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Numero do processo: 10835.001042/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2004
SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA.
Indefere-se pleito de inclusão no regime simplificado, com efeitos retroativos a 01/01/2004, uma vez comprovado que no ano calendário 2004 um sócio da pessoa jurídica também integrava o quadro societário de outra empresa, e que a receita global das duas empresas, no ano calendário anterior, ultrapassou o limite legal para opção pelo Simples.
Numero da decisão: 1401-000.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2004 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. Indefere-se pleito de inclusão no regime simplificado, com efeitos retroativos a 01/01/2004, uma vez comprovado que no ano calendário 2004 um sócio da pessoa jurídica também integrava o quadro societário de outra empresa, e que a receita global das duas empresas, no ano calendário anterior, ultrapassou o limite legal para opção pelo Simples.
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EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. Indeferese pleito de inclusão no regime simplificado, com efeitos retroativos a 01/01/2004, uma vez comprovado que no anocalendário 2004 um sócio da pessoa jurídica também integrava o quadro societário de outra empresa, e que a receita global das duas empresas, no anocalendário anterior, ultrapassou o limite legal para opção pelo Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o recurso voluntário (fls. 109110): A requerente é pessoa jurídica de direito privado, regularmente inscrita perante a Secretaria da Receita Federal, tendo como objeto social à atuação no ramo de padaria, confeitaria, bar e mercearia, nos exatos termos do contrato social que segue em anexo. No ano de 1998 foi enquadrada corno optante do SIMPLES — Sistema Integrado de Imposto e Contribuições das Microernpresas e das Empresas de Pequeno Porte. No entanto, fora a requerente excluída da sistemática do SIMPLES nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/PPE nº 566.854 de 02 de. agosto de 2004, sob o enfoque de que, sócio ou titular participava de outra empresa com mais de 10% no capital social e que a receita bruta global no anocalendário de 2001, ultrapassou o limite legal, estipulado no artigo 2°, inciso II, da Lei 9.317/96, incidindo na hipótese excludente prevista no artigo 9°, incisoIX, da referida Lei. Devidamente intimada do ato de exclusão, a requerente apresentou impugnação/manifestação de inconformidade, sobrevindo a Decisãoacórdão n° 1412.840 1ª Turma, da DRJ/RPO, sessão de 22 de maio de 2006, objeto do processo administrativo nº 10835.002733/200451, restando a seguinte ementa: Assunto: Sistema integrado de pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte —.SIMPLES. Anocalendário: 2001 Ementa: SIMPLES.EXCLUSAO. Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global no final do ano calendário ultrapassou o limite legal, correta a exclusão da contribuinte do Simples. Solicitação indeferida. A requerida tendo ciência da r. decisão transcrita acima, apresentous, aos 04.08.2006, :Recurso Ordinário Administrativo ao E. 3° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda no qual foi mantida a decisao. Desta forma, apresentou requerimento junto à Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente, para sua reinclusão no Sistema SIMPLES, com data de efeito retroativa, que gerou o. processo administrativo 10835.001042.200601. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10835.001042/200601 Acórdão n.º 140100.423 S1C4T1 Fl. 126 3 Houve o indeferimento em sede de decisão de primeira instância administrativa, em 25 de setembro de 2006, em despacho decisório do Sr. Delegado da Receita Federal,. !astreado no Parecer SACAT/DRF/PPR/379/2006, que opinou pelo indeferimento do pedido, com base na. Solução de Consulta Interna nº 21, de 22.07.2003. Foi manejado recurso à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto — SP, que em julgamento unânime deferiu EM PARTE seu pedido de reinclusão no SIMPLES, admitindo sua inclusão no SIMPLES .a partir de 01/01/2005, conforme cópia do Acordão e decisão em anexo. Intimada do referido Acórdão em 22/05/2009 (fls. 107), a contribunte apresentou em 19/06/2009 o Recurso Voluntário de fls. 108120, alegando que deve ser deferido o seu pedido de inclusão retroativa no Simples, a partir de 01/01/2004, posto que, no aludido anocalendário, a soma global das receitas das empresas em que o sócio participava com mais de 10% do capital social, não atingiu o limite estipulado no inciso II do artigo 2°, da Lei 9.317/96, com a redação dada pela Lei 9.732/98. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. A recorrente equivocase ao sustentar que teria direito à reinclusão no Simples, a partir do anocalendário de 2004, pelo fato de que no anocalendário de 2004, a soma global das receitas das empresas em que o sócio participava com mais de 10% do capital social, não atingiu o limite estipulado no inciso II do artigo 2°, da Lei 9.317/96, com a redação dada pela Lei 9.732/98. Na realidade, a verificação do limite da receita bruta deve ser feita em relação ao anocalendário anterior, nos termos do art. 9º da Lei n.º 9.317/96, verbis (grifado): Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: I – na condição de microempresa, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais). II – na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamento anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil). (...) IX – cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 O Acórdão recorrido foi bastante claro em relação a esta questão, fls. 105 (grifado): Além disso, conforme já referido, no ano de 2003 a soma das receitas brutas das duas empresas superou o limite para opção pelo SIMPLES, de modo que a adesão ao sistema não era possível a partir de 01/01/2004. Vale lembrar que em 2003 (e até 24/09/2004) o sócio José Roberto Xavier figurava no quadro societário de ambas as empresas. Os elementos constantes dos autos demonstram que a receita bruta da Recorrente foi de R$ 893.552,94 no anocalendário 2003 (fls. 19), enquanto que a receita bruta da empresa Claroxal Serviços Auxiliares de Transportes Aéreos Ltda. EPP foi de R$ 608.152,61 no mesmo anocalendário (fls. 20). Assim, a receita bruta global destas duas empresas, no anocalendário de 2003, foi de R$ 1.501.706,55, ultrapassando o limite previsto no inciso II do artigo 2°, da Lei 9.317/96. Tal fato impedia a Recorrente de optar pelo Simples no anocalendário de 2004. Diante da existência de fator impeditivo à opção pelo Simples no ano calendário de 2004, não há que se cogitar da aplicação do disposto no Ato Declaratório Interpretativo COSIT nº 16/2002. A mera intenção de aderir ao Simples não é suficiente para se deferir a inclusão retroativa: também seria necessário que a empresa atendesse aos requsitos objetivos para realizar esta opção. Nestes termos, considero inteiramente correta a decisão constante do Acórdão recorrido, que admitiu o ingresso da Recorrente nesta sistemática de apuração dos tributos, com efeitos retroativos somente a partir de 01/01/2005, com base no que dispõe o Ato Declaratório Interpretativo COSIT n° 16/2002. Diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 141DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100164/2008-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 64 /2 00 8- 63 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11065.100164/200863 Acórdão n.º 9303005.304 CSRFT3 Fl. 260 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3401002.775, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, que traz a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação do PIS,o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão no que tange à cessão onerosa de créditos do ICMS ao argumento de que se trata de operação que se equipara à verdadeira alienação de direitos a título oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo de PIS/Cofins, conforme dispõe o art. 1°, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11065.100164/200863 Acórdão n.º 9303005.304 CSRFT3 Fl. 261 3 termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11065.100164/200863 Acórdão n.º 9303005.304 CSRFT3 Fl. 262 4 O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11065.100164/200863 Acórdão n.º 9303005.304 CSRFT3 Fl. 263 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.003514/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.002208/2003-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
Somente será considerado nulo o lançamento, se presente quaisquer das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
DCTF. AUTO-LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO QUE QUESTIONA A BASE DE CÁLCULO DE TRIBUTO.
O simples fato de o contribuinte vir a declarar o crédito tributário em DCTF não obsta a fiscalização de revisar a base de cálculo que deu origem ao referido crédito e efetuar lançamento complementar por meio de auto de infração.
RECEITAS FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 70/1991. As receitas financeiras auferidas pelas empresas do ramo de prestação de serviços de cobrança de créditos, títulos e valores em geral; administração de cartões de crédito, de débitos, de compra, de viagens e quaisquer outros, próprios ou de terceiros, relativas a cobrança de juros, correção monetária, multa e encargos por atraso dos clientes, devem ser consideradas como faturamento, para fins de incidência das contribuições sociais, nos moldes vigentes à época da Lei Complementar 70/1991.
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO E SERVIÇOS DE COBRANÇA. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE-FIM. LEI COMPLEMENTAR 70/1991. As receitas auferidas pelas empresas administradoras de cartões de crédito e afim, bem como que efetuem serviços de cobrança de créditos, quando inerentes às atividades desempenhadas para atingimento do seu objeto social, devem ser consideradas como faturamento, para fins de incidência das contribuições sociais, nos moldes vigentes à época da Lei Complementar 70/1991.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-003.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter o lançamento em relação a "Remuneração de Garantia" e "Cobrança de Multa Contratual"; (b) por maioria de votos: (b1) para manter o lançamento relativo à receita decorrente de cobrança de juros, registrados na conta Remuneração, vencido o relator, e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) para afastar a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA -Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente quaisquer das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. DCTF. AUTO-LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO QUE QUESTIONA A BASE DE CÁLCULO DE TRIBUTO. O simples fato de o contribuinte vir a declarar o crédito tributário em DCTF não obsta a fiscalização de revisar a base de cálculo que deu origem ao referido crédito e efetuar lançamento complementar por meio de auto de infração. RECEITAS FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 70/1991. As receitas financeiras auferidas pelas empresas do ramo de prestação de serviços de cobrança de créditos, títulos e valores em geral; administração de cartões de crédito, de débitos, de compra, de viagens e quaisquer outros, próprios ou de terceiros, relativas a cobrança de juros, correção monetária, multa e encargos por atraso dos clientes, devem ser consideradas como faturamento, para fins de incidência das contribuições sociais, nos moldes vigentes à época da Lei Complementar 70/1991. ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO E SERVIÇOS DE COBRANÇA. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE-FIM. LEI COMPLEMENTAR 70/1991. As receitas auferidas pelas empresas administradoras de cartões de crédito e afim, bem como que efetuem serviços de cobrança de créditos, quando inerentes às atividades desempenhadas para atingimento do seu objeto social, devem ser consideradas como faturamento, para fins de incidência das contribuições sociais, nos moldes vigentes à época da Lei Complementar 70/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter o lançamento em relação a "Remuneração de Garantia" e "Cobrança de Multa Contratual"; (b) por maioria de votos: (b1) para manter o lançamento relativo à receita decorrente de cobrança de juros, registrados na conta Remuneração, vencido o relator, e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) para afastar a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida. ROSALDO TREVISAN - Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA -Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente quaisquer das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. DCTF. AUTOLANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO QUE QUESTIONA A BASE DE CÁLCULO DE TRIBUTO. O simples fato de o contribuinte vir a declarar o crédito tributário em DCTF não obsta a fiscalização de revisar a base de cálculo que deu origem ao referido crédito e efetuar lançamento complementar por meio de auto de infração. RECEITAS FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 70/1991. As receitas financeiras auferidas pelas empresas do ramo de prestação de serviços de cobrança de créditos, títulos e valores em geral; administração de cartões de crédito, de débitos, de compra, de viagens e quaisquer outros, próprios ou de terceiros, relativas a cobrança de juros, correção monetária, multa e encargos por atraso dos clientes, devem ser consideradas como faturamento, para fins de incidência das contribuições sociais, nos moldes vigentes à época da Lei Complementar 70/1991. ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO E SERVIÇOS DE COBRANÇA. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADEFIM. LEI COMPLEMENTAR 70/1991. As receitas auferidas pelas empresas administradoras de cartões de crédito e afim, bem como que efetuem serviços de cobrança de créditos, quando inerentes às atividades desempenhadas para atingimento do seu objeto social, devem ser consideradas como faturamento, para fins de incidência das contribuições sociais, nos moldes vigentes à época da Lei Complementar 70/1991. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 08 /2 00 3- 42 Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.681 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter o lançamento em relação a "Remuneração de Garantia" e "Cobrança de Multa Contratual"; (b) por maioria de votos: (b1) para manter o lançamento relativo à receita decorrente de cobrança de juros, registrados na conta “Remuneração”, vencido o relator, e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) para afastar a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls 2564 e seguintes) contra acórdãos 16 65.451 e 16.58.317, proferidos pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal, em São Paulo/SPO, a fim de que seja parcialmente reformada a decisão recorrida, relativos à contribuição para o PIS e a COFINS relativos aos períodos de 01/01/1997 a 31/10/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002. Do Lançamento Inicialmente, os procedimentos para o lançamento referente aos créditos do PIS e da COFINS eram tratados de forma apartada, em processos administrativos distintos. Após, seguindo as diretrizes da Portaria SRF 6.129/2005, o procedimento administrativo relativo ao PIS foi apensado ao da COFINS. Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls.115 e seguintes), de R$ 1.057.470,60 (um milhão, cinquenta e sete mil, quatrocentos e setenta reais e sessenta centavos) mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$ 2.781.950,94 (dois milhões, setecentos e um mil, novecentos e cinquenta reais e noventa e quatro centavos), referentes à contribuição da COFINS nos seguintes períodos de apuração: Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.682 3 · Janeiro de 1997 a Outubro de 2000; · Dezembro de 2000 · Setembro de 2002 · Dezembro de 2002 Em 24.06.2003, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 351 e seguintes), de R$307.887,50 (trezentos e sete mil, oitocentos e oitenta e sete reais, cinquenta centavos), mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$ 821.145,34 (oitocentos e vinte e um mil, cento e quarenta e cinco reais e trinta e quatro centavos), referentes à contribuição ao PIS, nos seguintes períodos de apuração: · Janeiro de 1997 a Outubro de 2000; · Dezembro de 2000 · Dezembro de 2002 Em ambos os lançamentos, a fiscalização veio a inserir novas rubricas na base de cálculo das contribuições, considerandoas como parte do faturamento da Recorrente. “(...) A empresa em epígrafe teve sua data de abertura em 26/08/1966, cujo objetivo, disposto no art. 2°, de seu Estatuto Social, alterado em 07/04/1993, assim dispõe: "A Companhia tem por objetivo: a) a prestação de serviços administrativos em geral, inclusive de organização, racionalização, controle e planejamento, mediante execução direta ou como assessoria; b) prestação de serviços de cobrança de créditos, títulos e valores em geral; c) administração de cartões de crédito, de débitos, de compra, de viagens e quaisquer outros, próprios ou de terceiros, podendo utilizar nesses serviços o concurso de outras empresas, mediante adequada forma de contratação; d) serviços de informática em geral e quaisquer atividades relacionadas a informática, inclusive análise, consultoria, planejamento, execução, processamento, desenvolvimento de projetos e sistemas, elaboração e fornecimento de programas de computação, intercâmbio eletrônico de dados, interligação de sistemas e quaisquer outros serviços e atividades dessa área; e) conservação e manutenção de equipamentos e bens; f) locação de mãodeobra especializada de caráter permanente" (grifo nosso). A empresa é tributada pelo Lucro Real. 2. COFINS — FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL p/ FINANCIAMENTO da SEGURIDADE SOCIAL Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.683 4 (I) — O exame dos livros e documentos fiscais, fornecidos pelo contribuinte em epígrafe, dentro dos procedimentos relativos as "Verificações Obrigatórias", revelou a existência de receitas decorrentes de prestação de serviços de processamento de dados (CPD), da prestação de serviços aos clientes do cartão de credito FINASA, receitas decorrentes de intermediação de venda/colocação de produtos e serviços, das empresas "parceiras/associadas", aos "seus" clientes do cartão de crédito FINASA e, outras receitas decorrentes de aplicações financeiras junto a instituições financeiras de mercado (CDB, etc.), ganhos de capital pela alienação de bens e direitos, etc. Verificamos que, no período examinado, compreendendo jan/1997 a mar/03, divergências entre os valores constitutivos da base de cálculo da COFINS, informados a DIRPJ/DIP3 e DCTF, e aqueles escriturados nos livros comerciais/fiscais, a saber: [a] Período: Jan/1997 a Jan/1999: (...) Verificamos que o contribuinte deixou de adicionar a base de cálculo da COFINS, as receitas decorrentes da prestação de serviços aos usuários do cartão de crédito FINASA e, aquelas decorrentes da intermediação de venda/colocação de produtos e serviços, das empresas "parceiras/associadas", aos "seus" clientes do cartão de crédito FINASA, especificamente, aquelas grafadas no grupo de contas contábeis de no 7.2.1 (exclusive 7.2.1.10 Resultado de Equival. Em Coligadas) e, na conta contábil 7.2.2.21.00.0002 Receita de Multa Contratual. (...) Do exame dos documentos apresentados pelo contribuinte, incluindo 1 planilha contendo detalhamento/esclarecimentos sobre a natureza/espécie de receita registrada em cada conta contábil e o "contrato de emissão, utilização e administração de Cartão de Crédito Finasa Visa" (fls. 26 a 31 e 34. a 56), verificamos serem as receitas escrituradas as contas contábeis dos grupos 7.2.1 e 7.2.2, mencionadas acima, decorrentes da prestação de serviços aos usuários do cartão de crédito FINASA. (...) De acordo com o disposto no contrato, em especial, o da cláusula décima primeira, em seu parágrafo segundo "A FINASA intervirá nos contratos de financiamento como fiadora, avalista e principal pagadora das obrigações do TITULAR e cobrará, de acordo como os parâmetros vigentes no mercado, remuneração pela garantia prestada. O custo do financiamento e demais encargos da divida cobrados pelas instituições financeiras, além da remuneração pela prestação da garantia, será informado ao TITULAR, englobadamente, através da FATURA mensal" Como exposto, há que se reparar a não inclusão das receitas decorrentes da prestação de serviço de garantia, ao TITULAR do cartão (que, ressaltase, suporta também o custo do financiamento da divida, contratado junto a instituições financeiras, no mercado), pelo contribuinte objeto da ação fiscal, pessoa jurídica Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.684 5 cujas atividades são as de prestação de serviços, ã base de cálculo da contribuição em foco. Ainda, há que se incluir as demais receitas, escrituradas às demais contas mencionadas, igualmente vinculadas/derivadas diretamente da prestação de serviço ao TITULAR do cartão de crédito FINASA (em geral, comissões pela intermediação de venda/colocação de produtos/serviços de empresas associadas/coligadas). (...)” Nesse sentido, no Termo de Verificação e Constatação (fls. 100105), relativo à contribuição da COFINS, a autoridade fiscal autuante informa que: “(...) A empresa em epígrafe teve sua data de abertura em 26/08/1966, cujo objetivo, disposto no art. 2°, de seu Estatuto Social, alterado em 07/04/1993, assim dispõe: "A Companhia tem por objetivo: a) a prestação de serviços administrativos em geral, inclusive de organização, racionalização, controle e planejamento, mediante execução direta ou como assessoria; b) prestação de serviços de cobrança de créditos, títulos e valores em geral; c) administração de cartões de crédito, de débitos, de compra, de viagens e quaisquer outros, próprios ou de terceiros, podendo utilizar nesses serviços o concurso de outras empresas, mediante adequada forma de contratação; d) serviços de informática em geral e quaisquer atividades relacionadas a informática, inclusive análise, consultoria, planejamento, execução, processamento, desenvolvimento de projetos e sistemas, elaboração e fornecimento de programas de computação, intercâmbio eletrônico de dados, interligação de sistemas e quaisquer outros serviços e atividades dessa área; e) conservação e manutenção de equipamentos e bens; f) locação de mãodeobra especializada de caráter permanente" (grifo nosso). A empresa é tributada pelo Lucro Real. 2. COFINS — FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL p/ FINANCIAMENTO da SEGURIDADE SOCIAL (I) — O exame dos livros e documentos fiscais, fornecidos pelo contribuinte em epígrafe, dentro dos procedimentos relativos as "Verificações Obrigatórias", revelou a existência de receitas decorrentes de prestação de serviços de processamento de dados (CPD), da prestação de serviços aos clientes do cartão de credito FINASA, receitas decorrentes de intermediação de venda/colocação de produtos e serviços, das empresas "parceiras/associadas", aos "seus" clientes do cartão de crédito FINASA e, outras receitas decorrentes de aplicações financeiras junto a instituições financeiras de mercado (CDB, etc.), ganhos de capital pela alienação de bens e direitos, etc. Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.685 6 Verificamos que, no período examinado, compreendendo jan/1997 a mar/03, divergências entre os valores constitutivos da base de cálculo da COFINS, informados a DIRPJ/DIP3 e DCTF, e aqueles escriturados nos livros comerciais/fiscais, a saber: [a] Período: Jan/1997 a Jan/1999: (...) Verificamos que o contribuinte deixou de adicionar a base de cálculo da COFINS, as receitas decorrentes da prestação de serviços aos usuários do cartão de crédito FINASA e, aquelas decorrentes da intermediação de venda/colocação de produtos e serviços, das empresas "parceiras/associadas", aos "seus" clientes do cartão de crédito FINASA, especificamente, aquelas grafadas no grupo de contas contábeis de no 7.2.1 (exclusive 7.2.1.10 Resultado de Equival. Em Coligadas) e, na conta contábil 7.2.2.21.00.0002 Receita de Multa Contratual. (...) Do exame dos documentos apresentados pelo contribuinte, incluindo 1 planilha contendo detalhamento/esclarecimentos sobre a natureza/espécie de receita registrada em cada conta contábil e o "contrato de emissão, utilização e administração de Cartão de Crédito Finasa Visa" (fls. 26 a 31 e 34. a 56), verificamos serem as receitas escrituradas as contas contábeis dos grupos 7.2.1 e 7.2.2, mencionadas acima, decorrentes da prestação de serviços aos usuários do cartão de crédito FINASA. (...) De acordo com o disposto no contrato, em especial, o da cláusula décima primeira, em seu parágrafo segundo "A FINASA intervirá nos contratos de financiamento como fiadora, avalista e principal pagadora das obrigações do TITULAR e cobrará, de acordo como os parâmetros vigentes no mercado, remuneração pela garantia prestada. O custo do financiamento e demais encargos da divida cobrados pelas instituições financeiras, além da remuneração pela prestação da garantia, será informado ao TITULAR, englobadamente, através da FATURA mensal" Como exposto, há que se reparar a não inclusão das receitas decorrentes da prestação de serviço de garantia, ao TITULAR do cartão (que, ressaltase, suporta também o custo do financiamento da divida, contratado junto a instituições financeiras, no mercado), pelo contribuinte objeto da ação fiscal, pessoa jurídica cujas atividades são as de prestação de serviços, ã base de cálculo da contribuição em foco. Ainda, há que se incluir as demais receitas, escrituradas às demais contas mencionadas, igualmente vinculadas/derivadas diretamente da prestação de serviço ao TITULAR do cartão de crédito FINASA (em geral, comissões pela intermediação de venda/colocação de produtos/serviços de empresas associadas/coligadas). (...)” No Termo de Verificação e Constatação (fls. 335341), referente à contribuição do PIS, houve idêntica demonstração, pela autoridade fiscal, quanto à suposta não inclusão de determinadas receitas na base da contribuição social, de modo que entendo ser desnecessária sua transcrição dada sua redundância. Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.686 7 Da Impugnação Inconformada com a lavratura dos autos, a Recorrente apresentou Impugnação em face do Auto de Infração com a exigência da Contribuição para o PIS (fls 357 e seguintes), e da COFINS (fls 121 e seguintes), ambas em 24.07.2003. Sumarizo, abaixo, os argumentos da Impugnação. Quanto às preliminares: · Nulidade devido ao cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), uma vez que a Contribuinte não teria tido acesso aos autos, ainda que por diversas vezes tenha adotado providências nesse sentido, em virtude da greve dos servidores da, à época, denominada Secretaria da Receita Federal (SRF); · Ocorrência de Decadência: – a COFINS e o PIS são tributos sujeitos a lançamento por homologação. Em virtude disso, aplicase o disposto no art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional (CTN) para fins de contagem do prazo decadencial. Então, em relação aos fatos geradores ocorridos no anobase de 1997 e nos meses de janeiro a maio de 1998, operouse a decadência: “Estando o tributo em tela sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição de eventual crédito pelo Fisco deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 40, do CTN, ou seja, em não concordando a autoridade fiscal com o procedimento efetuado pelo contribuinte, poderá proceder ao lançamento de oficio do valor que entender devido, no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato jurídico tributável.(...) Ressaltese que, em não ocorrendo no prazo de cinco anos o lançamento de oficio pelo Fisco, relativamente ao montante supostamente devido e não recolhido pelo contribuinte, homologado estará o lançamento e extinta a obrigação tributária. (...) (fl 129) No mérito: 1. Com relação ao período de janeiro de 1997 a janeiro de 1999 Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.687 8 A Recorrente afirmou que a exigência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das contas contábeis nº 7.2.1.26.00.00156 (Remuneração), 7.2.1.26.00.00237 (Remuneração de Garantia) e 7.2.2.21.00.09905 (Multa Contratual), restaria ilegal em função de que tais receitas não correspondem ao conceito de faturamento a que alude o artigo 2º, da Lei Complementar 70/91. A legislação vigente à época dos fatos ora analisados — Lei Complementar n° 70/91 — dispunha: "Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. As receitas das contas contábeis 7.2.1.26.00.00156 (Remuneração), 7.2.1.26.00.00237 (Remuneração de Garantia) e 7.2.2.21.00.09905 (Multa Contratual), seriam receitas financeiras, não sendo tributáveis até o advento da Lei Federal nº 9.718/1998. Assim, a Impugnante quando cobra, do titular do cartão, encargos, não estaria cobrando serviço, mas meramente repassando a ele os encargos incorridos com o financiamento de seu débito. Alude, ainda, a Recorrente que as receitas auferidas com o aluguel de bens próprios (conta 7.2.2.10.00.00202) são meras receitas patrimoniais, não compondo a base de cálculo das contribuições mencionadas. Por outro lado, restou incontroverso parte do lançamento efetuado, uma vez que a Recorrente, com relação aos créditos tributários lançados sobre as seguintes receitas, efetuou o recolhimento do tributo ainda no prazo da apresentação da impugnação (DARF fls. 213/216 e 454/457): (a) Comissão embutida (7.2.1.27.00.00191), (b) Comissão de reembolsos (7.2.1.27.00.00272), (c) Comissão p/ trans.vis (7.2.1.29.00.00353), Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.688 9 (d) Proteção ao cartão (7.2.1.28.00.09930), (e) Ganho com compra (7.2.1.29.00.09979), (f) Charge back pedido de cópia (7.2.1.33.00.09980), (g) Seg assist veículo (7.2.1.34.00.09915) e (h) Ganho com compra 97.2.1.29.00.09979. 2. Período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2002 A Recorrente afirmara que, nas planilhas fornecidas à autoridade fiscal, não foi considerado os cancelamentos ou reduções de cobranças das anuidades (estornos), procedidos em razão de reclamações dos clientes, motivo pelo qual foi apurada diferença em relação ao valor confessado em DCTF. E por isso, solicitara a realização de perícia, nos termos do inciso IV, do art. 16 do PAF, na redação da Lei no. 8.748/993, para a verificação dos referidos estornos e reduções; Por fim, afirma pela ilegalidade da cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Além disso, alega que os índices da Taxa Selic utilizados pelo auditorfiscal contêm erros, conforme tabela transcrita abaixo: Da Decisão de 1ª Instância Em que se pese de, em 24.02.2006, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BSA ter julgado procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão nº 16.629 (fls. 480488), a referida decisão fora anulada, por ocasião do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 539572), em decorrência da alegação de incompetência daquela turma revisora do lançamento. Isso decorreu do Acórdão nº 3402002.128 (fls. 724732), proferido pela 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da Terceira Seção do CARF, que deu parcial provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do relator, abaixo destacado: Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.689 10 Ocorre que, à época do julgamento, em 24/02/2006, a Portaria SRF 1515 de 23/08/2003 já não vigorava e sim, a Portaria SRF nº 6.174 de 07/12/2005 a qual havia alterado novamente a competência para julgamento dos processos administrativos fiscais, onde resta claro que o julgamento desses autos não era de competência da DRJ/BSA. Assim sendo, assiste razão a Recorrente ao alegar a incompetência da DRJ/BSA para julgar os autos. Assim, os autos do processo administrativo retornaram para novo julgamento pelo órgão competente, a 9ª Turma da Delegacia da RFB de São Paulo, que proferiu acordão 1658.317 (fls 2423 e seguintes), em 28.05.2014, julgando parcialmente procedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente quaisquer das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. BASE DE CÁLCULO. ENCARGOS REPASSADOS. TRIBUTÁVEL. Os encargos repassados aos titulares dos cartões estão previstos contratualmente, sendo decorrência natural da atividade do contribuinte. Apenas se fossem receitas resultantes de operações atípicas, ou seja, estranhas ao objetivo estipulado no Estatuto Social da empresa poderseia entender como não sujeitas à tributação. BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE ALUGUEL. EXCLUSÃO. Indevida a sua inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS, uma vez que a locação de imóveis não faz parte da atividade principal do contribuinte. PERÍCIA CONTÁBIL. A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.690 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/12/2002 a 31/12/2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente quaisquer das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. BASE DE CÁLCULO. ENCARGOS REPASSADOS. TRIBUTÁVEL. Os encargos repassados aos titulares dos cartões estão previstos contratualmente, sendo decorrência natural da atividade do contribuinte. Apenas se fossem receitas resultantes de operações atípicas, ou seja, estranhas ao objetivo estipulado no Estatuto Social da empresa poderseia entender como não sujeitas à tributação. BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE ALUGUEL. EXCLUSÃO. Indevida a sua inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS, uma vez que a locação de imóveis não faz parte da atividade principal do contribuinte. PERÍCIA CONTÁBIL. A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Desta decisão destacamos os seguintes excertos: “33. Como o efeito vinculante surge para a Administração a partir da data de publicação, concluise que até a Súmula nº 8 ser revisada ou cancelada na forma legal, não se pode aplicar o prazo decenal do art. 45 (decadência) da Lei nº 8.212/91 à constituição e exigência de crédito tributário, incluídos os casos pendentes de julgamento administrativo. 34. Nesse sentido, é interessante transcrever a parte final do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes: “Ante o exposto, voto pelo desprovimento do recurso extraordinário, declarando a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5º do DL nº 1.569/1977 e dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, com modulação para atribuir Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.691 12 eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa.” (...) 38. Assim, tendo em vista que houve antecipação de pagamento, aplicase a regra do §4º do art. 150 do CTN (cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador). Como os lançamentos ocorreram em 24.06.2003 (fls. 115 e 351), constatase a ocorrência da decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário relativo ao PIS e COFINS dos fatos geradores de 01.97 a 05.98. Períodos de Apuração até janeiro de 1999 43. Retornando ao caso concreto, no que se refere às receitas de remuneração (conta 7.2.1.26.00.00156), de remuneração de garantia (conta 7.2.1.26.00.00237) e de cobrança de multa contratual (conta 7.2.2.21.00.09905), segundo as informações prestadas pelo contribuinte às fls. 30/31, elas correspondem, respectivamente, a: i) juros cobrados do titular do cartão, em virtude de saldo devedor; ii) ocorre quando o titular é devedor e faz um acordo, sendo o valor renegociado superior ao débito. A diferença é lançada como receita de remuneração de garantia; iii) valor cobrado do titular do cartão quando o mesmo atrasa seu pagamento. Tratase de multa pela não pontualidade. 44. Tais receitas estão diretamente vinculadas à atividade da empresa de prestação de serviços de administração de cartões de crédito, compondo, portanto, sua receita bruta operacional. Assim, considerando que o faturamento corresponde a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica, entendo que as referidas receitas compõem as bases de cálculos do PIS e COFINS. 46. Já quanto às receitas de aluguel (conta 7.2.2.10.00.00202), auferidas em janeiro de 1999 conforme planilhas às fls. 67 e 302, considero ser indevida a sua inclusão na base de cálculo do PIS e COFINS, pois não compõem a receita bruta operacional da empresa. A locação de imóveis não faz parte da atividade principal do contribuinte, conforme objetivos estabelecidos no Estatuto Social (fl. 381). Períodos de Apuração de Fevereiro de 1999 a Dezembro de 2002 49. Analisando os quesitos formulados, verificase que bastaria ao contribuinte apresentar a documentação que atesta os erros na apuração da base de cálculo do PIS e COFINS, isto é, a escrituração contábil que é o suporte hábil a comprovar a composição da base de cálculo, de forma a caracterizar um início de prova favorável que revelasse a necessidade de realização de perícia. O contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento que indique a possibilidade de terem ocorrido tais estornos. (...) Da Taxa SELIC Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.692 13 59. Portanto, a única exigência para a fixação de juros de mora distintos do percentual de um (1) por cento ao mês é a expressa previsão legal , requisito preenchido pela Lei nº 9.430/96, artigo 61, § 3º. 60. O legislador, ao redigir o artigo 161 do CTN, não determinou outros requisitos para a fixação dos juros moratórios.” Em que pese a regular interposição do Recurso Voluntário em face do Acordão 1658.317, os autos foram remetidos à Delegacia da Receita Federal, em São Paulo e, em 05.02.2015, sobreveio novo acordão (Acordão 1665.451), proferido pela mesma Turma Julgadora, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento/SPO, com ciência pela Contribuinte em 12.05.2015, para retificar os montantes em litígio relativos ao mês de janeiro de 1999 e ratificar o entendimento manifestado no restante do Acordão nº 1658.317, abrindose novo prazo para interposição de Recurso Voluntário. O referido acórdão 1665.451 restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. INEXATIDÕES MATERIAIS. Para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão é proferido novo acórdão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 2564 e seguintes), em 02.04.2015, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e, ainda, os seguintes: A Recorrente, preliminarmente, reafirma: (a) Cerceamento de Defesa – Nulidade do Lançamento – Ausência de Intimação para prestar Esclarecimentos: Alega a Recorrente que os autos de infração de PIS e COFINS estão cercados de vícios materiais que descaracterizam o lançamento realizado, com violação do artigo 7º, da Lei 10.426/02. Ocorrera cerceamento de defesa, uma vez que não foi realizada a prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos sobre incorreções apuradas em auditoria de DCTF, acarretando a nulidade absoluta dos lançamentos, conforme art. 59, do Decreto Federal 70.235/1972. Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.693 14 A Fiscalização, ainda, exigiu multa de 75%, conforme artigo 44, da Lei 9.430/96, ao contrário da multa de 20%, prevista na Lei 10.426/02, imposta aos contribuintes que não prestam esclarecimenros sobre as divergências apontadas em auditoria de DCTF. Portanto, a ausência de intimação previamente à lavratura do auto de infração modificou totalmete o fato jurídico tributário objeto de lançamento no presente processo administrativo, sendo o ato nulo e não anulável. Requer a anulação da decisão da Turma Julgadora, com o consequente cancelamento dos autos de infração lavrados, por padecerem de vícios insanáveis em suas composições. (b) Inadequação do meio utilizado – Nulidade do lançamento de ofício – Débitos Declarados em DCTF A revisão de ofício de lançamento não poderia subsistir, uma vez que os valores supostamente devidos a título de PIS e COFINS encontravamse lançados em DCTF. Assim, como se já se considera constituido o crédito tributário, no caso da entrega tempestiva da DCTF, não haveria motivos para novo lançamento, razão pela qual deveriam ser cancelados os autos de infração. (c) Quanto ao mérito referente à inclusão na base de cálculo das receitas referente às contas relativas às rubricas “Remuneração”, “Remuneração de garantia” e “Cobrança da Multa Contratual”, relativos ao período de 1997 a 1999. A Recorrente sustenta que não realiza atividade de intermediação financeira, mas sim de administração de cartões de crédito e débito, eis que na hipótese de inadimplemento do cliente, contrata, em seu nome, uma abertura de crédito para solver as despesas por ele incorridas. Ao contrário, a Recorrente afirma que tais divisas foram registradas como receita financeira, conforme dispõe artigo 17, do Decreto Lei 1.598/77, artigo 76, parágrafo 2º da Lei 8.981/91, refletidos no artigo 373 do RIR, e que por isso, tais valores não estão sujeitos à tributação pelo PIS e COFINS. (d) Diferenças entre os valores declarados em DCTF e recolhidos – fevereiro de 1999 a dezembro de 2002 e do indeferimento da Perícia como ato de cerceamento de defesa A Recorrente protesta com relação à manutenção da parcela do lançamento relativa à desconsideração no momento de apuração da base de cálculo dos cancelamentos ou reduções de cobranças das anuidades (estornos), procedidos em razão de reclamações dos clientes, que não representaram acréscimo patrimonial para a Recorrente. Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.694 15 Ademais, mesmo se tratando de períodos de apuração posteriores à edição da lei 9.718/99, a cobrança do PIS e da COFINS sobre tais montantes deve ser afastada. Isto porque, conforme já mencionado, o STF reconheceu a inconstitucionalidade da alteração legislativa promovida pela lei 9.718/98, de tal modo que, no entendimento da corte suprema, o PIS e a COFINS devem incidir apenas sobre o faturamento, assim entendido como o resultado das prestações de serviços, da venda de mercadoria ou da conjugação de ambos, conforme conceitua a lei complementar no 70/91 (REs nos 346.0846, 357.950, 390.840 e 358.273). Evidenciase que, os estornos aqui tributados não poderiam ter sido incluídos na base de cálculo de referidas contribuições, tendo em vista que não decorrem da prestação de serviços, nem da venda de mercadorias, tampouco da conjugação de ambos, conforme já decidido pelo STF. Nos termos do artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72, a Recorrente requereu perícia para esclarecer os pontos abaixo relacionados. No período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2002 ocorreram estornos de receitas por cancelamento ou redução de anuidades? Quais montantes mensais de estornos no período? Pede se ao Sr. Perito refazer os cálculos do crédito tributário do auto (se houver) em razão dos resultados do trabalho realizado. A perícia é livre para a apresentação de quaisquer informações esclarecedoras adicionais, protestandose pela formulação de quesitos suplementares, se necessários. Contudo, tal pedido foi indeferido pela Turma Julgadora que entendeu “que bastaria ao contribuinte apresentar a documentação que atesta os erros na apuração da base de cálculo do PIS e COFINS (...). O contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento que indique a possibilidade de terem ocorrido tais estornos”. Ao agir desta forma a Turma Julgadora valeuse de uma mera presunção de não apresentação da documentação para indeferir o pedido e manterá a autuação fiscal, o que importaria em cerceamento de defesa, como já decidiu o CARF nesse sentido. Diante dessa afirmativa, a Recorrente insiste na necessidade de perícia para averiguar se os saldos decorrentes de estornos e cancelamentos foram incluídos ou não na base de cálculo arbitrada pelo auditorfiscal e que, ao fim, caso confirmada essa hipótese, tal parcela seja suprimida do lançamento. (e) Da Ilegalidade da Cobrança de Juros SELIC sobre a Multa Por fim, a Recorrente argumenta que não há previsão legal para cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC sobre multa de ofício, mas tão somente quanto aos tributos, de forma que Requer sejam expressamente cancelados os juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração. Apresenta decisões do CARF que validam seus argumentos. É o relatório. Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.695 16 Voto Vencido Conselheiro Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que conheço da peça processual. Das Preliminares Quanto à preliminar de nulidade, entendo não assistir razão à Recorrente. Pela análise dos autos, o lançamento de ofício foi decorrência de um processo ordinário de auditoria fiscal que se iniciou mediante intimação da Recorrente do MPF que, à época buscava revisar, sem limitação temática, os procedimentos adotados pelo contribuinte com relação às contribuições sociais do ano de 1997 (fls. 4), sendo estendido o período fiscalizado ao longo do procedimento. A partir desse MPF, foram solicitados documentos e esclarecimentos à Recorrente, que, de fato, entregou as informações solicitadas, de forma que sim, houve oportunidades suficientes para que o contribuinte pudesse elucidar pontos que considerasse importantes durante o processo de auditoria. Se não o fez adequadamente, tal falha não se deve à conduta do auditorfiscal. Dito isso, havendo intimação regular durante o MPF, não vejo hipótese de nulidade a prosperar. Em minha visão, somente há “direito de defesa” quando um contencioso efetivamente é instaurado, o que não ocorre enquanto não houver o lançamento de ofício. Não estando presentes os elementos ensejadores de nulidade previstos no artigo 59, do Decreto Federal 70.235/1972, não acolho a preliminar suscitada. Do Mérito Entendo que o cerne do presente Recurso se divide nas seguintes partes: (a) Nulidade do lançamento de ofício por ser meio inadequado de lançamento (b) Inclusão de receitas supostamente atípicas na base de cálculo das contribuições (“Remuneração”, “Remuneração de garantia” e “Cobrança da Multa Contratual”) (c) Solicitação de perícia (d) SELIC sobre multa de ofício Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.696 17 Passo a minhas considerações item a item. (a) Quanto à forma de lançamento do débito A Recorrente afirma que o fato de haver declarado os tributos em DCTF obstaria a fiscalização de efetuar lançamento de ofício, uma vez que já teria havido o auto lançamento pelo próprio contribuinte. Porém, conforme verificado na preliminar, o objetivo do lançamento ora impugnado fora o de reconstituir a base de cálculo das contribuições sociais, de maneira que o crédito tributário nascido da auditoria fiscal não se confunde com aquele já lançado pelo contribuinte na entrega da declaração. Não há, pois, nulidade do ato de lançamento. Do contrário, qualquer débito lançado em DCTF obstaria a autoridade fazendária de cumprir sua função primordial que é a verificação do integral cumprimento das leis tributárias pelos contribuintes. (b) Quanto à incidência de PIS e COFINS sobre receitas de “Remuneração”, “Remuneração de garantia” e “Cobrança da Multa Contratual” até janeiro de 1999 A Recorrente aduz que tais rubricas seriam receitas financeiras e, como tal, não estariam sujeitas à incidência das contribuições até a entrada em vigor da Lei Federal 9.718/1998. Isso porque, antes dessa lei, vigoravam a Lei Complementar 70/1991 (COFINS) e Lei Complementar 7/70 (PIS): "Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfim das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. “Art. 1.º É instituído, na forma prevista nesta Lei, o Programa de Integração Social, destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas. (...) Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.697 18 Art. 2º O Programa de que trata o artigo anterior será executado mediante Fundo de Participação, constituído por depósitos efetuados pelas empresas na Caixa Econômica Federal. (...) Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: a) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda devido, na forma estabelecida no § 1º deste artigo, processandose o seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda; b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: (...)” Quando da promulgação da Constituição Federal de 1988 (CF/88), a Lei Complementar 7/70 foi recepcionada (assim como o Decretolei 1.940/82, que criara o FINSOCIAL, posteriormente sucedido pela COFINS), em atendimento ao artigo 195, I, alínea, “c”, da Magna Carta e ainda o artigo 56, do ADCT, sempre mantendo como base de cálculo da contribuição o “faturamento”, assim entendido como as receitas decorrentes da atividadefim do contribuinte. Somente com a Lei Federal 9.718/1998 houve a integração das contribuições em análise, bem como sua incidência sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras1. Diante disso, a Recorrente, busca demonstrar que todas as receitas em epígrafe estariam enquadradas no conceito de “receita financeira” do artigo 373, do Regulamento do Imposto de Renda, e não seria receita bruta operacional. Por outro lado, vejam que o próprio contribuinte assim definiu do que consistiam as aludidas receitas: Conta Contábil Nome da Conta Descrição da Conta 7.2.1.26.00.00156 Remuneração Juros cobrados do titular do cartão, em virtude de saldo devedor 7.2.1.26.00.00237 Remuneração de Garantia Ocorre quando o titular é devedor e faz um acordo, sendo o valor renegociado superior ao débito. A diferença é lançada como receita de remuneração de garantia 7.2.2.21.00.09905 Cobrança de Multa Contratual Valor cobrado do titular do cartão quando o mesmo atrasa seu pagamento. Tratase de multa pela não pontualidade. 1 Apenas para esclarecimento, vale lembrar que, naquele momento, as instituições financeiras não eram tributadas pela COFINS com relação à maior parte de seu “faturamento” bruto, eis que esse era composto de receitas financeiras. Por outro lado, a própria LC 70/1991, reconhecendo essa disparidade, adotou uma medida compensatória, aumentando para 15% para 23% a alíquota da CSLL (artigo 11, da LC 70/1991). Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.698 19 Ora, ainda que utilizado o artigo 373, do RIR/1999, para fins de definição de “receita financeira” – na ausência de uma própria, à época, atinente ao PIS e à COFINS –, verificase que, dos itens acima, somente os juros podem ser considerados como tal. Vejamos o citado artigo: Receitas e Despesas Financeiras Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, §3º). Por outro lado, as demais receitas, ao se considerar as atividadesfim da Recorrente (entre elas: “prestação de serviços de cobrança de créditos, títulos e valores em geral”; “administração de cartões de crédito, de débitos, de compra, de viagens e quaisquer outros, próprios ou de terceiros, podendo utilizar nesses serviços o concurso de outras empresas, mediante adequada forma de contratação”), são absolutamente relacionadas com seu objeto social, razão pela qual não merece qualquer reparo a Decisão de primeiro grau no que tange a essa parte do lançamento impugnado. Diante do exposto, meu voto é pela reforma parcial da decisão recorrida para que: · Sejam desconsideradas do campo de incidência das contribuições as receitas decorrentes de juros, no caso, registrados na conta 7.2.1.26.00.00156 (“Remuneração”), eis que são receitas financeiras, portanto fora do alcance das contribuições àquela época; · Sejam mantidas no campo de incidência as demais receitas, mantendo o lançamento na integralidade quanto às contas 7.2.1.26.00.00237 (“Remuneração de Garantia”) e 7.2.2.21.00.09905 (“Cobrança de Multa Contratual”), por restarem configuradas como receita operacional da Recorrente. (c) Quanto à necessidade de perícia para averiguação da inclusão de estornos na base de cálculo Considerando que a eventual inclusão de estornos já poderia ser verificada pela Recorrente desde o lançamento de ofício e demonstrada cabalmente na Impugnação ou mesmo na apresentação desse Recurso – eis que é prova que pode ser exclusivamente produzida pelo exame dos seus próprios livros contábeis –, não assiste razão à Recorrente em solicitar perícia no presente caso. Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.699 20 Nesse cenário, a despeito do rigor que devese ter ao primado da verdade material não me parecendo demonstrado que haja indícios de que tal fato ocorrera, entendo totalmente descabida a realização de diligência, já que o Recorrente não se esmerou suficientemente em expor as razões para duvidarmos do lançamento de ofício nesse aspecto. Diante disso, indefiro o pedido de diligência nos termos solicitados pela Recorrente. (d) A validade da incidência de Taxa SELIC sobre a multa de ofício. A despeito da prática da D. Fiscalização e da jurisprudência histórica da Corte administrativa, abrigome ao entendimento majoritário dessa Turma, no sentido de que a Taxa SELIC não deve incidir sobre a multa de ofício lançada pela autoridade fazendária. Explico. O artigo 61, da Lei Federal 9.430/1996 assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) As penalidades pecuniárias, por outro lado, são tratadas em outro artigo (art. 44), da mesma Lei, não restando por que incluir as multas dentro do alcance normativo do artigo 61. O entendimento fazendário vai além do que poderia ser possível inferir seja qual for o método de interpretação adotado. Não há, em qualquer método, possibilidade de extrair a atualização pela Taxa SELIC das penalidades pecuniárias a partir da literalidade do texto. Sobre isso, frisese que a atividade de interpretação não pode romper com os limites que a própria redação da norma criou. Diante de tal evidência, a atualização, prevista no instrumento legal acima mencionado, trata apenas de débitos tributários e previdenciários, não podendo ser confundido com a penalidade por descumprimento da obrigação principal em si, sob o risco de tal interpretação extensiva acabar por tornarse analogia, vedada em homenagem à estrita legalidade tributária. Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.700 21 Das Conclusões Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, porém doulhe parcial provimento para afastar o lançamento relativo à receita decorrente de cobrança de juros, registrados na conta “Remuneração”, e para afastar a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, ficando mantidos os demais termos da decisão recorrida. TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.701 22 Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator, ao admitir afastar o lançamento das contribuições sociais, relativo à receita decorrente de cobrança de juros moratórios, pelo pagamento em atraso de títulos negociados, registrados na conta 7.2.1.26.00.00156 Remuneração. Entendo que, ao se considerar as atividadesfim da recorrente, as receitas registrados na conta 7.2.1.26.00.00156 Remuneração, assim como nas contas 7.2.1.26.00.00237 Remuneração de Garantia e 7.2.2.21.00.09905 Cobrança de Multa Contratual, além de inerentes aos contratos, são absolutamente relacionadas com seu objeto social, razão pela qual não merece qualquer reparo à decisão de primeiro grau, no que tange a essa parte do lançamento. Notar que as supracitadas receitas decorrem da atividade empresarial da recorrente (entre elas: “prestação de serviços de cobrança de créditos, títulos e valores em geral”; “administração de cartões de crédito, de débitos, de compra, de viagens e quaisquer outros, próprios ou de terceiros, podendo utilizar nesses serviços o concurso de outras empresas, mediante adequada forma de contratação”), portanto, claro está que são compatíveis com o conceito de faturamento previsto nas legislações anteriores à edição do inconstitucional art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, que instituíram a base de cálculo do PIS e da COFINS como "o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza" Art. 195, I, 'b', da Constituição Federal, em sua redação original c/c as LC 07/70 e LC 70/91. No mesmo sentido, abaixo, transcrevese jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ: RECURSO ESPECIAL Nº 1.498.326 CE (2014/03072217) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS (JUROS, CORREÇÃO MONETÁRIA, MULTA E ENCARGOS POR ATRASO) PROVENIENTES DE CONTRATOS DE VENDA E SERVIÇOS. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS PORQUE INERENTES AOS CONTRATOS. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. (STJ REsp: 1498326 CE 2014/03072217, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Publicação: DJ 16/12/2014) Assim, qualificandose a percepção de juros, correção monetária, multa e encargos por atraso, provenientes de contratos de vendas e serviços, relacionados ao objeto social da pessoa jurídica, como inerentes aos contratos e receita típica das atividades empresarias, o tratamento tributário adequado impõe sua sujeição às contribuições sociais. Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 19515.002208/200342 Acórdão n.º 3401003.857 S3C4T1 Fl. 2.702 23 Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso nesse particular. Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado Fl. 2702DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.009772/2010-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-006.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, tendo em vista a desistência configurada pelo pedido de parcelamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, tendo em vista a desistência configurada pelo pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, tendo em vista a desistência configurada pelo pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 97 72 /2 01 0- 84 Fl. 538DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 2301002.797, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/05 a 12/05, 02/06 a 12/06, 01/07 a 11/07, 01/08 a 12/08 CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES ENTRE A FOLHA DE PAGAMENTO. GFIP E O VALOR RECOLHIDO. Presumemse verdadeiros os valores lançados como base de cálculo pela autoridade fiscal fundamentado nas folhas de pagamento, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração sem carrear aos autos provas documentais, não tem o condão de desconstituir o lançamento. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACOLHIMENTO. Não ficaram configurados nos autos os casos de nulidade arguidos pela defendente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. TAXA DE DEPRECIAÇÃO DE FERRAMENTAS. USO DE VEÍCULO PRÓPRIO DO EMPREGADO. ALÍNEA “S” DO §9º DO ARTIGO 28 DA LEI 8.212/91. AJUDA DE CUSTO. NATUREZA INDENIZATÓRIA PRESMUIDA. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DAS DESPESAS REALIZADAS. 1. O ressarcimento de despesas pela utilização de ferramentas próprias possui natureza indenizatória, uma vez que é pago em decorrência dos prejuízos experimentados pelo empregado para a efetivação de suas tarefas laborais. 2. A verba paga em razão de despesas com veículo de propriedade do empregado tem natureza jurídica indenizatória e não salarial, principalmente quando o valor se prestar a cobrir as despesas com consumo de combustível e com a depreciação do carro. 3. A configuração do caráter indenizatório dos valores descritos na alínea “s” do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 depende da comprovação efetiva de que se destinaram tais verbas a compensar os gastos, devidamente comprovados, com os quais teve que arcar o empregado quando da utilização de veículo próprio na execução de atividades da empresa. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10120.009772/201084 Acórdão n.º 9202006.202 CSRFT2 Fl. 539 3 MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora de fato haja uma divergência jurisprudencial na tese apresentada pela Recorrente, nos termos em que fixado pelo respectivo despacho de admissibilidade, há nos autos incidente processual que merece ser apreciado. Estamos falando da renúncia apresentada pelo contribuinte em razão de adesão à programa de parcelamento especial instituído pelo Poder Executivo. Consta das efls. 532, extrato apontando a existência do parcelamento do débito ora discutido, informação presente também em nota lançada no sistema do eprocesso: Fl. 540DF CARF MF 4 Nota eprocesso: O sistema SICOB não permite a emissão da guia (título) do AI 37.277.4955 para envio junto à Intimação (fls. 533), em razão do débito encontrarse no sistema na situação de "Pedido Parcelamento AutomáticoIncluído Parcelam a Consolidar" (fls. 532) até 29/07/19Término do prazo p/ consolidação do Parcelam. Especial. Efls. 532: Diante disto, não há mais qualquer litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado em sua totalidade, razão pela qual deve ser declarada a definitividade do crédito tributário nos termos do art. 78 do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10120.009772/201084 Acórdão n.º 9202006.202 CSRFT2 Fl. 540 5 § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Por fim, vale mencionar que uma vez requerido o parcelamento, este foi processado e calculado exatamente nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, tendo em vista a desistência configurada pela adesão o pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000786/2002-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.?O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza a escrituração se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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INSUMOS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza a escrituração se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 07 86 /2 00 2- 80 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 211 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 60 a 71) interposto pelo Contribuinte, em 31 de outubro de 2006, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1413.607 (fls. 50 a 56), de 6 de setembro de 2006, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 21 a 32) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: O interessado em epígrafe pediu a compensação de seus débitos para com a SRF, com base nos créditos fictos deferidos no processo judicial nº 2000.72.01.0032181, cuja sentença ainda não transitou em julgado. A autoridade competente indeferiu o pedido, com base no artigo 170A do CTN, concluindo que tal pedido só poderia ser formulado após o trânsito em julgado da sentença. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, basicamente, que é improcedente o entendimento fiscal, pois a questão já estaria sedimentada no Poder Judiciário que, reiteradamente estaria reconhecendo os créditos pleiteados e o art. 170A seria eivado de inconstitucionalidade. Ademais, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, nos termos do artigo 151III do CTN. Encerrou solicitando o provimento ao recurso interposto. Tendo em vista a improcedência da manifestação de inconformidade proferida por intermédio do Acórdão nº 1413.607 da 2ª Turma da DRJ/RPO, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. Na análise do Recurso Voluntário a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, apresentou a Resolução 210100.164 (fls. 108 a 110), em 8 de maio de 2009, convertendo o julgamento do recurso em diligência, aguardando solução definitiva da ação rescisória noticiada nos autos do PAF nº 13937.000370/200181. Como resposta a este pedido de diligência foram apresentadas duas Informações Fiscais, a de nº 112/2014 (fls. 153 a 155) e a de nº 045/2016 (fls. 160 a 161). É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1413.607, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 212 3 O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: COMPESAÇÃO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedada a compensação à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Solicitação Indeferida. O Contribuinte, por meio do Recurso Voluntário apresentado, requer que seja homologada a declaração de compensação apresentada, bem como que se reconheça a suspensão da exigibilidade do ora discutido crédito tributário, conforme se verifica no pedido do referido Recurso (fls. 70 e 71): Ante o exposto, requer a Impugnante V.Sa. se digne a julgar procedente a presente RECURSO VOLUNTÁRIO, homologando a declaração de compensação apresentada à Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC, face o trânsito em julgado da sentença proferida nos autos n. 2000.72.01.0032181, reformandose, assim, o r. decisão recorrida. Requer, outrossim, que se reconheça a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da presente declaração de compensação (art. 151, inciso III do CTN), para fins de expedição da “Certidão Positiva de Tributos e Contribuições Federais, com Efeitos de Negativa” da Recorrente, até que haja o julgamento definitivo do presente processo administrativo, bem como dos outros a ele subjacentes. Na análise do Recurso Voluntário a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, entendeu por bem converter o julgamento em pedido de diligência, por meio da Resolução nº 210100.164, com o seguinte entendimento: Antes de passar à discussão das questões objeto do recurso, cumpre analisar a situação processual aqui encontrada, face à existência de diversos processos existentes entre o contribuinte e Fisco, relativos à restituição e compensação de créditos tributários. Vejamos: Inicialmente, foi apresentado um pedido de restituição, que levou o número 13973.000370/200181, e em seguida foram apresentados diversos pedidos de compensação, incluindo este. A discussão no processo de restituição já se encerrou, sendo aplicada a renúncia à esfera administrativa, pela existência de ação judicial transitada em julgado e inclusive ação rescisória com antecipação de tutela concedida. Com a referida decisão, cessa eventual prejudicialidade entre os dois processos, podendo portanto a compensação aqui efetuada ser apreciada tão somente pela análise da ação judicial existente. Outrossim, tenho ciência, pela diligência realizada no processo n. 13973.000370/200181, da existência de uma ação rescisória, com antecipação de tutela concedida, que afetaria o deslinde da presente demanda. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 213 4 Assim, tenho por bem converter o presente julgamento em diligência à repartição de origem, para que este processo aguarde o desfecho da referida ação judicial, após o que retornará ao Colegiado, para conclusão de julgamento. Como resposta ao pedido de conversão do julgamento em diligência foi apresentada, em 6 de junho de 2014, Informação Fiscal nº112/2014 (fls. 153 a 155), na qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville (SC) assim se pronunciou: Este Processo de nº 13973.000786/200280 trata de declaração de compensação que indicou como origem de crédito o pedido apresentado no Processo nº 13973.000353/200224. O Processo nº 13973.000353/200224 em verdade engloba vários pedidos de compensação cujo crédito seria originário de outro processo, o Processo nº 13973.000370/200181, que referese a um pedido de ressarcimento de IPI que já fora indeferido em virtude de ter por base o Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC), pois a decisão vigente relacionada à tal ação não amparava a pretensão do contribuinte (fls. 16 e 17). Dado que o processo judicial em questão não amparava o pedido de ressarcimento do contribuinte ele foi indeferido, provocando reflexos nos processos que indicavam como origem de crédito justamente um crédito não reconhecido pela Receita Federal. Destacase que o indeferimento do pedido de ressarcimento fundamentouse na decisão judicial então vigente relacionada ao Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC), qual seja: a decisão somente havia concedido o direito de escrituração no Livro de IPI de créditos relativos às entradas de produtos adquiridos com isenção, não tributados ou de alíquota zero, sem autorizar a compensação com outros tributos e contribuições e ainda não havia o trânsito em julgado. Pois bem, o contribuinte recorreu administrativamente, primeiro à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que indeferiu seu recurso, e após ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Ocorre que durante a tramitação dos recursos administrativos o Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC) também teve seu curso, chegando ao final com decisão parcialmente favorável ao contribuinte, mas a Fazenda Nacional propôs a Ação Rescisória nº 2007.04.00.0040806 (TRF4) com o objetivo de desconstituir o julgado. Então, O CARF, ao analisar o Recurso Voluntário converteu o julgamento em diligência “para retornar os autos à unidade local da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio fiscal da recorrente a fim de aguardar a solução definitiva da ação rescisória noticiada nos autos do PAF nº 13973000370/200181.” (fls. 108 a 110) Este processo então retornou à Delegacia da Receita Federal em Joinville em outubro de 2009 e foi encaminhada pela SAORT, em maio de 2013, para que esta EQPAJ acompanhasse a ação rescisória e retornasse o processo quando do trânsito em julgado (fls. 116 a 118). Pois bem, o TRF4 decidiu pela procedência da Ação Rescisória nº 2007.04.00.0040806, “para desconstituir o acórdão proferido no Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181/SC, e, em juízo rescisório, dar provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.” (fls. 120 a 128). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 214 5 O contribuinte apresentou embargos de declaração, mas eles só foram acolhidos para fins de prequestionamento. Então foram interpostos Recurso Especial e Recurso Extraordinário que não foram admitidos pelo TRF4, mas em face da interposição de agravos de instrumento em relação às decisões do TRF4 os recursos subiram aos Tribunais Especiais (fls. 129 a 131). O contribuinte não teve êxito no STJ e a decisão de tal Tribunal transitou em julgado em 20/06/2012, após o julgamento de Embargos de Divergência em Agravo de nº 1391059 (fls. 132 a 150). Os autos então foram protocolados no STF em 30/04/2013 sob no ARE 747976, mas foram devolvidos em 03/05/2013 por decisão da Presidência em virtude de a matéria do recurso já ter sido analisada em sede de repercussão geral (fls. 151 e 152): Tendo em vista o disposto na Portaria GP 138, de 23/7/2009 (DJe 140/2009), e considerando o(s) tema(s) 136, remeto os presentes autos à origem. Brasília, 3 de maio de 2013. Eu, (Patrícia Pereira de Moura Martins), Secretária Judiciária do Supremo Tribunal Federal, lavrei este termo. Com o retorno do processo ao TRF4, em maio de 2013, ele foi distribuído à VicePresidência, mas ainda não houve despacho formal do TRF4 quanto ao Recurso Extraordinário restar prejudicado e haver definitividade da decisão que julgou procedente a ação rescisória (fl. 129). Embora ausente tal registro/despacho, proponho, s.m.j., que o processo seja devolvido à SAORT para que o encaminhe ao CARF a fim de que prossiga o seu julgamento, pois não mais existem expedientes jurídicos que possam alterar a situação vigente, sendo desnecessário manter o processo sobrestado. (grifou se). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville (SC) apresentou, também, Informação Fiscal nº 045/2016 (fls. 160 e 161), de 5 de maio de 2016, ainda como resposta à Resolução do CARF que converteu o julgamento da lide em diligência, cito o texto da referida Informação Fiscal como modo de elucidação do caso: Este Processo de nº 13973.000786/200280 trata de declaração de compensação que indicou como origem de crédito o pedido apresentado no Processo nº 13973.000353/200224. O CARF, ao analisar o Recurso Voluntário, converteu o julgamento em diligência e o encaminhou a DRF/JOI/SC em 2009 (fls. 108 a 110). Em 2013 a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da DRF/JOI/SC fez despacho relatando sobre a origem e a situação do processo em questão e o encaminhou a Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais – EQPAJ (fls. 116 a 118). A DRF/Joinville/SC elaborou a Informação Fiscal EQPAJ no 112/2014 e o devolveu ao CARF (fls. 153 a 157). A Informação Fiscal supracitada partiu do pressuposto que o desfecho da Ação Rescisória seria idêntico a de tantos outros que transitaram em julgado antes do julgamento do RE nº 590.809. Pois bem, em virtude da decisão proferida pelo STF no RE nº 590.809, o TRF4 revisou sua decisão e julgou improcedente a Ação Rescisória nº 2007.04.00.0040806/RS, sendo necessário complementarse a informação elaborada anteriormente e juntarse a decisão em comento, que transitou em Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 215 6 julgado em 19/08/2015, conforme registro na movimentação processual de 12/11/2015. Destacase, por oportuno, que o Processo nº 13973.000353/200224 em verdade engloba vários pedidos de compensação cujo crédito seria originário de outro processo, o Processo nº 13973.000370/200181, que referese a um pedido de ressarcimento de IPI que já fora indeferido em virtude de ter por base o Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC), pois a decisão vigente relacionada à tal ação não amparava a pretensão do contribuinte (fls. 16 e 17). Há que ressaltar ainda que o indeferimento do pedido de ressarcimento fundamentouse na decisão judicial então vigente relacionada ao Mandado de Segurança nº 2000.72.01.0032181 (SC), qual seja: a decisão somente havia concedido o direito de escrituração no Livro de IPI de créditos relativos às entradas de produtos adquiridos com isenção, não tributados ou de alíquota zero, sem autorizar a compensação com outros tributos e contribuições e ainda não havia o trânsito em julgado. O restabelecimento da possibilidade da apropriação do crédito por parte do contribuinte, não afasta, s.m.j., os pressupostos para o indeferimento referido acima. (grifouse). A questão central é se a aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero geram crédito de IPI. Neste sentido o Contribuinte requereu em seu Recurso Voluntário a compensação de seus débitos com base nos créditos fictos deferidos no processo judicial n. 2000.72.01.003218. Ocorre que como bem salientado na Informação Fiscal nº 045/2016 a decisão somente havia concedido ao Contribuinte o direito de escrituração no Livro de IPI de créditos relativos às vendas de produtos adquiridos com isenção, não tributados ou de alíquota zero, sem autorizar a compensação com outros tributos. No que tange ao crédito de IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero o STF, entre maio de 1998, quando do julgamento do RE 212.484, até meados de 2007, entendia que os contribuintes tinham o direito de se creditar. Entendimento do STF que se alterou com os julgamentos dos RE 353.657 e 370.682, julgados em 25 de junho de 2007, negando o direito de crédito nas hipóteses de aquisição de insumos não tributados e sujeitos à alíquota zero. No RE 353.657 assim ficou ementado: EMENTA: IPI – INSUMO – ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3o do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO – ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – INEXISTÊNCIA DO DIREITO – EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto Sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353.657) Já no RE 370.682 a ementa é a seguinte: Ementa: Recurso Extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13973.000786/200280 Acórdão n.º 3301004.136 S3C3T1 Fl. 216 7 cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. Esse novo entendimento do STF, de 25 junho de 2007, contemplava os insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, sem ainda tratar da questão de insumos isentos. Assim o STF se pronunciou em 29 de setembro de 2010, no RE 566.819/RS, negando também o crédito de insumos isentos. Assim ficou ementado: EMENTA: IPI CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPICRÉDITO INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário nacional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPICRÉDITO DIFERENÇAINSUMOALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. Esse também é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Também nesta mesma direção a seguinte súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. De acordo com a posição do STF e das Súmulas do CARF, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário por entender que não gera crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou alíquota zero que não se tenha demonstrado que suportaram em fases anteriores gravame tributário. Valcir Gassen Relator Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002475/2010-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 24 75 /2 01 0- 92 Fl. 241DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD: 37.256.8181, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 19/07/2010, no valor de R$ 1.389.316,53 (hum milhão, trezentos e oitenta e nove mil, trezentos e dezesseis reais e cinqüenta e três centavos), já acrescidos de juros de mora, da multa de mora e da multa de ofício de 75%, resultante da aplicação do instituto da retroatividade benéfica previsto no art. 106 do CTN, relativo às contribuições devidas à seguridade social, referente às contribuições correspondentes à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, não retidas e tampouco recolhidas aos cofres públicos, em época própria, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, a serviço da autuada, no período de 04/2007 a 08/2009, constantes das folhas de pagamentos, não declaradas em GFIP. Consta do Relatório Fiscal, que os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, antes do procedimento fiscal, foram apropriados, prioritariamente, para o abatimento das contribuições declaradas em GFIP, as quais não se incluem no presente lançamento, sendo o saldo, quando existente, abatido dos valores constantes do auto de infração em apreço. Os valores considerados constam demonstrados no Relatório de Apropriação de Documentos – RDA. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 15/05/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301002.780 (fls. 134/140), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso para aplicar nas penalidades por descumprimento da obrigação acessória, até 11/2008, anteriores a 12/2008 o resultado mais benéfico, quando comparado o determinado no art. 32A, com os §§ do art. 32; da Lei 8.212/1991, nos termos do voto do Relator. Vencidos Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em manter a aplicação da multa na obrigação principal, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento desta multa, até 11/2008; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008. para que seja aplicada a multa referente a obrigação Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 3 3 principal o previsto no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL. TAXA SELIC. APLICÁVEL. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 13/03/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 25/03/2013, o presente Recurso Especial (fls.141/162). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação às seguintes matérias: a) preclusão quanto à matéria relativa à multa aplicada; e b) cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento parcial, em relação ao item b cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 11/06/2015 (fls. 192/199) e Despacho s/nº, da CSRF, de 12/06/2015 (fls. 200/201), respectivamente, Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial da Fazenda Nacional. O recorrente, em suas alegações em relação ao item b – cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Fl. 243DF CARF MF 4 Cientificado do Acórdão nº 2301002.780, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 22/02/2017, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 208. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 245DF CARF MF 6 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 5 7 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 247DF CARF MF 8 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 6 9 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 249DF CARF MF 10 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10920.002475/201092 Acórdão n.º 9202006.195 CSRFT2 Fl. 7 11 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 13608.000169/2007-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente
Lizandro Rodrigues de Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva.- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Numero do processo: 15504.726158/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2010
CIDE. REEMBOLSO DE DESPESAS. OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE FINS ECONÔMICOS E DE LUCRO. INOCORRÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VERDADE MATERIAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT 378/2017.
Na hipótese dos autos ocorreu mero reembolso de despesas e não remuneração por prestação de serviços, o que faz com que não incida a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE. Pela Solução de Consulta COSIT 378/2017 é possível perfilhar o entendimento de que quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio-administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão ser tributadas.
Numero da decisão: 3201-003.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2010 CIDE. REEMBOLSO DE DESPESAS. OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE FINS ECONÔMICOS E DE LUCRO. INOCORRÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VERDADE MATERIAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT 378/2017. Na hipótese dos autos ocorreu mero reembolso de despesas e não remuneração por prestação de serviços, o que faz com que não incida a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE. Pela Solução de Consulta COSIT 378/2017 é possível perfilhar o entendimento de que quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio-administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão ser tributadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Winderley Morais Pereira - Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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REEMBOLSO DE DESPESAS. OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE FINS ECONÔMICOS E DE LUCRO. INOCORRÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VERDADE MATERIAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT 378/2017. Na hipótese dos autos ocorreu mero reembolso de despesas e não remuneração por prestação de serviços, o que faz com que não incida a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE. Pela Solução de Consulta COSIT 378/2017 é possível perfilhar o entendimento de que quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão ser tributadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 58 /2 01 3- 32 Fl. 318DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Em decorrência da ação fiscal, foi lavrado auto de infração para exigir da interessada a CIDE – Remessas ao exterior, sobre fatos geradores que ocorreram no ano de 2005, no valor de R$ 103.534,07 acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%. DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 2 a 6 e Termo de Verificação fiscal (fl. 7 a 16), foram feitos lançamentos fiscais relativos à falta/Insuficiência de pagamentos de IRRF, sendo apurados os fatos descritos a seguir. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CIDE REMESSA DE VALORES PARA O EXTERIOR O contribuinte foi intimado a apresentar contratos que impliquem transferência de tecnologia, assistência técnica e assemelhados com residentes ou domiciliados no exterior, além de livros e DARF. O contribuinte informou que em relação ao período requerido não havia contratos que implicassem a transferência de tecnologia e/ou prestação de serviços, assistência técnica e assemelhados, com residentes ou domiciliados no exterior, não havia importâncias pagas, creditadas, entregues ou remetidas a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos contratos relativos a fornecimento de tecnologia, prestação de serviços, serviços de assistência técnica, serviço técnico especializado e de assistência administrativa ou semelhante, não havia processos judiciais movidos em que estivessem sendo discutidos os tributos fiscalizados e que não houve incidência de PIS e COFINS (Importação). Em 28/03/2013 o contribuinte foi questionado sobre o recolhimento de IRRF, através do DARF (cód. 0422), tendo em vista que se tratava de retenção na fonte de pagamento de royalties e/ou remuneração a título de assistência técnica a beneficiários sediados no exterior. Em 01/04/2013, o senhor Nivaldo Lima, Gerente de Contabilidade e Fiscal da empresa encaminhou um email informando que: "o recolhimento de IRRF relacionado à remessa ao exterior identificada foi indevido, tendo sido considerado como indébito e, inclusive, já compensado com outros tributos através de PER/DCOMP. Não houve Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 3 3 recolhimento de CIDE, PIS e COFINS, tendo em vista que não foi configurado o fato gerador dos referidos tributos". O contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes documentos: número do PER/DCOMP utilizado para a compensação do valor pago, através do Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, em 14/07/2010, com Código de Receita 0422, Documentos de caixa que respaldam todos os lançamentos contábeis escriturados na conta 1872 "Imposto de Renda Expatriados a Pagar". O contribuinte informou que o número do PER/DCOMP utilizado para compensação do valor pago através do DARF, em 14/07/2010, com código de receita. 0422 é 25381.91084.120811.1.3.046374. Com relação aos lançamentos contábeis escriturados na conta 1872 Imposto de Renda Expatriados a Pagar", informou que: "Em consonância com os esclarecimentos solicitados sobre os lançamentos contábeis escriturados na conta IR EXPATRIADOS A PAGAR temos a informar que tal conta era utilizada inicialmente para registrar os valores a pagar de impostos, supostamente incidentes sobre a remessa de reembolsos de gastos, em moeda estrangeira à Almaviva italiana. Tais reembolsos seriam realizados em decorrência do pagamento, feito na Itália, dos salários e encargos sociais dos funcionários da empresa estrangeira que se encontravam trabalhando em sua controlada brasileira por decorrência de seu contrato de trabalho temporário. A Almaviva do Brasil, por mal interpretar a operação realizada à época, optou por provisionar tais valores em sua contabilidade. Afirmou que após estudar a operação praticada e confrontálos com o posicionamento atual da Receita Federal do Brasil, a Almaviva procedeu ao estorno dos valores provisionados, pois inexistia qualquer variável que pudesse ensejar o pagamento de impostos. Alegou que o reembolso do custo não contém qualquer margem de lucro, os funcionários objeto dos pagamentos realizados no Brasil eram vinculados aos quadros da empresa Italiana do mesmo Grupo Econômico, tais serviços eram prestados em caráter "intuitu personae" e com prazo de validade tipificado em contrato de trabalho. É de ressaltar que, a par do ordenamento brasileiro contemplar (e possibilitar), a operação tal como fora delimitada, também o Direito Italiano possui um instituto que regem as relações de trabalho denominado "Distacep" cujas características principais foram todas mencionadas acima e solenemente atendidas pelas empresas envolvidas. Além de inexistir prejuízo ao Erário existe ainda um outro motivo que explica é norteia a operação, sob a óptica da empresa cedente italiana que é o de possibilitar o desenvolvimento de serviços por parte de seu quadro de funcionários para o desenvolvimento da empresa cessionária no Brasil. O rateio de despesas efetuado entre as empresas Almaviva (BR) e Almaviva (IT) está em linha com o que estabelece o instituto Italiano e de acordo com o contrato de trabalho dos funcionários estrangeiros. Fl. 320DF CARF MF 4 O contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes documentos: documentação probatória referente à remessa de reembolso que resultou na retenção do imposto de renda na fonte no valor de R$ 477.683,20, pago através de DARF em 14/07/2010, cód. de receita 0422: cópia do contrato de trabalho dos funcionários registrados na controladora italiana, que prestam serviços temporariamente na controlada brasileira, cujo reembolso dos salários pagos na Itália, referente aos serviços prestados na controlada brasileira, ensejaram o pagamento via DARF. O contribuinte informou que: "Os contratos de trabalho foram formalizados com a empresa Atesia Telemarketing, comunicação, telefônica e pesquisas de mercado SpA, controlada pela Almaviva Contact, que posteriormente incorporada pela Almaviva Contact SpA, conforme Ato de fusão por incorporação da Sociedade. Reitera que não se trata de prestação de serviço e sim de reembolso dos salários e encargos pagos na Itália a funcionários da Controladora que estavam trabalhando na Controlada Brasileira Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática Ltda e que sobre o reembolso não incide qualquer modalidade lucro, juros, Mark up, ou semelhante, como pode ser visto no acordo para reembolso de custos e despesas, assinado entre as partes”. O contribuinte foi intimado a apresentar documentos que respaldam os lançamentos contábeis realizados nas contas: 2241 "Almaviva Contact S.p.A" e 4108 "Salários e Ordenados Expatriados", Recibos e/ou comprovantes de pagamentos realizados em favor dos senhores Giulio Salomone, Marco Benini, Filippo Sandei e Bilancioni Gianluca. O contribuinte apresentou os seguintes documentos: Faturas e Planilha que respaldam os lançamentos contábeis nas contas 2141 Almaviva Contact S.p. A Expatriados e 4108 Salários e Ordenados Expatriados, Cópia dos recibos de pagamentos realizados aos senhores Giulio Salomone, Marco Benini e Felippo Sandei. Informou que as faturas foram emitidas em Euro e convertidas em Real, conforme cotação da moeda informada na planilha, e que no mês de fevereiro de 2010 o registro contábil da despesa não se baseou em fatura emitida e sim em informação recebida da Itália, anexando documento para registro da despesa. Informou que os lançamentos registrados na conta 2141 têm contrapartida na conta 4108, e que os demais lançamentos existentes nessa última conta, referentes a IR indevidamente calculado e lançado, referemse à interpretação errada da legislação. Por fim, informou que não foram realizados pagamentos a Gianluca Bilancioni porque o mesmo já não trabalhava na Almaviva do Brasil no período solicitado. De acordo com a 18a Alteração Contratual, constitui o objeto social da empresa: a prestação de serviços de telemarketing, teleatendimento ativo e receptivo, interno e externo, incluindo o gerenciamento e desenvolvimento de projetos de tele atendimento próprio e de terceiros, prestação de serviços técnicos de informática, desenvolvimento e licenciamento de uso de programas e sistemas de computador, próprios ou de terceiros, bem como o Desenvolvimento e difusão de home Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 4 5 pages"; prestação de serviços e atividades relativas à Correspondente Bancário e afins. Da análise da DIPJ, ano calendário 2010, verificase na Ficha 01 Dados iniciais, que o contribuinte informou que houve pagamento ou remessa a título de serviço, juros e dividendos a beneficiários do Brasil e do exterior. Na escrituração contábil há lançamentos referentes a pagamentos de salários expatriados, os quais foram contabilizados nas contas 2241 Almaviva Contact S.p. A Expatriados e 4108 Salários e Ordenados Expatriados. Sendo a conta 2241 uma conta patrimonial, onde os salários eram provisionados, e a conta 4108 uma conta de despesa, onde os salários eram lançados em contrapartida aos valores provisionados. Conforme esclarecimentos do contribuinte tais despesas se referem a reembolso dos salários e encargos pagos na Itália a funcionários da controladora que estavam trabalhando na controlada brasileira Almaviva. Do Brasil Telemarketing e Informática Ltda. Corroboram com as alegações da empresa o Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas, firmado entre as empresas Almaviva S.p.A., sediada em Roma Itália, e Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática Ltda, sediada em Belo Horizonte, e também os Contratos de Trabalho temporário dos funcionários da controladora italiana que prestaram serviços na controlada brasileira. A controladora italiana alega que um dos motivos que ensejaram a transferência laboral temporária, pactuada entre as partes, foi de possibilitar o necessário desenvolvimento de serviços por parte de seu quadro de funcionários para o desenvolvimento da empresa Cessionária no Brasil, e complementa que "o rateio de despesas efetuado entre as empresas Almaviva (BR) e Almaviva (IT) está em linha com o que estabelece o instituto Italiano e de acordo com o contrato de trabalho dos funcionários estrangeiros". Não obstante os serviços prestados na cessionária brasileira, pelos funcionários da cedente italiana, estarem em consonância com o acordo celebrado entre as partes e com o ordenamento jurídico italiano, ressaltamos que convenções particulares e o instituto estrangeiro não têm o condão de afastar as disposições legais estatuídas no ordenamento pátrio. Assim, contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, a partir de 1o de janeiro de 2002, são regulados pela Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterada pela Lei 10.332, de 19 de dezembro de 2001.. Assim, as pessoas jurídicas signatárias de tais contratos estarão sujeitas à incidência dos seguintes tributos: CIDEREMESSAS, IRRF, PIS E COFINS Importação. A Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, instituiu, em seu artigo 2o, a CIDE devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, Fl. 322DF CARF MF 6 bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. A Lei n°10.332, 19/12/2001, conferiu nova redação ao §2° do art. 2°, do referido diploma legal, no seguinte teor: "A partir de 1° de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, a serem prestados por residentes ou, domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior". As alterações introduzidas pela Lei n° 10.332/2001, no parágrafo 2o do artigo 2o da Lei 10.168/2000, estabelecendo que a partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE seria devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tivessem por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa (além daqueles de assistência técnica, já previstos na Lei 10.168/2000), assim como sobre os royalties devidos a qualquer título a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, significaram um alargamento do campo de incidência da contribuição, pois tais rubricas, por sua natureza, não estão associadas à transferência de tecnologia. A Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, instituiu o PIS e a COFINS incidentes na importação de produtos estrangeiros ou serviços, devida pelo importador de bens estrangeiros ou serviços do exterior, in verbis: , Art.l°. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços " PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros, ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2°, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. § 1o Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente óu domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: • I executados no Pais;,ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. (...) . Art. 3°. O fato gerador será:: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou Fl. 323DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 5 7 II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. Art. 5o. São contribuintes: I o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; • II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior A Lei n° 10.332, de 19/12/2001, incluiu o art. 2°A na Lei 10.168,de 29/12/2000, definindo que as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a pessoa jurídica domiciliada no exterior, a título de royalties, de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes sujeitamse à incidência do imposto na fonte à alíquota, de quinze por cento: Art. 2°A Fica reduzida para 15% (quinze por cento), a partir de 1° de janeiro de 2002, alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes. As sociedades estrangeiras e suas coligadas brasileiras devem ser consideradas, quais sejam, a autonomia das obrigações entre sociedade controladora e sociedade controlada, onde as obrigações contraídas por cada uma são autônomas e independentes, além da distinção da personalidade jurídica e patrimonial, mantendo cada uma sua personalidade jurídica e patrimônio distintos. Os serviços prestados pelos funcionários da Almaviva italiana, empresa controladora, na Almaviva do Brasil, empresa controlada, se enquadram em serviços prestados por residentes ou domiciliados no exterior, que tinham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, posto que, conforme os Contratos de Trabalhos analisados, tais funcionários seriam responsáveis pela administração, planejamento e controle das operações desenvolvidas no Brasil, dentre outras, que seriam comunicadas posteriormente. Conforme o Acordo para Reembolso de Custos e Despesas, firmado entre a empresa brasileira e empresa italiana, ficou acordado que a Almaviva do Brasil reembolsaria a Controladora italiana os custos e despesas por ela incorridas, pelos trabalhadores colocados à sua disposição. Tal situação se efetivaria com o aporte de remessas feitas ao exterior, que foi convencionado pelas partes como "reembolso de custos e despesas". Considerando que as remessas feitas ao exterior se deram em contrapartida aos serviços prestados por residentes ou domiciliados no exterior, quais sejam, funcionários da Fl. 324DF CARF MF 8 controladora italiana, ficou caracterizada a ocorrência dos fatos geradores dos seguintes tributos: CIDE REMESSAS, IRRF, PIS/COFINS Importação. A soma dos débitos da CIDEREMESSAS, PIS/COFINS Importação declarados/extintos pelo contribuinte equivale a R$ 0,00, e que, embora o contribuinte tenha recolhido um DARF com código de receita 0422, referente à IRRF sobre pagamentos de Royalties e/ou remuneração a título de assistência técnica a residente ou domiciliado no exterior, o mesmo alegou, posteriormente, tratarse de pagamento indevido, tendo inclusive já compensado com outros tributos através do PER/DCOMP n° 25381.91084.120811.1.3.04 6374. Ficou caracterizado, portanto, a insuficiência de recolhimento dos referidos tributos. Foram considerados pela fiscalização como remessas realizadas ao exterior, os valores referentes aos salários expatriados, contabilizados na conta 4108 Salários e Ordenados Expatriados. Referidos valores foram considerados como base de cálculo, sobre a qual. incidiu as alíquotas da CIDEREMESSAS, IRRF e PIS/COFINS Importação. Para melhor visualização, demonstrase em planilha, denominada Anexo I, os valores considerados, as alíquotas aplicadas, bem como os valores apurados. DAS ALÍQUOTAS APLICADAS CIDEREMESSAS Alíquota da contribuição é de 10%.(Lei 10.168, de 29/12A2000, art. 2o, § 4o, alterado,pela Lei 10.332, de 19/12/2001) (.............................) Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada em 20/06/2013 (fl. 3) a interessada apresentou em 19/06/2009 a impugnação de fl. 172 a 192, na qual alega, em síntese que: • Com sede e domiciliada no Brasil, a Impugnante faz parte do grupo econômico internacional da Almaviva, cuja matriz localizase na Itália. Em decorrência das estreitas relações envolvendo as empresas e diante da necessidade de desenvolvimento do negócio no Brasil, a matriz Italiana forneceu mãodeobra a Impugnante durante o exercício de 2010, com a cessão temporária de funcionários. • A referida disponibilização de funcionários, por período determinado, para a prestação de serviços para a filial brasileira se deu em observância estrita a legislação, tendo sido regida pelos Contratos de Trabalho assinados entre a Almaviva Italiana e os respectivos funcionários, nos termos e em consonância com o Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas, que de forma clarividente, estabeleceu um rateio de custos para a divisão dos encargos. • Entre as empresas, ficou acertado que a Impugnante seria responsável por reembolsar a empresa italiana pelos custos Fl. 325DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 6 9 incorridos para a remuneração dos funcionários disponibilizados, de modo proporcional à responsabilidade definida no rateio. • Entre Maio e Dezembro de 2010, nenhum tipo de remessa, foi realizado pela empresa brasileira a empresa italiana, inexistindo a configuração da hipótese de incidência tributária de REMESSA. • O Fisco deixou de atentar que, por fazerem parte de um acordo de partilhamento de custos (com atendimento aos requisitos formais e materiais) qualquer "contraprestação" eventualmente remetida pelos serviços prestados, in casu, teria por escopo somente a finalidade de reembolsar os custos incorridos pela empresa italiana, não havendo na operação qualquer margem de lucro (markup). • PRELIMINAR. INEXISTÊNCIA DO FATO GERADOR DA CIDE PARA OS MESES DE MAIO A DEZEMBRO DE 2010. O crédito tributário teria o seu fato gerador fundamentado nos art.2º e 3º da Lei 10.168/00 • O fato estaria associado a "remessa" de proventos de qualquer natureza a pessoa jurídica domiciliada no exterior, como forma de remuneração pela prestação de serviços. • Deixou a Fiscalização de apontar precisamente quais seriam, especificamente, as remessas efetuadas que justificariam a lavratura do Auto de Infração. • O trabalho fiscal se pautou na premissa falsa e simplista de que houvera "remessas" para residente ou domiciliado no exterior sem qualquer fundamento fático para tanto, conforme é possível se aferir com uma simples análise do Razão da conta 2141 e 4108 juntados em anexo. • A. Fiscalização, sem nenhum embasamento legal, subverteu as taxativas hipóteses de incidência da CIDE que consistiria in casu, como já se repetiu, na remessa de valores a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e, em desrespeito aos princípios da tipicidade e legalidade tributária, houve por bem tributar valores que foram apenas provisionados em conta corrente, sem nunca haverem sido REMETIDOS ao exterior. • No que se refere à ilegalidade originária da própria autuação, decorrendo da sua leitura que: "Foram considerados pela Fiscalização como REMESSAS realizadas ao exterior, os valores referentes aos salários expatriados, contabilizados na conta 4108 Salários e Ordenados Expatriados”. • O Fisco não poderia simplesmente alterar o conceito taxativo do fato gerador do IRRF, de modo a alterar os Fl. 326DF CARF MF 10 conceitos envolvidos como pagamento, emprego, remessa, etc, é dizer o óbvio. É cediço que in casu nenhum dos fatos geradores do IRRF nunca ocorreram, como o caso da REMESSA no qual a Fiscalização fundamentou a infração. • O art. 97, inciso III do Código Tributário Nacional é clarividente ao determinar que somente a lei pode estabelecer a definição do fato gerador da obrigação tributária. • Os arts. 114 e 115 do CTN que definem as normas gerais relativas ao fato gerador e as formas de sua configuração, que de forma solene foram desconsiderados pelo Fisco. • Cumpre ressaltar conforme anteriormente informado à fl. 32 do processo, que o recolhimento efetuado pela Impugnante a título de IRRF por meio do DARF 0422, se deu à época pura e simplesmente por um equívoco de enquadramento legal, tendo este valor sido inclusive compensado posteriormente por meio da PER/DCOMP 25381.91084.120811.1.3.046374. como se demonstrou à fl.34, o que corrobora o fato de nunca ter ocorrido o envio de remessa como forma de pagamento a serviços porventura prestados. • Por todo o exposto, em sede preliminar, é patente que o crédito tributário constituído no presente auto de infração em relação ao período de Maio a Dezembro de 2010 deve ser integralmente cancelado. • DO MÉRITO. ILEGALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DA DESQUALIFICAÇÃO EFETUADA PELA FISCALIZAÇÃO DO ACORDO PARA O REEMBOLSO DE CUSTOS E DESPESAS FIRMADO ENTRE AS EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. • A Fiscalização que a natureza jurídica de contraprestações eventualmente REMETIDAS pela Impugnante à matriz italiana, seria de verbas típicas de remuneração por serviços prestados, e não verbas de reembolso de custos conforme esclareceu a Impugnante em diversas ocasiões durante a fase de diligências fiscais. • No entendimento do i. Fiscal Fazendário, o Acordo de Reembolso de Custos e Despesas assinado entre as partes se enquadraria como convenção particular que não teria o condão de ilidir a existência do fato gerador, que teria se dado in casu e assim justificado a incidência do IRRF. • A natureza jurídica de operações eventualmente consideradas realizadas pela Impugnante, supostamente enquadradas como fato gerador do IRRF, ignorando que qualquer valor remetido pela empresa brasileira à empresa italiana foi feito única e exclusivamente como forma de reembolso de custos. • O que se denota com a leitura do presente auto de infração é que: (i) a jurisprudência dos diversos órgãos jurisdicionais administrativos sobre os acordos de rateio e reembolso de custos, (ii) as próprias orientações da SRFB exaradas por meio de soluções de consulta sobre as formalidades necessárias para Fl. 327DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 7 11 que os acordos de compartilhamento e reembolso de custos tenham eficácia jurídica, e (iii) os documentos e esclarecimentos fornecidos pela Impugnante durante a fase de diligências fiscais; foram solenemente desconsiderados pelo Fisco com a lavratura do presente e equivocado auto de infração. • Se suposto valor remetido em decorrência da prestação de uma atividade representa ou não reembolso de custos de rateio, importa em aferir se determinado ingresso patrimonial tem correlação exata com as despesas que lhe estão economicamente correlatas, pois não havendo o intuito de remunerar (com agregação de valores), não haverá que se falar em importação de serviços, mas sim e puramente no reembolso de custos incorridos. • É o que determina o art. 2A da Lei 10.168/00, que além de exigir para a consubstanciação do fato gerador do IRRF a existência de remessa de importância, exige ainda que as referidos remessas se dêem como forma de remuneração de serviços. • DA EFICÁCIA E DO ATENDIMENTO AOS REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS DO ACORDO PARA O REEMBOLSO DE CUSTAS E DESPESAS ASSINADO. Analisandose em primeiro plano o "Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas" constatase de forma clarividente que o referido instrumento contratual foi editado com observância as exigências formais e materiais atinentes à espécie obrigacional, tendo sido firmado: (i) entre empresas pertencentes ao mesmo grupo industrial; (ii) entre empresas com interesses convergentes; (ii) praticado com o intuito de otimizar a eficiência de processos empresariais; (iv) realizado sem qualquer finalidade lucrativa: (v) registrado com total transparência e publicidade. • A finalidade de normatizar as relações estabelecidas entre a Impugnante e a empresa italiana, que tinha por escopo unicamente permitir o reembolso de custos incorridos na prestação de atividades intra parte. • Transcrevase as cláusulas 1.1. , 2.1, 1.3 e 2.5 do referido acordo: (..........................................................................). • Citese a Solução de Consulta nº 8 de 01/01/2012, na qual alguns parâmetros e diretrizes sobre os acordos de rateio foram enunciados (tendo sido cumpridos pela Impugnante in casu) entre eles: (i) a necessidade de se adotar critérios objetivos; (ii) de se ajustar previamente às disposições contratuais; (Mi) de se respeitar os princípios gerais de contabilidade, entre outros. • Ilustrando os critérios comumente exigidos pela SRFB para reconhecer a validade dos contratos ou acordos de rateio de Fl. 328DF CARF MF 12 custos, que não se confundem com contratos de remuneração de serviços, citese a título exemplificativo também a Solução de Consulta n.9 18 de 2009, cujos preceitos estão consubstanciados e positivados de forma correta no Acordo para Reembolso de Custas e Despesas firmado pela Impugnante em obediência as diretrizes firmadas pelos órgãos administrativos. • Constatase com as diversas soluções de consulta proferidas pelos órgãos competentes e com a realização de diversos julgamentos administrativos, quando contrapostos ao Acordo de Reembolso de Custas assinado pela Impugnante, é que os critérios de repartição de despesas mais comumente adotados e aceitos pelas autoridades foram por ela atendidos de forma inequívoca e com evidente boafé. • Ainda que não tenha se configurado o fato gerador REMESSA para a nos meses de Maio a Dezembro de 2010 como bem atesta o Razão da conta 4101cumpre frisar que: (i): durante todo o exercício de 2010; não se aperfeiçoou de qualquer modo o fato gerador do IRRF. consubstanciado no texto do art. 2º, § 3º da Lei 10.168/00 tendo em conta que, AINDA QUE SE CONSIDERASSE A EXISTÊNCIA DE FATO GERADOR TIPIFICADO PELA LEI, eventual remessa ou pagamento efetuado A TÍTULO de reembolso de custos não se confunde com a hipótese de incidência descrita pela lei que exige a existência de pagamentos, remessas, etc realizadas "A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO decorrentes das obrigações indicadas no caput". • ILEGALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE LUCRO (MARKUP) SOBRE CREDITAMENTO EFETUADO PARA O REEMBOLSO DE CUSTOS E DESPESAS ASSINADO ENTRE AS EMPRESAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR • A cessão de mãodeobra realizada esteve sujeita a um regime jurídico próprio, no sentido de que a relação foi constituída com base no Contrato de Rateio de Custos e Despesas e Contratos de Trabalho específicos, por meio dos quais a empresa italiana se comprometeu a efetuar o pagamento da remuneração dos funcionários disponibilizados, cabendo a filial brasileira realizar o reembolso desses gastos. • De acordo com as informações e documentos prestados durante as diligências fiscais, os reembolsos eventualmente considerados provisionados pela empresa brasileira a empresa italiana não conteriam qualquer margem de lucro ínsita a operação, sendo certo que os funcionários remunerados pela empresa italiana, (reembolsada pela empresa brasileira), sempre estiveram vinculados aos quadros da matriz italiana. • Dos trabalhos fiscais, não decorre a existência de nenhum elemento que suscite dúvidas sobre a correspondência entre eventuais valores considerados remetidos ou provisionados pela Impugnante a empresa italiana (por meio do reembolso de custos) e suposta diferença entre os montantes perpetrados na Fl. 329DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 8 13 operação, que pudessem indagar a existência de processos simulados ou de evasão de divisas à tributação. • Os documentos juntados em anexo por amostragem, que demonstram a completa correspondência dos valores pagos pela empresa italiana aos funcionários disponibilizados a Impugnante, e os valores provisionados em conta pela Impugnante (doc n.e 06), referente aos meses do janeiro, fevereiro, março e abril de 2010, que evidenciam de forma indubitável a inexistência de markup na operação. • Não obstante, o que talvez tenha passado despercebido quando da lavratura do presente auto de infração, tenha sido a obediência necessária que a Administração Pública guarda quanto ao mandamento contido no art. 110 do Código Tributário Nacional, que estabelece que: "A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado (...)", não podendo tampouco a Fiscalização considerar como receita aquilo que não é receita, tampouco considerar como remuneração de serviço, aquilo que seja reembolso de custo, muito menos considerar como remessa, aquilo que não é remessa. • A inexistência de comprovação do aperfeiçoamento dos fatos geradores para o IRRF in casu é inquestionável quando se constata que supostas remessas eventualmente consideradas realizadas se deram pura e unicamente para reembolsar custos despendidos pela matriz Italiana em relação aos funcionários que foram deixados a disponibilidade da empresa brasileira (nos termos do acordo firmado), e em momento algum tiveram a finalidade de "remunerar os serviços" nos termos dispostos pelo Art. 2A da Lei 10.168/00. • Requerse ainda que o presente processo seja julgado juntamente com os processos 15504.726233/201365 e 15504.726158/201332, considerando que são todos provenientes da MPF 06.101.002013001264. É o relatório." A decisão recorrida proferida pela 5ªTurma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESA DO EXTERIOR. REMESSA/CREDITAMENTO DE RECURSOS. INCIDÊNCIA DE CIDE. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência da CIDE. Fl. 330DF CARF MF 14 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Em recurso de forma hábil e tempestivamente interposto, a recorrente alega que: (i) de acordo com as relações jurídicas firmadas entre as empresas, ficou acertado que a recorrente seria responsável por reembolsar a empresa italiana pelos custos incorridos para a remuneração dos funcionários disponibilizados, de modo proporcional a responsabilidade definida no rateio; (ii) a decisão recorrida desconsiderou jurisprudência dos diversos órgãos jurisdicionais administrativos sobre os acordos de rateio e reembolso de custos; orientações da Receita Federal e foram desconsiderados os documentos e esclarecimentos prestados durante o transcurso processual; (iii) desqualificação equivocada por parte da fiscalização do acordo para o reembolso de custos e despesas firmado entre as empresas do mesmo grupo econômico; (iv) que se não houver o intuito de remuneração, mas tão somente o reembolso de custos não há incidência da CIDE, de acordo com o previsto no § 3°do art. 2° da Lei 10.168/2000; (v) eficácia e atendimento aos requisitos do acordo para o reembolso de custas e despesas assinado entre Almaviva S.p.A e Almaviva do Brasil Telemarketig e Informática Ltda (vi) não houve pagamento de salários e encargos sociais dos funcionários, pois estes são realizados pela Almaviva Italiana, cabendo à Recorrente tão somente o reembolso de tais parcelas; (vii) ilegalidade do crédito tributário em razão de inexistir lucro (markup) sobre creditamento efetuado para o reembolso de custos e despesas assinado entre as empresas; (viii) não configuração do fato gerador da CIDE; (ix) inexistência do fato gerador da CIDEremessas para os meses de maio a dezembro de 2010; (x) alteração no critério jurídico adotado pelo Fisco, com ofensa ao art. 146 do CTN Pugna ao final a recorrente pelo provimento integral do seu recurso e, alternativamente, pelo parcial provimento em razão da não ocorrência de fato gerador para os meses de maio a dezembro de 2010, pois não houve nenhum tipo de remessas de valores ao exterior em aludido período. É o relatório. Voto Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 9 15 Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Cingese o presente processo sobre a incidência da CIDE sobre as remessas a título de reembolso de despesas efetuadas pela recorrente. Como sabido, a CIDE é de competência exclusiva da União, conforme disposto no art. 149 da Constituição Federal, in verbis: "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo." Tal contribuição, de caráter extrafiscal, respeita os princípios encartados no art. 170 da Carta Magna, conforme a seguir: "Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei." Sobre a CIDE, o escólio de Hugo de Brito Machado é elucidativo: "A finalidade da intervenção no domínio econômico caracteriza essa espécie de contribuição social como tributo de função Fl. 332DF CARF MF 16 nitidamente extrafiscal. Assim, um tributo cuja finalidade predominante seja a arrecadação de recursos financeiros jamais será uma contribuição social de intervenção no domínio econômico. A finalidade interventiva dessas contribuições, com o característica essencial dessa espécie tributária, deve manifestarse de duas formas, a saber: (a) na função da própria contribuição, que há de ser um instrumento da intervenção estatal no domínio econômico, e ainda, (b) na destinação dos recursos com a mesma arrecadados, que só podem ser aplicados no financia mento da intervenção que justificou sua instituição." (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 422.) Tecidas estas considerações prévias, passo a análise das matérias alegadas em sede recursal. Entendo que no caso em apreço, considerando os argumentos postos na peça recursal, assiste razão à recorrente. A atual redação dos §§ 2° e 3° do art. 2° da Lei 10168/2000 assim dispõem: "Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo." É sabido, que diante do contido no art. 110 do CTN, que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Também é de conhecimento que tanto o Supremo Tribunal Federal como o Superior Tribunal de Justiça entendem não ser possível ampliar o conceito de serviço para fins de tributação. Neste sentido temse os seguintes precedentes: Fl. 333DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 10 17 "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. FRANQUIA (FRANCHISING). NATUREZA JURÍDICA HÍBRIDA (PLEXO INDISSOCIÁVEL DE OBRIGAÇÕES DE DAR, DE FAZER E DE NÃO FAZER). PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. CONCEITO PRESSUPOSTO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. AMPLIAÇÃO DO CONCEITO QUE EXTRAVASA O ÂMBITO DA VIOLAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL PARA INFIRMAR A PRÓPRIA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. 1. O ISS na sua configuração constitucional incide sobre uma prestação de serviço, cujo conceito pressuposto pela Carta Magna eclipsa ad substantia obligatio in faciendo, inconfundível com a denominada obrigação de dar. 2. Outrossim, a Constituição utiliza os conceitos de direito no seu sentido próprio, com que implícita a norma do artigo 110, do CTN, que interdita a alteração da categorização dos institutos. 3. Consectariamente, qualificar como serviço a atividade que não ostenta essa categoria jurídica implica em violação bifronte ao preceito constitucional, porquanto o texto maior a utiliza não só no sentido próprio, como também o faz para o fim de repartição tributáriaconstitucional (RE 116121/SP). 4. Sob esse enfoque, é impositiva a regra do artigo 156, III, da Constituição Federal de 1988, verbis: "Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) III serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...)" 5. A dicção constitucional, como evidente, não autoriza que a lei complementar inclua no seu bojo atividade que não represente serviço e, a fortiori, obrigação de fazer, porque a isso corresponderia franquear a modificação de competência tributária por lei complementar, com violação do pacto federativo, inalterável sequer pelo poder constituinte, posto blindado por cláusula pétrea. 6. O conceito pressuposto pela Constituição Federal de serviço e de obrigação de fazer corresponde aquele emprestado pela teoria geral do direito, segundo o qual o objeto da prestação é uma conduta do obrigado, que em nada se assemelha ao dare, cujo antecedente necessário é o repasse a outrem de um bem preexistente, a qualquer título, consoante a homogeneidade da doutrina nacional e alienígena, quer de Direito Privado, quer de Direito Público. (...)" (AgRg no REsp 953.840/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/08/2009, DJe 14/09/2009) E o próprio Supremo Tribunal Federal assim entende: Fl. 334DF CARF MF 18 "IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS (ISS) LOCAÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR INADMISSIBILIDADE, EM TAL HIPÓTESE, DA INCIDÊNCIA DESSE TRIBUTO MUNICIPAL DISTINÇÃO NECESSÁRIA ENTRE LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS (OBRIGAÇÃO DE DAR OU DE ENTREGAR) E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (OBRIGAÇÃO DE FAZER) IMPOSSIBILIDADE DE A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA MUNICIPAL ALTERAR A DEFINIÇÃO E O ALCANCE DE CONCEITOS DE DIREITO PRIVADO (CTN, ART. 110) INCONSTITUCIONALIDADE DO ITEM 79 DA ANTIGA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETOLEI Nº 406/68 PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RECURSO IMPROVIDO. Não se revela tributável, mediante ISS, a locação de veículos automotores (que consubstancia obrigação de dar ou de entregar), eis que esse tributo municipal somente pode incidir sobre obrigações de fazer, a cuja matriz conceitual não se ajusta a figura contratual da locação de bens móveis. Precedentes (STF). Doutrina." (RE 446003 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 30/05/2006, DJ 04082006 PP00071 EMENT VOL02240 06 PP01094 RTJ VOL0020201 PP00336 REVJMG v. 57, n. 176/177, 2006, p. 465468) Adotandose a interpretação dada pela jurisprudência pátria entendo ser indevido o alargamento da hipótese de incidência prevista na Lei 10.168/2000, conforme pretendido pela fiscalização, eis que o diploma legal estabelece de modo claro a necessidade de haver a prestação de um serviço e sua consequente remuneração para que ocorra a incidência da CIDE. No caso dos autos, considerando os elementos colacionados houve um mero reembolso de despesas pela cessão dos funcionários pertencentes à matriz da recorrente. A recorrente consigna em sua peça recursal: O acordo de reembolso de despesas prevê que (cláusulas 1.1 e 2.1): Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 11 19 Em dito instrumento contratual consta também: Assim, em observância ao princípio da verdade material, sendo o caso de simples reembolso de despesas, não há como incidir a CIDE. O Superior Tribunal de Justiça entende que deve prevalecer a verdade material em favor do contribuinte: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. SALDO CREDOR EM CAIXA.PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. FACULDADE DO CONTRIBUINTE PRODUZIR PROVA CONTRÁRIA.PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SUCUMBÊNCIA.PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. 1. A presunção juris tantum de omissão de receita pode ser infirmada em Juízo por força de norma específica, mercê do Fl. 336DF CARF MF 20 princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5.º, XXXV, da CF/1988) coadjuvado pela máxima utile per inutile nom vitiatur. 2. O princípio da verdade real se sobrepõe à presuntio legis, nos termos do § 2º, do art. 12 do DL 1.598/77 (art. 281 RIR/99 Decreto 3.000/99), ao estabelecer ao contribuinte a faculdade de demonstrar, inclusive em processo judicial, a improcedência da presunção de omissão de receita, considerada no auto de infração lavrado em face da irregularidade dos registros contábeis, indicando a existência de saldo credor em caixa. Aplicação do princípio da verdade material. (...)" (REsp 901.311/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2007, DJe 06/03/2008) O reembolso de despesas, pela sua própria natureza não possui fins econômicos, ou seja, não se destina a uma contraprestação ou remuneração de serviços. Se serviço tivesse sido prestado à recorrente, tal, obviamente, visaria o lucro, o que não é o caso ora em análise. Para a incidência de CIDE conforme previsto no texto legal, necessária a prestação de um serviço, exigindo atividade econômica, ínsita nessa definição, a nosso ver, o fim de obtenção de lucro, o que não se vislumbra na hipótese em apreço de reembolso de despesas. No plano jurídico, portanto, os reembolsos de custos ou despesas tem nítidos fins não econômicos, ou seja, não objetivam lucro e, portanto, não sujeitos à incidência da CIDE. Gustavo Brigagão, sobre os contratos de rateio de despesas com o consequente reembolso anota que: "Tratase, portanto, de contrato atípico por meio do qual duas ou mais pessoas jurídicas repartem custos e despesas de interesse comum relativos a utilidades que lhes aproveitam, tais como o compartilhamento de pessoal técnico (departamentos de apoio nas áreas de informática, contabilidade, RH entre outros), equipamentos, estruturas e bens de natureza diversa. Há, nesse contrato, de um lado, a assunção por uma das partes da obrigação de suportar inicialmente o ônus relativo às despesas incorridas, e, de outro, o posterior rateio do respectivo valor entre as demais empresas envolvidas, na proporção do aproveitamento das utilidades auferidas por cada uma delas, sem que a esse valor seja acrescida qualquer mais valia." (Revista Consultor Jurídico, Controvérsia sobre regras de tributação do rateio de despesas caminha para o fim, 18/06/2014) Não há como se confundir os institutos de "reembolso" e "prestação de serviços", dado possuírem naturezas jurídicas distintas, não sendo, a meu ver, correto se falar em tributação dos reembolsos pelos custos incorridos no que se refere a remuneração dos funcionários disponibilizados pela matriz à recorrente, haja vista não se tratarem de remuneração pela prestação de serviços, mas sim de um mero ressarcimento de custos. Matheus Monteiro Morosini anota que: Fl. 337DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 12 21 "Reembolso e rateio de despesas de gastos são importâncias que não incrementam o patrimônio de quem os recebe. Em tais situações, não há propriamente uma prestação de serviços, tampouco o percebimento de receita tributável, assim entendida aquela que venha a produzir reflexos na esfera patrimonial da empresa." (http://boletim.prolikadvogados.com.br/2016/05/18/o rateiodedespesaseaposicaodareceitafederal/) À toda evidência, de conseguinte, que os reembolsos não possuem qualquer margem de lucro e assim, não objetivam alcançar fim econômico, e passam ao largo do arco de abrangência da incidência tributária. Neste sentido, colhese o seguinte precedente deste Colegiado Administrativo de Julgamento: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/01/2007 a 31/12/2008 COFINS/PIS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA EMPRESA CONTROLADORA DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. Os serviços compartilhados (nas áreas de auditoria, consultoria jurídica e contencioso judicial, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais de sistema de computadores e recursos humanos) prestados (inhouse ou intragrupo) pela controladora exclusivamente às empresas controladas do mesmo grupo empresarial, por serem prestados sem finalidade lucrativa e não se inserirem no objeto do social ou no “comercium” da controladora, que carece de habilitação para sua prestação a terceiros alheios ao grupo empresarial (registros da controladora na OAB, CRC, CRA, etc), não se inserem nos núcleos da materialidade da hipótese de incidência, quer do ISS, quer das contribuições do PIS e da COFINS. COFINS/PIS BASE DE CÁLCULO EXCLUSÃO REEMBOLSO OU RESSARCIMENTO DE DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. As quantias recebidas pela controladora a título de reembolso ou ressarcimento, por despesas com serviços compartilhados sem qualquer margem de lucro ou finalidade lucrativa, não se inserem no conceito de faturamento ou receita bruta decorrente da exploração da venda de serviços ou de quaisquer outras receitas tributáveis pelas contribuições doo PIS e da COFINS, seja porque se encontram fora do objeto das atividades institucionais (atividadefim) da controladora, seja porque não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, vez que se destinam apenas à justa reposição de seu patrimônio, reduzido ou diminuído em razão de gastos efetivados em proveito da controlada." (Processo 16327.721361/201110; Acórdão 3402001.912; – 4ª Câmara / 2ª Fl. 338DF CARF MF 22 Turma Ordinária; Sessão de 27 de setembro de 2012; Relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça) Recente decisão proferida pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento assim concluiu: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. (...)" (Processo nº 13603.722329/201068; Acórdão 2401004.672; Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Sessão de 15 de março de 2017) Por fim, vale mencionar a Solução de Consulta COSIT 378/2017, ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIOADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO RESIDENTE NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Quando da remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão sofrer retenção de imposto de renda na fonte (IRRF), até o limite do valor percebido no exterior pelo sócioadministrador ou pelo profissional expatriado da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, por não se caracterizarem rendimentos da empresa domiciliada no exterior. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 13 23 Dispositivos Legais: Regulamento do Imposto de Renda, Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999, alínea “a” do art. 685. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIOADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO. DEDUTIBILIDADE DA DESPESA PARA FINS DE IRPJ. Para efeito de apuração do IRPJ, o valor reembolsado pela pessoa jurídica no Brasil a sua matriz ou a empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior no valor da remuneração de sócioadministrado ou profissional expatriado residente no Brasil da pessoa jurídica domiciliada no Brasil pago no exterior, mediante "invoice" apresentada por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial, é dedutível quando da apuração do IRPJ, se tais despesas forem necessárias às atividades da pessoa jurídica no Brasil e à manutenção da fonte produtora e desde que sejam também despesas usuais em seu ramo de negócio. Dispositivos Legais: Regulamento do Imposto de Renda, Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999, arts. 299 e 300 e Parecer Normativo CST nº 32, de 1981, itens 4 e 5. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIO ADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO. DEDUTIBILIDADE DA DESPESA PARA FINS DA CSLL. Para efeito de apuração da CSLL, o valor reembolsado pela pessoa jurídica no Brasil a sua matriz ou a empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior no valor da remuneração de sócioadministrado ou profissional expatriado residente no Brasil de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, pago no exterior, mediante "invoice" apresentada por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial, é dedutível quando da apuração da CSLL, se tais despesas forem necessárias às atividades da pessoa jurídica no Brasil e à manutenção da fonte produtora e desde que sejam também despesas usuais em seu ramo de negócio. Dispositivos Legais: Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 57; Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 13; Regulamento do Imposto de Renda, Decreto no 3.000, de 26 de Fl. 340DF CARF MF 24 março de 1999, arts. 299 e 300 e Parecer Normativo CST no 32, de 1981, itens 4 e 5. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIO ADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO RESIDENTE NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliado no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não sofrem incidência do PISImportação, por não se caracterizarem contraprestação por serviços prestados pela empresa domiciliada no exterior. Dispositivos Legais: Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, inciso II do art. 3o. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIO ADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO RESIDENTE NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliado no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não sofrem incidência da COFINSImportação, por não se caracterizarem contraprestação por serviços prestados pela empresa domiciliada no exterior. Dispositivos Legais: Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, inciso II do art. 3o." De tal Solução de Consulta, destaco os seguintes excertos: "Com efeito, a consulente descreve como situação fática o reembolso a sua matriz ou a empresas do grupo empresarial de despesas relativas rendimento auferido por sócioadministrador ou funcionário expatriado residente no País para fins tributários. Nesta situação, caracterizamse as remessas efetuadas como mero retorno de capital à empresa no exterior, não passíveis de retenção a título de IRRF." " Todavia, analogamente ao raciocínio já desenvolvido quanto da análise do IRRF, entendese que, verificada a premissa de os valores a serem reembolsados, até o limite do valor percebido no exterior pelo sócioadministrador ou pelo funcionário da Fl. 341DF CARF MF Processo nº 15504.726158/201332 Acórdão n.º 3201003.152 S3C2T1 Fl. 14 25 consulente, residentes no Brasil, cujas despesas foram arcadas por empresa no exterior, não há que se falar em tributação das remessas destes valores seja pelo PISImportação ou a título de COFINSImportação. Daí concluirse aqui, pela não ocorrência da hipótese de incidência prevista no art. 3o, inciso II, da Lei no 10.865, de 2004.' Da conclusão da Solução de Consulta temse: "a) quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão sofrer retenção de imposto de renda na fonte (IRRF), até o limite do valor percebido no exterior pelo sócio administrador ou pelo profissional expatriado da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, por não se caracterizarem rendimentos da empresa domiciliada no exterior; b) quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não sofrem incidência do PISImportação ou da COFINS Importação, por não se caracterizarem contraprestação por serviços prestados pela empresa domiciliada no exterior.' Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário interposto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 342DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.721048/2014-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 30/09/2013
DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN.
Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar os créditos escriturais de IPI no RAIPI.
IPI. FRETE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O frete inclui-se na base de cálculo do IPI, por expressa de previsão legal.
IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, NEM CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INVIABILIDADE DO CREDITAMENTO. Consolidada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme acórdão proferido pelo regime de recurso repetitivo (REsp 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009).
MULTA ISOLADA POR FALTA DE DESTAQUE DE IPI COM COBERTURA DE CRÉDITO. A multa isolada por falta de destaque de IPI com cobertura de crédito encontra-se prevista na legislação vigente, art. 80, §8°, da Lei n° 4.502/64.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Valcir Gassen que davam provimento quanto à preliminar de decadência do direito de glosa dos saldos credores e o Conselheiro Valcir Gassen que dava provimento também à exclusão do frete da base de cálculo do IPI.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar os créditos escriturais de IPI no RAIPI. IPI. FRETE. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O frete incluise na base de cálculo do IPI, por expressa de previsão legal. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, NEM CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INVIABILIDADE DO CREDITAMENTO. Consolidada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme acórdão proferido pelo regime de recurso repetitivo (REsp 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009). MULTA ISOLADA POR FALTA DE DESTAQUE DE IPI COM COBERTURA DE CRÉDITO. A multa isolada por falta de destaque de IPI com cobertura de crédito encontrase prevista na legislação vigente, art. 80, §8°, da Lei n° 4.502/64. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 10 48 /2 01 4- 23 Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.783 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Valcir Gassen que davam provimento quanto à preliminar de decadência do direito de glosa dos saldos credores e o Conselheiro Valcir Gassen que dava provimento também à exclusão do frete da base de cálculo do IPI. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Em desfavor do contribuinte, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/33, para exigir R$ 8.530.896,70 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 2.847.343,18 de juros de mora calculados até outubro de 2014, R$ 6.398.172,58 de multa proporcional ao valor do imposto e R$ 5.899.756,28 de multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, representando um crédito tributário total consolidado de R$ 23.676.168,74. O referido auto de infração constituiu as exigências fiscais em razão da apuração das seguintes infrações: ‘0001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI – INOBSERVÂNCIA DO VALOR TRIBUTÁVEL (PRODUTO NACIONAL) Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) do estabelecimento de produto(s) tributado(s), por não ter incluído na base de cálculo o valor do frete, cobrados ou debitados ao comprador ou destinatário, conforme Relatório Fiscal.’ Compulsando os dados das notas fiscais eletrônicas, relata a autoridade que o contribuinte deixou de incluir o frete cobrado do destinatário em suas notas fiscais. A planilha "IPI Sobre Frete" aponta todas as notas fiscais em que houve a infração. Em vista disso foi lavrado o lançamento de ofício das diferenças. ‘0002 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.784 3 SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI – INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido a saída de produto(s) tributado(s), com falta, insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal, conforme Relatório Fiscal.’ E, infração n° 3: ‘0003 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO O estabelecimento industrial ou equiparado deixou de recolher imposto em decorrência da escrituração e utilização de crédito indevido sobre insumos do processo produtivo, conforme Relatório Fiscal. Foram acatados como insumos no processo industrial da Recorrente: ferroligas, tarugos, gusa sólido, pó dessulfurante, material de embalagem, eletrodo grafite e outros. Todavia, foram glosados os seguintes materiais, por não integram o processo industrial produtivo do aço da empresa, ou seja, por não serem produtos intermediários: refratários (tijolos, placas, massas e concretos feitos de material muito resistente ao calor), ventaneira (peça feita de cobre, instalada no alto forno com durabilidade entre 100 e 800 dias), tubo 1/2 (utilizado para a limpeza dos recipientes de aço líquido), guia, inserto, conjunto, rolete (peças internas dos laminadores, geralmente adquiridas do fornecedor Etage Ind. e Com Ltda.). A fiscalização considerou que se tratam tipicamente de peças de máquinas, não sendo consumidos no processo industrial da empresa. ‘0004 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO) O estabelecimento industrial ou equiparado deixou de recolher imposto em decorrência da escrituração e utilização de ajustes indevidos, relativos a decisões de homologação de ressarcimentos, conforme Relatório Fiscal. Neste tópico, relata a fiscalização que: A empresa efetuou ajustes de créditos nos valores de R$ 413.386,68, R$ 2.179.822,30 e R$ 554.325,26, respectivamente para os meses de 03/2013, 05/2013 e 09/2013. Intimada a justificar e comprovar tais créditos, a empresa informou tratar se da diferença entre o valor de ressarcimento pedido e o reconhecido, em Despachos Decisórios Eletrônicos que indeferiram parcial ou totalmente os valores pedidos. Com efeito, por ocasião do pedido de ressarcimento, devese estornar o valor pedido, a débito, no RAIPI. Todavia, o indeferimento Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.785 4 total ou parcial desse valor não gera crédito, pois o Despacho Decisório que indefere já apura corretamente os saldos subsequentes, deduzindo somente o valor reconhecido. Os Despachos Decisórios subsequentes observam o saldo remanescente do Despacho Decisório anterior, e portanto, não consideram o estorno de débito pelo valor do pedido, e sim pelo valor reconhecido. Do mesmo modo, a planilha Reconstituição da Escrita Fiscal, documento anexo a este Relatório Fiscal, também reconstrói o Livro de Apuração de IPI, a partir de janeiro de 2009, registrando o estorno relativo ao pedido de ressarcimento (débito) somente pelos valores de ressarcimento reconhecidos, considerando as infrações apuradas. Portanto, totalmente indevidos os valores em foco, razão pela qual foram glosados da coluna de ajustes credores. A conclusão da autoridade foi: Em razão das irregularidades, apuramos novos saldos ao final de cada período de apuração, conforme planilha "Reconstituição da Escrita Fiscal", que faz parte do presente relatório. Nos períodos em que houve saldo devedor, efetuamos o lançamento de ofício do imposto, e a respectiva multa de ofício e juros. Nas infrações de ausência de lançamento de IPI, procedemos também ao lançamento da multa de ofício, mesmo nos casos em que houve cobertura de créditos, conforme legislação citada no corpo do Auto de Infração do qual este Relatório Fiscal é parte integrante. Por fim, cumpre relatar que foi reconhecida a decadência pela própria autoridade fiscal: As multas de ofício foram lançadas para infrações de débito a partir de 05102009, em vista da decadência do direito de lançar (art. 150 do Código Tributário Nacional). Não obstante, as infrações anteriores a esta data alteram efetivamente os saldos credores passíveis de ressarcimento, visto que o erro do contribuinte não pode beneficiálo para receber recursos públicos indevidos. Apresentada a impugnação, posteriormente, houve desistência de parte dela, quanto à infração do item 2: erro de classificação fiscal. A fiscalização apontou que “vários produtos da empresa eram constituídos de aços ligados, na definição dada pela aliena "f da Nota 1 do Capítulo 72 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. Tais produtos devem ser classificados nos códigos da posição 72.27, como fio máquina de outras ligas de aço, cuja alíquota de IPI, para todo o período, é de 5%, conforme os Decretos 6006/2006 e 7660/2011, tendo a empresa classificado na posição 72.13 da TIPI”. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.786 5 Ocorre que, em 02/10/2015, em petição de fls. 1623/1658, para efeito de adesão ao parcelamento especial previsto na Lei nº 12.996, de 18/06/2014, o contribuinte pediu a desistência parcial da impugnação, condicionada a deferimento de Pedido de Revisão dos valores consolidados referentes ao parcelamento em questão. A 2ª Turma da DRJ REC (fls. 1660/1680) julgou procedente o auto de infração lavrado contra a empresa, nos termos do acórdão assim ementado: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DESISTÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A expressa desistência da impugnação quanto à matéria objeto de autuação, implica renúncia ao contencioso administrativo, tornandose definitiva a correspondente exigência fiscal. GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA. Não há como confundir a proibição de constituição do crédito tributário, em face do que dispõe o § 4º do artigo 150 do CTN, que trata da decadência, com proibição de glosa de saldos credores indevidos. FRETE. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. A base de cálculo do imposto corresponde ao valor total da operação, que inclui o frete cobrado do adquirente. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem geram direito creditório do imposto. DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO. LANÇAMENTO DE CRÉDITOS NO RAIPI. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento, parcial ou integral, de pleito creditório não autoriza o requerente a efetuar lançamento a crédito dos valores não reconhecidos no Livro de Apuração do IPI RAIPI. MULTAS. Não incorre em duplicidade a aplicação simultânea da multa de ofício sobre o IPI não recolhido e sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 30/09/2013 PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.787 6 Não há de ser deferido o pedido de perícia quando estão presentes nos autos elementos suficientes à formação da convicção do julgador e ao deslinde do litígio. Impugnação Improcedente Os argumentos estampados na impugnação foram bem resumidos pela DRJ REC, nos seguintes: Defende a impossibilidade de reconstituição da conta gráfica no período de janeiro a setembro de 2009. No seu entendimento, seria definitivo o saldo credor por ele apurado para os períodos anteriores a outubro de 2009, em virtude do transcurso do prazo decadencial previsto para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN), não dispondo o Fisco, dessa forma, de prazo ilimitado para efetuar a revisão da atividade de apuração realizada pelo contribuinte. Alega que houve concomitância ilegal na aplicação das penalidades incidentes na autuação e sustenta a nulidade do lançamento da multa isolada nos períodos compreendidos entre fevereiro de 2011 e maio de 2012. Sobre o tema, transcreve ementas de julgados administrativos. Sustenta que as normas legais Lei nº 4.502/1964, bem como o RIPI/2002 e o RIPI/2010 que disciplinam o IPI, ao incluir o frete na base de cálculo do imposto, contrariariam os ditames do artigo 47 do CTN, alargando indevidamente a hipótese de incidência do tributo, conforme consta em doutrina e decisões judiciais que transcreve. Argumenta que a fiscalização glosou indevidamente créditos de IPI sobre uma série de produtos pertencentes ao processo produtivo da empresa. A respeito do tema, tece considerações atinentes ao Princípio da NãoCumulatividade (art. 153, § 3º, II, da CF) e ao conceito de produtos intermediários, por meio das quais procura demonstrar que a fiscalização teria deixado de reconhecer o direito creditório correspondente à aquisição de determinados produtos por considerálos equivocadamente como partes ou peças de máquinas. No tocante aos referidos materiais, defende classificálos como produtos intermediários, em vista do seu consumo inequívoco no processo produtivo do aço e durabilidade inferior a um ano, e cita alguns deles dando ênfase aos materiais refratários (bloco refratário, tijolo refratário, concreto refratário, massa e argamassa refratárias e demais materiais refratários) os quais seriam necessários ao processo de produção do aço em fornos de siderurgia, em face da altíssima temperatura em que este se dá. Conforme expõe, em todos os casos citados, estarseia diante de produtos intermediários, com desgaste no processo produtivo da Empresa e em contato direto com o aço produzido, pelo que é indiscutível o creditamento de IPI nos termos do RIPI/2010. Sobre a questão, apresenta planilha contendo informações a respeito da descrição, aplicação e vida útil, dos itens glosados (doc. 06 às fls. 1506/1536) e, com vistas a fundamentar sua tese, transcreve excertos de acórdãos de decisões administrativas e judiciais. Ainda com relação aos materiais cujo creditamento foi objeto de glosa, especifica o seguinte: Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.788 7 1. Ventaneira: Conforme planilha acostada pela Empresa (doc. 06, cit.), tratase de material que transporta o ar quente que vem do regenerador para dentro do alto forno, entrando em contato com a gusa em produção. Ao contrário do que alega o fisco, sua durabilidade é de 4 meses a 1 ano, sendo indiscutivelmente um produto intermediário. 2. Tubo 1/2: Produto essencial ao processo produtivo, utilizado para auxiliar na fusão de cascão de ferro, sem o qual o processo produtivo precisa ser interrompido. Sua vida útil é inferior a 3 meses, motivo pelo qual o crédito é indiscutível 3. Guia, inserto, conjunto e rolete: Quanto a esses itens muito não precisa ser dito. O próprio relatório fiscal assume que tais produtos "entram em contato direto com o produto e se consomem em alguns meses." Afinal de contas, o que falta, à luz da legislação de regência, para que o crédito seja concedido? 4. Demais produtos glosados: Quanto a estes itens, tratase até mesmo de hipótese de nulidade, pois sequer mencionados no relatório fiscal, dentre os quais podemos destacar as correias. Não obstante, conforme planilha fiscal, o único fundamento para a glosa desse item decorre do suposto enquadramento como parte do maquinário. Portanto, tal qual demonstrado para os refratários, o presente fundamento é completamente insubsistente, devendo o crédito ser reestabelecido. Contesta a infração atinente aos ajustes de créditos relativos a pedidos de ressarcimento integral ou parcialmente indeferidos, alegando que tais ajustes não foram indevidos como destacou a fiscalização. Afirma que o fundamento da glosa apresentado pela fiscalização estaria equivocado e repisa os valores glosados, expressando especial contrariedade quanto ao valor de R$ 484.710,96, em relação ao qual afirma não existir sentido algum na glosa, posto que não seria decorrente do não reconhecimento de um pedido de ressarcimento, por se tratar de um débito referente à utilização de saldo credor, conforme DCOMP 03137.63026.081013.1.3.017018, do 1°T/2009 (doc. 10). Quanto à questão aduz ainda que deveria ter procedido ao estorno dos créditos de IPI no seu livro fiscal no momento da transmissão dos pedidos de ressarcimento, mas somente o fez quando da apresentação das DCOMP vinculadas aos pedidos de ressarcimento, o que teria ocasionado uma distorção do montante passível de ressarcimento, especialmente quando a compensação ocorria em trimestre posterior ao da entrega do Pedido de Ressarcimento. Em acréscimo, diz que os valores reajustados nos livros fiscais são exatamente os mesmos recolhidos pela Empresa em função da não homologação integral das compensações, o que seria o mesmo que afirmar que a parcela do crédito reconhecida pela RFB compensou os tributos apontados na DCOMP e levou à manutenção do estorno do saldo credor, enquanto que a parcela não reconhecida deixou os respectivos débitos em aberto, os quais foram devidamente quitados, ao passo que o crédito ressarcível não utilizado foi reincorporado ao livro fiscal da empresa. Alegando ausência de previsão legal e de prejuízo ao Erário, questiona o lançamento da multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito e argumenta que as multas aplicadas (isolada e de ofício) estariam estabelecidas em patamares abusivos, conflitando com os princípios constitucionais da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, razão pela qual deveriam ser canceladas ou reduzidas a patamares constitucionalmente admitidos. Requer a realização de perícia que se prestaria a esclarecer a essencialidade e vida útil dos itens glosados pelo fisco relativos à infração atinente aos créditos de IPI sobre insumos considerados indevidos. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.789 8 Esses argumentos foram repisados em sede de recurso voluntário, juntamente com a alegação de nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, tendo em vista a não realização de perícia nos itens glosados. Diante disso, em preliminar, requer a nulidade ou a conversão do julgamento em diligência para oportunizar a apresentação de laudo técnico sobre os produtos glosados. Ao final requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário atende os pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Preliminar de falta de intimação dos débitos do processo A empresa aponta que, na intimação do acórdão da DRJ, somente foi anexado o extrato e DARF vinculados à multa isolada cobrada nesta autuação, não tendo sido notificado ao contribuinte o valor dos débitos de IPI e multa de ofício remanescente, em especial decorrente da adesão parcial ao parcelamento. Com isso, requer nova intimação do acórdão da DRJ e reabertura de prazo para novo recurso voluntário. Entendo que não se trata de nulidade, uma vez que o que não foi objeto de parcelamento, foi integralmente mantido pela DRJ. No mais, consta nos autos que a parte não litigiosa, para o qual a empresa apresentou desistência parcial para o parcelamento, foi transferida e está sob controle no Processo 18208.083707/201577. Ademais, o recurso voluntário se insurge contra todos os pontos da decisão recorrida. Portanto, não vislumbro nulidade, por ausência de prejuízo à defesa. Preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa Alega a Recorrente que houve cerceamento de defesa, pois requereu a prova pericial apta a demonstrar a aplicação dos refratários em seu processo produtivo. Pretende, com essa perícia, demonstrar que efetivamente o refratário é produto intermediário, sendo devido os créditos que foram glosados. Defende que "a única forma de elucidar o processo produtivo é através da elaboração de um laudo pericial, o que foi inexplicavelmente indeferido pela DRJ". Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.790 9 Não há que se falar em nulidade da decisão de piso, uma vez que o entendimento foi no sentido da prescindibilidade da perícia, diante dos elementos constantes dos autos: Com efeito, os autos se encontram instruídos com termos e planilhas que evidenciam os dados obtidos, as conclusões da fiscalização e demais informações atinentes às infrações apuradas, tendo a presente autuação sido precedida de diligência fiscal que, entre outras providências, contemplou visita técnica a planta fabril do impugnante e exames concernentes à execução das etapas do seu processo produtivo, os quais contaram inclusive com o acompanhamento de coordenador técnico da empresa e serviram para suprir os autos com todas as informações necessárias ao deslinde da presente lide. Salientese que a fiscalização não presumiu suas conclusões, tendo se fundamentado em exames efetuados no próprio estabelecimento, em sede de ação fiscal consubstanciada em diligência tendente a examinar, a partir de informações prestadas pelo autuado, o processo produtivo efetuado e os itens com este relacionados (cf. efls. 1101/1120). Em seguida, a autoridade fiscal elaborou planilha (cf. fls. 303/812), na qual se encontra explicitada, entre outras informações, a descrição dos itens e a motivação da glosa a eles imposta. Preliminar de decadência do direito de glosa dos saldos credores Alega que, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, está decaído o direito de o Fisco proceder a ajustes/glosas em seus saldos credores anteriores a outubro de 2009 (data da ciência 06/10/2014). Entendo que não há razão nesse argumento. Explico. Diferese a glosa de crédito escritural e reescrita fiscal, de constituição do crédito tributário pelo lançamento. A glosa decorre de créditos escriturais não admitidos pelo RIPI, mas que foram utilizados pelo contribuinte na sua escrita fiscal atinente à apuração do IPI sob a égide da não cumulatividade. Já a constituição do crédito tributário referese à exigibilidade do pagamento do saldo devedor do IPI, o qual foi apurado na escrita fiscal do RAIPI, mas não espontaneamente pago ou compensado (DCOMP) ou confessado (mediante DCTF). A constituição do crédito tributário pelo lançamento é que deve se dar no prazo de 5 anos. Se da glosa dos créditos escriturados resultar a apuração de saldos devedores, estes serão passíveis de exigência mediante lançamento de ofício, se relativos aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN. O prazo decadencial para a constituição de crédito tributário foi tratado pelo STJ, no REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, no qual se Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.791 10 pacificou que a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento lançamento por homologação regese pelo art.150, §4º, do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo é o do art.173, I, do CTN, ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Dessa forma, a decadência operase em relação ao crédito tributário decorrente da existência de saldo devedor do IPI apurado no RAIPI e não em relação à glosa de ofício dos créditos escriturais indevidos. Nesse sentido, o acórdão CARF nº 3403003537: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE GLOSAR. INEXISTÊNCIA A decadência fulmina o direito de a fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar glosas no livro de IPI. As glosas podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso. Enfim, considerando que o art. 150 do CTN não se aplica ao direito da administração de glosar os créditos escriturais indevidos do IPI, deve ser afastada a preliminar de decadência dessas glosas. Preliminar de nulidade do lançamento da multa isolada, nos períodos de fev./11 a maio/12 Neste tópico, a Recorrente defende que a autoridade fiscal ao mesmo tempo em que cobrou a multa isolada, também lançou débitos contra a empresa, acrescidos de multa de ofício de 75% e dos juros de mora respectivos. Com isso, haveria uma concomitância ilegal entre a multa de ofício de 75% e a multa isolada de 75% para os mesmos períodos, de fevereiro de 2011 a maio de 2012, ou seja, a pena foi imposta duplamente. Entendo que este tópico se confunde com o próprio mérito, que será tratado a seguir. MÉRITO Inclusão do frete na base de cálculo do IPI Aponta a Recorrente o equívoco da inclusão na base de cálculo do IPI dos valores referentes ao frete cobrado dos adquirentes dos seus produtos. Entende que a inclusão do frete afronta o disposto no art. 47, II, a, do CTN, não compondo o “valor da operação” de Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.792 11 que decorrer a saída do produto. Dessa forma, o “frete” se refere a outra relação contratual, que não compõe o critério material da hipótese de incidência do IPI. A inclusão do frete na base de cálculo do IPI foi estabelecida pela Lei nº 7.798/89, cujo art.15 alterou a redação do art. 14 da Lei nº 4.502/1964: Art. 15. O art. 14 da Lei nº 4.502, com a alteração introduzida pelo art. 27 do DecretoLei nº. 1.593, de 21 de dezembro de 1977, mantido o seu inciso I, passa a vigorar a partir de 1° de julho de 1989 com a seguinte redação: Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: I .......................................... II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. § 3º. Será também considerado como cobrado ou debitado pelo contribuinte, ao comprador ou destinatário, para efeitos do disposto no § 1º, o valor do frete, quando o transporte for realizado ou cobrado por firma coligada, controlada ou controladora (Lei nº 6.404) ou interligada (DecretoLei nº 1.950) do estabelecimento contribuinte ou por firma com a qual este tenha relação de interdependência, mesmo quando o frete seja subcontratado. Tal prescrição está replicada no art. 131 do Decreto n° 4544/2002 (RIPI/2002) e no art. 190 do Decreto n° 7212/2010 (RIPI/2010). Aponto que o STF ao analisar AgRg no RE n° 636.714/SC, aplicou o entendimento do RE n° 567.935/SC para afastar a inclusão do valor do frete na base de cálculo do IPI, estabelecida nos §1° e § 3 do art. 14 da Lei n° 4.502/1964, com a alteração do art. 15 da Lei n° 7.798/1989. Confirase o teor dos julgados: RE 636.714, DJ 4.11.2014 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – VALORES DE DESCONTOS INCONDICIONAIS – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO – ARTIGO 15 DA LEI Nº Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.793 12 7.798/89 – INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL – LEI COMPLEMENTAR – EXIGIBILIDADE. Viola o artigo 146, inciso III, alínea “a”, da Carta Federal norma ordinária segundo a qual hão de ser incluídos, na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, os valores relativos a descontos incondicionais concedidos quando das operações de saída de produtos, prevalecendo o disposto na alínea “a” do inciso II do artigo 47 do Código Tributário Nacional. AgRg no RE n. 636.714, julg. 30/06/2015 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO FRETE: IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. JULGADO RECORRIDO CONSOANTE À JURISPRUDÊNCIA DESTE SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ASSENTADA NO PROCEDIMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL: RE 567.935. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. Trecho do voto da Min. Cármen Lúcia: No Recurso Extraordinário n. 567.935, a inconstitucionalidade da Lei n. 7.798/1989 se verifica no dispositivo pelo qual ampliada a base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados, com a inclusão dos valores de descontos incondicionais concedidos quando da saída dos produtos (§ 2º do art. 14 da Lei n. 4.502/1964, com a alteração do art. 15 da Lei n. 7.798/1989). No presente recurso, como assinalado pelo Tribunal de origem, a inconstitucionalidade da referida lei se manifesta no dispositivo pelo qual determinada a inclusão do valor do frete na base de cálculo do imposto, dispondo de forma diversa da estabelecida na lei complementar competente, o Código Tributário Nacional (§ 1º e § 3º do art. 14 da Lei n. 4.502/1964, com a alteração do art. 15 da Lei n. 7.798/1989). Existe identidade material entre o Recurso Extraordinário n. 567.935, paradigma da repercussão geral, e o presente Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.794 13 recurso, a autorizar a adoção do entendimento assentado pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, a decisão do AgRg no RE n° 636.714/SC referiuse a exclusão da base de cálculo do IPI dos “descontos incondicionais”, tendo sido afetada a decisão à sistemática de repercussão geral. Por sua vez, o entendimento do RE n° 567.935/SC não foi afetado como repercussão geral. Assim, inexiste a vinculação deste processo administrativo à decisão do RE n° 567.935/SC. Por conseguinte, ausente o imperativo do art. 62, §2º do RICARF. Os argumentos que envolvem o afastamento da legislação vigente e válida por afronta à Constituição ou ilegalidade esbaram na vedação do disposto no art. 62 do RICARF e na Súmula CARF n° 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, a inclusão do frete na base de cálculo do IPI está respaldada em documentos normativos válidos e vigentes na época dos fatos. Os créditos indevidos – controvérsia a respeito dos “produtos intermediários” Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados poderão creditar se, conforme autorização legal contida no RIPI/2010 e no RIPI/2002, do imposto relativo às matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME) adquiridos para emprego na industrialização de produtos, podendose incluir entre os insumos que, embora não se integrando na composição final do novo produto industrializado, sejam consumidos no processo de fabricação por desgaste no contato direto com o produto final produzido, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização, bem como os bens adquiridos compreendidos no ativo permanente da empresa. A autoridade fiscal considerou os seguintes critérios para a glosa: Que não seja classificável como ativo permanente, Que seja semelhante a produto intermediário, no sentido de se consumir, desgastar, em contato direto com o produto, Que não seja incorporado às instalações industriais, como partes ou peças de máquinas, Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.795 14 O desgaste é natural do uso e não do processo produtivo (do contato direto com os produtos industrializados). A fiscalização glosou os créditos dos seguintes produtos, por não os considerar “produtos intermediários”, com as seguintes justificativas: · Refratários – São tijolos, placas, massas e concretos feitos de material muito resistente ao calor. Revestem internamente as panelas e canais onde passa o ferro ou aço líquidos, por causa das altíssimas temperaturas. Há também tampões, tubos, válvulas e outros objetos de material refratário, todos em conexão com os equipamentos que contém em seu interior o ferro ou aço líquido. Alguns podem se consumir rapidamente, outros podem se consumir em muitos meses, a depender da qualidade do insumo e local onde é aplicado. Não obstante sua durabilidade ou contato com o produto, tratase tipicamente de parte de máquinas, sendo elementos que compõem os fornos, convertedores e recipientes semelhantes. Os diversos tipos de refratários têm aplicação específica para cada equipamento. Vinculamse à proteção do equipamento, e não agregam características peculiares ao produto, senão como resultado de sua função própria como parte do equipamento. Vale dizer, os refratários protegem O EQUIPAMENTO, sendo, portanto, classificável no ativo permanente, nos termos da NBC TG 27 (R1). · Ventaneira – Conforme Termo lavrado em visita, tal peça é feita de cobre, instalada no Alto Forno e tem durabilidade entre 100 e 800 dias. Não há possibilidade de distinguir, a partir dos registros, quais peças duraram menos de um ano. Tais circunstâncias levam a glosar o crédito sobre esse insumo, seja porque deve ser ativado em função do tempo de duração, seja por ser incorporado ao maquinário. · Tubo 1/2 – Esse insumo não faz parte de qualquer máquina, porém é utilizado para a limpeza dos recipientes de aço líquido. Portanto, não entra em contato direto com o produto, mas somente com os resíduos. · Guia, inserto, conjunto, rolete – Peças internas dos laminadores, geralmente adquiridas do fornecedor Etage Ind. E Com Ltda. Entram em contato direto com o produto, e se consomem em alguns meses. Tipicamente são peças de máquinas. Já a Recorrente defende que todas as glosas se referem a produtos intermediários, com desgaste no processo produtivo da empresa e em contato direto com o aço produzido. São produtos intermediários todos aqueles que apesar de não integrarem o produto final, se consomem, seja pelo desgaste, seja pela transformação (perda de propriedade) no processo produtivo na condição de elemento indispensável à sua consecução. Fundamenta a essencialidade dos insumos ao seu processo industrial: · Tijolo refratário: No decurso do processo produtivo do aço, inúmeros equipamentos precisam ser revestidos por tijolos refratários, pois caso não existisse dita proteção, este maquinário se fundiria em contato com a alta temperatura do aço. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.796 15 · Bloco refratário: é utilizado em diversos equipamentos do processo produtivo do aço, tais como o distribuidor do aço líquido, a abóboda do forno elétrico e o alto forno, funcionando como função isolante térmico e protetor do maquinário em decorrência do contato com o aço produzido. A diferença entre o bloco e o tijolo refratário é que o primeiro é feito de concreto, enquanto que o segundo é de argila. · Concreto refratário: é aplicado nas panelas de aço, distribuidores de aço líquido, alto forno e laminação e também tem a função de isolamento térmico do maquinário no processo produtivo. O contato com o aço é direto, o material consomese no processo de produção (choque térmico, erosão, etc). · Massa refratária: assenta os tijolos e demais materiais refratários instalados nos equipamentos do processo produtivo do aço. Compõe o revestimento dos equipamentos para auxiliar na proteção contra a atuação do aço em temperaturas elevadas. Dura no máximo 30 dias. · Demais materiais refratários: são aplicados no forno elétrico, compondo o revestimento desse equipamento contra a ação do metal. Dura cerca de 15 dias. · Ventaneira: material que transporta o ar quente que vem do regenerador para dentro do alto forno, entrando em contato com a gusa em produção. Com durabilidade de 4 meses a 1 ano. · Tubo 1/2: Produto essencial ao processo produtivo, utilizado para auxiliar na fusão de cascão de ferro, sem o qual o processo produtivo precisa ser interrompido. Sua vida útil é inferior a 3 meses. · Guia, inserto, conjunto e rolete: como o próprio relatório fiscal assume, tais produtos entram em contato direto com o produto e se consomem em alguns meses. · Demais produtos glosados: não integram o maquinário. A natureza dos itens glosados, como produtos intermediários, foi especificamente descrita pela empresa (v. efls. 17121713) como: a) não são matériasprimas, vez que não se incorporam ao produto final. b) tampouco são bens destinados ao ativo imobilizado – já que sua vida útil é menor a 1 ano. c) não sendo tampouco bens de uso e consumo – dada a essencialidade no processo produtivo. Entendo que não assiste razão à Recorrente, porquanto a jurisprudência consolidada, tanto do STF quanto do STJ, não considera como produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, os bens adquiridos para utilização no processo produtivo, ainda Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.797 16 que não tenham duração superior a doze meses, que não são imediata e integralmente consumidos e incorporados ao produto final. Assim, nem todo produto consumido no processo de industrialização pode ser considerado produto intermediário, sem que isso implique em violação ao princípio da não cumulatividade. Observese o teor do REsp 1075508/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 13/10/2009, julgado na sistemática dos recursos repetitivos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.798 17 desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decisão do REsp nº 1.075.508, representativo de controvérsia, vincula este colegiado, de acordo com a prescrição do art. 62, §2º do RICARF (Portaria n° 343/2015). No mesmo sentido, o acordão 3402004.126, da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, julg. 23052017: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 Ementa: IPI. CRÉDITOS. MATÉRIAS PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. Parte e peças de reposição e ferramentas. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no REsp nº 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o RICARF. Recurso voluntário negado. Em suma, não se trata de afastar a essencialidade ou o consumo no processo industrial, mas sim de examinar se o insumo se agrega ao produto final fabricado, se é consumido de forma imediata (direta) e integral durante o processo de industrialização e ainda, se não pertence ao ativo permanente da empresa. De acordo com a aplicação/função indicada pela empresa na planilha anexada às fls. 1506/1536, constatase que os itens ventaneira (transporte de ar quente), tubo 1/2 (limpeza de peças e refratários), guias, insertos, conjuntos e roletes (todos responsáveis pela condução do fiomáquina) e correias (transporte de materiais diversos), configuramse como maquinário ou suas partes e peças, consubstanciandose na vedação “destinadas ao ativo permanente”, ao passo que o material refratário protege os equipamentos durante o processo de industrialização. Quanto à investigação da aplicação no processo industrial da Recorrente, temse que, como já dito outrora, que as glosas foram feitas após exames efetuados no próprio Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.799 18 estabelecimento, em diligência fiscal, a partir de informações prestadas pela própria empresa, em companhia de coordenador técnico da Recorrente (cf. efls. 1101/1120). Ajustes indevidos de créditos no RAIPI Houve a glosa que se configurou com a exclusão, por parte do fisco, dos créditos de IPI apontados no Registro de Apuração do IPI (RAIPI), provenientes do estorno praticado pela Recorrente, de valores que já haviam sido submetidos a pleitos de ressarcimento. Alega a empresa que o estorno foi efetuado em função da quitação dos débitos que restaram em aberto em decorrência da não homologação, parcial ou integral, das compensações pleiteadas. A esse respeito, a DRJ foi bastante clara: Com efeito, já tendo os supostos créditos sido objeto de análise por meio de processamento eletrônico, o seu não reconhecimento, integral ou parcial, de modo algum autoriza o requerente a novamente adicionálos ao RAIPI. Na realidade, referidos créditos, já submetidos ao processamento eletrônico e não aproveitados por terem sido considerados indevidos, não podem ser “reaproveitados” na escrita fiscal do requerente, sob pena de contribuir para a redução ou mesmo eliminação indevida de eventuais saldos devedores a serem apurados ou mesmo possibilitar a sua indicação (dos créditos) em novas PER/DCOMP e, assim, viabilizar o aproveitamento irregular dos mesmos. Em outras palavras, o fato de o contribuinte ter pago um débito compensado indevidamente com um crédito considerado improcedente de forma alguma o possibilita a aproveitálo em sua escrita, mediante estorno no RAIPI. Por outro lado, cabe ainda esclarecer quanto à questão em apreço que a reversão dos estornos é cabível tãosomente na reconstituição da escrita fiscal, para efeito de apuração dos débitos a serem lançados, o que foi adequadamente levado a efeito pela autoridade autuante. Quanto à especial contrariedade demonstrada pelo contribuinte em relação ao valor de R$ 484.710,96, o qual, segundo ele, por se tratar de um débito, não estaria vinculado a um pedido de ressarcimento, resta destacar que a cópia da PER/DCOMP trazida aos autos como comprovação da alegação formulada, anexada às fls. 1569/1573, demonstra exatamente o contrário, posto que o Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.800 19 valor em apreço se encontra informado como crédito oriundo de ressarcimento de IPI a ser utilizado para compensar um débito declarado em igual valor. Logo, correta a glosa dos valores de créditos indevidamente ajustados pelo contribuinte no RAIPI. Multas aplicadas Questiona o lançamento da multa isolada referente ao IPI não lançado com cobertura de crédito e argumenta que as multas isolada e de ofício foram aplicadas em duplicidade. A multa isolada teve como fundamento o art. 80, caput, da Lei nº 4.502: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Neste ponto, concordo com os fundamentos da decisão de piso: Conforme se observa, a teor do dispositivo acima transcrito, a multa de ofício de 75% deve ser imposta nas hipóteses de falta de lançamento ou falta de recolhimento do imposto. No presente caso, ambas as condutas foram penalizadas, ou seja, aplicouse a multa acima prevista tanto pela falta de lançamento do imposto nas notas fiscais, quanto pelo seu não recolhimento aos cofres públicos. Pode haver casos, como ocorreu em alguns períodos de apuração objeto do Auto de Infração em apreço, em que a falta de lançamento do imposto na nota fiscal não implique em equivalente falta de recolhimento. Isso acontece quando o estabelecimento tem créditos capazes de absorver parte do imposto que deixou de ser lançado. Nesta hipótese, mediante a reconstituição da escrita fiscal, cobrase apenas o imposto (evidenciado pelos saldos devedores apurados) não absorvido pelos créditos, mas a multa de ofício é aplicada sobre todo o imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, ficando, portanto, dividida em duas partes: a que se refere ao imposto a ser cobrado e a que é relativa ao imposto não lançado acobertado por créditos. Dessa forma, independente do lançamento advindo da reconstituição da escrita feita pelo Fisco e da apuração de Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 13629.721048/201423 Acórdão n.º 3301004.064 S3C3T1 Fl. 1.801 20 eventuais saldos devedores, tendo sido constatada a saída de produtos em operações tributadas sem o destaque do imposto ou em destaque a menor, é dever do agente fiscal proceder à aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor que deixou de ser lançado na nota fiscal. Nesse sentido, já preceituava o Parecer Normativo CST nº 39/76, na sua ementa: “A multa por falta do lançamento [do IPI na nota fiscal], apurada pela fiscalização, independe do Imposto não lançado [na nota fiscal] estar ou não coberto por eventuais créditos.” Sendo assim, concluise que a separação em duas parcelas distintas para a aplicação da multa de ofício em análise resulta apenas de uma sistemática de cálculo empregada no lançamento de ofício, razão pela qual não houve a alegada duplicidade da penalidade sobre o IPI. Logo, não há razão no inconformismo, uma vez que, a autoridade fiscal elaborou a reconstituição da escrita fiscal do IPI, com diversos demonstrativos da apuração tanto do IPI não lançado sem cobertura de crédito, no qual a multa de ofício foi exigida em conjunto com o imposto, e do IPI não lançado com cobertura de crédito, no qual a multa foi exigida isoladamente. A letra da lei assenta que a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal incide mesmo quando não restou saldo a pagar. Por fim, quanto a alegação de confiscatoriedade da multa aplicada, tal pleito esbarra no comando do art. 62 do RICARF e da Súmula CARF n° 2. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1801DF CARF MF
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