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Numero do processo: 13502.001229/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1101; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.001229/200737 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.646 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 8 de maio de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CARAIBA METAIS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 01 22 9/ 20 07 -3 7 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13502.001229/200737 Resolução nº 2401000.646 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO CARAIBA METAIS S.A., apresenta recurso a este Conselho da Decisão Notificação proferida pela antiga Secretária da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento fiscal, relativo à responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, em relação ao período de apuração. Conforme Relatório Fiscal, as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho a partir de 03/1997, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em função da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, aferidas a título de responsabilidade solidária, decorrente da não comprovação, pela recorrente, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa prestadora. Conforme o mesmo relatório constitui fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços. Tais serviços se encontram descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. O Sr. Auditor detalha a natureza e as motivações do procedimento fiscal em causa: novo lançamento de créditos em virtude das decisões anulatórias do Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS, que considerou nulas as notificações originais relativas aos mesmos fatos geradores aqui referidos. Assim, fundamentado no prazo decadencial do art. 45, II, da Lei 8.212/91 e respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09220145/2005 a fiscalização procedeu à recomposição do crédito. Toda a fundamentação legal do princípio da solidariedade tributária e da possibilidade de sua elisão, particularmente nos casos de prestação de serviços de construção civil e mediante cessão de mão de obra base do presente lançamento encontrase detalhada e transcrita em seus dispositivos essenciais: a) CTN, arts. 124, I e II e 125, I, II e III; b) Lei 8.212/91, arts. 31, §§ 2°, 3° e 4° (redação original e alterações promovidas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95 c) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelos Decretos 356/91 e 612/92, arts. 42, § 1 0 e 46, § 1°, d) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/97, arts. 42, §§ 2° e 3°, 43, § 1°; e) Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, itens 16 e 16.1. A autuada apresentou Recurso Voluntário, requerendo o conhecimento e provimento das suas razões, para decretar a decadência da Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. É o relatório. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13502.001229/200737 Resolução nº 2401000.646 S2C4T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da apreciação da decadência do lançamento ora combatido. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi realizada em substituição ao lançamento anteriormente efetuado anulado por decisão proferida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Conforme se tem notícias através dos presentes autos, a decisão que anulou o primeiro lançamento considerou a existência de vício formal, resguardando o direito da Administração Tributária no que se refere ao prazo previsto no art. 173, II do CTN. No entanto, conquanto existam fortes indícios de que o lançamento ora recorrido se configure em um novo lançamento e não apenas substituto para correção de vícios de forma, o que caberia a análise da conformidade da presente NFLD com a anteriormente anulada, não constam nos autos o lançamento anterior. Dessa forma, como a demanda envolve matéria de decadência, para o deslinde da questão posta em julgamento e para maior segurança jurídica, necessário se faz a verificação da NFLD DEBCAD original (anulada), com o seu respectivo Relatório Fiscal, bem como do Acórdão do CRPS que anulou a NFLD original. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada aos autos da NFLD DEBCAD original (com o respectivo relatório fiscal), bem como o inteiro teor do Acórdão do CRPS que a anulou. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. Nesse diapasão, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos cópia na íntegra da NFLD original com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou tal NFLD, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723121/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/12/2010
Ementa:
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento.
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
Numero da decisão: 2202-004.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/12/2010 Ementa: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 215 1 214 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.723121/201074 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.437 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente VIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/12/2010 Ementa: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 31 21 /2 01 0- 74 Fl. 215DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito referente a multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 30). Tendo a DRJ negado provimento à defesa, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora sob julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Foi lavrado o autos de infração DEBCAD nº 37.315.7541 (fl. 2 e docs. anexos fls. 3/5). Conforme o Relatório Fiscal da Infração (fls. 6/8), tratase de multa isolada por falta de preparo da folha de pagamento em relação a todos os segurados a seu serviço especificamente em decorrência das corretagens pagas e dos valores lançados na contabilidade na conta 123 Serviços Prestados (PF) , nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212/1991 e arts. 283, I, 'a' e 373 do RPS CFL 30. Intimada em 20/12/2010 (fl. 2), a Contribuinte apresentou Impugnação em 19/01/2011 (fls. 12/72 e docs. anexos fls. 73/97). A DRJ, analisando a defesa da Contribuinte, proferiu o acórdão nº 0351.796, de 23/04/2013 (fls. 104/109), que manteve o crédito tributário e restou assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 16/12/2010 AIOA DEBCAD no 37.315.7541 (CFL 30) FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM O REGULAMENTO. Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 05/06/2013 (fl. 111), e ainda insatisfeita, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05/07/2013 (fls. 115/195 e docs. anexos fls. 196/213), argumentando, em síntese: Das Preliminares Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10166.723121/201074 Acórdão n.º 2202004.437 S2C2T2 Fl. 216 3 · Que houve nulidade do ato de fiscalização por vício formal e por falta de publicidade na emissão e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, vez que não foram emitidos nem a Contribuinte foi intimada de MPFC, apesar de o MPF ter prazo máximo de 120 dias e a fiscalização ter durado mais de um ano; · Que a autuação é nula por utilizarse de prova indiciária, inclusive essa nulidade já foi observada nos autos do processo nº 10166.723119/2010 03, quando a DRJ julgou procedente a Impugnação e exonerou o crédito tributário de processo conexo a este, lançado no âmbito da mesma fiscalização, decorrente dos mesmos fatos e provas, por falta de provas; · Que houve violação ao princípio da Verdade Material, porquanto a autoridade lançadora deixou de considerar os argumentos e as provas juntadas durante a fiscalização; · Que o lançamento foi realizado exclusivamente com base em depoimentos, não havendo provas nos autos de (i) que houve efetiva análise por amostragem; (ii) que os corretores trabalhavam no stand da construtora e que eram identificados por crachás; nem (iii) que a recorrente fez pagamentos em favor dos corretores; · Que há nulidade por erro na indicação dos "dispositivos legais que são gravados de forma aclaradamente genérica no anexo do auto de infração" (fl. 2.308); · Que o auto de infração padece de falta de liquidez e de certeza, especificamente porquanto foram incluídos no auto de infração a "Venda Direta Via" bem como tributou vendas realizadas por meio de imobiliárias, as quais, por sua vez, se utilizaram de seus corretores, não sendo possível falar em retenção de contribuições previdenciárias pelo serviço prestado por outras empresas; · Que houve presunção como prova e que foi utilizada prova indiciária, sendo que não há provas do efetivo pagamento das comissões, ainda que pelos compradores, frisando a Contribuinte que é possível que a empresa tenha vendido diretamente seus imóveis sem a participação de corretores, o que não foi considerado pela autoridade lançadora; · Que a legislação citada (especificamente o art. 33, §4º, da Lei nº 8.212/1991) não estabelece critérios para o arbitramento da contribuição previdenciária no caso em tela, tendo a autoridade lançadora extrapolado sua competência; · Que a autoridade lançadora não caracterizou os corretores como segurados empregados e nem desconsiderou a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços; · Que a autoridade lançadora não se desincumbiu do ônus de provar a ocorrência do fato gerador; Fl. 217DF CARF MF 4 · Que a Contribuinte não tem legitimidade para figurar no polo passivo na autuação vez que se for devida contribuição previdenciária ela contratava empresas imobiliárias para realizar as operações de venda, sendo que os corretores estavam vinculados a elas; e · Que, também, foram os compradores quem realizaram os pagamentos, sendo eles os responsáveis tributários. Mérito: · Que houve erro na aplicação da alíquota, especificamente porque a autoridade lançadora não levou em consideração as alterações realizadas pela Lei nº 10.666/2003, isto é, que não deveria ter sido aplicada a alíquota de 20% mas sim a de 11%. Ainda segundo a Contribuinte, trata se de erro insanável, pois não é possível alterar a fundamentação legal do auto de infração já constituído nem a alíquota aplicável; · Que só há incidência de Contribuição Previdenciária sobre os valores pagos (1) com natureza salarial (retributividade) e (2) com habitualidade, o que não se observa no caso concreto; · Que os corretores de imóveis não prestam serviços à Recorrente, não havendo que se falar em ocorrência de fato gerador de prestação de serviço por segurado autônomo; · Que não há indício de habitualidade nos pagamentos feitos pelos compradores; · Que no contrato de corretagem não é o serviço do corretor que se pretende, mas sim o resultado da mediação; · "Os corretores de imóveis não prestam serviços às empresas construtoras e empreendedoras na área de construção civil, estas, consequentemente, não estão obrigadas ao pagamento da contribuição social instituída pela Lei, em face do negócio jurídico celebrado com os corretores. Isso porque o corretor é um comerciante com o objetivo social de intermediar contrato de compra e venda. Ele vende a intermediação e, por essa venda, recebe comissão proporcional ao preço do produto. Não há, por parte do corretor de imóveis, um serviço prestado à construtora ou empresa empreendedora, há, sim, um ato de comércio regulamentado por lei, no caso, o Código Civil e a Lei nº 6.530/78." (fl. 2.348); · Cita vasta doutrina, inclusive: RUBENS REQUIÃO, FRANS MARTINS, MARIA HELENA DINIZ, ARNOLD WALD, VALÉRIA BONONI GONÇALVES, JONAS FIGUEIREDO ALVES e PONTES DE MIRANDA para concluir que o corretor não presta serviço, sendo verdadeiro comerciante e estando obrigado pelo resultado e não pelo meio; · "Estabelece, portanto, o NCC [art. 722], de modo bem nítido, ser o contrato de corretagem especial, cuja característica é de que a pessoa que o celebra com outra não possui nenhum vínculo de prestação de serviços. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10166.723121/201074 Acórdão n.º 2202004.437 S2C2T2 Fl. 217 5 (...) SE O CORRETOR DE SEGUROS NÃO PODE PRESTAR SEUS SERVIÇOS ÀS EMPREENDEDORAS E CONSTRUTORAS, QUE, POR ISSO, NÃO LHES DEVEM REMUNERAÇÃO OU RETRIBUIÇÃO, NÃO É POSSÍVEL EXIGIR DESSAS SOCIEDADES UMA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL QUE TEM POR FATO GERADOR A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E POR BASE DE CÁLCULO O VALOR DE REMUNERAÇÕES E RETRIBUIÇÕES PAGAS AOS QUE OS PRESTAM." (fl. 2.354) (grifo no original); · Que o comprador pode, em conversa com o corretor, ser aconselhado a comprar outro imóvel que não o da Contribuinte; ainda assim, se o comprador vier a adquirir o imóvel da Recorrente, será devida a comissão. Logo, quando muito, o corretor prestou serviço à Contribuinte e ao comprador, devendo a base de cálculo ser proporcional. Contudo, como a Lei não prevê essa hipótese, que não cabe o lançamento; · Que é ilegal a imputação de responsabilidade solidária à recorrente, vez que a autoridade lançadora jamais verificou que as contribuições previdenciárias foram lançadas e recolhidas pelas terceiras empresas (imobiliárias). Em suma, que só poderia ter sido autuada se houvesse prova de que as terceiras empresas não recolheram os tributos devidos; · Que é incabível a listagem, no relatório fiscal, dos diretores da Contribuinte como coresponsáveis vez que não lhes foi imputada qualquer atuação dolosa, não se configurando em qualquer das hipóteses legais de responsabilidade solidária; e · Que devem ser julgados em conjunto o presente processo e os de nº 10166.723118/201051; nº 10166.723119/201003; nº 10166.723123/201063; nº 10166.723122/201019; nº 10166.723124/201016 e nº 10166.723121/201074. Os presentes autos foram apensados ao processo nº 10166.723119/201003, 10166.723118/201051; nº 10166.723119/201003; nº 10166.723123/201063; nº 10166.723122/201019; nº 10166.723124/201016 e nº 10166.723123/201063 (fl. 100). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Delimitação da lide Como bem esclarecido no relatório, os presentes autos acolhem o AIOA DEBCAD nº 37.315.7541, constituindo a multa isolada pela não inclusão dos valores pagos Fl. 219DF CARF MF 6 aos corretores de imóveis e aos prestadores de serviço contabilizados na conta 123 da contabilidade na folha de pagamento. Como bem anotou a Contribuinte, tratase de lançamento reflexo àquele contido no processo administrativo fiscal nº 10166.723117/201014, no qual se discute o crédito principal, i.e., existência ou não de omissão de declaração de contribuições previdenciárias. Nessa senda, a maior parte dos temas discorridos no Recurso Voluntário não têm relevância nos presentes autos. A verdade é que não cabe discutir aqui a natureza do contrato de corretagem, nem quem deveria ser o sujeito passivo da autuação; são matérias cuja análise deve ser feita em sede do processo principal. Restando definido lá que houve ou que não omissão dos fatos geradores, a conclusão deve ser transportada para esses autos, partindo dai a análise do presente lançamento. Inclusive, foi esse o entendimento esposado pela DRJ, quando esclareceu que: "Em sua defesa, a empresa reproduz os mesmos argumentos apresentados na impugnação do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP 37.315.7525 (processo 10166.723117/201014, julgado em 16 de abril de 2013, Acórdão 0351.695 desta 5a. Turma de Julgamento) cuja conclusão, no que se refere aos contribuintes individuais corretores autônomos, foi de que a prestação de serviços era feita à impugnante, e não aos compradores de imóveis. E, mesmo que assim não fosse, consta no Relatório do Auto de Infração que a empresa também deixou de inserir na folha de pagamento os valores que foram remunerados para pessoas físicas que constavam na contabilidade na conta 123 – Serviços Prestados – PF, não tendo a empresa apresentado defesa quanto a este item." (fl. 109) Observase, contudo, que o referido processo nº 10166.723117/201014 foi julgado por essa mesma turma no acórdão nº 2202004.436, dessa mesma data, quando restou acordado por manter o crédito principal. Com razão o acórdão recorrido duas vezes: não apenas é necessário repetir aqui a conclusão alcançada no processo principal como, nele, a Contribuinte não impugnou parte do lançamento (um dos quatro levantamentos que compuseram a base de cálculo), de sorte que admitiu, tacitamente, que não incluiu na folha de pagamento e na GFIP todos os fatos geradores. Nesse caminho, impende analisar as questões atinentes especificamente aos presentes autos, especificamente (1) a nulidade da fiscalização por falta de emissão e intimação do MPFC; e (2) uma vez que se trata de processo reflexo ao de nº 10166.723117/201014, impende repetir aqui a decisão ali alcançada; e (3) a inclusão dos diretores da Contribuinte como coresponsáveis. 1. Vício Formal MPFContinuação: Argumenta a Contribuinte, preliminarmente, que o auto de infração é nulo por vício formal ao longo da fiscalização. Segundo desenvolve seu raciocínio, deveriam ter sido emitidos Mandados de Procedimento de Fiscalização de Continuação MPFC, os quais não foram emitidos e não foram cientificados a ela. Por essa razão, ante a falta de prororgação da autorização de fiscalizar, e tendo em vista que a fiscalização durou mais de um ano logo, mais do que o prazo do MPF , entende que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10166.723121/201074 Acórdão n.º 2202004.437 S2C2T2 Fl. 218 7 Se m razão a Contribuinte. A verdade é que o MPF é documento interno com a finalidade de controlar e gerenciar a atividade da Receita Federal. A competência para constituir o crédito tributário vem do art. 142 do CTN, e não dos MPF's, que são meramente instrumentos de organização interna da Receita Federal. Nesse sentido a jurisprudência deste Conselho: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. (acórdão CARF nº 2202003.687, de 08/02/2017) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (acórdão CARF nº 2301003.514, de 15/05/2013 FALHA NA PRORROGAÇÃO DO PRAZO DO MPF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Não dá causa à nulidade do lançamento falha cometida na prorrogação do prazo do MPF. (acórdão CARF nº 3301003.163, de 25/01/2017) Por essa razão, não é possível dar provimento ao pleito do Contribuinte nesse ponto. 2. Processo reflexo Constatase que os recursos voluntários protocolados nesses autos são idênticos àqueles constantes nos autos do processo principal nº 10166.723117/201014. O Recurso se direciona, principalmente, contra a constituição do crédito principal, além da nulidade supra mencionada e da inexistência de coresponsabilidade que será analisada a seguir, só preza pelo cancelamento do crédito principal e das multas conexas. Não cabe no corpo desses autos discutir matérias atinentes à ocorrência ou não de fato gerador da Contribuição Previdenciária; essa análise deve ser feita nos autos do processo principal. Aqui deve ser tomado tão somente o resultado obtido no julgamento da obrigação principal e, por reflexão, chegar ao resultado das multas acessórias. Em outras palavras: se for constatado que houve fato gerador das Contribuições Previdenciárias, então as obrigações acessórias foram efetivamente descumpridas e, consequentemente, devem ser mantidas as multas; se não houve fato gerador, então não houve descumprimento das obrigações acessórias e, por reflexão, devem ser excluídas as multas. Fl. 221DF CARF MF 8 Analisando os autos do processo nº 10166.723117/201014, principal em relação a esse, constatase que essa turma proferiu o acórdão nº 2202004.436, nessa mesma data, concluindo por manter o lançamento. Portanto, o mesmo resultado deve ser aplicado aos presentes autos. 3. Da indicação dos CoResponsáveis: Insurgese a Contribuinte contra a inclusão do Relatório de Vínculos no DEBCAD, argumentando que não restou comprovada ou mesmo imputada qualquer atuação dolosa por parte dos seus diretores que justificasse a inclusão deles como responsáveis solidários, como exige a legislação. Novamente, não assiste razão á insurgência da Contribuinte. A elaboração do Relatório de Vínculos no lançamento das contribuições previdenciárias não significa que o lançamento é formalizado contra as pessoas ali relacionadas. Nesse sentido o CARF já consolidou o seu entendimento: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Não é possível, portanto, dar provimento ao pleito da Contribuinte nesse ponto. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008019/2009-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2001-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o recorrente apresente elementos de comprovação do que foi alegado quanto à desistência do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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Numero do processo: 16561.000128/2007-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no REsp 1.335.688-PR).
Numero da decisão: 9101-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990-PR, REsp 834.681-MG e AgRg no REsp 1.335.688-PR).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.729 1 1.728 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.000128/200732 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.449 – 1ª Turma Sessão de 6 de março de 2018 Matéria IRPJ JUROS SOBRE MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPRESA BRASILEIRA INDUSTRIAL, COMERCIAL E SERVICOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990PR, REsp 834.681MG e AgRg no REsp 1.335.688PR). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 28 /2 00 7- 32 Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 16561.000128/200732 Acórdão n.º 9101003.449 CSRFT1 Fl. 1.730 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Cristiane Silva Costa), Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial (efls. 1548/1555) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1202001.085, da sessão de 04 de dezembro de 2013, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da EMPRESA BRASILEIRA INDUSTRIAL, COMERCIAL E SERVICOS LTDA ("Contribuinte") para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício 1. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. A falta de escrituração da aquisição de produtos configura omissão de receitas por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de oficio lançada decorre de determinação legal. Não cabe, na esfera administrativa, a análise de inconstitucionalidade da legislação tributária, cuja competência é exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A exigência de juros de mora equivalentes à taxa SELIC, a partir de 1° de abril de 1995, é cabível por disposição legal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. REDUÇÃO DA BASE NEGATIVA DE CSLL. Os lançamentos decorrentes, de PIS e COFINS, devem ser mantidos, por restar comprovada a matéria tributável apurada 1 A autuação fiscal tratou de exigências fiscais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (efls. 934/964). Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 16561.000128/200732 Acórdão n.º 9101003.449 CSRFT1 Fl. 1.731 3 em procedimento fiscal. Quanto à CSLL, resultando base de cálculo negativa no período fiscalizado, a contribuinte deve providenciar os devidos ajustes no LALUR. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. Os lançamentos de PIS e COFINS decorrem de omissão de receitas apurada em 31/12/2002. Cientificada dos autos de infração em 30/11/2007, as exigências fiscais foram formalizadas antes do transcurso do prazo decadencia. Tanto a PGFN quanto a Contribuinte interpuseram recursos especiais, contudo apenas o primeiro teve seguimento. O recurso especial da PGFN (efls. 1548/1555) tratou sobre a matéria "juros sobre multa de ofício", e requer pelo restabelecimento da incidência dos encargos moratórios. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 1705/1707) deu seguimento ao recurso especial. Intimada, a Contribuinte não apresentou contrarrazões (despacho de efl. 1713). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 1564/1576), para devolver a matéria "omissão de compras". O despacho de exame de admissibilidade (efls. 1715/1719) negou seguimento ao recurso especial. Intimada, a Contribuinte não apresentou agravo (efls. 1724/1727). Foi apresentada pela Contribuinte petição de desistência parcial de efls. 1513/1514, no qual informa a adesão a programa de parcelamento para as exigências fiscais de PIS e Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 1705/1707, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 2, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do recurso especial interposto pela PGFN. Passo ao exame do mérito. 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 16561.000128/200732 Acórdão n.º 9101003.449 CSRFT1 Fl. 1.732 4 Sobre a matéria devolvida, juros de mora sobre multa de oficio, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) O entendimento apresentado é convergente com o voto do REsp nº 1.129.990PR, conforme excerto transcrito 3. Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. 3 Vide ementa: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp 1129990/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2009, DJe 14/09/2009) Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 16561.000128/200732 Acórdão n.º 9101003.449 CSRFT1 Fl. 1.733 5 Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação". A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 16561.000128/200732 Acórdão n.º 9101003.449 CSRFT1 Fl. 1.734 6 muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(Grifos no original) No mesmo sentido, vale citar o REsp 834.681MG e o AgRg no REsp 1.335.688PR. Enfim, a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, portanto, que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinatura digital) Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 16561.000128/200732 Acórdão n.º 9101003.449 CSRFT1 Fl. 1.735 7 André Mendes de Moura Fl. 1735DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.001729/2010-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2011
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE.
A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1002-000.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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CONSTATAÇÃO DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE. A existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é circunstância impeditiva para a permanência no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 17 29 /2 01 0- 71 Fl. 90DF CARF MF 2 Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BEL: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 03/08), de 15/10/2010, ao Ato Declaratório Executivo (fl. 15), que excluiu o contribuinte do Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) –, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006, com efeitos a partir de 1°/01/2011. 2. O motivo da exclusão foi existência de débitos deste regime especial cuja exigibilidade não estava suspensa: débitos não Previdenciários do Simples Nacional código de receita 6106 dos períodos de apuração 07/2007 a 12/2008, 3. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 03/08, em 15/10/2010, através da qual vem apelar para o direito constitucional ao parcelamento de débitos: '...citados débitos foram objeto do parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, o que vem a Manifestante cumprindo regularmente conforme pode ser verificado pelos documentos que acompanham a presente. Não obstante a confissão e o parcelamento na forma permitida pela legislação a adesão e geração de guias pelo próprio sistema da Receita Federal, é de conhecimento da manifestante e muito embora não deva ser desta forma, a existência de controvérsia a respeito da possibilidade ou não de inclusão dos débitos pelo parcelamento previsto na Lei 11.941/2009.' (...) '...remeteu a ora manifestante o Comunicado Parcelamento Lei 11.941/2009, determinando a manifestação da ora Manifestante sobre a inclusão ou não de todos os débitos em referido parcelamento (anexo), a manifestação à época foi cumprida tempestivamente • pelo 'SIM' a inclusão de todos os débitos. Portanto, se tal fato era de conhecimento da autoridade que posteriormente veio a excluir a ora Manifestante do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno porte (Simples Nacional), ou cometeu um equivoco, que por si já deveria anular, o procedimento ou feriu princípios Constitucionais, Tributários e Processuais já consagrados em direito e processos judiciais e administrativo como o principio da publicidade e da justificativa dos atos administrativos •para \coroar princípios como o do contraditório e ampla defesa nos processos administrativos. Inicialmente o texto da Lei 11.941/2009 não tratou expressamente de empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL, Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10805.001729/201071 Acórdão n.º 1002000.326 S1C0T2 Fl. 3 3 e, embora estejam sendo atribuídas interpretações infralegais que venham a excepcionar tal modalidade de recolhimento de impostos, sobretudo, importa salientar que são incluídos expressamente qualquer parcelamento anterior (ordinário, PAES, PAEX e REFIS) no artigo 3°. E nesses parcelamentos, restou atribuída a possibilidade de parcelamento de Pessoas Jurídicas optantes pelo Simples Nacional. Esse, inclusive, é o caso da ora manifestante.' (...) 'De mais a mais, as informações desencontradas internamente neste órgão da ordem de interpretação para restringir um beneficio legalmente previsto, fere princípios legais e constitucionais, que espera a contribuinte não ter que se fazer valer do Poder Judiciário a fim de que sejam respeitadas. A margem a interpretações legais equivocadas se deu por meio da Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 6 de 22 de julho de 2009, que no § 3° do Artigo 1º, excluiu do parcelamento as contribuições ao Simples Nacional. ACENTUESE QUE 0 TEXTO LEGAL ASSIM NÃO PROCEDEU!!!. Absurdos infralegais acima concluídos, quase um ano após, o próprio Secretário da Receita Federal, Sr. Otacilio Dantas Cartaxo, por meio da Instrução Normativa no. 1049 de 30 de junho de 2010, admitiu a inclusão de tais débitos, quando permitiu a confissão dos débitos ainda não declarados e, expressamente, no inciso III do Artigo 1°. de citado dispositivo legal, criando para tanto um formulário (Anexo I à referida Instrução Normativa)...' A manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ/BEL, conforme acórdão n. 0127.082, de 09 de setembro de 2013 (efl. 62), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 Ementa Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário, no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (grifos do original). Sustenta que "...o débito se encontrava parcelado no momento da notificação do Ato Declaratório Executivo que excluiu o contribuinte do Simples Nacional, os débitos se encontravam parcelados, e portanto, com exigibilidade suspensa de acordo com o Código Tributário Nacional, cumprindo, portanto, o teor da fundamentação do julgado:". Fl. 92DF CARF MF 4 Argumenta que "não consegue acompanhar, a ora recorrente, a conclusão de que os débitos junto de Simples Federal não poderiam ter sido parcelados pela Lei 11.941/2009..." porque "no próprio sitio eletrônico da Receita Federal do Brasil, no 'link' perguntas e respostas, à respeito do parcelamento da Lei 11.941/09, questão 4.18: '4.18. Os débitos de Simples Federal podem ser parcelados pela Lei no. 11.941/2009? R.: Sim, os débitos do Simples Federal poderão ser parcelados ou pagos à vista com os benefícios da Lei no. 11.941/2009." Diz que "foi levada a atrasar suas contribuições por uma série de dificuldades, mas já vinha tentando saldar seu débito por parcelamentos anteriores, que vinha cumprindo, no entanto o disposto na Lei 11.941/09 lhe era mais benéfico. Por essa sorte, incluiu como a Lei lhe possibilitava, tais parcelamentos no atual. Desistindo dos anteriores e migrando para o atual parcelamento vigente e mencionado" acentuando que "O SISTEMA PERMITIU A INCLUSÃO DE TAIS DÉBITOS, BEM COMO A CONSOLIDAÇÃO DELES". Afirma que "A margem a interpretações legais equivocadas se deu por meio da Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 6 de 22 de julho de 2009, que no § 3o do Artigo 1o, excluiu do parcelamento as contribuições ao Simples Nacional." acentuando que "O TEXTO LEGAL ASSIM NÃO PROCEDEU!!!". Repisa que "valores foram liquidados neste tempo e sequer o período é mais o mesmo, já remonta a fevereiro de 2008." Ao final o Recorrente requer o acatamento do presente recurso, para que seja declarada a improcedência do Ato Declaratório Executivo que o excluiu do Simples Nacional. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/SAE n° 444909 (efls. 15), o Recorrente foi excluído do Simples Nacional a partir de 01/01/2011, ante a constatação de débitos com exigibilidade não suspensa, os quais apresentavam a seguinte composição: Para melhor entendimento da matéria, reproduzo a base legal em que se enquadra a exclusão do contribuinte do Simples (grifos nossos): Lei Complementar nº 123/2006 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10805.001729/201071 Acórdão n.º 1002000.326 S1C0T2 Fl. 4 5 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I (...) (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; VI (...) Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I (...) (...) IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão; Como se observa, o Recorrente foi excluído do Simples Nacional ante a constatação da existência de débitos tributários com exigibilidade não suspensa. O Recorrente afirma que a exclusão não procede, eis que os débitos que a motivaram estavam suspensos por aplicação do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, porquanto foram parcelados na forma preconizada pela Lei nº 11.941/2009. A questão a enfrentar neste processo é, portanto, saber se a lei nº 11.941/2009 autorizava ou não o parcelamento dos débitos do Simples Nacional à época dos fatos e, em caso afirmativo, se os débitos que deram azo à exclusão estavam efetivamente parcelados. Nessa trilha, convém trazer à baila o artigo 1º da Lei nº 11.941/2009, no qual consta previsão dos débitos que poderão ser objeto de parcelamento de acordo com seus dispositivos: Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e Fl. 94DF CARF MF 6 parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados. (...) Pela leitura do dispositivo legal, à primeira vista, poderseia entender que não haveria óbice ao parcelamento de débitos do Simples Nacional, eis que a norma reza que poderão ser parcelados "os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil", o que faz crer que "todos" os débitos de contribuintes perante a RFB seriam potencialmente parceláveis pela nº 11.941/2009. Entretanto, penso não ser essa a melhor exegese da lei nº 11.941/2009; a uma, porque não identifico nela qualquer artigo que autorize expressamente a aplicação de seus dispositivos ao parcelamento de débitos do Simples Nacional e, a duas, porque as regras de tributação do Simples Nacional são previstas em diploma normativo próprio, no caso, a Lei Complementar nº 123/2006, a qual contém regramento específico para parcelamento de débitos deste sistema de tributação simplificado. Nessa toada, observo que o único dispositivo que estabelece condições e requisitos para parcelamento de débitos do Simples Nacional encontrase previsto no artigo 79 da Lei Complementar nº 123/2006 (grifos nossos): Art. 79. Será concedido, para ingresso no regime diferenciado e favorecido previsto nesta Lei Complementar, parcelamento, em até 120 (cento e vinte) parcelas mensais e sucessivas, dos débitos relativos aos tributos e contribuições previstos no Simples Nacional, de responsabilidade da microempresa ou empresa de pequeno porte e de seu titular ou sócio, relativos a fatos geradores ocorridos até 31 de janeiro de 2006. § 1º O valor mínimo da parcela mensal será de R$ 100,00 (cem reais), considerados isoladamente os débitos para com a Fazenda Nacional, para com a Seguridade Social, para com a Fazenda dos Estados, dos Municípios ou do Distrito Federal. § 2º Esse parcelamento alcança inclusive débitos inscritos em dívida ativa. § 3º O parcelamento será requerido à respectiva Fazenda para com a qual o sujeito passivo esteja em débito. § 4º Aplicamse ao disposto neste artigo as demais regras vigentes para parcelamento de tributos e contribuições federais, na forma regulamentada pelo Comitê Gestor. Vêse que o artigo prevê condições e requisitos específicos para parcelamento de débitos do Simples Nacional e que a competência para sua regulação é do Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10805.001729/201071 Acórdão n.º 1002000.326 S1C0T2 Fl. 5 7 Comitê Gestor deste sistema de tributação simplificado, não havendo na Lei Complementar nº 123/2006 qualquer permissão para adesão a outros parcelamentos de caráter geral. Outro ponto a considerar é que o artigo 79 da Lei Complementar 123/2006 emprega o verbo "será" ao referirse à concessão de parcelamento de débitos, enquanto o artigo 1º da lei nº 11.941/2009 faz uso do verbo "poderá" quando se refere à mesma situação, o que evidencia a intenção do legislador em deixar claro que o parcelamento é um direito material subjetivo do contribuinte no primeiro caso e uma faculdade da Administração Tributária no segundo, desde que atendidas as condições e os requisitos legais a sua concessão. Concluise, portanto, que, muito embora o comando referido no artigo 1º da lei nº 11.941/2009 possa parecer dotado de efeitos gerais, a Lei Complementar 123/2006 só autoriza o parcelamento específico de débitos do Simples Nacional na forma de seu artigo 79, inexistindo nela previsão para adesão a parcelamentos de caráter geral. Fundado nos argumentos ora expendidos e nos princípios da especialidade (lei específica prevalece sobre lei geral) e da hierarquia das leis (lei complementar prevalece sobre lei ordinária) concluo que a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 22/07/2009 encontra supedâneo no ordenamento jurídico vigente e não viola a legalidade ao registrar no § 3° do art.1°1 a impossibilidade de parcelamento de débitos do Simples Nacional na forma preconizada pela Lei nº 11.941/2009. Pelo exposto, concluo não assistir razão ao Recorrente com relação a sua postulação de inclusão de débitos do Simples Nacional no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Quanto à questão da possibilidade de parcelamento de débitos do Simples Federal colocada pela Recorrente, constato que, de fato, a legislação autorizava o parcelamento de débitos deste sistema à época, entretanto, a questão tratada nos autos não diz respeito ao Simples Federal de que cuida a lei n° 9.317/96, mas sim ao Simples Nacional regulado pela Lei Complementar nº 123/2006, eis que foram os débitos deste sistema de tributação simplificado que motivaram a exclusão do contribuinte. Improcede, portanto, o argumento do Recorrente, tendo em vista que a exclusão do Simples Nacional foi feita com base na constatação da existência de débitos neste sistema de tributação simplificado, o qual é regrado por legislação própria, diversa da lei n° 9.317/96. Assim, comprovado nos autos a existência de débitos com exigibilidade não suspensa e considerando que o inciso V do artigo 17 da lei complementar 123/2006 veda o recolhimento de tributos na forma do Simples Nacional aos contribuintes nessa situação de inadimplência, concluise que a exclusão deste sistema de tributação simplificado foi efetuada em consonância com a legislação em vigor à época dos fatos. 1 Art. 1º (...) (...) § 3º O disposto neste Capítulo não contempla os débitos apurados na forma do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) de que trata a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 . Fl. 96DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720641/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. FATO GERADOR. IMÓVEL EM ÁREA INDÍGENA.
O possuidor a qualquer título do imóvel é contribuinte do ITR, devendo ser mantida a exigência do tributo se não houver nenhum elemento de prova que indique que atos administrativos preparatórios à demarcação de reserva indígena tenham sido prejudiciais à exploração da terra pelos seus titulares não indígenas.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, é necessária a apresentação de Ato Declaratório ambiental, bem assim, no caso de Área de Reserva Legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel.
Numero da decisão: 2201-004.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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FATO GERADOR. IMÓVEL EM ÁREA INDÍGENA. O possuidor a qualquer título do imóvel é contribuinte do ITR, devendo ser mantida a exigência do tributo se não houver nenhum elemento de prova que indique que atos administrativos preparatórios à demarcação de reserva indígena tenham sido prejudiciais à exploração da terra pelos seus titulares não indígenas. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício 2001, para fins de redução do valor devido de ITR, é necessária a apresentação de Ato Declaratório ambiental, bem assim, no caso de Área de Reserva Legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 06 41 /2 00 7- 77 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 202 2 Relatório O presente processo trata da Notificação de Lançamento nº 02103/00607/2007, fl. 1 a 4, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 37.264,66, com Multa de Ofício de R$ 27.948,49 e juros de mora de R$ 10.791,84 (calculados até 05/11/2007), perfazendo o total apurado de R$ 76.004,99. O lançamento é relativo ao exercício de 2005 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 1.946.2220 e com o nome de Fazenda Tucumanzeira Lote 14. Ao descrever os fatos que levaram ao lançamento, fl. 2, o AuditorFiscal sustenta que, mesmo regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção das áreas declaradas a título de preservação permanente e de reserva legal, tampouco comprovou o Valor da Terra Nua VTN informado em sua DITR. Ciente do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 20/24, em que enumerou as razões que, em seu entendimento, justificariam o cancelamento da exigência, as quais podem ser assim resumidas: a legislação do ITR e o Código Florestal prevêem, para comprovação de ARL, apenas a exigência de averbação à margem da escritura do imóvel, resultando o Ato Declaratório Ambiental simples formalidade prevista em instrução normativa, que não se configura instrumento hábil para impor condicionantes à dedução da referida área da base de cálculo do tributo; que a legislação só atribuiu competência à Administração Fazendária para estabelecer prazos e condições para a apuração e pagamento do imposto, sem delegar competência para instituir exigências capazes de alterar a base de cálculo e a alíquota do ITR; que o VTN deve ser obtido a partir da diferença entre o valor do Imóvel e o valor da benfeitorias e, com base nas informações declaradas, chegase ao VTN de R$ 17,00/ha. No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a Primeira Turma de Julgamento da RFB em Brasília/DF, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, fl. 30/38, cujas conclusões podem ser assim resumidas: Das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal (...) No presente caso, apesar de o requerente admitir a necessidade dessa providência, não consta dos autos a averbação da área de reserva legal declarada (3.484,8 ha), considerandose descumprida essa exigência para o ITR 2005. (...) no presente caso, o contribuinte não comprovou a protocolização, mesmo que para exercícios posteriores, do requerimento do ADA ao IBAMA. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 203 3 Como visto, resta claro ser imprescindível que as áreas de preservação permanente e de reserva legal sejam reconhecidas mediante ato do IBAMA ou, no mínimo, que seja comprovada a protocolização tempestiva do ADA, além da providenciada a averbação, em tempo hábil, da área de reserva legal, nos termos da intimação inicial (fl. 04/05). (...) Dessa forma, não cumpridas as citadas exigências legais para isenção do ITR/2005, entendo que devam ser mantidas as glosas feitas pela autoridade fiscal, das áreas declaradas de preservação permanente (771,2 ha) e de reserva legal (3.484,8 ha). Do Valor da Terra Nua VTN (...) Portanto, para a revisão deste VTN arbitrado, o impugnante deveria apresentar Laudo Técnico de Avaliação com ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, que pudesse demonstrar de maneira inequívoca o cálculo do VTN tributado, a preço de 1º de janeiro do exercício de 2005. (...) Não tendo sido apresentado esse documento, com as exigências requeridas e sendo ele imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de 01/01/2005, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares, é incabível a alteração do VTN arbitrado. Ciente das conclusões da DRJ em 28 de março de 2012, fl. 44, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 45/68, no qual, além de trazer questões novas como à relativa à inclusão da área do imóvel em reserva indígena, reiterou parte das razões já expressas em sede de impugnação, as quais serão tratadas no decorrer do voto a seguir. Submetido à análise pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, os membros do Colegiado resolveram converter o julgamento em diligência, fl. 83/87, nos termos do relatório e voto abaixo: Relatório (...) Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 44), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 45/68, acompanhado dos documentos de fls. 69/79. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 204 4 Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputarlhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10 ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluirse da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, tratase de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativoambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 205 5 Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. O imóvel LOTE 14 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Voto (...) Face ao exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem intime o Interessado a comprovar que o Lote 14 da Fazenda Tucumanzeira está situado na terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), mediante a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará (com os requisitos acima mencionados). Em atendimento à intimação, o contribuinte autuado manifestouse em fl. 96/98, juntando os documentos de fl. 99/109, providências julgadas insuficientes para atender o objeto da diligência fiscal requerida, o que motivou nova conversão do julgamento em diligência, nos termos da Resolução de fl. 112/117, que assim concluiu: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 206 6 Por todo o exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem intime o Interessado a comprovar, no prazo de 45 dias, que o Lote 14 da Fazenda Tucumanzeira, situado à margem direita do Rio Xingu, está localizado na terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), mediante a apresentação de documento fornecido pela FUNAI, seja pelo órgão central (Brasília), seja pela coordenação regional que jurisdiciona o imóvel do contribuinte no Estado do Pará. Em fl. 140/141, o recorrente manifestase novamente, agora juntando cópia de despacho (fl. 145) em que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária atesta que a Fazenda Tucumanzeira Lote 14 encontrase localizada no perímetro da Reserva Indígena Apyterewa, decretada em 19 de abril de 2007 e que antes da homologação da área indígena, travase de uma posse encravada na gleba federal denominada "Gleba Misteriosa". É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Área indígena Registrese, por oportuno, que o tema em questão não foi objeto da impugnação que instaurou a fase litigiosa. Contudo, por sua relevância para a constatação ou não da procedência da exigência fiscal, há de ser avaliado. Ainda que o contribuinte, finalmente, tenha apresentado documentos que atestam que o imóvel rural objeto do lançamento em comento está inserido em área da Reserva Indígena Apyterewa, tal comprovação não afasta a incidência do ITR tratada no presente processo. Como se vê, o crédito tributário lançado é relativo ao anocalendário de 2005, tendo a referida Reserva sido decretada em abril de 2007, data até a qual, pelos próprios termos do despacho de fl. 145, constituiria uma posse encravada na gleba federal denominada Gleba Misteriosa. Não se está neste ato desconsiderando as demais fases administrativas que antecederam à citada homologação, que, segundo o relato do recorrente, data de 1991, mas apenas considerando que não há nos autos nenhum elemento que indique que tais atos preparatórios à demarcação da área tenham sido prejudiciais à exploração das terras pelos seus titulares não indígenas. Assim prevê o art. 29 da Lei 5.172/66 (CTN): Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 207 7 Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário. Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Assim, estando comprovado que o imóvel constituía posse do recorrente no anocalendário de 2005, evidente que ocorreu o fato gerador do ITR, justificandose o lançamento tributário. Portanto, não prosperam os argumentos recursais neste tema. Da Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal Atesta o recorrente que o Ato Declaratório Ambientação não é exigível no caso de reserva legal, seja em razão da expressa dispensa contida no § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, seja pelo fato de que a alínea "a" do citado artigo não fazer qualquer referência a qualquer ato administrativo. Cita precedentes judiciais e atesta que não vislumbra nas Leis 9.393/96 ou 4.771/65, fundamento de validade para a exigência tratada na IN 67/97. Ademais, aponta que caberia à autoridade lançadora comprovar os fatos sobre os quais se funda o tributo exigido, bem assim a estrita conformidade de seu ato à lei. Aduz que a limitação ao uso da propriedade rural em questão afeta sua capacidade contributiva, em razão da definição legal de que 80% contidas no bioma amazônico constituem reserva legal. Como se vê, o cerne dessa primeira parte da lide administrativa é a glosa da área declarada a título de preservação permanente e de reserva legal, em particular por conta da falta de comprovação desta última à margem da matrícula do imóvel, bem assim de apresentação de Ato Declaratório Ambiental. Assim, quanto ao tema, oportuno destacar a legislação correlata: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;(...) Grifouse. Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 208 8 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5º Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Grifouse; IN SRF 256, de 11 de dezembro de 2002 (texto então vigente) Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR; (...) Grifou se. A defesa alega que, por conta do que previa o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, não estaria obrigada a comprovar as informações declaradas, comprovação esta que caberia ao Agente Fiscal. Tratase de claro equívoco na interpretação da norma, pois o que se esperava de tal comando normativo, atualmente revogado, seria deixar clara a desnecessidade de apresentação de documentos juntamente com a Declaração. Da mesma forma, não merece prosperar a alegação da recorrente relacionada à IN 67/97, em particular porque o lançamento em comento é relativo ao exercício de 2005, data em que a citada IN 67/97 já havia sido revogada e em que já vigorava o art. 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. Portanto, não estamos diante de nenhuma inovação ou criação de uma Instrução Normativa, mas de uma previsão legal sobre a obrigatoriedade de apresentação do Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 209 9 Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, para que se possa gozar do benefício de redução do Imposto Territorial Rural. Observados os destaques normativos acima expostos, os quais, por tão cristalinos, não mereceriam sequer análise mais atenta, inclusive esse tem sido o entendimento corrente neste Colegiado Administrativo, segundo o qual, com o advento da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória à apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores à 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Ainda que aos olhos menos atentos possa parecer despropositada a exigência, tratase de uma forma de manutenção do controle das circunstâncias que levaram ao favor fiscal, além de configurar instrumento que atribui responsabilidade ao proprietário rural. Como se viu acima, a mesma lei que prevê a obrigatoriedade do ADA dispõe que, após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Desta forma, com o protocolo do ADA, o contribuinte sujeitase à vistoria técnica do IBAMA e, portanto, a mera alegação de que uma área de utilização limitada efetivamente exista, ainda que atestada em laudo técnico, não é suficiente, por si só, para afastar a incidência do tributo rural, já que, sem o protocolo do ADA, a desoneração tributária ocorreria sem qualquer instrumento que permitisse a efetiva validação das informações declaradas. No caso em comento, o que se vê é a utilização do tributo como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Entendo não assistir razão ao contribuinte ao afirmar que o simples fato do imóvel rural pertencer ao bioma amazônico implicaria sua exclusão da base de cálculo do ITR, exclusivamente em razão de previsão legal de que boa parte de sua área constitui reserva legal. Seria muito bom se assim fosse. Bastasse uma previsão legal e toda uma região estivesse protegida. Contudo, é de conhecimento amplo o ritmo frenético do desmatamento da Floresta Amazônica, sendo inimaginável admitir que todos os que lá estão, mesmo os que não se submetem a qualquer tipo de controle, ainda que legalmente estabelecido, ou os que estão a destruir tal patrimônio natural, tivessem direito ao favor fiscal que, conforme citado alhures, dentre outros, tem o nítido propósito de estimular a preservação do meio ambiente. Assim, considerando a limitação de competência da RFB, a quem não compete fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, resta à autoridade fiscal, no uso de Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 210 10 suas atribuições, verificar o cumprimento por parte dos contribuintes dos requisitos fixados pela legislação. Portanto, não tendo o contribuinte cumprido as formalidades impostas pela legislação para fins de fruição do direito à isenção e considerando a limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 ( CTN), pela qual se conclui que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, entendo acertada a decisão de primeira instância que manteve o lançamento em relação à tributação sobre as áreas originalmente declaradas como de preservação permanente e de reserva legal, bem assim a obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Pelo quê nego provimento ao recurso na parte relacionada à exclusão das Áreas de Preservação Permanente. Do Valor da Terra Nua No curso da impugnação, o contribuinte apenas pontuou que o VTN deve ser obtido a partir da diferença entre o valor do Imóvel e o valor da benfeitorias e, com base nas informações declaradas. Assim, neste caso, o VTN seria de R$ 17,00/ha, o que poderia ser comprovado por laudo, se este fosse julgado necessário. A DRJ negou provimento ao tema justamente pelo fato do contribuinte não ter apresentado o citado laudo de avaliação. Ocorre que, em relação ao arbitramento do Valor da Terra Nua, o contribuinte não tratou especificamente do tema em seu recurso voluntário, o qual restou apenas citado na sua introdução, em que se reeditou a ementa da decisão recorrida, com uma afirmação genérica de que a RFB não teria provado a incorreção das informações declaradas. Assim, ainda que pudesse ser considerada matéria incontroversa, por amor ao debate, passase à análise da legislação e da situação fática relacionada. Sobre a matéria, prevê a legislação: Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 211 11 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Grifouse. Há situações em que imóveis com características muito semelhantes apresentam valores de mercado muito diferentes, sejam por conta de limitações decorrentes da legislação ambiental, seja por características de relevo, acesso, transportes, etc. Assim, objetivando alcançar maior justiça fiscal, é que a norma legal trouxe mais liberdade para o proprietário rural, abrindo a possibilidade de avaliação regular do seu imóvel para que o tributo incida sobre uma base cada vez mais próxima da realidade particular de sua propriedade. Contudo, ao mesmo tempo em que a norma dá liberdade ao sujeito passivo, impõe o dever de acompanhar o mercado imobiliário ano a ano, para apurar o valor total de sua propriedade e de suas benfeitorias para, ao fim, chegar ao VTN a ser declarado. Portanto, a obrigação de demonstrar o valor declarado é do contribuinte, restando ao Agente Fiscal, quando não comprovadas as informações, efetuar o arbitramento nos termos da legislação. Neste sentido, após a efetiva intimação ao contribuinte para comprovar o VTN declarado, sem sucesso, correto é o procedimento da fiscalização de socorrerse do sistema criado pela Portaria SRF 447/2002 (SIPT), instrumento expressamente previsto no art. 14 da Lei 9.393/96, cujos valores decorrem de informações prestadas pelas Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem assim de valores de terra nua declarados por contribuintes da mesma região em DITR. Assim, entendendo não existirem razões para alterações no lançamento efetuado, concluo pela procedência das conclusões da DRJ, pelo quê nego provimento ao Recurso Voluntário em relação ao arbitramento do Valor da Terra Nua. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10218.720641/200777 Acórdão n.º 2201004.642 S2C2T1 Fl. 212 12 . Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.721221/2010-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.247
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/RJ1, que não conheceu da impugnação apresentada pela contribuinte acima qualificada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 12 21 /2 01 0- 25 Fl. 108DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até este momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo abaixo, complementandoo em seguida: Trata o presente processo de notificação de lançamento por meio da qual é exigida da interessada acima qualificada a multa por atraso na entrega da sua Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB do anocalendário de 2009, situação especial incorporação, no valor de R$ 20.000,00, uma vez que apresentada em 26/02/2010, quando o prazo se esgotava em 30/10/2009. Inconformada com a exigência, a interessada interpôs, em 07/12/2010, a impugnação de fls. 02/03, onde, dentre outras alegações, argüi a tempestividade da mesma. Aduzo que a impugnação foi julgada intempestiva no acórdão de impugnação exarado pela DRJ/RJ1 e que o registro contendo o resumo da decisão recorrida foi consignado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2009 EMENTA DISPENSADA. Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresenta o Recurso Voluntário de efl. 71. É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso é manifestamente intempestivo, e, portanto, dele não se toma conhecimento. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72 (PAF), o Recorrente dispunha de 30 dias de prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ/RJ1, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 12448.721221/201025 Acórdão n.º 1002000.247 S1C0T2 Fl. 3 3 A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Considerando que o Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ/RJ1 no dia 22/11/2012 (efl. 42) e apresentou seu recurso voluntário somente no dia 27/12/2012 (efl. 142), constatase que o Recurso Voluntário é manifestamente intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado, tornandose definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Aduzo que, ainda que se trate de Recurso Voluntário perempto contra impugnação julgada intempestiva pela instancia a quo, deve este órgão julgador de segunda instância pronunciarse sobre a perempção, por força do artigo 35 do já citado PAF, que prevê: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Assim, descumprido o pressuposto de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerálo intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 13054.000309/2003-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
DECADÊNCIA - APURAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS - FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO FUTURA
A decadência, no direito tributário, operação tão só sobre o direito material do fisco de, a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, promover o respectivo lançamento, não afetando fatos estranhos ao aspecto temporal da hipótese de incidência e que, não obstante pertencentes a períodos anteriores, contribuem, lado outro, para a tipificação perfeita do aspecto quantitativo. A decadência, portanto, não afeta o poder/dever do fisco de investigar fatos passados com repercussão futura.
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTOS PAGOS NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO - NECESSIDADE
O pagamento de imposto de renda no exterior só da lugar à compensação com o IRPJ e a CSLL, a par dos demais requisitos formais, se e quando comprovado o efetivo pagamento do tributo estrangeiro.
SALDOS NEGATIVOS - INSUFICIÊNCIA
A conformação do saldos negativos a partir de saldos de períodos anteriores que não for suficiente à extinção da obrigação tributária da lugar à exigência, mediante lançamento, das diferenças porventura identificadas.
Numero da decisão: 1302-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA APURAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO FUTURA A decadência, no direito tributário, operação tão só sobre o direito material do fisco de, a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, promover o respectivo lançamento, não afetando fatos estranhos ao aspecto temporal da hipótese de incidência e que, não obstante pertencentes a períodos anteriores, contribuem, lado outro, para a tipificação perfeita do aspecto quantitativo. A decadência, portanto, não afeta o poder/dever do fisco de investigar fatos passados com repercussão futura. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTOS PAGOS NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO NECESSIDADE O pagamento de imposto de renda no exterior só da lugar à compensação com o IRPJ e a CSLL, a par dos demais requisitos formais, se e quando comprovado o efetivo pagamento do tributo estrangeiro. SALDOS NEGATIVOS INSUFICIÊNCIA A conformação do saldos negativos a partir de saldos de períodos anteriores que não for suficiente à extinção da obrigação tributária da lugar à exigência, mediante lançamento, das diferenças porventura identificadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 03 09 /2 00 3- 77 Fl. 1312DF CARF MF 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuidam os autos de pedidos de compensação de saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados no anocalendário de 2002, como resultado de saldos acumulados ao longo dos anoscalendários de 1997 a 2001, mormente a partir de retenções de IRRF suportadas por empresa controlada pela recorrente, estabelecida no Uruguai (havia, ainda, valores relativos ao IRRF retido e recolhido pelo contribuinte no mercado nacional, em 2002, no valor de R$ 4.577,77). O citado pedido foi feito por meio de formulários (fls. 1 e 2) e apresentado em 14 de maio de 2003. Em 24 de dezembro de 2007, foi proferido despacho decisório (fls. 796 do qual a empresa teve ciência em 28/01/2008, conforme AR de fls. 816), calcado em parecer da lavra da Seort/DRF/Novo Hamburgo (fls. 780/795), homologando, parcialmente, a compensação até o limite do crédito de saldo negativo de CSLL no importe de R$ 58.302.43 (o contribuinte havia pleiteado os montantes de R$ 181.886,30 relativo ao saldo negativo de CSLL e de R$ 137.664,20 a título de IRPJ, ambos formados no ano calendário de 2002). O trecho do relatório do acórdão recorrido, abaixo reproduzido, bem resume os fundamentos do citado despacho decisório: Os créditos de saldo negativo de IRPJ e da CSLL informados na DCOMP, na sua maior parte, decorriam de imposto pago sobre lucros havidos por empresa controlada com sede na República Oriental do Uruguai. Esses valores foram glosados em razão da ausência de documentos comprobatórios das retenções que estivessem conformes aos os requisitos estabelecidos pelo art. 26, §2° da Lei n° 9.249 de 26/12/1995 ou do inciso II, do §2° da Lei n° 9.430 de 27/12/21996. No mesmo sentido, houve a não comprovação de alguns valores de retenção de IRRF, nos anos de 1997, 2000, 2001 e 2002. As glosas se refletiram em diversas compensações havidas em relação aos tributos pagos por estimativa, impactando nos (sic) saldos negativos de IRPJ, de tal forma que em 2002 nada restava de saldo a compensar. Da mesma maneira, o saldo negativo da CSLL foi afetado pela glosa dos pagamentos de imposto no exterior, a partir de 1998, resultando em valor do saldo negativo, ao final de 2002, de R$ 58.302,43, reduzido em R$ 79.272,14 em relação ao apurado pela contribuinte. Contra este despacho, o contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade julgada parcialmente procedente sem que, contudo, fosse alterado o valor do direito creditório pleiteado já que, pelas apurações realizadas em duas diligências realizadas no curso do julgamento de primeiro grau, conquanto aceitas as comprovações sob o prisma exclusivamente formal e acatadas partes dos valores descritos das DIPJs dos anos precedentes (1997/1998), não alteraram o montante dos saldos negativos recalculados. Mais uma vez, aqui, Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 13054.000309/200377 Acórdão n.º 1302002.871 S1C3T2 Fl. 1.313 3 socorrome de passagem do v. acórdão ora combatido a fim de explicitar as conclusões ali exaradas: Tendo em vista as considerações acima, o resultado das diligências levou a concluir apenas pela certeza dos pagamentos de imposto no exterior que estavam demonstrados pelas autenticações de caixa nas respectivas DJP da DGI no Uruguai, sendo que estes, mesmo adicionados aos pagamentos de IRRF do código 3426, reclamados pela contribuinte, mas glosados pelo fisco, não implicam a existência de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002. Quanto a CSLL, o valor de R$ 743,76, reclamado pela contribuinte, decorre de aplicação de juros pela taxa Selic na correção dos créditos, não importando na alteração do crédito reconhecido pelo fisco no DD/507. A DRJ, digase, ainda, afastou uma preliminar de decadência aventada pelo contribuinte, em que sustentava a impossibilidade de se rever os saldos negativos formados nos anos de 1997/2001. Pois bem, intimado do resultado do julgamento supra em 18 de janeiro de 2012 (AR de fls. 1.092), a empresa interpôs seu recurso voluntário em 16 de fevereiro daquele mesmo ano (carimbo da ARF constante de fls. 1.096) em que, reprisando os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade, basicamente sustentou: a) a decadência concernente ao direito de "lançar" ou, mais precisamente, do fisco perscrutar fatos que culminaram com os saldos negativos apurados nos anos de 1997 a 2001 a fim de glosar o saldo negativo verificado no ano de 2002, calcando a alegação nos preceitos dos artigos 264, do RIR, 37 da Lei 9.430/96, 173, I, e 195, ambos do CTN; b) no mérito, além da já citada decadência, que os valores dos impostos pagos no exterior teriam sido escorreita e suficientemente comprovados e que, por isso, e por ter utilizado, e em cada ano calendário, apenas os montantes limitados aos valores de imposto de renda e de CSLL apurados internamente, a sua glosa impactou, diretamente, os valores de estimativas compensadas nos anos subsequentes, reduzindose, destarte, os saldos negativos apurados em cada um deles (1998 a 2001); c) ainda no mérito, apontou algumas divergências incorridas pela fiscalização, mormente quanto atualização dos créditos utilizados em compensações de estimativas pela variação da SELIC e ainda, quanto a algumas glosas, como a ocorrida no ano de 1999 concernente ao uso de incentivos fiscais, cujo valor teria sido lançado, segundo o insurgente, de forma equivocada pela fiscalização. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e, preenchidos os demais pressupostos de cabimento (intrínsecos e extrínsecos), dele conheço. I Da preliminar de decadência. Fl. 1314DF CARF MF 4 Como já tive a oportunidade de me manifestar em outras ocasiões, em especial, em processos relacionados à amortização de ágio, a decadência, na seara tributária, é causa extintiva da obrigação, na forma do art. 156, V, do CTN. Ela atinge, portanto, a imposição advinda da concretização, no mundo fenomênico, da norma individual prescritiva (comando) a partir da tipificação do fato jurígeno (signo presuntivo de riqueza) descrito na norma antecedente (hipótese). A decadência, portanto, age, apenas, sobre o fato tal qual qualificado para fazer surgir, ao contribuinte, o mister de recolher tributos aos cofres públicos, não se estendendo sobre fatos outros que, conquanto contribuírem para quantificar a obrigação, não compõem os aspectos da norma de incidência, para aquele período de apuração específico. O caso em análise, contudo, "balançou", por assim dizer, as minhas convicções. E são dois problemas que me fizeram cogitar o acolhimento da tese do contribuinte: a) ainda que a compensação de valores pagos a título de imposto de renda no exterior, e o imposto retido na fonte, não componham o lucro líquido, semelhantes parcelas fazem parte, inegavelmente, do aspecto quantitativo da norma da incidência, enquanto elemento componente da base de cálculo das exações (Lucro Real e Lucro Líquido acrescido das adições e/ou exclusões determinadas pela legislação); b) o recálculo dos saldos negativos, mediante glosa de compensações realizadas na quitação de estimativas imporia, por certo, a realização de lançamento, enquanto ato administrativo vinculado (e, portanto obrigatório, no termos do art. 142 do CTN) b.1) de multas isoladas, com espeque nos preceitos do art. 44, II, da Lei 9.430/96; b.1) de ajuste de IRPJ e CSLL, notadamente, nos anos 1999 a 2002. Vale lembrar, no caso, que o pedido de compensação aviado pelo contribuinte revolve, exclusivamente, o saldo negativo de tributos a pagar no ano de 2002; não se está discutindo, aqui, a existência de indébito verificado em tempos pregressos e, agora, pleiteado na forma do art 170 do CTN; não se está, também, e como já pontuado, diante de crítica à operações ou negócios realizados há mais de cinco anos (como é a hipótese das despesas com amortização de ágio). A celeuma, insistase, gira em torno, apenas, do saldo negativo apurado no anocalendário de 2002 que, como já alertado no relatório acima, foi formado, por sua vez, pelo saldos negativos acumulados ao longo dos anos de 1997a 20001 e cujas apurações, ao menos em relação ao último ano (00) já se encontrava, desde 2007, tacitamente homologado (lembrando que o contribuinte teve ciência do despacho decisório em 2008). Ou seja, considerandose apenas tais premissas, não é, de todo, dezarrazoado considerar minimamente plausível a tese do contribuinte. Dois argumentos, entretanto, apresentados pelo D. Relator do v. acórdão recorrido me sensibilizaram o suficiente para retomar o convencimento que já havia formado no passado. O primeiro, e mais importante, é que a DIPJ não constitui confissão de dívida e, por conseguinte, não torna, por isso mesmo, exigível qualquer crédito, em favor do fisco ou do contribuinte: 1 Nos anos de 2001 e 2002 não foram deduzidos valores de impostos pagos no exterio. Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 13054.000309/200377 Acórdão n.º 1302002.871 S1C3T2 Fl. 1.314 5 A DIPJ, diferentemente da DCTF, já naquela época (2002), não tinha natureza constitutiva, apenas declaratória; não criava nem débitos da contribuinte para com o fisco, nem créditos do fisco para com ela, apenas declarava informações baseadas na realidade contábil e fiscal. A contribuinte deve demonstrar a existência do crédito com todos os elementos de prova que assegurem sua certeza e liquidez. De fato, ao revolver, principalmente, as deduções dos impostos pagos no exterior, a D. Fiscalização não estaria revendo qualquer ato de lançamento, nem tampouco realizando um ato de lançamento de ofício; as informações prestadas via DIPJ podem ser utilizadas para, de qualquer forma, identificarse "a realidade contábil e fiscal" do contribuinte. Já o segundo argumento trazido pela DRJ abarca a inaplicabilidade dos preceitos do art. 195 do CTN e 37 da Lei 9.430/96, os quais tratam do dever de guarda de documentos durante o prazo legal, notadamente por tratarem, especificamente, do direito do fisco de lançar eventuais créditos tributários. Tais regras, contudo, não se estendem ao pleitos de compensação/restituição porventura deduzidos pelos contribuintes, cuja liquidez e certeza deve ser demonstrada por estes, a teor do art. 170 do CTN: O que sustenta o SN/2002 não são apenas os valores declarados na DIPJ/, mas também os seus elementos de composição, o que inclui a quitação das estimativas; esta foi efetuada com créditos de outro exercício que devem ser igualmente comprovados pela contribuinte, independentemente de ser possível ou não a retificação das DIPJ anteriores ou o lançamento de ofício de valores que eventualmente não fossem recolhidos. Além disso, não se pode confundir o direito de o fisco constituir o crédito a ser exigido dos contribuintes (art. 173 do CTN), ou mesmo a homologação tácita do débito por eles constituídos nos casos de lançamento por homologação (art. 150 CTN), com os valores que os contribuintes querem ver devolvidos. Por fim, é válido lembrar que os saldos negativos de períodos anteriores não compõem, do ponto vista técnicocientífico, o aspecto temporal da hipótese de incidência tributária do IRPJ e da CSLL; são, realmente, fatos pertencentes à períodos de apuração estranhos ao citado critério da norma de incidência e, portanto, não tipificantes, diretamente, da norma geral e abstrata tributária; os saldos, digase, provenientes de períodos de apuração anteriores, contribuirão, quando muito, para a concretização do aspecto quantitativo sem, insistase, pertencer a própria materialidade da exação. Trocando em miúdos, como a decadência, tal qual já afirmei acima, operase apenas quanto a obrigação surgida a partir da concretização do fato imponível (fato gerador), ela não extingue nada mais; por certo, ela não atinge fatos cuja investigação é, inclusive, imposta ao fisco (art. 142 do CTN), de forma, até mesmo, atemporal. Dito isto, e considerando, lado outro, a coerência pela qual devem se pautar os julgadores (até mesmo em observância ao princípio da segurança jurídica), lembrando que este Colegiado já se pronunciou em casos semelhantes pelo não acolhimento desta tese, voto por afastar a preliminar ora aventada. Fl. 1316DF CARF MF 6 II Mérito. Ultrapassada a questão teórica anterior, a controvérsia passa a ser eminentemente fática e, por isso mesmo, até certa monta, mais simples. Lembrando, como já o fez a própria DRJ, que as questões que remanesceram, no caso, seriam: a) a (falta) de comprovação de parte dos valores pagos pela empresa, a título de imposto de renda, no exterior; b) glosa de R$ 45,27 relativos ao valor atribuído pela empresa à uma das estimativas de IRPJ alegadamente quitada no ano de 1997; c) glosa R$ 743,76 relativos ao valor da estimativa de CSLL de maio de 1998, originariamente extinta através de compensação com o saldo negativo apurado pelo contribuinte no ano de 1997; d) pretensa glosa relativa de parte de incentivos fiscais dedutíveis dos valores mensais declarados pelo contribuinte no ano de 1999, no importe de R$ 46.865,41. Notem que quanto aos valores retidos na fonte, que teriam sido objeto, num primeiro momento, de questionamentos pelo fisco, foram, quase todos, validados pela própria Auditoria; os montantes que teriam permanecido controvertidos se refeririam à parte dos valores descritos nos anos calendários de 1997 (R$ 5.051,57) 2000 (R$ 7.303,57) 2001 (R$ 1.087,17) e 2002 (R$ 4.577,77); relativamente a este último, as retenções foram reconhecidas pela DRJ. Neste passo, e é relevantíssimo destacar, já aqui, o acolhimento ou não dos questionamentos descritos nos itens "b" a "c", supra, do ponto de vista prático, é irrelevante. Isto porque, como se extrai das planilhas constantes de fls. 1.072, o saldo de imposto a pagar ano calendário de 2002, e apurado após as diligências fiscais já mencionadas alhures, seria de R$ 220.091,03 (do qual deve ser deduzido o valor concernente ao IRfonte, reconhecido pelo acórdão recorrido no importe de R$ 4.457,97); mesmo que se acate tais pleitos, não haverá saldo negativo a ser compensado; o resultado continuará positivo. Nada obstante, para que não recaia sobre este julgado a pecha de omisso, passemos à análise de cada um dos itens suscitados no recurso voluntário. II.1 Imposto pago no exterior. É preciso, aqui, destacar, que a discussão que ora se analisa nem tangencia o preenchimento dos requisitos formais necessários à validação de eventuais documentos trazidos pelo recorrente para demonstrar a incidência do imposto de renda em operações ocorridas no exterior... o preenchimento de tais pressupostos formais foi expressamente reconhecido pelo acórdão recorrido que, por isso mesmo, acatou parte deles para considerar ocorridos tais pagamentos, ainda que não no montante declarado pelo contribuinte. E, na verdade, este é o cerne da questão! O problema efetivamente verificado na espécie é que os valores apontados nas DIPJs trazidas aos autos é superior aos valores comprovados pelo contribuinte através de guias de recolhimento devidamente autenticadas por instituições financeiras uruguaias, isto é, em que se demonstrou e concreta e iniludível quitação do imposto estrangeiro. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 13054.000309/200377 Acórdão n.º 1302002.871 S1C3T2 Fl. 1.315 7 Nem mesmo se discute, aqui, se a comprovação do pagamento efetivo é ou não necessária à validação da compensação (bastando comprovarse, por exemplo, a exigência do imposto em território uruguaio), seja porque, a meu sentir, semelhante exigência seria pressuposto lógico da aludida compensação (dispensandose menção expressa na lei), seja porque, como bem ressalta o relator do acórdão ora recorrido, é veríficável de forma expressa no texto da lei, especificamente, no § 3º do art. 26 da Lei 9.249/95: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. (...) § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. Dito isto, socorrome da planilha constante do acórdão recorrido, em que o D. Relator aponta, de forma precisa e incontendível, os valores cujo pagamento foi comprovado a partir dos documentos trazidos pelo contribuinte em decorrência das duas diligências realizadas ainda em primeira instância: Ano Valor autenticado por caixa do DGI ($$ pesos uruguaios) Localização (fls.) 19997 484.777,00 + 20.083,00 + 770,00 + 1.540,00 = 757.400,00 945v, 946v, e 951 1998 165.745,00+1.379,00+99.924,00+131.257,00 = 398.285,00 969v, 973v, 974v e 975v 1999 241.703,00 + 44.914,00 + 67.569,00 + 4.045,00 + 1.934,00 + 3.804,00 + 145,00 = 364.114,00 1016v, 122v, 123v, 124v, 1025v, 1026v, 1027v, À fl. 1.072, das planilhas ali elaboradas, observase o valor acima descrito, já convertido para a moeda nacional e respeitado o limite de compensação préfixado pelo § 1º do art. 26 da Lei 9.2492, perfazendo, para cada ano calendário, os seguintes montantes: a) 1997 R$ 77.467,50; b) 1998 R$ 58.813,55; c) 1999 R$ 56.421,99. Notem que, para o mesmo período, conforme informações reproduzidas nas planilhas anteriormente mencionadas, o contribuinte declarou ter pago e aproveitado (Fichas das DIPJs juntadas a fls. 430, 474 e 510) o valores, respectivamente, de R$ 77.467,50, 83.774,53 e 78.428,01. 2 V. neste passo, a tabela reproduzida no acórdão recorrido à fls. 1.083v, em que o relator apresenta os valores considerados pelo contribuinte, já convertidos, mas sem a limitação imposta pelo §1º do art. 26 da Lei 9.249. Fl. 1318DF CARF MF 8 Como dito, o problema, aqui, é exclusivamente fático... havendo prova de "pagamento" do imposto no exterior, o seu acatamento se impõe; não demonstrado, contudo, que tais valores foram recolhidos, ainda que declarados pelo contribuinte ao Fisco uruguaio, não haverá como reconhecer o direito pleiteado. E compulsandose os autos, e a partir, especialmente, da análise dos documentos de fls. 944 e seguintes, o levantamento realizado pelo D. Relator do acórdão recorrido parecenos absolutamente acurado. Neste passo, digase, inexistem quaisquer vícios ou equívocos no acórdão recorrido com relação aos montantes considerados como pagos pelo recorrente a título de imposto de renda no exterior, descabendo, neste ponto, qualquer reparo na decisão de primeiro grau. II.2 Da glosa de R$ 45,27 relativos à estimativa de 1997. Aqui, me permitam reproduzir o tópico do acórdão da DRJ, com o qual concordo em absoluto e adoto como razões de decidir, na forma do art. 57, § 3º, do RICARF: A contribuinte se insurgiu, à fl. 830, contra glosa de R$ 45,27 vinculada às estimativas pagas, afirmando que a RFB deixou de considerar variação da SELIC sobre um dos DARF de recolhimento a elas referente; todavia, ele não indica qual seria o DARF a que se refere. O valor considerado pelo fisco é a somatória dos valores originários de estimativas pagas pela contribuinte, não há taxa alguma incluída nos pagamentos considerados. Às fls. 453/454, estão enumerados os pagamentos em valores originários, relativos ao código 2362 IRPJ Estimativa Mensal, sendo estes corroborados pelas cópias dos DARF de fls. 46/49, totalizando R$ 1.034.764,83. A diferença entre o valor declarado em DIPJ e o total acima é R$ 1.034.810,08 R$ 1.034.764,83 = R$ 45,25. Como a contribuinte não demonstra a referida variação de SELIC e os valores considerados pela DRF/NHO são os dos pagamentos originários, não há que considerar a diferença apontada. Outrossim, em face da não comprovação da totalidade do IR declarado como pago no exterior e do valor que a glosa destes representa para a apuração do saldo negativo de IRPJ de 2002, ainda que a contribuinte tivesse demonstrado alguma irregularidade na ordem de grandeza alegada, R$ 45,25, os reflexos deste valor seriam desprezível para todos os fins práticos, pois, ao final, não importariam em apuração de saldo negativo. II.3 Glosa R$ 743,76 relativos ao valor da estimativa de maio de 1998 Também quanto a este questionamento é acurada e irrefutável a conclusão constante da decisão recorrida, pelo que também a adoto e reproduzo para os fins do já citado art. 57 do RICARF: Nesse tópico, no qual a contribuinte alega não saber a razão de glosa de R$ 743,76, referente à CSLL de 1998, o que ocorre é a falta de saldo suficiente para efetuar a compensação de CSLL Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 13054.000309/200377 Acórdão n.º 1302002.871 S1C3T2 Fl. 1.316 9 por estimativa do mês de maio. Nesse mês contribuinte declarou, à fl. 480, que teria compensado R$ 12.810,57, que somados a um pagamento de R$ 41.931,42 seria suficiente para saldar a CSLL por estimativa de R$ 54.741,94. Ocorre que, para aquele mês, como demonstrado no Anexo I ao DD/507. à fl. 800, o valor remanescente do saldo negativo do ano de 1997, já corrigido para data da compensação da estimativa de acordo com a variação da taxa Selic até o mês imediatamente anterior (mais um por cento no mês do vencimento), era de apenas R$ 12.066,81. Faltavam, portanto, os R$ 743,76 ora discutidos. II.4 Da "glosa" relativa à parte dos valores concernentes à parcela mensal dedutível a título de incentivos fiscais anocalendário 1999. Senhores, permissa venia, mas aqui não cabem quaisquer reflexões adicionais... De fato, no Parecer DRF/NHO/Seort, no qual o DD507 restou embasado, observase à fls. 785 que a citada autoridade lançadora, ao concluir sobre a inexistência de saldo negativo do imposto de renda no ano de 1999, mencionou, efetivamente, um valor de incentivos fiscais no importe de R$ 78.428,01, valor este que seria, em verdade, o montante glosado de impostos pagos no exterior... O montante total de incentivos fiscais deduzido no anocalendário em testilha seria de R$ 50.737,85 (e não de R$ 31.000,00 como afirmado pelo recorrente). Só que, pelos cálculos da autoridade lançadora, semelhante equívoco, muito antes de prejudicar o contribuinte, o favoreceu, já que, pela lógica fiscal, tais deduções são somadas às parcelas excluídas da base de cálculo do IR (estimativas pagas/compensadas e IRRF). A insurgência do recorrente, neste ponto, é inclusive contraproducente... E, por fim, não bastasse isso, a Unidade de Origem reconhece expressamente o seu erro para acolher o valor de R$ 31.000,00, como apontado pelo contribuinte. Basta ver, para tanto, as já citadas planilhas de fls. 1071 e ss. Dito isto, e até de forma simples, não ha o que prover, neste ponto. II.4 Conclusão parcial a composição dos saldos a partir da decisão da DRJ, integralmente mantida quanto aos pontos de questionamento aventados no RV planilhas de fls. 1.072 e ss. Como apontado no subtítulo acima, as planilhas trazidas à fls. 1.072 e ss reproduzem os resultados das diligências fiscais realizadas a pedido da DRJ e, nesta esteira, consideram, já, os valores de IR pagos pelo contribuinte ao Uruguai, recompondose, a partir daí, os saldos negativos (ou positivos) do imposto nacional até o ano de 2002 (que só não considera o valor de IRRF acatado pela DRJ, no montante de R$ 4.457.97 que, por isso, deverá ser deduzido do saldo positivo verificado neste último ano calendário). E, como se extrai das preditas apurações, ao final do anocalendário de 2002, objeto efetivo desta demanda, observouse, quanto ao IRPJ, saldo positivo de imposto no importe de aproximadamente R$ 215.000,00. Fl. 1320DF CARF MF 10 Tambem nas preditas planilhas, e reconhecidas as parcelas aventadas pela DRJ, observase a apuração final de uma saldo negativo de CSLL de, apenas, R$ 58.302,43, tal como já levantado pela própria autoridade fiscal e, ressalvada a discussão tratada no tópico II.3, supra, não impugnado pelo contribuinte3. Em linhas gerais, as conclusões constantes do acórdão recorrido me parecem absolutamente corretas, descabendo qualquer reparo. III. Conclusão final. A luz do exposto, voto por AFASTAR A PRELIMINAR de decadência e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca 3 Que, quanto ao mais, se limitou ao questionamento jurídico relativo a impossibilidade de se revolver as apurações concernentes aos anos de 1997/2001, em razão de decadência, argumento este superado pelo que decidi no tópico I, supra. Fl. 1321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722492/2013-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. PROCEDÊNCIA
A prática reiterada, durante todo o ano-calendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa, conforme a Súmula CARF nº 72.
Numero da decisão: 9101-003.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, (i) por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; (ii) por unanimidade de votos, acordam em negar provimento em relação à decadência. Acordam, ainda, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, (i) em relação à multa qualificada, por unanimidade de votos e, (ii) em relação à decadência, por maioria de votos, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que não conheceu dessa parte. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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PRÁTICA REITERADA. PROCEDÊNCIA A prática reiterada, durante todo o anocalendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo decadencial deslocase para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa, conforme a Súmula CARF nº 72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, (i) por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; (ii) por unanimidade de votos, acordam em negar provimento em relação à decadência. Acordam, ainda, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, (i) em relação à multa qualificada, por unanimidade de votos e, (ii) em relação à decadência, por maioria de votos, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que não conheceu dessa parte. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 92 /2 01 3- 49 Fl. 3612DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.571 2 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte em epígrafe. A Fazenda discute multa agravada. O contribuinte discute multa qualificada e decadência. Tratase o presente processo de autos de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS (fls. 3.113 a 3.161), relativos ao anocalendário de 2008, que deixaram de ser recolhidos pela pessoa jurídica Informat Technology Eletrônica Ltda, em razão do arbitramento do lucro conforme receita bruta apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada e com aplicação da multa de ofício no percentual de 225%. Considerando que, em julho/2010, foi registrada a baixa da pessoa jurídica na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP (fls. 50 a 52), a fiscalização efetuou a lavratura dos autos de infração em nome do sócioadministrador responsável pela guarda da documentação, o Sr. Victor Manuel Pacheco Arenas. Impugnado o auto, a DRJ entendeu não ser o caso de aplicação da multa agravada, reduzindo o lançamento. Aviado Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, a Turma a quo, decidiu por negar provimento ao recurso de ofício; (ii) não conhecer do recurso voluntário interposto por um dos responsáveis solidários que não apresentou impugnação (Sra. Neusa Marly Puglieri;) (iii) e dar provimento PARCIAL ao recurso voluntário interposto pelo Sr. Victor Manuel Pacheco Arenas para excluir da base tributável créditos nos valores de R$ 73.143,00, R$ 369.230,00 e R$ 114.757,00, por se tratarem de transferências entre contas do mesmo titular. Vejamos a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.572 3 Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizase omissão de receita os valores creditados em contas bancários cuja origem não seja comprovada. Os valores com origem em contas da própria pessoa jurídica devem ser excluídos da tributação. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Considerando que a responsável solidária, apesar de regularmente cientificada por edital eletrônico, deixou de apresentar impugnação aos autos de infração, seu direito de insurgirse contra a exigência está precluso e o recurso não será conhecido. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR. No caso de pessoa jurídica extinta por distrato social registrado na Junta Comercial, por lhe faltar personalidade jurídica, correta a atribuição de sujeição passiva ao sócio administrador responsável pela guarda da documentação, nos termos dos arts. 121, II, e 135, III do CTN. SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA PELO FISCO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. LICITUDE. A recusa injustificada para apresentação de extratos bancários caracterizase embaraço à fiscalização, hipótese legal de indispensabilidade do exame das informações bancárias prevista no art. 3º, inciso VII do Decreto nº 3.724/2001, ensejando a emissão da Requisição de Movimentação Financeira. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. PROCEDÊNCIA A prática reiterada, durante todo o anocalendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo decadencial deslocase para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa, conforme a Súmula CARF nº 72. MULTA AGRAVADA. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 3614DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.573 4 O agravamento previsto no § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96 somente deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte efetivamente deixar de atender às intimações da fiscalização. Nos casos em que a resposta é incompleta ou insatisfatória improcede o agravamento. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE Aplicase à CSLL, COFINS e PIS a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de todos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de prova. ARROLAMENTO DE BENS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ANÁLISE Em virtude da inexistência de previsão legal específica para defesa do sujeito passivo quanto ao arrolamento de bens, aplicase a regra geral do recurso administrativo estabelecida pelos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784/99. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 28 O CARF não tem competência para se pronunciar sobre controvérsias relativas a processos de representação fiscal para fins penais, nos termos da Súmula CARF nº 28. A Fazenda Nacional, regularmente intimada da decisão, avia Recurso Especial de divergência, trazendo paradigmas para discutir a manutenção do agravamento da multa. O Recurso da Fazenda não foi admitido pelo despacho. Com isso foi aviado agravo, de modo que o Recurso restou conhecido com base em um dos paradigmas trazidos. Intimado da decisão e Recurso da Fazenda o Contribuinte não apresenta contrarrazões, mas apresentou e Recurso Especial próprio, objetivando discutir a qualificação da multa e o prazo decadencial. O Recurso do Contribuinte foi conhecido pelo despacho de admissibilidade. A Fazenda, ciente do Recurso do Contribuinte, apresenta contrarrazões, pugnando pelo seu não conhecimento e, se conhecido, pelo seu não provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator CONHECIMENTO Sobre a admissibilidade do Recurso da Fazenda, entendo que bem se manifestou o Presidente do CARF no despacho de agravo, de modo que conheço do recurso naqueles termos. Fl. 3615DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.574 5 Com relação ao conhecimento do Recurso do Contribuinte, diante do questionamento da Fazenda, entendo prudente o debate. Conforme ementa da decisão recorrida, a multa qualificada foi mantida pelo fato de ter sido constatada a prática reiterada de omissão de receita durante todo o ano calendário de 2008, nos seguintes termos: MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. PROCEDÊNCIA A prática reiterada, durante todo o anocalendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa e justifica a imputação da multa qualificada. Para demonstrar a divergência, a recorrente apresenta os acórdãos paradigmas nº 1302001 e nº 1402002.120. No paradigma 1302001, o relator considerou que a simples declaração a menor ou a simples omissão de rendimentos não pode ser considerado de plano como evidente intuito de fraude. Não tendo sido identificada a prática de outros fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, os quais exemplifica, e que tornariam evidente o intuito de fraude, afastou a qualificadora. Também considera que escriturar e não declarar parte de suas receitas ou manter depósitos bancários sem origem comprovada não configura evidente intuito de fraude que justifique a qualificadora. Dessa forma, verifico a divergência de interpretação na legislação tributária que impôs a aplicação da multa de ofício qualificada, na medida em que no paradigma apenas a omissão de receitas, verificada através da manutenção de depósitos bancários de origem não identificada, não foi suficiente para impor a qualificadora, enquanto que no aresto recorrido, a prática de omissão durante o anocalendário de 2008 ensejou a multa no patamar de 150%. Considero, portanto, que em relação ao primeiro paradigma nº 1302001.937, a Recorrente logrou êxito em demonstrar a divergência no que se refere à interpretação da legislação tributária que trata do requisito do evidente intuito de fraude a ensejar a multa qualificada. No caso do paradigma nº 1302001.937, os fatos que ensejaram a qualificação da multa foram a não apresentação de livros contábeis, o não reconhecimento na DIPJ de receitas escrituradas em livros fiscais e a escrituração de receita acentuadamente inferior à movimentação financeira constante de suas contas correntes. A despeito destes fatos, o relator do voto condutor findou por retirar a qualificadora. Neste segundo paradigma, a atuação também se baseou em presunção legal de omissão de receitas, em razão de depósitos bancários em conta da empresa de origem não comprovada. Apresenta ainda uma particularidade que é o fato de no contrato social da empresa figuravam interpostas pessoas. Fl. 3616DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.575 6 A despeito da presença deste outro fato (interposição de pessoas), o relator do voto condutor entendeu que não caberia a qualificação da multa quando o lançamento continuou a estar embasado em mera presunção legal, e que não era possível concluir ter o contribuinte agido com dolo, de modo a caracterizar a fraude a que alude o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Com relação à decadência, importante frisar que nenhum dos paradigmas trazidos tratou especificamente sobre o tema, quando diretamente relacionado com a aplicação da multa qualificada. Como já me pronunciei em outras ocasiões, entendo que não se pode tratar das duas matérias em conjunto. Para mim, os institutos do dolo, fraude ou simulação previstos no §4º, do artigo 150, do CTN1 são distintos dos institutos da sonegação, fraude e conluio previstos no artigo 44, da Lei 9.430/96. Desse modo, entendo que o contribuinte não cumpriu os requisitos legais para ter seu recurso conhecido quanto a matéria decadência. Nesse contexto, voto por conhecer parcialmente do Recurso do Contribuinte, apenas em relação à multa qualificada. MÉRITO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL MULTA AGRAVADA Sobre o agravamento da multa, assim se pronunciou a Turma a quo: "Consta do Termo de Verificação Fiscal, no item "2. DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS PELA FISCALIZAÇÃO", que a recorrente atendeu a todas as intimações da fiscalização nos prazos estabelecidos, ou no dia seguinte à data limite: Termo de Início de Fiscalização emitido em 09/05/2012, com ciência do recorrente em 15/05/2012 e resposta apresentada em 05/06/2012; Termo de Intimação Fiscal nº 1 emitido em 14/06/2012, com ciência do recorrente em 20/06/2012 e reposta apresentada em 11/07/2012; Termo de Intimação Fiscal nº 2 emitido em 19/07/2012, com ciência do recorrente em 25/07/2012 e resposta apresentada em 13/08/2012; 1 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 3617DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.576 7 Termo de Intimação Fiscal nº 3 emitido em 26/04/2013, com ciência do recorrente em 06/05/2013 e resposta apresentada em 17/05/2013; Termo de Intimação Fiscal nº 4, emitido em 18/06/2013, com ciência do procurador da empresa em 25/06/2013 e resposta apresentada em 12/07/2013. Verificase portanto, que o contribuinte respondeu a todas intimações, todavia, a fiscalização as considerou insatisfatórias, motivo pelo qual foi emitido o Termo de Embaraço à Ação Fiscal e efetuado o agravamento da multa." Nesse contexto, concluiu a relatora: "O agravamento previsto no §º 2º somente deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte efetivamente deixar de atender à intimação do Fiscal para prestar esclarecimentos, o que pressupõe descaso da fiscalizada às intimações da autoridade fiscal. No caso em que o contribuinte apresenta resposta, incompleta ou diferente da esperada pela fiscalização, entendo inaplicável o agravamento." A meu ver, irretocável tal decisão pelos seus próprios fundamentos. Sobre o agravamento da multa assim dispunha o § 2º, do artigo 44, da Lei 9430/96 vigente à época: “§ 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos;” De fato, objetiva é a redação da norma em questão. Logo, interpretandose literalmente seus termos, a conclusão óbvia é de que não prestados os esclarecimentos pelo sujeito passivo, aplicase o agravamento. Contudo, essa a interpretação não é compartilhada por todas as Turmas desse Tribunal. Por exemplo, no acórdão 9202003.507, em sessão de 11/12/2014, a 2ª Turma, da CSRF entendeu, por maioria de votos, que o agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. Tratavase de Auto de Infração onde se buscava avaliar a documentação de despesas deduzidas pelo contribuinte na apuração de seu IRPF. No caso, o contribuinte foi intimado por duas vezes para apresentar a documentação e não se manifestou. Assim, foi lavrado o Auto de Infração cobrandolhe o imposto, acompanhado da multa agravada de 112,5% Fl. 3618DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.577 8 Conforme o voto vencedor do acórdão, nesse caso a ausência de resposta ao quanto solicitado pela fiscalização já possuía consequência específica (a glosa das referidas despesas), não havendo sentido lógico sistemático em que a essa consequência se acresça o agravamento da penalidade. Não se configurando, assim´, o embaraço à fiscalização. No voto vencedor ficou evidente o pensamento do Conselheiro, no seguinte sentido: “A ratio do dispositivo em questão é bem clara em inibir a conduta do contribuinte que, sob ação fiscal, deixa de responder a intimações da fiscalização, dificultando o procedimento fiscal. Entendo, no entendo, que tal motivação deve ser examinada sempre à luz de outros princípios, inclusive os de direito penal no sentido do direito ao silêncio.” Penso que essa conclusão bem se aplica nas hipóteses de silêncio do contribuinte quando intimado à prestação de informações que apenas podem lhe conduzir à incriminação. Em meu entendimento a autoridade fiscal deve sim observar o direito ao silêncio constitucionalmente garantido aos contribuintes, mas estes também devem respeitar o trabalho da fiscalização e não procurar dificultálo ou obstálo. Foi com base nisso que decidi em ocasião passada que na hipótese em que o contribuinte se manifesta no procedimento de fiscalização no sentido de que não produzirá provas contra si, não é cabível o agravamento da multa. Acho que essa foi a intenção da lei. Garantir o direito do contribuinte a não se incriminar, permitindo, contudo, sua convivência com o direito da União de fiscalizar e cobrar os tributos de sua competência. Contudo, se o silêncio do contribuinte não impede que a autoridade fiscal chegue no resultado que chegaria na hipótese de sua resposta ser dada, entendo descabido agravamento da multa. No presente caso, diante da suposta precariedade de respostas do contribuinte a autoridade fiscal possuía elementos suficientes para encontrar os elementos da obrigação tributária (fato gerador e base imponível), com base nas regras do lucro arbitrado e da receita conhecida do contribuinte. Nesse contexto, tendo ocorrido a aplicação das regras de arbitramento do lucro para apuração dos tributos, como consequencia pela falta de resposta do contribuinte é de se afastar o agravamento da multa. Assim sendo, nego provimento ao Recurso da Fazenda. RECURSO DO CONTRIBUINTE QUALIFICAÇÃO DA MULTA Fl. 3619DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.578 9 Para manutenção da multa qualificada no presente caso, a Turma a quo entendeu que a prática reiterada de omissão de receitas durante o anocalendário de 2008 tratavase de conduta dolosa, nos seguintes termos: "Diante de todo exposto, acertada a aplicação da multa qualificada de 150%, uma vez que a prática reiterada, durante todo o anocalendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa." Penso que a conduta reiterada durante o anocalendário não é suficiente para aplicação da multa qualificada. Pois bem, constatada a omissão de receita do Contribuinte em uma fiscalização, o agente fiscal tem dois caminhos: (1) incluir tais receitas na apuração dos tributos, por conhecerlhe a origem e o não oferecimento à tributação; ou (2) não sendo comprovada a origem utilizar a presunção de omissão de receitas prevista em Lei e efetuar a tributação com base em tal regra. Importante observar que a conduta omissão de receitas engloba a não contabilização e/ou declaração do ingresso de recursos na contabilidade e obrigações fiscais do Contribuinte. E essa conduta, por si só, já foi declarada por esse Tribunal como não suficiente para qualificação da multa, pois, sozinha, não satisfaz os requisitos para ser enquadrada como sonegação, fraude e, muito menos, conluio, conforme previsto nos artigos 71 a 73, da Lei 4.502/64. Ora, a prática reiterada da mesma conduta então seria qualificação da conduta? Penso que não. Para poder qualificar a multa, penso que a fiscalização deveria identificar outras infrações dolosas, além da omissão, ainda que reiterada. Seria o caso, por exemplo, de falseamento de Notas Fiscais, interposição de pessoas, dentre outras. Ao se valer da presunção legal de omissão, a fiscalização deixa evidente o grau de incerteza se aqueles ingressos de recursos seria, de fato, omissão de receitas. Poderia ser pagamento de empréstimos realizados. Nesse contexto, diante da ausência da demonstração de outras condutas do Contribuinte em questão, além da presumida omissão de receitas, não vejo como manter a multa qualificada. Além disso, penso que se a prática reiterada fosse elemento qualificador da conduta do contribuinte, apenas uma anocalendário não seria suficiente para tratar a conduta como reiterada. Caso vencido quanto ao conhecimento em relação à decadência, penso que, se a simples omissão de receitas, ainda que reiterada, se não configura as figuras de sonegação ou fraude para fins de qualificação da multa, menos ainda configura dolo, fraude ou simulação para alterar a contagem do prazo decadencial do artigo 150, do CTN. Fl. 3620DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.579 10 Nesse contexto, penso que merece guarida a pretensão do Contribuinte. Desse modo, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 3621DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.580 11 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Redator Designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. Os fundamentos do acórdão recorrido são suficientes, por si só, para a manutenção da qualificadora: DA MULTA QUALIFICADA O recorrente afirma que a tributação decorreu de presunção legal e não de prova direta, o que exclui liminarmente a qualificação da multa de ofício prevista para os casos de evidente intuito de fraude definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Não assiste razão à recorrente. A Súmula CARF nº 25 assim dispôs: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." Verificase, portanto, que ao estabelecer a necessidade de comprovação de sonegação, fraude ou conluio para qualificação da multa de ofício, a própria súmula admite a coexistência da presunção legal e da multa qualificada. O acórdão recorrido concluiu pela ocorrência das hipóteses previstas na Lei nº 4.502/64, e manteve a multa qualificada de 150%, tendo assim fundamento sua decisão: "Ficou clara no processo, a constatação de omissão de receita e os fatos caracterizadores da sonegação e fraude, pois a contribuinte, reiteradamente, durante todo o ano de 2008, auferiu receita não registrada em sua contabilidade, ou seja, omitiu receita tributável, deixandoa à margem da escrituração e, conseqüentemente, da tributação. Conforme se constata dos autos, a empresa apresentou uma Demonstração de Resultado do Exercício – DRE do referido anocalendário, que guarda compatibilidade com o valor declarado pela empresa em sua DIPJ relativa a esse anocalendário, todavia, foi identificado em suas contas bancárias, uma movimentação financeira líquida (créditos na conta corrente) no valor total anual líquido de R$ 91.732.892,65, (vide Anexo II – fls. 2968) o que demonstra a falta de registro de valores relativas a receitas omitidas, do montante de aproximadamente 53.000.000,00 (cinqüenta e três milhões de reais), pois não logrou comprovar a origem dos créditos efetuados nas contas bancárias." Alega a recorrente também que, diversamente do constatado no acórdão recorrido, não houve a omissão de receitas, menos ainda a demonstração da falta de registro de valores relativos a receitas omitidas, pois o objeto da tributação decorreu de presunção legal. Fl. 3622DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.581 12 Igual sorte não assiste razão à recorrente. O fato da infração ter sido apurada em decorrência da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 não afasta seu caráter de omissão de receitas. Como bem demonstrado no Termo de Verificação Fiscal restou comprovada a falta de registro na escrituração contábil da totalidade da movimentação bancária efetuada nas contas nº 2051040 (R$ 28.165.256,83) e nº 2229034 (R$ 48.515,98), ambas mantidas na agência nº 0087 do Banco Unibanco, bem assim, de parte da movimentação relativa às contas mantidas na agência 0411 do Banco Itaú, visto que a fiscalização apurou nessas contas créditos líquidos no total de R$ 47.908.222,79, porém na escrituração contábil constavam registros de R$ 26.873.008,17. Face à falta de registro dessas movimentações financeiras, restou caracterizada a omissão de receitas da ordem de aproximadamente R$ 53.000.000,00 no anocalendário de 2008, decorrentes da diferença entre a receita bruta informada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ no valor de R$ 38.642.496,32 e a movimentação financeira líquida apurada pela fiscalização com base nos extratos bancários no total de R$ 91.732.892,64. A recorrente questiona também a falta de realização de diligências e provas diretas, todavia, nos casos de presunção de receitas, o ônus da prova invertese cabendo ao contribuinte a comprovação da inexistência da omissão de receitas. Diante de todo exposto, acertada a aplicação da multa qualificada de 150%, uma vez que a prática reiterada, durante todo o anocalendário de 2008, de omitir valores relevantes de receitas auferidas, apuradas conforme movimentações financeiras em contas bancárias mantidas à margem da escrituração contábil, caracteriza a conduta dolosa. Nesse sentido a jurisprudência deste Colegiado: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizase omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. QUALIFICADORA. A declaração ao Fisco de valor de receita substancialmente inferior ao efetivamente auferido caracteriza infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude, impondose a aplicação de multa de oficio qualificada. (Acórdão 1301000.356, Sessão de 09/07/2010) PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos Fl. 3623DF CARF MF Processo nº 19515.722492/201349 Acórdão n.º 9101003.581 CSRFT1 Fl. 1.582 13 em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A conduta do sujeito passivo em praticar vultosas operações financeiras, apresentar Declaração Anual do Simples Nacional por três anos consecutivos (2008, 2009 e 2010) com receitas omitidas em montante que representa em torno de três a seis vezes menos que sua receita declarada e não atender às intimações para apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, evidencia vontade inequívoca dolosamente dirigida à sonegação tributária, ensejando assim a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. (Acórdão 1201001.431, Sessão de 04/05/2016) Realmente, não há incompatibilidade entre o lançamento por presunção legal e a qualificação da multa, quando estão presentes circunstâncias agravantes na conduta da contribuinte, que evidenciam o seu evidente intuito de fraude. A prática reiterada de omissão de receita em todos os meses do ano calendário de 2008, e nos montantes apurados pela Fiscalização, não pode ser atribuída a um mero erro de escrituração, a um esquecimento, ou qualquer outro problema dessa espécie. A diferença entre a receita bruta informada na DIPJ (R$ 38.642.496,32) e a movimentação financeira líquida apurada pela fiscalização com base nos extratos bancários (R$ 91.732.892,64) evidencia bem isso. E o lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei 9.430/1996 justamente porque o sujeito passivo não conseguiu esclarecer a origem dos créditos bancários, cujos montantes eram muito superiores às receitas declaradas. Vêse que a mesma fraude que ensejou a qualificadora, também ensejou o afastamento da decadência, tendo em vista a aplicação do prazo previsto no art. 173, I, do CTN, e não o do art. 150, §4º, ambos do CTN. Conforme a Súmula CARF nº 72, "a contagem do prazo decadencial desloca se para a regra estabelecida pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos casos de conduta dolosa". Não há portanto nenhum reparo a ser feito no acórdão recorrido. A multa qualificada deve mesmo ser mantida, e a alegação de decadência, rejeitada. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902581/2006-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO.
COMPROVAÇÃO.
Restando comprovado o pagamento indevido a maior do imposto, cabível sua utilização ou aproveitamento para encontro de contas em compensação tributária, desde que ainda disponível.
Numero da decisão: 1301-003.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito creditório de R$ 27.635,09 (valor original) e homologar as compensações declaradas até o limite de crédito disponível.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado o pagamento indevido a maior do imposto, cabível sua utilização ou aproveitamento para encontro de contas em compensação tributária, desde que ainda disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito creditório de R$ 27.635,09 (valor original) e homologar as compensações declaradas até o limite de crédito disponível. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 25 81 /2 00 6- 09 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 455 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 456 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 268/270) contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Campinas de fls. 251/254 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 30/10/2003 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 41281.88471.301003.1.3.0 49260 (fls. 40/42), informando: a) débito (confessado): IRPJ – Lucro Presumido, código de receita 2089, do PA 3º trimestre/2003, data de vencimento 31/10/2003, assim especificado: principal: R$ 42.906,24; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 42.906,24. b) crédito utilizado/informado: aproveitamento de crédito de R$ 27.635,09 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código de receita 3373, do PA 30/06/2000 (IRPJ PJ NÃO OBRIGADAS AO LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL), adimplemento no valor total de R$ 67.151,60, em 31/07/2000.Valor original do crédito inicial R$ 27.635,09. O despacho decisório da DRF/Campinas, de 18/07/2008, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fls. 45), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 27.635,09. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 457 4 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 29/07/2008 (fls. 44), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls 01 e 48, aduzindo, em suas razões, o seguinte, in verbis: Ref. Processo de Crédito n.° 10830.902.581/200609 CADSERVICE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA, sociedade limitada de direito privado, estabelecida à Rua Pedro Stancato, n.° 250/290 Bairro Campo dos Amarais Campinas SP, devidamente inscrita no CNPJ/MF sob n.° 65.877.300/000107, por seus representantes legais abaixo assinados, tendo recebido o Despacho Decisório n.° 775562613 (Rastreamento), com referencia ao Processo epigrafado, vem respeitosamente a presença de Vossa Senhoria, para manifestar sua inconformidade e esclarecer que requereu o desarquivamento do processo n.° 10830.008903/200290, tendo em vista que não foram consideradas as Alterações de DCTF desse processo, protocoladas em 01/10/2002. Do exposto, requer seja tal despacho considerado sem efeito, pleiteando comprovar a legitimidade dos créditos devidamente compensados, assim que tomar vista do processo desarquivado. Em face dessa alegação da contribuinte, cópia dos autos do processo nº 10830.008903/200290, que tratam de solicitação de alteração de DCTF, foram juntados aos presentes autos (fls. 53/229), conforme despacho de expediente da DRF/Campinas, de 16/04/2009 (fl. 244), in verbis: (...) Trata o presente de processo de manifestação de inconformidade, vide fls. 01 a 52, de Despacho Decisório emitido pelo SCC, com ciência em 29/07/2008, vide fls.240 . Como o contribuinte solicitou o desarquivamento do processo 10830.008903/200290, pois entende que a decisão prolatada nesse processo estaria vinculada ao presente despacho decisório, foram anexadas as cópias das fls. do processos 10830.008903/2000290, vide fls. 53 a 229. Encaminho o presente à DRJ/Campinas para prosseguimento . (...). Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 458 5 Na sequência, a DRJ/Campinas, enfrentando o mérito da lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão da 5ª Turma, de 25/04/2011 (fls. 251/254), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. DCTF RETIFICADORA. Não há que se falar em crédito junto à Fazenda Pública vinculado a processo anterior de retificação de DCTF, se, após deferimento da retificação inicial, outras DCTF retificadoras, instrumentos de confissão de dívida, foram espontaneamente apresentadas pelo contribuinte, confirmando a existência de dé bito de tributo no valor inicialmente apurado, declarado e recolhido pela pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Restando não comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP, insta não homologar a compensação declarada dos débitos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 13/06/2011 (fl. 267), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/07/2011 (fls. 268/270) e juntou documentos (fls. 271/371), argumentando, in verbis: (...) DOS FATOS Trata o presente processo de crédito de Imposto de Renda, referente ao 2o trimestre de 2.000, no valor original de R$ 54.485,42 (diferença entre o IRPJ recolhido antes da recomposição da contabilidade no valor de R$ 67.151,60 e o valor apurado após a recomposição R$. 12.666,18). Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 459 6 A recorrente procedeu a apresentação de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica retifícadora e das solicitações de Alteração de DCTF's, protocoladas em 01/10/2002 (DCTF n.° 91074751 Processo 10830.008903/200290). (copia anexa) Em 28/10/2003, a recorrente protocolou DCOMP n.° 41281.88471.301003.1.3.049260 (copia anexa) para a compensação do IRPJ apurado no 3o trimestre/2003 no valor de R$ 42.909,24, com o crédito remanescente do original de R$ 54.485,42, tendo sido emitido o despacho decisório pela DRF da não homologação da compensação, entendendo que o crédito havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente. Tal entendimento da RFB baseouse nas informações da DCTF retifícadora n.° 22044953, recepcionada em 26/11/2004, correspondente ao 2o trimestre/2000, onde por um erro de fato, informouse o valor de R$ 67.151,60 e não R$ 12.666,18 no campo "Débito Apurado", voltando aos valores informados antes da recomposição da contabilidade, o que levou a relatora a julgar a DCTF n.° 91074751, como "eivada de erro", quando na realidade, espelha fielmente os valores apurados após sanadas as irregularidades contábeis. Corroborando tal afirmativa, anexamos cópia fiel da DIPJ/2001, ano calendário 2000, única retificadora (cópia anexa), apresentada em 02/08/2002, onde na Demonstração do Resultado, constatamos a Provisão para o Imposto de Renda no 2o trimestre/2000, no valor de R$ 12.666,18 (a mesma constante da DCTF retificadora n.° 91074751).(cópia anexa) Acrescenta ainda a recorrente que, em virtude do prazo decadencial (Art. 150 do CTN), está impedida de solucionar o erro, pelos meios eletrônicos. DO ERRO PLENAMENTE ESCUSÁVEL A recorrente, ao apresentar a DCTF retificadora n.° 22044953 (cópia anexa) de 26/11/2004, cometeu erro de fato, plenamente escusável, na forma em que dispõe o artigo 172, inciso II do Código Tributário Nacional, conforme se transcreve (...) DA CONCLUSÃO Na análise das disposições retro transcritas, constatase ser a recorrente legítima detentora do crédito pleiteado para a compensação do IRPJ apurado no 3o trimestre de 2003, conforme DCOMP N.° 41281.88471.301003.1.3.049260, restando demonstrada a necessidade de reforma do r. "decisum" por este Egrégio Conselho, para reparar a subtração do direito alijado na decisão de primeira instância. Diante do exposto, por ter comprovado as razões de fato, e demonstrado as razões de direito, requer seja dado provimento ao presente Recurso Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 460 7 (...) É o relatório. Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. A admissibilidade do recurso já foi analisada, na sessão de 05/11/2003, quando o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução nº 1802000.385 2ª Turma Especial da 1ª SEJUL (fls. 383/391), cujo voto, no que pertinente, transcrevo, in verbis: (...) O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária DCOMP nº 41281.88471.301003.1.3.0 49260, transmitida em 30/10/2003, por meio da qual a contribuinte compensou, sob condição resolutória: a) débito informado do IRPJ, valor do principal R$ 42.906,24, código de receita 2089, referente ao período de apuração 3º o trimestre de 2003; b) crédito original utilizado do IRPJ de R$ 27.635,09, referente suposto adimplemento indevido ou a maior do IRPJ do PA 30/06/2000. Quanto a esse PA, o adimplemento, em 31/07/2000, seria no valor de R$ 67.151,60. Valor original do crédito inicial R$ 27.635,09 (informado na DCOMP). Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ, relativo ao citado período de apuração. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que faz jus ao crédito pleiteado, aduzindo: Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 461 8 que o crédito – direito creditório do IRPJ, referente ao 2o trimestre do anocalendário 2000, perfaz R$ 54.485,42 (valor original adimplido indevidamente ou a maior); que esse valor corresponde, justamente, a diferença entre o IRPJ adimplido antes da recomposição da contabilidade de R$ 67.151,60 e o valor apurado após a recomposição de R$ 12.666,18; que o IRPJ do 2º trimestre/2000, no valor de R$ 12.666,18 está em consonância com: a) DIPJ retificadora 2001, anocalendário 2000, transmitida eletronicamente em 02/08/2002, vide Ficha 6A Demonstração do Resultado – Provisão do Imposto de Renda de R$ 12.666,18 para 2º trimestre/2000 e Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Real para 2º trimestre/2000, no vador de R$ 12.666,18 (fls. 228/229 e 321/371); b) DCTF retificadora (1ª): o IRPJ do 2º trimestre/2000 foi reduzido de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18; c) DCTF retificadora (última retificadora): que foi transmitida por equívoco, por erro material escusável ao restabelecer o IRPJ do 2º trimestre/2000 para R$ 67.151,60; que, por conseguinte, a DCTF retificadora correta é a 1ª, e não a última. Compulsando os autos, constato que os elementos de provas não permitem, não são insuficientes, para formação de convicção do Julgador quanto ao mérito do crédito pleiteado, ou seja, quanto à existencia e liquidez do crédito demandado. Senão, vejamos: Inicialmente, a contribuinte transmitiu eletronicamente DCTF, em 10/08/2000, quanto ao 2º trimestre/2000, confessando débito do IRPJ estimativa desse trimestre no valor de R$ 67.151,60, informando extinção mediante pagamento por DARF, código de receita 3373, com vencimento em 31/07/2000 (fls. 142 e 175). Porém, não consta dos autos cópia do referido DARF de pagamento/recolhimento. Posteriormente, no processo nº 10830.008903/200290, protocolado em 01/10/2002, a contribuinte solicitou retificação de DCTF, preenchendo formulário em papel de DCTF retificadora, no intuito de redução do débito do IRPJ do PA 2º trimestre/2000 de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18 (fls. 55, 186 e 189). Cópia dos autos do processo nº 10830.008903/200290, de que trata a solicitação de retificação de DCTF, foi juntada aos presentes autos (fls. 53/229 e 244). Ainda, para justificar a retificação da DCTF e redução do imposto apurado do 2º trimestre/2000, de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18, naqueles autos, a contribuinte juntou cópia da Ficha 6A Demonstração do Resultado do 2º trimestre/2000, onde Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 462 9 consta consignado, informado, no item 54, Provisão para o IRPJ R$ 12.666,18 (fl. 223) e na Ficha 12 –Cálculo do Imposto de Renda s/ o Lucro Real, item 18 – Imposto de Renda a Pagar R$ 12.666,18 (fl. 224). Por fim, os autos do processo nº 10830.008903/200290 foram arquivados, sem análise do mérito do pedido formulado, por perda de objeto, pois a contribuinte transmitiu eletronicamente a DCTF retificadora, reduzindo o débito apurado do IRPJ do 2º trimestre/2000 de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18, informando, reiterando, ainda que pagara, em DARF, do referido PA R$ 67.151,60, código de receita 3373. Vide cópia de tela DCTF – Sistema Gerencial (fl. 246/247). Quanto ao referido arquivamento (processo nº 10830.008903/200290), transcrevo o despacho de 12/11/2002 propondo arquivamento e o qual realmente foi arquivado (fl. 229): Trata o presente processo de pedido de retificação de DCTF referente ao (s) ano (s) calendário 2000. A DCTF retificadora já foi transmitida via receitanet. Considerando o disposto no arigo 10 da IN SRF nº 255 de 11/12/2002, PROPONHO o encaminhamento do presente a ARQ – GRA/SP para arquivamento. Ainda, por último a contribuinte apresentou DCTF retificadora, da anterior DCT retificadora, retornando para o débito do IRPJ inicial de R$ 67.151,60 quanto ao PA 30/06/2000, informando que esse valor fora adimplido da seguinte forma (fls.253/257): pagamento em DARF R$ 12.666,18; outras compensações e deduções R$ 54.485,42, conforme pedido formalizado no PAF nº 10830.0008903/200290. Ora, o processo nº 10830.0008903/200290, diversamente do alegado pela contribuinte, não tratou de pedido de compensação tributária, mas apenas de solicitação de retificação de DCTF. Logo, o crédito pleiteado de R$ 27.635,09, na DCOMP objeto destes autos, referente adimplemento indevido ou maior de R$ 54.485,42 do IRPJ do PA 30/06/2000 não restou comprovado, por duas razões: a) se houve compensação, inexiste comprovação nos autos da alegada compensação tributária de R$ 54.485,42, quanto ao IRPJ apurado do PA 30/06/2000; b) ou, se houve pagamento, não consta do autos DARF de pagamento do IRPJ do PA 30/06/2000 no valor de R$ 67.151,60. Por outro lado, quanto à alegação da contribuinte de que houve mero erro material ou erro escusável de preenchimento da DCTF retificadora, transmitida por último, restabelecendo o IRPJ do 2º trimestre/2000 (PA 30/06/2000) para R$ 67.151,60 (DCTF original), entendo que, em tese, é possível, sim, a Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 463 10 existência do alegado erro material, pois na DIPJ retificadora, que foi recepcionada pelo Sistema informatizado da RFB (a qual é válida até prova em contrário), o IRPJ apurado do 2º trimestre/2000 totaliza o valor de R$ 12.666,18. A propósito quanto ao alegado erro material, transcrevo, nessa parte, as razões suscitadas no recurso, nesta instância de julgamento, in verbis: (...) A recorrente procedeu à apresentação de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica retifícadora e das solicitações de Alteração de DCTF's, protocoladas em 01/10/2002 (DCTF n.° 91074751 Processo 10830.008903/200290). (copia anexa) Em 28/10/2003, a recorrente protocolou DCOMP n.° 41281.88471.301003.1.3.049260 (copia anexa) para a compensação do IRPJ apurado no 3o trimestre/2003 no valor de R$ 42.909,24, com o crédito remanescente do original de R$ 54.485,42, tendo sido emitido o despacho decisório pela DRF da não homologação da compensação, entendendo que o crédito havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente. Tal entendimento da RFB baseouse nas informações da DCTF retificadora n.° 22044953, recepcionada em 26/11/2004, correspondente ao 2o trimestre/2000, onde por um erro de fato, informouse o valor de R$ 67.151,60 e não R$ 12.666,18 no campo "Débito Apurado", voltando aos valores informados antes da recomposição da contabilidade, o que levou a relatora a julgar a DCTF n.° 91074751, como "eivadas de erros", quando na realidade, espelha fielmente os valores apurados após sanadas as irregularidades contábeis. (...) Como demonstrado, existe DIPJ retificadora (recepcionada validamente até prova em contrário) do anocalendário 2000, transmitida eletronicamente em 02/08/2002 com recibo de entrega (fls. 49/99), demonstrando apuração do IRPJ de R$ 12.666,18 para o 2º trimestre/2000, logo não tem sentido, em tese, a transmissão de DCTF retificadora apresentada, por último, restabelecendo apuração do IRPJ para R$ 67.151,60 para referido PA. Por isso, o alegado erro material no preenchimento da última retificadora tem, em tese, plausibilidade, no caso. Mas, por outro lado, como já dito, em face dos elementos de prova constantes dos autos, não restou comprovado o adimplemento indevido ou a maior de IRPJ do 2º trimestre/2000 no valor de R$ 54.485,42 (valor original), do qual a recorrente, na compensação objeto dos presentes autos, utilizou crédito de R$ 27.635,09 (valor original). Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 464 11 Vale dizer, não consta dos autos, prova cabal, de que o valor do IRPJ de R$ 67.151,60 do PA 30/06/2002 (inicialmente apurado – DIPJ primitiva) tenha sido pago integralmente por DARF ou que tenha sido objeto de quitação integral por compensação, ou ainda por DARF de R$ 12.666,18 e R$ 54.485.42 por compensação. Nesse diapasão, e com base no princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Campinas: a) intime a contribuinte a fazer comprovação, nos autos, do valor apurado do IRPJ do 2º trimestre/2000 à luz da escrituração contábil, informado na DIPJ retificadora; b) intime a contribuinte a comprovar o alegado adimplemento indevido ou a maior de R$ 54.485,42 (valor original) do IRPJ PA 30/06/2000 e do qual ela utilizou/pleiteou R$ 27.635,09 na compensação objeto destes autos (valor original); c) caso o imposto, desse PA, tenha sido adimplido a maior ou indevidamente por pagamento em DARF e/ou compensação tributária, juntar aos autos cópia do DARF com respectiva confirmação de recolhimento e juntar prova de compensação tributária válida; d) informar se há, ou não, disponibilidade de crédito para compensação informados na DCOMP objeto dos autos. e) elaborar, ano final, relatório circunstânciado, apresentando o resultado da diligência fiscal; f) intimar a contribuinte do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação nos autos, a partir da ciência, caso queira; g) transcorrido o lapso temporal, com ou sem manifestação da contribuinte, fazer a remessa dos autos a este CARF para julgamento. (...). Pois bem. A diligência fiscal foi realizada, e os autos retornaram conclusos para julgamento, e foram distribuídos a este Relator, nos termos do Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343, de 2015, Anexo II, art. 49, § 7º. Consta consignado no relatório de diligência fiscal que, por erro de fato, a contribuinte efetuou pagamento indevido ou a maior do IRPJ do PA 30/06/2000 no valor de R$ 54.485,42 (fls. 421/430); porém, não restou confirmada a liquidez e certeza do crédito de R$ 27.635,09 utilizado na compensação tributária objeto dos autos, pois a recorrente deixou de apresentar documentos contábeis complementares, embora intimada a apresentálos durante o procedimento de diligência, in verbis: (...) Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 465 12 INFORMAÇÃO FISCAL (...) Em cumprimento à determinação do CARF, a contribuinte foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 591/2016, a “Apresentar escrituração contábil hábil e idônea, na qual esteja demonstrada a apuração do IRPJ do 2º trimestre de 2000 informado na DIPJ retificadora. Deverão ser apresentadas cópias dos lançamentos relacionados à apuração do Imposto, nos livros Diário e Razão, bem como o LALUR – livro de apuração do Lucro Real do exercício 2001, anocalendário 2000”. Em razão do documento de arrecadação ter sido localizado no sistema de controle de pagamentos desta Receita Federal, o referido DARF não foi solicitado à contribuinte. A pessoa jurídica atendeu à intimação, apresentando os documentos juntados às fls. 409 a 413. DO DARF O DARF no valor de R$ 67.151,60 foi devidamente confirmado no sistema de controle, tendo recebido o número de pagamento 2622173738 7 (fls. 419). DA ESCRITURAÇÃO Conforme se depreende da análise da contabilidade apresentada, cabe razão à contribuinte no que se refere ao valor do IRPJ apurado para o 2º trimestre de 2000. O IRPJ do 2º trimestre de 2000, no valor de R$ 12.666,18, está em consonância com as cópias dos livros Diário, Razão e LALUR, referentes à apuração do 2º Trimestre de 2.000 (fls. 409 a 413). (...) Conforme se depreende da Contabilidade da Contribuinte foram apurados os seguintes valores: Valor recolhido de IRPJ ref 2º trimestre.......................67.151,60 ()Valor devido no 2º trimestre.......................................12.666,18 (=) Saldo credor a ser utilizado para compensação I...54.485,42 Deste saldo credor de R$ 54.485,42 observouse que a contribuinte utilizou R$ 17.388,23 para compensar parte do valor total devido de IRPJ do 3º trimestre de 2000 R$ 131.504,87. Restaria saldo a compensar de R$ 37.097,19. (...) Saldo credor a ser utilizado para compensação I..........54.485,42 Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 466 13 ()Valor compensado no 3º trimestre............. ...............17.388,23 (=)Saldo credor a ser utilizado para compensação II...37.097,19 A contribuinte foi intimada a confirmar a utilização de R$ 9.462,10 para compensar parte do IRPJ do 4º trimestre, visto que consta da conta Razão 2.1.1.03.0001 que o valor da provisão do imposto desse período foi de R$ 107.807,34, com recolhimento confirmado de apenas 98.345,24 (fls. 420), faltando o valor mencionado de R$ 9.462,10. (...) Fazendose os cálculos, verificase que o saldo restante para compensação resultaria nos R$ 27.635,09, coincidente com o valor original requerido pela contribuinte em sua DCOMP. (=)Saldo credor a ser utilizado para compensação II.......37.097,19 () Valor presumidamente compensado no 3º trimestre....9.462,10 (=) Saldo credor a ser utilizado para compensação III......27.635,09 Contudo, Não houve atendimento à segunda intimação para apresentação de documentos contábeis. Assim, embora a presunção de que o saldo credor original de R$ 27.635,09 estaria correto, carece da apresentação dos documentos contábeis que o corroborem. Especialmente os lançamentos do livro Diário que confirmariam a escrituração apresentada no livro Razão, relativamente às compensações realizadas. Por outro lado, a contribuinte também não apresentou a conta do ativo na qual estaria contabilizado esse direito creditório – conta 1.1.3.08.0014, através da qual seria, talvez, possível de se verificar com mais clareza os valores utilizados para compensação tanto com relação aos débitos do IRPJ dos períodosbase de 2000 como a compensação realizada via DCOMP. DA DIPJ O montante escriturado de R$ 12.666,18 coincide com o valor informado na DIPJ Retificadora do exercício 2001, ano calendário 2000, na Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, linha 18 – Imposto de Renda a Pagar, relativa ao 2º Trimestre (fls. 340). (...) DAS DCTF RETIFICADORAS A recorrente apresentou as seguintes DCTF, original e retificadoras: (...) Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 467 14 O processo, protocolado sob nº em 01/10/2002, registrado como DCTF retificadora nº 0000.100.2002.91074751, trata de Alteração de DCTF. Conforme se verifica às fls. 59 desse processo, e conforme tela do sistema a seguir, a contribuinte solicitou a alteração do débito de IRPJ referente ao 2º trimestre de 2000, de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18. (...) Contudo, posteriormente a postulante apresentou DCTF retificadora, sob nº 0000.100.2004.51903440, retornando o débito ao valor original de R$ 67.151,60. (...) Segundo o que consta da DCTF, o DARF foi alocado ao débito do período de apuração 04/2000 com vencimento em 31/07/2000 da seguinte maneira: 1. Do total recolhido de R$ 67.151,60, o valor de R$ 12.666,18 foi vinculado ao débito declarado em DCTF como pagamento: (...) 2. O restante do recolhimento, 54.485,42, embora faça parte do mesmo DARF, na DCTF foi alocado ao restante do débito, como “outras compensações”, informando para tal o número de processo 10830.008903/200290 (que na verdade se refere à apresentação de DCTF retificadora, conforme já explicado anteriormente): (...) CONCLUSÃO DO DÉBITO A SER CONSIDERADO Em razão da análise da escrituração contábil, contudo, conforme explanado no item ESCRITURAÇÃO, há que se considerar que realmente a declarante incorreu em erro de fato, devendo ser acatado como correto que o valor devido no 2º trimestre de 2000, relativamente ao IRPJ, é de R$ 12.666,18. (...) DO CRÉDITO A SER COMPENSADO O DARF referente ao recolhimento do IRPJ no valor de R$ 67.151,60 foi devidamente confirmado no sistema de controle SIEF/DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO. O IRPJ retificado do 2º trimestre de 2000, no valor de R$ 12.666,18, está em consonância com as cópias dos livros contábeis, LALUR, DIPJ e deve ser considerado como valor correto de Imposto de Renda Pessoa Jurídica para esse período de apuração. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 468 15 Assim, é correto que a contribuinte teria o direito ao crédito de R$ 54.485,42, referente a IRPJ recolhido a maior para esse período. Conforme cálculos realizados no item ESCRITURAÇÃO desta Informação, aparenta correto o valor original solicitado para compensação, de R$ 27.635,09. Contudo, como a contribuinte não apresentou documentos contábeis complementares sobre os quais foi intimada, não é possível afirmar que o crédito tributário requerido goza de liquidez e certeza para ser utilizado na compensação. (...) De sorte que, intimada no domicílio eletrônico do resultado do relatório de diligencia em (fls. 433/435), a contribuinte juntou imagens de folhas formulário contínuo livro Diário (fls. 437/445), onde consta registrado conta do ativo, contabilizado o direito creditório de R$ 54.485,42 conta 1.1.3.08.0014: DIÁRIO DO MÊS DE JULHO DE 2000 Data LANÇA MENTO CONTA DEBITADA CONTA CREDITADA VALOR DO LANÇA MENTO HISTÓRICO Não foi possível identificar (imagem precária do documento juntado) 02616 1.1.3.08.0014 2.1.103.0001 54.485,42 IRPJ RECOLHIDO A MAIOR 2º TRIMESTRE DE 2000 Destarte, o crédito utilizado na DCOMP, no valor de R$ 27.635,09 (valor original), é líquido e certo. Entretanto, como não foram juntadas imagens das folhas dos livros Diários de outros meses de 2000 a 2003, não foi possível identificar na escrituração contábil da contribuinte que o valor R$ 27.635,09 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código de receita 3373, do PA 30/06/2000, pleiteado neste processo, estivesse realmente registrado e vinculado à compensação objeto dos autos. Há, destarte, dúvida se o crédito já foi ou não utilizado, consumido, em outra compensação diversa dos presentes autos. Ou seja, há dúvida se o crédito está ou não disponível para extinguir o débito confessado na DCOMP objeto deste processo. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reconhecer o direito creditório pleiteado na DCOMP objeto deste processo, valor R$ 27.635,09 Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10830.902581/200609 Acórdão n.º 1301003.176 S1C3T1 Fl. 469 16 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código de receita 3373, do PA 30/06/2000, e homologar a compensação até o limite do crédito disponível. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 469DF CARF MF
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