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Numero do processo: 10880.660331/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.734
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 31 /2 01 2- 31 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660331/201231 Acórdão n.º 3401004.734 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003186/00-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998, 1999
CSLL. RESTITUIÇÃO.
Os mesmos valores utilizados como dedução no cômputo do saldo negativo da CSLL não podem também ser objeto de compensação com o tributo devido em anos calendários posteriores àquele em que contribuíram para a formação do resultado final do período.
Numero da decisão: 1401-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 428 1 427 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.003186/0089 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.720 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria CSLL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente EDITORA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999 CSLL. RESTITUIÇÃO. Os mesmos valores utilizados como dedução no cômputo do saldo negativo da CSLL não podem também ser objeto de compensação com o tributo devido em anos calendários posteriores àquele em que contribuíram para a formação do resultado final do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 31 86 /0 0- 89 Fl. 428DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos anos calendários de 1998 e 1999, ambos protocolados em 12.12.2000 (v. efls. 02/04), no valor original de R$438.166,96, cumulados com pedidos de compensação de tais saldos, no importe de R$404.933,50, protocolados em 29.03.2001 (v. efls. 122/124). A DERAT/SPO proferiu despacho decisório dando parcial provimento ao pedido de restituição, reconhecendo o direito creditório de R$143.765,26 relativos ao ano de 1998 e de R$200.871,32 correspondentes ao ano de 1999 (v. efls. 224/228). Não conformada com a decisão da DERAT/SPO, a Contribuinte protocolou a manifestação de inconformidade de efls. 234/236. Abaixo, resumi os argumentos trazidos pela Recorrente em seu recurso ao despacho decisório da DERAT: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 429 3 A manifestação de inconformidade foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, em 20/09/2007, tendo sido tal decisão consubstanciada no Acórdão nº 1614.869 2ª Turma (v. efls. 261/273). A ementa da respectiva decisão está reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÃO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS Os comprovantes de retenção na fonte, fornecidos por órgãos públicos, informam os valores pagos e os valores retidos durante o ano calendário, que devem integrar a apuração da CSLL da beneficiária, do mesmo período. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITOS PRÓPRIOS. CONVERSÃO EM DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Houve homologação tácita das compensações dos débitos próprios, cujos pedidos foram protocolizados há mais de cinco anos da ciência do despacho decisório proferido pela Autoridade Administrativa. Solicitação Deferida em Parte Fl. 430DF CARF MF 4 Restou assentado na referida decisão o não provimento do recurso no que tange aos pedidos de restituição, mantendose as conclusões já proferidas no despacho decisório da DERAT/SPO. Por outro lado, em relação às compensações, o recurso foi favorável à Recorrente, tendo reconhecido a homologação tácita das mesmas, por força do disposto no arts 74 da Lei n° 9.430, de 1996, caput e §§ 4º (parágrafo acrescentado pela Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que produziu efeitos a partir de 01/10/2002, nos termos dos seus arts. 49 e 68) e 5º, cuja redação foi dada pela MP n° 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Irresignada com a decisão da DRJ/SPO, recorreu a Contribuinte ao CARF através do recurso voluntário de efls. 284/290, onde repisa as alegações já feitas quando da manifestação de inconformidade, em especial o seguinte: 1) na DIPJ relativa ao anocalendário de 1998, o valor de R$81.452,99 foi informado no cálculo da contribuição social, compondo o saldo negativo da CSLL, entretanto, tal valor somente foi informado naquele momento, sendo utilizado somente em janeiro do ano calendário de 1999; 2) o valor de R$81.452,99 já fazia parte do saldo negativo da DIPJ no ano calendário de 1998, não devendo compor novamente na DIPJ de 1999, razão pela qual nenhum valor consta da Linha "CSLL Retida na Fonte por órgão Público" (linha 07 da ficha 29); 3) os créditos postulados, de fato existem e foram contabilizados corretamente. Assim, o único impedimento que a autoridade administrativa teria em não deferir o pleito seria pelo fato de não ter havido retenção (recebimento) dos valores discutidos. Nesse caso, existiria a ausência de valores a serem restituídos. Mas não é o que ocorre no presente caso. Os presentes autos foram distribuídos, inicialmente, à extinta 1º Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento, que em uma análise preliminar, resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 180100.017 1ª Turma Especial) nos seguintes termos (v. efls 301/304): O cotejo entre a decisão de primeira instância e o Recurso deixam dúvidas com relação ao que de fato ocorreu, não é possível julgar com segurança pelos argumentos apresentados. Assim, determino o retorno dos autos para que a autoridade administrativa junte aos autos a cópia dos documentos mencionados na decisão de primeira instância e que foram decisivos para a conclusão, em especial, os documentos citados referentes ao Sistema IRFConsulta, por exemplo, nos itens 9 e 14 da decisão de primeira instância. Esclareça ainda em relação ao item de utilização em duplicidade de RS 81.452,99, os fatos e documentos que comprovariam tal situação, isto porque a Recorrente junta na fl. 161 o comprovante anual de retenção e a autoridade no item 14 de sua decisão disse que não consta a retenção. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 430 5 Pedese ainda que a fiscalização proceda a verificação junto à contabilidade da empresa quanto ao oferecimento à tributação do rendimentos tributáveis correspondentes aos tributos retidos na fonte. Ao final das da diligência a contribuinte deve ser intimada a se manifestar no prazo regulamentar em respeito ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Encaminhado o processo à DERAT/SP para cumprimento da diligência solicitada pelo CARF, a Contribuinte foi instada a apresentar documentos e esclarecimentos à Autoridade Fiscal que, ao final, produziu o Relatório de Diligência de efls. 366/368, assentando o seguinte: 9 A fim de verificar o oferecimento à tributação dos rendimentos tributáveis correspondentes aos tributos retidos na fonte, o contribuinte foi intimado a apresentar cópias das páginas dos livros Diário e Razão que conteriam os registros contábeis das receitas correspondentes às retenções na fonte utilizadas na composição dos saldos negativos de CSLL dos anoscalendários 1998 e 1999, e planilha demonstrativa da composição da receita oferecida à tributação nos anoscalendários 1998 e 1999, conforme Termo de Intimação anexado em fl.308. 10 Em resposta, o contribuinte apresentou cópias dos livros Razão Analítico e Diário Geral, e comprovante de retenção de imposto de renda na fonte do ano calendário 1999, no valor de R$ 451.421,98, anexados em fls. 310 a 331. 11 Instado a fornecer documentação complementar, principalmente planilha demonstrativa da composição dos valores que teriam resultado naquele informado em DIPJ, e portanto, oferecido à tributação, o contribuinte apresentou, além das cópias dos livros Razão Analítico e Diário Geral, planilha demonstrativa de vendas e retenções de CSLL s/notas fiscais emitidas a òrgãos Públicos, todos anexados em fls. 332 a 364. 12 Com base na documentação apresentada, podese concluir que houve a escrituração dos valores referentes às notas fiscais emitidas em nome da Fundação Nacional para o Desenvolvimento da Educação. Mas não se pode afirmar que o valor escriturado tenha sido oferecido à tributação. 13 As cópias dos livros Razão e Diário Geral não são, sozinhas, suficientes para a convicção de que tenha havido oferecimento dos valores correspondentes à tributação. Elas carecem de confirmações que seriam fornecidas por uma planilha demonstrativa da constituição dos valores oferecidos à tributação, tal qual solicitado através do Termo de Intimação, anexado em fl. 308. CONCLUSÃO 14 Como não foi apresentada planilha demonstrativa da constituição dos valores oferecidos à tributação, não há, apenas com os documentos apresentados, afirmar que os valores escriturados referentes às vendas à Fundação Nacional para o Desenvolvimento da Educação tenham entrado na composição dos valores informados como receita de vendas, nas DIPJ’s dos exercícios 1999 e 2000, anos calendários 1998 e 1999. 15 Ou seja, mesmo intimado, o contribuinte NÃO COMPROVOU que os rendimentos tributáveis correspondentes aos tributos retidos na fonte nos anos calendários 1998 e 1999 foram oferecidos à tributação. Fl. 432DF CARF MF 6 Após, os autos foram encaminhados à DRJ/SPO, que também se manifestou, através da Resolução nº 16.000.483 2ª Turma (v. efls. 369/371): Pois bem, tendo em vista a inusitada e dispensável determinação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cabe a esta autoridade administrativa, salvo melhor juízo, prestar os esclarecimentos requeridos. Primeiramente é solicitado que se “junte aos autos a cópia dos documentos mencionados na decisão de primeira instância e que foram decisivos para a conclusão, em especial, os documentos citados referentes ao Sistema IRFConsulta, por exemplo, nos itens 9 e 14 da decisão de primeira instância”. Não há necessidade de se juntar tais documentos pois, não obstante esses documentos já constarem dos autos, a decisão ora recorrida indica as folhas em que se encontram. Como o referido Acórdão foi proferido anteriormente ao advento do eprocesso a numeração indicativa referese a do processo em papel. Para que não pairem dúvidas, segue a indicação das folhas do eprocesso em que se encontram os documentos mencionados na decisão de primeira instância. Os itens 9 e 10 da referida decisão, a seguir reproduzidos, indicam constar da fl. 192 (processo em papel) a consulta ao sistema IRF CONSULTA. Na numeração do e processo passa a ser fl. 198. “9. O valor aceito de CSLL retida na fonte por órgãos públicos, de R$ 1,58, corresponde à diferença entre o valor comprovado no sistema IRF CONSULTA (R$ 81.454,57) e o utilizado pela contribuinte na apuração anual (R$ 81.452,99). 10. Efetivamente, no sistema IRF CONSULTA consta, no ano de 1998, a retenção pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, CNPJ n° 00.378.257/000181, do valor de R$ 395.054,67, sob o código 6147 (Produtos Retenção em Pagamento por Órgão Público), referente a pagamentos no valor de R$ 8.145.457,14 (fl. 192).”(Grifouse) Com relação ao item 14, também reproduzido na sequência, a consulta ao sistema IRF CONSULTA encontrase às fls. 249 a 252 do processo em papel ou nas folhas 257 a 260 do eprocesso, como queiram. “14. Acrescentase o fato de que no sistema IRF CONSULTA, verificase que no anocalendário de 1997 não consta retenção feita pelo FNDE, em que tenha sido informada como beneficiária a manifestante (fls. 249 a 252).” (Grifouse) O segundo quesito proposto pelo CARF pede esclarecimentos com relação “ao item de utilização em duplicidade de R$ 81.452,99”. Deparase aqui com uma situação embaraçosa, na medida em que não há na decisão item que trate de utilização em duplicidade de R$ 81.452,99. Motivo pelo qual, nada há que se responder. Encaminhese o presente processo à unidade de jurisdição da contribuinte para dar lhe ciência da presente Resolução e do Despacho de Diligência (fls. 366 a 368), concedendolhe prazo de 30 dias para manifestação, conforme artigo 35 do Regulamento do PAF, e posterior retorno ao CARF para prosseguimento. Cientificada dos Relatórios acima, elaborados em atendimento ao pedido de diligência, a Recorrente apresentou a petição de efls. 377/378 em que esclarece ter juntado aos autos toda a documentação solicitada e necessária à composição do seu faturamento e do Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 431 7 crédito de saldo negativo objeto do pedido de restituição, inclusive planilha demonstrativa de vendas e retenções de CSLL sobre notas fiscais emitidas a órgãos públicos. Juntou, ainda, aos autos, demonstrativos mensais de apuração do IRPJ e CSLL nos períodos de 1998 e 1999, além de demonstrativo de compensação de impostos e contribuições retidos por órgãos do governo. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A Contribuinte se insurge contra o não provimento de sua manifestação de inconformidade apresentada em face da decisão proferida pela DERAT/SP, que deferiu apenas parcialmente o pedido de restituição de efls. 02/04. O recurso é tão somente quanto ao pedido de restituição, pois o pedido de compensação foi integralmente reconhecido pela DRJ/SPO, por força de sua homologação tácita. Vamos fazer uma análise de cada um dos anos calendários objeto do pedido de restituição, de forma segregada para o melhor entendimento da questão. Ano Calendário de 1998 Em relação ao ano calendário de 1998, a Recorrente solicitou a restituição do valor de R$193.845,52 (vide abaixo). Fl. 434DF CARF MF 8 Entretanto, a DERAT/SP reconheceu como passível de restituição o valor de R$143.765,26. Abaixo a análise feita pela DERAT/SP: A justificativa da Recorrente em relação à diferença reconhecida a menor, quando da manifestação de inconformidade, foi a seguinte: Já no recurso voluntário, a Recorrente não faz nenhuma menção à citada diferença de R$50.080,26. Apesar de abrir tópico específico para tratar da "divergência verificada no anocalendário de 1998" (v. efls. 288), faz confusão e aborda tema relativo às divergências apontadas para o ano de 1999, senão vejamos: Divergência verificada no anocalendário de 1998 Entre o valor apresentado pela Recorrente e o admitido pelas autoridades julgadoras, na Linha 27 foi constatada uma divergência de R$135.934,90. O valor desconsiderado referese: R$81.452,99 retido por órgãos públicos utilizado na compensação do valor devido por estimativa no mês de janeiro de 1999. R$24.824,38 retido por órgãos públicos utilizado na compensação do valor devido por estimativa no mês de fevereiro de 1999. R$29.657,53 retido por órgãos públicos utilizado na compensação do valor devido por estimativa no mês de fevereiro de 1999. Nesse tópico, relativo ao ano calendário de 1998, a Recorrente tratou única e exclusivamente do regime de competência, argumento adotado pela DRJ/SP para negar provimento à Manifestação de Inconformidade. Ainda assim, de forma muito superficial e inconsistente, conforme podemos facilmente observar de trecho de seu recurso, colacionado abaixo (v. efls. 288/289): Releva considerar que, em existindo créditos, como de fato reconhecem as autoridades julgadoras e a retenção significar uma adiantamento de tributo, que posteriormente será abatido Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 432 9 pelo contribuinte no cômputo da contribuição a recolher, discussões acerca do regime de contabilização do crédito se tornam irrelevantes face a existência concreta dos valores postulados. Discordo frontalmente da Recorrente quanto à alegação de que "discussões acerca do regime de contabilização do crédito se tornam irrelevantes face a existência concreta dos valores postulados". A DRJ/SP esgotou esse tema com muita competência, demonstrando todo o arcabouço normativo aplicável à espécie, mormente os arts. 193, 194 e 197, do RIR/94, e os arts. 187 e 191 da Lei nº 6.404/76, arrematando da seguinte forma: 18. Portanto, as receitas de vendas devem ser reconhecidas na apuração do resultado do períodobase em que foram efetivadas, independentemente de seu recebimento, contrariando o entendimento da manifestante. Assim, não há muito mais a ser dito em relação ao ponto, mesmo porque o cerne da diferença inadmitida (os R$50.080,26), sequer foi objeto de contestação por parte do recurso voluntário. Por essas razões, mantenho o teor da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Ano Calendário de 1999 Em relação ao ano calendário de 1999, a Recorrente solicitou a restituição do valor de R$268.580,81 (vide abaixo): Entretanto, a DERAT/SP reconheceu como passível de restituição o valor de R$200.871,32. A justificativa da Recorrente, ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, em relação à diferença reconhecida a menor foi a seguinte: Fl. 436DF CARF MF 10 O Recurso Voluntário não inovou em nada em relação ao que já havia sido dito na Manifestação de Inconformidade. Ao contrário, creio que alguns trechos, como o reproduzido abaixo, vieram a reforçar o entendimento que exporei mais adiante no voto. Vejamos, então, o trecho a que nos referimos (v. efls. 289): O período de apuração de 1998 é importante para compreender a mecânica do proceder adotada pela Recorrente. A diferença apurada pela DERAT/SP para esse período importou em R$50.080,26, que a Contribuinte alega ser referente a retenções de Órgãos Públicos sobre rendimentos percebidos em 1997 mas creditados em suas contascorrentes nos primeiros dias de janeiro de 1998, e que teriam sido compensados com os valores devidos a título de estimativas no mês de janeiro do mesmo ano (vide demonstrativo de efls. 412). Percebese, a partir dos demonstrativos de efls. 411/423, que a Contribuinte efetuava compensação dos valores retidos por Órgãos Públicos com as estimativas apuradas no decorrer dos respectivos anos calendários sob análise. Até aí, nada de irregular, não fosse o fato de que os mesmos valores objeto de compensação com as estimativas devidas durante o ano também foram incluídos na "Ficha 30 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido" da DIPJ/99 (v. efls. 44): Abaixo o mesmo demonstrativo, só que da DIPJ/00 (v. efls. 100): Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11610.003186/0089 Acórdão n.º 1401002.720 S1C4T1 Fl. 433 11 Assim, ao mesmo tempo em que utiliza a retenção na fonte de Órgãos Públicos para o pagamento das estimativas, via compensação, a Contribuinte se utiliza dos mesmos valores para calcular o saldo negativo de CSLL que pretende ver restituídos. Ora, em relação à DIPJ/99, a Contribuinte requer a restituição de R$193.845,52, em cujo montante está computado o valor de R$81.452,99 (vide extrato da declaração acima). Esses mesmos R$81.452,99 foram utilizados para a quitação da estimativa do mês de janeiro de 1999, via compensação (vide demonstrativos de efls. 418), e por via de consequência, conforme as próprias palavras da Recorrente, compuseram o saldo negativo apurado no ano calendário de 1999 (vide suas alegações no recurso voluntário, efls. 288, já reproduzido neste voto anteriormente), eis que inseridos no montante de R$249.012,30, relativos às estimativas pagas durante o ano. Tal proceder é absolutamente incompatível com as normas de regência pois, se a declaração apresentada pela Contribuinte não espelha a realidade dos pagamentos e compensações efetuados, como ela mesmo sugere em seu recurso voluntário (vide trecho colacionado acima), essa mesma declaração não poderia ser adotada como referência para a restituição pretendida. E, na realidade, o que a Contribuinte pleiteia através deste processo, é justamente o saldo negativo apurado em sua declaração. Portanto, reputo como absolutamente correto o critério adotado pela DERAT/SP, e corroborado pela DRJ/SP, para o cálculo dos valores a serem restituídos, desconsiderando as compensações efetuadas e reconstituindo os demonstrativos de cálculo da CSLL de acordo com o regime de competência a que se referem os rendimentos e as retenções de efetuadas por Órgãos Públicos. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721342/2016-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
ÁGIO. INVESTIDA. REAL INVESTIDORA. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. INDEDUTIBILIDADE. IRPJ. CSLL.
Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com a sua real investidora.
REDUÇÃO DE IMPOSTO COM BASE EM LUCRO DA EXPLORAÇÃO. AUMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. RECÁLCULO DEVIDO.
A redução do imposto determinada com base no lucro de exploração possui entre seus componentes de cálculo o valor do adicional do imposto, razão pela qual a elevação deste em decorrência de infração apurada em procedimento fiscal enseja o recálculo da redução a que faz jus o contribuinte.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2014
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. EFEITOS NA CSLL.
Estendem-se à apuração da CSLL os efeitos da glosa de despesas com amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura considerado indedutível.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS ANO CALENDÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO.
É possível a aplicação de multa isolada em decorrência da falta de pagamento de estimativa após o encerramento do ano-calendário. Além disso, é devida sua exigência concomitantemente com a multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Numero da decisão: 1201-002.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar apenas a glosa do ágio oriundo da OPA (Oferta Pública de Aquisição). Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. E por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designada a conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014 ÁGIO. INVESTIDA. REAL INVESTIDORA. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. INDEDUTIBILIDADE. IRPJ. CSLL. Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com a sua real investidora. REDUÇÃO DE IMPOSTO COM BASE EM LUCRO DA EXPLORAÇÃO. AUMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. RECÁLCULO DEVIDO. A redução do imposto determinada com base no lucro de exploração possui entre seus componentes de cálculo o valor do adicional do imposto, razão pela qual a elevação deste em decorrência de infração apurada em procedimento fiscal enseja o recálculo da redução a que faz jus o contribuinte. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2014 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. EFEITOS NA CSLL. Estendem-se à apuração da CSLL os efeitos da glosa de despesas com amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura considerado indedutível. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS ANO CALENDÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. É possível a aplicação de multa isolada em decorrência da falta de pagamento de estimativa após o encerramento do ano-calendário. Além disso, é devida sua exigência concomitantemente com a multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar apenas a glosa do ágio oriundo da OPA (Oferta Pública de Aquisição). Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. E por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designada a conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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INVESTIDA. REAL INVESTIDORA. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. INDEDUTIBILIDADE. IRPJ. CSLL. Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com a sua real investidora. REDUÇÃO DE IMPOSTO COM BASE EM LUCRO DA EXPLORAÇÃO. AUMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. RECÁLCULO DEVIDO. A redução do imposto determinada com base no lucro de exploração possui entre seus componentes de cálculo o valor do adicional do imposto, razão pela qual a elevação deste em decorrência de infração apurada em procedimento fiscal enseja o recálculo da redução a que faz jus o contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2014 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. EFEITOS NA CSLL. Estendemse à apuração da CSLL os efeitos da glosa de despesas com amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura considerado indedutível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS ANO CALENDÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 13 42 /2 01 6- 49 Fl. 2980DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 3 2 É possível a aplicação de multa isolada em decorrência da falta de pagamento de estimativa após o encerramento do anocalendário. Além disso, é devida sua exigência concomitantemente com a multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar apenas a glosa do ágio oriundo da OPA (Oferta Pública de Aquisição). Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Luis Henrique Marotti Toselli, Bárbara Santos Guedes e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. E por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Designada a conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Eva Maria Los Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 4 3 Tratam os autos de lançamentos de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem assim de multas isoladas exigidas em decorrência de falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, consubstanciados nos autos de infração às fls. 02 a 21, referentes ao anocalendário 2014, com crédito tributário total de R$ 348.351.951,95, assim distribuído: Consoante consta dos autos de infração, os lançamentos decorreram de verificação de (i) redução indevida de despesas com amortização de ágio e de (ii) falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL de agosto a dezembro de 2014. 2.1. Os lançamentos levaram em conta a conversão em pagamento definitivo dos depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte no âmbito do Mandado de Segurança (MS) nº 501276297.2013.4.04.7003, determinada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região nos Embargos de Declaração em Agravo de Instrumento nº 5000729 64.2015.404.0000/PR, tornando dispensável a constituição do crédito tributário correspondente. 2.2. Em que pese tenham sido consideradas indevidas as deduções de despesas com amortização de ágio tanto no anocalendário 2013 (R$ 326.955.929,05) quanto em 2014 (R$ 1.006.018.243,27), após a recomposição da apuração do saldo de tributos a pagar, considerados os valores convertidos em renda nos termos do item 2.1 acima, somente foi determinada diferença a ser exigida por lançamento de ofício para o ano 2014. 2.3. A multa de ofício foi aplicada no percentual de 75% e a multa isolada no percentual de 50%. 2.4. Foram responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário constituído, na condição de sucessoras por cisão e por incorporação, nos termos dos arts. 124, II, 129 e 132 do Código Tributário Nacional (CTN), e do art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, as pessoas jurídicas POP Internet Ltda e Telefônica Brasil SA, respectivamente. 3. Os fatos apurados pela autoridade fiscal, suas análises e considerações feitas, os cálculos realizados e as conclusões alcançadas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) às fls. 23 a 88, e no seu anexo às fls. 89 a 91, partes integrantes dos autos de infração. O teor do referido termo está resumido a seguir: Consideração inicial 3.1. O objeto do lançamento é a glosa de amortização de ágio realizada pelo fiscalizado a partir de setembro de 2013 em virtude da incorporação reversa das suas então controladoras direta e indireta GVT Holding SA e VTB Participações SA, respectivamente. Fl. 2982DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 5 4 Entre outubro de 2009 e junho de 2010, por meio de várias operações, a empresa francesa Vivendi SA adquiriu a integralidade das ações representativas do capital social da GVT (Holding) SA, as quais foram incorporadas pela VTB Participações SA (subsidiária brasileira da Vivendi SA) em dezembro de 2011, oportunidade em que foi registrado ágio de mais de R$ 5 bilhões pela incorporadora. A amortização se deu com inobservância dos requisitos previstos na legislação tributária: (I) imprestabilidade do laudo apresentado à guisa de comprovação do fundamento econômico do ágio; (ii) utilização de artifício de ágio interno; (iii) utilização de empresa veículo VTB Participações SA visando exclusivamente nacionalizar o investimento e o aproveitamento do ágio; Operações societárias 3.2. As operações societárias realizadas para atender condições que, supostamente, dariam azo à amortização fiscal do ágio, iniciaram com a aquisição direta e indireta das ações da GVT (Holding) SA, então controladora direta da fiscalizada, pela companhia francesa Vivendi SA no período entre outubro de 2009 e junho de 2010, da seguinte forma: 3.2.1. Primeiro conjunto de operações em 13/11/2009 adquiriu 42.543.124 ações, representando 31,08% do capital social da GVT (Holding) SA, no valor total de R$ 2.832.414.944,00. Foram três aquisições: 3.2.1.1. A Vivendi SA adquiriu 38.422.666 de ações da GVT (Holding) SA pelo preço de R$ 56,00/ação, por meio de operação privada com antigos acionistas controladores (Global Village Telecom Holland BV; Swarth Investiments LLC; e Swarth Investiments Holding LLC), 3.2.1.2. A Vivendi SA celebrou contrato de compra com afiliadas da Ashmore Investiment Management Limited, e adquiriu indiretamente, por meio da aquisição da Ashmore GVT 1 LLC, 3.920.831 ações da GVT (Holding) SA pelo preço de R$ 56,00/ação; 3.2.1.3. A Vivendi adquiriu da SEI Institucional Trust (em nome de Emerging Markets Debt Fund) 199.627 ações da GVT (Holding) SA pelo preço de R$ 56,00/ação; 3.2.2 Segundo conjunto de operações 76.912.833 ações da GVT (Holding) SA, representativas de 56,20% do seu capital social. A Vivendi adquiriu as ações no mercado bursátil brasileiro com intermediação da instituição financeira francesa Rothschild & Cia Banque. Foram 43 aquisições entre 19/10/2009 e 01/03/2010, totalizando R$ 4.276.295.959,42; 3.2.3. Terceiro conjunto de operações visando adquirir as 17.407.834 ações (12,72%) das ações da GVT (Holding) SA ainda em circulação no mercado bursátil brasileiro, foi feita Oferta Pública de Aquisição (OPA), do tipo obrigatória, com edital em 26/03/2010, nos moldes do art. 4º, §6º, da Lei nº 6.404, de 1976. Figurou como ofertante a empresa VTB Participações SA, subsidiária da Vivendi SA no Brasil. Este terceiro conjunto teve um custo de R$ 1.012.185.121,19, cujos recursos haviam sido recém disponibilizados à VTB Participações SA mediante capitalização de numerário remetido do exterior pela Vivendi SA, conforme ata da AGE da subsidiária realizada em 28/04/2010; 3.3. Concluídos os três conjuntos de operações, a Vivendi SA e sua subsidiária VTB Participações SA passaram a deter a totalidade do capital da GVT (Holding) Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 6 5 SA. O custo total da operação está resumido no quadro a seguir, elaborado pela fiscalizada, e a sua estrutura societária está demonstrada no gráfico também copiado abaixo: 3.4. Conforme visto, 87,28% das ações de emissão da GVT (Holding) SA foram adquiridas diretamente pela francesa Vivendi SA pelo total de R$ 6.658.710.903,42, com ágio de R$ 4.857.837.649,74. Um dos requisitos legais para que tal ágio fosse amortizado no Brasil, qual seja, a necessidade de haver incorporação da investida pela investidora (ou vice versa), jamais poderia ser atendida caso a Vivendi SA permanecesse com o controle direto da participação societária adquirida com ágio, haja vista impossibilidade jurídica de se fazer a incorporação de uma empresa brasileira por outra estrangeira (ou viceversa); 3.5. Assim, a etapa seguinte do planejamento consistiu em "nacionalizar" o investimento feito pela Vivendi SA. Para tanto, em 21/12/2011 as ações de emissão da GVT (Holding) SA, então detidas por aquela, foram incorporadas pela sua subsidiária brasileira VTB Participações SA. Para tais ações (119.455.959 ações) foi atribuído o valor de R$ 6.658.710.903,42, exatamente o custo de aquisição arcado diretamente pela Vivendi SA, o que não é mera coincidência, havendo indisfarçada motivação fiscal nesta valoração, para que a Vivendi SA não incidisse em ganho de capital tributável; Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 7 6 3.6. Com esta incorporação de ações pela VTB Participações SA, a GVT (Holding) SA tornouse sua subsidiária integral, já que os demais 12,72% já haviam sido adquiridos pela VTB por conta e ordem da Vivendi SA; 3.7. Então, a totalidade das ações de emissão da GVT (Holding) SA teria sido "adquirida" pela VTB Participações pelo custo de R$ 7.670.896.024,81, sendo: (i) 12,72% por meio de OPA, no valor de R$ 1.012.185.121,39; e (ii) 87,28% na incorporação de ações, no valor de R$ 6.658.710.903,42. Como à época da incorporação de ações o capital social da GVT (Holding) SA era de R$ 2.640.804.808,45, a incorporadora VTB Participações SA registrou ágio de R$ 5.030.091.216,36; 3.8. Ainda em razão da incorporação de ações, o capital social da VTB Participações SA foi aumentado em R$ 6.658.710.903,00, passando de R$ 1.013.015,100,00 para R$ 7.671.726.003,00. Em consequência, foram emitidas 6.658.710.903 novas ações pela ncorporadora VTB Participações SA, atribuídas à Vivendi SA em substituição às 119.455.959 ações de emissão da GVT (Holding) SA incorporadas, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976. Dessa forma, a Vivendi SA passou a deter 7.671.725.903 ações das 7.671.726.003 ações representativas do capital social da VTB Participações SA, sendo as 100 ações residuais pertencentes à VCB Participações Ltda (atual GVT Participações SA). A estrutura societária da fiscalizada passou a ser a seguinte: Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 8 7 3.9. Dando seguimento, no dia seguinte ao evento da incorporação de ações (em 22/12/2011) foi promovida a 4º alteração do contrato social da VCB Participações Ltda, com seu capital social sendo aumentado de R$ 100,00 para R$ 7.671.726.003,00, com emissão de 7.671.725.903 novas quotas de valor unitário de R$ 1,00, e com o ingresso da Vivendi SA no quadro societário. A integralização das novas quotas se deu com a conferência das 7.671.725.903 de ações de emissão da VTB Participações SA, então detidas pela Vivendi SA. Dessa forma, o controle direto da VTB Participações SA passou a ser exercido pela VCB Participações Ltda (atual GVT Participações SA): 3.10. Houve nova alteração do quadro societário da VCB Participações Ltda em 28/12/2011. A Vivendi SA promoveu aumento de capital na sua subsidiária francesa SIG 108 mediante conferência das 7.671.725.903 quotas da VCB Participações Ltda por ela detidas, passando o controle direto desta a ser exercido pela SIG 108, conforme pode ser visto abaixo. Cabe destaque à transferência :do "ágio francês" para a SIG 108. A repercussão fiscal dessa transferência se deu em 19/09/2014, quando a Telefônica Brasil SA adquiriu a totalidade das ações da GVT Participações SA (antiga VCB Participações Ltda) e, com isso, o controle da fiscalizada. Tal ágio francês, como visto, compôs o custo de aquisição do investimento para fins de apuração do ganho de capital tributável. Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 9 8 3.11. Em 02/09/2013 a VTB Participações SA foi incorporada pela sua controlada GVT (Holding) SA, sendo vertido, dentre outros ativos, o ágio da incorporação de ações no valor de R$ 5.030.091.216,36. No dia seguinte foi a vez da GVT (Holding) SA ser incorporada por sua controlada, a fiscalizada. Feitas essas incorporações reversas, esta passou a ser controlada diretamente pela VCB Participações Ltda (atual GVT Participações SA). O controle indireto, no entanto, continuou sendo integralmente exercido pela Vivendi SA. Assim, o "ágio da incorporação" finalmente chegou à fiscalizada para iniciar a amortização. Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 10 9 3.12. Em 19/09/2014 a Telefônica Brasil SA adquiriu a integralidade das ações da GVT Participações SA (antiga VCB Participações Ltda), passando a ter o controle da fiscalizada. Para fins de cálculo do ganho de capital auferido nessa transação, as partes qualificadas como vendedoras (Vivendi SA, SIG 108 e SIG 72) informaram que o custo de aquisição da participação alienada foi de 2.984.526.584,00 Euros, representativo da totalidade do investimento detido pela Vivendi SA na GVT Participações SA, e equivalente ao custo das aquisições feitas entre novembro de 2009 e junho de 2010. Assim, cerca de 75% do custo de aquisição considerado no cálculo do ganho de capital consistiu no "ágio francês", pago pela Vivendi SA nas aquisições de ações da GVT (Holding) SA; 3.13. Devese fazer uma distinção entre o "ágio francês" e o "ágio da incorporação". O primeiro foi gerado na aquisição das ações da GVT (Holding) SA pela Vivendi SA. O segundo foi gerado na incorporação de ações pela VTB Participações SA. A impressão inicial que se tem é a de que o "ágio francês" teria sido apenas transferido para a VTB Participações SA. Ou seja, com o advento do "ágio da incorporação", o "ágio francês" deixaria de existir. Mas não foi isso que ocorreu. Os dois permaneceram coexistindo de forma independente, tendo o grupo econômico feito uso tributário de ambos, em condições e momentos distintos; 3.13.1. Entre setembro de 2013 e abril de 2015 a fiscalizada amortizou, para fins fiscais, o "ágio da incorporação". Sem prejuízo dessa amortização, a Vivendi SA e sua subsidiária SIG 108 incluíram o "ágio francês" no custo de aquisição do investimento para fins de apuração do ganho de capital auferido em setembro de 2014, por ocasião da venda da GVT para a Telefônica Brasil, reduzindo drasticamente o imposto de renda incidente nessa operação; Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 11 10 Ágio não amortizável 3.14. A amortização fiscal do ágio se deu com inobservância dos requisitos previstos na legislação tributária e, por isso, deve ser glosada. As irregularidades verificadas podem ser atribuídas a três causas abaixo elencadas, independentes entre si, sendo que qualquer delas, isoladamente, é suficiente para inviabilizar a amortização procedida pela fiscalizada: 3.14.1. Imprestabilidade do documento (laudo) apresentado pela fiscalizada à guisa de comprovação do fundamento econômico do ágio. O laudo referese à situação patrimonial do investimento anterior à época em que o ágio foi registrado na "empresa veículo", ou seja, por ocasião da incorporação de ações; 3.14.2. Utilização do artifício conhecido como "ágio interno". O entendimento consolidado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é de que o pretenso ágio oriundo de operações envolvendo empresas já pertencentes ao mesmo grupo econômico não é amortizável. No caso, as ações adquiridas pela Vivendi SA foram incorporadas por sociedade controlada por ela mesma, a "empresa veículo" brasileira VTB Participações SA. Portanto, a incorporação de ações foi uma operação realizada pela Vivendi SA consigo mesma, ainda que por intermédio de uma subsidiária. A artificialidade dessa operação salta aos olhos pelo fato de ter sido convenientemente atribuído valor às ações incorporadas de forma que houvesse um suposto ágio a ser (indevidamente) amortizado sem, no entanto, incidir em ganho de capital tributável; 3.14.3. Utilização da "empresa veículo" VTB Participações SA visando exclusivamente à "nacionalização" do investimento e ao aproveitamento fiscal do ágio. O adquirente de fato, a Vivendi SA, manteve total independência entre seu patrimônio e o da investida, inexistindo a necessária confusão patrimonial (incorporação ou fusão) entre investidor e investida, requisito legal para a amortização fiscal do ágio; Laudos de avaliação da GVT (Holding) SA 3.15. Houve dois laudos que avaliaram a GVT (Holding) SA em épocas diferentes e para fins distintos: 3.15.1. Primeiro laudo elaborado em novembro de 2009 por Calyon Crédit Agricole, teve por finalidade subsidiar a Vivendi SA na aquisição da GVT (Holding) SA por meio de compra de bloco de ações e/ou OPA entre novembro de 2009 e junho de 2010. A recomendação do laudo era a de que fosse pago valor igual ou superior a R$ 53,00/ação. Considerando que foram pagos R$ 7.670.896.024,81 pelas 136.863.791 ações, o valor médio praticado foi de R$ 56,05/ação; 3.15.2. Segundo laudo elaborado em novembro de 2011 por Capital Soluções, por ocasião da incorporação, pela VTB Participações SA, das ações de emissão da GVT (Holding) SA detidas pela Vivendi SA. Tal laudo teve como finalidade atender o disposto nos §§ 1º e 3º do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976. Acontece que o valor atribuído às ações de emissão da GVT (Holding) SA (R$ 6.658.710.903,00) foi substancialmente inferior à avaliação Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 12 11 do referido laudo, que valorou a GVT (Holding) SA em R$ 12.561.827.000,00, fazendo com que os 87,28% das ações em poder da Vivendi (incorporadas) fosse de R$ 10, 65 bilhões. Houve, pois, flagrante disparidade entre a avaliação do laudo e o valor atribuído na incorporação de ações: de cerca de R$ 4,3 bilhões. Por que a Vivendi SA teria "abdicado" de tão suntuosa quantia na relação de troca de ações? Respondese: 3.15.2.1. 1ª constatação: como a Vivendi SA havia adquirido ações no valor total de R$ 6.658.710.903,00, a incorporação se fez convenientemente pelo mesmo valor a fim de não haver ganho de capital tributável naquele operação. Caso a incorporação fosse pelo valor do laudo da Capital Soluções, geraria um ganho de capital de R$ 4,3 bilhões, tributável na fonte à alíquota de 15% nos termos do art. 682, I, e do art. 685, I, alínea "b" e §2º, ambos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Conforme consolidado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), a incorporação de ações constitui forma de alienação em sentido amplo, assim, a subscrição de ações pelo valor de mercado e superior ao consignado na escrita contábil, ainda que no bojo da incorporação de ações, caracteriza ganho de capital; 3.15.2.2. 2ª constatação: se, por um lado, não houve ganho de capital tributável, por outro, a conveniência de se atribuir às ações incorporadas valor idêntico ao da aquisição não prejudicou o planejamento engendrado para que se amortizasse no Brasil o ágio contabilizado pela VTB Participações SA por ocasião da incorporação de ações. A incorporação de ações foi uma transação realizada pela Vivendi SA consigo mesma, ainda que por intermédio de suas subsidiárias, sem a presença de terceiros independentes. Do contrário, certamente a Vivendi não abriria mão de R$ 4,3 bilhões na relação de troca de ações. Tratase de ágio interno; 3.15.2.3. 3ª constatação: o laudo da Capital Soluções foi elaborado com um único objetivo, o de avaliar a GVT (Holding) SA. No entanto, o menoscabo à sua conclusão foi flagrante, o que conduz a concluir que se trata de documento elaborado por mera formalidade, que não se presta para comprovar qualquer fato contábil registrado pelas empresas envolvidas na operação, em especial o fundamento econômico do suposto ágio havido na operação; Imprestabilidade do laudo para comprovação do fundamento econômico do ágio 3.16. Consoante disposição do art. 385 do RIR/99, uma vez que o fundamento econômico atribuído ao ágio amortizado foi a expectativa de rentabilidade futura da GVT (Holding) SA, a fiscalizada deveria dispor de documento onde restasse demonstrado o valor dos lucro futuros determinados de acordo com critérios ordinários de apuração e sob premissas econômicas adequadas à situação concreta da época da aquisição; 3.16.1. Como houve dois laudos, conforme já tratado, a fiscalizada foi intimada a esclarecer qual deles consistia no documento comprobatório do ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura na forma requerida no art. 385, §3º, do RIR/99. Não obstante ser resposta simples a princípio, a fiscalizada solicitou duas prorrogações para providenciála, informando ao fim que o documento que se prestou para tal comprovação foi o laudo da Calyon, sendo o laudo da Capital Soluções apenas confirmou a expectativa da rentabilidade futura; Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 13 12 3.16.2. Todavia, o laudo da Calyon não se presta a comprovar o fundamento econômico do ágio amortizado na fiscalizada, já que foi elaborado em novembro de 2009, ao passo que o ágio amortizado é o registrado quando da incorporação de ações, que ocorreu em dezembro de 2011, mais de dois anos após o laudo. O que o laudo Calyon poderia atestar seria o fundamento econômico do "ágio francês", jamais o "ágio da incorporação". Um lapso de mais de dois anos entre a elaboração do laudo e a operação de aquisição importa rever vários dos pressupostos e indicadores que fundamentaram a avaliação da empresa, sob pena de comprometer a integridade das conclusões. A obrigação de o documento ser contemporâneo à operação de aquisição é expressa no art. 385 do RIR/99, sendo corolário do princípio fundamental da contabilidade denominado "Princípio da Oportunidade"; 3.16.3. Restaria o laudo da Capital Soluções, contemporâneo da incorporação de ações, o qual também não se presta a comprovar o fundamento econômico do ágio que vemsendo amortizado pela fiscalizada, haja vista, como visto, tratarse de documento elaborado por mera formalidade; 3.17. Assim, se nenhum dos dois laudos servem como documento comprobatório da rentabilidade futura, tal fato, por si só, impede a amortização fiscal na forma prevista no art. 386, III, do RIR/99; Ágio interno 3.18. A incorporação de ações feita em dezembro de 2011, operação em que foi gerado o "ágio da incorporação", foi uma transação realizada pela Vivendi SA consigo mesma, ainda que por intermédio de suas subsidiárias, sem presença de terceiros independentes. Além da própria Vivendi SA, todas as demais empresas envolvidas na incorporação de ações eram controladas, direta ou indiretamente, por esta: (i) GVT (Holding) SA emissora das ações incorporadas, passando a ser subsidiária integral da incorporadora VTB Participações SA; (ii) VTB Participações SA incorporadora das ações e controlada da Vivendi; e (iii) VCB Participações Ltda (atual GVT Participações SA) acionista minoritária da incorporadora das ações (VTB Participações SA) e controlada (indireta) da Vivendi SA; 3.18.1. Tratase de "ágio interno", cuja dedução fiscal não é admitida, conforme pode ser visto em recente Acórdão da CSRF, nº 9101002.183; Empresa veículo 3.19. Para que o ágio possa ser amortizado deve haver a confusão patrimonial entre investidora e investida (incorporação, fusão ou cisão, conforme art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997), entendendose a primeira como a empresa que efetivamente pagou o ágio. No caso, a Vivendi SA deveria ter incorporado (ou ter sido incorporada) pela fiscalizada para fazer jus à amortização ágio, mas, diante da impossibilidade jurídica de se fazer a incorporação de uma empresa brasileira por outra estrangeira (e viceversa), lançou mão da "empresa veículo" VTB Participações SA; 3.19.1. Da sequência das operações antes descritas, é incontroverso que a VTB Participações SA jamais foi adquirente de fato do investimento. Mesmo na OPA, essa Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 14 13 empresa não passou de uma longa manus da Vivendi SA, haja vista este quinhão de aquisições ter sido efetuado por conta e ordem desta conforme edital à fl. 1093. A propósito, não haveria sentido em se falar em fechamento de capital, que é o propósito da OPA obrigatória nos termos do art. 4º,§6º, da Lei nº 6.404, de 1976, se o adquirente das ações em circulação não fosse o próprio acionista controlador naquele momento (Vivendi SA); 3.19.2. A VTB Participações não teve outra finalidade senão a de criar artificiosamente condições para a amortização fiscal do ágio. Não detinha nenhum outro investimento ou atividade operacional, o que pode ser verificado perscrutando a Ficha 06A da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), onde praticamente a única receita auferida decorreu de equivalência patrimonial relativa à única empresa da qual detinha participação direta (GVT (Holding) SA); 3.19.3. Consoante art. 1º do Decreto nº 2.167, de 1988, que trata sobre a composição do capital de empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, as concessões, permissões e autorizações para exploração de serviços de telecomunicações de interesse coletivo somente são outorgadas ou expedidas a empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no País, em que a maioria das cotas ou ações com direito a voto pertença a pessoas naturais residentes no Brasil ou a empresas constituídas sob as leis brasileiras e com sede e administração no País. No caso, todas as autorizações foram concedidas diretamente à fiscalizada, de modo que, sob o aspecto da regulamentação do setor, seria necessário apenas um nível de controle societário nacional acima dela, ao invés dos três níveis implementados (fiscalizada ® GVT Holding ® VTB Participações ® VCB Participações); 3.19.4. Inclusive a Anatel, por meio do Ato nº 6.553, de 13/11/2009, autorizou a transferência de controle da fiscalizada para a Vivendi SA por meio da aquisição de ações de emissão da GVT (Holding) SA, demonstrando ser absolutamente dispensável a inserção da VTB Participações na estrutura societária do grupo GVT; 3.19.5. O emprego de empresa veículo com o fim exclusivo de lograr algum proveito tributário é irregularidade perenizada em julgados do Carf, por exemplo: 1402 002.124; 1402001.893, e 1402001.938; 3.19.6. A ilicitude do uso de empresa veículo resta clara ao se atentar para a natureza jurídica do ágio pago na expectativa de exercícios futuros, qual seja, de despesa ou custo que contribuirá para a formação do resultado de mais de um exercício social. Nesse sentido, resta evidente a finalidade de um dos requisitos do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997 (base do art. 386 do RIR/99), qual seja, da necessidade de reunião, em uma só entidade, do patrimônio que pagou o ágio e daquele que vai gerar os resultados futuros, de modo que a despesa paga na obtenção desse potencial de resultados futuros possa ser diretamente confrontada com esses resultados. É essencial que o patrimônio que pagou o ágio e o patrimônio que presumidamente vai gerar lucros justificadores do pagamento estejam reunidos numa entidade. Sem tal conjunção, não é permitida a dedução de despesa de amortização. Nesse sentido Acórdãos 9101.002188 e 9101002.213 da CSRF; Procedimentos contábeis e extracontábeis adotados Fl. 2992DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 15 14 3.20. Este tópico tem por objetivo apenas verificar se o ágio foi amortizado contabilmente ou se o seu efeito fiscal foi implementado via ajustes na apuração das bases de cálculo dos tributos. São caminhos que chegam ao mesmo resultado, mas a verificação é necessária para evitar precedentes como o da 2ª Turma da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Carf (Ac nºs 1402001.357 e 1402001.461, ambos de 2013), que decretaram nulidade dos lançamentos por vício material, pois, em tese, teriam incorrido em erro de enquadramento legal, pois houve glosa de exclusões do lucro real ao invés de considerar indedutível a despesa com amortização; 3.21. Da análise da escrituração e com base nas respostas da fiscalizada aos questionamentos constantes nos itens 8.3 a 8.5 do Termo de Intimação Fiscal nº 8 , concluise que a amortização do ágio foi feita na escrituração contábil (conta 0031383204 Amortização Ágio). Procedeuse, então, à glosa da dedução indevida das despesas de amortização de ágio que não atenderam aos requisitos do art. 385, §3º, e art. 386, III do RIR/99; Dos cálculos do IRPJ e da CSLL 3.22. O detalhamento dos valores apurados de IRPJ e de CSLL é necessário por conta dos depósitos judiciais efetuados mensalmente entre setembro/2013 e julho/2014 (MS 501276297.2013.4.04.7003), convertidos em pagamento por determinação do TRF da 4ª Região. Os cálculos estão demonstrados a seguir: 3.22.1. O lucro real e a base de cálculo da CSLL antes das compensações referentes ao ano 2013 foram obtidos a partir da DIPJ/2014, e as referentes ao ano 2014 foram extraídas do arquivo não paginável da ECF juntado à fl. 451; 3.22.2. A partir das bases de cálculo declaradas, foi adicionado o montante da amortização glosada (AC 2013 R$ 326.955.929,05; AC 2014 R$ 1.006.018.243,27) e, em sequência, foram realizadas compensações de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL (BCN de CSLL), conforme apuração de IRPJ e de CSLL, respectivamente, utilizando integralmente os saldos existentes em 31/12/2012: R$ 168.842.988,65 de prejuízo fiscal; e R$ 171.484.709,24 de BCN de CSLL; 3.22.3. Como o limite de compensação é de 30% do lucro líquido ajustado, os valores de prejuízo fiscal e BCN passíveis de compensação em 2013 seriam superiores ao Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 16 15 considerado na apuração. A compensação em montante inferior ao que poderia ser realizado com base no saldo e no limite referido devese ao fato de que foram levados em consideração os depósitos judiciais convertidos em pagamento. Não haveria sentido em compensar valores maiores que os considerados no lançamento, pois esses já são suficientes para zerar o IRPJ e a CSLL a serem lançados para o AC 2013. Tal critério é favorável ao contribuinte, na medida em que permite permanecer saldos maiores para serem usados no ano seguinte (AC 2014); 3.22.4. As deduções do IRPJ e da CSLL apurada (exceção da estimativa) foram obtidas da DIPJ/2014 e do arquivo não paginável da ECF juntado à fl. 451. A parcela de IRRF alocada na linha relativa à estimativa (na DIPJ e na ECF) foi incluída na planilha de cálculo como dedução a título de IRRF (ficando o valor compatível com o total das retenções informadas em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf); 3.22.5. Na determinação do montante de estimativa a ser deduzido na apuração do tributo a pagar foi considerado o valor total declarado em DCTF (confissão de dívida), subtraído do valor do saldo negativo gerado na apuração na DIPJ (ou ECF, conforme o ano), objeto de utilização em Declaração de Compensação (Dcomp), sob pena, se esta dedução não fosse feita, de locupletamento de um mesmo crédito em duplicidade (via compensação e via dedução no lançamento): 3.22.6. Registrese que parte das estimativas declaradas em DCTF no período entre setembro de 2013 e julho de 2014, são valores originalmente informados na condição de exigibilidade suspensa e vinculados aos depósitos judiciais no âmbito do Mandado de Segurança (MS) nº 501276297.2013.4.04.7003. Tais montantes foram transformados em pagamento definitivo, sendo dispensável a constituição do crédito tributário respectivo, e devida a sua dedução de ofício a título de estimativa paga; 3.22.6.1. O referido MS preventivo foi impetrado em 25/10/20132 tendo o objetivo principal de ser reconhecido o "direito" da fiscalizada em deduzir, das bases de calculo do IRPJ e da CSLL, as despesas relativas à amortização fiscal do ágio pago pelo grupo Vivendi na aquisição do Grupo GVT. Em 27/02/2014 foi proferida sentença3 denegando a segurança, sem pronunciamento definitivo quanto ao mencionado direito, asseverando pertencer à Receita Federal o poderdever de fiscalizar as operações da natureza referida no pleito. A fiscalizada Fl. 2994DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 17 16 apelou da decisão, todavia, posteriormente formalizou pedido de desistência da ação, que transitou em julgado em 28/10/2014 sem análise do mérito. A lide foi redirecionada para decidir quanto ao destino a ser dado aos depósitos judiciais efetuados visando suspender a exigibilidade de IRPJ e de CSLL controversos em razão da amortização do ágio. Em 28/05/2015 o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região determinou que os valores depositados fossem transformados em pagamento definitivo; Da multa isolada 3.23. A fiscalizada optou pela apuração anual do lucro real, tendo determinado as estimativas mensais com base em balanços de redução/suspensão. A partir de agosto de 2014 não mais realizou os depósitos judiciais antes mencionados, em que pese ter continuado a amortizar o ágio, razão pela qual incorreu em falta de pagamento das estimativas. Os cálculos constam nos Anexos A e B ao TVF, às fls. 89 e 90, respectivamente; 3.23.1. A aplicação da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas, concomitantemente com a multa de ofício pela falta de pagamento do tributo devido no final do anocalendário, encontra apoio em manifestação recente do Carf (Acórdão nº 9101002.300, de 07/04/2016), que entende que a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488/2007, acabou por derrogar o entendimento constante da Súmula do Carf nº 105; Da responsabilização solidária 3.24. Em 19/09/2014 a Telefônica Brasil SA adquiriu a totalidade das ações da GVT Participações SA, que passou a ter o controle direto desta e indireto da fiscalizada. Em 01/04/2016 a fiscalizada sofreu uma cisão total, sendo seu patrimônio vertido parte para a GVT Participações SA, parte para POP Internet Ltda. Nesta mesma data a GVT Participações SA foi incorporada pela Telefônica Brasil SA Assim, em função do disposto nos arts. 124, II, 129 e 132 do CTN, e do art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, tanto a Telefônica Brasil SA quanto a POP Internet Ltda são responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído devido pela fiscalizada; Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 18 17 3.24.1. Além das determinações legais acima mencionadas, há dois outros fatores que reforçam a atribuição da responsabilidade pelas infrações às sucessoras, quais sejam: (i) o ágio continuou sendo indevidamente amortizado pela fiscalizada mesmo após a Telefônica Brasil SA ter assumido seu controle; e (ii) a reorganização societária descrita (vide gráficos), que resultou na responsabilidade das sucessoras, envolveu apenas empresas do mesmo grupo econômico (fiscalizada, POP Internet Ltda, GVT Participações SA e Telefônica Brasil SA, aplicandose ao caso a Súmula Carf nº 47: "Cabível a imputação de multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico". 4. A Telefônica do Brasil SA e a POP Internet Ltda foram cientificadas por via postal dos autos de infração e do TVF em 04/07/2016 e 05/07/2016, respectivamente, conforme cópias dos Avisos de Recebimento (ARs) às fls. 1632 e 1635. Na mesma data, em 03/08/2016, protocolaram suas impugnações às fls. 1640 a 1694 (instruída com os documentos às fls. 1695 a 2077) e 2080 a 2134 (instruída às fls. 2135 a 2314), nesta ordem, cujos teores são idênticos e estão resumidos a seguir: 4.1. As etapas que levaram as ações da GVT (Holding) SA a serem finalmente adquiridas, em sua integralidade, pela VTB Participações SA, tiveram origem em acirrada disputa entre o grupo francês Vivendi ("Grupo Vivendi") e a Telecomunicações de São Paulo 3.24.1. Além das determinações legais acima mencionadas, há dois outros fatores que reforçam a atribuição da responsabilidade pelas infrações às sucessoras, quais sejam: (i) o ágio continuou sendo indevidamente amortizado pela fiscalizada mesmo após a Telefônica Brasil SA ter assumido seu controle; e (ii) a reorganização societária descrita (vide gráficos), que resultou na responsabilidade das sucessoras, envolveu apenas empresas do mesmo grupo econômico (fiscalizada, POP Internet Ltda, GVT Participações SA e Telefônica Brasil SA, aplicandose ao caso a Súmula Carf nº 47: "Cabível a imputação de multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico". 4. A Telefônica do Brasil SA e a POP Internet Ltda foram cientificadas por via postal dos autos de infração e do TVF em 04/07/2016 e 05/07/2016, respectivamente, conforme cópias dos Avisos de Recebimento (ARs) às fls. 1632 e 1635. Na mesma data, em 03/08/2016, protocolaram suas impugnações às fls. 1640 a 1694 (instruída com os documentos Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 19 18 às fls. 1695 a 2077) e 2080 a 2134 (instruída às fls. 2135 a 2314), nesta ordem, cujos teores são idênticos e estão resumidos a seguir: 4.1. As etapas que levaram as ações da GVT (Holding) SA a serem finalmente adquiridas, em sua integralidade, pela VTB Participações SA, tiveram origem em acirrada disputa entre o grupo francês Vivendi ("Grupo Vivendi") e a Telecomunicações de São Paulo SA (Telesp), pertencente ao grupo espanhol Telefônica ("Grupo Telefônica"). O primeiro grupo via a operação como estratégica para a entrada no setor de telecomunicações do Brasil, enquanto que para o segundo grupo a aquisição representava a possibilidade de capturar o potencial de crescimento do mercado brasileiro, permitindo a expansão e complementaridade de portfólio; Processo competitivo Grupo Vivendi e Telefônica 4.2. O processo competitivo de aquisição do controle pode ser assim resumido cronologicamente: 4.2.1. 19/08/2009 Global Village Tececom (Holland) BV, Swarth Investments LLC e Swarth Investments Holding LLC, acionistas controladores da GVT (HOLDING) SA(controle minoritário com aprox. 30% das ações), anunciam oferta secundária para venda de ações; 4.2.2. 01/09/2009 divulgado no mercado o detalhamento da oferta secundária a ser lançada, que abrangeria 20% das ações; 4.2.3. 08/09/2009 foi cancelada a oferta secundária e celebração de acordo entre os acionistas controladores e o Grupo Vivendi para lançamento de OPA voluntária no Brasil para aquisição em bolsa de até 100% das ações da GVT (Holding) SA ao preço de R$ 42,00/ação; 4.2.4. 07/10/2009 Telesp divulgou que seu conselho de administração aprovara o lançamento de uma OPA voluntária para aquisição de no mínimo 51% das ações e no máximo de 100% , ao preço de R$ 48,00/ação; 4.2.5. 19/10/2009 divulgado que o Grupo Vivendi finalizara processo de auditoria legal e que o seu conselho autorizara o lançamento de OPA voluntária para aquisição (que não chegou a ser lançada); 4.2.6. 04/11/2009 aumento do valor ofertado pela Telesp para R$ 50,50/ação; 4.2.7. 05/11/2009 lançamento da OPA para aquisição do controle da GVT (Holding) SA, com leilão marcado para 19/11/2009; 4.2.8. 12/11/2009 por meio dos Atos nºs 6.552 e 6.553, a Anatel concedeu anuência prévia para a realização da operação de transferência do controle da GVT (Holding) SA tanto para a Vivendi SA, quanto para a Telesp, respectivamente; 4.2.9. 13/11/2009 GVT (Holding) SA divulgou o fato de que: Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 20 19 4.2.9.1 O seu controle acionário havido sido adquirido pela Vivendi SA por meio de negociações privadas junto aos acionistas controladores no exterior (I aquisição de 29,9% do capital social da GVT (Holding) SA a R$ 56,00/ação, valor superior ao ofertado pela Telesp; II 8% do capital social da GVT (Holding) SA junto a terceiros; e III celebração de opções de compra com terceiros que lhe confeririam o direito de comprar 19,6% do capital social da GVT); 4.2.9.2. O Grupo Vivendi, por intermédio de subsidiária local, lançaria uma OPA obrigatória por alienação de controle a um preço de R$ 56,00/ação, para a aquisição das ações remanescentes da GVT (Holding) SA, em cumprimento do art. 254A da Lei nº 6404, de 1976; 4.2.10. 19/11/2009 a Telesp cancela OPA em virtude de perda de eficácia, vez que uma das condições para a sua realização não poderia mais ser cumprida, qual seja, a aquisição de pelo menos 51% da ações; 4.3. Apesar das vantagens da aquisição via OPA, o Grupo Vivendi teve de adotar a etapa inicial de negociação direta e confidencial com os acionistas controladores para enfrentar o processo competitivo de aquisição da GVT (Holding) SA, a despeito de ser o caminho potencialmente mais custoso. A OPA voluntária permitiria que a subsidiária local (VTB Participações SA) passasse a deter de forma originária o investimento, o que foi sempre o objetivo: centralizar o controle no Brasil. Com a inclusão da etapa de negociação direta, a fim de atender o objetivo pretendido, foi necessária a etapa de aquisição pela VTB Participações SA de ações via OPA obrigatória, seguida da incorporação de ações da GVT (Holding) SA pela VTB Participações SA; 4.3.1 A inclusão do referido primeiro passo, combinado com a OPA obrigatória e com a incorporação de ações teve efeito idêntico ao que seria obtido via OPA voluntária, vez que: (i) permitiu que a subsidiária local, ao fim, detivesse 100% do investimento; e (ii) permitiu que a alienação das referidas ações ensejasse o pagamento integral do imposto de renda sobre o ganho de capital, tal como seria devido na OPA voluntária (com aquisição ocorrendo diretamente no país); 4.3.2. Dados o dinamismo e o curto prazo das negociações, não se mostrava recomendável o ingresso de recursos pecuniários na VTB Participações SA ou na VCB Participações Ltda para que estas pudessem adquirir ações da GVT (Holding) SA diretamente em um primeiro momento, pois, caso contrário, restaria prejudicada a confidencialidade, já que o movimento cambial afetaria o mercado de forma pública e notória devido ao seu preço elevado. Com isso, o valor pretendido pelo Grupo Vivendi se tornaria conhecido, evidenciando contraoferta ao valor anunciado pela Telesp, acarretando, ao fim, a elevação do valor final da transação ou a perda do investimento para a Telesp; A origem do ágio 4.4. Etapa 1 Aquisição privada de ações todos os acionistas dos quais foram adquiridas as ações jamais foram partes relacionadas ou integrantes do Grupo Vivendi; Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 21 20 4.4.1. Em 13/11/2009 foram adquiridas pela Vivendi SA 42.543.124 ações no valor de R$ 2.382.414.944,00, sendo o preço médio de R$ 56,00/ação com base no Laudo Calyon, que fixou preço entre R$ 51,00 e R$ 59,00; 4.4.2. Em decorrência da aquisição houve reconhecimento de ganho de capital tributável no Brasil por esses acionistas, sendo recolhido o IRRF nos termos do art. 26 da Lei nº 10.833, de 2002; 4.4. Etapa 2 Aquisições de ações em bolsa 4.5.1. Entre 19/10/2009 e 01/03/2010 foram adquiridas ações na BM&FBOVESPA com intermediação do Banco Rothschild, no valor de R$ 4.276.292.959,42, ao preço médio de R$ 56,12. Esta operação aumentou o percentual de participação da Vivendi SA para 87,28%, reduzindo as ações disponíveis no mercado para 12,72%; 4.5.2. É devido registrar que não há que se falar em "ágio francês", criação da autoridade fiscal, vez que os valores pagos por investidores estrangeiros, independentemente de serem superiores ou não ao valor patrimonial, são simplesmente custo de aquisição nos termos da IN RFB nº 1.455, de 2014. O regime dos arts. 385 e 386 do RIR/99 são aplicáveis unicamente a pessoas jurídicas brasileiras. A aquisição de bens no Brasil por não residentes somente é relevante no momento da alienação em que o custo de aquisição do investimento é confrontado com o valor da alienação para efeito de apuração do ganho ou perda de capital; 4.6. Etapa 3 Aquisições de ações pela VTB Participações SA na OPA obrigatória 4.6.1. Em 26.03.2010 a VTB Participações SA lançou a OPA obrigatória (art. 254A da Lei nº 6.404, de 1976, e da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nº 361, de 2002) para aquisição da participação remanescente do capital da GVT (Holding) SA junto aos acionistas minoritários, tendo ocorrido o leilão em 28.04.2010. O objetivo da OPA era (i) cancelar o registro da GVT (Holding) SA como companhia aberta, deixando de ser negociada na BM&FBOVESPA; e (ii) cumprir com as regras societárias para estender aos acionistas minoritários a oferta do preço pago aos antigos controladores da GVT. O valor pago foi de R$ 1.012.185.121.39, com custo médio de R$ 58,14/ação; 4.6.2. A VTB Participações SA foi a efetiva ofertante na OPA ocorrida em bolsa, intermediada pelo Banco Itaú SA, tendo liquidado as obrigações com recursos próprios em razão de prévia capitalização com R$ 1.013.015.000,00, mediante emissão de ações ao preço unitário de R$ 1,00 cada, todas subscritas e integralizadas pela Vivendi SA: em 13/11/2009 230.715.000 ações; e em 28/04/2010 782.300.000 ações; 4.6.3. A VTB Participações SA passou a registrar o investimento de acordo com o método de equivalência patrimonial, desdobrando o custo em valor de patrimônio e em ágio, nos termos do disposto no art. 385 do RIR/99. O ágio registrado foi de R$ 883.435.173,95, integralmente fundamentado na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido na GVT (Holding) SA, segundo Laudo Calyon; 4.7. Etapa 4 Incorporação de ações da GVT (Holding) SA pela VTB Participações SA Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 22 21 4.7.1. A VTB Participações SA adquiriu ações da GVT (Holding) SA detidas pela Vivendi SA por intermédio de incorporação destas ações, fazendo com que a GVT (Holding) SA passasse a ser subsidiária integral da VTB Participações SA. Para operacionalizar a incorporação de ações da GVT, a Participações SA teve seu capital social aumentado para R$ 7.671.726.003,00. Registrou o investimento nos termos dos arts. 384 e 385 do RIR/99, composto pelo valor do patrimônio líquido da GVT (Holding) SA (R$ 2.640.804.808,45) e pelo ágio (R$ 5.030.091.216,36 = valor pago de R$ 7.670.896.024,81 R$ 2.640.804.808,45). O ágio pago teve fundamento econômico na expectativa de rentabilidade futura da GVT, suportada em avaliação contida no Laudo Calyon e no Laudo Capital Soluções; 4.7.2. Posteriormente, em 22/12/2011, a VCB Participações Ltda teve seu capital aumentado de R$ 100,00 para R$ 7.674.726.003,00, totalmente subscrito e integralizado pela Vivendi SA com ações detidas da VTB Participações SA, a qual se tornou subsidiária integral da VCB Participações Ltda. Esta passou a deter indiretamente o investimento da GVT (Holding) SA, via VTB Participações SA; 4.8. Etapa 5 Incorporação da VTB Participações SA pela GVT (Holding) SA 4.8.1. Passados quase dois anos, decidiuse simplificar a estrutura societária no Brasil, visando a racionalização de recursos, custos e despesas. Esta reorganização se deu em duas etapas: (1ª) incorporação da VTB Participações SA pela GVT (Holding) SA; e (2ª) incorporação da GVT (Holding) SA pela GVT SA. Após tais operações, o ágio registrado na VTB Participações SA passou para a GVT SA, que iniciou sua amortização para fins fiscais conforme autorizado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 e art. 386 do RIR/99; Conclusões preliminares 4.9. Ante o exposto até aqui, verificase que todos os atos praticados e a estrutura adotada para a aquisição do investimento na GVT (Holding) SA pela VTB Participações SA foram guiados por razões negociais e econômicas, anteriores e mais relevantes do que seus reflexos tributários no Brasil. As transações que precederam àquelas que levaram à amortização do ágio se deram entre partes não relacionadas e na mais absoluta condição de livre mercado, com definição independente de preço e seu efetivo pagamento às partes vendedoras, com ampla divulgação e anuência das diversas autoridades regulatórias: Anatel, CVM, Banco Central do Brasil (Bacen) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Além disso, os art. 385 e 386 do RIR/99 foram estritamente observados pela VTB Participações SA, que demonstrou que o ágio tinha fundamento na rentabilidade econômica da GVT (Holding) SA com base em dois laudos elaborados por empresas independentes. Apesar da acusação de amortização de ágio interno, a autoridade fiscal não indicou a criação de qualquer riqueza intragrupo; ao contrário, a narrativa fiscal confirma que todo o valor do ágio amortizado jamais destoou dos preços negociados e pagos entre partes independentes; A ilegitimidade da glosa da amortização do ágio 4.10. O direito à amortização fiscal do ágio tem por fundamento as disposições dos arts. 385 e 386 do RIR/99 e arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Tais normas não definem, limitam ou especificam a modalidade de aquisição que se lhe sujeitam. O que Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 23 22 determina o registro de ágio em investimento é o ato jurídico válido de aquisição deste por valor diverso do patrimônio líquido da sociedade cuja participação foi adquirida. Por aquisição deve ser entendida toda e qualquer modalidade de operação que resulte em translação de propriedade (compra e venda, dação em pagamento, permuta, doação etc) conforme doutrina e jurisprudência da CSRF (Ac nº 9101.001.657). No presente caso estão sendo atacados procedimentos adotados pela VTB Participações SA por ocasião das aquisições de investimentos em OPA obrigatória (12,72% do capital da GVT (Holding) SA) primeira aquisição e em incorporação de ações (87,28% do capital da GVT (Holding) SA) segunda aquisição ; 4.10.1. Foram atendidos os requisitos trazidos nas referidas normas, quais sejam: (i) indicação do fundamento econômico por ocasião da aquisição; (ii) confluência do ágio com a incorporação da VTB Participações SA pela GVT (Holding) SA; e (iii) fundamento econômico com base em avaliação feita no Laudo Calyon e no Laudo Capital Soluções, este último por ocasião da operação de incorporação de ações. Além desses requisitos legais, foram observados também os requisitos pela corrente jurisprudencial do Carf: (i) efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; (ii) a realização de operações originais entre partes não relacionadas; e (iii) a demonstração da fundamentação econômica do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura; 4.11. Primeira aquisição ágio registrado na aquisição de ações em OPA 4.11.1. Nesta operação foi registrado o ágio de R$ 883.435.173,95, sendo fatos incontroversos o efetivo pagamento, a aquisição em ambiente regulado e as condições de livre mercado. O fundamento econômico foi integralmente suportado em Laulo Calyon, cuja avaliação atribuiu às ações valor entre R$ 51,00 e R$ 59,00, tendo sido pago R$ 58,14/ação; 4.11.2. No tocante a esta aquisição, a autoridade fiscal questiona o direito ao registro e amortização do ágio por entender que a VTB Participações SA foi utilizada como uma mera empresaveículo, sendo a Vivendi SA a verdadeira adquirente das ações; 4.11.3. O propósito da criação da VTB Participações SA foi além da geração de um benefício fiscal, tendo como finalidade a viabilização da OPA e o fechamento do capital da GVT, funções completamente desvinculadas de qualquer economia tributária, e, posteriormente, centralizar o investimento na GVT (Holding) SA e manter o controle direto da companhia no Brasil. A OPA obrigatória foi essencial para a aquisição de 100% do capital da GVT (Holding) SA. Na aquisição, a VTB Participações SA incorreu em todos os ônus, encargos e despesas com a operação, sendo responsável por liquidar financeiramente as ações mediante pagamento em dinheiro, e por pagar os custos, comissões de corretagem e emolumentos da OPA; 4.11.4. No transcurso dessa operação e da segunda aquisição (incorporação de ações), a VTB Participações SA praticou todas as atividades ligadas a sua finalidade de sociedade de holding. Entre sua constituição em 2009 e posterior incorporação em 2013, decorreu lapso temporal de quatro anos, sendo, pois, frágil a defesa de que esta sociedade é empresaveículo. Ademais, verificase que: (i) apenas em 2011 a VTB Participações SA recebeu a vultosa quantia de R$ 39.937.000,00 a título de dividendos pagos pela GVT (Holding) SA, apurando lucro líquido de R$ 51.430.000,00, conforme balanço patrimonial; (ii) Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 24 23 para fazer face às atividades de holding, principalmente os serviços contratados, manteve em caixa R$ 2.539.000,00 mesmo após realizar a OPA, valor expressivo para uma holding pura; (iii) os rendimentos financeiros foram tributados pelo IRRF; (iv) cumpriu todas as obrigações tributárias principais e acessórias; (v) contratou terceiros, incorrendo em despesas de R$ 587.000,00 em 2010, R$ 200.000,00 em 2011, e R$ 306.828,16, em 2013; (vi) incorreu em despesas administrativas de R$ 60.000,00; (vii) participou das deliberações da GVT (Holding) SA, tais como a AGE de 10.06.2010; (viii) pagou dividendos 4.11.5. Todas as atividades operacionais da empresa, ligadas ao seu objeto social (holding), foram desprezadas pela autoridade fiscal, que se apegou arbitrariamente a "cenas" do filme (vida societária real), focando na criação da sociedade e em sua incorporação; 4.11.6. Em diversos precedentes o Carf coibiu a adoção indiscriminada do conceitochavão de "empresaveículo". Recentemente, o Acórdão 1201001.364 (01/03/2016) decidiu ser legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes, sob o fundamento de não haver óbices para que o grupo econômico transfira o investimento com ágio efetivamente pago a outra empresa sua, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura, mesmo se para isso se utilizar de "empresaveículo". Citamse outros acórdãos: 1301002.009, 1301002.047, 1201001.267, etc.. Assim, mesmo que se pretenda caracterizar a VTB Participações SA como "empresa veículo", ainda assim a jurisprudência administrativa reconhece a amortização nesses casos, considerados todos os pressupostos legais atendidos com no presente caso; 4.11.7. O fato de a VTB Participações SA ter recebido recursos da Vivendi SA em aumento do capital, e ter utilizado tais recursos para adquirir participação societária na GVT (Holding) SA em OPA, não impossibilita o registro do investimento e do ágio na VTB Participações SA. A origem dos recursos ser aumento de capital na VTB Participações SA pela Vivendi SA não altera a natureza jurídica da operação de aquisição de ações em OPA, isto porque a contrapartida do investimento da Vivendi SA foi a emissão de ações pela VTB Participações SA. Esta, por sua vez, passou a dispor dos valores recebidos, utilizandoos na aquisição de ações da GVT (Holding) SA na OPA. A realidade concreta é a de que a VTB Participações SA é que adquiriu as ações da GVT (Holding) SA, pagando os acionistas com recursos próprios; 4.11.8. Ressaltese que a realização de OPA necessita de intermediação de instituição financeira, que garantirá a liquidação financeira da oferta e, eventualmente, paga o preço. Assim, é usual tais instituições restringirem a utilização de sociedades estrangeiras na operação, haja vista haver maiores dificuldades na execução das garantias. Tal fato é mais um motivo para a utilização da VTB Participações SA na operacionalização; 4.11.9. o raciocínio adotado pela autoridade fiscal, amparada no argumento de que o ônus financeiro da aquisição das ações foi suportado pela controladora estrangeira, é absurda. Os fluxos econômicos, puramente pelo prisma econômico, não são determinantes de efeitos jurídicos, mas sim os atos jurídicos que os acompanham. O fluxo econômico pode ser o mesmo, "ingresso de recursos", mas o ato jurídico aumento de capital, empréstimo, dação em pagamento, etc, é que define as consequências no plano jurídico. Seguir o entendimento fiscal conduziria ao cenário de que tudo na economia seria sempre da Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 25 24 controladora, obrigando a revisão do conceito de controlador, que deixaria de existir na figura de uma sociedade, pois acima de uma sociedade há outro sociedade investidora, e assim por diante, até chegar aos sócios pessoas físicas. Ou seja, em outras palavras, nenhuma sociedade que tenha acionista controlador seria adquirente de nada; 4.11.10. É natural que uma pessoa jurídica, necessitando de caixa para determinada operação, seja financiada pela sócia ou empresa do grupo econômico por meio aumento de capital ou empréstimo. Tal fato, corriqueiro, não pode ser qualificado como artifício para macular a validade dos atos jurídicos, autorizando sua desconsideração conforme feito pela autoridade fiscal. A alternativa ao aumento de capital seria obter empréstimo junto a instituições financeiras. Nesse caso, estas instituições seriam as adquirentes do investimento na GVT (Holding) SA? 4.11.11. Ademais, conforme jurisprudência do Carf (Ac nºs 1301001.950 e 1302 001.150), o investidor estrangeiro não está obrigado a efetuar uma aquisição direta de participação societária de forma a eventualmente restringir seu direito ao aproveitamento fiscal do ágio gerado na transação, caso pudesse fazêlo por meio de subsidiária brasileira; 4.12. Segunda aquisição 4.12.1. Esta aquisição consistiu em incorporação de ações da GVT (Holding) SA ao patrimônio da VTB Participações SA, tendo como efeito a aquisição por esta da totalidade remanescente das ações daquela, que passou a ser sua subsidiária integral. O valor pago foi de R$ 7.670.896.024,81, sendo o ágio registrado nos termos do art. 385 do RIR/99 no montante de R$ 5.030.091.216,36. O ágio foi integralmente fundamentado na expectativa de rentabilidade futura suportada originalmente no Laudo Calyon, devidamente atestada pelo Laudo Capital Soluções elaborado por ocasião da incorporação das ações. Além disso, as operações precedentes foram realizadas entre partes independentes, não sendo possível sustentar a qualificação de ágio interno; 4.12.2. No que diz respeito à incorporação de ações, a Lei nº 6.404, de 1976, não definiu expressamente formalidades para demonstração da avaliação dos bens incorporados, seja no art. 8º, de caráter geral, seja no art. 252, adotando o princípio da liberdade convencional dos parâmetros para a determinação das relações de troca; 4.12.2.1. A única exigência imposta é que haja avaliação econômica dos bens para que não sejam vertidos ao patrimônio da incorporadora em valor superior ao real, visando resguardar o princípio da realidade do capital social, essencial à preservação dos interesses dos credores e demais acionistas (arts. 5º e 7º da referida lei). Daí a necessidade de que os critérios de avaliação das ações incorporadas e seus valores sejam informados no protocolo de incorporação, juntamente com as demais condições do negócio, evidenciando que o valor das ações é no mínimo igual ao capital social a realizar. No caso, o Protocolo de Incorporação de Ações (fls. 747 a 753) afirma expressamente que o valor de R$ 6.658.710.903,42 atribuído às ações incorporadas corresponde ao efetivo custo de aquisição das ações incorrido anteriormente pela Vivendi SA. Tal valor é o último parâmetro de mercado conhecido da GVT (Holding) SA (que deixou de ter ações negociadas em bolsa), que foi pago a terceiros conforme Laudo Calyon. A adoção deste valor foi um procedimento conservador e coerente, não merecendo reparo; Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 26 25 4.12.2.2. A aquisição pelo valor acima referido, que reflete o custo de aquisição anteriormente incorrido em operações realizadas entre partes independentes e sob condições de mercado (arm's length) está em linha com as regras vigentes de preços de transferências. A própria Receita Federal já reconheceu que as operações envolvendo alienação de participação societária estão sujeitas a tais regras; 4.12.2.3. Não há dúvida, pois, que o fundamento econômico do ágio estava suportado tanto pelo Laudo Calyon, quanto pelo Laudo Capital, este último elaborado por ocasião da incorporação de ações. Ambos foram arquivados na contabilidade, e evidenciam de forma hábil e idônea a perspectiva de rentabilidade futura e o valor mínimo a ser atribuído às ações, evitando prejuízos potenciais aos acionistas e credores; 4.12.2.4. Caso se tivesse atribuído valor de R$ 12.561.827.000,00 às ações incorporadas, como pretende a autoridade fiscal, ocorreria o reconhecimento de ágio adicional pela VTB Participações SA de R$ 4,3 bilhões. Tal diferença, ainda que sujeita à tributação de IRRF à alíquota de 15%, totalizaria o valor recolhido de R$ 640,5 milhões, havendo, em contrapartida, a economia de aproximadamente R$ 1.462 bilhões com futuras despesas de amortização fiscal de ágio deduzidas da apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, a incorporação com base em valor pago anteriormente entre partes independentes e em condições de mercado evitou o registro do chamado "ágio interno"; 4.12.3. O "ágio interno", na acepção técnica da expressão criada no âmbito de normas contábeis da CVM (Ofício Circular/CVM/SNC/CEP nº 01/2007), corresponde a um ágio que tenha sido reconhecido sem um custo de aquisição efetivamente incorrido, caracterizado como artificial, isto é, desprovido de substância econômica. Tal conceito não se aplica ao caso, onde o ágio decorreu de operação entre partes relacionadas, mas os valores transacionados tiveram por parâmetro operação anterior entre partes não relacionadas, conferindo um parâmetro de mercado e independência que afasta qualquer alegação de artificialidade. O "ágio interno" ocorreria se a operação tivesse sido avaliada pelos 12 bilhões acima mencionados, máximo estimado pelo Laudo Capital; 4.12.3.1. Registrese que a autoridade fiscal desconsiderou que a parcela do ágio de R$ 883.435.173,95 já estava registrado na VTB Participações SA no momento da incorporação, pois decorrente de aquisições realizadas anteriormente em OPA junto aos acionistas minoritários, em condições de mercado; 4.12.3.2. Em realidade, ao invocar a vedação de amortização do "ágio interno", associando este conceito ao ágio nascido entre operações no mesmo grupo econômico, a autoridade fiscal extrai conceitos que não existiam na lei em vigor à época dos fatos. Na prática, procura a aplicação retroativa da Lei nº 12.973, que positivou a vedação à amortização de ágio gerado em operações entre partes relacionadas. À época dos fatos, o art. 385 do RIR/99 impunhase a qualquer operação, ainda que entre sociedades de mesmo grupo econômico, indicando diretriz do legislador ao intérprete de não ser admitida qualquer restrição ao registro e amortização de ágio decorrente de operações legítimas. Nesse sentido está a doutrina e o Carf. Frisese que a Lei nº 12.973 não tem natureza interpretativa, vez que é necessário que tal condição esteja expressa; Aquisição de investimento no Brasil por estrangeiros Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 27 26 4.13. Não procede o argumento fiscal, que tem como referência recente Acórdão nº 9101002.213 da CSRF, e que sustenta que a contribuição de investimento adquirido no exterior à empresa brasileira, independentemente do ato societário vinculado, viola a legislação relativa ao aproveitamento fiscal do ágio. São duas as modalidades de investimento estrangeiro no Brasil: (i) aquisição direta por meio de aumento de capital; e (ii) capitalização de sociedade brasileira para que esta adquira participação societária em outra. Em ambas as hipóteses, as decisões proferidas, por voto de qualidade, decidiram ser inadmissível o registro de amortização do ágio gerado; 4.13.1. Esse entendimento está ao arrepio do ordenamento jurídico, vez que não há nos arts. 385 e 386 do RIR/99 qualquer distinção quanto à origem do investimento no Brasil. Tal técnica de interpretação viola os princípios gerais da atividade econômica e o tratamento isonômico entre residentes e não residentes da Constituição Federal (CF) e a não discriminação do capital estrangeiro conforme Lei nº 4.131, de 1962, recepcionada pela CF (art. 172); Validade do procedimento contábil da GVT SA 4.14. Em que pese a autoridade fiscal entender inusual o procedimento contábil adotado pela GVT SA no tocante ao registro do ágio e à dedução das despesas mensais de amortização, ressaltando, todavia, que este não teve qualquer impacto tributário no caso, é devido registrar que o procedimento adotado encontra suporte nas regras contidas na Instrução nº 319/99 da CVM (ICMV 319), e já foi analisado e validado pelo Carf no Acórdão nº 1402 001.461 (de 08/10/2013); Amortização de ágio na apuração da CSLL 4.15. Diferentemente do disposto para o IRPJ, não existe vedação legal à dedução de ágio para fins de apuração da CSLL. Além disso, não há norma que estenda a esta contribuição as disposições relativas ao IRPJ. Este é o entendimento do Carf nos Acórdãos nº 13010001.373, de 19/01/2016, e 1301001.893, de 20/01/2016, como também da CSRF, no Acórdão nº 9101002.310, de 03/05/2016; 4.15.1. A ausência de vedação resta ainda mais latente quando se observa o art. 50 da Lei nº 12.973, que passou a fazer previsão expressa da aplicação também à CSLL das normas legais que tratam do ágio pautado em expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, até a edição dessa lei não havia disposição leal de vedação à amortização de ágio para CSLL; 4.15.2. Ademais, ainda que não se entenda assim, o art. 75 da IN SRF nº 390, de 2004, traz disposição que autoriza a amortização do ágio pago na hipótese de incorporação da sociedade investidora pela investida. Assim, a dedução é devida pela aplicação de todos os argumentos apresentados em relação ao IRPJ; Erro na apuração do IRPJ Lucro de exploração Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 28 27 4.16. Ao realizar a glosa das despesas de amortização do ágio na determinação do lucro real, não foram considerados os efeitos dessa glosa no cálculo do lucro de exploração (decorrente da elevação do adicional do IRPJ), implicando cobrança a maior de R$ 13.359.619,47 no valor principal a título de IRPJ (R$ 3.902.067,77 para 2013, e R$ 9.457.551,70 para 2014) e, por conseguinte, revisão dos valores da multa de ofício, da multa isolada e dos juros moratórios; Concomitância da multa isolada x multa de ofício Abusividade 4.17. Além de não ser possível lançar a multa isolada em função do não recolhimento de estimativas após o encerramento do anocalendário, sua exigência cumulativa com a multa ofício sobre a mesma base de cálculo; 4.17.1. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já está consolidado no sentido da impossibilidade da cumulação das multas referidas em função da aplicação do princípio da consunção; Juros de Mora sobre a Multa 4.18. É indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, seja por falta de previsão legal, seja porque o enquadramento legal apontado no auto de infração somente autoriza a aplicação de juros de mora sobre os tributos não pagos no prazo legal. 5. Posteriormente, em 08/08/2016, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis SC para apreciação das impugnações apresentadas, com pronunciamento da unidade preparadora pela tempestividade destas (fl. 2319). Entretanto, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 2013, em 26/09/2016 os autos foram remetidos a esta DRJ/Recife para proceder ao julgamento da lide (fl. 2320). Decisão DRJ/REC Em sessão de julgamento de 17/02/17, a DRJ/REC julgou procedente em parte a Impugnação apresentada: para reduzir o montante do IRPJ conforme abaixo indicado, manter integralmente o lançamento da CSLL, reduzir a multa isolada lançada como demonstrado a seguir, e manter a multa de ofício e os juros de mora incidentes sobre os tributos confirmados. Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 29 28 A ementa ficou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSÁRIA CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE INVESTIDOR REAL E INVESTIDA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresa veículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. É inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA DE DESPESA. DESPESA CRIADA ARTIFICIALMENTE. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 30 29 A amortização do ágio constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase sujeita ao regramento geral disposto no art. 299 do RIR/99, que vincula a sua dedutibilidade a despesa decorra de operação necessária, normal e usual da pessoa jurídica. Não há como estender tais atributos para despesas derivadas de operações montadas artificialmente com o fim único de economia tributária. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEMONSTRAÇÃO DO FUNDAMENTO ECONÔMICO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. É condição necessária para a dedutibilidade da amortização do ágio justificado no fundamento econômico de expectativa de resultados futuros, que o laudo de avaliação em que se baseou seja contemporâneo com a aquisição do investimento e esteja devidamente arquivado. Ainda que aprovado em AGE, o laudo cuja avaliação da empresa investida não tiver sido levada em consideração para a fixação do preço da operação, o qual se baseou em outro laudo utilizado por outra empresa do mesmo grupo em outra operação realizada anos antes, não tem qualquer valor comprobatório. Este outro laudo, que efetivamente serviu de base para o valor registrado, também não serve como alicerce do fundamento econômico por não ser contemporâneo à operação que gerou o ágio. REDUÇÃO DE IMPOSTO COM BASE EM LUCRO DA EXPLORAÇÃO. AUMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. RECÁLCULO DEVIDO. A redução do imposto determinada com base no lucro de exploração possui entre seus componentes de cálculo o valor do adicional do imposto, razão pela qual a elevação deste em decorrência de infração apurada em procedimento fiscal enseja o recálculo da redução a que faz jus o contribuinte. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS ANO CALENDÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. É possível a aplicação de multa isolada em decorrência da falta de pagamento de estimativa após o encerramento do ano calendário. Além disso, é devida sua exigência concomitantemente com a multa de ofício vinculada ao tributo devido que deixou de ser recolhido, vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Inaplicável o princípio da consunção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Devida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário quando este se torna definitivo, ou seja, em fase de cobrança. Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 31 30 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2014 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO, MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA E JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A decisão relativa ao IRPJ quanto a estas matérias aplicase no julgamento do auto de infração da CSLL, vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Recurso Voluntário A Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica suas razões de defesa. Foi apresentado também o Recurso de Ofício correspondente à parte exonerada do débito. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissbilidade Os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos previstos em lei, assim, merecem ser analisados. Mérito Da origem do ágio O objeto do presente processo referese ao ágio cuja origem passou por duas etapas pelas quais a VTB adquiriu todas as ações da GVT que, acredito, foram o foco de questionamento do fisco, quais sejam: Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 32 31 i) oferta pública de aquisição de ações (OPA) por meio da qual a VTB adquiriu 12,72% do capital da GVT e ii) aquisição da participação residual na GVT (87,28%) através de operação de incorporação de ações. A primeira operação de cunho mandatório em razão de expressa previsão legal (art. 254A da Lei das S.A e Instrução CVM n. 361) iniciouse em 26/03/2010 quando a VTB fez a OPA para os acionistas minoritários e passo seguinte, o leilão ocorreu em 28/04/2010. Nesta etapa a VTB desembolsou R$ 1.012.185.121,39. Do ponto de vista contábil, a VTB registrou o investimento na GVT de acordo com o método de equivalência patrimonial (MEP) e desdobrou o custo de aquisição entre PL e ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura demonstrada em laudo técnico. O valor do ágio foi de R$ 883.435.173,95. Segundo a Recorrente, os objetivos da OPA executada pela VTB foram o cancelamento do registro da GVT como companhia de capital aberto e também cumprir com a legislação e regulamentação aplicável que a obrigava a estender aos acionistas minoritários a oferta do preço pagos aos antigos controladores da GVT (R$ 56,00/ação atualizado pela Selic = R$ 58,14). A segunda operação que fora perfectibilizada através de incorporação de ações através da qual a GVT tornouse subsidiária integral da VTB. Nesta operação o capital social da VTB foi aumentada em R$ 7,6 bilhões. Vencidas tais etapas e uma vez alcançado o controle total da GVT como subsidiária integral da VTB, ocorreram mais 02 operações importantes: i) incorporação reversa da VTB pela GVT em 02/09/13 e ii) incorporação da GVT pela GVT S.A. Após esta última etapa, a Recorrente passou a amortizar o ágio nos moldes dos arts. 7°e 8°da Lei n. 9.53297 e em obediência aos arts. 385, 386 e 426 do RIR. Segundo a Recorrente, a dedutibilidade do ágio no presente caso não pode ser questionado, vez que foram preenchidos todos os requisitos legais para tanto, quais sejam: i) há sólido fundamento econômico para s aquisições efetuadas; ii) houve efetivo pagamento em dinheiro (desembolso) nas aquisições de origem; iii) na caso da incorporação de ações há laudo que atesta o fundamento econômico de rentabilidade futura e iv) operações que geraram o ágio ocorreram entre partes não relacionadas. Da validade do ágio Com relação à oferta pública de ações, me parece claro nos autos que a operação restou totalmente transparente. Tal solução fora adotada por ser obrigatória e ocorreu Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 33 32 em ambiente regulado com pagamentos efetivos em dinheiro para terceiros independentes em condições de livre mercado. Tais características desta primeira operação não foram sequer questionadas pelo Fisco. Demonstra a Recorrente que a VTB foi a efetiva ofertante na OPA que a mencionada liquidação financeira ocorreu com recursos próprios. Neste ponto, alega a autoridade fiscal para justificar a glosa do ágio que não ocorreu a chamada confusão patrimonial que em seu entendimento constitui elemento necessário para a possibilitar a respectiva dedução fiscal. Aqui, entendo necessário lembrar a obrigatória observância do Princípio da Legalidade, segundo o qual não pode ser exigido do contribuinte qualquer obrigação ou conduta que não esteja prevista em lei. No meu entendimento, os dispositivos legais aqui aplicados se resumem aos art. 7°e 8°da Lei n. 9.532/97 e o art. 385 do RIR/99 que assim dispõem: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 34 33 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 35 34 § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 36 35 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). É possível perceber na leitura dos dispositivos legais acima que a operação acima detalhada cumpriu todos os requisitos legais aplicáveis. Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 37 36 Entendo aqui que as referências genéricas sobre quem foi o real adquirente ou sobre a necessária confusão patrimonial que entendo ser uma tese criada pelo Fisco sem base em lei não são suficientes para justificar a glosa do ágio. Para desconsiderar a operação e glosar o ágio, deve a fiscalização provar que os negócios jurídicos perpetrados em sua forma restaram inexistentes na essência (simulação). Mas isso não ocorreu nos autos. Questiona o fisco o fato dos recursos utilizados pela VTB neste encadeamento de operações terem sido obtidos através de aumento de capital feita por sua controladora Vivendi S.A. Tal fato é totalmente irrelevante para o deslinde do presente caso. Vejam, em qualquer empresa, o caixa sempre virá de algum lugar. O ultimo nível da estrutura corporativa sempre encontrará uma pessoa física. Quero dizer com isso que a ocorrência do aumento de capital na VTB em nada macula as operações subsequentes e nem lhe alteram a natureza. Do uso da empresa veículo A alegação do fisco de utilização da VTB como empresa veículo para justificar a glosa do ágio carece não somente de fundamentação jurídica mas também de base fática no presente caso. Primeiramente, quero destacar que a utilização da chamada empresa veículo pelo contribuinte tem sido invocada pelo Fisco como condição para invalidar o negócio jurídico ou conjunto de negócios jurídicos que culminaram na dedução do ágio pago. No caso em tela, a "empresa veículo" é a VTB, que segundo o Fisco foi utilizada pelo contribuinte com o objetivo único de possibilitar o aproveitamento do ágio. É importante destacar que o fato do contribuinte se utilizar de uma empresa veículo para a perfectibilização da operação não é suficiente, por si só, para invalidar o negócio jurídico, especialmente, como se verá mais adiante, se restar demonstrada a existência de estruturas ou caminhos alternativos disponíveis ao contribuinte e que levassem ao mesmo resultado. Este racional já encontra amparo no CARF, conforme os julgados aqui destacados: "AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 38 37 (Acórdão 1102000.982 1° Câmara / 2° Turma Ordinária Sessão de 04/12/2013 Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo) Aliás, temos diversos precedentes desta brilhante 1° Turma da 2° Câmara, dentre os quais destaco recente julgado ( Acórdão n. 1201001.364) de relatoria do ilustre Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 Ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes. Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico “transfira” o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se para isso se utilizar de empresa veículo. “DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada “empresa veículo”. Destaco aqui também, trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcelo Cuba Netto no já mencionado acórdão n. 1201001.267: "(...) Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 39 38 Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação." Me parece cada vez mais pacificado o entendimento de que a utilização de uma empresa veículo para aquisição de outras empresas, de grupo econômico distinto, não revela qualquer vício, ilegalidade ou abuso em si. De qualquer forma, temos que a VTB não era uma empresa de fachada ou fictícia. Pelo contrário, os autos mostram que tratavase de pessoa jurídica efetivamente constituída e que manteve a GVT como sua investida por um período muito razoável (cerca de 04 anos) e que desempenho exatamente o papel que se espera de uma empresa holding que é a consolidação dos investimentos societários do grupo. Além da frágil argumentação de que os recursos utilizados pela VTB foram obtidos por aumento de capital anterior (o que no fantasioso entendimento do fisco provaria que a VTB não seria a real adquirente dos investimentos) não há qualquer outro elemento que desqualifique os atos da VTB. Há clara tentativa da Fiscalização e da DRJ de tentar qualificar a Vivendi S.A como a real adquirente das ações. Ora, se partirmos deste princípio, deveria ser investigado também a origem dos recursos utilizados Vivendi e, após, a origem da origem e assim por diante. Não me parece crível tal racional. Pelo contrário, os autos demonstram que foi a VTB que organizou toda a cadeia de operações de aquisição das ações da GVT e efetivamente arcou com os custos e despesas da operação. Isso é que deve ser considerado! Assim, entendo que o argumento de utilização da empresa VTB como espécie de "conduit company" para justificar a glosa do aproveitamento do ágio deve ser integralmente afastada. Dos laudos apresentados fundamento econômico A fiscalização entendeu e os julgadores da DRJ ratificaram o entendimento de que o laudo de avaliação elaborado pela Calyon não ser suficiente para justificar o ágio pago Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 40 39 na operação de incorporação de ações vez que o laudo fora preparado em novembro de 2009 e a operação ocorreu efetivamente em dezembro de 2011. Além disso, a fiscalização também aponta que o valor do aumento de capital da VTB fora inferior à avaliação do Laudo elaborado pela Capital Soluções que havia calculado o valor de mercado da GVT em R$ 12.561.827.000,00. De início, cabe ressaltar que, em linhas gerais, o ágio irá se desenhar em linha tênue traçada na diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o valor do patrimônio líquido da investida à época da aquisição. Em raciocínio inverso, portanto, o custo de aquisição de uma empresa coligada e controlada, com valor de seu investimento, necessariamente corresponderá ao valor do patrimônio líquido na época da aquisição somado ao ágio ou deságio na aquisição. O ágio deve, no entanto, indicar seu fundamento econômico, a razão contábil que lastreia o custo de aquisição de um investimento para além apenas do patrimônio líquido da empresa. Neste ponto conveniente destacar os fundamentos econômicos que podem ser utilizados: 1 Valor de Mercado de bens do ativo da coligada ou controlada, superior ou inferior ao custo registrado na contabilidade 2 Valor de Rentabilidade da controlada ou coligada base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. 3 Fundo de Comércio, Intangíveis e outras razões econômica. Veja que o conceito basilar de um fundamento econômico que possa justificar o ágio perfaz a diferença entre uma realidade presente e uma expectativa futura, variando caso a caso. A expectativa de rentabilidade futura, em suma, será baseada na previsão de lucros que a empresa terá em exercícios futuros. “Daí que a projeção da lucratividade, na diferença proporcional entre o custo de aquisição e o valor contábil do patrimônio líquido da investida confere a segurança jurídica necessária sobre a determinação do ágio baseado no valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros.” (item 1) O recorrente fundamentou o ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura e a fiscalização a descaracterizou. Isso porque, a fiscalização alega a extemporaneidade do laudo de avaliação apresentado para comprovar o fundamento econômico que justificasse o ágio. Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 41 40 Ora, devese principiar a discussão com o fato de que à época da operação de incorporação não havia qualquer disposição legal que exigisse laudo formal de avaliação, confeccionado por perito independente e com finalidade específica direcionada à instrumentalização do ágio. Havia, tão somente, a necessidade de existência de um demonstrativo para comprovar a escrituração do ágio, apurado com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura. Veja, o demonstrativo acerca da rentabilidade futura seria suficiente para justificar e demonstrar o fundamento econômico e base para escrituração contábil do ágio em discussão. Essencial a aplicação do princípio da estrita legalidade tributária para afirmar que, inexistindo previsão legal expressa, tornase impossível exigir qualquer formalidade quanto ao demonstrativo necessário para servir de base ao lançamento contábil do ágio. Ademais, há jurisprudência do CARF que converge com o raciocínio até então formulado: LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. (Acórdão 1201001.438 2°Câmara /1°Turma Sessão de 07/06/16) ÁGIO. AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA PARTIMAG E DA MAGNESITA . A legislação fiscal não impõe forma ao demonstrativo de que trata o § 3º do art. 20 do DL 1598/77, logo, se os autuantes não questionaram a substância econômica do demonstrativo apresentado pelo fiscalizado, há que aceitálo para a fundamentação e fixação do ágio pago nas aquisições das ações. (Acórdão nº 1302001.465 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 30 de Julho de 2014) ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 42 41 Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Contudo, não é possível se admitir que laudo elaborado mais de um ano após os fatos, sem qualquer suporte em documentos contemporâneos à aquisição de terceiros, sirva para fundamentar o ágio em uma das modalidades que permitam o benefício fiscal. (Acórdão nº 1102001182 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014) ÁGIO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PARA FUNDAMENTAR O ÁGIO COM BASE NA RENTABILIDADE FUTURA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. LAUDO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A demonstração do fundamento econômico da mais valia paga deve ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Embora a legislação não estabeleça a forma dessa demonstração, o corolário é que esta deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Tratase de requisito legal indispensável, à cargo do sujeito passivo para fruição do benefício fiscal estabelecido. Não tem o Fisco que demonstrar qual seria o “outro fundamento econômico” para o ágio pago, mas sim ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que pagou o ágio baseado na rentabilidade futura projetada para o investimento. Assim, cabe adentrar nas questões formais, novamente, para esclarecer que além de não haver previsão legal para a confecção de laudo técnico, inexistia à época da formação do ágio, qualquer dispositivo no pátrio ordenamento jurídico que determinasse algum prazo para apresentação deste demonstrativo. Atualmente vigora a Lei nº 12.973/2014, que dispõe em seu art. 20, § 3º, sobre a exigência de um laudo elaborado por perito independente, no entanto, se referindo a comprovação da “mais ou menosvalia, que corresponde à diferença entre o valor justo dos ativos líquidos da investida, na proporção da porcentagem da participação adquirida, e o valor de que trata o inciso I do caput” (inciso II) e de forma alguma fazendo menção à comprovação do ágio (no presente artigo elencado no inciso III). Desta forma o prazo que estipula referido artigo, do “(...) último dia útil do 13º (décimo terceiro) mês subsequente ao da aquisição da participação.” para apresentação do laudo, não se aplica à apresentação de demonstrativo que comprove o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 43 42 Neste contexto se torna desnecessária a menção e aplicação do princípio da retroatividade benéfica, uma vez que a lei presente não abrange e nem norteia especificamente o caso concreto que ocorreu no passado. Cabe lembrar, a legislação vigente à época das operações não disciplinou de forma expressa a forma de apresentação da demonstração, assim, ao referirse à expressão "demonstração", sem qualquer complemento, especificação ou requisito adicional, o legislador permitiu que os contribuintes viessem a demonstrar o fundamento econômico do laudo por meio de qualquer instrumento ou documento, que poderia ser um laudo "stricto sensu" elaborado por auditores independentes, um estudo interno ou uma simples apresentação em slides. Digo isso, pois, tal constatação mostra que a discussão acerca da extemporaneidade do laudo é de toda inócua. Superando a questão, segue passagem do acórdão nº 1101000.899 (Sessão de 11/06/2013): TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. (...) (...) Desnecessário, assim, seria debater a qualidade do laudo que dá fundamento ao ágio amortizado. De toda sorte, registro que os argumentos adotados pela Fiscalização não são suficientes para desqualificálo. Isto porque a exigência legal é no sentido de que a contribuinte mantenha comprovante de escrituração que demonstre o fundamento do ágio pago. Este comprovante deve expressar razões que justifiquem a aquisição, mas não precisa ser, necessariamente, elaborado antes ou concomitantemente com a operação. A contribuinte pode possuir, apenas, estudo interno que lhe demonstre a rentabilidade futura, e depois buscar laudo técnico que o corrobore, desde que este não se valha de premissas impraticáveis no passado. E, no presente caso, o laudo apresentado pela contribuinte toma por referência o faturamento da empresa adquirida contemporâneo à aquisição, e aponta o retorno dos investimentos suplementares em 2,9 anos (35 meses) (fl. 302). Ou seja, se considerada a rentabilidade futura pelo prazo de 5 anos, seria possível um pagamento maior que o efetuado. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 44 43 A fiscalização, no entanto, reputou que a extemporaneidade acarretaria iminentes mudanças nos resultados já contabilizados (devido a condições de mercado ou regulatórias, inovação tecnológica, economia mundial). De qualquer forma, falecendo qualquer possibilidade de extemporaneidade e restando demonstrado que o trabalho apresentado pelo Laudo Calyon e ratificado pelo Laudo Capital Soluções (ambos elaborados no momento da operação de incorporação de ações) se mostrou apto em termos técnicos, ou seja capaz de demonstrar a expectativa de rentabilidade futuro, restou devidamente comprovada a existência do elemento econômico que fundamentou o pagamento o ágio. Do ágio interno Como bem destacado pela Recorrente, é importante aqui destacar que ainda que as últimas etapas da operação tenham ocorrido entre partes relacionadas, o fato é que o ágio fora gerado em operações de aquisição de ações que foram contratadas com terceiros independentes e em ambiente de livre mercado ou foram baseadas nos parâmetros desta operação. Explico. A operação de OPA, como o próprio termo indica, é uma oferta pública que, portanto, necessariamente, envolve a participação de um universo de pessoas físicas e jurídicas que não possuem qualquer relação com a ofertante. A operação seguinte que foi de incorporação de ações, de fato, ocorreu entre partes relacionadas, fora totalmente baseada nos parâmetros utilizados na operação de OPA, o que afasta qualquer artificialidade da operação. Faço este destaque porque, ainda que os elementos de prova trazidos aos autos não fossem suficientes para afastar o entendimento de que a operação gerou um ágio interno, tenho que no presente caso o aproveitamento do ágio não deveria ser glosado. A autoridade fiscal se vale de normas e doutrina contábil, para concluir que é vedada dedução da despesa de amortização de ágio originado em operações entre partes ligadas. Contudo, invoco aqui o Princípio da Legalidade para concluir que tal racional é infundado. Da leitura dos art. 385 e 386 do RIR/99 podemos concluir que o ágio decorrente de operações realizadas entre partes ligadas, por si só, não implica na respectiva impossibilidade de dedução. Isso porque, não há qualquer vedação legal à dedução do chamado ágio interno, da mesma forma que não existe qualquer determinação de que o ágio seja originado em operação entre partes independentes para que seja válida a respectiva dedução fiscal, sendo totalmente descabida a autuação baseada, tão somente, em normas e princípios contábeis. Ora, a Lei nº 11.638/2007 que introduziu no Brasil o IFRS, prevê a segregação dos sistemas contábil e fiscal e, isso já é reconhecido pela própria PGFN, conforme se verifica da leitura do Parecer PGFN/CAT/nº 202/13: Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 45 44 " (...) O que se verificou, a partir da Lei nº 11.638, foi uma profunda mudança em conceitos básicos da própria contabilidade mercantil brasileira, rompendo com práticas que até então eram adotadas para a demonstração do patrimônio líquido das entidades e dos seus lucros. Tal rompimento atingiu até os Princípios Fundamentais de Contabilidade aprovados pela Resolução nº 750, de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade, que outrora eram chamados “princípios contábeis geralmente aceitos” e assim estão referidos no art. 177 da própria Lei nº 6.404. Com efeito, desde época imemorial o lucro sujeito à incidência tributária é o apurado na contabilidade comercial, a partir do qual são feitos ajustes de natureza exclusivamente fiscal, determinados pela legislação do IRPJ (e mais recente pela da CSL) com vista à quantificação das respectivas bases de cálculo. Tais ajustes, como se sabe, são os de receitas não tributáveis ou com tributação diferida, e os de custos ou despesas não dedutíveis ou com dedução diferida, assim como os dedutíveis até certo limite de valor ou sob determinadas condições, e também aqueles que recebem algum tratamento especial, inclusive a título de incentivo fiscal, procedendose, por fim, à compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores. Ocorre que as modificações na contabilidade, estribadas na lei nº 11.638, não mais permitem a partida, pura e simplesmente, do lucro líquido contábil, com vistas ao cálculo do lucro tributável. Isto ficou assim em virtude de que tanto as normas contábeis, inclusive e especialmente as normas jurídicas sobre contabilidade refletidas na Lei nº 6.404, quanto as normas tributárias estavam construídas sobre alicerces comuns, os quais faziam com que elas caminhassem lado a lado, sem muitos conflitos, e distanciandose apenas quando as leis tributárias determinassem algum tratamento fiscal a este ou aquele componente do lucro, diferente do que figurava na contabilidade. (...)”. 13. Tornouse necessária a adoção de uma alternativa legal que preservasse a incidência tributária dos efeitos imprevistos e, até então, imprevisíveis, trazidos pela Lei nº 11.638, de 2007. Foi nesse cenário que veio a lume o Regime Tributário de Transição, instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, mediante o qual se buscava neutralidade fiscal, conforme já devidamente explicitado na Nota Técnica da RFB. 14. Com efeito, a intenção do RTT foi manter os critérios contábeis previstos na Lei nº 6.404, de 1976, antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007, de forma a que as novas regras contábeis não influenciassem a apuração dos tributos respectivos (IRPJ, CSLL, PIS/COFINS). No que concerne ao IRPJ e CSLL, tributos mais afetados diretamente pelas referidas regras, por terem como base de cálculo o lucro real, o RTT determina que o lucro Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 46 45 a ser considerado como base para a quantificação do lucro real deve desconsiderar, para sua composição, as regras contábeis trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007. 15. O RTT procurou, enfim, manter os procedimentos tributários utilizados antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007. A partir dele, houve uma separação de mundos que até então tinham suporte comum. O RTT é o divisor de águas. A contabilidade societária tomou um rumo e a fiscal outro, sendo que tal Regime atingiu todas as disciplinas referentes à tributação. (...) 17. Efetivamente, os artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941, de 2009, expressamente determinam a observância, para fins tributários, dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, até que entre em vigor lei que discipline os efeitos tributários desses novos métodos e critérios contábeis, ou seja, a legislação tributária vigente nessa época permanece aplicada não sendo considerados os efeitos dos novos critérios contábeis. Dizer diferente significa dar efeito tributário às alterações trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007, o que não se pode admitir em face dos claros mandamentos da Lei nº 11.941, de 2009. ... 31. Assim, tendose em mente que as regras contábeis instituídas pela Lei nº 11.638, de 2007, não podem gerar efeitos tributários, nem servir ao cálculo de tributos, parece claro que os lucros ou dividendos não sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte são os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados segundo as normas tributárias vigentes a partir do advento do Regime Tributário de Transição (RTT), o “lucro fiscal”, e, portanto, regras societárias originais da Lei nº 6.404, de 1976, anteriores à Lei nº 11.638, de 2007. A própria Administração Tributária reconhece deve haver total separação dos sistemas contábil e fiscal, sob pena de os novos conceitos trazidos pelas novas regras, como a avaliação do patrimônio a valor justo, valor de mercado, etc., interferissem indiretamente na base de cálculo dos tributos com conseqüente redução na arrecadação tributária. Na realidade do caso concreto, a autoridade fiscal para considerar ter havido infração e fraude, partiu de premissas equivocadas à luz da “teoria contábil, só que esta teoria está lastreada em regras contábeis editadas em períodos posteriores aos fatos ocorridos. Aceitarse tal interpretação implicaria, de uma só vez, em macular dois princípios da ordem jurídica pátria, a legalidade e a irretroatividade. Ora, se nem a lei pode retroagir, muito menos a interpretação. Somente à partir da Lei 11.638/2007, é que passou a ser exigido o resultado consolidado do grupo e foi vedada, a partir de então, apenas para fins societários, a utilização do chamado ágio gerado internamente. Tudo regulado pelos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC. Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 47 46 Tal conclusão é de fácil verificação, haja vista que a Lei nº 11.941/2009 criou o RTT exatamente para regrar essas separações de sistemas e, da simples leitura do texto legal constatase que o conceito de balanço consolidado não foi aceito pela lei fiscal, bem assim, as regras de dedutibilidade do ágio continuaram plenamente em vigor, eis que, além de não existir na lei fiscal vedação ao ágio gerado internamente dentro do grupo, a lei também não exigiu que houvesse propósito negocial ou pagamento. Portanto, se não por outros motivos, ainda que se admitisse a possibilidade de se transportar para a área fiscal a nova interpretação das regras contábeis, digase de passagem, não da lei societária, mas de pronunciamentos do CPC, aplicáveis a partir de 2010, ainda assim, pelo princípio da irretroatividade tal interpretação não poderia retroagir para alcançar fatos anteriores à sua existência. Ora, cabe ressaltar aqui que todo o tratamento fiscal vigente à época dos fatos, entendase aqui, os artigos 385 e 386 do RIR/99, faz todo sentido, pois, o ágio decorre da aquisição de um investimento por seu valor de mercado, superior ao valor contábil do investimento e, tal condição, é exigida pelo legislador em outras hipóteses de operações entre partes relacionadas vide as regras de Transfer Pricing e de Distribuição Disfarçada de Lucros. DDL. Sempre que se avalia uma operação entre partes relacionadas, a primeira providência que se toma é verificarse se a operação se deu em condições "Arm's Lenght". Por que, numa aquisição de investimento, o Fisco entende de forma oposta e conclui que, se a operação se deu a valor de mercado, então, se trata de verdadeiro planejamento tributário ou, simplesmente, o ágio é indedutivel? Se uma determinada empresa possui bem totalmente depreciado em sua contabilidade e o vende por 1 centavo para empresa ligada, podemos considerar que se trata de operação Arm's Lenght? Então, quando se trata de investimento, por que a adoção de condições de mercado coloca a operação em condição suspeita, ou pior, em condição tributária menos favorecida (despesa indedutível)? Não parece razoável. Vejamos alguns julgados do CARF neste sentido: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 48 47 violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. (Acórdão n. 1301001.224 1. Turma 3. Câmara 1. Seção) INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EMPRESAS DO MESMO GRUPO O registro foi expressamente admitido pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, não podendo a administração tributária recusar lhe os efeitos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.542/97. EFEITOS DO ART. 36 DA LEI Nº 10.637/2002 O art. 36 da Lei nº 10.637/2002 autorizou o diferimento da tributação do ganho de capital, representado pela reavaliação de participação societária para fins de incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, para o período base em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. A incorporação, da pessoa jurídica para a qual foi transferido o investimento, pela pessoa jurídica investida, implica realização prevista no § 1º do art. 36 (baixa a qualquer título), fazendo cessar o diferimento do valor controlado no LALUR. A hipótese não se encontra abrangida pela exceção prevista no § 2º do artigo, por não ocorrer transferência da participação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida. (Acórdão 1301001.299 1. Turma 3. Câmara 1.Seção) Cabe ressaltar, somente a partir da edição da Lei n. 12.973/14 é que o chamado ágio interno passou a ser indedutível. Assim, por expressa previsão legal, já não é mais permitida a dedução do ágio formado intragrupo. Contudo, tal normativo, por óbvio, não pode ter efeitos retrospectivos e alcançar as operações que ocorreram antes de sua edição, como é o caso em tela. Além disso, a lei vem sempre para inovar o ordenamento jurídico e assim, por conclusão lógica, temos que o chamado ágio interno não era vedado antes da edição da Lei n. 12.973/14. Pensar de forma distinta seria admitir que a Lei n. 12.973/14 veio somente para "confirmar" o que já era previsto de forma "implícita" na Lei n. 9.532/97. Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 49 48 Em razão do exposto, entendo que ainda que entendido que o ágio ora em debate tenha sido originado em operação perpetrada entre empresas do mesmo grupo econômico, tal fato, por si só, não prejudica a dedução da despesa de amortização de ágio pela Recorrente vez que os valores utilizados tiverem como parâmetro a operação imediatamente anterior (OPA) que envolveu partes não relacionadas o que afasta o argumento de artificialidade da operação. Por fim, temos que: i) o ágio fora gerado em operação entre partes independentes em ambiente de livre mercado (OPA) ou entre partes relacionadas mas com utilização dos mesmo parâmetros da operação anterior; ii) o valor do ágio foi efetivamente pago; iii) o preço praticado fora ratificado por 02 laudos de avaliação distintos; iv) houve efetiva confusão patrimonial entre investidora (VTB) e investida (GVT) e v) ausente qualquer evidência de artificialidade ou simulação no caso em tela. Assim, entendo indevida a glosa da dedução do ágio, devendo ser cancelado o Auto de Infração. Em relação à parte exonerada do débito, referente à redução de multa isolada, entendo que tratase de mera questão de cálculo, assim não merece qualquer reparo a decisão da DRJ neste ponto. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGAR LHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para DARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 50 49 Voto Vencedor Conselheira Eva Maria Los Redatora designada. 1. A autuação se compõe de autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL: a. glosa de amortização de ágio, fato gerador 31/12/2014, multa de ofício 75%; b. multas isoladas de 50%, devido à falta de recolhimento de estimativas mensais, tanto de IRPJ, como de CSLL. 2. Foram responsabilizadas solidariamente as sucessores da autuada, POP Internet Ltda, por cisão e Telefônica Brasil S/A, por incorporação. 1 Descrição dos fatos. 3. A Autuada, GVT S/A, passou a amortizar ágio depois de ter incorporado sua controladora direta GVT Holding S/A, que havia incorporado a respectiva controladora VTB Participações S/A. 1.1 FORMAÇÃO DO ÁGIO: A Fig. 1, do Termo de Verificação Fiscal, ilustra a estrutura societária: 4. Aquisição de 100% das ações da GVT Holding S/A, Fig 1: Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 51 50 Vivendi S/A, na França, entre 10/2009 e 06/2010: a) adquiriu de investidores no exterior 31,08% das ações da GVT Holding S/A, com ágio; b) adquiriu de investidores, no mercado bursátil brasileiro, 56,2% das ações da GVT Holding S/A, com ágio; c) total do ágio R$4.857.837.649,74; VTB Participações S/A, subsidiária no Brasil da Vivendi, em 03/2010, adquiriu no mercado brasileiro via Oferta Pública de aquisições de Ações (OPA), 12,72% da GVT Holding S/A, com ágio R$883.435.173,96; com recursos resultantes de capitalização da VTB, pela Vivendi S/A. 1.2 INCORPORAÇÕES 5. Incorporação das ações da GVT Holding S/A, pela VTB Participações S/A, em 21/12/2011; assim a GVT Holding S/A se tornou subsidiária integral da VTB Participações S/A; o valor das ações foi igual ao custo de aquisição pela Vivendi S/A a VTB registrou o ágio total de R$5.741.272.823,68; aumentou seu capital social e as ações emitidas pela VTB foram atribuídas à Vivendi S/A, que se tornou acionista com 99,9999% de participação no capital da VTB. 6. Incorporação de ações da VTB Participações S/A detidas pela Vivendi, pela VCB Participações Ltda (domiciliada no Brasil), em 22/12/2011, que aumentou seu capital social e as novas quotas emitidas foram conferidas à Vivendi S/A; 7. Assim, a estrutura societária resultante passou a ter a seguinte configuração: Vivendi S/A, na França 99,9999% da VCB VCB, no Brasil 100% da VTB VTB, no Brasil 100% GVT Holding GVT Holding, 99, 9621% GVT S/A 8. Cabe esclarecer que a VCB, alterou sua razão social para GVT Participações S/A. 9. Em 09/2013, com a incorporação, pela GVT S/A (Autuada), da GVT Holding S/A, que havia incorporado a VTB Participações S/A, a Autuada passou a amortizar o ágio que havia sido formado nas aquisições: a. de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil; b. de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB (capitalizada pela Vivendi), via OPA. 2 Ágio. Amortização. 10. Por refletir situação análoga, citese o Acórdão nº 9101002.213, de 03/02/2016, da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO. INVESTIDA. REAIS INVESTIDORAS. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. INDEDUTIBILIDADE. IRPJ. CSLL. Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 52 51 Nos termos da legislação fiscal, é indedutível o ágio deduzido pela investida, em inexistindo a necessária confusão patrimonial com as suas reais investidoras. 11. Esclarece com muita precisão, no mesmo julgado deste Acórdão nº 9101002.213, de 03/02/2016, a Declaração de Voto do conselheiro André Mendes Moura, da qual se transcreve e comenta, inicialmente, o resumo que este apresentou, de que a verificação da amortização do ágio aborda três questões: 2.1.1 Questão 1. Se os fatos de amoldam à hipótese de incidência. A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento, observase que a discussão mais relevante inserese precisamente no momento situado antes da subsunção do fato à norma. Falase insistentemente se haveria impedimento para se admitir a construção de fatos que possam se amoldar à hipótese de incidência de norma de despesa. O ponto é que, independente da genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de investidora originária. Quem viabilizou a aquisição? De onde vieram os recursos? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida? Quem decidiu adquirir um investimento com sobrepreço? A investidora originária. Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar a aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica C, ou (2) efetuou aportes financeiros (dinheiro, mútuo) para a pessoa jurídica C, a pessoa jurídica A não perderá a condição de investidora originária. Podese dizer que, de acordo com as regras contábeis, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, depois da pessoa jurídica D que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida). Ocorre que a absorção envolvendo a pessoa jurídica D e a pessoa jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários. Tratase de operação que não se enquadra na hipótese de incidência da norma, que elege, quanto ao aspecto pessoal, a pessoa jurídica A (investidora originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas entre a despesa incorrida pela pessoa jurídica A (investidora originária que efetivamente incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida). 2.1.2 Questão 2. se foram cumpridos os requisitos de ordem formal (...) se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, §3º do Decreto Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 53 52 Lei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico do ágio. Há que se verificar também (3) se ocorreu, efetivamente, o pagamento pelo investimento. 2.1.3 Questão 3. Se as condições do negócio atenderam os padrões normais do mercado. (...) constatar se toda a operação ocorreu dentro de padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes 2.2 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. QUESTÃO 1. SE OS FATOS DE AMOLDAM À HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. 12. A seguir se transcreve o detalhamento das razões da Questão 1, apresentadas pelo conselheiro André Mendes Mora, do porquê de haver fatos que não se amoldam à hipótese de incidência do permissivo para se amortizar o ágio. (...) E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 54 53 jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. (Grifouse e negritouse.) Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI67, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 55 54 pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. 2.2.1 Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil 13. A Vivendi, na aquisição de 31,08% das ações, de investidores no exterior (no caso, cabe destacar que se trata de compra e venda de ações de empresa no Brasil, porém realizada entre empresas ambas no exterior, não havendo razão para internalização do ágio, salvo o aproveitamento da dedutibilidade da respectiva amortização) e de 56,2% das ações, no mercado bursátil brasileiro, efetuou tais aquisições com ágio; tais ágios, foram desembolsados por empresa domiciliada no exterior (Vivendi). 14. A legislação brasileira somente autoriza a amortização em 60 meses, do ágio do investimento societário feito, quando a empresa investidora que efetuou a aquisição com ágio, incorporar ou for incorporada (numa incorporação reversa) pela empresa objeto do ágio, consumandose a confusão patrimonial entre investidora e investida (além das demais condições que serão comentadas adiante, neste voto). 15. As operações societárias realizadas visaram trazer para o Brasil a possibilidade dessa amortização e todas foram efetuadas intragrupo, tratandose todas as empresas envolvidas, de subsidiárias da Vivendi. 16. Mediante as mesmas, o ágio da empresa Vivendi, situada no exterior, foi transferido para as subsidiárias no Brasil, via aumentos de capital dessas subsidiárias, capitalizados pela Vivendi, com as ações adquiridas. 17. Incorporadas pela GVT S/A, esta passou a amortizar o ágio. Citese o TVF: Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 56 55 Utilização da "empresa veículo" VTB Participações SA visando exclusivamente à "nacionalização" do investimento e ao aproveitamento fiscal do ágio. 18. Foi o caso das subsidiárias no Brasil da Vivendi, que não efetuaram o investimento, totalmente suportado pela Vivendi, no exterior. 19. Não ocorreu confusão patrimonial entre a investidora Vivendi, que fez a aquisição com ágio, no exterior (34,8% das ações) e no Brasil (56,2%) e a GVT Holding S/A, que incorporou as subsidiárias no Brasil, para as quais a Vivendi transferiu, mediante transformações societárias, o ágio incorrido no exterior, dado que a Vivendi (investidora) é domiciliada na França. 2.2.2 Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, via OPA 20. Verificase que, das operações de aquisição realizadas, somente a aquisição dos 12,72% da GVT Holding S/A, pela subsidiária VTB Participações S/A foi realizada com recursos da VTB, posteriormente incorporada. 21. Neste caso, é possível reconhecer a confusão patrimonial entre investidora e investida, em que pese a avaliação do texto transcrito, (parágrafo sublinhado e negritado, na citação precedente), dado que, no caso, o aporte financeiro efetuado pela Vivendi, na VTB Participações S/A, subsidiária no Brasil da Vivendi, resultou na capitalização da VTB com recursos pela Vivendi, ou seja, a VTB aumentou o capital, com recursos da sua controladora e utilizouos na aquisição com ágio, das ações da GVT Holding S/A, de vendedores no País. 2.3 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. QUESTÃO 2. SE FORAM CUMPRIDOS OS REQUISITOS DE ORDEM FORMAL. 22. O autuante consignou que: (...) houve dois laudos que avaliaram a GVT (HOLDING) em épocas diferentes e para fins distintos. O primeiro laudo foi elaborado em novembro/2009 por CALYON CRÉDIT AGRICOLE (fls. 1119 a 1320). Teve como finalidade subsidiar a VIVENDI SA na aquisição da GVT (HOLDING) por meio da compra de bloco de ações e/ou Oferta Pública de Aquisição, tal como as operações efetivamente levadas a cabo entre novembro/2009 e junho/2010 e já descritas no tópico 4.2.1 deste TVF. A recomendação tirada do “LAUDO CALYON” é de que se pagasse o valor igual ou superior a R$ 53,00 por ação (vide Figura 12 a seguir). Considerando que foram pagos R$ 7.670.896.024,81 pelas 136.863.791 ações, o valor médio efetivamente praticado naquelas operações ficou em R$ 56,05/ação (vide Tabela 2). (...) O segundo laudo foi elaborado em dezembro/2011 por CAPITAL SOLUÇÕES (fls. 1321 a 1488), por ocasião da incorporação, pela VTB PARTICIPAÇÕES, das ações de emissão da GVT (HOLDING) até então detidas pela VIVENDI. Conforme consta Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 57 56 nos itens 5.2 e 5.3 da ata da AGE da VTB PARTICIPAÇÕES realizada em 21 de dezembro de 2011 (fl. 743), bem como no item 2 do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações (fls. 748 e 749), a Capital Soluções havia sido designada responsável pela avaliação da GVT (HOLDING) para fins da incorporação das ações. Portanto, o “LAUDO CAPITAL SOLUÇÕES” teve como finalidade atender ao disposto nos §§ 1º e 3º do art. 252 da Lei nº 6.404/1976, in verbis: (...) 23. E concluiu que o Laudo Calyon, elaborado em 11/2009, pode atestar o fundamento do que denominou "ágio francês" nas aquisições de 31,8% pela Vivendi no exterior; 56,2% pela Vivendi no Brasil e 12,72% pela GVT no Brasil. 24. Quanto ao Laudo Capital Soluções, elaborado em 12/2011, quando das incorporações, concluiu o Autuante e demonstrou que, não se prestava à comprovação do ágio, pois elaborado posteriormente, e que tendo este Laudo avaliado as ações representativas de 87,28% do capital da GVT detidas pela Vivendi em R$10,965 bilhões, mas quando da incorporação das ações pela VTB, o valor atribuído foi R$6,658 bilhões, então: a incorporação se fez convenientemente pelo mesmo valor da aquisição a fim de que não houvesse ganho de capital tributável naquela operação; que a incorporação de ações foi uma transação realizada pela VIVENDI consigo mesma, ainda que por intermédio de suas subsidiárias, sem presença de terceiros independentes; não se presta para comprovar qualquer fato contábil registrado pelas empresas envolvidas na incorporação de ações, em especial o fundamento econômico do suposto ágio havido na operação. 25. Do exposto, cabe concluir em relação à QUESTÃO 2; a. Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil, os requisitos não foram cumpridos, dada a avaliação quanto ao Laudo Capital Soluções, nas operações de incorporação de ações, pelas quais a Vivendo atribuiu as ações às suas subsidiárias no Brasil; b. Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, via OPA, o requisito foi cumprido pelo Laudo Calyon. 26. No que tange ao efetivo pagamento das aquisições, a fiscalização não negou que ocorreu. 2.4 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. QUESTÃO 3. SE AS CONDIÇÕES DO NEGÓCIO ATENDERAM OS PADRÕES NORMAIS DO MERCADO. 27. Quanto às aquisições das ações terem se dado entre agentes independentes, não resta qualquer dúvida; no que tange às operações de incorporação de ações, estas se deram internamento, sendo as envolvidas todas elas subsidiárias da Vivendi. a. Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, requisito cumprido apenas na primeira operação de aquisição das ações de terceiros; b. Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, requisito cumprido, pois as ações foram adquiridas pela VTB, de terceiros, em condições de livre concorrência. Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 58 57 2.5 SÍNTESE 28. Concluise que apenas o Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, via OPA, reúne condições para a amortização, nos termos da legislação pertinente. 3 Estimativas mensais. Multa isolada. 29. Afirma não ser possível lançar a multa isolada após o encerramento do ano calendário; tratase de sua exigência cumulativa com a multa ofício sobre a mesma base de cálculo; que o STJ já está consolidado no sentido da impossibilidade da cumulação das multas referidas em função da aplicação do princípio da consunção. 30. Sobre os impostos e contribuições devidos exigemse multa de ofício de 75% do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e multa isolada do art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 31. Na redação original do art. 44 § 1º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996, a multa isolada era de 75%, o que foi alterado pela MPv nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dando nova redação e reduzindo o percentual para 50%. 32. Portanto, as multas aplicadas, obedecerem à legislação vigente. 33. As multas exigidas, juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. De fato, a multa exigida isoladamente decorre da falta de recolhimento das estimativas mensais devidas ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do períodobase. Por sua vez a multa de ofício é exigida sobre o valor do IRPJ ou CSLL anual que deixou de ser recolhido. Tanto são independentes as penalidades que pode haver a imposição de uma sem que haja o nascimento da outra, por exemplo, quando a contribuinte deixa de recolher as estimativas mas tenha apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário, conforme a alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 34. Cabe destacar que foi editada, em 12/2014:: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 35. O Acórdão CSRF nº 9101002.510, de 12 de dezembro de 2016,esclarece a questão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JlRIDICA IRPJ Anocalendario: 2008. 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 59 58 A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória n° 351, de 2007, no art. 44. da Lei n° 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmai que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF n° 105. eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória n° 351. de 2007. no ait. 44 da Lei n° 9.430. de 1996. 36. Adicionalmente, cabe acatar as razões expostas de forma minuciosa no Acórdão da DRJ/REC. 37. Quanto à penalidade ser aplicada após o encerramento do ano calendário, a leitura do dispositivo legal deixa claro o permissivo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. 38. Como se vê, mesmo constatado que o contribuinte apurou prejuízo ao final do ano calendário, o que só pode ser dar após o respectivo encerramento, a legislação determina a aplicação da multa isolada, se constatado o não recolhimento das estimativas mensais devidas. 39. Quanto à acusação de consunção, reiteramse as razões expostas pela DRJ/REC, que não se transcreve, dado constarem do processo e terem sido cientificadas aos interessados. 4 Não vedação à dedução do ágio na apuração da CSLL. 40. Argumenta inexistir vedação legal à dedução do ágio para fins de apuração da CSLL e cita Acórdãos CARF; que somente o art. 50 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, passou a prever expressamente a aplicação também à CSLL das normas legais que tratam do ágio pautado em expectativa de rentabilidade futura; portanto, até então, não havia disposição legal nesse sentido. 41. No que tange ao "Ágio Resultante da aquisição de 12,72% da GVT Holding S/A pela VTB, via OPA, que este voto julgou passível de dedução aplicase ao lançamento decorrente de CSLL, o decidido em relação ao IRPJ. Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 60 59 42. Quanto ao "Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil", que este voto julgou indedutível, por não preencher os requisitos para tanto; analisase, então, se a vedação também se estende à CSLL. 43. Cabe resumir as razões da DRJ/REC, com as quais a relatora concorda. 44. A Lei nº 8.981, de 1995, art. 57, determinou que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ; o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, estabeleceu a vedação, tanto para o IRPJ com para a CSLL, da dedução de despesas de amortização, com as mesmas exceções; o art. 75 da IN SRF nº 390, de 2004, que interpretou a legislação citada, estabeleceu expressamente o entendimento da Receita Federal, de que são extensíveis no sentido de que as disposições do Decretolei nº 1.598, de 1977. 45. Citemse também Acórdãos recentes da CSRF, que deixam claro que se aplicam à CSLL as regras aplicáveis ao IRPJ: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE- Data da Sessão 04/04/2018 Nº Acórdão 9101003.543 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAno calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. (Grifouse.) Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 07/03/2018 Nº Acórdão 9101003.466 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAno calendário: 2007, 2008, 2009, 2010TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. APROVEITAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 61 60 seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.Ainda que o ágio tenha sido criado em operação envolvendo terceiros independentes, se houver a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA.Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE- Data da Sessão 17/01/2018 Nº Acórdão 9101003.371 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.A hipótese de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresaveículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. ÁGIO INTERNO. ÁGIO DE SI MESMO. INDEDUTIBILIDADE.Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio não só gerado internamente ao grupo econômico, mas surgido de participação societária na própria empresa que o amortiza, sem que tenha havido dispêndio efetivo. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. EFEITOS NA CSLL. Estendemse à apuração da CSLL os efeitos da glosa de despesas com amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura considerado indedutível. 46. Transcrevese a seguir os argumentos contidos no Acórdão supra, da lavra da ilustre conselheira Adriana Gomes Rêgo. Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 62 61 Antes de se discutir acerca do alcance das normas que dizem com a determinação da base de cálculo da CSLL em relação à amortização do ágio por rentabilidade futura, temse, em primeiro lugar, que a constatação da artificialidade dos procedimentos destinados ao aproveitamento tributário do ágio impede que se aceite, sob qualquer argumento, a sua dedutibilidade para fins de apuração da CSLL. Além disso, acerta a Relatora do acórdão recorrido ao firmar interpretação no sentido de que a Lei n° 9.532, de 1997, repercute, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, trazendo as disposições da Instrução Normativa SRF n° 390, de 2004, que vão nesse sentido. Confirase: Demais disso, embora à primeira vista a Lei n° 9.532/97 aparente surtir efeitos apenas nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, na medida em que esta aproximouse, no caso de ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, da apuração do lucro contábil, é possível interpretar que a lei, ao valerse daqueles termos, e não meramente firmar a dedutibilidade da amortização na apuração do lucro real, repercutiria, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, inclusive como expresso na Instrução Normativa SRF n° 390/2004: Subseção III Do Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Da incorporação, fusão ou cisão Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. (...) Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 63 62 § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; (...) Assim, quer em razão do disposto na Instrução Normativa SRF n° 390/2004, quer por interpretação dos termos da Lei n° 9.532/97 no contexto em que foi editada, e mesmo em conseqüência da apuração contábil, a base de cálculo da CSLL necessariamente restaria indevidamente afetada pela amortização do ágio aqui em comento, caso reconhecida sua existência no patrimônio da autuada após a reorganização societária debatida nestes autos, e ainda que se admitida sua fundamentação em rentabilidade futura. 47. Cabe ainda destacar a percepção da DRJ/REC, dado que a interessada impetrou mandado de segurança preventivo tendo o objetivo principal de ser reconhecido o "direito" de a fiscalizada deduzir das bases de calculo do IRPJ e da CSLL, as despesas relativas à amortização fiscal do ágio pago pelo grupo Vivendi na aquisição da GVT. Foi proferida sentença denegando a segurança, sem pronunciamento definitivo quanto ao mencionado direito; posteriormente formalizou pedido de desistência da ação, que transitou em julgado em 28/10/2014 sem análise do mérito: Ademais, ao contrário das alegações presentes nas impugnações, o próprio fiscalizado entendia ser extensível à CSLL o regramento quanto à dedutibilidade da amortização de ágio aplicado ao IRPJ, vez que, quando impetrou o MS nº 5012762 97.2013.4.04.7003, afirmou no parágrafo 25 da inicial (fl. 922) que a dedução das bases de cálculo da CSLL e do IRPJ somente pode ser feita quando respeitados os requisitos estabelecidos na legislação fiscal, e, mais adiante, no parágrafo 62, expressou quais seriam esses requisitos, sem estabelecer qualquer distinção para a CSLL: 48. Quanto ao invocado art. 50 da Lei nº art. 50 da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, resultante da conversão da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013 (art. 48), veio a dirimir a discussão, não significando que o entendimento da Fazenda Nacional, antes dessa medida provisória e posteriormente lei, fosse diferente, conforme os julgados citados. 49. À vista do exposto, cabe negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto à dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, relativo ao "Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil ", nos mesmos termos em que foi negado em relação à base de cálculo do IRPJ Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 64 63 5 Recálculo do Lucro de Exploração. Objeto do Recurso de Ofício da DRJ/REC. 50. Advoga o direito de deduzir valor maior, devido ao lucro ter sido aumentado em função da autuação fiscal e argumenta que não está a pleitear recálculo do lucro de exploração. 51. Conforme detalhado no Acórdão DRJ/REC: 74. Resta evidente que uma elevação do adicional interfere diretamente no cálculo do montante da redução a ser realizada a título de benefício fiscal. 75. No presente caso, relativamente à apuração no ajuste anual, a infração relativa à dedução indevida da amortização do ágio acarretou a elevação do valor do adicional de imposto de R$ 10.696.351,44 (declarado na ECF na linha N630/4 arquivo não paginável com termo de juntada à fl. 451 dos autos) para R$ 111.298.579,80 (Tabela 12 no TVF à fl. 71 dos autos), aumentando, por conseguinte, o valor da redução a ser considerada. Tal fato não foi observado pela autoridade fiscal, pois considerou em seus cálculos (Tabela 16 do TVF à fl. 73) o mesmo valor de redução declarado pelo fiscalizado na linha N630/17 da ECF, conforme pode ser visto abaixo: 52. Para corrigir tal equívoco, devem ser refeitos os cálculos do valor da redução por benefício fiscal e do novo montante do IRPJ a ser exigido de ofício, considerando que este Acórdão manteve a glosa da amortização do Ágio Resultante da aquisição de 87,28% da GVT Holding S/A, pela Vivendi, no exterior e no Brasil . 6 Juros de mora sobre multa de ofício não adimplida. 53. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 54. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012), Acórdão transitado em julgado em 14/02/2013: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTARIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "E legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990 PR, Rei. Min. Castro Meira. DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rei. Min. Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 65 64 Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. I 2. Agravo regimental não provido. 55. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 19/01/2018 Nº Acórdão 9101003.374 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão: 08/11/2017 Nº Acórdão: 9101003.222 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Tipo do Recurso: Recurso nº Especial do Contribuinte Data da Sessão: 03/04/2018 Acórdão nº: 9101003.510 Voto vencedor: Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Relator, entendo por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, tendo sido acompanhada pela maioria deste Colegiado. Ressalvo que em precedentes desta Turma, pronuncieime pela ilegitimidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdãos 9101003.053 e 9101003.216, dentre outros). Ocorre que, diante de reiterados julgamentos em que restei vencida, curvome ao entendimento predominante do Colegiado, ponderando que a matéria é unicamente de direito e há orientação prevalecente na jurisprudência do CARF pela manutenção da cobrança de juros sobre a multa. A esse respeito, destaco voto elaborado pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Presidente desta Turma e do CARF (acórdão 9101003.376): (...) 56. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 66 65 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 57. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 58. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 59. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 60. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos, contribuições e multas aplicadas. 7 Responsabilidade solidária das sucessoras POP Internet Ltda e Telefônica Brasil S/A 61. As sucessoras apresentaram tanto impugnações como recursos voluntários, cujo teor foi a contestação à autuação. A responsabilização solidária não foi contestada. 8 Conclusão. Voto por DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para afastar apenas a glosa do ágio oriundo da OPA (Oferta Pública de Aquisição) e NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 11516.721342/201649 Acórdão n.º 1201002.245 S1C2T1 Fl. 67 66 Fl. 3045DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.901147/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 11 47 /2 00 8- 71 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10120.901147/200871 Acórdão n.º 1001000.631 S1C0T1 Fl. 235 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília/DF, mediante o Acórdão nº 0336.148, de 29/03/2010 (efls. 94/97), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Em suma, o r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, pois "a contribuinte não trouxe aos Autos cópia de sua escrituração contábil ou outro material probatório que comprovasse o erro cometido que justificasse o pagamento". O acórdão foi assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 ERRO FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativofiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 10/05/2010, conforme Aviso de Recebimento à efl. 104, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 10/06/2010 (efl. 105), conforme carimbo aposto no documento, alegando o seguinte: Em defesa anterior a empresa anexou ao mesmo cópia dos Livros Contábeis, Fiscais bem como DCTF'S e PERD/COMP, deixando a disposição da própria Receita Federal a solicitação dos originais, uma vez que não foi enviado copias autenticadas, devido ao grande volume de copias. Portanto estamos enviando novamente todas as copias para serem apreciadas pela Receita Federal e colocando novamente a disposição para que seja solicitado os originais para a devida conferencia, uma vez que estamos enviando copias simples e não autenticadas devido ao grande volume de copias. Estamos cientes de que a Receita Federal também possui em seu arquivo, as DCTF, assim como as PERD/COMP enviadas para retificação, assim como o devido valor recolhido em seus cofres a maior, O que nos leva a crer, que não houve nenhuma irregularidade quanto a documentação fiscal. É o Relatório. Voto Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10120.901147/200871 Acórdão n.º 1001000.631 S1C0T1 Fl. 236 3 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator DA INTEMPESTIVIDADE RECURSAL Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Isto posto, como a data de ciência foi no dia 10/05/2010 (segundafeira), a contagem do prazo recursal deve iniciar na terçafeira, dia 11/05/2010. Tendo em vista que o prazo recursal esgotouse com o decurso de 30 (trinta) dias, ou seja, em 09/06/2010 (quartafeira), mas o recurso voluntário somente foi apresentado em 10/06/2010, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.902025/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
ELETRODUTO CORRUGADO FLEXÍVEL EM PVC E TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL EM PVC. NORMAS ABNT.
Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM.
Numero da decisão: 3401-005.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes- Redatora designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes- Redatora designada. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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NORMAS ABNT. Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 20 25 /2 01 3- 44 Fl. 560DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI referente ao 4º trimestre de 2011, no valor R$ 3.222.556,53, seguido de em despacho decisório que homologou parcialmente as compensações, tendo o saldo sido reduzido em função de débitos apurados em procedimento fiscal. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, narra a autoridade fiscal que o procedimento de fiscalização teve início para a verificação de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI formalizados por meio dos seguintes PER/DComp 3. Em 07/05/2013, foi efetuada visita técnica às instalações fabris da contribuinte para conhecimento dos processos produtivos e materiais utilizados, sendo que todos os documentos que serviram para embasar o termo de verificação em referência foram anexados ao Processo Administrativo nº 10920721.864/201363. Em decorrência da reclassificação fiscal de alguns produtos, foram apurados débitos de IPI não lançados em notas fiscais nem escriturados, que foram cobertos com os créditos apurados, tendo restado caracterizada prática punível com multa isolada, nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/1964, objeto de lançamento de ofício no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352. Assim, foram verificadas irregularidades na classificação fiscal adotada pela contribuinte na venda das linhas ELETRODUTO CORRUGADO e TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL, nos seguintes termos: No caso do primeiro produto, a fiscalização apurou notas fiscais de saída emitidas tanto com o código TIPI 3917.32.90, indicado pelo Fisco, quanto no 3917.23.00, e em todos os casos houve emissões com e sem destaque do imposto. Nos casos da saídas com destaque não há prejuízo ao Fisco. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 561 3 Já nas saídas sem destaque, a fiscalização alega que a empresa não justificou a redução da alíquota para zero quando foi utilizada a classificação 3917.32.90, e classificou incorretamente quando utilizou o código 3917.23.00, destinado aos “tubos rígidos”. (...) No caso dos tubos extensíveis (ou engates flexíveis), a interessada classificou tais produtos majoritariamente no código NCM 3917.23.00 (tubos rígidos de polímeros de cloreto de vinila), sempre sem destaque do IPI; e, minoritariamente, nos demais códigos, com e sem destaque do imposto. Da mesma forma, defende a fiscalização que tais produtos classificamse no código 3917.33.00 (Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios), cuja alíquota de IPI à época era cinco por cento". 4. A reclassificação de tais produtos foi o fundamento para a homologação parcial de diversas PER/DComps apresentadas pela contribuinte que se referem ao período de apuração abrangido pela multa isolada discutida no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 (1º trimestre de 2011 a 3º trimestre de 2012), sendo que tais pedidos de ressarcimento geraram os seguintes processos administrativos, todos pautados para esta mesma sessão de julgamento, para apreciação conjunta: PROCESSO ADMINISTRATIVO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR 10920.902022/201319 1º trimestre de 2011 R$ 2.177.522,81 10920.902023/201355 2º trimestre de 2011 R$ 3.035.238,52 10920.902024/201308 3º trimestre de 2011 R$ 4.311.367,39 10920.902025/201344 4º trimestre de 2011 R$ 3.222.556,53 10920.902026/201399 1º trimestre de 2012 R$ 3.115.341,97 10920.902027/201333 2º trimestre de 2012 R$ 3.348.939,57 10920.902028/201388 3º trimestre de 2012 R$ 3.170.939,74 5. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, que: (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal, por ela industrializados, são eletrodutos de PVC (Policloreto de Vinil) que, sejam planos ou corrugados, rígidos ou flexíveis, têm a mesma finalidade: proteger e conduzir condutores providos de isolação em instalações elétricas. Logo, o que deveria diferenciar a utilização de um eletroduto não é o fato dele ser rígido ou flexível, plano ou corrugado, e sim a sua resistência mecânica, sendo que a autoridade fiscal levou em conta apenas o critério rigidez, sem levar em consideração que a finalidade dos produtos é a mesma dos eletrodutos rígidos, devendo receber a mesma classificação destes últimos; (ii) assim como o eletroduto rígido, o eletroduto corrugado está inserido na linha de materiais elétricos utilizados na construção, Fl. 562DF CARF MF 4 sendo ambos tratados em um mesmo programa setorial de qualidade perante o PBQPH (Programa de Garantia da Qualidade de Eletrodutos Plásticos para Sistemas Elétricos de Baixa Tensão em Edificações); (iii) apresentou laudo (parecer técnico), no qual o perito e engenheiro atesta, nos termos da norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, que "(...) o discrímen para determinarse a efetiva e correta classificação fiscal desses produtos não corresponde à sua rigidez, mas sim à sua finalidade e aplicação"; e (iv) requereu a realização de diligência para que se demonstre, por meio de perícia, a "(...) correição da classificação adotada pela recorrente". 6. Em /01/2015, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0130.993, de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro Da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELETRODUTOS CORRUGADOS FLEXÍVEIS E TUBOS EXTENSÍVEIS. Pelas regras de interpretação da NCM (RGI/SH), a correta classificação para os eletrodutos flexíveis de PVC é 3917.32.90, e 3917.33.00 para os tubos extensíveis de PVC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Devem ser afastadas as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Classificação Fiscal não é matéria técnica, não exigindo laudo técnico para sua definição. Dispensável a produção de provas por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. A contribuinte, intimada da decisão em 11/05/2015 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 472, interpôs, em 26/05/2015, em Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 562 5 conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 473, recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. No decurso dos anos de 2011 e 2012, a contribuinte realizou pedidos de ressarcimento de saldo credor do IPI com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 em decorrência: (i) da aquisição de insumos utilizados na elaboração de seus produtos, e (ii) da saída de mercadorias imunes ou tributadas à alíquota zero: Lei nº 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. 10. A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte teria adotado classificação fiscal incorreta quanto aos produtos eletroduto corrugado e tubo extensível universal, o que implicou a apuração do IPI por meio de alíquotas menores do que aquelas efetivamente devidas e, assim, promoveu a reconstituição da escrita fiscal da autuada referente às operações ocorridas entre 01/01/2011 e 30/09/2012, concluindose, ao final do procedimento, pela inexistência de saldo devedor de IPI a ser adimplido. Em que pese tal constatação, a falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída em virtude da classificação fiscal equivocada conduziu à lavratura do auto de infração em debate no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352, lavrado sob o pálio do art. 80 da Lei nº 4.502/1964: Fl. 564DF CARF MF 6 Lei nº 4.502/1964 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. 11. A questão de fundo consiste, portanto, em deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (3917.23.00 para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (3917.32.90 para o eletroduto corrugado e 3917.33.00 para o tubo extensível universal): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 e a reversão do despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento, no presente processo. 12. Incontroversa, como se percebe, a classificação até o texto da posição: as partes concordam que os produtos são uma espécie de "plásticos e suas obras" (Capítulo 39), e tampouco questionam estar diante de "tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticos" (Posição 3917). 13. Para a contribuinte recorrente, no entanto, (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal devem ser classificados na Subposição, Item e Subitem 3917.23.00 ("De polímeros de cloreto de vinila"), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI. 14. Por outro lado, para autoridade fiscal, (ii) o ELETRODUTO CORRUGADO deve ser classificado na Subposição 3917.32 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios"), Item e Subitem 3917.32.90 ("Outros"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI; já (iii) o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL deve ser classificado na Subposição, Item e Subitem 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 563 7 (i) 3917.23.00: CLASSIFICAÇÃO DA CONTRIBUINTE PARA O ELETRODUTO CORRUGADO E PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 15. Deve ser realizada, em primeiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela contribuinte (3917.23): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), rígidos (3917.2), de polímeros de cloreto de vinila (3917.23). Não havendo alternativas após o texto da subposição, tratase esta da classificação completa NCM nº 3917.23.00. 16. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido? 17. Caso se responda negativamente à pergunta (i.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), passase à seguinte: (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? 18. Caso se responda negativamente à pergunta (i.b), a classificação está equivocada. Caso se responda afirmativamente à pergunta (i.b), então necessariamente a classificação correta para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal será 3917.23.00, apontada pela contribuinte. (ii) 3917.32.90: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O ELETRODUTO CORRUGADO 19. Deve ser realizada, em segundo lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o ELETRODUTO CORRUGADO (3917.32): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), outros (3917.3), 20. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (ii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 21. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.a), passase à seguinte: (ii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda Fl. 566DF CARF MF 8 afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? 22. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios? 23. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.c), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.c), passase à seguinte: (ii.d) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 24. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.d), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.d), então necessariamente a classificação correta do eletroduto corrugado será 3917.32.90 ("Outros"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da única alternativa. (iii) 3917.33.00: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 25. Deve ser realizada, em terceiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL (3917.33): 26. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (iii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 27. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.a), passase à seguinte: (iii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 564 9 28. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 29. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.c), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (iii.c), então necessariamente a classificação correta do tubo extensível universal será 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da mais específica. 30. Como se sabe, para se resolver a questão sob litígio, necessário o recurso às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de mercadorias (NESH). Ao nos voltarmos especificamente às metaregras de aplicação descritas no Capítulo 39 da TIPI ("Plástico e suas obras"), advertimos que, para que se respondam às questões que fizerem menção ao termo "copolímero", deve ser levada em conta, necessariamente, a Nota 4, mas, por outro lado, uma vez que o texto da posição é incontroverso, desnecessária a menção à Nota 8 do Capítulo 39, que dispõe acerca do termo "tubos". Devem, no entanto, ser aplicadas as disposições veiculadas pela Nota de subposição 1, sobre a forma como se classificam os polímeros (incluindo os copolímeros) e os polímeros modificados quimicamente. 31. Observese que caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), e se conclua estarmos diante de um tubo de plástico rígido, desnecessário, para fins de provimento ou não provimento do recurso voluntário interposto, prosseguir na classificação, pois equivocados estarão os dois códigos ofertados pela autoridade fiscal, e procedente restará o recurso voluntário interposto. 32. Com estas observações em mente, o laudo (parecer técnico) apresentado pela contribuinte, baseado na norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, além de não responder se os dois produtos em apreço seriam "rígidos" ou "nãorígidos" ("flexíveis"), primeira pergunta para se prosseguir em qualquer das três classificações em disputa, concluiu que tanto o eletroduto corrugado como o tubo extensível universal atenderiam à mesma finalidade e teriam a mesma aplicação, baseada em sua resistência mecânica de suportar os esforços de compressão quando a ele submetidos. Assim, no entendimento do perito, o critério correto para se realizar qualquer classificação, seria a resistência, e não a rigidez. 33. A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. 34. Observese que, mesmo uma rápida busca no compêndio de ementas de soluções de consulta e soluções de divergência emitidas pelo Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam) da Receita Federal do Brasil, indica que a resposta à questão sobre ser rígido ou flexível o tubo de plástico é condição inexorável para o prosseguimento do intento classificatório: Fl. 568DF CARF MF 10 3917.32.90 | SC 4/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão máxima de 1 Mpa. 3917.32.90 | SC 5/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão de 1,5 a 6 Mpa. 3917.32.90 | SC 283/2017 4ª Turma Tubo flexível corrugado fabricado em PVC (poli(cloreto de vinila), com propriedades antichamas, próprio para proteção mecânica das instalações elétricas prediais, medindo 20 mm d e diâmetro e 50 m de comprimento, com tensão de ruptura inferior a 27,6 MPa. 3917.32.90 | SC 130/2016 3ª Turma Tubo flexível termo contrátil de polietileno, sem reforços ou acessórios, com tensão de ruptura máxima de 10,4 MPa, diâmetro interno em estado natural de 41,5 mm, peso líquido de 104,8 g/ml e apresentado em bobina de papelão de 50 metros. 35. Por outro lado, em que pese a imprestabilidade da prova produzida pela recorrente, tampouco a autoridade fiscal responde à questão sobre ser ou não rígido o produto a ser classificado de maneira minimamente satisfatória, valendose unicamente das máximas de experiência e da visita ao site comercial da recorrente, conforme excerto, situado à fl. 488, que se transcreve do termo de verificação fiscal: 36. O recurso a tal prova é ecoado e refletido pela decisão recorrida, que não envida esforços em buscar outros indícios ou provas que sirvam como sustentáculo para a sua conclusão: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 565 11 12. No que se refere aos produtos, inexistem divergências quanto ao fato de se tratarem de tubos de plásticos, enquadrados, portanto, na posição 39.17 da NCM. Também não existem dúvidas de serem flexíveis de fato, aptos às aplicações propostas no sítio da empresa (“O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade”), o que não seria possível se fossem rígidos de fato. Não releva saber, para a identidade dos produtos e seus efeitos fiscais, no caso concreto, se foram fabricados com composto de PVC rígido. 37. Observese que a contribuinte, ao ser questionada sobre a rigidez dos produtos, "(...) informou que utiliza na fabricação dos produtos da linha eletroduto de PVC flexível corrugado o composto de PVC rígido, o mesmo utilizado na produção dos tubos para água e esgoto, e que por isso utiliza a mesma classificação". O maior apuro técnico de que se vale a autoridade lançadora é obtido por meio de consulta ao site da Wikipedia: 38. Assentese com a afirmação da acusação fiscal de que o simples fato de os produtos utilizarem o PVC rígido como insumo de produção não implica, necessariamente, que deva ser entendido como um tubo rígido. No entanto, tampouco há de se comungar com a afirmação, igualmente falaciosa, no sentido de que o nome comercial do produto exposto no site da contribuinte seja prova em suficiência para a classificação no texto da posição da nomenclatura comum. Muito embora a frase “o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade” ofereça um forte indício sobre se tratar de um material não rígido, impressão esta que apenas se reforça com o silêncio do laudo pericial apresentado quanto a este aspecto, não se vislumbra, apenas com a página da Internet, a prova necessária para se afirmar com segurança a respeito das características físicoquímicas do produto. 39. Assim, acerta a autoridade fiscal ao afirmar que primeiro critério é definir se o tubo de plástico é ou não rígido. Mas se equivoca na forma como constrói precariamente seu argumento, eivandoo de carência probatória, uma vez que incumbida está do ônus de provar, não sendo absolutamente aceitável estribar o despacho decisório unicamente em uma informação comercial obtida na Internet que, quando muito, serviria de indício para o início de uma investigação técnica. E, por outro lado, acerta a contribuinte ao entender que, para subsidiar a classificação, fazse necessário o recurso à perícia. No entanto, igualmente se equivoca ao buscar critérios próprios para aferir o código NCM correto, uma vez que o aplicador se volta às específicas regras e metaregras do sistema harmonizado em uma seqüência lógica prédeterminada. 40. A questão passa a ser: há nos autos provas em suficiência para se afirmar se os produtos são ou não rígidos? Em caso positivo, deve o aplicador passar à pergunta Fl. 570DF CARF MF 12 seguinte, e assim sucessivamente, uma vez que as regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Não sendo possível se responder a esta questão inaugural com os dados e documentos disponíveis, deverá o julgamento aguardar a realização de diligência que responda à dúvida do julgador. Neste caso, deverá o colegiado antecipar as dúvidas supervenientes para que todas restem respondidas nesta mesma oportunidade. 41. Concluímos, ao compulsar os autos, que não há outras provas que permitam afirmar, com segurança, se os produtos em análise seriam rígidos ou não rígidos, o que, no atual estado do processo, e caso eventualmente vencida a proposta de diligência, redundaria, necessariamente, na conclusão pela insuficiência de provas hábeis a lastrear o despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento pleiteado. 42. E se observe que, ainda que a questão em torno da rigidez pudesse eventualmente ser superada, outras questões restariam pendentes: para se confirmar a correção do código adotado pela contribuinte, necessário seria se confirmar que se trata de tubo de polímero de cloreto de vinila. 43. Por outro lado, caso seja não rígido o tubo e, portanto, incorreto o código utilizado pela contribuinte, forçoso se confirmar que a acusação fiscal classificou corretamente os produtos em análise e, para isso, imprescindível se compreender se podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa, hipótese que descartaria a suposição do despacho decisório. Caso não possam, a tarefa do classificador ainda não estaria concluída, pois indispensável a questão sobre se os produtos são reforçados com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias, se apresentam acessórios e, em caso positivo, se tais acessórios seriam ou não copolímeros de etileno. 44. Como se pode perceber, a decisão sobre a procedência ou não do recurso voluntário interposto, depende de um seriado de perguntas que demandam saber técnico alheio ao jurídico e, depois de percorrer todas as folhas deste processo em busca de respostas embasadas e minimamente seguras, não as encontramos e, portanto, da maneira em que se encontra, o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Apresente laudo técnicopericial conclusivo que responda afirmativa ou negativamente, de maneira objetiva e fundamentada, os seguintes quesitos referentes ao produto "eletroduto corrugado" e ao produto"tubo extensível universal": (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido ou nãorígido ("flexível")? (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? (i.c) unicamente se o produto for nãorígido ("flexível"), pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa? (i.d) o produto é reforçado com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias? Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 566 13 (i.e) unicamente se o produto não for reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, ele apresenta acessórios? (i.f) unicamente se o produto apresentar acessórios, são estes acessórios de copolímeros de etileno? Deverá a resposta a este específico quesito levar em consideração o texto da Nota 4,1 transcrito em nota de rodapé no presente voto. (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) 1 "Consideramse 'copolímeros' todos os polímeros em que nenhum motivo monomérico represente 95 % ou mais, em peso, do teor total do polímero. Ressalvadas as disposições em contrário, na acepção do presente Capítulo, os copolímeros (incluindo os copolicondensados, os produtos de copoliadição, os copolímeros em blocos e os copolímeros enxertados) e as misturas de polímeros, classificamse na posição que inclua os polímeros do motivo comonomérico que predomine, em peso, sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. Na acepção da presente Nota, os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem numa mesma posição devem ser tomados em conjunto. Se não predominar nenhum motivo comonomérico simples, os copolímeros ou misturas de polímeros classificamse, conforme o caso, na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração". Fl. 572DF CARF MF 14 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Redatora designada. Apesar de concordar com muitos dos argumentos apresentados pelo Ilustre Relator, e por acompanhar sua linha de argumentação, dele ouso divergir quanto a necessidade de diligência para se efetuar a classificação fiscal das mercadorias autuadas. A controvérsia gira em torno de dois produtos, ambos classificados na NCM 3917.23.00 pela recorrente: eletroduto corrugado tubo extensível universal E classificados pela fiscalização nas NCMs 3917.32.90 e 3917.33.00, respectivamente. Concordo que o cerne da questão está em se decidir se estamos diante de um tubo rígido ou tubo flexível (3917.2 ou 3917.3), já que não existe controvérsia quanto a posição 3917, adotada tanto pela recorrente e pela fiscalização, para ambos produtos. A questão parece tão simples e tão óbvia que a primeira vista não há questionamentos a serem efetuados. Rígido e flexível são duas definições que se opõem e que são utilizadas cotidianamente em muitas situações. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 567 15 Por isso nosso primeiro impulso é buscar essas definições nos dicionários, já que são de uso corrente. No dicionário Houaiss, disponível no endereço eletrônico https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v33/html/index.php#0 encontramos as seguintes definições: Rígido adjetivo em que há rigidez 1 falto de maleabilidade física; teso, rijo, hirto, duro ‹corpo r.› ‹metal r.› 2 p.metf. que é ou se mostra inflexível em suas opiniões, decisões etc.; duro, intransigente 3 que denota severidade, austeridade; austero ‹princípios r.› ‹homem r.› 3.1 falto de meiguice, de ternura com relação a outrem; rude, áspero ‹pais r.› 4 que não permite frouxidão; exato, rigoroso ‹tinha no trabalho um horário r.› 4.1 extremamente controlado; minucioso, apurado ‹r. controle de qualidade› sinônimos ver sinonímia de rigoroso antônimos: flexível Flexível adjetivo de dois gêneros 1 que se dobra ou curva com facilidade; arqueável, flexo 2 que revela agilidade; elástico, elegante ‹um andar f.› 3 fácil de manejar; domável 4 que se acomoda facilmente às circunstâncias, que é facilmente influenciável; dócil, maleável, compreensível ‹um caráter f.› 5 que tem aptidão para diferentes atividades sinônimos ver antonímia de sólido antônimos: ferrenho, inflexível, intransigente, rígido; ver tb. sinonímia de sólido Como se pode concluir, com o auxílio do dicionário, rígido é o antônimo de flexível, sendo flexível aquilo que se dobra ou curva com facilidade, aquilo que é arqueável, que é flexo, que é elástico, fácil de manejar, domável. Já rígido é aquilo em que há rigidez, que falta maleabilidade física, é teso, rijo, hirto, duro. A partir dessas constatações chegamos as duas subposições de primeiro nível possíveis: 3917.2 Tubos rígidos 3917.3 Outros Tubos Ora ou o tubo é rígido ou ele não é rígido, tanto assim que o Sistema Harmonizado faz a distinção em Tubos rígidos e outros tubos. Muitos países adotaram a tradução como "3917.3 Tubos não rígidos" ao invés de outros tubos. A título de esclarecimento, na versão em inglês do SH temos: Fl. 574DF CARF MF 16 3917.2 Tubes, pipes and hoses, rigid: 3917.3 Other tubes, pipes and hoses: Valendonos do senso comum podemos concluir que estamos diante de tubos flexíveis, já que a própria recorrente apresenta seu produto como "Eletroduto corrugado flex" e no site da empresa o produto é apresentado como, fazendo parte da linha "Eletroduto de PVC flexível Corrugado": Os eletrodutos flexíveis corrugados são aplicados em instalações prediais elétricas de baixa tensão, para condução e acomodação de fios, cabos elétricos e dispositivos embutidos em paredes e lajes, ou aparentes em local protegido. O sistema é composto por eletrodutos corrugados para paredes (amarelo) e para lajes (laranja), com comprimento comercial de 50 metros, para bitolas de 20 e 25 mm; e 25 metros para bitola de 32 mm. O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. Antichama, o produto adequase perfeitamente às exigências da norma NBR 5410, oferecendo segurança às instalações elétricas de baixa tensão. Completa o sistema uma linha de caixas de luz e luvas de pressão, que se interligam aos tubos pelo sistema de simples encaixe. No caso dos tubos extensíveis, ou engates flexíveis, eles são apresentados no catálogo da empresa como "Sifão Extensível Universal", relativo aos mesmos códigos de produtos apontados pela fiscalização (10101, 17311, 96665 e 17815). E consta o esclarecimento que "o tubo extensível universal permite que sua curvatura tome o formato de um sifão", e que esses tubos possuem corpo sanfonado. Claro que não podemos nos valer apenas do que afirma a recorrente ser o produto, mesmo que em informações amplamente divulgadas para efeitos de comércio e propaganda. Para a classificação fiscal é preciso haver a identificação correta da mercadoria. Também não acabe à classificação fiscal adotar critérios diferentes dos preconizados pelas normas do Sistema Harmonizado. Não há como adotar, conforme quer a recorrente, a resistência ao invés da rigidez para classificar a mercadoria, já que esse não foi o critério escolhido pelo SH. Esclareço que nem sempre os critérios elegidos para a classificação fiscal de uma mercadoria coincidem com as necessidades de mercado, de produto ou de outras normas existentes (normas de outros órgãos administrativos são próprias às necessidades do órgão e o objetivo que se quer alcançar). São critérios próprios do SH que devem ser seguidos. Assim, correto o entendimento do Ilustre Relator do voto vencido: A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. Apesar de restar definido o que seja rígido e flexível, para efeitos de conhecimento geral, para maiores esclarecimentos devemos buscar apoio em normas técnicas nacionais e internacionais que podem servir de subsídio para nossa investigação. As normas da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, apesar de serem de utilização no país, seguem as normas internacionais de padronização, e por isso servem para o nosso propósito: Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 568 17 Entidade privada e sem fins lucrativos, a ABNT é membro fundador da International Organization for Standardization (Organização Internacional de Normalização ISO), da Comisión Panamericana de Normas Técnicas (Comissão Pan Americana de Normas Técnicas Copant) e da Asociación Mercosur de Normalización (Associação Mercosul de Normalização AMN). Desde a sua fundação, é também membro da International Electrotechnical Commission (Comissão Eletrotécnica Internacional IEC). Também temos a nos socorrer as normas internacionais ISO, International Organization for Standardization, em especial a ISO 182632:2015 Plastics Mixtures of polypropylene (PP) and polyethylene (PE) recyclate derived from PP and PE used for flexible and rigid consumer packaging Part 2: Preparation of test specimens and determination of properties. E a American Society for Testing Materials (ASTM), em especial as normas ASTM D79017 Standard Test Methods for Flexural Properties of Unreinforced and Reinforced Plastics and Electrical Insulating Materials e ASTM D123813 Standard Test Method for Melt Flow Rates of Thermoplastics by Extrusion Plastometer. A norma ABNT NBR 15465, sobre Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricos de baixa tensão requisitos de desempenho, utilizada pela recorrente em sua argumentação, define quais requisitos de desempenho devem cumprir o produto: · Resistência à curvatura · Resistência à compressão · Resistência ao impacto · Resistência ao calor · Resistência à chama · Resistência rigidez dielétrica · Resistência do isolamento elétrico A recorrente alega seguir as orientações e estar qualificada pelo PBQPH, que é o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat PBQPH, do Ministério das Cidades. Esse programa qualifica fabricantes de materiais e componentes, que para isso devem seguir suas orientações, e segue a norma ABNT NBR 15465. Na Diretriz de avaliação técnica de Produtos Sinat/PBQPH nº 013, para Tubulações corrugadas de polietileno contendo polietileno de alta densidade reciclado para microdrenagem de áreas internas de empreendimentos residenciais e comerciais, estão definidos os critérios de desempenho dos produtos: Assim, as tubulações alvo desta Diretriz são compostas por: Tubos corrugados (ver Figura 1) com ponta e bolsa. A ponta do tubo acomoda o anel de vedação elastomérico. Estes tubos possuem parede dupla, sendo a parede interna lisa (superfície que fica em contato com água de escoamento) e a parede externa com corrugações anelares ocas (ver Figura 2). A matériaprima utilizada na fabricação destes tubos contém polietileno de alta densidade reciclado (pósconsumo e pós indústria) e/ou polietileno reprocessado, cujo percentual na composição deve estar de acordo com os limites estabelecidos no item 1.2. Estes Fl. 576DF CARF MF 18 tubos devem atender aos requisitos e critérios especificados por esta Diretriz; Essa diretriz avalia os seguintes requisitos: densidade fluidez módulo de flexão tensão de escoamento na tração teor de negro de fumo tempo de oxidação induzida teor de cinzas teor de polipropileno resistência química. A diretriz também avalia o desempenho estrutural do produto, avaliando a rigidez anelar, conforme ISO 9969:2016, o achatamento, resistência ao impacto, fissuramento sob tensão com entalhe, resistência ao calor, e a durabilidade. Toda essa digressão foi efetuada para demonstrar que existem métodos para avaliar a rigidez e a flexibilidade de um produto, e que rigidez e resistência a impactos são características distintas, que podem conviver no mesmo produto. O produto pode ser flexível e apresentar resistência anelar, em cada anel do elemento corrugado, por exemplo. Porém para efeitos de classificação fiscal de mercadoria, o SH elegeu diferenciar os produtos entre flexíveis e rígidos em um primeiro momento, para apenas em um segundo momento fazer a diferenciação dos produtos relativa à resistência (vide descrição da NCM 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa). Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 569 19 Voltando aos produtos em análise devemos identificar o produto para saber se eles são rígidos ou não. O TVF informa que foram utilizadas informações obtidas em diligência à empresa para visita técnica, análise de informações constantes no sítio eletrônico da empresa na internet, catálogo de produtos, informações prestadas pela empresa nos seus documentos fiscais, imagens dos produtos, forma de comercialização dos produtos em bobinas para firmar seu convencimento que estava diante de produtos flexíveis, e que o fato de utilizarse para sua produção PVC rígido não significa que se está a produzir um produto rígido. A empresa apresenta Parecer Técnico, por ela solicitado ao engenheiro Eduardo A. C. Monteiro, em que discorre sobre a definição e características do PVC, policloreto de vinila, e informa que a diferenciação entre produtos rígidos ou flexíveis é feita pela detecção da presença ou não de óleo plastificante, e os produtos produzidos pela recorrente não utilizam em sua formulação aditivos plastificantes e que por isso são produtos rígidos Para o técnico a classificação de um eletroduto de PVC, em rígido e flexível, tem como base a sua resistência mecânica e a sua aplicação se baseia fundamentalmente nesta capacidade de suportar aos esforços de compressão quando a eles submetidos. Discordo do parecer técnico, pois a norma ABNT utilizada faz a diferenciação entre resistência à curvatura e à compressão, o que demonstra que não se pode tomar uma resistência pela outra. Pelos documentos citados e a leitura atenta do material técnico disponível para o tema, concluímos que os tubos corrugados são compostos de vários anéis. Esses anéis são juntados entre si por material de PVC. Cada anel pode apresentar rigidez (por isso algumas normas trazem testes quanto à rigidez anelar) se considerado isoladamente, mas o tubo, ao conectar os anéis permite que haja uma flexibilidade no produto como um todo. A característica principal dos tubos corrugados é permitir a realização de curvaturas com mudança de direção, dispensando o uso de conexões. Superada a questão quanto a característica dos produtos, concluo a partir de todas as elucubrações efetuadas que os produtos fabricados pela recorrente são produtos flexíveis. Portanto estamos diante da NCM para a subposição 3917.3 outros tubos, pela aplicação da RGI6: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Percorrendo a trilha do procedimento para classificação da mercadoria, agora devemos analisar a subposição de 2º nível: 3917.3 Outros tubos: 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa 3917.32 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios Fl. 578DF CARF MF 20 3917.32.10 De copolímeros de etileno 3917.32.2 De polipropileno 3917.32.21 Tubos capilares, semipermeáveis, próprios para hemodiálise ou para oxigenação sanguínea 3917.32.29 Outros 3917.32.30 De poli(tereftalato de etileno) 3917.32.90 Outros 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios 3917.39.00 Outros Já concluímos que estamos diante de tubos flexíveis, para os dois produtos. Pela aplicação da RGI6 temos que verificar entres os textos das subposições, qual o melhor descreve o produto. Para o produto "eletroduto corrugado" as subposições 3917.31 e 3917.32 são possíveis, desde que se esclareça qual a pressão mínima suportada por ele. Já o produto "tubo extensível universal" são possíveis as subposições 3917.31 e 3917.33. A recorrente afirma em seu Recurso Voluntário que o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral. Quanto especificamente ao produto fabricado pela recorrente temos a informação em email interno da empresa, já que o Parecer Técnico esclarece pontos relativos a tubos corrugados em geral e não realiza uma análise do produto da recorrente: No catalogo de produtos disponível no site da empresa consta que: O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. ... Toda instalação elétrica deve possuir um projeto de instalação que ofereça segurança ao usuário, atendendo às especificações exigidas pela NBR 15465 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho. ... Os eletrodutos são fornecidos em bobinas de 25 e 50 metros, facilitando sua aplicação, gerando uma economia de tempo e reduzindo a quantidade de conexões. Em casos de aproveitamento dos segmentos que sobraram durante a instalação, estes poderão ser unidos por meio de luvas de pressão. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10920.902025/201344 Acórdão n.º 3401005.137 S3C4T1 Fl. 570 21 ... A nova norma de eletrodutos plásticos ABNT NBR 15465:2007 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho – classifica os eletrodutos plásticos da seguinte forma: Para a norma ABNT, os eletrodutos da empresa, como apresentam resistência mecânica média e leve, estão sujeitos a esforços de compressão de até 320N e 750N: Para as aplicações em que os eletrodutos e suas conexões ficam submetidos a esforços de compressão de até 320N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "leve", para esforços até 750N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "médio", para esforços de compressão de até 1250N, devese utilizar a classe de resistência mecânica "pesado". A NCM 3917.31.00 descreve os tubos flexíveis que podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa. O pascal (Pa) é uma unidade padrão de pressão e equivale à força de 1 (um) Newton aplicada uniformemente sobre uma superfície de 1 (um) m2. Logo 27,6 Mpa equivale a 27.600.000 Newton/metro2. Concluímos que a pressão suportada pelos produtos está muito abaixo do mínimo estipulado pela NCM 3917.31.00, não atendendo a descrição da mercadoria ao que está descrito nessa NCM. Chegamos a conclusão que pela aplicação da RGI6 para o produto "eletroduto corrugado" é aplicável a subposição 3917.32. E como o produto é fabricado com PVC, policloreto de polivinila, deve ser aplicada a NCM 3917.32.90. Para o produto "tubo extensível universal" concluímos pela subposição 3917.33, e como não existe desdobramento para essa subposição temos que se aplica a NCM 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com Fl. 580DF CARF MF 22 outras matérias, com acessórios. Já que segundo o catálogo da empresa esse sifão extensível universal vem acompanhado de acessórios. Depois dessa longa explicação concluo por negar provimento ao Recurso Voluntário e pela manutenção da Classificação Fiscal identificada pela Fiscalização no auto de infração. Por todo a exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002808/2006-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Assessoria Técnica Jurídica - ASTEJ, da Presidência do CARF, para apreciação do requerimento de e-fls. 326 a 332, com posterior retorno à relatora para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Assessoria Técnica Jurídica ASTEJ, da Presidência do CARF, para apreciação do requerimento de efls. 326 a 332, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .0 02 80 8/ 20 06 -4 6 Fl. 333DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 334 ___________ Relatório: Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2002. Conforme auto de infração (fls. 108 e seguintes) a autuação pode assim ser resumida: 1) Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal ( art. 10 a 15 do Decreto n°4.382, de 19 de setembro de 2002): Foi declarada em a área de 133,3 ha e 1.180,4 ha, APP e ARL, respectivamente. Para comprovação destas áreas, estabelece a legislação de regência (§ 3° do art. 10 do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002) que o documento hábil é o Ato Declaratório Ambiental — ADA —, expedido pelo IBAMA, ou seu protocolo até 6 (seis) meses após a data prevista para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR —, que foi em 30092002. O ADA foi protocolado apenas em 22/01/2004, fora do prazo legal, portanto, devendo ser glosada as áreas. 2) Valor da terra nua: foi desconsiderado laudo técnico que trazia informações referentes aos anos de 1995 e 1997, impondose aplicação dos valores constantes do SIPT haja vista ausência de provas válidas a fundamentarem o VTN declarado. Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 115/122. A Delegacia de Julgamento (fls. 127/135), rejeitando as preliminares arguídas julgou improcedente a impugnação e manteve na íntegra o lançamento. Em Recurso Voluntário (fls. 140/153) o Contribuinte retificando os termos da impugnação apresentada reiterou a preliminar de nulidade do lançamento e se insurgiu contra a obrigatoriedade de apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental) e a reformulação do valor atribuído ao VTN com a desconsideração do laudo técnico apresentado. Por meio do acórdão nº 280100.715 a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, deu provimento em parte ao Recurso Voluntário apenas para reconhecer a Área de Reserva Legal no total de 1.225,4ha. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou a órgão de fiscalização ambiental, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Resolução nº 9202000.135 CSRFT2 Fl. 335 3 de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR. AREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR as parcelas de Areas de utilização limitada/reserva legal reconhecidas em Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta firmados entre o proprietário do imóvel e órgão de fiscalização ambiental estadual, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ONUS DA PROVA. Quando o VTN declarado está subavaliado, se faz necessário que o interessado apresente elemento hábil de prova, mormente, laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado, que faça expressa referência ao preço de mercado em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador, o qual corrobore sua declaração. Não sendo hábil o laudo apresentado, cabível a autuação que' considerou o VTN, constante do SIPT, considerandose o município de localização do imóvel, a aptidão de uso do solo e as extensões de Areas declaradas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Inconformada a União interpôs recurso especial de divergência (fls. 166) para questionar a interpretação dada pelo Colegiado a quo no sentido de ser o ADA instrumento dispensável para fins de exclusão das áreas de reserva legal da área tributável do ITR. O Contribuinte apresentou contrarrazões e interpôs o seu Recurso de Divergência, com indicação de três matérias: obrigatoriedade de comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental da áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal; averbação das áreas de utilização limitada/reserva legal; e subavaliação do valor da terra nua. Conforme despacho que fls. 253, o recurso do contribuinte foi recebido apenas no que tange a necessidade de ADA tempestivo para fins de caracterização da APP. Há nos autos duas contrarrazões da Fazenda Nacional juntadas às fls. 259/269 e 303/309. Originalmente o processo foi pautado para a sessão do dia 26/01/2017, oportunidade em que o Colegiado resolveu por converter o julgamento em diligência para que fosse dada ciência ao contribuinte quanto ao despacho de admissibilidade que conheceu parcial do recurso especial por ele interposto (Resolução nº 9209000.081). Em manifestação de fls. 326 e seguintes, o Contribuinte apresenta argumentos para refutar a tese exposta pela Fazenda Nacional e reitera os fundamentos do seu recurso especial. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10675.002808/200646 Resolução nº 9202000.135 CSRFT2 Fl. 336 4 Voto: Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme consta do relatório, para sanar irregularidade processual apontada por este Colegiado, o contribuinte foi intimado acerca do despacho de admissibilidade que conheceu apenas em parte do respectivo Recurso Especial interposto. Na oportunidade, o contribuinte faz juntar aos autos a petição de efls. 326 a 332, por meio da qual reitera suas alegações recursais. Considerado que quando da realização do ato processual de intimação já havia no regimento interno deste Conselho a previsão do Recurso de Agravo, nos temos do artigo 71, entendo ser necessária a conversão do julgamento em diligência à autoridade competente para devida manifestação. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência à Assessoria Técnica Jurídica ASTEJ, da Presidência do CARF, para apreciação do requerimento de efls. 326 a 332. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660288/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.692
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 88 /2 01 2- 11 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660288/201211 Acórdão n.º 3401004.692 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13681.720031/2017-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
RECONHECIMENTO DO DÉBITO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e/ou admitida sua omissão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE ALUGUÉIS.
Lançamento efeituado em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e omissão de parte dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis. Considera-se como verdadeira a informação do valor de rendimentos de aluguéis constante na peça recursa, em comparação com a informação da fonte pagadora. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para efeito de tributação incidente sobre locação.
Numero da decisão: 2001-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 RECONHECIMENTO DO DÉBITO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e/ou admitida sua omissão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE ALUGUÉIS. Lançamento efeituado em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e omissão de parte dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis. Considera-se como verdadeira a informação do valor de rendimentos de aluguéis constante na peça recursa, em comparação com a informação da fonte pagadora. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para efeito de tributação incidente sobre locação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 54 1 53 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13681.720031/201767 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.435 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente AGMAR SANTOS PEREIRA ALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 RECONHECIMENTO DO DÉBITO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e/ou admitida sua omissão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE ALUGUÉIS. Lançamento efeituado em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e omissão de parte dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica a título de aluguéis. Considerase como verdadeira a informação do valor de rendimentos de aluguéis constante na peça recursa, em comparação com a informação da fonte pagadora. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para efeito de tributação incidente sobre locação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 1. 72 00 31 /2 01 7- 67 Fl. 54DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão de rendimentos. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.304,88, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e, juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que a Recorrente deveria ter oferecido à tributação o valor integral dos recebimentos das fontes pagadoras. A constituição do acórdão recorrido segue a linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação do valor correspondente aos recebimentos, seja a título de aposentadora seja a título de renda de aluguéis, como segue: O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento em que foi lhe exigido o imposto suplementar no valor de R$ 4.304,88, relativo ao anocalendário 2014, em virtude da apuração de omissão de rendimentos com vínculo e/ou sem vínculo empregatício e omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal (fls. 08 e seguintes). Omissão de rendimentos com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. O impugnante concorda com essa infração. Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas. Fonte Pagadora: LAERTE RIBEIRO Infração: R$ 24.750,00 O valor foi declarado na DIRPF/2015 no campo Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior pelo Titular", no valor total de R$ 21.600,00, quando deveria ter sido declarado em Rendimentos de PJ recebidos pelo titular no valor de R$ 24.750,00. O interessado pede para desconsiderar o valor de R$ 21.600,00 lançado de forma errônea, mas referente a mesma natureza de rendimentos. (...) A impugnação é parcial e o imposto relativo à parcela não litigiosa foi apartado dos autos (fl. 29). O litígio restringese à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas. O impugnante alega que o valor de R$ 21.600,00 foi indevidamente declarado na DIRPF/2015, no campo "Rendimentos Tributáveis Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13681.720031/201767 Acórdão n.º 2001000.435 S2C0T1 Fl. 55 3 Recebidos de Pessoa Física e do Exterior pelo Titular", quando deveria ter sido declarado em "Rendimentos de PJ Recebidos pelo Titular", no valor de R$ 24.750,00. No entanto, com os elementos dos autos, não é possível afirmar que o valor declarado de R$ 21.600,00 referese a rendimentos recebidos da empresa LAERTE RIBEIRO. Salientese que o contribuinte poderia ter retificado a declaração de ajuste anual antes do procedimento de ofício. Depois de iniciada a ação fiscal, qualquer alteração na declaração é efetuada de ofício à luz das provas apresentadas pelo contribuinte. Nos termos do artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. Não tendo o impugnante juntado aos autos nenhum elemento capaz de evidenciar o alegado equívoco, deve ser mantido o lançamento. Diante de todo o exposto, voto no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, na parte litigiosa. Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência do crédito tributário nos termos do Lançamento. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: A Contribuinte acima qualificada não se conformando com o julgamento improcedente a impugnação, vem apresentar recurso voluntário dentro do prazo que lhe é concedido e anexar comprovantes de alegações à defesa. Eu, AGMAR SANTOS PEREIRA ALVES, DECLARO perante a RECEITA FEDERAL DO BRASIL, que no ano calendário de 2014, possuía apenas dois rendimentos provenientes das seguintes fontes pagadoras: 1 – INSTITUTO DE PRECIDENCIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS DO MUNICÍPIO DE JANAUBA – CNPJ 04.124.168/000160 – Rendimento anual: R$ 17.763,48. 2 – LAERTE RIBEIRO – CNPJ 09.341.535/000109 – Rendimento anual: R$ 24.750,00. E que não fui eu quem fez a DIRPF/2015 em meu nome, como também não tive ciência do valor de R$ 21.600,00 informados em “recebimentos de Pessoas Físicas”, eu NUNCA recebi esse valor declarado de forma incorreta e não concordo em pagar um imposto sobre um rendimento que NÂO recebi. Efetuei sim o pagamento do imposto resultante sobre o montante das duas fontes pagadoras acima Fl. 56DF CARF MF 4 qualificadas conforme DARF em anexo. Jamais recusei receber em minha residência intimação fiscal da Receita Federal, na qual poderia ter ciência do erro de informações da DIRPF/2015 e retificá la a tempo. Acredito ter havido uma falha do correio ao devolver a correspondência com informações falsas, tanto assim é que na AR Digital, cópia em anexo, não consta data e horário da visita do correio. Em virtude dessa ocorrência entrei em contato com o telefone 080 7250100 sendo comunicada que o correio quando da devolução do termo de intimação fiscal, informara que a procura teria se dado nos dias 22, 24 e 28/11/2016 respectivamente nos horários 12:26 hs, 11:33 hs e 14:27 hs, o que fica confirmada a falsidade da informação, pois estes são os horários de almoço onde todos os moradores se encontram em casa. Além do mais, se fosse verdade a informação do correio, teria deixado os avisos na caixa de correio da residência, o que não aconteceu. Diante do exposto, solicito mais uma vez a possibilidade da retificação da DIRPF/2015 ou a exclusão do valor de R$ 21.600,00 na qual nunca recebi, não preenchi a declaração, não enviei pela internet. Estou ciente que é um procedimento que qualquer pessoa de posse de meu número de CPF pode preencher e enviar. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A Recorrente, mesmo que tenha indicado na DAA como Natureza da Ocupação o “código 61 – Aposentado, militar da reserva ou reformado e pensionista de previdência”, não fez constar qualquer valor a título de recebimento do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Janauba, CNPJ 04.124.168/000160, no valor de R$ 17.763,48. Também não informou na Declaração do I.R. no espaço próprio para “Rendimento Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica Pelo Titular”, os recebimentos, na sua integralidade, referente a aluguéis de Laerte Ribeiro, CNPJ 09.341.535/000109, no valor de R$ 24.750,00. Porém, declarou ter recebido mensalmente valores de R$ 1.800,00, que seria a título de aluguel, contudo no espaço correspondente a “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior Pelo Titular”, no total de R$ 21.600,00, no período no ano calendário de 2014. É de entenderse que no afã de preencher o formulário da DAA, ao ver o nome Laerte Ribeiro tenha o funcionário entendido tratarse de pessoa física, o que há de se considerar somente um erro formal de campo do formulário da Declaração do I.R. Em razão desse erro de preenchimento do formulário o Agente Fiscal entendeu que o Lançamento deveria abranger a parte omitida no valor de R$ 42.513,48, mais o valor declarado de R$ 21.600,00, o que resultou num montante de R$ 64.113,48, conforme demonstrativo abaixo: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13681.720031/201767 Acórdão n.º 2001000.435 S2C0T1 Fl. 56 5 Instituto de Previdência ......................... R$ 17.763,48 (fls.08 e 15) + Aluguéis Laerte Ribeiro .......................... R$ 24.750,00 (fls.09 e 16) = Total da Omissão .................................... R$ 42.513,48 (fls.10 e 17) Valor Declarado no IR ............................. R$ 21.600,00 (fl.21) Total de Rendimentos do Lançamento ... R$ 64.113,48 Constatase facilmente que o valor declarado de R$ 21.600,00 foi incluído duplamente no Lançamento, pelo que se observa no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido apresentado pelo Fisco, conforme fl. 17. A Recorrente declarou em sua DAA aluguéis parcialmente de R$ 21.600,00, quando deveria ser de R$ 24.750,00 e não declarou o valor referente a Pensão de R$ 17.763,48, o que resulta numa omissão líquida de R$ 20.913,48, conforme demonstrativo a seguir: Valor Recebido de Aluguéis ... R$ 24.750,00 – Declarado de Aluguéis............ R$ 21.600,00 = Omissão de Aluguéis .............. R$ 3.150,00 Omissão da Previdência ........ R$ 17.763,48 + Total da Omissão Líquida....... R$ 20.913,48 No Recurso Voluntário a Recorrente admite que recebeu rendimentos de duas fontes, sendo R$ 17.763,48 do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Janauba e R$ 24.750,00 de Laerte Ribeiro a título de aluguéis, como segue: 1 – INSTITUTO DE PRECIDENCIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS DO MUNICÍPIO DE JANAUBA – CNPJ 04.124.168/000160 – Rendimento anual: R$ 17.763,48. 2 – LAERTE RIBEIRO – CNPJ 09.341.535/000109 – Rendimento anual: R$ 24.750,00. Portanto, o valor total recebido pela Recorrente é de R$ 42.513,48 e, quanto a isso não há o que divergir que se trata de rendimentos referentes a essas duas fontes de pagamento, por declaração da própria Recorrente (fl.44). Ocorre que a Contribuinte apresentou DAA do anocalendário de 2014 com a informação de rendimentos de tão somente R$ 21.600,00, o que pela diferença da parte omitida restou isenta de imposto indevidamente. Assim, o que persiste é a necessidade de oferecer a tributação o valor total dos rendimentos recebidos, pela Contribuinte reconhecidos de R$ 42.513,48, neste incluído o valor declarado. Neste sentido o ajuste na apuração do imposto referente ao anocalendário de 2014, deve resultar do que se demonstra a seguir, sendo que nenhum outro valor deve ser exigido da Recorrente, sob pena de incorrerse em dupla contagem do valor declarado. Total de Rendimentos Tributáveis Declarado..........R$ 21.600,00 Omissão de Rendimentos Apurada..........................R$ 20.913,48 Total dos Rendimentos Tributáveis Apurados.........R$ 42.513,48 Desconto Simplificado.............................................R$ 8.502,48 Base de Cálculo Apurada.........................................R$ 34.010,80 Imposto Apurado......................................................R$ 1.081,27 Observase pelo demonstrativo acima que foi considerado o valor informado na DAA mais a diferença do valor omitido a tributação. Sendo que R$ 21.600,00 mais a diferença omitida de R$ 20.913,48 que é igual à soma do valor dos valores recebidos das duas Fl. 58DF CARF MF 6 fontes informada no Recurso Voluntário (R$ 17.763,48 + R$ 24.750,00 = R$ 42.513,48). O valor de R$ 42.513,48 corresponde a tudo quanto a Recorrente recebeu no anocalendário de 2014, incluídos nesse total os valores declarados e os não declarados. Assim que, o cálculo do imposto deverá ser feito sobre o total que deveria ter sido informado como rendimentos. Se considerar o valor informado na DAA, deverá ser incluída somente a diferença do valor verdadeiramente omitido, o que resulta no corresponde ao valor a ser tributado, coerente com as informações fornecidas pela Recorrente no Recurso Voluntário. Assim, o novo cálculo de apuração do imposto deve ser feito considerandose a omissão verdadeira, sem a dupla contagem do valor já declarado porque se refere a recebimento de aluguéis, conforme demonstrado anteriormente. VALOR REAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (fl.26) Ocorre que o valor do Lançamento foi R$ 4.304,88, contudo, a verdadeira omissão se deu no valor de R$ 1.081,27, conforme o cálculo feito pela própria fiscalização como apresentado na fl. 26, com o título de Crédito Tributário não Questionado. Neste sentido, considerase Provido o Recurso porque este se referia somente em relação à duplicidade de inclusão do rendimento de 21.600,00, já declarado na DAA e em razão da concordância da Recorrente (fl.44), em relação aos valores omitidos à tributação, conforme amplamente demonstrado acima. Portanto, dáse provimento para excluir do Lançamento o valor de 3.223,61. Por fim, com base nas demonstrações antes expostas, assim como pela análise do que consta no processo e, em observância ao que determina a legislação tributária, se conclui que o saldo do valor definido como crédito tributário do Lançamento se limita a R$ 1.081,27, conforme calculado pela própria fiscalização (fl.26). Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para excluir da exigência do crédito tributário lançado o valor de R$ 3.223,61. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720567/2007-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI.
Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata.
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI. Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 05 67 /2 00 7- 62 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo de pedido de Declaração de Compensação de IPI com débitos de IRPJ conforme relatório da 3ª Turma da DRJ/JFA (fls. 247/251) exarado nos seguintes termos: "Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação — DCOMP Eletrônica no 20668 .79092.130804.1.3.010904 (fls. 04/85), baixada para tratamento manual no presente processo, transmitida em 13/08/2004, cujo débito compensado monta R$ 32890,36, tendo por lastro crédito decorrente de Ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado ao final do trimestre 3 °/2002, apurado pela filial n° 036204, localizada no município de BetimMG, com lastro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Do procedimento de fiscalização instaurado por intermédio do MP fl. 94 resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 187/193, que concluiu pelo indeferimento do direito creditório sob a seguinte motivação, em síntese: =>em visita à unidade operacional da Petrobrás Distribuidora SA denominada FASBET — Fábrica de Emulsões Asfálticas de Betim constatouse que o estabelecimento industrializa emulsões asfálticas classificadas na TIPI aprovada pelos Decretos 3.777/01, 4.070/2001 e 4.542, de 26/12/2002, na posição 2715.00.00, com alíquota de 5% (conforme declarou a empresa às fls. 99/100); => até dezembro/2006 a empresa dava saída aos produtos que industrializava — emulsão asfáltica, posição 27.15.00.00 na TIPI — sem destaque do IPI, sob o argumento de se tratar de produto derivado de petróleo, sujeito a imunidade, com amparo na Solução de Consulta favorável obtida pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Asfaltos (da qual é associada) por meio do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 854, de 1993 (fls. 108/110), que expressamente reconheceu tratarse de produto imune, baseado no Parecer Técnico exarado pelo DNC (fls. 106/107); => dai decorreu o acúmulo de créditos que originou diversos pedidos de ressarcimento/compensação; => ocorre que o produto industrializado pelo estabelecimento detentor do crédito, a emulsão asfáltica, posição 27.15.00.00, apresenta alíquota de 5% na TIPI, denotando, assim, não se tratar de produto imune e nem derivado de petróleo nos termos do art.18, inciso__ IV, §3°, do RIPI/2002; => assim, ao se proceder a reconstituição da escrita fiscal fazendo incidir o IPI à alíquota de 5% na saída e considerando se "os créditos escriturados no RAIPI verificouse a apuração de saldo devedor ao final de todos os trimestres, desde outubro/2001 até junho/2004 (conforme demonstrativos de fls. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 4 3 150/181 e 182/186), razão por que não existe direito ao ressarcimento/compensação nos moldes previstos nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, tendo, sido, inclusive, os saldos devedores apurados não alcançados pela decadência objeto de lançamento mediante auto de infração; => acerca da conclusão do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 854, de 28/07/1993, é de se lembrar que quando o mesmo foi exarado não havia qualquer regulamentação acerca da EC n° 03/1993 e, ainda, que o mesmo só tem validade até a publicação de ato ou norma que adote outro entendimento sobre a matéria consultada (aplicação da imunidade à emulsão asfáltica), que, como visto, apresentase atualmente, na TIPI aprovada pelo Decreto n° 4.542/2002 com alíquota de 5%, indicando não se tratar de produto abrangido pela imunidade atribuída aos derivados de petróleo; => propôsse, assim, o indeferimento do pedido de ressarcimento. 0 auto de infração a que se refere o TVF foi formalizado por meio do processo administrativo n° 10976.000214/200878 — cujo extrato encontrase anexado às fls. 237/240 do presente processo — que se encontra enviado A PFN desde 30/12/2008. Na seqüência foi proferido o Despacho Decisório de fls. 194/196, que, mencionando a conclusão do Termo de Verificação Fiscal pelo Indeferimento do pleito e destacando excerto do citado Termo que esclarece não se tratar a emulsão asfáltica de produto abrangido pela imunidade a que se refere o art. 153, §3° da CF, mas, sim, de produto tributado alíquota de 5% na TIPI, concluiu pelo indeferimento do direito creditório e pela não homologação da compensação declarada. Ciente do despacho decisório em 19/01/2009 (fls. 200/201) manifestou a interessada a sua inconformidade em 13/02/2009 (fls. 204/214), alegando, em apertada síntese: i) a nulidade do despacho decisório por falta de motivação; ii) eventual equivoco na tributação de emulsão não reflete inadequação na tomada de crédito de IPI pelas entradas de MP, PI e ME, assim, procede o creditamento realizado, conforme já reconhecido tantas vezes pela SRF, a exemplo do DOC. 07; iii) requer a produção de prova documental suplementar e diligência fiscal no estabelecimento tendente a determinar a adequação dos créditos tomados, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a homologação da compensação declarada. Ocorre que, não obstante o Despacho Decisório mencionasse o Termo de Verificação Fiscal — o que nos leva a inferir ter sido o mesmo adotado como fundamento para o indeferimento do pleito — não se verificou dos autos ter sido remetida sua cópia à pleiteante (que também não se valeu da faculdade de vista dos autos durante o prazo de impugnação), o que motivou o retorno do processo A. DRF de origem, em diligência (fls. 241/242), a fim de que fosse remetida cópia do Termo de Verificação Fiscal e reaberto prazo para apresentação de razões adicionais de Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 5 4 defesa, de modo a se assegurar o pleno exercício do contraditório e ampla defesa. Cumprida a diligência (fls. 243/244) e oportunizada a se manifestar a interessada não se pronunciou." O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 204/214), alegando, em resumo, que deveria ser anulado o r. Despachos Decisório DRF/CON nº 54 (fls. 194/196) de 13/01/2009 por conter vício a decisão proferida pela DRF, informando que os créditos referemse à aquisição de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários, apontando o equívoco na tributação da emulsão asfáltica e, por fim, devendo reconhecer a totalidade do crédito compensado com base no art. 21, § 3º e 6º da Instrução Normativa SRF nº 900/08. Analisado os argumentos do contribuinte pela 3ª Turma da DRJ/JFA na manifestação de inconformidade (fls. 204/214) que julgou improcedente, por entender que o contribuinte deixou de destacar o IPI (até dezembro/2006, passando a fazêlo somente a partir de janeiro/2007) nas vendas de emulsões asfálticas, produto classificado sob o código 2715.0000, sujeito à alíquota de 5% na TIPI, sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 SALDO DEVEDOR. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL.CONVALIDAÇÃO. À apresentação de defesa dissociada da motivação do indeferimento do direito creditório implica convalidação da reconstituição da escrita fiscal que apurou saldos devedores após o registro dos débitos decorrentes das saídas de emulsão asfáltica, não havendo se falar em direito creditório a ser reconhecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 PROVA DOCUMENTAL/DILIGÊNCIA. Indeferemse os pedidos de apresentação de prova documental suplementar em momento posterior à impugnação e de diligência quando a autoridade julgadora os entende desnecessários e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez constatada a inexistência do saldo credor passível de Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 6 5 ressarcimento indicado pela interessada para compensar os débitos objeto da(s) DCOMP(s) em análise, cabe a não homologação da(s) compensação (ões) sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 256/262) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista: a) a suposta incidência de IPI nas saídas das emulsões asfálticas, em . face da .sua respectiva imunidade constitucional e ausência de TIPI especifica para seu efetivo enquadramento.; b) o efeito suspensivo e, por fim, c) a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator É oportuno esclarecer que, embora tenha o contribuinte denominado o seu recurso de "RECURSO ADMINISTRATIVO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE" em atenção ao princípio da fungibilidade, recebo e processo como Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Alega o contribuinte a nulidade do despacho decisório por falta de motivação, o que não se pode prosperar, pois como bem descrito no acórdão proferido pela DRJ "além de mencionar a conclusão do Termo de Verificação Fiscal pelo Indeferimento do pleito, destacou excerto do citado Termo que esclarece não se tratar a emulsão asfáltica de produto abrangido pela imunidade, mas sim de produto tributado à alíquota de 5% na TIPI", claramente demonstrado as razões de fato e de direito que fundamentaram o indeferimento, ademais pode se perceber que seguiuse todos trâmites regulares e legais quanto ao seu processamento, afastando também qualquer narrativa de cerceamento de defesa. Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações, passo a analisar o cerne da lide, qual seja, se a emulsão asfáltica, supostamente abrangida pela imunidade, darseia direito a crédito ou se é produto tributado à alíquota de 5% classificada na TIPI Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 7 6 Por oportuno, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 187/193) é esclarecedor para demonstrar que "se o produto está sujeito à alíquota do IPI na TIPI (aprovada pelos Decretos nºs 3.777/01, 4.070/2001 e 4.542, de 26/12/2002), ela deve ser aplicada, salvo disposição em contrário. Concluindo, as emulsões asfálticas, classificadas na TIPI na posição 27.15.00.00, não estão incluídas na imunidade prevista no artigo 155, §3° da CF, e devem ser tributadas pelo IPI à aliquota de 5%.". Sendo assim, "incorretas as atitudes tomadas pelo contribuinte no sentido de não promover o recolhimento do IPI nas operações que têm por objeto os produtos em apreço". Cabe aqui, observar que na reconstituição da escrita fiscal, foi apurado saldo devedor de IPI em todos os trimestres, não tendo assim, o contribuinte, direito a restituição/compensação nos moldes previstos nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Ademais, a compensação tributária é regulada pelo art. 170 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública" (grifo nosso). Ainda que se assim não fosse, prevalecendo a tese preconizada pelo contribuinte que a emulsão asfáltica "cuja imunidade constitucional é decorrente do mesmo ser integralmente derivado de petróleo, conforme art. 155 §39 da CF/88", entendo que não assiste razão o contribuinte em sua tese. É o que se infere nos termos do art. 11, da Lei nº 9.779/99, instituidora do regime de creditamento em discussão, é expresso em garantir o benefício somente quanto à produção de mercadorias isentas e sujeitas à alíquota zero, não se estendendo às mercadorias imunes ou não tributadas, nos seguintes termos: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." A imunidade tributária se diferencia das figuras exonerativas da isenção e da alíquota zero principalmente pelo fato de que, nessas situações, os entes políticos têm competência para instituir o tributo, mas que, por razões extrafiscais, decidem exonerar determinados setores ou produtos por meio de normas infraconstitucionais, cuja tributação encontravase constitucionalmente autorizada. Por fim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem reconhecendo a vedação do aproveitamento de créditos de sobre insumos utilizados na industrialização de produtos imunes ao IPI. (Acórdão nº 9303006.516 e Acórdão nº 9303004.581). No tocante ao efeito suspensivo requerido pelo contribuinte a fim de garantir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ressalta não ser necessário qualquer Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10768.720567/200762 Acórdão n.º 3002000.255 S3C0T2 Fl. 8 7 provimento por parte do relator, uma vez que tal suspensão já está garantida na forma do art. 151, III do CTN, "in verbis": "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726410/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL - NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA - Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-001.213
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os
Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior (Relator), que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior (Relator), que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallman Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 140.957,55, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal elaborado pela autoridade lançadora, constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Segundo a autoridade lançadora as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na Fl. 137DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – DRJ/SDR, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do acórdão DRJ/SDR n° 1523.334, de 07 de abril de 2010 (fls. 84/89), cuja ementa segue abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 3 5 MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Devidamente intimado em 29 de junho de 2010, a recorrente apresenta tempestivamente recurso em 12 de julho de 2010, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 139DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Relator Natureza Indenizatória Do Valor Recebido Antes de adentramos ao mérito da questão, gostaria de fazer um breve histórico de como originou a questão objeto de julgamento. Inicialmente devemos analisar as disposições do artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, que tratou concedeu o abono variável a partir de 1 de janeiro de 1998 aos membros do Poder Judiciário: “Art. 6º: Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Referido dispositivo legal faz menção ao artigo 93, inciso V da Constituição Federal, condicionando a produção de efeitos do abono até a data de vigência de futura Emenda Constitucional alterando o comando constitucional mencionado. A Emenda Constitucional nº. 19, de 04 de Junho de 1998, alterou o dispositivo constitucional mencionado: “Art. 93: (...) V os vencimentos dos magistrados serão fixados com diferença não superior a dez por cento de uma para outra das categorias da carreira, não podendo, a título nenhum, exceder os dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. (redação anterior à EC 19/98) V o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os Fl. 140DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 4 7 subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º.” (redação dada pela EC 19/98) A forma de cálculo e de pagamento foi disciplinado pelo artigo 2º, da Lei nº. 10.474/2002: “Art. 2º: O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por Magistrado, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º: Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos Magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº. 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º: Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. § 3º: O valor do abono variável da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo.” O Supremo Tribunal Federal STF ao editar o artigo 1º da resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002 definiu a natureza jurídica indenizatória do abono previsto no artigo 2º da Lei nº. 10.474/2002, nos seguintes termos: “Art. 1º: É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº. 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal.” Assim a partir da edição da Resolução n° 245/02 do STF o abono variável de que trata o artigo 2° da Lei n° 10.474/02 tem natureza indenizatória, portanto não é passível de ser tributado pelo imposto de renda. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 O “abono variável” devido aos Magistrados do Estado do Bahia, objeto de discussão no presente caso tem como fundamento legal nos artigos 4º e 5º, da Lei 8.730 de 09 de setembro de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Nos termos da referida norma legal, entendo que foi pago aos membros do Poder Judiciário do Estado da Bahia abono variável nos mesmos moldes do que dispõe o artigo 2°, da Lei n° 10.747/02. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos Magistrados Estaduais pela Lei n° 8.073 de 2003, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPF, portanto tem natureza indenizatória nos termos do que dispõe a Resolução do STF n° 245/02, não sendo portanto fato gerador do imposto de renda nos termos do que dispõe o artigo 43 do CTN. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 142DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 5 9 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a preliminar de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.726410/200909 Acórdão n.º 220201.213 S2C2T2 Fl. 6 11 Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : Fl. 145DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 146DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/08/2011 por NELSON MALLMANN, 18/08/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, 22/08 /2011 por PEDRO ANAN JUNIOR
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