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Numero do processo: 13851.902209/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 09 /2 00 9- 87 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902209/200987 Acórdão n.º 1302002.514 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902209/200987 Acórdão n.º 1302002.514 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902209/200987 Acórdão n.º 1302002.514 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902209/200987 Acórdão n.º 1302002.514 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902209/200987 Acórdão n.º 1302002.514 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.722189/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
AJUSTES DO RTT. UTILIZAÇÃO DO FCONT.
É indevida a utilização de balancete societário, levantado conforme as regras e critérios dispostos na Lei nº 11.638/2007, para se fazer a verificação dos ajustes do RTT. Para fazer tal verificação deve ser utilizado o FCONT, no qual estão considerados os ajustes do RTT.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE.
Não tendo sido comprovada nenhuma irregularidade na formação dos ágios em questão, os mesmos são dedutíveis de acordo com a combinação do art. 386 com o art. 250, I, todos do RIR/99.
AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente.
Numero da decisão: 1201-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 AJUSTES DO RTT. UTILIZAÇÃO DO FCONT. É indevida a utilização de balancete societário, levantado conforme as regras e critérios dispostos na Lei nº 11.638/2007, para se fazer a verificação dos ajustes do RTT. Para fazer tal verificação deve ser utilizado o FCONT, no qual estão considerados os ajustes do RTT. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. Não tendo sido comprovada nenhuma irregularidade na formação dos ágios em questão, os mesmos são dedutíveis de acordo com a combinação do art. 386 com o art. 250, I, todos do RIR/99. AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
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UTILIZAÇÃO DO FCONT. É indevida a utilização de balancete societário, levantado conforme as regras e critérios dispostos na Lei nº 11.638/2007, para se fazer a verificação dos ajustes do RTT. Para fazer tal verificação deve ser utilizado o FCONT, no qual estão considerados os ajustes do RTT. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. Não tendo sido comprovada nenhuma irregularidade na formação dos ágios em questão, os mesmos são dedutíveis de acordo com a combinação do art. 386 com o art. 250, I, todos do RIR/99. AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 21 89 /2 01 4- 19 Fl. 1868DF CARF MF 2 Luis Fabiano Alves Penteado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o presente processo auto de infração de IRPJ e CSLL, apurados pelo Lucro Real, referentes ao anocalendário 2009, no qual se verificou o seguinte: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto 6.019.566,96 Juros de Mora 2.316.329,37 Multa 4.514.675,22 Valor do Crédito Apurado 12.850.571,55 Contribuição Social s/Lucro Líquido Imposto 2.169.599,51 Juros de Mora 834.861,89 Multa 1.627.199,63 Valor do Crédito Apurado 4.631.661,03 Crédito tributário do processo 17.482.232,58 O Termo de Verificação Fiscal (fls 1421 a 1432) e outros documentos constantes dos autos nos dão conta de que no anocalendário 2009 houve uma redução nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em função de excesso de exclusão de provisões e de amortização indevida de ágio. Reversão de Provisões Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10314.722189/201419 Acórdão n.º 1201001.898 S1C2T1 Fl. 3 3 A fiscalização teve como objetivo a verificação das exclusões e adições efetuadas pela empresa na apuração do Lucro Real. Nesse sentido, foi constatado que a contribuinte informou o valor de R$ 6.687.302,52 na linha 40 (Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis) da ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ/A.C.2009 e não informou valor algum na linha 30 (Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais) da ficha 07A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007). Foi constatado também que foram registrados no LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real) as seguintes adições e exclusões: Provisões (adicionadas ao resultado contábil): R$ 40.822.117,75; Reversão de provisões (excluídas do resultado contábil): R$ 13.651.663,96. Já o balancete levantado em 31/12/2009 apresentou a constituição de R$ 29.507.319,63 a título de provisões e R$ 1.651.557,66 como reversão de provisões. Comparando as provisões e reversões de provisões apuradas no LALUR e no referido balancete, a autoridade fiscal concluiu que foi efetuada uma adição a maior de R$ 11.314.798,12: Provisões no LALUR R$ 40.822.117,75 Provisões no balancete R$ 29.507.319,63 Diferença adicionada a maior R$ 11.314.798,12 Com o mesmo raciocínio, a fiscalização apurou uma exclusão a maior de R$ 12.000.106,30: Reversão de provisões no LALUR R$ 13.651.663,96 Reversão de provisões no balancete R$ 1.651.557,66 Diferença excluída a maior R$ 12.000.106,30 Considerando as diferenças a maior de adições e exclusões, a autoridade fiscal encontrou R$ 685.308,23 de excesso de exclusão: Diferença excluída a maior R$ 12.000.106,30 Diferença adicionada a maior R$ 11.314.798,12 Fl. 1870DF CARF MF 4 Excesso de exclusão R$ 685.308,18 Dessa forma, foi apurada a infração “Reversão Insuficiente de Saldo de Provisões” no valor de R$ 685.308,18. Amortização do Ágio Ainda com relação aos ajustes na apuração do Lucro Real, a fiscalização verificou que a empresa efetuou a exclusão dos seguintes valores relativos à amortização de ágio: • Amortização de Ágio CEMAR: R$ 14.394.068,16; • Amortização de Ágio HDL: R$ 25.387.468,68. A fim de entender quais os motivos que levaram a interessada a excluir os referidos ágios diretamente no LALUR, a mesma foi intimada a prestar esclarecimentos a respeito. Como resposta a empresa argumentou o seguinte: “Conforme indicado na Instrução CVM n.º 247/96, onde prevê que a parcela que exceder os valores justos ou de mercado devem ser tratadas contabilmente como ágio por expectativa de rentabilidade futura. Esse ágio deve sofrer até o último dia do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2008, a amortização sistemática, conforme previamente determinado, requerida pelas práticas contábeis adotadas no Brasil e também requerida pela Instrução CVM n.º 247/96 e outros atos normatizadores no Brasil. Sua Baixa antecipada somente pode ocorrer nos casos de perda do seu valor recuperável (CPC 10) ou quando da baixa do investimento”. “O CPC orienta, ainda, que mesmo com essa amortização aplicase o teste de recuperabilidade de ativos prevista no Pronunciamento Técnico CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos, conforme deliberação CVM n.º 527/07, circular SUSEP n.º 379/08, Resolução CMN n.º 3.566/08 e Resolução CFC n.º 1.110/07. A partir do exercício social iniciado a partir de 1º de janeiro de 2009, a amortização contábil sistemática do ágio por expectativa de rentabilidade futura cessa completamente, permanecendo apenas a aplicação do teste de recuperabilidade exigida pelo Pronunciamento Técnico CPC 01”. “As amortizações fiscais, quando admitidas, se farão apenas via uso de livros fiscais auxiliares, com os reflexos contábeis relativos aos impostos diferidos (ativos e passivos) que foram aplicáveis nas circunstâncias”. Apesar de a fiscalizada ser uma empresa limitada, a autoridade fiscal entendeu que a mesma estava obrigada a seguir as normas previstas para as sociedades anônimas, conforme art. 3º da Lei nº 11.638/07. Com isso, ficou sob a égide dos novos Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10314.722189/201419 Acórdão n.º 1201001.898 S1C2T1 Fl. 4 5 métodos e critérios contábeis introduzidos pela referida lei e também pela possibilidade de opção pelo RTT (Regime Tributário de Transição) instituído pela Lei nº 11.941/2009, a qual foi exercida, de acordo com a ficha 01 da DIPJ 2010. Como o RTT tem como objetivo dar neutralidade tributária aos novos métodos e critérios contábeis, considerando os critérios vigentes em 31/12/2007, a empresa deveria manter, além da contabilidade exigida pelas novas práticas, outro controle considerando as práticas anteriores. Em relação especificamente à amortização do ágio, a autoridade fiscal entendeu que a fiscalizada deveria ter informado o montante do ágio a ser amortizado na linha 47 (Amort. Ágio Aquis. Invest. Aval. PL – Incorp. Fusão ou Cisão) da ficha 07A da DIPJ e não amortizar o ágio diretamente no LALUR mediante exclusão. Outrossim, conforme o balancete apresentado pela empresa, a fiscalização constatou que foram efetuadas exclusões a título de amortização de ágio, diretamente no LALUR, em valores maiores que os apropriados na escrituração contábil, a qual ocorreu na forma de contas redutoras do Ativo. Ao contrário da argumentação da empresa, a autoridade fiscal entende que “... considerando os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, vigentes em 31/12/2007, o ágio referente à aquisição da empresa CEMAR deveria ser amortizado, contabilmente e para fins fiscais, até 2015 e o ágio referente à aquisição da empresa HDL deveria ser amortizado, contabilmente e para fins fiscais, até 2014”, conforme o art. 14 da Instrução CVM nº 247/96. Por fim, a fiscalização intimou a empresa a apresentar o detalhamento do valor de R$ 47.346.666,47 lançado na linha 69 (Outras Exclusões) da ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ/2010. A resposta apresentada pela empresa “... deixa claro que os valores de amortização dos ágios, correspondentes às aquisições da CEMAR e HDL constantes do LALUR, foram informados na referida linha”. Desse modo, a fiscalização entendeu que os fatos constatados estavam em desacordo com a legislação, pois, o art. 250 do RIR/99 não autoriza a exclusão de ágio, da forma como foi feita, da apuração do Lucro Real. Assim, foi apurada a infração “Exclusões Indevidas” no valor de R$ 39.781.536,84. Impugnação Em 04/04/2014, a empresa foi cientificada do resultado da fiscalização e em 05/05/2014 apresentou impugnação, conforme de folhas 1470 a 1489. Após fazer a descrição dos fatos, a fiscalizada resumidamente argumenta o que segue. Fl. 1872DF CARF MF 6 Da Inexistência de Exclusão Indevida Com relação à exclusão, no valor de R$ 685.308,23, considerada como indevida pela fiscalização, a empresa alega que: • “De acordo com o artigo 13, da Lei 9.249/1995, as provisões, exceto se constituídas para o pagamento (i) de férias de empregados, (ii) de 13º salário ou, ainda, se forem (iii) provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada (cuja constituição é obrigatória), devem ser adicionadas para efeito de apuração do Lucro Real”. • “Para os contribuintes que possuem um grande número de provisões/reversões dentro de um mesmo período (e.g., 2009), é comum (por conferir maior praticabilidade) que – ao invés de individualmente constituídas/revertidas – os valores das provisões e das reversões sejam somados e, então, o saldo entre o valor de provisões e reversões do período é que é adicionado ou excluído do Lucro Real”. • “Em conexão com esse procedimento, a Impugnante realiza os ajustes relativos a provisões, para fins de determinação do Lucro Real, com base nos saldos de abertura e encerramento das contas de passivo do período (no caso da Impugnante, nas contas do Grupo 2 e do Grupo 8 – vide plano de contas no Doc. 03) ao invés de se utilizar os lançamentos das contas de resultado”. • “Em síntese, a Impugnante adota o seguinte procedimento: (i) reverte a provisão contabilizada na conta de passivo do período anterior, e (ii) constitui uma nova provisão para o ano. Conseqüentemente, para fins fiscais, a Impugnante adiciona o valor da nova provisão e exclui o valor que havia sido adicionado no período anterior. Devido a isso, a essa exclusão compreende qualquer reversão contábil, bem como qualquer possível pagamento que a Impugnante deveria ter realizado”. • “Para demonstrar a improcedência da autuação do valor de R$ 685.308,23, Impugnante preparou um dossiê (Doc. 02) com a composição dos valores de adições (isto é, de provisões indedutíveis) e exclusões (isto é, da reversão das provisões indedutíveis) realizadas para que a chegasse ao Lucro Real indicado na Ficha 09A, da DIPJ 2010/2009”. Com relação a esse tema, “... a Impugnante acredita ter demonstrado que os critérios e procedimentos adotados para o cálculo do Lucro Real do ano calendário 2009 está correto e, ainda, não causou qualquer redução indevida do imposto devido no período. Portanto, requer que este item da autuação seja prontamente cancelado por esta c. Turma de Julgamento”. Do Erro Formal no Preenchimento da Linha 47, da Ficha 07A, da DIPJ 2010 Com relação a esse tema, a impugnante argumenta que o que ocorreu foi um mero erro de preenchimento da DIPJ que não houve redução indevida na apuração do Lucro Real. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10314.722189/201419 Acórdão n.º 1201001.898 S1C2T1 Fl. 5 7 Após comentar sobre os novos critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638/2007 e sobre o Regime Tributário de Transição previsto na Lei nº 11.941/2009, a interessada argumenta que: • “... para os anos de 2008 e 2009, os contribuintes que optassem pelo RTT deveriam manter, por assim dizer, duas contabilidades: uma “societária”, já considerando os ajustes da Lei 11.638/2007; e outra “tributária”, com base nos critérios para apuração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS válidos em 31/12/2007”. • “Essas duas contabilidades deveriam ser refletidas na Declaração de Informações econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ)...” da seguinte forma: a contabilidade societária na ficha 06A (Demonstração do Resultado) e a contabilidade tributária na ficha 07A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007). • “De acordo com as instruções de preenchimento da DIPJ 2010/2009, no tocante à amortização de ágio, que interessa para este tópico da defesa, a Impugnante deveria lançar, na Linha 47, da Ficha 07A (“Balanço fiscal”), os valores de amortização de ágio fundamentado na rentabilidade futura de ativo adquirido e originado na aquisição de investimentos avaliados pelo Patrimônio Líquido (PL), quando houvesse incorporação, fusão ou cisão envolvendo a sociedade adquirida”. • “De fato, em 2009 a Impugnante amortizou, fiscalmente, ágio fundamentado na rentabilidade futura de ativo adquirido e originado na aquisição de investimentos avaliados pelo valor do PL, no valor de R$ 39.781.536,84, conforme autorizado pela Lei nº 9.532/1997, art. 7º”. • “Referido valor de R$ 39.781.536,84 corresponde à amortização do ágio gerado na aquisição das mencionadas empresas (i) Cemar S/A Componentes Elétricos (R$ 14.394.068,16) e (ii) HDL da Amazônia Ltda (R$ 25.387.468,68)”. • “Ocorre que, ao contrário do sustentou a d. DEFIS/SP no TVF, a Impugnante não reduziu irregularmente o Lucro Real/Base da CSLL relativo a 2009. Isso porque preencheu a Ficha 07A, da DIPJ 2010/2009 com um Resultado antes do IRPJ e da CSLL não afetado (reduzido) por qualquer despesa de amortização do ágio relativo à Cemar S/A Componentes Elétricos e da HDL da Amazônia Ltda”. • “Conseqüentemente, o mencionado Resultado antes do IRPJ e da CSLL – ponto de partida para a apuração das bases fiscais para o cálculo desses tributos – ficou majorado”. • “Deste modo, a exclusão do valor correspondente à amortização de ágio diretamente na apuração das referidas bases fiscais foi a forma encontrada pela Impugnante para NEUTRALIZAR a divergência de resultado contábil oriunda da Fl. 1874DF CARF MF 8 harmonização das normas contábeis brasileira ao padrão internacional, sempre respeitando o espírito do RTT ...”. • “À vista disso, ainda que o artigo 250 do RIR/1999 (ou mesmo normas posteriores) não autorize expressamente a exclusão de despesas de amortização de ágio, é indiscutível que o procedimento adotado pela Impugnante não reduziu irregularmente o Lucro Real, não causando assim, qualquer prejuízo ao Fisco”. A contribuinte continua sua argumentação no sentido de que neutralizou a amortização do ágio com a inclusão do valor em questão (R$ 39.781.536,84) no montante informado na linha 69 da ficha 09A da DIPJ (R$ 47.346.666,47), conforme constatado pela própria fiscalização. Para demonstrar que o equívoco cometido no preenchimento da DIPJ não influenciou a apuração dos tributos, a empresa elaborou os quadros abaixo: Sobre os referidos quadros, a contribuinte afirma que o preenchimento incorreto da DIPJ não prejudicou os cofres públicos, pois, independente da forma, o lucro real apurado seria o mesmo. Outra situação em relação à exclusão da amortização do ágio diretamente no LALUR (em valores maiores que os apropriados na contabilidade e na forma de contas redutoras de ativos) a empresa entende que a autoridade fiscal equivocouse em suas conclusões, pois, “De forma simplista, podese demonstrar que a exclusão da amortização do ágio relativo à Cemar, na determinação do Lucro Real de 2009 (R$ 14MM), em hipótese alguma é superior ao saldo contabilizado de amortização no respectivo “balanço societário” de 31/12/2009 (R$ 28MM). Aliás, o referido equívoco não é apenas numérico, mas conceitual, uma vez que, de acordo com as regras do CPC, a partir do ano calendário de 2009, ficou estabelecida cessação do reconhecimento da amortização de ágio de investimento de rentabilidade futura (goodwill) – Lei 9.532/1997”. A empresa esclarece que em 2007 e 2008 foram contabilizados R$ 14 milhões por ano, totalizando o saldo contábil de R$ 28 milhões na conta 13182, assim, o saldo Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10314.722189/201419 Acórdão n.º 1201001.898 S1C2T1 Fl. 6 9 da conta retificadora do ativo referente à amortização dos ágios (Cemar e HDL) reflete os valores incorridos até 31/12/2008, que foi mantido em 31/12/2009. Em 2009, a interessada teve que reconhecer a amortização do ágio em seus controles fiscais em função do RTT e ressalta que “buscando manter a coerência, passou a controlar, a partir de tal ano, o valor excluído na parte B do LALUR, de modo a justamente evitar uma segunda e indevida dedução de tais valores se e quando houver a amortização/baixa contábil desses referidos R$ 14 MM (Cemar)”. Segundo a interpretação da empresa, isso tudo se deu pelo motivo de que a inovação das regras contábeis passaram a vedar a amortização contábil de ativo intangível com certa indefinição do efetivo aproveitamento de seu benefício fiscal, se sujeitando apenas ao teste de recuperabilidade. A contribuinte destaca também que, no processo administrativo fiscal, deve prevalecer o princípio da verdade material e traz julgados do CSRF e doutrina administrativa a fim de reforçar seu entendimento. Por fim, pede a total improcedência dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL. Decisão da DRJ Através do acórdão n. 06050.007 de 14/11/14, a 1°Turma da DRJ/CTA, por unanimidade, julgou procedente a Impugnação da contribuinte e exonerou o crédito tributário lançado, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 AJUSTES DO RTT. UTILIZAÇÃO DO FCONT. É indevida a utilização de balancete societário, levantado conforme as regras e critérios dispostos na Lei nº 11.638/2007, para se fazer a verificação dos ajustes do RTT. Para fazer tal verificação deve ser utilizado o FCONT, no qual estão considerados os ajustes do RTT. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. Não tendo sido comprovada nenhuma irregularidade na formação dos ágios em questão, os mesmos são dedutíveis de acordo com a combinação do art. 386 com o art. 250, I, todos do RIR/99. AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Fl. 1876DF CARF MF 10 Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Recurso de Ofício Em razão da exoneração do crédito tributário foi apresentado Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso de Ofício preenche todos os requisitos legais e por isso merece ser apreciado. Mérito De partida, devo dizer que me alinho integralmente com a decisão da DRJ objeto do presente Recurso de Ofício. Além disso, ressalto que as partes não apresentaram novas razões de defesa. Desta forma, com fulcro no art. 57, § 3° do Regimento Interno do CARF, transcrevo abaixo a decisão de 1°instância em sua integralidade: 38. A interessada, ora impugnante, se insurge contra auto de infração, relativo a IRPJ e CSLL, referente ao anocalendário 2009 no qual foi constatado excesso de exclusão de provisões e de amortização indevida de ágio. 39. Conforme já relatado, a fiscalização apurou uma exclusão indevida na apuração do Lucro Real, no valor de R$ 685.308,23, referente a reversão de provisões. 40. Para apurar tal infração, foram comparados os valores lançados a título de provisões e de reversão de provisões no LALUR e na contabilidade, conforme quadro abaixo: Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10314.722189/201419 Acórdão n.º 1201001.898 S1C2T1 Fl. 7 11 41. Em sua defesa, a empresa alega que adota, para a contabilização das provisões, o procedimento de reverter a provisão contabilizada nas contas de passivo do período anterior e constituir nova provisão para o ano corrente. 42. Assevera também que tal procedimento não foi devidamente compreendido pela fiscalização e, para demonstrar a improcedência da autuação, foi preparado um detalhamento das adições e exclusões efetuadas na ficha 09A da DIPJ (vide folhas 1510 a 1617). 43. Antes de iniciar a análise propriamente dita, acredito ser importante trazer algumas definições sobre o Lucro Real. 44. Lucro real é o lucro líquido apurado na escrituração contábil, com observância das normas da legislação comercial, ajustado no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, pelas adições, exclusões e compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (arts. 247, 249 e 250 do RIR/99). A finalidade do lucro real é apurar a base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas que optarem por esse tipo de apuração. 45. O Lucro Real é demonstrado no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR o qual é dividido em duas partes distintas reunidas em um só volume encadernado, a saber: • Parte A, destinada aos lançamentos de ajustes do lucro líquido do período de apuração e à transcrição da demonstração do lucro real. Nessa parte é que apuramos a base de cálculo do imposto. • Parte B (cuja numeração é seqüencial à da Parte A), destinada ao controle dos valores que foram ajustados na Parte A que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos de apuração futuros e não constem da escrituração comercial. 46. Ao fazer a apuração do Lucro Real devese considerar as adições e exclusões determinadas pela legislação tributária. 47. São exemplos de adições: a) custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido e que, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido e que, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, devam ser computados na determinação do lucro real. 48. São exemplos de exclusões: a) Resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido e que, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, não sejam computados no lucro real; Fl. 1878DF CARF MF 12 b) Valores cuja dedução seja autorizada pela legislação do Imposto de Renda que, pela sua natureza exclusivamente fiscal, não tenham sido computados na apuração do lucro líquido. 49. Além disso, em 2009 foi criado, pelo art. 15 da Lei nº 11.941, o Regime Tributário de Transição RTT. A referida lei, entre as alterações efetuadas na legislação fiscal, tem a pretensão de neutralizar os efeitos tributários da adoção dos novos métodos e critérios contábeis instituídos pela Lei nº 11.638/2007, até que se possam regular definitivamente o modo e a intensidade de integração da legislação tributária com os novos métodos e critérios internacionais de contabilidade. 50. As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638/2007, que modificam o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404/1976, não tem efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31.12.2007, conforme Instrução Normativa RFB nº 949/2009, art. 2º. 51. Devemos atentar que as alterações ocorridas na legislação contábil brasileira tiveram a missão de equalizar a forma de registro contábil às formas utilizadas na economia internacional, mas que um de seus princípios é a “neutralidade tributária”, ou seja, as alterações na escrituração contábil não poderiam redundar em aumento de tributação, em relação aos fatos anteriores à data de sua implantação. 52. Assim, as alterações na forma de registro contábil, que se deve lembrar não tem finalidade única de subsidiar a tributação, servem para uniformização dos demais usuários desta ciência, ao passo que a tributação, esta deve se manter fiel, e manter registros paralelos, aos métodos e critérios vigentes em 31/12/2007. 53. Como a fiscalização e a autuada já comentaram, para satisfazer os critérios fiscais vigentes até 31/12/2007 era necessário que a empresa mantivesse, por assim dizer, duas contabilidades: uma societária e outra fiscal. 54. Para tanto a RFB disponibilizou o FCONT, conforme disciplina a Instrução Normativa RFB nº 949/09, que é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis vigentes em 31.12.2007: Art. 2º As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007 , e pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009 , que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. (...) Do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCont) Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10314.722189/201419 Acórdão n.º 1201001.898 S1C2T1 Fl. 8 13 Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do Decreto Lei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos o inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.139, de 28 de março de 2011) 55. Desse modo, ao analisar os documentos juntados ao processo, vejo que o balancete, juntado às folhas 1592 a 1617, apresenta resultado apenas da contabilidade societária, não contempla nenhum ajuste do RTT. Tanto é assim que a conta contábil “Resultado do Exercício” (fl. 1606) apresenta um saldo no valor de R$ 7.677.097,03 (de prejuízo), ou seja, o mesmo informado na linha 70 da ficha 06A da DIPJ/A.C.2009, utilizada para demonstrar o resultado societário da empresa sob os novos critérios contábeis. 56. Para apurar o Lucro Real, como explanado anteriormente, a interessada deveria fazer uma série de ajustes, conforme demonstra o quadro abaixo, o qual apresenta um resumo da ficha 09A da DIPJ/A.C.2009: Fl. 1880DF CARF MF 14 57. Uma análise superficial da escrituração do LALUR (fls 0925 a 0927) indica que a empresa, ao contrário do que fez na elaboração da ficha 09A da DIPJ, não identificou quais valores eram relativos aos ajustes do RTT das demais adições e exclusões. 58. Entretanto, após algumas análises, constatei que os ajustes do RTT possuem a indicação “11638”, que remete à Lei nº 11.638/2009, e assim os segreguei dos demais lançamentos. 59. Aproveitei o quadro acima para identificar também os valores selecionados pela fiscalização que foram utilizados na comparação com os saldos contábeis (vide coluna “Valores Fiscalização”). 60. Nesse sentido, no referido quadro, constatase que a fiscalização considerou como adição a quantia de R$ 39.133.882,25 que, na realidade, é ajuste positivo do RTT. Da mesma forma, considerou o valor de R$ 11.046.420,33 como exclusão quando, na verdade, tratase de ajuste negativo do RTT. 61. Desse modo entendo que a comparação efetuada pela fiscalização foi feita de forma equivocada, senão vejamos. 62. A autoridade fiscal utilizou indevidamente um balancete societário, levantado conforme as regras e critérios dispostos na Lei nº 11.638/2007, no qual buscou provisões e reversão de provisões (entendidas como adições e exclusões, mas que na realidade eram ajustes do RTT). Para fazer tal comparação deveria ter utilizado o FCONT, no qual estão considerados os ajustes do RTT. Ressaltese que o resultado societário é apurado em um momento anterior. 63. Assim, como não foi realizada fiscalização com base no FCONT, ficam prejudicadas as comparações com as contas contábeis de provisão (R$ 29.507.319,63) e de reversão de provisão (R$ 1.651.557,66). 64. Frisese que não há no presente processo nenhum documento relativo ao FCONT referente ao anocalendário 2009. 65. Dessa forma, entendo que a interessada deve ser exonerada da infração referente à reversão de provisões. Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10314.722189/201419 Acórdão n.º 1201001.898 S1C2T1 Fl. 9 15 Da Amortização do Ágio 66. A fiscalização considerou também como indevida a exclusão na apuração do Lucro Real, no valor de R$ 39.781.536,84, referente à amortização de ágio. Tal valor é composto pela amortização de duas operações com ágio: uma com a pessoa jurídica Cemar, no valor de R$ 14.394.068,16, e outra com a pessoa jurídica HDL, no valor de R$ 25.387.468,68. 67. Como motivos para a efetuar a glosa dos valores excluídos, a autoridade fiscal argumentou o seguinte: • Que a empresa deveria ter informado a amortização do ágio na linha 47 (Amort. Ágio Aquis. Invest. Aval. PL – Incorp. Fusão ou Cisão) da ficha 07A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007) e não amortizá lo diretamente no LALUR na forma de exclusão; • “... considerando os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, vigentes em 31/12/2007, o ágio referente à aquisição da empresa CEMAR deveria ser amortizado, contabilmente e para fins fiscais, até 2015 e o ágio referente à aquisição da empresa HDL deveria ser amortizado, contabilmente e para fins fiscais, até 2014”, conforme o art. 14 da Instrução CVM nº 247/96. • Que o valor lançado no LALUR (R$ 39.781.536,84) é maior que os apropriados na contabilidade da interessada na forma de contas redutoras de ativos (Cemar S/A Rentab.Futura, no valor de R$ 28.788.136,32 e HDL S/A Rentab.Futura, no valor de R$ 6.346.867,17, totalizando R$ 35.135.003,49 – vide balanço em 31/12/2009, fl. 1597); • Que foi constatado que os valores referentes à amortização de ágio estão incluídos na linha 69 (Outras Exclusões), da ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) da respectiva DIPJ; • “Considerando que o Art. 250 do Regulamento do Imposto de Renda – 199 (RIR/99) não autoriza a exclusão de ágio, esta fiscalização entende que a fiscalizada, sem qualquer base legal reduziu, irregularmente, o Lucro Real correspondente ao período findo em 31/12/2009 no montante de R$ 39.781.536,84”. 68. Em sua impugnação, a contribuinte alegou que: • Houve erro formal no preenchimento da DIPJ, relativamente à linha 47 (Amort. Ágio Aquis. Invest. Aval. PL – Incorp. Fusão ou Cisão) da ficha 07A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007) e que isso não influenciou a apuração do Lucro Real (faz demonstrativos de cálculo às folhas 1483 e 1483); · Houve “... aparente falta de compreensão do procedimento contábil (e reflexo fiscal) adotado pela impugnante ...” quando da Fl. 1882DF CARF MF 16 comparação, realizada pela fiscalização, entre os saldos das contas contábeis redutoras de ativos (Cemar S/A Rentab.Futura, no valor de R$ 28.788.136,32 e HDL S/A Rentab.Futura, no valor de R$ 6.346.867,17) com o total das amortizações no valor de R$ 39.781.536,84, pois, os valores que contam na escrituração contábil referemse aos anoscalendário 2007 e 2008; • “Houve inovação das regras contábeis em 2009, que passaram a vedar qualquer amortização contábil de ativo intangível com certa indefinição do efetivo aproveitamento de seu benefício fiscal, o que abrange o ágio aqui tratado”; 69. Antes de iniciar a análise propriamente dita, acredito ser importante fazer um breve histórico das verificações que fiz em relação aos ágios em questão. 70. Em consulta aos sistemas da RFB, constatei que a empresa Cemar S.A. Componentes Elétricos foi incorporada pela fiscalizada em 31/12/2006. Da mesma forma, a pessoa jurídica HDL Indústria Eletrônica S/A foi incorporada pela interessada em 01/10/2008. 71. As referidas operações societárias resultaram na formação de ágio por rentabilidade futura nos seguintes valores: • Cemar S.A. Componentes Elétricos: R$ 86.364.408,61 (vide folhas 327 e 1597); • HDL Indústria Eletrônica S/A: R$ 177.712.280,47 (vide folhas 326 e 1597). 72. Não há informação, tampouco foi o escopo do trabalho fiscal, sobre a origem ou o fundamento dos ágios sobre os investimentos da fiscalizada nas referidas pessoas jurídicas ou, ainda, se houve simulação ou outro tipo de irregularidade nas já mencionadas operações societárias que impedisse o aproveitamento fiscal das amortizações dos ágios em tela. 73. Voltando ao caso concreto, vejo que a interessada tem razão ao afirmar que a inclusão do valor dos ágios amortizados na linha 47 (Amort. Ágio Aquis. Invest. Aval. PL – Incorp. Fusão ou Cisão) da ficha 07A (Demonstração do Resultado – Critérios em 31.12.2007) ou o seu lançamento como exclusão no LALUR não afeta a apuração do Lucro Real. 74. Assim, o efeito matemático de contabilizar a amortização do ágio como despesa ou excluíla no LALUR é o mesmo. 75. Ressaltase ainda que, em relação ao constatado pela fiscalização, os valores referentes à amortização de ágio incluídos na linha 69 (Outras Exclusões), da ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ, nada mais são do que o reflexo do procedimento adotado pela interessada, afinal aquela ficha da DIPJ deve ter o mesmo preenchimento que o LALUR. Assim, não há nenhum reparo a fazer. 76. Outrossim, com o advento da legislação que trouxe novas práticas contábeis, ocorreu o desaparecimento da amortização contábil do ágio por expectativa de Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10314.722189/201419 Acórdão n.º 1201001.898 S1C2T1 Fl. 10 17 rentabilidade futura (goodwill). Esse ágio, pelas regras internacionais, não pode ser amortizado, ficando sujeito, isso sim, às regras de reconhecimento por perda de capacidade de recuperação de seu valor (conforme Pronunciamento Técnico CPC 01 Redução ao Valor Recuperável de Ativos, aprovado pela Deliberação CVM nº 527/2007 e Resolução CFC nº 1.110/2007). 77. Essa cessação de amortização contábil, bem como a de outros intangíveis sem vida útil definida, ocorreu a partir de 2009 (vide Pronunciamentos Técnicos CPC 04 Ativo Intangível e CPC 13 – Adoção Inicial da Lei nº 11.638/2007 e da Medida Provisória no 449/2008, das Deliberações CVM nºs 553/2008 e 565/2008 e da Resolução CFC nº 1.139/2008). 78. Todavia, mesmo não amortizando contabilmente esse tipo de ágio, as empresas poderão continuar a lhe dar o tratamento tributário a que estava sujeitos. 79. Nesse sentido, entendo que o procedimento da empresa ao não contabilizar as amortizações do ágio está em consonância com as novas práticas contábeis. 80. Também tem razão a interessada no que diz respeito à comparação, realizada pela fiscalização, entre os saldos das contas contábeis redutoras de ativos (Cemar S/A Rentab.Futura, no valor de R$ 28.788.136,32 e HDL S/A Rentab.Futura, no valor de R$ 6.346.867,17) com o total das amortizações no valor de R$ 39.781.536,84. 81. Em consulta aos documentos juntados aos autos, mais precisamente dos documentos de folhas 0326 e 0327, verifico que o saldo das amortizações efetuadas até 31/12/2008 é o seguinte: • Cemar S.A. Componentes Elétricos: R$ 28.788.136,32, com início em 01/2007; • HDL Indústria Eletrônica S/A: R$ 6.346.867,17, com início em 10/2008. 82. Como não houve escrituração contábil das amortizações de ágio no ano calendário 2009 as referidas contas permaneceram com os mesmos saldos de 2008. 83. Desse modo, não procede a argumentação da fiscalização e nem a comparação efetuada pela mesma, de saldos contáveis oriundos de anos anteriores (2007 e 2008) com valores de amortização do ano fiscalizado (2009). 84. Por fim, em relação à interpretação da autoridade fiscal de que o art. 250 do RIR/99 não autoriza a exclusão do ágio, cabe ressaltar que o referido dispositivo não faz tal autorização de maneira direta, senão vejamos: Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; Fl. 1884DF CARF MF 18 (...) 85. No âmbito tributário, a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação acionária adquirida com ágio (art. 386 do RIR), poderá, no caso de ágio fundamentado como “fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas”, lançar sua contrapartida em conta de ativo permanente não sujeita a amortização. Já quando o ágio tiver como fundamento econômico o “valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, ele poderá ser amortizado nos balanços correspondentes de apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de 1/60 no máximo, para cada mês do período de apuração. Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). (...) § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10314.722189/201419 Acórdão n.º 1201001.898 S1C2T1 Fl. 11 19 causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. (...) 86. Assim, a combinação do art. 386 com o art. 250, I, todos do RIR/99, forma a base legal para a exclusão da amortização dos ágios na apuração do Lucro Real. 87. Dessa forma, não tendo sido comprovada nenhuma irregularidade na formação dos ágios em questão (ágio interno), entendo que a empresa deve ser exonerada da infração correspondente. Tributação Reflexa 88. Com relação ao auto de infração reflexo (CSLL), sendo decorrente da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito, até porque não foram trazidos pela impugnante argumentos específicos contra esse lançamento. Nesse sentido, a Lei nº 9.249, de 1995, estabelece em seu art. 24 e § 2º: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1886DF CARF MF 20 Fl. 1887DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000896/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2004, 2005, 2006.
IRPJ, CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL.
O arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária. É uma modalidade de lançamento necessária à apuração do lucro tributável, obrigatória quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, de acordo com o disposto no art. 530, inciso III, e parágrafo único do art. 527 do RIR.
Numero da decisão: 1401-000.510
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006. IRPJ, CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. O arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária. É uma modalidade de lançamento necessária à apuração do lucro tributável, obrigatória quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, de acordo com o disposto no art. 530, inciso III, e parágrafo único do art. 527 do RIR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro Fl. 1133DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão nº 1421.636, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente e manteve o lançamento do crédito tributário. O acórdão da referida DRJ descreve minuciosamente o contexto fático retratado nos autos, o qual adoto para fins de relatório: Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi arbitrado o seu lucro nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, com base no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 art. 530, III, em virtude de a contribuinte, notificada a apresentar escrituração contábil ou livro Caixa, nos termos do art. 527 do RIR/1999, deixou de apresentálos. O crédito tributário lançado totalizou R$ 283.792,10 (duzentos e oitenta e três mil e setecentos e noventa e dois reais e dez centavos), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração: I Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) fls. 2/14 Imposto: R$ 42.466,11 Juros de mora: R$ 15.850,23 Multa proporcional: R$ 63.699,13 Total: R$ 122.015,47 Enquadramento legal: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 27, I; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 15, § 1 0, III, "b", e 24, § 10; RIR/1999, arts. 146, I, 147, I, 219, 220, 224, 530, 111, 532, 537, 541, 836, 841,111 e IV, 856 e 904. II Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 15/27 Contribuição: R$ 25.278,33 Juros de mora: R$ 9.397,52 Multa Proporcional: R$ 37.917,47 Total: R$ 72.593,32 Enquadramento legal: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, arts. 1°, 40 e 6°, caput e parágrafo único; Lei n° 9.249, de 1995, arts. 20 e 24, com as alterações da Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, art. 22; Lei n° 9.430, de 1996, arts. 28 e 29; Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37; e Instrução Normativa (IN) SRF n° 390, de 2004, art. 89. III Contribuição para o PIS/Pasep fls. 28/40. Fl. 1134DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 11444.000896/200890 Acórdão n.º 1401510 S1C4T1 Fl. 1.103 3 Contribuição: R$ 5.569,31 Juros de mora: R$ 2.131,70 Multa Proporcional: R$ 8.353,89 Total: R$ 16.054,90 Enquadramento legal: Lei Complementar (LC) n° 7, de 7 de setembro de 1970, arts. 1° e 3 0; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, § 2 0; Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, arts. 2°, I, 8°, I, 90, 10 e 11; Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, arts. 2° e 3°, caput e § 1°; Medida Provisória (MP) n° 2.11326, de 2000, art. 18, e suas reedições; MP n° 2.15833, de 2001, art. 18, e suas reedições; Lei n° 10.637, de 2002, art. 8°, II; e Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, arts. 1 0, 2°, I, "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51, 74, 75, 82, I, 91, 92 e 93. IV Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) fls.41/53. Contribuição: R$ 25.372,42 Juros de mora: R$ 9.697,45 Multa Proporcional: R$ 38.058,54 Total: R$ 73.128,41 Enquadramento legal: LC n° 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 1% Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, § 2°; Lei n° 9.718, de 1998, arts.2°, 3 0, caput e § 1°, e 8°; MP n° 2.11326, de 2000, art. 18, e suas reedições; MP n° 2.15833, de 2001, art. 18, e suas reedições; e Decreto n°4.524, de 2002, arts. 1°, 2°, II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51, 74, 75, 82, I, 91, 92 e 93. O relatório de fiscalização de fls. 54/61, anexo ao auto de infração descreve a ação fiscal levada a efeito, consignando que o procedimento se originou de fatos constantes dos sistemas de controles da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quais sejam divergências entre os valores dos rendimentos recebidos pela contribuinte, decorrentes de serviços prestados a pessoa jurídica (informação obtida nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf , apresentadas pelas fontes pagadoras), e a receita por ela informada por meio da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), nos anos de 2004, 2005 e 2006. Durante a ação fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar livros, documentos e informações, fiscais e contábeis, dos referidos períodos (fls. 59/61), tendo apresentado, em resposta, cópia do contrato social e alterações, livros de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, talões de notas fiscais, além de informar que não faz escrita contábil, por ser optante pelo lucro presumido (fls. 905/1.003). Não apresentou o Livro Caixa para os períodos em questão, nos termos do RIR/1999, art. 527, parágrafo único. Fl. 1135DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 4 As fontes pagadoras foram intimadas a confirmar os pagamentos informados em Dirf, que encaminharam os documentos de fls. 192/904, para corroborar as informações prestadas. Apurouse, ainda, que os valores de receitas e tributos informados pela contribuinte nas DIPJ, nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), e ainda os valores dos Livros de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados e das notas fiscais de prestação de serviços emitidas são divergentes entre si e muito inferiores aos apurados pela fiscalização (fls. 62/191 e 906/989). Foi lavrado o termo de constatação fiscal de fls. 1.008/1.009, cientificando a contribuinte de que os valores informados em Dirf e confirmados pelas fontes pagadoras seriam considerados como receita da atividade, conforme demonstrativo dos recebimentos mensais de comissões (fls. 1.010/1.016), e reintimandoa a apresentar os livros Caixa do período, sob pena de apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro arbitrado. Não houve manifestação da interessada nem quanto ao referido termo nem quanto ao termo de reintimação fiscal lavrado (fl. 1.018). Na apuração da base de cálculo do IRPJ foi aplicado o percentual de arbitramento de 38,4% (art. 532 c/c art. 519, § 1 0, III, "b", art. 530, III, e art. 537, parágrafo único do RIR/1999) e na da CSLL, de 32 % (Lei n° 9.249, de 1995, art. 20, com redação dada pela Lei n° 10.684, de 2003, art. 22, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 29). Os valores dos tributos pagos e/ou declarados em DCTF, bem como os valores retidos pelas fontes pagadoras, foram deduzidos na apuração dos valores a pagar. Os valores dos tributos foram lançados com multa qualificada, considerandose que o fato de a contribuinte ter omitido receita nas declarações apresentadas à RFB, com conseqüente redução da base de cálculo dos tributos, caracteriza ação dolosa montada com o objetivo de modificar as características essenciais para o lançamento, de modo a reduzir o montante do tributo devido, configurando, em tese, fraude, nos termos da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 72. Notificada do lançamento em 10/09/2008, conforme autos de infração, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 10/10/2008, com a impugnação de fls.1.022/1.023, alegando, em suma: • Os documentos solicitados na intimação de início da fiscalização, tais como talões de notas fiscais, livro de escrituração de notas fiscais, foram apresentados à fiscalização no prazo correto; • A argumentação sobre o arbitramento da receita para apuração do IRPJ e da CSLL não procede, uma vez que a receita da empresa é conhecida em sua totalidade, não havendo nenhum tipo de contestação sobre a receita apresentada pela fiscalização; Fl. 1136DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 11444.000896/200890 Acórdão n.º 1401510 S1C4T1 Fl. 1.104 5 • A receita das comissões recebidas foram declaradas pelas fontes pagadoras, bem como o valor do imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF). Requereu a revisão dos autos de infração referentes ao IRPJ e CSLL, para que sejam apurados com base no lucro presumido, uma vez que não haveria nenhum motivo para o arbitramento do seu lucro. Submetida a impugnação a julgamento pela DRJ, esta, por unanimidade de votos, considerou improcedente a defesa apresentada, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. LIVRO CAIXA. A falta de apresentação da escrituração ou do livro Caixa por empresa autorizada a optar pelo lucro presumido é motivo de arbitramento do seu lucro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Lançamento Procedente Ainda inconformada com a manutenção do crédito tributário, a Recorrente interpôs recurso a este Conselho, repisando os argumentos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento e passo a fundamentar o meu voto. Como dito linhas atrás, tratase de lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, em que se arbitrou o lucro da empresa, tendo em vista que ela, notificada a apresentar escrituração contábil ou livro Caixa, nos termos do art. 527 do RIR/1999, deixou de apresentálos. Reflexamente realizouse o lançamento de PIS e COFINS, que não foram objeto de impugnação por parte da Recorrente. Fl. 1137DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 6 Em sua peça recursal a Recorrente reitera que (i) apresentou à fiscalização de notas fiscais e livro de escrituração de notas fiscais, que (ii) a sua receita é conhecida em sua totalidade, não havendo contestação sobre ela (informada pelas próprias fontes pagadoras); e que, portanto, (iii) teria atendido as solicitações da fiscalização no termo de início de fiscalização, não havendo nenhum motivo para o arbitramento de seu lucro. Confirase abaixo o trecho extraído da peça recursal apresentada: Os documentos solicitados na intimação de início de fiscalização tais como Talões de Notas Fiscais, Livro de Escrituração Notas Fiscais, foram apresentados a fiscalização no prazo e correto, não ficando portanto nenhum documento em falta para apuração da receita a ser tributada. A argumentação sobre o Arbitramento da receita para apuração do Imposto de Renda e da Contribuição Social Lucro Liquido não procede, uma vez que a receita da empresa é conhecida em sua totalidade não havendo nenhum tipo de contestação sobre a receita apresentada pela fiscalização, a receita das comissões recebidas foram declaração pelas fontes pagadoras a secretaria da receita federal do Brasil, e até o valor do Imposto de Renda Retido na fonte foram declarados pela fonte pagadora. O arbitramento do lucro não procede pois todos os documentos necessários para fazer o livro caixa foram apresentados, não restando nenhuma dúvida para fiscalização sobre despesas e receita, sendo essa tributação injusta de desnecessária. Fato é: embora a Recorrente tenha apresentado os talões de notas fiscais e livros de escrituração das notas fiscais, ela não apresentou o livro caixa devidamente escriturado, apesar de diversas vezes intimada para tanto. Foi com base na falta do referido Livro Caixa ou escrituração contábil correspondente (obrigação esta que deveria ter sido prontamente atendida pela contribuinte, que é optante pelo lucro presumido) é que se escorou o arbitramento do lucro, de acordo com o que dispõe o art. 530, inciso III do RIR/99. Confirase: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 19: (...) III o contribuinte deixar de apresentar a autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Para a situação analisada, o arbitramento do lucro resultará da aplicação de percentuais específicos sobre o valor da receita bruta trimestral conhecida, conforme acertadamente calculado no Auto de Infração, em conformidade com o disposto no art. 532 do RIR/99: Art. 532.0 lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n2 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 27,inciso I). Fl. 1138DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 11444.000896/200890 Acórdão n.º 1401510 S1C4T1 Fl. 1.105 7 Está correto, portanto, o entendimento da fiscalização ao realizar o arbitramento do lucro arbitrado nos moldes em que efetuado, pois estão preenchidos todos os requisitos legais. Como narrado no relatório do presente voto, a Recorrente não atendeu a diversas intimações para apresentar sua escrituração ou livro Caixa (fls. 59/61, 1.008/1.009 e 1.018), não restando à fiscalização outra alternativa senão arbitrar o lucro em obediência aos preceitos legais que regem a matéria. Mantenho o lançamento nos moldes em que realizado, visto que a fiscalização agiu acertadamente ao arbitrar o lucro aplicando os percentuais estabelecidos no auto de infração. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1139DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 30/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
score : 1.0
Numero do processo: 18186.010777/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO.
O direito de compensação de crédito oriundo de ação judicial extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o indébito ou da homologação da desistência da execução do título judicial.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA.
As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativa, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, a qual apresentou declaração de voto, Maysa Pittondo e Carlos Daniel.
Assinado Digitalmente
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente.
Assinado Digitalmente
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. O direito de compensação de crédito oriundo de ação judicial extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o indébito ou da homologação da desistência da execução do título judicial. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativa, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, a qual apresentou declaração de voto, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. Assinado Digitalmente JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Presidente. Assinado Digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 01 07 77 /2 00 8- 82 Fl. 773DF CARF MF 2 PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo Relatório Trata o processo de Pedido Administrativo de Restituição com base em decisão judicial que afastou os mandamentos dos DecretosLeis nº2.445 e 2.449/88, restabelecendose a vigência da LC nº07/70 e suas alterações, surgindo, em consequência, valores recolhidos a maior a título de PIS. A Delegacia da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório de fls.265 a 272 indeferindo a solicitação. No referido despacho, a DRF informa que, em desacordo com a ordem judicial, por intermédio do sistema eletrônico de PER/DCOMP n° 18023.69929.260209.1.2.54 7189, em 26/09/2009, o Contribuinte apresentou um Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento indevido ou a maior oriundo do Processo Judicial n° 98.00339876. Segundo o referido despacho decisório, o acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região, publicado em 29/10/2003, determinou/autorizou apenas a compensação do seu direito creditório, não fazendo qualquer referência a possibilidade de pleitear restituição administrativa, in verbis: "... todos os pagamentos efetuados pela autora a título de PIS,com base nos DecretosLeis referenciados, comprovados devidamente nestes autos, configuramse como pagamentos indevidos a constituir crédito para o específico fim de compensação. (...) (grifei) Dessa forma, indeferiu a solicitação porque inexiste tutela judicial a amparar o pedido de restituição apresentado pela contribuinte, posto que os Juízos Federais reconheceram apenas o direito ao procedimento específico para compensação. No mesmo despacho, ainda fez referência a ocorrência de prescrição do direito creditório pleiteado fundamentado no Parecer PGFN/CAT/N. ° 1.538, de 1999, nos seguintes termos: Portanto, diante da orientação adotada, temse que se verificou a prescrição do direito à restituição, devido o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contado da data da extinção do crédito tributário, que é o momento de seu pagamento antecipado e, assim, demonstrase prejudicada qualquer pretensão de eventual crédito decorrente destes valores. Não resignada com o despacho decisório, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade com as seguintes alegações: Fl. 774DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 774 3 Que, ao contrario do entendimento explicitado no despacho decisório, não há diferenciação entre restituição e compensação, sendo irrelevante se a decisão judicial determinou apenas a compensação dos créditos reconhecidos. Toda sentença que permite a compensação de um valor indevidamente recolhido reconhece o direito à sua restituição, sendo possível ao contribuinte optar administrativamente pela restituição ou pela compensação; .No que concerne à compensação entre diferentes espécies tributárias, a Primeira Seção desta Corte já pacificou jurisprudência no sentido de que a lei aplicável é aquela vigente à época do ajuizamento da ação, não podendo ser julgada a causa à luz do direito superveniente, ressalvandose o direito da parte de proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas legais advindas em períodos subseqüentes; Que equivocase a Autoridade Fazendária, primeiramente, porque os recolhimentos a título de PIS foram considerados indevidos somente em 13/11/2003, quando do trânsito em julgado da decisão judicial que declarou a inconstitucionalidade dos DecretosLei n.° 2.445 e 2.449. Deste modo, não há que se falar que a contagem do prazo prescricional se iniciou com o pagamento antecipado do tributo, mesmo porque, à época dos recolhimentos, o PIS não era considerado indevido, ou seja, não havia indébito tributário, mas apenas passou a sêlo com o trânsito em julgado da decisão judicial. Outrossim, o parágrafo 2º , do artigo 51, da Instrução Normativa n.° 600/2005, in fine, vigente à época da apresentação dos pedidos, dispõe que a habilitação de crédito deve ser apresentada em 05 (cinco) anos contados da data do trânsito em julgado da decisão judicial. Bem como, informou que a decisão que homologou o pedido, de renúncia ao direito de execução do título judicial foi prolatada em outubro de 2008. Que a Recorrente apresentou o Pedido de Habilitação de Crédito no dia 15 de setembro de 2008, ou seja, dentro do qüinqüídio estabelecido pela legislação, que tem o efeito de impedir a extinção do direito à restituição do indébito, mais uma vez não assistindo razão a D. Autoridade Fiscal ao tentar suprimir o direito da Recorrente em ter restituído o indébito. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 AÇÃO DECLARATÓRIA. Não prospera a pretensão restituitória em âmbito administrativo cuja razão de pedir esteja fundada em ação judicial cujo provimento transitado em julgado voltouse para o específico Fl. 775DF CARF MF 4 direito de compensar restritivamente o crédito do contribuinte exclusivamente com o PIS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. A Recorrente em seu Recurso Voluntário repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto ao seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A discussão do processo limitase, basicamente, a indeferimento de pedido de restituição administrativa de direito creditório do Contribuinte reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, na qual foram afastados os mandamentos dos DecretosLeis nº2.445 e 2.449/88, restabelecendose a vigência da LC nº07/70 com suas alterações e surgindo, em consequência, valores recolhidos a maior a título de PIS. A Delegacia da Receita Federal, por meio do Despacho Decisório de fls.265 a 272, indeferiu o citado pedido de restituição fundamentada em dois motivos: impossibilidade de pedido de restituição administrativa fundada em ação judicial cujo provimento foi para o fim específico de compensação e a prescrição do direito a restituição devido o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contado da data da extinção do crédito tributário, que é o momento de seu pagamento antecipado. O pedido de restituição fundamentouse na ação judicial nº98.00339876 que teve o seu trânsito em julgado em 13/11/2003. A Recorrente, tendo o seu crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, optou pela execução administrativa do PIS apresentando um pedido de restituição por meio da PEDCOMP nº18023.69929.260209.1.2.547189 em 26/09/2009. Antes de analisarmos o caso concreto, cabe fazer algumas breves considerações a respeito dos prazos para execução do débito reconhecido judicialmente. O Contribuinte possui o prazo de 5 (cinco) anos para promover a execução do seu direito creditório reconhecido judicialmente, seja na modalidade judicial ou administrativa, com fundamento no art. 1o do Decreto n° 20.910/1932, bem como do inciso IV, §4°, do art. 71 da IN RFB n° 900, de 2008. No caso de direito creditório discutido judicialmente, a legislação tributária estabelece como termo inicial para a contagem do prazo prescricional do direito creditório a Fl. 776DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 775 5 data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial, como ocorreu no caso concreto. A seguir reproduzido o art. 71 da IN nº900/08 que dispôs sobre a matéria: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; II certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; III na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; IV cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; V cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; VI cópia do documento comprobatório de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3º No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; Fl. 777DF CARF MF 6 II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º. A Receita Federal também expôs mais detalhadamente a questão no Parecer Normativo nº11 de 19 de dezembro de 2014, in verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. O crédito tributário decorrente de ação judicial pode ser executado na própria ação judicial para pagamento via precatório ou requisição de pequeno valor ou, por opção do sujeito passivo, ser objeto de compensação com débitos tributários próprios na via administrativa. Ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento da matéria feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa nº 1.300, de 2012, conforme § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e às demais limitações legais. Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao Fl. 778DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 776 7 princípio da indisponibilidade do interesse público. O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. Eventual mudança de interpretação sobre a matéria será aplicável somente a partir de sua introdução na legislação tributária. Dispositivos Legais. Constituição Federal, arts. 37 e 100; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts. 100, 170 e 170A; Decreto nº 20.910, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 9.779, art. 16; Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º; Portaria MF nº 203, de 2012, art. 1º, III, e art. 280, III e XXVI; IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 81 e 82 eprocesso 10880.724252/201346. No caso concreto, tendo o Contribuinte obtido a decisão que homologou o pedido de renúncia ao direito de execução do título judicial em 31/10/08 (fls.244), a Recorrente poderia promover a execução administrativa do seu crédito reconhecido até 31/10/2013. Desta feita, ao contrário do que informou a DRF de origem, à época da apresentação do pedido de restituição em 26/02/2009, o direito creditório da Recorrente ainda não havia sido atingido pela prescrição. Conforme prescreve a legislação anteriormente citada, o termo inicial para contagem do prazo de prescrição é a data da homologação da renúncia ao direito de execução judicial. Está incorreta, portanto, a contagem de prazo de prescrição realizada pela DRF que considerou como termo inicial a data da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento antecipado do PIS, conforme consta no referido despacho decisório. Antes de adentrar na questão do pedido de restituição, cabe ainda fazer algumas considerações sobre os efeitos do pedido de habilitação do crédito que o Contribuinte afirma ter interrompido a prescrição do seu crédito. Ao contrário do que afirma a Recorrente, entendo que a Habilitação é apenas um procedimento preliminar e preparatório ao pedido de compensação de crédito originário de decisão judicial transitada em julgado. O procedimento de habilitação foi previsto no art.71, da IN SRF nº900/08, anteriormente transcrito. Sua base legal esta no §14 do art. 74, da Lei nº9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 779DF CARF MF 8 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o dispostoneste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (grifei) Na habilitação não se discute o direito creditório do contribuinte, a sua suficiência ou o seu quantum, tratase apenas de procedimento formal onde se verifica a validade da decisão transitada em julgado para a realização da compensação, que se dará posteriormente pela apresentação das Dcomps (declarações de compensações). A suficiência e o quantum referente ao direito creditório é somente verificado quando ocorre a homologação da compensação. Assim, o procedimento de habilitação não tem o efeito de interromper o prazo de prescrição para a execução do crédito tributário reconhecido judicialmente. Superada a questão da prescrição, cabe analisar se o Contribuinte poderia, por via administrativa, solicitar a restituição do seu credito lastreado em título judicial. Não há respaldo em lei para pedido de restituição administrativa de crédito reconhecido judicialmente. Diversamente do que alega a Recorrente, na esfera administrativa, a única possibilidade legal de execução do título judicial é a compensação, conforme já explicitado anteriormente. Além da falta de amparo em lei, a restituição administrativa de crédito reconhecido judicialmente também viola a ordem de pagamento de precatório, em afronta a Constituição Federal, o que representa uma quebra de isonomia entre os administrados garantida pelo art. 100 da CF/88. Em consonância com o art.100 da CF/88, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria por meio da aprovação da Súmula Nº 461, D.J. 25/08/2010, in verbis: O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. Se o Contribuinte pretendia a restituição do seu crédito ao invés da compensação, então deveria ter optado pela execução por via de precatório que é o modo adequado de se pleitear restituição de crédito decorrente de título judicial. Administrativamente, conforme já afirmado, a única possibilidade legal da execução é por meio da compensação. Por fim, ressalto que na decisão judicial transitada em julgado constante do processo nº 98.00339876 inexiste qualquer mandamento permitindo restituição do indébito pela via administrativa. A referida decisão reconheceu o direito creditório do Contribuinte para o fim específico de compensação do crédito , in verbis: ... os pagamentos efetuados pela autora a título de PIS, com base nos DecretosLeis referenciados, comprovados devidamente Fl. 780DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 777 9 nestes autos, configuramse como pagamentos indevidos a constituir crédito para o específico fim de compensação. Portanto, não há amparo com base na sentença judicial ou na lei vigente para o pedido de restituição. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Declaração de Voto Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Relator no que tange à i) utilização do Decreto n. 20.910/1932 como norma aplicável para contagem do prazo para prescrição ou decadência do direito à restituição de indébito tributário; ii) sobre o direito da Recorrente à restituição administrativa do indébito tributário. Com relação à normativa a ser utilizada para os pedidos de restituição de tributos inconstitucionais (no caso o PIS na forma dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449/88), entendo que o regime jurídico que disciplina a questão é o tributário, e não a disciplina residual do Decreto n. 20.910/1932 sobre as dívidas da Fazenda Pública. Isto porque, quando, o tributo foi pago, antes de qualquer declaração de inconstitucionalidade da lei, ele era devido, já que embasado em norma jurídica válida porque pertencente ao sistema sem que nenhum órgão autorizado a tivesse qualificado de outra maneira. Somente depois da declaração de inconstitucionalidade, retirando sua validade com efeitos retroativos, é que se observa situação de invalidade, passando a qualificar o pagamento efetuado como indevido. Assim, a natureza do pagamento efetuado é tributária. Outro argumento que sustenta a natureza tributária da relação de indébito, é que o direito tributário cuida de todas as normas jurídicas válidas que estejam direta ou indiretamente relacionadas ao conceito de tributo. Desse modo, a repetição de indébito deve ser regida pelas normas jurídicas integrantes do sistema tributário brasileiro. 1 Brandão Machado 2 bem sintetiza a questão da seguinte forma: Na verdade, a natureza jurídica da pretensão de quem repete imposto indevido é tributária, porque ontologicamente ligada à 1 Entendimento em sentido contrário diminuiria sobremaneira o campos de aplicação do direito tributário. (Cf. Cerqueira, Marcelo Forte. Repetição do Indébito Tributário. São Paulo: Max Limonad. 2000. p. 234). 2 Repetição do indébito no direito tributário. In: Direito Tributário – estudos em homenagem ao Prof. Ruy Barbosa Nogueira. São Paulo: Saraiva, 1994, p. 64. Fl. 781DF CARF MF 10 relação de débito do tributo. Este nasce da ocorrência in concreto do seu pressuposto, e é a partir daí que se realiza o recolhimento do seu quantum. O ato de pagar pressupõe uma obrigação que o Estado ou o credor, ou ambos, imaginam existentes, e portanto criada pela ocorrência de seu pressuposto. Destarte, a restituição de valores pagos como tributos, por mais que decorrentes de declaração de inconstitucionalidade, por ser relação jurídica consequente da arrecadação de tributos entre ente público e contribuinte, deve seguir o regime tributário, ou seja, as normas que garantem com precisão os direitos dos contribuintes, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema. 3 Assim, concluise que os artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, por serem as normas jurídicas que cuidam do direito e do prazo para a restituição de tributos, devem ter sua disciplina aplicada ao presente caso, como corrobora pela doutrina sobre o tema,4 bem como as razões institucionalmente expostas pela Procuradoria da Fazenda Nacional do Parecer PGFN n. 2093/2011.5 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. 4 […] O equivocadamente denominado ‘tributo indevido ou ilegal’ também é tributo, porque determinada exigência tributária, mesmo agredindo o ordenamento, terá índole tributária até a respectiva norma incompatível ser retirada do sistema. O pagamento realizado com base numa cobrança indevida consistirá em pagamento de tributo, justamente porque realizado como cumprimento ao disposto numa norma válida […]. O montante exigido em desconformidade com a regra matriz de incidência, ou com o fundamento de validade desta, é tributo (devido) e, se revestido de caráter tributário, há de ter regulada sua devolução com base no sistema tributário nacional.(CERQUEIRA, Marcelo Fortes de. Repetição do Indébito Tributário. São Paulo: Max Limonad. 2000, p. 239) 5 8. A despeito de a relação jurídica de repetição de indébito não ter por objeto uma obrigação de pagar tributo, mas, sim, de devolvêlo, ela não perde sua nota tributária. A relação de indébito tributário tem por objeto uma obrigação de dar dinheiro, atribuída à Administração em favor do contribuinte, em virtude do pagamento de uma obrigação tributária, que não deveria ter sido cumprida nem exigida. Está especificamente regida pelo CTN e pela legislação tributária. Nesse sentido, vale reproduzir Paulo de Barros Carvalho6 : “A importância recolhida a título de tributo pode ser indevida, tanto por exceder ao montante da dívida real, quanto por inexistir dever jurídico de índole tributária. Surge, então, a controvertida figura do tributo indevido, que muitos entendem não ser verdadeiramente tributo, correspondendo antes a mera prestação de fato. Não pensamos assim. As quantias exigidas pelo Estado, no exercício de sua função impositiva, ou espontaneamente pagas pelo administrado, na convicção de solver um débito fiscal, têm a fisionomia própria das entidades tributárias, encaixandose bem na definição do art. 3º, do Código Tributário Nacional. A contingência de virem a ser devolvidas pelo Poder Público não as descaracteriza como tributo e para isso é que existem os sucessivos controles de legalidade que a Administração exerce e dos quais também participa o sujeito passivo, tomando a iniciativa ao supor descabido o que lhe foi cobrado, ou postulando a devolução daquilo que pagara indebitamente. Não sendo suficiente o procedimento administrativo que para esse fim se instale, terá o interessado acesso ao Poder Judiciário, onde poderá deduzir, com os recursos inerentes ao processo judicial, todos os argumentos e provas que dêem substância aos seus direitos”. (ênfase minha) 19. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça vem também afirmando a natureza tributária dessa relação, independentemente de sua causa. Vale conferir: “TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. 6CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 21 ed. Saraiva: São Paulo, 2009. p. 494495. Registros Nº 5946/2010 e Nº 94/2011; Nº 1907/2011 e Nº 9998/2010. 7 1. Os juros de mora na repetição do indébito, ainda que de tributos declarados inconstitucionais, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença, na conformidade do que dispõem o art. 167 do CTN e a Súmula 188/STJ. 2. O argumento de que o tributo declarado inconstitucional perde a natureza tributária, razão por que não lhe pode ser aplicado o disposto no art. 167 do CTN, gera reflexos práticos de difícil equacionamento. Se ao tributo não se aplica o termo inicial de incidência dos juros previstos na lei para a repetição do que foi pago indevidamente, também não incidem as demais normas que disciplinam o indébito tributário, tais como as relativas à prescrição, à decadência, à compensação, à Taxa Selic, dentre outras. 3. O art. 167 do CTN, que trata da incidência dos juros moratórios na repetição de indébito, não faz qualquer distinção quanto à origem do pagamento indevido, se decorrente da ilegalidade ou inconstitucionalidade do tributo. É regra de hermenêutica, não cabe ao intérprete distinguir onde a lei não distingue, principalmente em matéria tributária, que, assim como no Direito Penal, se socorre do princípio da legalidade e da tipicidade cerrada. 4. Recurso especial provido.” (RESP 1040718/MG7 . 2ª T. STJ. Relator Ministro Castro Meira. Dje 07.09.2008) (sem negrito no original) 20. A principal decorrência da natureza jurídica Fl. 782DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 778 11 De fato, a primeira parte do artigo 165, inciso I, do Código Tributário Nacional trata das hipóteses de erro de direito que poderão ensejar a restituição. A inconstitucionalidade do tributo, por também representar tal situação, deve culminar no emprego do dispositivo. Nesse sentido o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou em algumas oportunidades, das quais destaco os trechos a seguir: A declaração de inconstitucionalidade da norma que veicula a regramatriz de incidência tributária, fundamento de validade da norma individual e concreta constitutiva do crédito tributário (lançamento tributário ou ato de formalização do próprio contribuinte), não retira a natureza tributária da importância recolhida a título de tributo e que é objeto da devolução pleiteada. (EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP). O argumento de que o tributo declarado inconstitucional perde a natureza tributária, razão por que não lhe pode ser aplicado o disposto no art. 167 do CTN, gera reflexos práticos de difícil equacionamento. Se ao tributo não se aplica o termo inicial de incidência dos juros previstos na lei para a repetição do que foi pago indevidamente, também não incidem as demais normas que disciplinam o indébito tributário, tais como as relativas à prescrição, à decadência, à compensação, à taxa Selic, dentre outras. (AgRg nos EREsp 808747/RS). Pois bem, sendo o tributo inconstitucional uma das formas de pagamento de tributo indevido (artigo 165, inciso I do CTN), implica na utilização da regra do artigo 168, inciso I do CTN para a contagem do prazo de decadência/prescrição do direito do contribuinte reaver, administrativamente ou judicialmente, o indébito. Por essa razão é que, para as hipóteses de tributos indevidos porque assim reconhecidos por meio de sentença judicial, em ação promovida pelo próprio sujeito passivo, contarseia o prazo do direito à restituição do indébito do transito em julgado da decisão que reconheceu incidentalmente a inconstitucionalidade da exação, pois é ela que reconhece o pagamento como indevido. É assim que ocorre no âmbito judicial. Todavia, como bem apontado pelo Relator, a Receita Federal ao disciplinar a questão posta em termos gerais pelo artigo 168 do CTN, entendeu por bem considerar como dies a quo para a contagem do prazo no âmbito administrativo, ou, alternativamente, a data do trânsito em julgado do processo ou a data da homologação da desistência da execução do título judicial (artigo 71, §4º, inciso IV da IN n. 900/08), ao cuidar especificamente do prazo aplicável ao processo administrativo de restituição ou compensação de valores pagos indevidamente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão de 05 de junho de 2016 no Acórdão 9303004.172, bem colocou as razões dessa opção da legislação complementar, ratificada pelo Parecer Normativo Cosit n. 11/2014: tributária da relação de indébito é sua filiação, no que couber, ao CTN e ao Título VI – Da tributação e do orçamento, positivado na Constituição Federal, o qual, entre outras matérias, reserva à lei complementar a tarefa de positivar normas gerais sobre “obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários”, por força do art. 146, III, b, da CF. Fl. 783DF CARF MF 12 Tendo em vista que a possibilidade de compensação surge apenas com a desistência da ação de execução, não podemos alegar que este direito sofreu decadência, tendo em viste que até este momento, sequer chegou a existir. Antes disso, o contribuinte não possui possibilidade jurídica de ação junto à Administração Tributária, razão pela qual a própria condiciona o exercício administrativo do direito reconhecido judicialmente à desistência da execução do título na esfera judicial. A ementa do citado Acórdão foi lavrada nos seguintes termos: Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO EM AÇÃO JUDICIAL PRÓPRIA. PRAZO PARA PEDIDO ADMINISTRATIVO. TERMO INICIAL. DESISTÊNCIA DA AÇÃO DE EXECUÇÃO JUDICIAL. O prazo para o pedido administrativo de repetição de indébito reconhecido na via judicial tem início na data da homologação da desistência da ação de execução do título judicial. Esta opção da norma complementar (artigo 96 e artigo 100, inciso I do CTN), vigente e eficaz à época dos fatos, criadora de expectativa legítima por parte da Contribuinte uma vez que representa a interpretação da própria Administração sobre o tema, deve ser observada. É por essa razão que no presente caso, no qual a decisão que homologou o pedido de renúncia ao direito de execução do título judicial data de 31/10/2008 e o pedido de restituição foi apresentado em 26/02/2009, realmente não ocorreu a decadência do direito à restituição administrativa dos valores, já que não foram ultrapassados os cinco anos estipulados pelo artigo 168, inciso I do CTN e do artigo 71, §4º, incisos IV e V da IN 900/2008. Nesses termos, acompanho o Relator pelas conclusões em relação ao tópico da decadência. Passo então ao mérito do direito à restituição administrativa do indébito decorrente do pagamento de tributo declarado inconstitucional. Primeiramente é preciso que se dê a devida atenção à ação declaratória (Processo n. 98.00339876) que antecedeu o presente pedido de restituição de tributo, pois a manifestação da autoridade fiscal sobre o seu conteúdo é diametralmente opostas ao quanto decidido pelo Poder Judiciário. Com efeito, no despacho decisório, além da questão da decadência (tratada como prescrição pela autoridade certificadora), o motivo adotado pela autoridade fiscal para indeferir o pedido de restituição foi de que (fls 266 e 270): Fl. 784DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 779 13 (...) Ou seja, a autoridade de origem entendeu que a decisão proferida no Processo n. 98.00339876 teria restringido o direito da Contribuinte a só poder utilizar o caminho da compensação para reaver o crédito tributário reconhecido pela ação declaratória, e que tal decisão, por se sobrepor àquela de competência das autoridades administrativas pelo princípio da jurisdição una, deveria prevalecer. Pois bem. Como já adiantado, a autoridade fiscal equivocase gravemente sobre o quanto foi discutido e, portanto, decidido no Processo n. 98.00339876. Pela leitura da ação judicial proposta pela Recorrente, depreendese que eram dois os seus objetivos: i) a declaração incidental de inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição ao PIS com base nos Decretos n. 2.445 e 2.449/88; e ii) a garantia do direito de restituição do indébito tributário (por meio de compensação ou repetição), em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade da tributação nos moldes dos citados Decretos. No que tange a esse segundo objetivo, é absolutamente nítido na petição inicial apresentada pela Recorrente que subsidiariamente ao direito à compensação do crédito tributário, requereuse o direito a sua repetição. Em outras palavras, a Contribuinte não demandou ao Poder Judiciário a concessão de determinado direito (compensação) e, concomitantemente, a erradicação de outro direito (repetição), instituído pela legislação tributária. Demandou isso sim, a declaração de existirem pagamento indevidos e, por conseguinte, o direito de reavêlos, pela via da compensação ou da repetição do indébito. Afinal, não se vai ao Judiciário para ter direitos tolhidos, mas sim para perquirilos. Vejamos o trecho da petição, trazido ao fim do tópico a respeito do direito à compensação dos tributos federais (fls 19): A subsidiariedade dos pedidos, sendo o direito à compensação o principal, e o direito à restituição o subsidiário, fica clara nos pedidos ao cabo da petição inicial: Fl. 785DF CARF MF 14 O item ii do pedido acima transcrito não deixa dúvidas: a Recorrente fez pedido subsidiário sobre o direito à repetição de indébito (seja judicial ou administrativamente, já que não há nada na ação que especifique a via pleiteada pela Contribuinte). Ocorre que tal pedido não foi objeto de apreciação pelo Poder Judiciário. Com efeito, tanto a decisão acerca do pedido de antecipação da tutela (fls 27), quanto na sentença (fls 67) trataram unicamente do pedido de compensação, sem se debruçar especificamente sobre o pedido subsidiário de repetição do indébito. Abaixo cito os trechos das decisões que corroboram tal assertiva: Fl. 786DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 780 15 (...) Como foi somente esse pedido principal de compensação (e não o subsidiário, de repetição do indébito) que foi abarcado pela decisão judicial, foi dele que a Fazenda Nacional apelou (fls 89 a 95), passando a lide a versar sobre exclusivamente o direito à compensação. Nesse ponto é impossível deixar de fazer constar que causa espécie a repetida citação por parte da autoridade fiscal de que o Acórdão do TRF3 teria reconhecido o direito à restituição do indébito tributário unicamente para "específico fim de compensação" (fls 118). O espanto vem do fato de que esta expressão vem sendo repetida de forma totalmente descontextualizada de onde apareceu na decisão citada. De fato, tal passagem ("específico fim de compensação") encontrase no início do voto condutor da decisão do Tribunal (fls 115 a 124), em passagem abstrata e ainda distante dos limites da lide devolvidos ao Tribunal, logo após a Relatora do caso descrever como inconteste o direito ao crédito perquirido pela Contribuinte, haja vista que a inconstitucionalidade dos Decretos n . 2.445 e 2.449/88 já era amplamente aceita pelo Poder Judiciário. Pacificado esse ponto, em seguida a Relatora passa a tratar do direito à compensação dos tributos inconstitucionalmente levados aos Cofres Públicos, momento em que aparece a expressão "específico fim de compensação". Vejamos: Fl. 787DF CARF MF 16 Depois do citado trecho, longamente passase a tratar dos requisitos legais estabelecidos pela legislação ordinária para a validade das compensações (se entre espécies tributárias diversas ou não), esse sim sendo o objeto de julgamento pela Turma. O que saliento, portanto, é que o que foi objeto de decisão pelo TRF3 não foi o direito da Recorrente de unicamente poder reaver os montantes indevidamente recolhidos aos Cofres Públicos por meio de compensação até porque tal decisão seria extra petita , mas sim o provimento parcial ao apelo da União, para restringir o direito à compensação anteriormente concedido pela decisão de primeiro grau, para se dar tão somente entre tributos da mesma espécie, discussão essa que existia à época em razão das mudanças trazidas pelas Lei n. 8.383/91, Lei n. 9.069/95 e Lei n. 9.430/96. Destaco o dispositivo do Acórdão (fls 121), que é inconteste sobre o que foi objeto de devolução e decisão do Tribunal: Daí se confirma a afirmação de que a expressão utilizada pela decisão do TRF3 ("específico fim de compensação"), não compõe o que foi decidido pelo Poder Judiciário, de modo que o despacho decisório foi de fato pouco fiel ao quanto decidido no Processo n. 98.00339876. Em síntese, a primeira instância proferiu sentença para "reconhecer o direito" da Recorrente para efetuar as compensações. Já a segunda instância julgou por "restringir" essa autorização para compensação da Contribuição ao PIS apenas com a própria Contribuição ao PIS. Eis o conteúdo do quanto decidido no Processo n. 98.00339876 e que deve ser observado por esse Colegiado. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 781 17 O Novo Código de Processo Civil hoje já não deixa dúvidas sobre o não cabimento da interpretação dos pedidos feita pela autoridade certificadora, pelo texto do artigo 322, §2º: "a interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o princípio da boafé." Ainda é preciso relembrar, nesse momento, que o direito à compensação e o direito à repetição do indébito não são excludentes antes de efetivamente perpetrados pelas contribuintes. Na realidade, relacionando a compensação com as demais formas de extinção da relação de débito do Fisco, temos que a restituição de indébito tributário é entendida como gênero, cujas espécies são a repetição e a compensação, conforme lição do juiz federal e professor Paulo Cesar Conrado.6 Ambas promovem a extinção do débito do fisco para com o contribuinte. Igualmente, ambas dependem da atuação primordial do contribuinte para a consecução de tal fim. Ou seja, munido de título judicial que assegure o crédito tributário, os contribuintes possuem a faculdade de compensar ou repetir o indébito, conforme a pacífica jurisprudência do STJ (REsp n. 227.059/RS7 e REsp n. 200.577/BA). 8 Ocorre que, em razão da alta e inconstante regulação do direito à compensação no âmbito federal (sucessivas alterações da Lei n. 8.383/91), os contribuintes utilizavam de suas ações, movidas para reconhecer a inconstitucionalidade de determinada exação, para também verem garantido o direito a compensação do indébito desta ou daquela forma. Ou seja, iam ao Judiciário em busca de segurança jurídica. Em outras palavras, a Recorrente, por meio do Processo n. 98.00339876, buscou garantir o seu direito à restituição do indébito, assim declarado pelo Poder Judiciário, seja pela via da compensação, seja pela via da repetição. Ambos os pedidos foram levados à apreciação do Poder Judiciário pela Recorrente, porém somente o pedido de compensação foi objeto de apreciação, como descrito acima. Em tais casos, a Receita Federal se manifesta no sentido de que, não tendo o Poder 6 CONRADO, Paulo Cesar. Compensação Tributária e Processo. São Paulo: Quartier Latin. 2009, p. 128. 7 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. COMPENSAÇÃO E/OU RESTITUIÇÃO. FASE EXECUTÓRIA. OPÇÃO. POSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. 1. O recurso especial pelo permissivo da letra "a" exige o prequestionamento explícito da questão federal invocada. 2. O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento desta Corte consoante o qual é possível o contribuinte optar, na fase executória, pela repetição ou compensação do tributo recolhido indevidamente ou a maior, sem que isto implique em ofensa à coisa julgada. 3. Recurso especial não conhecido. 8 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DIREITO À DEVOLUÇÃO DO INDÉBITO ASSEGURADO POR DECISÃO TRÂNSITA EM JULGADO. OPÇÃO POR COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS NA FASE EXECUTÓRIA. POSSIBILIDADE. 1. A própria Lei nº 8.383/91 (art. 66, § 2º) faculta ao contribuinte o direito de optar pelo pedido de restituição, pelo que quiçá em atendimento ao princípio isonômico pode o mesmo fazer a escolha pela compensação, ainda mais com o seu direito à devolução do indébito assegurado por decisão trânsita em julgado. 2. Tema que se consubstancia em íntegro direito subjetivo do contribuinte com crédito, inclusive, já reconhecido por sentença. A compensação é um direito do contribuinte, que dele pode se valer sem necessidade de prévia autorização judicial, a não ser obstado por determinação administrativa. 3. Precedentes. 4. Recurso especial provido. Fl. 789DF CARF MF 18 Judiciário efetivamente dirimido determinada situação no bojo do processo judicial, cabe à Administração apreciálo: Solução de Divergência nº 23 – Cosit, de 2011: 31.Conforme relatado na solução recorrida, o trânsito em julgado da decisão judicial ocorreu em 30 de setembro de 2005, quando já vigente a redação dada pela MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002. Logo, a situação concreta não se subsume à hipótese até o momento tratada. 32.Passase, então, a analisar a segunda situação referida no parágrafo 25 (vinte e cinco) desta solução de divergência, qual seja, de que não há norma superveniente mais benéfica ou que reafirme os direitos antes previstos. 33. As decisões judiciais cumpremse, em regra, tal como proferidas. Não cabe à Administração estabelecer limites ou restringir os efeitos da decisão. Entretanto, existe a possibilidade de que, por motivos vários, a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tenha sido utilizada na apreciação da causa posta perante o Poder Judiciário, ou seja, não tenha sido apreciada e rechaçada na decisão judicial. 34.Ocorrendo tal hipótese, deve a Administração aplicar à compensação feita pelo contribuinte a norma já vigente à época da decisão judicial, se mais favorável ao contribuinte, seguindo o mesmo entendimento antes esclarecido para a situação de norma superveniente mais benéfica (...) . 35.3 Porém, no caso do contribuinte Y, se aplicado o entendimento firmado pela Disit da 6ª Região Fiscal e também pela Cosit, não poderá ser homologada a Dcomp com compensação com outros tributos, pois não houve alteração da norma posteriormente ao trânsito em julgado da decisão. Mas, por que impedir a compensação com outros tributos se há uma ordem legislativa que a permite e não há decisão judicial que a impeça? Não faria sentido. Impedir o contribuinte Y de compensar com outros tributos administrados pela RFB é dar tratamento diferenciado a contribuintes que estão albergados pelo mesmo direito. 35.4 Diversamente, aplicandose a interpretação aqui adotada, uma vez que a MP nº 66 prevê a compensação com outros tributos, e já que o Judiciário não foi contrário a isso, há que se considerar o direito do contribuinte de transmitir Dcomp para compensar seu crédito reconhecido judicialmente com débitos de quaisquer tributos administrados pela RFB. Solução de Consulta nº 382 Cosit, de 26 de dezembro de 2014 Fl. 790DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 782 19 11.2.2 Á primeira vista, deverseia impossibilitar que a Consulente pudesse compensar seu crédito com tributos e contribuições diversos da Contribuição ao PIS/Pasep, posto que a decisão transcrita, tendo expressamente considerado já a Lei nº 9.430, de 1996, que permitia a compensação entre tributos de diferentes espécies, optou por autorizar a compensação apenas com “o próprio PIS”. Contudo, vêse que a possibilidade de compensar com tributos diferentes não chegou a ser analisada pelo Juízo, que estava adstrito ao pedido formulado na petição inicial, qual seja, a compensação “com as parcelas vincendas do próprio PIS” consoante dispunha a ordem legislativa vigente à época do ajuizamento da ação. Em outras palavras, o Juízo não rechaçou tal possibilidade, limitouse a deferir de acordo com o pedido formulado. (...) Diante do exposto, é de se concluir que a situação dos autos se amolda ao contido nos parágrafos 33 e 34 da SD nº 23 – Cosit, de 2011, devendo ser permitido à interessada compensar seu crédito com quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, exceção feita às contribuições previdenciárias e contribuições feitas a outras entidades ou fundos (art. 41, caput, da IN RFB nº 1300, de 2012) e aos tributos apurados na forma do Simples Nacional (art. 41, § 3o, XII). Pois bem. Muito embora tenha saído vencedora no seu pleito de compensar o indébito tributário reconhecido pela sentença transitada no Processo n. 98.00339876, a Recorrente optou por requerer administrativamente a restituição do indébito. Não havendo manifestação judicial sobre a validade da tal procedimento (restituição administrativa do indébito da Recorrente), cabe às autoridades administrativas tratarem da questão, que foi trazida ao seu crivo. Nesse aspecto, o Relator afirma inexistir norma que autorize a restituição administrativa, e que tal procedimento violaria o artigo 100 da Constituição, vale dizer, a fila dos precatórios. Também cita a Súmula 461 do STJ. Primeiramente com relação à autorização legal para o procedimento, à época dos fatos sob análise vigia a Instrução Normativa n. 900/2008, que expressamente garantia, ao lado do direito à compensação de tributos, o de restituição administrativa: CAPÍTULO II DA RESTITUIÇÃO SEÇÃO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: Fl. 791DF CARF MF 20 I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (...) Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) SEÇÃO VIII DAS DISPOSIÇÕES COMUNS (...) CAPÍTULO VIII DOS CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO Art. 70. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1º A autoridade da RFB competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 783 21 § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação da desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário, ou a renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento, de reembolso e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: (...) Tal autorização tinha como fundamento legal o próprio artigo 74 da Lei n. 9.430/96, que estabelece que: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Ou seja, havia tanto norma de hierarquia infralegal como lei sem sentido estrito garantindo o direito à restituição administrativa do indébito tributário, reconhecido por meio de decisão judicial. Tanto era válida e vigente a possibilidade de restituição administrativa dos valores que a Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT Nº 2.093/2011, cujas razões são as mesmas que embasam o voto do Relator (obrigação de submissão ao rito dos precatórios, estipulado no artigo 100 da Constituição), sugeriu em seu item 155 a abolição do direito à restituição administrativa do indébito, então vigente: Fl. 793DF CARF MF 22 155. Quanto ao pagamento administrativo certificado em decisão judicial, sugerimos a reformulação do art. 70 da IN Nº 900, de 2008, e dispositivos correlatos, de forma que a restituição administrativa, quando decorrente de decisão judicial, seja extirpada como possibilidade jurídica de execução do débito do Fisco. Assim, é inconteste a existência de arcabouço normativo para o presente pedido de repetição de indébito administrativo, nos termos que formulado pela Recorrente. Também parece fora de dúvida que embora legítima a preocupação acerca da compatibilização do artigo 70 da IN n. 900/2008 e do artigo 74 da Lei n. 9.430/96 com o artigo 100 da Constituição Federal, tal trabalho está fora da competência desse Colegiado, uma vez que a Súmula CARF n. 2 estabelece a vedação do órgão para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, com relação à Súmula 461 do STJ, segundo a qual “o contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado”, seu conteúdo já foi anteriormente objeto de minha manifestação, a qual reproduzo a seguir: 9 Ao analisar os precedentes que deram origem à citada Súmula 461 (EREsp 502.618/RS; EREsp 609.266/RS; REsp 526.655/SC; REsp 551.184/PR; REsp 798.166/RJ; REsp 891.758/SP; e REsp 1.114.404/MG) constatase que em nenhum momento os Ministros do STJ negaram a validade da via administrativa para a restituição de indébito tributário. Na realidade, esse assunto não foi objeto de análise. Os julgamentos, isso sim, curvaramse tão somente sobre a eficácia executiva das ações declaratórias e da possibilidade de opção do contribuinte para a execução judicial, e não administrativa, da sentença que reconhece o indébito, uma vez que tanto a restituição por precatórios como a compensação são pedidos possíveis de ser escolhidos pelo contribuinte. Vêse, portanto, que a discussão travada no STJ nunca saiu dos mecanismos e problemas judiciais para a devolução de tributos indevidamente recolhidas ao Erário. Não foi julgado, reiterese, a forma administrativa de restituição de tributos. Por essa razão, entendo que a Súmula 461 não resolve a questão da restituição administrativa como forma legítima ou não para que o contribuinte reveja os montantes pagos indevidamente aos Cofres Públicos. Assim, uma vez superada a questão da decadência do direito da Recorrente à restituição do indébito e da possibilidade de buscálo por essa via administrativa, já que não havia ordem judicial sobre o tema e a legislação lhe garantia esse direito, únicas razões adotadas pelo despacho decisório para indeferir o pleito de restituição, seus valores devem agora ser avaliados pela autoridade fiscal certificadora. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade da Recorrente para o pleito de restituição administrativa do 9 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015, p. 288 e 290. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 18186.010777/200882 Acórdão n.º 3402004.686 S3C4T2 Fl. 784 23 indébito decorrentes da declaração de inconstitucionalidade proferida no Processo n. 98.00339876 e determinando o retorno dos autos para a DRF, para que examine e profira decisão sobre os demais requisitos do crédito objeto do pedido de restituição lhe foi formulado. Assinado Digitalmente Thais de Laurentiis Galkowicz Fl. 795DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.001902/2007-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 19 02 /2 00 7- 62 Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10950.001902/200762 Acórdão n.º 9303005.834 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.395, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10950.001902/200762 Acórdão n.º 9303005.834 CSRFT3 Fl. 4 3 Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10950.001902/200762 Acórdão n.º 9303005.834 CSRFT3 Fl. 5 4 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10950.001902/200762 Acórdão n.º 9303005.834 CSRFT3 Fl. 6 5 monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. i) rateio das receitas de exportação 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10950.001902/200762 Acórdão n.º 9303005.834 CSRFT3 Fl. 7 6 O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10950.001902/200762 Acórdão n.º 9303005.834 CSRFT3 Fl. 8 7 "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10950.001902/200762 Acórdão n.º 9303005.834 CSRFT3 Fl. 9 8 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10950.001902/200762 Acórdão n.º 9303005.834 CSRFT3 Fl. 10 9 O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10950.001902/200762 Acórdão n.º 9303005.834 CSRFT3 Fl. 11 10 transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 700DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004111/2005-80
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. CONTRADIÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, quando comprovado a existência de contradição entre os fundamentos do acórdão e o resultado proferido.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173,I DO CTN.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543-C do CPC, em relação a aplicação do prazo decadencial, determinam que inexistindo a comprovação de recolhimento antecipado a decadência será aplicada sob a égide do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 9900-001.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9200-000.294, de 08/12/2011, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para dar provimento ao Recurso Extraordinário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto de Freitas Barreto
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ACOLHIMENTO. CONTRADIÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, quando comprovado a existência de contradição entre os fundamentos do acórdão e o resultado proferido. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173,I DO CTN. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543C do CPC, em relação a aplicação do prazo decadencial, determinam que inexistindo a comprovação de recolhimento antecipado a decadência será aplicada sob a égide do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9200000.294, de 08/12/2011, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para dar provimento ao Recurso Extraordinário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 41 11 /2 00 5- 80 Fl. 940DF CARF MF 2 Carlos Alberto de Freitas Barreto (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Ausentes, justificadamente, as conselheiras Adriana Gomes Rego e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Temse em pauta Embargos de Declaração, fls. 930/935, opostos pela Fazenda Nacional com fulcro no art. 65 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, contra o Acórdão do Pleno nº 9200000.294 (fls. 917/928), este julgado na sessão plenária de 08/12/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:1999, 2000, 2001 IRPF – OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – DECADÊNCIA – AFASTADA CONDUTA DOLOSA Tendo sido afastada a conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, a decadência deve aferida pela regra esculpida no artigo 150, §4 º, do CTN. Recurso Extraordinário Negado. O resultado encontrase assim espelhado: Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10920.004111/200580 Acórdão n.º 9900001.008 CSRFPL Fl. 359 3 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Elias Sampaio Freire, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Susy Gomes Hoffmann e Otacilio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Ricardo da Silva. No intuito de contextualizar a apreciação da peça declaratória por esse Colegiado, apresentamos uma síntese dos fatos até a oposição dos presentes Embargos de Declaração. Contra Adriano Bez Redivo foi lavrado Auto de Infração (fls. 422 a 431) em 09.12.05, cuja ciência se deu em 16.12.05, por meio do qual foi exigido crédito tributário concernente aos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, resultando em exigência fiscal de R$ 4.323.683,66, sendo R$ 1.276.146,86 a título de principal, R$ 1.133.316,52 de juros e R$ 1.914.220,28 de multa de ofício. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou impugnação, tendo a DRJ Florianópolis/SC julgado o lançamento procedente (Acórdão DRJ/FNS nº 7.363, de 10/03/2006, às fls. 62/76 – vol III). Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram julgados pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, que em julgamento na sessão plenária de 20/09/2006 deu provimento parcial ao recurso voluntário, prolatandose a seguinte decisão: “ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75% e acolher a decadência do lançamento quanto ao anocalendário de 1999; por maioria de votos, ACOLHER, ainda, a decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a novembro de 2000, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Antônio de Paula, Ana Neyle Olímpio Holanda e José Ribamar Barras Penha” – (Acórdão nº 10615.822, de 20/09/2006, da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, às fls. 98/109 – vol III). Intimada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (ás fls. 112/124 – vol III) para afastar a decadência referente aos anos de 1999 a novembro de 2000, tendo sido dado provimento parcial ao seu recurso especial, restando o Acórdão da CSRF nº 930400.027 (às fls. 132/138 – vol III), de 02/03/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 IRPF DECADÊNCIA ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430/96. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, Fl. 942DF CARF MF 4 sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, §4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Em razão da desqualificação da multa pelo acórdão recorrido (matéria que não foi objeto de recurso especial), não se está diante de dolo, fraude ou simulação e não há, portanto, fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso parcialmente provido. A decisão foi assim prolatada: “ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a decadência em relação aos meses do anocalendário de 2000 e restabelecer a respectiva exigência”. Novamente intimada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário (às fls. 141/155 – vol III) contra o Acórdão da CSRF nº 930400.027, alegando divergência da jurisprudência mantida pela Primeira Turma da CSRF (Acórdão CSRF/0103.167) sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver qualquer recolhimento antecipado do tributo pelo contribuinte, requerendo a aplicação do art. 173, I para o ano calendário de 1999. No entendimento exposto pelo julgado combatido, o prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ser contado a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, independentemente de haver ou não pagamento antecipado pelo contribuinte, e a única hipótese que levaria a aplicação do art. 173, I, do CTN, seria a configuração de dolo, fraude ou simulação. Já, na compreensão do acórdão paradigma trazido, emanado pela Primeira Turma da CSRF, nos casos em que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação, e não há pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial se submete à regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Assim, a Fazenda Nacional conclui que, no caso dos presentes autos, os créditos tributários decorrentes do IRPF relativo ao anocalendário de 1999, cujo fato gerador operouse em 31/12/1999, e cuja ciência do lançamento ao contribuinte ocorrera em 16/12/2005, também não foram extintos pela decadência, eis que tal cientificação se dera dentro do prazo estipulado no art. 173, I, do CTN. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10920.004111/200580 Acórdão n.º 9900001.008 CSRFPL Fl. 360 5 Dado seguimento ao Recurso Extraordinário, restou o Acórdão do Pleno nº 9200000.294 (fls. 917/928), de 08/12/2011, ora embargado pela Fazenda Nacional. Relatório dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional: O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 20/04/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 25/05/2016, Embargos de Declaração alegando “erro que merece uma adequada análise do colegiado, sob pena de ensejar descumprimento de determinação regimental”. Os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional foram acolhidos face a contrariedade, conforme Despacho do Pleno s/nº, de 09/08/2017 (fls. 937/939). Afirma a Fazenda, que o redator do voto vencedor do Acórdão embargado considerou adequada a reprodução da interpretação conferida à matéria pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Porém, quando o relator aplicou o referido entendimento ao caso concreto, pautouse em premissa equivocada, qual seja, de que haveria pagamento a homologar, uma vez que apresentada DIRPF, utilizandose, para corroborar seu raciocínio, da interpretação conferida pela decisão da Quarta Turma da CSRF. Observa que o voto se mostra contraditório com a adequada interpretação conferida ao tema pela decisão do Superior Tribunal de Justiça citado no voto, como também contraditório nos próprios argumentos que o fundamentam já que sob qualquer das óticas apresentadas, o acórdão encontrase em dissonância com Recurso Especial 973.733/SC proferidas na sistemática do art. 543C do CPC, de observância obrigatória no âmbito do CARF. · primeiro, não há respaldo para concluir que “houve o que homologar” considerando tão somente a apresentação da DIRPF pelo contribuinte (o que se busca, conforme determinado pelo Recurso Especial 973.733/SC é apreciar a existência de recolhimentos parciais passíveis de homologação, o que não é o caso dos autos); além do que, analisando a declaração apresentada pelo contribuinte (fls. 14/19), podese observar que não houve quaisquer valores retidos na fonte ou montante a pagar, e, portanto, inexiste qualquer recolhimento que possa ser considerado antecipação de pagamento e permita a utilização do prazo constante do art. 150, §4º, do CTN, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça. · segundo, mostrase também contraditório o voto vencedor quando remete à decisão proferida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão nº 930400.027), uma vez que tal julgado considera apenas aplicável o prazo do art. 173 em hipóteses de dolo, fraude ou simulação, em total descompasso com o entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça; ou seja, a decisão do colegiado da Quarta Turma foi proferida em outro contexto, antes do referido recurso repetitivo, oportunidade em que não se achava vinculada à necessidade de análise acerca da existência de Fl. 944DF CARF MF 6 antecipação de pagamento para determinação do termo inicial do prazo para constituição do crédito tributário. Destaca, portanto, que a equivocada interpretação/aplicação do entendimento constante do Recurso Especial 973.733/SC ao caso concreto enseja descumprimento da determinação regimental constante do art. 62A no sentido de que decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, proferidas na sistemática do art. 543C do CPC, deverão ser obrigatoriamente reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10920.004111/200580 Acórdão n.º 9900001.008 CSRFPL Fl. 361 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, inicialmente, atendem aos pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração a fls. 937. Assim, passo a apreciar a questão. Da Análise Dos Embargos Afirma a Fazenda, que o redator do voto vencedor do Acórdão embargado considerou adequada a reprodução da interpretação conferida à matéria pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, porém, quando da aplicação do referido entendimento ao caso concreto, pautouse em premissa equivocada, qual seja, de que haveria pagamento a homologar, uma vez que apresentada DIRPF, utilizandose, para corroborar seu raciocínio, da interpretação conferida pela decisão da Quarta Turma da CSRF. Da mesma forma, também mostrase contraditório na medida que descreve a obrigatoriedade de reprodução da decisão apreciada pela sistemática do art. 543C do CPC, porém a decisão ao concluir pelo afastamento do art. 173, I, vincula apenas a inexistência de dolo, fraude ou simulação, sem apontar objetivamente a existência de recolhimentos, fazendo transcrição de julgado de outra decisão. Dessa forma, demonstrada a clara contradição no acórdão de recurso extraordinário, nos pontos acima mencionados, mostrase necessário acolher os presentes embargos para melhor esclarecer a questão. Do mérito Conforme descritos nos embargos, a decisão recorrida mostrase equivocada em relação a aplicação do art. 150, §4º do CTN, já que não restou demonstrada a existência de recolhimentos antecipados capazes de cumprir o art. 62 A do Regimento Interno do CARF vigente à época, nem tampouco os preceitos descritos no Recurso Especial 973.733/SC de 12/08/2009 citados na própria decisão. Notese que, a contradição mostrase latente, tendo em vista que nem mesmo a citada apresentação de DIRPF é suficiente para demonstrar recolhimentos antecipados passíveis de homologação (fls. 14/19), já que não é possível identificar qualquer valor retido na fonte ou mesmo cálculo de imposto a pagar. Portanto, inexiste qualquer recolhimento que possa dar amparo a existência de antecipação de pagamento e permita a utilização do prazo constante do art. 150, §4º, do CTN, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça Recurso Especial 973.733/SC. Fl. 946DF CARF MF 8 Da mesma forma, a utilização de fundamentos do acórdão recorrido como razões de decidir não se mostrou a mais acertada, já que a decisão transcrita utiliza como único critério para afastar a regra do art. 173, I do CTN, o fato de inexistir dolo, fraude ou simulação. Contudo, a contradição encontrase novamente evidente, na medida que o próprio acórdão embargado exige a aplicação do entendimento sedimentado do STJ pelo repetitivo, mas não adequa, esse entendimento, à necessária indicação do recolhimento. Dessa forma, considerando essa série de contradições e a necessidade de análise acerca da existência de antecipação de pagamento para determinação do termo inicial do prazo para constituição do crédito tributário, bem como, o fato de que na DIRPF não consta qualquer informação capaz de chancelar qualquer entendimento de que houve recolhimento antecipado (seja valor retido na fonte, ou mesmo indicação de valor de imposto a recolher), os presentes embargos devem ser acolhidos com efeitos infringentes para DAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. No caso dos presentes autos, os créditos tributários decorrentes do IRPF relativo ao anocalendário de 1999, cujo fato gerador operouse em 31/12/1999, e cuja ciência do lançamento ao contribuinte ocorrera em 16/12/2005, não foram extintos pela decadência, eis que tal cientificação se dera dentro do prazo estipulado no art. 173, I, do CTN. Conclusão Face o exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, para, re ratificando o Acórdão nº 9200000.294, de 08/12/2011, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para dar provimento ao Recurso Extraordinário. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 947DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004065/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As Turmas ordinárias de julgamento não têm competência para alterar o critério jurídico do lançamento realizado, devendo verificar apenas a correção ou incorreção do lançamento efetuado, de modo a mantê-lo ou rechaçá-lo do mundo jurídico.
Decisão que altera o critério jurídico do lançamento é decisão nula.
Numero da decisão: 9101-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para novo julgamento com apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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DE PEÇAS DIESEL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As Turmas ordinárias de julgamento não têm competência para alterar o critério jurídico do lançamento realizado, devendo verificar apenas a correção ou incorreção do lançamento efetuado, de modo a mantêlo ou rechaçálo do mundo jurídico. Decisão que altera o critério jurídico do lançamento é decisão nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para novo julgamento com apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 65 /2 00 3- 11 Fl. 3872DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte diante do Acórdão 140201.050, onde se entendeu que o lançamento do IRPJ e CSLL originariamente realizado com inclusão de receitas omitidas no lucro real e base da CSL, apuradas com fundamento no artigo 42, da Lei 9.430/96, poderia ser alterado para lançamento com base nas regras do lucro arbitrado, mediante decisão do Conselho. Na origem, tratase de autuação para cobrança de IRPJ, CSLL PIS e COFINS, relativos aos anoscalendário 1998, 1999, 2000 e 2001, por omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancárias de titularidade da empresa. A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, para exclusão de valores cuja origem foi comprovada, o que ensejou a interposição de Recurso Voluntário. No julgamento do Voluntário a Turma decidiu por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para subtrair das receitas omitidas, levadas a tributação, os valores de R$ 554.399,43 (1998), R$ 2.080.093,75 (1999), R$ 88.490,00 (2000) e R$ 270.191,70 (2001) e reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a base de cálculo do lucro arbitrado, conforme ementa e decisão abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DURANTE O CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO . IMPOSSIBILIDADE. É inadequada a postulação de matéria relativa à inconstitucionalidade na esfera administrativa, na forma prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, acrescido pela Lei 11.941/09. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Outrossim, devem ser corrigidos os equívocos cometidos pelo fisco na determinação da base de cálculo, apontados no recurso voluntário. CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 9101003.129 CSRFT1 Fl. 3.869 3 LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para subtrair das receitas omitidas, levadas a tributação, os valores de R$ 554.399,43 (1998), R$ 2.080.093,75 (1999), R$ 88.490,00 (2000) e R$ 270.191,70 (2001) e reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a base de cálculo do lucro arbitrado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificado da decisão o Contribuinte apresentou Embargos de declaração, acolhidos para considerar a decadência de determinados períodos de apuração. Cientificado da decisão dos Embargos o Contribuinte apresentou Recurso Especial, alegando que a decisão recorrida diverge da jurisprudência administrativa que entende que, verificandose a necessidade de apuração do resultado pelas regras do lucro arbitrado, em face da imprestabilidade da escrituração ou sua não apresentação pelo sujeito passivo, deve ser cancelado o lançamento realizado na sistemática do Lucro Real. Seu Recurso foi admitido, conforme despacho de admissibilidade. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, trazendo os seguintes fundamentos: · Não merece qualquer censura a conclusão bem fundamentada adotada no acórdão recorrido; · Ainda que não merecesse prosperar a conclusão exposta na decisão recorrida, o que se admite para argumentar, impõese registrar, tal como consignado pela DRJ de origem que o contribuinte, ora recorrente, somente se valeu do argumento de que o lançamento deveria ter sido feito com base no lucro arbitrado em petição apresentada após a protocolização da impugnação. Ou seja, tratase de argumento alcançado pela preclusão temporal e consumativa; É o relatório. Fl. 3874DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre o conhecimento do Recurso do Contribuinte entendo não haver reparos a serem realizados no despacho do Presidente da Câmara. Sobre a preclusão consumativa alegada pela Fazenda, de que o Contribuinte apenas aventou que o lançamento deveria ter sido efetuado pelas regras do arbitramento, entendo não caber razão à Fazenda. Primeiro, porque na impugnação apresentada, às efls 1899, o Contribuinte traz argumentação no sentido de ser ilegítimo o lançamento do IRPJ e da CSLL com base exclusivamente em extratos bancários. Tal tópico, a meu ver, traz exatamente os fundamentos que se discute a impossibilidade de cobrança do IRPJ e CSLL sobre receitas omitidas, pois seu fato gerador é o lucro. Argumento esse utilizado para se concluir pela necessidade de arbitramento. Dentre seus fundamentos exaltados em referido tópico, destaco o seguinte: Considerando que pode ser bem variada a gama de situações estranhas à tributação, e que a simples existência dos depósitos não conduziria à apontada presunção, o judiciário firmou a diretriz de que 'é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários'(Súmula 182 do TFR)". Logo, em minha concepção tal argumento não foi abarcado pela preclusão. Segundo, porque o artigo 16 e seu §4º, não tratam de preclusão para apresentação de novos argumentos, mas apenas para apresentação de provas. É explícito o caput do § 4º nesse sentido: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: E a Lei 9.784, em seu artigo 3º, III, permite ao administrado formular alegações antes de qualquer decisão, nos seguintes termos: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Ou seja, alegações que não dependem de provas novas podem ser trazidas ao processo administrativo fiscal posteriormente à impugnação. Portanto, não cabe razão à Fazenda quanto à esta alegação. Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 9101003.129 CSRFT1 Fl. 3.870 5 Sobre a impossibilidade de se alterar o crédito tributário lançado através de decisão administrativa, entendo que bem se posicionou a Conselheira Edeli Pereira Bessa no julgamento do processo administrativo nº 19515.720305/201210, o qual tomo a liberdade para transcrever a parte que aqui interessa, verbis: Esta Conselheira entende que não é possível promover, apenas, a redução do crédito tributário lançado em tais circunstâncias. Isoladamente, a maior parte dos argumentos expostos no voto condutor da decisão recorrida e sob reexame são irrefutáveis: o arbitramento é apenas forma de apuração e não constitui penalidade; o arbitramento apenas afeta o critério quantitativo da regra matriz de incidência; constatada incorreção no dimensionamento da base de cálculo do tributo, o julgador pode diminuíla; utilizadas as mesmas receitas consideradas omitidas não há imputação de nova infração. Todavia, não há como afastar a hipótese de cerceamento do direito de defesa dos autuados. Embora os impugnantes tenham argumentado que o lucro deveria ter sido arbitrado, observase que para assim proceder a autoridade julgadora estipulou que o coeficiente de arbitramento para determinação da base de cálculo do IRPJ seria 9,6%,apontando o enquadramento legal correspondente (artigo 15, caput c/c artigo 16 da Lei nº 9.249/95), e para a CSLL de 12%, nos termos do artigo 20 da mesma lei. De forma semelhante, ao estipular os novos valores devidos a título de Contribuição ao PIS e de COFINS, especificou o novo enquadramento legal da exigência: art. 8º das Leis nº 9.715/98 e 9.718/98. Assim, não se trata de mera redução de base de cálculo (no caso do IRPJ e da CSLL) ou de adequação da alíquota (no caso da Contribuição do PIS e da COFINS). A autoridade julgadora de 1ª instância inovou a exigência ao também alterar o enquadramento legal que, como se vê nos autos de infração de fls. 370/413, é distinto do que restou assim afirmado. Vejase, aliás, que a exigência de IRPJ e de CSLL aponta como fundamento legal o art. 24 da Lei nº 9.249/95, o qual estabelece em seu caput que, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. E, para afirmar que a contribuinte submetiase, nos períodos fiscalizados às regras do lucro arbitrado, a autoridade julgadora também teve de invocar, como fundamento da exigência remanescente, o art. 47 da Lei nº 8.981/95 (que fundamenta o art. 530 do RIR/99, antes citado), escolhendo, dentre as oito hipóteses ali enunciadas, aquelas contidas nos incisos III e VII do dispositivo legal. Impossível afirmar, em tais circunstâncias, que a contribuinte não teria o direito de debater nas duas instâncias administrativas de julgamento o coeficiente adotado para arbitramento dos lucros e o enquadramento legal determinante Fl. 3876DF CARF MF 6 das formas de apuração adotadas na decisão recorrida. Vejase, aliás, que a adequação do crédito tributário exigido foi viável porque a contribuinte apresentou DIPJ com apuração trimestral do lucro real, coincidente com a periodicidade do lucro arbitrado. Em situação outra, na qual a opção original da contribuinte fosse o lucro real anual, sendo esta observada pela Fiscalização no lançamento, a adequação da forma de tributação ensejaria, inclusive, débitos com vencimentos anteriores àquele inicialmente estabelecido no lançamento. Por sua vez, o paradigma invocado pela decisão recorrida e sob reexame afirmou, a partir do questionamento acerca da credibilidade de uma contabilidade que declararia receitas de apenas R$ 981.503,60, contra depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 9.027.296,60, que o art. 47, inciso II da Lei nº 8.981/95 determinaria o arbitramento do lucro porque a escrituração era imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, assim representando uma imposição e não mera faculdade. Reputando inquestionável a hipótese de arbitramento, o voto condutor propôs a redução da base tributável do IRPJ e da CSLL a 9,6% da receita apurada, sem debater a possibilidade de alteração da forma de apuração do lucro inicialmente adotada pela autoridade lançadora. Diante destas circunstâncias, esta Conselheira mantém seu posicionamento anterior, no sentido de que não observada a forma de apuração imposta pela lei para apuração do lucro tributável, bem como para exigência da Contribuição ao PIS e da COFINS, a exigência deve ser considerada improcedente, devendo ser mantida a exoneração procedida pela autoridade julgadora de 1ª instância e exonerado o remanescente por ela mantido. Por tais razões compreendo que a decisão a quo foi equivocada, já que alterou os critérios jurídicos do lançamento. Vale destacar, a Turma a quo deveria decidir se o lançamento deve permanecer no mundo jurídico ou ser cancelado, ela não tem a competência de alterar os critérios jurídicos do lançamento realizado. Nesse contexto, voto por dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para novo julgamento. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 19515.004065/200311 Acórdão n.º 9101003.129 CSRFT1 Fl. 3.871 7 Fl. 3878DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000221/2006-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA.
Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos a não contribuintes, fazem jus ao crédito presumido no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.566
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos a não contribuintes, fazem jus ao crédito presumido no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos a não contribuintes, fazem jus ao crédito presumido no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 21 /2 00 6- 81 Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 16349.000221/200681 Acórdão n.º 9303005.566 CSRFT3 Fl. 1.759 2 Relatório Tratase de recurso especial (fls. 1.439 a 1.5501) interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 330200.788, de 2 de fevereiro de 2011, fls. 1.028 a 1.034, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8Q, § 3e, da Lei n° 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Negado O dissídio jurisprudencial suscitado diz respeito ao percentual de presunção da alíquota de cálculo do crédito presumido de que trata o art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Em síntese, a decisão recorrida entendeu que o percentual de presunção da alíquota do crédito presumido é função do insumo adquirido. Os Acórdãos nºs 330100.980 e 3301001.635, colacionados como paradigma da divergência, defenderam que é função produto em que o insumo é aplicado, e não do insumo. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho s/nº 3ª Câmara, de 30/11/2015, fls. 1.689 e 1.692. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1.694 a 1.701, por meio das quais rechaça a admissibilidade do recurso, por se tratar a divergência de matéria preclusa, e insiste em que a leitura do dispositivo não deixa dúvida de que o percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos a que as agroindústrias têm direito é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados. É o Relatório. 1 A numeração das folhas referese à atribuída eletronicamente. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 16349.000221/200681 Acórdão n.º 9303005.566 CSRFT3 Fl. 1.760 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso especial foi formulado tempestivamente. O instrumento recursal foi adequadamente formado. Basta que se leia a ementa do acórdão recorrido para que se constate que a matéria foi prequestionada. A materialidade do dissídio é patente: enquanto o acórdão recorrido entende que os percentuais e alíquotas são determinados em função do produto adquirido e não do fabricado, mantendo o percentual de 35%, os Acórdãos nºs 3301 00.980 e 3301001.635, indicados como paradigmas, em situação semelhante, firmam entendimento diverso, considerando que as alíquotas são determinadas em função das mercadorias produzidas e vendidas e não dos insumos adquiridos, aplicando o percentual de 60% sobre as aquisições de insumos. O recurso portanto atende aos pressupostos formais e materiais de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme acima relatado, controvertese, nesta instância, a melhor interpretação do § 3° do art. 8° da Lei nº 10.925, de 2004. Transcrevese o dispositivo, para maior clareza: Lei nº 10.925, de 2004 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou regelai, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capitulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Co/ms, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 16349.000221/200681 Acórdão n.º 9303005.566 CSRFT3 Fl. 1.761 4 III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1° deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06. 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12. 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) O Recorrente adquire bois vivos a não contribuintes e os utiliza na produção de produtos destinados à alimentação humana. A decisão recorrida determinou o percentual de presunção da alíquota com base no tipo de insumo utilizado na produção. O Acórdão nº 3301 00.980, colacionado como paradigma da divergência, em sentido contrário, assentou que “...as alíquotas são determinadas em função das mercadorias produzidas e vendidas e não dos insumos adquiridos.” A divergência já foi solucionada nesta 3ªTurma da CSRF. Vejamse, por exemplo, os Acórdãos nºs 9303003.331, 9303003.332 e 9303003.477. Neste último, prolatado em 2 de fevereiro de 2016, colho o voto proferido pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, vencedor para a matéria, como razão de decidir, autorizado pelo parágrafo único do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: (...) 3 Percentual do Crédito Presumido Como é cediço, observadas as demais condições, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925, de 20042, a aquisição de insumos da agroindústria a não contribuintes 2 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 16349.000221/200681 Acórdão n.º 9303005.566 CSRFT3 Fl. 1.762 5 podem gerar um crédito presumido, correspondente a um percentual do valor devido na operação, caso realizada por contribuinte. Nos termos do § 3º desse mesmo artigo3, a alíquota apresenta percentuais diferentes, de acordo com o produto. O grande debate em torno do tema girava em torno da definição dessa alíquota. Havia quem defendesse que deveria ser fixada em razão do insumo adquirido e quem considerasse (como foi o caso do acórdão recorrido) que esse percentual fosse fixado em razão do produto elaborado. Ocorre que, desde que a Lei nº 12.865, de 2013, entrou em vigor, não há mais espaço para discutir o percentual a ser aplicado pelas indústrias alimentícias que processem produtos de origem animal. Confirase sua redação: § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º. o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela lei n° 12.865. de 2013). O inciso I do § 3o. à época dos fatos, possuía a seguinte redação: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4. 16. e nos códigos 15.01 a 15.06. 1516.10. e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Diante do dispositivo, não me parece haver dúvidas de que a recorrente faz jus ao crédito à alíquota de 60% sobre a aquisição de insumos "boi castrado", "boi castrado rastreado", "boi inteiro rastreado", "boi marruco", "boi marruco rastreado", "frango corte p/ abate", "milho em grão", "milho em grão p. afix", "novilha", "novilha rastreada", "peru parceria", "soja em grão", "soja em grão p.afíx.", "soja em grãos desativada", "suíno geral p/ abate", "suíno parceria", "vaca" e "vaca rastreada", conforme descrito no despacho colacionado à fl. 1.180. Todos os itens correspondem a produtos de origem animal ou são utilizados na sua alimentação. 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. 3 § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 16349.000221/200681 Acórdão n.º 9303005.566 CSRFT3 Fl. 1.763 6 Assim, diante do comando veiculado no art. 106, I, do CTN4 devese aplicar o dispositivo novel retroativamente e ratificar a decisão recorrida quanto a esse ponto. (...) Ratificando o entendimento adotado por esta Turma, plasmado no Acórdão nº 9303003.477, dou provimento ao recurso especial do sujeito passivo, reformando a decisão recorrida, para autorizar a tomada de crédito presumido de PIS nas aquisições de boi vivo a não contribuintes, calculados com base nas mercadorias produzidas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas 4 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 1763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000505/2002-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF).
Constituindo-se em mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, o MPF não tinha o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício. Além do que é descabida a decretação da nulidade do auto de infração quando ausentes os vícios apontados pelo sujeito passivo no MPF.
SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário.
(Súmula Carf nº 2)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, a que alude o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência.
(Súmula Carf nº 35)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
(Súmula Carf nº 26)
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
(Súmula Carf nº 4)
Numero da decisão: 2401-005.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente POMPEO FRANCISCO LELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). Constituindose em mero instrumento de controle gerencial e administrativo da atividade fiscalizatória, o MPF não tinha o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do agente tributário para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento de ofício. Além do que é descabida a decretação da nulidade do auto de infração quando ausentes os vícios apontados pelo sujeito passivo no MPF. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário. (Súmula Carf nº 2) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, a que alude o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 05 /2 00 2- 72 Fl. 457DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 458 2 NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplicase a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26) JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). (Súmula Carf nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 459 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (DRJ/SPOII), cujo dispositivo julgou procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1726.729 (fls. 395/418): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF. Com o advento da Lei n° 10.174/2001, resguardado o sigilo na forma da legislação aplicável, é legítima a • utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da referida Lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 460 4 A exigência juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. Lançamento Procedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 327/329, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros de mora e multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, em virtude de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, efetuados em conta corrente, de origem não comprovada. 2.1 Segundo o agente lançador, o procedimento fiscal restringiuse à análise da movimentação financeira de contas bancárias, relativamente ao anocalendário de 1998, a partir dos recolhimentos de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). 2.2 Foi lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização, pela falta de exibição dos documentos solicitados pela autoridade tributária, em que pese intimado e reintimado o contribuinte, não tendo apresentado justificativa para o não atendimento da intimação (fls. 40/41). 2.3 O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 330/335, enquanto a relação de depósitos não comprovados, por data e valor, às fls. 323/326. 3. A ciência da autuação se deu por via postal em 21/08/2002, conforme fls. 337, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 349/370). 4. Intimado da decisão de piso por via postal em 30/09/2008, segundo as fls. 423/425, o recorrente apresentou recurso voluntário em 29/10/2008, com os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal (fls. 426/447): (i) nulidade do auto de infração, eis que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0819000/01023/02 foi assinado pelo chefe do setor de fiscalização da Receita Federal do Brasil, autoridade incompetente para o ato administrativo, segundo o § 5º do art. 2º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001; (ii) também é nulo o auto de infração porque o MPF não está devidamente fundamentado quanto à justificativa para a quebra do sigilo bancário, deixando de apontar qualquer das hipóteses de indispensabilidade do exame de dados obtidos junto as instituições financeiras, consoante estabelecido no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001; (iii) a utilização de dados protegidos pelo sigilo bancário para o lançamento de ofício, obtidos pela Administração Tributária sem prévia autorização do Poder Judiciário, não encontra respaldo na Carta Política de 1988; Fl. 460DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 461 5 (iv) revelase inconstitucional não só a aplicação ao lançamento fiscal do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, como também do § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que permitiu o uso de informações da CPMF para lançamento de crédito tributário relativo a outros tributos; (v) a alteração promovida no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, é dotada de efeitos prospectivos, em atendimento ao princípio da irretroatividade da lei tributária, isto é, não pode alcançar o período de constituição do crédito tributário relativo ao ano de 1998; (vi) os depósitos bancários não servem para fundamentar o lançamento do imposto sobre a renda, tendo em vista a ausência de acréscimo patrimonial e a falta da comprovação do consumo da renda representada pelos ingressos em conta corrente do contribuinte; e (vii) é ilegal e inconstitucional a incidência de juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 462 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares Vícios no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 6. Como palavras inaugurais, cabe realçar que o MPF, atualmente revogado, era um expediente administrativo instituído por norma infralegal destinado ao controle gerencial e procedimental dos trabalhos de fiscalização, para assegurarlhes mais eficiência e transparência. 6.1 Porém, o documento atestado pela autoridade administrativa não se sobrepunha ao art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), tampouco ao art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, resultado da conversão da Medida Provisória nº 46, de 25 de junho de 2002, ou mesmo a Medida Provisória nº 2.17529, de 24 de agosto de 2001, que davam, efetivamente, competência legal ao auditor fiscal para a realização à época do lançamento de ofício no âmbito dos tributos federais. 6.2 Em outras palavras, a validade do ato de lançamento tributário não decorria da expedição do MPF. 7. De qualquer maneira, constatase que o procedimento fiscal levado a cabo na pessoa física foi amparado no MPF nº 0813400 2001 00394 1, substituído, em 25/01/2002, pelo MPF nº 0819000 2001 01023 1. Ao contrário do afirmado pelo recorrente, este último documento está assinado pelo Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (fls. 3 e 6/14). 8. Não há óbice, por outro lado, que se utilize do instituto da delegação de competência, quando não há vedação legal (art. 12 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). 8.1 A Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999 (art. 21, incisos III e IV), assim como a Portaria SRF n º 3.007, de 26 de novembro de 2001 (art. 22, inciso IV), as quais estabeleceram normas para a execução de procedimentos fiscais no âmbito dos tributos federais, admitiram a delegação de competência aos chefes da área de fiscalização para a emissão do MPF. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 463 7 9. Quanto à motivação administrativa para exames de informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, o Termo de Verificação Fiscal contém os esclarecimentos necessários. 9.1 Com efeito, o sujeito passivo teve o seu número cancelado no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), apresentando movimentação financeira, a partir dos dados da CPMF, incompatível com a situação fiscal (fls. 327). 9.2 Além do que, mesmo intimado e reintimado, o fiscalizado decidiu não apresentar os seus extratos bancários, necessários à execução do procedimento fiscal, o que motivou a emissão pela autoridade fiscal da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira aos Bancos Cidade S/A e Sudameris BR S/A (art. 3º, inciso IX, e art. 4º, § 2º, do Decreto nº 3.724, de 2001). 10. Acresço que, nos termos do § 8º do art. 4º do Decreto nº 3.724, de 2001, a expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira presume indispensabilidade das informações requisitadas pela autoridade tributária. 11. À vista do exposto, é descabida a nulidade do procedimento fiscal ou do auto de infração lavrado. Mérito 12. A despeito do regramento específico previsto em nível de lei, opõese o recorrente contra aspectos prévios ao lançamento de ofício, atinentes ao uso de dados pela autoridade tributária obtidos mediante requisição às instituições bancárias sem prévia autorização do Poder Judiciário. 13. Pois bem. O procedimento fiscal encontrase amparado nos seguintes dispositivos de lei: Lei Complementar nº 105, de 2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (..) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 464 8 aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Lei nº 9.311, de 1996, que instituiu a CPMF, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1° No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores (...) 13.1 Além dos preceptivos de lei, o trabalho fiscal respeitou também o Decreto nº 3.724, de 2001, o qual regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Receita Federal do Brasil, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras, com preservação rigorosa do sigilo dos dados obtidos. 14. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 465 9 14.1 Uma vez cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, a requisição de dados bancários pelo Fisco, sem prévia intervenção judicial, estará respaldada pela lei, quando justificada pela autoridade administrativa a indispensabilidade do respectivo exame. 15. O afastamento da presunção de constitucionalidade de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. 15.1 Escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de lei tributária, por violação ao sigilo bancário previsto na Constituição da República de 1988, em decorrência do repasse de dados e/ou informações à Administração Tributária pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 16. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 17. No que tange à utilização de informações da CPMF para a finalidade de subsidiar o lançamento de ofício relativo a outros tributos, ao amparo do prescrito no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais editou a Súmula nº 35: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. 17.1 De observância obrigatória pelos Conselheiros, o enunciado representa o entendimento reiterado e uniforme no âmbito da segunda instância do contencioso administrativo tributário quanto à possibilidade de aplicação retroativa do dispositivo de lei ordinária, para alcançar os fatos geradores anteriores à vigência da nova redação, por tratarse de norma de cunho procedimental, que apenas concedeu poderes adicionais de investigação ao Fisco (art. 144, §1º, do CTN). 18. Por outra parte, é verdade que o afastamento ou não aplicação de lei no âmbito administrativo, sob fundamento de inconstitucionalidade, é medida possível na hipótese de que já tenha havido a sua declaração por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) e obrigatória quando houver decisão definitiva em sede de julgamento realizado na sistemática da repercussão geral (art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas modificações). 19. Acontece que a linha argumentativa exposta pela recorrente, em sua essência jurídica, foi objeto de recente apreciação pelo Tribunal Constitucional, na sessão do dia 24/02/2016, por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 603.314/SP, de relatoria do Ministro Edson Fachin, julgado sob a sistemática da repercussão geral. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 466 10 19.1 A Corte Suprema concluiu, em síntese, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, na sua atividade fiscalizatória, pode acessar dados bancários fornecidos diretamente pelas instituições financeiras sem necessidade de prévia ordem judicial, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, não havendo, nas hipóteses previstas em lei, ofensa ao direito ao sigilo bancário protegido pela Constituição da República de 1988. 19.2 Além do mais, também restou consignado pela maioria dos Ministros que a modificação promovida pela Lei nº 10.174, de 2001, no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, não teve o condão de induzir a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma jurídica, consoante o § 1º do art. 144 do CTN. 19.3 Para melhor visualização do decidido pelo STF, reproduzo na sequência parte da ementa do RE nº 603.314/SP: (...) 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (DESTAQUES DO ORIGINAL) 20. No tocante à afirmação de que os depósitos bancários, por si só, não configuram rendimentos tributáveis, eis que não representam sinais exteriores de riqueza, cuidase de alegações que não se sustentam em face do conteúdo explícito do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 467 11 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 20.1 Consiste a autuação fiscal na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados. 20.2 Segundo o preceptivo legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. 21. No caso, a pessoa física fiscalizada deixou de trazer quaisquer elementos de prova da origem dos valores que transitaram por suas contas bancárias, discriminados pelo agente fiscal como de origem não comprovada, de maneira tal a identificálos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, na forma da lei, ou como rendimentos isentos de tributação ou não tributáveis. 22 Com a edição da Lei nº 9.430, de 1996, houve a revogação do § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 22.1 Sob a égide do dispositivo legal suprimido do mundo jurídico, exigiase a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. 22.2 As decisões administrativas e judiciais colacionadas pelo recorrente referemse a períodos anteriores à Lei nº 9.430, de 1996, com base em dispositivos já revogados, o mesmo contexto dos precedentes que fundamentaram o entendimento da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 19515.000505/200272 Acórdão n.º 2401005.126 S2C4T1 Fl. 468 12 23. A partir do ano de 1997, com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fazendário está dispensado de demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte, tampouco há necessidade de mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 23.1 É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 24. Por derradeiro, quanto aos juros incidentes sobre o valor original do crédito tributário, utilizouse apenas a taxa Selic, reconhecida válida para fins tributários, nos termos da Súmula nº 4, assim vazada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003102/2008-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.003102/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.034 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de outubro de 2017 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente AECIO FLAVIO MEIRELLES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 31 02 /2 00 8- 61 Fl. 243DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os de que os gastos seriam elevados e que não teria sido comprovada a efetividade do pagamento. No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em apertada síntese, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Trancrevemos uma passagem desse recurso: Nas declarações obtidas As pressas para o fim de comprovação dos valores pagos observase que de fato falta o CPF de alguns declarantes, mas que simples erro formal escusável não poderia obstar a aceitação de tais documentos como prova nos autos. E ainda, que tais pagamentos não originaramdeduções exageradas por parte do Contribuinte–porque estavam — absolutamente dentro dos limites legais de dedução! Dai a menção A dedução exagerada é mera presunção da autoridade lançadora que não demonstra no que está exagerada ou acima dos limites legais ou mesmo dos limites razoáveis as deduções, limitandose a apontar o "exagero"; A única prova que o Contribuinte nos autos do processo não pôde fazer foi a dos cheques nominativos pagos aos profissionais prestadores de serviço, mesmo porque pagou em espécie e continuadamente pelos serviços, tal como contratou, mas ainda assim alegou em sua Impugnação que os extratos bancários referentes ao período comprovariam as retiradas mas que por exiguidade de tempo não pôde trazer A colação em sede de Impugnação os extratos de sua conta corrente bancária no período. Agora em grau de Recurso o Contribuinte/Recorrente supre a omissão da Impugnação, que foi tempestivamente alegada e solicitada intervenção do Fisco em sua conta corrente bancária no Banco do Brasil, onde recebeu suas receitas e efetuou vários saques a vista na boca do caixa para efetuar os pagamentos. Ora Juntamos os extratos da c/c n°48.281 da Agencia n° 25925 do Banco do Brasil do período e neles destacamos em amarelo os saques efetuados por cheques e por cartão, que comprovam a saída do dinheiro da conta do Recorrente, valores que foram Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10640.003102/200861 Acórdão n.º 2001000.034 S2C0T1 Fl. 3 3 pagos continuadamente e por sessão para os prestadores de serviço, tal como já alegado Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. O contribuinte trouxe extratos bancários e várias descrições dos serviços médicos ocorridos, com declarações de vários profissionais. O lançamento descreveu detalhadamente as despesas médicas, mas a fundamentação para a recusa restringiuse a dois pontos: 1) que o total de despesas médicas foi considerado exagerado em relação aos rendimentos declarados: 2) a falta de comprovação do efetivo pagamento. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras nos documentos apresentados pelo contribuinte. Não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa Fl. 245DF CARF MF 4 que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10640.003102/200861 Acórdão n.º 2001000.034 S2C0T1 Fl. 4 5 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de Fl. 247DF CARF MF 6 recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 248DF CARF MF
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