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Numero do processo: 23034.024661/2001-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1996 a 30/06/1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Caracterizada a intempestividade do Recurso Voluntário, não há dele de se conhecer.
Numero da decisão: 2402-006.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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score : 1.0
Numero do processo: 10166.004640/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
SERVIDÃO. INDENIZAÇÃO. INCIDÊNCIA.
Está sujeito à incidência do imposto de renda o valor recebido pelo proprietário do bem imóvel em função da instituição de servidão, quando a cláusula que a estipula não permite identificar sua natureza e não há individualização das benfeitorias que serão destruídas pelas obras necessárias a viabilizar o uso a que se destina.
Numero da decisão: 2201-004.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 SERVIDÃO. INDENIZAÇÃO. INCIDÊNCIA. Está sujeito à incidência do imposto de renda o valor recebido pelo proprietário do bem imóvel em função da instituição de servidão, quando a cláusula que a estipula não permite identificar sua natureza e não há individualização das benfeitorias que serão destruídas pelas obras necessárias a viabilizar o uso a que se destina.
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INDENIZAÇÃO. INCIDÊNCIA. Está sujeito à incidência do imposto de renda o valor recebido pelo proprietário do bem imóvel em função da instituição de servidão, quando a cláusula que a estipula não permite identificar sua natureza e não há individualização das benfeitorias que serão destruídas pelas obras necessárias a viabilizar o uso a que se destina. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 46 40 /2 00 9- 04 Fl. 60DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 49/55) apresentado em face do Acórdão nº 0338.892, da 3ª Turma da DRJ/BSB (fls. 43/46), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte ao Despacho Decisório s/n da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília (fls. 32/34), pelo qual foi indeferido pedido de restituição de imposto sobre a renda retido na fonte sobre o valor pago em função de indenização por danos materiais decorrente de constituição de servidão de passagem instituída em imóvel de sua propriedade. Originalmente, o pedido foi efetuada sob o entendimento de que o rendimento recebido em indenização por danos materiais não constitui fato gerador do imposto de renda, já que não revelaria um acréscimo patrimonial. Em sede recursal, considerando a argumentação utilizada pela DRJ, a contribuinte alega também que o instrumento pelo qual a indenização é reconhecida, se judicial ou não, não altera sua natureza, bem como que seu caso deve ser enquadrado no art. 39, XVIII, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme se extrai dos documentos juntados ao processo, foi instituída servidão de passagem em imóvel de propriedade da interessada em favor de pessoa jurídica de direito privado. Em função disso, foi previsto pagamento de indenização em cláusula que recebeu a seguinte redação: A Outorgada Beneficiária indeniza, neste ato, o Outorgante Proprietário por todo e qualquer prejuízo presente, causado ao imóvel serviente, em virtude de danos materiais diretos ocasionados pelos serviços .de assentamento dos dutos, bem como das restrições estabelecidas ao uso da terra, as benfeitorias, acessões, culturas e cobertura vegetal nativa existente na faixa objeto da presente escritura. Eventualmente, se a Outorgada Beneficiária ou seus prepostos causarem prejuízos nas plantações ou culturas existentes dentro da Faixa, após a construção dos dutos, será responsável pelos danos ou prejuízos decorrentes. Em qualquer hipótese, os lucros cessantes estarão excluídos da obrigação de indenizar, salvo se o dano ocorrer fora da faixa serviente. Pela leitura desta cláusula vêse primeiramente que os termos dano e prejuízo são utilizados em uma acepção bastante ampla, já que representam a destruição de bens inerentes à propriedade durante as instalações necessárias para o uso a que destinada a servidão. Dizse ampla, nesse caso, porque não decorrente de ato ilícito e sim de acordo de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10166.004640/200904 Acórdão n.º 2201004.652 S2C2T1 Fl. 61 3 vontades, ao passo que o código civil sempre relaciona o pagamento de "danos" a uma atitude no mínimo culposa e que transborda aos limites do que acordado. Vêse também que a indenização paga inclui, além de outros, a restrição de uso da terra. A previsão de que os lucros cessantes, no futuro, só serão indenizados se ocasionados por danos ocorridos fora da faixa serviente permite concluir que os lucros cessantes dessa faixa estão incluídos na indenização paga e lucros cessantes, são, como se sabe, tributáveis. Antes de avançar na análise do caso concreto, necessário se faz estabelecer uma premissa que diz respeito à regra geral de tributação para as indenizações. Nesse sentido, pessoalmente não comungo do entendimento defendido pela recorrente de que valores pagos a título de indenização estão fora do campo de incidência do imposto de renda, por não importarem acréscimo patrimonial. Na verdade, os valores pagos a título de indenização podem ou não implicar acréscimo patrimonial, a depender da análise do caso concreto. O direito é composto por vários conjuntos de regras que funcionam como diferentes luzes lançadas sobre um objeto, de forma que, embora ele seja uno, produzirá diferentes sombras. Assim, um é o patrimônio do indivíduo civilmente considerado e outro é o seu patrimônio como contribuinte do imposto de renda, isso porque as normas que regulam este último elegeram o critério financeiro para fins de apropriação dos ganhos e acréscimos o que permite que haja uma grande disparidade entre a riqueza evidenciada por um indivíduo do ponto de vista civil e aquela demonstrada em sua declaração de imposto de renda. Quando se trata de bens, estes são declarados por seu valor histórico, não evidenciando assim o ganho/acréscimo sofrido por eles, seja em função unicamente da variação da moeda no decorrer do tempo, seja em função de outros fatores, como incremento da agricultura ou maior urbanização da região em que inseridos. Esses ganhos só serão realizados quando houver a negociação do bem, o que implica realização do valor acrescido. Por isso, quando se fala que a indenização por valor justo não implica acréscimo, isso é verdade do ponto de vista do indivíduo como sujeito de direitos no âmbito meramente civil, mas não necessariamente será verdade ao analisálo como contribuinte do imposto de renda. A meu ver, mesmo quando a indenização decorre de ato expropriatório do poder público, ela deveria ser objeto de tributação, porque o fato gerador independe da vontade do indivíduo. Mas este não é o caso deste processo, em que houve um acordo de vontades e que o valor da chamada "indenização" foi estabelecido de comum acordo. Compulsandose o Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 1999), temse que este estabelece as seguintes situações em que os rendimentos Fl. 62DF CARF MF 4 decorrentes de indenização não serão tributados pela pessoa física: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Indenização Decorrente de Acidente XVI a indenização reparatória por danos físicos, invalidez ou morte, ou por bem material danificado ou destruído, em decorrência de acidente, até o limite fixado em condenação judicial, exceto no caso de pagamento de prestações continuadas; Indenização por Acidente de Trabalho XVII a indenização por acidente de trabalho (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso IV); Indenização por Danos Patrimoniais XVIII a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 70, § 5º); Indenização por Desligamento Voluntário de Servidores Públicos Civis XIX o pagamento efetuado por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário (Lei nº 9.468, de 10 de julho de 1997, art. 14); Indenização por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28); Indenização Reforma Agrária XXI a indenização em virtude de desapropriação para fins de reforma agrária, quando auferida pelo desapropriado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, parágrafo único); Indenização Relativa a Objeto Segurado XXII a indenização recebida por liquidação de sinistro, furto ou roubo, relativo ao objeto segurado (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, parágrafo único); Indenização Reparatória a Desaparecidos Políticos Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10166.004640/200904 Acórdão n.º 2201004.652 S2C2T1 Fl. 62 5 XXIII a indenização a título reparatório, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.140, de 5 de dezembro de 1995, paga a seus beneficiários diretos; Indenização de Transporte a Servidor Público da União XXIV a indenização de transporte a servidor público da União que realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços externos por força das atribuições próprias do cargo (Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 60, Lei nº 8.852, de 7 de fevereiro de 1994, art. 1º, inciso III, alínea "b", e Lei nº 9.003, de 16 de março de 1995, art. 7º); O número de previsões e o casuísmo delas já é suficiente para evidenciar que não há uma regra geral pela qual as indenizações geram rendimentos isentos. A situação descrita nesse processo não se enquadra no inciso XVIII, acima transcrito, como pretende a recorrente, já que o valor recebido decorre do cumprimento do contrato e não de sua rescisão. Na verdade, ela estaria mais próxima da seguinte previsão, do mesmo Decreto: Art. 53. Serão também consideradas como aluguéis ou royalties todas as espécies de rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou exploração dos bens e direitos, além dos referidos nos arts. 49 e 52, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I as importâncias recebidas periodicamente ou não, fixas ou variáveis, e as percentagens, participações ou interesses; II os juros, comissões, corretagens, impostos, taxas e remunerações do trabalho assalariado e autônomo ou profissional, pagos a terceiros por conta do locador do bem ou do cedente dos direitos, observado o disposto no art. 50, I; III as luvas, prêmios, gratificações ou quaisquer outras importâncias pagas ao locador ou cedente do direito, pelo contrato celebrado; IV as benfeitorias e quaisquer melhoramentos realizados no bem locado e as despesas para preservação dos direitos cedidos, se, de acordo com o contrato, fizerem parte da compensação pelo uso do bem ou direito; V a indenização pela rescisão ou término antecipado do contrato. § 1º O preço de compra de móveis ou benfeitorias, ou de qualquer outro bem do locador ou cedente, integrará o aluguel ou royalty, quando constituir compensação pela anuência do locador ou cedente à celebração do contrato (Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, § 1º). Fl. 64DF CARF MF 6 § 2º Não constitui royalty o pagamento do custo de máquina, equipamento ou instrumento patenteado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, § 2º). § 3º Ressalvada a hipótese do inciso IV, o custo das benfeitorias ou melhorias feitas pelo locatário não constitui aluguel para o locador (Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, § 3º). § 4º Se o contrato de locação assegurar opção de compra ao locatário e previr a compensação de aluguéis com o preço de aquisição do bem, não serão considerados como aluguéis os pagamentos, ou a parte deles, que constituírem prestação do preço de aquisição (Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, § 4º). Temse assim que o mero fato de se denominar "indenização" ao valor recebido em função da servidão instituída não é suficiente para afastar a tributação. Por outro lado, dada a generalidade da cláusula que fixou o pagamento desse valor, não é possível definir exatamente a sua natureza, se de lucros cessantes, royalties ou ressarcimento pelo destruição de benfeitorias, sendo bastante provável que o valor corresponda a todas essas situações. No caso das benfeitorias, por exemplo, se houvesse a individualização do valor devido, seria possível a apuração do ganho de capital em relação a cada bem, o que permitiria a tributação apenas sobre a parcela acrescida. Não havendo individualização da natureza das parcelas utilizadas para fixação do valor global e dos bens cuja destruição terão seu valor ressarcido, não é possível conferir tratamento diferenciado a elas. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934233/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.514
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 42 33 /2 00 8- 69 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.934233/200869 Acórdão n.º 3302005.514 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.841. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.934233/200869 Acórdão n.º 3302005.514 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.934233/200869 Acórdão n.º 3302005.514 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.934233/200869 Acórdão n.º 3302005.514 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.934233/200869 Acórdão n.º 3302005.514 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.915776/2008-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 14697.51040.230904.1.3.040750 em 23.09.2004, efls. 3640, utilizandose do pagamento a maior de Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 57 76 /2 00 8- 11 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 15374.915776/200811 Acórdão n.º 1003000.109 S1C0T3 Fl. 137 2 – Simples, código 6106, no valor original de R$767,94 arrecadado em 07.04.2003, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 41, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 767,944. [...] CÓDIGO DE RECEITA: 6106 [...] DATA DA ARRECADAÇÃO: 07/04/2003 [...] Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/08/2008. [...] Para verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, na opção Serviços ou através de certificação digital na opção eCAC, assunto PER/DCOMP Despacho Decisório. Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 1238.377, de 08.07.2011, efls. 6264: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 12.09.2011, efls. 132133, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, efls. 129131, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 1. A DIAMIX no ano calendário de 2002 estava enquadrada no Simples e recolhendo normalmente seus tributos, quando em 07/08/2003, recebeu uma notificação com sua exclusão do regime tributário em questão com data retroativa a janeiro de 2002. 2. Como entendida haver crédito tributário a seu favor em 23/09/2004 foram entregues as DCTF's do referido período, e em 23/09/2004 as declarações de compensações PER/DCOMP, para as devidas compensações, referente aos impostos do lucro presumido o qual, porém a RFB não reconheceu o crédito devido uma falha no preenchimento dos PERD/COMP 14697.51040.230904.1.3.04.0750, neste pedido de compensação não foi informado o número do PER/DCOMP inicial 39239 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 15374.915776/200811 Acórdão n.º 1003000.109 S1C0T3 Fl. 138 3 89018.170904.1.3.0408, dando a origem de um saldo R$ 767,94. Houve um erro no preenchimento do valor do crédito original de R$ 6.362,30. 3. Em 12.09.2011, a DIAMIX recebeu decisão de julgamento da manifestação de inconformidade no Processo n° 15374.915776/200811 vinculado ao processo 15374.917708/200896 que negou provimento ao requerimento realizado e apontou como solução administrativa a realização de NOVA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, uma vez que seria inviável a retificação de oficio neste momento do processo administrativo. 4. Assim, com base na decisão acima apontada e com base no art. 170 do CTN a DIAMIX vêm realizar novo pedido de Declaração de crédito tributário com base nos documentos ora acostados e requerendo desde já que fossem desconsiderados os valores declarados no PERD/DCOMP, anteriores e com a indicação do número do PERD/DCOMP em que o credito fora informado anteriormente. 5. Cabe ressaltar que a DIAMIX preencheu os PER/DCOMP's, mas que a transmissão dos dados não foi possível por motivo de objeto de decisão administrativa, razão pela qual se realiza o presente com todos os PER/DCOMP's corretos. 6. Relacionamos em anexo os respectivos processos administrativos, anexando os Despachos Decisórios, as guias pagas referentes ao Simples e as Declarações de compensação dos PER/DCOMP's. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada de forma cabal o direito material e processual tributário, requer que seja julgado o presente pedido de compensação, com a conseqüente cancelado o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório contém incorreção. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por via de regra, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 06 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15374.915776/200811 Acórdão n.º 1003000.109 S1C0T3 Fl. 139 4 de março de 1972, tão somente com relação ao valor do direito creditório que não prescinde de comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Assim, somente essa parcela é passível de instauração do litígio no procedimento (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Sobre os requisitos legais de retificação do Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, determina: Art. 106. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da declaração de compensação gerados por meio do programa PER/DCOMP deverá ser requerida, pelo sujeito passivo, mediante documento retificador gerado por meio do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da declaração de compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida, pelo sujeito passivo, mediante formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Art. 107. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Parágrafo único. A retificação não será admitida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. No Per/DComp, fls. 3640, consta o direito creditório de Simples no valor original de R$767,94. O documento retificador não pode ser admitido nessa fase recursal, pois não foi apresentado no prazo, no tempo e na forma previstos na legislação de regência. Relativamente às condições normativas compensação de ofício dos débitos confessados do Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, determina: Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante Darf ou GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 15374.915776/200811 Acórdão n.º 1003000.109 S1C0T3 Fl. 140 5 Analisando a determinação normativa, somente tem cabimento a compensação de dos débitos confessados de ofício e não o reconhecimento do direito creditório. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Está registrado no voto condutor do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/SDR/BA nº 1238.377, de 08.07.2011, efls. 6264, cujos fundamentos de fato e de direito são adotados nessa segunda instância de julgamento: Ocorre que não é o julgamento a instância apropriada para a retificação de incorreções no preenchimento das declarações transmitidas à Fazenda. A via adequada para a solução de erros dessa natureza é a retificação tempestiva da declaração que os contém. A este colegiado incumbe a apreciação da lide instaurada nos autos, cujo exame não permite concluir se o crédito defendido não fora empregado em outra compensação, afinal nada obsta que várias DComp tenham recebido idêntico crédito, inclusive em sua vinculação a um valor incorreto, para, então, individualmente, vale dizer, processo a processo, a incorreção seja desfeita, logrando, a interessada, proveito multiplicado de um direito creditório que nem mesmo unitariamente se pode afirmar a existência, já que disso também não foi feita prova. Ante o exposto, é de se notar a ausência da condição sine qua nom para a validade de um crédito empregado em compensação tributária: sua liquidez e certeza, na forma em que exige o art. 170 do CTN. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional com a finalidade de implementar o controle de legalidade do ato administrativo (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca a demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15374.915776/200811 Acórdão n.º 1003000.109 S1C0T3 Fl. 141 6 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000204/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000204/200920 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202004.405 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPARSANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 04 /2 00 9- 20 Fl. 1171DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10932.000204/200920 Acórdão n.º 2202004.405 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1173DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10932.000204/200920 Acórdão n.º 2202004.405 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1175DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10932.000204/200920 Acórdão n.º 2202004.405 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1177DF CARF MF
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Numero do processo: 18184.000020/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
É dever do Fisco, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Para efeitos do art. 31 da Lei 8.212/91, considera-se cessão de mão-de-obra a colocação de empregados à disposição do contratante (submetidos ao poder de comando desse), para execução das atividades no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros.
Numero da decisão: 2201-004.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Para efeitos do art. 31 da Lei 8.212/91, considerase cessão de mãodeobra a colocação de empregados à disposição do contratante (submetidos ao poder de comando desse), para execução das atividades no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 20 /2 00 8- 09 Fl. 291DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Tratase de Notificação Fiscal de Débito – DEBCAD nº 35.535.8743 lavrada em 20/12/2002, do efls. 33/57 em face do recorrente USINAS SIDERURGICASDE MINAS GERAIS, com fundamento no artigo 31da Lei 8.212/91 – solidariedade na cessão de mãodeobra, do período de 10/1995 a 12/1998 com relatório fiscal às e fls. 72/76. A empresa contratada para fornecimento da mãodeobra foi a MPS Gestão de Qualidade e do Meio Ambiente Ltda. A recorrente foi cientificada do lançamento em 26/12/2002 (fls. 33), com a observação que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. 2 Em 13/05/2003, o lançamento foi julgado procedente pela Decisão Notificação n° 11.401.4/0381/2003 (fls. 201/209) exarada pela Gerência Executiva do INSS de Belo Horizonte. 3 Entretanto, a recorrente teve seu recurso de efls. 218/236, provido em 24/02/2005 pela 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS anulou a referida DN, em decisão de nº 36378.002260/200330 às e fls. 257/266 assim ementada: EMENTA PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE DO ART. 31, DA LEI 8.212/91. Ocorrendo uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por parte do responsável pelo tributo, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo PARECER/ CJ/MPS nº 2.376/2000. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 18184.000020/200809 Acórdão n.º 2201004.599 S2C2T1 Fl. 292 3 Deve ser apurado o crédito tributário junto ao prestador, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário. ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO 4 – Às fls. 267 a Secretaria da Receita Previdenciária tomou ciência da decisão da CRPS e determinou que a fiscalização providenciasse o cumprimento do decisum administrativo. 5 – No efls. 270 existe a informação do setor de serviço de análise de defesas e recursos, no sentido de que não houve nenhum tipo de fiscalização na prestadora de serviço e determinado que a fiscalização providenciasse a análise da contabilidade na prestadora de serviço para comprovação da regularidade das contribuições à Previdência Social. 6 – Às fls. 271 termo de transferência do processo para a Secretaria da Receita Federal, face à determinação do art. 47, I da Lei 11.457/2007 e logo em seguida às fls. 272 manifestação da DEFIS de São Paulo requerendo prioridade na análise diante da proximidade do período decadencial do crédito. 7 – No efls. 273/275 ofício da Coordenação Geral de Fiscalização da Receita Federal do Brasil contendo nota para subsidiar a Administração Tributária no sentido de atender o disposto no Acórdão nº 748/2008 do Tribunal de Contas da União – TCU que: Fl. 293DF CARF MF 4 8 – Às fls. 276 ofício da DEFIS determinando que os autos fossem reencaminhados para a DRF de Belho Horizonte para fins de análise e eventual atendimento do quanto indicado no item 11 da Nota de fls. 273/275: 9 – Às fls. 280/282 relatório da fiscalização atendendo o quanto às fls. 276 informando que o caso não se apresenta naqueles identificados pelo TCU conforme indicado no item 5 de seu memorando: 5 Em atendimento à Chefia da EQAEX CP I, DRF/BHE/SEFIS ás fls. 241, "para nova constituição de crédito fiscal, se for o caso, à vista da decisão da 2a. CAJ do CRPS às fls. 222/229, que anulou a DN", entendemos não ser necessária nova constituição de crédito em função de que: a) Não ter sido atendido até a presente data a solicitação da 2a. CAJ através do Decisório 02/205/2005 que, entre outras coisas, anula a DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN) (fls. 224) e solicita "que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias, por parte do cedente de mãode Fl. 294DF CARF MF Processo nº 18184.000020/200809 Acórdão n.º 2201004.599 S2C2T1 Fl. 293 5 obra, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário"; b) Não ter sido atendido até a presente data a solicitação feita em 27/05/05, pelo do Serviço de Análise e Recursos (fls. 233) para o presente processo de "encaminhamento à fiscalização para cumprimento da subseqüente determinação da CaJ, ou seja, análise da contabilidade da empresa prestadora de serviços para comprovação da regularidade das contribuições perante a Previdência Social no período abrangido pela presente NFLD", retornando, em seguida, os autos ao Serviço de Análise e Recursos; Obs.: Para o atendimento aos itens "a" e "b" acima, necessário se faz observar os atos em vigor, notadamente a ORIENTAÇÃO INTERNA MPS/SRP NO 11, de 12 de AGOSTO de 2005. c) Apesar do presente processo estar incluído nas exigências dos documentos mencionados nos itens 2 e 3 acima, os motivos para a presente análise do mesmo não são similares aos demais, ou seja, o motivo da CaJ ter anulado a DN não é pela ausência, no Relatório de Fundamentos Legais, do termo "parágrafo 3° do Art. 33 da Lei nº. 8.212/91", e sim pelo mencionado nas letras "a" e "b" deste item, e, d) O presente processo ainda não se encontra na situação "baixado". Encontrase na situação de "AGUARD. EXPEDIÇÃO DO ACÓRDÃO" conforme informações extraídas do Sistema Informatizado MF/RFB Sistema de Cobrança DATAPREV CCADPRO CONSULTA DADOS IDENTIFICADORES DE PROCESSO (fls. 242), extraído nesta data. 10 – Posteriormente a esse ato esse PAF foi para a DEFIS de São Paulo que às efls. 285 exarou a seguinte decisão: 1. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 20/12/2002, em nome do responsável solidário acima citado, relativo às contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração paga à mão de obra incluída em notas fiscais de serviços executada pela empresa MPS GESTÃO DE QUALIDADE E DO MEIO AMBIENTE LTDA, CNPJ 00.092.614/000140, para o período de 10/1995 a 12/1998. 2. O lançamento foi julgado procedente, conforme Decisão Notificação n° 11.401.4/0381/2003, pela DRF Belo Horizonte, Fl. 295DF CARF MF 6 jurisdicionante da tomadora de serviços Usiminas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A. 3. A 2ª Caj/CRPS anulou a decisão notificação, para que seja analisada a contabilidade da prestadora de serviços, para ser comprovado a regularidade de suas contribuições perante a Previdência Social, no período lançado nesta notificação, de modo a assegurar o levantamento por solidariedade. 4. O processo foi remetido a esta Delegacia tendo em vista o domicílio fiscal da prestadora de serviços. 5. Proponho o envio deste processo à DIFIS 111 ( Serviços) para ser distribuído a AFRFB dessa Divisão, de modo a atender ao contido no Acórdão n° 0000205, de fls. 222 a 229. 6. Foi providenciado o RPF Diligência na empresa MPS Gestão de Qualidade e do Meio Ambiente Ltda. 11 – Os autos foram encaminhados para a fiscalização que às efls. 288 assim entendeu: “Senhor Chefe de Divisão, Tratase de Notificação Fiscal de Débito lavrada em 20/12/2002, contra USINAS SIDERURGICASDE MINAS GERAIS, com fundamento no artigo 31da Lei 8.212/91 – solidariedade na cessão de mãodeobra. A empresa contratada para fornecimento da mãodeobra foi a MPSGestão de Qualidade e do Meio Ambiente LIda, CNPJ 00.092.614/000140. Em 13/05/2003, o lançamento foi julgado procedente pela DecisãoNotificação n° 11.401.4/0381/2003 (fls. 166/174). Entretanto, em 24/02/2005, a 2° Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS anulou a referida DN, "para que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria" no prestador de serviços, objetivando verificar o adimplemento das contribuições previdenciárias (fls.222/229). Dessa forma, os autos vieram a essa equipe fiscal para designar AFRFB para cumprir diligência no prestador de serviços. Verificamos, todavia, que a decisão do CRPS é anterior à publicação da Resolução MPS/CRPS n° 01, de 31/01/2007 (DOU 05/02/2007), que editou o enunciado n° 30, o qual pacificou o entendimento de que, nos casos de responsabilidade solidária, as contribuições previdenciárias podem ser exigidas do tomador de serviços, como segue: "EM SE TRATANDO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA O FISCO PREVIDENCIÁRIO TEM A PRERROGATIVA DE CQNSTITUIR OS CREDITOS NO TOMADOR DE SERVIÇOS MESMO QUE NAO HAJA APURAÇAO PRÉVIA NO PRESTADOR DE SERVIÇOS". Fl. 296DF CARF MF Processo nº 18184.000020/200809 Acórdão n.º 2201004.599 S2C2T1 Fl. 294 7 Assim sendo, sugiro o encaminhamento dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para reapreciação em face do Enunciado n° 30 do CRPS.” 12 – Antes do encaminhamento dos autos ao CARF foram os respectivos autos encaminhados para a DRJ de Belo Horizonte de acordo com determinação da DEFIS de São Paulo que na análise de efls. 289 assim entendeu: 13 – Distribuído os autos a esse Relator, é o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 14 O recurso objeto da presente análise é o de fls. 218/236 em vista dos termos do item 5 do ofício de fls. 273 da Coordenação Geral de Fiscalização e respostas aos ofícios de fls. 288 e 289 entenderam caber a este E. CARF o julgamento do presente recurso. Fl. 297DF CARF MF 8 5. Analisando, porém, a situação sob o aspecto das novas estruturas e competências regimentais decorrentes da criação da RFB, por meio da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Verificase que, no tocante às contribuições de que tratam os arts. 2ºe 3ºdesta Lei foi transferida a competência para julgamento dos processos administrativos fiscais do CRPS para o 2º Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 29, verbis: Fl 2 da Nota Cofis/GAB nº 2008/149, de 04 de julho de 2008. Art. 29. Fica transferida do Conselho de Recursos da Previdência Social para o 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda a competência para julgamento de recursos referentes às contribuições de que tratam os arts 2º e 3º desta Lei." 15 – Portanto, conheço do presente recurso e passo ao julgamento do mérito. 16 – Apesar de entender que não caberia à fiscalização não cumprir com o determinado na decisão do CRPS na época e tendo na prática “anulado” através do memorando de fls. 288, verifico que estava apenas cumprindo com o quanto determinado no ofício de fls. 273/275 da Coordenação Geral da Fiscalização em decorrência de acórdão do TCU de revisão de vários lançamentos à época julgados pelo CRPS, ao dizer: Entretanto, em 24/02/2005, a 2° Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS anulou a referida DN, "para que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria" no prestador de serviços, objetivando verificar o adimplemento das contribuições previdenciárias (fls.222/229). Dessa forma, os autos vieram a essa equipe fiscal para designar AFRFB para cumprir diligência no prestador de serviços. Verificamos, todavia, que a decisão do CRPS é anterior à publicação da Resolução MPS/CRPS n° 01, de 31/01/2007 (DOU 05/02/2007), que editou o enunciado n° 30, o qual pacificou o entendimento de que, nos casos de responsabilidade solidária, as contribuições previdenciárias podem ser exigidas do tomador de serviços, como segue: "EM SE TRATANDO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA O FISCO PREVIDENCIÁRIO TEM A PRERROGATIVA DE CQNSTITUIR OS CREDITOS NO TOMADOR DE SERVIÇOS MESMO QUE NAO HAJA APURAÇAO PRÉVIA NO PRESTADOR DE SERVIÇOS". Assim sendo, sugiro o encaminhamento dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para reapreciação em face do Enunciado n° 30 do CRPS.” Fl. 298DF CARF MF Processo nº 18184.000020/200809 Acórdão n.º 2201004.599 S2C2T1 Fl. 295 9 17 – Contudo, a fiscalização reconheceu que no caso dos autos não era similar ao contido no ofício de fls. 273/275 e mesmo assim, efetuando a revisão do lançamento entendeu por bem indicar um enunciado do CRPS, no caso de nº 30, afastando por inteiro a determinação da decisão do CRPS, e portanto, pela análise e interpretação da decisão de fls. 288, verificase que a decisão da CRPS não era aplicável mais ao caso e portanto deveria haver a redistribuição do recurso ao CARF. 18 – Pela análise das razões recursais do contribuinte, entendo que o recurso merece provimento, uma vez que o lançamento tem por fundamento o art. 31 conforme fls. 72 do Relatório Fiscal, verbis: 2 Aplicase sobre a referida contratação o instituto da SOLIDARIEDADE existente entre a empresa contratante/tomadora de serviços e a empresa contratada/prestadora de serviços, em razão de serviços executados mediante cessão de mãodeobra conforme disciplinado no Art. 31 da Lei nº 8.212 de 24/07/91 a seguir reproduzido: Lei nº 8.212/91 redação original: "Art. 31 O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art.23. §1° fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2° Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros assemelhados especificados no regulamento, independentemente da natureza e da forma de contratação." Lei nº 8.212/91 Alterações: Fl. 299DF CARF MF 10 "Art. 31 • O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem." (Redação alterada pela Medida Provisória nº1.5239/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528 de 10/12/97) 9 2° (Alteração 1) Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação alterada pela Lei n.º 9.032/95) §2° (Alteração 2) Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação alterada pela Lei n.°9.129/95) §2° (Alteração 3) Exclusivamente para os fins desta lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com as atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação alterada pela MP n.o 1.523.7/97, reeditada até a conversão na Lei n.º 9.528/97) §3° A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Acrescentado pela Lei n.º 9.032/95) §4° Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento." (Acrescentado pela Lei n.º 9.032/95) 19 – Diz o lançamento que foi objeto de auditoria os seguintes documentos: Fl. 300DF CARF MF Processo nº 18184.000020/200809 Acórdão n.º 2201004.599 S2C2T1 Fl. 296 11 “8 Serviram de base para o lançamento fiscal os seguintes documentos: • LIVRO DIÁRIO do período até o de nº 144 DEZ/2001 registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais/JUCEMG sob o nº 772.814, em 17/04/2002; • Livros Razão; • Guias de Recolhimento da Previdência Social; • Contratos firmados entre a prestadoras de serviços e a contratante.” 20 – Pela análise do documento de fls. 132/135 indicam que os serviços ora prestados pelo prestador de serviços MPS GESTÃO DE QUALIDADE E DO MEIO AMBIENTE LTDA são de assessoria na gestão ambiental conforme segue: 21 – Inclusive, tal serviço de acordo com declaração prestada pelos sócios da empresa às fls. 135 e contrato social do prestador de fls. 136/138 e os relatórios de atividades de fls. 145, 147, 151, 153, 156 e 161 dão conta que os serviços eram prestados pessoalmente pelos próprios sócios. 22 – A atividade de assessoria de gerenciamento ambiental não se encontra, mesmo naquela época do lançamento, entre aquelas que são decorrentes de cessão de mão de obra para fins de aplicação do art. 31 da Lei 8.212/91. 23 – O próprio lançamento indicou os termos do art. 31 § 2º da Lei de custeio que identifica o que é cessão de mão de obra: Fl. 301DF CARF MF 12 Art.31 (omissis)... § 2° Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem a plena identificação dos fatos geradores das contribuições, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros assemelhados especificados no regulamento, independentemente da natureza e da forma de contratação." 24 – Pela análise do objeto do quanto entabulado entre prestador e tomador entendo que não estão presentes os requisitos da cessão de mão de obra. Vejamos a respeito as normas após o lançamento do INSS e da RFB a respeito desses conceitos, OS 209/99 e os atuais termos do art. 115 da IN 971/09 que traz o conceito de mão de obra: 1. Entendese por CESSÃO DE MÃODEOBRA, a colocação à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação. 1.1. Ocorre a colocação nas dependências de terceiros quando a empresa contratada aloca o segurado cedido em dependências determinadas pela empresa contratante, que não sejam pertencentes àquela ou a esta. 1.2. Serviços contínuos são aqueles que se constituem em necessidade permanente do contratante, ligados ou não a sua atividade fim, independente de periodicidade. 16 Não se aplicam às disposições deste ato, ficando dispensadas também da responsabilidade solidária, as contratações na construção civil relativas aos serviços exclusivos de: a) assessorias ou consultorias técnicas; (grifei) Art. 115. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. § 1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 18184.000020/200809 Acórdão n.º 2201004.599 S2C2T1 Fl. 297 13 § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante, entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. 25 – Para caracterização da cessão de mão de obra, portanto, necessário que haja, à disposição da empresa contratante, da mão de obra dos empregados da empresa contratada, para a consecução de tarefas de exclusivo interesse daquele, efetuando o tomador o gerenciamento desses obreiros em sua atividade ou não. 26 – A respeito da matéria decisão do E. STJ, sem grifos no original, de elaboração do saudoso Min. Teori Zavascki: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS (LEI 9.711/88). EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. NATUREZA DAS ATIVIDADES. CESSÃO DE MÃODEOBRA NÃO CARACTERIZADA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, dos dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Para efeitos do art. 31 da Lei 8.212/91, considerase cessão de mãodeobra a colocação de empregados à disposição do contratante (submetidos ao poder de comando desse), para execução das atividades no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros. 3. Não há, assim, cessão de mãodeobra ao Município na atividade de limpeza e coleta de lixo em via pública, realizada pela própria empresa contratada, que, inclusive, fornece os equipamentos para tanto necessários. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Fl. 303DF CARF MF 14 (REsp 488.027/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/06/2004, DJ 14/06/2004, p. 163) 27 Deixo de me manifestar em relação às preliminares indicadas no recurso em vista do seu provimento quanto ao mérito aplicando o princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decretolei 70.235/72 que se pode afirmar que, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Conclusão 28 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e no mérito DAR PROVIMENTO para cancelar o lançamento, na forma da fundamentação acima. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900663/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 06 63 /2 00 9- 60 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13227.900663/200960 Acórdão n.º 1401002.542 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 0121.943 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de CSLL não reconhecido. A Recorrente transmitiu declaração de compensação em 06/04/2006, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 02/2005. A unidade de origem, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que após analisadas as informações prestadas pela Recorrente foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que: a) A empresa efetuou pagamento de CSLL Código de Receita: 2484, relativo ao período de apuração de 02/2005; b) Por ocasião do levantamento do balancete de suspensão e/ou redução nesse mês, após os ajustes apresentou prejuízo fiscal, ou seja, não teria nada a recolher mesmo assim recolheu.; c) Oportunamente, aproveitou o crédito do pagamento indevido para compensar, via PER/DCOMP e de forma legal, débitos próprios. Diante dos fatos apresentados, requereu a anulação do Despacho Decisório, por questão de justiça e direito. Apreciados tais argumentos, o despacho decisório restou mantido, sob o entendimento de que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado defendendo estar suficiente comprovado seu direito creditório. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13227.900663/200960 Acórdão n.º 1401002.542 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.523, de 17/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, referente ao período de apuração de fevereiro/2006, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de 02/2005, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.523): O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o ano calendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Ocorre que, conforme apontado pela recorrente em sede de voluntário, embora a compensação tenha se dado de forma equivocada, uma vez que ao entregar a DCTF, a recorrente ao invés de simplesmente comparar o valor devido com o valor recolhido a título de estimativa e assim declarar somente o valor Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13227.900663/200960 Acórdão n.º 1401002.542 S1C4T1 Fl. 5 4 devido, caso apurasse valor a maior do que o recolhido por estimativa, declarou o valor apurado como devido e apresentou PERD/DCOMP para compensálo. Considerando que as informações acima transcritas restam localizadas na DIPJ e LALUR, que apontam a base de cálculo da contribuição e os DARFs (fls.) devidamente pagos que originaram o crédito em discussão. Tratase, portanto, de erro de fato no preenchimento do PER aqui analisado, que não pode, sob hipótese alguma, refletir na glosa de estimativas já liquidadas, computadas na apuração do saldo negativo do IRPJ do período. Desta forma, tendo a Recorrente comprovado de maneira incontroversa que as estimativas mensais de outubro de 2006 foram liquidadas através da quitação antecipada autorizada pela Lei nº 13.043/2014 (Doc. 7 do RV), não pode ser mantida a redução do saldo negativo de 2004. Ademais, consolidando este entendimento, temos: SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das estimativas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.724972/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2011 a 31/12/2011
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
Não restaram demonstrados de forma cabal os vícios que possivelmente levariam à nulidade do autos, esses trazidos de forma expressa pelo art. 59 do Decreto 70.235/72
PASEP. MUNICÍPIOS. SUJEITO PASSIVO.
O Município, pessoa jurídica de direito público, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, sujeitando-se à referida exação.
Numero da decisão: 3302-005.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Não restaram demonstrados de forma cabal os vícios que possivelmente levariam à nulidade do autos, esses trazidos de forma expressa pelo art. 59 do Decreto 70.235/72 PASEP. MUNICÍPIOS. SUJEITO PASSIVO. O Município, pessoa jurídica de direito público, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, sujeitando-se à referida exação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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IMPOSSIBILIDADE Não restaram demonstrados de forma cabal os vícios que possivelmente levariam à nulidade do autos, esses trazidos de forma expressa pelo art. 59 do Decreto 70.235/72 PASEP. MUNICÍPIOS. SUJEITO PASSIVO. O Município, pessoa jurídica de direito público, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, sujeitandose à referida exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 49 72 /2 01 5- 11 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10283.724972/201511 Acórdão n.º 3302005.687 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Contra a contribuinte supra identificada foi lavrado auto de infração (fls. 2/18) para a exigência da Contribuição para o Pasep referente aos períodos mensais de janeiro de 2011 a dezembro de 2011, em face da constatação fiscal de falta/insuficiência de recolhimento da referida contribuição. A exigência fiscal monta R$ 566.566,61 (quinhentos e sessenta e seis mil quinhentos e sessenta e seis reais e sessenta e um centavos). DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal levado a cabo abrangeu as Contribuições Previdenciárias e as Contribuições para o PASEP, assim, na parte que nos interessa eis, em resumo, o relato fiscal (item 23, fls. 12 a 16): O lançamento compreende as diferenças encontradas entre a Contribuição para o PIS/PASEP calculada sobre as Receitas Correntes e Transferências Recebidas, informadas nos Balancetes Mensais das Receitas Orçamentárias, e a Contribuição para o PIS/PASEP declarada nas DCTF mensais. Na formação da base de cálculo não foram consideradas as deduções de receitas para a formação do FUNDEF/FUNDEB e as deduções do FPM foram consideradas nas retenções feitas pelo Banco do Brasil S.A. Nas receitas correntes estão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Em se tratando de Pessoas Jurídicas de Direito Público Interno, a Secretaria do Tesouro Nacional – STN é quem detém a competência para efetuar a retenção do PASEP incidente sobre o valor das transferências correntes e de capital, excetuada a hipótese de transferências para as fundações públicas. As receitas do FUNDEB, classificadas como transferências correntes, devem integrar a base de cálculo para a contribuição ao PASEP, conforme a Nota Técnica n° 1.432/2004/GENOC/CCONTSTN, de 30/09/2004 e Solução de Divergência Cosit n° 2, D.O.U. de 12/02/209 da Coordenadoria Geral de Tributação. Somente os recursos do FUNDEB/FUNDEF oriundos do FPM e do ICMS DESONERAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES LEI 87/96 sofreram retenção na fonte do PASEP, os demais (complemento Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10283.724972/201511 Acórdão n.º 3302005.687 S3C3T2 Fl. 4 3 da União, ITR, IPVA, ITCMD, IPIEXP, ICMS, FPE, LC 87/96) não sofreram, devendo, portanto, ser oferecidos à tributação. Ao final, apurouse a base de cálculo da Contribuição para o PASEP composta da soma das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzindose as retenções na fonte efetuadas pelo Banco do Brasil, bem como das contribuições declaradas nas DCTF mensais, resultando na Contribuição para o PIS/PASEP devida. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou em 29/01/2016 a impugnação de fls. 274/283, pela qual sustenta: DOS FATOS Alega que foi em busca de documentos que comprovariam os referidos recolhimentos efetuados e que estariam sendo apresentados, ainda que o Exprefeito Municipal esteja sendo responsabilizado por ausência nas prestações de conta. Aduz que não foram devidamente realizados recolhimentos no exercício de 2011 de contribuições, pelo exgestor, não foi aventada a adesão da Prefeitura Municipal ao parcelamento Especial, o que desde já restaria demonstrado pelos documentos acostados. Entende que devem ser impugnados os valores exorbitantes tanto dos juros, como a multa fixada no procedimento fiscal citado, haja vista, que deveriam ter sido inclusos no parcelamento especial feito no exercício passado de 2013 pela Impugnante. Em razão do enorme prejuízo a ser causado ao erário público, diante das vultosas somas lançadas, que além de não refletirem a realidade do que seria devido, foi ignorado o parcelamento feito em 2013. DA PRELIMINAR Pugna pela responsabilidade do exgestor municipal. DO MÉRITO A impugnante volta ao tema da prestação de contas ser do ex gestor, o qual inclusive, é quem teria acesso a documentação no tempo do exercício fiscal. Assevera que o procedimento fiscal culminou com os valores extremamente altos, para um Município do Interior do Amazonas, prejudicando o funcionamento do mesmo em todos os seus serviços, no caso da mantença de tais valores. Defende, assim, ofensa ao art. 112 do CTN. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10283.724972/201511 Acórdão n.º 3302005.687 S3C3T2 Fl. 5 4 Alega que as provas necessárias às arguições de sua impugnação, encontramse anexas e que, assim, comprovariam tudo o que se argüiu. Discorda totalmente da conclusão do procedimento fiscal ora impugnado e dos valores exorbitantes, de juros e multa que não seriam nada benéficos ao Impugnante, ferindo o próprio CTN. O Acórdão 0371.408, da 2ª Turma da DRJ/BSB, Sessão de 25 de outubro de 2016, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, recebendo a seguinte ementa (efl. 305): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2011 a 31/12/2011 PASEP. MUNICÍPIOS. SUJEITO PASSIVO. O Município, pessoa jurídica de direito público, é sujeito passivo e contribuinte do PASEP, sujeitandose à referida exação. MULTA. PERCENTUAL. APLICABILIDADE A multa, no caso de lançamento de oficio, tem o percentual estabelecido na legislação, cabendo ao agente do Fisco o seu cumprimento. Efetuado o lançamento de ofício, cabe imposição da multa proporcional de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde novamente, a exemplo do que fora constatado na manifestação de inconformidade, não enfrenta a infração que lhe foi imputada, trazendo assuntos totalmente dissociados do objeto do presente processo. É o relatório. Voto Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10283.724972/201511 Acórdão n.º 3302005.687 S3C3T2 Fl. 6 5 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso de voluntário trata de matéria da competência deste Conselho, é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, por tais razões deles tomo conhecimento. Antes de se adentrar à análise do caso em comento, cumpre esclarecer que a contribuinte em seu recurso insurgiuse apenas no que diz respeito à suposta responsabilidade quanto ao recolhimento da exação, bastandose a dizer que não foi realizado por ato ilegal cometido por exgestor, não trazendo qualquer tipo de prova que infirmase os apontamentos feitos pela fiscalização no auto de infração. I Nulidade do auto de Infração Segundo as alegações do município recorrente o auto de infração estaria eivado de vício que lhe causaria a nulidade, pois no seu sentir a responsabilidade pela infração apontada deveria recair sobre o gestor anterior, pois segundo em seu relato imputa a esse diversas irregularidades ocorridas em seus mandato, incluindo a falta de recolhimento da contribuição ao PASEP. Entretanto, não assiste razão às alegações do recorrente, uma vez que não se tratar de nenhum dos vícios que possivelmente levariam à nulidade do autos, esses trazidos de forma expressa pelo art. 59 do Decreto 70.235/72. Vale ressaltar ainda que, tanto em sua impugnação, como em seu recurso voluntário o recorrente em momento algum, trouxe os motivos de fato e de direito, pontos de discordância ou produziu provas que pudessem dar guarida às suas alegações. Desta forma, afastase qualquer tipo de alegação de nulidade que supostamente possa ter maculado o auto de infração. II Legitimidade passiva do Município recorrente O recorrente, Município de Benjamin Constant, pessoa jurídica de direito púbico interno, está sujeito ao recolhimento da contribuição ao Pasep, que é calculada sobre suas receitas. A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep foi instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970. Nos termos desse diploma, são contribuintes do Pasep a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações. O artigo 2º da LC nº 08/70 assim dispõe: Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I – União: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10283.724972/201511 Acórdão n.º 3302005.687 S3C3T2 Fl. 7 6 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, no ano calendário de 2011, a incidência de tal contribuição se efetivou em consonância com as inovações introduzidas pela Lei nº 9.715/98, com alterações promovidas pela MP nº 2.15835/01, que assim dispõe: Lei nº 9.715/98 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III – pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7º Para efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (Grifouse) Decreto nº 4.524/2002 Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10283.724972/201511 Acórdão n.º 3302005.687 S3C3T2 Fl. 8 7 arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. (...) Como se vê, nos exatos termos do que disciplina a legislação a respeito do Pasep, a responsabilidade de seu recolhimento é da pessoa jurídica de direito público interno, não havendo que se falar, nesse momento, em responsabilidade de terceiros pelo não recolhimento, tenha sido ele por cometimento de atos ilegais ou não. Vale ressaltar que em momento algum fez a recorrente juntar ao processo documentos ou apresentou qualquer tipo de argumento de infirmasse o trabalho realizado pela fiscalização que culminou com a lavratura do auto de infração. Bastouse a fazer alegações genéricas e desconexas com as verdadeiras razões da autuação. Desta forma, não se pode aceitar as alegações trazidas pelo município recorrente quanto a sua suposta ilegitimidade para o recolhimento do Pasep, tendo em vista o cometimento de atos ilegais por parte de seu antigo gestor, e as desconexas alegações trazidas no recurso não merecem prosperar. III Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, contudo, negandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10283.724972/201511 Acórdão n.º 3302005.687 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900463/2016-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013
INTIMAÇÃO SUBSIDIÁRIA VIA EDITAL. DEMONSTRAÇÃO DE TENTATIVA IMPROFÍCUA PELOS MEIOS PRIMÁRIOS DE INTIMAÇÃO. ERRO DE ENDEREÇO. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE DESÍDIA DO CONTRIBUINTE. TEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Deve ser demonstrada a tentativa de intimação do contribuinte por via postal para que se legitime a intimação via edital, conforme disposto no Decreto nº 70.235/72, art. 23, §1º. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu e não tendo sido demonstrada qualquer desídia em relação aos seus dados cadastrais, inválida a intimação por edital pois não houve efetivamente a intimação pelos meios primários. Deve ser considerada tempestiva a sua manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1401-002.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à primeira instância de julgamento para que seja apreciada a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme o dispositivo do voto condutor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano (Vice-presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva e Abel Nunes de Oliveira.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013 INTIMAÇÃO SUBSIDIÁRIA VIA EDITAL. DEMONSTRAÇÃO DE TENTATIVA IMPROFÍCUA PELOS MEIOS PRIMÁRIOS DE INTIMAÇÃO. ERRO DE ENDEREÇO. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE DESÍDIA DO CONTRIBUINTE. TEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Deve ser demonstrada a tentativa de intimação do contribuinte por via postal para que se legitime a intimação via edital, conforme disposto no Decreto nº 70.235/72, art. 23, §1º. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu e não tendo sido demonstrada qualquer desídia em relação aos seus dados cadastrais, inválida a intimação por edital pois não houve efetivamente a intimação pelos meios primários. Deve ser considerada tempestiva a sua manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à primeira instância de julgamento para que seja apreciada a manifestação de inconformidade da Recorrente, conforme o dispositivo do voto condutor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano (Vicepresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva e Abel Nunes de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 04 63 /2 01 6- 47 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10480.900463/201647 Acórdão n.º 1401002.391 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2013, no valor de R$ 191.023,10, transmitida através do PER/Dcomp nº 04566.42668.180915.1.3.045548. A DRF Recife não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do recorrente. O contribuinte não pôde ser cientificado por via postal, pois o AR – Aviso de Recebimento – foi devolvido, conforme comprovante anexado aos autos. A ciência ocorreu através do edital afixado em 04/05/2016. Em 29/08/2016, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, para alegar que não teria sido intimado ou notificado para efetuar pagamento ou apresentar manifestação de inconformidade, e que apenas através de consulta ao Relatório de Situação Fiscal, teria constado a existência de seis processos, nos quais constava como devedor. Defendeu que a DCTF atestaria ter efetuado pagamento no valor de R$ 279.692,91, referente ao IRPJ incidente em 06/2013, e que a DIPJ confirmaria o saldo a compensar de R$ 216.361,79. O Balancete de 2013 demonstraria o valor a compensar de R$ 216.361,79 na Conta Cosif nº 18845109. Alegou que em 30/03/2016 teria feito a retificação do SPED e, em 25/08/2016, da ECF correspondente ao anocalendário de 2015, demonstrando que não teria ocorrido a compensação dos créditos. Afirmou que no exercício 2014, o interessado teria tido prejuízo em todos os meses do exercício, conforme ECF retificada em 25/08/2016. Concluiu, para solicitar o reconhecimento do direito creditório. Não conhecida a manifestação de conformidade, por ter sido considerada intempestiva, interpôs o contribuinte recurso voluntário requerendo: 01) Preliminarmente, a nulidade do julgamento, tendo em vista que a intimação deveria ter ocorrido por meio pessoal, postal ou eletrônico. Que o domicílio tributário do recorrente foi devidamente registrado na Receita Federal em 29/03/16. Que a publicação via edital é a última opção para o cumprimento da intimação. Tendo em vista o acima exposto, deve ser declarada nula a intimação por edital e todos os atos subseqüentes. 02) Tempestividade do Recurso voluntário e atribuição de efeito suspensivo; 03) Ad argumentandum, reforma do julgado para conhecer a compensação dos créditos tributários em favor do recorrente. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10480.900463/201647 Acórdão n.º 1401002.391 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.390, de 12/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.900462/2016 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.390): "O recurso é tempestivo e dele conheço. Da preliminar Nulidade de julgamento intimação por edital Pois bem, cumpre ressaltar que a decisão de primeira instância, foi proferida invocandose o Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, que em seu art. 23, §1º, prevê a citação por edital, como meio hábil à intimar o contribuinte. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1° Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10480.900463/201647 Acórdão n.º 1401002.391 S1C4T1 Fl. 5 4 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local Contudo, deve ser observado que o referido Decreto, apenas permite a intimação por edital, em casos excepcionais, ou seja, deve ser realizada a intimação por um dos meios elencados nos incisos I a III, e, tendo restada improfícua a intimação por uma das alternativas acima, permitese, por exceção, que o contribuinte seja intimado via edital. Nesse sentido, temse que a intimação por edital será cabível apenas quando as tentativas de intimação de forma pessoal ou por via postal ou meio eletrônico com prova de recebimento restarem infrutíferas. Desta feita, devem se esgotar as tentativas por um dos meios, para que se proceda a intimação por edital. Argumentouse na decisão de primeira instância, ter sido o contribuinte intimado por via postal, conforme consta AR de fls. 10: Contudo, importante observar que referido AR de fls 10, postado em 09/03/2016, tem como endereço da recorrida: Avenida Governador Agamenon Magalhães, n.º 906, Espinheiro, Recife. Pois bem, esse realmente era o endereço da recorrente, mas houve a sua alteração em 26/02/2016 conforme consta da documentação comprobatória juntada aos autos, e CNPJ, às fls. 135, para a Rua Dom João Costa, nº 20, Torreão. Cumpre ressaltar que todas essas alterações, por parte da recorrente, ocorreram antes da intimação por via postal ocorrer (Carta de 09/03/2016 e alteração no cadastro em 26/02/2016) Na documentação juntada aos autos, restou demonstrado não haver qualquer desídia por parte do recorrente. Procedeuse a alteração na Junta Comercial e cientificouse a Receita sobre tal mudança. Não poderia, portanto, ser penalizada a recorrente por ato que não deu causa. A intimação por edital, somente se torna legítima se a autoridade não conseguir consumála por desídia do contribuinte. A prova dessa circunstância incumbe à autoridade e deve constar nos autos do processo administrativo, de forma a legitimar a publicação do edital. A ausência do exaurimento resulta da nulidade absoluta de todos os atos subsequentes. Portanto, a receita equivocouse ao enviar a correspondência, e não poderia por erro seu, legitimar a aplicação do §1º, art. 23 do Decreto 70.235/72. Tendo sido nula a intimação, por sua própria culpa, pois devidamente demonstrado que o contribuinte tomou todas Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10480.900463/201647 Acórdão n.º 1401002.391 S1C4T1 Fl. 6 5 as providências necessárias para a alteração de seu endereço, não poderia a Fazenda proceder à intimação por edital. Por outro lado, tendo o contribuinte tomado ciência dos despachos decisórios e apresentado a sua regular manifestação de inconformidade, deve ser dado por intimado e retornado os autos à Delegacia para julgamento da manifestação de inconformidade apresentada em 29/08/16. Pelo acima exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para que retornem os autos à instância primeva para o devido julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à primeira instância de julgamento para que seja apreciada a manifestação de inconformidade da Recorrente, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12971.004947/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1992 a 31/03/1995
LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DE DECADÊNCIA PARCIAL.
É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido. Declaração de ofício de decadência parcial.
Numero da decisão: 2201-004.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e, de ofício, declarar extinto pela decadência os créditos tributários relativos aos períodos anteriores a junho de 1993
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1992 a 31/03/1995 LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DE DECADÊNCIA PARCIAL. É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido. Declaração de ofício de decadência parcial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e, de ofício, declarar extinto pela decadência os créditos tributários relativos aos períodos anteriores a junho de 1993 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1468; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 72 1 71 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12971.004947/201071 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.593 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Recorrente CONSTRUTORA LIX DA CUNHA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1992 a 31/03/1995 LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DE DECADÊNCIA PARCIAL. É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido. Declaração de ofício de decadência parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e, de ofício, declarar extinto pela decadência os créditos tributários relativos aos períodos anteriores a junho de 1993 (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 97 1. 00 49 47 /2 01 0- 71 Fl. 72DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário de fls. 49/53, interposto em face da decisão de fls. 38/43, a qual julgou procedente o lançamento do débito, lavrado em 22/06/1998, relativo ao período de 09/92 a 03/95. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo referese a contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra aplicada na construção civil e lançado por solidariedade, pois não foram apresentados à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento específicas referentes às faturas e lançamentos contábeis verificados, motivo pelo qual foi apurado o débito referente ao período de 09/92 a 03/95. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 17/19: 1. O crédito constituído por meio da notificação fiscal acima referida, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social / FPAS e aos Terceiros de que trata o artigo 94 da Lei 8.212/91, Decreto 2.173/97, referese as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra aplicada na construção civil e cessão de mão de obra. 2. A responsabilidade solidária ora levantada correspondente ao período de 09/92 a 03/95 foi baseada na verificação das NF/Faturas de serviços prestados, apresentadas e devidamente lançadas nos Livros Diários da Empresa, sendo que as empresas prestadoras de serviços, n° das NF/Faturas e respectivos valores estão relacionadas no relatório de Fatos Geradores que compõe a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. 3. O cálculo do débito foi feito por Aferição, conforme previsto no artigo 66, parágrafo 3 da lei nr 8.212/91. O montante da mão de obra empregada foi aferido, tendo em vista que Empresa Tomadora dos serviços de construção civil e cessão de mão de obra não apresentou os respectivos comprovantes de recolhimento correspondentes as NF/Faturas. 4. Para a apuração do salário de contribuição da construção civil foram observados os critérios e procedimentos contidos na Ordem de Serviço INSS/DAF n° 51 de 06/10/92 que determina o índice de 40% (porcento) sobre o total das Notas Fiscais/Faturas e 12% para faturas de Atividade especifica. Quanto à cessão de mão de obra foram observados os critérios contidos na OS/INSS/DAF 083 de 13/08/93 que determina o índice de 40% (porcento ) sobre o total das NF/Faturas de serviço de segurança. 5. As alíquotas utilizadas encontramse discriminadas no relatório de Alíquotas Aplicadas na Apuração do Débito que acompanha a NFLD. A fiscalização foi precedida de Termo de Início de Ação Fiscal TIAF emitido em 09/02/1998, cuja cópia acompanhou a NFLD. O contribuinte foi notificado e apresentou impugnação. Da Impugnação Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12971.004947/201071 Acórdão n.º 2201004.593 S2C2T1 Fl. 73 3 O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 31/35. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: que, no caso, a obrigação do recolhimento das contribuições é das sociedades contratadas; que a impugnante possui a responsabilidade solidária só na falta do pagamento por parte do contribuinte de fato; que não compete à impugnante deter em seu poder o comprovante de recolhimento; que não há nenhum indício de que a fiscal tenha exigido dos prestadores de serviços a prova do recolhimento exigido; que durante a fiscalização a fiscal verificou o Conta Corrente das prestadoras de serviços, não sendo possível identificar os recolhimentos. Portanto, entende a impugnante, que tais empresas deveriam ser fiscalizadas para apurar se houve o recolhimento ora exigido; que o inciso I, do art. 195, da CF/88, determina que a contribuição social deve ser calculada sobre a folha de salários, o que não ocorreu no caso, visto que o lançamento foi calculado sobre os valores constantes das Notas Fiscais e ou Faturas de Serviços e, que, portanto, o disposto no Título V, da OS n° 165/97, e demais disposições que disciplinam a matéria não podem prevalecer perante o dispositivo da CF citado; que além de inconstitucional, há um outro vício que impede o lançamento, visto que ao mandar aplicar a solidariedade, a Lei n° 8.212/91, através do art. 31, faz exceção ao disposto no art. 23 da mesma lei, que trata das contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro. Por conseguinte, a contratante não é solidariamente responsável pelo pagamento das contribuições sobre o faturamento da empresa executora do serviço; Da Decisão Recorrida Conforme já exposto, o lançamento foi mantido, decisão de fls. 38/43, conforme se verifica da parte final da decisão de fls. 42/43. CONSIDERANDO que os demais argumentos aduzidos na defesa estão desprovidos de fundamentos; CONSIDERANDO que os fatos geradores foram devida e oportunamente informados; CONSIDERANDO que os autos encontramse devidamente formalizados para Julgamento; RESOLVE: a) Julgar PROCEDENTE o lançamento do débito b) Notificar a empresa, remetendolhe cópia desta Decisão . Fl. 74DF CARF MF 4 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão e apresentou o recurso voluntário de fls. 49/53. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, apontando, segundo seu entendimento, erros na decisão, que podem ser apresentadas, em breve síntese: a) não se questiona a solidariedade e sim a prova do recolhimento que serviria para elidir a solidariedade; b) comprovação do pagamento com a apresentação de guias não autenticadas e aplicação da legislação de forma retroativa em beneficio da recorrente; c) erro quanto à base de cálculo, que se utilizou do faturamento e d) possibilidade de reconhecer, na esfera administrativa a constitucionalidade/inconstitucionalidade das leis. O Recorrente apresentou o recurso de forma tempestiva, mas não fez o depósito recursal, de modo que o débito foi inscrito em dívida ativa. Conforme petição da Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN determinou se o cancelamento da inscrição do débito em dívida ativa (fls. 63), tendo em vista a edição da Súmula Vinculante nº 21 (e outras decisões) proferida pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do art. 126 da Lei nº 8.213/91. Tendo retornado o presente PAF ao órgão administrativo de origem para prosseguimento, este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Quanto ao mérito do lançamento propriamente dito, conforme questionou a recorrente, o RICARF, em seu artigo 62 veda o afastamento Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Sendo assim, como a própria recorrente alega inconstitucionalidade da base de cálculo escolhida, é vedado o afastamento da aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, de modo que não merece prosperar este ponto do recurso. Com relação à solidariedade, de fato, nos termos do disposto no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 e que vigia ao tempo dos fatos assim dispôs: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de Fl. 75DF CARF MF Processo nº 12971.004947/201071 Acórdão n.º 2201004.593 S2C2T1 Fl. 74 5 trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). (grifos nossos) § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Em outros termos, por não comportar benefício de ordem, estáse cobrando, por solidariedade da recorrente o valor do INSS presumido. Por outro lado, o instituto da solidariedade tributária, prevista e regulada pelo Código Tributário Nacional CTN, dispôs da seguinte forma: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; No caso em tela, o Recorrente não trouxe nenhum documento capaz de infirmar o lançamento de modo que o mesmo deve ser mantido, uma vez que não se comprovou que não deveria ser aplicada a solidariedade ao caso. Com relação à base de cálculo, foi aplicada aquela prevista na legislação para os casos em que não ilidida a solidariedade. Decadência Fl. 76DF CARF MF 6 Apesar de não ser objeto de impugnação ou mesmo de recurso, tendo em vista a edição da Súmula Vinculante nº 8 e pelo fato de que os lançamentos levavam em consideração o disposto no art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vigente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifouse Fl. 77DF CARF MF Processo nº 12971.004947/201071 Acórdão n.º 2201004.593 S2C2T1 Fl. 75 7 Ocorre que o prazo decadencial, no presente caso, tem como prazo inicial a ocorrência do fato gerador, conforme disposto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Esta interpretação, ainda está em consonância com o disposto na Súmula Carf nº 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Desta forma, nos presentes autos, não há prova de há dolo fraude ou simulação, de modo que só me resta concluir pela aplicação do disposto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Tendo em vista que a NFLD foi lavrada em 22/06/1998, relativo ao período de 09/92 a 03/95, devem ser declarados decaídos os períodos anteriores a junho de 1993. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e, de ofício, declarar extinto pela decadência os créditos tributários relativos aos períodos anteriores a junho de 1993. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 78DF CARF MF
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