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Numero do processo: 16004.720210/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
INTEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO ELETRÔNICO TRIBUTÁRIO.
Nos termos da Portaria RFB nº 259/2006, considera-se feita a intimação por meio eletrônico, quinze dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo. Após esse prazo, o contribuinte possui trinta dias para a apresentação de seu recurso, sob pena de intempestividade.
Numero da decisão: 1301-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso somente em relação à arguição de sua tempestividade, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 INTEMPESTIVIDADE. DOMICÍLIO ELETRÔNICO TRIBUTÁRIO. Nos termos da Portaria RFB nº 259/2006, considera-se feita a intimação por meio eletrônico, quinze dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo. Após esse prazo, o contribuinte possui trinta dias para a apresentação de seu recurso, sob pena de intempestividade.
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DOMICÍLIO ELETRÔNICO TRIBUTÁRIO. Nos termos da Portaria RFB nº 259/2006, considerase feita a intimação por meio eletrônico, quinze dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo. Após esse prazo, o contribuinte possui trinta dias para a apresentação de seu recurso, sob pena de intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso somente em relação à arguição de sua tempestividade, e, na parte conhecida, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 10 /2 01 5- 11 Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 16004.720210/201511 Acórdão n.º 1301003.288 S1C3T1 Fl. 3 2 Tratase de autos de infração referente aos tributos IRPJ, CSLL e IRRF, referentes ao anocalendário 2010, acrescido de multa qualificada e multa isolada, lavrados contra o Contribuinte acima qualificado (doravante MPE), pelas infrações abaixo relacionadas: a) custos e despesas não comprovados; b) IRRF sobre pagamentos sem causa ou operação não comprovada; c) multa isolada – IRPJ mensal recolhido a menor – a/c 2010; d) multa isolada – CSLL mensal recolhida a menor – a/c 2010. A descrição integral e minuciosa dos motivos da autuação estão aduzidos no Termo de Descrição dos Fatos de fls. 1440/1600. Em síntese, a decisão recorrida apresentou as razões da autuação: A fiscalização entendeu que a MPE entabulou diversos contratos com as noteiras utilizadas pelos operadores Alberto Youssef (GFD INVESTIMENTOS e EMPREITEIRA RIGIDEZ), Mário Góes (RIOMARINE OIL E GÁS), Júlio Camargo (AUGURI EMPREENDIMENTOS e TREVISO DO BRASIL) e pelo empresário Augusto Ribeiro de Mendonça (SETEC TECNOLOGIA e ENERGEX GROUP), bem com outras pseudo pessoas jurídicas, com objetivo de possibilitar o fluxo financeiro da propina para os agentes (políticos e privados) envolvidos. Ou seja, a fiscalização entendeu que nestes contratos não houve a efetiva prestação de serviços, até porque as empresas de fachada não possuíam capacidade operacional para tanto. A fiscalização concluiu que estas ações também resultaram na prática de crimes tributários, pois, mediante pagamentos sem causa, foram suprimidos tributos e contribuições sociais devidos à União, pelo fato de que esses pagamentos foram lançados na contabilidade das empreiteiras como custos (ou despesas operacionais), ensejando a ilegal redução da base de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social (CSLL). Notificada, o Contribuinte apresentou Impugnação alegando: a) Nulidade do TDPF por desrespeito aos preceitos da Portaria RFB nº 1.687/2014; b) Necessidade de suspensão do processo durante um ano, para melhor apuração dos fatos no âmbito da Operação LavaJato; c) Decadência com base no art. 150, §4º do CTN para o IRPJ e a CSLL para o período de 01/01/2010 a 31/12/2010, haja vista a lavratura dos autos de infração em 10/12/2016. d) Quanto ao mérito, aduz a higidez das contratações efetuadas, e que as atividades desenvolvidas pela MPE teriam sido efetivamente prestadas. Afirma também não ter agido com dolo, por não ser líder nos consórcios de empresas, nem detinha gestão financeira ou administrativa; e) Desproporcionalidade da multa cobrada; f) Inaplicabilidade das multas isoladas de IRPJ e CSLL; Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 16004.720210/201511 Acórdão n.º 1301003.288 S1C3T1 Fl. 4 3 g) O IRRF não deve prosperar em relação àqueles pagamentos feitos por determinação dos lideres dos consórcios. Além disso, no tocante aos pagamentos sem causa da MPE à BBM (item 7.2.7 do TVF) e os pagamentos sem causa da MPE à ELMEC (item 7.2.8 do TVF), estes não podem prosperar. h) Impossibilidade de cobrança de juros sobre multa de ofício; A DRJ/Brasília julgou a Impugnação integralmente improcedente, através do Acórdão nº 0370.721. A intimação do resultado de julgamento foi registrada na Caixa Postal do contribuinte em 06/05/2016 (fl. 2291), com ciência eletrônica por decurso de prazo na data de 23/05/2016 (fl.2293). O Contribuinte acessou o teor dos documentos enviados apenas na data de 09/11/2016, conforme Termo de Abertura de Documento (fl. 2338). Em 09/12/2016, o Contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fl. 2340 e seguintes) aduzindo: a) Quanto à tempestividade, alega que a Contribuinte optou pelo DTE em 28/10/2013, cadastrando três celulares e três emails para receber avisos de mensagens em sua caixa postal, mas que não recebeu o aviso via email ou celular da chegada em sua caixa postal em 6 de maio de 2016 da decisão que negou provimento a sua Impugnação e, com isso, não teve conhecimento da decisão em questão. b) Reitera os demais pontos de sua Impugnação; A Receita Federal exarou Despacho de fl. 2470 negando seguimento ao Recurso Voluntário apresentado intempestivamente pelo contribuinte. A PFN apresentou contrarazões de fls. 2559 e seguintes. O Contribuinte apresentou nova petição, informando "fatos novos, questões de ordem e alegações finais", onde informa que através do Mandado de Segurança nº 0125528 79.2017.51.01.1255284, foi reconhecida a aplicação do art. 35 do Decreto 70.235/72, devendo o CARF se manifestar sobre a tempestividade. Além disso, aduz aspectos meritórios de defesa. O presente Recurso Voluntário foi encaminhado ao CARF, e sorteado para minha relatoria. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O presente Recurso Voluntário é flagrantemente intempestivo, pelas razões que serão aduzidas abaixo. A intimação do Contribuinte dos atos do procedimento administrativo fiscal obedecem a regra básica do art. 23 do Decreto 70.235/72, verbis: Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 16004.720210/201511 Acórdão n.º 1301003.288 S1C3T1 Fl. 5 4 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Uma das formas mais usuais e práticas de intimação do contribuinte é o envio da intimação para o domicílio eletrônico do contribuinte (DTE), conforme opção confirmada no bojo do próprio Recurso Voluntário, em 28/10/2013. Como explicado pela Conselheira Thais de Laurentiis no Acórdão CARF nº 3402004.187, tal sistema é largamente regulamentado, de forma a conferir segurança aos atos que são praticados por seu intermédio. Nesse contexto, foi expedida em 17/12/2014 a NOTA TÉCNICA CODAC (Assunto: eProcesso 2014, Título: Nota eProcesso nº 021/2014, Subtítulo: Adequação da Funcionalidade “Realizar Ciência” à Lei nº 12.844/2013),3 que, conforme exigência legal, criou o Termo de Registro de Mensagem (TRM) de Ato Oficial na Caixa Postal DTE, o qual é, desde então, automaticamente incluído no Índice do eProcesso, após a conclusão do acionamento da ciência e do registro na Caixa Postal do destinatário da ciência. Uma vez registrado o acionamento na Caixa Postal DTE, começará a contar o prazo de 15 (quinze) dias de que trata a alínea “a” do inciso III do § 2º do art. 23 do PAF, sendo o TRM o “comprovante de entrega” que viabiliza o início da realização da contagem de prazo contido neste dispositivo legal. Nos termos do art. 6º da Portaria RFB nº 259/2006, que regulamento as comunicações através do DTE, a intimação considerase feita nos seguintes casos: Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; II registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, no caso do inciso II do art. 4º; ou III de publicação do edital, se este for o meio utilizado. Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 16004.720210/201511 Acórdão n.º 1301003.288 S1C3T1 Fl. 6 5 Diferentemente do alegado pelo Contribuinte, não há necessidade de envio de email ou mensagem de celular para que se considere intimado o contribuinte que optou expressamente pelo domicílio eletrônico, bastando que tenha sido registrada o TRM. Portanto, não procedem as alegações do Recorrente nesse ponto. Caso contrário, bastaria que o contribuinte nunca abrisse a sua Caixa Postal para estar resguardado quanto ao transcurso de prazos legais, o que não faz, com o devido respeito à defesa, o menor sentido técnico. Repisando o dito no relatório, a intimação do resultado de julgamento foi registrada na Caixa Postal do contribuinte em 06/05/2016 (fl. 2291), com ciência eletrônica por decurso de prazo na data de 23/05/2016 (fl.2293). O Contribuinte acessou o teor dos documentos enviados apenas na data de 09/11/2016, conforme Termo de Abertura de Documento (fl. 2338). Entre o TRM e a abertura do documento há um transcurso de seis meses, evidenciando a flagrante intempestividade. Desse modo, voto por conhecer o Recurso Voluntário apenas em relação à arguição de tempestividade, para negar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 3063DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008246/2010-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-006.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.008246/201091 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.873 – 2ª Turma Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILMA RIGHETTI TASCA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 82 46 /2 01 0- 91 Fl. 126DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2802003.233 proferido pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 5 de novembro de 2014, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 84: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. NÃO COMPROVAÇÃO INEQUÍVOCA DO INÍCIO DA DOENÇA. Para fazer jus à isenção sobre proventos recebidos por portadores de doença grave prevista no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, é indispensável que o laudo médico emitido por serviço médico oficial indique inequivocamente o início da doença. Na ausência dessa comprovação, não se reconhece a isenção para período anterior à data da emissão do referido laudo. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, foi efetuado lançamento de ofício, tendo em vista a omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10830.008246/201091 Acórdão n.º 9202006.873 CSRFT2 Fl. 3 3 Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 3 a 4. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 62 a 66. Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, por meio do Acórdão n.º 2802003.233, foi dado provimento ao recurso, fls. 84 a 93. Após ciência da referida decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 95 a 106, por entender a recorrente que deve ser mantido do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose, tão somente, o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 108 a 116, sendo dado seguimento parcial ao citado Recurso para a rediscussão da questão referente ao recálculo (RRA). No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos; b) não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Mesmo devidamente intimada, a Contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso interposto pela Procuradoria. É o relatório Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade, consoante o Despacho de fls. 108 a 116. Fl. 128DF CARF MF 4 Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.008246/201091 Acórdão n.º 9202006.873 CSRFT2 Fl. 4 5 Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720061/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.977
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 61 /2 01 1- 80 Fl. 59177DF CARF MF Processo nº 10410.720061/201180 Acórdão n.º 3401004.977 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59178DF CARF MF Processo nº 10410.720061/201180 Acórdão n.º 3401004.977 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos Fl. 59179DF CARF MF Processo nº 10410.720061/201180 Acórdão n.º 3401004.977 S3C4T1 Fl. 5 4 PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Fl. 59180DF CARF MF Processo nº 10410.720061/201180 Acórdão n.º 3401004.977 S3C4T1 Fl. 6 5 Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas Fl. 59181DF CARF MF Processo nº 10410.720061/201180 Acórdão n.º 3401004.977 S3C4T1 Fl. 7 6 fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo Fl. 59182DF CARF MF Processo nº 10410.720061/201180 Acórdão n.º 3401004.977 S3C4T1 Fl. 8 7 contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59183DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.903962/2012-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito.
PAF. MATÉRIA NÃO TRAZIDA EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL.
Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário
Numero da decisão: 3001-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir o argumento referente a brindes e doações, por inovador e, no mérito, quanto aos demais argumentos, para dar-lhe provimento parcial, para determinar o retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações, caso a autoridade preparadora entenda necessário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito. PAF. MATÉRIA NÃO TRAZIDA EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL. Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir o argumento referente a brindes e doações, por inovador e, no mérito, quanto aos demais argumentos, para darlhe provimento parcial, para determinar o retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações, caso a autoridade preparadora entenda necessário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 39 62 /2 01 2- 96 Fl. 194DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, não houve reconhecimento de direito creditório tendo sido considerao insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade Relata a recorrente ter verificado a ocorrência de erro na apuração de seus tributos. Alíquota Zero estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Retificação da DACON A fim de ver garantido seu crédito, retificou as DACON, indicando a ocorrência de alíquota zero em razão de venda de produtos alimentícios, tais como arroz, hortícolas, etc. DRJ/BHE A decisão sobre a manifestação de inconformidade apresentada teve a seguinte ementa: Acórdão 0248.714 2 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10925.903962/201296 Acórdão n.º 3001000.397 S3C0T1 Fl. 195 3 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 29240974 emitido eletronicamente em 01/08/12, referente ao PER/DCOMP nº 38638.29390.031107.1.2.046585. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original de R$ 100,28, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/03/07. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que a empresa tem como atividade econômica o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios; que a empresa tributava PIS e Cofins de produtos que não possuem incidência da contribuição; que diante disso constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses; que a Lei 10.865/2004 em seu art. 28, inc. III reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS /Pasep e Cofins, incidentes sobre a receita bruta decorrentes da venda no mercado interno; que a Lei 10.925/2004, art. 1º, reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno; que a Lei 11.196/2005, art. 51 acrescenta os incisos XI, que inclui o leite fluido pasteurizado ou industrializado e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; e o inciso XII que inclui queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo coalho, ricota e requeijão; que diante disso foram retificadas os Dacons e feito um pedido de restituição do crédito vinculado ao pagamento e posteriormente um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição; que não se justifica a não homologação do pedido de restituição sob a alegação de falta de crédito, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao pagamento a maior. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: Fl. 196DF CARF MF 4 Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. O contribuinte informa sobre reduções de alíquota de alguns produtos e relata que pagou a contribuição social sobre esses produtos sem observar as reduções. Entretanto, não apresenta nenhum documento fiscal que comprove a aquisição dos produtos, nem os reflexos em sua contabilidade para a quantificação das supostas diferenças. Sobre o fato de o Darf ter sido utilizado para pagamento dos tributos confessados em DCTF, não há nenhuma contestação. Recurso Voluntário Sustenta ter incluído em sua apuração de Pis/Cofins, produtos submetidos à alíquota zero e monofásicos, excluindo o IPI da base de cálculo, vez que componentes do custo e, portanto, base de cálculo da exação. Alíquota Zero Ainda, informa ter ofertado à tributação dos produtos submetidos à alíquota zero. DACON Retificadora Face aos erros cometidos na apuração dos tributos, procedeu à retificação da Dacon, informando a ocorrência das rubricas acima mencionadas. Fundamento Legal do Crédito Em seu favor, menciona a legislação que traz a redução à zero das alíquotas dos produtos que comercializa e o devido tratamento ao Comprovação do Crédito Sustenta ter demonstrado, através das cópias dos livros de entrada e saída, além de planilhas explicativas, a ocorrência de tributação a maior. Brindes e doação , itens como brindes e doação, cujo conceitos divergem do proposto pela legislação como base aptas a incidirem a contribuição, a inclusão de brindes e doações na base de cálculo da receita e pela não inclusão do IPI na compra de mercadorias, além É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10925.903962/201296 Acórdão n.º 3001000.397 S3C0T1 Fl. 196 5 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e tomo conhecimento apenas parcialmente, haja vista a apresentação de argumento inovador, conforme item específico abaixo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Alíquota Zero e DACON Retificadora, meios de Comprovação do Crédito,e como item inovador, Brindes e doações. MÉRITO Em preliminar a recorrente introduziu elemento nova à sua argumentação inicial, inaugurada em sede de sua manifestação de inconformidade. Preclusão brindes e doações Constatase da leitura da impugnação, na qual a recorrente argumenta pela ocorrência de erro na apuração do tributo, que o motivo inicial seria a inclusão de tributos submetidos à alíquota zero no cálculo da exação. Em segunda, instância, a recorrente lista a presença de itens como brindes e doações, não submetidos, portanto, ao tributo em questão. Desta forma, aplicase o entendimento sedimentado neste Conselho, consoante se denota do acórdão abaixo transcrito: Acórdão nº 3401004.425 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Desta forma, não se sustenta o argumento. Decido Diante da apresentação de novo argumento, apenas em sede de recurso, voto por não conhecer desta parte da defesa apresentada. Pagamento Indevido Fl. 198DF CARF MF 6 O relevante tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebe se que gerouse, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior, terem sido alocados em débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre, que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Ainda, que tais documentos sejam acostados aos autos ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, dando azo ao prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72 Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Decorre, então, três pocionamentos: Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidadeç Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas; e, Aqueles, que, como eu, permite a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Isto porque diante de compensações submetidas ao controle eletrônico e decididas via Despacho Decisório Eletrônico, cujo teor das decisões das Delegacias de Julgamento cravam como momento oportuno para a apresentação das provas, o protocolo da manifestação de inconformidade, impossibilitando, assim, a juntada em sede de recurso voluntário, visualiza que, justamente por força desta decisão de primeira instância administrativa, se vê impedido de juntar demais documentação, diante de decisão que determinou preclusa essa oportunização. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10925.903962/201296 Acórdão n.º 3001000.397 S3C0T1 Fl. 197 7 A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente sua COFINS. Pois teria incluído, na base de cálculo do tributo, parcela de outra natureza, vez que adicionou aos valores ofertados à tributação, quantias tributas à alíquota zero. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. Fl. 200DF CARF MF 8 No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10925.903962/201296 Acórdão n.º 3001000.397 S3C0T1 Fl. 198 9 mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a Fl. 202DF CARF MF 10 possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10925.903962/201296 Acórdão n.º 3001000.397 S3C0T1 Fl. 199 11 Dos Documentos efetivamente acostados Integra o rol de argumentos expressos no recurso voluntário, a informação de não ocorrência de retificação da DCTF antes da prolatação do referido despacho decisório, expressando que a mera retificação na DACON, em seu entender, bastaria para comprovar a ocorrência do erro material. Além da DACON retificadora, a recorrente, a fim de demonstrar as receitas tributadas erroneamente, já que estaria submetida à alíquota zero, buscou demonstrar através de cópias de livros de entrada e saída das planilhas, acompanhadas de planilhas explicativas. Decisão Neste item, analisando os documentos e argumentos, voto dar parcial provimento acatando os documentos acostados. Conclusão Diante do exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE, excluindo o argumento inovador sobre brindes e doações, e, no mérito, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações, caso a autoridade preparadora entenda necessário. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003746/2007-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO.
Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
Numero da decisão: 9101-003.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13811.003741/2007-24, ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Re^go.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13811.003741/200724, ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 46 /2 00 7- 57 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13811.003746/200757 Acórdão n.º 9101003.549 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN"), no qual se discute o momento do reconhecimento das receitas previstas no art. 30 da MP nº 2.158, de 2001, para fins de observância da apresentação da DCTF (regime de caixa ou regime de competência. Entende a recorrente pela aplicação do regime de competência para a contabilização das receitas, em consonância com as leis comerciais e legislação fiscal, na ocasião de entrega de obrigação acessória. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para solução do litígio, idênticas àquelas verificadas no processo 13811.003741/200724, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.545, exarado em 05 de abril de 2018, no âmbito do referido processo 13811.003741/200724. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, o voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.545: Em relação à admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida consiste em apreciar a seguinte questão: a administração tributária confere a opção pelo regime de caixa para a pessoa jurídica, no caso, receitas previstas no art. 30 da MP nº 2.158, de 2001; optando pelo regime de caixa, a apuração dos tributos efetuada pela pessoa jurídica pode conduzir a valores diferentes daqueles calculados pelo regime de competência; Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13811.003746/200757 Acórdão n.º 9101003.549 CSRFT1 Fl. 4 3 diante de tal divergência, poderia a administração tributária exigir a diferença decorrente da diferença no reconhecimento de receitas (caixa X competência) refletida na DCTF? Entendo que a administração não pode exigir a diferença decorrente da divergência de regime de reconhecimento das receitas, para o caso em debate. Vale transcrever o artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. (Grifei) A norma foi reproduzida também no art. 13 da IN SRF nº 247 de 2002, em vigência à época dos fatos: Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. (Grifei) Ora, se há permissivo legal expresso, no sentido de que as receitas podem ser reconhecidas no momento de sua percepção, quando da liquidação da correspondente operação, e tendo feito tal opção a pessoa jurídica, incorreria em equívoco a administração tributária exigir que a apuração das receitas na entrega da DCTF não seguisse o momento em que foram reconhecidas. De fato a regra geral é o regime da competência, mas se o legislador apresentou a opção do regime de caixa para a situação prevista na norma em análise, não há dúvidas de que as receitas deverão integrar a base de cálculo correspondente ao período em que foram efetivamente percebidas. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13811.003746/200757 Acórdão n.º 9101003.549 CSRFT1 Fl. 5 4 Se o dispositivo normativo que autoriza o regime de caixa tem como consequência a inclusão na base de cálculo das receitas no período de apuração "X", não há como se exigir que tais receitas, por conta do regime de competência, devessem estar incluídas no período de apuração "X+1". Vale transcrever excerto do voto proferido no Acórdão nº 1802 001.507 que tratou com precisão a questão: O ponto nodal da discórdia entre a autoridade fiscal e a Recorrente diz respeito ao momento em que as variações monetárias devem ser consideradas como integrantes da receita bruta para fins eleição do critério de apresentação da DCTF. De acordo com a autoridade fiscal devese respeitar o regime de competência, enquanto que na ótica da Recorrente, as pessoas jurídicas que se utilizaram da faculdade da apuração pelo regime de caixa previsto no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001 devem seguir o regime de caixa. (...) O legislador ao permitir que o contribuinte optasse pelo regime de caixa ou competência para a apuração desses tributos criou um descasamento entre a escrituração contábil e fiscal, o que se estendeu, inclusive, para os contribuintes que se encontrassem na sistemática de apuração do lucro presumido. Para corroborar com esse entendimento, vejamos a citada IN SRF nº 104/98: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13811.003746/200757 Acórdão n.º 9101003.549 CSRFT1 Fl. 6 5 § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Art. 2º O disposto neste artigo aplicase, também, à determinação das bases de cálculo da contribuição PIS/PASEP, da contribuição para a seguridade social COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e para os optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.” (Grifos meus). Em consulta a legislação vigente, inclusive interpretativa, não há em lugar algum esclarecimento quanto a esta matéria, o que pode gerar dupla interpretação por parte do contribuinte. Frisese mais uma vez que há clara separação entre as obrigações fiscais e acessórias, especialmente quando da emissão das notas fiscais que se dão em momento diferente daquele em que se registra a receita bruta contábil, por força da IN 104/98, art. 1º, § 1º, acima transcrito. Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. (Grifos originais) Assim, há que haver uma convergência entre o regime de apuração previsto no artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, e a informação prestada para fins de cumprimento de obrigação acessória, no caso, a entrega de DCTF. Tendo sido concretizada a opção pelo regime de caixa para o reconhecimento das receitas previstas na legislação, tal sistemática deve ser refletida na apuração informada na declaração. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13811.003746/200757 Acórdão n.º 9101003.549 CSRFT1 Fl. 7 6 Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.906228/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação.
Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado.
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação. Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PAGAMENTO TOTALMENTE UTILIZADO. FUNDAMENTAÇÃO. Considerase fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 62 28 /2 01 2- 50 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10855.906228/201250 Acórdão n.º 1301003.257 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente e manteve o despacho decisório da DRF Sorocaba. No despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o despacho decisório carecia de fundamentação, já que não expunha os motivos que levaram ao indeferimento do direito creditório. Por conseguinte, teriam sido violados os princípios da legalidade e da ampla defesa. Aduziu ainda que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento, e não intimou a interessada a apresentar as razões pelas quais o pagamento seria indevido. Concluiu, portanto, ser nulo o despacho decisório. A contribuinte se manifestou acerca da origem de seu direito nos seguintes termos: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. A DRJ, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. interpôs recurso, afirmando ter feito recolhimento a maior, "considerando as discussões jurídicas de legalidade e conceituação das disposições que regulam os tributos". Aduziu que "em Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10855.906228/201250 Acórdão n.º 1301003.257 S1C3T1 Fl. 4 3 decorrência das diversas legislações, da complexidade do ordenamento jurídico e, ainda, notadamente diante de todas as manifestações acerca da interpretação das normas aplicáveis aos tributos, a Recorrente postulou a restituição de tributos, utilizando o crédito em compensação.". Diversas seriam as "teses jurídicas" aplicáveis ao caso, que ensejariam a restituição ou compensação do valor recolhido, a exemplo do que se dá com a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofíns. Aduziu que o direito de repetir o indébito decorre diretamente da Constituição Federal e também do Código Tributário Nacional CTN, que asseguram ao contribuinte o direito de não pagar tributo ilegal. Portanto, deve ser afastada qualquer limitação ao direito imposta por norma regulamentar. No caso concreto, diz a recorrente, a Administração não apenas condicionou o direito ao crédito ao uso da declaração de compensação, como também exigiu a retificação da DCTF do período a que se refere o indébito. Afirmou que os fundamentos do despacho decisório e da decisão da DRJ não subsistem, e que foram violados os princípios da eficiência administrativa, da motivação, do contraditório e da ampla defesa. No mais, ressaltou que a dcomp não comporta a anexação de provas, as quais devem ser produzidas por iniciativa da autoridade administrativa, antes do despacho decisório. Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso a fim de converter o julgamento em diligência, com o propósito de demonstrar a legitimidade do crédito. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10855.906228/201250 Acórdão n.º 1301003.257 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.245, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.900721/2012 66, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apurado no 2º trimestre/2008. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao 4º trimestre/2008. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.245): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De plano, cumpre frisar que não há nulidade no despacho decisório, nem na decisão recorrida. O despacho decisório está devidamente fundamentado. O fundamento consiste no fato de que o valor que a recorrente queria ver restituído estava integralmente utilizado para quitar débito que a própria recorrente havia declarado. Essa circunstância é suficiente para respaldar a decisão denegatória. Não há violação ao direito de defesa, nem ao contraditório. A recorrente poderia, na manifestação de inconformidade e, se fosse o caso, no recurso, demonstrar que, a despeito de ter declarado o débito, este não existia, ou não existia no montante declarado. Na mesma oportunidade, deveriam ser expostas as razões de fato e de direito da pretensão ao crédito, acompanhadas dos respectivos elementos de prova. A recorrente, sem razão, sustenta que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento. A autoridade administrativa explicou o porquê da indisponibilidade: o pagamento estava indisponível porque alocado a um débito que a recorrente confessou. Se o débito não existia e se não deveria ter sido confessado, isso competia à recorrente explicar. Não cabe, ademais, falar em violação do princípio da eficiência, que nunca foi requisito de validade de ato Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10855.906228/201250 Acórdão n.º 1301003.257 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativo. A eventual falta de eficiência da Administração Pública não implica a invalidade do ato praticado. Quanto à exigência de apresentar declaração de compensação, é preciso dizer que ela não anula, nem limita o direito à compensação, sendo apenas uma forma estabelecida para o exercício desse direito. A dcomp, ademais, produzindo efeito extinto da obrigação compensada, protege o contribuinte contra eventual morosidade da Administração. Por último, é equivocada a afirmação de que a autoridade administrativa e a DRJ exigiam a retificação da DCTF. O que se exige é a prova do indébito. Com essas razões, afastase a preliminar de nulidade. Foi requerida a realização de diligência, a qual deve ser indeferida, pois a recorrente não delimitou de forma clara e específica o seu objeto. No mérito, cumpre dizer que, nos pedidos de restituição e nas compensações, o ônus da prova do fato constitutivo do direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida a compensação, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. No caso em exame, a recorrente falou que o direito estaria ancorado em "teses jurídicas", "discussões" e "teses já decididas pelo STF como inconstitucionais", sem, entretanto, anunciar quais seriam essas teses e como elas afetariam o montante devido do IRPJ. Sobretudo, não foi demonstrado como essas "teses jurídica" interferem no caso concreto. É importante notar que a recorrente pleiteou a integralidade do pagamento, dando a entender que, no período, ela não devia IRPJ, sem explicar a razão, sem demonstrar qual a tese jurídica que prevaleceu no Supremo Tribunal Federal e afastou, no todo, a obrigação de pagar IRPJ. Frisese, por último, que a questão envolvendo a base de cálculo de PIS e Cofins não afeta o IRPJ apurado na sistemática do lucro presumido. Em suma, por todas essas razões, a pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Conclusão Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.906228/201250 Acórdão n.º 1301003.257 S1C3T1 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.691700/2009-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 17 00 /2 00 9- 31 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração abril/2004, e requer a compensação de R$ 10.698,35 com débitos também de Cofins (fls. 2 a 4). Por meio de despacho decisório à fl. 7, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual esclareceu que, em decorrência de fiscalização realizada pela Receita Federal na sede da empresa em meados de 2007, foi orientada a não recolher os valores das contribuições dos regimes cumulativo e não cumulativo no mesmo Darf, como vinha fazendo, e que o erro deveria ser corrigido por meio de declaração de compensação, uma vez que não era possível desmembrar o Darf. O contribuinte informou, ainda, que apresentou a Per/Dcomp, mas se esqueceu de retificar a DCTF do período, o que gerou um débito que não existiria. Com a retificação da DCTF, a incorreção foi sanada, surgindo o crédito a ser utilizado na compensação (fls. 10 a 12). Instruiu sua manifestação de inconformidade com procuração e contrato social (fls. 13 a 32), cópia do Darf (fl. 33), cópia da Dcomp (fls. 34 a 39), cópia da DCTF retificadora (fls. 40 a 44) e cópia do Despacho Decisório (fl. 45). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1634.477 (fls. 47 a 54), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação, uma vez não carreado aos autos documentação hábil, idônea e suficiente para provar o que foi alegado, somado à comprovada incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte em Dacon e DCTF retificadora, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2005 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de defeito creditório disponível para fins de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 4 3 preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTF Retificadora desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF anterior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) ativa na data da transmissão do PER/DCOMP, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 12/12/2011, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 56, e protocolizou seu recurso voluntário em 20/12/2011, conforme carimbo no Recurso Voluntário, à fl. 57. O recurso voluntário é uma cópia da manifestação de conformidade, à qual se soma o argumento de que sua razão de pedir será comprovada pelo Dacon original anexado ao processo, concluindo com o protesto pela juntada de novos documentos e de nova manifestação, se necessário para a comprovação do alegado (fls. 57 a 78). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à matéria de prova. Nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, o ônus probatório pertence ao requerente, conforme definido nas normas que regem o processo administrativo e o processo civil. Segundo o Código de Processo Civil em seu artigo 373, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, de maneira similar, dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 5 4 Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Assim, não resta dúvida de que o ônus probatório recai sobre a recorrente, que jamais alegou o contrário e vem tentando se desincumbir de sua obrigação. A discussão tem se resumido a definir se os elementos apresentados seriam suficientes para demonstrar o que se pleiteia. Relembrando o histórico destes autos, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada apenas da DCTF, retificada após o Despacho Decisório. Por sua vez, a DRJ decidiu analisar o Dacon original, transmitido antes do pedido de compensação, e concluiu que ele contradizia a DCTF retificadora e as alegações do sujeito passivo. Na ausência de quaisquer outros documentos probatórios, decidiuse pelo não provimento da manifestação de inconformidade. Por fim, o contribuinte juntou a seu recurso voluntário esse mesmo Dacon analisado pela DRJ, afirmando tratarse de prova suficiente. Contudo, este processo possui uma particularidade que é a natureza da alegação quanto aos motivos de direito: a compensação visaria apenas a fazer um acerto contábil entre a Cofins cumulativa e a nãocumulativa. Não haveria de fato nenhum pagamento a maior ou indevido, mas a alocação equivocada da parcela relativa ao regime cumulativo no código da nãocumulativo no momento do pagamento, um erro de preenchimento de Darf que, aparentemente, estaria presente também na DCTF original. Diante dessa peculiaridade, o relator considerou que, neste caso específico, consideraria suficiente para a demonstração do direito a existência de Dacon original, anterior à transmissão do PER/Dcomp, que confirmasse as retificações promovidas na DCTF. Frisese que o Dacon não foi apresentado pelo contribuinte, mas consultado pelo relator diretamente nos sistemas da Receita Federal, dentro da liberdade relativa da qual dispõe um julgador para definir os documentos necessários para a formação de sua convicção. 7. Neste ponto, importante destacar que o Contribuinte não apresentou em sua Manifestação de Inconformidade quaisquer documentos que pudessem demonstrar a pertinência das alterações efetuadas por meio da DCTF retificadora entregue após o Despacho Decisório. Para os fins pretendidos pela Requerente, permaneceria a necessidade de comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos confessados. 7.1. No entanto, considerando as informações constantes do processo administrativo, há que se ressaltar a característica peculiar do pretendido pelo Contribuinte com a apresentação da presente declaração de compensação: (...) 7.2. Nesses termos, considerando a alegada intenção do Contribuinte em regularizar as declarações entregues à RFB, adotase como suficiente, no presente caso, que a DCTF Retificadora se apresente em consonância com outras Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 6 5 declarações entregues pelo Sujeito Passivo antes da transmissão do PER/DCOMP sob análise, o que demonstraria uma coerência das informações prestadas ao Fisco. 7.3. Nesta linha de raciocínio, uma vez que a apuração do tributo em discussão (Cofins) é demonstrada mensalmente por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), a comparação entre a DCTF Retificadora e o citado demonstrativo forneceriam elementos para a formação de convicção sobre a procedência do quanto solicitado, neste caso específico no qual o Contribuinte pretende a redistribuição entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins. Neste ponto, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas, como apontado pelo relator. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, assim como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração de declaração que vise a reduzir tributo. Por esse motivo, embora compreenda a lógica adotada no julgamento de primeira instância e concorde que ela possa ser utilizada, ouso discordar de sua aplicação neste caso em virtude das inúmeras inconsistências apuradas, sobre as quais discorro a seguir. O contribuinte justifica seu pedido de compensação como decorrente de uma exigência da Fiscalização, mas em nenhum momento comprova que de fato existiu essa demanda. Juntou à manifestação de inconformidade um Darf pago, com anotações à mão do valor a ser transferido de um código de receita para outro, que nada prova. Se o problema era apenas o recolhimento da Cofins no código de receita errado, porque agrupado o valor de dois códigos em apenas um, era de se esperar que a DCTF estivesse correta – o cálculo da contribuição devida em cada regime deveria estar correto. Se não está, então o problema pode ser outro que não a simples alocação de tributo em código errado no Darf. No caso em tela, temos inicialmente divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, com posterior retificação da DCTF para adequála às informações constantes no pedido de compensação. Neste cenário, cabe ao contribuinte submeter à apreciação da Administração Tributária documentos que mostrem quais receitas e despesas o autorizam a afirmar que o débito é menor do que aquele declarado. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984. Sua alteração visando a diminuir o tributo deve estar amparada em documentação, como previsto no CTN: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 7 6 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Considerando o argumento do contribuinte de que a compensação teria sido efetuada apenas para transferir valores entre diferentes códigos de Cofins, o valor total dos débitos de Cofins deveria ser o mesmo, seja na DCTF original, seja na retificadora, seja no Dacon. Em não sendo, deduzimos que a inconsistência já existia desde a transmissão da DCTF original, o que nos impede de saber qual das declarações reflete a realidade. A isso se some que foram distribuídos a esta relatora não apenas este, mas um lote de 10 processos, idênticos, alterandose apenas o período considerado. Na análise do processo nº 10880.691705/200964, vêse que o Dacon foi transmitido apesar de o sistema apontar 12 erros no seu preenchimento, erros não impeditivos da transmissão, mas relevantes quanto ao conteúdo. Nesse Dacon, alocouse a quase totalidade das receitas no regime cumulativo, em contradição com os demais 9 processos, nos quais predominam receitas no regime nãocumulativo, e em contradição com a base de cálculo apurada para o cálculo do PIS/Pasep do mesmo mês, entre outros problemas. É sabido que a base de cálculo das contribuições se compõem das mesmas receitas, não sendo razoável persistir divergência dessa natureza após o aviso de erro dado pelo sistema. Tal constatação sugere um certo desmazelo na prestação de informações para a Receita Federal e acentua a incerteza quanto à fidedignidade do conteúdo das declarações juntadas a estes processos. Do conjunto de inconsistências encontradas nas diversas declarações e processos do sujeito passivo, fica a convicção de que qualquer alegação desprovida de prova documental não pode ter guarida neste julgamento. Partindo agora para a análise do Dacon, vêse que neste processo, diferentemente de todos os demais, ele está em acordo com a DCTF retificadora, ao contrário do que apurou a DRJ. Transcrevese trecho do voto em que consta a análise do Dacon consultado diretamente nos sistemas da Receita Federal: (a) O DACON foi entregue e recepcionado pelos sistemas à disposição da RFB em 29/10/2004, antes da data de transmissão do presente PER/DCOMP; (b) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins nãocumulativo no valor de R$ 125.175,32, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 103.739,54; (c) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins cumulativo no valor de R$ 10.698,36, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 10.698,35; (grifado) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 8 7 De acordo com o Dacon juntado aos autos está confirmada a Cofins não cumulativa no valor de R$ 103.739,52, como consta da DCTF retificadora, o que nos leva à conclusão de que teria havido algum equívoco na consulta realizada pelo relator. Do valor total de Cofins a pagar (R$ 114.437,88 – linha 33), deve ser subtraída a porção referente à Cofins cumulativa (R$ 10.698,36 – linha 2), informações essas constantes da Ficha 17B/Resumo Cofins à fl. 78 deste processo. Tendo em vista tudo o que se explanou anteriormente, não obstante o valor confirmado da Cofins, entendo que o Dacon em harmonia com a DCTF retificadora não é suficiente para provar o direito neste caso, sendo indispensável a juntada dos documentos fiscais e contábeis hábeis a comprovar o que se alega. O Dacon, apresentado isoladamente, não faz prova da pertinência das alterações promovidas na DCTF. Quanto ao pedido para a juntada posterior de novos documentos e de nova manifestação, não há previsão legal para tal procedimento. Regra geral, o contribuinte deve demonstrar o seu direito na manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (grifado) A recorrente instruiu seu recurso voluntário com o Dacon, que foi conhecido e analisado, já que em primeira instância seu conteúdo havia sido utilizado como fundamento de decidir – alínea “c” do § 4º do art. 16 do PAF. Entretanto não há previsão legal para a produção futura de provas. Uma vez não comprovada a ocorrência de alocação indevida de parcela da Cofins cumulativa no código da nãocumulativa e não justificadas as alterações promovidas na DCTF, não reconheço a existência de crédito. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.691700/200931 Acórdão n.º 3002000.251 S3C0T2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002961/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.250
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente Relator Luciano Lopes de Almeida Moraes. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do primeiro trimestre de 2005, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 357 2 Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei nº 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maçã. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. A própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 358 3 Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833 e ao Art. 8º na IN/SRF 404/2004 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8.a Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4º) e como embalagem de transporte (art. 6º); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa de créditos vinculados a aquisição de cabeçote de impressora s600, fita de impressão tipo 60mm, fita de impressora iimak ksi e serviços de confecção, defendendo que tais produtos consistem de insumos consumidos durante o processo produtivo, integrando, portanto, o produto vendido. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e “packing house”. Assim explica: a)Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d’agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 359 4 b) Bens utilizados no “packinghouse”: também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigoríficas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de “prateleira gigante” (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. (...) Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. No “packinghouse” ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. São lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. (...) A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso “na Lei n.o 10.833/2003, no seu art. 3º, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de produtos destinados à venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa”. A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta nº 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS nãocumulativo os valores contestados. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC manteve o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/FNS nº 20.094, de 28/05/2010, fls. 388/402, assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 360 5 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Às fls. 403 o contribuinte é intimado, apresentado recurso voluntário de fls. 422/434. Após, é dado seguimento ao processo. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 361 6 Voto O recurso interposto atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de COFINS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, dentre outros. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.392: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus ónus probandí) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10925.002961/200765 Despacho n.º 3201 000.250 S3C2T1 Fl. 362 7 Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se todos os bens ora debatidos são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa, listandoos. Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens. Ainda, deve ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia integral do mandado de segurança mencionado às fls. 06 ou, alternativamente, cópia das partes principais (inicial, sentença, acórdãos), bem como certidão narratória do processo. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 06/05/2011 por LUCIANO LO PES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 11080.000192/2002-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Os Embargos Inominados são cabíveis quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto.
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO.
O pedido de parcelamento, em qualquer fase processual, importa na desistência do recurso interposto, com a renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta, inclusive na hipótese de decisão favorável ao recorrente.
Numero da decisão: 1201-002.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Os Embargos Inominados são cabíveis quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. O pedido de parcelamento, em qualquer fase processual, importa na desistência do recurso interposto, com a renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta, inclusive na hipótese de decisão favorável ao recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 83 1 82 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.000192/200206 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1201002.071 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2018 Matéria CSLL AUTO DE INFRAÇÃO Embargante DRF/PORTO ALEGRE/RS Interessado TRANSCONTINENTAL LOGÍSTICA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Os Embargos Inominados são cabíveis quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. O pedido de parcelamento, em qualquer fase processual, importa na desistência do recurso interposto, com a renúncia ao direito sobre o qual se fundamenta, inclusive na hipótese de decisão favorável ao recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 01 92 /2 00 2- 06 Fl. 83DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Inominados, opostos pela unidade de origem, DRF/Porto Alegre/RS, argumentando lapso manifesto no acórdão nº 180301.130, ementado a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Exercício: 1998. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 1998. DCTF. REVISÃO INTERNA. PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. DESCABIMENTO DO LANÇAMENTO. Constatado erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) na qual se baseou o lançamento, deve ser, este, cancelado. Conquanto dado provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, o acórdão citado, prolatado em 23 de novembro de 2011, não observou a adesão ao Parcelamento Especial, instituído pela Lei nº 11.941/2009, antes da sessão de julgamento. Em Despacho de fl.70, ratificado pelo Despacho de fl.79, a unidade de origem, ora Embargante, remeteu os autos para novo pronunciamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sobre a opção pelo Parcelamento Especial e seu efeito quanto ao acórdão embargado, favorável à contribuinte. A desistência do Recurso Voluntário, noticiada em extrato nos autos (fls. 68), ocorreu em 01 de julho de 2011, consistindo em pressuposto para adesão ao Parcelamento Especial. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11080.000192/200206 Acórdão n.º 1201002.071 S1C2T1 Fl. 84 3 A extinta 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário, em que pese a desistência havida antes da apreciação daquele colegiado, consequentemente, renunciandose à instância administrativa para fins de adesão ao Parcelamento Especial. Considerando a extinção da 3ª Turma Especial e a modificação da composição desta Turma, mediante novo sorteio, fui designado relator. A admissibilidade dos Embargos de Declaração foi proferida em despacho nos autos (fls. 80 a 82), neste momento, sobrevindo a sua apreciação pelo presente colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos, com admissibilidade reconhecida, portanto, deles tomo conhecimento. O pedido de parcelamento, em qualquer fase processual, com a confissão irretratável do débito sem ressalva, implicará na desistência do recurso e a renúncia ao direito controvertido, tornando insubsistente a decisão favorável ao contribuinte, segundo preceitua o artigo 78, parágrafos segundo, terceiro e quinto, Anexo II, do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o Fl. 85DF CARF MF 4 recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis.(Grifei). O artigo 66, Anexo II, do RICARF, prevê os embargos inominados para retificação de "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão", conforme interposto pela unidade de origem, ante a desistência do Recurso Voluntário, com a adesão ao Parcelamento Especial, sem a ressalva do débito, renunciando inclusive o favorável acórdão nº 180301.130. De acordo com a Embargante, a opção pelo Parcelamento Especial data de 01 de julho de 2011, enquanto o Recurso Voluntário foi julgado na sessão de 23 de novembro de 2011. Posteriormente, tal parcelamento foi consolidado, observandose o interesse da contribuinte, manifestado antes da prolação do acórdão embargado. Isto posto, ACOLHO os Embargos Inominados, declarando a insubsistência do acórdão nº 180301.130, diante da adesão ao Parcelamento Especial, que caracterizou a desistência e a renúncia integral ao direito arguido em Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 13907.720528/2011-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN).
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ATRASO DCTF Recorrente M. E. GONÇALVES INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 7. 72 05 28 /2 01 1- 06 Fl. 81DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 68 à 75) interposto contra o Acórdão n° 0430.836, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (efls. 51 à 53), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A obrigatoriedade de apresentação da DCTF foi estabelecida através da Medida Provisória 1.788/98 convertida na lei 9.779/99 e não por instruções normativas. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A alegação de inobservância de princípios constitucionais na imputação de penalidades por infração de obrigações acessórias não pode ser analisada em sede administrativa, mas, tão somente através do poder judiciário. Impugnação Improcedente Os argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário giram em torno do pleito de afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, por entender que esta penalidade imposta ao Contribuinte representa violações aos princípios constitucionais, tais como o da proporcionalidade, da razoabilidade e do confisco. Sustenta, ainda, a inocorrência de dano ao erário, mesmo tendo sido configurado o atraso na entrega de sua DCTF. De arremate, questiona a própria legalidade da Declaração per se, por entender seu descompasso para com a letra do art. 5°, II, da Constituição Federal e do art. 7° do CTN. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13907.720528/201106 Acórdão n.º 1002000.228 S1C0T2 Fl. 82 3 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, contudo e atende por completo aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os pleitos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se fundam nos supostos malferimentos constitucionais decorrentes da cobrança da multa por atraso na entrega da DCTF. Tais aspectos foram fundamentadamente abordados no juízo administrativo a quo, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do Acórdão Recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF: A impugnação é tempestiva, e, por reunir as demais condições de admissibilidade, dela conheço. O contribuinte insurgese contra o lançamento da multa exclusivamente em razão da ilegalidade da instituição da obrigatoriedade da apresentação da DCTF através da Instrução Normativa 129/86 e não através de instrumento legal, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Equivocase o contribuinte ao fazer tal afirmação, considerando que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF foi instituída através do inciso IV do artigo 15 da Medida Provisória 1.788/98 convertida na lei 9.779/99 cujo artigo se transcreve abaixo: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: (...). IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. A Instrução normativa que regulamentou a apresentação da DCTF por delegação legal foi a IN SRF 126/98 com suas alterações posteriores. Questões de natureza constitucionais não podem ser apreciadas em sede administrativa, mas, tão somente através do poder judiciário. Quanto às decisões judiciais transcritas, estas somente se aplicam aos casos em que foram proferidas, a menos que, firmada a jurisprudência pelos tribunais superiores e sua aplicação se concretize, observadas as condições previstas no Decreto 2.346/97. Pelos motivos acima voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário. Fl. 83DF CARF MF 4 Adicionando aos argumentos acima, assevero que tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. No que concerne o eventual malferimento aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e vedação do confisco, bem como a análise da legalidade da exigência da DCTF, repiso que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Logo, não há que se arguir nessa instância os eventuais predicados decorrentes da multa aplicada. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destaco, ademais, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Por fim, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 84DF CARF MF
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