SITUAÇÕES  EM  QUE  FIQUE  DEMONSTRADA  A  IMPOSSIBILIDADE  DE  APURAÇÃO  DO  TRIBUTO  COM  BASE  NA  DOCUMENTAÇÃO  EXIBIDA  PELO  SUJEITO PASSIVO.  A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não  autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não  demonstra que houve  sonegação de documentos  relativos  à base de  cálculo  investigada  ou  que  os  elementos  apresentados  não  refletem  a  real  remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 44 /2 00 9- 41 Fl. 5205DF CARF MF     2 EDITADO EM: 22/03/2018  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  José  Alfredo  Duarte  Filho,  Douglas  Kakazu  Kushiyama, Marcelo Milton  da  Silva  Risso, Dione  Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto  do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  (fls.  5190/5203)  apresentado  em  face  do  Acórdão nº 03­59.703, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 5150/5161), que deu parcial provimento  à impugnação do sujeito passivo (fls. 1261/1267) ao auto de infração pelo qual se exige crédito  tributário  relativo  às  contribuições  da  empresa  destinadas  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  de  benefícios  concedidos  em  virtude  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  ­  Gilrat,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  empregados,  aferida  com  base  no  valor  dos  serviços  de  vigilância  e  de  transporte de valores prestados pela fiscalizada através de seus estabelecimentos matriz e filiais  de Fortaleza e Recife (AIOP 37.209.960­2 ­ fls. 2/90).  Segundo o relatório da fiscalização (fls. 81/90), foi aferida a remuneração dos  empregados  com  base  na  receita  obtida  através  da  prestação  de  serviços  de  vigilância  e  de  transporte de valores,  tendo  sido  aplicado o percentual de 40%  (quarenta por  cento)  sobre o  valor  primeira  e  de  20%  (vinte  por  cento)  sobre  o  valor  da  segunda.  Do  resultado  dessa  apuração,  teriam  sido  deduzidas  as  remunerações  constantes  nas  folhas  de  pagamento  apresentadas  pela  empresa,  e  sobre  o  valor  assim  obtido  (diferença)  foram  aplicadas  as  alíquotas de 20% (contribuição básica patronal) e de 3% (Gilrat).  A  aferição  indireta  realizada  teria  por  base  legal  o  art.  33,  §  3º,  da  Lei  nº  8.212, de 1991, e os arts. 600, I, e 603 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005.  O  fundamento  fático  para  esse  procedimento  seria  a  não  apresentação  de  parte dos livros e dos documentos solicitados pela fiscalização através de termos de intimação,  bem  como  por  ter  deixado  de  prestar  informações  contábeis,  financeiras  e  cadastrais  de  interesse  da  Receita  Federal  do  Brasil,  condutas  que  teriam  justificado  a  imposição  de  penalidade  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias  (AIOA  nº  37.165.756­8  e  37.165.757­1).  Em benefício da clareza, transcrevo abaixo trecho do relatório fiscal onde são  detalhadas as irregularidades apuradas pela fiscalização:  •  Não  foram  apresentados  os  livros  Razão  referentes  aos  exercícios de 2005 e de 2006.  •  Nos  livros  Diários  apresentados,  verificou­se  a  existência  de  lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis,  manutenção  de  veículos,  material  de  escritório,  material  utilizado  no  serviço,  viagens,  cestas  básicas,  sem  referência  a  documento fiscal, conforme cópias xerográficas em anexo.  •  A  partir  de  2005,  o  histórico  das  despesas  acima  citadas  passou  a  referenciar  o  número  do  documento  fiscal.  Por  se  tratarem  de  despesas  de  valor  elevado,  principalmente  no  que  Fl. 5206DF CARF MF Processo nº 10380.001844/2009­41  Acórdão n.º 2201­004.270  S2­C2T1  Fl. 5.206          3 tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado  no  serviço,  e  por  terem  sido  anteriormente  escrituradas  sem  referência A nota fiscal, concluiu­se quanto à indispensabilidade  do  exame  de  alguns  desses  comprovantes  no  sentido  de  determinar  se  tais  gastos  se  referiam  efetivamente  à  finalidade  consignada nos títulos contábeis.  • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas  escrituradas,  apenas  parte  dos  mesmos  foi  apresentada  à  fiscalização,  tendo  os  comprovantes  sido  retidos  e  posteriormente, apreendidos.  • Os  documentos  fiscais  apresentados  pela  empresa  continham  indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce  e numeração de notas apostas com numerador manual.  • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para  apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração  e  relativas  aos  mesmos  períodos  das  apresentadas  pela  CORPVS.  •  Examinadas  as  Notas  Fiscais  emitidas  pelos  fornecedores,  verificou­se que:  •  as  notas  com  a  mesma  numeração  apresentada  pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este  cliente  ou  sequer  tinham  sido  emitidas  ainda  pelo  fornecedor;  •  tanto  as  datas  de  emissão  das  Notas  quanta  os  valores  das  mesmas  eram  diferentes  das  contidas  nas apresentadas pela CORPVS;  •  o  lay­out  das  Notas  apresentadas  pelos  fornecedores  não  era  compatível  com  o  das  vias  encontradas na CORPVS.  • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do  Ceará acerca das empresas para quem  teriam  sido  emitidas as  Autorizações  para  Impressão  de  Documentos  Fiscais  ­  AIDF,  constatou­se  que  as  Autorizações  constantes  das Notas  Fiscais  apresentadas  pela  CORPVS  como  sendo  de  seus  fornecedores  foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas.  •  Foi  solicitada  ainda  a  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  do  Ceará  a  identificação  dos  contribuintes  para  quem  foram  emitidas  a  Autorizações  para  Impressão  dos  Selos  apostos  em  Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso  verificou­se terem sido as Autorizações emitidas para empresas  diferentes  daquelas  constantes  das  Notas  apresentadas  pela  CORPVS.  •  Tais  constatações  determinaram  a  conclusão  quanto  A  apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese  de  crime  de  falsificação  de  documento  público,  conforme  previsto no art. 297 do Decreto­Lei 2.848/40 ­ Código Penal.  Fl. 5207DF CARF MF     4 •  No  caso  dos  selos  apostos  nas  Notas  Fiscais,  deve  ser  levantada  a  tese  de  crime  de  falsificação  de  papéis  públicos,  conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal.  Pelos  fatos  acima  narrados,  foi  realizada  aferição  indireta  tendo  por  base  valores  de  venda  de  serviços  escriturados  nas  contas  que  são  identificadas  no  item  3.4  do  relatório fiscal.  O  lançamento  foi  impugnado  pelo  sujeito  passivo,  o  que  deu  origem  ao  Acórdão  ora  atacado,  que  foi  precedido  da  realização  de  duas  diligências  determinadas  pela  autoridade julgadora de 1ª instância (fls. 4159/4162 e 4137/4141) para fins de averiguação de  irregularidades apontadas pela impugnante nos cálculos realizados pela fiscalização.  Realizados os ajustes determinados pela DRJ (fls. 5129/5133),  foi proferida  decisão consubstanciada em documento que tem a seguinte ementa:  ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO.  ILEGALIDADE  E  INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO.  À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  de  lei  ou  ato  normativo, matéria de competência do Poder Judiciário.  PRAZO  DECADENCIAL.  INÍCIO  DA  CONTAGEM.  DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  As  contribuições  lançadas  sujeitam­se  ao  prazo  decadencial  de  05  (cinco)  anos  previsto  no  Código  Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter  sido efetuado, quando houver a ocorrência de dolo, fraude  ou simulação.  VERDADE MATERIAL.  A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo  sujeito  passivo,  do  seu  dever  de  colaboração  para  com  a  Fiscalização, no sentido de lhe proporcionar condições de  apurar a verdade dos fatos.  LANÇAMENTO.  IRREGULARIDADE,  INCORREÇÕES  OU OMISSÕES.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas no art. 59 do PAF não importarão em nulidade e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando não influírem na solução do litígio.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Fl. 5208DF CARF MF Processo nº 10380.001844/2009­41  Acórdão n.º 2201­004.270  S2­C2T1  Fl. 5.207          5 Tendo  tomado  ciência  dessa  decisão  em  24/07/2014  (fls.  5188),  o  sujeito  passivo apresentou tempestivamente seu recurso voluntário (fls. 5190/52033) em 13/08/2014.  Em suas razões recursais, alega, em síntese, que:  1. As deficiências apontadas pela fiscalização limitam­se à contabilização de  notas fiscais tidas como inidôneas e a falta de apresentação dos Livros Razão de 2005 e 2006.  2.  Como  foi  apresentada  toda  a  documentação  relacionada  a  apuração  da  contribuição previdenciária, o  lançamento por aferição  indireta é nulo, por vício formal, uma  vez que lhe faltou fundamentação legal.  3.  Há  também  nulidade  por  vício  material,  uma  vez  que  restaram  demonstrados vários erros na apuração da base de cálculo.  4. As  competências  anteriores  a  abril  de  2014  já  se  encontravam  atingidas  pela decadência quando o lançamento foi realizado.  5. É inconstitucional e ilegal o arbitramento das contribuições previdenciárias  com base no faturamento.  6. A presunção utilizada deve ceder diante da verdade material. A recorrente  apresentou documentos capazes de elidir a presunção fustigada demonstrando o montante real  da remuneração paga aos seus empregados e contribuintes individuais.  7. A decisão de piso errou ao determinar que fossem deduzidos dos valores  apurados  por  aferição  indireta  apenas  as  folhas  de  pagamento  dos  empregados  diretamente  ligados à prestação dos serviços, pois este procedimento não é razoável e nem proporcional.  8. Como o lançamento se reporta a fatos geradores anteriores a dezembro de  2008, entende que a multa deve se limitar à multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212,  de 1991.  Pelas razões expostas acima, pede a reforma da decisão de primeira instância  para que seja cancelado o lançamento materializado no AIOP nº 37.209.960­2.  Chegando a este Colegiado, o processo foi distribuído a esta Conselheira em  sessão pública.  É o que havia para ser relatado.      Voto             Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora  O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e  dele conheço.   Fl. 5209DF CARF MF     6 Inicialmente, registro que, com base no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235, de  1972, deixarei de analisar as preliminares (nulidade por vício formal) e prejudiciais de mérito  (decadência), pelas razões que serão evidenciadas a seguir.  O  lançamento  em  análise  foi  realizado  com  base  em  aferição  indireta,  invocando como base os seguintes dispositivos:  Lei nº 8.212, de 1991  Art.  33.  À  Secretaria da Receita Federal  do Brasil  compete  planejar,  executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei,  das  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras entidades e fundos.   (...)  §  3o  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de  ofício a importância devida.  Instrução Normativa SRP nº 3, de 1995  Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mão­de­obra  utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao  mínimo de:  I ­ quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota  fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços;  II ­ cinqüenta por cento do valor dos serviços constantes da nota  fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário.  Parágrafo  único.  Nos  serviços  de  limpeza,  de  transporte  de  cargas e de passageiros e nos de construção civil, que envolvam  utilização  de  equipamentos,  a  remuneração  da  mão­de­obra  utilizada na  execução dos  serviços  não  poderá  ser  inferior aos  respectivos percentuais previstos nos arts. 602, 603 e 605.  (...)  Art.  603.  Na  operação  de  transporte  de  cargas  ou  de  passageiros,  o valor da  remuneração da mão­de­obra utilizada  na  prestação  de  serviços  não  poderá  ser  inferior  a  vinte  por  cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação  de  serviços,  observado,  quanto  ao  transporte  de  cargas,  o  disposto no inciso V do art. 176.  Compulsando­se a IN SRP nº 3, de 2005, vê­se que os fatos que autorizavam  a utilização desse mecanismo de apuração da base de cálculo estavam descritos no artigo que é  abaixo reproduzido:  Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se:  I  ­  no  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento  do  sujeito  passivo,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  da  remuneração  Fl. 5210DF CARF MF Processo nº 10380.001844/2009­41  Acórdão n.º 2201­004.270  S2­C2T1  Fl. 5.208          7 dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do  lucro;  II ­ a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar­ se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou  apresentá­los deficientemente;  III ­ faltar prova regular e formalizada do montante dos salários  pagos pela execução de obra de construção civil;  IV ­ as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo  sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações,  ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por  exemplo:  a)  omissão  de  receita  ou  de  faturamento  verificada  por  intermédio de subsídio à fiscalização;  b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional  do  Trabalho,  Secretaria  da  Receita  Federal  ou  junto  a  outros  órgãos,  em  confronto  com  a  escrituração  contábil,  livro  de  registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito  passivo;  c)  constatação  da  impossibilidade  de  execução  do  serviço  contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em  GFIP  ou  folha  de  pagamento  específicas,  mediante  confronto  desses  documentos  com  as  respectivas  notas  fiscais,  faturas,  recibos ou contratos.  §  1º  Considera­se  deficiente  o  documento  apresentado  ou  a  informação prestada  que não  preencha as  formalidades  legais,  bem  como  aquele  documento  que  contenha  informação  diversa  da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira.  §  2º  Para  o  fim  do  inciso  III  do  caput,  considera­se  prova  regular e  formalizada a escrituração contábil em livro Diário e  Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso  IV do art. 60 desta IN.  Pela  redação  desse  dispositivo,  vê­se  que  ele  estabelece  uma  modalidade  presumida de apuração da base de cálculo dos tributos, que deve ser adotada em circunstâncias  bastante peculiares, quando a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos  segurados,  ou  a  receita,  ou  o  faturamento  ou  o  lucro;  quando  há  recusa  na  apresentação  de  documentos,  sonegação  de  informações  ou  apresentação  insuficiente;  ou  ainda  quando  as  informações prestadas não merecerem fé.  Apenas  a  constatação  de  uma  das  circunstâncias  listadas  acima  autoriza  o  emprego  do  expediente  excepcional,  contudo,  mesmo  no  contexto  da  identificação  de  um  desses  fatos,  penso  ser  necessário  haver  uma  relação  de  prejudicialidade  entre  as  irregularidades constatadas e a matéria objeto de investigação fiscal e de autuação.  Para que se revista de legitimidade, o ato que aplica medidas dessa natureza  deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes  à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada.  Fl. 5211DF CARF MF     8 Com  isso  se  quer  dizer  que  o  arbitramento  que  se  faz  através  de  aferição  indireta não é uma prerrogativa da fiscalização a ser utilizada conforme juízos de conveniência  e  oportunidade,  mas  uma  via  estreita  cujo  acesso  só  é  permitido  em  circunstâncias  perfeitamente  delimitadas  pela  legislação  e  comprovadas  dentro  do  processo  através  da  linguagem adequada, seja através da narrativa empreendida no relatório fiscal, seja através de  provas. É elemento necessário dessa fundamentação, a demonstração do nexo causal entre as  irregularidades verificadas e a  impossibilidade de apuração do  tributo pelos meios ordinários  estabelecidos na legislação tributária.  Nessa  esteira,  tratando­se  de  tributos  que  têm  por  base  a  folha  de  pagamentos, a aferição indireta baseada no art. 597, I, da IN SRF nº 3, de 2005, por exemplo,  estaria justificada pela demonstração de que a "contabilidade não registra o movimento real da  remuneração dos  segurados  a  seu  serviço",  pois  é  esta grandeza que se  está  a quantificar no  procedimento de fiscalização.  Ou então,  seria necessário comprovar a  recusa na prestação de  informações  ou documentos relativos à remuneração dos empregados, o que legitimaria a aferição indireta  com suporte no art. 597, II.  Estabelecida essa premissa, vê­se que o auto de infração em análise descreve  irregularidades de duas ordens: não apresentação do livro razão 2005 e 2006 e contabilização  de despesas suportadas por documentação fiscal inidônea.  Quanto  às  notas  inidôneas,  a  autoridade  fiscal  apresenta  as  seguintes  informações:  6.1.  No  curso  do  procedimento  de  fiscalização  junto  ao  contribuinte em referência, verificou­se a existência de diversas  despesas  lançadas  sem  referência  a  documento  fiscal  no  histórico  dos  lançamentos,  nos  anos­calendário  2003,  2004  e  2005. Em  face de  tal constatação  foi  solicitada a apresentação  das  notas  fiscais  que  embasaram  os  citados  lançamentos  os  quais diziam respeito A aquisição de  fardamento, combustíveis,  cestas  básicas,  material  de  limpeza,  material  de  escritório,  manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral.  6.2.  A  partir  do  segundo  semestre  de  2005  e  em  2006,  os  lançamentos  verificados  nas  mesmas  contas  referenciavam  os  documentos  fiscais,  mas  foram  solicitados  também  tais  comprovantes  para  esclarecer  a  natureza  das  despesas  efetuadas.  Nas  contas  que  registravam  despesas  referentes  a  fardamento,  em  face  dos  valores  elevados  nelas  escriturados,  foram  solicitados  os  comprovantes  de  despesas  mesmo  quando  os históricos dos lançamentos referenciavam as notas fiscais.  6.3.  A  empresa  sob  fiscalização  apresentou  parte  dos  documentos fiscais solicitados, conforme Termos de Constatação  e  de  Retenção  anexados  ao  AIOP  n°  DEBCAD  37.209.960­  2,  tendo  sido  detectados  indícios  de  que  tais  notas  poderiam  ser  falsas.  No  sentido  de  determinar  a  autenticidade  dos  mesmos,  solicitou­se  à  Secretaria  da  Fazenda  do  Estado  do  Ceara  a  confirmação  da  emissão  de  autorizações  para  impressão  tanto  das referidas Notas Fiscais quanto dos selos e foram intimados  os  fornecedores  que  teriam  emitido  os  documentos  fiscais  apresentados pela Corpvs.   Fl. 5212DF CARF MF Processo nº 10380.001844/2009­41  Acórdão n.º 2201­004.270  S2­C2T1  Fl. 5.209          9 Já  em  relação  à  ausência  do  livro  razão,  destaco  o  seguinte  trecho  do  relatório:  6.5. Relativamente aos exercícios de 2005 e 2006, a empresa não  apresentou  os  Livros  Razão.  Em  face  de  tal  omissão  todos  os  valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à  remuneração  paga  a  empregados  e  ao  sócio,  valores  pagos  a  titulo de salário­maternidade e de salário­família, contribuições  descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através  do exame dos Livros Diário, dia a dia.  6.6.  Tal  foi  também  o procedimento  para  verificar  as  despesas  constantes  das  contas  acima  referenciadas,  para  as  quais,  em  muitos lançamentos, inexistia referência a documento fiscal.  A partir desses excertos, entendo correto afirmar que não restou evidenciado  como  o  registro  de  despesas  com  "fardamento,  combustíveis,  cestas  básicas,  material  de  limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral"  sem  a  correspondente  documentação  fiscal  comprometeria  a  integridade  das  informações  constantes das folhas de pagamento. Embora seja possível a existência de uma vinculação entre  essas despesas, ela não foi demonstrada pela narrativa construída pela autoridade fiscal.  Da mesma forma, a ausência do livro razão não parece justificar que se negue  fé  aos  documentos  e  registros  que  espelham  as  remunerações  pagas,  até  porque,  conforme  explicita a própria fiscalização "todos os valores relativos a serviços prestados a tomadores de  serviços,  à  remuneração  paga  a  empregados  e  ao  sócio,  valores  pagos  a  titulo  de  salário­ maternidade e de salário­família, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser  obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia".  Ou  seja,  parte  dos  levantamentos  foram  feitos  com  base  no  livro  diário  e  parte com base nos valores escriturados, como revela o item 3.4 do relatório fiscal. Além disso,  como  resultado  do mesmo  procedimento  fiscal  foram  realizados  lançamentos  com  base  nas  folhas  de  pagamento  da  empresa,  o  que  pode  ser  verificado  no  processo  nº  10380.001829/2009­01.  Esses  fatos  revelam  uma  conduta  contraditória  da  autoridade  fiscal,  que nega credibilidade aos documentos apresentados pela empresa ao mesmo tempo em que se  vale deles.  Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a  excepcionalidade  das  medidas  adotadas  no  lançamento  que  ora  se  analisa,  bem  como  a  necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 2401­ 02.161, de lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa:  AFERIÇÃO  INDIRETA  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  PROCEDIMENTO  EXCEPCIONAL.  CABIMENTO  APENAS  NAS  SITUAÇÃO  EM  QUE  FIQUE  DEMONSTRADA  A  IMPOSSIBILIDADE  DE  APURAÇÃO  DO  TRIBUTO  COM  BASE  NA  DOCUMENTAÇÃO  EXIBIDA  PELO  SUJEITO  PASSIVO.  A  mera  existência  de  irregularidades  na  escrita  contábil  do  contribuinte  não  autoriza,  por  si  só,  a  aferição  indireta  das  contribuições,  quando  o  Fisco  não  demonstra  que  houve  sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não  Fl. 5213DF CARF MF     10 refletem  a  real  remuneração  paga  aos  segurados  a  serviço  da  empresa.  Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua  vez, extrai­se:  Aferição indireta do salário­de­contribuição  O  arbitramento  da  base  de  cálculo  de  tributos  em  geral  é  previsto  no  Código  Tributário  Nacional,  art.  148,  tendo  cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo  não  mereçam  fé.  Também  a  legislação  previdenciária  tem  fundamentação  específica  para  aferição  indireta  das  contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei  n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento  das  contribuições,  quando  haja  recusa,  sonegação  ou  apresentação  deficiente  de  informações  por  parte  do  sujeito  passivo.  Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de  aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional,  incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença  de  anormalidade.  Tal  procedimento  deve  se  pautar  pelos  princípios  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade.  Dessa  forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e  as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso  de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade.  Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se  vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se  valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência  do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor  correspondente ao crédito tributário.  Na  situação  sob  enfoque,  verifico  que  o  Relatório  Fiscal,  por  entender  que  a  documentação  do  contribuinte  seria  deficiente,  lançou  mão  da  aferição  indireta  da  remuneração  dos  empregados.  De  acordo  com  as  considerações  da  Auditoria,  o  fato  da  empresa  não  ter  registrado  o  pagamento  de  ART,  bem  como  de  despesas  com  deslocamento  e  hospedagem  do  sócio  gerente do sujeito passivo, desconsiderou  toda a documentação  apresentada, por entendê­la imprestável.  Não  vi  no  relato  do  Fisco  qualquer  menção  à  solicitação  de  documentos  necessários  à  apuração  da  remuneração  dos  empregados,  como  folhas  de  pagamento,  GFIP,  RAIS,  recibos,  etc.  O  mister  da  fiscalização  é  apurar  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  e  calcular  o  tributo  devido. No  caso  sob  análise,  os  autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas  fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os  documentos  que  guardassem  relação  com  o  pagamento  de  remunerações  e,  somente  havendo  a  sonegação  desses  elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não  refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação  pelo  trabalho  dos  segurados  empregados,  é  que  caberia  a  adoção do procedimento excepcional da aferição indireta.  Fl. 5214DF CARF MF Processo nº 10380.001844/2009­41  Acórdão n.º 2201­004.270  S2­C2T1  Fl. 5.210          11 Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar  toda a documentação da empresa, por não se relacionarem com  a  remuneração dos  empregados,  não  justificam o  arbitramento  da contribuição.  Assim,  entendo  que  na  espécie  somente  estariam  presentes  os  requisitos  que  autorizam  a  aferição  indireta  da  mão­obra  utilizada  na  prestação  dos  serviços,  se  o  Fisco  cabalmente  demonstrasse  que  a  empresa  deixou  de  apresentar  os  comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou  que  os  documentos  exibidos  denunciassem  que  a  remuneração  neles contidos seria irreal.  Vejo,  então, que a Auditoria Fiscal  se desviou das normas  que  permitem  o  arbitramento  dos  tributos  lançados,  posto  que  não  demonstrou  estar  diante  de  uma  situação  impeditiva  de  apurar  as  remunerações  com  esteio  na  documentação  do  sujeito  passivo.  Nesse  sentido,  dou  razão  à  recorrente  quanto  à  falta  de  justificativa  para  apuração  da  base  de  cálculo  por  aferição  indireta.  Também no caso sob análise a narrativa apresentada pelo relatório fiscal não  evidencia a negativa de prestação de informações/documentos relacionados à remuneração, não  restando  demonstrada  a  impossibilidade  de  apuração  dessa  grandeza  com  base  na  documentação do sujeito passivo. Muito pelo contrário, em diversas oportunidades evidencia­ se que foi essa documentação utilizada pela fiscalização sem dificuldades maiores que a análise  dia­a­dia do livro diário.  Merece  registro  que  o Acórdão  recorrido  faz menção  a  irregularidades  que  tangenciam o objeto da fiscalização tal como defendido neste voto no seguinte trecho:  No  presente  caso,  a  empresa  deixou  de  apresentar  os  Livros  Razão dos exercícios de 2005 e 2006, bem como os contratos de  prestação  de  serviços  firmados  com  empresas  tomadoras  de  serviços,  tendo  recebido o Auto de  Infração 37.165.756­3, cuja  impugnação  da  empresa  foi  julgada  improcedente  por  esta  5a  turma  de  julgamento,  por  meio  do  Acórdão  03­43.905,  de  05/07/2011.(grifou­se)  Apesar  dessa  menção  na  decisão  de  piso,  que  trata  de  irregularidade  no  atendimento à fiscalização que poderia reforçar as suas motivações para a medida empregada,  não encontro no relatório fiscal e na documentação que foi juntada a esse processo a adequada  representação desse fato, ou seja, ele não foi convertido em linguagem apta a fazer prova em  favor das pretensões da Fazenda Pública.  Com efeito, a autoridade fiscal concentrou seus esforços em demonstrar que a  empresa  registrou despesas com notas de duvidosa procedência. Contudo, a comprovação de  que despesas diferentes da remuneração de empregados foram registradas sem os respectivos  documentos  fiscais  poderia  justificar  a  aferição  indireta  de  tributos  que  tenham  por  base  o  lucro, mas não é motivação idônea para a adoção desse procedimento em relação a tributos que  incidem sobre a remuneração de empregados. Quando mais não se produziu um único indício  ou prova de que os valores contabilizados a esse título não são merecedores de fé.  Fl. 5215DF CARF MF     12 Em  consequência,  entendo  inadequado  o  critério  jurídico  utilizado  pela  autoridade  fiscal  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  tributável,  razão  pela  qual  o  lançamento realizado encontra­se maculado por vício de ordem material.  Conclusão  Pelos motivos expostos, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado  para, no mérito, dar­lhe integral provimento.   Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora                                Fl. 5216DF CARF MF

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