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Numero do processo: 11891.000466/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/05/2007
Ementa:
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3301-004.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, em face da concomitância entre a via administrativa e judicial.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/05/2007 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL De acordo com a Súmula CARF nº 1 implica na renúncia às instâncias administrativas. a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, em face da concomitância entre a via administrativa e judicial. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 04 66 /2 00 7- 19 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 235 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 210 a 215) interposto pelo Contribuinte, em 13 de fevereiro de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0735.927 (fls. 197 a 202), de 30 de outubro de 2014, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação (fls. 139 a 148) mantendo o crédito tributário apurado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 02/12) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 107.290,41, relativo à ausência de recolhimento da contribuição ao PIS – Importação e da COFINS – Importação, acrescidos dos juros de mora, em decorrência da importação do equipamento constante da Declaração de Importação n° 07/06646660, registrada em 23/05/2007. Relata a auditoria que o contribuinte impetrou mandado de segurança com pedido de liminar na 5a. Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, processo judicial no 2007.38.00.0136501, objetivando a não exigência das contribuições, PIS Importação e COFINSImportação, no desembaraço aduaneiro de equipamentos adquiridos no exterior. A liminar foi deferida parcialmente em 21/05/2007, "(...) unicamente para determinar a exclusão da base de cálculo do tributo definido no art. 7°, inciso I, da Lei 10.865, de 30/04/2004, o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, determinando que a base de cálculo seja de acordo com o disposto no art. 77 do Regulamento Aduaneiro, regulamentado pela IN/SRF 327, de 09 de maio de 2003". A sentença de 1° Grau concedeu em parte a segurança, confirmando a liminar. Na mesma data do registro da DI, o contribuinte realizou depósitos judiciais das contribuições, porém os valores depositados não totalizam o valor das contribuições exigidas. Esclarece que a parte devida e não recolhida é cobrada com multa de oficio em outro auto de infração – processo no 11891.000465/200774 e a parte com a exigibilidade suspensa pela liminar concedida parcialmente no mandado de segurança, é lançada neste auto de infração, para prevenir a decadência. Regularmente cientificada (fls. 135/137), a autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 139/148), nas quais, em síntese: Alega que realizou os depósitos judiciais das contribuições, calculadas sobre o valor aduaneiro, conforme o estabelecido na decisão liminar, e que somente esse valor era o devido para que se suspendesse a exigibilidade dos tributos. Ademais, por ter iniciado a discussão na via Judicial não assiste cabimento a mesma discussão na esfera administrativa, razão pela qual não deve persistir o presente Auto de Infração. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 236 3 Argumenta que não é cabível a exigibilidade dos juros de mora, pois o depósito do valor devido foi feito dentro das exigências e do prazo estipulado pela lei, uma vez que a liminar em mandado de segurança preventivo foi concedida em 21/05/2007, sendo que os fatos geradores das presentes exações se efetivaram em 23/05/2007, data em que também ser realizou o depósito judicial. Pondera que, no presente feito, como a ação mandamental ainda não se encerrou no Poder Judiciário e o crédito permanece suspenso, pelo depósito judicial do montante integral dos valores não cobertos pela decisão liminar, confirmada em sentença, não há que se falar em cobrança de juros de mora com fulcro no §2°, do art. 63, da lei 9430/96. Requer a improcedência do presente auto de infração, sobretudo em relação à cobrança dos juros de mora. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão, julgando improcedente e arquivando o Auto de Infração (fls. 1 a 5), de 24 de outubro de 2007, desconsiderando a incidência de juros de mora uma vez que, segundo o Contribuinte, a exigibilidade do tributo está suspensa por força de medida liminar proferida em processo judicial. Houve, por fim, a apresentação de Requerimento por parte do Contribuinte, em 17 de abril de 2017 (fls. 232 e 233), que visa demonstrar que o objeto do presente processo já obteve decisão transitada em julgado na esfera judiciária. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0735.927 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/05/2007 LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário paralisa os atos executórios de cobrança, mas não suspende a prática do ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, necessária para evitar a decadência do poder de lançar. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 237 4 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Impugnação Improcedente O ora analisado Recurso Voluntário visa a reforma do referido Acórdão, requerendo a inexigibilidade dos juros de mora por considerar que eles decorrem da “exigência de tributos supostamente incidentes na importação em tela, ou seja, tratase de obrigação acessória à principal. Dessa forma, sendo inexigível o principal, é também inexigível o acessório” (fls. 211 e 212). Já a respeito do pedido principal o Contribuinte alega que o crédito tributário se encontra com a exigibilidade suspensa por força da medida liminar proferida em sede de Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0136501. O Contribuinte aduz, baseado no art. 63, da Lei 9.430 de 1996, que o Auto de Infração ora analisado não poderia ter sido lavrado apenas com o objetivo de prevenir a decadência, inclusive no que tange aos juros de mora. Nesse mesmo sentido, o Contribuinte alega que, conforme o art. 151 do CTN, a concessão de medida liminar é uma das formas de suspensão do crédito tributário, o que acaba por impedir que se discuta os juros de mora de tal obrigação tributária. Cito trecho do Recurso Voluntário como forma de elucidar a lide (fl. 214): Os tributos supostamente incidentes na importação de equipamento descrito na DI nº 07/0664660 deixaram de ser pagos com respaldo na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0136501, que determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários aqui discutidos, não consistindo em mera inadimplência do contribuinte, passível de incidência de juros de mora. De todo exposto, não restam dúvidas de que o presente auto de infração deve ser julgado improcedente, reconhecendose a inexigibilidade dos juros de mora em relação aos valores de PIS/COFINSimportação aqui discutidos, já que o não pagamento dos tributos em questão se deu por força da suspensão da exigibilidade dos mesmos em razão de medida liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança. Com isso, o Contribuinte conclui seu Recurso Voluntário requerendo que o Acórdão ora analisado seja reformado e, consequentemente, que não haja a incidência dos juros de mora, uma vez que, segundo o contribuinte, a exigibilidade do tributo está suspensa por força de medida liminar em processo judicial. Em que pese esta argumentação trazida pelo Contribuinte, há de se destacar o posicionamento adotado pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), por meio do Acórdão ora recorrido, que defende o seguinte: Não obstante, da análise da legislação aplicável verificase que inexiste, até a presente data, dispositivo que vede ou dispense expressamente a realização do lançamento referente a tributos objeto de ação judicial, mesmo diante de prévio depósito do crédito tributário. Uma vez constatada a ocorrência do fato gerador, sem que os tributos incidentes estejam devidamente quitados, a lei impõe o lançamento de ofício, por força da atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 238 5 E a obrigação de a Fazenda Pública sempre constituir o crédito tributário, para fins de prevenir a decadência, foi bem explicada no texto contido no livro de Leandro Paulsen, Direito Tributário, 2ª edição, pág. 587, in verbis: A suspensão da exigibilidade do crédito não impede a decadência. “A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Nem o depósito, nem a liminar em mandado de segurança têm a eficácia de impedir a formação do título executivo pelo lançamento, pelo que a autoridade administrativa deve exercer o seu poderdever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando paralisada a executoriedade do crédito.” (Alberto Xavier, Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed., Forense, 1997, pp. 427/428)(grifei) “A suspensão da exigibilidade não permite a cobrança do crédito, repelindo a fluência dos prazos prescricionais insculpidos no artigo 174 do código antes referido. Não deixam de correr, contudo, os prazos fixados para a constituição do crédito tributário, de caráter decadencial, fixados no artigo 173 do CTN. Em função do exposto, as autoridades fiscais, diante da constatação de depósito não albergado pelo competente lançamento, devem efetuar a constituição do crédito para prevenir a decadência.” (Geraldo Brickmann, Depósito Judicial e o Lançamento de Ofício para Prevenir a Decadência, em Revista de Estudos o Tributários nº 8, pp.17/18,jul/ago 99)(grifei) E o decorrente processo administrativo fiscal terá o seu seguimento normal, com a execução de todos os procedimentos administrativos pertinentes, exceção feita apenas aos atos executórios que dizem respeito à exigibilidade do crédito, que terão que aguardar o desfecho do processo judicial, com a sentença judicial final ou a perda da eficácia da medida liminar ou tutela antecipada concedida. Portanto, este ato deve ser declarado válido, pois sua feitura tem amparo em normas legais cogentes, especialmente nos artigos 142, parágrafo único, e 149, I, do CTN. Assim, nenhuma violação à lei ou desobediência ao Poder Judiciário ocorreu no caso em tela. De fato, apesar do Contribuinte ter na esfera judicial decisão que suspenda a exigibilidade do crédito tributário objeto do presente processo, esta decisão não tem o condão de suspender a atividade administrativa no que tange o lançamento, que é uma atividade vinculada e obrigatória, uma vez que se a Fiscalização não realizasse este lançamento seria atingida pelo instituto da decadência. Cabe frisar, também, o entendimento consubstanciado no Acórdão ora analisado no que tange a renúncia à esfera administrativa, como se verifica no seguinte trecho (fl. 199) O contribuinte impetrou Mandado de Segurança objetivando não recolher a COFINSImportação e o PIS/PASEPImportação referente à Declaração de Importação indicada na autuação, alegando ser inconstitucional a norma que instituiu essas contribuições, inclusive no tocante à definição de suas bases de cálculo. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 239 6 Assim, em relação a este mérito, o crédito tributário é considerado definitivo na via administrativa, uma vez que, conforme Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) implica renúncia às instâncias administrativas. Ressalvase, todavia, que sua exigência fica vinculada ao pronunciamento definitivo do Judiciário, uma vez que é nessa instância que vai ser definida a legitimidade e a base de cálculo dos tributos em questão. O Contribuinte, por sua vez, apresentou, em 17 de abril de 2017, Requerimento ao CARF indicando que houve o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS Importação e da Cofins Importação. Cito a íntegra do referido Requerimento como forma de elucidação da lide: I. A Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou Auto de Infração com a finalidade de prevenir os efeitos da decadência quanto ao PISImportação e à COFINSImportação, supostamente incidentes na importação da mercadoria descrita na DI nº 07/06646660, registrada em 23/05/2007, cuja exigibilidade encontravase suspensa por força da liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0136501. II. Tendo sido ajuizada ação judicial visando discutir a respeito da exigibilidade dos tributos supostamente incidentes na importação mencionada, temos que a decisão proferida no âmbito do Poder Judiciário não pode ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o princípio da unicidade da jurisdição. III. Nesse sentido, ainda que se reconheça a possibilidade de lavratura de auto de infração objetivando prevenir os efeitos da decadência, cumpre ressaltar que a inexigibilidade dos tributos objeto de cobrança no presente processo administrativo já restou reconhecida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.38.00.0136501, tendo a decisão transitado em julgado em 10/11/2015. IV. Portanto, diante do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS e das próprias contribuições na base de cálculo do PIS Importação e da COFINSImportação, valores este objeto do presente Auto de Infração, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário interposto, julgando improcedente o auto de infração lavrado, cancelandose o respectivo crédito tributário, com a consequente baixa e arquivamento dos autos. Assim, bastante claro a existência da concomitância entre a esfera administrativa e judicial, não restando dúvida acerca da aplicação da legislação pertinente, no caso a Súmula do Carf que assim dispõe: Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11891.000466/200719 Acórdão n.º 3301004.229 S3C3T1 Fl. 240 7 Além da concomitância, já está bem firmado que o processo judicial transitou em julgado, o que importa assim em alcançar também a discussão sobre juros de mora.em relação aos valores de PIS/COFINSimportação. Portanto, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário por concomitância, visto que o mesmo objeto é discutido tanto na esfera judicial quanto na esfera administrativa. Valcir Gassen Relator Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13601.000176/00-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO.
É passível de ressarcimento o saldo credor emergente após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO. É passível de ressarcimento o saldo credor emergente após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
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RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO. É passível de ressarcimento o saldo credor emergente após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 01 76 /0 0- 90 Fl. 505DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados em produtos sujeitos à alíquota zero, apurado no 1º trimestre de 2000, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, no montante de R$ 125.731,41, conforme documento da fl. 166. A seguir protocolizou os pedidos de compensação, das fls. 193, 217 e 241 de parte dos créditos objeto do pedido de ressarcimento com débitos das contribuições para o PIS e da Cofins relativos aos períodos de apuração de março, abril e maio de 2000, no montante de R$ 68.506,10, R$ 44.118,90 e 74.499,50, respectivamente. Replico abaixo trechos do relatório da DRJ, para bem informar os fatos deste processo: O pedido de ressarcimento foi submetido à análise prévia da legitimidade dos créditos pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Contagem/MG que constatou irregularidade na classificação fiscal de produtos industrializados pelo estabelecimento (telhas e “steel deck”), conforme Termo de Verificação Fiscal das folhas 247 e 248, lavrando o auto de infração, objeto do processo nº 13603.001685/200153, para formalizar a exigência do IPI que deixou de ser lançado em virtude da classificação incorreta. Também em razão do lançamento de ofício, a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal conforme demonstrativo anexo às fls. 249 a 252, reduzindo o saldo credor apurado pelo contribuinte. Em razão da existência de processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário, a fiscalização opinou pelo indeferimento do pedido, forte no § 6º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997. A proposição da fiscalização foi acatada pelo Despacho Decisório Saort, de 12 de março de 2003, de fls. 254 a 256, que concluiu pelo indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação das compensações. Cientificada em 20/09/2004, conforme Aviso de Recebimento da fl. 264, a interessada apresentou, no devido prazo, manifestação de inconformidade por meio do arrazoado das fls. 268 a 272, onde alega em suma que o despacho decisório atacado indeferiu o pedido em decorrência da existência do processo administrativo nº 13603.001045/200143, para exigência de crédito tributário do IPI, estranho ao presente processo e à própria manifestante. A DRF em Contagem, em conformidade com o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 1972, revisou o despacho anterior e proferiu o Despacho Decisório Saort, de 18 de novembro de 2004, corrigindo a identificação do processo administrativo fiscal de exigência do crédito tributário do IPI para o de nº 13603.001685/200153, mantendo os demais fundamentos e conclusões. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13601.000176/0090 Acórdão n.º 3402004.976 S3C4T2 Fl. 3 3 Contra esse despacho, do qual foi cientificada em 06/12/2004 (AR da fl. 279), mais uma vez a interessada se insurge por meio da manifestação de inconformidade das fls. 281 a 285, onde alega, em síntese, que à data da ciência do despacho decisório o processo 13603.001685/200153 que foi o único fundamento da autoridade administrativa para indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar as compensações já havia sido julgado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes e não estava a depender de decisão definitiva que pudesse alterar o valor do crédito a ser compensado. A DRJ/Santa Maria proferiu o Acórdão nº 188.520 (fls. 288 a 292), apreciando a manifestação de inconformidade das fls. das fls. 268 a 272 e negandolhe provimento, pelo que o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário que foi julgado no sentido de anular a decisão de 1ª instância, em razão de alteração no despacho decisório. Retornando os autos à DRJ, o processo foi julgado parcialmente procedente para reconhecer o direito ao crédito de R$ 104.816,39 para ressarcimento/compensação, restando uma diferença de R$ 20.915,02 que não fora reconhecida. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando suas razões. Foi juntado aos autos o Memorando nº 10/2016 RFB/DRFCON/Safis, de fls. 490 e ss. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O julgamento do presente feito se tornou absolutamente simples após a juntada do Memorando nº 10/2016 RFB/DRFCON/Safis, através do qual o Auditor Danilo Paula Bodevan verificou a ocorrência de equívocos na Reconstituição da Escrita Fiscal realizada no procedimento fiscal. O auditor apresenta um longo arrazoado no qual apresenta as razões que o levaram a equívoco, concluindo ao final o seguinte: Fl. 507DF CARF MF 4 Por concordar integralmente com o conteúdo do mencionado memorando, adiro às suas razões para motivação de meu voto, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, tornandose o mesmo parte integrante do presente voto. Assim sendo, resta claro que o contribuinte tem direito à integralidade do crédito pleiteado. Desse modo, voto por DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.970513/2011-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 15/02/2006
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.864
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 15/02/2006 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 15/02/2006 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 05 13 /2 01 1- 36 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.970513/201136 Acórdão n.º 3302004.864 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.328. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.970513/201136 Acórdão n.º 3302004.864 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.970513/201136 Acórdão n.º 3302004.864 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.970513/201136 Acórdão n.º 3302004.864 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.970513/201136 Acórdão n.º 3302004.864 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001437/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício:2008 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
Numero da decisão: 1402-000.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Fl. 57DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001437/201075 Acórdão n.º 140200.642 S1C4T2 Fl. 53 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001437/201075 Acórdão n.º 140200.642 S1C4T2 Fl. 54 3 Relatório SC Transporte e Construções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 13) expedida para aplicação de multa pelo atraso na entrega do Dacon referente a junho de 2008, no valor de R$ 19.324,05, com redução para R$ 9.662,02 em virtude da entrega espontânea. Inexistindo no processo comprovante da ciência da Notificação, considerase tempestiva a impugnação de fls. 01/12, na qual a empresa traz, em síntese, os seguintes argumentos: a) Inexistem motivos para a aplicação da multa e da multa de mora, uma vez que a denúncia espontânea é o reconhecimento do erro, cabendo apenas o recolhimento do valor devido com juros; b) Reclama da falta de oportunidade do contribuinte valerse do contraditório e da ampla defesa, sugerindo a utilização de um "processo administrativo sancionador", citando como exemplo o que ocorreria na Espanha; c) Aponta ilegalidade na multa fixada, por caracterizar confisco, além de ferir uma série de outros princípios constitucionais; d) Defende que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 19.329 (fls. 2426) de 28/09/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DACON. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa pelo atraso na entrega do Dacon objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de descumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo Fl. 59DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001437/201075 Acórdão n.º 140200.642 S1C4T2 Fl. 55 4 alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/01/2011 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/02/2011 (fls. 3040) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade De início, no que tange às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade apresentadas, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que não cabe a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) apreciar questões de ordem constitucional ou de legalidade de leis vigentes em nosso ordenamento jurídico. Tal entendimento é, inclusive, objeto da súmula nº 2 deste Conselho, publicada no DOU de 22/12/2009, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Deixase, pois, de se pronunciar quanto ao argumento trazido nesse ponto. Da denúncia espontânea Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que o pressuposto lógico da denúncia espontânea é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não ocorre na entrega intempestiva do Dacon, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a seu entrega. Ademais, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está explicitamente prevista no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, pelo que não há que se questionar a sua validade. Por fim, ressaltese ser essa, tal qual a anterior, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Descabido, pois, o recurso quanto a esse tópico. Do direito ao contraditório e à ampla defesa Por bem representar o entendimento sobre esse ponto, peço vênia para transcrever a decisão de primeira instância, no que atine ao direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente. “Cabe esclarecer que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação tempestiva , conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 60DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001437/201075 Acórdão n.º 140200.642 S1C4T2 Fl. 56 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo, quanto no judicial. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase de atuação exclusiva as autoridade tributária, na qual os agentes da Administração Tributária. Imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias e obtém elementos que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Assim, a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária. Nesta fase, de caráter inquisitorial, o contribuinte tem uma participação de natureza passiva. Devendo cooperar e atender à fiscalização quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Logo, antes da impugnação. não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de oficio, pelo Fisco. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. A partir da lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, na hipótese de discordar da exigência, é que o contribuinte, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando sua impugnação. o que, in casu, assim procedeu o litigante ao impugnar com os documentos de fls. 1/12.” Mérito Conforme já mencionado, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconómicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 61DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001437/201075 Acórdão n.º 140200.642 S1C4T2 Fl. 57 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação ,d a lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I RS 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifouse) Ex positis, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) foi entregue após o prazo previsto pela legislação tributária, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001437/201075 Acórdão n.º 140200.642 S1C4T2 Fl. 58 7 Fl. 63DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19679.011624/2005-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
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score : 1.0
Numero do processo: 13005.904154/2012-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011
CRÉDITO NÃO VERIFICADO EM DCTF. APURAÇÃO DA DACON NÃO COMPROVADA POR DOCUMENTOS. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO CONFIGURADA.
A retificação de DCTF anterior à prolação do Despacho Declaratório não é condição para a homologação das compensações, devendo, para tanto, restar comprovada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Os dados declarados na DACON apresentada pelo contribuinte por ocasião da Manifestação de Inconformidade não foram confirmados por outras provas documentais no curso do processo.
Numero da decisão: 3002-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011 CRÉDITO NÃO VERIFICADO EM DCTF. APURAÇÃO DA DACON NÃO COMPROVADA POR DOCUMENTOS. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO CONFIGURADA. A retificação de DCTF anterior à prolação do Despacho Declaratório não é condição para a homologação das compensações, devendo, para tanto, restar comprovada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Os dados declarados na DACON apresentada pelo contribuinte por ocasião da Manifestação de Inconformidade não foram confirmados por outras provas documentais no curso do processo.
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APURAÇÃO DA DACON NÃO COMPROVADA POR DOCUMENTOS. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO CONFIGURADA. A retificação de DCTF anterior à prolação do Despacho Declaratório não é condição para a homologação das compensações, devendo, para tanto, restar comprovada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Os dados declarados na DACON apresentada pelo contribuinte por ocasião da Manifestação de Inconformidade não foram confirmados por outras provas documentais no curso do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 41 54 /2 01 2- 16 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13005.904154/201216 Acórdão n.º 3002000.042 S3C0T2 Fl. 181 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de nº 0956.304, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, em sessão de 15 de janeiro de 2015, com seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/06/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o sujeito passivo apresentou Declaração de Compensação DCOMP de nº 25986.89776.060312.1.3.041590, objetivando a compensação de créditos oriundos de pagamento a maior de COFINS do mês 05/2011 com débitos de CSLL do mês 07/2011. Em 01.02.2013 foi emitido Despacho Decisório (fl. 02) informando que o pagamento declarado pela empresa foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada, exigindose, por conseguinte, o pagamento do tributo cuja quitação se pretendia fazer por meio da DCOMP em comento. Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 19.02.2013, o contribuinte apresentou, em 05.03.2013, Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) Equivocouse no preenchimento da DCTF, informando como valor do débito de COFINS o valor efetivamente pago por meio de DARF. Esse equívoco ocasionou a não localização do crédito no sistema da Receita Federal; b) Transmitiu, em 26.02.2013, DCTF retificadora referente ao período de maio/2011, corrigindo o valor do débito da COFINS, para fazer refletir nos sistemas da Receita Federal o crédito utilizado na DCOMP; c) Seja arquivado e baixado o processo de cobrança decorrente da não homologação da DCOMP em comento. Anexou documentos. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13005.904154/201216 Acórdão n.º 3002000.042 S3C0T2 Fl. 182 3 Em sessão de 15.01.2015, por meio do acórdão nº 0956.304, a 1ª Turma da DRJ/JFA declarou improcedente a Manifestação de Inconformidade, assim fundamentando sua decisão: a) Que na data de emissão da DCOMP, segundo a DCTF do contribuinte, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação, cabendo ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na respectiva DCTF; b) Tal comprovação poderia se dar por meio da escrituração contábil e fiscal, e dos documentos que a respaldem, sem prejuízo de outras provas que o interessado possua e tenham o condão de comprovar suas alegações; c) Não foi evidenciado, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito, vez que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos que incontestavelmente comprovassem o crédito pleiteado. Cientificado do conteúdo do acórdão em 25.02.2015, o sujeito passivo protocolou, em 20.03.2015, requerimento direcionado à DRJ, recepcionado como Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese que: a) A DACON de recibo nº 30.15.06.53.65.46, transmitida em 26.09.2011, mostra que o valor da COFINS apurada em maio/2011 é de R$32.720,83, sendo que R$419,91 foram compensados com retenções sofridas das fontes pagadoras, remanescendo saldo a pagar de R$32.300,92; b) O valor devido (R$32.720,83), deduzido pelo aproveitamento dos retenções sofridas na fonte (R$419,91), e pelo pagamento do DARF no valor de R$33.437,28, gera crédito de R$1.136,36, devidamente registrado no Livro Diário de julho/2011; c) Tendo o crédito como de direito, foi transmitida a DCOMP em comento, compensando débitos de CSLL de 07/2011, no valor principal de R$974,68, tendo os lançamentos de compensação sido realizados no Livro Diário de março/2012; d) Efetuou nova retificação de DCTF, informando ser de R$32.300,92 o valor devido a título de COFINS do mês 05/2011; Ao fim, requereu o contribuinte o arquivamento e baixa da cobrança decorrente da não homologação da compensação efetuada. Anexou os seguintes documentos: I) Cópia de páginas do Livro Diário º 262, de março/2012, evidenciando a contabilização das compensações realizadas pela DCOMP em análise; (fls. 105 a 112) II) Cópia de páginas do Livro Diário nº 254, de julho/2011, evidenciando a contabilização de crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS relativo ao mês 05/2011; (fls. 113 a 118) III) Cópia de páginas do Livro Diário nº 252, de maio/2011, evidenciando a contabilização de provisão de COFINS a pagar referente ao mês 05/2011, no valor de R$33.437,28; (fls. 119 a 124) Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13005.904154/201216 Acórdão n.º 3002000.042 S3C0T2 Fl. 183 4 IV) Cópia de Notas Fiscais e faturas evidenciando as retenções sofridas; V) Cópia de nova DCTF retificadora transmitida em 13/03/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Consoante entendimento deste Conselho, a apresentação de DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, devendo, para tanto, restar comprovada a certeza e liquidez do indébito tributário por outros meios, nos autos do processo administrativo. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, entendeu que o princípio da verdade material possibilita a complementação de provas para auxílio na formação da convicção do julgador, mantido o ônus probatório do contribuinte. "É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado." Por ocasião da Manifestação de Inconformidade, no intuito de comprovar seu direito creditório, o impugnante apresentou cópia da DACON relativa ao período de apuração do crédito pleiteado, bem como cópia do DARF da COFINS do mês de maio/2011 e respectivo comprovante de pagamento. Consoante ao disposto no art. 29 do Decreto Lei nº 70.235/1972, tendo o contribuinte, à época da Manifestação de Inconformidade, prestado informações e apresentado documentos que apresentassem, ainda que minimamente, a existência de indícios do direito creditório pleiteado, poderia a autoridade julgadora solicitar documentos complementares para formar sua convicção. Assim não procedeu a DRJ/JFA, indeferindo de plano todo o contido na DACON apresentada pelo impugnante. Já em fase recursal, na tentativa de comprovar o crédito de COFINS do mês 05/2011, o sujeito passivo apresentou cópia de folhas do livro diário. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13005.904154/201216 Acórdão n.º 3002000.042 S3C0T2 Fl. 184 5 Entretanto, as páginas dos diários contábeis trazidas aos autos, não foram suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação em discussão. Senão vejamos: a) as páginas do livro diário nº 262, de março de 2012, apenas retratam o modo como o sujeito passivo efetuou a contabilização das compensações por ele mesmo declaradas na DCOMP, não comprovando a origem do crédito pleiteado; b) as páginas do livro diário nº 254, apenas demonstram que, em julho/2011, a recorrente contabilizou na conta "COFINS a Compensar" o valor que entendia ter pago a maior no mês anterior, não sendo suficiente para comprovar a certeza do crédito pleiteado; c) Por fim, as páginas do livro diário de nº 252, referentes ao mês de maio/2011, evidenciam que a provisão contábil da COFINS desse mês foi realizada no valor de R$33.437,28, diverso daquele constante na DACON apresentada por ocasião da Manifestação de Inconformidade. Assim, o contribuinte não apresentou elementos capazes de comprovar que o valor efetivamente devido a título de COFINS é inferior àquele recolhido por DARF em 22/06/2011. Ainda que as fichas da DACON trazida aos autos demonstrem a memória de cálculo da contribuição, não possuem o condão de comprovar, de per se, a exatidão das informações nelas constantes. Não foi comprovada nos autos a exatidão das informações declaradas na DACON, apresentada como prova da existência do direito creditório do contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade. Ao contrário, a única página do Livro Diário trazida aos autos que guarda relação com a apuração da COFINS do mês de maio/2011, evidenciou que a provisão contábil da contribuição diverge do valor constante na DACON utilizada como prova. Ademais, dentre as páginas dos livros contábeis trazidas pelo contribuinte a estes autos, nenhuma comprova a exatidão das informações declaradas na DACON apresentada na primeira manifestação processual. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721469/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO
Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional ao valor apurado. Destarte, sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2402-005.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Fernanda Melo Leal que acolhiam a preliminar de decadência e davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado; e os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitosa, que davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado. Fizeram sustentação oral, como representante do contribuinte, o Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ nº 88.704, e, como representante da Fazenda Nacional, a Dra. Lívia da Silva Queiroz.
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente da Turma), Ronnie Soares Anderson, Maurício Nogueira Righetti, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional ao valor apurado. Destarte, sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721469/201175 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.945 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2017 Matéria IRPF Recorrente FÁBIO DE BARROS PINHEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional ao valor apurado. Destarte, sobre o crédito tributário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 69 /2 01 1- 75 Fl. 657DF CARF MF 2 constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Fernanda Melo Leal que acolhiam a preliminar de decadência e davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado; e os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitosa, que davam provimento ao recurso para afastar o lançamento em relação ao ganho de capital apurado. Fizeram sustentação oral, como representante do contribuinte, o Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ nº 88.704, e, como representante da Fazenda Nacional, a Dra. Lívia da Silva Queiroz. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (Assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente da Turma), Ronnie Soares Anderson, Maurício Nogueira Righetti, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 554/600) em face do Acórdão n. 17 58.236 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP2 (fls. 515/545), que julgou improcedente a impugnação de fls. 361/400 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnoCalendário 2006 no montante de R$ 464.074,94 (fls. 349/356) sendo R$ 155.079,35 de imposto (Cód. Receita 2904), R$ 76.376,57 de juros de mora calculados até 30/09/2011 e R$ 232.619,02 de multa proporcional calculada sobre o principal com fulcro em apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de participação societária no BANCO PACTUAL CNPJ 30.306.249/000145 ocorrida em dezembro de 2006. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 329/348) parte integrante do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 349/356) a fiscalização teve como objeto a operação de alienação da participação societária que o contribuinte FÁBIO DE BARROS PINHEIRO CPF 275.497.20134 detinha junto ao BANCO PACTUAL CNPJ 30.306.249/000145 representada por 5.670.390 (cinco milhões, seiscentos e setenta mil, trezentos e noventa) ações ordinárias à pessoa jurídica UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 08.245.975/000191 após um complexo processo de reorganização societária. Do TVF (fls. 329/348), extraemse, no essencial e em ordem cronológica, as operações que foram objeto de fiscalização: a) Conforme Demonstrativo da Apuração de Ganhos de Capital, anexo à Declaração de Ajuste Anual Simplificada Exercício 2007, o contribuinte declara haver alienado, em 01/12/2006, 5.670.390 ações ordinárias nominativas representativas do capital social do Banco Pactual S.A pelo valor de R$ 26.218.108,48. Nesse mesmo demonstrativo, o custo de aquisição das referidas ações era de R$ 12.863.175,22 acarretando um ganho de capital de R$ 13.354.933,26. b) Do valor total da venda foram recebidos, no ano de 2006, R$ 10.189.703,30 que, proporcionalmente, correspondem a um ganho de capital de R$ 5.190.412,86 e a um valor de Imposto de Renda de R$ 778.561,93 (alíquota de 15%). c) Em 2009, o contribuinte recebeu R$ 12.063.392,86 (os quais estavam previstos, inicialmente, para serem recebidos apenas em meados de 2011), através de depósito bancário. O saldo de R$ 3.965.007, 14 teria sido recebido em quatro parcelas de R$ 991.251,78 que venceriam em março de 2010, setembro de 2010, março de 2011 e julho de 2011. Porém, o contribuinte considerou como realizado a totalidade do ganho de capital correspondente a R$ 16.028.400,00 e recolheu o Imposto de Renda de R$ 1.224.489,62 à mesma alíquota de 15%. d) Ocorre que, como acima noticiado, o valor do ganho de capital e consequentemente o valor do Imposto de Renda correspondente foram indevidamente reduzidos através da prévia manipulação do custo de aquisição dessas ações. Fl. 659DF CARF MF 4 e) Conforme comprovam os contratos e estatutos sociais das empresas do Grupo Pactual (as diversas empresas do grupo e, ainda, as diversas pessoas físicas dos seus sócios), o contribuinte possuía 0,6396% do capital da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) CNPJ 02.220.756/000171 que, por sua vez, possuía 78,18% do capital da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 que, por seu turno, detinha 100% do BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145. Portanto, de maneira indireta, o contribuinte detinha 0,5% de participação no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145. f) Em 13/10/2006 os sócios da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) CNPJ 02.220.756/000171 aprovam o aumento de seu capital social em R$ 686 milhões, que passa de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40 e, cuja integralização, foi efetuada mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuiriam frente à empresa (conforme balanço relativo a 31/08/2006), proveniente de distribuição de dividendos. g) Em razão do que determina o art. 135 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto n. 3.000/99, o contribuinte promove o aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 02.220.756/000171 (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) no montante de R$ 2.660.130,00: "Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10, parágrafo único )." h) Nesse mesmo dia (13/10/2006), seus sócios aprovam, mediante Assembléia Geral, a incorporação da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 02.220.756/00017 (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) pela PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 como também o Protocolo de Justificação dessa incorporação e o respectivo Laudo de Avaliação. Com isto sócios da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 02.220.756/00017 (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) entregam as quotas que possuíam nessa empresa e recebem em contrapartida ações da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160. Aqui torna se importante frisar que praticamente a totalidade do acervo da incorporada NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) CNPJ 02.220.756/000171 referese a sua participação na incorporadora PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160, conforme se observa no Anexo I do citado Laudo de Avaliação. i) Da mesma forma e no mesmo dia (13/10/2006), os sócios da PACTUAL HOLDINGS S/A CNPJ 02.220.757/000116 aprovam, através de Assembléia Geral Extraordinária, o aumento de seu capital social em R$ 202,5 milhões, que passa de R$ 31.299.033,50 para R$ 233.799.033,50 cuja integralização, também se deu através da capitalização de créditos de seus sócios junto à empresa, no valor de R$ 200,5 milhões, provenientes de distribuição de dividendos e R$ 2 milhões de sua Reserva Legal (balanço de 31/08/2006). j) Após a capitalização, a PACTUAL HOLDINGS S/A CNPJ 02.220.757/000116 também foi incorporada pela PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 conforme aprovado em nova Assembléia Geral Extraordinária, de 13/10/2006, a qual aprovou, ainda, o respectivo Protocolo de Justificação e o Laudo de Avaliação. Os Fl. 660DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 103 5 sócios da PACTUAL HOLDINGS S/A CNPJ 02.220.757/000116 recebem ações da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 em troca das ações que possuíam naquela empresa. Como no caso anterior, a atividade da PACTUAL HOLDINGS S/A CNPJ 02.220.757/000116 restringiase à exploração de sua participação na PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160. k) Em 03/11/2006 os sócios da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 aprovam, mediante Assembléia Geral Extraordinária, o aumento de seu capital social no valor de R$ 996.087.876,00 elevandoo de R$ 101.698.838,85 para R$ 1.097.786.714,85 integralizado através da capitalização de créditos de seus sócios (balanço de 31/10/2006), provenientes de distribuição de dividendos. k) Novamente, ao amparo do art. 135 do RIR/99, o contribuinte eleva o custo de aquisição de sua participação na PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 no valor de R$ 4.980.441,00. m) Finalmente, em 01/12/2006, os sócios do BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 aprovam em Assembléia Geral Extraordinária a incorporação da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160. Com isto, os sócios da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/000160 entregam as ações que possuíam nessa empresa e recebem em contrapartida ações do BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145. O Laudo de Avaliação que ampara essa incorporação demonstra que o valor total dos ativos da PACTUAL S/A CNPJ 02.220.758/0001 60 se resumia a sua participação no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145. n) No mesmo dia, 01/12/2006, o contribuinte aliena a sua participação no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 à UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 08.245.975/000191 (sociedade controlada por UBS AG, empresa com sede na Suiça), conforme já exposto no preâmbulo deste TVF. o) Da descrição dos negócios acima, verificase o seguinte padrão: o aumento de capital em uma determinada empresa, através de créditos detidos por seus sócios pessoas física, e sua subsequente incorporação em outra empresa que, por sua vez, sofrerá novo aumento de capital e nova incorporação, bem assim que os ativos das empresas incorporadas se constituíam quase integralmente, ou integralmente no último caso descrito, do investimento na incorporadora. p) Através dessa manobra o contribuinte promoveu, em 2006, um aumento do custo de aquisição de sua participação no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 de incríveis 146,30% (que passou de R$ 5.222.629,22 para R$ 12.863.175,22), enquanto que no mesmo período o patrimônio líquido do BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 experimentou um aumento de 84,45% (R$ 625.223.115,04 para R$ 1.153.225.211,81 na data da alienação). q) Essas incorporações seguiram um padrão diferente do normal (investidora incorpora a investida) que denominase incorporações reversas. A par da licitude da vontade e realidade dos atos societários examinados que permearam a reorganização societária quanto a sua adequada cronologia, execução e tempestividade de arquivamento no registro de comércio, no presente caso essas capitalizações seguidas das incorporações reversas serviram, como se demonstrará a seguir, para elevação indevida do custo da participação que o contribuinte possuía no BANCO PACTUAL S.A CNPJ 30.306.294/000145 reduzindo assim o valor do ganho de capital na posterior alienação dessas participações e consequentemente o valor do imposto devido. Fl. 661DF CARF MF 6 Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 329/348) parte integrante do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 349/356) "pretendeuse simular, mediante as operações acima descritas, que o custo de aquisição da participação societária detida pelo contribuinte junto ao BANCO PACTUAL S/A e alienada à UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. seria de R$ 12.863.175,22 quando conforme demonstrado, o valor total do investimento efetuado pelo contribuinte na referida participação alcançou o valor de R$ 10.203.045,22 (R$ 12.863.175,22 R$ 2.660.130,00)." Destarte, conclui a autoridade lançadora que o contribuinte incorreu na prática de ato simulado com o propósito de lesar terceiros, no caso a Fazenda Nacional, configurando a hipótese prevista no art. 167, § 1º. inciso I c/c § 2º. do Código Civil (Lei n. 10.406/2002), uma vez que o ato praticado aparentou conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas às quais realmente conferiu ou transmitiu. O objetivo final do ato simulado (conjunto de operações que antecederam a alienação) foi o de se pretender dar aparência de regular à majoração indevida do custo de aquisição das ações alienadas pelo contribuinte, conferirlhes direitos que não possuía e com isto lesar o direito do Erário Público incidente na operação. A autoridade lançadora desconsiderou a simulação em apreço com fulcro no art. 116, parágrafo único do CTN e caracterizou multa de ofício qualificada conforme disposto no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430/1996. Expurgandose o acréscimo promovido pelo contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão da capitalização da NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA. (antiga PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) CNPJ 02.220.756/000171 no valor de R$ 2.660.130,00 encontrase o correto valor do custo de aquisição das ações alienadas que somam R$ 10.203.045,22 (R$ 12.863.175,22 R$ 2.660.130,00), conforme informa o TVF (fls. 329/348). Nessa perspectiva, a Fiscalização apurou ganho de capital na alienação em apreço no valor de R$ 16.015.058,06 correspondente à diferença entre o valor da alienação (R$ 26.218.103,28) e o custo de aquisição correto (R$ 10.203.045,22). Essa apuração repercutiu na realização do ganho de capital em 2006 (1ª. parcela) implicando diferença a autuar no valor de R$ 155.079,06 conforme devidamente discriminado no TVF (fls. 329/348). Formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais Processo n. 19515.721470/201108 visando noticiar ao Ministério Público Federal a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, definido no art. 2º., inciso I da Lei n. 8.137/90. Cientificado do lançamento em 30/10/2011 (fl. 357), o contribuinte, inconformado, apresentou, em 23/11/2011, por meio do seu representante legal, a impugnação de fls. 361/400, aduzindo, em síntese, o que segue: 1. Antes da reestruturação, o impugnante era titular de investimentos representativos de 0,64% da Nova Pactual Participações Ltda, sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital da empresa Pactual S/A., holding titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual; 2. Os investimentos representativos dos demais 21,82% do capital da Pactual S/A eram de propriedade da Pactual Holdings S/A., sociedade holding na qual o impugnante não tinha qualquer participação; Fl. 662DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 104 7 3. Os principais atos da reestruturação questionados pelo Auto de Infração foram: i) aumento de capital da Nova Pactual Participações, realizado em 13/10/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), resultando em acréscimo do custo dos investimentos do impugnante em R$ 2.660.130,00; ii) aumento de capital da Pactual Holdings, na mesma data, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, o qual é irrelevante no caso concreto porque, como visto acima, o impugnante não era titular de investimentos na Pactual Holdings; iii) incorporação da Nova Pactual Participações (e Pactual Holdings, o que não é relevante no caso) pela Pactual S/A, sua controlada (incorporação reversa), e transferência ao impugnante, em substituição à sua participação no capital da incorporada, de investimentos diretos na incorporadora, ou seja, na Pactual S/A; iv) aumento de capital da Pactual S/A, em 03/11/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, resultando em aumento do custo dos investimentos do impugnante na Pactual S/A em R$ 4.980.441,00; v) incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual (incorporação reversa), tendo o impugnante recebido, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no Banco Pactual; 4. Depois da incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual, as ações deste último, das quais o impugnante se tornou proprietário, foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda, pelo preço total de R$ 26.218.108,48, sendo que uma parcela foi paga a vista, em 2006 (R$ 10.189.703,30), e outra parcela, em 2009 (R$ 12.063.392,86); 5. O saldo restante (R$ 3.965.007,14) ficou de ser pago em quatro parcelas de R$ 991.251,78, com vencimento em março de 2010, setembro de 2010, março de 2011 e julho de 2011; 6. Após a implementação da reestruturação, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual passou a ser de R$ 12.863.175,22; 7. No Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, a fiscalização afirma que a reestruturação: i) implicou na majoração indevida do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, a qual decorreria de uma interpretação equivocada do art. 135 do RIR com relação aos efeitos das incorporações inversas; ii) consubstanciou ato simulado cujos efeitos, nos termos do art. 116, § único, do CTN, poderiam ser desconsiderados para fins fiscais; iii) implicou na caracterização cumulativa de todas as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, quais sejam, sonegação, fraude e conluio, motivando a aplicação da multa de 150%; 8. Em razão do exposto, a fiscalização desconsiderou parte do acréscimo do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, qual seja, aquele decorrente da capitalização de lucros pelas holdings do Banco Pactual (Nova Pactual Participações e Pactual S.A), no que excederam os lucros existentes no próprio Banco Pactual; 9. O auto indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas, e nenhum deles foi infringido pelo impugnante; 10. O Grupo Pactual era composto por diversas holdings existentes há mais de dez anos e constituídas em uma época em que as pessoas físicas integrantes do grupo (controladores) sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; Fl. 663DF CARF MF 8 11. Os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e a distribuição de seus resultados e, dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as mesmas se tornassem totalmente desnecessárias; 12. Em tese, as holdings poderiam ser extintas antes ou depois da concretização da venda do Banco Pactual, sendo que, na primeira hipótese, os controladores figurariam no pólo vendedor da operação, ao passo que, na segunda, as holdings ocupariam essa posição; 13. Pela natureza do negócio celebrado com o UBS Brasil, optouse pela extinção das holdings antes da realização do negócio; 14. Como é comum nas vendas de instituições financeiras com as características do Banco Pactual, seus principais acionistas assumem obrigações de caráter personalíssimo, como a de não competirem com a sociedade vendida e mesmo de nela continuarem atuando até que seu fundo de comércio tenha se consolidado após a transferência de seu controle acionário; 15. Assim, nada mais lógico que eles fossem parte no negócio, e não meros intervenientes; 16. O caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor; 17. Entre as diversas variantes que poderiam ser adotadas para fazer com que os controladores figurassem como vendedores, tais como: i) a liquidação das holdings com a entrega dos ativos (no que se incluiriam as ações do Banco Pactual) aos controladores em devolução do capital; ii) a redução do capital das holdings, mediante entrega dos investimentos no Banco Pactual aos controladores; iii) incorporações diretas ou tradicionais, cujos inconvenientes são enormes, ressaltando que a incorporação de um banco como o Pactual por outra empresa, sobretudo uma que não seja instituição financeira, seria extremamente complexa e onerosa; iv) a venda, pelos controladores, de investimentos diretos nas holdings, hipótese em que seria desnecessária qualquer reestruturação societária prévia; a última variante disponível, a incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual, sem dúvida, era a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; 18. Desde que o art. 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; 19. Não procede, assim, a alegação de que a opção pelas incorporações inversas consistiu em um artifício motivado exclusivamente pela economia fiscal; possa 20. Nas incorporações, a incorporadora recebe um conjunto patrimonial (bens, direitos e obrigações) e “paga” aos acionistas da incorporada pelo mesmo, em ações representativas de aumento de seu capital; 21. Não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada têm o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; 22. A incorporação das holdings pelo Banco Pactual é um exemplo de incorporação “inversa” ou “reversa”, na qual a investida (Banco Pactual) sucede as investidoras (as holdings) em todos os seus bens, direitos e obrigações, dentre os quais figuram os investimentos da investidora/incorporada na investida/incorporadora, cabendo à investida/incorporadora aumentar seu capital social e entregar as ações representativas desse aumento aos acionistas da investidora/incorporada; Fl. 664DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 105 9 23. A investida/incorporadora passa a ter ações representativas de seu próprio capital social, que são canceladas no próprio ato ou, opcionalmente, mantidas em tesouraria, na hipótese de a investida dispor de lucros ou reservas suficientes à subsistência das ações; 24. Ocorre, assim, um aumento de capital (para a emissão de ações destinadas aos acionistas da investidora/incorporada) e uma subsequente redução do capital para cancelamento das ações representativas do próprio capital da investida, caso a mesma não ou não queira mantêlas em tesouraria; 25. O conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; 26. A parcela do patrimônio líquido da incorporada, representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação e, por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 27. A automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e até mesmo pelo fisco; 28. Não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S/A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; 29. Os lucros de Nova Pactual Participações foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação. Tal assertiva é comprovada pela simples análise da capitalização de lucros de Nova Pactual Participações, realizada nos termos de sua 4a Alteração Contratual, datada de 13/10/2006 oportunidade em que o capital de Nova Pactual foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, créditos estes decorrentes do direito ao recebimento de lucros. Esta foi, portanto, a razão de a capitalização de lucros de Nova Pactual Participações ter sido expressa e não mera decorrência de sua incorporação por Pactual; 30. A legislação do Imposto de Renda determina, no art. 130, §1º e art. 135 do RIR, que o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados; 31. Nas incorporações inversas, se, por um lado, os acionistas da incorporadora recebem ações da incorporada por custo idêntico ao das ações da incorporadora, por outro lado, ocorre a capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada e o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada passa a corresponder ao valor original de seu investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada; 32. No caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação, mas a capitalização existiria independentemente desta deliberação; Fl. 665DF CARF MF 10 33. O ajuste de custo do valor dos investimentos se verificaria, quer houvesse deliberação expressa específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings, como houve, quer não; 34. A legislação em vigor prevê que a capitalização dos lucros gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro; 35. Quer a capitalização dos lucros das holdings tivesse resultado de deliberação específica, quer houvesse ocorrido no processo de incorporação, seus sócios ou acionistas eram os vendedores e, dentre eles, estava o impugnante e, assim, o ajuste do custo dos seus investimentos decorre da aplicação da lei, não havendo como rejeitálo; 36. A opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do Banco Pactual pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi mera consequência da adoção dessa opção legítima e essencial aos negócios; 37. Ainda que a majoração dos investimentos do impugnante no Banco Pactual seja em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco e que esta seja encarada como uma distorção, ela resulta da aplicação das normas societárias em vigor; 38. Não se pode esperar que o contribuinte deixe de aplicar a lei em razão de a mesma lhe favorecer, pela peculiaridade de determinada situação; por outro lado, o fisco também não pode deixar de aplicála por considerar que ela beneficia indevidamente o contribuinte; 39. As distorções decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial ocorrem não só nas hipóteses de incorporações reversas, mas também em outras situações; 40. O 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”; 41. As distorções que ocorrem devem ser corrigidas por quem tem competência para isso, o legislador, estando o intérprete e o aplicador da lei adstritos aos seus termos, não lhes cabendo deixar de aplicála por considerar que deveria ter tratado de forma diversa uma situação específica; 42. Ao afirmar que o impugnante deveria ter baixado uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos quando ocorreu a incorporação reversa das holdings do Grupo Pactual, a fiscalização quer impor a adoção de procedimento sem base legal e sequer previsto em norma editada pela Receita Federal do Brasil; 43. Além disso, faltaria até lógica a esse procedimento, pois, ao fazêlo, a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital; 44. O art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil contempla situação em que pessoas sem qualquer interesse real (as chamadas interpostas pessoas) participam de negócios jurídicos com o único objetivo de ocultar um de seus verdadeiros participantes; 45. No caso concreto, não houve simulação por interposição de pessoa, pois em nenhum momento aparentouse conferir direitos a pessoa distinta com o objetivo de Fl. 666DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 106 11 ocultar a que efetivamente os recebeu, não tendo havido em qualquer etapa da reestruturação a interposição de parte oculta; 46. A alienação do Banco Pactual foi celebrada entre seus proprietários e o UBS Brasil, tendo a reestruturação sido feita às claras para viabilizar a negociação das ações do Banco Pactual diretamente pelos controladores e, nesse particular, ela não foi contestada; 47. Os bens transferidos aos controladores foram ações do Banco Pactual e não direitos caracterizados pela majoração artificial do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A; 48. Ainda que a legislação vedasse a elevação dos custos do investimento do impugnante, a reestruturação teria ocorrido exatamente da mesma forma que ocorreu, pois ela representava a maneira mais rápida e econômica de viabilizar o negócio; 49. De acordo com a maior parte dos precedentes do 1º CC, a caracterização de simulação por interposta pessoa, prevista no art. 167, §1º, do CC/02, verificase quando direitos são entregues a pessoas que não são seus verdadeiros proprietários e sequer têm ingerência sobre eles; 50. O art. 116, § único, do CTN é inaplicável, seja porque ele não se destina ao combate de atos simulados, seja porque ele é ainda ineficaz, por não ter sido regulamentado; 51. O referido dispositivo não é autoaplicável e o próprio texto faz referência aos “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”, sem os quais o referido dispositivo não produz efeitos; 52. A fiscalização não lançou a multa agravada com base na ocorrência de simulação, a qual foi suscitada no TVF unicamente para justificar a aplicação do art. 116, § único do CTN. Todavia, se este tivesse sido o caso, a inaplicabilidade da multa já teria restado plenamente comprovada, pois, conforme visto, não houve qualquer ato simulado na reestruturação; 53. O fato de o TVF indicar a existência cumulativa de simulação, sonegação, fraude e conluio é um fortíssimo indício de que a fiscalização não se preocupou em comprovar suas alegações, optando por mencionar todas as patologias que lhe ocorreram. Tal procedimento contraria a jurisprudência pacífica do CARF e da CSRF, que em numerosos julgados têm decidido que a aplicação da multa agravada está condicionada à comprovação, por parte do fisco, da existência de “evidente intuito de fraude do sujeito passivo”; 54. Diante do exposto, fica evidente que não se verificaram, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de 150%, razão pela qual a cobrança da mesma é improcedente; 55. É descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; 56. Requer que seja julgado improcedente o auto de infração, com a consequente extinção do crédito tributário dele decorrente. Fl. 667DF CARF MF 12 O crédito tributário foi mantido no julgamento de primeiro grau consubstanciada no Acórdão n. 1758.236 (fls. 515/545), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constar do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. Só é considerado válido o planejamento tributário, conjunto de medidas e atos adotados pelo contribuinte na organização de sua vida econômicofiscal, se este anteceder o fato gerador e pautarse pela legalidade, com o afastamento de qualquer forma de simulação em relação aos atos e negócios praticados. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. INCORPORAÇÕES REVERSAS. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. SIMULAÇÃO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. O fato de cada uma das transações dentro do grupo societário, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando restar comprovada a simulação, visto que, por trás da verdade declarada, uma aparente custo das ações do acionista pessoa física e a obtenção de benefícios fiscais, que, de outra forma, não poderiam ser alcançados. MULTA QUALIFICADA. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. No caso em exame, tendo sido comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do pagamento do imposto devido, cabível é a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. O contribuinte foi cientificado do Acórdão n. 1758.236 (fls. 515/545) em 30/03/2012 (fl. 550) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 11/04/2012 (fls. 554/600), tempestivo, portanto, aduzindo, em síntese: Fl. 668DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 107 13 a) A estrutura societária existia há mais de dez anos, servindo para distribuição de resultados e organizar o controle do Banco Pactual pelos acionistas; b) A venda das ações dos acionistas pessoas físicas diretamente ao UBS AG, com a extinção das holdings por meio de incorporações reversas era o caminho mais lógico e econômico para realizar a transação pactuada, entre outras razões porque a incorporação de instituições financeiras e/ou liquidação de holdings são processos demasiadamente complexos; d) Na incorporação, os lucros e reservas da incorporada transformamse em capital da incorporadora, sendo que nas incorporações reversas tal capitalização por vezes não é perceptível de imediato, caso o capital da incorporadora permaneça o mesmo antes e depois da operação; c) Nas incorporações reversas há a peculiaridade de que, como parte do patrimônio da incorporada é formada por ações da incorporadora, e essas ações são canceladas ou mantidas em tesouraria quando da incorporação, o capital é aumentado e na sequência sofre redução pelo cancelamento das ações, ou, ainda, são mantidas essas em tesouraria; d) É improcedente o entendimento da fiscalização no sentido de que as operações em comento tiveram por escopo aumentar o custo de aquisição, pois na verdade a distribuição prévia do lucro em bases desproporcionais teve amparo no art. 1.007 do Código Civil e visou corrigir as participações societárias dos acionistas antes da incorporação, sendo a apuração do custo da reestruturação baseado em lei; e) Os lucros de equivalência patrimonial gerados pelo Banco Pactual podem ser capitalizados por suas investidoras, devendo ser reconhecido que a legislação fiscal não é perfeita e distorções econômicas existem, por vezes punindo o contribuinte, por vezes beneficiandoo, cabendo ao legislador corrigilas; f) O critério de apuração do custo de aquisição pelo Fisco não tem respaldo legal, havendo, inclusive, expurgado indevidamente parcela de lucros advindos de usufruto; g) Não há falar em fraude ou abuso, pois o custo de aquisição observou os arts. 130, § 1º e 135 do RIR/99, sendo todas as operações realizadas às claras, do que decorre a impertinência da qualificação da multa de ofício; h) Não cabe a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. No que tange especificamente às razões da DRJ/SP2 para a manutenção do lançamento, o contribuinte manifestase consoante resumo abaixo: i) Segundo o MEP (Método de Equivalência Patrimonial), de aplicação obrigatória no caso por imposição de lei, o lucro da investida não é lucro, mas sim receita da investidora, e o fato de uma holding ser pura, sem atividade operacional, não faz com que ela seja diferente das outras, na ausência de distinção legal; ii) As capitalizações se deram com os lucros das próprias holdings e não com o lucro do Banco, absolutamente distintos, não podendo ser desconsiderada tal situação em nome da justiça econômica; iii) Entende que a capitalização de ganhos de equivalência não está sujeita a bloqueios na ausência de previsão legal e que as vantagens fiscais não são decorrentes da reestruturação, mas sim da redação do art. 135 do RIR/99; iv) A fixação do custo de aquisição com base na estrutura patrimonial do Banco, tal como efetuada pela fiscalização, não possui respaldo legal; Fl. 669DF CARF MF 14 v) O aumento de custos do recorrente resultou de atos específicos de redistribuição de capital entre os acionistas; vi) Cita precedente do CARF para corroborar suas razões no sentido de inexistência de fraude à lei resultante de abuso de direito no âmbito tributário; vii) Reitera, como remate, sua inconformidade quanto à qualificação e à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 108 15 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator O Recurso Voluntário (fls. 554/600) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, o recorrente alienou, conjuntamente com os demais sócios da instituição financeira, ações do Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações, apurando ganho de capital no AnoCalendário 2006. O recorrente possuía 0,6396% das ações da Nova Pactual Participações Ltda., holding que detinha 78,18% de participação societária na Pactual S/A., a qual por sua vez era detentora de praticamente 100% das ações do Banco Pactual S/A. O recorrente e os demais sócios da Nova Pactual Participações Ltda., bem como os sócios da Pactual Holdings S/A, que detinham os restantes 21,82% de participação societária na Pactual S/A optaram por vender diretamente suas respectivas participações no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações como pessoas físicas, e não por intermédio das aludidas holdings. Para tanto, foi promovida uma série de reestruturações societárias sob a forma de incorporação reversa (ou incorporação inversa), por meio de sucessivas capitalizações de lucros contabilizados nas holdings, após a aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP) relativamente aos resultados auferidos pelo Banco Pactual S/A. No que se refere ao recorrente, foram duas as incorporações inversas de interesse: 1. Incorporação da Nova Pactual Participações Ltda. pela Pactual S/A. em 13/10/2006, com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção que detinham na holding extinta. Essa operação foi precedida pela capitalização, na mesma data, dos lucros apurados pela Nova Pactual Participações Ltda. com esteio no Método de Equivalência Patrimonial (MEP), sendo realizada a primeira majoração do custo de aquisição de sua participação societária com fulcro no art. 135 do RIR/99. Para o recorrente, tal feito resultou em aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no montante de R$ 2.660.130,00. 2. Incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual S/A. em 01/12/2006, com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção que detinham na holding extinta. Essa operação foi precedida pela capitalização, em 03/11/2006, de lucros apurados pela Pactual S/A. com amparo Método de Equivalência Patrimonial (MEP), sendo realizada a segunda majoração do custo de aquisição de sua participação societária, baseada, novamente, no art. 135 do RIR/99. Para o recorrente, tal procedimento resultou na elevação do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no valor de R$ 4.980.441,60. Fl. 671DF CARF MF 16 É relevante salientar que os aumentos de capital vinculados às duas incorporações acima citadas e utilizados como justificativa para as respectivas majorações do custo de aquisição tiveram por fundamento o mesmo (e único) fato econômico: o lucro obtido pelo Banco Pactual S.A. Não mais existentes as holdings (Nova Pactual Participações Ltda. e Pactual S/A ) realizouse a venda do Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações diretamente pelas pessoas físicas, ensejando a apuração de ganho de capital no AnoCalendário 2006, ora em questionamento. A principal questão controversa concentrase na aplicação do art. 135 do Decreto n. 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99) às operações em comento, do que teria decorrido, conforme defende o recorrente, custo de aquisição das ações por ele alienadas no patamar de R$ 12.863.175,22 e não no valor de R$ 10.203.045,22 apurado pela Fiscalização da RFB. O dispositivo legal em apreço trata do custo de participações societárias adquiridas com incorporação de lucros e reservas, motivo pelo qual cumpre passar prontamente ao seu exame. O art. 135 do RIR/99 tem sua gênese no parágrafo único do art. 10 da Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que deve ser lido em conjunto com o seu caput, para a adequada compreensão do contexto no qual tal disposição veio à discussão: "Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista." "Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei n. 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único)." Conforme preceitua o art. 135 do RIR/99, supra reproduzido, se houver aumento de capital social com a utilização de lucros ou reservas de lucros, o custo de aquisição das quotas ou ações da pessoa jurídica sofrerá o reflexo dessa operação. Assim, o custo de aquisição das ações ou quotas passará a ser integrado pelos lucros que forem consumidos na capitalização da empresa. Destarte, na interpretação do art. 135 do RIR/99 devese considerar o conceito de custo de aquisição, que é o valor pago, investido, despendido em um determinado bem ou direito. O custo de aquisição corresponde ao valor dos recursos investidos na sociedade, sejam eles provenientes diretamente do patrimônio de seus sócios ou dos lucros apurados pela empresa e que poderiam ser repassados a esses mesmos sócios. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 109 17 Esse valor somente pode ser aumentado na proporção da grandeza econômica passível de ser reinvestida na empresa. Consequentemente, o aumento não pode ser meramente contábil, sem a efetiva entrega do numerário. Tampouco pode ser influenciado pelo número de empresas criadas no grupo empresarial, mas sim pela riqueza efetivamente disponível e aplicada. Entretanto, no planejamento em análise, o aumento foi artificial, sem respaldo econômico. Tal situação somente ocorreu pelo fato de todas as holdings envolvidas e extintas por incorporação inversa terem como única atividade e fonte de receita a participação acionária – direta ou indireta – na empresa operacional. Dessa forma, os lucros ou reservas consumidos nas capitalizações e utilizados para aumentar o custo de aquisição eram provenientes da empresa operacional, refletido nas demais como resultado da equivalência patrimonial. Neste ponto, é importante considerar a natureza do método da equivalência patrimonial, previsto no art. 248 da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1975 (Lei das S/A): uma técnica contábil que se baseia no valor do patrimônio líquido da empresa coligada ou controlada, diferentemente do método do custo, que somente considera o valor desembolsado no momento da aquisição. Segundo o método de equivalência patrimonial, os lucros apurados na investida/controlada serão registrados como aumento no valor do investimento no ativo da investidora/controladora (lançamento a débito), tendo como contrapartida registro em conta de resultado positivo em participações societárias ou similar (lançamento a crédito), para fins de que esse aumento tenha seus efeitos reconhecidos na demonstração do resultado do exercício da investidora, viabilizando a observância do princípio da competência. No caso de holdings puras tais como as que se apresentam na espécie, tais resultados positivos confundemse, na prática, com os lucros apurados na investida, pois a holding revestese essencialmente de natureza formal, sendo instituída com vistas à organização das participações societárias e não possuindo despesas ou mesmo receitas relevantes oriundas de outras atividades empresariais. Empregando essa noção para o caso em apreço, temse que não é possível desvincular o lucro produzido pela empresa operacional do lucro consumido na capitalização das holdings. Sendo assim, o custo de aquisição, sofreu aumento artificial, sem o respectivo lastro econômico, o que fica evidenciado quando se compara a evolução do patrimônio líquido da empresa alienada com o aumento ocorrido no custo de aquisição. O artigo 135 do RIR/99 teve como objetivo apenas simplificar o processo de reinvestimento dos lucros obtidos por uma sociedade, pois dispensou a prévia distribuição e permitiu a capitalização direta, com o consequente aumento do custo de aquisição. Contraria o sentido e a lógica da norma interpretála de maneira a admitir o aumento do custo de aquisição sem o respectivo lastro econômico, sem que ocorra o reinvestimento de bens ou direitos na empresa, mas fruto de um artifício contábil. A norma não pode partir de uma interpretação meramente literal, ignorandose o conceito de custo de aquisição e mesmo o princípio da capacidade contributiva, que deve informar todo o ordenamento jurídico tributário. Por conseguinte, o art. 135 do RIR/99 não pode servir de amparo para as operações, vez que o recorrente extrapolou o comando da norma, fazendo prevalecer uma situação totalmente dissonante da realidade. Fl. 673DF CARF MF 18 É oportuno destacar que a simples interposição de sucessivas holdings entre os sócios e a pessoa jurídica que gera os resultados de uma determinada atividade empresarial não encontra óbice legal. Todavia, o problema surge quando acontecem sucessivas incorporações de controlada por controladora definida essa operação como processo mediante o qual uma sociedade (incorporada) tem o seu patrimônio absorvida pela outra (incorporadora), que lhe sucede em todos os direitos e obrigações, realizado com respaldo no § 4º. do art. 264 da Lei das S/A. conjugadas com prévia capitalização de lucros. Quanto à metodologia do cálculo utilizado no lançamento em lide, caberia à Fiscalização da RFB, assim como foi feito, glosar todos os aumentos no custo de aquisição que tiveram como base as capitalizações efetuadas nas holdings. Constatase nos autos que o recorrente realizou capitalizações com resultado da equivalência patrimonial, ou seja, lucro produzido pela única empresa operacional do grupo, refletido nas demais (holdings). No entanto, como tal lucro ainda não tinha sido distribuído e estava contabilizado na empresa operacional, ele poderia servir de base para mais uma capitalização no próprio investimento alienado ou mesmo para pagar dividendos aos acionistas. No caso concreto, o alienante recebeu parte do lucro produzido pela empresa operacional, conforme consta dos extratos de fls. 12/15. Por conseguinte, o lucro da empresa além de ter sido utilizado em mais de uma capitalização, também serviu para distribuição de dividendos aos sócios. Ora, se houve a distribuição de dividendos, tais valores não poderiam servir de fundamento em nenhuma capitalização, autorizando a glosa de todas elas. Assim, resta evidenciado que o artigo 135 do RIR/99 não oferece nenhum respaldo para a forma como o recorrente calculou o custo de aquisição das ações da empresa alienada. No TVF (fls. 329/348), a Fiscalização da RFB ilustra de forma esquemática e bastante didática, a essência da interpretação equivocada, por parte do recorrente, do art. 10 da Lei n. 9.249/95 dissociada do art. 135 do RIR/99. Ambos dispositivos reclamam leitura sistêmica e harmônica entre si. O art. 135 do RIR/99 não pode ser lido como preceito desvinculado de qualquer propósito normativo que lhe respalde e isolado do ponto de vista da legislação do imposto sobre a renda, vez que a aplicação literal do referido dispositivo gera incoerências. Resultados que são meros reflexos contábeis emanados da aplicação do MEP, incapazes de serem distribuídos aos acionistas salvo distribuição prévia dos dividendos da pessoa jurídica operacional destinada às holdings ainda que se aceite a possibilidade de que nestas possam ser capitalizados, não podem acarretar o incremento no custo de aquisição das participações societárias. No caso em tela, as sucessivas capitalizações dos resultados advindos da aplicação do MEP, primeiro na Nova Pactual Participações Ltda. e posteriormente na Pactual S/A, geraram majorações abusivas do custo de aquisição no curso dos procedimentos de incorporação inversas e reorganização societária, em total descompasso com o incremento das disponibilidades passíveis de distribuição na instituição financeira Banco Pactual S/A., não sendo tais operações, por conseguinte, oponíveis ao Fisco. O custo de aquisição como valor pago, investido ou despendido em um determinado bem ou direito não pode ser inovado. Os aumentos de capital promovidos pelo recorrente e utilizados como justificativa para majoração dos custos de aquisição tiveram sua origem em um único fato econômico: o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A. Desta forma, não é razoável a possibilidade Fl. 674DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 110 19 de utilização infinita dos mesmos lucros/reservas (único fato econômico) por falta de absoluta e expressa previsão legal. A prevalecer entendimento nesse sentido, a depender do número de holdings interpostas entre pessoas físicas e pessoas jurídicas, o ganho de capital pode, inclusive, alcançar um valor igual a zero. O recorrente, ao promover sucessivas majorações do custo de aquisição de suas participações societárias com supedâneo em correspondentes capitalizações de lucros que sequer poderiam ser distribuídos, sendo meros reflexos do MEP nas holdings em apreço, incorreu em equivocada qualificação jurídica dos fatos, mediante interpretação da norma contida no parágrafo único do art. 10 da Lei n. 9.249/95 em discordância com os seus fins, acarretando violação ao princípio da proporcionalidade no acréscimo do custo de aquisição constatado, oriundo de meros reflexos contábeis sem substrato fático. Nos termos do inciso III do art. 11 da Lei Complementar n. 95, de 26 de fevereiro de 1984, os parágrafos de uma lei expressam os aspectos complementares à norma enunciado do caput do artigo e as exceções à regra por esta estabelecida. Resulta assim descabida qualquer interpretação assistemática do já citado parágrafo único sem o devido cotejo com o correspondente caput. O recorrente enfatiza que várias eram as alternativas para a realização da venda à UBS Brasil Participações, bem como para reestruturar as sociedades envolvidas na operação. A realidade, contudo, é que escolheu deliberadamente, de modo planejado, o procedimento tal e qual narrado nos tópicos acima, e que, levado a efeito, implicou em claro e substancial ganho tributário para as pessoas físicas que alienaram suas participações, mediante o abusivo incremento no custo de suas participações societárias. Por seu turno, devese reconhecer que não resta demonstrado pela autoridade lançadora ter sido a economia tributária o único motivo pelo qual as capitalizações de resultados e as respectivas incorporações reversas ocorreram. Por outro lado, também não tem razão o recorrente quando parece indicar que tal economia seria efeito de menor importância dentro do contexto dos eventos. Ainda que não tenha sido o único motivo pelo qual a reestruturação societária tenha sido realizada da maneira que se verificou, é inequívoco que o aspecto tributário foi fundamental e extremamente significativo para sua elaboração e consecução, tanto mais quando se verifica que o custo de aquisição para os detentores das participações societárias foi, por consequência, em muito majorado para o autuado, especificamente, ele cresceu a uma taxa de 146,30%, frente ao aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual na casa de 84,45%. Outro ponto importante a enfatizar é que não houve qualquer arbitramento do custo de aquisição por parte da fiscalização. Verificada a utilização distorcida dos ditames do parágrafo único do art. 10 da Lei n. 9.249/95, foram devidamente examinados os demonstrativos financeiros e laudos de avaliação do patrimônio líquido apresentados pelo contribuinte. Em decorrência dessa análise dos elementos componentes do patrimônio, foram devidamente caracterizados os valores que poderiam ter sido objeto de integralização com base no dispositivo em comento, conforme exposto no TVF (fls. 329/348), a partir dos quais foi estabelecido o custo de aquisição para o recorrente, com base na sua participação nas ações integrantes do capital do Banco Pactual S/A. Observese que caberia ao recorrente o ônus de apontar especificamente os eventuais desacertos dos cálculos da Fiscalização da RFB e o prejuízo que deles tivesse Fl. 675DF CARF MF 20 advindo, o que não resta suprido pela mera alegação genérica de que se realizou arbitramento sem respaldo no art. 135 do RIR/99. Destarte, resta sobejamente caracterizada nos autos a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada. Nesse contexto, é oportuno resgatar a decisão proferida pela 2ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que apreciou, na sessão de julgamento de 22 de fevereiro de 2017, Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte consubstanciada no Acórdão n. 9202005.240, do qual se extrai o excerto da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ANOCALENDÁRIO: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. [...] No mesmo diapasão, o Acórdão n. 9202005.238 também da lavra da 2ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que apreciou, na sessão de julgamento de 22 de fevereiro de 2017 Recurso Especial do Contribuinte. Em relação à multa qualificada, o § 1º. do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a multa de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964 é de 150%. As condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessária a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Tratase, pois, de um dolo específico. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo (no caso, específico) a ela Fl. 676DF CARF MF Processo nº 19515.721469/201175 Acórdão n.º 2402005.945 S2C4T2 Fl. 111 21 porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. Entretanto, não obstante o diligente trabalho desenvolvido pela Fiscalização da RFB, não foram coligidos elementos de prova suficientes e inequívocos com força bastante a amparar a imputação da qualificação da multa de ofício, vez que os fatos relatados no TVF (fls. 329/348) não se mostram suficientes para caracterizar o dolo específico do recorrente em fraudar a legislação tributária. O fato de as operações terem se utilizado de incorporações reversas para atingir seus objetivos pode, efetivamente, servir de elemento indiciário da existência de planejamento tributário, mas nada revela, per si, sobre sua licitude/ilicitude ou validade/ invalidade perante o Fisco, visto que se trata, como já mencionado, de procedimento com previsão legal no § 4º. do art. 264 da Lei das S/A. Todos os atos realizados entre as partes visavam exatamente o objetivo pretendido e exteriorizado, que era o de vender a participação societária que as pessoas físicas detinham na empresa operacional. Nenhum dos atos praticados tiveram a intenção de esconder ou mascarar tal objetivo. As operações foram levadas ao conhecimento de todas as autoridades responsáveis e devidamente aprovadas. Destarte, não há que se falar em simulação, como suscitado pela Fiscalização da RFB no TVF (fls. 329/348). Na análise dos juros de mora sobre a multa de ofício, cabe destacar que na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Codex tributário deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 do CTN, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar ao regrar no art. 61 da Lei n. 9.430/96 que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo "decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º. do art. 84 da Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REsp n. 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012): Fl. 677DF CARF MF 22 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DESEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifei) 2. Agravo regimental não provido. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Por fim, é oportuno destacar que não recai sobre os órgãos de julgamento, em qualquer instância administrativa, o ônus de aduzir fatos novos quando da apreciação da lide tributária, notadamente quando carreados aos autos todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, inclusive no sentido do reconhecimento parcial do pedido do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 554/600) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa a 75%. (Assinado Digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 678DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.002158/2008-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO.
A dedução das despesas realizadas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais.
ARGUMENTOS DESPROVIDOS DE PROVAS.
O art. 15 do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal federal, dispõe que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar.
Numero da decisão: 2001-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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DEDUÇÃO. A dedução das despesas realizadas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. ARGUMENTOS DESPROVIDOS DE PROVAS. O art. 15 do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal federal, dispõe que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 21 58 /2 00 8- 64 Fl. 42DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 24.738,00, por falta de comprovação de pagamento bem como dedução indevida com despesas com instrução no valor total R$ 1.998,00 devido a falta de comprovação e dedução indevida de previdência privada e Fapi no valor de R$3.200,00, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$19.151,85. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que teria protocolado junto à DERAT/RIOCAC MEIER, em resposta à intimação, justificativa com documentação pertinente, dentro do prazo determinado de cinco dias úteis. Contudo, verificou que tal procedimento teria sido em vão já que não foram consideradas as justificativas e os documentos apresentados, tendo em vista a notificação de lançamento, sem maiores informações. Pelos fatos expostos, sentindose prejudicado, requer a análise dos fatos. A DRJ Rio de Janeiro I, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações, tampouco juntou qualquer prova para fundamentar seus argumentos. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte apenas que seja considerada como tempestiva a impugnação e analisados os argumentos nela expostos. Não traz mais nenhum argumento adicional. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O entendimento desta julgadora segue a mesma linha daquela apresentada pela DRJ Rio de Janeiro I. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento. Alega o Contribuinte em sede recursal, que, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, protocolou, dentro do prazo de cinco dias úteis, justificativa acompanhada de documentação pertinente às despesas realizadas. Apesar de alegar que apresentou os documentos solicitados, não acostou aos autos qualquer documento que comprovasse sua alegação. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13708.002158/200864 Acórdão n.º 2001000.169 S2C0T1 Fl. 3 3 De acordo com o art. 15 do Decreto 70.235/72, a impugnação deverá estar instruída com os documentos que embasem sua fundamentação. Vejamos: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Como bem registrou a DRJ Rio de Janeiro I, as glosas das despesas com instrução, de Previdência Privada e Médicas foram apuradas devido à falta de comprovação por parte do Contribuinte. Também não foram apresentados pelo Contribuinte em sua impugnação quaisquer documentos comprobatórios referentes às despesas glosadas. Estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) no “caput” de seu art. 73, como segue. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Neste diapasão, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme preceitua a legislação aplicável. Dessa forma, tendo em vista que o Contribuinte não comprovou a realização das despesas discriminadas na Declaração de Ajuste Anual, bem como a ausência de apresentação de documentos comprobatórios, entendo também por manter as glosas efetuadas. Por tudo o quanto exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA do Recurso Voluntário, mantendose o crédito tributário apurado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000176/2011-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 01 76 /2 01 1- 85 Fl. 404DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação hábil e idônea, assim como sejam efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes. A não comprovação, por meio de documentação hábil, da natureza dos pagamentos ou do efetivo desembolso dos valores que se pretende deduzir, obsta a dedução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Destacamos algumas passagens do Acórdão de Impugnação: Vale lembrar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, são os seguintes: Apresentamos abaixo documentos e algumas passagens do Recurso Voluntário apresentados pelo contribuinte:. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10930.000176/201185 Acórdão n.º 2001000.209 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 406DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. O lançamento descreveu as despesas médicas, mas na fundamentação para a recusa é alegada a ausência de prova irrefutável do pagamento. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras nos documentos apresentados pelo contribuinte. Não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10930.000176/201185 Acórdão n.º 2001000.209 S2C0T1 Fl. 4 5 Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo Fl. 408DF CARF MF 6 de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10930.000176/201185 Acórdão n.º 2001000.209 S2C0T1 Fl. 5 7 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902623/2008-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3001-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencidos os conselheiros Cleber Magalhães que lhe negou provimento e Renato Vieira de Avila lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
CASSIO SCHAPPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencidos os conselheiros Cleber Magalhães que lhe negou provimento e Renato Vieira de Avila lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) CASSIO SCHAPPO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 26 23 /2 00 8- 31 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 16327.902623/200831 Acórdão n.º 3001000.123 S3C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/REC, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 06/04/2004, transmitiu PER/DCOMP nº 09479.63147.060404.1.3.044941 declarando a compensação de débito de COFINS do período 03/2004 no valor de R$ 896,30 e de PIS do período 02/2004 no valor de R$ 33,30, com crédito de COFINS recolhido a maior que o devido através de DARF na data de 15/03/2004, da competência 02/2004. Do Despacho Decisório A DRF – DENIF de São Paulo, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.5), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado para a competência 02/2004. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.8), justificando que ocorreram equívocos no preenchimento da DCTF do período (1º Trimestre/2004) e que na data de 25/08/2008 foi procedida a retificação da mesma, fazendo a juntada da mesma (efls.19). Demonstrada a existência do crédito, aguarda pela compensação requerida. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/REC, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN, só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16327.902623/200831 Acórdão n.º 3001000.123 S3C0T1 Fl. 4 3 RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 46) contra a decisão singular, com o intuito de ver seu pedido atendido, apelando pela busca da verdade material no processo administrativo, visto restar comprovado a existência do crédito que comporta a compensação declarada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente buscou através de PER/DCOMP nº 09479.63147.060404.1 3.044941, transmitida na data de 06 de abril de 2004, a compensação de débito de COFINS e PIS nos valores de R$ 896,30 e R$ 33,30 respectivamente, das competências 03/2004 e 02/2004, em razão do recolhimento a maior que o devido na data de 15/03/2004 no valor de R$ 930,72 de COFINS, da competência 02/2004. Contudo, ao tomar conhecimento do Despacho Decisório desfavorável ao seu pedido, constatou que havia incorrido em erro quando da transmissão da DCTF para o período do 1º Trimestre de 2004. Imediatamente, na data de 12/08/2008, transmitiu DCTF retificadora corrigindo o valor devido de COFINS para o período de apuração 29/02/2004, de forma a evidenciar o valor de seu pagamento a maior que o devido, resultando daí o crédito utilizado para a compensação requerida. A DRJ/REC fundamenta sua decisão que manteve a não homologação da compensação pleiteada, no fato de que a análise do crédito é feita com base na DCTF inicialmente apresentada e não em DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório. Tal iniciativa não evidencia o direito ao pretendido indébito, sendo “bem razoável se exigir do recorrente a apresentação de provas seguras de que o débito confessado é superior ao alegado montante efetivamente devido em razão do fato gerador concretamente ocorrido”. Nessas circunstâncias, em que a contribuinte não apresentou quaisquer provas de seus registros contábeis/fiscais que pudesse evidenciar a causa do equivoco, deixa de reconhecer o direito creditório pleiteado. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16327.902623/200831 Acórdão n.º 3001000.123 S3C0T1 Fl. 5 4 O primeiro passo para regularização da divergência apontada entre a DCTF original e a PER/DCOMP foi o de retificar a DCTF, indicando qual o débito efetivamente devido para o período de referência. As demais provas que a contribuinte deve dispor para atender a necessária auditoria fiscal de homologação dos débitos declarados, dependerá de critérios próprios que o fisco julgar apropriadas. Diante das colocações feitas no acórdão recorrido com relação a produção de provas para atestar o direito creditório, a recorrente trouxe aos autos cópia dos livros contábeis, Diário e Razão, como forma de lhe conferir liquidez e certeza ao crédito declarado. Cito aqui julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante confirmaram decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, sendo entendimento daquele colegiado, “em síntese, que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Oportuno destacar, também, parte do voto da Conselheira Relatora Vanessa Marini Cecconello (CSRF – T3), pelos seus comentários e associados ao Parecer Cosit nº 02/2015, nos orienta a dar o devido seguimento nesse julgado, “verbis”: O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário devem restar comprovadas por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16327.902623/200831 Acórdão n.º 3001000.123 S3C0T1 Fl. 6 5 compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Vêse que a administração tributária em questão normativa, preocupada com o assunto, já havia se posicionado sobre o tema que diz respeito à possibilidade de ocorrer DCTF retificadora para demonstrar a existência de crédito passível de compensação. Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis, que de acordo com as razões recursais foi um dos parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinenrte e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16327.902623/200831 Acórdão n.º 3001000.123 S3C0T1 Fl. 7 6 Fl. 111DF CARF MF
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