Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,245)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.725946/2017-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as argüições de nulidade quando o lançamento atende integralmente aos preceitos legais. A notificação de lançamento foi emitida por autoridade competente, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ele atribuídos.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 2002-000.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que deu provimento, para afastar a glosa das despesas médicas conforme documentos juntados às e-fls. 40 e 42.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando o lançamento atende integralmente aos preceitos legais. A notificação de lançamento foi emitida por autoridade competente, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ele atribuídos. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.725946/2017-08
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892623
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.225
nome_arquivo_s : Decisao_10166725946201708.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10166725946201708_5892623.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que deu provimento, para afastar a glosa das despesas médicas conforme documentos juntados às e-fls. 40 e 42. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7394183
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585388810240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1830; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 111 1 110 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.725946/201708 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.225 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente NAIRA NADJA DE OLIVEIRA ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando o lançamento atende integralmente aos preceitos legais. A notificação de lançamento foi emitida por autoridade competente, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo ao contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ele atribuídos. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 59 46 /2 01 7- 08 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 112 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que deu provimento, para afastar a glosa das despesas médicas conforme documentos juntados às efls. 40 e 42. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 113 3 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 20/25), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$9.259,53 para saldo de imposto a pagar de R$12.704,53. A notificação consigna deduções indevidas de despesas médicas (R$11.400,00) e de incentivo (R$310,00). Impugnação Cientificada à contribuinte em 22/5/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 19/6/2017, à fl. 2/43 dos autos, na qual o representante da contribuinte contestou parte das glosas de despesas médicas, afirmando ter juntado as provas pertinentes no curso da ação fiscal, além de questionar aspectos do procedimento fiscal. Apontou ainda que caberia ao Fisco diligenciar junto ao profissional ou apresentar provas quanto à falsidade do documento. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgoua improcedente, diante da falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas exigido no curso da ação fiscal (fls. 60/68). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 20/11/2017 (fl. 73), o representante da contribuinte, em 27/11/2017 (fl. 81), apresentou recurso voluntário, às fls. 81/106, no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. a decisão a quo seria nula por falta de fundamentação na análise da arguição de nulidade do auto de infração. Diz que a decisão limitase a transcrever o artigo 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não teria relação com a nulidade arguida de ausência de fundamentação do ato de intimação para comprovação do pagamento. a decisão seria nula ainda por utilizarse de legislação já revogada. Cita os artigos 368, 376 e 333, inciso I do Código de Processo Civil de 1973, já revogado. Acrescenta que a decisão fala em doutrina citada pelo contribuinte, quando não houve qualquer citação de doutrina em sua impugnação. requer a declaração de nulidade da decisão a quo uma vez que teve seu direito de defesa preterido, na forma do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. no mérito, informa que apresentou todos os recibos e comprovantes no curso da ação fiscal, além de todo o seu histórico bancário, que demonstraria a disponibilidade financeira para os pagamentos declarados. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 114 4 reproduz a motivação da autuação e defende que esses não podem ser alterados em sede de julgamento, sob pena de ofensa à teoria dos motivos determinantes. defende que o auto de infração seria nulo, uma vez que a intimação para comprovação do efetivo pagamento e da prestação do serviço só pode ocorrer se for devidamente fundamentada, citando decisão do CARF sobre o tema. No seu caso, diz que não foi apresentada justificativa para tal exigência. os recibos preencheriam os requisitos legais, conforme reconhecido na decisão de primeira instância, e sua veracidade não teria sido questionada pela fiscalização. Reproduz ementas de julgados do CARF acerca do tema. além dos recibos, apresentou declaração emitida pelo profissional, atestando a realização dos serviços e corroborando as informações dos recibos. o fato de o prestador do serviço não ter declarado esses rendimentos não pode modificar a realidade dos fatos, uma vez que os recibos foram apresentados, inexistia nesse anocalendário a exigência de indicação pelos profissionais do CPF dos tomadores dos serviços e eventual descumprimento de obrigação do prestador do serviço não pode ofender seu direito à dedução, já que efetivamente pagou pelo serviço. a exigência de coincidência de datas e valores entre os saques e recibos não é razoável. A análise do extrato indicaria a existência de disponibilidade suficiente para pagamento dos serviços. Os saques superariam em muito o valor do serviço. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.70). Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 115 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade da Autuação A recorrente suscita a nulidade da autuação por entender que caberia à Autoridade Fiscal justificar a exigência de comprovação do efetivo pagamento da despesa médica declarada. Do exame dos autos, constatase que o lançamento atende integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no art. 142 do Código Tributário Nacional e apresenta os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235/1972. Ressaltese especialmente que a autuação contém o enquadramento legal completo e uma descrição dos fatos clara, permitindo à contribuinte conhecer a infração que lhe está sendo atribuída. Ademais, a contribuinte pôde impugnar a autuação e, agora, recorrer da decisão a quo, garantindose plenamente no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. As peças de defesa apresentadas demonstram que a contribuinte entendeu perfeitamente as acusações que lhe foram feitas e delas se defendeu com facilidade, garantindose assim no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. O argumento da defesa de que o lançamento seria nulo em decorrência de intimação não motivada do Fisco, ainda que verdadeiro, não dá causa a nulidade do lançamento e será analisado como argumento de mérito. Em face das ponderações acima, a preliminar de nulidade do lançamento não merece acolhida. Nulidade da Decisão de Primeira Instância A recorrente suscita a nulidade da decisão de primeira instância por dois pontos: primeiro, pela suposta carência de fundamentação no exame da arguição de nulidade Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 116 6 do auto de infração, e, segundo, pela citação de artigos do Código de Processo Civil CPC de 1973, já revogado. Quanto à primeira alegação, vejo que a decisão a quo afastou a preliminar sob o mesmo fundamento utilizado na presente decisão: apontando que a questão em si deveria ser abordada na análise do mérito e que a notificação preencheu todos os requisitos da legislação aplicável, não havendo que se cogitar de sua nulidade, como segue: Equivocase o contribuinte, uma vez que não compete à autoridade fiscal motivar suas intimações e solicitações para comprovação de despesas, como adiante será detalhadamente abordado. Relevante, contudo, o fato de a autoridade fiscal ter feito constar claramente da Complementação da Descrição dos Fatos as razões da glosa, sem que nenhum prejuízo de ordem prática à defesa possa ser verificado, visto ter o interessado elaborado sua argumentação e instruído sua defesa da maneira que entendeu eficiente ao deslinde da lide. Destacase, ainda, que o lançamento em foco foi legal e corretamente efetuado. Foi embasado na declaração do contribuinte e nas informações constantes da base de dados da Receita Federal e preencheu todos os requisitos necessários para sua elaboração, não existindo nenhum vício formal ou material que exija sua anulação. Ademais, estando a Notificação de Lançamento em consonância com os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235/72, e não tendo ocorrido nenhuma das causas apontadas no art. 59 do referido diploma legal, reproduzidos a seguir, não há que se cogitar de nulidade. ... Observo que o fundamento para alegação de nulidade trata, em verdade, de argumento de mérito, o que será analisado adiante. Logo, não restando patente a nulidade apontada, concluo por afastar a preliminar suscitada. (destaques acrescidos) Quanto à citação de dispositivos do já revogado Código de Processo Civil de 1973, observo que os artigos foram citados apenas para reforçar aspectos da legislação tributária. Ou seja, a decisão a quo não está amparada nesses dispositivos, não havendo que se cogitar de sua nulidade por esse aspecto. Ademais, cabe observar que a contribuinte tem assistência de advogado em sua defesa (fl.105) e que o patrono certamente tem conhecimento que os artigos 333, 368 e 376 do antigo Código de Processo Civil encontramse reproduzidos nos artigos 373, 408 e 415 do CPC em vigor. Dessa feita, cabe rejeitar a preliminar de nulidade arguida, seja da autuação, seja da decisão de primeira instância. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 117 7 Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 118 8 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Portanto, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas a contribuinte nada Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 119 9 apresentou nesse sentido, tendo se limitado a apresentar o recibo de fl.40 e a declaração de fl.42. Registrese que no curso da ação fiscal, a recorrente apresentara os extratos bancários, de forma a demonstrar que tinha disponibilidade financeira. Entretanto, tal qual a autoridade autuante e a autoridade julgadora de primeira instância, entendo que a disponibilidade de recursos não se presta a fazer a prova exigida, de comprovação do efetivo pagamento da despesa em discussão. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Como indicado pela decisão de piso, os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10166.725946/201708 Acórdão n.º 2002000.225 S2C0T2 Fl. 120 10 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901971/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão.
Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 1001-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10983.901971/2008-71
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894097
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.643
nome_arquivo_s : Decisao_10983901971200871.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
nome_arquivo_pdf_s : 10983901971200871_5894097.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7401042
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585407684608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 194 1 193 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.901971/200871 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.643 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente UNIMED CRICIUMA COOPERATIVA TRABALHO MÉDICO REGIAO CARBONIFERA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, e no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 19 71 /2 00 8- 71 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 195 2 Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ mediante o Acórdão nº 1272.843, de 11/02/2015 (efls. 81/83), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. A contribuinte apresentou a PerDcomp nº 06787.12813.090804.1.7.046236 (efls. 7/12), cuja compensação não foi homologada, tendo em vista que o Darf discriminado no PerDCOMP, no valor de R$ 5.000,00, pago em 30/09/1999 (cód 2362 e PA 31/08/1999), foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informado no PerDcomp, conforme constou no Despacho Decisório (efl. 5), de 18/07/2018. Na manifestação de inconformidade (efls. 2/4), a manifestante alega, em síntese, que, em 01/08/2008, retificou a DCTF após verificar que houve erro no preenchimento do valor original do pagamento. Anexa a DCTF retificadora e o DARF (e fls. 15/46). Pede o cancelamento do Despacho Decisório, o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação. O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto do voto condutor transcrevo a seguir: (grifos não constam do original) (...) 14 Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificase que o interessado entregou quatro DCTF em relação ao terceiro trimestre de 1999. 15 Nas duas primeiras DCTF, entregues em 08.11.1999 e 09.11.1999, o interessado confessou débito de IRPJ (cód 2362), no valor de R$ 5.000,00, em Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 196 3 relação ao mês de agosto de 1999. Por outro lado, nas duas últimas DCTF, ambas entregues em 01.08.2008, não foi declarado valor para esse imposto (fls. 76/80). 16 Ocorre que a retificação da DCTF, onde nada se declarou a título de IRPJ (cód 2362), foi realizada posteriormente a 30.07.2008, data em que o interessado tomou ciência do Despacho Decisório (fls. 73). 17 Cumpre anotar que a retificação da DCTF teve por objetivo reduzir o valor do tributo devido. Nessa linha, dispõe o § 1º. do art. 147, § 1º. do CTN, que “a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento”. 18 Nesse contexto, caberia ao interessado, além de retificar a DCTF, acostar aos autos provas documentais (exemplo: livros contábeis, balancetes de suspensão/redução –cód 2362, etc.), a fim de comprovar o erro alegado, afastando dúvidas acerca da efetiva existência do direito creditório pleiteado. 19 As provas necessárias à comprovação do erro alegado não foram acostadas aos autos, razão pela qual deve ser mantido o Despacho Decisório proferido pela autoridade lançadora. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS. FALTA DE PROVAS. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o fato que lhe deu causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 18/03/2015, conforme despacho à efl. 89, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 15/04/2015 (efls. 90/91), conforme carimbo aposto na fls. 90. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 197 4 No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e, em face da decisão de primeira instância, anexa ao recurso "cópia da DIPJ comprovando o débito indevido do imposto e o Livro Diário nº 12, páginas 182, 450, 452 e 453 onde demonstra a contabilização do imposto a compensar". Quanto à retificação da DCTF após a transmissão do Per/Dcomp e da ciência do despacho decisório, não há nenhum óbice, desde que as informações declaradas em DCTF não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Ocorre que na manifestação de inconformidade a manifestante não apresentou nenhum documento para comprovar o alegado direito creditório, fazendo o mesmo somente agora, no presente recurso voluntário. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 198 5 c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 199 6 Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor (ou contra). Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 200 7 Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e, para comproválo, juntou somente cópia da DCTF retificadora em sua Manifestação de Inconformidade. Ressaltese, por fundamental, que a declaração apresentada foi transmitida após a ciência do Despacho Decisório e, como já assinalado, a DCTF retificadora não é condição para a homologação do crédito, contudo, a sua apresentação não tem o condão de, por si só, comproválo. Assim, seguindo o raciocínio lógicojurídico exposto anteriormente, o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são, apenas, meros documentos. Após ciência da decisão da instância a quo, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Embasado em todo a argumentação sobre o direito probatório, desenvolvida ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Recurso Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235 e o Princípio da Verdade Material não tem força para socorrêlo. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza no momento oportuno. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 201 8 Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluido, em aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 202 9 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 203 10 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 204 11 diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 205 12 (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 206 13 Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10983.901971/200871 Acórdão n.º 1001000.643 S1C0T1 Fl. 207 14 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928615/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.928615/2009-12
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874298
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.588
nome_arquivo_s : Decisao_11080928615200912.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 11080928615200912_5874298.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7351571
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585412927488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.928615/200912 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.588 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 15 /2 00 9- 12 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.928615/200912 Acórdão n.º 1401002.588 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11080.928615/200912 Acórdão n.º 1401002.588 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 30/11/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.928615/200912 Acórdão n.º 1401002.588 S1C4T1 Fl. 5 4 conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11080.928615/200912 Acórdão n.º 1401002.588 S1C4T1 Fl. 6 5 Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.001024/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE.
Presume-se, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE
"A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32)
Numero da decisão: 2202-004.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presume-se, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32)
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10315.001024/2010-76
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897527
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.662
nome_arquivo_s : Decisao_10315001024201076.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 10315001024201076_5897527.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7409283
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585419218944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 251 1 250 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.001024/201076 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.662 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente JEOVÁ DA SILVA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presumese, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 10 24 /2 01 0- 76 Fl. 251DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos adoto, resumidamente, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 199/204): Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração às fls. 03/09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 123.497,60, assim composto: (...) O demonstrativo de apuração do imposto devido, multa e juros de mora encontramse às fls. 08/09. Em 06/08/2009, conforme fls. 19/21, o interessado foi cientificado do início do procedimento fiscal e intimado a apresentar elementos/esclarecimentos relativos a: Extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de todas as contas mantidas pelo contribuinte, seu cônjuge e dependentes, junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007; Comprovantes dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF: 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$ 12.000,00 e R$ 12.000,00, respectivamente, conforme informado na DIRPF/2006, no quadro 10 Dividas e Ônus reais, bem como a descrição com comprovante da forma de quitação de tais empréstimos. Houve pedido de prorrogação de prazo para entrega de documentos (fl. 22) e apresentação de documentos às fls. 23/43. Através do Termo de Intimação de fl. 44, cuja ciência ocorreu em 16/10/2009 (fl. 56), o interessado foi instado a: Comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor com cada lançamento, a origem dos recursos lançados à crédito da conta corrente n° 187933, mantida na Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 252 3 Agência nº 04332 do Banco do Brasil; da conta corrente n ° 001.113142, Agência 0032 e da Poupança n° 013.3153211, Agência 0032, mantidas na CaixaEconômica Federal, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme planilhas anexadas; Descrever, com comprovantes, a forma de quitação dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$12.000,00 e R$12.000,00, respectivamente. Na seqüência, houve 3 pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos (fls. 57/59). O interessado foi reintimado em 18/02/2010 (fls. 60/61). O interessado apresentou os documentos de fls. 64/140 e solicitou prorrogação do prazo à fl. 64 para apresentar o restante dos comprovantes. A autoridade autuante intimou o Sr. Expedito Casimiro da Silva, a confirmar o empréstimo feito ao interessado em 10 de março de 2005, no valor de R$ 30.000,00; a informar e comprovar a forma como se deu a transação (transferência bancária, cheque, dinheiro, etc); a prestar informações a respeito da quitação; a informar a origem dos recursos emprestados, uma vez que apresentou declaração de isento no exercício em destaque; bem como a informar qual a relação de parentesco com o interessado (fl. 141). A fiscalização intimou o Sr. Francinilton Caetano Araújo, a confirmar o empréstimo feito ao interessado em 15 de março de 2005, no valor de R$ 12.000,00; a informar e comprovar a forma como se deu a transação (transferência bancária, cheque, dinheiro, etc); a prestar informações a respeito da quitação; a informar a origem dos recursos emprestados, uma vez que apresentou declaração de isento no exercício em destaque; bem como a informar qual a relação de parentesco com o interessado (fl. 142). Também foi intimado o Sr. José Hamilton Brito Silva a confirmar o empréstimo feito ao interessado em 15 de março de 2005, no valor de R$ 12.000,00; a informar e comprovar a forma como se deu a transação (transferência bancária, cheque, dinheiro, etc); a prestar informações a respeito da quitação; a informar a origem dos recursos emprestados, uma vez que apresentou declaração de isento no exercício em destaque; bem como a informar qual a relação de parentesco com o interessado (fl. 143). Em resposta, o Sr. Francinilton Caetano Araújo confirmou o empréstimo efetuado, informou que não houve quitação (sem vencimento), que a origem dos recursos advém de recursos adquiridos e acumulados em anos anteriores e dentro do limite Fl. 253DF CARF MF 4 legal de isenção e declarou que mantém uma relação amigável com vínculo profissional com o interessado (fl. 148). O Sr. José Hamilton Brito Silva também confirmou o empréstimo efetuado, informou que não houve quitação (sem vencimento), que a origem dos recursos advém de recursos adquiridos e acumulados em anos anteriores e dentro do limite legal de isenção e declarou que mantém uma relação amigável com o interessado (fl. 149). Em 06/09/2010, haja vista resposta do interessado no sentido de que os valores movimentados em suas contas correntes originamse de valores auferidos pela empresa Clip Construtora Ltda, houve a intimação de fls. 152/153 para que fosse: i) informado e comprovado o motivo do crédito da empresa nas contas correntes de titularidade do interessado (pessoa física); ii) comprovada e descrita minuciosamente o tipo de transação efetuada; iii) comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor com cada lançamento, a origem dos recursos lançados à crédito da conta corrente n° 187933, mantida na Agência nº 04332 do Banco do Brasil; da conta corrente n ° 001.113142, Agência 0032 e da Poupança n° 013.3153211, Agência 0032, mantidas na Caixa Econômica Federal, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme planilhas; e iv) descrita e comprovada a forma de quitação dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$12.000,00 e R$12.000,00, respectivamente; v) descrita a função ou relação com a referida empresa no período fiscalizado; vi) apresentadas cópias de documentos referentes a lançamentos a débito (cheques emitidos, transferências efetuadas, etc) das contas bancárias, com valores superiores a R$ 5.000,00. Houve pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos (fls. 155/156). O interessado foi reintimado em 29/10/2010 (fls. 157/159). Conforme Termo de Início de Diligência de fl. 162, a empresa Clip Construtora Ltda, a fim de subsidiar a ação fiscal em andamento, foi intimada a apresentar Livro Caixa, com escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, ou Livros Diário e Razão; Livro de Registro de Inventários; todos os Livros Registros de Entradas, Registros de Saídas e de Registro de Apuração de ICMS; cópia dos atos constitutivos da empresa e alterações posteriores; documentos de identificação do representante da empresa; ações judiciais versando sobre tributos internos federais nas quais figure como parte. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 253 5 Em complementação, a referida empresa foi intimada a apresentar todas as notas fiscais de prestação de serviços no período de 2005 a 2007; cópia de todos os contratos firmados no período em referência e justificativa, com a devida comprovação, para a emissão dos cheques nominais e transferências bancárias para o interessado; bem como informar a participação ou relação do interessado com a empresa (fls. 164/165). A empresa foi reintimada (fls. 166/167). Foi encerrada parcialmente a autuação, tendo sido lavrado o auto de infração referente ao anocalendário de 2005 (fls. 168/169). Esclarece a autoridade autuante à fl. 173 que a ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte foi autorizada pelo MPF n° 03.1.02.200900447, e foi aberta em virtude da representação fiscal encaminhada através do MEMO 063/2009Escor03, juntamente com dados levantados no curso de investigação patrimonial autuada no processo n° 10380.006957/200851, conforme o teor da Portaria RFB n° 11.311, de 27/11/2007, abrangendo o período de 01/01/2004 à 31/12/2007. Acrescentou a fiscalização que, a fim de evitar a decadência do direito da Fazenda Pública lançar o crédito tributário, foi lavrado o presente Auto de Infração relativo ao anocalendário 2005 e efetuado o encerramento parcial da fiscalização cujos procedimentos relativos à 2006 e 2007 continuam em andamento, motivo pelo qual foram juntadas, no presente processo, apenas as cópias dos documentos produzidos até o presente momento. Procedeuse ao lançamento da infração concernente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor de R$ 311.512,24. (...) Cientificado do lançamento pela via postal em 08/12/2010 (AR à fl. 170), o interessado apresentou impugnação em 06/01/2011 (fls. 174/181) em que contesta parcialmente o lançamento aduzindo em síntese: (...) 2. Dos Fatos a autoridade fiscal competente valeuse de parte dos créditos efetuados nas três contas bancárias mantidas pelo interessado, durante o anocalendário de 2005; todavia há inconsistências na autuação; 3. Dos limites a serem considerados para efeito da presunção de renda Fl. 255DF CARF MF 6 devem ser excluídos da base de cálculo os valores de pequena monta, assim considerados os depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere o montante de R$ 80.000,00, a teor do inc. II, § 3º, art. 42 da Lei nº 9.430/96; considerando todos os valores inferiores a R$ 12.000,00, foram depositados apenas R$ 55.974,24 nas contas bancárias mantidas pelo interessado, conforme demonstrado a seguir: (...) 4. Indenização por danos materiais o crédito na conta corrente nº 003153211, Ag. 0032, da Caixa Econômica Federal, em fevereiro de 2005, cujo montante é bem maior do que os corriqueiramente lançados, referese à indenização por danos materiais; em novembro de 2004, houve um incêndio na Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte, da qual o interessado era vice presidente, com prejuízos atinentes ao estoque, máquinas, móveis, computadores, indenizados através de seguro mantido junto ao Banco Industrial do Ceará; como parte do seu patrimônio pessoal (máquinas, estantes, computadores) havia sido cedido temporariamente à entidade e o interessado havia também promovido investimentos na manutenção do prédio, lhe foi paga a quantia de R$ 242.883,00 por todos os seus prejuízos, incluindose os danos ao prédio vizinho; como tais valores não têm a natureza de renda, mas de indenização reparatória por danos materiais sofridos, o valor correspondente não é tributável; são reproduzidas ementas relativas a jurisprudência administrativa e judicial. Em 27 de janeiro de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) deu parcial provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 198/199): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Deve ser mantida a matéria não contestada, atinente a parte da omissão de rendimentos oriunda dos depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 254 7 não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA OMITIDA. CRÉDITOS DE VALOR IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. EXCLUSÃO. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos são analisados individualizadamente, observado que não são considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A mera identificação do depositante não é suficiente para comprovar a origem do depósito e afastar a presunção legal de omissão de rendimentos. A comprovação de origem que a lei exige deve ser suficiente para possibilitar a averiguação acerca do cumprimento de obrigações tributárias pelo beneficiário do depósito, submetendoo às normas de tributação específicas vigente à época em que auferidos os rendimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificado em 02/02/2014 (AR fls. 212), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 215/241, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Alega o Recorrente que o lançamento é nulo, pois a autoridade fiscal não possuía o MPF e não intimou o recorrente sobre a existência deste. Fl. 257DF CARF MF 8 Ao contrário do afirmado pelo Recorrente o lançamento em questão estava amparado pelo MPF nº 03.1.02.00.200900447 mencionado às fls. 10 de 12 dos Anexos ao Auto de Infração, bem como em todos os termos de intimação fiscal enviados quando do procedimento de fiscalização. Além disso, é importante registrar que, no âmbito deste Conselho, a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Concordo com a interpretação adotada e, pela clareza com que aborda a questão, transcrevo abaixo o seguinte trecho do voto proferido no Acórdão nº 920201.637: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 255 9 mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte ,que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Improcedente a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. A Recorrente reitera a alegação de que o depósito de R$ 242.883,00 referese à indenização por danos materiais decorrentes de incêndio na Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte, da qual o Recorrente era vicepresidente. Conforme observa a decisão recorrida, embora o contribuinte tenha comprovado a ocorrência do sinistro, não comprovou o valor exato do seguro recebido pela Cooperativa, bem como o valor e a relação do Contribuinte com o sinistro. É o que se verifica pela passagem abaixo transcrita: Contudo, além de não ter sido comprovado o exato valor do seguro recebido pela Cooperativa, pois no termo de fl. 187 há menção ao valor de R$ 855.892,81 e a observação de que “o presente termo não implica, por parte da Seguradora, na obrigação do pagamento pelo sinistro reclamado, a qual fica sujeita as Condições Contratuais que regem o seguro”; não foi demonstrado se os depósitos feitos na conta corrente da referida empresa no mês de fevereiro de 2005(fl. 188) referemse a este pagamento. Nesse contexto, apesar da coincidência de datas e valores entre os cheques compensados (R$ 125.716,00 e R$ 89.694,00) na contacorrente da Cooperativa (fl. 189) e os depósitos feitos na Fl. 259DF CARF MF 10 mesma data (01/02/2005) na conta corrente do interessado (fl. 28), impõe registrar que não foi comprovada a relação do interessado com o sinistro, muito menos a correlata indicação de que fazia jus à reparação e o montante exato. A mera identificação do depositante não é capaz de revelar a natureza tributária dos valores. Tal informação, conforme visto, é indispensável para que se verifique o correto cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte e aplicação do disposto no § 2.º do art. 42 da Lei n.º 9.430/96. A comprovação de origem que a lei exige deve ser suficiente para possibilitar a averiguação acerca do cumprimento de obrigações tributárias pelo beneficiário do depósito, submetendoo às normas de tributação específicas vigentes à época em que auferidos os rendimentos. Insta registrar, ainda, que, quanto ao crédito de R$ 21.888,00, feito em 16/02/2005, na conta corrente nº 003153211, Ag. 0032 da Caixa Econômica Federal (fl. 28), o interessado não logrou identificar o depositante. Então, como não foi satisfatoriamente demonstrado, sem margem a dúvidas, o liame entre o pagamento de seguro pelo sinistro ocorrido na Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte e os créditos no valor de R$ 215.410,00 na conta corrente do interessado, nem identificado o depositante do crédito no valor de R$ 21.888,00, impõese manter o lançamento correspondente. 2.2) USO DA CONTA BANCÁRIA POR TERCEIROS. CRÉDITOS ORIUNDOS DE RECEITA DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL FOI SÓCIO O RECORRENTE Alega o Recorrente que grande parte dos depósitos bancários eram provenientes de receitas de pessoa jurídica da qual era sócio, conforme comprovado pelas notas fiscais e cheques juntados aos autos. Todavia, a simples juntadas de cheques e notas fiscais sem a precisa correlação destes com os depósitos efetuados não permite identificar a origem dos depósitos e a utilização da conta por terceiros. Ademais, conforme disposto da súmula CARF nº 32: "a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." 2.3) DA ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO APENAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 256 11 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 261DF CARF MF 12 tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. A legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721477/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP.
É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora).
Numero da decisão: 1201-002.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10882.721477/2015-92
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5886172
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.204
nome_arquivo_s : Decisao_10882721477201592.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10882721477201592_5886172.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7373645
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585423413248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.721477/201592 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.204 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ALMENAT EXTENSAO CORPORATIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 14 77 /2 01 5- 92 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Despacho Decisório que não homologou o crédito de estimativa pleiteado pelo contribuinte, sob o fundamento de que ele já teria sido objeto de indeferimento em outro processo administrativo. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: houve cerceamento de defesa e nulidade do Despacho Decisório por falta de informação quanto ao alegado fato para a não homologação das compensações. Ressalta que a Instrução Normativa citada IN nº 1.300/2012 não estava vigente à época dos fatos e também contesta a citação genérica do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; a partir da revogação do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que restringia a compensação da estimativa a apuração do saldo negativo, o Despacho Decisório negando a restituição/compensação do valor pago a maior por estimativa passou a condição de improcedente ou equivocado, legitimando o crédito; o art. 10 da IN RFB nº 600/2005 é ilegal, destacando que a Receita Federal não pode se utilizar de mera Instrução Normativa para restringir a recuperação de créditos. Requer a aplicação retroativa do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 vigente à época de 2010, que permite a restituição de valores de estimativas pagos indevidamente ou a maior; deixou de apresentar defesa administrativa contra o primeiro Despacho Decisório e optou pelo pagamento dos débitos. Assim, quando realizou os pagamentos constante da PER/DCOMP não homologada, o crédito existente, e sem vedação na legislação, sem dúvida voltou a existir; Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 4 3 o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veda que débitos não homologados sejam passíveis de compensação, porém no presente caso os débitos foram quitados. Assim, conclui que não há qualquer impedimento legal para solicitar o crédito de pagamento indevido ou a maior novamente; a liquidez do crédito oriundo de pagamento a maior restou evidenciada; é indevida a exigência de Multa e Juros no atraso dos débitos compensados em DCOMP. A DRJ, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O contribuinte interpôs recurso voluntário. Repisa os argumentos de defesa e pede que seu direito creditório seja reconhecido. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.196, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10882.721445/2015 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.196): O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a apreciálo. Primeiramente, cabe rejeitar a alegação de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa. Isso porque, apesar de parecer bastante sucinto o Parecer que embasa o despacho decisório, ele deixa claro o motivo e o fundamento legal para o indeferimento da DCOMP, tendo sido oferecido à impugnante o pleno exercício do direito de defesa e contraditório. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 5 4 Na impugnação e recurso voluntário, aliás, a contribuinte demonstra que compreendeu os fatos e os motivos que levaram aos indeferimentos dos pleitos. Apenas para recapitular, a Recorrente teve sua Declaração de Compensação não homologada em face do inciso VI do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.340/1996, verbis: "Artigo 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o [...] VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa." Nesse contexto, a autoridade fiscal responsável pela análise do direito creditório se certificou, e comprovou, que o crédito já havia sido objeto de indeferimento em outro pedido, fato este que, como determina a lei, enseja a não homologação da "nova" DCOMP que indicou saldo credor indeferido anteriormente. Além disso, parece que o contribuinte ainda pretende um efeito repristinatório da norma de estimativa, o que não se sustenta. A autoridade fiscal, portanto, ao não homologar a DCOMP em tela, nada mais fez do que cumprir a lei, e não mera IN, não merecendo nenhum reparo o procedimento adotado. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente entende violados, cumpre frisar que este Conselho não possui poderes para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2. Falece ao presente julgador, contudo, competência para analisar os argumentos de cunho constitucional invocados. Finalmente, e tendo em vista a não homologadas das compensações, os débitos indevidamente compensados passam a se sujeitar aos acréscimos moratórios como decorrência lógica. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 6 5 Débitos vencidos, mas não liquidados no prazo legal, estão sujeitos à multa e juros. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15754.000247/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE.
Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza.
Numero da decisão: 1401-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2006 EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15754.000247/2009-27
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888349
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.501
nome_arquivo_s : Decisao_15754000247200927.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
nome_arquivo_pdf_s : 15754000247200927_5888349.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7382720
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585468502016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 117 1 116 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15754.000247/200927 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.501 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria Simples Ato Declaratório de Exclusão Recorrente HELOISA CARLA AYRES CANGA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 4. 00 02 47 /2 00 9- 27 Fl. 119DF CARF MF 2 Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ em que o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra Ato Declaratório Executivo n.º 35, de 11 de dezembro de 2009, que excluiu a contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, a partir de 01 de janeiro de 2007, por ausência da comunicação obrigatória ao ultrapassar, no anocalendário de 2006, os limites de receita bruta, para permanecer no Simples. A Contribuinte tomou ciência do ADE em 18/12/2009 e apresentou sua manifestação de inconformidade aduzindo os seguintes argumentos: 01) Preliminar de desobediência ao princípio da publicidade Argumenta a Contribuinte que não encontrou cópia do ato publicado na imprensa oficial. 02) Da preliminar de violação à regra de irretroatividade do ato administrativo O Ato Declaratório Executivo 35, de 11/12/2009, que o fisco aplicou à contribuinte em 2009 a penalidade de exclusão do simples a partir de 1/1/2007, produziu efeitos em momento anterior a sua existência jurídica. Entretanto, a imposição de penalidade, inclusive em matéria tributária, não alcança o tempo histórico do passado porque deve ter sua eficácia a partir de sua vigência, de sua publicação, ou melhor, a partir do instante atual com projeção para o futuro. Se se admite que o ato declaratório vige desde 11/12/2009, não pode ter eficácia ou efeito em data anterior à sua existência ou em data anterior à da entrada em vigor, sob pena de violar o direito adquirido, enfim, a segurança jurídica na relação entre o fisco e o contribuinte. 03) Da violação de direitos assegurados à contribuinte Quando instaurou o processo administrativo fiscal 15754 000247/200927, a autoridade administrativa deveria imediatamente abrir o prazo para que a contribuinte pudesse exercer a defesa e o contraditório. Apenas ao termino do processo será possível ou não a exclusão da contribuinte, ou seja, será possível ou não a edição do ato. E não antes, como fez a Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15754.000247/200927 Acórdão n.º 1401002.501 S1C4T1 Fl. 118 3 administração tributária. O agir da administração corresponde, grosso modo, a aplicar a penalidade ao acusado antes que o mesmo possa se defender 04) Da violação do direito adquirido A empresa desde sua formação obteve o direito de exercer suas atividades em regime tributário diferenciado. O fisco não pode excluíla desta relação jurídica, de direito adquirido e, portanto, não pode negar o direito ao exercício de atividade econômica ou profissional. 05) Da aplicação de penalidade à períodos sem fiscalização O processo originouse dos autos do processo administrativo fiscal 1578.000487/200991 de exigência de crédito do período 01/01/2006 a 31/12/206, enquanto o ADE foi excluída a partir de 2007, período não fiscalizado. Não se pode dizer que a receita bruta ultrapassou o limite legal neste período. 06) Da inexistência de Auto de Infração A contribuinte não tem conhecimento da existência de auto de infração à legislação tributária porque o fisco não intimou/notificou a parte, que sequer teve acesso ao processo. Antes que a autoridade administrativa aplicasse a penalidade por suposta infração à legislação tributária, não deveria lavrar o auto de infração? 07) Da aplicação da teoria dos motivos determinantes A autoridade fiscal que lavrou os autos de infração e encerrou a fiscalização de IRPJ no processo 15758.000487/200991 é a mesma que, em seguida representou a contribuinte para exclusão do simples, ato contínuo, a autoridade administrativa editou o ADE 35. Tratase da aplicação da teoria dos motivos determinantes: se verificada a improcedência do motivo – receita bruta superior ao limite legal, o ADE deverá desaparecer. Assim sendo, é necessário aguardar o encerramento do processo principal para da impulsão de ofício ao processo acessório, nos termo do art 2º , parágrafo único e inciso XII da Lei 9784/1999. Portanto, precipitouse o fisco ao instaurar o presente processo administrativo de exclusão do Simples, razão pela qual deve ser sobrestado o processo. 08) Da Decisão da DRJ A decisão da DRJ com relação à manifestação de inconformidade, restou assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES AUSÊNCIA DA COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA AO ULTRAPASSAR OS LIMITES DA RECEITA BRUTA PARA PERMANECER NO SIMPLES. Fl. 121DF CARF MF 4 Confirmado através de Autos de Infração que o contribuinte ultrapassou o limite de receita bruta em 2006 para permanecer no Simples, constatase a procedência da exclusão processada pelo ADE. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio Do Recurso Voluntário Na interposição do recurso Voluntário a recorrente argumenta basicamente dois pontos, já delimitados previamente no relatório acima: a) desobediência ao princípio da publicidade; b) violação à regra da irretroatividade do ato administrativo. Requereu a improcedência do ADE. É o relatório. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Trata o presente processo de Exclusão do Simples Nacional, em conjunto com Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (CSLL, PIS, COFINS e INSS). O contribuinte, apresentou manifestação de inconformidade contra a sua exclusão do Simples Nacional, tendo rejeita as razões da Manifestação de Inconformidade, apresentou o contribuinte esse Recurso Voluntário. O Ato Declaratório Executivo nº 35, de 11 de dezembro de 2009 foi lavrado em decorrência de a empresa ter ultrapassado no anocalendário de 2006 os limites da Receita bruta para permanecer no simples. A constatação foi feita pelo Auditor que lavrou os Autos de Infração processo administrativo 15758.000487/200991. Com relação à alegada desobediência ao princípio da publicidade, não há necessidade de publicação do Ato de exclusão do Simples pois não existe na Lei que rege o Simples e nem no Decreto 70235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, previsão de publicação do Ato Executivo de Exclusão do Simples. Notase que a Interessada recebeu o ADE e teve prazo para apresentar Manifestação de Inconformidade, Manifestação esta devidamente apreciada pela DRJ. Notase também que o efeito atribuído ao ADE, ora em julgamento está em consonância com as disposições da Lei 9317/97, sendo que não existe previsão para lavratura de auto de infração à legislação tributária para as empresas excluídas do Simples. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15754.000247/200927 Acórdão n.º 1401002.501 S1C4T1 Fl. 119 5 Assim, notase que a emissão do ADE respeitou as regras do Processo Administrativo Fiscal, e, por tudo que foi exposto acima concluise que não é possível acatar os requerimentos de nulidade e ou improcedência do ADE apresentados pela Interessada. Importante destacar que o Art. 16 da Lei 9317/96 determina que “a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”. Com relação ao alegado direito adquirido, o simples é uma opção de tributação diferenciada e, tem juntamente com essa opção, algumas obrigações que devem ser cumpridas sob pena de exclusão dessa opção. Não há qualquer direito adquirido em se manter nesse tipo de tributação. O que há, na verdade é uma opção que tem condicionantes para a sua manutenção. Tendo o recorrente desobedecido as condicionantes, a sua exclusão se opera, inclusive com efeitos retroativos, como foi o caso. Assim, o momento da exclusão e o direito à manutenção da opção pelo SIMPLES depende do constante cumprimento pela pessoa jurídica dos requisitos fixados em lei. Por outro lado, tendo o contribuinte ultrapassado os limites da Receita Bruta no ano de 2006, por si só, produziria os efeitos impeditivos para a continuidade no SIMPLES. O ato administrativo que formalizou a exclusão do Simples, tem como função a declaração das infrações cometidas e o termo inicial da exclusão. Tal questão encontrase devidamente pacificada pelo STJ em recurso repetitivo: TEMA 341 DO STJ EMENTA 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão.[...] 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. Fl. 123DF CARF MF 6 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (REsp 1124507 MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) Com relação à teoria dos motivos determinantes, aqueles autos da Autuação serão necessariamente julgados antes desses. Assim, não resta qualquer razão à recorrente. Pelo acima exposto, julgo por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722047/2017-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. DIRF.
Quando declarada em Dirf, a compensação de IRRF é devida.
Numero da decisão: 2002-000.227
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. DIRF. Quando declarada em Dirf, a compensação de IRRF é devida.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.722047/2017-65
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892632
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.227
nome_arquivo_s : Decisao_10830722047201765.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
nome_arquivo_pdf_s : 10830722047201765_5892632.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7394208
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585516736512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.722047/201765 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.227 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente RICARDO FORTUNATO ZEGANIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. DIRF. Quando declarada em Dirf, a compensação de IRRF é devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 20 47 /2 01 7- 65 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10830.722047/201765 Acórdão n.º 2002000.227 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento (fl. 4 e ss) por meio da qual foi cancelada restituição de 1.525,15 (fl. 6) em virtude da glosa de compensação de IRRF. O lançamento se deu em razão da divergência entre as declarações da fonte pagadora e do contribuinte. No mais, a fiscalização informa que a retenção relativa ao rendimento de aluguel está em nome de Anna Lourdes Ansetti Zeganin e não do Sr. Ricardo e este não apresentou documentos de propriedade do imóvel, nem documentos que o vinculem a Sra. Anna (fl. 5). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 3 e 7) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 21/03/2017 (fl. 23) e protocolou sua peça no dia 10/04/2017 (fl. 3), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 2 e ss) não concorda com a infração e apresenta documento de propriedade do imóvel e certidão de casamento que comprova o vínculo conjugal. Decisão de 1ª Instância O contribuinte impugnou o lançamento apresentando novos documentos. A DRJ entendeu que os documentos apresentados comprovam a propriedade do imóvel e o vínculo do contribuinte com a Sra. Anna. Porém o IRRF continua sem confirmação na Dirf da fonte pagadora tanto para o contribuinte como para sua esposa. Assim a DRJ julgou pela improcedência da impugnação. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 35 e ss) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 14/07/2017 (fl. 30) e protocolou sua peça no dia 10/08/2017 (fl. 34), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 34 e ss), em síntese, o contribuinte alega que a fonte pagadora providenciou a Dirf 2014/2013 retificadora regularizando, portanto, as informações na base de dados da Receita Federal. Alega apresentar recibo de entrega da Dirf e a sua fl. 14 com os alugueis pagos e as respectivas retenções de IR. Por fim, pede o cancelamento do débito fiscal. 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10830.722047/201765 Acórdão n.º 2002000.227 S2C0T2 Fl. 4 3 Documentos do recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguintes documentos: documento de identidade da procuradora (fl. 36 e ss); procuração (fl. 38); Dirf 2014/2013 (fl. 39); Recibo de entrega da Dirf (fl. 40); Folha 13 da Dirf (fl. 41). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito Em sede de recurso voluntário o contribuinte traz aos autos documentos que comprovam que as falhas apontadas pela DRJ foram sanadas, ou seja, que a fonte pagadora retificou a Dirf informando a retenção objeto da lide (fls. 39 a 41). Segundo o documento da fl. 41, o valor total da retenção foi 3.050,30, sendo que a retenção informada pelo marido foi metade disso, 1.525,15, cabendo o restante à esposa, conforme disposto no art. 7º, § 1º do Decreto 3.000/99 a seguir transcrito. Art.7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. §1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar lhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10830.722047/201765 Acórdão n.º 2002000.227 S2C0T2 Fl. 5 4 Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912242/2012-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.268
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.912242/2012-57
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5875293
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.268
nome_arquivo_s : Decisao_10980912242201257.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10980912242201257_5875293.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7352858
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585524076544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.912242/201257 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.268 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente METROBENS AUTOMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 42 /2 01 2- 57 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912242/201257 Acórdão n.º 3401004.268 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0265.615, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912242/201257 Acórdão n.º 3401004.268 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912242/201257 Acórdão n.º 3401004.268 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912242/201257 Acórdão n.º 3401004.268 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.723918/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/05/2014
DESACATO A AUTORIDADE ADUANEIRA, MULTA PREVISTA NO ART. 107, III, DO DECRETO-LEI Nº37/66.
O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracteriza-se pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário.
Numero da decisão: 3302-005.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 01/05/2014 DESACATO A AUTORIDADE ADUANEIRA, MULTA PREVISTA NO ART. 107, III, DO DECRETO-LEI Nº37/66. O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracteriza-se pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10814.723918/2014-13
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894159
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.638
nome_arquivo_s : Decisao_10814723918201413.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10814723918201413_5894159.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7401448
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585542950912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 84 1 83 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.723918/201413 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.638 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria Multa por desacato Recorrente SABINNE MARIE TELLES DE CERJAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/05/2014 DESACATO A AUTORIDADE ADUANEIRA, MULTA PREVISTA NO ART. 107, III, DO DECRETOLEI Nº37/66. O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracteriza se pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Transcrevese o relatório elaborado no acórdão recorrido, por bem retratar a realidade dos fatos: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 02/05/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 39 18 /2 01 4- 13 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 85 2 exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 10.000,00, em virtude dos fatos a seguir escritos. Na noite de 01/05/2014, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil LUCIANA PIRES, matricula 880.831, em procedimento de vigilância aduaneira, por volta das 21:25h, estava realizando seu rotineiro trabalho de fiscalização na área restrita do desembarque internacional do terminal 1 do Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP quando foi selecionada para vistoria a passageira SABINNE MARIE TELLES DE CERJAT, Passaporte Brasileiro n° YA644123, CPF 864.863.22934, procedente de Nova Iorque, no voo da TAM JJ8083, que saia pelo canal "NADA A DECLARAR". A vistoria indireta sugeriu a existência de grande quantidade de roupas, motivo pelo qual a passageira foi encaminhada a uma bancada para a vistoria direta da sua bagagem. Durante a vistoria direta, o ATRFB MARCO ANTÔNIO GONÇALVES, matricula 26.953, constatou a existência de roupas novas, passiveis de tributação. O recolhimento dos tributos se deu por meio do DARF 07.15.14121.45132498, relativo à ocorrência 081760014033503RTE02. Quando a passageira retornou do Banco Safra, apresentou o DARF devidamente recolhido à AFRFB LUCIANA PIRES, dizendo: "Toma, vocês estavam precisando de dinheiro". A passageira foi questionada sobre o que acabara de afirmar ao que respondeu: "quero somente ir embora". Em seguida, passou a organizar seus bens dentro das malas, proferindo palavras desrespeitosas e em tom ameaçador, conforme transcrevo: "Você vai ver o que vai acontecer com você essa semana. Você tem filhos? Algo terrível vai acontecer com eles ainda nesta semana e com você também; eu tenho seu nome". A passageira foi alertada pela AFRFB LUCIANA PIRES sobre o desacato à autoridade, sugerindo que se controlasse. A despeito do alerta dado, a passageira continuou gritando palavras com esse teor. A passageira solicitou que alguém a ajudasse a organizar seus bens dentro das malas, motivo pelo qual a AFRFB LUCIANA PIRES autorizou a na área restrita do Agente de Aeroporto da TAM ALEXANDRE ALEX CORRÊA, CPF 364.772.43865, que auxiliou a passageira até a saída da área restrita. Enquanto saia, a passageira gritava de forma que todos os presentes puderam ouvir, as seguintes palavras, para a AFRFB LUCIANA PIRES: "Você vai morrer, sua filha da puta. Você vai ver o que vai te acontecer.". Lavrouse um Termo de Ocorrência, subscrito pelos servidores da Receita Federal do Brasil, pelo Vigilante Líder da empresa de segurança Lógica e pelo Agente de Aeroporto da empresa TAM que testemunharam os fatos. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 86 3 Assim sendo, procedeuse à lavratura deste Auto de Infração, para fim de aplicação da penalidade pecuniária por desacato à autoridade, nos termos do artigo 728, inciso III, alinea "a" do Regulamento Aduaneiro. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 21/05/2014 (fls. 30), a contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 18/06/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 11 à 16, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: Conforme se extrai do Auto de Infração ora impugnado, em 01.05.2014, às 22h50, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela fiscalização no desembarque internacional do terminal 1 no Aeroporto Internacional de São Paulo, aplicou pena de multa à Impugnante por suposto de desacato à autoridade. Ocorre que não corresponde a realidade da '‘circunstância, pois em momento alguma a Impugnante agiu com rispidez contra a agente aduaneira. Pelo contrário, em um momento de descontrole emocional de ambas as partes, houve um início de discussão entre a Impugnante e a autoridade, mas inexistindo qualquer ofensa ou ameaça. A Impugnante retornava dos Estados Unidos da América, após dias de férias naquele país, quando ao desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo foi conduzida pelas autoridades alfandegárias pura averiguação de sua bagagem. Ocorre que por ser um momento de grande tensão e de desconforto, inclusive para as autoridades que ali trabalham, a condução da Impugnante até a vistoria não foi das mais tranquilas, dotadas de austeridade pelas autoridades, deixando a Impugnante temerária com a forma bruta de tratamento. Ressaltese que a Impugnante havia sofrido um leve acidente antes de embarcar para o Brasil, oportunidade em que acabou machucando o braço direito, dificultando sua mobilidade com o membro, inclusive recebeu ajuda de funcionários da Companhia Área para colocar suas bagagens no carrinho. Mesmo percebendo que o braço da Impugnante estava imobilizado com tipoia, as autoridades foram duramente rude na averiguação, jogando todas as roupas e pertences pessoais da Impugnante ao chão. Após este ocorrido, tributaram as roupas se supuram ser novas e adquiridas nos EUA, encaminhando a Impugante até o Banco Safra para que efetuasse o pagamento da DARF. Ao retornar para pegar seus pertences, já extremante estremecida psicologicamente pela circunstância e pelo trato ríspido e desrespeitoso das autoridades aduaneira, em especial Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 87 4 da Sra. Luciana Pires, a Impugante se deparou com todos os seus pertences ainda no chão, que foram arremessados na hora da vistoria. Reclamou com a Sra. Luciana Pires das roupas e entregou a DARF de pagamento, neste momento ambas as partes iniciaram uma discussão, em que a Autoridade aduaneira fiscal e a Impugnante levantaram a voz em um momento de descontrole mútua, mas sem haver troca de ofensas e, principalmente, ameaças. Posteriormente, a Impugnante pediu ajuda as autoridades para pegar seus pertences que tinham sido jogados na bancada e no chão sem motivo algum, reiterando seu problema no braço, mas a Sra. Luciana Pires, apenas deu prosseguimento a discussão, afirmando enfaticamente que não ajudaria a á impugnante, dizendo “você que se vire”. Em assim sendo, a Impugnante perguntou se poderia então pedir que alguém ajudasse a pegar suas roupas, respondido pela Sra. Luciana que poderia chamar alguém, pois ela não lhe ajudaria. A Impugnante pediu para um rapaz da companhia área, que entrou no local, colocando as roupas na mala. Neste momento, todos estavam extremamente exaltados e a Sra. Luciana e a Impugnante permaneciam conversando em um tom mais alto que o costume, pois ambas estavam com os ânimos abalados, quando por fim a Impugnante se retirou do local. Destarte, as partes tiveram uma conversa em tom mais ríspido, mas primeiro quem deu causa aos aborrecimentos foram as próprias autoridades alfandegárias, que trataram a Impugnante a todo o momento de forma hostil. Em segundo lugar, a discussão se deu por ambas as partes, em que a Impugnante e a Sra. Luciana Pires se exaltaram e começaram a conversar de modo mais agudo. Ora a Sra. Luciana é um autoridade aduaneira, profissional que lida com estas circunstâncias dia a dia, sendo inadmitido que haja de forma ríspida e desrespeitosa pela viajando que ali transitando. Por fim, e mais importante, a Impugnante em momento algum desacatou a autoridade da Sra. Luciana e muito menos proferiu qualquer palavra ameaçadora, não passando de mero aborrecimento por uma discussão em que próprio tratamento da Sra. Luciana veio a ocasionar. Assim, impõese o reconhecimento de insubsistência do Auto de Infração ora combatido, com a exclusão da multa e consequente arquivamento do procedimento administrativo. ⊙ INEXISISTÊNCIA DA PRÁTICA DO CRIME – AUSÊNCIA DOS REQUISITOS ENSEJADORES CRIME NÃO RECEPCIONADO PELA CF/88 – INCONSTITUCIONALIDADE DO CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE Noutro vértice, a Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 88 5 conduta da Impugnante decorre que seu estado de ira e descontrole emocional, mas em nenhuma momento teve o dolo de desqualificar a pessoa do funcionário público. Destaquese que o crime de abuso de autoridade pressupõe o dolo, a livre vontade, do agente desprestigiar o cargo do funcionário público, ou seja, exige um fim específico em humilhar a função exercida pelo funcionário público. Desta forma, o simples descontrole emocional e mero ato de grosseria não caracteriza o abuso de autoridade, poderia caracterizar outro crime subjetivo a pessoa do funcionário pública, mas de forma alguma resta configurado o crime de desacato. Junta textos da doutrina de Fernando Capez: (CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal Parte Especial. Vol. 3. Editora Saraiva. São Paulo, 2004. Pág. 494/495) Diante disto, resta latente que não houve a configuração do crime de abuso de autoridade, haja vista inexistir ânimo de ofensa à função exercida pelo funcionário público. Ainda, importante salientar que o crime de abuso de autoridade decorre do uma período lamentável na nação brasileira, na qual vigorava o estado ditatorial, que afastava toda e qualquer direito fundamental ao cidadão. Junta textos da doutrina: (Jornal do advogado. Ano XXXVII, mai/2012, número 372, p.15). Não obstante a isto, a Pacto São José da Costa Rica, ratificado pelo Brasil,também afasta a possibilidade de incidência desta prática delituosa, no qual afirma em seu artigo 11 que o crime de desacato atenta a liberdade de expressão. Diante do exposto, não merece prosperar o presente auto de infração, tendo em vista que a tipificação do abuso de autoridade não recepcionado pela Constituição Federal de 1988, bem como via contra os ditames do Pacto de São José da Costa Rica, acordo internacional ratificado pelo Brasil. ⊙ REQUERIMENTO Diante de todo o exposto, solicita a Vossa Senhoria seja julgado insubsistente o Auto de Infração n° 0817600/00189/14, com a anulação da multa imposta à Impugnante no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), tendo em vista que inexistiu qualquer desacato ou ameaça a autoridade aduaneira, bem cc o mero ato grosseiro não caracteriza crime de desacato e, por fim, que o desacato à autoridade não foi recepcionado pela CF/88 e vai contra o Pacto de São José da Costa Rica, acordo internacional ratificado pelo Brasil. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive oitiva da autoridade aduaneira. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 89 6 É o relatório" A Vigésima Terceira Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 16064.273, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/05/2014 Desacato à autoridade fiscal no estrito exercício de sua função, decorrente da vistoria direta da bagagem. Foram proferidas palavras desrespeitosas e em tom ameaçador à fiscalização. Conduta tipificada cuja sanção é a multa regulamentar de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas na impugnação. Na sessão de 23/05/2017, esta turma converteu o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 3302000.590, para que a unidade de origem juntasse o Termo de Ocorrência mencionado no Auto de Infração e na decisão recorrida, feito às efls. 79 e ss. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. A controvérsia se estabeleceu em torno da ocorrência ou não da conduta prevista no artigo 728, inciso III1 do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009) e da não recepção do crime de desacato pela Constituição Federal. Quanto ao argumento relativo à não recepção do crime de desacato pela Constituição Federal, descabem maiores considerações, uma vez que é vedado a este Conselho conhecer de alegações de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2. Concernente à ocorrência da conduta tipificada como desacato, os fatos narrados por ambas as partes são divergentes quanto à ocorrência de ofensa ou ameaça. Enquanto a autoridade fiscal afirmou ter sido tratada de forma desrespeitosa e ameaçadora, reproduzindo as expressões mencionadas pela recorrente, a recorrente negou tal fato e alegou ter sido tratada com rudeza e rispidez na averiguação de sua bagagem. 1 Art. 728. Aplicamse ainda as seguintes multas (DecretoLei no 37, de 1966, art. 107, incisos I a VI, VII, alínea “a” e “c” a “g”, VIII, IX, X, alíneas “a” e “b”, e XI, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, art. 77): (...) III de R$ 10.000,00 (dez mil reais), por desacato à autoridade aduaneira Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 90 7 O processo foi baixado em diligência para juntada do Termo de Ocorrência,lavrado em 1º/05/2014, e que fora subscrito pela AuditoraFiscal Luciana Pires, pelo AuditorFiscal Luiz Del Nero da Costa Marques, pelo AnalistaTributário Marcelo Miranda Prado, pelo AnalistaTributário Marco Antônio Gonçalves, pelo Agente de Aeroporto da TAM Alexandre Alex Corrêa e pelo Vigilante da Líder Lógica Risonaldo José de Oliveira. No dizer de Celso Demanto2: "O núcleo desacatar traz o sentido de ofender, menosprezar, humilhar, menoscabar. Na definição de Hungria, desacato é a "grosseira falta de acatamento, podendo consistir em palavras injuriosas, difamatórias ou caluniosas, vias de fato, agressão física, ameaças, gestos obscenos, gritos agudos etc", ou seja, "qualquer palavra ou ato que redunde em vexame, humilhação, desprestígio ou irreverência ao funcionário". Verificase que o Termo de Ocorrência, subscrito por cinco testemunhas, comprova que a recorrente ofendeu e ameaçou a AuditoraFiscal Luciana Pires, e, inclusive, seus filhos. Por outro lado, a recorrente afirmou que ambas estavam exaltados e que foram as autoridades fiscais que deram causa aos aborrecimentos. Entretanto, não fez qualquer prova de tais acusações. Neste sentido, o Acórdão nº 320100.286: DESACATO A AUTORIDADE ADUANEIRA, MULTA PREVISTA NO ART. 107, III, DO DECRETOLEI Nº37/66. O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracterizase pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário. Diante do exposto voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 2 Código Penal Comentado/Celso Demanto ...[et al] 6º ed. atual. e ampl. Rio de Janeiro, Renovar, 2002, página 665 Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729059/2015-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA.
Havendo sido realizada compensação com créditos não comprovados, e descumpridos os termos do art. 170-A do CTN, bem como determinação judicial expressa, cabe glosar a compensação indevida, restando também evidenciada falsidade de declaração apta a justificar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA DOS ARTS. 124, I E 135, III DO CTN.
Não restando comprovada pela fiscalização a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador, ou de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, não persiste a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da pessoa jurídica autuada.
Numero da decisão: 2202-004.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a responsabilidade solidária dos sócios, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou por se tratar de questão já votada pela conselheira Rosy Adriane da Silva Dias
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Havendo sido realizada compensação com créditos não comprovados, e descumpridos os termos do art. 170-A do CTN, bem como determinação judicial expressa, cabe glosar a compensação indevida, restando também evidenciada falsidade de declaração apta a justificar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA DOS ARTS. 124, I E 135, III DO CTN. Não restando comprovada pela fiscalização a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador, ou de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, não persiste a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da pessoa jurídica autuada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.729059/2015-41
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5890060
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.496
nome_arquivo_s : Decisao_11080729059201541.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 11080729059201541_5890060.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a responsabilidade solidária dos sócios, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou por se tratar de questão já votada pela conselheira Rosy Adriane da Silva Dias (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7387453
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585550290944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.142 1 1.141 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.729059/201541 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.496 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente CENTRO CLÍNICO GAÚCHO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Havendo sido realizada compensação com créditos não comprovados, e descumpridos os termos do art. 170A do CTN, bem como determinação judicial expressa, cabe glosar a compensação indevida, restando também evidenciada falsidade de declaração apta a justificar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA DOS ARTS. 124, I E 135, III DO CTN. Não restando comprovada pela fiscalização a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador, ou de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, não persiste a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da pessoa jurídica autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a responsabilidade solidária dos sócios, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou por se tratar de questão já votada pela conselheira Rosy Adriane da Silva Dias (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 90 59 /2 01 5- 41 Fl. 1142DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP): DO LANÇAMENTO 1. Tratase de processo administrativo resultante de ação fiscal precedida do Mandado de Procedimento Fiscal – nº 10.1.01.00.2015.00122, que teve por escopo a verificação da regularidade procedimental do Sujeito Passivo, no que se refere às compensações de natureza previdenciária informadas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social). 1.1. A ação fiscal teve início com o Termo de Início de Procedimento Fiscal, enviado por Aviso de Recebimento AR, com ciência da empresa em 28/04/2015. Outros três Termos de Intimação Fiscal foram emitidos, sendo o último o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal: os de n° 1 e n° 2, com ciência do sujeito passivo em 15/06/2015; 28/07/2015 e, 18/09/2015, respectivamente. 1.2. Foram apurados os seguintes créditos tributários: b) Debcad nº 51.080.331 8 – referese à aplicação de multa isolada por falsidade da declaração o crédito tributário, no período de fevereiro/2012 a 07/2014. 1.3. Consta no Relatório Fiscal que o fato gerador das obrigações previdenciárias objeto do lançamento fiscal teve por origem a glosa de compensações de contribuições previdenciárias, efetuadas no período de 01/2012 a 13/2013, informadas em GFIP, sendo que para apuração da base de cálculo, a fiscalização utilizouse da Planilha 1, parte Integrante do seu Refisc., que contam as Relações das Compensações nos anos de 2012 e 2013, que foram fornecidas pelo contribuinte e confrontadas pela autoridade fiscal, com os valores das compensações lançadas em GFIP e com os registros contábeis do contribuinte arquivados no SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Constatase que as bases de cálculo foram Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.143 3 lançadas nos levantamentos GL Glosa Compensação Indevida e MI Multa Isolada. 1.4. A Fiscalização demonstra que o Levantamento GL GLOSA COMPENSAÇÃO INDEVIDA destinase ao lançamento dos valores compensados indevidamente e declarados em GFIP, uma vez que as ações judiciais que embasam a compensação, ainda não transitaram em julgado. Os valores de tais compensações constam discriminados, por filial e competência, na planilha denominada "VALORES DAS COMPENSAÇÕES EM GFIP". 1.5. A Auditoria também informa que no Levantamento MI MULTA ISOLADA – foi apurado o montante referente à aplicação de MULTA ISOLADA, em virtude da compensação ter sido realizada mediante inserção de créditos considerados inexistentes em GFIP, que resulta falsidade da declaração, que corresponde a 150% dos valores compensados indevidamente, informados pelo sujeito passivo no campo "Compensação" da GFIP nas competências de 01/2012 a 12/2013, bem como naquela relativa ao 13° salário de 2013. 1.6. Por outro lado, conforme apontado nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, a responsabilidade solidária pelos débitos apurados foi atribuída aos senhores Fernando Vico da Cunha, Francisco Antonio Santa Helena, Luiz Cláudio Leopoldo e César Franco de Lima, sócios administradores da empresa, com base no disposto no art. 135 do Código Tributário Nacional, tendo em vista a compensação indevidamente realizada em GFIP objetivando reduzir pagamento de tributo 1.7. Constam nos autos: Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fls. 02); IPC – Instruções para o Contribuinte (fls. 122/123); Relatório de Vínculos (fls. 135); Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Início de Procedimento Fiscal Complementar e AR´s – Avisos de Recebimento (fls. 124/133); Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF (fls.134). 1.8 Além do Relatório Fiscal, (fls. 136/141) integram os Autos de Infração (fl. 03 e 63), os seguintes documentos: DD – Discriminativo do Débito (fls 04/60; 64/120); FLD – Fundamentos Legais do Débito (fl. 61/62; 121). 1.9. A Fiscalização ainda fez juntada de: a) Resposta do contribuinte quanto ao questionamento da existência de ações judiciais relacionadas à legislação das contribuições previdenciárias; b) Planilha apresentada pelo contribuinte que a Auditoria denominou de “Planilha 1”; c) Planilha "Valores das Compensações em GFIP" e d) Planilha "Multa Isolada". Da Impugnação 2. Devidamente intimada em 19/10/2015 (fls. 191), a autuada, em 09/11/2015 , contestou o lançamento por meio do instrumento de fls.311/336 , onde em síntese: Fl. 1144DF CARF MF 4 2.1. Alega que baseou suas compensações no entendimento corroborado pelas decisões proferidas pelos Tribunais Superiores, em sede de repetitivo, as quais devem ser observadas pelo Fisco, conforme disposto no parágrafo § 2° do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 343/2015). 2.2. Informa que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu em sede do Recurso Especial n° 1.230.957/RS, processado segundo o regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que é inexigível a contribuição social previdenciária incidente sobre os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), adicional de 1/3 (um terço) de férias e aviso prévio indenizado; 2.3. Enfatiza que, no âmbito daquele processo, o STJ rejeitou os embargos de declaração que haviam sido opostos pela Fazenda Nacional, e, portanto, manteve na íntegra a decisão colegiada, que tem aplicação imediata, inclusive na esfera administrativa, não havendo mais dúvidas quanto à inexigibilidade da cobrança das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos nos primeiros quinze dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílio acidente), terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado. 2.4. Argumenta que diante deste quadro e do disposto no o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que torna obrigatória a aplicação pelos seus Conselheiros das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de demandas submetidas ao regime da Repercussão Geral e pelo Superior Tribunal de Justiça, nos casos submetidos ao regime dos Recursos Repetitivos, em recente julgamento (PAF n° 10972.720024/201114 Acórdão n° 2302003.133), a Terceira Câmara da Segunda Turma do CARF julgou insubsistente o Auto de Infração por meio do qual havia sido glosada a compensação das verbas em comento, em outras palavras, restou mantida a compensação de tais verbas realizada pelo contribuinte antes do trânsito em julgado da ação judicial, em função da decisão proferida pelo STJ, em sede do Recurso Representativo da Controvérsia (Resp n° 1.230.957); 2.5. No tópico que intitula “Inaplicabilidade do art. 170A no Mandado de Segurança”, sustenta que o mencionado dispositivo do Código Tributário Nacional (CTN) não se enquadra na sistemática do procedimento do Mandado de Segurança, tendo em vista que a sentença prolatada em sede da ação mandamental deve ser cumprida de forma imediata, nos termos do § 3°, do art. 14, da Lei n.º 12.016, de 2009, visto que não há efeito suspensivo na apelação. 2.6. Enfatiza que o auto de infração, ora guerreado, atribuiu à impugnante infração por ter efetuado compensação de crédito objeto de ação judicial, chancelando a suposta legalidade da aplicação da multa de 150% sob o fundamento que a autoridade fazendária exerce atividade administrativa plenamente vinculada, o que a impõe aplicar a sanção cogente a matéria. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.144 5 Argumenta que tal fundamento não merece prosperar, pois em se tratando de tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, incumbe à administração homologar ou não as informações contidas em GFIP e não aplicar multa à impugnante. 2.7. Sustenta que é necessário que o órgão autuante comprove a falsidade da declaração para que seja aplicada a referida multa, comprovação da falsidade essa que é o núcleo da hipótese de cabimento da multa e que, no caso em questão, não ocorreu tendo em vista que todas as informações necessárias para a configuração do crédito foram prestadas, sem que tenha havido qualquer omissão ou, menos ainda, falsidade de declaração em GFIP. 2.8. Esclarece que o CARF recentemente se manifestou no sentido de que é incabível a multa isolada no patamar de 150% quando o contribuinte detenha decisão judicial determinando a compensação após o trânsito em julgado (cita decisão): 2.9. Ademais, apenas a título informativo, é possível perceber que a multa instituída se afeiçoa inconstitucional, porquanto viola o direito de petição (artigo 5o, inciso XXXIV da CF/88); a garantia do devido processo legal (artigo 5o, inciso VI, da CF/88); os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, eis que excessiva, configurando verdadeira sanção política, execrada pelo Supremo Tribunal Federal, que já mencionou diversas vezes que o Poder Público não pode utilizar meios indiretos de coerção. 2.10. Por fim, sustenta o STF reconheceu a REPERCUSSÃO GERAL do tema suscitado no processo, observando que o caso em questão possui grande potencial de repetição, pois muitos entes federados também adotam a técnica das "multas isoladas". 2.11. No tópico intitulado “Da Ausência de Sujeição Passiva ...”, a impugnante contesta a atribuição da responsabilidade solidária pelo crédito constituído aos sócios diretores, alegando que efetuou e declarou a compensação que entende cabível com base em entendimento corroborado por decisões dos Tribunais Superiores. 2.12. Frisa que para haver a responsabilização dos sócios é imprescindível que o ato por eles cometido seja totalmente dissonante das atribuições de gestão ou administração, de maneira que o representado ou administrado e o Fisco sejam vítimas dessa ilicitude, ou seja, conforme disposto nos artigos 124, inciso I e 135, inciso III, ambos do CTN, utilizados para embasar a sujeição passiva pela Autoridade Fiscal, somente podem ser responsabilizados os sócios ou diretores que agem com excesso de poder e/ou infração de lei. 2.13. Sustenta que se trata de infração subjetiva e, como tal, o dolo não se presume, conforme pacífica orientação doutrinária e pretoriana constatada na Súmula n° 430 da Primeira Seção do STJ., evidenciando que a ofensa à lei que pode ensejar a Fl. 1146DF CARF MF 6 responsabilidade do sócio nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, é aquela que tenha relação direta com a obrigação tributária objeto da execução. 2.14. Argumenta que não restam dúvidas que a responsabilização prevista no artigo 135 do CTN é excepcional, e, assim, para configurála, o Fisco deve comprovar o ato que implicou excesso de poderes ou violação da lei, estatuto ou contrato social. 2.15.Volta a enfatizar que para a incidência normativa do art. 135 do CTN, especificamente aos dirigentes, fazse necessário que exista um ato doloso, que esteja direta e pessoalmente imputado à pessoa física do administrador, praticado com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto que resulte em uma obrigação tributária não autorizada (dano ou prejuízo), devidamente comprovado pela autoridade. 2.16. Por fim, alega que, no caso em apreço, não restou caracterizado nenhum dos requisitos para imputar aos dirigentes a cobrança do débito tributário, razão pela qual devem ser anulados os Termos de Sujeição Passiva e procedida a retirada do nome dos seus dirigentes das autuações. Do Pedido 3. Pelo exposto, foi requerido: a) o afastamento da sujeição passivados sócios srs. César de Lima CPF 228.867.53068 Fernando Vico da Cunha CPF 251.568.02887, Francisco Antônio Santa Helena CPF 184.963.85000 e Luiz Cláudio Leopoldo CPF 168.830.63072. b) a anulação dos Autos de Infração – DEBCAD 51.080.3300 e 51.080.3318 e a extinção do presente processo, ensejando, assim, a convalidação da compensação efetuada. c) que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, inscrito na OAB/SP sob o nº 128.341. Das Impugnações dos Responsáveis Solidários 4. Também devidamente intimados, os senhores Fernando Vico da Cunha, Francisco Antonio Santa Helena, Luiz Cláudio Leopoldo e César Franco de Lima, sócios administradores da empresa, contestaram a inclusão da responsabilidade solidária dos mesmos pelo crédito constituído, por meio dos instrumentos de fls. 206/216, 227/237, 270/280 e 290/300, onde em síntese, alegam os mesmos argumentos feitos pela empresa na sua impugnação, no tópico intitulado “Da Ausência de Sujeição Passiva”, já reproduzidos nos itens 2.11 a 2.16 deste relatório. 4.1. Por fim, requerem a anulação dos respectivos Termos de Arrolamento de Bens e Direitos lavrados em fase do Processo Administrativo nº 11080.729059/201541, uma vez que não são sujeitos passivos de qualquer obrigação tributária, nem mesmo como responsáveis tributários. Solicitam, ainda, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.145 7 sempre lançadas em nome do patrono Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, inscrito na OAB/SP sob o nº 128.341. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 382): PROCESSO ADMINISTRATIVO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação de impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIASÓCIOS . São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei, decreto ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade/ilegalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação de crédito oriundo de decisão judicial somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da respectiva sentença, a teor do disposto nos artigos 170A do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96 e alterações. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaraçãoapresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 1148DF CARF MF 8 Cientificados (AR´s fls. 436 à 440) a empresa e dos devedores solidários apresentaram os recursos voluntários de fls 442/671, nos quais reiteram as razões já suscitadas quando da impuganação. É o relatório Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os recursos preenchem os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. 1)DA LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS UTILIZADOS PARA COMPENSAÇÃO E GLOSADOS NO PRESENTE LANÇAMENTO. Alega a Recorrente que os créditos utilizados não poderiam ser glosados, uma vez que à época em que realizada as compensações glosadas existiam decisões dos tribunais superiores, algumas proferidas pela sistemática dos recursos repetitivos, que reconheciam a legitimidade dos referidos créditos. Todavia, o CARF não pode analisar o mérito dos referidos créditos, uma vez que , conforme atesta resposta do contribuinte ao Termo de Início de Procedimento Fiscal a empresa optou por discutir o mérito dos mencionados créditos em juízo. Com efeito, informou o contribuinte que: (...) Respondendo ao questionamento exposto no Termo, informa a Empresa estar discutindo judicialmente aspecto relativo à legislação das contribuições previdenciárias no Mandado de Segurança n. 501055363.2010.4.04.7100, bem como, no processo n° 501551243.2011.4.04.7100, da Associação de Medicina de Grupo do Estado do Rio Grande do Sul ABRAMGERS, ao qual tem adesão, cuja discussão se dá sobre a inexigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidente sobre verbas trabalhistas. (...) Sendo assim, não cabe a este conselho a análise do mérito da natureza dos referidos créditos, uma vez que, nos termos Súmula CARF nº 1, "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". 2) DA INAPLICABILIDADE DO ART. 170A do CTN. Por outro lado, a alegação de que a vedação do art. 170A do CTN não se aplicaria às hipóteses de mandado de segurança é matéria que não está abarcada pela discussão judicial sendo, inclusive, o cerne da discussão jurídica travada nesse processo. Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.146 9 O contribuinte alega que a sentença em mandado de segurança possui eficácia imediata a qual ficaria prejudicada com a vedação do art. 170A. Os mecionados efeitos estariam previstos no art. 14, §3º da Lei nº 12.016/09, que assim dispõe: Art. 14. Da sentença, denegando ou concedendo o mandado, cabe apelação. (...) § 3o A sentença que conceder o mandado de segurança pode ser executada provisoriamente, salvo nos casos em que for vedada a concessão da medida liminar.(grifamos) O §3º do artigo 14 acima transcrito não deixa dúvida de que a sentença de mandado de segurança poderá ser executada provisoriamente, salvo nos casos em que for vedada a concessão da medida liminar. Dessa forma, tratandose de hipótese em for vedada a concessão de medida liminar a sentença não poderá produzir efeitos imediatos. E essa é exatamente a hipótese dos autos. O art. 7º, §2º da Lei nº 12.016/09 veda a concessão de medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, nesses termos: Art. 7º (...) § 2o Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. (grifamos) Sendo assim, a ação de mandado de segurança não possui qualquer incompatibilidade com o disposto no art. 170 A do CTN. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, o art. 7º, §2º da Lei 12.016/09 acolheu textualmente a vedação anteriormente prevista no CTN. Ademais, como bem esclarece a decisão recorrida: 5.21. Verificase, assim, que o contribuinte já parte do pressuposto de que dispunha de créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições previdenciárias efetuados indevidamente, de modo que lhe seria legítimo efetuar a compensação. Contudo, como visto nos autos, à época da compensação (01/2012 a 12/2013) o contribuinte somente dispunha de sentenças reconhecendo parcialmente seu direito, sem que sobre tais atos judiciais houvesse o trânsito em julgado, de forma a tornar o entendimento neles constante definitivo e oponível à Fazenda Pública. 5.22. E mais, nas decisões proferidas tanto no MS n° 5015512 43.2011.4.04.7100 como no MS n° 501055363.2010.404.7100, já transcritas nos itens 5.5 a 5.14 deste voto, estabelecem que a compensação seja efetuada nos termos do art. 170A do CTN e art. 89 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 11.941/09. Ou seja, referidas decisões judiciais não acataram a tese da impetrante quanto à inaplicabilidade do referido art. 170A do CTN e determinaram, expressamente, que as compensações somente poderiam ser efetuados após o trânsito em julgado. Fl. 1150DF CARF MF 10 5.23. Neste ponto, cabe destacar que se o próprio contribuinte entende que as decisões proferidas em Mandado de Segurança impõem uma obrigação a ser cumprida, e de forma imediata, nos termos do § 3º do art. 14 da Lei nº 12.016/09, deveria, portanto, ter cumprido a determinação das sentenças, no sentido de aguardar o trânsito em julgado da decisões judiciais, para posteriormente, efetuar a compensação dos valores ali discutidos, em observância ao art. 170A do CTN. Ou seja, em termos práticos, deveria ter recolhido a totalidade das contribuições incidentes sobre a sua folha de pagamento (remunerações declaradas em GFIP), do período do lançamento (01/01/2012 a 31/12/2013), pois não havia créditos, líquidos e certos, para serem compensados. 5.24. A compensação é um direito do contribuinte, como decorre do próprio Código Tributário Nacional – CTN, ao prevêla, como causa de extinção anômala do crédito tributário (artigo 156, inciso II). Contudo, o próprio CTN, atribui à lei a função de regulamentar o exercício do direito de compensação, conforme expresso no art. 170 e parágrafo único. Mais ainda, após inovação legislativa levada a efeito pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, houve a regulação da específica hipótese da análise dos créditos estar sob o crivo do Poder Judiciário, dispondo o artigo 170A... Em face do exposto, improdecentes as alegações. 3) DA MULTA ISOLADA DE 150% REQUISITOS O Recorrente opõese também à incidência da multa isolada, de que trata o artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 e artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, alegando, em síntese, que não estaria caracterizada a sonegação ou a máfé. Nesse ponto, entendo corretas as alegações do contribuinte. Isso porque o erro quanto a matéria jurídica (natureza indenizatória ou não das verbas e prescrição dos créditos) não se confunde com a fraude elemento essencial do tipo penal. Nesse sentido, valiosa a decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Habeas Corpus nº 72.5848: CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA ICMS ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS CREDITAMENTO FRAUDE. A fraude pressupõe a vontade livre e consciente. Longe fica de configurála, tal como tipificada no inciso II do art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, o lançamento de crédito, considerada a diferença de alíquotas praticadas no Estado de destino e no de origem. Descabe confundir interpretação errônea de normas tributárias, passível de ocorrer quer por parte do contribuinte ou da Fazenda, com o ato penalmente glosado, em que se presume o consentimento viciado e objetivo de alcançar proveito sabidamente ilícito. Esclarecedor o seguinte trecho do voto do Ministro Relator Marco Aurélio> "conforme salientado pelo Juízo, ao proferir sentença absolutória, passouse ao fisco a informação de que o creditamento resultava da diferença de alíquota, isso mediante lançamento claro e preciso, nas respectivas guias. Como, então, falar em fraude? O que houve foi impropriedade da Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.147 11 interpretação conferida à legislação tributária, e issopode acontecer, sem configuração de crime, na vida de qualquer contribuinte e, também, no atuar da própria Fazenda, o que, aliás, é repetitivo. A "informação falsa" que justifica a imputação da penalidade qualificada de 150% está relacionada a ocultação de fato e não questionamento sobre o seu significado jurídico. Essa distinção fundamental fica mais clara com os exemplos fornecidos por HUGO DE BRITO MACHADO em sua obra "Estudos de Direito Penal Tributário". Vejamos: Primeiro exemplo: dizer que ocorreu ou não ocorreu, um acréscimo patrimonial, em determinada empresa, é uma questão de fato. Dizer que esse acréscimo patrimonial está, ou que não está, determinado de acordo com a legislação tributária é uma questão de direito, como é também uma questão de direito saber se o dito acréscimo patrimonial é, ou não é, tributável pelo imposto de renda. Segundo exemplo: dizer que determinado produto industrializado tem determinadas características materiais, ou que não as tem, é uma questão de fato. Dizer que o mesmo produto está classificado nesta ou naquela posição da Tabela de Incidências do IPI é uma questão de direito. (...) Muitos outros exemplos podem ser citados. Importante, porém, é perceber que, nas questões de fato, a divergência não se estabelece a respeito do significado jurídico dos fatos, mas sobre os próprios fatos, nos aspectos perceptíveis independentemente de conhecimento jurídico. Dessa forma, para que se pudesse falar em "informação falsa" seria necessário demonstrar, por exemplo, que o Recorrente alegou o recolhimento de salário maternidade quando não possuía qualquer empregada. Inteiramente distinto é entender que o valor recolhido à título de salário maternidade não integra o salário de contribuição e, por isso, foi um recolhimento indevido. Em face exposto, entendo correta a exclusão da redução da multa isolada em face da ausência de subsunção dos fatos contidos no processo àqueles previsto no dispositivo legal. 4) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS Conforme mencionado no relatório, a fiscalização atribuiu responsabilidade solidária à empresa Centro Clínico Gaucho e aos sócios Fernando Vico da Cunha, Francisco Antônio Santa Helena, Luiz Cláudio Leopoldo e César Franco de Lima. O motivo utilizado, tanto para a aplicação da responsabilidade solidária (art. 124, I do CTN), como da responsabilidade pessoal (art. 135, III do CTN), foi o mesmo, o fato de a empresa ter utilizado de informações falsas para realizar a compensação. Conforme exposto no item anterior, entendo que o equívoco quando a possibilidade jurídica das verbas indenizatórias serem tomadas como crédito antes mesmo do Fl. 1152DF CARF MF 12 trânsito em julgado das ações, não pode ser entendido como falsidade, uma vez que está se refere aos fatos. Para esclarecer a amplitude da expressão "interesse comum" constante do artigo 124 do CTN é importante atentarmos que, em matéria tributária, os sujeitos passivos da obrigação principal são de dois tipos: contribuinte e responsável. O inciso I do art. 124 do CTN trata da chamada solidariedade de fato entre as pessoas que tenham "interesse comum" na situação que constitua fato gerador. Todavia, a sujeição passiva por responsabilidade tributária, nos termos do artigo 128 do CTN, depende de disposição expressa de lei. A interpretação conjunta desses dispositivos ajuda a esclarecer o alcance da expressão "interesse comum" constante do artigo 124, I do CTN. Isso porque, se admitirmos que a expressão "interesse comum" equivale à "interesse econômico" "interesse de fato" esvaziaríamos de sentido tanto o inciso II do mencionado artigo, como da norma do artigo 128 do Código Tributário Nacional. Assim, ao mencionar "interesse comum" na situação que configura o fato gerador, o Código está dispondo que a obrigação que surge é uma só, originada por um só fato gerador, na qual existe mais de uma pessoa concorrendo no acontecimento do mesmo fato, por isso, todos assumem a condição de sujeitos passivos da obrigação, solidariamente. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não destoa desse entendimento, conforme se verifica pela decisão abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido (AgRg no AREsp 21073 / RS, ReL. in. Humberto Martins, DJ 26/10/2011) (grifamos) No que se refere à atribuição da responsabilidade pessoal (de terceiros), nos termos do art. 135, III do CTN, entendo que não restou comprovada a prática de atos dos atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Não se deve imputar responsabilidade pessoal sem a exata e necessária descrição dos atos pessoais praticados de forma dolosa, de modo que não pode servir de subsunção à hipótese o fato de haver elevado percentual de participação societária. Nesse sentido, já se manifestou, de forma pacífica, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1101728, submetido à sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, nestes termos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.148 13 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08 (grifamos) Em face do exposto, dou provimento aos Recursos Voluntários apresentados por entender que não restou caracterizada, no caso dos autos, as situações previstas nos artigo 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada de 150%, bem como a responsabilidade sólidária dos sócios. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Dissinto da relatora apenas no que tange à imputação da multa prevista no § 10º art. 89 da Lei de Custeio, a qual entendo por bem aplicada no particular. Notese que a compensação de contribuições previdenciárias regrada pelo art. 89 da Lei nº 8.212/91 submetese aos termos dispostos no art. 170 e no já mencionado art. 170 A do CTN, normas que disciplinam, de uma maneira geral, a compensação na esfera do direito tributário, forma de extinção do crédito tributário: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Fl. 1154DF CARF MF 14 autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Logo, cabe ao pretenso credor provar a existência de créditos líquidos e certos a serem compensados, como já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 98.899/SC, DJe de 29/10/1996: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Recurso provido. Decisão unânime. (grifei) Com efeito, se a incidência tributária que daria suporte aos créditos está sob litígio judicial, não restando assente por essa via a existência dos cogitados créditos contra a Fazenda Pública, não há falar em sua certeza ou liquidez, para fins de respaldar o encontro de contas com débitos tributários e sua consequente extinção. Oportuno frisar ainda, que, uma vez que o contribuinte optou por discutir a existência dos indigitados créditos na esfera judicial, no âmbito administrativo ficou obstado o exame desse tema, a teor da Súmula CARF nº 1, restando a exigência de observância dos termos das decisões exaradas naquela esfera, o que inclui a verificação da conformidade da atuação da contribuinte com tais decisões. E, na espécie, atentando o procedimento da referida Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.149 15 contra o determinado no comando sentencial, escorreita a glosa da compensação levada a efeito pela fiscalização. A controvérsia remanescente referese à aplicação da multa isolada no percentual de 150%, prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, verbis: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Partilho do entendimento de que a falsidade referida na norma supra transcrita, sob um prisma não só jurídico, mas também lógicosistemático, pressupõe a existência de uma conduta dolosa, pois, caso contrário, o simples descompasso entre a realidade tal como posta nos autos e as compensações realizadas por um dado interessado já seria suscetível de justificar a imputação da multa isolada no elevado percentual de 150%, o que não seria razoável. E, com vistas a sancionar tal conduta, o art. 89 já prevê, em seu § 9º supra transcrito, a multa de mora. A respeito do tema, aliás, tenho por bastante felizes as palavras do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, proferidas no julgamento, em 12/04/2016, do Acórdão nº 9202003.929 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Esclarecida a diferença entre o lançamento em geral e o caso da compensação de contribuições previdenciárias, passo a apresentar como interpreto sistematicamente os conceitos de:(a) fraude/sonegação/conluio, (b) falsidade e (c) mero erro. Por sonegação/fraude/conluio, entendo, em linha com o disposto nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, que é ação dolosa tendente a impedir o conhecimento do fato pela autoridade ou a alteração de suas características, com ou sem a participação de duas ou mais pessoas. Por falsidade, referida no art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, entendo a consciência do agente, de que a conduta praticada consiste em inserção de informação, na declaração de compensação, que não corresponda à verdade. Fl. 1156DF CARF MF 16 Por fim, por mero erro escusável, temos a inserção de informações equivocadas na declaração, sem que esteja comprovada a consciência do agente acerca do fato. Concluindo, no caso de erro não cabe a exigência da multa prevista no art.89 Lei nº 8212, de 1991. Já no casos de falsidade e de fraude/sonegação/conluio, cabe a multa. Porém não é necessária a comprovação de fraude/sonegação/conluio, basta a comprovação da falsidade. No caso em tela, temse que o relatório fiscal circunstanciou adequadamente os fatos, demonstrando ter sido realizada compensação com créditos que não detinham os necessários atributos de liquidez e certeza, dado estarem eles submetidos à apreciação do poder judicante, ainda sem a prolação de decisão definitiva a respeito da controvérsia. Além disso, a contribuinte, a despeito de mandamento judicial, proferido em março/20111, no sentido de que esse direito à compensação só poderia ser exercido respeitados os limites do referido art. 170A "As diferenças apuradas, corrigidas pela SELIC desde a retenção, poderão ser objeto de compensação, após o trânsito em julgado desta decisão, nos termos dos artigos 170 e 170A do CTN" realizou as compensações em comento nos anos de 2012 e 2013, em acintoso descumprimento de decisão judicial, o que demonstra de maneira inequívoca seu afã em ocultar do Fisco o conhecimento da não extinção das obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias em apreço. Mister destacar que a incidência das normas em evidência deve ser avaliada no contexto existente à época em que se realizaram as compensações, e não a posteriori, quando os créditos que as lastrearam podem eventualmente ser reconhecidos em sede judicial, ao final, como efetivamente existentes. Em outras palavras, nos anoscalendário 2012 e 2013 tais compensações foram realizadas com créditos incertos e em descumprimento de decisão judicial, sendo tal constatação mais do que suficiente para amparar a exigência da multa isolada guerreada relativamente àqueles fatos. Assim sendo, temse que o desrespeito aos termos da legislação de regência, particularmente o art. 170A do CTN, e a afronta à determinação judicial expressa no sentido de que o direito à compensação só poderia realizarse após o trânsito em julgado da decisão, constituemse em elementos robustos o suficiente para evidenciar a intencionalidade, ou seja, o dolo, inerente à conduta da recorrente de apresentar as declarações cuja falsidade ficou atestada. Escorreita, desse modo, a autuação com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para excluir a responsabilidade solidária dos sócios. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson 1 Ver consulta processual disponível do MS nº 501055363.2010.404.7100 no site www.trf4.jus.br. Fl. 1157DF CARF MF
score : 1.0
