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Numero do processo: 10480.900139/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 01 39 /2 01 2- 03 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10480.900139/201203 Acórdão n.º 3201003.583 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.461, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10480.900139/201203 Acórdão n.º 3201003.583 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10480.900139/201203 Acórdão n.º 3201003.583 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.900864/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 00 86 4/ 20 11 -5 3 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10735.900864/201153 Resolução nº 1302000.579 S1C3T2 Fl. 379 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1240.270, proferido pela DRJRJOI, em 08/09/2011, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório da DRFNova Iguaçu/RJ que indeferiu parcialmente o Pedido de Compensação de Saldo Negativo de IRPJ, efetuado através do PER/Dcomp nº 26422.06633.101006.1.3.032062 e 30794.02828.101106.1.3.037004 por meio dos quais a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de CSLL referente ao 1º trimestre de 2006 com débitos neles declarados. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. CSLL RETIDA NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de CSLL retida na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não esteja confirmada por comprovante de retenção. Cientificada do acórdão recorrido em 18/10/2011 (fls. 271), a recorrente apresentou recurso voluntário em 11/11/2011 (fls. 274/289), no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões recursais; i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRF's e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv. a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10735.900864/201153 Resolução nº 1302000.579 S1C3T2 Fl. 380 3 v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação da contribuição retida na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art. 923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10735.900864/201153 Resolução nº 1302000.579 S1C3T2 Fl. 381 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim dele conheço. A controvérsia instaurada gira em torno da comprovação de IRRF retido pelas fontes pagadoras, no montante informado pela recorrente em suas PER/Dcomp's, que compõe o saldo negativo de IRPJ pleiteado para utilização nas compensações declaradas. A autoridade administrativa que analisou o pleito entendeu que, no cotejo entre os valores informados pela contribuinte e as informações prestadas pelas fontes pagadoras em suas DIRF's, restou confirmado o montante de CSLL retida de R$ 275.539,85, de um total pleiteado de R$ 305.665,58, resultando em uma glosa no valor de R$ 30.125,73, o que reduziu o saldo negativo apurado e declarado pela contribuinte de R$ 276.795,66 para R$ 246.669,93. A recorrente apresentou junto com sua manifestação de inconformidade, além das notas fiscais emitidas com destaque dos tributos retidos na fonte (Anexo C fls. 75/255), diversas planilhas de controle que demonstram individualizadamente as retenções sofridas em cada operação e a data de recebimento de cada fatura de serviços (Anexo A fls. 60/63 e Anexo B fls. 65/72). Além disso, verificase nas notas fiscais anexadas o valor líquido de cada operação e, em parte delas, os dados bancários para o pagamento das faturas. Embora a recorrente não tenha trazido aos autos os documentos previstos nas instruções normativas instituídas pela administração tributária federal, apresenta outros elementos, de forma sistematizada, que servem ao menos como início de prova a favor do sujeito passivo. Especialmente, levandose em consideração que a maior parte delas, foi confirmada pela própria RFB por meio das DIRFs disponíveis no sistema. É fato que o contribuinte para ter direito a abater do valor da contribuição social devida ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período deve apresentar o comprovante de retenção, emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme o disposto no art.55 da Lei nº 7.450/1985, verbis: Art 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, essa exigência tem sido relativizada nas hipóteses em que o contribuinte não tenha recebido esse comprovante e/ou não tenha como obtêlo, desde que consiga fazer prova, por outros meios ao seu dispor, de que efetivamente sofreu as retenções que alega,conforme a jurisprudência deste CARF, verbis: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10735.900864/201153 Resolução nº 1302000.579 S1C3T2 Fl. 382 5 Acórdão nº 130100.769, de 24/11/2011– 3ª Câmara/1ªTO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS.AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. VALORES CONSTANTES DA DIRF. O contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. Para tanto, deve apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, ou fazer prova da efetividade das retenções mediante quaisquer outros meios ao seu alcance. Em assim não sendo,correta a decisão de primeira instância que considerou comprovados apenas os valores declarados pelas fontes pagadoras em DIRF. Acórdão nº 130200.945 – 05/07/2012 3ª Câmara/2ªTO IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito à dedução do imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração,ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. No caso em apreço, entendo que, embora não estejam devidamente comprovadas as retenções existem fortes indícios de sua ocorrência e, tendo em conta os princípios da razoabilidade e da verdade material, que é justificável a conversão do julgamento em diligência com vistas a permitir à recorrente a apresentação de elementos complementares que demonstrem a efetividade das operações. Com efeito, tem razão a recorrente quando aponta que não pode ser responsabilizada pela falta ou incorreção de informações nas DIRF's pelas fontes pagadoras, ou mesmo, pela falta de recolhimento dos tributo retidos, se comprovados por outros meios que efetivamente ocorreu a retenção. Conforme acima destacado, a recorrente apresentou a cópia de cada nota fiscal/fatura contendo os valores brutos e líquidos de cada operação e informou a data do recebimento de cada uma delas. Assim, entendo que é perfeitamente possível que esta possa identificar e comprovar o recebimento dos valores de cada operação pelos seus montantes líquidos, a denotar a efetividade da retenção dos tributos pelas fontes pagadoras. Tais comprovações podem ser feitas mediante extratos ou avisos bancários e ainda pelos registros contábeis dos respectivos recebimentos nos livros Diário/Razão. E, ainda, que a própria fiscalização possa intimar as fontes pagadoras a confirmar as operações e respectivas retenções na fonte. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10735.900864/201153 Resolução nº 1302000.579 S1C3T2 Fl. 383 6 Noutro giro, é possível até mesmo que, tendo decorrido um prazo razoável entre a data de prolação do despacho decisório e a interposição do presente recurso, que as próprias fontes pagadoras tenham apresentados DIRF's retificadoras, que possam comprovar total ou parcialmente os valores anteriormente glosados. Assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligências, encaminhandose os autos à unidade preparadora, para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para: a.1) intimar a interessada a apresentar a comprovação do recebimento dos valores informados nas notas fiscais, cujos montantes não foram reconhecidos (conforme as planilhas por ele apresentadas Anexos A, B e C da manifestação de inconformidade) pelos valores líquidos dos tributos retidos, mediante a apresentação de extratos ou avisos bancários respectivos (quando for o caso) e dos respectivos registros contábeis (livros Diário e/ou Razão) nas contas pertinentes; a.2) intimar, se necessário, as fontes pagadoras a confirmar a retenção dos valores que deixaram de ser reconhecidos, em face da ausência de informação em Dirf e da ausência de Comprovantes de Rendimentos; a.3) efetuar outras averiguações que julgar convenientes, inclusive nos sistemas da RFB, com vistas a identificar o montante efetivo de contribuição social retida pelas fontes pagadoras à contribuinte, no período ora examinado; a.4) elaborar relatório circunstanciado, detalhando as apurações realizadas e informando os novos valores que tenham sido comprovados pela contribuinte ou pelas fontes pagadoras, indicando o saldo adicional passível de reconhecimento, se for o caso. a.5) dar ciência do relatório à interessada para que esta, querendo, se manifeste sobre suas conclusões no prazo de 30 (dias), findo o qual o processo deve retornar a este colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 383DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.901213/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO.
É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante).
COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.
Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindo-se salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO.
A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Concede-se o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem.
CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004.
Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.570
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que também dava provimento para as despesas de despacho aduaneiro. Os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram pelas conclusões.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 12 13 /2 01 0- 30 Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 3 2 Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concedese o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindose salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO. A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação. SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Concedese o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004. Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que também dava provimento para as despesas de despacho aduaneiro. Os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram pelas conclusões. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 4 3 Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente das Declarações de Compensação – Dcomp nºs 05594.64679.220206.1.3.082302, 21463.33797.270306.1.3.086144, 02763.83250.100406.1.3.080640 e 42394.11550.250406.1.3.080920, baixadas para tratamento manual, recebendo o número 10650.720165/201161, objetivando a compensação dos débitos nelas declarados, no montante de R$1.189.681,66, com crédito do Pis/Pasep – regime não cumulativo, relativo ao 1º trimestre de 2006. As Declarações de compensação nºs 02763.83250.100406.1.3.080640 e 42394.11550.250406.1.3.08 0920, referentes ao mês de março/2006, foram precedidas do Pedido de Ressarcimento n° 12707.79027.100406.1.1.086617, que também foi baixado para tratamento manual, recebendo o n° 10650.901213/201030. Os processos 10650.901213/201030 e 10650.720165/201161, foram analisados em conjunto, por constituírem objeto de crédito tributário do PIS não cumulativo do 1º trimestre/2006. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultou o Relatório Fiscal (fls. 7 a 68) e o Relatório Fiscal Final, referente ao 1º trimestre (fls. 98 a 109), do qual se extrai as seguintes glosas: bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo GLP e óleo diesel, produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero); duplicidade de aproveitamento de crédito, no momento da aquisição e nos encargos de depreciação; encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (i) sobre máquinas e equipamentos nos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água e ENE – Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (ii) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (iii) equipamentos formados por aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004; Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 5 4 ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, até onde as contas se encontrarem, fls. 110 a 118, nos seguintes termos: Conforme os fundamentos acima e com base na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, DECIDO: 1. RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO no valor de R$1.130.922,03 (Hum milhão, cento e trinta mil, novecentos e vinte e dois reais e três centavos), sendo R$423.108,13(quatrocentos e vinte e três mil, cento e oito reais e treze centavos) no mês de janeiro/2006; R$290.747,47(duzentos e noventa mil, setecentos e quarenta e sete reais e quarenta e sete centavos) no mês de fevereiro/2006 e R$417.066,43(quatrocentos e dezessete mil, sessenta e seis reais e quarenta e três centavos) no mês de março/2006; 2) HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações realizadas, respeitada as vinculações dos respectivos períodos de apuração até onde as contas se encontrarem; 3) EXIGIR os débitos indevidamente nelas compensados, com base no § 6° do art 74 da Lei n° 9.430 de 1996 e § 4° do art 34 da IN RFB n° 900 de 2008. Fica a empresa ciente que deverá executar em seus livros fiscais e contábeis, a adequação de seus registros e de suas informações prestadas à Receita Federal do Brasil, através dos sistemas informatizados disponíveis, em decorrência dos valores apurados em diligência fiscal e da parte do crédito pleiteado que foi objeto de glosa e/ou reconhecimento de ofício. [...] A empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 127 a 162), na qual após as alegações deduzidas, requer: Por todo o exposto, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, concluise que deve o r. despacho decisório ser modificado "in totum", para o fim de (i) cancelar as glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição ao PIS; (ii) determinar a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação; (iii) homologar integralmente as compensações realizadas pela requerente, nos autos dos processos n. 10650.901213/201030 e 10650.720165/201161; e (iv) cancelar as respectivas Cartas Cobrança. Protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e a juntada de documentos. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 6 5 Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora por intermédio da 1ª Turma, no Acórdão nº 0937.520, sessão de 28/10/2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indefere se pedido de juntada de novas provas e, uma vez que os elementos contidos nos autos são suficientes para o deslinde da questão, é prescindível a realização de perícia ou diligência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. SERVIÇOS. CRÉDITO SOBRE INSUMOS. Somente os serviços aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda são considerados insumos e dão direito ao crédito. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. No voto, os julgadores de 1ª instancia delimitaram o litígio conforme as matérias expressamente contestadas pela contribuinte, como se vê: Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 7 6 Cumpre ressaltar que relativamente ao 1º trimestre de 2006, a fiscalização excluiu da apuração dos créditos valores correspondentes a: bens utilizados como insumos (GLP e óleo diesel), despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica e encargos de depreciação de determinados itens do ativo imobilizado. Desse modo, fica prejudicado o exame das argumentações, contidas na peça impugnatória, relativamente aos itens: “2.2.4. Conservação Patrimonial, Segurança, Meio Ambiente”, “2.2.5. Pesquisas, Melhorias, Experiências”, “2.2.6. Bens Não Consumidos Nem Aplicados no Processo Produtivo”, “2.2.7 Gastos ativados inseridos nos serviços utilizados como insumos”, “2.2.8 Conservação patrimonial e melhoria de processos”, correspondentes aos itens 1.2, 1.3, 1.4, 2.1 e 2.2 do Relatório Fiscal, já que não houve glosa sob referidas rubricas. A seguir, após dissertar acerca do conceito de insumos no entendimento daqueles julgadores, mormente consubstanciado nas INs 247/2002 e 404/2004, estabeleceu as rubricas que a contribuinte incorreu em gastos para os quais a Fiscalização glosou os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins, a saber: I Decadência II Aumento da base de cálculo do PIS em procedimento de análise de direito creditório III Inclusão dos ingresso decorrente de cessão de crédito do ICMS na base de cálculo para apuração do crédito de PIS. IV Glosa de créditos quanto a encargos com aquisição de/para: a) GLP e óleo diesel: b) Alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; c) Depreciação de bens do ativo imobilizado, nos seguintes centro de custo: (i) AGU (Abastecimento e Tratamento de Água), “ENE” (Subestação de energia elétrica); (ii) Móveis e equipamentos alocados em centro de custos produtivos; e (iii) Bem do ativo imobilizado adquirido antes de 30/04/2004, relacionados nos quadros demonstrativos do item 6.1 do relatório fiscal (fls. 33 a 35). Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 335/380), no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, explicitando sua atividade extrativa/industrial e a utilização de cada um dos bens ou serviços em seu processo, cujos gastos tiveram créditos das contribuições glosados. Submetido à julgamento em Colegiado desta 3ª Seção, na sessão de 26/06/2013, após conhecer do recurso voluntário decidiuse convertêlo em diligência para elaboração de laudo que demonstrasse a vinculação dos bens e serviços ao processo produtivo, Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 8 7 por entende a Turma tratarse de informação essencial para a análise de qualquer pleito de reconhecimento de PIS e de Cofins não cumulativos. Os termos da diligência determinada na resolução nº 3202000.105 (fls. 423/432): Para o deslinde da questão entendo necessária a diligência para se determinar se os insumos objeto de glosa pela fiscalização relacionamse ou não ao processo produtivo da Recorrente. Diante disso, converto o julgamento em diligência para que unidade preparadora jurisdicionante do domicílio fiscal da Recorrente providencie o que segue: 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo processo produtivo, apontando a utilização dos insumos ora glosados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; e 2) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucintoacerca da utilização ou não dos insumos ora glosados no processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. A contribuinte elaborou Laudo (fls. 440/510) por meio de seu corpo técnico no qual descreve seu processo produtivo que se materializa no desenvolvimento de atividade de lavra, extração e produção de minérios utilizados na fabricação de produtos da indústria metalúrgica e siderúrgica. O insumo, minério de pirocloro, no qual é encontrado sob a forma do composto óxido de nióbio (Nb2O5), utilizado na produção de nióbio, e de outros produtos derivados, é explorado pela CBMM de seu próprio depósito minerário, e de outro, em forma de concessão, de propriedade da CODEMIG, que juntas otimizam a exploração do minério por intermédio da COMIPA que os vende, exclusivamente, à CBMM. A COMIPA é pois a responsável pela operação de lavra e transporte do minério até as instalações da CBMM. As máquinas e equipamentos necessários à extração são de propriedade da CBMM que os aluga à COMIPA, por disposição contratual. O minério adquirido pela CBMM é submetido a sucessivos processos de separação dos demais minerais até a obtenção do produto final o nióbio. Esse processo de separação consiste em etapas de concentração, sinterização, desfosforação, metalurgia, britagem e embalagem. Em termos de controle contábil, cada uma das etapas do processo de produção do nióbio constituise um centro de custo. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 9 8 Finda a caracterização de seu processo produtivo, a CBMM passa a discorrer sobre as despesas incorridas com as várias rubricas apropriadas na tomada de créditos das Contribuições para Pis/Cofins nãocumulativas. A Unidade de Origem produziu o relatório de diligência em que, objetivamente, analisou as glosas efetuadas na autuação fiscal comparando as despesas incorridas nas rubricas mencionadas relacionandoas ao processo produtivo descrito. Segue a síntese da manifestação da autoridade fiscal quanto aos itens glosados, que permanecem em litígios. GLP/Óleo diesel O GLP foi utilizado pelos fornos, equipamentos da produção. Contudo, a glosa ocorreu por outra razão: insumos adquiridos sem o pagamento da contribuição, conforme Relatório Fiscal. Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Não se trata de alugueis, locação, mas de serviços prestados com máquinas e equipamentos nas obras, conforme afirmam os Laudos nas folhas 18. Tratase de despesas apropriadas na conta do ativo imobilizado: 13210001 Obras, portanto, ativadas, cujo crédito foi apurado em duplicidade. Há fotografias dos equipamentos no Anexo VIII, do Laudo. Depreciação de bens do Ativo Imobilizado Os bens do centro de custo AGU Abastecimento de Água não foram usados na produção, mas no bombeamento, tratamento, e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais. Os bens do centro de custo ENE Energia Elétrica distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades, suprem de energia elétrica toda a empresa essas são suas funções. Eles não atuam na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Os bens que constam da tabela do item 9, exceto o de número 17, não se desgastaram ou danificaram na fabricação dos produtos. São necessários para viabilizar as atividades de qualquer empresa. Não foram adquiridos para fabricar os produtos da Contribuinte. Contudo, o Detector de radiação G606/650 é um separador magnético escória/produto, que se desgasta ou danificase no processo produtivo e, portanto, o crédito sobre ele deve ser admitido. Quanto aos serviços, que constam da referida tabela do item 9, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admite crédito sobre suas cotas de depreciação. É o relatório. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Conforme se verifica nos autos, a lide está vinculada à (i) decadência para a homologação da declaração de compensação; (ii) à possibilidade de alteração da base de cálculo do PIS de ofício; (iii) inclusão na base de cálculo do PIS dos valores relativos à cessão de crédito de ICMS e (iv) às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição relacionadas às despesas com bens e serviços utilizados pela recorrente nas atividades de lavra, extração e produção de nióbio. Decadência Suscita a recorrente que o prazo para o fisco homologar declaração de compensação é de cinco anos a contar da data do fato gerador, pois entende que a regra do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 não afasta a contagem do prazo determinada no art. 150, § 4º do CTN. Reforça tal tese o entendimento de que os ajustes de créditos decorrente da inclusão na receita total da cessão onerosa de ICMS, por se tratar de um procedimento fiscal já não restava permitido em razão de ultrapassado cinco anos do fato gerador. Dessa forma, estaria configurada a decadência do direito de proceder os ajustes da base de cálculo do PIS/Pasep relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 2006. A tese da contribuinte não pode prosperar. A compensação, é uma modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no artigo 170 do CTN, aprovado pela Lei n° 5172/66, o qual remete a lei ordinária a disciplina da matéria. O CTN assim dispõe sobre a compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desta forma, a compensação é um dos meios de extinção do crédito tributário e se concretiza pelo encontro de contas entre a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Deste modo, o art. 74 da Lei n° 9.430/96 (e alterações) disciplina o regime de compensação no âmbito federal. Art, 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. Por seu turno, o § 5° deste dispositivo legal estabelece o prazo para a homologação da compensação: Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 11 10 O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ('grifouse,) Destarte, o prazo de cinco anos contase da data da entrega das declarações de compensação. No caso presente, constatase que as declarações de compensação foram entregues a partir de 22/06/2006. Em razão do parágrafo 5º, acima transcrito, a autoridade administrativa teria o prazo até 22/06/2011 para proceder a homologação ou não das compensações declaradas. Como a interessada teve ciência do Despacho Decisório, que homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido, em 03/03/2006, operouse a homologação somente para as compensações entregues antes desta data. Contudo, a única Dcomp nessa situação encontrase homologada em razão do crédito reconhecido. Para as demais não há que se falar em homologação tácita. Como visto, na compensação a autoridade tem por obrigação legal, no prazo acima referido, verificar se os créditos são líquidos e certos, ou seja, a exatidão dos créditos do PIS/Pasep apurados e declarados pelo sujeito passivo. Diferentemente do alegado pela recorrente, o art. 150, §4° do CTN trata do prazo que a Fazenda Nacional tem para verificar a exatidão do pagamento efetuado. Esse prazo não se aplica à análise dos créditos que podem ser descontados do PIS sob o regime da não cumulatividade. Assim, não se configurou a decadência para a autoridade administrativa proceder à análise das declarações de compensação transmitidas após 03/03/2006. Aumento da base de cálculo do PIS em procedimento de análise de direito creditório Argui a recorrente que a fiscalização não poderia proceder o aumento da base de cálculo do PIS devida em apuração de créditos da Contribuição. Entende que eventuais ajustes na base de cálculo para exigência de tributo ou cálculo do rateio dos créditos somente poderiam ser feitos por meio de lançamento de oficio e que a interpretação da decisão recorrida ao mencionar o art. 9º, § 4º do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Medida Provisória n° 44/08, é equivocada. O enfrentamento da matéria é despiciendo, pois o aumento suscitado decorreu da inclusão como receita de valores provenientes da cessão de crédito de ICMS, que será analisada em tópico próprio, e goza de decisão definitiva em sede de repercussão geral, com a reprodução obrigatória da decisão do STJ nos julgamentos deste CARF. Desta forma, se não configura receita não há que se falar em aumento da base de cálculo por meio de lançamento de oficio. Cessão onerosa de crédito de ICMS Este mesmo contribuinte teve julgamento desta matéria em Turma do CARF em que se atestou o acúmulo de créditos de ICMS decorrentes de sua condição de exportador, conforme excerto do voto no acórdão nº 3301003.209, prolatado em 21/02/2017, cuja decisão foi o afastamento da exigência por unanimidade: Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 12 11 (...) Percebese, quando da leitura da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, de 30 de junho de 2008, que dispõe sobre a reforma integral do estatuto social da Companhia, que tem por objeto social (fls. 417): (i) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de minérios, produtos químicos, fertilizantes e produtos metalúrgicos, e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território nacional; (ii) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; e; (iii) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista; e (iv) o desenvolvimento de outras atividades correlatas, de interesse da Companhia. (grifouse). Neste sentido, como o Contribuinte desenvolve a atividade de exportação de minérios e requer a retirada da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS (...) A inclusão como receita de PIS e de Cofins da cessão onerosa de crédito de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, foi definitivamente afastada pelo STJ no julgamento do RE nº 606.107/RS, na sistemática de repercussão geral prevista no art. 543B do antigo CPC, não sendo mais passível de discussão no CARF, que deverá reproduzir no julgamento, frente ao comando do § 2º do art. 62 da Portaria nº 343/2015 RICARF, redação dada pela Portaria MF nº 152/2016. Eis a reprodução do julgado no STF, de relatoria da Ministra Rosa Weber, na sessão do Pleno de 22/05/2013: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, trata+se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 13 12 III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 14 13 IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. E o comando do § 2º do art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim sendo, de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável ao tema, voto devese afastar da base de cálculo da contribuição o ingresso oriundo da cessão de créditos do ICMS. Glosa de créditos O recurso voluntário apresentado nestes autos, em relação às matérias abordadas na autuação, assemelhase em relação aos demais processos de glosa de créditos de bens e serviços que a fiscalização entendeu não relacionaremse com o processo produtivo da CBMM. Assim, antes de se proceder à análise individualizada de cada item, mister assentar os fundamentos para a utilização do conceito de insumos que irão conduzir este voto. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Neste ponto acolho o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, que fora sintetizado pelo Conselheiro relator ALEXANDRE KERN, no acórdão nº 3402002.663, sessão de 24/02/2015, o qual adoto neste voto e transcrevo: Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 15 14 Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 16 15 Particularmente, entendo ainda mais apropriada a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; 2. emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; 3. essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Neste ponto, essencial que se conheça quais são os produtos finais elaborados com os insumos, ou o principal desses minério de pirocloro/óxido de nióbio , adquiridos da CEMIPA. A resposta se encontra às páginas 09/10 do Laudo (fls. 447/448): (i) ferronióbio, de alta pureza; (ii) óxido de nióbio (Nb2O5) de alta pureza; (iii) óxido de nióbio grau ótico; (iv) liga níquelnióbio (NiNb); e (v) nióbio metálico. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços discriminados no Laudo Técnico. GLP e óleo diesel Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 17 16 As despesas com óleo diesel e GLP foram glosadas pela aquisição dos referidos bens estar submetida à alíquota zero para o PIS e para a Cofins (art. 41, I da MP nº 2.15835/01), conforme vedação do art. 3º, § 2º, II das Leis nºs. 10.837/02 e 10.833/03. A recorrente, por sua vez, entende que o dispositivo não alcança os combustíveis com tributação na sistemática monofásica. Vejamos os dispositivos legais: Medida Provisória nº 2.15835/01 Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; E o que dispõe a Lei nº 10.833, de 2003 e, em igual inciso, a Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3° o valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; grifo nosso. [...] § 2° Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." [...] A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos, inclusive de combustíveis e lubrificantes, expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 18 17 Conquanto este relator mantinha o entendimento de que os gastos com GLP e óleo diesel por pessoa jurídica consumidora não lhe conferia o direito ao crédito, uma vez que a aquisição fora tributada de forma concentrada, esta Turma tem decidido de forma contrária, com supedâneo no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, alinhada com recentes decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo dos Acórdãos nºs. 9303005.908 e 9303 005.623. Assim, tratandose de aquisições de GLP e óleo diesel, combustíveis utilizados no processo produtivo da recorrente, assistelhe razão, sendo possível sua pretensão em manter o crédito sobre tais rubricas. Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos No relatório fiscal justificase a glosa com alugueis de máquinas e equipamentos com o fundamento de que as despesas foram escrituradas em conta de ativo, no momento da aquisição, e também na depreciação. Menciona as Fichas 06A e 16A, Linha 06, do Dacon, como comprovação. A fiscalização não comprovou que os bens alugados foram imobilizados de forma que tenha havido duplicidade de aproveitamento de crédito. Inexistem elementos nos autos que permitam inferir tal assertiva; ao contrário, na tabela apresentada no relatório fiscal há a indicação do equipamento, número de nota fiscal, data, fornecedor e valor correspondente da locação, o que não se confunde com aquisições. Nos Laudos constam informações do bem alugado e o local de sua utilização/aplicação nas atividades da empresa. O aproveitamento de crédito de PIS e Cofins com aluguel de bem está previsto no art. 3º, inciso IV da Lei nº 10.637/02, reproduzido na Lei nº 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Conquanto tenha proferido voto no sentido de que a apropriação do crédito não alcança os veículos, esta Turma tem se manifestado que a determinação legal não restringiu a utilização dos créditos somente as máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. A premissa legal é que os veículos, além de máquinas e equipamentos, sejam utilizados nas atividades da empresa. No presente caso, a descrição da função ou aplicação dos veículos e equipamentos revela claramente estarem relacionados às atividades produtivas, ou seja, a utilização é na movimentação e transporte de insumos, máquinas, equipamentos e prestação de serviços essenciais ao processo produtivo. Portanto, para esta matéria assiste razão aos argumentos da Recorrente, devendo ser afastada as glosas referentes as despesas com alugueis de máquinas, equipamentos e veículos utilizados nas atividades da pessoa jurídica e pagos a pessoa jurídica. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 19 18 Encargos de depreciação de máquinas e equipamento do centro de custo AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) A fiscalização entendeu que os bens deste centro de custo relacionados nos Anexo IV não foram usados na produção, mas no bombeamento, tratamento, e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais, do que decorre a impossibilidade de se apropriar dos créditos com encargos de depreciação. Por sua vez, a contribuinte demonstrou no laudo a existência de vinculação direta da utilidade (água) a etapas do processo de produção de óxidos de nióbio, metalurgia, concentração, calcinação, bem como em, outra oportunidade, na barragem de contenção de rejeitos direitos da produção. Desta forma, faço me valer da idêntica conclusão a que chegou a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara desta mesma Seção do CARF ao analisar esta matéria da mesma contribuinte no acórdão nº 3301003.209, de 21/02/2017, que por unanimidade reverte a glosa dos bens empregados no centro de custo AGU reproduzida: Entendese, com isso, que o Contribuinte não teria condições de processar os minérios para transformálos em produto final sem a utilização da água, fazendo com que esta seja indispensável no sistema produtivo realizado pelo Contribuinte. Tendo isto claro, respeitando o critério da essencialidade, visto que a água é elemento fundamental no processo produtivo do nióbio, e sem a água nas diversas fases do processo produtivo não é possível processar os minérios objeto da atividade do Contribuinte, voto no sentido de considerar que a depreciação das máquinas e os equipamentos utilizados no tratamento e abastecimento de água permitem o creditamento na contribuição ao PIS nãocumulativo, visto que são utilizados na produção de bens destinados à venda. Assim, com fundamento no art. 3º, VI c/c § 1º, III, e observado os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, todos da Lei nº 10.637/02, reproduzidos na Lei nº 10.833/03, e também o que se encontra disciplinado na IN SRF nº 457/2004, relativamente aos limites dos encargos de depreciação, devem ser estornados as glosas de créditos com encargos de depreciação dos itens imobilizados que constam do Anexo IV, identificados como relacionados ao centro de custo CC AGU. Encargos de depreciação de máquinas e equipamento do centro de custo ENE (Subestação de Energia Elétrica) Consta do relatório de diligência que os bens do centro de custo ENE Subestação de Energia Elétrica distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades, suprem de energia elétrica toda a empresa , sendo assim, entende a fiscalização que não atuam na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 20 19 Uma vez mais, peço vênia para adotar as conclusões e minhas razões de decidir o voto alhures mencionado no acórdão nº 3301003.209, que se identifica ao do presente processo: Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no laudo elaborado pela requerente (fls. 657 a 711) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.637/02, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado,adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema. Assim, com fundamento no art. 3º, VI c/c § 1º, III, e observado os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, todos da Lei nº 10.637/02, reproduzidos na Lei nº 10.833/03, e também o que se encontra disciplinado na IN SRF nº 457/2004, relativamente aos limites dos encargos de depreciação, devem ser estornados as glosas de créditos com encargos de depreciação dos itens imobilizados que constam do Anexo IV, identificados como relacionados ao centro de custo ENE (Subestação de energia Elétrica). Móveis e equipamentos alocados em centro de custos produtivos Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 21 20 Aduz a fiscalização que se trata de bens que não se relacionam ao processo produtivo e estão descritos no subitem 6.2 do Relatório Fiscal e Anexo V do Laudo, conforme indicação da utilização na tabela elaborada: Entende o Fisco, quanto aos serviços relacionados, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admitiu o crédito sobre suas cotas de depreciação. Exceção feita às glosas pela fiscalização, o item 17, "detector de radiação G606/650" separador magnético escória/produto que se desgasta ou danificase no processo produtivo e, portanto, o crédito fora admitido. A contribuinte postula a reversão das glosas asseverando que desempenham funções nos processos e nas operações das etapas produtivas. Aparelhos de ar condicionado, incluindo serviço de instalação, monitores de LCD, exclusivamente utilizado em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção ou em equipamento (veículo), tanques para armazenagem de água ou outra substância e motoserras, utilizados em etapa produtiva são essenciais ao processo produtivo devendose estornar as glosas. Quanto aos demais bens da tabela, sua utilização não tem relação de essencialidade às etapas de industrialização do produto destinado a venda, portanto, não autoriza o creditamento, eis que secundários ao processo industrial. É o caso de rádios comunicadores, móveis, utensílios e arcondicionado de salas de operadores. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 22 21 Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004 A decisão recorrida manteve a glosa de créditos efetuadas pela fiscalização sobre quotas de depreciação sobre bens adquiridos antes de 30/04/2004, conforme determina o art. 31 da lei nº 10.865/04, que assim dispõe: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio. De forma diversa entende o Contribuinte, que alega em seu Recurso Voluntário, que não se pode aplicar tal dispositivo por haver assim ofensa ao seu direito adquirido referente ao desconto dos créditos da Cofins calculados sobre os encargos de depreciação do ativo imobilizado acima mencionado. Suscita que não pode a norma do art. 31 da Lei n. 10865/04 ser aplicada retroativamente para alcançar os créditos relativos aos bens do ativo imobilizado, que tenham sido adquiridos antes de 30.4.2004, conforme reconhecido pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4a Região, no julgamento do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS n. 2005.70.00.0005940/ PR, em 26.6.2008. Apesar dos argumentos do Contribuinte não há como negar a clareza da norma em questão quando define que é vedado o desconto de créditos relativos a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até a data de 30 de abril de 2004. Logo, não se trata de uma ofensa ao direito adquirido do Contribuinte, mas sim a simples e necessária aplicação da legislação pertinente a matéria discutida. Com isso, haja visto a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao pedido do Contribuinte referente a este ponto. Desse modo, não há como afastar a glosa relativa ao aproveitamento de crédito sobre encargos de depreciação referentes às aquisições de bens e serviços do ativo imobilizado, anteriores a 30/04/2004. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para (i) afastar da base de cálculo da contribuição o ingresso oriundo da cessão de créditos do ICMS; (ii) conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10650.901213/201030 Acórdão n.º 3201003.570 S3C2T1 Fl. 23 22 revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003: 1. GLP e óleo diesel utilizados como combustíveis; 2. Despesas com aluguéis de máquinas, equipamentos e veículos utilizados em atividades da empresas relativas às etapas do processo produtivo, relacionados no Anexo VIII do Laudo; 3. Encargos de depreciação de: a. itens imobilizados que constam do Anexo IV identificados como relacionados aos centos de custos AGU e ENE; b. aparelhos de ar condicionado e monitores de LCD, exclusivamente utilizados em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção da etapa produtiva (Anexo V); c. tanques de líquidos e motoserras, utilizados no processo produtivo (Anexo V); 4. Serviço de instalação de ar condicionado em veículo utilizado em etapa do processo produtivo. É como voto. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722765/2015-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA.
A falta de apresentação de impugnação válida, não conhecida pela órgão julgador a quo por conter vício na representação, impede a instauração do contencioso administrativo e tem com consequência a preclusão do direito do contribuinte em apresentar recurso voluntário.
RECURSO VOLUNTÁRIO. COOBRIGADO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Correta a decisão recorrida que não conheceu da impugnação apresentada por coobrigado após o decurso do prazo de 30 dias da data de ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária.
O recurso apresentado por coobrigado após o decurso do prazo de 30 dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância é intempestivo e não deve ser conhecido.
NULIDADE. DECISÃO IMPARCIAL. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Inexiste nulidade na decisão devidamente fundamentada e que enfrenta as razões de defesa suscitadas pelo sujeito passivo, em obediência ao devido processo legal.
O procedimento fiscal realizado com base nos documentos de que dispõe a fiscalização, face à negativa injustificada de atendimento às intimações da fiscalização, não caracteriza cerceamento ao direito de defesa.
PROVAS LÍCITAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO PRÉVIO À AUTUAÇÃO FISCAL. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO.
São lícitas as provas obtidas com autorização judicial, para apuração de crimes diversos, sendo desnecessária a autuação fiscal para início das investigações criminais.
Não há previsão legal para sobrestamento do processo administrativo até a decisão judicial definitiva quanto à licitude das provas obtidas em investigação criminal.
ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. CABIMENTO.
Cabível o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida quando o contribuinte deixa de atender à intimação para apresentação de livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal.
MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. UTILIZAÇÃO INTERPOSTAS PESSOAS. CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA.
Procedente a aplicação da multa qualificada de 150%, face à conduta reiterada de não confessar os tributos devidos em DCTF, ou informá-los em valores bastante inferiores ao efetivamente devidos.
A constituição de pessoas jurídicas mediante a utilização de interpostas pessoas, com o intuito de ocultar os reais sócios, demonstra a conduta dolosa e a intenção de modificar as características do sujeito passivo, de modo a evitar o pagamento do imposto, o que também autoriza a aplicação da multa qualificada.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO.
Demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes, porém com estrutura e objetivos comuns, administração única e confusão patrimonial, procedente a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REAIS ADMINISTRADORES. INTERESSE COMUM.
O interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores dos tributos lançados, bem assim, a prática de infrações à lei ou contrato social, enseja a atribuição a atribuição de responsabilidade pessoal aos reais administradores da pessoa jurídica, nos termos dos arts. 124, I e 135, III, do CTN.
RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO POLO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. JOÃO SHOITI KAKU. CABIMENTO
A expressão"infração de lei" prevista no art.. 135, III, do CTN refere-se a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa.
No caso, os agentes fiscais não comprovaram qualquer infração funcional praticada pelo Sr. João Shoiti Kaku, por violação da lei ou do estatuto social, sendo cabível sua exclusão do polo passivo da obrigação tributária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS.
Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1301-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: (i) não conhecer do recurso do contribuinte em razão de preclusão e do recurso do coobrigado Sina Indústria de Alimentos Ltda por sua intempestividade; (ii) conhecer do recurso voluntário do coobrigado Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Ltda somente em relação à arguição de tempestividade da impugnação, e, negar-lhe provimento; (iii) em relação aos recursos apresentados pelas demais coobrigadas, conhecer do recurso, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar-lhes provimento.II) Por voto de qualidade, excluir do polo passivo da obrigação tributária o senhor João Shoiti Kaku, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão para excluir do polo passivo também os coobrigados Andrea Ferreira Abdul Massih, Maria de Fátima Butara Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih e Joséph Tanus Mansour, sendo vencidos pela maioria. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: (i) não conhecer do recurso do contribuinte em razão de preclusão e do recurso do coobrigado Sina Indústria de Alimentos Ltda por sua intempestividade; (ii) conhecer do recurso voluntário do coobrigado Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Ltda somente em relação à arguição de tempestividade da impugnação, e, negar-lhe provimento; (iii) em relação aos recursos apresentados pelas demais coobrigadas, conhecer do recurso, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar-lhes provimento.II) Por voto de qualidade, excluir do polo passivo da obrigação tributária o senhor João Shoiti Kaku, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão para excluir do polo passivo também os coobrigados Andrea Ferreira Abdul Massih, Maria de Fátima Butara Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih e Joséph Tanus Mansour, sendo vencidos pela maioria. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. A falta de apresentação de impugnação válida, não conhecida pela órgão julgador a quo por conter vício na representação, impede a instauração do contencioso administrativo e tem com consequência a preclusão do direito do contribuinte em apresentar recurso voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO. COOBRIGADO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Correta a decisão recorrida que não conheceu da impugnação apresentada por coobrigado após o decurso do prazo de 30 dias da data de ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária. O recurso apresentado por coobrigado após o decurso do prazo de 30 dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância é intempestivo e não deve ser conhecido. NULIDADE. DECISÃO IMPARCIAL. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão devidamente fundamentada e que enfrenta as razões de defesa suscitadas pelo sujeito passivo, em obediência ao devido processo legal. O procedimento fiscal realizado com base nos documentos de que dispõe a fiscalização, face à negativa injustificada de atendimento às intimações da fiscalização, não caracteriza cerceamento ao direito de defesa. PROVAS LÍCITAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO PRÉVIO À AUTUAÇÃO FISCAL. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. São lícitas as provas obtidas com autorização judicial, para apuração de crimes diversos, sendo desnecessária a autuação fiscal para início das investigações criminais. Não há previsão legal para sobrestamento do processo administrativo até a decisão judicial definitiva quanto à licitude das provas obtidas em investigação criminal. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. CABIMENTO. Cabível o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida quando o contribuinte deixa de atender à intimação para apresentação de livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. UTILIZAÇÃO INTERPOSTAS PESSOAS. CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA. Procedente a aplicação da multa qualificada de 150%, face à conduta reiterada de não confessar os tributos devidos em DCTF, ou informá-los em valores bastante inferiores ao efetivamente devidos. A constituição de pessoas jurídicas mediante a utilização de interpostas pessoas, com o intuito de ocultar os reais sócios, demonstra a conduta dolosa e a intenção de modificar as características do sujeito passivo, de modo a evitar o pagamento do imposto, o que também autoriza a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes, porém com estrutura e objetivos comuns, administração única e confusão patrimonial, procedente a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REAIS ADMINISTRADORES. INTERESSE COMUM. O interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores dos tributos lançados, bem assim, a prática de infrações à lei ou contrato social, enseja a atribuição a atribuição de responsabilidade pessoal aos reais administradores da pessoa jurídica, nos termos dos arts. 124, I e 135, III, do CTN. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO POLO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. JOÃO SHOITI KAKU. CABIMENTO A expressão"infração de lei" prevista no art.. 135, III, do CTN refere-se a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa. No caso, os agentes fiscais não comprovaram qualquer infração funcional praticada pelo Sr. João Shoiti Kaku, por violação da lei ou do estatuto social, sendo cabível sua exclusão do polo passivo da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção.
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COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. A falta de apresentação de impugnação válida, não conhecida pela órgão julgador a quo por conter vício na representação, impede a instauração do contencioso administrativo e tem com consequência a preclusão do direito do contribuinte em apresentar recurso voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO. COOBRIGADO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Correta a decisão recorrida que não conheceu da impugnação apresentada por coobrigado após o decurso do prazo de 30 dias da data de ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária. O recurso apresentado por coobrigado após o decurso do prazo de 30 dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância é intempestivo e não deve ser conhecido. NULIDADE. DECISÃO IMPARCIAL. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão devidamente fundamentada e que enfrenta as razões de defesa suscitadas pelo sujeito passivo, em obediência ao devido processo legal. O procedimento fiscal realizado com base nos documentos de que dispõe a fiscalização, face à negativa injustificada de atendimento às intimações da fiscalização, não caracteriza cerceamento ao direito de defesa. PROVAS LÍCITAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO PRÉVIO À AUTUAÇÃO FISCAL. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 27 65 /2 01 5- 49 Fl. 10221DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.222 2 São lícitas as provas obtidas com autorização judicial, para apuração de crimes diversos, sendo desnecessária a autuação fiscal para início das investigações criminais. Não há previsão legal para sobrestamento do processo administrativo até a decisão judicial definitiva quanto à licitude das provas obtidas em investigação criminal. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. CABIMENTO. Cabível o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida quando o contribuinte deixa de atender à intimação para apresentação de livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. UTILIZAÇÃO INTERPOSTAS PESSOAS. CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA. Procedente a aplicação da multa qualificada de 150%, face à conduta reiterada de não confessar os tributos devidos em DCTF, ou informálos em valores bastante inferiores ao efetivamente devidos. A constituição de pessoas jurídicas mediante a utilização de interpostas pessoas, com o intuito de ocultar os reais sócios, demonstra a conduta dolosa e a intenção de modificar as características do sujeito passivo, de modo a evitar o pagamento do imposto, o que também autoriza a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes, porém com estrutura e objetivos comuns, administração única e confusão patrimonial, procedente a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REAIS ADMINISTRADORES. INTERESSE COMUM. O interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores dos tributos lançados, bem assim, a prática de infrações à lei ou contrato social, enseja a atribuição a atribuição de responsabilidade pessoal aos reais administradores da pessoa jurídica, nos termos dos arts. 124, I e 135, III, do CTN. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO POLO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. JOÃO SHOITI KAKU. CABIMENTO A expressão"infração de lei" prevista no art.. 135, III, do CTN referese a situações nas quais o administrador atue fora das suas atribuições funcionais, extrapolando o que esteja previsto na lei societária ou no estatuto social da empresa, muitas vezes em prejuízo da própria empresa. No caso, os agentes fiscais não comprovaram qualquer infração funcional praticada pelo Sr. João Shoiti Kaku, por violação da lei ou do estatuto social, sendo cabível sua exclusão do polo passivo da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Fl. 10222DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.223 3 Aplicase a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: (i) não conhecer do recurso do contribuinte em razão de preclusão e do recurso do coobrigado Sina Indústria de Alimentos Ltda por sua intempestividade; (ii) conhecer do recurso voluntário do coobrigado Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Ltda somente em relação à arguição de tempestividade da impugnação, e, negarlhe provimento; (iii) em relação aos recursos apresentados pelas demais coobrigadas, conhecer do recurso, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negarlhes provimento.II) Por voto de qualidade, excluir do polo passivo da obrigação tributária o senhor João Shoiti Kaku, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Nelso Kichel e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão para excluir do polo passivo também os coobrigados Andrea Ferreira Abdul Massih, Maria de Fátima Butara Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih e Joséph Tanus Mansour, sendo vencidos pela maioria. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior. Relatório Fl. 10223DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.224 4 Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1540.768, proferido pela 2ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade de votos, não conheceu das impugnações apresentadas pela fiscalizada W.A.S Comércio de Alimentos Ltda e pelos sócios Walter Araújo Santana e Ana Paula da Silva Ferreira, por vício de representação e pela Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda, por intempestividade. As Impugnações apresentadas pelos demais responsáveis solidários foram julgadas improcedentes e mantidos os autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, em que foi efetuado o arbitramento do lucro com base na receita bruta de revenda de mercadorias e aplicada multa de ofício qualificada de 150%. Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Tratase de autos de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), fls. 2/33, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fls. 35/62, de Contribuição para o PIS/PASEP, fls. 63/79, e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), fls 80/95, referentes aos anoscalendário de 2011 e 2012. Lançados os tributos discriminados no quadro a seguir, bem como multa qualificada de 150%. Trimestre IRPJ CSLL PIS/PASEP COFINS AC 2011 1º 790.306,03 358.337,72 2º 2.245.763,56 1.012.139,49 3º 2.269.802,82 1.022.824,76 4º 6.456.785,34 2.907.005,76 Trimestre IRPJ CSLL PIS/PASEP COFINS AC 2012 1º 629.734,29 285.429,06 2º 43.207,71 21.789,38 3º 36.316,80 19.042,56 4º 0,00 0,00 Totais 12.471.916,55 5.626.568,73 3.368.970,65 15.603.987,17 Dos Fatos No Termo de Verificação Fiscal (fls. 97/112) consta que pesquisa nos sistemas da Receita Federal do Brasil, relativa aos anoscalendário 2011 e 2012, evidenciou, respectivamente, receita bruta de venda da ordem de 153 e de 30 milhões de reais. Constatado ainda que não foram entregues à RFB, a DIPJ AC 2012; as DACON de agosto a dezembro de de 2012. Também não foram entregues DCTF nestes anoscalendário. Daí, emitido termo de Início de Ação Fiscal, em abril de 2014, que retornou com a informação “mudouse”. Visita ao domicílio fiscal evidenciou que o imóvel estava desocupado e que a mudança tinha ocorrido em 2013, e que ainda chegava correspondência no prédio em nome de Reinaldo Araújo Santos e Joseph Tanus Mansour. Tais fatos motivaram a ciência do início do procedimento fiscal por meio de edital, ocorrida, formalmente, em 12/06/2014. Também formalizado o processo administrativo nº 10880.722075/201444, em 18/06/2014, para a Declaração de Inaptidão, origem do Ato Declaratório executivo nº 161, de 18/07/2014, publicado no DOU de 24/07/2014, declarando a contribuinte inapta. T Fl. 10224DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.225 5 Também notificados/intimados os sócios da contribuinte, Walter Araújo Santana e Ana Paula da Silva Ferreira, para apresentar os elementos requeridos no Termo de Início de Ação Fiscal, do qual cientificados em 20/10/2014. A sócia Ana Paula da Silva Ferreira solicitou prazo de 180 dias para apresentar os documentos, porque encontravamse apreendidos (Operação Yellow). Transcorridos o prazo de 180 dias, nenhum documento foi entregue. Em 20/11/2001, foram lavrados novos termos de intimação dirigidos aos dois sócios, informandoos da declaração de inaptidão da W.A.S. e do início do procedimento fiscal, inclusive intimandoos a comparecerem pessoalmente à RFB (Estação Luz do Metrô). Os sócios não receberam a intimação porque informaram ao carteiro que eles haviam se mudado. Da Sujeição Passiva Elementos coletados no curso da Operação Yellow executada pelo Estado de São Paulo (Secretaria da Fazenda e Ministério Público) combinados com os elementos obtidos no curso da fiscalização da W.A.S. e de outras comprovam que a W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda pertence ao grupo econômico ora identificado como “Grupo FN” que se subdivide em dois segmentos denominados Segmento Soja e Segmento Ovos, estando a fiscalizada inserida no Segmento Soja. Este grupo é composto por diversas pessoas jurídicas, cada uma com atribuição precípua. Grupo FN – Segmento Soja Holding informal: FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (CNPJ 04.350.935/0001 59), com a função de exercer, através de procuração ou via uso de interpostas pessoas, a administração das pessoas jurídicas comerciais. PJs patrimoniais: FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. (CNPJ 03.752.053/000157) e Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. (CNPJ 10.637.365/000185), detentoras do patrimônio do Grupo, parte locado às PJs industriais. PJs industriais e exportadoras: Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. (CNPJ 06.348.804/000243); Sina Indústria de Alimentos Ltda. (CNPJ 10.156.658/0001 40) e Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. (CNPJ 09.374.458/000185); prestandose as primeiras para industrializar, por conta e ordem das comerciais, oleaginosas (principalmente soja em grãos). PJs comerciais: Faróleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (CNPJ 05.055.406/000140); DOV Óleos Vegetais Ltda (CNPJ 05.262.304/000140); Multióleos Óleos e Farelo Ltda (CNPJ 06.247.827/000180); Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda – ME (CNPJ 06.247.822/000158); Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda (CNPJ 11.326.673000152); W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda (CNPJ 12.369.189/000173); Orted Óleos e Cereais Ltda (CNPJ 14.041.985/000108) e Petry Comércio, Importação & Exportação Ltda (CNPJ 14.465.186/000169); responsáveis pela comercialização, no mercado interno, dos produtos oriundos das industriais e responsáveis pela maior fatia de tributos gerados pelo Grupo. Este Grupo atuou, nos anoscalendário 2011 e 2012, como uma única grande empresa por segmentos e cometeu diversas infrações tributárias, resultando em elevados valores lançados de tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) e sua estrutura e modo de agir faz com que haja obrigações tributárias solidárias pelos tributos lançados, nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 10225DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.226 6 Em paralelo, também foi detectado que a atuação do Grupo era dirigida por pessoas que ostentavam três qualidades de vínculos: a) Reais administradores (verdadeiros donos do negócio) Pessoas físicas que, utilizandose de interpostas pessoas (“testasdeferro”, "offshore", e/ou procuradores) administravam todo o conjunto empresarial de forma oculta. Eles organizavam toda a atividade do Grupo, decidiam, empreendiam, idealizavam, coordenavam e se beneficiavam das atividades desenvolvidas, enfim, todos praticavam atos de gestão. Estes administradores, no entanto, na maioria dos casos, não pertenciam aos quadros societários das pessoas jurídicas acima identificadas e, também, para não declarar e não pagar a totalização dos tributos devidos pelas pessoas jurídicas do Grupo (o que, em tese, se configura sonegação fiscal), bem como se afastarem da solidariedade/responsabilidade tributária em relação a tais tributos, se valeram de alguns expedientes, a exemplo de: Utilização de interpostas pessoas (físicas – “testasdeferro” ou jurídicas – “offshores”) nos quadros sociais de suas pessoas jurídicas, que responderiam pelas obrigações destas, no lugar deles; Esvaziamento patrimonial das pessoas jurídicas do Grupo (auditadas), pois o patrimônio ficava centralizado (“blindado”) junto às PJs patrimoniais FAS e Modena – para não serem alcançados por obrigações das demais; Dissolução irregular de sete das onze pessoas jurídicas auditadas, as quais deixaram de funcionar em seu domicílio fiscal, sem qualquer comunicação, conforme disciplina a Súmula 435 do STJ. “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente.” b) Sócios formais São as pessoas cujos nomes compunham os quadros societários das pessoas jurídicas do Grupo. b.1) ora, pessoas físicas, sem estofo patrimonial, conhecidas por testasde ferro; pessoas sem conhecimento e capacidade econômica para empreender, que cediam seus nomes mantendo ocultos os reais administradores, aparecendo no contrato social como sócios ou sócios administradores. b.2) ora, pessoas jurídicas constituídas fora do Brasil "offshore" (SAFIs), desprovidas de finalidades societárias de fato, adquiridas pelos reais administradores, também com o intuito de se ocultarem, bem como ocultarem possíveis bens, vez que é “notória a dificuldade de acessar o patrimônio enviado para o exterior, com a utilização dessas empresas “estrangeiras”, situadas em “paraísos fiscais”(decisão judicial em Agravo de Instrumento 0015886 63.2013.4.03.0000/SP – TRF 3º região). Entre as diversas infrações a dispositivos legais cometidas, que estão explicitadas no Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas do Grupo FN (fls. 431/511), destacamse: 1 Os reais administradores se associaram aos sócios formais (os quais cediam seus nomes para compor o quadro societário das pessoas jurídicas – sócios “testasdeferro”) e aos procuradores (que cediam seus nomes para assumirem os Fl. 10226DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.227 7 compromissos das pessoas jurídicas), para cometer, em conluio, as diversas infrações legais. Assim agindo, os reais administradores, em tese, também infringiram o art. 288 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940). “Quadrilha ou Bando”/”Associação criminosa” Art. 288. Associaremse mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim específico de cometer crimes: (Redação dada pela Lei nº 12.850,de 2013). (...) 2 – Os reais administradores, em acordo com os sócios formais e procuradores, ao integrarem ao quadro societário de suas pessoas jurídicas sócios “testasdeferro” e/ou “offshore”, modificaram, uma característica essencial dos fatos geradores: a sujeição passiva. Agindo assim, infringiram o artigo 299 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940), cometendo, em tese, falsidade ideológica. Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante (...) 3 – Os reais administradores não pagaram e não declararam/confessaram a totalidade devida pela contribuinte dos tributos fiscalizados, nos anoscalendário 2011 e 2012, suprimindo ou reduzindoos na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (declaração que constitui confissão de dívida Decretolei 2.124/1984, artigo 5°, parágrafo 1°). W.A.S. 2011 e 2012 Tributo Devido (1) Confessado IRPJ 12.483.174,08 11.257,53 CSLL 5.636.328,33 9.759,60 PIS 3.392.234,65 11.370,76 COFINS 15.656.467,60 52.480,43 Totais 37.168.204,66 84.868,32 (1) Valor devido, conforme apurado pela fiscalização. Desta forma, não houve apenas o mero inadimplemento (falta de pagamento de tributo devido já confessado ao Fisco), mas, sim, reiterada omissão dolosa, sonegação, em tese, objetivando o não pagamento dos tributos devidos. Assim, os reais administradores infringiram os artigos 71, 72 e 73 do Código Penal (sonegação, fraude e conluio) e os art. 1º e 2º da Lei 8.137, de 1990 (crimes contra a ordem tributária). Enfim, detectouse, quanto à contribuinte, os responsáveis/responsáveis solidários pelos créditos tributários lançados indicados no quadro a seguir. Responsável/Solidário Qualidade CPF/CNPJ CTN Fl. 10227DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.228 8 Ana Paula da Silva Ferreira sócio 233.022.00811 124 I Walter Araújo Santana sócio 234.073.42829 124 I Nemr Abdul Massih real administrador 824.535.19891 124 I e 135 III Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih real administrador 032.308.45838 124 I e 135 III Andréa Ferreira Abdul Massih real administrador 227.644.34804 124 I e 135 III Simon Nemer Ferreira Abdul Massih real administrador 292.680.16885 124 I e 135 III João Shoiti Kaku real administrador 634.844.98820 124 I e 135 III Joseph Tanus Mansour real administrador 136.105.71810 124 I e 135 III FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP grupo 04.350.935/000159 124 I FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. grupo 03.752.053/000157 124 I Modena Agrop. Inc. Empreend. Imob. Ltda. grupo 10.637.365/000185 124 I Responsável/Solidário Qualidade CPF/CNPJ CTN Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. grupo 06.348.804/000243 124 I Sina Indústria de Alimentos Ltda. grupo 10.156.658/000140 124 I Sina Com. e Exp. Produtos Alimentícios Ltda. grupo 09.374.458/000185 124 I Faroleo Comércio Prod Alimentícios Ltda. grupo 05.055.406/000140 124 I Dov Óleos Vegetais Ltda grupo 05.262.304/000140 124 I Multioleos Óleos e Farelo Ltda. grupo 06.247.827/000180 124 I Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda. grupo 06.247.822/000158 124 I Cromais Distribuidora Produtos Ind. Ltda. grupo 11.326.673/000152 124 I Orted Óleos e Cereais Ltda. grupo 14.041.985/000108 124 I Petry Com., Importação & Exportação Ltda. grupo 14.465.186/000169 124 I Foram lavrados Termo de Sujeição Passiva Solidária para cada um deles (pessoas jurídicas do grupo, sócios, reais administradores, procuradores e mandatários). Responsável/Solidário Qualidade Termo Sujeição (fls.) Ana Paula da Silva Ferreira sócio 7678/7684 Walter Araújo Santana sócio 8361/8367 Nemr Abdul Massih real administrador 8080/8276 Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih real administrador 7773/7948 Andréa Ferreira Abdul Massih real administrador 7685/7757 Simon Nemer Ferreira Abdul Massih real administrador 8285/8348 João Shoiti Kaku real administrador 8021/8071 Joseph Tanus Mansour real administrador 7953/8020 FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP grupo 7949/7952 FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. grupo 7770/7772 Modena Agrop. Inc. Empreend. Imob. Ltda. grupo 8072/8075 Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. grupo 8357/8360 Sina Indústria de Alimentos Ltda. grupo 8349/8352 Sina Com. e Exp. Produtos Alimentícios Ltda. grupo 8353/8356 Fl. 10228DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.229 9 Faroleo Comércio Prod Alimentícios Ltda. grupo 7766/7769 Dov Óleos Vegetais Ltda grupo 7762/7765 Multioleos Óleos e Farelo Ltda. grupo 8076/8079 Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda. grupo 7758/7761 Cromais Distribuidora Produtos Ind. Ltda. grupo Orted Óleos e Cereais Ltda. grupo 8277/8280 Petry Com., Importação & Exportação Ltda. grupo 8281/8284 Observese que os elementos probatórios que evidenciam a atuação das pessoas físicas e offshores estão anexados aos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária/Responsabilidade Tributária. Do Arbitramento do Lucro O art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), Decreto 3.000, de 26/03/1999, disciplina o arbitramento do lucro. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; A causa do arbitramento é, primordialmente, a omissão na entrega de livros contábeis e de livros fiscais. No caso concreto, corroborando com esta causa principal, encontramse as próprias declarações da empresa fiscalizada, com informações prestadas de qualidade duvidosa, uma vez que são incongruentes com as notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas, conforme explicitado a seguir, no item “Da Qualificação da Multa”. O arbitramento não é uma penalidade, mas sim a única consequência possível a uma situação consumada, que é a não apresentação, para exame, dos necessários livros contábeis e fiscais. É simplesmente um critério adotado para o cálculo do lucro. Quando conhecida a receita, no presente caso obtida pela soma das notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas (fls. 112/172), aplicamse percentuais determinados de acordo com a atividade exercida, inclusive, para respeitar os princípios da capacidade contributiva e de isonomia do sujeito passivo da obrigação tributária. Da Qualificação da Multa As informações contidas em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e Notas Fiscais Eletrônicas (NFe), referentes ao período fiscalizado da contribuinte, permitiram concluir que, nos anoscalendário 2011 e 2012, a contribuinte informou valores concordantes entre si nas declarações transmitidas (DIPJ e DCTF) mas bastante inferiores às expressivas receitas bruta de vendas conforme as notas fiscais emitidas, evidenciando a intenção de sonegar. Fl. 10229DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.230 10 Estas informações estão tabeladas, observandose que “omissa” significa que a contribuinte, mesmo obrigada a entregar declaração, deixou de fazêlo e os campos sem qualquer informação significa que inexiste declaração enviada para o período. Imposto de renda PJ (IRPJ Presumido) Período de Apuração Confessado em DCTF Declarado em DIPJ 1o trim 2011 13.209,42 2o trim 2011 3.391,74 3.391,74 3o trim 2011 2.858,90 2.858,90 4o trim 2011 2.772,54 2.772,54 1o trim 2012 1.447,48 2o trim 2012 786,87 3o trim 2012 4o trim 2012 Omissa no ano Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Período de Apuração Confessado em DCTF Declarado em DIPJ 1o trim 2011 10.373,08 2o trim 2011 2.680,40 3.052,57 3o trim 2011 2.573,01 2.573,01 4o trim 2011 2.495,28 2.495,29 1o trim 2012 1.302,73 2o trim 2012 708,18 3o trim 2012 4o trim 2012 Omissa no ano Contribuição p/ Financiamento Seguridade Social (COFINS) Fl. 10230DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.231 11 Programa de Integração Social (PIS) Receita Bruta declarada em DIPJ X Calculada pelas Notas Fiscais Eletrônicas Receita Bruta de Vendas declarada em DIPJ X Calculada pelas Notas Fiscais Eletrônicas AC 2011 Fl. 10231DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.232 12 Receita Bruta de Vendas declarada em DIPJ X Calculada pelas Notas Fiscais Eletrônicas AC 2012 O art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, define a conduta dolosa “sonegação” e os artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137, de 1990, tipifica penalmente determinadas condutas. À luz destes dispositivos legais, na caracterização da sonegação, é suficiente a omissão de informações na declaração ou omissão da própria declaração a que está sujeito o contribuinte. O dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) são evidenciadas pela reiteração de atos que tenham por escopo, inegavelmente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração. O artifício de declarar sistematicamente e reiteradamente, à Fazenda Nacional valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, além de retardar o conhecimento do elemento quantitativo do fato imponível por parte da autoridade administrativa, ainda faz supor que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações. A reiteração da prática de informar dados falsos à Fazenda Pública constituise em sonegação. A caracterização de sonegação assim como do elemento volitivo na conduta do contribuinte ao declarar, reiteradamente, valores inverídicos ao Fisco, aquém do efetivamente devido, torna cabível a qualificação da multa, conforme dispõe o art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996. E mais, a qualificação da multa é motivada não apenas pela ocorrência da sonegação, como também pela ocorrência, em tese, da fraude e conluio. Fl. 10232DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.233 13 Da Base De Cálculo. A receita bruta para apuração dos tributos devidos foi apurada mensalmente, a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas pela contribuinte. As que correspondem à receita bruta de vendas estão relacionadas no Anexo I (fls. 112/172). A partir do cálculo da receita bruta, para apuração do IRPJ e da CSLL, aplicaramse os percentuais legais para apuração do lucro, base de cálculo destes dois tributos. Da Intimação dos Atos Após a publicação do Ato Declaratório Executivo nº 161, de 18/07/2014, declarando a inaptidão da fiscalizada, a comunicação de todos os atos processuais relativos a ela foram realizados por edital, nos termos do art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972: “... quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital ...”. Também emitido Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal relativos à contribuinte e a todos os responsáveis (fls. 8542/8608), devidamente notificados por via postal ou por edital (fls. 8609/9638, 8640/8650 e 8656). Contestações A contribuinte W.A.S. apresenta impugnação (fls. 9173/9176) e, inicialmente, alega que em razão da Operação Yellow suspendeu temporariamente suas atividades posto que parte da documentação apreendida nesta operação até então não foi devolvida, sendo incabível afirmar que as atividades de empresa foram encerradas irregularmente. É necessária a devolução dos documentos apreendidos para apresentálos ao Fisco. Alega que a justa impossibilidade de apresentação dos documentos resulta na injustiça das punições aplicadas, ou seja, impossível cobrar tributos com base em informações obtidas indiretamente, portanto, juridicamente impossível apurar o lucro por arbitramento. As questões relativas à qualificação da multa, à solidariedade e à responsabilidade tributária serão abordadas em ocasião oportuna, após a recepção e exame dos documentos contábeis e fiscais pelo Fisco, o que ocorrerá após o retorno à posse da ora impugnante. Requer que todos os atos administrativos ocorridos a partir da intimação para apresentar documentos sejam reconhecidos como nulos e sem valor jurídico e que seja encaminhado ofício à SefazSP solicitando o envio dos documentos apreendidos à RFB. Também apresentam impugnações pessoas jurídicas e pessoas físicas enquadradas na sujeição passiva (responsabilidade solidária) a seguir indicadas. Responsável/Solidário Qualidade CPF/CNPJ Impugnação (fls) Ana Paula da Silva Ferreira sócio 233.022.00811 9192/9194 Walter Araújo Santana sócio 234.073.42829 9197/9199 João Shoiti Kaku real administrador 634.844.98820 8659/8724 Simon Nemer Ferreira Abdul Massih real administrador 292.680.16885 8881/8912 Joseph Tanus Mansour real administrador 136.105.71810 8894/9047 Andréa Ferreira Abdul Massih real administrador 227.644.34804 8959/8991 Maria de Fátima B. Ferreira Abdul Massih real administrador 032.308.45838 9050/9081 Nemr Abdul Massih real administrador 824.535.19891 9202/9233 Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. grupo 06.348.804/000243 8727/8757 Faroleo Comércio Prod Alimentícios Ltda. grupo 05.055.406/000140 8767/8802 Fl. 10233DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.234 14 Dov Óleos Vegetais Ltda grupo 05.262.304/000140 8805/8840 Sina Com. e Exp. Prod. Alimentícios Ltda. grupo 09.374.458/000185 8843/8878 FAS Empreendimentos e Incorp. Ltda. grupo 03.752.053/000157 8915/8946 Multioleos Óleos e Farelo Ltda. grupo 06.247.827/000180 9087/9131 Sina Indústria de Alimentos Ltda. grupo 10.156.658/000140 9134/9170 FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP grupo 04.350.935/000159 9234/9281 Modena Agrop. Inc. Empreend. Imob. Ltda. grupo 10.637.365/000185 9296/9315 Dofar Distribuidora Rações e Farelos Ltda. grupo 06.247.822/000158 Cromais Distribuidora Produtos Ind. Ltda. grupo 11.326.673/000152 Orted Óleos e Cereais Ltda. grupo 14.041.985/000108 Petry Com., Importação & Exportação Ltda. grupo 14.465.186/000169 Não apresentaram impugnação Os responsáveis solidários questionam a inclusão da responsabilidade sobre a multa, requerem a anulação do termo de sujeição passiva por responsabilidade solidária e as respectivas contestações serão detalhadas a seguir. Sócios da W.A.S. Ana Paula da Silva Ferreira e Walter Araújo Santana, sócios da W.A.S., contestam suas notificações como responsáveis solidários (fls. 9192/9194 e 9197/9199) e alegam que nada há do processo que embase a responsabilidade solidária deles pelos tributos eventualmente devidos pela W.A.S. porque são sócios administradores, e por esta mesma razão inaplicável a regra do art. 124, I, do CTN, destinada a terceiros sem vínculo direto com a contribuinte, e sob certas circunstâncias. Também inaplicável, a regra do art. 135, III do CTN porque não foram praticados atos com excesso de poderes ou infração a lei, contratos, estatutos. Reais administradores da W.A.S. João Shoiti Kaku, também qualificado pela fiscalização como real administrador da W.A.S., representado por procurador (fls. 8710/8711), em sua impugnação (fls. 8659/8724), alega que não existe qualquer tipo de vínculo entre ele e o fato gerador da obrigação tributária, portanto injustificável sua permanência no pólo passivo dos Autos de Infração. Ademais é impossível abordar matéria relativa ao crédito tributário constituído porque ausentes documentos indispensáveis para isto. A sua inclusão como responsável solidário fere o princípio da segurança jurídica, cerceia a sua defesa porque nem lhe foi solicitado qualquer esclarecimento a respeito da existência de vínculo com a W.A.S., nem é possível atribuirlhe o rótulo de “verdadeiro dono do negócio”. Sequer tem informações sobre esta empresa. Inexistem no processo quaisquer documentos que lhe permitam aferir a veracidade das informações constantes nos Autos de Infração, que ficam maculados por estas falhas. Atua como consultor financeiro para a FN Assessoria Empresarial Ltda. sem qualquer relação com os fatos apurados pela fiscalização. É dever da administração pública buscar a verdade material e atender aos princípios que a norteiam. Alega que inexistem nos autos provas da infração tributária, a exigirem sua nulidade, a exemplo da ausência das notas fiscais eletrônicas emitidas pela W.A.S., porque impede o exercício pleno de seu direito de defesa e do contraditório, também cerceado na fase investigatória. O lançamento agride ainda o princípio da motivação, descritor do motivo do ato. Indevida a sujeição passiva porque não é sócio nem administrador da empresa autuada, sendo inaplicável ao caso concreto o art. 135, III, do CTN, que alega só poder ser imputado pela Procuradoria Geral da Fazenda Fl. 10234DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.235 15 Nacional. Nulo o Termo de Solidariedade Passiva porque lavrado por autoridade incompetente, o AFRFB. Não entende porque o seu conhecimento da estrutura societária de um grupo empresarial o torna responsável pessoal e solidário pelo pagamento do tributo devido por empresa que supostamente integra tal grupo. Aduz ainda que inexiste qualquer relação com o crédito tributário lançado porque não é empregado, dono do negócio nem tampouco diretor financeiro, apesar da fiscalização inferir isto porque mantinha “contato com diretores de bancos, para tratar de assuntos do Grupo”. Afirma inexistir qualquer elemento probatório que comprove ser ele gerente ou diretor financeiro da empresa autuada ou mesmo empregado e a relação de confiança com a família Abdul Massih, não é condição para a sua responsabilização solidária e pessoal pelas obrigações tributárias da empresa autuada. Insurgese contra as multas aplicadas porque exorbitantes, posto que não podem ser confiscatórias, e há julgado de STF que reputa como abusiva multa de 25% e, mesmo que estabelecidas na legislação, devem ser excluídas ou reduzidas. Solicita a nulidade do auto de infração, por causa de irregularidades do procedimento fiscal, a exemplo de ausência de ciência de instauração do procedimento fiscal e de documentos comprobatórios, e anulação do Termo de Sujeição Passiva e da responsabilização tributária, e o sobrestamento do feito até a conclusão definitiva da ação penal na 1ª Vara Criminal da Comarca de Bauru. Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, qualificado como real administrador da contribuinte, apresenta contestação (fls. 8881/8912) e alega, inicialmente, que as “provas” foram obtidas de apenas duas fontes: relatório da Operação Yellow da SefazSP e processo judicial tramitando na 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo, e este processo administrativo fiscal apresenta diversos documentos retirados do relatório Yellow, cujas provas foram obtidas por meio ilícito, sem observância da lei, porque, conforme entende o STJ, em sintonia com a Súmula Vinculante nº 24 do STF, “não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137, de 1990, antes do lançamento definitivo do tributo.” Alega ser inaceitável a autorização de qualquer procedimento cautelar invasivo, a exemplo de interceptação telefônica, antes do lançamento definitivo do crédito tributário. Incabível a investigação criminal para fundamentar a ação fiscal. Também alega que a ação penal e o procedimento prévio investigatório pressupõem que haja decisão final sobre o crédito tributário, o que não há. A busca e apreensão feita pela SefazSP, bem como a quebra de sigilo de ligações telefônicas são ilegais se deferidas antes de configurada a condição objetiva de punibilidade de delito. Enfim, estas ações não foram lícitas. Observa que o próprio Relatório da Operação Yellow não é prova e, no mínimo, apenas, após ele ser declarado como prova no procedimento judicial instaurado pela parte, a responsabilização solidária poderia ser imputada aos impugnantes. Não há provas aptas que fundamentem o direito pleiteado pela RFB. Alega ainda que nos termos dos art. 124, I, e 137, ambos do CTN, a responsabilidade pela multa de ofício não pode ser repassada aos impugnantes, porque não é obrigação principal nem eles se enquadram como responsáveis pessoais (art. 137). O art. 124, I, deve ser analisado conjuntamente com o art. 135, III, portanto, é necessário que a pessoa física tenha participado de atos de gerência e de administração em relação à W.A.S., ou, de outro modo, tenha dado causa à atividade geradora do fato imponível, porque o interesse comum (art. 124, I) não se resume ao Fl. 10235DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.236 16 econômico, sendo necessário haver o interesse jurídico. Sequer houve a comprovação da alegada prática, assim como são insuficientes presunções, apontamentos infundados ou participação em empresas que se relacionam para configurar o enquadramento na sujeição passiva conforme artigos 124, I, e 135, III. Finaliza, requerendo a preliminar de nulidade do procedimento fiscal, a exclusão de sua responsabilidade sobre a multa e a anulação do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por medida de justiça. Apresentam impugnações com o mesmo teor da contestação de Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, inclusive quanto aos pedidos – acolhimento da preliminar de nulidade do procedimento fiscal; exclusão de sua responsabilidade sobre a multa e anulação do Termo de Sujeição Passiva –, Andréa Ferreira Abdul Massih, (fls. 8959/8991); Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls. 9050/9081) e Nemr Abdul Massih (fls. 9202/9233). Joseph Tanus Mansour, qualificado como real administrador apresenta impugnação (fls. 8994/9047) aduz não ter qualquer relação com a contribuinte, nunca foi sócio, gerente ou diretor. Alega não ter qualquer possibilidade de contestar os lançamento por não de dispor de elementos fáticos (provas) necessários e inexistentes no processo, mas dispõe de meios para contestar o teor do Termo de Sujeição Passiva e do Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas Integrantes do Grupo, nos quais é citado. Estes dois documentos carecem de validade jurídica, pois a base do lançamento é uma operação equivocada porque iniciada por agentes fiscais da SefazSP que imaginaram haver sonegação nas empresas em fiscalização, dando origem à autorização judicial de escutas telefônicas, que afirma serem ilegais e irregulares porque inexistente qualquer prova de ilícito. Afastada as gravações telefônicas, também devem ser afastados os documentos obtidos nas buscas e apreensões realizadas pela SefazSP. Os documentos aludidos nestes documentos (Sujeição Passiva e Relatório de Solidariedade) existem, mas não são provas porque obtidas irregularmente. Ademais, ele é um mero prestador de serviços, cuja função é executar ordens transmitidas por seus clientes, a exemplo de operações financeiras, como comprovam documentos anexos ao Termo de Sujeição Passiva, a exemplo de cartões magnéticos para movimentação de contas bancárias, as senhas, as faturas pagas, todos de propriedade de seus clientes. Não tem qualquer interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, CTN) nem há provas de que exercia a função de diretor, gerente ou representante (art. 135,III, CTN). Enfim, os documentos indicados pela RFB provam que ele presta serviços à contribuinte. Pessoas Jurídicas do Grupo FN Nas suas impugnações, as empresas Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. (fls. 8727/8757); Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 8767/8802); Dov Óleos Vegetais Ltda (fls. 8805/8840); Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 8843/8878); FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. (fls. 8915/8946); Multioleos Óleos e Farelo Ltda. (fls. 9087/9131); Sina Indústria de Alimentos Ltda. (fls. 9134/9170) e FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (fls. 9234/9281) apresentam impugnações bastante similares à de Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, real administrador da W.A.S., relatada em parágrafos anteriores (fls 9714/9715.). Todas alegam se opor às infrações constantes dos autos de infração e ao termo de sujeição passiva. Aduzem que não possuem qualquer ligação, vínculo Fl. 10236DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.237 17 administrativo ou gerencial com a contribuinte W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda e contestam a legalidade das provas utilizadas, porque ilícitas, sem observância da lei e em desobediência ao critério temporal, posto que obtidas antes do lançamento, contrariando a Súmula nº 24 do STF (Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/90, antes do lançamento do tributo). Sequer havia fiscalização. Incabível a realização de investigação criminal para fundamentar uma ação fiscal. Alegam que sem crédito constituído não há crime. Quanto ao item Do Termo de Sujeição Passiva Solidária as pessoas jurídicas argumentam que a única justificativa para a responsabilização solidária decorre do fato de cada empresa, supostamente, pertencer ao denominado Grupo FN porque inexiste qualquer elemento apto a imputarlhes esta responsabilidade. Não há qualquer causa para a alegada solidariedade tributária em decorrência de suposto esquema fraudulento alegado pela fiscalização, ou seja, não há clara indicação do motivo para as impugnantes serem sujeitos passivos. Inexiste no processo administrativo qualquer prova de que as empresas tenham qualquer ligação, vínculo administrativo ou gerencial com a W.A.S. Afirmam que a conduta fiscal beira o excesso de exação e que a multa aplicada tem efeito confiscatório. Finalizam, pedindo o sobrestamento do julgamento até o Poder Judiciário pronunciarse sobre a legalidade das provas, oriundas da Operação Yellow (ação penal); a nulidade da responsabilização tributária das impugnantes, ou ao menos do relatório da operação Yellow; reconhecimento da ilegitimidade das impugnantes para figurarem como responsáveis solidários; declaração de nulidade da imposição de solidariedade e exclusão da multa em razão de seu caráter confiscatório. A FAS Empreendimentos, adicionalmente, aduz que seu capital social provém exclusivamente da sócia fundadora, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih e de empréstimos pagos pela própria FAS, portanto, este patrimônio não se comunica com as infrações tratadas neste processo contra a W.A.S.. Ademais, não obteve qualquer vantagem com o eventual ilícito tributário, fatos que não dão suporte à sua inclusão como responsável solidária. Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Imobiliários Ltda. (fls. 9296/9315) também apresenta impugnação para oporse às infrações constantes nos Autos de Infração e ao Termo de Sujeição Passiva tributária lavrado contra ela. Inicialmente, alega a tempestividade de sua defesa com base no art. 3º da Lei 9.784, de 1999, porque tomou conhecimento da responsabilização através de terceiros, e dirigiuse ao Posto da Receita Federal em Tupã, para obter cópia do processo. Referese às “transcrições duvidosas de interceptações telefônicas”, muitas incompletas, utilizadas como principal fundamento. Alega que órgãos administrativos, alheios ao processo penal, não têm competência para analisar a legalidade destas provas. Apenas a conclusão do processo penal ora em andamento na Comarca de BauruSP, concluirá pela legalidade ou não das provas. Tais fatos impõem o sobrestamento da ação fiscal. Observa também que a inexistência dos áudios destas interceptações é vício insanável que impõe a nulidade e o afastamento da solidariedade dos peticionários por absoluta ausência de provas. Nulo, portanto, o lançamento fiscal ou, no mínimo os elementos de convicção correspondentes ao relatório da operação Yellow. Aduz que as ações do peticionário Marcel Rodrigues Ferraz, sócio da Modena, conforme a operação Yellow, e que sequer foi indiciado criminalmente, não permite atribuirlhe a denominação de testa de ferro nem a responsabilização tributária pretendida. Observa que inexiste qualquer relação jurídica ou efetiva entre Fl. 10237DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.238 18 a Modena e os fatos geradores apontados pela fiscalização. Há inaceitável menção genérica e sem suporte fático de suposta prática de blindagem patrimonial a impor a solidariedade. A suposta blindagem nada tem a ver com a atribuição da condição de prestadora de serviços da Modena e menos com os fatos geradores dos tributos. Sequer há causa de solidariedade nem há ato especificamente realizado para o seu enquadramento nos dois dispositivos legais referidos. Afirma que a multa aplicada é confiscatória e afronta o princípio da capacidade contributiva. Requer o sobrestamento do processo administrativo fiscal até o julgamento da ação penal; a nulidade da responsabilização tributária da impugnante, por não haver provas materiais (transcrições); reconhecimento da ilegitimidade da impugnante para figurar como responsável solidário; declaração de nulidade da imposição de solidariedade e exclusão da multa em razão de seu caráter confiscatório. As empresas Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda. ME, Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda., Orted Óleos e Cereais Ltda. e Petry Comércio Imp & Exp Ltda. não apresentaram impugnação. Ressaltese que tanto a contribuinte W.A.S. como os sócios e responsáveis solidários, Walter Araújo Santana e Ana Paula da Silva Ferreira, foram intimados (fls. 9319/9322) para regularizar a representação processual de suas impugnações com a apresentação de documentos que comprovassem as assinaturas, mas não se manifestaram. Quanto ao responsável solidário Joseph Tanus Mansour, intimado (fl. 9322), comprovou a autenticidade de sua assinatura (fls. 9353/9355)." Ao apreciar as Impugnações na sessão realizada em 17/08/2016, a 2ª Turma da DRJ/SDR não conheceu as impugnações da contribuinte W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda e dos sócios e responsáveis solidários, Walter Araújo Santana e Ana Paula da Silva Ferreira, por vício de representação, e da Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda., por intempestividade. As impugnações dos demais responsáveis solidários foram julgadas improcedentes, conforme acórdão nº 1540.768, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso concreto, nas receitas declaradas pelo próprio contribuinte ao Fisco Estadual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. Aplicase às contribuições sociais Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, COFINS, PIS/PASEP, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. ILEGITIMIDADE DE PARTE. O não atendimento à intimação para sanar irregularidade de representação processual decorrente da não apresentação de documento de identidade do Fl. 10238DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.239 19 representante do contribuinte, ou do responsável solidário, configura a ilegitimidade de parte. A ausência das formalidades legais retira da peça apresentada a condição de impugnação válida, não se instaurando o contencioso. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal de modo a evitar o seu pagamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, enseja a responsabilização dos mandatários, prepostos e empregados diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores. Cientificada do Acórdão DRJ/SDR nº 1540.768, em 22/11/2016, conforme Edital nº 138/2016 (fls. 9.547) afixado em 07/11/2016, a recorrente apresentou, recurso voluntário (fls. 10.143 a 10.167) em 12/12/2016, alegando, em síntese, as questões abaixo relacionadas: Preliminarmente, alega a nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa; Requer a nulidade do procedimento pela utilização de provas obtidas ilicitamente; Pugna pela redução da multa qualificada de 150% para 75%, em virtude da inexistência de conduta dolosa; A improcedência da ação fiscal em razão do arbitramento de lucro ter acarretado um lançamento completamente desproporcional; Alternativamente requer a suspensão do processo administrativo até o trânsito em julgado do processo crime 001913358.2013.8.26.0071, em trâmite perante a 1ª Vara Criminal de Bauru SP. Fl. 10239DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.240 20 Consta do processo a apresentação de recurso voluntário pelas responsáveis solidárias, assim classificadas pela fiscalização conforme sua vinculação com a WAS Comércio de Alimentos Ltda: pessoas jurídicas integrantes do grupo e reais administradores. Pessoas Jurídicas Integrantes do Grupo FN As pessoas jurídicas FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. (fls. 9.875 a 9.915); FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (fls. 9.924 a 9.963); Faróleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 9.830 a 9.869); Multióleos Óleos e Farelos Ltda. (fls. 9.969 a 10.008); Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. (fls. 10.104 a 10.142); Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 10.059 a 10.098); Sina Indústria de Alimentos Ltda. (fls. 10.013 a 10.051) e DOV Óleos Vegetais Ltda (fls. 9.785 a 9.824). apresentaram recursos voluntários bem similares, em que alegam, em apertada síntese, as questões a seguir relacionadas, as quais serão detalhadas por ocasião do voto: O acórdão recorrido não analisou as questões colocadas em suas impugnações, dentre elas a credibilidade dos elementos colhidos na Operação Yellow e o fato de não ter havido fiscalização com o objetivo de demonstrar a ligação das recorrentes com a autuada; A nulidade do procedimento pela utilização de provas obtidas ilicitamente; A impossibilidade de repasse aos responsáveis solidários da multa decorrente de infração tributária, nos termos do art. 124, I e art. 137 do CTN; Inexistência do exercício de qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda, aptos à atribuição da sujeição passiva tributária; Alternativamente, requerem a suspensão do processo administrativo até o trânsito em julgado do processo crime 001913358.2013.8.26.0071, em trâmite perante a 1ª Vara Criminal de Bauru SP. Em seu recurso voluntário, a Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Imobiliários Ltda (fls. 10.171 a 10.191), requer: O reconhecimento da tempestividade da impugnação pois o não conhecimento pela decisão recorrida cerceou seu direito de defesa, impedindo que fosse afastada a responsabilidade absurda a ela imputada; O sobrestamento dos presentes autos até o julgamento da ação penal nº 001913358.2013.8.26.0071 em trâmite perante a 1ª Vara Criminal de Bauru/SP, que discute a legalidade das degravações das interceptações telefônicas; A declaração de nulidade da responsabilização solidária ou, do elemento de convicção correspondente ao relatório fiscal da Operação Yellow, por não estar acompanhado das transcrições integrais das interceptações telefônicas; A ilegitimidade da recorrente para figurar como responsável solidária; A declaração de nulidade da imposição de solidariedade; Fl. 10240DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.241 21 A exclusão da multa de ofício em razão de seu caráter confiscatório. Reais Administradores Apresentaram recursos voluntários bastante similares aos das pessoas jurídicas integrantes do Grupo FN, as pessoas físicas Andréa Ferreira Abdul Massih (fls. 9.735 a 9.773); Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls.9.694 a 9.732), Nemr Abdul Massih (fls. 9.654 a 9.691) e Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (fls. 9.613 a 9.651). Joseph Tanus Mansour (fls. 9.776 a 9.783) recorre da decisão a quo solicitando sua reforma para afastamento da solidariedade a ele atribuída, sob os seguintes argumentos: Os argumentos de sua impugnação não foram conhecidos em sua extensão, padecendo a decisão de uma fundamentação criteriosa; Aponta que a autuação se deu por falta de atendimento das reiteradas intimações enviadas para a autuada e seus sócios, entretanto, os "reais administradores" não foram intimados a esclarecer suas relações com a empresa fiscalizada; A fiscalização se debruçou sobre uma tese formada, vinda da Sefaz/SP e do MP/SP sem se ocupar em fazer a própria verificação fiscal em relação aos fatos jurídicos tributários de relevância fiscal; Afirma que prestava serviços de corretagem para algumas empresas fiscalizadas, entretanto, não há nenhum documento nos autos ou fato que autorize entender que ele seria o administrador dessas empresas, ao contrário, as provas demonstram a prestação de serviços; O trabalho fiscal foi sumário e incompleto, baseandose em presunções forçadas, arquitetadas em um grande sofisma, sem identificar os sócios, ouvilos ou mesmo fazer a circularização de cartórios e instituições financeiras com o fito de verificar se o recorrente era procurador ou administrador de alguma conta da empresa; Defende que não há nenhum ato de gestão praticado pelo recorrente na autuada e o único documento que o vincula aos fatos jurídicos tributários descritos nos autos de infração é o relatório produzido pela fiscalização, porém não há sequer uma declaração de qualquer pessoa indicando o recorrente como administrador da empresa. O fato de estar de posse da cópia de documentos pessoais dos sócios não indica qualquer solidariedade tributária. João Shoiti Kaku apresenta recurso voluntário (fls. 9.554 a 9.610) em que insurgese, em apertada síntese, contra a decisão recorrida, sob os seguintes argumentos: Preliminarmente, requer a nulidade da autuação pois o recorrente não teria sido cientificado da instauração do procedimento fiscal, o que impossibilitou a prestação de esclarecimentos e questionamentos do trabalho fiscal durante a fase investigatória. Aponta a falta de documentos essenciais para sustentar o quantum cobrado nos autos de infração, o que demonstra a falta de liquidez e certeza do crédito tributário, bem assim, a violação do direito ao contraditório e à ampla defesa; Fl. 10241DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.242 22 Requer a nulidade da atribuição da sujeição passiva solidária, sob o argumento de ter sido o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado por autoridade incompetente, uma vez que tal ato compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional, bem como, a não comprovação da ocorrência de conduta dolosa ou culposa e que essa conduta tenha sido praticada pelo recorrente com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; Considerando a necessidade dos solidários possuírem algum poder de gerência ou participação na ocorrência do próprio fato jurídico tributário, requer o afastamento da sujeição passiva solidária pois não existe nos autos prova, à luz do art. 124, I do CTN, que possibilite a atribuição da responsabilidade pelos créditos constituídos em face das empresas do grupo; Requer o sobrestamento do feito até a conclusão definitiva da ação penal nº 001913358.2013.8.26.0071, uma vez que referida ação busca auferir se o recorrente possui relação com os acontecimentos narrados nesse processo administrativo; Afirma que as multas de ofício excessivas aplicadas pelo Fisco, ainda que estabelecidas pela legislação, devem ser excluídas ou reduzidas nos casos em que assumem caráter confiscatório. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora De acordo com o acórdão recorrido, a impugnação apresentada pela W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda e os responsáveis solidários, Ana Paula da Silva Ferreira e Walter Araújo Santana, sócios da W.A.S. não possuíam as formalidades legais essenciais à sua apreciação como impugnações válidas. Verificouse que mesmo após tentativa da unidade preparadora em sanear ao processo, não foram a ele anexados os documentos de identidade do procurador Esdras Soares e dos mencionados responsáveis solidários, para que fosse atestada a autenticidade das impugnações. Por este motivo, as impugnações apresentadas pelo sujeito passivo W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda e pelos responsáveis solidários, Ana Paula da Silva Ferreira e Walter Araújo Santana, não foram conhecidas pela 2ª Turma Julgadora da DRJ/SDR. Regularmente cientificado do acórdão a quo em 22/11/2016, o sujeito passivo apresentou o recurso voluntário de fls. 10.143 a 10.167, em 12/12/2016, entretanto, não fez qualquer alegação quanto ao cabimento do recurso. Assim, por não ter sido apresentada impugnação válida, não foi instaurado o contencioso administrativo e ocorreu a preclusão do direito do contribuinte em apresentar recurso voluntário. Os responsáveis solidários, Ana Paula da Silva Ferreira e Walter Araújo Santana, sócios formais da fiscalizada, regularmente cientificadas do acórdão a quo que não conheceu de suas impugnações por vício de representação, não apresentaram recursos voluntários. Fl. 10242DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.243 23 Cientificada do acórdão a quo em 29/11/2016, a responsável solidária Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Imobiliários Ltda apresentou recurso voluntário em 27/12/2016 em que requer a revisão da decisão recorrida que considerou intempestiva sua impugnação. Alega a coobrigada que tomou ciência da responsabilização através de terceiras pessoas, o que fez com que, espontaneamente, procurasse a autoridade fiscal e solicitasse a sua intimação, com cópia do processo. Aduz que compareceu à Agência da RFB em Tupã, ocasião em que através da entrega de cópia do processo tomou conhecimento da responsabilização e seu fundamento, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.784/99, e apresentou, tempestivamente, a impugnação. Afirma que a decisão recorrida, apoiandose em um suposto edital manteve a responsabilização, não conhecendo dos argumentos apresentados pela recorrente, dentre eles, que havendo dúvida a respeito dos fatos o processo fosse baixado em diligência para que o AuditorFiscal autuante certificasse que foi procurado pelo representante legal da peticionária, confirmando o prazo dessa situação. Diversamente do alegado pela Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Imobiliários Ltda, o não conhecimento da impugnação não cerceou seu direito de defesa, conforme a seguir explicitado. A data de ciência da autuação, considerada pela DRJ/SDR para reconhecer a intempestividade, foi obtida conforme disposição legal do art. 23, do Decreto nº 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: ... § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: ... IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) O Edital de Intimação DRF/BauruSP/Safis nº 51 foi afixado em 15/12/2015 (fls. 8.656), e a coobrigada foi considerada intimada em 30/12/2015. O termo inicial do prazo de 30 dias previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235/72 teve início em 04/01/2016, conforme disposto no parágrafo único art. 5º do mesmo diploma legal, e o prazo final para apresentação da impugnação venceu em 02/02/2016, assim, a impugnação protocolizada em 03/02/2016 é intempestiva. Relativamente às alegações da coobrigada de que teria comparecido, espontaneamente, perante a autoridade fiscal e solicitado a sua intimação, bem como a cópia do processo, e que a impugnação apresentada é tempestiva, não assiste lhe razão. Primeiro porque o comparecimento após a publicação de Edital intimandoo a comparecer à unidade não é espontâneo e, segundo, porque as afirmações de que teria sido cientificado quando do comparecimento para obtenção de cópia do processo, somente fariam sentido se o contribuinte Fl. 10243DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.244 24 tivesse comparecido à unidade da RFB antes de decurso do prazo de 15 dias da data de afixação. Nos casos em que o contribuinte comparece posteriormente ao prazo de 15 dias, tal fato não tem o condão de alterar a data de ciência estabelecida pelo edital. Diante do exposto, não merece reparos o acórdão recorrido que não conheceu da impugnação da coobrigada e, assim, por não ter sido instaurado o contencioso administrativo. Dessa forma, o recurso voluntário da recorrente Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Imobiliários Ltda deve ser conhecido somente em relação à arquição de tempestividade da impugnação, para negarlhe provimento. Regularmente cientificada do acórdão recorrido em 09/11/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fls. 9.517), a coobrigada Sina Indústria de Alimentos Ltda apresentou recurso voluntário (fls. 10.013 a 10.058) em 12/12/2016. Considerando que o prazo final para apresentação do recurso voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é 09/12/2016 e o recurso somente foi apresentado em 12/12/2016, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido. Os recursos voluntários apresentados pelos recorrentes a seguir relacionados são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço: Responsável/Solidário Qualidade Ciência Acórdão Fls. RV Fls. FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. pj grupo 10/nov 9528 12/dez 9875 a 9915 FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP pj grupo 10/nov 9529 12/dez 9924 a 9963 Faroleo Comércio Prod Alimentícios Ltda. pj grupo 10/nov 9527 12/dez 9830 a 9869 Multioleos Óleos e Farelo Ltda. pj grupo 22/nov 9546 12/dez 9969 a 10008 Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. pj grupo 10/nov 9526 12/dez 10104 a 10142 Sina Com. e Exp. Produtos Alimentícios Ltda. pj grupo 21/nov 9521 12/dez 10059 a 10098 DOV Óleos Vegetais pj grupo 22/nov 9548 12/dez 9785 a 9824 Andréa Ferreira Abdul Massih real administrador 10/nov 9524 08/dez 9735 a 9773 João Shoiti Kaku real administrador 10/nov 9522 01/dez 9554 a 9610 Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih real administrador 10/nov 9525 08/dez 9694 a 9732 Nemr Abdul Massih real administrador 22/nov 9545 08/dez 9654 a 9691 Simon Nemer Ferreira Abdul Massih real administrador 10/nov 9523 08/dez 9613 a 9651 Joseph Tanus Mansour real administrador 10/nov 9530 09/dez 9776 a 9783 RECURSOS APRESENTADOS PELAS PESSOAS JURÍDICAS INTEGRANTES DO GRUPO FN As pessoas jurídicas FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. (fls. 10.122 a 10.154); FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (fls. 10.157 a 10.188); Faróleo Fl. 10244DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.245 25 Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 10.088 a 10.119); Multioleos Óleos e Farelo Ltda (fls. 9.969 a 10.008); Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. (fls. 10.395 a 10.426); Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 10.361 a 10.392) e DOV Óleos Vegetais Ltda (fls. 9.785 a 9.824) apresentaram recursos voluntários bem similares, motivo pelo qual as questões a seguir analisadas, comuns a todas coobrigadas, serão analisadas conjuntamente. Alegam as recorrentes que o acórdão recorrido teve por objetivo copiar trechos já produzidos nos autos, abstendose de analisar as questões colocadas em impugnação. Apontam que os relatórios produzidos pelo Estado de São Paulo na "Operação Yellow" foram amplamente questionados em impugnação, não apenas por não apontar qualquer relação das coobrigadas com a W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda, mas também por figurar como elemento exclusivo para autuação sem que sequer tenham sido julgados até o momento pelo juízo criminal. Afirmam não ter havido fiscalização com o objetivo de demonstrar a ligação das recorrentes com a autuada, e que o Fisco não produziu nenhuma prova da existência de qualquer vínculo entre as pessoas físicas e jurídicas coobrigadas. Não assiste razão à recorrente. Da leitura da decisão proferida pela DRJ/SDR não identifico os vícios apontados. A decisão enfrentou as razões de defesa suscitadas pelas então impugnantes, conforme determina o art. 31, do Decreto nº 70.235/72 e, apesar de contrária aos interesses da recorrentes, está devidamente fundamentada: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De fato, as autuações fiscais decorrem do conhecimento da denominada "Operação Yellow" realizada pela Sefaz/SP e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, entretanto, após o recebimento dos elementos compartilhados pela Fazenda Estadual, o Fisco Federal efetuou consultas aos seus sistemas internos e declarações entregues pela contribuinte, concluindo pela ocorrência dos fatos geradores lançados nos autos de infração ora em litígio, bem assim pela necessidade de atribuição da responsabilidade solidária às coobrigadas, com fundamento no art. 124, I do CTN. A omissão de receita bruta obtida com a revenda de mercadorias, auferida nos anoscalendário de 2011 e 2012, foi apurada mediante o confronto entre as informações disponíveis no ambiente Sped (receitas brutas de vendas) e os valores informados nas Declarações de Informações Fiscais DIPJ, nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Em que pese o trabalho da "Operação Yellow" estar sendo discutido judicialmente, isso não interfere não apuração fiscal realizada pela Receita Federal do Brasil, pois as esferas criminal e fiscal são independentes. Apesar da recorrente mencionar a existência de perícia nos autos do processo criminal apontando diversas irregularidades que tornariam as provas nulas naquele processo, tal fato não tem o condão de alterar as infrações apuradas no presente processo administrativo fiscal e a responsabilização solidária imputadas às coobrigadas. Fl. 10245DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.246 26 Defendem as recorrentes que as provas nas quais se baseiam as autuações fiscais têm como origem o relatório da Operação Yellow, realizada pela Delegacia Regional Tributária 7 da Sefaz/SP e o processo nº 003890650.2002.4.03.6182, em trâmite perante a 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo. Alegam, entretanto, que as provas que dão suporte ao relatório da Operação Yellow foram obtidas por meio ilícito, pois não obedeceram ao critério temporal. Tal assertiva decorre do fato de que à época das investigações criminais sequer havia fiscalização em andamento, o que contraria a jurisprudência do STJ e a Súmula Vinculante nº 24 do STF, a qual estabelece que não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos Ia IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. De início, vale ressaltar que as provas obtidas no curso da Operação Yellow foram repassadas à Receita Federal do Brasil, mediante Convênio de Cooperação Técnica celebrado com a Secretaria de Fazenda do Estado de SP em 22/05/2013. (fls. 849 a 853), bem assim, em virtude da autorização judicial deferida nos autos do processo nº 0019133 58.2015.8.26.0071, em 19/07/2013, pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Bauru/SP (fls. 844 a 846), para acesso e utilização dos documentos obtidos pela Receita Federal do Brasil, os quais seriam compartilhados pela Sefaz/SP. Relativamente às alegações de que as provas teriam sido obtidas ilicitamente, pois à época das investigações sequer havia fiscalização em andamento, no despacho proferido em 20/06/2016, o Juízo da 1ª Vara Criminal de Bauru/SP, assim se manifestou: "O procedimento investigatório não foi iniciado por mero ofício da Delegacia da Receita Tributária, mas sim por um grande trabalho de inteligência da Assistência de Inteligência Fiscal, com o relatório pormenorizado e documentos (50/332).O que se noticiou nesse trabalho é a existência de sonegação fiscal decorrente de outros crimes, como formação de quadrilha, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. Em razão desses outros delitos não havia necessidade de autuação fiscal nas empresas para iniciar as investigações criminais, com a interceptação das conversas telefônicas, pois a inteligência noticiava uma estrutura forte e organizada para cometer a sonegação, o que seria difícil de detectar em autuação fiscal." Assim, conforme já decidido judicialmente, em virtude da existência dos crimes de formação de quadrilha, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro, inaplicável ao caso concreto a Súmula Vinculante nº 24 do STF e desnecessária a autuação fiscal nas empresas para início das investigações criminais, sendo lícitas as provas obtidas com autorização judicial, em procedimento investigatório prévio à autuação fiscal. Sustentam as recorrentes que a responsabilização solidária imputada é prematura, pois deveria aguardar que os elementos que compõem o relatório da Operação Yellow fossem judicialmente declarados como prova. Nas conclusões dos recursos requerem o sobrestamento dos presentes autos até o julgamento da ação penal nº 0019133 58.2013.8.26.0071 em trâmite perante a 1ª Vara Criminal de Bauru/SP. Conforme bem pontuado pela decisão recorrida, inexiste previsão legal na legislação que trata do processo administrativo fiscal para sobrestamento do processo administrativo até análise da licitude das provas obtidas em investigação criminal para apuração de diversos crimes, dentre eles os crimes contra a ordem tributária.. No recurso voluntário das coobrigadas, foi transcrito despacho proferido Juízo da 1ª Vara Criminal de Bauru/SP, em que foi indeferido o pedido de investigação para esclarecimento de relatório apócrifos, por não interessar ao processo criminal, sob o argumento de que relatório não é prova. Conforme anteriormente decidido no presente voto, as esferas Fl. 10246DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.247 27 criminais e fiscal são independentes. Além disso, diversamente do relatório citado na decisão judicial, o relatório que sustenta a atribuição de responsabilidade tributária às coobrigadas não é apócrifo e foi elaborado e assinado pelos auditoresfiscais responsáveis pelo procedimento fiscal, tendo sido a ele anexados 54 arquivos com documentação comprobatória dos fatos nele relatados. Alegam as pessoas jurídicas integrantes do grupo que a multa decorrente de infração tributária, não pode ser repassada aos responsáveis solidários, seja pela responsabilidade pessoal de quem a ela deu causa (art. 137, CTN), como também por não ser obrigação principal (art. 124, I). Relativamente às alegações de a multa aplicada à W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda não pode ser repassada às coobrigadas, considerando o disposto no art. 137 do CTN, tal assertiva decorre de equivocada interpretação do referido dispositivo legal. A correta interpretação do art. 137 do CTN, é no sentido de que o mandante só responde pelos atos do mandatário, se existir orientação no sentido de infringir a lei, e não no sentido de que estaria excluída a responsabilidade pessoal por infrações dos mandatários quando agindo em cumprimento de ordem pelos mandantes. Nesse sentido, decisão proferida pelo TRF 4ª Região na AC 1998.04.01.0153760/RS. Ementa: .... II. A correta interpretação do art. 137 do CTN é no sentido de que o mandante, preponente ou empregador só responde pelos atos do mandatário, preposto ou empregado se existir orientação no sentido de infringir a lei. Caso contrário, deve o infrator arcar pessoalmente com as reprimendas impostas. ....” (TRF4 Região. AC 1998.04.01.0153760/RS. Rel.: Des. Federal Marga Inge Barth Tessler. 3ª Turma. Decisão: 13/11/01.DJ de 16/01/02, p. 653.) Nos termos do art. 128 do CTN, o responsável solidário responde pela totalidade do crédito tributário: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, estando nele incluídos o tributo, os juros de mora e as multas de oficio aplicadas: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Dessa forma, ao contrário do pleiteado pelas recorrentes, correta a responsabilização das coobrigadas pelas multas aplicadas no lançamento de ofício. Fl. 10247DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.248 28 Assim tem sido a jurisprudência deste Colegiado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 27/02/1999 a 12/05/2000 MULTA QUALIFICADA. AGRAVAMENTO. EXIGÊNCIA DE CONDUTA DO SUJEITO PASSIVO. O responsável solidário responde pela totalidade do crédito tributário lançado, incluídos, portanto, o tributo, as multas e os juros de mora, nos termos do art. 128 do CTN. É impossível a redução da multa de ofício aplicada apenas para o responsável solidário. (Acórdão 9303004.643, de 15/02/2017) Especificamente quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, alegam as recorrentes que a inexistência do exercício de qualquer ato de gerência ou de administração à frente da pessoa jurídica W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda, seria impedimento à atribuição das sujeições passivas tributárias. Entendem que a fiscalização deveria ter demonstrado o nexo causal entre o ato das coobrigadas e o resultado percebido pela pessoa jurídica fiscalizada, entretanto, nenhum documento juntado aos autos demonstra, de forma explícita ou implícita que a recorrente tenha, de qualquer forma praticado atos, determinantes ou de interesse, em relação ao fato gerador do suposto ilícito tributário. No Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas Integrantes do Grupo FN (fls. 211 a 292) restou claramente demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, atuando em dois grandes ramos, grãos e ovos, sendo que a fiscalizada e as coobrigadas integram o segmento de grãos: Grupo FN GERAL Holding informal: (FN) FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (CNPJ 04.350.935/000159) elementos juntados Anexo 01 (FAS) FASEmpreendimentos e Incorporações Ltda. (CNPJ 03.752.053/000157) elementos juntados Anexo 02; PJs patrimonias: (MODENA) Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. (CNPJ 10.637.365/000185) elementos juntados Anexo 03; Grupo FN SEGMENTO GRÃOS (SINA INDÚSTRIA) Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. (CNPJ 06.348.804/000243) elementos juntados Anexo 04; (SINA ALIMENTOS) Sina Indústria de Alimentos Ltda. (CNPJ 10.156.658/000140) elementos juntados Anexo 05; PJs industriais e exportadora (SINA EXPORTAÇÃO) Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. (CNPJ 09.374.458/000185) elementos juntados Anexo 05A; (FAROLEO) Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (CNPJ 05.055.406/000195) elementos juntados Anexo 06; (DOV) Dov Óleos Vegetais Ltda (CNPJ 05.262.304/000140) elementos juntados Anexo 07; (MULTIOLEO) Multioleos Óleos e Farelo Ltda (CNPJ 06.247.827/000180) elementos juntados Anexo 08; (DOFAR) Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda ME (CNPJ 06.247.822/000158) elementos juntados Anexo 09; (CROMAIS) Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda (CNPJ 11.326.6730001 52) elementos juntados Anexo 10; (W.A.S.) W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda (CNPJ 12.369.189/000173) elementos juntados Anexo 11; (ORTED) Orted Óleos e Cereais Ltda (CNPJ 14.041.985/000108) elementos juntados Anexo 12; PJs comerciais: (PETRY) Petry Comércio, Importação & Exportação Ltda (CNPJ 14.465.186/000169) elementos juntados Anexo 13; Fl. 10248DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.249 29 Grupo FN SEGMENTO OVOS PJ industrial (FAMA) Fama Ovos Ltda. (CNPJ 05.004.337/000190) elementos juntados Anexo 14; (DOVOS) Dovos Distribuidora de Ovos Ltda. (CNPJ 13.723.665/000175) elementos juntados Anexo 15; PJs comerciais (DMR) DMR Representação Comercial Ltda. (CNPJ 04.740.534/000105) elementos juntados Anexo 16; A estrutura do grupo era composta de diversas pessoas jurídicas, com funções próprias: Holding informal, responsável pela administração geral do grupo; Pessoas jurídicas patrimoniais, responsáveis pela gerência do patrimônio do grupo; Pessoas jurídicas industriais, responsáveis pela industrialização dos produtos comercializados pelo grupo; Pessoas jurídicas comerciais, responsáveis pela comercialização dos produtos industrializados pelo grupo. Da leitura do relatório elaborado pela fiscalização e documentos comprobatórios a ele anexados, verificase que no período auditado, o GRUPO FN atuava como um única grande empresa, sob comando único, com objetivos e estruturas comuns e confusão patrimonial, valendose de uma estrutura jurídica composta por diversas pessoas jurídicas, formalmente independentes. O comando único era realizado pela família Adbul Massih e pessoas próximas, reais administradores, os quais eram os verdadeiros gestores, com poderes de decisão, gerência e direção. Por meio da pessoa jurídica FN Assessoria Empresarial Ltda, holding informal cujos sócios formais eram Nemr Adbul Massih e Fernando Antônio Martins de Oliveira, os reais administradores centralizavam a direção, controle e administração do grupo. A formalização dessa centralização era realizada através de contratos de assessoria empresarial firmados entra a FN Assessoria Empresarial Ltda (contratada) e as demais empresas do grupo (contratantes). Adicionalmente, eram outorgadas procurações à FN Assessoria Empresarial Ltda, com amplos poderes de gestão, inclusive para movimentação financeira junto às instituições bancárias, conforme verificase no excerto extraído da procuração conferida pela DOV Indústria de Óleos Vegetais Ltda (fls. 858), abaixo transcrito: Procuração Outorgante: DOV INDÚSTRIA DE ÓLEOS VEGETAIS LTDA(...) representada por sua sócia DALHARI FINANCIAL S.A. (...) como empresa domiciliada no exterior, neste ato representada pelo seu Presidente YAMANDÚ CASTRILLÓN D'ANGELO (...) Outorgada: FN (... ) Poderes: Representar a outorgante perante terceiros em geral, inclusive bancos e instituições financeiras, com poderes para (i) assinar quaisquer contratos, inclusive contratos de empréstimo, financiamento, "Compror", "Vendor", abertura de crédito, cartas de fiança, contratos de câmbio de qualquer tipo ou modalidade, repasses e quaisquer outros; (ii) emitir Cédulas de Crédito Bancário, Fl. 10249DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.250 30 representativas de operações de crédito de qualquer modalidade; (iii) assinar quaisquer aditamentos, planilhas, anexos, pedidos de prorrogação e outros documentos que se refiram ou façam parte dos instrumentos de que trata os itens (i) e (ii) anteriores; (iv) constituir quaisquer garantias, reais e/ou fidejussórias, inerentes aos contratos e/ou títulos de crédito em questão, podendo, inclusive, assinar instrumentos particulares de cessão fiduciária em garantia e/ou de alienação fiduciária em garantia, e, através dos quais, ceder fiduciariamente a titularidade sobre quaisquer bens móveis, inclusive títulos de crédito e direitos creditórios; (v) emitir, sacar, endossar, descontar, aceitar, ceder, alienar, entregar para cobrança bancária quaisquer títulos de crédito, inclusive, mas não se limitando a cheques, duplicatas, notas promissórias, letras de câmbio, warrants, conhecimentos de depósitos, conhecimentos de embarque e quaisquer outros; (vi) abrir e movimentar contas correntes de titularidade da outorgante, inclusive por meio eletrônico; emitir, sacar e endossar cheques; autorizar débitos por qualquer meio, inclusive de pagamentos e transferências; assinar correspondências, recibos e quitações e praticar, enfim, todos os atos úteis e/ou necessários para o bom e fiel desempenho deste mandato, o qual é válido por 1 (hum) ano a contar da presente data, não sendo vedado o seu substabelecimento. (GRIFEI) A confusão patrimonial do grupo fica evidenciada mediante a utilização das empresas patrimoniais FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda e Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda para blindagem patrimonial. A FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda foi, formalmente constituída no anocalendário de 2.000, e no período fiscalizado teve como sócios, Simon Nemr Ferreira Abdul Massih, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih e Andréa Ferreira Abdul Massih. A Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda foi constituída em 2.008 e tem como sócios Marcel Rodrigues Ferraz e Milovaig S.A, offshore com sede no Uruguai. Por meio das referidas empresas, os reais administradores isolavam os débitos das demais pessoas jurídicas dos bens imóveis e instalações industriais do grupo. O patrimônio imobilizado em nome da FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda era utilizado pelo grupo, ora diretamente, pelo uso dos próprios prédios e maquinários pelas empresas industriais, ora, indiretamente, servindo como fiadora de empréstimos tomados junto a instituições bancárias por outras empresas do grupo e ora, ainda, efetuando empréstimos para as empresas do grupo. Assim, o patrimônio da FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda se prestava a fomentar a obtenção de receitas pelas demais empresas industriais e comerciais do grupo. Aliás, a existência de grupo econômico envolvendo a quase totalidade das empresas coobrigadas foi reconhecida, judicialmente, em diversas execuções fiscais ajuizadas na justiça federal, conforme inferese da decisão agravada objeto do agravo de instrumento nº 001588663.2013.4.03.0000/SP, interposto pela coobrigada Sina Indústria de Alimentos Ltda e julgado em 24/07/2013, em que também são rés as coobrigadas FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda.; Faróleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda.; Multioleos Óleos e Farelo Ltda ; DOV Óleos Vegetais Ltda; Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda., e Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda.: "Não há dúvidas de que a executada foi encerrada irregularmente e que não possui patrimônio idôneo para a garantia da dívida. O débito neste processo atinge a cerca de vinte milhões de reais (fl. 189), porém, o total das dívidas com a União ultrapassa um bilhão de reais (!), considerandose o grupo de empresas interligado à executada (fl. 188). Os documentos de fls. 223 e ss., indicam a prática de condutas encetadas pelos administradores do grupo para fraudar credores, pois retratam casos de esvaziamento patrimonial da executada e sócios, concentração de dívidas e Fl. 10250DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.251 31 confusão de ativos, centralização da administração em membros do clã dos Abdul Massih, além da utilização de "off shore" com o objetivo de blindar o patrimônio familiar. ... No caso, o "modus operandi" adotado pelo grupo econômico (doravante identificado como Grupo "Abdul Massih"), mostrase bem explicitado e fundamentado nas percucientes alegações e documentos acostados pela exequente. Assim, revelamse ciclos de evolução do Grupo "Abdul Massih" em fases distintas, distinguindose, nas sociedades operacionais, o afastamento gradativo da família Abdul Massih, do quadro societário, ao tempo em que são substituídos por interpostas pessoas pessoas de confiança da família, ou sem estofo patrimonial, isto é de "laranjas" (casos de utilização de funcionários como sócios administradores). Denotase, ainda, no último ciclo evolutivo societário o ingresso de sociedades offshore como sócias majoritárias das pessoas jurídicas, o que condiz com o alegado aperfeiçoamento do esquema de fraudes, dada a notória dificuldade de acessar o patrimônio enviado para o exterior, com a utilização dessas empresas "estrangeiras", situadas em "paraísos fiscais". No Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas Integrantes do Grupo FN (fls. 247) é possível identificar a intensa sincronia e marcante relacionamento entre a fiscalizada e as demais coobrigadas com as pessoas jurídicas industriais do grupo FN. O total transacionado entre a W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda e as empresas industriais do grupo FN, Sina Indústria de Alimentos Ltda e Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda., atinge o montante de R$ 298.924.633,02: Fl. 10251DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.252 32 Restou também demonstrado no referido relatório, que o faturamento do grupo concentravase, majoritariamente, nas empresas comerciais, sendo a fiscalizada W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda, a responsável pelo maior percentual de faturamento dentre as empresas do grupo no ano de 2011, no montante de 28,38% do total da receita bruta: Fl. 10252DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.253 33 Assim, por estarem concentradas nas empresas comerciais os maiores valores de faturamento do grupo, consequentemente, os fatos geradores dos tributos objeto dos lançamentos de ofício recaíram sobre estas empresas, sem capacidade financeira ou econômica, isolando as pessoas jurídicas patrimoniais dos débitos fiscais do grupo. A estrutura comum compartilhada do grupo ficou evidenciada na análise efetuada entre a receita bruta declarada e ao quadro de funcionários declarado em GFIP, de onde extraise que a fiscalizada e as coobrigadas, Multioleos, DOV, Faroleo, Cromais, DMR e Dovos, apesar de serem responsáveis pelo faturamento de 94,97% do grupo, declararam ter se utilizados de apenas 12,31% da mão de obra contratada pelo grupo. Outro fundamento utilizado pela fiscalização que bem demonstra a existência de uma ação conjunta na realização dos fatos geradores dos tributos, é a constatação que as pessoas jurídicas comerciais, dente elas a fiscalizada, dedicavamse preponderantemente à mesma atividade econômica, ou seja, venda de derivados da soja, especificamente, grãos de soja, farelo de soja e óleo de soja. Dessa forma, ainda que diretamente as coobrigadas não tenham exercido atos de gerência ou de administração à frente da W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda, restou demonstrado a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas empresas formalmente independentes, porém com estrutura e objetivos comuns, administração única e confusão patrimonial. Assim, flagrante a comunhão de interesses, hábeis a ensejar a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN, pelas diversas infrações fiscais cometidas e que motivaram a lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Como bem apontado pelas coobrigadas, o interesse comum não se resume ao interesse econômico devendo existir, para caracterização da solidariedade passiva, interesse jurídico na realização da situação que deu origem ao fato gerador do tributo, ou seja, as coobrigadas e a fiscalizada devem realizar conjuntamente o fato gerador. No caso, as atividades desempenhadas formalmente por cada uma das empresas do grupo, na verdade se complementavam, conforme demonstrado no Relatório de Solidariedade, especificamente no item 4.3 Modo de Agir. Consta desse item que os objetivos comuns seriam atingidos mediante a combinação de recursos e esforços das empresas do grupo, com a utilização de estruturas comuns, para controle centralizado e sincronizado entre o financeiro, faturamento e contabilidade de todas as pessoas jurídicas do grupo, inclusive com detalhamento do modo em que deveriam agir conjuntamente na realização dos fatos geradores lançados nos autos de infração em litígio. Veja o trecho do Relatório de Solidariedade onde foi transcrito parte do Anexo 25 ao Relatório de Solidariedade, documento este que apesar de não estar assinado e datado, retrata bem a forma de atuação conjunta das empresas e foi apreendido pela "Operação Yellow": "1 Empresas Comerciais " "Para evitarmos transferências de valores sem documentação legal e sem o uso do mútuo feneratício nas empresas comerciais (que não é legalmente aceito), apresentamos: Fl. 10253DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.254 34 Como a ocorrência das transferências são diárias, há também que se ter um controle diário de todas as operações envolvidas para fazer o fechamento mensal " "Todas as transferências a débito e a crédito entre as empresas comerciais, ocorridas no dia, devem ser informadas no dia seguinte logo no primeiro horário para que se emita as NFs ... de venda e compra entre as empresas Com isso teremos amarrado o movimento financeiro com respaldo legal. Ter uma única pessoa que centraliza todas as operações entre o financeiro, faturamento e a contabilidade. Omega Criar local de depósito para a movimentação dos produtos, que igualmente ao financeiro irá zerar os saldos de uma empresa e outra assim como o saldo do local estocado mesmo que esse local venha a começar o mês com saldo negativo. Observar o tipo de produto a ser destacado nas NFs de compra e venda entre as empresas. As Sinas também deveram (sic) emitir NFs de remessa entre os depósitos criados para dar mais coerência as transações. Um dia antes de encerrar o mês, a pessoa responsável deverá verificar o saldo financeiro do estoque e das NFs emitidas, assim toda a operação começa e encerra dentro do mês, não deixando saldos para serem detectados no balancete. Frete Deverá ser colocado o frete FOB nas NFs ou Próprio, visto que a movimentação será apenas interna entre os Depósitos da Sina, caso ocorra movimentação entre as Sinas com localidades diferentes deverá acompanhar a mesma linha de raciocícino ". (sublinhamos) [...] 2 SINAS Devido às Sinas só fazerem a industrialização dos produtos, não há como ter compra e venda, então precisaremos adotar o contrato de mútuo feneráticio ou outro tipo de contrato, mesmo não sendo legalmente aceito pela legislação, mas discutível na justiça, pelo menos a contabilidade terá um documento para apresentar em uma possível fiscalização. 3 Irmãzinhas Quais as empresas que realmente são focadas nesse ramo de irmãzinhas mas que poderiam talvez passar para Comercial, pois ainda emitem NFs (ORTED/PETRY ...), assim utilizamos a mesma linha de trabalho. (...) Se criarmos novas irmãzinhas e todas passassem a emitir NFs uma para as outras, e sempre com um valor agregado para que ela saldar suas dividas?? Primeiro deveremos saber de quanto será o desembolso de cada irmãzinha, com as diversas despesas que temos dentro do grupo. Vamos supor que: 1 Temos um produto e ele será comercializado entre as empresas apenas para se obter lucro na venda e compra, na primeira venda esse produto deverá ter a metade do preço de venda que está no Omega, para que isso não encareça as transações futuras. 2 MULTIOLEOS vende R$ 100 mil para ORTED Fl. 10254DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.255 35 3 ORTED vende esse mesmo produto por R$ 150 para ZUZA 4 ZUZA vende esse mesmo produto por R$ 200 mil para DOV 5 DOV vende esse mesmo produto por R$ 200 mil para a MULTIOLEOS Nessa transação a ORTED e a ZUZA ficaram com R$ 50 mil cada uma, a DOV ficou zerada e realmente que deveria ter dado o valor foi a MULTIOLEOS que simplesmente vai levar essa diferença para o Custo com a defasagem da venda e compra do produto" (sublinhamos) Assim, são improcedentes as alegações das coobrigadas, de que a fiscalização não demonstrou o nexo causal entre o ato das coobrigadas e o resultado percebido pela pessoa jurídica fiscalizada. Especificamente no recurso da coobrigada FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda, a recorrente afirma que apesar do esforço da fiscalização em demonstrar que a FAS escondeu, blindou o patrimônio do grupo, fomentando toda operação nada foi provado. Aduz que o capital da FAS é proveniente da sócia fundadora Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih e empréstimos junto a instituições financeiras, pagos pela própria empresa, através de doações de seu pai por antecipação da legítima. Ao contrário do afirmado pela recorrente, nos Anexos 38 a 41 do Relatório de Solidariedade, foram juntados documentos comprobatórios da utilização do patrimônio da FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda, pelas demais empresas do grupo FN, com o escopo de fomentar a geração de receitas. Relativamente à origem de seu capital social, não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios das alegações, motivo pelo qual não podem ser acolhidas. Diante de todo o exposto, e considerando que restou demonstrado a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas empresas formalmente independentes, porém com estrutura e objetivos comuns, administração única e confusão patrimonial, voto por manter a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN, para as coobrigadas FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda., FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP; Faróleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., Multióleos Óleos e Farelos Ltda, Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda., Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda e DOV Óleos Vegetais Ltda. RECURSOS APRESENTADOS PELOS REAIS ADMINISTRADORES As pessoas físicas Andréa Ferreira Abdul Massih (fls. (fls. 9.735 a 9.773), Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls.9.694 a 9.732), Nemr Abdul Massih (fls. 9.654 a 9.691) e Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (fls. 9.613 a 9.651) apresentaram recursos voluntários adotando a mesma linha de defesa das pessoas jurídicas integrantes do Grupo FN, sendo, portanto, aqui aplicáveis as mesmas razões de decidir nas questões já enfrentadas quando da análise dos recursos voluntários dessas pessoas jurídicas. Relativamente aos Termos de Sujeição Passiva Solidária, os coobrigados defendem que para serem responsabilizados solidariamente seria necessária a comprovação da prática de atos de gerência e administração em relação à empresa fiscalizada, ou que de qualquer modo, tenham refletido na atividade geradora do fato imponível. Alegam que a Fl. 10255DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.256 36 fiscalização teria deixado de demonstrar, efetivamente quais foram as decisões ou atos perante a W.A.S. que terminaram por contribuir para o cometimento de ilícito fiscal, sendo necessária a demonstração do nexo ente o ato da pessoa física com o resultado percebido pela fiscalizada. Diversamente do alegado pelos coobrigados, nos Termos de Sujeição emitidos com fundamento nos arts. 124, I c/c art. 135, III, do CTN, bem assim, no Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas Integrantes do Grupo FN e seus anexos, é possível identificar diversos elementos comprobatórios de que seriam eles os reais administradores, verdadeiros donos do negócio que, utilizandose de interpostas pessoas, administravam as empresas do grupo de forma oculta. Todas as atividades do grupo eram por eles decididas, empreendidas, idealizadas, coordenadas, ou sejam, praticavam verdadeiros atos de gestão e deles se beneficiavam, todavia, na maioria dos casos não pertenciam aos quadros societários das pessoas jurídicas do grupo. As atividades de gestão/administração eram exercidas diretamente pelos coobrigados ou por meio das pessoas jurídicas FN Assessoria Empresarial, holding informal que gerenciava as demais empresas do grupo, administrando a geração das receitas lançadas de ofício nos autos de infração em litígio, e FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda, pessoa jurídica utilizada para blindagem patrimonial e utilizada como braço econômicofinanceiro do grupo, fundamental para obtenção de receitas pelas demais empresas do grupo. A seguir, um resumo da vinculação dos coobrigados e a transcrição de alguns dos trechos dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, os quais foram devidamente acompanhados de documentação comprobatória, hábeis a evidenciar a prática de atos de gestão/administração pelos reais administradores: Andréa Ferreira Abdul Massih Real administradora do grupo, que exercia a gestão/administração diretamente, ou por meio das pessoas jurídicas FN Assessoria Empresarial Ltda, da qual apresentavase em mensagens eletrônicas como membro da diretoria, e FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda, da qual participava do quadro societário e integrava a GFIP da FAS como contribuinte individual diretor não empregado sem FGTS. "a) entre os dias 15 e 19 de julho de 2010, foram trocadas algumas mensagens entre administradores e colaboradores do Grupo FN, referentes a problemas elétricos nos prédios ocupados por pessoas jurídicas do Grupo, que estariam colocando em risco o patrimônio e os funcionários. Foram citadas a DOV, a FAMA, a DMR e uma pessoa jurídica estabelecida na Rua Rafael de Barras. Em meio às mensagens observase ordem direta da senhora Andréa, revelando nítido ato de gestão frente ao Grupo (Doc. 01. Destacamos): ... b) mensagem datada de 18/03/2011, relata reunião presidida pela real administradora, senhora Andréa, visando passar orientações gerais para contratação de funcionários da área de finanças do Grupo, com a presença dos "Líderes das Áreas Financeiras" de demais pessoas jurídicas do Grupo, especialmente: Faroleo, Multioleos, Sina Comércio, Dov, DMR, Fama... revelando poder de comando da senhora Andréa, sobre pessoas que representavam a FN perante terceiros (Paulo, Panara e Nabil) Doc. 02 (Destacamos): ... Fl. 10256DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.257 37 c) mensagem datada de 20/12/2012, produzida pela real administradora, senhora Andréa, com cópia para o senhor Simon (seu irmão também identificado como real administrador do Grupo FN), que visava implementar rotinas de trabalho entre o comercial e o financeiro das fábricas do Grupo, também revela poder de comando destes reais administradores, sobre pessoas que representavam a FN perante terceiros (Paulo, Panaro e Nabil) Doc. 03 (Destacamos): ... d) mensagem datada de 15/02/2012, revela que a senhora Andréa assinava, ou seja, tinha o poder de autorizar, pessoalmente, as despesas das várias pessoas jurídicas do Grupo FN Doe. 04 (Destacamos): ... e) mensagem datada de 29/03/2011, revela que a senhora Andréa, através da FN, exercia, de fato, relevante controle das demais pessoas jurídicas do Grupo (Doe. 05 Destacamos): ... A mensagem, datada de janeiro de 2012, revela que a senhora Andrea supervisionava a remessa de dinheiro para demais pessoas jurídicas do Grupo (no caso para a WAS), na medida em que recebia, por cópia, as mensagens de citadas operações (Doc.12 Destacamos): De: Panaro [mailto:panaro@fnassessoria.com.br] Enviada em: 31 de janeiro de 2012 08:18 Para: nabil@fnassessoria.com.br Cc: 'Andréa Massih Hotmail' Assunto: serviços Joseph Prioridade: Alta Nabil bom dia favor enviar R$ 5.000,00 para W.A.S Santander, referente a serviços Joseph(já estou lançando na ficha o seu e o meu). At." Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih Real administradora do grupo, que exercia a gestão/administração diretamente, ou por meio das pessoas jurídicas FN Assessoria Empresarial Ltda, da qual apresentavase em mensagens eletrônicas como colaboradora, e FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda, da qual participou do quadro societário até setembro/2012, identificandose em mensagens eletrônicas como membro da diretoria e integrava a GFIP da FAS como contribuinte individual diretor não empregado sem FGTS. "a) entre os dias 15 e 19 de julho de 2010, foram trocadas algumas mensagens entre administradores e colaboradores do Grupo FN, referentes a problemas elétricos nos prédios ocupados por pessoas jurídicas do Grupo, que estariam colocando em risco o patrimônio e os funcionários. Foram citadas a DOV, a FAMA, a DMR e a pessoa jurídica estabelecida na Rua Rafael de Barras (nesta rua foi detectado o endereço da pessoa jurídica MODENA) (Doc. 05 Destacamos): ... Em meio às citadas mensagens, a senhora Maria de Fátima afirma que o patrimônio e os funcionários que estariam correndo risco eram dela. Tal afirmação foi produzida em mensagem transmitida às 22:55 horas de um domingo, o que denota total comprometimento na administração do Grupo (Doc. 05 Destacamos): Fl. 10257DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.258 38 ... b) em mensagens produzidas em 05/08/2010, a senhora Maria de Fátima exige o telefone particular dos colaboradores do Grupo FN, o que traduz forte comando frente ao Grupo (Doc. 06 Destacamos): ... c)A mensagem datada de 23/09/2010 (às 19:26 horas) demonstra que a senhora Maria de Fátima, na administração do Grupo, conhecia plenamente as rotinas dos diversos setores (Doc. 07 Destacamos): ... d) Na mensagem datada de 18/04/2011 a senhora Maria de Fátima da ampla publicidade do período que estará de férias, a inúmeros colabores do Grupo FN. Tal comunicação demonstra sua importância na condução da administração do Grupo, revelando que sua ausência é do interesse de todos (Doc. 08 Destacamos): ... e) mensagem datada de 13/01/2012 (às 19:35 hs): a senhora Maria de Fátima chama a atenção do "procurador", senhor Miranda, ameaçando demitir empregado subordinado deste, revelando seu pleno poder de comando sobre pessoa que representava a FN perante terceiros (Miranda), bem como demonstra que cabia a ela o poder de decidir sobre demissões (Doc. 09 Destacamos):" Nemr Abdul Massih Real administrador do grupo, que exercia a gestão/administração diretamente, ou por meio das pessoas jurídicas FN Assessoria Empresarial Ltda, da qual participava do quadro societário, e FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda, formalmente constituída em nome de sua esposa e filhos. Em diversos trechos das interceptações telefônicas transcritas no Relatório de Solidariedade, o coobrigado é tratado como "dono" das pessoas jurídicas componentes do grupo: "Agora do lado da FN, como se fosse uma assessoria, nós temos uma empreendimentos imobiliários, que é dona de todos os imóveis, que é a FAS Empreendimentos e Incorporação Lt, que compra todos os imóveis, e que não tem nenhuma embaixo dela. Que o dono da FAS é NEMR, que também é dono das SINAS e da FAMA em 100%.". (...) ... "(...) Abaixo (da FN), você tem todas as prestadoras de serviços que cada uma funciona em cada fábrica...Nós temos a SINA MATRIZ,... SINA Alimentos. Ela era a SINA de Bauru, que era prestadora. Essa SINA Alimentos está com a matriz em Bauru, presta serviços para a fábrica de Bauru. Depois você tem Sina filial Orlândia, Sina filial Santo Anastácio e Sina filial Pirapozinho. Antes tinha uma Sina para Santo Anastácio, uma Sina para Orlândia e uma Sina Pirapozinho. Nós transformamos tudo numa única Sina Alimentos Matriz em BAURU, depois todas as filiais, uma em Orlândia, uma em Santo Anastácio e uma em Pirapozinho, essas são as prestadoras de serviço dos quais o Sr. NEMR é o acionista principal. Diz que abaixo tem todas(...)". Ademais, no Termo de Sujeição Passiva Solidária relativo a Nemr Abdul Massih é possivel identificar diversas trocas de mensagens em que os colaboradores da FN Assessoria Empresarial Ltda agendaram reuniões entre ele e as instituições financeiras, bem Fl. 10258DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.259 39 assim, diversos documentos comprobatórios da empréstimos bancários tomados por empresas do grupo FN, dentre elas a fiscalizada, em que Nemr Abdul Massih presta garantias pessoais para liberação do crédito. Simon Nemer Ferreira Abdul Massih Real administrador do grupo, que exercia a gestão/administração diretamente, ou por meio das pessoas jurídicas FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda, Sina Indústria de Alimentos Ltda e Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda, das quais participava formalmente e integrava as GFIP dessas empresas. "12 Simon Nemr Ferreira Abdul Massih atuava diretamente frente aos negócios do Grupo, como sócio da FAS, ou se apresentando, pessoalmente, como interveniente garantidor ou avalista de empréstimos tomados pelo Grupo, os quais fomentavam a geração da renda, da receita e do lucro (fatos geradores dos tributos lançados) de todas as pessoas jurídicas componentes do mesmo. Para demonstrar o afirmado foram juntados os seguintes documentos: a) cópia do registro 14, na matrícula do imóvel número 24.080 (R.14/24.080) e da averbação 17, na matrícula do imóvel número 48.906 (Av.17/48.906), ambos registrados no Primeiro Ofício de Registro de Imóveis e anexos de Bauru (Doc. 03 e Doc. 04): ... b) cópia de Cédula de Crédito Bancário Empréstimo Capital de Giro, tomado pela FAS, em que a senhor Simon aparece como avalista, garantindo PESSOALMENTE crédito de 6 milhões de Reais, para financiar as atividades do Grupo FN (Doc. 05 Destacamos). Tal crédito foi tomado em 2010, para pagamento em 2014, portanto foi utilizado na geração da renda, da receita e do lucro das pessoas jurídicas do Grupo, durante os períodos auditados (2010, 2011 e2012). ... c) Mensagem, datada de dezembro de 2011, revela o senhor Simon recebendo informações gerencias de várias operações comerciais do Grupo, para conhecimento e aprovação (Doc. 09 Destacamos):" Por fim, consta do Termo que os reais administradores, em associação com os sócios formais e procuradores, cometeram, em tese, diversas infrações a leis, dentre elas: Lei nº 5.172/66 (artigos 3° e 150); Lei nº 4.502/1964 (artigos 71 e 72); Lei nº 8.137/90 (artigos 1° e 2°); Decretolei nº 2.848/1940 (artigos 288 e 299); Lei nº 12.683/2012 c.c. 9.613/1998 e Lei nº 10.406/2002 (artigo 1102 e ss.). De fato, sete empresas do grupo FN , dentre elas a fiscalizada foram dissolvidas irregularmente, conforme faz prova o Ato Declaratório executivo nº 161, de 18/07/2014, que declarou a contribuinte inapta. Ao assim proceder, os reais administradores cometeram infração aos art. 1.102 e seguintes do Código Civil, que disciplinam a dissolução das sociedades. Diante do exposto, restou comprovado que os reais administradores Andréa Ferreira Abdul Massih, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih e Fl. 10259DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.260 40 Simon Nemer Ferreira Abdul Massih tinham interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores dos tributos lançados, bem assim, cometeram infrações à lei, motivo pelo qual não merece reparos o acórdão recorrido que julgou procedente a atribuição de responsabilidade pessoal, nos termos dos arts. 124, I e 135 III do CTN. Joseph Tanus Mansour (fls. 9.776 a 9.783) recorre da decisão proferida pela DRJ/SDR, solicitando sua reforma para afastamento da solidariedade a ele atribuída, sob o fundamento que os argumentos de sua impugnação não foram conhecidos em sua extensão, padecendo a decisão de uma fundamentação criteriosa. Não assiste razão ao recorrente. Primeiro porque tratase de alegação genérica, sem apontar quais questões centrais não foram enfrentadas pela decisão recorrida e, segundo, porque ao contrário do afirmado, a decisão recorrida encontrase devidamente fundamentada, ainda que contrária às pretensões do coobrigado: "Joseph Tanus Mansour, também procura eximirse da responsabilização solidária alegando razões que já foram descaracterizadas em parágrafos precedentes, a exemplo de ilicitude das provas advindas da Operação Yellow e de ser mero prestador de serviços, cuja função è executar ordens transmitidas por seus clientes, utilizando cartões magnéticos deles, entretanto, há, no Relatório de Solidariedade Tributária e seus Anexos, elementos probatórios contrários à sua argumentação, a exemplo de pagamento de JPVA de veiculo de propriedade de sua esposa mediante débito em conta de sócio testadeferro da Orted, empresa do grupo FN, assim como extrato bancário de Walter Araújo Santana, sócio da contribuinte W.A.S. (fls. 7959/7960)." Entretanto, caso ainda assim o recorrente entenda que os argumentos de sua impugnação não foram conhecidos em sua extensão, conforme decisão recente do STJ, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos das partes: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. " STJ 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585). Defende o coobrigado que a autuação se deu por falta de atendimento das reiteradas intimações enviadas para a autuada e seus sócios, entretanto, os "reais administradores" não foram intimados a esclarecer suas relações com a empresa fiscalizada. De fato, o motivo do arbitramento do lucro foi a falta de atendimento às intimações para apresentação da escrituração contábil e fiscal, todavia, o fato dos reais administradores não terem sido intimados a esclarecer suas relações com a empresa ainda no curso do procedimento fiscal, em nada prejudica o contraditório e a ampla defesa pois o litígio somente se instala com a apresentação da impugnação, nos termos do art. nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 10260DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.261 41 Alega o recorrente que a fiscalização se debruçou sobre uma tese formada, vinda da Sefaz/SP e do MP/SP sem se ocupar em fazer a própria verificação fiscal em relação aos fatos jurídicos tributários de relevância fiscal. Aduz que o trabalho fiscal foi sumário e incompleto, baseandose em presunções forçadas, arquitetadas em um grande sofisma, sem identificar os sócios, ouvilos ou mesmo fazer a circularização de cartórios e instituições financeiras com o fito de verificar se o recorrente era procurador ou administrador de alguma conta da empresa. Também não assiste razão ao coobrigado, visto que após o recebimento dos documentos da denominada "Operação Yellow", a fiscalização efetuou várias consultas aos seus sistemas internos e declarações entregues pela W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda tendo, ao final, concluído pela ocorrência dos fatos jurídicotributários que deram origem aos lançamentos de ofício constantes dos autos de infração ora em litígio, bem assim pela necessidade de atribuição da responsabilidade solidária aos reais administradores, com fundamento no art. 124, I e art. 135, III do CTN . O fato de não terem sido efetuadas intimações aos sócios, bem assim, circularizações a cartórios e instituições não significa que o trabalho fiscal foi sumário e incompleto, mas tão somente que a quantidade de elementos probatórios recebidos da operação conjunta entre a Sefaz/SP e o MP/SP foram suficientes para comprovação da necessidade de atribuição da responsabilidade solidária aos coobrigados. Sustenta o coobrigado que os fundamentos para sua responsabilização estão calcados em documentos que não se referem a imputação fiscal. Afirma que prestava serviços de corretagem para algumas empresas fiscalizadas, entretanto, não há nenhum documento nos autos ou fato que autorize entender que ele seria o administrador dessas empresas, ao contrário, as provas demonstram a prestação de serviços. Diversamente do alegado pelo coobrigado, da leitura do Termo de Sujeição Passiva Solidário e da documentação a ele anexada,verificase que sua atividade não e restringia à prestação de serviços de corretagem para algumas empresas do grupo. Especificamente com relação à W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda, apesar de inexistência de vínculo formal com a empresa, o coobrigado é apontado como real administrador e no referido termo consta que durante a "Operação Yellow" foram apreendidos diversos documentos na residência de Joseph Tannus Mansour e em seu escritório, na Rua Abílio Soares, 227, conj 124, mesmo prédio do domicílio tributário informado pela fiscalizada no cadastro CNPJ, na Rua Abílio Soares, 227, conj 123. Da análise da documentação apreendida é possível identificar documentos que conferiam ao coobrigado a condição de real administrador da fiscalizada, e das seguintes pessoas jurídicas, integrantes do grupo: Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda, Orted Óleos e Cerais Ltda e Petry Comércio e Importação Ltda: "a) Comprovante de pagamento DARF da pessoa jurídica Dofar. b) Contrato de venda entre a pessoas jurídica Faróleo e Petry. c) Ficha de compensação — Santander — pessoa jurídica Dofar (Dova). d) Cobrança do Itaú — de Ricardo Gitirana da Silva — sócio "testadeferro" da Orted. e) Transferência bancária Bradesco da pessoa jurídica Petry — para a esposa de Joseph, senhora Carole El Khoury Mansour, no valor de RS 14.000,00; Fl. 10261DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.262 42 f) Extrato bancário da conta em nome de Walter Araújo Santana — sócio "testadeferro" da pj WAS. g) Diversas autorizações de pagamentos das pessoas jurídicas Orted e Petry. h) Documento constando orientações gerais e senhas de acesso às contas bancárias das pessoas jurídicas Cromais, WAS e Dofar (Dova)." Afirma o coobrigado em seu recurso voluntário que as provas valoradas pela DRJ/SDR para afastamento dos argumentos de sua impugnação, dentre elas o pagamento de IPVA mediante débito em conta corrente de sócio "testadeferro" da Orted e extrato bancário do sócio da fiscalizada, Walter Araújo Santana, não comprovam que ele seria o real administrador da W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda. De fato, a posse de qualquer dos documentos apreendidos, isoladamente, não significa que coobrigado tenha administrado a pessoa jurídica, entretanto, do conjunto de provas apreendidas, dentre elas cópias de cartões de crédito dos sócios "testadeferro", bem assim, documento com orientações e senhas para emissão de documentos fiscais em nome de empresas do grupo, dentre elas a fiscalizada, é possível identificar que não se trata de mero prestador de serviços, mas sim de pessoa que realiza atividades de gerência e administração junto à autuada. Dessa forma, entendo que não merece reparos o acórdão recorrido que manteve a responsabilidade solidária de Joseph Tannus Mansour pelos autos de infração lavrados em nome da W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda. No recurso voluntário apresentado por João Shoiti Kaku (fls. 9.554 a 9.610), o coobrigado requer, preliminarmente, a nulidade do acórdão recorrido por vício em sua fundamentação, uma vez que não houve o enfrentamento das alegações suscitadas em sua impugnação, especialmente os relacionados à ausência de vínculo entre o recorrente e os fatos geradores das obrigações tributárias e o poder diretivo sobre as empresas autuadas, se limitando a justificar a manutenção com base no relatório de solidariedade. apta a ensejar a responsabilidade solidária. Ao contrário do afirmado, as questões apontadas foram enfrentadas na decisão recorrida e assim decididas, ainda que contrariamente ao pretendido pelo recorrente: João Shoiti Kaku, traz como argumentação ser apenas consultor financeiro (prestador de serviços), contudo, ao contrário do que alega, há no Relatório de Solidariedade Tributária e seus Anexos, elementos suficientes, a exemplo de degravação de conversa e diversas comunicações (Doc 2 fls 8034/8035; Doc 4 fls. 8040/8042), para comprovar a sua vinculação com as pessoas jurídicas auditadas, entre as quais a W.A.S., bem como a sua efetiva participação como efetivo administrador (Doc 01 fls. 8033) apesar da inexistência de vínculo formal dele com as pessoas jurídicas do Grupo FN.(fls.9.414) Ainda assim, caso entenda o recorrente que referidas questões não foram analisadas, conforme decisão recente do STJ, já transcrita nesse voto, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos das partes. Requer também a nulidade da autuação pois o recorrente não teria sido cientificado da instauração do procedimento fiscal, o que impossibilitou a prestação de esclarecimentos e questionamentos do trabalho fiscal durante a fase investigatória. Aponta a falta de documentos essenciais para sustentar o quantum cobrado nos autos de infração, o que demonstra a falta de liquidez e certeza do crédito tributário, bem assim, a violação do direito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 10262DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.263 43 Também não assiste razão ao coobrigado. Foi anexado ao Termo de Verificação Fiscal, às fls. 113 a 172, planilha com a relação da totalidade das notas fiscais utilizadas na apuração da receita bruta, inclusive com as chaves das notas fiscais eletrônicas, o permite a consulta aos documentos no site www.nfe.fazenda.gov.br. As Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON, relativos aos períodos fiscalizados, bem assim, o extrato da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF foram também anexados ao processo, de forma a comprovar as infrações apuradas pela fiscalização. Com relação à falta de intimação do coobrigado sobre a instauração de procedimento fiscal, bem como prestação de esclarecimentos durante a fase investigatória, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa somente tem início com a apresentação da impugnação, sendo portanto, improcedentes as alegações de violação ao contraditório e ampla defesa: Requer o coobrigado que seja reconhecida a nulidade da atribuição da sujeição passiva solidária, sob o argumento de ter sido o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado por autoridade incompetente, uma vez que tal ato compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional. De igual sorte não assiste razão à recorrente, o art. 59, do Decreto nº 70.235/72, define as hipóteses de nulidades dos atos administrativos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Entretanto, diversamente do alegado pelo coobrigado, os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil são as autoridades competentes para, nos termos do disposto no art. 142 do CTN, identificarem nos autos de infração os sujeitos passivos, seja eles contribuinte ou responsáveis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Alias, este também é o entendimento do CARF, evidenciado no enunciado da Súmula CARF nº 71, visto que a legitimidade para apresentação de recursos decorre, necessariamente, da inclusão dos mesmos no sujeição passiva do crédito tributário. "Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade." Em sede de memoriais, o coobrigado João Shoiti Kaku, aponta a existência de recente decisão proferida em 05/02/2018, na apelação nº 000611040.2016.8.26.0071, reconhecendo a ilegalidade na busca e apreensão no escritório do advogado Gilmar Baldassare e, consequentemente, decretando a nulidade das provas dela decorrentes. Fl. 10263DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.264 44 De início ressalto que a mencionada decisão é bem recente e, por não ter transitado em julgado, não se tornou definitiva. Ademais, o coobrigado não identificou quais seriam as provas utilizadas pela fiscalização que teriam sido apreendidas no escritório do advogado e, portanto, teriam sido consideradas ilícitas. Assim, a questão relativa à legalidade das provas obtidas no mandado de busca e apreensão realizado no escritório do advogado Gilmar Baldassare, ainda pendente de decisão definitiva, deve ser decidida pelos órgãos judiciais de julgamento, em obediência ao princípio constitucional da jurisdição una. Até o trânsito em julgado da referida decisão judicial, bem assim, que seja feita a identificação das provas obtidas ilicitamente, não há que se falar em nulidade do processo administrativo fiscal. Diante do exposto, e considerando inexistentes os vícios apontados, afasto as preliminares de nulidade apontadas passo à análise do mérito. Alega o coobrigado que não foi comprovada a ocorrência de conduta dolosa ou culposa e nem que essa conduta tivesse sido praticada pelo recorrente com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Aduz que me virtude da necessidade dos solidários possuírem algum poder de gerência ou participação na ocorrência do próprio fato jurídico tributário, requer o afastamento da sujeição passiva solidária pois não existe nos autos prova, à luz do art. 124, I do CTN, que possibilite a atribuição da responsabilidade pelos créditos constituídos em face das empresas do grupo. Ao contrário do alegado pelo recorrente, o Termo de Sujeição Passiva Solidária e os documentos a ele anexados, comprovam que o coobrigado João Shoiti Kaku era real administrador do grupo e, apesar da inexistência de vínculo formal com as empresas do grupo, aparece como diretor financeiro na planilha de colaboradores do grupo FN e com uma equipe de funcionários a ele vinculados. Em seguida, transcrevo alguns trechos do Termo de Sujeição Passiva Solidária, que comprovam o interesse comum, bem assim, a prática de infrações as leis mencionadas no referido termo, hábeis a ensejar a atribuição de solidariedade, nos termos dos arts. 124 I, c/c 135, III do CTN: "11 João Shoití Kaku pela posição que tinha dentro do Grupo FN, conhecia com profundidade a forma de organização do Grupo, o que fica explicitado na degravação de interceptação telefônica. (Doe. 02 Destacamos), na qual o senhor Kaku, falando pelo Grupo, conversa com uma representante do Banco Fibra ... Em meio à conversa, o real administrador, senhor Kaku, informa que a holding (FN) está no topo e, ao lado dela, a PJ patrimonial (FAS), que é a dona de todos os imóveis ... "que compra todos os imóveis e que não tem nenhuma embaixo dela", e ainda esclareceu que, como todo o imobilizado está em nome da FAS, que "é a parte real", não será encontrado a depreciação (custo) junto a outras pessoas jurídicas: ... Abaixo da FN, salienta o real administrador, senhor Kaku, estão as PJs industriais, que, embora sendo as principais geradoras de riqueza do Grupo, são tratadas como prestadoras de serviços: ... Embaixo das PJs industriais, continua o real administrador, senhor Kaku, estão as PJs comerciais, citando algumas delas: ... Fl. 10264DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.265 45 12 João Shoití Kaku, na posição de Diretor Financeiro (de fato) do Grupo, tinha intenso contato com diretores de bancos, para tratar de assuntos do Grupo FN, conforme se comprova em mensagens eletrônicas em que são agendadas reuniões, através de colaboradores da pessoa jurídica FN. Mensagem do Banco HSBC, agendando um cafédamanhã com o senhor Nemr e senhor Kaku ("KAKO"), junto à diretoria do banco; verificase que o agendamento foi feito pela pessoa jurídica FN, através de um colaborador (Doe. 03. Destacamos): ... Mensagem do Banco HSBC, agendando um cafédamanhã com o senhor Nemr e senhor Kaku ("KAKO"), junto à diretoria do banco; verificase que o agendamento foi feito pela pessoa jurídica FN, através de um colaborador (Doe. 03. Destacamos): ... Mensagem do Banco Paulista, enviada à pessoa jurídica FN, revela a necessidade de envolver o senhor Kaku (Caco) no caso que estava sendo tratado, demonstrando sua influência junto a pessoas jurídicas do Grupo FN (citado na mensagem como Grupo Nemr Doe. 04. Destacamos): ... Mensagem do Banco Votorantim solicitando à colaborador da FN a confirmação de reunião marcada com o senhor Kaku (Doe. 05 Destacamos): ... Colaborador da FN confirma reunião do senhor Kaku com representante do Banco Fibra na pessoa jurídica FN, atentando para o fato de identificar o local como sendo nosso escritório (Doe. 07 Destacamos): ... 13 João Shoiti Kaku, na prática de atos de gestão do Grupo FN, conforme demonstram os elementos probatórios, "supervisionava" a elaboração das demonstrações contábeis das pessoas jurídicas do Grupo, inclusive, pessoalmente, fazendo alterações nas mesmas, sobrepondo, ao que parece, o trabalho dos próprios contadores. O afirmado fica evidenciado na Degravação 05, de 15/03/2012, de interceptação telefônica, na qual o senhor Kaku conversa com o senhor WALTER, colaborador do Grupo FN, solicitando, aparentemente, que o mesmo calibre bem a contabilidade, ou seja, manda a contabilidade ser "maquiada"... senão a coisa vai ficar muito ruim..." (Doe. 09 Destacamos): ... Tal conduta, de alterar demonstrações contábeis, também fica evidenciada na mensagem, intitulada Balanço Faroleo (Alterado), que o colaborador da FN, Walter, direciona a uma das empresas de contabilidade que trabalha para o Grupo (Taltec) informando que seguia o balanço alterado pelo senhor Kaku, em 17/02/2011 (Doe. 10 Destacamos): Requer o coobrigado o sobrestamento do feito até a conclusão definitiva da ação penal nº 001913358.2013.8.26.0071, uma vez que referida ação busca auferir se o recorrente possui relação com os acontecimentos narrados nesse processo administrativo. Sobre a matéria, entendo que não merece reparos ao acórdão recorrido que, ao enfrentar a questão também levantada pela fiscalizada, decidiu que inexiste previsão na legislação que rege o processo administrativo tributário para sobrestamento do julgamento. Ao final, afirma que as multas de ofício excessivas aplicadas pelo Fisco, ainda que estabelecidas pela legislação, devem ser excluídas ou reduzidas nos casos em que assumem caráter confiscatório. Conforma já decidido anteriormente, não compete aos Fl. 10265DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.266 46 julgadores do CARF apreciar a alegação de eventual ofensa da lei aos princípios limitadores do poder de tributar, isto porque, nos termos da Súmula CARF nº 2 o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante de todo o exposto, entendo que não merece reparos o acórdão recorrido que julgou procedente a atribuição de responsabilidade pessoal, nos termos dos arts. 124, I e 135 do CTN , e voto por manter o coobrigado João Shoiti Kaku no polo passivo da obrigação tributária. Importante ressaltar que nos Termos de Sujeição Passiva Solidária de todos os coobrigados foram relacionadas, em tese, as diversas infrações a leis praticadas pelos reais administradores, comprovando assim a procedência da atribuição da responsabilidade solidária com fundamento no art. 135, III do CTN: a) Lei 5.172/66 CTN (arts. 3º e 150); b) Lei 4.502/1964 (arts. 71 e 72); c) Lei 8.137/90 (arts. 1º e 2º); d) Decretolei 2.848/40 (arts. 288 e 299); e) Lei 12.683/12 c/c Lei 9.613/98; f) Lei 10.406/02 (arts. 1.102 e seguintes). Inclusive, no processo criminal nº 001913358.2013.8.26.0071, referente à "Operação Yellow", em trâmite perante a 1ª Vara Criminal de Bauru SP, consta que em 31/05/2016 foi recebida denúncia contra os coobrigados Nemr Abdul Massih, João Shoiti Kaku, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih e Joseph Tanus Mansour, por aquele juízo criminal: "Após o oferecimento da denúncia, os réus foram citados e apresentaram defesa escrita, nas quais fazem alegações preliminares e de mérito.As preliminares não merecem acolhimento. ... Assim, recebo a denúncia ofertada contra Nemr Abdul Massih, Joao Shoiti Kaku, Yuki Kumakola, Nabil Akl Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, Joseph Tanus Mansour, Victor Mauad, Sineval de Castilho, Jose Campizzi Busico, Walter Jose Guedes Junior, Nelson Noronha de Avila Ribeiro, qualificado nos autos, em face da ausência de elementos motivadores de rejeição "in limine" nesta oportunidade. Requisitemse F.A., bem como certidões de praxe. Citemse os réus para apresentarem defesa escrita no prazo de dez dias, nos termos da lei própria, com as advertências de praxe.Int. e Dilig. Bauru,31 de maio de 2016" DOS REFLEXOS DE CSLL, COFINS e PIS Aplicase a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão dos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. CONCLUSÃO Fl. 10266DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.267 47 Diante de todo o exposto, voto por não conhecer dos recursos voluntários apresentados pelo contribuinte W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda por preclusão e pelo coobrigado Sina Indústria de Alimentos Ltda, por intempestividade. O recurso voluntário do coobrigado Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Ltda foi conhecido somente em relação à arguição de tempestividade da impugnação, para negarlhe provimento. Com relação aos recursos apresentados pelos demais coobrigados, voto por conhecêlos, para rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento da ilustre Relatora, que manteve a responsabilidade tributária pessoal do Sr. João Shoiti Kaku, durante as discussões em sessão, surgiu divergência que levou a conclusão diversa acerca da imputação da responsabilidade desse senhor. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o colegiado, relativamente à situação em análise: O caso em tela referese à atribuição da solidariedade tributária, com base no art. 124, I, e 135 do CTN, consubstanciado no fato de que Sr. João Shoiti Kaku fazia parte do grupo dos reais administradores da empresa, e, nesse condição, exercia a gestão e/ou administração das empresas do grupo, dentre elas a empresa autuada. A responsabilidade solidária do artigo 124, inciso I do CTN, utilizado pela autoridade fiscal para atribuir a responsabilidade solidária a este Senhor, não se aplica ao caso em análise. Vejamos: De acordo com o Código Civil, artigo 264, há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito ou obrigado à dívida toda. A solidariedade tributária referida no artigo 124, inciso I do CTN é atribuída às pessoas, seja física ou jurídica, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ou seja, há interesse comum quando, por exemplo, determinada empresa regularmente constituída se una a uma outra pessoa, física ou jurídica, com escopo de executar determinado projeto. A receita advinda dos serviços prestados será objeto de tributação e, ambos, responderão solidariedade pelo adimplemento da obrigação. Assim, nos casos de responsabilidade solidária, decorrente do artigo 124, I do CTN, temos mais de um contribuinte para o mesmo fato gerador, e ambos participam da Fl. 10267DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.268 48 conduta que gera a obrigação tributária. O interesse comum do citado artigo legal não está relacionado a atos ilícitos, como também não é o interesse econômico. Com efeito, a doutrina deixa claro que o conceito de "interesse comum", referido no art. 124, I, do CTN, possui uma dimensão jurídica própria, e não um significado meramente econômico. Nesse sentido, é a lição de LUIS EDUARDO SCHOUERI: Mesmo que duas partes em um contrato fruam vantagens por conta do não recolhimento de um tributo, isso não será, por si, suficiente para que se aponte um interesse comum. Eles podem ter interesse comum em lesar o Fisco. Pode o comprador, até mesmo, ser conivente com o fato de o vendedor não ter recolhido o imposto que devia. Pode, ainda, ter tido um ganho financeiro por isso, já que a inadimplência do vendedor poder ter sido refletida no preço. Ainda assim, comprador e vendedor não tem interesse comum no fato jurídico tributário. 1 PAULO DE BARROS CARVALHO: Aquilo que vemos repetirse com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo de solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador. 2 RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA O art. 124 diz que "são solidariamente obrigadas" as pessoas enquadradas num dos seus dois incisos, isto é, as que "tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" (inciso I) e as que sejam "expressamente designadas por lei" (inciso II). Desta disposição normativa já se pode destacar que a solidariedade prevista no inciso I não é entre responsáveis, 1 Schoueri, Luis Eduardo. Direito Tributário. 2ª ed. Saraiva: 2012, p. 503 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, p. 311 Fl. 10268DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.269 49 porque a solidariedade, especialmente nesse inciso, é ente pessoas que tenha o dever de cumprir a obrigação tributária como contribuintes, e assim o sejam desde o momento da ocorrência do respectivo fato gerador, para cuja ocorrência agiram pessoalmente e em relação à qual detém a respectiva capacidade tributária. Realmente, quando essa norma verdadeiramente prescreve em caráter geral a solidariedade tributária passiva das "pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", está aludindo a interesse que deve ser diretamente relacionado ao fato gerador (à situação que o constitua) e que torna essas pessoas contribuintes por igual quanto à respectiva e única obrigação tributária. Como dito anteriormente, nas situações objetivadas pelo inciso I do art. 124, a solidariedade nasce originária e naturalmente, a ponto de dispensar sua determinação por lei do poder tributante competente. Para ela, basta o CTN, ao contrário da solidariedade admitida pelo inciso II do mesmo artigo, que depende de norma específica. 3 JOSE JAYME DE MACEDO OLIVEIRA: Em sede tributária, o CTN enumera duas situações denunciativas da configuração da solidariedade de fato, no inciso I, e de direito, no inciso II. Quanto à primeira, embora o dispositivo não defina o que vem a ser "interesse comum", exsurge que envolve ela as pessoas que tenham participação comum no fato gerador, ou seja, que o hajam praticado conjuntamente. SE a hipótese de incidência de IPTU é a propriedade imobiliária urbana e se José e Maria são ambos donos de um único imóvel, há solidariedade entre ambos, sito é o Município pode exigir o pagamento do total do tributo de qualquer dos dois. Pagando um, o problema do ressarcimento pelo outro é questão nãotributária. 4 SACHA CALMON NAVARRO COELHO: O inciso I (do artigo 124 do CTN) noticia a solidariedade natural. É o caso dos dois irmãos que são coproprietários pro indiviso de um trato de terra. Todos são, naturalmente, co devedores solidários do imposto territorial rural (ITR). 5 RENATO LOPES BECHO: Que é ter interesse comum no fato gerador? Parecenos ser quando há mais de uma pessoa ocupando o mesmo pólo de uma relação jurídica (agora não de natureza tributária). Especifiquemos melhor. Há situações econômicas em que mais de uma pessoa ocupa uma mesma posição em relação a outras. É o ocorre na coopropriedade. Quando houver mais de um 3 Op. cit. 4 Oliveira, José Jayme Macedo de. Código Tributário Nacional Comentários. doutrina e Jurisprudência, p. 337 5 Curso de Direito Tributário Brasileiro. Ed. Forense. 7ª edição. p. 708 Fl. 10269DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.270 50 proprietário (contribuinte), haverá solidariedade entre eles". E ainda: " entre comprador e vendedor poderá haver solidariedade, mas essa não é decorrência de interesse comum entre eles., posto que os interesses são distintos, ainda que convergentes. Se existir solidariedade entre comprador e vendedor ela será decorrência da lei, tendo por fundamento a expressa disposição legal. Nos termos do art. 124 do CTN, essa eventual solidariedade estará baseada no artigo 124, II, e terá que ser composta com outra disposição normativa. 6 ANDRÉA M. DARZÉ: O mero interesse social, moral o econômico no pressuposto factico do tributo não autoriza a aplicação do artigo 124, I, do CTN. Deve haver interesse jurídico comum, que surge a partir da existência de direito e deveres idênticos, entre pessoas situadas no mesmo pólo da relação jurídica de direito privado tomada pelo legislador como suporte factual da incidência do tributo, ou mais de uma pessoa realizando o verbo eleito como critério material do tributo, quando esta representar situação jurídica. 7 No caso em concreto, o fato gerador tributário considerado foi "auferir receitas", do que decorreu a tributação pelo IRPJ e seus reflexos, apuradas a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa autuada. Não há como afirmar, e nem restou demonstrado isso nos autos, de que o Sr. João Shoiti Kaku participou de alguma forma no fato gerador do imposto. A pessoa jurídica auferiu receitas, não este senhor, portanto, não há que se falar na aplicação do artigo consignado. Por outro lado, vêse que a fiscalização emitiu o Termo de Sujeição Passiva contra Sr. João Shoiti Kaku também fundamentado no artigo 135, do CTN. Este artigo, de fato, estabelece hipótese de responsabilidade pessoal e não solidária aplicável em situações nas quais o nascimento da obrigação tributária resulta de atos praticados pelas pessoas lá relacionadas à margem de suas atividades funcionais, muitas vezes em proveito próprio. Porém, para atribuir a responsabilidade pessoal do Sr. João Shoiti Kaku, necessariamente os agentes fiscais deveriam comprovar a infração funcional praticada, por violação da lei ou do estatuto social. Assim , deveria a fiscalização comprovar que o referido coobrigado teria agido com excesso de poderes, ou extrapolando as suas atribuições próprias, no caso, de gestão. Confirase os termos do referido artigo 135, CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; 6 Becho, Renato Lopes. A Responsabilidade Tributária dos Sócios tem Fundamento Legal? RDDT 182/107. nov/2010. 7 Darzé, Andréa M. Responsabilidade Tributária solidariedade e Subsidiariedade. Ed. Noeses. 2010, p. 231 Fl. 10270DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.271 51 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. É ônus da Administração Fazendária a individualização da conduta fraudulenta praticada pelo coobrigado apontado no Termo de Sujeição Passiva, além da prova que deve ser feita, em relação a cada pessoa apontada. Com efeito, considerando que a responsabilidade do artigo 135 do CTN representa uma penalidade pela prática de ato ilícito, é evidente que somente o próprio autor da infração pode sofrer as suas conseqüências, não podendo essa responsabilidade ser generalizada e atribuída indistintamente, sem que tenha sido demonstrado no que consistiu a suposta infração cometida por cada um dos coobrigados apontados. A jurisprudência do CARF também deixa clara a necessidade de individualização de condutas praticadas por cada coobrigado para que lhe seja atribuída a responsabilidade prevista no artigo 135, do CTN, bem como a demonstração (prova) da prática do ato ilícito de maneira dolosa, senão vejamos: RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. NECESSIDADE DE INDICAR A CONDUTA ILÍCITA PRATICADA PELO AGENTE E O REFLEXO DESTA NO NÃO PAGAMENTO DO TRIBUTO. O sócio, o gerente ou administrador pode vir a ser terceiro responsável não pelo fato de guardar tal condição, mas sim por ato ilícito que venha a praticar. Neste sentido, para se atribuir responsabilidade aos diretores, é necessário apontar a conduta praticada por estes. No caso dos autos, atribuiuse a responsabilidade com base no artigo 135, III, do CTN, que trata de "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". No entanto, a autoridade autuante não descreveu um único fato supostamente praticados pelos agentes indicados que refletisse conduta destes caracterizando infração à lei ou aos estatutos da empresa. Em síntese, imputou se responsabilidade pelo simples fato de que o nome das referidas pessoas constava da ata de eleição do Conselho de Administração, situação que revela absolutamente incabível. Recurso de ofício negado. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10510.722642/201172, Acórdão 1402001.197, Data da Sessão: 13.9.2013). No caso, penso evidenciar dos autos que o Sr. João Shoiti Kaku, não agiu de forma fraudulenta ou dolosa, praticando atos com excesso de poderes ou violação à lei, contrato social ou estatuto, até porque as provas existentes nos autos não evidenciam que este senhor tinha poder de ingerência sobre o Grupo, demonstrando apenas que prestava serviços de consultoria financeira, sem qualquer domínio das atividades e decisões formadas pelos efetivos controladores do grupo. A fiscalização apontou como elemento probatório de ilicitude a conversa telefônica que o Senhor João Shoiti Kaku realizou com a funcionária do Banco Fibra, apontando que essa conversa demonstraria que ele possuía domínio sobre a estrutura do Grupo, por apresentar sua estrutura. Não penso assim. Fl. 10271DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.272 52 Sendo este senhor, como de fato demonstram os autos, consultor financeiro da autuada, e responsável pela obtenção de limite de créditos em instituições financeiras, é razoável, para o exercício de sua atividade funcional, que ele conheça e informe a estrutura societária das empresas que buscam crédito, pois certamente tais informações são necessárias para o processo de análise do crédito bancário solicitado. Digno de registro que, conforme mencionado no próprio relatório da Operação Yellow, a estrutura societária do grupo era de conhecimento de outras instituições financeiras, o que demonstra que o Sr. João Shoiti Kaku, em sua conversa com a funcionária do Banco Fibra, não estava a relatar questões minuciosas reveladoras de domínio sobre o Grupo. Assim, penso que a degravação apontada no Termo de Sujeição Passiva Solidária não justifica a permanência do Sr. João Shoiti Kaku no polo passivo da autuação fiscal. Outro ponto destacado como elemento probatório da sua classificação como dono do negócio foi a sua suposta posição de diretor financeiro do Grupo. Para comprovar este fato, a fiscalização valeuse, entre outros elementos, de mensagens eletrônicas de marcações de reuniões com a participação do Sr. João Shoiti Kaku. Ora, a mera participação em reuniões com integrantes do Grupo, para tratar, em tese, de assuntos relacionados à obtenção de limite de crédito em instituições financeiras, não revela a prática de algum ato doloso e ilícito, contrário à lei ou ao estatuto social. Participação em reunião também não revela que o Sr. João Shoiti Kaku exercia a função de gerente ou diretor financeiro do Grupo, pois, para tal constatação, deveria a investigação colher mais provas nesse sentido, o que não foi feito. Inexiste nos autos, por exemplo, registro de Ata de Assembléia nomeando o referido senhor para tal cargo, ou mesmo Ata deliberativa de assuntos diversos com a participação desse senhor na qualidade de gerente ou diretor da empresa autuada, ou ainda procuração para agir em nome da sociedade, etc. Assim, evidenciase que não há provas nos autos que demonstrem a condição de diretor ou gerente financeiro do Sr. João Shoiti Kaku junto ao Grupo, bem com não há qualquer indício de sua participação no comando das operações do Grupo, razão pela qual deve ser afastada sua responsabilização solidária e pessoal pelos créditos tributários constituídos contra a empresa autuada. Conclusão Por esses fundamentos, voto por excluir do polo passivo da obrigação tributária o Sr. João Shoiti Kaku. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 10272DF CARF MF Processo nº 10825.722765/201549 Acórdão n.º 1301002.745 S1C3T1 Fl. 10.273 53 Fl. 10273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000154/2004-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PIS NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO.
As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo - como as que acondicionam partes de móveis -, vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção (requisito trazido no Subitem 14, a.3, da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, para que se enquadre no conceito de insumo), os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição pelo industrial, direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição, conforme inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, NÃO RETORNÁVEIS, ESSENCIAIS À GARANTIA DA INTEGRIDADE DO PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. As embalagens, ainda para transporte (desde que não retornáveis), essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo como as que acondicionam partes de móveis , vertem sua utilidade diretamente sobre os bens em produção (requisito trazido no Subitem 14, “a.3”, da Solução de Divergência Cosit nº 7/2016, para que se enquadre no conceito de insumo), os quais, sem elas, não se encontram ainda prontos para venda, gerando, assim, a sua aquisição pelo industrial, direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição, conforme inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 01 54 /2 00 4- 58 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13976.000154/200458 Acórdão n.º 9303005.936 CSRFT3 Fl. 320 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 230 a 255), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra Acórdão 3803000.978, de 8/12/2010, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF (fls. 219 a 224), sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. TRANSPORTE DA MERCADORIA. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação, que não puderem ser deduzidos, poderão ser objeto de ressarcimento. O material de embalagem destinado apenas ao acondicionamento para transporte dos produtos acabados gera direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição para o PIS nãocumulativo. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 256 e 257), em apertada síntese, diz a PGFN, dentre outros argumentos secundários, que o conceito de insumo, a que se refere o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (que regula a Contribuição para o PIS nãocumulativa), quando fala em “bens ... utilizados como insumo na ... produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, na falta de uma determinação da forma a ser adotada para a nãocumulatividade das contribuições para a seguridade social (art. 195, § 12, da Constituição Federal), deve ser buscado na legislação que, historicamente, vem determinando o seu alcance, que é a do Imposto sobre Produtos Industrializados. Isto está consubstanciado na IN/SRF nº 247/2002, sendo que o conceito de insumo que dá direito ao creditamento do IPI está minuciosamente delineado no Parecer Normativo CST nº 65/79, restringindoo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não estando contempladas nesta última “espécie” as embalagens para transporte, mas tão somente as de apresentação. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 264 a 272), alegando, basicamente, que o conceito de insumo para a apuração de créditos PIS/Cofins possui critérios que lhe são próprios, e que não devem se restringir ao da legislação do IPI, pois assim não o teria feito o legislador. Em transcrição literal diz o seguinte (os grifos são originais): “... a definição do bem ou serviço como insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins apóiase em critério que resulta da análise do grau de relevância que o bem ou serviço apresenta em determinada cadeia econômica, ou seja, do exame da sua Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13976.000154/200458 Acórdão n.º 9303005.936 CSRFT3 Fl. 321 3 essencialidade ou pertinencialidade à realização/produção do bem ou do serviço disponibilizado pela pessoa jurídica. No caso dos autos, temse que a recorrida ..., para comercializar sua produção nela emprega material de embalagem, insumo essencial à venda do produto, eis que levam em seu interior os móveis desmontados, juntamente com o esquema de montagem, não se trata de mera embalagem para transporte, são embalagens feitas sob medida, com acabamento que valorizam e acompanham o produto até o consumidor final.” No que tange à matéria fática, entendo que se faz importante, para que este Colegiado possa formar a sua convicção, aqui transcrever o que diz o Auditor no Termo de Verificação ... Fiscal (fl. 150), quando faz referência às embalagens desconsideradas para fins de creditamento (o grifo é original): “... constatamos que os itens relacionados como matériaprima e material intermediário fazem, realmente, parte do processo produtivo. Entretanto, os materiais de embalagem indicados prestamse a compor embalagens de transporte (tratavamse de caixas de papelão e materiais de contenção, que, embora essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo, não continham rótulos dispensáveis ou indicações promocionais que tenham implicado em despesas mais elevadas em sua elaboração com o fim de valorizar o produto nelas acondicionado), e não de apresentação ...” É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. Todos aqui certamente estão a par das inúmeras batalhas que se travam quase que diariamente no Contencioso (principalmente na área Administrativa, mas também na Judicial) sobre o conceito de insumos para fins de creditamento Pis/Cofins, e que tende hoje o CARF a adotar um conceito “intermediário”, entre o do IRPJ e o do IPI (que seria, este último, o defendido pela RFB, mas não é bem assim: ela defende um conceito para PIS/Cofins, conforme ainda será assentado). Mesmo neste conceito “intermediário”, a questão não está pacificada: uns consideram suficiente que o bem ou serviço seja utilizado na produção; outros, que seja necessário; outros, que seja indispensável. Vejamos, a título de exemplo, um caso concreto: As indústrias, em regra, fornecem vestuário a seus operários da linha de produção. Os chamados “bluecollars” vestem roupas padronizadas nas montadoras de automóveis. São utilizadas na produção? Sim. São utilizadas diretamente na produção? Não. São indispensáveis? Não (ao menos de forma padronizada). Já os trabalhadores que fazem cortes de frango nas linhas de produção de frigoríficos usam “roupas” (EPI) que são exigidas pelas autoridades sanitárias. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13976.000154/200458 Acórdão n.º 9303005.936 CSRFT3 Fl. 322 4 Estas são utilizadas na produção, mas não diretamente, e são indispensáveis. Uns entendem que nenhuma das duas vestimentas dá direito a crédito, outros que ambas dão e outros que só as segundas. Então, efetivamente, não é pacífico. A discussão, neste Processo, aqui restringese somente a se as embalagens para transporte dariam ou não direito a crédito. Invoco – conforme já implicitamente adiantado – a mais recente norma que trata do assunto no âmbito da RFB (com caráter vinculante para as Unidades de Origem e também para as DRJ), que é a Solução de Divergência Cosit nº 7/2016 (cujo inteiro teor anexo às fls. 287 a 318), trazendo alguns excertos de interesse (com grifos meus e invertendo a ordem dos itens, para melhor refletir o que pretendo deixar consignado): 46. Outro ponto que merece destaque é que se mostra equivocada a afirmação de que a adoção da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 47. Conforme se demonstrou acima, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes desta mesma legislação e não da adaptação da legislação de qualquer outro tributo. 48. Sem embargo, o ponto comum entre a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, acerca do conceito de insumo, e a legislação do IPI é a exigência, mutatis mutandis, de relação direta e imediata entre o bem ou serviço em relação ao qual se pretende apurar crédito e o produto ou serviço final disponibilizado ao público externo. 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); (...) a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou ... Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13976.000154/200458 Acórdão n.º 9303005.936 CSRFT3 Fl. 323 5 Como visto, a própria Fiscalização diz que as embalagens para transporte em questão são “essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo”, pelo que entendo que se encaixam perfeitamente na exigência trazida na SD Cosit nº 7/2016, que é a de que os insumos “vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção”. O contribuinte produz móveis. Não é de se imaginar, por exemplo, que um tampo de mesa – ou o que quer que seja da espécie – seja simplesmente colocado no caminhão sem uma embalagem que o proteja. Apenas na área de exposição das lojas é que se encontram os móveis montados e, obviamente, fora de qualquer embalagem. Não estamos aqui diante de um saquinho de batatas fritas, de maçãs, ou de uma lata de leite condensado. E nem precisamos ir tanto a extremos. Um televisor, uma geladeira, um fogão, são transportados em caixas, que em seu interior (ou exterior, ou em ambos) têm isopores ou outros materiais de acondicionamento/proteção. Não há como se conceber que uma geladeira, por exemplo, seja transportada fora da caixa, como se vê na área de exposição das lojas. E o cliente, quando a recebe em sua casa, também a recebe acondicionada na mesma caixa (caso contrário, eu, por exemplo, de imediato pediria a sua devolução, ainda que pelo simples fato de não estar lacrada – indicando que, provavelmente, já esteve em exposição, o que poderia comprometer, no mínimo, o seu acabamento). No caso concreto, qual é o produto destinado à venda a que se refere o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002? Os móveis ou (em regra) suas partes, devidamente embalados – sem que necessariamente este acondicionamento “objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional” (conceito, a contrario sensu, da embalagem para apresentação, trazido no art. 6º, § 1º, I, do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores). Assim, nesta vasta gama de produtos aqui citados – ou cujas características se amoldam à categoria a qual aqui se pretendeu caracterizar –, com a necessária redundância, o produto efetivamente só está acabado quando acondicionado nas embalagens em que vai ser transportado, pelo que elas fazem, sim, parte do processo produtivo, havendo portanto o direito ao creditamento na sua aquisição. Ressalvese, no entanto, que embalagens retornáveis, como pallets, as quais servem unicamente ao transporte de qualquer produto que seja, não se enquadram no conceito de bens utilizados como insumos, pois, sobre elas ou em seu interior, já estão perfeitamente acabados os produtos destinados à venda. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721667/2016-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2014
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
MULTA DE OFÍCIO. FATO GERADOR. INTENÇÃO DE OCULTAR DO FISCO. QUALIFICAÇÃO.
Restando evidenciada a conduta do contribuinte no sentido de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador, qualifica-se a multa de ofício, consoante previsão do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 3401-004.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF nº 103.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2014 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. MULTA DE OFÍCIO. FATO GERADOR. INTENÇÃO DE OCULTAR DO FISCO. QUALIFICAÇÃO. Restando evidenciada a conduta do contribuinte no sentido de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador, qualifica-se a multa de ofício, consoante previsão do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindose valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. MULTA DE OFÍCIO. FATO GERADOR. INTENÇÃO DE OCULTAR DO FISCO. QUALIFICAÇÃO. Restando evidenciada a conduta do contribuinte no sentido de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador, qualificase a multa de ofício, consoante previsão do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e em não conhecer do recurso de ofício, em razão de não ter sido superado o limite de alçada, e da Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 16 67 /2 01 6- 81 Fl. 4032DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Relatório 1. Tratase de autos de infração, lavrado com a formalizar a exigência do Programa de Integração Social (PIS), situado às fls. 2 a 6, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), situado às fls. 15 a 25, acrescido de juros de mora e multa de ofício majorada no percentual de 112,5%, inclusive sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, no montante histórico de R$ 10.101.971,03. 2. Conforme de depreende da leitura do relatório fiscal, situado às fls. 27 a 34, constatouse falta de declaração em DCTF de tributos que se mostraram devidos a partir da análise das receitas escrituradas nos livros contábeis e fiscais; a multa foi qualificada (150%) em virtude do ocultamento do fato gerador nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, tendose, ainda, imputado responsabilidade aos sócios JORGE DE SOUZA PEREIRA (sócio quotista) e ANDREIA ALANO CARCAVILLA (sócia administradora) e, ao fim, foi realizada representação para fins penais. 3. A empresa contribuinte apresentou impugnação, situada às fls. 3815 a 3842, na qual argumentou, em síntese, que: (i) a infração constada se trata de um equívoco sanado logo no início do procedimento fiscal por meio de retificação das DIPJ transmitidas em 08.06.2015 e 09.02.2015, relativas ao anocalendário de 2011 e ao anocalendário de 2012, respectivamente; (ii) nos anos objeto da autuação a MINDOM só teria prestado serviços a bancos, de modo que por isso todas as notas fiscais teriam sido emitidas contra eles e, "por obviedade legal, todos os valores que (...) recebeu foram integralmente auditados e sobre estes, deveriam ter incidido os respectivos impostos, em especial aqueles adstritos às retenções legais"; (iii) a multa aplicada é abusiva e caminha contra os princípios do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade; (iv) a qualificação é indevida, porquanto não teria sido provada a intenção de fraudar o fisco, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tampouco máfé por parte do contribuinte; (v) não há nos autos provas de que os sócios JORGE DE SOUZA PEREIRA (sócio quotista) e ANDREIA ALANO CARCAVILLA (sócia administradora) agiram com “dolo, abuso de poder ou fraude”; (vi) considerando que o crédito não estaria definitivamente constituído, não se é possível dar continuidade à representação fiscal para fins penais. 4. A imputada ANDREIA ALANO CARCAVILLA (sócia administradora) apresentou a impugnação, situada às fls. 3884 a 3907, na qual repetiu os itens i, ii e iii, da peça de defesa acima sumulada, aos quais acresceu, ainda, que: (iv) retirouse da sociedade em 19.12.2012 e, depois de sua saída, não mais participou das atividades da empresa, “sequer atuou ou continuou a atuar no segmento”; (v) não houve intenção de fraudar o fisco, o que se Fl. 4033DF CARF MF Processo nº 10530.721667/201681 Acórdão n.º 3401004.444 S3C4T1 Fl. 4.033 3 perceberia “com a correta informação contida nos livros razão e caixa”; (vi) as retenções efetuadas pelos bancos, únicos beneficiários dos serviços prestados pela empresa MINDOM, denunciariam tal situação; (vii) o conceito de infração à lei ou ao contrato não abrange o mero inadimplemento da obrigação tributária, e tampouco foi demonstrado que teria agido com “dolo, abuso de poder ou fraude". 5. Em 30/06/2016, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil deJulgamento em Recife (PE) prolatou o Acórdão DRJ nº 1153.6013, de relatoria do AuditorFiscal Benedito Nunes Pereira Filho, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. DELEGACIAS DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA. APRECIAÇÃO. As Delegacias de Julgamento devem observar a legislação tributária vigente no País, sendolhes defeso apreciar argüições de inconstitucionalidade e de ilegalidade de normas regularmente editadas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE. O sujeito passivo contribuinte não tem legitimidade para apresentar impugnação em nome do responsável solidário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2011, 2012 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. FALTA DE DECLARAÇÃO EM DCTF. Comprovada a falta de declaração em DCTF da contribuição para o PIS devida, apurada com base nos assentamentos contábeis e fiscais da pessoa jurídica, cabe o lançamento de ofício do montante não declarado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011, 2012 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. FALTA DE DECLARAÇÃO EM DCTF. Comprovada a falta de declaração em DCTF da Cofins devida, apurada com base nos assentamentos contábeis e fiscais da pessoa jurídica, cabe o lançamento de ofício do montante não declarado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 MULTA DE OFÍCIO. FATO GERADOR. INTENÇÃO DE OCULTAR DO FISCO. QUALIFICAÇÃO. Fl. 4034DF CARF MF 4 Restando evidenciada a conduta do contribuinte no sentido de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador, qualifica se a multa de ofício, consoante previsão do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido 6. A empresa contribuinte MINDOM, interpôs, em 18/10/2016, recurso voluntário, situado às fls. 3960 a 3973, no qual reiterou as razões de sua impugnação. 7. A imputada ANDREIA ALANO CARCAVILLA (sócia administradora), interpôs, em 18/10/2016, recurso voluntário, situado às fls. 3960 a 3973, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Verificase que o valor exonerado pela decisão recorrida, a título de tributos e encargos de multa, não ultrapassou o limite de alçada aplicável à espécie, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que dispôs nos seguintes termos: Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 4035DF CARF MF Processo nº 10530.721667/201681 Acórdão n.º 3401004.444 S3C4T1 Fl. 4.034 5 Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Assim, o recurso de ofício não preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele não conheço. O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles conheço. 8. Reproduzo abaixo as razões adotadas pela decisão recorrida para manter o lançamento: O presente processo decorreu da apartação do Processo nº 10530.725536/201591, que, originalmente, consubstanciou os lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Os autos de infração do IRPJ e da CSLL, que continuaram naquele processo, foram objeto do Acórdão DRJ/REC nº 11 053.086. 8. Considerando que os autos de infração em questão, malgrado não serem decorrentes dos do IRPJ e da CSLL, foram formalizados em virtude dos mesmos motivos destes, e levandose em conta as impugnações não trazem argumentos de forma específica para o PIS ou para a Cofins que mereçam relevo em separado, adotase aqui, na íntegra, o mesmo voto proferido no sobredito Acórdão: Da impugnação das fls. 3868 a 3895. Do não pagamento do IRPJ e da CSLL. 7. O lançamento em questão diz respeito à falta de pagamento de impostos dimanantes da escrituração contábil e fiscal da contribuinte. 8. Verificouse, nada obstante terem sido escrituradas receitas brutas1 nos montantes de R$ 40.573.374,49 e R$ 63.979.200,71 (vide quadro da fl.83), nos anos calendários de 2011 e 2012, respectivamente, e de terse optado pela apuração de lucro presumido nesses anos, não houve pagamento de tributos, tampouco confissão de débitos em Fl. 4036DF CARF MF 6 DCTFs __ apresentadas zeradas __ ou de sua declaração em DIPJs, que também foram apresentadas zeradas 9. O fato de terem sido apresentadas DIPJs retificadoras, informando os valores do imposto e da contribuição, em nada altera a situação, pois que não supre a referida falta2; ou seja, o não pagamento do imposto e da contribuição, que deveriam ter sido calculados com base na receita bruta, persiste. 10. A responsabilidade por infração só é afastada pela denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo devido, consoante art. 138 do CTN3, o que efetivamente não ocorreu: além de as DIPJ retificadoras terem sido apresentadas após o início do procedimento fiscal, não houve pagamento do IRPJ e da CSLL. Baldada assim a afirmação de que a incorreção nas DCTF e DIPJ tratavase de equívoco. 11. Descabido também o intricado argumento do item 3.2. Ora, com efeito os tomadores de serviços efetuaram as devidas retenções na fonte, que, aliás, foram consideradas no lançamento. Não quer isso significar todavia não mais havia obrigação de apurarse o IRPJ e a CSLL, com base na receita bruta auferida. 12. De sorte que não há acordar com as razões da defesa. Da multa 13. Consoante a impugnação, além de a multa aplicada ferir diversos princípios constitucionais, a sua qualificação teria sido indevida, uma vez que não teria restado demonstrado dolo, tampouco máfé por parte da contribuinte. 14. Não há assentir com o argumento. É inelutável, ao se apresentar DCTFs zeradas, bem assim DIPJs, por dois anos consecutivos, adrede se tentou impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador dos tributos em questão, o que caracteriza intenção de fraudar o fisco, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 19964, e subsunção à conduta do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 15. Por outro lado, não tem esta instância julgadora competência para julgar inconstitucionalidade de lei6 __ a verberação de mácula a princípios constitucionais encerra com efeito suscitação de inconstitucionalidade da hipótese legal da multa e de sua qualificação. Da imputação de responsabilidade 16. Como relatado, a Mindom questionou a imputação de responsabilidade dos Srs. Jorge de Souza Pereira e Andreia Alano Carcavilla. Acontece entretanto faltalhe legitimidade para isso, sendo da incumbência de cada sujeito passivo apresentar sua Fl. 4037DF CARF MF Processo nº 10530.721667/201681 Acórdão n.º 3401004.444 S3C4T1 Fl. 4.035 7 impugnação. É o que se conclui da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010: (...) Dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária. (...) Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. (...) Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. 17. Deixase assim de apreciar as razões apresentadas. Da Representação Fiscal para Fins Penais 18. A Representação Fiscal para Fins penais tratase de mera “notitia criminis”, isto é, por meio dela noticiase que, em tese, houve a prática de crime contra a ordem tributária __ prerrogativa aliás não exclusiva das autoridades fazendárias, consoante art. 16 da Lei nº 8.137, de 27 dezembro de 1990. 19. Cumpre ao Ministério Público, após o trânsito em julgado da decisão administrativa mantenedora do crédito __ o artigo 83 da Lei nº 9.430, de 19967, determina a Representação seja encaminhada ao referido órgão após proferida a decisão final na esfera administrativa __ , efetuar a pertinente denúncia, que, uma vez aceita, instaura a ação penal. Fl. 4038DF CARF MF 8 20. Nesse panorama, não há por que impedir e nem esta instância julgadora tem competência para isso , a continuidade do expediente. Da impugnação das fls. 3937 a 3960 21. Antes de mais nada, renovamse as colocações dos itens 7 a 17. 22. De fato, consoante a alteração contratual das fls. 3961 a 3964, a impugnante deixou de fazer parte da sociedade a partir de 19.12.2012 (registro na Junta Comercial do Estado da Bahia em 16.01.2013), de modo que não pode ser responsabilizada pelo crédito posterior a essa data. 23. Mesma sorte todavia não tem quanto ao período anterior. Não se pode dizer o caso tratase de mero inadimplemento ou de que a correção dos registros do Livro Caixa e Razão evidenciaria a não intenção de fraudar o fisco. 24. Ao apresentar DCTFs e DIPJs zeradas, por dois anos consecutivos, nada obstante o registro contábil e fiscal de receitas, como dito alhures, não resta dúvida ela teve, na condição de administradora da empresa, a intenção de fraudar o fisco, por meio da prática da conduta prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, o que com efeito caracteriza infração de lei, nos termos do inciso III do art. 135 do CTN, fundamento da imputação. 25. Confirmase desse modo a imputação de responsabilidade. procedente em parte as impugnações, para: a) manter integralmente o crédito e b) confirmar as imputações de responsabilidade; sendo que a responsabilidade da Sra. Andreia Alano Carcavilla fica limitada ao crédito relativo aos fatos geradores anteriores a 19.12.2012. 9. Assim, ante o exposto, voto por considerar procedente em parte as impugnações, para: a) manter integralmente o crédito e b) confirmar as imputações de responsabilidade; sendo que a responsabilidade da Sra. Andreia Alano Carcavilla fica limitada ao crédito relativo aos fatos geradores anteriores a 19.12.2012." (seleção e grifos nossos). 9. Assim, não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental: Fl. 4039DF CARF MF Processo nº 10530.721667/201681 Acórdão n.º 3401004.444 S3C4T1 Fl. 4.036 9 Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quorum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida" (seleção e grifos nossos). 10. Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário unicamente, e não conhecer o recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 4040DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003264/2006-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2006
MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A multa prevista no DI nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, deverá ser aplicada aos casos em que a importação tenha sido realizada após a sua entrada em vigor.
Não sendo possível verificar do auto de infração a data do ato punível, há de ser cancelado o auto de infração por nulidade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3002-000.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que rejeitou a preliminar e, no mérito, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Multa. Nulidade. Vício Material. Recorrente MANOEL BEIJO SOBRINHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A multa prevista no DI nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, deverá ser aplicada aos casos em que a importação tenha sido realizada após a sua entrada em vigor. Não sendo possível verificar do auto de infração a data do ato punível, há de ser cancelado o auto de infração por nulidade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que rejeitou a preliminar e, no mérito, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 32 64 /2 00 6- 30 Fl. 87DF CARF MF 2 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10675.003264/200630 Acórdão n.º 3002000.111 S3C0T2 Fl. 88 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ: Trata o presente processo de multa no importe de R$ 1.000,00 aplicada pela fiscalização aduaneira face a importação de mercadoria atentatória à moral, bons costumes, saúde ou ordem pública, com fulcro no artigo 107, inciso VII, alínea “b” do DecretoLei 37/66, com a redação data pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. A fiscalização tece os seguintes argumentos para fundamentar a autuação: Importação de mercadoria atentatória à moral/ bons costumes/saúde/ordem pública, conforme apurado. Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2ª VF/UBERLÂNDIA/MG, Foi apreendida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 01 (uma) placa para máquina “CaçaNiquel”, no estabelecimento comercial denominado “BAR DO MANOEL”, localizado na Av Cesário Alvim, 1.930 Bairro Aparecida UberlândiaMG, de propriedade do Sr MANOEL BEIJO SOBRINHO, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO F/30, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, a qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 62/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento da referida placa, processo 10675.000874/200681. O autuado foi cientificado da autuação em 16/12/06, conforme “AR” de fl. 24, não conformado, apresentou, através de advogado devidamente habilitado (procuração de fl. 38), em 02/01/2007, impugnação (fls. 27/28), com os seguintes termos: 1. O requerente foi autuado por suposta “importação de mercadoria atentatória à moral/bons costumes/saúde/publica” em face da apreensão pela Polícia Federal de placas para máquina “caçaníquel”, conforme descrito no Auto de Infração, lhe sendo aplicada multa pecuniária de R$ 1.000,00(..), com base no art. 107, inc. VII, “b”, do Dec. Lei n.37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833 de 29/12/2003. 2. O requerente não é “importador” e também “não importou” as mercadorias (placa de máquina caçaníquel), bem como não é, e nunca foi, proprietário das mesmas. 3. O requerente desconhecia a existência de “placa(s) estrangeira(s)” dentro das máquinas caçaníquel, porque não era proprietário da(s) máquina(s), porque nunca as abriu para olhar o que tinha dentro, porque, se olhasse, não saberia distinguir por não ter o mínimo conhecimento técnico pertinente à questão. Fl. 89DF CARF MF 4 Assim, mesmo que olhasse, não saberia se seria placa estrangeira ou não, e muito menos se era de importação proibida ou não. 4. O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para colocação da máquina caçaníquel, sob modesto aluguel fixo, o que é praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos. 5. Conforme Nota Fiscal e Laudo de Assistência Técnica, em anexo, o importador é Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, e destinatário Game Line Ltda. 6. A multa pecuniária de R$ 1.000,00(..) passou a vigorar a partir de 29/12/2003, e a importação ocorreu em data anterior 17/09/99, conf. Nota Fiscal, portanto ao fato não pode ser aplicada a multa Pecuniária. E, mesmo que, hipoteticamente, se desconsidere a Nota Fiscal, ainda assim é inaplicável a multa pecuniária porque a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior à Lei n. 10.833 de 29/12/2003 que deu nova redação ao art. 107; inc. VII, “b”, do Dec. Lei n. 37/66, ou seja, se a importação da(s) placa(s) ocorreu em data anterior é inaplicável a multa. 7. O requerente/autuado pede a improcedência da autuação, determinando o arquivamento do processo administrativo na forma da lei. 8. Requer produção de provas: documental e testemunhal, com rol oportuno. 9. Requer sejam as intimações dirigidas, doravante, ao endereço do advogado do requerente, cf. consta no cabeçalho desta petição Atendidas as cautelas de praxe, vieram os autos para julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, pelo voto de qualidade, em rejeitar a nulidade por vício material, suscitada pelo relator original Joaquim Jerônimo da Silva Filho, vencidos ainda os julgadores Mauro Campos Mendonça e Ricardo Serra Rocha, para negar provimento à impugnação, mantendo integralmente a multa lançada, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fato gerador: 22/02/2006 PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não gera efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Em caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, estas devem ser expressamente solicitadas, especificando o seu objeto e atendendose os requisitos previstos em lei, sob pena de considerarse não formulado o pedido. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO PATRONO DA CAUSA. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. As intimações via postal deverão ser realizadas sempre no domicílio tributário do contribuinte, o qual não se confunde com o endereço de seu patrono na causa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10675.003264/200630 Acórdão n.º 3002000.111 S3C0T2 Fl. 89 5 Fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ESTRANGEIRA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. MÁQUINA “CAÇA NÍQUEIS”. Aplicase a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não há registro nos autos de quando o contribuinte foi intimado acerca desta decisão, tendo em vista que o AR fora devolvido, conforme se extrai de fls. 67/69 dos autos. Ato contínuo, foi interposto em 08/10/2012 Recurso Voluntário (fls. 71/83), através do qual repisou, em síntese, as razões apresentadas em sua impugnação, acrescentando o pedido de reconhecimento de nulidade do auto de infração por vício material. Trouxe, ainda, em seu recurso, votos proferidos em outros processos, que acolhem a tese apresentada em suas razões recursais. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pela contribuinte. É o breve relatório. Fl. 91DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: 1. Da tempestividade do Recurso Voluntário interposto De início, há de se analisar a tempestividade do Recurso Voluntário interposto no presente caso. Conforme acima narrado, não há registro nos autos de quando o contribuinte foi intimado acerca da decisão de primeira instância administrativa, tendo em vista que o AR fora devolvido, conforme se extrai de fls. 67/69 dos autos. Nesse contexto, entendo que o Recurso Voluntário interposto voluntariamente pelo contribuinte em 08/10/2012, sem que haja qualquer comprovação nos autos de que tenha sido intimado quanto ao teor da decisão da DRJ antes desta data, há de ser considerado tempestivo. O Recurso Voluntário, portanto, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da nulidade do auto de infração combatido por vício material Conforme acima relatado, a presente demanda versa sobre a aplicação de penalidade pecuniária (multa administrativa) motivada pela apreensão de placa eletrônica para máquina caçaníquel encontrada em poder da autuada através de operação da Polícia Federal, conforme descrito no Auto de Apresentação e Apreensão de 22/02/2006. A penalidade aplicada encontra previsão no art. 107, inciso VII, alínea b do DI nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; O auto de infração embasouse, ainda, nos seguintes dispositivos legais, constantes do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (artigos 490, 602, 603, I, e 604, IV, 618, XIX): Art. 490. A importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento, que ocorrerá de forma automática ou nãoautomática, por meio do Siscomex. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10675.003264/200630 Acórdão n.º 3002000.111 S3C0T2 Fl. 90 7 *** Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). *** Art. 603. Respondem pela infração (Decretolei nº 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; *** Art. 604. As infrações estão sujeitas às seguintes penalidades, aplicáveis separada ou cumulativamente (Decretolei no 37, de 1966, art. 96; Decretolei nº 1.455, de 1976, arts. 23, § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59, e 24; e Lei no 9.069, de 1995, art. 65, § 3o): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) I perdimento do veículo; II perdimento da mercadoria; III perdimento de moeda; e IV multa. *** Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) ... XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública; (Grifos apostos). O contribuinte apresentou impugnação administrativa através da qual alegou, resumidamente, que: (i) não é importadora nem proprietária das mercadorias em comento e que não poderia ser responsabilizada apenas por ser proprietária do estabelecimento onde as mercadorias foram encontradas (defende que, conforme nota fiscal e laudo de assistência técnica anexados aos autos, o importador das mercadorias é a Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, e a destinatária é a Games Line Ltda.); (ii) desconhecia a existência de Fl. 93DF CARF MF 8 "placas estrangeiras" dentro das máquinas caçaníqueis, e que não possui conhecimento técnico, razão pela qual, ainda que tivesse aberto as máquinas, não poderia identificálas nem saber da proibição de sua importação e que apenas alugou um espaço dentro de seu estabelecimento comercial para colocação das máquinas, como de praxe em sua cidade e de conhecimento das autoridades públicas; (iii) da referida nota fiscal, extraise que a importação ocorreu em data anterior à vigência da Lei nº 10.833/03, a partir de quando passou a vigorar a penalidade, e mesmo que se desconsidere a data inserta na referida nota fiscal, que a Receita Federal não poderia afirmar que as importações se deram posteriormente à entrada em vigor da Lei nº 10.833/03. A DRJ entendeu por manter o auto de infração combatido com fulcro nos seguintes fundamentos: (i) que não poderia ser afastada a responsabilidade do contribuinte no presente caso, visto que o objetivo do legislador não foi inibir e punir apenas o importador, mas todo aquele que contribui para configuração do ilícito e que as convenções entre particulares acerca das responsabilidades decorrentes de obrigações tributárias não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar o sujeito passivo; (ii) afastou o argumento de desconhecimento técnico da contribuinte acerca das placas, e de que apenas alugou por pequeno valor o espaço de seu estabelecimento no qual as máquinas funcionavam, por entender que a conduta infratora é a utilização das mesmas, na qual teria se enquadrado a impugnante quando alugou espaço em seu estabelecimento visando obter vantagem de sua exploração; (iii) quanto à alegação de que os fatos ocorreram anteriormente à vigência da Lei nº 10.833/03, o acórdão manifestouse no sentido de que aos documentos referidos (nota fiscal e laudo técnico) não possuem ligação com as mercadorias em consideração neste processo, razão pela qual não haveria de se considerar as datas constantes de tais documentos, mas sim a da apreensão, ocorrida em 22/02/2006. Por oportuno, importante destacar que esta decisão fora proferida por voto de qualidade, havendo três dos julgadores da DRJ entendido pelo cancelamento da multa aplicada in casu, por vício material do auto de infração combatido. Insatisfeita com o teor da referida decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, através do qual reproduziu os argumentos trazidos em sua impugnação administrativa, acrescentando o pedido de reconhecimento de nulidade do auto de infração por vício material. Trouxe, ainda, em seu recurso, votos proferidos em outros processos, que acolhem a tese apresentada em suas razões recursais. Passo, então, à análise do caso. Consoante acima indicado, verificase que a multa aplicada in casu foi introduzida no ordenamento jurídico em 29/12/2003, e decorre da "importação" de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. No caso em comento, a fiscalização não embasou a autuação no fato de a autuada ter "importado" as mercadorias em questão, mas entendeu que deveria responsabilizála em razão do disposto no inciso I do art. 603 do Regulamento Aduaneiro, que determina que todos aqueles que, de qualquer forma, concorra para a prática ou dela se beneficie, responde pela infração. De fato, é cediço que o Regulamento Aduaneiro estende a responsabilidade pela prática de infração aduaneiras àqueles que concorram para a sua prática ou dela se beneficiem. Para que possa imputar tal responsabilidade, então, é imprescindível que demonstre, ao menos, o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e as hipóteses acima descritas (concurso para a prática da infração, ou benefício dela). No caso concreto aqui analisado, em que as máquinas caçaníqueis encontravamse de posse do contribuinte autuado, para uso de seus clientes, é possível vislumbrar, à primeira vista, que o contribuinte teria se beneficiado da prática do ato ilícito em questão. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10675.003264/200630 Acórdão n.º 3002000.111 S3C0T2 Fl. 91 9 Em sua defesa, o contribuinte defendeu que a importação teria se dado anteriormente à entrada em vigor da Lei nº 10.833/03, tendo anexado aos autos nota fiscal e parecer técnico que suportariam o seu argumento. A DRJ, por seu turno, entendeu que não havia relação regular possível entre a máquina regularmente importada, descrita no laudo anexado, com as máquinas nas quais foram encontradas as placas eletrônicas contrabandeadas, tendo afastado tal documentação como apta a comprovar que as importações se deram anteriormente à vigência da Lei nº 10.833/03. De outro norte, entendeu que, tratandose de apreensão de mercadorias contrabandeadas, seria na data da apreensão, ocorrida em 22/02/2006, que ocorre o fato infracional punível, com constatação da infração pela autoridade fiscal competente. Da análise da documentação acostada pelo contribuinte aos autos, concordo com a fundamentação da decisão recorrida no sentido de que não há como se fazer uma correlação entre as mercadorias ali importadas e as mercadorias apreendidas pela Polícia Federal, objeto do presente auto de infração. Contudo, discordo da conclusão ali apresentada no sentido de que a ocorrência do ato infracional punível se dá na data da apreensão das mercadorias. Consoante se extrai da leitura da alínea b do inciso VII do art. 107 do DI nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, o ato infracional encontrase expressamente descrito como sendo a "importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública". Entendo, portanto, que a interpretação realizada pela fiscalização vai de encontro à previsão expressa disposta na própria norma que instituiu a penalidade em referência. Nesse contexto, considerando que a penalidade aqui analisada foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro em 2003, tendo indicado como ato punível a "importação", entendo que tal penalidade apenas poderia ser aplicada no que concerne às importações realizadas posteriormente à sua entrada em vigor, pois não há que se falar em retroatividade de norma que impõe penalidade outrora inexistente. Acontece que, da análise do auto de infração combatido, não há como se identificar a data em que as importações foram realizadas, não se sabendo se ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que instituiu a penalidade aqui analisada. Logo, entendo que não se desincumbiu a fiscalização do seu ônus probatório quanto à constituição do crédito tributário exigido, tornando o auto de infração combatido nulo de pleno direito. E foi justamente nesse sentido que se manifestou o Relator original do processo em questão perante a DRJ, Joaquim Jerônimo da Silva Filho, quando do julgamento de primeira instância administrativa, cujo entendimento restou vencido pelo voto de qualidade. Por concordar com as razões de decidir ali apresentadas, transcrevo a seguir o seu teor: Da nulidade O art. 59, do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, lei instrumental no processo administrativo fiscal (PAF) determina: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 95DF CARF MF 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Já o art. 142, do CTN, já referido neste voto, estabelece os requisitos essenciais ao lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, a imposição do dever de a Administração motivar sua decisão para demonstrar a adequação do ato às suas exigências legais, pressupostos necessários de sua existência e validade são encontrados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o artigo 50 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, esta aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Decreto 70.235/72 PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] III a descrição do fato; [...] Lei nº 9.784/99 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Os dispositivos legais, acima transcritos, impõem a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de exigência do crédito tributário. Essa forma solene visa resguardar a observância ao princípio da legalidade tributária, princípio basilar e norteador de toda atividade administrativa que, por sua vez, alberga o da tipicidade, conforme já dito. Atualmente se sobressai na esfera administrativa a idéia de que além das hipóteses listadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF, também falhas na observância aos requisitos estabelecidos no art. 142, do CTN, ou no art. 10, do PAF, podem redundar na nulidade do lançamento, sempre que tais vícios coloquem em dúvida a correição da constituição do crédito tributário. Vêse, por outro giro, que todos os dispositivos legais acima referidos se correlacionam, não podendo ser considerados isoladamente. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10675.003264/200630 Acórdão n.º 3002000.111 S3C0T2 Fl. 92 11 No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Conforme afirmado no tópico precedente, não há como se saber, pelo que se fez constar neste processo, quais os motivos que levaram o autuante a concluir que o Sr. Manoel Beijo Sobrinho seria a pessoa que promovera a “importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública”. O fato de ser ele o proprietário do estabelecimento comercial onde a mercadoria irregular foi apreendida não é suficiente, por si só, para caracterizar a conduta gizada pela lei. Acrescentese, ainda, que a inércia da fiscalização em proceder investigações acerca da importação, como a identificação do importador, a propriedade da máquina e a época em que houve a importação, fragiliza a atuação, afetando sua higidez. Por outro lado, a documentação trazida pelo impugnante, fls. 30/35, não traz elementos suficientes para provar que a máquina “caçaníqueis” apreendida está contemplada na importação a que se refere a aludida documentação. De modo que, sou por considerar o presente lançamento nulo, acatando as ponderações trazidas pela defesa. Cumpre registrar que não se observa natureza formal, mas sim material na falha apontada, pois o vício detectado repercute na essência do lançamento que, em sendo refeito, poderá trazer modificações em mais de um requisito essencial previsto no art. 142, do CTN, inclusive, naquele que se refere à identificação do sujeito passivo. Indeferese o pedido de intimação para o endereço do advogado da autuada. A intimação deve ser enviada para o domicilio fiscal do sujeito passivo, constante dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em obediência ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelas Leis nos 9.532/1997, 11.196/2005, 11.457/2007 e 11.941/2009. CONCLUSÃO Diante do exposto e tudo mais que consta nos autos, voto no sentido de: I preliminarmente, a) REJEITAR o pedido de protesto genérico de provas; b) DECLARAR a NULIDADE do lançamento, por vício material, exonerando o crédito tributário exigido no valor de R$ 1.000,00. Nesta mesma decisão, o Julgador Ricardo Serra Rocha apresentou declaração de voto, através da qual trouxe outros fundamentos que reforçam o entendimento acerca da nulidade do auto de infração combatido. É o que se infere da passagem a seguir transcrita, a qual também constou do voto do Conselheiro Alexandre Gomes no Acórdão nº 3302002.653: É cediço que ao autor cabe a prova do fato constitutivo de seu direito, e ao réu, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, Fl. 97DF CARF MF 12 não sendo suficiente a simples alegação, tudo em consonância com o art. 333 do Código de Processo Civil – CPC, in verbis: Civil – CPC, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Acerca desse dispositivo, assim leciona Humberto Theodoro Júnior 1: “Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito (...)”.(grifei) Atualmente, não mais se admite que o lançamento possua caráter de prova pré constituída e nem que a sua presunção de legitimidade tenha o condão de inverter o ônus da prova, eximindo a Administração Tributária do dever de provar os fatos que alega. O art. 9º do Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, textualiza que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os elementos indispensáveis à comprovação do fato, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente à época) Nesse sentido, Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López se manifestam: “No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar prova de sua ocorrência.(...)” (grifei) Ademais, no PAF (art. 29 do Decreto nº 70.235/1972) a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ou seja, prevalece o princípio da livre convicção racional, pelo qual a autoridade é livre para decidir conforme a convicção que a prova lhe produzir, devendo, no entanto, fundamentar sua decisão. O próprio Código de Processo Civil (CPC), utilizado subsidiariamente ao PAF, também admite que, na análise das provas, a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, não estando adstrita sequer a laudos periciais, podendo formar sua convicção por outros elementos contidos nos autos, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (CPC) Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10675.003264/200630 Acórdão n.º 3002000.111 S3C0T2 Fl. 93 13 Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos. No caso em concreto, tenho que as provas trazidas aos autos se sustentam de forma primordial em Auto Circunstanciado, o qual relata que: Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2° VF/UBERLANDIA/MG, Foi apreendida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 01 (uma) placa para máquina “CaçaNíquel”, no estabelecimento comercial denominado “BAR DO CESAR”, localizado na Rua Bueno Brandão, 1241 – Bairro Martins UberlândiaMG, de propriedade do Sr CÉSAR ODILON DE FARIA, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO K/88, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, a qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 96/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento das referidas placas, processo 10675.000926/200610. Todavia, o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decreto lei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos Fl. 99DF CARF MF 14 elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. Nessa mesma toada, já se manifestaram outros Conselheiros do CARF, a exemplo do trecho voto a seguir colacionado, proferido pelo Conselheiro Gileno Gurjão Barreto no Acórdão nº 3302002.362, oportunidade em que foi acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Deroulede: Conforme exposto, a multa ora questionada foi inserida no ordenamento jurídico através da Lei nº 10.833/03, sendo que os equipamentos foram apreendidos pela Receita Federal em fiscalização realizada em 22.02.2006, ou seja, posteriormente à entrada em vigor da referida norma. Ocorre, no entanto, que, se por um lado o contribuinte apresenta documentos de outras máquinas cuja importação ocorrera em data anterior (1999) à vigência do dispositivo punitivo, por outro a fiscalização aplicoulhe a multa sem também provar que aquela máquina teria sido importada posteriormente. Ademais, conforme brilhantemente exposto no voto do i. julgador Ricardo Serra Rocha, em nenhum momento a i. fiscalização comprovou se as referidas importações ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da norma em questão. E uma vez que o tipo penal da norma recai sobre o ato de “importar”, importante essa análise. Por esse motivo, perfilome da declaração de voto proferida pelo i. julgador Ricardo Serra Rocha, que assim prescreve: “...o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decretolei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.003264/200630 Acórdão n.º 3002000.111 S3C0T2 Fl. 94 15 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. CF/1988 Art. 5º (...) LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de2004) Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (...) Assim, com a devida vênia, entendo que não restaram configurados todos os elementos nucleares da relação jurídicotributária em pauta. Dessarte, uma vez ocorrida violação a quaisquer dos requisitos essenciais do lançamento, consubstanciase o chamado vício material; vício este que não se coaduna com a contagem de prazo decadencial prescrita pelo inciso II do artigo 173 do CTN, aplicável apenas na ocorrência de nulidade por vício de natureza formal, ou seja, não vinculado à parte substancial do ato. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 101DF CARF MF 16 Ex positis, voto pela nulidade desta autuação pela ocorrência de vício material na edificação do lançamento, não se lhe aplicando a reabertura do prazo decadencial previsto no inciso II do art. 173 do CTN. Por derradeiro, anotese que ao considerar insubsistente o lançamento, não estou a asseverar que a defendente não cometeu a infração em litígio, mas sim que, conforme os elementos probatórios trazidos aos autos, a autoridade lançadora não demonstrou de maneira cabal a ocorrência do fato gerador desta penalidade, qual seja, importação de mercadorias estrangeiras de cunho atentatório à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, vez que não se preocupou em demonstrar minimamente a data de sua ocorrência e quem a praticou, haja concorrido, ou dela se beneficiado, estando assim, maculado o lançamento em apreço, por vício de nulidade material”. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe provimento. Por concordar com as razões acima apresentadas, as quais se adequam com perfeição à presente contenda, adotoas como razão de decidir. Em resumo, há de ser reconhecida a nulidade do auto de infração combatido em razão da ausência de elementos suficientes à confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada ao caso concreto analisado, ou seja, se a norma já se encontrava em vigor à época da infração ali indicada (importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública). É importante que se ressalte que a conclusão a que se chega nesta oportunidade esbarra na identificação da nulidade do auto de infração combatido. Em outras palavras, não se está aqui dispondo que inexistiu a infração combatida, mas apenas que não é possível se aferir, da análise do auto de infração, se a norma que instituiu a penalidade encontravase vigente quanto aos fatos geradores aqui analisados. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da nulidade por vício material. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.725540/2012-44
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
GLOSA COM DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. INDEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 55 40 /2 01 2- 44 Fl. 161DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2010, anocalendário de 2009, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 49.648,23 e exigido um crédito tributário de R$ 38.827,70 . Na impugnação apresentada, fls.02/09, o Impugnante alega, em síntese, que foi cumprida a exigência do disposto''no . art. 80 do RIR/99, com a apresentação dos recibos originais de pagamentos emitidos pelos prestadores de serviços, bem como requer seja realizada perícia contábil a fim de verificar se as pessoas mencionadas no lançamento receberam os valores declarados pelo requerente; que os prestadores dos serviços sejam ouvidos neste procedimento administrativo. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância interessado interpôs recurso voluntário. Nas razões recursais aduz preliminarmente a nulidade do processo por suposta violação aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal e , no mérito, roga que seja desconsiderado o lançamento fiscal objeto da notificação aqui ventilada impedindo, assim, a glosa dos valores declarados pelo contribuinte, tendo em vista que apresentou em oportunidade anterior os recibos originais de pagamentos efetuados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, bem como as respectivas declarações que atestam a prestação de serviços médicos, de modo que sejam mantidos os dados e os lançamentos de sua declaração de renda do ano de 2010, anocalendário 2009. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Violação dos princípios da ampla defesa , contraditório e devido processo legal O Recorrente teve garantida as suas oportunidades de manifestação, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Não há comprovação nos autos de cerceamento de defesa. Ao reverso, o contribuinte teve as chances para a produção de provas ao seu favor em Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10855.725540/201244 Acórdão n.º 2001000.020 S2C0T1 Fl. 3 3 diversos momentos, e a usufruiu. A autoridade lançadora não violou qualquer princípio constitucional ou cláusula pétrea, mas tão somente entendeu não ser fundamental a produção de determinadas provas para a formação do seu convencimento. Menciono aqui trecho da decisão da DRJ/SP2, qual me amparo para fundamentar a análise desta preliminar: "Assim, o rito estabelecido na legislação vigente para o processo administrativofiscal é: a) não concordando com a exigência fiscal, o autuado tem direito de apresentar sua inconformidade através da impugnação, dentro do prazo de 30 dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar (art. 15 do PAF); b) a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou, refirase a fato ou direito superveniente, ou, destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16 e § 4° do PAF); c) dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte, não concordando com a mesma, poderá interpor recurso voluntário. Tendo em vista que o pedido genérico para produção de novas provas, depois de apresentada a impugnação, ou seja, extemporaneamente, não se enquadra nas exceções previstas no § 40 do art. 16 do Decreto 70.23511972, é de se indeferir o referido pedido. Destaquese, ainda, que o processo administrativo fiscal, calcado no Decreto 70.235/1972, com alterações posteriores, não admite a produção de prova testemunhal. Por isso, acrescentese às razões do indeferimento acima, a ausência de previsão legal para que sejam ouvidas as pessoas prestadoras dos serviços médicos. No tocante ao pedido de'prova pericial, cumpre esclarecer que, apesar de ser facultado ao Sujeito Passivo o direito de pleitear a sua realização, em conformidade com o art.16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 Processo Administrativo Fiscal PAF , com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93, compete à Autoridade Julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18,"caput ", do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). A realização de diligências e/ou perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de comprovantes hábeis e/ou esclarecimentos adicionais, que, por algum motivo justificável, não é possível ao impugnante fazêlo quando de sua impugnação, fato este que não se aplica à presente situação, tendo em vista que o contribuinte não anexou aos autos nenhum Fl. 163DF CARF MF 4 elemento inovador que necessitasse de sua efetivação, deixando, portanto, de atender o disposto no inciso IV, do art. 16, do PAF." Desta feita, não acolho a preliminar de nulidade, passando, assim, à análise do mérito. Mérito Glosa de despesas médicas . Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos originais dos pagamentos efetuados, relativos ao próprio tratamento, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, além de declaração dos próprios prestadores de serviço, ratificando a existência dos fatos. A decisão de primeira instancia entendeu que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Na fase impugnatória, o interessado carreou aos autos documentos argumentando que os recibos e declarações Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10855.725540/201244 Acórdão n.º 2001000.020 S2C0T1 Fl. 4 5 juntados são provas suficientes da prestação dos serviços e pagamentos, não cabendo ao Fisco qualquer outra exigência. 19 O contribuinte traz em sua impugnação uma mera declaração simples dos profissionais sem especificar qual teria sido o tratamento e paciente. Alega que os tratamentos foram para si, no entanto não há nos autos nenhuma prova de que assim tenha sido. Não há indicação de que tenha sido ele defendente o paciente das despesas médicas informadas na DIRPF, sendo certo que para fazer jus à dedução pleiteada teria que ter como tal o próprio ou os seus dependentes, na forma da legislação indicada. 20. Conforme já relatado, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, o fato de as deduções apresentarem valores elevados é, por si só, motivo para a autoridade fiscal ser mais cautelosa e exigir outros elementos de prova da efetividade da prestação do serviço e do pagamento das referidas despesas, sem que isso se caracterize em arbitrariedade, como alegado na defesa. O defendente não logrou êxito em fazer a comprovação da regularidade das deduções informadas, embora tenha sido regularmente intimado para tanto. 21. Não se trata aqui de concluir que há limites para estas deduções, que não os há. Nem que são situações que não possam ocorrer. As deduções são expressivas e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943. 22. Assim é que, nessas circunstâncias, a mera apresentação de recibos, desacompanhada de documentação que ateste o pagamento dos valores neles constantes e a realização dos serviços, é insuficiente para caracterizar a efetividade da despesa passível de dedução.. “[...] A exigência, pela autoridade fiscal, de comprovação de pagamento dos serviços contratados pelo Recorrente, através de a apresentação de cópias dos cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques e extratos bancários que registrem tais operações, coincidentes em datas e valores com as prestações de serviços, de fato me parece ser coerente diante do fato concreto, tendo em vista, principalmente, o valor envolvido em relação às despesas médicas. Nesta senda, entendo, ademais, que a fundamentação fiscal a qual deu amparo ao lançamento aqui analisado está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico. Senão vejamos o que dispõe o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999 : Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 165DF CARF MF 6 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. É conveniente lembrar, que o contribuinte é a responsável perante o fisco pela guarda dos documentos que serviram de base para o preenchimento de sua declaração, enquanto não decorrido o prazo decadencial. Assim, ao fazer pagamentos de despesas que serão utilizadas a posteriori, para dedução da base de cálculo do imposto de renda, tem que se cercar de precauções para a eventualidade de comprovação. No que se refere às despesas com SPA “Casas de Repouso”, muito bem feita a análise da DRJ/REC. Como bem mencionado no acórdão, estes estabelecimentos podem ser equiparados à estabelecimentos geriátricos, merecendo o mesmo tratamento. Consta o seguinte no perguntas e respostas do sítio da RFB: "Despesas de internação em estabelecimento geriátrico são dedutíveis a título de hospitalização apenas se o referido estabelecimento se enquadrar nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde estivera licença de funcionamento aprovada pelas autoridades competentes(municipais,estaduais ou federais)." O Ato Declaratório Interpretativo nº 19/2007, por sua vez, dispõe sobre o conceito de serviços hospitalares para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda: Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Foi devidamente pesquisado o CNAE do estabelecimento em questão e verificouse que não se caracteriza como estabelecimento hospitalar. A dedução das despesas Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10855.725540/201244 Acórdão n.º 2001000.020 S2C0T1 Fl. 5 7 pagas a este título, no entanto, está condicionada à comprovação da qualificação do estabelecimento como hospital no cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde, o que não foi feito. O Ministério da Saúde MS, através da Portaria MS/SAS nº 376, de 03 de outubro de 2000, determinou o recadastramento de todos os Estabelecimentos de Saúde no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde – CNES, visando à criação do Banco de Dados Nacional de Estabelecimentos de Saúde, abrangendo a totalidade de hospitais existentes no país, assim como, a totalidade dos serviços ambulatoriais vinculados aos SUS e, ainda, os Estabelecimentos de Saúde ambulatoriais não vinculados ao SUS. Por fim, ratifico a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Por isso mesmo, mais uma vez, entendo pela manutenção do crédito lançado, o qual restou claramente respaldado e fundamentado pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, declarando, pois, a manutenção do crédito fiscal pretendido pela autoridade lançadora. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.006548/2007-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1002-000.231
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: 05751001842 - CPF não encontrado.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 65 48 /2 00 7- 62 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ Curitiba, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte acima qualificada. A interessada apresentou PER/DCOMP em 11/2007 (e.fls. 6), pleiteando créditos constantes do processo 13956.000170/200641, que a legislação considera não ter natureza tributária, por ter origem em títulos públicos das Centrais Elétricas Brasileiras S/A. A DRF de origem indeferiu o pleito, sob argumento de não existir previsão legal para extinção de créditos tributários mediante compensação com títulos públicos emitidos pela Eletrobrás. Devido à proibição normativa à compensação desse tipo de crédito, foi formalizado no presente processo lançamento de multa de ofício isolada de 75%, com base no art. 18 da Lei n.° 9.430/1996. Por bem descrever os fatos ocorridos até este momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o processo de lançamento de R$ 4.147,66 de multa de 75%, exigida isoladamente, por meio do auto de infração de fls. 21/24, em virtude de compensações consideradas não declaradas, conforme Despacho Decisório da DRF/Maringá, emitido no Processo Administrativo n.° 13956.000250/200787 (fls. 16/19), decorrente de crédito que adviria de cautela de obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A, cuja restituição foi solicitada em processo administrativo distinto (n.° 13956.000170/200641); o fundamento legal da autuação encontrase descrito às fls. 23. Cientificada em 17/01/2008 (fl. 22), a interessada, por intermédio de responsável legal, apresentou, em 12/02/2008, a impugnação de fls. 26/45, trazendo os argumentos sintetizados a seguir. Após falar, sinteticamente, sobre os fatos que levaram à autuação, no item 'Da suposta compensação indevida', contesta o entendimento do fisco de ser indevida a compensação declarada, tecendo considerações, com menções à doutrina e à jurisprudência, sobre o instituto da compensação, e diz que a sua previsão legal validaria suas ações nesse sentido. A seguir, no item 'Da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil para administrar empréstimo compulsório', efetua comentários sobre ser a Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB competente para administrar, e, portanto, restituir empréstimo compulsório, dizendo que não há como dissociar esse órgão (RFB) da pessoa jurídica União Federal; alega que a IN SRF n.° 600, de 2005, em seu art. 15, contemplaria a possibilidade da restituição, e conseqüente compensação, de receita não administrada pela RFB, acrescentando: 'É de se observar que a IN/SRF 600/05, em seu art. 15 permite a restituição e compensação de tributos não Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10950.006548/200762 Acórdão n.º 1002000.231 S1C0T2 Fl. 3 3 administrados pela RFB, desde que recolhidos mediante guia DARF. Contudo, diz em seu art. 31, § 1°, que não pode realizar restituição e compensação de tributos não administrados pela RFB. Em que pese a divergência aparente, tal não ocorre, uma vez que a interpretação dos dispositivos nos leva a conclusão de que tributos federais não administrados pela RFB podem ser objeto de restituição e compensação, enquanto tributos estaduais e municipais não podem. (..) A questão não diz quanto aos tributos recolhidos mediante DARF, mas sim tributos recolhidos e destinados à União, como o empréstimo compulsório materializado em obrigações da Eletrobrás.'. Na seqüência, sob o titulo 'Da extinção do crédito tributário — art. 156, II, CTN', afirma que o valor apontado pelo fisco para imposição da multa é feito de forma arbitrária, posto que os débitos fiscais estariam extintos (art. 156, II, do CTN), sob condição resolutória de ulterior homologação, ante a existência de 'pedido de compensação', ou, caso não seja este o entendimento, que seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III do CTN, uma vez que há procedimento administrativo pendente de decisão definitiva, tema, aliás, sobre o qual faz mais digressões no tópico 'Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário — art. 151, III, CTN', o qual finda falando que: 'assim, mais do que demonstrado que o valor constante do auto de infração é objeto de discussão administrativa, sendo direito liquido e certo da impetrante que tais débitos não sejam cobrados ou que se aplique qualquer multa.'. No item 'Da solidariedade passiva da União', reafirma a responsabilidade solidária da União quanto ao alegado empréstimo compulsório, e conclui:'assim, uma vez que a responsabilidade solidária da União ante o adimplemento de obrigação emitida por entidade de economia mista aconteceu por força de lei (artigo 40, § 3°, da Lei n.° 4.156/62), lei esta recepcionada pela Constituição Federal vigente (art. 34, § 12 dos ADCT) não se pode limitar sua restituição apenas coresponsável Eletrobrás.'. Por seu turno, no titulo 'Da alegada compensação indevida', argúi que não pode ser 'penalizada' com a imposição de multa isolada de 75%, sob o pretexto de compensação indevida, uma vez que não haveria dolo em sua conduta, além de que o fisco não estaria inibido, após o exaurimento da discussão administrativa, de exigir os valores que lhe são devidos, sustentando, ainda, que sua compensação não se amoldaria às hipóteses arroladas no art. 18 da Lei n.° 10.833, de 2003, pois, primeiro, inexistiria disposição legal expressa impossibilitando a compensação com obrigações da eletrobrás; segundo, o crédito é de natureza tributária; e, terceiro, não teria omitido nenhum dos elementos do fato gerador, fracionando ou retardando o pagamento do tributo. Prosseguindo, no item 'Da vedação ao confisco', faz breves considerações sobre o principio constitucional do nãoconfisco Fl. 160DF CARF MF 4 (art. 150, IV, CF/1988), depois do que diz: 'a cobrança de multa no valor de 75%, demonstra a ilegalidade e a abusividade na cobrança de eventual crédito tributário, impondo ao contribuinte excessiva carga econômica que pode ser traduzido como a implicância do indesejado efeito confiscatório.'; fala, ainda, que a redução da multa em até 50%, no caso de 'pagamento até o vencimento da intimação', evidenciaria que 'a mensuração da alíquota sobre a multa administrativa foi estabelecida por um critério amoral, ou seja, sem qualquer correlação econômico financeira pela falta de pagamento no momento oportuno'. Sob o titulo 'Do expurgo da multa', defende que a extinção dos débitos tributários indicados em declaração de compensação deve persistir enquanto o pedido de restituição, protocolizado em processo distinto, estiver pendente de decisão administrativa final, o que tornaria o auto de infração em comento desprovido de conteúdo material; diz, também, que: 'outro ponto relevante é que os procedimentos adotados pela impugnante foram observados e estão consentâneos com a legislação tributária vigente e, com espeque no parágrafo único do art. 100 do CTN, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.'. Por fim, requer que: (a) seja considerado improcedente o lançamento da multa isolada de oficio, posto que 'o crédito utilizado na compensação declarada possui natureza tributária (oriundo de empréstimo compulsório sobre energia elétrica, instituído pela União através da Lei n.° 4.156/62 e recepcionado pela Constituição Federal de 1988, nos moldes do artigo 34, ,¢ 12 do ADCT)'; (b) caso seja diverso o entendimento, se considere improcedente o lançamento, com espeque no art. 100, parágrafo único do CTN, uma vez que seu procedimento seria consentâneo com as normas complementares da RFB; (c) seja reconhecida e declarada a extinção da obrigação sob a condição resolutória de ulterior homologação, nos termos do art. 150, §§ 1° e 4°, c/c art. 156, II, ambos do CTN, ou, subsidiariamente, seja reconhecida e declarada a suspensão do procedimento administrativo até decisão final do pedido de restituição, nos termos do art. 151, III, do CTN; (d) a decisão seja prolatada nos moldes do art. 31 do Decreto n.° 70.235, de 1972, devendo, dentre outros requisitos, referirse expressamente às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, sob pena de se incorrer em cerceamento do direito de defesa, protestando, ainda, pela eventual produção adicional de provas, tais como juntada de documentos, oitiva de testemunhas, depoimentos pessoais, perícias. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresenta o Recurso Voluntário de efl. 115, do qual foram extraídos os principais argumentos, abaixo reproduzidos: "(...) O Relator, ao proferir seu voto, anunciou que não cabe à administração pública verificar a constitucionalidade das leis e Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10950.006548/200762 Acórdão n.º 1002000.231 S1C0T2 Fl. 4 5 nem de seus atos. Afirma estar a fazenda vinculada somente à legalidade. Ledo engano. O Supremo Tribunal Federal em dois momentos já pronunciou de forma sumulada a possibilidade da administração verificar a constitucionalidade e legalidade de seus atos, analise: 'Súmula 346: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.' 'Súmula 473: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial'. Isto quer dizer que toda a sua atuação pode ser pautada pelos princípios constitucionais, retirando a força normativa infraconstitucional quando verificado contraposição aos nortes magnos definidos na carta maior. No presente caso, não há duvidas da natureza tributária do empréstimo compulsório, e como tal, sua devolução também deve possuir a mesma característica. Se esse não for o entendimento estaria o Estado enriquecendose ilicitamente e encampandose nos privilégios que crédito tributário possui, para receber antes de pagar o que deve. De tal maneira, considerar a impossibilidade da compensação por não dar natureza tributária aos valores a serem restituídos, em razão de estarem estampados em um titulo da Eletrobrás, é o mesmo que esquecer a essência do direito, qual seja, empréstimo compulsório. Analisando que a compensação é forma de exteriorização da proteção da propriedade dos participantes, evitando a vantagem de um receber e não pagar, a ordem taxativa legal deve ser flexibilizada diante magnitude dos princípios constitucionais. Ainda, não existe normativo que direcione quem administra os empréstimos compulsórios, sendo calhado para a Receita Federal do Brasil, podendo perfeitamente, ser aceita a compensação." Ao final requer a reforma do acórdão recorrido e a improcedência da autuação. É o Relatório. Fl. 162DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Conforme se demonstrará a seguir, o Recurso é manifestamente intempestivo, e, portanto, dele não se toma conhecimento. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias o prazo para interposição do Recurso Voluntário contra decisão de DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal é estabelecida pelo art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Considerando que o Recorrente tomou ciência da decisão da DRJ na terça feira, dia 08/12/2009 (efl. 113) e apresentou seu recurso voluntário somente na sextafeira, dia 08/01/2010 (efl. 115), portanto, um (01) dia após o vencimento do prazo, o Recurso Voluntário é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado, tornandose definitiva a decisão de primeira instância no âmbito administrativo, a teor do que dispõe o artigo 42 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Assim, descumprido o pressuposto de admissibilidade previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por considerálo intempestivo. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902058/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 20 58 /2 00 9- 27 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13502.902058/200927 Acórdão n.º 1201002.024 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu declaração de compensação (DCOMP), objetivando compensar crédito de IRPJ com débito tributário de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, a compensação não foi homologada em razão da constatação de insuficiência de crédito, uma vez que o valor informado já teria sido alocado a débito confessado em DCTF. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que possui direito a compensação, tendo em vista que o crédito oriundo de pagamento a maior já havia sido desvinculado da DCTF do período que gerou o indébito. A manifestação em questão foi julgada improcedente pela DRJ, por entender que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do alegado direito creditório. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, requerendo a prorrogação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.001, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13502.900993/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.001): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, e na linha do que decidiu a DRJ, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF, não havendo, portanto, pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Já a empresa sustenta na defesa que o referido crédito já estaria "desvinculado" da DCTF, mas não apresenta qualquer prova nesse sentido. No recurso voluntário, alega não ter certeza da Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13502.902058/200927 Acórdão n.º 1201002.024 S1C2T1 Fl. 4 3 origem do direito creditório, razão pela qual requer expressamente a dilação de prazo para fazer essa comprovação. Ora, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a própria Recorrente expressamente diz que não cumpriu com este ônus, razão pela qual é evidente a não comprovação do direito creditório analisado. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, correta a não homologação da compensação. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13502.902058/200927 Acórdão n.º 1201002.024 S1C2T1 Fl. 5 4 Cumpre observar, ainda, que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, não havendo autorização legal que permita conceder pedido de dilação probatória tal como formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 166DF CARF MF
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