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Numero do processo: 11543.005731/2002-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (30 dias).
Numero da decisão: 1301-001.134
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (30 dias). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 57 31 /2 00 2- 09 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Verificase pela análise do presente processo administrativo que a Recorrente formalizou em 17/12/2002 e 12/05/2003, duas DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, pretendendo liquidar débitos de PIS e COFINS, mediante aproveitamento de aludidos saldos negativos de IRPJ, no valor total de R$ 132.817,57, e de CSLL, no valor total de R$ 110.680,22, referentes aos anoscalendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001 (fls. 01/02 e 13/14). Depreendese ainda, que o procedimento do contribuinte foi submetido a exame do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Vitória — ES, que manifestou suas conclusões no Parecer SEORT n° 1822, de 01/12/2004, encartado às folhas 85 e 86, sendo oportuna sua transcrição, verbis: (...) INSTRUÇÃO A empresa acima qualificada solicita restituição de saldos negativos do IRPJ, no valor de R$ 132.817,57, e da CSLL, no valor de R$ 110.680,22, perfazendo o total de R$ 243.497,79, referentes aos anoscalendário de 1997 a 2001, conforme pedido de fl. 02 e demonstrativos de fls. 15 a 18. O contribuinte solicita também compensação, conforme pedidos de fls. 01 e 13, com os débitos do PIS (códigos 8109 e 6192) e da COFINS (código 2172). ANÁLISE Preliminarmente cabe analisar as alegações do contribuinte, com base nos documentos apresentados, na legislação em vigor e nos Sistemas da SRF. A empresa, atualmente, encontrase na situação de Ativa Não Regular, de acordo com pesquisa no Sistema CNPJ (fl. 23). Analisando as declarações de rendimentos referentes aos anos calendário de 1997 a 2001, observase que em 1997 (fls. 25/verso e 32), 1999 (fls. 50 e 54) e 2001 (fls. 72 e 75) o saldo de IRPJ e CSLL a pagar foi de R$ 0,00, ou seja, não houve saldo negativo. Portanto, analisaremos as declarações referentes aos anoscalendário de 1998 (fls. 38 e 42) e 2001 (fls. 59 e 62), tendo em vista que nestes períodos ocorreram saldos negativos do IRPJ (1998 e 2000) e da CSLL (2000). No anocalendário de 1998, o contribuinte declarou na Ficha 13— Cálculo do IR Sobre o Lucro Real (fl. 38) o valor de R$ 7.567,36 de IRRF por órgão público, gerando um saldo negativo do IR a pagar no mesmo valor; e na Ficha 30 — Cálculo da CSLL Sobre o Lucro Liquido (fl. 42), o contribuinte declarou os valores de R$ 0,00 de CSLL retida na fonte por órgão público e de CSLL a pagar. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11543.005731/200209 Acórdão n.º 1301001.134 S1C3T1 Fl. 3 3 No anocalendário de 2000, o contribuinte declarou na Ficha 12A — Cálculo do IR Sobre o Lucro Real (fl. 59) os valores de R$ 125.733,85 de IRRF e R$ 111.637,57 de IRRF por órgão público, gerando um saldo negativo do IR a pagar no valor de R$ 237.371,42; e na Ficha 17— Cálculo da CSLL Sobre o Lucro Liquido (fl. 62), o contribuinte declarou o valor de R$ 93.030,39 de CSLL retida na fonte por órgão público, gerando um saldo negativo de CSLL apagar no mesmo valor. Tendo em vista que os saldos negativos declarados nos anos calendário de 1998 e 2000 foram apurados a partir de IR e CSLL retidos na fonte, efetuamos pesquisa nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 43 e 63) e constatamos que foram retidos os valores de R$ 30.584,75 (1998) e R$ 48.372,45 (2000) através do código 6147— Produtos — Retenção Em Pagamento Por órgão Público. O artigo 64 (caput) da Lei n° 9.430, de 27/12/9619, dispõe que: [Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. De acordo com a Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 04, de 18/08/97, a retenção será efetuada mediante a aplicação, sobre o valor que tiver sendo pago, do percentual constante na coluna 06 da tabela de fl. 79, que corresponde à soma das alíquotas do imposto de renda e das contribuições. Portanto, a parcela do IRRF corresponde aos valores de R$ 6.273,79 (1998) e R$ 9.922,55 (2000), e da CSLL retida na fonte os valores de R$ 5.228,16 (1998) e de R$ 8.268,79 (2000), conforme planilha de fl. 80. Do exposto, concluímos que o contribuinte teria o direito à restituição do seguinte valor, que geraria saldo negativo de IR e CSLL, referente aos anoscalendário de 1998 e 2000. (....) Os débitos constantes nos pedidos de fls. 01 e 13 estão cadastrados no PROFISC (fls. 76 a 78). Diante do exposto acima, proponho a restituição do valor de R$ 29.693,92 que corresponderia ao saldo negativo do IR e da CSLL referente aos anoscalendário de 1998 e 2000. (...) Temse, portanto, que os fundamentos do referido parecer foram acolhidos pela Delegada da Receita Federal em Vitória — ES, que proferiu, então, despacho decisório, em 23/12/2004, deferindo parcialmente o pleito do contribuinte (fl. 87). Com o fim de notificarse a Recorrente acerca do conteúdo da referida decisão, foi encaminhada a pertinente cópia pelos Correios, tendo a correspondência em Fl. 695DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 4 questão sido devolvida, em 12/01/2005, com a informação de que o destinatário "mudouse" (fls. 84). Frustrada a ciência por via postal, o órgão preparador procedeu à intimação do contribuinte por edital, afixado na repartição fazendária em 03/03/2005 (fls. 89) e não tendo havido qualquer manifestação de inconformidade, por parte da Interessada, a unidade de origem deu início à cobrança dos débitos não compensados, encaminhando nova intimação ao contribuinte, por via postal (fls. 150). Desta vez, ao contrário do que sucedera anteriormente, a correspondência foi recebida sem nenhum problema, no domicílio tributário da empresa, em 11/10/2007 (AR, à fl. 151). Inconformada com a decisão que lhe foi desfavorável, a Interessada protocolizou, em 13/11/2007, Manifestação de Inconformidade (fls. 166/178 e docs. fls. 179/196), alegando em síntese que muito embora o Despacho Decisório tenha sido proferido em 23/12/2004, somente tomou conhecimento em 11/10/2007. Seguiu arrazoando que a cobrança de qualquer saldo devedor, nesta fase do processo, é ilegítima porquanto os débitos encontramse com sua exigibilidade suspensa (art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003), aduzindo que ao realizar procedimento interno de auditoria, observou que o IRPJ e a CSLL retidos na fonte, nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem — DNER (fls. 204/218), não foram contabilizados nas épocas devidas (cfr. Razão das contas "IRRF s/ Obras a Compensar" e "Contribuição Social Retida a Recuperar", fls. 220/225). Afirmou ainda, que uma vez que o erro só foi percebido no anocalendário de 2000, os valores retidos na fonte pelo DNER em 1997, 1998 e 1999 foram consolidados e atualizados até 31/12/2000, passando a compor os saldos credores de IRPJ e de CSLL informados na DIPJ/2001, afirmando que o direito à utilização dos saldos credores apurados nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999 já foi reconhecido, inclusive, pelo Comitê Gestor do Programa de Recuperação Fiscal — REFIS, conforme decisão encaminhada através da Intimação CG/SER n° 358P, de 05/10/2007 (doc. fls. 227/232), razão pela qual não haveria falar na imposição de qualquer multa. A 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 248 a 256, indeferiu a solicitação da contribuinte, fundamentando de início, para os fins de admitirse a Manifestação de Inconformidade como tempestiva, que a utilização da intimação por edital, no caso concreto, teria sido precipitada, reconhecendo que a Recorrente só veio a tomar ciência da decisão que lhe foi desfavorável em 11/10/2007 (fl. 151). Superada a questão da tempestividade, seguiu a decisão recorrida dando conta do mérito envolvido no alegado direito creditório, assentando para tanto que a controvérsia circunscrevese aos valores de imposto de renda e de contribuição social sobre o lucro líquido retidos na fonte pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – DNER, nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999. Relembrouse que a recorrente afirma que os referidos valores não foram contabilizados nas épocas oportunas, mas que, tão logo o engano foi detectado, no ano de 2000, procedeu aos lançamentos contábeis de regularização e, como consequência, os valores retidos na fonte foram consolidados e devidamente atualizados até 31/12/2000, vindo, afinal, a compor os saldos credores de IRPJ e CSLL informados na DIPJ/2001. Diante deste cenário, assentou a decisão recorrida que as pessoas jurídicas beneficiárias de pagamentos efetuados por autarquias federais — caso do extinto DNER —, em Fl. 696DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11543.005731/200209 Acórdão n.º 1301001.134 S1C3T1 Fl. 4 5 razão de fornecimento de bens ou de prestação de serviços, têm direito a compensar as importâncias retidas na fonte, a título de imposto de renda e contribuições sociais, com os valores devidos em relação ao imposto ou à contribuição de mesma espécie (art. 64, caput, e §§ 3° e 4°, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996), registrandose que no caso específico das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real anual, a legislação autoriza deduzir, do IRPJ e da CSLL devidos ao fim do anocalendário, os valores retidos na fonte, a título de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, quando vinculados a receitas computadas na determinação do resultado do período (art. 2°, § 4°, inciso III, c/c art. 28 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996). Concluiuse assim, que ao contribuinte não é dado escolher o período em que deseja compensar os valores retidos na fonte. A compensação só poderá ser feita no período em que as receitas correspondentes tenham sido oferecidas à tributação, de acordo com o regime de competência imposto pela legislação comercial e fiscal (art. 7°, caput e § 4°, e art. 67, inciso XI, do Decretolei n° 1.598, de 26/12/1977; art. 187, § 1°, alínea "a", da Lei n° 6.404, de 15/12/1976), porquanto, no entender da decisão recorrida, se as receitas decorrentes dos serviços prestados ao DNER foram tributadas nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, a compensação dos correspondentes valores retidos na fonte, a título de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, só poderia ter sido feita naqueles períodos de apuração, e nunca no anocalendário de 2000. A Recorrente foi cientificada do julgamento da DRJ/RJOII(RJ) em 01 de fevereiro de 2010, conforme "AR" de fl. 262 e interpôs Recurso Voluntário, às fls. 273/279, em 09 de março de 2010, reiterando os argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Sem embargo às considerações da Recorrente, ao menos quanto ao mérito destas, o presente Recurso Voluntário não pode ser conhecido, porquanto apresentado intempestivamente. Com efeito, assim entabula o artigo 33 do Decreto 70.235/72, in verbis: Artigo 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) (meus os grifos e as supressões) Tal prazo, como cediço, contase nos termos do artigo 5º do já referido Decreto, que assim versa: Artigo 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Observese que a recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 01 de fevereiro de 2010 (segundafeira), conforme aviso de recebimento de folha 262, ocorrendo que o protocolo do Recurso Voluntário fora efetivado apenas em 09 de março de 2010 (terçafeira), conforme consta da primeira página de se recurso (fl. 273) e da Certidão de folha 281, daí porque, forçoso é considerálo intempestivo, eis que ultrapassada a data limite de sua interposição. Frente ao exposto, não conheço do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 05 de março de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11543.005731/200209 Acórdão n.º 1301001.134 S1C3T1 Fl. 5 7 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR
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Numero do processo: 10073.720691/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. ATIVIDADES ACESSÓRIAS. INEXISTÊNCIA DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO AOS DIRETORES. APLICAÇÃO DO SUPERÀVIT EM GRATUIDADE.
O desenvolvimento de atividade acessórias e paralelas ao objetivo social da entidade que tenham por finalidade a obtenção de recursos financeiros para aplicação posterior em gratuidade não pode por si só e desacompanhada de evidências de que tais recursos foram distribuídos aos diretores, não podem servir de fundamento para suspensão da imunidade.
Numero da decisão: 1201-002.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, no que restou vencido o relator. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ATIVIDADES ACESSÓRIAS. INEXISTÊNCIA DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO AOS DIRETORES. APLICAÇÃO DO SUPERÀVIT EM GRATUIDADE. O desenvolvimento de atividade acessórias e paralelas ao objetivo social da entidade que tenham por finalidade a obtenção de recursos financeiros para aplicação posterior em gratuidade não pode por si só e desacompanhada de evidências de que tais recursos foram distribuídos aos diretores, não podem servir de fundamento para suspensão da imunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, no que restou vencido o relator. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 06 91 /2 01 2- 11 Fl. 13323DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Recebidos os embargos tempestivos de fls. 13.304/13.308, nos termos do inciso I, do art. 64, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que a FAZENDA NACIONAL alega OMISSÃO no Acórdão nº 1201001.536, de 24/01/2017, proferido por esta 1ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, conforme trecho dos Embargos que abaixo transcrevo: “A interposição dos presentes embargos justificase em razão da caracterização de omissão no presente julgado, no que tange ao pronunciamento desta e. Turma acerca da imputação feita pela autoridade fiscal de que o contribuinte teria descumprido a disposição prevista no § 4º do art. 150 da Constituição Federal e no § 2º do art. 14, do CTN. O dispositivo constitucional, que sequer foi mencionado pelo i. relator em seu voto, estabelece que: (...) § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. No mesmo sentido, o CTN traz também a previsão de que a vedação à instituição de tributo sobre o patrimônio, a renda e serviços se estende apenas àqueles serviços relacionados com os objetivos institucionais da entidade. Vejase: (...) § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Com efeito, o Termo de Verificação do presente lançamento disse, textualmente, que o contribuinte em questão “descumpriu os requisitos estabelecidos no inciso I e § 2º, do art. 14, do CTN, concomitantemente com a alínea “a”, do § 2º, do art. 12, da Lei 9.532/97” (fl. 5, do TVF). Fl. 13324DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 3 3 Nesse ponto, vale fazer um adendo para mencionar que o acórdão ora embargado, mais especificamente em sua fl. 14, afirma que a “Notificação Fiscal está fundamentada no descumprimento, pelo interessado, dos requisitos previstos no disposto no inciso I do art. 14 do CTN e na alínea “a”, do § 2º, do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, (...)”. Observese, pois, que o r. voto olvidouse de mencionar o descumprimento também do § 2º do art. 14, do CTN, afirmando, apenas, que a notificação estaria pautada no inciso I do referido artigo. Tal informação, data máxima vênia, encontrase equivocada. As imputações que culminaram com a suspensão da imunidade tributária da contribuinte foram as seguintes: 1 – pagamento de remuneração variável a título de bônus aos funcionários ocupantes de cargos gerenciais (art. 14, inciso I, do CTN, c/c a alínea “a”, do § 2º, do art. 12, da Lei 9.532/97); e 2 – execução de serviços não diretamente relacionados com os objetivos institucionais da entidade (art. 14, § 2º, do CTN). Dentro do item 2 acima, a fiscalização aponta que o contribuinte exerceu as seguintes atividades, que estão em desacordo com os seus objetivos institucionais: serviços de hospedagem; e serviços de venda de mercadorias em bar e restaurantes. Acrescentese que a fiscalização também imputa outras condutas irregulares do contribuinte e que estão relacionadas à suspensão da isenção das contribuições sociais, a exemplo do descumprimento do art. 55, inciso IV, da Lei 8.212/91, na medida em que presta serviços à CSN com custos reduzidos, o que acaba por conferir uma vantagem ou benefício à sua instituidora. Pois bem. Analisando o voto condutor do julgado observase claramente que o mesmo tratou de todas essas imputações como fundadas em dois dispositivos legais, que falam exatamente a mesma coisa: o inciso I do art. 14 do CTN c/c a alínea “a”, do § 2º, do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, que tratam da impossibilidade de remunerar seus dirigentes. Observese o teor da ementa do julgado: (...) No que tange à imputação de obter receitas substanciais de atividades não previstas em seu estatuto, em clara violação ao § 4º do art. 150 da CF e do § 2º do art. 14 do CTN, o colegiado nada falou. Diante da referida omissão, questionamentos essenciais à suspensão da imunidade tributária não foram respondidos, como p. ex.: Fl. 13325DF CARF MF 4 a) O colegiado entende que as receitas decorrentes da prestação dos serviços de hospedagem e de venda de mercadorias em bar e restaurantes estão relacionadas à finalidade essencial da entidade? b) Tais receitas devem ser abrangidas pela imunidade tributária do art. 150, inciso IV, alínea c, da CF? c) A percepção de tais receitas acarreta uma violação do § 4º do art. 150 da CF e do § 2º do art. 14 do CTN? d) A exigência de que os serviços prestados pela fundação estejam relacionados com as finalidades essenciais da entidade é um requisito legal para o reconhecimento da imunidade tributária? (...) Desta feita, a omissão apontada necessita ser sanada para que a Fazenda Nacional identifique, com retidão, os fundamentos a serem combatidos em eventual recurso.” O Acórdão ora embargado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, julgando improcedente o Ato Declaratório nº 12, de 26 de junho de 2012, mantendo a imunidade tributária da Fundação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Os requisitos de admissibilidade dos presentes embargos já foram analisados através do competente despacho de admissibilidade. Sendo assim, passo à análise dos argumentos dos presente embargos. Sustenta a Embargante que a decisão embargada ocupouse apenas da questão relativa à acusação fiscal de remuneração aos dirigentes (com fundamento legal no art. 14, inciso I, do CTN, e na alínea “a”, do § 2º, do art. 12, da Lei 9.532/97). Entretanto, aduz a embargante, que a notificação fiscal que deu azo à edição do ato declaratório que suspendeu a imunidade tributária da entidade foi expedida também com base no auferimento de receitas, ditas “substanciais”, oriundas da prestação de serviços de hotelaria, bar e restaurante, consideradas pela fiscalização como estranhas aos seus objetivos institucionais. Tal alegada infração atrairia, no entender do fisco e da embargante, a aplicação do § 2º do art. 14 do CTN. Nesse sentido, segundo a embargante, mencionado julgado incorreu em omissão, pois tratase de ponto relevante para o deslinde do feito, acerca do qual o colegiado não poderia deixar de se pronunciar. Entendo que cabe razão à embargante quando alega que a Turma não analisou se as receitas advindas dos serviços de hotelaria, bar e restaurante estão diretamente relacionadas com os objetivos institucionais da entidade e se isto afastaria a imunidade tributária com fulcro no § 2º do art. 14 do CTN. Fl. 13326DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 4 5 Assim, necessária a integração do voto vencedor, acrescentandolhe os seguintes termos: O gozo da imunidade previsto no art. 150, inciso VI, "c" da CF/88, está condicionado aos atendimentos dos requisitos estabelecidos em lei. Os artigos 9º e 14 do CTN disciplinam os requisitos para o gozo da imunidade pelas fundações sem fins lucrativos. Com efeito, dispõe o art. 14, parágrafo 2º do CTN: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: [...] § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. [...] Portanto, os serviços imunes são exclusivamente os diretamente relacionados com os objetivos institucionais da fundação, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. No caso concreto, a recorrente alega que toda a receita gerada com o Hotel Escola é aplicada, em sua integralidade, na manutenção e desenvolvimento das atividades da recorrente. Porém, não é o que se vislumbra no presente caso. O acórdão recorrido bem aponta o auferimento de receitas substanciais com serviços de hospedagem (R$ 2.678.546,94) e bar e restaurante (R$ 2.112.824,43) Aponta também que, quanto a alegação de que toda receita gerada com o Hotel Escola seria aplicada, em sua integralidade na manutenção e desenvolvimento das atividades da Fundação, a mesma carece de comprovação. Vale trazer à transcrição excertos do voto condutor do acórdão recorrido que bem descrevem a situação, verbis: 1) Prestação de serviços de hotelaria Afirma que o Hotel Escola é um projeto de assistência social, por meio do qual a Fundação CSN desenvolve "atividades de interesse social nas áreas de educação, e da assistência social", utilizando o Hotel Escola para, de modo 100% gratuito, formar, anualmente, turmas de jovens carentes, capacitandoos para o mercado de trabalho no setor hoteleiro, ou seja, a Fundação utiliza as atividades desenvolvidas pelo hotel como uma ferramenta para a materialização do objeto social da entidade. Entende que o próprio nome da unidade já deixa bastante evidente a sua finalidade, de não ser simplesmente um Hotel, Fl. 13327DF CARF MF 6 mas sim um Hotel Escola, ou seja, um projeto de assistência social que tem por objetivo a inclusão de jovens carentes, em situação de risco social e vulnerabilidade, no mercado de trabalho, por meio da capacitação teórica e prática, e treinamento desses jovens que têm a oportunidade de realizar toda a parte prática do curso em um hotel escola. Vale ainda informar que o projeto Hotel Escola forma, anualmente, cerca de 160 (cento e sessenta) jovens, que em sua grande maioria encontram colocação no mercado de trabalho. Frisa que toda a receita gerada com o Hotel Escola é aplicada, em sua integralidade, na manutenção e desenvolvimento das atividades da Fundação. Defende que não se pode dizer que a Fundação se encontra em condições de equivalência a empresas que atuam no mesmo ramo. De início, devese indagar se o desempenho de atividade hoteleira está em consonância com a finalidade estatutária do interessado. Segundo a fiscalização, através de consulta no sistema CNPJ verificouse que o interessado possui uma filial (19.690.999/000923), cujo nome fantasia é HOTEL ESCOLA BELA VISTA, com CNAE 5510801 (Hotéis). Basta analisar os objetivos sociais do interessado, antes discriminados, para se constatar que os serviços de hotelaria não se encontram elencados no rol das atividades para as quais a entidade foi criada. Além disso, o Balancete do interessado, especificamente a conta sintética PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (3311) e sua subconta analítica SERVIÇOS DE HOSPEDAGEM (33111010), revela que o total movimentado da 2a (R$ 2.678.546,94) representou 26,72% do total movimentado da 1a (R$ 10.023.939,76). Ou seja, uma receita substancial está sendo auferida com uma atividade não prevista no Estatuto. Mais parece que o objetivo do interessado seria a prestação de serviços de hotelaria com fins lucrativos, nos moldes de outras empresas do ramo, do que a prestação de serviços assistenciais e educacionais que alega efetuar. Quanto à alegação que toda a receita gerada com o Hotel Escola seria aplicada, em sua integralidade, na manutenção e desenvolvimento das atividades da Fundação, a mesma carece de comprovação. Portanto, está comprovado que o interessado não desempenhou atividade em consonância com a sua finalidade estatutária. Sendo assim, descumpriu requisito para gozo da imunidade, previsto no art. 14, § 2º, do CTN. 2) Prestação de serviços de bar e restaurante O interessado alega que o ordenamento jurídico brasileiro não proíbe o exercício de atividades comerciais e industriais por entidades sem fins lucrativos, sejam fundações ou associações. Fl. 13328DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 5 7 Apenas impõe duas condições à realização de atividade econômica por entidades sem fins lucrativos, a saber: (i) deve ser desempenhada em consonância com as finalidades estatutárias da entidade; e (ii) o resultado financeiro da atividade deverá ser integralmente aplicado na manutenção e no desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade. O mesmo raciocínio desenvolvido no item anterior vale para este. Devese indagar se o desempenho de atividade de bar e restaurante está em consonância com a finalidade estatutária do interessado. No Balancete foi detectado que o interessado mantém como conta analítica escriturada com a denominação BAR E RESTAURANTE (33122001), subconta da conta Sintética VENDA DE MERCADORIAS (3312), cujo valor total movimentado (R$ 2.112.824,43) representou 24,14% do valor total movimentado da conta sintética (R$ 8.751.982,05). Não há como negar a existência de uma receita substancial não vinculada a nenhuma atividade prevista no Estatuto, já este prevê, tão somente, realização de atividade de interesse social de assistência alimentar, o que, data vênia, é bem diferente de exploração de bar e restaurante. Portanto, está comprovado que o interessado não desempenhou atividade em consonância com a sua finalidade estatutária. Sendo assim, descumpriu requisito para gozo da imunidade, previsto no art. 14, § 2º, do CTN. (Grifamos). Percebese, claramente, a utilização da entidade, beneficiária da imunidade constitucional, para a geração de ganhos em empresas voltadas à finalidade lucrativa, em detrimento de seus objetivos institucionais . Entendo, outrossim, que o ônus da prova de que toda a receita gerada com hotel, bares e restaurantes seria aplicada, em sua integralidade, na manutenção e desenvolvimento das atividades da Fundação é do sujeito passivo beneficiário da imunidade e não da fiscalização. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos, com efeitos infringentes, de forma a NEGAR provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantida a suspensão da imunidade tributária nos termos do § 2º do art. 14 do CTN. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 13329DF CARF MF 8 Voto Vencedor Não obstante o brilhantismo do voto do Conselheiro Relator, ouso discordar. Com relação à suposta omissão do acórdão embargado, destaco aqui trecho do respectivo voto: A imputação fiscal, que ensejou a publicação do Ato Declaratório combatido, baseiase na Notificação Fiscal que aponta, para o anocalendário de 2007, as seguintes irregularidades: 1) Prestação de serviços de hotelaria; 2) Prestação de serviços de bar e restaurante; 3) Pagamento de Bônus a dirigentes; 4) Prestação de serviços à COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL – CSN, sua instituidora; 5) A Fundação CSN apresentou valores incorretos para o cômputo da base de cálculo de aplicação de percentual em gratuidade; 6) A Fundação CSN desenvolve atividades na área da saúde através do Centro de Saúde Oral CSO, prestando atendimento odontológico direcionado aos funcionários da CSN e de empresas coligadas; 7) A Fundação CSN mantém uma farmácia comunitária que tem como objetivo principal a venda de medicamentos a funcionários da CSN e de empresas coligadas; 8) A Fundação CSN administra clube de funcionários da CSN. Vemos aqui que o acórdão embargado menciona de forma expressa (itens 1, 2 e 4 acima) os componentes da autuação fiscal supostamente omitidas e que se referem à execução de serviços não diretamente relacionados com os objetivos institucionais da entidade (art. 14, § 2º, do CTN) e prestação de serviços à CSN, sua instituidora, com custos reduzidos o que viola o art. 55, inciso IV da Lei 8.212/91. Contudo, a embargante aduz que o presente colegiado não respondeu às seguintes questões: a) O colegiado entende que as receitas decorrentes da prestação dos serviços de hospedagem e de venda de mercadorias em bar e restaurantes estão relacionadas à finalidade essencial da entidade? b) Tais receitas devem ser abrangidas pela imunidade tributária do art. 150, inciso IV, alínea c, da CF? c) A percepção de tais receitas acarreta uma violação do § 4º do art. 150 da CF e do § 2º do art. 14 do CTN? Fl. 13330DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 6 9 d) A exigência de que os serviços prestados pela fundação estejam relacionados com as finalidades essenciais da entidade é um requisito legal para o reconhecimento da imunidade tributária? Pois bem, os dispositivos legais mencionados pela Embargante são os seguintes: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: (...) § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Ora, o ponto aqui é definir se a prestação de serviços de hotelaria, bar e restaurante, no caso em tela, implicam em infração aos dispositivos acima mencionados. Vejam, sem prejuízo do sagrado Princípio da Legalidade que sempre deve servir de espinha dorsal dos legisladores, julgadores e quaisquer operadores do direito, devemos no presente caso lançar mão também de uma análise pragmática do processo de manutenção de uma entidade sem fins lucrativos cuja finalidade seja prestar assistência social ou educacional. Em primeiro lugar, vemos que o Estado no seu sentido lato sensu procura apoiar tais entidades através da imunidade ou isenção tributária de modo a reduzir a onerosidade das atividades desenvolvidas por tais entidades e tornálas mais eficientes em sua finalidade. Contudo, para o devido exercício de suas atividades sociais ou educacionais a entidade necessita de recursos financeiros que podem vir através de doações que podem ser aquelas iniciais que servirão para a constituição da entidade ou posteriores que serão usadas na manutenção das atividades. Contudo, o instituto da doação por sua própria natureza é facultativa às partes, ou seja, ninguém é obrigado a efetuar doações seja para quem for, pois, se o envio de recursos financeiros, bens ou qualquer tipo de ativo for mandatório, doação não é. Fl. 13331DF CARF MF 10 Pois, bem, sendo facultativa, a doação é também incerta para as entidades, vez que dependem da tão subjetiva boa vontade dos doadores. Alíás, não somente boa vontade, mas mesmo capacidade, possibilidade dos doadores fazerem doações. Contudo, a prestação de assistência social ou educacional não pode conviver com este grau de incerteza. Não é crível imaginar que os assistidos fiquem à mercê do fluxo positivo de doações para continuidade da assistência oferecida. Assim, a atividade assistencial moderna além de praticar a máxima " Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentálo por um dia. Se o ensinares a pescar, vais alimentálo toda a vida.", junto aos seus assistidos, também a faz para si própria, ou seja, para a manutenção de sua existência e atividade. Quero dizer com isso que a atividade assistencial deve ser autossustentável no sentido de manterse por si própria sem dependência excessiva de doações. Seguindo este racional , a busca pela própria sustentabilidade através de atividade que geram receita deve ser incentivada e não penalizada pelo Estado. A entidade assistencial não tem finalidade lucrativa mas deve sempre buscar superávit para sobreviver e manter suas atividades. Considerando que as despesas são certas, a incerteza de receitas traz um cenário de provável déficit. O desenvolvimento de atividades que geram receitas ajudam de forma nuclear a manutenção das entidades em sua finalidade que é a gratuidade. Para que abusos e desvios sejam evitados, no sentido de beneficiar determinada entidade com imunidades e isenções tributárias que ao final apenas representam lucro de uma pessoa ou conjunto de pessoas, é necessário verificarse se a receita gerada por tais atividades é integralmente aplicada nas atividades sociais da entidade e não é distribuídas aos seus diretores. Logicamente, não é crível exigirse que toda receita obtida seja imediatamente aplicada em gratuidade. Desta forma também não haveria perpetuidade. Contudo, o que se deve observar é a saída de recurso financeiro tem por destino suas atividades sociais. No caso em tela, não há qualquer acusação de distribuição de lucro aos diretores. O que se alega é que o simples exercício da atividade de restaurante, bar e hotelaria seria suficiente para colocar em xeque o benefício da isenção. Certamente, não concordo com tal posicionamento do Sr. Auditor Fiscal. As atividades desenvolvidas, a forma como é desenvolvida e mesmo as pessoas envolvidas na tomada e na prestação dos serviços em questão demonstram de forma clara que se trata de um mecanismo que serve para gerar receita para aplicação em gratuidade e esta situação, certamente, não é aquela que o § 2°do art. 14 do CTN busca identificar. Assim, entendo que a análise efetuada pelo acórdão ora embargado que concluiu pela inexistência de remuneração indevida dos diretores da autuada em conjunto com a inexistência de provas nos autos que a receita gerada pelas atividades de bar, restaurante e hotelaria tem destino diverso da gratuidade prestada pela autuada, me leva à conclusão de que não merece qualquer reparo infringente o acórdão embargado. Fl. 13332DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 7 11 Conclusão Diante dos exposto, REJEITO os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. É como voto! Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 13333DF CARF MF 12 Fl. 13334DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.721063/2016-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A atividade da Administração Tributária está inteiramente vinculada às normas legais e regulamentares, nos termos do art. 116, III, da Lei nº 8.112/1990.
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Também se aplica à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que preconiza que a verdade dos fatos impera sobre a aparência formal.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.
Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo sócio de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa em face de conduta dolosa, consubstanciada na simulação fraudulenta, com o intuito de sonegar tributos, ao se inserir interpostas pessoas no quadro societário da empresa.
Numero da decisão: 2201-004.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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FUNRURAL Recorrente BOI VERDE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2013, 2014, 2015 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A atividade da Administração Tributária está inteiramente vinculada às normas legais e regulamentares, nos termos do art. 116, III, da Lei nº 8.112/1990. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Também se aplica à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que preconiza que a verdade dos fatos impera sobre a aparência formal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo sócio de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa em face de conduta dolosa, consubstanciada na simulação fraudulenta, com o intuito de sonegar tributos, ao se inserir interpostas pessoas no quadro societário da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 10 63 /2 01 6- 28 Fl. 7729DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.730 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recursos Voluntários de fls. 7551/7575, de fls. 7578/7614 e de fls. 7643/7678, interpostos, respectivamente, pelos responsáveis solidários Jaime Valler, Dory Grando e Agostinho Scatalão Neto, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS de fls. 7220/7265, que julgou improcedente as impugnações apresentadas pela BOI VERDE ALIMENTOS LTDA e pelos sujeito passivos solidários JAIME VALLER, AGOSTINHO SCATALÃO e DORY GRANDO, mantendo o lançamento de fls. 2/14 (FUNRURAL e SAT) e de fls. 16/24 (SENAR), lavrados em 01/08/2016, relativo as competências de 01/2013 a 05/2015. Assim, foram lavrados dois autos de infração conforme relatório fiscal de fls.26/45 (ambos objetos do presente processo), quais sejam: 1) Auto de fls. 02/14, relativo às contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física, na alíquota de 2,0%, bem como a alíquota RAT de 0,1%, ambas incidentes sobre a comercialização da sua produção, cujo recolhimento está a cargo da RECORRENTE na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista no art. 30, IV da Lei n° 8.212/91 (FUNRURAL) e SAT, no valor original total de R$ 14.229.920,14, já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75% (exceto na competência de 05/2015, cuja multa foi qualificada em 150%); e 2) Auto de fls. 16/24, relativo à contribuição ao SENAR, na alíquota de 0,2%, conforme art. 6º da Lei nº 9.528/97, incidente sobre os mesmos fatos geradores objeto do auto de infração supramencionado, no valor de R$ 1.355.230,07, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício no percentual de 75% (exceto na competência de 05/2015, cuja multa foi qualificada em 150%). Relatório Fiscal acostado às fls. 26/45. Fl. 7730DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.731 3 Em razão da excelência do resumo relatório fiscal (fls. 7220/7265) elaborado pela DRJ, adotase tal trecho para compor parte do presente relatório: Conforme o Relatório Fiscal dos Autos de Infração, foram constituídos de oficio os presentes créditos previdenciários, em decorrência das seguintes constatações e procedimentos adotados no decorrer da ação fiscal: Origem da auditoria fiscal: • O sujeito passivo sob ação fiscal desenvolve atividades de abate de bovinos, indústria e comércio atacadista de carne bovina e subprodutos de origem animal. • Este Relatório de Auditoria Fiscal contempla os fatos geradores de contribuições social previdenciária rural, incidentes sobre o valor da receita bruta da comercialização da produção rural pessoa física e segurado especial, devida por subrrogação da pessoa jurídica na qualidade de adquirente, não recolhidas em épocas próprias e não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Descrição geral dos trabalhos: • Dando início aos trabalhos e após análise das informações disponibilizadas pelo dossiê integrado do sujeito passivo, nos dirigimos à sede matriz da empresa para entregarmos o TIPF Termo de início de Procedimento Fiscal. • Chegando ao local nos deparamos com a empresa Naturafrig Alimentos Ltda, CNPJ: 18.626.084/000139, fomos atendidos pelo gestor administrativo Sr. Rafael Matsuzaki da Silva, que nos informou desconhecer o paradeiro da empresa Boi Verde Alimentos. Ainda nos reportou que antes da empresa Naturafrig já havia funcionado no local, após a saída da Boi Verde Alimentos, as empresas Frigonova e Navi Carnes. Disse ainda que a planta (estrutura física do frigorífico), pertence ao Sr. Fabrizio Capuci bem como o dono e responsável pela empresa agora instalada é o Sr. Alberto Sérgio Capuci, não tendo nenhuma ligação com os antigos sócios da Boi Verde Alimentos LTDA. • Dando sequência, para intimar o sujeito passivo do TIPF, realizamos diligências no estabelecimento Filial, situado na rodovia BR 163, Km 393, zona rural de Campo Grande MS, que também se revelaram infrutíferas, pois, o estabelecimento estava fechado sem nenhuma atividade, possivelmente, já há algum tempo, conforme demonstram as fotos do "Anexo 03 Fotos Filial". • No local encontramos o Sr. Rosalvo Neto Medeiros Santos, domiciliado a BR 163, Km 393, Chácara da Mansões, Campo Grande, MS, CEP 79079055, telefone (67) 991654488, vila anexa ao frigorífico, que nos informou ter trabalhado no estabelecimento quando em funcionamento e que a referida empresa se encontra com suas atividades paralisadas desde o mês de novembro de 2015, deixando, inclusive, quando os donos Fl. 7731DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.732 4 e/ou sócios desapareceram, de honrar seus compromissos com os empregados e fornecedores. Disse que a estrutura física é de propriedade do Sr. Artur José Vieira Junior, CPF 586.563.919 68, residente a rua São Paulo n° 395, bairro São Francisco, Campo Grande, MS, CEP: 79010 050, telefone n° (67) 99213 1404. Perguntado sobre quem eram os donos e comandavam a empresa, informou que seriam os senhores Agostinho Scatalão Neto, Dory Grando e Jayme Valler. Que os mesmos, inclusive, firmaram contrato de arrendamento das instalações com o Sr. Artur. Indagado se conhecia a senhora Gilmara Eloisa Cavalcante, disse que tinha sido funcionária e segundo soube foi transformada em sócia, mas que pouco aparecia na empresa e quando o fazia não interferia no andamento dos trabalhos. Outro fato que nos chamou a atenção foi o comentário que fez a respeito da entrega das correspondências, pois, as mesmas, após o fechamento do frigorífico, passaram a ser encaminhadas para um escritório montado nas dependências do jornal O Estado do MS, empresa de propriedade do Sr. Jaime Vallcr, onde o funcionário de nome Jair Benites Rodrigues, gerente financeiro do frigorífico Boi Verde, atendia como o responsável por esta empresa. Informou ainda, que esse escritório foi fechado pouco tempo depois devido à repetidas visitas de oficiais de justiça ocasionadas por inúmeras ações trabalhistas movidas contra a empresa. • As mesmas informações foram confirmadas por outro ex funcionário, que trabalhou no frigorífico de nome Osvaldo Nonato de Souza, CPF 569.293.15168, domiciliado a BR 163, Km 393, Chácara da Mansões, Campo Grande, MS, CEP 79079 055, também morador da vila anexa ao frigorífico, acrescentando que quando foi fechado o estabelecimento, o Sr. Jaime Valler, levou todas as máquinas para uma de suas empresas gerando urna demanda judicial contra ele por parte do Sr. Artur, dono das instalações. Disse que a sócia d. Gilmara era cunhada do Sr. Agostinho Scatalão e não tinha poderes na estrutura de comando da empresa. • Estando a empresa em local incerto e não sabido, tentamos verificar o paradeiro dos sócios de direito. Primeiramente nos dirigimos à residência do Sr. Bráulio Aguero, onde confirmamos o seu falecimento em 22/04/2005, conforme certidão de óbito apresentada por sua esposa Sra. Rosália Rodrigues Aguero, CPF 250.280.06172, conforme demostra o "Anexo 04 Certidão de Óbito". Nos informou ainda que seu marido associouse de boafé para ajudar seus amigos Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando e que a morte dele acarretou para ela dificuldades financeiras, aborrecimentos e problemas com diversos órgãos públicos. • Em seguida nos dirigimos ao endereço da sócia Gilmara Eloisa Cavalcante à rua Nestor Frederico Pache n° 124, onde também não obtivemos êxito, pois no local, encontramos residindo o Dr. Juiz de Direito Márcio Alexandre Wust e sua esposa Sra. Débora Crisostimo, que nos informaram residirem no imóvel desde o ano de 2012. Colhemos na oportunidade o Termo de Depoimento n° Fl. 7732DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.733 5 01 com todas as informações necessárias ao trabalho (ANEXO 05). Posteriormente tentamos obter na administradora do imóvel, imobiliária Castro imóveis, alguma informação do paradeiro da antiga inquilina, entretanto, fomos informados pelo Sr. Eduardo Francisco Castro Filho, CPF 030.674.02146, funcionário da empresa, que esta era a primeira locação que faziam para o proprietário do imóvel Sr. Gustavo de Paula Fioretti Garcia, CPF 247.658.00822 e não tinham nenhuma informação da inquilina anterior. • Tendo em vista que tanto os sócios de direito quanto a empresa, não foram localizados e encontramse em lugar incerto e não sabido, dificultando os trabalhos de Auditoria Fiscal, lavramos o Termo de Diligência e Constatação n° 01 (ANEXO 12), requisitamos a Baixa de Oficio do CNPJ do Frigorífico Boi Verde Alimentos Ltda e passamos a fazer a cientificação dos atos necessários por edital. • O Sr. Artur José Vieira Junior, citado anteriormente como dono das instalações frigoríficas da filial da Boi Verde Alimentos, CPF 586.563.91968, atendendo nossa solicitação, compareceu a RFB e prestou algumas informações relevantes ao trabalho ora desenvolvido. • Disse na ocasião desconhecer o paradeiro dos "sócios de direito" e que as instalações frigoríficas foram alugadas para a empresa Boi Verde Alimentos Ltda, mas apesar dos contratos levarem a assinatura dos "sócios de direito", todas os acordos de negociações foram feitos com os senhores Agostinho Scatalão Neto e Jaime Valler que aparecem como fiadores, com renúncia dos benefícios de ordem (ANEXOS 06 e 07). Após o contrato assinado e com o passar do tempo, a empresa começou a solicitar adiamento para o pagamento do aluguel, tendo como interlocutor em nome do frigorífico, o Sr. Dory Grando. Essa situação de inadimplência culminou na abertura dos processos no TJ/MS n° 0124282 252008.8.12.0001. e n° 0829698 54.2013.8.12.0001. Informou que quando a empresa abandonou as instalações, o Sr. Jaime Valler levou o maquinário do frigorífico que eram de sua propriedade para uma das empresas dele na cidade de Campo Grande/MS. Disse ainda que posteriormente, tomou conhecimento que o Sr. Dori Grando já respondia por outros processos, em outras comarcas, referentes às áreas de frigoríficos e comércio de gado, fato esse comprovado por notas na imprensa (Anexo 08). Disse ainda que ficou sabendo, estar o Sr. Dori passando seus bens para sua filha Fabiana Casavechia Grando Fontana, CPF 007.667.189 56. Verificando os processos mencionados encontramos no processo TJ/MS n° 0829698 54.2013.8.12.0001, páginas 85 e 86 da sentença judicial, partes de prova oral colhida, que comprovam a declaração do Sr. Artur sobre o envolvimento do Sr. Jaime Valler quando do contrato do aluguel do imóvel. • As informações colhidas vieram ratificar e complementar todo o trabalho efetuado pela Auditoria Fiscal anterior, período 01/2009 a 12/2012, efetuada pelo Auditor Fiscal da Receita Fl. 7733DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.734 6 Federal do Brasil Sr. Leonildo Libério Alves da Silva, que culminou no processo n° 10140721964/ 201458, cujo Relatório Fiscal (Anexo 13), de forma clara e cristalina, demonstrou que a empresa Boi Verde Alimentos LTDA, usava de interpostas pessoas para encobrir os verdadeiros proprietários e responsáveis com a intenção de burlar o fisco e proteger seus patrimônios pessoais. • Das conclusões, observações e fatos constatados pelo o Auditor Lconildo em seu Relatório Fiscal [fls. 346/366], destacamos alguns trechos, logo abaixo, por entendermos relevantes na compreensão do "modus operandi" da empresa e na identificação dos responsáveis de fato, pois influenciaram diretamente no período agora auditado. (Em anexo) [trechos citados às fls. 33/38]. • Dessa forma, diante dos fatos constatados na Auditoria Fiscal anterior e verificados na fiscalização atual, não resta a menor dúvida de que os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando são as pessoas que de fato proveem sustentação administrativa e financeira ao sujeito passivo. As pessoas que constam como titulares de direito no contratosocial cumprem apenas uma função figurativa, subterfúgio empregado com o desígnio de ocultar e preservar o patrimônio daqueles que, de fato, gerenciam e mantêm administrativa e financeiramente o empreendimento, malogrando assim a correta identificação dos responsáveis pelos créditos tributários e o direcionamento das ações de cobrança em favor da Fazenda Pública. • Ante o exposto, com fulcro no princípio da primazia da realidade dos fatos sobre as formas dos atos, os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando também estão sendo incluídos no polo passivo da obrigação tributária constituída pelos Autos de Infração ora lavrados no processo comprot n° 10140.721063/ 201628. Infrações cometidas: • a) A empresa adquiriu produção rural de pessoa fisica no valor de R$ 7.623.954,20, conforme demonstramos no "Anexo 02 Subrrogação_Discriminativo Auxiliar Do Débito", no período de 01/2013 a 05/2015, porém, não declarou na GFIP a contribuição rural subrrogada, conforme verificação de suas GFIP's no sistema (Anexos 09, 10 E 11). • b) Investigações na Conta Corrente e no Extrato de Débito da empresa revelaram inexistência de Guia de Pagamento da Previdência Social GPS quitadas no código de receita 2607 (Comercialização da Produção Rural) no período auditado, referente a contribuição previdenciária rural. • c) Não foram encontrados e/ou apresentados processos ou decisões judiciais julgando inexigível a contribuição prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991. Fl. 7734DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.735 7 • Concluídas as análises e levantadas as irregularidades, encerramos a fase de apuração dos créditos reputados como devidos e lavramos, em conformidade com a legislação vigente, os devidos Autos de Infração. Auto de Infração: Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador. • Contribuição Previdenciária Lançada: Trata o presente Auto de Infração, de contribuições devidas a Seguridade Social, arrecadadas e fiscalizadas pela Receita Federal do Brasil, incidentes sobre o valor da receita bruta da comercialização da produção rural pessoa física e segurado especial, e devida pelo sujeito passivo, por subrrogação, na qualidade de adquirente, referente a cota patronal 2,0%, bem como àquelas o previstas nos art. 57 e 58 da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT 0,1%, não recolhidas em épocas próprias e não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. As Bases de Cálculo foram obtidas com base nas notas fiscais eletrônicas de entrada geradas no SPEDNFe Sistema Público de Escrituração Digital, constantes dos bancos de dados informatizados da Receita Federal do Brasil (Anexo 01 Dados Das Notas Fiscais Eletrônicas De Entrada), e estão demonstradas no "Anexo 02 Subrrogação_Discriminativo Auxiliar Do Débito". • Deduções: Como as contribuições lançadas no presente levantamento referemse a fatos geradores não declarados em GFIP, não foi apropriado nenhum tipo de dedução. • Aplicação de Multa Qualificada: Como restou caracterizado e demonstrado pelo conjunto de documentos probatórios e evidências expostas desde a Auditoria Fiscal anterior e ao longo deste relatório fiscal, houve evidente intuito do contribuinte em sonegar, as contribuições ora lançadas e em fraudar a Administração Tributária Federal com o fito específico de suprimir o recolhimento das referidas contribuições, pois o comportamento intencional de causar dano à Fazenda Pública é manifesto. Segundo Bernardo Ribeiro de Moraes, em "Compêndio de Direito Tributário", a fraude fiscal, que pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de subtrairse no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Ficou evidenciado que o sujeito passivo e os devedores solidários lançaram mão de diversos artifícios visando omitir, impedir, dissimular e dificultar a identificação dos seus verdadeiros controladores, a apuração correta dos créditos tributários e a satisfação destes créditos nas execuções promovidas pela Fazenda Pública. Auto de Infração: Contribuição Previdenciária para outras Entidades e Fundos. Fl. 7735DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.736 8 • Contribuição Previdenciária Lançada: Trata o presente Auto de Infração, de contribuições devidas à Seguridade Social, arrecadadas e fiscalizadas pela Receita Federal do Brasil, incidentes sobre o valor da receita bruta da comercialização da produção rural pessoa física e segurado especial, e devida pelo sujeito passivo, por subrrogação, na qualidade de adquirente, referente a rubrica Terceiros (SENAR 0,2%), não recolhidas em épocas próprias e não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. • As Bases de Cálculo foram obtidas com base nas notas fiscais eletrônicas de entrada geradas no SPEDNfc (Sistema Público de Escrituração Digital), constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil e estão demonstradas no "Anexo 01 Dados Das Notas Fiscais Eletrônicas De Entrada". Para melhor compreensão do crédito apurado e valores lançados, elaboramos ainda "Anexo 02 Subrrogação_Discriminativo Auxiliar Do Débito". • Deduções: Como as contribuições lançadas no presente levantamento referemse a fatos geradores não declarados em GFIP, não foi apropriado nenhum tipo de dedução. • Alíquotas, Juros e Multas Aplicadas: Os valores das alíquotas, multas e dos juros estão demonstrados nos juros relatórios apropriados do Auto de Infração. • Aplicação de Multa Qualificada: Como restou caracterizado e demonstrado pelo conjuntode documentos probatórios e evidências expostas desde a Auditoria Fiscal anterior e ao longo deste relatório fiscal, houve evidente intuito do contribuinte em sonegar, as contribuições ora lançadas e em fraudar a Administração Tributária Federal com o fito específico de suprimir o recolhimento das referidas contribuições, pois o comportamento intencional de causar dano à Fazenda Pública é manifesto. Segundo Bernardo Ribeiro de Moraes, em "Compêndio de Direito Tributário", a fraude fiscal, que pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de subtrairse no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Ficou evidenciado que o sujeito passivo e os devedores solidários lançaram mão de diversos artifícios visando omitir, impedir, dissimular e dificultar a identificação dos seus verdadeiros controladores, a apuração correta dos créditos tributários e a satisfação destes créditos nas execuções promovidas pela Fazenda Pública. • O sujeito passivo não declarou os fatos geradores em GFIP e por este motivo, fica configurado, em tese, o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária. Desta forma, será encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente para as providências cabíveis. Ressaltese que caso o presente crédito tributário seja integralmente extinto pelo julgamento administrativo ou pagamento, os autos da representação serão arquivados nos termos da Portaria RFB n° 665/2008. Fl. 7736DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.737 9 • São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme inciso I, artigo 124, Código Tributário Nacional. Da Impugnação Em face dos autos de infração, foram apresentadas as impugnações compiladas na tabela abaixo: Ante a clareza e precisão didática do resumo das Impugnações elaborada pela Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: “IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO BOI VERDE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 05.413.780/000115. • Não há elementos para que se considere hipótese de responsabilidade solidária no caso dos autos, sendo que não há interesse comum entre as pessoas tidas como devedores solidários e o Impugnante. • A análise das condições existentes na legislação, com a interpretação doutrinária e jurisprudencial a respeito do assunto certamente serão suficientes para que se possa concluir pelo desacerto praticado pelo agente fiscal. • Tece argumentos jurídicos contrários aos procedimentos adotados pela fiscalização para a caracterização da responsabilidade solidária e menciona jurisprudências. • A solidariedade, por se tratar de extensão da responsabilidade, deve ser vista como exceção e somente aplicada nos casos em que a evidência e o interesse comum entre os supostos sujeitos passivos da exação tributária. (...) • Busca demonstrar que não há interesse comum entre a empresa Boi Verde Alimentos e as pessoas consideradas responsáveis solidários. • As provas apresentadas pela fiscalização são desconexas, isoladas e aleatórias. • Não se pode considerar a viabilidade econômicofinanceira de uma empresa somente por seu faturamento. Isso seria temerário, um erro primário. Fl. 7737DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.738 10 • O proprietário do imóvel locado pelo Impugnante retrata exemplo típico desta situação, porquanto foi sócio de várias empresas que se estabeleceram no local e simplesmente encerraram suas atividades de forma irregular. • Com relação ao Sr. Dory Grando, pelo fato de ter sido sócio de duas empresas anteriormente que infelizmente tiveram problemas financeiros, acabou por comprometer todo o seu patrimônio, necessitando buscar fonte de renda onde efetivamente tem conhecimento, que é no ramo da comercialização de carnes. O fato de ter sido empresário mal sucedido, necessitando de emprego, não pode ser considerado como crime ou fraude, como sustentado pelo agente fiscal. • Com relação ao Sr. Jaime Valler menor razão assiste para as suposições levantadas pelo agente fiscal para tentar responsabilizálo. O fato de ser empresário de destaque na cidade, por primeiro, não lhe pode trazer qualquer traço de responsabilização tributária. • A empresa da qual é sócio o Sr. Jaime Valler, e que possui relação jurídica com o sujeito passivo atual, conforme demonstra seu contrato social. • Com relação às transferências mencionadas pelo agente fiscal nos Autos de Infração, no valor de R$ 24.209.118,78, a despeito de o número inicialmente impressionar, é possível constatar, pelos documentos ora juntados, que há origem para toda a negociação. • Em relação as notas fiscais anexadas, a empresa Qually Peles possui contrato de fornecimento de couro com a empresa Curtume Panorama Ltda. • O Sr. Artur é o proprietário do imóvel onde o sujeito passivo exerce suas atividades. Por isso, e somente por isso, não possui conhecimento do modo pelo qual é explorada a tividade, porquanto não mantém qualquer tipo de convívio no local. • Não se pode acatar o posicionamento do agente fiscal de que pelo fato de ter o Sr. Jaime Valler prestado depoimento na ação de despejo movida pelo Sr. Artur teria demonstrado conhecimento minucioso do contrato e das atividades do sujeito passivo e que haveria interesse comum com o Impugnante na exploração da atividade. • Enfim, relata inúmeras passagens e situações específicas das vidas pessoais e empresariais dos sujeitos passivos solidários com o intuído de demonstrar que não participam das atividades da empresa fiscalizada por não possuírem interesses em comum. • Que os Autos de Infração não trazem prova do interesse comum dos Srs. Dory Grando, Agostinho Scatalão e Jaime Valler na gestão do negócio. Fl. 7738DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.739 11 • Não há um único documento assinado por referidas pessoas na qualidade de representantes do Boi Verde Alimentos Ltda em toda a documentação apresentada pelo agente fiscal. • O agente fiscal não reuniu qualquer documento para demonstrar que as pessoas tidas como responsáveis solidários pelo débito participam da administração da empresa? • Os depoimentos dos exfuncionários da Boi Verde Alimentos Ltda. não devem ser considerados no contexto probatório do presente caso. • Absolutamente suspeitas e tendenciosas as informações obtidas pelo Agente Fiscal e descritas no relatório fiscal, posto que em nada contribuem no contexto probatório, estando eivadas de irregularidades e suspeições. • A fragilidade da linha empregada pelo agente fiscal se demonstra quando se aceita a sua linha de raciocínio, ou seja, de imaginar que os sócios do Boi Verde Alimentos Ltda. deveriam ter sido ouvidos e como não foram é porque não teriam conhecimento dos fatos, justamente porque seriam sócios de fachada. • Não podem ser levadas a sério as alegações do agente fiscal a respeito dos depoimentos informais prestados à fiscalização de terceiros reconhecendo que seria o Impugnante o responsável pela administração da empresa. • Os depoimentos, como reconhecido pelo próprio agente fiscal, foram informais, e não ocorreram sob o pálio da ampla defesa e do contraditório, por isso não podem ser considerados • Os elementos considerados pelo agente fiscal para a responsabilização solidária são absolutamente frágeis, insuficientes para comprovar o interesse comum (art. 124, I, do CTN), de modo que deve ser julgado improcedente o Auto de Infração. • Devido à flagrante inconstitucionalidade da exação, seja pelo fato de que não poderia a Lei Ordinária criar tributo, seja ainda porque sobre as pessoas jurídicas já incide a contribuição sobre o faturamento bruto (PIS/COFINS), o STF julgou procedente a ADIN 1103, para reconhecer a impossibilidade de incidência da contribuição. • A despeito do reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança para a pessoa jurídica, já reconhecida pelo STF quando do julgamento da ADIN n. 1103, o legislador incorreu em outra ilegalidade, desrespeitando o entendimento da Corte Suprema, trazendo o FUNRURAL novamente para as pessoas jurídicas, através da Lei n. 10.256/2001, incluindo o art. 22A na Lei n. 8.212/9118. • Na tentativa de perpetuar a ilegalidade, houve a promulgação da Lei n. 10.256/2001, que voltou a fazer incidir a contribuição Fl. 7739DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.740 12 sobre a pessoa jurídica, neste caso fazendo inserir na Lei n. 8.212/91 o art. 22A, que não é menos inconstitucional do que o art. 25 da Lei n. 8.212/91, alterado pela Lei n. 8.870/94. • Houve aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas, totalmente equivocada, pois a lei esclarece que o percentual será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. • Não há qualquer prova de que o Impugnante tenha praticado alguma das qualificativas descritas na lei. • Os documentos ora carreados atestam que o Impugnante não praticou nenhuma conduta que possa se concluir por sonegação, fraude ou conluio. • Não há nenhuma prova colacionada aos autos que seja irrefutável e que ateste a veracidade da teoria mirabolante aplicada pelo agente fiscal no intuito de receber os tributos que entende devido. • Ainda que haja aplicação da multa, o valor constante nos Autos de Infração é totalmente irregular e desproporcional, de feição confiscatória, devendo ser reduzida a proporções razoáveis. PEDIDO O sujeito passivo requer: Diante do exposto, requer seja recebida a presente impugnação para ao final declarar a nulidade dos Autos de Infração invectivados, ns. 10140721.751/2016 98 e 1014 0721.0 63/201628, notadamente no que diz respeito às alegações de fraude, que levaram a responsabilização de terceiros, tendo em vista a ausência dos elementos para tanto, nos termos da fundamentação esposada. Não sendo a nulidade do auto de Infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente, para que se possa reconhecer a ilegalidade da cobrança do FUNRURAL, previsto no art. 25 da Lei n. 8.212/91 sobre a comercialização dos produtos decorrentes de suas atividades, tendo em vista a impossibilidade de instituição de tributos por Lei Ordinária, caso da Lei n. 8.212/91, dada a afronta ao art. 146, III da CF/88. Caso assim não se entenda, requer seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa aplicada ao Impugnante, com base no princípio da proporcionalidade e em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, sobre o valor do imposto eventualmente devido. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. Fl. 7740DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.741 13 IMPUGNAÇÕES DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO JAIME VALLER – CPF 144.416.40900. A contribuição para o SENAR, prevista no Art. 2° da Lei 8.540/92, ofende o Art. 62 do ADCT, tese a ser sacramentada, com repercussão geral, pelo C. STF, no julgamento do Recurso Extraordinário 816.830; c) não se pode falar na multa de 150%, já que não se subsumiriam, estes fatos apontados nestes Autos de Infrações, mesmo que verdadeiros, aos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64; o STF, consignou no Recurso Extraordinário 833.106, que multa punitiva, superior a 100% do valor do tributo, tem natureza confiscatória. • A base legal à incidência da contribuição ao SENAR sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção do segurado obrigatório da Previdência Social equiparado a trabalhador autônomo", encontrase no Art. 2° da Lei 8.540/92. • Afronta o Art. 2 º da Lei 8.540/92, o Art. 62 do ADCT (já que a lei fixa, ao SENAR, fonte de custeio diversa a que a legislação havia fixado ao SENAI e SENAC (ao SENAR se acrescenta, como fonte de costeio, uma contribuição compulsória sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da pessoa física, enquanto que ao SENAI e SENAC, a fonte de custeio é apenas uma contribuição sobre folha de pagamento). • O SENAR tem distinta fonte de custeio que o SENAI e SENAC (que apenas tem, como contribuição compulsório, a instituída sobre folha de pagamento), o que causa uma diferenciação entre estes três institutos (SENAR, SENAI e SENAC). Também nesta situação o C. STF já reconheceu, nos Autos de Recurso Extraordinário n° 816.830, a Repercussão Geral. • Não dever ser considerado responsável solidário porque não é sócioinvestidor ou sócioadministrador da empresa autuada, e jamais teve interesse, comum com a Autuada, na situação que constituísse o fato gerador da obrigação principal retratada neste Auto de Infração. O STF, no Recurso Extraordinário 363.852MG, reconheceu a inconstitucionalidade da Contribuição do Empregador Rural Pessoa Física (Art. 25 da Lei 8.212/91), e no Recurso Extraordinário 718.874, reconheceu a Repercussão Geral à análise da constitucionalidade do Art. 25 da Lei 8.212/91 (portanto, não exigível, por inconstitucional, este Auto de Infração); • Incabível a aplicação da multa de 150%, pois não se subsumiriam os fatos apontados nestes Autos de Infrações, mesmo que verdadeiros, aos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64; o STF, consignou no Recurso Extraordinário 833.106, que multa punitiva, superior a 100% do valor do tributo, tem natureza confiscatória; • É inconstitucional o Art. 25 da Lei 8.212/91, e faz citações de jurisprudências. Fl. 7741DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.742 14 • A aplicação da multa qualificada de 150% não depende da "vontade" do fiscal. Depende de se indicar a subsunção dos fatos apurados na fiscalização, com o previsto nos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. • Não se caracteriza sonegação do Art. 71, I da Lei 4.502/64, porque o fato gerador destes tributos foram apresentados ao fisco, tanto que a empresa emitia Notas Fiscais Eletrônicas de entrada do gado para abate (item 4.5.3 do Relatório Fiscal). Assim, foram pelas Notas Fiscais emitidas pelo Sujeito Passivo, que teve acesso, a Autoridade fazendária, ao fato gerador da obrigação tributária, sua natureza e circunstância. • Não se caracteriza a sonegação do Art. 71, II da Lei 4.502/64, porque, mesmo que a empresa tenha sócios ocultos (o que se admite pela eventualidade), o fato de ela ser uma sociedade em comum, o que se admite pela eventualidade, isto não impede tenha, esta empresa, capacidade tributária passiva (Art. 126, III). De toda sorte, o que este dispositivo qualifica como sonegação é a ação ou omissão tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da Autoridade fazendária das condições pessoais do CONTRIBUINTE. Excelência, neste caso, a empresa não era "contribuinte" do tributo (Art. 121, I do CTN), mas sim responsável tributária por seu recolhimento (Art. 121, II do CTN c/c Art. 30, IV da Lei 8.212/91). Ora, se a lei não aumenta a multa para a sonegação de condição pessoal do responsável tributário, mas apenas do contribuinte, não poderia, o fiscal, aplicar esta qualificação (mesmo que se admita, pela eventualidade, que houvessem sócios ocultos na empresa). • Jamais: impediu a ocorrência do fato gerador. A empresa jamais deixou de adquirir gado para abate (e informou isto ao fisco via Nota Fiscal Eletrônica de Entrada); excluiu as características essenciais deste fato gerador. A empresa adquiriu gado para abate, e informou isto ao fisco; modificou as características essenciais deste fato gerador. A empresa nunca disse que não estaria adquirido gado para abate. • Não se caracteriza o conluio, porque não presente fraude ou sonegação. • Há falta de Prova de que Jaime seja Sócio Administrador ou Sócioinvestidor no Frigorífico Boi Verde. • Jaime não era sócioAdministrador e não era sócio investidor/capitalista do Frigorífico. • A fiança em contrato de locação, não se traduz em "contribuição para o capital social de uma empresa", vez que esta fiança não é um serviço ou um bem. A fiança é uma singela "garantia", específica para aquele negócio jurídico (arrendamento). • O fato de o Impugnante ter patrimônio pode até significar que isto o legitimava para ser fiador no contrato de locação. Mas, entretanto, não há qualquer prova de que este patrimônio, do Fl. 7742DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.743 15 Impugnante, foi utilizado para integralizar capital social (e, evidentemente, que por se tratar de uma sociedade em comum (o que se admite pela Eventualidade), não se esta a falar de "capital social" registrado em contrato social, mas sim de capital social enquanto medida de contribuição econômica de um sócio para a atividade empresarial). • A singela análise estática da situação patrimonial do Impugnante (ou seja, a constatação de que ele tem patrimônio), não pode implicar na conclusão de que ele é sócio investidor da empresa, vez que, à caracterização da sociedade, seria mister, a análise da dinâmica deste patrimônio, ou seja, se ele foi, de alguma maneira, vertido mesmo que sem registro em contrato social, já que, aqui, se estaria partindo do pressuposto de que terseia em face de uma sociedade em comum, ao capital social desta empresa. • O fato de o Impugnante ter "fornecido" gado para o abate no Frigorífico Boi Verde, não pode, evidentemente, traduzirse em integralização de capital social, vez que houve, por parte do frigorífico, a correspondente contraprestação ao Impugnante, que, por determinação do Sr. Jaime, quitou, estes pagamentos, em contas correntes de titularidade de do Impugnante e de seus filhos (Rafael Valler e Fávio Valler). Este gado foi fornecido, mas, por ele, houve pagamento por parte do Frigorífico Boi Verde (como bem se sabe, na integralização de capital social mediante conferência de bens, a entrega, destes bens, tratase de um pagamento, e, se, pela entrega do bem, houve a contraprestação por parte do recebedor do bem, não há, por óbvio, um pagamento, ao revés, houve uma prestação pelo Impugnante, e, uma contraprestação por parte da empresa (se há contraprestação por parte da sociedade, não houve, certamente, conferencia de bens para fins de integralização de capital social). • Com efeito, este couro e subproduto, adquirido pela Qually Peles (empresa do Sr. Jaime), era repassado, imediatamente, ao Curtume Panorama (CNPJ 03.189.063/000126), que, ato contínuo, diretamente quitava o Frigorífico Boi Verde. • Notase, portanto, que este quantum não ficava sem ser quitado; ao revés, era quitado por um terceiro interessado, que, compensavase, por este pagamento, em relação à Qually Peles, por eventual crédito que pudesse a ela ser devida pela aquisição do couro e subproduto que antes, a Qually Peles, adquiriu do Frigorífico Boi Verde. • Ora, se houve a quitação pelo produto (desencaixe, do Impugnante, para com o Frigorífico Boi Verde, mesmo que a "transação financeira", tenha sido feita por uma terceira empresa (Curtume Panorama)), não houve, por óbvio, desconto pelo couro e subproduto adquiridos (do Frigorífico Boi Verde), que poderseia ser entendido como lucro distribuído disfarçadamente. Fl. 7743DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.744 16 • Não há qualquer prova de que o Impugnante seja sócio administrador ou sócioinvestidor do Frigorífico Boi Verde, porque: a) do Gado para abate, vendido do Impugnante, ao Frigorífico Boi Verde, houve tanto pagamento direto nas contas correntes do Sr. Jaime, quanto nas contascorrentes de seus filhos (Rafael Valler e Flávio Vallér); b) o couro e subproduto, adquirido pela Qually Peles (empresa do Sr. Jaime Valler), do Frigorífico Boi Verde, foi quitado, a esta empresa, tanto pela Qually Peles quanto pelo Cortume Panorama, que era a empresa para a qual a Qually Peles revendia estas mercadorias. • As declarações de Rosalvo Neto Medeiros Santos, Osvaldo Nonato de Souza, Rosália Rodrigues Aguero, Aíthur José Vieira Jr, sem a possibilidade de reperguntas pelo Impugnante ou de contraditalas, não provam, em absoluto, que o Impugnante seja sócio do frigorífico, destarte a "prova" da declaração, mas não a "prova" de que o declarado seja verdadeiro. Neste sentido o Art. 408 do CPC é claríssimo. O processo 082969854.2013.8.12.0001, tratase de Ação renovatória de locação em que Impugnante sequer é parte. • O processo 012428225.2008.8.12.0001 prova que o Impugnante foi processado enquanto fiador de um contrato de locação, e não como "dono" do frigorífico. Aliás, na parte transcrita no relatório fala que "no início" o Sr. Jaime teria interesse em participar do empreendimento, mas que, evidentemente, não foi sócio da empresa, e abandonou esta posição de sócio (de fato e de direito, para ser exclusivamente um fiador no contrato de locação. • Não há possibilidade de Responsabilidade Solidária do Sócio Investidor pela obrigação tributária da sociedade em comum (irregular). • O Art. 134, VII do CTN não pode embasar esta responsabilização solidária porque: a) este dispositivo é de responsabilidade subsidiária (exige a impossibilidade de receber do devedor, tanto que o caput do Art. 134 estabelece que " Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte ..." ) ; b) tem que restar demonstrada a liquidação de sociedade de pessoas. Nenhum destes requisitos é sequer ventilado nos Autos de Infrações; • O Art. 990 do CC/2002, não trata de responsabilidade solidaria, mas sim subsidiaria, já que faz remição ao Art. 1.024 deste mesmo codex (Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.... Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais). • Não há responsabilização solidária, mas sim uma responsabilização subsidiária, que se transmuda em solidária posteriormente a execução. E, neste caso, enquanto não houver Fl. 7744DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.745 17 execução, não se admite se falar em responsabilização solidária (enquanto não implementada a condição legal (... execução dos bens sociais...), carece de eficácia qualquer responsabilização solidária). • Quanto ao segundo motivo do Art. 124, à responsabilização solidária (as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal), e que foi o invocado pela fiscalização, este, também inaplicase, ao caso. PEDIDO O Sujeito passivo solidário requer: a) conheça da Impugnação, suspendendo a exigibilidade do tributo: b) em relação a este Auto de Infração: hl) declare a inconstitucionalidade do Art. 25 da Lei 8.212/91, por ofensa ao Art. 195, §40 da Constituição Federal, já que este dispositivo criou, via Lei Ordinária, quando o correto, se fosse o caso, era a Lei Complementar, fonte de custeio, à seguridade social, diversa das previstas no caput do Art. 195 da CF/88; b.1) declare a inconstitucionalidade do Art. 2° da Lei 8.540/92, por ofensa ao Art. 62 do ADCT, já que este dispositivo criou, como fonte de custeio ao SENAR, fonte que não havia sido prevista na, na legislação, para o SENAI e SENAC; b.2) com esta declaração de inconstitucionalidade, declare como não exigível a obrigação acessória prevista no Art. 30, IV da Lei 8.212/91; b.3) declare a nulidade do Auto de Infração, por ausência de base legal válida à exigência deste tributo; b.4) pela eventualidade, em não sendo declarada a nulidade deste Auto de Infração, que se declare: b.4.i) a nulidade da aumento da multa (multa qualificada de 150%), já que os fatos indicados, pelo fisco, como suficientes ao alimento da pena, não subsumem aos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, e, de conseguinte, ao Art. 44, §1° da Lei 9.430/96; b.4.ii) ainda, pela eventualidade, a limitação da multa punitiva aplicada neste Auto de Infração, a 100% do valor do tributo devido, sob pena de a mesma ser tida por confiscatória; c) ainda pelo Princípio da Eventualidade, caso seja considerado válido o Auto de Infração, que: Fl. 7745DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.746 18 c.1) se declare que o Impugnante não é sócio administrador ou sócio investidor do Frigorifico Boi Verde Ltda, e, por esta razão, não pode ser responsável pelos créditos indicados no Auto de infração; c.2) pela eventualidade, se declare que o Impugnante não é sócio administrador do Frigorífico Boi Vemde Ltda; c.3) pela Eventualidade, caso se considere que o Impugnante é sócioinvestidor deste Frigorífico, que se declare que ele não é responsável solidário pelos valores indicados no Auto de Infração, porquanto, a eventual caracterização de sócio, não atrai, à espécie, o Art. 124, I do CTN, sendo esta a medida que mais se coaduna com a Lei e a Justiça. Pretendese provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a produção de prova documental, testemunha e pericial, rogandose, desde já seja utilizada, como prova empresta nestes autos, o Processo Administrativo sob n° 10140.721964/201458 (referente aos Autos de Infrações 51.062.8168, 51.062.817 6 e 51.062.8184). IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO AGOSTINHO SCATALÃO CPF 04 8.625.14 898. “A linha de raciocínio empregada pelo agente fiscal, (após uma análise minimamente aprofundada) mostrase absolutamente frágil e até mesmo temerária, e esteiase na conclusão de que como os sócios de direito não possuem patrimônio compatível com o empreendimento, seriam os Srs. Agostinho Scatalão (Impugnante), Dory Grando e Jayme Valler seus verdadeiros sócios (de fato), porquanto estes seriam detentores de patrimônio. Sustenta a tese de responsabilização do Impugnante no fato de que os sócios constantes do contrato social da empresa Boi Verde Alimentos teriam histórico de serem empregados de outros frigoríficos, bem como de que não teriam patrimônio compatível com a atividade desenvolvida pela empresa. • Para que se possa concluir por qualquer responsabilidade do Impugnante com relação ao débito cobrado, necessário que se tenha por suficiente a prova produzida pelo Agente Fiscal para demonstrar o interesse comum na exploração da atividade do Boi Verde Alimentos Ltda. (art. 124, I, CTN). • Há um certo preconceito na manifestação realizada pelo agente fiscal, porquanto não acredita na possibilidade do sucesso econômico e financeiro de pessoas que não tenham condições financeiras, ou mesmo estudo. • As declarações de imposto de renda ora apresentadas fazem prova (que certamente seriam acessíveis ao agente fiscal, mas que estranhamente não foram mencionadas na sua linha de Fl. 7746DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.747 19 raciocínio) de que o Impugnante se trata de produtor rural com muito mais tempo de experiência no ramo do que trabalhou para o Boi Verde Alimentos Ltda. • A prova apresentada pelo Impugnante dá conta de que não pode ser considerado como administrador da empresa simplesmente pelo fato de que possui patrimônio. • Antes mesmo de ingressar na empresa Boi Verde Alimentos Ltda. o Impugnante possuía uma área de terras na cidade de Bataguassu, tendo sido posteriormente objeto de desapropriação para CESP (Companhia Energética de São Paulo) quando da construção da Usina Jupiá (conforme crédito declarado nos impostos de renda dos anos de 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014). Com os recursos provenientes desta compra e venda o Impugnante foi, aos poucos, adquirindo gado e outras propriedades rurais. • Este elemento (compra e venda de uma propriedade para a CESP), estranhamente desconsiderado pelo agente fiscal, que foi tão diligente na busca de tantos outros elementos para sustentar a irregularidade da gestão da empresa Boi Verde, é de fundamental importância, porque remonta à origem do patrimônio do Impugnante. • De modo que é possível afirmar que o vistoso patrimônio mencionado pelo agente fiscal foi adquirido pelo Impugnante antes mesmo de começar a trabalhar para o Boi Verde Alimentos Ltda. • Uma das atividades econômicas desenvolvidas pelo Impugnante é a compra de bovinos para engorda e posterior abate, ou seja, além de trabalhar para o Boi Verde Alimentos, continua a explorar a atividade pecuária. Adquire bezerros ou garrotes e os deixa para engorda, normalmente em pastos arrendados para posteriormente abatêlos no momento adequado. • Junta várias notas fiscais, do período em que trabalhou para o Boi Verde Alimentos Ltda., demonstrando que adquire animais para engorda. Conforme se denota das notas fiscais juntadas com a defesa, é possível verificar que eram adquiridos animais com pouca idade para engorda e depois abate no sujeito passivo, não se antevendo qualquer ilegalidade nesta conduta. • Na empresa Boi Verde Alimentos Ltda. o Impugnante trabalha na compra e venda de gado com os pecuaristas. De outro lado, como o Impugnante também é pecuarista, atuando na compra e venda de animais para engorda (atividade diversa da empresa Boi Verde Alimentos Ltda.) acaba sendo interessante trabalhar na empresa pelo fato de que possui contato constante com pecuaristas e, nestas condições, toma conhecimento de rebanhos que podem ser adquiridos para posterior abate. • Por força desta atividade o Impugnante realiza receita com a atividade e por isso tem condições de manter seus gastos e Fl. 7747DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.748 20 propriedades, situação que passa distantemente da conclusão alcançada pelo agente fiscal de que seria interesse comum (jurídico) na exploração da atividade. • A boa fé do Impugnante resta demonstrada por sua postura, que muito além de negar genericamente os fatos, apresenta argumentos consistentes, acompanhados de robusta prova, o que permite concluir que não pode ser enquadrado como devedor solidário. • O Auto de Infração não traz prova do interesse comum do Impugnante na gestão do negócio. Não há um único documento assinado pelo Impugnante na qualidade de representante do Boi Verde Alimentos Ltda. em toda a documentação apresentada pelo agente fiscal. • Como em tão ampla e extensa fiscalização não foi possível encontrar nenhum documento comprovando, de forma inequívoca, que seria o Impugnante responsável pela administração da empresa, ou então seu sócio de fato? • Os depoimento colhidos pelo Agente Fiscal em nada corroboram com a comprovação de que o Impugnante seria sócio de fato do sujeito passivo, tampouco que era o responsável pela administração da empresa. • Os depoimentos dos exfuncionários da Boi Verde Alimentos Ltda. não devem ser considerados no contexto probatório do presente caso. • Absolutamente tendenciosas as informações prestadas pelos ex funcionários acima mencionados, haja vista os danos por eles sofridos em razão das condutas adotadas pelo sujeito passivo, tendo inclusive Reclamações Trabalhistas ajuizadas em desfavor da empresa, tendo os declarantes como autores da demanda. • O interesse comum deve ser provado de forma cabal pela autoridade fiscal, porquanto a responsabilização fiscal é exceção e não pode ser considerada como regra, sujeita à caracterização por simples ilações do agente no sentido de encontrar a qualquer custo um responsável pelo pagamento do tributo. • O Impugnante foi fiador do contrato, porquanto foi exigência do proprietário do imóvel para que o negócio (locação) fosse firmado e como trabalhava na empresa, foi garantidor do contrato. Não há qualquer ilegalidade nesta conduta, sendo que mesmo em casos em que o locatário possui patrimônio, ainda assim nessa modalidade de contrato é comum haver fiança de terceiro. • Os elementos considerados pelo agente fiscal para a responsabilização do Impugnante são absolutamente frágeis, insuficientes para comprovar o interesse comum (art. 124, I, do CTN) , de modo que deve ser julgado improcedente o Auto de Infração. Fl. 7748DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.749 21 • Não há que se falar em interesse comum do Impugnante com a atividade do sujeito passivo . • Não basta ao agente administrativo simplesmente alegar, porque acredita que assim seja, que o Impugnante é sócio da empresa, sem qualquer tipo de prova. • Os depoimentos utilizados no Auto de Infração, como também mencionado acima, não podem ser levados a sério, porquanto colhidos em respeito ao contraditório e, ainda, de pessoas que estavam simplesmente afirmando fatos por ouvir dizer. • Mesmo que se pretenda responsabilizar o Impugnante pelo disposto no art. 135, II do CTN, ainda assim é de se concluir que não houve provas suficientes de ilícito praticado, muito menos de dolo em sua conduta, o que implica, da mesma forma, no cancelamento do Auto de Infração. • Devido à flagrante inconstitucionalidade da exação, seja pelo fato de que não poderia a Lei Ordinária criar tributo, seja ainda porque sobre as pessoas jurídicas já incide a contribuição sobre o faturamento bruto (PIS/COFINS), o STF julgou procedente a ADIN 1103, para reconhecer a impossibilidade de incidência da contribuição. • A despeito do reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança para a pessoa jurídica, já reconhecida pelo STF quando do julgamento da ADin n. 1103, o legislador incorreu em outra ilegalidade, desrespeitando o entendimento da Corte Suprema, trazendo o FUNRURAL novamente para as pessoas jurídicas, através da Lei n. 10.256/2001, incluindo o art. 22A na Lei n. 8.212/9118. • Na tentativa de perpetuar a ilegalidade, houve a promulgação da Lei n. 10.256/2001, que voltou a fazer incidir a contribuição sobre a pessoa jurídica, neste caso fazendo inserir na Lei n. 8.212/91 o art. 22A, que não é menos inconstitucional do que o art. 25 da Lei n. 8.212/91, alterado pela Lei n. 8.870/94. • Houve aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas, totalmente equivocada, pois a lei esclarece que o percentual será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. • Não há qualquer prova de que o Impugnante tenha praticado alguma das qualificativas descritas na lei. • Os documentos ora carreados atestam que o Impugnante não praticou nenhuma conduta que possa se concluir por sonegação, fraude ou conluio. • Não há nenhuma prova colacionada aos autos que seja irrefutável e que ateste a veracidade da teoria mirabolante aplicada pelo agente fiscal no intuito de receber os tributos que entende devido. Fl. 7749DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.750 22 • Ainda que haja aplicação da multa, o valor constante nos Autos de Infração é totalmente irregular e desproporcional, de feição confiscatória, devendo ser reduzida a proporções razoáveis. PEDIDO O Sujeito passivo solidário requer: Diante do exposto, requer seja recebida a presente impugnação para ao final declarar a nulidade dos Autos de Infração invectivados, uma vez que restou demonstrado que o Impugnante não é agente solidário de Boi Verde Alimentos, não incorrendo assim em nenhuma infração. Não sendo a nulidade do auto de Infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente o Auto de Infração, visto que o Impugnante não possui interesse comum nas atividades do Boi Verde Alimentos, não sendo devedor solidário. Outrossim, requer a improcedência do Auto de Infração, para que se possa reconhecer a ilegalidade da cobrança do FUNRURAL, previsto no art. 25 da Lei n. 8.212/91 sobre a comercialização dos produtos decorrentes de suas atividades, tendo em vista a impossibilidade de instituição de tributos por Lei Ordinária, caso da Lei PI. 8.212/91, dada a afronta ao art. 146, III da CF/88. Caso assim não se entenda, requer seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa aplicada ao Impugnante, com base no principio da proporcionalidade e em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, sobre o valor do imposto eventualmente devido. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DORY GRANDO CPF 305.095.64968. Da narrativa contida no Relatório Fiscal verificase que o agente fiscal coordenou sua atuação e linha de raciocínio para demonstrar: a) que os sócios constantes do contrato social não têm capacidade de sêlo, seja pela ausência de histórico de atuação administrativa em empreendimentos do mesmo segmento, seja pelo patrimônio incompatível com o negócio; b) que as pessoas de Dory Grando, Agostinho Scatalão e Jayme Valler estão em conluio e são os verdadeiros administradores da empresa, notadamente porque são respectivamente produtores rurais e empresários conhecidos em seus segmentos econômicos. • A solidariedade, por se tratar de extensão da responsabilidade, deve ser vista como exceção e somente aplicada nos casos em que a evidência e o interesse comum entre os supostos sujeitos passivos da exação tributária. Fl. 7750DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.751 23 • O interesse comum não pode ser presumido, deve ser provado pela autoridade fiscal, com robustas evidências de que se trata de pessoas envolvidas na mesma atividade. • Não estão presentes sequer indícios a sustentar a fantasiosa tese que alicerça os Autos de Infração ora impugnados. Para que se possa concluir por qualquer responsabilidade do Impugnante com relação ao débito cobrado, necessário que se tenha por suficiente a prova produzida pelo Agente Fiscal para demonstrar o interesse comum na exploração da atividade do Boi Verde Alimentos Ltda. (art. 124, I, CTN). • Sustentouse nos Autos de Infração que os elementos para a responsabilização do Impugnante decorrem de uma conjugação de fatores que permitem a conclusão de que os sócios constantes do contrato social da empresa Boi Verde Alimentos Ltda. não seriam os reais detentores de seu capital social, notadamente porque seriam pessoas sem expressão econômica, sem histórico na atividade na qualidade de empresários e, por fim, que possuiriam patrimônio absolutamente incompatível com o porte da empresa. Por primeiro é de se reconhecer até mesmo um certo preconceito na manifestação realizada pelo agente fiscal, porquanto não acredita na possibilidade do sucesso econômico e financeiro de pessoas que não tenham condições financeiras, ou mesmo estudo. • O início da responsabilização pretendida pelo agente fiscal decorre do fato de ser o Impugnante conhecido pecuarista e empresário no estado de Mato Grosso do Sul. Realmente o Impugnante é pessoa trabalhadora, desde tenra idade se dedicando ao trabalho para sair da origem humilde e conseguir melhores condições de vida para sua família, sendo que, ao contrário do que consignado pelo agente fiscal, ainda não se tem notícia de que esse tipo de postura é algum demérito. • Foi sócio da empresa Frigoara Frigorífico Arapongas Importação e Exportação de Carnes Ltda. Após encerrar as atividades no local, tendo transferido a sociedade a terceiros que continuaram na empresa, o Impugnante mudase para o Mato Grosso do Sul e como fruto do trabalho até então desenvolvido, tornase sócio da empresa Friporã – Frigorífico Bataiporã Ltda., situado na cidade de Bataiporã, tudo conforme documentação anexa. • Ocorre que a atividade infelizmente não foi exitosa, tendo o Impugnante de encerrar as atividades da unidade frigorífica, ficando vários débitos não pagos. Importante mencionar que o insucesso da atividade empresária não pode ser confundido com má fé ou ilícito, como quer fazer crer o agente fiscal. O Impugnante acabou ao longo dos anos perdendo seu patrimônio para dívidas decorrentes da atividade do Friporã e, por isso, não teve alternativa senão buscar fontes de renda onde seria possível. A dívida que recai sobre o Impugnante, de mais Fl. 7751DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.752 24 de R$ 1.000.000,00 referente a multa ambiental aplicada à pessoa jurídica mas que lhe foi estendida. • Diante deste cenário por certo que o Impugnante se viu impossibilitado de continuar a exercer a atividade de empresário, sendo acometido de stress pelos problemas enfrentados. • Nada mais natural, portanto, que diante de situações como essas, seus familiares passem a auxiliar nos negócios, sendo por isso criada a pessoa jurídica Casagran, o que não se pode chamar de blindagem patrimonial, até porque mesmo os efeitos que pretende alcançar o agente fiscal eram inexistentes na época de sua constituição (1.997). • É leviana a tentativa do agente fiscal de chamar a atenção para o patrimônio das empresas constituídas pelo Impugnante. • O Impugnante constituiu todo o seu patrimônio antes de prestar serviços no sujeito passivo, e nada mais adquiriu após, justamente por força das dificuldades financeiras enfrentadas com o insucesso das atividades anteriores. • É realmente sócio do sujeito passivo, que fatura, como mencionado no auto de infração, centenas de milhões de reais por ano, como se poderia explicar que todo o seu patrimônio teria sido adquirido somente antes do início dos trabalhos no sujeito passivo? • Por ter sido sócio de dois frigoríficos anteriormente, possui conhecimentos importantes no mercado da carne processada (destino final da produção da planta frigorífica) e por isso é peça importante na atuação da empresa. Somente por isso, foi contratado para trabalhar no sujeito passivo. • A situação financeira do Impugnante, absolutamente diversa daquela noticiada no Auto de Infração, acabou por tornar necessário o aceite ao convite. • O Sr. Artur é o proprietário do imóvel onde o sujeito passivo exerceu suas atividades, por isso não possui conhecimento do modo pelo qual é explorada a atividade, porquanto não mantém qualquer tipo de convívio no local. • O Sr. Artur tinha interesse em prejudicar o sujeito passivo e essa é uma das formas pelas quais poderia fazêlo, porquanto poderia se deparar com imaginações férteis, prontas a criar uma ficção a respeito do assunto, como de fato ocorreu no caso do presente Auto de Infração. • O Impugnante trabalha na empresa no setor de comercialização de produtos, devido ao conhecimento que possui com vários pecuaristas. • O Auto de Infração não traz prova do interesse comum do Impugnante na gestão do negócio. Fl. 7752DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.753 25 • Não há um único documento assinado pelo Impugnante na qualidade de representante do Boi Verde Alimentos Ltda. em toda a documentação apresentada pelo agente fiscal. • Os depoimento colhidos pelo Agente Fiscal em nada corroboram com a comprovação de que o Impugnante seria sócio de fato do sujeito passivo, tampouco que era o responsável pela administração da empresa. • Os depoimentos dos exfuncionários da Boi Verde Alimentos Ltda. não devem ser considerados no contexto probatório do presente caso. O interesse comum deve ser provado de forma cabal pela autoridade fiscal, porquanto a responsabilização fiscal é exceção e não pode ser considerada como regra, sujeita à caracterização por simples ilações do agente no sentido de encontrar a qualquer custo um responsável pelo pagamento do tributo. • O fato de o Impugnante ter possuído, algum dia, patrimônio, não pode ser considerado de forma isolada para fins de ampliação da responsabilidade tributária. E como demonstrado pela documentação acostada aos autos, atualmente não mais possui patrimônio, todo consumido pelas dividas deixadas pelas empresas anteriores, que não lhe podem ser atribuídas pessoalmente . • Esqueceuse de mencionar o agente fiscal que naqueles autos o Sr. Arthur prestou depoimento na qualidade de informante do juízo, tendo em vista o nítido interesse que possuía na causa, não podendo ser tido como prova inequívoca, ou mesmo elemento complementar, para concluir pela presença do interesse comum. • A fragilidade da linha empregada pelo agente fiscal se demonstra quando se aceita a sua linha de raciocínio, ou seja, de imaginar que os sócios do Boi Verde Alimentos Ltda. deveriam ter sido ouvidos e como não foram é porque não teriam conhecimento dos fatos, justamente porque seriam sócios de fachada. • Como reconhecido pelo próprio agente fiscal, não houve, por parte de nenhuma das demais testemunhas ouvidas no processo, qualquer menção ao fato de que o Impugnante seria sócio da empresa. Havendo várias testemunhas, é realmente estranho que nenhuma delas tenha mencionado fato de tamanha relevância para o deslinde da causa, apenas o proprietário do imóvel, interessado, portanto, e ainda assim o agente fiscal tenha lhe atribuído o peso de uma confissão. • Fosse o agente fiscal tão diligente na coleta de provas quanto foi em sua imaginação para criar a tese da responsabilidade solidária, poderia ter buscado alguma prova de que o Impugnante investiu dinheiro na empresa, integralizou capital de alguma forma, representa a pessoa jurídica, enfim, atos que Fl. 7753DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.754 26 efetivamente poderiam fazer pressupor pela administração da sociedade e não somente levianas ilações. • E realmente não podem ser levadas a sério as alegações do agente fiscal a respeito dos depoimentos informais prestados à fiscalização de terceiros reconhecendo que seria o Impugnante o responsável pela administração da empresa. • Não se pode acreditar que um servidor público, ciente de suas responsabilidades, possa responsabilizar uma pessoa física por uma dívida de R$ 15.000.000,00 aproximadamente simplesmente porque pessoas compareceram à fiscalização e informaram (porque não depuseram) que, por ouvir dizer, seria o Impugnante o sócio da empresa. • Não há que se falar em interesse comum do Impugnante com a atividade do sujeito passivo. • Somente porque entende que os sócios do contrato social não têm condições de sêlo, bem como de que é necessário responsabilizar alguém pelo débito, buscou estender a responsabilidade ao Impugnante. • A quem se atribui a qualidade de administrador, de gestor de uma empresa do porte do sujeito passivo deve pelo menos demonstrar, de forma concreta, atos praticados neste sentido por aquele que se pretende responsabilizar. • Devido à flagrante inconstitucionalidade da exação, seja pelo fato de que não poderia a Lei Ordinária criar tributo, seja ainda porque sobre as pessoas jurídicas já incide a contribuição sobre o faturamento bruto (PIS/COFINS), o STF julgou procedente a ADIN 1103, para reconhecer a impossibilidade de incidência da contribuição. • A despeito do reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança para a pessoa jurídica, já reconhecida pelo STF quando do julgamento da ADin n. 1103, o legislador incorreu em outra ilegalidade, desrespeitando o entendimento da Corte Suprema, trazendo o FUNRURAL novamente para as pessoas jurídicas, através da Lei n. 10.256/2001, incluindo o art. 22A na Lei n. 8.212/9118. • Na tentativa de perpetuar a ilegalidade, houve a promulgação da Lei n. 10.256/2001, que voltou a fazer incidir a contribuição sobre a pessoa jurídica, neste caso fazendo inserir na Lei n. 8.212/91 o art. 22A, que não é menos inconstitucional do que o art. 25 da Lei n. 8.212/91, alterado pela Lei n. 8.870/94. • Houve aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas, totalmente equivocada, pois a lei esclarece que o percentual será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, e 30 de novembro de 1964. Fl. 7754DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.755 27 • Não há qualquer prova de que o Impugnante tenha praticado alguma das qualificativas descritas na lei. • Os documentos ora carreados atestam que o Impugnante não praticou nenhuma conduta que possa se concluir por sonegação, fraude ou conluio. • Não há nenhuma prova colacionada aos autos que seja irrefutável e que ateste a veracidade da teoria mirabolante aplicada pelo agente fiscal no intuito de receber os tributos que entende devido. • Ainda que haja aplicação da multa, o valor constante nos Autos de Infração é totalmente irregular e desproporcional, de feição confiscatória, devendo ser reduzida a proporções razoáveis. PEDIDO O Sujeito passivo solidário requer: Diante do exposto, requer seja recebida a presente impugnação para ao final declarar a nulidade dos Autos de Infração invectivados, uma vez que restou demonstrado que o Impugnante não é agente solidário de Boi Verde Alimentos, não incorrendo assim em nenhuma infração. Não sendo a nulidade do auto de Infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente o Auto de Infração, visto que o Impugnante não possui interesse comum nas atividades do Boi Verde Alimentos, não sendo devedor solidário. Outrossim, requer a improcedência do Auto de Infração, para que se possa reconhecer a ilegalidade da cobrança do FUNRURAL, previsto no art. 25 da Lei n. 8.212/91 sobre a comercialização dos produtos decorrentes de suas atividades, tendo em vista a impossibilidade de instituição de tributos por Lei Ordinária, caso da Lei PI. 8.212/91, dada a afronta ao art. 146, III da CF/88. Caso assim não se entenda, requer seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa aplicada ao Impugnante, com base no principio da proporcionalidade e em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, sobre o valor do imposto eventualmente devido. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), às fls. 7220/7265, dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: Fl. 7755DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.756 28 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2013, 2015 DO LANÇAMENTO E SUA NULIDADE. Somente constando os requisitos legais expostos no art.42 do CTN e inexistindo ação feita por pessoa incompetente ou impedindo de alguma forma o direito de defesa. DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária somente sendo o poder judiciário competente para julgar a ilegalidade da norma ou não. DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É proibida a extensão dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS. INTERESSE COMUM. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Foi comprovado nos autos que terceiros conduziam negócios para a empresa, quando quem detinha essa responsabilidade obrigacional era os responsáveis de empresa em questão onde os terceiros não possuíam capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, onde é preciso manter a sujeição passiva solidária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR OU SEGURADO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE DA PRODUÇÃO RURAL. A produção rural é obrigada a cumprir obrigações previstas no art. 25 da Lei 8.212/91, onde seja qual for suas operações independentemente de as operações de venda, é obrigada a efetuar a retenção dos valores previdenciários. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. A prova documental será apresentada na impugnação, com preclusão do direito de fazêlo em outro momento processual, a Fl. 7756DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.757 29 menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Crédito Tributário Mantido” Acerca das preliminares levantadas, assim entende a DRJ: Sobre a nulidade do lançamento elencada, decide citando o art. 59, o qual estipula que são nulos os lançamentos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a inconstitucionalidade, decide a delegacia que o órgão em questão não é competente para tratar de tal matéria, pois somente o poder judiciário é o titular desta competência. Por sua vez, no tocante a jurisprudência judicial e administrativa apresentada, entende que não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, a interessada não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatada, devendo seu conteúdo decisório ser aplicado apenas as partes envolvidas naqueles litígios. No Mérito decide que: Deve ser mantida a responsabilidade solidária para com os três sujeitos passivos. A autoridade julgadora afirmou que o caso em questão já foi analisado nos autos da PAF nº 10140.721964/201458, e tanto naquela oportunidade quanto nos presentes autos os RECORRENTES não juntaram provas capazes de afastar os levantamentos realizados pela autoridade fiscal. Quanto aos demais argumentos, quais sejam, aplicação da multa qualificada, da contribuição rural ao Senar e da contribuição ao FUNRURAL, entendeu o julgador que todas as condutas foram respaldadas pelo princípio da estrita legalidade, e que ante a previsão legal, não cabe à autoridade fiscal fazer nenhum juízo de conveniência e oportunidade. Portanto, plenamente válidos. Dos Recursos Voluntários Em princípio destacase que apenas os responsáveis solidários apresentaram Recurso Voluntário, de forma que, para a pessoa jurídica, a decisão da DRJ transitou em julgado. Desta forma, foram apresentados os seguintes recursos voluntários: (i) Jaime Valler: devidamente intimado em 17/4/2017 (fls. 7542), apresentou o recurso voluntário de fls 7551/7575 em 3/5/2017; (ii) Dory Grando: mesmo não intimado (correspondência retornou ao remetente – fl. 7546) em 19/4/2017, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 7578/7614 em 16/05/2017; e (iii) Agostinho Scatalão Neto: devidamente intimado em 2/5/2017 (fl. 7548), apresentou o Recurso Voluntário de fls. 7643/7678 em 16/5/2017. Fl. 7757DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.758 30 Em suas razões de recurso, os RECORRENTES reiteraram o alegado em suas Impugnações. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos legais, razões por que deles conheço. MÉRITO Da Responsabilidade solidária Destaco adiante os principais pontos que culminaram para a atribuição da responsabilidade solidária no presente caso. No presente caso, a autoridade lançadora, após diversas tentativas infrutíferas de localizar a empresa devedora, diligenciou perante os locais onde funcionavam a empresa e a filial, assim como no endereço dos seus sócios de direito, todas tentativas sem sucesso. Nas visitas, coletou informações de exfuncionários da Boi Verde, assim como do proprietário das instalações onde funcionavam a filia da empresa (Sr. Artur José Vieira Júnior). Na ocasião, um dos exfuncionários (Sr. Rosalvo Neto) informou que as correspondências da Boi Verde, “após o fechamento do frigorífico, passaram a ser encaminhadas para um escritório montado nas dependências do jornal O Estado do MS, empresa de propriedade do Sr. Jaime Valler”, o qual foi fechado “devido à repetidas visitas de oficiais de justiça ocasionadas por inúmeras ações trabalhistas movidas contra a empresa”. Estas mesmas informações foram confirmadas por outro exfuncionário (Sr. Osvaldo Nonato), o qual ainda afirmou que, após o fechamento do frigorífico, o Sr. Jaime Valler “levou todas as máquinas para uma de suas empresas gerando uma demanda judicial contra ele por parte do Sr. Artur dono das instalações”, e que a sócia de direito (Sra. Gilmara) era cunhada do Sr. Agostinho Scatalão e não tinha poderes na estrutura de comando da empresa. O proprietário das instalações onde funcionavam a filia da Boi Verde (Sr. Artur José Vieira Júnior) informou à autoridade fiscal que todos os acordos de negociações do aluguel do imóvel do Sr. Artur foram feitos com os senhores Agostinho Scatalão Neto e Jaime Valler, que aparecem como fiadores com renúncia dos benefícios de ordem (fls. 216/223). Informou também as negociações para solucionar o inadimplemento do aluguel eram tratadas pelo Sr. Dory Grando e que “quando a empresa abandonou as instalações, o Sr. Jaime Valler levou o maquinário do frigorífico que eram de sua propriedade para uma das empresas dele na cidade de Campo Grande/MS”. Fl. 7758DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.759 31 Através análise dos autos de um dos processos judiciais movidos por decorrência da inadimplência do aluguel (processo nº 082969854.2013.8.12.0000), a autoridade fiscal constatou depoimento prestado em juízo, durante audiência de instrução, pelo Sr. Artur no sentido de que “antes da assinatura do contrato a conversa era de que o locatário seria Jaime Valler; que antes de assinar o contrato o declarante e Jaime foram até a justiça do trabalho para fazer o levantamento dos débitos trabalhistas; (...)”. Tais constatações ratificam trabalho anterior de fiscalização na mesma empresa Boi Verde, que culminou no PAF nº 10140.721964/201458 (Relatório Fiscal às fls. 346/366). Segundo a fiscalização, naquela oportunidade a autoridade responsável pelo lançamento “demonstrou que a empresa Boi Verde Alimentos LTDA, usava de interpostas pessoas para encobrir os verdadeiros proprietários e responsáveis com a intenção de burlar o fisco e proteger seus patrimônios pessoais”. Assim, destacou diversos trecho do Relatório Fiscal do PAF de 2014 para demonstrar o “modus operandi” da empresa e identificar os responsáveis de fato (fls. 33/38), dentre os quais destaco os seguintes: “Item 2.16. O sujeito passivo, com o suporte técnico do contador João Lemos Sandi, limitase a apresentar à fiscalização escassos documentos, deficientes e insuficientes para o alcance de uma auditoria fiscal abrangente e minuciosa. Segundo declaração firmada pela sócia Gilmara Eloiza Cavalcante em 08/03/2012 e apresentada à fiscalização pelo contador João Lemos Sandi, anexo 04, a empresa Boi Verde Alimentos não possui Livro Diário e Razão nos anos calendários 2008, 2009 e 2010, embora esteja legalmente obrigada a têlos. Ou seja, segundo sua "proprietária" a empresa não mantém escrituração contábil regular. Ora, não é factível que um empreendimento que faturou R$ 50.238.213,22, em 2008, R$ 87.504.380,43 em 2009 e R$ 92.499.898,22 em 2010, seja administrado sem o suporte de uma escrita contábil, de relatórios contábeis, de controles contábeis. (...)” “Item 2.17. Temse assim uma empresa sem patrimônio, com sócios desprovidos de capacidade econômica e gerencial, que não cumpre de forma contumaz suas obrigações tributárias e que reiteradamente causa embaraços à fiscalização. Estes fatos esboçam procedimentos que visam mascarar, artificiosamente ocultar e dissimular os negócios de terceiros, pois mantém os seus verdadeiros controladores no anonimato, preservando os seus patrimônios pessoais. Os sócios formais aparentam assumir um papel de comando, de direção, mas factualmente não possuem qualquer autoridade e responsabilidade. Este conjunto de indícios evidencia que os sócios que compõem formalmente a pessoa jurídica são interpostas pessoas, condição esta que modifica dolosamente as características dos fatos geradores dos tributos decorrentes de suas atividades econômicas, vez que se apresentam ficticiamente no polo passivo da obrigação tributária, ocultando terceiros responsáveis efetivamente pela ocorrência dos fatos geradores de tributos.” "Item 3.4. Muito embora o sujeito passivo Boi Verde seja uma empresa desprovida de qualquer patrimônio, cujos sócios são manifestamente interpostas pessoas, os senhores Jaime Valler e Agostinho Scatalão não titubearam em empenhar seu patrimônio Fl. 7759DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.760 32 obrigandose como devedores principais e renunciando ao benefício de ordem. Evidente está o interesse de ambos no êxito do empreendimento empresarial, pois sem o suporte financeiro destes o frigorífico jamais iniciaria suas atividades naquelas instalações." "Item 3.8. É notório e revelador o desinteresse das partes em ouvir os “sócios proprietários” da Boi Verde Alimentos Ltda. Ouviuse até mesmo o funcionário do setor financeiro do frigorífico, o Sr. Jair Benites Rodrigues, mas, estranhamento, não se ouviu os "proprietários" da empresa frigorífica, a princípio os maiores interessados no deslinde da causa. Entrementes, não há ao longo do moroso e custoso processo judicial qualquer manifestação ou declaração pessoal dos supostos sócios proprietários ou de seus herdeiros, pois na data da oitiva das testemunhas, 30/11/2011, Bráulio Aguero já havia falecido. Tais circunstâncias corroboram o afirmado pelo Sr. Artur José Vieira Junior de que as negociações referentes ao arrendamento foram realizadas com os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão e José Aparecido Tomazelli. A participação da dupla Gilmara Eloíza Cavalcante e Bráulio Aguero resumiuse às formalidades de apor suas assinaturas no contrato." " Item 3.12. Muito embora o Sr. Agostinho Scatalão seja uma pessoa de posses e pecuarista fornecedor de gado para o sujeito passivo, com situação patrimonial amplamente superior a dos “sócios proprietários” do frigorífico Boi Verde, o mesmo figura formalmente como empregado deste frigorífico. Observase assim uma inversão da ordem natural dos fatos, pois os que comandam efetivamente e proveem sustentação financeira ao empreendimento empresarial apresentamse formalmente como empregados e aqueles de minguado patrimônio e desprovidos de capacidade gerencial, reles subordinados, colocamse formalmente à frente da pessoa jurídica. A situação fática diverge frontalmente daquela retratada no contrato social, revelando que houve simulação na constituição do sujeito passivo." " Item 3.13. Conforme declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Agostinho Scatalão Neto iniciou seu suposto vínculo empregatício com o sujeito passivo em 01/10/2005. Destaquese que este é o único vínculo empregatício mantido em toda a vida laboral do Sr. Agostinho Scatalão Neto. Em suas Declarações de Ajuste Anual do IRPF Agostinho informa como ocupação principal o código 120, correspondente a "Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços". Consta ainda como "empregada" do frigorífico a esposa do Sr. Agostinho, a Sra. Iara Joelma Cavalcante, CPF 206.426.62835, que igualmente declara como ocupação principal o código correspondente a "Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços". No ano de 2013 o casal declarou receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 2.047.373,64, rendimentos de aplicações financeiras de R$ 104.564,38 e "salários" de R$ 166.009,43. Ou seja, os salários Fl. 7760DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.761 33 recebidos do frigorífico Boi Verde equivalem a tão somente 6% das rendas declaradas, revelando que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade à atuação do Sr. Agostinho à frente dos negócios do sujeito passivo." " Item 3.24. Não obstante o Sr. Dory Grando ser detentor de vistoso patrimônio e se apresentar como pecuarista e empresário, o mesmo consta nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP como empregado do sujeito passivo Boi Verde Alimentos Ltda. Conforme informado na GFIP, o suposto vínculo empregatício iniciouse em 01/10/2005, mesma data do início do igualmente suposto vínculo empregatício do Sr. Agostinho Scatalão Neto. " " Item 3.25. Em suas Declarações de Ajuste Anual do IRPF Dory informa a natureza da ocupação como “Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou EmpregadorTitular” e a ocupação principal como “Produtor na Exploração Agropecuária”. A esposa do Sr. Dory Grando, Sra. Marlene Casavechia Grando, CPF 624.799.20925, também consta como "empregada" do frigorífico Boi Verde. No entanto, igualmente declara como natureza de sua ocupação “Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou EmpregadorTitular” e como ocupação principal “Produtor na Exploração Agropecuária”. No ano de 2013 o casal declarou receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 1.304.912,72 e "salários" recebidos do frigorífico Boi Verde no total R$ 162.582,87." " Item 3.26. Há também aqui uma inversão de papéis. De um lado pessoas desprovidas de patrimônio e capacidade financeira apresentamse formalmente como proprietários de uma indústria frigorífica que fatura dezenas de milhões, sem quaisquer bens e carregada de dívidas tributárias. Do outro lado, uma pessoa com extenso patrimônio conhecido, pecuarista e fornecedor do próprio frigorífico, apresentase formalmente como empregado deste." Ora, todos os fatos acima apontados e verificados pela fiscalização convergem para o entendimento de que quem comandava e forneciam sustentação administrativa e financeira para a Boi Verde eram, de fato, os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando. Note que desde a celebração do contrato de locação, referidas pessoas foram quem se apresentaram à frente do negócio, conforme destacou o proprietário do imóvel locado onde funcionou a filial da Boi Verde. Tanto que os mesmos Srs. Jaime Valler e Agostinho Scatalão Neto figuraram como fiadores no contrato, renunciando ao benefício de ordem, revelando o nítido interesse comum no negócio, tendo em vista que a empresa Boi Verde era desprovida de patrimônio e os seus sócios de direito possuíam poucos recursos, o que colocava os fiadores como a principal fonte de segurança do contrato de arrendamento, sujeitandose à possibilidade real de arcar com o ônus já que eram os principais pagadores pois renunciaram o benefício de ordem. Tal situação revela o interesse comum dessas pessoas físicas com a empresa Boi Verde, o que ficou demonstrado também pela iniciativa e empenho nas articulações da locação. Fl. 7761DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.762 34 Conforme o Contrato Social e alterações da empresa Boi Verde (fls. 291/313) esta foi constituída em 27/11/2002 e tinha como sócios os Srs. Bráulio Aguero e Ceríaco Morales Rodrigues. Este último foi substituído até que figurou como sócia, em 20/11/2003, a Sra. Gilmara Eloiza Cavalcante. Mediante análise das informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS (fls. 315/321), que o Sr. Bráulio Aguero, a despeito de figurar no contrato social como sóciogerente da empresa Boi Verde, figurou como seu empregado de 01/08/2001 a 31/01/2003 (na matriz) e de 16/05/2006 a 07/07/2006 (na filial), e que a Sra. Gilmara Eloiza Cavalcante também era empregada da Boi Verde no período de 01/06/2003 a 1/11/2003, com salário de R$ 500,00, alguns dias antes de figurar no quadro social da empresa (alteração contratual de 20/11/2003). Ademais, ainda segundo o CNIS, o sócio original (Sr. Ceríaco Morales Rodrigues) trabalhava como motorista de carro de passeio (CBO 7823) e a pessoa que o substituiu na sociedade da empresa antes da Sra. Gilmara (Sr. Luiz Carlos Rodrigues Aguero) também era empregado da Boi Verde desde 01/10/2007. Destaco também que o Sr. Agostinho Scatalão Neto (fiador do contrato de locação) e o Sr. Dory Grando constam em GFIP como funcionários da Boi Verde, sendo evidente que a situação patrimonial de ambos era bastante superior ao dos sócios de direto, os quais não possuíam patrimônio que respaldasse a abertura do negócio. Este foi o único vínculo empregatício do Sr. Agostinho Scatalão Neto em toda sua vida. Outra constatação que chama muita atenção é o fato de as esposas dos Srs. Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando constarem também como empregadas da Boi Verde. Em suas respectivas Declarações de Ajuste Anual do IRPF, o Sr. Agostinho e sua esposa informam como ocupação principal “Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços”. Por sua vez, o Sr. Dory Grando e sua esposa declaram como natureza da ocupação “Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou Empregador Titular” e a ocupação principal como “Produtor na Exploração Agropecuária”. Ademais, os salários declarados pelos casais representam uma pequena parte de seus rendimentos, o que revela que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade da situação de empregado. Não seria crível uma pessoa continuar como empregado sendo que os frutos colhidos em razão de tal relação representam apenas 6% de todo o rendimento auferido no ano. Ademais, segundo relato de terceiros, os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando se apresentavam para o mercado como proprietários da Boi Verde. Sendo assim, entendo que andou bem a fiscalização ao incluir os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando como responsáveis solidários desta autuação, com fulcro no princípio da primazia da realidade dos fatos sobre as formas dos atos, pois estas pessoas possuem nítido interesse comum nos negócios da Boi Verde. Conforme exposto, os autos de infração que compõem o presente processo administrativo foram formalizados com base nos mesmos fatos e documentos em que se formalizaram os autos de infração que compõem o PAF nº 10140.721964/201458, processo com o mesmo objeto e referente às competências de 01/2009 a 12/2012. Acontece que esse outro processo já foi objeto de julgamento pela segunda turma desta 2ª câmara, no acórdão CARF nº 2202003.740, de 03/04/2017. Fl. 7762DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.763 35 De outro lado, analisando o referido acórdão, constatase que as defesas apresentadas pela Contribuinte são as mesmas. Inclusive, também os acórdãos recorridos têm as mesmas conclusões. Por essa razão, adoto os fundamentos ali esposados em sua integralidade para compor parte do presente voto: MÉRITO Responsabilidade solidária De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 51/71, os Senhores JAIME VALER, AGOSTINHO SCATALÃO NETO e DORY GRANDO são sujeitos passivos solidários do débito em questão, nos termos do art. 124, I, do CTN (Termo de Sujeição Passiva de fls. 06/07), por terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, posto que foram considerados sócios de fato da empresa frigorífica BOI VERDE ALIMENTOS LTDA., enquanto os sócios formais são pessoas interpostas. Os fatos que conduziriam a tal conclusão e o inconformismo dos recorrentes são analisados na sequência. Sócios formais pessoas interpostas Conforme o Relatório Fiscal (fls. 51/71), a empresa BOI VERDE ALIMENTOS LTDA., foi constituída em 27/11/2002, com o capital social de R$ 100.000,00 e tendo no quadro societário o Sr. Bráulio Aguero e o Sr. Ceríaco Morales Rodrigues, sendo este último substituído pelo Sr. Luiz Carlos Rodrigues Aguero (filho do Sr. Bráulio Aguero) em 29/01/2003, que também foi substituído, em 20/11/2003, pela Sra. Gilmara Eloiza Cavalcante. Com fulcro nas informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) (anexos), a fiscalização constatou que essas pessoas tiveram vários vínculos empregatícios em frigoríficos e matadouros e observa, por exemplo, que: embora conste no contrato social que o Sr. Báulio exercerá a gerência da empresa, este manteve vínculo empregatício com a Boi Verde de 16/05/2006 a 07/07/2006; que o Sr. Ceríaco exerceu funções de motorista; que o Sr. Luiz Carlos desde 02/05/2010 é empregado da Boi Verde; que a Sra. Gilmara trabalhava como auxiliar de escritório na Boi verde, com o salário mensal de R$ 500,00 e dezenove dias após a rescisão de seu contrato de trabalho passou a exercer o cargo de diretora administrativa da sociedade "com todos os poderes para executar os atos de administração e decidir sobre todos os negócios e questões de interesse da sociedade". O auditor também transcreve trecho de decisão, publicada em 29/10/2003, relativa ao processo judicial nº 001005006.2003.4.03.6000, movido pela Boi Verde Alimentos Ltda. contra o INSS, na qual foi consignado que o local de residência dos sócios dessa empresa seria "incompatível, em tese, com a magnitude da atividade que exploram". Fl. 7763DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.764 36 Menciona que na ficha de "Bens e Direitos" das Declarações de Ajuste Anual, a Sra. Gilmara declara apenas as cotas da empresa Boi Verde, no valor de R$ 50.000,00; e o Sr. Bráulio, uma casa em bairro periférico de Campo Grande/MS, um veículo 2003, e as cotas da Boi Verde, totalizando R$ 78.000,00. Salienta que não há registro de recebimentos de lucros dessa empresa. A fiscalização não conseguiu localizar a sócia Gilmara Eloiza. Nas diligências realizadas no estabelecimento filial localizado na Rod. BR 163 Km 393, Zona Rural de Campo GrandeMS, a fiscalização sempre foi atendida por Jair Benites Rodrigues, funcionário do "financeiro". Segundo este, a sócia Gilmara estaria viajando. Em diligências realizadas pela fiscalização, em junho de 2012, nos endereços residenciais dos sócios da Boi Verde, constatouse se tratar de moradias modestas, conforme fotografias colacionadas no Relatório Fiscal, e soubese, pelos pessoas que lá residem, que o Sr. Bráulio faleceu há sete anos e que a Sra. Gilmara estaria viajando sem previsão de retorno ou que teria se mudado, informações essas corroboradas por certidões do Poder Judiciário, colacionadas no Relatório Fiscal e trazidas às fls. 104/109. Em diligência no endereço do estabelecimento matriz da empresa da empresa Boi Verde, localizado na Rod. MS 080 S/N Km 71, no município de Rochedo/MS, a autoridade fiscal verificou que as instalações frigoríficas estavam sendo operadas por outra empresa (Navi Carnes Ind. e Com. Ltda) desde 2007 e o responsável pelo RH desconhecia a existência da Boi Verde. Ou seja, o estabelecimento matriz da empresa não foi localizado no endereço cadastral informado à RFB, embora o seu faturamento em 2011 tenha sido de R$ 126.785.000,91 e em 2012 de R$ 150.781.803,71. As atividades operacionais são desenvolvidas unicamente em um estabelecimento filial localizado na Rod. BR 163 Km 393, Zona Rural de Campo GrandeMS. A fiscalização informa que as dívidas tributárias acumuladas pelo sujeito passivo junto ao Fisco Federal são bastante elevadas, tendo sido lançados em anos anteriores créditos tributários no montante de R$ 60.529.920,97. Assevera, porém, que a expectativa de satisfazer estes créditos em favor da Fazenda Pública é praticamente nula, pois a pessoa jurídica e seus "proprietários" formais não possuem qualquer patrimônio exequível. Por meio do contador João Lemos Sandi foram apresentados escassos documentos e declaração da sócia formal de que não há escrituração de 2008, 2009 e 2010 (fls. 111), embora estivesse obrigada a têlas. A fiscalização ressalta que é prática regularmente adotada pelo sujeito passivo furtar o alcance dos objetivos inerentes à auditoria fiscal. Fl. 7764DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.765 37 Assim, se está diante de uma situação em que a empresa não tem patrimônio; não faz a escrituração contábil; os sócios são desprovidos de capacidade gerencial e econômica, e sequer são localizados pelo fisco ou pela Justiça Federal; há contumaz descumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais; causasse embaraços à fiscalização, como a manutenção cadastral da matriz em endereço em que não está fisicamente localizada, a inacessibilidade aos sócios formais, a escassa apresentação de documentos. Há, portanto, que se concordar com a autoridade fiscal de que as pessoas que compõem o quadro societário formal não os sócios reais e que ocorreu simulação fraudulenta na constituição da empresa Boi Verde Alimentos Ltda., com o intuito de ocultar os verdadeiros sócios e de suprimir o recolhimento de tributos. Responsabilidade solidária sócio de fato Sr. Jaime Valler Tendo sido vencida na questão do conhecimento de ofício quanto à sujeição passiva solidária do SR. JAIME VALLER, passo a analisar essa matéria também no que lhe diz respeito. Ao se analisar os elementos trazidos aos autos pela auditoria fiscal, entendesse comprovados a condição de sócio de fato e o interesse comum do recorrente em relação à empresa autuada. Como noticia o Relatório Fiscal (fls. 51/71), o proprietário das instalações frigoríficas que são arrendadas para a Boi Verde Alimentos Ltda., Sr. Artur José Vieira Júnior, em atendimento à intimação fiscal apresentou o contrato de arrendamento e prestou depoimento informal de que, entre outras informações, o frigorífico Boi Verde iniciou suas atividades em uma unidade industrial de propriedade do SR. JAIME VALLER localizada na cidade de Rochedo/MS; que posteriormente estas instalações foram vendidas para o Sr. José Clarindo Capuci, onde passou a operar uma unidade do frigorífico Navi Carnes; que, por conseguinte, o SR. JAIME VALLER negociou o arrendamento da planta frigorífica de sua propriedade (do Sr. Artur) localizada na Rod. BR 163, km 393 – C. Grande/São Paulo; que desde então passou a operar nestas instalações o frigorífico Boi Verde; e que os subprodutos e o couro produzidos pelo Boi Verde são destinados ao SR. JAIME VALLER. A cláusula segunda do Instrumento de ReRatificação e Aditamento de 02/02/2004, do Contrato de Locação de Bens Móveis e Imóveis (anexo 5 fls. fls. 112/118), estabelece, como garantia do cumprimento das obrigações, que o locatário oferece como fiadores e principais pagadores, que renunciam ao benefício de ordem, os senhores JAIME VALLER e Agostinho Scatalão Neto. A autoridade fiscal diz que na contenda judicial acerca desse contrato de arrendamento (processo 012866546.2008.8.12.000111 ª Vara Cível de Campo Grande), constam como partes o sujeito passivo, o Sr. JAIME VALLER e esposa, e o Sr. Agostinho Scatalão e esposa, tendo sido Fl. 7765DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.766 38 arroladas diversas testemunhas, inclusive o funcionário do setor financeiro do frigorífico, o Sr. Jair Benites Rodrigues, mas não foram arrolados os "sócios proprietários" (Sr. Bráulio e Sra. Gilmara) da empresa Boi Verde. Nessa lide, no depoimento em juízo, do Sr. Artur José Vieira, pai do locador (fls. 120/121), consta: "... que antes da assinatura do contrato a conversa era de que o locatário seria Jaime Valler; que antes de assinar o contrato o declarante e Jaime foram até a justiça do trabalho para fazer o levantamento dos débitos trabalhistas; que esse fato inclusive saiu no jornal de Jaime; que quando foi assinar o contrato apareceu a Boi Verde, Tomazelli e Agostinho Scatalão; ...". E o depoimento do SR. JAIME VALLER nessa contenda também demonstrou seu minucioso conhecimento das tratativas do arrendamento e das instalações do frigorífico, conforme os seguintes trechos (fls. 122/123): (...) o Ministério da Agricultura só suspendeu o SIF após o início dos trabalhos da Boi Verde (...); (...) recebeu ligação de "Artur pai", certa vez, se queixando dos descontos [no valor do aluguel pago]; (...) que as partes fizeram acordo de reservar o mínimo de R$ 30.000,00 de aluguel; (...) que os descontos efetuados no aluguel eram decorrentes de dívidas trabalhistas, bloqueios judiciais e reformas; (...);que foi feita reforma na parte da lagoa, ambiental, sala de matança, escritório, asfalto interno, reformaram as câmaras e motores; que houve melhoria na parte elétrica; que o frigorífico tinha capacidade para abater 100 cabeças e hoje tem capacidade para 400; (...) que no início do contrato foi feito um acordo com relação às dívidas trabalhistas; (...) que participou apenas da reunião com o desembargador João de Deus para a negociação destas dívidas; (...). A atitude de ser fiador de uma empresa desprovida de patrimônio e constituída por sócios formais com poucos recursos, sujeitandose à possibilidade real de arcar com o ônus do contrato de arrendamento, como principal pagador e sem benefício de ordem, revela o interesse comum do recorrente com a empresa autuada. A iniciativa e empenho nas articulações da locação, assim como o conhecimento de detalhes de questões relacionadas ao empreendimento, reforçam a constatação de que interessado está à frente dos negócios da empresa Boi Verde Alimentos Ltda. O Relatório Fiscal também dá conta que o SR. JAIME VALLER possui vasto patrimônio, é pecuarista e fornecedor de gado para abate na empresa frigorífica Boi Verde; empresário de destaque na cidade, sócio de várias empresas, entre elas a Qually Peles Ltda., cliente da autuada. E verificou ainda que a transações comerciais entre as empresas Boi Verde Alimentos Ltda. e Qually Peles Ltda. não são compatíveis com a movimentação de recursos entre elas, pois o valor das vendas de peles feitas pela autuada à Qually Peles nos anos de 2009 a 2012, somaram mais de R$ 24.000.000,00, e a movimentação financeira entre as Fl. 7766DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.767 39 empresas nesse período ficou muito aquém desse montante (aproximadamente R$ 300.000,00) (quadro às fls. 60). Enfim, constatase pelos fatos apontados que o recorrente é uma das pessoas que está à frente dos negócios da empresa, como sócio de fato do empreendimento. Logo, em face do princípio da primazia da realidade, também aplicado à relação previdenciária e segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a forma, correto o procedimento da fiscalização que, ao identificar situações fáticas reveladoras dos reais sócios do empreendimento, trouxeos para o pólo passivo solidário deste lançamento. Ressaltase que o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E essa condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram formalmente no quadro social da pessoa jurídica, pois esses não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) Portanto, necessário manter o recorrente no pólo passivo solidário desta autuação. Responsabilidade solidária sócio de fato Sr. Agostinho Scatalão Neto Em sede de recurso (fls. 2316/2350), Sr. AGOSTINHO SCATALÃO NETO se insurge contra a decisão da DRJ que manteve sua condição de responsável solidário, dizendo, em síntese, que as provas são frágeis; que se utilizou de presunções; Fl. 7767DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.768 40 que não ficou demonstrado o interesse comum; que não há documentos que provem sua atividade de gestão na empresa; que houve contradições na decisão; que não se analisou os documentos apresentados. No entanto, da análise dos elementos trazidos aos autos pela auditoria fiscal, entendese comprovados a condição de sócio de fato e o interesse comum do recorrente em relação à empresa autuada. Conforme apontou o Relatório Fiscal (fls. 51/71), o proprietário das instalações frigoríficas que são arrendadas para a Boi Verde Alimentos Ltda., Sr. Artur José Vieira Júnior, em atendimento à intimação fiscal apresentou o contrato de arrendamento e prestou depoimento informal de que, entre outras informações, o Sr. AGOSTINHO SCATALÃO NETO é um dos sócios gerentes da empresa, juntamente com o Sr. Dory Grando, e que nunca viu o Sr. Bráulio Aguero e a Sra. Gilmara Eloíza Cavalcante (sócios formais). O conteúdo desse depoimento se confirma diante da cláusula segunda do Instrumento de ReRatificação e Aditamento de 02/02/2004, do referido Contrato de Locação de Bens Móveis e Imóveis (anexo 5 fls. 112/118), que estabelece, como garantia do cumprimento das obrigações, que o locatário oferece como fiadores e principais pagadores, que renunciam ao benefício de ordem, os senhores Jaime Valler e AGOSTINHO SCATALÃO NETO. A concordância em ser fiador de uma empresa desprovida de patrimônio e constituída por sócios formais com poucos recursos, sujeitandose à possibilidade real de arcar com o ônus do contrato de arrendamento, como principal pagador e sem benefício de ordem, revela o interesse comum do recorrente com a empresa autuada. A autoridade fiscal diz que na contenda judicial acerca do contrato de arrendamento (processo 012866546.2008.8.12.000111 ª Vara Cível de Campo Grande), constam como partes o sujeito passivo, o SR. Jaime Valler e esposa, e o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO e esposa, tendo sido arroladas diversas testemunhas, inclusive o funcionário do setor financeiro do frigorífico, o Sr. Jair Benites Rodrigues, mas não foram arrolados os "sócios proprietários" (Sr. Bráulio e Sra. Gilmara) da empresa Boi Verde. Tais circunstâncias também corroboram as informações prestadas pelo arrendador, Sr. Artur, sobre os verdadeiros sócios gerentes da empresa. O fato de o Sr. Artur José Vieira Júnior estar em litígio com o recorrente em ação de despejo, não desqualifica a prestação de informações ao fisco e o depoimento de seu pai à Justiça, como se aventou no recurso, pois o locador em questão não depende do reconhecimento da condição de sócio dos fiadores para obter sucesso na lide judicial. O Relatório fiscal também dá conta que o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO possui patrimônio considerável, tendo obtido receita bruta de comercialização de bovinos no ano de 2013, no Fl. 7768DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.769 41 valor de R$ 1.013.686,82, para a Boi Verde (conforme Declaração de Ajuste Anual do IRPF2014). Traz tabela quantificando as vendas de gado para abate que fez à Boi Verde de 2009 a 2012. E, apesar de ter situação amplamente superior a dos "sócios proprietários", figura formalmente como empregado do frigorífico desde 01/10/2005, sendo esse seu único vínculo laboral. Sua esposa, Sra. Iara Joelma Cavalcante, também consta como empregada do frigorífico; e ambos informam na declaração de imposto de renda o código de ocupação principal 120, que corresponde à "Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços". A fiscalização mostra, ainda, que no ano de 2013 o casal declarou receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 2.047.373,64, rendimentos de aplicações financeiras de R$ 104.564,38 e "salários" de R$ 166.009,43. Ou seja, os salários recebidos do frigorífico Boi Verde equivalem a tão somente 6% das rendas declaradas, revelando, assim, que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade à atuação do Sr. Agostinho à frente dos negócios do sujeito passivo. Dessa forma, por um lado, deparase com uma empresa frigorífica que movimentou valores vultosos no período fiscalizado, mas que não faz a escrituração contábil, não possui patrimônio, deve milhões ao fisco e tem em seu quadro societário pessoas sem patrimônio compatível com o empreendimento, que tinham empregos modestos, sem histórico de atividades de gestão e que não são encontradas pela fiscalização nem pelos oficiais de justiça (uma delas já falecida). Por outro lado, constatase a presença no empreendimento de pecuarista com patrimônio considerável; que se coloca como fiador de empresa sem patrimônio e constituída com sócios aparentes, em contrato de locação para funcionamento do frigorífico, como um dos principais pagadores e sem benefício de ordem, evidenciando o interesse comum no empreendimento; reconhecido informalmente pelo locador como um dos sócios gerentes da empresa (o que também é corroborado pela ausência de arrolamento dos sócios formais como testemunhas no processo judicial acerca desse contrato); que vende consideráveis quantias de bovinos ao frigorífico enquanto se configura formalmente como empregado deste, com receitas de salário ínfimas em relação à receita da atividade rural, o que revela que o vinculo de emprego e o salário se prestam a conferir uma aparência de normalidade à atuação do recorrente à frente dos negócios do sujeito passivo. Assim, constatase pelos fatos apontados que o recorrente é uma das pessoas que está à frente dos negócios da empresa, como sócio de fato do empreendimento. Fl. 7769DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.770 42 Logo, em face do princípio da primazia da realidade, também aplicado à relação previdenciária e segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a forma, correto o procedimento da fiscalização que, ao identificar situações fáticas reveladoras dos reais sócios do empreendimento, trouxeos para o pólo passivo solidário deste lançamento. Cabe citar, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância, diferentemente do que alegam os recorrentes, apreciou os documentos trazidos nas impugnações, mas esses não refutaram a imputação da responsabilidade solidária, conforme trecho do acórdão recorrido que se reproduz a seguir: (...) Os impugnantes trouxeram documentação provando o que o próprio agente lançador já havia afirmado, que eles eram detentores de patrimônio compatível com o porte da Boi Verde quando da formação da sociedade empresarial. Entretanto, não trouxeram, aos autos, qualquer prova que evidencie que não tinham interesse econômico ou financeiro no empreendimento empresarial. (...) Cumpre registrar também que não procede o argumento de que a autoridade julgadora de primeira instância teria entendido que o recorrente foi considerado sócio por força do patrimônio adquirido na empresa Boi Verde. Como se verifica no trecho do voto condutor do acórdão da DRJ, a seguir reproduzido, ficou claro que a relatora entendeu que uns dos elementos considerados pelo fisco para identificar o recorrente como sócio de fato foi seu patrimônio adquirido antes de trabalhar na Boi Verde: O impugnante alega que não pode ser considerado como administrador da empresa simplesmente pelo fato de que possui patrimônio, pois antes mesmo de ingressar na empresa Boi Verde Alimentos Ltda, o impugnante possuía uma área de terras na cidade de Bataguassu, tendo sido posteriormente objeto de desapropriação para CESP, e com os recursos provenientes desta compra e venda o impugnante foi, aos poucos, adquirindo gado e outras propriedades. Ora, mas nem precisaria de o impugnante comprovar que já possuía patrimônio antes de ingressar na empresa Boi Verde, pois foi exatamente isso que a fiscalização quis demonstrar, que o impugnante era detentor de um vasto patrimônio antes de ser empregado da Boi Verde. E não foi simplesmente pelo fato de já possuir patrimônio que o impugnante foi considerado como administrador da empresa, e sim por todas as constatações feitas pelo fiscal, Fl. 7770DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.771 43 narradas no Relatório e comprovadas com os documentos juntados aos autos. Portanto, não procede o entendimento do impugnante no sentido de que “em se demonstrando que o patrimônio do Impugnante foi adquirido com bens anteriores inclusive ao ingresso na atividade, é de se ter por completamente desmontada a frágil linha de raciocínio defendida no Auto de Infração”, pois, como visto, a fiscalização nunca quis demonstrar que os bens do impugnante foi adquirido após seu ingresso na Boi Verde. O que a autoridade lançadora demonstrou foi a inversão da ordem dos fatos, pois os sócios aparentes do frigorífico são pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, e o impugnante, que figura como um simples empregado da Boi Verde, é pessoa possuidora de considerável patrimônio e um dos fornecedores de gado para o frigorífico. Observase que o próprio frigorífico, que fatura milhões, é desprovido de patrimônio, e seus sócios contratuais, mesmo após a integralização da sociedade, continuaram sem patrimônio, e sem receber nenhum rendimento do frigorífico, o que reforça a convicção da existência de simulação na composição societária da empresa fiscalizada. (...) (Grifos nossos) Ressaltase que o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E essa condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram formalmente no quadro social da pessoa jurídica, pois esses não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse Fl. 7771DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.772 44 comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) No que diz respeito à manifestação extemporânea, juntada em 02/08/2016, às fls. 2502/2504, na qual o interessado anexa sentença da Justiça do Trabalho (fls. 2505/2523), proferida em 09/07/2016, que diz comprovar que o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO não é sócio da empresa, essa manifestação, por trazer fato superveniente, pode ser conhecida em face do art. 16, § 4º, alínea "b", do Decreto nº 70.235/72. A referida sentença (fls. 2505/2523) foi proferida nos autos do processo RTOrd002400348.2016.5.24.0007, com trâmite na 7ª Vara do Trabalho de Campo Grande, movido pelo Sr. José Euzébio de Mendonça contra a Boi Verde Alimentos Ltda, Sr. Gilmara Eloiza Cavalcante, Sr. Agostinho Scatalão Neto e Sr. Dory Grando. A decisão afastou a responsabilidade destes dois últimos, nos seguintes termos: 03 DEFINIÇÃO DE RESPONSABILIDADE DOS RÉUS LEGITIMIDADE DELES A inicial narra emprego entre autor e o 1° réu que, como incontroverso, finalizou suas atividades (o que, de per si, motiva inclusão de sócios), apontando ainda responsabilidade para os demais, Gilmara sócia efetiva/incontroversa e os demais, supostos sócios/donos de fato. A narrativa basta para legitimar todos fazendo questão de mérito a responsabilidade de cada qual. Agostinho e Dory fizeram prova, inclusive por registros em CTPS (detentores de presunção de veracidade CLT, art. 40) que foram empregados do 1° réu sem que o autor tenha feito provas que afastassem essa condição. Detalhando: a) O próprio reclamante, depondo, já não disse serem eles "donos" passando a ventilar que seriam arrendatários, aqui em divergência com o testemunho que produziu elemento que fragiliza ambos quanto ao ponto; b) Os dizeres de que todos falariam serem eles donos, data venia, genéricos e sem outros elementos, nada provam, até porque entrar ou não por acesso diferenciado não é fator determinando; a prova oral, bem o demonstrou, por exemplo, ao reconhecer distinção entre refeitórios dos administrativos para com os demais, mas que atendia, segundo a testemunha do autor "os meninos", empregados do escritório; c) A existência de ação trabalhista deles em face dos réus, aliás, ainda que com advogados diversos e grupo de empregados restrito (que o autor inquina de "estranho"), só faz corroborar que donos eles não são. Fl. 7772DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.773 45 Por conta de tudo isso, desde já ABSOLVEMSE integralmente Agostinho e Dory. Os demais réus respondem para com as obrigações reconhecidas nesta decisão, o primeiro (Boi Verde), diretamente, Gilmara, sócia, subsidiariamente para com ele (CPC/2015, art. 795, 91°), o que se justifica pelo próprio término das atividades daquele. Esse desfecho, claro do já contido nos autos, deixa evidente a desnecessidade da prova testemunhal que foi indeferida em audiência. No entanto, as decisões judiciais, com exceção daquelas proferidas na sistemática de recursos repetitivos e com repercussão geral, não fazem coisa julgada em relação à Administração Fazendária quando esta não integra a lide, como se depreende do art. 506, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15, a seguir: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Dessa forma, a referida sentença da Justiça do Trabalho, embora possa ser utilizada para formar a convicção das autoridades fiscais e julgadoras, não se impõe ao fisco para determinação dos sujeitos passivos na relação tributária. Ademais, para afastar a responsabilidade do recorrente pelos encargos trabalhistas da Boi Verde Alimentos Ltda., a mencionada sentença não apreciou o mesmo conjunto probatório trazido pela fiscalização nestes autos, como se vê no trecho acima descrito. Além disso, a situação, que agora nos dá conhecimento o interessado, de que entrou em litígio trabalhista com empregado da Boi Verde, que o considera responsável pela empresa, vai exatamente ao encontro dos fatos apontados pela autoridade fiscal que levou à responsabilização passiva do recorrente em relação ao débito lançado. Por fim, diante do exposto, devese manter o recorrente como sujeito passivo solidário dos débitos lançados neste processo. Responsabilidade solidária Sr. Dory Grando Em sede de recurso (fls. 2316/2350), SR. DORY GRANDO se insurge contra a decisão da DRJ que manteve sua condição de responsável solidário, dizendo, em síntese, que as provas são frágeis; que se utilizou de presunções; que não ficou demonstrado o interesse comum; que não há documentos que provem sua atividade de gestão na empresa; que houve contradições na decisão; que não se analisou os documentos apresentados. Porém, da análise dos elementos trazidos aos autos pela auditoria fiscal, entendese comprovados a condição de sócio de Fl. 7773DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.774 46 fato e o interesse comum do recorrente em relação à empresa autuada. Conforme apontou a autoridade fiscal, o proprietário das instalações frigoríficas que são arrendadas para a Boi Verde Alimentos Ltda., Sr. Artur José Vieira Júnior, em atendimento à intimação fiscal apresentou o contrato de arrendamento e prestou depoimento informal de que, entre outras informações, o SR. DORY GRANDO é um dos sócios gerentes da empresa, juntamente com o Sr. Agostinho Scatalão Neto, e que nunca viu o Sr. Bráulio Aguero e a Sra. Gilmara Eloíza Cavalcante (sócios formais). A fiscalização também expõe que lhe foi informado pelo Sr. Luiz Marcelo Nantes Pereira (sócio administrador da empresa Namper Representações Comerciais Ltda., que segundo apurado pelo fisco, realizou abate de bovinos nas instalações do sujeito passivo) de "que sabe que os proprietários do frigorífico Boi Verde são Agostinho Scatalão e Dory Grando"; e pelo Sr. Jair Domingos Smaniotto (sócioadministrador da JD Smaniotto e Cia Ltda., cliente do sujeito passivo) de que "sabe por ouvir dizer que Dory Grando é proprietário do frigorífico Boi Verde." Como apurou a auditoria fiscal, o SR. DORY GRANDO participa ou participou de diversas empresas (Agropastoril Tucano Ltda. e Agropastoril Maringá, desde 1994; Friporã Frigorífico Bataiporã Ltda., de 1996 a 1997; Agropecuária Casagran Administração e Participação S/S Ltda. e Curtume Bata Ltda, desde 1999), cujos contratos sociais revelam que foram utilizados na integralização do capital social bens de expressivos valores, como fazendas, apartamentos, terrenos, rebanho bovino, veículos, o que denota o uso da chamada "blindagem patrimonial", estratégia de transferir a totalidade dos bens da pessoa física para uma pessoa jurídica, protegendo o patrimônio pessoal de credores. Também foi constatado pelo fisco que, nos autos da apelação criminal nº 000214352.2010.8.12.0017, interposta pelo Sr. Dory Grando contra sentença que o condenou por atos praticados à frente dos frigoríficos Friporã e Pontual, constou na decisão judicial que: "O apelante figurava como um dos sócios do Frigorífico Friporã e, nos termos da Alteração de Contrato Social de fls. 609611, em 1997 teria retiradose da sociedade. Todavia, embora não constasse no contrato social como sócio à época dos fatos, o conjunto probatório não deixa dúvidas que ele continuou na administração da empresa, atuando efetivamente". Tal situação denota que a mesma estratégia utilizada pelo SR. DORY GRANDO no frigorífico Friporã, de colocar interpostas pessoas no quadro societário e se manter no controle a efetiva administração da empresa, também foi usada para administrar a empresa Boi Verde Alimentos Ltda, com a diferença, que nesta última, mostrase formalmente como empregado do sujeito passivo, como pontuou a fiscalização. Fl. 7774DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.775 47 O Relatório Fiscal traz notícia veiculada na Internet que destaca o SR. DORY GRANDO como um grande investidor em pregão de bovinos e também indica em planilha que, de 2009 a 2012, vendeu mais de 4.500 cabeças de gado para a Boi Verde. Menciona ainda que as Declarações de Ajuste Anual do IRPF apresentadas mostram que a cada ano o SR. DORY GRANDO promove alteração em seu endereço, estratégia que visa claramente dificultar a sua localização. Apesar de ser pecuarista, empresário e detentor de patrimônio, consta na GFIP da Boi Verde como "empregado" desde 01/10/2005 (mesma data de início de vínculo empregatício do Sr. Agostinho Scatalão Neto). Sua esposa, Sra. Marlene Casavechia Grando, também consta como "empregada" da Boi Verde. O casal informa na Declaração de Ajuste Anual a natureza da ocupação como "Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou Empregador/Titular" e como ocupação principal "Produtor na Exploração Agropecuária", tendo declarado no ano de 2013 receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 1.304.912,72 e "salários" recebidos da Boi Verde no total de R$ 162.582,87, o que evidencia que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade à atuação do Sr. Dory Grando à frente dos negócios do sujeito passivo. Portanto, no contexto apresentado, se está diante de empresa frigorífica, que movimentou valores vultosos no período fiscalizado, mas que não faz a escrituração contábil, que não possui patrimônio, deve milhões ao fisco e tem em seu quadro societário pessoas sem patrimônio compatível com o empreendimento, que tinham empregos modestos, sem histórico de atividades de gestão e que não são encontradas pela fiscalização nem pelos oficiais de justiça (uma delas já falecida). E nesse empreendimento há a presença de pecuarista com patrimônio considerável, reconhecido informalmente pelo locador das instalações como um dos sócios gerentes da empresa (o que também é corroborado pela ausência de arrolamento dos sócios formais como testemunhas no processo judicial acerca desse contrato); que é informalmente percebido, no âmbito negocial, como dono da empresa; sócio de outras empresas, e que tem em seu histórico a ocorrência de interposição de pessoas na gestão formal enquanto exercia a gestão de fato (frigorífico Friporã); que vende consideráveis quantias de bovinos ao frigorífico enquanto se configura formalmente como empregado deste, sendo as receitas de salário ínfimas em relação à receita da atividade rural, o que revela que o vínculo de emprego e o salário se prestam a conferir uma aparência de normalidade à atuação do recorrente à frente dos negócios do sujeito passivo. Assim, constatase pelos fatos apontados que o recorrente é uma das pessoas que está à frente dos negócios da empresa, como sócio de fato do empreendimento. Logo, em face do princípio da Fl. 7775DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.776 48 primazia da realidade, também aplicado à relação previdenciária e segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a forma, correto o procedimento da fiscalização que, ao identificar situações fáticas reveladoras dos reais sócios do empreendimento, trouxeos para o pólo passivo solidário deste lançamento. Cabe citar, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância, ao contrário do que alegam os recorrentes, apreciou os documentos trazidos nas impugnações, mas esses não refutaram a imputação da responsabilidade solidária, conforme trecho do acórdão recorrido que se reproduz a seguir: (...) Os impugnantes trouxeram documentação provando o que o próprio agente lançador já havia afirmado, que eles eram detentores de patrimônio compatível com o porte da Boi Verde quando da formação da sociedade empresarial. Entretanto, não trouxeram, aos autos, qualquer prova que evidencie que não tinham interesse econômico ou financeiro no empreendimento empresarial. (...) Ressaltase que o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E essa condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram formalmente no quadro social da pessoa jurídica, pois esses não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse Fl. 7776DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.777 49 comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) No que diz respeito à manifestação extemporânea, juntada em 02/08/2016, às fls. 2502/2504, na qual o interessado anexa sentença da Justiça do Trabalho (fls. 2505/2523), proferida em 09/07/2016, que diz comprovar que o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO não é sócio da empresa, essa manifestação, por trazer fato superveniente, pode ser conhecida em face do art. 16, § 4º, alínea "b", do Decreto nº 70.235/72. A referida sentença (fls. 2505/2523) foi proferida nos autos do processo RTOrd002400348.2016.5.24.0007, com trâmite na 7ª Vara do Trabalho de Campo Grande, movido pelo Sr. José Euzébio de Mendonça contra a Boi Verde Alimentos Ltda, Sr. Gilmara Eloiza Cavalcante, Sr. Agostinho Scatalão Neto e Sr. Dory Grando. A decisão afastou a responsabilidade destes dois últimos, nos seguintes termos: 03 DEFINIÇÃO DE RESPONSABILIDADE DOS RÉUS LEGITIMIDADE DELES A inicial narra emprego entre autor e o 1° réu que, como incontroverso, finalizou suas atividades (o que, de per si, motiva inclusão de sócios), apontando ainda responsabilidade para os demais, Gilmara sócia efetiva/incontroversa e os demais, supostos sócios/donos de fato. A narrativa basta para legitimar todos fazendo questão de mérito a responsabilidade de cada qual. Agostinho e Dory fizeram prova, inclusive por registros em CTPS (detentores de presunção de veracidade CLT, art. 40) que foram empregados do 1° réu sem que o autor tenha feito provas que afastassem essa condição. Detalhando: a) O próprio reclamante, depondo, já não disse serem eles "donos" passando a ventilar que seriam arrendatários, aqui em divergência com o testemunho que produziu elemento que fragiliza ambos quanto ao ponto; b) Os dizeres de que todos falariam serem eles donos, data venia, genéricos e sem outros elementos, nada provam, até porque entrar ou não por acesso diferenciado não é fator determinando; a prova oral, bem o demonstrou, por exemplo, ao reconhecer distinção entre refeitórios dos administrativos para com os demais, mas que atendia, segundo a testemunha do autor "os meninos", empregados do escritório; c) A existência de ação trabalhista deles em face dos réus, aliás, ainda que com advogados diversos e grupo de empregados restrito (que o autor inquina de "estranho"), só faz corroborar que donos eles não são. Fl. 7777DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.778 50 Por conta de tudo isso, desde já ABSOLVEMSE integralmente Agostinho e Dory. Os demais réus respondem para com as obrigações reconhecidas nesta decisão, o primeiro (Boi Verde), diretamente, Gilmara, sócia, subsidiariamente para com ele (CPC/2015, art. 795, 91°), o que se justifica pelo próprio término das atividades daquele. Esse desfecho, claro do já contido nos autos, deixa evidente a desnecessidade da prova testemunhal que foi indeferida em audiência. No entanto, as decisões judiciais, com exceção daquelas proferidas na sistemática de recursos repetitivos e com repercussão geral, não fazem coisa julgada em relação à Administração Fazendária quando esta não integra a lide, como se depreende do art. 506, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15, a seguir: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Dessa forma, a referida sentença da Justiça do Trabalho, embora possa ser utilizada para formar a convicção das autoridades fiscais e julgadoras, não se impõe ao fisco para determinação dos sujeitos passivos na relação tributária. Ademais, para afastar a responsabilidade do recorrente pelos encargos trabalhistas da Boi Verde Alimentos Ltda., a mencionada sentença não apreciou o mesmo conjunto probatório trazido pela fiscalização nestes autos, como se vê no trecho acima descrito. Além disso, a situação, que agora nos dá conhecimento o interessado, de que entrou em litígio trabalhista com empregado da Boi Verde, que o considera responsável pela empresa, vai exatamente ao encontro dos fatos apontados pela autoridade fiscal que levou à responsabilização passiva do recorrente em relação ao débito lançado. Por fim, diante do exposto, devese manter o recorrente como sujeito passivo solidário dos débitos lançados neste processo. Destacase que todos os documentos utilizados para embasar o voto supracitado e comprovar as alegações fáticas estão presentes nestes autos. Em análise ao relatório fiscal (fl. 33) o próprio auditor ressalta que as informações colhidas na fiscalização vieram para ratificar e complementar o trabalho efetuado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Sr. Leonildo Libério Alves da Silva que culminou no processo administrativo nº 10140721.964/201458. Portanto, ressalta a validade dos argumentos acima colacionados. Dentre os documentos apresentados, merecem destaque: (i) o contrato de aluguel de fls. 330/336, o qual consta os Srs. Jaime Valler e Agostinho Scatação Neto como fiadores que renunciaram ao benefício de ordem; (ii) os depoimentos em processos judiciais de fls 337/341; (iii) o contrato social e alteração da Boi Verde (fls. 290/313) em conjunto com os Fl. 7778DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.779 51 relatórioa de vínculos empregatícios do CNIS (fls. 315/321); e (iv) a declaração da Sra. Gilmara de que a empresa autuada não possui livros contábeis (fl. 329). Concluise, portanto, como legitima a inclusão dos recorrentes como responsáveis solidários. Das Alegações Acerca do Lançamento da Contribuição para o FUNRURAL Conforme exposto, o presente lançamento versa sobre a contribuição ao FUNRURAL e ao SENAR incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos do empregador rural pessoa física, prevista nos incisos I e II do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e no art. 6º da Lei nº 9.528/97, com a redação da Lei nº 10.256/2001. O argumento central da defesa da RECORRENTE é no sentido de que, quando do julgamento do RE 363.852/MG, o STF teria declarado a inconstitucionalidade das contribuições do produtor rural pessoa física empregador incidentes sobre a comercialização de sua produção rural. No entanto, mediante referido julgamento, o STF declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição acima referida, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20/1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição). É que antes da EC 20/1998, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com o advento da referida emenda, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363852/MG: "(...) Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de ressaltar que a Lei nº 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com Fl. 7779DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.780 52 empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. "(...)não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar." "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural " de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25 , incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência." Após a EC 20/98, foi editada a Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91. Ou seja, a referida Lei nº 10.256/2001 foi editada quando já estava em vigor a nova redação do art. 195, I, da Constituição, dada pela EC 20/98, que passou a prever nova fonte de custeio da seguridade social, qual seja, a receita dos empregadores. Sendo assim, é evidente que o RE 363852/MG dispõe somente acerca do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 (atualizada até a Lei nº 9.528/97), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2009 e 2010, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91. Tanto é que, quando da apreciação de embargos de declaração opostos no RE 596177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256/2001: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). Fl. 7780DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.781 53 II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256/2001. Para evitar confusão do contribuinte, importante destacar que, caso o presente lançamento se referisse a fatos anteriores à Lei nº 10.256/2001, é evidente que o RE 363.852/MG seria aplicável ao caso. No entanto, os fatos geradores ocorridos em 2009 e 2010 já estavam totalmente acobertados pela Lei nº 10.256/2001, o que afasta o caso concreto do alcance da decisão proferida no RE 363.852/MG. Ademais, cumpre esclarecer que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral do art. 25, I e II, nem do art. 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que estes dispositivos tratam tanto do produtor rural pessoa física empregador quanto do segurado especial, ao passo que o RE 363.852/MG abrangeu apenas o primeiro, na medida que a Constituição (antes da EC 20/98) já previa forma de contribuição sobre resultado da comercialização da produção de determinados produtores rurais que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes (art. 195, § 8º). Este produtor rural delimitado no art. 195, § 8º, da Constituição é exatamente aquele previsto no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91, e que, portanto, encontrase sujeito à contribuição prevista no art. 25 da mesma Lei. Ou seja, na decisão proferida quando do julgamento do RE 363.852, o STF reconheceu a inconstitucionalidade apenas das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador, no período anterior à Lei 10.256/2001 e, consequentemente, também afastou a subrogação para estas contribuições, pois não haveria lógica em se manter a subrogação do tributo reconhecidamente inconstitucional. Portanto, evidente que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral dos arts. 25, I e II, e 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que tais dispositivos eram (e ainda são) fundamentos para a subrogação da a empresa adquirente nas obrigações dos segurados especiais (referido no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91) pelo recolhimento da contribuição sobre resultado da comercialização da produção. Apenas a título de esclarecimento, pondero que este tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, nos termos do art. 62, I, do RICARF. No entanto, é preciso fazer sempre uma distinção dos dispositivos tidos por inconstitucionais e aqueles que serviram de fundamentação para o lançamento. Digo isso porque, no presente caso, a RECORRENTE afirma obstinadamente que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da regra que determina a subrogação insculpida ano art. 30, IV, da Lei n 8.212/91. No entanto, conforme já exposto com detalhes acima, o julgamento do RE 363.852 não socorre o pleito da RECORRENTE, haja vista que tal decisão diz respeito à inconstitucionalidade do “artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei Fl. 7781DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.782 54 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, ao passo que o lançamento deste processo foi realizado com fundamento no art. 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Por fim, necessário trazer nos autos a informação de que o STF realizou o julgamento de mérito do RE 718.874, que tinha por objeto tema com repercussão geral acerca da constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001. Em 30/03/2017, o Plenário do STF decidiu o seguinte: “O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes” Neste sentido, por meio da recente apreciação pela Corte Suprema do RE 718.874, restou decidido ser constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física instituída pela Lei nº 10.256/2001. Ademais, importante esclarecer à RECORRENTE que, não tendo sido declarada a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal que fundamentou o presente lançamento, não se pode cogitar a ilegalidade/inconstitucionalidade deste, haja vista que corretamente enquadrado nas normas em vigor. Sendo assim, não se pode cogitar seja afastada a aplicação dessas normas, pois gozam de presunção de constitucionalidade. O STF não confirmou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.256/2001 continuam contrarias ao texto constitucional, pois, conforme acima exposto, essa questão foi objeto de recente apreciação pela Corte Suprema (RE 718.874), quando restou decidido ser constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física instituída pela Lei nº 10.256/2001. Portanto, com relação às inconstitucionalidades apontadas pela RECORRENTE, esta é matéria estranha a competência deste órgão julgador administrativo, conforme Súmula nº 02 do CARF, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Neste sentido, entendo que não devem prosperar as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos que tratam das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e da subrogação em relação às suas contribuições, haja vista que: (i) Fl. 7782DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.783 55 o presente lançamento é posterior à Lei nº 10.256/2001 (que não foi objeto de análise pelo STF no RE 363.852/MG); e (ii) não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Da multa qualificada (150%) Quanto ao argumento de que os percentuais das multas fixadas no §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, acarretando aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançada não podem ser aplicadas por possuírem efeitos confiscatórios, entendo que não merecem prosperar. Cabe exclusivamente ao Poder Judiciário deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Porém, tal possibilidade não se estende aos órgãos de jurisdição administrativa. Neste sentido temse a Súmula nº 02 do CARF. “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Sobre a alegação de que não ocorreram os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64 para a qualificação da multa, é necessário esclarecer que todas as razões apresentadas no tópico do presente voto acerca da demonstração da responsabilidade solidária dos Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando são a motivação da qualificação da multa, haja vista que os atos por eles praticados, na tentativa de ocultar as pessoas que realmente estavam à frente do negócio, assim como a operacionalização das atividades em si, visaram impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, assim como das condições pessoais de contribuinte, incorrendo em nítida sonegação. Ademais, referidas pessoas físicas agiram em conluiu, pois ficou comprovado o interesse comum no negócio da Boi Verde e a prática de atos de ocultação a fim de se protegerem das responsabilidades fiscais da empresa: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 7783DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.784 56 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Neste sentido, considerando que a legislação se encontra plenamente vigente e que de fato foram constatadas as qualificantes necessárias para o agravamento da multa, perfeitamente aplicável o percentual de 150%. Da multa de ofício. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários para manter o lançamento do crédito tributário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 7784DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912232/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.258
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 32 /2 01 2- 11 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912232/201211 Acórdão n.º 3401004.258 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0265.605, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912232/201211 Acórdão n.º 3401004.258 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912232/201211 Acórdão n.º 3401004.258 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912232/201211 Acórdão n.º 3401004.258 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915905/2008-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/1999
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 9303-006.412
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/1999 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 05 /2 00 8- 37 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.993, proferido pela 2ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso voluntário. No Recurso Especial, o contribuinte suscitou divergência quanto ao reconhecimento da isenção/imunidade do PIS/Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM). Alegou, em síntese, que as vendas realizadas para empresas localizadas naquela Zona Franca, para todos os efeitos fiscais, se equiparam a exportações e, por força do disposto no art. 4º, do Decretolei nº 288/1967, c/c o art. 40 do ADCT da CF/1988, e, portanto, são isentas do PIS, nos termos do art. 14, II, e § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, desde fevereiro de 1999. Por meio de despacho de exame de admissibilidade, o então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.409, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915902/200801, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.409): "O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 4 3 Como se trata de matéria recorrente nesta 3ª Turma da CSRF, adoto como fundamento para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, o Acórdão de nº 9303004.932, que proferi nos autos do processo nº 10380.008890/200202, na sessão realizada em 10 de abril de 2017, reproduzido a seguir: "O Sujeito Passivo sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Entendo que esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa dispõe, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 5 4 VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Vale lembrar que esse status somente foi modificado pela Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 6 5 vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Tal matéria já foi objeto de discussão neste Colegiado, razão pela qual adoto como fundamentos para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, o entendimento aplicado no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, no qual foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido pela CSRF no julgamento do processo 10650.902444/201141, conforme reproduzido abaixo: A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/ 00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/ 2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/ 2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 7 6 Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais, nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia –pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decreto lei. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 8 7 A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 9 8 Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 10 9 conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 11 10 evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte." Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Como visto, com a edição da Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei nº 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, o legislador, de forma acertada, reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10880.915905/200837 Acórdão n.º 9303006.412 CSRFT3 Fl. 12 11 Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu o Sujeito Passivo. Assim, até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência." À luz do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido mas, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000221/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/01/2007
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 21 /2 00 9- 67 Fl. 1047DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10932.000221/200967 Acórdão n.º 2202004.421 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1049DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10932.000221/200967 Acórdão n.º 2202004.421 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1051DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10932.000221/200967 Acórdão n.º 2202004.421 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1053DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.001451/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA
Não se comprovou a efetiva prestação de serviços cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, portanto improcedente a exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1402-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do ADE de exclusão da recorrente do Simples e exonerar os lançamentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA Não se comprovou a efetiva prestação de serviços cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, portanto improcedente a exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do ADE de exclusão da recorrente do Simples e exonerar os lançamentos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 14 51 /2 00 7- 42 Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.147 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) assim ementado: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. PROCEDÊNCIA A prestação de serviços cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida motiva a exclusão do SIMPLES. SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO A exclusão do SIMPLES pela prestação de serviços cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida tem efeitos a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 ARBITRAMENTO. A não apresentação de livros obrigatórios por lei justifica o arbitramento com base na receita conhecida. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Ato Declaratório Mantido em Parte" O caso foi relatado pela instância a quo nos seguintes termos: "A Empresa acima qualificada foi excluída do SIMPLES a partir de 16 de maio de 2002, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 22, de 14 de maio de 2007, da Delegacia da Receita Federal em Aracaju, cientificado em 18 de maio de 2007, em cujo corpo constam as seguintes informações: (...) Descrição e – Situação Excludente: Empresa optante do SIMPlES com efeito a partir de sua constituição, em 16 de maio de 2002. A mesma foi excluída do SIMPLES, por iniciativa do sujeito passivo, com efeito a partir de 1º de janeiro de 2006. Em 1º de janeiro de 2007 a empresa retornou ao SIMPLES, na condição de empresa de pequeno porte. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.148 3 Contudo, no curso de ação fiscal instaurada contra a empresa, foi constatado e confirmado que a mesma exerceu a atividade de prestação de serviços de manutenção de rede elétrica no período de maio de 2002 a 3 de janeiro de 2006, a qual exige a participação de profissional legalmente habilitado, atividade essa que veda a opção pelo SIMPLES, conforme disposto no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. Art. 2º Como o sujeito passivo não comunicou a exclusão na forma prevista nos arts. 12 e 13, inciso II, alínea “a” da Lei nº 9.317/96, efetuase a mesma, de ofício, nos termos do art. 14, inciso I, com efeito a partir de 16 de maio de 2002, data da constituição da empresa, nos termos do rt. 24, inciso IX, da Instrução Normativa SRF nº 608/2006. A exclusão do SIMPLES compreenderá o período de 16 de maio de 2002 a 31 de dezembro de 2006. (...) A Empresa apresentou manifestação de inconformidade ao Ato Declaratório, alegando, resumidamente: não é sincera a afirmativa da douta autoridade tributária no tocante à “constatação e confirmação de que a empresa exerceu a atividade de prestação de serviços de manutenção de rede elétrica no período de maio de 2002 a 3 de janeiro de 2006”, considerando que a Impugnante realizou serviços para seu único cliente no estado de Sergipe, ENERGIPE – Empresa Energética de Sergipe S. A., de “cobrança e ligação de unidades consumidoras” durante o período retromencionado, conforme “Declaração” fornecida pelo Departamento de Serviços Comerciais da empresa, situação que poderá ser confirmada junto à firma emitente do documento, cujo exercício da atividade independe do desempenho por engenheiro elétrico; tanto que não existe engenheiro elétrico no quadro de funcionários da empresa, como se depreende das RAIS concernentes aos anos de 2002 a 2006, que anexa; no Contrato Social da empresa impugnante, apesar de existir amplo leque de serviços que poderão se reduzidos ou ampliados, convém registrar que a empresa apenas se dedica à prestação de serviços relativos às “Atividades de Cobrança e Informações Cadastrais”, conforme se verifica por meio do comprovante de inscrição do Cadastro no CNPJ; a atividade que deu razão à exclusão não necessita de habilitação profissional legalmente exigida, no caso, pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – CREA,, nos termos da Resolução nº 218, de 1973, podendo ser exercida por técnicos de 2º grau; o Ato expedido afronta o artigo 179 da Constituição Federal (CF), que atribui tratamento diferenciado às empresas de pequeno porte, com a simplificação das obrigações tributárias, dentre outras; os efeitos da exclusão não podem retroagir, o que viola o artigo 150, inciso II, alínea “a” da CF/88, que trata do ´princípio da irretroatividade da lei tributária. Além disso, à luz do inciso II do artigo 15 da Lei nº 9.317, de 1996, não se pode admitir que o mês em que ocorreu a situação excludente seja outro que não aquele em que o sujeito passivo recebeu a notificação do Ato Declaratório; Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.149 4 sendo o contribuinte a parte fraca da relação tributária, tendo o Fisco todo o aparato para verificar as situações de exclusão, não se pode alegar máfé da Impugnante, haja vista que esta deve ser provada. Requer o cancelamento/anulação do Ato Declaratório Executivo nº 22, de 14 de maio de 2007, ou, em caso extremo, considerar seus efeitos a partir do mês seguinte ao da notificação do sujeito passivo. Junta os documentos de folhas 71 a 179. Após a ciência do Ato Declaratório Executivo, foi dada continuidade à fiscalização, resultando a lavratura de autos de infração do IRPJ (fls. 660/675), no valor de R$295.460,96; da CSLL (fls. 676/692), no valor de R$99.892,08; da Cofins (fls. 693/707), no valor de R$116.989,49 e da Contribuição para o PIS (fls. 708/721), no valor de R$25.347,55. Na descrição dos fatos a autoridade fiscal informa que intimou a Empresa a apresentar os livros Diário, Razão ou Caixa, se houvesse, para verificar a possibilidade de apuração do lucro real. Em resposta, após reintimação, a Empresa informou que não tinha condições de apresentar os livros Diário e Razão de forma centralizada e, conseqüentemente, de apurar o lucro real (fl. 192). Foi procedido então o arbitramento do lucro, com base nas receitas conhecidas, declaradas pelo sujeito passivo à RFB por meio das declarações de nº 7861788, 9190482, 7036679, 7269902 e à vista dos talonários de notas fiscais apresentados. Com relação à tributação do PIS e da Cofins, a Auditora elaborou Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta (fls. 722/724). A Empresa impugnou os autos de infração, repetindo os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade ao Ato Declaratório e acrescendo sua discordância com a tributação pelo lucro arbitrado, por demais onerosa, até por que a empresa optante pelo SIMPLES não está sujeita à escrituração contábil (Livros Diário e Razão). Requer a produção de todos os meios de prova admitidos, em especial a realização de diligência junto à empresa tomadora, a ENERGIPE, objetivando confirmar a Declaração de que a Impugnante “não realizou nem realiza serviços sob o regime de empreitada, de redes de distribuição rurais e urbanas”. Requer a improcedência dos autos de infração." Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.150 5 Do Recurso Voluntário Inconformado com a decisão o Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões para a reforma do Acórdão de 1ª Instância: 1. "Não é sincera a afirmativa da douta autoridade tributária no tocante a "constatação e confirmação de que a empresa exerceu a atividade de prestação de serviços de manutenção de rede elétrica no período de maio de 2002 a 03 de janeiro de 2006", considerando que a Impugnante, ora Recorrente, realizou serviços para seu único cliente ENERGIPE Empresa Energética de Sergipe S.A., de "cobrança e ligação de unidades consumidoras durante o período retromencionado, conforme "Declaração" fornecida pelo Departamento de Serviços Comerciais da empresa tomadora dos serviços, 2. Seu requerimento de "Diligência" foi negado pelo julgador de primeiro grau sob a alegação de que "os elementos constantes dos autos são suficientes para a análise dos fatos, e mais adiante: ..."nota se que a maioria das notas fiscais são, realmente, de prestação de "cobrança de débitos de consumidores ligados e desligados", e que a situação excludente ocorreu com a assinatura do "Contrato de Execução de Projetos de Redes e Linhas de Distribuição sob Regime de Empreitada (fls. 32/34), o que ocorreu em 29 de agosto de 2002, a hipótese só se concretizou com a assinatura do contrato já citado." 3. O Julgamento de primeiro grau, apesar de reconhecer a inexistência de emissão de notas fiscais de prestação de serviços diferente de "cobranças de débitos de consumidores ligados e desligados, decidiu baseado na presunção de que " houve uma assinatura de um contrato firmado em 29 de agosto de 2002 entre a ENERGIPE e a Autuada, cujo objeto é ... fornecimento de mãodeobra, transportes, ferramentas e equipamentos para a execução das obras, sob o regime de empreitada, de redes de distribuição rurais e urbanas (fl. 32). Consta, também, cópia de aditivo de renovação deste mesmo contrato, assinado em 28 de agosto de 2006, o que az notar que a prestação dos serviços contratados vinha sendo executada, caso contrário, não seria alvo de renovação. " 4. A decisão de primeiro grau recorrida não fez nenhuma alusão à "Declaração" fornecida pela empresa ENERGIPE, tomadora dos serviços, anexada ao processo. 5. O julgador de primeiro grau descuidouse quando indeferiu a "Diligência" para constatação "in loco" da veracidade da não execução de serviços de manutenção de redes elétricas, até por que a totalidade das notas fiscais emitidas durante o período maio de 2002 a 03 de janeiro de 2006, e não a maioria das notas fiscais, com relata a decisão recorrida, dizem respeito à prestação de serviços de cobrança de débitos de consumidores ligados e desligados. Outrossim, a Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.151 6 Recorrente jamais obteve qualquer tipo de receita de atividade impeditiva, no caso concreto, relativa à execução de serviços de manutenção de redes elétricas. 6. A empresa Recorrente se dedica apenas à prestação de serviços relativos às "Atividades de Cobranças e Informações Cadastrais", conforme se verifica através do comprovante de Inscrição Cadastral no CNPJ, apesar de rezar no seu Contrato Social amplo leque de serviços que poderão ser reduzidos ou ampliados. 7. A atividade excluída ( 82.91100 Atividades de Cobranças e Informações Cadastrais), para seu exercício não necessita de habilitação profissional legalmente exigida pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura CREA, através de um engenheiro elétrico. 8. A Resolução n° 218/73 do CREA dispõe sobre as atividades dos profissionais de engenharia, dentre elas a de engenheiro civil e de eletricidade. Porém, os trabalhos realizados pela Recorrente (cobrança de débitos de consumidores ligados e desligados) não se trata de atividade privativa de engenheiros, podendo ser desenvolvida por técnicos do 2o grau. 9. A Recorrente recolheu todos os seus tributos devidos, período 05/2002 a 12/2005, rigorosamente em dia, conforme atestam as cópias das declarações PJSI e dos DARF's, anexados ao presente processo, não há por que se falar em lançamento de crédito tributário com base em arbitramento do lucro, eis que o fundamento do Ato Declarativo de Exclusão não é verdadeiro e partiu da "presunção" de que "um contrato com objeto tão específico não foi assinado em vão, mas para ser executado. Tampouco seria renovado, caso seu objeto não fosse satisfeito. 10. Acrescentese, ainda, que o julgador de primeira instância negou a realização da diligência junto à firma contratante ENERGIPE, que mais uma vez insistimos em requerer, evento que certamente trará a lume veracidade dos fatos, evitandose cometer uma injustiça fiscal ao penalizar o contribuinte pela não execução de um serviço por não dispor de recursos humanos e equipamentos técnicos capazes de habilitálo no procedimento para a prestação dos aludidos serviços. 11. O Ato Declarativo Executivo n° 22, de 14 de maio de 2007, emanado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em Aracaju é ilegal, tendo em vista que a atividade executada pela empresa Recorrente não necessita de profissional de profissão legalmente habilitada. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.152 7 Do Pedido O recorrente requer: 1. Diligência fiscal junto à empresa tomadora dos serviços ENERGIPE Empresa Energética de Sergipe S.A., com sede à Rua Ministro Apolônio Sales n° 81, Bairro Inácio Barbosa, CEP49040230, Aracaju(Se), CNPJ n° 13.017.464/000163, objetivando confirmar a Declaração fornecida pelo seu Departamento de Serviços Comerciais, de que a empresa Recorrente "não realizou e nem realiza serviços sob o regime de empreitada, de redes de distribuição rurais e urbanas", dedicandose, exclusivamente, à execução de serviços de cobrança de débitos de consumidores ligados e desligados. 2. Seja dado provimento ao presente Recurso, para reformar a decisão de primeiro grau (Acórdão n° 1521.837 2a Turma da DRJ/SDR), CANCELANDO/ANULANDO o Ato Declaratório n° 22, de 14 de maio de 2007. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.153 8 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Do Pedido de Diligência Quanto ao pedido de diligência, entendo que há elementos nos autos suficientes para análise dos fatos e que, não é razoável realizála, em razão do lapso temporal entre a exclusão do Simples e o momento presente. Logo deve ser rejeitado o referido pedido. Do Mérito A exclusão do recorrente do regime do Simples teve como fundamento a constatação, conforme termos do Contrato Social e Alterações, Contrato para Prestação de Serviços firmados pela empresa com a Empresa Energética de Sergipe – ENERGIPE, em 13 de maio de 2002, e notas fiscais emitidas no período de maio de 2002 a 03 de janeiro de 2006, que a empresa exerce atividade vedada – art. 9 inciso XIII, da Lei n 4 9.317, de 1996, consistente na prestação de serviços de manutenção de rede elétrica; atividade, esta, que exige a participação de profissional legalmente habilitado. A decisão recorrida considerou correta a exclusão sob o fundamento apresentado, considerando que um contrato com objeto tão específico não foi assinado em vão, mas para ser executado. Tampouco seria renovado, caso seu objeto não fosse satisfeito. Transcrevese seguir a análise realizada pela Autoridade Julgadora: Analisando os fundamentos apresentados para dar sustentação ao Ato Declaratório, notase que a maioria da notas fiscais são, realmente, de prestação de “cobrança de débitos de consumidores ligados e desligados”. Há, contudo, cópia de contrato firmado em 29 de agosto de 2002 entre a ENERGIPE e a Autuada, cujo objeto é “...o fornecimento de mãodeobra, transportes, ferramentas e equipamentos para a execução das obras, sob regime de empreitada, de redes de distribuição rurais e urbanas...” (fl. 32). Consta, também, cópia de aditivo de renovação deste mesmo contrato, assinado em 28 de agosto de 2006, o que faz notar que a prestação dos serviços contratados vinha sendo executada, caso contrário, não seria alvo de renovação. É de se observar, também, que este contrato não se confunde com o contrato de cobrança de débitos de consumidores ligados e desligados, cuja cópia também foi acostada (fls. 36/40). Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.154 9 A Resolução do CREA nº 218, de 1973, por sua vez, deixa claro, em vários incisos, que a atividade desenvolvida é privativa de engenheiro elétrico. O recorrent alega que presta serviços unicamente para a ENERGIPE, serviços esses restritos à cobrança e ligação de unidades consumidoras, que não exigem profissional legalmente habilitado, o engenheiro elétrico, no caso, mas podem ser exercidas por técnicos de 2º grau. Apresenta Declaração fornecida pelo Departamento de Serviços Comerciais da empresa tomadora dos serviços, informando que a recorrente encontrase no cadastro desta empresa apta a executar os serviços de Projetos de Redes e Linhas de Distribuição, sem, no entanto, executar tais serviços, executando, tão somente, trabalhos referentes à cobrança e ligação de unidades consumidoras durante o período de janeiro de 2002 a abril de 2007, conforme ilustrado a seguir. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.155 10 A questão a ser verificada é se o recorrente executou serviços de Projetos de Redes e Linhas de Distribuição, a qual exige a participação de profissional legalmente habilitado, atividade essa que veda a opção pelo SIMPLES, conforme disposto no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Consequentemente estaria sujeita à exclusão do Simples, conforme dispõe o art. 13, inciso II e art. 14, inciso I, da Lei nº 9.317/96. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Conforme reconhecido na decisão recorrida, a maioria da notas fiscais são, realmente, de prestação de “cobrança de débitos de consumidores ligados e desligados”. Logo a conclusão da Autoridade de 1ª Instância teve por fundamento o contrato firmado em 29 de agosto de 2002 entre a ENERGIPE e a Autuada, cujo objeto é “...o fornecimento de mãode obra, transportes, ferramentas e equipamentos para a execução das obras, sob regime de empreitada, de redes de distribuição rurais e urbanas...”, e o aditivo de renovação deste mesmo contrato, assinado em 28 de agosto de 2006. A partir desses documentos conclui que a prestação dos serviços contratados vinha sendo executada, caso contrário, não seria alvo de renovação. Analisando os argumentos do recorrente e os documentos apresentados (contrato social, contratos de prestação de serviços, notas fiscais, Rais e Declaração da empresa tomadora dos serviços) não se comprova que a prestação dos serviços de redes de distribuição rurais e urbanas vinha sendo executada. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10510.001451/200742 Acórdão n.º 1402003.139 S1C4T2 Fl. 1.156 11 Há documentos que demonstram que o recorrente prestou serviços restritos à cobrança e ligação de unidades consumidoras, que não exigem profissional legalmente habilitado, portanto o fato de constarem no contrato social e no aditivo a prestação dos serviços de redes de distribuição não comprova o efetivo exercício de atividade impeditiva. Ressaltase ainda que não foram produzidos provas que desqualificassem as informações das notas fiscais, da Rais e da Declaração da empresa tomadora dos serviços. Não tendo sido comprovada a efetiva prestação de serviços cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, deve ser ter por improcedente a exclusão do SIMPLES e conseqüentemente a exoneração do crédito tributário lançado por Arbitramento nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do ADE de exclusão da recorrente do Simples e exonerar os lançamentos. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915814/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como homologar declaração de compensação fundada em crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como homologar declaração de compensação fundada em crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como homologar declaração de compensação fundada em crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 14 /2 00 8- 00 Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10880.915814/200800 Acórdão n.º 3302005.437 S3C3T2 Fl. 277 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SP1 assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o contribuinte transmitiu, em 30.06.2005, Declaração de Compensação DCOMP de nº 42779.51746.300605.1.7.049280, objetivando a compensação de suposto crédito por pagamento a maior de PIS cumulativo do mês de fevereiro de 2003, no valor original de R$7.031,17, com débito de PIS não cumulativo do mês de abril de 2003, do mesmo valor original. Sobreveio, em 26.08.2008, Despacho Decisório cientificando o contribuinte da não homologação da compensação declarada, apontando como motivação que o pagamento indicado pelo contribuinte havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Em Manifestação de Inconformidade o sujeito passivo alegou, em síntese, que: a) A compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário, nos termo do art. 156, II, do CTN; b) Em verificação aos seus apontamentos contábeis identificou que o valor efetivamente devido a título de Contribuição ao PIS do mês de fevereiro de 2003 era de R$17.030,17, e não de R$24.061,34, como anteriormente declarado e recolhido, conferindolhe, portanto, um crédito decorrente de pagamento a maior no montante de R$7.031,17; c) A fiscalização entendeu insuficiente o crédito apontado na DCOMP porque o mesmo foi declarado integralmente como devido na DCTF relativa ao período de apuração de fevereiro de 2003; Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10880.915814/200800 Acórdão n.º 3302005.437 S3C3T2 Fl. 278 3 d) Em 15.09.2008, efetuou a retificação da DCTF para fazer constar o efetivo débito apurado e devido de PIS, no montante de R$17.031,17, demonstrando assim a certeza e liquidez do crédito utilizado; Anexou cópia da DCTF original e da DCTF retificadora, esta última transmitida após a ciência do Despacho Decisório. A DRJ/SP1 entendeu que a não homologação da compensação deveria ser mantida, vez que a simples transmissão de DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório não tem o condão de fazer nascer o direito creditório. O Acórdão recorrido aduz ainda que o direito à compensação está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado, o que não restou demonstrado no presente processo, pois o manifestante não trouxe aos autos nenhum documento que comprove o erro no recolhimento e confiralhe o direito ao crédito por pagamento a maior. No Recurso Voluntário, o recorrente ratificou as alegações da Manifestação de Inconformidade e aduziu ainda: a) Que a DCTF foi retificada antes da Manifestação de Inconformidade, fazendo refletir exatamente as informações que constam de seus livros fiscais; b) Que o fisco dispunha, em seus sistemas, de todas as informações necessárias para confirmar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, tal como a DIPJ 2004; c) Que o fisco em nenhum momento buscou em seus sistemas as informações que confirmam o direito de crédito do contribuinte; d) Que segundo o princípio da verdade material, havendo crédito em montante suficiente para adimplir os débitos declarados, deve a compensação ser homologada, independente de maiores formalidades. Nesse sentido, cita doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello, e também acórdão da DRJ/RJ2, equivocadamente indicado como sendo do CARF (fls 74); e) Que caberia a fiscalização investigar o que realmente aconteceu, ou seja, buscar a verdade material. Pede a reforma da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e anexa cópia da DIPJ 2004, de documentos de habilitação do recorrente e de jurisprudência do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10880.915814/200800 Acórdão n.º 3302005.437 S3C3T2 Fl. 279 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do contribuinte. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio contribuinte, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará em detalhes o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurado o processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Resta evidente que todas as contendas que chegam para julgamento a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais se enquadram na etapa de verificação documental, sujeitas, portanto, a todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10880.915814/200800 Acórdão n.º 3302005.437 S3C3T2 Fl. 280 5 transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em tela, a DCTF original enviada pelo contribuinte continha informações conflitantes com aquelas constantes da DCOMP, impedindo a homologação eletrônica da compensação pretendida. Instaurado o processo administrativo fiscal com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, não se faz suficiente a mera apresentação de cópias de declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ), devendo o conteúdo delas ser confirmado por outros meios de prova nos autos. Nos termos do §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, a prova documental deve ser trazida aos autos na primeira oportunidade processual, que no caso em análise seria a Manifestação de Inconformidade. Excepcionalmente, em homenagem ao princípio da verdade material, admitir seia a produção de provas complementares em fase recursal, quando destinadas a comprovar fatos cujos indícios já tenham sido apresentados na oportunidade processual adequada. Ocorre, contudo, que até o presente momento o contribuinte não apresentou nenhum indício ou documento que comprove a existência de certeza e liquidez de seu direito creditório, tendo se limitado a fazer alegações e apresentar cópias das declarações transmitidas ao fisco (DCTF, DCOMP e DIPJ). Não pode o princípio da verdade material ser utilizado como argumento para o afastamento injustificado das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, de modo a acobertar a inércia do contribuinte em comprovar as suas alegações. Nesse sentido entendeu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226. "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Portanto, não pode prosperar a alegação do recorrente, de que deveria o fisco agir para investigar o que aconteceu, consultando em seus sistemas e produzindo ele mesmo as provas do direito creditório que interessa ao contribuinte. Isso porque, por ocasião da Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10880.915814/200800 Acórdão n.º 3302005.437 S3C3T2 Fl. 281 6 manifestação de inconformidade, o interessado sequer apontou o erro que teria cometido na apuração do tributo e que justificaria a redução do montante anteriormente declarado como devido, deixando ainda de trazer aos autos qualquer documento que ratificasse o contido na DIPJ, e na DCTF retificadora, tendo se limitado a fazer a alegações de direito. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, mantendo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 281DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.912275/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.803
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 75 /2 01 2- 05 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.912275/201205 Acórdão n.º 3201003.803 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.648, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.912275/201205 Acórdão n.º 3201003.803 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.912275/201205 Acórdão n.º 3201003.803 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.912275/201205 Acórdão n.º 3201003.803 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.004207/2008-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
Exclusão do Simples Nacional. Débitos sem exigibilidade suspensa.
Apenas a discussão, administrativa ou judicial, da prescrição de débitos em aberto desacompanhada das medidas de suspensão do crédito tributário de que trata o art. 151 do CTN não repercute nas análises sobre a exclusão do Simples desenvolvidas em processo diverso, próprio.
Numero da decisão: 1002-000.308
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Angelo Abrantes Nunes e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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Recorrente TECIDOS QUINELOPES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Exclusão do Simples Nacional. Débitos sem exigibilidade suspensa. Apenas a discussão, administrativa ou judicial, da prescrição de débitos em aberto desacompanhada das medidas de suspensão do crédito tributário de que trata o art. 151 do CTN não repercute nas análises sobre a exclusão do Simples desenvolvidas em processo diverso, próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Angelo Abrantes Nunes e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 42 07 /2 00 8- 37 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10640.004207/200837 Acórdão n.º 1002000.308 S1C0T2 Fl. 116 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA) mediante o Acórdão n.º 0940.906, de 12/07/2012 (efls. 84 a 86). Uma vez que reflete com bastante clareza os fatos, transcrevo o relatório elaborado pela DRJ/JFA: [...] Trata o presente processo de exclusão do regime do Simples Nacional, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/JFA nº 267445, de 22 de agosto de 2008 (fl. 13), a partir de 01/01/2009, em virtude de o interessado possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com a exigibilidade não suspensa, conforme inciso V do art. 17 da Lei Complementar 123/2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambas da Resolução CGSN nº 15/2007, relacionados na folha 41. Contra tal ato, o contribuinte apresentou, em 28/10/2008, Manifestação de Inconformidade (fls. 01/09), na qual alega, em síntese, que discute o débito nos autos da execução fiscal 0699.08.0648772 que tramita perante a 2ª Secretaria Cível da Comarca de Ubá debatendo a matéria da prescrição. Tendo em vista a Norma de Execução Cosit/Codac/Cocaj nº 01, de 15 de março de 2010, foi dada ciência ao contribuinte dos débitos que deram origem à exclusão do Simples Nacional, bem como aberto novo prazo para impugnação/razões adicionais da defesa. Não houve manifestação do contribuinte, nem regularização dos débitos. [...] No recurso voluntário o recorrente repete os argumentos que apontou na impugnação, acrescentando somente razões pelas quais entende inconstitucional o art. 17, inciso V, da Lei Complementar n.º 123/2006. Sustenta basicamente que a prescrição dos débitos que motivaram a sua exclusão do Simples Nacional. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10640.004207/200837 Acórdão n.º 1002000.308 S1C0T2 Fl. 117 3 De início vale lembrar que não cabe ao julgador administrativo proceder a exame de inconstitucionalidade das leis, matéria reservada ao poder judiciário. Assim determina a Súmula CARF n.º 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto posto, não será objeto de análise a alegação de inconstitucionalidade do art. 17, inciso V, da Lei Complementar n.º 123/2006. Quanto às alegações referentes a ter ocorrido a prescrição dos débitos que motivaram a exclusão do Simples Nacional, e às correlatas razões que o recurso voluntário apresenta quanto ao modo como ocorre a prescrição quinquenal no caso do Simples Nacional, seguem as considerações a respeito. Primeiro é preciso dizer que o contribuinte recorrente, à época oportuna, não contestou administrativamente os débitos que foram posteriormente inscritos em dívida ativa e para os quais a PGFN ajuizou execução em juízo. Decorrência disso é que há uma ação judicial em curso, de execução da dívida, em relação à qual o recorrente opôs Exceção de pré executividade, conforme dão conta os documentos de efls. 22 a 39, e 107 a 112, e para a qual não há trânsito em julgado até o momento (consulta de tela abaixo). Ao tempo em que se verifica que 1) o que se discute no poder judiciário não é a exclusão do Simples, mas somente o aspecto da prescrição ou não dos débitos que a Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10640.004207/200837 Acórdão n.º 1002000.308 S1C0T2 Fl. 118 4 ensejaram, 2) que não há medida judicial, liminar ou não, dirigida à União antecipando tutela ou de qualquer outro tipo que possa suspender a exigibilidade do crédito tributário (débitos inscritos em DAU), e 3) que o recorrente não buscou implementar qualquer outro instrumento legal que pudesse produzir os efeitos do art. 151 do CTN, importa reconhecer que a discussão no âmbito da execução fiscal promovida pela PGFN, não se faz acompanhar dos remédios citados nos incisos II, IV e V do referido art. 151 (CTN), e assim não é capaz de produzir efeitos que modifiquem a decisão da DRJ — por manter a exclusão do Simples. À época da exclusão, havia débitos com a Fazenda Pública sem exigibilidade suspensa, como ainda hoje há. A questão da prescrição dos débitos ainda é discussão posta em juízo, sem decisão definitiva. Não há previsão legal para que seja admitida administrativamente a prescrição relativa a fatos e fundamentos que constam em outro processo, judicial ou administrativo, mormente quando a matéria discutida nos presentes autos é a exclusão do Simples, e no poder judiciário é a prescrição dos débitos, ou seja, temas são autônomos. Ao tempo da publicação do ADE DRF/JFA n.º 267.445/2008 os débitos encontravamse em aberto, e sequer havia recurso administrativo ou outra medida suspensiva da exigibilidade correspondente, e, ainda, não houve pagamento nos 30 dias seguintes à publicação, o que demonstra a correição na publicação do mencionado ADE. Sendo assim, não cabe qualquer reforma na decisão recorrida, devendo esta ser mantida integralmente. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 118DF CARF MF
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